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Direito Internacional Privado.

• Objeto  o direito internacional privado resolve, essencialmente, conflitos de leis no


espaço referentes ao direito privado, ou seja, determina o direito aplicável a uma
relação jurídica.

• Procura oferecer por meio de normas específicas, instrumentos destinados a indicar


qual das normas em conflito deve ser aplicada pelo juiz ao caso concreto.

• Ele não pretende apreciar, tampouco solucionar o mérito da lide, apenas orienta sobre
a escolha a ser feita entre duas ou mais normas concorrentes.

• É um direito por essência privado.

• O Direito Internacional Privado é, portanto, um Direito essencialmente interno,


porquanto se preocupa primeiramente com a soberania do país e depois com a
integração do Direito externo, necessitando esta, por isso, estar de acordo com aquela.

• Em suma, o DIP propicia meios para que o Direito externo ingresse no interno sem que
a soberania nacional seja afetada.

• O Direito Internacional Privado destina-se a resolver unicamente o conflito externo


entre normas, ou seja, o conflito entre normas internas e internacionais, e não o conflito
interno, ou seja, conflito entre normas internas reguladas de modo diverso.

Direito Internacional Público e Direito Internacional Privado .

• O direito internacional público é o conjunto de normas que regula as relações externas


(questões militares, econômicas e políticas dos Estados), dos atores que compõem a
sociedade internacional. Tais pessoas internacionais são as seguintes(Estados,
organizações internacionais).

• O DIPrivado se baseia na resolução de conflitos entre normas (principalmente


envolvendo interesses privados) internas dos Estados.

Crítica

Alguns doutrinadores entendem que a principal fonte do direito internacional privado é a


legislação interna de cada ordenamento jurídico, portanto não vale falar em direito
internacional (autoria interna).

Exemplos: Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro.

• Art. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e
o fim da personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.
§ 1o Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos
impedimentos dirimentes e às formalidades da celebração.
§ 4o O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os
nubentes domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.
• Art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a
lei do país em que estiverem situados.
§ 1o Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens
móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares.
§ 2o O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se encontre
a coisa apenhada.

Em que o fenômeno da globalização tem influenciado o direito internacional privado?

A globalização é um processo econômico e social que estabelece uma integração entre os países
e as pessoas do mundo todo. Através deste processo, as pessoas, os governos e as empresas
trocam idéias, realizam transações financeiras e comerciais e espalham aspectos culturais pelos
quatro cantos do planeta.

A saturação do mercado interno levou ao aquecimento do comércio global.

Quando isso começou?

Fontes do Direito Internacional Privado

• a lei

• a jurisprudência

• a doutrina

“ a doutrina interpreta as decisões judiciais em matéria de Direito Internacional Privado e com


base nas mesmas elabora princípios; a doutrina, inversamente, serve de orientação aos
tribunais, mais q outras áreas.

• o tratado internacional

Conexão

• Normas jurídicas territoriais / normas jurídicas extraterritoriais

• Se uma norma jurídica pode ser aplicada além do território submetido à soberania do
Estado da qual emana, deve haver regras de conexão.

• Quais são essas regras? Normas estatuídas pelo direito internacional privado
indicadoras do direito aplicável a certas situações jurídicas vinculadas a mais de um
ordenamento jurídico.

• Existem várias regras de conexão, a exemplo de lex patriae (lei da nacionalidade da


pessoa física), lex domicilli (lei do domicílio), lex loci actus (lei do local do ato jurídico),
entre outras.

• QUAIS PODEM SER OS ELEMENTOS VARIANTES?

Os elementos de conexão, como a própria expressão dispõe, nada mais são do que
vínculos que relacionam um fato qualquer a um sistema jurídico.

• Segundo Dolinger, sua enumeração leva em conta o “sujeito” (sua capacidade)


determinando o local onde está situado, ali também será a sede da relação jurídica, o
“objeto” (imóvel ou móvel) e o “ato jurídico” (considerando a localização do ato).

• REGRAS DE CONEXÃO:

• LEX FORI (a mais utilizada)


• os Estados possuem normas próprias de Direito Internacional Privado;
• a maioria dos internacionalistas indicam que para melhor solução deve-se aplicar a lei
do fori;
• o juiz deve aplicar as normas de Direito Internacional Privado em vigor no lugar do seu
país;
• no Brasil quase sempre se opta pela lex fori, com duas exceções a do artigo 8º e 9º da
LINB:
• art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a
lei do país em que estiverem situados.
• art. 9o Para qualificar e reger as obrigações, aplicar-se-á a lei do país em que se
constituírem.

• LEX CAUSAE
• - a lei do ordenamento jurídico que potencialmente seria aplicado à causa.
• a qualificação lex causae é a busca da qualificação no direito estrangeiro e não no direito
interno
• QUALIFICAÇÃO POR REFERÊNCIA A CONCEITOS AUTÔNOMOS E UNIVERSAIS
• realmente seria a melhor, pois em qualquer país haveria as mesmas definições. Porém,
é considerada irrealista e utópica,
• já que não há como existir conceitos universais.

• Um exemplo da jurisprudência brasileira:

O caso da venda de imóveis de marido estrangeiro sem o consentimento da esposa brasileira.

O Supremo Tribunal Federal teve que decidir se o consentimento da esposa era uma questão
de capacidade, que será regida pela lei do nacional, que não exigia consentimento da esposa,
ou se tratava de uma questão substancial do contrato, que se regeria pela lei brasileira, já que
o contrato foi aqui celebrado.

