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GUIA DE

APLICAÇÃO DE
SOFT-STARTERS
2ª EDIÇÃO

WEG AUTOMAÇÃO
www.weg.com.br
AUTORIA
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AUTORIA

AUTORIA:

“Este ‘Guia de Soft-Starter’ foi


escrito pelo Tecnólogo Rogério Ferraz, a
quem coube a coordenação do trabalho e
a criação dos capítulos 1, 4, 5, 6, 7, 8 e
anexo II, e pelo Engº. Enivaldo C. do
Nascimento que atuou na criação do
capítulo 4.
Os capítulos 2 e 3 e os anexos I e
III foram revisados pelos autores a partir
do Guia do Inversores de Freqüência da
Weg.”
ÍNDICE 2ª EDIÇÃO

1
INTRODUÇÃO 1.1 Métodos de partida de motores ______________ 12
1.2 Métodos tradicionais de partida de motores ____ 12
1.2.1 Partida de motores com embreagens ____ 13
1.2.2 Transmissão hidráulica ________________ 13
1.2.3 Acoplamento hidrálico ________________ 13
1.2.4 Motor de anéis _______________________ 15
1.2.5 Inversor de Freqüência como um
método de partida ____________________ 16
2
COMO FUNCIONA UM 2.1 Princípíos básicos de funcionamento __________ 21
2.2 Análise de funcionamento ___________________ 26
MOTOR DE INDUÇÃO?
2.3 Curvas características de motor de indução ____ 28
2.3.1 Torque x Velocidade ___________________ 28
2.3.2 Corrente x Velocidade _________________ 29
2.4 Potência e perdas __________________________ 29
2.5 Características de temperatura - classes de
isolamento térmico _________________________ 30
2.6 Tempo de rotor bloqueado ___________________ 31
3
3.1 Categorias de partida _______________________ 35
MÉTODOS DE COMANDO
3.2 Formas de partida__________________________ 36
DE UM MOTOR DE . Partida direta ____________________________ 36
INDUÇÃO . Partida estrela-triângulo ___________________ 37
. Partida eletrônica (soft-starter)______________ 38
. Partida série-paralelo ______________________ 39
. Partida compensadora _____________________ 41
3.3 Frenagem _________________________________ 43
3.3.1 Frenagem por contra-corrente __________ 43
3.3.2 Frenagem por injeção de corrente
contínua (CC) ________________________ 44
3.4 Vantagens e desvantagens dos métodos de
partida ___________________________________ 45
. Partida direta ____________________________ 45
. Estrela-triângulo __________________________ 46
. Soft-starter ______________________________ 46
. Partida série-paralelo ______________________ 46
. Partida compensadora _____________________ 47
3.5 NBR-5410 referente a partida com corrente
reduzida __________________________________ 48
4
SOFT-STARTER 4.1 Introdução ________________________________ 53
4.1.1 Semicondutores e componentes
eletrônicos __________________________ 53
4.1.2 A característica mais marcante dos
tiristores ____________________________ 54
4.1.3 Introdução às válvulas de descarga
a gás _______________________________ 54
4.1.4 Thyratron ____________________________ 56
4.1.5 SCR (Silicon Controlled Rectifier) ________57
4.1.6 Entendendo o disparo do SCR ___________ 59
4.2 Princípio de funcionamento da Soft-Starter _____ 65
. Circuito de potência ________________________ 66
. Circuito de controle ________________________ 68
4.3 Principais características _____________________ 68
4.3.1 Principais funções _____________________ 69
. Rampa de tensão na aceleração ________69
. Rampa de tensão na desaceleração _____ 70
. Kick Start ___________________________71
. Limitação de corrente _________________ 72
. Pump control ________________________ 73
. Economia de energia _________________ 74
4.3.2 Proteções ____________________________ 75
4.3.3 Acionamentos típicos __________________ 75
. Básico / Convencional_________________ 76
. Inversão de sentido de giro ____________77
. Frenagem por injeção de CC ___________ 78
. By-pass _____________________________79
. Multimotores / Cascata ________________80
5
PARÂMETROS DA 5.1 Parâmetros de leitura ________________________ 84
5.2 Parâmetros de regulação _____________________ 86
SOFT-STARTER 5.3 Parâmetros de configuração __________________ 94
5.4 Parâmetros do motor ______________________ 102
5.5 Erros e possíveis causas ____________________ 105
6
DIMENSIONAMENTO DO 6.1 Introdução _______________________________ 111
6.1.1 Definições __________________________ 111
CONJUNTO MOTOR + 6.1.2 Relações básicas ____________________ 112
SOFT-STARTER 6.2 Interação entre processo, máquina, motor e
acionamento _____________________________ 116
6.2.1 A importância do processo/máquina ___ 116
6.2.2 Aplicação de acionamentos elétricos -
problemas típicos ___________________ 118
6.3 O que a carga requer ______________________ 119
6.3.1 Tipos de cargas _____________________ 119
6.3.2 O pico da carga _____________________ 121
6.3.3 Estimando cargas ___________________ 122
6.4 Seleção de acionamentos (motor/Soft-Starter) _ 123
6.4.1 Categorias AC53a e AC53b ____________ 123
6.4.2 Capacidade térmica da Soft-Starter ____ 124
6.4.3 Corrente RMS num ciclo (IRMS ) _________ 125
6.4.4 Casos especiais _____________________ 129
. Efeito da temperatura ambiente ______ 129
. Efeito da altitude ___________________ 130
6.4.5 Tempo de rotor bloqueado do motor ____ 131
6.4.6 Tempo de aceleração_________________ 132
6.5 Afundamento de tensão ou queda de tensão
momentânea (Voltage Sag / Voltage Dip) _____ 141
6.5.1 Conseqüências de uma queda de tensão
momentânea _______________________ 145
6.5.2 Comentários sobre soluções contra
queda de tensão momentânea_________ 146
6.5.3 Capacidade relativa da rede de
alimentação ________________________ 148
6.5.4 Comentários sobre a queda de tensão e
a influência na partida do motor _______ 158
6.6 Aplicações típicas _________________________ 160
6.6.1 Máquinas com partidas leves __________ 161
6.6.2 Máquinas com partidas severas _______ 165
6.7 Regras práticas de dimensionamento ________ 173

7
7.1 Introdução _______________________________ 179
INSTALAÇÃO DA 7.2 Ligação padrão, entre a rede e o motor _______ 180
SOFT-STARTER 7.2.1 Chave seccionadora _________________ 181
7.2.2 Fusíveis ou disjuntor _________________ 181
7.2.3 Contator ___________________________ 181
7.2.4 Fiações de controle e interface
Homem-Máquina (IHM) ______________ 181
7.2.5 Correção de fator de potência _________ 182
7.2.6 Aterramento ________________________ 182
7.3 Ligação dentro do delta do motor ___________ 183
7.3.1 Introdução _________________________ 183
7.3.2 Exemplo de ligação com SSW-03 Plus
dentro da ligação delta do motor ______ 185
7.3.3 Ligação de terminais de motores com
tensões múltiplas ____________________ 188
7.3.4 Possibilidades de ligação da SSW-03 Plus
em função do fechamento do motor ____ 191
7.4 SSW-05 (Micro Soft-Starter) ________________ 193
7.5 Ligação da SMV-01 (Soft-Starter para Média
Tensão) __________________________________ 196
8
LINHAS DE 8.1 Introdução _______________________________ 199
8.2 SSW-03 e SSW-04 _________________________ 199
SOFT-STARTER WEG . Benefícios ______________________________ 200
. Principais aplicações _____________________ 200
. Interface Homem-Máquina ________________ 201
. Tipo de ligação (Soft-Starter ––> motor) ____ 202
. Acionamentos típicos _____________________ 203
. Acessórios e periféricos ___________________ 204
. Funções principais _______________________ 206
. Dimensões e pesos _______________________ 207
. Tabela de especificação SSW-04 ____________ 208
. Tabela de especificação SSW-03 Plus ________ 209
. Especificação SSW-04 ____________________ 209
. Características técnicas SSW-03 e SSW-04 ___ 210
. Codificação _____________________________ 211

8.3 SSW-05 __________________________________ 212


. Benefícios ______________________________ 212
. Algumas aplicações ______________________ 213
. Esquema de ligação ______________________ 213
. Interface Homem-Máquina ________________ 214
. Tabela de especificação SSW-05 ____________ 216
. Dimensões ______________________________ 217
. Características técnicas da SSW-05
. Codificação - exemplo de utilização ________ 218
8.4 SSW-06 __________________________________ 219
. Benefícios ______________________________ 219
. Principais aplicações _____________________ 220
. Interface Homem-máquina ________________ 221
. Interface inteligente ______________________ 221
. Idioma selecionável ______________________ 221
. Função “Copy” __________________________ 222
. Funções do teclado ______________________ 223
. Tipos de ligação _________________________ 224
. Funções principais _______________________ 225
. Acessórios e periféricos ___________________ 226
. Dimensões e peso ________________________ 227
. Tabela de especificação SSW-06 ____________ 228
. Características técnicas ___________________ 229
. Codificação _____________________________ 230
8.5 SMV-01 _________________________________ 231
. Características gerais _____________________ 232
. Modelos ________________________________ 233
. Características técnicas ___________________ 234
ANEXO 1
CÁLCULO DO MOMENTO 1. Momento de inércia de formas simples _______ 237
2. Teorema dos eixos paralelos ________________ 239
DE INÉRCIA DE MASSA
3. Momento de inércia de formas compostas ____ 240
4. Momento de inércia de corpos que se movem
linearmente ______________________________ 241
5. Transmissão mecânica _____________________ 241
6. Exemplos de cálculos de momento de inércia
de massa ________________________________ 242
6.1 Cálculo do momento de inércia de massa 242
6.2 Cálculo do momento de inércia total ___ 243
ANEXO 2
SOFTWARE DE 1. Introdução _______________________________ 247
2. Como acessar ____________________________ 248
DIMENSIONAMENTO 3. Como usar _______________________________ 249
WEG - SDW 4. Limite de responsabilidade pelo uso do
software SDW ____________________________ 272
ANEXO 3
CHECK-LIST PARA DETA- Soft-Starter
Folha de dados para dimensionamento ___________ 275
LHAMENTO DA APLICAÇÃO
- SOFT-STARTER
Referências Bibliográficas ______________________ 277
Comentários__________________________________ 279
1
INTRODUÇÃO

1.1 Métodos de partida de motores

1.2 Métodos tradicionais de partida de


motores
1.2.1 Partida de motores com embreagens
1.2.2 Transmissão hidráulica
1.2.3 Acoplamento hidráulico
1.2.4 Motor de anéis
1.2.5 Inversor de Freqüência como um método de partida
1 INTRODUÇÃO

É recorrente no desenvolvimento de nossa sociedade a


necessidade de acelerar, manter em movimento e
parar máquinas.

Seja através de tração animal, sejam monjolos, moinhos


de vento ou vapor, foram várias as soluções de que
nossos precursores lançaram mão para obter maior
conforto, maior segurança. e para atingir melhores
resultados em suas atividades.

Figura 1.1 - Moinho de Vento

O atual estado de desenvolvimento dos acionamentos


elétricos concentra o resultado de um longo período de
tentativas e descobertas, em diversas áreas do
conhecimento, para movimentar nossas máquinas cada
vez mais sofisticadas e exigentes.

A Soft-Starter hoje já é uma alternativa plenamente


consolidada para partidas e paradas de motores
trifásicos de indução. A evolução dos processos e
máquinas criou um ambiente propício ao acionamento
suave, controlado e com múltiplos recursos
disponibilizados pelo controle digital.

Indo além, há uma maior consciência de que nossos


recursos exigem conservação cuidadosa, o que faz da
Soft-Starter um equipamento em sintonia com o
cenário energético atual, colaborando para o uso
racional de nossas instalações.

Temos a satisfação de reconhecer que o Brasil está


muito bem representado nesta área por uma empresa
nacional cujo nome já é sinônimo de qualidade nos
cinco continentes, a Weg.

Estamos certos de que este guia será de grande valia


para os técnicos, engenheiros e empreendedores que,

11
1 INTRODUÇÃO

conosco, trabalham para construir um futuro à altura


das potencialidades do nosso país. Já é possível ver este
futuro.

1.1 MÉTODOS DE Conforme veremos no capítulo 2 (Funcionamento do


PARTIDA DE motor de indução), picos de corrente e torque são
MOTORES intrínsecos à partida com plena tensão do motor
trifásico.

Na prática, muitas vezes deseja-se limitar o valor da


corrente que será drenada da rede de alimentação a
fim de evitar:
1) distúrbios na rede ou
2) aumento da demanda de energia elétrica.

No caso dos distúrbios na rede, o objetivo é reduzir a


queda de tensão (ou mesmo a sua interrupção). No
caso do aumento da demanda, deseja-se atender
limites definidos junto às concessionárias de energia
elétrica, uma vez que o não atendimento destes limites
é punido com a cobrança tarifas elevadas.

Embora, invariavelmente a redução da corrente seja


acompanhada de uma redução do torque no motor,
nem sempre esta redução de torque é tida como
prejudicial. Na verdade este é um dos aspectos que
precisam ser cuidadosamente ponderados a fim de
obter-se o melhor dimensionamento do conjunto motor
+ sistema de partida.

1.2 MÉTODOS Podemos agrupar os métodos de partida de motores


TRADICIONAIS DE trifásicos conforme segue:
PARTIDA DE 1) Aqueles em que a tensão aplicada ao motor é a
MOTORES
tensão plena da rede (partida direta)
2) Aqueles em que a tensão aplicada ao motor é a
tensão plena, entretanto a ligação das bobinas do
motor leva a uma tensão menor em cada bobina
(chaves estrela- triângulo e série- paralela)
3) Aqueles em que a tensão aplicada ao motor é
efetivamente reduzida (chaves compensadoras e
Soft-Starter)

Os itens acima são abordados em maior profundidade


nos capítulos seguintes.
12
1 INTRODUÇÃO

1.2.1 Partida de motores O objetivo básico que leva a utilização de embreagens


com embreagens é permitir que durante a aceleração de motores
assíncronos a partida se dê praticamente a vazio e a
corrente de partida tenha uma duração mínima, com
vantagens para a rede de alimentação e para o motor.

Por outro lado o motor poderá atingir seu conjugado


máximo em processo momentâneo de desaceleração
(durante o acoplamento da embreagem), enquanto nos
outros métodos este conjugado máximo será atingido
em plena aceleração.

A necessidade de manutenção e maior complexidade


de montagem do conjunto mecânico são algumas das
restrições do uso de embreagens.

1.2.2 Transmissão Em um sistema de transmissão hidráulica, a energia é


hidráulica transferida empregando-se um fluído para controlar
um movimento linear ou um eixo de saída.

Há dois tipos principais de transmissão hidráulica:


1) hidrocinéticos (como acoplamentos hidráulicos),
que utilizam a energia cinética de um fluído
2) hidrostáticos, que utilizam a energia de pressão do
fluído.

O princípio de funcionamento do acoplamento


1.2.3 Acoplamento hidráulico pode ser explicado por analogia com um
Hidráulico sistema de bombeamento. Neste sistema uma bomba
centrífuga de óleo (“parte motora”) é acionada por um
motor elétrico. Uma turbina (“parte movida”), cujo eixo
aciona a máquina, é acionada através do óleo
movimentado pela bomba.

Tanto a “parte motora” quanto a “parte movida”


compartilham um mesmo invólucro, sem conexão
mecânica entre elas. A energia é transmitida pelo
fluído (óleo) entre as partes.

Desde o início do movimento do motor há uma


tendência de movimento da “parte movida“ (eixo que
aciona a máquina). Quando o conjugado transmitido ao
eixo que aciona a máquina se igualar ao conjugado
resistente inicia-se a aceleração da máquina.

13
1 INTRODUÇÃO

Este é um método de partida historicamente associado


a partida de cargas com inércia elevada, como moinhos
ou transportadores.

O gráfico a seguir ilustra a evolução do torque no eixo


de saída do acoplamento.

Figura 1.2 - O acoplamento hidráulico segue o princípio das máquinas


centrífugas: o torque transmitido ao eixo de saída é proporcional ao
quadrado da velocidade

Fisicamente, instala-se o acoplamento hidráulico entre


o motor e a máquina

Figura 1.3 - Exemplo de acoplamento hidráulico com montagem por


polias

O acoplamento hidráulico necessita de manutenção


para checagem do nível e carga de óleo, o que pode se
tornar um procedimento mais ou menos difícil em
função da montagem (com polias, axial ao eixo do
motor, com redutores, etc).

14
1 INTRODUÇÃO

Manutenção inadequada ou vazamento do óleo podem


causar danos no sistema.

1.2.4 Motor de Anéis Os motores de anéis caracterizam-se pela capacidade


de alteração das curvas de conjugado e corrente
através da inserção de resistências externas ao circuito
rotórico do motor.

Figura 1.4 - Exemplo de circuito de força de motor de anéis

15
1 INTRODUÇÃO

Esta alteração das curvas do motor tornaram o uso do


motor de anéis bastante conveniente para aceleração
de máquinas com alto conjugado resistente em baixas
rotações, como pode-se observar na figura abaixo.

Figura 1.5 - Partida com motor de anéis. A inserção dos devidos


resistores no circuito rotórico leva o torque máximo do motor ao instante
inicial de partida.

O motor de anéis também encontrou aplicação em


máquinas que necessitam de alguma variação de
velocidade e redução na corrente de partida.

Entretanto, o uso de Inversores de Freqüência tem


levado os motores de anéis a fazer parte apenas de
situações muito específicas.

Vale lembrar que o uso de Inversores para partidas de


cargas com alto conjugado de partida merece cuidado
particular de dimensionamento. Deve-se levar em
conta o ciclo de operação e a corrente solicitada com
Inversor no dimensionamento “térmico” do conjunto
motor + inversor.

1.2.5 Inversor de Embora a principal função do Inversor de Freqüência


Freqüência como um seja a variação de velocidade, não é possível deixar de
Método de Partida lado suas virtudes no que tange à aceleração e parada
de máquinas.

Em todos os métodos de partida, o que se procura são


maneiras de lidar com os “transitórios” de partida

16
1 INTRODUÇÃO

(elétricos e mecânicos), e, assim, alcançar com sucesso,


e com o mínimo de distúrbio, o funcionamento estável
do sistema.

Figura 1.6 - Curva torque versus rotação de um motor trifásico acionado


por Inversor Vetorial. Desde que provido de meio de ventilação
adequada, o motor trifásico acionado por Inversor de Freqüência pode
aplicar seu torque nominal mesmo em velocidades baixas durante
quanto tempo for necessário

Com o Inversor de Freqüência estes transitórios são


praticamente eliminados, ou, pelo menos, são bastante
reduzidos.

Por exemplo, em cargas com alta inércia, o torque e a


rampa de aceleração podem ser ajustados da maneira
que se consiga a aceleração mais suave possível. Isto
porque o Inversor de Freqüência “toma as rédeas” do
sistema desde os primeiros instantes da aceleração.

Quando se necessita de controle na desaceleração, com


ou sem frenagem, também através do Inversor
encontramos o maior número de alternativas: tanto
pode-se conseguir a parada e desaceleração suaves de
uma bomba, quanto torque de frenagem para a
descida de uma carga (ponte rolante, guindaste).

17
1 INTRODUÇÃO

Figura 1.7 – Fundamental de uma fase na saída do inversor de


freqüência durante um processo de aceleração seguido de
desaceleração.
Com uma taxa de aumento de velocidade (rampa de aceleração)
adequada, aliada a novas tecnologias de controle vetorial como o
Vectrue, pode-se praticamente eliminar os transitórios de partida em
algumas aplicações.

Entretanto, convém frisar que cada máquina requer


seus devidos cuidados no dimensionamento do
Inversor e eventuais acessórios (resistor de frenagem,
tipo de retificador, etc).

Figura 1.8 - Inversores de Freqüência série CFW-09. A baixa exigência de


manutenção é um dos principais diferenciais dos Inversores de
Freqüência, assim como as Soft-Starters

18
2
COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

2.1 Princípios básicos de funcionamento

2.2 Análise de funcionamento

2.3 Curvas características do motor de


indução
2.3.1 Torque x Velocidade
2.3.2 Corrente x Velocidade

2.4 Potência e perdas

2.5 Características de temperatura - Classes


de isolamento térmico

2.6 Tempo de rotor bloqueado


2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

Para compreender o funcionamento da Soft-Starter e


de um Inversor de Freqüência é de fundamental
importância entender primeiro como funciona um
motor de indução. Para começar enunciaremos os
princípios físicos básicos da conversão de energia
elétrica em energia mecânica.

2.1 PRINCÍPIOS BÁSICOS 1. Uma corrente circulando por um condutor produz


DE FUNCIONAMENTO um campo magnético, representado na figura 2.1
pelas linhas circulares chamadas de linhas de
indução magnética. No centro da figura se encontra
o condutor e as linhas circulares em volta são uma
representação gráfica do campo magnético gerado
pela corrente.

Figura 2.1

2. Se um condutor é movimentado dentro de um


campo magnético, aparecerá uma tensão induzida
entre os terminais do condutor, proporcional ao
número de linhas de indução cortadas por segundo
(figura 2.2). Se o dito condutor forma um circuito
fechado, circulará por ele uma corrente elétrica.

Figura 2.2

21
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

3. Dois condutores adjacentes (a e b) pelos quais está


circulando uma corrente elétrica (ia e i b) produzem
cada um deles um campo magnético (Item 1). A
interação entre estes dois campos magnéticos
produzirá uma força (F) de atração ou repulsão
entre os condutores (figura 2.3), proporcional à
corrente que circula por ambos condutores e à
distância (d) entre eles.

Figura. 2.3

4. Um bobinado polifásico, igual ao mostrado na figura


2.4, alimentado por um sistema de tensões trifásico
(figura 2.5) produzirá um campo magnético girante
(figura 2.6). Este princípio é similar ao visto na
figura 2.1, com a diferença que neste o campo
magnético é estático.

Figura 2.4

22
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

Figura 2.5

Na figura 2.6, os pontos identificados com os


números ... correspondem aos momentos em
que a tensão de uma das três fases é igual a zero.
Desta maneira é mais fácil fazer a composição dos
vetores de indução magnética para cada instante.
Na figura pode-se ver que a resultante destes
vetores está girando (campo girante) com uma
velocidade proporcional a freqüência e ao número
de pólos do motor.

Figura 2.6

23
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

5. A velocidade do campo girante descrito


anteriormente, chamada de velocidade síncrona, é
proporcional à freqüência do sistema de tensões
trifásico e ao número de pólos do bobinado.

Velocidade do campo girante [rpm]= (freqüência [1/


s] x 120 ) / n° de pólos

6. Conjugado: O conjugado (também chamado de


torque, momento ou binário) é a medida do esforço
necessário para girar um eixo. É sabido, pela
experiência prática, que para levantar um peso por
um processo semelhante ao usado em poços de
água – ver figura 2.7 – a força F que é preciso
aplicar à manivela depende do comprimento da
manivela.

Quanto maior a manivela, menor será a força


necessária.

Se dobrarmos o tamanho da manivela, a força F


necessária será diminuída a metade. No exemplo da
figura 2.7, se o balde pesa 20kgf e o diâmetro do
tambor é 20 cm, a corda transmitirá uma força de
20 kgf na superfície do tambor, isto é, a 0,1m
(10cm) do centro do eixo.

Para contrabalançar esta força, precisamos de 10


kgf na manivela, se o comprimento “a” for 0,2 m
(20cm).

Se “a” for o dobro, isto é 0,4 m, a força F será a


metade, ou seja, 5kgf.

Como se vê, para medir o “esforço” necessário para


fazer girar o eixo não basta definir a força
empregada: é preciso também dizer a que distância
do eixo a força é aplicada. O “esforço” é medido pelo
conjugado, que é o produto F x a , da “força”
pela “distância”.

No exemplo citado, o conjugado vale:

C = 20 kgf x 0,1 m = 10 kgf x 0,2 m = 5 kgf x 0,4


= 2mkgf

24
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

Figura 2.7

Os motores de indução mais utilizados na indústria


são os chamados motores de gaiola trifásicos
(figura 2.8 - rotor e estator).

NÚCLEODE NÚCLEODE
CHAPAS CHAPAS

BARRAS DE 3 2 ENTROLAMENTO
ANÉIS DE TRIFÁSICO
CURTO-CIRCUITO
8
12 ROLAMENTOS

11

VENTILADOR

PROTEÇÃO DO
VENTILADOR 7
6 EIXO

9 4
CAIXA DE 10
LIGAÇÃO 1 TAMPAS
TERMINAIS
CARCAÇA

Figura 2.8

25
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

Estator: Carcaça (1), Núcleo de Chapas (2),


Enrolamento trifásico (8)
Rotor: Eixo (7), Núcleo de chapas (3), Barras e anéis
de curto-circuito (12)
Outras partes: Tampas (4), Ventilador (5), Proteção
do ventilador (6), Caixa de ligação (9), Terminais
(10), Rolamentos (11).

Nestes motores o rotor é fabricado com espiras em


curto-circuito formando uma verdadeira gaiola. O
estator é formado por três bobinas (bobinado trifásico),
com pares de pólos em cada fase.

2.2 ANÁLISE DE Para análise de funcionamento pode-se considerar o


FUNCIONAMENTO motor de indução como um transformador, onde o
enrolamento primário deste transformador é formado
pelo estator e o enrolamento secundário pelo rotor. O
próprio nome “motor de indução” se deve ao fato de
que toda a energia requerida pelo rotor para a geração
de torque é “induzida” pelo primário do transformador
(estator) no secundário (rotor).
Como existem dois campos magnéticos, um no estator e
outro no rotor, e como descrito no item 3, aparecerá
uma força entre o rotor e o estator que fará com que o
rotor gire, já que é o único que pode se movimentar
pois está montado sobre rolamentos, disponibilizando
assim energia mecânica (torque) no seu eixo.
Para facilitar o entendimento do funcionamento do
motor de indução dividiremos o estudo em três casos
hipotéticos:

CASO 1
Primeiramente consideraremos um motor de dois pólos
com o “rotor bloqueado”, isto significa que através de
algum dispositivo mecânico impediremos que o eixo do
motor (rotor) gire. Nesta condição, se aplicarmos
tensão trifásica com freqüência de 60Hz nos terminais
do bobinado do estator, este produzirá um campo
magnético girante com velocidade de 3600 rpm (item
5). As linhas de indução deste campo magnético
“cortarão” as espiras do rotor com velocidade máxima
induzindo assim a máxima tensão nas espiras do rotor,
e como estas estão em curto-circuito, circulará também
a máxima corrente por elas. Como toda a energia
produzida no rotor tem de ser “induzida” pelo estator,
26
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

circulará no bobinado do estator uma corrente elevada


(6 a 8 vezes maior que a corrente nominal do motor).
Se esta condição for mantida por mais que alguns
segundos os fios do bobinado do estator irão esquentar
de forma indevida, podendo até danificar (queimar) o
bobinado, pois não foram projetados para suportar esta
corrente por um período de tempo grande.

CASO 2
Agora vamos para o outro extremo. Vamos supor que o
rotor do motor possa girar exatamente à velocidade de
3600 rpm. Neste caso as linhas de indução do campo
magnético girante produzido pelo estator “não
cortarão” as espiras do rotor pois os dois estão girando
com mesma velocidade. Sendo assim não haverá
tensão induzida, nem corrente, nem geração de campo
magnético.
Para a produção de energia mecânica (torque) no
motor é necessária a existência de dois campos
magnéticos, sendo assim, não haverá torque no eixo do
motor.

CASO 3
Vamos supor agora que, nas mesmas condições do Caso
2, baixamos a velocidade do rotor do motor para 3550
rpm. O campo magnético girante tem uma velocidade
de 3600 rpm, é assim que as linhas de indução do
campo magnético girante do estator “cortarão” as
espiras do rotor com uma velocidade de 50 rpm (3600
rpm – 3550 rpm = 50 rpm), produzindo uma tensão e
uma corrente induzida no rotor. A interação entre os
dois campos magnéticos, o do estator e o do rotor,
produzirão uma força, que pela sua vez produzirá
torque no eixo do motor.
A diferença entre a velocidade síncrona (3600 rpm) e a
velocidade do rotor é conhecida como
“escorregamento”.
Escorregamento = velocidade síncrona – velocidade
do rotor

(Ns – N)
S = ––––––––––––
Ns

27
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

Descritas estas três condições, podemos agora imaginar


o que acontece na prática com nosso motor de indução.
Na partida acontece algo similar ao descrito no caso 1,
mas na prática a diferença do rotor bloqueado do caso
1 nosso motor pode girar livremente. Sendo assim
circulará no bobinado do estator uma corrente elevada
(6 a 8 vezes maior que a corrente nominal do motor)
que diminuirá a medida que a velocidade do motor
aumenta.
Quando a velocidade do rotor se aproxima da
velocidade síncrona (caso 2) o torque produzido
diminuirá, fazendo diminuir também a velocidade do
rotor. Existirá então um ponto de equilíbrio entre a
carga do motor e a velocidade do rotor (caso 3).
Se a carga no eixo do motor aumenta, a velocidade do
rotor tenderá a diminuir, e o escorregamento
aumentará. Se o escorregamento aumenta a
velocidade com que as linhas de indução do campo
magnético do rotor “cortam” o estator aumentará,
aumentando também a tensão e corrente induzida no
rotor. Se a corrente é maior, o campo magnético gerado
por esta também será maior, aumentando assim o
torque disponível no eixo do motor, chegando
novamente numa condição de equilíbrio. Se o torque
requerido pela carga é maior que o nominal do motor,
e se esta condição é mantida por muito tempo, a
corrente do motor será maior que a nominal e o motor
será danificado.

2.3 CURVAS É a curva que mostra a relação entre o torque


CARACTERÍSTICAS desenvolvido pelo motor e a sua rotação. Na partida,
DO MOTOR DE quando o motor é ligado diretamente à rede, o torque
INDUÇÃO (torque de partida) será de aproximadamente 2 a 2,5
vezes o torque nominal, diminuindo a medida que a
2.3.1 Torque x Velocidade velocidade aumenta até atingir um valor de 1,5 a 1,7
do torque nominal a aproximadamente 30% da
velocidade nominal. A medida que a velocidade
aumenta o torque aumenta novamente até atingir o
seu valor máximo (80% da velocidade nominal)
chegando a seu valor nominal na velocidade nominal.
Como mostra a curva (linha cheia) da figura 2.9.

28
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

2.3.2 Corrente x Velocidade É a curva (linha tracejada da figura 2.9) que mostra a
relação entre a corrente consumida pelo motor em
função da sua velocidade. A figura mostra que na
partida, quando o motor é ligado diretamente à rede, a
corrente que circula por ele será 5 a 6 vezes maior que
a corrente nominal, diminuindo a medida que a
velocidade aumenta até atingir um valor estacionário
determinado pela carga acoplada ao motor. Se a carga
for a nominal a corrente será também a corrente
nominal.

Figura 2.9 - Curva Torque x Velocidade e Corrente x Velocidade para


motores de indução de rotor em gaiola alimentados com tensão e
freqüência constantes

2.4 POTÊNCIA E PERDAS Na placa de identificação do motor existe um


parâmetro chamado de rendimento e identificado pela
letra grega . Este parâmetro é uma medida da
quantidade de potência elétrica transformada pelo
motor em potência mecânica. A potência transmitida à
carga pelo eixo do motor é menor que a potência
elétrica absorvida da rede, devido às perdas no motor.
Essas perdas podem ser classificadas em:

29
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

 perdas no enrolamento estatórico (perdas no cobre);


 perdas no rotor;
 perdas por atrito e ventilação;
 perdas magnéticas no núcleo (perdas no ferro);

2.5 CARACTERÍSTICAS Sendo o motor de indução uma máquina robusta e de


DE TEMPERATURA – construção simples, a sua vida útil depende quase
CLASSES DE exclusivamente da vida útil da isolação do bobinado e
ISOLAMENTO da vida mecânica dos rolamentos. Vida útil da isolação
TÉRMICO refere-se ao envelhecimento gradual do isolante, não
suportando mais a tensão aplicada e produzindo
curto-circuito entre as espiras do bobinado.
Para fins de normalização, os materiais isolantes e os
sistemas de isolamento (cada um formado pela
combinação de vários materiais) são agrupados em
CLASSES DE ISOLAMENTO, cada qual definida pelo
respectivo limite de temperatura, ou seja, pela maior
temperatura que o material pode suportar
continuamente sem que seja afetada sua vida útil. As
classes de isolamento utilizadas em máquinas elétricas
e os respectivos limites de temperatura conforme
norma NBR-7094, são mostradas na tabela a seguir:

Tabela 2.1 - Classes de isolamento

CLASSE TEMPERATURA (°C)


A 105
E 120
B 130
F 155
H 180

As classes B e F são as freqüentemente utilizadas.


O sistema de isolamento convencional dos motores, que
tem sido utilizado com sucesso em todos os casos de
alimentação com fontes senoidais tradicionais (50/
60Hz) pode não atender os requisitos necessários se os
mesmos forem alimentados por outro tipo de fonte. É o
caso dos motores alimentados por inversores de
freqüência. Atualmente, com a utilização generalizada
destes equipamentos, o problema do rompimento da
isolação provocado pelos altos picos de tensão
decorrentes da rapidez de crescimento dos pulsos

30
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

gerados pelo inversor, bem como a alta freqüência com


que estes são produzidos, obrigou a implementar
melhorias no isolamento dos fios e no sistema de
impregnação, afim de garantir a vida dos motores.
Estes motores com isolamento especial são chamados
de ”Inverter Duty Motors”.

2.6 TEMPO DE ROTOR Tempo de rotor bloqueado é o tempo necessário para


BLOQUEADO que o enrolamento da máquina, quando percorrido
pela sua corrente de partida, atinja a sua temperatura
limite, partindo da temperatura em condições nominais
de serviço e considerando a temperatura ambiente no
seu valor máximo.
Este tempo é um parâmetro que depende do projeto
da máquina. Encontra-se normalmente no catálogo ou
na folha de dados do fabricante. A tabela abaixo
mostra os valores limites da temperatura de rotor
bloqueado, de acordo com as normas NEMA e IEC.

Tabela 2.2 - Temperatura limite de rotor bloqueado

CLASSE TEMPERATURA MÁXIMA (°C)


DE Tmáx (°C)
ISOLAMENTO NEMA MG1.12.53 IEC 79.7

B 175 185 80

F 200 210 100

H 225 235 125

31
2 COMO FUNCIONA UM MOTOR DE INDUÇÃO?

Para partidas com tensão reduzida o tempo de rotor


bloqueado pode ser redefinido como segue:

t rb = tb x ( Un / Ur )2

Onde:
t rb = Tempo de rotor bloqueado com tensão
reduzida
tb = Tempo de rotor bloqueado à tensão
nominal
Un = Tensão nominal
Ur = Tensão reduzida

Outra forma de se redefinir o tempo de rotor


bloqueado é através da utilização da corrente aplicada
ao motor, como segue:

Ipn
trb = tb . ( –––––– )²
Ipc

Onde:
t rb = Tempo de rotor bloqueado com corrente
reduzida
tb = Tempo de rotor bloqueado à corrente
nominal
Ipn = Corrente de partida direta do motor
Ipc = Corrente de partida do motor com
corrente reduzida

Geralmente, Ipn é obtido de catálogos e possui o valor


em torno de 6 a 8 vezes a corrente nominal do motor, e
Ipc depende do método de partida do motor. Se por
exemplo esta partida for do tipo estrela-triângulo o
valor da corrente será de aproximadamente 1/3 da
corrente de partida.

32
3
MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE
INDUÇÃO

3.1 Categorias de partida

3.2 Formas de partida

3.3 Frenagem

3.4 Vantagens e desvantagens dos métodos


de partida

3.5 NBR-5410 referente a partida com


corrente reduzida
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

Os métodos de comando de um motor de indução, são


implementados com equipamentos eletromecânicos,
elétricos e eletrônicos. Estes equipamentos permitem
acelerar (partir) e desacelerar (frenar) o motor de
acordo com requisitos impostos pela carga, segurança,
concessionárias de energia elétrica, etc.

3.1 CATEGORIAS DE Conforme as suas características de torque em relação


PARTIDA à velocidade e corrente de partida, os motores de
indução trifásicos com rotor de gaiola, são classificados
em categorias, cada uma adequada a um tipo de
carga. Estas categorias são definidas em norma (NBR
7094), e são as seguintes:

a) CATEGORIA N
Constituem a maioria dos motores encontrados no
mercado e prestam-se ao acionamento de cargas
normais, como bombas, máquinas operatrizes, e
ventiladores.

b) CATEGORIA H
Usados para cargas que exigem maior torque na
partida, como peneiras, transportadores carregadores,
cargas de alta inércia, britadores, etc.

c) CATEGORIA D
Usados em prensas excêntricas e máquinas
semelhantes, onde a carga apresenta picos periódicos.
Usados também em elevadores e cargas que
necessitam de torques de partida muito altos e
corrente de partida limitada.

Tabela 3.1 - Características das categorias de partida direta

Categorias Torque Corrente Escorregamento


de partida de partida de partida
N Normal Normal Baixo
H Alto Normal Baixo
D Alto Normal Alto

As curvas torque x velocidade das diferentes categorias estão mostradas na figura 3.1.

