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TERCEIRA ESPÉCIE

Antônio Gilberto Machado de Carvalho

Elaboração de Melodias

 As regras expostas anteriormente somam-se aquelas que estão a


seguir,
 As melodias devem ser escritas em semínimas;
 Se possível começar com uma anacruse empregando uma semínima;
 No penúltimo compasso é desejável substituir as semínimas por duas
mínimas ou uma semibreve.
 A partir deste ponto será empregada uma codificação de sequências
intervalares na qual o sinal antes de um algarismo indica a direção do
intervalo e o próprio número indica a classe do intervalo. Por exemplo,
+2/+3/-2 significa segunda ascendente/ terça ascendente/segunda
descendente, não importando a dimensão do intervalo, ou seja, se as
segundas ou terças são menores ou maiores.
 Não são permitidos dois ou mais saltos na mesma direção. Neste
sentido somente são empregadas as combinações +3/+2 (terça
ascendente seguida de segunda ascendente) e -2/-3 (segunda
descendente seguida de terça descendente).
 Não devem ser realizados saltos ascendentes partindo de semínimas
acentuadas (primeira e terceira de cada semibreve). Por outro lado, são
possíveis saltos descendentes na mesma condição.
 Todos os saltos devem ser preenchidos imediatamente após sua
realização. Assim, o salto -3 tem sua melhor continuação como -3/+2.
Porém, também pode ser continuado por outros saltos ascendentes, tais
como as sucessões -3/+3, -3/+4, -3/+5, -3/+6, -3/+8 (observando-se os
intervalos possíveis). Entretanto, em nenhuma circunstância poderia ser
continuado por um movimento descendente.
 Uma semínima não acentuada (segunda ou quarta de uma semibreve)
alcançada por grau conjunto inferior ou continua ascendentemente por
grau conjunto na mesma direção ou salta uma terça abaixo.
 Uma semínima não acentuada alcançada por grau conjunto superior
pode ser mais comumente continuada através da sucessão -2/-3/+2,
mas também por -2/+3, -2/+4, -2/+5 e -2/+8.
 Não são bons saltos descendentes de duas semínimas sucessivamente
acentuadas. Saltos ascendentes na mesma condição são ainda piores.
 Não repetir a altura da primeira semínima na terceira quando esta for
introduzida em movimento descendente. O mesmo é válido para as
semínimas não acentuadas. Entretanto, se a terceira ou a quarta
semínimas forem introduzidas ascendentemente, elas podem ser
repetições das alturas da primeira ou da segunda semínima,
respectivamente.

REGRAS

1. Nas semínimas acentuadas (primeira e terceira de cada semibreve do


cantus firmus) somente devem ser utilizadas consonâncias.
2. Nas semínimas não acentuadas (segunda e quarta de cada semibreve do
cantus firmus) podem ser empregadas dissonâncias.
3. Além do tratamento de dissonâncias já visto na espécie anterior, podem ser
também empregadas as notas auxiliares (bordaduras) inferiores, desde que
estejam nas semínimas não acentuadas.
4. Ainda em relação ao emprego de dissonâncias, pode ser utilizada a
cambiata. Trata-se da sucessão intervalar -2/-3/+2 iniciando numa semínima
acentuada (primeira ou terceira).
5. Como nas espécies anteriores, o contraponto inicia com consonância
perfeita. Não obstante, se o contraponto inicia com anacruse (pausa de
semínima) também podem ser empregadas consonâncias imperfeitas.
6. Durante o contraponto, o uníssono somente não pode ser empregado na
primeira semínima de cada semibreve, nas demais semínimas seu emprego é
livre. Além disso, pode ser empregado, como antes, no primeiro e último
compassos.
7. Quintas e oitavas em sucessivas semínimas acentuadas não são permitidas.
Se são separadas por quatro semínimas (semibreve), são aceitáveis.
RESUMO

 Quanto menor o valor (semibreve, mínimas, semínimas etc.), maior o


cuidado com saltos;
 Usar graus conjuntos e saltos de terças;
 Contraponto vocal, século XVI, pensar na facilidade para cantar;
 Primeira semínima sempre consonante;
 Dissonância apenas na 2ª e 4ª semínima
 É possível utilizar bordadura, mas apenas descendentes e nos tempos
fracos (2º ou 4º tempo), nota de passagem, cambiata;
 Não pode ter repetição de notas, síncope e pausa (exceto no início);