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- Deveres

- Direitos
Teoria Geral das Provas  Produção de prova testemunhal
PROVA E VERDADE Fase Preparatória
LIMITAÇÕES Fase de Realização
 Jurídicas PROVA PERICIAL
Processuais  Conceito
Materiais  Cabimento
 Humanas  Procedimento
VERDADE FORMAL E MATERIAL Indicação do Perito
Escusa do perito
OBJETO DA PROVA
Substituição do perito
EXCLUSÃO DO OBJETO DA PROVA Atos preparatórios
ÔNUS DA PROVA
 Segunda Pericia
 Regras de Distribuição INSPEÇÃO JUDICIAL
 Inversão Convencional
 Inversão Legal  Conceito
 Procedimento
VALORAÇÃO DAS PROVAS
PROVA ILÍCITA
PODERES INSTRUTÓRIOS DO JUIZ
PROVA EMPRESTADA
PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS
 Cabimento
 Competência
 Questões Procedimentais

Provas em Espécie
ATA NOTARIAL
DEPOIMENTO PESSOAL
 Conceito
 Sujeitos envolvidos no depoimento pessoal
 Procedimento
CONFISSÃO
 Conceito
 Espécies de confissão
 Invalidação da confissão
EXIBIÇÃO DE COISA OU DOCUMENTO
 Conceito
 Aspectos procedimentais comuns
 Procedimento contra a parte contrária
 Procedimento contra terceiro
PROVA DOCUMENTAL
 Conceito
 Produção Da Prova Documental
 Arguição de Falsidade Documental
PROVA TESTEMUNHAL
 Conceito
 Cabimento
 Sujeitos que podem testemunhar
 Direitos e deveres da testemunha
Concurso não se faz para passar, mas até passar. Porrada na preguiça! A fila anda e a catraca seleciona. É nóis, playboy!!!
Função: convencer o juiz da veracidade das alegações de fato.
Obs.: verdade é uma utopia; é inalcançável - direito constitucional à prova
(implícito nos princípios da ampla defesa e contraditório). Conclusão: o que se obtém é
PROVA E uma verdade possível ou quase-verdade, uma aparência da verdade.
VERDADE
Obs2: verossimilhança da alegação (aparência de verdade que decorre das
máximas de experiência2) é típica de tutela provisória, enquanto que a verdade
possível (aparência da verdade que decorre das provas) é típica de tutela definitiva.
Regras procedimentais (forma e prazo)

Obs: princípio da instrumentalidade das formas


- STJ, 3ª Turma, AgRg no REsp 792.281/SP: ausência de
intimação só gera nulidade se documentos forem
Processuais essenciais para a fundamentação.

JURÍDICAS
OBS.: STJ, 1ª Turma, REsp 639.257/MT: possível
LIMITAÇÕES a indicação de quesitos e assistente técnico até início da
perícia, ou seja, depois de vencido o prazo.
Vedação constitucional à prova ilícita - Tem que garantir o
direito de privacidade, intimidade e integridade dos sujeitos envolvidos
Materiais
na produção da prova, sob pena de se colher provas ilícitas.
Ex.: prova sob tortura, prova com violação de correspondência.
- Pessoas são em regra a fonte de prova
HUMANAS - prova é valorada pelo juiz

1
Resumo feito com base nas aulas do Prof. Daniel Assumpção.
2
Máximas de experiência: o que costuma a acontecer em determinada circunstância.
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Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas


necessárias ao julgamento do mérito.

- Verdade é uma só e é inalcançável.


- Distinção entre atividade probatória do juiz na esfera cível e penal - não se justifica diferença:
- Valores tutelados no processo penal não são necessariamente mais nobres que os tutelados
no processo cível.
VERDADE Ex.: guarda de incapaz; direito coletivo e direito difuso;
FORMAL E
MATERIAL - Qualidade da prestação jurisdicional interessa independentemente dos valores tutelados.

CONCLUSÃO: verdade formal e material são expressões utilizadas para justificar atuação do juiz
de oficio no campo probatório (STJ, 3ª Turm AgRg no AREsp 332.142/SP): Não há óbice à determinação
pelo juízo de exibição de documentos comuns entre as partes, haja vista que a "iniciativa probatória do
juiz, em busca da verdade real, com realização de provas de ofício, é amplíssima, porque é feita no
interesse público de efetividade da Justiça".

- Fatos (HTJr) x alegações de fato (Dinamarco)

Obs.: prova do direito é excepcional (IURA NOVIT CURIA).

Art. 376. A parte que alegar direito municipal, estadual, estrangeiro ou


consuetudinário provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o juiz determinar.

OBJETO DA Exceção: prova do direito - existência e vigência da norma legal


PROVA * direito municipal, estadual, estrangeiro ou consuetudinário (art. 376 do Novo
CPC)
* prova desde que exigida pelo juiz

Exceção na Exceção  prova de feriado local em recurso excepcional (art. 1.003,


§ 6º, do Novo CPC): O recorrente comprovará a ocorrência de feriado local no ato de
interposição do recurso.
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EXCLUSÃO DO OBJETO DA PROVA


Art. 370. Parágrafo único. O juiz indeferirá, em decisão fundamentada, as diligências inúteis ou
meramente protelatórias.

Art. 374. Não dependem de prova os fatos:


I - notórios;
II - afirmados por uma parte e confessados pela parte contrária;
III - admitidos no processo como incontroversos;
IV - em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade.

(a) prova inútil porque fatos não serão considerados na decisão.

- fato irrelevante (diz respeito ao objeto do processo mas não influencia formação do convencimento)
- fato impertinente (estranho ao objeto do processo)

(b) prova inútil porque fato será considerado como verdadeiro pelo juiz independentemente de sua produção
* art. 374 do Novo CPC

I – Notórios
- Notoriedade relativa: conhecimento geral num determinado local e momento, ainda que nem todos o
conheçam.
- A notoriedade em si pode ser objeto de prova.

II – Confessados (a lei tecnicamente foi imprecisa aqui)


- Confissão é meio de prova e fato confessado já foi objeto de prova.
- Confissão não é prova plena, ou seja, não condiciona o convencimento do juiz.
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Art. 341. Incumbe também ao réu manifestar-se precisamente sobre as alegações de fato
constantes da petição inicial, presumindo-se verdadeiras as não impugnadas, salvo se:
I - não for admissível, a seu respeito, a confissão;
II - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considerar da substância
do ato;
III - estiverem em contradição com a defesa, considerada em seu conjunto.
Parágrafo único. O ônus da impugnação especificada dos fatos não se aplica ao defensor público,
ao advogado dativo e ao curador especial.

III – admitidos como incontroversos


- Ausência de impugnação
- Exceções (ficção jurídica): incisos do art. 341 do Novo CPC (ausência de impugnação especifica
aos fatos) e incisos do art. 345 do Novo CPC (revelia)3

IV- Presunção
- Resultado de um processo mental: parte-se de um fato indiciário ou indício (deve ser provado) e se chega
após um processo mental a um fato não provado, mas presumido como verdadeiro (essa correlação é feita pelas
máximas de experiência).
Ex.: provado o “fato A”, costuma-se ocorrer o “fato B”. Onde há fumaça há fogo: provada a fumaça presume-se a
existência do fogo.

Distinções:

- Presunção relativa (iuris tantum) x Presunção absoluta (iuris et de iure):


Presunção relativa (iuris tantum) admite prova em sentido contrário 4. O fato não será excluído do objeto de
prova, mas haverá uma inversão do ônus da prova, cabendo à parte contrário prova-lo.
Presunção absoluta (iuris et de iure) não admite prova em sentido nenhum, gerando uma vinculação
obrigatória do juiz. O fato será excluído do objeto de prova.

- Legal (praesumtiones legis) x judicial (praesumtiones legis):


Legal (praesumtiones legis) já prevista em lei;
Judicial (praesumtiones legis) feita pelo juiz no caso concreto.

Obs: presunção absoluta é diferente de ficção jurídica: na ficção jurídica sabe-se que é mentira,
mas é tratada como verdade. A presunção absoluta trata com uma alta probabilidade de ser verdade.

3
Art. 345. A revelia não produz o efeito mencionado no art. 344 se: I - havendo pluralidade de réus, algum deles contestar a ação; II - o litígio versar
sobre direitos indisponíveis; III - a petição inicial não estiver acompanhada de instrumento que a lei considere indispensável à prova do ato; IV - as alegações de
fato formuladas pelo autor forem inverossímeis ou estiverem em contradição com prova constante dos autos.
4
Art. 1.597. Presumem-se concebidos na constância do casamento os filhos: I - nascidos cento e oitenta dias, pelo menos, depois de estabelecida a
convivência conjugal;
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ÔNUS DA PROVA
Art. 373. O ônus da prova incumbe:

I - ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito;


II - ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito
do autor.

§ 1o Nos casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa relacionadas à


impossibilidade ou à excessiva dificuldade de cumprir o encargo nos termos do caput ou à
maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário, poderá o juiz atribuir o ônus da
prova de modo diverso, desde que o faça por decisão fundamentada, caso em que deverá
dar à parte a oportunidade de se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído.

§ 2o A decisão prevista no § 1o deste artigo não pode gerar situação em que a


desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil.

REGRAS DE
- Distribuição fixa (em abstrato): feita pelo legislador.
DISTRIBUIÇÃO
- Distribuição dinâmica (em concreto) - feita pelo juiz no caso concreto:
- Casos previstos em lei ou diante de peculiaridades da causa, relacionadas à impossibilidade ou à
excessiva dificuldade de cumprir o encargo ou à maior facilidade de obtenção da prova do fato contrário (art.
373, § 1º)

- Decisão fundamentada

- Oportunidade da parte se desincumbir do ônus que lhe foi atribuído (art. 373, § 1º), requerendo a
produção de provas.

