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INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

O

objetivo deste capítulo é apresentar informações gerais relativas à estrutura e à forma

de

funcionamento de um sistema elétrico de potência.

As diversas palavras-chave apresentadas ao longo do capítulo são introduzidas com a finalidade de caracterizar a estrutura e a concepção de um SE P. Uma abordagem mais profunda sobre cada assunto específico pode ser estudado com mais detalhes em referên- cias que fogem do escopo desta obra.

1.1

INTRODUÇÃO

Os sistemas elétricos de potência são constituídos por diferentes tipos de componentes, os quais, conectados e funcionando adequadamente, permitem a operação visando o atendi- mento dos seus consumidores. Trata-se de estrutura bastante complexa que além de ser operada em tempo real, precisa ser planejada a fim de atender à expansão natural do mer- cado de energia elétrica.

Os sistemas elétricos de potência apresentam as características básicas:

• são compostos de equipamentos que funcionam em corrente alternada (CA) e que operam essencialmente em tensão e freqüência constantes;

• para o adequado funcionamento, dependem do comando, controle e proteção reali- zados por meio de dispositivos com essa finalidade;

• usam essencialmente máquinas síncronas para geração de eletricidade, as quais, por meio de suas turbinas permitem a conversão de energia, originária de fontes primárias (fóssil, nuclear, hidráulica, biomassa, eólica), em energia mecânica.

• possibilitam a transmissão de blocos de energia a consumidores espalhados nas mais diversas áreas, considerando longas distâncias. Este procedimento só é pos-

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1. INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

sível graças a um sistema de transmissão, compreendendo subsistemas operando em diferentes níveis de tensão.

A energia elétrica é gerada em usinas e transmitida aos consumidores por meio da

rede de transmissão associada. Ao sistema de transmissão estão associados sistemas de

subtransmissão.

É uma prática comum se dividir a rede elétrica relativa ao transporte de energia nos

seguites subsistemas:

• sistema de transmissão;

• sistema de subtransmissão;

• sistema de distribuição.

O sistema dito de transmissão interconecta todos os grandes centros de geração e

aos principais centros de carga. Forma a parte por onde circula grandes blocos de potência

e opera com os níveis de tensão mais elevados. Tipicamente, com tensões maiores ou iguais a 230 kV.

As tensões de geração encontram-se na faixa entre 11 a 20 kV. Esse nível de tensão

é transformado por meio de transformadores elevadores a níveis que possibilitam a trans-

missão de um grande bloco de potência. Ao chegar nas chamadas subestações do sistema,

a energia deve ser retransmitida. Porém, podendo agora ser em outro nível de tensão. Por-

tanto, tanto ao nível do sistema de geração, quanto das subestações rebaixadoras, devem existir transformadores, adequadamente projetados, a fim de permitir o fluxo de energia desde a geração até os centros de consumo.

O sistema de subtransmissão permite a transmissão de potência em blocos mais

reduzidos, a partir das subestações de transmissão, para as subestações de distribuição.

Grandes cargas industriais podem ser supridas diretamente por um sistema de subtrans- missão. Em alguns sistemas, não há uma dinstinção clara entre sistemas de transmissão e de subtransmissão, sendo ambos um só.

O sistema de distribuição representa o estágio final envolvendo a transferência de

energia para os consumidores individuais. A tensão primária de distribuição (a deno- minada alta tensão do sistema de distribuição) é compreendida na faixa entre 1 e 34,5 kV. Pequenos consumidores industriais são atendidos por alimentadores primários que se encontram nessa faixa de tensão. Os alimentadores de distribuição secundários suprem consumidores residenciais e comerciais em faixas que podem variar de 110 a 240 V, em valores padronizados pelo órgão regulador do setor elétrico.

1.2.

O CONTROLE DE SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

5

Pequenas centrais geradoras podem ser conectadas diretamente ao sistema de sub- transmissão ou ao sistema de distribuição. A tendência é que se tenha mais e mais a in- serção de pequenas fontes de energia ao sistema de distribuição (a gás, a óleo, biomassa, solar, entre outras) - a denominada geração distribuída. Para o caso brasileiro, embora essa diversificação seja benéfica, não eliminará a forte dependência de geração hidráulica existente.

Portanto, o sistema elétrico, como um todo, consiste de múltiplas fontes de geração que são utilizadas para atender aos centros de carga, processo esse que é feito por com- plexos sistemas de transmissão. Do exposto, para manter esse complexo sistema operando adequadamente, com padrões de qualidade e de segurança mínimos, é necessário monitorá-

lo e controlá-lo permanentemente.

1.2 O CONTROLE DE SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

A energia geralmente não é consumida diretamente na forma elétrica. Ela é antes con-

vertida em outro tipo, tal como calor, luz, energia mecânica, entre outros. A vantagem da forma elétrica é que pode ser transmitida e controlada com elevado grau de eficiên-

cia e confiabilidade. Conseqüentemente, um sistema elétrico adequadamente operado e controlado deve atender a alguns requisitos fundamentais:

1. O sistema deve ser capaz de suprir continuamente as variações de carga, tanto sob o ponto de vista de potência ativa quanto de reativa. Diferenetemente de outras for- mas de energia, a elétrica não pode ser armazenada em grandes quantidades. Então, uma reserva "girante" deve ser prevista e controlada permanentemente.

2. O sistema deve suprir energia com um baixo custo e com um mínimo impacto ecológico.

3. A qualidade da energia suprida deve atender alguns critérios mínimos com relação aos seguintes fatores:

• freqüência constante;

• tensão constante ou parâmetro próximo; e

• confiabilidade.

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1. INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

Vários níveis de controle são verificados a fim de atender aos requisitos enumerados anteriormente. Por exemplo, deve se ter controladores atuando em elementos individuais. Em uma estação geradora, ações dessa natureza consistem de controle primário sobre o sistema de regulação de velocidade (turbina do gerador) e sobre o sistema de excitação (regulação de tensão). O controle sobre a turbina é responsável pela regulação de ve- locidade e pela energia suprida. Isto é feito atuando-se em mecanismos associados a dispositivos que controlam pressões, temperaturas, fluxos de combustível, de água. A função do sistema de excitação é a de regulação da tensão terminal do gerador e da potên- cia reativa de saída. Os MWs (potência ativa) de saída de cada gerador são determinados pelo controle do sistema de geração.

O controle primário do sistema de geração busca o balanço total da potência ge- rada a fim de atender às cargas e perdas do sistema. Esta ação deve ser efetuada visando manter-se a freqüência do sistema aproximadamente constante, bem como os intercâm- bios programados nas interligações.

Os controles do sistema de transmissão incluem dispositivos para o controle de potência e de tensão, tais como compensadores estáticos de reativo (CERs), compen- sadores síncronos, capacitores e reatores chaveados, transformadores com comutadores de tap automático, controles de elos de corrente contínua, entre outros. Esses equipamen- tos devem ser modelados convenientemente de modo a atender aos requisitos relacionados a estudos específicos.

Os objetivos das ações de cotrole dependem do ponto de operação do sistema elétrico de potência. Sob condições normais, o objetivo do controle é manter os sistema operando o mais eficientemente possível, com valores de tensão e freqüência próximos aos nominais. Por outro lado, quando condições anormais são verificadas, novos obje- tivos devem ser buscados visando restabelecer o sistema às suas condições normais de operação, o mais rápido possível.

A maioria das grandes falhas em um sistema raramente é resultado de um sim- ples distúrbio catastrófico, causando colapso em um sistema aparentemente seguro. Tais falhas, em geral, resultam de uma combinação de circunstâncias que estressam a rede elétrica muito além de sua capacidade. Distúrbios naturais severos (tempestades), fun- cionamento inadequado de equipamentos, falha humana, projeto inadequado, contribuem para enfraquecer o sistema elétrico e eventualmente levá-lo a uma situação de colapso.

1.2.1 Principais Equipamentos de um Sistema Elétrico de Potência

Os dispositivos de controle atuam sobre equipamentos, muito deles, responsáveis pela geração ou pela transmissão de grandes blocos de energia. Podem ser mencionados alguns como

1.2.

O CONTROLE DE SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

7

• geradores;

• linhas de transmissão;

• transformadores de potência;

• capacitores em derivação (shunt) e em série;

• reatores em derivação;

• sistemas de transmissão CA flexíveis - flexible AC transmission systems (FACTS);

• compensadores síncronos.

Não seria possível operar o sistema sem os equipamentos de proteção, de redução de medidas para instrumentos, de manobra e de proteção, tais como:

• tranformadores de potencial (TPs), divisores capacitivos de potencial (DCPs);

• transformadores de corrente;

• chaves, seccionadoras, disjuntores;

• relés de proteção, filtros;

• pára-raios.

