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Jornal de Umbanda Sagrada - MAIO/2016

Página - 2 J ornal de U mbanda S agrada - MAIO/2016 Pombagira é Mulher de

Pombagira é Mulher de Sete Maridos

A PALAVRA DO EDITOR

Por ALEXANDRE CUMINO Contatos: alexandre@colegiopenabranca.com.br

Existe na Umbanda um ponto muito cantado que diz:

“Pombagira é mulher de sete maridos, Não mexa com ela, ”

ela é um perigo

A música traz um tom de ameaça

e diz que essa “Pombagira” tem sete

maridos. Na cabeça de encarnados já se associa isso à poligamia, pro- miscuidade, safadeza e tudo o mais que uma torpe mente machista pode alcançar.

Sim machista, hipócrita ou repri- mida, o que se aplica também no caso de algumas mulheres que denigrem a imagem da Pombagira por conta da liberdade que gostariam de ter e não tem coragem de assumir. Triste para elas, pois é exatamente neste campo em que as Pombagiras trabalham e ajudam tão bem.

Que o digam os maridos das mé- diuns que são muito bem amparadas

e assessoradas por suas Pombagiras:

longe de ser uma ameaça, elas ensi- nam suas médiuns a se dar valor e não deixar espaço para o desrespeito

e muito menos para a agressão.

Há também as médiuns que criam uma expectativa de que suas Pomba- giras sejam “belas, recatadas e do lar” para serem aceitas por esta sociedade machista e hipócrita.

Sim, há médiuns que querem fa- zer de suas Pombagiras a sua própria imagem e semelhança e também há aquelas que querem ser elas mesmas (as médiuns) a imagem e semelhança torta e desvirtuada do que realmente

é a Pombagira.

Ser sensual não é ser vulgar

e Pombagira não está encarnada; portanto, não tem um corpo e não se utiliza do corpo de suas médiuns para alcançar prazeres terrenos.

Os desencontros, desinformação

e ignorância são muitos quando fala-

mos em Pombagira. Temos hipocrisia que vem de fora e que vem de dentro da Umbanda.

Eu mesmo acompanhei um mo- vimento junto à Casa de Velas Santa Rita e Fabrica de Imagens Bahia com relação à intenção de cobrir o corpo das imagens das Pombagiras e espe- cialmente os seus seios. Na época, achei interessante e apoiei a ideia.

Afinal, o que vão pensar os consu-

lentes ao ver imagens de Pombagira com o busto nu? Vão imaginar que as médiuns tiram a roupa nas Giras internas de Esquerda? Será mesmo?

Temos muito que pensar a res- peito. Na época, a Pombagira que me assiste disse apenas que cada médium e cada Pombagira devem escolher como se mostrar ou se apre- sentar por meio de imagens.

como se mostrar ou se apre- sentar por meio de imagens. Este mês vi uma arte

Este mês vi uma arte do Marcelo Moreno (Magia do Axé) ser censurada no Facebook apenas porque trazia os seios à mostra, em um desenho, uma animação de Pombagira. Escolhemos para a capa deste mês uma Pombagira Sensual, que está vestida, no entanto usa transparência, e observei que muitos se incomodaram com isso.

Minha resposta é que Pombagira é de fato sensual e não vejo problemas nisso e, ainda que o objetivo da capa deste jornal é chamar a atenção,

quem quiser saber mais que leia o jornal. Mas o que mais pegou foi sentir como ainda estamos presos à hipocrisia.

Quanto ao fato da Pombagira ser mulher de sete maridos isso é apenas um recurso simbólico de metáfora, no qual a Umbanda se apoia em Sete Linhas e para cada Linha um Orixá masculino e um Exu se assenta. Logo, Pombagira faz par com Sete Orixás e com Sete Exus Maiores na vibração destes Sete Orixás; apenas isso.

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Jornalista Responsável:

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É uma obra filantrópica, cuja missão é contribuir para o engrandecimento da religião, divulgando material
É uma obra filantrópica, cuja missão é contribuir para o engrandecimento da religião, divulgando material

É uma obra filantrópica, cuja missão é contribuir para o engrandecimento da religião, divulgando material teo- lógico e unificando a comunidade Umbandista.

Os artigos assinados são de in- teira responsabilidade dos auto- res, não refletindo necessaria­ mente a opinião deste jornal.

As matérias e artigos deste jornal podem e devem ser reproduzidas em qualquer veículo de comunicação. Favor citar o autor e a fonte (J.U.S.).

O JORNAL DE UMBANDA SAGRADA

não vende anúncios ou assinaturas

Nossa capa:

Nossa capa: Ilustração: MARCELO MORENO Produzida por: UMBANDA EU CURTO

Ilustração: MARCELO MORENO Produzida por: UMBANDA EU CURTO

Você cria, a Folha imprime DECLARAÇÃO Folhagráfica Unidade de Negócios do GRUPO FOLHA, localizada na
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DECLARAÇÃO

Folhagráfica Unidade de Negócios do GRUPO FOLHA, localizada na Alameda Barão de Limeira, 425 - 7.º andar - Campos Elíseos - São Paulo/SP - CEP 01202-900, inscrita no Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica – CNPJ 60.579.703/0001-48, declara para os devidos fins que executou em seu parque gráfico o serviço de impressão do Jornal Umbanda Sagrada Edição N.º 192 no dia 18/05/16 com tiragem de 22.000 exemplares com papel imprensa fornecido por esta Gráfica, com periodicidade Mensal de propriedade do Colégio de Umbanda Sagrada Pena Branca, tendo como seu diretor responsável o Sr. Alexandre Cumino.

São Paulo, 18 de maio de 2.016

Sidney Sidney Silva Silva Folhagráfica Folhagráfica
Sidney Sidney Silva Silva
Folhagráfica Folhagráfica
o Sr. Alexandre Cumino. São Paulo, 18 de maio de 2.016 Sidney Sidney Silva Silva Folhagráfica

Jornal de Umbanda Sagrada - MAIO/2016

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Vocês sabem porque essa postagem sumiu do Facebook?

Por MARCELO MORENO (Magia do Axé) – Contato: contato.magiadoaxe@gmail.com

(Magia do Axé) – Contato: contato.magiadoaxe@gmail.com Sim, a postagem original foi CENSURADA pelo Facebook e

Sim, a postagem original foi CENSURADA pelo Facebook e nossa página desativada por um dia em punição. Punição de quê? Por termos postado um desenho com seios à mostra.

Essa medida só reafirma o que essas entidades vem lutan- do e que tanto falamos aqui:

IGUALDADE! Essa hipererotização difundida na nossa sociedade, por filosofias antiquadas e opressoras, do corpo humano como meio de vulgaridade, é o que causa essa estranheza. O corpo humano

não é vulgar; é lindo. Sexo não

é sujo, é contemplação (quando

usado com consciência). Eu, você, todos os seres vivos não somos inferiores por estarmos na Terra, ao contrário: somos todos seres muito especiais para Olodumaré, o Criador, tanto que Ele insiste em nos dar novas e novas chances de evolução!

