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MURILO, de Carvalho José. Cidadania no Brasil: Um Longo Caminho. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2015.

RESENHA

O autor retrata a cidadania no Brasil a partir do período colonial (XVI - XIX - 1500-1800)

embasado em três direitos fundamentais: civil, político e social.

Direitos civis: Direito a liberdade de expressão, igualdade perante a lei, direito de ir e vir, manifestação do pensamento.

Direitos Políticos:Participação na política, direito a voto.

Direitos sociais: Educação, saúde, trabalho e salário justo, aposentadoria.

O autor afirma que é possível ter direitos civis sem ter direitos políticos, o contrário não se

aplica. O cidadão pleno é aquele que usufrui dos 3 direitos, cidadão incompleto usufrui de alguns

e o não cidadão, nenhum direito (escravos). Um dos fatores mais negativos para a construção da

cidadania foi a escravidão. Os escravos não tinham direitos, por isso não eram considerados cidadãos. Os senhores de escravos não faziam cumprir a cidadania, pelo contrario, lucravam com a escravidão e a exploração. Eles absorviam parte da função do estado detinham o controle,

votavam e eram votados. O voto era restrito (mulheres, escravos, trabalhadores com renda inferior

a 100 mil réis e analfabetos) não tinham direito ao voto. 20% da população era votante.

Descaso com a educação primaria: não há dados sobre alfabetização no período colonial. Algumas funções como registros de casamento e óbito, assistência social eram função do clero católico. Somente em 1808 (chegada da Corte) foram aceitas a criação das escolas superiores no BR. Após a independência (1822), 16% da população era alfabetizada. As eleições eram

fraudulentas, vendiam se votos e forjavam-se votos, coronealismo político, manipulação de cargos políticos.

1888 - abolição da escravatura - Negros sem emprego, escola e terra. Seriam os futuros

marginais, sem direitos civis, políticos e sociais.

1917 - Operariado RJ e SP. Avanço dos direitos civis. Criação dos partidos Comunista,

greves.

1930 - Justiça eleitoral (voto secreto, mulheres votantes) - fortalecimento dos direitos políticos.

1930 - 1945 - Legislação social. Salário mínimo, férias, aposentadoria - Direitos trabalhistas

e previdência, organização sindical. Era populismo (Vargas, Kubitscheck e Goulart) - “a garantia dos direitos era atribuída a ação do governo e não vista como um direito dos cidadãos que o governo deveria cumprir, ideia de lealdade e gratidão”. População era massa de manobra , pois os partidos pertenciam à classe dominante, às elites tradicionais. Direitos Políticos (1945-1964) - UNE, sindicatos, UDN.

64 - Liberdade de imprensa. 1964-1985 - Ditadura. Direitos políticos e civis atingidos pela repressão. Com o agravamento da crise econômica, inflação e recessão, os partidos de oposição ao regime cresceram; da mesma forma fortaleceram-se os sindicatos e as entidades de classe. Em 1984, o País mobilizou-se na campanha pelas "Diretas Já". Redemocratização - a anistia aos acusados ou condenados por crimes políticos. 1988 - Voto para todos os cidadãos. Surgimento das ONGs, Orçamento Participativo. Redes sociais como instrumento de participação, mobilização e pressão sobre o poder público. Pode contribuir para o crescimento equilibrado da democracia (voto popular, ex:

plebiscitos) e da república (eleição de representantes para a tomada de decisão).

Conclusão

Compreender o caminho da cidadania no Brasil nos faz refletir a importância da mídia. Um

dos mecanismos utilizados na ditadura militar foi restringir a liberdade de expressão dos cidadãos

e da transmissão dos meios de comunicação que reproduzissem ideias contra o militarismo, dessa

forma a informação sobre os fatos não chegava na população e outros mecanismos foram

utilizados para distração da população, futebol, programas de auditório… A população ficou a

mercê das ideias dos militares e muitos até hoje acreditam que foi uma época de crescimento

econômico e segurança. Quando na verdade até hoje muitos crimes de tortura não foram

solucionados, pessoas desapareceram sem nenhuma retratação dos militares, ou seja, não

tiveram a garantia dos seus direitos civis preservados. A polícia atual segue o mesmo treinamento

e métodos militares com uma postura inadequada, agressiva e combatente, estão envolvidos com

quadrilhas organizadas, grupos de extermínio sujeitos à corrupção não garante a segurança,

proteção nem direito aos cidadãos. Essa truculência policial é manifestada diretamente contra a

população de baixa renda periférica, negra que desconhece seus direitos ou não tem condições

de fazer valer.

A mídia pode ser entendida como um fator que contribui para o entendimento da cidadania

no âmbito do exercício de direitos e deveres a partir do momento que difunde informações

relevantes aos cidadãos. Na busca de retratar os fatos sem ser tendenciosa ou sensacionalista.