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ENSAIO DE COMPONENTES CERÂMICOS – TELHAS

1. Apresentação
A utilização de telhas cerâmicas como elementos de cobertura é bastante comum no
Brasil e em muitos outros países do mundo. Os principais objetivos das telhas são:
proteger os ambientes internos quanto à ação da chuva, sol e outros intemperes,
promover o conforto térmico e de forma geral evitar danos à estrutura.
A norma brasileira instituída pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT que
regula os pré-requisitos de fabricação e utilização das telhas – bem como o ensaio de
conformidade é:

 ABNT NBR 15310 – Componentes cerâmicos – Telhas – Terminologia,


requisitos e métodos de ensaio:
“Esta Norma estabelece os requisitos dimensionais, físicos e mecânicos exigíveis
para as telhas cerâmicas, para a execução de telhados de edificações, bem como
estabelece seus métodos de ensaio.
Os requisitos citados se aplicam aos componentes considerados acessórios da
cobertura, quando explicitado.
As telhas cerâmicas, apresentando ou não tratamentos superficiais, devem atender
aos requisitos desta Norma.” (NBR 15310)

2. Objetivo
Determinar se o lote das telhas cerâmicas ensaiadas está ou não em conformidade com
as determinações normativas e, portanto se pode ou não ser utilizado guardando o
respaldo legal do empreiteiro em meio a eventuais falhas dos materiais.

3. Materiais
 Determinação da massa seca e da absorção d’água
 Balança com sensibilidade de 10 g;
 Estufa com temperatura ajustável de (105 ± 5)ºC;
 Recipiente com capacidade para acomodar os corpos de prova imersos;
 Determinação das características dimensionais
 Paquímetro com sensibilidade de no mínimo 1 mm;
 Régua metálica graduada com sensibilidade mínima de 1,0 mm;
 Deflectômetro, com sensibilidade de 1 mm;

 Verificação de impermeabilidade
 Uma moldura estanque à água, com o seu suporte (figura 4), onde as
dimensões da moldura devem cobrir pelo menos 65% da área delimitada pelo
comprimento e largura totais da telha;
 Espelho com área superficial igual ou superior à área da moldura;
 Estufa com temperatura ajustável de (105 ± 5) ºC;
 Superfície plana impermeável com área superficial igual ou superior a área do
corpo de prova;
 Carga de ruptura à flexão simples (FR)
 Maquina universal de ensaios mecânicos, com dispositivo de leitura de carga
analógico ou digital;
 Barra de aço de secção circular ou semicircular, com diâmetro de (20 ± 2) mm e
comprimento mínimo superior à largura total do corpo de prova, conectada, por
meio de articulação, ao dispositivo de aplicação de carga;
 Trena metálica, com sensibilidade mínima de 1 mm;
Apoios e cutelo;

4. Métodos
 Ensaio de Absorção de Água (AA)

Corpos de Prova (NBR 15310)


Os corpos de prova foram escolhidos de maneira arbitrária dentre os lotes afim de garantir
a imparcialidade do ensaio. Após recebidos os mesmos tiveram de ser identificados e
limpos e então armazenados em um ambiente protegido que preservou suas
características originais.
Cada corpo de prova é constituído de uma telha, integra e isenta de defeitos amostrado
de acordo com a norma.
Determinação da massa seca ( m s )
a) Retira-se dos corpos de prova o pó e outras partículas soltas.
b) Os corpos de prova foram submetidos à secagem em estufa a ( 105 ±5 ) ºC.
c) Determina-se a massa individual, em intervalos de 1h, até que duas pesagens
consecutivas apresentem diferença igual ou menor do que 0,25%, pesando-os
imediatamente após remoção da estufa.
d) A massa seca ( m s ) foi encontrada e expressa em gramas.
Determinação da massa úmida ( m u )
a) Após a determinação da massa seca, os corpos de prova foram colocados em um
recipiente de dimensões apropriadas de modo que os mesmos estivessem
completamente imersos.
b) Os corpos estiveram imersos na água a temperatura ambiente durante 24 h para
garantir a saturação de água no material.
c) Após retirados da água, os corpos de prova foram suavemente secados – com
pano limpo e úmido – a fim de remover o excesso de água da superfície.
d) O tempo entre a retirada dos materiais da água e o término da pesagem não deve
ser superior a 15 min pois os materiais tendem a estabelecer um equilíbrio de
umidade com o ambiente – perder água com o tempo.
e) A massa úmida ( m u ) é determinada pela pesagem de cada corpo de prova
saturado e expressa em gramas.
Determinação do índice de absorção d’água (AA)
O índice de absorção d’água (AA) de cada corpo de prova é determinado pela expressão:
mu −m s
AA ()= .100
ms
Os índices de absorção d’água (AA) devem ser expressos em porcentagens inteiras.
 Ensaio de Análise Geométrica
Consiste em aferir se os componentes cerâmicos obedecem a certas especificações com
relação à parâmetros dimensionais que serão descritos a seguir:
 Comprimento ( C )
 Largura ( L )
 Posição do Pino ( L p
 Altura do Pino ( H p )
E os seguintes parâmetros geométricos:
 Retilineidade ( r )
 Planaridade ( Pl )