1.2.2 A estrutura Organizacional de um SEP

No modelo antigo, as empresas de energia elétrica apresentavam uma estrutura verti- calizada, englobando, na maioria dos casos, os segmentos de geração, transmissão, dis- tribuição e comercialização juntas. Nesse caso, as empresas recebiam uma concessão para o fornecimento de energia a uma determinada região do país e atendiam essa demanda

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1. INTRODUÇÃO AOS SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

utilizando a energia gerada no seu próprio sistema, ou adquirida de empresas vizinhas através de contratos. Em alguns sistemas, tais contratos de fornecimento de energia entre empresas não diretamente conectadas eletricamente podiam existir, exigindo a transfe- rência de energia através do sistema de transmissão de uma terceira empresa (wheeling). O modelo era fortemente regulamentado, não existindo a possibilidade de uma empresa comercializar energia diretamente aos consumidores fora de sua área de concessão. As- sim, sob o ponto de vista econômico, o sistema operava como um monopólio regulado. Em geral, existia algum mecanismo coordenador da operação do sistema interligado, o qual orientava as diversas empresas em relação ao melhor aproveitamento dos recursos energéticos e à manutenção de um adequado nível de confiabilidade do sistema elétrico. As principais características desse modelo são:

• Geração, transmissão, distribuição e comercialização integradas (bundled) em uma mesma empresa;

• A cada empresa associa-se uma área de concessão onde todos os consumidores são cativos (monopólio);

• A troca de energia entre empresas é realizada somente através de contratos bilaterais de médio ou longo prazo;

• O custo final da energia inclui todos os custos diretos e indiretos da empresa verti- calizada.

Em função da necessidade de otimização de recursos, de operar o sistema com níveis mais elevados de carregamento, da introdução de diversos novos participantes, foi necessário se repensar e a estrutura tradicional de um SEP. Um novo modelo passou a existir, concebido a partir de desregulamentação específica para o setor elétrico. Nessa nova estrutura, ocorre a separação do transporte (transmissão e distribuição) da produção (geração) e da comercialização. Além disso, é introduzida a competição nos segmentos de geração e comercialização, bem como verifica-se a preservação da transmissão e dis- tribuição como monopólios naturais. Porém, com livre acesso a esses segmentos por parte de geradores e comercializadores. A separação dos segmentos de geração e transmissão suscitou dúvidas no início dos estudos de reestruturação do setor elétrico. Como seria possível operar de forma confiável um sistema elétrico no qual os geradores seriam pro- gramados de acordo com transações comerciais (compra e venda de blocos de energia) entre empresas geradoras e comercializadoras e utilizariam os sistemas de transmissão operados por outras empresas? A resposta a essa questão vem da observação de que, embora geração e transmissão sejam processos fisicamente inseparáveis, é possível esta- belecer uma separação comercial ou financeira entre essas atividades. Desta forma, as

1.2.

O CONTROLE DE SISTEMAS ELÉTRICOS DE POTÊNCIA

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transações comerciais celebradas entre agentes comerciais do sistema nem sempre se re-

alizam fisicamente. A decisão sobre o efetivo despacho de geração, em geral, é atribuída

a uma entidade independente, cujo objetivo é operar o sistema de forma confiável, inde-

pendentemente dos interesses comerciais existentes. Um acerto de contas pós-operação é

realizado para compensar eventuais desvios em relação aos contratos de compra e venda de energia.

Além da separação entre produção e transporte, a nova estrutura apresenta, tam- bém, a possibilidade de separar os serviços necessários para o bom funcionamento do sis- tema elétrico, porém não diretamente associados à produção de energia, daqueles direta- mente associados à produção de energia elétrica. Tais serviços são denominados Serviços Ancilares. Como exemplo disso, podemos mencionar o controle de tensão e fluxo de reativos, reserva operativa, controle automático da geração etc. Nessa nova estrutura de setor elétrico, as empresas de transmissão e de distribuição são obrigadas a permitir o livre acesso aos seus sistemas, mediante a cobrança de um serviço de uso de suas redes (pedágio), possibilitando a realização de negócios entre quaisquer empresas de geração, consumidores livres e comercializadoras de energia, desde que as restrições de operação assim o permitam. A operação do sistema é delegada a um Operador Independente do Sistema (OIS), o qual se constitui em uma empresa sem interesse financeiro no negócio de energia. No caso brasileiro esse órgão é o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). O escopo de atuação do OIS, suas atribuições e responsabilidades, variam de um país para outro ou mesmo dentro de um mesmo país. O OIS poderá ou não ser o pro- prietário dos sistemas de transmissão. O OIS poderá ou não operar o órgão responsável pelo mercado de energia elétrica. Em alguns casos, a operação desse mercado é dele- gada a uma outra entidade denominada Bolsa de Energia (BE). Em muitos casos, o OIS

é o responsável direto pelo provimento dos serviços ancilares; em outros casos, o OIS

coordena um mercado de serviços ancilares aberto a outras empresas. Novos atores que surgem nesse novo cenário são os Comercializadores de Energia (CE), os quais são em- presas que servem como intermediários de negócios entre geradoras e consumidores, e os Provedores de Serviços Ancilares (PSA). Finalmente, para controlar e fiscalizar o fun- cionamento do mercado de energia e o funcionamento do sistema elétrico, é necessária a existência de uma Agência Reguladora (AR), órgão governamental responsável pela veri- ficação do cumprimento do marco regulatório do setor elétrico, pelo controle e supervisão

do funcionamento do mercado de energia e a defesa dos direitos dos consumidores. No Brasil, essa função é exercida pela Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).

A compreensão de como a energia elétrica flui no sistema, desde os centros de geração, passando pelos sistemas de transmissão, até o consumidor, é um assunto que

depende de estudos envolvendo tanto aspectos estáticos, quanto dinâmicos. Neste sentido,

a avaliação do fluxo de carga no sistema, de preferência de forma ótima, deve ser avaliada, considerando a segurança dinâmica e parâmetros que possam demonstrar a qualidade do fornecimento da energia elétrica.

2

MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

2.1

INTRODUÇÃO

Os estudos de aspectos estáticos e dinâmicos de sistemas elétricos de potência dependem da natureza e grau de detalhamento que se deseja avaliar. Deste modo, modelos apropri- ados de equipamentos devem ser utilizados a fim de se obter a precisão esperada.

Modelos estáticos e dinâmicos são diferentes. Entretanto, alguns modelos estáti- cos são comuns a estudos estáticos e dinâmicos. Além disso, qualquer estudo dinâmico requer a determinação de um ponto de operação. Em função disto os aspectos estáticos são inicialmente estudados. Com esta finalidade, é necessário se definir os modelos dos principais equipamentos.

O interesse aqui está voltado para estudos de fluxo de carga nos sistemas elétricos

de potência. É suficiente considerar a rede elétrica como de natureza trifásica e equi- librada. Com esta característica, a representação de cada equipamento por um circuito monofásico equivalente é apropriada por várias razões: simplificação de cálculos, rep- resentação satisfatória para estudos de regime permanente, utilização de representação fasorial etc.

Os principais equipamentos para estudos estáticos ao nível de regime permanente estável são: as linhas de transmissão, os transformadores, os dispositivos FACTS, as car- gas e os geradores. Os geradores impactam mais estudos dinâmicos, sendo a sua mode- lagem tratada no tópico relativo a estabilidade de sistemas de potência.

2.2 LINHA DE TRANSMISSÃO

Neste livro, a finalidade é voltada para estudos estáticos e dinâmicos em baixas freqüên- cias. Com tais características, a linha de transmissão é representada por um circuito es- tático e passivo, invariante com a freqüência, cujo modelo depende do comprimento da linha.

A linha de transmissão é modelada conhecendo-se os seus parâmetros elétricos por

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12

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

fase e o seu comprimento. É usual dividi-la em curta (até cerca de 80 km), média (entre 80

e 200 km) e longa (acima de 200 km). A representação é feito por um circuito monofásico

equivalente, por fase. Supõe-se que a linha opere em regime permanente, a uma freqüên- cia, que no Brasil é igual a 60 Hz. A linha tem quatro parâmetros característicos: uma

condutância, G; uma resistência, R; uma reatância, X = L, sendo L a indutância da linha;

e uma susceptância, Y = C, onde C é a capacitância da linha. O primeiro dos parâmet-

ros é desprezível para a faixa usual de freqüência dos estudos em regime permanente e de análise de estabilidade em baixas freqüências. Assim, considerar-se-á G = 0 para fins de modelagem.

As linhas curtas são representadas por um circuito no qual a resistência equivalente dos condutores, R, é conectada em série com a reatância indutiva, X. A Figura 2.1 mostra um circuito equivalente para essa situação.

2.1 mostra um circuito equivalente para essa situação. Figura 2.1 Modelo de linha curta Na Figura

Figura 2.1 Modelo de linha curta

Na Figura 2.1, I i é a corrente na entrada da linha, I o é a corrente na saída, V i é a tensão na entrada e V o é a tensão na saída. Nesse caso, I i = I o . As linhas médias são representadas por um circuito -equivalente, contendo além da resistência série, R, e da reatância indutiva série, X, mais a susceptância capacitiva, Y, a qual é ligada de uma fase para a referência. A susceptância é dividida em duas partes, sendo a metade alocada em cada terminal da linha. A Figura 2.2 exibe o circuito equivalente.

O modelo de linha longa considera a abordagem por parâmetros distribuídos. O seu modelo é semelhante ao de uma linha média. No entanto, ao invés de se ter uma impedância série, formada pela composição série da resistência R com a reatância X, tem- se simplesmente uma impedância definida como Z e e uma susceptância Y e , cujos cálculos são efetuados conforme as expressões a seguir.

