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DOCÊNCIA EM

CLÍNICA CIRÚRGICA
SAÚDE EM PEQUENOS
ANIMAIS

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Portal Educação

P842c Clínica cirurgica em pequenos animais / Portal Educação. - Campo Grande:
Portal Educação, 2012.

283p. : il.

Inclui bibliografia
ISBN 978-85-8241-279-4

1. Cirurgia veterinária. 2. Cirurgia – Pequenos animais. I. Portal Educação.
II. Título.

CDD 636.0897

SUMÁRIO

1 MATERIAL CIRÚRGICO............................................................................................................7

1.1 Arrumação da mesa de cirurgia ..............................................................................................7
2
1.2 Instrumentos Cirúrgicos ..........................................................................................................8

1.3 Fios de Sutura..........................................................................................................................18

2 AVALIAÇÃO, PREPARAÇÃO E ANESTESIAS .......................................................................24

2.1 Avaliação do paciente .............................................................................................................24

2.2 Preparação do paciente ..........................................................................................................25

2.3 Programa para o procedimento anestésico ..........................................................................26

2.4 Procedimentos antes da anestesia ........................................................................................26

2.5 Monitorização do paciente durante a anestesia .................................................................. 27

2.6 Parâmetros monitorizados habitualmente e causas potenciais de respostas
anormais .............................................................................................................................................28

2.7 Técnicas, Anestésicos em Felinos e Caninos.......................................................................29

3 INFECÇÕES CIRÚRGICAS ......................................................................................................53

3.1 Controle da infecção ...............................................................................................................53

3.2 Classificação da possibilidade de infecção intraoperatória ................................................57

3.3 Fatores da ferida podem influenciar as infecções................................................................57

4 CICATRIZAÇÃO .......................................................................................................................59

4.1 Conceitos Gerais .....................................................................................................................59

4.2 Fases da Cicatrização .............................................................................................................59

4.3 Tipos de cicatrização ..............................................................................................................60

4.4 Tecido de granulação ..............................................................................................................61

4.5 Fatores de crescimento importantes na cicatrização ..........................................................62

4.6 Fatores que afetam a cicatrização .........................................................................................62

4.7 Fatores que podem ser controlados pelo cirurgião .............................................................63

4.8 Conceitos importantes ............................................................................................................63

5 ANTIBIOTICOTERAPIA............................................................................................................65

6 CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS ......................................67
3
6.1 Caudectomia ............................................................................................................................67

6.2 Conchectomia ..........................................................................................................................69

6.3 Otohematoma ..........................................................................................................................71

6.4 Entrópio ....................................................................................................................................73

6.5 Ectrópio ....................................................................................................................................76

7 APARELHO REPRODUTOR FEMININO ..................................................................................78

7.1 Ovário-histerectomia ...............................................................................................................78

7.2 Piometra ...................................................................................................................................85

7.3 Hiperplasia Vaginal..................................................................................................................89

7.4 Neoplasias da glândula mamária ...........................................................................................92

8 APARELHO REPRODUTOR MASCULINO ............................................................................102

8.1 Orquiectomia ..........................................................................................................................102

8.2 Criptorquidismo ..................................................................................................................... 105

8.3 Tratamento Cirúrgico da Prostatopatia ............................................................................... 107

9 SISTEMA URINÁRIO ...............................................................................................................113

9.1 Cálculos na bexiga .................................................................................................................113

9.2 Hidropropulsão retrógrada ....................................................................................................115

9.3 Cistotomia ...............................................................................................................................115

9.4 Uretrostomia ...........................................................................................................................119

9.5 Tratamento da Obstrução Uretral no Gato .......................................................................... 126

10 HÉRNIAS .................................................................................................................................132

10.1 Considerações gerais ............................................................................................................132

10. Hérnia umbilical ......................................................................................................................134

10.3 Hérnia inguinal ........................................................................................................................137

10.4 Hérnia diafragmática ..............................................................................................................142

10.5 Hérnia perineal ........................................................................................................................149
4
11 PATOLOGIAS ORTOPÉDICAS .............................................................................................. 162

11.1 Ostectomia ou ablação da cabeça e colofemoral ................................................................162

11.2 Luxação patelar ......................................................................................................................162

11.3 Osteocondrite dissecante ......................................................................................................172

12 EMERGÊNCIAS OFTÁLMICAS...............................................................................................176

12.1 Trauma Ocular em Cães e Gatos.......................................................................................... 176

12.2 Enucleação do globo ocular ..................................................................................................180

13 APARELHO REPRODUTOR FEMININO .................................................................................184

13.1 Parto Distócico .......................................................................................................................184

13.2 Cesarianas ..............................................................................................................................193

14 EMERGÊNCIAS GASTROINTESTINAIS ................................................................................201

14.1 Vólvulo Gástrico .................................................................................................................... 201

14.2 Corpo estranho Linear .......................................................................................................... 209

15 ESPLENECTOMIA ...................................................................................................................213

16 TÓRAX .....................................................................................................................................217

16.1 Pneumotórax.......................................................................................................................... 217

16.2 Toracocentese ........................................................................................................................220

17 PATOLOGIAS ORTOPÉDICAS ...............................................................................................223

17.1 Fraturas ...................................................................................................................................223

18 VIDEOCIRURGIA .....................................................................................................................237

.........................................................................................262 20..........................................................................................266 20............................................................................................8 Contraindicação ....................................................................................................................................237 18....................................................................7 Indicações ............................................................................................................................... 246 5 19...................................................6 Treinamento da equipe cirúrgica ....................................................................................................................252 19..............................................................................................262 20...................................................................................................251 19..............................249 19............11 Anestesia................5 Seleção do Doador .............................................................................................3 Indicações . 262 20........................3 Pré-operatório ........................................................ 261 20.....................2 Introdução ........246 19..........................................238 19 TRANSPLANTE RENAL.............................................................................................................................................................18....................267 ...................6 Receptor ................................................................................................... 259 20 PRÓTESE TOTAL DE QUADRIL ......................................................265 20......................8 Técnica cirúrgica ...................4 Exames pré-operatórios.......................................................................267 20.........................................................................................................................................10 Pré-operatório ..................................................................................... 265 20...................................................................1 Indicações para transplante renal ..........................................................................1 Particularidades ..........................................................................................263 20...................1 Definição ...............................................................................................................................4 Cão candidato .................................................................................... 250 19.............................................261 20.....2 Vantagens na substituição da articulação coxofemoral .252 19..................237 18.....266 20............. 247 19.3 Objetivo ........12 Acesso cirúrgico ......................................................................................................................................................9 Preparação do animal ...............................................5 Prótese ...................................................................................................248 19..............................................................................................9 Pós-operatório ......266 20.2 Candidatos para transplante renal ...........7 Protocolo Anestésico ............................................

.......................................273 20.............15 Pós-operatório .......................................16 Avaliação pós-operatória ...................................273 6 REFERÊNCIAS ........272 20......282 ...................................................................................20............................................................................................17 Complicações ................................................................................................14 Tempo cirúrgico .....................................................................................................................................................13 Técnica cirúrgica ............................. 275 ANEXO I ..................................................................269 20........................................................................................................................................................................272 20..............................

síntese e acessórios. pinças Backaus. pinça hemostática de Kelly.1 Arrumação da mesa de cirurgia 7 Para arrumação básica de uma mesa cirúrgica devem estar presentes materiais cirúrgicos previamente autoclavados e dispostos de forma sequencial obedecendo à ordem de necessidade para um procedimento cirúrgico. 2 .Corte .Lâmina de bisturi. ou seja.pinças hemostáticas mosquito de Hausted. . cabo de bisturi.1 MATERIAL CIRÚRGICO 1. hemostasia. 1. tesouras cirúrgicas de Metzenbaum ponta fina-fina e ponta romba-romba. pinça crile e pinça hemostática de Ochsner reta. dispostos da esquerda para direita e de cima para baixo da seguinte forma: corte. afastador de Farabeuf e pinças Allis. 3 – Síntese – porta agulhas e fio de sutura 4 – Auxiliares – compressas de algodão. cuba para colocação de iodo povidona.Hemostasia . podendo haver algumas modificações nesta disposição.

2 Instrumentos Cirúrgicos A seguir será descrito de forma simplificada características dos instrumentos cirúrgicos mais comumente utilizados na clínica médica e cirúrgica de pequenos animais.1 – Arrumação do material a ser usado na cirurgia. 1. 8 Fig. a corrosão pode alterar a ranhura que permite que as lâminas deslizem e se acoplem. . e os dedos do cirurgião podem ficar profundamente lacerados. 1. O cuidado é essencial ao se acoplar ou remover as lâminas desses cabos.Cabos e Lâminas de Bisturis Encontram-se disponíveis cabos de bisturis com lâminas destacáveis ou na forma de unidades descartáveis com lâminas acopladas. O cabo nº 3 e 4 de Bard-Parker pode receber várias lâminas. Embora a utilização de porta-agulhas possa impedir o escorregamento. As lâminas podem grudar e não deslizar facilmente. Com o tempo. as lâminas podem se quebrar se forem forçadas.

modo correto da empunhadura do Bisturi em contato com o tecido no momento de incisá-lo. As tesouras devem ser conferidas regularmente para se certificar que estejam funcionando apropriadamente. 3). As tesouras menores com menos de 10 cm de comprimento devem cortar pelo menos duas camadas. 9 Tesouras Encontram-se disponíveis muitos tipos. Se as tesouras dissecadoras (tais como as de Metzenbaum finas) forem utilizadas para cortar suturas fortes (tais como o categute cromado). mas não muito frouxa ou muito rigorosa. 2 . podem frustrar o uso. As tesouras cirúrgicas de Mayo e dissecadoras de Metzenbaum. indicando uma tensão apropriada do cabo e lâminas lisas e apropriadamente encaixada. as lâminas ficarão cegas. A ação deve ser firme. A B Fonte: arquivo pessoal. As extremidades devem se encontrar quando a tesoura estiver fechada. As lâminas devem deslizar facilmente. Todas as tesouras cirúrgicas de Mayo e de Metzenbaum devem ser capazes de cortar quatro camadas de gaze na extremidade das lâminas. tamanhos e formas diferentes de tesouras cirúrgicas para todas as aplicações. As tesouras perderão sua efetividade. frouxas e separadas. As tesouras devem ser utilizadas para seu propósito pretendido. B . A maioria é classificada pela configuração de suas extremidades. que não cortam adequadamente nas extremidades de suas lâminas.A – diferentes tamanhos de cabos de bisturi número. bem como traumatizar excessivamente o tecido. . Fig. Uma tesoura de Mayo reta e forte de 15 cm deve ser destinada como tesoura de corte de sutura em todas as caixas de cirurgia (Fig.

Por exemplo.4. A Mayo é uma tesoura forte. A tesoura dissecadora de Mayo (Fig. Fig.75 a 22. em configurações curvas ou retas. A tesoura dissecadora de Metzenbaum (Fig. Tesouras de Mayo e Metzembaun. 3) encontra-se disponível em comprimentos que variam de 13. Fig. B A Fonte: arquivo pessoal. Fonte: arquivo pessoal.Modo correto de segurar a tesoura. que pode ser utilizada para a dissecção do tecido conjuntivo e dos planos faciais resistentes.3 – A -Tesouras de Mayo com diferentes tipos de ponta: à esquerda ponta romba e fina 10 à direita. 4) é mais delicada e deve ser reservada para uma dissecção mais fina e um trabalho mais complicado. Pinças Hemostáticas .5cm. é inapropriado o uso de uma Metzenbaum fina para abrir a linha alba. B.

Se um mosquito estiver em boa condição de trabalho e for utilizada apropriadamente para o propósito correto (somente para pontos de hemorragia). 5. com lâminas curvas ou retas. O uso primário desses instrumentos é no controle de pontos de hemorragia. impedindo que o instrumento segure o tecido firmemente. As pinças teciduais e hemostáticas podem ser conferidas quanto ao alinhamento das 11 lâminas. A danificação de uma pinça de alta qualidade é mais frequentemente o resultado direto de maus-tratos. Fonte: arquivo pessoal Fig. O exame visual do instrumento em uma posição próxima pode revelar uma sobreposição de lâminas ou um não-encaixe nos dentes de apreensão. Esses instrumentos são muito delicados para a ligação de cotos ou pedículos maiores. O uso contínuo do instrumento acelera a deterioração e leva á quebra. A pinça hemostática mosquito de Halsted (Fig. nos quais frequentemente se inclui um tecido adicional na ligadura. A atividade excessiva no pino também causa um desalinhamento das lâminas. essa força de apreensão extra não deve ser necessária.5) se encontra disponível nos comprimentos delicado de 8.5cm. Pinça mosquito curva e reta .75cm e padrão de 12. À medida que a superfície de apreensão da pinça fica sobrecarregada. a tensão dos cabos e o uso da catraca. as suas lâminas se tornam desalinhadas e a tensão nos cabos diminui.

6. As pinças hemostáticas de Kelly e Crile (Fig.Pinça de Kelly Pinças teciduais Encontram-se disponíveis pinças teciduais de vários tamanhos e formas para vários usos. São mais fortes que as pinças mosquito de Halsted e podem suportar um uso mais agressivo.7 e 8). tais como o estômago. 12 Fonte: arquivo pessoal Fig.75cm de comprimento e apresentam lâminas retas ou curvas. e o número de dentes presente na superfície de apreensão do instrumento também varia. Os instrumentos possuem 13. Como a pinça tecidual de Allis é forte. Encontra- se disponível em comprimentos de 15 a 25cm (Fig. ela pode ser traumatizante para o tecido e deve ser aplicada somente em tecido conjuntivo ou planos faciais.6) são semelhantes em designer e uso. A Kelly apresenta ranhuras transversais na metade distal da sua superfície de apreensão. Fig. enquanto que a Crile apresenta ranhuras transversais por toda a superfície de sua lâmina.7 e 8 – Pinça de Allis para tecidos . A popular pinça tecidual de Allis apresenta um plano de apreensão perpendicular à direção do esforço. Muitas têm encontrado um uso extenso na cirurgia de pequenos animais. Nunca deve ser utilizada na pele ou para segurar órgãos ocos.

br>. Fig. O instrumento se encontra disponível nos comprimentos de 16.com. 13 A pinça intestinal de Doyen (Fig. Fig. Fonte: arquivo pessoal. As ranhuras na superfície de apreensão são geralmente longitudinais. dando ao instrumento uma apreensão delicada e não-traumatizante.gooogle.9 – Pinça de Babcock para uso em tecidos. A Doyen é mais frequentemente utilizada na cirurgia do estômago (gastrectomia distal) e pode ser utilizada em ressecções intestinais. Acesso em: 12 dez.10-pinça Doyen Pinças de Polegar . Disponível em: <www.5cm.25 a 22. As extremidades das lâminas se encontram quando se prende o primeiro dente da catraca.10) é construída com lâminas finas e curvas.2006.

14 Embora as pinças de polegar não sejam construídas para prender agulhas de sutura. prendem a extremidade da agulha com pinças de polegar para puxá-la o resto do trajeto através do tecido. As pinças de polegar são assim denominadas por serem geralmente seguras entre o polegar e o primeiro dedo. nos tecidos. muitos cirurgiões. Fig. .11 Pinça dente de rato. Como as extremidades de uma pinça de campo penetram realmente na pele. elas devem ser afiadas e sem rebarbas ou lascas. porém delicada. A pinça tecidual de Adson é provavelmente a mais comum das pinças de polegar utilizadas na cirurgia veterinária. As pinças de campo também são usadas para prender tubos de sucção. A configuração em dente-de-rato da pinça de Adson não permite uma superfície de apreensão segura e frequentemente leva à danificação do instrumento. cabos de eletrocautérios e cabos de equipamentos de força aos panos. Fig. Ela é apropriada para o uso na sutura de pele e de planos faciais (Fig. A extremidade em dente-de-rato (l x 2) na lâmina proporciona uma apreensão segura. São usadas para várias tarefas envolvendo trabalho delicado.12-modo correto de segurar a pinça Fonte: arquivo pessoal Pinças de Campo As pinças de campo são projetadas para prender panos à pele.11 e 12). ao passar uma agulha através de um tecido com um porta-agulhas.

a borda se torna afiada e pode cortar o material de sutura enquanto usado como instrumento para dar nós. Além de serem utilizados. 14) é o porta-agulha mais comumente utilizado na cirurgia veterinária. Os porta-agulhas menores são mais apropriados para a cirurgia de pequenos . À medida que é usada. Caso possa rodar manualmente a agulha.75cm e de 13. necessita-se de reparo. escolha uma agulha de tamanho apropriado e aperte-a nas lâminas do instrumento.13) de 8. de forma indevida. variando de 12. 15 Fonte arquivo pessoal Fig. testar quanto ao desalinhamento ou uso. Para verificar se está precisando de reparo. Porta-agulhas Nenhum instrumento cirúrgico recebe maior uso ou maus-tratos que o porta-agulha. É o único instrumento envolvido em contato metal com metal constante. para torcer e dobrar pinos ou até para tartarectomia. O Mayo Hegar (Fig. Encontra-se disponível em muitos tamanhos. Inspecione também a borda da superfície de apreensão. Um porta-agulhas deve ser capaz de segurar a agulha quando fechado no primeiro dente da catraca.5 a 30cm de comprimento. As pinças de campo de Backaus (Fig. 13 .75cm são utilizadas mais frequentemente em cirurgia veterinária.Pinças de Campo Backaus. Feche o porta-agulhas no segundo dente da catraca.

Os afastadores digitais e manuais não são vantajosos na cirurgia veterinária. pois se exige um assistente para afastar manualmente o tecido para segurar o afastador. Eles funcionam no sentido de afastar os tecidos para que o cirurgião possa visualizar mais adequadamente o campo cirúrgico.Porta-agulhas de Mayo.animais. 16 Fig. Afastadores Digitais O afastador de Farabeuf (Fig. Eles permitem o afastamento de mais tecido em orifícios mais profundos. Em muitas salas de operação veterinárias não se encontram disponíveis assistentes cirúrgicos adicionais. Os porta-agulhas grandes podem danificar as agulhas pequenas e são frequentemente difíceis de controlar e de manusear quando realizam suturas delicadas. . manuais e autoajustáveis. Uma agulha muito grande para um porta-agulha delicado pode resultar na quebra ou na danificação do pino ou do cabo se o instrumento estiver firmemente fechado. Afastadores Encontram-se disponíveis muitos tipos de afastadores de campo ou retratores. 15) possui lâminas chatas e mais profundas em ambas as extremidades. Deve-se escolher uma agulha de tamanho apropriado para o porta-agulha. A útil classificação dos afastadores utilizada por muitos fabricantes consiste em digitais.14.

5cm ou um expandido de 25 cm com lâminas laterais fenestradas ou sólidas e uma lâmina central sólida profunda. Fig. Ambos os afastadores possuem mecanismos de trava de apreensão para manter as lâminas na posição de afastamento. Esses instrumentos cirúrgicos possuem vários mecanismos de trava que mantêm as lâminas e as hastes abertas enquanto estão sendo empregados. . Encontram-se disponíveis um afastamento-padrão de 17. O afastamento manual é muito cansativo e o Gelpi e o Weitlaner são inadequados e pesados. O afastador de Gosset (Fig.75cm. com um afastamento de 10 a 13. Também se encontra disponível um Weitlaner de lâmina sólida.75 ou 6. 16) se encontra disponível em mais tamanhos (10 a 23. O afastador de Weitlaner (Fig. eliminando a necessidade de um assistente para segurar o afastador. A cirurgia abdominal requer um afastamento da parede abdominal para uma visualização adequada durante a mesma. O afastador não tem uma lâmina central. As lâminas laterais alcançam 3. mas o afastador abdominal autoajustável de Balfour funciona bem nesse propósito. 17 Fonte arquivo pessoal.75cm).25cm de profundidade. 15– Afastador de Farabeuf Afastadores Autoajustáveis O cirurgião que opera sozinho ou que realiza um extenso trabalho abdominal ou torácico tem que confiar fortemente em afastadores autoajustáveis. 17) possui tamanho médio. As pontas múltiplas (2 x 3 ou 3 x 4) na lâmina podem ser pontudas ou cegas.

16-Afast. Weitlaner Fig. Gosset Fig. ou suas origens (sintético. O afastador de costelas de Finochietto (Fig. 18 Fig. com braços retos ou curvos. estrutura (monofilamentar ou multifilamentar).3 Fios de Sutura Os fios podem ser classificados de acordo com o seu comportamento no tecido (absorvível ou não-absorvível).18 – Afast.Afast.17. orgânico ou metálico). 1. A manutenção da exposição da cavidade torácica requer afastadores autoajustáveis fortes para manter as costelas separadas. 18) é grande e se encontra disponível com um afastamento de 15 a 30cm.Finochieto Fonte arquivo pessoal. Fios monofilamentos são feitos por um único filamento de .

Deve ser evitado em locais contaminados. Este fio é fagocitado e promove uma reação inflamatória marcante. São fortes e induzem uma reação inflamatória mínima. Fios Orgânicos – O fio Seda é o mais comumente usado. É multifilamentar. A reação tecidual é mínima com este tipo de fio. com completa absorção em seis meses (podendo causar calcinose circunscrita). O ácido poliglicólico pode ser rapidamente degradado em urina infectada. . A Polidioxanona (PDS) e o Poligliconato (Maxon) são monofilamentares e mantém a força tênsil mais tempo que o poliglicólico ou poliglactina 910. A Poliglactina 910 (Vicryl) é multifilamentar. Fios multifilamentar consistem em muitos trançados de fios que são enroscados ou trançados juntos. sendo fagocitados ou hidrolisados. O ácido poliglicólico e a poliglactina 910 são mais rapidamente hidrolisados em ambientes alcalinos. contendo aproximadamente 90% de colágeno. Fios Sintéticos – São multifilamentar ou monofilamentar. entretanto não mantém uma força tênsil após seis meses e por isso é contraindicado para enxertos vasculares. Eles têm menos resistência tecidual que fios multifilamentar e não possuem interstício que podem abrigar bactérias. Apresenta- se de fácil manipulação e é muito usado em procedimentos cardiovasculares. Fios não-absorvíveis – São removidos geralmente por hidrólise. revestido de estearato de cálcio. Fios multifilamentar são geralmente mais flexíveis que os monofilamentares. O ácido poliglicólico (Dexon) é trançado a partir de filamentos extraídos do ácido glicólico e começa a perder sua força tênsil em 14 dias. O PDS perde apenas 31% da força tênsil em 42 dias. A infecção ou exposição a enzimas digestivas não influenciam a taxa de absorção de fios absorvíveis sintéticos. Fios de sutura absorvíveis – Sofrem degradação e uma rápida perda na força tênsil 19 dentro de 60 dias. mas relativamente estáveis em locais contaminados. Catgut: É feito com submucosa de intestino de ovelha ou serosa do intestino bovino.material. Possui a característica de ser removido rapidamente de locais infectados ou áreas onde está exposto às enzimas digestivas sendo velozmente degradados. Cuidado deve ser tomado ao se manipular o fio monofilamentar porque eles marcam ou danificam quando portadores de agulha o que enfraquece possibilitando sua quebra.

Fios Metálicos – O aço inoxidável é o fio mais comumente usado. É disponível tanto multi como monofilamentar.0 6. A reação geralmente é mínima.0 12. É estável em feridas contaminadas.0 8. Diferentes tipos de fios de sutura 20 Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 7.0 9.0 .0 4.0 5.0 11.0 3. Podem fragmentar e migrar.0 10. entretanto o nó provoca reação inflamatória.

O dexon dissolve rapidamente em urina estéril (seis dias) e urina contaminada (três dias). Fios absorvíveis são preferidos. entretanto o catgut deve ser evitado porque sua absorção em tecidos contaminados é imprevisível. com agulha fina. Músculo e Tendão – Fios absorvíveis ou não podem ser usados. Em alguns estudos. No tendão o fio deve ser forte. e devem ser colocados paralelamente às fibras. Menor diâmetro Fonte arquivo pessoal. Fios não-absorvíveis podem ser usados para enxertos vasculares. que apresentam uma boa segurança ao nó. o náilon monofilamentar ou o polipropileno promovem menos infecção em tecidos contaminados que fios metálicos. Órgãos ocos – Recomendam-se fios absorvíveis para prevenir retenção de material estranho na cicatrização da ferida. Seleção do fio de acordo com tecido 21 Fechamento abdominal – recomenda-se sutura com fio monofilamentar para evitar transporte capilar de bactérias. não-absorvível e com mínima reação. Deve-se evitar fio não-absorvível multifilamentar porque potencializam a infecção e podem fistular. . comprida e afunilada. mas na pele devem ser removidos porque a absorção requer contato com fluidos corporais. Feridas contaminadas ou infectadas – Evitam-se suturas em feridas contaminadas. Suturas absorvíveis podem ser usadas na pele e subcutâneo. Evitar fios multifilamentar como vicryl e dexon. Adicionalmente fios não-absorvíveis podem formar cálculos quando usados na bexiga urinária ou vesícula biliar. baço ou rim são geralmente suturados com fios monofilamentares absorvíveis. Órgãos parenquimatosos e vasos – Fígado. e fios não-absorvíveis sintéticos. Tabela 1 – demonstração dos tipos e diâmetros dos diferentes fios absorvíveis e não-absorvíveis.

absorvível ou não absorvível sintético Cardíaco . não-absorvível sintético Órgão parenquimatoso 2-0 a 4-0 Absorvível Órgão visceral oco 2-0 a 5-0 Absorvível ou não-absorvível monofilamentar Tendão. ligamento 0 a 3-0 Não-absorvível monofilamentar. não- absorvível não-metálico . absorvível sintético (degradação prolongada) Nervo 5-0 a 7-0 Não-absorvível monofilamentar Córnea 8-0 a 10-0 Absorvível sintético. não-absorvível não- metálico Pálpebra 4-0 a 6-0 Absorvível sintético. Tamanho da sutura e recomendações de usos gerais na cirurgia de pequenos animais Tecido Tamanho da Sutura Materiais de Sutura Classes Pele 3-0 a 4-0 Não-absorvível monofilamentar 22 Tecido subcutâneo 2-0 a 4-0 Absorvível Fáscia 1 a 3-0 Absorvível sintético (degradação prolongada) ou não- absorvível sintético Músculo 0 a 3-0 Esquelético.

Modificado de Bojrab. 1996.Conjuntiva Palpebral 4-0 a 5-0 Absorvível Ligadura vascular 3-0 a 4-0 Absorvível Reparo vascular 5-0 a 7-0 Não-absorvível monofilamentar Tabela 2 . 23 .

Sistema respiratório: frequência e profundidade respiratória. caquexia. E . insuficiência hepática. nervoso ou inquieto. D .Sistema cardiovascular: frequência cardíaca. hidratação. epilepsia. distenção.Sistema nervoso e órgãos sensoriais: glaucoma.Identificação do paciente: espécie. raça.Função gastrointestinal: parasitos. etc. auscultação (ruídos respiratórios). vômitos e diarreia. hemorragia. coma. pressão arterial e qualidade do pulso. temperatura. C . sintomas ou enfermidades concomitantes (vômitos. anúria. B .Anamnese: duração e gravidade da enfermidade. diarreia. 2. desmaios e convulsões. tempo de preenchimento capilar (deve ser < 1. .Estado corporal geral: obesidade. poliúria e polidipsia. idade.Função renal: oligúria.1 Avaliação do paciente 24 1.Função hepática: icterícia e coagulopatias. hora da última alimentação. utilização de algum outro fármaco.). nível de atividade.2 AVALIAÇÃO. obstrução das vias respiratórias superiores e percussão. tranquilo ou excitado. insuficiência cardíaca. sexo e peso. 3. história anestésica anterior e reações.5 segundos) e auscultação (ruídos cardíacos). G . PREPARAÇÃO E ANESTESIAS EM CÃES E GATOS 2. membranas mucosas. gestação. F .Exploração física A .

eletrólitos. queimaduras e traumatismo. Radiologia: tórax e abdômen. leucócitos. corpos cetônicos. hipo e hipertireoidismo. sais biliares. C . H . B . bilirrubina e sangue).outras provas laboratoriais: Gasometria. I .distúrbio de coagulação .Função metabólica e endócrina: temperatura. hipo e hiperadrenocol1icismo. pesquisa de sedimentos (cilindros. perda de pelo. 25 4 . parasitos (anemias). hemácias. enfisema subcutâneo (fratura de costelas). desequilíbrio hidroeletrolítico.2 Preparação do paciente . e diabetes.Diagnóstico laboratorial Deve ser feito antes de qualquer procedimento cirúrgico. A . proteínas.avaliação mínima laboratorial: Proteínas plasmáticas. bioquímica (pH.Aspecto geral: hidratação. células epiteliais e cristais). Hematócrito e Hemoglobina. Urinálise: densidade. debilidade. neoplasias (metástase pulmonar). Bioquímica sanguínea: creatinina. bactérias. glicose. AST e ALT. fosfatase alcalina. massa muscular (% de gordura).hemorragias 2. albumina e hemostasia. deambulação e fraturas. Eletrocardiografia: pacientes com traumatismo e ritmo cardíaco irregular.

tipo de cirurgia.4 Procedimentos antes da anestesia . preparação de fármacos e equipe de emergência.Corrigir ou compensar desordens: como a desidratação ou hipovolemia. 2.Restrição de alimentos: os alimentos devem ser retirados algumas horas antes do procedimento anestésico e cirúrgico. etc. B . Em animais neonatos.3 Programa para o procedimento anestésico Formulação de um protocolo anestésico relacionado com o tempo de duração da cirurgia.outras considerações: necessidade de líquidos durante a anestesia. cateterização de uma veia. D . 26 C . 2. anemia. manutenção da via aérea. esse período deve ser menor. administração de analgésicos. medicamentos especiais como antiarrítmicos. de acordo com a espécie. alterações hidroeletrolíticas e ácido básico.Preparação programada de acordo com o tipo de paciente e de procedimento cirúrgico Animais jovens e velhos são mais sensíveis à anestesia devido à maior dificuldade de metabolização dos fármacos anestésicos. alterações na função cardíaca e/ou respiratória. perda de sangue. duração da cirurgia e necessidades do cirurgião. A .

2. exatas e complementares. o paciente seja monitorado.  Monitorizar as funções dos sistemas corporais sensíveis às alterações.  Utilizar técnicas que sejam específicas. 27 Em cirurgias gastrintestinais devem-se reduzir ainda mais o material digestivo. por isso se faz necessário que durante o período de anestesia. fazendo-se um jejum alimentar de 24 horas e jejum hídrico de 12 horas. .12 horas de jejum alimentar e 06 horas de jejum hídrico. Em cirurgias de cólon. Jejum: Cães e gatos . uma vez que o animal sob efeito sedativo e anestésico perde a capacidade de controlar fechamento e abertura de válvulas e esfíncteres.  Monitorizar mais de um sistema corporal e mais de um parâmetro por sistema corporal. pode-se fazer 02 a 03 enemas durante as 12 horas que antecedem o ato cirúrgico. O jejum é importante para que não ocorra refluxo do conteúdo estomacal e aspiração do mesmo no sistema respiratório. Considerações fisiológicas  Sistema nervoso central (SNC) – observar a atividade reflexa para monitorizar o grau de depressão do SNC.  Comparação das técnicas não-invasivas (indiretas) com as invasivas (diretas).5 Monitorização do paciente durante a anestesia A fisiologia e a homeostasia do paciente mostram-se alteradas por fármacos utilizados durante a anestesia e pelo processo fisiopatológico da enfermidade.

qualidade dos reflexos. efeitos farmacológicos (ketamina).6 Parâmetros monitorizados habitualmente e causas para respostas anormais Frequência cardíaca 1. 6 . hipotensão. efeitos farmacológicos (propofol. efeitos farmacológicos (ketamina) . hipertermia. efeitos farmacológicos (xilazina. ketamina) 5 . 3 . 2. hipotermia. anemia. etc. efeitos farmacológicos (tiobarbitúricos. febre. anestesia inalatória). oximetria.Apneia . volume corrente. Taquicardia .  Sistema cardiovascular . isquemia. ketamina) e febre. narcóticos) Frequência respiratória.Pressão arterial: Hipotensão – hipovolemia. reações anafilactoides. etc. hiperventilação. sepsis. hipotensão.  Sistema respiratório .Taquipneia .  Sistema musculoesquelético . hipoxemia.Reflexos corneais: Hiperativos. padrão respiratório. efeitos farmacológicos (doxapram) 4 .  Termorregulação 28 2. perfusão capilar e pressão arterial. Hipertensão .dor.hipotermia. choque.frequência respiratória. tiobarbitúricos. dor. Bradicardia.frequência cardíaca. paralisia musculoesquelética. efeitos farmacológicos (tiobarbitúricos. hipertensão. tonicidade. hipoxemia .dor.dor.

entre elas.5 a 1 mg/kg por via intramuscular profunda. tais como anestesias insatisfatórias por subdoses. até desaparecerem os reflexos interdigital. a MPA normalmente recomendada são as fenotiazinas e.1 mg/kg pela mesma via em felinos. . pois pode haver complicações acidentais e resultados inadequados. dando-se metade da dose de maneira rápida. na dose de 0. além de outros dissabores como fugas.7 Técnicas de Anestésicos em Felinos e Caninos  Técnicas anestésicas em Gatos 29 Medicação pré-anestésica (MPA) Em felinos. na dose de 30 mg/kg.2%. palpebral e laringotraqueal. a levomepromazina e clorpromazina são as mais comumente usadas. Anestesia barbitúrica Anestesia barbitúrica tem sido usada em gatos. a via intravenosa nem sempre é recomendada. ou a acepromazina a 0. utilizam-se vias alternativas para a aplicação. Estas vias nem sempre são eficientes.2. se o animal não for dócil. a fim de se evitar a fase de excitação ou delírio e complementando-se gradativamente. tais como intraperitoneal ou intrapleural. O ideal é que se aplique o pentobarbital sódico. na dose de 0. põe em risco a mão do manipulador. por via intravenosa. mas o grande inconveniente é o de que. pois considerando sua agressividade.

No gato. Caso se requeira uma anestesia de duração ultracurta. manutenção por um agente volátil. o paciente que não recebeu MPA. indica plano profundo 3º plano do estágio III. Empregando-se a mesma técnica de aplicação anteriormente descrita. As concentrações de anestésicos voláteis em gatos variam conforme o agente indutor aplicado. poder-se-ão empregar os tiobarbituratos. . Este tipo de anestesia proporcionará um tempo anestésico hábil de até uma hora. a anestesia volátil representa o que há de mais seguro em termos de anestesia felina. mas este poderá ser mascarado caso se tenha usado atropina na MPA. a indução é feita com 15 mg/kg IM de quetamina na região glútea e. Na rotina anestesiológica. forçosamente. serão citadas as usadas rotineiramente. entretanto. o que.5 mg/kg. o que requererá cuidados maiores. ou na dose de 12.5 e na dose de 25 mg/kg (empregando-se a mesma técnica de aplicação do pentobarbital sódico). A miose no felino é transversal e. na concentração de 2. quando ocorre. enquanto que. o tempo será de até duas horas. administrado por meio de circuito fechado ou semifechado com máscara de borracha. O reflexo pupilar em gatos é um sinal importante para se saber o plano anestésico. após 10 a 15 minutos. o estado do animal ou até a MPA aplicada. a dose do barbitúrico deve ser reduzida em 40-50%. para facilitar. Anestesia volátil Sem dúvida alguma. 30 Caso de animais que tenham recebido MPA. os reflexos de deglutição e o laríngeo desaparecem no 2º plano do estágio III. As técnicas empregadas em gatos são várias. o que leva a basearmo-nos no reflexo interdigital como principal parâmetro indicativo de anestesia. caso se tenha empregado MPA.

1977) Jejum alimentar de 12 horas.0 mg/kg por via intravenosa. . na dose de 0. em anestesia volátil por qualquer agente. se necessário. Anestesia volátil. na dose de 1 a 2 mg/kg.5% por via intravenosa. Induzir com tiopental a 1. o corneano e mesmo o tipo de respiração que normalmente. enriquecer a mistura com O2. tais como o interdigital. MPA com clorpromazina. sugerindo-se trocar o anestésico por outro. Vantagem: apresenta recuperação anestésica satisfatória. empregando como fluxo diluente o ar ambiente ou. Esta técnica é contraindicada em gatos portadores de nefropatias ou cardiopatopatias ou em cirurgias em que se usará bisturi elétrico. o palpebral. na dose de 0. no gato.5 a 1. de preferência um halogenado. Intubar e adaptar a sonda à respiração controlada.05 mg/kg. pois. pode aplicar o cloridrato de doxapram.obrigará a observação de outros reflexos. é costoabdominal. Não convém. pouca alteração da frequência respiratória e boa margem de segurança. empregando-se como agente anestésico o éter dietílico. ambos os fármacos da mesma seringa por via intramuscular. esses reflexos desaparecem apenas do 2º para o 3º planos do estágio lII de Guedel. 31 As concentrações recomendadas variam de acordo com o tipo de intervenção. daí se justifica a dificuldade da colocação da sonda endotraqueal ou o início da depressão bulbar súbita. Caso se requeira a recuperação rápida em caso de depressão respiratória após a cirurgia. até a perda do reflexo oculopalpebral. com respiração controlada (Silveira.25 a 2. deixar que o animal permaneça sem discreto reflexo palpebral ou laringotraqueal. nessa espécie animal. Associada à atropina.

Desvantagens:  Eleva a pressão arterial.  Funciona como agente indutor para manutenções com outros agentes anestésicos voláteis. além de encarecer a anestesia.  Não permitir cirurgias abdominais ou torácicas (a menos que a dose seja elevada acima de 80 mg/kg.  Libera catecolaminas. De posse desta contenção. poderão ser usadas associações que facilitem qualquer intervenção cirúrgica. e de 15 a 20 mg/kg por via intramuscular.  A via é intramuscular.  Não permitir intubação laringotraqueal. 32 A anestesia dissociativa em felinos apresenta as seguintes vantagens:  Estado cataleptoide. Associação quetamina e xilazina . com período de latência de sete a 10 minutos. a frequência cardíaca e a respiratória.  Presença dos reflexos protetores (faríngeo e palpebral). para se obter uma anestesia dissociativa de duração ultracurta. o que. A dose de quetamina para gatos é de 2 a 6 mg/kg por via intravenosa. para se obter uma anestesia de 20 a 30 minutos.  Analgesia cutânea. muscular e óssea. conter e prostrar os felinos sem muitos efeitos colaterais. que permite manipulações. a tomaria arriscada). Anestesia dissociativa e suas associações A grande vantagem da anestesia dissociativa é a de que permite. por meio de injeção intramuscular.  Permite explorações radiológicas e semiológicas.

obtendo-se. Entretanto. pode-se empregar a associação de quetamina. A anestesia obtida com essa associação permite efetuar. na dose de 0.044 mg/kg 33 por via subcutânea. Entretanto. dever- se-á tomar cuidado em experimentos que envolvam estudos hemodinâmicos. Para anestesias cuja duração cirúrgica não ultrapasse 50 minutos. associadas à ação analgésica potente de tiletamina. Convém lembrar que. levando a uma anestesia dissociativa de boa qualidade e que permite intervenções cirúrgicas em cabeça. tronco e membros. pois para este fim as doses deveriam ser maiores do que as costumeiramente usadas.1 ml de xilazina pela mesma via. na dose de 10 a 15 mg/kg. dar 0. Ambos os fármacos por via intramuscular e na mesma seringa.6 ml de quetamina e 0. assim. em felinos. causam um sinergismo por potenciação adequado. .5 a 1 mg/kg. poder-se-á aplicar metade da dose mãe. ou então recorrer a outros fármacos (associações anestésicas ou anestesia volátil). Caso haja necessidade de se prolongar o tempo anestésico. desde que não se intervenha em pleura ou peritônio. com sulfato de atropina. e cloridrato de xilazina. intervenções a nível abdominal. ambas na mesma seringa e aplicadas por via intramuscular profunda. pois as ações ansiolítica. em razão à ação parassimpatomimética de xilazina. em gatos. anticonvulsivante e miorrelaxante do zolazepam. mais 20 a 30 minutos de anestesia. pois a atropina poderá interferir nos dados obtidos. Associação tiletamina e zolazepam Esta associação tem dado bons resultados em pequenos animais. deverá tratar-se o animal. que se superpõe à ação simpática da quetamina após 30 minutos de anestesia. ressalte-se que. 10 a 15 minutos antes da anestesia. essa anestesia apresenta um período de recuperação maior do que o observado na espécie canina. na dose de 0. Se houver necessidade de complementação.

unhadas ou lesões espinhais. Esse tipo de anestesia é requerido quando o estado do animal não permite outros tratamentos anestésicos. pode-se requerer uma anestesia no trem posterior obtida por meio da anestesia peridural lombossacra. após a reconstituição (princípio ativo + 5 ml de água destilada). nervoso) ou estado (gravidez. indócil. As concentrações podem variar de 0.  Técnicas Anestésicas em Cães Ao se optar por uma técnica anestésica. bem como o tipo de temperamento (dócil. obesidade.5 a 2%. aplicando-se sempre uma MPA ou anestesia dissociativa para se evitarem acidentes. ou pela interferência que esses fármacos teriam sobre o modelo experimental. cardíaco ou chocado). 34 Anestesia local Dificilmente se usam anestesias infiltrativas em felinos para intervenções cutâneas. tais como mordeduras. A dose máxima permitida de cloridrato de lidocaína não deve superar 7 mg/kg. . a dose varia de 7 a 10 mg/kg pela via intramuscular ou 5 mg / kg pela via intravenosa para procedimentos cirúrgicos mais fugazes. tomando-se o cuidado de se observar sempre o volume a ser injetado e o tempo anestésico requerido. o que serviria até como agente indutor da anestesia volátil. tomando-se o cuidado de imobilizar bem o animal. No comércio. é necessário que se avalie inicialmente qual o tipo da intervenção ou manipulação e sua duração. cada ml conterá 50 mg. pois tanto a quetamina e suas associações ou a associação tiletamina e zolazepam resolvem facilmente esse problema. Em felinos. Entretanto. esta associação é encontrada em frascos-ampolas nos quais.