35
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

Figura 3.1 - Curvas características de torque em função da categoria do


motor (partida direta)

3.2 FORMAS DE  PARTIDA DIRETA


PARTIDAS A maneira mais simples de partir um motor de indução
é a chamada partida direta, aqui o motor é ligado à
rede diretamente através de um contator (ver figura
3.2). Porém, deve-se observar que para este tipo de
partida existem restrições de utilização. Como já foi
visto anteriormente, a corrente de partida de um motor
de indução quando ligado diretamente à tensão da
rede é 5 a 8 vezes maior que a corrente nominal. Por
este motivo, e fundamentalmente para motores de
grande porte, a partida direta não é utilizada.

Figura 3.2 - Partida direta

36
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

 PARTIDA ESTRELA-TRIÂNGULO
(Y- )
Este tipo de partida só pode ser utilizado em motores
que possuam ligação em dupla tensão (por exemplo 3 x
380 V e 3 x 220 V). A menor tensão deverá ser igual à
tensão de rede e a outra 1,73 vezes maior. (Ex.: 220/
380V, 380/660V). Esta partida é implementada com
dois contatores como mostra a figura 3.3. Na partida o
motor é ligado na conexão de maior tensão, isto
possibilita uma redução de até 1/3 da corrente de partida
do motor, como mostra a figura 3.4.
A partida estrela-triângulo poderá ser usada quando a
curva de torque do motor for suficientemente elevada
para que possa garantir a aceleração da máquina com
a corrente reduzida, ou seja, o torque resistente da
carga não deverá ser superior ao torque do motor
quando o motor estiver em estrela.

Figura 3.3 - Partida estrela-triângulo

37
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

Figura 3.4 - Curva característica de torque e corrente, motor com partida


estrela-triângulo

 PARTIDA ELETRÔNICA
(SOFT-STARTER)
Será abordada em profundidade no capítulo a seguir.

Figura 3.5 - Curva característica de torque e corrente, motor com partida


suave (soft-starter)

38
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

Além da vantagem do controle da corrente durante a


partida, a chave eletrônica apresenta, também, a
vantagem de não possuir partes móveis.

Ainda, como um recurso adicional, a soft-starter


apresenta a possibilidade de efetuar a desaceleração
suave das cargas de baixa inércia.

 PARTIDA SÉRIE-PARALELO
Este tipo de partida só pode ser utilizado em motores
que possibilitam a ligação em dupla tensão.

A menor das duas tensões deve ser igual a tensão da


rede e a outra deve ser o dobro.

Por exemplo: 220V- 440V e 380V-760V (mais comuns),


ou outros valores de tensão de rede, seguindo a mesma
regra: 230V-460V, etc.

Para tanto, o motor deve dispor de 9 ou 12 terminais


de ligação, para permitir as ligações triângulo série-
paralelo (figuras 3.6 e 3.7) ou estrela série-paralelo
(figuras 3.8 e 3.9).

Figura 3.6 - Ligação triângulo série: apta a receber ligação superior,


entretanto aplica-se tensão reduzida: este é o princípio de funciona-
mento da “série-paralelo”

39
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

Figura 3.7 - Ligação triângulo paralelo: apta a receber tensão reduzida,


e efetivamente aplicando-se tensão reduzida: o motor desenvolve suas
características nominais

Figura 3.8 - Ligação estrela série: apta a receber ligação superior, entre-
tanto aplica-se tensão reduzida, conforme o princípio de funcionamen-
to da “série paralelo”

Figura 3.9 - Ligação estrela paralelo: apta a receber tensão reduzida, e


efetivamente aplicando-se tensão reduzida: o motor desenvolve suas
características nominais

40
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

No momento da partida a corrente fica reduzida para


25 a 33% da corrente de partida direta, entretanto o
mesmo ocorre com o torque, restringindo o uso desta
chave para partidas em vazio.

Figura 3.10 - Chave série paralelo, usando nove cabos do motor

 PARTIDA COMPENSADORA
Esta chave de partida alimenta o motor com tensão
reduzida em suas bobinas, na partida.

A redução de tensão nas bobinas (apenas durante a


partida) é feita através da ligação de um
autotransformador em série com as mesmas.

Após o motor ter acelerado as bobinas passam a


receber tensão nominal.

A redução de corrente depende do TAP em que o


autotransformador estiver ligado.

TAP 65%: Redução para 42% do seu valor de partida


direta

TAP 80%: Redução para 64% do seu valor de partida


direta

41
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

A chave de partida compensadora pode ser usada para


motores que partem com alguma carga. O conjugado
resistente deve ser inferior ao conjugado
disponibilizado pelo motor durante a partida com
tensão reduzida pela compensadora.
Os motores podem ter tensão única e, apenas, três
cabos disponíveis.

Figura 3.11 - Curvas características do motor trifásico partindo com


chave compensadora, TAP 85%

Figura 3.12 - Partida compensadora

42
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

3.3 FRENAGEM Os motores de indução possibilitam várias formas de


frenagem, isto é, onde se tem s < 0 e o motor opera
com características de gerador. A seguir
apresentaremos dois métodos de frenagem elétrica.

3.3.1 Frenagem por Obtém-se a frenagem por contra-corrente através da


contra-corrente inversão de duas fases da tensão de alimentação do
enrolamento estatórico (ver figura 3.14), para reverter
a direção de rotação do campo girante do motor com o
mesmo girando ainda na direção inicial. Dessa forma, a
rotação do rotor fica agora contrária a um torque que
atua em direção oposta (ver figura 3.13) e começa a
desacelerar (frenar). Quando a velocidade cai a zero o
motor deve ser desenergizado, caso contrário, passará
a funcionar em sentido oposto. Para este tipo de
frenagem, as correntes induzidas nos enrolamentos
rotóricos são de freqüências altas (duas vezes a
freqüência estatórica) e de elevada intensidade, pois o
torque desenvolvido pelo motor é elevado, onde há a
absorção de potência elétrica da rede com corrente
maior que a nominal, acarretando em um
sobreaquecimento do motor.

Figura 3.13 - Curva de torque x rotação na frenagem por contra-corrente

Figura 3.14 - Frenagem por contra-corrente

43
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

3.3.2 Frenagem por É obtida através da desconexão do estator da rede de


injeção de corrente alimentação e da posterior conexão a uma fonte de
contínua (CC) corrente contínua (ver figura 3.16). A corrente
contínua enviada ao enrolamento estatórico estabelece
um fluxo magnético estacionário cuja curva de
distribuição tem uma fundamental de forma senoidal.
A rotação do rotor em seu campo produz um fluxo de
corrente alternada no mesmo, o qual também
estabelece um campo magnético estacionário com
respeito ao estator. Devido à interação do campo
magnético resultante e da corrente rotórica, o motor
desenvolve um torque de frenagem (ver figura 3.15)
cuja magnitude depende da intensidade do campo, da
resistência do circuito rotórico e da velocidade do rotor.

Figura 3.15 - Curva de torque x rotação durante a frenagem CC

Na prática, a frenagem CC tem sua aplicação limitada


devido ao fato de que toda a energia de frenagem é
dissipada no próprio motor, podendo causar
sobreaquecimento excessivo no mesmo. Assim, para
não comprometer a vida útil do motor, utiliza-se a
frenagem CC com tensões contínuas limitadas a
aproximadamente 20% da tensão nominal CA do motor.

44
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

Figura 3.16 - Frenagem por injeção de CC

3.4 VANTAGENS E  PARTIDA DIRETA


DESVANTAGENS DOS Vantagens
MÉTODOS DE  Menor custo de todas
PARTIDA  Muito simples de implementar
 Alto torque de partida

Desvantagens
 Alta corrente de partida, provocando queda de
tensão na rede de alimentação. Em função disto
pode provocar interferência em equipamentos
ligados na mesma instalação
 É necessário sobredimensionar cabos e contatores
 Limitação do número de manobras/hora
 Picos de torque

45
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

 ESTRELA-TRIÂNGULO
Vantagens
 Custo reduzido
 A corrente de partida é reduzida a 1/3 quando
comparada com a partida direta
 Não existe limitação do número de manobras/hora

Desvantagens
 Redução do torque de partida a aproximadamente
1/3 do nominal
 São necessários motores com seis bornes
 Caso o motor não atingir pelo menos 90% da
velocidade nominal, o pico de corrente na
comutação de estrela para triângulo é equivalente
ao da partida direta
 Em casos de grande distância entre motor e chave
de partida, o custo é levado devido a necessidade de
seis cabos.

 SOFT-STARTER
Terá suas vantagens e desvantagens abordadas em
profundidade no capítulo a seguir.

 PARTIDA SÉRIE-PARALELO
Vantagens
 Custo reduzido
 A corrente de partida é reduzida a ¼ quando
comparada com a partida direta

Desvantagens
 Redução do torque de partida a aproximadamente
¼ do torque de partida nominal
 São necessários motores com pelos menos nove
bornes (ou seja, capacidade de fechamento das
bobinas para tensão igual à duas vezes a tensão da
rede)
 Caso o motor não atingir pelo menos 90% da
velocidade nominal, o pico de corrente na
comutação da ligação é equivalente ao da partida
direta
 Em casos de grande distância entre motor e chave
de partida, o custo é elevado devido a necessidade
de nove cabos.

46
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

 PARTIDA COMPENSADORA
Vantagens
 Capacidade de partir com alguma carga
 Possibilidade de algum ajuste de tensão de partida,
selecionando (conectando) o TAP no transformador
 Necessário apenas três terminais disponíveis no
motor
 Na passagem da tensão reduzida para a tensão da
rede, o motor não é desligado e o segundo pico é
bem reduzido

Desvantagens
 Tamanho e peso do autotransformador
 Número de partidas por hora limitado
 Custo adicional do autotransformador

47
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

3.5 NBR-5410 A NBR 5410 de novembro de 1997, no item referente


REFERENTE A a motores elétricos, orienta sobre a corrente de partida
PARTIDA COM de motores e a necessidade de se reduzir a corrente de
CORRENTE partida dos motores elétricos a fim de se evitar
REDUZIDA perturbações na rede.

Figura 3.17 - NBR-5410 (reprodução de fotocópia)

48
3 MÉTODOS DE COMANDO DE UM MOTOR DE INDUÇÃO

Abaixo segue transcrição do texto da NBR 5410, item


6.5.3

6.5.3 Motores

6.5.3.1 Generalidades

As cargas constituídas por motores elétricos apresentam peculiaridades que


as destinguem das demais.

a) A corrente absorvida durante a partida é muito maior que a de


funcionamento normal em carga;

b) A potência absorvida em funcionamento é determinada pela potência


mecânica no eixo solicitada pela carga acionada, o que pode resultar
em sobrecarga na rede de alimentação se o motor não for protegido
adequadamente.

Em razão destas peculiaridades, a instalação de motores, além das demais


prescrições desta Norma, deve atender às prescrições seguintes.

6.5.3.2 Limitação das perturbações devidas à partida de motores

Para evitar perturbações inaceitáveis na rede de distribuição na própria


instalação e nas demais cargas ligadas a instalação de motores deve-se:

a) Observar as limitações impostas pela concessionária local referentes


a partida de motores;

NOTA: Para partida direta de motores com potência acima de 3,7kW


(5CV), em instalações alimentadas por rede de distribuição pública em
baixa tensão, deve ser consultada a concessionária local.

b) Limitar a queda de tensão nos demais pontos de utilização, durante a


partida do motor, aos valores estipulados em 6.2.6.1.

Para obter conformidade às limitações descritas nas alíneas a) e b)


anteriores, pode ser necessário o uso de dispositivos de partida que
limitem a corrente absorvida durante a partida.

NOTA – Em instalações contendo muitos motores, pode ser levado em conta


a probabilidade de partida simultânea de vários motores.

Como pode ser observado no texto acima, a redução da


corrente de partida de motores é uma necessidade
prevista em norma.

Dentre as diversas formas de redução da corrente de


partida, trataremos nos capítulos seguintes da forma
mais eficaz, e com excelente relação custo/benefício
para a maioria das aplicações: a partida de motores
através da SOFT-STARTER.

49
4
SOFT-STARTER

4.1 Introdução
4.1.1 Semicondutores e componentes eletrônicos
4.1.2 A característica mais marcante dos tiristores
4.1.3 Introdução às válvulas de descarga a gás
4.1.4 Thyratron
4.1.5 SCR (Silicon Controlled Rectifier)
4.1.6 Entendendo o disparo do SCR

4.2 Princípio de funcionamento da


Soft-Starter
Circuito de potência
Circuito de controle

4.3 Principais características


4.3.1 Principais funções
4.3.2 Proteções
4.3.3 Acionamentos típicos
4 SOFT-STARTER

4.1 INTRODUÇÃO Entender o funcionamento da Soft-Starter é importante


para construir uma base sólida de conhecimentos, a
partir da qual o usuário do equipamento poderá
desenvolver sua capacidade de aplicação do produto.
Vamos abordar com especial atenção o principal
componente de força da Soft-Starter: o SCR – Silicon
Controlled Rectifier. Entender o funcionamento do SCR
é boa parte do entendimento do funcionamento da
Soft-Starter.
Adotaremos a seguir uma seqüência de raciocínio
baseada em analogias com outros fenômenos, e com
outros componentes, permitindo assim o entendimento
do funcionamento do SCR.

4.1.1 Semicondutores e Um material semicondutor, como o silício, é um


componentes elemento com capacidade intermediária de condução
eletrônicos de corrente, ou seja, sua capacidade natural de
permitir fluxo de corrente elétrica é intermediária
entre aquela de um condutor propriamente dito e
aquela de um material isolante.
A maneira como um semicondutor lidará com cargas
elétricas depende de como foram adicionadas
impurezas a sua composição, processo este chamado
de dopagem. Existem dois tipos de dopagem: P e N, e
cada uma delas têm comportamento complementar no
que diz respeito à condução de cargas elétricas.
Exemplificando: o diodo, é um componente eletrônico
que possui duas diferentes partes de semicondutor,
formando um junção P-N. As propriedades de
condução são tais que fazem o diodo permitir o fluxo
de corrente elétrica somente em um sentido, situação
esta definida como diretamente polarizado. O mesmo
diodo, porém polarizado inversamente tem o
comportamento de um isolante.
As condições que desencadeiam o comportamento
elétrico de um componente eletrônico variam com o
nível de tensão ou corrente, a presença de um sinal
elétrico de estimulo externo ou até mesmo por luz
visível, infravermelho, etc.

53
4 SOFT-STARTER

4.1.2 A característica mais Tiristores são componentes que exibem uma


marcante dos propriedade marcante: de maneira geral, ele não
tiristores retorna ao seu estado original depois que a causa da
sua mudança de estado tenha desaparecido.
Uma analogia simples é a ação mecânica de um
interruptor de luz: quando o interruptor é pressionado,
ele muda de posição e permanece assim mesmo depois
do estímulo do movimento ter desaparecido (ou seja,
mesmo depois de tirar a mão do interruptor).
Em contraste, um botão de campainha volta a sua
posição original após cessar o estímulo externo.
Transistores bipolares e IGBTs, também não “travam”
em um determinado estado após terem sido
estimulados por um sinal de corrente ou tensão: para
qualquer sinal de entrada o transistor exibirá um
comportamento previsível conforme sua curva
característica.
Voltando aos Tiristores: eles são componentes
semicondutores que tendem a permanecer ligados,
uma vez ligados, e tendem a permanecer desligados,
uma vez que tenham sido desligados. Um evento
momentâneo é capaz de ligá-los ou desligá-los, e assim
eles permanecerão por conta própria, mesmo que a
causa de mudança de estado tenha sido eliminada.
Antes de analisar o tiristor propriamente dito, é
interessante analisarmos seu precursor histórico: as
válvulas de descarga a gás.

4.1.3 Introdução às Uma tempestade é uma oportunidade de presenciar


válvulas de descarga fenômenos elétricos interessantes.
a gás
A ação do vento e da chuva acumula cargas elétricas
estáticas entre as nuvens e a terra, e entre as próprias
nuvens. A diferença de carga manifesta-se como altas
tensões, e quando a resistência elétrica do ar não pode
mais suportar esta alta tensão, ocorrem surtos de
corrente entre pólos de carga elétrica oposta, o que
chamamos de relâmpagos, raios ou descargas
atmosféricas.

54
4 SOFT-STARTER

Figura 4.1 - Descarga atmosférica

Sob condições normais o ar tem uma tremenda


resistência elétrica. Genericamente sua resistência é
tratada como infinita. Sob presença de água e/ou
poeira sua resistência diminui, mas permanece um
bom isolante para a maioria das situações. Quando um
nível suficientemente alto de tensão é aplicado através
de uma distância de ar, entretanto, suas propriedades
elétricas são alteradas: elétrons são arrancados de suas
posições normais em torno do núcleo de seus átomos, e
são liberados para constituir corrente elétrica. O ar
nesta situação é considerado ionizado, recebe a
denominação de plasma, e tem resistência elétrica bem
menor que o ar.
Conforme a corrente elétrica se movimenta pelo ar,
energia é dissipada na forma de calor, o que mantém o
ar em estado de plasma, cuja baixa resistência favorece
a manutenção do raio mesmo após alguma redução da
tensão. O relâmpago persiste até que a tensão caia
abaixo de um nível insuficiente para manter corrente
suficiente para dissipar calor. Finalmente, não há calor
para manter o ar em estado de plasma, que volta ao
normal, deixa de conduzir corrente e permite que a
tensão aumente novamente.
Observe como o ar se comporta neste ciclo: quando não
está conduzindo, ele permanece um isolante até que a
tensão ultrapasse um nível crítico. Então, uma vez que
ele muda de estado, ele tende a permanecer um
condutor até que a tensão caia abaixo de um nível
mínimo. Este comportamento, combinado com a ação
do vento e chuva, explica a existência dos raios como
breve descargas elétricas.

55
4 SOFT-STARTER

4.1.4 Thyratron Nas válvulas thyratron pode-se observar


comportamentos semelhantes à do ar durante a
ocorrência de um relâmpago, com a diferença de que a
válvula pode ser disparada por um pequeno sinal.

O thyratron é essencialmente uma válvula preenchida


com gás, que pode conduzir corrente com uma
pequena tensão de controle aplicada entre o grid e o
cátodo, e desligado reduzindo-se a tensão plate-
catodo.

“plate”
“grid”

“cátodo”

Figura 4.2 - Circuito de controle simplificado do thyratron

No circuito visto acima a válvula thyratron permite


corrente através da carga em uma direção (note a
polaridade através da carga resistiva) quando
disparado pela pequena tensão DC de controle
conectada entre grid e cátodo.
O “pontinho” dentro do circulo do símbolo esquemático
indica preenchimento com gás, em oposição ao vácuo
verificado em outras válvulas.
Observe que a fonte de alimentação da carga é
alternada, o que dá uma dica de como o thyratron
desliga após ter sido disparado: uma vez que a tensão
AC periodicamente passa por zero volt a cada meio
ciclo, a corrente será interrompida periodicamente.
Esta breve interrupção permite à válvula resfriar e
retornar a seu estado “desligado”. Condução de
corrente pode prosseguir apenas se há tensão
suficiente aplicada pela fonte AC e se a tensão DC de
controle permitir.
Um osciloscópio indicaria a tensão na carga conforme
figura 4.3:

56
4 SOFT-STARTER

Figura 4.3

Enquanto a fonte de tensão sobe, a tensão na carga


permanece zero, até que o valor de threshold voltage
seja atingido.
Neste ponto a válvula começa a conduzir, seguindo a
tensão da fonte até a próxima fase do ciclo. A válvula
permanece em seu estado “ligado”, mesmo após a
tensão reduzir-se abaixo do valor de disparo (threshold
voltage). Como os thyratron são one-way, não há
condução no ciclo negativo. Em circuitos práticos,
poder-se-ia arranjar vários thyratron para formar um
retificador de onda completa.
Thyratrons tornaram-se obsoletos com o surgimento
dos tiristores, exceto para algumas aplicações muito
especiais, devido a possibilidade de thyratrons lidar
com valores altíssimos de tensão e corrente.

4.1.5 SCR (Silicon Partiremos da representação do SCR para iniciar nossa


Controlled Rectifier) explanação:

Figura 4.4

57
4 SOFT-STARTER

Representado da maneira acima o SCR assemelha-se a


dois transistores bipolares interligados, um PNP e outro
NPN.
Há três maneiras de “dispará-lo”:
 com uma variação brusca de tensão
 ultrapassando-se um limite de tensão
 aplicando-se a tensão entre gate e cátodo.
A última maneira é, na prática, a única desejada. Os
SCRs normalmente são escolhidos com valor de tensão
de breakover bem superior a tensão esperada no
circuito.
O circuito de teste de um SCR é excelente para
entender sua operação.

Figura 4.5 - Circuito de teste do SCR

Uma fonte DC é usada para energizar o circuito, e dois


botões com retorno são usados para “disparar” e para
“desenergizar” o SCR.
Pressionado o botão “liga” conecta-se o gate ao ânodo,
permitindo corrente de um terminal da bateria através
da junção PN do cátodo- gate, através do contato do
botão, da carga resistiva e de volta ao outro terminal
da bateria.
Esta corrente de gate deve ser suficiente para o SCR
“selar” na posição ligado. Mesmo soltando o botão, o
SCR deve permanecer conduzindo.
Pressionar o botão desliga (normalmente fechado)
corta a corrente e força o SCR desligar.
Se neste teste o SCR não “selar” o problema pode ser o
valor ôhmico da carga. O SCR necessita de um valor
mínimo de corrente de carga para permanecer
conduzindo.

58
4 SOFT-STARTER

A maioria das aplicações para o SCR são controle em


AC, apesar dos SCR serem inerentemente DC
(unidirecionais).
Se é necessário um circuito bidirecional, vários SCR
podem ser usados (um ou mais em cada direção) para
lidar com a corrente de ambas fases do ciclo, positiva e
negativa.
O principal motivo do uso do SCR em circuitos de força
AC é a sua resposta à onda AC: trata-se deu um
componente que permanece conduzindo (como o
thyratron, seu precursor) uma vez estimulado e até
que a corrente da carga passe por zero.

4.1.6 Entendendo o Conectando-se o devido circuito de controle ao gate do


disparo do SCR SCR nós podemos cortar a senóide em qualquer ponto
para conseguir controlar a energia entregue à carga.
Tomemos o seguinte circuito como exemplo.

Figura 4.6 - Fonte AC, SCR e carga resistiva ligados em série

Aqui o SCR é inserido em um circuito para controlar


energia de uma fonte AC fornecida à carga. Sendo
unidirecional, no máximo poderemos entregar meia
onda à carga, entretanto, para demonstrar o conceito
básico de controle, este circuito é mais fácil do que um
para controle de toda a senóide, que exigiria dois SCR.
Sem disparar o gate, e com fonte AC abaixo do valor de
breakover, o SCR nunca começará a conduzir.
Conectar o gate ao ânodo através de um diodo normal,
disparará o SCR quase imediatamente no início de
qualquer fase positiva do ciclo.

59
4 SOFT-STARTER

Figura 4.7 - Gate conectado ao ânodo através de diodo

Pode-se, entretanto, atrasar-se o disparo inserindo-se


alguma resistência no circuito de disparo do gate,
incrementando assim a quantidade de tensão
necessária para provocar o disparo. Em outras
palavras, se dificultarmos para os elétrons transitarem
através do gate, a tensão AC terá de alcançar um valor
mais alto até que haja corrente para ligar o SCR.

Resultado:

Figura 4.8 - Resistência inserida ao circuito de gate

Com a meia onda cortada em um nível mais elevado


pelo disparo “atrasado” do SCR, a carga recebe menos
energia, uma vez que a carga fica conectada à fonte
por um tempo menor.
Tornando variável o resistor do gate, pode-se fazer

60
4 SOFT-STARTER

ajustes à energia fornecida:

Figura 4.9 - Variando a resistência, variamos o ponto de disparo do SCR


(quanto maior a resistência maior é o ponto, ou ângulo, de disparo)

Infelizmente este esquema de controle tem uma


limitação significativa. Usando a fonte AC para disparar
o SCR, limita-se o controle à metade da fase positiva do
ciclo, em outras palavras, não há como atrasar o
disparo para depois do pico. Isto limitaria o nível
mínimo de energia àquele conseguido com o disparo
do SCR no pico da onda (a 90 graus). Elevando-se a
resistência a um valor maior, faria o circuito não
disparar nunca.
Uma solução é a adição de um capacitor defasador ao
circuito:

Figura 4.10 - A forma de onda com menor amplitude é a tensão no


capacitor.

61
4 SOFT-STARTER

A título de ilustração, vamos supor que a resistência de


controle é alta, ou seja, o SCR não está disparando sem
este capacitor e não há corrente através da carga,
exceto a pequena quantia de corrente através do
capacitor e resistor.
A tensão do capacitor pode ser defasada de 0 a 90 º
em relação à fonte AC. Quando esta tensão defasada
atingir um valor alto o suficiente, o SCR será disparado.
Supondo que há periodicamente tensão suficiente nos
terminais do capacitor para disparar o SCR, o a forma
de onda de corrente resultante será como segue:

Figura 4.11 - O disparo do tiristor se dá após o pico máximo, devido à


escolha conveniente do capacitor.

Uma vez que a forma de onda do capacitor ainda está


subindo após o pico da senoide de tensão de
alimentação, é possível dispará-lo depois do pico,
cortando a onda de corrente de modo a liberar um
valor de energia mais baixo à carga.
Os SCR também podem ser disparados por circuitos
mais complexos.
Transformadores de pulsos são usados para acoplar o
circuito de disparo ao gate/ cátodo do SCR para prover
isolação elétrica entre os circuitos de disparo e de
força:

62
4 SOFT-STARTER

Figura 4.12 - Disparo com transformador defasador

Quando múltiplos SCR são utilizados para controle de


força, os cátodos não são eletricamente comuns,
tornando difícil o uso de um único circuito de disparo
para todos SCR.
Um exemplo é a ponte retificadora controlada:

Figura 4.13 - Ponte controlada

Como em qualquer retificador, os elementos opostos


devem conduzir simultaneamente. SCR 1 e 3, e SCR 2 e
4.
Como eles não compartilham a conexão de cátodo, faz-
se necessário lançar mão de transformadores de pulso,
conforme mostra a figura 4.14:

63
4 SOFT-STARTER

Figura 4.14 - Uso de transformadores de pulso (circuito simplificado para


dois tiristores para facilitar o entendimento)

No circuito acima foi omitido o transformador de pulso


do SCR 1 e 3 a fim de tornar o desenho mais claro.
Naturalmente, os circuitos de controle não são
limitados à circuitos monofásico. Assim como na Soft-
Starter, o circuito de controle pode ser trifásico. Um
retificador trifásico com os circuitos de disparo omitidos
parece com o seguinte:

Figura 4.15 - Retificador trifásico (circuito de disparo omitido)

64
4 SOFT-STARTER

4.2 PRINCÍPIO DE O funcionamento das Soft-Starters está baseado na


FUNCIONAMENTO DA utilização de uma ponte tiristorizada (SCR’s) na
SOFT-STARTER configuração anti-paralelo, que é comandada através
de uma placa eletrônica de controle, a fim de ajustar a
tensão de saída, conforme programação feita
anteriormente pelo usuário. Esta estrutura é
apresentada na figura 4.16.

Figura 4.16 - Blocodiagrama simplificado

Como podemos ver, a Soft-Starter controla a tensão da


rede através do circuito de potência, constituído por
seis SCRs, onde variando o ângulo de disparo dos
mesmos, variamos o valor eficaz de tensão aplicada ao
motor. A seguir faremos uma análise mais atenciosa de
cada uma das partes individuais desta estrutura, já que
notamos nitidamente que podemos dividir a estrutura
acima em duas partes: o circuito de potência e o
circuito de controle.

65
4 SOFT-STARTER

CIRCUITO DE POTÊNCIA
Como já sabemos, a etapa de potência da Soft-Starter
tem como principais componentes os tiristores SCR
(Silicon Controlled Rectifier).
Controlando o ângulo de disparo do SCR, podemos
controlar a tensão média aplicada à carga, controlando
assim sua corrente e potência.
Numa soft-starter, o controle da tensão tem que ser
feito nos dois sentidos da corrente, devendo ser
utilizada a configuração anti-paralela de dois SCR por
fase, conforme indicado na figura abaixo.

Figura 4.17 - Dois tiristores em anti-paralelo

Neste caso, tem-se o controle da tensão nas duas


metades do ciclo, mediante os disparos nos Gates
provenientes do circuito de controle.
Na figura 4.18 temos um diagrama simplificado do
circuito de potência de uma soft-starter, onde notamos
o uso dos pares de tiristores (SCR) em anti-paralelo em
cada fase do circuito.
Mediante um circuito de controle para os disparos dos
tiristores, a tensão a ser aplicada no motor pode ir
crescendo linearmente, tendo com isso um controle da
corrente de partida do motor.
Ao final da partida do motor, o motor terá sobre seus
terminais praticamente toda a tensão da rede.

66
4 SOFT-STARTER

Figura 4.18 - SCRs no circuito de força do motor (ligação “fora” do delta


do motor)

A seguir temos a ilustração da forma de onda da tensão


em uma das fases do motor em quatro instantes. Nota-
se que ao reduzir o ângulo de disparo dos SCR, a
tensão a ser aplicada no motor aumenta, aumentando
com isso a corrente no mesmo.

Figura 4.19a - Disparo a 150º Figura 4.19b - Disparo a 90º

Figura 4.19d - Disparo a 45º Figura 4.19d - Disparo a 15º

67
4 SOFT-STARTER

Para evitar disparos acidentais dos SCR, instala-se em


paralelo com os mesmos um capacitor e um resistor
conforme indicado na figura 4.20. Este circuito auxiliar
é denominado de Snubber e tem como finalidade
evitar o disparo por dV/dT (variação abrupta da tensão
num pequeno intervalo de tempo).

Figura 4.20 - Snubber

Para se fazer a monitoração da corrente na saída da


Soft-Starter, instala-se transformadores de corrente,
permitindo com isso que o controle eletrônico efetue a
proteção e manutenção do valor de corrente em níveis
pré-definidos (função limitação de corrente ativada)

CIRCUITO DE CONTROLE
Onde estão contidos os circuitos responsáveis pelo
comando, monitoração e proteção dos componentes do
circuito de potência, bem como os circuitos utilizados
para comando, sinalização e interface homem-máquina
que serão configurados pelo usuário em função da
aplicação.

4.3 PRINCIPAIS Embora o CAPÍTULO 5 deste guia seja dedicado a


CARACTERÍSTICAS descrição detalhada das funções (parâmetros) da Soft-
Starter, consideramos conveniente apresentar neste
ponto uma abordagem diferenciada para as principais
funções da Soft-Starter.
Aqui não entraremos em detalhes de faixas de valores,
mas daremos ênfase em aspectos práticos, como, se
uma função é mais adequada para uma carga com alta
inércia ou não, etc.

68
4 SOFT-STARTER

4.3.1 Principais funções  Rampa de tensão na aceleração

As chaves Soft-Starters tem uma função muito simples,


que é através do controle da variação do ângulo de
disparo da ponte de tiristores, gerar na saída da
mesma, uma tensão eficaz gradual e continuamente
crescente até que seja atingida a tensão nominal da
rede. Graficamente podemos observar isto através da
figura 4.21.

Figura 4.21 - Rampa de tensão aplicada ao motor na aceleração

Atentem ao fato de que quando ajustamos um valor de


tempo de rampa, e de tensão de partida (pedestal), isto
não significa que o motor irá acelerar de zero até a sua
rotação nominal no tempo definido por ta. Isto, na
realidade dependerá das características dinâmicas do
sistema motor/carga, como por exemplo: sistema de
acoplamento, momento de inércia da carga refletida ao
eixo do motor, atuação da função de limitação de
corrente, etc .
Tanto o valor do pedestal de tensão, quanto o de tempo
de rampa são valores ajustáveis dentro de uma faixa
que pode variar de fabricante para fabricante.
Não existe uma regra prática que possa ser aplicada
para definir qual deve ser o valor de tempo a ser
ajustado, e qual o melhor valor de tensão de pedestal
para que o motor possa garantir a aceleração da carga.
A melhor aproximação poderá ser alcançada através do
cálculo do tempo de aceleração do motor, o qual será
mostrado posteriormente.

69
4 SOFT-STARTER

 Rampa de tensão na desaceleração

Existem duas possibilidades para que seja executada a


parada do motor, por inércia ou controlada,
respectivamente. Na parada por inércia, a Soft-Starter
leva a tensão de saída instantaneamente a zero,
implicando que o motor não produza nenhum
conjugado na carga, que por sua vez, irá perdendo
velocidade, até que toda energia cinética seja
dissipada. A equação (1) mostra matematicamente
como podemos expressar esta forma de energia.

1
2
K = –––––– J .  (1)
2

onde,

K = energia cinética (Joules)


2
J = momento de inércia total (Kg.m )
= velocidade angular (rad/s)

Na parada controlada a Soft-Starter vai gradualmente


reduzindo a tensão de saída até um valor mínimo em
um tempo pré-definido. Graficamente podemos
observar a figura 4.22.

Figura 4.22 - Perfil de tensão na desaceleração

O que ocorre neste caso pode ser explicado da seguinte


maneira: Reduzindo-se a tensão aplicada ao motor, este
irá perder conjugado; a perda de conjugado reflete no
aumento do escorregamento; o aumento do
escorregamento faz com que o motor perca velocidade.
Se o motor perde velocidade a carga acionada também

70
4 SOFT-STARTER

perderá. Este tipo de recurso é muito importante para


aplicações que devem ter uma parada suave do ponto
de vista mecânico. Podemos citar como exemplo
bombas centrífugas, transportadores, etc.
No caso particular das bombas centrífugas este recurso
minimiza o efeito do “golpe de ariete”, que pode
provocar sérios danos a todo o sistema hidráulico,
comprometendo componentes como válvulas e
tubulações, além da própria bomba.

Golpe de Ariete:
O “Golpe de Ariete” é um “pico de pressão” resultado de
uma rápida redução na velocidade de um líquido, que
pode ocorrer quando um sistema de bombeamento
sofre uma parada brusca. No contexto da aplicação de
Soft-Starter, a ocorrência do Golpe de Ariete está
relacionada à rápida parada do motor da bomba,
embora o golpe de ariete possa ser provocado por
outros eventos, como o fechamento rápido de uma
válvula.
O “pico” de pressão nestas condições pode ser várias
vezes maior que o esperado para o sistema,
provocando danos que podem se extender até a
bomba.
Quando a Soft-Starter está habilitada a fazer uma
parada suave do motor (“Pump Control”), a chance de
ocorrência do golpe de ariete na parada do motor é
reduzida.

 Kick Start

Existem cargas que no momento da partida exigem um


esforço extra do acionamento em função do alto
conjugado resistente. Nestes casos, normalmente a
Soft-Starter precisa aplicar no motor uma tensão maior
que aquela ajustada na rampa de tensão na
aceleração, isto é possível utilizando uma função
chamada “Kick Start”. Como podemos ver na figura
4.23, esta função faz com que seja aplicado no motor
um pulso de tensão com amplitude e duração
programáveis para que o motor possa desenvolver um
conjugado de partida, suficiente para vencer o atrito, e
assim acelerar a carga. Deve-se ter muito cuidado com
esta função, pois ela somente deverá ser usada nos
casos onde ela seja estritamente necessária.

71
4 SOFT-STARTER

Figura 4.23 - Representação gráfica da função “Kick Start”

Devemos observar alguns aspectos importantes


relacionados com esta função, já que ela poderá ser
mal interpretada e, desta forma, comprometer a
definição com relação ao seu uso, inclusive o do
próprio sistema de acionamento.
Como a tensão de partida poderá ser ajustada próximo
da tensão nominal, mesmo que por um pequeno
intervalo de tempo, a corrente de partida irá atingir
valores muito próximos daqueles registrados no
catálogo ou folha de dados do motor.
Isto é claramente indesejável, pois a utilização da Soft-
Starter nestes casos advém da necessidade de garantir-
se uma partida suave, seja eletricamente, seja
mecanicamente. Desta forma podemos considerar este
recurso como sendo aquele que deverá ser usado em
última instância, ou quando realmente ficar óbvia a
condição severa de partida.

 Limitação de corrente

Na maioria dos casos onde a carga apresenta uma


inércia elevada, é utilizada uma função denominada
de limitação de corrente. Esta função faz com que o
sistema rede/Soft-Starter forneça ao motor somente a
corrente necessária para que seja executada a
aceleração da carga. Na figura 4.24 podemos observar
graficamente como esta função é executada.

72
4 SOFT-STARTER

Figura 4.24 - Limitação de corrente

Este recurso é sempre muito útil pois garante um


acionamento realmente suave e, melhor ainda, viabiliza a
partida de motores em locais onde a rede encontra-se no
limite de sua capacidade. Normalmente nestes casos a
condição de corrente na partida faz com o sistema de
proteção da instalação atue, impedindo assim o
funcionamento normal de toda a instalação. Ocorre então
a necessidade de se impor um valor limite de corrente de
partida de forma a permitir o acionamento do
equipamento bem como de toda a indústria.
A limitação de corrente também é muito utilizada na
partida de motores cuja carga apresenta um valor mais
elevado de momento de inércia. Em termos práticos,
podemos dizer que esta função é a que deverá ser
utilizada após não obter-se sucesso com a rampa de
tensão simples, ou mesmo quando para que o motor
acelere a carga, seja necessário ajustar uma rampa de
tensão de tal forma que a tensão de partida (pedestal)
próximo aos níveis de outros sistemas de partida como,
por exemplo, as chaves compensadoras, não sendo isto
de forma alguma um fator proibitivo na escolha do
sistema de partida.

