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METODOLOGIA DA PESQUISA

CIENTÍFICA
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___________________________________________________Sumário

Aula 1 O conhecimento e suas principais modalidades


Aula 2 O conhecimento científico e o método
Aula 3 Pós-modernidade e conhecimento: a interdisciplinaridade e a
multir-referencialidade
Aula 4 A pesquisa científica: conceitos e modalidades
Aula 5 Tipos de registro e apresentação de trabalhos acadêmicos
Aula 6 O projeto de pesquisa: normas de elaboração
Aula 7 Artigo e TCC: normas de elaboração
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______________________________________________Apresentação
apresentação
O conjunto de textos e atividades que você está recebendo é um
instrumento de aprendizagem que, mais do que uma coletânea de conteúdos e
verdades, é um roteiro de estudos: um mapa que o ajudará a compreender os
processos de produção e de circulação do conhecimento.
No dia-a-dia de suas atividades acadêmicas e profissionais, a leitura
deverá estar muito presente. Saber ler é fundamental. Para auxiliá-lo na sua
leitura, faça uso de um bom dicionário.
A disciplina Metodologia da Pesquisa Científica o auxiliará na
compreensão dos procedimentos que permitirão a você realizar seus estudos e
organizar suas produções acadêmicas de forma coesa e significativa.
Disponibilizará, também, instrumentais indispensáveis para que você
atinja seus objetivos nesse curso: o estudo e a pesquisa nas áreas de
conhecimento em que está inserido.
Neste caderno de conteúdos e atividades, você conhecerá os vários
tipos de conhecimento humano e suas principais diferenças. Saberá, também,
que o conhecimento científico é um tipo de conhecimento que utiliza
determinados métodos e procedimentos para alcançar seus objetivos. Você
entrará em contato com as diferentes modalidades de pesquisa científica e
conhecerá o instrumental de cada uma delas. Além disso, aprenderá como
registrar e comunicar trabalhos científicos, bem como as técnicas de
elaboração do projeto de pesquisa, do artigo científico e do trabalho de
conclusão de curso – TCC.
Ao preparar este material, buscamos lhe oferecer subsídios nessa
perspectiva.
Portanto, o que se verá nele é resultado de nossa experiência como
professores da disciplina, tendo por base a pesquisa bibliográfica por meio da
produção e da síntese de textos. A bibliografia indicada pode e deverá ser
referência para suas consultas. Faça bom uso do material. Ele será seu grande
companheiro para sistematizar suas atividades de produção acadêmica.

Plano de Ensi
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_____________________________________________Plano de curso
EMENTA
Fundamentos da teoria do conhecimento, epistemologia, ciência,
ideologia, crise paradigmática e pós-modernidade. Disciplinaridade,
interdisciplinaridade e perspectivas multidisciplinares e multir-referenciais na
produção e difusão do conhecimento científico. Métodos e técnicas de estudo.
Tipos de trabalho científicos e normas de elaboração: resenha, resumo, artigo
científico e comunicação científica.
OBJETIVOS
• Compreender os pressupostos teórico-metodológicos básicos de
iniciação à pesquisa científica.
• Refletir sobre as diferentes abordagens metodológicas utilizadas em
pesquisa.
• Discutir a contribuição das abordagens multi e interdisciplinares na
produção e na divulgação do conhecimento científico.
• Utilizar as técnicas de elaboração do trabalho acadêmico-científico.
CONTEÚDO PROGRAMÁTICO
• O processo de construção do conhecimento
• O conhecimento científico e o método
• A pós-modernidade e a crise dos paradigmas
• Múltiplos olhares do conhecimento científico
• A pesquisa científica: tipos e técnicas
• Tipos de registro do trabalho acadêmico: resumo, fichamento e resenha
• Tipos de apresentação do trabalho acadêmico: seminário, painel,
comunicação
• Normas técnicas da ABNT
• O projeto de pesquisa
• O trabalho de conclusão de curso (TCC) e o artigo científico
BIBLIOGRAFIA BÁSICA
ANDRE, Marli Eliza D. A. O papel da pesquisa na formação e prática dos
professores. Campinas: Papirus, 2001. (Prática Pedagógica)
BARROS, Aidie de Jesus Paes. LEHFELD, Neide Ap. de Souza. Projeto
de pesquisa. Propostas metodológicas. 12. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
BRANDÃO, Carlos Rodrigues (Org.). Repensando a pesquisa
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participante. São Paulo: Brasiliense, 1984.


GIL, Antonio C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo:
Atlas, 2002.
LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina. Fundamentos de metodologia
científica. São Paulo: Atlas, 2003.
SEVERINO, A. J. Metodologia do trabalho acadêmico. 21. ed. São
Paulo: Cortez, 2000.
BIBLIOGRAFIA COMPLEMENTAR
CERVO, A. L., BERVIAN, P.A. Metodologia científica. São Paulo,
McGrraw-Hill, 1977.
GOLDENBERG, Miriam. A arte de pesquisar: como fazer pesquisa
qualitativa em Ciências Sociais. Rio de Janeiro: Record, 1997.
LAKATOS, Eva M. e MARCONI, Marina de. A metodologia científica. 5.
ed. São Paulo: Atlas, 2000.
MÁTTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da
informática. São Paulo: Saraiva, 2003.
SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. São Paulo:
Martins Fontes, 1999.
SANTOS, Antonio. R. dos. Metodologia científica: a construção do
conhecimento. Rio de Janeiro: DP & A editora, 2002.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São
Paulo: Cortez, 2004.
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__________________________________________________Aula 01
O conhecimento e suas principais modalidades
Objetivo
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
• identificar as características do senso comum, da teologia e da filosofia.
Pré requisito
Para esta primeira aula, na qual se inicia a construção de novos saberes
que o auxiliarão nessa caminhada na universidade, sugerimos leituras sobre o
que é conhecimento e sobre como se constituiram os vários tipos de
conhecimento.
Assim, no sítio <http://www.puc-io.br/sobrepuc/depto/dad/lpd/download/
tiposdeconhecimento>, você encontrará um texto que discorre sobre os tipos
de conhecimento – senso comum, conhecimento mítico/religioso, filosófico e
científico - e, também, sobre os tipos de métodos científicos.
Introdução
O conhecimento é uma peculiaridade humana, pois o ser humano é o
único ser que, em sua vivência, é capaz de planejar a sua ação sobre o meio
que o cerca e construir um conhecimento sobre essa ação. Alguma vez você já
se perguntou se o conhecimento de um astrônomo, de um líder religioso, de
um renomado intelectual e das demais pessoas têm alguma relação? Num
primeiro momento, parece que não, pois temos a tendência de julgar as
modalidades de conhecimento por meio de uma hierarquia, ou seja, colocando
uns como mais importantes que outros. Atribuímos um papel de destaque ao
conhecimento produzido pelos estudiosos e depreciamos a experiência
cotidiana da qual todos nós participamos. Nesta aula, optamos por tratar as
modalidades de conhecimento como diferentes, sem julgá-las como inferiores
ou superiores umas às outras, pois, de certa forma, todos nós nos servimos
delas em graus diversos e valorizamos as diversas maneiras de conhecer o
mundo. Assim, temos o senso comum ou conhecimento vulgar; a teologia ou
conhecimento religioso; a filosofia ou conhecimento especulativo e a ciência ou
conhecimento científico. Este último será tratado detalhadamente na próxima
aula. Vejamos, agora, a definição de conhecimento e em seguida os principais
aspectos do senso comum, da teologia e da filosofia.
1.1 O que é conhecimento?
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Vamos analisar as contribuições de alguns autores sobre o que é


conhecimento.
Para Aranha e Martins, “O conhecimento é o pensamento que resulta da
relação que se estabelece entre o sujeito que conhece e o objeto a ser
conhecido” (ARANHA; MARTINS, 2002, p. 21). Pressupõe-se, então, que há
um sujeito que busca conhecer e um objeto que se dá ao conhecimento. Já
para Abbagnano, o conhecimento é em geral, uma técnica para a verificação
de um objeto qualquer, ou a disponibilidade ou posse de uma técnica
semelhante. Por técnica de verificação deve-se entender qualquer
procedimento que possibilite a descrição, o cálculo ou a previsão controlável de
um objeto; e por objeto deve-se entender qualquer entidade, fato, coisa,
realidade ou propriedade. Técnica, nesse sentido, é o uso normal de um órgão
do sentido tanto quanto a operação com instrumentos complicados de cálculo:
ambos os procedimentos permitem verificações controláveis (ABBAGNANO,
1998, p. 174).
O conceito de Abbagnano complementa o anterior trazendo à discussão
o fato de que entre o sujeito cognoscente e o objeto existe uma técnica que,
pode fazer uso tanto dos sentidos quanto de instrumentos sofisticados, mas
que ambos permitem verificações importantes sobre um objeto que se deseja
conhecer.
Assim, tanto o conhecimento que temos sobre determinado objeto a
partir da nossa experiência cotidiana, quanto àquele que é produzido em
laboratório pelos cientistas são importantes. Vamos observar agora as
características do senso comum e a sua contribuição para a construção do
conhecimento.
1.2 O senso comum
No dia-a-dia, estamos habituamos a conviver com o fato de que o sol
nasce a leste e se põe a oeste, sem nos preocuparmos com o fato de que, na
verdade, é a terra que gira em torno do sol. Muitas pessoas acreditam que
homens e mulheres possuem papéis sociais definidos sem se preocuparem
com o fato de que essa relação desigual é uma construção histórica. Também
observamos o universo colorido que nos rodeia como se as cores existissem
em si mesmas, sem levarmos em conta que elas só existem porque são ondas
luminosas de comprimentos diferentes obtidas pela refração e reflexão da luz
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branca. E assim temos várias outras situações que são por nós vividas
diariamente, das quais nos servimos para a nossa existência sem maiores
preocupações. Segundo Aranha e Martins,
chamamos senso comum ao conhecimento adquirido por tradição,
herdado dos antepassados e ao qual acrescentamos os resultados da
experiência vivida na coletividade a que pertencemos. Trata-se de um conjunto
de idéias que nos permite interpretar a realidade, bem como de um corpo de
valores que nos ajuda a avaliar, julgar e, portanto agir (ARANHA; MARTINS,
2002, p. 35, grifo do autor).
O senso comum é, portanto, aquele conhecimento primeiro, que nos
situa frente aos desafios do cotidiano, ao qual recorremos nas mais variadas
situações e no qual, também confiamos, pois faz parte da experiência de
nossos antepassados.
Entre as principais características desse conhecimento, destacamos
• o senso comum é um tipo de conhecimento empírico baseado na
experiência vivida das pessoas, ou seja, desenvolve-se pelo acúmulo de
situações vividas. Por exemplo, uma doceira com vários anos de experiência
não saberia explicar as propriedades químicas dos ingredientes que usa, nem
porque seus bolos são tão deliciosos, no entanto é reconhecida pelo seu
trabalho;
• é um conhecimento ingênuo, isto é, não passa por nenhum tipo de
julgamento ou crítica. As situações vividas são tratadas como coisas naturais,
ou seja, desde sempre foi assim. Um exemplo que atesta esse caráter é a
maneira como as famílias definem desde cedo o papel social do homem e da
mulher. Você já reparou que os presentes que costumamos dar às crianças
diferem por aquilo que acreditamos ser papel social masculino ou feminino? Se
for um menino, provavelmente, ganhará uma bola ou carrinho de brinquedo; se
menina, uma boneca, fogãozinho, maquiagem de brinquedo.
Esses objetos não são neutros. Nós usamos o carro para sair de casa,
da mesma forma a bola pode ser utilizada para se jogar em um campo ou
quadra, ambos em sua simbologia apontam que lugar de homem é fora de
casa. Por outro lado, a boneca é uma imitação do bebê e pode significar que a
responsabilidade pela educação das crianças é do gênero feminino.
Da mesma forma, o fogãozinho representa os afazeres domésticos aos
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quais a figura feminina está vinculada. Sem perceber, reforçamos os valores de


uma cultura machista que situa as mulheres no espaço doméstico privado e
propõe ao homem o mundo fora de casa, espaço público, onde estão
concentradas as atividades políticas e no qual se exerce o poder;
• é também um conhecimento subjetivo, pois o ponto de referência dos
julgamentos é a opinião de quem julga, ou seja, é um conhecimento que
exprime sentimentos e opiniões individuais e de grupos. Assim, é comum
observarmos que, diante de uma cultura diferente, o senso comum irá
compará-la com seu modo de viver e de ver as coisas. Por exemplo, diante de
um estádio de futebol um vendedor de pipocas procurará vender; um torcedor,
se divertir; um atleta verá ali uma oportunidade de trabalho; um policial irá
preocupar-se com a ordem e a segurança;
• o senso comum é fragmentário, pois não percebe inter-relações onde
elas ocorrem. Assim, por exemplo, atribui-se a um problema de caráter ou de
índole a questão da violência e do crime, ou seja, as pessoas caem no mundo
do crime, de acordo com esta visão, por falta de bom caráter ou por
desonestidade. Dificilmente atribui-se como causa da criminalidade a má
distribuição de renda e a falta de acesso a uma educação de qualidade.
Para Arruda e Martins, é preciso enfatizar que:
[...] o primeiro estádio do conhecimento precisa ser
superado em direção a uma abordagem crítica e
coerente, características estas que não precisam ser
necessariamente atributos de forma mais requintadas de
conhecer, tais como a ciência e a filosofia.
Em outras palavras, o senso comum precisa ser transformado em bom
senso, este entendido como a elaboração coerente do saber como explicitação
das intenções conscientes dos indivíduos livres (ARANHA; MARTINS, 2002, p.
35).
Isto significa dizer que não devemos desmerecer o conhecimento do
senso comum, mas partindo dele alcançar outros estágios que nos possibilitem
compreender mais e melhor a realidade e o mundo que nos cerca.
1.3 O conhecimento teológico ou religioso
O fundamento do conhecimento religioso é a fé. Por isso, as verdades
religiosas são inquestionáveis, pois são a revelação sobrenatural de uma
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entidade superior e fora desse mundo. Uma de suas principais características é


o fato de que estas verdades são valorativas, ou seja, propõem de antemão
uma série de valores que devem ser seguidos por todos. As verdades da fé
estão registradas nos livros sagrados, na palavra dos iluminados ou profetas e
também nas doutrinas orientadoras de um determinado credo religioso. Esse
tipo de conhecimento teve um respaldo muito significativo na Idade Média,
período em que observamos uma relação muito forte entre poder político e fé.
Todo conhecimento produzido nessa época era filtrado pelos dogmas do
conhecimento religioso.
1.4 O conhecimento filosófico
O conhecimento filosófico busca dar respostas às grandes indagações
da humanidade, assim como o senso comum e o conhecimento religioso,
porém o seu fundamento é a construção lógica de argumentos e raciocínios. A
filosofia é
“[...] sobretudo uma atitude, um pensar permanente. É um
conhecimento instituinte, no sentido de que questiona o
saber instituído” (ARANHA; MARTINS, 2002, p. 72).
Chauí, por sua vez, afirma que a filosofia é uma
fundamentação teórica e crítica dos conhecimentos e das
práticas, ou seja, ela se interessa por aquele instante em
que a realidade natural e histórica torna-se estranha,
quando o senso comum e a ciência já não sabem o que
pensar (CHAUÍ, 1995, p. 15).
A atitude filosófica, portanto, é indagar. Perguntar o que, como e por que
uma coisa, valor ou idéia é: a filosofia indaga qual é a natureza e o significado
de algo, qual é sua estrutura e as relações que a constituem; qual é a sua
origem ou as suas causas.
O conhecimento filosófico é um trabalho intelectual, sistemático, pois
não se contenta em obter respostas para as questões colocadas, mas também
exige que as próprias questões sejam válidas e que suas respostas sejam
verdadeiras, relacionem- se entre si, esclareçam umas às outras, agrupem-se
em conjuntos coerentes de idéias e possam ser testadas e provadas
racionalmente (CHAUÍ, 1995).
Síntese da aula
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Nesta aula, você pôde observar que, apesar de serem tratados de forma
hierarquizada, os saberes não estão em níveis diferenciados, mas procuram
dar conta da diversidade de elementos que compõem a realidade. O
conhecimento permite que nossa consciência se relacione com o mundo
externo. Da mesma forma que em uma viagem, podemos escolher vários
roteiros para chegar ao nosso destino, no conhecimento, várias são as vias de
acesso. Precisamos descobrir qual a que melhor nos conduzirá em nossa
eterna busca da verdade.
Referência
ABBAGNANO, Nicola. Dicionário de Filosofia. São Paulo: Martins
Fontes, 1999.
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires.
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2002.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995.
Na próxima aula
Na próxima aula, refletiremos sobre o conhecimento científico e seus
métodos e sobre como esse conhecimento pode contribuir para o seu
desenvolvimento acadêmico, por meio da utilização de mecanismos para
realizar pesquisas e trabalhos acadêmicos. Veremos, também, que o
conhecimento científico é diferente do senso comum, da teologia e da filosofia
pelo fato de ser racional, sistemático, confiável.
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____________________________________________________Aula 02
O conhecimento científico e o método
Objetivo
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
• identificar as principais características do conhecimento científico;
• compreender as principais concepções metodológicas desde Galileu
até hoje.
Pré requisito
Você terá mais facilidade para acompanhar esta aula se revisar a aula
anterior e observar as diferenças entre as outras formas de conhecimento –
baseiamse na opinião, na fé ou na reflexão - e o conhecimento científico que se
funda na comprovação empírica. Além disso, no sítio
<http://www.ecientificocultural. com/ECC2/artigos/metcien1.htm> você
encontrará artigos que versam sobre o tema desta aula: o que é conhecimento
científico, quais suas principais características, o que é método, quais são os
mais relevantes, entre outras temáticas afins.
Introdução
A ciência ou o conhecimento científico é visto pelas pessoas de maneira
antagônica: para algumas, seria o caminho de redenção da humanidade, pois
permite ao ser humano obter um conhecimento que não tem limites. Ela seria,
dessa forma, uma oportunidade de superar as limitações que nossa condição
humana nos impõe. Por outro lado, muitos a interpretam como uma forma
muito perigosa de relacionar-se com o mundo, pois abre a possibilidade de
dominar e de modificar a natureza e os seres humanos. São várias as
definições sobre o conhecimento científico. Vamos encontrar nessas definições
elementos comuns que o diferenciam de outras formas de conhecimento que
produzimos, tais como o senso comum, a filosofia, a religião, a arte.
Além disso, o método tornou-se fundamental nas ciências para que
chegássemos aos resultados que temos hoje, pois ele é o elemento que
garante o rigor e a correção em seu desenvolvimento sistemático. Porém, é
muito difícil falarmos de um método científico, uma vez que, com a
fragmentação do saber, há uma infinidade de ciências que possuem métodos
específicos. Apresentaremos nesta aula, também, as linhas gerais do método.
2.1 O que é o conhecimento científico?
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Da mesma forma que o conhecimento filosófico, o conhecimento


científico é racional, com a diferença de que tem a pretensão de ser sistemático
e revelar aspectos da realidade, pois opera com ocorrências ou fatos. Máttar
Neto (2002) esclarece que as noções de experiência e de verificação são
essenciais nas ciências, pois o conhecimento científico deve ser justificado e
sempre passível de revisão, desde que se possa provar sua inexatidão.
Lakatos e Marconi (2003, p. 23), por sua vez, apresentam a ciência
como “um conhecimento racional, objetivo, lógico e confiável”. Seu foco não é
apresentar um conjunto de verdades inquestionáveis, mas admitir que seus
resultados sejam falíveis, isto é, pode ocorrer que novos fatos levem o cientista
a abandonar um conjunto de saberes articulados que, até então,
apresentavam-se como confiáveis em favor de outros mais consistentes. Um
exemplo disso pode ser constatado recentemente a respeito da reposição
hormonal para mulheres na menopausa.
Esse tratamento foi considerado adequado por muitos anos para aliviar
os sintomas da menopausa; porém, descobriu-se, mais tarde, que ele poderia
provocar um aumento no risco de câncer e deixou de ser prescrito pelos
ginecologistas.
Do exemplo anterior, destacamos outro aspecto do conhecimento
científico: para ser aceito, ele precisa ser verificado por meio da
experimentação para a comprovação de suas hipóteses. Com certeza, muitos
cientistas haviam alertado para os riscos da prática citada, mas ela só deixou
de ser consenso na comunidade médica após estudos baseados na
observação de seus efeitos e nos estudos desses efeitos que comprovaram os
riscos da reposição hormonal.
Vamos agora conhecer as características do conhecimento científico.
2.2 Os limites do conhecimento científico
O conhecimento científico foi, por muito tempo, defendido como uma
forma neutra, objetiva e isenta de pretensões metafísicas (crenças,
superstições) ou ideológicas.
Atualmente, sabe-se que essa pretensão não se confirmou. Ao
determinar como realizará uma pesquisa, o cientista necessita escolher certos
procedimentos e metodologias que não estão isentos de carregar conteúdos
metafísicos ou ideológicos.
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A própria ciência se transformou em ideologia ao promover o que


chamamos de cientificismo, ou de tecnocracia. Essas ideologias defendem que
apenas as formas de conhecimento fundadas na ciência são válidas. Essa
postura torna-se ideológica porque esconde relações de poder e ser baseada
em formas de saber. Vamos, agora, conhecer as características do
conhecimento científico.

