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O JUDAISMO

Para todos os propósitos práticos, o


termo judaísmo deriva-se da palavra Judá, pois Judá
tornou-se a nação de Israel. Assim sendo, os termos
judeu a israelita tornaram-se intercambiáveis.

Isto posto, o termo judaísmo vem a designar tudo


quanto diz respeito a Israel. A história judaica, a
sociedade judaica, a sua forma específica de governo
(teocracia), e as crenças e costumes religiosos fazem
parte do que se chama judaísmo. Dentro do próprio
judaísmo desenvolveu-se todo um conjunto de idéias
filosóficas, embora o judaísmo não fosse
especificamente, uma filosofia.

Com um grupo de fiéis espalhados pelo mundo todo


e sempre na berlinda de movimentos históricos
dramáticos, o judaísmo é berço das mais importantes
tradições religiosas: Cristianismo e o Islamismo. Pela
primeira vez na História revela-se e constitui seu
próprio povo, falando com ele por intermédio de líderes
e profetas, cujas palavras ecoam vivas e atuais.

Cinco deles têm importância fundamental: Abraão,


que obedeceu à ordem de deixar tudo e partir para a
Terra Prometida: ora, o Senhor disse a Abraão: Sai-te
da tua terra, da tua parentela e da casa de teu pai,
para a terra que eu te mostrarei (Gênesis 12.1),
tornando-se assim Pai do povo Escolhido; os patriarcas
Isaac e Jacó (este pai das 12 tribos de Israel); Moisés,
instrumento da aliança feita no monte Sinai, que
introduziu a lei, e Davi o grande Rei.

II – As Origens do Judaísmo

Historicamente, o judaísmo veio à existência


quando foi firmado o pacto abraâmico. Desde o começo
o judaísmo foi uma religião revelada e não uma religião
natural ou filosófica.
Acredita-se ser descendente de uma tribo que viveu
em Canaã, englobando atualmente a maior parte de
Israel, Jordânia e Síria.

Os judeus crêem ser descendentes de Abraão ao


qual Deus fez uma aliança e prometeu-lhe uma terra da
qual jorrasse leite e mel. Embora os judeus jamais
tenham sido, em todo registro histórico, os únicos
donos do território, a terra permanece crucial para sua
auto-representação.

A partir do chamado de Abraão, para ser o pai de


uma nação particular, (a Palestina), a qual constituíra
a Terra Prometida, Deus revelou uma mensagem na
História que se destinava a tornar-se aplicável
universalmente a todas as nações e todos os povos.

Vemos em Deuteronômio 26.5 que a nação de


Israel formada pelo povo judeu veio a ser grande e
poderosa. Então testificarás perante o Senhor teu Deus,
e dirás: Arameu, prestes a perecer, foi meu pai, e
desceu ao Egito, e ali peregrinou com pouca gente,
porém ali cresceu até vir a ser nação grande, poderosa,
e numerosa.

Cumprindo-se assim a promessa de Deusa Abraão


(Gênesis 12.1), na origem do judaísmo, de que dele
sairia uma grande nação.

III – Um Povo Monoteísta

Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o


único Senhor (Deuteronómio 6.4).

É bem provável que o clã que se tornou no povo


israelita foi subindo do politeísmo para o henoteísmo, e
daí para o monoteísmo veio a ser o conceito central do
judaísmo: não há Deus fora de Yahweh.

Através da História, os judeus resistiram, muitas


vezes com suas próprias vidas, à diluição ou
modificação desta idéia sublime. Nós, cristãos, nos
consideramos monoteístas, mas aos olhos deles somos
considerados politeístas, pois apreciamos e cremos na
trindade.
Monoteísmo autêntico e inflexível é uma proposta
profundamente enraizada e evidente por si mesma para
os judeus.

Sendo a pureza do monoteísmo judaico um selo de


autenticidade de fé, o judaísmo se recusa a adorar a
Jesus, não somente devido ao seu repúdio à doutrina
da encarnação, mas também devido à sua resistência,
desafiadora a toda e qualquer tentativa de atribuir
qualidades e honras divinas a meros mortais.