O STF qualificou como sendo apenas como substância do contrato e decidiu que a lei aplicada
era a da nacionalidade do estrangeiro, validando assim, o contrato.

O que observa-se?

Após identificar o conflito, deve se qualificar a questão jurídica e determinar qual o direito
aplicável.

Regra de conexão é a identificação de um elemento de conexão, uma situação da vida, que


está ligado a uma norma, que determinará a sede jurídica daquela questão.

Ordem Pública

• um conjunto de princípios implícita ou explicitamente conhecidos na ordem jurídica, os


quais, considerados fundamentais, excluem a aplicação do direito estrangeiro.

• No caso do Brasil, por exemplo, violará a ordem pública o direito estrangeiro que
ameace a soberania, a cidadania, a dignidade, a igualdade e a liberdade da pessoa
humana, os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa, a independência, a igualdade
entre os Estados, a paz, etc (arts. 1°, 3° e 4° da CF)

• A reserva da ordem pública – o juiz não pode aplicar o direito estrangeiro se ele violar a
ordem pública, mesmo que a norma de Direito Internacional Privado da lei do foro
destinada a resolver o conflito de leis no espaço assim determine. Não pode ser usada
de modo arbitrário, como resistência à aplicação do direito estrangeiro. Exige-se que a
lei estrangeira seja manifestamente incompatível com a ordem pública do foro.

• Art. 17 da LINDB – Portanto, a sentença estrangeira não terá eficácia no Brasil quando
viole nossos bons costumes, nossa soberania e nossa ordem pública.

• A ordem pública é o reflexo da filosofia sócio-político-jurídica de toda legislação e


representa a moral básica de uma nação, protegendo as necessidades e interesses
econômicos do Estado.

• Exemplo de ordem publica : O fato de existirem regras diversas quanto à idade mínima
para adoção em diferentes países e que essa regra varia de acordo com o tempo. Em
1916 no Brasil apenas maiores de 50 anos podiam adotar, em 1957 tal limite foi alterado
para 30 anos, em 1990 foi alterado novamente para 21 anos, e finalmente alterado para
18 anos pelo novo Código Civil. Na França, a idade mínima era de 40 anos, alterado em
1976 para 30 anos.

• Nesse caso fica sob responsabilidade dos juízes decidir, discricionariamente, o que é ou
não contrario à ordem pública.

Fraude à lei.

• Afasta a aplicação do direito estrangeiro em determinadas hipóteses.

Quando ocorre? Quando uma pessoa, voluntária e ardilosamente, faz uso dos
elementos de conexão que indicaria a lei aplicável para alterar o status da situação
concreta, de modo a obter alguma vantagem ou benefício pessoal.

Quais são os pressupostos da fraude à lei?

Elemento objectivo: consubstancia-se na utilização de uma regra jurídica com a


finalidade de assegurar o resultado que a norma defraudada não permite. Para a
consumação do elemento objetivo as partes terão que utilizar ou uma fraude relevante
ou uma conexão falhada.

Elemento subjectivo: resulta da intenção das partes, é um elemento psicológico e


resume-se à mera intencionalidade que as partes demonstravam.

Segundo Ferrer Correia, são os seguintes pressupostos da fraude à lei:

a) O seu objeto é constituído pela norma de conflitos (ou parte da norma) que
manda aplicar o direito material a que o fraudante pretende evadir-se, contanto que
seja afetado o fim da norma material a cuja aplicação o fraudante quis escapar;

b) Utilização de uma regra jurídica, como instrumento na fraude, a fim de


assegurar o resultado que a norma fraudada não permite;

c) Emprego de meios eficazes para a consecução do fim visado pelas partes;

d) Intenção fraudatória.

• Exemplos de fraude à lei : Antes da admissão do divórcio, os cônjuges viajavam ao


exterior para obter o divórcio. O STF negava-se a atribuir efeitos jurídicos internos.
• A constituição de uma sociedade em determinado paraíso fiscal, com o objetivo de lesar
o fisco do país, onde, na verdade, desenvolve suas atividades comerciais/profissionais.

Fraude à lei e Ordem pública

• Embora as disposições legais defraudadas não sejam necessariamente de ordem


pública, elas vêm assumir tal caráter pelo efeito fraudulento que provocam.

• Estas situações violam a ordem pública interna porque violam as normas jurídicas.

HOMOLOGAÇÃO DE SENTENÇAS ESTRANGEIRAS

• É norma de direito internacional que nenhum Estado é obrigado a reconhecer ou aplicar


em seu território uma sentença prolatada por juiz ou tribunal estrangeiro. Mas a prática
tem sido de reconhecer e aplicar as sentenças estrangeiras, desde que cumpridos
determinados requisitos legais.

• Art. 105, I, i, da CF.

• Requisitos para executar sentença estrangeira no Brasil:

• LINDB - Art. 15. Será executada no Brasil a sentença proferida no estrangeiro, que
reúna os seguintes requisitos:

• a) haver sido proferida por juiz competente;

• b) terem sido os partes citadas ou haver-se legalmente verificado a revelia;

• c) ter passado em julgado e estar revestida das formalidades necessárias para a


execução no lugar em que foi proferida;

• d) estar traduzida por intérprete autorizado;

• e) ter sido homologada pelo STJ

• São homologáveis todas as sentenças estrangeiras, sejam elas declaratórias,


constitutivas ou condenatórias.

• O processo de homologação perante o STJ tem rito especial; não se reexamina o mérito,
mas tão somente se estão presentes os pressupostos de admissibilidade.

• Legitimidade da ação de homologação – qualquer pessoa para o qual a sentença


produzirá efeitos jurídicos. Depois de homologada poderá ser executada.

