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I.

Discurso sobre A Ditadura

Senhores,
O grande discurso pronunciado ontem pelo senhor Cortina, e o qual me colocarei a
contestar, considerando-o de um ponto de vista restrito, apesar de suas grandes
dimensões, não foi nada além de um epílogo: o epílogo dos erros do partido progressista,
os quais não são mais que outro epílogo: o epílogo de todos os erros que tem sido
inventados de três séculos para cá e que a este momento tornam conturbadas todas as
sociedades humanas.
O senhor Cortina, ao iniciar seu discurso, manifestou, com a boa-fé que vós podeis
perceber e: que tanto realça seu talento, que é o mesmo que algumas vezes havia chegado
a suspeitar se seus princípios seriam falsos, se suas ideias seriam desastrosas, ao
perceber que nunca estavam no Poder e sempre na oposição. Direi à vossa senhoria que,
por pouco que se pense, se sua dúvida se transformará em certeza. Suas ideias não estão
no Poder e estão na oposição, totalmente porque são ideias de oposição e porque não são
ideias de Governo. Senhores, são ideias infecundas, ideias estéreis, ideias desastrosas,
que é necessário combater até que sejam enterradas aqui, em seu cemitério natural, sob
estas abóbadas, no pé desta Tribuna. (aplauso geral nos bancos da maioria)
O senhor Cortina, seguindo as tradições do partido a que lidera e representa,
seguindo, digo, as tradições deste partido desde a revolução de fevereiro, pronunciou um
discurso dividido em três partes, que considero inevitáveis. Primeiro, um elogio do partido,
pautado numa relação a seus méritos passados.
Segundo, o memorial de suas queixas presentes. Terceiro, um programa, ou seja,
uma relação de seus méritos futuros.
Senhores da maioria: venho aqui defender seus princípios, mas não esperem de
mim um só elogio; são os vencedores, e nada cai tão bem na frente do vencedor como uma
coroa de modéstia. (Bravo, bravo!)
Não esperem de mim, senhores, que fale sobre suas queixas: não possuem vós
reclamações pessoais para se vingarem, a não ser as reclamações feitas à sociedade e ao
Trono por seus traidores ao seu reino e a sua Pátria. Não falarei sobre vossos méritos. Por
que teria que falar deles? Para que a nação os conheça? A nação os conhece de cor.
(RISOS)
O senhor Cortina dividiu seu discurso em duas partes, que desde logo se
apresentaram ao alcance de todos os senhores deputados. Sua senhoria tratou da política
exterior do Governo, e chamou de Política Exterior, importante para a Espanha, aos
acontecimentos ocorridos em Paris, em Londres e em Roma. Também falarei sobre essas
questões.
Depois voltou-se sua senhoria à política interior, e a política interior, tal como tratou o
senhor Cortina, se divide em duas partes: uma, questão de princípios, e outra, questão de
conduta.
A questão de feitos, a questão de conduta, já foi debatida no Ministério, que é a
quem cabia contestar, que é quem possui os dados para tal, por ser o órgão dos senhores
Ministros do Estado e Governança, que têm desempenhado o cargo com a eloquência que
já estão acostumados.
Fica a mim quase intacta a questão de princípios; essa questão que somente
abordarei, mas a abordarei, se o Congresso me permitir de cheio. (Atenção.)
Senhores, qual o princípio do Senhor Cortina? Seu princípio, se bem analisado seu
discurso, é o seguinte: na política interior, a legalidade: tudo pela legalidade, tudo para a
legalidade; a legalidade sempre, a legalidade em todas as circunstâncias, a legalidade em
todas as ocasiões; e eu, senhores, que acredito que as leis tenham sido feitas para as
sociedades e não as sociedades para as leis (Ótimo, ótimo!), digo: a sociedade toda para a
sociedade, toda pela sociedade, a sociedade sempre, a sociedade em todas as
circunstâncias, a sociedade em todas as ocasiões (Bravo, bravo!)
Quando a legalidade basta para salvar a sociedade, a legalidade; quando não basta,
a ditadura. Senhores, esta tremenda palavra (que tremenda é, embora não tanto quanto a
palavra “revolução”, que é a mais forte de todas); digo que essa palavra tremenda foi
pronunciada aqui por um homem a quem todos conhece; este homem não foi feito aos
moldes dos ditadores. Nasci para compreendê-los, e não para imitá-los. Duas coisas me
são impossíveis: condenar a ditadura e exercê-la. Por isso (declaro aqui alto, nobre e
francamente) estou incapacitado de governar; na minha cabeça não posso aceitar o
governo; eu poderia o aceitar sem colocar a metade de mim mesmo em guerra com a outra
metade, sem colocar em guerra meu instinto contra minha razão, sem colocar em guerra
minha razão contra meu instinto. (Muito bem, muito bem!)
Por isso, senhores, e eu apelo ao testemunho de todos os que me conhecem, que
ninguém pode se levantar, nem aqui dentro, tão menos lá fora, e dizer que tenha se
esbarrado comigo no caminho da ambição, tão cheio de gente (aplausos), ninguém. Mas
todos me encontrarão, e têm me encontrado no caminho modesto dos bons cidadãos.
Apenas assim, senhores, quando meus dias estiverem contados, quando estiver no meu
sepulcro, terei sido enterrado sem o ressentimento de haver deixado sem defesa a
sociedade atacada de forma bárbara, e ao mesmo tempo sem o amarguíssimo e para
minha insuportável dor de haver feito mal a alguém.