IV – A Importância Crucial da Lei

Os judeus são muitas vezes descritos como o povo


do livro, porque baseiam suas vidas pela revelação de
Deus na Torá. A Torá são os cinco livros da Bíblia
conhecidos como Pentateuco, que além da história
contêm 613 mandamentos (ou obrigações). Nos livros
encontram-se, leis, rituais, regras de higiene e leis
morais. Para os judeus, as leis fazem parte de uma
revelação de aliança com Deus. Como seu povo
escolhido, eles devem observá-las integralmente.
São bem interessantes os capítulos da moral judaica
referentes à família, ao matrimônio, ao papel da mulher
na sociedade. O que, porém, se distinguem na moral
judaica são a sede e fome de justiça que satisfaçam as
exigências dos homens.

A lei mosaica predominava em Israel. Para tanto,


havia necessidade de uma estrutura eclesiástica. No
começo Moisés foi o supremo legislador. Aarão, seu
irmão, foi nomeado sumo sacerdote. O judaísmo
posterior passou a formar o ofício formal dos rabinos.

Eis algumas de suas funções:

 Rabinos – Eram juízes civis e mestres religiosos,


ao mesmo tempo.

 Sinédrio – Estavam acima dos rabinos, formavam


o corpo governante máximo do judaísmo, bem
atuante na época do surgimento do Cristianismo e
possuíam autoridade tanto civil quanto religiosa.
 Sumo Sacerdote – Era tanto o chefe do Estado
quanto o chefe religioso.

 Escribas – Trabalhavam com os textos bíblicos,


copiando-os e fixando a forma da lei e das Sagradas
Escrituras, além de também serem os mestres
populares.

 Finalmente surgiram partidos, como o dos fariseus


e dos saduceus, que lutavam pela hegemoma no
tocante à liderança civil e religiosa, e cujas idéias
religiosas e filosóficas por muitas vezes entraram
em choque. Nesse conflito, os fariseus, finalmente,
levaram a melhor, pois o judaísmo moderno é
apenas uma versão do farisaísmo.

V – Os Dez Mandamentos na

Perspectivas do Povo Judeu

Os Dez Mandamentos constituem as leis


fundamentais dos judeus, embora elas sejam muitas
vezes vistas como princípios universais destinadas a
criar e manter uma sociedade civilizada. Analisaremos a
seguir os Dez Mandamentos na visão judaica.

1º a 2º Não terás outros deuses diante de mim. Não


farás para ti imagem de escultura, nem alguma
semelhança do que há em cima nos céus, nem embaixo
na terra, nem nas águas debaixo da terra (Êxodo 20.3-
4).

Sem imagens – O primeiro e o segundo mandamentos


dizem que os judeus devem adorar o único Deus
verdadeiro e que não devem adorar os ídolos ou
reverenciar ídolos de outros povos. O verdadeiro Deus
é por demais grandioso para caber em uma imagem;
Ele só pode ser adorado em espírito e em verdade.

3º Não tomarás o nome do Senhor teu Deus em vão;


porque o Senhor não terá por inocente o que tomar o
seu nome em vão (Êxodo 20.7).
Nome sagrado de Deus – O terceiro mandamento
lembra aos judeus que Deus é por demais grandioso
para que Seu nome seja pronunciado em vão. Por
tradição, os judeus não usam jamais Seu nome, mas
falam em Adonai (o Senhor) ou Hashem (O Nome).

4º Lembra-te do dia de sábado, para o


santificar (Êxodo 20.8).

Sábado Santo – O quarto mandamento assevera que os


judeus devem guardar o sábado como dia santo. Assim
como Deus fez o sétimo dia de Sua criação, eles devem
descansar após seis dias de trabalho.

5º Honra teu pai e a tua mãe, para que se prolonguem


os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te
dá (Êxodo 20.12).

Honrando os Pais. O quinto mandamento diz que os


filhos devem honrar os pais. Em muitas sociedades, os
pais dependem dos filhos na velhice e, assim como os
filhos, quando jovens, dependem de seus pais.
6º Não matarás (Êxodo 20.13).

A vida é sagrada. O sexto mandamento diz que a vida


humana deve ser respeitada e o assassinato é
condenado. No entanto, há divergências dentro da
comunidade judaica quanto à aplicação do
mandamento a situações como a pena capital e o
aborto.

7º Não adulterarás (Êxodo 20.14).

