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15/01/2018 Geografia Para Todos: O ESPAÇO URBANO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO

21/06/2011

O ESPAÇO URBANO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO


UNIDADE 7: O ESPAÇO URBANO E O PROCESSO DE URBANIZAÇÃO

CAP.1: O ESPAÇO URBANO DO MUNDO CONTEMPORÂNEO

A formação das cidades:

Cidade ou urbe – termo que designa uma aglomeração de construções (casas, edifícios, comércio), é
caracterizado pelo espaço cuja natureza foi intensamente transformada no decorrer dos tempos,
apresentando o formato atual que conhecemos.
As cidades existem há mais de 6 mil anos, mas somente após o advento da Primeira Revolução
Industrial, é que podemos perceber a intensificação das populações nas áreas urbanas e a excessiva
demanda por recursos para estes centros, passando a imprimir um ritmo acelerado à produção de bens e
consumo na qual vivenciamos hoje.
Uma cidade nasce a partir do momento em que um determinado número de pessoas se instala numa
certa região através de um processo denominado de urbanização. Diversos fatores são determinantes na
formação das cidades, tais como a industrialização, o crescimento demográfico, etc...
No caso do Terceiro Mundo, a urbanização é um fato bem recente. Hoje, quase metade da população
mundial vive em cidades, e a tendência é aumentar cada vez mais.
A cidade subordinou o campo e estabeleceu uma divisão de trabalho segundo a qual cabe a ele
fornecer alimentos e matérias-primas a ela, recebendo em troca produtos industrializados, tecnologia etc. Mas
o fato de o campo ser subordinado à cidade não quer dizer que ele perdeu sua importância, pois não
podemos deixar de levar em conta que:
1. Por não ser auto-suficiente, a sobrevivência da cidade depende do campo;
2. Quanto maior a urbanização maior a dependência da cidade em relação ao campo no
tocante à necessidade de alimentos e matérias-primas agrícolas.

Conceito de Urbanização

A urbanização deve ser entendida como um processo que resulta em especial da transferência de
pessoas do campo para a cidade, ou seja, crescimento da população urbana em decorrência do êxodo
rural. Um espaço pode ser considerado urbanizado, a partir do momento em que o percentual de população
urbana for superior a rural.
Sendo assim, podemos dizer que hoje o espaço mundial é predominantemente urbano. Mas isso não
foi sempre assim, durante muito tempo à população rural foi superior a urbana, essa mudança se deve em
especial, ao processo de industrialização iniciado no século XVIII, que impulsionou o êxodo rural nos locais
em que se deu, primeiramente na Inglaterra, que foi o primeiro pais a se industrializar, e depois se expandiu
para outros países, como os EUA, França, Alemanha, etc., a maioria desses países hoje já são urbanizados.
Nos países subdesenvolvidos de industrialização tardia, esse processo só começou no século XX,
em especial a partir da 2ª Guerra Mundial, e tem se dado até hoje de forma muito acelerada, o que tem se
configurado como uma urbanização anômala ou desigual, trazendo uma série de conseqüências
indesejadas para o espaço urbano desses países.

Existem dois tipos de fatores que contribuem com o êxodo rural, são eles:
a) Repulsivos: são aqueles que expulsam o homem do campo, como a concentração de terras,
mecanização da lavoura e a falta de apoio governamental.
b) Atrativos: são aqueles que atraem o homem do campo para as cidades, como a expectativa de
emprego, melhores condições de saúde, educação, etc.

Em países subdesenvolvidos como o Brasil, os fatores repulsivos costumam predominar sobre os


atrativos, fazendo com que milhares de trabalhadores rurais tenham que deixar o campo em direção das
cidades, o que em geral contribui com o aumento dos problemas urbanos na medida em que as cidades não

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tem estrutura suficiente para receber esses trabalhadores, com isso proliferam-se as favelas, aumenta a
violência, faltam empregos, dentre outros problemas.

As diferenças no processo de urbanização

Existem diferenças fundamentais no processo de urbanização de países desenvolvidos e


subdesenvolvidos, abaixo estão relacionadas algumas delas:

a) Desenvolvidos:
ü Urbanização mais antiga ligada em geral a primeira e segunda revoluções industriais;
ü Urbanização mais lenta e num período de tempo mais longo, o que possibilitou ao espaço urbano
se estruturar melhor;
ü Formação de uma rede urbana mais densa e interligada.