A clorpromazina é a mais indicada. 30 a 40 minutos antes. 30 a 40 minutos antes. 1 mg/kg IM. na espécie canina.Viagem longa Quando se exige uma quietude duradoura em animais não acostumados a viagens. exames clínicos e radiológicos.1 mg/kg IM. pois precipitará imediatamente. Medicação pré-anestésica e tranquilizações 35 Estas tranquilizações. apesar de ser uma benzodiazepina. devem-se evitar aplicações medicamentosas desnecessárias. podem ser associados ao midazolam. Os mesmos produtos. na mesma seringa. na dose de 0.2 mg/kg IM. pois é a fenotiazina cuja ação antiemética é tida como a mais eficiente sobre as demais. ou insuficientes para mera manipulação. coadjuvante da anestesia local e indução anestésica.  acepromazina.  levomepromazina. coloca-se na mesma seringa que contém a fenotiazina apenas uma quantidade mínima do midazolam. aconselha-se não exceder a dose indicada de midazolam. tais como viagens longas. 1 mg/ kg IM. Por outro lado. a fim de se evitar o efeito paradoxal (contraturas e ganidos). . manipulações ortopédicas. 30 a 40 minutos antes. se fazem necessárias com frequência em várias situações. suficiente para "contaminar" o outro fármaco. caso se requeira uma tranquilização mais potente. ou nos quais as mesmas provocam vômito. A . Para tanto. 0. Normalmente. tomando a solução leitosa. existem algumas sugestões:  Clorpromazina. O diazepam não pode ser colocado na mesma seringa. ao se optar até por uma tranquilização.

exceção feita para a associação com o midazolam. radiológicos e manipulações ortopédicas. Análoga àquela empregada para viagens longas. o período hábil de tranquilização se estenderá por mais de 8 horas. o grande cuidado a ser tomado é nos casos em que o animal está chocado (brigas ou quedas com dilacerações). que é imediata e recomendada para explorações radiológicas. quando a MPA deverá ser suprimida ou reduzida em até 75%. Caso se use a associação de fenotiazina e benzodiazepina. B .Exames clínicos. esta última poderá ser feita empregando-se desde a simples tranquilização até a mais potente. Considerando-se que não existe sinergismo digno de nota entre os anestésicos locais e a MPA. a aplicação das fenotiazinas anteriormente citadas nas mesmas doses. devido à ação do midazolam. Entretanto. MPA para indução anestésica Técnica. . pode-se recorrer à via intravenosa e o efeito máximo será obtido a partir de 15 minutos. nas quais o miorrelaxamento muitas vezes é requerido por ser indispensável.Coadjuvante da anestesia local Técnica é análoga àquela empregada para viagens longas. C . Quando se requer um efeito imediato desses fármacos. 36 Geralmente.

é desconfortável para o paciente. na dose de 0. preparos cirúrgicos cruentos.044mg/Kg. Primeira técnica: Jejum prévio. . Entretanto. O que evita sobremaneira o risco de excitação (estágio II de Guedel). Face à boa tranquilização obtida com a associação de clorpromazina 37 ou levomepromazina e midazolam.modalidades Consistem na aplicação de um fármaco que permite toda e qualquer manipulação prévia antes da manutenção (acomodação na mesa cirúrgica. até o desaparecimento dos reflexos interdigital e palpebral. Pois. na MPA a potencialização prevista com o uso posterior de um barbitúrico é de 40 a 60%. se é prático para o profissional. a dose total de 1 a 1.5% IV. nessas induções. consegue-se induzir diretamente com uma máscara anestésica. cujo sinergismo acarreta apneias de difícil controle. são realizadas com fármacos de ação anestésica ultracurta. ocasiona recuperações tardias. pelo fator cumulativo. o cuidado a ser tomado é com o uso da associação das benzodiazepinas na indução barbitúrica. como os tiobarbituratos ou fármacos afins (quetamina. isofluorano. Administrar atropina. a manutenção pelo próprio agente indutor. com aplicação de tiopental a 2. etomidato). como é o caso da xilazina. Induções anestésicas . tecnicamente. Geralmente. desde que se dê um anestésico volátil halogenado de odor agradável (halotano.5 mg e em casos excepcionais 2 mg. ao se aplicar uma fenotiazina. com certa habilidade e de maneira suave. intubação endotraqueal) e. administrando metade da dose total rapidamente e o resto lentamente. toda vez que se empregar um fármaco parassimpatomimético. 25 mg/kg. Desaconselha-se. em cães de grande porte. em geral. enfluorano e sevofluorano) em concentrações baixas e posteriormente crescentes. Sugere-se não ultrapassar. pois ocorre uma potencialização exacerbada. ou mesmo um fármaco de ação simpática que provoque sialorreia abundante. porque.

Essa indução anestésica é. a dose total sendo injetada lentamente. retirada de dedos supranumerários e suturas de pele.  Tártaro dentário. administração de MPA (qualquer citada para viagens longas). . e tiopental a 2. nefropatas. possibilitando efetuar:  Retiradas de pontos em animais agressivos.  Esofagoscopia e traqueoscopias. Hepatopatas. 12. Sugere-se não exceder uma complementação anestésica. Essa indução é desaconselhada em:  Cesariana. Segunda técnica Jejum prévio. interdigital e palpebral.5 mg/kg. biópsias. em choque e submetidos à cesariana.  Explorações bucais. até o desaparecimento dos reflexos interdigital e palpebral. quando há inviabilidade fetal e a mãe está em estado toxêmico. a mais empregada na rotina anestésica por sua segurança. especialmente em animais nos quais a indução requer cautela. cardiopatas.  Retirada de espinhos de ouriço.  Animais chocados. Essa indução usada isoladamente é desaconselhável em animais idosos.5% IV.  Pequenas cirurgias (retirada de glândula de Harder.  Curativos cruentos. o que a torna indispensável. sem dúvida. extrações dentárias. aguardando o período adequado. excisões tumorais e 38 retiradas de cistos).  Pacientes de alto risco. Permite um tempo hábil anestésico de 15 a 20 minutos. face à redução de 50 a 60% do agente barbitúrico.  Retirada de pinos ou fios intramedulares. a qual deverá ser aplicada na dose suficiente para fazer desaparecer novamente os reflexos.

permitindo. sendo. aconselhada em todas as cirurgias que requeiram. aspirações de conteúdos gástricos. É desaconselhável em animais idosos ou hipertensos. portanto. A vantagem dessa indução é a de que dispensa o jejum prévio. em que o paciente tenha ingerido alimento. indicada nos casos de urgência. não permitindo. pequenas intervenções que não excedam 10 a 15 minutos e intubação endotraqueal. logo após quetamina (2 a 4 mg/kg IV) lentamente ou 10 a 15 mg/kg IM. entretanto. nos quais a via IM se faz necessária. a introdução da sonda. essa indução não permitirá a intubação endotraqueal. Apesar da boa analgesia e da ausência de efeitos extrapiramidais. Quarta técnica . assim.  Pacientes de alto risco. paciente de risco moderado. após a indução. se ocorressem acidentalmente. permanecendo os reflexos protetores (palpebrais e laringotraqueal). desde que se reduza a MPA a em 50%. assim. Esse tipo de indução não causa emese. manutenção prolongada. É.  Cesarianas em que haja inviabilidade fetal e a mãe esteja com toxemia severa. animais agressivos. Terceira técnica 39 MPA aguardando 15 minutos se IV e 30 a 45 minutos se IM. que poderá ser apenas conseguida caso se aplique uma máscara bem vedada e adaptada a circuito com filtro circular com anestésico volátil até o desaparecimento do reflexo laringotraqueal. Essa indução não permite laparotomia ou toracotomia e é aconselhável em induções em:  Animais que necessitem de cirurgia com extrema urgência e que se tenham alimentado.

. sem estresses desnecessários. Manutenções As manutenções em rotina anestésica com anestésicos voláteis nunca são efetuadas de maneira direta.5 mg/kg. mas sim com o auxílio. com cuidado. 1 a 2 mg/kg. bastando à aplicação intramuscular para causar a prostração do animal. até o jejum prévio. por várias razões:  Custo operacional torna-se oneroso. clorpromazina ou levomepromazina. bem como introduzir a sonda endotraqueal. que é realizada da seguinte maneira: midazolam na dose de 0. pois ao aplicá-la nunca se notou vômito. em animais arredios. quetamina. obter uma prostração suficiente para manipular o animal. no mínimo. até efetuar a intubação endotraqueal. 40 Outra vantagem desta associação é que. Dispensa. é uma das melhores associações e permite. 1 mg/kg. os três produtos injetados pela via intravenosa e na mesma seringa.  Concentrações altas de anestésicos voláteis halogenados (halotano e enfluorano) levam à sensibilização do miocárdio.  A insubmissão do animal ao se colocar a máscara para a indução. Jejum não é a condição mais importante nesta associação. em 5 minutos. Esta associação. com consequente fibrilação cardíaca. de MPA. clorpromazina ou levomepromazina) nas doses citadas para viagens longas e 10 minutos após aplicar pela via intramuscular associação zolazepam mais zoletil na dose de 7 a 10 mg/kg permite. A vantagem desta associação é que ela pode ser aplicada em animais que não permitem a manipulação pelo seu temperamento.  A poluição ambiental com éter torna o ambiente sujeito à explosão por faíscas elétricas (tomadas). farmacologicamente. a associação pode ser aplicada pela via intramuscular.  Poluição ambiental com halogenados (carcinogênicos).2 a 0. ocorrendo à prostração em 5 a 7 minutos. Quinta técnica Aplicação de MPA pela via intravenosa com qualquer fenotiazina:(acepromazina. em casos de extrema urgência.

Condutas anestésicas em anestesia geral e dissociativa Primeira conduta :Sem MPA e com jejum prévio. enfluorano. Essa conduta só é permissível quando não se dispõe de tranquilizantes. isofluorano. 41 As potencializações ocorrem com outros fármacos como barbitúricos. A evolução do ato cirúrgico e plano anestésico desejado vão variarem de acordo com o paciente e tipo de cirurgia. na manutenção. ou metohexital a 2. . teremos então o diagnóstico diferencial com acidose respiratória. que causa a sensibilização dos receptores de elastância do pulmão. A administração de meperidina resolverá o problema. Taquipneia geralmente surge na anestesia volátil com o halotano em altas concentrações. IV. ou sevofluorano. pois a taquicardia observada por bloqueio vagal causado pelo tiobarbiturato poderá ser agravada caso se use. 12. No caso de persistência. resultando em estimulação simpática. succinilcolina e fármacos usados em MPA.5%.0% a 20 mg/kg. halotano que em altas concentrações causa sensibilização do miocárdio ou o próprio éter anestésico que. apesar de liberar noradrenalina. Os anestésicos voláteis comumente utilizados em máscaras bem vedadas ou em sondas endotraqueais e em cães tranquilizados são Halotano enfluorano isofluorano sevofluorano. IV. Metade da dose rapidamente e o resto até atingir o desaparecimento do reflexo laringotraqueal e interdigital. Intubação endotraqueal Manutenção: halotano. Ou Tiamilal a 2. O período hábil anestésico é indeterminado e o de recuperação de 10 a 20 minutos. não chega a causar alterações cardíacas dignas de nota. Indução: tiopental a 2. 25 mg/kg.5%. IV.5 mg/kg.

5 mg/kg. .2%. 1 mg/kg IV ou IM.5%. 2 a 4 mg/kg IV lentamente ou 10 a 15 mg/kg IM. MPA: levomepromazina. Aguardar 15 minutos se a aplicação for IV e 30 a 45 minutos se a aplicação for IM. Introduzir a sonda endotraqueal e conectar ao aparelho de anestesia. 1 mg/kg IV ou IM. halotano.1 mg/kg IV ou IM. O período hábil anestésico é indeterminado e o de recuperação leva 5 a 15 minutos. ou tiamilal a 2. tão desejada na manipulação pré-operatória (sondagens ou tricotomias) ou na interação com outros fármacos (barbitúricos.5%. ou metohexital a 2.6. 1 mg/kg IV ou IM. 10.5%. pulso arterial e frequência respiratória). 1mg/kg IV ou IM. Segunda conduta Jejum prévio.5 mg/kg. 1 mg/kg IV ou IM. ou clorpromazina. Indução: quetamina. Ressalte-se que a grande vantagem dessa técnica consiste na ação tranquilizante e especialmente adrenalítica que a MPA oferece. Essa conduta é a mais aconselhada para a rotina anestésica por sua segurança. ou levomepromazina. MPA: clorpromazina.0. 12. ou acepromazina a 0. enfluorano e éter). Indução: tiopental a 2. tranquilidade e discreta alteração dos parâmetros fisiológicos (temperatura retal. metade da dose rapidamente e o resto até o desaparecimento dos reflexos Interdigital e laringotraqueal.5 mg/kg. Terceira conduta O jejum não é condição obrigatória.2%. ou Acepromazina a 0. 42 Aguardar 15 minutos na aplicação IV e 30 a 45 minutos na aplicação IM.

recomenda-se a redução da MPA em 50 a 75%. o enfluorano como agente de manutenção. 43 Essa conduta anestésica é mais utilizada em casos de extrema urgência. 1 mg/kg IV ou IM. Com o paciente chocado. entretanto. 0.2 mg/kg de midazolam IV ou IM na mesma seringa. Ao atingirem os planos anestésicos desejados se procederão à intubação endotraqueal. Recomenda-se. .1 mg/kg IV ou associadas ao flunitrazepam. ou clorpromazina. caso se tenha usado quetamina por via intravenosa. ao se empregar a via intramuscular profunda.2%. pois a quetamina não abole os reflexos protetores. O período hábil anestésico é indeterminado e o período de recuperação dura 5 a 15 minutos. apesar de que o emprego da MPA atenua essa resposta por sua ação adrenalítica. 0. É desaconselhável em animais hipertensos ou acidoses por sua ação predominantemente simpática. ou acepromazina a 0. Manutenção: por não desaparecerem os reflexos protetores (laringotraqueal e palpebral). aplicar máscara facial vedada com coaptação imediata ao aparelho de anestesia volátil. colocando-se a sonda endotraqueal logo que o animal perca o reflexo laringotraqueal. Sugere-se. em que o animal já se tenha alimentado. Aguardar 15 minutos na aplicação IV ou 30 a 45 minutos na aplicação IM.005 mg/kg ou 0. Recomenda-se a técnica em todas as cirurgias que requeiram laparotomias e por sua segurança em cesarianas. para tanto. Levomepromazina. Quarta conduta Jejum. e até cinco a 10 minutos após. 1 mg/kg IV ou IM. o que ocorre alguns minutos após a aplicação da máscara facial vedada. mesmo em doses elevadas. a vigilância em eventos de mímicas de emese. quando os fetos são inviáveis e a mãe está em estado toxêmico.

. 30 mg/kg IV. outrora defendida e empregada. Pentobarbital sódico a 3%. pelos inconvenientes que a mesma oferece. ministrados por máscara. Sua aplicação é recomendada apenas em animais sadios e no caso de inexistência de fármacos tranquilizantes e qualquer outro anestésico geral. 44 cardíacos ou portadores de nefropatias ou hepatopatias). ou mesmo estudos eletrocorticográficos. Aplicar metade da dose rapidamente e complementar lentamente até o desaparecimento dos reflexos palpebral. laringotraqueal e interdigital. A grande vantagem é que a prostração é tão severa que com a aplicação dos anestésicos halogenados. O período hábil anestésico é indeterminado e a recuperação tardia. Essa técnica anestésica. Intubar o animal quando perder o reflexo laringotraqueal. os animais não reagem. está hoje restrita apenas aos ensaios de técnicas cirúrgicas ou experimentais. Quinta conduta Jejum. Esta conduta é recomendada em animais agressivos em que a injeção intravenosa se torna impraticável ou em paciente cuja indução barbitúrica se torna inviável (animais idosos. tais como limitações em pacientes não-hígidos ou mesmo pela recuperação desconfortável. pela sua grande interferência nesses sistemas. permitindo assim a indução e manutenção suave sem necessidade de elevar as doses do anestésico volátil. face ao uso de flunitrazepam (três a quatro horas). Essa técnica não é recomendada para delineamentos experimentais que visem ao fluxo renal ou estudos hemodinâmicos. Dispensar a indução e adaptar a máscara para a devida manutenção com anestesia volátil. em virtude da acentuada depressão no SNC.

2%. A grande vantagem. Aguardar 10 a 15 minutos (até que se estabeleça discreta taquicardia). 45 MPA: levomepromazina. O período hábil anestésico é de 60 a 120 minutos e o de recuperação de quatro a seis horas. Aguardar 15 minutos se a aplicação for IV e 30 a 45 minutos se for IM. A dieta pós-anestésica deverá respeitar o tipo de intervenção.1 mg/kg IV ou IM. Pentobarbital sódico a 3%. se for intervenção de trato gastroentérico. a dieta será mais rigorosa. laringotraqueal e palpebral. uma a três horas.044 mg/kg. porém. alimentação pastosa no dia seguinte e sólida no outro. metade da dose rapidamente e. é a potencialização de 40 a 60% que ocorre. Sétima conduta Jejum. reduzindo o tempo anestésico face ao sinergismo apresentado. via subcutânea. pois. Sexta conduta Jejum. ou clorpromazina. 15 mg/kg (0.5 ml) IV. Atropina. 0. 1 mg/kg IV ou IM. devem-se levar em consideração as mesmas ponderações feitas na técnica anterior. quando sobrevier a prostração. 1 mg/kg IV ou IM. ou Acepromazina a 0. apenas dieta líquida (água ou leite).0. O cuidado a ser tomado é ao se anestesiar animais adiposos. aplicar lentamente o resto até desaparecerem os reflexos interdigital. . pois neles a administração deve ser feita mais lentamente e com grande cautela. Dieta pós-anestésica: no dia da intervenção. Ao se aplicar esse anestésico. O período hábil anestésico é de 40 a 60 minutos e o de recuperação.

Essa conduta é desaconselhada em animais idosos ou toxêmicos. O período de latência da associação de xilazina e quetamina é de cinco a sete minutos. o que não é recomendado em certas situações.1 mg/kg IV ou IM. em animais que não receberam atropina na MPA. Convém lembrar que toda complementação acarreta. desde que não haja histórico de toxêmia. seguramente. e quetamina. em choque ou com distúrbios cardiocirculatórios. Caso se requeira uma prorrogação do tempo anestésico. na dependência da via de aplicação. É aconselhável. 1 mg/kg.0. por causa do efeito cumulativo. Oitava conduta Jejum. Acidentalmente. em animais hígidos que requeiram intervenções no abdômen. é só complementar com metade da dose-mãe (de ambos os fármacos). pois seu tempo hábil é de até uma hora. MPA: levomepromazina. 1 mg/kg IV ou IM. ou clorpromazina. ambos os fármacos na mesma seringa e aplicados por via intramuscular profunda.2%. por meio de uma simples aplicação intramuscular. Aguardar no mínimo cinco minutos de latência para o início da intervenção cirúrgica. Ela é segura. consegue-se uma anestesia de 40 a 50 minutos. Xilazina. seu período hábil anestésico de 40 a 50 minutos e o período de recuperação de 50 a 60 minutos. não sendo necessária complementação com atropina. entretanto. incluindo cesariana. a fim de se evitarem os efeitos parassimpatomiméticos da xilazina. Aguardar 15 ou 30 minutos. ou acepromazina a 0. 46 desde que se pré-trate o animal com atropina. Essa conduta anestésica é reconhecidamente a mais prática. podem ocorrer convulsões com duração de segundos. 1 mg/kg IV ou IM . 15 mg/kg. uma demora crescente na recuperação. . mesmo porque a anestesia torna-se onerosa. tais como bradicardia com arritmia e até bloqueios atrioventriculares de segundo grau. pois.

sendo eliminado totalmente pela própria expiração.3 a 0. 0. Reduzir os anestésicos voláteis em 30 a 40%. 15. alterando severamente os parâmetros cardiocirculatórios. Evitar a hiperoxia por meio da administração excessiva de oxigênio puro. 1. nessa conduta. 0.0%.8 mg/kg (não- despolarizante). ou succinilcolina.5 a 0. ou quetamina. por ser anestésico 47 inerte. repetindo a manobra até que o paciente volte a respirar espontaneamente.0 mg/kg (não- despolarizante). . Periodicamente e por poucos segundos.5%. ou fazadínio. 10. mas sim por desequilíbrio da relação O2 e CO2. Indução: tiopental a 2. Manutenção: óxido nitroso 50 a 70%. oxigênio 50 a 30%. O período hábil anestésico é indeterminado e o de recuperação dura cinco a 15 minutos. Conectar ao paciente o aparelho de respiração controlada. pois poderá sobrevir apneia provocada não pelo miorrelaxante.5%.4 mg/kg (não-despolarizante).0 mg/kg IM ou 2 a 6 mg/Kg IV. retirar a respiração controlada.5 mg/kg IV ou tiamilal a 2. evitar associações do tipo quetamina e éter. 12. pois. não é metabolizado pelo organismo. Aplicação intravenosa depois de decorridos cinco minutos de manutenção anestésica.6. pois ambas apresentam características simpatomiméticas. Convém. 0.5 mg/kg (despolarizante). Essa conduta é vantajosa quando se dispõe de óxido nitroso. ou atracurônio.5 mg/kg IV ou metohexital a 2.5 mg/kg IV. ou quando se fizer necessário o miorrelaxamento com galamina. indução anestésica e manutenção análoga à segunda técnica. Nona conduta Jejum. MPA.

por qualquer motivo (alimentação. deixando-se a dieta sólida para o dia seguinte. . desde que o paciente tenha recuperado a consciência.07 mg/kg IV. ou quando. Essa conduta anestésica sempre se faz presente em intervenções a nível torácico. Se a apneia persistir. destituídos de barulho ou que tenham luz excessiva. de modo geral. pois esta dieta dependerá de prescrição do cirurgião. não possam ser submetidos à anestesia geral. imediatamente notar-se-á aumento da amplitude e da frequência respiratória. S8 e C1 (sacrococcígea) ou intercoccígea. cesariana. A dieta administrada. é de extrema valia em pacientes de alto risco ou que. o que vale dizer que é causado pelo bloqueador neuromuscular. Se o bloqueio for de ação central. é aconselhável acomodar os animais em recintos com controle de temperatura. Observação Em todas as técnicas de anestesia geral propostas. de fácil aplicação e baixo custo. mediante o controle da administração de menos 02. idade). pode ser contornada. após o ato cirúrgico. desde que a intervenção não tenha sido no trato gastroentérico. na dose de 0. Anestesias peridural ou epidural Geralmente. Os pontos eletivos para a anestesia peridural são entre L7 e S1 (lombo-sacra). O fármaco antagonista para reverter o bloqueio dos agentes não-despolarizantes é a neostigmina. em pacientes de alto risco. no dia da intervenção. Convém lembrar que a administração excessiva de O2 acarreta apneia que. é sinal de que o bloqueio é periférico.04 a 0. se requer tal tipo de respiração. com certa habilidade. baseia-se apenas em água ou leite. essa anestesia. problema hepático ou renal. Uma das maneiras de se fazer o diagnóstico diferencial entre bloqueio central ou 48 periférico é por meio da administração de 1 mg/kg de doxapram por via intravenosa.

Palpar as tuberosidades ilíacas com os dedos. que. se for empregada lidocaína a 1%. com outra seringa vazia. indicador e polegar. não se poderão exceder 70 mg ou 7 ml. como exemplificado. para um cão de 10 kg. Caso isso não aconteça. sentir o espaço lombossacro. o volume não poderá exceder 3. agora. Atravessar o ligamento interespinhoso (ruído característico de ranger). injetar 5 ml de ar e. de acordo com a conveniência. cada ml da droga terá 10 mg de princípio ativo e. apesar de existirem correlações entre dimensões de colunas vertebrais. Convém lembrar. 49 Colocar o animal em decúbito esternal (posição de esfinge ou com os membros fora da mesa). com o dorso da mão sobre a pele do animal (região lombar). Perfurar a pele e fazer um botão anestésico. Tricotomia e antissepsia rigorosa do local (de preferência depilar uma boa área). se use a mesma lidocaína a 2%. pois facilita futuras manipulações. na dependência do tamanho do animal. Se a agulha estiver na posição correta. da velocidade de aplicação e da eficácia da droga. . A dose recomendada. Retirar o mandril e observar se há ruído de sucção (pressão negativa peridural) que imediatamente poderá ser comprovada depositando-se uma gota do anestésico local. Introduzir uma agulha (de preferência com mandril) 40 x 7 ou 50 x 8. observando-se a sucção da mesma. Com o indicador 2 a 3 cm caudalmente. Atravessar o ligamento amarelo (ligamentun flavum). gira em tomo da dose máxima permitida. observando-se sempre as doses máximas permitidas.5 ml. face ao seu posicionamento correto no espaço peridural. A técnica é desenvolvida da seguinte maneira: Tranquilizar o animal. Caso. Injetar gradativamente e de forma suave (a fim de não alterar bruscamente a pressão no espaço peridural) o anestésico local escolhido. perceber-se-á a infiltração do ar a nível subcutâneo.

pois. dando assim uma anestesia bilateral uniforme. Essa anestesia permite executar. 19 . não permitindo.) estarão sempre sujeitos às intoxicações.demonstração da agulha sendo colocada na região lombossacra. 50 posição característica (paralisia de posteriores) e eventual incontinência urinária. convém aguardar uma melhor embebição tissular pelo anestésico de forma equitativa (lados direito e esquerdo). caso não se observe as doses máximas permitidas.. Fig. Ao se depositar o anestésico no espaço peridural observar-se-á imediatamente queda da cauda. O mesmo pode ser dito quanto às intervenções intestinais. por gravidade. entretanto. já que. não se pode levar em consideração apenas a dimensão da coluna vertebral. pelo período hábil de 60 a 80 minutos. trações viscerais altas. relaxamento do esfíncter anal com emissão de gases ou até exteriorização de fezes. Convém manter o animal na posição de esfinge por cinco a 10 minutos. . em decúbito lateral. como no caso de cesarianas ou ovário-histerectomias (ligamentos suspensor e uterovárico). pequinês. Em cães. causará apenas anestesia local unilateral. A B Fonte arquivo pessoal. especialmente. pois os animais longilíneos e baixos (bassethound. requerendo uma anestesia geral. qualquer intervenção retroumbilical. face às diferenças anatômicas verificadas nas diferentes raças.. dachshund. . mas sua simples tração torna a intervenção cruenta. B: seringa conectada para injeção do agente anestésico. embora a lidocaína cause anestesia local quase que imediata. pois a manipulação suave é indolor.

à medida que o mesmo é requerido. 51  Hérnias perineais. é raramente empregada.5 mg/kg de tiopental sódico). Seu procedimento é feito da seguinte maneira: Jejum.  Vulvoplastias. mas com reflexo interdigital presente. Tranquilização por via intravenosa e tricotomia da região lombar.  Orquiectomias.. mas. por se tratar de uma anestesia de técnica mais apurada e pelo espaço subaracnoide em cães ser de poucos milímetros. pode causar meningites com resoluções fatais. pois o animal deve permanecer imóvel.  Retiradas de glândulas do saco anal.  Cirurgias proctológicas. Anestesia subaracnoide (raquianestesia) Este tipo de anestesia é de grande valia. Igualmente.  Fecalomas. se executada sem a devida assepsia. metade da dose (por ex. podendo ser executada entre L5-L6 ou L6-L7 a anestesia peridural em cães permite efetuar as seguintes cirurgias:  Caudectomias em animais adultos.  Excisões tumorais vaginais. 12. Caso se requeira uma prorrogação da anestesia peridural pode-se recorrer à anestesia peridural contínua que permite a injeção constante do anestésico. . Aplicação de um barbiturato de duração ultracurta. Aguardar 15 minutos.  Cirurgias ortopédicas em membros posteriores.

Qualquer intervenção pré-retroumbilical de duração máxima de 50 a 60 minutos. Técnica possui uma vantagem maior sobre a anestesia peridural. observar-se-á a saída do liquor. L4 – L5.L6 ou L6-L7.5 ml. Após a retirada do mandril. Introdução de uma agulha 70 x 80 com mandril entre L3-L4. pois o seu relaxamento é maior por agir diretamente em nível de raízes nervosas espinhais. L5 . a fim de aumentar o espaço intervertebral. 52 Injetando lentamente e sem resistência de 0. Aspirar suavemente com uma seringa e homogeneizar o conteúdo com o anestésico. Decúbito dorsal com os membros anteriores entre os posteriores. Manter previamente a cabeça do animal ligeiramente elevada. .5 a 1.

3 INFECÇÕES CIRÚRGICAS 3. direta ou indiretamente. Em qualquer procedimento cirúrgico se tem por meta. Fontes de infecção de feridas: • Tipo de ferida • Paciente . sem invasão ou resposta fisiológica.presença transitória de microrganismos na superfície tecidual.1 Controle da infecção 53 Informações gerais Nas infecções que ocorrem no pós-operatório têm-se dois fatores inter-relacionados. Contaminação de ferimento X infecção de ferimento: • Contaminação . • Infecção – multiplicação de micróbios no interior do tecido e a consequente resposta do hospedeiro. Os dois principais aspectos que contribuíram com o aperfeiçoamento da cirurgia moderna foram o surgimento e desenvolvimento da anestesia e a aplicação dos princípios da assepsia. que são sem dúvida de extrema importância pelo sucesso ou não das mesmas. a limitação do trauma e a diminuição do risco de infecção. trauma tecidual e infecção cirúrgica.

Ex: mesas cirúrgicas. etc. C) antissepsia: é a manobra que impede a proliferação de bactérias. pelo menos. sonda uretral. Engloba manobras de esterilização. Ex: salas cirúrgicas e baias. Ex: tubo endotraqueal. seja inativando (bacteriostáticos) ou destruindo-as (bactericidas). D) assepsia: é o conjunto de procedimentos que se empregam para evitar a infecção dos tecidos durante as intervenções cirúrgicas. . este material deverá ser esterilizado. calhas. mucosas e pele do animal. Refere-se aos tecidos vivos. panos de campo e compressas cirúrgicas. etc. termo mais utilizado para ambientes. desinfecção e antissepsia. etc. Itens não-críticos: são os objetos que estão relacionados ao ambiente cirúrgico e devem estar limpos. Ex: instrumental cirúrgico em geral. Ex: mãos do cirurgião. • Procedimento cirúrgico • Ambiente cirúrgico Conceitos básicos A) esterilização: é a destruição dos micro-organismos patogênicos e não patogênicos 54 de um determinado local. pano de campo. porta soro. Itens semicríticos: refere-se ao material que entra em contato com cavidades mucosas que possam estar contaminadas e estes deverão estar. luvas. desinfetados. Ex: instrumentos cirúrgicos. compressas. Instrumental cirúrgico Itens críticos: todo e qualquer material que entra em contato com o tecido subcutâneo. B) desinfecção: é a destruição dos micro-organismos patogênicos ou não.

.  Desinfetantes de 2º grau: atuam pela desnaturação das proteínas e não destroem esporos. Ex: sabões.  Desinfetantes de 3º grau: não apresentam o poder de destruição de vírus. bacilo da tuberculose. cloro. iodo. não devem ser irritantes quando aplicados na pele e devem reter suas propriedades in vivo. glutaraldeído. B) métodos químicos: líquidos e gases  Desinfetantes de 1º grau: são capazes de esterilização. etc.  Radiação: usada naqueles materiais que não podem ser esterilizados pelo calor 55 ou por meios químicos. etc. vírus e fungos. os antissépticos não podem ser tóxicos. amônia quaternária. O antisséptico ideal é um agente bactericida de amplo espectro que também seja eficaz contra esporos. Antissépticos São usados para reduzir a flora bacteriana da pele. raio gama. compostos iodopovidona. É mais de ação bacteriostática. através de filtros. etc. pois não se consegue esterilizar a pele sem destruí-la. Ex: formaldeído.v. álcool. geralmente é chamada de esterilização fria. Além da atividade antimicrobiana.  Energia térmica: calor úmido ou calor seco. Ex: compostos fenólicos (creolina). Degermação das mãos da equipe cirúrgica . esporos. Métodos de esterilização A) métodos físicos:  Filtração: é a separação dos micro-organismos de líquidos ou de gases. clorexidina e compostos de amônia quaternária. etc. Este é o ponto que contesta a técnica cirúrgica asséptica. Ex: mercúrio cromo. braços e mãos do cirurgião e equipe cirúrgica. Ex: raio u. álcool. óxido de etileno. além do campo operatório do paciente.

o mesmo não deve ser retornado ao mesmo. O preparo das mãos é recomendável e justificável. A degermação das mãos pode ser realizada por métodos químicos (com o uso de antissépticos detergentes) e mecânicos (pela escovação). 4º) Uma vez que algum material é removido de um pacote. este deve ser considerado não esterilizado. A degermação das mãos e antebraços tem a finalidade de remover a maior quantidade possível dos microrganismos da pele a fim de prevenir infecções da ferida operatória. Procedimentos dentro da sala cirúrgica Existem regras gerais: 1º) Todos os utensílios podem estar esterilizados ou não. unhas e outros. Consiste na remoção de detritos e impurezas depositadas sobre a pele.  Bactérias tendem a se multiplicar sob as luvas. 5º) Toda vez que um material esterilizado apresentar-se úmido. 2º) Somente à parte de fora dos materiais enrolados ou empacotados deve ser tocada por mãos sem luvas. Atualmente costuma-se associar os dois métodos pela sua maior eficiência na antissepsia das mãos. 56  Luvas sofrem constantes traumas por agulhas. se considerarmos o seguinte:  Muitas luvas se apresentam perfuradas ao término da cirurgia. e estes pacotes devem ser abertos pelo volante longe do corpo para não contaminá-los. 3º) Materiais esterilizados são manuseados somente com luvas esterilizadas ou com instrumentos esterilizados. . considere não esterilizado. em caso de dúvida.

 Contaminada: falha na assepsia. Fatores cirúrgicos que afetam a infecção das feridas  Duração da cirurgia. abertura de cavidade colonizada. • Procedimentos de emergência.2 Classificação da possibilidade de infecção intraoperatória  Limpo: procededimento eletivo. isento de falhas nas técnicas assépticas. traumatismo penetrante.  Sujo: purulência. ferimento penetrante decorridas mais de quatro horas. • Cirurgias nos meses de verão. respiratório ou urogenital.3 Fatores da ferida podem influenciar as infecções  Contaminação.3. falha assépticas mínima e reoperação. viabilidade e vascularização dos tecidos. inflamação não-purulenta aguda. 57  Limpo-contaminado: procededimento não-eletivo. sem penetração nos tratos alimentar. . ruptura de víscera colonizada. drenagem. 3. • Perfuração das luvas. ferimento crônico. cicatrização primária.

• Contaminação direta da ferida e das ataduras. 58 • Doença preexistente. • Irrigação tópica das feridas. • Mau uso de antibióticos. • Má nutrição. • Local do organismo operado. • Remoção pré-cirúrgica dos pelos. Fatores que afetam as taxas de infecção das feridas • Aumento da idade. . • Ambiente hospitalar sujo. antes da internação Causas comuns: • Falha nas técnicas de assepsia ou desinfecção. • Cateteres. Infecção hospitalar: infecções em ferimentos que não estavam presentes e nem incubado.

4. meses ou anos. Isso se dá por processos bioquímicos e celulares em padrão organizado e sequencial que pode levar dias. Fase chamada de Lag ou substrato. São variadas as causas de ferimentos que vão desde cirurgia. Nesta fase tem-se a liberação de mediadores químicos (histamina.2 Fases da Cicatrização 1. traumas (veicular. Neutrófilos e mastócitos fagocitam e destroem restos celulares e corpos . substâncias químicas. Inflamação: minutos a três dias. infecção. serotonina e prostaglandinas) pelos mastócitos e plaquetas. brigas). O ferimento nada mais é que a perda da continuidade anatômica e funções metabólicas de órgãos.1 Conceitos Gerais 59 O fundamento da cirurgia é restabelecer a função e recuperar a integridade biológica de células e tecidos mediante a cicatrização de ferimento natural ou iatrogênica. tecidos e células. Para haver a cicatrização de um ferimento é necessário que um conjunto de ações simultâneas ocorram para ocorrer a restauração da estrutura e função do órgão. temperaturas excessivas e até mesmo uma medicação tópica. arma de fogo. tumores.4 CICATRIZAÇÃO 4.

angiogênese e a síntese de colágeno. adesivos ou fitas. a fase de proliferação fibroblástica. A resistência do tecido cicatricial se aproxima.  Cicatrização de terceira intenção . 4. 2.3 Tipos de cicatrização  Cicatrização de primeira intenção ou fechamento primário . 3.ferimentos cutâneos cicatrizam por granulação. Ligações entre fibras de colágeno (rede de fibras ao longo das linhas de estresse da ferida). infiltração capilar e a reepitelização.estranhos e macrófagos liberam substâncias quimiotáticas para estimular fibroplasia.fase final da cicatrização. Entre 3º e 21º dias. Reparação ou proliferação. grampos. Base da resistência da cicatrização: O colágeno é a principal proteína estrutural do tecido conjuntivo.fechamento cirúrgico de uma cicatriz granulosa (segunda intenção) após a remoção do tecido de granulação e o reavivamento dos bordos epiteliais.  Cicatrização de segunda intenção ou fechamento secundário . .aposição dos tecidos por sutura. ação dos miofibroblastos que contêm 60 actina. 4. Contração . mas nunca se iguala à do tecido normal. proteína contrátil das células musculares. epitelização e contração. Maturação ou remodelação (meses ou anos).

Fig. Richard G (1997) 4. 34-42.barreira contra a infecção. 61 Fonte: Wilkinson. George T. n.20. 49. Harvey. Fig. Fonte: Clínica Veterinária.4 Tecido de granulação Consiste em uma mistura de vasos capilares e linfáticos. substância amorfa. de fibroblastos. . p.Cicatriz por segunda intenção. 2004. 22 – tecido de granulação.Cicatrização por meio de sutura.21. Fig. colágeno e de fibras de elastina que se desenvolvem em uma semana a partir da lesão. Aspecto: vermelho e granular . sobre uma base para epitelização e fonte celular contração cicatricial. macrófagos.

4. . os curativos debridam mecanicamente os ferimentos contaminados. macrófagos e fibroblastos. diminui resistência e provoca edema.  Curativos não-adesivos: promovem a epitelização.  Transformadores (aumentam a síntese de colágeno).  Infecção bacteriana: impede a cicatrização devido à persistência da inflamação. 62  Epidermal.  Espaço morto e acúmulo de líquidos: inibem a migração celular e aumentam risco de infecção.  Irradiação: semanas seguintes à cirurgia.  Fibroblastos e tipo insulina: secretados por plaquetas. reduz a formação de fibroblastos.5 Fatores de crescimento importantes na cicatrização  Derivados de plaquetas (iniciam a divisão celular).  Soluções de limpeza : reduz a contaminação. a síntese de colágeno e a regeneração capilar.4.6 Fatores afetam a cicatrização A – Locais:  Vascularização: oxigenação e nutrientes às células e aos tecidos. B –Sistêmicos:  Hipoproteinemia: retarda a fibroplasia.  Técnicas cirúrgicas: seguindo os princípios de Halsted.  Material estranho: acentua a inflamação e infecções. à necrose tissular e ao acúmulo de líquidos.

 Diabete descompensado e hiperglicemia: impedem a síntese de colágeno.  Aproximação dos tecidos.  Remoção do tecido necrótico.  Obliteração dos espaços vazios.  Preservação da vascularização. a epitelização e a resistência da cicatriz. o crescimento capilar e a função das células granulócitas.  Corticosteroide: Dosagem elevada ou prolongada que inibe a inflamação e reduz síntese de colágeno. 4.  Assepsia cirúrgica. a alteração do 63 metabolismo e diminuição da função inflamatória.7 Fatores que podem ser controlados pelo cirurgião  Manipulação delicada dos tecidos.  Tumorações: podem impedir a cicatrização devido à caquexia. 4.8 Conceitos importantes .  Quimioterápicos: inibem as fases de reparação (divisão celular) e de maturação (síntese de colágeno).  Uremia: deprime a granulação.  Idade avançada: diminui a função reparadora da célula.

colocação. C .  Necrose tissular. . A .  Estravazamento serossanguinolento. Desenvolve-se usualmente como falha na técnica cirúrgica. Sinais de deiscência cirúrgica:  Inchaço na incisão.  Dor.Evisceração: protusão das vísceras. Que normalmente ocorre três a cinco dias após a cirurgia.Seroma: acúmulo subcutâneo ou bolsa de soro e proteína em um ferimento fechado. antes que a síntese do colágeno aumente a força tênsil da cicatriz.Eventração: protusão dos intestinos através da parede abdominal. B . 64 D .  Coloração. fechamento dos pontos) do fechamento.Deiscência cicatricial: ruptura parcial ou total das camadas cicatriciais da cirurgia. Excelente meio de crescimento bacteriano. São vários fatores associados com deiscência cicatricial:  Fatores locais e sistêmicos que afetam a cicatrização  Aumento da pressão abdominal  Técnica cirúrgica e adequação (seleção da sutura.

 Exames por imagens (lise óssea. IV.5 ANTIBIOTICOTERAPIA O instante em que se emprega a antibioticoterapia é tudo. . na dosagem de 20 a 22 mg/kg. abscedação. aumento de densidade de líquidos). depressão. elevação do fibrinogênio e culturas positivas). inapetência e disfunção orgânica). Antibióticos são para prevenir infecção bacteriana ou para tratar uma infecção existente. promove uma proteção extra ao paciente. Estando recomendada para procedimentos limpos ou limpo- contaminados. O fármaco mais frequentemente usado na antibioticoprofilaxia é a cefazolina. desvio degenerativo à esquerda. falhas em implantação. Deverá ser usado por uma a três semanas de acordo com tipo da lesão (profunda ou superficial) e sinais da infecção. Parâmetros para avaliar a presença de infecção  Sinais clínicos (febre.  Resultados laboratoriais (leucocitose. e repetida a cada 90 a 120 min de cirurgia. Indicações Os antibióticos são administrados terapeuticamente no caso de ferimentos contaminados ou sujos com presença de infecções. 65 Profilaxia com antibióticos A administração IV imediatamente antes e durante procedimento cirúrgico. anemia.

