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O plano mestre para este complexo sistema foi a Torah. Isso nos ajuda a entender por que o Talmud declara que uma pessoa deveria sempre ter em mente que toda ação sua pode alterar o estado do Universo. A obrigação de cumprir a vontade Divina é mais que um assunto pessoal. Desviar-se da vontade Divina rompe a harmonia do Universo.

O Talmude ainda proclama que o Universo não teria sido criado se não fosse pelo mundo espiritual, pela palavra divina, pela Torah, chamada “reshit”, princípio de tudo (Pes. 68).

A Escritura tem início com uma frase muito interessante: “No

princípio

...

”.

A palavra usada aqui em hebraico é bereshit. Esta

palavra aparece somente duas vezes em toda a Escritura: aqui em Bereshit (Gênesis) 1.1 e em Iochanan (João) 1.1. Um outro fator interessante é que o primeiro verso da Torah em hebraico possui sete palavras! Isto indica um senso de organização da parte do Criador, que aqui demonstra-nos que seus atos foram todos planejados, organizados e realizados de forma lógica e precisa, a fim de atingir um objetivo: uma criação que glorificasse o Nome do D-us Eterno! Em Iochanan 1.1 temos escrito que “no princípio o verbo era Elohim”. A palavra “verbo” vem do hebraico há dabar que significa “falar, declarar, conversar, ordenar, prometer”. Esta “a palavra” é Elohim, porém o termo ali significa D-us Criador! Ou seja, aquilo que saiu da boca do Eterno foram palavras, uma conversa d´Ele com os elementos existentes fazendo com que Ieshua – sendo Ele esta “dabar” – participasse da criação do universo e através deste diálogo entre eles, tudo então foi formado!

Existe ainda algo curioso aqui: porque a Torah tem início com a letra bet? Devemos perceber que esta letra tem uma abertura para a esquerda, diferentemente das demais letras do alfabeto hebraico. Mas o que isso significa? Significa que o processo de revelação tem início a partir de agora e ao homem é dado conhecer somente aquilo

que lhe é revelado a partir da palavra “Bereshit”

A língua hebraica é

... escrita da direita para a esquerda, significando então que ao homem foi dado conhecer o que o Criador lhe revelou a partir de agora! O que ficou para trás não está revelado e portanto ao homem é vedado o direito de “especular” o que aconteceu antes da criação! Mas, por que começar “da direita?” A direita é a origem e isso nos fala sobre o poder, ou seja, tudo se originou e flui através do poder de Elohim que foi manifesto pela palavra.

Alguns rabinos argumentam ainda que a letra “bet” como preposição do termo “reshit” funciona como um construto indicando o tempo

em que a ação foi realizada. Então seria traduzido por “para”. A palavra “reshit” significa "primeiro, princípio, melhor". Em sua raiz temos vários outros significados como ro´sh, que significa "cabeça, pico, cume, parte superior"; também ri´shâ que significa "princípio, tempo remoto". Poderíamos então traduzir estas palavras assim:

“Para o princípio

...

”,

ou “para o início” ou ainda “para o melhor”. Isto

aponta para algo que passamos a ter conhecimento e que está em seu estágio primário, embrionário, inicial. Certamente que estas palavras sugerem que haverá uma continuidade a fim de que a idéia inicial possa tomar forma e possamos então compreender plenamente o que iniciou-se aqui. Neste relato o tempo é

irrelevante ...

Não nos é dito quando deu-se este início

Sabemos que

... este evento irá tornar-se algo tão importante que norteará a vida da humanidade, pois o universo e o homem não tiveram sua origem não num “processo evolutivo aleatório”; eles fazem parte de um delicado e intrincado projeto oriundo da mais poderosa Mente do Universo!

O primeiro ato do Eterno nos é dito: “criar!” A palavra aqui traduzida por “criou” é bara, que significa “criar sem material pré-existente”. Em sua raiz temos a palavra berî´â que significa “coisa nova”. Isso demonstra que a criação deu-se a partir do nada! É difícil concebermos o “nada” pois nós não sabemos o que é isso, mas podemos entender que somente o Eterno existia (e com Ele todo o mundo espiritual). Alguns rabinos também crêem que este verbo estaria no tempo conhecido por gerúndio, ou seja, “criando”, o que enfatizaria o tempo da criação e não a ordem em que ela foi realizada.

Vamos conhecer também o primeiro nome de D-us: Elohim. Aqui ele é descrito como “D-us Criador”. A sua apresentação é feita logo no início da primeira linha da Bíblia.

A primeira “obra” da criação foram “os céus e a terra”. Parece um tanto vago falar-se sobre céus, pois nosso conhecimento sobre os céus é um tanto quanto limitado. Ao referir-se aos “céus”, a palavra hebraica usada é shamaim e está no plural, pois o Eterno está falando de dois níveis, pois os céus, Sua morada já existiam então. Aqui parece referir-se ao que conhecemos como “céus estelares”, ou

o local onde estão os planetas, estrelas, asteróides, cometas, etc

... também aquilo que chamamos de “céus” e que está sobre nossas cabeças e que é conhecida cientificamente como “camada de ozônio”.

Os gregos conheciam estes três níveis como: auronos, mesorainos e eporainos, referindo aos céus, morada de D-us, os céus estelares e os céus azuis sobre nossas cabeças. A ordem aludida no verso também se encaixa na lógica científica, pois sem os céus estelares (universo), onde seria colocada a Terra?

Aqui é falado também da criação da terra. A palavra “terra” vem do termo hebraico erets e significa “terra, cidade (estado), mundo”. Mas que terra é essa? Esta palavra hebraica não é usada comumente para descrever o planeta que é chamado de “adamâ” com o sentido de "Terra (planeta), solo, chão". Seria o planeta que conhecemos como Terra ou não? Nós não podemos afirmar que se trate de outro planeta, pois o Senhor neste momento estava criando o planeta no qual Ele

colocaria vida e isso somente aconteceu na terra! Outro detalhe interessante é que a terra é chamada de “há erets”. Esta designação acompanhada da preposição “hei” designa algo único, peculiar. Outro fato interessante é que o povo de Israel chama a terra onde vivem de “Há Erets”! Isso poderia indicar que quando o Eterno criou o planeta Terra Ele pensou primeiro em Israel, já dizendo que “a terra” estava sendo trazida à existência para que o seu povo pudesse ter ali habitar!

Estes fatos são nos apresentados cientificamente como o Big-Bang ou

a Grande Explosão. Segundo os eruditos esta foi a origem do Universo. E o nosso Universo não é algo que possa ser visto como “uma coisa simples e rápida”, mas sim um conjunto intrincado de

planetas, cometas, asteróides, etc

que harmonicamente, coexistem

... de forma satisfatória! Seria isso resultado de uma explosão? Poderia, tal complexidade e harmonia ter se desenvolvido a partir de um “acidente?” Esta teoria do Big Bang diz o seguinte:

Cosmologia, estudo do Universo em seu conjunto, incluindo teorias sobre sua origem, evolução, estrutura em grande escala e seu futuro. O estudo mais específico da origem do Universo e de seus sistemas astronômicos, como o Sistema Solar, é chamado de cosmogonia.

As primeiras teorias cosmológicas importantes devem-se ao astrônomo grego Ptolomeu, e a Nicolau Copérnico, que propôs em 1543 um sistema em que os planetas giravam em órbitas circulares ao redor do Sol. Tal sistema foi modificado pelo sistema de órbitas elípticas descrito por Johannes Kepler.

Em 1917 o astrônomo holandês Willen de Sitter desenvolveu um modelo não estático do Universo.Em 1922 esse modelo foi adotado pelo matemático russo Alexander Friedmann e em 1927 pelo sacerdote belga Georges Lemaitre, que introduziu a idéia do núcleo primordial. Lemaitre afirmava que as galáxias são fragmentos proporcionados pela explosão desse núcleo, dando como resultado a expansão do Universo. Esse foi o começo da teoria da Grande Explosão (Big Bang) para explicar a origem do Universo, modificada em 1948 pelo físico russo naturalizado americano George Gamow.

Gamow disse que o Universo se criou numa gigantesca explosão e que os diversos elementos que hoje se observam foram produzidos durante os primeiros minutos depois dessa Grande Explosão (Big Bang), quando a densidade e a temperatura extremamente alta fundiram partículas subatômicas, transformando-as nos elementos químicos. Por causa de sua elevadíssima densidade, a matéria existente nos primeiros momentos do Universo expandiu-se rapidamente.

Ao expandir-se, o hélio e o hidrogênio esfriaram e se condensaram em estrelas e galáxias.

Um dos problemas não resolvidos no modelo do Universo em expansão é saber se o Universo é aberto ou fechado (isto é, se se expandirá indefinidamente ou se voltará a se contrair).

“E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do

abismo; e o Espírito de Elohim se movia sobre a face das águas” (Gn 1:2). Este verso nos diz que há erets [a terra] era sem forma e vazia! Parece haver aqui algo contraditório, pois no verso 1 lemos que Elohim criou - sem material pré-existente - os céus e a terra! Novamente temos aqui um problema: a palavra “era” em hebraico vem do termo hayâ que significa “tornou-se, existir, acontecer”. Isso pode então significar que algo aconteceu à criação anterior (do verso 1)! Mas o que teria ocorrido? O restante do verso nos informa que a terra “tornou-se sem forma e vazia!” Existem aqui duas teorias:

1. Ha Satan, quando foi lançado da eternidade e expulso da presença do Criador teria caído na terra e causado uma imensa destruição naquilo que fora já criado por Elohim;

2. A criação ainda não tinha sido completada, sendo somente relatada no verso 1, o que faz então com que ela agora possa então ser retomada e dada à ela a sua forma final.

Estas e outras especulações não são explicitamente reveladas nas Escrituras e portanto não temos o direito de estar “falando de forma irresponsável” sobre aquilo que pode ou deve ter acontecido na Eternidade!

Certamente que quando o Eterno criou a terra – planeta – ele a colocou sobre – ou em – um lugar para que ela ali estivesse. Imaginamos que esse “lugar” foi o vácuo (como o conhecemos hoje) para que, a partir da posição da terra os demais planetas fossem então colocados! Certamente foi por isso que está escrito que “havia trevas sobre a face do abismo”. A palavra “trevas” vem do termo hebraico hosheq e significa “escuridão, trevas, obscuridade, noite, crepúsculo”. Este estado existia sobre o “abismo”. A palavra vem do hebraico tehôm e significa “abismo, profundezas, lugares profundos”. O restante do verso nos diz ainda: “e o Espírito de D-us se movia sobre a face das águas”. A palavra “espírito” vem do termo hebraico ruach que significa “vento, sopro, espírito” e a palavra “D-us” vem do termo hebraico Elohim! Percebemos ainda que não havia nada definitivo na terra, a não ser a água – que inclusive é na Escritura uma figura do próprio Espírito de D-us – e que a própria água deveria ser colocada em “ordem” para que depois as demais coisas fossem chamadas à existência!

A partir do verso 3 é nos apresentada a metodologia usada pelo Criador para trazer tudo o que conhecemos à existência: a palavra!

Parece estupidez afirmar que todas as coisas conhecidas e criadas

vieram à existência a partir de algo que foi dito por D-us! Mas está

escrito assim: “E ordenou (amar) Elohim

...

(grifo nosso). A palavra

usada aqui refere-se à uma ordem que não pode deixar de ser obedecida! O verso diz: “E disse D-us: Haja luz; e houve luz” (Gn 1:3). A palavra “houve” vem do termo hebraico hayâ que significa “tornou- se, existir, acontecer”. Novamente somos surpreendidos, pois agora temos um fato novo: o Criador ordena à escuridão para que dela surja a luz! Uma ordem dada pelo Criador deu início a um processo criativo tão imenso que a luz surge da palavra que saiu da boca de D-us! A palavra “luz” vem do termo hebraico ´ôr com o mesmo significado. Esta palavra está estritamente ligada à vida e à felicidade. Então, a primeira coisa que o Criador traz à existência é a vida e a felicidade dentro do universo! Agora temos um outro fato: esta luz – que não é a do sol – está em algum ponto remoto do universo, podendo até mesmo ser detectada, mas não pode ser vista de forma a apontar-se o lugar de onde ela vem!

Então vejamos: o Criador, ao abrir sua boca, ordena que algo

aconteça e isso já de uma forma pré-estabelecida, ou seja, com uma

forma, textura, altura, profundidade, limites, etc

que resultariam, ao

... final, de algo completo e pronto! Isso eqüivale a dizer que houve uma

pré-concepção (ou geração) daquilo que seria criado na mente do Eterno para que, depois, ao ser liberada a palavra de ordem, algo começasse a acontecer! Isso está explícito também em Romanos 4.17 onde está dito: “a saber, D-us, que vivifica os mortos, e chama as coisas que não são, como se já fossem” (grifo nosso).

O próximo passo da criação é fazer separação entre luz e escuridão.

“E viu Elohim que era boa a luz; e fez Elohim separação entre a luz e

as trevas. E Elohim chamou à luz Dia; e às trevas chamou Noite. E foi

a tarde e a manhã, o dia primeiro” (Gn 1:4-5). O destaque aqui é para a forma como o dia se inicia: ao final da tarde! Para o judeu o dia tem início por volta das 18:00 horas (ao pôr do sol). Mais à frente perceberemos que esta designação trata do ciclo lunar de contagem do tempo! Um outro detalhe é que o dia foi chamado de ehad termo hebraico que significa “um, único”. Isto nos leva a concluir que não houve em toda a história do mundo um dia como aquele, que foi um, único entre os demais!

Agora o Eterno dará início à ordenação das águas para que delas

possa surgir a tão esperada vida: “E disse Elohim: Haja uma expansão no meio das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Elohim a expansão, e fez separação entre as águas que

estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou Elohim à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo” (Gn 1:6-8). Aqui a palavra “expansão” vem do termo hebraico raqîa que significa “firmamento”. Esta palavra indica a imensidão aberta dos céus. Foi feita uma separação entre as águas que estavam no céu – nuvens – das águas

que estavam na terra – mares. Este foi o trabalho realizado pelo Eterno no segundo dia!

Já no terceiro dia temos as seguintes atividades: “E disse Elohim:

Ajuntem-se as águas debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. E chamou Elohim à porção seca Terra; e ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Elohim que era bom. E disse Elohim: Produza a terra erva verde, erva que dê semente, árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie, cuja semente está nela sobre a terra; e assim foi. E a terra produziu erva, erva dando semente conforme a sua espécie, e a árvore frutífera, cuja

semente está nela conforme a sua espécie; e viu Elohim que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia terceiro” (Gn 1:9-13). Duas coisas acontecem aqui: a primeira é que há uma separação – através de uma ordem dada por Elohim – da água e da terra! O planeta agora começa a tomar um aspecto parecido com o que temos hoje, com a porção seca separada da água! O interessante é que ao ajuntamento das águas o Eterno chamou Mares! Devemos notar que aqui a palavra está no plural! Nós hoje também sabemos que as águas marítimas que temos no planeta são praticamente somente uma porção única! Todos os mares do planeta estão interligados e certamente não poderiam ser chamados de “mares”. O que acontece aqui é o que vemos na prática hoje: o Eterno já anunciava que no planeta, em lugares diferentes, existem águas que são habitadas por seres marinhos que, dependendo do lugar onde vivem, tem um sabor diferente, mesmo sendo o mesmo peixe, da mesma espécie!

Uma outra ação do Eterno é que à terra é dada uma ordem para que produza “erva verde”. Esta palavra vem do termo hebraico dashe´ que significa “relva tenra e nova, grama verde, vegetação”. A palavra “erva que dê semente” vem do termo hebraico ´eseb que significa “vegetação, plantas verdes, erva, grama”. Esta palavra designa a categoria de plantas que se pode chamar de “rasteiras” e não lenhosas. As demais expressões nos falam de “árvore frutífera que dê fruto segundo a sua espécie”.

Temos então no quarto dia a continuidade do processo da criação: “E disse Elohim: Haja luminares na expansão dos céus, para haver separação entre o dia e a noite; e sejam eles para sinais e para tempos determinados e para dias e anos. E sejam para luminares na expansão dos céus, para iluminar a terra; e assim foi. E fez Elohim os dois grandes luminares: o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e fez as estrelas. E Elohim os pôs na expansão dos céus para iluminar a terra, e para governar o dia e a noite, e para fazer separação entre a luz e as trevas; e viu

Elohim que era bom. E foi a tarde e a manhã, o dia quarto” (Gn 1:14- 19). Aqui a expressão: “Haja luminares” seria traduzida assim: “torne- se luminares”. A palavra luminar vem do termo hebraico ma´ôr que significa “luz, luminar”. Esta palavra nos fala sobre objetos celestes que contém (sendo fonte de luz) – ou rebatam – a luz. Tais “corpos

celestes” são conhecidos hoje por nós como sol, lua, estrelas,

planetas, cometas, asteróides, etc

Foi no quarto dia que o Eterno

... então “decorou” o universo com uma grande variedade de corpos celestes que o comporiam e dariam ao universo o equilíbrio que hoje conhecemos! E por isso haver acontecido no quarto dia (4), que representa o número do mundo, o Eterno deu ao homem a condição de explorar o Universo sem no entanto exercer qualquer poder sobre ele; poderemos observa-lo e até explora-lo, mas sem termos o direito de mudarmos aquilo que já foi criado. Agora podemos dizer que o dia de 24 horas como o conhecemos seria possível por causa da existência do sol e da lua. Porque o sol foi criado maior que a lua? Porque o dia seria mais importante que a noite? Diz um sábio judeu:

“É impossível que dois reis usem a mesma coroa!” É por isso que o Eterno então designou o Sol como o astro “rei” e a lua somente “rebate” a luz do sol, sendo então usada pra governar um período menor de tempo, chamado noite!