Z e = Z c senh( l)

(2.1)

2.2.

LINHA DE TRANSMISSÃO

13

2.2. LINHA DE TRANSMISSÃO 13 Figura 2.2 Modelo de linha média onde l é o comprimento

Figura 2.2 Modelo de linha média

onde l é o comprimento da linha e as constantes Z c e são definidas como:

Z c = C (1 j

L

R

l )

2

= (R+ j L) j C = j LC(1 j

2

R

L )

(2.2)

(2.3)

Nas expressões (2.2) e (2.3), j = 1,

= 2 f e f é a freqüência industrial.

Dessas equações, caso as perdas não são consideradas, Z c é uma resistência e é um número puramente imaginário. Nessas condições, a impedância Z c é denominada impedân-

cia de surto e Z c =

A potência transmitida pela linha quando essa é terminada por sua impedância de

surto é conhecida como carga natural ou carga da impedância de surto - surge impedance load (SIL), dada por:

L

C .

2

N

SIL = V

Z c

,

em W,

(2.4)

onde V N é a tensão nominal da linha.

Caso V N seja a tensão fase-neutro, a equação (2.4) fornecerá a potência de uma única fase. Se V N é uma tensão fase-fase (tensão de linha), a potência será trifásica.

O elemento em derivação (shunt) do modelo de uma linha longa é representado pelo

termo:

14

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

Y e

2

=

1

cosh( l) 1

Z

c

senh( l)

(2.5)

A Figura 2.3 mostra o circuito equivalente para a linha longa.

Figura 2.3 mostra o circuito equivalente para a linha longa. Figura 2.3 Modelo de linha média

Figura 2.3 Modelo de linha média

EXEMPLO 2.1

Uma linha que opera com freqüência industrial igual a 60 Hz e com tensão nominal de linha igual a 500 kV apresenta os seguintes parâmetros: L = 8, 84 × 10 4 H/km, C = 13, 12 nF/km e R = 0, 0222 /km. Calcule a impedância de surto, bem como o SIL dessa linha.

SOLUÇÃO

A impedância de surto e o SIL não dependem do comprimento da linha. Assim,

Z c =

8, 84 × 10

4

13, 12 ×

10 9 = 259, 6

Considerando que a tensão nominal da linha é igual a 500 kV (tensão fase-fase), então a potência de SIL será

SIL = 500 2 × 10 6 259, 6

= 963, 1 MW

EXEMPLO 2.2 Considere que a linha no Exemplo 2.2 tenha 350 km de compri- mento. Suponha que uma tensão fase-neutro igual a 288,67 kV seja aplicada ao terminal

2.2.

LINHA DE TRANSMISSÃO

15

de entrada da linha. Calcule a tensão fase-neutro e de linha no terminal de saída da linha, considerando:

a) um modelo de linha média;

b) um modelo de linha longa.

SOLUÇÃO

a) O módulo da tensão na entrada da linha é igual a 288,67 kV . Considere a fase da

tensão na entrada da linha como a referência angular. Assim, faz-se V i = 288, 670 o kV . Inicialmente, é necessário calcular os parâmetros do circuito equivalente, conforme Figura

2.3.

A reatância total da linha é X = 2 L × l = 0, 333 × 350 = 116, 35 . Por sua vez, a

susceptância total da linha é Y = 2 C × l = 4, 95 × 10 6 × 350 = 0, 0017 S. A resistência

total da linha é R = 0, 0222 × 350 = 7, 77

Por conveniência, deve-se converter a susceptância capacitiva Y em reatância capac-

itiva para que seja calculada a corrente que circula por esse elemento do circuito equiv-

A

alente. Lembrar que X Cap = 1/Y . Porém, na forma de impedância Z Cap = corrente I o , em kA, no circuito equivalente da Figura 2.3 é:

.

1

jY

= j

Y

.

I o

=

288, 670

o

j(2/0, 0017) = 0, 278189, 6 o .

7, 77 + j115, 35

A tensão nos terminais de saída da linha é:

V o = j(2/0, 0017) × 0, 278189, 6 o = 321, 10, 4 o kV.

Portanto, a intensidade da tensão fase-fase no terminal de saída da linha é

V o = 321, 1 × 3 = 556, 1 kV.

Esse resultado está coerente, porque a linha é longa e está descarregada. Portanto, há uma elevada parcela de potência reativa gerada pela linha, fazendo com que a tensão fique acima da nominal no terminal de saída, quando o terminal de entrada é alimentado com tensão nominal.

b) Considerar-se-á agora a situação em que a linha é modelada por circuito equiva-

lente para linha longa. O procedimento de cálculo a ser realizado é semelhante ao apre- sentado no item a). É necessário calcular os parâmetros Z e e Y e . Os parâmetros são os seguintes para = 2 60 = 377 rad/s:

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2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

= (0, 0222 + j377 × 8, 84 × 10 4 ) j377 × 13, 12 × 10 9 = j0, 0013

Então

Z c = (0, 0222 + j377 × 8, 84 × 10 4 ) j377 × 13, 12 × 10 9

= 259, 7 j1135, 8

.

Z e = Z c senh( l) = (259, 7 j1135, 8) × senh( j0, 0013 × 350) = 7, 25 + j112, 77 .

Cálculo semelhante pode ser feito para Y e /2, resultando em

Y e /2 = 1, 01 × 10 6 + j8, 80 × 10 4 S.

Assim, a corrente e a tensão no terminal de saída são:

I o =

V i Z e +2/Y e

= 0, 28289, 5 o kA

V o = (2/Y e ) × I o = (1, 3 j1135, 8) × 0, 28289, 5 o = 320, 50, 4 o kV

A magnitude da tensão fase-fase nesse caso é

V o = 320, 5 × 3 = 555, 1 kV.

Observa-se, deste modo, que embora a linha seja longa, a utilização de um modelo a parâmetros concentrado para realização dos cálculos gera desvios pouco significativos em relação aos resultados em que se considerou modelo a parâmetros distribuídos. Evi- dentemente, para comprimentos superiores, os resultados poderão ser bastante diferentes.

2.3.

DISTRIBUIÇÃO DOS FLUXOS DE POTÊNCIA EM UMA LINHA

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2.3 DISTRIBUIÇÃO DOS FLUXOS DE POTÊNCIA EM UMA LINHA

Para ilustrar como ocorre a distribuição do fluxo de carga em uma linha de transmissão, considere o modelo de linha a parãmetros concentrados mostrado na Figura 2.4. Neste modelo, a impedância série da linha é Z km = R km + jX km , onde R km é a resistência e X km

é a reatância série; Y sh é a admitância resultante em cada terminal da linha, enquanto Y

a susceptância total. I km é por convenção a corrente que sai da barra k para a barra m, ao passo que I mk é a corrente que sai da barra m para a barra k. Essa convenção para o sentido da corrente, bem como para fluxo de potência será adotada ao longo de todo o texto.

é

Supõe-se aqui que as tensões nas barras k e m são conhecidas para que seja pos- sível calcular os fluxos de potência. Mais adiante, mostrar-se-á como obter essas tensões mediante formulação e solução do problema de fluxo de carga.

formulação e solução do problema de fluxo de carga. Figura 2.4 Distribuição de fluxo de potência

Figura 2.4 Distribuição de fluxo de potência em uma linha de transmissão

EXEMPLO 2.3 Considere o diagrama unifilar mostrado na Figura 2.5 como rep- resentativa de um sistema elétrico equivalente formado pelas barras k e m, as quais são interligadas por meio de uma linha de transmissão. Ambas as barras são caracterizadas como de 230 kV de tensão nominal.

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2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

18 2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS Figura 2.5 Linha interligando as barras k e m Considerando que

Figura 2.5 Linha interligando as barras k e m

Considerando que as tensões nas duas barras sejam conhecidas, determinar os fluxos de potência ativo e reativo na interligação e no circuito equivalente. Suponha que a linha seja representada por seu modelo -equivalente, para linha média, cujos parâmetros em

0, 22. O valor de Y corresponde à

pu são os seguintes: R = 0, 017, X = 0, 1224, Y =

susceptância total da linha. Ou seja, Y = C, onde C é a capacitância da linha. Nesse sistema, as tensões nas duas barras são: V k = 1, 02223, 3 o e V m = 1, 03711, 8 o .

Solução

As correntes nas duas extremidades da linha são, portanto, I km e I mk . Elas serão calculadas como segue.

I km = 1, 02223, 3 o 1, 03711, 8 o 0, 017 + j0, 1224

+ 1, 02223, 3 o ( j 0, 22 ) = 1, 689733, 39 o pu.

2

A Figura 2.6 mostra o procedimento executado no Matlab para o cálculo da corrente I km . Os demais cálculos podem ser obtidos de modo semelhante.

I mk = 1, 03711, 8 o 1, 02223, 3 o 0, 017 + j0, 1224

+ 1, 03711, 8 o ( j 0, 22 ) = 1, 6424154, 20 o pu.

2

O fluxo de potência de k para m e de m para k é calculado como apresentado abaixo.

S km = V k I km = 1, 02223, 3 o × 1, 689733, 39 o = 1, 7002 j0, 3025 pu.

2.3.