2.3 Características do conhecimento científico


Você pode compreender melhor de que maneira o conhecimento
científico difere das demais modalidades de conhecimento, basta atentar para
as seguintes características:
• o conhecimento científico é racional e objetivo porque é constituído por
conceitos, juízos e raciocínios a partir da observação dos fatos e não por
sensações, imagens, modelos de conduta. É também analítico porque
decompõe o todo em suas partes componentes, exatamente por serem parciais
os problemas da ciência e, consequentemente, suas soluções e procedimentos
científicos de “análise” conduzirem à síntese;
• o conhecimento científico é factual porque parte dos fatos e sempre
volta a eles, capta ou recolhe os fatos, da mesma forma como se produzem ou
se apresentam na natureza ou na sociedade, porém é transcendente aos fatos:
diz-se que o conhecimento científico transcende aos fatos quando os descarta
ou produz novos;
• o conhecimento científico é verificável em virtude de ser aceito como
válido, quando passa pela prova da experiência ou da demonstração;
• o conhecimento científico é metódico porque é planejado, pois o
cientista não age ao acaso. Ele planeja seu trabalho e deve saber proceder
para encontrar o que almeja. Além disso, o cientista baseia-se em
conhecimento anterior, particularmente em hipóteses já confirmadas, em leis e
princípios já estabelecidos. Obedece a um método preestabelecido que
determina, no processo de investigação, a aplicação de normas e técnicas, em
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etapas;
• o conhecimento científico é falível, ou seja, não é definitivo, absoluto ou
final. O próprio progresso científico descortina novos horizontes, induz a novas
indagações, sugere novas hipóteses derivadas da própria combinação das
idéias existentes. É, portanto, aberto, ou seja, não conhece barreiras que, a
priori, limitem o conhecimento;
• o conhecimento científico é geral em decorrência de situar os fatos
singulares em modelos gerais, os enunciados particulares em esquemas mais
amplos. Procura na variedade e na unicidade a uniformidade e a generalidade.
A descoberta de leis ou princípios gerais permite ao pesquisador a elaboração
de modelos ou sistemas mais amplos de explicação dos fenômenos;
• O conhecimento científico é útil em decorrência de sua objetividade,
pois, na busca da verdade, cria ferramentas de observação e experimentação
que lhe conferem um conhecimento adequado das coisas e mantém a ciência
em conexão com a tecnologia (LAKATOS; MARCONI, 2003, p. 30-42).
Como você pode observar, o conhecimento científico se contrapõe ao
senso comum, na medida em que este se baseia em hábitos, preconceitos,
tradições cristalizadas e é um conhecimento ametódico e assistemático. As
ciências, ao contrário, caracterizam-se pela utilização de métodos científicos.
Mas afinal, o que é método?
2.4 O que é método?
Lakatos e Marconi (2000, p. 44) observam que todas as ciências
precisam de um caminho seguro para chegar a seus objetivos. Esse caminho é
o método.
Mas, em contrapartida, nem todos os ramos de estudo que empregam
esses métodos são ciências. Ainda para as autoras citadas, a utilização de
métodos científicos não é da alçada exclusiva da ciência, mas não há ciência
sem o emprego de métodos científicos.

Podemos ver uma classificação dos possíveis conceitos de método a


seguir:
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• método é o caminho pelo qual se chega a determinado resultado, ainda


que esse caminho não tenha sido fixado de antemão de modo refletido e
deliberado;
• método é uma forma de selecionar técnicas, de avaliar alternativas
para a ação científica. Assim, enquanto as técnicas utilizadas por um cientista
são fruto de suas decisões, a maneira pela qual tais decisões são tomadas
depende de suas regras de decisão. Métodos são regras de escolha; técnicas
são as próprias escolhas;
• método é a forma de proceder ao longo de um caminho. Na ciência, os
métodos constituem os instrumentos básicos que ordenam, a princípio, o
pensamento em sistemas, traçam de modo ordenado a forma de proceder do
cientista ao longo de um percurso para alcançar um objetivo (LAKATOS;
MARCONI, 2000, p. 44-45).
Resumindo, diríamos que a finalidade da atividade científica é a
produção de conhecimentos demonstráveis por intermédio da comprovação
das hipóteses apresentadas. Nesse sentido, o método é o conjunto das
atividades sistemáticas e racionais que, com maior segurança e economia,
permite alcançar o objetivo – conhecimentos válidos e demonstráveis –,
traçando o caminho a ser seguido, detectando erros e auxiliando as decisões
do pesquisador.
Vejamos, a seguir, algumas das principais construções teóricas a
respeito do método em seu desenvolvimento histórico.
2.5 O método de Galileu Galilei
Galileu Galilei (1564-1642) foi pioneiro em relação à abordagem do
método no que se refere ao conhecimento científico, por meio do método
experimental. O foco da investigação, em sua opinião, não deveria ser a busca
das essências ou a qualidade das relações, como queriam os antigos, mas a
busca de leis que presidem os fenômenos. O objeto da ciência são as relações
quantitativas, ou seja, aquilo que pode ser observado matematicamente.
Segundo Lakatos e Marconi (2000, p. 47), o método de Galileu “[...] pode ser
descrito como indução experimental, chegando-se a uma lei geral por
intermédio da observação de certo número de casos particulares”. Os
principais passos do método de Galileu podem se assim delineados:
• observação dos fenômenos;
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• análise dos elementos constitutivos desses fenômenos, com a


finalidade de estabelecer relações quantitativas entre eles;
• indução de certo número de hipóteses, tendo por fundamento a análise
da relação desses elementos constitutivos dos fenômenos;
• verificação das hipóteses aventadas por intermédio da experiência
(experimento);
• generalização do resultado das experiências para casos similares;
• confirmação das hipóteses, obtendo-se, a partir dela, leis gerais
(MARCONI; LAKATOS, 2000, p. 47).
Segundo Aranha e Martins (2002, p. 150), “Galileu é um dos expoentes
que marcam o surgimento de novos tempos: a ciência nascente não é
resultado de simples evolução, mas surge de uma ruptura [...] sendo, portanto,
o fruto de uma revolução científica”. Galileu formulou os pressupostos do que
deveria ser uma ciência numa época em que predominava o conhecimento
religioso como forma de compreender a realidade. Imaginem o que significou
isso para a sua época! Ele foi acusado de heresia e confinado numa prisão,
sendo obrigado a negar todos os seus postulados. Porém, a semente já havia
sido plantada.
2.6 O Método de Francis Bacon
Bacon (1561-1626), filósofo e político inglês, elaborou uma crítica da
ciência antiga, pois, para ele, seu resultado não era útil à humanidade. A
ciência deveria, em seu entendimento, propiciar uma melhoria na qualidade de
vida das pessoas. Mas, como se daria isso? Em primeiro lugar, era necessário
eliminar os obstáculos ao conhecimento. Esses obstáculos seriam os pré-
juízos, idéias pré-concebidas que impedem o avanço do conhecimento. Bacon
dá a esses pré-juízos o nome de ídolos. Esses ídolos seriam causados pelas
falhas e insuficiência dos sentidos, pela educação e inclinações pessoais, pela
tirania da linguagem e pelo respeito exagerado para com a autoridade.
Feito isso, seria necessário usar um método adequado para o avanço do
conhecimento. Na Antiguidade e Idade Média, usava-se o método dedutivo.
Para Bacon, esse método conseguia apenas antecipações estéreis. Isto
é, tirava conclusões precipitadas que não produziam nada de novo. O método
adequado seria, então, o método indutivo, porque procura interpretar os fatos
particulares em busca de leis universais que regem a natureza.
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O método proposto por Bacon seria, daí em diante, cânone, regra para a
pesquisa científica. A adoção deste método trouxe uma série de avanços, o que
influenciou de forma decisiva o mundo ocidental. Esses avanços serviram de
base para o desenvolvimento posterior do capitalismo por meio da pesquisa
tecnológica.
O método científico proposto por Bacon traz algumas conseqüências
éticas em pelo menos dois aspectos: o ser humano, enquanto objeto de
pesquisa, pode ser manipulado, experimentado livremente? Que tipo de
consequências a exploração da natureza, por meio do método científico, pode
acarretar para o equilíbrio ecológico?
Sendo o conhecimento científico o único caminho seguro para a verdade
dos fatos, ele deve acompanhar os seguintes passos, conforme a abordagem
de Lakatos e Marconi (2000, p. 48):
a) Experimentação – nessa fase, o cientista, para poder observar e
registrar, de forma sistemática, todas as informações que têm possibilidade de
coletar, realiza experimentos acerca do problema.
b) Formulação de hipóteses – tendo por base os experimentos e a
análise dos dados obtidos por seu intermédio, as hipóteses procuram explicitar
(e explicar) a relação casual entre os fatos.
c) Repetição – os experimentos devem ser repetidos em outros lugares
por outros cientistas, tendo por finalidade acumular dados que, por sua vez,
servirão para a formulação de hipóteses.
d) Testagem das hipóteses – por intermédio da repetição dos
experimentos, testam-se as hipóteses; nessa fase, procura-se obter novos
dados, assim como evidências que confirmem as hipóteses, pois seu grau de
confirmação depende da quantidade de evidências favoráveis.
e) Formulação de generalizações e leis – o cientista, desde que tenha
percorrido todas as fases anteriores, formula a lei ou as leis que descobriu,
fundamentado nas evidências que obteve, e generaliza suas explicações para
todos os fenômenos da mesma espécie. As hipóteses são teses provisórias
que procuram explicar determinado fenômeno e devem ser demonstradas.
Dessa forma, o método de Bacon consiste em testar as hipóteses construídas
a partir da experimentação para, posteriormente, sendo elas validadas,
construir as leis de explicação para todos os fenômenos da mesma espécie.
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2.7 O Método de Descartes


Considerado o pai da filosofia moderna, Renée Descartes foi
contemporâneo de Galileu e Bacon. Ao contrário desses, desenvolveu o
método dedutivo. Sua contribuição se deu também na matemática – com
certeza você deve se lembrar do plano cartesiano. Seu método pode ser
dividido em quatro fases:
a) a da evidência – não acolher jamais como verdadeiro algo que não se
reconheça evidentemente como tal, isto é, evitar a precipitação e o preconceito
e não incluir juízos;
b) a da análise – dividir cada uma das dificuldades em tantas partes
quantas necessárias para melhor resolve–la;
c) a da síntese – conduzir ordenadamente os pensamentos, principiando
com os objetos mais simples e mais fáceis de conhecer, para subir, em
seguida, pouco a pouco, até o conhecimento dos objetos que não se
disponham, de forma natural, em sequências de complexidade crescente;
d) a da enumeração – realizar sempre enumerações tão cuidadas e
revisões tão gerais que se possa ter certeza de nada haver omitido
(HEGENBERG citado por LAKATOS; MARCONI, 2000, p. 49).
A análise compreende o processo em que determinado problema geral é
decomposto em seus elementos constitutivos, até chegar às partes mais
simples.
A síntese compreende o processo de reunificação das partes em seu
todo maior após a resolução dos problemas mais simples.
O método cartesiano proporcionou avanços significativos para a ciência
porque permitiu que problemas de alta complexidade fossem abordados a
partir de suas partes. Nosso atual modelo de educação baseia-se no método
cartesiano, ao dividir o conhecimento em diversas disciplinas. O grande
problema apontado, hoje, é que, por causa dessa divisão, o conhecimento
fragmentou-se, provocando a multiplicação de abordagens parcelares da
realidade, o que leva à perda da visão do todo.
2.8 Concepção atual de método
Com o passar do tempo, muitas modificações foram feitas nos métodos
existentes, inclusive surgiram outros novos. Atualmente, o método baseia-se na
teoria da investigação.
19

Já não podemos mais compreender as questões metodológicas por um


prisma unilateral. A especialização e a fragmentação do conhecimento fazem
com que, na atualidade, cada problema/investigação tenha um método
específico.
Assim, cada situação a ser resolvida é relativa ao método que lhe é mais
adequado. No entanto, mesmo diante de tal fragmentação, podemos citar,
entre os métodos, alguns que são mais utilizados do ponto de vista da
argumentação e outros voltados para as ciências humanas e sociais.
Vejamos, a seguir, as principais construções metodológicas atualmente
utilizadas do ponto de vista da argumentação. Esses métodos são formas de
argumentação utilizadas nas ciências naturais, humanas e exatas.
2.9 Método indutivo
Podemos caracterizar a indução como processo mental que, partindo de
dados particulares, tira conclusões gerais, que ainda não estavam presentes
nas partes examinadas. O objetivo do método indutivo é fazer com que, por
meio da observação de dados particulares, suficientemente constados, possa-
se chegar a conclusões cujo conteúdo é mais amplo do que as premissas em
que se baseiam.
Da mesma forma que o método dedutivo, o argumento indutivo
fundamenta– se em premissas. Porém, se no primeiro é possível deduzir uma
verdade já implícita na premissa maior, no método indutivo só é possível
chegar a um conhecimento provável. Por exemplo, a mangueira é um vegetal
que realiza fotossíntese a grama realiza fotossíntese a orquídea realiza
fotossíntese logo, todos os vegetais realizam fotossíntese
A indução se realiza por três etapas:
a) observação dos fenômenos – consiste em observar os fatos ou
fenômenos para, por meio de análise, descobrir as causas de sua
manifestação;
b) descoberta da relação – o objetivo desta fase é detectar a relação
constante existente entre eles, por meio da comparação;
c) generalização – nesta etapa, ocorre um salto porque, por meio da
generalização das relações encontradas entre os fenômenos e os fatos
semelhantes, aplica-se à hipótese levantada aos demais casos mesmo sem
observá-los.
20

2.10 Método dedutivo


O raciocínio dedutivo parte de uma lei, teoria ou hipótese geral que é
aceita por todos e da qual é possível tirar conclusões particulares. Diz-se,
portanto, que a dedução vai do geral para o particular. Deduzir nada mais é que
comparar uma situação particular frente a uma teoria ou verdade geral, para
concluir se aquele caso particular se encaixa na teoria geral.
Para alguns, a dedução é um raciocínio estéril, pois não acrescenta
nada de novo ao conhecimento. Apenas confirma se uma situação particular se
encaixa em princípios universais. O exemplo clássico de dedução é o silogismo
aristotélico.
Sua forma pode ser descrita a partir do exemplo a seguir.
Todos os homens são mortais
Sócrates é homem
Logo, Sócrates é mortal
Todavia, a dedução tem sido muito utilizada para a construção de teorias
que partem de saberes prévios e que, por dedução, podem contribuir para a
produção de saberes em que não é possível elaborar, pelo menos ainda,
experimentos.
Um exemplo disso é a teoria dos buracos negros que, por meio de uma
série de deduções, tem sido elaborada.
2.11 Método hipotético-dedutivo
Abordaremos o método hipotético-dedutivo a partir das idéias de Karl
Popper (1902-1994), que lançou as bases desse método e do critério de
falseabilidade.
Por acreditar que a ciência – conhecimento absolutamente certo,
demonstrável – era um ídolo e, portanto, insustentável e inatingível, Popper
propõe o método hipotético-dedutivo que Marconi e Lakatos (2000, p. 73)
chamam de “método de tentativas e eliminação de erros”. Popper afirma que a
metodologia é como uma arma de busca, caçada aos problemas e destruição
de erros, mostrando-nos como podemos detectar e eliminar o erro, criticando
as teorias e as opiniões alheias e, ao mesmo tempo, as nossas próprias
(POPPER citado por LAKATOS; MARCONI, 2000, p. 73).
Seguindo o raciocínio do método hipotético-dedutivo, seria mais fácil
demonstrar que algo pode estar errado do que certo; é mais fácil negar, falsear
21

uma hipótese do que confirmá-la. Ao procurar demonstrar os erros, buscar o


que é falso, eliminam-se as concepções equivocadas,ou seja, não se tem a
certeza da posse da verdade, mas tem-se a segurança da eliminação do erro.
O método hipotético–dedutivo apresenta as seguintes etapas:
a) problema – surge a partir do momento em que determinada situação
não se enquadra em um esquema pré-estabelecido, frustrando as expectativas
e desencadeando a pesquisa;
b) conjecturas – é uma solução proposta em forma de proposição
passível de teste, direto ou indireto, em suas consequências sempre
dedutivamente.
A conjectura é utilizada para explicar ou prever aquilo que despertou
uma curiosidade intelectual ou uma dificuldade de ordem prática ou teórica;
c) tentativa de falseamento – nessa etapa do método hipotético-
dedutivo, são realizados os testes cujo objetivo é a tentativa de falseamento
para eliminação de erros, tornando falsas as consequências derivadas ou
deduzidas da hipótese.
Assim, o valor de uma teoria não é medido pelo deu caráter de verdade,
mas pela possibilidade de ser falsa. A falseabilidade seria o critério de
avaliação das teorias científicas garantindo, dessa forma, o progresso
científico, pois é a mesma teoria que vai sendo corrigida por novos fatos que a
falsificaram (CHAUÍ, 1995, p. 259).