Algumas coisas na criação são ainda hoje contestadas e tidas apenas como “fábulas”. Mas pensemos bem: o que é mais provável (inclusive matematicamente falando), que uma explosão, e depois, um longo processo de evolução fizesse com que as coisas chegassem ao ponto

em que estão – sem contudo podermos provar tal evolução – ou o

único Ser imortal, eterno, santo, justo, etc

que se chama D-us, ter,

... por um ato de sua vontade e através de sua Palavra criado tudo o que vemos e conhecemos?

Esta é uma questão que parece estar muito longe de ser “decidida” plenamente, pois muitos são os que ainda preferem crer numa improvável evolução e tratar o Criador com desdém, enquanto outros defendem o criacionismo sem qualquer base científica que os apóie, ou seja, por puro fanatismo religioso!

Um fato mais deve ser colocado aqui: O Senhor é o único que conhece o futuro! O profeta Isaías em 42.9 nos diz: “Eis que as primeiras coisas já se realizaram, e novas coisas eu vos anuncio; antes que venham à luz, vo-las faço ouvir”. Somente alguém que detém todo o poder pode fazer uma coisa como esta! Concluímos que a própria história está toda sendo escrita por Ele!

No quinto dia vemos o Eterno povoando os mares: “E disse Elohim:

Produzam as águas abundantemente répteis de alma vivente; e voem as aves sobre a face da expansão dos céus. E Elohim criou as grandes baleias, e todo o réptil de alma vivente que as águas abundantemente produziram conforme as suas espécies; e toda a ave de asas conforme a sua espécie; e viu Elohim que era bom. E Elohim os abençoou, dizendo: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei as águas nos mares; e as aves se multipliquem na terra. E foi a tarde e a manhã, o dia quinto” (Gn 1:20-23). A palavra “abundantemente” vem do termo hebraico sherets que significa “fervilhação, enxame”. Já a palavra “alma” vem do termo hebraico nepesh que significa “vida,

alma, criatura”. Os mares foram então povoados a partir de uma ordem dada pelo Criador às águas! Também os céus foram assim povoados e as aves foram então criadas. Isso aconteceu também por causa de uma ordem que o Eterno (Elohim) dá aos viventes abençoando-os. A palavra “abençoar” vem do termo hebraico barak que significa “dar poder a alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo” em tudo o que fizerem! Ele também disse-lhes que “Frutificai e multiplicai-vos”. Aqui a palavra “frutificai” vem do termo hebraico parâ que significa “frutificar, ser frutífero, ser fecundo, ramificar”. Já a palavra “multiplicar” vem do termo hebraico rabâ que significa “ser grande, tornar-se grande, ser numeroso, tornar-se numeroso”. Por isso o judeu se cumprimenta com “Toda rabâ”, muita multiplicação!

Finalmente teremos agora o fim da criação com os atos criadores do

Eterno no sexto dia: “E disse Elohim: Produza a terra alma vivente conforme a sua espécie; gado, e répteis e feras da terra conforme a sua espécie; e assim foi. E fez Elohim as feras da terra conforme a sua espécie, e o gado conforme a sua espécie, e todo o réptil da terra conforme a sua espécie; e viu Elohim que era bom. E disse Elohim:

Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o

gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se move sobre a terra. E criou Elohim o homem à sua imagem; à imagem de Elohim o criou; homem e mulher os criou. E Elohim os abençoou, e Elohim lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra. E disse Elohim: Eis que vos tenho dado toda a erva que dê semente, que está sobre a face de toda a terra; e toda a árvore, em que há fruto que dê semente, ser- vos-á para mantimento. E a todo o animal da terra, e a toda a ave dos céus, e a todo o réptil da terra, em que há alma vivente, toda a erva verde será para mantimento; e assim foi. E viu Elohim tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom; e foi a tarde e a manhã, o dia sexto” (Gn 1:24-31). Agora o Eterno ordena à terra para que ela produza seres viventes! Temos de entender o que aconteceu aqui, pois na constituição física dos animais temos todos os elementos que constam na composição química da terra! Isso nos mostra que os animais não “evoluíram”, mas sim foram criados a partir da terra.

Agora temos o ponto mais alto da criação: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”. A palavra “façamos” vem do termo hebraico asâ que significa “fazer, fabricar, realizar”. Aqui a ênfase recai sobre a ação de dar forma ao objeto. A palavra “homem” vem do termo hebraico adam que significa “homem, espécie humana”. Temos também proveniente da mesma raiz a palavra adamâ que significa “solo, terra”. Também desta raiz provém o termo adom que significa “vermelho”. Então é nos explicado que o homem possui a imagem de D-us. A palavra “imagem” vem do termo hebraico tselem com o mesmo significado. Basicamente a palavra

refere-se a uma representação, algo semelhante. Há ainda a palavra “semelhança” que vem do termo hebraico demut, com o mesmo significado. A palavra pode ser usada para designar semelhanças sonoras e estruturais, no sentido de ser um padrão ou modelo. Temos também aqui a ligação entre demut e dam (sangue em hebraico), pois assim como o sangue corre no interior das veias do homem dando-lhe vida, a demut também parece significar algo que é semelhante, porém invisível aos olhos humanos! Esta imagem, declara a Torah, é a imagem de D-us: “à imagem de D-us o criou”. A tradução seria “tselem Elohim bara´”. É interessante notarmos que a palavra bara´está próxima da palavra bar, que em hebraico significa "filho".

Então, o Eterno faz com o homem o mesmo que fizera com os animais: Ele o abençoa e ordena que frutifique e multiplique. A finalidade da criação do homem está explicada em poucas palavras:

“e domine sobre

...

”.

A palavra “dominar” vem do termo hebraico

radâ que significa “governar”. O homem deveria então exercer sua autoridade sobre todos os demais elementos criados por Elohim, pois Ele mesmo assim determinou. Assim Elohim dá ao homem tudo que criara para que pudesse então tê-los como “mantimento”. Ou seja, o homem poderia escolher na abundância da criação o que comer, até que, mais tarde, o próprio D-us daria novos limites para seu “cardápio” diário.

Quando termina a sua obra neste dia, ele é chamado de o sexto dia. Em hebraico foi adicionado como prefixo a letra hey, que é o artigo definido “o”, enfatizando que este também foi um dia muito especial para a criação e para o Criador! Segundo a tradição judaica o sexto dia da criação foi e dia 6 de Sivan. Esta data é muito especial, pois foi também nesta data que o Eterno deu a Torah para o povo de Israel no deserto! Ou seja, tanto a criação do homem quanto a dádiva da Torah foram feitas no mesmo dia!

Vejamos a seqüência de atos criadores e organizadores de Elohim:

1° dia: Cria-se a luz. Separa-se luz das trevas; está estabelecido então o dia e a noite. Também estabelece-se quando o dia começa: ao final de cada tarde, ou ao anoitecer! (versículo 4).

2° dia: Criam-se os céus. Separam-se águas e águas.

3° dia: Cria-se a terra seca e os mares. Novamente Elohim ordena (amar), mas agora à terra, que produza erva que dê semente, árvore frutífera e cuja semente esteja em seu fruto.

4° dia: Cria-se os planetas que determinarão as épocas na terra e também as estrelas.

5° dia: São criados os animais e toda forma de vida sobre o planeta. Primeiro Elohim ordena (amar), agora às águas, e elas produzem os peixes e répteis; e as aves voariam sobre a face da expansão dos céus. Aqui está algo diferente: Elohim os abençoa, dizendo: frutificai, multiplicai-vos e enchei a terra!

6° dia: Agora Elohim ordena (amar) à terra e ela produz os animais, repteis e as bestas-feras do campo! Logo após isso ter acontecido, muda-se a forma como as coisas são ditas, pois é usado o plural dizendo: “Façamos (nós) o homem à nossa imagem, conforme a ”

nossa semelhança

...

(Gn 1.26). Aqui a metodologia de criação difere

um pouco das outras, pois a partir disso é criado o homem com uma

função: ser como seu Criador! É dito sobre ele: “

...

e

domine sobre

...

”.

O profeta Iesha'yah (Isaías) em 42.5 amplia o fato da criação dizendo:

“Assim diz Elohim, o ihvh, que criou os céus e os desenrolou, e

estendeu a terra e o que dela procede; que dá a respiração ao povo

que nela está, e o espírito aos que andam nela

Aqui Elohim é

... mostrado como aquele que criou os céus, que estendeu a terra e que também dá vida e espírito aos homens! O Senhor cria e dá ao homem tudo o que ele tem, inclusive sua própria vida!

“Antes de formar no sexto dia o homem, o ser mais importante da Criação, D-us preparou-lhe o máximo de conforto e felicidade. O sol, a lua e as estrelas para iluminar seu caminho; as flores, para gozar de seus perfumes; os pássaros para entoar-lhe os seus cânticos harmoniosos, e todos os bens da terra para desfrutar deles segundo o seu desejo. Faltava-lhe dar o exemplo do sábado, o dia em que deveria dedicar-se ao repouso do corpo e da alma, ao regozijo e à elevação do seu espírito”.

Agora, após a criação ter sido acabada, acontece algo incrível: Elohim descansa! Não parece absurdo falar em um ser tão poderoso e que agora simplesmente descansa?

Este foi o ato de Elohim no sétimo dia! Foi também a primeira coisa que o homem fez após ser criado! O homem tem a primeira oportunidade de imitar seu Criador e descansar e também tem tempo hábil para ter comunhão com Ele!

Este dia é especial para Elohim. É nos dito que ele abençoa e santifica este dia! “E abençoou Elohim o dia sétimo, e o santificou; porque nele descansou de toda a sua obra que Elohim criara e fizera” (Gn 2:3). É o único dia que recebe um nome: Há Shabath [que significa “o descanso”]. A palavra “santificar” vem do termo hebraico qadosh que significa “ser consagrado, ser santo ser santificado”. Aqui temos um padrão incomum: o Criador dá ao homem o exemplo daquilo que ele deverá fazer. O Criador santifica – separa – o sétimo dia dando-lhe uma qualidade que até o momento pertencia somente ao Criador:

qadosh! Nenhum outro dia e nenhum outro elemento ou mesmo ser

que fora criado recebe esta designação; somente este dia é considerado assim, pois este dia se parece com seu Criador! Quando percebemos isso entendemos então qual foi a primeira atitude do homem após ser criado: ele descansou – guardou o shabat – com seu Criador! O próprio D-us diz ao homem que a importância maior na vida do homem seria a comunhão entre a criatura e o seu Criador! Nada substituiria este momento entre os dois e justamente por isso o Eterno estabelece que este dia seria separado, santificado, consagrado para o homem e para Ele!

Temos então uma outra informação interessante: a inexistência da chuva! “Estas são as origens dos céus e da terra, quando foram criados; no dia em que o IHVH Elohim fez a terra e os céus, e toda a planta do campo que ainda não estava na terra, e toda a erva do campo que ainda não brotava; porque ainda o IHVH Elohim não tinha feito chover sobre a terra, e não havia homem para lavrar a terra. Um vapor, porém, subia da terra, e regava toda a face da terra” (Gn 2:4- 6). Temos aqui mais um fato fascinante, pois na frase: “no dia em que o Senhor D-us fez a terra e os céus” a melhor tradução seria “no dia de IHVH Elohim criou os céus e a terra”. A palavra “dia” - yom - em hebraico vem preposicionada pelo artigo “be” que significa "no" ou "para". Então temos também o tetragrama – IHVH – que significa “Eu me torno aquilo que me torno” e a palavra Elohim significa “D-us Criador”. O dia aqui citado é então tido como o “Dia do Senhor” um dia no qual o Eterno traz a existência algo para impactar o universo. Então explica-se que a terra era mantida úmida através do vapor de subia dessa mesma terra e regava o solo, mantendo-o apropriado para o plantio e cultivo.

Até agora nos foi dado um relato da criação, e no que diz respeito a criação do homem, isso foi feita de forma resumida. No capítulo 2.7 é nos dito como Elohim cria o homem: “E formou o IHVH Elohim o homem do pó da terra, e soprou-lhe nas narinas o fôlego da vida; e o homem tornou-se alma vivente”. Aqui temos o uso da palavra “formou” que vem do termo hebraico yetser que significa forma. Em sua raiz temos o sentido de "moldar, formar". Há uma ênfase no moldar o objeto envolvido ou dar-lhe forma, e isso pressupõe o uso das mãos. Mas, quem atuou como o executor do molde? Novamente aparece aqui IHVH Elohim com o mesmo significado obtido acima. A substância principal usada pelo Criador para dar forma ao corpo humano foi a própria terra! A palavra “pó” vem do termo hebraico apar que significa “poeira, terra, chão, cinzas, argamassa, pó, entulho”. No hebraico duas coisas são encontradas: pó vermelho (adamah) e também sangue (dam). Ou seja: podemos concluir que o homem é a terra viva! (com sangue). Por isto está dito em Gn 3.19:

“Do suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, porque dela foste tomado; porquanto és pó, e ao pó tornarás”. Parece uma declaração forte, mas é a realidade: após a morte todos nos convertemos em pó, retornando assim ao estágio em que nos encontrávamos antes de sermos feitos “alma vivente” por Elohim! O

termo alma vivente veio por causa do “fôlego da vida”. A palavra “fôlego” vem do termo hebraico neshamâ que significa “respiração”; já a palavra “vida” vem do termo hebraico hayâ que significa “vida”. A metodologia usada para isso foi “e soprou-lhe nas narinas”, onde a palavra “soprou” vem do termo hebraico iapah que significa “respirar, soprar”. O resultado final da criação foi: “e o homem tornou-se alma vivente”. Aqui a palavra “homem” vem do termo hebraico adam que significa “homem, espécie humana”. Já o termo “alma vivente” é nepesh haya, onde a palavra nepesh significa “vida, alma, criatura, pessoa, mente” e a palavra haya significa “vida”. Ou seja, somente após o momento em que a respiração de D- us entrou no homem é que ele passa a ter vida e sentimentos! O boneco de barro agora possui vida em três dimensões: corpo, alma e espírito!

“O fato de ter criado D-us um homem só, formando-o do pó da terra, ensina segundo o Midrash, que não deve existir orgulho, desigualdade de origem, linhagem e casta, entre os homens; ninguém pode chamar ao seu semelhante de estrangeiro, pois pertence como ele à mesma terra”.

Agora somos apresentados a uma outra dimensão da criação: o lar do

homem! “E plantou o IHVH Elohim um jardim no Éden, do lado oriental; e pôs ali o homem que tinha formado. E o IHVH Elohim fez brotar da terra toda a árvore agradável à vista, e boa para comida; e a árvore da vida no meio do jardim, e a árvore do conhecimento do

bem e do mal. E saía um rio do Éden para regar o jardim; e dali se dividia e se tornava em quatro braços. O nome do primeiro é Pisom; este é o que rodeia toda a terra de Havilá, onde há ouro. E o ouro dessa terra é bom; ali há o bdélio, e a pedra sardônica. E o nome do segundo rio é Giom; este é o que rodeia toda a terra de Cuxe. E o nome do terceiro rio é Tigre; este é o que vai para o lado oriental da Assíria; e o quarto rio é o Eufrates” (Gn 2:8-14). Aqui temos uma breve descrição de outra obra realizada por IHVH Elohim: o plantio do Éden. A palavra “Éden” vem do termo hebraico eden que significa “planície, estepe”. Isso significa que esta palavra não foi traduzida na língua portuguesa, mas sim transliterada! Ela provém também de uma outra raiz ´adan que significa “desfrutar, ter prazer em”. O Éden é descrito como uma vasta região, onde ao lado oriental o Eterno planta um jardim. A palavra “árvore” vem do termo hebraico ´ets que significa “árvore, madeira, tronco, tora, madeiro”. Aqui ela é descrita de três formas: boa para comida (certamente são as árvores frutíferas), da vida e do conhecimento do bem e do mal. A árvore do conhecimento é a que nos interessa. Primeiro temos algo que não está claro em português e que ocorre no hebraico: a palavra conhecimento vem precedida da partícula hey que é o artigo definido. Isso significa que tal experiência seria única para aquele que a desejasse! Já a palavra “conhecimento” vem do termo hebraico da´at que significa “conhecimento, astúcia”. A raiz desta palavra expressa o conhecimento adquirido de diversas maneiras pelos sentidos! Ela nos

fala de algo prático, que advém por meio de atos pensados e medidos. A palavra “bom” vem do termo hebraico tôv que significa “bom, agradável, belo, que dá prazer, alegre, jubilante, precioso, correto, justo”. A palavra “mal” vem do termo hebraico ra´ que significa “mal, maldade”. A raiz tem a conotação de infortúnio, calamidade, perversidade. Percebe-se então um dualismo nesta árvore, pois ela permitirá que, através e uma experiência única o homem possa alcançar um conhecimento prático daquilo que é positivo e negativo, bom e mal. Porém estas duas forças sempre atuam de forma contrária, convivendo num mesmo lugar e se contrapondo entre si. A localização deste lugar é ainda hoje incerta, porém podemos afirmar que ele ficava na região que hoje conhecemos como Iraque. Certamente houve uma grande mudança nesta região, pois sabemos pela leitura da Torah que esta região tinha uma determinada aparência e hoje ela está completamente mudada!

