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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ


CENTRO DE CIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA
CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

MÁRCIA FREIRE PINTO

ASPECTOS ETNOBIOLÓGICOS NA COMUNIDADE SÍTIO CUMBE


ÀS MARGENS DO ESTUÁRIO DO RIO JAGUARIBE - ARACATI - CE

FORTALEZA
2009
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UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ


CENTRO DE CIÊNCIAS
DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA
CURSO DE CIÊNCIAS BIOLÓGICAS

MÁRCIA FREIRE PINTO

ASPECTOS ETNOBIOLÓGICOS NA COMUNIDADE SÍTIO CUMBE


ÀS MARGENS DO ESTUÁRIO DO RIO JAGUARIBE - ARACATI - CE
Monografia entregue à Coordenação do Curso
de Ciências Biológicas da Universidade
Federal do Ceará, como parte dos requisitos
necessários para obtenção de créditos para o
grau de Bacharel.

Orientador: Prof. Dr. José Roberto Feitosa Silva.

FORTALEZA
2009
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MÁRCIA FREIRE PINTO

ASPECTOS ETNOBIOLÓGICOS NA COMUNIDADE SÍTIO CUMBE


ÀS MARGENS DO ESTUÁRIO DO RIO JAGUARIBE - ARACATI - CE

Monografia entregue à Coordenação do Curso de Ciências Biológicas da


Universidade Federal do Ceará, como parte dos requisitos necessários para obtenção de
créditos para o grau de Bacharel.

Aprovada em: 22 de junho de 2009.

BANCA EXAMINADORA

______________________________________________
Prof. Dr. José Roberto Feitosa Silva (Orientador)
Universidade Federal do Ceará
Departamento de Biologia

______________________________________________
Prof. Dr. Eurípedes Antônio Funes
Universidade Federal do Ceará
Departamento de História

_______________________________________________
Prof. Ms. Alexandre Ferreira Lopes
Universidade Federal do Ceará
Departamento de Biologia
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À minha mãe,
simplesmente por tudo.
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AGRADECIMENTOS

Aos sujeitos dessa pesquisa: Dona Isabel, Seu Euclídes, Seu Antônio, Dona Soledade, Dona
Marineide, Seu Marcelo, Seu Didica, Seu Manel Marinheiro, Dona Raimunda, Dona Lourdes,
José Gonzaga, Seu Batista, José Correia, Seu Zé de Chiquim, Seu Raimundo (Xerim), João de
Sunsão, Chico de Lôra (Seu Francisco) e Dona Edite, a qual sou extremamente grata por todo
carinho, atenção e hospitalidade.

Ao João Luís Joventino do Nascimento, por todo o desenrolar da pesquisa, desde a


apresentação dos informantes até os momentos prazerosos de conversas em sua casa.
Agradeço de coração por ter me mostrado as belezas da região, apresentar-me pessoas
encantadoras e me fazer acreditar na esperança de mudanças, pelo simples exemplo da sua
força de vontade.

À Dona Edite, Nelson, Adriana, Gracinha, Andréa, João e todos da família, por me receberem
tão bem em sua casa.

Ao Prof. Dr. José Roberto Feitosa Silva, pela orientação, pelo ensino e troca de
conhecimentos, pelos momentos de atenção e de paciência, pelo carinho e pelo “livre”
desenrolar dessa pesquisa.

Ao Prof. Eurípedes Funes, pelo carinho e atenção e, principalmente, por me fazer olhar o
meio ambiente com outros olhares.

Ao Prof. Dr. Francisco José Bezerra Souto, pelas explicações, pela atenção e pelo incentivo
nas pesquisas etnobiológicas.

Ao Javan Pires e Amanda Silvino, por terem despertado em mim o interesse pela
etnobiologia.

Ao Prof. Edson Paula Nunes, pela identificação das plantas.

Ao Adalberto Maciel Mano de Carvalho, pela atenção e pela ajuda prestada no processo de
preparação das exsicatas.

Ao Newton Gurgel, pela atenção e colaboração com a parte dos mamíferos.

Ao Ciro Albano, por toda paciência e ajuda com a pesquisa e identificação das aves.

Ao Felipe Monteiro, por toda atenção, amizade e ajuda na pesquisa.

À Cristiane Xerez, pela atenção, pelo incentivo e ajuda na descrição dos moluscos.

Ao Thiago Holanda, pelo companheirismo, pela amizade, pelo carinho, pelas experiências de
vida e pela colaboração com a parte dos peixes.
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Ao Hugo Fernandes, por todo carinho, amizade, troca de conhecimentos na área de


etnobiologia e pela imensa colaboração com a parte das serpentes.

Ao Grupo Mangue Vivo, que ao longo de três anos, foi o responsável pela busca do
conhecimento a respeito dos manguezais, principalmente no manguezal do Rio Curu em
Paracuru, juntamente com o Grupo Manguezal, Povos e Mares.

Aos companheiros do Laboratório de Histologia da Reprodução Animal, que tiverem que


aturar durante mais de um ano alguém que não suporta trabalho de laboratório.

Aos amigos que estavam sempre presentes ao longo de toda a graduação, ao longo de muitas
risadas e brincadeiras, de muitas histórias, experiências e aprendizados: Rono (Preto), Glauber
(Brad), Felipe (Ameba), André (Dedé), Felipe (Braguinha), Vitor (Vitim), Diego, Victor
César, Thais e Natássia.

Ao Caio Henrique, por ter me proporcionado um grande crescimento pessoal, por me fazer
encarar muitas coisas com outro ponto de vista, senão, tentar ao menos entender muitas
diferenças.

Às irmãs que parecem ser de um universo paralelo, cujos momentos são preciosos e
duradouros: Raquel (Digimon), Silvianne (Sil), Priscila (Pri), Bruna e Nair.

Ao meu irmão, Nikássio Freire, por todos as resistências psicológicas que me causou e pela
ajuda com a parte de informática.

À minha mãe, Maria da Conceição Freire, por todo o exemplo de esforço e determinação, por
todo carinho materno, por todos os ensinamentos de uma professora, por todos os
ensinamentos de uma mulher, pelo ‘mãetrocínio’ durante minha pesquisa e principalmente por
ser minha mãe e meu pai.
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“Quem me dera ao menos uma vez, que o


mais simples fosse visto como o mais
importante”
(Renato Russo)
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RESUMO

Essa pesquisa foi realiza juntamente com pescadores, marisqueiras, artesões e


aposentados da comunidade Sítio Cumbe, Aracati, Ceará. Foi feito um estudo da relação
homem e natureza, ao longo do processo de ocupação e redefinição dos usos sócio-
econômicos dos espaços na localidade, como também foi realizado o levantamento
etnobotânico e etnozoológico do manguezal da região estuarina do Rio Jaguaribe. O trabalho
baseou-se metodologicamente na Etnobiologia, com apoio da História para busca da
compreensão do conhecimento empírico, através da observação de campo e das entrevistas.
Foram feitas coletas de exemplares de plantas do manguezal, que foram identificadas e
depositadas no Herbário Prisco Bezerra da Universidade Federal do Ceará. A identificação
dos animais (mamíferos, aves, crustáceos, moluscos, peixes, serpentes e outros) foi realizada a
partir de fotografias, desenhos e com base na literatura científica, bem como com a ajuda de
especialistas na área. Os dados referentes à flora e á fauna do manguezal foram organizados
em quadros de correlação entre o conhecimento local da comunidade e a literatura científica.
Observou-se um vasto conhecimento dos informantes sobre o ambiente e sobre as
características das plantas e dos animais do manguezal, bem como das relações ecológicas
estabelecidas nesse ecossistema. Pode-se verificar também, uma apurada percepção por parte
dos informantes das modificações que ocorreram no ambiente ao longo dos anos, provocadas
tanto pelo homem como pela própria natureza O estudo desse conhecimento mostrou-se, pois,
importante no processo de resgate cultural e no registro dos saberes dos informantes sobre a
comunidade Sítio Cumbe e sobre o manguezal, assim também como uma fonte de dados sobre
a flora e a fauna do ecossistema manguezal. Logo, a pesquisa representa uma ferramenta
bastante importante para o conhecimento das riquezas e recursos da região, como também
para o ensino e educação dos mais jovens.

Palavras-chaves: Etnobiologia, pescadores artesanais, conhecimento popular.


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LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01. Localização geográfica Cumbe em Aracati. …......................................................23


Figura 02. Casas de alguns dos informantes. …......................................................................30
Figura 03. Localização dos informantes da Comunidade Sítio Cumbe. ................................ 32
Figura 04. Vestígios arqueológicos encontrados nas dunas no Cumbe. .................................34
Figura 05. Imagem do moinho de vento dos arrebaldes do Aracati. ......................................36
Figura 06. Evolução da planície flúvio-marinha ocupada por manguezais na foz do Rio
Jaguaribe. ......................….......................................................................................................42
Figura 07. Manguezal do Rio Jaguaribe. …............................................................................47
Figura 08. Estacas de mangue utilizada nos currais. …..........................................................48
Figura 09. Estrutura da região do manguezal do Rio Jaguaribe. …........................................50
Figura 10. Aspectos do Pirrichio. ...........................................................................................51
Figura 11. Algodão-do-pará. ...........................…....................................................................51
Figura 12. Outras plantas citadas pelos entrevistados. ...........................................................52
Figura 13. Mangue-canoé (Avicennia sp.). .............................................................................53
Figura 14. Mangue-sapateiro (Rhizophora mangle). ..............................................................55
Figura 15. Mangue-manso (Laguncularia racemosa). ...........................................................57
Figura 16. Mangue-ratinho (Conocarpus erectus). .................................................................59
Figura 17. Guaxelo. ….............................................................................................................64
Figura 18. Raposa. …..............................................................................................................65
Figura 19. Soim. …..................................................................................................................66
Figura 20. Bacurau. ….............................................................................................................69
Figura 21. Bem-te-vi. …..........................................................................................................70
Figura 22. Canário-do-mangue. …..........................................................................................71
Figura 23. Carão. .....................................................................................................................72
Figura 24. Galinha d’água. ......................................................................................................73
Figura 25. Garças. ...................................................................................................................74
Figura 26. Juriti. …..................................................................................................................75
Figura 27. Lavandeira. …........................................................................................................76
Figura 28. Maçarico-grande. …...............................................................................................77
Figura 29. Maçarico-pequeno. …............................................................................................78
Figura 30. Mãe-da-lua. …........................................................................................................80
Figura 31. Maria-de-barro. …..................................................................................................81
Figura 32. Rolinha. ….............................................................................................................82
Figura 33. Siricóias. …............................................................................................................83
Figura 34. Sirizeta. …..............................................................................................................84
Figura 35. Socó-boi. …............................................................................................................85
Figura 36. Socó-pequeno. …...................................................................................................86
Figura 37. Tamatião. ..................................................….........................................................87
Figura 38. Aratu. ….................................................................................................................90
Figura 39. Caranguejo-uçá. ….................................................................................................92
Figura 40. Caranguejo artesanal. .….......................................................................................92
Figura 41. Guaiamum. …........................................................................................................94
Figura 42. Maria-farinha. …....................................................................................................96
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Figura 43. Siri. …....................................................................................................................97


Figura 44. Tesoureiro. ….........................................................................................................98
Figura 45. Xixié. …................................................................................................................99
Figura 46. Aruá. …................................................................................................................102
Figura 47. Buzana. …............................................................................................................103
Figura 48. Búzio. …...............................................................................................................104
Figura 49. Intã. …..................................................................................................................105
Figura 50. Ostra. …...............................................................................................................106
Figura 51. Taioba. ….............................................................................................................107
Figura 52. Sururu. ….............................................................................................................108
Figura 53. Arraia. …..............................................................................................................111
Figura 54. Bagre. …...............................................................................................................112
Figura 55. Camurim. ….........................................................................................................113
Figura 56. Camurupim. ….....................................................................................................114
Figura 57. Caranha. …...........................................................................................................115
Figura 58. Vermelha. …........................................................................................................116
Figura 59. Carapeba. ….........................................................................................................117
Figura 60. Esqueleto de cavalo-marinho. ….........................................................................118
Figura 61. Espada. ….............................................................................................................119
Figura 62. Mero. …...............................................................................................................120
Figura 63. Moréia. ….............................................................................................................121
Figura 64. Mututuca. ….........................................................................................................122
Figura 65. Desenho da Mututuca. ….....................................................................................122
Figura 66. Pacamon. ….........................................................................................................123
Figura 67. Pampo. ….............................................................................................................124
Figura 68. Parum. …..............................................................................................................125
Figura 69. Pescada. …...........................................................................................................126
Figura 70. Solha. …...............................................................................................................127
Figura 71. Tainha. ….............................................................................................................128
Figura 72. Saúna. …..............................................................................................................129
Figura 73. Cobra-de-cipó. ….................................................................................................132
Figura 74. Desenho da cobra-de-cipó. …..............................................................................132
Figura 75. Cobra-de-veado. …..............................................................................................133
Figura 76. Desenho da cobra-de-veado. …...........................................................................133
Figura 77. Cobra-verde. …....................................................................................................134
Figura 78. Desenho da cobra-verde. ….................................................................................134
Figura 79. Saramanta. ….......................................................................................................135
Figura 80. Desenho da Saramanta. …...................................................................................135
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LISTA DE QUADROS

Quadro 1. Denominações das “qualidades” de mangue na Comunidade Sítio Cumbe. ........52


Quadro 2. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Mangue-canoé. ….......................54
Quadro 3. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Mangue-sapateiro. …..................56
Quadro 4. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Mangue-manso. ..........................58
Quadro 5. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Mangue-ratinho. .........................60
Quadro 6. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Guaxelo. …..................................64
Quadro 7. Correlação entre os conhecimentos relativo à Raposa. ….....................................65
Quadro 8. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Soim. ….......................................66
Quadro 9. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Bacurau. …..................................69
Quadro 10. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Bem-te-vi. ….............................70
Quadro 11. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Canário-do-mangue. ….............71
Quadro 12. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Carão. …....................................72
Quadro 13. Correlação entre os conhecimentos relativo à Galinha d’água. ….......................73
Quadro 14. Correlação entre os conhecimentos relativo às Garças. …...................................74
Quadro 15. Correlação entre os conhecimentos relativo à Juriti. ….......................................75
Quadro 16. Correlação entre os conhecimentos relativo à Lavandeira. ….............................76
Quadro 17. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Maçarico-grande. …..................78
Quadro 18. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Maçarico-pequeno. ...................79
Quadro 19. Correlação entre os conhecimentos relativo à Mãe-da-lua. ….............................80
Quadro 20. Correlação entre os conhecimentos relativo à Maria-de-barro. ….......................81
Quadro 21. Correlação entre os conhecimentos relativo à Rolinha. …...................................82
Quadro 22. Correlação entre os conhecimentos relativo à Siricóia. …...................................83
Quadro 23. Correlação entre os conhecimentos relativo à Sirizeta. …...................................84
Quadro 24. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Socó-boi. …...............................85
Quadro 25. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Socó-pequeno. …......................86
Quadro 26. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Tamatião. …..............................87
Quadro 27. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Aratu. …....................................91
Quadro 28. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Camarão. …...............................91
Quadro 29. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Caranguejo. …...........................93
Quadro 30. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Guaiamum. …...........................95
Quadro 31. Correlação entre os conhecimentos relativo à Maria-farinha. ….........................96
Quadro 32. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Siri. ….......................................97
Quadro 33. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Tesoureiro. …............................98
Quadro 34. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Xixie. …....................................99
Quadro 35. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Aruá. …...................................102
Quadro 36. Correlação entre os conhecimentos relativo à Buzana. ….................................103
Quadro 37. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Búzio. …..................................104
Quadro 38. Correlação entre os conhecimentos relativo à Intã. ….......................................105
Quadro 39. Correlação entre os conhecimentos relativo à Ostra. ….....................................106
Quadro 40. Correlação entre os conhecimentos relativo à Taioba. …..................................107
Quadro 41. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Sururu. …................................108
Quadro 42. Correlação entre os conhecimentos relativo à Arraia. …...................................111
Quadro 43. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Bagre-branco. ….....................112
Quadro 44. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Camurim. …............................113
Quadro 45. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Camurupim. …........................114
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Quadro 46. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Pema. …..................................114


Quadro 47. Correlação entre os conhecimentos relativo à Vermelha. ….............................116
Quadro 48. Correlação entre os conhecimentos relativo à Carapeba. …..............................117
Quadro 49. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Cavalo-marinho. .....................118
Quadro 50. Correlação entre os conhecimentos relativo à Espada. …..................................119
Quadro 51. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Mero. …...................................120
Quadro 52. Correlação entre os conhecimentos relativo à Moréia. …..................................121
Quadro 53. Correlação entre os conhecimentos relativo à Mututuca. …..............................122
Quadro 54. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Pacamon. ….............................123
Quadro 55. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Pampo. …................................124
Quadro 56. Correlação entre os conhecimentos relativo ao Parum. ….................................125
Quadro 57. Correlação entre os conhecimentos relativo à Pescada. …................................126
Quadro 58. Correlação entre os conhecimentos relativo à Solha. …....................................127
Quadro 59. Correlação entre os conhecimentos relativo à Tainha. …..................................128
Quadro 60. Correlação entre os conhecimentos relativo à Sauna. …...................................129
Quadro 61. Correlação entre os conhecimentos relativo à Cobra-cipó. …...........................132
Quadro 62 Correlação entre os conhecimentos relativo à Cobra-de-veado. …....................133
Quadro 63. Correlação entre os conhecimentos relativo à Cobra-verde. ….........................134
Quadro 64. Correlação entre os conhecimentos relativo à Cobra saramanta. …..................135
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SUMÁRIO

Lista de figuras
Lista de quadros

1. INTRODUÇÃO...................................................................................................................14
1.1 A relação homem & natureza e o estudo etnobiológico ....................................................14
1.2 Etnobotânica e Etnozoologia .............................................................................................16
1.3 As comunidades tradicionais .............................................................................................17
1.4 A relação homem e manguezal ..........................................................................................19
1.5 A Comunidade Sítio Cumbe ..............................................................................................21
1.6 Justificativa e objetivos ......................................................................................................24

2. METODOLOGIA …..........................................................................................................25
2.1 Métodos e técnicas de abordagem .....................................................................................26
2.2 Coleta de dados ..................................................................................................................28
2.3 Execução da pesquisa de campo ........................................................................................29
2.4 Estratégias de análise dos dados ........................................................................................32

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO …...................................................................................33


3.1 Os personagens da história .................................................................................................33
3.2 A relação homem & natureza na Comunidade Sítio Cumbe .............................................34
3.3 A percepção do homem sobre o ciclo da maré e da lua ….................................................47
3.4 A relação homem e vegetal …............................................................................................48
3.4.1 Mangue-canoé ….............................................................................................................56
3.4.2 Mangue-sapateiro …........................................................................................................58
3.4.3 Mangue-manso …............................................................................................................60
3.4.4 Mangue-ratinho …...........................................................................................................62
3.5 A relação homem e animais …...........................................................................................64
3.5.1 Mamíferos …...................................................................................................................66
3.5.2 Aves …............................................................................................................................70
3.5.3 Crustáceos …...................................................................................................................91
3.5.4 Moluscos ……...............................................................................................................103
3.5.5 Peixes …........................................................................................................................112
3.5.6 Serpentes …...................................................................................................................133
3.5.7 Outros animais …..........................................................................................................139

4. CONSIDERAÇÕES FINAIS ..........................................................................................142

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...............................................................................143

APÊNDICES ….....................................................................................................................158
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1. INTRODUÇÃO

1.1 A RELAÇÃO HOMEM & NATUREZA E O ESTUDO ETNOBIOLÓGICO

“Quando em tronco encontrares teu corpo feito,


Já teus pés em raízes vão estar
Procurando na terra,
Da água, o leito,
E não mais braços, sim galhos
Pra se abraçar”
(Mestre Ambrósio)

A relação homem e natureza é o ponto de partida para a presente pesquisa


etnobiológica. A compreensão dessa interação é de suma importância para tentar entender
melhor o ambiente, conhecer as riquezas de uma região e as modificações ambientais que ali
ocorrem.
Roncayolo (1986) afirma que “somente a abstração pura pode isolar um
organismo do seu ambiente”, pois um organismo não pode ser compreendido totalmente sem
o seu habitat, sem atentarmos para o seu comportamento, para as ações e reações que esse ser
exerce no ambiente em que vive.
Assim, entender a relação entre homem e natureza é perceber as complexas
interconexões em que se interpenetram estruturas sociais, políticas, econômicas e ideológicas
(WALDMAN, 2002). Ou seja, é compreender como as sociedades estabelecem “relações
ecológicas” com o que historicamente é entendido como meio ambiente.
Verifica-se, portanto, que essa relação homem e natureza está reproduzida em uma
dupla diversidade: cultura e natureza, em que as culturas humanas constituem-se de forma
diversa em diferentes ecossistemas naturais, embora as características bio-geológicas possam
ser distintas, semelhantes ou mesmo idênticas (CAMPOS, 1995).
O homem atua no meio de acordo com a sua cultura, bem como com a estrutura
de sua organização social e econômica. Ele intervém na natureza como uma forma externa ou
como essência, característica de si mesmo e essa intervenção é chamada de cultura, já que a
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palavra “cultura” tem por significado o cuidado do homem com a natureza, o cultivo
(GONÇALVES, 2008).
Ao se procurar estudar mais essa relação homem e natureza, na década de
cinquenta, inicia-se uma linha de estudos nas academias, sobre a organização do
conhecimento nas populações não ocidentais, a sua visão de mundo e a ordenação cognitiva,
ou seja, como é a organização dos pensamentos a respeito do ambiente em que essas
populações vivem (HAVERROTH, 1997).
Esses estudos foram denominados de etnociências e que, nas suas origens, a etno-
ciência e as etno-x (onde x é uma disciplina da academia) enfatizavam os aspectos
linguísticos e taxonômicos, deixando para segundo plano a diversidade e a dinâmica das
relações “ser humano de uma dada cultura/natureza” (CAMPOS, 2002). O prefixo ethno tem
sido frequentemente utilizado por significar, de maneira sintetizada, os modos como as
sociedades compreendem o mundo (MARTIN, 1995).
Assim, a etnociência vem se constituindo, no panorama científico, em um diálogo
frutífero entre as ciências naturais e as ciências humanas e sociais (NISHIDA, 2005), que,
segundo Mourão e Nordi (2006), nos últimos anos, muitos pesquisadores tem dedicado seus
estudos aos sistemas populares de classificação e do seu universo biológico, constatando que
os seres humanos, em diversas partes do mundo, utilizam estratégias semelhantes para
classificar os seres vivos e organizar os conceitos biológicos.
Esses estudos podem seguir diversas linhas de pesquisa, como a “Ecologia
Humana dentro da Ecologia”, que procura compreender a relação da humanidade com os
recursos, incluindo os aspectos cognitivos, comportamentais e de conservação através de
áreas, como a Etnobiologia, a Sociobiologia e Coevolução Gens-Cultura, a Psicologia
Evolutiva e a Economia Ecológica, o Manejo e Conservação (BEGOSSI, 2004).
A Etnobiologia se origina da Antropologia cognitiva, em particular da
Etnociência, que busca compreender como o mundo é percebido, conhecido e classificado por
diversas culturas humanas. Ela tem como objetivo analisar a classificação das comunidades
humanas sobre a natureza, em particular sobre os organismos. Por isso, disciplinas como
Botânica, Ecologia e Zoologia são fundamentais, caso não se tenha a intenção de ter apenas
uma abordagem êmica, ou seja, aquela abordagem oriunda unicamente do meio acadêmico.
Além disso, a Etnobiologia procura compreender como se dá a percepção humana sobre os
recursos naturais, que processos orientam a classificação da natureza e os processos de
decisão sobre o uso dos recursos naturais (BEGOSSI, 1993; 2004).
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De acordo com Posey (1987), a etnobiologia é o estudo do conhecimento e das


conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito da biologia. Em outras
palavras, é o estudo do papel da natureza no sistema de crenças e de adaptação do homem a
determinados ambientes e serve de mediadora entre as diferentes culturas ao assumir seu
papel como disciplina dedicada à compreensão e ao respeito mútuo entre os povos. Neste
sentido, a etnobiologia relaciona-se com a ecologia humana, enfatizando as categorias e
conceitos cognitivos utilizados pelos povos em estudo.

1.2 ETNOBOTÂNICA E ETNOZOOLOGIA

Quando o prefixo ethno é usado seguido do nome de uma disciplina acadêmica,


como a Biologia ou a Zoologia, dá a entender que os pesquisadores dessas áreas estão
buscando as percepções de sociedades locais dentro desses contextos (HAVERROTH, 1997).
A partir de meados do século XX, Etnobotânica começa a ser compreendida como
o estudo das inter-relações entre povos primitivos e plantas, envolvendo o fator cultural e sua
interpretação (JORGE & MORAIS, 2003). Amorozo (1996) define a Etnobotânica como o
estudo do conhecimento e das conceituações desenvolvidas por qualquer sociedade a respeito
do mundo vegetal, englobando tanto a maneira como o grupo social classifica as plantas,
como os usos que dá a elas. Atualmente, com base nos trabalhos já realizados, pode-se
entender a Etnobotânica como o estudo das inter-relações (materiais ou simbólicas) entre os
seres humanos e as plantas, devendo-se somar a este os fatores ambientais e culturais, assim
como os conceitos locais que são desenvolvidos com relação às plantas e ao uso que se faz
delas (JORGE & MORAIS, 2003).
De acordo com Campos (1995), a Etnozoologia é o estudo da ciência zoológica do
“Outro” construída com base no referencial de saberes da Academia. O termo Etnozoologia
surgiu nos Estados Unidos, no final do século XIX, tendo sido cunhado e definido por Mason
(1899, apud SANTOS-FITA & COSTA-NETO, 2007, p. 100) como “a zoologia da região tal
como narrada pelo selvagem”, porém na literatura, o termo só apareceu em 1914, no artigo
intitulado Ethnozoology of the Tewa Indians, de Henderson e Harrington.
Segundo Marques (2002), o estudo transdisciplinar dos pensamentos e percepções
(conhecimentos e crenças), dos sentimentos (representações afetivas) e dos comportamentos
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(atitudes) que intermedeiam as relações entre as populações humanas que os possuem com as
espécies de animais dos ecossistemas que as incluem pode ser definido como Etnozoologia.
A partir do estudo “As interações entre os seres humanos e os animais: a
contribuição da etnozoologia”, os autores Santos-Fita & Costa-Neto (2007, p. 102) fazem um
breve histórico dos esforços dos etnozoólogos em diversas áreas de pesquisa como:
a) percepção cultural e sistemas de classificação etnozoológicos;
b) importância e presença dos animais nos contos, mitos e crenças;
c) aspectos biológicos e culturais da utilização dos animais pelas sociedades
humanas; formas de obtenção e preparo das substâncias orgânicas extraídas dos
animais para fins diversos (cosmética, ritualística, medicinal, alimentar etc.);
d) domesticação, verificando as bases culturais e as consequências biológicas do
manejo dos recursos faunísticos ao longo do tempo;
e) heterogeneidade biológica e processos cognitivos envolvidos no manejo e
conservação dos recursos; técnicas de coleta e seu impacto sobre as diferentes
populações animais.

1.3 AS COMUNIDADES TRADICIONAIS

Os estudos na área das etnociências são realizados com qualquer sociedade,


enfocando determinada linha de pesquisa, porém muitos deles são feitos com comunidades
tradicionais, por essas apresentarem uma maior relação direta com os recursos naturais. Os
grupos sociais, conhecidos como comunidades tradicionais, possuem grande conhecimento a
respeito do mundo natural, vivem em “harmonia” com a natureza e são detentores de práticas
e saberes próprios em relação à biodiversidade, desenvolvendo formas especiais de manejo
(KRETZMANN, 2007).
O saber tradicional, o conhecimento de práticas e as representações de diferentes
grupos tradicionais vem sendo valorizados no decorrer das últimas décadas e, principalmente,
a partir dos anos 80, tornando-se, cada vez mais, relevantes para intervir na crise ecológica, já
que esses grupos conseguiram elaborar um profundo conhecimento sobre os ecossistemas ao
longo do tempo (DIEGUES, 2000).
As comunidades tradicionais podem ser caracterizadas pela relação com recursos
naturais com os quais constroem seu modo de vida, pelo profundo conhecimento da natureza,
que é transmitido de geração a geração, a partir da oralidade; pela noção de território e
espaço, onde o grupo se reproduz social e economicamente; pela ocupação do mesmo
território por várias gerações; pela importância das atividades de subsistência, mesmo que, em
algumas comunidades, a produção de mercadorias esteja mais ou menos desenvolvida; pela
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importância dos símbolos, mitos e rituais associados às suas atividades; pela utilização de
tecnologias simples, com baixo impacto sobre o meio; pela auto-identificação, ou pela
identificação por outras pessoas de pertencer a uma cultura diferenciada; entre outras
características (DIEGUES & ARRUDA, 2001).
As comunidades tradicionais não convivem apenas com a biodiversidade, mas
também nomeiam e classificam as espécies vivas de acordo com suas próprias categorias e
nomes. Para essas populações, a biodiversidade pertence tanto ao domínio do natural como ao
cultural, entretanto é a cultura, como forma de conhecimento, que permite as populações
tradicionais entendê-la, representá-la mentalmente, manuseá-la, retirar suas espécies, colocar
outras, enriquecendo-a, com frequência (DIEGUES et al., 1999).
A capacidade que as comunidades tradicionais possuem de se relacionar com o
meio ecológico complexo, identificando, por exemplo, as diferenciações na fauna e na flora,
as diversas espécies existentes, suas formas de vida e funções, pode ser considerada prova do
patrimônio cultural, graças a um saber prático que valoriza e preserva os ecossistemas e que,
muitas vezes, é visto como práticas improdutivas pelas sociedades modernas (CASTRO,
2000).
Os conhecimentos tradicionais são fruto de um processo social de aprendizado, de
criações, de trocas e desenvolvimentos transmitidos de geração para geração. É possível
admitir a transmissão desse conhecimento, mas não a apropriação sob forma de patentes, sem
considerar as características peculiares que possuem. Assim como foram gerados e
transmitidos no decorrer de sua história, também devem ser protegidos como fruto da história,
como construção histórica e patrimônio histórico (KRETZMANN, 2007).
Cunha (2004), ao discutir sobre tradição ou os “povos da tradição” em
movimento, cita Bornheim (1987), o qual recorre ao sentido etimológico da palavra tradição
que no latim traditio significa igualmente entregar, ou seja, designa o ato de passar algo para
outra pessoa, ou de passar de uma geração a outra. Dessa forma, a autora ressalta que a
tradição é algo dinâmico, algo que transita, que se movimenta.
O tradicional utilizado nesse tipo de conhecimento não é a sua antiguidade, mas a
maneira como esse conhecimento é gerado, transmitido e colocado em prática, como afirmam
Fernandes-Pinto & Marques (2004).
No caso de comunidades tradicionais e, mais especificamente, de cultura
tradicional dos pescadores artesanais, Cunha (2004) verifica uma noção tridimensional do
espaço, que abrange seus distintos domínios de vida - mar, terra e céu - dotados de
significados.
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O conhecimento que essas comunidades tradicionais possuem sobre os


ecossistemas dos quais fazem parte e sobre a diversidade de espécies que ali habitam constitui
um verdadeiro patrimônio de que a modernidade não pode prescindir para a continuidade da
vida no planeta (CUNHA, 2004).

1.4 RELAÇÃO HOMEM E MANGUEZAL

“Este corpo de lama que tu vê


É apenas a imagem que sou
Este corpo de lama que tu vê
É apenas a imagem que é tu”.
(Chico Science)

O homem, ao longo de sua existência, estabeleceu com o ambiente diversas


relações em busca da adaptação, da procura por alimento e de um abrigo para sua proteção;
procurou formas de sobrevivência e assim aprendeu a lidar com as adversidades que esse
ambiente lhe proporcionava.
Existe uma relação básica e tradicional entre inúmeras comunidades humanas que
vivem em verdadeira simbiose com o manguezal (CARNEIRO et al., 2008). As primeiras
comunidades que utilizavam as áreas de mangue foram os indígenas, como atestam os
sambaquis, que são depósitos de concha, restos de cozinha e esqueletos acumulados no litoral
e às margens de rios e lagos, (DIEGUES, 2001; SCHAEFFER-NOVELLI, 1995; SOFFIATI,
2004).
Durante o período colonial, essas áreas de manguezal, principalmente no Nordeste
e Sudoeste do Brasil, foram utilizadas para diversas finalidades, como a extração de madeira
para construções ou para o uso como lenha; para a preparação do tanino com que se tingem as
redes; para a extração de ostras; para a pesca, etc, levando a Coroa Portuguesa, no séc. XVIII,
a proibir o corte do mangue para lenha, devido à extração intensiva de madeira (DIEGUES,
2001). Ainda segundo o autor, os usos do mangue eram relativamente limitados às
comunidades litorâneas até as primeiras décadas do séc. XX, porém os usos tradicionais
dessas áreas de mangue ainda representam uma importante fonte de produção de alimento, de
material de construção, sobretudo para as pequenas comunidades de pescadores artesanais,
espalhadas pelas centenas de estuários, ao longo do litoral brasileiro.
Alves & Nishida (2002) ressaltam que comunidades tradicionais que vivem
próximas aos manguezais e dependem de recursos oriundos desses ambientes apresentam um
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amplo conhecimento acerca dos componentes bióticos e abióticos que integram esse
ecossistema.
Esse manguezal é um ecossistema que se caracteriza pela alta produtividade de
suas grandes populações biológicas. Desde o ponto de vista ecológico-antrópico, já é
reconhecido que o manguezal presta um conjunto de bens e serviços gratuitos, como
depuração e reciclagem de dejetos, estabilização da linha da costa contra a invasão do mar,
proteção contra a erosão das margens dos rios, regulação de ciclos biogeoquímicos, berçário
de muitas espécies e contribuição para a cadeia alimentar das águas costeiras (SALDANHA,
2005).
É um ecossistema característico em regiões tropicais e subtropicais costeiras e
abrigadas, de transição entre os ambientes terrestre e marinho, sujeito ao regime das marés,
sendo constituído por espécies vegetais lenhosas típicas (angiospermas), micro e macroalgas
(criptógamas) adaptadas à flutuação de salinidade e caracterizadas por colonizarem
sedimentos predominantemente lodosos, com baixos teores de oxigênio, além de ser um
ambiente que apresenta condições propícias para alimentação, proteção e reprodução de
muitas espécies animais, considerado, portanto, importante transformador de nutrientes em
matéria orgânica e gerador de bens e serviços (SCHAEFFER-NOVELLI, 1995).
O Brasil, segundo dados do UICN – União Internacional para Conservação da
Natureza (1983), apresenta cerca de 25.000 km2 de manguezais, sendo, portanto, o país com a
mais extensa área de manguezais do mundo (DIEGUES, 2001). No Brasil, os manguezais são
encontrados ao longo de praticamente todo litoral, desde o Amapá até Laguna, em Santa
Catarina (YOKOYA, 1995).
A partir da década de 70 do século XX, os manguezais e os “povos da lama”
(aqueles que tiram do manguezal o seu sustento e tem certamente um passado e uma história
não devidamente registrados) são descobertos por segmentos da comunidade científica e
acadêmica. Logo vários trabalhos são publicados, e eventos são realizados em diversos pontos
do Brasil, enfocando essa população que depende diretamente do manguezal (SOFFIATI,
2006).
Tal interesse da comunidade científica se deve tanto pelo conhecimento que esses
“povos da lama” ou “civilização do mangue” (DIEGUES, 2001) possuem a respeito do
ambiente, como também pelo aumento da exploração dessas áreas de manguezais, seja pela
extração de madeira de mangue para a construção civil, ou seja, por diversos outros impactos
pelos quais essas áreas estão sofrendo devido aos interesses econômicos, o que vem
acarretando uma série de desastres ecológicos e sociais nessas regiões.
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Assim, a relação básica e tradicional entre inúmeras comunidades humanas


litorâneas que viviam em verdadeira simbiose com o manguezal é alterada, devido à
degradação dos estuários e dos mangues do litoral brasileiro, decorrente de uma ação conjunta
de várias causas e fatores e resultante de um modelo econômico de ocupação do espaço
litorâneo que é marcado pela implantação de grandes pólos químicos, petroquímicos e
minero-metalúrgicos, associada à construção de grandes portos para a exportação da produção
e ao uso dos estuários como simples depósitos e transporte de dejetos sólidos e líquidos para o
oceano, ou ainda pela expansão urbana com a especulação imobiliária e pela expansão
agrícola (DIEGUES, 2001).
Embora o ecossistema manguezal seja uma Área de Preservação Permanente
(APP) 1, ele vem sendo degradado rapidamente por processos urbanos-industriais de ocupação
do litoral (DIEGUES, 2001). Por mais que as comunidades tradicionais tentem manter uma
boa relação com o ambiente manguezal, essa relação, a cada dia, vem sendo bastante
comprometida devido aos interesses econômicos, sejam esses de forma direta, na
comunidade, com a implantação de fazendas de camarão, ou de forma indireta, com a
influência de uma economia capitalista.