Respeito aos Laços Matrimoniais –O sétimo


mandamento proíbe o adultério. O adultério (relação
sexual fora do casamento) é muito mais condenável do
que a fornicação (relação sexual antes do casamento).
Isso porque, tradicionalmente, os judeus casam-se
muito jovens e também porque o adultério pode
suscitar a questão da legitimidade dos filhos.

8º Não Furtarás (Êxodo 20.15).


Preservando a Propriedade – Na interpretação dos
rabinos, isso significa que qualquer tipo de roubo é
condenado, inclusive o plágio, o roubo de idéias. Eram
criados complicados sistemas de compensação, e o
ladrão não podia ser perdoado até que tivesse
recompensado a vítima.

9º Não dirás falso testemunho contra o teu


próximo (Êxodo 20.16).

A Importância da Confiança. Em uma sociedade


civilizada, os tribunais devem ser o começo do culto
judaico.

Foi depois do retorno da Babilôma que começou a


se desenvolver a religião a que costumamos chamar de
judaísmo. O núcleo do judaísmo era a vida na sinagoga
(a palavra grega para congregação ou assembléia, local
de estudo). Este tipo de serviço religioso surgira por
necessidade durante o exílio babilônico, uma vez que
ali os judeus não tinham um templo onde orar.
O grande templo de Jerusalém, destruído durante a
conquista babilônica de 587 a.C, foi reerguido em 516
a.C, sendo destruído posteriormente em 70 a.D.

10º – Não cobiçarás a casa de teu próximo, não


cobiçarás a mulher do teu próximo, nem o seu servo,
nem a sua serva, nem o seu boi, nem o seu jumento,
nem coisa alguma do teu próximo (Êxodo 20.17).

Evitando Inveja e Ciúme – No décimo mandamento,


Deus ordena a Seu povo que evite cobiçar os encantos
da mulher do próximo.
5.1 – A Torá

Nenhuma palavra na religião judaica é tão


indefinível e, ainda assim, tão indispensável quanto a
palavra Torá. Ela tem sido, durante todas as épocas, a
soma e a substância do estudo e da erudição judaicas.

Para que os judeus cresçam piedosos, considera-se


essencial que saibam os 613 preceitos da Torá, a lei
judaica que, segundo o livro do Êxodo, foi dada a
Moisés por Deus. Desde tempos antigos, os judeus são
notáveis por sua educação. Todos sabiam ler e escrever
(pelo menos os homens), e o ensino começava cedo.
Atualmente, a maioria dos jovens judeus não vai tão
longe na educação religiosa, mas a tradição de respeito
pelo aprendizado se mantém. A maioria dos judeus
espera educar-se no mínimo até o nível superior.

São os pais que, principalmente, têm o dever de


ensinar a Torah aos filhos. Todo Israel, tanto os ricos
como os pobres, devia ocupar-se da Torah e estudá-la
durante toda a vida. Para essa atividade, o dia
privilegiado é o sábado.

A Torá é tradicionalmente escrita em pergaminhos


que são mantidos na sinagoga em um móvel chamado
Arca. Quando não estão em uso, os pergaminhos são
enrolados e cobertos. Durante o serviço na sinagoga os
pergaminhos da Torá são cerimoniosamente erguidos, e
a congregação, em pé, declara: Esta é, pois, a lei que
Moisés propôs aos filhos de Israel (Êxodo 4.44).
A Torá é composta pelos cinco primeiros livros da
Bíblia:
Gênesis (Bereshith),
Êxodo (Shemoth),
Levítico (Wayyiqra),
Números (Bemiddar), e
Deuteronômio (Debarim).

Para o Cristianismo, a Torá desempenhou um


importante papel. O próprio Jesus disse: Não cuideis
que vim destruir a lei ou os profetas: não vim ab-rogar,
mas cumprir (Mateus 5.17). Este texto nos mostra que
Cristo reinterpretou a lei radicalmente, a qual se
cumpriu em sua própria pessoa. Esta interpretação foi
seu ensino de que a mera observância externa não
estava de acordo com o sentido real da lei. Deus
tencionava que sua palavra fosse guardada no coração
de seu povo. Jesus considerava a ira e o ódio atitudes
tão pecaminosas quanto o homicídio (Mt 5.21), ou a
concupiscência tão condenável quanto o adultério (Mt
5.27). Cristo classificou a Lei oral como tradição de
homens (Mc 7.8-13). Os religiosos profissionais, tais
como os escribas e fariseus, erigiram um muro ao redor
da Torá, como os escribas, e fariseus, inacessível às
pessoas comuns.

