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BARRAGENS DE TERRA

Estudos Básicos Necessários ao Projeto de uma Barragem

1 - Topográficos
2 - Hidrológicos
3 - Climáticos
4 - Geológicos
5 - Geotécnicos
6 - Sócio – Econômicos
7 – Ecológicos
8 - Agrológicos

Estes estudos são iniciados de forma muito sumária e vão sendo


aprofundados e detalhados ao longo das diversas etapas que
normalmente compõem o projeto da barragem.
a) Planejamento
b) Viabilidade técnico-econômica
c) Anteprojeto
d) Projeto Básico
e) Projeto Executivo

1 - ESTUDOS TOPOGRÁFICOS
a) Objetivo:
- Locação do eixo barrável, boqueirão e interpretação de curvas
de nível.
- Determinação das bacias hidrográfica e hidráulica (áreas).

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Área da bacia hidrográfica, A Î Pré-dimensionamento de barragens:
- Vazão Regularizável:
Q90 = f1 x QAfl
f1 ≅ 0,35
- Vazão Afluente Média:
QAfl = CR x H x A
CR ≅ 0,10
Daí:
A = (Q90 / f1) / (CR x H)
H ≅ 0,850 m/ano

- Vazão demandada (Agenda BNB)


Irrigação:
- banana Î 20.000 m3/ano/ha
- feijão Î 5.000 m3/ano/ha
- milho Î 6.000 m3/ano/há
Uso humano:
- alto Î 350 l/hab/dia
- médio Î 200 l/hab/dia
- baixo Î 100 l/hab/dia
- muito baixo (reprimido)Î 13 l/hab/dia

Bacia hidráulica Î Curva cota – área – volume


Vol ≅ α . ∆h³
∆Vol0 ≅ A . ∆h/3
∆Voli ≅ (Ai + Ai +1) / ∆h

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Volj ≅ Σ∆ Voli (i = 0 ... j)

Pré-dimensionamento de barragens:

Vol = fK x QAfl
fK varia de 0,50 a 2,0

- Se fK for muito pequeno, haverá muita sangria e pouco


aproveitamento.
- Se fK for muito grande, haverá pouca sangria e riscos à
qualidade da água.

Daí o Pré-dimensionamento fica:

Q90 Î QAfl Î ABACIA Î cota – volume Î Vol Î ∆h

b) Generalidades:

Topografia: determina o contorno, dimensão e posição relativa


de uma porção limitada da superfície terrestre, sem levar em conta a
curvatura resultante da esfericidade terrestre.
Projeção ortogonal cotada de todos os detalhes da configuração
do solo.

Topometria: conjunto de métodos empregados para colher dados


necessários ao traçado da planta.

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Planimetria: representação em projeção horizontal dos detalhes
existentes na superfície. Emprego de Teodolitos, Estação Total.

Altimetria: determinação das cotas ou distâncias verticais de um


certo número de pontos referidos ao plano horizontal de projeção ou
referência de nível.

Fotogrametria: determinação do relevo do terreno,


principalmente de grandes extensões, através de máquinas
fotográficas. Aerofotogrametria = fotografia aérea. Estereoscópio -
escala 1:20.000. Satélites.

Coordenadas Geográficas: são a latitude, a longitude e a altitude


que caracterizam bem a posição de um ponto na superfície terrestre.

Medidas sobre a carta: métodos mecânicos:


- Curvímetros - instrumento empregado para a medida de
distâncias gráficas.
- Planímetros - instrumento que serve para medir as
áreas das figuras irregulares traçadas no desenho.
- Programas de computador.

c) Fatores topográficos que influenciam no projeto de barragens:

c.1) Declividades das ombreiras:


- Muito suaves e regulares: sem problemas

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- Íngremes e irregulares: problemas de ocorrência de
recalques diferenciais do maciço compactado causando
riscos potenciais de fissuramento do corpo.