DISTRIBUIÇÃO DOS FLUXOS DE POTÊNCIA EM UMA LINHA

19

DISTRIBUIÇÃO DOS FLUXOS DE POTÊNCIA EM UMA LINHA 19 Figura 2.6 Procedimento de cálculo executado no

Figura 2.6 Procedimento de cálculo executado no Matlab

S mk = V m I mk = 1, 03711, 8 o × 1, 6424154, 20 o = 1, 6526 + j0, 4121

pu.

Dos resultados anteriores, é possível fazer a seguinte análise. Da barra k, na tensão de 1,022 pu (ou, considerando uma base de 230 kV, 1, 022 × 230 235 kV), 1,70 pu de potência ativa é enviado para a barra m. Considerando que a base de potência é igual a 100 MVA, resulta no envio de 170 MW. Em relação à potência reativa, ocorre absorção de aproximadamente 0,303 pu. Isto corresponde a absorção de 30,3 MVar de potência reativa na barra k. Com relação à barra m, a sua tensão é igual a 1,037 pu (ou 1, 037 × 230 = 238, 5 kV). Nessa condição, a barra absorve 1,65 pu ou 165 MW. Verifica-se, portanto, que houve perda ativa de 5 MW na interligação. Quanto à potência reativa, a barra gera 0,41 pu. Desse modo, 41 MVar é gerado e enviado para a linha.

20

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

A potência reativa que é gerada pela linha em cada extremidade, corresponde à

potência que é liberada pelos capacitores da linha em suas extremidades. Assim, no lado da barra k, a potência reativa gerada é Q shk = |V k | 2 × Y = 1, 022 2 × 0,22 = 0, 1149 pu. Ou seja, nesse lado da linha, é gerado 11,5 MVar. Do lado da barra m, a potência reativa

gerada é Q sh = |V m | 2 × Y = 1, 037 2 × 0,22 = 0, 1183 pu. Portanto, é gerado 11,8 MVar.

2

2

2

2

A distribuição dos fluxos resultantes é mostrada na Figura 2.7 (a seta normal indica

o sentido do fluxo de potência ativa, enquanto a seta com um traço inclinado indica fluxo de potência reativa).

com um traço inclinado indica fluxo de potência reativa). Figura 2.7 Distribuição final de fluxos Com

Figura 2.7 Distribuição final de fluxos

Com relação ao balanço de potência de reativo nas extremidades da linha, são con- statadas as seguintes observações:

• Se a barra m recebe 30,3 MVar e ocorre geração de 11,5 MVar devido ao capacitor da linha nessa extremidade, então, 18,8 MVar são provenientes da linha e que há excesso de potência reativa sendo gerado na barra m.

2.3.

DISTRIBUIÇÃO DOS FLUXOS DE POTÊNCIA EM UMA LINHA

21

Na barra m, há geração de 41,0 MVar e mais 11,8 MVar por parte do capacitor da linha. Isto implica dizer que 52,8 MVar estão sendo liberados para a outra extremi- dade da linha.

A

perda reativa na linha (consumo da reatância indutiva da linha) será Q perda =

52, 8 18, 8 = 34 MVar.

EXERCÍCIO

Considere que a um dos terminais de uma linha de transmissão CA é conectado um gerador síncrono, cuja magnitude da tensão gerada é igual a 10 kV. A linha de transmissão pode ser representada por seu circuito -equivalente, cujos parâmetros são:

r = 0, 02 /km, c = 100 nF/km e l = 0, 1 mH/km. A freqüência do sistema é igual a 60 Hz. A partir dessas informações e considerando base de tensão igual a 10 kV, de potência igual a 100 MVA, e comprimento da linha igual a 100 km, calcule, em pu:

a) para a condição do outro terminal da linha à vazio,

a.1) a corrente que é fornecida pelo gerador e a tensão nos terminais da linha; a.2) as potências ativa e reativa que são geradas pelo gerador; a.3) as perdas ativa e reativa na linha.

b) para a condição de carga igual a 10 MW e 3 MVar indutivo conectada ao outro

terminal,

b.1) a corrente que é fornecida pelo gerador e a tensão na carga; b.2) as potências ativa e reativa que são geradas pelo gerador; b.3) as perdas ativa e reativa na linha.

Respostas

a.1) I j0, 0038 pu e V o 1, 008 pu.

a.2) A potência aparente fornecida ou absorvida pelo gerador é exclusivamente reativa S = j0, 0038 pu.

a.3) A perda reativa na linha será Q L = | I 1 | 2 × X = 0, 0019 2 × 3, 77 = 1, 36 × 10 5 pu, que é um resultado desprezível frente à potência absorvida pelo gerador.

Mas, neste caso,

considera-se a carga conectada aos terminais da linha, ao invés da linha à vazio.

A resolução do item b) pode ser feita de modo semelhante.

22

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

Suponha que a carga possa ser representada por uma impedância constante, consti- tuída pela composição série de um resistor R c e de uma reatância X c . Ou seja Z = R c + jX c . Considere que essa impedância seja calculada considerando-se o valor de tensão nominal da linha. Logo, sendo a tensão nominal igual a 1 pu, a potência da carga, em pu, será

S =

corrente nominal nesse caso será I L =

10

100

3

+ j 100

= 0, 1 + j0, 03 pu. Isto significa que S = 1, 0 × I L = 0, 1 + j0, 03 pu. A

1

0,1+

j0,03 = 0, 9991 j0, 03 pu. Então a impedância

= 0 , 9991 − j 0 , 03 pu. Então a impedância ∗ da carga

da carga será Z = V o

I L

= 0, 1 + j0, 03 pu.

2.4.

TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA

23

2.4 TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA

Os transformadores de potência possibilitam a utilização de diversos níveis de tensão em um sistema elétrico. Do ponto de vista de eficiência e de transferência de potência, a ten- são de transmissão deve ser elevada, porém não é usual se gerar ou consumir energia nesse mesmo nível de tensão. Em sistemas elétricos modernos, desde a geração até os centros de consumo, a tensão pode passar por até uns cinco estágios de transformação. Conse- qüentemente, a quantidade em MVA nominal de todos os transformadores no sistema é cerca de cinco vezes a potência nominal de todos os geradores.

Além de permitir a transformação de tensões, os transformadores são freqüente- mente usados para controle de tensão e de fluxo de potência reativa. Portanto, pratica- mente todos os transformadores utilizados nos sistemas de transmissão e na entrada dos alimentadores de sistemas de distribuição apresentam taps.

A variação de taps permite compensar variações de tensões no sistema. Dois tipos de componentes para variação de taps são encontrados: o que permite a variação sem carga (off-load) e o sob carga (under-load tap changing) (ULTC), ou on-load tap chang- ing (OLTC), ou simplesmente load tap changing (LTC). Para alteração na relação do primeiro tipo, é necessário que o transformador seja desenergizado. São usados quando a relação de taps precisa ser alterada somente após longos períodos. Por exemplo, quando houver crescimento em tempos mais espaçados da carga (período de longo termo), ex- pansão da demanda ou variações sazonais. O LTC é utilizado quando há necessidade de alterações freqüentes na relação de transformação. Por exemplo, para acompanhar as mu- danças diárias de carga. Os taps normalmente permitem uma variação de na relação de transformação.

Os transformadores podem ser unidades trifásicas ou três unidades monofásicas constituindo um banco trifásico. A última opção é preferida para sistemas em extra-alta tensão e sistemas de distribuição. Quando a relação de transformação é pequena (por exemplo 500 kV para 230 kV), a melhor opção é utilizar autotransformadores. Com- parado ao transformador de dois enrolamentos convencional, o autotransformador apre- senta menor custo, maior eficiência, e melhor regulação.

Em sistemas interligados, algumas vezes torna-se necessário efetuar conexões que formam circuitos em malhas em um ou mais subsistemas. A fim de controlar o fluxo de potência ativa e prevenir sobrecarga em algumas linhas, são introduzidos os chama- dos transformadores defasadores. Em certos casos, além da transformação de fase, é necessário realizar também transformação do módulo de tensão, via uso de taps.

24

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

2.4.1 Modelo do Transformador

O modelo do transformador de potência depende da presença ou não de taps. O modelo

convencional é composto de um transformador ideal e de uma impedância série. A relação

de transformação de tensão no transformador ideal, em pu, é 1 : a, onde a é o tap em pu.

A impedância série é formada pela reatância do transformador, em geral, desprezando-se

as resistências dos enrolamentos. Ou seja, Z T = jX T . A Figura 2.8 ilustra a inserção desses elementos em um diagrama unifilar, substituindo-se, por conveniência, Z T , por uma admitância y km , ficticiamente ligada entre as barras p e m. Por essa convenção, supõe-se que o transfomador possua tap, em pu, somente do lado da barra m, embora fisicamente ele possa ter tap em ambos os lados.