Digo, senhores, que a ditadura em certas circunstâncias, em circunstâncias dadas,
em circunstâncias como as presentes, é um governo legítimo, um governo bom, é um
governo proveitoso, como qualquer outro governo; é um governo racional, que pode se
defender em teoria, como pode se defender na prática. E
Digo, señores, que la dictadura en ciertas circunstancias, en circunstancias dadas,
en circunstancias como las presentes, es un gobierno legítimo, es un gobierno bueno, es un
gobierno provechoso, como cualquier otro gobierno ; es un gobierno racional, que puede
defenderse en la teoría, como puede defenderse en la práctica. E se não, senhores,
observem o que é a vida social.
A vida social, como a vida humana, se compõe de ação e de reação, do fluxo e
refluxo de certas forças invasoras e de certas forças resistentes.
Esta é a vida social, assim como é esta, também, a vida humana. Pois bem; as
forças invasoras, chamadas enfermidades no corpo humano e de outra maneira no corpo
social, embora ambas sendo essencialmente a mesma coisa, têm dois estados: há um em
que estão introjetadas em toda a sociedade, em que estão representadas somente pelos
indivíduos; há um outro em estado de enfermidade agudo, em que se concentram mais e
estão representadas por associações políticas. Pois bem; eu digo que não havendo as
forças resistentes, o mesmo no corpo humano e no corpo social, senão para rechaçar as
forças invasoras, devem se proporcionar necessariamente seu estado. Quando as forças
invasoras estão derramadas, as resistentes também o estão; chegam a esse estado pelo
Governo, pelas Autoridades, pelos Tribunais; em uma palavra, por todo o corpo social; mas
quando as forças invasoras se reconcentram em ações políticas, então necessariamente,
sem que nada possa impedi-las, sem que nada tenha direito a impedir essa ação, as forças
de resistência por si mesmas se reconcentram em uma só mão. Essa é a teoria clara,
luminosa e indestrutível da ditadura.
E essa teoria, senhores, que é uma verdade na ordem nacional, é um feito constante
no ordenamento histórico. Mencione a mim uma sociedade que não tenha tido a ditadura,
cite-me! Vêem, sim, o que ocorria na democrática Atenas, o que ocorria na Roma
aristocrática. Em Atenas esse poder onipotente estava nas mãos do povo, e se chamava
ostracismo; em Roma esse poder onipotente estava nas mãos do Senado, que se delegava
a um cônsul, e se chamava, como chamamos entre nós, a ditadura. Vejam as sociedades
modernas, senhores; vejam a França, em todas as suas vicissitudes. Não mencionarei a
Primeira República, que foi uma ditadura gigantesca, sem fim, cheia de sangue e horrores.
Falo de época posterior. Na Constituição da Restauração, a ditadura havia se refugiado ou
buscado um asilo no artigo 14; na carta de 1830 encontrou-se no preâmbulo. E na
República atual? Sobre esta não temos nada a dizer? O que é senão a ditadura com a
epígrafe de república? (aplausos)
Aqui se citou, e em má hora pelo senhor Gálvez Cañero, a Constituição Inglesa.
Senhores, a constituição inglesa é a única que, de forma cabal, no mundo (de tão sábios
serem os ingleses), em que a ditadura não é um direito excepcional, senão um direito
comum. E a coisa é clara: o Parlamento tem, em todas as ocasiões, em todas as épocas,
quando quer, o poder ditatorial; pois não tem mais limite que o mesmo de todos os poderes
humanos: a prudência; tem todas as faculdades e estas constituem o poder ditatorial de
fazer tudo o que não seja fazer de uma mulher um homem ou de um homem uma mulher,
como dizer seus jurisconsultos. (risos.) Tem o Parlamento faculdades para suspender o
habeas corpus, para proscrever por intermedio de um ​bül d'attamder​; pode mudar de
Constituição, pode variar até a dinastia, e apenas um tipo de dinastia, mas até de religião, e
oprimir as consciências; em uma palavra: pode tudo. Quem já viu, senhores, uma ditadura
mais monstruosa? (bem! bem!)
Provou-se que a ditadura é uma verdade no ordenamento teórico, que é um feito no
ordenamento histórico. Pois agora vou dizer mais: a ditadura pudera se pronunciar, se o
respeito o consentira, que é outro feito no ordenamento divino.
Senhores, Deus deixou até certo ponto aos homens o governo das sociedades
humanas, e se reservou exclusivamente a governar o universo. O universo está governado
por Deus, se pode-se dizer assim, e se em coisas tão altas puderam ser aplicadas as
expressões da linguagem parlamentar, constitucionalmente. (risos dos bancos à esquerda).
E, senhores, a coisa me parece mais clara e mais evidente. Está governado por certas leis
precisas, indispensáveis, a que se chama causas secundarias. O que são essas leis, senão
leis análogas às que se chamam fundamentais respeito das sociedades humanas? Pois
bem, senhores. Se, com respeito ao mundo físico, Deus é o legislador, com respeito às
sociedades humanas são os legisladores, se bem que de forma difereciada. Deus governa
sempre com as mesmas leis que impôs sobre si mesmo sua eterna sabedoria. e assim nos
sujeitou? Não, senhores. Pois algumas vezes, direta, clara e explicitamente sua vontade se
manifesta soberana, quebrando essas leis que ele mesmo se impôs e rompendo com o
curso natural das coisas.
E bem, senhores, quando Deus assim age, não poderia se dizer, na linguagem
humana se aplicada às coisas divinas, que trabalha ditatorialmente? (voltam a se reproduzir
as risadas nos bancos da esquerda). Isto prova, senhores, quão grande é o delírio de um
partido que acredita poder governar com menos meios que Deus, ​tirando de si próprio o
meio, algumas vezes necessário, da ditadura. Senhores, sendo isto assim, a questão,
reduzida a seus verdadeiros fins, não consiste em averiguar se a ditadura é sustentável, se
em certas circunstâncias é boa; a questão é descobrir se essas circunstâncias vieram ou
passaram pela Espanha. E ​ ste é o ponto mais importante, e é o que vou contratar
exclusivamente agora. Para isso, vou ter que dar uma olhada (e nisto não farei mais do que
seguir os passos de todos os oradores que me precederam), um olhar pela Europa e outro
olhar pela Espanha. (Atenção profunda).