• A execução da sentença homologatória se dá por carta de sentença extraída dos autos


da homologação, de acordo com as mesmas regras de execução de sentença nacional.

• Competência para executar a sentença estrangeira homologatória é da Justiça Federal


Comum de Primeira Instância (art. 109, X, da CF).

Cartas Rogatórias

• “Destinam–se ao cumprimento de diversos atos, como a citação, notificação e a


cientificação, denominados ordinatórios ou de mero trâmite; de coleta de prova,
chamados instrutórios; e ainda os que contêm medidas de caráter restritivo, chamados
executórios.”

• Roga-se ao Estado requerido, por esse instrumento, que se dê eficácia a determinações


como citações e intimações, produção de provas, perícias, cautelares, etc. Sem o
exequatur do Superior Tribunal de Justiça, essas decisões processuais não poderiam ter
eficácia no Brasil.”

• Exequatur

• Compete ao STJ a concessão do exequatur às cartas rogatórias (art. 105, I, i, da CF).

• Com o exequatur compete à Justiça Federal de primeira instância a execução das cartas
rogatórias (art. 109, X, da CF).

• Exequatur - é uma ordem do Superior Tribunal de Justiça para que um juiz brasileiro
atenda a um pedido feito por órgãos judiciais de outros países.

• Carta Rogatória "é um meio de cooperação judicial entre Nações, fundamentada no


Direito Internacional, representando instrumento de intercâmbio internacional para o
cumprimento extraterritorial de medidas processuais provenientes de outra Nação.
Lastreia-se, outrossim, no princípio da reciprocidade, denominado pela doutrina de
"Teoria da Cortesia Internacional"." Ministro do STJ, Luiz Fux, em seu voto na Carta
Rogatória Nº 438 - BE (2005/0015196-0),

Da Carta Rogatória no CPC


• Art. 36. O procedimento da carta rogatória perante o Superior Tribunal
de Justiça é de jurisdição contenciosa e deve assegurar às partes as garantias do devido
processo legal.
• § 1o A defesa restringir-se-á à discussão quanto ao atendimento dos
requisitos para que o pronunciamento judicial estrangeiro produza efeitos no Brasil.
• § 2o Em qualquer hipótese, é vedada a revisão do mérito do
pronunciamento judicial estrangeiro pela autoridade judiciária brasileira.
• Seção IV
• Disposições Comuns às Seções Anteriores
• Art. 37. O pedido de cooperação jurídica internacional oriundo de
autoridade brasileira competente será encaminhado à autoridade central para posterior
envio ao Estado requerido para lhe dar andamento.
• Art. 38. O pedido de cooperação oriundo de autoridade brasileira
competente e os documentos anexos que o instruem serão encaminhados à autoridade
central, acompanhados de tradução para a língua oficial do Estado requerido.
• Art. 39. O pedido passivo de cooperação jurídica internacional será
recusado se configurar manifesta ofensa à ordem pública.
• Art. 40. A cooperação jurídica internacional para execução de decisão
estrangeira dar-se-á por meio de carta rogatória ou de ação de homologação de
sentença estrangeira, de acordo com o art. 960.
• Art. 41. Considera-se autêntico o documento que instruir pedido de
cooperação jurídica internacional, inclusive tradução para a língua portuguesa, quando
encaminhado ao Estado brasileiro por meio de autoridade central ou por via
diplomática, dispensando-se a juramentação, autenticação ou qualquer procedimento
de legalização.
• Parágrafo único. O disposto no caput não impede, quando necessária, a
aplicação pelo Estado brasileiro do princípio da reciprocidade de tratamento.

LINDB
• Art. 12. É competente a autoridade judiciária brasileira, quando for o
réu domiciliado no Brasil ou aqui tiver de ser cumprida a obrigação.
§ 1o Só à autoridade judiciária brasileira compete conhecer das ações relativas a imóveis
situados no Brasil.
§ 2o A autoridade judiciária brasileira cumprirá, concedido o exequatur e segundo a forma
estabelecida pele lei brasileira, as diligências deprecadas por autoridade estrangeira
competente, observando a lei desta, quanto ao objeto das diligências.

Qual o pressuposto para a execução da carta rogatória pela Justiça Federal Comum? A
concessão do exequatur pelo STJ.

Limitação do STJ – cartas rogatórias

• o juízo de delibação do STJ é limitado, estando impedido de adentrar ao mérito da causa.


Em decorrência deste entendimento, a contestação ao pedido de homologação só
poderá versar sobre a autenticidade dos documentos, inteligência da decisão e
observância dos requisitos previstos na LINDB e na Resolução nº 9 do STJ.
• um pedido de homologação será indeferido apenas se não houver cumprimento de
algum dos requisitos exigidos pela legislação ou caracterizar-se afronta à ordem pública,
soberania nacional e bons costumes.
• Art. 17. As leis, atos e sentenças de outro país, bem como quaisquer declarações de
vontade, não terão eficácia no Brasil, quando ofenderem a soberania nacional, a ordem
pública e os bons costumes (LINDB).

Competência Exclusiva

CPC. Art. 89. Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra:
I - conhecer de ações relativas a imóveis situados no Brasil;
II - proceder a inventário e partilha de bens, situados no Brasil, ainda que o autor da herança
seja estrangeiro e tenha residido fora do território nacional.

Qual a função, portanto, do direito internacional privado? Classificar a situação ou relação


jurídica, localizar a sede jurídica dessa situação ou relação e determinar a aplicação do
direito.