O tap a pode ser um número real ou complexo, dependendo do tipo de transfor-

mador. Na situação na qual se diz que as tensões V k e V m estão em fase, diz-se que a "relação de tap está em fase". Quando a é um número complexo, o transformador, além da transformação das magnitudes da tensão, como no caso em fase, proporciona também a transformação da fase. Na dedução que se segue, considerar-se-á somente a situação na

que se segue, considerar-se-á somente a situação na qual a constante a representa uma grandeza real

qual a constante a representa uma grandeza real .

na qual a constante a representa uma grandeza real . Figura 2.8 Modelo do transformador com

Figura 2.8 Modelo do transformador com tap

A dedução das equações do transformador com tap é baseada nas equações do trans-

formador ideal e no cálculo das correntes que fluem no equipamento. O objetivo é se de- terminar um circuito elétrico equivalente semelhante ao que foi apresentado para o caso da linha de transmissão CA. isto é possível se for possível calcular as constantes A B e C do circuito elétrico mostrado na Figura 2.10. O circuito forma um quadripolo, no qual

2.4.

TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA

25

pode-se imaginar o terminal de entrada como do lado da barra k e o terminal de saída como do lado da barra m.

Figura 2.9 Transformador equivalente com tap

No circuito da Figura 2.10 as relações entre as correntes de entrada e as tensões de saída são dadas pelas expressões a seguir.

I km = (A+B)V k BV m I mk = BV k +(A+C)V

m

(2.6)

(2.7)

Deve-se calcular os parâmetros do circuito em função dos parâmetros do transfor- mador.

Considere o transformador ideal entre as barras (nós) k e m. Algumas relações para esse elemento são as seguintes:

Conservação da potência a potência de entrada é igual à potência de saída. Em pu, isto significa que a potência no nó k é a mesma no nó p, a menos do sinal, isto é, S km +S mk = 0;

Relação de transformação de tensão a relação de tensão, em pu, entre o nó p e o nó k

é V p = aV k .

26

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

Do princípio de conservação da potência no transformador ideal, pode-se tirar a seguinte relação:

S km +S mk = 0

V k I km +V p I mk = 0

(2.8)

De (2.8) e considerando que a é uma grandeza real, tem-se que

I km = aI mk

(2.9)

A corrente I mk pode ser calculada, considerando-se a diferença de potencial entre os pontos m e p. Ou seja,

I mk = (V m aV k )y km

De (2.9), observa-se que

(2.10)

I km = aI mk = a(V m aV k )y km

(2.11)

Logo, encontra-se diretamente que A = ay km . Em seguida, calcula-se B a partir de (2.6). Ou seja, A + B = a(ay km ). Deduz-se então que B = a(a 1)y km . Da equação (2.10), sabe-se que A +C = 1. Logo, C = (1 a)y km .

Em relação à natureza física dos parâmetros A, B e C sã feitas as seguintes obser- vações:

a < 1 o elemento B é uma impedância indutiva e C é capacitiva;

a > 1 o elemento B é uma impedância capacitiva e C é indutiva;

a = 1 B = C = 0, indicando que o modelo é representado simplesmente por uma impedân- cia indutiva, ou situação de tap nominal.

EXEMPLO 2.3

Considere que o diagrama unifilar de um transformador com tap em fase seja o mesmo indicado na Figura 2.8. Os valores nominais de tensão do lado das barras k e m são 13,8 kV e 230 kV , respectivamente (tensões equivalentes a 1 pu em cada lado do transformador). Na condição nominal, a reatância do transformador é igual a 0,1 pu.

2.4.

TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA

27

Determinar um modelo equivalente do transformador, em pu, para a condição de tap em fase, no qual a = 1, 10 pu.

Solução:

A admitância nominal do transformador é y km =

1

jX t

=

j

X t

= j10 pu.

Os parâmetros do modelo equivalente são: A = ay km = 1, 1 × ( j10) = j11 pu,

B será B = a(a 1)y km = 1, 1(1, 1 1) × ( j10) = j1, 1 pu. Por fim, C = (1 a)y km = (1 1, 1) × ( j10) = j1, 0 pu.

Observa-se que do lado do tap, sendo este ajustado para valor maior que o nominal,

a admitância é capacitiva, conforme previsto anteriormente. Ao contrário, no lado oposto,

a admitância é indutiva.

EXEMPLO 2.4

Considere que seja aplicada uma tensão de 13 kV no lado de baixa tensão do trans- formador descrito no exemplo 2.3. Calcule a tensão no lado de alta tensão, em kV , bem como as correntes nos enrolamentos de baixa e alta tensão, em A. Sabe-se o transformador tem tap apenas do lado de alta tensão (lado da barra m na Figura 2.8 e está operando a vazio.

Solução

A magnitude da tensão aplicada ao lado de baixa tensão (barra k) é V k =

13

13,8 =

0, 942 pu. De acordo com o circuito elétrico da Figura 2.10, a tensão na barra m pode ser calculada utilizando-se a regra do divisor de potencial, bem conhecida em circuitos

elétricos. Ou seja:

V m =

1

C

1

A +

1

C

× V k =

1

j1

j10 + j1

1

1

× 0, 942 = 1, 036 pu

Então, em kV, a tensão no lado de alta tensão é igual a 238,3 kV . A corrente no enrolamento de alta tensão é nula, pois o transformador está a vazio. No lado de baixa tensão, de acordo com o circuito equivalente do transformador, tem-se:

I km = BV k +CV m = 2, 2 × 10 16 0

Também no enrolamento de baixa tensão, a corrente é nula.

Este resultado era

esperado, justificado pelo fato de que não há carga no lado de alta tensão.

28

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

O transformador com tap é útil nas situações nas quais podem ocorrer conflito de

base de tensão, quando se deseja transformar o circuito em uma representação de uma determinada base. Para ilustrar esse fato, considere o exemplo que subseqüente.

EXEMPLO 2.5

A Figura 2.10 mostra a conexão de dois circuitos fictícios que operam em paralelo,

conectados entre as barras 1 e 2. Calcule o circuito equivalente em pu desses circuitos, entre as barras 1 e 2, sabendo-se que a base de potência é igual a 100 MVA e as bases de

tensão, no lado de alta e de baixa são iguais a 230 kV e 13,8 kV , respectivamente. Ambas as linhas de transmissão são representadas por um modelo de linha curta, em que R = 0

e X = 0, 1 pu, na base fornecida. Cada transformador tem potência nominal igual a 200

MVA e reatância igual a 10%. No entanto, suas relações de transformação de tensão são 13 kV /230 kV , para T1, e 13, 8 kV /230 kV , para T2.

Figura 2.10 Interligações em paralelo - situação onde ocorre conflito de base

Solução

Em função dos dados das linhas, a base de tensão no lado de baixa é definida em 13,8 kV . Ao se refletir essa base, utilizando-se a relação de transformação do transfor- mador T2, a base no lado de alta será 230 kV. Agora, refletindo-se a base tendo a relação

Assim

de T1, no lado de alta, ter-se-ía uma base de 13, 8 × 230

= 244, 15

=

13

230 kV .

ocorre o que se denomina conflito de base, porque uma base no lado de baixa tensão leva

a duas bases distintas no lado de alta tensão. Para corrigir esse problema, os dois trans-

2.4.

TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA

29

formadores devem ser ajustados para uma mesma relação de transformação. Isto pode ser obtido, por exemplo, supondo-se que o transformador T1 possui tap no lado de baixa. Ex- plorando esse fato, ajusta-se então esse tap fictício para a tensão 13, 8 kV , igual à tensão base do lado de baixa.

O tap do transformador T1 deve ser ajustado para a = 13/13, 8 = 0, 942 pu.

As reatâncias de cada transformador devem ser convertidas para a base 100 MVA.

Logo, na nova base, X T = 0,1 ×

y km = j20 pu. Os parâmetros do circuito -equivalente para o transformador T1 são:

= 0, 05 pu. Isto significa dizer que a admitância é

100

200

A

=

0, 942 × ( j20) = j18, 84 pu; B = 0, 942(0, 942 1) × ( j20) = j1, 029 pu; e

C

= (1 0, 942) × ( j20) = j1, 093 pu.

O transformador T2 opera com tap nominal. Assim, para esse transformador, existe

apenas o ramo série do circuito -equivalente. Esse ramo tem admitância igual à j20 pu.

O circuito elétrico equivalente para as interligações em paralelo é mostrado na Figura 2.11. Os dados dos elementos passivos de circuito foram convertidos para impedân- cia.

passivos de circuito foram convertidos para impedân- cia. Figura 2.11 Circuito elétrico equivalente das

Figura 2.11 Circuito elétrico equivalente das interligações em paralelo

No exemplo a seguir, uma aplicação na qual uma linha está conectada a um trans- formador, que por sua vez supre uma carga.

EXEMPLO 2.6

A Figura 2.12 mostra o a conexão de uma carga a um gerador, o qual está conectado

30

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

à extremidade de uma linha de transmissão. Essa linha conecta-se ao lado de baixa tensão de um transformador, cujo lado de alta supre a carga. O transformador apresenta tap no lado de baixa, estando esse ajustado em +1 kV acima do valor da tensão nominal do enrolamento. O transformador tem potência nominal igual à 50 MVA, reatância igual

à 5% e relação de transformação 10 kV /100 kV . A linha de transmissão apresenta os

seguintes parâmetros: tensão nominal de 10 kV , R = 0, 05 , X = 0, 1 e carregamento de 4 MVar. A carga é composta por uma parcela ativa de 10 MW e outra reativa de 3 MVar. Adote base de potência de 100 MVA e de tensão igual a 10 kV no lado de baixa do transformador. Considerando que a carga está funcionando sob tensão de 97 kV , calcule:

• a potência ativa e reativa que é entregue na barra 1 (fornecimento do gerador);

• a tensão, em kV , e a corrente que flui do gerador, em A, para a barra 1.

