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DOCÊNCIA EM

SAÚDE

CLÍNICA CIRÚRGICA EM PEQUENOS

ANIMAIS

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1

Dados Internacionais de Catalogação na Publicação - Brasil Triagem Organização LTDA ME Bibliotecário responsável: Rodrigo Pereira CRB 1/2167

P842c

Portal Educação

Clínica cirurgica em pequenos animais / Portal Educação. - Campo Grande:

Portal Educação, 2012.

283p. : il.

Inclui bibliografia ISBN 978-85-8241-279-4

1. Cirurgia veterinária. 2. Cirurgia Pequenos animais. I. Portal Educação. II. Título.

CDD 636.0897

1. Cirurgia veterinária. 2. Cirurgia – Pequenos animais. I. Portal Educação. II. Título. CDD 636.0897
SUMÁRIO 1 MATERIAL CIRÚRGICO 7 1.1 Arrumação da mesa de cirurgia 7 1.2 Instrumentos Cirúrgicos

SUMÁRIO

1

MATERIAL CIRÚRGICO

7

1.1

Arrumação da mesa de cirurgia

7

1.2

Instrumentos Cirúrgicos

8

1.3

Fios de Sutura

18

2

AVALIAÇÃO, PREPARAÇÃO E ANESTESIAS

24

2.1

Avaliação do paciente

24

2.2

Preparação do paciente

25

2.3

Programa para o procedimento anestésico

26

2.4

Procedimentos antes da anestesia

26

2.5

Monitorização do paciente durante a anestesia

27

2.6

Parâmetros monitorizados habitualmente e causas potenciais de respostas

anormais

28

2.7

Técnicas, Anestésicos em Felinos e Caninos

29

3

INFECÇÕES CIRÚRGICAS

53

3.1

Controle da infecção

53

3.2

Classificação da possibilidade de infecção intraoperatória

57

3.3

Fatores da ferida podem influenciar as infecções

57

4

CICATRIZAÇÃO

59

4.1

Conceitos Gerais

59

4.2

Fases da Cicatrização

59

4.3

Tipos de cicatrização

60

4.4

Tecido de granulação

61

2
2
60 4.4 Tecido de granulação 61 2 4.5 Fatores de crescimento importantes na cicatrização

4.6

Fatores que afetam a cicatrização

62

4.6 Fatores que afetam a cicatrização 62 4.7 Fatores que podem ser controlados pelo cirurgião 63

4.7

Fatores que podem ser controlados pelo cirurgião

63

4.8

Conceitos importantes

63

5

ANTIBIOTICOTERAPIA

65

6

CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS

67

3
3

6.1

Caudectomia

67

6.2

Conchectomia

69

6.3

Otohematoma

71

6.4

Entrópio

73

6.5

Ectrópio

76

7

APARELHO REPRODUTOR FEMININO

78

7.1

Ovário-histerectomia

78

7.2

Piometra

85

7.3

Hiperplasia Vaginal

89

7.4

Neoplasias da glândula mamária

92

8

APARELHO REPRODUTOR MASCULINO

102

8.1

Orquiectomia

102

8.2

Criptorquidismo

105

8.3

Tratamento Cirúrgico da Prostatopatia

107

9

SISTEMA URINÁRIO

113

9.1

Cálculos na bexiga

113

9.2

Hidropropulsão retrógrada

115

9.3

Cistotomia

115

9.4

Uretrostomia

119

9.5

Tratamento da Obstrução Uretral no Gato

126

115 9.4 Uretrostomia 119 9.5 Tratamento da Obstrução Uretral no Gato 126 10 HÉRNIAS 132

10.1

Considerações gerais

132

10.1 Considerações gerais 132 10. Hérnia umbilical 134 10.3 Hérnia inguinal 137 10.4

10.

Hérnia

umbilical

134

10.3

Hérnia

inguinal

137

10.4

Hérnia diafragmática

142

10.5

Hérnia

perineal

149

4
4

11

PATOLOGIAS ORTOPÉDICAS

162

11.1

Ostectomia ou ablação da cabeça e colofemoral

162

11.2

Luxação patelar

162

11.3

Osteocondrite dissecante

172

12

EMERGÊNCIAS OFTÁLMICAS

176

12.1

Trauma Ocular em Cães e Gatos

176

12.2

Enucleação do globo ocular

180

13

APARELHO

REPRODUTOR FEMININO

184

13.1

Parto Distócico

184

13.2

Cesarianas

193

14

EMERGÊNCIAS GASTROINTESTINAIS

201

14.1

Vólvulo Gástrico

201

14.2

Corpo estranho Linear

209

15

ESPLENECTOMIA

213

16

TÓRAX

217

16.1

Pneumotórax

217

16.2

Toracocentese

220

17

PATOLOGIAS ORTOPÉDICAS

223

17.1

Fraturas

223

16.2 Toracocentese 220 17 PATOLOGIAS ORTOPÉDICAS 223 17.1 Fraturas 223 18 VIDEOCIRURGIA 237

18.1

Definição

237

18.1 Definição 237 18.2 Introdução 237 18.3 Indicações 238 19 TRANSPLANTE RENAL 246

18.2

Introdução

237

18.3

Indicações

238

19

TRANSPLANTE RENAL

246

19.1

Indicações para transplante renal

246

19.2

Candidatos para transplante renal

247

5
5

19.3

Pré-operatório

248

19.4

Exames pré-operatórios

249

19.5

Seleção do Doador

250

19.6

Receptor

251

19.7

Protocolo Anestésico

252

19.8

Técnica cirúrgica

252

19.9

Pós-operatório

259

20

PRÓTESE TOTAL DE QUADRIL

261

20.1

Particularidades

261

20.2

Vantagens na substituição da articulação coxofemoral

262

20.3

Objetivo

262

20.4

Cão candidato

262

20.5

Prótese

263

20.6

Treinamento da equipe cirúrgica

265

20.7

Indicações

265

20.8

Contraindicação

266

20.9

Preparação do animal

266

20.10

Pré-operatório

266

20.11

Anestesia

267

do animal 266 20.10 Pré-operatório 266 20.11 Anestesia 267 20.12 Acesso cirúrgico 267

20.13

Técnica cirúrgica

269

20.13 Técnica cirúrgica 269 20.14 Tempo cirúrgico 272 20.15 Pós-operatório 272 20.16 Avaliação

20.14 Tempo cirúrgico

272

20.15 Pós-operatório

272

20.16 Avaliação pós-operatória

273

20.17 Complicações

273

6
6

REFERÊNCIAS

275

ANEXO I

282

Avaliação pós-operatória 273 20.17 Complicações 273 6 REFERÊNCIAS 275 ANEXO I 282
1 MATERIAL CIRÚRGICO 1.1 Arrumação da mesa de cirurgia 7 Para arrumação básica de uma

1 MATERIAL CIRÚRGICO

1.1 Arrumação da mesa de cirurgia

7
7

Para arrumação básica de uma mesa cirúrgica devem estar presentes materiais cirúrgicos previamente autoclavados e dispostos de forma sequencial obedecendo à ordem de necessidade para um procedimento cirúrgico, ou seja, dispostos da esquerda para direita e de cima para baixo da seguinte forma: corte, hemostasia, síntese e acessórios, podendo haver algumas modificações nesta disposição.

1- Corte - Lâmina de bisturi, cabo de bisturi, tesouras cirúrgicas de Metzenbaum ponta fina-fina e ponta romba-romba.

2 - Hemostasia - pinças hemostáticas mosquito de Hausted, pinça hemostática de Kelly, pinça crile e pinça hemostática de Ochsner reta.

3 Síntese porta agulhas e fio de sutura

4 Auxiliares compressas de algodão, cuba para colocação de iodo povidona, pinças Backaus, afastador de Farabeuf e pinças Allis.

compressas de algodão, cuba para colocação de iodo povidona, pinças Backaus, afastador de Farabeuf e pinças
8 Fig.1 – Arrumação do material a ser usado na cirurgia. 1.2 Instrumentos Cirúrgicos A
8
8

Fig.1 Arrumação do material a ser usado na cirurgia.

1.2 Instrumentos Cirúrgicos

A seguir será descrito de forma simplificada características dos instrumentos cirúrgicos mais comumente utilizados na clínica médica e cirúrgica de pequenos animais.

1- Cabos e Lâminas de Bisturis

Encontram-se disponíveis cabos de bisturis com lâminas destacáveis ou na forma de unidades descartáveis com lâminas acopladas. O cabo nº 3 e 4 de Bard-Parker pode receber várias lâminas.

O cuidado é essencial ao se acoplar ou remover as lâminas desses cabos. Com o

tempo, a corrosão pode alterar a ranhura que permite que as lâminas deslizem e se acoplem. As

lâminas podem grudar e não deslizar facilmente, e os dedos do cirurgião podem ficar profundamente lacerados. Embora a utilização de porta-agulhas possa impedir o escorregamento, as lâminas podem se quebrar se forem forçadas.

Embora a utilização de porta-agulhas possa impedir o escorregamento, as lâminas podem se quebrar se forem
A B Fonte: arquivo pessoal. Fig. 2 - A – diferentes tamanhos de cabos de
A
A
B
B

Fonte: arquivo pessoal. Fig. 2 - A diferentes tamanhos de cabos de bisturi número; B - modo correto da empunhadura do Bisturi em contato com o tecido no momento de incisá-lo.

Tesouras

9
9

Encontram-se disponíveis muitos tipos, tamanhos e formas diferentes de tesouras cirúrgicas para todas as aplicações. A maioria é classificada pela configuração de suas extremidades. As tesouras devem ser conferidas regularmente para se certificar que estejam funcionando apropriadamente.

As tesouras cirúrgicas de Mayo e dissecadoras de Metzenbaum, que não cortam adequadamente nas extremidades de suas lâminas, podem frustrar o uso, bem como traumatizar excessivamente o tecido. As lâminas devem deslizar facilmente, indicando uma tensão apropriada do cabo e lâminas lisas e apropriadamente encaixada.

Todas as tesouras cirúrgicas de Mayo e de Metzenbaum devem ser capazes de cortar

quatro camadas de gaze na extremidade das lâminas. As tesouras menores com menos de 10

cm de comprimento devem cortar pelo menos duas camadas. A ação deve ser firme, mas não

muito frouxa ou muito rigorosa. As extremidades devem se encontrar quando a tesoura estiver fechada.

As tesouras devem ser utilizadas para seu propósito pretendido. Se as tesouras dissecadoras (tais como as de Metzenbaum finas) forem utilizadas para cortar suturas fortes (tais como o categute cromado), as lâminas ficarão cegas, frouxas e separadas. As tesouras perderão

sua efetividade. Uma tesoura de Mayo reta e forte de 15 cm deve ser destinada como tesoura de

de Mayo reta e forte de 15 cm deve ser destinada como tesoura de corte de
A B Fonte: arquivo pessoal. Fig.3 – A -Tesouras de Mayo com diferentes tipos de
A
A
B
B

Fonte: arquivo pessoal. Fig.3 A -Tesouras de Mayo com diferentes tipos de ponta: à esquerda ponta romba e fina à direita; B- Modo correto de segurar a tesoura.

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A tesoura dissecadora de Mayo (Fig. 3) encontra-se disponível em comprimentos que variam de 13,75 a 22,5cm, em configurações curvas ou retas. A Mayo é uma tesoura forte, que pode ser utilizada para a dissecção do tecido conjuntivo e dos planos faciais resistentes.

A tesoura dissecadora de Metzenbaum (Fig. 4) é mais delicada e deve ser reservada para uma dissecção mais fina e um trabalho mais complicado. Por exemplo, é inapropriado o uso de uma Metzenbaum fina para abrir a linha alba.

o uso de uma Metzenbaum fina para abrir a linha alba. Fonte: arquivo pessoal. Fig.4. Tesouras

Fonte: arquivo pessoal. Fig.4. Tesouras de Mayo e Metzembaun.

Pinças Hemostáticas

fina para abrir a linha alba. Fonte: arquivo pessoal. Fig.4. Tesouras de Mayo e Metzembaun. Pinças
A danificação de uma pinça de alta qualidade é mais frequentemente o resultado direto de

A danificação de uma pinça de alta qualidade é mais frequentemente o resultado direto de maus-tratos. À medida que a superfície de apreensão da pinça fica sobrecarregada, as suas lâminas se tornam desalinhadas e a tensão nos cabos diminui, impedindo que o instrumento segure o tecido firmemente. A atividade excessiva no pino também causa um desalinhamento das lâminas. O uso contínuo do instrumento acelera a deterioração e leva á quebra.

As pinças teciduais e hemostáticas podem ser conferidas quanto ao alinhamento das lâminas, a tensão dos cabos e o uso da catraca. O exame visual do instrumento em uma posição próxima pode revelar uma sobreposição de lâminas ou um não-encaixe nos dentes de apreensão.

11
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A pinça hemostática mosquito de Halsted (Fig.5) se encontra disponível nos comprimentos delicado de 8,75cm e padrão de 12,5cm, com lâminas curvas ou retas. O uso primário desses instrumentos é no controle de pontos de hemorragia. Esses instrumentos são muito delicados para a ligação de cotos ou pedículos maiores, nos quais frequentemente se inclui um tecido adicional na ligadura. Se um mosquito estiver em boa condição de trabalho e for utilizada apropriadamente para o propósito correto (somente para pontos de hemorragia), essa força de apreensão extra não deve ser necessária.

essa força de apreensão extra não deve ser necessária. Fonte: arquivo pessoal Fig. 5. Pinça mosquito

Fonte: arquivo pessoal

Fig. 5. Pinça mosquito curva e reta

essa força de apreensão extra não deve ser necessária. Fonte: arquivo pessoal Fig. 5. Pinça mosquito
As pinças hemostáticas de Kelly e Crile (Fig.6) são semelhantes em designer e uso. São

As pinças hemostáticas de Kelly e Crile (Fig.6) são semelhantes em designer e uso. São mais fortes que as pinças mosquito de Halsted e podem suportar um uso mais agressivo. Os instrumentos possuem 13,75cm de comprimento e apresentam lâminas retas ou curvas. A Kelly apresenta ranhuras transversais na metade distal da sua superfície de apreensão, enquanto que a Crile apresenta ranhuras transversais por toda a superfície de sua lâmina.

ranhuras transversais por toda a superfície de sua lâmina. 12 Fonte: arquivo pessoal Fig.6- Pinça de
12
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Fonte: arquivo pessoal

Fig.6- Pinça de Kelly

Pinças teciduais

Encontram-se disponíveis pinças teciduais de vários tamanhos e formas para vários usos. Muitas têm encontrado um uso extenso na cirurgia de pequenos animais. A popular pinça tecidual de Allis apresenta um plano de apreensão perpendicular à direção do esforço. Encontra- se disponível em comprimentos de 15 a 25cm (Fig.7 e 8), e o número de dentes presente na superfície de apreensão do instrumento também varia. Como a pinça tecidual de Allis é forte, ela pode ser traumatizante para o tecido e deve ser aplicada somente em tecido conjuntivo ou planos faciais. Nunca deve ser utilizada na pele ou para segurar órgãos ocos, tais como o estômago.

ser utilizada na pele ou para segurar órgãos ocos, tais como o estômago. Fig.7 e 8
ser utilizada na pele ou para segurar órgãos ocos, tais como o estômago. Fig.7 e 8

Fig.7 e 8 Pinça de Allis para tecidos

ser utilizada na pele ou para segurar órgãos ocos, tais como o estômago. Fig.7 e 8
Fig.9 – Pinça de Babcock para uso em tecidos. Fonte: arquivo pessoal. 13 A pinça
Fig.9 – Pinça de Babcock para uso em tecidos. Fonte: arquivo pessoal. 13 A pinça

Fig.9 Pinça de Babcock para uso em tecidos. Fonte: arquivo pessoal.

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A pinça intestinal de Doyen (Fig.10) é construída com lâminas finas e curvas. As extremidades das lâminas se encontram quando se prende o primeiro dente da catraca, dando ao instrumento uma apreensão delicada e não-traumatizante. As ranhuras na superfície de apreensão são geralmente longitudinais. O instrumento se encontra disponível nos comprimentos de 16,25 a 22,5cm. A Doyen é mais frequentemente utilizada na cirurgia do estômago (gastrectomia distal) e pode ser utilizada em ressecções intestinais.

distal) e pode ser utilizada em ressecções intestinais. Disponível em: <www.gooogle.com.br>. Acesso em:

Disponível em: <www.gooogle.com.br>. Acesso em: 12 dez.2006.