Mas, qual seria a função do homem neste lugar? O texto nos informa que: “E tomou o IHVH Elohim o homem, e o pôs no jardim do Éden para o lavrar e o guardar. E ordenou o IHVH Elohim ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal, dela não comerás; porque no dia em que dela comeres, certamente morrerás. E disse o IHVH Elohim: Não é bom que o homem esteja só; far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele. Havendo, pois, o IHVH Elohim formado da terra todo o animal do campo, e toda a ave dos céus, os trouxe a Adan, para este ver como lhes chamaria; e tudo o que Adan chamou a toda a alma vivente, isso foi o seu nome” (Gn 2:15-19). O local onde o homem é posto – isso significa que ele (o homem) não foi criado ali - tem um nome: Éden. O jardim foi então criado antes do homem com uma finalidade: receber um novo ser que era a obra-prima da criação. Esta palavra – Éden - foi transliterada e significa “planície, estepe”. Ela está associada à palavra hebraica ´adan que significa “desfrutar, ter prazer em”. Esta palavra “Éden” também significa roupas vistosas, jóias vistosas, coisas caras. Aqui temos também a dimensão daquilo que o homem faria no jardim: lavrar e guardar. A palavra “lavrar” vem do termo hebraico ´abar que significa “transpor, ultrapassar, atravessar, transportar, levar embora”. Ele vem preposicionado com a partícula "le" que significa “para, em, com relação a, de, por”. Este termo traz a idéia de movimento e indica o movimento de uma coisa ou pessoa em relação a um objeto que está parado. A palavra “guardar” vem do termo hebraico shamar que significa “guardar, observar, prestar atenção”. Esta palavra também vem preposicionada. Então o Eterno ordena então ao homem que ele não coma da árvore do conhecimento do bem o do mal. A palavra usada aqui para “ordenar” vem do termo hebraico tsavâ e significa “ordenar, incumbir”. Da raiz desta palavra temos dois termos importantes: mitsvâ que significa “mandamento” e também tsav que significa “ordem”. Estas palavras nos mostram que há uma relação muito forte naquilo que é dito a Adan, pois o Eterno também lhe dá a opção para que ele escolha obedecer ou não. Por outro lado o

Senhor avisa ao homem que a desobediência lhe traria a morte! Esta ordem se referia a uma árvore específica: a do conhecimento do bem e do mal. A palavra “conhecimento” vem do termo hebraico da´at e significa “conhecimento, astúcia”. A raiz expressa o conhecimento adquirido de diversas maneiras pelos sentidos. Esta palavra vem preposicionada significando que este tipo de conhecimento era único para o homem! Já a palavra “morrer” vem do termo hebraico mût que significa “morrer, matar, mandar executar”.

Agora o Eterno argumenta sobre a atual situação do homem: “Não é bom que o homem esteja só”. A palavra “esteja” vem do termo hebraico hayâ que significa “tornou-se, existir, acontecer”. Já a palavra “só” vem de outro termo hebraico que é bad e que significa “sozinho, por si mesmo, solitário”. A intenção do Criador não era que o homem se tornasse um ser solitário, mas sim que ele pudesse conviver em harmonia com outros de sua própria espécie! Então a solução encontrada pelo Senhor foi: “far-lhe-ei uma ajudadora idônea para ele”. Aqui a palavra “ajudadora” vem do termo hebraico ´ezer que significa “ajuda, apoio, auxílio”. Na raiz desta mesma palavra temos também um outro significado: tesouro! O que a Escritura quer dizer então? Quer dizer que além de alguém para ajudá-lo o homem estaria recebendo de seu Criador um tesouro, que é a mulher! Após ter declarado isso o Eterno então dá a Adan a atribuição de dar nomes aos seres viventes.

“A Torah condena o celibato. O homem é obrigado a contrair matrimônio desde a idade de dezoito até vinte anos, se assim o pode fazer (Maimônedes – Sefer Hamitzvot [Kidushin 29]). Porém, o homem que tem de abandonar o estudo da Torah para procurar manutenção, fica isento desta obrigação até formar uma situação, pois que, segundo o Talmud, o homem deve, em primeiro lugar, preparar o lar, plantar uma vinha (estabelecer trabalho) e depois contrair casamento (Sotah 44). Quem não tem esposa, vive sem alegria e sem bênção (Yebamot 62). O solteiro é considerado meio corpo (Zohar).

Isto aconteceu assim: “E Adan pôs os nomes a todo o gado, e às aves dos céus, e a todo o animal do campo; mas para o homem não se achava ajudadora idônea. Então o IHVH Elohim fez cair um sono pesado sobre Adan, e este adormeceu; e tomou uma das suas costelas, e cerrou a carne em seu lugar; e da costela que o IHVH Elohim tomou do homem, formou uma mulher, e trouxe-a a Adan. E disse Adan: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada. Portanto deixará o homem o seu pai e a sua mãe, e apegar-se-á à sua mulher, e serão ambos uma carne. E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam” (Gn 2:20-25). Na criação da mulher o processo foi semelhante: Elohim usa o próprio homem para tirar dele sua companheira! O Criador dá ao homem um momento para uma “soneca” e através e uma costela retirada do lado do homem Ele forma uma mulher para Adan! A palavra “costela” vem do

termo hebraico tsela´ que significa “lado, costela”. Esta palavra está muito próxima de um outro termo que a explica, tselem que significa “imagem”, e representa algo que é semelhante.

Quando Adan vê a mulher, ele tem a primeira revelação de que temos notícia na Escritura: “E disse Adan: Esta é agora osso dos meus ossos, e carne da minha carne; esta será chamada mulher, porquanto do homem foi tomada” (Gn 3.23). A partir do momento em que o homem reconhece sua companheira (encontra-a), então eles se tornarão um no Senhor! Então é-lhes dito o que fazer para constituírem uma verdadeira família: “Portanto deixará o homem a seu pai e a sua mãe, e unir-se-á à sua mulher, e serão uma só carne” (Gn 2.24). Aqui a palavra “mulher” vem do termo hebraico ishshâ que significa “mulher, esposa, fêmea”. O texto diz ainda que eles seriam uma só carne. A palavra “carne” vem do termo hebraico basar que significa “carne (pele, corpo)”.

Está aqui a conclusão da criação, explicada de forma a nos mostrar que Elohim usou de duas metodologias distintas para atingir seus objetivos: criar o universo e tudo o que conhecemos e também o homem para habitar aqui.

O propósito é muito claro: a glorificação do nome do D-us Eterno! Está

escrito em Is 43.7: “

...

a

todo aquele que é chamado pelo meu nome,

e que criei para minha glória, e que formei e fiz”.

Um outro detalhe muito interessante é o estado de santidade em que se encontravam o homem e a mulher. “E ambos estavam nus, o homem e a sua mulher; e não se envergonhavam” (Gn 2:25). A palavra “nus” aqui vem do termo hebraico arâm que significa “por a descoberto, descobrir”. Até a entrada do pecado no mundo o homem não tinha a consciência da malícia, que faz com que as pessoas olhem para as outras com pensamentos impuros! Até este momento eles não precisavam de “cobertura” do Eterno pois dividiam com Ele o mesmo espaço de santidade! A inexistência do pecado fazia com que homem e mulher se olhassem e se vissem de forma natural, como dois seres criador por Elohim que deveriam se completar!

Entra agora em cena o diabo que age por trás de um animal: a serpente! É travado um diálogo entre a mulher e a serpente que visa determinar quem está certo: a criatura ou o Criador! “Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo que o IHVH Elohim tinha feito. E esta disse à mulher: É assim que Elohim disse: Não

comereis de toda a árvore do jardim? E disse a mulher à serpente: Do fruto das árvores do jardim comeremos, mas do fruto da árvore que está no meio do jardim, disse Elohim: Não comereis dele, nem nele tocareis para que não morrais. Então a serpente disse à mulher:

Certamente não morrereis” (Gn 3:1-4). Aqui há um jogo de palavras que incitam a mulher a contestar o que havia sido dito pelo Eterno! Há uma inversão daquilo que é dito no capítulo 2.16, onde está dito:

“E ordenou o IHVH Elohim ao homem, dizendo: De toda a árvore do jardim comerás livremente”. Quando o inimigo usou este recurso de retórica, ele trouxe uma tremenda confusão à mulher! E ela caiu nesta “armadilha” do maligno, traindo assim a palavra do Senhor e a confiança que o Eterno depositara em suas criaturas! Agora, só restava tentar fazer com que o homem pudesse acompanhá-la, pois caso contrário a mulher ficaria só na cena do pecado de traição ao Eterno!

As conseqüências do pecado da mulher – e depois do homem – foram nefastas! Vejamos o que foi que aconteceu: “Então foram abertos os olhos de ambos, e conheceram que estavam nus; e coseram folhas de figueira, e fizeram para si aventais. E ouviram a voz do IHVH Elohim, que passeava no jardim pela viração do dia; e esconderam-se Adan e sua mulher da presença do IHVH D-us, entre as árvores do jardim. E chamou o IHVH Elohim a Adan, e disse-lhe: Onde estás? E ele disse: Ouvi a tua voz soar no jardim, e temi, porque estava nu, e escondi-me. E Elohim disse: Quem te mostrou que estavas nu? Comeste tu da árvore de que te ordenei que não comesses? Então disse Adan: A mulher que me deste por companheira, ela me deu da árvore, e comi. E disse o IHVH Elohim à mulher: Por que fizeste isto? E disse a mulher: A serpente me enganou, e eu comi. Então o IHVH Elohim disse à serpente: Porquanto fizeste isto, maldita serás mais que toda a fera, e mais que todos os animais do campo; sobre o teu ventre andarás, e pó comerás todos os dias da tua vida. E porei inimizade entre ti e a mulher, e entre a tua semente e a sua semente; esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o calcanhar. E à mulher disse:

Multiplicarei grandemente a tua dor, e a tua conceição; com dor darás à luz filhos; e o teu desejo será para o teu marido, e ele te dominará. E a Adan disse: Porquanto deste ouvidos à voz de tua mulher, e comeste da árvore de que te ordenei, dizendo: Não comerás dela, maldita é a terra por causa de ti; com dor comerás dela todos os dias da tua vida. Espinhos, e cardos também, te produzirá; e comerás a erva do campo. No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3:7-19).

Vejamos alguns fatos importantes aqui:

O pecado “abriu os olhos” do homem mostrando-lhes que estavam nus! O texto diz: “e conheceram que estavam nus”. A palavra “conheceram” vem do verbo yada´ e significa “conhecimento adquirido pelos sentidos; conhecimento experimental”. Isso nos confirma que, naquele momento, eles perderam a sua inocência.

O homem – e também a mulher – fazem para si “aventais” com folhas de figueira. Esta palavra vem do termo hebraico teenâ com o mesmo significado. O importante aqui é que a figueira representa a cura e o homem procurava por si só ser “curado” do pecado. Além disso a figueira é um símbolo de Israel e é a única árvore mencionada pelo

nome no jardim criado pelo Eterno! Nas escrituras, assentar-se debaixo de sua própria figueira representa participar das bênçãos de paz, prosperidade e segurança, tanto presentes quanto futuras! Israel, munido de “cura”, já esta presente no paraíso, esperando para ser usado de forma legítima, pois somente quando isso acontecesse seus objetivos seriam alcançados.

Outro aspecto foi que, num determinado momento do dia, ouviram a voz de D-us (e a Escritura nos dá a entender que isso era habitual entre eles) e esconderam-se! Isso nunca havia acontecido antes!

D-us agora “procura” o homem para relacionar-se com ele! Mas, pelo que parece, o homem não está à disposição do Senhor por causa de seu pecado!

Agora ambos – homem e mulher – transferem sua responsabilidade para outrem e não assumem aquilo que fizeram!

A serpente também é “amaldiçoada” - arar que significa “prender por encantamentos, cercar com obstáculos, deixar sem forças para resistir, e passa a rastejar sobre seu ventre! Isso parece nos indicar que a mesma no passado deveria locomover-se de uma outra forma, provavelmente com pequenas pernas traseiras!

Há também a rivalidade entre a semente da mulher e a serpente, a qual seria “pisada” pelo descendente da mulher! Está dito que haveria “inimizade” entre serpente e a semente da mulher. Esta palavra vem do hebraico ´ebâ e significa “inimizade, ódio, hostilidade”. Esta “rivalidade” seria perpetrada pela “semente” da mulher. Esta palavra vem do hebraico zera´ e significa “semeadura, semente, descendência”.

E finalmente as dores para ambos os lados – homem e mulher – que seriam uma parte da punição por causa do pecado! Também o trabalho penoso que agora faria com que o homem não mais tivesse “facilidades” ao trabalhar a terra!

Quando isso aconteceu o Eterno precisou então “cobrir” o homem com peles, vestindo-os. Quem faz isso é IHVH Elohim que é o mesmo que anteriormente se tornara para eles punição! O Eterno matou animais e com suas peles fez túnicas. A palavra “túnica” vem do termo hebraico kutonet com o mesmo significado; vestimenta parecida com um camisão bastante longo e geralmente feita de linho. Estas vestimentas eram as mesmas usadas pelos sacerdotes. Eles então foram “vestidos” e esta palavra vem do hebraico labesh que significa “vestir, estar vestido”.

Todas estas coisas trouxeram grandes influências sobre os descendentes do homem de tal forma que a corrupção logo atingiu toda a raça! Houve então o problema entre os dois filhos de Adan,

gerando assim a primeira morte de que se tem notícia na história do homem: a morte de Abel!

Certamente isso está ligado à promessa que o Senhor havia feito à Eva – Hava cujo significado é “vida”, de que um de seus descendentes – não lhe foi dito qual seria – haveria de “pisar a cabeça da serpente”. A morte prematura de Abel - Hevel - cujo significado de seu nome é “vapor, sopro, vaidade” - através de Cain cujo nome significa “possuir ou criar”, já foi um ato “preventivo” das trevas quanto ao cumprimento da promessa do Senhor quanto ao seu descendente! É interessante que na raiz deste nome temos também a palavra qîn que significa “entoar um canto fúnebre” e qinâ que significa “lamentação”. Sobre este fato temos uma história interessante que diz:

"Cain disse a seu irmão Hevel, e quando estavam no campo, Cain levantou-se contra seu irmão Hevel e matou-o".

Ao ler este versículo, surge uma dúvida imediata. A Torah escreve que "Cain disse a Hevel" - então parece haver uma lacuna bem evidente, uma pausa que nos intriga, porque a Torah não informa o que Cain falou.

Toda a congregação está sentada ouvindo atentamente a leitura da Torah, esperando pelo momento do clímax, quando ouvirão o que Cain tem a dizer, e então, como se uma linha inteira tivesse sido apagada, a narrativa salta para nos dizer que ele matou o irmão! Mas o que aconteceu? O que conversaram os dois que fez Cain reagir tão drasticamente?

O Targum Yonatan menciona esta dúvida relatando uma discussão fascinante que ocorreu entre os dois irmãos, a qual levou diretamente ao assassinato. Cain reclamou a Hevel que não havia justiça e um juiz supremo neste mundo; não há Mundo Vindouro, e por isso os justos não serão recompensados e os perversos jamais serão castigados. Hevel discordou, e como resultado desta discussão, Cain decide matar seu irmão.

Entretanto, mesmo após ouvir a explicação desta conversa, a passagem ainda permanece obscura. Se estavam realmente discordando sobre um assunto tão fundamental, não teria sido informativo se a Torah nos relatasse isso de maneira direta?

Foi sugerido que a Torah omitisse qualquer menção explícita do assunto da discussão porque, na verdade, é totalmente insignificante para o desenrolar da história. Cain não tinha o direito de tirar a vida de seu irmão, e ponto final, não importa o quanto ele justificasse suas ações.

O fato de que ele tivesse uma suposta desculpa para seu comportamento (tinham opiniões conflitantes) era irrelevante, porque qualquer que fosse seu arrazoado, este permaneceu meramente uma racionalização formulada pela mente humana, para se permitir a busca de seus próprios desejos básicos.