• Uma sentença estrangeira para produzir efeitos em nosso país deverá preencher os
requisitos previstos em nossa legislação. Dentre as opções abaixo marque aquela que
não apresenta um desses requisitos:
a) Ter sido traduzida por intérprete juramentado;
b) Ter transitado em julgado;
c) Ter sido proferida por juiz competente
d) Ter sido homologada pelo STF. ( é pelo STJ e não STF)

• Compete à autoridade judiciária brasileira, com exclusão de qualquer outra, conhecer


de ações:
a) Relativas a imóveis situados no Brasil. (X)
b) Quando no Brasil tiver de ser cumprida a obrigação.
c) Quando a ação se originar de fato ocorrido ou de ato praticado no Brasil.
d) Quando o réu, qualquer que seja a sua. nacionalidade, estiver domiciliado no Brasil.

Responsabilidade dos Estados.

 Sempre que um sujeito de Direito viole uma norma ou dever que lhe compete ou, ainda,
cause algum prejuízo, incorre em responsabilidade.
 No âmbito do direito internacional o Estado é responsável internacionalmente por
qualquer ato ou omissão que lhe seja imputável, do qual resulte a violação de uma
norma jurídica internacional ou de suas obrigações internacionais.
 Qual a importância da responsabilidade Internacional? Esse instituto regula as situações
que traduzem a resposta do Direito Internacional Público sobre o descumprimento das
regras pelos Estados.

 Quais são essas regras?

Segurança Jurídica

A responsabilidade internacional apresenta características próprias em relação à


responsabilidade no direito interno:

a) ela é sempre uma responsabilidade com a finalidade de reparar o prejuízo; o DI


praticamente não conhece a responsabilidade penal (castigo etc.);

b) a responsabilidade é de Estado a Estado, mesmo quando é um simples particular a


vítima ou o autor do ilícito; é necessário;

c) no plano internacional, o endosso da reclamação pelo Estado nacional da vítima, ou


ainda, o Estado cujo particular cometeu o ilícito é que virá a ser responsabilizado. É o
endosso que o Estado faz a um nacional seu contra outro Estado.

 Apesar da Comissão de Direito Internacional da ONU há mais de 50 anos discutir o


assunto , e mesmo com o advento, em 2001, do Projeto sobre a Responsabilidade
Internacional dos Estados por Ato Internacionalmente Ili ́cito, chegou-se a um consenso
sobre a responsabilização internacional.

PROJETO DA COMISSÃO DE DIREITO INTERNACIONAL DAS NAÇÕES UNIDAS SOBRE


RESPONSABILIDADE INTERNACIONAL DOS ESTADOS

Art. 1º A responsabilidade do Estado por seus atos internacionalmente ilícitos.


Todo ato internacionalmente ilícito de um Estado acarreta sua responsabilidade
internacional.
Art. 2º Elementos de um ato internacionalmente ilícito do Estado.
Há um ato internacionalmente ilícito do Estado quando a conduta, consiste em uma
ação ou omissão:
a)é atribuível ao Estado consoante o Direito Internacional; e
b)constitui uma violação de uma obrigação internacional do Estado.

O ATO INTERNACIONALMENTE ILÍCITO DE UM ESTADO


• o ato ilícito é a conduta comissiva ou omissiva que viola norma de Direito Internacional.
• a imputabilidade - refere-se à necessidade de que o ato ilícito seja atribuído ao ente a
ser responsabilizado.
• o dano (moral ou material) – gera a reparação ao Estado ofendido em seu direito pelo
Estado infrator, podendo ser econômica ou não.

Problema
• Tal instituto tem existência precária, haja vista a falta de um órgão meta ou supraestatal
que imponha, na sociedade internacional, as regras de Direito Internacional Público.
• A responsabilidade internacional é princípio fundamental de Direito Internacional
Público, uma vez que não há direito/dever sem sanção.
• A finalidade do instituto é reparar e satisfazer os danos materiais e éticos sofridos por
um sujeito de Direito Internacional Público em decorrência de atos praticados por um
Estado.
• Atribuição da Conduta a um Estado

• Art. 4º. Condutas de órgão de Estado

• Considerar-se-á ato do Estado, segundo o Direito Internacional, a conduta de qualquer


órgão do Estado que exerça função legislativa, executiva, judicial ou outra qualquer que
seja sua posição na organização do Estado, e independentemente de se tratar de órgão
do governo central ou de unidade territorial do Estado.
• Art. 5º Conduta de pessoas ou entidade exercendo atribuições do poder público.
• Considerar-se-á ato do Estado, segundo o Direito Internacional, a conduta de uma
pessoa ou entidade que não seja um órgão do Estado, consoante o artigo 4º, que, de
acordo com a legislação daquele Estado, possa exercer atribuições do poder público,
sempre que a pessoa ou entidade esteja agindo naquela qualidade na situação
particular.

Excesso de autoridade ou contravenção de instruções

A conduta de um órgão do Estado, pessoa ou entidade destinada a exercer atribuições do


poder público será considerada um ato do Estado, consoante o Direito Internacional, se o órgão,
pessoa ou entidade age naquela capacidade, mesmo que ele exceda sua autoridade ou viole
instruções.

Pressupostos da Infringência à Responsabilidade Internacional:

• um ato ilícito (que pode derivar de ação ou omissão);

• que o ato seja imputável a um sujeito de direito internacional;

• que o ato tenha causado dano alheio.

Imputação e ilicitude

• O ato de um indivíduo ou de um órgão que venha a causar dano a outrem pode ser
imputado ao Estado ou à organização internacional para fins de responsabilização?