Senhores, a revolução de fevereiro veio quando a morte chegou: de repente.
(grande aplauso.) Deus, senhores, havia condenado a monarquia francesa. Em vão, essa
instituição havia se transformado profundamente para acomodar o circunstancial e os
tempos; nem isso lhe valeu: sua condenação era inapelável e sua perda infalível. A
monarquia do direito divino concluiu com Luís XVI em um andaime; a monarquia da glória
concluiu com Napoleão numa ilha; a monarquia hereditária concluiu com Carlos X no exílio,
e com Luis Felipe concluiu a última de todas as Monarquias possíveis: a Monarquia da
prudência. (Bravo, bravo!) Espetáculo triste e lamentável, senhores, o de uma instituição
extremamente venerável, muito antiga, gloriosa, a quem nem o direito divino, nem a
legitimidade, nem a prudência, nem a glória valem a pena! (Repetem-se os aplausos)
Senhores, quando a grande notícia desta grande revolução chegou à Espanha, ficamos
todos chocados e surpresos. Nada era comparável ao nosso espanto e nossa
consternação, mas à consternação e ao espanto da monarquia vencida. Eu digo mal: houve
um maior espanto, uma consternação maior do que a da Monarquia conquistada, e foi a da
República vencedora. (Bom, bom!) Mesmo agora: dez meses se passaram desde o seu
triunfo; pergunte a ela como ela ganhou; pergunte por que ela ganhou; pergunte a ela com
que força ela ganhou, e ela não saberá o que lhe responder.
Isso porque a República não venceu: a República foi o instrumento da vitória de um
poder superior. Esse poder, senhores, quando seu trabalho é iniciado, assim como foi forte
para destruir a Monarquia com um escrúpulo de República, será forte também, se
necessário e conveniente para seus fins, demolir a República com meus escrúpulos do
Império, ou com um escrúpulo de Monarquia. Esta revolução, senhores, tem sido objeto de
grandes comentários sobre suas causas e seus efeitos, em todas as tribunas da Europa e
entre outras, na tribuna espanhola. Admirei aqui e ali a lamentável leveza com que lida com
as profundas causas das revoluções.
Senhores, aqui, como em outros lugares, as revoluções são atribuídas não aos
defeitos dos governos. Quando as catástrofes são universais, imprevistas, simultâneas, elas
são sempre providenciais; porque, senhores, outros não são os personagens que
distinguem as obras de Deus das obras dos homens. (Aplausos da maioria.) Quando as
revoluções apresentarem esses sintomas, assegure-se de que venham do céu e venham da
culpa e da punição de todos. Vocês, senhores, querem saber a verdade e toda a verdade
sobre as causas da última revolução francesa? Pois a verdade é que em fevereiro veio o dia
da grande liquidação de todas as classes da sociedade com a Providência, e que naquele
dia tremendo todos se viram mal sucedidos. Digo mais, senhores: a própria República no
dia de sua vitória também declarou falência. A República havia dito sim que o mundo
passara a dominar a liberdade, a igualdade, a fraternidade, aqueles três dogmas que não
vêm da República, mas vêm de Calvário. (Bem, bem!)
Bem, senhores, o que fizeram depois? Em nome da liberdade, a República tornou
necessária, proclamou, aceitou a ditadura; em nome da igualdade, com o título de
republicanos do dia anterior, de republicanos no dia seguinte, de republicanos de
nascimento, ele inventou: não sei que tipo de democracia aristocrática e não sei que tipo de
brasões ridículos; finalmente, senhores, em nome da fraternidade, restauraram a
fraternidade pagã, a fraternidade de Etéocles e Polinice, e os irmãos se devoraram nas ruas
de Paris, na batalha mais gigantesca do que dentro das muralhas de Paris. uma cidade
testemunhou os séculos.
Para aquela República, que foi chamada as três verdades, decreto: é a República
das três blasfêmias, é a República das três mentiras. (Bravo, bravo!) Chegando agora às
causas dessa revolução, o partido progressista tem as mesmas causas para tudo. O Sr.
Cortina nos disse ontem que há revoluções porque há ilegalidades e porque o instinto do
povo as levanta uniformemente e espontaneamente contra os tiranos. Antes, o Sr. Ordax
Avecilla havia nos dito: "Você quer evitar revoluções? Dar comida para os famintos". Veja,
então, aqui a teoria do partido progressista em toda a sua extensão: as causas da revolução
são, por um lado, miséria; por outro, a tirania.
Senhores, essa teoria é contrária, totalmente contrária à História. E peço que seja
citado um exemplo de revolução feita e realizada por povos escravizados ou por pessoas
famintas. Revoluções são doenças de pessoas ricas; revoluções são doenças de povos
livres. O mundo antigo era um mundo no qual os escravos compunham a maior parte da
raça humana; Cite-me que revolução foi feita por aqueles escravos. (Nos bancos à
esquerda: "A revolução de Spartacus?")
O máximo que conseguiram foi fomentar algumas guerras servis; mas profundas
revoluções sempre foram feitas por aristocratas opulentos. Não, cavalheiros; não é na
escravidão, não é na miséria o germe das revoluções; o germe das revoluções está nos
desejos excessivamente excitados da multidão pelos tribunos que a exploram e beneficiam.
(Bem bem!)