Na verdade, Cain estava com inveja porque a oferenda de Hevel fora aceita por D'us, enquanto que a sua não, por isso desejou matar o irmão. Ele tinha apenas um problema - sua consciência. Mas não poderia simplesmente destruir sua própria carne. Precisava de uma desculpa, uma racionalização para sentir-se melhor a respeito daquilo que estava para fazer.

Por esta razão, provocou uma discussão; descobriu que seu irmão discordara, e usou isto como uma desculpa para o assassinato. Entretanto, como era meramente uma desculpa, a Torah considerou-a irrelevante, e por isso preferiu omiti-la da narrativa.

Quantas vezes inventamos desculpas para justificar nossas ações – fabricando racionalizações que, se apenas usássemos o tempo para analisá-las, veríamos que são totalmente infundadas? Somos realmente honestos com nossos amigos, nossa família, com o Criador, e com nós próprios, ou simplesmente procuramos as melhores desculpas a fim de satisfazer nossa consciência?

Ao começarmos este novo ano, reforcemos nosso compromisso de buscar a verdade e estejamos conscientes das perigosas racionalizações que inevitavelmente impedirão nossa busca por uma vida boa e com moral.

Após esse fato nos é dada uma genealogia de um homem justo chamado Sete - Shet. Esse nome em hebraico significa “compensação” e certamente está ligado à morte de Abel. Da linhagem deste homem justo vieram personagens que marcariam a história da humanidade: Enos - Enosh cujo significado é “homem, pessoa”, e um outro deles foi Enoque. Com o nascimento de Enosh teve início um acontecimento trágico: a profanação do nome do Senhor! A palavra hohal está no tempo perfeito na terceira pessoa masculina do singular do verbo halal que significa “profanar, contaminar, poluir”. Ao contrário daquilo que lemos em nossa versão em português que diz: “então começou a se invocar o nome do IHVH”, o texto hebraico diz que houve uma profanação que começou com o qara, “chamar, convocar, recitar” o nome de IHVH através da pessoa de Enosh! O outro homem de quem falaremos é Enoque. Seu nome em hebraico é Enok e significa “dedicar, inaugurar”. A Escritura diz o seguinte sobre ele: “E andou Enoque com Elohim; e não se viu mais, porquanto Elohim para si o tomou” (Gn 5.24). Este homem andou com seu Criador, pois no texto hebraico temos Há Elohim; não é um relacionamento comum, mas algo que ultrapassou as fronteiras da simples “relação casual” e certamente atingiu um

nível de intimidade tão grande que o Eterno (o Criador) tomou-o para si mesmo. Esta palavra “tomou-o” vem do termo hebraico laqah e significa “tomar, agarrar, receber, adquirir, comprar, trazer, tomar por esposa, arrancar”. Com Enok temos a inauguração de uma nova etapa na vida cotidiana da humanidade, pois agora eles sabem que o Criador pode tomar para si – arrebatar – aqueles cuja intimidade com Ele ultrapassam os limites do viver diário comum. Enok simboliza o “rapto” daqueles que são a noiva do Cordeiro e ainda haverão de tornar-se em esposa amada d´Ele! Quando isso acontecer, então estará sendo inaugurada na terra uma nova etapa da história humana: a grande tribulação! Tudo de acordo com as Escrituras ...

O texto de Gênesis 6 nos diz: “E aconteceu que, como os homens começaram a multiplicar-se sobre a face da terra, e lhes nasceram filhas” (Gn 6:1). Aqui a palavra “multiplicar-se” foi mal traduzida, pois provém do termo hebraico hohal e está no tempo perfeito na terceira pessoa masculina do singular do verbo halal que significa “profanar, contaminar, poluir”. Isso significa então que os homens não começaram a multiplicar-se mas sim a contaminar-se, profanar-se! O contexto reforça esta interpretação, pois a partir de agora a corrupção se estenderá à muitos homens na terra!

Tal corrupção gerou uma “mistura” dos que tinham um relacionamento com D-us (O Criador) com pessoas que já estavam

corrompidas, pois haviam recebido este tipo de padrão de seus familiares (pais). O texto nos diz que: “Viram os filhos de Deus que as filhas dos homens eram formosas; e tomaram para si mulheres de todas as que escolheram. Então disse o Senhor: Não contenderá o meu Espírito para sempre com o homem; porque ele também é

carne; porém os seus dias serão cento e vinte anos” (Gn 6:2-3). Aqui temos algo interessante, pois a frase “disse o IHVH” em hebraico significando que IHVH ordenou – significado da palavra “amar” que não haveria juízo – que cause contenda, briga – com o homem, pois a palavra “contender” vem do termo hebraico dûn cujo significado é “julgar”. O sentido é que o espírito não julgaria o homem para sempre, pois no futuro haveria um padrão que não seria este, mas sim o da palavra escrita – registrada – que então se tornaria o guia para que o homem pudesse então servir ao Criador. Está já “profetizado” que então haveria um teto limitando o viver do homem:

120 anos! Isso aconteceria quando houvesse este padrão escrito para reger a vida do homem! É interessante que Moshe morreu aos 120 anos e ele foi o maior legislador de Israel.

Aquela época era um tempo atípico na história da humanidade:

“Havia naqueles dias gigantes na terra; e também depois, quando os filhos de Elohim entraram às filhas dos homens e delas geraram filhos; estes eram os valentes que houve na antiguidade, os homens de fama. E viu o IHVH que a maldade do homem se multiplicara sobre a terra e que toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente. Então arrependeu-se o Senhor de haver feito o

homem sobre a terra e pesou-lhe em seu coração” (Gn 6:4-6). A palavra “gigantes” provém do termo hebraico nepîlim que significa “gigantes”. Esta palavra vem de uma raiz napal que significa “cair, prostrar-se, ser lançado fora, fracassar”. Isso pode significar que estes homens eram “caídos”, que estavam “prostrados” por algum motivo forte: o pecado! A Escritura nos fala sobre “aqueles dias”, certamente referindo-se ao tempo em que a corrupção, o pecado, começou a abundar sobre a terra. Estes homens foram chamados de “valentes da antiguidade”. Esta palavra vem do termo hebraico gibôr que significa “poderoso, forte, valente, homem poderoso”. Por causa do pecado, a mal se multiplicava sobre e entre os homens. Este “mal” é ra´ e significa “mal, aflição, algo ruim, infortúnio, calamidade, perversidade”. Isso fazia com que, inclusive o padrão de pensamentos dos homens fosse afetada. A palavra “pensamentos” vem do termo hebraico mahashabâ que significa “pensamento, intuito, estratagema”. Certamente o pecado exercia uma grande influência sobre as atitudes do homem e também sobre seu padrão mental, o qual o dirigia de tal forma que ele arquitetava o mal continuamente.

O resultado desta situação é que o Eterno “arrependeu-se” de haver feito o homem. Esta palavra vem do hebraico naham que significa “ter pena, lamentar”; a raiz reflete a idéia de “respirar profundamente” e por conseguinte a manifestação física dos sentimentos da pessoa, geralmente tristeza. A condição humana de degradação gerou no Eterno um sentimento de pena, um lamento em relação à condição degradante que já naquele momento se encontrava a raça humana! Isso não fora planejado pelo Eterno para o homem.

A reação do Eterno a esta situação foi: “E disse o IHVH: Destruirei o homem que criei de sobre a face da terra, desde o homem até ao

animal, até ao réptil, e até à ave dos céus; porque me arrependo de os haver feito. Noé, porém, achou graça aos olhos do IHVH” (Gn 6:7- 8). A palavra “Senhor” vem do tetragrama – IHVH – e isso significa que o Eterno se tornaria aquilo que precisamos que Ele se torne para nós; neste caso juízo. Já a palavra seguinte, “destruirei” vem do termo hebraico mahâ e significa “limpar, enxugar, eliminar”. Isso indica que a punição que viria para o homem certamente seria dura, porém causaria um efeito “eliminador” quanto ao mal que já havia se alastrado pela terra. Porém, houve uma exceção: Noé! Este nome em hebraico é Noah e significa “descansar, estabelecer-se”. Isso indica que o Eterno encontrara um homem em quem Ele poderia “descansar” e confiar, pois através dele se estabeleceria um novo tempo sobre a face da terra!

Este homem foi tido por tão justo diante do Eterno que ele foi “poupado” juntamente com todos os que creram na mensagem vivida e pregada por Noé, que desempenharia um papel preponderante em sua época e na salvação da raça humana!

Parahsat Noah

Logo no princípio desta narrativa aprendemos algo muito importante:

“Estas são as gerações de Noah. Era ele homem justo e perfeito em

suas gerações, e andava com Elohim” (Gn 6:9). A Escritura doravante nos contará a história de um homem chamado Noé, Noah que em hebraico significa "descansar, estabelecer". Entendemos que este é um momento crucial na história da humanidade e agora o Eterno escolhe um homem para estabelecer um novo tempo através de sua vida! O estabelecimento de qualquer coisa depende de ações concretas e sempre leva algum tempo. Para isso então o Eterno chama este homem: para que num tempo determinado Ele volte a estabelecer na terra a justiça e a comunhão do homem com D-us. Noah já possuía um padrão de santidade, pois nós lemos a seu respeito de ele andava com D-us! Noah já tinha um conhecimento de D-us que se manifestava em sua comunhão com Ele, e isso está expresso na declaração que lemos e isso fará uma grande diferença logo mais adiante na narrativa de Gênesis. Este conhecimento está expresso na palavra justo, tsadiq que em hebraico significa estar em conformidade com um padrão ético e moral. Este conceito é reforçado pela palavra “perfeito” que vem do termo hebraico tamîm, que significa "íntegro, inteiro, reto". Este padrão é a natureza e a vontade de D-us manifestas na vida daquele homem. Aqui a palavra que define o Eterno vem do termo hebraico Elohim, que significa "D-us Criador". Isso significa que Noah, além de possuir uma lei que lhe fora inscrita no coração por D-us, também conhecia os padrões do Eterno e andava de conformidade com eles. Isso significa dizer que Noah era um homem santo!

A família de Noah consistia de sua esposa e três filhos: Shem que significa “nome”; também temos em sua raiz shmw, ser alto, excelência ou majestade, Ham, que significa “sogro” e Iapet, que significa o "dilatado, o difundido". Estes certamente acompanhavam seu pai e sabiam de sua comunhão com o D-us eterno! Noah certamente lhes ensinava o que deveria é certamente lhes ensinava o que deveria feito para agradarem ao Senhor de toda a terra!

Mas, em oposição ao quadro de justiça e comunhão com o Eterno a Escritura nos relata a situação do mundo de então: “A terra, porém, estava corrompida diante de Elohim, e cheia de violência” (Gn 6:11). Este é o retrato de uma geração corrupta que só pode ser combatida através da santidade de D-us vista em seus servos. A corrupção e a violência de origem pecaminosa era tão grande que o Senhor já não suportava mais ver aquilo! A palavra corrompida vem do termo

hebraico shahat que significa "cova, destruição". Imaginemos então o que estava acontecendo: o D-us Eterno havia criado o homem à sua imagem e semelhança, e este mesmo homem já se desviara tanto de sua presença que a terra já se encontrava caminhando rumo à cova, a destruição aos olhos de D-us. O nível e a intensidade da degradação humana foram muito grandes e rápidos, pois já no princípio da humanidade ocorre este fato! A terra estava violenta. Esta palavra vem do termo hebraico hamas que significa violência, mal, injustiça. Esta palavra é usada sempre com sentido de violência pecaminosa.

D-us então chama a Noah para dar-lhe instruções sobre o que fazer:

“Faze para ti uma arca de madeira de gôfer: farás compartimentos na

arca, e a revestirás de betume por dentro e por fora” (Gn 6:14). A primeira instrução do Eterno é que Noé construa uma tebâ [arca], que neste contexto significa um imenso barco que seria usado para livrar Noah, sua família e os animais do juízo que viria através do dilúvio. Além disso o Senhor o instrui para betumar a arca por dentro e por fora! Isso nos mostra duas coisas: primeiro, o cuidado do Eterno em dar instruções detalhadas a fim de fazer com que a arca realmente funcione conforme seus propósitos estabelecidos, e em segundo lugar mostra-nos que Noah conhecia o petróleo bruto e que ele existia à flor da terra! Lembremo-nos que naquela época não era possível extrair-se o petróleo do subsolo da terra, pois não havia uma tecnologia que permitisse a identificação do lençol de petróleo assim como a perfuração de profundos poços a fim de traze-lo para a superfície!

O próximo passo é o de dar à Noah as medidas da arca: “Desta maneira a farás: o comprimento da arca será de trezentos côvados, a

sua largura de cinqüenta e a sua altura de trinta” (Gn 6:15). A palavra “côvado” vem do termo hebraico ´ammâ com o mesmo significado. Esta palavra equivale a uma medida de comprimento que tem cerca de 45 centímetros! Transformando estas medidas para metros, teremos então:

Comprimento - 160 metros

Largura - 26,5 metros

Altura - 16 metros

Analisando-se as medidas acima teremos então uma grande surpresa:

a arca não era um “barquinho”, mas se parecia muito com um transatlântico! As suas medidas nos permitem dizer que ela foi suficiente para abrigar Noah e sua família além dos animais que foram por ele transportados! A arca não possuía janelas, mas sim compartimentos e andares! “Farás na arca uma janela e lhe darás um côvado de altura; e a porta da arca porás no seu lado; fá-la-ás com andares, baixo, segundo e terceiro” (Gn 6:16). As instruções eram claras e precisas: a arca deveria ter somente uma porta e os andares

com os compartimentos para abrigar os animais. A arca aponta para dois aspectos distintos: salvação e condenação! A salvação para aqueles que crerem na palavra do homem de D-us (Noah) e a condenação para os incrédulos! Percebemos que a para entrar-se na arca seria necessário passar pela porta! Noah e seus filhos somente consumaram sua plena “salvação” após terem passado pela porta para dentro da arca – onde estavam então seguros! Quem nos informa tornar-se Ele a porta? Ieshua! E um outro detalhe: havia somente uma porta; assim como há somente um caminho que conduz à salvação!

É tudo muito simples! Em Hebreus, a Escritura nos informa

justamente isso: “Ora, sem fé é impossível agradar a D-us; porque é necessário que aquele que se aproxima de D-us creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam. Pela fé Noah, divinamente avisado das coisas que ainda não se viam, sendo temente a D-us, preparou uma arca para o salvamento da sua família; e por esta fé condenou o mundo, e tornou-se herdeiro da justiça que é segundo a

fé” (Hb 11.6,7). O que fez a diferença entre Noah e os outros foi justamente a sua fé! A fé de Noah foi posta em algo que lhe traria resultados duradouros, enquanto que os outros habitantes do mundo estavam colocando sua confiança em coisas perecíveis e que não lhes traria nenhum retorno duradouro!

Agora o Eterno diz a Noah: “Mas contigo estabelecerei o meu pacto; entrarás na arca, tu e contigo teus filhos, tua mulher e as mulheres

de teus filhos” (Gn 6:18). A palavra para pacto em hebraico é berith, e significa “um pacto feito com derramamento de sangue”. Isso nos mostra que alguém deveria morrer para que esta aliança fosse consolidada! Isso deverá acontecer como resultado do livramento que será dado aos homens através de Noah! Novamente nos é ensinado que para haver redenção é necessário que haja derramamento de sangue! O pacto é feito com base na vida que é derramada! A salvação é resultado do derramamento de sangue feito no pacto! Não foi assim que aconteceu nos dias de Ieshua? Não precisou ele morrer, derramando seu sangue para que fôssemos salvos? Não foi isso feito para reafirmar o pacto feito no passado com Avraham? O que aconteceu no Tanach foi somente sombra daquilo que aconteceria e se cumpriria em Ieshua!

O verso 19 nos diz: “E de tudo o que vive, de toda a carne, dois de cada espécie, farás entrar na arca, para os conservar vivos contigo; macho e fêmea serão” (Gn 6:19). Isso nos informa que nela estavam todos os animais de todas as espécies, pois a terra não havia ainda se dividido!

A ordem agora é: “Depois disse o IHVH a Noah: Entra na arca, tu e toda a tua casa, porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração” (Gn 7:1). Temos aqui a ocorrência de uma palavra muito importante: o Eterno identifica-se como IHVH! Esta palavra significa

“Eu me torno aquilo que me torno”. E aqui, no verso 2, aparece um conceito tido como “princípio da lei de Moisés”, mas que já era conhecido por Noah. “De todos os animais limpos tomarás para ti sete e sete, o macho e sua fêmea; mas dos animais que não são limpos, dois, o macho e sua fêmea” (Gn 7:2). Este conceito fala de “animais limpos”. A palavra “limpo” em hebraico é tahor, que significa puro, limpo e é empregada para designar pureza ritual ou moral. No caso dos animais, a pureza é ritual, ou seja, estes animais são próprios para o consumo humano e podem ser oferecidos à D-us em sacrifício! Mas qual seria a finalidade do Senhor dividir estes animais nestas duas categorias? Certamente que isso já aponta para a intenção do Senhor em preservar nosso corpo – pois os animais seriam posteriormente consumidos como comida – dando-nos uma melhor qualidade de vida através da alimentação. Destes o Senhor ordena que entrem na arca sete casais; dos demais apenas dois casais! Novamente somos ensinados que na época de Noah já existiam princípios que depois seriam promulgados através da Torah dada à Moisés! Mas esta e outras leis são anteriores à Torah! Então percebemos uma intenção do Eterno em guardar o homem de pecar contra Ele! Noah, sabedor destas coisas como homem que tinha um alto grau de intimidade com o Senhor, obedece-o e parte para o início de uma nova etapa na vida da humanidade.