66 Causas das falhas no tratamento com antibióticos. . • Enrofloxacina (Pasteurella. Streptococcus). Streptococcus. • Amoxicilina/clavulanato (Staphylococcus. • Cefazolina /cefalexina (Staphylococcus. e. • Erros de dosagem.Antibióticos úteis para tratar infecções de feridas cirúrgicas. • Erro de diagnóstico (causa não-infecciosa). • Metronidazol (bacteroides). Coli) • Clindamicina (Staphylococcus. Klebsiella. coli). Pseudomonas. • Condições associadas com o implante. • Infecção polimicrobiana. Streptococcus. Bacteroides). • Falta de acesso ao local afetado. • Seleção inadequada do antibiótico. e. • Resistência bacteriana.

A ligadura dos vasos pode ser feito isoladamente nas artérias (lateral caudal. é uma cirurgia realizada para extirpar tumores. lateralmente. deve-se utilizar anestesia geral. caudais laterais.0 ou 3.1 Caudectomia 67 Definição Consiste na extirpação cirúrgica parcial ou total da cauda.6 CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS 6. Anestesia A partir de oito semanas de idade. iniciando no local de desarticulação vertebral. medial caudal e ventral) e nas veias (coccígeas. ou o corte. esquerda e direita) com fio cat-gut (4. tais como fistulas perianais do pastor alemão e do setter. Indicações A caudectomia. Disseca-se a pele de maneira romba no sentido proximal.0) ou em massa sobre . corrigir infecções. a fim de sobrar pele para sutura final. lesões traumáticas com fratura exposta das vértebras coccígeas ou presença de necrose intensa e também para auxiliar no tratamento de doenças. Técnica cirúrgica Incisão elíptica (meia lua).

Pós-operatório 68 Deve-se ter cuidado com a higiene diária. anti-inflamatórias. e seu pós-operatório irá requerer a utilização de drogas antibióticas. tratar a ferida aberta contaminada. Deiscência de sutura – caso ocorra deixar que aconteça a cicatrização por segunda intenção. mesmo sem os pontos. o corte do rabinho transforma-se então em uma verdadeira cirurgia de amputação de membro.0). Complicações Estas complicações seriam devido à lambedura constante da mãe no local. Após ligadura é feita a desarticulação entre as vértebras. curativos e contenção do animal para que ele não retire os próprios pontos. e fazer o curativo diariamente. Retirar pontos com oito dias. Aos dois meses de idade. que tem suas caudas cortadas bem rentes ao corpo. Porém. a cicatrização ocorre sem problemas. podendo acarretar miíases nos rabinhos.0. que atraem moscas. como o reto do bichinho. Depois de dez dias de idade. principalmente em raças como o Rothweiller. e a dor insuportável de uma caudectomia mal anestesiada pode resultar em traumas emocionais irreversíveis no filhote. a anestesia local já não resolve tão bem. pois são menos tóxicos. e a falta de higiene do ambiente. . colocando em contato o local da ferida com a boca. A sutura de pele é feita com pontos simples separados com fio inabsorvível (náilon 3. pois podem evoluir chegando a comprometer órgãos.o corpo da última vértebra que irá permanecer com categute 2. As miíases (bicheiras) são bastante perigosas. retirando assim as suturas. aplicando-se repelentes de moscas em pasta. se os rabos estiverem bem cortados e não houver infecção.

2 Conchectomia Conceito Partindo do princípio que os cães primitivos e os selvagens tinham o pavilhão auricular 69 ereto e em forma de concha. o homem. entre outros. Dog Alemão. sangramento. otematomas (descolamento da cartilagem por hemorragia auricular). miíases (bicheira). injúrias. Dogo Argentino. propiciando além de um corte estético.  Deformidades no pavilhão auricular (brigas. Indicações:  Traumatismo em ponta de orelha. levando o animal à morte em pouco tempo. American Stafordshire Terrier. Grifon de Bruxelas. o fator proteção. fungos. Pit Bull. Percebemos que orelhas pendulares são sempre alvos fáceis e com pouca chance de defesa. acidente e miiases). sarnas. dilacerações. Talvez seja esta a real intenção do homem em formatar orelhas grandes e pendentes em conchas eretas em algumas raças. Raças Schnauzers. Pinscher. pois qualquer ferimento no pavilhão atrairia insetos. alopecia. ao longo do tempo. reconheceu que esta realidade beneficia as condições de proteção e audição. Cocker Spaniel. resultando em maiores problemas nas orelhas e conduto auditivo. surdez e dermatites. e fatalmente uma miíase ocorreria. moscas. Boxer. . O aumento do tamanho das orelhas dos cães ocorreu com o tempo e isso talvez tenha sido na intenção de fechar o conduto auditivo para diminuir a audição nos cães de caça. Bloodhound. como otites (infecção nos ouvidos). Um cão doméstico com orelhas pendulares se fosse solto na natureza provavelmente morreria rapidamente. Mastin Napolitano. Dobermann. para não se distraírem do faro como é o caso do Basset Hound. acarretando em uma maior incidência de problemas.6.

as orelhas cortadas promovem uma condição ideal para a oclusão total do conduto auditivo. diminuir as chances de proliferar fungos.  Cães que mergulham: Em cães que tem habilidade de mergulhar como o Pit Bull. se proteger de mordida de outros cães. O sangramento é totalmente controlado com eletrocautério. dando condição ao cão de espantar insetos. o da ereção. facilita-se um correto posicionamento e cicatrização. Vantagens da conchectomia 70  Novos Movimentos: Cortando parcialmente o pavilhão. abaixamento e rotação. Parvovirose entre outros.  Melhora na rotina diária: Em muitos casos é feita a prática do corte de orelhas em cães mestiços. observamos então que o cão que tem orelhas cortadas tem melhor desempenho ao mergulhar do que o cão que tem as orelhas íntegras. em geral no interior. e com sutura com fio inabsorvível em toda sua extensão. .  Auxiliar no tratamento do conduto auditivo. sarnas e bactérias que induzem a otite. melhorarem a audição. com o intuito de beneficiar a condição de defesa do cão para a lida no dia a dia com animais.  Remoção de tumores (carcinoma epidermoide em gatos). se promovem três movimentos das orelhas. Anestesia Sedação associada à anestesia local.  Deformidades decorrentes de otematoma.  Aumento da Imunidade: Alguns autores alegam que o corte das orelhas aumenta sensivelmente a imunidade do cão contra vírus do tipo Cinomose. Técnica Faz o posicionamento de uma pinça para corte de orelhas de acordo com o local onde irá incisar com bisturi.

em razão a irritação ou coceira associada a otites externas.  Bandagens com esparadrapo com troca semanal. O sangue se acumula entre a pele e as camadas de cartilagem no pavilhão auricular. mas parece que surgem no decurso do ato de coçar a orelha ou de balanças a cabeça.3 Otohematoma Conceito O otohematoma define-se como uma coleção de sangue entre a cartilagem do pavilhão auricular e a face interna da pele que o cobre.  Os pontos devem ser removidos sete dias após a cirurgia. Pós-operatório:  Usar colar elizabetano. ácaro ou por fungos na maior parte dos casos. 6. formando um hematoma. É um procedimento feito em torno de 30 minutos. Causas A causa dos otohematomas nem sempre é bem esclarecida. corpos estranhos e os tumores e pólipos do canal auditivo. convexa ou em ambos os lados da orelha. 71  Antibiótico e anti-inflamatório. Mais frequentes em cães com orelhas pendulares com inflamação crônica e aguda. causadas por bactérias. . ectoparasitas. Na superfície côncava.

lancetamento com lâmina de bisturi ou a sutura de um dreno embutido na cavidade do hematoma para uma drenagem contínua. Devendo fazer a compressão da orelha durante este período para ajudar à recuperação. Dez a quinze dias são suficientes para a pele e a cartilagem ganharem aderência novamente.é diminuir o espessamento e a ocorrência de cicatrizes). Caso este seja 72 recente pode fazer-se a punção.removendo depósitos de fibrina. Geralmente aplica-se uma atadura na orelha. prevenir as recidivas e manter a aparência da orelha (i. . para drenar o líquido. que devem ir de um lado ao outro da orelha e devem ser em U e pode protegê-los com um tubo de plástico ou até mesmo com botões de camisa. Os objetivos da cirurgia são remover o hematoma.  Cureta-se e lava-se .  Incisão longitudinal ou em “S” ao longo de todo o seu comprimento. na maioria dos casos este procedimento não é suficiente e tem mesmo que se recorrer à cirurgia. Infelizmente. Tratamento conservativo Drenagem do hematoma: aspiração com uma agulha.  Colocam-se suturas paralelamente à incisão cutânea – esses pontos. Tratamento Em primeiro lugar deve resolver-se a causa do hematoma auricular. Obs: para hematomas com uma consistência fluida. Técnica Cirúrgica  Incisão e drenagem e a sutura da pele à cartilagem. Tamanho/consistência Dependerá do tempo e severidade do traumatismo.

O principal problema destas situações é o risco de infecção.23. 1996.. corte em “S” aberto e vários pontos simples laterais paralelos a incisão. C: visualização do corte em “S”. B:realização do corte em “S” na parte interior da orelha afetada. Fig. Aula de Clinica Médica.  B A C 73 . observar o aumento que se formou entre a parte interna e externa da mesma. FAA. daí as orelhas devem estar bem protegidas. aproximadamente.A: orelha com otohematoma.4 Entrópio É a inversão da pálpebra e dos cílios na direção da córnea. E: demonstração da parte interna da orelha. 6. Eugênio Henriques. D: demonstração de como fica a orelha em sua parte externa após ter suturado o defeito.  São mantidos durante. D E Fonte: Prof. 2004 e Bojrab. Etiologia . 10 a 12 dias.

e pode ser causado por problemas ciliares. fotofobia. Raças predisponentes: Rothweiller. Sinais clínicos Os sinais clínicos podem incluir: epífora. Labrador e Bulldog. Cocker. opacidade de córnea e perda de visão. Incidência A.: quando a irritação e a epífora estão associadas com os problemas ciliares. ceratites. mas pode ocorrer por blefaroespasmo ou por injúrias (lesões). Quando ocorre normalmente é de origem traumática. Os abundantes suprimentos vasculares. Setter inglês. o entrópio cicatricial e o entrópio espástico. observa-se descarga ocular mucopurulenta. São Bernardo. distiquíase e distriquíase).  Adquirida: é a causa mais comum nas demais espécies. particularmente devido ao seu suporte físico para as margens palpebrais. Gatos: incomum.  Hereditária: caninos com menos de seis meses de idade com entrópio.  Conformacional: é o entrópio de maior ocorrência nos pequenos animais. e por ancorar e promover estabilidade as suturas palpebrais. O entrópio espástico geralmente resulta de um blefaroespasmo. Bulldog. etc. divide-se em dois 74 principais. a menos que se encontre outro fator desencadeante. Quando a infecção bacteriana está presente. Chow Chow. blefaroespasmo. Rothweiller. está relacionado às raças predisponentes como o Sharpei. por corpos estranhos ou lesão corneal e pela conjuntivite. Cães: geralmente hereditário. O entrópio cicatricial decorre de uma sequela da cicatrização de um ferimento na pálpebra. a aplicação de pomadas lubrificantes e a remoção manual dos cílios proporcionarão alívio temporário destes sinais clínicos. .. Considerações cirúrgicas O platô tarsal fibroso é uma estrutura anatômica da pálpebra muito importante. considera-se de origem hereditária. B. conjuntivites. provocando dor corneal (triquíase. Dog Alemão. Obs. com ou sem a presença de úlcera de córnea. chow-chow.

retirando toda a parte que foi pinçada. A quantidade de pele a ser removida deve ser medida individualmente para cada caso. . permitindo o uso da criocirurgia e eletrocirurgia para o tratamento de desordens ciliares e de neoplasias palpebrais. depois de feita a marcação da pele com as pinças mosquitos. A prega de pele é feita logo abaixo da margem palpebral (3 a 5 mm). em razão ao excelente suprimento sanguíneo. denominado de procedimento de hotz-celsus. a porção excedente é removida com uma tesoura de mayo curva. as pálpebras são relativamente tolerantes aos insultos térmicos. o suficiente para que a pálpebra volte à posição anatômica normal. Prenda uma porção de pele com uma pinça halsted mosquito curva. Além disso. mantendo a pálpebra na sua posição anatômica normal. as tornam susceptíveis ao edema.0). mesmo após vários dias da ocorrência da lesão. O procedimento cirúrgico mais comum é baseado na remoção localizada da pele palpebral.encontrados nas pálpebras. A ferida da pele é. 75 Tratamento Baseia-se no reposicionamento da pálpebra para sua posição anatômica e no combate ao agente etiológico. então. Técnica de hotz-celsus ( blefaroplastia ) O entrópio crônico ou recorrente necessita de correção cirúrgica definitiva.0 a 5. remoção dos pontos com 14 dias. Pós-operatório Curativo local. mas também permitem uma rápida cicatrização pós-traumática e proporcionam o reparo cirúrgico satisfatório. fechada com pontos isolados simples (náilon 4.

 Paralítica: ocorre devido à lesão dos ramos do nervo facial (ventral e dorsal).24 A. porém ao final da tarde apresentam ectrópio. Acesso dia 09/01/2008.Sutura da ferida cirúrgica. Fila.  Fadiga dos músculos faciais: visto principalmente nos cães de caça que pela manhã estão normais. com exposição da superfície conjuntival.5 Ectrópio Definição É a eversão da pálpebra inferior. 6. Basset. C.Incisão com bisturi em meia lua. Etiologia  Congênita: encontrada principalmente em cães que apresentam a pele da face solta. Não devemos tratar cirurgicamente.Pálpebra invertida.: Cocker. que suprem o músculo orbicular do olho. etc. Ex. 76 Fonte: Meca cirurgia on-line. São Bernardo. Fig. sendo comum em cães e raro em gatos.. . B.

0 e 6.  Iatrogênica: correção exagerada do entrópio. É feita uma marca inferior projetando a formação de um triângulo. com pontos isolados simples. sendo que o primeiro ponto deve ser feito na borda palpebral.0. Depois de feita às delineações da porção palpebral em excesso.  Traumática: reação cicatricial após lesão da pálpebra inferior. . Pós-operatório Curativo local com pomadas oftálmicas ou colírios. A borda da pálpebra inferior é pinçada 3 a 4 mm do canto temporal com uma pinça hemostática hasted mosquito reta. o triângulo de pele e conjuntiva palpebral são seccionados com uma tesoura de mayo oftálmica. O excesso do comprimento da pálpebra é estimado. 77 Tratamento cirúrgico O tratamento cirúrgico consiste no encurtamento da pálpebra inferior. por meio da ressecção de um triângulo palpebral no canto lateral do olho. sendo que os lados desse triângulo deverão medir de duas a três vezes o comprimento de sua base. marcando a quantidade de pálpebra a ser removida. O uso do colar elizabetano evita a automutilação. Sinais clínicos:  Conjuntivite crônica (olho com aparência avermelhada.  Epífora (excesso de lágrima). para a delimitação da mesma. secreção abundante). A sutura da ferida é feita com um mono náilon 5. e a retirada dos pontos com 15 dias de pós-operatório.

como a piometra.7 APARELHO REPRODUTOR FEMININO 7. ruptura uterina e a neoplasia uterina. . A incidência de neoplasia mamária é de 0.5% nas cadelas castradas antes do primeiro estro. A ovário-histerectomia pode ser uma terapia adjunta justificável para uma neoplasia mamária. torção uterina. Pode-se indicar a ovário-histerectomia para fêmeas diabéticas e epiléticas para impedir as alterações hormonais que alteram a efetividade das medicações. mas é também o tratamento de escolha para a maioria das uteropatias.1 Ovário-histerectomia 78 Indicações A maior indicação para ovário-histerectomia é a esterilização eletiva. o risco se eleva para 26%. após dois ou mais cios. hiperplasia vaginal. A pesquisa atual sobre os receptores hormonais nos tumores mamários caninos pode finalmente tomar possível a determinação de quais cadelas responderão a uma ovário- histerectomia no momento da mastectomia por análise de receptores hormonais tumorais específicos. A produção de estrogênio endógeno exerce um papel na etiologia dos tumores mamários espontâneos. enquanto o fator de risco é de 8% quando se retarda a ovário- histerectomia até após o primeiro estro.

25 A anatomia do trato reprodutivo nas cadelas é exibida. Fonte: Bojrab. a mesossalpinge e o mesométrio. O ligamento largo se divide em três regiões: o mesovário. A artéria ovariana é menos torcida nas gatas que nas . o ligamento largo se prende por meio do ligamento suspensor do ovário. O ligamento próprio. O ligamento suspensor corre da face ventral do ovário e da mesossalpinge cranial e dorsalmente para os terços médios e ventrais das duas últimas costelas. os ovidutos e o útero são presos às paredes dorsolaterais da cavidade abdominal e à parede lateral da cavidade pélvica por meio de pregas duplas pareadas do peritônio chamadas de ligamentos largos direito e esquerdo. passa através do canal inguinal e termina subcutaneamente próximo à vulva. na maioria das cadelas. 1996 Anatomia Cirúrgica Os ovários. Cranialmente. O ligamento redondo se estende caudal e ventralmente ao ligamento largo e. que é a continuação caudal do ligamento suspensor. O ligamento redondo do útero se prende à extremidade cranial do corno uterino e é a continuação caudal do ligamento próprio. 79 Fig. O complexo arteriovenoso (AV) ovariano repousa sobre o lado medial do ligamento largo e se estende da aorta para o ovário. se prende à extremidade cranial do corno uterino.

o categute cromado) para todas as ligaduras. Devem-se colocar as pinças no pedículo ovariano. No caso da gata. Remove-se a pinça à medida que se aperta a sutura circular de forma que a mesma sutura repouse no sulco de tecido esmagado criado pela pinça. exige-se uma incisão abdominal mais extensa. A artéria ovariana supre o ovário e a porção cranial do corpo uterino na cadela e na gata. faz-se uma incisão abdominal na linha média se estendendo do umbigo até meio caminho entre este e a borda do púbis. Pinça-se duplamente o complexo AV ovariano com uma pinça hemostática. e a veia ovariana direita drena para dentro da veia cava caudal. Coloca-se uma sutura de transfixação entre a sutura circular e a superfície de corte do pedículo. Estica-se ou rompe-se o ligamento suspensor com o dedo indicador. Deve-se direcionar uma tensão mais caudalmente ao longo da parede corporal dorsal que perpendicularmente a incisão. No caso da cadela. Rompe-se então o pedículo entre a pinça média e o ovário. Coloca-se uma sutura circular frouxa ao redor da pinça proximal. As veias uterinas correm em associação íntima com as artérias uterinas e terminam caudalmente nas veias ilíacas internas. para evitar o rasgo do complexo AV ovariano. Deve-se manter contato constante com o ovário ao aplicar a primeira pinça para assegurar que todo o ovário seja removido. Se o útero estiver aumentado. A veia ovariana esquerda drena para dentro da veia renal esquerda. Localiza- se o corno uterino esquerdo com o dedo indicador. a incisão começa aproximadamente 1 cm caudal ao umbigo e se estende cerca de 3 a 5 cm caudalmente.cadelas. Prefere-se uma sutura absorvível (por exemplo. Deve-se estender a incisão abdominal mais caudalmente na gata para proporcionar uma exposição adequada do corpo uterino. tão próximas do ovário quanto for possível para prevenir a inclusão acidental do ureter. 80 Técnica Cirúrgica Deve-se comprimir manualmente a bexiga antes da cirurgia. Localiza-se o complexo AV ovariano e faz-se uma "janela" no mesovário imediatamente caudal ao complexo AV ovariano. Pode-se colocar uma pequena pinça hemostática no ligamento próprio para ajudar na retração do ovário. Prende-se o pedículo (sem prender a ligadura) com uma pinça .

Isola-se o corno uterino direito por meio do segmento do corno uterino esquerdo distalmente até a bifurcação. Avalia-se o coto uterino quanto a sangramentos e recoloca-se o mesmo no abdome. Podem-se utilizar várias técnicas para ligar e dividir o corpo uterino. Coloca-se uma sutura de transfixação entre a sutura circular e a pinça remanescente. mas não é necessário se suturar a bainha reta interna ou o peritônio. Fecham-se rotineiramente o tecido subcutâneo e a pele. nas gatas e nas cadelas pequenas). Rompe-se o corpo uterino entre a pinça média e a pinça proximal. Faz-se então uma janela no ligamento largo adjacente à artéria e à veia uterinas. Coloca-se uma sutura circular frouxa ao redor da pinça distal. largo e redondo raramente é 81 necessária. que é depois removida. Exterioriza-se o corpo uterino e localiza-se a cérvix. e prende-se e lacera-se o mesmo. Ligam-se individualmente as artérias e veias uterinas entre a pinça distal e a cérvix. remove-se a pinça e aperta-se a sutura no sulco de tecido esmagado. A ligadura em massa dos ligamentos. Repete-se o procedimento da ligadura no pedículo ovariano direito. Se não ocorrer sangramento. Devem-se colocar as suturas na bainha reta externa.de polegar. . no entanto. devem-se ligar os grandes vasos no ligamento largo. libera-se a pinça final e inspeciona-se o pedículo quanto a sangramentos. recoloca-se o pedículo no abdome. dependendo do tamanho do útero e da preferência do cirurgião. Fecha-se a incisão abdominal ou em um padrão de sutura interrompido simples com uma sutura absorvível ou em um padrão de sutura contínuo simples com uma sutura não- absorvível (polipropileno ou náilon monofilamentar). Pode-se utilizar a técnica da pinça tripla quando o corpo uterino for pequeno (por exemplo. Devem-se avaliar os pedículos ovarianos e o coto uterino quanto a sangramentos antes do fechamento abdominal.

A hemorragia durante a ovário-histerectomia pode resultar do rasgo do complexo AV ovariano enquanto se manipula o . A B C 82 D E F Fonte: arquivo pessoal H Fig. D: coto uterino esquerdo sendo retirado da cavidade e pinçamento anterior ao ovário. Complicações e Sequelas Hemorragia Tem-se descrito a hemorragia intraoperatória como a complicação mais comum associada com a ovário-histerectomia nas cadelas com mais de 25 kg. B: incisão em estocada com bisturi com parte cortante voltada para cima para penetrar cavidade abdominal.26 A: incisão de pele na linha Alba. E: no detalhe observamos ovário entre pinças hemostáticas pré e pós ovário. F:cornos uterinos já ligados e seccionados e coto uterino ligado logo acima da cérvix. C: visualização da cavidade abdominal com auxílio de 2 pinças Allis fixadas aos planos cirúrgicos incisados. a 1 cm da cicatriz umbilical.

A colocação 83 imprópria das suturas pode resultar em uma hemorragia intra ou pós-operatória. Ligadura do Ureter A ligadura acidental de um ureter (que ocorre algumas vezes durante a ligadura do corpo uterino ou de um complexo AV ovariano) resulta em uma hidronefrose e pode predispor a uma pielonefrite. É mais provável que se inclua um ureter na ligadura do corpo uterino se a bexiga estiver repleta. Devem-se ligar individualmente os grandes vasos no ligamento largo e deve-se evitar uma tração excessiva no corpo uterino por meio da extensão da incisão abdominal. Pode-se esmagar ou ligar acidentalmente um ureter se o complexo AV ovariano cair e se ocorrer um pinçamento indiscriminado do tecido na goteira lombar. . A hemorragia intraoperatória também pode resultar do rasgo dos grandes vasos no ligamento largo. pois o trígono e a junção vesicoureteral se deslocam cranialmente. do rasgo dos vasos uterinos por meio de uma tração excessiva no corpo uterino ou da liberação acidental de uma pinça antes da colocação das ligaduras. Piometra do Coto Uterino A piometra do coto uterino pode ocorrer se não se remover todo o corpo uterino ou porções de qualquer dos cornos uterinos durante a ovário-histerectomia e o animal tiver níveis sanguíneos de progesterona elevados. Isso pode ser evitado ao se manipular cuidadosamente o ligamento conforme anteriormente descrito. resultando em uma folga maior nos ureteres. Devem-se ligar duplamente os pedículos ovarianos e o coto uterino e avaliá-los quanto a sangramentos antes do fechamento abdominal.ligamento suspensor. Podem-se evitar a piometra do coto uterino excisando-se completamente os cornos e o corpo do útero. A fonte de progesterona pode ser endógena proveniente de tecido ovariano residual ou exógeno (proveniente de compostos gestacionais utilizados para tratar uma dermatite).

Uma teoria sugere que os depósitos de gordura do corpo possuam receptores para 'hormônios esteroides específicos. a progesterona e ao cortisol. ao estradiol. no interesse pelo trabalho e na resistência.1 a 1. O estradiol inibe a lipase lipoproteica nos adipócitos dos depósitos gordurosos incorrendo no fato de que os ácidos graxos circulantes podem não se esterificar e depositar. Consequentemente. O autotransplante de um ovário para a subsserosa da parede gástrica. Incontinência Urinária A incontinência urinária após uma ovário-histerectomia pode ser causada por um nível estrogênico sistêmico baixo. e por fistulação vaginoureteral proveniente da ligadura comum da vagina e do ureter. que é drenada exclusivamente pela veia portal. pode impedir essa complicação.O mg por semana. A causa do ganho de peso excessivo após a ovário-histerectomia é pouco compreendida. por uma 84 dose de manutenção de 1. um baixo nível de estradiol sistêmico após uma ovário-histerectomia pode levar a uma deposição excessiva de gordura e a um ganho de peso. que são parcialmente metabolizados pelo fígado. Terapia recomendada para a incontinência urinária responsiva a estrógenos é a administração oral de dietilstilbestrol em 0. Ganho de Peso Corporal O ganho de peso corporal foi a sequela em longo prazo mais comum relatada em um estudo.O mg por dia por 3 a 5 dias seguida. ocorrendo em 26.2% das cadelas após uma ovário-histerectomia eletiva. Síndrome Eunucoide A síndrome eunucoide ocasionalmente é observada nas cadelas de trabalho após uma ovário-histerectomia. de forma que se facilite ou bloqueie a deposição de gordura em uma maneira regional em resposta a testosterona. As cadelas afetadas apresentam uma redução na agressão. O enxerto produz estradiol e progesterona. Os . por aderências ou granulomas do coto uterino que interferem na função do esfíncter vesical.

Complicações Relacionadas à Celiotomia 85 Em qualquer procedimento abdominal. uma deiscência. Podem estar presentes sinais clínicos associados com o estro e a atividade hormonal ovariana. Estro Recorrente (Síndrome dos Restos Ovarianos) O estro recorrente geralmente resulta de um tecido ovariano residual funcional após uma ovário-histerectomia incompleta. Pode-se evitar a maioria dessas complicações por meio de uma atenção estrita a detalhes e pela observação dos princípios básicos da técnica de cirurgia asséptica.níveis de estradiol circulante são inadequados para iniciar o estro. Pode-se desenvolver uma circulação colateral ao tecido ovariano mesmo se estiver ligado e transeccionado o complexo AV (arteriovenoso) ovariano. pode ocorrer uma incisão acidental do baço ou da bexiga. 7. Podem-se retardar os efeitos hormonais dependendo da manutenção ou não da vascularização dos restos ovarianos. uma falha na remoção de todos os tampões de gaze da cavidade abdominal antes do fechamento. O traumatismo autoinfligido do ferimento abdominal tem sido descrito como a complicação mais comum associada com a ovário-histerectomia de cadelas com menos de 25 kg. mas são suficientes para evitar a síndrome eunucoide. uma formação de seroma e uma automutilação.2 Piometra .

O papel da progesterona na fisiopatologia da HCE -piometra tem sido investigada. Embora o estrogênio exógeno sozinho não provoque HCE ou piometra. os autores concluíram que os estrógenos não devem ser usados para prevenir a gestação em cadelas. A ocorrência de HCE e piometra tem sido descrita frequentemente após a administração de acetato de megestrol e medroxiprogesterona a gatas intactas e parcialmente histerectomizadas. tanto na cadela como na gata. normalmente ocorre quatro a oito semanas após o estro. ele potencializa os efeitos da progesterona. Esta doença está associada à atividade ovariana e distúrbios extragenitais. Conceito Na piometra o útero se encontra repleto de pus. Em consequência aos riscos de ocorrer piometra e a pobre eficácia na prevenção da gestação. A ocorrência de HCE e piometra após a administração exógena de progesterona é dose e duração-dependente. O acúmulo de líquido no lúmen do útero e glândulas endometriais. A hiperplasia endometrial cística é considerada como a primeira lesão no 86 desenvolvimento da piometra. juntamente com a diminuição da contratilidade do miométrio causada pela progesterona parece favorecer a invasão bacteriana. Tipos  Fechada  Aberta Causas Progesterona exógena Diestro – diminuição resposta Leucocitária . A maior parte da morbidade e mortalidade associadas com a piometra pode ser atribuída à infecção bacteriana secundária do útero normal.

Variados graus de desidratação e depressão são encontrados ao exame clínico. na ausência de infecção bacteriana. O corrimento vaginal pode ser intermitente ou constante. Os 87 sintomas gerais incluem depressão. pode ou não estar presente. são sugestivos de piometra. Estes animais geralmente se apresentam em decúbito e em choque. A temperatura retal geralmente esta normal. Os animais com sepse ou endotoxemia podem estar hipotérmicos. Diagnóstico A informação essencial para o diagnóstico e tratamento de piometra inclui histórico do estágio do ciclo estral e/ou terapia hormonal. associada com a infecção bacteriana do útero. escasso ou copioso em quantidade. Um corrimento vaginal purulento. diarreia. Idiopática Sintomas Os sintomas clínicos estão diretamente relacionados com a gravidade do quadro. polidipsia (aumento na ingestão de líquidos) e poliúria (aumento na produção urinária). Ocorre uma redução na capacidade de concentrar a urina. Estes sintomas não específicos com um histórico de exposição à progestina. porém ela não ocorre associada com a manipulação hormonal. e exame físico completo. . O corrimento vaginal purulento está presente em 75% das cadelas com piometra. anorexia. As lesões renais associadas com a piometra têm sido investigadas. frequentemente contendo sangue. vômitos.

porém a diferenciação entre a piometra e a gestação ainda é possível. urinálise. A aparência radiográfica do útero gravídico antes da calcificação fetal (cerca de 42 dias) é indistinguível da obtida quando há piometra. e o perfil bioquímico são necessários para detectar as anormalidades metabólicas associadas com a septicemia e/ou toxêmia. Ambas possuem uma densidade líquida homogênea. o diagnóstico de gestação com a ultrassonografia nem sempre é preciso. O tratamento de escolha para a HCE -piometra é a ovário-histerectomia B A . A contagem sanguínea completa. Tratamento  Cirúrgico: ovário-histerectomia  Clínico: antibioticoterapia e soroterapia para corrigir acidose. A ultrassonografia é muito útil para a diferenciação da piometra e gestação. Antes de 28 dias. 88 O diagnóstico diferencial mais importante para a piometra é a gestação. A radiografia abdominal e/ou a ultrassonografia confirmarão a presença do útero aumentado. e para a avaliação da função renal.

aparecendo a cada ciclo estral (com a onda de estrogênio) e desaparecendo posteriormente. porém a região localizada ventralmente e cranialmente ao meato urinário externo é frequentemente encontrada hiperplásica. a hiperplasia vaginal se mostra recidivante. A extensão do tecido vaginal acometido varia. com resolução espontânea (quando termina a fase folicular do ciclo estral e aumenta o nível de progesterona. 27-A e B: piometra em cadela de três anos. 7. Na maioria dos casos. ocorre edema excessivo. Sinais clínicos . pró-estro e estro. C e D: piometra em uma gata de cinco anos. ou seja. C D Fonte: arquivo pessoal 89 Fig. Com o estrogênio atuante. aumento de tamanho das dobras de mucosa e hiperemia do tecido vaginal.3 Hiperplasia Vaginal Conceito A hiperplasia vaginal acomete frequentemente cadelas e acontece em fases do ciclo estral em que há produção de estrogênio. no diestro). ou seja. podendo ocorrer ou não a exteriorização através da vulva.

pode ocorrer prolapso vaginal. infecções secundárias e úlceras devido à exposição prolongada da mucosa. acasalamento doloroso e períneo evaginado. a hiperplasia vaginal pode ser classificada em: hiperplasia vaginal de 1º grau apresentando edema de mucosa. apresentando opacidade e desidratação. Acesso em: 02/01/2008. lambedura excessiva da vulva.pedrovet. podendo ainda ocorrer fissuras. Ao exame físico. Outros sinais clínicos podem ser observados como: disúria. lisa e de coloração avermelhada. pode ser observado edema da mucosa vaginal e vulvar. Em casos mais graves. com protrusão dos lábios vulvares. que se apresenta brilhante. Ocorrência A hiperplasia vaginal acomete com maior frequência cadelas de raças grandes jovens e intactas.br>. com exteriorização da mucosa em forma de coroa. principalmente em decúbito lateral e hiperplasia vaginal de 2º grau apresentando tumefação dos bordos vulvares. Diagnóstico . 90 Disponível em <www. Fig 28.com.Demonstração da massa exteriorizada pela vulva da cadela com hiperplasia vaginal. De acordo com alguns autores. principalmente acima da comissura ventral da vagina.

lipomas. com cerca de sete dias após a cirurgia. . 91 No caso de neoplasias. as lesões neoplásicas e seus sintomas não possuem ligação com a fase do ciclo estral. no caso de hiperplasias de 1º e 2º grau. evitando a hiperplasia. Em alguns casos se fazem necessárias a diferenciação de neoplasias (como pólipos. carcinomas de células escamosas e tumor venéreos transmissíveis) por intermédio das técnicas de biópsia aspirativa e citologia do tecido vaginal. pois os sintomas tendem a desaparecer na fase progesterônica do ciclo estral. Em alguns casos. todavia os efeitos colaterais são bastante expressivos quando essa terapia é utilizada rotineiramente. se preconiza a execução do exame clínico com auxílio ou não da vaginoscopia. além destas apresentarem diferente consistência. O tratamento medicamentoso é feito no caso de cadelas com função reprodutoras. como hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) ou gonadrofina coriônica humana (HCG). além da citologia e histopatologia. com a OSH retira-se o estímulo hormonal e. Pode ser utilizado também o acetato de megestrol. que não regridem espontaneamente pode ser feita a administração de hormônios que induzirão a ovulação. Como diagnóstico. com o uso de compressas e antissépticos locais e ainda deve se prevenir o risco de automutilação e traumatismo com o colar elizabetano. No tratamento cirúrgico será feita a exérese do tecido protuso e/ou ovário- histerectomia. ocorre normalização da mucosa vaginal. Tratamento O tratamento deste distúrbio pode ser medicamentoso ou cirúrgico. Em situações de prolapso vaginal. o tecido deve ser protegido de infecções. o que é recomendável visto que a característica recidivante da patologia. O tratamento medicamentoso é de natureza paliativa. que antagoniza o estrogênio. Desta forma. portanto não deve ser utilizado em cadelas que se destinam à reprodução.

Pode se associar a administração de progesterona com o desenvolvimento dos TGM nos gatos. Embora se tenha identificado partícula semelhante a vírus nos TGM felinos e caninos. Etiologia das neoplasias mamárias Desconhece-se a causa das neoplasias da glândula mamária. Elas se manifestam . só os tumores cutâneos e os linfomas são mais comuns que os tumores de glândulas mamárias. Os tumores das glândulas mamárias são muito raros nos machos. Cerca de 50% dos carcinomas mamários possuem receptores estrogênios. O tecido ósseo formado na glândula mamária é tão autêntico que muitas vezes observamos a presença de medula óssea típica e ativa. mas ainda não se estabeleceu uma relação de causa e efeito. Os TGM felinos são receptores de progesterona-positivo. e/ou células do tecido conjuntivo intersticial. Os canais com TGM e benignos apresentam um risco beco de mais de três vezes de desenvolver subsequentemente uma malignidade mamária de tipo celular diferente. Os tumores das glândulas mamárias (TGM) caninos são os tumores mais comuns nas tabelas. esta assume seu aspecto morfológico característico e demonstra íntima associação com o tecido epitelial adjacente. A complexidade do tumor mamário decorre principalmente do próprio tecido mamário. Quando da presença de cartilagem. é improvável o seu papel como agentes causadores.7.4 Neoplasias da glândula mamária A neoplasia da glândula mamária é uma doença das cadelas e gatas mais idosas. células mioepiteliais adjacentes ao epitélio. cuja estrutura histológica é muito heterogênea. e a observação frequente de cartilagem e osso nesses tumores tem provocado controvérsias em relação ao tipo celular que dá origem a metaplasia. Os tumores de mama mistos são aqueles que mais comumente acometem as cadelas. Neoplasias mamárias em cadelas originam-se a partir de células epiteliais ductuolares e/ou alveolares. Nas 92 gatas. Os tumores mistos são formados por dois tipos celulares: as células epiteliais e as mioepiteliais.

As cadelas geralmente têm cinco pares de glândulas mamárias. As glândulas encontram-se circundadas por tecido adiposo subcutâneo. abdominais cranial e caudal e inguinais) ou por número (uma a cinco craniais a caudais). de forma muito variada. A separação na linha média entre as cadeias mamárias é distinta. embora o número possa variar de quatro a seis em cada espécie. exceto quanto a numerosas veias que atravessam a linha média durante a lactação. As glândulas inguinais encontram-se suspensas a partir da parede corporal por intermédio de uma extensão do músculo do tronco cutâneo. As glândulas abdominais caudais e inguinais são supridas pela artéria epigástrica superficial caudal e pelos ramos perivulvares da artéria pudenda externa. que é escasso na região torácica e abundante na região inguinal. As glândulas são indicadas por nome (torácicas. quatro.histologicamente. . e as gatas. com uma estrutura lóbulo alveolar composta apócrina. As glândulas abdominais encontram-se frouxamente presas à fáscia por meio de um tecido conjuntivo delgado e gordura. o comportamento de cada tumor vai variar de acordo com a sua origem e seu arranjo histológico. As glândulas abdominais craniais recebem sangue predominantemente da artéria epigástrica superficial cranial. As glândulas mamárias estão arranjadas em duas fileiras paramedianas paralelas desde a região axilar até a inguinal. O sangue é fornecido às glândulas torácicas por meio de ramos perfurantes da artéria torácica interna. embora o tecido mamário possa ser confluente entre as glândulas cranial e caudal adjacentes. As veias correm paralelamente às artérias. Anatomia cirúrgica das glândulas mamárias As glândulas mamárias da cadela e da gata são glândulas cutâneas sudoríparas 93 modificadas. A drenagem linfática das glândulas mamárias está sujeita a uma variação individual e também é influenciada pelo estágio da lactação e pela presença de massas que ocupam espaço. As glândulas torácicas aderem diretamente aos músculos peitorais subjacentes com pouca gordura ou tecidos conjuntivo areolar interposto. cranial e caudal. de ramos cutâneos das artérias intercostais e por artéria torácica lateral. As glândulas individuais são diferenciadas pela teta correspondente.

os exames devem ser feitos com intervalos de três a seis meses. e o objetivo terapêutico é remover toda a evidência macroscópica de tumor. assim como análises laboratoriais adequadas são pré-requisitos para o tratamento cirúrgico. Técnicas cirúrgicas Os procedimentos de mastectomia são realizados de maneira semelhante nas gatas e cadelas. Já os tumores benignos sugerem controles menos agressivos no pós-operatório. tecido mole adjacente e estruturas ósseas. cranial e caudal. A avaliação completa. 94 Tratamento Cirúrgico A excisão cirúrgica é recomendada para a maioria dos cães apresentados com neoplasia mamária. encontra-se presente uma conexão linfática entre as glândulas abdominais. a palpação cuidadosa de todas as glândulas mamárias. Para todas às técnicas. Em algumas cadelas. a não ser que tenham novos tumores primários. Pode-se optar por quatro procedimentos para a excisão:  Nodulectomia.  Mastectomia simples.  Mastectomia unilateral completa. Para os cães com chance de recidiva recomenda-se que sejam reexaminados pelo menos a cada um ou três meses. linfonodos periféricos. incluindo as radiografias torácicas.  Mastectomia em bloco. é recomendado o envio do material excisado para biópsia. embora a frouxidão da pele felina geralmente torne a cirurgia mais fácil nas gatas. . Nos animais com carcinoma “in situ”. A excisão deve ser feita naqueles animais que possuem carcinomas inflamatórios ou moléstias metastáticas.A linfa geralmente flui a partir dos três pares craniais de glândulas mamárias em direção aos linfonodos axilares e a partir dos dois pares caudais em direção aos linfonodos inguinais. A alta taxa de recidiva indica a incapacidade de se remover todos os focos de células malignas.

Lumpectomia ou nodulectomia Uma lumpectomia é iniciada ao se fazer uma incisão cutânea diretamente sobre o tumor. Fig. Fecha-se a pele com a sutura de escolha do cirurgião. Remove-se uma quantidade livre de tecido. Mamectomia parcial Faz-se uma incisão livre sobre o tumor. . secciona-se 95 parcialmente e coloca-se o tumor em formalina tamponada a 10%. Se o tumor tiver contato ou estiver aderido à pele ou ao tecido subcutâneo. Desenvolve-se um plano artificial de dissecção no tecido mamário normal que circunda o tumor. se for possível. Separa-se simplesmente o tecido mamário sobrejacente ao tumor. Remove-se. Prende-se a periferia do tumor com uma pinça e se definem os planos teciduais naturais adjacentes ao tumor isolado por meio de uma dissecção com pinças hemostáticas mosquito ou por uma retirada dos tecidos para fora do tumor com um tampão (dissecção com tampão).29 – retira-se um nódulo entre as mamas. fecha-se o ferimento com a aproximação do tecido mamário com um categute cromado fino (4-0). frequentemente atingindo um terço da metade da mama. Nodulectomia Fonte: arquivo pessoal. Após se controlar a hemorragia. ou seja. Faz-se uma aproximação subcutânea com categute 4-0 ou 3-0 para reduzir a tensão no fechamento da pele. se o tumor estiver "fixo" à pele. Faz-se o fechamento do defeito no tecido mamário por uma aproximação direta. faz-se uma incisão elíptica que engloba tanto o tumor como a pele afetada. Fecha-se rotineiramente a pele.