1.5 COMUNIDADE SÍTIO CUMBE

Quintal das maravilhas

El Cumbre é uma ilha/ é um deserto/ é uma constelação


abobada mágica/ véu dos nossos sonhos
de nossas viagens celestiais
El cumbre é o quintal do oriente
sitio das maravilhas
local das fontes reveladoras das verdades
local das lagoas que limpam teu corpo das vibrações pesadas
e te revelam o caminho branco das dunas/ do mar/ das estrelas
El cumbre é o caminho das estrelas
alcance de vênus/ origem dos ventos e leito nupcial das águas
caminho farto dos mangueirais: gota de ouro/ manga rosa
tamaraca/ manga espada
maduras/ verdes/ rosadas/ alegres/ goiabas/ bananas
as frutas de El cumbre são o sabor do jardim das delicias
do paraíso legado somente aos iluminados
aos homens de boa vontade.

1
Áreas de Preservação Permanente (APP): localizadas ao redor de lagos, lagoas e ao longo de rios variando de
acordo com a largura de cada um; nas nascentes num raio mínimo de 50m; topo de morros; nas encostas; nas
restingas e manguezais; bordas de tabuleiros ou chapadas e em terrenos com declividade a partir de 45° (Código
Florestal de 1965).
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El cumbre é sino de igreja badalando/ é missa/ é sermão/ é povo


É leilão/ é prenda/ é festa/ é cerveja/ é inocência
É forró/ é namoro/ é mato estralando/ e véu de noiva/ é batizado e
É primeira comunhão
El cumbre é berro de cabra/ mujido de boi/ latido e briga de cachorro
É pollera/ é carnauba se abrindo verde/ em sonele verde/ leque abanando sua
própria majestade vegetal
É ranger de porteira/ quebra de rapadura nos dentes fortes
Redes brancas no alpendre acalentam o sono dos sonhos malucos
El cumbre é a viagem até os deuses da natureza o encontro com a raiz Oxossi/
Oxossi é a flexeira/ é mata bruta de espinheiros/ tocaias de cobra/ sonis e
assombrações
Córregos e lagos do banho de oxum sertaneja e possibilidade do mar e das sereias
com as quais mãe iemanjá reina
El cumbre são bandeirinhas de muitas cores cantando com o vento/ com as crianças
e com o sol/ e as estrelas
É a mesa limpa/ a mesa farta/ a lenha a fumaça e a quartinha de água fresca/ goma
alva-côco-tapioca/ chás – cocadas – grudes – banhos coletivos com caldeirão de
ervas que nos dava vida ao corpo
El cumbre é a descoberta do corpo – da nudez – da direção de nós e de nós mesmo
sobre a ação do tempo – do encontro com os amigos – com a verdade dos amigos –
el cumbre é coração dos nossos corações é a alegria que é terra firme e ao mesmo
tempo não se situa geograficamente nos mapas- El cumbre é um estado de espírito/
véu da noite de nossos sonhos e nossas viagens celetias/ para senti-lo basta fechar
os olhos e mergulhar dentro do teu El cumbre.

Poema escrito por Bené (10/01/74)


para Correia e a povoação, A el Cumbre.

A comunidade do Sítio Cumbe em Aracati pode ser considerada uma comunidade


tradicional não-indígena representada pelos pescadores artesanais. Esse grupo específico de
pescadores artesanais está espalhado por todo o litoral brasileiro, fazendo da pesca sua
principal atividade, que, em parte, é consumida pela família e, em parte, comercializada, mas
exercendo também a pequena agricultura, o extrativismo e o artesanato Além disso, a unidade
de produção é geralmente familiar, incluindo, na tripulação de suas embarcações, os
conhecidos e os parentes longínquos (DIEGUES & ARRUDA, 2001).
Os peixes, os crustáceos, os moluscos, as marés, as correntes marítimas compõem
o universo natural apropriado ao fazer pesqueiro e sobre o qual o pescador constrói seu
conhecimento. Além de um processo econômico, a apropriação da natureza na atividade
pesqueira é um processo de conhecimento construído na prática do pescador que classifica
espécies de peixes e fenômenos naturais, tendo os ciclos de tempo da atmosfera, das marés
significados precisos na sua atividade (CARDOSO, 2001).
A população é composta por famílias de pescadores/as, agricultores/as e
artesãos/ãs, com aproximadamente 576 pessoas, entre crianças, jovens, adultos e idosos,
distribuídos/as em 135 famílias e correspondendo a 0,86% da população total do município de
Aracati (66.384 habitantes) (QUEIROZ, 2007).
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“A história do Sítio Cumbe nos revela, assim, que as marcas não são somente
materiais, as representações simbólicas se manifestam como parte essencial integrante das
relações materiais da sociedade local com a natureza” (QUEIROZ, 2007, p. 24).
Localiza-se no município de Aracati, litoral leste do Ceará e distancia-se 12km do
distrito-sede. O acesso para essa comunidade pode ser feito de duas formas, além do Rio
Jaguaribe; uma pelo Distrito-Sede de Aracati, por uma estrada carroçável, e a outra, pelas
dunas de Beirada e de Canoa Quebrada (LIMA, 2004). A área de estudo trata-se da
Comunidade Cumbe e do manguezal do estuário do Rio Jaguaribe (04º26’S a 04°32’S e
037°46’W a 037°48W).

Figura 01. Localização geográfica Cumbe em Aracati.


Fonte: Modificado de MENDES (2008).

O clima da região é semi-árido, apresentando irregularidades pluviométricas


temporo-espacial. O regime pluviométrico é do tipo tropical com a estação de chuvas
concentradas em cinco meses consecutivos, pois, no litoral, ocorrem chuvas mais abundantes
que ultrapassam anualmente 900 a 1000mm. (SOUZA et al., 2002).
A vegetação predominante na região é de carnaubal e coqueirais, enquanto a
vegetação de mangue encontra-se inserida na planície litorânea, ocupando maior parte das
planícies fluviomarinhas da região do Baixo Jaguaribe (LIMA, 2004). Carvalho-Neta (2007)
cita, como espécies de mangue encontradas na região, a Rhizophora mangle, Avicennia
shaueriana e Avicennia germinans, Laguncularia racemosa e Conocarpus erectus.
A Comunidade do Cumbe se encontra cercada por dunas ao leste, carnaubais em
todo o entorno, pelo Rio Jaguaribe e o manguezal a oeste e fazendas de camarão por todos os
lados.
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1.6 JUSTIFICATIVA E OBJETIVOS

Tendo em vista que a Comunidade Sítio Cumbe representa uma das grandes
riquezas biológicas e culturais de Aracati, bem como da história e da cultura do Ceará, é de
suma importância resgatar os conhecimentos que os habitantes dessa região possuem sobre o
seu ambiente, especificamente o ecossistema manguezal, que vem sofrendo grandes agressões
ao longo dos anos. Além do mais, pouco se conhece a respeito da fauna e da flora da região de
manguezal do Rio Jaguaribe, como também não se tem registro de estudo etnobiológico com
esse enfoque, no Ceará.
Foi escolhida a Comunidade Sítio Cumbe para a presente pesquisa, com o intuito
de se abordar alguns aspectos da etnobiologia, na busca do entendimento dos conhecimentos
tradicionais sobre o ecossistema manguezal.
Esse tipo de investigação promove o resgate dos conhecimentos a respeito do
manguezal, na comunidade, priorizando o conhecimento dos mais antigos, pois se acredita
que esses possuem um saber acumulado ao longo das gerações.

Assim a pesquisa objetivou:


• Descrever a relação homem e natureza ao longo do processo de ocupação e
redefinição dos usos sócio-econômicos dos espaços na Comunidade Sítio Cumbe.
• Registrar a percepção que os moradores mais antigos da comunidade possuem a
respeito do manguezal do estuário do Rio Jaguaribe.
• Fazer o levantamento etnobotânico e etnozoológico do manguezal da região estuarina
do Rio Jaguaribe.
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2. METODOLOGIA

2.1 MÉTODOS E TÉCNICAS DE ABORDAGEM

A metodologia utilizada baseia-se em observações, entrevistas e levantamentos


(MATOS & SOFIA, 2001), caracterizando-se, assim, como uma pesquisa qualitativa, que
responde a questões bem particulares, trabalhando com o universo de significados, motivos,
aspirações, crenças, valores e atitudes. É uma pesquisa baseada, principalmente, no trabalho
de campo, que consiste em um recorte empírico da construção teórica elaborada no momento,
combinando entrevistas, observações, levantamentos de material documental, bibliográfico,
instrucional, etc (DESLANDES, 1994).
Primeiramente, para construção do projeto de pesquisa, foi preciso um
aprofundamento dos fundamentos da etnobiologia, além do conhecimento na área de estudo e
da comunidade Sítio Cumbe. Essa foi uma fase exploratória, que, segundo Deslandes (1994),
consiste em algumas fases na trajetória da investigação, como a escolha do tópico de
investigação, a delimitação do problema, a definição do objeto e objetivos, a construção do
marco teórico conceitual, a escolha dos instrumentos de coleta de dados e a exploração de
campo.
Com o delineamento da pesquisa, foram escolhidas as formas de investigação,
seguindo-se para o trabalho de campo, em que foram obtidos os dados pré-estabelecidos de
acordo com os objetivos de interesse, no caso, fazer um breve levantamento etnozoológico e
etnobotânico a respeito do manguezal, com as pessoas mais antigas da Comunidade Sítio
Cumbe.
Na observação, foi empregada a técnica de coleta de dados, para se conseguir
informações, utilizando os sentidos sensoriais na obtenção de determinados aspectos da
realidade. Não consiste apenas em ver e ouvir, mas também em examinar fatos ou fenômenos
que se deseja estudar (MATOS & SOFIA, 2001)
Na entrevista, o pesquisador procura obter informações contidas nas falas dos
atores sociais. “Ela não significa uma conversa despretensiosa e neutra, uma vez que se insere
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como meio de coleta dos fatos relatados pelos atores, enquanto sujeito-objeto da pesquisa que
vivenciam uma determinada realidade que está sendo focalizada” (NETO, 1994, p. 51-66).
Existe um “continuum” de situações de entrevistas, em relação à quantidade de
controle que o pesquisador exerce sobre as respostas dos entrevistados (BERNARD, 1988
apud AMOROZO & VIERTLER, 2008). De acordo com a divisão desse “continuum” em
algumas formas de entrevistas, foram escolhidas para a presente pesquisa: a entrevista
informal, a entrevista não estruturada e a entrevista semi-estruturada. A entrevista informal é a
que se aproxima de uma conversa normal e foi utilizada no início da pesquisa como uma das
primeiras fases da observação participante, quando se está conhecendo a situação,
aumentando ou estreitando relações com informantes e detectando novos tópicos de interesse,
como afirma Amorozo & Viertler (2008).
Segundo Matos (2001), a entrevista não estruturada não é mais uma situação tão
informal, pois o pesquisador assume o papel de entrevistador e seu interlocutor de
entrevistado. É baseada em um plano geral claro, porém com um controle mínimo sobre as
respostas dos informantes. Assim, é possível atentar-se melhor às expressões, termos
utilizados e ritmo de conversa. Esse tipo de entrevista foi utilizado nos encontros seguintes,
com os informantes identificados, quando foram iniciados alguns questionamentos mais
direcionados, deixando-se, porém, que os informantes estivessem à vontade para falarem do
que quisessem.
Por fim, na entrevista semi-estruturada, o assunto a ser abordado possui um foco
maior nas conversas, apesar dos informantes ficarem à vontade para se expressarem como
bem entendessem. Esse tipo de entrevista baseia-se em um roteiro, que foi elaborado a partir
das entrevistas informais e não estruturadas, realizadas anteriormente. Esse roteiro foi
esquematizado em forma de quadros, em que cada entrevistado seguia uma ordem do que
antes já tinha sido comentado de forma mais aberta. Assim, foi possível complementar os
dados, acrescentando ou corrigindo informações.
Antes da aplicação dos formulários, nas entrevistas semi-estruturadas, foi
realizado com alguns dos entrevistados um pré-teste, conhecido também como estudo piloto
para garantir a qualidade, clareza, validade e confiabilidade do instrumento (COMBESSIE,
2004 apud ALBUQUERQUE et al., 2008b).
O material utilizado na pesquisa constou de um aparelho mp4 para gravação das
entrevistas, uma máquina digital para o registro fotográfico, formulários em forma de
quadros, fotos e figuras de animais para identificação de algumas espécies, junto aos
informantes. Para a coleta de material e o registro fotográfico do manguezal, foram realizadas
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algumas turnês-guiadas, que consistiram em fundamentar e validar os nomes das plantas


citadas nas entrevistas (ALBUQUERQUE et al., 2008b). Essas turnês-guiadas foram
acompanhadas por catadores de caranguejo e pescadores da comunidade, filhos dos
informantes na pesquisa.

2.2 COLETA DE DADOS

A coleta dos dados etnobotânicos e etnozoológicos não difere muito com relação
às entrevistas informais, não-estruturadas e semi-estruturadas. Foi realizada com aplicação de
formulários que eram completados no decorrer das conversas com os informantes (Apêndices I e
II.), porém vale ressaltar algumas diferenças.

O levantamento etnobotânico teve o intuito de obter informações, como o nome


popular, características morfológicas, zonação e aplicabilidade das plantas, bem como as
relações ecológicas entre plantas e animais. Já no levantamento etnozoológico, além do nome
popular, características morfológicas, zonação e relações ecológicas entre plantas e animais,
buscou-se compreender também o comportamento, abundância e utilidade desses animais.
Atentando-se a uma abordagem êmica que, segundo Sturtevant (1964), consiste em registrar a
visão tradicional, o modo como os entrevistados percebem, organizam e manejam seu
Universo, sem se impor as categorias ocidentais do pesquisador e seguindo a lógica da
abordagem emicista-eticista, a qual consiste em comparar os conhecimentos tradicionais
(êmicos) com aqueles correspondentes na literatura científica (éticos) (FELEPPA, 1986),
procurou-se registrar informações sobre o conhecimento e a utilização dos elementos da flora
e fauna do manguezal.
Quando possível, foi realizado o registro fotográfico dos animais e das plantas
listados. Foi feita a ilustração de serpentes por um dos entrevistados. Realizou-se também a
coleta das amostras de mangue e outras plantas presentes no manguezal, que estão
depositadas no Herbário Prisco Bezerra, na Universidade Federal do Ceará. Os 18
informantes permitiram que fossem fotografados e que as entrevistas, com uma duração entre
20 e 60 minutos, fossem gravadas.
Para uma melhor identificação dos animais citados e caracterizados, foram
apresentadas fotos e uma série de pranchas contendo desenhos de peixes (Livro: Peixes
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Estuarinos Marinhos do Nordeste Brasileiro, 2004) e fotos de serpentes, aves, mamíferos e


crustáceos.

2.3 EXECUÇÃO DA PESQUISA DE CAMPO

Antes de conhecer pessoalmente a comunidade Sítio Cumbe, ouvira, em


determinados momentos, no meio acadêmico e em fóruns de discussão sobre os problemas
socioambientais no estado do Ceará, abordagens sobre os impactos da carcinicultura,
principalmente no município de Aracati.
Pela primeira vez, escutei falar do Cumbe, como uma localidade próxima ao
manguezal e que sofria diversos impactos do ponto de vista social, econômico, cultural e
ambiental decorrentes da criação de camarão.
O fascínio pelos manguezais e pela relação que os homens e mulheres
estabelecem com o ambiente proporcionou-me o interesse pela Etnobiologia. Uma linha de
pesquisa que tentei compreender e aplicar com a ajuda e a orientação do professor José
Roberto Feitosa Silva do Laboratório de Histologia da Reprodução Animal.
As pesquisas no laboratório são realizadas com caranguejos coletados no
manguezal da região estuarina do Rio Jaguaribe, em Aracati, com o apoio de algumas pessoas
da Comunidade Sítio Cumbe. Assim, foi possível uma maior aproximação com a comunidade,
principalmente através de uma pessoa fundamental ao longo de toda a pesquisa: João Luis
Joventino, professor da Escola Municipal do Cumbe e irmão de um dos catadores de
caranguejo, o Nélson, que ajuda nas coletas para as pesquisas do laboratório.
O João se destaca por conhecer todos da comunidade, ser um dos principais
defensores das riquezas naturais da região e por sempre participar de debates referentes às
questões socioambientais. Ele foi o mediador local que me mostrou toda a comunidade e
indicou, juntamente com a sua mãe, Dona Edite, as pessoas mais antigas do conhecido Sítio
Cumbe.
De acordo com ALBUQUERQUE et al. (2008a), o pesquisador deve inteirar-se
dos costumes e práticas locais, tendo como sugestão a ajuda de um mediador local, podendo
ser este um membro da comunidade, ou alguém de maior acesso, o qual poderá fornecer
informações sócio-culturais preciosas, além de apresentar e conduzir o pesquisador na
comunidade e, dessa forma, facilitar o desenvolvimento da pesquisa.
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Os informantes dessa pesquisa são as pessoas mais antigas da comunidade, que


foram, inicialmente, visitadas em suas casas para que informante e pesquisador pudessem se
conhecer e, neste contato, fossem dadas as devidas explicações a respeito da pesquisa. Nessas
conversas, procurou-se conhecer melhor a comunidade, a partir do relato da história de vida
de cada um, os diferentes ambientes, as relações sociais ali estabelecidas, bem como as
principais atividades econômicas da região.
Nesse primeiro contato, procurou-se tornar o diálogo o mais descontraído
possível, para que a comunicação se tornasse mais fácil. Por exemplo, as conversas eram
realizadas enquanto o informante preparava o almoço ou fazia algum artesanato; em
momentos em que o informante lavava as louças, escutava uma música. Tudo acontecia
sempre com uma incrível hospitalidade, com o oferecimento de um café, de um pão, de uma
água de coco etc. Eram momentos que passavam e nem percebíamos que já era noite, pois,
quando a conversa é “tão gostosa”, perde-se a noção do tempo e, ao ter que dizer até logo,
deixa muita saudade.
Algumas visitas esporádicas, no total de cinco, entre julho de 2008 e o término da
pesquisa, em junho de 2009, foram realizadas com o intuito de não perder contato com os
informantes, como também para a realização de registros fotográficos da região, de animais e
de plantas.
Durante o mês de julho de 2008, foi realizada uma visita de quatro dias para
obtenção do máximo de dados possíveis sobre a fauna e a flora do manguezal do Rio
Jaguaribe. Os primeiros contatos e as primeiras conversas foram de fundamental importância
para a relação entre o pesquisador (eu) e as pessoas da comunidade (os pesquisados). A
atenção para o vocabulário local, para o tempo disponível que os pesquisados possuem para
conversar, para a reação que apresentam quando estão sendo entrevistados, com as conversas
sendo gravadas, para o fato de estarem sendo fotografados e, principalmente, para a opinião
deles sobre a participação em uma pesquisa, foram peças fundamentais para o
desenvolvimento do trabalho.
No mês de outubro de 2008, outra visita de três dias foi realizada para
complementação dos dados sobre a fauna, já que, ao começar a analisar os dados
preliminares, observou-se que eram necessárias mais informações sobre alguns animais. Para
complementação e confirmação desses dados, foi utilizado o método da informação cruzada
que consiste em submeter a outros informantes (da pesquisa) a informação já fornecida por
um determinado informante (MONTENEGRO, 2001 apud ALBUQUERQUE et al., 2008a).
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No mês de março de 2009, foi realizada uma visita de três dias, para obter dados
sobre a identificação de algumas aves, peixes e cobras, finalizando assim a coleta de dados.
Essa visita foi também realizada com o intuito de informar às pessoas que participaram das
entrevistas, o término da pesquisa e que, futuramente, seria mostrado para comunidade o
resultado final da pesquisa.
As entrevistas eram realizadas principalmente nas próprias residências dos
entrevistados (Fig. 02), pois assim acreditava-se que estariam mais à vontade. Os horários das
visitas eram sempre pela manhã, entre 8:30 e 11:30 e à tarde, entre 15:30 até 19h, horário
mais apropriado para se conversar, já que era mais fácil encontrar os entrevistados em suas
casas e sem muitas ocupações.
Simultaneamente às visitas de campo e às entrevistas, foi escrito um diário de
campo, em que estão descritos todos os momentos durante as visitas na comunidade, como
também feito o registro fotográfico e as gravações, representando, dessa forma, ferramentas
muito importantes para a pesquisa, contribuindo bastante na organização dos dados.

Figura 02. Casas de alguns dos informantes.


Fotos: Márcia F. Pinto.

2.4 ESTRATÉGIAS DE ANÁLISE DOS DADOS

Após a coleta de dados, concretizada de acordo com a metodologia estabelecida,


estes foram sistematizados e analisados. Buscou-se a organização desses dados a partir de
uma abordagem qualitativa a fim de uma melhor compreensão da realidade tratada na
pesquisa.
Os dados obtidos foram considerados indistintamente de serem concordantes ou
não, e a validade das respostas, de acordo com as entrevistas, foram repetidas em situações
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sincrônicas. Assim, a pergunta era feita a pessoas diferentes, em tempo bastante próximo
(MARQUES, 1991).
Esses dados foram observados mediante a construção de quadros de cognição
comparada, em que alguns trechos das entrevistas foram comparados com trechos da literatura
referente ao bloco de informação citada (MARQUES, 1995).
As entrevistas gravadas foram transcritas para complementar as anotações e
elaborar os quadros de cognição, enquanto que a identificação das espécies animais, a partir
de “pista taxonômica” foram realizadas comparando-se as descrições fornecidas pelos
entrevistados com a literatura científica pertinente, como também utilizando-se fotos e
desenhos das espécies. Entretanto a identificação das plantas foi realizada a partir de coleta de
exemplares que foram devidamente identificados e depositados no herbário.

3. RESULTADOS E DISCUSSÃO

3.1 OS PERSONAGENS DA HISTÓRIA

Os personagens da história são aqueles que fazem parte dessa pesquisa, a qual só
foi possível devido aos relatos desses sujeitos que vivem na Comunidade Sítio Cumbe, desde
que nasceram ou desde que eram muito novos, escutando as histórias de seus avós e pais.
Esses sujeitos, mais do que ninguém conhecem a região, as belezas e as riquezas naturais que
compõem o cenário do Cumbe.
Foram visitadas 18 pessoas (Fig. 03), porém as entrevistas, utilizando os
formulários da pesquisa de Etnobotânica e de Etnozoológica foi feita somente com 14 delas,
pois alguns dos informantes, devido à idade, não se lembravam mais dos animais e das plantas
do manguezal, ou eram pessoas que viviam apenas da agricultura.
Os relatos de todos os 18 informantes visitados foram de grande importância para
compreensão da história da região, desde os tempos dos índios, dos negros, das farturas dos
sítios e dos engenhos até os dias de hoje.
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Figura 03. Localização dos informantes da Comunidade Sítio Cumbe.


Fonte: Modificação a partir da imagem de satélite do Google Earth.

Todos os informantes possuem mais de 50 anos e são, na sua maioria,


aposentados, pescadores, marisqueiras e artesãos. Muitos deles já haviam participado de
pesquisas anteriores, porém com o enfoque diferente desta. Esta foi baseada na memória de
cada um, o que, de certa maneira, foi importante para os informantes que se mostraram
interessados em colaborar e relembrar os animais e plantas do manguezal, assim como
relembrar, com muito saudosismo, a história do Cumbe e dos animais que não mais existem
ali.

3.2 A RELAÇÃO HOMEM & NATUREZA NA COMUNIDADE SÍTIO CUMBE

Partindo-se do princípio de que a natureza “é vista como uma teia interconexa de


relações, na qual a identificação de padrões específicos, como sendo “objetos”, depende do
observador humano e do processo do conhecimento” (CAPRA, 2006, p. 49), os “objetos”
utilizados na compressão dessa teia de relações na comunidade foram: a maneira como a
população está organizada socialmente no ambiente, o seu modo de vida, os recursos naturais
utilizados e a forma de utilização desses e as alterações causadas no ambiente de forma
natural e/ou antrópica.
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Os relatos dos entrevistados sobre a história do Cumbe condizem com o que existe
na literatura, porém eles acrescentam, de forma preciosa, fatos vividos e aprendidos com os
mais velhos, numa época de verdadeiras transformações pelas quais a região passou e vem
passando, aliando as questões sociais às questões ambientais.
“Aqui tem histórias de índios, que já moraram por aqui... negócio de escravidão
também teve” (Antônio de Pedro).

A informação da presença de índios na região é valiosíssima na compreensão do


início da relação homem e natureza no local analisado. Alguns informantes comentaram que
“os mais velhos” diziam que, na região, existiam índios. Outros citaram a existência de
algumas “coisas de índios”, as quais são encontradas nas dunas. A referência a algumas
“coisas de índios”, nada mais é do que vestígios da presença de tribos indígenas nas dunas,
onde existem os sítios arqueológicos.
No Cumbe, de acordo com o relatório dos Estudos Arqueológicos na área de
intervenção das usinas de energia eólica, no município de Aracati – Ceará, no local de
instalação dessas usinas, foram identificadas 71 ocorrências de interesse arqueológico,
representadas por vestígios dos períodos pré-histórico e histórico, relacionados a ocupações
de grupos marisqueiros-coletores-caçadores, como vestígios de atividades de consumo
alimentar, tais como instrumentos de coleta, preparo, acondicionamento e consumo de
alimentos, além de restos alimentares, como conchas de bivalves (ostras) e gastrópodes, que
podem ser encontrados dispersos ou em concentrações expressivas situadas em pequenas
elevações dunares (domos). Ali, durante o período que compreendeu o final do século XVI ao
final do século XVII, os índios Potiguar (Tupi) e Paiacu (Tapuia) estiveram presentes no baixo
Jaguaribe (VIANA & JUNIOR, 2008).
A identificação de instrumentos como mãos-de-mó, almofarizes, lâminas de
machados polidos e batedores (VIANA & JUNIOR, 2008) demonstra que esses grupos tinham
hábito alimentar diverso, desde frutos, grãos, raízes, até peixes, carnes, moluscos etc. Além
disso, verifica-se que os indígenas mantinham com a natureza uma relação harmônica de
subsistência, retirando do meio apenas aquilo que era necessário para sua sobrevivência,
como material para construção de abrigo, o fabrico de instrumentos e de diversos utensílios
(Fig. 04a).

Um dado importante, nesses sítios arqueológicos, é a existência de grandes


concentrações de exemplares da malacofauna (Fig. 04b), representada por bivalves e
gastrópodes, evidenciando que as populações pré-históricas e históricas que ocuparam
efetivamente ou sazonalmente esse ecossistema costeiro foram certamente atraídas por
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algumas condições ecológicas que tanto singularizam a costa cearense, como a presença de
manguezais, foz de rios e algumas lagoas de água doce que ainda podem ser visualizadas
(VIANA & JUNIOR, 2008).

Figura 04. Vestígios arqueológicos encontrados nas dunas no Cumbe. a) Utensílio indígena. b) Fragmentos de
conchas de ostras.
Fotos: João L. Joventino.

Segundo os escritos de Antônio Bezerra (1918), por volta de 1.680, não existiam
brancos no Jaguaribe, nem mesmo próximo da barra, de onde começou a povoação de Aracati.
Os índios que habitavam a região eram Potiguar, Tapuia, Paiacú que “infestavam as ribeiras
do Assú, do Apodí e o baixo Jaguaribe”.
Os índios dependiam diretamente dos recursos oferecidos pela natureza, porém,
com a chegada do colonizador na região, essa relação homem e natureza mudou
drasticamente. As terras, os animais, as plantas e os minerais possuem agora um outro
significado, um outro valor para o “homem branco”, o não-indígena.
As primeiras ocupações pelos colonizadores foram realizadas por volta de 1.681,
quando o primeiro lote de terra foi doado ao capitão Manuel de Abreu Soares e seus catorze
companheiros, ao longo do Rio Jaguaribe, indo de Aracati, desde a Barra do Fortim ao
Boqueirão do Cunha, no alto sertão Central (BARBOSA, 2007). Depois de muitos conflitos,
os colonizadores ocuparam as terras dos índios e passaram a desenvolver as suas atividades.
Assim, a relação com os recursos naturais que antes era de subsistência, passou, a partir desse
momento, a ter um valor econômico.
O homem não-indígena que ali se instalou, desmatou, matou e destruiu para poder
desenvolver seu modo de vida, obter lucros em cima do que a natureza oferecia e assim
construir uma nova paisagem, modificando a cultura e a tradição dos primeiros habitantes.
Começaram a surgir ranchos e fazendas, onde os colonos implantaram a pecuária,
possibilitando, assim, a ocupação das terras. Logo, novos animais e plantas foram
introduzidos na região e o ambiente foi se modificando rapidamente. A sociedade que
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começava a se formar era então um complexo de mistura entre índios, brancos e negros, que
utilizavam o meio de formas diferentes, transformando toda a paisagem da região.
Durante esse período de ocupação, existiu a presença de escravos, como comenta
Antônio de Pedro ao dizer que “negócio de escravidão também teve”. Esses escravos eram
homens e mulheres de cor que “trabalharam” nas lavouras de algodão, nas charqueadas e nos
serviços domésticos, bem como nos engenhos e nos famosos sítios do Cumbe (RATTS, 2000).
“Meu pai pegou época aqui que tinha 12 engenhos... e hoje só tem um que tá
debaixo do morro... Tinha uns movido a boi e depois passou a motor... Os mais
novos foram estudar em Aracati, os mais velhos foram morrendo ai ninguém queria
mais saber de terreno... ai foram abandonando... abandonando.. ai acabou. Tinha
muita gente aqui no Cumbe nos tempos do engenho, saiu muita gente daqui do
Cumbe pra Aracati... Fortaleza. Tinha açude dentro dos sítios. Tinha escravo
também, mas era pouco. Tinha bumba-meu-boi antigamente... Tinha muita festa na
igreja” (Manel Marinheiro).

As modificações foram ocorrendo nas próprias tecnologias que são empregadas


nos engenhos. Antes eles eram movidos a boi e depois passaram a ser movidos a motor. A
idéia dos estudos, de novos interesses de vida fez com que os filhos dos donos dos engenhos
saíssem do Cumbe para Aracati ou para Fortaleza. Os sítios e engenhos então foram
acabando-se, “engolidos” pelas dunas e pelo tempo de abandono pelos herdeiros.
Segundo o historiador Antônio Bezerra (1901), havia muitos engenhos, na cidade
de Aracati, produzindo aguardente. Estes engenhos encontravam à margem do Rio Jaguaribe,
na localidade do Cumbe e em localidades vizinhas.
O Cumbe, segundo relatos na literatura, foi o local onde se estabeleceram os
engenhos que se dedicavam à plantação da cana-de-açúcar, para a produção de aguardente
(REIS, 2007). Como afirma Manel Marinheiro, “Meu pai pegou época aqui que tinha 12
engenhos”, existiam doze grandes sítios que desenvolviam cultivos de subsistência, como
mandioca, banana e, principalmente, a cana-de-açúcar. O Sítio Glória era o mais imponente
deles, mas hoje se encontra soterrado pelas dunas (QUEIROZ, 2007).
A idéia dos sítios e do trabalho com a agricultura, dos engenhos e dos escravos,
como afirma Teixeira (2008), remete uma a outra, configurando-se assim uma totalidade
concreta.
Nos registros da Comissão Científica de Exploração da Província, em 1859,
existem relatos sobre a primeira vez que os moinhos de vento dos engenhos do Cumbe foram
avistados. Eles eram feitos de carnaúba e serviam para irrigar as plantações (Fig. 05), retirando
água do subsolo, o que chamou bastante atenção devido à tecnologia simples que não era
difundida na Província, nem em outra parte do território nacional, somente foi incorporada em
outras localidades com o tempo (BRAGA, 1982; 2004).
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Figura 05. Imagem do moinho de vento dos arrebaldes do Aracati. José dos Reis Carvalho, Ceará, 1859.
Fonte: Museu Histórico do Ceará.

De acordo com as “Notas sobre a Vila de Aracati”, de 29 de agosto a 14 de


setembro de 1859, de Francisco Freire Alemão, o chefe da seção de Botânica da Comissão,
“não há passeio, o único é o afamado Cumbe” (FREIRE-ALEMÃO, 2006). Além disso, há
relato sobre a fábrica de sabão, velas e licores do Cumbe, de um espanhol.
“Aqui nos engenhos faziam cachaça, rapadura... Isso era um movimento medonho,
vixe Ave Maria!... Era o verão todinho aqui, a cachaça, rapadura e banana... tinha
batata também, manga, feijão...” (Seu Batista).

Há também relatos em outras pesquisas (QUEIROZ, 2007; TEIXEIRA, 2008) em


que, no final de 1970, o Sítio Cumbe tornou-se exportador de produtos agrícolas, como a
banana, a manga e a cana-de-açúcar. Esses produtos eram cultivados nos sítios, utilizados para
o consumo na região e para exportação.
“Aqui teve o tempo mais de plantação né... por isso chamam Sítio Cumbe... porque
aqui tinha muito sítio, engenho que fazia cachaça, rapadura... tinha casa de
farinha... mas ai tudo acabou...” (João de Sunsão).