Determinação dos parâmetros dimensionais


As telhas devem ser dispostas em uma superfície plana, e a mediação deve ser efetuada
no sentido transversal e longitudinal, sempre na maior dimensão da telha, utilizando
preferencialmente um paquímetro ou uma régua precisa.
 Comprimento ( C ): maior distância longitudinal aferida na telha.
 Largura ( L ): maior distância transversal aferida na telha.
 Posição do Pino ( L p : maior distância entre uma face do pino e o limite da
dimensão da telha.
 Altura do Pino ( H p ): distância de projeção do pino para fora da face da telha.

Figura 1- Posição (Lp) e altura do pino (Hp)

Determinação da planaridade (Pl)


Sobre uma superfície plana e indeformável, de dimensões maiores que as da telha, os
corpos de prova devem ser dispostos.
A superfície, para ser considerada plana, não deve apresentar desníveis maiores do que
0,025 mm, porém este tipo de verificação geralmente não é feito em laboratório pela
dificuldade de aferição – se tratarem de medidas muito precisas.
As medições nas telhas são feitas apoiando-as na superfície em três pontos de apoio, e
medido o afastamento máximo de uma das extremidades com relação ao plano de apoio
– conforme figura 2.
Figura 2 - Esquema para aferição da planaridade

Para cada tipo de telha existe um método específico de aferir a planaridade que se
encontra especificado em norma – NBR 15310.

Os valores de planaridade encontrados devem ser arredondados para o milímetro mais


próximo.

Determinação da retilineidade

O defletômetro – aparelho utilizado para determinar a curvatura de uma região


visualmente plana – deve estar zerado e disposto sobre uma superfície plana.

A retilineidade é avaliada no sentido longitudinal, conforme figura 3:

Figura 3 - Esquema de aferição da retilineidade

Para todos os tipos de telha, a retilineidade é medida em um ponto central em relação a


dois outros pontos fixos, conforme figura 3.
Os resultados da retilineidade devem ser apresentados individualmente com um sinal
respectivo: se a borda apresentar concavidade, sendo o afastamento central para baixo, é
adotado o sinal positivo; se a borda apresentar convexidade, sendo o afastamento central
para cima, é adotado o sinal negativo.
Os valores aferidos devem sempre ser arredondados para o milímetro mais próximo.

 Ensaio de impermeabilidade
Consiste em verificar a impermeabilidade das telhas cerâmicas, verificação qualitativa da
passagem ou não de água quando a superfície superior da telha for submetida por um
determinado tempo a uma pressão constante de água.
Deve-se montar o aparato do experimento conforme figura 4:

Figura 4- Esquema de aparato para ensaio de impermeabilidade

Os corpos de prova devem ser recebidos identificados e limpos suavemente, após


preparação devem ser colocados em ambiente protegido para preservar suas
características originais.
Devem ser enviados ao laboratório corpos de prova reservas a fim de substituir alguma
telha que tenha sido danificada no transporte.
O tratamento preliminar engloba as seguintes operações, em sequência:
 As telhas devem ser saturadas por meio de imersão durante 24h em água à
temperatura ambiente ou 2h em água fervente.
 As telhas devem ser submetidas à estufa para secagem – idêntica à descrita no
ensaio de absorção de água - à uma temperatura de 105 ° C ±5 ° C
 Após consideradas secas, as telhas devem secar naturalmente até alcançarem a
temperatura ambiente.
 O aparato deve ser montado de acordo com a figura 4.
 Os corpos de prova devem ser submetidos à pressão da coluna d’água durante no
mínimo 24h.
 A presença de marcas de água na superfície do espelho – ou da cerâmica com
óleo (que foi o utilizado no ensaio da turma) – indica permeabilidade da telha.
Os resultados do ensaio de verificação de impermeabilidade são qualitativos, portanto, ou
a telha é considerada permeável ou não.
Pode ocorrer a formação de uma nuvem de umidade na região inferior da telha – apenas
por isso ela não deve ser considerada permeável – porém, se houver formação de gotas
ou se o espelho for gotejado a telha é permeável.
 Ensaio de ruptura à flexão simples (FR) – Flexão a três pontos
Consiste em verificar a ruptura à flexão simples.
Para telhas simples de sobreposição, a norma determina a os seguintes componentes
para montar o aparato de ensaio:
 Dois apoios inferiores de dimensões iguais ou superiores à dimensão longitudinal
da telha e aproximadamente 20 mm x 40 mm de seção transversal, revestidos
com tiras de feltro ou borracha nas faces de contato (garantir o aproveitamento
máximo da área de contato – aderência).
 Cutelo de madeira dura, argamassa (no traço 1:1, em volume) ou gesso, de
dimensões iguais ou superiores ao corpo de prova e aproximadamente 20 mm x
20 mm de seção transversal, com perfil adaptável à superfície superior da telha,
revestido com feltro ou borracha na face de contato.
Segue abaixo o esquema (figura 5) do dispositivo de aplicação de carga para a montagem
com os componentes especificados