2.12 Método dialético


O termo dialética significa a relação entre termos opostos. A dialética
tem seu início com o pensamento de Heráclito de Éfeso (cerca de 540-470
a.C.).
Ele reconhecia que a realidade era um contínuo fluxo, tudo se move,
tudo se transforma. É célebre a sua afirmação de que é impossível banhar-se
duas vezes no mesmo rio: em primeiro lugar, porque as águas que correm no
rio não são as mesmas, e também porque nós não somos os mesmos, pois
acumulamos experiências que nos transformam a cada dia. Compreendia que
22

o movimento era a passagem de uma realidade para o seu oposto. Assim, era
impossível compreender a doença sem saber o que era a saúde, compreender
a escuridão sem saber o que era a luz, o quente sem o frio...
Hegel (1770-1831) também reconhecia que a realidade era
processo contínuo. E poderia ser compreendida porque era perfeitamente
racional, mas não uma racionalidade estática, e sim dinâmica.
O método usado para compreender a realidade era a dialética, única
forma de apreender a realidade em sua totalidade, abarcando o afirmativo e o
negativo, as coisas e sua contradição.
Hegel desenvolve a dialética em três momentos:
a) Tese – afirmação de uma idéia
b) Antítese – negação da tese afirmada
c) Síntese – é o momento de união entre as partes postas pela tese e
antítese em um todo único, em que são anuladas as imperfeições e se
conserva a positividade de cada uma delas.
Como Hegel propunha a dialética no campo das idéias, Marx e Engels
propuseram a dialética materialista, isto é, não é a consciência humana que
transforma a realidade, como queria Hegel, mas é o contrário, é a realidade
material que transforma a mentalidade, a consciência humana.
Como desdobramentos posteriores da dialética materialista, teremos,
então, a construção das leis da dialética que passam a fundamentar os
procedimentos do método dialético:
• Lei da passagem da quantidade à qualidade – o processo de
transformação das coisas se faz por saltos. Mudanças mínimas de quantidade
vão se acrescentando e provocando em determinado momento uma mudança
qualitativa: o ser passa a ser outro. O exemplo clássico é o da água
esquentando; ao alcançar 100ºC, deixa o estado líquido e passa para o
gasoso. [...] Na biologia, segundo a teoria evolucionista de Darwin, alterações
acumuladas levam à formação de uma nova espécie [...].
• Lei da interpenetração dos contrários – a dialética considera a
contradição inerente à realidade das coisas. E justamente a contradição é a
força motriz que provoca o movimento e a transformação. A contradição é o
atrito, a luta que surge entre os contrários. Mas os dois pólos contrários são
também inseparáveis, e a isso chamamos de unidade dos contrários, pois,
23

mesmo em oposição, estão em relação recíproca. Por estarem em luta, há a


geração do novo. Por exemplo, o ovo de galinha já tem, em germe, a sua
negação; nele coexistem duas forças: que ele permaneça ovo e que ele venha
a ser ave.
• Lei da negação da negação – da interação das forças contraditórias,
em que uma nega a outra, deriva um terceiro momento: a negação da
negação, ou seja, a síntese, que é o surgimento do novo. Tese, antítese e
síntese, eis a tríade que explica o movimento do mundo e do pensamento
(ARANHA; MARTINS, 2002, p. 89-9)
Como pudemos perceber, a ciência não é um conhecimento pronto e
acabado, mas está aberto às transformações que ocorrem com o ser humano e
com a sociedade.
Síntese da aula
Nesta aula, apresentamos, sinteticamente, as características do
conhecimento científico que é o conhecimento racional, factual, verificável,
metódico, falível, geral e útil. Assim, ficou mais fácil a você identificar as
principais diferenças entre o conhecimento científico e as demais modalidades
do conhecimento humano, bem como compreender as possibilidades e
limitações da ciência. Você teve, também, a oportunidade de compreender o
conceito de método e sua evolução ao longo da história, obedecendo à
preocupação que as pessoas da época tinham em relação à resolução de seus
problemas. Percebeu que as construções metodológicas de Galileu, Bacon e
Descartes privilegiam ora a racionalidade ora a experiência. E sobre a
concepção atual de método, o que você precisa saber?
• A indução é o processo mental que, partindo de dados particulares, tira
conclusões gerais, que ainda não estavam presentes nas partes examinadas.
• O raciocínio dedutivo parte de uma lei, teoria ou hipótese geral que é
aceita por todos e da qual é possível tirar conclusões particulares.
• O método hipotético-dedutivo parte de uma idéia geral sob a forma de
uma hipótese que será, ou não, validada a partir da investigação dos
fenômenos.
• O método dialético apreende a realidade em sua totalidade, por meio
da análise das contradições abarcando o afirmativo e o negativo, as coisas em
sua contradição nas fases da tese, antítese e síntese.
24

Referência
ARANHA, Maria Lúcia de Arruda; MARTINS, Maria Helena Pires.
Filosofando: introdução à filosofia. São Paulo: Moderna, 2002.
CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1995.
LAKATOS, Eva M.; MARCONI, Marina de. A metodologia científica. São
Paulo: Atlas, 2000.
______. Fundamentos de metodologia científica. São Paulo: Atlas, 2003.
Na próxima aula
Como você observou, o conhecimento não é estático. Ele muda à
medida que a sociedade e os indivíduos que a compõem também elegem
novas formas de compreender o mundo que os cerca. O pano de fundo da
nossa próxima aula é o desafio de enfrentar a complexidade dos fenômenos
humanos sem reduzilos a apenas um enfoque disciplinar, o que empobreceria
sua compreensão. Refletiremos sobre a crise dos paradigmas científicos e
sobre as novas abordagens que daí resultam, tais como a interdisciplinaridade
e a multirreferencialidade.
25

____________________________________________________Aula 03
Pós-modernidade e conhecimento: a interdisciplinaridade e a
multirreferencialidade
Objetivo
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
• reconhecer os limites e as vantagens de uma prática integradora do
conhecimento nas pesquisas.
Pré requisito
Você poderá aproveitar melhor esta unidade se revisar o método
cartesiano, visto na unidade 2. Busque compreender o processo de
fragmentação que é imposto ao objeto a ser investigado. Dessa forma, terá
mais clareza e compreensão de que, por mais especializado que seja um
conhecimento, ele estará limitado a perceber alguns dos aspectos da realidade
complexa que compõem a investigação, sobretudo em ciências humanas. Você
poderá também visitar o sítio a seguir e encontrar uma boa discussão sobre a
multidisciplinaridade, a pluridisciplinaridade e a interdisciplinaridade o que
favorecerá a sua compreensão sobre o tema da aula:
<http://www.unb.br/ppgec/dissertacoes/proposicoes/
proposicao_jairocarlos.pdf>.
Introdução
Como você pôde perceber na aula 2, o método analítico proposto por
Renée Descartes tornou-se procedimento corriqueiro nas investigações
científicas. Em função disso, todo e qualquer problema deveria ser investigado
decompondo-o em suas menores partes para que pudesse ser mais bem
estudado. A principal conseqüência dessa postura epistemológica foi a
especialização e a fragmentação do saber. Como você também pôde observar,
são inúmeras as especialidades dos saberes científicos. Por um lado, isso
representou a possibilidade de um conhecimento aprofundado; mas, por outro,
causou uma separação entre as diferentes formas do conhecimento que chega,
em muitos casos, a dificultar a percepção do todo. Um exemplo dessa
tendência são as especialidades médicas.
Geralmente, vai-se a um clínico geral para que ele possa realizar um
exame prévio e encaminhar o enfermo a um especialista. Esse especialista
responde apenas por sua especialidade. Em muitos casos, para se chegar a
26

um bom diagnóstico, é preciso consultar vários especialistas.


O grande desafio da ciência nesse século XXI é promover a reintegração
dos saberes. E, em busca desse objetivo, postula-se hoje uma nova postura
epistemológica. Um procedimento capaz de romper com a fragmentação dos
saberes e de compreender a complexidade dos problemas humanos. A seguir,
veremos como esse processo se desenvolve na construção de um
conhecimento necessário à atualidade.
3.1 Pós-modernidade e crise dos paradigmas
Para que você possa compreender o desafio atual da ciência de
reintegrar os diversos saberes e campos do conhecimento é preciso observar o
delineamento de uma nova postura epistemológica. Segundo Boaventura
(1989, p. 11), “A época em que vivemos deve ser considerada uma época de
transição entre o paradigma da ciência moderna e um novo paradigma, de cuja
emergência se vão acumulando os sinais, e a que, à falta de melhor
designação, chamo ciência pós-moderna”. Assim, o que este autor está
querendo evidenciar é que a ciência, sob os moldes de uma racionalidade e de
uma objetividade que conduzem a um conhecimento demonstrável e confiável,
já não mais se sustenta.
Boaventura (1989, p. 31) nos fala também de rupturas epistemológicas:
a primeira, quando a ciência constrói-se contra o senso comum, visto aqui
como um conhecimento falso com o qual é preciso romper para que se torne
possível o conhecimento científico, racional e válido. E uma segunda ruptura: o
reencontro a ciência com o senso comum. Para ele, enquanto a primeira
ruptura é imprescindível para constituir a ciência, mas deixa o senso comum tal
como estava antes, a segunda ruptura transforma o senso comum com base
na ciência.
Com essa dupla transformação pretende-se um senso comum
esclarecido e uma ciência prudente, ou melhor, uma nova configuração do
saber [...], ou seja, um saber prático que dá sentido e orientação à existência e
cria o hábito de decidir bem (BOAVENTURA, 1989, p. 41).
Decidir bem significa, por exemplo, poder aliar os avanços tecnológicos
produzidos pelo conhecimento científico ao conhecimento da experiência
cotidiana e do senso comum, na tentativa de resolver os problemas ecológicos,
de energia, sobre a fome, a miséria, as doenças. A pós-modernidade e a
27

construção de uma ciência que tenha uma nova postura epistemológica


implicam uma nova forma de conhecimento pautado, por exemplo, na idéia de
interdisciplinaridade.
Vamos entender um pouco o que significa uma postura interdisciplinar
frente aos fatos e fenômenos que nos cercam?
3.2 Multidisciplinaridade
Antes de iniciarmos a discussão sobre a interdisciplinaridade é preciso
compreender a perspectiva anterior a ela: a multidisciplinaridade. Esta pode ser
compreendida como um conjunto de disciplinas atuando de forma simultânea,
sem que as relações entre elas apareçam. Na multidisciplinaridade, que é a
forma como nossos currículos escolares estão organizados, não há
colaboração entre as várias áreas do conhecimento. Várias disciplinas
pesquisam sobre o mesmo assunto, mas não são capazes de provocar
sinergia. Maheu afirma que de acordo com o conceito de multidisciplinaridade,
recorre-se a informações de várias matérias para estudar um determinado
elemento, sem a preocupação de interligar as disciplinas entre si. Assim, cada
matéria contribuiu com informações próprias do seu campo de conhecimento,
sem considerar que existe uma integração entre elas. Essa forma de
relacionamento entre as disciplinas é considerada pouco eficaz para a
transferência de conhecimentos, já que impede uma relação entre os vários
conhecimentos (MAHEU, [19 – –]).
Assim, a multidisciplinaridade reforça a idéia de fragmentação do
conhecimento, conseqüência de uma postura epistemológica pautada no
paradigma da ciência moderna.

3.3 Interdisciplinaridade e multirreferencialidade


A complexidade dos fenômenos humanos desafia a pesquisa. A
transposição dos métodos das ciências naturais, por mais objetivos que sejam
os seus resultados, para a pesquisa de problemas que envolvem o ser humano
não se mostrou eficiente. Especialmente no campo da educação, percebeu-se
a necessidade de se construírem metodologias que não reduzissem as
28

pessoas a meros dados estatísticos e que fossem capazes de desenvolver a


investigação sob vários enfoques.
A perspectiva da multirreferencialidade e da interdisciplinaridade aborda
o fenômeno humano sob várias óticas. A simples redução do ser humano ao
aspecto econômico, psicológico, religioso, educacional, estético, sociológico,
político, biológico entre outros, mostrou que os resultados alcançados eram
incompletos ou não satisfaziam plenamente aos objetivos propostos. Seria
necessário que os vários campos do saber se comunicassem para que a
compreensão da complexidade do ser humano fosse adequada. Morin
acrescenta que a visão não complexa das ciências humanas, das ciências
sociais, implica pensar que existe uma realidade econômica, por um lado, uma
realidade psicológica por outro, uma realidade demográfica mais além etc.
Acreditamos que estas categorias criadas pelas universidades são realidades,
mas esquecemos que no econômico, por exemplo, estão as necessidades e os
desejos humanos. Por trás do dinheiro, existe todo um mundo de paixões.
[...] A consciência da complexidade nos faz compreender
que não poderemos escapar jamais à incerteza e que
jamais poderemos ter um saber total: “a totalidade é a não
verdade” (MORIN citado por MARTINS, 2004, p. 90-91).
A abordagem da pesquisa em ciência humanas e sociais deve superar o
isolamento das diversas disciplinas e procurar estabelecer um diálogo entre
elas.
É necessária a multirreferencialidade e interdisciplinaridade. De acordo
com Demo (2001, p. 112), somente pode ser tomado como pesquisa
interdisciplinar aquela composta por especialistas diversificados, de preferência
oriundos de áreas “opostas”; isto é, é preciso que as várias áreas do
conhecimento estejam presentes no grupo interdisciplinar.
O bom funcionamento de uma equipe interdisciplinar deve procurar
construir um texto único e não uma colcha de retalhos em que cada
especialidade propõe seu ponto de vista, mas não dialoga com as outras áreas.
É preciso orquestrar os esforços de modo convergente procurando estabelecer
um diálogo entre as várias competências. Caso contrário, pode ocorrer uma
disputa entre os vários ramos do conhecimento e a manutenção da
fragmentação.
29

As dificuldades para a construção desse tecido único não são poucas.


Não é prática comum trabalhar em equipes interdisciplinares, a arte de tecer a
muitas mãos pode ser auxiliada, no início, pela tática de exigir de cada uma o
tecido próprio, para somente depois integrá-Ias; no caso ideal, é mais integrado
o que já nasce integrado; mas, sendo um desafio por fazer, é preciso saber
começar do começo (DEMO, 2001, p. 112).
Os esforços realizados de forma conjunta e conjugada devem estar
presentes na construção final: o texto único, que deve ser a expressão de
todos e de cada um, superando a idéia de que seja responsabilidade de
alguma área privilegiada.
Na prática, muito pouco se tem conseguido nesse sentido. Porém esse
consenso final deve ser buscado por todos.
Outro problema a ser superado é a heterogeneidade do grupo envolvido:
cada um possui sua história acadêmica e seus procedimentos já sedimentados,
o que provoca uma espécie de consenso muito frágil. Segundo Demo (2001),
essa dificuldade inicial, por mais que represente um grande desafio, é válida
porque o conhecimento produzido é permeado por vários discursos, e assim é
mais democrático e corre menos risco de ser fragmentado.
O grande mal a ser evitado é a transformação da interdisciplinaridade
em um modismo. Esta prática, de transformar as novidades em moda, é
comum no Brasil. O que se vê é uma justaposição de disciplinas
(multidisciplinaridade) que de interdisciplinar só têm o nome.
Síntese da aula
Vimos, nesta aula, que: a especialização do conhecimento levou à
fragmentação e à perda da visão do todo; a construção de uma ciência pós-
moderna requer uma nova postura epistemológica que alie ciência e senso
comum; a multidisciplinaridade é uma forma de tratar determinado assunto sob
vários enfoques, sem estabelecer conexões entre eles; a interdisciplinaridade
busca estabelecer um diálogo entre os vários campos do conhecimento,
procurando estabelecer uma prática que compreenda a complexidade dos
fenômenos. No entanto, há ainda certa dificuldade em exercer essa prática,
pois a maioria dos pesquisadores está habituada a trabalhar de forma isolada,
mas esse quadro vem se revertendo rapidamente.
Referências
30

DEMO, Pedro. Conhecimento moderno: sobre ética e intervenção do


conhecimento.4. ed. Petrópolis: Vozes, 2001.
MAHEU, Cristina d’Ávila. Interdisciplinaridade e mediação pedagógica.
Disponível em: <http://www.nuppead.unifacs.br/artigos/Interdisciplinaridade.
pdf>.
MARTINS, João Batista. Contribuições epistemológicas da abordagem
multirreferencial para a compreensão dos fenômenos humanos. Revista
Brasileira de Educação, São Paulo, n. 26, maio/ago. 2004.
SANTOS, Boaventura de S. Introdução a uma ciência pós-moderna. Rio
de Janeiro: Graal, 1989.
Na próxima aula
Agora que você já sabe o que é conhecimento científico e, também,
seus principais métodos, bem como as discussões atuais acerca de uma nova
postura epistemológica, apresentaremos, a seguir, os diferentes níveis da
pesquisa e como a pesquisa está vinculada ao desenvolvimento econômico,
cultural e social de uma nação. Apresentaremos também os objetivos, fontes e
procedimentos da coleta de dados que fazem parte da pesquisa, bem como os
diferentes tipos de pesquisa, com o intuito de aprofundar o que iniciamos nas
aulas anteriores.
Esperamos com isso contribuir para que você possa aperfeiçoar seus
procedimentos de pesquisa e desenvolver com eficácia suas investigações.
31