Pinças de Polegar

Fig.10-pinça Doyen

Disponível em: <www.gooogle.com.br>. Acesso em: 12 dez.2006. Pinças de Polegar Fig.10-pinça Doyen
As pinças de polegar são assim denominadas por serem geralmente seguras entre o polegar e

As pinças de polegar são assim denominadas por serem geralmente seguras entre o polegar e o primeiro dedo. São usadas para várias tarefas envolvendo trabalho delicado.

A pinça tecidual de Adson é provavelmente a mais comum das pinças de polegar utilizadas na cirurgia veterinária. A extremidade em dente-de-rato (l x 2) na lâmina proporciona uma apreensão segura, porém delicada, nos tecidos. Ela é apropriada para o uso na sutura de pele e de planos faciais (Fig.11 e 12).

Embora as pinças de polegar não sejam construídas para prender agulhas de sutura, muitos cirurgiões, ao passar uma agulha através de um tecido com um porta-agulhas, prendem a extremidade da agulha com pinças de polegar para puxá-la o resto do trajeto através do tecido. A configuração em dente-de-rato da pinça de Adson não permite uma superfície de apreensão segura e frequentemente leva à danificação do instrumento.

e frequentemente leva à danificação do instrumento. Fig.11 Pinça dente de rato. Fig.12-modo correto de segurar
e frequentemente leva à danificação do instrumento. Fig.11 Pinça dente de rato. Fig.12-modo correto de segurar

Fig.11 Pinça dente de rato.

Fig.12-modo correto de segurar a pinça

Fonte: arquivo pessoal

Pinças de Campo

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As pinças de campo são projetadas para prender panos à pele. Como as extremidades de uma pinça de campo penetram realmente na pele, elas devem ser afiadas e sem rebarbas ou lascas. As pinças de campo também são usadas para prender tubos de sucção, cabos de eletrocautérios e cabos de equipamentos de força aos panos.

também são usadas para prender tubos de sucção, cabos de eletrocautérios e cabos de equipamentos de
As pinças de campo de Backaus (Fig.13) de 8,75cm e de 13.75cm são utilizadas mais

As pinças de campo de Backaus (Fig.13) de 8,75cm e de 13.75cm são utilizadas mais

frequentemente em cirurgia veterinária.

utilizadas mais frequentemente em cirurgia veterinária. 15 Fonte arquivo pessoal Fig. 13 - Pinças de Campo
15
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Fonte arquivo pessoal

Fig. 13 - Pinças de Campo Backaus.

Porta-agulhas

Nenhum instrumento cirúrgico recebe maior uso ou maus-tratos que o porta-agulha. É o único instrumento envolvido em contato metal com metal constante. Além de serem utilizados, de forma indevida, para torcer e dobrar pinos ou até para tartarectomia.

Para verificar se está precisando de reparo, testar quanto ao desalinhamento ou uso, escolha uma agulha de tamanho apropriado e aperte-a nas lâminas do instrumento. Feche o porta-agulhas no segundo dente da catraca. Caso possa rodar manualmente a agulha, necessita-se de reparo. Um porta-agulhas deve ser capaz de segurar a agulha quando fechado no primeiro dente da catraca. Inspecione também a borda da superfície de apreensão. À medida que é usada, a borda se torna afiada e pode cortar o material de sutura enquanto usado como instrumento para dar nós.

O Mayo Hegar (Fig. 14) é o porta-agulha mais comumente utilizado na cirurgia

veterinária. Encontra-se disponível em muitos tamanhos, variando de 12,5 a 30cm de comprimento. Os porta-agulhas menores são mais apropriados para a cirurgia de pequenos

variando de 12,5 a 30cm de comprimento. Os porta-agulhas menores são mais apropriados para a cirurgia
animais. Deve-se escolher uma agulha de tamanho apropriado para o porta-agulha. Uma agulha muito grande

animais. Deve-se escolher uma agulha de tamanho apropriado para o porta-agulha. Uma agulha muito grande para um porta-agulha delicado pode resultar na quebra ou na danificação do pino ou do cabo se o instrumento estiver firmemente fechado. Os porta-agulhas grandes podem danificar as agulhas pequenas e são frequentemente difíceis de controlar e de manusear quando realizam suturas delicadas.

controlar e de manusear quando realizam suturas delicadas. 16 Fig.14- Porta-agulhas de Mayo. Afastadores Encontram-se
16
16

Fig.14- Porta-agulhas de Mayo.

Afastadores

Encontram-se disponíveis muitos tipos de afastadores de campo ou retratores. Eles funcionam no sentido de afastar os tecidos para que o cirurgião possa visualizar mais adequadamente o campo cirúrgico. A útil classificação dos afastadores utilizada por muitos fabricantes consiste em digitais, manuais e autoajustáveis. Os afastadores digitais e manuais não são vantajosos na cirurgia veterinária, pois se exige um assistente para afastar manualmente o tecido para segurar o afastador. Em muitas salas de operação veterinárias não se encontram disponíveis assistentes cirúrgicos adicionais.

Afastadores Digitais

O afastador de Farabeuf (Fig. 15) possui lâminas chatas e mais profundas em ambas as extremidades. Eles permitem o afastamento de mais tecido em orifícios mais profundos.

chatas e mais profundas em ambas as extremidades. Eles permitem o afastamento de mais tecido em
Fonte arquivo pessoal. Fig. 15 – Afastador de Farabeuf Afastadores Autoajustáveis 17 O cirurgião que
Fonte arquivo pessoal. Fig. 15 – Afastador de Farabeuf Afastadores Autoajustáveis 17 O cirurgião que

Fonte arquivo pessoal.

Fig. 15Afastador de Farabeuf

Afastadores Autoajustáveis

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O cirurgião que opera sozinho ou que realiza um extenso trabalho abdominal ou

torácico tem que confiar fortemente em afastadores autoajustáveis. Esses instrumentos cirúrgicos possuem vários mecanismos de trava que mantêm as lâminas e as hastes abertas enquanto estão sendo empregados, eliminando a necessidade de um assistente para segurar o afastador.

O afastador de Weitlaner (Fig. 16) se encontra disponível em mais tamanhos (10 a

23,75cm). As pontas múltiplas (2 x 3 ou 3 x 4) na lâmina podem ser pontudas ou cegas. Também se encontra disponível um Weitlaner de lâmina sólida. Ambos os afastadores possuem mecanismos de trava de apreensão para manter as lâminas na posição de afastamento.

A cirurgia abdominal requer um afastamento da parede abdominal para uma

visualização adequada durante a mesma. O afastamento manual é muito cansativo e o Gelpi e o Weitlaner são inadequados e pesados, mas o afastador abdominal autoajustável de Balfour funciona bem nesse propósito. Encontram-se disponíveis um afastamento-padrão de 17,5cm ou um expandido de 25 cm com lâminas laterais fenestradas ou sólidas e uma lâmina central sólida profunda.

O afastador de Gosset (Fig. 17) possui tamanho médio, com um afastamento de 10 a 13,75cm. As lâminas laterais alcançam 3,75 ou 6,25cm de profundidade. O afastador não tem uma lâmina central.

de 10 a 13,75cm. As lâminas laterais alcançam 3,75 ou 6,25cm de profundidade. O afastador não
A manutenção da exposição da cavidade torácica requer afastadores autoajustáveis fortes para manter as costelas

A manutenção da exposição da cavidade torácica requer afastadores autoajustáveis fortes para manter as costelas separadas. O afastador de costelas de Finochietto (Fig. 18) é grande e se encontra disponível com um afastamento de 15 a 30cm, com braços retos ou curvos.

um afastamento de 15 a 30cm, com braços retos ou curvos. 18 Fig.16-Afast. Weitlaner Fig.17- Afast.
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um afastamento de 15 a 30cm, com braços retos ou curvos. 18 Fig.16-Afast. Weitlaner Fig.17- Afast.

Fig.16-Afast. Weitlaner

Fig.17- Afast. Gosset

Fonte arquivo pessoal.

Fig.18 Afast.Finochieto

1.3 Fios de Sutura

Os fios podem ser classificados de acordo com o seu comportamento no tecido (absorvível ou não-absorvível), estrutura (monofilamentar ou multifilamentar), ou suas origens (sintético, orgânico ou metálico). Fios monofilamentos são feitos por um único filamento de

ou suas origens (sintético, orgânico ou metálico). Fios monofilamentos são feitos por um único filamento de
material. Eles têm menos resistência tecidual que fios multifilamentar e não possuem interstício que podem

material. Eles têm menos resistência tecidual que fios multifilamentar e não possuem interstício que podem abrigar bactérias. Cuidado deve ser tomado ao se manipular o fio monofilamentar porque eles marcam ou danificam quando portadores de agulha o que enfraquece possibilitando sua quebra. Fios multifilamentar consistem em muitos trançados de fios que são enroscados ou trançados juntos. Fios multifilamentar são geralmente mais flexíveis que os monofilamentares.

Fios de sutura absorvíveis Sofrem degradação e uma rápida perda na força tênsil dentro de 60 dias, sendo fagocitados ou hidrolisados.

19
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Catgut: É feito com submucosa de intestino de ovelha ou serosa do intestino bovino, contendo aproximadamente 90% de colágeno. Este fio é fagocitado e promove uma reação inflamatória marcante. Possui a característica de ser removido rapidamente de locais infectados ou áreas onde está exposto às enzimas digestivas sendo velozmente degradados.

Fios não-absorvíveis São removidos geralmente por hidrólise. O ácido poliglicólico (Dexon) é trançado a partir de filamentos extraídos do ácido glicólico e começa a perder sua força tênsil em 14 dias.

A Poliglactina 910 (Vicryl) é multifilamentar, revestido de estearato de cálcio. A Polidioxanona (PDS) e o Poligliconato (Maxon) são monofilamentares e mantém a força tênsil mais tempo que o poliglicólico ou poliglactina 910.

O PDS perde apenas 31% da força tênsil em 42 dias, com completa absorção em seis meses (podendo causar calcinose circunscrita). O ácido poliglicólico e a poliglactina 910 são mais rapidamente hidrolisados em ambientes alcalinos, mas relativamente estáveis em locais contaminados. O ácido poliglicólico pode ser rapidamente degradado em urina infectada. A reação tecidual é mínima com este tipo de fio. A infecção ou exposição a enzimas digestivas não influenciam a taxa de absorção de fios absorvíveis sintéticos.

Fios Orgânicos O fio Seda é o mais comumente usado. É multifilamentar. Apresenta- se de fácil manipulação e é muito usado em procedimentos cardiovasculares, entretanto não mantém uma força tênsil após seis meses e por isso é contraindicado para enxertos vasculares. Deve ser evitado em locais contaminados.

Fios Sintéticos São multifilamentar ou monofilamentar. São fortes e induzem uma reação inflamatória mínima.

Fios Sintéticos – São multifilamentar ou monofilamentar. São fortes e induzem uma reação inflamatória mínima.
Fios Metálicos – O aço inoxidável é o fio mais comumente usado. É disponível tanto

Fios Metálicos O aço inoxidável é o fio mais comumente usado. É disponível tanto multi como monofilamentar. A reação geralmente é mínima, entretanto o nó provoca reação inflamatória. Podem fragmentar e migrar. É estável em feridas contaminadas.

Diferentes tipos de fios de sutura

Maior Diâmetro

Absorvível

Não-absorvível

3

2

1

0

2.0

3.0

4.0

5.0

6.0

7.0

8.0

9.0

10.0

11.0

12.0

de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
20
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de fios de sutura Maior Diâmetro Absorvível Não-absorvível 3 2 1 0 2.0 3.0 4.0 5.0
Menor diâmetro Fonte arquivo pessoal. Tabela 1 – demonstração dos tipos e diâmetros dos diferentes

Menor diâmetro

Menor diâmetro
Menor diâmetro

Fonte arquivo pessoal.

Tabela 1 demonstração dos tipos e diâmetros dos diferentes fios absorvíveis e não-absorvíveis.

Seleção do fio de acordo com tecido

21
21

Fechamento abdominal recomenda-se sutura com fio monofilamentar para evitar transporte capilar de bactérias, e fios não-absorvíveis sintéticos, que apresentam uma boa segurança ao nó.

Suturas absorvíveis podem ser usadas na pele e subcutâneo, mas na pele devem ser removidos porque a absorção requer contato com fluidos corporais.

Músculo e Tendão Fios absorvíveis ou não podem ser usados, e devem ser colocados paralelamente às fibras. No tendão o fio deve ser forte, não-absorvível e com mínima reação, com agulha fina, comprida e afunilada.

Órgãos parenquimatosos e vasos Fígado, baço ou rim são geralmente suturados com fios monofilamentares absorvíveis. Evitar fios multifilamentar como vicryl e dexon.

Fios não-absorvíveis podem ser usados para enxertos vasculares.

Órgãos ocos Recomendam-se fios absorvíveis para prevenir retenção de material estranho na cicatrização da ferida. Adicionalmente fios não-absorvíveis podem formar cálculos quando usados na bexiga urinária ou vesícula biliar. O dexon dissolve rapidamente em urina estéril (seis dias) e urina contaminada (três dias).

Feridas contaminadas ou infectadas Evitam-se suturas em feridas contaminadas. Deve-se evitar fio não-absorvível multifilamentar porque potencializam a infecção e podem fistular.

Fios absorvíveis são preferidos, entretanto o catgut deve ser evitado porque sua absorção em tecidos contaminados é imprevisível. Em alguns estudos, o náilon monofilamentar ou o polipropileno promovem menos infecção em tecidos contaminados que fios metálicos.

o náilon monofilamentar ou o polipropileno promovem menos infecção em tecidos contaminados que fios metálicos.
Tamanho da sutura e recomendações de usos gerais na cirurgia de pequenos animais Tecido Tamanho

Tamanho da sutura e recomendações de usos gerais na cirurgia de pequenos

animais

Tecido

Tamanho da Sutura

Materiais de Sutura

 

Classes

Pele

3-0 a 4-0

Não-absorvível monofilamentar

 

Tecido subcutâneo

2-0 a 4-0

Absorvível

 

Fáscia

1

a 3-0

Absorvível

sintético

 

(degradação

prolongada)

ou

não-

absorvível sintético

 

Músculo

0

a 3-0

Esquelético- absorvível ou não absorvível sintético

 

Cardíaco

-

não-absorvível

sintético

Órgão parenquimatoso

2-0 a 4-0

Absorvível

 

Órgão visceral oco

2-0 a 5-0

Absorvível

ou

não-absorvível

monofilamentar

Tendão, ligamento

0

a 3-0

Não-absorvível

 
 

monofilamentar,

absorvível

sintético

(degradação prolongada)

Nervo

5-0 a 7-0

Não-absorvível monofilamentar

 

Córnea

8-0 a 10-0

Absorvível sintético, não-absorvível não- metálico

Pálpebra

4-0 a 6-0

Absorvível absorvível não-metálico

sintético,

não-

22
22
não- metálico Pálpebra 4-0 a 6-0 Absorvível absorvível não-metálico sintético, não- 22
Conjuntiva Palpebral 4-0 a 5-0 Absorvível Ligadura vascular 3-0 a 4-0 Absorvível Reparo vascular

Conjuntiva Palpebral

4-0 a 5-0

Absorvível

Ligadura vascular

3-0 a 4-0

Absorvível

Reparo vascular

5-0 a 7-0

Não-absorvível monofilamentar

Tabela 2 - Modificado de Bojrab, 1996.

23
23
Absorvível Reparo vascular 5-0 a 7-0 Não-absorvível monofilamentar Tabela 2 - Modificado de Bojrab, 1996. 23
2 AVALIAÇÃO, PREPARAÇÃO E ANESTESIAS EM CÃES E GATOS 2.1 Avaliação do paciente 24 1-

2 AVALIAÇÃO, PREPARAÇÃO E ANESTESIAS EM CÃES E GATOS

2.1 Avaliação do paciente

24
24

1- Identificação do paciente: espécie, raça, idade, sexo e peso.

2- Anamnese: duração e gravidade da enfermidade, sintomas ou enfermidades concomitantes (vômitos, diarreia, hemorragia, epilepsia, insuficiência cardíaca, insuficiência hepática, etc.), nível de atividade, hora da última alimentação, utilização de algum outro fármaco, história anestésica anterior e reações.

3- Exploração física

A - Estado corporal geral: obesidade, caquexia, gestação, hidratação, temperatura,

tranquilo ou excitado, nervoso ou inquieto.

B - Sistema cardiovascular: frequência cardíaca, pressão arterial e qualidade do pulso,

tempo de preenchimento capilar (deve ser < 1,5 segundos) e auscultação (ruídos cardíacos).

C - Sistema respiratório: frequência e profundidade respiratória, membranas mucosas,

auscultação (ruídos respiratórios), obstrução das vias respiratórias superiores e percussão.

D - Função hepática: icterícia e coagulopatias.