O Governo espanhol, como era seu dever, não queria que essa fórmula fosse
aplicada na Espanha; ele queria menos, já que a situação interna não era a mais lisonjeira,
e era necessário se prevenir, contra as eventualidades do interior, bem como contra as
eventualidades externas. Para não ter feito isso, foi necessário ter ignorado completamente
o poder das correntes magnéticas que são liberadas dos centros de infecção revolucionária
e que estão infeccionando todo o mundo. (Muito bom, muito bom!) A situação interna, em
poucas palavras, era a seguinte: a questão política não foi, nunca foi, nem sequer é
resolvida; questões políticas não são tão facilmente resolvidas em sociedades tão excitadas
pelas paixões.
A questão dinástica não foi concluída, porque, embora seja verdade que nela somos
os vencedores, não tivemos a resignação dos vencidos, que é o complemento da vitória.
(Bravo!) A questão religiosa estava em péssimo estado. A questão dos casamentos, todos
vocês sabem, foi exacerbada. Peço-vos, senhores, é claro, como já provado, que a ditadura
é legítima em determinadas circunstâncias, em determinadas circunstâncias rentável, ou
foram não estávamos nestas circunstâncias? Se eles não chegaram, me diga quais outros
mais sérios apareceram no mundo. A experiência veio para mostrar que os cálculos do
governo e a previsão desta Casa não tinham sido infundados. Vocês todos sabem,
senhores; Vou falar muito brevemente sobre isso, porque tudo isso é para alimentar paixões
que detesto; não nasci para isso; todos vocês sabem que a República foi proclamada como
uma pedra de tropeço pelas capas de Madri; todos sabem que ele ganhou parte da
guarnição de Madri e Sevilha; Vocês todos sabem que sem o energético, resistência ativa,
Governo, Espanha, a partir das Colunas de Hércules para os Pirinéus, de um mar ao outro
mar teria sido um lago de sangue. E não só a Espanha. Você sabe que mal, se a revolução
tivesse triunfado, teria se espalhado pelo mundo?
Ah, senhores! Quando você pensa sobre essas coisas, a força é exclamar que o
Ministério que soube resistir e superveniente merecia bem sua Pátria. (Bem, bem, bem!)
Esta questão veio a ser complicada pela questão inglesa; antes de entrar (e agora eu
anuncio que não vai, mas para sair imediatamente porque eu conceituaria tão conveniente e
apropriado) antes de entrar que permitam-me para expor Congresso algumas ideias gerais
que parecem apropriadas.
Senhores, sempre acreditei que a cegueira é um sinal, tanto nos homens, como nos
governos, como nas nações, da perdição. Eu acreditei que Deus começa sempre cegando
aqueles que ele quer perder; Acredito que, para que não vejam o abismo que põe a seus
pés, começa por perturbar suas cabeças. Aplicando estas idéias para a política geral
seguida por alguns anos pela Inglaterra e pela França, senhores, eu vou dizer aqui, há
muito tempo eu previ grandes desgraças e catástrofes. Um fato histórico, um fato
determinado, um fato incontestável é que a ordem providencial da França é ser o
instrumento da Providência na disseminação de novas ideias, bem como as políticas
religiosas e sociais.
Nos tempos modernos, três grandes ideias invadiram a Europa: a ideia católica, a
ideia filosófica, a ideia revolucionária. Bem, senhores, nesses três períodos, a França
sempre fez homens para propagar essas ideias. Carlos Magno (2) foi à França fez homem
para propagar a idéia católica; Voltaire foi a França para propagar a ideia filosófica;
Napoleão tem sido à França o homem a propagar a idéia revolucionária. (Aplausos Geral.)
Da mesma forma, eu acho que a ordem providencial da Inglaterra é manter o equilíbrio
moral direita do mundo, fazendo contraste perpétua para a França. França é o que o fluxo,
Inglaterra, o que é o mar. (Muito bem, bem!) Suponha por um momento o fluxo sem o
refluxo: os mares se estenderiam por todos os continentes; suponha o refluxo sem o fluxo:
os mares desapareceriam da terra.
Suponha a França sem a Inglaterra: o mundo não se moveria a não ser em meio a
convulsões; todos os dias teria uma nova Constituição, a cada hora uma nova forma de
governo. Suponha a Inglaterra sem a França: o mundo sempre vegetaria sob a letra do
venerável João sem a Terra, que é o tipo permanente de todas as constituições britânicas.
O que significa, então, senhores, a coexistência dessas duas nações poderosas? Isso
significa, senhores, progresso limitado pela estabilidade, estabilidade estimulada pelo
progresso. (Muito bom!)
Bem, senhores, há alguns anos, e eu apelo a história contemporânea e suas
memórias, essas duas grandes nações perderam a memória de seus feitos, perderam a
memória de seu fim providencial na mundo França, em vez de derramar sobre a terra novas
ideias, pregado por todo o status quo: o status quo na França, o status quo na Espanha, na
Itália, o status quo, o status quo no Oriente. E a Inglaterra, em vez de pregar a estabilidade,
pregava em todos os lugares as revoltas: na Espanha, em Portugal, na França, na Itália e
na Grécia. E o que aconteceu aqui? O que precisava ser forçado: que as duas nações,
representando um papel que nunca fora dele, o representassem mal. A França queria se
tornar um pregador do diabo; Inglaterra, do pregador ao diabo. (Grandes e gerais risadas,
acompanhadas de iguais aplausos em todos os bancos.) Isto é, senhores, a história
contemporânea; mas falando apenas de Inglaterra, que é onde eu pretendo falar muito
brevemente, eu vou dizer que eu pedir o céu, senhores, não venha sobre ele, como têm
sido sobre a França, as catástrofes que tem merecido por seus erros; porque nada é
comparável ao erro da Inglaterra em apoiar os partidos revolucionários em toda parte.