Providência: sobredimensionamento dos drenos para interceptar


qualquer fluxo d'água ao longo das fissuras, sem sobrecarga.

c.2) Distância e relevo das jazidas de materiais de construção e


seus acessos:
Fator econômico determinante do tipo de barragem.

c.3) Geometria longitudinal das encostas:


c.3.1) no sentido paralelo ao rio:
- Vales alongados: permitem qualquer tipo de seção
transversal de barragem.
- Vales curtos: limitam a escolha à barragem de terra e
enrocamento com núcleo argiloso ou com face de
concreto.

c.3.2) no sentido transversal ao rio:


- Vales estreitos: propiciam a construção de barragens
arqueadas de eixo curvo, aproveitando a contribuição
das pressões hidrostáticas transmitidas pelo reservatório
para manter sempre tensões de compressão ao longo
da seção longitudinal da barragem, fechando eventuais
trincas devido aos recalques diferenciais.

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- Vales largos: o eixo deverá ser reto ou alinhado ao
longo do traçado de menor volume.

c.4) Depressões no fundo rochoso do rio: influencia na posição


do eixo do maciço principal e da ensecadeiras.

d) Mapeamento geral:
É a primeira avaliação das características da bacia
hidrográfica, locações, explorações, situações dos empréstimos,
pedreiras, rede viária e elétrica.
Disponibilidade de mapas:
- Órgãos Federais - IBGE - SUDENE
- Órgãos Estaduais e Municipais
- Fotografias Aéreas (esterescópio)
- Fotografias de Satélites

Levantamentos complementares: apoio terrestre (teodolito)

No caso de não existirem mapas topográficos disponíveis,


podem ser utilizados mapas de reconhecimento aproximados,
definidos por um mínimo de pontos de controle ou um esboço de
seções transversais.
As plantas devem estar em escalas convenientes e em
coordenadas geográficas e os pontos de referência devem ser
monumentados.

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e) Plantas Topográficas necessárias para o Projeto de Barragens:

TIPO ESCALA USUAL CURVAS DE NÍVEL


______________________________________________________________________________
1- Planta plani-altimétrica da bacia hidrográfica 1 : 20.000 de 5 em 5 metros

2- Planta plani-altimétrica da bacia hidráulica 1 : 5.000 de 1 em 1 metro

3- Planta plani-altimétrica das áreas de empréstimos 1 : 5.000 de 1 em 1 metro

4- Planta plani-altimétrica do local do boqueirão


com nivelamento das seções de 20 em 20 metros 1 : 2.000 de 1 em 1 metro

5- Perfil do Boqueirão 1 : 2.000 ( H ) de 1 em 1 metro


1 : 200 ( V )
6- Perfil do Sangradouro 1 : 2.000 ( H ) de 1 em 1 metro
1 : 200 ( V )
______________________________________________________________________________

Bacia Hidrográfica Bacia Hidráulica

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Perfil do Boqueirão Planta da Barragem

2 - ESTUDOS HIDROLÓGICOS

1) Objetivo: Definição das características hidráulicas da obra.

2) Investigações Hidrológicas:

a) O rendimento hídrico do rio


b) A capacidade do reservatório (evaporação, perdas eventuais,
evapotranspiração, infiltração, etc)
c) A quantidade d'água necessária para as finalidades da obra
d) A taxa anual de deposição de sedimentos no reservatório
e) A intensidade e freqüência das cheias (capacidade do
sangradouro)
f) As condições da água subterrânea (tipo de fundação)

Bacia hidráulica = bacia de acumulação

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Bacia hidrográfica = bacia de contribuição
Bacia hidrogeológica = fornecimento d´água para a bacia através
de infiltração.

3) Fases de um Estudo Hidrológico:

a) Coleta e reconhecimento de dados existentes


b) Verificação dos dados existentes e obtenção de novos dados
c) Estudos metodológicos, estatístico-probabilísticos para a
definição das leis que regem a participação dos fenômenos
hidrológicos no projeto.

4) Métodos Hidrológicos para Dimensionamento das Obras:

- Racional: Leis hidrológicas deduzidas dos dados


disponíveis (Rippl, Aguiar) – modelo determinístico.

- Correlação: Utilização de dados de uma região


semelhante.

- Empírico: Específico do local.

- Modelos Estocásticos: Séries sintéticas (geração),


Simulação do balanço hídrico, Estimativa de vazões
regularizadas, sangradas e evaporadas, Diagrama
triangular de regularização.