Entendemos que somente através da obediência de Noah foi possível a realização dos desejos do coração do Eterno e foi através dessa obediência que o Senhor consumou a salvação da raça! Certamente Noah não se tornou obediente da noite para o dia, mas ele com certeza aprendeu a ser obediente obedecendo! Esse é o ponto chave da questão: obedecer sem questionar ao Senhor. D-us não necessita de homens que lhe questionem o porque das coisas. Ele realmente precisa de homens que lhe obedeçam incondicionalmente e em qualquer ocasião!

Após estes acontecimentos e também a conclusão da preparação de todas as coisas, então é hora de ter início o dilúvio! “No ano seiscentos da vida de Noah, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande

abismo, e as janelas dos céus se abriram” (Gn 7:11). Agora não é mais possível voltar-se atrás, pois tem início o juízo do Eterno sobre toda a carne. É também nos dito que o período total do juízo foi “E houve chuva sobre a terra quarenta dias e quarenta noites” (Gn 7:12). Este versículo nos informa que a chuva duraria quarenta dias! O número quarenta na Escritura está associado à provação e foi justamente isso o que aconteceu! A humanidade está sendo provada em suas convicções, pois não creram na palavra anunciada por Noah, e por isso agora recebem o juízo! Há também o outro lado, em que Noah e sua família são levados a aguardar o resultado do juízo externo contra a humanidade! Eles estão, de certa forma, sem nenhuma defesa, pois dependem agora da resistência da arca e do tempo em que a água demoraria para baixar. Isso tudo deve ter

gerado em Noah e sua família uma ansiedade muito grande pelo resultado final daquele acontecimento. E o mais importante: eles estavam sendo preservados pelas mãos do D-us Eterno, que cuidou deles a fim de não permitir que nada saísse errado!

Um detalhe muito importante precisa ser colocado aqui: não havia possibilidade de Noah ou sua família ajudarem alguém que chegasse após eles haverem entrado na arca. Durante cento e vinte anos Noah anunciara o juízo e convidara as pessoas a serem salvas. Porém após sua entrada na arca já não haveria mais possibilidades de salvação. Porque? Veja o que diz a Escritura: “E os que entraram eram macho e fêmea de toda a carne, como D-us lhe tinha ordenado; e o Senhor o fechou por fora” (Gn 7:16). A arca foi fechada pelo Eterno e por fora! Ou seja, não haveria possibilidade de que quem estava dentro dela sequer tentar algo para ajudar os que estavam de fora! Primeiro é dito que Noah obedeceu às ordens de D-us. Aqui a palavra que define o Eterno vem do termo hebraico Elohim que significa D-us Criador! Então, temos a seguir o conceito do “IHVH”. Sabemos pelas Escrituras que o IHVH é quem abre qualquer porta, mas também é Ele que fecha qualquer porta, inclusive a da salvação! Foi justamente por causa disso que temos aqui a ocorrência do termo IHVH para designar este momento! Para Noah e sua família o Eterno tornou-se a sua salvação; em contrapartida, para aqueles que não creram nas palavras de Noah o Eterno tornou-se o Juízo e a morte! Quando pensamos nisso lembramo-nos de que algo semelhante acontecerá por ocasião da volta do Senhor Ieshua. E após o Noivo ter voltado para buscar sua Noiva, aqueles que ficarem de fora nada poderão fazer para entrar e também aqueles que estiverem do outro lado com o Noivo nada poderão fazer pelos de fora! Isso nos é contado numa parábola contada por Ieshua que diz assim: “Então o reino dos céus será semelhante a dez virgens que, tomando as suas lâmpadas, saíram ao encontro do esposo. E cinco delas eram prudentes, e cinco loucas. As loucas, tomando as suas lâmpadas, não levaram azeite consigo. Mas as prudentes levaram azeite em suas vasilhas, com as suas lâmpadas. E, tardando o esposo, tosquenejaram todas, e adormeceram. Mas à meia-noite ouviu-se um clamor: Aí vem o esposo, saí-lhe ao encontro. Então todas aquelas virgens se levantaram, e prepararam as suas lâmpadas. E as loucas disseram às prudentes: Dai-nos do vosso azeite, porque as nossas lâmpadas se apagam. Mas as prudentes responderam, dizendo: não seja caso que nos falte a nós e a vós, ide antes aos que o vendem, e comprai-o para vós. E, tendo elas ido comprá-lo, chegou o esposo, e as que estavam preparadas entraram com ele para as bodas, e fechou-se a porta. E depois chegaram também as outras virgens, dizendo: Senhor, Senhor, abre-nos. E ele, respondendo, disse: Em verdade vos digo que vos não conheço. Vigiai, pois, porque não sabeis o dia nem a hora em que o Filho do homem há de vir” (Mt 25:1-13). Aqui temos duas categorias de pessoas: prudentes e loucas. A palavra prudente vem aqui do termo grego sophron que significa "sensatez, prudência, controle próprio". Esta palavra vem de duas raízes: sos+phron que significam

respectivamente sos, “salvo, seguro” e "phren", o coração. Esta palavra vem de um termo hebraico que é tebûnâ que significa "entendimento". Em sua raiz temos a palavra bîn que significa "entender, considerar, perceber, ser prudente, discernir". Esta palavra nos fala sobre o objeto do entendimento que é algo superior à mera reunião de alguns dados.

Já a palavra “louca” vem do termo grego moria que significa "estultícia, tolice". Esta pessoa ocupa-se tanto com a falta de conhecimento como de discernimento. Ela vem de um conceito hebraico que significa que a tolice não é ignorância, mas sim rebelião contra D-us; não é fatalidade, mas sim culpa. O homem comprova que é tolo quando rejeita a oferta de D-us e então cai no julgamento. A obediência é a prudência dos crentes! Esta palavra vem de um termo hebraico que é kasal e significa ser tolo. Esta palavra refere-se a um estilo de vida atraente para pessoas imaturas mas que pode levar à ruína e a destruição.

Mas porque isso acontecerá assim? É porque as pessoas novamente não crerão nas palavras ditas pelos servos de D-us avisando que o tempo é chegado e que o Noivo se aproxima!

O juízo vem sobre a terra e sobre a humanidade e destrói tudo o que existe sobre a face da terra! A Escritura nos informa agora que o Eterno dá atenção a Noah e aos animais na arca, a fim de recolocar as coisas em seus devidos lugares! Agora tem início o período em que a água escoaria a fim de permitir novamente que o homem habite sobre a terra! E a arca agora irá se acomodar na região em que o Eterno escolheu para dali reiniciar o processo de colonização da terra. E assim foi. “E a arca repousou no sétimo mês, no dia dezessete do mês, sobre os montes de Ararate” (Gn 8:4).

Quando tudo cessa, então Noah envia uma pomba a fim de saber se já há vegetação na terra. A pomba voaria e se achasse alguma vegetação ela certamente a traria para ele. Quando ele faz isso a primeira vez a pomba volta sem trazer nada consigo. Mas na segunda vez acontece algo de diferente. Veja que relato interessante nos é dado em Gn 8.11: “E a pomba voltou a ele à tarde; e eis, arrancada, uma folha de oliveira no seu bico; e conheceu Noah que as águas tinham minguado de sobre a terra”. A árvore citada aqui é a oliveira. A palavra oliveira vem do termo hebraico zayit que significa "oliveira, azeitona". A oliveira é famosa por três coisas: seu fruto, seu óleo e sua madeira. O interessante é que a primeira árvore que se recuperou (ou que não pereceu) foi a oliveira! Isso nos fala muito fortemente, pois a oliveira na Escritura é figura da nação de Israel! A palavra nos fala então que quando vier a tribulação o Eterno preservará a Israel! Isso nos fala também da igreja gentílica, que segundo Sha´ul nos informa em Romanos 11, foi enxertada em Israel (a oliveira brava enxertada na boa). Esta folha de oliveira que retorna com a pomba nos diz novamente que Israel e a Igreja serão sempre preservados em

meio às maiores lutas e provações que a humanidade vier a enfrentar! Quando tudo o mais havia perecido, a forte oliveira ainda vivia! Aleluia!

O período total no qual eles ficaram na arca foi: “No ano seiscentos da vida de Noah, no mês segundo, aos dezessete dias do mês, naquele mesmo dia se romperam todas as fontes do grande abismo,

e as janelas dos céus se abriram” (Gn 7:11). Aqui tem início o dilúvio e o período em que Noah, sua família e os animais ficam na arca. O seu fim foi “E aconteceu que no ano seiscentos e um, no mês primeiro, no primeiro dia do mês, as águas se secaram de sobre a terra. Então Noah tirou a cobertura da arca, e olhou, e eis que a face da terra estava enxuta” (Gn 8:13). Ou seja, eles ficaram praticamente um ano dentro da arca! Nós devemos dizer que isso realmente foi um milagre, em todos os sentidos, pois sabemos que várias coisas são necessárias para a subsistência humana (quanto mais junto com animais), e esse tempo todo eles passaram fechados dentro da arca! A Escritura não nos informa que qualquer animal revoltou-se, ou morreu, ou sequer que houve um “briga” dentro da arca por mais espaço! Ali estavam as mãos do Eterno a fim de preservar a ordem em meio a uma situação desconfortável!

Quando eles saem da arca, a primeira coisa que Noah faz com sua família é oferecer um sacrifício ao Senhor! Há entre eles um profundo sentimento de gratidão a D-us por terem sido preservados vivos em meio à catástrofe que atingira o mundo. Há um sentimento de “alívio”, por estarem vivos, por terem saído da arca, por poderem voltar à normalidade, enfim, por verem novamente o mundo como estavam habituados até então!

Aqui acontecem algumas coisas: Noah primeiro edifica um altar ao Senhor. O altar na antigüidade era reconhecidamente “local de sacrifício”, local onde alguém (ou algo) morre por outrem. Há também o fato de animais limpos serem escolhidos para esse sacrifício. Novamente um conceito da Torah aqui nos é mostrado (revelado), e isso nos fala que Noah realmente tinha uma profunda comunhão com o Eterno e ele certamente aprendeu isso com Ele! O que aconteceu

quando Noah fez o que aprendeu com o Senhor? “E edificou Noah um altar ao Senhor; e tomou de todo o animal limpo e de toda a ave limpa, e ofereceu holocausto sobre o altar. E o Senhor sentiu o suave cheiro, e o Senhor disse em seu coração: Não tornarei mais a amaldiçoar a terra por causa do homem; porque a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice, nem tornarei mais a ferir todo o vivente, como fiz. Enquanto a terra durar, sementeira e sega, e frio e calor, e verão e inverno, e dia e noite, não cessarão”

(Gn 8:20-22). Aqui a palavra que define o Eterno vem do termo hebraico IHVH que significa “Eu me torno aquilo que me torno”. Isso significa que agora o Eterno se tornaria aquilo que Noah e seus familiares necessitavam! O Eterno recebe o sacrifício como algo maravilhoso, pois Noah está justamente fazendo aquilo que o Senhor

esperava dele. Novamente sua obediência se reflete em suas ações! Por isso o Eterno dará continuidade aos seus planos através da vida desse homem! Noah em sua pessoa nos fala de um modelo, ele nos mostra como servirmos ao Eterno de forma a superarmos os obstáculos e ao fim deles ainda podermos ter em nosso coração a convicção de que poderemos continuar a ouvir e obedecer ao Senhor! O Eterno afirma que “não mais amaldiçoaria a terra por causa do homem”. A palavra amaldiçoar vem do termo hebraico qalal que significa "ser sem importância, ser insignificante". Em sua raiz temos a palavra qelalâ que significa "maldição". Esta palavra indica a inversão de um estado abençoado ou justo e o rebaixamento a um estado inferior. Nós percebemos que o mal foi trazido sobre a terra e que o homem também sofreu com isso. A palavra “terra” vem do termo hebraico adamâ que significa "solo, terra", de onde provém também a palavra Adam, que significa "homem, espécie humana; feito de terra". O Eterno disse que não mais destruiria a terra apesar de “a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice”. Aqui a palavra imaginação vem do termo hebraico yetser que significa "forma". Neste contexto significa aquilo que é formado na mente humana! Ou seja, o Senhor nos diz que o homem ministra padrões negativos aos seus filhos e isso acabou desencadeando todo um processo de destruição à humanidade nos dias de Noah!

Após o término do sacrifício, acontece o seguinte: “Abençoou D-us a Noah e a seus filhos, e disse-lhes: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei

a terra” (Gn 9:1). A palavra usada aqui para abençoar é barak que significa "dar poder à alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo". Quando o Eterno abençoa (com barak), Ele ainda diz estas palavras a Noah e seus filhos: “Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra”. A palavra liberada pelo Eterno tinha um caráter duplo: Ele ministrara a frutificação (parã) e a multiplicação (raba) de seus filhos, com a finalidade de encherem a terra! Aqui a palavra frutificai vem do termo hebraico parâ que significa "frutificar, ser frutífero, ser fecundo, ramificar". Já a palavra multiplicar vem do termo hebraico rabâ que significa "ser grande, tornar-se grande, ser numeroso, tornar-se numeroso". Por isso o judeu se cumprimenta com “Toda rabâ”, muita multiplicação! Isso nos parece um tanto óbvio, mas fica novamente explícita a aprovação do eterno quanto à Noah e sua família por terem obedecido ao Senhor em tudo.

O Senhor dá ainda à eles (que representam a humanidade redimida) o poder sobre os seres viventes (reafirmando dessa forma a promessa feita à Adão no Éden) e sobre a erva verde também como seu mantimento. Está dito assim: “E o temor de vós e o pavor de vós virão sobre todo o animal da terra, e sobre toda a ave dos céus; tudo o que se move sobre a terra, e todos os peixes do mar, nas vossas mãos são entregues” (Gn 9:2). Aqui a palavra “temor” vem do termo hebraico môra´ que significa "medo, terror". Esta palavra está ligada à emoção do medo (um sentimento advindo da alma) e está ligada à reverência e ao respeito. Já a palavra pavor vem do termo hebraico

hat que significa "pavor, medo". Esta palavra indica um estado de aniquilação, pavor absoluto, desmoralização.

Porém, já aqui o Eterno faz uma restrição ao homem: o sangue! “A carne, porém, com sua vida, isto é, com seu sangue, não comereis”

(Gn 9:4). Já antes da Torah há um mandamento para que o homem

não coma sangue! Hoje é sabido que no sangue estão contidas todas as informações genéticas do homem assim como também ali está a

sua saúde (ou doença), pois o sangue é o único fluido que circula por todo o corpo humano fazendo o transporte de proteínas, vitaminas,

mas também de bactérias, vírus, etc

que são os fatores

... transmissores de doenças! Porque não comer sangue? É óbvio que nele estão contidas a vida e a morte e que este elemento não seria necessário para suprir o homem de qualquer elemento necessário à sua saúde.

O interessante é que quem estabelece este princípio é o próprio Criador do homem! Isso nos mostra que, Aquele que nos criou (e que conhece todos os detalhes de nossa constituição física) determinou aquilo que seria bom (ou não) para comermos e bebermos. Estas “leis” tem a finalidade de preservarem nossa saúde e de prolongarem nossa vida sobre a terra. Alguns encaram isso como um conjunto de limitações que lhes tira a liberdade de fazerem o que quiserem, mas não é bem isso. Imagine você que seu filho após nascer (e no decorrer de seu desenvolvimento) passa a ingerir substâncias que lhe farão mal. Qual seria a atitude normal de um bom pai? Seria ensinar ao filho o que ele pode ou não comer! E foi isso justamente o que o Eterno fez conosco! Ele nos “aconselha” a seguirmos seus padrões (inclusive alimentares) para termos uma melhor saúde e sermos então mais felizes na terra.

Vejamos que agora o Eterno dá a Noah e seus filhos a forma e os objetivos de seu concerto com eles: “Eis que eu estabeleço o meu pacto convosco e com a vossa descendência depois de vós, e com todo ser vivente que convosco está: com as aves, com o gado e com todo animal da terra; com todos os que saíram da arca, sim, com todo animal da terra. Sim, estabeleço o meu pacto convosco; não será mais destruída toda a carne pelas águas do dilúvio; e não haverá mais dilúvio, para destruir a terra. E disse D-us: Este é o sinal do pacto que firmo entre mim e vós e todo ser vivente que está

convosco, por gerações perpétuas: O meu arco tenho posto nas nuvens, e ele será por sinal de haver um pacto entre mim e a terra” (Gn 9.9-13). A palavra aqui é novamente berith, ou seja, um pacto (ou aliança) mediante o derramamento de sangue. Mas esta aliança é diferente da outra que seria feita posteriormente com Avrham. Esta aliança diz respeito aos homens, animais e à terra! Aqui fala-se da não destruição da humanidade através das águas do dilúvio novamente! Mas para que isso pudesse ser percebido por todos os homens na terra (e também “lembrado” pode D-us nos céus), o

Eterno poria um arco, que é o sinal visível deste pacto firmado com Noah.