. de tecido conjuntivo fibroso. porém resistentes. as glândulas são frouxamente aderentes e podem ser retiradas da fáscia subjacente por meio de um tampão. o músculo intacto deve ficar claramente visível na região torácica e a fáscia reta na região abdominal. 96 Fig. Na região torácica. Procede-se a dissecção desde cranial até caudalmente sem. a parede corporal é representada pelo músculo peitoral. a mastectomia regional e a mastectomia unilateral completa é a mesma. A tração na porção rostral do segmento cutâneo facilita a dissecção. se necessitarem danificar o músculo subjacente. abdominal e inguinal. as glândulas aderem ao músculo subjacente e deve-se desenvolver o plano de dissecção com uma combinação de dissecção precisa e simples com uma tesoura. O plano apropriado de dissecção é profundo em relação ao tecido adiposo e direto sobre o músculo ou a fáscia. O plano torácico apropriado é representado por tiras rendilhadas. Fonte: arquivo pessoal. Estabelece-se então um plano de dissecção que permitirá que se retirem limpamente o segmento cutâneo e os tecidos mamários associados a partir da parede corporal. Inicia-se a cirurgia fazendo-se uma incisão elíptica ao redor da (s) glândula(s) mamária(s) a serem removida(s). 30-Demonstração esquemática da mamectomia. na maioria dos casos. Ao se completar a remoção dos tecidos. e na região abdominal. pela fáscia retal cranial. Na região torácica. Nas regiões. Mastectomia A técnica básica para a mastectomia simples. Estende-se a incisão precisamente através do tecido subcutâneo até a parede corporal. Todos esses procedimentos envolvem a remoção de um segmento cutâneo que engloba a(s) glândula(s) mamária(s) afetada(s).

Independentemente do padrão de sutura utilizado para o fechamento da pele. Quando se realiza a dissecção corretamente. as mamas e a gordura inguinal. Na maioria dos casos. Podem-se separar simplesmente da gordura inguinal o processo vaginal. deve-se realizar uma ressecção em espessura completa da parede corporal no sentido de remover todo o tumor visível. não são necessários drenos. Prefere-se um padrão interrompido. Pode-se colocar rapidamente um padrão de sutura cruzado interrompido de náilon monofilamentar 2-0 ou 3-0 e distribuir bem a tensão. O fechamento do defeito tecidual deixado após uma mastectomia simples. ataduras ou técnicas de sutura exóticas. o sucesso definitivo da aproximação cutânea depende da colocação de uma linha de sutura apropriada. seja o músculo peitoral na região torácica ou a fáscia reta na região abdominal. mesmo que a invasão da parede corporal por um tumor seja um sinal de prognóstico grave e mesmo que a ressecção cirúrgica em massa raramente seja curativa. Mesmo os grandes defeitos podem ser fechados por meio da aproximação das bordas cutâneas com uma sutura subcutânea de categute cromado. Pode-se prender o tecido subcutâneo à parede corporal subjacente a fim de se reduzir o espaço morto. Fecha-se então a pele de acordo com a preferência do cirurgião. As artérias e as veias provenientes dos vasos pudendos entram nas glândulas inguinais caudalmente a partir dos tecidos ao redor da vulva e podem exigir uma ligadura ou uma cauterização. Nos casos extremos. mas que se estende por um segmento mais longo de incisão por sutura que um padrão interrompido simples. regional ou unilateral completa deve levar em conta o considerável espaço morto criado. que emergem do canal inguinal. removem-se os linfonodos inguinais junto com o segmento cutâneo. . Deve-se ter cuidado em se isolar e ligar a artéria e a veia epigástricas superficiais caudais. Esse padrão tem a vantagem de ser um padrão interrompido. requer uma ressecção em bloco do tecido da parede corporal afetado junto com o tumor. restrições. A invasão do tecido subjacente por um tumor. a protrusão em forma de dedo da gordura que sai através do canal inguinal junto com a veia e a artéria e o ligamento inguinal deixá-los por trás ou ligá-los e removê-los. 97 A remoção da glândula inguinal acarreta a remoção em bloco da gordura inguinal.

A drenagem por aspiração ajuda temporariamente. a deiscência do ferimento e o edema de um ou de ambos os membros traseiros. 98 Fonte: arquivo pessoal Fig. Fig. Fonte: arquivo pessoal Cuidados e complicações As complicações pós-operatórias associadas com a mastectomia incluem a formação de seroma.31. É melhor que se deixem as deiscências de ferimentos. mas aumenta o risco de infecção. . As deiscências extensas requerem um debridamento e um fechamento. cicatrizarem por segunda intenção.Mastectomia parcial nas três últimas mamas. se não for muito extenso. A formação de seroma é mais comum na região da virilha e pode ser tratada com o uso de compressas úmidas e mornas. 31 -Mastectomia unilateral total.

e embora o edema possa se reduzir à medida que se estabeleça o trajeto linfático potencial. O bloqueio dos vasos linfáticos ou dos linfonodos por meio de uma infiltração tumoral resulta algumas vezes em uma "metástase retrógrada". os diuréticos e o tempo geralmente resultam na resolução. O exercício moderado. as chances de um retorno completo a uma homoestasia de fluido tecidual normal são pequenas. Mais ameaçador é o edema que resulta de uma embolia tumoral nos vasos linfáticos entre as glândulas mamárias e os linfonodos 99 sublombares e de uma metástase tumoral nos linfonodos sublombares. Por exemplo. O bloqueio dos vasos linfáticos ou dos linfonodos por meio de uma infiltração tumoral resulta algumas vezes em uma "metástase retrógrada". Pode-se realizar a castração antes ou depois da mastectomia. Por exemplo. Devem-se remover os tumores mamários que se estendem através da linha média antes da ovário-histerectomia. e embora o edema possa se reduzir à medida que se estabeleça o trajeto linfático potencial. pode-se estender o tumor inguinal distalmente em uma embolia tumoral nos vasos linfáticos entre as glândulas mamárias e os linfonodos sublombares e de uma metástase tumoral nos linfonodos sublombares. A remoção dos tumores mamários inguinais interrompe temporariamente a drenagem linfática por também remover os vasos linfáticos e os linfonodos. A B . as compressas mornas. Pode ocorrer um edema do membro posterior devido à cirurgia. As últimas situações são indicações de um prognóstico grave. pode-se estender o tumor inguinal distalmente em uma faixa de nódulos na face medial da perna traseira. Pode-se desejar uma ovário-histerectomia (embora não se tenha provado benéfica para o tratamento de um câncer mamário) no momento da mastectomia por outras razões. as chances de um retorno completo a uma homoestasia de fluido tecidual normal são pequenas. As últimas situações são indicações de um prognóstico grave.

Fig. Valença-RJ.  A presença de tumores múltiplos não parece alterar o prognóstico nos cães. J. A mortalidade por câncer nos cães com carcinomas invasivos ou carcinomas com metástase distante foi de 88%. . 2005.7 meses. FAA. C .A: Incisão elíptica ao redor do tumor.  Os gatos com carcinoma mamário tratado por meio de excisão cirúrgica apresentam sobrevivência média de 7. Outros estudos demonstram que:  Os cães com tumores menores que 3 cm de diâmetro apresentam um prognóstico melhor que os canhões com tumores maiores que 3 cm de diâmetro. Prognóstico A educação do cliente com relação a terapia para os TGM é complicada pelos prognósticos variáveis descritos na literatura. A taxa de recorrência foi mais alta nos cães com carcinomas invasivos macroscópicos (44%) do que nos cães com carcinomas benignos e não invasivos (12%).  Os sarcomas de glândula mamária e o carcinoma inflamatório possuem um bom prognóstico muito ruim. Aula Pós-graduação. B: dissecção do tumor.  Os gatos com tumores menores que 2cm. D – visualização do defeito após remoção total do tumor de mama.33. C D 100 Fonte: Castro. apresentam menos recorrência local e maior tempo de sobrevivência que os gatos com tumores maiores de 2 cm.Remoção das mamas afetadas juntamente com pele e tecido subcutâneo.

 Pode-se reduzir à sobrevivência no caso dos gatos com tumores múltiplos. 101 .

mas não é feita a dissecação do funículo espermático. Nesta técnica.  Limpeza da região escrotal e pênis. expondo o testículo.1Orquiectomia 102 Definição É a remoção cirúrgica dos testículos.  Antissepsia local com povidine adstringente e álcool iodado. epidídimo e o ducto deferente. Esta técnica não expõe a cavidade abdominal ao meio externo.  Evita coberturas indesejáveis.  Orquiectomia semifechada – secciona-se a pele. mas não é aberta a túnica vaginal. sendo mais indicada para animais com testículos pequenos.  Diminui a agressividade. Técnicas de abordagem:  Orquiectomia fechada – secciona-se a pele e a túnica dartos. Esta técnica também proporciona a remoção de uma porção da túnica .8 APARELHO REPRODUTOR MASCULINO 8. Indicação:  Facilita o manejo dos animais. a túnica dartos e a túnica vaginal. Anestesia e pré-operatório:  Anestesia geral ou através de tranquilização. uma porção da túnica vaginal parietal e do músculo cremaster é removida.

A: Incisão no saco escrotal. D:Ligando epidídimo com fio de náilon 3-0. com uma incisão suficientemente longa para permitir que os testículos e os epidídimos possam emergir da bolsa escrotal. Após o preparo pré-operatório. cada testículo é exteriorizado através de uma incisão da túnica vaginal parietal. A bolsa escrotal é fechada com pontos simples separados. B: Incisão nas túnicas. os testículos junto com o epidídimo são removidos. 103 Com uma das mãos os testículos são forçados ventralmente contra a bolsa escrotal. C A B D E F Fonte: Arquivo pessoal. F: Após remover testículos sutura-se o saco escrotal com pontos simples separados. o mais proximal possível. C: exposição do testículo. São incididas pele. vaginal parietal e do músculo cremaster. . o animal deve ser posicionado em decúbito dorsal. logo acima da pinça hemostática colocada para evitar sangramento. para que seja feita uma incisão sobre o rafe mediana escrotal. É feita a secção do cordão espermático um a dois centímetros distais à ligadura. observa-se possíveis sangramentos antes de liberar os cordões espermáticos. Fig. E: seccionando os testículos com uma lamina de bisturi. Colocam-se panos de campo fenestrado. fáscias escrotais e túnica vaginal parietal.  Orquiectomia aberta – é a mais comum. mas a túnica vaginal parietal e o músculo cremaster permanecerão no animal. 34 . O cordão espermático é dissecado da túnica vaginal é ligado (vicryl ou náilon 3-0 ou 4- 0). A ligadura do funículo espermático deve ser feita sobre a túnica vaginal. túnica dartos.

Infecções – infecções associadas com a castração podem ocorrer dentro de dias ou até meses após a cirurgia. geralmente decorrente do desconhecimento da anatomia genital e da técnica cirúrgica. Pós-operatório: Curativo local diário. Problemas secundários associados ao edema exagerado incluem: infecções e dificuldade para urinar. pode acarretar em peritonite bacteriana e septicemia (funiculite séptica). Anti-inflamatórios e antibióticos. diminuindo significativamente ao redor do nono dia de pós-operatório. Geralmente a infecção da ferida cirúrgica escrotal permanece localizada. mas podem também ter como origem a lesão dos ramos da artéria pudenda externa. via cordão espermático. Lesões penianas iatrogênicas . imediatamente ou mesmo após vários dias do ato cirúrgico. mas evitar atividade física vigorosa nas primeiras 72 horas após a 104 cirurgia para prevenir hemorragias. . Embora o edema exagerado raramente ponha em risco a vida. As hemorragias intensas usualmente resultam da artéria testicular. entretanto. Caminhadas diárias. Excessivo edema local ocorre como resultado de edema do prepúcio e do escroto. Hemorragia – consiste em uma das complicações mais comuns na castração. sendo uma complicação bastante comum. pode ocorrer durante. ele pode promover desconforto ao animal e preocupação ao proprietário. há propagação da infecção da bolsa escrotal. Normalmente o edema atinge o seu pico entre o terceiro ao sexto dia. Principais complicações e tratamentos Edema pós-operatório – a presença de algum edema é normal. não sendo uma complicação.a lesão peniana é uma complicação incomum.

ocorrendo mais comumente nos cães pequenos de raça pura. e os objetivos essenciais no tratamento dessas afecções baseiam-se na limpeza. Os testículos retidos em uma posição inguinal ou abdominal são predispostos a alterações malignas (seminoma e tumor das células de Sertoli) em uma idade mais avançada. Então o criptorquidismo pode ser uni ou bilateral (especialmente no cão). proteção e retorno das vísceras para a cavidade abdominal e sutura do anel inguinal antes da excessiva 105 contaminação e traumatismo local. Nenhuma droga pode estimular a migração testicular após o mecanismo contrátil de o gubernáculo testicular ter regredido. a característica é largamente disseminada. Eventração e evisceração – consiste em grave complicação decorrente da castração. Os machos unilateralmente criptorquídicos são tipicamente férteis e possuem uma libido normal. acredita-se que alguns fatores como presença de hérnia inguinal e aumento da pressão abdominal após a cirurgia estejam envolvidos. Devem-se considerar permanentemente retidos os testículos não localizados no interior do escroto por volta dos dois a quatro meses de idade.3:1. Consequentemente. O criptorquidismo canino é transmitido hereditariamente. quando esses ficam retidos no canal inguinal ou cavidade abdominal. A eventração e a evisceração podem ocorrer até seis dias após a cirurgia. Embora as causas da eventração permaneçam especulativas. sendo encontrado frequentemente. por isso se deve recomendar a castração dos animais criptorquídicos.2 Criptorquidismo O criptorquidismo é a ausência de um ou dois testículos na bolsa escrotal. 8. com uma proporção direita/esquerda de 2. ou seja. . A descida testicular deve ser completa logo após o nascimento.

A palpação cuidadosa geralmente detectará a maioria das gônadas. caso se encontre distalmente ao anel inguinal superficial no tecido subcutâneo da virilha. com o paciente sob anestesia geral e a parede abdominal ventral preparada para uma cirurgia asséptica. . Principalmente para fazer o diagnóstico diferencial de monorquidismo (agenesia testicular). O duto deferente corre em direção à face caudal do abdome e pode ser utilizado como ponto de referência primário para o achado do testículo retido. o cirurgião deve determinar em que ponto ao longo do trajeto normal da migração testicular descendente 106 ocorreu à cessação. Pode-se necessitar de um exame em série devido ao espasmo induzido pelo medo de o músculo cremaster poder causar uma elevação dos testículos descidos em alguns cães jovens. Diagnóstico A ausência palpável de um ou de ambos os testículos durante vários exames confirma o diagnóstico de criptorquidismo. menor que a gônada descida. Esse ponto pode estar em qualquer lugar. imediatamente caudal ao rim. Uma vez estabelecido um diagnóstico de criptorquidismo. O testículo ou os testículos frequentemente se localizam na região meio-abdominal como um órgão altamente móvel. Visualizam-se tipicamente o suprimento arterial proveniente da artéria testicular (um ramo direto da aorta) e uma pequena artéria no resíduo gubernacular ou na prega deferente do peritônio. e exige-se uma celiotomia exploratória para a sua remoção. Realiza-se uma celiotomia na linha média por meio da linha alba desde o umbigo até o prepúcio. Técnica cirúrgica Muitos testículos caninos retidos se localizam no interior da cavidade abdominal. Quando não estão palpáveis deve-se realizar uma ultrassonografia abdominal ou radiografia para confirmar tal diagnóstico. Desde imediatamente cranial ao escroto no tecido subcutâneo da região da virilha até a posição da organogênese embrionária.

8. com um material de sutura lentamente absorvível.Testículos retidos na região inguinal já com tumoração. coletivamente ou individualmente.3 Tratamento Cirúrgico da Prostatopatia Prostatite A inflamação da próstata pode ser ou aguda ou crônica. Os episódios agudos não-resolvidos de prostatite progridem para uma afecção crônica. estafilococos ou estreptococos. examina-se a área do anel inguinal. Ao localizar o testículo criptorquídico. tenesmo. retenção urinária ou incontinência. Proteus spp. Se não localizar inicialmente os testículos na área meio-abdominal. Um animal afetado encontra-se frequentemente com dor e enfermo com uma prostatite aguda. A fonte de inflamação é geralmente uma infecção ascendente do trato urinário com Escherichia coli. A próstata fica geralmente dolorosa e esponjosa à palpação.. Fonte: arquivo pessoal. Quando a descida testicular cessa nessa localização. será possível palpar os testículos ao se mover um dedo ao longo da parede abdominal em direção ao anel. distorcendo a forma da glândula. Podem se formar microabscessos dentro do parênquima ou podem se desenvolver grandes abscessos flutuantes. Se ainda assim não localizar os testículos. isola-o e pinçam-se triplamente e ligam-se 107 duplamente os vasos e os dutos testiculares. Figura 15 . A glândula cronicamente inflamada fica . Podem se encontrar presentes constipação. estende-se caudalmente a incisão da celiotomia e identifica-se o ducto deferente na alça ureteral e então se segue manualmente o mesmo para achar o testículo.

 Exame retal. O exame histopatológico por meio de uma biópsia com agulha acrescenta informações diagnósticas adicionais com um mínimo de esforço e risco para o paciente. a hiperplasia. Não é incomum o gotejamento de sangue e exsudato provenientes do pênis. 108 Devem-se diferenciar a metaplasia. os abscessos e a neoplasia antes de se iniciar o tratamento. aumenta de volume e pode ficar assimétrica. Os exames citológicos incluem a análise do sêmen. Tratamentos Marsupialização .  Citologia e/ou histopatologia. os grandes abscessos e os cistos podem ser geralmente diagnosticados sem técnicas invasivas.  Ultrassonografia para diagnosticar cavidades preenchidas por fluidos no interior da glândula. A doença crônica garante informação adicional. os cistos. e pode- se indicar uma biópsia.  Ureia sanguínea.  Radiografias com contraste. do lavado prostático e do aspirado prostático com agulha.  Contagem sanguínea completa. Diagnóstico O tratamento apropriado de uma prostatopatia depende do diagnóstico preciso.menos dolorosa. A prostatite aguda. urinálise. Uma avaliação completa de uma prostatopatia suspeita inclui:  Exame físico geral e história.

palpa-se a glândula para conferir quanto a outras áreas de flutuação. Obtêm-se amostras para cultura. Isola-se o abscesso ou cisto dos outros órgãos abdominais com tampões de laparotomia umedecidos com solução salina. Prostatectomia Intracapsular Subtotal . Fecham-se as incisões cutâneas e pele de forma rotineira. Faz-se uma incisão em estocada no interior da cavidade da próstata. Após a drenagem da cavidade. e utiliza-se sucção para remover o fluido ou o pus para minimizar a contaminação no interior do abdome. Faz-se uma incisão cutânea na linha média ventral. e depois uma curva lateral e caudalmente. Esse procedimento é mais efetivo no caso de um abscesso grande um cisto que se localize próximo à parede abdominal. e retrai-se o pênis lateralmente. Puxa-se as paredes da cavidade através da linha média ventral e sutura-se em um padrão interrompido simples. Remove-se a gordura peri-prostática para se visualizar melhor a próstata. Entra-se no abdome na linha média ventral. A marsupialização da próstata é a criação cirúrgica de uma fistula entre um saco preenchido de fluido e a parede abdominal. deixando o prepúcio paralelo à entrada pélvica. Lava-se a cavidade com quantidades abundantes de solução salina. do umbigo até a extremidade do prepúcio. Ligam-se e dividem-se a artéria e a veia prepuciais. desde o umbigo até a entrada pélvica. Técnica cirúrgica 109 Anestesia-se e coloca-se o paciente em decúbito dorsal e prepara-se o abdome para uma cirurgia asséptica. Se existirem vários abscessos ou cistos parenquimatosos pequenos.

A maioria das próstatas estará suficientemente grande para exigir a cirurgia e se encontra no interior do abdome não exigindo rompimento pélvico. expondo-se a uretra. Remove-se a gordura peri-prostática para se visualizar melhor a glândula. Coloca-se um cateter urinário de polipropileno no interior da uretra e da bexiga. Se existir uma obstrução uretral. Rebate-se cranialmente a bexiga. e incisa-se a próstata ao longo do septo mediano ventral com um bisturi elétrico. Técnica cirúrgica Colocar o animal em decúbito dorsal. Embora a PIS seja eficiente nos casos de prostatite crônica. evitando-se o colo da bexiga. estiverem localizados na porção dorsal da próstata ou se forem muito pequenos para serem exteriorizados efetivamente por meio da marsupialização. são feitas incisões longitudinais em meia-lua sucessivas para remover o parênquima glandular a partir do centro da cápsula em cada lado. Prepara-se o paciente para a cirurgia e entra-se no abdome como descrito para a marsupialização. e coloca-se uma sutura de arrimo em seu vértice para manter a tração na bexiga e na próstata. Indica- se esse procedimento quando os abscessos ou cistos forem múltiplos. pode-se remover mais de 80% da próstata doente e drenar qualquer tecido doente remanescente através da uretra. utilizando um bisturi elétrico curvo. não se deve utilizá-la em 110 próstatas que requeiram a remoção total. Abre-se a glândula. Estende-se a incisão através do parênquima para o interior da luz da uretra prostática cateterizada. Isolam-se a próstata e a bexiga exteriorizadas a partir da cavidade abdominal com tampões de laparotomia umedecidos em solução salina. No caso de uma prostatectomia intracapsular subtotal (PIS). . esvazia-se a bexiga por meio de uma cistocentese.

colocando- se um cateter urinário no interior da bexiga. que repousam na superfície dorsal da próstata. Puxa-se a próstata em direção ao cirurgião para se dissecar em direção à borda dorsal e afasta-se a mesma do cirurgião para se dissecar ao longo da borda oposta. Devido à cápsula prostática do cão ser muito fina. cultura e testes de sensibilidade. Deve-se ter um cuidado extremo em evitar os nervos delicados do plexo pélvico. O parênquima prostático circunda a uretra e limita-se contra o colo vesical que deve permanecer intacto para evitar uma incontinência pós-operatória. de forma que se possa identificar a uretra proximal. A dissecção deve ser tão próxima da próstata quanto possível por baixo da camada de gordura peri-prostática e imediatamente superficial à cápsula prostática. a qual é fechada para minimizar a cavidade. 111 Prostatectomia Total Só se indica uma prostatectomia completa no caso de pacientes com prostatopatia proliferativa na qual a luz da bexiga prostática se encontre significativamente comprometida e no caso de pacientes com neoplasias prostáticas. Rompe-se a próstata desde a uretra imediatamente proximal à entrada do duto deferente na superfície dorsal. Amputam-se então as paredes da próstata. deixando uma armação de parênquima de 2 a 3 mm dentro da cápsula. Os tecidos removidos são enviados para histopatologia. a remoção de todos os tecidos abaixo da cápsula resulta em uma ruptura capsular. Remove-se lateral e dorsolateralmente a maior parte da próstata. Técnica Cirúrgica Prepara-se o paciente e entra no abdome conforme descrito anteriormente. Utilizam-se um tampão de gaze e uma dissecção simples para retirar o tecido prostático ao longo da superfície cranial a partir do colo vesical. Rompe- . Deve-se fechar a próstata de maneira semelhante a uma incisão de cistotomia.

B: próstata já sendo acessada. Anastomosam-se os segmentos uretrais com uma sutura de polidioxanona 3-0 em um padrão interrompido simples. e reinsere-se o cateter na bexiga. Após se completar a anastomose. 37 . e colocar suturas adicionais entre elas a intervalos de aproximadamente 2 mm. C: remoção da próstata após sua separação da uretra. lava-se completamente e fecha-se rotineiramente o abdome. Bexiga próstata próstata próstata Fonte: Arquivo pessoal Fig. Depositam o nó externamente à luz e deixam as extremidades longas. Remove-se a próstata a partir do cateter.A: visualização e identificação da próstata.se a uretra tão próxima da borda caudal da próstata quanto possível para assegurar uma anastomose com uma tensão mínima. 112 Coloca-se a primeira sutura interrompida através das superfícies dorsais da uretra proximal e membranosa. . Usam as extremidades da sutura para rotacionar a uretra.

 Dióxido de silicone.  Xantina.  Uratos de sódio e amônio.9 SISTEMA URINÁRIO 9.  Fosfato amoníaco magnesiano.  Cistina. Raça Urólito Ocorrência (%) Dálmata Urato de sódio e amônio 98 Schnauzer Oxaláto de cálcio 28-67 miniatura Estruvita Bichon Frise Estruvita 90 Buldogue inglês Urato de sódio e amônio 35-42 Cistina Yorkshire terrier Oxalato de cálcio 45 Composição de cálculo mais comum em cães e gatos: .1 Cálculos na bexiga 113 Os cálculos comuns da bexiga urinária de cães e gatos são:  Oxalato de cálcio.

oxalato de cálcio. Se a obstrução persiste. É importante conhecer os tipos de cálculos presentes por serem de diferentes composições exigem manejo médico-cirúrgico também diferente. Essa obstrução tem efeitos sistêmicos (uremia) e pode levar à ruptura ureteral. ocorrer hidronefrose. Tal teste não é específico. no colo da bexiga ou na uretra. cistina e uratos. a localização e o número de cálculos detectados. .  Gatos: oxalato do cálcio e estruvita. são: . Esses exames fornecem informações sobre o tamanho. a forma. estruvita). Urolitíase é uma emergência se o animal estiver com o trato urinário obstruído em razão do alojamento do urólito em um ureter. oxalato de cálcio) 114 Os urólitos de estruvita estão mais comumente associados à infecção de trato. Infecções crônicas do trato urinário também pode ser uma sequela.  Remoção cirúrgica e envio para análise: é o único meio garantido de determinação precisa sobre a composição mineral. do mais radiodenso para o menos. pneumocistografias radiografias de duplo contraste e ultrassonografias. da bexiga ou da uretra. dietas de dissolução usadas para alguns cálculos (por exemplo.fosfato (apatita. Assim.  Cães: estruvita e oxalato de cálcio. a radiopacidade. e indica a composição mineral.  Estudo de imagens: radiografias. Complicações Obstrução da pelve renal. ureter. Os diferentes tipos de urólitos em ordem de densidade radiográfica. hidrouréter e mesmo ruptura uretral. estruvita) predispor a formação de outras (por exemplo. trígono ou uretra. Diagnósticos  Análise de urina: inclui análise visual dos cristais presentes.

9. que é uma técnica muito mais benigna quando comparada a ureterostomia.2 Hidropropulsão retrógrada É a técnica na qual se faz a tentativa de mover os cálculos presos à uretra de volta para a bexiga com intuito de retirá-los por cistostomia. A anestesia da uretra pode ser feita com Iidocaína para evitar espasmos uretrais. Indicações para a cistostomia e para a remoção dos urólitos:  Uropatia obstrutiva. 115  Defeitos anatômicos que predispõem à infecção do trato urinário (divertículo).  Contraindicações ao tratamento médico (aspectos nutricionais). e o cálculo empurrado para a bexiga.  Machos. o que aumenta a dilatação uretral. porque a dissolução do cálculo urinário está associada ao maior risco de obstrução da uretra. 9. Ela envolve a infusão pulsátil de solução salina estéril no cateter uretral distal à pedra. Se necessário. exerce-se pressão sobre a uretra proximal através do reto. Quando a obstrução é total e persiste por vários dias. A uretra é distendida. É necessária forte sedação ou anestesia geral para realização da técnica.3 Cistotomia .

. Faz-se uma incisão abdominal caudal em linha média nos gatos e cadelas.  Examinar a superfície interior da bexiga. Nos cães machos. Conceito A cistotomia consiste na abertura da bexiga para fins terapêuticos ou diagnósticos. devem-se realizar uma urinálise. fazem à tricotomia e prepara-se o abdome ventral para uma cirurgia asséptica (tricotomia ampla). Caso se suspeite de cálculos. Técnica Cirúrgica Após se induzir a anestesia geral e iniciar a fluidoterapia endovenosa. Pré-operatório Antes de se empreender esse procedimento. retrai-se lateralmente o mesmo e faz-se uma incisão abdominal na linha média através da linha alba. uma cultura urinária quantitativa. deve-se avisar o proprietário acerca do potencial de recorrência e da necessidade de uma terapia contínua após a cirurgia. uma cistografia de contraste e uma avaliação da função renal.  Cateterizar os ureteres. Indicações: 116  Remover cálculos vesicais. faz-se uma incisão cutânea curva lateral ao prepúcio.

Demonstração de colação dos pontos de reparo para expor a bexiga e realização de cistotomia para esvaziá-la antes de incisar. E também uma incisão ventral apresenta menor risco de vazamentos ou aderências que uma incisão dorsal. 38.39 . Fig. 117 Fig. e uma segunda na extremidade caudal do plano incisado. B: incisão na linha média ventral com desvio lateral ao prepúcio do cão. Estende-se cranial e caudalmente a incisão com uma tesoura de Metzenbaum. Coloca-se uma sutura de retenção na extremidade cranial da bexiga. A: visualização da região a ser incisada já com tricotomia e pano de campo. delimitando a área. Recomendam-se uma cistotomia ventral por proporcionar um melhor acesso ao trígono. A B Pontos de Cistocentese retenção Fonte: arquivo pessoal. Isola-se a bexiga a partir do abdome com tampões de laparotomia ou toalhas. Faz-se uma incisão em estocada na bexiga com um bisturi. Esvazia-se então a bexiga por meio de uma cistocentese. . A B Fonte: arquivo pessoal. às aberturas ureterais e à uretra.

A sutura não deve penetrar na luz da bexiga. 2008. Passa-se um cateter no interior da uretra. Pós-operatório . Incisão em estocada na bexiga Estende. Figura 41 – A: sutura com ponto cushing. utilizando um padrão inversor (Cushing ou lambert) em uma parede vesical.se cranial e caudalmente a incisão com uma tesoura 118 Fonte: Bojrab . e lava-se a mesma com solução salina para desalojar quaisquer cálculos na uretra proximal. b: Meca cirurgia on-line. A B Fonte: a: Bojrab. Removem-se os cálculos com uma pinça ou uma lavagem e uma sucção. 1996.40 – Feitura da cistotomia.1996 Fig. B: Bexiga já suturada em padrão invertido. Fecha-se a bexiga em uma camada com uma sutura absorvível.

Deve-se permitir que o paciente urine frequentemente. 9. Se isso não for possível. a traumatismos ou retrostomias. Colar elizabetano. Indicações:  Cálculos que não podem ser removidos pela uretrostomia ou por lavagem retrógrada para a bexiga.4 Uretrostomia Definição Consiste na criação de uma abertura permanente ou temporária em diferentes locais na uretra. 119 É indicada uma terapia profilática para reduzir a taxa de recorrência de urólitos. . Os cálculos precisam ser enviados para uma análise mineral quantitativa.  Produção de cálculos recorrentes que não são passíveis de controle médico. Devem-se realizar uma cultura bacteriana urinária e testes de sensibilidade no momento da remoção do cateter e administrar antibióticos apropriados.  Estreitamentos uretrais distais ao escroto em razão aos cálculos. deve- se manter a bexiga vazia por meio de uma cateterização intermitente ou de um cateter uretral interno conectado em um sistema de coleta estéril por três dias. Retirar pontos de 7 a 10 dias. Antibióticoterapia por cinco a sete dias.

. depressão ou fraqueza.  Traumatismo peniano grave. hipercalêmico e azotêmico. 120 Tipos de uretrostomia:  Pré-escrotal. Um cão afetado pode exibir ansiedade. quando é necessária a amputação do pênis. hídrico. deve-se presumir que o cão esteja acidótico. A bexiga pode ficar enormemente distendida. A obstrução uretral por urólitos ocorre mais frequentemente em cães machos.  Pré-púbica ou antipúbica. deficiência no comprimento peniano prepucial) que exige manipulação do pênis ou prepúcio (ou ambos) e forma de abertura uretral mais proximal. neoplasia do prepúcio ou uretra. Geralmente há uma história de estrangúria ou oligúria.  Escrotal. Caso sua escolha seja pela técnica escrotal e o paciente possa ser castrado faz então a uretrostomia escrotal. O cão pode parecer inicialmente normal e depois piorar rapidamente. mas também ocorre em cadelas. O local para a uretrostomia baseia-se no local da obstrução ou na preferência do cirurgião.  Doenças congênitas (hipospadias. Porém se a obstrução da uretra proximal for acima do escroto é exigida a uretrostomia perineal ou pré-púbica.  Perineal. eletrolítico e ácido-básico associado que constituem riscos de vida. Pré-operatório Um animal com obstrução uretral requer um tratamento imediato. Se os resultados laboratoriais não forem disponíveis. pois essa afecção resulta em uma uremia pós-renal e em desequilíbrios.

Se a uroidropropulsão não obtiver sucesso. devem-se considerar métodos cirúrgicos de desviar a obstrução. Se possível. geralmente desalojarão os cálculos uretrais perineais sem a necessidade de uma uretrostomia perineal. Descomprime-se inicialmente a bexiga por meio de uma cistocentese com uma seringa de uma agulha de calibre 22. Coloca-se um cateter endovenoso e inicia-se uma fluidoterapia. que envolve a dilatação de uma porção da uretra com um fluido sob pressão. Alivia-se ou desvia-se a obstrução uretral com o menos possível de tranquilização ou anestesia. Pode- se utilizar esse procedimento. 121 Usa-se uma uroidropropulsão para mover os urólitos de volta na luz da bexiga. . pois causa mais hemorragia e queimadura urinária que a uretrostomia pré-escrotal. a cateterização e a lavagem da uretra a partir de uma incisão de cistotomia e a abertura uretral. em cães tanto machos como fêmeas. Técnicas Cirúrgicas Utiliza-se uma uretrostomia pré-escrotal (que cria uma abertura temporária na uretra) para trazer os urólitos da uretra pré-escrotal e/ou desviar dos urólitos alojados na uretra peniana. podem-se fazer tentativas para empurrar os urólitos para o interior da bexiga com um cateter grande ou para desviar a obstrução com um cateter pequeno. Alternativamente. Se não se puder avançar um cateter sem um traumatismo excessivo. Utiliza-se um cateter de cistotomia para drenar a urina em um animal urêmico com cálculos uretrais que não possam ser facilmente removidos. deve-se evitar a uretrostomia perineal.

que podem traumatizar adicionalmente a uretra. Deve-se evitar o corpo cavernoso lateral à uretra. Devem-se identificar o corpo esponjoso acinzentado e os corpos cavernosos pareados e revestidos por tecido fibroso esbranquiçado. O uso de um cateter de cistotomia temporário é preferível a tentativas fúteis para aliviar a obstrução. Removem-se e coletam-se os urólitos para uma análise mineral quantitativa. faz-se uma incisão longitudinal no interior do corpo esponjoso e da uretra. Após se rebater lateralmente o músculo retratar peniano. Uretrostomia Pré-escrotal 122 Faz-se uma incisão cutânea desde imediatamente caudal ao prepúcio até imediatamente cranial ao escroto. Se a incisão se estender por cima do escroto. . Disseca-se o tecido subcutâneo até o nível do músculo retrator peniano. Avança- se proximalmente um cateter para conferir urólitos adicionais e distalmente para desalojar cálculos no interior da uretra peniana. torna-se mais provável que o cão escorie o local e que haja um risco de que os testículos se prolapsem através da incisão. O revestimento esbranquiçado e brilhante da mucosa da uretra contrasta com o corpo esponjoso circundante. Pode-se fechar a incisão da uretrostomia com suturas absorvíveis sintéticas 4-0 em um padrão disponível. Podem-se colocar suturas de retenção no corpo esponjoso para ajudar na identificação e na exposição da mucosa uretral.

Editado por E. B) Incisão longitudinal no interior do músculo do corpo esponjoso e da uretra após o rebatimento lateral do músculo retrator do pênis. reduzindo. Fig. Indicações: . portanto o risco de formação de estenose. A uretra membranosa na região do escroto é maior e mais propensa à distensão que a uretra pré-púbica. A maioria dos cálculos uretrais é facilmente removida por meio de uma uretrostomia escrotal. Uretrostomia pré-escrotal.: Urologic sllrgery-an update. Como a urina é desviada diretamente para baixo no caso de uma uretrostomia escrotal. A) Local da incisão cutânea e dissecção do tecido subcutâneo até o músculo retrator do pênis. Após a remoção dos urólitos pode-se deixar aberta ou fechar uma uretrostomia em um padrão interrompido simples (inserção). Vol. C) Suturas de retenção no corpo cavernoso e exposição do interior uretral. Churchill Livingstone.A. E. Breitschwerdt. permitindo uma passagem mais fácil do cálculo. Uretrostomia Escrotal A uretrostomia escrotal é o procedimento de escolha quando se torna necessário um orifício uretral permanente distal à uretra pélvica. 123 Fig. New York. 4: Nephrology and Urology.Fonte: Stone. tornando a exposição cirúrgica mais fácil e reduzindo o risco de hemorragia ou de extravasamento urinário nos tecidos periuretrais. 42 . 1986. A uretra escrotal é mais superficial e encontra-se circundada por menos tecido cavernoso que a uretra perineal.B./n Contemporary Tsslles in Small Animal Practice. A uretrostomia escrotal apresenta várias vantagens em relação à uretrostomia nas localizações pré-púbica e perineal. o contato da urina com a pele circundante e a consequente queimadura urinária torna-se mínima.

 Cálculos uretrais recorrentes. Colocam-se panos de campo nessa área para cirurgia asséptica. .  Obstruções agudas. posicionando o mesmo em decúbito dorsal com os membros traseiros suavemente abduzidos e presos caudalmente. Faz-se uma incisão cutânea elíptica de espessura completa ao redor da base do escroto. insere-se um cateter de tamanho apropriado retrogradamente a partir da abertura peniana normal. Faz a hemostasia e descarta-se pele isolada. hipospadias e deficiência na extensão peniana ou prepucial). A dissecção cuidadosa do tecido conjuntivo revelará os músculos retratores penianos pareados na superfície ventral do pênis. estrangulamento peniano.  Doenças que requeiram a amputação do pênis ou do prepúcio (neoplasia. Se possível.  Estenose uretral distal ao escroto. Se o cão não for castrado isolam-se os testículos e os cordões espermáticos e castra- se o cão da forma rotineira. Depila-se e higieniza-se rotineiramente o local cirúrgico.  Ferimentos uretrais distais severos no osso peniano ou no pênis. 124 Técnica Cirúrgica Coloca-se o cão sob anestesia geral. de forma que se destaque a uretra. Deve-se ter cuidado em deixar pele suficiente na face lateral da incisão para se evitar uma tensão na uretrostomia durante fechamento. Rebatem-se lateralmente esses músculos para expor a linha média ventral esbranquiçada da uretra e a uretra do corpo cavernoso.

Escolhe-se o limite caudal da incisão para se assegurar que a nova abertura uretral permita que a urina seja desviada direta ventral a partir do arco isquiático. Devem-se aproximar a mucosa uretral e a pele sem a abertura de brechas. A incisão deve ter 2. mas as suturas não devem ser firmes.remoção de testículos e saco escrotal. e depois para o interior da pele. Incisa-se precisamente a linha média ventral da uretra com uma lâmina de bisturi. visualização do saco escrotal. com intervalos de 3 a 4 mm. Colocam-se as suturas começando-se a partir da mucosa uretral.A . alternando-se os lados com cada sutura colocada. ao longo de cada lado da uretrostomia. D: novo ósteo uretral. .5 a 4 cm de comprimento para assegurar um tamanho de luz uretral após a cicatrização.43. Coloca-se a primeira sutura a partir do canto da incisão uretral caudal até o canto da incisão cutânea caudal. B . Excisa-se qualquer pele sobressalente para se fazer um fechamento perfeito. B A C Fonte: arquivo pessoal D Fig. C. Prossegue-se a colocação de suturas interrompidas simples.limitação do campo. 125 Material de sutura não-absorvível 4-0 monofilamentar (náilon ou polipropileno).separação da uretra.

o gato pode geralmente forçar uma concreção através da uretra peniana por meio de um esforço. O tipo de cristal mais prevalente é a estruvita (fosfato amônico de magnésio). A urina proveniente dos gatos com SUF contém cristais que com a matriz de muco e os resíduos. inflamação uretral. Esse traumatismo resulta em hemorragia. Os fatores que têm sido implicados como atuantes de um papel causador no desenvolvimento da SUF são os agentes infecciosos (tais como os vírus e as bactérias. ela pode se alojar nesse ponto. as lesões da próstata e as massas extraluminais que comprimirem a luz uretral. que reduzem adicionalmente o diâmetro uretral. essa ação força as bordas afiadas dos cristais no interior da mucosa uretral. formando uma massa semissólida macroscópica. A explicação para isso reside nas diferenças anatômicas na estrutura uretral entre os sexos. resultando em microlacerações múltiplas. A formação de cristais é potencializada em um pH alcalino e é inibida em pHs mais ácidos. A obstrução uretral tem sido associada com concreções e tampões uretrais. A cristalúria é um achado clínico comum nos gatos e se caracteriza por precipitados microscópicos na urina.5 Tratamento da Obstrução Uretral no Gato A síndrome urológica felina (SUF . criando um efeito de afunilamento. na raiz do pênis imediatamente proximal às glândulas bulbo uretrais. No gato macho. Os cristais que compõem uma concreção apresentam bordas bem afiadas. À medida que a concreção desce pela uretra.9. dieta e as anomalias do úraco especialmente os divertículos vesicais). A passagem de outra concreção através da uretra resultará em uma obstrução que não poderá ser . 126 relacionados. A obstrução da uretra por meio de tampões ocorre comumente no macho.que é sinônimo de doença do trato urinário inferior no felino) pode resultar de vários fatores etiológicos únicos. enquanto que na fêmea é curta e larga. o diâmetro luminal uretral se estreita. No entanto. que se estendem a partir das margens da concreção. múltiplos e interativos ou não. A uretra no macho é longa e estreita. esses cristais passam na urina durante a micção normal. edema e inchaço. As outras causas de obstrução uretral são as estenoses. Nos gatos normais. mas raramente na fêmea. Inicialmente.

que pode levar as irregularidades cardíacas e a uma morte subsequente. Também podem estar presentes uma lambedura frequente na área genital e uma hematúria ocasional. nos sinais clínicos e na palpação de uma bexiga grande. O cliente pode confundir esse aumento na frequência de micção com um tenesmo.desalojada pelo animal. Se as tentativas de se desalojar a obstrução forem prováveis de resultar em danos uretrais adicionais ou de induzir uma infecção do trato urinário. . A obstrução prolongada resulta em uma hipercalemia. Isso pode ser feito por meio da cateterização da uretra. firme e tensa. Diagnóstico 127 O diagnóstico de um gato obstruído se baseia na história. o gato fica deprimido. deve-se considerar a contenção farmacológica. apático ou comatoso. que pode ser realizada sem o uso de anestésicos no paciente. Com a progressão da afecção. A história pode incluir uma micção em locais incomuns junto com um aumento na frequência de tentativas de micção. Tratamento Médico O primeiro passo no tratamento de emergência da obstrução uretral consiste no alívio da obstrução. Essa situação requer um tratamento de emergência para desbloquear a obstrução uretral.