Infortúnio! Você não sabe que no dia do perigo essas festas, com mais instinto do que ela,
terão que virar as costas? Isso já não aconteceu? E isso tinha que acontecer, senhores,
porque todos os revolucionários do mundo sabem que quando as revoluções são realmente
que quando as nuvens são agrupados, quando os horizontes são escurecidos, quando as
ondas subir alto, o navio da revolução ele não tem piloto além da França. (Grandes e vivos
abusos.)
Senhores, esta foi a política seguida pela Inglaterra e, para dizer o mínimo, por seu
governo e seus agentes durante o último período. Eu disse e repito que não quero lidar com
essa questão; Eu sou movido para grandes considerações. Em primeiro lugar, a
consideração do bem público, porque eu devo afirmar aqui solenemente que eu quero a
aliança mais íntima, a mais completa união entre a nação espanhola e a nação Inglesa, que
eu admiro e respeito como talvez o país mais livre, mais forte e mais digno de sê-lo na
Terra.
Não gostaria, com minhas palavras, de exacerbar essa questão e não gostaria de
prejudicar ou embaraçar novas negociações. Há outra consideração que me leva a não falar
sobre esse assunto. Para falar dele, eu teria que fazê-lo de um homem de quem eu era
amigo, mais amigo do que o Sr. Cortina; mas não posso ajudá-lo ao ponto que o Sr. Cortina
o ajudou; A honra não me permite mais ajuda do que o silêncio. O Sr. Cortina, ao abordar
esta questão, permita-me dizer-lhe francamente, ele tinha uma espécie de vertigem e
esqueceu quem era, onde estava e quem somos.
Sua senhoria pensava que ele era um advogado, e ele não era um advogado, ele
era um orador no Parlamento. Sua senhoria pensou que ele falou em um tribunal, e ele
falou em uma assembléia deliberativa; ele achava que estava falando de um processo, e
estava falando de uma grande questão política nacional que, se fosse um processo, era um
processo entre duas nações.
Agora, senhores: foi para o Sr. Cortina ter sido o advogado do partido oposto à
nação espanhola? (Aplausos nas margens da maioria.) E o que, senhores! Isso é
patriotismo, por acaso? Isso é ser um patriota? Ah não! Você sabe o que é ser um patriota?
Ser um patriota, cavalheiros, é amar, é odiar, é sentir como você ama, como odeia, como
nosso país se sente. (Bravo, bravo!) Eu disse, senhores, eu seria muito leve nessa questão,
e já passei. Sr. Secretário (Eafuente Alcántara): Após o horário regulamentar, pergunta-se
ao Congresso se a sessão é prolongada. (Muitas vozes: "Sim, sim"). Foi acordado
afirmativamente. O Marquês de Valdegamas Senhor: Mas, senhores, ou circunstâncias
interiores, que eram tão graves, ou circunstâncias externas que eram tão complicado e
perigoso, são suficientes para diminuir os senhores de opinião sentado naqueles bancos. E
liberdade?, eles nos dizem. Pois que! E a liberdade, não é principalmente? E a liberdade, o
menos individual, não foi sacrificada?
Liberdade, senhores! Eles conhecem o princípio que proclamam e o nome
pronunciado por aqueles que pronunciam essa palavra sagrada? Eles sabem os tempos em
que vivem? O barulho das últimas catástrofes não chegou até você, senhores? O quê?!
Você não sabe, neste momento, que a liberdade acabou? Bem, o que, você não assistiu,
como eu assisti, com os olhos do meu espírito para a sua dolorosa paixão? Bem, senhores!
Você não a viu maltratada, ridicularizada, ferida traiçoeiramente por todos os demagogos do
mundo?
Vocês não a viram carregar sua angústia pelas montanhas da Suíça, ao longo das
margens do Sena, ao longo das margens do Reno e do Danúbio, às margens do rio Tibre?
Você não a viu escalar o Quirinal, que tem sido seu Calvário? (Aplausos atordoados.)
Senhores, a palavra é tremenda, mas não devemos evitar proferir palavras tremendas se
falarem a verdade, e estou decidido a dizê-lo. A liberdade acabou!
Ele não ressuscitará, cavalheiros, nem no terceiro dia, nem no terceiro ano, nem no
terceiro século, talvez. Você tem medo, senhores, a tirania que sofremos? Você está com
medo de pouco: você verá coisas maiores. E aqui eu imploro, senhores, que você vai ter em
sua memória as minhas palavras, porque o que eu digo, os eventos que eu vou anunciar
em um futuro mais próximo ou mais distante, mas muito distante sempre ser cumpridas à
risca. (Grande atenção.) A base, senhores, de todos os seus erros (direto aos bancos à
esquerda) consiste em não saber qual é a direção da civilização e do mundo. Você acredita
que a civilização e o mundo vão, quando a civilização e o mundo retornam. O mundo,
senhores, caminha com passos muito rápidos para a constituição de um despotismo, o mais
gigantesco e devastador do qual há memória nos homens.
É disso que trata a civilização e é por isso que o mundo está passando. Para
anunciar essas coisas, não preciso ser profeta. É o suficiente para eu considerar o terrível
conjunto de eventos humanos do seu único ponto de vista verdadeiro: das alturas católicas.