E - Função renal: oligúria, anúria, poliúria e polidipsia.

F - Função gastrointestinal: parasitos, distenção, vômitos e diarreia.

G - Sistema nervoso e órgãos sensoriais: glaucoma, coma, desmaios e convulsões.

distenção, vômitos e diarreia. G - Sistema nervoso e órgãos sensoriais: glaucoma, coma, desmaios e convulsões.
H - Função metabólica e endócrina: temperatura, hipo e hipertireoidismo, hipo e hiperadrenocol1icismo, e diabetes.

H - Função metabólica e endócrina: temperatura, hipo e hipertireoidismo, hipo e hiperadrenocol1icismo, e diabetes.

I - Aspecto geral: hidratação, neoplasias (metástase pulmonar), enfisema subcutâneo (fratura de costelas), parasitos (anemias), perda de pelo, queimaduras e traumatismo, massa muscular (% de gordura), debilidade, desequilíbrio hidroeletrolítico, deambulação e fraturas.

4 - Diagnóstico laboratorial

25
25

Deve ser feito antes de qualquer procedimento cirúrgico.

A - avaliação mínima laboratorial:

Proteínas plasmáticas; Hematócrito e Hemoglobina.

B - outras provas laboratoriais: Gasometria, albumina e hemostasia;

Bioquímica sanguínea: creatinina, sais biliares, fosfatase alcalina, glicose, eletrólitos, AST e ALT.

Urinálise: densidade, bioquímica (pH, proteínas, corpos cetônicos, bilirrubina e sangue), pesquisa de sedimentos (cilindros, hemácias, leucócitos, bactérias, células epiteliais e cristais).

Eletrocardiografia: pacientes com traumatismo e ritmo cardíaco irregular.

Radiologia: tórax e abdômen.

C - distúrbio de coagulação - hemorragias

2.2 Preparação do paciente

irregular. Radiologia: tórax e abdômen. C - distúrbio de coagulação - hemorragias 2.2 Preparação do paciente
A - Restrição de alimentos: os alimentos devem ser retirados algumas horas antes do procedimento

A - Restrição de alimentos: os alimentos devem ser retirados algumas horas antes do

procedimento anestésico e cirúrgico, de acordo com a espécie. Em animais neonatos, esse período deve ser menor.

B - Corrigir ou compensar desordens: como a desidratação ou hipovolemia, anemia,

perda de sangue, alterações hidroeletrolíticas e ácido básico, alterações na função cardíaca e/ou respiratória, etc.

C - Preparação programada de acordo com o tipo de paciente e de procedimento

cirúrgico

26
26

Animais jovens e velhos são mais sensíveis à anestesia devido à maior dificuldade de metabolização dos fármacos anestésicos.

D - outras considerações: necessidade de líquidos durante a anestesia, medicamentos especiais como antiarrítmicos, duração da cirurgia e necessidades do cirurgião.

2.3 Programa para o procedimento anestésico

Formulação de um protocolo anestésico relacionado com o tempo de duração da cirurgia, tipo de cirurgia, administração de analgésicos, manutenção da via aérea, cateterização de uma veia, preparação de fármacos e equipe de emergência.

2.4 Procedimentos antes da anestesia

cateterização de uma veia, preparação de fármacos e equipe de emergência. 2.4 Procedimentos antes da anestesia
Jejum: Cães e gatos - 12 horas de jejum alimentar e 06 horas de jejum

Jejum:

Cães e gatos - 12 horas de jejum alimentar e 06 horas de jejum hídrico;

O jejum é importante para que não ocorra refluxo do conteúdo estomacal e aspiração

do mesmo no sistema respiratório, uma vez que o animal sob efeito sedativo e anestésico perde a capacidade de controlar fechamento e abertura de válvulas e esfíncteres.

Em

cirurgias

gastrintestinais

devem-se

reduzir

ainda

mais

o

material

digestivo,

27
27

fazendo-se um jejum alimentar de 24 horas e jejum hídrico de 12 horas.

Em cirurgias de cólon, pode-se fazer 02 a 03 enemas durante as 12 horas que antecedem o ato cirúrgico.

2.5 Monitorização do paciente durante a anestesia

A fisiologia e a homeostasia do paciente mostram-se alteradas por fármacos utilizados

durante a anestesia e pelo processo fisiopatológico da enfermidade, por isso se faz necessário que durante o período de anestesia, o paciente seja monitorado.

Monitorizar as funções dos sistemas corporais sensíveis às alterações;

Monitorizar mais de um sistema corporal e mais de um parâmetro por sistema

corporal;

Utilizar técnicas que sejam específicas, exatas e complementares;

Comparação das técnicas não-invasivas (indiretas) com as invasivas (diretas).

Considerações fisiológicas

Sistema nervoso central (SNC) observar a atividade reflexa para monitorizar o grau de depressão do SNC.

 Sistema nervoso central (SNC) – observar a atividade reflexa para monitorizar o grau de depressão
 Sistema respiratório - frequência respiratória, padrão respiratório, volume corrente, oximetria, etc. 

Sistema respiratório - frequência respiratória, padrão respiratório, volume

corrente, oximetria, etc.

Sistema cardiovascular - frequência cardíaca, perfusão capilar e pressão arterial.

Sistema musculoesquelético - qualidade dos reflexos, tonicidade, etc.

Termorregulação

28
28

2.6 Parâmetros monitorizados habitualmente e causas para respostas anormais

Frequência cardíaca

1- Taquicardia - dor, hipotensão, hipoxemia, isquemia, reações anafilactoides,

anemia, efeitos farmacológicos (tiobarbitúricos, ketamina) e febre. 2- Bradicardia- hipertensão, hipotermia, efeitos farmacológicos (xilazina, narcóticos) Frequência respiratória.

3

- Taquipneia - dor, hipoxemia , hipertermia, efeitos farmacológicos (doxapram)

 

4

-

Apneia

-

hipotermia,

paralisia

musculoesquelética,

hiperventilação,

efeitos

farmacológicos (propofol, tiobarbitúricos, ketamina)

5 - Pressão arterial: Hipotensão hipovolemia, efeitos farmacológicos (tiobarbitúricos,

anestesia inalatória), sepsis, choque; Hipertensão - dor, febre, efeitos farmacológicos (ketamina).

6 - Reflexos corneais: Hiperativos, dor, hipotensão, efeitos farmacológicos (ketamina)

farmacológicos (ketamina). 6 - Reflexos corneais: Hiperativos, dor, hipotensão, efeitos farmacológicos (ketamina)
2.7 Técnicas de Anestésicos em Felinos e Caninos  Técnicas anestésicas em Gatos Medicação pré-anestésica

2.7 Técnicas de Anestésicos em Felinos e Caninos

Técnicas anestésicas em Gatos

Medicação pré-anestésica (MPA)

29
29

Em felinos, a MPA normalmente recomendada são as fenotiazinas e, entre elas, a levomepromazina e clorpromazina são as mais comumente usadas, na dose de 0,5 a 1 mg/kg por via intramuscular profunda, ou a acepromazina a 0,2%, na dose de 0,1 mg/kg pela mesma via em felinos, a via intravenosa nem sempre é recomendada, pois considerando sua agressividade, põe em risco a mão do manipulador, além de outros dissabores como fugas.

Anestesia barbitúrica

Anestesia barbitúrica tem sido usada em gatos, mas o grande inconveniente é o de que, se o animal não for dócil, utilizam-se vias alternativas para a aplicação, tais como intraperitoneal ou intrapleural. Estas vias nem sempre são eficientes, pois pode haver complicações acidentais e resultados inadequados, tais como anestesias insatisfatórias por subdoses.

O ideal é que se aplique o pentobarbital sódico, na dose de 30 mg/kg, por via intravenosa, dando-se metade da dose de maneira rápida, a fim de se evitar a fase de excitação ou delírio e complementando-se gradativamente, até desaparecerem os reflexos interdigital, palpebral e laringotraqueal.

ou delírio e complementando-se gradativamente, até desaparecerem os reflexos interdigital, palpebral e laringotraqueal.
No gato, os reflexos de deglutição e o laríngeo desaparecem no 2º plano do estágio

No gato, os reflexos de deglutição e o laríngeo desaparecem no 2º plano do estágio III,

o que leva a basearmo-nos no reflexo interdigital como principal parâmetro indicativo de anestesia.

A miose no felino é transversal e, quando ocorre, indica plano profundo 3º plano do

estágio III, o que requererá cuidados maiores.

Caso de animais que tenham recebido MPA, a dose do barbitúrico deve ser reduzida em 40-50%. Empregando-se a mesma técnica de aplicação anteriormente descrita.

30
30

Este tipo de anestesia proporcionará um tempo anestésico hábil de até uma hora, enquanto que, o paciente que não recebeu MPA, o tempo será de até duas horas. Caso se requeira uma anestesia de duração ultracurta, poder-se-ão empregar os tiobarbituratos, na concentração de 2,5 e na dose de 25 mg/kg (empregando-se a mesma técnica de aplicação do pentobarbital sódico), ou na dose de 12,5 mg/kg, caso se tenha empregado MPA.

Anestesia volátil

Sem dúvida alguma, a anestesia volátil representa o que há de mais seguro em termos de anestesia felina.

As técnicas empregadas em gatos são várias, entretanto, para facilitar, serão citadas

as usadas rotineiramente.

Na rotina anestesiológica, a indução é feita com 15 mg/kg IM de quetamina na região glútea e, após 10 a 15 minutos, manutenção por um agente volátil, administrado por meio de circuito fechado ou semifechado com máscara de borracha.

As concentrações de anestésicos voláteis em gatos variam conforme o agente indutor aplicado, o estado do animal ou até a MPA aplicada.

O reflexo pupilar em gatos é um sinal importante para se saber o plano anestésico,

mas este poderá ser mascarado caso se tenha usado atropina na MPA, o que, forçosamente,

se saber o plano anestésico, mas este poderá ser mascarado caso se tenha usado atropina na
obrigará a observação de outros reflexos, tais como o interdigital, o palpebral, o corneano e

obrigará a observação de outros reflexos, tais como o interdigital, o palpebral, o corneano e mesmo o tipo de respiração que normalmente, no gato, é costoabdominal.

Não convém, em anestesia volátil por qualquer agente, deixar que o animal permaneça sem discreto reflexo palpebral ou laringotraqueal, pois, nessa espécie animal, esses reflexos desaparecem apenas do 2º para o 3º planos do estágio lII de Guedel, daí se justifica a dificuldade da colocação da sonda endotraqueal ou o início da depressão bulbar súbita.

As concentrações recomendadas variam de acordo com o tipo de intervenção.

31
31

Caso se requeira a recuperação rápida em caso de depressão respiratória após a cirurgia, pode aplicar o cloridrato de doxapram, na dose de 0,5 a 1,0 mg/kg por via intravenosa.

Anestesia volátil, com respiração controlada (Silveira, 1977)

Jejum alimentar de 12 horas;

MPA com clorpromazina, na dose de 1 a 2 mg/kg. Associada à atropina, na dose de 0,05 mg/kg, ambos os fármacos da mesma seringa por via intramuscular.

Induzir com tiopental a 1,25 a 2,5% por via intravenosa, até a perda do reflexo oculopalpebral.

Intubar e adaptar a sonda à respiração controlada, empregando como fluxo diluente o ar ambiente ou, se necessário, enriquecer a mistura com O2, empregando-se como agente anestésico o éter dietílico.

Esta técnica é contraindicada em gatos portadores de nefropatias ou cardiopatopatias ou em cirurgias em que se usará bisturi elétrico, sugerindo-se trocar o anestésico por outro, de preferência um halogenado.

Vantagem:

apresenta

recuperação

anestésica

satisfatória,

frequência respiratória e boa margem de segurança.

pouca

alteração

da

recuperação anestésica satisfatória, frequência respiratória e boa margem de segurança. pouca alteração da
Anestesia dissociativa e suas associações A grande vantagem da anestesia dissociativa é a de que

Anestesia dissociativa e suas associações

A grande vantagem da anestesia dissociativa é a de que permite, por meio de injeção

intramuscular, conter e prostrar os felinos sem muitos efeitos colaterais. De posse desta contenção, poderão ser usadas associações que facilitem qualquer intervenção cirúrgica.

A anestesia dissociativa em felinos apresenta as seguintes vantagens:

Estado cataleptoide, que permite manipulações;

A via é intramuscular;

Analgesia cutânea, muscular e óssea;

Permite explorações radiológicas e semiológicas;

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32

Funciona como agente indutor para manutenções com outros agentes anestésicos voláteis;

Presença dos reflexos protetores (faríngeo e palpebral).

Desvantagens:

Eleva a pressão arterial, a frequência cardíaca e a respiratória;

Libera catecolaminas;

Não permitir cirurgias abdominais ou torácicas (a menos que a dose seja

elevada acima de 80 mg/kg, o que, além de encarecer a anestesia, a tomaria arriscada);

Não permitir intubação laringotraqueal.

A dose de quetamina para gatos é de 2 a 6 mg/kg por via intravenosa, para se obter

uma anestesia dissociativa de duração ultracurta, e de 15 a 20 mg/kg por via intramuscular, para

se obter uma anestesia de 20 a 30 minutos, com período de latência de sete a 10 minutos.

Associação quetamina e xilazina

obter uma anestesia de 20 a 30 minutos, com período de latência de sete a 10
Para anestesias cuja duração cirúrgica não ultrapasse 50 minutos, pode-se empregar a associação de quetamina,

Para anestesias cuja duração cirúrgica não ultrapasse 50 minutos, pode-se empregar a associação de quetamina, na dose de 10 a 15 mg/kg, e cloridrato de xilazina, na dose de 0,5 a 1 mg/kg, ambas na mesma seringa e aplicadas por via intramuscular profunda.

Convém lembrar que, em razão à ação parassimpatomimética de xilazina, que se superpõe à ação simpática da quetamina após 30 minutos de anestesia, deverá tratar-se o animal, 10 a 15 minutos antes da anestesia, com sulfato de atropina, na dose de 0,044 mg/kg por via subcutânea.

33
33

Caso haja necessidade de se prolongar o tempo anestésico, poder-se-á aplicar metade da dose mãe, obtendo-se, assim, mais 20 a 30 minutos de anestesia. A anestesia obtida com essa associação permite efetuar, em gatos, intervenções a nível abdominal. Entretanto, dever- se-á tomar cuidado em experimentos que envolvam estudos hemodinâmicos, pois a atropina poderá interferir nos dados obtidos.

Ambos os fármacos por via intramuscular e na mesma seringa.

Se houver necessidade de complementação, dar 0,6 ml de quetamina e 0,1 ml de xilazina pela mesma via. Entretanto, ressalte-se que, em felinos, essa anestesia apresenta um período de recuperação maior do que o observado na espécie canina.

Associação tiletamina e zolazepam

Esta associação tem dado bons resultados em pequenos animais, pois as ações ansiolítica, anticonvulsivante e miorrelaxante do zolazepam, associadas à ação analgésica potente de tiletamina, causam um sinergismo por potenciação adequado, levando a uma anestesia dissociativa de boa qualidade e que permite intervenções cirúrgicas em cabeça, tronco e membros, desde que não se intervenha em pleura ou peritônio, pois para este fim as doses deveriam ser maiores do que as costumeiramente usadas, ou então recorrer a outros fármacos (associações anestésicas ou anestesia volátil).

que as costumeiramente usadas, ou então recorrer a outros fármacos (associações anestésicas ou anestesia volátil).
Em felinos, a dose varia de 7 a 10 mg/kg pela via intramuscular ou 5

Em felinos, a dose varia de 7 a 10 mg/kg pela via intramuscular ou 5 mg / kg pela via intravenosa para procedimentos cirúrgicos mais fugazes, o que serviria até como agente indutor da anestesia volátil.

No comércio, esta associação é encontrada em frascos-ampolas nos quais, após a reconstituição (princípio ativo + 5 ml de água destilada), cada ml conterá 50 mg.

Anestesia local

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34

Dificilmente se usam anestesias infiltrativas em felinos para intervenções cutâneas, pois tanto a quetamina e suas associações ou a associação tiletamina e zolazepam resolvem facilmente esse problema. Entretanto, pode-se requerer uma anestesia no trem posterior obtida por meio da anestesia peridural lombossacra.

A dose máxima permitida de cloridrato de lidocaína não deve superar 7 mg/kg, tomando-se o cuidado de se observar sempre o volume a ser injetado e o tempo anestésico requerido.

As concentrações podem variar de 0,5 a 2%, tomando-se o cuidado de imobilizar bem o animal, aplicando-se sempre uma MPA ou anestesia dissociativa para se evitarem acidentes, tais como mordeduras, unhadas ou lesões espinhais.