 Pump control

Esta função é utilizada especialmente para a aplicação


de Soft-Starter em sistemas de bombeamento. Trata-se
na realidade de uma configuração específica
(pré-definida) para atender este tipo de aplicação,
onde normalmente é necessário estabelecer uma
rampa de tensão na aceleração, uma rampa de tensão
73
4 SOFT-STARTER

na desaceleração e a habilitação de proteções. A rampa


de tensão na desaceleração é ativada para minimizar o
golpe de ariete, prejudicial ao sistema como um todo.
São habilitadas também as proteções de seqüência de
fase e subcorrente imediata (para evitar a cavitação).
A cavitação é a formação de “bolhas” através no
interior da bomba. Com bombas centrífugas, a
cavitação pode ocorrer quando o valor de sucção se
torna alto o suficiente no interior da bomba. Quando
estas bolhas passam pela bomba, uma grande
quantidade de energia é liberada, provacando danos.
Quando a Soft-Starter está devidamente habilitada a
fazer proteção de subcorrente (“Pump Control”), a
bomba fica protegida de ocorrência de cavitação
prolongada.

 Economia de energia

Uma Soft-Starter que inclua características de


otimização de energia simplesmente altera o ponto de
operação do motor. Esta função, quando ativada, reduz
a tensão aplicada aos terminais do motor de modo que
a energia necessária para suprir o campo seja
proporcional à demanda da carga.
Quando a tensão no motor está em seu valor nominal e
a carga exige o máximo conjugado para o qual o motor
foi especificado, o ponto de operação será definido
pelo ponto A, conforme a figura 4.25. Se a carga
diminui e o motor for alimentado por uma tensão
constante, a velocidade (rotação) aumentará ligeira-
mente, a demanda de corrente reduzirá e o ponto de
operação se moverá junto à curva para o ponto B. Por
ser um motor onde o conjugado desenvolvido é
proporcional ao quadrado da tensão aplicada, haverá
uma redução do conjugado com uma redução de
tensão. Caso esta tensão seja devidamente reduzida, o
ponto de operação passará a ser o ponto A|.

74
4 SOFT-STARTER

Figura 4.25 - Equilíbrio entre conjugado e tensão

Em termos práticos pode-se observar uma otimização


com resultados significativos somente quando o motor
está operando com cargas inferiores a 50% da carga
nominal. Isto, diga-se de passagem, é muito difícil de
encontrar-se pois estaríamos falando de motores
altamente sobredimensionados, o que atualmente em
virtude da crescente preocupação com o desperdício
de energia e fator de potência, vem sendo evitado a
todo custo.
Cabe destacar que este tipo de otimização de energia
possui alguns inconvenientes, principalmente, a
geração de tensões e correntes harmônicas e variações
no fator de potência. No caso as harmônicas podem
ocasionar problemas relativos a danos e redução da
vida útil de capacitores para correção de fator de
potência, sobreaquecimento de transformadores e
interferências em equipamentos eletrônicos.

4.3.2 Proteções As proteções disponibilizadas pelas Soft-Starter Weg


são um diferencial importante.
Ver item 5.5 deste Guia para uma descrição detalhada
das proteções das Soft-Starter das séries SSW-03 e
SSW-04.

4.3.3 Acionamentos Veremos a seguir alguns acionamentos típicos,


típicos abrangendo desde circuitos triviais, para apenas partir
o motor, até aplicações mais sofisticadas com reversão,
by-pass, etc.

75
4 SOFT-STARTER

 Básico / Convencional

Todos os comandos, leituras e monitoração de status


feitos via I.H.M.

Acionamento sugestivo com comandos por


entradas digitais a dois fios

Figura 4.26 - Diagrama simplificado de um acionamento básico

Parâmetro Programação
P53 1
P54 2
P55 oFF
P61 oFF

* Padrão de fábrica

76
4 SOFT-STARTER

 Inversão de sentido de giro

Acionamento sugestivo com comandos por


entradas digitais a três fios e troca do sentido
de giro

Figura 4.27 - Diagrama do acionamento com inversão de sentido de giro

Parâmetro Programação
P04 oFF
P51 3
P53 4
P54 4
P55 3
P61 oFF

77
4 SOFT-STARTER

 Frenagem por injeção de corrente contínua

Acionamento sugestivo com comandos por


entradas digitais a três fios e frenagem cc

Figura 4.28 - Diagrama do acionamento com frenagem CC

Parâmetro Programação
P34 Maior que oFF
P35 Ajuste de carga
P52 3
P53 4
P54 2
P55 3
P61 OFF

78
4 SOFT-STARTER

 By-pass

Acionamento sugestivo com comandos por


entradas digitais a três fios e contator de by-
pass

MÓDULO MAC

Figura 4.29 - Diagrama do acionamento com by-pass da chave


Módulo MAC
Este opcional deve ser utilizado
para manter as proteções relacio-
Parâmetro Programação
nadas ao motor, quando a SSW-
03 Plus for utilizada com contator P43 ON
de by-pass. Este módulo provê as
medições de corrente necessárias P52 2
para os algoritmos e circuitos de
P53 4
proteção da Soft-Starter continua-
rem protegendo o motor, mesmo P54 2
em by-pass.
P55 3
P61 OFF

79
4 SOFT-STARTER

 Multimotores / Cascata

Acionamento sugestivo com comandos por


entradas digitais para três motores

Figura 4.30 - Diagrama orientativo do acionamento tipo cascata

80
5
PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

5.1 Parâmetros de leitura

5.2 Parâmetros de regulação

5.3 Parâmetros de configuração

5.4 Parâmetros do motor

5.5 Erros e possíveis causas


5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Um parâmetro da Soft-Starter é um valor de leitura ou


escrita, através do qual o usuário pode ler ou
programar valores que mostrem, sintonizem ou
adeqüem o comportamento da Soft-Starter e motor em
uma determinada aplicação. Exemplos simples de
parâmetros:

 Parâmetro de Leitura P73: Corrente consumida


pelo motor

 Parâmetro Programável P01: Ajusta o valor inicial


de tensão (% ) que será aplicado ao motor

IMPORTANTE: Para parametrização refira-se


sempre ao manual do equipamento, que estará
vinculado à devida versão de Softtware.

Figura 5.1 - Interface Homem-Máquina

83
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Praticamente todas as Soft-Starter disponíveis no


mercado possuem parâmetros programáveis similares.
Estes parâmetros são acessíveis através de uma
interface composta por um mostrador digital
(“display”) e um teclado, chamado de Interface
Homem-Máquina (HMI), ver figura 5.1.
Para facilitar a descrição, os parâmetros serão
agrupados pelas suas características:
 parâmetros de leitura
 parâmetros de regulação
 parâmetros de configuração
 parâmetros do motor

5.1 PARÂMETROS DE Os parâmetros de leitura, como seu nome indica,


LEITURA permitem visualizar os valores programados nos
parâmetros de regulação, de configuração, do motor e
das funções especiais. Por exemplo, na linha de Soft-
Starter Weg são identificados de P71 até P77, P82, e
de P96 até P99.
Estes parâmetros não permitem a edição do valor
programado; somente sua leitura.

EXEMPLOS:

P72 - Corrente do motor


Indica a corrente de saída da Soft-Starter em
percentual da chave (% IN). (precisão de ± 10%).

Figura 5.2 - P72 e P73 indicam a corrente de saída (1) da chave

84
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

P73 - Corrente do motor


Indica a corrente de saída da Soft-Starter
diretamente em Ampères (precisão de ± 10%).

P74 - Potência ativa


Indica a potência ativa requerida pela carga,
valores em kW (precisão de ±10%).

NOTA
É indicado “OFF” quando utiliza-se função de tensão
plena ou economia de energia.

P75 - Potência aparente


Indica a potência aparente requerida pela
carga, valores em kVA (precisão de ± 10%).

P76 - Cos da carga


Indica o fator de potência da carga sem levar
em consideração as correntes harmônicas
geradas pelo chaveamento da carga (precisão
± 5%).

Figura 5.3 - Indicações de P74, P75 e P76

P82 - Estado da proteção térmica do motor


Indicação do estado da proteção térmica do
motor em escala percentual (0...250%). Sendo
que 250% é o ponto de atuação da proteção
térmica do motor, indicando E04.

P96 - Último erro de hardware ocorrido

P97 - Penúltimo erro de hardware ocorrido

P98 - Ante-Penúltimo erro de hardware ocorrido

P99 - 1º dos últimos 4 erros de hardware ocorrido

85
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

5.2 PARÂMETROS DE São os valores ajustáveis a serem utilizados pelas


REGULAÇÃO funções da Soft-Starter.

EXEMPLOS

P01 - Tensão inicial


Ajusta o valor inicial de tensão (% da tensão da
rede) que será aplicado ao motor.

P02 - Tempo da rampa de aceleração


Define o tempo da rampa de incremento de
tensão, conforme mostrado na figura 5.4,
desde que a Soft-Starter não entre em
limitação de corrente (P11).

Figura 5.4 - Tempo da rampa de aceleração

P11 - Limitação da corrente da chave


Ajusta o valor máximo de corrente que será
fornecido ao motor (carga) durante a
aceleração.
A limitação de corrente é utilizada para cargas
com alto ou constante torque de partida.
A limitação de corrente deve ser ajustada para
um nível que se observe a aceleração do motor,
caso contrário o motor não partirá.

NOTA
1) Se no final do tempo da rampa de aceleração (P02)
não for atingido a tensão plena, haverá a atuação
do erro E02 que desabilitará o motor.

2) A proteção térmica dos tiristores, inclusive durante


a limitação de corrente é feita através de sensores
da própria chave.
86
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Figura 5.5 - Limitação de corrente durante a aceleração

P11 - Exemplo de cálculo para ajuste da


limitação de corrente
Limitar a corrente em 2,5x do motor

In da chave = 170A
In do motor = 140A

ILIM = 250% da In do motor

2,5 x 140A = 350A

350A 350A
––––––––––– = –––––––– = 2,05 x In da Chave
In da Chave 170A

P11 = 205% da IN da chave = 2,5 X IN do motor.

Obs.: Esta função (P11) não atua se o pulso de tensão


na partida (P41) estiver habilitado.

P12 - Sobrecorrente imediata (% IN da chave)


Ajusta o nível de sobrecorrente instantânea
que o motor ou Soft-Starter permite, durante
um tempo pré-ajustado em P13, após o qual a
chave desliga, indicando E06. Mostrado na
figura 5.6.

87
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Figura 5.6 - Sobrecorrente imediata: o valor de P12 será maior que a


corrente nominal definida em P22

NOTA
Esta função tem atuação apenas em tensão plena, após
a partida do motor.

P12 - Exemplo de cálculo para ajuste da


sobrecorrente imediata
Valor máximo de corrente igual a 1,4x do motor

In da chave = 170A
In do motor = 140A

1,4 x 140A = 196A

196A 196A
––––––––––– = –––––––– = 1,15 x In da Chave
In da Chave 170A

P12 = 115% da I n da chave =140% da In do motor

P14 - Subcorrente imediata (% IN da chave)


Ajusta o nível de subcorrente mínimo que o
motor + carga pode operar sem problemas.
Esta proteção atua quando a corrente da carga
(figura 5.6) cai a um valor inferior ao ajustado
em P14; e por um tempo igual ou superior ao
ajustado em P15, indicando erro E05.

NOTA
Esta função tem atuação apenas em tensão plena, após
a partida do motor.

88
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

P14 - Exemplo de cálculo para ajuste de


subcorrente imediata
Valor mínimo de corrente igual a 70% do motor.

In da chave = 170A
In do motor = 140A

70% de 140A= 0,7 x 140A = 98A

98A 196A
––––––––––– = –––––––– = 0,57 x In da Chave
In da Chave 170A

P14 = 57% da In da chave = 70% da do motor

P13 - Tempo de sobrecorrente imediata (s)


Através deste parâmetro determina-se o tempo
máximo que a carga pode operar com
sobrecorrente, conforme ajustado em P12.

P15 - Tempo de subcorrente imediata (s)


Este parâmetro determina o tempo máximo
que a carga pode operar com subcorrente,
conforme ajustado em P14. Aplicação típica
desta função é em sistemas de bombeamento,
para evitar o escorvamento (página 73).

P22 - Corrente Nominal da Chave (A)


Sua função é ajustar o software a determinadas
condições do hardware, servindo como base
para as funções de: Limitação de corrente na
partida (P11); sobrecorrente imediata (P12) em
regime; subcorrente em regime (P14).

P23 - Tensão Nominal da Chave (V)


Sua função é para indicação das potências
fornecidas à carga.

P31 - Seqüência de fase (ON = RST; OFF =


Qualquer seqüência)
Pode ser habilitada ou desabilitada, sendo que
quando habilitada sua função é a de proteger
cargas que não podem funcionar em duplo
sentido de rotação.

89
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

NOTA
A seqüência de fase apenas é detectada a primeira vez
que se aciona a potência após a eletrônica ser
energizada. Portanto nova seqüência só será detectada
desligando-se ou resetando-se a eletrônica.

P33 - Nível da tensão da função JOG


Executa a rampa de aceleração até o valor
ajustado da tensão de JOG, durante o tempo
em que a entrada digital (DI4) estiver fechada.
Após abrir a entrada DI4 realiza a
desaceleração via rampa, desde que esta
função esteja habilitada em P04.
A função JOG permite girar o motor com um
torque reduzido, enquanto alguém (um
operador, um CLP, etc) manda um sinal digital
para a Soft-Starter.
Esta função é útil em condições em que se
deseja observar o comportamento da máquina
girando pela primeira vez (como um teste da
situação mecânica geral), desta maneira sendo
possível corrigir uma montagem incorreta sem
os transtornos de colocar a máquina a plena
velocidade na primeira operação.
Outra aplicação é o posicionamento de material
dentro da máquina. A função JOG “dá um
empurrão” enquanto o operador segura um
botão JOG (contato seco ligado à entrada
programada para JOG na Soft-Starter),
permitindo que o material a ser trabalhado (ou
qualquer elemento da máquina) possa ser
ajustado no começo do processo.

NOTA
1) O tempo máximo da atuação da função JOG é
determinado pelo tempo ajustado em P02, sendo
que após transcorrido este tempo haverá atuação
do erro E02 que desabilita o motor.

2) Para tanto P55 = 4.

P34 - Tempo da frenagem cc(s)


Ajusta o tempo da frenagem cc, desde que
P52=3.
Esta função somente é possível com o auxílio de
um contator que deverá ser ligado conforme

90
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

item “Diagramas de ligação típicos” neste Guia.


Esta função deve ser utilizada quando se quer
reduzir o tempo de desaceleração imposto pela
carga ao sistema.

NOTA
Sempre que utilizar esta função deve-se levar em conta
a possível sobrecarga térmica nos enrolamentos do
motor. A proteção de sobrecarga da SSW não funciona
na frenagem CC.

P35 - Nível da tensão de frenagem cc (%UN)


Ajusta o valor da tensão de linha Vac
convertido diretamente em Vcc aplicado aos
terminais do motor, durante a frenagem.

P41 - Pulso de Tensão na Partida (Kick Start)


Quando habilitado, o pulso de tensão na
partida define o tempo em que este pulso de
tensão (P42) será aplicado ao motor, para que
este consiga vencer o esforço inercial inicial da
carga aplicada ao seu eixo, conforme mostrado
na figura 5.7.

Figura 5.7 - Kick-Start: auxilia a partida de cargas com inércia elevada

NOTA
Utilizar esta função apenas para aplicações específicas
onde se apresente uma resistência inicial ao
movimento.

P45 - Pump Control


A Weg, em sua Soft-Starter, desenvolveu um
algoritmo especial para aplicações com bombas
centrífugas. Este algoritmo especial, destina-se

91
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

a minimizar os golpes de Ariete, “overshoots”


de pressão nas tubulações hidráulicas que
podem provocar rupturas ou desgastes
excessivos nas mesmas.
Ao colocar P45 em “On” e pressionar a tecla
“P”, o display irá indicar “PuP”e os seguintes
parâmetros serão ajustados automaticamente:
P02 = 15 s (Tempo de aceleração)
P03 = 80% (Degrau de tensão na
desaceleração)
P04 = 15 s (Tempo de desaceleração)
P11 = OFF (Limitação de corrente)
P14 = 70% (Subcorrente da chave)
P15 = 5s (Tempo de subcorrente)
Sendo que os demais parâmetros permanecem
com o seu valor anterior.

NOTA
Os valores ajustados automaticamente apesar de
atender o maior número de aplicações, podem ser
melhorados para atender as necessidades da sua
aplicação.
Segue abaixo um procedimento para melhorar o
desempenho do controle de bombas.

Ajuste final da função de controle de bombas:

NOTA
Este ajuste somente deve ser feito para melhorar o
desempenho do controle de bombas quando a
motobomba já estiver instalada e apta a funcionar em
regime pleno.
1. Colocar P45 (Pump Control) em “On”.
2. Ajustar P14 (Subcorrente) ou colocar P15 (Tempo
de Subcorrente) em “OFF” até o fim do ajuste.
Depois reprogramá-lo.
3. Verificar o correto sentido de giro do motor,
indicado na carcaça da bomba.
4. Ajustar P01 (Tensão inicial % UN) no nível
necessário que comece a girar o motor, sem que
haja trepidação.
5. Ajustar P02 (Tempo de aceleração [s]) para o
tempo de partida exigido pela carga.

92
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Com o auxílio do manômetro da tubulação,


verificar o aumento da pressão, que deve ser
contínua até o nível máximo exigido sem que haja
“overshoots”. Se houver, aumente o tempo de
aceleração até reduzir ao máximo esses
“overshoots” de pressão.
6. P03 (Degrau de tensão % uN) usar esta função para
provocar uma queda imediata ou mais linear de
pressão na desaceleração da moto-bomba.
7. P04 (Tempo de desaceleração) com o auxílio do
manômetro, ao desacelerar o motor, deve-se
verificar a contínua queda de pressão até que se
atinja o nível mínimo sem que haja o golpe de
Aríete no fechamento da válvula de retenção. Se
houver, aumente o tempo de desaceleração até
reduzir ao máximo as oscilações.

NOTAS
 Se não houver manômetros de observação nas
tubulações hidráulicas os golpes de Aríetes podem
ser observados através das válvulas de alívio de
pressão.

 Tempos de aceleração e desaceleração muito


grandes sobreaquecem os motores. Programe os
tempos mínimos necessários para sua aplicação.

P47 - Tempo para auto-reset (s)


Quando ocorre um erro, exceto E01, E02 e E07
ou E2x, a Soft-starter poderá provocar um
“reset” automaticamente, após transcorrido o
tempo programado em P47.
Se P47= OFF não ocorrerá “Auto-Reset”. Após
transcorrido o “Auto-Reset”, se o mesmo erro
voltar a ocorrer por três vezes consecutivas (*),
a função de “Auto-reset” será inibida. Portanto,
se um erro ocorrer quatro vezes consecutivas,
este permanecerá sendo indicado (e a Soft-
Starter bloqueada) permanentemente.

(*) Um erro é considerado reincidente, se este voltar a


ocorrer até 60 segundos após o último erro ter
ocorrido.

93
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

5.3 PARÂMETROS DE P43 - Relé By- Pass


CONFIGURAÇÃO Esta função quando habilitada permite a
utilização da indicação de Tensão Plena,
através do RL1 ou RL2
(P51 ou P52), acionar um contador de By-Pass.
A principal função do By-Pass da soft-starter é
eliminar as perdas em forma de calor
ocasionadas pela Soft-Starter.

NOTA
1) Sempre que for utilizado o contator de by-pass
deve-se programar esta função.

2) Para não perder as proteções referentes a leitura


de corrente do motor, os transformadores de
corrente deverão ser colocados externamente a
conexão do contador de by-pass através do módulo
MAC-0x.

3) Quando P43 em “On” os parâmetros P74 e P76


ficam inativos “OFF”.

P44 - Economia de energia


Pode ser habilitada ou desabilitada, sendo que
quando habilitada sua função é a de diminuir
as perdas no entreferro do motor, quando sem
ou com pouca carga.

NOTAS
1) A economia total de energia depende de que carga
está o motor.

2) Esta função gera correntes harmônicas


indesejáveis na rede devido a abertura do ângulo
de condução para diminuição da tensão.

3) Quando P44 em “On” os parâmetros P74 e P76


ficam inativos (“OFF”).

4) Não pode ser habilitada com by-pass (P43 em


“On”).

5) O Led “Run” fica piscando quando a função


economia de energia está habilitada.

94
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Figura 5.8 - Economia de energia

P46 - Valores Default (carrega parâmetros de


fábrica)
Quando colocada em ON esta função força a
parametrização da Soft-Starter conforme valo-
res de fábrica, exceto os parâmetros P22 e P23.

P50 - Programação do Relé RL3


Habilita o relé RL3 a funcionar conforme
descrito a seguir:

1. Fecha o contato N.A. sempre que a SSW-03 estiver


sem ERRO.

2. Fecha o contato N.A. somente quando a SSW-03


estiver em estado de ERRO.

P51 - Função do Relé RL1


Habilita o Relé RL1 a funcionar conforme
parametrização abaixo:

1. Função “Operação”, o relé é ligado


instantaneamente com o comando de aciona da
Soft-Starter, só desligando quando a Soft-Starter
recebe um comando de desaciona (P04=OFF), ou
por rampa quando a tensão chega à 30% UN
(P04=OFF). Mostrado na figura 5.9.

2. Função “Tensão Plena”, o relé é ligado somente


após a Soft-Starter atingir 100% , e desligado
quando a Soft-Starter recebe um comando de
desliga. Conforme mostrado na figura 5.9.

NOTA
Quando se utilizar da função de Tensão Plena para
acionar o contador de By-Pass, o parâmetro P43 deve
estar em “On”.

95
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Figura 5.9 - Funções “operação” e “tensão plena”

Figura 5.10 - Esquema simplificado de aplicação do relé com função final


de rampa para ligar banco de correção de fator de potência

96
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

3. Função “Sentido de Giro”, o relé é ligado quando a


entrada digital (DI3) é mantida fechada, e
desligado quando aberta. O relé RL1 apenas
comandará um contator que deverá ser ligado na
saída da SSW-03, o qual fará a reversão de 2 fases
de alimentação do motor. Conforme mostrado na
figura 5.11.

Figura 5.11 - Função “sentido de giro”

P52 – Função do Relé RL2

1-2. Habilita o relé RL2 a funcionar.

3. Função “Frenagem cc”, o relé é ligado quando a


soft-starter recebe um comando de desliga. Para
esta função deverá ser utilizado um contador.
Conforme mostrado na figura 5.12.

97
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Figura 5.12 - Relé para Função Frenagem CC

NOTA
Tanto P51 como P52 quando programados para uma
função, vão executá-las independentemente se os
contatores estão ligados externamente. Portanto antes
de realizar suas programações fazer todas as ligações
externas necessárias.

P53 - Programação da entrada Digital 2


Habilita a entrada digital 2 (borne X2:2) a
funcionar conforme códigos descritos:

OFF = “Sem Função”

1. “Reset de erros”, reseta um estado de erro toda vez


que a entrada DI2 estiver em +24Vcc (X2:5).

2. “Erro Externo”, pode servir como proteção


adicional da carga, atua quando entrada aberta.
Ex.: Proteção térmica do motor através de contato
seco (Livre de tensão) de um relé de proteção
(Termostato).

3. “Habilita Geral”, pode ser utilizada a entrada DI2


como emergência da Soft-Starter, para tanto o
borne X2:2 deverá estar conectado ao +24Vcc
(X2:5).

98
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

4. “Controle a três fios, possibilita que a soft-Starter


seja comandada através de duas entradas digitais.
DI1 (X2:1) como entrada de aciona e DI2 (X2:2)
como entrada de desaciona. Podendo-se assim
colocar diretamente uma botoeira de duas teclas.
Conforme item “Diagramas de ligação típicos”
neste guia.

P54 - Programação da entrada digital 3


Habilita a entrada digital 3 (Borne X2:3) a
funcionar conforme códigos descritos:

OFF = “Sem Função”

1. “Reset de Erros”

2. “Erro Externo”

3. “Habilita Geral”

4. “Sentido de Giro”, habilita a entrada digital 3 (DI3)


quando ligada ao +24Vcc (X2:5), acionar o relé
RL1 (conforme descrito no item 6.4.5) e fazer a
função de reversão do sentido de giro do motor
com o auxílio de um contator ligado à saída da
Soft-Starter. Conforme item “Diagramas de ligação
típicos” neste Guia.

NOTA
Para esta função o parâmetro P51 deverá estar
programado em “3”.

P55 - Programação da entrada digital 4


Habilita a entrada digital 4 (borne X2:4) a
funcionar conforme códigos descritos:

OFF = “Sem função”

1. “Reset de Erros”

2. “Erro Externo”

3. “Habilita Geral”

4. “Função JOG”, Habilita a entrada digital 4 (DI4)


quando ligada à +24Vcc (X2:5), fazer a soft-starter
aplicar a tensão de JOG (P33) ao motor.

99
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

P56 - Programação da Saída Analógica


Habilita a saída analógica 8 bits (X2:8 e X2:9)
valor em tensão 0...10Vcc (Ganho ajustável
P57) indicar as seguintes grandezas:

OFF = “Sem função”

1. “Corrente”, proporcional à corrente circulando pela


chave em % IN.

2. “Tensão” proporcional à tensão de saída da chave


em % UN.

3. “Fator de potência”, proporcional ao fator de


potência da carga sem considerar as correntes
harmônicas.

4. “Proteção térmica do motor”, proporcional ao


estado térmico do motor em %.

P57 - Ganho da saída analógica


Ajusta o ganho da saída analógica definida
pelo parâmetro P56.

NOTA
Ganho 1,00 temos a seguinte condição:
P56 = 1 Saída 10 Vcc quando 500% da In da Soft-
Starter.
P56 = 2 Saída 10 Vcc quando 100% da Un na saída
da Soft-Starter.
P56 = 3 Saída 10 Vcc quando fator de potência da
carga igual à 1,00.
P56 = 4 Saída 10 Vcc quando o estado da proteção
térmica do motor (P82) é igual à 250%.

100
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

P61 - Habilitação dos Comandos

P61 = OFF P61 = ON


Comandos Descrição
Entrada Digital IHM Serial
I/O X X X Entrada Digital ou IHM/Serial
Função JOG X X Entrada Digital 4 (DI4) ou Serial
Sentido de Giro X X Entrada Digital 3 (DI3) ou Serial
Habilita Geral X X Entradas Digitais 2, 3, 4 ou Serial

Comandos que dependem do ajuste de P61

- I/O (Aciona/Desaciona):Quando P61 = OFF


Possibilita a partida e parada do motor via
entradas digitais (DI1 ou DI1/DI2).

- Quando P61 = ON Possibilita a partida e parada do


motor via IHM-3P e serial. Quando P61 = ON, a
entrada digital “DI1” fica sem função.

NOTA
Para efetuar esta seleção através de IHM-3P/Serial ou
Entrada Digital, o motor deverá estar parado, inclusive
quando a troca é de IHM-3P/Serial para Entrada Digital
(DI1), esta deverá estar aberta. Sendo que se a Entrada
Digital (DI1) estiver fechada a parametrização não será
processada, e o display irá indicar E24.

- Função JOG: Poderá ser programado na Entrada


Digital (DI4) se P61 = OFF, ou P61 = ON seu
funcionamento é via Serial.

- Função troca de Sentido de giro: Poderá ser


programado na Entrada Digital (DI3) se P61 = OFF,
ou P61 = ON seu funcionamento é via Serial.

- Habilita Geral: Poderá ser utilizado como


“Comando de Emergência”, sendo que pode ser
programado para qualquer uma das Entradas
Digitais DI2, DI3 ou DI4 e também via serial (desde
que P61 = ON). Se mais de uma Entrada Digital for
programada para esta função, a primeira que abrir
funcionará como Emergência. Se o comando
também for habilitado para Serial (P61=ON) todas
as Entradas Digitais programadas para habilita
geral deverão estar fechadas.
101
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Comandos Entrada Digital IHM Serial Descrição


Erro Externo X Somente via Entradas Digitais 2, 3 ou 4
Reset de Erros X X X Disponível em todos

- Erro Externo: Pode ser programado para


qualquer uma das Entradas Digitais DI2, DI3 ou
DI4. Caso não seja programado não existe atuação.
Se mais de uma Entrada Digital for programada
para “Erro Externo”, qualquer uma irá atuar
quando esconectada do +24Vcc (X2:5).

- Reset de Erros: É aceito via IHM-3P, Serial e


Entradas Digitais DI2, DI3 ou DI4 quando
programadas. Quando mais de uma Entrada Digital
for programada, qualquer uma tem possibilidade
de resetar um estado de erro, bastando para tanto
receber um pulso de +24Vcc (X2:5).

P62 - Endereço da Soft-Starter na rede de


comunicação
Define o endereço que a Soft-Starter vai
responder na rede de comunicação entre todos
os equipamentos que nela estiverem
conectados.

5.4 PARÂMETROS DO P21 - Ajuste da corrente do motor (% IN da


MOTOR chave)
Ajusta o valor da corrente do motor
percentualmente em relação a nominal da
chave.
Supervisiona as condições de sobrecarga
conforme a curva da classe térmica selecionada
em P25, protegendo o motor termicamente
contra sobrecargas aplicadas ao seu eixo.
Ao exceder o tempo de sobrecarga definido
pela Classe de Proteção térmica, o motor é
desacionado e será indicado no display da
IHM-3P erro E04.
Fazem parte da proteção térmica os seguintes
parâmetros: P21, P25, P26 e P27.

102
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Para desabilitar a proteção térmica colocar


P21=OFF.

Exemplo: Como ajustar P21:


IN da chave = 170A
IN do motor = 140A

140A
–––––––– = 0,823
170A

P21 = 82,3%

Obs.: O erro de sobrecarga do motor, erro E04,


mesmo que a CPU seja resetada, o valor de sobrecarga
é mantido na memória e quando a CPU é desligada, o
último valor é memorizado. O valor só é decrementado
com a chave ligada e o motor com carga abaixo da
nominal ou desligado.

P25 - Classes térmicas da proteção de


sobrecarga do motor
Determina as curvas de atuação da proteção
térmica do motor conforme IEC 947-4-2,
mostrado no gráfico abaixo:

Figura 5.13 - Classes térmicas

103
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

NOTA
Quando o motor está a quente, os tempos da curva são
reduzidos pelos fatores mostrados na tabela a seguir.
Estes fatores são aplicados para motores com carga
trifásica simétrica.

Classes 5 até Classe 30.

Tabela - Múltiplos para partidas a quente.

IP / IN O 20% 40% 60% 80% 100%


= P26 1 1 1 1 1 1
> P26 1 0,84 0,68 0,51 0,35 0,19

Exemplo:
Um motor está sendo operado com 100% IN e é
desligado.
Imediatamente torna-se a ligá-lo. A classe térmica
selecionada em P25 é 10. A corrente de partida é de
3XIN.
O tempo de atuação é aproximadamente de 23s. O
fator de ajuste na tabela para 100% IN é de 0,19.

O tempo final de atuação será 0,19 X 23s = 4,3s.

P26 - Fator de Serviço do motor


Ajusta o Fator de Serviço do motor (F.S.)
conforme a placa de identificação do motor.
Este valor vai definir qual o valor de carga que
o motor suporta.

P27 - Auto-reset da Imagem Térmica


Ajusta o tempo para auto-reset da imagem
térmica do motor.
O tempo de decremento da imagem térmica do
motor simula o resfriamento do motor, com ou
sem carga, ligado ou desligado. O algorítmo
que realiza esta simulação é baseado em testes
de motores Weg IP55 Standard conforme a sua
potência programado nos parâmetros da Soft-
Starter.
Para aplicações que necessitem de várias
partidas por hora pode-se utilizar o auto-reset
da imagem térmica.

104
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Figura 5.14 - Auto-reset da imagem térmica

NOTA
Lembre-se que ao utilizar esta função pode-se diminuir
a vida útil do enrolamento do seu motor.

5.5 ERROS E POSSÍVEIS A Soft-Starter pode indicar erro de programação


CAUSAS incorreta (E24), erros de serial (E2X) e erros de
hardware (E0X).

Erro de programação (E24)


Erro de programação incorreta (E24), não deixa que o
valor alterado incorretamente seja aceito. Este erro
ocorre quando se altera algum parâmetro com o motor
desligado e nas seguintes condições de
incompatibilidade entre parâmetros.

P11 limitação de corrente com P41 kick start.


P41 kick start com P55=4 em Jog.
P43 by-pass com P44 economia de energia
P61 em OFF com ED1 acionada ou P55 Jog acionado.

105
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Para sair desta condição de erro basta pressionar as


teclas P, I, O.

Erros de comunicação serial (E2X)


Erros de comunicação serial (E2X), não deixam que o
valor alterado ou enviado incorretamente seja aceito.
Para maiores detalhes ver Manual da Comunicação
Serial SSW-03. Para sair desta condição de erro basta
pressionar as teclas P, I, O.

Erros de hardware (E0X)


Erros de hardware (E0X) bloqueiam a Soft-Starter. Para
sair desta condição de erro, desligar a alimentação e
liga-la novamente ou através da tecla . Antes deverá
ser solucionado o erro.

NOTA
Forma de atuação dos erros :
Todos os erros E01...E08 desligam o relé RL3 e
bloqueiam os pulsos de disparo dos tiristores além de
indicar o erro no display.

OBS. : Cabos de ligação entre a Soft-Starter e o motor


muito longos (superior a 150m) ou cabos blindados
poderão apresentar uma grande capacitância. Isto
pode ocasionar o bloqueio da Soft-Starter através do
erro E01.

Solução:
Ligar uma reatância trifásica em série com a linha de
alimentação do motor. Neste caso consultar a fábrica.

106
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Erros de hardware

ERRO RESET CAUSAS MAIS PROVÁVEIS

 Desligar e religar  Falta de fase da rede trifásica


a eletrônica  Curto ou falha no tiristor
E01
 Motor não conectado
 Ou através da  Freqüência de rede com variação superior a 10%
tecla
 Tempo da rampa de aceleração programada
E02  Ou através da menor que o tempo real de aceleração em função
entrada digital da limitação de corrente estar ativada
programada
para reset  Temperatura ambiente superior a 40 ºC e corrente
elevada
E03  Ou através da  Tempo de partida com limitação da corrente
serial superior ao especificado pela chave
 Elevado número de partidas sucessivas
 Ventilador bloqueado ou defeituoso

 Ajuste de P21, P25 e P26 muito abaixo para o


E04 motor utilizado
 Carga no eixo do motor muito alta
 Elevado número de partida sucessivas

 Bomba funcionando à seco


E05  Carga desacoplada no eixo do motor

 Curto-circuito entre fases


E06  Eixo do motor travado (bloqueado)

E07  Seqüência de fase da rede de entrada invertida

E08  Fiação da régua X2.3 e X2.5 aberta (não


conectada à 24Vcc)

107
5 PARÂMETROS DA SOFT-STARTER

Possíveis erros de hardware e como resolvê-los.

PROBLEMA PONTO A SER AÇÃO CORRETIVA


VERIFICADO

 Fiação errada 1. Verificar todas as conexões de potência e


comando. Por exemplo, verificar a entrada digital
de erro externo que deve estar conectada em +
24Vcc.
Motor não gira
 Programação 1. Verificar se os parâmetros estão com os valores
errada corretos para a aplicação.

 Erro 1. Verificar se a Soft-Starter não está bloqueada


devido a uma condição de erro detectado (ver
tabela anterior).

Rotação do  Conexões 1. Desligue a Soft-Starter, desligue a alimentação e


motor oscila frouxas aperte todas as conexões.
(flutua) 2. Checar o aperto de todas as conexões internas
da Soft-Starter.

Rotação do  Dados de placa 1. Verificar se o motor utilizado está de acordo com


motor muito do motor a aplicação.
alta ou muito
baixa

 Conexões da 1. Verificar se as conexões da IHM à Soft-Starter


IHM (cartão CCS1.1X).

Display  Verificar tensão 1. Valores nominais devem estar dentro do


apagado de alimentação seguinte:
X1.1 e X1.2 Para 220/230 Vca Para 110/120 Vca
Umin = 187 Vca Umin = 93,5 Vca
Umáx = 253 Vca Umáx = 132 Vca

Trancos na  Parametrização 1. Reduzir tempo ajustado em P04.


desaceleração da Soft-Starter
de bombas

108
6
DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO
MOTOR + SOFT-STATER

6.1 Introdução
6.1.1 Definições
6.1.2 Relações básicas

6.2 Interação entre processo, máquina, motor


e acionamento
6.2.1 A importância do processo/máquina
6.2.2 Aplicação de acionamentos elétricos - problemas típicos

6.3 O que a carga requer


6.3.1 Tipos de cargas
6.3.2 O pico de carga
6.3.3 Estimando cargas

6.4 Seleção de acionamentos motor/soft-


starter
6.4.1 Categorias
6.4.2 Capacidade térmica da Soft-Starter
6.4.3 Corrente RMS num ciclo ( IRMS )
6.4.4 Casos especiais
6.4.5 Tempo de rotor bloqueado do motor
6.4.6 Tempo de aceleração

6.5 Queda de tensão momentânea (Voltage


Sag / Voltage Dip)
6.5.1 Conseqüências de uma queda de tensão momentânea
6.5.2 Cometários sobre soluções contra queda de tensão momentânea
6.5.3 Capacidade relativa da rede de alimentação
6.5.4 Cometários sobre a queda de tensão e a influência na partida do motor

6.6 Aplicações típicas


6.6.1 Máquinas com partidas leves
6.6.2 Máquinas com partidas severas

6.7 Regras práticas de dimensionamento


6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.1 INTRODUÇÃO Ao final deste capítulo teremos cumprido duas missões


importantes.