Adicionalmente. deve-se suspeitar de uma lesão mural ou periuretral. Anestesia Recomenda-se a indução da anestesia com um barbitúrico de ação ultracurta. indica-se uma uretrostomia perineal. Faz-se uma incisão elíptica. Coloca-se uma sutura de bolsa-de-fumo no ânus e cateteriza a uretra. primeiro retiram-se as concreções alojadas no pênis distal. com ou sem um tampão uretral associado. Prende-se a cauda com um esparadrapo por cima da linha média dorsal das costas. Técnica Cirúrgica Prepara-se o animal para uma cirurgia asséptica. incluindo a base da cauda. . começando a meio caminho entre o ânus e o escroto. seguida pela manutenção com um gás anestésico. ao redor do escroto e do prepúcio. Posiciona-se o animal em decúbito ventral. Se não se puder restaurar a desobstrução uretral por esse método. uma massagem na uretra por meio do reto pode ajudar a desalojar as concreções uretrais pélvicas ou abdominais. Cortam-se os pelos em toda a área perineal. Para aliviar a obstrução. Induz-se então o esvaziamento vesical por meio de uma palpação suave na bexiga. rolando-se suavemente o mesmo entre o polegar e o dedo indicado. e colocam-se panos de campo na área genital. Se 128 não desobstruir tenta-se a lavagem uretral retrógrada para desalojar a concreção no interior da bexiga por meio de uma hidropropulsão. Se a obstrução recidivar.

Corta-se então essa estrutura. Faz-se toda a dissecção preliminar ventralmente até que se localizem os músculos ísquios-cavernosos bilaterais e se cortem os mesmos com uma tesoura em seus ligamentos 129 uretrais. libertando o pênis e visualizando uma tira fibrosa peniana ventral proveniente do diafragma pélvico que é localizado na linha média entre o pênis e o arco isquiático. A B C D . Se o animal estiver intacto. liberando posteriormente a uretra e permitindo que se retraia a mesma caudalmente. Utiliza-se uma tesoura para cortar e dissecar os ligamentos. liberando-se posteriormente o pênis. Inicia-se a dissecção dorsal. realiza-se a castração. inicia-se a dissecção ventral com uma tesoura de Metzenbaum. Realiza-se toda a dissecção dorsal próxima a uretra. Após se rebater dorsalmente o pênis com o prepúcio acompanhante e o escroto remanescente.

Se segura o pênis dissecado na mão esquerda com o dedo indicador abaixo do pedúnculo peniano. New York. A B . B . Utiliza-se um bisturi número 10 para fazer uma incisão por cima do cateter na linha média dorsal da uretra.Demonstra-se a extremidade cortada do pênis revelando o pênis cavernoso.Identifica-se o músculo isquiocavernoso e corta-se o mesmo com uma tesoura próximo ao ligamento peniano. 1996. Fig. B .A. E. Estende-se a 130 incisão 1cm cranialmente e 2cm caudalmente ao pedúnculo peniano. Fonte: Stone. Uma incisão de 1 cm na uretra pélvica é adequada para providenciar o necessário aumento da abertura. desliga-se o pênis com uma tesoura no nível da incisão uretral caudal. 4: Nephrology and Urology.) FIG. A incisão está agora pronta para a sutura do tipo mucocutânea. 1986. Pós-operatórios . 45 . Editado por E.A .A . C. A extensão da incisão uretral pélvica por mais de 1cm cranialmente em direção ao pedúnculo lavará a uma severa invaginação incisional quando se suturar a incisão. Remove-se o cateter e insere-se uma pinça na uretra pélvica./n Contemporary Tsslles in Small Animal Practice. Fonte: Bojrab. Após se suturar os lados da incisão cutânea. Vol.Incisa-se a uretra no interior da luz com um bisturi.: Urologic surgery-an update. Aprofunda-se a incisão para o interior da luz.Corta-se o excesso peniano com uma tesoura no nível da incisão uretral caudal. Breitschwerdt.B. 44 .Termina-se a dissecção uretral transeccionando-se o útero masculino em forma de "V" próximo à uretra. Churchill Livingstone.

131 Removem suturas e o colar elisabetano no décimo dia após operação. as incontinências. utilizando uma pomada impermeabilizante para evitar queimaduras pela urina (Hipoglós). e por meio do uso de antibióticos profiláticos. Inicia-se a mesma terapêutica médica como descrito anteriormente. Remove o colar no quinto dia após a operação. fecais e urinárias e o prolapso retal. Remove-se a sutura bolsa-de-tabaco do ânus. o vazamento urinário subcutâneo e as infecções. . as estenoses. Coloca-se um colar elizabetano. Pode-se reduzir enormemente a hemorragia tendo-se cuidado em se incluir o tecido cavernoso nas suturas cutâneas. Complicações As principais complicações associadas com a cirurgia de uretrostomia perineal são hemorragias pós-operatórias. As infecções podem ser reduzidas eliminando-se a contaminação pós-operatória da incisão com os dejetos e a lambedura.

As chamadas redutíveis são aquelas que com a palpação local ou trocando posicionamento do animal faz com que o conteúdo herniário retorne a cavidade de origem.: perineal). diafragmática e perineal). Incidência: Cão – idosos – perineal e jovens – umbilical.10 HÉRNIAS 10. Gato – diafragmática.  Conteúdo.ex.1 Considerações gerais 132 Uma hérnia consiste na saída de conteúdo de uma cavidade através de sua parede sendo diferenciadas pelo local anatômico (umbilical. inguinal. já as encarceradas são aquelas que perdem a capacidade de reduzir e geralmente são as que se encontram com agravamento em consequência da cronicidade. Podendo ser do tipo congênita ou adquirida (traumática incisional ou por degeneração da musculatura p. sendo chamadas de hérnias estranguladas (anel herniário comprimindo as vísceras com dano circulatório local e necrose). Partes da hérnia:  Anel. peritônio.  Saco – mesentério. .

Fisiopatologia: Alteração da função das cavidades corporais e dos conteúdos herniário.  Radiografia e ultrassonografia. Obstrução de víscera oca. Flap do próprio tecido ou com redes específicas ou membranas biológicas.  Histórico.  Alteração respiratória.  Ausência de dor. 133 Sinais clínicos:  Tumefação. Ocupação de espaço devido à restrição física. p. intestino e bexiga.Herniorrafia Retorno do conteúdo ao seu local original..  Palpação.  Consistência variável. . Oclusão segura para não ter recidiva obliteração do tecido do saco herniário. Tratamento cirúrgico . Diagnóstico:  Exame clínico.ex.

Uma hérnia umbilical ocorre se o anel umbilical não se formar apropriadamente.2 Hérnia umbilical Etiologia 134 As hérnias umbilicais são quase sempre congênitas e geralmente resultam de um defeito no desenvolvimento embrionário. o conteúdo é mole e homogêneo. No caso de uma hérnia pequena. se for demasiado grande para permitir uma contração completa no nascimento ou se não ocorrer contração. A palpação geralmente revela o tamanho do anel umbilical. as causas primárias incluem provavelmente um defeito genético e teratogênico. geralmente representando a gordura falciforme ou o omento. o conteúdo do saco umbilical e a redutibilidade do mesmo. Como várias raças (incluindo o Pequinês. Sinais A hérnia umbilical apresenta-se como uma massa no abdome ventral onde se deveria localizar a cicatriz umbilical.10. o Pointer e o Weimaraner) parecem ter um risco maior. Complicações .

No entanto. deve-se repará-la o mais rápido possível. não exigindo. se a hérnia umbilical contiver vísceras abdominais. O saco umbilical fica quente. doloroso e firme à palpação. As hérnias pequenas são facilmente corrigidas no momento de uma ovário- histerectomia na fêmea. deve-se considerar a possibilidade de uma hérnia diafragmática peritônio pericárdica congênita. Pode-se encontrar como conteúdo o intestino ou outras vísceras abdominais. . pois essas duas anomalias podem ocorrer simultaneamente. portanto. vômitos depressão. ficando tão pequenas que nunca causarão uma doença clínica. Os sinais presentes nesses animais incluem dor abdominal. Quando um animal apresentar um distúrbio respiratório ou sinais de que há uma obstrução intestinal e. tratamento cirúrgico. embora um inchaço na área do umbigo não exclua uma neoplasia ou abscesso. se o exame físico revelar uma hérnia umbilical aparente indica-se radiografias e frequentemente estudos de contraste para avaliar a patologia diafragmática e umbilical. Se um animal jovem apresentar sinais de distúrbio respiratório e tiver uma hérnia 135 umbilical intercorrente. Diagnóstico O exame físico é geralmente suficiente para diagnosticar a hérnia umbilical. Neste caso pode ocorrer estrangulamento ou obstrução. Tratamento As hérnias umbilicais pequenas frequentemente se resolvem espontaneamente nos animais jovens.

o anel hernial e. começando-se a 1cm cranialmente ao anel umbilical até 1cm caudalmente ao mesmo. Não se deve debridar o anel hernial. corrigindo a hérnia de modo fechado. 136 Técnica cirúrgica Palpar o anel hernial para determinar se o conteúdo abdominal permanece externamente ao anel. Se a hérnia for grande ou caso possa palpar o conteúdo. levando-se em conta o tamanho da hérnia. Faz-se uma incisão elíptica. No reparo cirúrgico de uma hérnia abdominal complicada coloca-se o animal em decúbito. A extensão da incisão deve ser quatro vezes maior que a largura. Devem-se considerar vísceras estranguladas e a presença de hérnia peritônio pericárdica como situações emergenciais que requerem uma cirurgia imediata. pois isso privaria o cirurgião de um tecido conjuntivo forte e viável. O tamanho do material de sutura deve ser o escolhido para o fechamento de rotina das incisões abdominais com base no peso do animal. Deve-se retirar o saco herniário ou a gordura falciforme excessivos. necessário para se fechar o defeito. o diafragma ventral. a quantidade de pele sobressalente e a pele remanescente para o fechamento. preparando o mesmo de modo rotineiro. e para determinar o tamanho do anel e a integridade da fáscia reta cranial e caudal. se possível. . deve-se abrir o saco herniário e palpar o conteúdo. Devem-se utilizar suturas interrompidas simples de um material absorvível sintético ou não-absorvível apropriado (tal como o náilon ou o aço inoxidável). Quase todas as hérnias umbilicais podem ser fechadas sem implantes. Podem-se dissecar frequentemente as hérnias pequenas fora da pele e do tecido subcutâneo e invertê-las no interior do abdome.

137 10. Uma hérnia inguinal direta ocorre quando a evaginação peritoneal separa-se e repousa ao longo do processo ou das túnicas vaginais como uma formação de bolsa tecidual externa separada. Anatomia Cirúrgica O canal inguinal é uma passagem através da parede abdominal. Pós-operatório Restrição da atividade por 7 a 10 dias Devendo-se reconferir a incisão e retirar as suturas cutâneas após tal período. Fecham-se rotineiramente o tecido subcutâneo e a pele. Costuma-se considerar o canal inguinal como a passagem entre o anel interno e o anel inguinal externo. O limite cranial do anel inguinal interno é formado pela borda caudal da inserção do músculo oblíquo abdominal interno. As hérnias inguinais indiretas (que são o tipo mais comum) ocorrem quando o tecido protrai através da evaginação normal do processo vaginal nas fêmeas ou da túnica vaginal nos machos.3 Hérnia inguinal As hérnias inguinais se formam quando um órgão ou um tecido protrai através do canal inguinal. O anel inguinal externo se forma como um orifício em forma de fenda na inserção do músculo oblíquo . É limitado ventro medialmente pelo músculo reto abdominal e pelo tendão pré-púbico e caudal e lateralmente pela borda da pelve e pelo ligamento inguinal.

sugerindo um envolvimento hormonal. A elevação dos quartos traseiros pode ajudar o examinador na redução da hérnia e permitir a palpação do defeito na parede abdominal. Etiopatogênese 138 Desconhece-se a etiopatogênese exata das hérnias inguinais. Sinais Clínicos A maioria dos cães com hérnias inguinais apresentará uma massa disforme e mole na região inguinal que geralmente não é dolorosa à palpação. Terrier. As hérnias inguinais adquiridas são observadas mais frequentemente na cadela hígida de meia idade. Em determinadas raças. dependendo da extensão caudal do ligamento do músculo oblíquo abdominal interno. têm-se observado hérnias inguinais congênitas. Os outros fatores que podem estar envolvidos como o enfraquecimento da parede abdominal. A maioria dos casos de herniação ocorre na cadela em cio ou prenhe. A massa pode se encontrar presente por até um ano e pode ou não ser redutível à palpação. Demonstraram-se algumas raças com predisposição a desenvolver hérnias inguinais. Os outros tecidos e órgãos que podem estar contidos na hérnia incluem o omento. a obesidade e o acúmulo de gordura no processo vaginal. o intestino. Pequinês e o West e White terrier. O pequinês também apresenta maior incidência de hérnia umbilical intercorrente. a gordura prostática e o baço. a bexiga. A hérnia pode conter um útero gravídico ou infectado que seja incapaz de ser reduzido. incluindo o Basset-hound. herança poligênica e doenças infecciosas. Desconhece-se a causa das hérnias inguinais congênitas. .abdominal externo e se sobrepõe ao anel inguinal interno. A anatomia do canal inguinal varia entre as espécies. mas elas têm sido atribuídas a variações anatômicas normais. o traumatismo.

podendo ser auxiliado por uma radiografia que demonstre alças intestinais preenchidas por gás ou o surgimento de um esqueleto fetal em ossificação após 43 a 45 dias de gestação. A bexiga pode ser identificada por uma radiografia de 139 contraste após uma cateterização e uma aspiração do conteúdo vesical. da formação de hematomas e da neoplasia da glândula mamária. Deve-se diferenciar a hérnia inguinal do acúmulo de tecido gorduroso subcutâneo. Essa abordagem permite a visualização de ambos os anéis inguinais e o reparo da herniação . A hérnia pode surgir como um inchaço lateral à vulva e deve ser diferenciada de uma hérnia perineal. Técnica Cirúrgica Pode-se utilizar uma incisão na linha média ventral para todas as hérnias inguinais. Fonte: arquivo pessoal Fig. do abscesso. Diagnóstico O diagnóstico se dá pelo exame físico.46 Cadela com hérnia inguinal unilateral.

a aspiração da urina facilita a redução. A incisão cirúrgica se estende da borda cranial da pelve até tão longe cranialmente quanto for necessário para permitir a exposição do saco hernial. Sutura se o anel hernial com suturas interrompidas simples de material de sutura não- absorvível 2-0. com até a sétima semana de prenhez. Após a recolocação das vísceras no interior do abdome. que saem da face caudomedial do anel. Deve-se ter cuidado durante o fechamento para evitar os vasos pudendos externos e o nervo genitofemoral.bilateral por meio de uma incisão única. Procede-se a dissecção bruscamente sob o tecido mamário. Isso também permite a extensão cranial da incisão. pode ser necessário alargar o anel hernial cranialmente para facilitar a redução da hérnia. quando for necessária. dependendo da idade e do valor da cadela como animal reprodutor. retira-se o saco sobressalente nas margens do anel inguinal. recomenda-se uma ovário-histerectomia. Prossegue-se essa incisão através do tecido subcutâneo para baixo em direção à bainha reta ventral. Rompem-se quaisquer aderências entre o saco e as vísceras e retorna-se o conteúdo à cavidade abdominal. O retorcimento do saco sobressalente pode ajudar a manter a redução do conteúdo no interior do abdome. remove-se e rebate-se lateralmente o tecido 140 mamário para expor o anel inguinal e o saco hernial. Se a hérnia contiver um útero grávido. Quando incluir um ou ambos os cornos uterinos e for realizada uma ovário- histerectomia. Em alguns casos. Se a hérnia incluir a bexiga. Após a sétima semana de prenhez. abre-se o mesmo e inspeciona-se seu conteúdo. . Após dissecar o saco hernial a partir do tecido subcutâneo. a extensão da incisão em uma direção cranial e medial pode se tomar necessária para completar o procedimento. sem a invasão do tecido mamário ou de seu suprimento sanguíneo. pode-se reposicionar a hérnia no abdome e permitir que a prenhez continue até o seu término.

os drenos devem ser recobertos com um curativo e uma atadura absorventes e podem ser removidos três a cinco dias após a cirurgia. 141 utilizando suturas absorvíveis. Puxa-se então o tecido mamário de volta à linha média fecha-se o tecido subcutâneo. Se for necessário. Inspeciona-se o anel inguinal no outro lado. Fecha-se rotineiramente a pele. Antibióticoterapia e anti-inflamátorios por sete dias. antes da alta do paciente do hospital. caso se encontre uma grande quantidade de espaço morto onde poderia se acumular fluido. Pós-operatórios Passam uma atadura no abdome caudal imediatamente após o procedimento. . A atadura ajuda a eliminar o espaço morto e aumenta o conforto do paciente. Remove-se o processo vaginal. suturando o anel fechado. Se forem utilizados. Tendo o cuidado em se eliminar o espaço morto potencial. poderá ser colocado um dreno de Penrose antes do fechamento e fazê-lo sair a partir de uma incisão em estocada ventral separada. Nos machos deve-se fechar o anel inguinal sem o comprometimento do cordão espermático à medida que ele atravessa o canal inguinal.

na presença ou ausência de uma apreensão de órgão e no grau de comprometimento pulmonar causado pelo preenchimento do espaço pleural. colocando o estresse máximo no parênquima pulmonar e daí resultando em um pneumotórax. e as lesões resultantes podem representar o grau ou a rapidez das alterações de pressão transdiafragmáticas contra a dinâmica do fluxo através das vias aéreas condutoras. Se a glote estiver fechada ou aberta pode não ser importante.10. um fator crítico é a criação de um aumento grande e abrupto de pressão com um gradiente de pressão abdominal-torácico. Os fatores mecânicos. A hérnia diafragmática e o pneumotórax ocorrem simultaneamente em muitos pacientes traumatizados.4 Hérnia diafragmática Ruptura de diafragma por um trauma. causando consequentemente a ruptura do diafragma em seu ponto mais fraco. Considerações gerais Quando a glote se abre os pulmões se esvaziam. As mesmas alterações súbitas de pressão em um animal com uma glote fechada são mais prováveis de criar um aumento uniforme na pressão através de ambas as cavidades. tais como o simples restabelecimento da continuidade diafragmática. abdominal e torácica. A intervenção cirúrgica deve se basear na extensão da disfunção cardiopulmonar inicial. A avaliação pré-operatória da função cardiopulmonar e a estabilização desses parâmetros tomam-se imperativos. possuem uma importância mínima. resultando em um grande gradiente de pressão entre as cavidades abdominal e torácica. . A alteração de pressão abrupta geralmente se deve a um impacto súbito. Acredita-se que um aumento súbito na pressão intra-abdominal (quando acompanhado por uma glote aberta) produza uma ruptura no 142 diafragmático.

Também pode ocorrer uma contusão no miocárdio.  Expansão inadequada do tecido pulmonar causada pelo preenchimento do espaço pleural com fluido. A perda da continuidade do diafragma isolado raramente é responsável pela dispneia. mais comumente em taquiarritmias ventriculares.  Atelectasia ou alterações pulmonares causadas por hemorragia ou edema. A capacidade pulmonar total. A redução da perfusão causada pela disfunção cardíaca (disritmia) pode agravar posteriormente as anormalidades subjacentes nos pulmões e o quadro global de choque. a dispneia é o resultado de um choque hipovolêmico. permitindo que se desenvolva uma hipóxia tecidual. Fisiopatologia Animais com hérnias diafragmáticas têm dificuldade respiratória por várias alterações intercorrentes. mais comumente. que geralmente acompanha uma hérnia diafragmática.  Disfunção mecânica da parede torácica que inclua fraturas simples das costelas e contusões. de contusões pulmonares e de uma disfunção cardíaca. de um traumatismo na 143 parede torácica. Diagnóstico Como os pequenos animais que sofrem traumatismo por automóvel são geralmente jovens (menos de dois anos) e machos. de um preenchimento do espaço pleural. ar ou órgãos abdominais. a capacidade vital e a capacidade residual funcional podem se encontrar reduzidas. produzindo uma descombinação entre a ventilação e a perfusão que pode resultar em hipóxia. não é surpresa que uma população semelhante esteja . Essas disritmias reduzem o rendimento cardíaco. pode resultar de:  Restrição voluntária do movimento devido à dor secundária a uma contusão. A hipoventilação. resultando em várias disritmias.

algumas dessas técnicas consomem tempo e podem ser perigosas em um paciente comprometido. no momento em que a auscultação pode revelar uma anormalidade. A remoção da efusão e a repetição das radiografias torácicas podem permitir uma melhor avaliação do tórax e uma definição da silhueta diafragmática. ruídos pulmonares e cardíacos abafados. Várias outras técnicas sugeridas incluem uma série de radiografias gastrointestinais superiores. embora as semelhanças na aparência radiográfica da contusão . A avaliação radiográfica do parênquima pulmonar pode permitir uma avaliação grosseira da função respiratória. A presença de alças intestinais preenchidas por gás na cavidade torácica permite a confirmação do diagnóstico. A silhueta diafragmática fica incompleta na maioria dos casos. O sinal clínico mais comum é a 144 dispneia. Além disso. A hérnia diafragmática pode ser difícil de identificar em razão dos sinais clínicos abertos poderem estar ausentes. Não é incomum que um animal que tenha sobrevivido ao episódio traumático original seja apresentado meses mais tarde por razões não-relacionadas. confiável e útil. Podem ocorrer resultados falso-positivos ou falso-negativos. A avaliação radiográfica do tórax é obrigatória em qualquer animal suspeito de ter um traumatismo torácico. pneumoperitoneografia e uma peritoneografia de contraste positivo.em maior risco de ocorrência de hérnias diafragmáticas. O único sinal clínico consistente é a função respiratória comprometida exacerbada pelo estresse. A hérnia pode ser identificada algum tempo depois do evento traumático. embora outras doenças (hidrotórax e hemotórax) resultem semelhantemente na perda do contorno da silhueta diafragmática. o diagnóstico ainda não é facilmente obtido com esses procedimentos. Em muitos casos. muitos sinais clínicos comumente descritos (tais como um abdome "forçado". complicando o diagnóstico diferencial. A avaliação da silhueta diafragmática por meio de uma ultrassonografia é garantida como uma técnica segura. A toracocentese e a subsequente citologia de qualquer fluido pleural ajudarão a caracterizar a efusão. e presença de sons abdominais no peito) constituem métodos não-confiáveis de diagnóstico.

Administram-se glicocorticoides e anti-histamínicos pré-operatórios nas hérnias diafragmáticas crônicas em que se suspeita de lobos pulmonares atelectásicos em uma tentativa de se evitar problemas associados com um barotrauma e edema pulmonar de reexpansão. Geralmente utilizam-se fenotiazínico antes da indução da anestesia. O controle da respiração assegura uma oxigenação adequada e durante procedimento cirúrgico. Institui-se uma respiração assistida após a indução com pressões positivas não excedam 20 cm de H20. Anestesia 145 Deve-se estabilizar o paciente antes de se considerar uma anestesia e uma cirurgia. narcóticos ou combinar narcóticos tranquilizantes e anticolinérgicos em pacientes com função cardiopulmonar comprometida. que podem ser ativados pela lesão pulmonar. Não são recomendados xilazina. . Utilizar agentes anestésicos adequados que não sejam depressores vasculares e respiratórios. Deve-se evitar a máscara. embora o seu valor terapêutico real seja controverso. A remoção do ar ou do fluido do espaço pleural e a pré-oxigenação do paciente são importantes antes da cirurgia. Aconselha-se uma indução rápida utilizando-se qualquer barbitúrico de ação ultracurta para permitir uma intubação e controle da ventilação. A sua administração se baseia na evidência experimental de seu efeito inibitório nos mediadores da permeabilidade vascular pulmonar. Utilizam-se anestésicos inalatórios para a anestesia.pulmonar e do acúmulo de fluido pleural com uma atelectasia resultante tornem essa estimativa grosseira na melhor das hipóteses.

O hidrotórax ocorre mais comumente após a apreensão do fígado e é secundário a uma obstrução e uma congestão venosas e linfáticas. Tal ressecção pode evitar uma toxêmia. no entanto. incluindo o conhecimento de que a hérnia não seja bilateral e de que não permite de modo efetivo a avaliação das vísceras abdominais. e se elas se encontram móveis ou encarceradas. Para que vísceras estranguladas retornem ao abdome. Técnica Cirúrgica No caso do acesso a cavidade torácica pode-se escolher entre um acesso abdominal por meio de uma celiotomia em linha média permite ver todo o diafragma e simultaneamente permite o exame e a avaliação de todas as vísceras abdominais. A sutura a certa distância da margem do ferimento pode . Os costomusculares no lado direito são mais comuns. ou a utilização de uma 146 toracotomia lateral que principalmente. Pode ser necessário aumentar na ruptura diafragmática para reduzir mais facilmente o conteúdo herniário. o baço e o omento. Quando se suturar o diafragmático com menos de 72h. deve-se avaliar a força de sustentação da margem do ferimento. exotoxinas bacterianas e produtos de autólise tecidual (aminas polipeptídios vasoativos) quando se restabelece o acesso à circulação. nas hérnias crônicas permite uma melhor visualização e. em ordem de frequência decrescente. A ruptura do diafragma é geralmente intramuscular ventral ao hiato esofágico. o intestino delgado. geralmente uma toracotomia lateral requer um conhecimento pré-operatório da localização da hérnia. portanto uma maior facilidade de manipulações cirúrgicas para romper as aderências. O tamanho e a localização da hérnia determinam que vísceras se encontrem presentes no tórax. o estômago. Os órgãos mais comumente encontrados na cavidade torácica são o fígado. que pode resultar de endotoxinas. devem-se resseccionar localmente as estruturas severamente comprometidas (tais como o intestino e o fígado) sem a permissão do restabelecimento da circulação da estrutura comprometida. A ruptura também pode incluir as origens costais diafragmáticas.

C. presente por mais de duas semanas. Geralmente recomendam-se materiais não-absorvíveis devido à sua força tênsil mais prolongada. as margens do ferimento possuem uma maior força devido ao aumento de colágeno e de tecido cicatricial. Não é necessário debridar as bordas do ferimento. Podem-se utilizar flapes 147 musculares.visualização das vísceras abdominais dentro da cavidade torácica. Os padrões e o material de sutura são polipropilenos monofilamentar 2-0 ou 1-O para reaproximar o defeito. Nos casos de contratura. D: herniorrafia diafragmática. Quando a ruptura for crônica. A pré-colocação de suturas pode facilitar o fechamento. enxertos de omento ou sintéticos para facilitar o fechamento do defeito.A– Toracotomia lateral.47 . seguido por um padrão contínuo simples de polipropileno monofilamentar 3-0 ou 2-0 na borda do ferimento. Fig.ser necessária para se obter uma força de sustentação adequada. A B C D Fonte: Arquivo pessoal. A restauração do diafragma se inicia nas porções mais profundas (mais dorsais) e inacessíveis do abdome e prossegue para a área mais facilmente acessível e superficial (ventral). B-demonstração da ruptura diafragmática. . embora sejam raramente necessários. pode-se avançar cranialmente o diafragma para se compensar a redução de tecido muscular diafragmático disponível.

Deve-se colocar uma sonda de toracotomia antes de se fechar o defeito inteiro. A
sonda é facilmente colocada através da parede lateral do peito antes de se fechar o diafragma.
Esse método permite a avaliação completa do ar a partir do espaço pleural e é preferível ao uso
mais comum de uma ventilação de pressão positiva que permita o escape de ar intratorácico por
meio de um espaço deixado no fechamento do ferimento diafragmático, ajudando
consequentemente a evitar um barotrauma pulmonar. Esse método também é superior à
148
aspiração com agulha repetida da cavidade do peito, que acarreta o risco de lacerar o pulmão.
Pode-se remover a sonda dentro de poucas horas após a evacuação do ar da cavidade torácica
ou deixá-la no local por um período variável de tempo, dependendo da sua utilidade no manejo
pós-operatório.

A E

Fonte: Fossum, 2002.

Fig. 48 - A: demonstração da reconstituição de pressão negativa dentro da cavidade torácica por meio de uma
sonda; B: sucção com uma seringa acoplada ao dreno.

Pós-operatório

Recomenda-se radiografia torácica pós-operatória imediata para se avaliar quanto à
efusão pleural, pneumotórax e colocação de sonda torácica (se isso for parte do manejo pós-
operatório), e esta deve se tornar uma referência quando quaisquer radiografias torácicas se
tornarem necessárias.

Assim como colocar o paciente em um ambiente rico em oxigênio (40%) e com
temperatura controlada.

Deve-se monitorar intimamente a frequência cardíaca, a coloração da membrana
mucosa, o pulso e a frequência respiratória.

Devem-se evitar drogas analgésicas com propriedades depressoras respiratórias.

Após o reparo de uma hérnia diafragmática crônica em que se encontrem presentes,
lobos pulmonares atelectásicos, devem-se manter uma sonda torácica por um período pós-
149
operatório inicial. Deve-se aplicar uma sucção de não mais que -1 O cm de H20 na sonda de
drenagem. Essa taxa permite uma reinflação lenta dos pulmões atelectásicos, evitando
problemas tais como o edema pulmonar de reexpansão. No entanto, os drenos requerem uma
supervisão constante.

Complicações

Têm-se calculado as taxas de mortalidade para os cães e gatos que sofrerem uma
herniorrafia diafragmática. Esses números indicam uma taxa de mortalidade global de
aproximadamente 20%. Observaram-se taxas de mortalidade significativamente mais altas em
animais que sofreram uma cirurgia dentro das primeiras 24h após o traumatismo devido à
incapacidade de estabilizar de forma efetiva o paciente no pré-operatório.

10.5 Hérnia perineal

Conceito

Hérnia perineal resulta do enfraquecimento e separação dos músculos e fáscias do
diafragma pélvico, promovendo deslocamento caudal de órgãos abdominais ou pélvicos para a
região do períneo.

A hérnia perineal é mais comum em cães machos intactos sendo mais raros em
cadelas e gatos. Podendo ser uni ou bilaterais.

150

Etiologia

Associada à atrofia neurogênica do músculo elevador do ânus em cães.

Nos gatos surgem como complicação secundária à uretrostomia perineal, megacólon
idiopático, doença do trato urinário inferior, colite crônica e tumores perineais. Alguns são
considerados idiopáticos por não apresentarem correlação com nenhuma outra enfermidade.

Principais causas e fatores de risco:

 Prevalência maior em animais do sexo masculino e idosos (mais de seis anos).
 Megacólon idiopático: Principalmente uma patologia felina, embora
ocasionalmente acometida em cães. São fatores de risco definido para a ocorrência de hérnia
perineal devido à obstipação crônica que se origina.
 Patologias prostáticas: prostatites, cistos prostáticos e paraprostáticos,
hipertrofia prostática benigna e tumores.
 Tumores anais tumores perineais, retopatias intercorrentes e diverticulites.
 Predisposição genética: em consequência à fraqueza dos músculos que
compõem o diafragma pélvico, em especial do músculo elevador do ânus e dos músculos
coccígeos, ocasionados por uma falha genética.
 Lesões nervosas: estudos histopatológicos evidenciaram lesões nos nervos
sacrais e/ou pudendos em cães com hérnias perineais.

 Inflamação do trato urinário inferior dos felinos: desordens do trato urinário
inferior dos felinos (bexiga, ureteres e uretra), caracterizada por um ou mais dos sinais clínicos:
polaciúria, hematúria, disúria, estrangúria e obstrução parcial ou completa da uretra.
 Obesidade: Os animais obesos são mais propensos a desencadear essa
síndrome.
 Uretrostomia perineal: Relevante no caso de felinos, pelo rompimento das
fáscias existentes entre o esfíncter anal externo e músculo coccígeo medial. 151

Anatomia da região perineal

O períneo é a parte da parede corporal que recobre a abertura caudal da pelve e
circunda os canais anais e urogenitais. O diafragma pélvico é composto pelos músculos elevador
do ânus e coccígeo, pelo ligamento sacrotuberoso (ausente nos felinos) pelo músculo glúteo
superficial, pelo músculo obturador interno e pelo músculo esfíncter anal externo. Os músculos
do diafragma pélvico formam uma abertura em funil caudalmente para passagem do reto e do
ânus.

Músculos coccígeos: Originam-se na espinha isquiática no piso pélvico e se inserem
ventralmente na segunda a quinta vértebras caudais. Os músculos coccígeos pareados são
músculos espessos, que repousam lateralmente aos músculos elevadores anais finos.

Músculo obturador interno: Origina-se a partir da tábua isquiática e bordas, cranial e
medial do forame obturador. A inserção ocorre através das fibras que convergem lateralmente e
avançam sobre a pequena incisura isquiática até um tendão achatado e robusto inserido nos
músculos gêmeos. Este tendão insere-se na fossa trocantérica do fêmur.

A irrigação vascular ocorre através da artéria femoral circunflexa medial que remete
ramos e penetram na superfície ventral do músculo que reveste o forame obturador e os ramos
da artéria glútea caudal proporcionam irrigação colateral. Ao passar sobre a grande incisura
isquiática, o nervo isquiático remete um ramo caudalmente na direção da parede do músculo que
reveste a pequena incisura isquiática.

Músculo glúteo superficial: É originado cranialmente pela fáscia glútea, a parte lateral
do sacro, a primeira vértebra caudal, e a metade cranial do ligamento sacrotuberoso (ausente
nos felinos). Sua inserção ocorre através de um tendão largo e achatado avançando sobre a
superfície lateral do trocanter maior indo inserir no terceiro trocanter. A irrigação vascular ocorre
através dos ramos da artéria glútea caudal e penetram na superfície dorso medial do músculo, o
nervo glúteo caudal, que pode originar tanto do nervo isquiático quanto do primeiro e segundo
152
nervos sacrais, penetram na superfície medial da parte dorsocaudal do músculo.

Músculo esfíncter anal externo: É um músculo voluntário estriado que circunda o canal
anal. Este esfíncter pode ser dividido em três partes. A parte cutânea situa-se diretamente sob a
pele, no tecido subcutâneo. As fibras superficiais, que direta ou indiretamente se inserem na
terceira ou quarta vértebra caudal, avançam sobre a superfície lateral do canal anal e sacos
anais e inserem-se no músculo constritor da vulva. As fibras profundas circundam o canal anal,
avançando medialmente aos sacos anais. As fibras superficiais podem cruzar ventralmente ao
ânus, ou podem intercambiar com fibras profundas. A irrigação vascular ocorre através de um
ramo da artéria glútea caudal e a única inervação é o nervo retal caudal, que deixa o nervo
pudendo ao nível da borda caudal do músculo elevador do ânus e penetra a parte caudodorsal
do esfíncter anal externo na região da fossa isquiorretal.

Músculo retococcígeo: Se origina da camada muscular longitudinal do reto, avança
caudalmente através de um arco formado pelo esfíncter anal externo até um canal anal. Este
músculo insere-se na superfície ventral da quarta ou quinta vértebra caudal, fixando firmemente
o reto ao esqueleto axial. É responsável pelo encurtamento do reto quando se levanta a cauda
durante a defecação.

Elevador do ânus: Os músculos elevadores anais pareados originam-se o piso na
pelve e na haste medial do ílio, se abrem ao redor dos lados do reto e, depois, se estreitam e se
inserem ventralmente na última vértebra caudal.

Nervo pudendo: O nervo pudendo, a artéria e veia pudendas internas avançam até a
fossa isquiorretal na superfície ventrolateral do músculo coccígeo, e em seguida evoluem
caudomedialmente através da superfície dorsal do músculo obturador interno. Ramos do nervo
pudendo inerva o esfíncter anal externo e a pele perineal antes que o nervo termine, o nervo

Tipos de Hérnia perineal As hérnias podem ser uni ou bilaterais. Tem-se descrito as hérnias perineais como dorsais. O tipo mais comum de hérnia em cães e gatos é a hérnia perineal ventral que ocorre entre o elevador do ânus e o esfíncter anal externo. Ligamento sacrotuberoso: É uma fita fibrosa que corre do processo transverso da última vértebra sacral e da primeira vértebra caudal até o ângulo lateral da tuberosidade isquiática rostralmente ao diafragma pélvico. ou ventrais que ocorre entre o elevador do ânus e o esfíncter anal externo. sendo as bilaterais mais frequentes nos felinos com uma predominância inexplicada pelo lado esquerdo. entre o músculo coccígeo e o ligamento sacrotuberoso (ausente em gatos) e também ventralmente ao músculo isquiouretral. Nervos perineais e nervo retal caudal: Seus ramos são originados do nervo pudendo. os nervos perineais originam-se da superfície dorsal do nervo pudendo e são responsáveis pelo suprimento do períneo e a pele do ânus.pudendo e os vasos sanguíneos pudendos estão reunidos por tecido conjuntivo. Os gatos não apresentam o ligamento sacrotuberoso. descreveram-se dois tipos adicionais de hérnias. Recentemente. o nervo retal caudal pode originar-se de nervos sacrais. e geralmente estão relacionados a parte ventral do saco herniário perineal. Partes da hérnia Perineal . uma hérnia ciática. ou deixar o nervo pudendo na borda caudal do músculo levantador do ânus e é responsável pela 153 inervação do esfíncter anal externo. entre o músculo elevador do ânus e coccígeo. porém está presente nos cães.

As hérnias podem conter saculação retal, fluido seroso, gordura retroperitoneal ou
pélvica, vesícula urinária, próstata ou intestino delgado.

Quando o conteúdo herniário são vísceras e estas são comprimidas, há uma rápida
deterioração do quadro, podendo ocorrer choque e morte se a hérnia não for corrigida
rapidamente.

154

Sinais clínicos

Anorexia, vômito, constipação (defecação difícil ou com intervalos prolongados),
obstipação (constipação intratável), tenesmo (esforço para defecar ou urinar, sem que ocorra
eliminação de fezes ou urina), e disquezia (defecação dolorosa), prolapso retal, aumento do
volume da região perineal em casos que o conteúdo é a vesícula urinária, observa-se anúria,
disúria e estrangúria em associação com afecção prostática ou com retroflexão da bexiga e
próstata. Comumente tem-se a tumefação, que se situa em posição ventrolateral ao ânus
embora em alguns casos bilaterais fique evidenciada a tumefação ventral, com projeção caudal
ao ânus.

A incontinência fecal, flatulência e incontinência urinária são sintomas clínicos que
ocorrem subsequente à formação de hérnia perineal ou herniorrafia.

Diagnóstico:

 Histórico clínico;
 Sinais clínicos;
 Exames radiográficos;
 Ultrassonografias.

No histórico clínico o proprietário normalmente relata que o animal apresenta
dificuldade de urinar e defecar e um aumento significativo na região perineal.

A palpação retal é um dos exames mais importantes visto possibilitar a determinação
das estruturas que formam o aumento do volume, deve revelar desvio retal ausência da
musculatura de suporte e/ou divertículo retal. O clínico deve procurar pela retroflexão da bexiga
no processo herniário. Se houver dúvida, a área perineal deve ser aspirada para verificar se a
bexiga está presente. Quando se observa retroflexão vesícula urinária, um uretrograma ou
cistograma deve ser realizado.
155
Avaliar a textura e tamanho da próstata se estiver envolvida.

A alteração radiográfica demonstrada no exame simples é o aumento anormal de
tecidos moles na região perineal. A não-visualização da próstata e da bexiga pode indicar o
deslocamento destes órgãos. Além disso, material fecal ou ingesta pode ser visualizado em
alças intestinais deslocadas.

No exame ultrassonográfico ocorre à visualização de uma imagem de área circular de
conteúdo hipoecoíco, localizada na região perineal, sugestivo de herniação perineal. Os rins
apresentam o tamanho normal, arquitetura preservada, relação cortiço-medular inalterada e
ecotextura dentro dos padrões ultrassonográficos normais.

Diagnóstico Diferencial

O diagnóstico diferencial quanto à tumefação perineal inclui abscesso perineal,
neoplasias perineais, hiperplasia de glândula perineal, saculite anal, neoplasias de saco anal,
atresia anal e tumores vaginais.

Terapia conservadora

A terapia conservadora consiste no tratamento clínico e nutricional. São meios
adjuvantes aos procedimentos cirúrgicos, são terapias utilizadas quando o esforço para

defecação é infrequente. No entanto, é contraindicado o uso desse tratamento em longo prazo,
pois podem ocorrer aprisionamento e estrangulamento das vísceras e risco de vida.

Os regimes dietéticos e medicamentosos devem ser ajustados para que sejam obtidas
fezes moles e defecação regular, uma dieta deve ser oferecida rica em fibra com laxantes
formadores de volume. Estes medicamentos são a metilcelulose que mediante suas
propriedades hidrofílicas e osmóticas, estes agentes retêm água e eletrólitos no lúmem intestinal, 156
amolecem e aumentam o volume fecal.

Remoção digital das fezes é feita em casos intensamente compactados.

Realizações de enemas com água morna aos quais pode ser adicionado emoliente
fecal. Devem ser administradas a todos os animais constipados, aproximadamente 12 a 18 horas
antes da cirurgia. Este intervalo se faz necessário para que permita a total evacuação de líquidos
no intestino grosso, e para que seja evitada contaminação do local cirúrgico.

Se ocorrer retroflexão da bexiga deve-se tentar a cateterização imediatamente, caso
isso não seja bem-sucedido, torna-se necessário a cistocentese. Nesses casos são emergências
clínicas e devem ser corrigidos imediatamente com a cirurgia.

Tratamento cirúrgico:

No dia do procedimento cirúrgico o animal deverá estar em jejum prévio de 12 horas,
tricotomia local incluindo virilha, porção caudal dos membros posteriores e a base da cauda.

O paciente é posicionado em decúbito ventral com a região posterior elevada e com a
cauda tracionada no sentido cranial, e é mantida nesta posição com uma fita adesiva que deve
ser fixada a vários centímetros acima da base da cauda e em cada lado da mesa. Deve-se
observar para que o animal não fique em posição muito inclinada a fim de evitar o
comprometimento da função respiratória.