, e a corrente que flui do gerador, em A , para a barra 1. Figura

Figura 2.12 Linha e transformador atendendo a uma carga

Solução

Inicialmente, deve-se montar o circuito elétrico equivalente referente ao sistema elétrico.

Sendo a base de potência do sistema 100 MVA e de tensão 10 kV no lado de baixa, a

reatância do transformador é alterada na nova base para X T = 0, 05 × 100 = 0, 1 pu. Como

50

o transformador está operando com tap fora do nominal, torna-se necessário calcular os parâmetros levando-se em conta esse tap. O valor ajustado corresponde a a = 11/10 =

2.4.

TRANSFORMADOR DE POTÊNCIA

31

1, 1 pu. Então os parâmetros são: y km = j10 pu, A = 1, 1( j10) = j11 pu; B = j1, 21 pu; C = j1, 1 pu (esse valor de C deve ser atribuído à admitância que fica do lado do tap no circuito).

Então

R = 0, 05/1 = 0, 05 pu; X = 0, 1/1 = 0, 1 pu. Por meio do carregamento da linha, Q sh ,

que corresponde à potência reativa gerada pela linha, através dos capacitores, calcula-se a admitância shunt, Y . Sabe-se que, em pu, Q sh = YV k , onde V k é a magnitude da tensão na extremidade da linha. Supõe-se que essa tensão seja igual à nominal da linha. Logo, em pu, Q sh = Y . Então, Y = Q sh = 4/100 = 0, 04 pu.

A magnitude da tensão na carga é V 3 = 97/100 = 0, 97 pu. Adotando-se a barra 3

A base de impedância no lado da linha de transmissão é Z B =

100 = 1

10

2

.

como a referência de fase, faz-se V 3 = 0, 970 o . A potência da carga, em pu, é S = 0, 1 +

= 0, 107616, 7 o .

j0, 03. Então a corrente que circula pela carga é I 3 = S

0,1j0,03

V

3 0,97

=

As demais correntes e quedas de tensão no circuito devem ser calculadas a fim de se determinar a tensão V 1 do gerador. Realizando-se esse procedimento no circuito elétrico (as admitâncias são indicadas no circuito por adm e todos os dados estão em

pu) mostrado na Figura 2.13, encontram-se os seguintes valores: I 3 = 0, 095815, 8 o , que corresponde a uma corrente em módulo igual a 553,3 A. A potência calculada é

Q 1 = 2, 65 MVar.

S 1 = 0, 1004 j0, 0265 pu, a qual corresponde a P 1 = 10, 04 MW e

Portanto, o gerador gera potência ativa para atender a perda ativa e a parte ativa da carga. No entanto, precisa absorver potência reativa, apesar da carga ser indutiva.

absorver potência reativa, apesar da carga ser indutiva. Figura 2.13 Circuito elétrico equivalente ddo sistema

Figura 2.13 Circuito elétrico equivalente ddo sistema formado por linha, transformador e carga

O módulo da corrente I 1 é igual à 0,0927 A.

A perda ativa na linha é R | I 1 | 2 =

32

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

0, 05 × 0, 0927 2 0, 0004 pu. O valor dessa perda somada à parte ativa da carga é igual a 0,1004 pu, que é exatamente igual à potência gerada.

2.5.

DISPOSITIVOS FACTS

33

2.5 DISPOSITIVOS FACTS

A complexidade do planejamento e operação de um sistema de potência se deve, em grande parte, a problemas relacionados com a rede de transmissão. As linhas de trans- missão estão sujeitas a limites térmicos ou de estabilidade, que restringem o nível de potência que pode ser transmitido com segurança. Por conseqüência, podem surgir alguns problemas relacionados como: pontos de operação não econômicos, baixa capacidade de carregamento, necessidade de redespacho da geração, de capacidade extra de geração ou ainda de importação de energia elétrica.

A compensação de potência reativa em sistemas elétricos de potência é necessária para manter, dentro de padrões aceitáveis, o fluxo de reativo no sistema bem como os níveis de tensão nos barramentos. Um equipamento importante no sistema de transmis- são é o compensador síncrono. Utilizado desde 1930, este equipamento é uma máquina síncrona que gira sem torque de uma turbina ou carga mecânica. Controlando a sua cor- rente de excitação, ele poderá gerar (superexcitado) ou absorver (subexcitado) potência reativa. É também uma excelente fonte para amortecimento de oscilações durante tran- sitórios (curto-circuito). Pode gerar até duas vezes a potência reativa durante transitórios. Porém, tendo em vista a expansão das redes a nível de sistemas interligados, tornou-se necessário o desenvolvimento de meios para controlar diretamente os fluxos de potência em determinadas linhas. O controle dos fluxos pode direcioná-los para regiões que pos- suam capacidade ociosa de carregamento, aliviando, assim, as regiões com restrição de transmissão.

Os sistemas com fluxos de potência controláveis, ou Flexible AC Transmission Sys- tems (FACTS), proporcionam a concepção de vários novos dispositivos para o controle dos fluxos nas redes de energia elétrica. Tais dispositivos permitem:

• aumentar a capacidade de transmissão de potência das redes;

• controlar o fluxo de potência em interligações específicas.

Pode-se dizer que o fluxo de potência em uma rede de transmissão está limitado por uma combinação dos seguintes fatores principais, entre outros:

• estabilidade;

• fluxos paralelos ou fluxos em malha;

• limites de tensão;

• limites térmicos de linhas ou equipamentos.

34

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

Dispositivos FACTS são aplicáveis, de forma mais direta, às restrições de trans- missão de potência relacionadas com problemas de estabilidade. Os fluxos de malha são aqueles que se formam entre dois sistemas interconectados por uma malha fechada, mesmo que cada sistema seja capaz de suprir sua própria carga. Fluxos paralelos, por sua vez, são aqueles que, mesmo fazendo parte da transmissão normal de potência entre duas companhias, afetam regiões não desejáveis do sistema interconectado. Fluxos de malha ou fluxos paralelos afetam principalmente a operação em regime permanente. Os efeitos podem ser observados no perfil de tensões, nas perdas de transmissão ou na redução da região segura de operação. Apesar do tempo de resposta dos controladores não ser cru- cial, dispositivos eletrônicos são justificáveis nestes casos quando ajustes freqüentes são necessários. O controle de tensão é normalmente feito por uma combinação de ajustes na potência reativa de geradores, compensadores em derivação fixos ou controláveis mecani- camente e transformadores de tensão, também controláveis mecanicamente.

Dispositivos baseados em componentes eletrônicos irão permitir um controle mais rápido das tensões no caso da ocorrência de transitórios. Os limites térmicos são lim- ites físicos inerentes aos equipamentos dos sistemas de transmissão. Normalmente os sistemas de potência operam muito abaixo dos seus limites térmicos por questões de se- gurança no caso de contingências. Os dispositivos FACTS irão afetar a operação do sis- tema, usualmente em resposta a perturbações críticas, permitindo uma melhor utilização da sua capacidade térmica. Mesmo quando a questão dos limites não é crítica, o caminho seguido pelos fluxos de potência tem um impacto importante na operação de um sistema, tanto em regime permanente como em condições pós-falta. Entre os fatores que podem ser afetados estão o custo de operação, o controle de reativos e de tensão. Controladores baseados em eletrônica de potência ampliam os meios de controle das rotas de transmis- são, principalmente por permitirem um controle contínuo e operações freqüentes.

Os dispositivos FACTS são concebidos de acordo com a necessidade do tipo de controle requerido. A seguir são mencionadas as principais concepções características de um sistema de energia elétrica.

Inicialmente, considere uma interligação, que pode ser uma linha de transmissão curta, sem perda ativa (R=0), conforme mostrado na Figura 2.1 vista anteriormente. A corrente I i entre o terminal de entrada i e o terminal de saída o da linha é I i = V i V o

.

Por sua vez, a potência fluindo do terminal i para o o é S io = V i I

fluindo do terminal i para o o é S i o = V i I ∗
∗

jX

do terminal i para o o é S i o = V i I ∗ jX

i

= P io

+ jQ io . Então

∗ ∗ V − V i o
V
− V
i
o

jX

S io = V i

=

j V i V

i j |V i | 2 −|V i ||V o | (90 o + i o )

V i V

o

=

X

X

(2.12)

onde i e o são os ângulos de V i e V o , respectivamente.

A expressão (2.12) pode ser rearranjada da seguinte forma:

2.5.