Senhores, só existem duas repressões possíveis: uma interna e outra externa, a religiosa e
a política. São de tal natureza que, quando o termômetro religioso está em alta, o
termômetro de repressão é baixo e, quando o termômetro religioso é baixo, o termômetro
político, a repressão política, a tirania é alto. Esta é uma lei da humanidade, uma lei da
história (3). E se não, senhores, vejam o que o mundo era, vejam o que foi a sociedade que
cai do outro lado da cruz;
Diga o que era quando não havia repressão interna, quando não havia repressão
religiosa. Então aquela era uma sociedade de tiranias e escravos. Citem-me uma única
cidade da época em que não havia escravos e onde não havia tirania. Este é um fato
incontroverso, isso é um fato incontroverso, isso é um fato óbvio. A liberdade, a verdadeira
liberdade, a liberdade de todos e para todos, não vieram para o mundo, mas para o
Salvador do mundo. (Muito bem, muito bem !) Esse também é um fato incontroverso, é um
fato reconhecido até mesmo pelos próprios socialistas, que o confessam. Os socialistas
chamam Jesus de homem divino, e os socialistas fazem mais, eles são chamados seus
continuadores.
Seus seguidores, santo Deus! Eles, os homens de sangue e vingança, seguidores
daqueles que viviam apenas para fazer o bem àqueles que não abriam a boca, mas para
abençoar, que não fazia maravilhas, mas para libertar os pecadores do pecado, os mortos
da morte. , da qual no espaço de três anos ele fez a maior revolução que os séculos
testemunharam e realizaram sem derramar mais sangue que o dele! (Ao vivo e aplausos.)
Cavalheiros, peço-lhe que preste atenção em mim; Vou colocar você na presença do mais
maravilhoso paralelismo que a História oferece. Vocês viram que no mundo antigo, quando
a repressão religiosa não podia mais cair, porque não existia, a repressão política se elevou
até que não pôde mais, porque se transformou em tirania. Bem, com Jesus Cristo, onde a
repressão religiosa nasce, a repressão política desaparece completamente. Isto é tão
verdade que, tendo fundado Jesus Cristo uma sociedade com seus discípulos, foi a única
sociedade que existiu sem governo.
Entre Jesus e seus discípulos não havia outro governo além do amor do Mestre aos
discípulos e o amor dos discípulos ao Mestre. Ou seja, quando a repressão interna estava
completa, a liberdade era absoluta. Vamos seguir o paralelismo. Eles escolhem os tempos
apostólicos, que eu estenderei, porque é assim que se adapta ao meu propósito agora,
desde os tempos apostólicos propriamente ditos até a ascensão do cristianismo ao Capitólio
no tempo de Constantino, o Grande.
Neste momento, senhores, a religião cristã, isto é, a repressão religiosa interior,
estava em pleno andamento; mas embora estivesse em pleno andamento, aconteceu o que
aconteceu em todas as sociedades compostas de homens: que um germe começou a se
desenvolver, nada mais que um germe, de licença e de liberdade religiosa. Bem, senhores,
observem o paralelismo; a este princípio de descida no termômetro religioso corresponde
um princípio de ascensão no termômetro político. Ainda não há governo, o governo não é
necessário, mas um germe do governo é necessário. Assim, na sociedade cristã, não havia,
de fato, magistrados verdadeiros, mas árbitros e juízes amigáveis, que são o embrião do
governo. Realmente não havia mais que isso; os cristãos dos tempos apostólicos não
tiveram ações judiciais, eles não foram a tribunal; eles decidiram suas disputas através de
árbitros.
Observe, senhores, como o governo cresce com a corrupção. Os tempos feudais
chegam, e nestes a religião ainda está em seu apogeu, mas em certa medida viciada por
paixões humanas. O que está acontecendo, senhores, neste momento no mundo político?
Que um governo real e eficaz já é necessário, mas que o mais fraco de todos é suficiente: e
assim a monarquia feudal é estabelecida, a mais fraca de todas as monarquias. Continue
observando o paralelismo. Venha, senhores, o século XVI.
Neste século, com a grande reforma luterana, com aquele grande escândalo político
e social, bem como religiosa, com este ato de emancipação intelectual e moral dos povos,
concordam as seguintes instituições: em primeiro lugar, no tempo das monarquias, dos
feudais se tornam absolutos. Você acreditará, senhores, que mais do que absoluto não
pode ser uma monarquia; um governo, o que pode ser mais do que absoluto? Mas era
necessário, senhoras e senhores, que o termômetro da repressão política aumentasse
mais, porque o termômetro religioso continuava a cair; e, com efeito, subiu mais. E qual
nova instituição foi criada? O dos exércitos permanentes. E sabe, senhores, que exércitos
permanentes são?
Para conhecê-lo, basta saber o que é um soldado; um soldado é um escravo de
uniforme. Então, você vê que no momento em que a repressão religiosa cai, a repressão
política se eleva ao absolutismo e vai além. Não foi suficiente para os governos serem
absolutos; Eles pediram e obtiveram o privilégio de serem absolutos e ter um milhão de
armas.
Apesar disso, senhores, era necessário que o termômetro político aumentasse mais,
porque o termômetro religioso ainda estava baixo; e subiu mais. Que nova instituição,
senhores, foi criada então?
Os governos disseram: "Temos um milhão de armas e elas não são suficientes para
nós, precisamos de mais, precisamos de um milhão de olhos". E eles tinham a polícia e com
a polícia um milhão de olhos. Apesar disso, senhores, o termômetro político e a repressão
política ainda tinham que subir, porque, apesar de tudo, o termômetro religioso continuava
baixando; e eles subiram. Para os governos, senhores, não era suficiente para eles terem
um milhão de armas, não era suficiente para eles terem um milhão de olhos; eles queriam
ter um milhão de ouvidos, e eles os tinham com centralização administrativa, para os quais
todas as queixas e reclamações chegam ao governo. Bem, senhores, isso não foi
suficiente, porque o termômetro religioso continuou a cair, e foi necessário que o
termômetro político subisse mais. Senhores, até que ponto! ...