1) A mais importante é que aprenderemos a


distinguir uma aplicação trivial de outra exigente.

Observe que estaremos considerando “exigentes” não


apenas àquelas cujo ciclo de operação e carga são
severos, mas também aquelas aplicações onde o
ambiente ou a rede de alimentação elétrica têm
características desfavoráveis.

Seremos capazes de identificar uma aplicação exigente


aprendendo quais características analisar e, com
segurança, trilhar o caminho da escolha correta da
Soft- Starter.

2) Nossa outra missão é mostrar como é simples a


escolha certa da Soft-Starter nas aplicações mais
usuais.

Trata-se de um equipamento operacionalmente flexível


e amigável, que possibilita uma série de ajustes,
alcançando a melhor condição de partida para uma
série de aplicações. Apresentaremos algumas dicas e
comentários genéricos sobre várias aplicações.
Acreditamos que isto será útil ao leitor deste capítulo
quando estiver exercitando seus conhecimentos na
prática.

Embora o tema exposto seja a base da aplicação da


Soft Starter, salientamos que, em caso de dúvida, as
mesmas informações estão disponíveis (embora de
maneira menos erudita e mais prática) através do SDW
- Software de Dimensionamento Weg. Anexo 2). Use o
SDW em conjunto com este guia.

6.1.1 Definições MOTOR - Sempre que houver uma menção genérica


a ”motor” nesta seção, estará se referindo ao motor
de corrente alternada (ca) de indução, assíncrono, com
rotor tipo gaiola de esquilo, a menos de declaração
explícita ao contrário.

ACIONAMENTO - A palavra acionamento significa


aqui, o conjunto compreendido pelo motor e seu

111
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

sistema de partida, mais qualquer aparelho eletrônico


de controle envolvido (tal como um inversor).

CARGA - A palavra carga significa aqui, o conjunto de


componentes da máquina que se movem, ou que estão
em contato e exercem influência sobre eles,
começando a partir da ponta-de-eixo do motor.

TORQUE - O torque pode ser definido como “a força


necessária para girar um eixo”. Ele é dado pelo
produto da força tangencial F (N) pela distância r (m),
do ponto de aplicação da força ao centro do eixo. A
unidade de torque no SI (Sistema Internacional) é o
Nm (Newton-metro).

INÉRCIA - Inércia é a resistência que uma massa


oferece à modificação do seu estado de movimento.
Todo corpo que tem massa tem inércia. Uma massa em
repouso requer um torque (ou força) para colocá-la em
movimento. Uma massa em movimento requer um
torque (ou força) para modificar a sua velocidade ou
para colocá-la em repouso. O momento de inércia de
massa J (kgm 2) de um corpo depende da sua massa m
(kg) e da distribuição da massa ao redor do eixo de
giro, ou seja, da sua geometria. O Anexo 1 traz as
fórmulas para o cálculo do momento de inércia de
massa de diversos corpos comuns.

6.1.2 Relações básicas Torque


O torque T (Nm) é o produto da força F (N) necessária
para girar o eixo, pela distância r (m) do ponto de
aplicação da força ao centro do eixo:

T=F*r
(6.1)

Este é o torque necessário para vencer os atritos


internos da máquina parada, e por isso é denominado
de torque estático de atrito, Te at .

Pode-se determinar o torque demandado para por em


movimento uma máquina, medindo a força, por
exemplo, utilizando uma chave de grifo e um
dinamômetro de mola (figura 6.1).

112
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Figura 6.1 - Medição de torque

Exemplo:
Se obtivermos uma leitura de força de 75 N (~ 7,6 kgf)
a 0,6 m (600 mm) do centro do eixo de entrada, o
torque será (eq. 6.1)

Te at = 75 * 0,6 = 45,0 Nm

POTÊNCIA
A potência P é dada pelo produto do torque T (Nm)
pela velocidade de rotação n (rpm)

P = (2*/60) * T * n
(6.2)

e a unidade é o Watt. (Lembre-se: 1.000 W = 1 kW)

Exemplo:
Se a máquina demandasse os mesmos 45,0 Nm a uma
velocidade de rotação de 1.760 rpm, então a potência
seria (eq. 6.2)

P = (2*/60) * 45,0 * 1.760 = 8.294 W (~ 8,3 kW)

ACELERAÇÃO (DESACELERAÇÃO)
O torque T (Nm) necessário para acelerar (ou
desacelerar) uma carga com momento de inércia de
massa (ou simplesmente inércia) J (kgm 2), da
velocidade de rotação n 1 (rpm) para n2 (rpm), em um
tempo t (s), é dado por

Td ac = (2*/60) * J * (n 2 – n1) / t
(6.3)

Este torque é chamado de torque dinâmico de


aceleração , Td ac . Se n2 > n1 (aceleração), Td ac é

113
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

positivo, significando que seu sentido é igual ao


sentido de rotação; se n2 < n 1 (desaceleração),
Td ac é negativo, significando que seu sentido é
contrário ao sentido de rotação.

Exemplo:
Um cilindro maciço de alumínio, de diâmetro d = 165
mm e comprimento l = 1.200 mm, e portanto com
uma massa m de aproximadamente 69,3 kg, tem
momento de inércia de massa J de (eq. A1.1, Anexo 1)

J = 1/8 x 69,3 x 0,1652 = 2,36E10 –1 kgm 2

Se o corpo deve acelerar de de 0 a 1.760 rpm no


tempo de 1,0s, então o torque de aceleração será (eq.
6.3)

Td ac = (2*/60) * 2,36E10 -1 * (1.760 – 0) / 1,0


= 43,5 Nm

Adicionando-se o torque de aceleração acima


calculado ao torque de atrito calculado no primeiro
exemplo acima, tem-se

T = 45,0 + 43,5 = 88,5 Nm

e para a potência (eq. 6.2)

P = (2*/60) * 88,5 * 1.760 = 16.303 W (~ 16,3 kW)

EFEITO DE UMA TRANSMISSÃO MECÂNICA


Por transmissão mecânica entende-se um redutor (ou
multiplicador) de velocidade como, por exemplo, um
redutor de engrenagens, ou uma redução por polias e
correia em V, ou ainda correia dentada. Uma
transmissão mecânica tem dois parâmetros importantes
para o dimensionamento do acionamento, que são: (a)
a razão de transmissão iR, e (b) a eficiência R . No caso
de redutores de engrenagens estes parâmetros são
fornecidos pelo fabricante do mesmo, e no caso de
transmissões por polias e correias, podem ser
calculados a partir dos parâmetros da transmissão
(razão dos diâmetros efetivos ou razão dos números de
dentes).

114
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Redutores de velocidade são utilizados, por exemplo,


no acionamento de máquinas de baixa velocidade,
entre o eixo do motor e o eixo de entrada da máquina.
Assim como a velocidade de rotação do motor é
reduzida na proporção da razão de transmissão iR,
também o torque do motor é multiplicado na mesma
proporção. Além disso, uma parte da energia que entra
é consumida pelas perdas internas (atritos, ruído, etc),
quantificadas pela eficiência R . Assim, o torque
necessário na entrada de um redutor, T 1 (Nm) em
função do torque demandado na saída T2 (Nm) é dado
por

T1 = T2 /( iR * R )

(6.4)

Exemplo:
Se no exemplo 4, com T2 = 88,5 Nm, houvesse um
redutor de engrenagens de 1 estágio com razão de
transmissão iR = 1,8 e eficiência R = 0,85 teríamos
para o torque T1 (eq. 6.4)

T1 = 88,5 / (1,8 * 0,85) = 57,8 Nm

A velocidade máxima do motor deveria ser então

n 1 = 1.760 * 1,8 = 3.168 rpm

E a potência (eq. 6.2)

P = (2*/60) * 57,8 * 3.168 = 19.179 W (~ 19,2 kW)

115
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.2 INTERAÇÃO ENTRE Em primeiro lugar vem o processo.


PROCESSO,
MÁQUINA, MOTOR E Para um empreendedor que precisa bombear água,
ACIONAMENTO moer grãos, acionar esteiras, ter suprimento de ar
comprimido, ventilar uma área, ou o que seja, o uso do
6.2.1 A importância do motor elétrico é uma conseqüência.
processo/máquina
Ou seja, não é o foco principal do empreendedor as
restrições tecnológicas existentes para mover seu
processo. Dentre as soluções de acionamentos
existentes para aquela máquina ou processo, cabe ao
nosso empreendedor (ou seus projetistas) escolher a
melhor solução para o cenário composto pelo tipo de
máquina/ processo, e pelos recursos de que ele dispõe.
Por isto quem se propõe a aplicar um acionamento com
motor elétrico deve, antes de tudo, compreender o
processo, ou seja, o que a máquina exige.
Por exemplo, suponhamos um pequeno empreendedor
rural que produz determinado grão, e um subproduto
que é resultado de moagem.

Figura 6.2 - Roda d’água. A solução de motorização de um processo nem


sempre contou com a flexibilidade dos motores elétricos. Não importa a
solução de motorização, sempre a compreensão das necessidades do
processo teve maior importância

Para uma pequena produção (ou uso próprio) ele pode


usar sua própria força ou a de empregados, a força de
uma queda d’água em um monjolo, a força da tração
animal, etc. O processo vem primeiro, e daí vem a

116
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

solução para movimentá-lo.


Para um nível comercial de produção, é necessário
lançar mão de alguma motorização que atinja o
objetivo usando melhor os recursos. Que seja mais
eficiente.
Dentro de um universo de soluções para movimentar
seu processo (moagem, em nosso exemplo), nosso
empreendedor optará pelo motor elétrico trifásico.
Provavelmente a máquina que ele irá adquirir será
fornecida com o motor instalado.
E por que o fabricante do moinho já fornece a máquina
com o motor elétrico e não com um motor diesel, por
exemplo? Ou um motor DC? Ou com uma turbina?
O suprimento de energia elétrica AC é muito mais
conveniente de ser lidado do que qualquer outro
(diesel, energia DC, vapor, água, etc.).
Seu uso é mais difundido, sua manutenção é mais
simples, o domínio de suas características e
principalmente de suas restrições é comum a mais
profissionais.
E por que o fabricante do moinho ou o nosso
empreendedor deveriam utilizar a Soft-Starter para
acioná-lo?

Figura 6.3 - SSW-03 e SSW-04. A crescente sofisticação das máquinas e


processos, assim como, a maior consciência da necessidade de preservar
nossos recursos e instalações, criou um ambiente propício ao
acionamento suave das nossas máquinas

117
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Porque eles desejam uma motorização que:


1) provoque menor desgaste mecânico, e
conseqüentemente, traga menos paradas para
manutenções;
2) provoque menores distúrbios na rede elétrica,
mantendo o funcionamento estável de outros
equipamentos;
3) utilize melhor os suprimentos energéticos daquela
região, recompensando-o com uma maior
facilidade no atendimento as restrições de
demanda.

O que nos reservará o futuro, no lugar do motor


elétrico e da Soft-Starter para acionar nossas
máquinas?

NOTA: Para preservar a simplicidade do exemplo, foi


omitida a análise devida da aplicação (moinho).

6.2.2 Aplicação de Uma fonte de problemas ao se tratar de sistemas de


acionamentos acionamentos elétricos é a aplicação inadequada dos
elétricos - Problemas tipos diferentes que existem.
típicos
Como vimos no capítulo 1, um motor de anéis e um
motor com rotor tipo gaiola de esquilo têm
características peculiares, que devem ser levadas em
conta. Não só as características de torque são
diferentes, mas também há consideráveis diferenças de
custos, recursos de partida, dimensões de carcaças, etc.
É necessário, portanto, conhecimento de como o motor
interage com o sistema de controle, e estes dois por sua
vez, com a máquina acionada e com a rede de
alimentação.
O dimensionamento é, primordialmente, feito com base
no torque requerido pela carga.
Assim, pode-se dizer que é necessário conhecer muito
bem a máquina a ser acionada. É muito importante
fazer uma quantidade tão grande quanto possível de
perguntas, mesmo a respeito de coisas aparentemente
insignificantes. É impossível perguntar demais, e um
dos segredos está em entender muito bem a aplicação.
É necessário ainda uma compreensão das relações

118
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

entre potência, torque, velocidade e aceleração/


desaceleração, bem como do efeito de uma transmissão
mecânica no contexto da motorização de uma
máquina.

6.3 O QUE A CARGA Antes de mais nada convém relembrar a definição do


REQUER termo carga, da Sec. 6.1.1: Neste material a palavra
carga significa: “O conjunto de componentes da
máquina que se move, ou que está em contato e exerce
influência sobre eles, começando a partir da ponta-de-
eixo do motor”.
Devemos iniciar preocupando-nos com a carga, e não
com o motor ou com o inversor. Um bom trabalho de
decisão a respeito do melhor sistema de acionamento
de uma máquina requer que a máquina em sí seja
considerada primeiramente. Se você não conhece a
máquina em profundidade não poderá tomar decisões
acertadas com respeito ao seu acionamento.
Com esta finalidade é de grande utilidade um “check
list”, que contenha uma coletânea de sugestões de
perguntas a serem feitas. Pergunte-se a respeito da
performance e das demandas da máquina. A carga é
constante ou variável? É necessária uma aceleração
rápida? Neste caso, qual é o máximo tempo de
aceleração admitido? O regime de serviço é contínuo,
ou interrompido, e repetido em intervalos? Vide o
Anexo 3 a este guia para modelo de check-list.
Vamos nos concentrar daqui por diante na
determinação do torque demandado pela carga.

6.3.1 Tipos de cargas Geralmente os dados a respeito do torque demandado


pela carga são apresentados na forma de um gráfico
“torque versus velocidade”. Não precisa ser um gráfico
impecavelmente produzido, com linhas perfeitas e
coloridas. Importante é que seja de bom tamanho (não
muito pequeno), e em escala. Pode muito bem ser feito
a mão.
Geralmente as cargas caem em uma das seguintes
categorias:

 Torque constante
O torque demandado pela carga apresenta o mesmo

119
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

valor ao longo de toda a faixa de velocidades. Logo,


a demanda de potência cresce linearmente com a
velocidade (figura 6.4a). Uma esteira
transportadora movimentando uma carga de 1 ton
de peso a 0,1 m/s, por exemplo, requer
aproximadamente o mesmo torque que se estivesse
a 1,0 m/s. Outros exemplos de cargas com este tipo
de comportamento são: equipamentos de içamento
(guindastes e elevadores), laminadores, extrusoras,
e bombas de deslocamento positivo (de pistões, de
engrenagens e helicoidais).

 Potência constante
O torque inicial é elevado e diminui
exponencialmente com o aumento da velocidade. A
potência demandada permanece constante ao longo
de toda a faixa de variação de velocidade (figura
6.4b). Isto normalmente é o caso em processos onde
há variações de diâmetro, tais como máquinas de
bobinamento e desbobinamento, e desfolhadores,
bem como em eixos-árvore de máquinas-
ferramenta. Quando o diâmetro é máximo, é
demandado máximo torque a baixa velocidade. A
medida que diminui o diâmetro, diminui também a
demanda de torque, mas a velocidade de rotação
deve ser aumentada para manter constante a
velocidade periférica.

 Torque linearmente crescente


O torque cresce de forma linear com o aumento da
velocidade, e portanto a potência cresce de forma
quadrática com esta (figura 6.4c). Exemplo de carga
com este comportamento são prensas.

 Torque com crescimento quadrático


O torque demandado aumenta com o quadrado da
velocidade de rotação, e a potência com o cubo
(figura 6.4d). Exemplos típicos são máquinas que
movimentam fluidos (líquidos ou gases) por
processos dinâmicos, como, por exemplo, bombas
centrífugas, ventiladores, exaustores e agitadores
centrífugos. Estas aplicações apresentam o maior
potencial de economia de energia já que a potência
é proporcional à velocidade elevada ao cubo.

120
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Figura 6.4a - Cargas típicas (TORQUE CONSTANTE) Figura 6.4b - Cargas típicas (POTÊNCIA CONSTANTE)

Figura 6.4c - Cargas típicas (TORQUE LINEARMENTE Figura 6.4d - Cargas típicas (TORQUE COM
CRESCENTE) CRESCIMENTO QUADRÁTICO)

6.3.2 O pico da carga O pico de torque é diferente para cada tipo de


máquina e precisa ser corretamente identificado. Em
alguns casos o torque de partida é muito elevado, tal
como num transportador muito pesado. Uma carga de
alta inércia que requer aceleração muito rápida,
igualmente terá uma alta demanda de torque durante
a aceleração. Outras aplicações apresentarão demanda
máxima durante a operação em regime, e não na
partida, com sobrecargas súbitas aparecendo
periodicamente.

121
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.3.3 Estimando cargas Por vezes é necessário determinar o torque


demandado por uma máquina existente, que tem um
motor CA alimentado diretamente pela rede. A
corrente elétrica consumida pelo motor é um bom
indicativo do torque demandado. Se for possível tomar
valores de corrente em cada uma das condições de
operação da máquina, pode-se chegar a uma boa
aproximação do torque demandado pela máquina. A
corrente deveria ser medida em uma das fases do
motor no momento da partida, durante a aceleração,
durante o funcionamento normal e ainda em eventuais
situações de sobrecarga. Importante também é
determinar a duração de cada uma dessas condições
dentro do ciclo da máquina.
Em seguida verifica-se o valor da corrente nominal na
plaqueta de identificação do motor.

Exemplo:
Um motor de 15 kW, 1760 rpm, 220 V tem uma
corrente nominal de 52,0 A. O rendimento deste motor
a 100 % da potência nominal é de 89,8 %. Isto significa
que 89,8 % de 52,0 A = 46,7 A vão produzir torque. Os
demais 52,0 – 46,7 = 5,3 A vão suprir as perdas e
produzir a excitação do motor.

O torque nominal do motor pode ser calculado a partir


da potência e da rotação nominais, como segue (eq.
6.2)

T = 15000/((2/60) x 1760) = 81,4 Nm

Pode-se dizer que o motor vai desenvolver então

81,4 Nm / 46,7 A = 1,743 Nm/A produtor de torque

Assim, a uma leitura de corrente de 20 A, por exemplo,


corresponderá um torque de

(20 – 5,3) x 1,743 = 25,6 Nm

Este raciocínio é válido até a rotação nominal. O torque


de um motor CA operando com inversor de freqüência
acima da rotação nominal varia inversamente ao
quadrado da velocidade. Logo, a uma velocidade igual
ao dobro da rotação nominal o motor produz apenas ¼
do torque nominal.

122
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.4 SELEÇÃO DE Em seus itens 5 e 6, a norma IEC 60947-4-2 trata, en-


ACIONAMENTOS tre outros assuntos, das categorias de utilização AC53,
(MOTOR / SOFT- descrevendo como seus parâmetros definem valores
STARTER) nominais de uma Soft-Starter. Há dois códigos AC53:

6.4.1 Categorias AC53a e - AC53a: para Soft-Starters usadas sem contatores de


AC53b by-pass.

Por exemplo, o código AC53a abaixo descreve uma


Soft- Starter capaz de fornecer uma corrente de
operação de 340 A e uma corrente de partida de 3 x
340A por 30 segundos, 10 vezes por hora, com o
motor operando por 60% de cada ciclo.

340 A: AC-53a: 3 -30 : 60-10

Partidas por hora

% do ciclo de trabalho com carga

Tempo de partida em segundos

Corrente de partida (em vezes da In)

Valor nominal de corrente da Soft-Starter

• Valor nominal de corrente da Soft-Starter: Valor


nominal máximo de corrente nominal do motor a ser
conectado à Soft-Starter, obedecidos os parâmetros de
operação especificados pelos outros itens do código
AC53a.

• Corrente de partida: A corrente máxima que será


drenada durante a partida.

• Tempo de partida: O tempo que o motor leva para


acelerar.

• Ciclo de trabalho com carga: A porcentagem de


cada ciclo de operação em que a Soft-Starter será
acionada.

• Partidas por hora: O número de ciclos de operação


por hora.

123
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

- AC53b: para Soft-Starters usadas com contatores de


by-pass.

Por exemplo, o código AC53b abaixo descreve uma


Soft-Starter que, quando usada com circuito by-pass, é
capaz de fornecer uma corrente de operação de 580 A
e uma corrente de partida de 4,5 x In por 40 segundos,
com um mínimo de 560 segundos entre o final de uma
partida e o início da próxima.

580 A: AC-53b 4.5-40 : 560

Intervalo entre partidas em segundos

Tempo de partida em segundos

Corrente de partida (em vezes da In)

Valor nominal de corrente da Soft-Starter

Portanto, pode-se dizer que uma Soft-Starter tem


“vários” valores nominais de corrente.

Estes valores nominais de corrente dependem da


corrente de partida e das exigências do processo /
aplicação.

Para comparar os valores nominais de corrente de


diferentes Soft-Starters, é importante garantir que os
vários parâmetros envolvidos sejam idênticos.

6.4.2 Capacidade térmica O valor nominal máximo de uma Soft-Starter é


da Soft-Starter calculado de forma que a temperatura da junção dos
módulos de potência (SCRs) não exceda 125 °C.

Vamos distinguir cinco parâmetros de operação, além


da temperatura ambiente e da altitude, que afetam a
temperatura da junção dos SCRs:

 Corrente em regime do motor,


 Corrente solicitada na partida,
 Duração da partida,

124
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

 Número de partidas por hora,


 Intervalo de repouso entre partidas.

NOTA
Vide item 6.4.4 deste guia quanto à influência da tem-
peratura e altitude do local da instalação.

A especificação nominal de uma Soft-Starter deve


considerar todos estes parâmetros. Um valor nominal
de corrente único não é suficiente para descrever as
características de uma Soft-Starter.

Vamos abordar no item 6.4.3 a seguir (Corrente RMS


num ciclo) o procedimento para quantificar, a partir
dos cinco parâmetros acima, o quanto um processo
exige de uma Soft-Starter.

Os procedimentos de cálculo da corrente RMS exigida


num ciclo, e o procedimento de cálculo da capacidade
de corrente RMS de uma Soft-Starter são análogos.

6.4.3 Corrente RMS num O valor RMS (Root Mean Square) de um conjunto de
ciclo (I RMS) valores é a raiz quadrada da média do quadrado deste
conjunto de valores. É um conceito comum para
calcular valores eficazes de grandezas elétricas.
Conforme IEC 61000-4-30:

r.m.s. value: the square root of the mean of the


squares of the instantaneous values of a quantity
taken over a specified time interval.

Em nosso caso, será útil para entender a definição das


categorias de acionamento AC53a e AC53b.

125
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

A fórmula prática para o cálculo do valor RMS da cor-


rente em um ciclo de operação de uma máquina é a
seguinte:
n 2
( I i) . t i
i=0
IRMS = –––––––––––––––
n
(6.5)
t i
 i=0

Ou seja,

2 2 2
( I 1 ) . T 1 + ( I 2 ) . t 2 + ... + ( I N ) . t N
IRMS = ––––––––––––––––––––––––––––––––––
 T Total

Sendo:

IRMS – Corrente RMS no ciclo


I1 – corrente no trecho 1 do ciclo
t1 – duração do trecho 1 do ciclo
I2 – corrente no trecho 2 do ciclo
t2 – duração do trecho 2 do ciclo
IN – corrente no trecho N do ciclo
tN – duração do trecho N do ciclo

Exemplificando, suponhamos o seguinte ciclo de


operação de uma máquina qualquer:

Figura 6.5 - Gráfico (velocidade x tempo) de uma carga “X” qualquer

126
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Durante o intervalo de tempo (a) a máquina acelera


até sua velocidade de trabalho, permanece nesta velo-
cidade durante o período (b) e retorna ao repouso,
desacelerando no período (c). A operação consome
60% do ciclo.

Para este ciclo, suponhamos que a Soft-Starter em


condições típicas de aceleração daquela inércia,
vencendo aquele conjugado resistente, encontrou a
melhor partida do motor segundo o ciclo de corrente:

Figura 6.6 - Gráfico (corrente x tempo) para o motor alimentando uma


carga “X” qualquer

Completando nosso exemplo, vamos supor os seguintes


valores para esta aplicação:

(a) = 30,0 seg.


(b) = 329,0 seg.
(c) = 1,0 seg.
In = 100 A
3 x In = 300 A

A título de ilustração, vamos calcular o valor RMS de


corrente apenas no trecho em carga do ciclo, ou seja,
os segmentos (a), (b) e (c):

2 2
( 3 . 100 ) . 30 + ( 100 ) . 330
IRMS = ––––––––––––––––––––––––––––– = 129
 360

Observe que o valor obtido é intermediário entre a


corrente de partida (300A) e o nominal (100A). Isto
indica o caráter de média que o valor RMS detém.
Dizemos que o valor da corrente eficaz nesta etapa do
ciclo é de 129A. Este valor é um indicador da exigência
térmica.

127
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Entretanto, é importante notar que há um período de


repouso até a próxima partida. Se considerarmos este
repouso, chegamos a uma corrente eficaz (RMS) de
apenas 74A. O valor de 74A é mais baixo do que o va-
lor da corrente em regime (100A) e indica que o ciclo
tem uma exigência térmica relativamente baixa.

2 2
(3 . 100) . 30 + (100) . 330 + (0)2 . 240
IRMS = ––––––––––––––––––––––––––––––––––– = 74
 600

Isto explica porque a IEC 60947 indica como


parâmetro das categorias AC53a e AC53b o período de
repouso entre partidas (ou o % de tempo em operação).

Mas podemos considerar qualquer período de repouso


para calcular o valor RMS, e assim chegar a um valor
menor? Não.

Uma prática segura é escolher os seis minutos mais


exigentes do ciclo, e calcular a corrente eficaz para este
intervalo de tempo.

De maneira análoga, seria necessário calcular a


corrente eficaz da Soft-Starter para compará-la ao ciclo
a que ela será submetida. Os dados de corrente e
tempo para cálculo da corrente eficaz de uma Soft-
Starter são sua corrente nominal e o ciclo de
sobrecarga ao qual ela será submetido. A fórmula e o
procedimento de cálculo são os mesmos já descritos
para o ciclo de operação.

Tendo chegado aos valores de corrente eficaz do ciclo e


corrente eficaz da Soft-Starter, devemos selecionar uma
Soft-Starter cuja corrente eficaz seja maior que a
corrente eficaz exigida pelo motor, acrescido dos
devidos fatores de correção de temperatura e altitude,
ou seja:

I ef SS k x I ef

Sendo k a representação da influência da temperatura


e altitude no dimensionamento, assim como eventual
folga de segurança.

128
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.4.4 Casos especiais A potência admissível de uma Soft-Starter é determina-


da levando-se em consideração:
 Altitude em que a Soft-Starter será instalada
 Temperatura do meio refrigerante

A NBR 7094 define como condições usuais de serviço:


a) Altitude não superior a 1000 m acima do nível do
mar;
b) Meio refrigerante (ar ambiente) com temperatura
não superior a 40º C.

Nos casos em que a Soft-Starter deve trabalhar com


temperatura do ar de refrigeração na potência
nominal, maior do que 40º C e ou em altitude maior do
que 1000 m acima do nível do mar, deve-se considerar
os seguintes fatores de redução:

EFEITO DA TEMPERATURA AMBIENTE


A redução da potência (corrente) nominal do inversor
de freqüência, devido à elevação da temperatura
ambiente, acima de 40o C e limitada a 50 oC, é dada pela
relação e gráfico a seguir:

Fator de redução = 2% / ºC

Figura 6.7 - Curva de redução de potência nominal em função do


aumento da temperatura

129
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

EFEITO DA ALTITUDE
Inversores funcionando em altitudes acima de
1000 m, apresentam problemas de aquecimento
causado pela rarefação do ar e, conseqüentemente,
diminuição do seu poder de arrefecimento.
A insuficiente troca de calor entre o inversor e o ar
circundante, leva a exigência de redução de perdas, o
que significa, também redução de potência. Os
inversores tem aquecimento diretamente proporcional
às perdas e estas variam, aproximadamente, numa
razão quadrática com a potência.
Segundo a norma NBR-7094, os limites de elevação de
temperatura deverão ser reduzidos de 1% para cada
100m de altitude acima de 1000 m.
A redução da potência (corrente) nominal do conversor
de freqüência, devido à elevação da altitude acima de
1000 m e limitada a 4000 m, é dada pela relação e
gráfico a seguir:

Fator de redução = 1 % / 100m

Figura 6.8 - Curva de redução de potência nominal em função do


aumento da altitude

130
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.4.5 Tempo de rotor Define-se como o tempo máximo admissível pelo motor
bloqueado do motor sob corrente de rotor bloqueado, ou seja, sob corrente
de partida.
Na prática, adota-se este tempo como o tempo máximo
de partida que o motor suporta.
Entretanto, o valor máximo de tempo de partida que o
motor suporta aumenta na medida em que se restringe
a corrente que ele poderá solicitar da rede durante a
partida.
Um exemplo extremo desta situação é a partida com
um inversor de freqüência usando uma rampa que
permita a aceleração consumindo apenas uma vez a
corrente nominal do motor. O tempo máximo de
partida seria infinito, uma vez que o motor estaria
consumindo corrente nominal durante a “partida”,
desde que o motor esteja dotado da devida ventilação.
Para a Soft-Starter, a regra prática para calcular o
“tempo de rotor bloqueado” é seguinte relação:
2
 Ip / In 
Trb SS = TrbM . –––––––––– (6.8)
 IL 

Onde:
TrbSS = Tempo de rotor bloqueado para determinada
limitação de corrente com a Soft-Starter
TrbM = Tempo de rotor bloqueado de catálogo
Ip/In = Relação entre corrente de partida e corrente
nominal do motor (dado de catálogo)
IL = Corrente de limitação da Soft-Starter

Por exemplo, suponha um motor com tempo de rotor


bloqueado de 7,2 segundos, corrente de partida Ip = 7
x In.
Se este motor partir uma carga com limitação de
corrente de 4,5 x In, o tempo máximo de partida que
este motor suporta eleva-se para 17,42 segundos.

7 2
 
TrbSS = 7,2 . ––––––––– = 17,42
 4,5 

131
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.4.6 Tempo de O cálculo de tempo de aceleração é possível num cená-


aceleração rio ideal de informações sobre a aplicação, uma vez
que são necessários as curvas de conjugado da carga e
do motor, momentos de inércia da carga e do motor e
relação de redução.
Observe que no exemplo a seguir, para preservar a
simplicidade do exemplo, não estamos considerando a
queda de tensão provocada pela partida do motor, ou
seja, a rede apresentaria uma corrente de curto
circuito infinita. Refira-se ao item 6.5 a seguir para de-
finição da queda de tensão e sua influência na partida
de um motor.
Sabemos que para que um motor elétrico suporte a
condição de partida a seguinte relação deve ser
respeitada:

t 0,80 x t (6.9)
a RB

Onde,

ta - tempo de aceleração;
tRB - tempo de rotor bloqueado;

Na condição acima devemos na verdade considerar o


tempo de rotor bloqueado corrigido em função dos
fatores de correção da corrente ou da tensão, pois esta
informação pode ser obtida através do catálogo de
motores ou folha de dados onde é considerado que no
motor está sendo aplicada a tensão nominal.
Para o cálculo do tempo de aceleração partimos da
seguinte equação:

J
T
t = 2. n . ( ––––––– ) (6.10)
a
C
A

Onde,

tA - tempo de aceleração;
n - rotação;
JT - momento de inércia total;
CA - conjugado acelerante;

132
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

O momento de inércia total é calculado por:

J =J +J (6.11)
T motor carga

Onde ,

Jmotor - momento de inércia do motor;


Jcarga - momento de inércia da carga referida ao
eixo do motor;

Para calcularmos o conjugado acelerante precisaremos


calcular a área delimitada pelas curvas características
de conjugado do motor e da carga (figura 6.9). Esta
área pode ser calculada de diversas maneiras sendo
analiticamente, numericamente ou graficamente. Para
executar o cálculo de forma analítica deveremos
conhecer as equações das duas curvas, para que assim
possamos integrá-las entre os limites desejados. A
equação da curva de carga com um pouco de boa
vontade poderá ser interpolada mas a do motor é
muito difícil de conseguirmos, pois seria necessário
obter informações muito detalhadas da características
elétricas do motor, se considerarmos ainda que a
equação (6.12) seja uma aproximação válida e
bastante razoável.

A – Bn
C = ––––––––––––––––– (6.12)
motor 2
Cn – Dn + E

Onde A, B, C, D, e E são constantes inteiras e positivas


dependentes das características do motor.

133
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Figura 6.9 - Representação gráfica do conjugado acelerante

Assim a área representada na figura acima poderia ser


calculada pela resolução da seguinte expressão
genérica:

n A – Bn n

CA = –––––––––––––––– dn – CR (n)dn (6.13)


0 Cn – Dn + E
2 0

CR(n) dependerá da característica de conjugado da


carga, que como visto anteriormente poderá ser
classificada em um dos grupos específicos (constante,
quadrático, linear, hiperbólico ou não definido). Vemos
que será mais fácil buscarmos outra forma de
calcularmos esta área sem a necessidade de recorrer a
técnicas de integração muito complexas.
CR(n) dependerá da característica de conjugado da
carga, que como visto anteriormente poderá ser
classificada em um dos grupos específicos (constante,
quadrático, linear, hiperbólico ou não definido). Vemos
que será mais fácil buscarmos outra forma de
calcularmos esta área sem a necessidade de recorrer a
técnicas de integração muito complexas.
Uma maneira interessante seria calcularmos esta área
através de alguma técnica de integração numérica. Por
simplicidade utilizaremos a integração pela técnica dos
trapézios.
Esta técnica consiste em dividirmos o intervalo de
integração em N partes iguais e calcularmos a área do

134
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

trapézio formado em cada um dos subintervalos n ,


sendo que os pontos de conjugado serão lidos
diretamente da curva (ver figura 6.10). Nitidamente
pode-se perceber que haverá uma margem de erro no
valor da área a ser calculada, mas no nosso caso
perfeitamente tolerável.

Figura 6.10 - Técnica de integração numérica pela regra dos trapézios

Apesar de trabalhosa, dependendo do número de


subintervalos, esta técnica mostra-se muito eficiente e
simples, pois permite calcularmos o conjugado
acelerante para qualquer que seja a característica de
conjugado do motor e da carga. Somente deverá ficar
esclarecido que antes de aplicar-se esta técnica, a
curva de conjugado do motor deverá ser corrigida em
função da variação da tensão aplicada, através de
fatores de redução. Podemos considerar que a variação
da tensão aplicada ao motor obedece a seguinte
relação:

UNom – Up
U(n) = ( –––––––––––––––– ) . n + U p (6.14)
n Nom

onde,

UP = tensão de partida;
UNom = tensão nominal;
n Nom = rotação nominal;

135
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Na verdade o que nos diz a expressão (6.14) seria


válido se tivéssemos um sistema de malha fechada de
velocidade, onde a soft-starter receberia a leitura de
velocidade do motor para que assim aplicasse a rampa
de tensão. De qualquer maneira, para efeito de
dimensionamento, isto não nos trará nenhum
inconveniente sendo também uma aproximação
relativamente satisfatória. A figura 6.11 ilustra esta
consideração.

Figura 6.11 - Rampa de tensão aplicada ao motor na partida

Podemos assim colocar estes valores em uma tabela de


forma a facilitar a visualização dos resultados obtidos
segundo o procedimento acima descrito.

136
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Tabela 6.1 - Valores de conjugado

Rotação C / CNom CRC / CNom C A / CNom


(%) (motor)

C0 + C1 C R0 + CR1
n0 C0 CR0 ––––––– - –––––––
2 2

C1 + C2 C R1 + CR2
n1 C1 CR1 ––––––– - –––––––
2 2

C2 + C3 C R2 + CR3
n2 C2 CR2 ––––––– - –––––––
2 2

·· · ·· · ·· · ·· ·

CN-1 + CNom C RN-1 + CRNom


nNom C Nom CRNom ––––––– - –––––––
2 2

NOTA
Todos os valores de conjugado na tabela acima foram
referenciados ao conjugado nominal do motor por
comodidade e por ser mais fácil trabalhar com valores
dessa forma referenciados.

Aplicando estes valores na equação (6.10) poderemos


calcular os tempos de aceleração parciais para cada um
dos subintervalos. Bastará depois disso somarmos todos
estes valores parciais obtendo assim o valor do tempo
de aceleração total do motor. Matematicamente
podemos expressar isso através da seguinte relação:

t a = t an (6.15)
0

O valor encontrado a partir da expressão (6.15) deverá


obedecer o que define a expressão (6.9). Caso isto se
verifique, teremos certeza de que o motor escolhido
atende a condição de partida.