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5) Determinação da Capacidade do Reservatório:

Método Racional:
Segundo o Engenheiro Francisco Aguiar (IFOCS):
O rendimento pluvial da bacia, R%, pode ser dado por:

H 2 − 400 H + 230.000
R% =
55.000

Para precipitação entre 500 e 1.000 mm/ano (H em mm), ou

R % = 0,285 − 1,13H + 3,52 H 2 − 1,19 H 3

Para H > 1.000 mm /ano (H em m)

E o volume afluente:
V A = R % HUA

onde:
R% = rendimento, em percentagem
H = altura de chuva, em m
U = coeficiente de correção do rendimento superficial médio que
é função do tipo da bacia
A = área da bacia hidrográfica a partir do barramento (m2)

Assim, a capacidade do reservatório será:

VC = 2V A

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6) Determinação da cheia máxima de projeto:

1.150 xA
Q=
LC (120 + KLC )

onde:
A = área da bacia hidrográfica, km2
L = linha de fundo, em km, do riacho ou rio
K = coeficiente que leva em conta a ordem dos rios que existem
na bacia (tabela)
C = fator de variação da velocidade média do escoamento
superficial (tabela)

TIPO BACIA HIDROGRÁFICA U K C


_______________________________________________________________________________
1 Pequena, íngreme e rochosa 1,3 a 1,4 0,123 0,85

2 Bem acidentada, sem depressões


evaporativas 1,40 0,156 0,95

3 Média 1,00 0,204 1,00

4 Ligeiramente acidentada 0,80 0,278 1,05

5 Ligeiramente acidentada, com depressões


evaporativas 0,70 0,400 1,15

6 Quase plana, terreno argiloso 0,65 0,625 1,30

7 Quase plana, terreno variável ou


ordinário 0,60 1,111 1,45

8 Quase plana, terreno arenoso 0,50 2,500 1,60


_______________________________________________________________________________

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Exemplo: Orós: A = 25.000 km2; H = 860 mm/ano Tipo: 5 Î L = 280
km.
1.150 x 25.000
Q= = 6.440m 3 / s
280 x1,15 (120 + 1,15 x 280 x0,4)

QPROJ = 5.200m 3 / s

7) Dimensionamento do sangradouro:

QS
L=
C0 H 0 H 0

onde:
L = largura do sangradouro (m)
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Q S = descarga máxima secular (m /s)

H 0 = lâmina de sangria (m)

C0 = coeficiente de descarga, função da altura do paramento de

montante e da lâmina de sangria

Exercício:

Dados:
- Área da bacia hidrográfica = 50 km2
- Precipitação média anual = 800 mm
- Tipo da bacia: 3 (média) U = 1,0; K = 0,204 e C = 1,00
- Tipo do sangradouro: corte em rocha
- Linha de fundo = 10 km
- Lâmina de sangria = 1,00 m

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Calcular:
1. Rendimento superficial da bacia
2. Volume afluente
3. Volume acumulável
4. Cheia máxima secular
5. Largura do sangradouro

Solução:
1.
H 2 − 400 H + 230.000
R% =
55.000

800 2 − 400 x800 + 230.000


R% =
55.000
R % = 10

2.
V A = R % HUA

V A = 0,10 x0,80 x1,0 x50.000.000

V A = 4 x10 6 m 3

3.
VC = 2V A Î VC = 8 x10 6 m 3

Consulta ao diagrama cota x área x volume para determinação da cota


do vertedouro.

4.
1.150 A
QS =
LC (120 + KLC )

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1.150 x50
QS =
10 x1,0 (120 + 0,204 x10 x1,0)

QS = 148,99m 3 / s

5.
QS
L=
C0 H 0 H 0

corte em rocha, Co = 1,77


148,99
L=
1,77 x1,00 1,00

L = 84,18m......... ≅ 85,00m

3 - ESTUDOS CLIMÁTICOS

As condições climáticas influem decisivamente na escolha do


tipo de barragem a ser construída.
Os fatores mais importantes são:
a) Vento - duração, intensidade e direção
b) Umidade do ar - variações
c) Temperatura - máximas, médias e mínimas
d) Pressão - variações

Influência da umidade do ar e dos ventos nas barragens:


Possibilidades de redução, por evaporação, de umidades
excessivas de materiais argilosos de jazidas e conseqüentemente
sobre as pressões neutras construtivas e as declividades dos taludes.