Ao fim desta etapa nos é dito: “Estes três foram os filhos de Noah; e destes foi povoada toda a terra” (Gn 9:19).

A seguir temos o reinicio da vida na terra. Aquilo que Noah e seus filhos faziam antes do dilúvio, como as atividades agro-pastoris, voltam novamente a ser o seu cotidiano. Mas, logo após o reinicio da vida na terra, acontece um fato no mínimo bizarro: Noah após embebedar-se, é visto nu por seu filho Cão, que lhe falta com o respeito devido a seu pai e por isso recebe uma dura palavra de Noah. Leiamos então a narrativa que diz: “E começou Noah a ser lavrador da terra, e plantou uma vinha. E bebeu do vinho, e embebedou-se; e descobriu-se no meio de sua tenda. E viu Cão, o pai de Canaã, a nudez do seu pai, e fê-lo saber a ambos seus irmãos no lado de fora. Então tomaram Sem e Jafé uma capa, e puseram-na sobre ambos os seus ombros, e indo virados para trás, cobriram a nudez do seu pai, e os seus rostos estavam virados, de maneira que não viram a nudez do seu pai” (Gn 9:19-23).

Mas o que causou tantos problemas aqui? Foi o fato de Cão ter visto a nudez de seu pai e a “divulgado” a seus irmãos. A palavra nudez vem do termo hebraico ´erwâ que significa "nudez, vergonha". Já a palavra “conhecido” vem do termo hebraico nagad que significa "contar, tornar conhecido". O sentido básico da raiz é “colocar algo em evidencia de forma ostensiva diante de alguém”. A forma como Cão apresentou a nudez de seu pai é que foi condenável aos olhos de Noah! Temos então uma reação muito forte da parte de Noah quanto ao ocorrido.

Vejamos o que foi dito por Noah à seus filhos: “Despertado que foi Noah do seu vinho, soube o que seu filho mais moço lhe fizera; e disse: Maldito seja Canaã; servo dos servos será de seus irmãos. Disse mais: Bendito seja o IHVH, o Elohim de Sem; e seja-lhe Canaã

por servo. Alargue Elohim a Jafé, e habite Jafé nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo” (Gn 9.24-27). Mas o que de fato aconteceu aqui? Noah amaldiçoa seu filho Cão. A palavra amaldiçoar (aqui lit. maldito) em hebraico é arar. Esta palavra tem suas raízes em palavras que significam “capturar”, “prender”, “armadilha”, “funda”. Significa também “prender” (por encantamento), “cercar com obstáculos” e “deixar sem forças para resistir”. O que Noah fez então a Cão? Ele simplesmente liberou palavras que determinaram o futuro do moço assim como também o de seus descendentes!

Consideremos alguns pontos a seguir:

Noah era pai de Cão, portanto autoridade imediata e máxima sobre ele, podendo através de sua palavra determinar o bem ou mal à ele;

Noah era um servo do Eterno (Criador), e isso lhe dava autoridade para poder profetizar a palavra do Senhor;

Noah faz isso por causa de uma atitude errada de Cão. Esse é portanto o juízo de D-us sobre esse moço que desonra seu pai!

Uma das coisas ditas por Noah à Cão está que ele seria “servo dos servos de seus irmãos”. Esta palavra demonstra-nos o quão baixa seria a condição de Cão e de seus descendentes!

Já em relação aos irmãos de Cão as coisas foram diferentes: a Sem ele diz: “Bendito seja o Senhor, o Elohim de Sem; e seja-lhe Canaã por servo”. Cão aqui seria servo do semitas (descendentes de Sem). Já com Jafé ocorre assim: “Alargue Elohim a Jafé, e habite Jafé nas tendas de Sem; e seja-lhe Canaã por servo”. Novamente Cão seria servo também de Jafé, mas Jafé habitaria nas tendas de Sem! Sem e seus descendentes receberam a melhor porção da benção de Noah! A eles coube o estar no topo, pois estes três geraram a população do mundo que conhecemos hoje!

Mas como seria hoje esta divisão:

Semitas (descendentes de Sem) – Ásia

Camitas (descendentes de Cão) – África

Jafetitas (descendentes de Jafé) – Europa.

Para nós atualmente é notória diferença entre estas três grandes divisões no mundo! Os semitas de forma geral estão espalhados por todo o mundo, cumprindo o que fora dito por Noah, pois “habitam nas tendas de Jafé”. Já os descendentes de Jafé são também muitos e detentores do conhecimento secular e do poder econômico. Porém aos camitas ficou reservado a condição de “seres inferiores”, ou povo que é continuamente explorado pelos demais! E tudo isso graças à uma palavra dita por um homem na antigüidade!

Poderíamos destacar vários fatos interessantes acerca dos descendentes de Noah, porém cremos que um merece nossa atenção agora. Queremos atentar para um dos descendentes e Cão: “Cuche também gerou a Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra. Ele era poderoso caçador diante do Senhor; pelo que se diz:

Como Ninrode, poderoso caçador diante do Senhor. O princípio do seu reino foi Babel, Ereque, Acade e Calné, na terra de Sinar. Desta mesma terra saiu ele para a Assíria e edificou Nínive, Reobote-Ir, Calá” (Gn 10.8-11). Este texto nos informa que um dos descendentes de Cão foi Ninrode. Seu nome significa “rebelião” ou “o valente”. É dito em nossa tradução: “Cuche também gerou a Ninrode, o qual foi o primeiro a ser poderoso na terra”. A palavra primeiro está mal colocada. Ela quer dizer que Ninrode tornou-se alguém que em função

de uma conduta veio a ser forte e poderoso. Esta palavra então que faltou em português vem do termo hebraico halal que significa profanar, contaminar, poluir. Vem de uma raiz árabe, hll, que significa “desobrigar de deveres religiosos”.

Este homem foi o fundador de Babel (que depois é conhecida nas Escrituras como Babilônia). Sua influência no mundo antigo foi devastadora, pois é através da fundação desta cidade que vem a confusão das línguas e a posterior separação e dispersão da humanidade. A palavra Bavel em hebraico e provavelmente vêm da raiz balal que significa “confundir”. Ele fundou também a cidade de Ereque – Ereq que significa “longo”. Fundou também a Acade – Acad que em hebraico significa "sutil, agudo, penetrante". Fundou ainda a cidade de Calné – Calneh que em hebraico significa “fortaleza de Anu”. É interessante que este homem fundou cidades que apontavam para seu alvo: confundir, e, ao longo do tempo, sutilmente, levar as pessoas à fortaleza de Anu!

Na atualidade sabemos que o nome Ninrode é dado a um dos príncipes de Satanás, e ele tem por finalidade comandar toda a violência no mundo!

Outra coisa interessante é que Babilônia tem algumas coisas tidas por suas “especialidades”. Entre elas estão o comércio: “Javã, Tubál e Meseque eram teus mercadores; pelas tuas mercadorias trocavam as almas de homens e vasos de bronze” (Ez 27:13 – ver tbém. Ap 18.13). A especialidade de Babilônia é comercializar a alma humana! Eles trabalham com os sentimentos e anseios do coração humano, fazendo deles assim suas presas fáceis. Suas emoções estão totalmente escravizadas por Babilônia, pois é ela quem dita as regras de conduta dos seus servos. Entendamos que Babilônia hoje é um sistema de coisas que faz com que as pessoas sejam postas sob seu domínio em toda a terra. Inclusive alguns servos do Senhor ainda estão sob seu domínio, pois tem deixado que o sistema mundano “dite” as normas, diretrizes e regras com as quais ele se guia! Parece que alguns não atentam para a palavra que diz: “Rogo-vos pois, irmãos, pela compaixão de Elohim, que apresenteis os vossos corpos como um sacrifício vivo, santo e agradável a Elohim, que é o vosso culto racional. E não vos conformeis a este mundo, mas transformai- vos pela renovação da vossa mente, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Elohim” (Rm 12.1,2).

Por fim, nos é apresentado o maior símbolo do orgulho e da arrogância do ser humano: a torre de Bavel! Nela estão expressos os desejos de independência do homem para com D-us, além de apreendermos também que sua intenção original era de que, no alto daquela torre, haveria um lugar onde eles iriam para “receberem revelações” dos deuses que ali viriam para encontrá-los!

Isso nos mostra um outro fato: crê-se que foi ali em Bavel que surgiu a astrologia (consulta aos astros para conhecer-se o futuro). É sabido que o homem tem um anseio muito grande de conhecer o seu futuro, e para isso recorre aos mais variados meios (ainda que não lhe sejam conhecidos ou lícitos), e então tenta sem D-us conhecer aquilo que lhe sobrevirá no futuro.

Outra coisa que Bavel nos revela: o homem prefere seguir seus próprios “instintos” a esperar em D-us por uma direção segura para sua vida! Bavel tem por finalidade ministrar ao homem a sua independência do Criador. Porém não lhes é dito que isso cria uma profunda dependência dos deuses de Bavel e uma automática condenação, tanto de Bavel quanto daqueles que adotam seus princípios e sistemas!

No livro de Apocalipse, no capítulo 17 nos é informado que um dia, no futuro, a grande Babilônia, a grande prostituta, será finalmente vencida e seu sistema aniquilado para sempre!

Agora devemos nos posicionar: de que lado queremos realmente ficar? Ficaremos atrelados ao mundo e seus esquemas e estratagemas diabólicos (que são uma herança de Babilônia), ou então permitiremos que o Eterno mude nossas mentes para podermos experimentar qual seja a boa, perfeita e agradável vontade de D-us? Faça sua escolha!

Parashat Lêch Lechá Vá por ti

Tudo tem início com uma ordem: “Ora, o IHVH disse a Abrão: sai-te da tua terra e da tua parentela e da casa de teu pai, para uma terra que eu te mostrarei” (Gn 12.1). A primeira coisa a considerarmos aqui é que o Eterno fala (ou se apresenta) a Abrão como IHVH (o tetragrama). Este nome significa “Eu me torno aquilo que me torno” e traz implícito nele que este relacionamento com Abrão traria os resultados que ele Abrão necessitava, pois se tornaria a solução do problema que surgira na vida de Abrão. Há uma ordem: “Levanta-te e vai”, e isso demonstra que deveria haver em Abrão um desejo de obedecer a uma ordem que lhe conduziria a um destino incerto, desconhecido. Ele deveria deixar “a terra” – em hebraico eretz, que é utilizado para falar sobre a terra de Israel.

Isso demonstra que havia uma profunda relação entre a terra – local de morada – de Abrão e aqueles que ali habitavam. A terra era considerada por ele como seu lugar definitivo de convivência. Porém o Eterno lhe ordenou que saísse dali a fm de poder apoderar-se daquilo que o coração do Eterno desejou para ele. Seu nome em hebraico é Abram e significa “pai exaltado”. O nome de Abrão indica quem ele era na terra onde habitava.

O verso também nos mostra que já havia um relacionamento entre o Eterno e Abrão, pois D-us fala com Abrão dando-lhe uma ordem, fazendo-lhe também uma promessa! Aqui não há nenhuma indicação de onde é a terra ou o que exatamente Abrão receberia do Senhor. Há somente uma certeza: a de que há uma palavra dada pelo Eterno em relação ao seu futuro e de que, há um caráter de fidelidade naquele que a pronunciou!

Abrão agora é enviado não para a sua há eretz, mas sim para a há eretz que o Eterno lhe daria! Esta terra o Eterno “mostraria” a ele. A palavra “mostrarei” vem do termo hebraico ra´a e que significa ver, olhar, inspecionar. Isso significa que Abrão veria, olharia, inspecionaria a terra que o Eterno haveria de dar a ele e a seus descendentes e ali sim seria a sua morada “definitiva”.

Juntamente com a promessa de uma orientação acerca de uma nova

habitação para Abrão, vem também outras coisas: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome e tu

serás uma benção” (Gn 12.2). Aqui o Eterno está falando com um homem já avançado em idade e com tudo vários fatores contra si mesmo da perspectiva humana! Mas o Eterno lhe promete fazer dele uma grande nação! A palavra nação em hebraico é goy e significa gentio, pagão, nação, povo. Esta palavra nos fala sobre a metodologia que o Eterno usaria no decurso da história a fim de fazer de Israel um povo muito grande em toda a terra! O interessante é que o termo nos fala sobre uma mistura, um povo gentio que seria descendente de Abrão! Novamente a metodologia do Eterno nos mostra que seus desígnios devem ser obedecidos e não compreendidos! Quando o Eterno prometeu isso a Abrão ele tinha cerca de 75 anos e já era um homem completamente estabelecido em sua cidade. Ele não era um qualquer, e não procurava por aventuras, mas através do relacionamento que mantinha com o Eterno pôde então receber do Senhor as promessas que o guiariam até a terra de Canaã! Esta promessa feita a Abraão cumpriu-se de duas formas: a primeira é que o povo de Israel acabou misturando-se com outros povos, dando origem a descendentes chamados de “meio-israelitas”, porém sem o conhecimento do Eterno, pois foram estes judeus que sofreram muitas perseguições em nome do próprio D-us e por isso isolaram-se a fim de não serem mortos e novamente exilados. A segunda é que hoje os crentes em Ieshua dizem ser também descendentes de Abrão pela fé! Eles porém não sabem que, em sua grande maioria, são descendentes diretos dos judeus – porém destituídos do conhecimento de suas verdadeiras raízes – e isso nos leva a concluirmos que temos uma aglutinação e uma identificação daquilo que chamamos de nação igreja mais a nação de Israel! Estes dois, na realidade, formam apenas um só povo! Não é possível separarmos estes dois povos, pois eles tem, em sua essência, tudo em comum! Apenas falta, de ambas as partes, o conhecimento e o reconhecimento um do outro! E este é o trabalho que o Espírito Santo está realizando nestes últimos dias. Ele os está aproximando entre si

e derrubando as barreiras que há séculos foram postas a fim de impedir este conhecimento e o reconhecimento daqueles que tem em sua fé as origens comuns.

Uma outra coisa foi dita ainda a Abrão: que ele seria abençoado! A palavra abençoar no hebraico é barak e significa dar poder para alguém ser próspero, bem sucedido e fecundo! E quando o Eterno prometeu isso a Abrão, como já dissemos, ele já era um homem com uma vida estável em sua cidade! Em seu relacionamento com o mundo exterior ele já desfrutava do sucesso, que é a abundância de bens materiais e uma vida sem grandes problemas financeiros. Porém haviam duas outras áreas que precisavam ser “incrementadas”: a da “prosperidade” que é um maior relacionamento com D-us e sua Palavra e a da fecundidade. A nível de prosperidade – relacionamento com D-us – estava havendo um grande progresso; já a nível de fecundidade aconteceu algo extraordinário: agora havia uma promessa de que ele seria fecundo! E essa promessa adicionou um aspecto à sua vida: o Eterno o faria fecundo! Este era, naquele momento, o aspecto mais importante da promessa de D-us para Abrão! Ele realmente apegou-se a esse aspecto daquilo que fora dito pelo Eterno a fim de caminhar à luz e na esperança desta palavra! O verso continua nos falando que o nome de Abrão seria engrandecido e a palavra hebraica usada aqui é gadol e significa grande, pois vem do verbo gadal que também significa crescer, tornar-se grande ou importante, promover, tornar poderoso, e isso aconteceria com o seu nome! Nós sabemos hoje que o Senhor cumpriu esta promessa a Abrão pois seu nome traz motivação e bênção a muitas vidas que miram-se naquilo que nosso pai fez! E está dito ainda que ele seria ainda um beraka, ou seja, próspero, bem sucedido e fecundo! Certamente que Abrão ao ouvir estas palavras teve suas entranhas dentro de si movidas pela fé e emoção que se seguiram àquele momento! Ele sabia que o Criador do universo estava lhe falando e que Ele jamais libera palavras sem um objetivo mais elevado! Por isso sua fé e esperança foram realmente restauradas e renovadas!