O Cumbe é conhecido como Sítio Cumbe, justamente por causa dos sítios que
existiam na região. Sítios que ocupavam um espaço que provavelmente era área de carnaubal
e até mesmo de manguezal, de onde tiravam a madeira para usar como lenha nas casas de
farinha e engenhos, como também para construção. Além disso, era do manguezal que se
retirava o alimento complementar da comunidade.
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O fato desses sítios e engenhos ter acabado retrata um novo momento na região, já
que eram esses sítios que tanto caracterizavam o local, apesar de terem causado grandes
impactos no ambiente.
“Esses morros ai eram mais longe a uns 30 anos atrás, depois foi avançando pra
cima dos sítios...” (Seu Euclídes).

Verifica-se, a partir da fala do informante, uma percepção das modificações


naturais do meio, com as dunas avançando e soterrando os sítios, pois elas seguem uma
dinâmica natural conforme a direção do vento e tendem a ir de encontro ao Rio Jaguaribe. Ao
longo desse caminho, está a comunidade do Cumbe e, assim, sítios, engenhos e até mesmo o
mangue são soterrados. A observação no deslocamento dessas dunas traduz a visualização das
mudanças que ocorrem na paisagem, de forma natural, e que acabam interferindo na dinâmica
social da comunidade. Essa dinâmica eólica das dunas avança cada vez mais na direção da
comunidade, o que causa preocupação aos moradores que receiam ter suas casas soterradas
(LIMA, 2004).
“Debaixo dessas dunas ai tem muita água” (Antônio de Pedro).

O fato de que debaixo das dunas existe água foi comentando por alguns
informantes e tal comentário se deve principalmente ao fato dessa água, no tempo dos sítios e
dos engenhos, ter sido utilizada para irrigação das plantações, como também para o consumo
nas casas, nos engenhos e nas casas de farinha. Segundo Queiroz (2007), as dunas se
destacam como unidades geológicas de alta potencialidade aquífero, produzindo vazões da
ordem de 5 a 10 m3/h.
De acordo com Lima (1956, p. 10-12), nos morros do Cumbe e da Beirada
“ouvem-se, de tempos em tempos, fortes estrondos e ruídos confusos, acompanhados de
ebulição e deslocamento das areias”. Ainda segundo o autor, os moradores do Cumbe
acreditam que, “no morro do Cumbe, está encantado El Rei D. Sebastião com os seus
soldados e que, em certos dias, principalmente nas noites de luar, ao som de seus tambores de
guerra, sai passeando pelas encostas do morro, acompanhado de sua tropa”.
O Rei Sebastião como encantado é um personagem cujas origens remontam a
Portugal e trata-se do mesmo rei Dom Sebastião, cuja morte precoce, durante a batalha de
Alcácer-Quibir, no século XVI, foi uma das razões que levaram Portugal a cair sob o domínio
da Espanha em 1580 e assim surgir uma lenda, em Portugal, afirmando que Dom Sebastião
não havia morrido, mas se encantara, devendo em breve retornar à Europa com seus exércitos
para libertar seu povo do domínio estrangeiro (MAUÉS & MACAMBIRA-VILLACORTA,
2001).
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Como afirmam os autores, essa lenda ligou-se a concepções de caráter messiânico


que já existiam em Portugal, sendo denominado como sebastianismo. Esse movimento e a
lenda de Dom Sebastião, conhecida como o encantado El Rei D. Sebastião, se espalharam
pelo Brasil nos movimentos de caráter messiânico, em várias comunidades, como no caso do
Cumbe, em Aracati, onde, segundo a lenda, o rei se encontra encantado nas dunas.
Tanto a observação dos ruídos nas dunas, que as pessoas acreditam ser o encantado
El Rei D. Sebastião, como também a presença de água nessas foram comentados por Alencar
no ano de 1903, registrado no Diccionário Geographico Histórico e Descriptivo do Estado do
Ceará, ao definir Cumbe como:
Morro no Termo do Aracaty, junto à costa, notável pelo ruído que se ouve sempre
em baixo, e por vezes, tem oscilado, revolvendo as areias de que se compõe. Suppõe-
se que é agitado por uma acção vulcânica; fica a 3 kilomentros da Beirada. Ao pé
do morro há uma fonte thermal. Com muitos moinhos de vento, ahi faz-se o serviço
de irrigação de 2 kilometros de terras optimas para canna. Na zona trabalham 9
engenhos de ferro. E’ afamada a aguardente do Cumbe.

A “afamada aguardente do Cumbe” a que o autor faz referência foi a grande


produção do Cumbe em uma época, representada por muita fartura, quando todos da
comunidade tinham seu trabalho nas plantações, nas casas de farinha ou nos engenhos.
“Fui criado na agricultura, no tempo que tinha os sítios aqui no Cumbe, né...
engenhos... que fabricava cachaça, rapadura... tinha também casa de farinha, que
fabricava farinha... trabalhava no sítio, fui criado aqui no sítio, depois passei a
trabalhar no mangue... porque os sítios foram se acabando e o trabalho também
né... tinha muito caranguejo nessa época ... uns trabalhavam no mangue já direto,
mas era poucos... depois que os sítios foram se acabando e o pessoal mais velho
foram abandonando, foi deixando pras mãos dos filhos e os filhos não ligaram... e
foi indo, foi indo, foi indo... Hoje no Cumbe não tem mais sítio, só o nome, Sítio...
chama assim Sítio, mas já foi, não é mais... ai esse povo foi se dirigindo todo ao
mangue né... na época tinha muito, muito caranguejo mesmo, ai todo mundo
ganhava bem na época...” (Chico de Lôra).

O informante narra de forma cronológica as mudanças que foram ocorrendo na


região. Inicialmente, muitas pessoas trabalhavam nos sítios, nas plantações e na fabricação da
cachaça e da rapadura, bem como nas casas de farinha. Outras poucas trabalhavam no
mangue. À medida que os sítios foram acabando, as pessoas que ali trabalhavam passaram a
“olhar” o manguezal de outra forma, pois, antes, muitos utilizavam os recursos ali oferecidos
apenas para subsistência. Sem mais escolhas, eles passaram a utilizar os recursos do
manguezal, como o caranguejo, o guaiamun e o sururu, como produtos de comercialização,
importante para o seu sustento.
“Na época dos engenhos, não precisava criança ir pros mangues, porque os pais
tinham emprego certo, tinha o pé de meia” (Dona Lourdes).
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Nos tempos dos engenhos, quem trabalhava nos sítios tinha o seu “pé-de-meia”,
ou seja, ganhava parte do que era produzido; as crianças não precisavam trabalhar. Porém,
com a falência dos engenhos, as necessidades dos que ali trabalhavam aumentaram. O
sustento das famílias se tornou mais difícil e, para ajudar na renda em casa, as crianças vão
com os pais para o duro trabalho no mangue.
“O povo daqui vivia
Da pesca e da agricultura
E os engenhos rodavam
Tudo tinha com fartura
Tinha garapa e cana
Tinha mel e rapadura

Além de sítios e engenhos


Tinha criação de gado
E todos os animais
Eram muito bem tratado
Com rama e capim do sítio
Eles eram sustentado”
(Informante José Gonzaga Pinheiro)

O povo tinha do que viver, tinha o que comer e o que produzir. A idéia de um
tempo de fartura traz aos informantes um sentimento de saudade, de um tempo de riquezas
que já passou e que é bastante claro ao dizer que “tinha”, hoje já não tem mais. Muitos dizem
que “aqui não tem mais nada”, retratando bem que, atualmente, o Cumbe não é mais como
era antigamente. As coisas mudaram, a economia mudou, o modo de vida e a natureza
também.
Essa afirmação radical de que “não tem mais nada” foi comentada algumas vezes
por informantes distintos. Marques (2001) ressalta que o uso de expressões como essa, na
realidade, reflete situações restritivas ou de escassez e não, necessariamente, de ausência ou
particularismo absoluto.
Os engenhos, segundo os informantes, começaram a falir a partir de década de 30
e os últimos findaram na década de 80. Os moradores mais antigos da comunidade sabem
retratar muito bem os fatos e as mudanças que ocorreram na região como se a sua memória
fotográfica não tivesse apagado nada de um tempo de fartura da época dos engenhos, em que
todos tinham o seu trabalho.
“De um lado era mangue, do outro eram sítio, engenhos... e lá ficava coqueiro,
mangueira...” (Dona Raimunda).

Observa-se que a comunidade era cercada por mangues, dunas, carnaubais,


engenhos e sítios com plantações. A relação com a natureza era baseada na utilização dos
recursos que essa oferecia, como terras propícias para o cultivo da cana-de-açúcar e de
árvores frutíferas, que foram introduzidas; um grande reservatório de água subterrânea nas
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dunas, que propiciava uma boa irrigação com o auxilio dos moinhos de vento da época; o rio,
com toda a fartura de peixes; o manguezal com muitos crustáceos, que era fonte de
subsistência e posteriormente produto de venda; a madeira do canoé e sapateiro, utilizada
antigamente para construção de casas e embarcações e também como lenha; a carnaúba, com
a utilização da madeira, da palha e da cera, dentre outros recursos.
Sem os engenhos, as atividades se voltam principalmente para pesca no rio e para
catação de caranguejos e mariscos. Segundo Queiroz (2007), a catação de caranguejo-uçá teve
início na década de 1970, com a falência dos engenhos, porém, apenas em 1974, após a
construção da ponte que liga a comunidade à sede do município de Aracati, é que essa
atividade se fortaleceu, pois foi possível o aumento da comercialização do produto para
compradores externos. Já a catação de ostras, sururus e intãs no manguezal, conhecida como
mariscagem, começa a ganhar espaço entre as mulheres.
Porém, a partir de 1998, os membros da Associação de Desenvolvimento do
Cumbe (ADC) começaram a cultivar camarão na comunidade num sistema integrado com o
grupo COMPESCAL (QUEIROZ, 2007). A instalação dos viveiros de camarão chega de
forma rápida, trazendo grandes modificações na paisagem da região.
“Aqui era muito bom, tinha muita gente, era animado... hoje em dia é só viveiro...”
(Seu Marcelo).

A comunidade, a partir de então, se encontra cercada por fazendas de camarões,


dividindo espaços e pessoas e, principalmente, opiniões. Algumas pessoas deixaram o
trabalho no mangue para o serviço nessas fazendas; outras, no entanto, permaneceram na
labuta da catação de mariscos e na pesca.
“Ai depois, apareceu esses viveiro... que é bom pro lugar, mas pela parte foi um
desastre pros caranguejos, porque eles soltam ai o bissulfito nas gamboas... jogam...
ai ele ofende os peixes no rio... mata o peixe e mata o caranguejo, tudo que é
crustáceo... morreu muito, muito mesmo... e o pessoal não sabia porque, porque,
porque... e era as águas do viveiro, era a água do drenamento... mas não era a água
do drenamento... era a água da despesca, que eles botavam aqueles kits dentro das
tinas... aquilo pros camarões que vem na embalagem... e depois jogava na
gamboa... isso ai saia matando tudo... E depois que discutiram muito... ai deixaram
de jogar... acabou-se a mortandade... o caranguejo tá retornando outra vez... mas de
vez em quando tá aparecendo peixe morto... Agora que eles num veem isso... fazem
um negocio desse sem perceber que eles jogam essa água no rio e pegam a mesma
água, né... pra botar pros viveiros... quer dizer... que essa água envenenada que tá
matando o caranguejo pode também matar todo o camarão... né isso... eles não
veem isso... oh mentalidade... só pra não ter trabalho de jogar noutro canto e jogar
na gamboa... e não vê que vai prejudicar ele mesmo... que ele pega a mesma água
que fica no rio... porque a maré grande ela corre muito.. vai embora, mas a maré
morta ela fica ali, devagarzinho... ai eles pegam aquela água envenenada e bota nos
viveiros... ai vão matar o camarão e num vão saber porque... eles mesmo tão
fazendo isso... né? Destrói a natureza e destrói o próprio negócio deles...” (Chico
de Lôra).
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O representar “algo bom para o lugar”, refere-se às novas oportunidades de


emprego para alguns, porém, para o ambiente, para os caranguejos e para outros animais do
manguezal, a carcinicultura representa um verdadeiro desastre, pois é clara a “ofensa” que a
carcinicultura exerce sobre o manguezal.
O “bissulfito”, citado pelo entrevistado, refere-se ao metabissulfito de sódio19
utilizado no processo de despesca dos viveiros. Ele é um agente oxidante usado para prevenir
a formação da melanose (manchas negras) em camarões, que, após reagir com a água, libera o
gás dióxido de enxofre, o qual pode ocasionar sérios problemas para os trabalhadores das
fazendas de camarão se esses não estiverem utilizando adequadamente os equipamentos de
proteção necessários (ARAÚJO, 2004). Esse produto é lançado na maioria das vezes sem
nenhum tratamento no rio, destruindo a natureza como também o próprio negócio da
carcinicultura, como afirma Chico de Lôra.
Observa-se na fala do informante uma preocupação com o ambiente e com a
sustentabilidade do mesmo, assim como a importância de conservação dos recursos do
manguezal e do seu devido manejo.
“Muita gente ficou rica com esses viveiros e mangavam de quem catava
caranguejo” (Antônio de Pedro).

Algumas pessoas que foram trabalhar com a carcinicultura começaram a ganhar


dinheiro e desvalorizar aqueles que continuaram trabalhando no mangue, principalmente, por
que o dinheiro e o lucro rápido “falavam mais alto” e, assim, a visão da natureza para muitos,
principalmente para os mais novos, modifica-se drasticamente. O manguezal já não é mais tão
respeitado e valorizado; é simplesmente considerado como um local com lama e mosquito.
Poucos são os que continuam trabalhando no mangue e que conhecem os animais e plantas da
região.
Com a carcinicultura, muitas modificações e problemas surgiram, entre eles uma
maior devastação dos mangues, para construção de viveiros de camarão e para construção de
habitações, e as alterações de córregos e das gamboas do Rio Jaguaribe para o suprimento de
águas dos viveiros (LIMA, 2004).
A área de manguezal da região, no decorrer de 40 anos, sofreu grandes mudanças
2
(Fig. 06). Em 1968, ela ocupava cerca de 5 Km e, até o ano de 1988, chegava a
aproximadamente 7,3 Km2. No ano de 2004, detectou-se um decréscimo, passando essa
subunidade a ocupar 6 Km2 de área (CARVALHO-NETA, 2007).
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Figura 06. Evolução da planície flúvio-marinha ocupada por manguezais na foz do rio Jaguaribe. Destacam-se
as áreas em que a vegetação de mangue sofreu expansão (acréscimo) e redução (decréscimo).
Fonte: CARVALHO-NETA (2007).

“O mangue era maior... aqui tudo antes era mangue... O morro ainda pegou muita
parte do mangue, depois foram os viveiros...” (Dona Raimunda).

Hoje, a área de mangue do Rio Jaguaribe, com cerca 1.260 hectares (VIANA &
JÚNIOR, 2008) teve um decréscimo, do ponto de vista natural, devido à ação das ondas nas
áreas localizadas mais próximas do litoral e, do ponto de vista social, à atividade de
carcinicultura, localizada mais no interior da planície flúvio-marinha (CARVALHO-NETA,
2007). Além disso, o decréscimo do manguezal também se deve ao avanço das dunas ao longo
dos anos.
“Os mangue daqui eram mais, mas já foi desmatado metade... e com isso foi
diminuindo a produção... que era de caranguejo né... aqui tinha muito mais... mas
hoje tem muito pouco...” (Antônio de Pedro).

Com essa diminuição da área de manguezal, muitos impactos foram e continuam


ocorrendo sucessivamente, já que o ambiente teve uma “quebra” no seu equilíbrio natural.
Um desses impactos foi a diminuição do caranguejo, devido principalmente a apropriação da
natureza pelo homem.
“Caranguejo tinha demais naquela época... Diminui porque o caranguejo foi muito
explorado, cortaram muito os mangues... teve tempo que eles morreram foi muito
por causa da água dos viveiros... há uns 6 anos atrás...” (João de Sunsão).
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Tanto a captura realizada de forma indiscriminada do caranguejo, representando o


termo “explorado” na fala do informante, como a destruição das áreas de mangue para
construção de habitações e principalmente para construção de viveiros foram motivos para o
declínio do caranguejo. Essa fala ressalta mais uma vez a noção de manejo sustentável e da
importância de conservação dos recursos, pois com a diminuição dos estoques de caranguejo,
o manguezal será afetado, as cadeias alimentares que nele se estabelecem modificaram e os
processos de aeração do solo, realizado principalmente pelos caranguejos, também será
afetada, dentre diversos outras causas que estar ocasionando de forma contínua uma série de
transformações no meio.
“Antigamente tinha muito mais caranguejo, mas era pouca gente tirando... Iam
levando o caranguejo nas cordas... andando lá pra Aracati pra vender”
(Dona Raimunda).

Com o aumento da comercialização do caranguejo, aumenta também o número de


pessoas no mangue, capturando esses animais. No trabalho realizado por Souto (2007), em
Santo Amaro, Bahia, todos os catadores de caranguejo entrevistados afirmaram que o
principal motivo para a diminuição dos estoques de caranguejo, ao longo do tempo, era
devido ao aumento no contingente de pessoas que passaram a se dedicar à atividade. Tal fato
também foi observado por outros autores, como Nordi (1992) e Alves (2002).
Teixeira (2008) ressalta a diminuição na quantidade de mariscos e caranguejos no
manguezal do Rio Jaguaribe, principalmente nos anos de 2001 e 2003, devido provavelmente
ao descarte dos resíduos da despesca do camarão nas gamboas do rio, ocasionando assim o
deslocamento de alguns catadores de caranguejo, em busca de emprego, para o Rio Grande do
Norte, onde aprenderam a técnica de captura utilizando a redinha e/ou a ratoeira, também
chamada de armadilha.
Essas técnicas são predatórias, já que não existe seletividade na escolha dos
caranguejos que serão capturados. Além disso, o uso de latas de óleo ou garrafas pet para a
fabricação da ratoeira ou o uso de redes de nylon na fabricação da redinha, quando
abandonados ou esquecidos no manguezal, tornam-se armadilhas para outros animais, além de
poluirem o ambiente.
Os catadores de caranguejo que foram para o Rio Grande do Norte, ao retornarem
para o Cumbe, trazem consigo o conhecimento dessas novas técnicas de captura, que otimiza
bastante o trabalho, diminuindo tempo e esforço, no entanto elas ressaltam apenas as
vantagens econômicas, não levando em conta a preservação do meio ambiente. Assim, o
catador visa apenas o lucro rápido, modificando a sua relação com o ambiente, pois a
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percepção do comportamento animal e do meio já não são tão importantes para captura do
caranguejo, quando comparada às técnicas tradicionais que utilizavam o braço ou o raminho.
A introdução das novas técnicas teria sido devido aos impactos ambientais
ocasionados pela carcinicultura, pois, devido à diminuição significativa da quantidade de
caranguejo no mangue, restava aos catadores de caranguejo utilizarem técnicas que,
invariavelmente, seriam infalíveis na captura do caranguejo (TEIXEIRA, 2008).
Além dos problemas ocasionados com o desmatamento, a poluição do rio, a
mortandade do caranguejo e de outros animais, outros problemas começaram a surgir na
região, devido a falência fazendas de camarão, que geraram uma verdadeira crise econômica a
partir de 2004 (MEIRELES & QUEIROZ, 2007), levando. Hoje muitas estão abandonadas,
embora outras, apesar das dificuldades, ainda continuam em atividade.
Com a decadência da carcinicultura, os olhos de quem foi trabalhar nos viveiros
voltam-se novamente para o manguezal, já tão brutalmente “ferido”. Eles então procuram o
manguezal como o procuraram quando os sítios e os engenhos faliram. Apesar de muitas
fazendas de camarão terem encerrado a atividade, os espaços que elas ocuparam ainda
existem, trazendo danos para comunidade que continua cercada por viveiros e para o mangue,
que, apesar de conseguir se desenvolver, ainda sofre os impactos de tamanha devastação.
Devastação que começou com as primeiras ocupações dos não-indígenas, com os engenhos,
os sítios, as plantações, as construções e os viveiros de camarões. Assim, o Cumbe, pouco a
pouco, vai perdendo seus espaços e seus valores, como já dizia o informante José Gonzaga
Pinheiro, no seu cordel “[...] Um Frade aqui passou/ Chegando em cima do morro/ Lá de
cima ele falou / Muito breve se acaba/ Tudo que aqui tem valor”.
Um outro problema para a área do Cumbe diz respeito à instalação das turbinas
eólicas no litoral de Aracati, que começou no ano de 2007, e nas dunas da região do Cumbe,
que teve o início das obras no ano de 2008, trazendo grandes mudanças na rotina da
comunidade. Os transtornos causados pela instalação das turbinas vão desde os impactos
causados na dinâmica das dunas e na destruição dos sítios arqueológicos até os prejuízos
causados diretamente aos moradores e ao patrimônio histórico, no caso a Igreja de Nosso
Senhor do Bonfim, com sua estrutura comprometida devido ao grande tráfego de veículos e
de máquinas, no local.
“Não sou nem contra e nem a favor... mas também não sei se com esses catavento ai
vai ser bom ou vai ser ruim...” (Antônio de Pedro).

Algumas pessoas temem que os “cataventos” que estão sendo instalados na região
sejam apenas mais uma novidade, que gere alguns poucos empregos temporários, com
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salários baixos e passe depois, provocando modificação na paisagem e trazendo prejuízos para
comunidade, da mesma maneira que aconteceu com a criação da carcinicultura, que pregava
a “promessa” de bons frutos. Observa-se assim um falta de programas de Educação Ambiental
que estabeleçam comunicação com a comunidade local. Tais programas são obrigatórios para
o licenciamento de empreendimentos como esse.

3.3 A PERCEPÇÃO DO HOMEM SOBRE O CICLO DA MARÉ E DA LUA

Com tantas modificações ocasionadas naturalmente e, principalmente, pela


interferência humana, a relação homem e natureza também se transforma, assim como a
percepção sobre o meio e todos os seus elementos. Como parte integrante e modificadora da
natureza, o homem interage, então, com os elementos abióticos e bióticos do meio em que
vive e vai, com o tempo, percebendo os recursos que a natureza oferece, fazendo aproveito
destes.
Para saber quais recursos e como tirar proveito deles, o homem passa a tentar
compreender os processos naturais, como, por exemplo, o comportamento dos animais,
necessários para empregar as melhores técnicas de captura. Além disso, a percepção sobre a
influência do ciclo da maré e da lua nos animais, nas plantas e em todo o ambiente é de suma
importância nas atividades de pesca, catação de caranguejo, mariscagem, agricultura e
extrativismo.
“A lua é que domina a natureza” (Chico de Lôra)

Em todo lugar, os ciclos lunares e de marés regulam grande parte da periodicidade


da vida animal. A vida do pescador também se regula pelas marés, pela lua e pelas chuvas,
num ritmo que corresponde ao comportamento dos animais, à vida e aos ciclos sazonais de
plantas e animais (VANNUCCI, 1999).
“A lua mexe com a maré do oceano, planta... tudo.. inté pessoa” (Chico de Lôra).

A lua é o principal elemento que atua no ciclo da maré, condicionando a elevação


do nível do mar, a força da corrente e influenciando na presença do peixe no espaço aquático
e na modalidade de sua captura (CUNHA & ROUGELLE, 1989).
“A maré tá relacionada com a lua. No mês, são 4 luas... lua cheia, quarto
minguante, lua nova, quarto crescente... Ela agora tá quarto crescente... Mas tanto
faz ser quarto, como ser lua, do jeito que tiver... quando você vê a lua no meio do
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céu ... ai você já sabe... a maré tá seca... Quando você ver a lua sair... a maré tá
cheia” (Chico de Lôra)

A lua é um dos astros que, de acordo com as representações sociais do pescador,


atua em seu universo ecoprodutivo, favorecendo boas ou más pescarias (CUNHA, 2004). Os
pescadores precisam dominar as influências dos astros na pescaria, já que a lua é a principal
responsável pelas variações da altura das marés e pela variação do número de marés ao dia.
As marés resultantes da lua cheia ou da lua nova são chamadas pelos pescadores de maré de
lua. Trata-se de marés mais fortes que se formam duas vezes ao dia e em períodos bem
definidos; uma maré cheia no período da manhã e outra no período da tarde (SALDANHA,
2005). Durante o dia, muitos pescadores seguem a tábua das marés ou se baseiam na maré dos
dias anteriores; durante a lua cheia, as marés são maiores de “manhãzinha” e de “tardezinha”.
Compreender essa relação da lua com a maré é saber qual o melhor período para pescar, para
capturar o caranguejo, para mariscar, para caçar, para plantar e para colher. É saber entender
as regras da natureza e aceitá-las como uma forma de respeito.

3.4 A RELAÇÃO HOMEM E VEGETAL

Desde o ano de 325 a.C, existem referências sobre plantas de mangue, através do
relatório do General Nearco, que, ao acompanhar Alexandre Magno em suas campanhas pelo
Delta do Indo-Pacífico ao Golfo Pérsico, registrou a ocorrência de árvores de 14 metros de
altura, com flores brancas que cresciam no mar e com os troncos sustentados por raízes com
aspecto de candelabro, característico das raízes do mangue vermelho (SCHAEFFER-
NOVELLI, 1995).
Ainda de acordo com a autora, A primeira descrição dos manguezais americanos
foi de Oviedo, em 1526, na obra História Geral e Natural das Índias, porém a referência mais
antiga sobre os manguezais brasileiros data de 1587, feita pelo historiador Gabriel Soares de
Sousa.
“A planta é o mangue” (Antônio de Pedro).

Algumas plantas lenhosas comumente chamadas de mangues fazem parte do


ecossistema manguezal, composto também por outras plantas herbáceas, epífitas,
hemiparasitas e aquáticas típicas. A maioria das angiospermas típicas do manguezal tem
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reprodução por viviparidade, em que as sementes permanecem na árvore-mãe até se


transformarem em embriões (SUGIYAMA, 1995).
Vannucci (1999) explica que a palavra “mangue”, em português, serve para
designar as árvores de diferentes espécies de um manguezal; enquanto Souto (2004) comenta
que, em Acupe, Bahia, o mangue, além de ser utilizado para identificar os tipos de árvores,
pode ser também usado para se referir ao conjunto delas, ou seja, à vegetação como um todo
ou também para indicar a associação entre a vegetação e a lama.
“O manguezal é onde tem muito mangue... aquela área que tem só mangue... chama
manguezal... e dele cria muita coisa, o caranguejo, aratu, o peixe... Onde tem o
mangue, tem a gamboa e tem o peixe... Manguezal é toda aquela região que tem no
mangue” (Chico de Lôra).

O termo “manguezal” é utilizado para descrever uma variedade de comunidades


costeiras tropicais dominadas por espécies vegetais, arbóreas ou arbustivas que conseguem
crescer em solos com alto teor de sal; enquanto o termo “mangue” origina-se do vocábulo
Malaio, manggimanggi e do inglês mangrove, servindo para descrever as espécies vegetais
que vivem no manguezal (NANNI & NANNI, 2005).
Diegues (2001) complementa, ao definir “mangue” como um terreno baixo, junto
à costa, sujeito a inundações de maré, onde cresce uma vegetação halofita; enquanto
“manguezal” é o sistema ecológico costeiro tropical, dominado por espécies vegetais e
animais adaptados a um solo periodicamente inundado pelas marés, com grande variação de
salinidade.
O manguezal (Fig. 07) é um ecossistema costeiro bem típico ao longo do litoral
brasileiro, sendo considerado como uma área de preservação permanente no país, incluído em
diversos dispositivos constitucionais (Constituição Federal e Constituições Estaduais) e
infraconstitucionais (leis, decretos, resoluções, convenções) (SCHAEFFER-NOVELLI,
1995).

Figura 07. Manguezal do Rio Jaguaribe.


Foto: Márcia F. Pinto.
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Em algumas localidades do Ceará e do país, utiliza-se a denominação das espécies


de mangue como mangue-preto, mangue-branco, mangue-amarelo, mangue-vermelho, porém
um dos entrevistados foi bem claro ao dizer que:
“Num tem esse negócio de mangue branco ou preto, o mangue é verde”
(Antônio de Pedro).

Eis um dos motivos pelo qual nenhum dos mangues da região possui o nome
relacionado com alguma cor. Segundo o relato dos entrevistados, “São quatro qualidades de
mangue”, as quais são diferenciadas pelas folhas e pela madeira: o mangue-manso, também
chamado apenas de mangue, o canoé, o sapateiro e o mangue-ratinho.
“A gente diferencia pela folha e pela madeira... A gente usa as madeiras pra fazer
as estacas pras canoa. Antigamente, faziam o caibo, curtiam as casas, tudo com o
mangue manso. O canoé pra fazer as linha.... Curtir era com o mangue manso. O
sapateiro pra fazer as linha também... Caranguejo e guaiamum se alimenta da folha
do mangue” (Manel Marinheiro).

A relação com os mangues baseia-se no uso da madeira como lenha, na fabricação


de “caibo” de casa, na construção de cercas ou de barcos. Porém, um fato bastante
interessante é que muitas características morfológicas desses mangues são observadas com
detalhes, bem como a relação que alguns animais estabelecem com eles.
Uma dessas características diz respeito ao uso vocabular. O “caibo” ou “caibro” da
casa são troncos utilizados na estrutura do telhado e na sustentação da casa. Então, ao se ouvir
que“faziam caibo” quer dizer que as pessoas utilizavam a madeira como suporte para o
telhado, igualmente os termos “curtir” e “fazer as linhas”. Outra utilidade muito antiga da
madeira e que permanece até os dias de hoje é a madeira do mangue-manso e do mangue-
sapateiro nos currais de pesca (Fig. 08), conhecidos em outras localidades como “varandas”,
“guias”, “cercos” ou “caiçaras”. Esses currais organizados em forma de labirinto tem o
objetivo de fazer com que os peixes se reúnam e, posteriormente, eles possam ser pescados
(VANNUCCI, 1999; DIEGUES, 2001).

Figura 08. Estacas de mangue utilizada nos currais.


Foto: Márcia F. Pinto.
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"Antigamente, a gente tirava, mas hoje em dia ninguém tira mais porque num pode,
porque tem a lei... Antigamente, utilizava como lenha, mas hoje em dia tem o gás”
(Dona Isabel).

Alguns entrevistados comentaram sobre a proibição do corte de mangues para


qualquer finalidade, por isso o uso da madeira como lenha, principalmente nos tempos de
engenhos, hoje em dia, em muitas casas, foi substituída pelo gás de cozinha. Poucos
informantes ainda utilizam a madeira como lenha, porém os que assim agem justificam que
comprar o gás é muito caro e algumas casas, mesmo sendo de alvenaria, ainda tem sua
sustentação feita com madeira de carnaúba e de mangue.
A retira de madeira para construção ou para o uso como lenha, bem como para
outras utilidades oferecidas diretamente ao homem, fez e ainda faz com que se tenha o
conhecimento do ambiente onde essas árvores se encontram e das suas características, como
crescimento, floração, frutificação, dentre outras.
“Todas essas espécies de mangue só dão no inverno... Só nascem mais no inverno,
quando tem água doce... época que não tem intã, ostra... morrem tudim” (Manel
Marinheiro).

A época do “inverno”, considerada a quadra chuvosa e compreendida entre os


meses de fevereiro a maio, é considerada como uma boa época para as plantas de mangue, no
entanto corresponde à “morte” de muitos mariscos, por conta da diminuição da salinidade.
Entretanto a dependência da água salgada é facultativa, já que muitos manguezais conseguem
se desenvolver com água doce. O que promove esse desenvolvimento dos manguezais são
fatores, como temperatura, clima, tipo de solo, nutrientes, dentre outros. O fato dos bosques
de mangue se desenvolverem em regiões com influência da água do mar proporciona
vantagens desse tipo de vegetação com relação a outras plantas que não suportam níveis altos
de salinidade.
“Esses mangues eles não precisam só da água salgada, se tiver só água doce eles se
agüentam” (Manel Marinheiro).

Embora os mangues cresçam em locais sob influência de água salgada, esta não é
uma condição obrigatória, porém sua ausência em ecossistemas sem influência marinha se
deve à competição com outras plantas, que as excluem (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
A classificação das espécies arbóreas encontradas no manguezal do Rio Jaguaribe
está de acordo com Lima (2004) e Monteiro (2005) e segue uma distribuição característica,
relacionada principalmente ao solo e ao contato com a água do rio (Fig. 09).
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Figura 09. Estrutura da região do manguezal do Rio Jaguaribe.


Desenho: Márcia F. Pinto.

A espécie Rhizophora mangle, também conhecida como mangue-sapateiro, é


caracterizada pelas raízes aéreas (rizóforos), com sistema radicular que partem do tronco e
pelos ramos em formato de arcos que atingem o solo, o que permite uma maior sustentação
em solos pouco consolidados.
O gênero Avicennia apresenta duas espécies ocorrentes no litoral cearense: a A.
schaueriana e A. germinans. Popularmente chamada de mangue seriba, siriuba ou canoé é a
mais alta das árvores do mangue, podendo alcançar uma altura média de 11 metros, com
tronco de 20 centímetros de diâmetro.
A espécie Laguncularia racemosa conhecida como mangue-manso, é a árvore de
menor porte entre as árvores de mangue. Seus ramos são frequentemente submersos na maré
alta. Ela prefere solos mais arenosos.
A espécie Conocarpus erectus, chamada de mangue-ratinho, é a espécie que
habita a porção mais alta do perfil de maré. É encontrada nas frações mais arenosas e
topograficamente mais elevada do leito do rio.
O mangue-manso, o mangue-canoé e o mangue-sapateiro foram citados por todos
os entrevistados, porém o mangue-ratinho não foi citado por quatro dos 14 entrevistados.
Além dos mangues estão presentes no manguezal algumas espécies de gramíneas e arbóreas,
principalmente na região entre o apicum e o carnaubal.
“O patoral é um capimzinho que fica lá nos mangue... nos pés das gamboas.
Guaiamum come” (Antônio de Pedro).

O patoral (Sporobolus virginicus (L.) Kunth.) foi uma das gramíneas citadas pelos
entrevistados. É uma erva rasteira conhecida também como capim-de-corda, capim-barba-de-
bode, capim-praturá ou capim-da-praia, considerada uma das espécies de vegetação pioneira,
eficiente na fixação de areia, em zona anteduna. (BRITO et al., 2006).
Uma espécie muito comum na área de apicum é o junco (Cyperus articulatus L.)
da família Cyperaceae. Uma erva que atinge até 120cm de altura, conhecida também como
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junco-de-cangalha, junco-de-lagoa ou priprioca (BRITO et al., 2006). O junco foi citado


como uma das plantas utilizadas na captura do guaiamum, na técnica do raminho.
“Onde tem mangue tem o pirrichio” (João de Sunsão).
Outra planta citada foi o pirrichio, uma herbácea suculenta com três “qualidades”
diferenciadas, principalmente pelas flores, segundo os entrevistados: o pirrichio com a flor
branca (Blutaparon portulacoides (A. St. - Hil.) Mears), também conhecido em outras
localidades como bredo-da-praia, bredinho-da-praia, bredinho, bredo-do-mangue ou bredo
(Fig. 10a); o pirrichio com a flor rosada (Sesuvium portulacastrum (L.) L) (Fig. 10b) é conhecido
como beldroega-da-praia, batata-da-costa, salsa-da-praia, bredinho, bredo-da-praia,
beldroega-miúda ou beldroega, caracterizada por ser uma planta perene e cujas folhas, quando
frescas, são forrageiras (BRITO et al., 2006); por fim, o pirrichio que foi diferenciado dos
demais por não apresentar flores (Batis maritima L.) (Fig. 10c).