Antes da antissepsia, uma sutura em bolsa de fumo é realizada ao redor do ânus.

Quando o conteúdo é a vesícula urinária, deve-se drenar a urina por cistocentese
antes de iniciar a cirurgia, para facilitar a entrada da bexiga na cavidade abdominal. Entre os
tratamentos mais frequentemente utilizados na reconstrução do diafragma pélvico estão o
método tradicional de sutura; a transposição do músculo obturador interno, com ou sem secção
do tendão muscular; a transposição do músculo glúteo superficial; e a transposição do músculo
obturador interno aliado à transposição do músculo glúteo superficial.
157

Método tradicional de suturas

Realiza-se a incisão de pele sobre o aumento de volume perineal iniciando lateral à
base da cauda até o ângulo medial da tuberosidade isquiática. Após a abertura do saco
herniário, os conteúdos pélvicos e abdominais são identificados e recolocados na posição
original ou removidos, se necessário. O método tradicional inclui basicamente suturas entre os
músculos, esfíncter externo do ânus e coccígeo, e entre os músculos esfíncter externo do ânus e
abturador interno. Também podem ser incluídos os músculos coccígeo e elevador do ânus, mas
este último muitas vezes se encontra atrofiado e não pode ser utilizado para ancorar pontos de
sutura. Após o fechamento do defeito, a fáscia perineal superficial pode ser usada para reforçar
a sutura.

Utiliza-se com frequência material de sutura não absorvível monofilamento (náilon 2-0 -
0).

Transposição do músculo obturador interno

A técnica de transposição do músculo obturador interno tem por objetivo o reforço na
porção ventral da hérnia. O procedimento também permite uma sutura sem tensão e promove
mínima distorção do músculo esfíncter externo do ânus. Após acessar a hérnia de forma similar
à técnica anterior, a porção caudal do músculo é elevada subperiostealmente do assoalho
isquiático e o seu tendão pode ou não ser seccionado.

Quando o tendão não é seccionado, o músculo é apenas deslocado dorsalmente para
fechar o defeito e estabilizado por suturas com o músculo esfíncter externo do ânus medialmente
e ligamento sacrotuberoso (inexistente em gatos) e músculo coccígeo.

Transposição do músculo obturador interno com a secção do tendão
158

Se realizada a secção do tendão. Deve-se tomar cuidado para não lesar o nervo
pudendo que se localiza dorsalmente a ele. O músculo coccígeo é suturado ao músculo esfíncter
externo do ânus em pontos isolados simples. Em seguida, aplica-se um ponto U separado
incluindo o músculo obturador interno, coccígeo e esfíncter externo do ânus. O procedimento é
finalizado aproximando-se o músculo obturador interno e esfíncter externo do ânus com pontos
simples isolados.

Transposição do músculo glúteo superficial

A transposição do músculo glúteo superficial pode ser utilizada nos casos em que o
tratamento tradicional falhou.

O animal deve ser posicionado em decúbito lateral.

O procedimento consiste em dissecar a borda cranial do músculo e seccionar sua
inserção no terceiro trocanter do fêmur.

O retalho muscular é refletido em ângulo de 90º e suturado ao músculo esfíncter
externo do ânus caudalmente e ao tecido subjacente dorsal e ventral. Para obtenção de um
diafragma mais resistente, recomendou a associação desta técnica com a transposição do
músculo obturador interno.

A transposição do músculo glúteo superficial promove o suporte seguro e duradouro
para o diafragma pélvico.

porque ele não existe. com a exceção de que no caso da herniorrafia clássica não se pode incorporar o ligamento sacrotuberal nas suturas. O tratamento cirúrgico é semelhante ao descrito para o cão. Transposição do músculo semitendinoso 159 Particularmente utilizada quando a face ventral do períneo está severamente afetada (hérnias crônicas. com maior incidência do lado esquerdo e secundário a uretrostomias ou a tenesmo devido à colite. recidivantes). onde é curvada e progride distalmente no aspecto caudal do membro pélvico contralateral até a altura do linfonodo poplíteo. Quando a hérnia for unilateral utiliza-se o músculo semitendinoso contralateral na reconstrução. Apesar de não induzir uma ferida cirúrgica muito extensa. o que possibilita uma maior susceptibilidade à infecção. assim como as hérnias perineais bilaterais. É sempre necessária a correção da etiologia. O músculo semitendinoso é dissecado das estruturas adjacentes e seu pedículo proximal. Tratamento cirúrgico da hérnia perineal no gato As hérnias perineais são umas patologias extremamente raras no gato. é identificado e preservado. o procedimento requer maior tempo cirúrgico. massas perineais ou megacólon. São geralmente bilaterais. vascular (artéria glútea caudal e veia glútea caudal) e nervoso. . A incisão de pele utilizada na herniorrafia tradicional é prolongada através da linha mediana em direção a tuberosidade isquiática.

Estes materiais são bem tolerados em feridas. 49 . Existem relatos de utilização de colágeno de suíno para encerramento da hérnia perineal. Fig.5 a 3 cm para além das margens do defeito e é ancorada a estruturas resistentes com pontos isolados de fio monofilamento não-absorvível. De um modo geral. os autores referem taxas de recorrência inferiores às da espécie canina. Utilização de redes prostéticas 160 Quando o anel herniário tem uma dimensão que torna impossível a aproximação dos tecidos sem criar uma tensão excessiva. O tecido de granulação e a rede de capilares invadem a rede. . Acesso 07/01/08. pode utilizar-se um implante prostético. visualização do conteúdo incluindo bexiga urinária. A rede deve estender-se 1. Os materiais mais utilizados são as redes monofilamentosas de polipropileno ou polietileno.A: visualização de uma hérnia perineal (tumefação perineal unilateral). B:incisão sobre o defeito. D: sutura com pontos simples separados. As desvantagens incluem a possibilidade de rejeição do material e irritação dos tecidos subjacentes. A B C D Fonte: Meca cirurgia on-line. são extensíveis e não são reabsorvidos. formando uma camada de tecido conjuntivo em quatro a seis semanas.

Nos pacientes urêmicos deve-se manter a fluidoterapia. pois diminuem as possibilidades de recorrência. devemos suspeitar de incorporação do nervo ciático numa das suturas e proceder a uma intervenção cirúrgica para remover essa sutura por intermédio de um acesso lateral ao quadril. Cuidados pós-operatórios e complicações Devem ser administrados analgésicos para diminuir as hipóteses de ocorrência de prolapso retal. A infecção e a consequente deiscência da sutura podem ser prevenidas pela administração de antibiótico. tenesmo. depressão. prolapso retal. No caso de existir dor marcada e claudicação do membro posterior. e esta incontinência resolve-se após a reinervação da zona pelo nervo contralateral. estrangúria. hematoquezia. 161 No local da sutura podem aplicar-se compressas quentes. Os emolientes fecais devem ser administrados em média durante dois meses. para diminuir o edema e a irritação na região perianal. Outras complicações possíveis são: hemorragia. disquezia. dano uretral. anorexia. flatulência. disúria. Poderá também ocorrer incontinência fecal devido à dor. inflamação local ou à incorporação do nervo pudendo ou nervo caudal retal numa das suturas. . necrose da bexiga e incontinência urinária. atonia da bexiga. Deve manter-se a administração de um antibiótico de largo espectro e eficaz contra Escherichia coli.

1 Ostectomia ou ablação da cabeça e colo femoral 162 A disfunção da articulação coxofemoral pode resultar de trauma. A interposição de tecido mole entre o acetábulo e a superfície de corte do fêmur pode melhorar os resultados após uma OCF nos cães maiores. Como o procedimento não reconstrói a articulação coxofemoral. displasia coxofemoral ou de uma artropatia degenerativa. . Fatores Gerais Os resultados da OCF são variáveis e dependem de vários fatores:  Tamanho do corpo . Deve-se considerar a OCF uma cirurgia de resgate para aliviar a dor e restaurar uma função razoável. Nos cães maiores (com peso acima de 20 kg) não são tão previsíveis. não se recupera uma função articular normal. necrose isquêmica da cabeça femoral. A ostectomia da cabeça e do colo femoral é um procedimento relativamente simples que tem sido utilizado para eliminar a dor e restaurar a função nos animais afetados. O desenvolvimento de outros procedimentos reconstrutivos femorais e pélvicos e a refinação das técnicas para a substituição total do quadril nos cães expandiram as opções cirúrgicas e modificaram significativamente as indicações da ostectomia da cabeça e do colo femoral (OCF).11 PATOLOGIAS ORTOPÉDICAS 11.Os cães pequenos e os gatos geralmente se dão muito bem após uma OCF.

 Temperamento .  Displasia coxofemoral.  Fraturas que envolvam o acetábulo ou a cabeça e o colo femoral.  Artropatia degenerativa.  Obesidade .Um animal saudável que tenha sido agudamente lesionado terá uma recuperação mais precoce e um resultado frequentemente mais definitivo após uma OCF. com envolvimento de articulações múltiplas ou com atrofia e fibrose muscular ao redor do quadril tem um resultado menos satisfatório. Podem ser necessários 6 a 12 meses para que o animal atinja um resultado ideal após uma OCF. A obesidade também potencializa os problemas no pós-operatório (ferimentos de decúbito e queimaduras por urina). Indicações:  Necrose isquêmica da cabeça femoral. As pequenas irregularidades ósseas não são importantes.  Luxações recorrentes.  Distúrbios ortopédicos coexistentes e cronicidade da patologia primária . mas devem-se evitar as projeções maiores que resultam em crepitação. Técnica Cirúrgica . pois são menos aptos ao exercício. e o cliente deve estar ciente do tempo de recuperação prolongado.Uma dissecção minimamente traumática e uma osteotomia uniforme facilitarão uma sustentação do peso e uma reabilitação precoce.Os animais acima do peso apresentam um período muito mais difícil com a reabilitação após uma OCF.Embora a OCF obtenha o alívio da dor não se pode esperar um retorno completo da função normal.Os cães agressivos e ativos usarão o membro operado mais cedo e geralmente apresentam um melhor resultado do que os animais letárgicos e menos ativos. Em paciente.  Expectativa funcional . 163  Técnica cirúrgica .

Nesse ponto. estendendo-se a partir de imediatamente próximo à linha média dorsal e prosseguindo ao longo da borda cranial do eixo femoral proximal. eleva-se o tendão do músculo glúteo profundo a partir de seus ligamentos na cápsula articular. pode-se fazer uma abordagem craniolateral modificada incluindo a elevação das origens da musculatura do vasto para se obter uma maior exposição do colofemoral. Os afastadores autorretentores (Gelpi ou Weitlaner) são muito úteis na manutenção desse afastamento. uma rugina afiada . com uma aparência brilhante). Com o animal anestesiado preferencialmente sob anestesia inalatória e após tricotomizado o membro desde um ponto acima do jarrete até a linha média dorsal e ventral. Prossegue-se a incisão através do tecido subcutâneo. Deve-se limpar a subcutânea a partir da fáscia lata para expor suficientemente o músculo tensor da fáscia lata em forma de leque e a borda cranial do músculo glúteo superficial. preparando-se rotineiramente o mesmo para uma cirurgia asséptica. Para abordagem e exposição da Articulação Coxofemoral. Estende o corte distalmente para que se possam rebater facilmente o músculo tensor da fáscia lata e bíceps femoral. 164 Coloca-se o paciente em decúbito lateral com o mesmo suspenso. O membro é envolvido em panos de campo e usa-se uma compressa estéril para a manipulação do membro durante a cirurgia. O rebatimento cranial do tensor da fáscia lata e o rebatimento caudal do bíceps femoral exporão o trocanter maior. Retira-se o tecido conjuntivo frouxo ao redor do trocanter e rebate-se dorsal e caudalmente o músculo glúteo médio para facilitar a identificação do tendão glúteo profundo (que é um tendão largo e chato. Faz-se uma incisão na fáscia lata ao longo da borda cranial do músculo bíceps femoral e prossegue-se proximal e cranialmente ao longo da borda do músculo glúteo superficial. Deve-se ter cuidado em não se danificar o nervo ciático quando se rebater o bíceps femoral. Inicia-se uma incisão ligeiramente curva cranial e dorsalmente de forma leve ao trocanter maior.

prende-se a cabeça femoral com uma pinça óssea uma pinça de campo. Isso restaura as relações anatômicas normais e estabiliza a cabeça femoral no acetábulo durante a ostectomia. se segura o cabo cranialmente. Excisão da Cabeça e do Colofemorais Se o quadril estiver luxado. Um erro comum consiste em se direcionar o osteótomo diretamente medial (ou seja. corta-se aproximadamente um terço do tendão. Um osteótomo de largura suficiente permite um rompimento limpo do colo sem a repetição do corte. Ele serve como inserção do músculo íliopsoas. Se não se puder reduzir a luxação. Corta-se a cápsula articular em linha com o colo femoral e procede-se a incisão 165 lateralmente através das origens da musculatura do vasto. deve-se colocar um afastador manual abaixo da cabeça e do colo femorais para proporcionar uma estabilização e proteger os tecidos moles circundantes. dependendo da posição do fêmur durante a ostectomia. Elevam-se a cápsula e os músculos vastos a partir do colo com uma rugina afiada. um importante flexor e rotador externo do quadril. Uma tenotomia parcial do tendão glúteo profundo frequentemente ajuda a aumentar a exposição. Com a incisão desses músculos. a separação pode não ser clara e pode-se entrar na articulação inadvertidamente durante essa manobra. encontra-se um sangramento moderado. torna-se útil obter uma redução antes ou durante o procedimento. um bisturi será útil para limpar esses tecidos densos. No caso dos cães com fibrose periarticular extensa.pode facilitar essa separação. perpendicularmente a mesa). deixando-se porções adequadas em cada lado para um fechamento seguro. Coloca-se o osteótomo na superfície lateral do colo femoral. e direciona-se o corte caudal e medialmente. Palpar o trocanter menor medialmente para preservá-Io. Remove-se então a porção da cabeça e do colo. . Isso geralmente resulta na excisão incompleta de uma porção do colo femoral caudal. Após se cortar o colo. uma pressão aplicada com um tampão de gaze é geralmente adequada para se obter uma hemostasia. No caso dos animais com fibrose extensa. rompe-se o ligamento da cabeça femoral (se estiver intacto) com uma tesoura curva e forte e cortam-se quaisquer ligamentos capsulares remanescentes.

Se a hemorragia proveniente da superfície medular for persistente. também de polidioxanona. utiliza-se uma cera óssea para se obter uma hemostasia. Fecha-se a camada subcutânea com poliglactina 910 em um padrão contínuo. Removem-se quaisquer projeções ou irregularidades ósseas que permanecerem na superfície de corte do fêmur com um desgastador ou um raspador ósseo. repara-se o mesmo com uma ou duas suturas 166 com polidioxanona. Lava-se completamente o ferimento com solução salina. Procedimentos Interposicionais Auxiliares Têm-se utilizado vários tecidos (incluindo a cápsula articular. gordura. Suturam-se os músculos vastos no tendão de inserção do músculo glúteo profundo com suturas horizontais. Suturam-se a fáscia lata e os músculos tensores da fáscia lata ao bíceps femoral em uma camada com uma camada interrompida de sutura de polidioxanona. fáscias e os músculos bíceps femoral e glúteo profundo) para evitar o contato ósseo entre o acetábulo e a superfície de corte do colofemoral. e fecha- se a pele com suturas interrompidas de náilon monofilamentar 3-0. Caso se corte o tendão glúteo profundo. controlando qualquer hemorragia remanescente. .

D: exposição de cabeça e colofemoral e posicionamento do osteótomo para ablação de cabeça e colofemoral. em menor extensão. 11. Anatomia Funcional . A B C D 167 Fonte: cortesia Prof.50. A: incisão em pele e visualização de tecido subcutâneo. B visualização do glúteo superficial. C: incisão na cápsula articular.2 Luxação patelar As lesões e disfunções da patela são causas frequentes de claudicação do membro posterior nos pequenos animais. André Lacerda Abreu Oliveira Fig. a luxação patelar lateral constituam a maioria das lesões associadas à patela. Embora a luxação patelar mediaI e.

todos os quatro convergem 168 para formar o tendão do quadríceps. a patela corre no sulco troclear. Durante esse movimento. O grupo extensor primário de músculos da soldra é o quadríceps femoral. A disfunção desse mecanismo resulta numa instabilidade articular anormal. os ligamentos colaterais e os meniscos). O alinhamento normal do mecanismo extensor é necessário para a estabilidade da articulação da soldra. Pode-se descrever a patela como a porção ossificada do tendão do quadríceps.o vasto lateral. a força resultante puxa a patela. enquanto que o reto femoral se origina do ílio. Embora a própria patela seja uma estrutura passiva no corpo. causando a extensão da soldra. o ligamento patelar e a tuberosidade tibial. Esse tendão se prende primariamente à porção proximal da pateIa. O sulco troclear é côncavo e permite uma articulação íntima entre o fêmur e a patela. o vasto medial e o vasto intermédio se originam do fêmur proximal. uma porção fina atravessa a superfície craniaI da patela para se misturar com o ligamento patelar. As fibrocartilagens para-patelares encontram-se em ambos os lados da pateIa e se prendem à cápsula articular. no entanto. Tal instabilidade não só causa uma artropatia degenerativa. Três dos quatro músculos desse grupo . O ligamento patelar é uma faixa forte de tecido conjuntivo fibroso que corre da patela até a tuberosidade tibial. Um corte transversal da pateIa revela uma superfície articular convexa. Quando o grupo de músculos do quadríceps se contrai. mas também coloca um estresse aumentado nas outras estruturas de suporte (tais como o ligamento cruzado cranial. ela exerce um papel importante em um sistema dinâmico denominado como o mecanismo extensor da soldra. Essas estruturas se articulam com as cristas trocleares e aumentam a área de superfície. Luxações Patelares Mediais Etiologia . e consequentemente dispersam a força dos músculos do quadríceps.

Sinais clínicos 169 O quadro clínico é frequentemente o de um animal obeso com uma deformidade para fora dos membros posteriores. Os sinais clínicos variam com a severidade da lesão: Luxações de Grau I – a articulação da soldra fica quase normal e a patela se luxa somente quando estende a articulação. o proprietário descreve um tipo de andadura em "saltos" ou em "pulos" no qual o animal salta um ou mais passos no membro envolvido. . Essa andadura (que é geralmente transitória) é causada pelo corrimento da pateIa para cima e por cima da crista troclear mediaI e pela "apreensão" da mesma na face mediaI da articulação. como um tratamento preventivo para afecção. Deve-se pesar cuidadosamente as indicações para o tratamento cirúrgico. raramente causa uma claudicação aguda. podendo então fazer a indicação cirúrgica. a menos que seja traumática. A forma congênita é mais comum e é geralmente observada em cães de raças pequenas e pode causar anormalidades mínimas a severas na movimentação do animal (claudicação). aplicando uma pressão digital. com os dedos apontados para dentro. Porém esses animais assintomáticos podem ser propensos a futuras anormalidades de ligamentos ou ósseas. Esse distúrbio pode ser ou congênito ou traumático. Os animais com luxação patelar medial de grau I frequentemente não têm sinais clínicos quando apresentados. Deve-se investigar se há uma lesão do ligamento cruzado. devido à incapacidade de estender completamente as soldras. Luxações patelares mediais com claudicação aguda podem estar associadas a outras causas. A luxação patelar medial. Frequentemente. O animal frequentemente se agacha.

e rebate-se medialmente a patela para permitir a visualização do sulco troclear. Abre-se então a cápsula articular. Antes da abertura da cápsula articular. não será necessário nenhum procedimento reconstrutivo. essas estruturas geralmente estão bem alinhadas. Isso pode ser obtido sobrepondo-se a cápsula articular lateral com um padrão de sutura de Lambert interrompido. o reparo é suficiente. Examina-se depois a patela colocando-se o estresse de deformação para fora na soldra e rotacionando-se internamente a tíbia. Se a patela não luxar por intermédio de vários movimentos com o membro nessa posição e com uma pressão digital aplicada na patela. Nos animais menores (15 kg ou menos). Direciona-se então a sutura distalmente. Examina-se o sulco quanto à profundidade e a quaisquer alterações degenerativas. Essa técnica funciona especialmente bem nos cães grandes. deve-se examinar o alinhamento da tuberosidade tibial e da patela. amarra-se então a estrutura na face lateral da articulação e isto serve para restringir o deslocamento medial da patela. Na maioria dos casos o único reparo exigido é a criação de uma contenção lateral para impedir o deslocamento medial da patela. Luxações de Grau II . Abordagem e avaliação cirúrgica Faz-se uma incisão parapatelar lateral. Se o sulco estiver normal em aparência. No caso da luxação patelar medial de grau I. e visualiza-se o mecanismo extensor. Outra técnica que funciona bem é o uso de uma sutura única de náilon 1-O ou 2-0 passada ao redor da fabela lateral e através do tendão de quadríceps imediatamente proximal à patela. Essa estrutura deve se encontrar em uma linha reta paralela ao eixo longitudinal do 170 membro quando vistas a partir de uma direção craniocaudal.

remove-se uma cunha osteocondral a partir do sulco troclear. O sulco deve ser suficientemente largo para permitir um assentamento apropriado da patela. A patela geralmente repousa em sua posição normal no caso de uma luxação de grau II. acredita-se que seja suficientemente semelhante para ser clinicamente efetiva. mas se luxa com a flexão da articulação e permanece luxada até ser reposicionada por meio de uma compressão manual ou da extensão da articulação. Direcionam-se então os cortes para se cruzarem em um ponto imediatamente proximal à origem femoral do ligamento cruzado caudal. Técnica de retrocesso de cunha troclear Nessa técnica. entre as incisões com um desgastador ósseo. medial e lateral do novo sulco troclear. o mesmo deverá ser corrigido. medial adequada. Remove-se a cartilagem. Embora essa superfície não possua as mesmas propriedades físicas da cartilagem articular. Essas incisões delineiam estes limites. Remove-se então a cunha osteocondral . Realiza-se uma trocleopIastia fazendo-se inicialmente duas incisões paraleIas no interior da cartilagem troclear com uma lâmina de bisturi. Deve-se ter cuidado em não se estender a cunha osteocondral no interior da chanfradura intercondilar. Esse tipo de trocleoplastia formará um tecido fibrocartilaginoso sobre a superfície de articulação do sulco troclear aprofundado. 171 Trocleoplastia No caso do sulco troclear estar raso. enquanto se mantém uma crista troclear lateral e. Os animais geralmente apresentam alguma forma de distúrbio de andadura. Iniciam- se os cortes no ponto mais alto das cristas troclear medial e lateral. Eles também são mais prováveis de desenvolver alterações degenerativas devido ao maior grau de má-articulação. especialmente.

172 A B C D E F Fonte: www. 11.A. D: Perfuração da crista tibial para estabelecer sutura antirrotacional.para revelar um leito troclear em forma de "V". demonstração de como se deve esculpir o sulco intertroclear para aprofundá-lo. F: Patela suturada com pontos simples separados. Fig.3 Osteocondrite dissecante .com.51 . Caso necessário pode-se aprofundar o sulco em cunha. C: curetagem do leito osteotomizado.Acesso dia 04/12/2007.google. B: realização da osteotomia em cunha. E: visualização da colocação das suturas antirrotacionais.

nutrição e fatores genéticos estão associados OCD. pois fica solto na articulação. Podem ocorrer em várias articulações. ombro. joelho. Sinais Clínicos e diagnósticos: Raro em cães pequenos e gatos. Ocorre um comprometimento da nutrição da cartilagem. outras vezes pequenos flapes se tornam calcificados e podem se alojar nas extremidades e poderão ser absorvidos lentamente. cotovelo e tarso. necrose de condrócitos e fissuras na cartilagem. Fisiopatologia 173 Há um espessamento da cartilagem subcondral nos cães de raças grandes e pesadas. Definição A osteocondrite dissecante (OCD) é um distúrbio da ossificação endocondral que acarreta na retenção de tecido cartilaginoso. formando um flape que fica em muitos casos livre na articulação degenerando-a e causando dor Etiologia Etiologia exata é desconhecida. . Geralmente em cães jovens com acometimento uni ou bilateral O flape causa dor intensa. quando esses têm mais ou menos seis meses de idade. porém sabe-se que manejo. Machos mais acometidos que as fêmeas.

. B: dissecção do subcutâneo para visualização do músculo a ser seccionado. Aula de Patologia cirúrgica. D: afastamento da musculatura e visualização da cápsula articular. Avaliação Radiográfica. F: Flape sendo removido de dentro da articulação. Claudicação Palpação – exame físico. Fig 52 . Cortesia dos Professores: Hélia Zamprogne e André Lacerda. E: cápsula articular aberta para remoção do flape intra-articular. 2005.RJ. Tratamento Cirúrgico 174 A B C D E F Fonte: Prof. C: local da secção muscular.A: Incisão em pele. Idade: 4 – 8 meses. FAA.

O repouso durante um mês. Complicações e cuidados pós-operatórios Pode haver formação de seroma como complicação pós-operatória. aproximadamente. 175 Retorno deverá ser de forma gradual às atividades normais. . Prognóstico é excelente. com caminhadas com guia e controlada.

ferimentos de mordidas caninas. . hemorragia e/ou glaucoma. ferimento direto ao olho e/ou pálpebras. Um ferimento de garra de gato frequentemente é bem sério. como spray de pimenta ou queimaduras de sabões ou tinta na córnea. lacerações da córnea. e se a lente for rompida pela garra a sua ruptura pode levar a remoção cirúrgica do olho. Se a unha do gato lacerou apenas a córnea. e coloca uma grande quantidade de bactérias na ferida. como lacerações da pálpebra. proptose (em que o olho é forçado para fora do lugar). Se o olho é “espremido” pela mordida.1 Trauma Ocular em Cães e Gatos 176 Ferimentos oculares infelizmente são ocorrências comuns em animais. Outro ferimento ocular frequente é de mordidas caninas. a sutura fechada da ferida feita por um oftalmologista pode ter sucesso em salvar o olho. Muitos tipos de ferimentos ocorrem. Infecção secundária pode se desenvolver. Mesmo se a lente é removida. Outros ferimentos podem ser induzidos quimicamente. para não mencionar catarata e/ou ruptura da lente. espinhos e outros ferimentos por corpos estranhos. as unhas de gatos são sujas. tiros e ferimento grave quando do prolapso do olho por ser chutado ou atropelado por um automóvel. ferimentos de unhas de gato.12 EMERGÊNCIAS OFTÁLMICAS 12. mas na verdade está gravemente ferido internamente podendo haver desligamento retinal. pode parecer relativamente bem. a menos que a lente ferida seja removida assim que possível pelo oftalmologista veterinário. imediatamente após os ferimentos. o olho ainda está sob alto risco de não-retorno da visão. Frequentemente o olho sofre proptose ou pelo menos fica muito machucado e contundido.

Pense no olho como uma bola macia. Fonte: arquivo pessoal Prolapso de globo ocular Definição A proptose traumática resulta do deslocamento súbito do globo ocular para fora de sua órbita. 177 Figura 52 – animal com trauma ocular e posterior miiase. pode salvar o olho ou diminuir muito o período de reabilitação. e se feridos desta maneira. se a bola recebe um soco forte. foi retirado todo o globo e também pálpebra. ela se entortaria profunda e rapidamente. Um globo ocular prolapsado torna-se uma emergência. Predisposição . a correção de um prolapso em até 30 minutos. e então retornaria rapidamente à sua forma normal. uma vez que. danos irreparáveis podem ocorrer. Olhos são muito sensíveis.

Tamanho pupilar: A. O tratamento de emergência para proptose envolve o reposicionamento do globo ocular na órbita e a tarsorrafia (sutura das pálpebras) temporária. porque geralmente resulta em intensa danificação do corpo ciliar. 2. Bull Dog e Pug são predispostas para a ocorrência da proptose ocular traumática. Miose – é a diminuição do tamanho da pupila. glaucoma crônico e do descolamento da retina. B. O prognóstico é desfavorável. Midríase – ocorre quando a inervação simpática não é lesada. A enucleação (remoção cirúrgica do olho) do globo ocular deve ser considerada se o grau de lesão do olho for acentuado. 178 Avaliação da gravidade da lesão 1. anormalidades congênitas. assim como em casos de luxação anterior do cristalino. neoplasias. Hifema – é a presença de sangue na câmara anterior do olho. principalmente pelas características da proeminência dos olhos e das órbitas pouco profundas. . hipertensão sistêmica. Tamanho normal – ocorre normalmente quando ambos. sinal favorável. Um hifema acentuado é uma condição desfavorável. uveítes. C. 3. Danificação dos músculos extrínsecos – a ruptura de um ou dois músculos extrínsecos não impede a recolocação do globo ocular. foram lesionados e o nervo ótico está provavelmente lesado permanentemente. simpático e parassimpático. O prognóstico é reservado à desfavorável. O hifema decorre geralmente de traumas. Somente a ruptura da maioria dos músculos não deixa escolha a não ser a enucleação (remoção cirúrgica do globo ocular). coagulopatias. porém pode existir lesão do nervo óculo-motor e gânglio ciliar. Raças braquicefálicas como o Pequinês.

deve-se sempre tentar recolocar o globo ocular na órbita. é um sinal favorável. a não ser naqueles casos de ruptura da túnica fibrosa ou da perda de todo o tecido de sustentação. Os pontos devem ser removidos com uma a três semanas. a perda da visão poderá ser permanente. Após a recolocação do globo ocular. A ausência do reflexo pupilar não indica uma lesão permanente do nervo óptico. As pálpebras devem ser tracionadas pelos fios dos pontos. do que removendo um globo ocular que poderia ter ficado. Comete-se um erro de menor gravidade recolocando-se um globo ocular que mais tarde deverá ser removido. Recolocação do globo ocular: 179 Com a utilização do bom senso. completamos os pontos com os nós. ainda sem os nós é feito um movimento oposto de introdução do globo ocular com o cabo de bisturi ou com o dedo. envolvendo as pálpebras e lubrificar o olho com pomada oftálmica. Técnica A anestesia deve ser geral e necessita-se colocar três a quatro pontos isolados simples com fio não-absorvível. Reflexo pupilar – o reflexo pupilar direto não é de muita valia em prolapso de olho. quando presente. pois indica que não houve lesão do nervo óptico. 4. porém o reflexo pupilar consensual ou indireto. . se este reflexo não retornar em um período aproximado de sete dias. promovendo uma tarsorrafia.

Indicações: . que teve como tratamento somente reposicionamento do mesmo e pálpebras suturadas por sete dias. Fonte: Arquivo pessoal 12. incluindo o seu revestimento fibroso interno. 180 Figura 53: Demonstração de cão com prolapso do globo ocular.2 Enucleação do globo ocular Definição Envolve a remoção cirúrgica do globo ocular como um todo.

Essas incisões são estendidas medial e lateralmente. . C. Desconforto ocular que não seja solucionado por outra terapia clínica ou cirúrgica. E. 181 D.20 ou 0.0 para pequenos animais e nº 1 para os grandes animais). deste modo circundando a fissura palpebral fechada. ceratoconjuntivites e entrópio. As bordas das pálpebras são suturadas com pontos isolados simples wolff ou Donatti (nylon 0. Uma pinça hemostática curva é colocada sobre o feixe do nervo óptico e o globo é liberado e removido com tesoura. Técnica cirúrgica As margens das pálpebras são aproximadas por meio de uma sutura isolada ou contínua. Traumas graves. É feita uma ligadura mais profundamente à pinça hemostática (categute 3. o globo fica ligado apenas pelo nervo óptico. Processos infecciosos crônicos: ceratoconjuntivites crônicas que não respondem mais aos tratamentos clínicos. podendo ou não deixar dreno no canto medial do olho. Neoplasias intraoculares. Continua-se a dissecação posterior e externamente. Continua-se a dissecação aprofundando essa incisão até o encontro da subconjuntiva.50 a 0. A tração para frente das pálpebras facilita essa dissecação. pelas bainhas nervosas e fáscias.0 ou 2. Após a secção dos músculos extraoculares. B.30 para pequenos animais. até a intersecção palpebral. As incisões são realizadas paralelamente às margens das pálpebras e a distância deve ser suficiente para evitar as glândulas de meibomian (4 a 6 mm). e 0. que contém os vasos do globo ocular. Microftalmia congênita complicada: associado à ceratites. A.70 para grandes animais). até o encontro com a esclera. procede-se a dissecação posteriormente para promover a separação da esclera dos tecidos subjacentes.

1996.incisão inicial da enucleação.Fechamento palpebral. A conjuntiva. ligado e cortado para completar a enucleação. 182 Figura 54 .o coto do nervo óptico é preso. Fonte Bojrab. . Figura 57 . membrana nictitante e as margens palpebrais são removidas. Figura 56 . Figura 55 – dissecção posterior para separar a esclera e fascia excessiva que se choca com as inserções do músculo extraocular.

183 Complicações: Deiscência da sutura – tratar a ferida aberta. . deixando cicatrizar por segunda intenção. Antibioticoterapia e Anti-inflamatório.Pós-operatório: Limpeza e curativo local. Retirada dos pontos aos 10 dias de pós-operatório.

Tanto na inércia uterina primária quanto na secundária. uma vez que o parto tenha iniciado. a musculatura uterina normalmente falha em responder à administração de ocitocina. Fatores maternos a) Inércia uterina primária: é caracterizada pela falha em expulsar fetos de tamanho normal pelo canal do parto. como cadelas de raças braquicefálicas. b) Inércia uterina secundária: ocorre depois de prolongada contração uterina sem êxito em expulsar um feto que obstrui o canal do parto. ou todos os fetos ainda retidos no útero face à obstrução. Vários fatores maternos e fetais podem contribuir para a distocia em cadelas e 75% das distocias em cadelas são de origem materna e 25% de origem fetal. ou quando há problema na expulsão normal dos fetos. . c) Raça e conformação: fêmeas de algumas raças de cadelas apresentam maior predisposição à distocia. exceto pela incompleta dilatação da cérvix. o qual não apresenta irregularidades. ocorre fadiga da musculatura uterina após as sucessivas contrações improdutivas.13 APARELHO REPRODUTOR FEMININO 13.1 Parto Distócico 184 Parto anormal (distocia) O parto anormal (distocia) ocorre quando há falha em iniciar o parto no momento correto. Desta forma.

predispondo à distocia. posição e/ou na postura do feto durante o parto podem predispor à distocia. ruptura diafragmática. Sessenta por cento dos filhotes de cães nascidos de parto normal nascem em apresentação longitudinal anterior. obstrução do canal vaginal. Os casos de ruptura uterina são mais frequentes após a administração de ocitocina em dose excessiva. vulva infantil. destacam-se a fratura prévia de pelve. Exame da paciente em distocia . Apesar de a apresentação longitudinal posterior ser considerada uma variante normal do parto em cadelas. Fatores fetais a) Estática fetal anômala: alterações na apresentação. no período pré-natal. 185 e) Torção ou ruptura uterina: torções uterinas de diferentes graus podem ocorrer. Além disso. algumas alterações na conformação do sistema genital podem influenciar dramaticamente a expulsão fetal. excesso de gordura perivaginal. vagina hipoplásica. d) Tônus muscular abdominal: cadelas idosas ou obesas podem ter dificuldade em produzir contrações uterinas. f) Outras causas maternas: as estenoses vaginais. vulvovaginites. dor. principalmente no 2º estágio do parto. partos prolongados e distocias tem sido associado a esse tipo de apresentação. Schistosomus reflexus ou fetos edematosos podem resultar em distocia obstrutiva. histerocele gravídica e placentites. b) Desenvolvimento fetal anormal: o desenvolvimento de monstros fetais. hiperplasia de assoalho vaginal. e os 40% restantes em apresentação longitudinal posterior. perfuração de traqueia. como fetos com hidrocefalia. O diagnóstico dessas alterações deve ser feito por meio de exames radiográficos ou ultrassonográficos. prolapso vaginal e uterino e persistência do hímen. vagina dupla. medo (inibição voluntária do parto). Dentre essas. feita por leigos. sem prescrição. presença de septos vaginais.

nas posições laterolateral e ventrodorsal. exame digital vaginal. é importante lembrar que a acurácia desse exame pode ser inferior a 50% quando as mensurações fetais são realizadas após o dia 39 da gestação. se a fêmea recebeu contraceptivos no período do estro. por palpação abdominal. se o animal sofreu distocia anteriormente. denominado de sinal de Spalding. Frequência cardíaca entre 180 e 220 bpm em fetos . a movimentação espontânea e o peristaltismo intestinal fetal. e os fetos no terço final da gestação apresentam movimentação espontânea. c) Exame radiológico: quando há suspeita de fetos em estática anômala. Deve-se proceder a exame digital do canal do parto para saber se há dilatação cervical. d) Exame ultrassonográfico: várias mensurações fetais podem ser realizadas por meio da ultrassonografia para se determinar a idade gestacional em cadelas. Como já existem dados para cálculo de idade gestacional para algumas raças diferentes. como o diâmetro das vesículas embrionárias. De acordo com tempo de gestação pode-se também avaliar a viabilidade fetal por meio de exame ultrassonográfico. utilizando critérios como a frequência cardíaca. a) Histórico: é importante realizar uma boa anamnese. Durante uma gestação canina. e exames radiológicos e/ou 186 ultrassonográficos. No caso de morte fetal há vários dias. podem-se realizar radiografias abdominais. Existe também variação quando se comparam dados de cadelas pequenas (menos de 9 kg) e gigantes (mais de 40 kg). como as fórmulas para cálculo da idade gestacional são adaptadas para cadelas de várias raças. pode-se detectar a presença de gás no interior do útero. como para beagles ou retrievers. É necessário avaliar se há comprometimento sistêmico da mãe e se há viabilidade dos fetos retidos intraútero. os batimentos cardíacos fetais estão acima de 220 por minuto (bpm). Além da estática fetal. b) Exame físico: inicialmente deve-se certificar de que a fêmea realmente está gestante. normalmente o resultado é apresentado com variação de ± 3 dias. o diâmetro biparietal e o diâmetro abdominal fetal. tem-se com este exame informações sobre o número total de fetos. se houve expulsão fetal e há quanto tempo o último filhote foi expulso. Entretanto. há quanto tempo o parto iniciou. para saber o histórico de gestações anteriores. além de sobreposição dos ossos do crânio fetal. é importante que sejam realizadas mensurações de acordo com a raça. Além disso. embora essas mensurações sejam amplamente utilizadas.

a) Tratamento manipulativo: consiste na realização de manobras obstétricas digitais para a retirada de fetos que estejam obstruindo o canal do parto. não são recomendados. devido ao pequeno diâmetro do canal do parto de cadelas. Recomenda-se o uso de lubrificantes vaginais e de luvas estéreis durante o procedimento. e abaixo de 180 bpm tem-se severo sofrimento fetal. ou caso haja comprometimento materno. A dosagem de cálcio e glicose pode ser solicitada quando a paciente apresentar sinais clínicos sugestivos de hipocalcemia ou hipoglicemia. a avaliação laboratorial deve incluir a realização de hemograma e dosagens de cálcio. Tratamento das distocias Como formas de tratar uma cadela em distocia têm-se as opções do tratamento manipulativo. hipertermia ou mesmo convulsões. embora apenas a realização de hemograma seja rotina em nossa experiência. e) Outros exames complementares: de acordo com a condição clínica da parturiente. sendo necessária intervenção cirúrgica imediata. face ao risco de . fraqueza. ocasionalmente esta manipulação pode resolver o problema com mínimos riscos à mãe. como tetanias. com fetos de tamanho normal. exceto quando o feto a ser retirado já está morto. a cesariana deve ser imediatamente realizada. pode ser possível a correção manual e a desobstrução do canal do parto em alguns casos. nem sempre se tem sucesso com este tratamento. Ureia e creatinina devem ser dosadas quando houver comprometimento sistêmico da paciente. Caso um dos dois primeiros tratamentos não resulte em êxito. Sugere-se que seja realizado hemograma quando a paciente for submetida à cesariana ou quando apresentar comprometimento sistêmico. Porém. Em casos de distocia branda. 187 ureia e creatinina. Em casos de fetos em estática anômala. A introdução do lubrificante no lúmen vaginal pode ser facilitada com o uso de sondas uretrais acopladas a seringas.caninos é indicativa de discreto sofrimento fetal. como fórceps e pinças cirúrgicas. medicamentoso e cirúrgico. Além disso. O exame ultrassonográfico também é útil no diagnóstico de malformações fetais. glicose. associada à terapêutica complementar. a detecção de peristaltismo intestinal fetal parece estar relacionada com sofrimento fetal e risco perinatal acentuado. O uso de instrumentos.

Caso o feto que obstrui o canal esteja pouco insinuado. e vários outros permaneceram no útero. Se a cadela está em trabalho de parto há poucas horas. b) Tratamento medicamentoso: é indicado se a fêmea estiver em boas condições clínicas. Doses superiores às recomendadas podem causar tetania uterina. Quando apenas um ou dois fetos permaneceram no útero. entre um e dois minutos. Tal fármaco deve ser utilizado na dose de 5-20 UI por via intramuscular (IM) ou subcutânea (SC). se o tamanho dos fetos for proporcional ao diâmetro desse canal e se não houver estática fetal anômala. tanto para a mãe quanto para os fetos remanescentes.Ocitocina: normalmente é o primeiro fármaco de escolha. utilizam- se drogas que promovem contração uterina. alguns pesquisadores acreditam que altas e repetidas doses podem resultar em estímulo uterino acentuado e angústia fetal. a realização de cesariana provavelmente será o procedimento mais rápido e seguro. com intervalo de 15 a 20 minutos. mas sua capacidade de promover contração é acentuada. Embora o uso de ocitocina seja considerado seguro. se ocorreu à expulsão de apenas um ou dois fetos. Se usada durante a gestação. Nesse caso. a realização da cesariana está indicada. comprometer a oxigenação fetal e ocasionar ruptura uterina. vasodilatação materna e hipertensão arterial. pode provocar descolamento placentário precoce. o tratamento medicamentoso é adequado e pode resultar em expulsão 188 fetal. quando se opta pelo tratamento medicamentoso e a fêmea não responde ou a resposta é fraca e demorada. Sua meia-vida é curta. não há expulsão fetal ou apenas um ou dois fetos são expulsos. Pode ser observado que a resposta à ocitocina diminua a cada nova aplicação. mesmo que o tratamento medicamentoso seja eficaz. e após três ou quatro aplicações de ocitocina. se houver dilatação do canal do parto. a demora na expulsão de todos os fetos restantes pode ser suficiente para que os últimos a nascer venham a óbito antes de serem expulsos. Entretanto. já que a ocitocina sintética é capaz de estimular e aumentar a frequência das contrações uterinas e favorecer a expulsão fetal. Para o tratamento medicamentoso. como: . constrição dos vasos umbilicais. ele deve ser mais facilmente retirado pela cesariana. . em intervalos de 30 a 40 minutos. isoladamente ou em associações. o procedimento que tem sido adotado é o de encaminhá- la imediatamente à cesariana.injúrias aos filhotes e traumas aos tecidos maternos. Porém.