• Os atos praticados pelos indivíduos que integram a pessoa jurídica (Estado ou


organização internacional) no exercício de suas funções e com o auxílio de instrumentos
postos à sua disposição são imputáveis à pessoa jurídica.
• A pessoalidade do ato ou a prática fora do exercício das funções não se pode imputá-lo
ao sujeito internacional.

• A ilicitude deve ser analisada à luz do Direito Internacional. O fato de o ordenamento


jurídico da entidade (Estado ou organização internacional) em causa considerar lícito ou
não o ato em questão é irrelevante para a responsabilidade internacional. A ilicitude do
ato depende da apreciação e aplicação das normas internacionais.

• Violação e Exclusão de ilicitude

• Art. 12.
• Existência de uma violação de uma obrigação internacional
• Há uma violação de uma obrigação internacional por um Estado quando um ato
deste Estado não está em conformidade com o que lhe é requerido pela obrigação, seja
qual for a origem ou natureza dela.

• Art. 13.
• Obrigação internacional em vigor para um Estado
• Um ato de um Estado não constitui uma violação de uma obrigação, a menos que
Estado esteja vinculado pela
• O regime geral da responsabilidade consagra a possibilidade de exclusão da ilicitude e,
portanto, afasta o dever de reparar o dano.
• De acordo com o citado projeto, são casos de exclusão de ilicitude:
• o consentimento do ofendido-
• [...] Os riscos de uma utilização abusiva do argumento do consentimento na ilicitude são
muito reais, em particular nas situações onde um Estado invade a soberania territorial
de um outro Estado (intervenções militares, manutenção de bases militares
estrangeiras) (DINH; DAILLIER; PELLET, 2003, p. 799).
• a legítima defesa
• A ilicitude de um ato de uma organização internacional é excluída se o ato constitui uma
medida legal de autodefesa tomada em conformidade com os princípios de direito
internacional incorporados na Carta das Nações Unidas.
• represálias (contramedidas)
• não constituem atos ilícitos e são permitidas, exceto em relação às normas jus cogens.
• São importantes mecanismos de reação a violações do direito internacional, uma vez
que o receio de uma futura represália faz com que os Estados respeitem as suas
obrigações. Enquanto a legitima defesa tem caráter defensivo a represália tem o
objetivo de reprimir psicologicamente o adversário.
• […] o Estado lesado pode adotar tais contramedidas como necessárias para preservar
seus direitos. Na hipótese de o ato ilícito tiver cessado ou a questão estiver pendente
sob uma corte ou tribunal com poderes de tomar decisões vinculantes, então as
contramedidas deverão cessar (ou quando adequado, não serem adotadas)(SHAW,
2003, p. 710)

• força maior exclui a responsabilidade internacional

• Art. 20 – Força Maior

• A ilicitude de um ato de uma organização internacional em desacordo com uma


obrigação internacional daquela organização será excluída se o ato é devido à força
maior, que é a ocorrência de uma força irresistível ou de um evento imprevisível, além
do controle da organização, tornando materialmente impossível, nestas circunstâncias,
o cumprimento da obrigação.
• perigo extremo se caracteriza pela legitimação de um ato contrário às obrigações
internacionais de um sujeito, quando praticado com o intuito de salvar a vida ou outros
bens jurídicos pessoais essenciais de indivíduos que se vejam numa situação de grave
perigo.

• Artigo 21 - Estado de perigo extremo

• A ilicitude de um ato de uma organização internacional em desconformidade com uma


obrigação internacional será excluída se o autor do ato em questão não possui outro
meio razoável, em uma situação de perigo extremo, de salvar a própria vida ou a vida
de outras pessoas confiadas aos cuidados do autor.

• O Parágrafo 1 não se aplica se:

• a) A situação de perigo extremo é devida, por si só ou em combinação com outros


fatores, à conduta da organização que a invoca; ou

• b) For provável que o ato em questão crie um perigo comparável ou maior.

• Estado de necessidade

• 1. Nenhum Estado pode invocar o estado de necessidade como causa de exclusão de


ilicitude de um ato em desacordo com uma obrigação internacional daquele Estado, a
menos que o ato:

• a) seja o único modo para o Estado preservar um interesse essencial contra um perigo
grave e iminente; e

• b) não afete gravemente a um interesse essencial do Estado ou Estados em relação aos


quais exista a obrigação, ou da comunidade internacional como um todo.

• 2. Em nenhum caso pode o Estado invocar o estado de necessidade como causa de


exclusão de ilicitude se:

• a)a obrigação internacional em questão exclui a possibilidade de invocar a necessidade,


ou o Estado contribuiu para a ocorrência do estado de necessidade.

• Exige-se, além do grave e iminente perigo, que o interesse a ser defendido não seja de
ordem exclusivamente particular, mas que importe à comunidade internacional como
um todo. Ademais, o ato não pode afetar interesses essenciais de Estados ou da
comunidade internacional (Dinh, Daillier e Pellet, 2003, p. 801):

• [...] a redação negativa do artigo 25 do projeto da CDI [referem-se os autores ao projeto


sobre responsabilidade entre Estados] ("o Estado não pode invocar o estado de
necessidade... a não ser que...") demonstra que a cláusula de exclusão é destinada a
persistir como facto excepcional.

• Ilicitude Presumida.

• Cumprimento de normas imperativas

• Nada neste Capítulo exclui a ilicitude de qualquer ato de um Estado que não esteja
em conformidade com uma obrigação que surja de uma norma imperativa de Direito
Internacional geral.
Consequências jurídicas da responsabilidade internacional:

• dever de cumprir a obrigação violada;

• - o dever de pôr fim ao ato que viole uma obrigação internacional;

• - o dever de reparar integralmente o dano causado.