Esse tipo de anestesia é requerido quando o estado do animal não permite outros tratamentos anestésicos, ou pela interferência que esses fármacos teriam sobre o modelo experimental.

Técnicas Anestésicas em Cães

Ao se optar por uma técnica anestésica, é necessário que se avalie inicialmente qual o tipo da intervenção ou manipulação e sua duração, bem como o tipo de temperamento (dócil, indócil, nervoso) ou estado (gravidez, obesidade, cardíaco ou chocado).

bem como o tipo de temperamento (dócil, indócil, nervoso) ou estado (gravidez, obesidade, cardíaco ou chocado).
Normalmente, ao se optar até por uma tranquilização, devem-se evitar aplicações medicamentosas desnecessárias, ou

Normalmente, ao se optar até por uma tranquilização, devem-se evitar aplicações medicamentosas desnecessárias, ou insuficientes para mera manipulação.

Medicação pré-anestésica e tranquilizações

Estas tranquilizações, na espécie canina, se fazem necessárias com frequência em várias situações, tais como viagens longas, exames clínicos e radiológicos, manipulações ortopédicas, coadjuvante da anestesia local e indução anestésica.

A - Viagem longa

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Quando se exige uma quietude duradoura em animais não acostumados a viagens, ou nos quais as mesmas provocam vômito, existem algumas sugestões:

Clorpromazina, 1 mg/kg IM, 30 a 40 minutos antes;

levomepromazina, 1 mg/ kg IM, 30 a 40 minutos antes;

acepromazina, 0,1 mg/kg IM, 30 a 40 minutos antes.

Os

mesmos produtos, caso se requeira uma tranquilização mais potente, podem ser

associados ao midazolam, na dose de 0,2 mg/kg IM, na mesma seringa.

A clorpromazina é a mais indicada, pois é a fenotiazina cuja ação antiemética é tida como a mais eficiente sobre as demais. Por outro lado, aconselha-se não exceder a dose indicada de midazolam, a fim de se evitar o efeito paradoxal (contraturas e ganidos). Para tanto, coloca-se na mesma seringa que contém a fenotiazina apenas uma quantidade mínima do midazolam, suficiente para "contaminar" o outro fármaco.

O

diazepam

não

pode

ser

colocado

na

mesma

seringa,

apesar

de

ser

uma

benzodiazepina, pois precipitará imediatamente, tomando a solução leitosa.

colocado na mesma seringa, apesar de ser uma benzodiazepina, pois precipitará imediatamente, tomando a solução leitosa.
Caso se use a associação de fenotiazina e benzodiazepina, o período hábil de tranquilização se

Caso se use a associação de fenotiazina e benzodiazepina, o período hábil de tranquilização se estenderá por mais de 8 horas, devido à ação do midazolam.

B - Exames clínicos, radiológicos e manipulações ortopédicas.

Geralmente, a aplicação das fenotiazinas anteriormente citadas nas mesmas doses.

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Quando se requer um efeito imediato desses fármacos, pode-se recorrer à via intravenosa e o efeito máximo será obtido a partir de 15 minutos, exceção feita para a associação com o midazolam, que é imediata e recomendada para explorações radiológicas, nas quais o miorrelaxamento muitas vezes é requerido por ser indispensável.

C - Coadjuvante da anestesia local

Técnica é análoga àquela empregada para viagens longas.

Considerando-se que não existe sinergismo digno de nota entre os anestésicos locais e a MPA, esta última poderá ser feita empregando-se desde a simples tranquilização até a mais potente. Entretanto, o grande cuidado a ser tomado é nos casos em que o animal está chocado (brigas ou quedas com dilacerações), quando a MPA deverá ser suprimida ou reduzida em até

75%.

MPA para indução anestésica

Técnica. Análoga àquela empregada para viagens longas.

ou reduzida em até 75%. MPA para indução anestésica Técnica. Análoga àquela empregada para viagens longas.
Geralmente, ao se aplicar uma fenotiazina, na MPA a potencialização prevista com o uso posterior

Geralmente, ao se aplicar uma fenotiazina, na MPA a potencialização prevista com o uso posterior de um barbitúrico é de 40 a 60%. O que evita sobremaneira o risco de excitação (estágio II de Guedel).

Entretanto, o cuidado a ser tomado é com o uso da associação das benzodiazepinas na indução barbitúrica, pois ocorre uma potencialização exacerbada, cujo sinergismo acarreta apneias de difícil controle. Face à boa tranquilização obtida com a associação de clorpromazina ou levomepromazina e midazolam, com certa habilidade e de maneira suave, consegue-se induzir diretamente com uma máscara anestésica, desde que se dê um anestésico volátil halogenado de odor agradável (halotano, isofluorano, enfluorano e sevofluorano) em concentrações baixas e posteriormente crescentes.

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Administrar atropina, na dose de 0,044mg/Kg, toda vez que se empregar um fármaco parassimpatomimético, como é o caso da xilazina, ou mesmo um fármaco de ação simpática que provoque sialorreia abundante.

Sugere-se não ultrapassar, em cães de grande porte, a dose total de 1 a 1,5 mg e em casos excepcionais 2 mg.

Induções anestésicas - modalidades

Consistem na aplicação de um fármaco que permite toda e qualquer manipulação prévia antes da manutenção (acomodação na mesa cirúrgica, preparos cirúrgicos cruentos, intubação endotraqueal) e, em geral, são realizadas com fármacos de ação anestésica ultracurta, como os tiobarbituratos ou fármacos afins (quetamina, etomidato).

Desaconselha-se, tecnicamente, nessas induções, a manutenção pelo próprio agente indutor. Pois, se é prático para o profissional, é desconfortável para o paciente, porque, pelo fator cumulativo, ocasiona recuperações tardias.

Primeira técnica: Jejum prévio, com aplicação de tiopental a 2,5% IV, 25 mg/kg, administrando metade da dose total rapidamente e o resto lentamente, até o desaparecimento dos reflexos interdigital e palpebral.

metade da dose total rapidamente e o resto lentamente, até o desaparecimento dos reflexos interdigital e
Essa indução usada isoladamente é desaconselhável em animais idosos, cardiopatas, nefropatas, Hepatopatas, em choque e

Essa indução usada isoladamente é desaconselhável em animais idosos, cardiopatas, nefropatas, Hepatopatas, em choque e submetidos à cesariana.

Permite um tempo hábil anestésico de 15 a 20 minutos, possibilitando efetuar:

Retiradas de pontos em animais agressivos;

Pequenas cirurgias (retirada de glândula de Harder, excisões tumorais e retiradas de cistos),

Tártaro dentário, extrações dentárias, biópsias, retirada de dedos supranumerários e suturas de pele;

Retirada de pinos ou fios intramedulares;

Retirada de espinhos de ouriço;

Curativos cruentos;

Explorações bucais;

Esofagoscopia e traqueoscopias.

Segunda técnica

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Jejum prévio, administração de MPA (qualquer citada para viagens longas), aguardando o período adequado, e tiopental a 2,5% IV, 12,5 mg/kg, a dose total sendo injetada lentamente, até o desaparecimento dos reflexos interdigital e palpebral.

Essa indução anestésica é, sem dúvida, a mais empregada na rotina anestésica por sua segurança, face à redução de 50 a 60% do agente barbitúrico, o que a torna indispensável, especialmente em animais nos quais a indução requer cautela.

Sugere-se não exceder uma complementação anestésica, a qual deverá ser aplicada na dose suficiente para fazer desaparecer novamente os reflexos, interdigital e palpebral.

Essa indução é desaconselhada em:

Cesariana, quando há inviabilidade fetal e a mãe está em estado toxêmico;

Animais chocados;

Pacientes de alto risco.

quando há inviabilidade fetal e a mãe está em estado toxêmico;  Animais chocados;  Pacientes
É, entretanto, aconselhada em todas as cirurgias que requeiram, após a indução, manutenção prolongada, paciente

É, entretanto, aconselhada em todas as cirurgias que requeiram, após a indução, manutenção prolongada, paciente de risco moderado, pequenas intervenções que não excedam 10 a 15 minutos e intubação endotraqueal.

Terceira técnica

MPA aguardando 15 minutos se IV e 30 a 45 minutos se IM, logo após quetamina (2 a 4 mg/kg IV) lentamente ou 10 a 15 mg/kg IM.

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A vantagem dessa indução é a de que dispensa o jejum prévio, sendo, portanto, indicada nos casos de urgência, em que o paciente tenha ingerido alimento.

Esse tipo de indução não causa emese, permanecendo os reflexos protetores (palpebrais e laringotraqueal), não permitindo, assim, aspirações de conteúdos gástricos, se ocorressem acidentalmente.

Apesar da boa analgesia e da ausência de efeitos extrapiramidais, essa indução não permitirá a intubação endotraqueal, que poderá ser apenas conseguida caso se aplique uma máscara bem vedada e adaptada a circuito com filtro circular com anestésico volátil até o desaparecimento do reflexo laringotraqueal, permitindo, assim, a introdução da sonda.

Essa indução não permite laparotomia ou toracotomia e é aconselhável em induções

em:

Animais que necessitem de cirurgia com extrema urgência e que se tenham

alimentado; animais agressivos, nos quais a via IM se faz necessária;

Pacientes de alto risco, desde que se reduza a MPA a em 50%;

Cesarianas em que haja inviabilidade fetal e a mãe esteja com toxemia severa. É desaconselhável em animais idosos ou hipertensos.

Quarta técnica

fetal e a mãe esteja com toxemia severa. É desaconselhável em animais idosos ou hipertensos. Quarta
Jejum não é a condição mais importante nesta associação, que é realizada da seguinte maneira:

Jejum não é a condição mais importante nesta associação, que é realizada da seguinte maneira: midazolam na dose de 0,2 a 0,5 mg/kg; clorpromazina ou levomepromazina, 1 mg/kg; quetamina, 1 a 2 mg/kg, os três produtos injetados pela via intravenosa e na mesma seringa.

Esta associação, farmacologicamente, é uma das melhores associações e permite, com cuidado, até efetuar a intubação endotraqueal. Dispensa, em casos de extrema urgência, até o jejum prévio, pois ao aplicá-la nunca se notou vômito.

Outra vantagem desta associação é que, em animais arredios, a associação pode ser aplicada pela via intramuscular, ocorrendo à prostração em 5 a 7 minutos.

Quinta técnica

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Aplicação de MPA pela via intravenosa com qualquer fenotiazina:(acepromazina, clorpromazina ou levomepromazina) nas doses citadas para viagens longas e 10 minutos após aplicar pela via intramuscular associação zolazepam mais zoletil na dose de 7 a 10 mg/kg permite, em 5 minutos, obter uma prostração suficiente para manipular o animal, bem como introduzir a sonda endotraqueal.

A vantagem desta associação é que ela pode ser aplicada em animais que não permitem a manipulação pelo seu temperamento, bastando à aplicação intramuscular para causar a prostração do animal, sem estresses desnecessários.

Manutenções

As manutenções em rotina anestésica com anestésicos voláteis nunca são efetuadas de maneira direta, mas sim com o auxílio, no mínimo, de MPA, por várias razões:

Custo operacional torna-se oneroso;

A insubmissão do animal ao se colocar a máscara para a indução;

Poluição ambiental com halogenados (carcinogênicos);

Concentrações altas de anestésicos voláteis halogenados (halotano e

enfluorano) levam à sensibilização do miocárdio, com consequente fibrilação cardíaca;

A poluição ambiental com éter torna o ambiente sujeito à explosão por faíscas elétricas (tomadas).

cardíaca;  A poluição ambiental com éter torna o ambiente sujeito à explosão por faíscas elétricas
Os anestésicos voláteis comumente utilizados em máscaras bem vedadas ou em sondas endotraqueais e em

Os anestésicos voláteis comumente utilizados em máscaras bem vedadas ou em sondas endotraqueais e em cães tranquilizados são Halotano enfluorano isofluorano sevofluorano.

A evolução do ato cirúrgico e plano anestésico desejado vão variarem de acordo com o

paciente e tipo de cirurgia.

As potencializações ocorrem com outros fármacos como barbitúricos, succinilcolina e fármacos usados em MPA.

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41

Taquipneia geralmente surge na anestesia volátil com o halotano em altas concentrações, que causa a sensibilização dos receptores de elastância do pulmão. A administração de meperidina resolverá o problema. No caso de persistência, teremos então o diagnóstico diferencial com acidose respiratória.

Condutas anestésicas em anestesia geral e dissociativa

Primeira conduta :Sem MPA e com jejum prévio.

ou

metohexital a 2.5%, 12.5 mg/kg, IV. Metade da dose rapidamente e o resto até atingir o desaparecimento do reflexo laringotraqueal e interdigital.

Indução:

tiopental a 2,5%,

25 mg/kg, IV. Ou Tiamilal a 2,0%

a

20 mg/kg, IV,

Intubação endotraqueal

Manutenção: halotano, enfluorano, isofluorano, ou sevofluorano.

Essa conduta só é permissível quando não se dispõe de tranquilizantes, pois a taquicardia observada por bloqueio vagal causado pelo tiobarbiturato poderá ser agravada caso se use, na manutenção, halotano que em altas concentrações causa sensibilização do miocárdio ou o próprio éter anestésico que, apesar de liberar noradrenalina, não chega a causar alterações cardíacas dignas de nota, resultando em estimulação simpática.

O período hábil anestésico é indeterminado e o de recuperação de 10 a 20 minutos.

em estimulação simpática. O período hábil anestésico é indeterminado e o de recuperação de 10 a
Segunda conduta Jejum prévio. MPA: clorpromazina, 1mg/kg IV ou IM, ou levomepromazina, 1 mg/kg IV

Segunda conduta

Jejum prévio.

MPA: clorpromazina, 1mg/kg IV ou IM, ou levomepromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou acepromazina a 0,2%, 1 mg/kg IV ou IM.

Aguardar 15 minutos na aplicação IV e 30 a 45 minutos na aplicação IM.

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42

Indução: tiopental a 2,5%, 12,5 mg/kg, ou tiamilal a 2,5%, 10,5 mg/kg, ou metohexital a 2,5%,6,5 mg/kg, metade da dose rapidamente e o resto até o desaparecimento dos reflexos Interdigital e laringotraqueal.

Introduzir a sonda endotraqueal e conectar ao aparelho de anestesia.

Essa conduta é a mais aconselhada para a rotina anestésica por sua segurança, tranquilidade e discreta alteração dos parâmetros fisiológicos (temperatura retal, pulso arterial e frequência respiratória).

Ressalte-se que a grande vantagem dessa técnica consiste na ação tranquilizante e especialmente adrenalítica que a MPA oferece, tão desejada na manipulação pré-operatória (sondagens ou tricotomias) ou na interação com outros fármacos (barbitúricos, halotano, enfluorano e éter).

O período hábil anestésico é indeterminado e o de recuperação leva 5 a 15 minutos.

Terceira conduta

O jejum não é condição obrigatória.

MPA: levomepromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou clorpromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou Acepromazina a 0,2%,0,1 mg/kg IV ou IM.

Aguardar 15 minutos se a aplicação for IV e 30 a 45 minutos se a aplicação for IM.

Indução: quetamina, 2 a 4 mg/kg IV lentamente ou 10 a 15 mg/kg IM.

for IV e 30 a 45 minutos se a aplicação for IM. Indução: quetamina, 2 a
Manutenção: por não desaparecerem os reflexos protetores (laringotraqueal e palpebral), aplicar máscara facial vedada

Manutenção: por não desaparecerem os reflexos protetores (laringotraqueal e palpebral), aplicar máscara facial vedada com coaptação imediata ao aparelho de anestesia volátil, caso se tenha usado quetamina por via intravenosa, e até cinco a 10 minutos após, ao se empregar a via intramuscular profunda.

Ao

atingirem

os

planos

anestésicos

desejados

se

procederão

à

intubação

endotraqueal, pois a quetamina não abole os reflexos protetores, mesmo em doses elevadas.

Essa conduta anestésica é mais utilizada em casos de extrema urgência, em que o animal já se tenha alimentado.

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Sugere-se, entretanto, a vigilância em eventos de mímicas de emese, colocando-se a sonda endotraqueal logo que o animal perca o reflexo laringotraqueal, o que ocorre alguns minutos após a aplicação da máscara facial vedada.

É desaconselhável em animais hipertensos ou acidoses por sua ação predominantemente simpática, apesar de que o emprego da MPA atenua essa resposta por sua ação adrenalítica. Recomenda-se a técnica em todas as cirurgias que requeiram laparotomias e por sua segurança em cesarianas, quando os fetos são inviáveis e a mãe está em estado toxêmico. Recomenda-se, para tanto, o enfluorano como agente de manutenção.

Com o paciente chocado, recomenda-se a redução da MPA em 50 a 75%.