Parafraseando um meme da internet: Por que mamilos são TÃO polêmicos?! As pessoas não se amamentam quando peque- nas?!

Pombagira, a pétala do amor

As Pombagiras, em sua maioria, agem no campo vibracional do sentimento, mas não só do amor. Por terem a essência femi- nina, têm a sensibilidade de diagnosticar feridas na alma, seja pelo rancor, amor não correspondido, sentimento de ingratidão, enfim, qualquer coisa que leve o ser humano a sucumbir pelo emocional.

Não quer dizer, também, que não ajam pela magia. Aliás,

o que fazem muito bem por serem meticulosas em seus traba-

lhos. Mas por terem essa sensibilidade aguçada, ajudam-nos a curar feridas emocionais que não percebemos, mas que com o tempo possam se tornar monstros que devorem a nós e a quem amamos. É por essas fissuras que também somos invadidos por energias e pensamentos negativos, nos tornando presas fáceis para os espíritos de baixa vibração.

São muito conhecidas pela cura dos amores não corres- pondidos, mas nem ouse pedir o amado de volta a elas, pois

respeitam EXTREMAMENTE o livre arbítrio do próximo e irá levantar sua autoestima para seguir em frente e não ficar lhe prometendo a decisão do outro, coisa que não pode fazer. Se o fizer, essa entidade não trabalha dentro da lei, pois Pombagira que é Pombagira não aceita a mulher se submeter ao homem:

encoraja ela a ser igual e seguir sempre forte.

Salve seus trabalhos! Salve suas forças! Laroyê Pombagira! Se

o mundo não me der amor, que eu tenha sempre o vosso! Laroyê!

seus trabalhos! Salve suas forças! Laroyê Pombagira! Se o mundo não me der amor, que eu
não me der amor, que eu tenha sempre o vosso! Laroyê! poder feminino, e não acho
não me der amor, que eu tenha sempre o vosso! Laroyê! poder feminino, e não acho

poder feminino, e não acho que seja ofensivo mostrar o que os homens também mostram e não são reprimidos.

Claro que em uma Gira isso não acontece. É preciso que te- nhamos essa consciência, afinal

trangedoras ou perigosas.

Por fim, as que foram putas são maravilhosas e MOJUBÁ! As que foram da nobreza também são maravilhosas e MOJUBÁ! Vamos acabar com esse precon- ceito nosso também de recrimi-

Pombagira é ou foi puta?

Vamos falar das Pombagiras hoje. Bom, pra começar, Pom- bagira, Pombogira, Bombogira, todas essas nomenclaturas são corruptelas da palavra Bantu “Bongbogirá” que quer dizer Exu. O costume adaptou essa palavra para denominar a companheira de Exu, o que é absolutamente aceito por elas.

Então, foram putas?

Não necessariamente, e essa questão é delicada. Estamos fa- lando de uma religião (Umbanda) criada no começo do século XX, com espíritos remanescentes da escravidão, e de um Brasil precá- rio e bem preconceituoso, onde a mulher era explorada das formas mais desumanas, e seus direitos

praticamente não existiam. Quan- do esses espíritos começaram a incorporar, traziam essa origem pobre, essa vida calejada, e sim:

muitas foram putas para sobre- viver. E isso era comum, pois se analisarmos o século XIX para trás, a mulher era um objeto do homem.

Lembra da história de que a

primeira impressão é tudo? Então,

o estigma da puta ficou com as Pombagiras.

Mas esses espíritos souberam usar isso de forma maravilhosa, pois com esse rótulo levantaram a bandeira das que não tinham voz, pois toda mulher que sofria opressão as procuravam, por ima- ginar que por elas terem sofrido

tanto poderiam acolhe-las, e era exatamente assim.

Mas então, eram putas? Sim

e não. Alguns espíritos foram,

outros não. Nem todas as Pomba- giras foram putas, muitas foram rainhas, condessas, advogadas, marquesas, trabalhadoras da indústria, mulheres comuns. Nós encarnados fantasiamos demais sobre a origem delas, que são

trabalhadoras que passaram pela Terra e trabalham no astral para auxiliar os encarnados.

Mas porque estão sempre de peito de fora? Essas represen- tações são somente imagéticas,

herança desse passado que, par-

o

espírito SEMPRE vai respeitar

nar as que foram putas, porque

ticularmente, acho super válido.

o

livre arbítrio do seu cavalo, não

Exu não exclui, só inclui, não

A

Pombagira é um símbolo de

colocando-o em situações cons-

é?! Axé! :)

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Jornal de Umbanda Sagrada - MAIO/2016

Página - 4 J ornal de U mbanda S agrada - MAIO/2016 Linha e Arquétipo das

Linha e Arquétipo das Guardiãs Pombagiras

Por RODRIGO QUEIROZ – (Ditado por Sra. maria Padilha) - Contato: rodrigo@umbandaead.com.br

“Uma rosa cor de sangue, cintila em suas mãos,

Um sorriso que nas sombras não diz sim nem não,

Põe na boca cigarrilha e

se acende um olhar,

Que nas Trevas sabe o

bem e o mal pra quem

quiser amar….”

– Olá moço! Salve!

– Minhas reverências Se-

nhora!

– Moço coube a mim falar um pouco de nós, vamos lá?

– Senhora, já que tenta- rei escrever sobre o termo do “Orixá Pomba Gira” vamos falar da questão prática, ou seja, do surgimento de vocês mulheres na força de exu, também conhecidas como Exu Mulher.

– Ah moço, ainda tem essa,

né? Exu Mulher já é demais. Se- ria o mesmo que dizer Rodrigo Mulher ou coisa parecida. Mas entendemos quando criaram este termo era apenas para tentar explicar algo que desconheciam

e demoraria ainda um bom tempo

para se ter ferramentas e bons argumentos para melhor explicar nossa “aparição” nos terreiros.

– Entendido… E como isso se dá?

– Antes de “aparecermos” nos

terreiros de Umbanda já manifes- távamos em alguns lugares que nos permitiam como em alguns Catimbós, Macumbas Cariocas, etc. Não usavam o termo Pomba Gira, mas sim Princesa, Madame

e coisas do tipo. Estas aparições eram rariadas e ficava a cargo de médiuns mulheres que se

abriam a nós, no entanto poucas

o faziam.

– E por que isso?

– A sociedade em que você

vive é patriarcal, logo extrema- mente machista, hoje um tanto mascarado pela evolução tec- nológica e globalizado, mas são essencialmente machistas, tanto é que ainda chamam Deus de Pai, figura masculina e estrutura patriarcal.

– Isso é verdade!

– E há um século atrás era

muito pior e declarado este rebai-

xamento do sexo feminino. Assim, aparecemos em peso nos terreiros na década de 60 nos juntando ao movimento feminista que neste país criou grande repercussão nesta época.