A promessa feita a Abrão tem um caráter de reciprocidade: “E abençoarei os que te abençoarem e amaldiçoarei os que te

amaldiçoarem: e em ti serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 12.3). Perceba que há aqui um entrelaçamento entre a atitude dos outros para com Abrão (e também seus descendentes) e a atitude do Eterno para com estas pessoas! O que o Senhor quer dizer com isso? Ele quer dizer o seguinte: dependendo da atitude dos povos para com Abrão e seus descendentes Ele agiria de uma forma – no caso de os abençoarem -, já quando fizessem o contrário, haveria um outro tipo de reação da parte do Senhor para com eles! Novamente isso nos mostra que o Senhor identificou-se de tal forma com seu povo que conforme são tratados Ele – o Senhor – está sendo tratado também! Temos aqui uma definição bem clara sobre isso: “abençoarei os que te abençoarem” quer dizer: “darei poder para serem prósperos, bem sucedidos e fecundos” todos os que, de alguma forma colaborarem

com vocês, sejam em gestos, atos, palavras ou intenções! A palavra usada aqui para abençoar é barak. Mas há também o reverso desta situação que é: “amaldiçoarei os que te amaldiçoarem”. Isto está assim descrito no hebraico: a palavra “amaldiçoarei” é arar e quer dizer amaldiçoar, capturar, prender por encantamento, cercar com obstáculos, deixar sem forças para resistir. Essa será a paga que receberão do Eterno por amaldiçoarem a Israel. Esta palavra amaldiçoar é qalal e significa considerar sem importância, ser insignificante, relegar ao desprezo. Agora juntemos as duas partes:

aqueles que por gestos, atos, palavras ou pensamentos consideram Abrão ou seus descendentes sem importância, insignificantes ou mesmo os desprezam (de qualquer uma das formas descritas acima) recebem do Eterno como “prêmio” suas vidas “capturadas, sendo presos por encantamos, tendo seu viver diário cercado por obstáculos e sendo deixado sem forças para resistir!” Será que é possível entendermos o quão sério o Senhor leva aquilo que é feito contra seus filhos? Aqui está um dos marcos da fé bíblica e judaica no D-us Todo-Poderoso! E é justamente este o momento em que o D-us Eterno se compromete com Abrão e seus descendentes de forma decisiva! Quando isso acontece há uma total interligação entre aquele que liberou a promessa (D-us) e o receptáculo da mesma (Abrão e seus descendentes). Detalhe: não há como anular a palavra que foi dita pelo Senhor! Tudo o que fizemos ou fazemos deve ser pautado por essa regra bíblica: nossa atitude para com o povo de Israel determinará nosso futuro! Essa é realmente a condição em que o Senhor colocou a humanidade a fim de ou abençoá-los dando-lhes prosperidade, sucesso e fecundidade ou então o contrário, fazendo com que os males de uma vida de servidão e escravidão sejam permanentes sobre suas vidas!

O Eterno disse a Abrão que através dele – nele – seriam abençoadas todas as famílias da terra. A palavra “família” vem do termo hebraico mishpaha e significa família, clã, parentes. Esta palavra se refere a um círculo de parentes que tem um laço sanguíneo. Isso nos fala sobre uma amplitude maior do que o círculo familiar do lar! Em Abrão – Israel – o Eterno daria poder para serem prósperos, bem sucedidos e fecundos todos aqueles que estão ligados por laços sanguíneos!

Agora temos um outro aspecto que nos é revelado pelo Senhor: “E apareceu o IHVH a Abrão e disse: à tua semente darei esta terra. E

edificou ali um altar ao Senhor que lhe aparecera” (Gn 12.7). Outra vez é dada a Abrão uma promessa: “à tua semente darei esta terra”. A palavra que define o Eterno vem do termo hebraico IHVH que significa “Eu me torno aquilo que me torno”. Mas, o que realmente aconteceu? A palavra “apareceu” vem do termo hebraico ra´a que significa ver, olhar, inspecionar. Isso nos informa que o Eterno viu a Abrão e falou com ele sobre a terra onde estava naquele momento. A palavra semente em hebraico é zerá e significa semente, descendência. Também denota a descendência como a linhagem prometida a Abrão, Isaque e Jacó. Aqui o Eterno diz a Abrão que daria

a terra aos seus descendentes físicos. Isso nos lembra que somente quem é dono de algo pode dar algo a alguém! Está escrito: “Do Senhor é a terra e a sua plenitude, o mundo e os que nele habitam” (Sl 24.1). Bem, se a terra pertence ao Senhor, Ele como dono, proprietário, pode dá-la a quem desejar! Quando lemos a Escritura nós percebemos que somente um povo em todo o mundo recebe do Eterno uma terra como sua possessão: Israel! Não há registro nas Escrituras de outro povo a quem o Eterno tenha dado um pedaço de terra, delimitando-o com fronteiras, a fim de que ali residissem com seus descendentes como fez com Israel em Abrão! E a escritura que lhes garante a posse do território está hoje nas mãos de bilhões de pessoas em todo o mundo, que ao lerem cuidadosamente esta passagem, percebem o grande cuidado e identificação tidos entre o Senhor e Israel!

Quando tudo isso acontece com Abrão, ele então faz o seguinte: “ edificou ali um altar ao Senhor, e invocou o nome do Senhor” (Gn 12.8). Abrão fez um altar onde certamente sacrificou ao Senhor, e aqui a palavra Senhor é o tetragrama - IHVH -, o que nos faz lembrar que o Eterno tornou-se para Abrão aquilo que ele mais necessitava, e além de edificar um altar e sacrificar ele também invocou o nome do Senhor! A palavra invocar em hebraico é qara e significa chamar, invocar, recitar. A atitude de Abrão, após ouvir tudo o que o Eterno lhe disse foi de chamar Aquele que lhe aparecera pelo seu nome, nome que lhe fora revelado anteriormente, e também é com base neste nome que ele Abrão recebera as promessas que norteariam sua vida até o momento de sua morte!

...

e

Após o recebimento dessas promessas vem a primeira prova sobre Abrão e sua família: fome na terra! Nós entendemos que Abrão poderia ter tido duas atitudes possíveis: profetizar sobre a terra a fim de que a mesma fosse transformada e abençoada ou então fugir da fome indo ao Egito. A segunda alternativa foi escolhida por ele. Quando estavam chegando ao Egito, Abrão e Sarai combinam em dizer que eram apenas irmãos, pois Abrão temia que por causa da beleza de sua mulher ele poderia ser morto pelos prováveis “pretendentes” de Sarai. Isso não foi algo espantoso quando ocorreu, pois o nome Sarai em hebraico significa “princesa”. E quando chegaram ao Egito assim aconteceu: “E viram-na os príncipes de Faraó e gabaram-na diante de Faraó e foi a mulher tomada para a casa de Faraó” (Gn 12.15). Aqui os príncipes de Faraó relataram ao mesmo sobre a beleza da mulher estrangeira, a “irmã” de Abrão que chegara ao Egito. A palavra “gabaram-na” em hebraico é halal e significa exaltar, louvar, vangloriar. A raiz traz a idéia de estar agradecido e satisfeito em elogiar alguma qualidade superior ou grande feito em alguém. E foi justamente isso que foi feito aos ouvidos de Faraó! Consideremos que Sarai já não era mais uma “menininha”, pois nesta época deveria estar com seus 50 anos de idade! Mas mesmo assim sua beleza era tão grande que quando chegaram ao Egito o relato sobre essa beleza impactante chegou aos

ouvidos de Faraó! Os temores de Abrão agora tornaram-se realidade! Mas, a Escritura nos diz que Faraó honrou a Abrão com bens e propriedades por causa de Sarai. Mas o que vem a seguir é terrível:

Feriu porém o Senhor a Faraó com grandes pragas, e a sua casa, por causa de Sarai, mulher de Abrão” (Gn 12.17). A palavra ferir em hebraico é naga e significa tocar, alcançar, ferir. A raiz da palavra refere-se a um golpe que o senhor aplica ao seu servo vassalo. E aqui a palavra Senhor é o tetragrama - IHVH -, o que nos esclarece o que aconteceu: o Eterno tornou-se para Faraó naquele que o feriu por causa da esposa de Abrão ter sido levada para seu harém. Novamente percebemos o cuidado que o Eterno tem para com seus filhos, e principalmente com aquele homem a quem o Eterno fizera promessas de torná-lo grande em toda a terra como o pai físico da nação de Israel! O simples fato de Faraó ter incluído Sarai em seu harém pessoal fez com se desencadeasse uma violenta reação por parte do Senhor, trazendo graves conseqüências sobre Faraó e toda a sua casa! O Senhor não permite que seus filhos sejam subjugados ou maltratados sem que haja um bom motivo para isso! Aqui, quando Faraó descobre quem era Sarai, ele dá uma “bronca” em Abrão e manda-o embora do Egito com suas novas propriedades juntamente com sua mulher Sarai, que tanta dor de cabeça trouxe ao Egito! Devemos aprender o seguinte: quando estamos em situação difícil não devemos mentir, pois além das conseqüências normais de uma mentira contra nossa vida ela também pode atrair outros tipos de conseqüências sobre a vida daqueles que nos rodeiam trazendo prejuízo, dor, angústia e às vezes até morte sobre essas pessoas!

No capítulo 13 há o retorno de Abrão do Egito e aqui aparece uma figura interessante: Lot e seu nome significa “o que cobre com o véu; envoltório, coberta”. Ele é sobrinho de Abrão e passará a compartilhar do mesmo espaço com o seu tio. É claro que ele também possui bens, e rebanhos e empregados. Essa união entre Abrão e Lot, logo no início traz alguns problemas: “E houve contenda entre os pastores do gado de Abrão, e os pastores do gado de Lot; e os cananeus e os fereseus habitavam então na terra” (Gn 13.7). Este tipo de desavença entre os funcionários de ambos – Abrão e Lot – fez com que eles se separassem. Então surge a questão: para onde ir? “Não está toda a terra diante de ti? Eia, pois, aparta-te de mim; se escolheres a esquerda, irei para a direita; e se a direita escolheres, irei para a esquerda. E levantou Lot os seus olhos, e viu toda a campina do Jordão, que era toda bem regada, antes do Senhor ter destruído Sodoma e Gomorra, e era como o jardim do Senhor, como a terra do Egito, quando se entra em Zoar. Então Lot escolheu para si toda a campina do Jordão, e partiu Lot para o Oriente, e apartaram-se um do outro” (Gn 13.9-11). Aqui vemos muito claramente como age o homem que confia no Eterno: Abrão chama seu sobrinho a fim de evitar um confronto entre ele e Lot. Aqui está a atitude de um homem prudente. Ele viu o que poderia acontecer e antecipou-se ao problema que outros poderiam trazer-lhe. Outro aspecto é o da fé inabalável e da sabedoria. Abrão dá a Lot o direito de escolher a terra

que melhor lhe parecesse a fim de ir para lá e cuidar de seu rebanho com todo o conforto e na abundância de pastos.

Apesar de Abrão ter aberto mão de seu direito como ancião de dar a Lot uma ordem, ele bem sabia que o Eterno estaria lhe dando aquilo que há de melhor! Abrão abriu mão da escolha humana para poder permitir que o Eterno escolhesse por ele! Quando Abrão fez isso permitiu ao Eterno que Sua escolha, seu desejo, sua vontade, se sobrepusessem àquilo que ele mesmo julgava ser bom!

Aqui o Eterno diz a Abrão: “E disse o Senhor a Abrão, depois que Lot se apartou dele: Levanta agora os teus olhos, e olha desde o lugar

onde tu estás, para a banda do norte, e do sul, e do Oriente e do ocidente” (Gn 13.14). O Eterno - IHVH - agora diz algo a Abrão:

“levanta teus olhos”. A palavra “levantar” em hebraico é nasa’ e significa erguer, carregar, tomar. O que o Senhor quis dizer com isso? Abrão provavelmente olhava para baixo enquanto o Eterno falava com ele, e o Eterno precisava fazer com que Abrão assumisse a postura correta: cabeça erguida a fim de receber aquilo que Ele lhe daria! O Senhor diz a Abrão que apenas com seus olhos ele passeie pela terra! A terra que ele agora via lhe seria dada como herança perpétua! Por isso o Senhor lhe diz que seus olhos deviam ser

erguidos pelos quatro quadrantes da terra: “e olha desde o lugar onde tu estás, para a banda do norte, e do sul, e do Oriente e do

ocidente”. O lugar onde ele estava servia apenas de referencial a fim de contemplar os novos horizontes que lhe estavam sendo propostos pelo Eterno. É como se o Eterno chamasse suas promessas dos quatro cantos da terra e dissesse a Abrão o seguinte: “Olha o que é teu e vai ao encontro de tua bênção!” Ele via, mas certamente não acreditava naquilo que contemplava! Tão imenso era o território que seus olhos se perdiam naquela bela paisagem! Mas não somente os olhos, como também o coração e seus pensamentos que divagavam e viam, num futuro não muito distante, as doze tribos de Ia'akov habitando na terra que seus olhos agora viam! Ele viu o que ninguém havia visto:

Por Pai de muitas nações te constituí, perante aquele no qual creu, a saber, D-us, o qual vivifica os mortos e chama as coisas que não são como se já fossem” (Rm 4.17). Abrão viu, pela fé, o futuro da promessa e da escolha que acabara de fazer!

O Eterno ainda diz assim a Abrão: “Porque toda esta terra que vês, te

hei de tar a ti, e à tua semente, para sempre” (Gn 13.15). Aquilo que Abrão vira seria dado não somente a ele, mas também aos seus descendentes físicos, com quem o Eterno estaria aliançado para sempre. O detalhe principal aqui está na frase: “para sempre”. Esta expressão em hebraico é e significa perpetuamente, para sempre,

continuando no futuro, etc

...

A ordem agora era: “Levanta-te e

percorre essa terra no seu comprimento e na sua largura; porque a ti

a darei” (Gn 13.17). Abrão iniciaria um processo que conhecemos como “ato profético” onde, andando e percorrendo a terra, ele estaria assim simbolicamente “tomando posse” daquilo que estava sendo

prometido a ele! Hoje sabemos que tal ato profético surtiu efeito, pois a terra pertence ao povo de Israel, justamente por causa da obediência e do ato profético praticado por Abrão!

Agora aparece uma outra figura, que até hoje continua sendo misteriosa para nós: O Rei de Justiça! “E o Rei de Justiça, rei de Salém, trouxe pão e vinho: e era este sacerdote do D-us Altíssimo” (Gn 14.18). O nome “Rei de Justiça” é composto de melek – que em hebraico significa rei – e tsedek – que em hebraico significa justiça – sendo o significado de seu nome “Rei daquele que é justo” ou “Meu Rei é justo”. Outro aspecto interessante é que este homem era rei da cidade de Salém – nome que em hebraico significa “paz” – e esta cidade é identificada como a atual Ierushalaim! Não nos parece significativo que o Rei de justiça fosse rei de Ierushalaim? Não é tremendo saber que ele é o rei de paz? Este homem, quando veio ao encontro de Abrão trouxe consigo ainda dois elementos: pão e vinho! Justamente os elementos necessários para realizarem uma ceia juntos! E o ato de comer com alguém na Escritura é símbolo de manter-se comunhão com essa pessoa! O Rei de justiça queria manter uma estreita comunhão com Abrão, pois ele era o rei de paz, por isso precisava naquele momento manter com Abrão um contato mais íntimo, e isso foi feito justamente à mesa, onde as pessoas costumam revelar-se, pois ali sentem-se mais à vontade!

O homem "Rei de Justiça" era também sacerdote, e isso significa que ele mantinha um contato íntimo com D-us e era o representante legal do Eterno naquele momento na presença de Abrão. O REi de justiça era sacerdote de El Elyon – o D-us Altíssimo – justamente e coincidentemente o mesmo D-us que Abrão adorava e com quem se relacionava! Isso nos mostra que já havia em Ierushalaim a verdadeira adoração ao Eterno mesmo antes da chegada de Abrão ali! Mas com que propósito ocorreu este encontro? “E abençoou-o, e

disse: Bendito seja Abrão do D-us Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra” (Gn 14.19). Novamente vemos aqui a manifestação do grande cuidado do Eterno para com seu povo: no capítulo 12 vimos que houve uma promessa do Eterno que Abrão seria abençoado. Pois bem, o que fora prometido pelo Eterno agora torna-se realidade através de um sacerdote do Eterno! O que fora profetizado agora torna-se fato! O Rei de justiça agora libera a palavra dizendo:

barechu ve´í amar baruk! “

...abençoou-o,

e disse: Bendito” A

palavra abençoar significa “dar poder para alguém ser próspero, bem sucedido e fecundo”; enquanto que a palavra “disse” – amar significa ordenar, liberar uma palavra de ordem sobre”. O que

aconteceu então? O Rei de justiça deu poder a Abrão para ser

próspero, bem sucedido e fecundo, ordenando

Bendito

... (abençoado observação nossa) seja Abrão do D-us Altíssimo, o Possuidor dos céus e da terra”. O sentido é que o D-us Altíssimo – El Elion, possuidor dos céus e da terra, tornasse Abrão próspero, bem sucedido e fecundo! E ali estava o homem capaz de liberar esta palavra sobre Abrão a fim de que essa promessa se tornasse fato na

vida dele! A palavra El significa D-us, poderoso, forte e elion tem o sentido de alto, de cima, superior, mais alto, supremo.

Qual foi o resultado deste encontro? “

...E

deu-lhe (Abrão) o dízimo de

tudo” (Gn 14.20). A palavra dízimo em hebraico é ma’aser e significa justamente isso: a décima parte de algo que recebemos! Abrão então deu ao Rei de justiça o dízimo como forma de reconhecimento de que tudo vem do Eterno e que nós devemos novamente honrá-lo com os dízimos de tudo o que recebemos! No decorrer da história de Israel os dízimos serão usados para o sustendo dos sacerdotes e também para suprir as necessidades dos órfãos, das viúvas e dos desempregados que se achegavam aos sacerdotes em Israel.

