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RESUMO PARAGRAFAR

TURNER, Terence. Representing, resisting, rethink: historical transformations of Kayapo culture


and anthropological consciousness. In: In: Front Cover: University of Wisconsin,  1991.

Chegando na aldeia Karapó de Garotine com a carta de autorização e sendo impedidos de entrar
pelo responsável pelo SPI

O Chefe de Inspeção Regional do SPI e o acordo com os Karapó de coleta de Castanha do Parã em
troca de mercadorias

Cooptando os chefes Karapós e formando uma Polícia Indígena para manter os "acordos" e
pacificação

A necessidade de ajuda com remédios e a Missão Cristã Evangélica Brasileira com suas ações
etnocêntricas

A resistência dos Karapó à conversão. Eles não tinham consciência individualista, mas sim
coletivista. O traquejo político do chefe que "fingia" estar se convertendo

Os evangélicos não tinham uma política de "comprar" os índios com mercadorias. O SPI tinha, mas
não eram muito organizados para isto. Queriam evitar violências contra os colonos locais.

Os Missionários e os agentes do SPI monopolizavam o acesso à toda infraestrutura e bens, tornando


os Gorotire dependentes de ambos

O SPI desconfigurou a aldeia circular e os Missionários destruíram a "Casa dos Homens", para
produzir uma assimilação dos Kayapó. Mas os Gorotine resistiam ás mudanças.

Transformações das formas de vestir. Os Kayapó passam a trajar-se à maneira dos não-indios para
facilitar as relações, no dia a dia.

Mas nas cerimônias tradicionais, as roupas e ornamentos voltavam a ser utilizadas pelos Gorotine.

A cerimônia da dança em forma circular, adaptada à configuração da aldeia, uma expressão de


resistência.

O banquete de tartarugas. Os ritos de Rapto de mulheres em forma lúdica.

A despeito das mudanças culturais, os antropólogos queriam descobrir o "autêntico sistema social e
cultural dos Kayapó" sob as camadas ideológicas impostas a eles.

Para conseguir os produtos que queriam, os Kayapós atacavam os colonos seringueiros e outras
tribos. Agora recebiam esses produtos gratuitamente se não fizessem violência. "a guerra
continuava, mas por outros meios."

Depois de assentados no Posto do SPI, ficava cada vez mais difícil obrigar funcionários públicos e
missionários à dar os commodites. Quanto mais eles ficavam, mais pacíficos iam se tornando.

Os ritos e cerimônias, como visto, continuavam a funcionar, produzindo o ethos Kayapó: com as
iniciações, os ritos de agregação e separação, casamentos, etários etc.
Esses ritos e cerimônias eram um instrumento de empoderamento social que fazia a vida valer a
pena.

Os Kayapó não tinham ideia de que seus ritos e cerimônias eram uma cultura, fruto de sua própria
história e criados por homens e mulheres. Diziam que eram tradições de heróis míticos.
(Alienação?)

A falta de consciência social Kayapó fazia diminuir sua potência de resistência política.

25 anos depois, Terence Turner volta à aldeia e percebe que os Kayapó tinham construído uma
consciência social para lutar por sua autonomia.

A Cosmologia da aldeia Kayapó: A casa dos Homens (inferior e superior); o terreno "negro" ou
"neutro" (Zona Limiar?*); o comprimento leste oeste "derrota e ponta"

A Casa e a Aldeia são réplicas de um modelo cosmológico: Por do sol e nascer do sol; Circulos que
evocam a ideia de transição entre a energia natural em formas sociais.

Esta forma de concepção evoca noção de centralidade cósmica. Quem esta fora da aldeia, não é
"Humano" da mesma qualidade que o Kayapó. São Kakrit "pessoas de pouca beleza".

Quando ganham Consciência Social, esta dinâmica cósmica se transforma. O Kayapó passa a ver o
não-kaiapó como "humanos", já que foram obrigados a interagir com os não-indios. E passam a ver
outras tribos como "aliadas - da mesma cultura que a sua" na luta por autonômia.

Este descentramento cosmológico foi o resultado pragmático da relação de interdependência dos


Kayapós com os não índios, mas não é uma simples reação, mas sim uma decisão consciente dos
Kayapós.

Os princípios estruturais básicos da nova visão são os mesmos, mas as relações estruturais mudaram
em forma e conteúdo.

O universo Kayapó agora inclui os "brasileiros" e inclui outros índios como dentro da categoria
"brasileiros" como círculos concêntricos: Natureza, Sociedade, Brasileiros, Indios, Kayapós.

O movimento dos indios é o de preservação da natureza. A dos não-indios "brasileiros" de


destruição de predação. Assim como no "Princípio Estrutural", à uma dialética entre o "raiz
crescente" e "ponta exaurida".

A totalidade social agora possui um lado nativo e um lado brasileiro: Do primeiro preserva-se as
tradições e a identidade, do segundo performatizam-se nas roupas, troca de mercadorias, itens de
propriedade privada, panelas etc.