– Hummm, quer dizer que vo-

cês vieram nos combater? (risos)

– Viemos combater a desi-

gualdade moço, e continuamos

fazendo.

– A Umbanda se mostra como

um ponto de convergência para

todos os meios menos favorecidos

e

oprimidos, não acha?

É fato. Seu universalismo

e

sua meta é essa, por isso tem

quem acredite que será a religião principal do futuro.

Continuando, por séculos a mulher era apenas coadjuvante existencial, sem muita importân- cia, porém necessária e aquelas

que tentaram mudar esta realida-

de foram mortas e ridicularizadas de alguma forma. Mas não ficarei aqui relembrando o passado,

certo?

– Tudo bem.

– Esta realidade brutal se

arrastou por séculos a fio e como

já disse começou a mudar a re- alidade nos anos 60 aqui neste país. Quando aparecemos nos terreiros éramos o retrato de tudo

aquilo que as mulheres sonhavam em ser, mas já tinham perdido a

esperança. Também éramos tudo que os homens gostavam, mas combatiam covardemente.

– Não entendo. Temos no-

tícias que vocês eram tratadas

como ex-prostitutas, ex-marginais

e ex-alguma coisa muito ruim e

amoral.

– (gargalhada) Isso é o que

tentaram dizer. Intriga dos covar-

des moço. (gargalhada)

– Então continue.

– Pois bem, nesta época, veja

os retratos das mulheres nesta época. Eram opacas, pálidas, feias e amarguradas. A vaidade era abafada de todas as formas e

sensualidade era algo que muitas vezes nem brotava no âmago da mulher. Um combate cruel contra

a natureza.

E surge nós, mulheres inde-

pendentes, firmes, alegres, riso-

nhas, esbanjando sensualidade, sem papas na língua “afrontando”

a covardia machista imperante.

Confesso moço, viemos auxiliar a mulher para se livrarem deste cár- cere emocional que viviam. Fomos muito combatidas, até hoje somos mas a luta já está mais fácil. Neste

tempo não tachavam somente

nós como seres amorais e todos

adjetivos que possa imaginar, a

médium caia na mesma vala. Se pra mulher incorporar uma pomba gira era um escândalo, imagine

quando ocorria com um homem. Era raro, mas fazíamos questão de provocar estas situações.

No momento em que come-

çamos aparecer nos terreiros e

tudo isso foi cautelosamente pen- sado, nos preparamos e foi uma “invasão” coletiva, simultâneo.

A médium que aparecia opaca

no terreiro ao estar mediunizada

por nós ficava linda, pois juntava sua sensualidade escondida com

a nossa e aquela mulher virava

um furacão. É certo que muitos

casamentos acabaram por isso, porém muitos outros também

foram salvos.

Nosso foco inicial era a mu-

lher. Libertar o ser feminino do medo e da dependência foi e é nosso norte. Fazemos a guarda do movimento feminista. Reconheça que muito se conquistou assim.

Tínhamos que provocar, por isso quando nos perguntavam se éramos “putas” respondíamos com uma sonora gargalhada. Se éramos “bruxas” a mesma res- posta. E quando cantavam que

“pomba gira é, mulher de sete maridos”, a provocação estava

feita. Pois era a situação inversa,

ou seja, não o homem podendo

a poligamia, mas sim a mulher

subjugando vários homens sob

seu feminilismo e encanto.

– Interessante…

– Árduo moço, muito árduo. Desde então nosso trabalho foi crescendo e se manifestando de forma organizada igual ao trabalho dos exus, somos a outra parte de exu que usando este termo abriga os seres masculinos no grau Guardião de evolução e nós no termo Pomba Gira somos

as mulheres no grau Guardiã de evolução.

– Quer dizer que o arquétipo

de vocês também se baseia na

milícia?

– Não, apenas representamos

a mulher independente, capaz e

livre. Somos como disse, aquilo que toda mulher busca ser e tudo

aquilo que os homens gostam mas tem medo.

– É certo que existem algumas

Pomba Giras que foram prostitu- tas e marginais.

– Sim é certo, como também

existem Exus que foram a pior espécie de homens. Porém isto

é um caso a parte. O que fomos

pouco importa, pois no geral, como todos os encarnados, somos espíritos humanos que sofreram sua queda e já lúcidos retoma- mos nosso caminho de evolução, assumindo um grau e campo de atuação sob a regência dos Ori-

xás e guardando a esquerda dos encarnados.

– Senhora é verdade que vo-

cês são especializadas em fazer

amarrações?

– Sim, da mesma forma que

somos especializadas em trans- formar homens em gays (garga- lhada). Brincadeira a parte moço, esta é mais uma colocação dos

mal informados. Nós já estamos livres destes “vícios” emocionais

e não praticamos nada fora do

livre arbítrio que impera na cria- ção Divina. Portanto, não somos amarradoras de nada e não deci- dimos sexualidade de ninguém. No entanto, somos especializadas

em desfazer estas anomalias magísticas.

É isso moço, vamos parar por aqui e fica em síntese registrado que Pomba Gira são espíritos hu- manos femininos que estão num

grau ao lado de exu e atuam prin-

cipalmente no coração e na mente daqueles que de certa forma se permitem ficar acrisolados em

suas próprias tormentas. Estimu- lamos o que o indivíduo tem de melhor, para que estes desejem ser melhores. Em nosso encanto

e sensualidade mostramos que de

tudo o que vale a pena é preservar

a felicidade.

Fique em paz moço noutra oportunidade sentamos nova- mente.

– Muito obrigado, senhora. Este é um assunto extenso e

poderíamos fazer um livro com centenas de páginas, mas não é

possível agora, então mais uma

vez muito obrigado!

– Salve!

– Saravá Pombagira Maria Padilha.

Nota do Médium: Por um

tempo tive resistência quanto ao trabalho de Pombagira, mera-

mente por falta de informação.

Hoje entendo o suficiente para perceber seu papel fundamental

e insubstituível num Terreiro.

Ainda assim, quando achei estar pronto para incorporar Dona Padilha me surpreendi por não

estar. Pois é, na ocasião comecei sentir meu corpo mudar e me assustei, bloqueei e de certa forma mantive um trauma. Um tempo depois ela se manifestou sem usar o mesmo artifício de me levar sentir fisicamente sua

estrutura. Consciente na incorpo- ração, vivi um misto de vergonha

e encanto, vergonha por me ver

requebrado e encantado por ter a oportunidade de aprender

e sentir um pouco mais deste

universo tão complicado que é o

ser feminino.

Também pude pôr à prova que espírito algum muda nossa

orientação sexual ou coisa do tipo.

Quanto ao termo Pombagira, muitas são as discussões. Alguns dizem ser Pomba – um símbolo da genital feminina (vulva) e Gira – o fato dela dançar girando

no Terreiro, ou seja, uma espécie de vulva girante, faceira e por

aí vai. A meu ver é um tanto

preconceituoso e sem nexo essa

“tradução”.