Figura 10. Aspectos do Pirrichio. a) Pirrichio com flor branca. b) Pirrichio com flor rósea. c) Pirrichio sem flor.
Fotos: Márcia F. Pinto.

O algodão-do-pará (Hibiscus pernambucensis Arruda), conhecido também como


algodão-do-brejo, embira-do-mangue ou guanxuma-do-mangue, em outras localidades, é uma
espécie de arbusto da família Malvaceae (ROCHA & NEVES, 2000) (Fig. 11). É encontrado
principalmente nas bordas dos bosques de mangue.

Figura 11. Algodão-do-pará. a) Flor. b) Fruto.


Fotos: Márcia F. Pinto.

Muitas outras espécies também foram encontradas e citadas algumas vezes pelos
entrevistados. O café-brabo (Stigmaphyllum sp.) (Fig. 12a), a trepadeira (Cryptostegia
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grandiflora R. Br) (Fig. 12b) e principalmente a carnaúba (Copernicia prunifera (Mill) H. E.


Moore) (Fig. 12c) são bastante comuns na região.

Figura 12. Outras plantas citadas pelos entrevistados. a) Café-brabo. b) Trepadeira. c) Carnaúba.
Fotos: Márcia F. Pinto.

Parte dos exemplares informados anteriormente foi coletada, identificada e


incluída no Herbário Prisco Bezerra, da Universidade Federal do Ceará (Escola de Agronomia
do Ceará – EAC), e a lista completa encontra-se no apêndice III.
No quadro abaixo, estão listadas as espécies de mangue, com o nome popular na
região e como são conhecidas em outras localidades do Brasil.

Quadro 1. Denominações das “qualidades” de mangue na Comunidade Sítio Cumbe, em outras localidades do
Brasil e a nomenclatura científica correspondente.
Nome Popular no Nome Popular em outras localidades do Brasil Nome científico
Cumbe
Canoé, Canué Mangue Preto, mangue negro, siriúba, seriúba, ciriuba, Avicennia L.
mangue seriba, mangue siriba, mangue siriba, mangue Avicennia germinans (L.) Stearn
branco, mangue amarelo, siribá preto, mangue, Avicennia schaueriana Staf e
cereibuna, cereitinga, guaperu, seriba, siribinha do Leechman
norte, saraíba, canoé, guapira, peré-ciriúba, mangue
língua de vaca.
Sapateiro, mangue Mangue sapateiro, mangue vermelho, mangue Rhizophora mangle L.
verdadeiro, mangue bravo, mangue sapateiro,
candapuva, canapula, mangue, mangue de pendão,
cantabú-uba, guarariba, guararaiba, catimbó,
mangarabeira, maparaíba, canaponga, mangue preto,
mangue de espeto, mangue vermelho de pendão,
mangue vermelho de cana, aparaiba, paxiubarana,
candapuva, aparaíba, cantabú-uba, mangueiro.
Mangue manso, mangue Tinteiro, tinteira, cereíba, sereiba, mangue canapomba, Laguncularia racemosa (L) C. F.
mangue roxo, mangue bravo, mangue rasteiro, mangue Gaerth
de baraço, mangue de curtume, sapateiro, canapaúba,
sibina, mangue branco, mangue amarelo, canapaúba,
cereíba, sereíba, mangue canapomba, tinteira dos
manais, ratinho, tinteira, siriba, tinteira da costa,
mangue rajadinho.
Mangue ratinho Mangue-de-botão, mangue-de-bola, Mangue-de- Conocarpus erectus L.
bolota, genipapinho, mangue-saragoça, mangue-
manso, mangue branco, mangue-ratinho.

Segue-se uma breve explanação sobre os quatro tipos de mangues, com fotos e
com o quadro de correlação de dados.
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3.4.1 Mangue-canoé

Família: AVICENNIACEAE.

Figura 13. Mangue-canoé (Avicennia sp.). a) Mangue-canoé. b)1. Folha da


Avicennia germinans. b)2. Folha da Avicennia shaueriana. c) Pneumatóforos.
d) Fruto do mangue-canoé. e) Fruto do podói.
Fotos a, b, c, d: Márcia F. Pinto; Foto e: João L. Joventino.

O mangue-canóe (Fig. 13a), dentre os outros mangues, foi o primeiro a ser citado na
maioria das entrevistas, talvez pelo fato da madeira dessa árvore ser a mais utilizada, como
lenha e na fabricação de “caibo” de casa.
Em outras localidades denominam o mangue-canoé de mangue-siriúba, que em
tupi significa árvore siri (BRITO et al., 2006). Já a palavra canoé, não se conhece bem a sua
origem, embora, em inglês, canoe, signifique canoa ou bote. Assim, essa palavra talvez esteja
relacionada ao uso da madeira dessa planta na construção de embarcações.
O gênero Avicennia tolera salinidades do solo muito mais altas que as demais
espécies de mangue, possuindo glândulas em suas folhas com a função de eliminar
diariamente o excesso de sal absorvido (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
Observa-se, na região, duas “qualidades” de canoé: A. germinans (Fig. 13b1) e A. shaueriana
(Fig. 13b2), diferenciadas principalmente pela forma de suas folhas. Os entrevistados não

diferenciam essas “qualidades” do mangue-canoé, denominando-as com o mesmo nome.


Entretanto, a partir de relatos e observações no campo, pode-se fazer a diferenciação das
espécies, confrontando-a com a literatura científica.
Outra característica importante no mangue-canoé é a presença de raízes aéreas,
denominadas pneumatóforos (Fig. 13c).
“O podói é uma plantinha que tem lá nos morros... tem a fruta chatazinha, com
duas bandinhas...” (Antônio de Pedro).
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O fruto do canoé (Fig. 13d) foi comparado por vários entrevistados, com o fruto do
podói (Fig. 13e), uma planta bastante encontrada nos morros, próximos às dunas.

Quadro 2. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Mangue-
canoé.
MANGUE-CANOÉ
Avicennia spp. L.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Folha - “É diferente do mangue... a folha dele é mais - Folhas peninérvias, coriáceas.
comprida, mais miudinha”. - Folhas lanceoladas ou oblongas, com base aguda,
- “A folha é mais fina”. atenuada no pecíolo, raramente a base é arredondada ou
- “Tem a folha maior”. obtusa (Avicennia germinans).
- “Igual à folha do eucalipto”. - Extremidade da folha é obtusa ou arredondada
- “Às vezes tem uma folhinha mais gordinha”. (Avicennia schaueriana) (CINTRON & SCHAEFFER-
NOVELLI, 1984).
Tamanho - “Cresce mais que o mangue”. - São arbustos ou árvores de 4 – 8m (CINTRON &
- “Cresce bastante”. SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- Pode alcançar uma altura média de 11 metros com
tronco de 20 centímetros de diâmetro (MONTEIRO,
2005).
Caule - “Tem o pau branco”. - Tronco escuro, de casca fina com fendas superficiais
(BRITO et al., 2006).
- Casca lisa castanho-claro, que quando raspada mostra
cor amarelada (SUGIYAMA, 1995).
Distribuição no - “É uma planta marítima”. - Ocupa terrenos ao nível do mar, em águas salgadas, ao
manguezal - “Tem em todo canto, nos altos... arisco, longo das margens lamacentas próximas ao mar.
sabe? E na lama”. - Nas áreas mais externas do estuário, em terra firme,
devido à tolerância aos condicionantes edáficos
(CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- Nos manguezais de regiões tropicais (BRITO et al.,
2006).
Flor - “Tem flor, bem amarelinha... um bucado”. - Flores opostas sésseis.
- “Tem florzinha sim, ai depois ela forma um - Flores presentes o ano todo (CINTRON &
caroço”. SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- “Tem florzinha o ano todo, mas tem mais
antes das chuvas”.
Fruto - “O fruto do canoé parece com o do podói - Fruto oval, alongado e oblíquo, com duas valvas
com duas bandinhas”. coriáceas, deiscente.
- “Tem um fruto que parece assim... uma - Cotilédones grandes, carnosos, reniformes.
castanha”. - Tem o ano todo (CINTRON & SCHAEFFER-
- “Tem muita frutinha no ‘inverno’”. NOVELLI, 1984).
- Cápsulas, verde-amareladas, alongadas e superfície
aveludada, tendo aproximadamente 2,5 a 3 cm de
comprimento e 2cm de largura. (BRITO et al., 2006).
Utilidade - “Antigamente, usava muito pra fazer caibo - A madeira é usada como carvão vegetal e na construção
de casa”. de navios. (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI,
- “Antigamente a gente cozinhava na lenha, 1984).
usava o canoé também, mas muito pouco,
porque fazia muita fumaça”.
- “Não presta, por causa da fumaça”.
Relações - “Lá fica o caranguejo, aratu... xié... o - O gado foi observado alimentando-se dos propágulos
ecológicas tesoureiro”. desta espécie (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI,
- “Vixi... canoé é a casa do guaxelo... lá ele 1984).
tem os filhotes, dorme... mora lá”. - O caranguejo-uçá alimenta-se principalmente de folhas
- “O gado come a flor e a folha”. em decomposição, frutos e sementes de Avicenia
- “Caranguejo come a folha”. shaueriana (BRANCO, 1993).
- O guaxinim sobe nas árvores e descansa nos galhos (DE
LA ROSA, 2000; NOWAK, 1999).
Observações - “Tem raiz pra cima que nem o mangue - Raízes de dois tipos: umas penetram no substrato com
manso” uma porção aérea (pneumatóforos), outras, muito
ramificadas, apenas submergidas, horizontais, são
extremamente esponjosas e fibrosas interiormente (raízes
nutritivas) (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI,
1984).
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3.4.2 Mangue-sapateiro

Família: RHIZOPHORACEAE.

Figura 14. Mangue-sapateiro (Rhizophora mangle). a) Mangue-sapateiro.


b) Folha. c) Fruto. d) Flor.
Fotos: Márcia F. Pinto.

O mangue-sapateiro (Rhizophora mangle) (Fig. 14a) é o mais comum dos


manguezais e o mais fácil de se identificar devido à presença de escoras, que são
modificações do caule que auxiliam na fixação da planta ao solo lamacento. De acordo com
os entrevistados, ele é um mangue muito comum, principalmente nas gamboas e mais
próximo ao rio. Possuem as folhas (Fig. 14b) grandes e compridas e as flores amarelas (Fig. 14d).
É a espécie de grande importância para fixação de ostras, cracas e outros bivalves, como
também um local de abrigo para os caranguejos e aratus, entre as raízes e escoras.
O gênero Rhizophora é o menos tolerante ao sal e a longevidade de seus
propágulos é de mais de um ano (SOFFIATI, 2006), considerando que os propágulos (Fig. 14c)
da Rhizophora mangle são os maiores (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
Uma adaptação importante das plantas exclusivas de manguezal é a viviparidade,
em que as sementes permanecem presas à árvore-mãe até se transformarem em embriões,
tornando-se então nos conhecidos propágulos (SOFFIATI, 2006).
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Quadro 3. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Mangue-
sapateiro.
MANGUE-SAPATEIRO
Rhizophora mangle L.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Folha - “A folha é grande e verde”. - Folhas coriáceas, ovaladas e obtusas no ápice
- “A folha é mais redonda”. (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- “A folha é maior e mais larga”. - As folhas são elíptico-ovais (com cerca de 8 a 10 cm de
- “A folha é comprida, parecida um pouco comprimento e 4 a 5cm de largura)
com a do canoé”. - Verdes reluzentes (BRITO et al., 2006).
Tamanho - “É um mangue selvagem... grande né?”. - Árvores médias ou arbustos com ramos carnosos, cilíndricos
(CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- Árvore de 6 a 10 m de altura (BRITO et al., 2006).
Caule - “Tem o pau encarnado”. - Dura e pesada (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI,
- “O pau do sapateiro é bem vermelho”. 1984).
- “Tem a casca fina... ai quando a gente - Tronco com casca fina, lisa e cinzenta.
corta, vê só o vermelho do pau”. - A madeira é rica em tanino (BRITO et al., 2006).
Distribuição - “Fica na lama”. - Nas franjas em contato com o mar, ao longo de canais, na
no manguezal - “O que fica mais na água é o sapateiro”. boca de alguns rios e também em bacias interiores onde a
salinidade não é muito alta (CINTRON & SCHAEFFER-
NOVELLI, 1984).
- Ocorre em todo o litoral brasileiro.
Abundante nas margens de manguezais, em contato com a
água (BRITO et al., 2006).
Flor - “A flor é bem amarelinha”. - Inflorescências paucifloras (poucas flores), ramos da
- “A florzinha é amarela... e solta um espigão inflorescência de 3,5 a 5 cm de comprimento.
depois”. - Flores com quatro pétalas brancas e branco-amareladas
- “Tem pouca florzinha... num é assim como inseridas na base de um disco carnoso (CINTRON &
a do mangue não”. SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
Fruto - “O sapateiro bota uns bichos compridos”. - Fruto cônico com semente solitária, radícula longa, estreita,
- “O fruto é um pauzinho verde”. de cor verde exceto a extremidade pontiaguda e alargada que é
- “O fruto é um espigão comprido”. de cor castanha; hipocótilo de 15-20 cm (raramente 25 cm) de
- “Ele tem uma semente, que é assim... como comprimento (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
um lápis sabe?”. - Frutos pendentes.
- “O fruto dele é complicado... é como a - As sementes germinam no interior dos frutos quando estes se
cabecinha de cachimbo... fica agarrado lá encontram presos à planta-mãe (BRITO et al., 2006).
em cima com a florzinha amarelinha em cima
do cachimbo... mas ai quando cresce o
negocio comprido... ele não cai com a
cabeçazinha... ai ele cai.. enfia na lama e
dali dá outro pé.. nasce tudim... O fruto dele
é o pauzinho que fica empindurado”.
Utilidade - “Antes a gente usava pra caibo de casa”. - Lenha para o cozimento
- “Pra envarar casa”. - O melhor carvão do mundo, com poder calorífico mais
- “Usava a madeira pra armação da casa” elevado e sem fumaça.
- “Oxe... usava era muito como lenha”. - Construção das fundações de casas
- “Usava para caibo, mas agora não usa - Madeira resistente ao apodrecimento (CINTRON &
mais”. SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- “Num apodrece como os outros mangues
não”.
Relações - “O caranguejo fica lá, entre os paus, as - Nas raízes do mangue sapateiro os caranguejos se alojam em
ecológicas raízes”. tocas mais profundas
- “Tem é muita ostra presa nas raízes dele”. - Ostras fixadas nas raízes (CINTRON & SCHAEFFER-
NOVELLI, 1984).
Observações - “Ele é cheio de raízes”. - Raízes aéreas (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI,
- “O sapateiro é... com raízes grandes”. 1984).
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3.4.3 Mangue-manso

Família: COMBRETACEAE

Figura 15. Mangue-manso (Laguncularia racemosa). a) Mangue-manso.


b) Folha. c) Pneumatóforo. d) Inflorescência. e) Infrutescência.
Fotos: Márcia F. Pinto.

O mangue-manso (Laguncularia racemosa) (Fig. 15a) é um mangue bem conhecido


por todos os entrevistados, muitas vezes, chamado simplesmente de mangue. É identificado,
principalmente, pela folha (Fig. 15b), pela coloração do caule, pelas flores (Fig. 15d) e pelos
frutos em cachos (Fig. 15e). É uma árvore geralmente pequena que possui pneumatóforos (Fig.
15c) menos desenvolvidos, tanto em número quanto em altura, quando comparados a siriúba

(SCHAEFFER-NOVELLI, 1995), levando-se em consideração que a siriúba é conhecida


como canoé, na comunidade Sítio Cumbe. As folhas do mangue-manso foram bastante
comentadas como o alimento dos caranguejos e dos guaiamuns.
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Quadro 4. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Mangue-
manso.
MANGUE-MANSO
Laguncularia racemosa (L) C. F. Gaerth.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Folha - “A folha mais redonda e mais escura”. - Folhas oblongas ou elípticas, com ápice arredondado e
- “Tem a folha pequena”. emarginado.
- “A folha verde né?!” - As folhas são de cor verde-grisáceo mais claras no avesso.
- São menores que as do mangue-vermelho (CINTRON &
SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- São simples, oblongas e espatuladas (de 4 a 11 cm de
comprimento e 4 a 5 cm de largura) (BRITO et al., 2006).
Tamanho - “Cresce menos que os outros... do que o - Árvores de 20m de altura, mas freqüentemente arbustos ou
sapateiro e canoé”. árvores pequenas (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI,
- “Bem largo”. 1984).
- Árvore pequena ou arbusto (BRITO et al., 2006).
- Árvore de menor porte entre as árvores de mangue
(SOUTO, 2004).
Caule - “O pau é mais escuro que o do canoé”. - Caule lenhoso, muito ramificado, pardo-avermelhado-claro
(BRITO et al., 2006).
Distribuição - “Tem nos terreno areado com lama”. - Em costas de baixa salinidade, e às vezes ao longo de
no manguezal canais de água salobra. Também se encontram nos bordos de
praias arenosas de costas de baixa energia, sozinha ou
misturada com Conocarpus erectus (CINTRON &
SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
Flor - “Tem florzinha, sim, todos os mangue - Muitas flores pequenas, geralmente hermafroditas, em
tem”. forma de campânula, de cor cinza esbranquiçadas, em
- “A flor é miúda... amarela pra branca”. pecíolo, em espigas terminais (racemos) (CINTRON &
- “Tem um monte delas... ai forma uns SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
cachozinhos”. - Flores pequenas, brancas; em cachos terminais (BRITO et
al., 2006).
Fruto - “O fruto fica num bucado de cachozinho”. - Frutos de 1,5 a 2cm de comprimento
- “É verdim”. - É de cor verde cinzento antes de amadurecer e depois é
castanho (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- Produzem grande quantidade de propágulos, formando
verdadeiros cachos (racemos) que pendem das partes
terminais dos galhos (SUGIYAMA, 1995).
Utilidade - “Usa pra envarar casa”. - A casca do tronco, galhos e folhas contêm cerca de 14% de
- “Curtir casa antigamente”. tanino (BRITO et al., 2006).
- “Dá muito bicho, não presta pra lenha”.
Observações - “Nascem no ‘inverno’”. - Raízes normais, mas também pneumatóforos, porém
- “Nascem no ‘inverno’, por causa da água desenvolvimento limitado e nem sempre presentes
doce”. (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- “Tem raiz pra cima”. - Suas raízes têm ramificações horizontais e delas crescem
prolongamentos verticalmente, que mantêm as extremidades
acima do nível da água nos manguezais. Esses
prolongamentos são raízes chamadas de pneumatóforos e
possuem poros chamados pneumatódios (um tipo de
lenticela) que, mesmo em solo lamacento, asseguram a
aeração essencial à planta (BRITO et al., 2006).
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3.4.4 Mangue-ratinho

Família: COMBRETACEAE.

Figura 16. Mangue-ratinho (Conocarpus erectus). a) Mangue-ratinho.


b) Inflorescência. c) Infrutescência.
Fotos: Márcia F. Pinto.

O mangue-ratinho (Conocarpus erectus) (Fig. 16a), como é conhecido por todos os


entrevistados, foi citado como um tipo de mangue mais diferente e o que fica mais distante
dos outros e da lama. Segundo Brito et al. (2006), a denominação de mangue-de-botão, que se
refere também a Conocarpus erectus, deve-se à ocorrência próxima de manguezais e aos
frutos arredondados. Acredita-se que a denominação mangue-de-ratinho seja relacionada ao
tamanho da planta, que geralmente não ultrapassa a 15m de altura. A identificação dessa
espécie é facilitada principalmente pelas inflorescências (Fig. 16b) e infrutescências globosas
(Fig. 16c). É um tipo de vegetação que funciona como uma eficiente proteção das margens das

desembocaduras fluviais, diminuindo a erosão, retraindo o avanço das dunas, além de assumir
um papel fundamental na proteção de inúmeras espécies de moluscos, crustáceos, peixes e
aves (SOUTO, 2004).
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Quadro 5. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Mangue-
ratinho.
MANGUE-RATINHO
Conocarpus erectus L.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Folha - “A folha é meio azulada, que nem a folha - Folha verde-amarelada.
do canoé”. - Folha oval ou lanceolada.
- “Tem a folha comprida”. - Com 3 a 8 cm de comprimento e 1,5 a 3 cm de largura.
- “A folha dele é menor que a do canoé”. (BRITO et al., 2006).
- “Tem a folha parecida com a da acerola”.
Tamanho - “Pequeno, não cresce muito” - Árvore ou arbusto de crescimento rápido. Dependendo do
- “Que nem um pé de acerola”. local em que se encontra, pode alcançar de 6 a 15m de altura
- “É o menor dos mangue”. (BRITO et al., 2006).
Caule - “O pau dele é mais grosseiro”. - A casca é de cor cinzenta ou castanha e se torna áspera e
grossa (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
- Lenhoso, com casca vermelho-escura, cinzenta ou
acastanhada, muito fendida, tornando-se áspera, grossa e
fácil de se desprender (BRITO et al., 2006).
Distribuição - “Perto do rio, nos altos (areia)”. - Não se encontram distribuídas ao acaso em um bosque.
no manguezal - “Fica mais na areia”. - Cresce em muitos locais não pantanosos, tais como praias
- “Ele é pouco.. só nos altos, mas perto do de areia e costas rochosas (CINTRON & SCHAEFFER-
rio também... Fica na areia, num é de lama NOVELLI, 1984).
não”. - Regiões litorâneas brasileiras, em áreas mais elevadas de
solo pouco úmido, no contorno de manguezais, sendo mais
freqüente nas praias arenosas e até próximo às dunas e zonas
costeiras com falésias do Nordeste (BRITO et al., 2006).
Flor - “A flor é um cachozinho cheio de - Flores pequenas (2mm de comprimento), verdes; reunidas
caroço”. em inflorescências globosas (BRITO et al., 2006).
- “Quando ele tá com florzinha é verde... ai
depois fica como se tivesse queimado”.
Fruto - “Os frutim parece com café”. - Frutos pequenos, redondos semelhantes a cones de cor
castanho púrpura.
- Infrutescência (CINTRON & SCHAEFFER-NOVELLI,
1984).
Utilidade - “Ele é pequenininho, ninguém usa a - Árvores desta espécie, embora alcancem alturas superiores
madeira não”. a quatro metros, apresentam os galhos tortos e finos, não
sendo utilizados para construção (CINTRON &
SCHAEFFER-NOVELLI, 1984).
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3.5 A RELAÇÃO HOMEM E ANIMAIS

“Os bichos... animal cê quer dizer?! Animal aqui tem a raposa, o guaxinim, que
chamam guaxelo, o soim”. (Chico de Lôra).

Parafraseando Santos-Fita & Costa-Neto (2007, p. 100), “a manifestação do


conhecimento zoológico tradicional remonta ao tempo em que os primeiros hominídeos
tomaram interesse pelas espécies animais com as quais conviviam e das quais dependiam para
sua sobrevivência simbólica e material”.
Esse conhecimento zoológico acumulado ao longo das gerações é transmitido
oralmente e aprendido no cotidiano dessas comunidades tradicionais, que não simplesmente
identificam os animais, mas os classificam e os diferenciam, tendo o conhecimento amplo do
comportamento e a morfologia deles. De acordo com Souto (2004), algumas características
são utilizadas pelos pescadores para identificar e/ou nomear peixes, mariscos e aves, como a
forma, o tamanho, a cor, a padronagem e as ornamentações.
Primeiramente, para identificação dos animais, os entrevistados atentaram para a
morfologia, ou seja, para o formato do corpo, o tamanho, a coloração, a presença ou a
ausência de pelos, penas, casco ou escamas. Já, para classificação, eles se basearam no habitat
e em alguns comportamentos desses animais, usando a palavra “qualidade” para se referirem
às espécies, sejam de mangues, peixes, pássaro, marisco e a palavra “família” ao se referirem
a um grupo com similaridade entre as espécies.
Para alguns dos entrevistados, “bichos” são animais grandes, “selvagens”. Para
outras pessoas, os “bichos” são qualquer animal, não importando o tamanho. Questionar sobre
os animais que são encontrados no manguezal foi difícil no começo, devido às classificações
que os entrevistados fazem desses animais. Os “bichos” são geralmente os animais grandes,
porém existem algumas singularidades, como explica um dos informantes:
“Bicho aqui tem muito e de muito tipo, por exemplo, tem o bicho de cabelo que é a
raposa, o guaxelo, o soim; tem o bicho pássaro, que é como o tamatião e a siricóia;
tem o bicho crustáceo que é o caranguejo; o bicho marisco, que mora na maré se
enterra... e ainda tem o bicho que se arrasta como as cobras” (Chico de Lôra).

Fazer a distinção desses tipos de “bichos” ajudou na organização dos dados e na


maneira pela qual as demais conversas e entrevistas de complementação iriam ocorrer. Outra
forma também que facilitou as entrevistas foi a distinção dos locais onde esses animais
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habitam, como na lama, no rio, na levada, na gamboa, na ilha ou na croa, no morro, no mato,
no mangue, dentre outros.
Na lama, ficam os mariscos enterrados. No rio, ficam os peixes, alguns crustáceos
e mariscos. A levada é a água doce que desagua no rio e onde se encontram alguns peixes e
algumas aves. Nas gamboas, a água é salgada e é um local cercado por croas e mangues. O
morro é denominado como o local onde fica o carnaubal ou as regiões mais distantes dos
mangues, que ainda apresentam vegetação de mangue e onde vivem o caranguejo e o aratu.
Pelo fato do manguezal ser uma área de transição, ele é o ponto de encontro entre
faunas distintas (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003). É habitado por diversos animais, desde
formas microscópicas até grandes peixes, aves, répteis e mamíferos. Alguns deles, nem
sempre são exclusivos dos manguezais, ocupam o sedimento ou a água, as raízes, os troncos e
as copas das árvores. Esses animais são oriundos dos ambientes terrestre, marinho e de água
doce; permanecendo no manguezal, como residentes, toda sua vida, ou apenas uma parte dela,
na condição de semi-residente, visitantes regulares ou por oportunidades (LEITÃO, 1995).
“Menina... bicho aqui tem muito, se eu for dizer pra você tudim... vixe Maria..., a
gente passa é dias aqui e ainda num termina” (Seu Batista).

Muitos dos animais citados são de maior familiaridade para os entrevistados, por
possuírem alguma utilidade ou chamarem mais atenção, seja pelo comportamento ou por
características morfológicas, mas são, principalmente, os mais comuns no manguezal.
Para listar esses animais, a classificação estabelecida segue a literatura científica
como uma forma de tornar mais clara a similaridade estabelecida pelos próprios entrevistados.
Os animais informados foram classificados em mamíferos, aves, crustáceos, moluscos, peixes,
serpentes e ainda outros animais comentados, como, por exemplo, alguns insetos.
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3.5.1 Mamíferos

Os mamíferos são os animais que sempre despertaram interesses nas pessoas, por
conta da sua diversidade, beleza, utilidade ou pelos problemas que esses animais podem
causar (REIS et al., 2006). De acordo com os entrevistados, os mamíferos são os “bichos de
pelo”, os “bichos” maiores, e os “selvagens”.
A descrição formal dessas espécies, no Brasil, começou com Linnaeus em 1759,
ao descrever 47 espécies nativas e 3 espécies exóticas introduzidas (Sus scrofa, Mus musculus
e Rattus rattus) na sua obra Systema Naturae (REIS et al., 2006).
São considerados mamíferos os animais terrestres, dominantes da era Cenozóica,
porém a diversidade de espécies (cerca de 4.500) é a menor dentre os tetrápodes, embora eles
constituam um grupo altamente diversificado, adaptado a uma ampla multiplicidade de estilos
de vida, devido à grande variação ecomorfológica. Possuem características típicas, como a
lactação e a presença de pelos no corpo. Além disso, destacam-se por algumas modificações
que os distinguem dos demais vertebrados, como o aumento da caixa craniana, correlacionado
com o maior tamanho do encéfalo, a endotermia e a fecundação interna (POUGH et al.,
2003).
A diversidade biológica dos mamíferos no Brasil é considerada a maior do planeta,
com cerca de 652 espécies de mamíferos, contribuindo com aproximadamente 14% da biota
mundial, no entanto, apresentam-se insuficientemente conhecida (SILVA, 2005; REIS et al.,
2006)
De acordo com Fernandes (2000), existem cerca de 111 espécies pertencentes a 14
ordens de mamíferos em áreas de manguezal, ao redor do mundo, o que representa 7,5% do
total de 1.467 espécies de vertebrados registrados nesse ecossistema.
Na região pesquisada, foram citados quatro “bichos de pelo”: o guaxelo (Procyon
cancrivorus), também chamado de guaxinim, o soim (Callithrix jaccus), a raposa (Cerdocyon
thous) e o cassaco (Didelphis albiventris), o qual, de acordo com os entrevistados, não é
comum no manguezal.
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Guaxelo

Nome Popular
Guaxé, Guaxelo, Guaxinim.
Nome em outras localidades
Mapache; Mapache; Mão-pelada, Cachorro-do-mangue; Iguanara;
Jaguacampeba; Jaguacinim; Rato-lavador; Urso-lavador; Mascarado;
Quatizão; guará.
Nome científico
Família Procyonidae
Procyon cancrivorus Cuvier, 1788.

“De bicho? Aqui tem o guaxelo” (risadas) (Dona Isabel).


Figura 17. Guaxelo.
Foto: Márcia F. Pinto.

Conhecido também como guaxinim, é um mamífero onívoro, de hábitos noturnos


da família dos procionídeos, que tem sua denominação científica oriunda do latim cancer que
significa caranguejo e vorus, comedor. Pode viver permanentemente no manguezal, onde
come crustáceos, especialmente caranguejos, insetos e ovos de aves (MAJOR, 2002; OLMOS
& SILVA e SILVA, 2003; SOUTO, 2004). O urubu e o homem foram citados pelos
entrevistados como os predadores do guaxelo. Quando comparado com a raposa, o guaxelo é
maior e mais encontrado pelo manguezal.

Quadro 6. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Guaxelo.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Ele é vermelho... metido a loiro, quando mais velho”. - Tem as mãos desprovidas de pelos.
- “É que nem um macaco”. - Comprimento do corpo varia entre 40,0 e 100,0cm.
- “Mesmo que ver que é um cachorro”. - Os machos são geralmente maiores que as fêmeas.
- “É o maior do mangue”. - Possui pelagem densa e curta, e a coloração do corpo varia do
- “Tem duas qualidades: uns pelados e outros peludos”. marrom escuro ao grisalho (REIS et al., 2006).
- “Tem as patas clarinhas, peladas”.
Habitat
- “Vive dentro dos ocos do pau do mangue... do canoé, - Habita florestas equatoriais e tropicais, sempre próximo a rios,
porque o pau é mais grosso”. brejos, pântanos e mangues (NOWAK, 1999).
- “Vive no mangue, mas vai para o carnaubal e pros
morros também”.
Alimentação
- “Come caranguejo e sapo”. - A espécie se alimenta principalmente de moluscos, insetos,
- “Chupam cana”. peixes, caranguejos, anfíbios e frutos (REIS et al., 2006).
- “O que ele pegar ele come”. - Sua dieta é onívora e consiste basicamente de frutos silvestres,
- “Comem melancia”. invertebrados e pequenos vertebrados (NOWAK, 1999).
Comportamento
- “Só sai de noite e de dia ele tá dormindo”. - Animal solitário de hábito noturno, que caminha com a cabeça
- “Eles dormem e dão cria dentro dos ocos”. abaixada.
- “Vive sozinho”. - Cheira a presa e antes de comê-la a lava na água com as patas
- “Guaxelo é mais valente que a raposa”. anteriores.
- “Ele é noturno”. - Sobe nas árvores e descansa nos galhos.
- “Lava a comida antes de comer... o bichim é esperto”. - A mãe segura o filhote com o pescoço.
- A mãe amamenta sentada (DE LA ROSA, 2000; NOWAK,
1999).
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Raposa

Nome Popular
Raposa.
Nome em outras localidades
Cachorro-do-mato; Graxaim, Graxaim-do-mato; Raposinha-do-mato;
Raposão; Lobinho; Lobete; Guaraxo; Guancito; Fusquinho; Rabo-fofo.
Nome científico
Família Canidae
Cerdocyon thous Linnaeus, 1766.

Figura 18. Raposa. “A raposa... vixi Maria... fede demais!” (Dona Isabel).
Foto: Adriano Gamabarini.

É um animal bastante parecido com um cachorro e, por conta disso, é conhecido


também, em outras localidades, como cachorro-do-mato. É a única espécie do gênero
Cerdocyon (REIS et al., 2006) que, de acordo com as informações dos entrevistados, tem o
homem como o principal predador, na região. É classificado como “bicho de pêlo”.

Quadro 7. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Raposa.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É tipo um cachorro”. - O comprimento do corpo varia entre 60,0 e 70,0cm.
- “Ela é vermelho queimado”. - A pelagem varia do cinzento ao castanho, com faixa de pêlos
- “Menor que um guaxelo”. pretos da nuca até a ponta da cauda, e o peito e o ventre são
claros (REIS et al., 2006).
Habitat
- “Ficam mais nos morros”. - É encontrada principalmente nos biomas Cerrado, Caatinga,
- “A gente vê é muita também no carnaubal”. Pantanal, Mata Atlântica e Campos Sulinos, utilizando bordas de
- “No mangue, nas partes enxutas”. matas e áreas alteradas e habitadas pelo homem (REIS et al.,
2006).
Alimentação
- “Come sapo, galinha, preá, pássaro novo”. - É uma espécie onívora, generalista e oportunista, cuja dieta
varia sazonalmente e é composta por frutos, pequenos
vertebrados, insetos, crustáceos e peixes, além de carniça (REIS
et al., 2006).
Comportamento
- “Ela é de noite”. - Possui hábito noturno e crepuscular.
- “Fica entocada de dia, mas às vezes sai”. - Algumas espécies tem atividade durante o dia (REIS et al.,
2006).
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Soim
Nome Popular
Soim, Saguim.
Nome em outras localidades
Sagüi.
Nome científico
Família Cebidae
Callithrix jaccus Erxleben, 1777.

Figura 19. Soim.


Foto: Márcia F. Pinto.
“O soim... sagüi né que o povo chama também... tem demais por ai... tem em todo
canto... vive ai mexendo nas coisas... entra dentro de casa, afe Maria!” (Dona
Isabel).

Citado como da “família” dos macacos, o soim é um animal bastante comum em


muitos lugares da região. Procura o manguezal principalmente para comer a resina do
mangue-manso. O gênero Callithrix apresenta seis espécies (RYLANDS et al., 2000 apud
REIS et al., 2006), todas endêmicas do Brasil, porém, a partir de pistas taxonômicas, a espécie
encontrada na região é a Callithrix jaccus. Diferentemente do guaxelo e da raposa, o soim não
tem predadores, segundo o relato dos entrevistados.
“Não tem quem coma, nem gente, nenhum bicho” (Dona Isabel).