O período hábil anestésico é indeterminado e o período de recuperação dura 5 a 15

minutos.

Quarta conduta

Jejum.

Levomepromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou clorpromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou acepromazina a 0,2%, 0,1 mg/kg IV ou associadas ao flunitrazepam, 0,005 mg/kg ou 0,2 mg/kg de midazolam IV ou IM na mesma seringa.

Aguardar 15 minutos na aplicação IV ou 30 a 45 minutos na aplicação IM.

mg/kg de midazolam IV ou IM na mesma seringa. Aguardar 15 minutos na aplicação IV ou
Dispensar a indução e adaptar a máscara para a devida manutenção com anestesia volátil. Intubar

Dispensar a indução e adaptar a máscara para a devida manutenção com anestesia

volátil.

Intubar o animal quando perder o reflexo laringotraqueal.

Esta conduta é recomendada em animais agressivos em que a injeção intravenosa se torna impraticável ou em paciente cuja indução barbitúrica se torna inviável (animais idosos, cardíacos ou portadores de nefropatias ou hepatopatias).

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A grande vantagem é que a prostração é tão severa que com a aplicação dos anestésicos halogenados, ministrados por máscara, os animais não reagem, permitindo assim a indução e manutenção suave sem necessidade de elevar as doses do anestésico volátil.

O período hábil anestésico é indeterminado e a recuperação tardia, face ao uso de flunitrazepam (três a quatro horas).

Quinta conduta

Jejum.

Pentobarbital sódico a 3%, 30 mg/kg IV. Aplicar metade da dose rapidamente e complementar lentamente até o desaparecimento dos reflexos palpebral, laringotraqueal e interdigital.

Essa técnica anestésica, outrora defendida e empregada, está hoje restrita apenas aos ensaios de técnicas cirúrgicas ou experimentais, pelos inconvenientes que a mesma oferece, tais como limitações em pacientes não-hígidos ou mesmo pela recuperação desconfortável.

Essa técnica não é recomendada para delineamentos experimentais que visem ao fluxo renal ou estudos hemodinâmicos, pela sua grande interferência nesses sistemas, ou mesmo estudos eletrocorticográficos, em virtude da acentuada depressão no SNC.

Sua aplicação é recomendada apenas em animais sadios e no caso de inexistência de fármacos tranquilizantes e qualquer outro anestésico geral.

apenas em animais sadios e no caso de inexistência de fármacos tranquilizantes e qualquer outro anestésico
O período hábil anestésico é de 60 a 120 minutos e o de recuperação de

O período hábil anestésico é de 60 a 120 minutos e o de recuperação de quatro a seis

horas.

Sexta conduta

Jejum.

MPA: levomepromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou clorpromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou Acepromazina a 0,2%,0,1 mg/kg IV ou IM.

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45

Aguardar 15 minutos se a aplicação for IV e 30 a 45 minutos se for IM.

Pentobarbital sódico a 3%, 15 mg/kg (0,5 ml) IV, metade da dose rapidamente e, quando sobrevier a prostração, aplicar lentamente o resto até desaparecerem os reflexos interdigital, laringotraqueal e palpebral.

Ao se aplicar esse anestésico, devem-se levar em consideração as mesmas ponderações feitas na técnica anterior. A grande vantagem, porém, é a potencialização de 40 a 60% que ocorre, reduzindo o tempo anestésico face ao sinergismo apresentado.

tomado

administração deve ser feita mais lentamente e com grande cautela.

O

cuidado

a

ser

é

ao

se

anestesiar

animais

adiposos,

pois

neles

a

O período hábil anestésico é de 40 a 60 minutos e o de recuperação, uma a três horas.

Dieta pós-anestésica: no dia da intervenção, apenas dieta líquida (água ou leite); alimentação pastosa no dia seguinte e sólida no outro. A dieta pós-anestésica deverá respeitar o tipo de intervenção, pois, se for intervenção de trato gastroentérico, a dieta será mais rigorosa.

Sétima conduta

Jejum.

Atropina, 0,044 mg/kg, via subcutânea.

Aguardar 10 a 15 minutos (até que se estabeleça discreta taquicardia).

Jejum. Atropina, 0,044 mg/kg, via subcutânea. Aguardar 10 a 15 minutos (até que se estabeleça discreta
Xilazina, 1 mg/kg, e quetamina, 15 mg/kg, ambos os fármacos na mesma seringa e aplicados

Xilazina, 1 mg/kg, e quetamina, 15 mg/kg, ambos os fármacos na mesma seringa e aplicados por via intramuscular profunda.

Aguardar no mínimo cinco minutos de latência para o início da intervenção cirúrgica.

Essa conduta anestésica é reconhecidamente a mais prática, pois, por meio de uma simples aplicação intramuscular, consegue-se uma anestesia de 40 a 50 minutos. Ela é segura, desde que se pré-trate o animal com atropina, a fim de se evitarem os efeitos parassimpatomiméticos da xilazina, tais como bradicardia com arritmia e até bloqueios atrioventriculares de segundo grau.

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Caso se requeira uma prorrogação do tempo anestésico, é só complementar com metade da dose-mãe (de ambos os fármacos), não sendo necessária complementação com atropina, pois seu tempo hábil é de até uma hora. Convém lembrar que toda complementação acarreta, seguramente, uma demora crescente na recuperação, por causa do efeito cumulativo, o que não é recomendado em certas situações, mesmo porque a anestesia torna-se onerosa.

Essa conduta é desaconselhada em animais idosos ou toxêmicos, em choque ou com distúrbios cardiocirculatórios. É aconselhável, entretanto, em animais hígidos que requeiram intervenções no abdômen, incluindo cesariana, desde que não haja histórico de toxêmia.

Acidentalmente, em animais que não receberam atropina na MPA, podem ocorrer convulsões com duração de segundos.

O período de latência da associação de xilazina e quetamina é de cinco a sete minutos, seu período hábil anestésico de 40 a 50 minutos e o período de recuperação de 50 a 60 minutos.

Oitava conduta

Jejum.

MPA: levomepromazina, 1 mg/kg IV ou IM, ou clorpromazina, 1 mg/kg IV ou IM , ou acepromazina a 0,2%,0,1 mg/kg IV ou IM.

Aguardar 15 ou 30 minutos, na dependência da via de aplicação.

IV ou IM , ou acepromazina a 0,2%,0,1 mg/kg IV ou IM. Aguardar 15 ou 30
Indução: tiopental a 2,5%, 12,5 mg/kg IV ou tiamilal a 2,0%, 10,5 mg/kg IV ou

Indução: tiopental a 2,5%, 12,5 mg/kg IV ou tiamilal a

2,0%, 10,5 mg/kg

IV

ou

metohexital a 2,5%,6,5 mg/kg IV, ou quetamina, 15,0 mg/kg IM ou 2 a 6 mg/Kg IV.

Manutenção: óxido nitroso 50 a 70%; oxigênio 50 a 30%. Reduzir os anestésicos voláteis em 30 a 40%.

Essa conduta é vantajosa quando se dispõe de óxido nitroso, pois, por ser anestésico inerte, não é metabolizado pelo organismo, sendo eliminado totalmente pela própria expiração.

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Convém, nessa conduta, evitar associações do tipo quetamina e éter, pois ambas apresentam características simpatomiméticas, alterando severamente os parâmetros cardiocirculatórios.

O período hábil anestésico é indeterminado e o de recuperação dura cinco a 15

minutos.

Nona conduta

Jejum.

MPA, indução anestésica e manutenção análoga à segunda técnica.

Aplicação intravenosa depois de decorridos cinco minutos de manutenção anestésica, ou quando se fizer necessário o miorrelaxamento com galamina, 0,5 a 0,8 mg/kg (não- despolarizante), ou succinilcolina, 0,3 a 0,5 mg/kg (despolarizante), ou fazadínio, 1,0 mg/kg (não- despolarizante), ou atracurônio, 0,4 mg/kg (não-despolarizante).

Conectar ao paciente o aparelho de respiração controlada.

Evitar a hiperoxia por meio da administração excessiva de oxigênio puro, pois poderá sobrevir apneia provocada não pelo miorrelaxante, mas sim por desequilíbrio da relação O2 e

CO2.

Periodicamente e por poucos segundos, retirar a respiração controlada, repetindo a manobra até que o paciente volte a respirar espontaneamente.

segundos, retirar a respiração controlada, repetindo a manobra até que o paciente volte a respirar espontaneamente.
Essa conduta anestésica sempre se faz presente em intervenções a nível torácico, ou quando, em

Essa conduta anestésica sempre se faz presente em intervenções a nível torácico, ou quando, em pacientes de alto risco, se requer tal tipo de respiração.

Convém lembrar que a administração excessiva de O2 acarreta apneia que, com certa habilidade, pode ser contornada, mediante o controle da administração de menos 02.

Uma das maneiras de se fazer o diagnóstico diferencial entre bloqueio central ou periférico é por meio da administração de 1 mg/kg de doxapram por via intravenosa. Se o bloqueio for de ação central, imediatamente notar-se-á aumento da amplitude e da frequência respiratória. Se a apneia persistir, é sinal de que o bloqueio é periférico, o que vale dizer que é causado pelo bloqueador neuromuscular. O fármaco antagonista para reverter o bloqueio dos agentes não-despolarizantes é a neostigmina, na dose de 0,04 a 0,07 mg/kg IV.

Observação

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Em todas as técnicas de anestesia geral propostas, após o ato cirúrgico, é aconselhável acomodar os animais em recintos com controle de temperatura, destituídos de barulho ou que tenham luz excessiva.

A dieta administrada, de modo geral, no dia da intervenção, desde que o paciente tenha recuperado a consciência, baseia-se apenas em água ou leite, deixando-se a dieta sólida para o dia seguinte, desde que a intervenção não tenha sido no trato gastroentérico, pois esta dieta dependerá de prescrição do cirurgião.

Anestesias peridural ou epidural

Geralmente, essa anestesia, de fácil aplicação e baixo custo, é de extrema valia em pacientes de alto risco ou que, por qualquer motivo (alimentação, cesariana, problema hepático ou renal, idade), não possam ser submetidos à anestesia geral.

Os pontos eletivos para a anestesia peridural são entre L7 e S1 (lombo-sacra), S8 e C1 (sacrococcígea) ou intercoccígea.

pontos eletivos para a anestesia peridural são entre L7 e S1 (lombo-sacra), S8 e C1 (sacrococcígea)
A técnica é desenvolvida da seguinte maneira: Tranquilizar o animal. Tricotomia e antissepsia rigorosa do

A técnica é desenvolvida da seguinte maneira:

Tranquilizar o animal.

Tricotomia e antissepsia rigorosa do local (de preferência depilar uma boa área).

Palpar as tuberosidades ilíacas com os dedos, indicador e polegar. Com o indicador 2 a 3 cm caudalmente, sentir o espaço lombossacro.

Colocar o animal em decúbito esternal (posição de esfinge ou com os membros fora da

mesa).

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Introduzir uma agulha (de preferência com mandril) 40 x 7 ou 50 x 8, na dependência do tamanho do animal.

Perfurar a pele e fazer um botão anestésico, pois facilita futuras manipulações.

Atravessar o ligamento interespinhoso (ruído característico de ranger).

Atravessar o ligamento amarelo (ligamentun flavum).

Retirar o mandril e observar se há ruído de sucção (pressão negativa peridural) que imediatamente poderá ser comprovada depositando-se uma gota do anestésico local, observando-se a sucção da mesma.

Caso isso não aconteça, com outra seringa vazia, injetar 5 ml de ar e, com o dorso da mão sobre a pele do animal (região lombar), perceber-se-á a infiltração do ar a nível subcutâneo.

Se a agulha estiver na posição correta. Injetar gradativamente e de forma suave (a fim de não alterar bruscamente a pressão no espaço peridural) o anestésico local escolhido, de acordo com a conveniência, observando-se sempre as doses máximas permitidas.

A dose recomendada, apesar de existirem correlações entre dimensões de colunas vertebrais, gira em tomo da dose máxima permitida, da velocidade de aplicação e da eficácia da droga, face ao seu posicionamento correto no espaço peridural.

Convém lembrar, como exemplificado, que, se for empregada lidocaína a 1%, cada ml da droga terá 10 mg de princípio ativo e, para um cão de 10 kg, não se poderão exceder 70 mg ou 7 ml. Caso, agora, se use a mesma lidocaína a 2%, o volume não poderá exceder 3,5 ml.

não se poderão exceder 70 mg ou 7 ml. Caso, agora, se use a mesma lidocaína
Em cães, especialmente, não se pode levar em consideração apenas a dimensão da coluna vertebral,

Em cães, especialmente, não se pode levar em consideração apenas a dimensão da

coluna vertebral, face às diferenças anatômicas verificadas nas diferentes raças, pois os animais

longilíneos e baixos (bassethound, dachshund, pequinês, intoxicações, caso não se observe as doses máximas permitidas.

) estarão sempre sujeitos às

Ao se depositar o anestésico no espaço peridural observar-se-á imediatamente queda da cauda, relaxamento do esfíncter anal com emissão de gases ou até exteriorização de fezes, posição característica (paralisia de posteriores) e eventual incontinência urinária.

50
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Convém manter o animal na posição de esfinge por cinco a 10 minutos, pois, embora a lidocaína cause anestesia local quase que imediata, convém aguardar uma melhor embebição tissular pelo anestésico de forma equitativa (lados direito e esquerdo), dando assim uma anestesia bilateral uniforme, já que, em decúbito lateral, por gravidade, causará apenas anestesia local unilateral.

Fig. 19 - demonstração da agulha sendo colocada na região lombossacra; B: seringa conectada para injeção do agente anestésico.

A
A
B
B

Fonte arquivo pessoal.

Essa anestesia permite executar, pelo período hábil de 60 a 80 minutos, qualquer intervenção retroumbilical, não permitindo, entretanto, trações viscerais altas, como no caso de cesarianas ou ovário-histerectomias (ligamentos suspensor e uterovárico). O mesmo pode ser dito quanto às intervenções intestinais, pois a manipulação suave é indolor, mas sua simples tração torna a intervenção cruenta, requerendo uma anestesia geral.

a manipulação suave é indolor, mas sua simples tração torna a intervenção cruenta, requerendo uma anestesia
Caso se requeira uma prorrogação da anestesia peridural pode-se recorrer à anestesia peridural contínua que

Caso se requeira uma prorrogação da anestesia peridural pode-se recorrer à anestesia peridural contínua que permite a injeção constante do anestésico, à medida que o mesmo é requerido, podendo ser executada entre L5-L6 ou L6-L7 a anestesia peridural em cães permite efetuar as seguintes cirurgias:

Caudectomias em animais adultos;

Retiradas de glândulas do saco anal;

Hérnias perineais;

Cirurgias proctológicas;

Vulvoplastias;

Orquiectomias;

Cirurgias ortopédicas em membros posteriores;

Excisões tumorais vaginais;

Fecalomas.

Anestesia subaracnoide (raquianestesia)

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Este tipo de anestesia é de grande valia, mas, por se tratar de uma anestesia de técnica mais apurada e pelo espaço subaracnoide em cães ser de poucos milímetros, é raramente empregada. Igualmente, se executada sem a devida assepsia, pode causar meningites com resoluções fatais.

Seu procedimento é feito da seguinte maneira:

Jejum.

Tranquilização por via intravenosa e tricotomia da região lombar.

Aguardar 15 minutos.

Aplicação de um barbiturato de duração ultracurta, metade da dose (por ex., 12,5 mg/kg de tiopental sódico), pois o animal deve permanecer imóvel, mas com reflexo interdigital presente.

(por ex., 12,5 mg/kg de tiopental sódico), pois o animal deve permanecer imóvel, mas com reflexo
Decúbito dorsal com os membros anteriores entre os posteriores, a fim de aumentar o espaço

Decúbito dorsal com os membros anteriores entre os posteriores, a fim de aumentar o espaço intervertebral.

Introdução de uma agulha 70 x 80 com mandril entre L3-L4, L4 L5, L5 - L6 ou L6-L7.

Após a retirada do mandril, observar-se-á a saída do liquor.

Aspirar suavemente com uma seringa e homogeneizar o conteúdo com o anestésico. Injetando lentamente e sem resistência de 0,5 a 1,5 ml.

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52

Manter previamente a cabeça do animal ligeiramente elevada.

Técnica

possui

uma

vantagem

maior

sobre

a

anestesia

peridural,

pois

o

seu

relaxamento é maior por agir diretamente em nível de raízes nervosas espinhais.