____________________________________________________Aula 04
A pesquisa científica: conceitos e modalidades
Objetivo
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
• identificar o conceito de pesquisa científica e os seus principais níveis;
• descrever os diferentes tipos de pesquisa.
Pre requisito
Para uma compreensão mais ampla dos conteúdos desta aula, releia o
tópico sobre o conhecimento científico e suas características na aula 2. Procure
refletir sobre a maneira como se dá o processo de desenvolvimento da ciência.
Com isso, será mais bem interpretado o sentido da pesquisa científica e sua
importância para a atividade acadêmica. Sobre os tipos de pesquisa, no sítio
<http://www. sbi_web.ifsc.usp.br/metodologia_pesquisa_cientifica.pdf>, você
encontrará slides identificando os principais tipos quanto aos objetivos, às
fontes de dados e aos procedimentos de coleta. É apenas uma pequena
introdução que o familiarizará com o tema desta aula.
Introdução
É muito comum associarmos a pesquisa à atividade daqueles cientistas
geniais, meio doidos, às vezes trancados em seus laboratórios, realizando
experiências mirabolantes. Na verdade, a pesquisa pode ser feita por todos
aqueles que tenham a curiosidade necessária e dominem os métodos
adequados. O pesquisador individual, hoje, é um personagem em extinção. As
agências financiadoras aprovam projetos que tenham abordagem
interdisciplinar, com a formação de grupos de pesquisadores.
A pesquisa em rede, viabilizada pela Internet, possibilita que um mesmo
problema seja investigado por vários grupos de vários países, em intercâmbio
sistemático. Problemas na área ambiental, de saúde, de educação, entre
outros, que afetam o globo, em suas várias regiões, são investigados em rede.
Pesquisar, como você verá nesta aula, é algo extremamente importante para o
desenvolvimento de habilidades cognitivas e para a produção de novos
conhecimentos necessários para a solução dos problemas que nossa
sociedade enfrenta.
Os diferentes níveis de pesquisa apontam para a necessidade de
distinção entre os vários tipos de pesquisa quanto aos objetivos, às fontes e
32

aos procedimentos da coleta de dados. É importante destacar que, uma vez


definido o problema e a teoria que fundamenta a investigação, o pesquisador
precisa identificar se a pesquisa, quanto aos objetivos, será somente
exploratória, exploratória e descritiva ou exploratória e explicativa.
As pesquisas acadêmicas são, via de regra, exploratórias e descritivas,
por não buscarem explicações do problema, a partir de suas raízes. Já as
explicativas situam-se em nível de pesquisa de ponta. As fontes utilizadas para
coleta de dados e informações, bem como os procedimentos da coleta são,
conseqüentemente, selecionados a partir do problema/hipóteses levantados e
dos objetivos selecionados.
4.1 O que é pesquisa?
O termo pesquisa pode ser compreendido segundo vários significados e
autores. Vejamos alguns.
a) Significado amplo: no dicionário Aurélio (1999, p. 1556), pesquisa
significa uma “indagação ou busca minuciosa para averiguação da
realidade;investigação, inquirição”. Aplica-se a levantamento de opinião
(pesquisas de mercado, eleitoral, etc.); investigação policial, detetive, entre
outros.
b) Pesquisa escolar, acadêmica: para Santos (2002), é um levantamento
de informações sistematizadas, em sua maior parte, já produzidas por meio da
investigação científica e publicadas nos livros didáticos, para conhecer algo
não devidamente esclarecido pelo professor/aluno – (por interesse pessoal ou
por solicitação do professor).
c) Significado restrito, propriamente científico: entre as várias definições,
citamos Gil (2002, p. 17), que define pesquisa como um procedimento racional
e sistemático, que tem como objetivo proporcionar respostas aos problemas
que são propostos. De acordo com a concepção de Gil, utilizamos a pesquisa
quando não dispomos de informação suficiente para responder as questões
relacionadas a um problema que se quer investigar; ou então, quando a
informação disponível se encontra em tal estado de desordem que não possa
ser adequadamente relacionada ao problema.
Máttar Neto (2003, p. 145), por sua vez, afirma que “a pesquisa é, ao
mesmo tempo, um processo de descoberta e de invenção. Há um elemento de
criatividade, de lúdico, envolvido na atividade de investigação científica”. Assim,
33

a pesquisa científica é uma busca de dados e informações, por meio de


métodos específicos de cada ciência, para investigar um problema/hipóteses,
com vistas a validar as respostas encontradas que, “às vezes, a pesquisa vai
confirmar suas idéias ou opiniões, às vezes vai modificá-las, mas quase
sempre vai ajudar a dar forma a seu pensamento” (MÁTTAR NETO, 2003, p.
146).
A pesquisa científica exige rigor, paciência e seriedade no tratamento
dos dados, bem como ética na divulgação de seus resultados.
Dessa forma, a pesquisa é sempre resultado da busca de solução para
algum problema. Os problemas podem ser de duas diferentes ordens de razão:
de ordem intelectual e de ordem prática. Ambas estão interligadas, pois
investigar um problema de ordem intelectual, mesmo que em sua origem ou
por curiosidade do pesquisador, pode, de alguma forma, resultar em uma
aplicação.
A partir dessa concepção, é comum classificar as pesquisas de acordo
com a sua orientação final.
Teríamos a chamada pesquisa pura, ou teórica, e a pesquisa aplicada.
Na tradição intelectual ocidental, é comum colocá-las em campos opostos,
como se fossem excludentes. O que se percebe na realidade é que ambas se
complementam.
Por exemplo: quando foram descobertas as propriedades radioativas de
alguns elementos químicos, logo em seguida foi possível aplicar esse
conhecimento em instrumentos até hoje utilizados pela medicina, como os raios
X, tão úteis nos hospitais.
Como afirma Gil (2002, p. 18), “uma pesquisa sobre problemas práticos
pode conduzir à descoberta de princípios científicos. Da mesma forma, uma
pesquisa pura pode fornecer conhecimentos passíveis de aplicação prática
imediata”.
4.2 Níveis da pesquisa científica
Podemos distinguir dois níveis de pesquisa.
34

a) Pesquisa acadêmica: na vida


acadêmica, o estudante precisa realizar
uma série de trabalhos para verificar
como está o andamento de sua
aprendizagem. Os estudantes recebem
orientações para iniciar as atividades
de pesquisa. Elaboram e executam
projetos na área de sua formação.
Santos afirma que a pesquisa
acadêmica é, pois, uma atividade
pedagógica que visa a despertar o
espírito de busca intelectual autônoma.
É necessário que se aprendam as formas de problematizar
necessidades, solucionar problemas, indicar respostas adequadas [...].
A pesquisa acadêmica é, antes de tudo, exercício, preparação. O
resultado mais importante não é a oferta de uma resposta salvadora para a
Humanidade, mas a aquisição do espírito e método para a indagação
intencional (SANTOS, 2002, p. 24).
b) Pesquisa de ponta: após a formação básica, existe a possibilidade de
ingresso em um curso de pós-graduação, mestrado, doutorado, e a pesquisa
adquire uma nova configuração. O pós-graduando adquiriu maior grau de
autonomia e é portador de uma bagagem de conhecimentos para realizar
investigações em maior nível de complexidade e profundidade. Entretanto, não
necessariamente terá condições de investigar no nível denominado pesquisa
de ponta. O tempo disponível, muitas vezes, não permite buscar as raízes do
problema. A pesquisa de ponta refere-se a buscar respostas aos fatores
fundamentais do problema levantado. Em geral, é realizada pelos grupos de
pesquisa constituídos por cientistas que se dedicam exclusivamente a essa
atividade. Exemplos: pesquisas na área de biogenética, células tronco,
doenças como AIDS, entre outras. Ressaltamos, entretanto, que quem realiza
pesquisa no sentido propriamente científico, não necessariamente passa pelo
ensino superior. Muitas pessoas talentosas e com espírito de investigação
aguçado para investigar problemas em busca de fatores explicativos são
aceitos na comunidade científica como capacitados para essa atividade, e
35

podem dar importantes contribuições na área investigada.


Agora que você já conhece os níveis da pesquisa, vamos compreender
os diferentes tipos de pesquisa científica.
4.3 Tipos de pesquisa científica
No campo da pesquisa, é possível adotar três critérios para identificação
da natureza metodológica dos trabalhos de pesquisa:
• por meio de seus objetivos: exploratórias, descritivas, explicativas;
• segundo as fontes utilizadas na coleta de dados: campo, laboratório,
bibliografia;
• segundo os procedimentos de coleta: experimental, ex-post-facto,
levantamento, estudo de caso, pesquisa-ação, bibliográfica, documental.
Esses critérios não são excludentes. Ao definir o objetivo de uma
pesquisa, seleciono as fontes que irei utilizar e os procedimentos que serão
adotados.
4.4 Pesquisas segundo os objetivos
Definir o objetivo de uma pesquisa constitui a sua espinha dorsal. Trata-
se de explicitar: o que pretendo alcançar com a pesquisa que vou realizar?
Esse critério leva em conta o grau de aproximação do pesquisador com
o problema que irá estudar e o nível conceitual com que o pesquisador se
coloca diante do seu objeto de estudo. Nesse critério, as pesquisas podem ser
classificadas em exploratórias, descritivas ou explicativas.
a) Exploratórias: via de regra, toda pesquisa tem início com a exploração
do problema/fenômeno que vai ser investigado. Trata-se de responder as
perguntas: o que eu sei sobre o problema que quero investigar? O que já está
publicado a respeito? Essas são informações preliminares que o pesquisador
deverá coletar, que lhe permitirão delimitar, de forma mais objetiva, o problema
e construir suas hipóteses. Do ponto de vista conceitual, você deve selecionar
a melhor teoria que irá fundamentar sua pesquisa e destacar e explicitar os
conceitos básicos que serão utilizados como referências. As fontes de coleta de
dados e informações, geralmente, envolvem o levantamento bibliográfico e
documental, a realização de entrevistas com pessoas que tiveram contato ou
experiências com o problema a ser pesquisado, análise de ituações que
permitam uma maior compreensão a respeito do assunto, visita a sítios da
Internet, entre outros. A pesquisa exploratória lhe permitirá mapear o seu objeto
36

de estudo e, muitas vezes, você irá descobrir que o problema (ou um de seus
aspectos) que pretende investigar já foi solucionado.
Quando você respondeu a pergunta anteriormente colocada – o que
pretendo alcançar com a pesquisa que vou realizar? –, você, praticamente, já
definiu se sua pesquisa será descritiva ou explicativa. Vejamos por quê.
b) Descritivas: seu principal objetivo é descrever as características de
uma determinada população ou fenômeno, por meio do estabelecimento de
relação entre variáveis. É feita na forma de levantamento de dados
sistematicamente organizados. As pesquisas descritivas podem visar ao estudo
das características de um grupo, obter a opinião de uma determinada
população ou investigar como se dá o atendimento do sistema público de
saúde em uma localidade, por exemplo. Em geral, a pesquisa descritiva
objetiva descrever um fenômeno por meio de seus efeitos, utilizando como
procedimento de coleta de dados a estatística, com ênfase na análise
quantitativa.
c) Explicativas: são consideradas as mais profundas porque buscam
explicar as razões ou fatores que determinam a ocorrência de determinado
fenômeno.
Como não se resumem a apenas descrever ou explorar um fenômeno,
as hipóteses levantadas podem não ser validadas, e novas hipóteses serão
elaboradas para novas investigações. Não se pode, aqui, desmerecer as outras
modalidades de pesquisa, tendo em vista que uma pesquisa explicativa pode
ser o desdobramento de uma pesquisa exploratória ou descritiva.
Por exemplo, o resultado fornecido por uma pesquisa descritiva sobre os
efeitos, no mercado de trabalho, da não qualificação da mão-de-obra
necessária pode provocar indagações diversas que levam a uma pesquisa
explicativa: quais as razões da não qualificação da mão-de-obra necessária a
determinado tipo de trabalho?
4.5 Pesquisas segundo as fontes de dados
Uma pesquisa só é possível desde que exista a disponibilidade de fontes
de dados para que se possa coletá-los e analisá-los. Em uma analogia
bastante simples, da mesma forma que um automóvel se locomove porque
queima combustível, a pesquisa depende de dados para que possa elaborar
seus raciocínios, pois “entende-se pesquisa como atividade intelectual, como
37

desenvolvimento de raciocínios, cujo combustível são dados” (Gil, 2002, p. 19).


Entre as possíveis fontes de dados, três merecem destaque por serem as mais
utilizadas:
a bibliografia a respeito de um tema, o campo, no qual se possa
observar os fenômenos e um laboratório em que se possa recriá-los.
a) Pesquisa de campo: geralmente é realizada por meio de observação
direta do pesquisador. Os dados são colhidos no local onde são produzidos,
por isso os dados obtidos são mais fidedignos. Sua maior desvantagem é que
os resultados podem demorar mais a aparecer.
b) Laboratório: geralmente utilizada como experimento, esta fonte de
dados é uma forma de coleta usual em áreas da biologia. Por exemplo: as
pesquisas realizadas no campo da biogenética, no campo das doenças como a
AIDS, e os estudos com grandes aplicações práticas, como a investigação
criminal. Na pesquisa de laboratório, temos duas situações distintas: a
interferência artificial em um fenômeno ou a artificialização da capacidade
humana de captar os dados. No primeiro caso, o objetivo é construir um padrão
de observação que muitas vezes é impossível na realidade fora do laboratório.
No outro caso, os mecanismos naturais de observação não permitem uma
percepção acurada do fenômeno e, então, é necessário artificializar o ambiente
e os instrumentos de observação.
c) Bibliografia: a pesquisa bibliográfica é a mais utilizada, sobretudo no
meio acadêmico. Você já deve ter ouvido aquela expressão “não precisamos
reinventar a roda”. Pois é, grande parte das pesquisas realizadas em
laboratório e/ou de campo acaba se transformando em livros, revistas e outras
formas de divulgação bibliográfica, inclusive na Internet. Por meio da pesquisa
bibliográfica, é possível acessar o conhecimento produzido e acumulado ao
longo de vários anos, como fonte de informações para a pesquisa exploratória,
explicada acima.
4.6 Outras fontes de dados
4.6.1 Dados censitários
O levantamento sistemático de dados censitários a respeito de uma
população constitui a sociometria. Os países que dispõem de um banco de
dados a respeito, sistemática e periodicamente, o atualizam e editam,
possibilitando aos pesquisadores a utilização de técnicas de amostragem sobre
38

como analisar relações entre aspectos de uma população. No Brasil, temos o


Instituto Brasileiro de Geografia e Estatísticas (IBGE). Costa (2001, p. 233) cita
exemplos de pesquisas realizadas por sociólogos, com a utilização de dados
censitários. Entre esses, a de Kingsley Davis, em 1963, que
[...] fez uma análise de dados censitários que procurava
relacionar aumento de renda per capita e aumento
demográfico.
Tomando as taxas de países “desenvolvidos” (industrializados) e
“subdesenvolvidos” (não-industrializados), constatou que, nos primeiros, à
medida que crescia a renda per capita , diminui a taxa de crescimento
demográfico. Inversamente, nos países de pequena renda per capita a taxa de
crescimento demográfico aumentava consideravelmente (COSTA, 2001 p.
233).
Comenta Costa que, em termos metodológicos, Davis descobriu que a
taxa de crescimento era a variável dependente, conseqüência da renda per
capita, variável independente.
Essa autora chama a atenção para a necessidade de que os dados
censitários sejam de fonte fidedigna. Ao se realizar uma pesquisa desse tipo, é
preciso testar, em uma pequena amostra, as variáveis que se quer
experimentar.
4.6.2 História de vida
É outro método de pesquisa amplamente utilizado em sociologia. A
história de vida “compõe-se de relatos, depoimentos, memórias e documentos
pertencentes ao depoente” (COSTA, 2001, p. 234). É um tipo de fonte de coleta
de dados e informações que apresenta vantagens como fator importante para
recuperar interpretações “não-oficiais” sobre certos acontecimentos, e pode
revelar novos aspectos desses acontecimentos, a visão de quem viveu e
testemunhou.
Atualmente, tem-se valorizado “a análise dos valores, das tradições, da
expressão de opinião” que permitem a decifração mais apurada desses
depoimentos (COSTA, 2001, p. 234).
4.6.3 Levantamento histórico
Trata-se de realizar levantamentos de documentação para apreender o
processo de transformação de determinado fenômeno. Esses documentos
39

constituem fonte preciosa de informação, tais como correspondências, diários,


contratos, relatos de viajantes, atas de instituições, entre tantos outros.
As fontes de pesquisa anteriormente citadas podem ser usadas de forma
combinada, dependendo do objetivo a ser alcançado e do problema a ser
desvendado.
4.7 Pesquisas segundo os procedimentos de coleta de dados
Conforme Santos (2002, p.
29-32), os procedimentos de coleta
são os métodos práticos utilizados
para juntar as informações
necessárias à construção dos
raciocínios em torno de um
fato/fenômeno/processo.Na
verdade, a coleta de dados de cada
pesquisa terá peculiaridades
adequadas àquilo que se quer
descobrir. Mas é possível apontar
alguns procedimentos- padrão,
comumente utilizados, aos quais se
fazem as adaptações de
espaço/tempo/matéria necessárias
às exigências de cada caso.

a) Pesquisa experimental: parte da determinação de um objeto de


estudo e da seleção de variáveis que poderiam provocar algum tipo de
influência. É preciso, também, determinar a forma pela qual serão realizados o
controle e a observação dos efeitos produzidos por uma variável no objeto de
estudo.
A pesquisa experimental, geralmente, é feita por amostragem, ou seja,
escolhe-se, dentro de um universo bastante extenso para ser esgotado, um
conjunto significativo de casos que comporão a amostra. Os resultados
deverão ser aplicados a todos os casos. Esse tipo de pesquisa necessita de
um bom planejamento, para que a experimentação seja realizada de modo a se
observarem os aspectos que interessam ao estudo. Assim, muitas vezes,
40

escolhe-se a variável que se quer analisar e neutralizam-se as demais para


que se possa compreender qual a sua influência no objeto de estudo. Esse
objeto pode ser um fato, um fenômeno ou um processo. Exemplos: pesquisa
para descobrir uma vacina contra o vírus da AIDS ou da gripe aviária.