5.2 – A Cabala

A Cabala é o nome dado ao conhecimento judaico


místico, originalmente transmitido de forma oral. O
misticismo gnóstico já se fazia presente
na Haggadah (livro que narra o Exodo e apresenta a
ordem de Sêder – as bênçãos, símbolos, orações e
principalmente a exposição rabínica do tema)
(“Enciclopédia de Bíblia Teologia e Filosofia”; RN.
Champlin, Ph.D – J.M. Bentes; Volume 3 – Editora
Candeia, p. 615).

As pessoas buscavam a presença de Deus. Essa


presença substituía toda a erudição e todo o esforço
humanos. A alma humana entraria assim em harmonia
a união com o Ser divino. As pessoas andavam atrás da
perfeição, da santidade e da autopurificação, como
maneiras de chegarem à presença de Deus. O
instrumento usado para isso era a Cabala que,
naturalmente, incorporava muitas idéias pagãs, no
campo dos conceitos, como a adivinhação. A cabala era
usada como a Bíblia do misticismo.

A especulação cabalística conheceu seu clímax nos


séculos 16 e 17. Muitos estudiosos acreditavam estar
vivendo os dias finais e saudaram a chegada do
autoproclamado Messias, Shabbetazi Zevi. O mundo
judaico vivia em estado de excitação, com sua
chegada. Mas em 1666 ele foi decapitado pelos turcos
ao lhe ser dada a escolha: a morte ou a conversão ao
islã. Escolhendo o islã, caiu em desgraça.

Para isto nos serve a advertência do apóstolo Paulo


em sua carta aos Colossenses: Tende cuidado, para
que, ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias
e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens,
segundo os rudimentos do mundo, e não segundo
Cristo (Cl 2.8).
5.3 – Talmude

Além da Torá escrita, os judeus também tinham


regras e mandamentos transmitidos oralmente.
Segundo a tradição judaica, no monte Moisés recebeu
não apenas a Lei Escrita de Deus, mas ainda a Lei
Falada.
Depois que os judeus se dispersaram pelo mundo,
decidiram registrar estes ensinamentos para que não se
perdessem. Esse material se chama Talmude, a palavra
hebraica que significa estudo. Ele contém regras,
preceitos morais, comentários e opiniões legais, mas
também histórias e lendas. É bem sabido que o
Talmude não é, em si, um livro de ensinamentos, e sim
um texto usado pelos rabinos para orientação dos fiéis
em determinadas situações.
VI – Os Momentos Mais Imortantes

na Vida de um Judeu

Os quatro momentos mais importantes na vida


judaica são: nascimento, início da vida adulta,
casamento e morte. Analisemos:

Nascimento – Oito dias após o nascimento os


meninos são circuncidados, conforme o mandamento
da Torá: Esta é a minha aliança que guardareis entre
mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo
homem entre vós será circuncidado (Gn 17.10).

A criança recebe um nome judaico e todos oram


para que ela seja abençoada com o estudo da Torá,
com casamento e com boas ações. Uma menina pode
receber o nome na sinagoga por seu pai, logo após o
nascimento ou em uma cerimônia especial.
Início da vida adulta – (Bar Mitsud e Bat
Mitsud). Aos 13 anos, o menino judeu se torna um Bar
Mitsuá, expressão em hebraico que significa filho do
mandamento. Um ano antes deve receber aulas de um
rabino, para aprender as leis e os costumes judaicos.
Depois da cerimônia, é hábito oferecer uma festa à
família e amigos.
Uma menina se torna automaticamente Bat
Mitsuá (filha do mandamento), quando completar 12
anos. Por volta dos 15 anos elas aprendem o principal
da história e dos costumes judaicos, particularmente as
regras alimentares, que são responsabilidade da
mulher.

Casamento – O casamento é considerado o modo


de vida ideal de Deus. E é o único tipo de coabitação
permitido. Os judeus têm por obrigação casar com
judias, porém os casamentos mistos estão se tornando
comuns.