Qualquer intervenção pré-retroumbilical de duração máxima de 50 a 60 minutos.

nível de raízes nervosas espinhais. Qualquer intervenção pré-retroumbilical de duração máxima de 50 a 60 minutos.
3 INFECÇÕES CIRÚRGICAS 3.1 Controle da infecção Informações gerais 53 Nas infecções que ocorrem no

3 INFECÇÕES CIRÚRGICAS

3.1 Controle da infecção

Informações gerais

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53

Nas infecções que ocorrem no pós-operatório têm-se dois fatores inter-relacionados, trauma tecidual e infecção cirúrgica, que são sem dúvida de extrema importância pelo sucesso ou não das mesmas.

Em qualquer procedimento cirúrgico se tem por meta, direta ou indiretamente, a limitação do trauma e a diminuição do risco de infecção.

Os dois principais aspectos que contribuíram com o aperfeiçoamento da cirurgia moderna foram o surgimento e desenvolvimento da anestesia e a aplicação dos princípios da assepsia.

Contaminação de ferimento X infecção de ferimento:

Contaminação - presença transitória de microrganismos na superfície tecidual, sem invasão ou resposta fisiológica.

Infecção multiplicação de micróbios no interior do tecido e a consequente resposta do hospedeiro.

Fontes de infecção de feridas:

Tipo de ferida

Paciente

do tecido e a consequente resposta do hospedeiro. Fontes de infecção de feridas: • Tipo de
• Procedimento cirúrgico • Ambiente cirúrgico Conceitos básicos A) esterilização: é a destruição dos

Procedimento cirúrgico

Ambiente cirúrgico

Conceitos básicos

A) esterilização: é a destruição dos micro-organismos patogênicos e não patogênicos

de um determinado local. Ex: instrumentos cirúrgicos, panos de campo e compressas cirúrgicas.

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54

B) desinfecção: é a destruição dos micro-organismos patogênicos ou não, termo mais

utilizado para ambientes. Ex: salas cirúrgicas e baias.

C) antissepsia: é a manobra que impede a proliferação de bactérias, seja inativando

(bacteriostáticos) ou destruindo-as (bactericidas). Refere-se aos tecidos vivos. Ex: mãos do cirurgião, mucosas e pele do animal.

D) assepsia: é o conjunto de procedimentos que se empregam para evitar a infecção

dos tecidos durante as intervenções cirúrgicas. Engloba manobras de esterilização, desinfecção e antissepsia.

Instrumental cirúrgico

Itens críticos: todo e qualquer material que entra em contato com o tecido subcutâneo, este material deverá ser esterilizado. Ex: instrumental cirúrgico em geral, pano de campo, luvas, compressas, etc.

Itens semicríticos: refere-se ao material que entra em contato com cavidades mucosas que possam estar contaminadas e estes deverão estar, pelo menos, desinfetados. Ex: tubo endotraqueal, sonda uretral, etc.

Itens não-críticos: são os objetos que estão relacionados ao ambiente cirúrgico e devem estar limpos. Ex: mesas cirúrgicas, calhas, porta soro, etc.

que estão relacionados ao ambiente cirúrgico e devem estar limpos. Ex: mesas cirúrgicas, calhas, porta soro,
Métodos de esterilização A) métodos físicos:  Filtração: é a separação dos micro-organismos de líquidos

Métodos de esterilização

A) métodos físicos:

Filtração: é a separação dos micro-organismos de líquidos ou de gases, através

de filtros.

Radiação: usada naqueles materiais que não podem ser esterilizados pelo calor

ou por meios químicos, geralmente é chamada de esterilização fria. Ex: raio u.v., raio gama, etc.

Energia térmica: calor úmido ou calor seco.

B)

métodos químicos: líquidos e gases

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55

Desinfetantes de 1º grau: são capazes de esterilização. Ex: formaldeído, glutaraldeído, óxido de etileno, etc.

Desinfetantes de 2º grau: atuam pela desnaturação das proteínas e não

destroem esporos. Ex: compostos fenólicos (creolina), cloro, iodo, álcool, etc.

Desinfetantes de 3º grau: não apresentam o poder de destruição de vírus,

esporos, bacilo da tuberculose. É mais de ação bacteriostática. Ex: mercúrio cromo, amônia quaternária, etc.

Antissépticos

São usados para reduzir a flora bacteriana da pele, braços e mãos do cirurgião e equipe cirúrgica, além do campo operatório do paciente. Este é o ponto que contesta a técnica cirúrgica asséptica, pois não se consegue esterilizar a pele sem destruí-la.

Além da atividade antimicrobiana, os antissépticos não podem ser tóxicos, não devem ser irritantes quando aplicados na pele e devem reter suas propriedades in vivo. O antisséptico ideal é um agente bactericida de amplo espectro que também seja eficaz contra esporos, vírus e fungos. Ex: sabões, álcool, compostos iodopovidona, clorexidina e compostos de amônia quaternária.

Degermação das mãos da equipe cirúrgica

compostos iodopovidona, clorexidina e compostos de amônia quaternária. Degermação das mãos da equipe cirúrgica
Consiste na remoção de detritos e impurezas depositadas sobre a pele. A degermação das mãos

Consiste na remoção de detritos e impurezas depositadas sobre a pele. A degermação das mãos e antebraços tem a finalidade de remover a maior quantidade possível dos microrganismos da pele a fim de prevenir infecções da ferida operatória. O preparo das mãos é recomendável e justificável, se considerarmos o seguinte:

Muitas luvas se apresentam perfuradas ao término da cirurgia;

Bactérias tendem a se multiplicar sob as luvas;

Luvas sofrem constantes traumas por agulhas, unhas e outros.

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56

A degermação das mãos pode ser realizada por métodos químicos (com o uso de antissépticos detergentes) e mecânicos (pela escovação). Atualmente costuma-se associar os dois métodos pela sua maior eficiência na antissepsia das mãos.

Procedimentos dentro da sala cirúrgica

Existem regras gerais:

1º) Todos os utensílios podem estar esterilizados ou não, em caso de dúvida, considere não esterilizado.

2º) Somente à parte de fora dos materiais enrolados ou empacotados deve ser tocada por mãos sem luvas, e estes pacotes devem ser abertos pelo volante longe do corpo para não contaminá-los.

3º) Materiais esterilizados são manuseados somente com luvas esterilizadas ou com instrumentos esterilizados.

4º) Uma vez que algum material é removido de um pacote, o mesmo não deve ser retornado ao mesmo.

5º) Toda vez que um material esterilizado apresentar-se úmido, este deve ser considerado não esterilizado.

ao mesmo. 5º) Toda vez que um material esterilizado apresentar-se úmido, este deve ser considerado não

3.2

Classificação da possibilidade de infecção intraoperatória

da possibilidade de infecção intraoperatória  Limpo: procededimento eletivo; cicatrização

Limpo: procededimento eletivo; cicatrização primária; isento de falhas nas

técnicas assépticas; sem penetração nos tratos alimentar, respiratório ou urogenital.

Limpo-contaminado: procededimento não-eletivo, abertura de cavidade colonizada, falha assépticas mínima e reoperação.

Contaminada: falha na assepsia, traumatismo penetrante, ferimento crônico, inflamação não-purulenta aguda.

Sujo: purulência, drenagem, ferimento penetrante decorridas mais de quatro horas, ruptura de víscera colonizada.

3.3 Fatores da ferida podem influenciar as infecções

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57

Contaminação, viabilidade e vascularização dos tecidos.

Fatores cirúrgicos que afetam a infecção das feridas

Duração da cirurgia;

Perfuração das luvas;

Procedimentos de emergência;

Cirurgias nos meses de verão;

Duração da cirurgia; • Perfuração das luvas; • Procedimentos de emergência; • Cirurgias nos meses de
• Remoção pré-cirúrgica dos pelos; • Irrigação tópica das feridas. Fatores que afetam as taxas

Remoção pré-cirúrgica dos pelos;

Irrigação tópica das feridas.

Fatores que afetam as taxas de infecção das feridas

Aumento da idade;

Doença preexistente;

Local do organismo operado;

Má nutrição.

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58

Infecção hospitalar: infecções em ferimentos que não estavam presentes e nem incubado, antes da internação

Causas comuns:

Falha nas técnicas de assepsia ou desinfecção;

Cateteres;

Contaminação direta da ferida e das ataduras;

Mau uso de antibióticos;

Ambiente hospitalar sujo.

• Contaminação direta da ferida e das ataduras; • Mau uso de antibióticos; • Ambiente hospitalar
4 CICATRIZAÇÃO 4.1 Conceitos Gerais 59 O fundamento da cirurgia é restabelecer a função e

4 CICATRIZAÇÃO

4.1 Conceitos Gerais

59
59

O fundamento da cirurgia é restabelecer a função e recuperar a integridade biológica de células e tecidos mediante a cicatrização de ferimento natural ou iatrogênica.

O

ferimento

nada

mais

é

que

a

metabólicas de órgãos, tecidos e células.

perda

da

continuidade

anatômica

e

funções

São variadas as causas de ferimentos que vão desde cirurgia, infecção, traumas (veicular, arma de fogo, brigas), substâncias químicas, tumores, temperaturas excessivas e até mesmo uma medicação tópica.

Para haver a cicatrização de um ferimento é necessário que um conjunto de ações simultâneas ocorram para ocorrer a restauração da estrutura e função do órgão. Isso se dá por processos bioquímicos e celulares em padrão organizado e sequencial que pode levar dias, meses ou anos.

4.2 Fases da Cicatrização

1. Inflamação: minutos a três dias. Fase chamada de Lag ou substrato. Nesta fase

tem-se a liberação de mediadores químicos (histamina, serotonina e prostaglandinas) pelos mastócitos e plaquetas. Neutrófilos e mastócitos fagocitam e destroem restos celulares e corpos

prostaglandinas) pelos mastócitos e plaquetas. Neutrófilos e mastócitos fagocitam e destroem restos celulares e corpos
estranhos e macrófagos liberam substâncias quimiotáticas para estimular fibroplasia, angiogênese e a síntese de

estranhos e macrófagos liberam substâncias quimiotáticas para estimular fibroplasia, angiogênese e a síntese de colágeno.

2. Reparação ou proliferação. Entre 3º e 21º dias, a fase de proliferação

fibroblástica, infiltração capilar e a reepitelização.

3. Maturação ou remodelação (meses ou anos). Ligações entre fibras de colágeno

(rede de fibras ao longo das linhas de estresse da ferida).

4. Contração - fase final da cicatrização, ação dos miofibroblastos que contêm

actina, proteína contrátil das células musculares. Base da resistência da cicatrização: O colágeno é a principal proteína estrutural do tecido conjuntivo. A resistência do tecido cicatricial se aproxima, mas nunca se iguala à do tecido normal.

4.3Tipos de cicatrização

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60

Cicatrização de primeira intenção ou fechamento primário - aposição dos tecidos por sutura, grampos, adesivos ou fitas.

Cicatrização de segunda intenção ou fechamento secundário - ferimentos

cutâneos cicatrizam por granulação, epitelização e contração.

Cicatrização de terceira intenção - fechamento cirúrgico de uma cicatriz

granulosa (segunda intenção) após a remoção do tecido de granulação e o reavivamento dos bordos epiteliais.

granulosa (segunda intenção) após a remoção do tecido de granulação e o reavivamento dos bordos epiteliais.
Fig.20- Cicatriz por segunda intenção. Fig.21- Cicatrização por meio de sutura. 61 Fonte: Wilkinson, George

Fig.20- Cicatriz por segunda intenção. Fig.21- Cicatrização por meio de sutura.

intenção. Fig.21- Cicatrização por meio de sutura. 61 Fonte: Wilkinson, George T; Harvey, Richard G (1997)
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Fonte: Wilkinson, George T; Harvey, Richard G (1997)

4.4 Tecido de granulação

Consiste em uma mistura de vasos capilares e linfáticos, de fibroblastos, macrófagos, substância amorfa, colágeno e de fibras de elastina que se desenvolvem em uma semana a partir da lesão.

Aspecto: vermelho e granular - barreira contra a infecção, sobre uma base para epitelização e fonte celular contração cicatricial.

Fig. 22 tecido de granulação.

contração cicatricial. Fig. 22 – tecido de granulação . Fonte: Clínica Veterinária, n. 49, p. 34-42,

Fonte: Clínica Veterinária, n. 49, p. 34-42, 2004.

contração cicatricial. Fig. 22 – tecido de granulação . Fonte: Clínica Veterinária, n. 49, p. 34-42,

4.5

Fatores de crescimento importantes na cicatrização

4.5 Fatores de crescimento importantes na cicatrização  Derivados de plaquetas (iniciam a divisão celular); 

Derivados de plaquetas (iniciam a divisão celular);

Transformadores (aumentam a síntese de colágeno);

Epidermal;

Fibroblastos e tipo insulina: secretados por plaquetas, macrófagos e fibroblastos.

4.6 Fatores afetam a cicatrização

A Locais:

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62

Vascularização: oxigenação e nutrientes às células e aos tecidos;

Material estranho: acentua a inflamação e infecções;

Espaço morto e acúmulo de líquidos: inibem a migração celular e aumentam

risco de infecção;

Irradiação: semanas seguintes à cirurgia, reduz a formação de fibroblastos, a

síntese de colágeno e a regeneração capilar;

Infecção bacteriana: impede a cicatrização devido à persistência da inflamação, à necrose tissular e ao acúmulo de líquidos;

Soluções de limpeza : reduz a contaminação;

Curativos não-adesivos: promovem a epitelização, os curativos debridam mecanicamente os ferimentos contaminados;

Técnicas cirúrgicas: seguindo os princípios de Halsted.

B

Sistêmicos:

Hipoproteinemia: retarda a fibroplasia, diminui resistência e provoca edema;

B – Sistêmicos:  Hipoproteinemia: retarda a fibroplasia, diminui resistência e provoca edema;
 Uremia: deprime a granulação, a epitelização e a resistência da cicatriz;  Corticosteroide: Dosagem

Uremia: deprime a granulação, a epitelização e a resistência da cicatriz;

Corticosteroide: Dosagem elevada ou prolongada que inibe a inflamação e reduz síntese de colágeno;

Quimioterápicos: inibem as fases de reparação (divisão celular) e de maturação (síntese de colágeno);

Idade avançada: diminui a função reparadora da célula;

Tumorações: podem impedir a cicatrização devido à caquexia, a alteração do metabolismo e diminuição da função inflamatória;

Diabete descompensado e hiperglicemia: impedem a síntese de colágeno, o crescimento capilar e a função das células granulócitas.

4.7 Fatores que podem ser controlados pelo cirurgião

Manipulação delicada dos tecidos;

Preservação da vascularização;

Assepsia cirúrgica;

Aproximação dos tecidos;

Obliteração dos espaços vazios;

Remoção do tecido necrótico.

4.8 Conceitos importantes

63
63
dos tecidos;  Obliteração dos espaços vazios;  Remoção do tecido necrótico. 4.8 Conceitos importantes 63
A - Seroma: acúmulo subcutâneo ou bolsa de soro e proteína em um ferimento fechado.

A - Seroma: acúmulo subcutâneo ou bolsa de soro e proteína em um ferimento

fechado. Excelente meio de crescimento bacteriano. Desenvolve-se usualmente como falha na técnica cirúrgica;

B - Evisceração: protusão das vísceras;

C - Eventração: protusão dos intestinos através da parede abdominal;

D - Deiscência cicatricial: ruptura parcial ou total das camadas cicatriciais da cirurgia.

Que normalmente ocorre três a cinco dias após a cirurgia, antes que a síntese do colágeno aumente a força tênsil da cicatriz.

São vários fatores associados com deiscência cicatricial:

Fatores locais e sistêmicos que afetam a cicatrização

Aumento da pressão abdominal

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64

Técnica cirúrgica e adequação (seleção da sutura, colocação, fechamento dos pontos) do fechamento. Sinais de deiscência cirúrgica:

Inchaço na incisão;

Dor;

Coloração;

Necrose tissular;

Estravazamento serossanguinolento.

 Inchaço na incisão;  Dor;  Coloração;  Necrose tissular;  Estravazamento serossanguinolento.
5 ANTIBIOTICOTERAPIA O instante em que se emprega a antibioticoterapia é tudo. Antibióticos são para

5 ANTIBIOTICOTERAPIA

O instante em que se emprega a antibioticoterapia é tudo. Antibióticos são para

prevenir infecção bacteriana ou para tratar uma infecção existente.

Profilaxia com antibióticos

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65

A administração IV imediatamente antes e durante procedimento cirúrgico, promove uma proteção extra ao paciente. Estando recomendada para procedimentos limpos ou limpo- contaminados.

O fármaco mais frequentemente usado na antibioticoprofilaxia é a cefazolina, na

dosagem de 20 a 22 mg/kg, IV, e repetida a cada 90 a 120 min de cirurgia.