Vamos agora aplicar este procedimento em um


exemplo prático baseando-se em um uma aplicação
real, sendo fornecidas as seguintes informações:

137
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

 Curva de conjugado da carga;


 Folha de dados do motor;
 Curvas com as características de conjugado e
corrente do motor.

OBSERVAÇÃO
Ver anexo I.

Neste exemplo estaremos considerando os dados de


um motor de 25CV, 4 pólos, acionando uma bomba
centrífuga (conjugado parabólico). O valor do
momento de inércia J da bomba foi arbitrado em
0,023Kgm2, e o momento de inércia do motor (dado de
catálogo) considerado foi 0,11542Kgm2.
A curvas de conjugado em função da rotação, da
bomba e do motor, fornecem o valor de conjugado
requerido em dez pontos de rotação distintos. Lendo
estes valores das curvas obtemos a tabela abaixo:

Tabela 6.1a

Pontos de Conjugado
conjugado resistente do motor
Rotação CRES Cmotor
(% de nNOM) (N.m) (N.m)
0 20,0 229,54
10 15,0 210,4117
20 14,0 197,6594
30 16,0 191,2833
40 23,0 193,8338
50 30,9 204,0356
60 39,9 216,7878
70 50,9 229,54
80 63,9 255,0444
90 75,8 184,9072
100 89,8 99,8

138
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Os valores de conjugado do motor deverão ser


corrigidos para a variação de tensão que será aplicada.
Aqui iremos considerar que o motor atinja a tensão
nominal ao final da rampa de tensão aplicada pela soft-
starter.
Sabemos que conjugado do motor varia com o
quadrado da tensão aplicada. Desta forma podemos
determinar os valores de conjugado corrigido para
cada um dos pontos fornecidos, já que conhecemos a
rampa de tensão.
Podemos então montar a seguinte tabela:

Tabela 6.1b

Os valores de conjugado do motor devem ser


corrigidos através da seguinte relação:
C Motor = (U/100)2 x Cmotor (tirado da tabela 6.1a)

Rotação Tensão Cmotor


(% da nNom) (% da U Nom) (N.m)
0 35 28,1
10 41,5 36,2
20 48 45,5
30 54,5 56,8
40 61 72,1
50 67,5 93,0
60 74 118,7
70 80,5 148,7
80 87 193,0
90 93,5 161,6
100 100 99,80

Com os valores de conjugado corrigidos podemos agora


preencher uma tabela como a tabela 6.1. Esta tabela
apresentará os valores de conjugado acelerante médio
para cada um dos intervalos de rotação definidos. Esta
tabela é mostrada a seguir:

139
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Tabela 6.1c

Rotação
(% de nNom) C Motor (N.m) CRES (N.m) Camédio (N.m)

0 28,12 20,0 8,2


10 36,2 15,0 21,3
20 45,5 14,0 31,6
30 56,8 16,0 40,8
40 72,1 23,0 49,2
50 92,0 30,9 62,0
60 118,7,1 39,9 78,8
70 148,7 50,9 97,8
80 193,0 63,9 129,2
90 161,6 75,8 85,8
100 99,8 89,8 10,0

Com os valores de conjugado acelerante médio para


todos os intervalos de rotação, temos condição de
calcular os tempos de aceleração parciais para cada um
deles (através da equação 6.10).
Para calcularmos o tempo de aceleração total basta
utilizarmos a relação 6.15.
Substituindo os valores nas respectivas equações
chegamos ao seguinte resultado para o tempo de
aceleração total : ta = 1,05 s.
Podemos verificar que este motor terá condições de
acelerar tranqüilamente a carga, visto que o tempo de
aceleração é muito pequeno em relação ao tempo de
rotor bloqueado (corrigido). Vide item “6.4.5 - Tempo
de rotor bloqueado do motor”, neste guia.
Devemos lembrar que no procedimento usado no
exemplo acima não consideramos a ativação da função
“limitação de corrente” da Soft-Starter. Quando esta
função está ativa devemos aplicar fatores para
correção das curvas de conjugado e corrente do motor.
Uma alternativa válida seria a de considerarmos um
valor de limitação de corrente, e a partir daí
calcularmos a tensão que deveria ser aplicada,
considerando esta situação. Note que o conjugado será
corrigido conforme a seguinte relação:

140
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

I
C = ( ––––––– ) . C – C
Lim 2
(6.16)
A n Rn
I
n

Deve-se notar que a relação entre o valor da limitação


e a corrente do motor nos informará diretamente a
relação da tensão aplicada em relação a tensão
nominal. Assim podemos atribuir um valor a I Lim e
verificarmos se o valor de tensão aplicada ao motor é
válido ou satisfatório.
Para garantirmos o acionamento do motor devemos
então calcular o valor de corrente eficaz para o regime
de partida do motor utilizando o valor de corrente
limite e tempo de aceleração total. Vide item 6.4.3
deste guia para cálculo da corrente eficaz do ciclo e da
Sof-Starter.

6.5 AFUNDAMENTO DE Vamos definir o conceito de “queda de tensão


TENSÃO OU QUEDA momentânea” que está relacionado à partida de
DE TENSÃO grandes cargas (como grandes motores), e que
MOMENTÂNEA portanto pode estar relacionado à uma Soft-Starter.
(Voltage Sag / Voltage
Dip)
Conforme a norma IEC61000-4-30:

Voltage dip: (definition used for the pupose of this


standard). A sudden reduction of the voltage at a
point in the electriacal system, followed by voltage
recovery after a short period of time, from half a
cycle to a few seconds.

Ou conforme norma IEEE 1159:

Voltage sag: an rms variation with a magnitude


between 10% and 90% of nominal and a ration
between 0.5 cycles and one minute.

Observe que a norma européia usa o termo “voltage


dip” enquanto a americana usa “voltage sag”. Apesar
das definições serem ligeiramente diferentes, o fenô-

141
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

meno descrito é o mesmo, ou seja:

O fenômeno que nos interessa (voltage dip/sag)


é uma redução no valor de tensão em um ponto
do sistema elétrico seguido de sua recomposição
após um curto período de tempo, acima de meio
ciclo até alguns segundos.

Figura 6.12 - Voltage Sag. Observe a redução da amplitude da forma de


onda a partir do segundo semiciclo positivo até aproximadamente 0,15
segundos

Também se usa o termo “queda de tensão” para a


queda que ocorre em cabos, particularmente em
longas distâncias.

Deste ponto em diante, neste item, quando nos


referirmos à “queda de tensão”, estamos nos referindo
ao fenômeno momentâneo definido como voltage dip
ou voltage sag nas normas IEC61000-4-30 e IEEE
1159 já citadas.

Distúrbios de menos de meio ciclo se encaixam na


definição de “transiente de baixa freqüência”,
enquanto distúrbios maiores do que alguns segundos
podem ser chamados de “subtensão da rede de
alimentação”.

Sistemas de alimentação tem impedância diferente de


zero, assim qualquer aumento da corrente causa uma
correspondente redução na tensão. Durante
comportamento normal da rede estas variações ficam
dentro de limites aceitáveis. Mas quando há um
acréscimo de corrente muito grande, ou quando a
impedância do sistema é alta, a tensão pode cair
significativamente. Assim, conceitualmente há duas
causas para quedas de tensão:

142
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

- Aumento substancial da corrente


- Aumento na impedância do sistema

Do ponto de vista prático, quem provoca a queda de


tensão é o aumento da corrente.

Suponhamos o seguinte unifilar simplificado.

Figura 6.13 - Mesmo um evento que provoque uma queda de tensão no


barramento do resistor, provocará uma queda de tensão no transforma-
dor, e conseqüentemente no motor

É óbvio que qualquer queda de tensão no ramal do


transformador, provocará uma queda de tensão no cir-
cuito abaixo.

Mas um curto-circuito em um ramal distante pode pro-


vocar uma queda no ramal do transformador também.
Assim, mesmo falhas em partes distantes do circuito
podem causar uma queda de tensão em todas cargas.

Em redes industriais, a maioria das quedas de tensão


são provocadas nas próprias instalações. As causas mais
comuns são:

143
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

 Partir uma carga elevada


Como um motor ou um forno resistivo. Motores
elétricos partindo com tensão plena podem
consumir mais de 600% da sua corrente nominal
na partida, dependendo de seu projeto. Fornos
elétricos tipicamente solicitam 150% de sua corren-
te até o aquecimento.

Figura 6.14 - Motor linha MASTER - Weg Motores podem solicitar mais de
600% da corrente nominal, se partirem a tensão plena. A queda de
tensão pode ser considerável durante a partida de um motor de grande
porte a tensão plena.

 Conexões defeituosas ou frouxas


Como conectores não apertados aos fios. Isto
aumenta a impedância do sistema e aumenta o
efeito do aumento de corrente.

 Falhas ou curtos
Em qualquer lugar da fábrica. Apesar da falha ser
rapidamente isolada por fusível ou disjuntor, ela irá
“puxar” para baixo a tensão até que o dispositivo
de proteção atue, o que pode durar de alguns
ciclos até alguns segundos.

A queda de tensão também pode se originar fora da


instalação do consumidor. As mais comuns:

 Falhas em circuitos distantes


Causam uma redução correspondente na rede do
consumidor. Dispositivos na rede da concessionária
144
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

procuram sanar a falha, cuja duração pode chegar


a alguns segundos. A grosso modo, a queda de
tensão dependerá da quantidade e características
dos transformadores entre a rede do consumidor e
o ponto de falha.

 Falha no regulador de tensão da concessio-


nária
São raras. As concessionárias possuem sistemas
automáticos para ajustar a tensão (transformadores
com troca automática de taps, ou bancos de
capacitores automáticos espalhados pela rede).

Figura 6.15 - A queda de tensão pode ter origem na rede da


concessionária

O mais importante é entender a causa da queda de


tensão antes de tentar eliminá-la.

6.5.1 Conseqüências de Se não há tensão suficiente na rede de alimentação, os


uma queda de equipamentos nela conectados podem desligar ou ter
tensão momentânea seu funcionamento prejudicado. Mesmo que a tensão
se reduza por pouco tempo, e com intensidade
limitada.

Há cargas que tem uma tendência a sofrer mais com


quedas de tensão: normalmente são circuitos
alimentados por fontes DC, como computadores,
circuitos de telefonia, CLPs, etc.

Também pode ocorrer que relés para proteção contra

145
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

subtensão provoquem interrupções desnecessárias por


motivo de ajuste errado.

De maneira análoga pode ocorrer um desligamento


desnecessário provocado por relé de proteção contra
desbalanceamento de fases. Entretanto, motores e
transformadores podem sobreaquecer e serem
danificados por operarem durante desbalanceamento
de fases, o que torna o uso do relé importante.

Figura 6.16 - Relés de proteção devem ser devidamente ajustados para


evitar “trips” desnecessários

O problema mais sutil ocorre em equipamentos


eletrônicos. Há circuitos projetados para atuar com um
acréscimo de tensão, tipicamente a ligação do equipa-
mento. Durante a queda de tensão o equipamento
pode funcionar perfeitamente, mas pode se “ressetar”
quanto a queda de tensão cessa.

6.5.2 Comentários sobre Se você já teve que consertar (ou re-adequar) algum
soluções contra objeto, você já deve ter reparado como às vezes é
queda de tensão difícil conseguir “coesão” entre as partes do objeto
momentânea após sua modificação.

É melhor sempre projetar o sistema da maneira certa


logo do começo. Correções podem trazer aspectos
indesejados, com os quais se terá de conviver. Isto por-
que as várias partes do sistema são interdependentes,
e alterar uma parte pode ter conseqüência em outras.
Alguns exemplos de ajustes em sistemas problemáticos:

1) Mudar os ajustes de tensão das fontes DC


Caso o problema esteja se manifestando apenas em
146
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

uma carga alimentada por uma fonte de tensão DC,


algumas destas fontes permitem ajustes que
podem dar maior range para superar quedas de
tensão momentâneas.

2) Reduzir a carga na rede elétrica


Redes elétricas parcialmente carregadas sempre
toleram solicitações de corrente melhor, portanto
distribuir as cargas em vários transformadores
pode melhorar a qualidade do suprimento de
energia.

3) Aumentar a capacidade da rede de


alimentação
Se não é possível realocar as cargas, será
necessário usar um suprimento de energia de
maior capacidade, ou seja, um transformador
maior, que irá consumir mais espaço, e mais
recursos financeiros, e trará alterações no nível de
curto-circuito da instalação, e pode exigir alteração
nos cabos na saída do transformador e respectiva
instalação civil.

Figura 6.17 - A alteração para um transformador maior pode trazer


complicações devido à alteração da capacidade de curto-circuito, exigir
mudança da cablagem e respectiva instalação civil. Na figura acima, a
título de ilustração, o transformador do lado esquerdo é a seco e o outro
é a óleo, embora existam grandes transformadores a seco também.

4) Alterar os ajustes das proteções


Se é possível identificar um dispositivo de proteção
mal ajustado (como um relé de balanceamento de
fases, relé de subtensão, ou uma proteção interna a
um equipamento), pode-se avaliar mudar seu
ajuste. Deve-se ter em mente que se o dispositivo
foi ajustado em determinado modo, o projeto do
sistema deve ter julgado este ajuste como

147
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

apropriado. Não é conveniente eliminar as


proteções de um sistema. Dependendo do
dispositivo de proteção, o ajuste pode ser simples
como girar um knob, ou pode exigir substituição de
componentes ou ajuste de firmware.

5) Instalar um regulador de tensão de atuação


rápida ou UPS
Existem várias tecnologias para aumentar a tensão
que alimenta um ponto sensível da instalação
(UPS, compensador estático de tensão, etc.). Estes
equipamentos exigem engenharia de aplicação
adequada para solucionar o problema, e como re-
presentam um custo extra, sua aplicação é mais
sensata apenas para alimentar pequenas cargas
muito sensíveis a quedas de tensão.

6.5.3 Capacidade relativa Quando um motor elétrico parte, ele irá drenar alguma
da rede de corrente da rede elétrica. Portanto, alguma queda de
alimentação tensão durante a partida e até mesmo em regime
(embora menor) é um fenômeno intrínseco ao
funcionamento do sistema. O que se pode fazer é
lançar mão de estratégias para reduzir esta queda de
tensão, como a Soft-Starter.

Entretanto, será possível identificarmos facilmente se


um circuito prestes a alimentar uma nova carga é
potencialmente problemático em termos de queda de
tensão, provocada pela partida do motor?

A seguir vamos fazer uma simplificação prática, dando


um subsídio importante na aplicação de Soft-Starter:
como as características da rede de alimentação
influenciam a partida da carga.

Este conceito é particularmente importante na partida


de grandes cargas.

CÁLCULO DA CAPACIDADE DE CURTO-


CIRCUITO

O cálculo da capacidade do curto-circuito é usado em


várias situações:

 dimensionamento de transformadores,
148
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

 seleção de disjuntores e fusíveis em função da


capacidade de ruptura, determinando se uma
reatância de rede será necessária para um inversor
de freqüência, etc.

Nosso objetivo aqui é expor como a capacidade de


curto-circuito é importante no dimensionamento de
um sistema de acionamento elétrico, e
conseqüentemente para uma Soft-Starter ou qualquer
outro método de partida.

Vamos lançar mão de exemplo de dimensionamento de


transformador para ilustrar o conceito.

A impedâncias dos cabos e sua respectiva queda de


tensão serão ignorados aqui para preservar a
simplicidade do exemplo, e também para munir o
engenheiro, técnico ou empreendedor de um meio
rápido para avaliar uma carga nova ou rever um
problema existente em sua planta.

Os seguintes cálculos determinarão a “potência extra”


requerida por um transformador que seja usado para
alimentar um único motor.

Analisaremos duas situações, denominadas aqui de “A”


e “B”. A primeira tem uma potência de curto-circuito
ilimitada no primário, e a segunda, em antagonismo,
tem suprimento de energia no primário com uma
capacidade muito menor e definida.

149
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Situação “A”:
Transformador conectado a linha com capacidade ilimi-
tada de curto-circuito

Figura 6.18 - Figura ilustrativa de um Sistema “A”

Suponhamos transformador de 1000 kVA, 380V


tensão nominal no secundário, 5,75% de impedância.

A corrente de saída nominal a plena carga seria:

1000 kVA
––––––––––––– = 1521 A
380 V . 3

O valor de 5,75% de impedância indica que haverá


1521 A (corrente nominal) se o secundário for curto
circuitado e a tensão no primário for elevada a valor tal
que haverá 5,75% da tensão nominal no secundário, ou
seja 21,8V surgem no secundário.

150
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Assim, a impedância do secundário do transformador


pode ser calculada como:

V 21,85V
Z = ––––– = –––––––––––– = 0,01436
I 1521A

Suponhamos que o transformador está conectado


diretamente à rede da concessionária, e suponhamos
que esta possui uma capacidade de curto-circuito
ilimitada. Note que a concessionária pode fornecer este
dado sob consulta.

Com uma potência ilimitada de curto-circuito no


suprimento da concessionária, a corrente de curto-
circuito que o transformador pode entregar no
secundário é

380 V
–––––––––– = 26452 A
0,01436

Outra alternativa de cálculo da corrente de curto-


circuito é a seguinte:

1521A · 100 1521


––––––––––––––– = ––––––––– = 26452A
5,75 0,0575

Finalmente, há também a alternativa de consultar o


fabricante.

Agora vamos analisar a conecção do motor ao


secundário do nosso transformador.

Nós devemos calcular a queda de tensão que será


causada pela corrente solicitada na partida do motor.

Neste exemplo, observe como o transformador


alimenta apenas este motor, e portanto se a queda de
tensão não provocar uma redução de torque que o
inabilite a partir a carga, não seria necessário
superdimensionar o transformador. É necessário ter em
mente, entretanto, que esta abordagem negligência
qualquer orientação da faixa de tensão de operação na
151
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

especificação do motor ou restrições de normas.

Dando continuidade ao nosso exemplo, suponhamos


que o transformador alimentará um motor que
demanda 1400A de corrente nominal, o que vai
consumir praticamente toda capacidade transformador.
Assim, podemos dizer que o motor representa:

380V · 1400A · 1,73 = 902kVA

Suponhamos que nossa Soft-Starter limitará a corrente


em 3 x In do motor o que vai drenar do transformador.
Suponhamos também que se deseja uma queda de
tensão de 7,5%:

380V · 1400A · 300% · 1,73 = 2761kVA

A queda de tensão momentânea durante a partida será


proporcional à carga representada pelo motor, e pode
ser expressa como uma porcentagem da carga
representada pelo motor em relação à máxima
capacidade do transformador.

O transformador tem uma potência de curto-circuito


que pode ser calculada como:

380V · 26452A · 3 = 17390kVA

A queda de tensão na partida do motor será:

2761 kVA
––––––––––– = 0,1587 = 15,87%
17390 kVA

Conforme vimos no item 6.4.6 (Tempo de Aceleração),


o conjugado do motor é proporcional ao quadrado da
tensão, e portanto, será necessário averiguar se esta
queda de tensão implica redução de conjugado do
motor abaixo do conjugado requerido pela carga ou se
a redução de conjugado do motor implica tempo de
aceleração que excederá o limite térmico do motor ou
da Soft-Starter.

Entretanto, conforme havíamos arbitrado inicialmente,


a queda de tensão deverá manter-se em 7,5%.

Ou seja, o transformador precisa ser dimensionado


para uma capacidade de:
152
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

2761 kVA
––––––––––– = 36813kVA
0,075

Assim, a corrente de curto-circuito do transformador


deveria ser:

36813kVA
––––––––––––– = 55998 A
380V · 3

Primeiro vamos observar um transformador um pouco


maior, suponhamos 2000 kVA, com impedância de
6,5%. Este transformador ainda não atenderia, pois a
corrente de curto circuito seria 46749 A.

Supondo um transformador de Z = 7,5%, teríamos


como necessário um transformador cujo valor da
corrente a plena carga seja igual a 4200A, ou seja,
aproximadamente 3MVA. Ou seja aproximadamente 3
vezes a potência representada pelo motor em regime.

Observe o aumento da impedância em função do


aumento da potência do transformador.

153
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Situação “B”:
Transformador conectado a um demarrador com capa-
cidade definida de curto-circuito

Figura 6.19 - Sistema “B”

Vamos analisar agora uma situação considerando uma


determinada capacidade de corrente de curto-circuito
no primário do transformador que alimentará o motor.

154
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Vamos supor um ramal que deriva do transformador de


um transformador de 1000kVA, igual ao mencionado
no início da situação “A” anterior. Neste ramal, um se-
gundo transformador é conectado diretamente aos ter-
minais do transformador de 1000kVA.

Assim, cabos alimentadores entre os dois


transformadores são eliminados, e a respectiva
impedância não será levada em conta, a fim de
preservar a simplicidade do exemplo.

O segundo transformador, que vamos supor como


tendo tanto o secundário quanto o primário em 380V,
será usado para suprir um motor de 50cv, 3 fases,
380V, In = 71,2 A, Ip/In = 6,6.

Vamos supor também que a partida será através de


uma Soft-Starter, e que a aplicação (“heavy duty”)
demandará pelo menos 4 vezes a corrente nominal do
motor para partir, ou seja, 4 x 71,2 = 284,8A. Este
motor será a única carga do transformador, e a queda
de tensão deverá ser limitada em 7,5%.

Em regime o motor representará uma carga de:

380V · 71,2 · 3 = 46,8kVA

Na partida, a carga representada pelo motor será:

380V · 71,2A · 400% · 


 kVA


Vamos primeiramente supor um transformador de


60kVA para alimentar este motor. O transformador terá
uma impedância de 3%, uma corrente de saída de
91,3 A a plena carga.

A corrente de curto-circuito que pode ser fornecida ao


transformador de 60kVa pelo transformador de
1000kVA é de 26452 A, ou seja, 17390 kVA.

A corrente de curto-circuito de um transformador com


uma capacidade de curto-circuito limitada em seu
primário é

Corrente a plena carga


––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
(Z do segundo transformador + Z do primeiro
transforrmador “visto” pelo segundo)
155
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Onde :

Z do primeiro transformador “visto” pelo


segundo =

potência do segundo (kVA)


––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
potência de curto-circuito disponível no primário

Assim, a corrente de curto-circuito no secundário de


nosso transformador de 60kVA tem valor de:

91,3A 91,3
––––––––––––––––––– = ––––––––––––––– = 2729 A
60kVA 0,03 + 0,00345
3% + –––––––––––
17390kVA

Durante a partida do motor, a queda de tensão na


saída do transformador será:

Carga representada pelo motor na partida


–––––––––––––––––––––––––––––––––––––––––
Potência de curto-circuito

Ou seja,

187,2 kVA
–––––––––––––––––––– = 0,1043 = 10,43%
380 V · 2729 A · 3

O transformador de 60kVA é muito pequeno, uma vez


que a queda de tensão excede os 7,5% arbitrados no
início de nosso exercício.

Porém, para um transformador de 100kVA, Z = 3%,


teríamos uma corrente de curto circuito de:

152,1A
–––––––––––––––––––– = 4254A
100 kVA
3% + ––––––––––––
17390kVA

156
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

E portanto a queda de tensão será:

187,2kVA
––––––––––––––––––– = 0,0669 = 6,69%
380 V · 425A · 3

Portanto, atendendo nossa necessidade de queda de


tensão.

Poderíamos estender-nos neste assunto, afinal a queda


de tensão é um assunto de extrema importância.
Estamos deixando de avaliar por exemplo, que durante
uma queda de tensão algumas cargas com tendência a
regenerar energia aumentarão a corrente de curto-
circuito. Por exemplo, imagine que durante a partida
de um motor “A”, existe um motor “B” acionando um
volante de inércia. Durante a partida do motor “A”,
ocorre uma queda de tensão no barramento. O motor
“B”, ligado ao mesmo barramento, terá uma tendência
a reduzir sua velocidade, em função do menor torque
disponível. Como a carga de “B” tem um alta inércia, o
motor passará a funcionar como um gerador,
contribuindo para aumentar a corrente de curto-
circuito do sistema.

A bibliografia de referência no final deste guia indica


livros que tratam deste assunto em profundidade.
Entendemos que para aplicação da Soft-Starter, os
conceitos expostos até aqui servirão para a escolha
segura do equipamento, além de indicar o caminho
para aqueles que necessitam aprofundar seu estudo.

Finalizando, vamos tecer alguns comentários sobre a


utilização de transformadores em situação de
sobrecarga.

TRANSFORMADORES: OPERAÇÃO EM
SOBRECARGA

Para a operação eficaz de um sistema elétrico, às vezes


os transformadores são sobrecarregados para atender
circunstâncias de operação. Naturalmente, neste caso,
é importante ao cliente acordar com o fabricante do
transformador a respeito de que sobrecarrega o
transformador poderá suportar sem redução da sua
vida útil.

157
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

O problema principal é dissipação de calor. Se um


transformador for sobrecarregado por um determinado
fator, suponhamos 20% além da capacidade nominal
por um período de tempo curto, é provável que todo o
calor desenvolvido nas bobinas seja transferido
facilmente ao meio ambiente. E consequentemente, a
sobrecarga será superada sem problemas.

Entretanto, em sobrecargas mais intensas ou por


períodos de tempo mais longos a temperatura interna
irá aumentar, causando desgaste ao isolamento e
possíveis danos.

6.5.4 Comentários sobre a Como já vimos, o torque do motor é proporcional ao


queda de tensão e a quadrado da tensão.
influência na partida Se há uma queda de tensão de 10%, o motor terá 81%
do motor do torque disponível.

Na pior das hipóteses, o motor pode não desenvolver o


torque necessário para acelerar a carga antes de
atingir o limite térmico de algum dos componentes do
sistema de partida (motor, Soft-Starter, etc.), caso não
se tome o devido cuidado no dimensionamento.

Por outro lado, ainda hipoteticamente, se para uma


determinada carga for necessário pelo menos 81% da
tensão para partir, e a própria rede de alimentação já
impor esta condição durante a partida, nem é
necessário usar um método de partida com tensão
reduzida.

Apesar destes conceitos terem sido tratados ao longo


deste capítulo, apresentamos a seguir simulação de
dois sistemas (“A” e “B”) no Software de
Dimensionamento Weg – SDW (vide anexo 2 deste
guia).

Os sistemas são idênticos, exceto pela queda de tensão.


Trata-se do mesmo motor, mesma carga, etc. Entretanto
no sistema “A” a queda de tensão durante a partida é
de 2,5% e no sistema “B” a queda de tensão vai a 10%.

158
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

MOTOR GERAIS
Potência nominal : 220 kW Tensão da rede : 380 V
Número de pólos : 4 Queda de tensão na partida : 2,5 %
Tensão nominal : 380 V By-pass : Não
Corrente nominal : 399,83 A Ligação do motor : Standard
Tempo de rotor bloqueado : 35 s Temperatura : 40 °C
Momento de Inércia : 6,33814 kg.m² Altitude : 1000 m
Categoria : N
Cp/Cn : 2 pu CARGA
Cmax/Cn : 2,2 pu Aplicação : Ventilador centrífugo
Ip/In : 7 pu Conjugado nominal (Cn) : 55 % do motor
Momento de Inércia : 35 Vezes J
Número de Partidas por Hora : 3
Intervalo entre partidas : 20 min

Observe algumas diferenças relevantes a seguir,


decorrentes apenas da maior queda de tensão.

Sistema “A” Sistema “B”


Carga Ventilador (alta inércia) Ventilador (alta inércia)
Queda de Tensão: 2,5% 10%
Pedestal de Tensão: 86% 99%
Tempo de aceleração com 29,76 seg. 30,36 seg.
rampa de tensão:
Limitação de corrente: 614% 691%
Tempo de aceleração em 29,97 seg. 30,20 seg.
limitação de corrente:
Modelo da Soft-Starter SSW-03 670/220-440 SSW-03 800/220-440

Observe que o pedestal de tensão usado pela Soft-


Starter para o sistema “B” é praticamente tensão plena
(99%). Isto porque a própria rede já estará reduzindo a
tensão na alimentação do motor, e portanto o motor já
estará submetido a uma tensão “reduzida”.

Observe também que a limitação de corrente sobe,


para compensar a queda de tensão. Na verdade, o
algoritmo utilizado no SDW parte de uma postura
conservadora para tratar de uma situação crítica como
partida com queda de tensão. Na prática pode ser
conseguido uma limitação um pouco menor,
dependendo da dinamica do sistema elétrico e sua
interação com a máquina.

Conseqüentemente a exigência térmica (a corrente


RMS) da partida no sistema “B” é bem maior, o que cul-

159
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

mina com a necessidade de utilizar uma Soft-Starter


também maior.

Aproveitando esta linha de raciocínio, se simulássemos


exatamente o mesmo sistema para 15% de queda de
tensão, chegaríamos a conclusão de que o próprio
motor não seria capaz de acionar o ventilador! A
queda de tensão seria tão grande que não permitiria o
motor desenvolver torque suficiente para tirar o
ventilador da inércia.

Finalizando, salientamos que escolhemos neste


exemplo uma carga com alta inércia para destacar a
influencia da queda de tensão.

Se fizéssemos o mesmo exercício para a aceleração de


uma bomba centrífuga ou um compressor parafuso
(cargas leves), não haveria mudanças significativas em
função da queda de tensão.

6.6 APLICAÇÕES TÍPICAS Este item destaca as principais funções usadas na


partida de algumas máquinas típicas. Não há aqui
pretensão de dar uma receita infalível, mas sim uma
dica de que aspectos normalmente são tipicamente
relevantes nestas aplicações.

Vale destacar que a curva de conjugado é sempre


aquela mais adequada para partida da máquina, por
exemplo, ventiladores com damper fechado,
refinadores sem carga, esteiras sem carga, etc.

160
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.6.1 Máquinas com BOMBA CENTRÍFUGA


partidas leves

Figura 6.20 - Bomba Centrífuga

Tipo de conjugado: ...... Quadrático


Momento de inércia: .... Baixo
Corrente de partida: .... tipicamente menor que 3 x In
do motor

Figura 6.21 - Curva de conjugado de uma Bomba Centrífuga

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Partida muito rápida Função “Pump control”
Parada muito rápida Função “Pump control”
Golpe de Aríete Função “Pump control”
Alto pico de corrente Função “Pump control”
Bomba rodar no sentido Proteção contra
contrário reversão de fases
Bomba rodar sem Proteção contra
líquido (cavitação subcorrente
acentuada)
Bomba sobrecarregada Proteção con tra
devido à corpo sólido no subcorrente
seu interior (cavitação
acentuada e
deterioração do
lubrificante)

161
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

COMPRESSOR

Figura 6.22 - Compressor

Tipo de conjugado: ...... Favorável (parafuso)


Tipo de conjugado: ...... Constante (alternativo)
Momento de inércia: .... Baixo
Corrente de partida: .... tipicamente menor que 3 x In
do motor

Figura 6.23 - Curva de conjugado de Compressores (parafuso à esquerda


e alternativo à direita)

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Tranco mecânico no Limitação de corrente
motor, transmissão,
compressor
Compressor rodar no Proteção contra
sentido contrário reversão de fases

162
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

REFINADOR DE CELULOSE

Tipo de conjugado: ...... Constante e baixo (partindo


sem carga)
Momento de inércia: .... Baixo
Corrente de partida: .... tipicamente menor que 3 x In
do motor

Figura 6.24 - Curva de conjugado de um Refinador

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Tranco mecânico no Limitação de corrente
motor, transmissão,
Refinador
Alta corrente e queda Limitação de corrente
de tensão na linha, por
representar uma carga
significativa na
máquina de papel de
uma pequena fábrica
Necessidade de Uso da saída analógica
controle da de corrente em
aproximação dos regulador de processo
discos em função externo
da carga
Refinador rodar no Proteção contra
sentido contrário reversão de fases

163
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

BOMBA DE VÁCUO (PALHETA)

Tipo de conjugado: ...... Parabólico


Momento de inércia: .... Baixo
Corrente de partida: .... tipicamente menor que 3 x In
do motor

Figura 6.25 - Curva de conjugado de uma Bomba de vácuo de palheta

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Tranco mecânico no Limitação de corrente
motor, transmissão,
bomba
Alta corrente e queda Limitação de corrente
de tensão na linha, por
representar uma carga
significativa na
máquina de papel
Bomba rodar no Proteção contra
sentido contrário reversão de fases

HIDRAPULPER

Tipo de conjugado: ...... Parabólico


Momento de inércia: .... Médio
Corrente de partida: .... tipicamente de 3 a 4,5 x In do
motor

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Tranco mecânico no Limitação de corrente
motor, transmissão,
hidrapulper
Hidrapulper rodar no Proteção contra
sentido contrário reversão de fases

164
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

6.6.2 Máquinas com BOMBA DE VÁCUO (PISTÃO)


partidas severas
Tipo de conjugado: ...... Constante
Momento de inércia: .... Baixo
Corrente de partida: .... tipicamente menor que 5 x In
do motor

Figura 6.26 - Curva de conjugado de uma Bomba de vácuo de pistão

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Tranco mecânico no Limitação de corrente
motor, transmissão,
bomba
Alta corrente e queda Limitação de corrente
de tensão na linha, por
representar uma carga
significativa na
máquina de papel
Bomba rodar no Proteção contra
sentido contrário reversão de fases

165
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

VENTILADOR/ EXAUSTOR

Figura 6.27 - Ventilador

Tipo de conjugado: ...... Quadrático


Momento de inércia: .... Médio a Alto
Corrente de partida: .... tipicamente de 3 a 5 x In do
motor

Figura 6.28 - Curva de conjugado de um Ventilador

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Alto pico de corrente Limitação de corrente
Correia ou Proteção contra
acoplamento quebrado subcorrente
Filtro bloqueado ou Proteção contra
damper fechado sobrecorrente

166
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

BRITADOR

Tipo de conjugado: ...... Constante


Momento de inércia: .... Alto
Corrente de partida: .... tipicamente menor que 4,5 x
In do motor

Figura 6.29 - Curva de conjugado de um Britador

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Carga com alta inércia Limitação de corrente
e altas exigências de
torque e alta inércia
Partida pesada quando Função “Kick Start”
partindo com carga
Material impróprio Proteção contra
no moinho sobrecarga
Acoplamento quebrado Proteção contra
subcorrente
Vibrações durante a Frenagem DC
parada

167
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

CENTRÍFUGA

Figura 6.30 - Centrífuga

Tipo de conjugado: ...... Linear


Momento de inércia: .... Alto
Corrente de partida: .... tipicamente menor que 4,5 x
In do motor

Figura 6.31 - Curva de conjugado de uma Centrífuga

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Carga com alta inércia Limitação de corrente
Parada controlada Frenagem DC
Carga muito alta ou Proteção contra
desbalanceada sobrecorrente
Acoplamento quebrado Proteção contra
subcorrente

168
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

DEPURADOR

Tipo de conjugado: ...... Constante


Momento de inércia: .... Alto
Corrente de partida: .... tipicamente 3 a 5 x In do
motor

Figura 6.32 - Curva de conjugado de um Depurador

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Tranco mecânico no Limitação de corrente
motor, transmissão,
depurador
Depurador rodar no Proteção contra
sentido contrário reversão de fases
Depurador entupido Proteção contra
sobrecorrente

169
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

MISTURADOR

Figura 6.33 - Misturador

Tipo de conjugado: ...... Constante


Momento de inércia: .... Alto
Corrente de partida: .... tipicamente 3 a 5 x In do
motor

Figura 6.34 - Curva de conjugado de um Misturador

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Diferentes materiais a Limitação de corrente
processar
Necessidade de Saída analógica
feedback para circuito proporcional a corrente
de controle regular a
viscosidade
Carga muito alta ou Proteção contra
desbalanceada sobrecorrente
Lâminas quebradas ou Proteção contra
gastas subcorrente

170
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

MOINHO

Figura 6.35 - Moinho

Tipo de conjugado: ...... Linear


Momento de inércia: .... Alto
Corrente de partida: .... tipicamente 3 a 5 x In do mo-
tor

Figura 6.36 - Curva de conjugado de um Moinho

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Carga pesada com alta Limitação de corrente/
inércia Função kick start
Necessidade de Saída analógica
feedback para circuito proporcional a corrente
de controle regular a
viscosidade
Travamento Proteção contra
sobrecorrente
Parada rápida Frenagem DC

171
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

TRANSPORTADOR

Figura 6.37 - Transportador

Tipo de conjugado: ...... Linear


Momento de inércia: .... Alto
Corrente de partida: .... tipicamente 3 a 5 x In do
motor

Figura 6.38 - Curva de conjugado de uma Bomba de um Transportador

172
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Problema Solução com SSW-03,


SSW-04, SSW-06 ou SMV-01
Tranco mecânico no Limitação de corrente
motor, transmissão,
transportador ou nos
bens transportados
Transportador travado Proteção contra
sobrecarga
Correia do Proteção contra
transportador está subcorrente
fora, mas o motor
continua girando
Partir depois de um JOG ré e então partida
transportador em rosca ter a frente
travado
Transportador travado Proteção contra rotor
bloqueado

6.7 REGRAS Na prática, muitas vezes não dispomos de todos os


PRÁTICAS DE dados para dimensionamento da Soft-Starter.
DIMENSIONAMENTO
Outras vezes dispomos dos dados, entretanto a
aplicação não é severa (heavy duty) e a rede tem uma
boa capacidade de alimentação. Então não faz sentido
investir tempo em cálculos desnecessários.
Outras vezes, ainda, necessitamos de uma regra prática
e rápida que leve a uma boa estimativa e com uma boa
margem de segurança.
A tabela a seguir representa esta regra prática.
Embora possa parecer óbvio, vale ressaltar que a
tabela parte do pressuposto que o motor tem
conjugado para acelerar a carga em regime.
Vale ressaltar também que foram consideradas
condições típicas de rede de alimentação (potência de
curto-circuito).
Como qualquer regra prática, ela traz um risco
intrínseco a tentativa de generalização que a “regra
prática” comporta. Nosso dia a dia, entretanto, diz que
o risco é relativamente baixo, principalmente quando
quem a aplica está atento a identificar situações
potencialmente problemáticas, que merecerão analise
mais profunda.