Figura 5 - Dispositivo para aplicação da carga

Os corpos de prova devem ser recebidos identificados e limpos suavemente, após


preparação devem ser colocados em ambiente protegido para preservar suas
características originais.
Devem ser enviados ao laboratório corpos de prova reservas a fim de substituir alguma
telha que tenha sido danificada no transporte.
As telhas devem ser imersas em água a temperatura ambiente durante 24h para simular a
pior situação possível para o ensaio – uma vez que, quando saturadas, os componentes
cerâmicos apresentam menor resistência mecânica.
Após a saturação dos corpos de prova, os mesmos devem ser secos suavemente a fim
de remover o excesso de água na superfície.
Ensaio à flexão de telhas simples de sobreposição
O cutelo de madeira dura foi assentado a meia distância das duas arestas longitudinais do
corpo de prova, então a barra de aço foi assentada sobre o cutelo.
Aplica-se progressivamente a carga sobre o dispositivo através da máquina de ensaios
universais – que funciona através da pressão de óleo.
Determinou-se então a carga máxima de ruptura de cada corpo de prova em newtons,
arredondado para uma casa decimal.
É recomendável registrar a temperatura ambiente e a umidade relativa do ar durante o
ensaio.
5. Resultados Experimentais

CPNº Espécie
2 Angelim
4 Eucalipto
6 Guarajá

Tabela 1 - Ensaio de compressão paralelo as fibras

CPNº CPNº Área (mm²) Fc0,máx (N)


1 50x44 = 2.200 132.000
2
2 43x50 = 2.150 129.000
1 49x48 = 2.352 81.000
4
2 49x50 = 2.450 82.000
1 45x45 = 2.025 111.000
6
2 43x44 = 1.892 144.000

Tabela 2 - Resistência à compressão paralela às fibras

CPNº CPNº fwc,0 ou fc0 (Mpa)


1 60
2
2 60
1 34,4
4
2 33,5
1 54,8
6
2 76,1
Fc 0, máx
Onde fwc ,0=
Área

Tabela 3 - Ensaio de compressão normal às fibras

CPNº Área (HxL) (mm²) Fwc,90,máx (N)


2 48x41 = 1.968 6.000
4 50x49 = 2.450 6.500
6 45x43 = 1.935 5.800

Tabela 4 - Resistência à compressão normal às fibras

CPNº fwc,90 ou fc90 (Mpa)


2 100,0
4 83,6
6 104,9

3 Fwc ,90 ,máx × D


Onde fwc ,90= ×
2 L×H ²
Em que D = 105 cm é o comprimento da amostra.

Tabela 5 – Dimensões, massas secas e saturas

msat
CPNº CPNº (LxCxH)seco (cm) ms (g) (LxCxH)sat (cm)
(g)
1 2,1 5,1 3,0 16,7 2,2 5,0 3,3 21,7
2 2,0 5,0 2,9 13,1 2,2 5,1 3,3 18,3
2
3 2,0 5,0 2,9 13,0 2,1 5,0 3,1 17,8
4 2,1 5,0 3,0 16,0 2,2 5,2 3,2 21,0
4 1 2,0 5,0 2,9 28,0 2,1 5,0 3,0 33,0
2 1,9 5,0 2,9 27,5 2,1 5,0 3,0 32,4
3 2,0 5,0 2,8 27,5 2,1 5,0 3,0 32,4
1 2,0 4,9 2,9 28,4 2,2 5,0 3,2 36,6
2 2,0 4,9 3,0 28,0 2,2 5,0 3,2 36,2
6
3 2,0 4,8 2,9 28,7 2,1 5,0 3,1 35,1
4 2,0 4,9 2,9 28,4 2,2 5,0 3,2 36,5