Indicações

Os antibióticos são administrados terapeuticamente no caso de ferimentos contaminados ou sujos com presença de infecções. Deverá ser usado por uma a três semanas de acordo com tipo da lesão (profunda ou superficial) e sinais da infecção.

Parâmetros para avaliar a presença de infecção

Sinais clínicos (febre, depressão, inapetência e disfunção orgânica).

Resultados laboratoriais (leucocitose, desvio degenerativo à esquerda, anemia, elevação do fibrinogênio e culturas positivas).

Exames por imagens (lise óssea, abscedação, falhas em implantação, aumento de densidade de líquidos).

 Exames por imagens (lise óssea, abscedação, falhas em implantação, aumento de densidade de líquidos).
Antibióticos úteis para tratar infecções de feridas cirúrgicas. • Cefazolina /cefalexina (Staphylococcus,

Antibióticos úteis para tratar infecções de feridas cirúrgicas.

Cefazolina /cefalexina (Staphylococcus, Streptococcus, e. coli).

Amoxicilina/clavulanato (Staphylococcus, Streptococcus, Bacteroides).

Enrofloxacina (Pasteurella, Pseudomonas, Klebsiella, e. Coli)

Clindamicina (Staphylococcus, Streptococcus).

Metronidazol (bacteroides). Causas das falhas no tratamento com antibióticos.

Seleção inadequada do antibiótico.

Erros de dosagem.

Falta de acesso ao local afetado.

Resistência bacteriana.

Infecção polimicrobiana.

Condições associadas com o implante.

Erro de diagnóstico (causa não-infecciosa).

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polimicrobiana. • Condições associadas com o implante. • Erro de diagnóstico (causa não-infecciosa). 66
6 CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS 6.1 Caudectomia Definição Consiste na extirpação cirúrgica

6 CIRURGIAS ESTÉTICAS MUTILANTES EM PEQUENOS ANIMAIS

6.1 Caudectomia

Definição

Consiste na extirpação cirúrgica parcial ou total da cauda.

Indicações

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67

A caudectomia, ou o corte, é uma cirurgia realizada para extirpar tumores, corrigir infecções, lesões traumáticas com fratura exposta das vértebras coccígeas ou presença de necrose intensa e também para auxiliar no tratamento de doenças, tais como fistulas perianais do pastor alemão e do setter.

Anestesia

A partir de oito semanas de idade, deve-se utilizar anestesia geral.

Técnica cirúrgica

Incisão elíptica (meia lua), iniciando no local de desarticulação vertebral, lateralmente, a fim de sobrar pele para sutura final.

Disseca-se a pele de maneira romba no sentido proximal. A ligadura dos vasos pode ser feito isoladamente nas artérias (lateral caudal, medial caudal e ventral) e nas veias (coccígeas, caudais laterais, esquerda e direita) com fio cat-gut (4.0 ou 3.0) ou em massa sobre

e ventral) e nas veias (coccígeas, caudais laterais, esquerda e direita) com fio cat-gut (4.0 ou
o corpo da última vértebra que irá permanecer com categute 2.0. Após ligadura é feita

o corpo da última vértebra que irá permanecer com categute 2.0. Após ligadura é feita a desarticulação entre as vértebras. A sutura de pele é feita com pontos simples separados com fio inabsorvível (náilon 3.0).

Pós-operatório

Deve-se ter cuidado com a higiene diária, aplicando-se repelentes de moscas em pasta, pois são menos tóxicos, e fazer o curativo diariamente. Porém, se os rabos estiverem bem cortados e não houver infecção, mesmo sem os pontos, a cicatrização ocorre sem problemas.

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68

Depois de dez dias de idade, a anestesia local já não resolve tão bem, e a dor insuportável de uma caudectomia mal anestesiada pode resultar em traumas emocionais irreversíveis no filhote. Aos dois meses de idade, o corte do rabinho transforma-se então em uma verdadeira cirurgia de amputação de membro, e seu pós-operatório irá requerer a utilização de drogas antibióticas, anti-inflamatórias, curativos e contenção do animal para que ele não retire os próprios pontos, colocando em contato o local da ferida com a boca.

Retirar pontos com oito dias.

Complicações

Estas complicações seriam devido à lambedura constante da mãe no local, retirando assim as suturas, e a falta de higiene do ambiente, que atraem moscas, podendo acarretar miíases nos rabinhos.

As miíases (bicheiras) são bastante perigosas, pois podem evoluir chegando a comprometer órgãos, como o reto do bichinho, principalmente em raças como o Rothweiller, que tem suas caudas cortadas bem rentes ao corpo.

Deiscência de sutura caso ocorra deixar que aconteça a cicatrização por segunda intenção, tratar a ferida aberta contaminada.

sutura – caso ocorra deixar que aconteça a cicatrização por segunda intenção, tratar a ferida aberta
6.2 Conchectomia Conceito Partindo do princípio que os cães primitivos e os selvagens tinham o

6.2 Conchectomia

Conceito

Partindo do princípio que os cães primitivos e os selvagens tinham o pavilhão auricular ereto e em forma de concha, o homem, ao longo do tempo, reconheceu que esta realidade beneficia as condições de proteção e audição. Talvez seja esta a real intenção do homem em formatar orelhas grandes e pendentes em conchas eretas em algumas raças, propiciando além de um corte estético, o fator proteção. O aumento do tamanho das orelhas dos cães ocorreu com o tempo e isso talvez tenha sido na intenção de fechar o conduto auditivo para diminuir a audição nos cães de caça, para não se distraírem do faro como é o caso do Basset Hound, Bloodhound, Cocker Spaniel, entre outros, resultando em maiores problemas nas orelhas e conduto auditivo, como otites (infecção nos ouvidos), fungos, sarnas, otematomas (descolamento da cartilagem por hemorragia auricular), injúrias, dilacerações, alopecia, sangramento, miíases (bicheira), surdez e dermatites. Percebemos que orelhas pendulares são sempre alvos fáceis e com pouca chance de defesa, acarretando em uma maior incidência de problemas. Um cão doméstico com orelhas pendulares se fosse solto na natureza provavelmente morreria rapidamente, pois qualquer ferimento no pavilhão atrairia insetos, moscas, e fatalmente uma miíase ocorreria, levando o animal à morte em pouco tempo.

Raças

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Schnauzers, Pinscher, Boxer, Dobermann, Dog Alemão, Pit Bull, Dogo Argentino, Mastin Napolitano, Grifon de Bruxelas, American Stafordshire Terrier.

Indicações:

Traumatismo em ponta de orelha;

Deformidades no pavilhão auricular (brigas, acidente e miiases);

Indicações:  Traumatismo em ponta de orelha;  Deformidades no pavilhão auricular (brigas, acidente e miiases);
 Deformidades decorrentes de otematoma;  Remoção de tumores (carcinoma epidermoide em gatos);  Auxiliar

Deformidades decorrentes de otematoma;

Remoção de tumores (carcinoma epidermoide em gatos);

Auxiliar no tratamento do conduto auditivo;

Vantagens da conchectomia

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70

Novos Movimentos: Cortando parcialmente o pavilhão, se promovem três

movimentos das orelhas, o da ereção, abaixamento e rotação, dando condição ao cão de espantar insetos, se proteger de mordida de outros cães, melhorarem a audição, diminuir as chances de proliferar fungos, sarnas e bactérias que induzem a otite.

Cães que mergulham: Em cães que tem habilidade de mergulhar como o Pit

Bull, as orelhas cortadas promovem uma condição ideal para a oclusão total do conduto auditivo, observamos então que o cão que tem orelhas cortadas tem melhor desempenho ao mergulhar do que o cão que tem as orelhas íntegras.

Melhora na rotina diária: Em muitos casos é feita a prática do corte de orelhas

em cães mestiços, em geral no interior, com o intuito de beneficiar a condição de defesa do cão para a lida no dia a dia com animais.

Aumento da Imunidade: Alguns autores alegam que o corte das orelhas

aumenta sensivelmente a imunidade do cão contra vírus do tipo Cinomose, Parvovirose entre outros.

Anestesia

Sedação associada à anestesia local.

Técnica

Faz o posicionamento de uma pinça para corte de orelhas de acordo com o local onde irá incisar com bisturi. O sangramento é totalmente controlado com eletrocautério, e com sutura com fio inabsorvível em toda sua extensão, facilita-se um correto posicionamento e cicatrização.

e com sutura com fio inabsorvível em toda sua extensão, facilita-se um correto posicionamento e cicatrização.
É um procedimento feito em torno de 30 minutos. Pós-operatório:  Usar colar elizabetano; 

É um procedimento feito em torno de 30 minutos.

Pós-operatório:

Usar colar elizabetano;

Bandagens com esparadrapo com troca semanal;

Antibiótico e anti-inflamatório;

Os pontos devem ser removidos sete dias após a cirurgia.

6.3 Otohematoma

Conceito

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71

O otohematoma define-se como uma coleção de sangue entre a cartilagem do pavilhão

auricular e a face interna da pele que o cobre.

Causas

A causa dos otohematomas nem sempre é bem esclarecida, mas parece que surgem

no decurso do ato de coçar a orelha ou de balanças a cabeça, em razão a irritação ou coceira associada a otites externas, causadas por bactérias, ácaro ou por fungos na maior parte dos casos.

Mais frequentes em cães com orelhas pendulares com inflamação crônica e aguda, ectoparasitas, corpos estranhos e os tumores e pólipos do canal auditivo.

O sangue se acumula entre a pele e as camadas de cartilagem no pavilhão auricular,

formando um hematoma. Na superfície côncava, convexa ou em ambos os lados da orelha.

cartilagem no pavilhão auricular, formando um hematoma. Na superfície côncava, convexa ou em ambos os lados
Tamanho/consistência Dependerá do tempo e severidade do traumatismo. Tratamento Em primeiro lugar deve resolver-se a

Tamanho/consistência

Dependerá do tempo e severidade do traumatismo.

Tratamento

Em primeiro lugar deve resolver-se a causa do hematoma auricular. Caso este seja recente pode fazer-se a punção, para drenar o líquido. Dez a quinze dias são suficientes para a pele e a cartilagem ganharem aderência novamente. Devendo fazer a compressão da orelha durante este período para ajudar à recuperação. Infelizmente, na maioria dos casos este procedimento não é suficiente e tem mesmo que se recorrer à cirurgia.

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72

Os objetivos da cirurgia são remover o hematoma, prevenir as recidivas e manter a aparência da orelha (i.é diminuir o espessamento e a ocorrência de cicatrizes).

Tratamento conservativo

Drenagem do hematoma: aspiração com uma agulha; lancetamento com lâmina de bisturi ou a sutura de um dreno embutido na cavidade do hematoma para uma drenagem contínua.

Obs: para hematomas com uma consistência fluida. Geralmente aplica-se uma atadura

na orelha.

Técnica Cirúrgica

Incisão e drenagem e a sutura da pele à cartilagem;

Incisão longitudinal ou em “S” ao longo de todo o seu comprimento;

Cureta-se e lava-se - removendo depósitos de fibrina;

Colocam-se suturas paralelamente à incisão cutânea esses pontos, que

devem ir de um lado ao outro da orelha e devem ser em U e pode protegê-los com um tubo de plástico ou até mesmo com botões de camisa;

lado ao outro da orelha e devem ser em U e pode protegê-los com um tubo
 São mantidos durante, aproximadamente, 10 a 12 dias. O principal problema destas situações é

São mantidos durante, aproximadamente, 10 a 12 dias. O principal problema

destas situações é o risco de infecção, daí as orelhas devem estar bem protegidas.

A
A
B
B

.

C 73 E
C
73
E
D
D

Fonte: Prof. Eugênio Henriques. Aula de Clinica Médica. FAA., 2004 e Bojrab, 1996.

Fig.23- A: orelha com otohematoma, observar o aumento que se formou entre a parte interna e externa da mesma; B:realização do corte em “S” na parte interior da orelha afetada; C: visualização do corte em “S”; D: demonstração de como fica a orelha em sua parte externa após ter suturado o defeito; E:

demonstração da parte interna da orelha, corte em “S” aberto e vários pontos simples laterais paralelos a incisão.

6.4 Entrópio

É a inversão da pálpebra e dos cílios na direção da córnea.

Etiologia

laterais paralelos a incisão. 6.4 Entrópio É a inversão da pálpebra e dos cílios na direção
 Hereditária: caninos com menos de seis meses de idade com entrópio, considera-se de origem

Hereditária: caninos com menos de seis meses de idade com entrópio,

considera-se de origem hereditária, a menos que se encontre outro fator desencadeante;

Conformacional: é o entrópio de maior ocorrência nos pequenos animais, está

relacionado às raças predisponentes como o Sharpei, Chow Chow, Rothweiller, Dog Alemão, Labrador e Bulldog;

Adquirida: é a causa mais comum nas demais espécies, divide-se em dois

principais, o entrópio cicatricial e o entrópio espástico. O entrópio cicatricial decorre de uma sequela da cicatrização de um ferimento na pálpebra. O entrópio espástico geralmente resulta de um blefaroespasmo, e pode ser causado por problemas ciliares, provocando dor corneal (triquíase, distiquíase e distriquíase), por corpos estranhos ou lesão corneal e pela conjuntivite; Obs.: quando a irritação e a epífora estão associadas com os problemas ciliares, a aplicação de pomadas lubrificantes e a remoção manual dos cílios proporcionarão alívio temporário destes sinais clínicos.

Incidência

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74

A. Cães: geralmente hereditário, mas pode ocorrer por blefaroespasmo ou por injúrias

(lesões). Raças predisponentes: Rothweiller, chow-chow, Bulldog, Setter inglês, São Bernardo; Cocker, etc.;

B. Gatos: incomum. Quando ocorre normalmente é de origem traumática;

Sinais clínicos

Os sinais clínicos podem incluir: epífora, blefaroespasmo, fotofobia, conjuntivites, ceratites, com ou sem a presença de úlcera de córnea. Quando a infecção bacteriana está presente, observa-se descarga ocular mucopurulenta, opacidade de córnea e perda de visão.

Considerações cirúrgicas

O platô tarsal fibroso é uma estrutura anatômica da pálpebra muito importante, particularmente devido ao seu suporte físico para as margens palpebrais, e por ancorar e promover estabilidade as suturas palpebrais. Os abundantes suprimentos vasculares,

as margens palpebrais, e por ancorar e promover estabilidade as suturas palpebrais. Os abundantes suprimentos vasculares,
encontrados nas pálpebras, as tornam susceptíveis ao edema, mas também permitem uma rápida cicatrização

encontrados nas pálpebras, as tornam susceptíveis ao edema, mas também permitem uma rápida cicatrização pós-traumática e proporcionam o reparo cirúrgico satisfatório, mesmo após vários dias da ocorrência da lesão. Além disso, em razão ao excelente suprimento sanguíneo, as pálpebras são relativamente tolerantes aos insultos térmicos, permitindo o uso da criocirurgia e eletrocirurgia para o tratamento de desordens ciliares e de neoplasias palpebrais.

Tratamento

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Baseia-se no reposicionamento da pálpebra para sua posição anatômica e no combate ao agente etiológico.

Técnica de hotz-celsus ( blefaroplastia )

O entrópio crônico ou recorrente necessita de correção cirúrgica definitiva. O procedimento cirúrgico mais comum é baseado na remoção localizada da pele palpebral, denominado de procedimento de hotz-celsus.

Prenda uma porção de pele com uma pinça halsted mosquito curva, o suficiente para que a pálpebra volte à posição anatômica normal. A quantidade de pele a ser removida deve ser medida individualmente para cada caso. A prega de pele é feita logo abaixo da margem palpebral (3 a 5 mm), depois de feita a marcação da pele com as pinças mosquitos, a porção excedente é removida com uma tesoura de mayo curva, retirando toda a parte que foi pinçada. A ferida da pele é, então, fechada com pontos isolados simples (náilon 4.0 a 5.0), mantendo a pálpebra na sua posição anatômica normal.

Pós-operatório

Curativo local, remoção dos pontos com 14 dias.

a pálpebra na sua posição anatômica normal. Pós-operatório Curativo local, remoção dos pontos com 14 dias.
76 Fonte: Meca cirurgia on-line . Acesso dia 09/01/2008. Fig.24 A- Pálpebra invertida; B- Incisão
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Fonte: Meca cirurgia on-line. Acesso dia 09/01/2008.

Fig.24 A- Pálpebra invertida; B- Incisão com bisturi em meia lua; C- Sutura da ferida cirúrgica.

6.5 Ectrópio

Definição

É a eversão da pálpebra inferior, com exposição da superfície conjuntival, sendo comum em cães e raro em gatos.