Alguns dias antes do casamento a mulher deve


tomar um banho ritual. No dia do casamento, o noivo e
a noiva ficam em jejum até o final da cerimônia.
Os noivos compartilharão do mesmo copo de vinho,
em sinal de que irão dividir tudo o que a vida lhes
trouxer. Então o noivo põe a aliança no dedo da noiva
dizendo em hebraico: Eis que tu és consagrada a mim
por esta aliança, segundo a lei de Moisés e de Israel.
Nesse ponto a Ketubá (contrato de casamento), que é
assinada pelo noivo antes da cerimônia e reúne todos
os seus deveres para com a noiva (“O Livro das
Religiões”– Victor Hellern; Henry Notaker; Jostein
Gaarder – Cia. das Letras, 1ª Edição, p. 114).

O casamento propriamente dito começa com a


leitura de sete bênçãos especiais. O noivo então quebra
um copo com o pé, em memória da destruição do
Templo. Em seguida, são levados para um quarto onde
podem quebrar o jejum e ficar a sós.

Morte – A cremação não é permitida, mas alguns


progressistas permitem. Os homens são enterrados
envolvidos com seu xale de oração.

Não se usam flores nem música na cerimônia. São


jogadas três pás de terra sobre o caixão enquanto se
recita: O Senhor dá e o Senhor tira - bendito seja o
nome do Senhor (mesmo livro citado, p. 114). Após o
funeral, a família fica de luto por uma semana, e os
parentes mais próximos acendem uma vela todos os
anos e faz-se uma prece especial na data da morte.

Os Treze Artigos da Fé

Uma das grandes figuras da história judaica foi


Moisés Maimônides, um judeu espanhol que viveu no
século 12 a.D. Pensador sistemático, procurou
condensar as crenças básicas do judaísmo, sob a forma
do credo:

1 – A crença na existência de Deus.

2 – A crença na unicidade de Deus.

3 – A crença na incorporalidade de Deus.

4 – A crença na eternidade de Deus.

5 – A crença de que somente Deus deve ser adorado.

6 – A crença na profecia.

7 – A crença em Moisés como o maior dos profetas.

8 – A crença em que a Torá foi dada por Deus a Moisés.


9 – A crença em que a Torá é imutável.

10 – A crença na onisciência de Deus.

11 – A crença em que Deus recompensa e castiga.

12 – A crença na vinda do Messias.

13 – A crença na ressurreição dos mortos.

Ao fim da lista, Maimônides comenta:


Quando todos estes princípios tiverem sido
seguramente adquiridos por convicção dos
mesmos, bem estabelecido em um homem, ele
entra para o corpo geral de Israel. E nós temos
o dever de amá-lo, cuidar dele e fazer por ele
tudo que Deus ordenou fazer uns pelos outros
em termos de afeição e simpatia fraternal. E
isto, ainda que ele seja culpado de todas as
transgressões possíveis, quer por causa do
poder do desejo ou das paixões naturais. Ele
será castigado segundo a medida de sua
perversidade, mas terá um quinhão no mundo
vindouro, mesmo que seja um dos
transgressores de Israel. Quando, porém, um
homem se ajusta de qualquer modo a um destes
princípios fundamentais, então se diz que ele
saiu do corpo geral de Israel e que nega a
verdadeira raiz do judaísmo…(“Bem-vindo ao
judaísmo” Maurice Lamn, Editora e Livraria
Sêfer, 1a Edição, p. 265).

Analisando as Doutrinas do Judaísmo

– Pecado

O judaísmo não enfatiza o pecado original, mas a


virtude e retidão originais. Embora no judaísmo seja
reconhecido que o homem comete atos e pecado, não
há o senso de que o homem é totalmente depravado e
indigno, segundo se vê na teologia cristã. No judaísmo,
a expiação pelo pecado é obtida por meio da retidão
pessoal, o que inclui o arrependimento, orações e boas
obras. Não havendo, assim, necessidade de um
Salvador.
A rejeição até mesmo dos mais antigos vestígios de
mediação ou intermediação acabou por dar origem a
um dos conceitos éticos mais sublimes: a certeza de
que a redenção do pecado está totalmente em poder do
pecador.