A reparação pode dar-se:

pela reconstituição natural (reconstituir o antes, mas também o que poderia existir se o ato
fosse praticado, e se for impossível há compensação pecuniária);

- pela satisfação é normalmente aplicada em relação aos danos morais causados aos Estados ou
organizações internacionais; pode assumir a forma de reconhecimento da violação,
manifestação de pesar, pedido de desculpas, ou qualquer outra forma, a exemplo da punição a
quem deu causa ao dano; a satisfação tem de ser proporcional ao dano.

- pela obrigação de indenizar a entidade ou os indivíduos lesados quando não for possível a
reconstituição material; a obrigação pecuniária abrange os lucros cessantes.

DIREITO DE FAMÍLIA (DIREITO INTERNACIONAL PRIVADO)


Normas
• Constituição Federal
• LINDB
• Código Civil (Lei 10.406/02)
• CPC
• Legislações Complementares

CF. Art. 226


Art. 226. A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado.
§ 1º - O casamento é civil e gratuita a celebração.
§ 2º - O casamento religioso tem efeito civil, nos termos da lei.
§ 3º - Para efeito da proteção do Estado, é reconhecida a união estável entre o homem
e a mulher como entidade familiar, devendo a lei facilitar sua conversão em casamento.
§ 4º - Entende-se, também, como entidade familiar a comunidade formada por qualquer
dos pais e seus descendentes.
§ 5º - Os direitos e deveres referentes à sociedade conjugal são exercidos igualmente
pelo homem e pela mulher.
§ 6º O casamento civil pode ser dissolvido pelo divórcio. (Redação dada Pela Emenda
Constitucional nº 66, de 2010)

Código Bustamante (Código de Havana)


• Convenção de Havana - 20.02.1928 - Decreto-Lei n° 18.871, de 13.08.1929.
• Art. 40. Os Estados contratantes não são obrigados a reconhecer o casamento celebrado
em qualquer deles, pelos seus nacionais ou por estrangeiros, que infrinjam as suas
disposições relativas à necessidade da, dissolução de um casamento anterior, aos graus
de consangüinidade ou afinidade em relação aos quais existe estorvo absoluto,à
proibição de se casar estabelecida em relação aos culpados de adultério que tenha sido
motivo de dissolução do casamento de um deles e à própria proibição, referente ao
responsável de atentado contra a vida de um dos cônjuges, para se casar com o
sobrevivente,ou a qualquer outra causa de nulidade que se não possa remediar.
• Art. 41. Ter-se-á em toda parte como válido, quanto à forma, o matrimônio celebrado
na que estabeleçam como eficaz as leis do país em que se efetue. Contudo, os Estados,
cuja legislação exigir uma cerimônia religiosa, poderão negar validade aos matrimônios
contraídos por seus nacionais no estrangeiro sem a observância dessa formalidade.

• DO MATRIMÔNIO E DO DIVÓRCIO

• Art. 42. Nos países em que as leis o permitam, os casamentos contraídos ante os
funcionários diplomáticos ou consulares dos dois contraentes ajustar-se-ão à sua lei
pessoal, sem prejuízo de que lhes sejam aplicáveis as disposições do art. 40.

LINDB

Art. 7o A lei do país em que domiciliada a pessoa determina as regras sobre o começo e o fim da
personalidade, o nome, a capacidade e os direitos de família.

§ 1o Realizando-se o casamento no Brasil, será aplicada a lei brasileira quanto aos impedimentos
dirimentes e às formalidades da celebração.

§ 2o O casamento de estrangeiros poderá celebrar-se perante autoridades diplomáticas ou


consulares do país de ambos os nubentes.

§ 3o Tendo os nubentes domicílio diverso, regerá os casos de invalidade do matrimônio a lei do


primeiro domicílio conjugal.

§ 4o O regime de bens, legal ou convencional, obedece à lei do país em que tiverem os nubentes
domicílio, e, se este for diverso, a do primeiro domicílio conjugal.

ART 7º § 5º - O estrangeiro casado, que se naturalizar brasileiro, pode, mediante expressa


anuência de seu cônjuge, requerer ao juiz, no ato de entrega do decreto de naturalização, se
apostile ao mesmo a adoção do regime de comunhão parcial de bens, respeitados os direitos de
terceiros e dada esta adoção ao competente registro. (Redação dada pela Lei nº 6.515, de
1977).

• § 6º O divórcio realizado no estrangeiro, se um ou ambos os cônjuges forem


brasileiros, só será reconhecido no Brasil depois de 1 (um) ano da data da sentença,
salvo se houver sido antecedida de separação judicial por igual prazo, caso em que a
homologação produzirá efeito imediato, obedecidas as condições estabelecidas para a
eficácia das sentenças estrangeiras no país.

• O Superior Tribunal de Justiça, na forma de seu regimento interno, poderá reexaminar,


a requerimento do interessado, decisões já proferidas em pedidos de homologação de
sentenças estrangeiras de divórcio de brasileiros, a fim de que passem a produzir
todos os efeitos legais.

Art. 8o Para qualificar os bens e regular as relações a eles concernentes, aplicar-se-á a lei do
país em que estiverem situados.

• § 1o Aplicar-se-á a lei do país em que for domiciliado o proprietário, quanto aos bens
móveis que ele trouxer ou se destinarem a transporte para outros lugares.