b) Ex-post-facto: literalmente, significa “a partir de depois do fato”. A


pesquisa ex-post-facto é, também, uma pesquisa experimental. A diferença
fundamental entre esses dois tipos está no fato de que a pesquisa ex-post-
facto é anterior à pesquisa experimental, ou seja, ocorre sem o controle do
pesquisador.
A observação se dá depois que ocorre o problema a ser investigado.
Por exemplo: compreender por que determinada campanha publicitária
não atingiu seus objetivos.
c) Levantamento: busca obter, junto a um determinado grupo, as
informações desejadas. A partir da coleta das informações solicitadas, é
elaborada uma análise quantitativa dos dados, para que se formulem as
conclusões. Muito utilizado nas pesquisas exploratórias e descritivas, é
realizado em três etapas: seleção da amostra a ser pesquisada; aplicação dos
questionários; e análise estatística dos dados coletados. Entre as principais
vantagens do levantamento, estão o conhecimento direto da realidade, a
economia, a rapidez e a possibilidade de quantificação. Suas principais
limitações se devem ao caráter subjetivo da opinião dos entrevistados, o que
colabora para a perda de objetividade.
Uma pesquisa para compreender a preferência dos consumidores
masculinos de uma determinada faixa etária seria um exemplo de
levantamento.
d) Estudo de caso: quando se quer aprofundar o conhecimento sobre um
determinado objeto de pesquisa, é selecionado, entre eles, um específico e que
possa representar a totalidade dos demais, para que se verifiquem seus
41

aspectos característicos. O estudo de caso costuma exigir do pesquisador


grande equilíbrio intelectual e capacidade de observação, porque, ao lidar com
casos isolados, é preciso muito cuidado para se inferir generalizações dos
resultados. É comum a utilização do estudo de caso quando se trata de
reconhecer, em um caso específico, um padrão científico já delineado, no qual
possa ser enquadrado. Por exemplo: observar como se comporta um
consumidor em um determinado ambiente de consumo.
e) Pesquisa-ação: está voltada para a resolução de um problema ou
suprimento de uma necessidade. É comum a participação e o envolvimento
cooperativo entre os pesquisadores e a comunidade envolvida na pesquisa.
Admite que outros procedimentos, já descritos nesta aula, possam ser
utilizados como meio de coleta. Todos os envolvidos, pesquisados e
pesquisadores, podem adotar procedimentos como experimentação, pesquisa
bibliográfica, observação, etc., para alcançar os resultados almejados. Por
exemplo: uma empresa que pretende resolver o problema do absenteísmo ao
trabalho.
f) Bibliografia: Santos, sobre bibliografia, nos ensina que é o conjunto de
ma teriais escritos/gravados, mecânica ou eletronicamente, que contêm
informações já elaboradas e publicadas por outros autores. São fontes
bibliográficas os livros (de leitura corrente ou de referência, tais como
dicionários, enciclopédias, anuários, etc.), as publicações periódicas (jornais,
revistas, panfletos, etc.), fitas gravadas de áudio e vídeo, páginas de web sites,
relatórios de simpósios/ seminários, anais de congressos etc. A utilização total
ou parcial de quaisquer dessas fontes caracteriza a pesquisa como pesquisa
bibliográfica (SANTOS, 2002, p. 32).
g) Documento: Santos, sobre documento, acrescenta que é o nome
genérico dado às fontes de informação bibliográficas que ainda não receberam
organização, tratamento analítico e publicação.
São fontes documentais: tabelas estatísticas; relatórios de empresas;
documentos informativos arquivados em repartições públicas, associações,
igrejas, hospitais, sindicatos; fotografias; epitáfios; obras originais de qualquer
natureza; correspondência pessoal ou comercial etc. A utilização de qualquer
dessas fontes de informação caracteriza a pesquisa como pesquisa
documental (SANTOS, 2002, p. 32).
42

A pesquisa documental utiliza-se de documentos que não constam em


publicações oficiais. O grande forte de se utilizar documentos como planilhas,
tabelas, informativos, etc. é colaborar para a sustentação do objeto central da
pesquisa.
Os vários tipos de pesquisa apresentados nesta aula, segundo os
objetivos, as fontes e procedimentos de coleta, e a adequada seleção dos
mesmos para realização da investigação poderá facilitar e simplificar seu
trabalho, que certamente contará com o acompanhamento de um professor
orientador.
Síntese da aula
Nesta aula, você aprendeu que a ciência é um tipo de conhecimento
sistematizado, ou seja, planejado e organizado metodologicamente. Logo, a
pesquisa
– um procedimento racional e sistemático que tem como objetivo
proporcionar respostas aos problemas que são propostos - é uma de suas
principais características, na qual dois níveis fundamentais se destacam: a
pesquisa acadêmica e a de ponta. Muito do que sabemos sobre o tipo de
pesquisa adequado para analisar um fenômeno é determinado pelo próprio
objeto da pesquisa. Assim, temos pesquisas segundo os objetivos que se
subdividem em exploratórias, descritivas e explicativas; temos as pesquisas
segundo as fontes: pesquisa de campo, laboratório e bibliográfica e, por fim, as
pesquisas segundo os procedimentos de coleta: experimental, ex-post-facto,
levantamento, estudo de caso, pesquisa-ação, bibliografia e documento. As
pesquisas científicas proporcionam o avanço desse tipo de conhecimento, e
muitos de seus resultados podem favorecer a melhoria da qualidade de vida
das pessoas.
Referências
COSTA, C. Sociologia, introdução à ciência da sociedade. São Paulo:
Moderna, 2001.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas,
2002.
MÁTTAR NETO, J. A. Metodologia científica na era da informática. São
Paulo: Saraiva, 2003.
SANTOS, A. R. dos. Metodologia científica: a construção do
43

conhecimento. Rio de Janeiro: DP & A 2002.


SOUZA, H. M. M. R. de. Análise experimental dos níveis de ruído
produzido por peça de mão de alta rotação em consultórios odontológicos:
possibilidades de humanização do posto de trabalho do cirurgião dentista. Rio
de Janeiro, 1998. Tese (Doutorado).
FIOCRUZ. Disponível em:
<http://portalteses.cict.fiocruz.br/transf.php?script=thes_chap&id=00010712&ln
g=pt&nrm=iso
Na próxima aula
Você já identificou o que é conhecimento científico e quais os seus
principais métodos, bem como descreveu os diferentes tipos de pesquisa
científica. Agora você precisa se familiarizar com a linguagem acadêmica, com
o discurso científico e com os mecanismos de divulgação dos mesmos.
Veremos, na próxima aula, as várias formas de registro e apresentação do
trabalho acadêmico: o resumo, o fichamento e a resenha; o seminário, o painel,
a mesa redonda, a comunicação, entre outros.
44

____________________________________________________Aula 05
Tipos de registro e apresentação de trabalhos acadêmicos
Objetivo
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
• identificar os diferentes tipos de registro e apresentação de trabalhos
acadêmicos;
• utilizar os procedimentos de elaboração e apresentação de trabalhos
acadêmicos.
Pré requisito
Para um melhor aproveitamento desta aula, sugerimos que você leia os
capítulos IV e V do livro Metodologia do trabalho científico de Antônio Joaquim
Severino, que está na bibliografia do plano de ensino dessa disciplina no
caderno de conteúdos e atividades. A leitura do capítulo IV desse livro é
importante, pois nele você encontrará as diretrizes para a realização de um
seminário e, no capítulo V, no item 3, encontrará as formas de trabalho
científico: o resumo e a resenha. No sítio
<http://www.caminhosdalingua.com/Resenha. html>, você encontrará, também,
algumas dicas que o ajudarão a produzir textos acadêmicos.
Introdução
Ao adentrar o universo acadêmico, você lidará com uma série de leituras
de textos científicos. A linguagem desses textos é bem diferente daquela com
que estamos habituados no nosso dia-a-dia: jornal, revista, texto literário.
Muitos trabalhos didáticos e científicos serão solicitados para as diversas
disciplinas com as quais você entrará em contato. Daí a importância de saber
sintetizar um texto, retirar as principais idéias de determinado autor, relacionar
essas idéias a outros autores ou textos. Ao familiarizar-se com as técnicas de
elaboração de resumos, fichamentos e resenhas, você encontrará menos
dificuldade em reconhecer um texto científico, bem como em construí-lo.
Existem, também, diferentes maneiras de apresentar trabalhos
acadêmicos: seminários, mesas redondas, painéis, palestras, comunicações,
conferências, etc. Os seminários são a forma mais utilizada; portanto, conhecer
suas técnicas de organização é fundamental para que você compreenda como
apresentar ou divulgar um trabalho acadêmico.
5.1 A redação científica
45

Antes de iniciarmos as discussões sobre o registro e a comunicação de


trabalhos acadêmicos, vamos apresentar os pontos fundamentais da redação
científica que, como você verá, é bem diferente da forma como escrevemos
usualmente.
Quando pensamos em redação, quem não se lembra das sugestões de
produção textual apresentadas pelas professoras do ensino fundamental nos
primeiros anos de formação? “Minhas férias”, a “excursão”, “o passeio no
parque”, entre tantas outras. É nesse período da nossa aprendizagem que são
realizados os primeiros exercícios para o aprimoramento do vocabulário, da
ortografia, da concordância verbal e nominal, da pontuação, da colocação
pronominal e da distribuição espacial nas frases e no texto.
Na construção de textos científicos, monografias, trabalhos de conclusão
de curso, construção de relatórios, cartas e memorandos, entre outros, você se
valerá dos conceitos aprendidos em momentos anteriores de sua formação.
Porém, para essa construção, será utilizada a linguagem da redação
técnica.
Para Almeida, citado por Medeiros (2000, p. 13), [...] “a redação técnica
caracteriza-se como tipo de linguagem escrita regida por princípios de
objetividade e de obediência à norma gramatical”. Na construção da redação
técnica, destacam-se os relatórios, as atas, os artigos, os trabalhos
acadêmicos e teses científicas, os documentos de cunho comercial e
administrativo em geral.
Nesses textos técnicos, será utilizada uma linguagem descritiva,
narrativa e dissertativa. Na busca de exemplo, ilustra-se melhor a distinção
entre descrição literária, descrição técnica e descrição científica.
a) Descrição Literária. Olhavam as estrelas com cativos olhos de
doçuras para compreenderem a solidão dos longos dias passados.
b) Descrição Técnica. Na construção do projeto fora utilizado televisor e
tela plana com 50 polegadas de alta resolução de imagem com peso inferior a
35 kg.
c) Descrição Científica. Dentre as principais teorias de Freud, devemos
destacar a do inconsciente. Essa teoria se baseia na concepção de que todos
os desejos inaceitáveis (proibidos, punidos) da infância são afastados da
consciência. Tornam-se parte do inconsciente ativo que, embora fora da
46

consciência, continuam a influenciar os atos pessoais.


Observe que, na descrição literária, a composição textual abrange
detalhes romanescos que salientam as especificidades do cerne do texto. Já a
descrição técnica evidencia-se em uma linguagem exata, denotativa, e que visa
a definir os mecanismos empregados. No texto que trata da descrição técnica,
o objetivo é esclarecer as especificações do equipamento utilizado no projeto.
Na descrição científica, há ausência de figuras de linguagem e frases
compostas por elementos supérfluos. Caso haja necessidade de se adjetivar
algo, o mesmo deverá ser feito sucintamente e limitado à essência do texto.
A redação de trabalhos acadêmicos, de artigos para periódicos
científicos, de sítios de pesquisa e outras formas de publicação científica deve
se revestir de algumas características a serem obedecidas pelo autor, para que
a transmissão da informação e a sua compreensão por parte do leitor sejam
eficazes.
Observam-se alguns princípios básicos para a promoção de interação
entre autor e leitor. Vejamos.
a) Clareza de expressões. Tudo que tiver sido escrito deve ser
perfeitamente compreensível pelo leitor. Este não deve ter nenhuma dificuldade
para entender o texto. Realizar uma cuidadosa leitura do que se escreveu,
colocando-se no lugar do leitor, colaborará para evitar dúbias interpretações
acerca do texto. Para a clareza de expressões, o autor deverá realizar alguns
questionamentos como: as sentenças estão bem construídas?
As idéias estão bem encadeadas? Há uma seqüência adequada na
apresentação dos seus resultados e de sua argumentação?
b) Objetividade na apresentação. Será conveniente escolher
criteriosamente o material que será utilizado no texto de uma dissertação, tese
ou artigo. Nem toda observação durante a execução do trabalho ou texto lido
na literatura referente ao tema deverá ser necessariamente relatado ao leitor.
Algumas observações talvez tenham sido importantes em uma determinada
fase do projeto, mas com o aprimoramento da idéia, perderam sua relevância.
Ao final do trabalho, alguns tópicos talvez tenham se revelado apenas como
tentativas de análises ou de experimentos, mas terminaram em becos sem
saída, sem a menor significância para a compreensão do trabalho. Quando
você estiver na etapa da seleção da informação, apresente só o que for
47

relevante. O leitor quer um relato lógico, objetivo e, se possível, retilíneo, tanto


das observações como do raciocínio feito pelo autor.
c) Precisão na linguagem. Na construção de um trabalho científico, a
linguagem deverá ser, além de cunho científico, precisa e clara. Caso seja
necessário, acompanhe seu texto com figuras, gráficos, tabelas. O uso de
signos e símbolos conduzem o leitor durante a leitura. Mas as figuras e gráficos
necessitam ser decodificadas por quem lê, à medida que este percorre o texto.
Muita atenção com termos vagos ou que podem ser mal interpretados. Para o
leitor, nada deve ficar obscuro ou subentendido.
Palavras e figuras que entrarão no texto devem ser escolhidas com
cuidado para exprimir o que realmente o autor deseja e não apenas para
ilustrar ou ganhar espaço na construção do trabalho. Os vários sinônimos de
uma palavra têm diferenças pequenas e sutis entre si.
d) Utilização correta das regras da língua. Neste item, não é necessário
perder muito tempo e espaço com recomendações, pois escrever fora da
língua padrão pode resultar da falta de conhecimento das normas ou de
desleixo. Se for por falta de conhecimento, será aproveitável a consulta a
dicionários e a textos de gramática. Se for por desleixo, o leitor (e membro da
Banca Examinadora – quando seu trabalho é passível de avaliação) terá todo o
direito de pensar que o trabalho em si também foi feito com desleixo. Enfim,
seja qual for a razão, será um desrespeito ao leitor.
Para a construção de textos precisos, serão necessárias várias
tentativas até chegar ao esperado. Para que um texto científico venha a
atender o seu objeto final de comunicar os resultados de uma pesquisa, seu
autor deve ter passado por uma experiência de redação científica sistemática.
O texto deverá respeitar as regras gramaticais da língua e da normatização do
documento. No desenvolvimento do seu curso de graduação, acelera-se a
necessidade de investir na pesquisa e no autoconhecimento.
5.2 Como elaborar resumos
A síntese ou resumo de um texto é um tipo especial de composição que
consiste em reproduzir, em poucas palavras, o que o autor expressou
amplamente.
De acordo com a ABNT (2003), resumo é a “[...] apresentação concisa
dos pontos relevantes de um texto, fornecendo uma visão rápida e clara do
48

conteúdo e das conclusões do trabalho”.


Dessa forma, só devem ser aproveitadas as idéias essenciais,
dispensando-se tudo o que for secundário. Para fazer um resumo, você precisa
de um esquema que o oriente. Esquematizar é colocar essas idéias essenciais
em um esqueleto, ou seja, em uma espécie de roteiro, contendo apenas
palavras-chave.
Existem técnicas para ajudar você a resumir ou esquematizar um texto
conservando, de fato, as idéias do autor. Uma das mais importantes é a técnica
de sublinhar.
É uma técnica indispensável não só para elaborar esquemas e resumos,
mas também para ressaltar as idéias importantes de um texto, com as
finalidades de estudo, revisão ou apreensão do assunto ou mesmo para utilizar
em citações.
O requisito fundamental para aplicar a técnica de sublinhar é a
compreensão do assunto, pois este é o único processo que possibilita a
identificação das idéias principais e secundárias, permitindo fazer a seleção do
que é indispensável e do que pode ser omitido, sem prejuízo do entendimento
global do texto.
Existem certas normas que devem ser obedecidas, para que a técnica
de sublinhar produza resultados eficazes. Não se deve sublinhar parágrafos ou
frases inteiras, mas apenas palavras-chave, ou quando muito, um grupo de
palavras. Isto porque, ao sublinhar uma frase inteira, além de sobrecarregar a
memória e o aspecto visual, corre-se o risco de, ao resumir, reproduzir as
frases do autor, sem evidenciar as idéias principais, visto que o resumo deve
ser uma condensação de idéias, não de frases ou palavras.
A técnica de sublinhar pode ser desenvolvida a partir dos seguintes
procedimentos:
• leitura integral do texto;
• esclarecimento de dúvidas de vocabulário, termos técnicos e outras;
• releitura do texto, para identificar as idéias principais;
• ler e sublinhar, em cada parágrafo, as palavras que contenham a idéia-
núcleo e os detalhes mais importantes;
• assinalar em uma linha vertical, à margem do texto, os tópicos mais
importantes;
49

• assinalar, à margem do texto, com um ponto de interrogação, os casos


de discordâncias, as passagens obscuras, os argumentos discutíveis;
• ler o que foi sublinhado, para verificar se há sentido;
• reconstruir o texto, em forma de esquema ou de resumo, tomando as
palavras sublinhadas como base (LAKATOS; MARCONI, 2003).
Para se obter maior funcionalidade das anotações, deve-se assinalar da
seguinte forma:
• sublinhar com dois traços as idéias principais e com um traço as idéias
secundárias;
• as anotações à margem do texto recebem um traço vertical para
trechos importantes e dois traços para trechos importantíssimos. Podem-se
usar também cores diferentes ou sinais criados pelo próprio leitor e que o
remeta imediatamente a seu significado.
Agora que você já conhece a técnica de sublinhar, está pronto para
compreender melhor como elaborar um resumo. Resumir um texto é reproduzir,
com poucas palavras, aquilo que o autor disse, garantindo cada uma de suas
partes essenciais, a seqüência lógica das idéias e a correlação entre elas e o
texto como um todo. Vejamos alguns tipos de resumo.
a) Resumo indicativo ou descritivo. Também conhecido como abstract
(resumo, em inglês), este tipo de resumo apenas indica os pontos principais de
um texto – não dispensando a leitura do mesmo - sem detalhar aspectos como
exemplos, dados qualitativos ou quantitativos, etc. Um bom exemplo deste tipo
de resumo são as sinopses de filmes, novelas e outros, publicados em jornais e
revistas. Ali você tem apenas uma idéia do enredo de que trata o filme.
50

b) Resumo informativo ou analítico. Também conhecido em inglês como


summary, este tipo de resumo informa o leitor sobre outras características do
texto. Um resumo informativo, no caso de um relatório de pesquisa, não diria
apenas de que trata a pesquisa (como seria o caso do resumo indicativo), mas
informaria também as finalidades da pesquisa, a metodologia utilizada e os
resultados atingidos. Um bom exemplo disso são os resumos de trabalhos
científicos publicados nos anais de congressos e os resumos de artigos
científicos para publicação.
A principal utilidade dos resumos informativos no campo científico é
auxiliar o pesquisador em suas pesquisas bibliográficas. Imagine-se
procurando textos sobre seu tema de pesquisa. Ao ler o resumo, você poderá
decidir sobre a conveniência de continuar ou não a leitura de todo o artigo.

c) Resumo crítico ou analítico. Este é, provavelmente, o tipo de resumo


que você mais terá de fazer a pedido de seus professores ao longo do seu
curso. O resumo crítico é uma redação técnica que avalia de forma sintética a
importância de uma obra científica ou literária. Antes de começar a escrever
seu resumo crítico você deve, no mínimo, ter conhecimento do autor e da obra
e ter feito uma boa leitura do texto, identificando:
• qual o tema tratado pelo autor?
• qual o problema que ele coloca?
• qual a posição defendida pelo autor em relação a esse problema?
• quais os argumentos centrais e complementares utilizados pelo autor
para defender sua posição?
Exemplo: O Mulato (Aluísio Azevedo)
É apontada como a obra inaugural do Naturalismo no Brasil (1881).
Podem ser identificados alguns elementos naturalistas:
51