é lentamente eliminada. sendo 1. Caso a 189 fêmea apresente alterações da frequência ou do ritmo cardíaco. A xilazina. são raros os casos de cadelas em distocia com hipoglicemia. Pode ser utilizado isoladamente ou concomitantemente à ocitocina. persistindo no neonato por vários dias. como hipotonia. proporcionando melhor conforto à paciente. bem como depressão respiratória central e descontrole da termorregulação. cruza a barreira placentária rapidamente e acumula-se no feto. facilitando as manobras obstétricas. a administração é imediatamente suspensa. alimentação deficiente. desde que se reduza a dose em 30 a 50%.0 ou 10%.0 a 20. pode-se utilizar glicose oral ou solução de glicose a 5. deve ser aplicado lentamente. ou fique inquieta. podendo ser usadas para a sedação de cadelas gestantes. Doses pequenas. causando depressão cardiopulmonar intensa aos fetos.Glicose: embora seja recomendada por alguns autores. como. pois. .0 a 5. e necessita monitoração cardíaca durante todo o período de infusão. durante três a cinco minutos. Em geral.2 ml/kg por via intravenosa (IV) ou 1. O diazepam. a acepromazina. Quando usado por via IV. podem ser usados em cadelas gestantes agitadas. não acarretam alterações importantes. em razão ao eficaz efeito tranquilizante. Esses opioides podem também ser associados aos tranquilizantes. caso seja diagnosticada a hipoglicemia ou quando ocorre toxemia da gestação. Contudo. Entretanto. por via IV. Porém. quando utilizadas em cadelas gestantes.Gluconato de cálcio: o gluconato de cálcio a 10% pode ser utilizado para promover aumento da força de contração uterina. A administração deve ser lenta. é contraindicada em gestantes.0 ml. como o tramadol ou a meperidina. . um agente benzodiazepínico. além de cruzar a barreira placentária. O uso da associação xilazina-quetamina também pode causar alterações cardiopulmonares importantes. as doses totais utilizadas são de 2. pode produzir hipotensão grave por bloqueio adrenérgico.0 ml/minuto. O procedimento adotado para aliviar a dor e causar leve sedação de cadelas agitadas em distocia. termogênese insuficiente para resposta ao frio e hipotermia neonatal. por exemplo. .0 ml/SC em cadelas. Deve ser utilizado na dose de 0. .Tranquilizantes e sedativos: os tranquilizantes fenotiazínicos. o uso repetido pode culminar em sérios problemas. um agente alfa-2 agonista. é o uso de opioides.

ou quando o proprietário deseja esterilizar de forma permanente o animal. pode promover aumento das concentrações de prolactina e melhorar a lactação. em casos de fetos macerados ou pútridos. a qual age sobre a dopamina com consequente elevação das concentrações plasmáticas de prolactina. quando o uso de drogas ecbólicas (que aumentam contração uterina) não resulta em contrações produtivas. prevenir situações de estresse e tratar problemas como mastite ou metrite. evitando a superalimentação. Essa intervenção deve ser realizada também antes que ocorra fadiga da fêmea em trabalho de parto ou haja sofrimento fetal. A cirurgia deve ser rápida para que ocorra mínimo comprometimento fetal. por via oral. Outra opção terapêutica eficiente. debilidade da cadela ou estado nutricional ruim. barata e segura para a agalactia canina é a metoclopramida. como a acepromazina.2-0. A realização de OSH concomitantemente à cesariana está indicada quando há comprometimento da integridade uterina. a cada oito horas. Está indicada também para pacientes com parto excessivamente longo. A agalactia pode ocorrer por várias razões. algumas cadelas podem apresentar agalactia (agalactasia) transitória ou permanente. até que haja secreção de leite. em casos de morte fetal com putrefação. o uso de tranquilizantes fenotiazínicos. estresse ou cirurgia. SC ou IM. Em cadelas muito estressadas. Como métodos preventivos. como parto prematuro. . ou quando há 190 antecedentes de distocia.5 mg/kg. Como consequência da distocia ou mesmo do tratamento realizado por meio de cesariana. Deve ser usada na dose de 0. a cesariana é a única forma de salvar os filhotes. sinais de endotoxemia ou septicemia. deve-se efetuar tratamento específico para essas afecções. É importante ressaltar que. Parece haver envolvimento familiar em alguns casos. por mastite ou metrite. devem-se prover à cadela adequada nutrição na gestação e na lactação. c) Tratamento cirúrgico: nos casos em que a correção da estática fetal não é possível. se o problema inicial tratar-se de mastite ou metrite.

Incisão paramediana e drenagem de secreção esverdeada fétida. contida na cavidade abdominal e (à direita) visualização de um corno uterino de cor esverdeada. 191 Figura 58 – Apresentação de corrimento vaginal discreto evidenciado como intercorrência clínica. Figura 59 . .

Exposição lenta e gradual do corno uterino desvitalizado. a fim de evitar descompensação cardiocirculatória e ruptura do órgão. 192 Figura 60 . observar a integridade do corno contralateral que também foi extirpado de uma cadela. Figura 61.Após ressecção do corno uterino necrosado (à esquerda). .

cirurgiaonline.2 Cesariana A cirurgia cesariana é geralmente um procedimento de emergência e deve contar com técnicas anestésicas seguras para a mãe e os fetos.br. 193 Figura 62– Apresentação dos fetos enfisematosos. Entre elas. pode-se observar um aumento da frequência respiratória da mãe e do volume corrente. liberando os filhotes em estado vigoroso.com. removidos do corno uterino desvitalizado. Acesso em: janeiro de 2008. Considerações sobre anestesia para cesarianas Deve-se ter uma anestesia e analgesia adequadas para a realização da cirurgia em tempo hábil. 13. Durante a gestação. Fonte: www. que podem ocasionar . ocorrem alterações fisiológicas que são relevantes para os procedimentos anestésicos.

Devido às características físico-químicas da maior parte dos agentes anestésicos. como a quetamina (2.05 mg/Kg/IM) devem ser utilizados apenas para fêmeas muito agitadas.3 mg/Kg/IV) e o midazolam (0. Tranquilizantes como a acepromazina (0. podendo ocasionar aumento do fluxo sanguíneo cerebral. o tiopental (8. proporcionando. também são observadas. menor tempo de indução anestésica. como também o diazepam (0.0-6.1 a 0. Comparada às técnicas de anestesia parenteral e inalatória. Alterações cardiovasculares. pois pode aumentar a concentração alveolar.0 mg/Kg/IM). Entretanto. assim. Em razão à menor espessura da placenta endoteliocorial. ou fármacos dissociativos.0 mg/Kg/IV). Além disso. com a administração de isofluorano. pode-se ressaltar os opioides butorfanol (0.0 a 10. Deve-se associar a cetamina aos benzodiazepínicos (diazepam ou midazolam). tem-se o propofol (4. o que 194 pode implicar diminuição do retorno venoso com quedas bruscas de pressão sanguínea.0 a 10 mg/Kg/IM).0 mg/Kg/IV ou 10 mg/Kg/IM) ou tiletamina-zolazepam (6.0-12. tramadol (2.0 mg/Kg/IM). Dentre os agentes para indução anestésica. ocorre compressão da veia cava pelo útero gravídico. Como medicações pré-anestésicas seguras. A manutenção da anestesia pode ser realizada com os agentes inalatórios isofluorano e halotano. Já a levopromazina é segura na dose de 0. para minimizar a rigidez muscular e possíveis convulsões. a fêmea fica em decúbito.2 mg/Kg/IM). essa alteração deve ser levada em consideração durante a anestesia volátil.alcalose respiratória. portanto.0 mg/Kg/IM ou IV) e meperidina (2. a cetamina (2. e. a anestesia regional (epidural) provavelmente é a que menos produz depressão fetal induzida pelo fármaco.0 mg/Kg/IV ou 10 mg/Kg/IM) e tiletamina-zolazepam (6. estes cruzam em maior ou menor grau a barreira placentária e afetam os fetos. podendo ser fatal tanto para a mãe como para o feto.0 mg/Kg/IV). o isofluorano resulta em recuperação mais rápida para as mães e os neonatos. A indução anestésica também pode ser realizada com o auxílio de máscara. Para . em cadelas há uma maior difusão dos fármacos na placenta dessa espécie.3 mg/Kg/IV. como aumento do débito e frequência cardíaca.2 mg/Kg/IM). No período transoperatório.

ao contrário dos cornos divergentes no animal não-prenhe. A túnica serosa é uma camada de peritônio que recobre todo o útero. se houver a ocorrência de distocias devido à presença de lesões ou anormalidades preexistentes que comprometam o canal do nascimento. Ao se fazer a incisão abdominal durante uma cirurgia cesariana. túnica muscular (miométrio) e túnica mucosa (endométrio). o cirurgião deve estar ciente de que o útero se encontra próximo à parede abdominal fina e distendida. já que os filhotes nascem vigorosos e rapidamente apresentam reflexo de sucção. ou inércia uterina secundária decorrente de distocia de mais de 24 horas. O útero é composto de três camadas: túnica serosa (perimétrio).5 mg/Kg). ambas por via epidural lombrossacra. distocia obstrutiva (feto muito grande). Anatomia cirúrgica O útero gravídico repousa no assoalho abdominal durante a última metade da prenhez. A cirurgia é indicada quando a distocia resulta de uma inércia uterina primária. 195 A cesariana na cadela e na gata é geralmente um procedimento de emergência.5% sem vasoconstritor (1. Os cornos uterinos pesadamente gravídicos encontram-se paralelos e em contato entre si. pode-se utilizar lidocaína a 2% sem vasoconstritor (5. O miométrio mais profundo contém vasos sanguíneos. A anestesia epidural é considerada uma boa opção.0 mg/Kg) ou bupivacaína 0. principalmente para fêmeas menos agitadas.tanto. nervos e fibras . A camada muscular é composta de uma camada externa longitudinal fina e uma camada interna grossa. A cirurgia pode ser planejada e realizada antes do início do trabalho de parto. pois a distocia prolongada coloca em risco as vidas da mãe e/ou neonato.

musculares circulares e oblíquas. para abrir espaço para a extensão da incisão abdominal se necessário. Faz-se uma incisão na linha média ventral começando-se no umbigo. Uma vez terminada a incisão abdominal de extensão adequada. Realizam-se a indução e a intubação em mesa de operação. deve-se intubá-la rapidamente para minimizar o risco de aspiração. e o cirurgião não deve invadir o tecido mamário quando fizer a incisão cutânea. protegem-se as bordas do ferimento com tampões de laparotomia umedecidos com solução salina estéril. amarram-se os membros da paciente para baixo e completa-se rapidamente a preparação cirúrgica final do abdome. Geralmente a fêmea não está em jejum antes da anestesia. . pois ela deve vomitar durante a indução. Colocam-se panos de campo em quatro quadrantes no abdome. e prepara-se inicialmente o abdome com uma limpeza cirúrgica antes da indução da anestesia para reduzir o tempo de anestesia total. A extensão da incisão é determinada pelo tamanho estimado do útero. A velocidade da operação também é importante nas cirurgias cesarianas. A túnica muscular é a camada de maior força tensil. desde a cartilagem xifoide até a borda pélvica. A túnica mucosa é a mais grossa das três camadas. As glândulas mamárias ficam frequentemente hipertrofiadas. O cirurgião deve também lembrar de que o útero se encontra aumentado e não deve ser lacerado ao se entrar na cavidade abdominal. Técnica cirúrgica 196 Realiza-se tricotomia na fêmea desde a cartilagem xifoide até o púbis. pois o longo período “incisão – retirada” se associa com um aumento da asfixia e depressão fetais. portanto. Após a indução da anestesia.

Estende-se então a incisão uterina com uma tesoura até um comprimento suficiente para remoção dos fetos. Fonte: www. .com. Acesso em: fev. 197 Figura 63 – exposição do útero gravídico após abertura da cavidade abdominal.com. Faz-se então uma pequena incisão com um bisturi em uma área relativamente avascular na face ventral ou dorsal do corpo uterino. Envolvem-se as vísceras circundantes e subjacentes com tampões de laparotomia umedecidos adicionais. Figura 64 – local da incisão para retirada dos fetos.google.google. 2008. para impedir a contaminação abdominal com fluído fetal. Exterioriza-se o primeiro corno uterino e depois o segundo por meio de uma elevação cuidadosa através da incisão. 2008. Fonte: www. deve-se ter cuidado em não lacerar inadivertidamente um feto com bisturi. Acesso em: fev.

198 Figura 65 – demonstração do feto já retirado do útero com cordão umbilical pinçado para ser ligado. Fonte: www.com. À medida que se remove cada feto. Uma vez que o feto encontre-se perto da incisão pode-se segurá-lo e aplicar uma tração suave para facilitar uma remoção rápida a partir do útero. Acessado fev. Fonte: www. No caso de uma distocia deve-se remover primeiro o feto que se encontra parado no corpo uterino. .com. Isso é feito espremendo-se o corno cranialmente ao aumento de volume. Figura 66 .google. Devem-se remover os fluídos fetais do campo operatório por meio de sucção para minimizar a contaminação. Pinçam-se então os vasos umbilicais e rompem-se os mesmos aproximadamente 2 a 3 cm da parede abdominal fetal. conduzindo cada feto à incisão por meio de uma compressão suave do corno uterino.remoção das membranas placentárias.google.2008. rompe-se o saco amniótico para permitir que se inicie a respiração.

o útero começa a se contrair rapidamente. Se o útero não iniciar a contração no momento do fechamento.google.02 a 0. O útero pode ser suturado com fio absorvível.2008. essa contração é importante no cessamento da hemorragia. . Caso encontre dificuldade em mobilizar os fetos para baixo. www. utilizando-se agulhas sem corte. Uma vez que se tenham removido todos os fetos. Remove-se então lentamente a placenta associada a partir do endométrio por meio de uma tração suave para minimizar a hemorragia. 199 Figura 67: demonstrando novo feto o qual é removido pela incisão e abaixo as membranas fetais. seguido por uma sobressutura de Lembert contínua. inversor e de camada dupla. Acesso em: fev. podem-se realizar incisões adicionais nos cornos. Antes do fechamento palpa-se o útero a partir do canal pélvico até os ovários para se certificar de que todos os fetos e placentas tenham sido removidos. pode-se administrar ocitocina (1a 2 unidades / Kg IM ou EV) ou maleato de ergonovina (0.com. Aproximam-se cuidadosamente as bordas da incisão uterina com padrão de Cushing contínuo.1 mg/Kg IM). Repete-se esse procedimento até a retirada de todos os fetos.

Recoloca-se o omento sobre o útero e as outras vísceras abdominais antes do fechamento abdominal.br. e a pele com fio não- absorvível. Acesso em: fev 2008. 200 Figura 69: Sutura do útero em padrão invertido. deve-se inspecionar o fechamento e lavar o útero com uma solução salina estéril morna. Fecha-se o tecido subcutâneo com fio de sutura absorvível 3-0 ou 2-0. . deve-se lavar o abdome com solução salina estéril morna. Antes de retornar o útero ao abdome. Também pode se utilizar material de sutura não absorvível para fechar a linha Alba. Fonte: www. Se ocorrer uma contaminação abdominal durante a manipulação cirúrgica. Fecha-se a linha Alba com suturas interrompidas simples de um material de sutura absorvível de tamanho apropriado.google.com.

É de ocorrência comum. concomitantemente ela é acompanhada por uma síndrome da reperfusão devido ao envolvimento de vasos sanguíneos importantes da região abdominal. uma síndrome onde ocorre a dilatação e vólvulo gástrico.1 Torção gástrica .  Conformação corporal: conformação torácica estreita. devido a uma dilatação gástrica que pode ser causada por aerofagia (deglutição exagerada de ar. onde o estômago dos cães afetados fica distendido com gás e mal posicionado. A torção de estômago é definida como "alteração anatômica no posicionamento dos órgãos digestivos. o sintoma é a eructação). porém desconhecida pelos proprietários. que ocorre com mais frequência em cães de peito profundo . Se não for tratada imediatamente. a dilatação pode evoluir para torção gástrica. levando ao choque e à rápida deterioração local. Acontece. é a rotação do estômago sobre si mesmo. Fatores de risco:  Idade: cães em meia-idade e mais velhos. obesidade não é um fator de risco. muitas vezes.  Massa corporal: maior massa corporal.e raramente em cães de raças pequenas".entre as idades de 2 a l0 anos . .  Dieta: poucas refeições por dia.Volvodilatação gástrica 201 Conceito É uma emergência médica e cirúrgica aguda que ameaça a sobrevida e afeta primariamente raças de cães grandes e gigantes. resultante da ingestão apressada de alimentos.14 EMERGÊNCIAS GASTROINTESTINAIS 14. Numa colocação mais simples.

Predisposição:  Racial: Raças grandes como.  Histórico: cães com história familiar. Dobermann. Em seu grau máximo de gravidade.rotacionando sob o estômago . . Weimaraner e outras. esta ocorre em geral. Ela passa do lado ventral direito do abdômen .  Predisposição anatômica: tamanho do animal e tipo corporal. Normalmente a dilatação precede à rotação do estômago. Rottweiler. de uma emergência veterinária e cirúrgica com alto índice de mortalidade. no sentido horário (a 270 graus). Dog Alemão.  Manejo alimentar: alimento muito seco associado ao fato de beber água de forma excessiva e posterior exercitação pós-alimentação. São Bernardo.  Animais com dificuldade de esvaziamento ou Aerofagia. Movimento Fatal A rotação do estômago dá-se inicialmente no piloro e antro pilórico. O resultado é necrose (morte de tecido) por estrangulamento da parede estomacal e órgãos vizinhos.  Genética: raças puras. 202 Pastor Alemão. acima de tudo. Essa torção pode bloquear parcial ou totalmente a drenagem estomacal (saída de alimentos do estômago). aumentando o volume do órgão. Seter Irlandês. chega a provocar obstrução dos gazes. Fila Brasileiro.  Genética: levar em consideração o histórico familiar para desenvolvimento. Mais importante que essa explicação é saber que se trata.e repousa dorsalmente sobre a cárdia no lado esquerdo.

2002.  Intranquilidade e dor.  Aumento da frequência respiratória.  Vômitos repetidos (frequentemente não-produtivos). causado pela fermentação do alimento e formação de gases.  Mucosas pálidas.  Andar (caminhar) nervoso. 203 Figura 70 – Exemplificação de como o estômago torce.  Aumento da freqüência cardíaca. misturados à substância monoide (muco) espumosa.  Distenção (timpanismo). A respiração é ofegante e o animal sente um grande desconforto com a dilatação do abdômen.  Hipersalivação (ptialismo). expulsão de líquido e alimentos. Sinais clínicos O proprietário irá notar um aumento de volume crescente do abdômen do cão. .  Pulso fraco. dificuldade respiratória. repare o deslocamento do piloro. Fonte Fossun.

fracionando as refeições. dolorida e fatal (morte em menos de 3 horas após o início dos sintomas). inclusive durante as refeições. A dilatação gástrica pode ocorrer rapidamente. Evolução A evolução da enfermidade é extraordinariamente rápida.  Programa de nutrição adequado. O óbito geralmente ocorre em decorrência de insuficiência respiratória e choque.  Não permitir que o animal beba grandes quantidades de água de uma só vez. Fisiopatologia  Cardiovascular: . Prevenção:  Não dê alimentos em grandes quantidades.  Evitar rações com alta fermentação (ricas em carboidratos.  Evitar rações com pouca fibra. um cão pode morrer poucas horas depois do inchaço estomacal. amido não degelatinado).  Evitar exercícios violentos após as refeições (tais como pulos). a prevenção é a melhor medida de combate à torção 204 gástrica. Por ser de extrema gravidade. por exemplo.

A dilatação gástrica comprime as veias cava caudal e porta. necrose de toda ou de uma parte da mesma. 205 As arritmias contribuem para a disfunção cardíaca (choque cardiogênico). Diagnóstico: . hipóxia. diminuindo a complacência pulmonar. sequestrando sangue na metade caudal do organismo levando a diminuição do retorno venoso ao coração e o animal entra em choque hipovolêmico. uma diminuição da pressão arterial e do débito cardíaco que leva à hipoxia celular e isquemia miocárdica podendo diminuir a contratilidade. Avulsão dos vasos gástricos curtos ao longo da grande curvatura do estômago tem como consequência à isquemia da parede gástrica.  Gástrica: Aumento da pressão luminal e o giro do estômago no seu eixo mesentérico comprimem as veias gástricas. o que causa uma estase vascular e edema da parede gástrica. Vai ocorrer uma alteração cardiovascular. acidose e endotoxinas circulantes coagulação intravascular disseminada). Estase da circulação porta diminui sistema de defesa monócito-macrófago hepático de eliminar bactérias e endotoxinas da circulação o que ocasionará o choque vasogênico (estase vascular. Redução adicional da oxigenação do sangue e agravamento da hipóxia tecidual. Normalmente do lado esquerdo da grande curvatura e o fundo gástrico.  Respiratória: O estômago muito distendido empurra o diafragma.

Fonte: www.2004. Acesso em: 25 jan.Radiografia de abdome normal em cão Projeção lateral.br. Figura 72 – Rx evidenciando estômago cheio de gás. 206 Figura 71 .  Tratamento do choque. Tratamento clínico:  Reposição de volume (fluidoterapia). .  Radiografias.veterinariaonline.com. Redação Veterinária On-line disponível em: www.  Decúbito lateral direito é de escolha.  Sinais clínicos.  Exame físico.br.veterinariaonline.com. Fonte: Dilatação Gástrica.

suturar serosa a pele e abre para retirar o gás (lavar estômago com soro fisiológico morno). logo abaixo da costela. divulsiona fibras musculares.  Tubo orogástrico guiado pela junção gastroesofágica. Gastropexia temporária .  Trocaterização com agulha de grande calibre.  Descompressão gástrica com tubo orogástrica ou trocaterização: retirar gases (sonda orogástrica ou bloqueio anestésico do lado esquerdo. Tratamento cirúrgico 207 Descompressão gástrica:  Métodos de descompressão gástrica intracirúrgica.  Tubo de gastrostomia temporária.

. B: demonstração de como se retira o tubo. basta puxar o fio que ele vai fechar a parede do estômago. Em muitos dos casos se fazem necessários que após o reposicionamento do estômago ele seja fixado à parede abdominal para que não aja reincidência. gentilmente. seu local de origem. 2002 Reposicionar o estômago 208 Cuidado para evitar trauma ao órgão. fazendo um túnel por baixo da costela e um flape de serosa na parede abdominal que passara por esse túnel e será suturado a parede estomacal. e no estômago esse mesmo fio está fazendo uma bolsa de tabaco na parede estomacal. Fonte: Fossun. observe no detalhe que na parte do tubo que fica do lado de fora tem um fio comprido enrolado tipo bailarina. enquanto à direita. O cirurgião de pé ao lado direito do cão.Figura 73 . Na hora de fechar essa incisão e remoção do tubo não há necessidade de abrir novamente a cavidade. As duas principais formas de gastropexia são: Gastropexia circuncostal Nada mais é que prender o estômago junto a costela.A: Demonstração de animal com um tubo dentro do estômago. levanta e posiciona o piloro. Sua mão direita será introduzida em direção à parede dorsal esquerda para segurar o piloro e a mão esquerda empurra o estômago para baixo.

devido à atividade peristáltica repetida e eventualmente começa a cortar a mucosa levando a ruptura com peritonite localizada ou generalizada com aderências extensas no mesentérico. 2002. o estômago com flape de serosa. o intestino se torna pregueado. Fonte Fossun. barbantes. panos e outros que se fixam proximalmente no gastrintestinal e estendem-se distalmente.Observe o flape e a seguir o túnel por baixo da costela e passagem do flape por baixo dela para retornar ao estômago sendo devidamente suturado. Figura 74 . 209 Figura 75: na sequência tem-se o já estômago reposicionado. Depois de o corpo estranho se fixar proximalmente. . 14. única diferença é que ele é fixado junto a parede abdominal e não a costela. túnel feito na parede abdominal e passagem do flape de serosa estomacal dentro dele e o mesmo sendo suturado a parede estomacal.2 Corpos estranhos lineares São linhas. Fonte: Fossun. Gastropexia em alça de cinto Procedimento muito similar ao anteriormente descrito. 2002. causando obstrução gastrintestinal parcial.

Uma vez identificado a inspeção nunca se deve puxar o fio (corpo estranho). Achados radiográficos: Múltiplas alças do intestino delgado dilatadas. Material estranho radiopaco no trato gastrintestinal. pois o tratamento requer cirurgia.  Visualização do corpo estranho.  Depressão. síndrome do intestino curto.  Anorexia. que consiste em fazer várias enterorafias em pontos para não haver 210 perda excessiva envolvida. Localização:  Gatos: principalmente ao redor da base da língua.  Febre.  Cães: no piloro. Diagnóstico:  Sinais clínicos. Se houver grande perda de segmento intestinal haverá complicação pós-cirúrgica.  Desidratação. Sinais clínicos:  Vômito. .  RX simples ou contrastado. Fio preso na base da língua e começa a cortar o intestino e lesar a circulação. cheias de gás ou líquido.  Dor abdominal.

A B C D . Acesso em Fev 2008. com curvas fechadas e bolhas irregulares de gás Pequena perda da serosa ou gás livre na cavidade abdominal.com.Passagem retardada (ou retenção) do material de contraste. Fonte: www. Técnica Cirúrgica O tratamento cirúrgico consiste em fazer enterotomia (s) e enterorrafia (s). Pregueamento do intestino.google. 211 Figura 76 – demonstração de corpo estranho linear numa radiografia contrastada.

E.animal colocado em decúbito dorsal e sob anestesia geral. H – enterorrafia (sutura do local incisado).redvet.remoção do corpo estranho linear da luz intestinal.realização da enterotomia. Fonte: www. J. D .demonstração do tamanho e posição da incisão na alça intestinal. I . .com.br.parede abdominal suturada. F e G . C. B. Acesso em: 02 de fevereiro de 2008.demonstração do tamanho e tipo de corpo estranho linear (barbante enovelado). E F G H 212 I J Figura 77– A.exploração das alças intestinais para localizar parte acometida.

e pela polpa vermelha. constituída por sinusoides venosos e por tecido celular.15 ESPLENECTOMIA Anatomia cirúrgica 213 O baço situa-se no quadrante cranial esquerdo do abdômen. A anemia pode estar presente quando há hemorragia aguda devido a trauma ou à ruptura de um hematoma ou ainda associada à doença subjacente à patologia do baço. um ramo da artéria celíaca. de tecido linfoide. na insuficiência cardíaca direita. na torção gástrica) ou devido à infiltração do parênquima por neoplasias ou por células inflamatórias (nas respostas imunomediadas. A esplenomegalia difusa pode dever-se a congestão do órgão (como acontece após uma torção do baço. Possui uma cápsula formada por fibras elásticas e por músculo liso. A esplenomegalia focal pode ser causada quer por processos neoplásicos benignos ou malignos. paralelamente à curvatura maior do estômago rodeada por uma grande quantidade de epíplon. seja ela difusa ou focal. Esplenectomia parcial . O seu suprimento arterial faz-se pela artéria esplênica. Os animais que se apresentam com doenças do baço têm também esplenomegalia. nas inflamações). O baço é um órgão de preferência para a metastização de tumores. O seu parênquima é composto pela polpa branca.

Depois de remover a porção afetada. A esplenectomia parcial está indicada em pacientes com lesões traumáticas ou focais. com torção ou que sofreram trauma severo e ruptura do órgão. As suturas automáticas podem não ficar suficientemente fixas ao tecido esplênico e originar hemorragias. 214 Esplenectomia total A esplenectomia total é efetuada mais frequentemente em animais com neoplasia do baço. a sutura poderá ser com sutura automática (grampeador cirúrgico) ou com duas camadas de sutura contínua. A B . de modo a preservar a função do baço.

Nos cães não há o risco que existe em Medicina Humana de ocorrer sépsis fatal depois de retirar por completo o baço. perda das funções de imunodefesa. que no animal imunossuprimido podem trazer complicações graves.No período pós-operatório se deve fazer antibioterapia prolongada. de hematopoiese e de filtração. B – demonstração dos vasos ligados para iniciar a secção do baço.Perda do reservatório sanguíneo. . C. Contudo. D – baço quase todo seccionado. C 215 D Figura 78: A.baço com remoção parcial e demonstração do local onde houve a lesão causadora do sangramento. alertar o dono para as diarreias e outras infecções.visualização do baço depois de identificado e retirado da cavidade abdominal. Fonte: arquivo pessoal. é preferível efetuar uma esplenectomia parcial. quando é possível. pois a total traz desvantagens: . .

.Está contraindicada em pacientes com hipoplasia da medula. . onde se deve avaliar o hematócrito até que estabilize. o que torna a cirurgia muito trabalhosa. Para remover o baço é necessário ligar todos os vasos ao nível do hilo.o 216 animal deve ser observado por 24 horas. Depois de uma esplenectomia pode ser necessária uma transfusão sanguínea . O acesso faz-se pela linha branca. isto porque existem inúmeros vasos a ligar.

1 Pneumotórax 217 Acúmulo de ar entre as pleuras visceral e parietal.sons timpânicos. Percussão . Aumento da amplitude respiratória.16 EMERGÊNCIAS NO TÓRAX 16. Posição ortopneica. Deslocamento e atelectasia de lobos pulmonares ocasionando atelectasia e dificuldade de expansão pulmonar. Raio x: Imagem radioluscente entre o pulmão e a parede torácica. Taquipneia. Movimento abdominal paradoxal. Sinais clínicos: Dispneia inspiratória. . Diagnóstico: Histórico. Exame físico: auscultação cuidadosa.

Nas radiografias VD ou DV visualiza-se fluido ou ar entre a parede e bordas pulmonares.Sinais radiográficos: Latero . bordas pulmonares separadas da parede torácica. Na cavidade uma característica abdominal seria sombra de gás na localização torácica. Fonte: Lourenço. a sombra da silhueta cardíaca direita está mais visível. obliteração completa ou parcial da imagem cardíaca. 218 Figura 79 .lateral . Figura 80 . Fonte: Lourenço. 2007. 2007. Pulmão com pneumotórax. A linha diafragmática está obliterada devido ao aumento da densidade intratorácica.densificação homogênea no tórax ventral.Radiografia dorsoventral diagnóstica de hérnia diafragmática. O pulmão está colapsado e sua sombra obliterada pelo deslocamento cranial e abdominal dos órgãos. . fissuras interlobares.

Fonte: Arquivo pessoal.  Toracocentese. normalmente é secundário do trauma. .  Analgesia. Pode ser originado do simples ou aberto. Atelectasia pulmonar com vasamento de ar. 219 Classificação:  Pneumotórax simples: lesão do parênquima pulmonar. Suporte ao paciente dispnéico:  Oxigenoterapia. Lesão aberta da parede torácica.  Pneumotórax hipertensivo: O ar se acumula no tórax durante a inspiração e não é eliminado na expiração.  Fluidoterapia.  Pneumotórax aberto: Ferida torácica aspirativa.Pneumotórax Presença de ar na cavidade pleural como resultado da perda do vácuo. Figura 81 – Animal com máscara de oxigênio recebendo suporte ventilatório com intuito de melhorar o estado geral. ruptura de esôfago ou traqueia.

seja 220 líquido ou ar. É um método terapêutico ou diagnóstico.2 Toracocentese A toracocentese consiste em realizar uma punção intratorácica para remover por meio de uma válvula de três vias acoplada a uma seringa ou a um sugador o conteúdo presente.16. Ao fim do procedimento cirúrgico. já com tórax fechado é necessário deixar um dreno para refazer a pressão negativa intratorácica. Normalmente o acesso é realizado por incisão lateral entre o quarto e quinto espaço intercostal ou o mais próximo possível da lesão previamente identificada por exames diagnósticos. Fonte: arquivo pessoal Toracotomia Consiste na abertura do tórax para correção cirúrgica da lesão que está ocasionando o hemotórax ou pneumotórax. . Figura 82: Marcação do local onde será fixada a mangueira de três vias para drenar conteúdo torácico. É importante ressaltar que se faz necessário a manutenção por anestesia inalatória e ventilação mecânica para suporte de oxigênio.

Fonte: http://www.Exposição e secção dos músculos superficiais torácicos.htm. Acesso em: 02/03/08.Sutura do músculo intercostal que se encontrava lacerada.br/cirurfot/pneumo.htm.Incisão cutânea sobre o local onde há ruptura da musculatura.com. Figuras 84 e 85 . Fonte: http://www.redevet.redevet.br/cirurfot/pneumo. 221 Figura 83 . Acesso em: 02/03/08. Figura 30 .redevet.br/cirurfot/pneumo. Figura 86– Após suturar musculatura torácica lacerada que estava ocasionando a patologia é colocada uma última sutura para o fechamento da cavidade torácica.com.htm. Fonte: http://www. . Acesso em: 02/03/08.com.

htm. Fonte: http://www.com.Sutura do subcutâneo e pele. Acesso em: 02/03/08. .com.htm. Acesso em: 02/03/08.redevet.redevet. Figura 89 .br/cirurfot/pneumo. Fonte: http://www. 222 Figuras 87 e 88.Sutura da musculatura superficial.br/cirurfot/pneumo.

17 PATOLOGIA ORTOPÉDICA 17. então se não fizer a cirurgia imediatamente ou em 48 horas o melhor é esperar de oito a dez dias. de um osso ou cartilagem. o resultado final não acaba com a cirurgia e sim quando o animal consegue por meio de uma consolidação normal. . Nesse momento estará instalado processo cicatricial. Muitas vezes tem que esperar a melhora do quadro geral do animal ou do local por estar contaminado. Sendo considerada uma contraindicação relativa devido à chance de osteomielite se realizar o procedimento cirúrgico imediato. Lembrar sempre que fratura não é uma emergência. restabelecendo o funcionamento normal do membro. Considerações Gerais Representa boa parte das cirurgias ortopédicas (50% ou mais). completa ou incompleta. já tem calo ósseo e cirurgia será mais cruenta. sempre levando em consideração o estado geral do animal. suturar pele reposicionar o osso no local anatômico e fazer uso de anti-inflamatórios e antibióticos durante sete dias.1 Fraturas 223 Definição A fratura pode ser definida como a solução de continuidade. Na maioria das vezes é melhor operar um animal fraturado depois de estabilizado em até 48 horas do que esperar quatro ou cinco dias. Não deixar para realizar cirurgia com mais de 21 dias. Porém. Fratura exposta não deve ser tratada na hora devido a contaminação (contraindicação para cirurgia imediata) nesses casos se deve imobilizar.

Contraindicações das reduções abertas: . Indicações questionáveis:  Fraturas com lesão na inervação ou vascularização.  Fraturas epifisárias com luxação. 224 Indicação cirúrgica Indicações absolutas com redução aberta:  Fraturas irredutíveis por método fechado.  Fraturas completas instáveis (epifisárias ou intra-articulares).  Fraturas onde redução fechada não funcionou.  Radiografias.  Fraturas intra-articulares com luxação.  Considerações econômicas.  Grandes fraturas com avulsão.Diagnóstico:  Histórico.  Palpação.  Fraturas múltiplas.  Fraturas abertas.  Não consolidação.  Casos de má união ou não união óssea. Indicações relativas da redução aberta:  Retardo na consolidação.

 Osteomielite. Ex: problemas metabólicos ou muito descompensados. movimentação dos segmentos dos ossos envolvidos. Classificações Quanto à estabilidade:  Estável: A parte mole mantém uma parte coaptada à outra ou uma fratura incompleta.  Formação de tecido cicatricial que pode prejudicar a função muscular.  Reação ao implante metálico – raro (metalose). Quanto à comunicação com o meio externo: . seccionar próximo aos tendões para preservar funcionalidade do músculo preservando o ventre do mesmo.  Alterações vasculares – com relação ao acesso – preservar o Máximo que puder.  Instável: As extremidades afastadas com mobilidade. acesso bem delicado.  Contraindicações gerais. Desvantagens da redução aberta: 225  Infecção – contaminação.  Consolidação retardada ou não-união – destruição da vascularização ou má- fixação.  Aderências da membrana do músculo um sobre o outro e sobre o osso.  Alterações na consolidação óssea. não remover se for possível.  Dispersão do hematoma da fratura – nesse hematoma já tem células para cicatrização.  Grandes alterações nos tecidos moles adjacentes. Manipular o mínimo possível para não dificultar o pós-operatório.

).  Fiseal (na placa epifisária pode prejudicar o crescimento.  Oblíqua (em bisel). ferida. de SALTER-HARRIS:  Deslocamento completo da epífise (placa de crescimento).  Incompleta (fissura). Pode ter acontecido de dentro para fora (ex.  Segmentar/Múltipla (várias fraturas no mesmo osso – vários segmentos – segmentos maiores). .  Fechada = não apresenta ferida na pele.esmagamento).  Tipo II = Lesões maiores em tecidos moles. projétil de fogo).  Aberta = Há ruptura na pele. Quanto à lesão em tecido mole: 226  Tipo I = Pequena lesão em tecidos moles. Em animais jovens. Lesão moderada. Quanto à linha de fratura:  Transversa..  Fratura impactada (um osso entra no outro). Quase sem lesão. superfície articular até a placa epifisária e sua periferia).  Espiral (uma linha de fratura).  Intra-articular (epífise e parte da articulação. pela própria fratura) ou de fora para dentro (ex..  Tipo III = Grandes lesões em tecidos moles.  Linha de fratura só em uma parte da epífise e pedaço da metáfise (mais comum). Quanto à extensão da lesão:  Completa.  Cominutiva (várias linhas de fratura e fragmentos . ou seja. Classificação das fraturas epitisárias em animais jovens.

 Temperamento do animal. Patogenia O osso quebra quando uma força é exercida sobre ele até que sua resistência final seja rompida. pino e fixador externo.  Localização da fratura. Biomateriais A sobrecarga pode levar a fratura do material.  Restaurar a função normal do membro.  Quantos membros foram afetados.  Cuidado pós-operatório do dono.  Custo e experiência profissional.  Deve ser rápida e segura. O que vai influenciar na escolha do tratamento:  Tipo de fratura. O tratamento deve restabelecer a rigidez óssea de forma temporária até cicatrizar. . Externos Bandagens Talas Tipo de implante interno: placa. Tratamento 227 Considerações sobre o método de correção escolhido:  Deve oferecer consolidação segura. Ocorre quando o osso não consegue mais absorver a energia do impacto.

Aparelho gessado cilíndrico completo Quase não se usa mais.2% .03% . Sendo desse modo mais resistente que o aço ao longo do tempo.10-14% .60% .Cromo 17-20% .Níquel .2-4% . Padrão adequado – aço inoxidável com baixo teor de carbono. Rigidez do material: titânio e menos rígido que o aço. Desvantagens: o animal não fica quieto. etc.75% . morde. come. um pouco mais flexível. .Manganês . pisa na água. Também nesse caso o titânio é melhor.Silício 0. Aço inox liga 316 L 228 .Chumbo A 2 Ppm Resistência: Aguentar a carga repetida durante recuperação do animal é o mais importante. O aço inox não é muito resistente ao estresse prolongado.Ferro – 55 . O Titânio: não provoca reação tecidual Ductibilidade: Determinar até que grau a placa precisa ser moldada.Enxofre E Fósforo – 0.Molibdênio .

229 Fixação por pino intramedular Pode ser único ou múltiplo. Ele vai impedir as forças de flexão e cisalhamento (parcialmente porque há tecido mole no meio). se o cão não quebrar). etc. não impede as forças de rotação. O importante é que ele acompanhe a conformação do membro e inclua as duas articulações (proximal e distal). impede o cisalhamento. O pino vai impedir a flexão e o cisalhamento (se o pino for único. não. O gesso. no entanto.Apresentam furos por onde fixam parafusos.Kuntscher .Triangular (como uma calha). E – Interlocking .). ele só está impedindo a de tensão. O gesso deve ser forte o suficiente para aguentar o peso do animal. Correção cirúrgica de fratura em Fêmur: Pino e fio de cerclagem . B – Kirschner: Rosqueado com menor diâmetro (ponta em trocater). Se for mais de um ou então mais grosso. é mais rígido que a tala.Ponta dobrada como um “guarda-chuvas”. A – Pino de Steinman Ponta em : Trocater (triangular)/Bisel Rosqueado / Circular. Quando usamos dois pinos a chance de rodar dentro do canal medular é menor. mas também tem suas contraindicações: duas irrigações. tensão e compressão (na verdade. no entanto. O gesso. evitando a rotação. D . Apoio em três pontos. O pino deverá ter 1/3 do diâmetro do osso e sua colocação cruzada. C – Rush .

com. Fonte: WWW.cerclagem ajustada com o fêmur no seu eixo. 230 Figura 91 . Acessado em: 02 de fevereiro de 2008. Figura 94 . .Redução da fratura com fixação interna com pino de aço para posterior ajuste da cerclagem. Figura 92 .redvet. Figura 36 .Pino intramedular sendo colocado em posição para a fixação do foco de fratura. Figura 93 . Figura 95 .Incisão lateral da pele.Introdução de fio de aço nas extremidades opostas da fratura e introdução de pino de aço intramedular.Exposição do fêmur na região da fratura.br.

dão uma boa fixação. Ela é mais facilmente moldada (melhor manipulação). são vários “gominhos” e quebra com facilidade está caindo em desuso. levando a uma osteoporose temporária e quando retira os osteoclastos e a neovascularização agem remodelando o osso tornando-o anatomicamente normal.br. A – Placa de Compressão – traciona a placa ao osso Coloca-se 1º os parafusos próximos ao local da fratura e a seguir na borda externa da placa para aproximar os fragmentos. fraturas de acetábulo.Placa de reconstrução. D .com. Ex. usada principalmente para ossos irregulares.Pele suturada. A resistência do osso após a colocação é muito boa. . 231 Figura 96 . C – Placa Semitubular ou de sustentação . Acesso em: 02 de fevereiro de 2008. Fonte: WWW.um pouco mais resistente que a placa reta. Figura 97 . As placas de compressão não provocam reabsorção óssea (área de descalcificação). B – Placa Neutralizadora – neutraliza as forças tracionando o osso de forma mais leve.Fáscia suturada. mais facilmente moldada. Placas ósseas Inibem todas as forças. pois ocorre uma reabsorção óssea. Ao remover a placa três ou quatro meses após fica marcada no osso. E reta indicada para osso irregular.redvet.

fratura cominutiva com vários segmentos a placa é ideal. Conseguimos reduzir fratura usando somente o fixador externo ou abrindo somente o local da fratura para colocar uma placa associada. Pode-se instituir o seguinte: longe/próximo/longe/próximo. 232 Fixação esquelética externa (Fixadores externos) É o mais versátil e o mais adaptável também inibe todas as cinco forças. Se estiver muito próximo da articulação: pode-se usar um pino em cima e um parafuso e dois embaixo ou ultrapassar a articulação e fixar o 2º pino no outro osso. Deixar fixador por dois meses. A fixação mais forte não é necessariamente ideal. T ) – são usadas de acordo com a necessidade. . Com a fratura inicia reações importantes – hematoma da fratura possui células importantes para cicatrização. Porém no caso de fratura transversa não é necessário. dependerá do caso. F – Placas anatômicas (L. Ex. Colocação: inserção dos primeiros pinos tem que ser próximos ao foco de fratura para permitir melhor estabilidade e o segundo colocar o mais distante possível do foco de fratura para dar mais rigidez. Se puder fazer redução fechada com fixador será melhor.