- Inversão não pode gerar situação em que a desincumbência do encargo pela parte seja impossível ou
excessivamente difícil, tanto pelo autor quanto pelo réu (art. 373, § 2º): nesse caso deve ser mantida a regra
legal de distribuição do ônus da prova (art. 373, I e II).
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Art. 373 § 3o A distribuição diversa do ônus da prova também pode ocorrer por
convenção das partes, salvo quando:

I - recair sobre direito indisponível da parte;


II - tornar excessivamente difícil a uma parte o exercício do direito.
INVERSÃO
CONVENCIONAL § 4o A convenção de que trata o § 3o pode ser celebrada antes ou durante o
processo.

Vedação: recair sobre direito indisponível da parte e tornar excessivamente difícil a uma parte
o exercício do direito a produção de prova (prova do fato negativo indeterminado)
Regra legal específica em sentido contrário a regra legal geral (art. 373, I e II)
- art. 12, § 3º e 14, § 3º e 37 do CDC: é ônus do réu provar a falsidade do fato constitutivo o
direito do autor.
- dispensa de decisão judicial (I412/STJ, 4ª Turma, REsp. 720.930-RS):
RECURSO ESPECIAL. GRAVIDEZ ALEGADAMENTE DECORRENTE DE CONSUMO DE PÍLULAS
ANTICONCEPCIONAIS SEM PRINCÍPIO ATIVO ("PÍLULAS DE FARINHA"). INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
ENCARGO IMPOSSÍVEL. ADEMAIS, MOMENTO PROCESSUAL INADEQUADO. AUSÊNCIA DE NEXO CAUSAL
ENTRE A GRAVIDEZ E O AGIR CULPOSO DA RECORRENTE.
1. O Tribunal a quo, muito embora reconhecendo ser a prova "franciscana", entendeu que bastava
à condenação o fato de ser a autora consumidora do anticoncepcional "Microvlar" e ter esta apresentado
cartelas que diziam respeito a período posterior à concepção, cujo medicamento continha o princípio ativo
contraceptivo.
2. A inversão do ônus da prova regida pelo art. 6º, inciso VIII, do CDC, está ancorada na assimetria
técnica e informacional existente entre as partes em litígio. Ou seja, somente pelo fato de ser o consumidor
vulnerável, constituindo tal circunstância um obstáculo à comprovação dos fatos por ele narrados, e que
a parte contrária possui informação e os meios técnicos aptos à produção da prova, é que se excepciona
INVERSÃO a distribuição ordinária do ônus.
LEGAL 3. Com efeito, ainda que se trate de relação regida pelo CDC, não se concebe inverter-se o ônus
da prova para, retirando tal incumbência de quem poderia fazê-lo mais facilmente, atribuí-la a quem, por
impossibilidade lógica e natural, não o conseguiria. Assim, diante da não-comprovação da ingestão dos
aludidos placebos pela autora - quando lhe era, em tese, possível provar -, bem como levando em conta a
inviabilidade de a ré produzir prova impossível, a celeuma deve se resolver com a improcedência do
pedido.
4. Por outro lado, entre a gravidez da autora e o extravio das "pílulas de farinha", mostra-se
patente a ausência de demonstração do nexo causal, o qual passaria, necessariamente, pela demonstração
ao menos da aquisição dos indigitados placebos, o que não ocorreu.
5. De outra sorte, é de se ressaltar que a distribuição do ônus da prova, em realidade, determina
o agir processual de cada parte, de sorte que nenhuma delas pode ser surpreendida com a inovação de
um ônus que, antes de uma decisão judicial fundamentada, não lhe era imputado. Por isso que não poderia
o Tribunal a quo inverter o ônus da prova, com surpresa para as partes, quando do julgamento da apelação.
6. Recurso especial parcialmente conhecido e, na extensão, provido.
(REsp 720.930/RS, Rel. Ministro LUIS FELIPE SALOMÃO, QUARTA TURMA, julgado em
20/10/2009, DJe 09/11/2009)
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É atribuir a cada de convencimento de cada uma dessas provas.

Sistemas:
- Ordálias e juízos de Deus: desafios físicos e consultas a Deuses
- Prova legal (tarifada): ausência de liberdade valorativa ao juiz com carga de convencimento pré
estabelecida em lei
- Livre convencimento (persuasão íntima): juiz não está adstrito à prova
- Livre convencimento motivado (persuasão racional): juiz é livre para valorar, mas deve
VALORAÇÃO fundamentar suas opções
DAS PROVAS Obs.: NCPC fala em convencimento motivado (sem o “livre””)

* sistema do livre convencimento motivado com “pitadas” de prova tarifada:


- Presunção absoluta
- Mandado de segurança (exige prova documental e não aceita prova documentada)
- Arts. 215 e 225 do CC: prova plena

Obs.: revogação dos arts. 401 CPC/73 e 227, caput, CC: prova testemunhal serve
para prova de negócio jurídico de qualquer valor.
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- Prova ilegal: ilegítima (violação de normas de direito processual) x ilícita (violação de normas de
direito material)
Obs.: o que importa é a distinção entre normas constitucionais e
infraconstitucionais que foram violadas.

LVI - são inadmissíveis, no processo, as provas obtidas por meios ilícitos;


- Art. 5º, LVI, CF: proibição de utilização no processo: não há proibição de produção, que seria
ineficaz, mas de utilização na formação do convencimento do juiz.

* Posição doutrinária - princípio da proporcionalidade (BM/Marinoni): possibilidade


excepcional de utilização da prova ilícita no processo civil. Requisitos:

(a) gravidade do caso


(b) espécie de relação jurídica
(c) impossibilidade de produção de forma licita
(d) imprescindibilidade na formação do convencimento do juiz

OBS: I479/STJ, 3ª Turma, HC 203.405: interceptação telefônica em vara cível para


apurar conduta possivelmente criminosa:
HABEAS CORPUS. QUEBRA DO SIGILO TELEFÔNICO. PROCESSO CIVIL. INDÍCIOS
PROVA ILÍCITA DE COMETIMENTO DE CRIME. SUBTRAÇÃO DE CRIANÇA. DESCUMPRIMENTO DE
ORDEM JUDICIAL POR FUNCIONÁRIO DE COMPANHIA TELEFÔNICA, APOIADO EM
ALEGAÇÕES REFERENTES AO DIREITO DA PARTE NO PROCESSO. INEXISTÊNCIA DE
FUNDADO RECEIO DE RESTRIÇÃO IMINENTE AO DIREITO DE IR E VIR. NÃO
CONHECIMENTO.
1.- A possibilidade de quebra do sigilo das comunicações telefônicas fica, em
tese, restrita às hipóteses de investigação criminal ou instrução processual penal. No
entanto, o ato impugnado, embora praticado em processo cível, retrata hipótese
excepcional, em que se apuram evidências de subtração de menor, crime tipificado no
art. 237 do Estatuto da Criança e do Adolescente.
2.- Não toca ao paciente, embora inspirado por razões nobres, discutir a ordem
judicial alegando direito fundamental que não é seu, mas da parte processual.
Possibilitar que o destinatário da ordem judicial exponha razões para não cumpri-la é
inviabilizar a própria atividade jurisdicional, com prejuízo para o Estado Democrático
de Direito.
3.- Do contexto destes autos não se pode inferir a iminência da prisão do
paciente. Nem mesmo há informação sobre o início do processo ou sobre ordem de
prisão cautelar. Ausentes razões que fundamentariam o justo receio de restrição
iminente à liberdade de ir e vir, não é cabível o pedido de habeas corpus.
4.- Habeas corpus não conhecido.
(HC 203.405/MS, Rel. Ministro SIDNEI BENETI, TERCEIRA TURMA, julgado em
28/06/2011, DJe 01/07/2011)
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Art. 370. Caberá ao juiz, de ofício ou a requerimento da parte, determinar as provas


necessárias ao julgamento do mérito.
PODERES Obs1: poder instrutório e ônus da prova: o juiz é apenas mais um para produzir
INSTRUTÓRIOS a prova.
DO JUIZ Obs2: poder ou faculdade? Faculdade, pois o juiz pode ou não produzir a prova
de ofício.
Art. 372. O juiz poderá admitir a utilização de prova produzida em outro processo ,
atribuindo-lhe o valor que considerar adequado, observado o contraditório.

- “Outro processo”: prova documentada com conteúdo de prova oral ou pericial.