A urbanização que ocorreu nos países desenvolvidos foi gradativa. As cidades foram se estruturando
lentamente para absorver os migrantes, havendo melhorias na infra-estrutura urbana e aumento da geração
de empregos. Assim os problemas urbanos não se multiplicaram tanto como nos países subdesenvolvidos.

b) Subdesenvolvidos:
ü Urbanização mais recente, em especial após a 2ª Guerra mundial;
ü Urbanização acelerada e direcionada em muitos momentos para um número reduzido de cidades,
o que gerou em alguns países a chamada “macrocefalia urbana";
ü Existência de uma rede urbana bastante rarefeita e incompleta na maioria dos países.

Consequências da urbanização acelerada:

- Aumento do desemprego por causa da incapacidade de absorção dos imigrantes;


- Proliferação de submoradias: favelas, cortiços, moradores de rua;
- Adensamento populacional e dificuldade de acesso aos lugares;
- Ineficiência dos meios de transportes públicos
- Adensamento de carros particulares gerando engarrafamentos gigantescos
- Ineficiência ao acesso à educação e a saúde
- Contrastes sociais nas paisagens urbanas formando assim as segregações espaciais
- Construções de edifícios arranha-céu , dificultando a circulação de ar e aumentando o calor e a
poluição atmosférica.
Favela de Paraisopolis, em São Paulo. Esta é uma das conseqüências da rápida urbanização em
países subdesenvolvidos. Cria-se, assim, um meio social extremamente favorável a proliferação de outros
problemas: a violência urbana, roubos, assaltos, seqüestros, assassinatos, atingem milhares de pessoas todo
o ano fazendo muitas vitimas fatais. É por essas razões que o estresse é o “mal do século”, atingindo
principalmente os habitantes das grandes metrópoles.
Obs. Nas metrópoles dos países desenvolvidos os problemas urbanos como violência, transito caótico, etc.,
também estão presentes.

Aglomerações Urbanas

A expansão da urbanização gerou o aparecimento de várias modalidades de aglomerações urbanas,


além de termos que cada vez mais fazem parte de nosso cotidiano, abaixo definiremos algumas dessas
modalidades e termos:
a) Rede urbana: Segundo Moreira e Sene (2002), "a rede urbana é formada pelo sistema de cidades, no
território de cada país, interligadas umas as outras através dos sistemas de transportes e de comunicações,
pelos quais fluem pessoas, mercadorias, informações, etc." Nos países desenvolvidos devido a maior
complexidade da economia a rede urbana é mais densa.

b) Hierarquia urbana: Corresponde a influência que exercem as cidades maiores sobre as menores. O
IBGE identifica no Brasil a seguinte hierarquia urbana: metrópole nacional, metrópole regional, centro
submetropolitano, capital regional e centros locais.

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c) Conurbação: Corresponde ao encontro ou junção entre duas ou mais cidades em virtude de seu
crescimento horizontal. Em geral esse processo dá origem a formação de regiões metropolitanas.

d) Metrópole: Segundo Coelho e Terra (2001), metrópole seria à cidade principal ou cidade-mãe, isto é, a
cidade que possui os melhores equipamentos urbanos do país (metrópole nacional), ou de uma grande região
do país (metrópole regional)". No Brasil cidades como São Paulo e Rio de Janeiro são metrópoles nacionais,
e Belém, Manaus, Belo Horizonte, Curitiba, Porto Alegre, Salvador, Recife e Fortaleza são metrópoles
regionais.

e) Região metropolitana: Corresponde ao conjunto de municípios conurbados a uma metrópole e que


desfrutam de infra-estrutura e serviços em comum.

f) Megalópole: Corresponde a conurbação entre duas ou mais metrópoles ou regiões metropolitanas. No


Brasil temos a megalópole Rio-São Paulo, localizada no sudeste brasileiro, no vale do Paraíba, incluíndo
municípios da região metropolitana das duas grandes cidades, o elo de ligação dessa megalópole é a Via
Dutra, estrada que interliga as duas cidades principais.

g) Megacidade: Corresponde ao centro urbano com mais de dez milhões de habitantes. Hoje em torno de
21 cidades do mundo podem ser consideradas megacidades, dessas 17 estão em países subdesenvolvidos.
No Brasil São Paulo e Rio de Janeiro estão nessa categoria.

h) Técnopolo: Corresponde a uma cidade tecnológica, ou seja, locais onde se desenvolvem pesquisas de
ponta. No Brasil, temos alguns técnopolos localizados em especial no estado de São Paulo, como Campinas
(UNICAMP), São Carlos (UFSCAR), e a própria capital (USP, etc.).

i) Cidade global: são as cidades que polarizam o país todo e servem de elo de ligação entre o país e o
resto do mundo, possuem o melhor equipamento urbano do país, além de concentrarem as sedes das
instituições que controlam as redes mundiais, como bolsas de valores, corporações bancárias e industriais,
companhias de comércio exterior, empresas de serviços financeiros, agências públicas internacionais. As
cidades mundiais estão mais associadas ao mercado mundial do que a economia nacional.