Outro ponto de vista muito provável é que Pombagira é uma variante de Bombojila, uma divindade africana não Yorubá equivalente a Exu que começou

a ser cultuada no surgimento do

Candomblé por conta da fusão

dos Cultos de Nação em terras

brasileiras. Como temos Exu

representando os Guardiões na

Umbanda, teríamos que ter algu- ma referência para às Guardiãs, então resgataram Bombojila, que num aportuguesamento forçado foi sofrendo variações fonéticas:

Bombojila – Bumbojila – Bombo Gira – Pumbu Gira e Pomba Gira. Sabe como é leitor: isso é coisa de brasileiro! (risos).

Jornal de Umbanda Sagrada - MAIO/2016

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Pombagira

Por THAÍS HELENA QUEIROZ (por Maria Quitéria) - Contato: thaishim@yahoo.com.br

Bom dia moça… que o amor este-

ja sempre a abrir os teus caminhos.

Hoje tenho um motivo especial para estar aqui. Quero que você escreva um pouco sobre nós, as Pomba Giras… tão mal interpreta- das e sempre tão requisitadas em trabalhos relacionados ao amor…Ou falsos “amores”.

Diariamente tentamos ajudar humanos que se dizem sem forças porque foram traídos, abandonados e esgotados, que perderam seu amor, perderam seu rumo e estímulo e se perdem em abismos por viverem em função de sentimentos egoístas e vaidosos, quando o difícil é fazê-los perceber que este falso amor nunca lhes pertenceu, e sim o amor próprio que mora em cada um de nós, esse sim soma com outros amores, o que nos dá a sensação de termos encon- trado um grande e único amor, o que realmente são, tão individuais como cada ser e sua natureza.

Nós, Pomba Giras, somos o verdadeiro e puro estímulo, onde atuamos na capacidade da mulher se auto sustentar, se auto afirmar em suas forças e belezas, estimula- mos todos os sentidos obscuros que existe dentro de uma mulher e de um homem para que eles possam seguir suas caminhadas em busca de sonhos e ideais, ou pensas que só vo- cês mulheres precisam de estímulos?

Estimulamos todos os sentidos que façam com que humanos enxerguem

e coloquem em práticas todas as

virtudes existentes em sua natureza.

Por muito tempo fomos compa- radas com mulheres de vida fácil, liberais, quando o incômodo está em nosso magnetismo de encantar, de conquistar e estimular todos os sentidos da vida, com uma gargalha- da, com uma dança, com uma lição

vida, com uma gargalha- da, com uma dança, com uma lição de amor… Mas não se

de amor… Mas não se encantes com tantos encantos. Sabemos e somos donas do sentido estimulador e podemos paralizá-lo quan assim for necessário e de belas e encantado- ras mulheres, passamos a valentes guerreiras e guardiãs de nossos protegidos, ou quem possa vir a nos evocar na Lei Divina da Luz.

Se quiserem nos humanizar, te- nham nós como as guerreiras, como as mulheres de frente que sempre se destacaram e lutaram por seus ideais, tenham a certeza de que estivemos a ampará-las, apenas para ativar seus sentidos e protegê-las para que pu- dessem realizar suas missões, única e exclusiva de desabrochar e chamar atenção de mulheres que já haviam

se esquecido do que existe dentro de cada uma, seus sonhos e ideais, já as mulheres de vida fácil como dizem parecermos, essas sim são carentes de amor próprio, movidas por falsas ilusões e falsos amores, esse motivo maior de sermos procuradas e tão mais perto da realidade presente hoje entre vocês humanos.

Porque citar essas duas classes de mulheres que por tempo viraram uma e que são de um magnetismo contrário?

Porque são guerreira em desco- brir sua própria natureza e não de querer descobrir a do próximo, são felizes com o que tem e o que são e isso se chama amor próprio.

Quando citamos as que vocês

classificam de mulheres da vida fácil,

é porque buscam incansavelmente por um amor fora de si.

E o que buscamos, é fazer com

que vocês possam enxergar que o amor não se busca em outros corpos, não se busca em grandes empregos ou em grandes amizades, tudo se soma para fazer do amor próprio ainda mais belo e fortificado, mas não traz e nem cria ele, nunca po- derão ter um grande amor, enquanto não aprenderem a se amar, não serão bem sucedidos em grandes ou pequenos empregos enquanto não amarem o que fazem, vivam a amar

o que fazem, o que buscam e o que

são, vivam intensamente e atrairão

o próprio magnetismo puro do amor

até vocês e entenderão ou começa- rão a entender as mensagens que nós Pomba Giras buscamos passar…

Para nos evocar basta perceber

e

buscar o amor que mora dentro de

si

e para perceber o que sou e onde

estou, basta olhar para as estrelas, verá sua luz e beleza, todo seu en- canto e delicadeza, mas perceberá que ao seu lado mora um grande es- curo imponente, basta observar uma rosa, seu cheiro, textura e encanto, mas não se esqueça, que se muito dela querer, desta linda flor se ma- chucará com seu próprio espinho…

Salve tu moça! Salve o Amor e a Lei! Salve a Magia!

desta linda flor se ma - chucará com seu próprio espinho… Salve tu moça! Salve o
desta linda flor se ma - chucará com seu próprio espinho… Salve tu moça! Salve o

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Jornal de Umbanda Sagrada - MAIO/2016

Página - 6 J ornal de U mbanda S agrada - MAIO/2016 Pombagira: origens, histórico e

Pombagira:

origens, histórico e equívocos

Por RUBENS SARACENI – Contato: contato@colegiodeumbanda.com.br

É claro que uma mulher altiva, senhora de si, segura, competen- tíssima no seu campo de atuação, seja ele profissional, político,

intelectual, artístico ou religioso, impressiona positivamente alguns

e assusta outros.

Agora, se esse imenso poten- cial também aflorar nos aspectos íntimos dos relacionamentos ho- mem-mulher, bem, aí elas fogem do controle e assustam a maioria como começam a ser estereotipa- das como levianas, ninfomaníacas, etc, não é mesmo?

Liberdade com cabresto ainda é aceitável em uma sociedade patriarcal e machista. Mas, sem um cabresto segurado por mãos masculinas, tudo foge do controle

e a sociedade desmorona porque

não foi instituída a partir da igual-

dade, e sim, da desigualdade. Uma mulher submissa, só acos- tumada e condicionada a sempre dizer “amem”, todos aceitam como amiga, como vizinha, como cole- ga de trabalho, como namorada, como esposa, como irmã, etc. Mas uma mulher questionadora, insub- missa, mandona, contestadora, independente, personalista, etc, nem pensar não é mesmo?