Obs1: interceptação telefônica judicialmente autorizada em inquérito criminal


emprestada para ação civil pública (STJ, 5ª Turma, RHC 52.209/RS)

RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. FRAUDE A PROCEDIMENTOS


LICITATÓRIOS. INQUÉRITO POLICIAL. INTERCEPTAÇÃO TELEFÔNICA JUDICIALMENTE
AUTORIZADA. PEDIDO DE COMPARTILHAMENTO DAS PROVAS OBTIDAS PARA FINS DE
INSTRUIR AÇÃO CIVIL PÚBLICA. POSSIBILIDADE.
CONSTRANGIMENTO ILEGAL INEXISTENTE. DESPROVIMENTO DO RECLAMO.
1. Como se sabe, o artigo 5º, inciso XII, da Constituição Federal prevê a
inviolabilidade do sigilo da correspondência e das comunicações telegráficas, de dados
e das comunicações telefônicas, salvo, no último caso, por ordem judicial, nas
PROVA hipóteses e na forma que a lei estabelecer para fins de investigação criminal ou
EMPRESTADA instrução processual penal.
2. Por sua vez, em cumprimento ao mandamento constitucional acima
mencionado, o artigo 1º da Lei 9.296/1996 permite a interceptação das comunicações
telefônicas para a prova em investigação criminal e em instrução processual penal,
desde que precedida de ordem judicial.
3. Embora a interceptação telefônica só possa ser autorizada para fins de
produção de prova em investigação ou processo criminal, o certo é que uma vez
autorizada judicialmente, o seu conteúdo pode ser utilizado para fins de imposição de
pena, inclusive de perda de cargo, função ou mandato, não se mostrando razoável que
as conversas gravadas, cujo teor torna-se público com a prolação de sentença
condenatória, não sejam aproveitadas na esfera civil ou administrativa. Doutrina.
Precedentes do STJ e do STF.
4. Inviável, por conseguinte, acoimar-se de ilegais as decisões proferidas na
instância de origem, uma vez que, tendo sido licitamente autorizada a interceptação
telefônica dos investigados em inquérito policial, é plenamente possível o
compartilhamento da prova para fins de instruir ação civil pública referente aos
mesmos fatos.
5. Recurso improvido.
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(RHC 52.209/RS, Rel. Ministro JORGE MUSSI, QUINTA TURMA, julgado em


20/11/2014, DJe 27/11/2014)

Obs2: inquérito civil (STJ, 2ª Turma, REsp. 1.280.321/MG – Eficácia probatória


relativa)
PROCESSUAL CIVIL E ADMINISTRATIVO. OFENSA AO ART. 535 DO CPC.
INOCORRÊNCIA. FRACIONAMENTO DE OBJETO PARA PROVOCAR DISPENSA. PREJUÍZO
AO ERÁRIO IN RE IPSA. ART. 334, INC. I, DO CPC. FATO NOTÓRIO SEGUNDO REGRAS
ORDINÁRIAS DE EXPERIÊNCIA. INQUÉRITO CIVIL. VALOR PROBATÓRIO RELATIVO.
CARGA PROBATÓRIA DE PROVA DOCUMENTAL. AUTENTICIDADE DOS DOCUMENTOS
OBTIDOS NA FASE PRÉ-JUDICIAL NÃO QUESTIONADA. SUFICIÊNCIA DOS ELEMENTOS
PROBANTES.
1. Trata-se, na origem, de ação civil pública para provocar a declaração de
nulidade de contrato administrativo, com conseqüente reparação de danos, em razão
de ter havido fracionamento de objeto licitado com o objetivo de permitir a dispensa
de licitação.
2. O acórdão recorrido entendeu que a irregularidade estava provada, mas que
não haveria como se anular o contrato para garantir o ressarcimento, uma vez que não
existiria, nos autos, prova de efetivo prejuízo ao erário. Além disso, a origem
fundamentou descartou a caracterização de prejuízos por ter havido prestação do
serviço contratado.
3. Nas razões recursais, sustenta a parte recorrente ter havido violação aos arts.
535 do Código de Processo Civil (CPC) - porque o acórdão seria omisso -, 4º, inc. III, "a",
da Lei n. 4.717/65, 2º do Decreto-lei n. 2.300/86 e 159 do Código Civil de 1916 - ao
argumento de que a violação ao procedimento licitatório, embora não possa configurar
improbidade administrativa na espécie, por questões referente a direito intertemporal
(não havia a Lei n. 8.429/92), é motivo que enseja a nulidade do ato e o conseqüente
ressarcimento ao erário - e 333 e 372 do CPC - ao fundamento de que a instrução da
causa com o inquérito civil, tratando-se de provas produzidas em fase pré-judicial, é
suficiente para demonstrar as irregularidades.
4. Inicialmente, não viola o artigo 535 do CPC, tampouco nega prestação
jurisdicional, acórdão que, mesmo sem ter examinado individualmente cada um dos
argumentos trazidos pelo vencido, adota fundamentação suficiente para decidir de
modo integral a controvérsia, conforme ocorreu no caso em exame.
5. No mais, é de se assentar que o prejuízo ao erário, na espécie (fracionamento
de objeto licitado, com ilegalidade da dispensa de procedimento licitatório), que
geraria a lesividade apta a ensejar a nulidade e o ressarcimento ao erário, é in re ipsa,
na medida em que o Poder Público deixa de, por condutas de administradores,
contratar a melhor proposta (no caso, em razão do fracionamento e conseqüente não-
realização da licitação, houve verdadeiro direcionamento da contratação).
6. Além disto, conforme o art. 334, incs. I e IV, independem de prova os fatos
notórios.
7. Ora, evidente que, segundo as regras ordinárias de experiência (ainda mais
levando em conta tratar-se, na espécie, de administradores públicos), o
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direcionamento de licitações, por meio de fracionamento do objeto e dispensa


indevida de procedimento de seleção (conforme reconhecido pela origem), levará à
contratação de propostas eventualmente superfaturadas (salvo nos casos em que não
existem outras partes capazes de oferecerem os mesmos produtos e/ou serviços).
8. Não fosse isto bastante, toda a sistemática legal colocada na Lei n. 8.666/93
e no Decreto-lei n. 2.300/86 baseia-se na presunção de que a obediência aos seus
ditames garantirá a escolha da melhor proposta em ambiente de igualdade de
condições.
9. Dessa forma, milita em favor da necessidade de procedimento licitatório
precedente à contratação a presunção de que, na sua ausência, a proposta contratada
não será a economicamente mais viável e menos dispendiosa, daí porque o prejuízo ao
erário é notório. Precedente: REsp 1.190.189/SP, de minha relatoria, Segunda Turma,
DJe 10.9.2010.
10. Despicienda, pois, a necessidade de prova do efetivo prejuízo porque,
constatado, ainda que por meio de inquérito civil, que houve indevido fracionamento
de objeto e dispensa de licitação injustificada (novamente: essas foram as conclusões
da origem após análise dos autos), o prejuízo é inerente à conduta. Afinal, não haveria
sentido no esforço de provocar o fracionamento para dispensar a licitação se fosse
possível, desde sempre, mesmo sem ele, oferecer a melhor proposta, pois o peso da
ilicitude da conduta, peso este que deve ser conhecido por quem se pretende
administrador, faz concluir que os envolvidos iriam aderir à legalidade se esta fosse
viável aos seus propósitos.
11. Por fim, o inquérito civil possui eficácia probatória relativa para fins de
instrução da ação civil pública. Contudo, no caso em tela, em que a prova da
irregularidade da dispensa de licitação é feita pela juntada de notas de empenho
diversas, dando conta da prestação de serviço único, com claro fracionamento do
objeto, documentos estes levantados em inquérito civil, não há como condicionar a
veracidade da informação à produção da prova em juízo, porque tais documentos não
tiveram sua autenticidade contestada pela parte interessada, sendo certo que, trazidos
aos autos apenas em juízo, não teriam seu conteúdo alterado.
12. Recurso especial parcialmente provido.
(REsp 1280321/MG, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA
TURMA, julgado em 06/03/2012, DJe 09/03/2012)

- Valoração livre do juiz que recebe a prova


- Respeito ao contraditório

Obs1: Informativo 536/STJ, 1ª Turma, AgRg no AREsp 24.940-RJ: contraditório no


processo de destino (prova documentada)

DIREITO PROCESSUAL CIVIL. UTILIZAÇÃO DE PROVA EMPRESTADA. Desde que


observado o devido processo legal, é possível a utilização de provas colhidas em
processo criminal como fundamento para reconhecer, no âmbito de ação de
conhecimento no juízo cível, a obrigação de reparação dos danos causados, ainda que
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a sentença penal condenatória não tenha transitado em julgado. Com efeito, a


utilização de provas colhidas no processo criminal como fundamentação para
condenação à reparação do dano causado não constitui violação ao art. 935 do
CC/2002 (1.525 do CC/16). Ademais, conforme o art. 63 do CPP, o trânsito em julgado
da sentença penal condenatória somente é pressuposto para a sua execução no juízo
cível, não sendo, portanto, impedimento para que o ofendido proponha ação de
conhecimento com o fim de obter a reparação dos danos causados, nos termos do art.
64 do CPP. AgRg no AREsp 24.940-RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em
18/2/2014.
Obs2: desnecessidade da identidade de partes (STJ, CE, EREsp 617.428/SP)

CIVIL. EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM RECURSO ESPECIAL. AÇÃO


DISCRIMINATÓRIA. TERRAS DEVOLUTAS. COMPETÊNCIA INTERNA. 1ª SEÇÃO.
NATUREZA DEVOLUTA DAS TERRAS. CRITÉRIO DE EXCLUSÃO. ÔNUS DA PROVA. PROVA
EMPRESTADA. IDENTIDADE DE PARTES. AUSÊNCIA. CONTRADITÓRIO. REQUISITO
ESSENCIAL. ADMISSIBILIDADE DA PROVA.
1. Ação discriminatória distribuída em 3.02.1958, do qual foram extraídos os
presentes embargos de divergência em recurso especial, conclusos ao Gabinete em
29.11.2011.
2. Cuida-se de ação discriminatória de terras devolutas relativas a parcelas da
antiga Fazenda Pirapó-Santo Anastácio, na região do Pontal do Paranapanema.
3. Cinge-se a controvérsia em definir: i) a Seção do STJ competente para julgar
ações discriminatórias de terras devolutas; ii) a quem compete o ônus da prova quanto
ao caráter devoluto das terras; iii) se a ausência de registro imobiliário acarreta
presunção de que a terra é devoluta; iv) se a prova emprestada pode ser obtida de
processo no qual não figuraram as mesmas partes; e v) em que caráter deve ser
recebida a prova pericial emprestada.
4. Compete à 1ª Seção o julgamento de ações discriminatórias de terras
devolutas, porquanto se trata de matéria eminentemente de direito público,
concernente à delimitação do patrimônio estatal.
5. Nos termos do conceito de terras devolutas constante da Lei 601/1850, a
natureza devoluta das terras é definida pelo critério de exclusão, de modo que ausente
justo título de domínio, posse legítima ou utilização pública, fica caracterizada a área
como devoluta, pertencente ao Estado-membro em que se localize, salvo as hipóteses
excepcionais de domínio da União previstas na Constituição Federal.
6. Pode-se inferir que a sistemática da discriminação de terras no Brasil, seja no
âmbito administrativo, seja em sede judicial, deve obedecer ao previsto no art. 4º da
Lei 6.383/76, de maneira que os ocupantes interessados devem trazer ao processo a
prova de sua posse.
7. Diante da origem do instituto das terras devolutas e da sistemática
estabelecida para a discriminação das terras, conclui- se que cabe ao Estado o ônus de
comprovar a ausência de domínio particular, de modo que a prova da posse, seja por
se tratar de prova negativa, de difícil ou impossível produção pelo Poder Público, seja
por obediência aos preceitos da Lei 6.383/76.
TEORIA GERAL DAS PROVAS 14/42