173
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

Tabela 6.2 - Critérios de Dimensionamento

Aplicação Carga Inércia Fator


Bomba Centrífuga Baixa Baixa 1,0
Compressores Baixa Baixa 1,0
(parafuso)
Compressores Média Baixa 1,0
(alternativo)
Ventiladores Quadrático Média/Alta 1,2 Até 22 kW
1,5 Acima de
22 kW
Misturadores Média Média 1,5 – 1,8
(pulpers)
Moinhos Média/Alta Média 1,8 – 2,0
Transportadores Média/Alta Alta 1,8 – 2,0
Centrífugas Baixa Muito Alta 1,8 – 2,0

NOTA
Os valores acima são válidos para regime de serviço
normal, ou seja, com número de partidas não superior
a 10 partidas por hora. Consideramos também, a
inércia e conjugado resistente da carga referidos ao
eixo do motor.

Exemplos:

Considerar um motor Weg, 175 CV – IV pólos – 380


Volts – 60 Hz

1. Acionando uma bomba centrífuga em uma


estação de tratamento de água.
 Devemos considerar a corrente nominal do
motor;
 Procurando esta informação no catálogo de
motores encontramos Inom = 253,88 A;
 Pelo critério da tabela 6.2 vemos que devemos
considerar o fator 1,0;
 Logo a Soft-Starter indicada para este caso é a
SSW-03.255/220-440/2 (ver catálogo).

174
6 DIMENSIONAMENTO DO CONJUNTO MOTOR + SOFT-STARTER

2. Acionando um ventilador em uma câmara de


resfriamento.
 Devemos considerar a corrente nominal do
motor;
 Procurando esta informação no catálogo de
motores encontramos Inom = 253,88 A;
 Pelo critério da tabela 6.2 vemos que devemos
considerar o fator 1,5;
 Assim devemos considerar o valor de
1,5x253,88 A  380,82 A;
 Logo a Soft-Starter indicada para este caso é a
SSW-03.410/220-440/2 (ver catálogo).

3. Acionando um transportador contínuo em uma


empresa de mineração.
 Devemos considerar a corrente nominal do
motor;
 Procurando esta informação no catálogo de
motores encontramos Inom = 253,88 A;
 Pelo critério da tabela 6.2 vemos que devemos
considerar o fator 2,0;
 Assim devemos considerar o valor de
2,0x253,88 A  507,76 A;
 Logo a Soft-Starter indicada para este caso é a
SSW-03.580/220-440/2 (ver catálogo).

Não há dúvida que esta maneira de dimensionar as


Soft-Starters é muito mais simples, porém ela torna-se
muito vulnerável a erros, já que em virtude das poucas
informações oferecidas é muito difícil garantir o
acionamento. Nestes casos é sempre oportuno
consultar o fabricante da Soft-Starter para que este
possa avaliar melhor a situação e assim indicar uma
solução mais adequada.

175
7
INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.1 Introdução

7.2 Ligação padrão, entre a rede e o motor


7.2.1 Chave seccionadora
7.2.2 Fusíveis ou disjuntor
7.2.3 Contator
7.2.4 Fiações de controle e interface Homem-Máquina (IHM)
7.2.5 Correção de fator de potência
7.2.6 Aterramento

7.3 Ligação dentro do delta do motor


7.3.1 Introdução
7.3.2 Exemplo de ligação com SSW-03 Plus dentro da ligação delta do motor
7.3.3 Ligação de terminais de motores com tensões múltiplas
7.3.4 Possibilidades de ligação da SSW-03 Plus em função do fechamento do
motor

7.4 SSW-05 (Micro Soft-Starter)

7.5 Ligação da SMV-01 (Soft-Starter para


Média Tensão)
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.1 INTRODUÇÃO Este capítulo tem por objetivo apresentar os


componentes e informações gerais necessárias para a
instalação de uma Soft-Starter. A utilização de cada
componente dependerá de cada caso particular.

Recorra também ao manual da Soft-Starter que você


irá instalar, seguindo suas recomendações específicas.

Figura 7.1 – A instalação da Soft-Starter deve ser feita por profissionais


qualificados, seguindo as normas e procedimentos aplicáveis

Primeiramente abordaremos no item 7.2 a ligação da


Soft-Starter entre o motor e a rede, em baixa tensão.
Estas recomendações e circuitos são particularmente
aplicáveis às SSW-03 e SSW-04 da Weg.

No item 7.3 abordaremos a ligação da Soft-Starter


dentro da ligação delta do motor. Por reduzir o preço
total da instalação – dependendo da distância entre
motor e painel – este tipo de ligação já é a opção de
boa parte dos projetistas. Ela é possível com as Soft-
Starter SSW-03 Plus.

Finalizando este capítulo, abordaremos


particularidades da instalação elétrica da micro Soft-
Starter SSW-05 e faremos rápido comentário a respeito
da Soft-Starter de Média Tensão SMV-01.

179
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.2 LIGAÇÃO PADRÃO,


ENTRE A REDE E O
MOTOR (“FORA” DA
LIGAÇÃO DELTA DO
MOTOR)

Figura 7.2 – Instalação típica da Soft-Starter entre a Rede e o Motor


(baixa tensão)

180
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Ver figura 7.2, que ilustra e complementa os


comentários a seguir.

7.2.1 Chave seccionadora Utiliza-se chave seccionadora, por razões de


segurança, para permitir a desenergização da Soft-
Starter durante a manutenção.

7.2.2 Fusíveis ou disjuntor Recomenda-se a utilização de fusíveis retardados ou de


um disjuntor na entrada para proteção da instalação.
Fusíveis ultra-rápidos podem ser utilizados para a
proteção dos tiristores das Soft-Starters, mas não são
obrigatórios.

7.2.3 Contator Contator é recomendado quando o equipamento


necessita de dispositivos para desligamento de
emergência.

A norma IEC 60947-4-2, no item 3.1.1. inclui uma nota


que pode ser levada em conta na decisão de uso do
contator:

Note: Because dangerous levels of leakage


currents (see 3.1.13) can exist in a
semiconductor motor controller in the OFF-
state, the load terminals should be considered
live at all times.

Resumindo: os terminais da carga devem ser


considerados energizados mesmo com a Soft-Starter
(semiconductor motor controller) em estado “OFF”
(OFF-state), uma vez que níveis perigosos de corrente
de fuga podem existir.

O uso do contator ou sua ausência, portanto,


determinam procedimentos de manutenção, segurança
e operação diferentes.

7.2.4 Fiações de controle e As fiações de controle e para IHM remotas sempre


interface Homem- deverão ser instaladas em um duto metálico exclusivo
Máquina (IHM) (separado dos demais circuitos) e aterrado. O
cruzamento com cabos de potência também deverão
atender a um ângulo de 90 graus.

181
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.2.5 Correção de Fator de Sempre que possível o fator de potência deve ser
Potência corrigido diretamente no motor com um banco de
capacitores acionado por contator que é controlado
pelo relé de fim de rampa (RL ou R1). Desta forma a
Soft-Starter garantirá que durante o chaveamento da
tensão (aceleração e desaceleração, momento onde são
geradas harmônicas, os capacitores estejam fora do
circuito.
Quando a correção do fator de potência diretamente
no motor não for possível, esta deverá ser feita no
ponto mais próximo possível do transformador.
Nunca conecte bancos de capacitores na saída da Soft-
Starter ou nos terminais do motor sem que o controle
seja feito pela chave,sob o risco de causar danos
significativos para as instalações e para a Chave Soft-
Starter, em função de ressonâncias provocadas por
distorções harmônicas que ocorrem na partida.

7.2.6 Aterramento As Soft-Starters devem ser obrigatoriamente aterradas.


Verifique o manual do produto para saber a bitola do
cabo a ser utilizado. Conecte a uma haste de
aterramento específica ou ao ponto de aterramento
geral (resistência <10 ohms). Não compartilhe a fiação
de aterramento com outros equipamentos que operem
com altas correntes (ex.: Motores de alta potência,
máquinas de solda, etc).

Quando várias Soft-Starters forem utilizadas observe a


figura abaixo.

SSW-03 Plus I SSW-03 Plus II SSW-03 Plus n SSW-03 Plus I SSW-03 Plus II

Barra de aterramento

Figura 7.3 - Exemplo de Aterramento de várias Soft-Starters

182
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.3 LIGAÇÃO DENTRO DO A vantagem da ligação da Soft-Starter dentro da


DELTA DO MOTOR ligação delta do motor é reduzir a corrente através dos
semicondutores, e conseqüentemente utilizar-se uma
7.3.1 Introdução Soft-Starter de menor potência.

Lembramos que todas as funções e proteções da chave


permanecem ativas.

A conexão padrão exige menos fiação de saída. A


conexão dentro da ligação delta do motor exige o
dobro da fiação, porém com bitola menor, sendo que,
para curtas distâncias sempre será uma opção mais
barata no conjunto Soft-Starter + motor + fiação.

Exemplificando, suponhamos um motor trifásico cuja


corrente nominal seja 100 A. Em nome da simplicidade
do nosso exemplo, vamos desprezar outras variáveis
que podem influenciar no dimensionamento da Soft-
Starter (carga, rede, etc) e adotar, portanto, uma Soft-
Starter de 100 A para acionar este motor, ligando-a
entre o motor e a rede, conforme figura 7.4 a seguir.
Observe que a corrente que passa pelos
semicondutores é a corrente solicitada pelo motor à
rede.

a) Ligação Padrão com três cabos: corrente de


linha da Soft-Starter igual a corrente do motor.

Figura 7.4 - Instalação da Soft-Starter entre a Rede e o Motor

Por outro lado, imaginemos a ligação dos


semicondutores da Soft-Starter dentro da ligação delta
do motor, conforme figura 7.5. Observe que a corrente
que passará pelos semicondutores é 3 vezes menor
que a corrente solicitada da rede. Entretanto, durante

183
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

a partida, haverá a presença de correntes harmônicas


que não gerarão torque no motor mas que contribuem
para aumentar as perdas. Por este motivo sobserva-se
que a corrente durante a partida é 67% da corrente
nominal através da Soft-Starter, enquanto que em
regime a corrente será 58% da nominal do motor.

b) Ligação Dentro da Ligação Delta do Motor


com seis cabos: corrente de linha da Soft-
Starter igual a aproximadamente 58% da
corrente do motor (em regime) e 67% da
corrente do motor (durante a partida).

Figura 7.5 - Instalação da Soft-Starter Dentro da Ligação do Delta do


Motor

As Soft-Starters da linha SSW-03 Plus podem ser


parametrizadas para as alternativas de ligação a
seguir:

184
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.3.2 Exemplo de ligação Para conseguir a ligação dentro da ligação delta do


com SSW-03 Plus motor, é necessário ter acesso a seis terminais do motor,
dentro da ligação e a tensão da rede deve coincidir com a tensão da
delta do motor ligação delta (situação típica de motores preparados
para partir com chave estrela triângulo), conforme é
sugerido na figura abaixo:

Figura 7.6 - Instalação da Soft-Starter Dentro da Ligação do Delta do


Motor

185
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Também é possível fazer a ligação da Soft-


Starter com by-pass, dentro da ligação delta do
motor.

Figura 7.7 - Instalação da Soft-Starter dentro da Ligação do Delta do


Motor

186
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Na ligação dentro da ligação delta do motor os cabos


de conexão da Soft-Starter à rede, e/ou o contator de
isolação da rede, deverão suportar a corrente nominal
do motor e os cabos de conexão do motor a Soft-Starter,
e ou conexão do contator de by-pass, deverão suportar
58% da corrente nominal do motor (em regime) e 67%
da corrente do motor (durante a partida).

Para este tipo de ligação também é sugerido a


utilização de barramentos de cobre na conexão da Soft-
Starter a rede, devido as grandes correntes envolvidas
e bitola dos cabos.

Com a SSW-03 Plus é fornecido um barramento


extensor de acessório para possibilitar a conexão de
mais cabos nos barramentos de entrada da SSW-03
Plus.

Quando a conexão da SSW-03 Plus à rede for através


de barramento não utilizar este barramento extensor.

Cabo da
Rede

Cabo do Motor

Figura 7.8 - Barramento extensor para SSW-03

187
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.3.3 Ligação de terminais A grande maioria dos motores é fornecida com


de motores com terminais do enrolamento religáveis, de modo a
tensões múltiplas poderem funcionar em redes de pelo menos duas
tensões diferentes. Os principais tipos de religação de
terminais de motores para funcionamento em mais de
uma tensão são:

a) Ligação série-paralela
O enrolamento de cada fase é dividido em duas partes
(lembrar que o número de pólos é sempre par, de
modo que este tipo de ligação é sempre possível).
Ligando as duas metades em série, cada metade ficará
com a metade da tensão de fase nominal do motor.
Ligando as duas metades em paralelo, o motor poderá
ser alimentado com uma tensão igual à metade da
tensão anterior, sem que se altere a tensão aplicada a
cada bobina. Veja os exemplos das figuras 7.9 e 7.10.

Figura 7.9 - Ligação série paralelo Y

Figura 7.10 - Ligação série paralelo 

188
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Este tipo de ligação exige nove terminais no motor e a


tensão nominal (dupla) mais comum, é 220/440V, ou
seja, o motor é religado na ligação paralela quando
alimentado com 220V e na ligação série quando
alimentado em 440V. As figuras 7.9 e 7.10 mostram a
numeração normal dos terminais e o esquema de
ligação para estes tipos de motores, tanto para motores
ligados em estrela como em triângulo.
O mesmo esquema serve para outras duas tensões
quaisquer, desde que uma seja o dobro da outra, por
exemplo, 230/460V

b) Ligação estrela-triângulo
O enrolamento de cada fase tem as duas pontas
trazidas para fora do motor.
Se ligarmos as três fases em triângulo, cada fase
receberá a tensão da linha, por exemplo, 220V (figura
2.6). Se ligarmos as três fases em estrela, o motor pode
ser ligado a uma rede com tensão igual a 220 x 3 =
380 volts sem alterar a tensão no enrolamento que
continua igual a 220 volts por fase, pois,

Figura 7.11- Ligação estrela-triângulo ( Y -


)

Este tipo de ligação exige seis terminais no motor e


serve para quaisquer tensões nominais duplas, desde
que a segunda seja igual à primeira multiplicada por
3.

Exemplos: 220/380V - 380/660V - 440/760V

Nos exemplos 380/660V e 440/760V, a tensão maior


declarada só serve para indicar que o motor pode ser
acionado através de uma chave de partida estrela-
triângulo.

189
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Motores que possuem tensão nominal de operação


acima de 660V deverão possuir um sistema de isolação
especial, apto a esta condição.

c) Tripla tensão nominal


Podemos combinar os dois casos anteriores: o
enrolamento de cada fase é dividido em duas metades
para ligação série-paralelo. Além disso, todos os
terminais são acessíveis para podermos ligar as três
fases em estrela ou triângulo. Deste modo, temos
quatro combinações possíveis de tensão nominal:
1) Ligação triângulo paralelo;
2) Ligação estrela paralela, sendo igual a 3 vezes a
primeira;
3) Ligação triângulo série, valendo o dobro da
primeira;
4) Ligação estrela série, valendo 3 vezes a terceira.
Mas, como esta tensão seria maior que 600V, é
indicada apenas como referência de ligação estrela-
triângulo.

Exemplo: 220/380/440(760) V

Este tipo de ligação exige 12 terminais e a figura 7.12


mostra a numeração normal dos terminais e o esquema
de ligação para as três tensões nominais.

Figura 7.12 - Motor de “quatro tensões”

190
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.3.4 Possibilidades de Ligação Padrão com três cabos: P28=OFF, corrente


ligação da SSW-03 de linha da Soft-Starter igual a corrente do motor.
Plus em função do
fechamento do
motor

Figura 7.13 - Corrente de linha da Soft-Starter igual a corrente do motor

Ligação Dentro da Ligação Delta do Motor com


seis cabos: P28=ON, corrente de linha da Soft-Starter
igual a aproximadamente 58% da corrente do motor
(em regime) e 67% da corrente do motor (durante a
partida).

Figura 7.14 - Corrente de linha da Soft-Starter igual a aproximadamente

58% da corrente do motor

191
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Dentro da ligação delta do motor (delta inside) com


motor de duplo delta em série.

Figura 7.15 - Soft-Starter “delta inside” e motor de duplo delta em série

Dentro da ligação delta do motor com motor de duplo


delta em paralelo.

Figura 7.16 - Soft-Starter “delta inside” e motor de duplo delta em


paralelo

192
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.4 SSW-05 (Micro Soft- A ligação da micro Soft-Starter SSW-05 difere em vários
Starter) aspectos de uma Soft-Starter convencional. Isto decorre
de seu projeto ter sido desenvolvido com foco na
partida de motores pequenos acionando cargas leves
como bombas e compressores

Esta Soft-Starter opera com o princípio de controle de


tensão em duas fases. Uma das fases passa direto
através da chave e é conectada ao motor. A tensão das
outras duas fases é controlada por tiristores ligados em
antiparalelo. Após a partida, os tiristores são curto-
circuitados por um relé interno (by-pass).

Assim, a micro Soft-Starter deve ser utilizada


necessáriamente com um dispositivo que garanta a
abertura física da alimentação de todas as fases
(contator de entrada ou seccionadora sob carga) além
de fusíveis.

A tabela abaixo relaciona contator + fusíveis WEG


indicados para cada valor de corrente nominal da SSW-
05:

Corrente da Contator Fusível Fusível


SSW-05 Plus (K1) (F1, F2, F3) (F11, F12, F21)
3A CWM09 Tipo D 10A
10A CWM12 Tipo D 16A
16A CWM18 Tipo D 25A
23A CWM25 Tipo D 35A Tipo D 6A
30A CWM32 Tipo D 50A
45A CWM50 Tipo D 63A
60A CWM65 Tipo NH 100A
85A CWM95 Tipo NH 125A

193
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Figura 7.17 - Micro Soft-Starter SSW-05 simplificado (comando com chave


de duas posições e seccionadora sob-carga na entrada)

194
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

Figura 7.18 - Micro Soft-Starter SSW-05 (comando com botões liga/desliga


e contator de entrada)

195
7 INSTALAÇÃO DA SOFT-STARTER

7.5 LIGAÇÃO DA SMV-01 O produto SMV-01 é um sistema de partida completo


(SOFT-STARTER PARA desenvolvido pela Weg para partida de motores de
MÉDIA TENSÃO) média tensão.

O circuito padrão é composto por Seccionadora de


Entrada, Fusíveis Ultra Rápidos, Contator a vácuo de
entrada e contator a vácuo de by-pass, além da Soft-
Starter propriamente dita.

Figura 7.19 - Acionamento típico com SMV-01

Os engenheiros e técnicos de aplicação da Weg


desenvolvem em conjunto com o cliente a melhor
solução de instalação para cada aplicação em
específico.

196
8
LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

8.1 Introdução

8.2 SSW-03 e SSW-04

8.3 SSW-05

8.4 SSW-06

8.5 SMV-01
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

8.1 INTRODUÇÃO Como sabemos, as Soft-Starter são chaves de partida


estática, destinadas à aceleração, desaceleração e
proteção de motores de indução trifásicos.
O controle da tensão aplicada ao motor, mediante o
ajuste do ângulo de disparo dos tiristores, permite
obter partidas e paradas suaves.
As linhas de Soft-Starter Weg representam o estado da
arte em tecnologia de partida e parada de motores de
indução trifásicos, disponibilizando recursos que
permitem partir, parar e proteger os motores elétricos
de maneira facilitada e eficaz.
Abordaremos a seguir as principais características das
linhas de Soft-Starter Weg, cujos recursos variam de
acordo com a família a que pertencem.
Os dados apresentados a seguir estão sujeitos a
alteração sem prévio aviso.
8.2 SSW-03 E SSW-04

SOF T- STARTER

SOFT- STARTER

Figura 8.1 - Alguns modelos das Linhas SSW-03 e SSW-04

As Soft-Starts WEG SSW-03 e SSW-04,


microprocessadas e totalmente digitais, são produtos
dotados de tecnologia de ponta e foram projetadas
para garantir a melhor performance na partida e
parada de motores de indução, apresentando-se como
uma solução completa e de baixo custo.A interface
homem-máquina permite fácil ajuste de parâmetros
facilitando a posta em marcha e a operação. A função
incorporada “Pump Control” permite um eficaz
controle sobre bombas, evitando desta forma o “Golpe
de Ariete”. A função incorporada “Economia de
Energia” permite a redução das perdas no motor com
carga baixa, através da redução automática da tensão
no motor.
199
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

BENEFÍCIOS
• Proteção eletrônica integral do motor;
• Proteção eletrônica integral do motor;
• Relé térmico eletrônico incorporado;
• Interface Homem-Máquina incorporada;
• Função “Kick-Start” para partida de
cargas com elevado atrito estático;
• Função “Pump Control” para controle
inteligente de sistemas de bombeamento;
• Evita o “Golpe de Ariete” em bombas;
• Limitação de picos de corrente na rede;
• Limitação de quedas de tensão na partida;
• Eliminação de choques mecânicos;
• Redução acentuada dos esforços sobre os
acoplamentos e dispositivos de transmissão
(redutores, polias, engrenagens, correias, etc);
• Aumento da vida útil do motor e equipamentos
mecânicos da máquina acionada;
• Otimização automática de consumo de energia
para aplicações com carga reduzida ou à vazio;
• Possibilidade de partida de vários motores,
configurados em paralelo ou em cascata;
• Facilidade de operação, programação e
manutenção via interface homem-máquina;
• Simplificação da instalação elétrica;
• Comunicação serial RS-232 incorporada;
• Comunicação em Redes FieldBus:
ProfiBus DP, DeviceNet ou ModBus RTU (opcionais);
• Programação e monitoração via microcomputador
PC com software SUPERDRIVE (opcional);
• Possibilidade de ligação padrão 3 cabos ou
dentro do delta do motor (6 cabos) - (SSW-03 Plus);
• Totalmente digital / Microcontrolador 16 Bits;
• Operação em ambientes de até 55 °C;
• Certificações Internacionais IRAM, C-Tick, UL, cUL e CE.

PRINCIPAIS APLICAÇÕES
• Bombas Centrífugas / Alternativas
(Saneamento / Irrigação / Petróleo)
• Ventiladores / Exaustores / Sopradores
• Compressores de Ar / Refrigeração (Parafuso / Pistão)
• Misturadores / Aeradores
• Centrífugas
• Britadores / Moedores
• Picadores de Madeira
• Refinadores de Papel
• Fornos Rotativos
• Serras e Plainas (Madeira)
200
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

• Moinhos (Bolas / Martelo)


• Transportadores de Carga:
- Correias / Cintas / Correntes
- Mesas de Rolos
- Monovias / Nórias
- Escadas Rolantes
- Esteiras de Bagagem (Aeroportos)
- Linhas de Engarrafamento

INTERFACE HOMEM-MÁQUINA

IHM-3P
START
LED que indica que a
Soft-Starter iniciou
partida ou parada

RUN
LED indica estado da
Soft-Starter:
- Aceleração
- Desaceleração
- Tensão plena
- Em economia de
energia

Liga Soft-Starter

Desliga Soft-Starter
Reseta erros na Soft-Starter

Incrementa número ou conteúdo do parâmetro

Decrementa número ou conteúdo do parâmetro

Comuta display entre o número do parâmetro e o


seu conteúdo

IHM-3P Interface Homem-Máquina destacável, com


possibilidade de fixação local ou remota (cabos 1, 2 ou 3
metros)

Figura 8.2 - Interface Homem-Máquina

201
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

TIPOS DE LIGAÇÃO (SOFT-STARTER  MOTOR)

Padrão (3 cabos) Dentro do delta do motor (6 cabos)

Motor em Estrela Motor em Triângulo Soft-Starter dentro do Delta do motor

ISoft-Starter = ITotal consumida ISoft-Starter = ITotal consumida = 57% da I (em regime)


Total consumida
 3
SSW-03 Plus e SSW-04
ISoft-Starter = I Total consumida = 67% da I
Figura 8.3 - Ligação Padrão (na partida)
1,5 Total consumida

SSW-03 Plus
Figura 8.4 - Ligação dentro do delta do motor

IMPORTANTE
1. A ligação tipo dentro do delta do motor (6 cabos) é
possível somente com as Soft-Starters SSW-03 Plus.
2. Na ligação padrão (3 cabos) o motor pode ser conectado
tanto em ligação Estrela ou Triângulo.
Motor Ligação 6 cabos
3. Para uma mesma potência de motor, na ligação tipo den-
tro do delta do motor (6 cabos ), a Soft-Starter é
220 / 380V 220V
menor do que a Soft-Starter necessária na ligação tipo
380 / 660V 380V
padrão (3 cabos). Essa característica muda a relação
440 / 760V 440V entre as correntes nominais da Soft-Starter e do motor.
220 / 380 / 440 / 760 220 / 440V A saber, nesta ligação, pode-se usar a Soft-Starter com
sua corrente nominal dimensionada da seguinte forma:
- 1,50 vezes a corrente nominal do motor, durante a partida;
- 1,73 vezes a corrente nominal do motor, em tensão plena.
Durante a partida a relação é menor devido as caracte-
rísticas comuns a este tipo de ligação (dentro da ligação
Delta do motor) o Tiristor da Soft-Starter necessita con-
duzir a mesma corrente em um período de tempo me-
nor, elevando com isto as perdas no Tiristor durante a
partida.
202
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

4. Para ligação “dentro do delta do motor (6 cabos)”, o


transformador de alimentação deverá ter o secundá-
rio ligado em estrela aterrado.

ACIONAMENTOS TÍPICOS (LIGAÇÃO STANDARD - 3 CABOS)

Básico / Convencional Inversão de Sentido de Giro

SSW-03 Plus / SSW-04 SSW-03 Plus / SSW-04

Frenagem CC By-Pass

SSW-03 Plus / SSW-04

SSW-03 Plus / SSW-04

Multimotores / Cascata

SSW-03 Plus / SSW-04

Figura 8.5- Acionamentos típicos

203
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

ACESSÓRIOS E PERIFÉRICOS

MÓDULOS FIELDBUS WEG

Unidades para comunicação em redes FieldBus

ProfiBus DP MFW-01 / PD

DeviceNet MFW-01 / DN

ModBus RTU MFW-01 / MR


Figura 8.6- Módulo de comunicação FieldBus /
MFW-01

MÓDULO INTERFACE WEG

Interface de comunicação entre a Soft-Starter SSW-03


Plus ou SSW-04 e os módulos FieldBus WEG,com
conversão RS-232 para RS-485.
MIW - 02

Figura 8.7 - Módulo de interface FieldBus /


MIW-02

KIT IP 20 P/ SSW-03 Plus

Kit de instalação para SSW-03 Plus (3 cabos) para


permitir a utilização de eletrodutos metálicos para a
entrada e saída de cabos.
Disponível somente para SSW-03 Plus quando utilizada
na ligação padrão (3 cabos) para as mecânicas (X) 0; 1;
2; 3; 4; 5 e 6.

KIT IP 20 / SSW-03 Plus / MX

Figura 8.8 - Kit IP20 para SSW-03 Plus

MÓDULOS DE AQUISIÇÃO DE CORRENTE

Unidade de aquisição de corrente para uso com siste-


ma de acionamento com By-Pass
SSW-03 Plus (120...340A) MAC - 01

SSW-03 Plus (410...580A) MAC - 02

Figura 8.9 - Módulo de aquisição de corrente SSW-03 Plus (670...800A) MAC - 03

204
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

SOFTWARE DE PROGRAMAÇÃO - SUPERDRIVE


Software de programação via microcomputador PC,
em ambiente Windows, para parametrização,
comando e monitoração das Soft-Starters SSW-03 Plus
e SSW-04. Permite editar parâmetros “on-line”,
diretamente na Soft-Starter ou editar arquivos de
parâmetros “off-line”, armazenados no
microcomputador. É possível armazenar arquivos de
parâmetros de todas as Soft-Starters SSW-03 Plus e
SSW-04 existentes na instalação. O software também
incorpora funções para transferir o conjunto de
parâmetros do microcomputador para a Soft-Starter,
como também da Soft-Starter para o microcomputador.
A comunicação entre a Soft-Starter e o
microcomputador é feita via interface serial RS-232
(ponto a ponto) ou RS-485 utilizando o módulo MIW-02
para interligação em rede.
Figura 8.10 - SuperDrive

REDES DE COMUNICAÇÃO “FIELDBUS”


As Soft-Staters SSW-03 Plus e SSW-04 podem
opcionalmente ser interligados em redes de
comunicação rápidas “FieldBus”, através dos
protocolos padronizados mais difundidos
mundialmente, podendo ser:

•Profibus DP
FIELDBUS •DeviceNet
CLP •Modbus RTU
REDES “FIELDBUS”
Destinadas principalmente a integrar grandes plantas
MFW-01 MFW-01
de automação industrial, as redes de comunicação
MIW-02 MIW-02 MIW-02 MIW-02
rápidas conferem elevada performance de atuação e
grande flexibilidade operacional, características
exigidas em aplicações de sistemas complexos e/ou
integrados.

As Soft-Starters SSW-03 Plus e SSW-04 podem se


interligar as redes de comunicação do tipo “FieldBus”
Figura 8.11 - Comunicação Fieldbus
através de Módulos FieldBus WEG, de acordo com o
protocolo desejado.

205
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

FUNÇÕES PRINCIPAIS

Rampas

Tensão

UN

t (s)

Aceleração Desaceleração

Figura 8.12 - Gráfico das rampas de aceleração/desaceleração

Permite a aceleração e/ou desaceleração suaves. Na


aceleração ajusta-se também a tensão inicial. Na
desaceleração ajusta-se o degrau inicial de tensão.
A desaceleração evitará o “Golpe de Ariete” em
bombas.
Pulso de tensão (Kick-Start)

Tensão

UN

Reforço de torque
(Booster)

t (s)

Figura 8.13- Gráfico do pulso de tensão (kick-start)

Permite um pulso inicial de tensão que aplicado ao mo-


tor proporciona um reforço de torque na partida, neces-
sário para a partida de cargas com elevado atrito estáti-
co.

Proteção sub/sobrecorrente
Corrente

Nível de
sobrecorrente

Nível de
subcorrente

t (s)

Figura 8.14- Gráfico de proteção de sub/sobrecorrente


206
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

Economia de energia

Tensão

Economia

t (s)

Figura 8.15 - Gráfico de economia de energia

Tem como função diminuir as perdas no entreferro do


motor, proporcionando economia de energia quando
operado à vazio ou com pouca carga.

DIMENSÕES E PESOS

ALTURA (mm)
SÉRIE MECÂNICA LARGURA PROFUNDIDADE PESO
“L” (mm) “H” ”H2” “P” (mm) (kg)
(IP 00) (c/ kit IP 20)
H2

1 199 5,2
SSW-04 140 275 –
2 283 9,0
0 365 605 244 17
224
P 1 480 720 257 20
2 530 886 315 42
3 605 961 50
SSW-03 521
Plus 4 655 1011 325 59
H

5 705 1111 64
6 571 855 1288 345 72
7 679 1210 – 431 180

207
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

TABELA DE ESPECIFICAÇÃO SSW-04

SOFT-STARTER SSW-04 MOTOR MÁXIMO APLICÁVEL (1)

Tensão
da Inominal (A) Ta=0...40°C(2) Ta=40...55°C (3) Mecânica
Tensão
Rede Modelo
(V)
40°C 55°C CV kW CV kW

16 / 220-440 16 16 6 4,5 6 4,5


30 / 220-440 30 27 10 7,5 10 7,5 1

45 / 220-440 45 38 220 15 11 12,5 9,2


220 / 230 / 240 / 380 / 400 / 415 / 440 V

60 / 220-440 60 52 20 15 20 15
2
85 / 220-440 85 80 30 22 30 22
16 / 220-440 16 16 10 7,5 10 7,5
30 / 220-440 30 27 20 15 15 11 1

45 / 220-440 45 38 380 30 22 25 18,5


60 / 220-440 60 52 40 30 30 22
2
85 / 220-440 85 80 60 45 50 37
16 / 220-440 16 16 12,5 9,2 12,5 9,2
30 / 220-440 30 27 20 15 20 15 1
45 / 220-440 45 38 440 30 22 30 22
60 / 220-440 60 52 50 37 40 30
2
85 / 220-440 85 80 75 55 60 45
16 / 460-575 16 16 15 11 15 11
460/480/575 V

30 / 460-575 30 27 30 22 25 18,5 1
45 / 460-575 45 38 575 40 30 30 22
60 / 460-575 60 52 60 45 50 37
2
85 / 460-575 85 80 75 55 75 55

NOTAS:
(1) As potências indicadas nas tabelas (SSW-04 e SSW-
03Plus) são para cargas suaves do tipo bombas cen-
trífugas e compressores, com base em motores WEG
de IV pólos - 60 Hz.
Para aplicações com cargas pesadas e/ou condições
severas, consultar a WEG. O dimensionamento de Soft-
Starters é feito com base nos dados da curva de car-
ga, número de partidas/hora e tipo de carga.
(2) Potências máximas de motores para Soft-Starters ope-
rando em ambiente com temperatura máxima de
40°C.
(3) Potências máximas de motores para Soft-Starters ope-
rando em ambiente com temperatura máxima de
55°C.

208
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

TABELA DE ESPECIFICAÇÃO SSW-03 PLUS


SOFT-STARTER
SSW-03 Plus MOTOR MÁXIMO APLICÁVEL (1)

Tensão
Inominal Ligação Standard (3 cabos) Ligação dentro do delta (6 cabos)
da Mecânica
Modelo (A) Tensão Ta=0...40°C(2) Ta=41...55°C (3) Ta=0...40°C(2) Ta=41...55°C (3)
Rede
(V)
40°C 55°C CV kW CV kW CV kW CV kW
120 / 220-440 120 100 50 37 40 30 75 55 75 55 0
170 / 220-440 170 145 75 55 50 37 125 90 100 75
1
205 / 220-440 205 170 85 63 75 55 150 110 125 90
255 / 220-440 255 255 100 75 100 75 175 130 175 130
290 / 220-440 290 290 125 90 125 90 200 150 200 150 2
340 / 220-440 340 290 140 103 125 90 250 185 200 150
410 / 220-440 410 380 220 150 110 150 110 300 220 250 185 3
475 / 220-440 475 475 200 150 200 150 350 260 330 240
4
580 / 220-440 580 500 250 185 200 150 400 300 350 260
670 / 220-440 670 550 270 200 225 166 450 330 400 300 5
800 / 220-440 800 620 300 220 250 185 550 400 450 330
950 / 220-440 950 800 400 300 300 220 650 475 550 400 6
1100 / 220-440 1100 850 450 330 350 260 800 600 600 450
7
1400 / 220-440 1400 1080 600 450 450 330 1000 750 750 550
120 / 220-440 120 100 75 55 75 55 150 110 125 90 0
220 / 230 / 240 / 380 / 400 / 415 / 440 V

170 / 220-440 170 145 125 90 100 75 200 150 175 130
1
205 / 220-440 205 170 150 110 125 90 250 185 200 150
255 / 220-440 255 255 175 130 175 130 300 220 300 220
290 / 220-440 290 290 200 150 200 150 350 260 350 260 2
340 / 220-440 340 290 250 185 200 150 400 300 350 260
410 / 220-440 410 380 300 220 270 200 500 370 450 330 3
380
475 / 220-440 475 475 350 260 350 260 600 450 600 450
4
580 / 220-440 580 500 400 300 370 270 700 500 630 470
670 / 220-440 670 550 450 330 400 300 850 630 700 500 5
800 / 220-440 800 620 550 400 450 330 1000 750 750 550
6
950 / 220-440 950 800 750 550 600 450 1200 900 1000 750
1100 / 220-440 1100 850 800 600 650 475 1350 1000 1050 770
7
1400 / 220-440 1400 1080 1000 750 800 600 1750 1300 1350 1000
120 / 220-440 120 100 100 75 75 55 175 130 150 110 0
170 / 220-440 170 145 150 110 100 75 250 185 200 150
1
205 / 220-440 205 170 170 125 125 90 300 220 250 185
255 / 220-440 255 255 200 150 200 150 350 260 350 260
290 / 220-440 290 290 250 185 250 185 400 300 400 300 2
340 / 220-440 340 290 270 200 250 185 500 370 400 300
410 / 220-440 410 380 350 260 300 220 600 450 550 400 3
440
475 / 220-440 475 475 400 300 400 300 700 500 650 475
4
580 / 220-440 580 500 500 370 430 315 850 630 700 500
670 / 220-440 670 550 550 400 450 330 950 700 800 600 5
800 / 220-440 800 620 700 500 500 370 1150 850 900 660
6
950 / 220-440 950 800 800 600 700 500 1400 1050 1150 850
1100 / 220-440 1100 850 900 660 750 550 1600 1200 1250 920 7
1400 / 220-440 1400 1080 1200 900 900 660 2050 1500 1550 1150
120 / 460-575 120 100 125 90 100 75 225 165 175 130 0
170 / 460-575 170 145 150 110 150 110 300 220 270 200
1
205 / 460-575 205 170 220 160 175 130 400 300 300 220
255 / 460-575 255 255 250 185 250 185 450 330 450 330
290 / 460-575 290 290 300 220 300 220 550 400 550 400
460 / 480 / 575 V

2
340 / 460-575 340 290 350 260 300 220 650 475 550 400
410 / 460-575 410 380 575 450 330 400 300 750 550 700 500 3
475 / 460-575 475 475 500 370 500 370 900 660 900 660
4
580 / 460-575 580 500 600 450 550 400 1100 800 950 700
670 / 460-575 670 550 750 550 600 450 1250 920 1050 770 5
800 / 460-575 800 620 850 630 700 500 1500 1100 1150 850
6
950 / 460-575 950 800 1100 800 850 630 1800 1300 1500 1100
1100 / 460-575 1100 850 1200 900 950 700 2100 1550 1600 1200
7
1400 / 460-575 1400 1080 1500 1100 1200 900 2650 1950 2050 1500
* Os modelos de 1100 e 1400 A que possuem comando em 110 Vca deverá ser utilizado transformador para a elevação de tensão local de 110 Vca para 220 Vca.
Nota: Tabela de valores de motores para a seguinte condição:
- Ligação standard: 3xIn durante 30s 10 partidas por hora;
- Ligação dentro do delta: 3xIn durante 25s 10 partidas por hora.