– Pois é! Não seria diferente em se tratando de espíritos e, para complicar ainda mais as coisas, com eles incorporando em mé- diuns e trabalhando religiosamente para pessoas com problemas gra- víssimos de fundo espiritual. De repente, uma religião nascente

e espírita se viu diante de mani-

festações de espíritos femininos altivos, independentes, senhoras de si, competentíssimas, liberais, provocantes, sensuais, belíssimas, fascinantes, desafiadoras, pode- rosas, dominadoras, mandonas,

cativantes, encantadoras, cuja forma de apresentação fascinou os homens porque elas simbolizavam o tipo de mulher ideal, desde que não fosse sua mãe, sua irmã, sua esposa e sua filha, certo?

Quanto às mulheres, as Pom- bagiras da Umbanda simbolizavam tudo o que lhes fora negado pela sociedade machista, repressora e patriarcal do inicio do século XX no Brasil, onde à mulher estava reservado o papel de mãe, irmã, esposa e filha comportadíssimas… senão seriam expulsas de casa ou recolhidas a um convento. Mas, com as Pombagiras de Umbanda não tinha jeito, porque ou deixavam elas incorporarem em suas médiuns ou ninguém

mais incorporava e ajudava os necessitados que iam às tendas de Umbanda. Só um ou outro dirigente ousava realizar sessões de trabalhos espirituais com as Pombagiras, e a maioria deles preferia fazer “Giras fechadas” para a Esquerda, para não “es- candalizar” ninguém e para não atrair para o seu Centro a Polícia e os comentários ferinos sobre as “moças da rua”. Só que essa não foi uma boa solução porque as línguas ferinas logo começaram a tagarelar e a espalhar que nessas Giras fechadas rolava de tudo, criando um mal estar muito grande, tanto dentro do círculo umbandista quanto fora dele. E ainda que tais fuxicos fossem falsos e maledicentes, não teve

mais conserto porque o “vaso de cristal” da religiosidade umbandis- ta nascente havia se trincado, e as “moças da rua” já haviam sido estigmatizadas como espíritos de rameiras que incorporavam em médiuns mulheres para fumarem,

beberem champagne, “garga- lharem à solta”, rebolarem seus quadris, balançarem seus seios de forma provocante e para atiçarem nos homens desejos libidinosos e inconfessáveis.

Para quem não sabe, rameira era o nome dado às prostitutas e às “mulheres de programas” do nosso atual século XXI. O único

jeito de amenizar o “prejuízo reli- gioso” que eles haviam causado com suas “petulâncias” foi tentar explicar que não era nada disso,

e sim, que as Pombagiras eram

Exus femininos e, como todos sa- bem, Exu não é flor que se cheire, ainda que seja muito competente nos seus trabalhos de auxílio aos

necessitados de socorros espiritu-

ais, certo?

Quando os militares assumi-

ram o poder nos anos 60 do século

e logo entraram em choque

com alguns setores do catolicismo

arraigados na política, então dimi-

nui

de forma acentuada a intensa

XX

perseguição da Polícia sobre as Tendas de Umbanda. Somando à liberdade conseguida no período

da

ditadura, vieram os movimen-

tos

feministas que explodiram na

América do Norte e na Europa, que conseguiram muitas conquistas para as mulheres.

A par destes acontecimen-

tos, veio a explosão da revolta da juventude, com os Beatles e

com Woodstock, que mudaram os padrões comportamentais dos jovens e as relações entre pais e filhos. Pombagira assistiu a todos esses acontecimentos, que se passaram nos anos 1960 e 1970

e, entre um gole de champanhe e

uma baforada de cigarrilha, dava

suas gargalhadas debochadas, e dizia isto:

– É isso aí, mesmo! Mais trans- parência e menos hipocrisia!

A popularidade de Pombagira –

Com a liberação da mulher, vieram

a responsabilidade, os direitos e os deveres. Pombagira popularizou-se com a expansão da Umbanda e dos demais cultos afro-brasileiros nos anos 60 e 70 do século XX e,

em meio a multiplicidade de cultos com ela presente em todos, sua força era indiscutível e seu poder foi usufruído por todos os que iam

se consultar com Ela.

Como ninguém se preocupou em fundamentá-la enquanto Mis- tério da Criação e instrumento repressor da Lei Maior e da Justiça Divina, temidíssima justamente em um dos campos mais controverti- dos da natureza dos seres, que é justamente o da sexualidade, eis que não foram poucas as pessoas

que foram pedir o mal ao próximo

e adquiriram terríveis carmas,

todos ligados aos relacionamentos amorosos ou passionais. Nada como pedir para as “moças da rua” coisas que não seriam muito bem vistas pelo “povo da direita”.

Assim, Pombagira tornou-se

a ouvinte e conselheira de mui-

tas pessoas com problemas nos seus relacionamentos amorosos, procurando atender a maioria das

solicitações, fixando em definitivo um arquétipo poderoso e acessível

a todas as classes sociais. Junto

à explosão descontrolada das ma-

nifestações de Pombagiras, vieram

os males congênitos, que acompa-

nham tudo o que é poderoso: os abusos em nome das entidades espirituais, tais como os pedidos

de jóias e perfumes caríssimos; de vestes ricas e enfeitadas, de oferendas e mais oferendas carís- simas; de assentamentos luxuosos

e ostentativos; de cobrança por trabalhos realizados por Elas, mas

recebidos em espécie por encar- nados, etc.

Pombagira também serviu de desculpa para que algumas pessoas atribuíssem a ela seus comportamentos no campo da sexualidade. Ainda que saibamos que elas são esgotadoras do íntimo das pessoas negativadas por causa de decepções e frustrações nos campos do amor, no entanto ainda

hoje vemos um caso ou outro que atribuem à Pombagira o fato de vibrarem determinados desejos ou compulsões ligadas ao sexo. Mas a verdade indica-nos exatamente o contrário disso, ou seja, a “mulher da rua” atua esgotando o íntimo de pessoas e de espíritos vítimas de desequilíbrios emocionais ou conscienciais, pois essa é uma de suas muitas funções na Criação.

Pombagira: O Mistério Desconhecido A falta de informação sobre a religião direciona os adeptos a prá- ticas religiosas indevidas, propala e contribui para um distanciamento cada vez maior do culto tradicional

africano. O nome “Pombagira” ou “Pombogira” usados atualmente na Umbanda e nos demais cultos afro-brasileiros é uma corruptela de Pambú Njila, o Guardião dos Caminhos e das Encruzilhadas no

Culto de Nação Bantu, da língua Kimbundu. Também há referên- cias de que o nome “Pombagira”

deriva de Bombogira, entidade do Culto de Angola que é muito oferendada nos caminhos e nas encruzilhadas, muito temida e respeitada na região africana onde é cultuada.