Resposta Apologética:

A Bíblia nos diz: Portanto, como por um homem


entrou o pecado no mundo, e pelo pecado a morte,
assim também a morte passou a todos os homens por
isso que todos pecaram (Rm 5.12). Deixando-nos claro
que herdamos a culpa, por causa do pecado de Adão.
Disse Davi: Eis que em iniquidade fui formado, eem
peca do me concebeu minha mãe (Sl 51.5). Deixando-
nos claro que herdamos uma natureza pecaminosa.
A teoria de que a certeza que a redenção do pecado
está em poder do pecador, dá base para a salvação
através da justiça própria a partir das obras, o profeta
Isaías nos diz: Mas nós somos como o imundo, e todas
as nossas justiças como trapo da imundícia, e todos
nós murchamos como a folha, e as nossas iniqüidades
como um vento nos arrebatam (Is 64.6). Como vimos,
embora do ponto de vista do judaísmo, as pessoas
possam ser capazes de fazer o bem, o profeta Isaías
afirma que todas as nossas justiças, são como trapo da
imundícia.

- Unidade e Tri-unidade

Para os judeus, Deus é Pessoal, Todo-Poderoso,


Eterno, Misericordioso. Mas não é a Trindade.

Para o incondicional monoteísmo judaico, a doutrina


da Trindade é profundamente objetável porque se trata
de uma concessão ao politeísmo ou, de certa maneira,
uma adulteração da idéia de um único indefinível e
indivisível Deus.

Resposta Apologética:

Com poucas exceções, geralmente se acredita entre


os judeus que os cristãos crêem em três deuses
diferentes. Essa impressão surgiu devido à fé cristã na
Doutrina Bíblica da Trindade: crença num único Deus
eternamente subsistente em três pessoas: o Pai, o Filho
e o Espírito Santo. O objetivo desta matéria é mostrar
que a Doutrina Bíblica da Trindade não deveria ser
estranha aos judeus que conhecem e compreendem e
crêem nas Escrituras do Antigo Testamento, mas
também faz parte do contexto dos escritos de Moisés e
dos profetas.
Uma das razões por que os judeus deixaram de
estar familiarizados com a doutrina do Deus Trino se
encontra nos ensinamentos de Moisés Maimônides. Ele
compilou os artigos de fé do judaísmo, que os judeus
aceitaram e incorporaram em sua liturgia. Um desses
artigos é: Creio com perfeita fé que o Criador
(abençoado seja Seu nome) é um ser
único (hebraico: yachid).
Isso tem sido repetido diariamente pelos judeus em
suas orações, desde o século doze, a época em que
viveu Moisés Maimônides. Essa expressão yachid –
único é absolutamente oposta à Palavra de Deus, a
qual ensina enfaticamente que Deus não é um Yachid,
isto é, único no sentido de unidade absoluta e,
sim, Achad, cuja significação é unido no sentido
de unidade composta.
Em Deuteronômio 6.4, Deus apresentou a seu povo
um princípio que certamente é superior ao de Moisés
Maimônides, visto que é originário do próprio Deus.
Lemos nessa passagem: Ouve, Israel, o Senhor nosso
Deus é o único Senhor. A palavra único no texto
hebraico é achad – unido (unidade composta) e
não yachid, conforme a interpretação de Moisés
Maimônides.

Yachid – unido (unidade composta) e Achad –


único (unidade absoluta).

Desejamos agora acompanhar essas duas


palavras yachid e achad, em suas ocorrências no Antigo
Testamento, verificando em que contexto e sentido são
empregadas, a fim de nos certificarmos de seu
verdadeiro significado.

Em Gênesis 1.13 lemos: … E foi a tarde e manhã, o


dia primeiro. No texto hebraico primeiro é achad, o
que subentende que a tarde e manhã ou ainda o dia e
noite — duas coisas – são chamadas como se fossem
uma só, mostrando assim claramente que o
termo achad não significa único (unidade absoluta),
mas sim unido (unidade composta). Novamente em
Gênesis 2.24 lemos: Portanto deixará o homem o seu
pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão
ambos uma só carne. Aqui também verificamos o uso
da palavra achad, que fornece outra prova que
significa unido (unidade composta), pois se refere a
duas pessoas.

Yachid nas Sagradas Escrituras.