209
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS SSW-03 E SSW-04


ALIMENTAÇÃO Tensão Modelos 220-440 : 220 / 230 / 240 / 380 / 400 / 415 / 440 V ( + 10 % , - 15 % )
Modelos 460-575 : 460 / 480 / 525 / 575 V ( + 10 % , - 15 % )
Freqüência 50 / 60 Hz +/- 5 Hz ( 45 ... 65 Hz )
Eletrônica / Ventilação Versão 1: 110 / 120 Vca e Versão 2: 220 / 230 Vca
GRAU DE PROTEÇÃO Gabinete Metálico SSW-04: IP 20; SSW-03 Plus: IP 00 (Padrão) ou IP 20 (Opcional com kit)
Método Variação da tensão sobre a carga (motor)
CONTROLE Tipo de Alimentação Fonte chaveada ( SSW-04 ); Fonte linear (SSW-03 Plus)
CPU Microcontrolador de 16 Bits
REGIME DE PARTIDA Normal 300 % (3 x Inom.) durante 20 s (SSW-04), 30 s (SSW-03 Plus - ligação standard) e 25s (SSW03 Plus - Ligação dentro do delta)
( 10 Partidas / Hora ) Pesado 450 % (4,5 x Inom.) durante 20 s (SSW-04), 30 s(SSW-03 Plus- ligação standard) e 25s(SSW03 Plus- Ligação dentro do delta)
com redução de 33% na Inom.
ENTRADAS Digitais 4 Entradas programáveis isoladas ( fotoacopladas ) 24 Vcc
Analógicas 1 Entrada diferencial programável (10 bits) 0...10Vcc, 0...20mA ou 4...20mA (Exceto SSW-04)
SAÍDAS Relé 2 Saídas programáveis ( NA ) 250 V / 1 A
1 Saída ( Reversor = NA + NF ) 250 V / 1 A – Defeitos
Analógicas 1 Saída programável ( 8 bits ) 0...10 Vcc ( Exceto para SSW-04 )
COMUNICAÇÃO Interface Serial RS-232
Redes “FieldBus” Unidades p/ comunicação em redes ProfiBus DP, DeviceNet ou ModBus RTU (opcionais)
SEGURANÇA Proteções Sobrecorrente imediata na saída ( motor ) Falta de fase na alimentação
Subcorrente na saída ( motor ) Falta de fase na saída ( motor )
Sobrecarga na saída ( motor ) – I2 t Falha no tiristor
Sobretemperatura nos tiristores / dissipador Erro na CPU ( Watchdog )
Sequência de fase invertida Erro de programação
Defeito externo Erro de comunicação serial
FUNÇÕES / Standard ( Padrão ) Interface Homem-Máquina incorporada ( destacável ) – Display de LED’s 7 segmentos
RECURSOS Senha de habilitação de programação
Auto-diagnóstico de defeitos
Função PUMP CONTROL ( proteção contra “Golpe de Ariete” em bombas )
Função ECONOMIA DE ENERGIA
Relé para função de BY-PASS da soft-starter
Inversão de sentido de giro por entrada digital programável ( via contatores externos )
Interface serial RS-232
Tensão inicial ( pedestal ) programável 25 ... 90 % da Tensão Nominal
Rampa de aceleração programável 1 ... 240 segundos
Rampa de desaceleração programável OFF, 2 ... 240 segundos
Degrau de tensão na desaceleração programável 100 ... 40 % da Tensão Nominal
Limitação de corrente de partida programável OFF, 150 ... 500 % da Corrente Nominal
Sobrecorrente imediata programável 32 ... 200 % da Corrente Nominal
Tempo de sobrecorrente imediata programável OFF, 1 ... 20 segundos
Subcorrente imediata programável 20 ... 190 % da Corrente Nominal
Tempo de subcorrente imediata programável OFF, 1 ... 200 segundos
Pulso de tensão na partida programável Nível : 70 ... 90 % da Tensão Nominal
( KICK – START ) Duração : OFF, 0,2 ... 2 segundos
Frenagem CC ( injeção de corrente contínua ) Nível : 30 ... 50 % da Tensão Nominal
Duração : Off, 1 ... 10 segundos
Proteção de sobrecarga ( motor ) programável OFF, 30 ... 200 % da Corrente Nominal
Função JOG ( impulso momentâneo ) 25 ... 50 % da Tensão Nominal
Auto-Reset de erros programável OFF, 10 ... 600 segundos
Auto-Reset da memória térmica programável OFF, 1 ... 600 segundos
Classe térmica de proteção sobrecarga do motor 5, 10, 15, 20, 25 e 30
Fator de serviço do motor 0,80 ... 1,50
Tensão nominal de linha da rede programável 220 ... 440 V e 460 ... 575 V
Opcionais Interface Homem-Máquina Remota ( LED’s ) HMI-3P
Software de programação via PC SUPERDRIVE
Módulo de aquisição de corrente (para SSW-03 PLUS) MAC-0X
Kit de montagem IP 20 (SSW-03 Plus) KIT IP20
Adicional
Filtro EMC (somente para SSW-04) RF ... -DLC/RF ... -1M
Unidades para Redes de ProfiBus DP MFW - 01 / PD
Comunicação FieldBus DeviceNet MFW - 01 / DN
ModiBus RTU MFW - 01 / MR
INTERFACE Comando Liga, Desliga / Reset, e Parametrização ( Programação de funções gerais )
HOMEM – MÁQUINA Incrementa e Decrementa parâmetros ou seu conteúdo
Supervisão ( Leitura ) Corrente de saída ( motor ) – [ A ] Tensão de saída – [ 0 ... 100 % U nom. ]
Corrente de saída ( motor ) – [ % da I nominal ] Cos j da carga – [ 0,00 ... 0,99 ]
Potência ativa fornecida à carga – [ kW ] Back-up dos 4 últimos erros
Potência aparente fornecida à carga – [ kVA ] Versão de software da Soft-Starter
Estado da proteção térmica – [ 0 ... 250 ] Temperatura dissipador (SSW-04) – [ °C ]
CONDIÇÕES Temperatura 0 ... 40 °C – Condições normais de operação à corrente nominal
AMBIENTE 40 ... 55 °C – Com redução na corrente/potência de saída (Vide tabela de corrente/potência )
Umidade 0 ... 90 %, sem condensação
Altitude 0 ... 1000 m – Condições normais de operação à corrente nominal
1000 ... 4000 m – Com redução na corrente de saída de 1% / 100 m acima de 1000 m
ACABAMENTO Cor Tampa: cinza claro RAL 7032 Gabinete: cinza escuro RAL 7022
CONFORMIDADES/ Segurança Norma UL 508 – Equipamentos de Controle Industrial
NORMAS Baixa Tensão Norma EN 60947-4-2 ; LVD 73 / 23 / EEC – Diretiva de baixa tensão
EMC EMC diretiva 89 / 336 / EEC – Ambiente industrial ( com filtro adicional para SSW-04 )
CERTIFICAÇÕES UL(USA)/cUL(Canadá) Underwriters Laboratories Inc. – USA
CE ( Europa ) Certificado pelo ITS – UK
IRAM (Argentina) Instituto Argentino de Normalización
C-Tick (Austrália) Australian Communications Authority

210
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

CODIFICAÇÃO

1 . 2 / 3 / 4 - PL*

SSW-04
1 Linha Soft-Starter {
SSW-03 Plus

SSW-04  16...85 A
2 Corrrente Nominal da Soft-Starter { SSW-03 Plus  120...1400 A

220-440V
3 Faixa de Tensão da Rede de Alimentação { 460-575V

1  110-120 V **
4 Tensão de Eletrônica / Ventilação { 2  220-230 V

Ex.: SSW-04.60/220-440/2
SSW-03.290/460-575/I - PL
* Somente para SSW-03 Plus
** Exceto para SSW-03 Plus (1100 e 1400A)

211
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

8.3 SSW-05

3 a 30 A 45 a 85 A

Figura 8.16 - Micro Soft-Starter SSW-05

As Micro Soft-Starters SSW-05 Plus, com controle DSP


(Digital Signal Processor) foram projetadas para
fornecer ótima performance na partida e parada de
motores com excelente relação custo-benefício.
Permitindo fácil ajuste, simplifica as atividades de start-
up e operação do dia-a-dia.
As Micro Soft-Starters SSW-05 Plus são compactas,
contribuindo para a otimização de espaços em painéis
elétricos.
A Micro Soft-Starter SSW-05 Plus já incorpora todas as
proteções para seu motor elétrico.

BENEFÍCIOS
• Redução acentuada dos esforços sobre os
acoplamentos e dispositivos de transmissão
(redutores, polias, engrenagens, correias, etc)
durante a partida;
• Aumento da vida útil do motor e equipamentos
mecânicos da máquina acionada pela eliminação de
choques mecânicos;
• Facilidade de operação, ajuste e manutenção;
• Instalação elétrica simples;
• Operação em ambientes até 55 °C;

212
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

ALGUMAS APLICAÇÕES
• Bomba de Vácuo a Palheta;
• Bombas Centrífugas;
• Calandras (partidas a vazio) ;
• Compressores a Parafuso (partindo em alívio) ;
• Misturadores;
• Refinadores de Celulose;
• Ventiladores Axiais (baixa inércia – carga leve).
Outras aplicações são possíveis mediante análise da
aplicação. Caso necessário, consulte a fábrica ou um
revendedor autorizado.

ESQUEMA DE LIGAÇÃO

Figura 8.17 - Esquema de ligação da SSW-05

213
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

AJUSTES E INDICAÇÕES

Entrada de
alimentação
trifásica

Alimentação da
eletrônica e
Dip-switch para Habilitar /
entradas digitais
Desabilitar as proteções
do motor

Leds para indicação das


proteções da SSW-05 Plus
Conector para
Leds para indicação de serial ou HMI
estado da SSW-05 Plus remota

Ajustes de tensão de pedestal, Saídas digitais


tempo de aceleração e a relé
desaceleração e corrente do motor

Saída para o motor


Figura 8.18 - Detalhes da SSW-05

INTERFACE HOMEM-MÁQUINA
Interface Homem-Máquina remota para operação
remota em porta de painel ou console de máquina. A
interface também incorpora a função “copy”, a qual
permite copiar a parametrização de uma Soft-Starter
para outras, possibilitando rapidez, confiabilidade e
repetibilidade de programação em aplicações de
máquinas de fabricação seriada.

Habilita a Soft-Starter (partida)

Desabilita a Soft-Starter (parada). Reseta


a Soft-Starter após ocorrência de erros.

Incrementa número do parâmetro ou


valor do parâmetro

Decrementa número do parâmetro ou


valor do parâmetro

Seleciona (comuta) display


entre número do parâmetro
e seu valor (posição/conteúdo)

214
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

Figura 8.19 - Interfa Homem-Maquina remota

MODELO DESCRIÇÃO

CAB-RS-1 Cabo para HMI remota serial com 1 m

CAB-RS-2 Cabo para HMI remota serial com 2 m


CAB-RS-3 Cabo para HMI remota serial com 3 m

Interface Homem-Máquina remota para


HMI-SSW05-RS
uso com cabo CAB-RS até 3 m

SOFTWARE DE PROGRAMAÇÃO - SUPERDRIVE


Software de programação via computador PC, em
ambiente Windows, para parametrização, comando e
monitoração das Soft-Starters SSW-05 Plus .
Permite editar parâmetros “online”, diretamente na
Soft-Starter e editar arquivos de parâmetros “offline”,
armazenados no microcomputador.
É possível armazenar arquivos de parâmetros de todas
as Soft-Starters SSW-05 Plus existentes na instalação.
O software também incorpora funções para transferir o
conjunto de parâmetros do microcomputador para a
Soft-Starter, como também da Soft-Starter para o
microcomputador.
A comunicação entre a Soft-Starter e o
microcomputador é feita via interface serial RS-232.

Figura 8.20 - SuperDrive

215
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

TABELA DE ESPECIFICAÇÃO SSW-05

T E NS Ã O Micro Soft-Starter SSW-05 Plus MOT OR MÁXIMO APLICÁ VEL D IM E N SÕ E S


PESO
DA I n om. Ten sã o Potência (mm)
Modelo (Kg)
REDE (A) (V) CV kW A L P
SSW-05.03 3 0,75 0,55
SSW-05.10 10 3 2,2
SSW-05.16 16 5 3,7 130 59 145 0,74
SSW-05.23 23 7,5 5,5
220 V
SSW-05.30 30 10 7,5
SSW-05.45 45 15 11
SSW-05.60 60 20 15 185 79 172 1,67
220 / 230 / 380 / 400 / 415 / 440 / 460 V

SSW-05.85 85 30 22
SSW-05.03 3 1,5 1,1
SSW-05.10 10 6 4,5
SSW-05.16 16 10 7,5 130 59 145 0,74
SSW-05.23 23 15 11
380 V
SSW-05.30 30 20 15
SSW-05.45 45 30 22
SSW-05.60 60 40 30 185 79 172 1,67
SSW-05.85 85 60 45
SSW-05.03 3 2 1,5
SSW-05.10 10 7,5 5,5
SSW-05.16 16 12,5 9,2 130 59 145 0,74
SSW-05.23 23 15 11
440 V
SSW-05.30 30 20 15
SSW-05.45 45 30 22
SSW-05.60 60 40 30 185 79 172 1,67
SSW-05.85 85 60 45
SSW-05.03 3 2 1,5
SSW-05.10 10 7,5 5,5
460 / 480 / 500

SSW-05.16 16 12,5 9,2 130 59 145 0,74


525 / 575 V

SSW-05.23 23 15 11
480 V
SSW-05.30 30 25 18,5
SSW-05.45 45 30 22
SSW-05.60 60 50 37 185 79 172 1,67
SSW-05.85 85 75 55

NOTA
As potências indicadas na tabela são para cargas do
tipo bombas centrífugas e compressores (com partida
em alívio), com base em motores WEG de IV pólos -
60Hz. Acesse nosso site (www.weg.com.br) e utilize
o software SDW para dimensionamento das Soft-
Starters.
O dimensionamento é feito com base nos dados da cur-
va de carga, número de partidas/hora e tipo de carga.

216
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

DIMENSÕES

L A

H B

Largura L (mm) Altura H (mm) Profundidade P Fixação A Fixação B Fixação D


Mecânica Fixação Peso (Kg)
L La H Ha (mm) (mm) (mm) (mm)

1 59 60,4 130 130,7 145 51 122 61 Paraf. M4/Trilho 0,74

2 79 80,4 185 185,7 172 71 177 99 Paraf. M4/Trilho 1,64


La, Ha, Fixação ( Somente para fixação por parafuso)

Figura 8.21 - Dimensões da SSW-05

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS
MODELO SSW-05 Plus
ALIMENTAÇÃO Tensão da Potência 220 - 460 Vca (+10%, -15%)
460 - 575 Vca (+10%, -15%)
Freqüência 50 / 60 Hz
Eletrônica Fonte chaveada (90 – 250 Vca )
GRAU DE PROTEÇÃO Plástico injetado IP00
CONTROLE Método Variação da tensão sobre a carga (motor)
CPU Microcontrolador tipo DSP (Digital Signal Processor)
REGIME DE PARTIDAS Normal 300% ( 3 x Inom. ) durante 10 s, 4 partidas por hora
ENTRADAS Digitais 01 entrada para partida e parada
01 entrada para reset de erros
SAÍDAS Digitais 01 saída a relé para indicação de tensão plena (By-Pass) ou defeito (programável)
01 saída a relé para indicação de Operação
COMUNICAÇÃO Interface Serial RS-232C
SEGURANÇA Proteções Sobrecarga do motor
Seqüência de fase
Falta de fase
Rotor bloqueado
Sobrecarga nos SCRs
Sobrecorrente
Falha interna (watchdog)
FUNÇÕES / Tensão inicial 30 - 80% Tensão Nominal
RECURSOS Tempo da rampa 1 – 20 s
de aceleração
Tempo da rampa de Off – 20 s
desaceleração
Relação entre In do 30 - 100%
motor e In da chave
CONDIÇÕES Temperatura 0 ... 55 ºC - Condições normais de operação à corrente nominal
AMBIENTE Umidade 0 ... 90% sem condensação
Altitude 0 ... 1000 m - Condições normais de operação à corrente nominal
1000 ... 4000 m - Com redução na corrente de 1% / 100 m acima de 1000 m
ACABAMENTO Cor Cinza ultra fosco (tampa) e azul ultra fosco (base) / padrão WEG
INSTALAÇÃO Forma de Fixação Fixação por parafusos ou montagem em trilho DIN 35 mm
CONFORMIDADES / Segurança Norma UL 508 – Equipamentos de Controle Industrial / IRAM
NORMAS Baixa Tensão IEC 60947-4-2
EMC EMC diretiva 89 / 336 / EEC - Ambiente industrial

217
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

CODIFICAÇÃO

SSW05 0010 T 2246 P P 00 00 Z

1 2 3 4 5 6 7 8 9

1 - Família SSW-05 5 - Idioma do manual P = Português


2 - Corrente nominal de saída: 0003 3A do produto: E = Inglês
0010 10 A S = Espanhol
0016 16 A G = Alemão
0023 23 A
0030 30 A 6 - Versão do produto: P = Plus
0045 45 A
0060 60 A 7 - Hardware especial: 00 = Standard (não há)
0085 85 A H x = Opcional versão x (H1 ... Hn)

8 - Software especial: 00 = Standard (não há)


3 - Entrada de alimentação: T = Trifásica
Sx = Opcional versão x (S1 ... Sn)

4 - Tensão de alimentação: 2246 220 ... 460 V 9 - Fim de código: Z = dígito indicador de final de código
4657 460 ... 575 V

Ex: SSW050010T2246PSZ
SSW050060T4657PPZ

218
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

8.4 SSW-06

Figura 8.22 - Alguns modelos da Linha SSW-06

As Soft-Starters WEG, série SSW-06 microprocessadas e


totalmente digitais, são produtos dotados de tecnologia
de ponta e foram projetadas para garantir a melhor
performance na partida e parada de motores de
indução, apresentando-se como uma solução completa
e de baixo custo.
A interface homem-máquina permite fácil ajuste de
parâmetros facilitando a posta em marcha e a
operação. A função incorporada “Pump Control”
permite um eficaz controle sobre bombas, evitando
desta forma o “Golpe de Ariete”.

BENEFÍCIOS
• Proteção eletrônica integral do motor;
• Relé térmico eletrônico incorporado;
• Interface Homem-Máquina destacável com
duplo display (LED/LCD);
• Função “Kick-Start” para partida de
cargas com elevado atrito estático;
• Função “Pump Control” para controle
inteligente de sistemas de bombeamento;
• Evita o “Golpe de Ariete” em bombas;
• Limitação de picos de corrente na rede;

219
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

• Limitação de quedas de tensão na partida;


• Tensão universal (220 a 575 Vac);
• Fonte de alimentação da eletrônica do tipo
chaveada com filtro EMC (90 a 250 Vac);
• By-pass incorporado à Soft-Starter (85 a 365A),
proporcionando redução de tamanho e economia
de energia;
• Monitoração da tensão da eletrônica, possibilitando
fazer back-up dos valores de i x t (imagem térmica);
• Proteção por desbalanceamento de tensão e corren-
te;
• Proteção de sub/sobre tensão e corrente
• Entrada para PTC do motor;
• Eliminação de choques mecânicos;
• Redução acentuada dos esforços sobre os
acoplamentos e dispositivos de transmissão
(redutores, polias, engrenagens, correias, etc);
• Aumento da vida útil do motor e equipamentos
mecânicos da máquina acionada;
• Possibilidade de partida de vários motores,
configurados em paralelo ou em cascata;
• Facilidade de operação, programação e
manutenção via interface homem-máquina;
• Simplificação da instalação elétrica;
• Start-up orientado;
• Possibilidade de ligação padrão 3 cabos ou
dentro do delta do motor (6 cabos);
• Totalmente digital / Microcontrolador RISC 32 bits;
• Operação em ambientes de até 55 °C (sem redução
de corrente);
• Certificações Internacionais IRAM, C-Tick, UL, cUL e
CE (em aprovação).

PRINCIPAIS APLICAÇÕES
• Bombas Centrífugas / Alternativas
(Saneamento / Irrigação / Petróleo)
• Ventiladores / Exaustores / Sopradores
• Compressores de Ar / Refrigeração (Parafuso / Pistão)
• Misturadores / Aeradores
• Centrífugas
• Britadores / Moedores
• Picadores de Madeira
• Refinadores de Papel
• Fornos Rotativos
• Serras e Plainas (Madeira)
• Moinhos (Bolas / Martelo)
• T ransportadores de Carga:
- Correias / Cintas / Correntes
220
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

- Mesas de Rolos
- Monovias / Nórias
- Escadas Rolantes
- Esteiras de Bagagem (Aeroportos)
- Linhas de Engarrafamento

INTERFACE HOMEM-MÁQUINA

Display LED’s
(7 segmentos)

Display LCD
(Cristal Líquido)

Led “LOCAL”
Led “REMOTO”

Led “ANTI-HORÁRIO”

Led “HORÁRIO”

Figura 8.23 - Interface Homem-Máquina SSW-06

Interface Inteligente
Interface de operação inteligente com duplo display,
LED’s (7 segmentos) e LCD (2 linhas de 16 caracteres),
que permite ótima visualização a distância, além de
incorporar uma descrição detalhada de todos os
parâmetros e mensagens via display LCD alfanumérico.

Idioma Selecionável
A interface de operação inteligente permite ainda que
o usuário do produto escolha, para o seu melhor
conforto, o idioma a ser usado para a programação,
leitura e apresentação dos parâmetros e mensagens
alfanuméricas através do display LCD (Cristal Líquido).
A elevada capacidade de hardware e software do
produto disponibiliza ao usuário várias opções de
idiomas, tais como: português, inglês, alemão e
espanhol, de forma a adequá-lo a quaisquer usuários
em todo o mundo.

221
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

FUNÇÃO COPY
A interface inteligente também incorpora a função
“Copy”, a qual permite copiar a parametrização de
uma Soft-Starter para outras, possibilitando rapidez,
confiabilidade e repetibilidade de programação em
aplicações de máquinas de fabricação seriada.

Soft-Starter “A” Soft-Starter “B”

SSW-06  HMI HMI  SSW-06

Figura 8.24 - Função “Copy”

222
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

Interface Homem-Máquina remota para operação re-


mota em porta de painel ou console de máquina.

Figura 8.25 - Interface Homem-Máquina Remota

FUNÇÕES DO TECLADO

Liga a Soft-Starter

Desliga a Soft-Starter
Reseta erros na Soft-Starter

Incrementa o número ou valor do parâmetro

Decrementa o número ou valor do parâmetro

Seleciona (comuta) display entre o número do


parâmetro e seu valor (posição / conteúdo), para
programação

Quando pressionada realiza a função JOG (impulso


momentâneo de velocidade)

Inverte o sentido de rotação do motor


comutando entre horário e anti-horário
(com circuito externo adicional).

Seleciona o modo de operação da Soft-Starter,


definindo a origem dos comandos / referência,
podendo ser Local ou Remota

223
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

TIPO DE LIGAÇÃO (SOFT-STARTER  MOTOR)

Padrão (3 cabos) Dentro do delta do motor (6 cabos)

Motor em Estrela Motor em Triângulo Soft-Starter dentro do Delta do motor


ISoft-Starter = ITotal consumida ISoft-Starter = ITotal consumida = 57% da I
Total consumida
(Após a
 3 partida)
Figura 8.26 - Ligação Padrão ISoft-Starter = I Total consumida = 67% da I
Total consumida (Durante a
1,5 partida)

Figura 8.27- Ligação dentro do delta do motor

IMPORTANTE
1 -Na ligação padrão (3 cabos) o motor pode ser
conectado tanto em ligação Estrela ou Triângulo.
2 -Para uma mesma potência de motor, na ligação tipo
Motor Ligação 6 cabos dentro do delta do motor (6 cabos ), a Soft-
220 / 380V 220V Starter é 42% menor do que a Soft-Starter
necessária na ligação tipo padrão (3 cabos), ou seja,
380 / 660V 380V
para um mesmo tamanho de Soft-Starter na
440 / 760V 440V
utilização da ligação tipo dentro do delta do motor
575V 575V
(6 cabos). Com a Soft-Starter dentro do delta do
220 / 380 / 440 / 760 220 / 440V motor, pode-se acionar um motor de potência 73%
maior do que na ligação tipo padrão (3 cabos).
3 - Durante a partida do motor a relação de corrente
em relação a soft-starter é de 1,50. Porém, em
tensão plena, após a partida a relação de corrente é
de 1,73.

224
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

FUNÇÕES PRINCIPAIS

Rampas
Tensão

UN

t (s)
Aceleração Desaceleração

Figura 8.28 - Gráfico das rampas de aceleração/desaceleração

Permite a aceleração e/ou desaceleração suaves. Na


aceleração ajusta-se também a tensão inicial. Na
desaceleração ajusta-se o degrau inicial de tensão.
A desaceleração evitará o “Golpe de Ariete” em
bombas.

Pulso de tensão (Kick-Start)

Tensão

UN

Reforço de torque
(Booster)

t (s)

Figura 8.29- Gráfico do pulso de tensão (kick-start)

Permite um pulso inicial de tensão que aplicado ao


motor proporciona um reforço de torque na partida,
necessário para a partida de cargas com elevado atrito
estático.

Proteção sub/sobrecorrente

Corrente

Nível de
sobrecorrente

Nível de
subcorrente

t (s)

Figura 8.30 - Gráfico de economia de energia

225
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

Permite ajustar os limites de subcorrente e


sobrecorrente para a completa proteção do motor. A
proteção de subcorrente é ideal para aplicação em
bombas a fim de evitar o funcionamento à vazio.
Somente está ativa quando a Soft-Starter está em
tensão plena.

BY-PASS Incorporado

Figura 8.31 - By-Pass Incorporado

By-Pass incorporado minimizando as perdas de


potência e a dissipação de calor nos tiristores,
proporcionando redução de espaço e contribuindo
para economia de energia.

ACESSÓRIOS E PERIFÉRICOS

CAB - HMI-SSW06-X
CABOS INTERLIGAÇÃO PARA
INTERFACE REMOTA

Figura 8.32 - Acessórios da SSW-06

Cabos com comprimentos (X) de 1; 2; 3; 5; 7,5m.


Cabos especiais com comprimentos superiores sob
consulta.

226
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

DIMENSÕES E PESOS
L

LARGURA ALTURA PROFUNDIDADE PESO


SÉRIE MECÂNICA “L” (mm) “H” (mm) “P” (mm) (kg)

2 132 370 244 8,50


H SSW-06 3 223 440 278 18,60
4 370 550 311 39,50

227
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

TABELA DE ESPECIFICAÇÃO SSW-06

SOFT-STARTER SSW-06 MOTOR MÁXIMO APLICÁVEL


Tensão
Ligação Standard (3 cabos) Ligação dentro do delta (6 cabos)
da Modelo Inominal (A) Mecânica
Tensão
Rede (comando: Ta=0...55°C Ta=0...55°C
(V)
90-250 Vca) Ta=0...55°C cv kW cv kW
0085 T 2257 P S 85 30 22 50 37
2
0130 T 2257 P S 130 50 37 75 55
0170 T 2257 P S 170 60 45 100 75
3
0205 T 2257 P S 205 220 75 55 125 90
0255 T 2257 P S 255 100 75 150 110
0312 T 2257 P S 312 125 90 200 150 4
0365 T 2257 P S 365 150 110 250 185
220/230/240/380/400/415/440/460/480/575 V

0085 T 2257 P S 85 50 37 75 55
2
0130 T 2257 P S 130 75 55 125 90
0170 T 2257 P S 170 100 75 150 110
3
0205 T 2257 P S 205 380 100 75 200 150
0255 T 2257 P S 255 150 110 250 185
0312 T 2257 P S 312 175 130 300 220 4
0365 T 2257 P S 365 200 150 350 260
0085 T 2257 P S 85 60 45 100 75
2
0130 T 2257 P S 130 100 75 150 110
0170 T 2257 P S 170 125 90 200 150
3
0205 T 2257 P S 205 440 150 110 250 185
0255 T 2257 P S 255 200 150 350 260
0312 T 2257 P S 312 250 185 450 330 4
0365 T 2257 P S 365 300 220 500 370
0085 T 2257 P S 85 75 55 150 110
2
0130 T 2257 P S 130 125 90 200 150
0170 T 2257 P S 170 150 110 300 220
575 3
0205 T 2257 P S 205 200 150 350 260
0255 T 2257 P S 255 250 185 450 330
0312 T 2257 P S 312 300 220 550 400 4
0365 T 2257 P S 365 350 260 650 475

MEC 02 MEC 03 MEC 04

Figura 8.33 - Alguns modelos da linha SSW-06

228
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS SSW-06


ALIMENTAÇÃO Tensão 220 / 230 / 240 / 380 / 400 / 415 / 440 / 460 / 480 / 575 V ( + 10 % , - 15 % )
Freqüência 50 / 60 Hz ( +- 10% )
Eletrônica Fonte chaveada com filtro EMC (90 - 250 Vca) / Ventilação 110 ou 220 V somente para mecãnica 4
GRAU DE PROTEÇÃO Gabinete Metálico IP 00
Método Variação da tensão sobre a carga (motor de indução trifásico)
CONTROLE Tipo de Alimentação Fonte chaveada
CPU Microcontrolador RISC de 32 Bits
REGIME DE PARTIDA Normal 300 % (3 x Inom.) durante 30 s para ligação 3 cabos e durante 25 s para ligação 6 cabos.
( 10 Partidas / Hora ) Pesado 450 % (4,5 x Inom.) durante 30 s com redução de 33% na Inom; 300% (3 x Inom) durante 25 s para ligação 6 cabos.
ENTRADAS Digitais 6 Entradas programáveis isoladas (fotoacopladas) 24 Vcc
SAÍDAS Relé 3 Saídas programáveis 250 V / 2 A: (02 x NA) + (01 x NA + NF - Defeito)
Analógicas 1 Saída programável (14 bits ) 0...10 Vcc
1 Saída programável (14 bits ) 0 ... 20mA ou 4 ... 20mA
SEGURANÇA Proteções Sobretensão Falta de fase na alimentação
Subtensão Falta de fase na saída (motor)
Subcorrente Falha no tiristor
Sobrecorrente Erro na CPU (Watchdog)
Sobrecarga na saída (motor) – i²t Erro de programação
Sobretemperatura nos tiristores / dissipador Erro de comunicação serial
Sequência de fase invertida Erro de auto-diagnóstico
Defeito externo Erro de comunicação da HMI-SSW06-LCD
Contato de By-pass aberto (Modelos 85 a 365 A) Contato de By-pass fechado (modelos de 85 a 365 A)
Sobrecorrente antes do By-pass (Modelos 85 a 365 A)
Sobrecorrente imediata do By-pass (Modelos 85 a 365 A)
FUNÇÕES / Standard ( Padrão ) Interface Homem-Máquina incorporada (destacável) com duplo display LED + LCD (HMI-SSW06-LCD)
RECURSOS Senha de habilitação de programação
Seleção do idioma da HMI-SSW06-LCD: Português, Inglês, Espanhol, Alemão
Seleção para operação Local / Remoto
Auto-diagnóstico de defeito
Função PUMP CONTROL (Proteção contra “Golpe de Ariete” em bombas)
Função COPY (Soft-Starter  HMI ou HMI  Soft-Starter)
By-Pass integrado a Soft-Starter (Modelos 85 a 365A).Nestes modelos não é necessário usar contator p/ By-Pass
Interface Serial RS-232
Entrada para PTC do motor
Desbalanceamento de corrente entre fases
Desbalanceamento de tensão entre fases
Subcorrente antes do By-pass
Sobrecorrente antes do By-pass
Tensão Nominal da rede programável 220 ... 575 V
Tensão inicial (pedestal) programável 25 ... 90% da Tensão Nominal
Rampa de aceleração programável 1 ... 999 s
Rampa de desaceleração programável OFF, 2 ... 299 s
Degrau de tensão na desaceleração programável 100 ... 40% da Tensão Nominal
Limitação de corrente de partida programável OFF, 150 ... 500% da Corrente Nominal do Motor
Sobrecorrente imediata programável 0 ... 99% da Corrente Nominal do Motor
Tempo de sobrecorrente imediata programável OFF, 0 ... 99 s
Subcorrente imediata programável 0 ... 99% da Corrente Nominal do Motor
Tempo de subcorrente imediata programável OFF, 1 ... 99 s
Pulso de Torque na partida programável em tensão ou Nível: 70 ... 90% da Tensão Nominal
corrente (KICK-START) Nível: 300 ... 700% da Inominal
Duração: 0.1 ... 2 s
Auto-reset de erros programável OFF, 10 ... 600 s
Auto-reset da memória térmica programável OFF, 1 ... 600 s
Classe térmica de proteção (sobrecarga do motor) 0 (inativa); 5; 10; 15; 20; 25; 30; 35; 40; 45
Fator de Serviço do motor 0 (inativa); 0,8 ... 1,50
Opcionais Cabo para interligação da HMI remota - 1; 2; 3; 5 e 7,5 m (CAB-HMI-SSW06-X)
Interface Serial RS-485 (CSI-2)
INTERFACE Comando Liga, Desliga / Reset e Parametrização (Programação de funções gerais)
HOMEM – MÁQUINA Incrementa e decrementa parâmetros ou seu conteúdo
(HMI-SSW06-LCD) Supervisão ( Leitura ) Corrente de saída (Soft-Starter) - (% da Inominal)
Corrente de Saída (motor) - (A)
Corrente de Saída (motor) - (% da Inominal)
Frequência da Rede de Alimentação (0 ... 99,9 Hz)
Tensão da Rede de alimentação - (0 ... 999V)
Tensão de Saída - (0 ... 999V)
Potência ativa fornecida à carga – (kW)
Potência Aparente fornecida à carga – (kVA)
Estado da Soft-Starter
Estado das entradas e saídas digitais e analógicas
Cos () da carga – (0,00 ... 0,99)
Horas Energizado
Horas Habilitado
Back-up dos 4 últimos erros
Versão de Software da Soft-Starter
Proteção térmica do motor – (0 ... 250)
Indicação de corrente em cada fase R-S-T
Indicação da tensão de linha R-S / S-T / T-R

229
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS SSW-06

CONDIÇÕES Temperatura 0 ... 55ºC (Modelos de 85 a 365 A) em condições normais de corrente


AMBIENTE Umidade 20 ...90%, sem condensação
Altitude 0 ... 1000 m: Condições normais de operação à corrente nominal
1000 ... 4000 m: Com redução na corrente de saída de 1% / 100 m, acima de 1000 m
ACABAMENTO Cor Tampa: Cinza Ultra fosco
Gabinete:Azul Ultra fosco
CONFORMIDADES/ Segurança Norma UL 508 – Equipamentos de Controle Industrial
NORMAS Baixa Tensão Norma EN 60947-4-2; LVD 73/23/EEC – Diretiva de Baixa Tensão
EMC EMC diretiva 89 / 336 / EEC – Ambiente Industrial
UL (USA) cUL (Canadá) Underwriters Laboratories Inc. – USA (Em aprovação)
CE (Europa) Certificado pelo ITS – UK (Em aprovação)
IRAM (Argentina) Instituto Argentino de Normalización (Em aprovação)
C-Tick (Austrália) Australian Communications Authority (Em aprovação)

CODIFICAÇÃO

SSW06 0085 T 2257 0P O 00 SI A1 DN H1 S3 Z

1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13

1 - Soft-Starter WEG família SSW-06

2 - Corrente nominal de saída da Soft-Starter 0085 = 85 A


0130 = 130 A
0170 = 170 A
0205 = 205 A
0255 = 255 A
0312 = 312 A
0365 = 365 A

3 - Alimentação de entrada da Soft-Starter: T= Trifásica


220 / 230 / 240 / 380 / 400 /
4 - Tensão de alimentação: 2257 = Faixa 220 ... 575 V
415 / 440 / 460 / 480 / 575 V
5 - Idioma do manual do produto: P = Português
E = Inglês
S = Espanhol
G = Alemão

6 - Versão do produto: 11 - Hardware especial:


S = Standard 00 = Standard
O = Com Opcionais
12 - Software especial:
7 - Grau de proteção: 00 = Standard
00 = Standard (Vide tabela de características)
13 - Fim de código:
8 - Interface Homem - Máquina (HMI):
Z = Dígito indicador de final de codificação do
00= Standard (Com HMI de LED’s + LCD)
produto
SI = Sem HMI

9 - Cartões de expansão de funções:


00 = Standard
A1 = Opcional com CSI-2 (RS485)

10 - Cartões para redes de comunicação “FieldBus ”: Exemplos:


00 = Standard SSW06 0085 T 2257 P S Z
PD = Opcional com KFB – PD (Rede Profibus DP) SSW06 0255 T 2257 P O SI A1 P D Z
DN = Opcional com KFB – DN (Rede DeviceNet)

230
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

8.5 SMV-01

Figura 8.34 - Soft-Starter de Média Tensão SMV-01

As Soft-Starters SMV-01 WEG são equipamentos


destinados a partidas suave e proteção dos motores de
indução trifasicos. Totalmente digitais, são produtos
dotados de tecnologia de ponta e foram projetados
para garantir a melhor performance na partida de
motores, apresentando-se como uma solução completa
para as mais diversas aplicações. A Soft-Starter de
média tensão Weg SMV-01 é fornecida montada em
cubículo metálico completo, incluindo em sua
configuração padrão a seccionadora de entrada,
fusíveis, contator principal a vácuo e contator de by-
pass a vácuo.