Fonte: “Orixá Pombagira”, Rubens Saraceni, Editora Madras

temida e respeitada na região africana onde é cultuada. Fonte: “Orixá Pombagira”, Rubens Saraceni, Editora Madras

Jornal de Umbanda Sagrada - MAIO/2016

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J ornal de U mbanda S agrada - MAIO/2016 Página -7 Pombagira de Umbanda Por RUBENS

Pombagira de Umbanda

Por RUBENS SARACENI – Contato: contato@colegiodeumbanda.com.br

NA UMBANDA, a entidade espiri- tual que se manifesta incorporada em suas médiuns está fundamen- tada num arquétipo desenvolvido à partir da entidade Bombogira, originária do culto Angola. Nos cultos tradicionais oriundos da Nigéria não havia a entidade Pombagira ou um Orixá que a fundamentasse. Mas, quando da vinda dos nigerianos para o Brasil (isto por volta de 1800), estes aqui encontram-se com outros povos

e culturas religiosas e assimilam

a poderosa Bombogira angolana

que, muito rapidamente, con- quistou o respeito dos adorado- res dos Orixás. Com o passar do tempo a formosa e provocativa Bombogi- ra conquistou um grau análogo ao de Exu e muitos passaram a chamá-la de Exu Feminino ou de mulher dele. Mas ela, marota e astuta como só ela é, foi logo dizendo que era mulher de sete exus, uma para cada dia da semana, e, com isso, garantiu sua condição de su- perioridade e de independência. Na verdade, num tempo em que as mulheres eram tratadas como inferiores aos homens e eram vítimas de maus tratos por parte dos seus companheiros, que só as queriam para lavar, passar, cozinhar e cuidar dos filhos, eis que uma entidade fe- minina baixava e extravasava o ‘eu interior’ feminino reprimido à força e dava vazão à sensualida- de e à feminilidade subjugadoras do machismo, até dos mais inve- terados machistas. Pombagira foi logo no início de sua incorporação dizendo ao que viera e construiu um arqué-

tipo forte, poderoso e subjugador do machismo ostentado por Exu

e por todos os homens, vaidosos

de sua força e poder sobre as mulheres.

Pombagira construiu o ar- quétipo da mulher livre das

convenções sociais, liberal e libe- rada, exibicionista e provocante, insinuante e desbocada, sensual

e libidinosa, quebrando todas as

convenções que ensinavam que todos os espíritos tinham que ser certinhos e incorporarem de

forma sisuda, respeitável e aceitá-

vel pelas pessoas e por membros de uma sociedade repressora da feminilidade.

Ela foi logo se apresentando como a “moça” da rua, aprecia- dora de um bom champagne e de uma saborosa cigarrilha, de batom e de lenços vermelhos provocantes. “O batom realça os meus lábios, o rouge e os pós ressaltam minha condição de mulher livre e liberada de con- venções sociais”. Escrachada e provocativa, ela mexeu com o imaginário popular e muitos a associaram à mulher da rua, à rameira oferecida , e ela não só não foi contra essa associação como até confirmou:

“É isso mesmo”!

E todos se quedaram diante

dela, de sua beleza, feminilidade

e liberalidade, e como que encan-

tados por sua força, conseguiram abrir-lhe o íntimo e confessarem- -lhe que eram infelizes porque não tinham coragem de ser como elas.

Aí punham para fora seus recalques, suas frustrações, suas mágoas, tristezas e ressentimen- tos com os do sexo oposto.

E a todos ela ouviu com com-

preensão e a ninguém negou seus

a todos ela ouviu com com- preensão e a ninguém negou seus conselhos e sua ajuda

conselhos e sua ajuda num campo que domina como ninguém mais é capaz. Sua desenvoltura e seu po- der fascinam até os mais introver- tidos que, diante dela, se abrem e confessam suas necessidades. Quem não iria admirar e amar arquétipo tão humano e tão libe- ralizado de sentimentos reprimi- dos à custa de muito sofrimento? Pombagira é isto. É um dos mistérios do nosso divino criador que rege sobre a sexualidade feminina. Critiquem-na os que se sentirem ofendidos com seu pode-

roso charme e poder de fascinação. Amem-na e respeitem-na os

que entendem que o arquétipo é liberador da feminilidade tão reprimida na nossa sociedade patriarcal onde a mulher é vista e tida para a cama e a mesa. Mas ela foi logo dizendo:

“Cama, só para o meu deleite e mesa, só se for regada a muito champagne e dos bons!

Com isso feito, críticas con- trárias à parte, o fato é que o

arquétipo se impôs e muita gente já foi auxiliada pelas “Moças da Rua”, as companheiras de Exu. A espiritualidade superior que arquitetou a Umbanda sinalizou à todos que não estava fechada

para ninguém e que, tac como Cristo havia feito, também aco- lheria a mulher infiel, mal amada, frustrada e decepcionada com

o sexo oposto e não encobriria

com uma suposta religiosidade a hipocrisia das pessoas que, “por baixo dos panos”, o que gostam mesmo é de tudo o que a Pomba- gira representa com seu poderoso arquétipo.

Aos hipócritas e aos falsos

puritanos, pombagira mostra-lhes que, no íntimo, ela é a mulher

de seus sonhos

ou pesadelos,

provocando-o e desmascarando seu falso moralismo, seu pudor

e seu constrangimento diante de

algo que o assusta e o ameaça em sua posição de dominador. Esse arquétipo forte e pode- roso já pôs por terra muito falso

moralismo, libertando muitas pessoas que, se Freud tivesse conhecido, não teria sido tão atormentado com suas descober- tas sobre a personalidade oculta dos seres humanos. Mas para azar dele e sorte nossa, a Umbanda tem nas suas Pombagiras, ótimas psicólogas que, logo de cara, vão dando

o diagnóstico e receitando os

procedimentos para a cura das repressões e depressões íntimas. Afinal, em se tratando de coisas íntimas e de intimidades, nesse campo ela é mestra e tem muito a nos ensinar. Seus nomes, quando se apresentam, são sim- bólicos ou alusivos.

- Pombagira das Sete Encruzilhadas;

- Pombagira das Sete Praias;

- Pombagira das Sete Coroas;

- Pombagira das Sete Saias;

- Pombagira Dama da Noite;

- Pombagira Maria Molambo;

- Pombagira Maria Padilha;

- Pombagira das Almas;

- Pombagira dos Sete Véus;

- Pombagira Cigana; etc.

O simbolismo é típico da Um- banda porque na África, ele não existia e o seu arquétipo anterior era o de uma entidade feminina que iludia as pessoas e as leva- vam à perdição. Já na Umbanda,

é o espírito que “baixa” em seu médium e, entre um gole de champagne e uma baforada de

cigarrilha, orienta e ajuda a todos

os que as respeitam e as amam,

confiando-lhes seus segredos e suas necessidades. São ótimas psicólogas. E que psicólogas! “Salve as Moças da Rua”!

seus segredos e suas necessidades. São ótimas psicólogas. E que psicólogas! “Salve as Moças da Rua”!