8. De acordo com as conclusões do acórdão embargado e das instâncias


ordinárias, o registro paroquial das terras foi feito em nome de José Antonio de
Gouveia, em 14 de maio de 1856, sob a assinatura do Frei Pacífico de Monte Falco, cuja
falsidade foi atestada em perícia, comprovando-se tratar-se de "grilagem" de terras.
Assim, considerou-se suficientemente provada, desde a petição inicial, pelo Estado de
São Paulo, a falsidade do "registro da posse", pelo que todos os títulos de domínio
atuais dos particulares são nulos em face do vício na origem da cadeia, demonstrando-
se a natureza devoluta das terras.
9. Em vista das reconhecidas vantagens da prova emprestada no processo civil,
é recomendável que essa seja utilizada sempre que possível, desde que se mantenha
hígida a garantia do contraditório.
No entanto, a prova emprestada não pode se restringir a processos em que
figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade,
sem justificativa razoável para tanto.
10. Independentemente de haver identidade de partes, o contraditório é o
requisito primordial para o aproveitamento da prova emprestada, de maneira que,
assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra
a prova e de refutá-la adequadamente, afigura-se válido o empréstimo.
11. Embargos de divergência interpostos por WILSON RONDÓ JÚNIOR E
OUTROS E PONTE BRANCA AGROPECUÁRIA S/A E OUTRO não providos.
Julgados prejudicados os embargos de divergência interpostos por DESTILARIA
ALCÍDIA S/A.
(EREsp 617.428/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, CORTE ESPECIAL, julgado
em 04/06/2014, DJe 17/06/2014)
TEORIA GERAL DAS PROVAS 15/42

PRODUÇÃO ANTECIPADA DE PROVAS


Art. 381. A produção antecipada da prova será admitida nos casos em que:

I - haja fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil


a verificação de certos fatos na pendência da ação;

II - a prova a ser produzida seja suscetível de viabilizar a autocomposição


ou outro meio adequado de solução de conflito;

III - o prévio conhecimento dos fatos possa justificar ou evitar o


ajuizamento de ação.

§ 1o O arrolamento de bens observará o disposto nesta Seção quando tiver por


finalidade apenas a realização de documentação e não a prática de atos de apreensão.
(...)
CABIMENTO § 5o Aplica-se o disposto nesta Seção àquele que pretender justificar a existência de
algum fato ou relação jurídica para simples documento e sem caráter contencioso, que
exporá, em petição circunstanciada, a sua intenção.
- Cabimento (art. 381)

(a) fundado receio de que venha a tornar-se impossível ou muito difícil a verificação de certos
fatos na pendência da ação;  nítida natureza cautelar, pois tem como requisito o periculum in
mora.

(b) prova a ser produzida for suscetível de viabilizar tentativa de conciliação ou de outro meio
adequado de solução do conflito;  não é aplicável a direitos que não admitem autocomposição.

(c) fatos que possam justificar ou evitar o ajuizamento de ação

Art. 381. § 2o A produção antecipada da prova é da competência do juízo do foro


onde esta deva ser produzida ou do foro de domicílio do réu.

§ 3o A produção antecipada da prova não previne a competência do juízo para a


ação que venha a ser proposta.

COMPETÊNCIA § 4o O juízo estadual tem competência para produção antecipada de prova requerida
em face da União, de entidade autárquica ou de empresa pública federal se, na localidade,
não houver vara federal.
* foro do domicilio do réu ou local em que aprova deva ser produzida (art. 381, § 2º): foros
concorrentes
* não há prevenção (ainda que seja na mesma comarca) (art. 381, § 3º)
* competência delegada (art. 381, § 4º)
TEORIA GERAL DAS PROVAS 16/42

QUESTÕES PROCEDIMENTAIS
Art. 382. Na petição, o requerente apresentará as razões que justificam a necessidade de
antecipação da prova e mencionará com precisão os fatos sobre os quais a prova há de recair.

§ 1o O juiz determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a citação de interessados


na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo se inexistente caráter contencioso.

§ 2o O juiz não se pronunciará sobre a ocorrência ou a inocorrência do fato, nem sobre


as respectivas consequências jurídicas.

§ 3o Os interessados poderão requerer a produção de qualquer prova no mesmo


procedimento, desde que relacionada ao mesmo fato, salvo se a sua produção conjunta
acarretar excessiva demora.

§ 4o Neste procedimento, não se admitirá defesa ou recurso, salvo contra decisão que
indeferir totalmente a produção da prova pleiteada pelo requerente originário.

Art. 383. Os autos permanecerão em cartório durante 1 (um) mês para extração de cópias e
certidões pelos interessados.
Parágrafo único. Findo o prazo, os autos serão entregues ao promovente da medida.

(a) petição inicial (art. 382)


- Apresentação das razões que justificam a necessidade de antecipação da prova e a menção com precisão dos
fatos sobre os quais a prova há de recair.

(b) citação dos interessados


- De ofício ou a requerimento a citação dos interessados na produção da prova ou no fato a ser provado, salvo
se inexistente caráter contencioso, pois é possível um processo de produção antecipada de provas de jurisdição
voluntária.

(c) defesa e recurso


- Não se admite defesa e a única decisão recorrível é a que indefere, de forma total, o pedido de produção
antecipada de prova pleiteada pelo requerente originário.

A única decisão de que cabe recurso é a sentença de extingue o processo ao indeferir a prova. Cabe recurso de
apelação.

Crítica da doutrina: “Não se admite defesa” – inconstitucional e as matérias de defesa conhecíveis de ofício
podem ser alegadas pelo réu.

(d) natureza da sentença


- Juiz não se pronunciará acerca da ocorrência ou da inocorrência do fato, bem como sobre as respectivas
consequências jurídicas
TEORIA GERAL DAS PROVAS 17/42

(e) autos em cartório por um mês de depois entregues ao promovente da medida (art. 383) – quando se tratar
de autos físicos.
PROVAS EM ESPÉCIE 18/42

Art. 384. A existência e o modo de existir de algum fato podem ser atestados ou
documentados, a requerimento do interessado, mediante ata lavrada por tabelião.

Parágrafo único. Dados representados por imagem ou som gravados em arquivos


eletrônicos poderão constar da ata notarial.

- Existência e modo de ser de algum fato (descrição, imagens e sons gravados em arquivos
ATA NOTARIAL eletrônicos)  o notário tem fé pública, possuindo o que ele afirma presunção relativa de
veracidade.

- Prova pré-constituída (antes do processo) a ser produzida pelo interessado.

Exemplos de utilização: Tutelas provisórias inaudita altera partes, internet, assembleias, relações
familiares ou de vizinhança
PROVAS EM ESPÉCIE 19/42

DEPOIMENTO PESSOAL
Art. 385. Cabe à parte requerer o depoimento pessoal da outra parte, a fim de
que esta seja interrogada na audiência de instrução e julgamento, sem prejuízo do poder
do juiz de ordená-lo de ofício.

§ 1o Se a parte, pessoalmente intimada para prestar depoimento pessoal e


advertida da pena de confesso, não comparecer ou, comparecendo, se recusar a depor,
o juiz aplicar-lhe-á a pena.

§ 2o É vedado a quem ainda não depôs assistir ao interrogatório da outra parte.

§ 3o O depoimento pessoal da parte que residir em comarca, seção ou subseção


CONCEITO judiciária diversa daquela onde tramita o processo poderá ser colhido por meio de
videoconferência ou outro recurso tecnológico de transmissão de sons e imagens em
tempo real, o que poderá ocorrer, inclusive, durante a realização da audiência de
instrução e julgamento.

Espécie de prova oral produzida pela parte (na demanda);


Assistente simples é ouvido como testemunha (Marinoni), mas é provável que haja suspeição
nesse caso.
MP como fiscal da ordem jurídica não presta depoimento pessoal.

- Objetivos: obtenção da confissão e esclarecimento dos fatos. O depoimento pessoal não faz
prova em favor do depoente.

- Depoimento prestado por pessoa física (princípios da pessoalidade e indelegabilidade – ato


personalíssimo):

* não se admite procuração quando a parte é pessoa humana (STJ, 3ª Turma, REsp. 623.575-
RO)
* incapaz: depoimento pessoal do representante legal (Dinamarco) x Marinoni – não cabe
SUJEITOS depoimento pessoal
* pessoa jurídica: representante legal ou preposto com poderes de transigir (STJ, 3ª Turma,
ENVOLVIDOS NO
REsp 191.078-MA)
DEPOIMENTO
PROCESSO CIVIL. DEPOIMENTO PESSOAL. PESSOA JURÍDICA. PREPOSTO. A
PESSOAL
pessoa jurídica pode ser representada em Juízo por preposto, ainda que este não
seja seu diretor; basta a designação regular. Recurso especial conhecido e provido.
(REsp 191.078/MA, Rel. Ministro ARI PARGENDLER, TERCEIRA TURMA,
julgado em 15/09/2000, DJ 09/10/2000, p. 142)
OBS: art. 9º, § 4º, Lei 9.099/95: não precisa manter vínculo empregatício
OBS2: deve ter conhecimento dos fatos, sob pena de confissão
(Dinamarco/Greco Filho)
PROVAS EM ESPÉCIE 20/42

Art. 386. Quando a parte, sem motivo justificado, deixar de responder ao que lhe
for perguntado ou empregar evasivas, o juiz, apreciando as demais circunstâncias e os
elementos de prova, declarará, na sentença, se houve recusa de depor.