• § 2o O penhor regula-se pela lei do domicílio que tiver a pessoa, em cuja posse se
encontre a coisa apenhada.
• Sendo ambos estrangeiros, o registro deverá ser efetuado exclusivamente perante o
Registro de Títulos e Documentos (art. 130, 6º, da Lei 6.015/1973), que prevê o
registro de todos os documentos de procedência estrangeira, acompanhados das
respectivas traduções.

• Quando a separação e o divórcio são relativos ao casamento de estrangeiros ocorrido


no exterior, o registro do casamento deve ser efetuado no Registro de Títulos e
Documentos.

• Sendo qualquer dos contraentes brasileiro, ainda que naturalizado, necessário será o
traslado do registro perante o Registro Civil das Pessoas Naturais, dentro do prazo de
cento e oitenta dias, a contar da volta de um ou de ambos os cônjuges ao Brasil, na
serventia do 1º Ofício do domicílio, ou, em sua falta, no 1º Ofício da Capital do Estado
em que passarem a residir, sem ânimo definitivo.

• Caso não sejam aplicáveis as regras de competência referidas, o ato é de incumbência


do 1º Ofício do Distrito Federal, sempre que necessária a produção de efeitos no País.
Em todos os casos mencionados o traslado é efetuado no Livro “E” (artigos 32 e 33 da
Lei 6.015/1973).

• LEI 6.015/1973

• Art. 32. Os assentos de nascimento, óbito e de casamento de brasileiros em país


estrangeiro serão considerados autênticos, nos termos da lei do lugar em que forem
feitos, legalizadas as certidões pelos cônsules ou quando por estes tomados, nos termos
do regulamento consular.

• § 1º Os assentos de que trata este artigo serão, porém, transladados nos cartórios de
1º Ofício do domicílio do registrado ou no 1º Ofício do Distrito Federal, em falta de
domicílio conhecido, quando tiverem de produzir efeito no País [...].

• Art. 33. [...]

• Parágrafo único. No Cartório do 1º Ofício ou da 1ª Subdivisão judiciária, em cada


comarca, haverá outro livro para inscrição dos demais atos relativos ao estado civil,
designado sob a letra "E", com cento e cinqüenta (150) folhas, podendo o Juiz
competente, nas comarcas de grande movimento, autorizar o seu desdobramento pela
natureza dos atos que nele devam ser registrados, em livros especiais.

• Todo brasileiro ou brasileira, que venha a se divorciar fora do Brasil, deverá


obrigatoriamente requerer a homologação da sentença estrangeira ao STJ, a fim de
regularizar seu estado civil perante os órgãos brasileiros e evitar divergências em seus
documentos.

• ATENÇÃO

• Omitir ou fornecer declaração falsa em documento público ou particular é crime


tipificado no Código Penal, cuja pena pode chegar a 5 anos de reclusão.

• Falsidade Ideológica

• Art.299 - Omitir, em documento público ou particular, declaração que dele devia


constar, ou nele inserir ou fazer inserir declaração falsa ou diversa da que devia ser
escrita, com o fim de prejudicar direito, criar obrigação ou alterar a verdade sobre fato
juridicamente relevante:

• Pena - reclusão, de 1 (um) a 5 (cinco) anos, e multa, se o documento é público, e


reclusão de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa, se o documento é particular.

• O registro de um novo casamento só será autorizado, após a devida homologação da


sentença de divórcio, sob pena de o cidadão incidir no crime de bigamia previsto no
Código Penal.

• BIGAMIA
Art. 235 - Contrair alguém, sendo casado, novo casamento:

• Pena - reclusão, de 2 (dois) a 6 (seis) anos.

• CPC.Art. 26. A cooperação jurídica internacional será regida por tratado de que o
Brasil faz parte e observará:

• I - o respeito às garantias do devido processo legal no Estado requerente;

• II - a igualdade de tratamento entre nacionais e estrangeiros, residentes ou não no


Brasil, em relação ao acesso à justiça e à tramitação dos processos, assegurando-se
assistência judiciária aos necessitados;

• III - a publicidade processual, exceto nas hipóteses de sigilo previstas na legislação


brasileira ou na do Estado requerente;

• IV - a existência de autoridade central para recepção e transmissão dos pedidos de


cooperação;

• V - a espontaneidade na transmissão de informações a autoridades estrangeiras.

• § 1o Na ausência de tratado, a cooperação jurídica internacional poderá realizar-se


com base em reciprocidade,manifestada por via diplomática.

• § 2o Não se exigirá a reciprocidade referida no § 1o para homologação de sentença


estrangeira.

• § 3o Na cooperação jurídica internacional não será admitida a prática de atos que


contrariem ou que produzam resultados incompatíveis com as normas fundamentais
que regem o Estado brasileiro.

• § 4o O Ministério da Justiça exercerá as funções de autoridade central na ausência de


designação específica.

CPC. art. 27. A cooperação jurídica internacional terá por objeto:

• I - citação, intimação e notificação judicial e extrajudicial;

• II - colheita de provas e obtenção de informações;

• III - homologação e cumprimento de decisão;

• IV - concessão de medida judicial de urgência;

• V - assistência jurídica internacional;


• VI - qualquer outra medida judicial ou extrajudicial não proibida pela lei brasileira.

ART.961 CPC;

• § 5o A sentença estrangeira de divórcio consensual produz efeitos no Brasil,


independentemente de homologação pelo Superior Tribunal de Justiça.