Quadro 8. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Soim.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um macaco pequeno”. - Animais de pequeno porte, com peso entre 300 e 450g;
- “Um macacozim... peludim”. - A coloração da pelagem é um misto de
cinza/preto/avermelhado (REIS et al., 2006).
Habitat
- “Ficam em cima das árvores”. - São primatas arborícolas que habitam várias fisionomias
- “Tem em muito canto”. florestais, podendo ocorrer inclusive em vegetação secundária,
- “Vão pros mangues”. perturbada e fragmentada (REIS et al., 2006).
Abundância
- “Tem muito por aqui”. - Algumas populações introduzidas, especialmente de C. jacchus
e C. penicillata trazem preocupação devido ao seu potencial de
ocupação do Habitat, hibridazação com congêneres nativos,
predação de representantes da fauna local e transmissão de
doenças. (REIS et al., 2006).
Alimentação
- “Come passarim”. - Sua dieta inclui frutos, insetos, néctar e exsudados de plantas
- “Come resina do mangue manso”. (goma, resinas e látex), podendo alimentar-se também de flores,
- “Come fruta”. sementes, moluscos, ovos de aves e pequenos vertebrados (REIS
et al., 2006).
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3.5.2 Aves
“Ah... passarim tem muito ai nesse mangue... tem muita qualidade” (Seu Batista).

As aves do Brasil são estudadas desde o século XVI (OLIVEIRA PINTO, 1979
apud VOOREN & BRUSQUE, 1999). Em 1925, Teschauer escreve que "o Brasil, segundo o
estado actual da sciencia, aloja não menos que 1680 espécies de aves". Hoje, o total dessas
espécies, no Brasil totaliza 1.822, de acordo com o Comitê Brasileiro de Registros
Ornitológicos (CBRO). Nos seus aspectos faunísticos, as aves do Brasil são bem conhecidas,
principalmente as aves marinhas e costeiras (VOOREN & BRUSQUE, 1999). Devido à sua
visibilidade e ao fato de ocuparem uma posição elevada em várias cadeias tróficas, as aves
constituem indicadores do estado de conservação e de saúde dos ecossistemas (OLMOS &
SILVA e SILVA, 2003).
Elas são vertebrados cobertos por penas, com os membros anteriores
transformados em asas (que podem ser transformadas em remos) e os membros posteriores
usados para locomoção bipedial (ou transformados em leme), com a temperatura corporal a
mais alta conhecida entre os animais e com um sistema de sacos aéreos distribuídos pelo
corpo (SICK, 1997). Algumas aves presentes nos manguezais procuram esse ambiente para
alimentação (SICK, 1997) e reprodução (VANNUCCI, 1999).
De acordo com Olmos & Silva e Silva (2003), muitas delas migram milhares de
quilômetros todos os anos entre suas áreas de reprodução, ocupadas durante o período
favorável do verão, e as áreas de invernada, para onde viajam quando o clima começa a
esfriar. Algumas chegam nos trópicos entre agosto e novembro, vindas de suas áreas de
reprodução, no hemisfério norte, fazendo uma muda completa de suas penas. A partir de
fevereiro, as aves começam a se preparar para reproduzir, adquirindo plumagem reprodutiva,
com cores mais vivas, e acumulando gordura e proteína necessárias para o vôo migratório.
Dependendo de onde tenha passado, a temporada não reprodutiva, a migração para o norte
pode durar de março a maio.
As aves, juntamente com os peixes, foram os animais mais comentados pelos
entrevistados. Eles forneceram informações sobre as características morfológicas,
comportamentais e de distribuição desses “bichos pássaro”.
Algumas aves foram citadas, ao longo da pesquisa, como predadoras de alguns
animais, porém não são tão comuns no manguezal. São, por exemplo, o gavião, a coruja, os
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carcarás (Milvago chimachima e Caracara plancus) e os urubus (Cathartes spp. e Coragyps


atratus). Outras como, por exemplo, as gaivotas, representantes da família Laridae
(Chroicocephalus cirrocephalus) e Sternidae (Sternula antillarum), foram citadas como aves
da praia; outras como o sanhaço (Thraupis sayaca), o currupião (Icterus jamacaii) e uma
espécie de bacurau (Hydropsalis torquata) foram relacionadas aos morros e às dunas. Outra
ave comentada foi a jaçanã (Jacana jacana) que é muito parecida com a galinha d’água
(Gallinula chloropus), porém diferenciada pela crista azul na cabeça e por ser encontrada nas
lagoas e água doce.
Uma informação interessante foi a de que, antigamente, na região, havia um
pássaro chamado colhereiro, grande como uma garça, com bico largo e penas brancas e
avermelhadas, uma espécie de ave que hoje em dia é muito rara no Ceará (Comentário pessoal
de Ciro Albano) e que, possivelmente, se refere a Platalea ajaja Linnaeus, 1758.
Várias espécies que são encontradas nos manguezais foram mencionadas, tanto
residentes como sazonais. Algumas dessas aves possuem a mesma denominação para
“qualidades” diferentes, ou seja, um mesmo nome é utilizado para várias espécies, como, por
exemplo, o bacurau, que pode ser, pelo menos, referência a três espécies; o tamatião, a duas
espécies; a rolinha, a cerca de quatro espécies etc. Essas “qualidades” de aves são agrupadas
em famílias, como afirma um dos entrevistados:
“Os maçaricos tem é muito... tem várias qualidades, mas são tudo da mesma
família” (João de Sunsão).

As aves existentes no manguezal da região foram mencionadas por todos os


entrevistados, porém as características de cada uma delas foram sendo complementadas ao
longo das entrevistas, já que nem todos sabiam falar sobre a alimentação, o comportamento,
os predadores e sobre outras características.
Os “bichos pássaro” estão organizados em ordem alfabética com breves
informações a respeito das espécies, com fotos e quadros de correlação de dados. A lista
completa das aves encontra-se no apêndice IV, contendo dentre os 32 pássaros citados pelos
entrevistados, 40 espécies e 02 ao nível de gênero.
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Bacurau

Nome Popular
Bacurau.
Nome em outras localidades
Bacurau-miudinho; bacurau-pequeno.
Nome científico
Família Caprimulgidae
Caprimulgus parvulus Gould, 1837.

Figura 20. Bacurau.


Foto: Ciro Albano.

Representante da família Caprimulgidae, bastante comuns em várias regiões do


Brasil (SICK, 1997). Apresenta “qualidades” muito parecidas a outros pássaros, dificultando,
assim, a sua identificação. Porém, na região, foi possível identificar, a partir de pistas
taxonômicas, as espécies Hydropsalis torquata, Nyctidromus albicolis e Caprimulgus
parvulus.
Um dado interessante sobre essa ave é a diferenciação feita pelos entrevistados,
principalmente pela coloração das penas e pelo seu habitat. Segundo Sick (1997), o grau de
obscuridade da plumagem indica o ambiente onde vivem, como, por exemplo, os gêneros
Nyctidromus e Hydropsalis que se confundem perfeitamente com as folhas caídas no solo; a
Nyctidromus albicolis, que, de acordo com os entrevistados, é o bacurau que fica nas moitas e
tem suas penas avermelhadas para se confundir com as folhas; a Hydropsalis torquata que foi
classificada como o bacurau do morro; a Caprimulgus parvulus, uma “qualidade” encontrada
no mangue e cujos predadores são o guaxelo e a raposa.

Quadro 9. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Bacurau.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É pintadinho”. - Faixa sobre as primárias externas e nódoas na ponta das retrizes
- “Vermelho com preto e branco”. brancas.
- “O macho tem duas penas grandes no rabo”. - Papo com nódoas negras e algum desenho transversal branco.
- Fêmeas sem os sinais brancos
- O macho adulto da espécie Hydropsalis brasiliana possui uma
cauda com cerca de 2/3 do comprimento total do animal, que
chega a 40 cm (SICK, 1997).
Habitat
- “Fica nos paus”. - Caatinga, campos e florestas (HOLANDA & MAJOR, 2008).
- “Mora no oco do pau seco”. - Vive na orla da mata, cerrado, campo sujo, parques e no solo
- “No mangue seco... morto... do canoé”. (SICK, 1997).
Alimentação
- “Ele come mosquito, inseto”. - Insetos (HOLANDA & MAJOR, 2008).
- São insetívoros (SICK, 1997).
Comportamento
- “È de noite”. - “À noite é esperto, de dia é ‘lesado’, em cima da cerca, fica
disfarçado” (HOLANDA & MAJOR, 2008).
- Aves noturnas cosmopolitas (SICK, 1997).
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Bem-te-vi

Nome Popular
Bem-te-vi.
Nome em outras localidades
Bentevi; Bentevi-de-coroa; Bentevi-verdadeiro; Triste-vida; Tiuí; Teuí;
Pituã; Pitaguá; Puintaguá.
Nome científico
Família Tyrannidae
Pitangus sulphuratus Linnaeus, 1766.

Figura 21. Bem-te-vi.


Foto: Ciro Albano.

Como afirma Sick (1997), “é provavelmente o pássaro mais popular deste país”.
O nome científico Pitangus sulphuratus provém de “pitanga guassu”, que significa pitanga
grande, a forma pela qual os índios brasileiros tupis-guaranis chamavam essa ave, e do latim
sulphuratus, pela cor amarela como enxofre no ventre (FRISCH, 1981) É considerado pelos
entrevistados um pássaro muito abundante e que possui algumas “qualidades”, agrupados na
“família” dos bem-te-vis de acordo com a classificação local. Ele é encontrado em todo lugar
e, no manguezal, tem como predadores o guaxelo e a raposa.

Quadro 10. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Bem-
te-vi.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Ele é amarelim com preto”. - Caracteriza-se principalmente pela coloração amarela viva no
ventre e uma lista branca no alto da cabeça (FRISH, 1981).
Habitat
- “Tem em todo canto”. - Adapta-se a qualquer meio.
- “No mangue e no carnaubal”. - É visto próximo à beira d’água para pescar; habita campos de
cultura, cidades, dentre outros locais (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come os carrapato dos bichos”. - Dependendo da variedade, insetos, peixes, crustáceos, ovos de
- “Ele como lagarta”. outras aves, pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e frutos
- “Come a florzinha do mangue manso”. (HOLANDA & MAJOR, 2008).
Comportamento
- “É de dia”. - Voz: trissilábico “bentevi”, bissilábico “bi-hía”, monossilábico
- “Canta é muito... bemmm te viii... bemmm te viii”. “tchía” (chamada); estrofe de quatro sílabas “biü-biü-prrrí-bíü”
(canto), periodicamente de madrugada, destacando o matraquear
sonoro “prrr” (SICK, 1997).
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Canário-do-mangue

Nome Popular
Canário-do-mangue.
Nome em outras localidades
Figuinha-do-mangue; Sibite-do-mangue; Sebinho-do-mangue.
Nome científico
Família Thraupinae
Conirostrum bicolor Vieillot, 1809.

Figura 22. Canário-do-mangue.


Foto: Ciro Albano.

É conhecido também como sibite-do-mangue e encontrado o ano todo, mas,


principalmente, no “inverno”. Muitas pessoas comentaram a semelhança do canário-do-
mangue com o sanhaço (Thraupis sayaca) e com o canário. Segundo o relato dos
entrevistados, esse pássaro come insetos que ficam nas folhas do mangue e não foram
mencionados nenhum predador com exceção o homem.
“Muita gente pegava pra criar e até pra comer” (Dona Isabel).

Quadro 11. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Canário-do-mangue.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Parece com o sanhaço... ele é meio azulado com - Todo o lado superior cinzento-azulado, face e lado inferior
cinza”. pardacento-claros, pernas amarelo-alarajandas; o imaturo é um
- “É o sibite-do-mangue... meio branco... parece o tanto diferente: por cima esverdeado, por baixo amarelo-claro.
maçarico”. - 11,5cm (SICK, 1997).
- “Ele parece com o canário, só que esse é amarelinho e
é do morro”.
- “É cinzento”.
- “Quando novinho é mei esverdeado”.
- “Pequenininho”.
Habitat
- “Vive no mangue”. - Pássaro associado aos manguezais, ocorrendo também nas
- “Dentro do mangue, fica trepado nos paus”. margens do Rio Amazonas (AQUASIS, 2007).
- “Perto de água doce”.
Comportamento
- “Saem de manhã cedinho”. - Voz: “tzri” fino como chiar de camundongo; o canto é um
- “Canta que parece um ratim”. chilreado rítmico: “zídi, zídi-didelide, zíde, lidelí-zrrr” (SICK,
1997)
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Carão

Nome Popular
Carão
Nome científico
Família Aramidae
Aramus guarauna Linnaeus, 1766.

Figura 23. Carão.


Foto: Ciro Albano.

É a única espécie viva da família Aramidae (SICK, 1997), considerada uma das
maiores do mangue pelos entrevistados. É uma ave muito comum no “inverno” e tem, como
predadores, o homem, o carcará, a coruja e o gavião, além de cobras que comem os seus
filhotes.

Quadro 12. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Carão.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um pássaro grande”. - 70 cm.
- “Parece com um urubu”. - Parece um pouco com o tapicuru (Phimosus) e o corocoró
- “Tem um bico grande”. (Mesembrinibis), mas seu porte é mais robusto e seu bico quase
- “Maior que o socó-boi”. reto.
- “Meio cinza com preto”. - Pardo-escuro com a garganta branca e riscas da cabeça e
pescoço também brancas; à distância parece todo negro.
(SICK, 1997)
Habitat
- “Fica na beira das levadas”. - Vive nos pântanos e campos alagados (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come peixim”. - Seu alimento básico são os aruás, Pomacea (=Ampullaria)
- “Come aruá”. guyanensis, gastrópodes aquáticos (SICK, 1997).
Comportamento
- “Gosta que só de água doce”. - Emigra durante o período seco para retornar com o começo das
- “Aparece no inverno”. chuvas.
- “É de noite”. - Voz: forte e cheia, um grito longo freqüentemente seguido por
- “Mia que nem gato”. 3-4 gritos curtos, por exemplo “kräo-ke”, “karáu” (daí “carão”),
no crepúsculo e à noite com demoradas repetições (SICK, 1997).
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Galinha d’água

Nome Popular
Galinha d’água; Frango-d’água.
Nome científico
Família Rallidae
Gallinula chloropus Linnaeus, 1758.

Figura 24. Galinha d’água.


Foto: Ciro Albano.

É uma ave pequena, semelhante à jaçanã (Jacana jacana), porém é diferenciada


principalmente pela coloração cinza e crista encarnada na testa.

Quadro 13. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Galinha
d’água.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Fica no rio”. - Áreas alagadas e manguezal (HOLANDA & MAJOR, 2008).
- “Tem lá no mangue”.
- “Fica na água doce”.
Alimentação
- “Come xixié, e peixinho”. - Insetos, moluscos e vermes aquáticos (HOLANDA & MAJOR,
- “Lodo da água doce”. 2008).
Predadores
- “A gente come”. - Assim como a galinha comum, sua carne é muito apreciada.
Por isso, essa ave é perseguida pelos caçadores (HOLANDA &
MAJOR, 2008).
Comportamento
- “É de dia e de noite”. - É uma ave migratória. Em épocas de secas, sai à procura de
lugares onde haja água (HOLANDA & MAJOR, 2008).
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Garças Nome Popular


Garça-branca-grande.
Nome Popular Nome em outras localidades
Garça-branca. Garça-real; Guira-tinga; Guará.
Nome em outras localidades Nome científico
Garça-do-gado; garça-vaqueira. Família Ardeidae
Nome científico Ardea alba Linnaeus, 1758.
Família Ardeidae
Bubulcus ibis Linnaeus, 1758. b
b
a Nome Popular
Garça-parda.
Nome em outras localidades
Garça morena; Garça-azul.
Nome científico
Nome Popular Família Ardeidae
Garça-branca-pequena. Egretta caerulea Linnaeus, 1758.
Nome em outras localidades
d
Garcinha-pequena; Garça-pequena.
Nome científico
Família Ardeidae
c Egretta thula Molina, 1782.
Figura 25. Garças. a) Garça-branca. b) Garça-branca grande. c) Garça-branca-pequena. d) Garça-parda.
Fotos: Ciro Albano.

São as principais representantes da família Ardeidae e as mais comuns na região.


As quatro espécies informadas pelos entrevistados e observadas na região foram: garça-branca
(Bubulcus ibis), garça-branca-grande (Ardea alba), garça-branca-pequena (Egretta thula) e
garça-parda (Egretta caerulea). Vale ressaltar que a espécie Bubulcus ibis foi registrada
relativamente, há poucos anos, no Brasil (SICK, 1997).

Quadro 14. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo às Garças.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um pássaro branco e grande”. - A garça branca grande chega 90 cm. Tem bico amarelo como a
- “Tem branca... uma pequena e uma grande e tem uma garça-vaqueira (Buculcus ibis), porém com o dobro do seu
azul também”. comprimento (AQUASIS, 2007).
- “Tem as canelas grandes”. - A garça-branca-pequena é totalmente branca, com o bico e
tarsos negros, loro, íris e dedos amarelos.
- A garça-azul tem coloração totalmente ardósia, tingindo-se de
violáceo no pescoço e cabeça (SICK, 1997).
Habitat
- “Fica no mangue, no pé de mangue manso”. - A garça-azul ocorre, preferencialmente, no mangue
- “Ficam nas gamboas”. (AQUASIS, 1997).
- “A garça-branca fica onde tem gado, mais nas fazendas”. - A garça-branca-grande é comum na beira de lagos, rios e
- “A garça-branca-pequena fica no rio, onde tem peixebanhados.
pequeno”. - A garça-branca-pequena vive tanto na água doce como em
água salobra e até mesmo na praia (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come peixe, tesoureiro e xixié”. - A garça-grande alimenta-se de peixes, anfíbios e crustáceos,
- “A garça-branca, ela come os carrapatos dos bichos,enquanto que a garça-pequena alimenta-se de peixes e
come bezourim”. crustáceos (AQUASIS, 2007).
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Juriti

Nome Popular
Juriti.
Nome em outras localidades
Juriti-pupu.
Nome científico
Família Columbidae
Leptotila verreauxi Bonaparte, 1855.

Figura 26. Juriti.


Foto: Ciro Albano.

É uma das espécies das mais conhecidas no Brasil (SICK, 1997) e é bastante
comum na região e, muitas vezes, é confundida com o pombo-doméstico (Columba livia). De
acordo com os entrevistados, é uma ave cinza, com pata vermelha e com penas brancas e
cinzas. Como predadores, foram citados o homem e alguns pássaros maiores.

Quadro 15. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Juriti.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Fica no mangue e no mato”. - Vive em locais quentes; capoeiras, beira da mata, cerrado
- “Tem mais nos morros... nas ilhas”. (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come a semente de pião no morro”. - Os representantes da família Columbidae normalmente são
- “Fruta, areiazinha do chão”. granívoros e frugívoros (SICK, 1997).
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Lavandeira

Nome Popular
Lavadeira, lavandeira.
Nome em outras localidades
Lavandeira-de-nossa-senhora; Lavandeira-branca; Lavadeira-mascarada.
Nome científico
Família Tyrannidae
Fluvicola nengeta Linnaeus, 1766.

Figura 27. Lavandeira.


Foto: Ciro Albano.
“Diz que é o passarim que lava a roupa de nossa senhora” (Chico de Lôra).

Chamada também de lavadeira, foi citada pelos entrevistados como um pássaro


muito comum, porém ninguém a pega para criá-la nem matá-la. Segundo Fernandes (1938),
alguns tabus, relacionados a uma série de proibições do “faz-mal”, influenciam bastante o
povo, como, por exemplo, matar lavandeira, pois, segundo o mito, esse pássaro lava a roupa
de Nossa Senhora.

Quadro 16. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à
Lavandeira.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É branco com preto”. - Cabeça branca, faixa negra através do olho, costas cinzento-
claras (SICK, 1997).
Habitat
- “Tem em todo canto”. - Habita a beira d’água lamacenta (SICK, 1997).
- “No mangue e no carnaubal”.
Alimentação
- “Come carrapato dos bichos”. - Dependendo da variedade, insetos, peixes, crustáceos, ovos de
- “Come lagarta”. outras aves, pequenos mamíferos, répteis, anfíbios e frutos
- “Florzinha do mangue manso”. (HOLANDA & MAJOR, 2008).
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Maçarico-grande

Nome Popular
Maçarico grande; maçaricão.
Nome em outras localidades
Maçarico-grande-de-perna-amarela; Maçarico-de-perna-amarela;
Maçarico-caneludo-grande; Maçarico-caneludo; Maçaricão-da-
asa-branca; Maçarico-de-costas-brancas.
Nome científico
Família Scolopacidae
Tringa melanoleuca Gmelin, 1789.

Figura 28. Maçarico-grande.


Foto: Ciro Albano.

Representante da família Scolopacidae, com muitas “qualidades” e de difícil


identificação. Entre os conhecidos maçaricos-grandes, existem pelo menos quatro possíveis
espécies na região, de acordo com a descrição dos entrevistados e a distribuição dessas
espécies no Ceará: Tringa melanoleuca, T. flavipes, T. semipalmatus e Limnodromus griseus.
As fotografias dessas espécies foram mostradas para os entrevistados e todos
afirmaram ser o maçarico-grande. Contudo, devido à similaridade entre elas, é difícil afirmar
que tais espécies ocorram realmente no local, embora elas estejam presentes no município
vizinho de Aracati, em Icapuí (AQUASIS, 2007).
Dentre as quatro espécies apresentadas, uma causou dúvida em alguns dos
entrevistados. Essa “qualidade” de maçarico refere-se a Tringa semipalmatus; uma espécie
com uma distribuição ampla ao longo do litoral cearense, já que ela migra ao longo da costa
(AQUASIS, 2007).
“Essa qualidade de maçarico por aqui não tem não... nunca vi não” (Chico de
Lôra).

O que provoca bastante a confusão na identificação dessa espécie é o fato da


Tringa flavipes ser muito parecida com a Tringa melanoleuca. A diferenciação das duas é feita
principalmente pelo canto e quando estão próximas uma da outra, já que a Tringa
melanoleuca é maior.
Com relação à morfologia dessas “qualidades” de maçaricos, foram feitas
comparações com uma “franguinha”, de cor roxa (no caso, cinza) meio esbranquiçada. Essa
coloração foi referida também ao maçarico da “qualidade” maior, a Tringa melanoleuca.
De acordo com os entrevistados, são espécies que aparecem mais no final do
inverno e tem, como predador, somente o gavião.
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Quadro 17. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Maçarico-grande.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Fica no rio”. - A espécie Tringa melanoleuca habita praias e campos alagados,
- “Todo canto, mas tem mais nas croas”. ocorrendo provavelmente em todo o Brasil.
- A Tringa flavipes habita as praias lamacentas e abertas de lagos
e rios (SICK, 1997).
Comportamento
- “Eles não são daqui”. - São visitantes oriundos do Velho Mundo, geralmente perdidos,
porém a imensa maioria vem do Hemisfério Norte (EUA e
Canadá) (SICK, 1997).

Maçarico-pequeno (Balança – cú)

Nome Popular
Maçarico pequeno
Nome em outras localidades
Maçarico-pintado; Agachadeira.
Nome científico
Família Scolopacidae
Actitis macularius Linnaeus, 1766.

Figura 29. Maçarico-pequeno.


Foto: Ciro Albano.
“Aquele ali é o balança-cú (risadas)... porque ele fica balançando a bundinha
(risadas)” (João de Sunsão).

Talvez seja o “passarim” com o comportamento mais peculiar e engraçado: o de


balançar a parte posterior do corpo quando anda. Ele é muito encontrado na região,
principalmente na época do “verão”, período que não chove, compreendido entre os meses de
junho a janeiro. De acordo com os entrevistados, é um pássaro visitante no manguezal e o seu
principal predador é o gavião.
“O balança cu, que não é daqui, mas dá no mangue” (João de Sunsão).
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Quadro 18. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Maçarico-pequeno.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Parece uns pintos”. - 19 cm. De porte delgado.
- “Preto por cima e branco por baixo”. - O lado superior das asas com uma linha branca, sendo o lado
inferior negro com uma área branca mediana; nódoas escuras
(anegradas) no peito, característica notável ausente durante o
período de descanso reprodutivo (SICK, 1997).
Habitat
- “Fica na beira d’água”. - Vive nas margens pedregosas e lodosas dos rios, quase sempre
- “Fica no rio”. entre a vegetação, freqüentemente nos manguezais onde
- “Tem no morro e no mangue”. empoleira em raízes e galhos para pernoitar (SICK, 1997).
- “Nas croas e gamboas”.
Alimentação
- “Come xixié”. - Caça cupins em revoadas (SICK, 1997).
- “Come piaba”.
- “Come mosquito e inseto”.
Comportamento
- “Aparecem mais no fim do inverno”. - Não se reproduz no Brasil.
- “É de dia”. - Pode ser observado entre os meses de agosto a março
- “Não é daqui, mas vem pra cá pra se reproduzir”. (AQUASIS, 2007).
- “Ele é engraçado... fica balançando a bundinha”. - Quase único pelo tique de balançar o corpo enquanto anda
(SICK, 1997).
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Mãe-da-lua

Nome Popular
Mãe-da-lua
Nome em outras localidades
Mãe-da-lua-parda.
Nome científico
Família Nyctibiidae
Nyctibius griseus Gmelin, 1789.

Figura 30. Mãe-da-lua.


Foto: Ciro Albano.
“É um pássaro que canta tão alto... passa a noite cantando” (Chico de Lôra).

É uma das aves representantes da família Nyctibiidae. É comum na região,


durante todo o ano, com hábito noturno e, segundo os entrevistados, é muito parecida com a
coruja. O guaxelo, a raposa, o gavião e o carcará foram citados como seus predadores.

Quadro 19. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Mãe-da-
lua.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um passarim pequeno e pintadinho”. - Cerca de 54 cm, com uma envergadura de 98 cm.
- “É preto”. - Colorido de pardo bem escuro (SICK, 1997).
Habitat
- “Fica nos pau”. - Pousa freqüentemente a pouca altura do chão, até sobre
- “Tem no morro e nos matos”. estacas, em local inteiramente aberto também de dia (SICK,
- “Fica no mangue”. 1997).
Alimentação
- “Se alimenta de mosquito e inseto”. - A família Nyctibiidae caça insetos (grandes mariposas e
besouros) (SICK, 1997).
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Maria-de-barro

Nome Popular
Maria de barro.
Nome em outras localidades
Casca-de-couro-da-lama; João-nordestino.
Nome científico
Família Furnariidae
Furnarius figulus Lichtenstein, 1823.

Figura 31. Maria-de-barro.


Foto: Ciro Albano.
“Tem a maria-de-barro... que é diferente do joão-de-barro” (Chico de Lôra).

É uma ave pequena, com cerca de 16cm e bastante comum na região. De acordo
com os entrevistados, nenhum animal se alimenta desse pássaro, porém muitas pessoas o
pegam para criar. Apesar de ser muito parecida com o joão-de-barro (Furnarius rufus) e a
espécie F. leucopus, presentes também na região, a maria-de-barro (F. figulus) possui o hábito
de construir seu ninho de forma simples, aberto e com capim, enquanto as demais constroem
seu ninho em forma de forno (SICK, 1997).

Quadro 20. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Maria-
de-barro.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É vermelho queimadim”. - Tem as partes superiores canela-ferrugíneas-escuras, com as
coberteiras superiores das primárias ferrugíneas (SICK, 1997).
Habitat
- “No mangue”. - Uma espécie ribeirinha que habita as margens ensolaradas de
- “Na levada”. brejos, rios, cacimbas e ilhas (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come insetim”. - As espécies da família Furnariidae comem insetos e suas
larvas, aranhas, opiliões e outros artrópodes, moluscos, etc
(SICK, 1997).
Comportamento
- “É de dia”. - Parece que não constroem fornos (SICK, 1997).
- “Faz a casinha dentro das talas da carnaúba”.
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Rolinha

Nome Popular
Rolinha.
Nome em outras localidades
Rolinha-caldo-de-feijão; Cascavel; Pé-de-anjo.
Nome científico
Família Columbidae
Columbina passerina Linnaeus, 1758.

Figura 32. Rolinha.


Foto: Ciro Albano.

É uma ave bastante comum e que, de acordo com as pistas taxonômicas, as


“qualidades” denominadas de rolinha na região podem ser de quatro espécies: Columbina
passerina, C. talpacoti, C. picui e C. squammata. Essas “qualidades” são pássaros pequenos
que muitas pessoas criam como animal de estimação e, algumas vezes, também são utilizadas
na alimentação. Com relação ao comportamento dessa ave, foi afirmado que, durante a noite,
ela dorme nos mangues e, de dia, ela sai para as ilhas.

Quadro 21. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Rolinha.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Vive no mangue, em toda qualidade de mangue”. - Dependendo da variedade: caatinga, dunas e até nas cidades,
nas árvores das praças e jardins (HOLANDA & MAJOR, 2008).
Alimentação
- “Come pedrinha miudinha, nos matos”. - Pequenas sementes encontradas no solo (HOLANDA &
MAJOR, 2008).
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Siricóia

Nome Popular
Siricóia.
Nome em outras localidades
Siricóia do mangue; Saracura; Saracura-três-potes; Sericóia.
Nome científico
Família Rallidae
a Aramides cajanea Statius Muller, 1776.

Nome Popular
Siricóia.
Nome em outras localidades
Saracura; Saracura-três-potes; Saracura-do-mangue;
Galinha-do-mangue.
Nome científico
Família Rallidae
Aramides mangle Spix, 1825. b
Figura 33. Siricóias.
Fotos: a) Pedro Lima. b) Robson.

A partir de pistas taxonômicas, existem duas possíveis espécies da siricóia


presentes na região: uma é a Aramides cajanea e a outra, a Aramides mangle. A primeira não
tem a base do bico com a cor vermelha, diferentemente da segunda. Ambas não são caçadas.

Quadro 22. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Siricóia.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Pássaro pequeno”. - 39cm, porte grande, cabeça e pescoço cinzentos, o resto das
- “Meio avermelhado”. partes inferiores e vexilo interno das rêminges ferrugíneos;
- “Família da sirizeta, maçarico”. coberteiras inferiores das asas amarelo-ferrugíneas borradas de
preto; abdômen negro, bico verde (Aramides cajanea).
- 32 cm, garganta branca, bico verde de base vermelha
(Aramides mangle) (SICK, 1997).
Habitat
- “Fica no rio”. - Esconde-se na vegetação às margens de lagoas, nas matas e
- “Tem em todo o mangue”. nos mangues (AQUASIS, 2007)
- Vive nas praias lodosas com mangues e matas adjacentes
(Aramides mangle)
- Vive nos pântanos com vegetação alta; manguezais; margens
de rios, lagos e igarapés; mata úmida e alta, as vezes distante da
água; plantação de cana etc (Aramides cajanea) (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come caranguejo pequeno”. - Busca alimento na lama, ingerindo pequenos crustáceos e
outros invertebrados (AQUASIS, 2007).
Comportamento
- “Fica cantando na beirada do mangue”. - Voz: estrofe bem acentuada em síncope “teres-pot téres-pot
teres-pot pot pot” (Aramides cajanea) (SICK, 1997).
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Sirizeta

Nome Popular
Sirizeta.
Nome em outras localidades
Sirizeira; Maçaricão; Maçarico-real; Maria-Rita; Maçarico-galego.
Nome científico
Família Scolopacidae
Numenius phaeopus Linnaeus, 1758.

Figura 34. Sirizeta.


Foto: Ciro Albano.

De acordo com os entrevistados, é uma ave fácil de ser identificada e bastante


encontrada na época do “verão”, entre os meses de março e agosto, às margens do rio. Foi
informado que o predador em potencial dessa ave é a raposa e que os seus principais
alimentos são os xixié (Uca spp.) e os tesoureiros (Uca maracoani).

Quadro 23. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Sirizeta.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Tem o bico grande”. - Bico longo e recurvado (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come xixié”. - Se alimenta de crustáceos (AQUASIS, 2007).
Comportamento
- “Aparece mais no fim do inverno”. - Não se reproduz no Brasil.
- “Não são daqui, não é do Brasil. Tem umas delas que - Em Icapuí, município vizinho a Aracati a “siriseta” é observada
vem marcadas de onde são”. de agosto a março (AQUASIS, 2007).
- “Elas vem engordar aqui e se reproduz fora”.
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Socó-boi

Nome Popular
Socó-boi.
Nome em outras localidades
Socó-pintado; Socó-boi-ferrugem; Iocó-pinim; Jurukú.
Nome científico
Família Ardeidae
Tigrisoma lineatum Boddaert, 1783.

Figura 35. Socó-boi.


Foto: Ciro Albano.

É um pássaro grande que, de acordo com os entrevistados, é desconfiado e nada


“amigável”. Além disso, foi comentado que nenhum animal, com exceção o homem, se
alimente do socó-boi.

Quadro 24. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Socó-
boi.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É grande e comprido”. - 93 cm. Espécie grande de bico extremamente longo.
- “Bico grande”. - A plumagem adulta é adquirida apenas aos dois anos de idade,
- “Cinzento”. com o pescoço castanho e manto pardo-acinzentado,
- “Pescoço comprido”. vermiculado de acanelado (SICK, 1997).
Habitat
- “Vive nos mangues”. - Habita regiões florestais, nidifica no alto das árvores (SICK,
1997).
Alimentação
- “Come xixié, caranguejo”. - A família Ardeidae se alimenta de peixes, insetos aquáticos,
- “Comem peixe”. caranguejos, moluscos, anfíbios e répteis (SICK, 1997).
- “Tesoureiro”.
Comportamento
- “É de dia e de noite”. - Solitário e crepuscular, vive escondido na vegetação ribeirinha.
- “É difícil de ver”. - Desconfiado, estica o pescoço obliquamente, arrepiando as
- “Quando tá bravo ele fica com o pescoço esticado”. longas plumas da nuca e balança a cauda (SICK, 1997).
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Socó-pequeno

Nome Popular
Socó, socó-pequeno.
Nome em outras localidades
Socó-estudante; Socó-tripa; Socó-mijão.
Nome científico
Família Ardeidae
Butorides striata Linnaeus, 1758.

Figura 36. Socó-pequeno.


Foto: Dario Sanches.
“Ele come xixié e peixe... come insetim também” (Chico de Lôra).

É uma ave que se alimenta de peixes, insetos aquáticos, caranguejos, moluscos,


anfíbios e répteis (SICK, 1997), assim como os outros membros da família Ardeidae. Foi
informado pelos entrevistados que existem mais socó-pequenos na região do que socó-bois.
Como seus predadores, destacam-se: o gavião, a coruja e o carcará.

Quadro 25. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Socó-
pequeno.

Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica


Morfologia
- “É miudim”. - 36cm.
- “Parece uma garça”. - Pernas curtas e amarelas; anda agachado à feição de uma
- “É roxo (cinza)”. saracura grande (SICK, 1997).
Habitat
- “Fica na beira das gamboas”. - Encontra-se tanto no interior do continente como nos
- “No mangue”. manguezais (SICK, 1997).
Comportamento
- “É de dia”. - Solitário, às vezes nidifica em colônias (SICK, 1997).
- “Fica sozinho”.
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Tamatião

Nome Popular
Tamatião-claro.
Nome em outras localidades
Savacu.
Nome científico
Família Ardeidae
Nycticorax nycticorax Linnaeus, 1758.

a Nome Popular
Tamatião.
Nome em outras localidades
Savacu-de-coroa; Tamatião-coroa; Socó-dorminhoco. b
Nome científico
Família Ardeidae
Nyctanassa violacea Linnaeus, 1758.