Art. 387. A parte responderá pessoalmente sobre os fatos articulados, não


podendo servir-se de escritos anteriormente preparados, permitindo-lhe o juiz, todavia,
a consulta a notas breves, desde que objetivem completar esclarecimentos.

Art. 388. A parte não é obrigada a depor sobre fatos:

I - criminosos ou torpes que lhe forem imputados;


II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo;
III - acerca dos quais não possa responder sem desonra própria, de seu cônjuge,
de seu companheiro ou de parente em grau sucessível;
IV - que coloquem em perigo a vida do depoente ou das pessoas referidas no inciso
III.
Parágrafo único. Esta disposição não se aplica às ações de estado e de
família.

PROCEDIMENTO
- Pedido expresso da parte contrária; juiz de ofício (art. 385, caput, do Novo CPC) e MP como
fiscal da ordem jurídica.
A própria parte não tem legitimidade para requerer seu depoimento pessoal.

- Intimação pessoal (constar do mandado a “pena” de confissão – art. 385, § 1º, do Novo CPC)

- Ônus processual

- Ausência/deixar de responder/respostas evasivas: confissão tácita

OBS: admite-se o silêncio nos casos previstos nos arts. 388 do Novo CPC
(causas de exclusão não são admitidas em ações de estado e de família (art. 388,
parágrafo único, do Novo CPC))

- Forma prescrita para oitiva das testemunhas (advogado da parte que presta depoimento não
faz perguntas)

- confissão expressa nas respostas das perguntas


PROVAS EM ESPÉCIE 21/42

CONFISSÃO
Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a verdade
de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário.

Art. 390. A confissão judicial pode ser espontânea ou provocada.

§ 1o A confissão espontânea pode ser feita pela própria parte ou por representante
com poder especial.
§ 2o A confissão provocada constará do termo de depoimento pessoal.
(a) reconhecimento de um fato alegado pela parte contrária;
(b) voluntariedade da parte que reconhece o fato;
(c) prejuízo ao confitente decorrente de seu ato.

- Confissão se limita aos fatos, não se confundindo com atos de disposição de direito material

Art. 392. Não vale como confissão a admissão, em juízo, de fatos relativos a
direitos indisponíveis.
CONCEITO
§ 1o A confissão será ineficaz se feita por quem não for capaz de dispor do direito
a que se referem os fatos confessados.

§ 2o A confissão feita por um representante somente é eficaz nos limites em que


este pode vincular o representado.

- Condições para a eficácia da confissão:

(a) confissão ineficaz de incapaz (art. 213 do CC – art. 392, § 1º do NCPC)

(b) inexigibilidade de forma especial para a validade do ato jurídico como, por exemplo, ocorre
no casamento ou falecimento, que exigem para sua demonstração as respectivas certidões;

(c) disponibilidade do direito relacionado ao fato confessado, não se admitindo a confissão de


fatos que fundamentam direitos indisponíveis (art. 392, caput, do Novo CPC).
PROVAS EM ESPÉCIE 22/42

Art. 389. Há confissão, judicial ou extrajudicial, quando a parte admite a


verdade de fato contrário ao seu interesse e favorável ao do adversário.
- Judicial ou extrajudicial (art. 389 do Novo CPC)

- Confissão judicial (atos processuais) pode ser:

ESPÉCIES DE * espontânea (escrita ou oral, fora da audiência de instrução)


CONFISSÃO
* provocada, decorrente de depoimento pessoal (real ou ficta)

OBS: independentemente da espécie de confissão, nenhuma delas é prova


plena. A confissão não vincula o juiz e não existe prova plena no direito brasileiro:
STJ, 1ª Turma, REsp.765.128/SC
Art. 393. A confissão é irrevogável, mas pode ser anulada se decorreu de erro de
fato ou de coação.

Parágrafo único. A legitimidade para a ação prevista no caput é exclusiva do


confitente e pode ser transferida a seus herdeiros se ele falecer após a propositura.

- Confissão é ato irrevogável e irretratável (214 do CC – 393, caput do NCPC)

- Anulação por erro de fato e coação.

- Forma procedimental (não há mais previsão para o cabimento de ação rescisória e anulatória
INVALIDAÇÃO DA
a depender do transito em julgado)
CONFISSÃO
OBS.: a confissão viciada não é mais vício de rescindibilidade, mas seria a
possível a rescisória, com base em interpretação por analogia, seja pelo fundamento
na coação ou na falsidade da prova (art. 966, III e IV).

Art. 394. A confissão extrajudicial, quando feita oralmente, só terá eficácia nos
casos em que a lei não exija prova literal.

Art. 395. A confissão é, em regra, indivisível, não podendo a parte que a quiser
invocar como prova aceitá-la no tópico que a beneficiar e rejeitá-la no que lhe for
desfavorável, porém cindir-se-á quando o confitente a ela aduzir fatos novos, capazes de
constituir fundamento de defesa de direito material ou de reconvenção.
PROVAS EM ESPÉCIE 23/42

EXIBIÇÃO DE COISA OU DOCUMENTO


Art. 396. O juiz pode ordenar que a parte exiba documento ou coisa que se
encontre em seu poder.
- Prova por meio de apresentação em juízo de coisa ou documento que não esteja em poder
CONCEITO da parte que alega o fato
- Exibir significa colocar em contato visual
- Pedido da parte ou determinação de oficio pelo juiz (Barbosa Moreira/HTJr/Fux)

Art. 397. O pedido formulado pela parte conterá:

I - a individuação, tão completa quanto possível, do documento ou da coisa;


II - a finalidade da prova, indicando os fatos que se relacionam com o documento
ou com a coisa;
III - as circunstâncias em que se funda o requerente para afirmar que o documento
ou a coisa existe e se acha em poder da parte contrária.

- Requisitos formais do pedido (art. 397 do Novo CPC):

(i) individuação: permitir o conhecimento pelo réu e pelo oficial de justiça em caso de busca e
apreensão

OBS: STJ, 3ª Turma, REsp. 862.448/AL – individuação bastante para


identificação do documento/coisa.
ASPECTOS
PROCEDIMENTAIS (ii) finalidade da prova (fatos que se pretende provar) – pertinência e presunção de veracidade
COMUNS
(iii) razões em se funda o requerente para acreditar que a coisa/documento está em poder do
réu
- Recusa (art. 404 do Novo CPC)

Art. 404. A parte e o terceiro se escusam de exibir, em juízo, o documento ou a


coisa se:

I - concernente a negócios da própria vida da família;


II - sua apresentação puder violar dever de honra;
III - sua publicidade redundar em desonra à parte ou ao terceiro, bem como a seus
parentes consanguíneos ou afins até o terceiro grau, ou lhes representar perigo de ação
penal;
IV - sua exibição acarretar a divulgação de fatos a cujo respeito, por estado ou
profissão, devam guardar segredo;
V - subsistirem outros motivos graves que, segundo o prudente arbítrio do juiz,
justifiquem a recusa da exibição;
VI - houver disposição legal que justifique a recusa da exibição.
PROVAS EM ESPÉCIE 24/42

Parágrafo único. Se os motivos de que tratam os incisos I a VI do caput disserem


respeito a apenas uma parcela do documento, a parte ou o terceiro exibirá a outra em
cartório, para dela ser extraída cópia reprográfica, de tudo sendo lavrado auto
circunstanciado.

- Não admissão da recusa (art. 399 do Novo CPC):

Art. 399. O juiz não admitirá a recusa se:

I - o requerido tiver obrigação legal de exibir;


II - o requerido tiver aludido ao documento ou à coisa, no processo, com o intuito
de constituir prova;
III - o documento, por seu conteúdo, for comum às partes.

Art. 400. Ao decidir o pedido, o juiz admitirá como verdadeiros os fatos que, por
meio do documento ou da coisa, a parte pretendia provar se:

I - o requerido não efetuar a exibição nem fizer nenhuma declaração no prazo


do art. 398;
II - a recusa for havida por ilegítima.

Parágrafo único. Sendo necessário, o juiz pode adotar medidas indutivas,


coercitivas, mandamentais ou sub-rogatórias para que o documento seja exibido.

- Incidente processual

PROCEDIMENTO - Intimação na pessoa do advogado (Majoritária - Dinamarco/HTJr) x intimação pessoal


CONTRA A PARTE (Marinoni)
CONTRÁRIA
- Prazo de resposta (5 dias). Possíveis alegações:

* inexistência da coisa/doc.;
* não estar em poder da coisa/doc.;
* não ter dever legal de exibir;
* impertinência da prova;
* matérias processuais

- Omissão e rejeição da defesa: presunção relativa de veracidade dos fatos (art. 400, caput,
CPC): STJ, 1ª Turma, REsp. 989.616/TO.
PROVAS EM ESPÉCIE 25/42

Obs1: se necessário5, adoção de medidas indutivas, coercitivas,


mandamentais e sub-rogatórias na hipótese de não exibição pela parte contrária (art.
400, parágrafo único), vez que no caso concreto nem sempre é possível a aplicação
da presunção.