Etiologia

Congênita: encontrada principalmente em cães que apresentam a pele da face

solta. Ex.: Cocker, Basset, São Bernardo, Fila, etc.;

Fadiga dos músculos faciais: visto principalmente nos cães de caça que pela

manhã estão normais, porém ao final da tarde apresentam ectrópio. Não devemos tratar cirurgicamente;

Paralítica: ocorre devido à lesão dos ramos do nervo facial (ventral e dorsal), que suprem o músculo orbicular do olho;

ocorre devido à lesão dos ramos do nervo facial (ventral e dorsal), que suprem o músculo
 Traumática: reação cicatricial após lesão da pálpebra inferior;  Iatrogênica: correção exagerada do

Traumática: reação cicatricial após lesão da pálpebra inferior;

Iatrogênica: correção exagerada do entrópio.

Sinais clínicos:

Conjuntivite crônica (olho com aparência avermelhada, secreção abundante);

Epífora (excesso de lágrima).

Tratamento cirúrgico

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O tratamento cirúrgico consiste no encurtamento da pálpebra inferior, por meio da

ressecção de um triângulo palpebral no canto lateral do olho.

O excesso do comprimento da pálpebra é estimado, marcando a quantidade de

pálpebra a ser removida. A borda da pálpebra inferior é pinçada 3 a 4 mm do canto temporal com uma pinça hemostática hasted mosquito reta, para a delimitação da mesma. É feita uma marca inferior projetando a formação de um triângulo, sendo que os lados desse triângulo deverão medir de duas a três vezes o comprimento de sua base. Depois de feita às delineações da porção palpebral em excesso, o triângulo de pele e conjuntiva palpebral são seccionados com uma tesoura de mayo oftálmica. A sutura da ferida é feita com um mono náilon 5.0 e 6.0, com pontos isolados simples, sendo que o primeiro ponto deve ser feito na borda palpebral.

Pós-operatório

Curativo local com pomadas oftálmicas ou colírios, e a retirada dos pontos com 15 dias de pós-operatório. O uso do colar elizabetano evita a automutilação.

ou colírios, e a retirada dos pontos com 15 dias de pós-operatório. O uso do colar
7 APARELHO REPRODUTOR FEMININO 7.1 Ovário-histerectomia Indicações 78 A maior indicação para ovário-histerectomia é

7 APARELHO REPRODUTOR FEMININO

7.1 Ovário-histerectomia

Indicações

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A maior indicação para ovário-histerectomia é a esterilização eletiva, mas é também o tratamento de escolha para a maioria das uteropatias, como a piometra, torção uterina, hiperplasia vaginal, ruptura uterina e a neoplasia uterina.

Pode-se indicar a ovário-histerectomia para fêmeas diabéticas e epiléticas para impedir as alterações hormonais que alteram a efetividade das medicações.

A produção de estrogênio endógeno exerce um papel na etiologia dos tumores mamários espontâneos. A incidência de neoplasia mamária é de 0,5% nas cadelas castradas antes do primeiro estro, enquanto o fator de risco é de 8% quando se retarda a ovário- histerectomia até após o primeiro estro; após dois ou mais cios, o risco se eleva para 26%.

A ovário-histerectomia pode ser uma terapia adjunta justificável para uma neoplasia mamária. A pesquisa atual sobre os receptores hormonais nos tumores mamários caninos pode finalmente tomar possível a determinação de quais cadelas responderão a uma ovário- histerectomia no momento da mastectomia por análise de receptores hormonais tumorais específicos.

a uma ovário- histerectomia no momento da mastectomia por análise de receptores hormonais tumorais específicos.
79 Fig.25 A anatomia do trato reprodutivo nas cadelas é exibida. Fonte: Bojrab, 1996 Anatomia
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Fig.25 A anatomia do trato reprodutivo nas cadelas é exibida. Fonte: Bojrab, 1996

Anatomia Cirúrgica

Os ovários, os ovidutos e o útero são presos às paredes dorsolaterais da cavidade abdominal e à parede lateral da cavidade pélvica por meio de pregas duplas pareadas do peritônio chamadas de ligamentos largos direito e esquerdo. Cranialmente, o ligamento largo se prende por meio do ligamento suspensor do ovário. O ligamento largo se divide em três regiões:

o mesovário, a mesossalpinge e o mesométrio. O ligamento suspensor corre da face ventral do ovário e da mesossalpinge cranial e dorsalmente para os terços médios e ventrais das duas últimas costelas. O ligamento próprio, que é a continuação caudal do ligamento suspensor, se prende à extremidade cranial do corno uterino. O ligamento redondo do útero se prende à extremidade cranial do corno uterino e é a continuação caudal do ligamento próprio. O ligamento redondo se estende caudal e ventralmente ao ligamento largo e, na maioria das cadelas, passa através do canal inguinal e termina subcutaneamente próximo à vulva.

O complexo arteriovenoso (AV) ovariano repousa sobre o lado medial do ligamento largo e se estende da aorta para o ovário. A artéria ovariana é menos torcida nas gatas que nas

medial do ligamento largo e se estende da aorta para o ovário. A artéria ovariana é
cadelas. A artéria ovariana supre o ovário e a porção cranial do corpo uterino na

cadelas. A artéria ovariana supre o ovário e a porção cranial do corpo uterino na cadela e na gata.

A veia ovariana esquerda drena para dentro da veia renal esquerda, e a veia ovariana direita drena para dentro da veia cava caudal. As veias uterinas correm em associação íntima com as artérias uterinas e terminam caudalmente nas veias ilíacas internas.

Técnica Cirúrgica

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Deve-se comprimir manualmente a bexiga antes da cirurgia. No caso da cadela, faz-se uma incisão abdominal na linha média se estendendo do umbigo até meio caminho entre este e

a borda do púbis. No caso da gata, a incisão começa aproximadamente 1 cm caudal ao umbigo

e se estende cerca de 3 a 5 cm caudalmente. Deve-se estender a incisão abdominal mais caudalmente na gata para proporcionar uma exposição adequada do corpo uterino.

Se o útero estiver aumentado, exige-se uma incisão abdominal mais extensa. Localiza- se o corno uterino esquerdo com o dedo indicador. Pode-se colocar uma pequena pinça hemostática no ligamento próprio para ajudar na retração do ovário. Estica-se ou rompe-se o ligamento suspensor com o dedo indicador. Deve-se direcionar uma tensão mais caudalmente ao longo da parede corporal dorsal que perpendicularmente a incisão, para evitar o rasgo do complexo AV ovariano. Localiza-se o complexo AV ovariano e faz-se uma "janela" no mesovário imediatamente caudal ao complexo AV ovariano. Pinça-se duplamente o complexo AV ovariano com uma pinça hemostática. Deve-se manter contato constante com o ovário ao aplicar a

primeira pinça para assegurar que todo o ovário seja removido. Rompe-se então o pedículo entre

a pinça média e o ovário.

Devem-se colocar as pinças no pedículo ovariano, tão próximas do ovário quanto for possível para prevenir a inclusão acidental do ureter.

Prefere-se uma sutura absorvível (por exemplo, o categute cromado) para todas as ligaduras. Coloca-se uma sutura circular frouxa ao redor da pinça proximal. Remove-se a pinça à medida que se aperta a sutura circular de forma que a mesma sutura repouse no sulco de tecido esmagado criado pela pinça. Coloca-se uma sutura de transfixação entre a sutura circular e a superfície de corte do pedículo. Prende-se o pedículo (sem prender a ligadura) com uma pinça

a sutura circular e a superfície de corte do pedículo. Prende-se o pedículo (sem prender a
de polegar, libera-se a pinça final e inspeciona-se o pedículo quanto a sangramentos. Se não

de polegar, libera-se a pinça final e inspeciona-se o pedículo quanto a sangramentos. Se não ocorrer sangramento, recoloca-se o pedículo no abdome.

Isola-se o corno uterino direito por meio do segmento do corno uterino esquerdo distalmente até a bifurcação. Repete-se o procedimento da ligadura no pedículo ovariano direito. Faz-se então uma janela no ligamento largo adjacente à artéria e à veia uterinas, e prende-se e lacera-se o mesmo. A ligadura em massa dos ligamentos, largo e redondo raramente é necessária; no entanto, devem-se ligar os grandes vasos no ligamento largo.

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Exterioriza-se o corpo uterino e localiza-se a cérvix. Podem-se utilizar várias técnicas para ligar e dividir o corpo uterino, dependendo do tamanho do útero e da preferência do cirurgião. Pode-se utilizar a técnica da pinça tripla quando o corpo uterino for pequeno (por exemplo, nas gatas e nas cadelas pequenas). Rompe-se o corpo uterino entre a pinça média e a pinça proximal. Ligam-se individualmente as artérias e veias uterinas entre a pinça distal e a cérvix. Coloca-se uma sutura circular frouxa ao redor da pinça distal, remove-se a pinça e aperta-se a sutura no sulco de tecido esmagado. Coloca-se uma sutura de transfixação entre a sutura circular e a pinça remanescente, que é depois removida. Avalia-se o coto uterino quanto a sangramentos e recoloca-se o mesmo no abdome.

Devem-se avaliar os pedículos ovarianos e o coto uterino quanto a sangramentos antes do fechamento abdominal.

Fecha-se a incisão abdominal ou em um padrão de sutura interrompido simples com uma sutura absorvível ou em um padrão de sutura contínuo simples com uma sutura não- absorvível (polipropileno ou náilon monofilamentar). Devem-se colocar as suturas na bainha reta externa, mas não é necessário se suturar a bainha reta interna ou o peritônio. Fecham-se rotineiramente o tecido subcutâneo e a pele.

é necessário se suturar a bainha reta interna ou o peritônio. Fecham-se rotineiramente o tecido subcutâneo
A B D E Fonte: arquivo pessoal C 82 F Fig.26 A: incisão de pele
A B D E
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Fonte: arquivo pessoal

C

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F

Fig.26 A: incisão de pele na linha Alba, a 1 cm da cicatriz umbilical; B: incisão em estocada com bisturi com parte cortante voltada para cima para penetrar cavidade abdominal; C: visualização da cavidade abdominal com auxílio de 2 pinças Allis fixadas aos planos cirúrgicos incisados; D: coto uterino esquerdo sendo retirado da cavidade e pinçamento anterior ao ovário; E: no detalhe observamos ovário entre pinças hemostáticas pré e pós ovário; F:cornos uterinos já ligados e seccionados e coto uterino ligado logo acima da cérvix.

Complicações e Sequelas

Hemorragia

Tem-se descrito a hemorragia intraoperatória como a complicação mais comum associada com a ovário-histerectomia nas cadelas com mais de 25 kg. A hemorragia durante a ovário-histerectomia pode resultar do rasgo do complexo AV ovariano enquanto se manipula o

25 kg. A hemorragia durante a ovário-histerectomia pode resultar do rasgo do complexo AV ovariano enquanto
ligamento suspensor. Isso pode ser evitado ao se manipular cuidadosamente o ligamento conforme anteriormente descrito.

ligamento suspensor. Isso pode ser evitado ao se manipular cuidadosamente o ligamento conforme anteriormente descrito. A hemorragia intraoperatória também pode resultar do rasgo dos grandes vasos no ligamento largo, do rasgo dos vasos uterinos por meio de uma tração excessiva no corpo uterino ou da liberação acidental de uma pinça antes da colocação das ligaduras. Devem-se ligar individualmente os grandes vasos no ligamento largo e deve-se evitar uma tração excessiva no corpo uterino por meio da extensão da incisão abdominal. A colocação imprópria das suturas pode resultar em uma hemorragia intra ou pós-operatória. Devem-se ligar duplamente os pedículos ovarianos e o coto uterino e avaliá-los quanto a sangramentos antes do fechamento abdominal.

Piometra do Coto Uterino

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A piometra do coto uterino pode ocorrer se não se remover todo o corpo uterino ou porções de qualquer dos cornos uterinos durante a ovário-histerectomia e o animal tiver níveis sanguíneos de progesterona elevados. A fonte de progesterona pode ser endógena proveniente de tecido ovariano residual ou exógeno (proveniente de compostos gestacionais utilizados para tratar uma dermatite). Podem-se evitar a piometra do coto uterino excisando-se completamente os cornos e o corpo do útero.

Ligadura do Ureter

A ligadura acidental de um ureter (que ocorre algumas vezes durante a ligadura do corpo uterino ou de um complexo AV ovariano) resulta em uma hidronefrose e pode predispor a uma pielonefrite. Pode-se esmagar ou ligar acidentalmente um ureter se o complexo AV ovariano cair e se ocorrer um pinçamento indiscriminado do tecido na goteira lombar. É mais provável que se inclua um ureter na ligadura do corpo uterino se a bexiga estiver repleta, pois o trígono e a junção vesicoureteral se deslocam cranialmente, resultando em uma folga maior nos ureteres.

repleta, pois o trígono e a junção vesicoureteral se deslocam cranialmente, resultando em uma folga maior
Incontinência Urinária A incontinência urinária após uma ovário-histerectomia pode ser causada por um nível

Incontinência Urinária

A incontinência urinária após uma ovário-histerectomia pode ser causada por um nível

estrogênico sistêmico baixo; por aderências ou granulomas do coto uterino que interferem na função do esfíncter vesical; e por fistulação vaginoureteral proveniente da ligadura comum da vagina e do ureter. Terapia recomendada para a incontinência urinária responsiva a estrógenos é a administração oral de dietilstilbestrol em 0,1 a 1,O mg por dia por 3 a 5 dias seguida, por uma dose de manutenção de 1,O mg por semana.

Ganho de Peso Corporal

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O ganho de peso corporal foi a sequela em longo prazo mais comum relatada em um

estudo, ocorrendo em 26,2% das cadelas após uma ovário-histerectomia eletiva. A causa do ganho de peso excessivo após a ovário-histerectomia é pouco compreendida. Uma teoria sugere que os depósitos de gordura do corpo possuam receptores para 'hormônios esteroides específicos, de forma que se facilite ou bloqueie a deposição de gordura em uma maneira regional em resposta a testosterona, ao estradiol, a progesterona e ao cortisol. O estradiol inibe a lipase lipoproteica nos adipócitos dos depósitos gordurosos incorrendo no fato de que os ácidos graxos circulantes podem não se esterificar e depositar. Consequentemente, um baixo nível de estradiol sistêmico após uma ovário-histerectomia pode levar a uma deposição excessiva de gordura e a um ganho de peso.

Síndrome Eunucoide

A síndrome eunucoide ocasionalmente é observada nas cadelas de trabalho após uma

ovário-histerectomia. As cadelas afetadas apresentam uma redução na agressão, no interesse pelo trabalho e na resistência. O autotransplante de um ovário para a subsserosa da parede gástrica, que é drenada exclusivamente pela veia portal, pode impedir essa complicação. O enxerto produz estradiol e progesterona, que são parcialmente metabolizados pelo fígado. Os

essa complicação. O enxerto produz estradiol e progesterona, que são parcialmente metabolizados pelo fígado. Os
níveis de estradiol circulante são inadequados para iniciar o estro, mas são suficientes para evitar

níveis de estradiol circulante são inadequados para iniciar o estro, mas são suficientes para evitar a síndrome eunucoide.

Complicações Relacionadas à Celiotomia

Em qualquer procedimento abdominal, pode ocorrer uma incisão acidental do baço ou da bexiga, uma falha na remoção de todos os tampões de gaze da cavidade abdominal antes do fechamento, uma deiscência, uma formação de seroma e uma automutilação. O traumatismo autoinfligido do ferimento abdominal tem sido descrito como a complicação mais comum associada com a ovário-histerectomia de cadelas com menos de 25 kg. Pode-se evitar a maioria dessas complicações por meio de uma atenção estrita a detalhes e pela observação dos princípios básicos da técnica de cirurgia asséptica.

Estro Recorrente (Síndrome dos Restos Ovarianos)

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O estro recorrente geralmente resulta de um tecido ovariano residual funcional após uma ovário-histerectomia incompleta. Podem estar presentes sinais clínicos associados com o estro e a atividade hormonal ovariana. Podem-se retardar os efeitos hormonais dependendo da manutenção ou não da vascularização dos restos ovarianos. Pode-se desenvolver uma circulação colateral ao tecido ovariano mesmo se estiver ligado e transeccionado o complexo AV (arteriovenoso) ovariano.

7.2 Piometra

colateral ao tecido ovariano mesmo se estiver ligado e transeccionado o complexo AV (arteriovenoso) ovariano. 7.2
Conceito Na piometra o útero se encontra repleto de pus, normalmente ocorre quatro a oito

Conceito

Na piometra o útero se encontra repleto de pus, normalmente ocorre quatro a oito semanas após o estro. Esta doença está associada à atividade ovariana e distúrbios extragenitais.