• a crítica social, por meio da sátira impiedosa dos tipos de São Luís: o
comerciante rico e grosseiro, a velha beata e raivosa, o padre relaxado e
assassino, e uma série de personagens que resvalam sempre para o imoral e
para o grotesco. Já dissemos que esses tipos são, muitas vezes, pessoas que
realmente viveram em São Luís, conhecidas pelo autor;
• anticlericalismo, projetado na figura do padre e depois cônego Diogo,
devasso, hipócrita e assassino;
• oposição ao preconceito racial, que é o fulcro de toda a trama;
• o aspecto sexual, referido expressamente em relação à natureza carnal
da paixão de Ana Rosa pelo mulato Raimundo;
• o triunfo do mal, já que, no desfecho, os crimes ficam impunes e os
criminosos são gratificados:
a heroína acaba se casando com o assassino de Raimundo (grande
amor de sua vida), e o Padre Diogo, responsável por dois crimes, é promovido
a cônego.
Contudo, há fortes resíduos românticos. Escrito em plena efervescência
da Campanha Abolicionista, Aluísio Azevedo não manteve a postura neutra,
imparcial, que caracteriza os autores realistas/naturalistas. Ao contrário, ele
toma partido do mulato, do homem de cor, idealizando exageradamente
Raimundo, que mais parece o herói dos romances românticos (ingênuo,
bondoso, ama platonicamente Ana Rosa e ignora a sua condição de homem de
cor). Observe que Raimundo é cientificamente inverossímil (filho de pai branco
e mãe negra retinta, o filho tem “grandes olhos azuis, cabelos pretos e
lustrosos, tez morena e amulatada, mas fina”). A trama da narração é romântica
e desenvolve o velho chavão romântico da história de amor que as tradições e
o preconceito impedem de se realizar. Além disso, a história é verdadeiramente
rocambolesca (complicada, “enrolada”) (Disponível em:
<http//www.algosobre.com.br/assunto/ler.asp?conteúdo=202>. Acesso em: 21
jul. 2006).
As principais vantagens dos resumos estão no fato de que eles reduzem
o texto, sem destruir-lhe o conteúdo essencial, além de favorecerem a
apreensão de informações essenciais, situação que possibilita a participação
ativa na aprendizagem.
5.3 Como elaborar um fichamento
52

Outra forma eficiente de registro e organização das anotações feitas a


partir das leituras é o fichamento. Evidentemente, não se ficha tudo o que se lê,
mas os livros e textos mais significativos, que, provavelmente, constituir-seão
em material para um trabalho posterior ou até mesmo para o trabalho de
conclusão de curso. São referências que, em virtude da sua relevância,
constituem- se materiais que merecem ser arquivados. Os arquivos
manuscritos ou digitados tornam-se mais acessíveis, práticos e funcionais,
quando as anotações são feitas em fichas.
A grande vantagem de se utilizar a técnica de fichamento para
documentação dos dados está na possibilidade de organizar-se e obter-se a
informação precisa, na hora exata que se fizer necessária, sem precisar voltar
a ler toda a obra ou perder-se em montanhas de papéis para localizar um
resumo da mesma, que ao final pode nem conter a informação que se deseja.
Tradicionalmente se utilizam fichas de papel, entretanto, hoje podemos
empregar diferentes softwares e editores de texto para arquivar os fichamentos
realizados.
A ficha digitalizada é uma excelente alternativa, desde que a pessoa
organize uma pasta como banco de dados e nela crie um arquivo para as
fichas de cada tema. Quando retornar ao trabalho de pesquisa terá todas as
informações catalogadas e organizadas por assunto.
Cada um tem a sua maneira própria de organizar as fichas e registrar as
informações que considera importantes. Porém, alguns dados não podem
faltar. Todos os tipos de fichas devem compreender três partes principais:
a) cabeçalho: compreende o assunto e número de classificação da ficha;
b) referência: deve sempre seguir as normas da ABNT;
c) corpo ou texto: varia conforme o tipo e finalidade da ficha. Nesse item,
é importante que você crie seu próprio estilo de registrar as idéias que são
relevantes. Pode ser em tópicos, por palavras-chave, com comentários, com
sua interpretação etc. Outra questão importante é registrar a página de onde
você está destacando as idéias.
Isso facilitará muito a localização, quando precisar retornar ao material
lido.
5.3.1 Tipos de fichas
Digitalizadas ou manuscritas, as fichas podem receber diferentes
53

classificações, cada tipo com um conteúdo específico. As fichas feitas com a


finalidade de utilização posterior na produção de um artigo científico, por
exemplo, podem ser fichas de citação ou de comentário. Vejamos cada um dos
tipos de fichas e seus respectivos conteúdos:
• ficha bibliográfica: contém as informações sobre o livro, autor ou
assunto em estudo. Não aborda especificamente o conteúdo ou texto da obra.
Usada para catalogação de livros em uma biblioteca pública ou particular e
você não irá usá-la fora desse contexto;
• ficha de citações: consiste na reprodução fiel de frases ou sentenças
consideradas relevantes ao estudo em pauta. Essas citações poderão ser
utilizadas posteriormente na produção de um texto (relatório de pesquisa, artigo
científico, etc.);
• ficha de resumo ou de conteúdo: é um trabalho que consiste em
apresentar por escrito a compreensão do texto estudado. Deve-se apresentar
uma redação resumida, a partir das questões levantadas na fase de leitura e
compreensão do texto. Deve ter uma introdução, o desenvolvimento e uma
conclusão;
• ficha de esboço: tem certa semelhança com a ficha de resumo ou
conteúdo, pois se refere à apresentação das principais idéias expressas pelo
autor, ao longo da sua obra ou parte dela, porém de forma mais detalhada e
com indicação das páginas em que se encontram as informações esboçadas.
Pode ser de grande valia a você no início de sua formação e aos
pesquisadores em geral.
É a mais extensa e detalhada das fichas, apesar de requerer, também,
capacidade de síntese, pois o conteúdo de uma obra, parte dela ou de um
artigo mais extenso, é expresso em uma ou algumas fichas;
• ficha de comentário ou analítica: consiste na explicitação ou
interpretação crítica pessoal das idéias expressas pelo autor. É um trabalho
que consiste, basicamente, em apresentar a “palavra do leitor”, a sua posição
frente às questões desenvolvidas. Isso exige estudos aprofundados e,
fundamentalmente, “olhos críticos” para o mundo.
O pressuposto desse modelo de ficha é o diálogo com o autor, o
questionamento de suas posições assumidas e a relação dessas com outras
abordagens.
54

Observe, a seguir, trechos do início e final de uma ficha analítica,


aproveitando para conferir a formatação, que é a mesma para todos os tipos de
fichas.

5.4 Como elaborar a resenha


No meio acadêmico, a resenha é de grande utilidade, pois facilita o
trabalho profissional ao trazer um breve comentário sobre uma obra e, também,
sua avaliação. A informação dada ajuda na decisão da leitura ou não do livro,
de sua utilidade para o estudo empreendido ou da adequação à abordagem
pretendida. Medeiros afirma que a resenha é [...] um relato minucioso das
propriedades de um objeto ou de suas partes constitutivas [...].
Estruturalmente, descreve as propriedades das obras (descrição física da
obra), relata as credenciais do autor, resume a obra, apresenta suas
conclusões e metodologia empregada, bem como expõe um quadro de
referências em que o autor se apoiou (narração) e, finalmente, apresenta uma
55

avaliação da obra e diz a quem se destina (dissertação) (MEDEIROS, citado


por OLIVEIRA, 2003, p. 158-159).
Complementando, segundo a NBR 6028/90 da ABNT, a resenha é o
mesmo que resumo crítico ou recensão (OLIVEIRA, 2003, p. 125). O
procedimento para a elaboração da resenha é, portanto, semelhante ao do
resumo acrescido de uma crítica.
O resenhista deve resumir o assunto e apontar as falhas e os erros de
informação encontrados, sem se ater aos pormenores e, ao mesmo tempo,
tecer comentários aos méritos da obra, se for caso. No entanto, mesmo que o
resenhista tenha competência na matéria, isso não lhe dá o direito de fazer
juízo ou deturpar o pensamento do autor.
Para fazer a resenha, além de ter sublinhado as idéias-chave do texto, é
preciso conhecê-lo com mais profundidade, pois ela pressupõe um
aprofundamento sobre o tema tratado pelo autor. A resenha tem, portanto, a
função de extrapolar a obra, ou seja, já se configura uma pesquisa.
A estrutura básica de uma resenha deve conter os seguintes elementos:
a) referência (identificação bibliográfica): autor, título da obra, número da
edição, local de publicação, editora, ano e número de páginas;
b) credenciais da autoria: breve apresentação do(a) autor(a) ou autores,
em especial quanto ao seu currículo profissional (nacionalidade, áreas de
atuação, publicações, formação acadêmica, títulos que possui, etc.);
c) resumo da obra: expor o assunto da resenha, como ele é tratado,
metodologia ou estruturação da obra e suas idéias básicas;
d) conclusões do autor: expor com clareza os resultados alcançados
pelo autor da obra ou texto resenhado;
e) quadro de referência do autor: se observado esse aspecto, informar
qual teoria serve de apoio às idéias do autor da obra;
f) apreciação crítica do resenhista: o estilo do autor é objetivo, conciso?
As idéias são originais, claras e coerentes? O autor é idealista? Realista?;
g) indicações da obra: informar a que público se destina a obra ou a
quem ela pode ser útil, como, por exemplo, alunos de determinados cursos,
professores, pesquisadores, especialistas, técnicos ou público em geral.
Em que curso pode ser adotada? (OLIVEIRA, 2003, p. 126).
Além desses tópicos, podemos acrescentar mais um: as credenciais do
56

resenhista, ou seja, informações básicas da pessoa que elaborou a resenha.


No sítio <http://www.encontros-
bibli.ufsc.br/Edicao_15/montano_resenha.
pdf>, você encontrará a resenha do livro Terceiro setor e questão social:
crítica ao padrão emergente de intervenção social, de Carlos Montaño. Essa
resenha foi elaborada pelo Prof. Dr. Francisco das Chagas de Souza.
Esses passos delineados anteriormente podem divergir de autor para
autor.
Alguns, por exemplo, afirmam que uma resenha pode ser puramente
informativa, quando apenas expõe o conteúdo do texto, ou crítica, quando se
manifesta sobre o valor e o alcance do texto analisado, ou ainda, crítico-
informativa quando expõe o conteúdo e tece comentários sobre o texto
analisado (SEVERINO, 1996, p. 107).
Cabe a você, de acordo com os objetivos que pretende alcançar, definir
o tipo de texto que deseja construir, seja um resumo ou resenha. O primeiro
passo indicado nesta aula – técnica de sublinhar – deve ser o ponto de partida
para a elaboração de qualquer um desses textos. Assim você construirá textos
mais bem elaborados, criando um estilo próprio de escrita e crescendo
intelectualmente.
Agora que você já conhece algumas formas de registro do trabalho
acadêmico, vejamos a seguir as formas de apresentação.
5.5 Como organizar um seminário
Conforme Lakatos e Marconi (2003), o seminário é uma técnica de
estudo que inclui diversas fases: pesquisa (incluindo leituras e registros),
discussão e debate (na apresentação final). No geral, o seminário é utilizado
em cursos de graduação e pós-graduação. Tem como finalidade a socialização
de pesquisas em suas diversas formas. Isso implica dizer que, quando
participamos de um seminário, devemos, a priori, realizar individualmente
várias leituras e preparar em grupo todo um trabalho de pesquisa e produção, a
partir do tema, para depois participar do debate sobre o mesmo com os demais
participantes. Além do desenvolvimento da capacidade de pesquisa, de análise
sistemática de fatos, do hábito do raciocínio, da reflexão, possibilita ao
estudante a elaboração clara e objetiva de trabalhos científicos. Em um
seminário tem-se como meta a formação e não somente a informação.
57

5.5.1 Componentes dos grupos para o desenvolvimento de um


seminário
Em um seminário, trabalha-se em grupos que variam de cinco a oito
integrantes e deve conter:
• coordenador – aquele que orienta as pesquisas, preside e coordena as
sessões do seminário. Ao final, deve fazer uma apreciação geral dos
resultados, complementado alguns itens, se necessário;
• relator – aquele que expõe os resultados dos estudos referentes a um
tema específico do programa de trabalhos. A exposição pode ser feita por um
elemento, indicado pelo grupo, ou por todos;
• secretário – o estudante designado para anotar as conclusões parciais
e finais do seminário, após os debates;
• comentador (caso haja) – o aluno escolhido pelo coordenador do
seminário.
Deve estudar com antecedência o tema a ser apresentado, com o intuito
de fazer críticas adequadas à exposição, antes da discussão e debate dos
demais participantes da classe;
• demais participantes – são todos os que participam do seminário (a
turma toda). Depois da exposição, devem participar do debate.
5.5.2 Modalidades
O seminário, na sua estrutura e funcionamento, apresenta três
modalidades.
Conheça-os a seguir.
a) Clássico: seminário clássico ou individual é aquele em que os estudos
e a exposição ficam a cargo apenas de um estudante. O estudo pode abranger
um determinado assunto ou parte dele.
b) Clássico em grupo: nesse caso, os estudos são realizados por um
pequeno grupo (cinco ou seis elementos). A exposição do tema tanto pode ser
feita por um dos membros, escolhido pelo grupo, ou repartida entre eles, ou
seja, cada um apresentando uma parte. Em vez de um comentador, pode haver
um “grupo comentador”. Este tipo de seminário exige uma crítica mais
estruturada.
c) E m grupo: no seminário em grupo, todos os elementos da classe
devem participar, havendo tantos grupos quantos forem os subtítulos do tema.
58

Primeiramente, estuda-se o tema geral, para uma visão global; depois,


cada grupo aprofunda a parte escolhida.
5.5.3 Roteiro de realização do seminário
A técnica do seminário obedece ao roteiro a seguir (LAKATOS;
MARCONI, 2000). Vejamos.
a) O coordenador propõe um determinado estudo, indica a bibliografia
mínima, escolhe o comentador e estabelece um cronograma de atividades.
Cada grupo escolhe, por sua vez, o relator e o secretário.
b) Formado o grupo, inicia-se o trabalho de pesquisa, de procura de
informações por meio de bibliografias, documentos, entrevistas com
especialistas, observações, etc. Depois, o grupo se reúne para discutir o
material coletado, confrontar pontos de vista, formular conclusões e organizar o
material, sempre assessorado pelo coordenador. O grupo poderá seguir os
seguintes passos:
• determinação do tema central que, como um “fio condutor”, estabelece
a ordenação do material;
• divisão do tema central em tópicos;
• análise do material coletado, procurando subsídios para os diferentes
tópicos, sem perder de vista objetivos derivados do tema central;
• síntese das idéias dos diferentes autores analisados, resumo das
contribuições, visando à exposição que deve conter os seguintes tópicos:
introdução: breve exposição do tema central (proposição), dos objetivos e da
bibliografia utilizada; desenvolvimento dos tópicos em uma seqüência
organizada: exposição, discussão e demonstração; conclusão: síntese de toda
a reflexão, com as contribuições do grupo para o tema.
c) Concluídos os estudos, a classe se reúne, sob a orientação do
coordenador.
d) O relator, em plenária, apresenta os resultados dos estudos,
obedecendo a uma seqüência lógica e ordenada.
e) O comentador, após a exposição, intervém com objeções ou
subsídios.
f) A classe, a seguir, participa das discussões e debates, solicitando
esclarecimentos, refutando afirmações ou reforçando argumentos.
g) Ao final, o coordenador do seminário faz uma síntese do trabalho
59

apresentado.
Se achar incompleto, pode recomendar outros estudos.
5.6 Eventos para a divulgação de trabalhos científicos
Além do seminário, existem outros meios de divulgação de trabalhos
acadêmicos e pesquisas científicas como, por exemplo, os painéis, as mesas
redondas, conferências, palestras, comunicações, etc.
Os Congressos, Encontros, Semanas, Fóruns, etc., são os eventos mais
comuns para tais divulgações. Nesses eventos, os pesquisadores expõem
seus trabalhos. Normalmente, são as Instituições de Ensino Superior (IES) que
promovem esses eventos, dando o devido caráter cientifico para que os
trabalhos sejam divulgados. Assim existem as Comissões Científicas, para a
análise e seleção dos trabalhos enviados pelos participantes, formadas por
pessoas reconhecidas no meio acadêmico/científico.
Os formatos mais comuns de apresentação, de acordo com Magossi,
disponíveis no sítio <http://geocities.yahoo.com.br/wmagossi/texto.doc>, são:
a) painéis: apresentações em que geralmente um palestrante discorre
brevemente sobre determinado tema e duas ou mais pessoas apresentam
trabalhos referentes ao mesmo tema, abrindo posteriormente para perguntas
da platéia que podem ser dirigidas ao palestrante ou a um dos relatores. São
também assim denominados os suportes, contendo a apresentação de trechos
de trabalhos de pesquisa, feitos por desenhos, esquemas, gráficos ou mesmo
fotos, sempre procurando explicar ao público o objeto da pesquisa;
b) palestras: apresentações orais de trabalhos normalmente feitas pelos
próprios pesquisadores, para um público seleto;
c) mesas redondas: apresentações de trabalhos, realizadas por mais de
um participante sob a coordenação de um especialista;
d) seminários: apresentações feitas por vários especialistas, cada um
deles se ocupando de uma parte do assunto;
e) conferências: apresentações semelhantes às palestras, mas têm um
caráter mais abrangente, de modo que o conferencista pode mesmo apresentar
um ensaio;
f) comunicações: (como espaços destinados às apresentações) este é o
modelo mais usado para a divulgação de pesquisas e demais trabalhos
concluídos ou em andamento, em Congressos ou outro evento de vulto.
60

Da mesma forma que muitos autores divergem sobre as formas de


registro de trabalhos acadêmicos, também divergem acerca das maneiras
como esse trabalho será apresentado. Mais uma vez, cabe a você eleger a que
melhor atenda seus objetivos como estudante e pesquisador.
Sintese da aula
Nesta aula, você aprendeu que a redação científica é a forma mais usual
na construção de textos acadêmicos. Ela exige clareza de expressões,
objetividade na apresentação, precisão na linguagem e utilização correta das
normas gramaticais.
O importante é que você leve em conta que o texto científico será lido e
que o leitor precisa compreender o que você está querendo comunicar. Embora
seja um texto técnico, deve ter uma linguagem acessível. A elaboração de seus
trabalhos acadêmicos: resumos, resenhas etc., será norteada pelos parâmetros
dessa redação. Os resumos, as resenhas e os fichamentos fazem uso da
técnica de sublinhar, que consiste em ler o texto e destacar as palavras-chave
e as idéias principais do autor. Os resumos podem ser indicativos, informativos
e críticos, cada um com suas aplicabilidades específicas. A resenha, apesar
das divergências de diversos autores, é um texto que se aproxima muito do
resumo crítico, porém mais bem elaborado, com informações sobre o autor da
obra, as teorias que utilizou e, por fim, uma argumentação a favor ou contrária
as idéias do mesmo. A resenha exige maturidade intelectual, ou seja,
capacidade de associar teorias e produzir uma crítica das mesmas. Os
trabalhos acadêmicos podem, também, ser apresentados em seminários,
painéis, conferências, palestras e comunicações. A organização de seminários
é a forma mais usual de apresentar as discussões sobre determinado assunto
ou tema, sobretudo no meio acadêmico. O seminário também exige a
observação de alguns pontos fundamentais: seleção do tema, sua divisão em
tópicos, divisão de tarefas (coordenador, relator, secretário, comentador),
síntese das idéias, exposição do tema e discussão. O seminário é, também,
uma técnica de estudo, pois na sua elaboração, a pesquisa é fundamental.
Referências Bibliográficas
OLIVEIRA, Jorge L. Texto técnico: guia de pesquisa e de redação.
Brasília: abcBSB, 2003.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São
61

Paulo: Cortez, 1996.