• ART.963 CONSTITUEM REQUISITOS INDISPENSÁVEIS À HOMOLOGAÇÃO DA DECISÃO:

• I - ser proferida por autoridade competente;

• II - ser precedida de citação regular, ainda que verificada a revelia;

• III - ser eficaz no país em que foi proferida;

• IV - não ofender a coisa julgada brasileira;

• V - estar acompanhada de tradução oficial, salvo disposição que a dispense prevista em


tratado;

• VI - não conter manifesta ofensa à ordem pública.

• Parágrafo único. Para a concessão do exequatur às cartas rogatórias, observar-se-


ão os pressupostos previstos no caput deste artigo e no art. 962, § 2o

• FALECIMENTO – CASAMENTO

• Quando um cidadão ou cidadã brasileira falece no exterior, a sua certidão de óbito


poderá ser expedida gratuitamente pelo Consulado Brasileiro, a qual deverá ser
transladada posteriormente no cartório do 1° Ofício do Registro Civil no Brasil.

• A averbação do óbito na certidão de casamento também deve ser providenciada nessa


oportunidade, se o falecido era casado.

• A averbação do óbito do cônjuge estrangeiro na certidão de casamento brasileira


provará o atual estado civil do cidadão ou cidadã brasileira: viúvo ou viúva.

• É importante regularizar a documentação para o caso de aquisição, renúncia ou


alienação de bens e direitos no Brasil (ex.: inventário, compra ou venda de imóveis,
etc.).

• LINDB

• Art. 18. Tratando-se de brasileiros, são competentes as autoridades consulares


brasileiras para lhes celebrar o casamento e os mais atos de Registro Civil e de
tabelionato, inclusive o registro de nascimento e de óbito dos filhos de brasileiro ou
brasileira nascido no país da sede do Consulado. (Redação dada pela Lei nº 3.238, de
1957).

• § 1º As autoridades consulares brasileiras também poderão celebrar a separação


consensual e o divórcio consensual de brasileiros, não havendo filhos menores ou
incapazes do casal e observados os requisitos legais quanto aos prazos, devendo constar
da respectiva escritura pública as disposições relativas à descrição e à partilha dos bens
comuns e à pensão alimentícia e, ainda, ao acordo quanto à retomada pelo cônjuge de
seu nome de solteiro ou à manutenção do nome adotado quando se deu o
casamento. (Incluído pela Lei nº 12.874, de 2013) Vigência
• Suzana casou nos EUA, Las Vegas e validou o casamento no Consulado Geral do
Brasil em Los Angeles-EUA.

• Pergunta-se: É Preciso registrar também no Brasil, onde hoje mora a nubente, ou


essa certidão já é válida aqui? Para o casamento ter a validade no Brasil, faz-se
necessário a transcrição dessa certidão de casamento consular no livro E do cartório
de registro civil na cidade onde reside no Brasil.

• 1) Casamento poligâmico na África do Sul.

• O casamento poligâmico é admitido em algumas tribos.

• Um senhor, membro da tribo Zulu tem seis mulheres. É um cidadão comum sul-
africano, que veio ao Brasil e se apaixonou por uma brasileira, e quer se casar com ela.

• Pergunta: ele pode ou não se casar no Brasil? Qual será a forma?

• Há impedimentos dirimentes de acordo com a norma brasileira?

• Primeira interpretação  A forma é a brasileira e o impedimento dirimente é a


poligamia. Mas o fato de ser casado lá na África do Sul produz efeitos no Brasil?
Não. Portanto poderia casar.

• Segunda interpretação o cidadão sul-africano é casado pelo menos uma vez, e, sendo
casado, ele não pode se casar aqui no Brasil. Temos sempre que tomar cuidado com o
art. 17 da Lei de Introdução. Uma pessoa casada não pode se casar aqui no Brasil, e isso
é o que é mais aceito aqui na doutrina. A questão da eficácia jurídica é no sentido de o
fato jurídico casamento realizado no exterior não produzir efeitos aqui.

• Terceira interpretação  Se ele é casado pelo menos uma vez. Há pelo menos uma
produção mínima de efeitos jurídicos, que é o primeiro casamento, o que faz com que
ele seja considerado casado, o que implica em que ele não pode se casar no Brasil depois
de já casado pelo menos uma vez na África do Sul.

• 2) Se um casal de alemães estiver no Brasil e quiser casar no consulado alemão no


Brasil, há possibilidade de se realizar? SIM.

• E entre um alemão e uma francesa? Inicialmente não.

• Observe-se a parte final do § 2º do art. 7º : “do país de ambos os nubentes”. Do país


de ambos, e não dos países de ambos! O consulado só pode celebrar casamento entre
conacionais.

• Pode haver ambiguidade na leitura desse dispositivo.

• A principal razão da impossibilidade é não se fazer isso para evitar-se fraudes.


Dificilmente o consulado consegue fazer a verificação de informações de um
estrangeiro.

• Dois brasileiros podem se casar no consulado brasileiro nos Estados Unidos?

• SIM. Brasileiros fora do Brasil podem se casar nos respectivos consulados brasileiros.

• Art. 7º, § 2º da LINDB


• Um alemão e uma alemã podem se casar num cartório no Brasil ou no consulado de
seu respectivo país?

• Podem ser as duas possibilidades.

• Mas se o casal está pretendendo voltar para seu país, a transcrição será muito mais
simples e mais barata se eles se casarem perante o consulado.

• Usucapião de um bem imóvel, de propriedade de um cidadão norte-americano,


localizado no Brasil se dará segundo a lei norte-americana ou lei brasileira?

• Lei brasileira. O critério é o da localização dos bens, conforme art. 8º , LINDB.

http://notasdeaula.org/dir10/direito_int_privado_23-03-12.html