231
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

Rede MT

SMV-01 Seccionadora
c/ Fusíveis

Contator
Principal
Contator
By-Pass

M
3~

Figura 8.35 - Circuito padrão da Soft-Starter de Média Tensão SMV-01

Outras configurações são possíveis sob consulta.

Aliada à experiência da equipe de engenheiros e


técnicos de aplicação da Weg, a SMV-01 tem se
mostrado como uma excelente opção para
acionamento suave de motores de grande porte (acima
de 1000 cv, aproximadamente) para acionamento de
bombas, ventiladores e outras aplicações, em redes
acima de 2,3kV e até 6,6kV.

CARACTERÍSTICAS GERAIS
• Totalmente Digital;
• Interface Homem-Máquina LCD;
• Correntes: 180, 360 e 600 A;
• Tensões: 2400, 3300, 4160, 6600 e 6900 V;
• Montada em painel IP40;
• By-Pass automático;
• Contatores à vácuo;
• Fusíveis;
• Fibra óptica entre potência e controle;
• 4 modos de partida;
• Comunicação em Rede:
- DeviceNet (opcional)
- Profibus (opcional)

232
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

TABELA DE ESPECIFICAÇÃO SMV-01

Corrente Tensões e Potência (CV)

Nominal 2400 V 3300 V 4160 V 6600 V 6900 V

180 A 800 1000 1250 2250 2500

360 A 1500 2250 2750 4500 5000

800 A 2750 4000 4500 7500 7500

NOTA
As potências indicadas na tabela são para cargas
suaves do tipo bombas centrífugas e compressores,
com base em motores WEG de IV pólos - 60 Hz. Para
aplicações com cargas pesadas e / ou condições
severas, consultar a WEG.
O dimensionamento de Soft-Starters será feito com
base nos dados da curva de carga, número de partidas
/ hora e tipo de carga.

233
8 LINHAS DE SOFT-STARTER WEG

CARACTERÍSTICAS TÉCNICAS

Alimentação Tensão Trifásica: 2300, 3300, 4160, 6600 e 6900 V (+10%, -15%)
Freqüência 50 / 60 Hz
Grau de Proteção Standard IP 40
Controle Método de controle Microprocessado, 16 Bits
Conexão controle / potência Cabos de fibra óptica
Sobrecarga admissível 500 % (5,0 x I nominal) - (Duração máxima de 1 minuto a cada hora)
Potência Configuração Standard Seccionadora com fusíveis
Contator principal de entrada - à vácuo
Contator de By-Pass - à vácuo
Conjunto de células de tiristores
Entradas Digitais 3 entradas para habilitação / partida / parada
Saídas Relé 2 saídas para indicação final de rampa (1 NA+1 NF)
1 saída para indicação de Defeito (NA / NF)
Comunicação Interface de comunicação Porta SCAN
Rede de comunicação Módulo para rede DeviceNet e Profibus (opcionais)
Segurança Proteções Subtensão Desbalanceamento de fases
Sobretensão Seqüência de fase invertida
Subcarga/Subcorrente Número de partidas / hora
Sobretemperatura SCR em curto
Falha na conexão com motor Rotor bloqueado
Falta de rede Falha de disparo
Recursos / Standard Interface Homem-Máquina incorporada LCD
Funções Auto-diagnóstico de defeitos e Auto-Reset
Especiais Dupla rampa de partida suave
Rampa de parada suave
Rampas de aceleração e desaceleração independentes
Função “Pump Control”
By-Pass automático
Dupla rampa (cargas diferentes)
Kick-Start (pulso de tensão)
Modos de partida
Limitação de corrente
Partida direta (tensão plena)
Partida suave
Modos de operação Parada suave
Pump control
Interface Comando Parametrização (programação de funções gerais)
Homem-Máquina Seleciona parâmetro / Altera valor do parâmetro
Supervisão (Leitura) Tensão de saída (V) Potência consumida (kW)
Corrente de saída (A) Potência média (kW / h)
Tempo de operação (h) cos  da carga (0,00...0,99)
Número de partidas por hora Estado da saída do relé auxiliar
Condições Temperatura 0 ... 40 ºC
Ambiente Umidade 5 ... 90 % sem condensação
Altitude 0 ... 1000 m (até 4000 m com redução de 1 % / 100 m na corrente
Acabamento Cor Cinza claro RAL 7032
Conformidades / Compatibilidade Níveis de emissão EMC - Classe A
Normas Eletromagnética Níveis de imunidade EMC - Conforme norma IEC 947 - 4 - 2

234
Anexo I
CÁLCULO DO MOMENTO DE INÉRCIA DE
MASSA

1. Momento de inércia de formas simples

2. Teorema dos eixos paralelos

3. Momento de inércia de formas


compostas

4. Momento de inércia de corpos que se


movem linearmente

5. Transmissão de velocidade

6. Exemplos de cálculos do momento de


inércia de massa
 Cálculo do momento de inércia de massa
 Cálculo do momento de inércia total
ANEXO
CÁLCULO DO MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA 1
1. MOMENTO DE A seguir são apresentadas as expressões para o cálculo
INÉRCIA DE FORMAS do momento de inércia de massa J [kgm2] de formas
SIMPLES geométricas simples, em relação ao seu eixo
baricêntrico, ou seja, o eixo que passa pelo seu centro
de gravidade. Todas as unidades deverão ser as do
Sistema Internacional (SI).

Serão utilizadas as seguintes notações:


m – massa [kg]
 – massa específica [kg/m3]
D – diâmetro externo [m]
d – diâmetro interno [m]
Db – diâmetro da base [m]
l – comprimento [m]
a, b – lados [m]

a) DISCO OU CILINDRO MACIÇO


O momento de inércia de massa de um disco, ou de um
cilindro maciço, referido ao seu eixo longitudinal é

J = 1/8 * m * D2 [kgm2],
(A1.1)
ou

J = /32 * * D4 * l [kgm2]
(A1.2)

237
ANEXO

1 CÁLCULO DO MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA

b) CILINDRO OCO

J = 1/8 * m * (D2 + d2) [kgm2]


(A1.3)

ou
J = /32 * * (D4 - d4) * l [kgm2]
(A1.4)

c) PARALELEPÍPEDO

J = 1/12 * m * (a2 + b2) [kgm2]


(A1.5)
ou

J = 1/12 * * (a3b + ab 3) * l [kgm2]


(A1.6)

238
ANEXO
CÁLCULO DO MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA 1
d) CONE

J = 3/40 * m * Db2 [kgm2]


(A1.7)
ou

J = /160 * * Db4 * l [kgm 2]


(A1.8)

2. TEOREMA DOS EIXOS O momento de inércia de massa J’ [kgm2] de um corpo


PARALELOS em relação a um eixo paralelo ao seu eixo baricêntrico
é dado por

J’ = J + m * e 2
(A1.9)

Sendo: e – distância entre os eixos [m], e


J – momento de inércia de massa em relação
ao eixo baricêntrico

239
ANEXO

1 CÁLCULO DO MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA

3. MOMENTO DE
INÉRCIA DE FORMAS
COMPOSTAS

Exemplo:
J1 = 1/8 * m 1 * (D12 + d12) [kgm 2]
J2 = 1/8 * m 2 * D12 + d22) [kgm2]
J3 = 1/8 * m 3 * (D22 + d22) [kgm 2]
J4 = 1/8 * m 4 * D22 [kgm2]
ou
J1 = (* ) / 32 * (D14 – d14) * I1
J2 = (* ) / 32 * (D14 – d24) * I2
J3 = (* ) / 32 * (D24 – d24) * I3
J4 = (* ) / 32 * D24 * I4

J = J1 + J2 + J3 + J 4 [kgm2]

Onde:
mi - massa de cada primitiva i da peça [kg]
D1, D2 - diâmetros externos [m]
d1, d2 - diâmetros internos [m]
Ii - comprimentos de cada primitiva i da
peça [m]

240
ANEXO
CÁLCULO DO MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA 1
4. MOMENTO DE O momento de inércia de uma massa m [kg] que se
INÉRCIA DE CORPOS move linearmente reflete-se no seu eixo de
QUE SE MOVEM acionamento da seguinte forma:
LINEARMENTE
4.1 Acionamento através de parafuso de movimento
(fuso)

J = m * (p / 2)2 [kgm2]
(A1.10)

Sendo:
p – passo do fuso [m]

4.2 Acionamento através de pinhão/cremalheira, ou


tambor/cabo, ou ainda rolete/esteira

J = m * r2 [kgm2]
(A1.11)

Sendo:
r – raio primitivo do pinhão, ou raio externo do
tambor ou rolete [m]

5. TRANSMISSÃO O momento de inércia de massa é refletido do eixo de


MECÂNICA saída (2) para o eixo de entrada (1) de uma
transmissão de acordo com a seguinte expressão:

J1 = J2 / i 2
(A1.12)

Onde:
J2 – momento de inércia [kgm 2] no eixo de
saída (2), com rotação n2 [rpm]
J1 – momento de inércia [kgm 2] no eixo de
entrada (1), com rotação n1 [rpm]
i – razão de transmissão (i = n 1 / n2)

241
ANEXO

1 CÁLCULO DO MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA

6. EXEMPLOS DE 6.1 Calcular o momento de inércia de massa J do


CÁLCULOS DE volante mostrado na figura abaixo
MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA

a) Momento de inércia do volante maciço


J1 = (* ) / 32 * d14 * I1

b) Momento de inércia dos alívios laterais (negativo)


J2 = (* ) / 32 * d24 * (I1 – I2)

c) Momento de inércia dos excessos laterais do cubo


(positivo)
J3 = (* ) / 32 * d34 * (I3 – I2)

d) Momento de inércia do furo do cubo (negativo)


J4 = (* ) / 32 * d44 * I3

e) Momento de inércia de um furo da alma


J5 = (* ) / 32 * d54 * I2

f) Transposição de e) para o eixo baricêntrico do


volante
J’5 = [(* ) / 32 * d54 * I 2] + [(* ) / 16 * d52 * d62 * I2]

J’5 = (* ) / 32 * d52 * I2 * (d52 + d62)

g) Momento de inércia de massa do volante


J = J1 – J 2 + J3 – J 4 – (4 * J’5)

J = (* ) / 32 * {d14 * I1 – d24 * (I1 – I2) + d34 *


(I3 – I2) – d44 * I3 – 4 * [d52 * I2 * (d52 + 2 * d62)]}

242
ANEXO
CÁLCULO DO MOMENTO DE
INÉRCIA DE MASSA 1
6.2 Para o sistema mostrado no diagrama abaixo,
calcular o momento de inércia total referido ao
eixo do motor

Dados:
JM = momento de inércia de massa do rotor do
motor [kgm2]
JP1 = momento de inércia de massa da polia
motora P 1 [kgm2]
JP2 = momento de inércia de massa da polia
movida P2 [kgm2]
I = razão de transmissão (i = n1 / n2)
JF = momento de inércia de massa do fuso de
esferas recirculantes [kgm2]
pF = passo da rosca do fuso de esferas
recirculantes [m]
mM = massa móvel da mesa da máquina [kg]
mP = massa da peça [kg]

Logo,
JTOt = JM + JP1 + (1/I 2) * [J P2 + JF + (p F /2)2 * (m M +
mP)]

243
Anexo II
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO
WEG - SDW
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
1. INTRODUÇÃO Este software tem a finalidade de auxiliar no
dimensionamento e na especificação das chaves de
partida estática WEG.

Principais funções e vantagens do software SDW:

 Utiliza o banco de dados dos motores WEG


auxiliando no preenchimento dos dados;

 Possui como opção de dimensionamento, as


principais aplicações com suas respectivas
características para auxiliar no preenchimento dos
dados;

 Permite dimensionar a chave considerando as mais


diversas condições de partida;

 O resultado apresenta além do modelo, uma lista


de parâmetros básicos para auxiliar no start-up da
chave.

247
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

2. COMO ACESSAR O Software está disponível para acesso via Internet.

Um dos caminhos disponíveis no site da Weg é o


seguinte:

 Acesse o site da weg (www.weg.com.br)


 Clique em Downloads e Sistemas On-line
 Clique em Software de Dimensionamento da Soft-
Starter SDW 2.0

O resultado será a seguinte tela:

Figura 2 - Tela de abertura

Basta então clicar no botão:

248
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
3. COMO USAR O Software guia o usuário, que deve fornecer as
informações na medida em que avança através da
análise da aplicação.
O primeiro passo é selecionar o idioma e o mercado a
que se destina o acionamento.
A título de exemplo, vamos manter o idioma
“Português” e o mercado “Brasil”.

Figura 3 - Seleção de idioma e mercado

Ao clicar no botão ajuda, nesta tela,


aparecerá uma janela auxiliar com
o seguinte texto explicativo:

Idioma: Estão disponíveis os idiomas Português, Inglês e


Espanhol. Ao selecionar um dos idiomas, automaticamente o
campo “mercado” será alterado de acordo com o idioma
selecionado, conforme segue: Português – Brasil; Inglês –
América do Norte; Espanhol – América Latina.

Mercado: Estão disponíveis os seguintes mercados:


África, América do Norte, América Latina, Austrália /
Nova Zelândia, Brasil e Europa. Ao selecionar um dos
mercado, você terá disponível na próxima página, uma
lista dos principais motores fornecidos neste mercado.

249
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Você pode selecionar qualquer mercado independente


do idioma, por exemplo:
Idioma: Português
Mercado: América do Norte.

A próxima tela - que será mostrada ao pressionarmos o


botão - tem o seguinte aspecto:

Figura 4 - Dados iniciais do motor

Seguindo com nosso exemplo, vamos selecionar um


motor Alto Rendimento Plus de 200cv, 06 pólos, para
rede 380V, 60 Hz.

O conteúdo da tecla ajuda nesta


tela é o seguinte:
Tipo de Motor/Linha: Neste campo estão disponíveis
os principais tipos de motores correspondentes ao
mercado selecionado. Caso seu motor não esteja nesta
lista, selecione o motor “Standard” e preencha os
demais dados conforme seu motor.

Norma: A norma informada neste campo não pode ser


alterada e corresponde aos motores disponíveis para
cada mercado.

250
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
Número de Pólos: Selecione o número de pólos
correspondente a do seu motor. Este dado será
utilizado para definir a velocidade do motor. Os
motores standards estão disponíveis em 2, 4, 6 e 8
pólos. Ao selecionar uma polaridade maior, por
exemplo “12” pólos, o aplicativo não encontrará no
banco de dados da WEG um motor correspondente.
Neste caso alguns dados não serão sugeridos sendo
necessário serem preenchidos.

Categoria: Selecione a categoria correspondente a do


seu motor. Este dado é utilizado para definir o formato
da curva de torque por rotação (C/Cn) do motor. Os
motores standards estão disponíveis na categoria N. Ao
selecionar uma categoria diferente, por exemplo “D”, o
aplicativo não encontrará no banco de dados da WEG
um motor correspondente. Neste caso alguns dados
não serão sugeridos sendo necessário serem
preenchidos.

Freqüência Nominal: A freqüência informada neste


campo não pode ser alterada e corresponde aos
motores disponíveis para cada mercado. Unidade:
Hertz (Hz).

Tensão Nominal: Neste campo estão disponíveis as


tensões de ligação do motor. Escolha a tensão que seu
motor será conectado. Unidade: Volt (V).

Potência Nominal: Neste campo estão disponíveis as


potência correspondentes ao tipo de motor
selecionado. Importante: se achar necessário, antes de
selecionar um motor, selecione a unidade da potência
(kW, cv ou HP).

251
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Como selecionamos um motor Alto Rendimento Plus de


200cv, 06 pólos, para rede 380V, 60 Hz, isto fará o
Software buscar em seu banco de dados as
características deste motor, que aparecerão na tela a
seguir, quando se clicar em

Figura 5 - Estes dados (FP, rendimento, corrente, etc) foram conseguidos


pelo Software, a partir do banco de dados de motores WEG

O conteúdo da tecla ajuda nesta


tela é o seguinte:
Fator de potência: Este valor é automaticamente
preenchido de acordo com o motor selecionado, caso
não encontre o motor no banco de dados da WEG, o
aplicativo irá sugerir um valor, o qual deverá ser
conferido com o dado de placa do seu motor.
Importante: este valor é utilizado para o cálculo da
corrente nominal do motor.

Rendimento: Este valor é automaticamente


preenchido de acordo com o motor selecionado, caso
não encontre o motor no banco de dados da WEG, o
aplicativo irá sugerir um valor, o qual deverá ser

252
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
conferido com o dado de placa do seu motor.
Importante: este valor é utilizado para o cálculo da
corrente nominal do motor.

Corrente nominal: Este valor é calculado com base


nos dados informado anteriormente (potência nominal,
tensão nominal, fator de potência e rendimento). Este
dado é imprescindível para a especificação da Soft-
Starter. Unidade: Amper (A).

Fator de serviço: Este valor deverá ser preenchido


de acordo com os dados do seu motor somente se for
utilizado, caso contrário o valor deverá permanecer em
1 (um).

Tempo de rotor bloqueado: Este valor é


automaticamente preenchido de acordo com o motor
selecionado, caso não encontre o motor no banco de
dados da WEG, o aplicativo não sugerirá valor, que
deverá ser preenchido com o valor correspondente a
do seu motor. É importante que este valor seja
corretamente preenchido pois é utilizado para verificar
se o motor está apto para acionar a carga que será
selecionada. Unidade: segundo (s).

Momento de inércia (J): Este valor é


automaticamente preenchido de acordo com o motor
selecionado, caso não encontre o motor no banco de
dados da WEG, o aplicativo não sugerirá valor, que
deverá ser preenchido com o valor correspondente a
do seu motor. É importante que este valor seja
corretamente preenchido pois é utilizado como base
para sugerir valores de inércia das diversas opções de
carga. Unidades: kgm2 ou lb.ft2 dependendo do
mercado selecionado.

Prosseguindo com nosso exemplo vamos supor que não


se deseja alterar estes dados.

253
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Ou seja, o motor a ser utilizado em nosso exemplo terá


as características arbitradas pelo Software.

Clicando em , temos:

Figura 6 - As curvas de torque e corrente também podem ser acessadas


no banco de dados de motores WEG

O conteúdo da tecla ajuda nesta


tela é o seguinte:
Conjugado nominal (Cn): Este valor é preenchido
automaticamente com o valor calculado baseado nos
dados do motor selecionado.

Conjugado com rotor bloqueado (Cp/Cn): Este


valor é automaticamente preenchido de acordo com o
motor selecionado. Caso não encontre o motor no
banco de dados da WEG, o aplicativo não sugere valor,
o qual deverá ser preenchido de acordo com os dados
de placa do seu motor.

Conjugado máximo (Cmáx/Cn): Este valor é


automaticamente preenchido de acordo com o motor
selecionado. Caso não encontre o motor no banco de

254
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
dados da WEG, o aplicativo não sugere valor, o qual
deverá ser preenchido de acordo com os dados de
placa do seu motor.
Importante: O gráfico de conjugado por rotação (C/
Cn) desta tela é construído de acordo com os valores
contidos na tabela. Se necessário, estes valores podem
ser alterados.

Corrente com rotor bloqueado (Ip/In): Este valor é


automaticamente preenchido de acordo com o motor
selecionado. Caso não encontre o motor no banco de
dados da WEG, o aplicativo não sugere valor, o qual
deverá ser preenchido de acordo com os dados de
placa do seu motor.
Importante: O gráfico de corrente por rotação (I/In)
desta tela é construído de acordo com os valores
contidos na tabela. Se necessário, estes valores podem
ser alterados.

Tabelas de conjugado por rotação (C/Cn) e


corrente por rotação (I/In): Estas tabelas são
preenchidas de acordo com os dados obtidos no banco
de dados da WEG. Estes valores podem ser alterados de
acordo com o seu motor.

Botão:

Sempre que um ou mais valores forem alterados nesta


tela, pressione este botão para que os gráficos sejam
atualizados.

255
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Prosseguindo com nosso exemplo, vamos manter as


curvas inalteradas e clicar em

O resultado será a tela para Dados da Aplicação:

Figura 7 - Dados da aplicação

Poderemos agora informar ao Software as


características da aplicação (bomba, compressor,
extrusora, etc).
Uma vantagem decisiva do Software é que ele sugere
características “típicas” para as cargas, a partir da
experiência da Weg nestas aplicações.
Naturalmente, é sempre conveniente confrontar as
características sugeridas pelo Software com as
características reais da máquina a ser acionada.
Em nosso exemplo, vamos supor uma Bomba
Centrífuga, e alterar apenas o número de partidas por
hora sugerido pelo SDW (o Software havia sugerido 4,
mas vamos supor que será feita apenas 1 partida por
hora).

256
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
O conteúdo da tecla ajuda nesta
tela é o seguinte:

Tipo de carga: Trata-se de um banco de dados de


cargas, com suas respectivas características. Ao
selecionar uma determinada carga, o aplicativo sugere
as características da mesma, tais como dados da curva
de conjugado por rotação e inércia referida ao eixo do
motor (Jc).

Referência da aplicação: Este campo você pode


utilizar para identificar uma determinada aplicação.
Exemplo: “TAG 563786” ou então, “Ventilador da
Fábrica II”.

Inércia da carga referida ao eixo do motor:


Inicialmente o aplicativo sugere um valor de acordo
com a carga selecionada. Este valor pode ser alterado
de acordo com a sua aplicação. Cada aplicação possui
um limite mínimo e um limite máximo para este valor,
por exemplo: o aplicativo não permite que você
preencha uma inércia de 10 vezes a nominal do motor,
para uma bomba centrífuga, da mesma forma que não
permite que você preencha uma inércia de uma vez a
do motor para um ventilador / exaustor.

NOTA
Alguns fabricantes de máquinas utilizam expressar a
“inércia” de um corpo de acordo com outros conceitos
que não o momento de inércia J. Por exemplo, o GD2,
que assume G como peso (e não massa) e D o “diâmetro
de giração” (ou “diâmetro de inércia”). Desta forma,
para um cilindro maciço de diâmetro d (e raio r) em
relação a seu eixo, tem-se:

Figura 8 - “Diâmetro de giração” D de um cilindro

d
D = –––––––
2

257
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Gd2 G4r2
GD2 = –––––––– = –––––––– = 2Gr 2
2 2

Uma vez que, numericamente,

GD 2 2Gr 2
––––––––  ––––––––  4  GD2 4 J
J Mr 2
––––––––
2

GD2
J = ––––––––
4

(Desde que GD2 expresso em kgf.m 2 e em kg.m 2)

Importante
Portanto, é necessário atenção se a inércia
informada pelo fabricante da máquina é o
GD2 ou o J. O software SDW exige a
informação do J, e não do GD2!

Número de partidas por hora: Este valor é sugerido


de acordo com a carga selecionada. Você pode alterar
este valor para qualquer um dos valores pré
determinados. Este valor é utilizado para determinar a
corrente eficaz do ciclo, portanto deve ser o mais
correto possível pois influenciará no dimensionamento.

Intervalo entre partidas: Este valor é preenchido de


acordo com o número de partidas por hora. Você pode
alterar este valor caso o intervalo entre partidas da sua
aplicação for menor que o valor sugerido. Exemplo: se
o número de partidas por hora for 10, este campo será
preenchido com “6 min” ou “360 s”. Este valor é
utilizado para determinar a corrente eficaz do ciclo,
portanto deve ser o mais correto possível pois
influenciará no dimensionamento.

258
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
Fator de utilização: Este valor corresponde ao tempo
de funcionamento do motor entre uma partida e outra,
por exemplo: se o intervalo entre partidas é de 10
minutos e o fator de utilização for de 60%, significa que
o motor vai funcionar durante 6 minutos e ficar
desligado durante 4 minutos.

Prosseguindo com nosso exemplo, vamos clicar em

Figura 9 - Dados Gerais

Agora o Software nos convida a informar alguns dados


do ambiente e do sistema de alimentação.
Ainda em nosso exemplo, mantenhamos os dados
sugeridos pelo SDW, conforme figura acima.

O conteúdo da tecla ajuda nesta


tela é o seguinte:

Condições do ambiente:

Altitude: Neste campo estão disponíveis alguns valores


fixos de altitudes, o qual deverá ser selecionado de

259
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

acordo com o local onde a chave será instalada. A


altitude padrão é 1000 m, acima deste valor e até
4000 m, o aplicativo considera um fator progressivo de
redução da corrente de saída da SSW.

Temperatura ambiente: Neste campo estão


disponíveis alguns valores fixos de temperatura
ambiente, o qual deverá ser selecionado de acordo
com o local onde a chave será instalada. A temperatura
padrão é 40 °C, acima deste valor e até 50 °C, o
aplicativo considera um fator progressivo de redução
da corrente de saída da SSW.

Características do Sistema:

Tensão de rede trifásica: Este campo é preenchido


automaticamente com a tensão do motor. Se a tensão
da rede for diferente da tensão do motor, você pode
alterar este valor. O aplicativo só aceita tensões de rede
superiores a tensão do motor, por exemplo: tensão do
motor 440 V, tensão da rede 480 V.

Queda de tensão na partida: Neste campo você


pode definir a possível queda de tensão que irá ocorrer
na partida do sistema (motor / carga) selecionado. Se o
valor não for alterado, o aplicativo irá considerar uma
queda de tensão de 2,5%. Esta queda de tensão implica
numa redução do torque do motor.

Ligação do motor: A SSW-03 Plus possui dois modos


de operação: ligação padrão (Standard) ou ligação dentro
da ligação delta do motor (Ligação dentro do ). Na
ligacão padrão o motor é instalado em série com a SSW
através de três cabos.
Na ligação dentro da ligação delta do motor a SSW é
instalada separadamente com cada enrolamento do
motor através de seis cabos. Com este tipo de ligação
circulará através da Soft-Starter apenas a corrente
dentro do delta do motor, ou seja, aproximadamente
58% da corrente nominal do motor. Obrigatoriamente o
motor deverá ter disponível seis cabos para ligação,
sendo a tensão da rede correspondente a tensão da
ligação delta do motor.
Exemplo:
Rede: 220 V – motor ?-220 / Y-380 V
Rede: 380 V – motor ?-380 / Y-660 V

260
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
Ligação padrão (Standard) com três cabos:

Figura 10 - Ligação padrão na “Ajuda” do SDW

Figura 11 - Ligação dentro do delta na “Ajuda” do SDW

261
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Soft-Starters - Ligação a 6 cabos

ATENÇÃO!
Para utilizarmos a Chave Soft-Starter SSW-03 Plus em
ligação à 6 cabos (ligação dentro do delta do motor), o
secundário do transformador trifásico de alimentação
das instalações elétricas NÃO PODERÁ estar ligado na
configuração DELTA. OBRIGATORIAMENTE, o
secundário deste transformador DEVERÁ ESTAR
LIGADO em ligação ESTRELA com PONTO CENTRAL
(NEUTRO) ATERRADO.

Figura 12 - Soft-Starter - Ligação a 6 cabos

O motor será conectado diretamente à rede


após a partida (By-pass)?:
Você poderá utilizar a SSW somente na partida,
transferindo o motor diretamente para a rede após a
partida. Neste caso o aplicativo considera somente a
corrente na partida e a corrente eficaz do ciclo, sendo
esta calculada considerando-se a corrente em regime
com valor zero.

262
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
Prosseguindo com nosso exemplo, vamos clicar em
sem alterar nenhum dado.

O Software emite um alerta quanto à queda de tensão,


que nós não alteramos, e conclui sua análise:

Figura 13 - Resultado

A tela de “Resultado” acima apresenta uma série de


botões que acessam diferentes recursos do SDW,
permitindo ao usuário fazer várias simulações.

Esta é uma característica importante para que o


usuário possa formar uma boa idéia do comportamento
do sistema como um todo.

263
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

O conteúdo da tecla ajuda nesta


tela é o seguinte:

Resultado:
O aplicativo fornece dois modelos de chave, um para
partida com rampa de tensão e outro para partida com
limitação de corrente. Nos casos em que os modelos
sugeridos forem diferentes, utilizar o maior modelo,
pois a opção do método de partida a ser utilizada,
rampa de tensão ou limitação de corrente, depende
das características da carga e do sistema. Normalmente
utilizamos a limitação de corrente como método de
partida, em cargas com alta inércia e baixo conjugado
resistente na partida, como por exemplo: Britadores,
Ventiladores e picadores de madeira. A rampa de
tensão é utilizada geralmente em cargas com baixa
inércia e alto conjugado resistente na partida, como
por exemplo: Bomba Alternativa, compressores a
pistão, esteiras transportadoras, com exceção da
bomba centrífuga pois possui baixo conjugado
resistente.

Resposta do Motor - Partida com rampa de


tensão: Comportamento do motor no que se refere ao
tempo de aceleração e corrente eficaz de partida para
um determinado pedestal de tensão.

Resposta do Motor - Partida com limitação de


corrente: Comportamento do motor no que se refere
ao tempo de aceleração e corrente eficaz de partida
para uma determinada limitação de corrente.

Botões:

Clicando neste botão você poderá redefinir o pedestal


de tensão ou então a limitação de corrente e verificar a
resposta do motor e o modelo adequado para esta nova
condição de partida.

Clicando neste botão você terá uma tela com os


seguintes gráficos:
 Corrente por rotação do motor com partida direta e
partida com a SSW;

264
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
 Tensão de saída por tempo;
 Aceleração do motor.

Clicando neste botão você terá uma tela com os


principais parâmetros a serem ajustados na ocasião do
start-up.

Clicando neste botão será impresso um relatório de três


páginas contendo o resultado, os dados utilizados e os
gráficos.

O botão Redimensionar da
“Partida com rampa de tensão”
exibe a seguinte tela, que dá
opção de alterar o pedestal de
tensão:

Figura 14 - Redimensionamento

265
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

O botão Redimensionar da
“Partida com limitação de
corrente” exibe a seguinte tela,
que dá opção de alterar a
limitação de corrente adotada
pela chave:

Figura 15 - Redimensionamento

266
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
Os gráficos da partida com rampa
de tensão de nosso exemplo terão o
seguinte aspecto:

Figura 16 - Gráficos

267
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Clicando agora no botão


“Aceleração” da tela de Gráficos,
temos os seguintes dados (que se
referem à partida com rampa de
tensão):

Figura 17 - Gráficos – Aceleração

268
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
Os gráficos da partida com
limitação de corrente de nosso
exemplo terão o seguinte aspecto:

Figura 18 - Gráficos

269
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

Clicando agora no botão


“Aceleração” da tela de Gráficos,
temos os seguintes dados (que se
referem à partida com limitação
de corrente):

Figura 19 - Gráficos – Aceleração

270
ANEXO
SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW
2
Apresenta os principais
parâmetros a ser ajustados no
start-up:

Figura 20 - Parâmetros

271
ANEXO

2 SOFTWARE DE DIMENSIONAMENTO WEG - SDW

4. LIMITE DE O Software SDW disponibiliza meios para o usuário


RESPONSABILIDADE realizar a análise da aplicação de uma maneira
PELO USO DO bastante fácil. Toda a base de dados e regras
SOFTWARE SDW incorporadas no Software formam uma ferramenta de
análise, cujo resultado deverá ser avalizado pelo
próprio usuário.

A Weg sugere que o uso deste Software seja feito por


profissionais capacitados a interpretar as informações
solicitadas e/ou fornecidas pelo Software.

A Weg não assume responsabilidade por perdas ou


danos decorrentes da aplicação indevida do Software
SDW.

272
Anexo III
FOLHA DE DADOS PARA
DIMENSIONAMENTO
ANEXO
CHECK-LIST PARA DETALHAMENTO DA APLICAÇÃO
3
Folha de Dados para Dimensionamento - Soft-Starter
Dados Gerais
Empresa: Tel.:
Cidade / Estado: Fax:
Pessoa de Contato: E-mail:
Aplicação / Carga:

Dados da Aplicação
Potência Nominal: Nº de Pólos / Rotação Nominal: Tensão e Corrente de Placa:
........................ CV [ ] 2 Pólos (3600 rpm) [ ] 220 V  ............A
Fator de Serviço: [ ] 4 Pólos (1800 rpm) [ ] 380 V  ............A
F.S. = ....................... [ ] 6 Pólos (1200 rpm) [ ] 440 V  ............A
MOTOR [ ] 8 Pólos ( 900 rpm) [ ] ....... V  ............A
É utilizado? [ ] ..... Pólos (........... rpm)
[ ] Não Faixa de Rotação desejada: Número de Partida por hora:
[ ] Sim De ................ a ................ rpm .................. Partidas / Hora
Tipo de Carga: Conjugado resistente da carga referido ao eixo do motor:
[ ] Bomba ........................ Nm
[ ] Bomba Centrífuga ........................ kgfm
[ ] Compressor a Pistão
CARGA [ ] Compressor a Parafuso
[ ] Ventilador e Exaustor Inércia da carga referida ao eixo do motor:
[ ] Misturador ........................ kgm 2
[ ] Centrífugas
[ ] Outras
Rede de Alimentação Condições do Ambiente para Instalação:
[ ] 220 V Altitude: Atmosfera: Temperatura:
[ ] 380 V [ ] 50 Hz [ ] Até 1000m [ ] Normal [ ] Até 40 ºC
[ ] 440 V [ ] 60 Hz [ ] ................ m [ ] Agressiva [ ] ............ ºC
[ ] ............... V (especificar nas Obs.)
INSTALAÇÃO
Grau de Proteção Necessário: Método de Comando:
[ ] IP 00 (aberto sem proteção) [ ] Botões Liga e Desliga
[ ] IP 20 (proteção contra toques) [ ] Interface Homem-Máquina
[ ] IP 54 (fechado - montado em painel [ ] Entrada Analógica (CLP ou SDCD)
[ ] Ao Tempo (painel especial para chuva)
[ ] ......................................... (especificar nas Obs.)

Observações:

Caso seja necessário fornecer mais informações específicas, favor enviar em anexo.

275
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS
REFERÊNCIAS

 Math H. J. Bollen - ”Understanding Power Quality


Problems: Voltage Sags and Interruptions”
IEEE Press Series on Power Engineering

 Roger C. Dugan - ”Electrical Power Systems Quality”


McGraw-Hill

 J. Michael Jacob, Michael Jacob - ”Power


Electronics: Principles and Applications”

 Orlando Sílvio Lobosco - “Seleção e Aplicação de


Motores Elétricos” - McGraw-Hill

 IEEE 1159-1995 Recommended Practice on


Monitoring Electrical Power Quality 1995

 IEC 61000-4-11 Edition 1.1 (2001-03)


EMC
Part 4-11: Testing and measurement techniques -
Voltage dips, short interruptions and voltage
variations immunity tests

 IEC 60947-4-2 Edition 2.1 (2002-03)


Low-voltage switchgear and controlgear
Part 4-2: Contactors and motor starters
AC semiconductor motor controllers and starters

 NBR 5410:1997 Instalações Elétricas de Baixa Tensão

 CATÁLOGO GERAL DE MOTORES ELÉTRICOS


WEG MOTORES

 MANUAL DE CHAVES DE PARTIDA


WEG ACIONAMENTOS

 MANUAL DA SOFT- STARTER - Série: SSW-03 Plus


WEG AUTOMAÇÃO

 MANUAL DA SOFT- STARTER WEG - Série: SSW-04


WEG AUTOMAÇÃO

 SSW-05 MANUAL DO USUÁRIO WEG - Série: SSW-


05 Plus
WEG AUTOMAÇÃO

 MANUAL DE INSTALAÇÃO E MANUTENÇÃO DE


MOTORES ELÉTRICOS
WEG MÁQUINAS

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