OBS2: revogação da Súmula 372/STJ: “não cabe multa na ação de exibição”

- Ação incidental de exibição (Barbosa Moreira/Nery)

- Petição inicial que será autuada em apenso

- Terceiro será citado

- Prazo de resposta de 15 dias

PROCEDIMENTO
- possibilidade de audiência especial6 se houver necessidade de oitiva de testemunha
CONTRA
TERCEIRO
Obs.: art. 1.015, VI, do Novo CPC: cabimento de AI contra decisão de exibição
de documento

- Prazo de exibição (5 dias):

- Não exibição por terceiro: busca e apreensão, responsabilização por crime de desobediência,
pagamento de multa e outras medidas indutivas, coercitivas, mandamentais e ou sub-rogatórias (art.
403 do Novo CPC).

5
Impossível presumir a veracidade nesse caso, pois o autor é incapaz de precisar o fato que pretende provar.
6
Trata-se de mera audiência de instrução.
PROVAS EM ESPÉCIE 26/42

PROVA DOCUMENTAL
Art. 405. O documento público faz prova não só da sua formação, mas também
dos fatos que o escrivão, o chefe de secretaria, o tabelião ou o servidor declarar que
ocorreram em sua presença.
- Qualquer coisa capaz de representar um fato
CONCEITO
- Não precisa ser escrito nem em papel

- Documento x instrumento (produzido com o objetivo de servir de prova de um ato)

Art. 434. Incumbe à parte instruir a petição inicial ou a contestação com os


documentos destinados a provar suas alegações.

Parágrafo único. Quando o documento consistir em reprodução cinematográfica


ou fonográfica, a parte deverá trazê-lo nos termos do caput, mas sua exposição será
realizada em audiência, intimando-se previamente as partes.

Art. 435. É lícito às partes, em qualquer tempo , juntar aos autos documentos
novos, quando destinados a fazer prova de fatos ocorridos depois dos articulados ou para
contrapô-los aos que foram produzidos nos autos .

Parágrafo único. Admite-se também a juntada posterior de documentos formados


após a petição inicial ou a contestação, bem como dos que se tornaram conhecidos,
acessíveis ou disponíveis após esses atos, cabendo à parte que os produzir comprovar o
motivo que a impediu de juntá-los anteriormente e incumbindo ao juiz, em qualquer caso,
PRODUÇÃO DA avaliar a conduta da parte de acordo com o art. 5o.
PROVA
DOCUMENTAL - Art. 434, caput do Novo CPC: petição inicial (autor) e contestação (réu)

- Art. 435 do Novo CPC: produção extemporânea: fatos supervenientes; contrapor documento
da parte contrária

- Juntada de documento após petição inicial e contestação: documentos formados após esse
momento, bem como dos que se tornaram conhecidos, acessíveis ou disponíveis após esses atos.
Parte deve alegar motivo para juntada extemporânea e juiz deve analisar a boa-fé (art. 435, parágrafo
único do Novo CPC).
Obs.: rejeição a guarda de trunfos (STJ, 3.ª Turma, REsp 1.121.031/MG): “Se
estiver ausente a chamada guarda de trunfos, vale dizer, o espírito de ocultação
premeditada e o propósito de surpreender o juízo e a parte contrária, a juntada de
documento novo – mesmo em fase recursal – pode ser admitida, em caráter
excepcional, desde que sejam respeitados os princípios da lealdade, da boa-fé e do
contraditório, preservando-se, dessa forma, a função instrumental do processo.”
PROVAS EM ESPÉCIE 27/42

- Prazo de 15 dias para manifestação sobre documentos juntados, podendo ser prorrogado
pelo juiz, desde que requerido pela parte, em razão da quantidade e complexidade da
documentação (art. 437, §§ 1º e 2º do Novo CPC)
OBS: STJ, 3ª Turma, AgRg no REsp. 729.281/SP: princípio da instrumentalidade
das formas: ausência de intimação só gera anulação se o documento for essencial
para a fundamentação

Art. 430. A falsidade deve ser suscitada na contestação, na réplica ou no prazo de


15 (quinze) dias, contado a partir da intimação da juntada do documento aos autos.
Parágrafo único. Uma vez arguida, a falsidade será resolvida como questão
incidental, salvo se a parte requerer que o juiz a decida como questão principal , nos termos do
inciso II do art. 19 7.

Art. 431. A parte arguirá a falsidade expondo os motivos em que funda a sua
pretensão e os meios com que provará o alegado.

Art. 432. Depois de ouvida a outra parte no prazo de 15 (quinze) dias, será
realizado o exame pericial.
Parágrafo único. Não se procederá ao exame pericial se a parte que produziu o
documento concordar em retirá-lo.
ARGUIÇÃO DE
Art. 433. A declaração sobre a falsidade do documento, quando suscitada como
FALSIDADE
questão principal, constará da parte dispositiva da sentença e sobre ela incidirá também
DOCUMENTAL a autoridade da coisa julgada.

- Documentos particulares e públicos

- contestação, réplica E prazo de 15 dias

- Legitimidade ativa: parte que não juntou o documento e MP como fiscal da ordem jurídica

- Todos os meios de prova são admitidos

- Quando suscitada como questão principal constará da parte dispositiva da sentença (art. 433
do Novo CPC): cabimento de apelação/decisão incidental pode ser antes8 ou na sentença

7
Art. 19. O interesse do autor pode limitar-se à declaração: II - da autenticidade ou da falsidade de documento.
8
Art. 1.009. Da sentença cabe apelação. § 1o As questões resolvidas na fase de conhecimento, se a decisão a seu respeito não comportar
agravo de instrumento, não são cobertas pela preclusão e devem ser suscitadas em preliminar de apelação, eventualmente interposta contra a
decisão final, ou nas contrarrazões.
PROVAS EM ESPÉCIE 28/42

PROVA TESTEMUNHAL
- Declaração em juízo de um terceiro que tenha presenciado os fatos (qualquer sentido
humano: visão, olfato, audição, tato, paladar)
OBS.:
Testemunha presencial: presenciou o fato;
Testemunha de referência: ouviu falar (mero indicio);
Testemunha referida: mencionada por outra testemunha
CONCEITO
- Meio de prova desprestigiada:
Falta de memória;
Diferentes percepções;
Incapacidade de reproduzir o fato;
Má-fé.
Art. 442. A prova testemunhal é sempre admissível, não dispondo a lei de modo
diverso.

Art. 443. O juiz indeferirá a inquirição de testemunhas sobre fatos:


I - já provados por documento ou confissão da parte;
II - que só por documento ou por exame pericial puderem ser provados.
- Art. 442, caput do Novo CPC: em regra é admissível, salvo quando houver vedação legal
CABIMENTO
- Art. 443 do Novo CPC:
* fatos já provados por documentos ou confissão da parte
* fatos que só podem ser provados por documentos (instrumento público) e por prova pericial

Obs.: art. 227, caput do CC9 (revogação expressa pelo art. 1.072, II, do Novo
CPC)/401 do CPC.

9
Art. 227. Salvo os casos expressos, a prova exclusivamente testemunhal só se admite nos negócios jurídicos cujo valor não ultrapasse o
décuplo do maior salário mínimo vigente no País ao tempo em que foram celebrados. (Revogado pela Lei n º 13.105, de 2015) (Vigência)
PROVAS EM ESPÉCIE 29/42

Art. 447. Podem depor como testemunhas todas as pessoas, exceto as incapazes,
impedidas ou suspeitas.

§ 2o São impedidos:
§ 1o São incapazes:
I - o cônjuge, o companheiro, o
I - o interdito por enfermidade ou
ascendente e o descendente em qualquer grau
deficiência mental; e o colateral, até o terceiro grau, de alguma
das partes, por consanguinidade ou afinidade,
salvo se o exigir o interesse público ou,
II - o que, acometido por
tratando-se de causa relativa ao estado da
enfermidade ou retardamento mental,
pessoa, não se puder obter de outro modo a
ao tempo em que ocorreram os fatos,
prova que o juiz repute necessária ao
não podia discerni-los, ou, ao tempo em
julgamento do mérito;
que deve depor, não está habilitado a
transmitir as percepções;
II - o que é parte na causa;
SUJEITOS QUE III - o que tiver menos de 16
PODEM (dezesseis) anos; III - o que intervém em nome de uma
TESTEMUNHAR parte, como o tutor, o representante legal da
pessoa jurídica, o juiz, o advogado e outros
IV - o cego e o surdo, quando a
que assistam ou tenham assistido as partes.
ciência do fato depender dos sentidos
que lhes faltam.

§ 3o São suspeitos:

I - o inimigo da parte ou o seu amigo íntimo;

II - o que tiver interesse no litígio.

§ 4o Sendo necessário, pode o juiz admitir o depoimento das testemunhas


menores, impedidas ou suspeitas.

§ 5o Os depoimentos referidos no § 4o serão prestados independentemente de


compromisso, e o juiz lhes atribuirá o valor que possam merecer.
PROVAS EM ESPÉCIE 30/42

- Em regra qualquer terceiro

- Art. 447 do Novo CPC:


§ 1º: incapazes;
§ 2º impedidos;
§ 3º suspeitos (tema também tratado pelo art. 228 do CC)

- Art. 228, parágrafo único, CC: incapazes serão ouvidos como informantes do juízo

- Art. 447, §§ 4º e 5º do Novo CPC: menores suspeitos e impedidos podem ser ouvidos quando
estritamente necessário

OBS: art. 452 do Novo CPC: juiz arrolado como testemunha: aceitando a parte
não poderá desistir da oitiva e o processo será remetido ao substituto legal

- Autoridades tem prerrogativa de serem ouvida em sua residência ou local de trabalho (art.
454 do Novo CPC)

Obs1: art. 454, §§ 2º e 3º do Novo CPC – perda da prerrogativa se autoridade


não marcar audiência no prazo de 1 mês ou deixar de comparecer de forma
injustificada.
Art. 378. Ninguém se exime do dever de colaborar com o Poder Judiciário para o
descobrimento da verdade.