Vejamos, agora, onde a expressão yachid- único


(unidade absoluta), pode ser encontrada. Em Gênesis
22.2, lemos: E disse: Toma agora o teu filho, o teu
único filho, Isaque, a quem amas, e... Aqui
encontramos a palavra yachid. O mesmo termo é
repetido no versículo 12 desse capítulo: … e não me
negaste o teu filho, o teu único filho. No Salmo
25.16: Olha para mim, e tem piedade de mim, porque
estou solitário e aflito, a palavra é outra vez aplicada a
uma só pessoa, e também em Jeremias 6.26, onde
lemos: … pranteia como por um filho único ...A palavra
único é aqui expressa pelo hebraico yachid. Essa
palavra aparece ainda com o mesmo significado em
Zacarias 12.10: … e olharão para mim, a quem
traspassaram; e pranteá-lo-ão sobre ele, como quem
pranteia pelo filho unigénito …

E assim concluímos que Moisés Maimônides, apesar


de sua grande sabedoria e erudição, incorreu num sério
erro ao prescrever para os judeus uma confissão de fé
na qual é dito que Deus é yachid- único (unidade
absoluta), afirmação essa absolutamente oposta à
Palavra do Deus vivo, que declara que Deus é achad –
unido (unidade composta). E os judeus, seguindo
fielmente o chamado segundo Moisés, mais uma vez
demonstram suas antigas tendências em interpretar a
Palavra de Deus de maneira que lhes convém. O
Espírito Santo declarou acerca deles por intermédio do
profeta Jeremias, dizendo: …pois torceis as palavras do
Deus vivo, do Senhor dos Exércitos, o vosso Deus (Jr
23.36).
A Crença Cristã é Correta

Essa, pois, é a crença do verdadeiro cristão. Ele não


tem três deuses, e, sim, um só Deus, de acordo com as
Sagradas Escrituras, em hebraico expresso pela
palavra achad – unido (unidade composta). Um único
Deus, eternamente subsistente em três pessoas,
conforme veremos nas Escrituras que seguem:
No primeiro versículo da Bíblia, Deus é apresentado
com o nome hebraico Elohim. Em Gn 1. 1, o verbo está
no singular (criou) e o sujeito no plural
(Deus). Elohim é a forma plural de Eloah, mas o
significado é o mesmo: Deus. Quando analisamos o
contexto bíblico (Gn 1.26; 3.22; 11.7), podemos
compreender a unidade composta de Deus na Trindade.
Embora o nome Elohim por si só não prove a unidade
composta, o contexto apóia a unidade composta de
Deus: façamos… nossa (Gn 1.26-27); eis que o homem
é como um de nós (Gn 3.22); desçamos e
confundamos (Gn 11.7).
– Sábado
O povo judeu foi orientado por Deus em Êxodo
20.10: Mas o sétimo dia é o Sábado do Senhor teu
Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho,
nem tua filha, nem teu servo, nem tua serva, nem o
teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das
tuas portas. Eryeh Kaplan diz: Dentro do judaísmo
existe uma porção de atividades que não se pode fazer
no Sábado, entre elas estão: Transportar, queimar,
extinguir, fazer acabamento, escrever, apagar,
cozinhar, lavar, costurar, rasgar, amarrar, desamarrar,
moldar, orar, plantar, segar, colher, debulhar, joeirar,
escolher, peneirar, moer, amassar, pentear, fear, tingir,
fazer ponto em série, urdir trama, tecer, desembaraçar,
construir, demolir, pegar em armadilha, cortar, abater,
esfolar, curtir o couro, amaciar o couro e
marcar (“Shabat dia de Eternidade”, Eryeh Kaplan,
Editora Maayanot, 1a edição, pp. 39-40).
Declaram que o Sábado é o motivo de sua
sobrevivência, Sem o Shabat, o judeu teria
desaparecido. Foi dito que assim como o judeu
manteve o Shabat, o Shabat manteve o judeu (“Shabat
dia de Eternidade”, Eryeh Kaplan, Editora Maayanot, 1a
edição, p. 9).

Resposta Apologética:

O Sábado da Lei, como sombra das coisas


vindouras, prefigurava Cristo. Como relata Paulo em
sua epístola aos Colossenses. Portanto, ninguém vos
julgue pelo comer, ou pelo beber, ou por causa dos dias
de festa, ou da lua nova, ou dos sábados, que são
sombras das coisas futuras, mas o corpo é
Cristo (Colossenses 2.16-17).