DISPOSITIVOS FACTS

35

S io = j |V i | 2 |V i ||V o | (90 o + ) = j |V i | 2 |V i ||V o |

X

X

X

X

[ sen( )+ jcos( )]

(2.13)

onde = i o é denominada abertura angular da interligação. Este ângulo é positivo, caso a potência ativa flua do terminal i para o o e negativo em caso contrário.

flua do terminal i para o o e negativo em caso contrário. De (2.13), conclui-se que
flua do terminal i para o o e negativo em caso contrário. De (2.13), conclui-se que

De (2.13), conclui-se que o fluxo de potência ativa de i para o é P io = |V i ||V o | sen( ),

P i o = | V i | | V o | sen ( ) ,
P i o = | V i | | V o | sen ( ) ,

X

ao passo que o fluxo de potência reativa é Q io = |V i | 2 trole da potência ativa e reativa, observa-se o seguinte:

X

|V i ||V o |

X

cos( ). A respeito do con-

a potência ativa máxima da interligação é |V i ||V 0 | , ocorrendo quando = 90 o . Esta característica é conhecida como capacidade máxima de transmissão. Na prática, esta restrição não deve ser alcançada, porque é um limite de estabilidade (limite de estabilidade estática), o qual é superado se houver qualquer incremento diferencial de potência ativa na interligação.

O fluxo ativo muda de sentido, caso seja alterado o sinal da abertura angular .

Diz-se então que a potência ativa é sensível à variação angular.

A potência reativa na interligação é pouco sensível à variação da abertura angular.

Entretanto, é bastante sensível à variação de tensão.

X

Em função das observações anteriores, os dispositivos FACTS podem ser conce- bidos visando explorar as variáveis que influenciam no controle da potência ativa e da reativa, ou de ambas simultaneamente.

2.5.1 Compensador Ideal em Derivação

A Figura 2.14 mostra um modelo ideal de um compensador em derivação conectado ao ponto médio de uma linha de transmissão CA, sem perda ativa. Neste caso, a tensão

na fonte V S é conectada a fim de controlar o fluxo de potência na linha. Para efeito de

simplificação, supõe-se que as tensões V S e V R (carga) tenham estejam defasadas por um ângulo .

A Figura 2.15 mostra o diagrama fasorial para a situação de operação na qual a

a mesma amplitude V e

tensão da fonte V M apresenta a mesma amplitude que as tensões nas extremidades da linha. Neste caso, a potência transmitida da fonte para a carga é

P S = 2V

2

X L sen( /2)

(2.14)

36

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

36 2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS Figura 2.14 Compensador em derivação ideal Se nenhuma compensação estiver presente,

Figura 2.14 Compensador em derivação ideal

Se nenhuma compensação estiver presente, a potência ativa transmitida será:

V

2

P S = X L sen( )

(2.15)

Comparando (2.14) e (2.15), observa-se que a compensação reativa aumenta a ca- pacidade de transmissão de potência ativa da linha.

Da Figura 2.15 é possível concluir que, como a corrente de compensação I M está em quadratura com a tensão V M , não existe potência ativa fluindo através do compensador. Ou seja, apenas potência reativa flui pela fonte V M .

2.5.2 Compensador Série Ideal

A Figura 2.16 mostra um modelo ideal de um compensador série, representado por uma fonte V C conectada ao ponto médio de uma linha de transmissão CA curta.

A corrente que circula pela linha é

I

= V S V R V C jX L

(2.16)

2.5.

DISPOSITIVOS FACTS

37

2.5. DISPOSITIVOS FACTS 37 Figura 2.15 Diagrama fasorial considerando-se o compensador ideal em derivação Se a

Figura 2.15 Diagrama fasorial considerando-se o compensador ideal em derivação

Se a tensão V C estiver em quadratura com a corrente, o compensador série não irá fornecer ou absorver potência ativa. Ou seja, a potência nos terminais da fonte será apenas reativa. Neste caso, a fonte funciona como se fosse uma reatância (capacitiva ou indutiva).

O fluxo de potência ativa pela linha será:

P S =

2

(1 V s)X L sen( )

(2.17)

onde | s | < 1 é a taxa de compensação série da linha.

A Figura 2.17 mostra o diagrama fasorial para o compensador série ideal, assumindo-

se que a corrente no compensador seja capacitiva (avançada em relação à tensão). Então, a fonte funciona como se fosse um capacitor

Outros dispositivos FACTS poderiam ser concebidos utilizando as duas abordagens anteriores. Um deles é o compensador de ângulo de fase. Este compensador tem como função controlar a diferença entre os ângulos de fase entre dois sistemas CA, podendo atuar assim diretamente sobre o fluxo de potência ativa trocado entre esses dois sistemas. Isto significa que esse compensador pode ter que fornecer ou absorver potência ativa, bem como potência reativa. Esta é uma característica importante para ser considerada na

38

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

38 2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS Figura 2.16 Compensador série ideal síntese de um compensador de ângulo

Figura 2.16 Compensador série ideal

síntese de um compensador de ângulo de fase.

Esse compensador pode ser dividido em dois grupos:

Defasador (pahse-shifter) baseado em tiristores;

(Unified power flow controller) UPFC também conhecido como controlador universal

de

fluxo de potência, o UPFC é baseado em chaves semicondutoras autocomutadas.

O

UPFC é melhor representado considerando-se a conexão simultânea de duas

fontes de tensão controladas: uma em série e a outra em derivação. Uma das principais vantagens dessa topologia é que as duas fontes podem operar separadamente como dois compensadores de potência reativa distintos (um em série e o outro em derivação) e com- pensando ainda potência ativa. Um caso interessante acontece quando uma quantidade de potência ativa consumida/fornecida por uma das fontes é igual à potência fornecida/consumida pela outra. Esta característica é especialmente relevante se existir um caminho comum para que essas potências possam ser trocadas.

2.5.3 Síntese de Compensadores em Derivação usando Tiristores

A Figura 2.18(a) mostra a topologia básica de um reator controlado a tiristor (RCT), o qual, através do controle dos ângulos de disparo dos tiristores, produz uma reatância in-

2.5.

DISPOSITIVOS FACTS

39

2.5. DISPOSITIVOS FACTS 39 Figura 2.17 Diagrama fasorial considerando-se o compensador série ideal dutiva

Figura 2.17 Diagrama fasorial considerando-se o compensador série ideal

dutiva equivalente, continuamente variável. O RCT é a base do compensador de potência reativa estático convencional (SVC - Static Var Compensator). Devido ao controle de fase usado para chavear os tiristores, são geradas correntes harmônicas de baixa ordem pelo RCT. Transformadores ligados em delta-estrela, bem como a conexão de filtros passivos são então necessários para reduzir estes harmônicos a níveis aceitáveis.

A Figura 2.18(b) mostra o capacitor chaveado a tiristor (CCT). Neste circuito, os tiristores são disparados apenas quando uma condição de chaveamento com tensão zero é alcançada para a chave semicondutora (ZVS - zero voltage switching). Portanto, devido à sua característica de chaveamento, os tiristores mostrados na figura podem apenas conec- tar ou desconectar o banco de capacitores ao sistema de potência. Conseqüentemente, o controle da potência reativa gerada pelo banco chaveado é feito de forma descontínua.

Outra característica importante é que, como o chaveamento é feito em uma fre- qüência muito baixa, os harmônicos não são geralmente um problema sério nestes com- pensadores. O uso de um dos compensadores mostrados na Figura 2.18 possibilita, assim, apenas um tipo de compensação capacitiva ou indutiva. Entretanto, na maioria das apli- cações, é desejável ter a possibilidade de ambas características de compensação. O com- pensador estático de potência reativa foi projetado então para operar nestas condições. Em geral este compensador é usado como controlador estático de tensão.

40

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

40 2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS Figura 2.18 dispositivos FACTS baseados em tiristores: (a) RCT, (b) CCT

Figura 2.18 dispositivos FACTS baseados em tiristores: (a) RCT, (b) CCT

A Figura 2.19a mostra o diagrama unifilar equivalente de um compensador estático

de reativos (uma fase), enquanto a Figura 2.19b mostra a sua característica de operação.

No circuito correspondente, um reator controlado a tiristor é conectado em paralelo com um banco capacitivo, que pode ser fixo ou chaveado a tiristor. A capacitância C do com- pensador estático é calculada de maneira a gerar a máxima potência reativa que o compen- sador deve fornecer para o sistema. Quando este compensador tem a função de controlar a tensão é chamado de SVC (Static Voltage Controler).

O circuito mostrado na Figura 2.19a não mostra os filtros passivos, normalmente

necessários a fim de reduzir o efeito dos harmônicos de corrente gerados pelo chavea- mento dos tiristores. A Figura 2.19b mostra a característica de operação tensão/corrente nos terminais do compensador estático. Quando a tensão terminal diminui a capacidade de corrente do compensador também é reduzida proporcionalmente.

2.5.

DISPOSITIVOS FACTS

41

2.5. DISPOSITIVOS FACTS 41 Figura 2.19 Diagrama unifilar de dispositivos FACTS baseados em RCT e CCT

Figura 2.19 Diagrama unifilar de dispositivos FACTS baseados em RCT e CCT

2.5.4 Síntese de Compensadores série usando Tiristores

A Figura 2.20 mostra o diagrama do capacitor série chaveado a tiristor. Neste sistema,

para conectar os capacitores em série com a linha, os tiristores são mantidos cortados. Se

os tiristores conectados em paralelo com os capacitores são disparados, estes capacitores

são curto-circuitados. O disparo dos tiristores, como no caso do capacitor em derivação chaveado a tiristor, deve ser feito, idealmente, com tensão nula sobre as chaves semicon-

dutoras (ZVS - Zero Voltage Switching). Este sistema de compensação tem a vantagem de ser muito simples, entretanto não permite um controle contínuo da reatância série. Observe-se que, se a conexão e desconexão dos bancos capacitivos for feita de maneira esporádica, possivelmente não ocorrerão problemas devidos aos harmônicos de chavea- mento. Entretanto, dependendo da freqüência em que os tiristores são chaveados, tensões subharmônicas (harmônicos com freqüência menor que a da rede) podem ser geradas.