Figura 37. Tamatião. a)Tamatião-claro. Foto: Alberto Campos. b) Tamatião. Foto: Fábio Olmos.

É uma ave encontrada na região e que, de acordo com as pistas taxonômicas,


apresentam duas “qualidades” referentes às espécies Nycticorax nycticorax e a Nyctanassa
violacea. A primeira apresenta um bico mais fino e coloração mais clara das penas do que a
outra (AQUASIS, 2007). Como predadores, foram citados a raposa, o guaxelo e o homem.

Quadro 26. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Tamatião.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É azul... meio cinza”. - 60 cm. Alto da cabeça e dorso negros, asas cinzentas, testa,
- “Ele é grande... quase do tamanho de um frango”. partes inferiores e alongas penas nucais brancas (Nycticorax
- “Tem um bico grande e grosso”. nycticorax) (SICK, 1997).
- “Tem duas listras pretas na cabeça”.
Habitat
- “Tem em todo mangue”. - Nos manguezais (SICK, 1997).
Alimentação
- “Come aratu, xié, caranguejo, peixe”. - Alimenta-se de caranguejos e peixes, ou ainda de jias como a
espécie Nycticorax nycticorax (AQUASIS, 2007).
Comportamento
- “Mora no mangue, dorme e se reproduz”. - Tem hábitos crepusculares e noturnos (SICK, 1997; AQUASIS,
- “De noite eles cantam, saem para comer na lagoa ou 2007).
no rio”.
- “É dorminhoco, dorme durante o dia”.
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3.5.3 Crustáceos

"Caranguejo, aratu, xixié, tesoureiro ficam perto dos troncos das árvores, quando a
gente chega eles se escondem tudim" (Dona Isabel).

O “bicho crustáceo” foi uma informação de dois dos entrevistados, ambos


apresentando um certo grau de estudo, mas principalmente um grande interesse científico
pelos animais, seja através de conversas com pesquisadores ou através dos programas de
televisão. Todos os outros entrevistados classificam o aratu (Goniopsis cruentata), o camarão
(Penaeus sp.), o caranguejo (Ucides cordatus), o guaiamum (Cardisoma guanhumi), a maria-
farinha (Aratus pisonii), o siri (Callinectes sp.), o tesoureiro (Uca maracoani) e o Xixié (Uca
sp.) como mariscos, assim também são classificados os moluscos. Foram citadas nove
“qualidades” de mariscos, incluídos no grupo dos crustáceos. Dentre eles estão nove espécies
e duas ao nível de gênero. A lista completa encontra-se no apêndice V.
“Todo marisco tem casco né? E ele troca esse casco porque precisa crescer” (Seu
Antônio).

De acordo com os entrevistados, os mariscos são todos aqueles animais que tem
casco. Essa denominação de “mariscos” também foi registrada entre as marisqueiras do
Canal de Santa Cruz, Pernambuco, por ALVES & SOUZA (2000), em que o termo “marisco”
é utilizado para designar bivalves em geral, mas que existe um grupo mais amplo denominado
“crustáceo”, formado por bivalves, caranguejos, siris, goiamuns, lagostas e camarões,
correspondendo também ao que (SOUTO, 2004) registrou entre os pescadores e marisqueiras
de Acupe, Bahia.
Os crustáceos são talvez os representantes mais comuns e os mais conhecidos dos
manguezais. De acordo com COELHO et al. (2004), eles constituem um dos grupos mais
importantes da fauna dos manguezais. Cerca de 38.000 espécies de crustáceos, entre eles
caranguejos, camarões, lagostas e lagostins, são conhecidas, sendo, portanto, um dos grupos
mais representativos do filo Arthropoda (RUPPERT & BARNES, 1994).
“Na lama, tem o caranguejo, tesoureiro, xixié” (Seu Raimundo).

Dentre essa grande variedade de espécies, os caranguejos se destacam,


principalmente o caranguejo e o guaiamum que são importantes para alimentação e
comercialização. Eles são bastante capturados e vendidos na região, nas cidades de Aracati,
Fortaleza e Recife.
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As técnicas de captura desses animais são variadas, como o uso do ramo, a


armadilha e a redinha. Antigamente, a forma mais utilizada de captura do caranguejo e do
guaiamum era com o braço. Esse tipo de coleta, denominada, em algumas regiões, de
“braceamento”, consiste em o catador colocar o braço completamente dentro da toca de
caranguejo, segurá-lo pela parte dorsal da carapaça, pressionando suas quelíceras (pinças)
com o polegar e o indicador, e postando-as contra a parte interna da mão em forma de
conchas, de modo a imobilizá-las. Em seguida, puxa o animal para fora, com o cuidado de
evitar que algum apêndice se agarre a qualquer obstáculo e seja danificado ou mesmo perdido
(NORDI, 1992).
A técnica do ramo, conhecida também como “raminho”, tem como objetivo atrair
o caranguejo para fora da toca. De acordo com a fala de um catador de caranguejo, essa
técnica é bem simples, embora demorada.
“Pega um ramo... pega uma varinha amarra umas folhas na ponta dela... ai você
tem que andar descalço, pra não fazer barulho... ai você pega um pedacinho de
lama e rebola na boca do buraco... ai o caranguejo pensa que é uma folha caindo...
ai ele vem subindo, quando ele vem subindo, você coloca um ramo com a folha do
mangue... ai ele vem subindo, ai quando chega na boca do buraco do caranguejo, ai
você coloca a sua mão aqui em cima... em cima do buraco... e vem puxando o
ramo... quando ele sair pra fora ai você pega bem fácil...”
(Depoimento de um catador de caranguejo, filho de um casal de entrevistados).

Hoje essa técnica não é utilizada na região, já que existem outras formas mais
práticas de captura, como a redinha que é proibida, apesar de muitos catadores pegarem
caranguejo assim.
“Pra pegar com redinha é assim... tem um buraco... ai você enfia um pau de cada
lado... você pega a redinha coloca entre os dois paus e deixa na boca do buraco...
certo? O buraco tem que ter água... porque tem maré pequena que o buraco fica só
na lama. Ai num serve... só serve no que tem água. Quando o caranguejo vem... se
enrola nisso aqui (mostrando a redinha)”.
(Depoimento de um catador de caranguejo,
filho de uma casal de entrevistados).

Ao se perguntar por que o uso da redinha era proibido, a resposta foi bem clara:
“os catadores que usam a redinha pegam tudo, inclusive os caranguejos pequenos e, além
disso, eles cortam muito o mangue”.
A outra forma de captura é a armadilha, também conhecida como ratoeira,
utilizada tanto para a pesca do guaiamun (C. guanhumi) com a do caranguejo (U. Cordatus).
São armadilhas construídas com latas de óleo ou similares (NORDI, 1992). O catador de
caranguejo põe as ratoeiras nas tocas dos caranguejos e as deixam de um dia para o outro,
quando então retiram as armadilhas com os caranguejos capturados (TEIXEIRA, 2008).
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Aratu

Nome Popular
Aratu.
Nome em outras localidades
Jandaia; Maria-mulata; Anajá; Aratu-do-mangue; Guaiara.
Nome científico
Família Grapsidae
Goniopis cruentata Latreille, 1803.

Figura 38. Aratu.


Foto: Márcia F. Pinto.

Uma espécie classificada por praticamente todos os entrevistados como um


marisco, o aratu (Goniopsis cruentata) é bastante comum no manguezal do Rio Jaguaribe.
“O aratu num tem comércio pra ele não... e engraçado porque antes tinha demais,
agora tem menos e ninguém nem pega assim como os guaiamum que são
judiados... tiram é muito e tem” (Manel Marinheiro).

É um animal utilizado como alimento por pescadores, no Nordeste do Brasil


(OLMOS & SILVA e SILVA, 2003), porém não é muito explorado pela comunidade do
Cumbe, embora a comercialização dessa espécie tenha sido observada, no estuário do Rio
Jaguaribe (SOUZA, 2008), e também no litoral de Pernambuco. De acordo com Moura,
Coelho & Souza (2003), a pesca desse caranguejo não oferece um rendimento necessário para
o sustento de uma família.
Segundo relato de todos os entrevistados, antigamente tinha muito mais aratu nos
mangues do que hoje. Essa diminuição vem ocorrendo mais ou menos, por volta do final de
década de 70, e não se sabe o motivo, já que ele não é tão capturado como as demais espécies.
É uma espécie que, de acordo com o conhecimento local, tem como predadores a raposa
(Cerdocyon thous), o guaxelo (Procyon cancrivorus), e alguns pássaros, além do homem.
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Quadro 27. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Aratu.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Fica no mangue e nas gamboa”. - Em manguezais, sobre as raízes ou tronco das árvores. Em
- “Ele não tem toquinha, mas ele é morador penetra das praias lodosas, em braços de mar ou estuários (MELO, 1996).
tocas do caranguejo”. - Vive em tocas escavadas nos pontos onde os rios do manguezal
formam barrancos, e também entre raízes e troncos (OLMOS,
2003).
Alimentação
- “Comem caranguejo pequeno”. - Alimentam-se de propágulos de mangue, detritos vegetais e
caranguejos menores como Aratus pisonii (OLMOS, 2003).
- Considerado um animal onívoro, alimenta-se desde folhas de
mangue a cadáveres de crustáceos, incluindo-se os da própria
espécie (BOTELHO et al., 2004)
Comportamento
- “A gente vê eles de dia e de noite”. - Escala árvores (OLMOS, 2003).
- “Sobe os paus dos mangues”. - É extremamente rápido e ágil (SOUZA, 2008).
- “Ele é bem rapidinho”.

Camarão

Classificado como um marisco, por ter casco, o camarão (Penaeus spp.) é muito
comum na região e bastante abundante. Parafraseando um dos entrevistados, “tem muito
camarão além dos que tem nos viveiros”. Existem diversas espécies de camarão no estuário
do Rio Jaguaribe, porém uma identificação precisa não foi possível.
Olmos & Silva e Silva (2003) comentam que os camarões utilizam os manguezais
como áreas de crescimento, sendo este o motivo pelo qual são encontrados, praticamente,
apenas indivíduos jovens nesses ambientes, que possuem uma função de “creche” e local de
engorda. O mangue torna-se, assim, um importante local para o setor pesqueiro. Os mesmos
autores continuam afirmando que, após a maturação sexual, os camarões adultos vão para o
mar, enquanto que os pitus (Macrobrachium spp.) sobem os rios. Os que são pescados no
estuário do Rio Jaguaribe, segundo os entrevistados, possuem a coloração amarela, “meio
transparente” e são animais que se alimentam do “lodim que cria na lama”.

Quadro 28. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Camarão.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Tem na água doce, na salgada e no cativeiro”. - É encontrado nos canais e lagoas do mangue, reproduzindo-se
- “Tem mais na época que passa pra água doce”. em mar aberto sendo que os jovens migram para o mangue e aí
se desenvolvem (MAJOR, 2002).
Predadores
- “O socó e o socó boi que come”. - As aves da família Ardeidae se alimentam de peixes, insetos
aquáticos, caranguejos, moluscos, anfíbios e répteis (SICK,
1997).
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Caranguejo

Nome Popular
Caranguejo; Caranguejo-uçá.
Nome em outras localidades
Uçauna; Uçá; Caranguejo-verdadeiro; Caranguejo-comum; Caranguejo-
uçá.
Nome científico
Família Ucididae
Ucides cordatus Linnaeus, 1763.

Figura 39. Caranguejo-uçá.


Foto: Márcia F. Pinto.

Figura 40. Caranguejo artesanal.


Artesão: Francisco Queiroz (Chico de Lôra).

O caranguejo, conhecido também como caranguejo-uçá (Ucides cordatus), é uma


espécie que vem sendo explorada há muito tempo na região. É um marisco que garante o
sustento de muitas famílias na comunidade Sítio Cumbe e em outras comunidades que
dependem da pesca, mariscagem e da catação de caranguejos, no manguezal do Rio
Jaguaribe.
Esse caranguejo era classificado, até 2007, como representante da família
Ocypodidae, mas, atualmente, pertence a família Ucididae Stevcic, 2005 (NG et al. 2008). É
um dos importantes constituintes da fauna nas zonas de mangues do Brasil, ocorrendo com
maior ou menor abundância em toda vasta extensão ocupada por essas zonas, ao longo da orla
marítima brasileira, desde o Amapá até o estado de Santa Catarina, assumindo grande
importância sócio-econômica ao longo do litoral nordestino (COSTA, 1972; SOUTO, 2007).
No Brasil, a captura do caranguejo-uçá é uma das atividades extrativistas mais
antigas em áreas de manguezais (PINHEIRO e FISCARELLI, 2001), e sua captura é realizada
utilizando a ratoeira, o ramo ou a redinha.
“Desde pequeno meus filhos já tiravam caranguejo” (Dona Raimunda).
“Meus filhos aprenderam a pegar caranguejo comigo...” (Chico de Lôra).

Desde crianças, os entrevistados aprenderam a pescar (catar, pegar) os


caranguejos, como também começaram a compreender: o ciclo das marés, a influência das
chuvas na catação, a morfologia e o comportamento dos animais, como hábito alimentar e
reprodutivo.
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De acordo com os entrevistados, o período em que os caranguejos saem das suas


tocas para acasalar é chamado de “atar” (andada, reprodução) e caracteriza-se por ser a época
em que muitas pessoas aproveitam para capturar os caranguejos, embora isso seja proibido.
Porém, alguns catadores, já conscientizados da importância desse período para a
“continuidade” da espécie, não catam na época do “atar”.

Quadro 29. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Caranguejo.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É azul, mas quando cozido é vermelho”. - As fêmeas possuem abdômen semicircular e os machos o
- “Tem as patas peludas”. abdômen longo, estreito e triangular (NASCIMENTO, 1993).
- “Ele é meio marrom”. - Patas ambulatórias 2-4 com longa franja de pêlos sedosos. As
- “A fêmea tem a parte de baixo mais redonda que o fêmeas não mostram esta pilosidade (MELO, 1996).
macho”.
Habitat
- “Fica só no mangue”. - Vive em tocas, construídas na vasa que circunda as plantas do
mangue (SOUZA, 1587 apud COSTA, 1972).
- Encontra-se em ambientes pantanosos, entre raízes de árvores
do mangue (MELO, 1996).
Alimentação
- “Come a folhinha de mangue”. - São animais onívoros e têm como principais fontes de
- “Ele vive da maresia, porque num tem dentinho forte... alimentos, vegetais superiores, algas e poríferos, além de
mas quando adulto ele come folha”. sedimentos (COSTA, 1972).
- “Come os frutos do mangue”. - Alimenta-se das folhas e propágulos caídos (OLMOS & SILVA
e SILVA, 2003).
Predadores
- “Quem se alimenta dele? Todos nós e o guaxinim”. - Entre os predadores do caranguejo estão alguns crustáceos,
peixes, aves e mamíferos, incluindo o ser humano (SOUTO,
2007).
- Destacam-se entre os principais predadores do caranguejo-uçá:
a coruja (Pulsatrix pesrpicillata), o falcão (Buteogallus
arquinoctialis), o guaxinim (Procyon cancrivorus), o gambá
(Didelphis marsupialis), a raposa (Dusicion thos) e o homem
(Homo sapiens) (NASCIMENTO, 1993).
Comportamento
- “Ele é gordo em maio”. - Cada indivíduo ocupa uma única galeria, sendo muito
- “Se reproduz em dezembro, janeiro e fevereiro”. pronunciado o seu territorialismo (COSTA, 1972).
- “O caranguejo... ele desova na água”. - Segundo ALCÂNTARA-FILHO (1978), o caranguejo se
- “Cada caranguejo tem a sua toquinha”. reproduz de dezembro a maio. Segundo COSTA (1979), nos
meses de janeiro e março-abril.
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Guaiamum

Nome Popular
Guaiamum.
Nome em outras localidades
Caranguejo; Caranguejo-azul; Guaiumi; Goiamun.
Nome científico
Família Gecarcinidae
Cardisoma guanhumi Latreille, 1852.

Figura 41. Guaiamum.


Foto: Márcia F. Pinto.

Um caranguejo grande, bastante apreciado por todos, na região. É um dos


principais recursos do manguezal e são comercializados tanto na localidade como,
principalmente, no centro de Aracati e de Fortaleza. O guaiamum (Cardisoma guanhumi),
assim como os outros crustáceos, é classificado pelos entrevistados como marisco.
No Brasil, ele é bastante consumido na região costeira do Nordeste (MENDES,
2008) e no manguezal do Rio Jaguaribe. Comumente é capturado, utilizando-se a armadilha.
Depois de capturados com a ratoeira, os guaiamuns são colocados em pequenos reservatórios
nas casas dos catadores e são alimentados com milho e folhas de mangue, enquanto não são
vendidos. Esses animais são onívoros e, de acordo com os entrevistados, eles comem de tudo,
porém, no manguezal, se alimentam principalmente da folha do canoé e do patoral. Ele é
muito apreciado, porém é o que custa mais caro. Por conta disso, dizem que essa “qualidade
de caranguejo não é para pobre comer e quem come são os turistas”.
Os entrevistados comentaram que, hoje em dia, a quantidade de guaiamum
diminuiu por conta do número de pessoas que estão pegando-os para a comercialização. Além
do aumento do contingente de pessoas, capturando o guaiamum, outro motivo da diminuição,
comentando nos relatos, foi a construção dos viveiros que, com o desmatamento das áreas de
mangues, vem destruindo as “moradas” desses animais.
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Quadro 30. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Guaiamum.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “O macho é azul e a fêmea é amarela, mas tem fêmea - Os machos possuem uma quela bem desenvolvida e os adultos,
azul também”. de ambos os sexos, apresentam carapaça com coloração que vai
- “É que nem o caranguejo”. do azul escuro até tons de cinza e branco (BURGGREN &
- “Todo azul”. MCMAHON, 1988).
- Os juvenis geralmente possuem os pereiópodes alaranjados,
enquanto as fêmeas ovígeras frequentemente mudam a coloração,
apresentando carapaça cinza ou branca (LLOYD, 2001).
Habitat
- “Ficam no meio das gamboas”. - Encontrado principalmente na faixa de transição entre o
- “Tem mais nos altos, nas ilhas”. manguezal e a restinga mais alta (POR, 1994).
- “Não é no mangue mesmo não, é nas beiradas, nas - Característico dos locais de transição entre mangue e Mata
croas”. Atlântica, encontrados rio acima (MELO, 1996).
Predadores
- “É o preferido por todo mundo, mas é caro demais”. - O guanixim (Procyon cancrivorus) se alimenta de crustáceos
- “Quem come são os turistas”. (REIS et al., 2006).
- “É pegado por todo mundo”.
- “Guaxelo come”.
Comportamento
- “Constrói tocas fundas”. - Constrói tocas muito profundas (OLMOS & SILVA e SILVA,
- “Na época do inverno eles saíam do mangue e 2003).
apareciam nos sitos. Hoje em dia já não tem mais tanto - Possui hábitos noturnos e constrói galerias perto do mar, sempre
assim”. onde a água pode ser alcançada (MELO, 1996).
- “Ele engorda muito entre os meses de janeiro a maio,
mas em maio é quando ele tá mais gordo. Tudo por causa
da chuva, que faz nascer o pasto e ai o guaiamum come”.
- “Se reproduz no final do ano”.
- “Ele sai mais de noite”.
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Maria-farinha

Nome Popular
Maria-farinha.
Nome em outras localidades
Aratu; Caranguejo-marinheiro.
Nome científico
Família Sesarmidae
Aratus pisonii H. Milde Edwards, 1837.

Figura 42. Maria-farinha.


Foto: Márcia F. Pinto.

Um caranguejo parecido com o aratu (Goniopis cruentata), porém a maria-farinha


(Aratus pisonii) é menor e, em outras localidades, essa denominação de maria-farinha é dada
ao caranguejo Ocypode quadrata, encontrado em dunas e praias. O Aratus pisonii é
classificado como marisco e é bastante comum na região, estando presente em muitas porções
do manguezal.

Quadro 31. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Maria-
farinha.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Ele parece com o aratu”. - Sua cor imita a casca dos mangues, servindo de proteção
- “Ele é vermelho meio fraco”. (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
- “É menor que o aratu, bem miudim”.
Habitat
- “Fica nos paus, nas gamboas”. - Em estuários, sobre rochas ou em pilares de embarcadouros.
- “Em cima dos garranchos, nas ostras”. Comuns em manguezais, onde chega a subir nas árvores
- “Dentro do mangue”. (MELO, 1996).
- É um caranguejo que apresenta hábito arborícola, sendo
encontrado em ramos e troncos das árvores de manguezal
(WARNER 1967)
Alimentação
- “Come lama”. - A. pisonii é um importante membro da comunidade do mangue
- “Come folha do mangue”. vermelho, destruindo e prejudicando as folhas, em função de seu
- “Come folha do sapateiro”. hábito herbívoro (BEEVER et al., 1979).
- Os aratus são fitófagos, alimentando-se especialmente de
folhas vivas e brotos de mangue (POR, 1994).
- Alimenta-se de algas e pequenos animais (incluindo moluscos
e insetos) que crescem sobre os mangues, além das folhas do
mangue vermelho e de outras espécies (MELO, 1996).
Predadores
- “Peixe, bagre”.
Comportamento
- “Sobe nos paus, nas raízes dos mangues”. - Verdadeiro caranguejo arborícola, deslocando-se com rapidez
pelos troncos e galhos dos mangues, e também em pilares e
outras construções à beira da água (OLMOS & SILVA e SILVA,
2003).
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Siri

Nome Popular
Siri (croeiro).
Nome em outras localidades
Siri-azul; Siri-açú; Siri-tinga; Siri-mirim.
Nome científico
Família Portunidae
Callinectes danae Smith, 1869.
Figura 43. Siri.
Foto: Márcia F. Pinto.

Dentro de um nível genérico chamado de siris, os pescadores, de várias regiões,


identificam diversos tipos de siris (SOUTO, 2004), porém, no Cumbe, apesar do grande
conhecimento da maioria dos entrevistados, eles restringiram-se em falar apenas em duas
“qualidades”: o siri-croeiro, também conhecido por siri-azul (Callinectes danae) e o siri-
pimenta (Callinectes spp.).
O siri-croeiro, de acordo com os entrevistados, é azul e branco, mais “baixo” que
o caranguejo e com o corpo achatado; enquanto o siri-pimenta só difere do croeiro pela
coloração avermelhada. Eles são predadores típicos das áreas estuarinas, procurando alimento
nos bancos de lodo e nas florestas de mangue, durante a maré alta. Essa alimentação inclui
caranguejos pequenos e animais mortos (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003). Dentre os
animais que se alimentam do siri, foram indicados o guaxelo (Procyon cancrivorus),
principalmente, as siricóias (Aramides spp.) e o homem.
No Brasil, existe um potencial pesqueiro grande para as espécies do gênero
Callinectes, embora a captura deles seja praticada de forma artesanal por pequenas
comunidades pesqueiras, distribuídas por todo o litoral (SEVERINO-RODRIGUES, 2001).

Quadro 32. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Siri.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Fica no rio e no mangue”. - Encontra-se em manguezais e estuários lamosos. Também em
praias arenosas e mar aberto e entre-marés (MELO, 1996)
Abundância
- “Tem mais na época de inverno”. - Ocorre de águas salobras até hipersalinas (MELO, 1996).
Alimentação
- “Come peixe miúdo e camarão”. - Os itens mais importantes na alimentação da espécie C. danae
são moluscos, crustáceos Brachyura, poliquetas, insetos, peixes,
macrófitas, algas, entre outros (BRANCO & VERANI, 1997).
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Tesoureiro

Nome Popular
Tesoureiro; Mão-no-olho.
Nome em outras localidades
Chama-maré; Maracuaim; Tesoura; Violonista.
Nome científico
Família Ocypodidae
Uca maracoani Latreille, 1803.

Figura 44. Tesoureiro.


Foto: Heideger Nascimento
“Quando a maré é seca... as croas são cobertas deles” (Seu Raimundo).

Dentre as espécies do gênero Uca na região, o tesoureiro (Uca maracoani) é o que


mais se destaca devido à sua grande quela vermelha, ou, como é chamada pelos entrevistados,
“pata”. Ele é um marisco pequeno e bastante encontrado durante as marés secas, nos bancos
de areia do manguezal. De acordo com os entrevistados, ele não é utilizado na alimentação,
“porque é muito pequeninim”.

Quadro 33. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Tesoureiro.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “O tesoureiro tem a pata maior do que ele”. - A quela dos machos do gênero Uca pode atingir o extremo de
- “É um caranguejo pequeno, com uma pata vermelha, quatro vezes o comprimento da carapaça.
bem larga”. - Os machos de Uca exibem um dos extremos níveis de
- “O macho é que tem a pata larga, a fêmea tem duas assimetria do corpo dentre os animais bilaterais, tendo uma quela
patas bem pequenininhas”. gigante e a outra pequena, enquanto as fêmeas possuem um par
de quelas pequenas que lembram a pequena do macho.
(MASUNARI, 2006).
Habitat
- “Ele fica dentro d’água e no seco também”. - Ao longo das margens de baías calmas. Ocorre sempre ao nível
- “Ficam nas croas”. de maré vazante máxima, em substratos lodosos, perto de árvores
- “Tem na lama”. de mangue (MELO, 1996).
- “Na margem do rio”.
Alimentação
- “Se alimenta de lama, maresia e folha do mangue”. - O gênero Uca alimenta-se de uma variedade de bactérias e
microflora bentônicas (MASUNARI, 2006).
Predadores
- “O peixe pacamon, um da cabeça grande, o siri, o - Os Ucas são uma importante fonte de alimento para vários
guaxelo e a siricoia que comem”. animais como mamíferos, aves, peixes e caranguejos de grande
- “Peixe grande come eles”. porte do manguezal (CRANE, 1975 apud MASUNARI, 2006).
- “Ele é explorado pelo peixe pacamon”.
- “De noite, o tamatião pega ele”.
Comportamento
- “Eles aparecerem na maré seca”. - Sincronizam as atividades reprodutivas como cortejo,
- “Tem de noite também, mas é pouco”. acasalamento e liberação das larvas com as marés locais
(MASUNARI, 2006).
- Liberam suas larvas durante a noite, nas marés altas de sizígia
(SALMON et al., 1986 apud MASUNARI, 2006).
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Xixié

Nome Popular
Xixié; Xié.
Nome em outras localidades
Mão-no-olho; Tesoureiro; Tapa-olho; Chama-maré.
Nome científico
Família Ocypodidae
Uca spp.

Figura 45. Xixié.


Foto: Leonardo Peres.
“O xixié ficam mais nas vargem, quando a gente sai assim do mangue” (Seu
Raimundo).

O gênero Uca é bastante encontrado na região. De acordo com os entrevistados, é


um marisco cinzento, menor que o tesoureiro (Uca maracoani) e com a “pata” grande
amarela. Diferentemente da espécie Uca maracoani, as demais espécies não apresentam uma
quela vermelha e larga, mas uma quela grande de cor amarelada, branca ou esverdeada. Com
exceção da espécie U. Maracoani foram identificadas na região, mais três espécies do gênero:
Uca: U. leptodactyla, U. rapax e U. thayeri.

Quadro 34. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Xixié.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Ficam na vargem que é mais seco, é fora do mangue, - Vivem em galerias cavadas no lodo, ou na areia lamosa, na
mas perto d’água”. vizinhança dos manguezais. Nos mesmos substratos ao longo de
- “Tem onde a maré bota”. rios e riachos, e também, em lagoas. (MELO, 1996).
Alimentação
- “Come folha de mangue”. - Os Ucas alimentam-se de detritos do mangue (POR, 1994).
Predadores
- “Ninguém come, mas é comida de passarim”. - Os Ucas são uma importante fonte de alimento para vários
- “Siricóia come”. animais como mamíferos, aves, peixes e caranguejos de grande
porte do manguezal (CRANE, 1975 apud MASUNARI, 2006).
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3.5.4 Moluscos

Os moluscos são conhecidos como “mariscos” por todos os entrevistados. São


“animais com casca e com um miolinho dentro”, que são muito utilizados para alimentação
de subsistência, mas também como um recurso comercial, para Aracati e Fortaleza.
Dentre as atividades extrativistas mais antigas da humanidade, destaca-se a coleta
de moluscos para alimentação (SCHAEFFER-NOVELLI e CINTRÓN-MOLERO, 1999), já
que, desde tempos remotos, a abundância de alimentos existente nos manguezais atraía
agrupamentos humanos que viviam próximos ao litoral (ALVES & NISHIDA, 2002). Tal fato
é comprovado pela existência de sambaquis em áreas costeiras do Brasil, como na região do
Cumbe, onde existem sítios arqueológicos e sambaquis, contendo conchas de vários
moluscos, principalmente de ostras.
Entre os principais moluscos citados pelos entrevistados e encontrados no
manguezal da região estuarina do Rio Jaguaribe, destacam-se o aruá (Pomacea sp.), a buzana
(Teredo sp.), o búzio ou bebe-fumo (Anomalocardia brasiliana), a intã ou unha-de-velho
(Tagelus plebeius), o sururu ou mexilhão (Mytella sp.), a ostra (Crassostrea rhizophorae) e a
taioba (Iphigenia brasiliana).
“Vive enterrado na lama é a intã, taioba” (Seu Raimundo).

Os moluscos bivalves do mangue, como o sururu, a intã e alguns outros mariscos


podem ser encontrados enterrados na lama, fixando-se às raízes do mangue, como as ostras,
ou ainda dentro de troncos em decomposição, como o Teredo sp. (LEITÃO, 1995).
A atividade de extração de alguns deles, como o sururu e a intã, chama-se
mariscagem, na região do Cumbe (TEIXEIRA, 2008), conhecida também como “catação”, na
Paraíba e em outras localidades. É uma prática bastante rudimentar que geralmente estende-se
por todo o ano. É realizada com as mãos nuas ou com a utilização de ferramentas adaptadas
(NISHIDA et al., 2008).
“Minha mãe trabalhava com o sururu e eu aprendi bem pequenininha... ia com ela”
(Dona Raimunda).

A maioria das pessoas que pratica a mariscagem são mulheres, donas de casa e
crianças que ajudam na renda familiar.
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Alguns desses animais, como a buzana e o aruá, não são utilizados na comunidade
do Cumbe, embora sejam utilizados para alimentação, em outras localidades (BOFFI, 1979;
ANDRADE, 1983; SOUTO, 2004).
Quanto à alimentação desses “mariscos”, com exceção do aruá e da buzana, em
todos os relatos dos entrevistados, foi comentado que eles se alimentam de maresia, do
“lodozim” ou do lodo verde. De acordo com Souto (2004), as marisqueiras apresentaram uma
certa dificuldade ao falar sobre os hábitos alimentares dos moluscos bivalves, por conta da
natureza microscópica ou particulada do alimento e/ou ao modo de vida de alguns moluscos
que se enterram no sedimento, embora algumas pessoas tenham apontado, como itens
alimentares do bebe-fumo (Anomalocardia brasiliana), a areia, a lama, limo, salitre da maré,
caldo da maré ou salzinho, que em termos de ecologia acadêmica pode associar-se ao
plâncton ou à matéria orgânica em suspensão. Segundo Ruppert & Barnes (1994), a maioria
dos bivalves cavadores de fundo mole, componentes da infauna, explora a proteção oferecida
pela vida subterrânea em areia e lodo marinhos, enquanto utilizam o alimento em suspensão
na água.
Além de serem utilizados na alimentação e para o artesanato, os moluscos, em
especial os bivalves, representam bons indicadores ambientais. Eles são amplamente
utilizados como animais testes para estudos toxicológicos, já que, em sua maioria, são animais
filtradores, que, ao realizarem a filtração da água, entram em contato também com substâncias
que estão presentes no meio, sendo algumas destas substâncias prejudiciais aos indivíduos
(DAVID, 2007).
Foram citadas pelos entrevistados sete “qualidades” de moluscos, as quais
correspondem a cinco espécies e três ao nível de gênero. A lista completa encontra-se no
apêndice VI.
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Aruá

Nome Popular
Aruá.
Nome em outras localidades
Uruá; Arauá.
Nome científico
Família Ampullariidae
Pomacea sp.

Figura 46. Aruá.


Foto: Márcia F. Pinto.

De acordo com os entrevistados, os aruás (Pomacea spp.) são mariscos com


concha grande e arredondada, que não sobrevivem em águas “salgadas”, sendo, portanto,
encontrados nas regiões onde a água é doce, como nas “levadas”, próximas ao manguezal.
Eles se alimentam de pitú (Macrobrachium spp.) novo e realizam sua desova “nos pau”.
Além disso, são animais utilizados pela população local como alimento e para fazer
artesanato.

Quadro 35. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Aruá.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Predadores
- “O carão gosto é muito”. - O carão (Aramus guarauna) é uma ave que tem como alimento
básico os aruás, Pomacea (=Ampullaria) guyanensis
gastrópodes aquáticos (SICK, 1997).
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Buzana

Nome Popular
Buzana.
Nome em outras localidades
Turu; Teredo.
Nome científico
Família Teredinidae
Teredo sp.

Figura 47. Buzana.


Foto: Márcia F. Pinto.

A buzana do gênero Teredo é um animal bem diferente e bastante comum nas


madeiras de mangue. Apesar da aparência vermiforme, são moluscos que constroem longas
galerias revestidas com um tubo calcáreo no interior da madeira, perfurando-a e alimentando-
se dela (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003). Como seus predadores, foram citados os peixes,
como a pescada e o camurim, quando conseguem pegar o “bichim” fora da madeira.

Quadro 36. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Buzana.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É uma lagarta que entra no pau e come”. - O corpo do teredo é alongado e vermiforme (BOFFI, 1879;
- “É que nem uma lombriga”. RIOS, 1994).
Habitat
- “Fica nos paus do mangue canoé”. - Os Teredinidae são perfuradores de madeira e responsáveis
- “Nas madeiras... nas embarcações”. por inúmeros danos a barcos e pontões (BOFFI, 1879; RIOS,
1994).
Alimentação
- “Come madeira”. - O aproveitamento da madeira como alimento varia de espécie
para espécie; algumas dependem quase que exclusivamente do
plâncton como fonte de alimento (BOFFI, 1879).
Comportamento
- “Ela faz uma capa tipo uma casca da ostra e anda por - Encontra-se alojado num tubo revestido por calcário (BOFFI,
dentro dela”. 1879).
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Búzio

Nome Popular
Búzio.
Nome em outras localidades
Bebe-fumo; Papa-fumo; Berbigão; Vôngoli; Maçunin;
Chumbinho; Sernambitinga; Marisco; Marisco-pedra;
Sernabitinga.
Nome científico
Família Veneridae
Anomalocardia brasiliana Gmelin, 1791.

Figura 48. Búzio.


Foto: Cristiane Xerez.

É um molusco bivalve que ocorre em toda a costa brasileira (RIOS, 1994). Um


marisco bastante comum na região, porém não é muito utilizado na alimentação local.