j) Desmetropolização: Processo recente associado à diminuição dos fluxos migratórios em direção das
metrópoles. Esse processo se deve em especial a chamada desconcentração produtiva, que faz com que
empresas em especial industrias, se retirem dos grandes centros onde os custos de produção são maiores, e
se dirijam para cidades de porte médio e pequeno, onde é mais barato produzir, em função de vários fatores
como, por exemplo, os incentivos fiscais. Hoje no Brasil cidades como Rio de Janeiro ou São Paulo não são
mais aquelas que recebem os maiores fluxos de migrantes, mas sim regiões como interior paulista, o sul do
país ou até mesmo o nordeste brasileiro.

k) Verticalização: Processo de crescimento urbano que se manifesta através da proliferação de edifícios. A


verticalização demonstra valorização do solo urbano, ou seja, quanto mais verticalizado, mais valorizado.

l) Especulação imobiliária: Os especuladores imobiliários são aqueles proprietários de terrenos baldios no


espaço urbano que deixam estes espaços desocupados a espera de valorização. Uma das conseqüências da
especulação é a falta de moradias em locais mais bem localizados, fazendo com que as populações de mais
baixa renda tenham que viver em áreas distantes do centro (crescimento horizontal), ou em favelas.

m) Condomínios de luxo e favelas: os dois estão aqui juntos, pois são fruto da segregação social e
econômica que se vive nas cidades, sendo eles o reflexo espacial dessas. Os condomínios são áreas
fechadas muito protegidas e bem estruturadas, onde em geral mora a elite; as favelas são áreas sem infra-
estrutura adequada e com graves problemas como o tráfico de drogas, onde grande parte da população está
desempregada, e a maioria dela é pobre.

Tipos de cidades

As cidades podem ser classificadas da seguinte forma:

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a) Quanto ao sítio: sítio urbano refere-se ao local no qual está superposta a cidade, sendo assim a
classificação quanto ao sítio leva em consideração a questão topográfica. Como exemplo temos: cidades
onde o sítio é uma planície, um planalto, uma montanha, etc.

b) Quanto à situação: situação urbana corresponde à posição que ocupa a cidade em relação aos fatores
geográficos. Como exemplo temos: cidades fluviais, marítimas, entre o litoral e o interior, etc.

c) Quanto à função: função corresponde à atividade principal desenvolvida na cidade. Como exemplo temos:
cidades industriais, comerciais, turísticas, portuárias, etc.

d) Quanto à origem: pode ser classificada de duas formas: planejada e espontânea. Como exemplo temos:
Brasília, cidade planejada e Belém, cidade espontânea.

A rede urbana brasileira

Apenas a parti da década de 40, que se estruturou uma rede urbana em escala nacional. Até então, o
Brasil era formado por “arquipélagos regionais” polarizados por suas metrópoles e capitais regionais. A
integração econômica entre São Paulo, Zona da Mata nordestina, Meio-Norte e região Sul era extremamente
frágil. Com a modernização da economia, primeiro as regiões Sul e Sudeste formaram um mercado único
que, depois, incorporou o Nordeste e, mais recentemente, também o Norte e o Centro-Oeste.
A medida que a infra-estrutura de transportes e comunicações foi se expandindo pelo país, o
mercado se unificou e a tendência a concentração urbano-industrial ultrapassou a escala regional, atingindo o
país como um todo. Assim, os grandes pólos industriais da região Sudeste, passaram a atrair um enorme
contingente de mão-de-obra das regiões que não acompanharam seu ritmo de crescimento econômico e se
tornaram metrópoles nacionais.
Após a Revolução de 1930, que levou Getulio Vargas ao poder, até meados da décadas de 70, o
governo o federal concentrou investimentos de infra-estrutura industrial na região Sudeste, que , em
conseqüência, se tornou o grande centro de atração populacional do país. Os migrantes que a região recebeu
eram, constituídos por trabalhadores desqualificados e mal remunerados, que foram se concentrando na
periferia das grandes cidades.
Com o passar dos anos, a periferia se expandiu demais e a precariedades do sistema de transportes
urbanos levou a população de baixa renda a preferir morar em favelas e cortiços no centro das metrópoles.
A rede urbana interfere na vida das pessoas de maneiras diferentes. As pessoas de classe social
mais alta podem aproveitar de tudo numa metrópole, todos os recursos estão a disposição. Mas outros que já
não podem nem levar ao mercado o que produzem, são presos aos preços e as carências locais. Para estes
a rede urbana não é totalmente uma realidade.
As condições de determinada região determinam a desigualdade entre as pessoas. Por isso, muitos
são cidadãos diminuídos ou incompletos.

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