Tabela 6 - Definições

Deformação específica de retração –


εr,1
Direção axial (C)
Deformação específica de retração –
εr,2
Direção radial (H)
Deformação específica de retração –
εr,3
Direção tangencial (L)
Deformação específica de
εi,1
inchamento – Direção axial (C)
Deformação específica de
εi,2
inchamento – Direção radial (H)
Deformação específica de
εi,3
inchamento – Direção tangencial (L)
∆V Variação volumétrica

Onde,
(Csat−Cseco)
εr,1 = Csat
×100
( Hsat−Hseco)
εr,2 = Hsat
×100
( Lsat−Lseco)
εr,3 = Lsat
×100
(Csat−Cseco)
εi,1 = Cseco
×100
( Hsat−Hseco)
εi,2 = Hseco
×100
( Lsat−Lseco)
εi,3 = Lseco
×100

Tabela 7 – Estabilidade dimensional

CPNº CPNº εr,1 εr,2 εr,3 εi,1 εi,2 εi,3 ∆V


1 -2,00 9,09 4,55 -1,96 10,00 4,76 0,13
2 1,96 12,12 9,09 2,00 13,79 10,00 0,28
2
3 0,00 6,45 4,76 0,00 6,90 5,00 0,12
4 3,85 6,25 4,55 4,00 6,67 4,76 0,16
1 0,00 3,33 4,76 0,00 3,45 5,00 0,09
4 2 0,00 3,33 9,52 0,00 3,45 10,53 0,14
3 0,00 6,67 4,76 0,00 7,14 5,00 0,13
6 1 2,00 9,38 9,09 2,04 10,34 10,00 0,24
2 2,00 6,25 9,09 2,04 6,67 10,00 0,20
3 4,00 6,45 4,76 4,17 6,90 5,00 0,17
4 2,00 9,38 9,09 2,04 10,34 10,00 0,24

Tabela 8 - Densidade

CPNº CPNº ρbásica (kg/m³) ρaparente (kg/m³)


1 460,1 529,13
2 353,8 456,83
2
3 399,4 460,10
4 437,1 515,82
1 888,9 975,37
4 2 873,0 1001,83
3 873,0 987,71
1 806,8 1004,15
2 795,5 961,50
6
3 881,7 1036,58
4 806,8 1003,81

massa seca
Onde ρbásica =
V sat
Onde ρaparente= (ρsat – ρseco) * 0,12 + ρseco

6. Conclusões
 Angelim
Em relação aos ensaios de compressão paralela às fibras, a resistência esperada
deveria estar dentro do intervalo de 65,2 Mpa e 80,9 Mpa. Contudo, os 2 corpos de
prova ensaiados apresentaram resistência de 60 Mpa, que está abaixo do exigido
pela norma.
Em relação aos ensaios de compressão normal às fibras, a resistência esperada
deveria estar dentro do intervalo de 99,7 Mpa e 138,1 Mpa. O corpo de prova
apresentou resistência de 100 Mpa, atendendo a exigência da norma.
Para a contração radial, os valores esperados são de no máximo 4,2%. Contudo,
todos os 4 corpos de prova apresentaram um valor superior a este.

 Eucalipto
Em relação aos ensaios de compressão paralela às fibras, a resistência esperada
deveria estar dentro do intervalo de 12,1 Mpa e 49,2 Mpa. Os dois corpos de prova
apresentaram resistência dentro do intervalo estipulado pela norma.
Em relação aos ensaios de compressão normal às fibras, a resistência esperada
deveria estar dentro do intervalo de 77,4 Mpa e 101,6 Mpa. O corpo de prova
apresentou resistência de 83,6 Mpa, atendendo a exigência da norma.

 Guarajá
Em relação aos ensaios de compressão paralela às fibras, a resistência esperada
deveria estar dentro do intervalo de 40,5 Mpa e 10 Mpa. Contudo, os 2 corpos de
prova ensaiados apresentaram resistência de 60 Mpa, que está acima do exigido
pela norma.
Em relação aos ensaios de compressão normal às fibras, a resistência esperada
deveria estar próximo de 78,8 Mpa. O corpo de prova apresentou resistência de
104,9 Mpa, atendendo a exigência da norma.

7. Referências Bibliográficas
 ABNT NBR 7190:1997