VASCONSELOS, Celso dos santos. Para onde vai o professor? Resgate
do professor como sujeito de transformação. 8. ed. São Paulo: Libertad, 2001.
Na próxia aula
Agora que você já compreendeu a linguagem acadêmica e como
elaborar uma série de textos científicos, vai perceber que não é tão complicado
realizar uma pesquisa científica. Porém, como vimos na aula 4, a pesquisa
científica exige rigor e planejamento e o projeto de pesquisa é o primeiro passo
para a sua realização. A seguir, veremos como elaborar um projeto de
pesquisa, quais seus principais elementos constitutivos e a sua utilidade.
62

____________________________________________________Aula 06
O projeto de pesquisa: normas de elaboração
Objetivo
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
• identificar os elementos básicos para estruturar um projeto de
pesquisa;
• elaborar um projeto de pesquisa.
Pré requisito
Como pré-requisito para esta aula, sugerimos que você leia o capítulo 4,
item 3, do livro Metodologia do trabalho científico, de Antonio Joaquim
Severino, cuja referência está relacionada no plano de ensino dessa disciplina.
A leitura desse capítulo é fundamental, pois nele você encontrará os principais
elementos que constituem um projeto de pesquisa. Reveja, também, o conceito
e as modalidades de pesquisa abordadas na aula 4. No sítio
<http://www.univille.br/ arquivos/2340_LV_Guiaprojeto_2006digital.pdf>, você
também encontrará um roteiro para construção de projetos de pesquisa.
Introdução
Como você já teve a oportunidade de aprender ao longo deste semestre,
a pesquisa é fator fundamental para a construção do conhecimento da
sociedade.
Muitas descobertas foram encontradas por mero acaso. Mas, mesmo
frente a esse “acaso”, havia, da parte do observador (pesquisador), um
propósito científico.
Podemos definir esse propósito como um projeto. Desde sua matrícula
nessa universidade ao que você deseja fazer depois de formado, a delimitação
de objetivos, metas e caminhos a serem seguidos estão contidos no seu
propósito de vida. Com as atividades acadêmicas não acontece de forma
diferente.
6.1 Ponto de partida
Há uma série de métodos que podem ser utilizados na pesquisa;
portanto, não há, evidentemente, regras fixas acerca da elaboração de um
projeto. O desenvolvimento de uma pesquisa está muito ligado ao estilo
pessoal de seus autores, bem como ao tipo de problema a ser resolvido.
Porém é preciso definir com clareza quais as etapas por que passará a
63

pesquisa, quais os recursos necessários para atingir os resultados e como tudo


isso se processará. Outro aspecto importante é a construção de um
planejamento detalhado, para que se possa acompanhar o andamento da
pesquisa e assim permitir avaliações parciais dentro do processo.
Ao iniciar a viagem rumo à pesquisa, será necessária a definição de um
“roteiro de viagem”, ou seja, um projeto de pesquisa. Um projeto de pesquisa
necessitará de elementos fundamentais, como: tema; revisão de literatura;
problema; seleção e delimitação do problema; hipóteses; objetivo geral e
específico; justificativa; metodologia; recursos; produção escrita do
planejamento; e bibliografia.
6.2 Definição do tema
O início da pesquisa surge de uma necessidade de resposta. No
emaranhado de dúvidas, você começa a deixar claro o que deseja alcançar.
Começa aí a definição do tema.
Segundo o professor Gil (2000), o tema ideal em uma pesquisa, isto é,
aquele cujo desenvolvimento tem maior probabilidade de alcançar bons
resultados, deve atender a três critérios: atende ao gosto, à aptidão e ao tempo
do pesquisador, é relevante para uma sociedade, para uma ciência ou para a
escola, sobre ele é possível obter dados.
6.3 Revisão de literatura
Escolhido o tema, devem-se buscar as fontes bibliográficas a respeito do
assunto, para uma primeira análise exploratória e para familiarizar-se com o
assunto. Essa primeira leitura permitirá esclarecer os aspectos centrais e os
secundários na delimitação do assunto a ser pesquisado.
6.4 Problematização
O problema é o núcleo em torno do qual se desenvolve uma pesquisa.
Sem problema não há pesquisa. Mas, o que é um problema? Geralmente é
uma necessidade humana, transformada em uma pergunta, que deverá ser
respondida pela pesquisa. Por exemplo: atualmente o mundo passa por uma
epidemia de gripe aviária. Esse é um problema real para o qual uma pesquisa
deveria responder com eficácia a perguntas que ele suscita. As dúvidas da
pesquisa seriam: como o vírus passa das aves para os seres humanos?
Poderá haver transmissão de humanos para humanos? A formulação dessas
perguntas seria o problema a ser resolvido pela pesquisa.
64

Uma pesquisa pode ser problematizada também a partir de um interesse


intelectual. Por exemplo: qual a influência do conteúdo de uma música com
letra de duplo sentido na formação da personalidade de crianças e
adolescentes?
6.5 Seleção e delimitação do problema
Uma pesquisa pode levar em consideração duas abordagens de um
determinado problema: a extensão e a profundidade. A extensão privilegia uma
abordagem ampla do problema, levando em consideração seus vários
aspectos; a profundidade, por sua vez, procura investigar a fundo um dos
aspectos de um determinado problema, deixando de lado outros. Falando em
termos práticos, a seleção e delimitação irão escolher quais os aspectos
relevantes de um problema de pesquisa. Geralmente, deve-se escolher um
aspecto bem específico, para que dele se extraia o máximo em uma pesquisa.
6.6 Formulação de hipóteses
A hipótese é uma solução possível para um problema. É uma construção
intelectual a priori do autor da pesquisa, baseada em alguns conhecimentos a
respeito do assunto. O trabalho posterior da pesquisa será confirmar ou negar
a hipótese. Podem-se caracterizar as hipóteses como individuais e particulares,
pois se propõem resolver os problemas levantados na delimitação.
A hipótese é formulada pela junção da pergunta delimitada com o
conteúdo da resposta em uma única frase. Por exemplo, à pergunta “o vírus da
gripe aviária é transmitido entre seres humanos”? Segue-se a resposta “há
fortes indícios de que isto não seja possível”. A hipótese formulada seria: “não
há indícios de que a gripe aviária seja transmitida entre seres humanos”.
6.7 Formulação do objetivo geral
Nesta etapa, deverão ser apresentadas as expectativas do pesquisador,
em relação aos resultados de sua pesquisa. Por isso, esta etapa pode ser
considerada a espinha dorsal do projeto, porque deve apresentar claramente
aquilo que se pretende com a pesquisa. Deve delimitar quais os aspectos a
serem abordados na investigação, esses aspectos sempre são formulados pela
junção de duas partes: uma ação a ser aplicada a um conteúdo. Deve-se
sempre usar um verbo no infinitivo.
6.8 Formulação de objetivos específicos
Para resolver o problema proposto pelo objetivo geral, é necessário
65

subdividi-lo em objetivos específicos. Cada um dos objetivos específicos será


uma parte componente da redação final do texto. Portanto, é necessária a
organização dos objetivos específicos, atendendo a quatro momentos:
a) levantamento dos componentes do problema;
b) transformação de cada um dos aspectos em um objetivo;
c) verificação da suficiência dos objetivos específicos propostos;
d) escolha da melhor seqüência lógica.
Ao atender os elementos propostos anteriormente, você estará
expandindo o entendimento à problemática do projeto de pesquisa. A
construção dos objetivos específicos norteia a construção do texto do seu
projeto de pesquisa.
6.9 Escolha dos procedimentos de coleta de dados (metodologia)
Neste tópico, é importante listar as atividades práticas que serão
realizadas para a coleta dos dados com os quais serão formulados os
raciocínios. Portanto, cada procedimento deve ser planejado de acordo com
sua relação com os objetivos específicos.
Deve-se apontar como será feita a coleta dos dados, se pesquisa de
campo, experiência em laboratório ou pesquisa bibliográfica. É evidente que
isso fica a cargo das opções do pesquisador.
Ao longo de sua caminhada no seio universitário, você se depara com
inúmeras oportunidades de testar seus conhecimentos. O desenvolvimento de
uma pesquisa acadêmica necessita de um projeto de pesquisa, um roteiro
predeterminado que oriente o pesquisador durante a sua trajetória. Nesse
roteiro, destacam-se: a escolha do tema, a definição do problema, a justificativa
da pesquisa, seus objetivos e as possíveis conclusões.
6.10 Previsão dos recursos
Deve-se fazer a listagem dos recursos necessários para o
desenvolvimento dos procedimentos de pesquisa. É importante que, ao propor
uma determinada pesquisa, levem-se em conta os recursos já disponíveis para
a sua consecução.
Caso contrário, corre-se o risco de não se alcançarem os objetivos
propostos.
6.11 Produção escrita do planejamento
Todas as fases anteriores fazem parte do planejamento intelectual. É
66

necessário registrar por escrito todos os passos até aqui pensados e, de


preferência, pedir a outras pessoas que dêem um parecer a respeito para
detectar possíveis lacunas ou equívocos.
6.12 Bibliografia
A construção e execução de um projeto de pesquisa não surgem do
nada.
Pelo contrário, emanam da inquietação natural do ser em buscar
respostas.
Entretanto, ao longo da pesquisa e mesmo no início, podemos nos
“espelhar” em pesquisadores que já tenham tratado do assunto. Surge aí a
necessidade de citálos no projeto para dar sustentação científica ao que foi
proposto. Considera-se bibliografia materiais coletados em livros, revistas,
Internet, leis, anuários, jornais e uma vastidão de fontes de informação.
Síntese da aula
Como você viu nesta aula, o desenvolvimento de uma pesquisa
acadêmica necessita de um planejamento, um projeto de pesquisa, um roteiro
pré-determinado que o oriente, como pesquisador, durante a sua trajetória em
busca de conhecimento. Nesse roteiro, destacam-se: a escolha do tema, a
definição do problema, a justificativa pelo qual passa sua pesquisa, seus
objetivos e as possíveis conclusões. Assim, ao elaborar um projeto de pesquisa
você estará traçando o caminho que deseja seguir, para alcançar as respostas
que o levaram a inquietar-se sobre determinado fenômeno.
Referencias
GIL, Antonio C. Como elaborar projetos de pesquisa. São Paulo: Atlas,
2002.
MALDANER, Jair José et al. In: Caderno de conteúdos e atividades:
curso seqüencial em administração. Palmas, TO: UNITINS - EaD, 2005.
SEVERINO, Antonio Joaquim. Metodologia do trabalho científico. São
Paulo: Cortez, 2004.
Na próxima aula
Ao final de um curso de graduação, será exigido do acadêmico um
trabalho científico para demonstrar a aprendizagem alcançada ao longo do
período de estudo. A seguir, apresentaremos a você as informações
necessárias para a elaboração de trabalhos de conclusão de curso. Será
67

apresentado um roteiro sistematizado, para que você se norteie na época da


construção do seu trabalho de conclusão de curso. Existem várias modalidades
de trabalho de conclusão curso como papers, resumos, monografias, artigo
científico, TCC, etc. Das modalidades evidenciadas, abordaremos as duas
últimas.
68

____________________________________________________Aula 07
Artigo e TCC: normas de elaboração
Objetivo
Esperamos que, ao final desta aula, você seja capaz de:
• identificar os elementos constituintes do Trabalho de Conclusão de
Curso e do artigo científico;
• utilizar as normas da ABNT na elaboração de trabalhos acadêmicos.
Pré requisito
Você terá mais facilidade no acompanhamento desta aula, se for capaz
de operacionalizar os aplicativos de construção de texto disponíveis em micro
computadores, como Word e Open Office. No sítio <http://www.bu.ufsc.br/
ArtigoCientifico.pdf>, você encontrará um esquema de elaboração do artigo
científico que lhe dará subsídios para melhor compreender a aula. Da mesma
forma, no sítio
<http://www.unesc.net/intranet/index_camp.php?campanha=28>, o TCC é o
foco, e as normas de elaboração que lá se encontram o ajudarão, também, a
ter uma compreensão antecipada dos temas desta aula.
Introdução
Ao iniciar a elaboração de trabalhos acadêmicos – artigos, monografias,
teses e dissertações – para a conclusão do curso de graduação, pós-
graduação etc., o acadêmico deverá estruturar um “projeto de pesquisa”, visto
na aula 6. Para tal, deve ter em mente um “assunto” sobre o qual deseja
dissertar, assim como um orientador que aceitará as responsabilidades e
atribuições descritas nas normas para elaboração do trabalho de conclusão de
curso da Instituição na qual o aluno está matriculado.
Não há, ainda, uma norma rígida que defina exatamente como um
trabalho deve ser formatado na Universidade. A ABNT, contudo, possui uma
norma (NBR 14724) para apresentação de trabalhos acadêmicos
caracterizados como monografia, dissertação e tese. Nota-se que as normas
estão em constante revisão. Antes de formatar o material produzido, verifique
se há alterações na norma, bem como faça as adequações à estrutura
fornecida pela instituição em que você está estudando. Vamos, agora, observar
as normas da ABNT e, em seguida, os passos para a elaboração do TCC e do
artigo científico.
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7.1 O corpo do texto


Antes de apresentar os elementos do trabalho científico, é conveniente
mencionar os padrões para a formatação dos documentos. O papel a ser
utilizado para a digitação do texto é o A4. Na construção do trabalho,
recomenda-se usar fonte de tamanho 12 para o texto e tamanho 10 para
citações longas (destacadas no texto, conforme será visto a seguir) e notas de
rodapé. Usa-se fonte 14 para os títulos de capítulos. Os títulos que aparecem
na capa e folha de rosto não devem ultrapassar o tamanho 18.
Recomenda-se o uso de fonte Arial ou Times New Roman. O importante
é que a fonte escolhida seja de fácil visualização. As margens das páginas
obedecem ao seguinte padrão: superior: 3,0 cm, inferior: 2,0 cm, esquerda: 3,0
cm e direita: 2,0 cm. Observe a imagem:

Títulos e subtítulos de seção devem ser separados do texto precedente


e do sucedente por duas entrelinhas duplas.
Na paginação do documento, deve-se seguir uma regra simples: todas
as páginas, a partir da folha de rosto, devem ser contadas para a numeração
em algarismos arábicos, mas começa-se efetivamente a colocar a numeração
a partir da primeira página dos elementos textuais (introdução). No caso de o
trabalho ser constituído de mais de um volume, deve ser mantida uma única
seqüência numérica das folhas, do primeiro ao último volume. Havendo
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apêndice e anexo, as suas folhas devem ser enumeradas de maneira contínua


e sua paginação deve dar seguimento ao texto principal. A numeração é
colocada no canto superior direito da folha, a 2 cm da borda superior, ficando o
último algarismo a 2 cm da borda direita da folha (NBR 14724, item 5.4).
7.2 Componentes do trabalho acadêmico
Para a apresentação dos trabalhos acadêmicos, seja ele resumo,
resenha, relatório, etc., devemos observar três requisitos lógicos estruturados:
Introdução,
Desenvolvimento e Conclusão. Além deles, o autor deverá preparar uma
apresentação (elementos pré-textuais) e um fechamento (elementos pós-
textuais) de seu trabalho. Observe a figura a seguir:

Disponível em: <http://www.pedagogiaemfoco.pro.br/met07.htm>.