Então ele se levantou novamente. Os governos disseram: "Eu não tenho para
reprimir, um milhão de armas, não são suficientes, para reprimir, um milhão de olhos, não
são suficientes para reprimir um milhão de ouvidos, precisamos de mais, temos de ter o
privilégio de encontrar-nos ao mesmo tempo em todos os lugares". E eles tinham, e o
telégrafo foi inventado. (Aplausos.)
Senhores, este era o estado da Europa e do mundo quando o primeiro surto da
última revolução veio para anunciar a todos que ainda era bastante despotismo no mundo,
porque o termômetro religiosa era por Ira.jo de zero. Agora senhores, qualquer um dos dois
... eu prometi, e guardará a minha palavra, falando hoje com tudo, francamente. (Redobra
atenção.) Bem, uma das duas coisas: ou a reação é religiosa ou não; sim não reação
religiosa, você vê, senhores, como elevar o termômetro religiosa começa a cair
naturalmente, espontaneamente, sem esforço nenhum dos povos ou governos, ou os
homens, o termômetro político, para marcar o dia ameno liberdade dos povos.
(Bravo!) Mas se, pelo contrário, senhores (e isso é sério, não há o hábito de chamar
a atenção das assembléias deliberativas sobre as questões a que os tenho chamado de
hoje, mas a gravidade dos acontecimentos mundiais ele me dispensa e acredito que sua
benevolência também saberá dispensar); Bem, senhores, digo que, se o termômetro
religioso continuar caindo, não sei para onde vamos terminar. Eu, senhores, não sei e tremo
quando penso nisso. Contemplar as analogias que propus em seus olhos, e se quando a
repressão religiosa estava no seu auge não precisava de qualquer governo, quando não há
repressão religiosa não será suficiente com qualquer tipo de governo; todos os despotismos
serão poucos.
Senhores, isto é colocar o dedo na ferida; Esta é a questão da Espanha, a questão
da Europa, a questão da Humanidade, a questão do mundo. (Certo, certo!) Considere uma
coisa, senhores. No mundo antigo era tirania feroz e desolação, e, no entanto, que a tirania
foi limitada fisicamente, porque todos os estados eram pequenos e que as relações
internacionais eram impossíveis de cada ponto; consequentemente, Estados eram
pequenos e as relações internacionais eram impossíveis em todos os pontos;
consequentemente, na antiguidade não poderia haver tiranias em larga escala, mas apenas
uma: a de Roma.
Mas agora, senhores, como as coisas mudaram! Senhores, as estradas estão
preparadas para um gigantesco, colossal, universal / imenso tirano; tudo está preparado
para isso; senhores, olhem bem para isto; não há mais resistências, nem físicas nem
morais; não há resistências físicas, porque com barcos a vapor e estradas de ferro não há
fronteiras; não há resistências físicas, porque com o telégrafo elétrico não há distâncias, e
não há resistências morais, porque todos os humores estão divididos e todos os
patriotismos estão mortos.
Diga-me, então, se estou certo ou não quando me preocupo com o futuro do mundo;
Diga-me se eu não lide com o problema real ao lidar com essa questão. (Sensação.)
Apenas uma coisa pode evitar uma catástrofe; um e nada mais; isso não é evitado dando
mais liberdade, mais garantia, novas constituições; isso é evitado procurando-se tudo, até
onde nossas forças chegam, para provocar uma reação religiosa saudável.
Agora, senhores: esta reação é possível? Possível é; mas é provável? Senhores,
aqui falo com a mais profunda tristeza; Eu acho que é provável. Eu vi, senhores, e conheci
muitos indivíduos que saíram da fé e retornaram a ela; infelizmente, senhores, nunca vi
ninguém que tenha voltado à fé depois de tê-la perdido (4).
Se ainda tivesse alguma esperança, os últimos acontecimentos em Roma teriam se
dissipado, senhores; e aqui vou dizer duas palavras sobre esta questão, também abordadas
pelo Sr. Cortina. Senhores, os eventos de Roma não têm nome, o que vocês chamam de
senhores? Você os chamaria deploráveis?
Lamentavelmente, tudo o que citei são; esses são muito mais. Você os chamaria de
horríveis? Senhores, esses eventos são principalmente de terror. Não havia mais em Roma,
no trono mais eminente, o homem mais justo, o homem mais evangélico da terra. O que
Roma fez daquele homem evangélico, daquele homem justo? O que essa cidade fez onde
os heróis, os Césares e os Pontífices prevaleceram? Ele trocou o trono dos Pontífices pelo
trono dos demagogos. Rebelde a Deus, caiu sob a idolatria da adaga. Isso foi feito.
A adaga, senhores, a adaga demagógica, a adaga sangrenta, que é hoje o ídolo de
Roma. Esse é o ídolo que derrubou Pio IX. Esse é o ídolo que as tropas de Caribs
caminham pelas ruas. Eu disse Caribs? Eu disse mal que os caribes são ferozes, mas os
caribes não são ingratos. (Aplausos em voz alta.)
Senhores, propus falar com toda franqueza e falarei. Eu digo que é necessário que o
rei de Roma retorne a Roma ou não permaneça em Roma, embora apesar do Sr. Cortina,
pedra sobre pedra. (Muito bom, muito bom”) o mundo católico não pode consentir, e não
sofrem com a destruição virtual do Cristianismo por uma única cidade, dado o frenesi de
loucura.
A Europa civilizada não pode e não consentirá no colapso do edifício da civilização
européia, senhores. O mundo, senhores, não pode consentir, e não permitirá, que em
Roma, aquela cidade santa, se verifique o advento de uma nova e estranha dinastia, a
dinastia do crime. (Bravo!) E não digo, senhores, como disse Sr. Cortina, como dizem nos
jornais e discursos senhores que se sentam sobre os bancos (que tratam tosse esquerda),
há duas questões ali, uma temporária e outro espiritual, e que a questão tem sido entre o rei
temporal e seu povo; que o Pontífice ainda existe.