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Jornal de Umbanda Sagrada - MAIO/2016

Página - 8 J ornal de U mbanda S agrada - MAIO/2016 Pombagira Da REDAÇÃO DO

Pombagira

Da REDAÇÃO DO BLOG UMBANDA EAD com JÚLIA PEREIRA - Contato: blog@umbandaead.com.br

A REPRESENTAÇÃO DO FEMININO NA FIGURA DE POMBAGIRA

Para quem desconhece sobre esse tema, a palavra Pombagira, pode trazer estranhamento e uma ideia pré-concebida de algo ruim, beirando a promiscuidade.

Um dos motivos dessa asso- ciação negativa está na vasta pro- pagação que algumas instituições religiosas insistem em sedimentar a ela. À Pombagira reservou-se uma imagem pejorativa, ligada à sexualidade desenfreada, liber- tinagem e trabalhos negativos como amarrações de amor (aces- sando umbandaead.blog.br você pode ler mais sobre esse tema).

MAS, QUEM É POMBAGIRA?

A popularização da entidade acontece em meados dos anos 60 quando a mais forte expressão do

empoderamento feminino toma forma dentro da Umbanda e de centros espiritualistas – princi- palmente os de matriz africana – revelando-se então a linha das Guardiãs. Assim surge a figura das Pombagiras que, de início, in- corporavam predominantemente em mulheres e mais tarde come- çaram a se manifestar também em homens.

Na época de seu “apareci- mento” nos Terreiros, as Giras onde se incoporavam essas en- tidades eram feitas de maneira restrita, com a intenção de não atingir a concepção de “moral e bons costumes” da sociedade, o que colaborou para a mistificação de seu nome.

PEDIDOS DE AJUDA EM RELACIONAMENTOS

Essa representação acaba se

DE AJUDA EM RELACIONAMENTOS Essa representação acaba se tornando especialista em resolver questões ligadas a

tornando especialista em resolver questões ligadas a problemas amorosos e isso aconteceu devido à maior liberdade que dispunham ao tratar desses aspectos sem hipocrisia e rodeios.

Rubens Saraceni expõe isso no livro Orixá Pombagira: “Assim Pombagira tornou-se a ouvinte

e conselheira de muitas pessoas

com problemas nos seus relacio- namentos amorosos, procurando atender à maioria das solicita- ções, fixando em definitivo um arquétipo poderoso e acessível a todas as classes sociais”.

E ele continua, dizendo tam- bém que as “mulheres da rua” atuam esgotando o íntimo de pessoas que estejam em desequi- líbrio emocional ou conscienciais, obedecendo a uma de suas fun- ções na Criação.

WE CAN DO IT!

Pombagira vem para ensinar

a mulher que sua força não deve

ser ridicularizada, minimizada

e muito menos vulgarizada. Ela

é o encanto e a sensualidade

natural da mulher, a essência do feminino. Foge dos padrões que impõe a sociedade e do papel que é reservado à mulher, o de mãe, dona de casa e submissa.

Vale ressaltar que ser mãe e dona de casa não é sinônimo de submissão. Na verdade, a maioria delas são grandes mulheres que carregam sozinhas essas respon- sabilidades. No entanto, o que destacamos é a imposição de pa- péis e modos de ser que a mulher sofre pela sociedade. Pombagira tem voz, é um corpo (arquétipo) político e uma alma cheia de arte, intelecto e religiosidade.

e uma alma cheia de arte, intelecto e religiosidade. Rubens Saraceni faz uma importante consideração no

Rubens Saraceni faz uma

importante consideração no livro

Orixá Pombagira: “É claro que uma mulher altiva, senhora de si, segura, competentíssima no seu campo de atuação impressiona positivamente alguns e assusta outros.”

Ela vem para pôr em cheque os privilégios da sociedade pa- triarcal, assiste de perto a revo- lução feminista e traz significados e interpretações em todas as suas formas de se apresentar.

Pai Alexandre Cumino tam- bém fala sobre esses aspectos no curso Pombagira e Exu Mirim. Termino destacando desses en- sinamentos um trecho que consi- dero importante: “Muitas, muitas

e muitas mulheres sentiram na pele a dor de uma sociedade

sufocando a sua voz, podando

a sua liberdade e tornando-a

presa a valores, muitas vezes hipócritas.

Essa mulher encontrou em Pomba Gira uma força, uma dig- nidade para caminhar de cabeça erguida, força para vencer, para lutar; por isso Pomba Gira assusta.

Assim como mulheres inde- pendentes, mulheres que não tem medo, que assumiram as suas verdades perante essas questões assustam aqueles que ainda são machistas e hipócritas. Se assustam então com uma mulher que caminha de cabeça erguida”.

aqueles que ainda são machistas e hipócritas. Se assustam então com uma mulher que caminha de

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J ornal de U mbanda S agrada - MAIO/2016 Página -9 Pombagira é Mãe? Por ALEXANDRE

Pombagira é Mãe?

Por ALEXANDRE CUMINO Contatos: alexandre@colegiopenabranca.com.br

TODA MULHER É MÃE em potencial, toda mulher mesmo que não tenha dado à luz um filho biológico pode ser mãe adotiva, postiça, empres- tada e de qualquer forma sempre que uma mulher cuida de alguém traz consigo o instinto maternal. Quantas mulheres são um pouco mães de seus companheiros ou companheiras? Quantas filhas se tornam mães de suas mães e isso quer dizer que, se formos para além do conceito biológico, o que chama- mos de mãe é algo muito amplo.

Então, afinal, Pombagira é ou pode ser mãe?

Claro que sim! No entanto, pelo fato de que a sensualidade é um aspecto muito forte em Pombagira, lhe é negado a qualidade de mãe. Mas negar que Pombagira é mãe é o mesmo que afirmar a perda da sen- sualidade feminina no momento em que a mulher se torna mãe. É como se a mãe deixasse de ser mulher ao menos em um de seus aspectos mais fortes no que diz respeito ao feminino, sua sensualidade. Uma mulher não pode ser sensual e ser mãe ao mesmo tempo?

Este é o reflexo de nossa hipo- crisia!!! O que é sensual e o que

é vulgar?

É certo que muitas Pombagiras podem se negar a ser chamadas

de mãe, não que elas não o sejam, mas que provavelmente se negam

a

ser o que você acha que deve ser

o

modelo de “mãe”.

Aquilo que identificamos como modelo ideal da “mãe” é a imagem de Iemanjá senhora deste mistério na Criação: “A mãe”. No entanto, to- dos os Orixás femininos são mães, tanto a guerreira Iansã ou a sensual Oxum. Então, entramos em outra polêmica: Pombagira não é Orixá e sim entidade de Umbanda, certo?

Sim e não!

Assim como existe Exu entidade e Exu Orixá, também existe Pom- bagira entidade e Pombagira Orixá.

também existe Pom - bagira entidade e Pombagira Orixá. O Candomblé não reconhecia o Exu entidade,

O Candomblé não reconhecia o Exu

entidade, pois da África veio apenas o Orixá Exu e de forma inversa não conhece o Orixá Pombagira, pois não existe no Panteão dos Orixás da Cultura Nagô Yorubá.