A separação entre o "apecto kayapó" e o "aspecto brasileiro" aparece nas formas retóricas e no uso
das mercadorias.

Há uma luta implícita nesta forma de viver. Por baixo das roupas estão as pinturas corporais. Duas
aldeias são construídas, uma no estilo tradicional e outra no urbano brasileiro.

Em 1960 as bainhas de pênis foram substituídas pelos short. Os chefes indígenas passaram a se
vestir com roupa social. Os adereços indígenas foram deixados de lado.
25 anos depois, os cabelos compridos voltam a ser usados. Os protetores labiais. Usam short mas
sem camisa, com as pinturas corporais. Cocar de penas. Um tipo de vestir meio a meio.

Os Kayapós começaram, entre as décadas de 1970 e 1980 a assumir o controle das suas instituições
política e agências ideológicas.

Os Antropólogos foram muito importantes para valorização da cultura kayapó. Dedicando a vida,
recursos, remédios e mediações políticas, atuaram na emergência da consciência social.

A ação dos antropólogos gerou um efeito acumulativo na reflexão Kaiapó. O simples ato de fazer
trabalho de campo, observação participante, significava valorização da cultura e desconfiança por
parte dos dominadores (Missionários e Funcionários Públicos).

Os Kayapó ganharam então, um novo nível de consciência de sua "cultura".

As lutas internas e externas: Pela terra e pela autonomia. Controlar totalmente a aldeia/porto
indígena e lutar politicamente.

Os Goroti viraram médicos, operadores de rádio, funcionários públicos, cortando os laços de


dependência servil com os não-indios.

Os Goroti viraram mecânicos, tem avião próprio, contratam pilotos, possuem contas bancarias
administradas por eles, são missionários em igrejas na própria aldeia.

Organizaram outras tribos para fazer uma ofensiva política orquestrada.

Várias conquistas ocorreram e apoio da comunidade internacional, como o cantor Sting.


Expulsaram garimpeiros, impediram a construção de usinas, existiram a retirada de lixo radioativo
das fronteiras de suas terras.

Terence Turner afirma que não havia refletido, na época de seu campo, em sua própria postura de
objetividade metodológica e "participação" não intervencionista.

O retorno de Turner aos Karapó para a filmagem de seu "Mundos Desaparecidos" em 1987 foi o
momento de reflexão para pensar o antes e o depois.

Os Kayapó passam a assimilar a gramática brasileira para seu próprio benefício.

O antropólogo também ganha consciência com os nativos com quem estuda: No caso de Turner
passou de "observador participante" para um "ator observador e comunicador"

Uma mudança na forma de filmar documentários: Focar nas lutas por empoderamento e resistência.

Os Kayapó também foram se apropriando das tecnologias e técnicas de representação de sua própria
cultura por meio de mídias.

Os Kayapós passam a produzir os eventos que pretendem filmar - manifestações ou Congressos


indígenas - para ter visibilidade e autonomia

Turner e Payakan (chefe indígena) aliados na produção das filmagens das movimentações políticas
dos Kayapó.
As filmagens tinham como objetivo dar visibilidade internacional à causa indígena, e forçar o
governo à enviar representantes para dialogar. O Antropólogo tem um papel importante na ação
política neste caso.

Intenção de Turner no primeiro documentário: Demonstrar que a cultura Kaiapó é capaz de se


flexibilizar para resistir e lutar por sua auto-determinação.

A fita gravada por um líder Kayapó para a outra tribo, reclamando sobre a proximidade com os
brasileiros, e as reações enraivecidas.

Na segunda tribo, os Kayapó já utilizavam equipamentos para gravar seus próprios vídeos. O
Documentário de Turner aproveitou estes vídeos, assim o filme teria sido uma obra de co-autoria.

O uso de vídeos na luta política transforma o antropólogo: De observação participante para


participação observadora.

Desta forma, a ética do antropólogo em campo é repensada. O usuário antropológico da mídia


interfere em como a mídia será apresentada.

Ao usar técnicas de filmagem para documentar a cultura, a própria cultura também está mudando. A
própria realidade documentada se transforma quando é filmada.

O Antropólogo está "representando" a cultura, está interpretando e criando modos de consciência


específicos, o que precisa ser refletido pelo pesquisador.

Turner, na sua experiência etnográfica, tornou-se um instrumento cultural do povo cuja cultura
tentava documentar.

A bolsa da Fundação Spencer para treinar cineastras Kayapós para promover o desenvolvimento da
autoconsciência cultural e social e estudar as formas que ela assume.

Nos Documentários de 1987 Turner percebe que os kayapó estavam em uma luta interétnica onde
eles eram os próprios protagonistas, enquanto ela era um assessório.

Os Índios passaram a roteirizar o Antropólogo, para que este atendesse ás suas finalidades. De
observador passou a ser observado.

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Turner fez 7 viagens de campo aos Kayapó.