Acesso em: 02 de fevereiro de 2008. Promove uma boa resistência. Figura 100.Introdução de pinos lisos por meio da tíbia e união dos cinco pinos através de um pino paralelo ao membro. Correção de fratura com pinos e resina acrílica em forma de fixação externa A resina acrílica é de baixo custo. medial e distal) através de sua face lateral. .Introdução de três pinos rosqueados em fêmur (terço proximal. Fonte: WWW.Sutura da pele. 233 Figura 99 .redvet. após o término da colocação do fixador externo. Pode ser mono ou bilateral. Figura 98.com.br. e dá uma boa fixação quando associada a três ou quatro pinos fixados de forma transversal ao foco de fratura.

Introdução de pinos transversalmente ao Rádio em terço proximal. Figura 103 . . dificultando a colocação da resina deverá ser fixado com pinça óssea. 234 Figura 101 . Os pinos serão colocados obliquamente. Figura 104 . Figura 102 . com angulação para melhor fixação e terão suas pontas entortadas e seladas por meio de resina acrílica autopolimerizável.Exposição do Rádio fraturado. Para o pino não ficar torto durante.Exposição do local da fratura. É importante dobrar as pontas dos pinos para firmar a resina e não haver afrouxamento.Incisão medial.

Figura 106 . Figura 108 . .Todos os pinos fixados.Aplicação da resina acrílica. Figura 107 .Fixação dos pinos com pino amarrado com fio de cerclagem.Introdução de pinos transversalmente ao Rádio em terço distal. 235 Figura 105 .

com. sendo rosqueado somente na segunda porção para prender na outra cortical. Figura 110 . Mais utilizado em fraturas cominutivas. Fixação auxiliar:  Cerclagem: usada para melhorar a coaptação. Esponjoso – alta compressão/rosca após foco da fratura.br.  Fios metálicos. 236 Figura 109 – Resultado final após a resina ter sido aplicada sobre os pinos. . Parafuso de compressão: deverá formar angulação de 90º com a linha de fratura. Auxilia a fixação primária.Pele suturada na parte medial. Parafuso poderá ser colocado reto ou com angulação de acordo com a necessidade. A 1º porção é lisa. Usado antes da placa. Aproximar os segmentos ósseos.redvet.  Parafusos: Cortical – rosca em toda extensão. colocada de forma bilateral. Acesso em: 02 de fevereiro de 2008. Fonte: WWW.

A videocirurgia apresenta vantagens tais como acesso por meio de pequenas incisões. A videocirurgia. . bem como para visualizar. por constituírem uma modalidade inovadora de acesso muito vantajoso para procedimentos cirúrgicos diagnósticos e terapêuticos. Não substituem totalmente as cirurgias convencionais. explorar e realizar biopsia em estruturas abdominais com finalidade diagnóstica.18VIDEOCIRURGIA 18. menor trauma aos tecidos. 18. menor tempo de hospitalização do paciente. Na medicina veterinária foi. é limitada por fatores como custo elevado de equipamentos e treinamento cirúrgico específico.2 Introdução As abordagens minimamente invasivas estão transformando a cirurgia na medicina humana e veterinária. recuperação pós-cirúrgica mais rápida. inicialmente. menos desconforto e dor no pós-operatório.1 Definição 237 Procedimento de invasão mínima que permite a visualização direta das estruturas intracavitárias normais ou com alterações patológicas. mas estão se incorporando ao arsenal cirúrgico moderno. menores custos e melhores resultados estéticos. utilizada para investigações reprodutivas. contudo.

nefrectomia.3 Indicações 238 Destacam-se procedimentos cirúrgicos como: ovariectomia em cadelas e em éguas. 18. com a finalidade de proporcionar adequada exposição das estruturas abdominais e manutenção de campo cirúrgico.  Trauma de grandes vasos.  Compressão dos grandes vasos da corrente venosa de retorno ao coração. Complicações:  Perfuração das vísceras. Mesmo considerando essas limitações. ovário-histerectomia em cadelas.  Trendelemburg – leve inclinação da calha cirúrgica para melhor visualização intra-abdominal. criptorquidia em cães e em gastropexia. Técnica cirúrgica . Posição:  Decúbito dorsal. cirurgias minimamente invasivas têm sido aplicadas na medicina veterinária. porém causa uma compressão mais acentuada ao diafragma. Para realização de procedimentos laparoscópicos é necessário o estabelecimento do pneumoperitônio.  Acidose respiratória. esplenectomia e também em herniorrafia diafragmática e algumas cirurgias torácicas.

o mesmo será retirado com auxílio de uma pinça de apreensão com dentes. mediante o uso de pinça aplicadora de clipes ou são ligados com fio de sutura. seguida de aspiração.9%. pinças e tesouras. na região umbilical ou paracostal direita para instalação do pneumoperitônio com pressão máxima entre 10 e 12mm Hg. realiza-se exploração da cavidade abdominal para verificar eventual lesão de víscera por efeito da introdução da agulha de Veress ou do primeiro trocarte. Aplicam-se dois ou três clipes de titânio médio-grande (dois proximais e um distal ao órgão). As cânulas são retiradas sob visualização. o CO2 é removido abrindo-se a válvula de uma das cânulas ao mesmo tempo em que se mantêm leve pressão sobre o abdômen. Por eletrocauterização. Após divulsão do órgão alvo. Posicionados em decúbito apropriado. Animais são devidamente anestesiados e mantidos com anestesia inalatória. Após liberação do órgão ou estrutura alvo faz-se a secção e pelo portal três. A parede abdominal é suturada de modo rotineiro. A cavidade abdominal é irrigada com solução Nacl 0. secciona-se a estrutura afetada ou a ser removida. A seguir são realizadas quatro incisões de pele para introdução dos trocartes. Compressas de gaze são introduzidas na cavidade para remoção parcial de sangue. São então realizadas as seguintes manobras cirúrgicas: localização e individualização da estrutura a ser avaliada ou removida do local acessado. Inicialmente. faz-se a identificação dos vasos a serem ligados com clipes ou fios de sutura. . A cavidade abdominal é puncionada com agulha de Veress. amplia-se a incisão da parede abdominal para a saída das estruturas citadas. Quando necessária. Finalizando-se o procedimento. Estes quatro portais permitem a passagem da ótica (30 graus e 10 mm de diâmetro) e 239 também do instrumental cirúrgico.

Fonte: Catálogo storz. projetando-as em um monitor. Figura 113 – Trocarter utilizado para fazer os portais de acesso à cirurgia. 2004. Fonte: catalogo storz. Representa os “olhos” da videocirurgia. Fonte: Catálogo storz. Figura 112 – Diferentes tipos de pontas da pinça de videocirurgia. Figura 115 . 2004. Fonte: Folheto KARL STORZ (1992) .Instrumentos cirúrgicos especiais para videocirurgia 240 Figura 111 – Pinça para videolaparoscopia. 2004. Fonte: catalogo storz. Figura 114 – Ótica – utilizada acoplada a uma fonte luminosa com intuito de visualizar as estruturas intracavitárias.Cânula para pneumoperitônio segundo VERESS. 2004.

Fonte: Oliveira. pronto para ser utilizado. 2005. . Fonte: Oliveira (2005). Figura 119– Todo o equipamento para videolaparoscopia montado. Fonte: Oliveira. Figura 118 . 175 Watts.Equipamentos 241 Figura 116– Monitor e Endocâmera. 2005. Figura 117 – Fonte de luz fria com lâmpada de xénon. 2002 . Fonte: Catálogo storz.Fonte de luz e insuflador.

primeiro acesso a cavidade. Fonte: Arquivo pessoal.punção com agulha de Veress. A partir deste momento todos os movimentos são monitorados na tela da televisão ou computador acoplado ao equipamento. Cetrex – Brasília. setembro de 2006. Cetrex – Brasília. setembro de 2006.Depois de passado o condutor o mesmo é suturado a pele para que não aja perda do pneumoperitônio e seguida é passada a ótica (endocamera). Fonte: Arquivo pessoal. B: Agulha aspirando a cavidade para verificar se há hemorragia por perfuração de algum órgão. . Cetrex – Brasília. Fonte: Arquivo pessoal. demonstração do local e forma correta para se introduzir o trocárter na cavidade abdominal. Procedimento cirúrgico 242 Figura 120 A. setembro de 2006. C: Insuflador acoplado para fazer o pneumoperitônio e assim permitir melhor visualização dos órgãos na cavidade abdominal. Figura 121: demonstração de como se faz o primeiro acesso (portal). Figura 122 .

momento para se começar o procedimento cirúrgico. setembro de 2006. setembro de 2006. Cetrex – Brasília. setembro de 2006. Cetrex – Brasília. isso evita que ocorra complicações como perfuração ou hemorragia. Figura 125 – A: visualizando imagem no monitor. observe a iluminação. Figura 124 . B – Animal em decúbito dorsal e Trendelemburg C. Fonte: Arquivo pessoal. 243 Fonte: Arquivo pessoal.Todos os portais de acesso já com as pinças cirúrgicas e.destacando a posição dos cirurgiões durante o procedimento cirúrgico. Cetrex – Brasília. Figura 123– por meio de iluminação intracavitária escolhem-se os outros portais. óticas acopladas. . Fonte: Arquivo pessoal.

2005. 2005. Fonte: Oliveira. 2005. Figura 126– A:Individualização de útero. B: individualização do ovário Fonte: Oliveira. . Figura 128. 244 Figura 127– A: Apreensão do pedículo ovariano e dissecção por eletrocauterização do ligamento suspensório do ovário. B: Secção do ligamento. Fonte: Oliveira.Introdução do fio na cavidade para ligar o complexo arteriovenoso.

Figura 129 .secção do complexo arteriovenoso. 245 Fonte: Oliveira. C: útero já extirpado. Fonte: Arquivo pessoal. 2005. Cetrex – Brasília. . Figura 130 . setembro de 2006.A e B: Retirada do útero inteiro da cavidade por um dos portais.

Existem relatos de gatos que recebem rins transplantados com sobrevivência de seis anos ou mais depois de cirurgia. eliminação da doença e terapia de manutenção terapêutica do paciente transplantado é de alto custo. Uma vez que. 246 Porém. alívio da IRC.0 mg/dl). e perda de peso progressivo apesar de terapia dietética adequada.1 Indicações para transplante renal Para se realizar um transplante renal tem que haver a IRC diagnosticada apropriadamente. 19. deve-se considerar que um transplante de rim requer um compromisso do proprietário devido ao investimento financeiro e esforço exigido para manter estes pacientes depois de cirurgia. um é indicador muito importante para realização precoce do transplante. Cada vez mais cães e gatos levam vidas mais longas e saudáveis após um transplante renal. sinais . Porém. Pacientes de transplante exigirão medicamentos diariamente de forma vitalícia para prevenir a rejeição. valores de creatinina no soro (creatinina maior ou igual que 4. Considera-se que a perda de peso de maior que 20% leva a um prognóstico reduzido para o sucesso da cirurgia de transplante renal. O transplante deveria ser executado assim que a perda de peso progressiva fosse identificada. O rim implantado normalmente funciona e deve promover uma melhor qualidade de vida pelo receptor do transplante.19 TRANSPLANTE RENAL O Transplante renal está sendo executado com frequência crescente em cães e gatos e é uma terapia que pode restabelecer a função renal e melhorar a qualidade de vida do animal.

Uma semana geralmente é o mínimo. . É importante lembrar que o transplante renal não é um tratamento de emergência para tentar salvamento do paciente extremamente doente. Convém que o proprietário juntamente com o veterinário planeje a cirurgia. dificuldade de se manter (alimentação e hidratação). Doenças como nefrite intersticial idiopática crônica. 19. insulto tóxico irreversível prévio. ou doença de rim policístico podem ser bons candidatos ao transplante.2 Candidatos para transplante renal Existem certos critérios que candidatos de transplante renal em potencial têm que cumprir antes de ser indicado para transplante. todos os candidatos. Pode levar mais tempo dependendo da disponibilidade do doador e compatibilidade com o receptor. ou problema secundário a IRC (anemia é a sequela mais comum e mais cedo de acontecer) . dependentes de fluidos subcutâneos. O protocolo cirúrgico deverá ser organizado com tempo. devem estar livres de qualquer doença sistêmica diferente de IR. Em geral. deve-se ter e avaliar um doador e preparar o receptor para cirurgia. peso do animal. Pacientes apresentados para transplante na fase terminal de fracasso renal têm um prognóstico ruim para sucesso ou sobrevivência 247 durante a cirurgia. glomérulo-esclerose. Cães com infecções urinárias podem ser considerados quando tratados.de descompensação. Qualquer cão ou gato com uma doença que poderia afetar o rim transplantado potencialmente (como pielonefrite) não deveriam ser transplantados.

O melhor candidato de transplante é o paciente que é exteriormente saudável. num volume de 75 a 100mL/kg de peso. e cirurgia em uma a duas semanas. devem ser removidos os metabólicos tóxicos (por excreção ou diálise) antes do transplante para evitar danos maiores. Transplante nunca é uma cirurgia de emergência. Se os pacientes não podem ser estabilizados de forma medicamentosa é um indicativo de risco cirúrgico. Com IRA. por 24 horas. podendo eliminar o candidato em questão. ao paciente receptor. 19. doença inflamatória crônica do intestino ou amiloidose aumentam as chances de um resultado ruim depois de cirurgia ou um período de vida curto para o rim transplantado. Estes pacientes podem manter a própria alimentação e ingestão de água adequadamente. ringer com lactato. doenças como oxalúria. o paciente pode ser estabilizado com hemodiálise e em intoxicação. soluções hidroeletrolíticas. antes da intervenção. Não seria executado transplante renal em pacientes com doença cardíaca significante. FIP ou FeLV. Em alguns animais a transfusão sanguínea se faz necessária para a manutenção do hematócrito entre 25 a 30% em cães e 15 a 20% em gatos. infecção urinária bacteriana ativa. Semelhantemente. hipertensão.3 Pré-operatório No período pré-operatório administram-se. . 248 diabetes. certos cânceres ou infecções viróticas como FIV. Cães e gatos que requerem fluidos subcutâneos ou um tubo gástrico para alimentação devem ter o transplante o mais cedo possível. por via IV.

Ao doador e ao receptor administra-se ampicilina ou amoxicilina, 30 minutos antes da
intervenção cirúrgica, como profilaxia de infecção.

19.4 Exames pré-operatórios 249

Deve-se fazer um hemograma completo (contagem de glóbulos completo), perfil
químico de soro, urinálise e cultura (urina obtida por cistocentese), testes para vírus felino (FeLV,
FIV, FIP) , avaliação cardíaca (auscultação, radiografia de tórax e eletrocardiograma e
ecocardiograma), radiografia abdominal – examinar a área urinária para presença de
mineralização, cálculos, tamanho do rim ou outras anormalidades, dosar hormônios da tiroide,
medida de pressão sanguínea (ultrassom de doppler), tipo sanguíneo.

Determinar o tipo sanguíneo do receptor é importante porque os cães gatos doadores
(SRD) uniformemente tem um tipo de sangue. Se o receptor tiver tipo B ou tipo sangue de AB, é
improvável achar um cão ou gato doador de rim para a cirurgia.

Felizmente, estes tipos sanguíneos não são frequentemente encontrados, são vistos
mais em certos animais de sangue puro exóticos. Se o cão ou gato tem tipo sanguíneo B ou de
AB, terá que achar um cão ou gato doador para a cirurgia, possivelmente cão ou gato puro
sangue.

Teste de compatibilidade sanguínea do sangue do receptor com doador. Embora cães
e gatos possam ter o mesmo tipo sanguíneo, existem receptores que não são compatíveis com o
cão ou gato doador. Isto também ocorre em cães e gatos que não tiveram uma transfusão prévia
ou qualquer razão para ter sido exposto aos antígenos do doador. Assim, a partida é um teste
essencial identificando um cão ou gato doador (tipo sanguíneo só não é adequado).

Avaliação de rim - em geral, se os rins forem pequenos em tamanho, não requer uma
biópsia renal antes de transplante porque a anestesia e procedimento de biópsia aumentam o

risco de induzir a perda da função renal residual propiciando uma crise de urêmia terminal.
Porém, se os rins são de tamanho normal ou grande (ou tem anormalidades isoladas não
identificadas) em radiografa ou ultrassom, eles devem ser biopsiados desde que o cão ou gato
pode ter uma condição, como linfoma renal que os desqualificaria como um candidato de
transplante.

250

19.5 Seleção do Doador

O doador renal deve ter porte similar ao receptor ou um pouco maior.

Apresentar compatibilidade sanguínea com o receptor e estar com a saúde perfeita. A
compatibilidade sanguínea entre o doador e o receptor é um fator importante, visto que o
antígeno, presente nas células vermelhas do sangue também estão presentes no endotélio
vascular do tecido transplantado e a produção de anticorpos para esses antígenos promove o
aparecimento de coágulos nos vasos do enxerto e enfarto do órgão no momento do transplante.

Para confirmação do estado de saúde do animal realiza-se hemograma, perfil
bioquímico, urinálise, urografia excretora e pielografia para verificar a forma e a vascularização
renal; e os gatos são testados para leucemia e imunodeficiência felina.

O doador deverá estar sem nenhum risco para problema renal e ter menos que seis
anos de idade.

Não tem que ser da mesma raça mais seria preferível.

A remoção de um rim não resultará em qualquer problema de saúde. O rim restante no
doador aumentará e eventualmente alcançará 75% da função total dos dois presentes.

O doador pode ser encontrado pelo cliente ou pelo veterinário, o cliente geralmente
adota aquele animal doador depois da cirurgia. Existem preocupações com o receptor em aceitar
um novo animal na casa, mas normalmente não desencadeia nenhum tipo de estresse.

251
19.6 Receptor

O candidato ao transplante deve ser internado dois a três dias antes de cirurgia para
preparação de pré-cirúrgica.

Antes do transplante, o receptor recebe fluidos e uma dieta com baixo índice proteico.

Anemia só é corrigida antes de cirurgia com transfusões e terapia de eritropoetina. Um
tubo no estômago pode ser cirurgicamente colocado em alguns cães e gatos para alimentar o
paciente anoréxico.

Porém, deve ser lembrado que o paciente debilitado com IRC terá limitado sucesso, o
transplante deveria ser feito antes de debilitação física generalizada estar presente.

Ciclosporina e imunossupressivos de prednisolona serão começados 24 a 48 horas
antes da cirurgia. Estas drogas são administradas duas vezes por dia, com ajustes eventuais nas
dosagens.

Um dia antes da cirurgia o receptor terá cateteres apropriados colocados e isso será
usado depois de cirurgia para administração de fluidos, retirando amostras de sangue. Além
disso, a maioria dos pacientes recebe uma transfusão de sangue neste momento.

No dia seguinte o paciente irá para cirurgia.

19.7 Protocolo Anestésico

Os protocolos anestésicos variam de acordo com os pacientes, mas em geral, a
medicação pré-anestésica utilizada para o transplante renal consiste em sulfato de atropina (0,01 252
a 0,04mg/kg) e oximorfina (0,05mg/ kg), ambos por via subcutânea. A indução e manutenção da
anestesia são obtidas com mistura de isoflurano e oxigênio em aparelho de anestesia inalatória.
Durante o procedimento cirúrgico são administrados, por via intravenosa, soluções
hidroeletrolíticas balanceadas (10 a 20mL/kg/hora) e/ou sangue para manutenção do
hematócrito = 30%. A pressão arterial sistêmica é monitorada diretamente por cateterização
arterial ou indiretamente com o auxílio do Doppler, sendo que se mensurada por cateterização
deve apresentar valores maiores que 60mmHg, enquanto a mensurada com o auxílio do Doppler
deve ser = 90mmHg . Para suporte da pressão arterial administra-se dopamina (3 a
5mg/kg/minuto) por infusão venosa. A gasometria venosa e arterial e os eletrólitos devem ser
mensurados com frequência para que, se necessário, seja feita a correção. Quando a
concentração de cálcio ionizado for < 0,7mmol/L faz-se necessário à administração de solução
de cloreto de cálcio IV, pelo período de 20 a 30 minutos e, se a concentração de potássio sérico
for <3mmol/L administra-se cloreto de potássio.

A analgesia intra e pós-operatória pode ser alcançada com a administração de morfina
epidural ou butorfanol, por via intramuscular (0,05 a 0,1mg/kg).

19.8 Técnica cirúrgica

O transplante renal envolve dois procedimentos cirúrgicos importantes: a nefrectomia
do animal doador e o transplante desse rim para o paciente portador de IRC.

O tempo do transplante não deve ultrapassar 60 minutos, com o intuito de minimizar a
isquemia do rim.

Ao paciente doador administra-se manitol (1 a 2g/kg) por via intravenosa, 15 a 20
minutos antes do início da nefrectomia, para reduzir a incidência e a duração da necrose tubular
aguda associada com a isquemia renal.

253
A nefrectomia do doador começa antes da preparação do paciente que receberá o
transplante.

O doador é posicionado em decúbito dorsal e inicia-se a laparotomia através da incisão
mediana pré-retroumbilical da pele, subcutâneo e linha Alba.

Lupas com aumento de duas a três vezes são recomendadas para a dissecação
vascular. Um rim saudável é removido do doador e transplantado para o cão ou gato receptor.

Durante o processo microcirúrgico, o ureter do rim do doador é ligado à bexiga do
receptor e o novo rim é ligado aos vasos sanguíneos do receptor.

Os rins afetados permanecem no cão ou gato doente. O novo rim é colocado próximo à
bexiga.

O cão ou gato receptor viverá com três rins e o doador com um. Na realidade, os dois
rins originais apesar de fracos ainda desempenham alguma função, e são vitais na maximização
das possibilidades de sobrevivência.

Os pedículos vasculares dos rins, esquerdo e direito são examinados, pois se
necessita de um segmento da artéria renal com comprimento mínimo de 0,5cm e, se houver
ramificações nos vasos renais, preservam-se a artéria e a veia de maior calibre para as
anastomoses. Normalmente, dá-se preferência à remoção do rim esquerdo, uma vez que este
apresenta maior comprimento do pedículo vascular que o rim direito.

Remove-se o máximo da camada adventícia que envolve a artéria e veia renal e o
tecido adiposo da região pélvica.

Na sequência, a veia ovariana ou testicular é ligada e todos os ramos menores
cauterizados, antes da secção da artéria e veia renais.

A artéria ilíaca é isolada e sua oclusão é obtida com o auxílio de uma pinça vascular de bulldog. Enquanto o rim estiver em fase de preparo. 254 lidocaína 2% sem epinefrina (6L) e heparina (2. Para que as anastomoses dos vasos sejam obtidas com maior facilidade. A veia renal é anastomosada à veia cava caudal e a artéria renal para a aorta sob uso de um microscópio cirúrgico. a partir da porção proximal da artéria. O rim do doador é lavado com solução contendo cloreto de sódio a 0.9% (500L). a anastomose da veia renal é realizada antes da artéria renal. próximo ao anel femoral. . na sequência. sendo que maiores ampliações são necessárias para a ureteroneocistostomia. procede-se a incisão entre as pinças. Quando ambos os locais de anastomose estiverem completos. A porção livre da artéria é dilatada com o auxílio de fórceps e a adventícia é excisada em torno de 0. e término lateral da veia renal com a veia ilíaca. Em razão a maior dificuldade de exposição da veia ilíaca e pela sua localização mais lateral e mais profunda quando comparada com a artéria ilíaca. o local de enxerto no receptor está preparado. que é posicionada próxima à bifurcação da aorta e à aplicação de ligadura. mais distalmente. estas devem ser feitas com o auxílio de lupa de ampliação (2 a 10X). a artéria e a veia renal do doador são ligadas e seccionadas. as pinças vasculares são libertadas para permitir fluxo venoso e fluxo arterial. o rim esquerdo é transplantado na fossa ilíaca direita e vice-versa.000 Unidades). é banhado com salina.25 a 1mm de comprimento. A fossa ilíaca escolhida é preparada para a anastomose término terminal da artéria renal com a artéria ilíaca. Uma vez que o rim é afastado do doador. Realiza-se a laparotomia mediana pré-retroumbilical no paciente que receberá o órgão. sempre preservando o suprimento sanguíneo. Quando a preparação do paciente que receberá o rim estiver concluída. O ureter é liberado dos tecidos adjacentes em todo o seu comprimento até o ponto de inserção à bexiga. injetada através da artéria renal até que a veia renal esteja livre de coágulos sanguíneos.

o rim é suturado na parede abdominal adjacente. com uma distância de 180º entre elas. A 255 anastomose é concluída com a aplicação de duas suturas contínuas simples posicionadas lateral e medial à veia. promove-se um defeito na parede da veia. A B Figura 131 – A: Relação anatômica entre a artéria ilíaca externa e a veia. que são colocados ao longo da curvatura maior transfixando a cápsula renal e o peritônio.A artéria ilíaca foi preparada para anastomose término-terminal com a artéria renal e a veia ilíaca preparada para anastomose laterolateral com a veia renal. Para prevenir torções no pedículo vascular e consequente isquemia no tecido transplantado. no aspecto cranial e caudal à veia.R.. na sequência.75mg/kg) por via intravenosa. . Após a anastomose venosa. a figura abaixo.0. M.I. com dois pontos interrompidos simples e fio polipropileno nº 5-0. As pinças são colocadas na veia ilíaca com a máxima distância entre elas. Para a anastomose da veia ilíaca à veia renal aplicam-se duas suturas interrompidas. ligeiramente mais largo que o diâmetro da veia renal do doador. na sequência. A veia ilíaca é isolada e as veias tributárias são ligadas antes do posicionamento de duas pinças vasculares bulldog. Durante a anastomose arterial administra-se manitol (0. Figura B . a artéria renal e a artéria ilíaca são alinhadas e se aplicam duas suturas de reparo. pontos interrompidos simples com fio de náilon ou prolene nº 8-0 concluem a anastomose arterial. Atlas of Small Animal Surgery). Observe a figura acima e logo após. com fio de seda siliconizado ou prolene nº 6. (Adaptado do GOURLEY. GREGORY C.

b Figura 132 a .R.A artéria renal e a artéria ilíaca são alinhadas e se aplicam dois pontos de reparo.. . 3 Figura 133 . GREGORY C. Figura 2b .R. A B 256 2. cranial e caudal à veia. Atlas of Small Animal Surgery). a uma distância de 180º entre eles. M.Aplicação de duas suturas contínuas simples entre as veias ilíaca e renal. (Adaptado do GOURLEY.a 2. M.I.Anastomose da veia ilíaca com a veia renal pela aplicação de dois pontos interrompidos posicionados nos aspectos. (Adaptado do GOURLEY. GREGORY C..I. Atlas of Small Animal surgery). Na sequência pontos interrompidos simples com fio de náilon ou polipropileno nº 8-0 concluem a anastomose arterial. Fig.

se possível.3mm. que ocorre principalmente em gatos. sendo que apenas 1 a 257 2cm do segmento livre do ureter penetra. na sequência. Ocasionalmente. com o objetivo de prevenir hemorragias. pela parede dorsal da bexiga. A artéria ureteral. Inicia-se com a cistotomia na face ventral da bexiga. é isolada e ligada com fio absorvível sintético nº 5-0 ou 6-0. para o interior da bexiga. Fig. que auxilia a sutura do ureter à mucosa vesical que é realizada com a aplicação de dois pontos interrompidos simples com náilon nº 8-0. . a porção livre do ureter é passada por meio de um túnel. Os rins nativos não são removidos assim o cão ou gato normalmente termina com três rins. distanciados um do outro em 120º. Esta técnica tem como função diminuir a incidência da obstrução ureteral. Com o ureter inserido no lume da bexiga remove-se sua porção final e 3 a 4mm do tecido periureteral. podem ser removidos um ou ambos os rins nativos para tentar prevenir problemas relacionados a estes rins. 134: O rim é transplantado no abdômen. aproximadamente 0. devido ao pequeno diâmetro do ureter. 4 Fig. O ureter é cateterizado com fio de polipropileno nº 5-0. A ureteroneocistostomia extravesicular justapõe a mucosa ureteral com a mucosa intacta da bexiga. Realiza-se a síntese da parede da bexiga e o ureter é ancorado na camada serosa por meio de dois pontos interrompidos simples e fio de náilon nº 8-0.

. 258 Figura 135: Técnica cirúrgica conforme descrita anteriormente.

Monitoração diária é feita enquanto o animal estiver no hospital. infecções. É possível que o processo inicial de rejeição possa vir acompanhado por um aumento na creatinina ou diminuição da densidade específica da urina. contagem de células vermelhas e ciclosporina no sangue. . Depois é semanal normalmente durante um mês. A taxa de sucesso para transplante renal canino é aproximadamente 40%. atitude deprimida. nível de creatinina no soro é avaliada junto com a gravidade específica da urina. o novo rim não começa a funcionar imediatamente e então será necessária a ajuda dos rins originais que só serão removidos em caso de desenvolverem uma 259 infecção ou tumores. O receptor normalmente fica no hospital por 10-14 dias pós-transplante. perda de energia. problemas gastrointestinais. Eventualmente. em termos de exames de sangue nos primeiros meses depois de cirurgia. e neoplasias. Os primeiros sinais de um episódio de rejeição será uma mudança de comportamento do animal. etc. apatia. Perda de apetite. Manutenção do apetite.9 Pós-operatório Em alguns casos. o doador pode ser liberado dois dias depois de cirurgia. e complicações com drogas terápicas. dependendo do indivíduo a monitoração será feita a cada 2-3 meses. hepatotoxicidade supressão de medula óssea. Então os intervalos são aumentados para quinzenal e mensalmente.19. vômito. A causa principal de morte não é nenhuma rejeição crônica mais outro problema associado com IR no paciente. Estas complicações podem requerer imediato e agressivo tratamento de emergência e pode ser fatal. A monitoração pós-operatória e o cuidado com paciente de transplante é muito intenso. Complicações principais que podem acontecer depois do transplante incluem rejeição aguda do rim.

. Cães e Gatos mais saudáveis devido ao transplante parecem ficar mais capazes de metabolizar ciclosporina (provavelmente o fígado está mais saudável também). proteína total. Deve-se monitorar o peso. O exame de sangue é vital logo antes da próxima dose de ciclosporina para adquirir uma avaliação precisa 260 dos níveis de droga. hematócrito. Em particular. é importante que a ciclosporina seja monitorada de perto. ureia. compostos nitrogenados. densidade específica da urina e nível de ciclosporina no sangue periodicamente. nível creatinina.

. Entretanto. mas quando a dor e fraqueza estão presentes.  O momento ideal para cirurgia é quando a musculatura ainda não se apresenta atrófica. o resultado obtido é cerca de 90% satisfatório.  A experiência da técnica cirúrgica para substituição total do quadril vai sendo adquirida com o passar do tempo de acordo com maior número de intervenções.  Somente um dos quadris deve ser substituído. Da mesma forma que os componentes da prótese. no Brasil desde 2000 vem sendo realizado de forma cada vez mais rotineira. como um método viável de tratamento de articulações humanas incapacitadas e em cães no ano de 1976. desde conservador até cirúrgico. 20.  Os instrumentos utilizados para realizar esse procedimento são específicos e de material que permitam durabilidade e esterilização.1 Particularidades  A nova articulação. deve-se realizar a substituição dos dois. para ser implantada necessita do auxílio de um cimento ósseo.20 PRÓTESE TOTAL DE QUADRIL Considerações gerais O tratamento para doenças que acometem a articulação coxofemoral em cães e gatos 261 é variado. A primeira substituição total de quadril em humanos aconteceu em 1961. Porém ao se realizar uma substituição total de quadril com emprego de prótese. prótese. se ambos estiverem debilitados. de acordo com o grau de lesão.

20. aumento da massa muscular do membro e eliminação de sinais de dor.2 Vantagens na substituição da articulação coxofemoral 262 Aumento na atividade. 20. resistência.3 Objetivo  Aliviar a dor.4 Cão candidato .  Cães com excisão da femoral não são bons candidatos.  Promover estilo de vida ativo. 20.  Melhorar a função do quadril.  Correção do movimento reduzido da articulação artrítica. melhorando a movimentação do membro.

2000.5 Prótese A prótese é composta por três ou dois elementos:  Haste femoral. ou seja. deve ter no mínimo nove meses de idade. Mas não existe idade limite para realizar a cirurgia. podendo desta forma levar a perda de sua estabilidade e comprometer o bom desempenho. cabeça e haste femoral como um único elemento.  Corpo acetabular. cabeça femoral e corpo acetabular. dois componentes. Fonte: Biomedtrix. Figura 136 – prótese do quadril. Um cão para poder receber uma prótese articular de quadril. quando o crescimento longitudinal do osso esteja completo. O implante a ser utilizado pode ser mais duro ou mais flexível de acordo com o tipo de material que compõe a prótese A haste femoral provoca algum grau de reabsorção óssea. três componentes. 263 20. Próteses com haste femoral mais flexível diminuem a perda óssea induzida pela tensão. mas a durabilidade do implante impede este tipo de modelo. Figura 137 – prótese do quadril. .

. Figura 139 – caixas específicas para realização do procedimento cirúrgico. Fonte: Biometrix. 264 Figura 138– Técnica para prótese total de quadril. Fonte: Biomedtrix. esquematização passo a passo. 2000. 2000.

20.6 Treinamento da equipe cirúrgica

A técnica de substituição total de articulação coxofemoral é uma técnica muito exigente
sem permissão de erros. 265

A instrumentação e assistência adequadas devem estar disponíveis ao cirurgião e ao
assistente para permitir que o procedimento seja completado em duas horas. A velocidade de
cirurgia é necessária para minimizar complicações. Portanto requer um treinamento especial
antes da cirurgia.

Outro fator de fundamental importância é a máxima precaução asséptica, cuidadosa
preparação do paciente e cirurgiões para evitar qualquer tipo de infecção que constitui a principal
complicação pós-cirúrgica.

O campo cirúrgico deve estar completamente asséptico.

20.7 Indicações

 Doença incapacitante do quadril secundária à DCF;
 Doença articular degenerativa, necrose avascular da cabeça femoral;
 Má união de fraturas de fêmur proximal ou do acetábulo;
 Luxações crônicas do quadril;
 Fraturas cominutivas da cabeça femoral;
 Falha na artroplastia de excisão da cabeça femoral, mas não são bons
candidatos.

20.8 Contraindicação

Neoplasias, deficiências neurológicas, doenças sistêmicas;

Processo infeccioso, como: dermatites, otites, afecções do saco anal, afecção dentária, 266

cistite ou prostatite;

Animais displásicos com função normal da articulação livre de dor, não são candidatos
cirúrgicos;

20.9 Preparação do animal

Começa 24 horas antes da cirurgia com uso de antibiótico. A cefalosporina será usada
também no transoperatório e pós-operatório como auxílio à técnica cirúrgica boa e asséptica.

20.10 Pré-operatório

Os animais serão submetidos a exames laboratoriais pré-operatórios: hemograma,
perfil hepático; perfil renal e radiografia recente.

20.11 Anestesia

Pré-anestésica-clorpromazina (1,0 mg/kg)

Epidural - butorfanol (0,2 mg/kg) 267

Indução anestésica - propofol (5 mg/kg)

Manutenção - halotano

20.12 Acesso cirúrgico

Abordagem crânio lateral com ou sem osteotomia do trocanter maior;

Incisão de pele;

Incisão na fáscia lata ao longo da borda cranial do músculo bíceps femoral;

Tenotomia dos glúteos, expondo a articulação;

Incisão na cápsula articular;

Osteotomia da cabeça femoral, deixando a maior parte da porção distal do colo intacto.

Figura 140 – incisão em pele e fascia lata. Fonte: Bojrab, 1996 e Oliveira, 2004.

268

Figura 141– incisão na inserção de glúteo e fascia lata. Fonte: Bojrab, 1996 e Oliveira, 2004.

Figura 142: Incisão sobre os músculos glúteos, médio e profundo. Fonte: Oliveira, 2004.

Figura 143: Demonstração do local onde será realizada a osteotomia do trocanter maior para melhorar o campo
cirúrgico. Fonte: Oliveira, 2004 e Bojrab, 1996

269

Figura144 – Osteotomia do trocanter maior. Fonte: Oliveira, 2004 e Bojrab, 1996.

20.13 Técnica cirúrgica

Preparo do acetábulo

O acetábulo é debridado e escarificado com instrumento apropriado;

Furos com broca de 2,0 mm para penetração do cimento ósseo;

É importante o posicionamento correto do acetábulo, que deve ter uma angulação
cranial de aproximadamente 20 graus e dorsal de 30 graus.

Raspador. 270 Figura 146 . do tamanho da prótese femoral.do colo e borda.remoção do osso esponjoso. pois o espaço necessário é para aplicar uma camada de cimento ósseo e também a prótese. Primeiro coloca-se o cimento e a seguir a prótese. Cureta para remover . retirando o excesso de cimento ósseo. Preparo do canal femoral: O canal femoral é dilatado . . E importante abrir bem o canal femoral. B: Com outro instrumento são realizados furos no acetábulo para que o cimento penetre e fixe bem o acetábulo novo. B: Com outro instrumento são realizados furos no acetábulo para que o cimento penetre e fixe bem o acetábulo novo. B: cimento ósseo pronto para ser injetado.A: Teste da prótese de quadril com cabeça femoral para ver se estão adequados. Fonte Oliveira.A: preparo com instrumento específico para receber a prótese acetabular. é usado para obter bom encaixe do componente femoral. 2001. Grosa para remover superfície do endósteo. 2001.Figura 145 . O antigo local do acetábulo está sendo escarificado e para receber a prótese de polipropileno. Fonte Oliveira.

Fixação da prótese O acetábulo e o componente femoral são fixados com o auxílio do cimento ósseo. Fonte-Oliveira. A flexibilidade excessiva do talo pode colocar em risco a estabilidade da interface prótese e osso. subcutâneo e a pele. Verificando a taxa de movimentação e frouxidão de translação ventral ou lateral. Não é necessário nenhum tipo de imobilização . 271 Figura 147 . Uma vez satisfeito.cefalectomia para posterior preparo do canal femoral que deve ser dilatado o suficiente para caber a prótese e uma camada de cimento ósseo. 2001. Reduz e começa a sutura começando pela cápsula. músculos. Posiciona o membro e reduz a cabeça femoral protética para dentro do acetábulo. a prótese definitiva é cimentada ao fêmur.

unilateral. 2001. Oliveira. Analgesia : carprofen – analgesia e síntese de glicosaminoglicanos . mais longa será sua reabilitação.15 Pós-operatório Avaliação radiográfica. 272 20. Figura 145 -Rx de quadril imediatamente após colocação da prótese de quadril.20. incisão cirúrgica diariamente cuidada.14 Tempo cirúrgico Quanto mais tempo demorar a realização cirúrgica. colar elizabetano antibioticoterapia com cefalexina.

Impulsos verticais e de propulsão crânio caudal aumenta dentro de seis meses. . 20.16 Avaliação pós-operatória Um mês após a reação-força já é maior do que antes da cirurgia.  Evitar subir escadas e assoalhos lisos.  Fratura femoral. 273  Não é permitido que corra ou salte por dois meses animal deverá ficar confinado em canil.  Segundo mês já poderá fazer caminhadas mais longas.  Fim de o segundo mês poderá voltar às atividades de rotina. 20.  Osteomielite crônica. Nível de atividade deve ser controlado:  Primeiro mês: cão poderá caminhar para urinar e defecar. Entre 3-6 meses já há uma diferença significativa entre membro tratado e não tratado. Maioria dos cães anda após a cirurgia – mas a função só se torna normal em 8-12 semanas.17 Complicações  Deslocamento da cabeça endoprotética da cápsula do acetábulo de polietileno.

 Fratura do fêmur. Deslocamento da prótese.  Embolia pulmonar gordurosa durante a preparação do canal medular. 274 .  Luxação e a falha do implante.  Infecção.lesão no nervo ciático em razão ao acesso. afrouxamento asséptico.  Neurapraxia ciática .

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CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS Art. Para maiores informações: http://www. ANEXO I Segundo a RESOLUÇÃO CFMV Nº 877.br/portal/legislacao/resolucoes/resoluca_877. onicectomia em felinos.org. § 1° São considerados procedimentos proibidos na prática médico-veterinária: conchectomia e cordectomia em cães e.cfmv. 7° Ficam proibidas as cirurgias consideradas desnecessárias ou que possam impedir a capacidade de expressão do comportamento natural da espécie. DE 15/02/2008.pdf . sendo permitidas apenas as cirurgias que atendam as indicações clínicas. § 2° A caudectomia é considerada um procedimento cirúrgico não recomendável na prática médico-veterinária. EM VIGOR A PARTIR DE 19/03/2008: 282 CAPÍTULO IV .