Jesus condena claramente o cerimonialismo no dia


do Sábado. Acusado pelos judeus de violação do
Sábado, Jesus afirmou que: Mas, se vós soubésseis o
que significa: Misericórdia quero, e não sacrifício, não
condenaríeis os inocentes. Porque o Filho do homem
até do Sábado é Senhor (Mt 12.7-8).

Todo este cerimonialismo a tradição resulta de não


terem recebido o Messias que é Jesus.
– Messias

A palavra grega Christos significa Messias, e usar


qualquer um dos dois termos para Jesus é uma
confirmação da fé cristã e um anátema a tudo que é
sagrado no judaísmo (“Bem-vindo ao Judaísmo Retorno
e Conversão”, Maurice Lamm, Editora a Livraria Sêfer
LTDA., 1a edição, p. 278).

Para as pessoas que vêm de um ambiente onde se


assume sem discutir que Jesus é o Próprio Deus, ou,
pelo menos, um profeta, é necessário afirmar que, no
judaísmo Jesus não é Deus nem faz parte da Divindade,
não é profeta e definitivamente, não é o
Messias (Mesmo livro citado pp. 276 e 277).

Resposta Apologética:

O messianismo manteve vivas as esperanças de


Israel e garantiu sua existência até a época de Cristo. A
esperança de Israel, entretanto, fixava-se na
restauração da nação. A libertação do povo podia ser
compreendida por três formas diferentes: terrena,
segundo as leis da história humana; sobrenatural,
numa terra milagrosamente transformada;
transcendente, com a ressurreição dos mortos e
realizada no céu.

Ao que vemos, os judeus não entenderam as


profecias que apontavam para o Messias, dentre elas:
Jesus seria a semente da mulher em Gênesis 3.15; o
descendente de Abraão, Isaque e Jacó que iria
finalmente abençoar todas as nações (Gn 12.2-3;
22.18); o profeta semelhante a Moisés (Dt 18.15);
seria crucificado (Sl 22); o menino de Deus que teria
um reino eterno (Is 9.6-7); que seria transpassado e
moído pelas nossas transgressões para que fôssemos
curados pelas suas pisaduras; sobre quem o Senhor fez
cair a iniqüidade de toda humanidade (Is 53); o Renovo
justo, o Rei sábio, que será chamado Senhor justiça
Nossa (Jr 23.5-6); seria morto o Ungido depois de 483
anos (Dn 9.24-27); reinará sobre Israel, nascido em
Belém Efrata (Mq 5.2).
As evidências nas Escrituras hebraicas provam que
Jesus é o Messias. Deste modo, todas estas profecias, e
muitas outras não mencionadas, mostram, de maneira
que não deixa dúvida, que o Messias de Israel já veio.
Em Levítico 17.11, lemos que: sem derramamento de
sangue, não há remissão de pecados. Então onde está
o sangue? Os judeus tinham o templo de Salomão, os
sacerdotes, os sacrifícios, mas tudo isto desapareceu.
Por quê? A razão é que o Messias já veio ao mundo, e
se tornou, ao mesmo tempo o tabernáculo (Ap 21.3), o
sacerdote (Hb 10.21), e o sacrifício (Ef 5.2). Através do
sangue imaculado do Messias de Israel, Deus
providenciou o meio de perdoar os pecados dos judeus
e da humanidade inteira.

Hoje, o lugar onde era o templo está ocupado por


uma mesquita muçulmana,e não temos mais
sacerdotes, nem apresentamos sacrifícios de animais.

No evangelho de João se lê que veio para o que era


seu, e os seus não o receberam (Jo 1.11). Em outra
passagem Jesus faz uma advertência quanto a sua
aceitação: Quem me rejeitar a mim,e não receber as
minhas palavras, já tem quem o julgue, a palavra que
tenho pregado, essa o há de julgar no último dia (João
12.48). E para aquele que o aceitasse, o apóstolo João
diz: Mas, a todos quantos o receberam, deu-lhes o
poder de serem feitos filhos de Deus, aos que crêem no
seu nome (João 1.12).

Sendo assim, a maior dádiva de Deus a Israel, foi


rejeitada.

Na cruz do calvário o Messias morreu uma vez por


todos os pecados da humanidade e ali consumou para
sempre a obra redentora predita nas escrituras do
Antigo Testamento (Hb 10.4-31; 9.23-28; Ap 1.7-
8,18).