42

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

42 2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS Figura 2.20 Capacitor série chaveado a tiristor: módulos discretos A Figura

Figura 2.20 Capacitor série chaveado a tiristor: módulos discretos

A Figura 2.21 mostra o diagrama de um capacitor série controlado a tiristor (TCSC - Thyristor Controlled Series Capacitor). Neste compensador, o valor equivalente do capacitor série pode ser controlado continuamente através do controle dos ângulos de dis- paro dos tiristores. À primeira vista, este circuito é semelhante ao compensador estático convencional em derivação, com a diferença que, aqui, ele é conectado em série com a linha. Como no caso anterior, a operação de chaveamento dos tiristores gera harmônicos de baixa ordem. Entretanto, o capacitor série associado com a impedância da linha de transmissão tem se mostrado suficiente para filtrar estes harmônicos.

Um exemplo de aplicação ocorre no Brasil, no qual se tem um conjunto instalado na subestação de Imperatriz e outro na subestação de Serra da Mesa. Esses dispositivos são fundamentais para a interligação dos sistemas elétricos Norte-Sul do país. Em princí- pio, sua função é a de amortecer possíveis oscilações de baixa freqüência entre os dois sistemas. Entretanto, nada impede de também serem usados para o controle do fluxo de potência.

2.6. CARGAS

43

2.6. CARGAS 43 Figura 2.21 Capacitor série controlado a tiristor (TCSC): módulo de controle contínuo 2.6

Figura 2.21 Capacitor série controlado a tiristor (TCSC): módulo de controle contínuo

2.6

CARGAS

A carga em um SEP pode ser representada de diversas maneiras, dependendo do tipo de estudo que se deseje. A forma mais comum é a modelagem por um polinômio, função da magnitude da tensão onde está conectada a carga, constituindo uma composição por impedância constante, Z, corrente constante, I, e potência constante, P. Em função dos símbolos, é comum se designar esse modelo polinomial como ZI P. O modelo polinomial tem a seguinte estrutura para as potências ativa, P, e reativa, Q, da carga:

P(V) = P o a + bV

+

cV 2

(2.18)

Q(V) = Q o d

+

eV + fV 2

(2.19)

onde P o e Q o são os valores da carga em condições nominais de tensão; V é a magnitude da tensão na barra; e os coeficientes dos polinômios são parcelas da carga tais que a +b +c = 1 e d + e + f = 1.

Os coeficientes a e d são parcelas de potência constante; b e e são parcelas de corrente constante; e c e f são parcelas de impedância constante.

de potência constante; b e e são parcelas de corrente constante; e c e f são
de potência constante; b e e são parcelas de corrente constante; e c e f são

44

2. MODELAGEM DE EQUIPAMENTOS

EXEMPLO 2.7

Estabeleça os polinômios que representam uma carga em pu, a qual absorve 40 MW e 20 MVar. A composição da carga é a descrita como segue. potência ativa: 30% de Z constante e 20 % de potência constante; potência reativa: 100 % de Z constante. Utilize base igual a 100 MVA.

SOLUÇÃO

As cargas, em pu, apresentam os seguintes valores em condições nominais: P o = 40/100 = 0, 4 pu e Q o = 20/100 = 0, 2 pu. Então, a composição de potência absorvida pela carga varia com a tensão de acordo com as expressões.

P(V) = 0,4 0,2+0,5V +0,3V 2

Q(V) = 0,2V 2

Essa tipo de representação de carga é importante para se entender o procedimento para levantamento das equações do problema de fluxo de carga - que será visto mais adiante - e que consiste inicialmente em se determinar as tensões no sistema como um todo.

Em geral, cargas puramente reativas ou capacitivas são consideradas como 100% Z constante. Um exemplo de carga dessa natureza são reatores e capacitores.

EXEMPLO 2.8

Um banco trifásico de capacitores, ligação shunt, de 50 MVA, com tensão nominal de 230 kV é conectado a uma barra cuja tensão nominal também é 230 kV . Determinar a potência e a reatância por fase do banco, em pu. Considere base de 100 MVA.

SOLUÇÃO

Tratando-se de capacitor ou reator a potência ativa é nula. Além disso, a composição

da parte reativa da carga desses elementos pode ser considerada como 100% Z constante.

A potência reativa

Q Co em pu é Q Co = 50/100 = 0, 5 pu. Portanto, Q C (V) = 0,5V 2 .

Sabe-se que, em pu, a reatância do banco, por fase é X C =

V 2

C . Desse modo,

Q

V 2

Q C =

1/0, 5 = 2 pu. Então, X C = 2 pu. A impedância será Z C = j2 pu.

Outras composições para a carga, como parcela devido a motores de indução, são consideradas. Porém, esse conteúdo não será tratado aqui, havendo excelente material sobre o assunto em referências específicas.

3

MATRIZES DE REDE

3.1

INTRODUÇÃO

Em muitos problemas em sistemas elétricos de potência é usual se lidar com cálculo en- volvendo matrizes de ordem elevada. É importante saber como lidar com o problema a fim de se explorar com eficiência tanto a armazenagem de dados quanto dos procedimentos de cálculo propriamente dito.

Felizmente, é possível se explorar eficientemente as topologias do sistema e a partir de algoritmos bem estruturados se formular os problemas de interesse.

Uma matriz importante em análise de redes é a que permite relacionar tensões nodais (tensões de barra) a injeções de corrente. O interesse aqui é o cálculo dos estados do sistema em regime permanente ou em baixas freqüências. Diante dessas caracterís- ticas, é suficiente considerar a rede de interligação como caracterizada por parâmetros constantes.

Em se tratando de operação em regime senoidal permanente, a rede pode ser con- siderada como composta de impedâncias à freqüência industrial, fontes independentes de corrente e de potência. Levando-se em conta as impedâncias, é possível montar uma matriz de admitância nodal para a rede como um todo.

O objetivo desse capítulo é fornecer as informações, ilustradas com exemplos, de como montar a matriz de admitância de rede.

3.2 MATRIZ DE ADMITÂNCIA DE BARRA

Ao invés de se utilizar o termo matriz de admitância nodal, como empregado em circuitos elétricos, é usual se adotar o termo matriz de admitância de barra, ou simplesmente matriz Ybus. Esta última nomenclatura é preferida no jargão de sistemas de potência.

Com a finalidade de formulação do problema, considere o circuito elétrico mostrado na Figura ??. As setas em cada barra indicam injeção de corrente ou, o que é equivalente, a inserção de uma fonte de corrente independente. No circuito, cada elemento de inter-

45

46

3. MATRIZES DE REDE

46 3. MATRIZES DE REDE coneção z i j é uma impedância conectando a barra i
46 3. MATRIZES DE REDE coneção z i j é uma impedância conectando a barra i

coneção z i j é uma impedância conectando a barra i à barra j . Impedâncias do tipo z i

são impedâncias shunts conectadas da barra à referência (terra). A cada barra está associ-

NB, onde NB é o

ada uma tensão nodal (ou simplesmente tensão de barra) V i , i = 1, número de barras do sistema.

,

V i , i = 1 , número de barras do sistema. , Figura 3.1 Circuito

Figura 3.1 Circuito elétrico com três barras

Para o circuito da figura, as equações de balanço de corrente, de acordo com a lei de Kirchhoff de corrente, são as sequintes:

I 1 = V 1 V 2

+ V 1

V 1 V 3

I 1 = V 1 − V 2 + V 1 V 1 − V 3

+

z

12

z

1

z

13

V 2 V 1

I 2

I 3 = V 3 V 1

V 2

V 2 V 3

=

2 I 3 = V 3 − V 1 V 2 V 2 − V 3

z

12

z

2

z

23

V 3

V 3 V 2

2 V 2 − V 3 = z 12 z 2 z 23 V 3 V

+

+

+

+

z

31

z

3

z

23

(3.1)

(3.2)

(3.3)

Rearranjando as equações (3.1) a (3.3), encontra-se o seguinte resultado:

I 1

I 2

=

=

Y 11 V 1 Y 21 V 1

I 3 = Y

31 V 1

+Y 12 V 2 +Y 22 V 2 +Y 32 V 2

+Y 13 V 3 +Y 23 V 3 +Y 33 V 3

(3.4)

(3.5)

(3.6)

Comparando o conjunto de equações (3.1) a (3.3) e (3.4) a (3.6), cada elemento do

3.2.

MATRIZ DE ADMITÂNCIA DE BARRA

47

tipo Y i j , i, j = 1, ??:

,

NB, com NB = 3, é calculado da seguinte forma no cirduito da Figura

Y

Y

Y

11 =

22 =

33 =

1

Y 12 = z 12 = y 12