Art. 448. A testemunha não é obrigada a depor sobre fatos:


DIREITOS E
DEVERES DA I - que lhe acarretem grave dano, bem como ao seu cônjuge ou companheiro e
aos seus parentes consanguíneos ou afins, em linha reta ou colateral, até o terceiro grau;
TESTEMUNHA

II - a cujo respeito, por estado ou profissão, deva guardar sigilo.

- Art. 378 do Novo CPC: dever de colaboração com o Poder Judiciário na obtenção da verdade
PROVAS EM ESPÉCIE 31/42

(I) de comparecimento (condução coercitiva quando devidamente intimada;


dispensada a intimação prova preclui)

(II) de responder as perguntas (pode se recusar nos termos do art. 448 do


- Deveres Novo CPC; dever de silencio quando por estado ou profissão deva guardar segredo)

(III) de dizer a verdade (art. 458 do Novo CPC: advertência a respeito do crime
de falso testemunho)

(i) pagamento da despesa

(ii) não sofrer prejuízos em seu trabalho, não pode sofrer perda de
salário/remuneração nem desconto no tempo de serviço

- Direitos
(iii) tratadas com urbanidade e respeito, evitando-se perguntas vexatórias
ou capciosas.

(iv) ser ouvida no foro de sua residência (STJ, 4ª Turma, 161.438/SP)

- Em regra é realizada na audiência de instrução e julgamento

- Exceções (art. 453, do Novo CPC):

PRODUÇÃO DE (i) produção antecipada de provas;


PROVA (ii) carta precatória/rogatória;
TESTEMUNHAL (iii) oitiva de autoridade.

Obs.: depoimento por meio de videoconferência ou de outro recurso


tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real (art. 453, § 1º do Novo
CPC – art. 222, § 3º do CPP)
PROVAS EM ESPÉCIE 32/42

Art. 450. O rol de testemunhas conterá, sempre que possível, o nome, a


profissão, o estado civil, a idade, o número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas, o
número de registro de identidade e o endereço completo da residência e do local de
trabalho.

Art. 357 § 4o Caso tenha sido determinada a produção de prova testemunhal, o juiz
fixará prazo comum não superior a 15 (quinze) dias para que as partes apresentem rol de
testemunhas.

§ 5o Na hipótese do § 3o, as partes devem levar, para a audiência prevista, o


respectivo rol de testemunhas.

§ 6o O número de testemunhas arroladas não pode ser superior a 10 (dez), sendo


3 (três), no máximo, para a prova de cada fato.

§ 7o O juiz poderá limitar o número de testemunhas levando em conta a


complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados.

Arrolamento das testemunhas (art. 450 do Novo CPC)


Fase
Preparatória
- Função: princípio do contraditório

- Prazo máximo de arrolamento de 15 dias do saneamento escrito do processo/ saneamento


oral na própria audiência (art. 357, §§ 4º e 5º)

- Qualificação “sempre que possível”: nome, profissão, endereço de residência e trabalho,


idade, estado civil, CPF e RG.

- Máximo de 10 no total e 3 por fato (juiz pode limitar o número de testemunhas em razão da
complexidade da causa (art. 357, § 7º do Novo CPC)

Art. 455. Cabe ao advogado da parte informar ou intimar a testemunha por ele
arrolada do dia, da hora e do local da audiência designada, dispensando-se a intimação do
juízo.

§ 1o A intimação deverá ser realizada por carta com aviso de recebimento,


cumprindo ao advogado juntar aos autos, com antecedência de pelo menos 3 (três) dias
da data da audiência, cópia da correspondência de intimação e do comprovante de
recebimento.
PROVAS EM ESPÉCIE 33/42

§ 2o A parte pode comprometer-se a levar a testemunha à audiência,


independentemente da intimação de que trata o § 1 o, presumindo-se, caso a testemunha
não compareça, que a parte desistiu de sua inquirição.

§ 3o A inércia na realização da intimação a que se refere o § 1 o importa desistência


da inquirição da testemunha.

§ 4o A intimação será feita pela via judicial quando:

I - for frustrada a intimação prevista no § 1o deste artigo;


II - sua necessidade for devidamente demonstrada pela parte ao juiz;
III - figurar no rol de testemunhas servidor público ou militar, hipótese em que o
juiz o requisitará ao chefe da repartição ou ao comando do corpo em que servir;
IV - a testemunha houver sido arrolada pelo Ministério Público ou pela Defensoria
Pública;
V - a testemunha for uma daquelas previstas no art. 454.

§ 5o A testemunha que, intimada na forma do § 1o ou do § 4o, deixar de comparecer


sem motivo justificado será conduzida e responderá pelas despesas do adiamento.

- Intimação:

Regra: cabe ao advogado da parte por carta AR (juntar com antecedência mínima de três dias);

Exceção: Oficial de justiça (frustração; servidor público ou militar; arrolamento pelo MP e DP;
autoridades) (art. 455 do Novo CPC)

- Modificação só é admitida quando a testemunha:


(i) falecer;
(ii) doente;
(iii) não for localizada (art. 452 do Novo CPC)

Art. 457. Antes de depor, a testemunha será qualificada, declarará ou confirmará


seus dados e informará se tem relações de parentesco com a parte ou interesse no objeto
do processo.

§ 1o É lícito à parte contraditar a testemunha, arguindo-lhe a incapacidade, o


Fase de impedimento ou a suspeição, bem como, caso a testemunha negue os fatos que lhe são
Realização imputados, provar a contradita com documentos ou com testemunhas, até 3 (três),
apresentadas no ato e inquiridas em separado.

§ 2o Sendo provados ou confessados os fatos a que se refere o § 1o, o juiz


dispensará a testemunha ou lhe tomará o depoimento como informante.
PROVAS EM ESPÉCIE 34/42

§ 3o A testemunha pode requerer ao juiz que a escuse de depor, alegando os


motivos previstos neste Código, decidindo o juiz de plano após ouvidas as partes.

Art. 458. Ao início da inquirição, a testemunha prestará o compromisso de dizer a


verdade do que souber e lhe for perguntado.

Parágrafo único. O juiz advertirá à testemunha que incorre em sanção penal quem
faz afirmação falsa, cala ou oculta a verdade.

Oitiva da testemunha

- Qualificação (momento da contradita: indicar suspeição ou impedimento da testemunha). Se


testemunha recusar sua condição cabe à parte provar a alegação, por documentos ou testemunhas
(máximo de 3).

Juiz poderá:

(i) indeferir e ouvir como testemunha;


(ii) deferir e não ouvir;
(iii) deferir e ouvir como informante

- Testemunhas do autor são ouvidas antes. Perguntas pelo juiz, parte que arrolou, parte
contrária e MP como fiscal da lei. O juiz pode mudar essa ordem.

- Art. 461, II, CPC: acareação – havendo divergência entre testemunhas elas são colocadas frente
a frente perante o juiz (§§ 1º e 2º do art. 461 do Novo CPC)
Art. 461. O juiz pode ordenar, de ofício ou a requerimento da parte:
I - a inquirição de testemunhas referidas nas declarações da parte ou das
testemunhas;
II - a acareação de 2 (duas) ou mais testemunhas ou de alguma delas com a parte,
quando, sobre fato determinado que possa influir na decisão da causa, divergirem as suas
declarações.
§ 1o Os acareados serão reperguntados para que expliquem os pontos de
divergência, reduzindo-se a termo o ato de acareação.
§ 2o A acareação pode ser realizada por videoconferência ou por outro recurso
tecnológico de transmissão de sons e imagens em tempo real.

- Perguntas diretas (art. 459, caput do Novo CPC – art. 212, caput do CPP)
Art. 459. As perguntas serão formuladas pelas partes diretamente à testemunha,
começando pela que a arrolou, não admitindo o juiz aquelas que puderem induzir a
resposta, não tiverem relação com as questões de fato objeto da atividade probatória ou
importarem repetição de outra já respondida.
PROVAS EM ESPÉCIE 35/42

§ 1o O juiz poderá inquirir a testemunha tanto antes quanto depois da inquirição


feita pelas partes.
§ 2o As testemunhas devem ser tratadas com urbanidade, não se lhes fazendo
perguntas ou considerações impertinentes, capciosas ou vexatórias.
§ 3o As perguntas que o juiz indeferir serão transcritas no termo, se a parte o
requerer.
PROVAS EM ESPÉCIE 36/42

PROVA PERICIAL
Art. 464. A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação.

§ 1o O juiz indeferirá a perícia quando:

I - a prova do fato não depender de conhecimento especial de técnico;

II - for desnecessária em vista de outras provas produzidas;

III - a verificação for impraticável.

§ 2o De ofício ou a requerimento das partes, o juiz poderá, em substituição à


perícia, determinar a produção de prova técnica simplificada, quando o ponto
controvertido for de menor complexidade.

§ 3o A prova técnica simplificada consistirá apenas na inquirição de especialista,


pelo juiz, sobre ponto controvertido da causa que demande especial conhecimento
CONCEITO científico ou técnico.

§ 4o Durante a arguição, o especialista, que deverá ter formação acadêmica


específica na área objeto de seu depoimento, poderá valer-se de qualquer recurso
tecnológico de transmissão de sons e imagens com o fim de esclarecer os pontos
controvertidos da causa.

- Esclarecimento de fatos que dependam de um conhecimento técnico específico - art. 464,


caput do Novo CPC:

(i) exame: tem como objeto bens móveis, pessoas, coisas e semoventes;
(ii) vistoria: tem como objeto bens imóveis;
(iii) avaliação: aferição de valor de determinado bem, direito ou obrigação.