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Influência dos ventos no dimensionamento das barragens:
Provocam ondas na superfície do reservatório que,
conseqüentemente definiram as dimensões da borda livre e a cota da
crista da barragem.

Influência das chuvas:


Nos dias trabalháveis para as máquinas de terraplenagem e
conseqüentemente sobre os prazos construtivos.

Barragens de concreto: As modificações climáticas afetam as


estruturas, portanto, são necessários dispositivos técnicos adequados
para contornar os problemas principalmente de dilatação e contração.

4 - ESTUDOS GEOLÓGICOS

OBJETIVOS:

1) Identificar os conjuntos contínuos e homogêneos, bem como


determinar as suas fronteiras e as propriedades dos materiais
pertencentes aos mesmos.

2) Tentar identificar e caracterizar o melhor possível as


descontinuidades eventuais.

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ÁREAS INFLUENCIADAS:

1) Fundações e ombreiras: os estudos geológicos deverão prosseguir


até profundidades em que as solicitações hidráulicas e geomecânicas
transmitidas pelo reservatório não tenham mais efeito.

2) Jazidas de materiais de construção: os estudos geológicos deverão


fornecer todas as informações necessárias sobre as potencialidades
das áreas adjacentes e próximas do local da barragem. Identificando
todos os materiais disponíveis desde os solos finos argilosos até as
areias e cascalhos naturais e os materiais rochosos,

FASES DOS ESTUDOS GEOLÓGICOS:

1) Coleta de dados, reconhecimento de mapas geológicos e relatórios


técnicos sobre a região, fotografias aéreas, pesquisas geofísicas, etc.

2) Elaboração de cartas geológicas com relatórios técnicos


descrevendo os tipos de rocha e solos, falhas constatadas, os níveis
da água, etc.

3) Sondagens ao longo do eixo da barragem, sangradouro e locais de


empréstimos e pedreiras.

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5 - ESTUDOS GEOTÉCNICOS

OBJETIVO:
Os estudos geotécnicos consistem das caracterizações dos
solos e rochas, ou seja, são classificados quanto às propriedades
geomecânicas e hidráulicas.
O meio de obter-se essas características é através de ensaios
de campo e laboratório realizados em amostras dos solos e rochas.

ENSAIOS:
Para os solos: Para as rochas:
Granulometria Resistência às intempéries
Limites físicos de Atterberg Massa específica
Densidade de campo Abrasão, etc.
Umidade
Permeabilidade
Proctor
Resistência à penetração
Adensamento
Cisalhamento
Expansibilidade
Dispersividade, etc
Materiais: Ocorrência, usos de disponibilidade.
Locação da barragem do vertedouro e da tomada d´água.

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6 - ESTUDOS SÓCIO-ECONÔMICOS

Consiste na elaboração de um quadro de fatores sócio -


econômicos que serão influenciados pela construção da barragem.
A análise dos fatores vantajosos e prejudiciais definirão quanto a
viabilidade da obra.

7 - ESTUDOS ECOLÓGICOS

Os estudos de projeto devem limitar ou até eliminar os riscos de


danos temporários ou permanentes ao meio ambiente.

Os principais cuidados são:


1- As jazidas devem ser exploradas sem causar erosão e
transporte de sedimentos para os rios.

2- As modificações introduzidas na paisagem (impactos


ambientais) pela obra (ações) devem ser suavizadas e
cicatrizadas através de tratamentos corretivos (medidas
mitigadoras) que também devem ser compatibilizados com a
segurança e desempenho da barragem.

3- As lamas especiais deveram ser conduzidas de forma a


evitar o despejo de resíduos dentro do rio usando-se tanques
de decantação.

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8 - ESTUDOS AGROLÓGICOS

Tipos de culturas que podem ser desenvolvidas na região.


Demanda d´água para o cultivo.

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