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Universidade Federal do Ceará Curso de Psicologia – 1º Semestre Introdução a Psicologia Professor: Alex Viana

Universidade Federal do Ceará Curso de Psicologia 1º Semestre Introdução a Psicologia Professor: Alex Viana Fabricio José da Silva

Contexto de Subjetividade privatizada no filme “A vila”

  • 1. O Filme:

O filme “A vila” lançado em 2004 com a direção e o roteiro de M. Night Shymalan retrata a história de um grupo de pessoas se isolaram da sociedade diante de acontecimentos vivenciados por um grupo de pessoas mais velhas, chamados “anciãos”, os anciões sofreram muito com a sociedade em que viviam e tiveram experiências traumáticas como a morte de familiares, violências, tragédias. A partir disso eles criaram uma nova sociedade para que sua novas gerações não sofressem tais atentados, assim criaram uma nova sociedade firmada em novos valores e regras.

Para manter a ordem os anciões criam “monstros”, mitos, rituais e símbolos para que pudessem manter as pessoas longes das pessoas da cidade (tanto que os monstros viviam na floresta que separava a vila da cidade), mostrando que o medo era o principal instrumento para a manutenção da ordem na sociedade.

No filme há um rompimento de valores quando um personagem procura se arriscar a romper os limites da floresta em busca de medicamentos para o irmão de sua companheira, o personagem é gravemente ferido pelo o próprio cunhado, sua companheira que é deficiente dos olhos decide ir atrás de medicamentos e se arriscar, um dos anciões resolve revelar o segredo a ela sobre a farsa dos monstros, ela decide então enfrentar a odisseia em buscas de medicamentos, chega na cidade encontra um guarda florestal que ajuda-a, logo em seguida ela chega a vila e fica subtendido que ela e seu companheiro serão responsáveis por manter a ordem da vila.

  • 2. A subjetividade privatizada:

A subjetividade privatizada basicamente é a experiência de acharmos que tudo que vivemos é algo intimo, que não pode ser vivido por mais ninguém que são de nossas escolhas. O autor aborda primeiro o contexto histórico da existência dessa subjetividade ele afirma que quando há sociedade está em crise com seus valores essa experiência se aprofunda e cita o exemplo da transição da sociedade feudal para os princípios do capitalismo, onde o individuo rompeu com as instituições que os dominavam e ditavam como funciona a vida em sociedade. O texto explica de forma clara que os valores com os grupos são rompidos e o individuo passa a ter uma leitura própria e uma interpretação das coisas ao redor tomando-as como sua. O texto também ressalta a evolução da experiência de subjetividade e a construção dessa subjetividade na idade moderna onde achamos sermos livres e na verdade essa imagem é ilusória.

Logo existe uma importância da crise dessa subjetividade para o surgimento da psicologia como ciência.

  • 3. A experiência de subjetividade no filme “A vila”:

Podemos perceber uma similitude na organização de sociedade do filme, há organizações de sociedades mais antigas, onde as organizações e instituições eram mais fortes e com isso responsável pelo o modo de viver e até pelas crenças do individuo.

No filme os anciões aqueles que sofreram com a sociedade em que viviam e decidiram isolar, passaram por experiências que fizeram optar por um modo alternativo de vida, experiências essas de suas próprias subjetividades afirmando a ferocidade das sociedades por terem sido alvos da mesma, a falta de ordem e o contexto dos indivíduos serem responsáveis pelas suas próprias ações, todas essas coisas depois das tais experiências traumáticas que sofreram visaram entender que aquele tipo de sociedade onde os sujeitos eram livres para cometer crimes era cruel, logo decidiram criar uma sociedade alternativa para que suas próximas gerações não sofressem com a falta de ordem e o excesso de subjetividades dessa sociedade.

Assim adotaram um modo de vida onde as pessoas viviam de uma forma quase igualitária, onde os costumes, os mitos, rituais e crenças (a religião influenciavam bastante a base de valores dos indivíduos) eram únicas e tudo que se tinha para crer eram o que eles(os anciões) protocolavam como os monstros(que não deixavam ultrapassar os limites da floresta e da civilização), os rituais que se envolviam, as cerimonias, o modo de se relacionar, logo a subjetividade fazia mais sentindo no contexto de grupo e sociedade, os indivíduos não tinham suas próprias interpretações da realidade, e sim compartilhavam uma única visão dela.

Quando um único personagem decide explorar os limites da floresta em busca de medicamentos, ele é visto de uma forma perigosa para a manutenção da sociedade, mas ao mesmo tempo como uma esperança, toda a sociedade fica comovida com a ação do individuo e com a bravura de explorar e tentar entender a partir do seu ponto de vista o funcionamento da sociedade em que vive, o individuo se vê em crise de sua própria subjetividade a partir de seus próprios questionamentos sobre a ideia de ultrapassar os limites. Contratempos acontecem e o personagem é gravemente ferido, sua companheira cega decide assumir sua missão de pegar medicamentos, e nisso um dos anciões revela a ela sobre a farsa dos monstros, a partir daí ela entra em uma crise de que tudo que ela acreditava que existia e permeava sua consciência era uma simples farsa, logo ela se vê com medo do novo mundo que iria enfrentar, no caminho da floresta quando ela sente a presença de um monstro ela repete diversas vezes que ele não era real mostrando a sua dificuldade em aceitar o fim de tudo que ela acreditava, essa personagem passa a ver e a sentir o mundo de outra forma, não que ela já não via, por ser deficiente visual ela tinha outra perspectiva de enxergar as coisas das outras pessoas da vila, logo a selecionada entre os anciões de ser uma das pessoas responsáveis para manutenção da ordem.