Haveria ainda o arbitramento: estimativa de valor de um serviço ou indenização (Fux X


Marinoni/HTJr entendem ser sinônimos)
PROVAS EM ESPÉCIE 37/42

- Meio de prova mais complexo, demorado e caro de todo o sistema probatório (limitações
legais e lógicas)

- Art. 464, parágrafo único, I, do Novo CPC: prova não depender de conhecimento técnico
(Dinamarco: cabe ao juiz se valer de regras de experiência técnica, nos termos do art. 375, do Novo
CPC)
OBS: juiz não pode funcionar como perito (Nery/Marinoni/Dinamarco)

- art. 464, parágrafo único, II, do Novo CPC: prova pericial se mostra desnecessária em razão de
outros meios de prova (STJ, 1ª Turma, REsp. 665.320/PR: prova documental)
CABIMENTO
OBS: art. 473 do Novo CPC: pareceres técnicos produzidos pelas partes
(invariavelmente diante de contradição séria o juiz precisará do auxilio de um perito
para ajudá-lo a dirimir suas dúvidas)

- Art. 464, parágrafo único, III, do Novo CPC: verificação impraticável (ciência não tem meios ou
a fonte de prova não existe mais)
Obs: pericia simplificada em audiência quando o p
onto controvertido for de menor complexidade (art. 464, §§ 2º a 4º do Novo
CPC)
Art. 471. As partes podem, de comum acordo, escolher o perito,
indicando-o mediante requerimento, desde que:

I - sejam plenamente capazes;

II - a causa possa ser resolvida por autocomposição.

§ 1o As partes, ao escolher o perito, já devem indicar os


respectivos assistentes técnicos para acompanhar a realização da
Indicação do perícia, que se realizará em data e local previamente anunciados.
PROCEDIMENTO Perito
§ 2o O perito e os assistentes técnicos devem entregar,
respectivamente, laudo e pareceres em prazo fixado pelo juiz.

§ 3o A perícia consensual substitui, para todos os efeitos, a que


seria realizada por perito nomeado pelo juiz.

- Partes podem escolher o perito, desde que sejam capazes e a causa


possa ser resolvida por autocomposição (art. 471 do Novo CPC)
PROVAS EM ESPÉCIE 38/42

- “Perícia consensual” é equiparada em todos os efeitos com a “perícia


judicial” (§ 3º). CRITICA: a perícia é sempre judicial, sendo consensual apenas a
escolha do perito.

- Peritos devidamente inscritos em cadastro mantido pelo tribunal (art.


156, § 1º); escolha livre somente se não houver cadastro (§5º); organização de
lista de peritos na vara ou secretaria, para que a nomeação seja distribuída de
modo equitativo, observadas a capacidade técnica e área de conhecimento (art.
157, § 2º)

- Pericia complexa (art. 475 do Novo CPC): não pode o perito indicado pelo
juiz indicar outro perito (STJ, 2ª Turma, REsp. 866.240/RS)

- Dever de prestar auxílio ao juízo

Escusa do
- Art. 467 do Novo CPC: recusa por motivo legítimo (prazo de 5 dias da
perito
indicação)

- Art. 468 do Novo CPC: (i) ausência do conhecimento exigido; (ii)


descumprimento do prazo legal de entrega do laudo, sendo possível a
prorrogação do prazo por uma vez, nos termos do art. 476 do Novo CPC)
(comunicação ao órgão de classe para sanções administrativas; aplicação de
multa)

Substituição do - Art. 148, II, do Novo CPC: suspeição e impedimento do perito


perito

- Perito substituto tem 15 dias para restituir valores recebidos, sob pena
de ficar por 5 anos impedido de atuar como perito (art. 468, § 2º). Cabe execução,
servindo como TEJ a decisão que determinar a devolução do numerário (art. 468,
§ 3º)
PROVAS EM ESPÉCIE 39/42

- Perito terá um prazo de cinco dias para apresentar sua proposta de honorários, indicar
seu currículo, a fim de comprovar sua especialização, e indicar seus contatos profissionais, em
especial o endereço eletrônico que servirá para as intimações (art. 465, § 2º do Novo CPC).

- Partes tem cinco dias para falar sobre proposta de honorários (§3º)

- Possibilidade de 50% no ato e o restante depois de entregue o laudo (§4º)


- Redução se a perícia for inconclusiva ou deficiente (§5º)

- art. 95 do Novo CPC (autor adianta quando ele pede a prova, o juiz determina de oficio
e ambas as partes pedem; réu só adianta se ele for o único que pedir)
OBS1: na inversão do ônus da prova não se inverte o ônus de se adiantar
os honorários periciais (STJ, 4ª Turma, REsp. 845.601/SP)

OBS2: prazo é impróprio, admitindo-se o depósito até que o juiz decida


pela preclusão da prova (I412/STJ, 3ªTurma, REsp. 1.109.357/RJ)

- Prazo comum de 5 dias para indicação de quesitos e assistente técnico

Atos OBS1: prazo impróprio, admitindo-se até o início da perícia (STJ, 1ª


preparatórios Turma, REsp. 639.257/MT)
OBS2: quesitos suplementares, mesmo pela parte que não apresentou
antes quesitos
- Art. 474 do Novo CPC: partes intimadas do início da perícia (contraditório)

- Prorrogação do prazo pela metade do originariamente fixado (art. 476 do Novo CPC)

- Partes tem prazo comum de 15 dias para manifestação sobre o laudo e protocolo do
parecer técnico (art. 477, § 1º, do Novo CPC). Perito tem o dever de em 5 dias esclarecer ponto
divergente ou dúvida (§ 2º)

OBS1: art. 477, caput, do Novo CPC: prazo mínimo de 20 dias entre
protocolo do laudo pericial e audiência de instrução.

Obs2: regulamentação da forma e conteúdo do laudo pericial (art. 473):


I) exposição do objeto da perícia;
(II) análise técnica ou científica realizada pelo perito;
(III) indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da
qual se originou;
PROVAS EM ESPÉCIE 40/42

(IV) resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz,


pelas partes e pelo órgão do Ministério Público.

Art. 473. O laudo pericial deverá conter:

I - a exposição do objeto da perícia;


II - a análise técnica ou científica realizada pelo perito;
III - a indicação do método utilizado, esclarecendo-o e demonstrando ser
predominantemente aceito pelos especialistas da área do conhecimento da qual se
originou;
IV - resposta conclusiva a todos os quesitos apresentados pelo juiz, pelas
partes e pelo órgão do Ministério Público.

§ 1o No laudo, o perito deve apresentar sua fundamentação em linguagem


simples e com coerência lógica, indicando como alcançou suas conclusões.

§ 2o É vedado ao perito ultrapassar os limites de sua designação, bem como


emitir opiniões pessoais que excedam o exame técnico ou científico do objeto da
perícia.

§ 3o Para o desempenho de sua função, o perito e os assistentes técnicos


podem valer-se de todos os meios necessários, ouvindo testemunhas, obtendo
informações, solicitando documentos que estejam em poder da parte, de terceiros
ou em repartições públicas, bem como instruir o laudo com planilhas, mapas,
plantas, desenhos, fotografias ou outros elementos necessários ao esclarecimento
do objeto da perícia.
- Art. 480 do Novo CPC: perícia defeituosa ou incompleta permite a realização de uma
segunda pericia

SEGUNDA PERICIA - Art. 439, § 3º do Novo CPC: segunda perícia não anula a primeira, podendo o juiz se
valer de ambas em sua fundamentação
OBS: pode ser o mesmo perito? Marinoni: SIM x HTJr.: NÃO
PROVAS EM ESPÉCIE 41/42

INSPEÇÃO JUDICIAL
Art. 481. O juiz, de ofício ou a requerimento da parte, pode, em qualquer fase do
processo, inspecionar pessoas ou coisas, a fim de se esclarecer sobre fato que interesse à
decisão da causa.

- Prova produzida diretamente pelo juiz

- Recai sobre bens móveis, imóveis, semoventes, pessoas e lugares

OBS: parte e terceiros tem o dever de colaborar com a Justiça prestando-se a


inspeção física? Marinoni: SIM x Barbosa Moreira: NÃO
CONCEITO
- Melhor meio de prova porque dispensa intermediários

- Nery: meio raro porque subsidiário x Scarpinella Bueno: independe do esgotamento de outros
meios de prova

OBS: só existe inspeção quando realizada pelo juiz. Marinoni afirma que
inspeção feita por pessoa de confiança do juiz é “inspeção indireta”. Art. 35, parágrafo
único, L 9099/95: prova atípica nos JEC realizada por pessoa de confiança do juiz

Art. 483. O juiz irá ao local onde se encontre a pessoa ou a coisa quando:

I - julgar necessário para a melhor verificação ou interpretação dos fatos que deva
observar;
II - a coisa não puder ser apresentada em juízo sem consideráveis despesas ou
graves dificuldades;
III - determinar a reconstituição dos fatos.

Parágrafo único. As partes têm sempre direito a assistir à inspeção, prestando


esclarecimentos e fazendo observações que considerem de interesse para a causa.
PROCEDIMENTO
Art. 484. Concluída a diligência, o juiz mandará lavrar auto circunstanciado,
mencionando nele tudo quanto for útil ao julgamento da causa.

Parágrafo único. O auto poderá ser instruído com desenho, gráfico ou fotografia.

- Determinada de oficio ou por requerimento das partes

- Art. 483, parágrafo único, do Novo CPC: partes têm o direito de assistir à inspeção. Ausência
de participação transforma as impressões judiciais em ciência privada do juiz (Dinamarco)
PROVAS EM ESPÉCIE 42/42

- Juiz pode se valer do auxílio de peritos (art. 482 do Novo CPC)

- Ao final juiz elabora um auto circunstanciado, no qual o juiz não deve ainda valorar a prova

- Em regra ocorre na sede do juízo, salvo:

(i) juiz entender melhor para a qualidade da prova;


(ii) difícil transporte da coisa/pessoa;
(iii) reconstituição dos fatos