Mas a Umbanda nos dá uma liberdade de ação muito grande e mesmo que dentro da Umbanda a

grande maioria não concorde, não aceite e não conheça Orixá Pomba- gira, podemos dizer que ela existe

e é simplesmente tudo o que você

idealiza de forma coletiva no mode-

lo e arquétipo Pombagira em Deus.

As Pombagiras são nossas guar- diãs e protetoras com qualidades bem específicas, estas qualidades são divinas e pertencem a uma

divindade feminina à qual podemos

nos referir apenas com este nome já conhecido por nós: Pombagira.

Se existe uma divindade re- gente deste mistério “Pombagira”, então posso dizer que Pombagira é

mãe também. Ao menos a Divinda- de, o Orixá, é mãe. Quanto às enti- dades Pombagiras que incorporam

e trabalham com seus médiuns (ho-

mens e mulheres) deixo para você me responder se são ou não nossas mães. Mães da sensualidade, mães do desejo, mães do estímulo, mães da altivez e acima de tudo mães da autoestima. Precisamos de todas as

nossas mães e cada uma delas nos dá ou empresta qualidades diversas

e únicas para nosso crescimento, evolução e vida.

Laroyê Pombagira! Salve minha Mãe Orixá Pombagira e salve mi- nhas mães guardiãs e protetoras !!!

Observação: Embora gere mui-

to estranhamento identificar “Orixá

Pombagira”, para alguns, convido os mais resistentes para esta reflexão:

Se a gente não conhecesse o

Orixá Oxóssi poderíamos tranquila-

mente chamá-lo de Orixá Caboclo

e ele mesmo assim responderia.

Assim como foram idealizados Iofá

e Yorimá para um “Orixá Preto Velho”, que é Obaluayê.

A forma de se relacionar com as divindades, os Orixás, ainda é incóg- nita e mistério para nós. Se eu não conhecesse Ogum, mas elevasse o pensamento ao “Orixá da Guerra” ou a “Divindade da Lei” mesmo sem conhecer seu nome ele responderia, com certeza Ogum responderia.

Sim, temos todos nós muito

a aprender sobre os mistérios de Deus e como nos relacionar com

eles

“Para quem quer entender poucas palavras são necessárias e para quem não quer entender nenhuma palavra basta.”

E por ponto final a frase:

nenhuma palavra basta.” E por ponto final a frase: O JORNAL DE UMBANDA SAGRADA não vende
nenhuma palavra basta.” E por ponto final a frase: O JORNAL DE UMBANDA SAGRADA não vende
nenhuma palavra basta.” E por ponto final a frase: O JORNAL DE UMBANDA SAGRADA não vende
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Não olhe para mim como uma Pombagira que…

Por JOSÉ USHER (Mensagem enviada pela Pombagira Maria Padilha) - Contato: usher.jose@gmail.com

Não olhe para mim como uma mulher sensual, que ri e se diverte bebendo champanhe.

Não olhe para mim como uma mulher de muitos homens, que favorece seus caprichos e esconde sua verdadeira intenção.

Não olhe para mim como uma cúm- plice de seus desequilíbrios e testemunha de sua ignorância quando atentas contra a Lei Maior.

Não olhe para mim pensando que eu venho pular de alegria com o seu ego, quando eu venho é para trabalhar.

Não olhe para mim à procura de pretextos para atrair alguém que lhe interessa; não estou para brincadeiras sexuais travestidas de minha suposta sensualidade.

Não olhe para mim como uma mulher de palavras ruins, quando sua boca é dominada por emoções que não sabes enfrentar.

Não me veja como um espírito feminino que gosta de se vestir de mil cores, porque eu não me importo com aparências. Sou o que sou.

Não confunda o seu entusiasmo em querer chamar atenção com a minha personalidade.

Não olhe para mim com cara de fome, oferecendo sacrifícios de animais em troca de favores efêmeros e infantis. Não bebo sangue, o animal não me interessa,

não sou das trevas, sou da luz, trabalhan- do para Deus na escuridão…

Não olhe para mim pensando que sua loucura e descontrole ao incorporar são a minha suposta manifestação. Aprenda que é você o responsável por manter suas emoções ocultas no dia a dia.

Não olhe para mim supondo que eu vim para mostrar minha beleza. Eu não sou uma boneca de pano que você pode vestir como quiser. Eu vim para trabalhar, não para competir contra a estupidez.

Não olhe para mim como um produto que você vende para os iludidos, procu- rando tirar dinheiro de seus caprichos, desespero e desequilíbrios. Eu sou um instrumento divino que não tem valor monetário. Faço caridade, não negócios.

Não olhe para mim como uma ex- -prostituta, ou uma mulher de má-fé. Sou um ser que trabalha nas trevas, a favor de Deus, pois assim ele desejou, não pelo que eu fui.

Não olhe para uma Pombagira supon- do ser uma mulher de Exu, e que tem um filho que se chama Exu Mirim. Somos mistérios separados trabalhando pelo bem da humanidade.

Não olhe para uma Pombagira como um espírito que depende de sangue, de bebida, anéis, braceletes, vestidos, maquiagem, perfume, sapatos, etc, etc…

Não sou marionete de teu ego, nem da tua mediocridade. Não vim para ador-

nar seu corpo como se você fosse um manequim. Estou aqui para demonstrar

a simplicidade e determinação do Criador em suas ações.

Não olhe para uma Pombagira como uma degustação de milagres baratos que se pagam com lágrimas e gritos de

animais sangrados entre falsos Centros e falsos espíritos… O melhor milagre é que despertes do sonho do carnaval profano que chamam de Gira ou Sessão, e se volte para a realidade onde a Lei Maior

e a Justiça Divina trabalham a favor da humanidade.

Pombagira é um instrumento de Deus, um mistério que executa as ações da Justiça Divina.

Pombagira não é o escândalo que se veem nas manifestações de alguns mé- diuns ególatras mergulhados na ilusão.

Pombagira vai além da aparência. Estende-se à vontade do ser humano, à vontade do Criador, no estímulo da evolução, da expansão de consciência, da maturidade mental e emocional…

Pombagira transita pelas trevas lu- tando contra seres que perturbam a Luz.

Pombagira merece respeito, por isso

venho hoje passar essa mensagem. Para que pares, reflitas e olhe ao seu redor e

pergunte:

O que você faz com a sua Fé? Um circo de ignorância ou uma demonstração de respeito pela religião?

redor e pergunte: O que você faz com a sua Fé? Um circo de ignorância ou
redor e pergunte: O que você faz com a sua Fé? Um circo de ignorância ou
redor e pergunte: O que você faz com a sua Fé? Um circo de ignorância ou
redor e pergunte: O que você faz com a sua Fé? Um circo de ignorância ou

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