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HEAD COACH BRASIL – FUTEBOL AMERICANO INTELIGENTE 11 de janeiro de 2018

“Atacando a defesa 46”

Homer Smith
Muitos times tem tido problema com a defesa Double Eagle de Buddy Ryan. Treinadores de ataque em
todo lugar já tentaram desenvolver um plano de jogo que vença esse esquema.

Nós usamos um sistema de letras para identificar cada jogador na defesa, como mostrado na figura 1. Um
atleta do tipo strong safety geralmente joga na posição K.

A defesa tem três destaques proeminentes:

 Quando ambos os backs num ataque de 2 backs começam para um lado, é difícil para backside
tackle bloquear o backside linebacker (ver figura 2A). É quase tão difícil para o backside guard e o
backside tackle executarem um bloqueio scoop nos defensores que alinham por cima deles
(figura 2B).
 Ao proteger o passador, é difícil para os guards não ficarem com os homens alinhados em cima
deles e para o center não ser deixado para bloquear o noseguard sozinho. Além disso, é
extremamente difícil para o center bloquear um noseguard que consiga fazer rush de ambos os
lados. Um bloqueio de proteção de passe é feito mais facilmente quando um bloqueador pode
negar ao defensor um caminho por dentro, convidando-o para fora e então o dirigindo para fora,
sabendo que o quarterback pode subir no pocket. Um center não pode negar um defensor da

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mesma maneira, assim como o quarterback não pode subir no pocket para ajudá-lo nessa
situação. Em outras palavras, não há rush externo para convidar um rusher para fora se você é o
center numa jogada de passe.
 Os W, K, M, E e S são todos atletas do tipo linebacker. Trabalhando juntos, M, E e S podem tornar
difícil a vida dos bloqueadores, porque na maioria do tempo apenas um deles vai rushar. É difícil
designar um bloqueador para esse grupo quando qualquer um deles pode ser o rusher.

É também difícil fazer leitura dupla quando três rushers estão trabalhando juntos. Uma leitura dupla
por parte de um OL e um back num DL e LB normalmente diz que ambos bloqueadores vão observar o
linebacker; o lineman pode bloquear o DL quando o LB dropar em cobertura. Obviamente, é difícil
fazer isso quando três defensores se revezam entre rush e cobertura.

CORRENDO CONTRA O 46
Como mencionado, jogadas que tem ambos os backs indo para o mesmo lado usualmente encontram
um linebacker desbloqueado. Scoop blocks são necessários para conseguir fazer com que a jogada
atinja o flow normal. Scoops são possíveis quando defensores estão jogando entre gaps.

Ao destacar uma constante ameaça de “naked bootleg” (jogada em que o QB corre, sem bloqueio,
contra o flow da jogada, sem bloqueios, após fingir um handoff), é possível empurrar o defensor do
lado do split end para cima com o fake da jogada e conseguir uma jogada de cutback por fora do

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backside tackle e guard. O bloqueio tanto para fullback quanto para tailback com a ameaça de
bootleg é mostrado na figura 3.

A jogada Sprint-Draw funciona bem quando o fullback pode bloquear para o lado do fake inicial e o
tailback corre para o outro lado, num scoop block. A figura 4 mostra o backside tackle e guard
tentando atrair defensores para fora, enquanto o center, guard e tackle do playside executam o scoop
block para criar uma raia de corrida para o tailback na direção do center. Isso é “uphill football”
(futebol americano vertical), mas não parece haver outra boa maneira de executar uma sprint draw
contra a defesa.

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A Counter Sweep padrão, com guard e tackle liderando o tailback para longe da direção do fake
inicial, não é uma boa jogada porque é difícil conseguir bloquear o backside linebacker.

A jogada que vai conseguir bloquear todos seria uma Off-tackle com Counter Action. A figura 5 mostra
o tailback e fullback começando de um lado, então vai de volta para o outro lado. A idéia é que a ação
inicial da jogada vai tornar possível para o tackle do backside bloquear o backside linebacker.

Essa é uma jogada não-convencional, mas deve “pregar” a defesa. Conseguindo uma boa ação de
counter para dar ao tackle um bloqueio direto no backside linebacker é tudo quando se joga contra a
defesa Double Eagle.

Treinadores de veer option diriam que a Counter Dive e Counter Option poderiam funcionar bem. A
idéia é que o ação de counter deveria dar ao backside tackle a chance de chegar ao backside

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linebacker. O problema é rodar o veer option básico para preparar o counter option. A presença do
strong safety na linha de scrimmage faz o veer option básico ser muito difícil de ser executado, como
mostrado na figura 6.

Jogadas trap convencionais tem o trapper (OL que faz a movimentação por trás da linha) na direção
do fake. Se o linebacker do playside comprar o fake da trap option, a jogada poderia funcionar. O
problema é que o trap option não é prático, por causa da presença do strong safety na linha de
scrimmage. Uma backward trap play (trap, onde o bloqueio acontece atrás da linha de scrimmage) é
uma possibilidade, contudo (veja figura 7). Imagine o OL de fora do lado do split end partindo
desbloqueado com uma trap play para o outro lado do fake do quarterback e tailback.