Quadro 37. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Búzio.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É muidim”. - Concha triangular, com manchas escuras formando raios ou
- “Redondo”. pontos irregulares (RIOS, 1994).
- “Tem miolo dentro”.
Habitat
- “Ficam nas croas, no fundo do rio”. - Vive no sedimento lodoso das lagoas e canais do manguezal
- “São mais de água salgada”. (POR, 1994).
- “Poucos são os de água doce”. - Encontrado em bancos de areia e lama, em águas rasas (RIOS,
1994).
- Espécie que fica próxima à desembocadura do estuário
(BARROSO, 2006).
Alimentação
- “Come lodo verde”. - Espécie suspensívora (PETRAGLIA-SASSI, 1986).
Comportamento
- “Morre com água doce”. - Mostra uma tolerância relativamente limitada a salinidades
muito baixas (BARROSO, 2006).
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Intã

Nome Popular
Intã.
Nome em outras localidades
Pistoleta; Unha-de-velho; concha-navalha; Canivete; Unha-de-urubu.
Nome científico
Família Solecurtidae
Tagelus plebeius Ligthfoot, 1786.

Figura 49. Intã.


Foto: Márcia F. Pinto.

Considerada um “marisco de lama”, a intã (Tagelus plebeius) é bem comum no


manguezal do Rio Jaguaribe e bastante explorada pelas marisqueiras da região. Como afirma
Teixeira (2008), a intã é um marisco que fica enterrado na areia, no fundo do rio e é extraído
quando a maré está baixa.
“Pessoal pega mais a intã, porque taioba fica mais enterrada e tem mais pouco”
(Seu Raimundo).

Outra informação importante, com relação a esse marisco, é o fato observado


pelos entrevistados de que as intãs são mais encontradas no “verão” e morrem no “inverno”.
Segundo eles, as intãs “ficam doente na água doce”.

Quadro 38. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Intã.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Bicha do tamanho do dedo”. - Concha retangular, com 70 mm de comprimento, 20 mm de
- “É uma casquinha comprida”. altura e 15 mm de largura nos exemplares maiores.
- “Tem a casca meio branca”. - Concha de cor branco-amarelada e opaca (BOFFI, 1979).
- “É bem menor que a taioba”. - Concha em formato de navalha (RIOS, 1994).
Habitat
- “Fica debaixo da lama; dentro da lama”. - Nos bancos de lodo.
- “Só dão no salgado”. - Enterrados no sedimento (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
- “No rio... nas gamboa”. - Ficam no banco areno-lodosos (NISHIDA et al., 2004).
- “No fundo do rio”. - Geralmente presente nas bocas dos rios e enseadas, em bancos
de areia e lama (RIOS, 1994).
Alimentação
- “Come maresia”. - Suga o sedimento da superfície (OLMOS & SILVA e SILVA,
2003).
- Espécie suspensívora (PETRAGLIA-SASSI, 1986).
Predadores
- “A garça, o socó comem”. - As aves da família Ardeidae se alimentam de peixes, insetos
- “O guaxinim e a raposa”. aquáticos, caranguejos, moluscos, anfíbios e répteis (SICK,
- “Bagre, peixe”. 1997).
- O guaxinim (Procyon cancrivorus) se alimenta principalmente
de moluscos, insetos, peixes, caranguejos, anfíbios e frutos
(REIS et al., 2006).
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Ostra

Nome Popular
Ostra.
Nome em outras localidades
Gureri; Ostra-gaiteira.
Nome científico
Família Ostreidae
Crassostrea rhizophorae Guilding, 1828.

Figura 50. Ostra.


Foto: Márcia F. Pinto.
“É um marisco grande, mas tem de todo tamanho e dentro tem o miolo” (D.I)

A ostra (Crassostrea rhizophorae) é considerada um animal bem diferente, devido


a sua forma. É um marisco bastante abundante, porém na época de “inverno”, quadra
chuvosa, as ostras morrem. É um bivalve com valva direita, encaixando-se dentro da
esquerda, com margem interna lisa (BOFFI, 1978).

Quadro 39. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Ostra.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Ficam nas gamboas, dentro da maré”. - Ocupa a zona entre marés; quando em lagoas, prende-se às
- “Na lama e nos paus”. raízes de Rhizophora mangle; quando em praias, prende-se a
- “Agarrada nos paus, nas raízes do sapateiro”. rochas (BOFFI, 1979; RIOS, 1994).
- Cresce sobre as raízes dos mangues (OLMOS & SILVA e
SILVA, 2003).
- Fixa às raízes, caules e troncos do mangue-sapateiro ou
vermelho (Rhizophora mangle), expostas durante a maré baixa
(NISHIDA et al., 2004)
Alimentação
- “Se alimenta da maresia do rio”. - Filtra a água, retendo algas e animais microscópicos suspensos
na água (o plâncton), além de partículas orgânicas (OLMOS &
SILVA e SILVA, 2003).
Comportamento
- “A água doce mata... Eles apodrecem e morre tudim”. - Possui pequena tolerância a baixas salinidades (BARROSO,
2006; VILANOVA & CHAVES, 1998).
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Taioba

Nome Popular
Taioba.
Nome em outras localidades
Maçunim; Maçucunum;Tarioba.
Nome científico
Família Donacidae
Iphigenia brasiliensis Lamarck, 1818.

Figura 51. Taioba.


Foto: Márcia F. Pinto.

A taioba (Iphigenia brasiliana) é um marisco que, diferente dos outros, foi


considerado de pouca abundância, difícil de se encontrar na região. Porém o que se relatou foi
que, antigamente, havia mais e, com o tempo, o foi acabando.
“Tinha antes, mas hoje em dia num tem mais... não tem nem comércio pra ela... é
raro encontrar no mangue, mas mesmo assim a gente ainda encontra”
(Manel Marinheiro).

Quadro 40. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Taioba.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Maior que a intã”. - Concha trigonal, com 70 mm de comprimento, 50 mm de altura
- “É maior e mais funda que a intã”. e 30 mm de largura, nos exemplares maiores (BOFFI, 1879).
- “É que nem o búzio, só que mais comprido”. - Concha alongada de cor creme com manchas laranja ou roxa na
- “Tem o miolo dentro do casco”. parte superior (NARCHI, 1972).
Habitat
- “Fica dentro da lama, enterrado”. - Bancos areno-lodosos (NISHIDA et al., 2004).
- Encontra-se logo abaixo da zona entre marés, enterrando-se a
pequena profundidade no substrato lodoso (BOFFI, 1879).
- Enterram-se até 20 cm de profundidade em sedimento arenoso.
Pouco comum (NARCHI, 1972; DIJCK, 1980).
Predadores
- “Passarim do bico grande que come como o socó boi”. - A família Ardeidae se alimenta de peixes, insetos aquáticos,
caranguejos, moluscos, anfíbios e répteis (SICK, 1997).
Comportamento
- “Morre no inverno”. - Espécie pouco tolerante a baixas salinidades (SANTOS, 2004;
- “Tem uns cachimbos que sai pra respirar”. BARROSO, 2006).
- Espécie que vive em águas calmas e na maré baixa, dois
orifícios distintos e separados feitos pelos sifões tornam-se
visíveis na superfície da areia. Os sifões são separados,
extensíveis e bem desenvolvidos (NARCHI, 1972)
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Sururu

Nome Popular
Sururu.
Nome em outras localidades
Mexilhão; Marisco-do-mangue; Bacucu; Bico-de-ouro.
Nome científico
Família Mytilidae.
Mytella guyanensis Lamarck, 1819.

Figura 52. Sururu.


Foto: Márcia F. Pinto.

É um marisco bem comum na região e que, a partir de pistas taxonômicas, foi


identificada como a espécie Mytella guyanensis. Possui conchas com cerca de 50mm e
coloração variada (BOFFI, 1979). Segundo o relato dos entrevistados, ele é encontrado
apenas, no verão, porém, no ano de 2008, não se via muito sururu no manguezal. Esta
observação não foi estudada e não se sabe os motivos desse acontecimento. É um molusco
comestível, consumido e bastante apreciado pelas populações litorâneas. Segundo os
entrevistados, também faz parte da alimentação do siri.

Quadro 41. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Sururu.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Tem uma casca e dentro o miolo”. - Apresenta concha grande (até 80 mm de comprimento) (BOFFI,
- “Tem miolo”. 1979).
- Concha alongada, em forma de cunha (RIOS, 1994)
Habitat
- “Fica dentro d’água e na lama”. - Vive em fundos de vasa preta, ricos em matéria orgânica, presa a
- “Fica na água salgada”. substratos duros (BOFFI, 1979).
- Enterrada numa profundidade máxima de 1,0 cm (NISHIDA &
LEONEL, 1995).
Comportamento
- “Só dá no verão”. - São espécies eurialinas com salinidade mínima de 5 (PEREIRA
- “Cresce lá pra outubro”. el al., 2003).
- “Demora mais pra crescer que a intã”. - Observou-se em Santa Catarina que a reprodução é contínua,
- “A água doce do rio mata". com grande eliminação de gametas ocorrendo de agosto a
- “Ele é gerado da água da maré, na água salgada”. outubro (CARPES-PATERNOSTER, 2003).
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3.5.5 Peixes

“Peixe maior come os menor e os pássaros também come os peixes... Os peixes no


rio são bem menor do que os do mar... tem muito peixe que desova no rio, na água
doce... ai depois que cresce vai pro mar...” (Manel Marinheiro).

Muito dos entrevistados detêm um conhecimento enorme sobre o ambiente, sobre


as plantas e, principalmente, sobre os animais, em especial os peixes. Eles compreendem a
dinâmica ecológica, baseada na interação entre os fatores bióticos e abióticos, como a
influência da lua, o ciclo da maré, o vento, a época de chuva, dentre outros. Entendem
também as complexas teias alimentares, ao distinguir o tipo de alimentação dos animais, e os
seus predadores. Sabem como os organismos estão distribuídos, onde podem ser encontrados.
Também percebem o comportamento reprodutivo dos animais e a época em que eles desovam.
Dos animais da região, os peixes são os mais conhecidos e os mais abundantes.
Devido a sua grande diversidade, buscou-se, na presente pesquisa, coletar informações a
respeito das espécies mais comuns a partir do conhecimento popular e, dessa forma,
apresentar de maneira ilustrativa um pouco da ictiofauna do Rio Jaguaribe.
Segundo Aguiar (1973), os bagres, tainhas, pescadas e carapebas são as espécies
de maior importância comercial na zona estuarina do Rio Jaguaribe. Na pesquisa da
Ictiofauna dos Estuários do Estado do Ceará pelo Programa do ZEE da Zona Costeira do
Estado do Ceará (SEMACE/LABOMAR, 2005), o estuário do Rio Jaguaribe possui o maior
número de espécies de peixes em quantidade, com 129 registradas.
Muitas espécies de peixes foram citadas e comentadas pelos pescadores, algumas
distinguidas pelas suas “qualidades” dentro de uma “família”, como, por exemplo, a “família”
do baiacu (família Tetraodontidae e Diodontidae), com cinco “qualidades” encontradas: o
baiacu-caixão e o baiacu-guarajuba, referentes ao gênero Lagocephalus; o baiacu-pintado
(Sphoeroides testudineus); o baiacu-camisa-de-meia (Colomesus psittacus); o baiacu-de-
espinho (Cyclichthys spinosus).
Diversas espécies desses peixes colonizam manguezais e estuários durante as
fases larvárias ou juvenil. São nesses ambientes, considerados “berçário” do mar, que eles
crescem, depois migram para o mar, mais ou menos quando atingem a fase adulta, embora
alguns colonizem os manguezais durante a fase larvária e, depois, tornem-se residentes;
outros penetrem nos manguezais apenas durante o período de maré alta, alimentando-se da
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grande diversidade de organismos e outros passem toda a sua vida em manguezais e estuários
(OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
De um total de 48.170 espécies reconhecidas de vertebrados, 24.618 são de
peixes, ou seja, o grupo mais numeroso (NELSON, 1994 apud ARAÚJO et al., 2004). Nos
ambientes estuarinos, eles representam 99% das espécies nectônicas, desempenhando um
importante papel ecológico nestes ambientes, transformando o potencial energético do detrito,
por consumo direto ou por predação sobre os organismos detritívoros; conduzindo energias
dos níveis tróficos inferiores para os superiores; trocando energia por importação (peixes que
penetram nos estuários e são predados ou capturados), ou por exportação (peixes migradores,
adultos ou jovens) com os ecossistemas vizinhos e armazenando energia através de espécies
que penetram nos estuários e passam boa parte de suas vidas nestes ambientes (ARAÚJO et
al., 2004).
Por conta dessa grande diversidade de espécies e principalmente dos nomes
populares dos peixes, que variam de região para região, muitos estudos etnoictiológicos estão
sendo realizados, ao longo de toda costa brasileira, revelando o valioso conhecimento dos
pescadores (MARQUES, 1991). Muitos desses estudos mostram como esses pescadores
artesanais possuem sofisticados sistemas classificatórios, com vários critérios de nomeação e
ordenação taxonômicos, tanto em níveis genéricos, como em específicos (SOUTO, 2004).
No trabalho de Alves & Soares-Filho (1996), na região estuarina do Rio
Jaguaribe, foram constatadas 85 espécies de peixes distribuídas em 43 famílias e 73 gêneros.
Dessas espécies, 20 são típicas de água doce e, das espécies estudadas, 51,76% encontraram-
se presentes tanto na época das chuvas como na época da seca, com uma porcentagem maior
na época das chuvas. Outro dado importante, no mesmo trabalho de Alves & Soares (1996),
foi a predominância das espécies carnívoras que ingerem acidentalmente o plâncton, mas que
apresentam comumente, em seu aparelho digestivo, pequenos peixes, camarões, caranguejos,
ostra, sururu, siri e larvas de crustáceos. Porém, de um modo geral, a ictiofauna foi
caracterizada como fito-zoófagas.
Todas as identificações desses peixes, com suas características morfológicas,
comportamentais, de distribuição, de relações ecológicas, dentre outras, foram possíveis
devido ao contato direto que os pescadores tem com o meio em que vivem, tendo o peixe
como um dos principais recursos da região. Muitas espécies foram citadas, e a lista completa
encontra-se no apêndice VII. A seguir, segue as informações obtidas de apenas algumas das
espécies citadas.
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Arraia

Nome Popular
Arraia Bico-de-remo.
Nome científico
Família Dasyatidae
Dasyatis guttata Bloch & Schneider, 1801.

Figura 53. Arraia


Foto: Thiago H. B.
“É um peixe com várias qualidades: bicuda, coã (sem rabo, bem fininha, amarelim,
chega nem a 2Kg), bico de remo, boca de gaveta, pintada (preta com branco)”
(Manel Marinheiro).

Dentre as “qualidades” de arraias encontradas no estuário do Rio Jaguaribe,


destacam-se, a partir de pistas taxonômicas, a bico-de-remo, também conhecida como arraia-
bicuda (Dasyatis guttata), a arraia-de-pedra, possivelmente referente à espécie Dasyatis
americana, a arraia-coã, conhecida ao longo do litoral brasileiro como raia borboleta
(Gymnura micrura), a arraia-pintada (Aetobatus narinari), a arraia-boca-de-agaveta, que não
foi possível inferir sua identificação e a arraia-de-chifre, que possivelmente se refere à
Rhinoptera sp. São “qualidades” de raias que, de acordo com os entrevistados, “preferem”
água salobra. Dessas espécies de arraias, foram identificadas pela SEMACE/LABOMAR
(2005) apenas as espécies Dasyatis guttata e a Aetobatus narinari e, no trabalho de Alves &
Soares-Filho (1996), a Dasyatis say.

Quadro 42. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Arraia
(Dasyatis guttata).
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É redonda”. - Assim como todas as raias, as nadadeiras peitorais são fundidas
- “Tem até umas com 40Kg no mar, e umas de 20kg no à cabela, formando um “disco”, que em D. guttata é cerca de 1,1
rio”. vezes mais largo do que longo.
- “Tem esporão em cima do rabo”. - Tamanho máximo entre 180 e 200cm de largura de disco.
- Possui um espinho longo e serrilhado (MENESES, 2008)
Habitat
- “É de água salgada, mas tem no rio também”. - Vive em fundos arenosos, lamosos e até mesmo calcários.
- “Dá mais no mar”. - Habitante de águas costeiras, neonatos ocorrem em estuários, e
poças de maré, adultos até uma faixa de aproximadamente 30m
de profundidade (SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Come peixinho, siri mole e moréia”. - No Ceará, alimenta-se de equinodermatas (Holoturidae),
sipunculídeos (Sipunculus sp.), anelídeos poliquetas (Eunicidae),
moluscos bivalves e gastrópodes e crustáceos, como camarões
do gênero Penaeus e siris do gênero Callinectes, além de peixes
da espécie Pomadasys corvinaeformis (SILVA; VIANA &
FURTADO-NETO, 2001).
Comportamento
- “Ela cava para tirar a pistoleta”. - Apresenta hábito puramente bentônico
(SEMACE/LABOMAR, 2005).
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Bagre

Nome Popular
Bagre.
Nome em outras localidades
Bagre-branco.
Nome científico
Família Ariidae
Genidens barbus Lacepede, 1803.

Figura 54. Bagre.


Foto: Rommel Feitosa.
“Tem um monte de qualidade dele... Tem o bagre-branco, mandim, zoião, fita, cagão
(do rabo fino e feio; come merda... ninguém come, porque ele fede), camboeiro,
canha-coco (bem amarelo), beiçudo (do mar) e areassu” (Dona Isabel).

Um peixe de muitas “qualidades” e considerado pelos entrevistados como um dos


mais capturados no estuário do Rio Jaguaribe. Dentre as espécies, destacam-se o bagre-branco
(Hexanematichthys herzbergii, Genidens barbus), o bagre-canha-coco (Cathorops spixii) e o
bagre (Hexanematichthys proops).

Quadro 43. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Bagre-
branco.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É meio branco, parece com um tubarão pequeno”. - Apresenta espinhos fortes e serrilhados nas suas nadadeiras
- “Tem a cabeça grande”. peitorais e dorsal, uma formidável defesa contra predadores
- “Tem Barba”. (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
- “Tem três esporões”.
Habitat
- “Tem no rio e no mar”. - Ocorre em águas estuarinas, mas pode ser encontrada em águas
costeiras e oceânicas (RIEDE, 2004 apud
SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Come camarão, sauna...”. - Alimentam-se de pequenos invertebrados do fundo, como
- “Xixié”. crustáceos, poliquetas, moluscos, além de aproveitar animais
mortos (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
Comportamento
- “Pra se defender o bicho usa uns esporões, que ave - Quando eretos, os espinhos aumentam o diâmetro do peixe,
Maria é uma dor medonha”. tornando-o mais difícil de capturar e engolir. Além disso, os
- “Fica com os filhotes na boca, cuidando”. espinhos apresentam glândulas de peçonha (veneno).
- A dor causada pelo espinho é bem conhecida por pescadores
que se ferem quando retiram estes peixes das redes ou do anzol
(OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
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Camurim

Nome Popular
Camurim.
Nome em outras localidades
Camurim-amarelo; Robalo.
Nome científico
Família Centropomidae
Centropomus parallelus Poey, 1860.

Figura 55. Camurim.


Foto: Manuela Gonzaga da Silva.

Considerado um dos maiores peixes do estuário do Rio Jaguaribe, camurim é o


nome utilizado para denominar várias espécies do gênero Centropomuns que são bastante
capturadas, consumidas e comercializadas na região.

Quadro 44. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Camurim (Centropomus parallelus).
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É o maior dos peixes daqui”. - Atinge 5kg de peso total (CLARO, 1994).
- “De 8 a 10kg”.
- “É quase branco, com umas listrinhas pretas”.
Habitat
- “Água salgada e doce”. - Habita regiões costeiras, estuarinas e lagoas costeiras com
fundos arenosos e macios (SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Peixe, camarão”. - Alimenta-se de pequenos peixes e crustáceos (BOUJARD et
al., 1997 apud SEMACE/LABOMAR, 2005).
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Camurupim

Nome Popular
Camurupim.
Nome em outras localidades
Camuripema; Tarpão; Camurupi.
Nome científico
Família Megalopidae
Megalops atlanticus Valenciennes, 1847.
Figura 56. Camurupim.
Foto: Reynaldo Marinho.

Uma espécie grande e muito valorizada na região. Quando pequena, é denominada


de pema e muito pescada no estuário do Rio Jaguaribe. De acordo com os entrevistados, o
camurupim aparece no rio para desovar, por volta do mês de janeiro e, depois que os filhotes
nascem, ele permanece por um tempo no estuário e, só depois, vão para o mar.

Quadro 45. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Camurupim.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É o pema grande”. - Espécie que atinge 100cm de comprimento total (CLARO,
- “De 100 a 90 Kg”. 1994).
Habitat
- “É mais peixe do mar... no rio é menor”. - Habita águas costeiras, baias, estuários e rios (BOUJARD et
al., 1997 apud SEMACE/LABOMAR).
Alimentação
- “Sauna, tainha”. - Alimenta-se de peixes como espécies de sardinha, anchovas,
- “Peixe de salto”. robalos e alguns ciclídeos e eventualmente caranguejos
- “Camarão”. (WHITEHEAD & VERGARA, 1978 apud
SEMACE/LABOMAR, 2005).

Pema
“É o camurupim pequeno” (Seu Didica)

Esta espécie habita águas costeiras, baías, estuários e rios (BOUJARD et al., 1997
apud SEMACE/LABOMAR, 2005). É um peixe que, quando cresce, é conhecido como
camurupim.

Quadro 46. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Pema.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É largo... meio chato”. - Corpo moderadamente comprido.
- “Tem a cabeça chata e o queixo comprido”. - Boca superior, com extremo anterior da maxila inferior
- “Tem muita espinha”. dirigido para cima (ARAÚJO et al., 2004).
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Caranha

Nome Popular
Caranha.
Nome em outras localidades
Pargo-mulato.
Nome científico
Família Lutjanidae
Lutjanus apodus Walbaum, 1792.

Figura 57. Caranha.


Foto: Rommel Feitosa.
“Vindo da vermeia” (Seu Didica).

É um peixe com coloração cinza-prateada, com reflexos variando de verde a


vermelho-alaranjados (ARAÚJO et al., 2004). É conhecido pelos entrevistados como “a
vermelha” de maior tamanho e bastante pescado no estuário do Rio Jaguaribe. A distinção
entre a caranha e a vermelha, ambas correspondendo à mesma espécie, é feita pelo tamanho e
pela coloração, como também pelo tipo de alimentação. De acordo com os entrevistados, a
caranha se alimenta de tesoureiros (Uca maracoani), aratus (Goniopsis cruentata), siris
(Callinectes spp.) com corpo mole e peixes pequenos, já a vermelha alimenta-se das flores
dos mangues e do lodozinho.
Tanto a espécie Lutjanus apodus e a Lutjanus analis se alimentam de peixes,
camarões, caranguejos, cefalópodes e gastrópodes (CLARO, 1994; ALLEN, 1985 apud
SEMACE/LABOMAR, 2005). Observa-se que os indivíduos jovens se encontram sobre
fundos de areia e em fundos barrentos de lagunas ou áreas de manguezais e estuários,
enquanto os adultos são encontrados em águas rasas, claras, mornas, costeiras e sobre recifes
de coral (SEMACE/LABOMAR, 2005). Com isso, pode-se concluir que a distinção do local
onde essas espécies se encontram quando jovens e adultas está relacionada com a alimentação
citada pelos entrevistados.
A partir de pistas taxonômicas, foi possível identificar duas espécies: Lutjanus
apodus e L. analis, enquanto que no estudo da SEMACE/LABOMAR (2005) foram
identificadas a L. griseus (caranha, caranha-do-mangue), a L. jocu (dentão), a L. synagris
(ariacó), a espécie L. apodus, que corresponde a caranha, e a L. analis correspondente à cioba.
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Vermelha

Nome Popular
Vermelha.
Nome em outras localidades
Cioba; Vermelho-caranha.
Nome científico
Família Lutjanidae
Lutjanus analis Valenciennes, 1828.
Figura 58. Vermelha.
Foto: Baumeier, E. (Fishbase).
“Vira o caranha, que é preto. Quando pequeno é vermelho” (Seu Didica).

Conhecida popularmente também como "vermeia", a espécie Lutjanus analis é um


peixe bastante capturado no estuário do Rio Jaguaribe. Dentre as “qualidades” listadas pelos
entrevistados, essa espécie é a única que está incluída no Livro Vermelho da IUCN, como
vulnerável (IUCN, 2004).

Quadro 47. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à
Vermelha.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Peixe pequeno e comprido”. - Pode alcançar 94 cm de comprimento total (IGFA, 2001).
Habitat
- “Tem no rio, no mar e nas pedras”. - Habita ambientes recifais e rochosos.
- Indivíduos maiores localizam-se em águas mais fundas,
enquanto que os jovens são mais comuns em regiões costeiras,
entre algas e pedras em estuários (SEMACE/LABOMAR, 2005).
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Carapeba

Nome Popular
Carapeba.
Nome em outras localidades
Carapeba-branca.
Nome científico
Família Gerreidae
Diapterus auratus Ranzani, 1842.

Figura 59. Carapeba.


Foto: Thiago H.B.

A partir de pistas taxonômicas, dentre as "qualidades" de carapeba, foram


identificadas quatro espécies: Diapterus auratus, Eucinostomus melanopterus, Eugerres
brasilianus e Gerres cinereus cujo nome vulgar utilizado no estudo da SEMACE/LABOMAR
(2005) se refere ao, carapicu, embora de acordo com as informações dos entrevistados e a
partir de pistas taxonômicas, o carapicu seja relacionado à espécie Eucinostomus argenteus.
De acordo com a informação dos entrevistados, os predadores desses peixes são
outros, peixes maiores e pássaros, como os tamatiões (Nycticorax nycticorax e Nyctanassa
violacea) e o socó-boi (Tigrisoma lineatum) e siricóias (Aramides spp.)

Quadro 48. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à
Carapeba.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um peixe pequeno”. - Atinge 34 cm de comprimento total (CERVIGÓN, 1993).
- “Branco”. - Corpo comprido e alto.
- “Tem o olho grande com uma rodinha vermelha ao - Olhos grandes (diâmetro ocular maior que o comprimento do
redor”. focinho).
- Coloração geral prateada com dorso escuro (ARAÚJO et al.,
2004).
Habitat
- “Vive no rio”. - Habita regiões costeiras rasas, especialmente estuários e lagunas
(SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Come os mariscos moles”. - Alimenta-se basicamente de invertebrados
(SEMACE/LABOMAR, 2005).
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Cavalo-marinho

Nome Popular
Cavalo-marinho.
Nome científico
Família Syngnathidae
Hippocampus spp.

Figura 60. Esqueleto de cavalo-marinho.


Foto: Márcia F. Pinto.

De acordo com os entrevistados, o cavalo-marinho é um peixe de corpo bem


diferente e que é encontrado na mesma época do sururu, ou seja, no período do “verão”,
quando chove pouco e aumenta a salinidade da água. No estudo da SEMACE/LABOMAR
(2005), a espécie Hippocampus reidi foi identificada no estuário do Rio Jaguaribe, porém é
possível que ocorra outra espécie muito semelhante a H. erectus.

Quadro 49. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao cavalo-
marinho.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Tem duas qualidades: o preto e o vermelho”. - Focinho tubular.
- “Preto e amarelo”. - Coloração geral cinza, marrom, vermelha, laranja ou amarela
- “É do tamanho do dedo”. (ARAÚJO et al., 2004).
- “Tem um bicozim”.
Habitat
- “Fica dentro d’água, nas beiradas”. - Encontra-se normalmente presa a gorgonias-do-mar ou algas,
- “Água salgada”. vegetação sub-aquática de estuários e nadando livremente a
meia-água (LIESKE & MYERS, 1994 apud
SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Lodozim nos paus”. - O local que o animal se fixa também é onde busca por recursos
alimentares, pois se alimenta de organismos associados ao
substrato, como a fauna fital e invertebrados planctônicos
(TEIXEIRA & MUSICK, 2001).
Comportamento
- “Quem tem os filhotinhos é o macho”. - Os machos apresentam uma bolsa incubadora, chamada de
- “É do verão”. marsúpio, onde a fêmea deposita seus óvulos. Após fecundado
- “Dizem que é bom pra quem tem asma... dava um chá pelo esperma do macho, os ovos desenvolvem-se dentro do
pras crianças tomar”. marsúpio, sendo os jovens expulsos por meio de contrações
musculares (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
- Torrado e moído, dado a tomar a asmáticos, produz efeitos
terapêuticos (ARAÚJO, 1957).
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Espada

Nome Popular
Espada.
Nome em outras localidades
Embira; Peixe-espada.
Nome científico
Família Trichiuridae
Trichiurus lepturus Linnaeus, 1758.

Figura 61. Espada.


Foto: Reynaldo Marinho.

Um peixe com corpo alongado, bastante capturado no estuário do Rio Jaguaribe.


De acordo com os entrevistados, esses peixes são mais frequentes no rio, nos meses de
outubro e novembro. Possuem uma ampla distribuição, ocorrendo em águas tropicais e
temperadas do mundo. Em outras localidades, é conhecido popularmente com embira.

Quadro 50. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Espada.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Tem cor de alumínio”. - Coloração geral prateada com reflexos metálicos e dorso mais
- “Não tem escama”. escuro.
- “É um peixe comprido”. - Corpo desprovido de escamas, alongado, bastante comprido
(ARAÚJO et al., 2004).
Habitat
- “Tem no rio e no mar”. - Espécie encontrada geralmente sobre fundos barrentos em
regiões costeiras e estuários (NAKAMURA, 1995 apud
SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Come os outros peixes pequenos”. - Indivíduos jovens alimentam-se principalmente de crustáceos
planctônicos e pequenos peixes, enquanto que os adultos se
alimentam principalmente de pesca e ocasionalmente de lulas e
crustáceos (NAKAMURA & PARIN, 1993 apud
SEMACE/LABOMAR, 2005).
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Mero

Nome Popular
Mero.
Nome em outras localidades
Merote.
Nome científico
Família Serranidae
Epinephelus itajara Lichtenstein, 1822.

Figura 62. Mero.


Foto: Duarte, L. O. (Fishbase)

Um peixe grande, que só é encontrado no estuário do Rio Jaguaribe quando


pequeno. Possui algumas "qualidades"; dentre elas as espécies Epinephelus itajara e
Mycteroperca bonaci, conhecida popularmente, em outras localidades, como sirigado.

Quadro 51. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Mero.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um peixe grande”. - Atinge 250 cm de comprimento total (ANON, 1994 apud
- “Preto com umas rajas amarelas”. SEMACE/LABOMAR, 2005) e 455kg de peso total
.- “Ele é grande no mar (uns 100Kg) e pequeno no rio”. (BULLOCK et al., 1992 apud SEMACE/LABOMAR, 2005).
Habitat
- “Tem no rio e no mar”. - Ocorre em lugares abrigados, em pedras, recifes de coral e
fundos lamacentos.
- Os indivíduos jovens e adultos podem ocorrer em áreas de
manguezais e estuários (CERVIGÓN et al., 1992).
Alimentação
- “Peixe e búzios”. - Alimenta-se principalmente de crustáceos, lagostas-espinhosas
particularmente; como também de tartarugas e de peixes,
inclusive raias (SEMACE/LABOMAR, 2005).
Predadores
- “A gente”. - Espécie importante comercialmente pelo sabor da sua carne,
capturada tanto pela pesca artesanal, quanto a industrial no
Ceará (SEMACE/LABOMAR, 2005).
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Moréia

Nome Popular
Moréia.
Nome em outras localidades
Moréia-verde; Moréia; Caramuru.
Nome científico
Família Muraenidae
Gymnothorax funebris Ranzani, 1839.

Figura 63. Moréia.


Foto: Nunes, J.L.S (Fishbase).

É um peixe com “qualidades” diferenciadas, principalmente pela cor e assemelha-


se bastante a uma cobra. No trabalho de Alves & SOARES-FILHO (1996) e no estudo da
SEMACE/LABOMAR (2005), não foi identificada nenhuma espécie relativa à moréia, no
entanto os entrevistados informaram e caracterizaram esse animal. A partir de pistas
taxonômicas referentes à morfologia, características comportamentais e da distribuição das
espécies do gênero Gymnothorax (CLARO, 1994), que, em muitas localidades, possuem a
denominação de moréias, é possível inferir que, no estuário do Rio Jaguaribe, essas espécies
podem ser encontradas.
Entre os peixes capturados por embarcações artesanais e pela frota artesanal, na
costa do estado do Ceará, segundo (CASTRO e SILVA et al., 2006), a Gymnothorax vicinus,
conhecida popularmente, em outras localidades, como moréia, moréia-boca-roxa e caramuru,
foi a mais representativa dentre as espécies do gênero Gymnothorax.

Quadro 52. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Moréia.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um peixe que parece uma cobra”. - A Gymnothorax funebris Ranzani, 1839 é uma moreia muito
- “Tem a boca grande”. grande de coloração uniforme verde escuro ao castanho (SMITH,
- “É verde e preta”. 1997).
Habitat
- “Fica na lama”. - A espécie G. funebris ocorre ao longo de costões rochosos,
- “Entocado nas pedras”. recifes e manguezais (BÖHLKE, 1978).
Alimentação
- “Come água viva... um bichinho pequeno que fica na - Alimenta-se principalmente durante a noite de peixes e
água”. crustáceos (CARVALHO-FILHO, 1999).
- “Peixe”.
- “Come siri mole”.
Comportamento
- “É valente” - Devido ao seu grande tamanho e agressividade, as picadas
- “Anda igual à cobra”. dessa moréia (Gymnothorax funebris Ranzani, 1839) são
particularmente perigosas (BÖHLKE, 1978).
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Mututuca

Nome Popular
Mututuca.
Nome em outras localidades
Murucutuca ocelada; Mutuca; Muriongo.
Nome científico
Família Ophichthidae
Myrichthys ocellatus Lesueur, 1825.

Figura 64. Mututuca.


Foto: Leonardo Peres.
Figura 65. Desenho da Mututuca.
Desenho: Raimundo Gonzaga da Silva.

“É a que chamam de cobra d’água” (Seu Raimundo).

Embora seja classificada por muitos dos entrevistados, como "cobra", venenosa e
agressiva, a mututuca (Myrichthys ocellatus) é uma espécie de peixe semelhante a uma
"cobra" e que, segundo SEMACE/LABOMAR (2005), não possui importância na pesca de
subsistência das comunidades costeiras e estuarinas, no Estado do Ceará, porém é bastante
importante na alimentação de alguns pássaros, de acordo com as informações dos
entrevistados.

Quadro 53. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à
Mututuca.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Ela é pintada... assim preto e branco”. - Atinge 110 cm de comprimento padrão (SMITH, 1997).
- “Tem vermelha”.
- “É comprida que nem cobra de veado”.
- “Parece com a jararaca”.
Habitat
- “Fica nos morros e rios”. - Espécie encontrada próxima a ilhas, fundos rochosos e de
- “Água salgada”. recifes de coral (SEMACE/LABOMAR, 2005).
- “Fica no fundo do rio”.
Alimentação
- “Come piabinha... peixe miúdo, camarão”. - Alimenta-se principalmente de caranguejos (RANDALL, 1968
apud SEMACE/LABOMAR, 2005)
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Pacamon

Nome Popular
Pacamon; Pacamão.
Nome em outras localidades
Pacamon-preto.
Nome científico
Família Batrachoididae
Batrachoides surinamensis Bloch & Schneider, 1801.

Figura 66. Pacamon.


Foto: Carvalho, A. (Fishbase).