Duas palavras sobre esta questão: duas palavras, senhores, explicarão tudo. Sem
dúvida, o poder espiritual é o principal no Papa; o temporário é acessório; mas esse
acessório é necessário. O mundo católico tem o direito de exigir que o oráculo infalível de
seus dogmas seja livre e independente; o mundo católico não pode ter uma certa ciência,
pois é necessário que seja independente e livre, mas quando é soberana, porque só o
soberano não depende de ninguém. (Muito bom, muito bom!)
Portanto, senhores, a questão da soberania, que é uma questão política em toda
parte, é também em Roma uma questão religiosa; o povo, que pode ser soberano em toda
parte, não pode ser assim em Roma; assembléias constituintes que podem existir em toda
parte, não podem existir em Roma; em Roma não pode haver mais poder constituinte do
que o poder constituído. Roma, senhores, os Estados Papais não pertencem a Roma, não
pertencem ao Papa; os Estados Papais pertencem ao mundo católico; o mundo católico os
reconheceu ao papa para que ele fosse livre e independente, e o próprio papa não pode
despojar-se dessa soberania, dessa independência.
(Aplausos gerais.) Senhores, concluirei, porque o Congresso está muito cansado e
eu também estou. (Diversos senhores: "Não, não")
Senhores, francamente, eu tenho que dizer aqui que eu não posso estender mais,
porque eu tenho uma boca mal e que era um milagre que eu possa falar; mas a principal
coisa que eu tinha a dizer já foi dito. Depois de ter lidado com as três questões exteriores
com as quais o Sr. Cortina lidou, volto a concluir para o interior.
Senhores, desde o princípio do mundo até agora tem sido uma coisa controversa se
o sistema de resistência mais adequado ou o sistema de concessões para evitar revoluções
e revoltas, mas, felizmente, senhores, que essa era uma questão Desde o primeiro ano da
criação até o ano 48, no ano de graça de 48, não é mais uma questão de espécie alguma,
porque é uma coisa estabelecida;
Eu, senhores, se o mal que sofro em minha boca permitir, revê todos os
acontecimentos de fevereiro até agora que provam essa afirmação, mas vou me contentar
em lembrar dois: o da França, senhores; ali a Monarquia, que não resistiu, foi derrotada
pela República; que ele dificilmente tinha forças para se movimentar, e a República, que
mal tinha força para se mover, porque resistiu, derrotou o socialismo.
Em Roma, que é outro exemplo que quero citar, o que aconteceu? Não foi seu
modelo lá? Diga-me, se você fosse pintor e quisesse pintar o modelo de um rei, encontraria
outro modelo que não fosse seu Pio IX original? Senhores, Pio IX queria ser, como seu
divino Mestre, magnífico e generoso; ele encontrou exilados em seu país, e ele estendeu a
mão e os devolveu para sua terra natal; havia reformadores, senhores, e ele lhes deu
reformas; havia liberais, senhores, e ele os libertou; cada palavra dele era um benefício; e
agora, senhores, digam-me, os seus benefícios não são iguais, se não excedem, às suas
ignomínias?
E em vista disso, senhores, o sistema de concessões não é uma coisa resolvida?
(Muito bem, muito bem!) Senhores, se aqui fosse escolher, escolher entre a liberdade, por
um lado, e a ditadura, por outro, não haveria discordância aqui; porque quem, sendo capaz
de abraçar com liberdade, se ajoelha diante da ditadura? Mas esta não é a questão. A
liberdade não existe na Europa; os governos constitucionais que a representavam há anos
estão agora em quase toda parte, senhores, mas um marco, um esqueleto sem vida.
Lembrem-se de uma coisa, lembrem-se da Roma Imperial. Na Roma imperial
existiam todas as instituições republicanas: há ditadores onipotentes, tribos invioláveis,
famílias senatoriais, cônsules eminentes; tudo isso, senhores, existiu; Só falta uma coisa:
um homem é deixado e a República está desaparecida. (Muito bem, muito bem!) Bem,
esses são, senhores, em quase toda a Europa os governos constitucionais;
Sem pensar, sem saber, o Sr. Cortina nos mostrou isso no outro dia. Seu senhorio
não nos disse que prefere, e com razão, o que a História diz ao que as teorias dizem? Eu
apelo à História. Quais são, Sr. Cortina, aqueles governos com suas maiorias legítimas,
sempre derrotados pelas minorias turbulentas; com seus ministros responsáveis, que não
respondem de maneira alguma; com seus reis invioláveis, sempre estuprados?
Então, senhores, a questão, como eu disse antes, não é entre liberdade e ditadura;
Se eu estivesse entre a liberdade e a ditadura, eu votaria pela liberdade, como todos nós
que nos sentamos aqui. Mas a questão é esta, e eu concluo: é uma questão de escolher
entre a ditadura da insurreição e a ditadura do governo;
Neste caso, escolho a ditadura do governo, menos pesada e menos escandalosa.
(Aplausos da maioria) É uma questão de escolher entre a ditadura que vem de baixo e a
ditadura que vem de cima; Eu escolho o que vem de cima, porque vem de regiões mais
limpas e mais serenas; trata-se, finalmente, de escolher entre a ditadura do punhal e a
ditadura do sabre; Eu escolho a ditadura do sabre, porque é mais nobre. (Bravo, bravo!)
Senhores Deputados, quando votarmos nos dividiremos nesta questão, e nos
dividindo, seremos coerentes com nós mesmos. Você, senhores, votarão, como sempre, o
mais popular; Nós, senhores, como sempre, votamos os mais saudáveis. (Uma grande
agitação segue esse discurso, e o palestrante recebe os parabéns de quase todos os
deputados do Congresso.)