Deveria ser possível ao backside tackle chegar ao backside linebacker, que tem dois running backs
“fingindo” (fake) em sua direção. O problema, porém, é conseguir uma jogada de option viável para
usar com a fullback trap.

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PROTEÇÃO DE PASSE CONTRA A 46


Basicamente, cinco defensores rusham o QB. O problema é que é difícil conseguir que os 5 linemen
fiquem com os 5 rushers. Se o center vai ter ajuda pelo meio, um dos tackles precisa ser designado a
um linebacker ou para dentro. Isso significa que um dos recebedores precisa ser designado para um
dos rushers de fora, deixando a defesa com seis defensores de passe contra quatro recebedores.

Uma das maneiras de proteger o QB é designando um tackle para um linebacker e o dizendo para
ajudar por dentro se o linebacker não vier (figura 8). Isso coloca quatro linemen contra três na maioria
do tempo. Um back é deixado com dois defensores externos no lado do tight end e a bola precisa ser
lançada no recebedor “hot” se ambos rusharem.

Você pode nunca ter grande sucesso com o jogo aéreo usando essa proteção. A média de defensores
para recebedores não é boa e o tight end, que precisa ser o recebedor “hot”, pode ser coberto pelo
linebacker que sobra.

Leitura dupla precisa ser aplicada se possível. O problema é fazer isso com dois bloqueadores de
passe contra três defensores. Se o tight end alinhar como slot, de maneira que um defensor tenha
que ir com ele, a leitura dupla pode ser executada.

Embora não seja fácil, o tackle pode bloquear o linebacker se ele rushar e ele pode bloquear o
defensor externo se o linebacker não rushar. Através da leitura dupla, o ataque dificulta as coisas para
a defesa para cobrir um dos recebedores com apenas um dos dois linebackers (isto é, K ou W). A
figura 9 mostra K rushando, W dropando em cobertura e o recebedor de backfield saindo para rota.

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Se K dropar e W rushar, o tackle teria que bloquear o W. Na melhor da hipóteses, porém, passes em
dropback tem sido provados de difícil execução contra essa defesa.

A figura 10 mostra uma formação Strong na qual ambos os backs podem participar numa leitura
dupla em três potenciais rushers – M, E e S – mesmo se o quarterback se mover. O fullback pode
bloquear M, mas ajustar-se para bloquear E, se M não rushar. O tailback pode bloquear E, mas ajustar
para S, se M não rushar. Ambos os backs podem seguir em sua rota se seu alvo secundário não
rushar. Embora essa proteção, não faça nada para conseguir cinco recebedores em rota, ela bloqueia
os ângulos de T, N e P.

O principio nessa proteção pode ser usada com passes de play-action. Na figura 11, todos os oito
potenciais rushers são levados em conta. O tight end sai pra rota se E e S dropar. O fullback é
designado para o DE e o tailback para o linebacker. Um dos backs irá quase sempre ter um rusher
para bloquear.
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A única maneira de conseguir cinco recebedores em rota contra essa defesa é fazer o que o run-and-
shoot advoga, ou seja, lançar uma screen no playside para o back, que precisa sempre bloquear um
dos cinco rushers. Tornando o recebedor da screen uma ameaça viável põe os cinco recebedores
contra seis defensive backs e cria uma vantagem para os defensores de passe acima dos 17% (não sei
de onde ele tirou essa porcentagem). A figura 12 mostra um passe de dropback saindo de uma
formação com tight end splitado. Se o tailback está numa leitura dupla do lado direito e o fullback é
uma viável ameaça de screen à esquerda, a defesa precisa defender contra cinco recebedores.

Mouse Davis, o principal advogado do run-and-shoot, aperfeiçoou uma maneira de conseguir um


bloqueador em qualquer defensor cobrindo o recebedor da screen individualmente. A screen é muito
importante ao conseguir uma melhor probabilidade na correlação defensores/recebedores.

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CONCLUSÃO
Um problema maior que encontrar jogadas para a forma básica dessa defesa Double Eagle é
encontrar jogadas para a variação dela. O criador da defesa usa a aparência básica de uma defesa
base da qual retira uma diversidade de outros designs.

Ao longo da historia do futebol, treinadores de defesa tentaram posicionar seus jogadores de maneira
que seja mais difícil bloquear para o ataque e menos difícil se livrar de bloqueios para a defesa. A
defesa 46 têm anulado ataques que tem talento considerável e muito tempo para treinar. A maioria
dos treinadores ofensivos podem derrotar defesas enquanto tiverem um “giz”, mas essa defesa
parece ter sua própria lousa, sem que precise haver um treinador defensivo na sala de aula.

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