É um peixe bastante capturado no estuário do Rio Jaguaribe, embora essa espécie


possua pouca importância na pesca artesanal das comunidades costeiras e estuarinas do
Estado do Ceará (SEMACE/LABOMAR, 2005). É caracterizado pelos entrevistados por
apresentar comportamento lento e por ter o corpo estranho, devido ao grande tamanho da
cabeça.

Quadro 54. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao
Pacamon.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um peixe pequeno”. - Atinge cerca de 57 cm de comprimento total e 2,3kg de peso
- “Preto”. total (COLLETE, 1978 apud SEMACE/LABOMAR, 2005;
- “Tem a boca e a cabeça grandona”. CERVIGÓN et al., 1992).
- “Tem um bucado de esporão pequeno”.
Habitat
- “Fica nos pau” - Predominante estuarina e marinha (CERVIGÓN et al., 1992)
- “Fica entocado nos ocos”. - Encontrada em fundos areno-barrentos e em águas rasas se
- “Enterrado”. camuflando no substrato. (SEMACE/LABOMAR, 2005).
- “No rio”.
Alimentação
- “Come siri, aratu...”. - Alimenta-se de pequenos moluscos gastrópodes, pequenos
- “O que ele encontrar ele come”. crustáceos como caranguejos e camarão, além de se alimentar de
outros peixes (IGFA, 2001).

Comportamento
- “Ele é leso”. - Não são tão ativos.
- “É manso”. - É inofensivo (IGFA, 2001).
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Pampo, pambo

Nome Popular
Pampo, pambo.
Nome em outras localidades
Pampo-cabeça-mole; Piraroba.
Nome científico
Família Carangidae
Trachinotus carolinus Linnaeus, 1758.

Figura 67. Pampo.


Foto: Flescher, D. (Fishbase).

De acordo com a descrição de alguns dos entrevistados, o pampo é um peixe de


cor amarelada, referindo-se a espécie Trachinotus carolinus, embora outra espécie também
possa ser encontrada na região, a Trachinotus goodei, que, de acordo com o estudo da
SEMACE/LABOMAR (2005), também é conhecida como pampo. É um peixe que, segundo
os entrevistados, é pescado mais no mar, podendo ser, também, capturado no rio.

Quadro 55. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Pampo.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “Chega no máximo a 3kg”. - 3,76 Kg de peso total (IGFA, 2001).
- “É bem amarelim”.
Habitat
- “Fica no rio”. - Ocorre em águas costeiras, em enseadas e estuários
- “Entra no mar, no rio. Entra e sai”. (CERVIGÓN et al. 1992).
Alimentação
- “O que encontrar”. - Alimenta-se de moluscos, crustáceos e outros invertebrados e de
- “Peixinho”. pequenos peixes (CERVIGÓN et al. 1992).
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Parum

Nome Popular
Parum.
Nome em outras localidades
Paru.
Nome científico
Família Ephippidae
Chaetodipterus faber Broussonet, 1782.

Figura 68. Parum.


Foto: Manuela Gonzaga da Silva.

Chamado também de parum-branco ou parum-rajado, o parum (Chaetodipterus


faber) é bastante capturado no estuário do Rio Jaguaribe e representa uma espécie de grande
importância na pesca artesanal das comunidades costeiras e estuarinas do Estado do Ceará
(SEMACE/LABOMAR, 2005). É uma espécie também comercializada como peixe
ornamental para fins de aquariofilia (CUNHA et al., 2008).

Quadro 56. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo ao Parum.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um peixe grande”. - Atinge 91 cm de comprimento total e 9 Kg de peso total
- “Meio largo”. (ROBINS & RAY, 1986 apud SEMACE/LABOMAR, 2005).
- “Ele é rajado”. - Corpo muito alto e comprido.
- “É um peixe com umas abas grandes”. - Coloração geral cinza-prateada (ARAÚJO e t al., 2004).
Habitat
- “Rio e mar”. - São animais pelágicos e ocorrem em águas costeiras de
pequenas profundidades (CERVIGÓN, 1993).
Abundância
- “Tem muito, de cardume”. - Adultos podem ser encontrados em cardumes com até 500
- “Mais no inverno”. indivíduos (LIESKE & MYERS, 1994 apud
SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Lodo nas pedras... nas ostras”. - Alimenta-se de uma grande variedade de invertebrados
marinhos (SEMACE/LABOMAR, 2005).
Comportamento
- “Tem tempo que fica mais no fundo e tempo que ele fica - São animais pelágicos e ocorrem em águas costeiras de
boiando”. pequenas profundidades (CERVIGÓN, 1993).
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Pescada

Nome Popular
Pescada-branca.
Nome em outras localidades
Calafetão; Cambucu; Cupá; Guatupucá; Pescada-
verdadeira; Pescada-cascuda; Pescada-selvagem.
Nome científico
Família Sciaenidae
Cynoscion acoupa (Lacepède, 1802).
Figura 69. Pescada.
Foto: Rommel Feitosa.

“Tem duas qualidades: a amarela (bicuda) e a branca (dente)” (C.L)

Um peixe muito apreciado na alimentação da população da região. Possui valor


comercial, com importância na pesca artesanal costeira e estuarina, sendo capturada
principalmente com rede de espera (SEMACE/LABOMAR, 2005). De acordo com os
entrevistados, a pescada possui algumas "qualidades", embora elas não sejam tão
diferenciadas. A partir de pistas taxonômicas, foi possível identificar três espécies: Cynoscion
acoupa, Cynoscion leiarchus e Cynoscion microlepidotus.

Quadro 57. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Pescada.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É grande”. - Pode alcançar 110 cm de comprimento total e 17Kg de peso
total (IGFA, 2001).
Habitat
- “Fica flutuando na água”. - Encontrada sobre fundos de lama em regiões costeiras e
- “Tem no rio, na lama”. estuários (bocas de rio) (SEMACE/LABOMAR, 2005).
- “No mar”.
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Solha

Nome Popular
Solha.
Nome científico
Família Achiridae
Achirus achirus Linnaeus, 1758.

Figura 70. Solha.


Foto: Krumme U. (Fishbase).

É um peixe comum de ser capturado no estuário do Rio Jaguaribe, embora tenha


baixo valor comercial e não tenha importância para a pesca artesanal costeira e estuarina do
Estado do Ceará (SEMACE/LABOMAR, 2005). De acordo com os entrevistados, a solha
apresenta coloração variada, “prefere” a água salobra e possui o corpo achatado. É muito
diferente devido ao fato de ter “um olho pra cima e outro baixo”. Apesar dessa descrição
errónea da posição dos olhos em lados opostos, todas as espécies de solha apresentam os dois
olhos localizados no mesmo lado, apenas no lado direito ou no esquerdo (ARAÚJO et al.,
2004)
Apesar de existirem algumas "qualidades", todas são denominadas de solha, com
exceção da solha-linguagem Etropus crossotus. A partir de pistas taxonômicas, foi possível
identificar: Achirus achirus, Achirus lineatus e Trinectes paulistanus.

Quadro 58. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Solha.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Fica na lama”. - Em fundos arenosos e barrentos de estuários, rios, onde as
- “A gente vê é muito nas gamboa”. vezes adentra (SEMACE/LABOMAR, 2005).
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Tainha

Nome Popular
Tainha; Peixe-de-salto.
Nome em outras localidades
Tainha-de-olho-amarelo; Tamatarana.
Nome científico
Família Mugilidae
Mugil incilis Hancock, 1830.

Figura 71. Tainha.


Foto: Rommel Feitosa.

Muito comum e bastante citada por todos os entrevistados, é uma espécie que se
reproduz entre janeiro a abril, agrupando-se em pequenos cardumes na foz dos rios, onde os
indivíduos jovens migram entre os estuários, na busca de alimento e para se proteger de
predadores (KEITH, 2000). Possui baixo valor comercial, no entanto, é de grande importância
para pesca artesanal costeira e estuarina de subsistência do Estado do Ceará
(SEMACE/LABOMAR, 2005).
Os entrevistados afirmaram que se trata de um peixe com várias "qualidades" e que
antes de ser denominado de tainha ele é conhecido como saúna. Ou seja, a tainha e a saúna
são a mesma espécie, representantes do gênero Mugil.

Quadro 59. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Tainha.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É um peixe com 1Kg no máximo”. - Esta espécie pode alcançar 40cm de comprimento total
- “É a sauna grande”. (THOMSON, 1978 apud SEMACE/LABOMAR 2005).
- “Branca”.
Alimentação
- “Lodo”. - Alimenta-se principalmente de algas microscópicas
- “Come lama”. (diatomáceas), detritos orgânicos e microfauna associada ao
sedimento (OLMOS & SILVA e SILVA, 2003).
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Saúna

Nome Popular
Saúna.
Nome científico
Família Mugilidae
Mugil curema Valenciennes, 1836.

Figura 72. Saúna.


Foto: Thiago H.B.

Muita apreciada pela comunidade local e, de acordo com os entrevistados, é a


tainha pequena. É um peixe de coloração branca, bastante pescado no estuário do Rio
Jaguaribe.

Quadro 60. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Saúna.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É bem pequenininha”. - Pode alcançar 90 cm de comprimento total (HARRISON, 1995
- “É bem branquinha”. apud SEMACE/LABOMAR, 2005) e 680 de peso total (IGFA,
2001).
Habitat
- “Vive no rio”. - Esta espécie habita regiões costeiras arenosas, mas também
ocorre em fundos barrentos de lagunas costeiras e de estuários,
adentrando às vezes nos rios (SEMACE/LABOMAR, 2005).
Alimentação
- “Ela come lama, que chega fica o risco dela na lama”. - Alimenta-se de algas microscópicas ou filamentosas e os
- “Não come peixe, nem camarão”. jovens de pequenos organismos planctônicos (CERVIGÓN,
1993).
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3.5.6 Serpentes

Dentre os répteis citados, destacaram-se as serpentes, chamadas de "cobras" e


consideradas como "o bicho que se arrasta".
A origem do nome mais comum para o grupo dos ofídios no Brasil, "cobra", já
indica o quanto a nomenclatura popular para esse táxon é delicada. Os colonizadores
europeus, da mesma forma que denominaram nossos nativos de "índios", ao se depararem
com as serpentes nativas, denominaram-nas de "cobra", nome popular da espécie Naja
tripudians, na Índia. Portanto, a terminologia mais correta para as espécies brasileiras deve ser
"serpente" (do latim serpsentis), já que não há ocorrência natural do gênero Naja em nosso
território (SANDRIN, PUORTO & NARDI, 2005).
Todos os entrevistados utilizaram apenas a palavra "cobra". Nenhum deles
comentou a existência de alguma serpente, ou sequer falaram a palavra serpente. Assim, nas
entrevistas, aparece somente a palavra "cobra".
Nas primeiras entrevistas, não ocorreram muitos comentários sobre as "cobras",
porém, durante conversas informais e entrevistas posteriores, emboras as falas fossem
realizadas com um certo receio, pois poucos demonstraram ter conhecimentos sobre esses
animais, foi possível se obter alguns dados sobre morfologia, hábito, relações ecológicas e
comportamento das principais cobras existentes no manguezal do Rio Jaguaribe.
Essas "cobras" são vertebrados da infraordem Serpentes, com corpo alongado,
todo recoberto com escamas epidérmicas córneas e que não possuem patas, pálpebras móveis,
nem ouvido externo (MELGAREJO, 2003).
Comumente, a denominação delas é relacionada a alguma característica corporal
(tamanho, coloração, estruturas), comportamental ou do habitat do ofício, independentemente
da origem étnica, embora, historicamente, a nomenclatura ofiológica de origem cabocla tenha
um baixíssimo nível de diferenciação específica (FERNANDES-FERREIRA, 2008).
Com relação aos predadores de muitas das serpentes, destacam-se as aves e
mamíferos, os quais são despistados e evitados através de defensivos diferenciados, que
envolvem a coloração e o comportamento (MARQUES et al., 2005 apud HUDSON, 2007).
Ao longo da pesquisa, foram citadas e identificadas pelos entrevistados oito
"cobras". A identificação das espécies pelos entrevistados foi realizada a partir de fotos, e as
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características informadas por eles foram correlacionadas com as citações na literatura


científica. De acordo com os entrevistados, dentre as "cobras" citadas, quatro não foram
relacionadas ao manguezal: a cobra-de-tabuleiro, também chamada de corre-campo
(Philodryas nattereri), a jararaca (Bothrops erythromelas), as cobras-coral (Micrurus
ibiboboca e Oxyrhopus trigeminus) e a cobra-preta que, possivelmente, podem ser duas
espécies a Clelia clelia e Pseudoboa nigra. Outra "cobra" citada foi a mututuca, porém essa
não é uma serpente, mas sim um peixe, já comentado anteriormente.
As serpentes que foram informadas e que estão presentes no manguezal do Rio
Jaguaribe, segundo os entrevistados, são: cobra-cipó (Oxybelis aeneus), cobra-de-veado (Boa
constrictor), cobra-verde (Leptophis ahaetulla e Philodryas olfersii) e a saramanta (Epicrates
cenchria). Elas estão organizadas em ordem alfabética, contendo informações a respeito das
espécies, com fotos e quadros de correlação de dados. A lista completa encontra-se no
apêndice VIII.
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Cobra-de-cipó

Nome Popular
Cobra-de-cipó
Nome científico
Família Colubridae
Oxybelis aeneus Wagler, 1824.

Figura 73. Cobra-de-cipó.


Foto: Diva M.B. Nojosa.
Figura 74. Desenho da cobra-de-cipó.
Desenho: Raimundo Gonzaga da Silva.

Considerada como muito comum na região, a cobra-de-cipó é um colubrídeo que


chega a ter 1m de comprimento e apresenta dentição opistóglifa (FERNANDES-FERREIRA,
2008).
Os entrevistados não souberam informar qual o tipo de alimentação dessa "cobra",
porém, de acordo com VANZOLINI, RAMOS-COTA & VITT (1980), ela se alimenta de
lagartos. Alguns dos entrevistados falaram que certos pássaros se alimentam dela, porém eles
não souberam informar quais.

Quadro 61. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Cobra-
cipó.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É bem fininha, que nem cipó”. - Corpo bastante delgado, com coloração dorsal pardo
- “Ela é meio roxa (cinza)”. acinzentada.
- Morfologia extremamente afilada, coloração marrom-
acinzentada e padrão de mimetismo com galhos e cipós secos.
(FERNANDES-FERREIRA, 2008).
Habitat
- “Ela fica junto com os paus”. - Possui hábito arborícola (VANZOLINI, RAMOS-COTA &
VITT, 1980).
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Cobra-de-veado

Nome Popular
Cobra-de-veado; Jibóia.
Nome científico
Família Boidae
Boa constrictor Linnaeus, 1758.

Figura 75. Cobra-de-veado.


Foto: Diva M.B. Nojosa.
Figura 76. Desenho da cobra-de-veado.
Desenho: Raimundo Gonzaga da Silva.

Essa “qualidade” foi citada pela maioria dos entrevistados, como uma “cobra”
comum na região, presente nos mangues, principalmente na região onde se encontra o
mangue-ratinho.Ela também pode ser vista nos sítios, próximas às bananeiras. O tijuaçu
(Tupinambis teguixin), também conhecido como teju, foi informado como o predador da
cobra-de-veado.

Quadro 62. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Cobra-
de-veado.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É pintada”. - Pode chegar até 4 metros de comprimento (VANZOLINI,
- “Ela é grande”. RAMOS-COTA & VITT, 1980).
- “Ela é marrom com as manchas pretas”.
Alimentação
- “Come passarim e rato”. - Tem preferência alimentar por mamíferos e aves
((VANZOLINI, RAMOS-COTA & VITT, 1980).
Comportamento
- “Não é venenosa”. - Subjuga suas presas por constricção (VANZOLINI, RAMOS-
COTA & VITT, 1980).
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Cobra-verde

Nome Popular
Cobra-verde
Nome científico
Família Colubridae
Leptophis ahaetulla Linnaeus, 1758.

Figura 77. Cobra-verde.


Foto: Diva M.B. Nojosa.

Figura 78. Desenho da cobra-verde.


Desenho: Raimundo Gonzaga da Silva.

Duas espécies foram apontadas como correspondentes à cobra-verde, classificadas


como duas "qualidades" dessa serpente, a Leptophis ahaetulla e a Philodryas olfersii. O
tijuaçu, o urubu, o carcará e a galinha foram citados, como predadores da cobra-verde, pelos
entrevistados.

Quadro 63. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico


relativo à Cobra-verde.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Morfologia
- “É fina”. - Médio porte, com coloração dorsal verde-azulada, com faixas
- “Pequena”. longitudinais nos flancos e na linha vertebral amarelas
- “Toda verdinha com papo amarelo”. (FERNANDES-FERREIRA, 2008).
- Pode chegar até 1m (VANZOLINI, RAMOS-COTA & VITT,
1980).
Habitat
- “Fica enrolada nos paus”. - Hábito semi-arborícola (VANZOLINI, RAMOS-COTA & VITT,
- “No mangue... qualquer um deles”. 1980).
Alimentação
- “Come cassote (risadas)”. - Alimenta-se pequenos anuros (VANZOLINI, RAMOS-COTA &
- “Inseto”. VITT, 1980).

Comportamento
- “Ela quase que voa... dá um pulo assim... que parece- Apresenta como comportamento defensivo abrir a boca, exibir
que tá é voando”. mucosa oral e desferir botes (HUDSON, 2007).
- “Abre bastante a boca”.
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Cobra Saramanta (Salamanta)

Nome Popular
Cobra saramanta, salamanta.
Nome científico
Família Boidae
Epicrates cenchria Linnaeus, 1758.

Figura 79. Saramanta.


Foto: Paulo César M. D. Mesquita.

Figura 80. Desenho da Saramanta.


Desenho: Raimundo Gonzaga da Silva.

Uma “cobra” que possui dentição áglifa, ou seja, sem estrutura para inoculação de
veneno, matando no entanto suas presas por constrição (VANZOLINI, RAMOS-COTA &
VITT, 1980). É bastante conhecida por todos os entrevistados, sendo considerada grande e
que mata por "arrocho", não sendo, portanto, "venenosa", confrontando, assim, a crendice
atribuída a Epicrates cenchria, denominada salamanta, com a injusta designação de
"venenosa" e "raivosa". Observação encontrada na pesquisa de FERNANDES-FERREIRA
(2008), e referida por todos os entrevistados.
Essa “cobra” é bastante grande e, de acordo com os entrevistados, pode chegar a
ter 3 metros de comprimento. Ela é pintada, semelhante à cobra-de-veado, apresentando umas
"pintas" brancas. Tem, como predadores, o gavião e o carcará, segundo informações dos
entrevistados.

Quadro 64. Correlação entre o conhecimento dos entrevistados e o conhecimento acadêmico relativo à Cobra
saramanta.
Características citadas pelos entrevistados Características citadas na literatura científica
Habitat
- “Fica no oco do pau... no pé de canoé”. - Hábito semi-arborícola (PUORTO, 2008).
- “Vive no mangue”.
- “A gente encontra também no lagamar”.
- “Tem nos morros”.
Alimentação
- “Come passarim”. - Alimenta-se principalmente de mamíferos e aves (PUORTO,
2008).
Comportamento
- “Ela não é venenosa, mas chega a matar só com o- Dentição áglifa, sem estrutura para inoculação de veneno,
arrocho dela”. portanto ela mata suas presas por constricção (VANZOLINI
RAMOS-COTA & VITT, 1980)
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3.5.7 Outros animais

Muitos animais estão presentes no manguezal, representando uma diversidade de


acordo com as características do solo, da água e das árvores desse ambiente.
Falar de todos eles é uma tarefa difícil, porém, para os que são mais comuns no
dia-a-dia de quem trabalha, trabalhou ou simplesmente conhece o manguezal, não é tão
complicado dar algumas características.
“- O canário-do-mangue come insetozinho das folha, grilim... sabe?”.
- Hum ... sei... e que mais de inseto tem por aqui?
- Inseto? Vala menina tu quer saber até disso também? (risadas)... Tem um monte!
(risadas)
- Mas lá no mangue?
- No mangue? Ah... lá tem muito maruim, mutuca e mosquito ““.
(Diálogo com Chico de Lôra)

Dentre os animais citados, destacam-se os insetos, como o maruim, o mosquito e a


mutuca.
“O maruim é um mosquito, também chamado de besouro, bem 'miudim', que
dizem ser gerado na lama. É bastante comum no mangue, principalmente quando a
maré vem lançando, que nem a mutuca. É considerado pior que o mosquito, quanto
a 'mordida', porém para espantá-los faz-se fumaça utilizando galhos de mangue”
(Chico de Lôra).

O maruim são representantes do gênero Culicoides da família Ceratopogonidae,


conhecidos popularmente por mosquito-do-mangue (por serem muito frequentes nas áreas de
mangue) ou mosquito-pólvora, nas matas úmidas e brejos (por se assemelharem a um grão de
pólvora) (WIRTH, DYCE & SPINELLI, 1988). São mais de 900 espécies desse gênero
espalhadas por todos os continentes. No Brasil, podem ser encontrados em maior intensidade,
principalmente nos meses quentes e úmidos, nas proximidades de brejos, mangues, rios etc
(NEVES et al., 1997).
Esses insetos possuem importância epidemiológica relacionada à picada das
fêmeas, cuja voracidade com que ataca o homem é bastante conhecida, podendo causar
dermatites pruriginosas e transmitir mansonelose, oncocercose e certas arboviroses (LINLEY,
HOCH, & PINHEIRO, 1983).
No trabalho realizado por Nordi (1992), na Paraíba, o caranguejeiro, antes de
entrar na área de mangue para iniciar a coleta, toma alguns cuidados básicos, desde a
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vestimenta até untar todo o corpo com óleo de cozinha e acender o “boi-de-fogo”. Esse é feito
com uma lata de óleo ou similar, aberta em um dos lados, com uma pequena janela próxima à
base oposta, para garantir a circulação do ar, alimentado constantemente com gravetos de
mangue acesos, que produzem fumaça para afugentar os insetos. Em Paracuru, litoral oeste do
Ceará, os catadores utilizam gás, querosene, sobre o corpo para espantar os mosquitos, já, nos
manguezais do Delta da Parnaíba, no Piauí, os catadores utilizam a fumaça produzida pela
madeira da siriúba (Avicennia sp.), de forma semelhante ao “boi-de-fogo”, como, também, é
feito no manguezal do Rio Jaguaribe, em Aracati.
“O mosquito é bem miudim com um ferrim... ele é depois da maré grande, do
lançamento” (Chico de Lôra).

O mosquito é a denominação utilizada para os representantes da família Culicidae


(EIZEMBERG, 2001). Segundo os entrevistados, o mosquito é gerado na lama, aparece em
toda parte e se alimenta de sangue. Os seus predadores são os pássaros, principalmente o
bacurau, da família Caprimulgidae. Os mosquitos são mais frequentes depois da “maré
grande”, porém não muito comuns quando tem lua, ou seja, em época de lua-cheia.
A mutuca, do tupi mu'tuka, é representante da família Tabanidae e caracteriza-se,
principalmente, pela sua picada que causa muita dor (EIZEMBERG, 2001). Segundo os
entrevistados, é um inseto semelhante à mosca e dizem ser gerada da flor do canoé, sendo
mais frequente quando a maré “vem lançando”, ou seja, está enchendo. As fêmeas tem hábito
hematófagos, enquanto que os machos são polenófagos, e a maioria das suas larvas são
aquáticas e predadoras (EIZEMBERG, 2001).
Um outro animal citado e classificado como inseto foi o grilo, caracterizado pelo
seu “canto” e por ser encontrado em todos os lugares, inclusive no mangue. De acordo com os
entrevistados, o grilo possui várias cores, com predominância da cor verde. Alimenta-se de
abelhas e folhas, e são seus predadores os pássaros e o soim. Ele é um inseto saltador, com
aparelho bucal mastigador e se caracteriza, também, pelos machos possuírem órgãos
estridulatórios nas asas anteriores, produzindo som pelo atrito das tégminas (EIZEMBERG,
2001).
“Inseto é sapo que come” (Chico de Lôra).

Com relação aos anfíbios, foram citados alguns, como os sapos que se alimentam
de muitos dos insetos e que são predados por aves, porém não são muito encontrados no
manguezal.
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Olmos & Silva e Silva (2003) comentam que os sapos, as rãs e as pererecas não se
estabelecem de forma permanente no manguezal, devido às águas salobras nesse ecossistema.
Isso ocorre porque a pele desses animais é permeável, tornando-os vulneráveis à desidratação
caso entrem em contato com a água salgada.
Por fim, o tijuaçu (Tupinambis teguixin Linnaeus, 1758) foi comentando pelos
entrevistados como um animal acinzentado, semelhante à lagartixa, comum nos "pé-do-
morro", não sendo muito encontrado no mangue, embora seja encontrado, às vezes, próximo
as gamboas. É um animal classificado pelos entrevistados como um não-inseto, da família da
lagartixa e do calango. Alimenta-se de insetos e chega a comer seus próprios filhotes.
Trata-se de um réptil grande, robusto e muito ligeiro, com quase dois metros de
comprimento e que vive em florestas, cerrados e caatingas, habitando buracos da terra com
larga abertura, cavados freqüentemente de baixo das raízes das árvores e se alimentam de
frutas e toda a espécie de criaturas menores, camundongos, rãs, vermes, insetos e ovos.
(VANZOLINI, RAMOS-COSTA & VITT, 1980; SANTOS, 1981).
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4. CONSIDERAÇÕES FINAIS

A Comunidade Sítio Cumbe mostra-se rica em paisagens que estão interligadas


com as modificações naturais e antrópicas ao longo dos anos, na região. A ocupação humana
transformou e continua transformando o ambiente de acordo com os usos sócio-econômicos
dos espaços. Os informantes (homens e mulheres), pescadores, marisqueiras, artesões e
aposentados conhecem essas paisagens e suas modificações e muito do que as compõem,
principalmente, o ecossistema manguezal, com suas particularidades. Eles sabem identificar e
classificar as plantas e os animais presentes no manguezal do estuário do Rio Jaguaribe.
Conhecem as plantas de mangue, as suas características morfológicas, sua distribuição e
utilização, bem como a relação dessas com as peculiaridades do ambiente, do solo, da água e
dos animais, estes bastante conhecidos pelos informantes. Tem ainda conhecimento sobre o
comportamento animal e sobre as relações ecológicas em que estes seres vivos estão
envolvidos.
Todo esse saber é transmitido pela oralidade na comunidade, porém, com o passar
do tempo, vem se perdendo entre os mais novos. Fazer o resgate desse conhecimento
empírico é trazer à tona uma riqueza incrível de informações sobre a natureza e sobre a
influência das atividades humanos nesse espaço. Esse conhecimento mostra-se como uma
fonte importante no levantamento da fauna e flora do manguezal, além de ser um verdadeiro
gerador de questionamento para futuras pesquisas científicas. Atentar para os saberes da
comunidade é respeitar e valorizar o conhecimento empírico como forma de complementar e
enriquecer o conhecimento êmico, ou seja, o conhecimento acadêmico.
O registro dos saberes dos informantes torna-se uma ferramenta importante no ensino
e na educação dos mais jovens da comunidade, sendo, também, uma forma de
reconhecimento do conhecimento popular nas pesquisas científicas e na importância desses
saberes para o entendimento da relação homem e natureza.
Como forma de divulgar o que se pesquisou, não apenas para a academia, será
distribuída uma cópia do trabalho para a biblioteca da Escola Municipal do Cumbe, inserida
no local da pesquisa, como também será feita uma apresentação sobre os resultados do
trabalho, para a comunidade.
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APÊNDICES

APÊNDICE I – QUADRO DA FLORA


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APÊNDICE II - QUADRO DA FAUNA


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APÊNDICE III – Nome científico das espécies vegetais citadas e seus respectivos nomes
populares utilizados na região do Cumbe, Aracati, Ceará.

Família Espécie Nome Popular no Cumbe Código (EAC)


Cyperaceae Cyperus articulatus L. Junco 44591
Poaceae Sporobolus virginicus (L.) Kunth Patoral 44592
Malvaceae Thespesia populnea Soland. Algodão-do-Pará 44593
Amaranthaceae Blutaparon portulacoides (St. Hill) Mears Pirrichiu 44594
Aizoaceae Sesuvium portulacastrum (L.) L. Pirrichiu 44595
Batidaceae Batis marítima L. Pirrichiu 44596
Rhizophoraceae Rhizophora mangle L. Mangue sapateiro 44597
Combretaceae Laguncularia racemosa (L.) Gaerten Mangue manso 44598
Malpighiaceae Stigmaphyllum sp. Café-brabo 44599
Avicenniaceae Avicennia schaueriana Stapf & Leechm Mangue canoé -
Avicenniaceae Avicennia germinans (L.) L. Mangue canoé -
Combretaceae Conocarpus erectus L. Mangue-de-ratinho -
Asclepiadaceae Cryptostegia grandiflora R. Br. Trepadeira -
Arecaceae (=Palmae) Copernicia prunifera (Mill) H. E. Moore Carnaúba -
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APÊNDICE IV – Nome científico das espécies de aves citadas e seus respectivos nomes
populares utilizados na região do Cumbe, Aracati, Ceará.

Nome Científico das espécies Nome Popular no Cumbe


Caprimulgus parvulus Bacurau (mangue)
Nyctidromus albicolis Bacurau (matas)
Hydropsalis torquata Bacurau (morros, dunas)
Pitangus sulphuratus Bem-te-vi
Conirostrum bicolor Canário-do-mangue (sibite-do-mangue)
Platalea ajaja Colhereiro
Aramus guarauna Carão
Milvago chimachima Carcará
Caracará plancus
Icterus jamacaii Currupião
Cathartes spp. Gaivota
Coragyps atratus
Gallinula chloropus Galinha d’água
Bubulcus ibis Garça-branca
Ardea alba Garça-branca-grande
Egretta thula Garça-branca-pequena
Egretta caerulea Garça-parda
Porphyrio martinica Jaçanã-estrela
Leptotila verreauxi Juriti
Fluvicola nengeta Lavandeira
Tringa melanoleuca Maçarico-grande
Tringa flavipes
Tringa semipalmatus
Limnodromus griseus
Actitis macularius Maçarico-pequeno (Balança-cú)
Nyctibius griseus Mãe-da-lua
Furnarius leucopus Maria-de-barro
Columba livia Pombo
Columbina passerina Rolinha
Columbina talpacoti
Columbina picui
Columbina squammata
Thraupis sayaca Sanhaço
Aramides cajanea Siricóia
Aramides mangle
Numenius phaeopus Sirizeta
Tigrisoma lineatum Socó-boi
Butorides striata Socó-pequeno
Nycticorax nycticorax Tamatião-claro
Nyctanassa violacea Tamatião-escuro
Cathartes spp. Urubu
Coragyps atratus
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APÊNDICE V – Nome científico das espécies de mariscos (crustáceos) citados e seus


respectivos nomes populares utilizados na região do Cumbe, Aracati, Ceará.

Nome Científico das espécies Nome Popular no Cumbe


Goniopis cruentata Aratu
Penaeus spp . Camarão
Ucides cordatus Caranguejo
Cardisoma guanhumi Guaiamun
Aratus pisonii Maria-farinha
Callinectes danae Siri-croeiro
Callinectes spp. Siri-pimenta
Uca maracoani Tesoureiro
U. leptodactyla Xixié
U. rapax
U. thayeri.

APÊNDICE VI – Nome científico das espécies de mariscos (moluscos) citados e seus


respectivos nomes populares utilizados na região do Cumbe, Aracati, Ceará.

Nome Científico das espécies Nome Popular no Cumbe


Pomacea sp. Aruá
Teredo sp. Buzana
Anomalocardia brasiliana Búzio
Tagelus plebeius Intã
Crassostrea rhizophorae Ostra
Iphigenia brasiliensis Taioba
Mytella spp. Sururu
Mytella guyanensis
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APÊNDICE VII - Nome científico das espécies de peixes citadas e seus respectivos nomes
populares utilizados na região do Cumbe, Aracati, Ceará.

Nome científico das es pécies Nome Popular no Cumbe


Hemiramphus balao Agulha
Hyporhamphus unifasciatus
Strongylura marina Agulhão
Strongylura timucu
Anchoa hepsetus Arenque
Anchoa spinifer
Cetengraulis edentulus
Lycengraulis grossidens
Aetobatus narinari Arraia
Dasyatis americana
Dasyatis guttata
Dasyatis say
Gymnura micrura
Rhinoptera sp.
Thalassophryne nattereri Aniquim
Lagocephalus laevigatus Baiacu-caixão
Baiacu-guarajuba
Colomesus psittacus Baiacu-camisa-de-meia
Cyclichthys spinosus Baiacu-de-espinho
Sphoeroides testudineus Baiacu-pintado
Hexanematichthys proops Bagre
Hexanematichthys herzbergii Bagre-branco
Genidens barbus
Cathorops spixii Bagre-canha-coco
Polydactylus virginicus Barbudo
Sphyraena barracuda Barracuda, Bicuda
Centropomus spp. Camurim
Centropomus ensiferus Camurim-robalo
Centropomus undecimalis Camurim-cabo-de-machado; Camurim-flecha
Megalops atlanticus Camurupim; Pema
Lutjanus analis Caranha; Vermelha
Lutjanus apodus
Diapterus auratus Carapeba
Eucinostomus melanopterus
Eugerres brasilianus
Gerres cinereus
Eucinostomus argenteus Carapicu
Hippocampus reidi Cavalo-marinho
Pomadasys corvinaeformis Cururuca; Coro-branco
Trichiurus lepturus Espada
Selene vomer Galo
Trachinotus falcatus Garabebéu
Caranx crysos Garajuba, Xixá
Genyatremus luteus Golosa
Micropogonias furnieri Judeu
Ogocephalus vespertilio Morcego-d’água; Peixe-morcego; cachimbo
Epinephelus itajara Mero
Mycteroperca bonaci
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Gobionellus oceanicus Moré-boca-de-ouro


Eleotris pisonis Moré-preto
Gymnothorax spp. Moréia
Myrophis punctatus Muriongo
Myrichthys ocellatus Mututuca
Batrachoides surinamensis Pacamon
Chloroscombrus chrysurus Pelombeta; Palombeta
Trachinotus carolinus Pampo
Trachinotus goodei
Chaetodipterus faber Parum
Trachinotus goodei Pelado
Cynoscion acoupa Pescada
Cynoscion leiarchus
Cynoscion microlepidotus
Archosargus rhomboidalis Salema
Achirus achirus Solha
Achirus lineatus
Trinectes paulistanus
Etropus crossotus Solha-linguagem
Mugil spp. Saúna; Tainha
Lobotes surinamensis Xancarrona
Caranx hippos Xaréu
Caranx latus
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APÊNDICE VIII - Nome científico das espécies de serpentes citadas e seus respectivos
nomes populares utilizados na região do Cumbe, Aracati, Ceará.

Nome Científico das espécies Nome Popular no Cumbe


Oxybelis aeneus Cobra-de-cipó
Philodryas olfersii Cobra-verde
Leptophis ahaetulla
Boa constrictor Cobra-de-viado
Philodryas nattereri Cobra-de-tabuleiro; Corre-campo
Clelia clelia Cobra-preta
Pseudoboa nigra
Micrurus ibiboboca Coral
Oxyrhopus trigeminus
Bothrops erythromelas Jararaca
Epicrates cenchria Saramanta