Acesso em: 16 nov. 2007.
Nela você encontra os elementos pré-textuais – capa, folha de rosto,
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folha de aprovação, dedicatória, agradecimento, epígrafe, resumo (em


português e em inglês) e sumário; o texto – introdução, desenvolvimento e
conclusão; e, por fim, os elementos pós-textuais – referências, glossário e
anexos ou apêndices.
Alguns desses elementos são opcionais, de acordo com as
necessidades – capa, dedicatória, agradecimento, epígrafe, glossário e anexos.
Outros são obrigatórios – folha de rosto, folha de aprovação, introdução,
desenvolvimento, conclusão e referências.
.3 Elementos pré-textuais
a) Capa: independentemente do nível do trabalho, a capa é obrigatória
em qualquer trabalho acadêmico, pois o identifica. Os elementos da capa são
os seguintes:
• nome da instituição em que o trabalho foi executado (opcional);
• título (e subtítulo, se houver) do trabalho;
• nome do autor;
• se houver mais de um volume, a especificação do respectivo volume;
• cidade e ano/semestre de conclusão do trabalho.
b) Folha de rosto: também conhecida como contra capa, contém
informações essenciais à identificação do trabalho e deve manter coerência de
forma com a capa. A folha de rosto deverá vir logo após a capa, mostrando seu
anverso e deve conter os seguintes elementos:
• as mesmas informações contidas na capa;
• as informações essenciais da origem do trabalho;
• o nome do autor ou dos autores do trabalho.
c) Folha de aprovação: elemento obrigatório da monografia e de outros
trabalhos a serem submetidos à aprovação. Deve vir após a folha de rosto e
deve conter os seguintes elementos:
• nome do autor;
• título (e subtítulo, se houver) do trabalho;
• natureza;
• objetivos;
• nome da instituição;
• área de concentração;
• data da aprovação;
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• nome, titulação, assinatura dos componentes da banca e as


instituições de que fazem parte.
d) Dedicatória: elemento opcional, que vem após a folha de aprovação.
Esse elemento é de cunho bastante pessoal e, de certa forma, mostra um
vínculo de relação íntima ou de apreço.
e) Agradecimento: representa a revelação de gratidão àqueles que
contribuíram na elaboração do trabalho. Também é um item dispensável;
portanto, não existe um elemento básico normatizado; sua elaboração
necessita de criatividade e imaginação.
f) Epígrafe: também opcional. É a citação de uma frase de algum autor
que expresse, de forma consistente, o conteúdo do trabalho. A localização fica
a critério da estética do autor do trabalho. Deve vir acompanhada do nome do
autor da frase. Pode estar localizada também nas folhas de abertura das
seções primárias.
g) Resumo em língua portuguesa: elemento obrigatório em monografias,
teses e artigos científicos. Consiste em uma apresentação sucinta do conteúdo
do trabalho, permitindo uma visão rápida, clara e geral desse conteúdo e das
conclusões a que o autor chegou ao realizá-lo. O resumo deve, portanto,
permitir que o leitor decida sobre a necessidade de consultar ou não o texto
Não possui título, sendo simplesmente indicado pela palavra resumo,
devidamente centralizada. Não é contado na numeração dos documentos.
h) Abstract ou resumo em língua estrangeira: obrigatório em artigos
científicos destinados à publicação em periódicos especializados.
i) Sumário: conforme NBR 6027, é o último elemento pré-textual de
caráter obrigatório. Consiste na numeração das principais divisões, seções e
outras partes do trabalho, com a indicação das respectivas páginas. As
divisões deverão ser elaboradas em números arábicos.
7.4 Elementos textuais
Os elementos textuais consistem no corpo do trabalho propriamente dito,
no qual o autor apresenta, desenvolve e conclui as idéias que constituem o
trabalho acadêmico apresentado. A matéria do trabalho é, portanto, exposta
pelo seu autor em três partes fundamentais: introdução, desenvolvimento e
conclusão. Essas três partes estão logicamente encadeadas: na introdução,
anuncia-se o que se pretende fazer; no desenvolvimento, a idéia anunciada na
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introdução é trabalhada sob a forma de capítulos. Na conclusão, resume-se o


que se alcançou e fecha-se o trabalho. Alguns autores defendem o uso do
termo Considerações Finais no lugar de conclusão. Veja, no sumário deste
caderno, o que destacamos neste parágrafo.
A introdução visa a contextualizar o trabalho acadêmico (discorre sobre
que tipo de trabalho foi realizado, sua área do conhecimento e tema abordado);
apresentar o problema de pesquisa, cuja investigação e solução foram tratadas
ao longo do estudo; definir seus objetivos (geral e específicos) e limitações
(essas são opcionais); delinear o quadro teórico no qual o trabalho foi
desenvolvido; bem como apresentar uma indicação de sua importância ou
relevância, ou seja, em linhas gerais, a introdução pode ser considerada como
uma espécie de apresentação do trabalho. Não existe nenhum padrão em
termos de número de páginas, devendo a introdução ser elaborada de maneira
equilibrada em relação ao conteúdo do trabalho (ou seja, trabalhos muito curtos
não devem ser antecedidos por uma introdução muito longa. Geralmente, os
professores estipulam seu limite conforme a necessidade do trabalho
solicitado).
O desenvolvimento do trabalho é composto por tantos capítulos ou
subtítulos quantos se fizerem necessários para a solução do problema da
pesquisa ou trabalho. A grande maioria dos trabalhos acadêmicos exigirá a
apresentação de um referencia teórico, ou seja, uma revisão da literatura a
respeito do tema do trabalho, que pode ser dividido em tantos capítulos
quantos se fizerem necessários.
Outro assunto a ser tratado refere-se às metodologias, nas quais o autor
classifica o trabalho de acordo com critérios previamente definidos e apresenta
os métodos e técnicas utilizadas para a coleta, análise e tratamento dos dados
da pesquisa. Mais elementos podem ser agregados de acordo com as
necessidades do trabalho. Em relação à apresentação dos capítulos do
desenvolvimento, é preciso lembrar que cada capítulo inicia uma nova página,
e que os capítulos podem ser divididos em seções. A numeração dos capítulos
e seções é progressiva e utiliza algarismos romanos ou arábicos, de acordo
com o critério estabelecido pelo autor. A numeração dos títulos deve ir até três
algarismos
(1.1.1, por exemplo), não sendo aconselhável ir além disso.
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A conclusão ou considerações finais consiste em um fechamento do


trabalho, em que os principais aspectos abordados são recapitulados
resumidamente, e as recomendações feitas são apresentadas sinteticamente.
Aconselha-se evitar apresentar questões que sejam polêmicas ou controversas
na conclusão, expondo somente os aspectos que possam ser considerados
aceitáveis sem maiores discussões.
A conclusão do trabalho também pode apontar possibilidades de estudos
mais profundos ou outros problemas que possam vir a ser objeto de análise
pelo autor ou por outros pesquisadores, bem como as limitações do estudo
desenvolvido, caso não tenham sido apresentadas na introdução.
A NBR 14724/02 considera opcionais os aspectos referentes à
importância, síntese, projeção, repercussão e encaminhamentos futuros de
trabalho na conclusão. Um aspecto que não pode ser esquecido: conclusões
não podem introduzir elementos novos no trabalho. Mesmo que corram o risco
de ser repetitivas, as conclusões devem apenas trazer o que já foi tratado no
trabalho.
7.5 Elementos pós-textuais
Os elementos pós-textuais são, na maior parte, elementos opcionais e
constituem-se de todos aqueles documentos, cuja apresentação é considerada,
pelo autor, como importante para a compreensão do trabalho, mas não tão
fundamentais que exijam sua colocação ao longo do desenvolvimento do
mesmo.
a) Referências: são conhecidas até a revisão de 2000 da NBR 6023
como referências bibliográficas. O título mais geral se deve ao fato de que, hoje
em dia, existem muito mais opções de obras que podem ser usadas como
referências, não somente os livros e textos impressos. As referências
consistem em uma listagem das obras consultadas e citadas ao longo do
trabalho, apresentadas de acordo com os padrões definidos pela NBR 6023/02,
permitindo ao leitor identificar e consultar as fontes originais sobre as quais se
baseou o trabalho. Veja exemplo no índice de referências bibliográficas, no
início deste caderno de textos e atividades.
b) Glossário: apresenta palavras e expressões técnicas de uso restrito
ou de sentido obscuro, seguido de suas definições. As palavras devem ser
apresentadas em ordem alfabética, não devendo ser enumeradas.
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c) Apêndices: apresentam textos ou documentos elaborados pelo próprio


autor do trabalho e complementam a argumentação desenvolvida por ele. São
identificados pela expressão APÊNDICES, por letras maiúsculas consecutivas
e por um travessão separando-os do título.
d) Anexos: são documentos não elaborados pelo autor e usados para
fundamentar, comprovar ou ilustrar a argumentação dele. Seu sistema de
identificação é semelhante ao dos apêndices.
7.6 Citações em documentos: definições e regras gerais ABNT/
NBR-10520
Citação é a menção, durante a escrita do texto, de uma informação
colhida em outra fonte. Pode ser direta, indireta e citação da citação.
a) Citação direta: compreende a citação textual de conceitos de um autor
consultado. Ex.: de acordo com as conclusões de Mattar (2003, p. 169),
“o prefácio é o primeiro elemento textual discursivo do trabalho [...]”.
Dessa forma, indicamos citações breves. Quando a citação é longa,
devemos fazê-la em outra linha, com recuo de 4 cm da margem, na fonte 10 e
sem aspas.

b) Citação indireta: compreende a transcrição livre do autor consultado.


As citações indiretas ou parafraseadas dispensam o uso das aspas duplas e do
número de páginas.

c) Citação da citação: configura-se em uma citação direta ou indireta de


um texto ao qual não se teve acesso no original.
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Agora que você já conhece as normas técnicas da ABNT para a


formatação do trabalho acadêmico, deve observar que essas regras variam de
tempos em tempos. É preciso estar atento a essas mudanças e, também, à
maneira como a sua Instituição de Ensino utiliza as normas de formatação.
7.7 O que é um Trabalho de Conclusão de Curso?
O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) constitui-se em uma atividade
acadêmica que visa à sistematização do conhecimento sobre um objeto de
estudo ou problemas relacionados com o curso dos acadêmicos, desenvolvido
mediante controle, orientação e avaliação de um orientador. O TCC pode ser
de natureza prática ou teórica; inovador em que pese a coleta e aplicação de
dados bem como a sua execução ou, ainda, constitui de ampliações de
trabalhos já existentes em que a idéia central será contestada ou aprofundada.
O TCC poderá ser apresentado da seguinte forma:
a) por meio de um artigo sintético para ser publicado em algum
periódico;
b) por meio de uma monografia com objetivos acadêmicos (monografia
de conclusão de curso), e de pós-graduação Lato Sensu, dissertação de
mestrado ou tese de doutorado;
c) na forma de um livro;
d) em apresentação oral.
Entre os TCCs mais usais, destacam-se aqueles exigidos para obtenção
de graus universitários Stricto Sensu, a saber, dissertação de mestrado e tese
de doutorado; para a conclusão de cursos de especialização (Lato Sensu), ou
ainda para a conclusão de curso de graduação. É comum a apresentação de
trabalhos acadêmicos também monográficos, muitas vezes chamados
simplesmente de monografias (monos = um só e graphien = escrever).
Na construção do TCC, deve ser aceitável que o acadêmico apresente
um texto que verse sobre partes de uma elaboração científica plena, tais como
uma pesquisa bibliográfica, uma pesquisa empírica, um projeto de viabilidade,
um estudo de caso, ou uma proposta ou avaliação de intervenção
organizacional, entre outras possibilidades.
77

7.7.1 Como escolher um assunto ou tema?


Para se chegar à elaboração do TCC, pressupõe-se que já se tenha
definido uma idéia, um tema ou assunto, sobre o qual será centrada a
investigação.
Desde o início do TCC, deve-se buscar harmonia com o orientador da
pesquisa. Para o sucesso da pesquisa, é conveniente levar em consideração o
interesse, preferências pessoais, formação e conhecimentos prévios do
acadêmico, bem como originalidade e utilidade do tema. A opinião, o
conhecimento e a experiência do orientador do TCC também devem ser
levadas em consideração.
O assunto ou tema do TCC pode surgir de situações pessoais, sociais,
ou profissionais. O interesse do acadêmico por um tema que mereça ser
desenvolvido na forma de monografia, surge das mais diferentes maneiras,
entre elas:
a) interesses pessoais, experiência, ou indagação própria;
b) em função de seu trabalho;
c) momento profissional em que se encontra (mudança de emprego, por
exemplo);
d) leitura de outras obras, tais como livros e artigos de revistas
especializadas de sua área de interesse;
e) consultas a catálogos de teses, dissertações e monografias em geral,
disponibilizadas de forma convencional nas bibliotecas e via Internet;
f) troca de mensagens via Internet;
g) informações e dados obtidos em home pages/sites da Internet, sobre
livros e demais publicações disponibilizados por sites, livrarias, ou bibliotecas
acadêmicas on-line; entre outras.
Recomenda-se que o assunto, uma vez escolhido, seja delimitado para
que se possa aprofundar e aprimorar conhecimentos, aplicáveis a um pequeno
conjunto de fatores ou variáveis que compõem o campo de estudo abordado.
Ou seja: é preferível escrever de forma detalhada e consistente sobre poucas
coisas do que falar genericamente sobre muitas coisas.
7.7.2 Escolha de um assunto ou tema
Agora que você já possui as noções básicas para construir seu Trabalho
de Conclusão de Curso, gostaríamos de sugerir um modelo de fluxograma para
78

facilitar sua tarefa. Este modelo foi adaptado do livro Como fazer uma
monografia, escrito pelo professor Délcio Vieira Salomon:

Apesar de o fluxograma ser auto-explicativo, será oportuno destacar


que:
• pesquisa empírica: é a pesquisa dedicada à análise experimental de
dados da realidade;
• pesquisa não empírica: é o raciocínio, o processamento da informação;
• pesquisa bibliográfica: momento de coleta de informações relevantes
ao tema do TCC em livros, CD-ROM, sites, revistas e demais meios de
publicação. Note que toda pesquisa requer levantamento bibliográfico para
conhecer o que se pesquisou sobre o assunto;
• documentação: é a fase em que as informações coletadas na
diferentes etapas da pesquisa são registradas para balizar a construção do
saber na elaboração do TCC;
• crítica à documentação: nem todo material produzido deverá ser levado
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a público na construção do saber. É a fase da crítica da documentação que irá


possibilitar a depuração da informação apreendida;
• redação e construção: é a fase de finalização de todo o trabalho de
pesquisa e levantamento de dados. Nessa fase, as idéias são ordenadas em
títulos, capítulos, gráficos, figuras, etc.
7.7.3 Sobre a revisão bibliográfica
Para a construção dos trabalhos de conclusão de curso, faz-se
necessária a revisão bibliográfica, ou fundamentação teórica do problema a ser
investigado.
Assim, identificada a problemática do trabalho, deve-se efetuar uma
pesquisa criteriosa sobre os diversos autores que abordaram, efetivamente, tal
temática.
Essa pesquisa não se limita aos autores clássicos, devendo ser
estendida às teses e dissertações de mestrado e doutorado, bem como às
revistas técnicas e científicas, artigos de jornais e outros periódicos. A partir da
identificação desses autores, efetua-se um apanhado acerca dos limites
investigados por cada um dos autores pesquisados, apontando-se suas
conclusões, críticas e observações gerais.
Para o registro da bibliografia pesquisada, a formatação espacial está
normatizada na NBR 6023 de agosto de 2002. O arranjo das referências
deverá estar de acordo com o sistema chamado autor-data (em ordem
alfabética) ou numérica (em ordem numérica, como aparece no texto). Veja
alguns exemplos.
a) Quando a referência for de apenas um autor FREIRE, Gilberto. Casa
Grande & Senzala: formação da família brasileira sob o regime de economia
patriarcal. Rio de Janeiro: J. Olympo, 1943
b) Quando a referência for de vários autores COELHO, Aline Martins;
REIS, Graziela; OTSUKA, José Kasuo. In: Caderno de conteúdos e atividades:
curso seqüencial em fundamentos e práticas judiciárias UNITINS EaD. Palmas,
TO, 2005.
c) Quando a referência for de várias obras do mesmo autor citadas no
mesmo trabalho
FREIRE, Gilberto. Casa Grande & Senzala: formação da família
brasileira sob o regime de economia patriarcal. Rio de Janeiro: J. Olympo,
80

1943. v. 2.
______. Sobrados e mucambos: decadência do patriarcado rural no
Brasil. São Paulo: Nacional, 1936.
A forma como o texto do trabalho de conclusão de curso vai ser
estruturado já foi estabelecida anteriormente com relação às normas da ABNT.
7.8 O Artigo Científico
“Artigo científico é parte de uma publicação com autoria declarada, que
apresenta e discute idéias, métodos, técnicas, processos e resultados nas
diversas áreas do conhecimento” (ABNT. NBR 6022, 2003, p. 2). A extensão de
cada artigo deverá ser de, no máximo, 20 (vinte) páginas, incluindo referências,
ilustrações, gráficos, mapas e tabelas e deve obedecer à estrutura que
apresentaremos agora.
a) Identificação no alto da página incluindo • título do artigo – deve ser
claro e objetivo, podendo ser completado por um subtítulo;
• nome(s) do(s) autor(es) – titulação máxima, instituição à qual se
vincula, e-mail (opcional), em nota de rodapé.
b) Resumo
É a apresentação sintetizada dos pontos principais do texto, destacando
os aspectos de maior interesse e importância. O resumo deve apresentar, de
forma concisa, os objetivos, a metodologia e os resultados alcançados, não
ultrapassando 250 palavras. Não deve conter citações. “Deve ser constituído
de uma seqüência de frases concisas e não de uma simples numeração de
tópicos. Deve-se usar o verbo na voz ativa e na terceira pessoa do singular”
(ABNT. NBR 6028, 2003, p. 2). Deve, ainda, ser redigido em um único
parágrafo.
c) Palavras-chave
São descritores, que identificam o conteúdo do artigo. O número de
descritores desejado é de no mínimo três e, no máximo, cinco.
Observação: o resumo (abstract) e as palavras-chave (keywords) em
língua estrangeira moderna (inglês) devem obedecer aos mesmos padrões de
exigência em língua portuguesa.
d) Corpo do texto
O texto deve ser dividido em três partes:
• introdução: é nesse momento que serão apresentados conceitos
81

básicos, pontos de vista, uma breve justificativa abordando a escolha do tema


e destacando sua elevância para o que virá a seguir no bojo do texto. É por
meio da introdução que o leitor será “seduzido” a continuar lendo o texto;
• desenvolvimento: nele está o cerne de todo o trabalho. Será nesta
etapa que os pressupostos enunciados na introdução serão concretizados;
• considerações finais: utilizar citações somente quando forem
indispensáveis para embasar o estudo.
e) Referências
Devem ser organizadas e apresentadas em ordem alfabética, de acordo
com o sobrenome do primeiro autor. Dessa forma, somente as citações que
figuram no texto devem ser referenciadas. Para elaboração das referências,
deve ser observada a norma NBR 6023 da ABNT, 2002.
f) Anexos e/ou apêndices
Não obrigatórios no conjunto do trabalho, mas evidenciam pontos de
referências ao logo do texto, complementam pontos de vista. Nesta etapa, opte
por incluir informações que são imprescindíveis para o entendimento dos
objetivos propostos ao longo da previsão do trabalho.
As formas de elaboração do projeto de pesquisa, do TCC e do artigo
científico apresentadas nesta aula são um padrão, um modelo legitimado por
diversos autores. Porém cada Instituição de Ensino Superior (IES) pode adotar
normas próprias de elaboração do trabalho acadêmico, mantendo algumas
etapas que estão presentes aqui e elegendo outras que, porventura, podem
não estar presentes. Mais uma vez você deve estar atento ao que a instituição
adotou como modelo.
Síntese da aula
Na nossa última aula, após compreender o que é conhecimento e suas
modalidades e perceber que o conhecimento científico é aquele característico
da sociedade moderna, você observou como, depois de cursar uma graduação,
precisa apresentar como pré-requisito, para diplomar-se, um trabalho de
conclusão de curso, que pode ser um TCC, um artigo e, em muitas instituições,
um projeto de pesquisa. Observou, também, que esses trabalhos científicos
devem ser formatados segundo as normas da Associação Brasileira de Normas
técnicas (ABNT), bem como as disposições reguladas pela instituição em que
você estuda. Portanto, os TCCs e os artigos científicos são trabalhos que o
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levam à rotina de pesquisa e aprimoramento em assuntos pontuais inerentes


ao curso em conclusão. Todo saber aprendido e apreendido durante a carreira
universitária é colocado à prova durante a elaboração do TCC
Referências
MÁTTAR NETO, João Augusto. Metodologia científica na era da
informática. São Paulo: Saraiva, 2003.
SALOMON, Délcio Vieira. Como fazer uma monografia. São Paulo:
Martins Fontes, 1999.