Agora novamente há um diálogo entre o Eterno a Abrão: “Depois destas coisas veio a palavra do IHVH a Abrão em visão dizendo: Não

temas Abrão, eu sou o teu escudo, o teu grandíssimo galardão” (Gn 15.1). Vejamos o que o Eterno quis dizer a Abrão. Ele diz que é o escudo de Abrão. A palavra escudo em hebraico é magen e significa escudo. Este substantivo refere-se a um objeto que proporciona proteção ao corpo durante o combate. É o escudo pequeno (redondo) usado pela infantaria ligeira e pelos oficiais. A idéia transmitida aqui não é que a proteção sobre Abrão seria pequena, mas sim que, como um oficial superior, Abrão não estaria na frente de batalha correndo perigo de vida, e por isso mesmo sua proteção seria equivalente à sua posição em meio à batalha! Outra coisa interessante é que a palavra traduzida por “galardão” em hebraico é sakar e significa assalariar, soldo, salário. Isso nos dá a idéia de “contratar os serviços de uma pessoa em troca de pagamento”. O Eterno disse a Abrão que o protegeria e que pelos serviços prestados à Ele (D-us) Abrão seria pago com um alto salário! Veja a palavra “grandíssimo” que precede sakar dando-nos a idéia de que o que Abrão haveria de receber não seriam migalhas, mas sim aquilo que o Eterno teria de melhor a fim de pagá-lo! Qual seria o melhor pagamento para Abrão naquele momento? Isso foi justamente implícito na revelação do nome do Eterno que falou com ele como sendo “aquele que se torna naquilo que ele necessitava”. Ou seja, o pagamento que Abrão receberia seria compatível com as suas necessidades do momento! Mas isso só foi possível devido a um aspecto: Abrão foi obediente de forma incondicional ao Eterno em toda a sua vida!

Abrão diz ao Eterno que tudo aquilo que possui será dado ao ser “mordomo” Eliézer que é damasceno. É interessante que Abrão se dirige ao Eterno como “Senhor D-us”, mas que na realidade é IHVH Adonai, ou seja, aquele que se torna o Senhor de Abrão! Mas o que virá agora?

Agora vem a promessa a Abrão quanto à sua descendência:

este

... não será o teu herdeiro; mas aquele que de tuas entranhas sair, esse

será o teu herdeiro” (Gn 15.4). A palavra “entranhas” em hebraico é me’eh e aqui refere-se aos órgãos reprodutores, tanto do homem

quanto da mulher. Está claro que Abrão teria um filho que nasceria como conseqüência do uso de seus órgãos reprodutores! Ou seja, mesmo que houvesse qualquer impedimento natural, o Eterno estava afirmando que Abrão teria um filho proveniente do esperma que procederia dele mesmo! E esta pessoa se tornaria o seu “herdeiro”. Esta palavra vem do termo hebraico iarash que significa tomar posse de, desalojar, herdar, ocupar, apoderar-se de, ser herdeiro.

Quando ele ouve esta palavra, algo acontece dentro do ser de Abrão:

E creu ele no Senhor, e foi-lhe imputado isso por justiça” (Gn 15.6). A palavra crer aqui vem do hebraico aman e significa confirmar, sustentar, estabelecer, ser fiel, estar certo, crer em. O resultado da palavra do Senhor na pessoa de Abrão foi de que ele teve seus sentimentos sendo confirmados, achou sustentação para aquilo que estava em seu coração e teve seus pensamentos estabelecidos pelo Senhor. Isso levou-o a posicionar-se e ser achado pelo Eterno como alguém que estava na posição correta, podendo então receber aquilo que Ele D-us lhe prometera. Abrão creu em IHVH – naquele que se torna aquilo que precisamos que Ele se torne para nós – e isso foi-lhe “imputado” por justiça. A palavra “imputado” vem do termo hebraico hashab significa pensar, planejar, fazer juízo, imaginar, calcular. Já a palavra “justiça” vem do termo hebraico tsedaka que significa justiça, retidão. Quando juntamos tudo temos então uma atitude correta de Abrão – confirmando a palavra do Eterno (a isso chamamos fé) – e isso trouxe-lhe um pensamento do Eterno que o nomeou homem reto diante d´Ele!

Finalmente, o Eterno sela esta relação com Abrão de forma final:

Naquele mesmo dia fez o IHVH um concerto com Abrão, dizendo: a tua semente tenho dado esta terra, desde o rio do Egito até ao

grande rio Eufrates” (Gn 15.18). Aqui destacamos que houve uma promessa feita a Abrão pelo Senhor – IHVH – significando que Ele se tornaria aquilo que Abrão precisasse. E quanto à terra, o selo desta promessa foi um berith que é uma aliança feita mediante o derramamento de sangue! O que nos interessa aqui é que este tipo de aliança feita com sangue não pode ser revogada, a não ser por uma superior aliança! Neste caso, não existe qualquer aliança superior à esta, pois ela foi feita pelo próprio D-us com Abrão!

Quando Ele fez o berith com Abrão deu uma ordem dizendo: “

...:

a

tua semente tenho dado esta terra”. A palavra semente é zera e significa semente, descendência. O termo nos fala sobre descendência física, e mais adiante veremos que este descendente é aquele filho de Abrão que já foi prometido e com esse filho o Eterno estabeleceu sua aliança a fim de cumprir a promessa que fora feita a seu pai Abrão! Já a terra é chamada de “há eretz”, o mesmo nome dado à terra de Israel! Certamente o Eterno estava querendo dizer com isso: “Aqui estabelecerei a minha nação amada, Israel”.

Não devemos nos esquecer que na terra ainda haviam dez nações que precisavam ser “desalojadas” para darem lugar ao verdadeiro dono da terra: Israel!

É impressionante vermos através da história quão grande é a fidelidade do D-us Eterno para com seu povo! Todas as suas promessas foram cabalmente cumpridas, jamais esquecidas ou relegadas a um plano inferior dentro dos projetos do Senhor. D-us importou-se e importa-se com cada um dos nossos desejos e anseios. Por isso ele revelou-se como IHVH, aquele cujo nome é impronunciável, porém é também aquele que “se torna aquilo que precisamos em nossos momentos de dificuldades”. Já em seu nome, o Eterno revela o quanto nos ama e o quanto nos quer usar a fim de que os Seus propósitos, sonhos e desejos sejam estabelecidos na terra através de vidas que escolham, voluntariamente, obedecê-lo a fim de trazer à existência aquilo que é somente palavra revelada!

Assim foi com nosso pai Abrão. Obedeceu, creu e pode ver uma pequena parcela daquilo que o Eterno ainda faria para Israel! Mas, perguntaríamos, qual foi a sua importância para nós hoje? Abrão simplesmente foi usado a fim de recebermos uma das mais extraordinárias promessas bíblicas e que estabelece o padrão através do qual seremos tratados quando estivermos na posição correta: “E far-te-ei uma grande nação, e abençoar-te-ei, e engrandecerei o teu nome e tu serás uma benção” (Gn 12.2). Já vimos que a força desta promessa no original é muito maior do que aquela que percebemos em português. Portanto tomemos posse daquilo que nos foi outorgado em Abrão, sendo assim como ele obediente e paciente a fim de trazermos à existência e materializarmos todos os desejos e anseios do coração do Eterno para seu povo!

Mesmo em meio à manifestações de poder e das promessas do Eterno o homem tenta “ajudar” ao Senhor naquilo que é de exclusiva

responsabilidade d´Ele fazer. Isso aconteceu no caso de Hagar: “Ora Sarai, mulher de Abrão, não lhe dava filhos, e ele tinha uma serva

egípcia, cujo nome era Agar. E disse Sarai a Abrão: Eis que o IHVH me tem impedido de dar à luz; toma, pois, a minha serva; porventura terei filhos dela. E ouviu Abrão a voz de Sarai. Assim tomou Sarai, mulher de Abrão, a Agar egípcia, sua serva, e deu-a por mulher a Abrão seu marido, ao fim de dez anos que Abrão habitara na terra de Canaã. E ele possuiu a Agar, e ela concebeu; e vendo ela que concebera, foi sua senhora desprezada aos seus olhos” (Gn 16:1-4). Temos aqui algo que nos impressiona, pois Sarai dá sua serva egípcia à seu marido como sua esposa! O nome desta mulher era Hagar que em hebraico significa “fugitiva”. O significado de seu nome seria amplamente comprovado no futuro da vida deles. Quando Abrão mantém relações sexuais com Hagar ela engravida e isso faz com que ela sinta-se “superior” à sua senhora Sarai, tratando-a então com menosprezo.

A reação de Sarai é imediata: “Então disse Sarai a Abrão: Meu agravo seja sobre ti; minha serva pus eu em teu regaço; vendo ela agora que

concebeu, sou menosprezada aos seus olhos; o Senhor julgue entre mim e ti. E disse Abrão a Sarai: Eis que tua serva está na tua mão; faze-lhe o que bom é aos teus olhos. E afligiu-a Sarai, e ela fugiu de sua face” (Gn 16:5-6). A palavra de Sarai é extremamente forte quando se dirige a Abrão, pois quando a escritura fala sobre “agravo” o termo usado em hebraico é hamas e significa injustiçar, ser violento com, tratar violentamente. Isso significa que o tratamento de Sarai para com Abrão mudara radicalmente e certamente já havia uma grande diferença na forma como tratavam-se e na forma como conversavam. Hagar foi então “afligida” por Sarai. Esta palavra vem do termo hebraico ´anâ e significa afligir, oprimir, humilhar. Na raiz da palavra temos ainda o sentido de forçar, tentar impor, castigar, causar dor em. Este foi o “reflexo” da atitude anterior de Hagar para com Sarai que agora humilha sua serva egípcia, pois suas atitudes para com ela certamente mudaram muito fazendo com que Hagar se sentisse tão humilhada a ponto de fugir de Sarai.

Hagar em sua fuga tem um encontro inesperado: “E o anjo do IHVH a achou junto a uma fonte de água no deserto, junto à fonte no caminho de Sur. E disse: Agar, serva de Sarai, donde vens, e para onde vais? E ela disse: Venho fugida da face de Sarai minha senhora. Então lhe disse o anjo do IHVH: Torna-te para tua senhora, e humilha- te debaixo de suas mãos” (Gn 16:7-9). Hagar encontra-se com o “Anjo do Senhor”. Esta palavra vem do termo hebraico que significa mensageiro de IHVH. O diálogo entre eles tem início com uma ordem deste mensageiro que diz a Hagar para retornar e humilhar-se diante de sua senhora. A palavra “humilhar” é o mesmo termo hebraico ´anâ usado nos versos anteriores, e isso significa que para Hagar a situação de aflição, opressão e humilhação são necessários para que ela possa ser “tratada” em sua personalidade.

Na continuidade do diálogo entre eles aconteceu que Hagar recebe deste mensageiro uma promessa: “Disse-lhe mais o anjo do Senhor:

Multiplicarei sobremaneira a tua descendência, que não será contada, por numerosa que será. Disse-lhe também o anjo do Senhor: Eis que concebeste, e darás à luz um filho, e chamarás o seu nome Ismael; porquanto o Senhor ouviu a tua aflição. E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos. E ela chamou o nome do Senhor, que com ela falava: Tu és D-us que me vê; porque disse: Não olhei eu também para aquele que me vê? Por isso se chama aquele poço de Beer-Laai-Rói; eis que está entre Cades e Berede” (Gn 16:10- 14). Chama-nos a atenção o fato de que o nome do filho de Hagar é dado pelo mensageiro de IHVH, o este nome é Ismael que significa “o Eterno ouvirá”. Além disso foi dito acerca dele: “E ele será homem feroz, e a sua mão será contra todos, e a mão de todos contra ele; e habitará diante da face de todos os seus irmãos”. A palavra “feroz” vem do termo hebraico pere´ que significa “jumento selvagem”. Isso

explica – pelo menos em parte – a atitude de agressividade dos povos árabes para com Israel!

Um outro aspecto é que “sua mão será contra todos”. A frase no hebraico seria “mão de toda mão”! Isto nos fala sobre sua índole guerreira que se voltaria contra todos os seus opositores!

No final do diálogo Hagar chama o Eterno de “D-us que me vê” onde a palavra El significa D-us, poderoso, forte e ra´a e que significa ver, olhar, inspecionar. Hagar tinha consciência de que o Eterno, o poderoso a acompanhava com seus olhos por onde quer que andasse, e mesmo ali no deserto Ele estava ao seu lado para cumprir seus propósitos na vida daquela mulher.

Quando ela retorna para Abrão, ali dá a luz ao menino. “E Agar deu à luz um filho a Abrão; e Abrão chamou o nome do seu filho que Agar tivera, Ismael. E era Abrão da idade de oitenta e seis anos, quando Agar deu à luz Ismael” (Gn 16:15-16). Nesta época Abrão já tinha oitenta e seis anos! Somente agora ele tem a experiência de ser pai!

No capítulo 17.1 está escrito assim: “Sendo, pois, Abrão da idade de noventa e nove anos, apareceu o IHVH a Abrão, e disse-lhe: Eu sou o D-us Todo-Poderoso, anda em minha presença e sê perfeito. E porei a minha aliança entre mim e ti, e te multiplicarei grandissimamente” (Gn 17:1-2). O Eterno – IHVH – se apresenta a Abrão como “D-us Todo- Poderoso”. A palavra El já foi analisada, porém o termo Shadai merece nossa atenção, pois em hebraico ele significa Todo-Poderoso. Em sua raiz temos duas palavras, she que significa que, quem e daí que significa bastante, suficiente; temos então she-daí “aquele que é (auto) suficiente. O Eterno está se apresentando a Abrão como Aquele que é suficiente para dar-lhe tudo aquilo que ele precisa; não há necessidade de buscar em outra “fonte” os recursos necessários para sua vida! A Abrão é dada uma ordem: ser perfeito! Esta palavra “perfeito” vem do termo hebraico tamîm que significa ser completo, estar terminado, ser perfeito. Isso demonstra que Abrão precisava caminhar em seu relacionamento com o Eterno a fim de completar algo que ainda lhe faltava, não só a nível pessoal mas também na sua relação com D-us.

A reação de Abrão foi imediata: “Então caiu Abrão sobre o seu rosto, e falou D-us com ele, dizendo: quanto a mim, eis a minha aliança contigo: serás o pai de muitas nações; e não se chamará mais o teu nome Abrão, mas Abraão será o teu nome; porque por pai de muitas nações te tenho posto; e te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti; e estabelecerei a minha aliança entre mim e ti e a tua descendência depois de ti em suas gerações, por aliança perpétua, para te ser a ti por D-us, e à tua descendência depois de ti. E te darei a ti e à tua descendência depois de ti, a terra de tuas peregrinações, toda a terra de Canaã em perpétua possessão e ser-lhes-ei o seu D-us” (Gn 17:3-8). Abrão cai com seu rosto em

terra e o Eterno – Elohim – continuou lhe dizendo o que lhe faria: a aliança de D-us com Abrão é que ele se tornaria pai de muitas nações! A palavra aliança vem do termo hebraico berith que significa pacto com derramamento de sangue; a palavra pai vem do hebraico ab com o mesmo significado. Já a palavra “muitas” vem do termo hebraico hamôn e significa abundância, companhia, multidão, barulho, riquezas, rugido, sonido e significa povos gentílicos, pagãos. Mas o que significa isso? Significa que o Eterno já estava avisando a Abrão que dele sairiam multidões de nações de “gentios”, povos que vagariam pelo mundo afora e que um dia certamente haveriam de recuperar a sua verdadeira identidade: a da casa de Israel!

É neste momento que o Eterno muda o nome de Abrão. Agora seu nome muda para Avraham. Em hebraico a mudança é sutil – apenas uma letra – mas que vem fazer toda a diferença na vida daquele homem, pois é incluída em seu nome a letra hei que é uma das letras do nome do Eterno, significando que Ele está tirando algo de si mesmo e colocando em Avraham! O motivo da mudança está claro no texto: “porque por pai de muitas nações te tenho posto; e te farei frutificar grandissimamente, e de ti farei nações, e reis sairão de ti”. Na continuidade do diálogo, vem a reafirmação da promessa já feita anteriormente:a posse da terra e a promessa de que o Eterno lhes seria por D-us - Elohim

O Eterno diz ainda mais a Avraham: “Disse mais D-us a Abraão: Tu, porém, guardarás a minha aliança, tu, e a tua descendência depois de ti, nas suas gerações. Esta é a minha aliança, que guardareis entre mim e vós, e a tua descendência depois de ti: Que todo o homem entre vós será circuncidado. E circuncidareis a carne do vosso prepúcio; e isto será por sinal da aliança entre mim e vós. O filho de oito dias, pois, será circuncidado, todo o homem nas vossas gerações; o nascido na casa, e o comprado por dinheiro a qualquer estrangeiro, que não for da tua descendência. Com efeito será circuncidado o nascido em tua casa, e o comprado por teu dinheiro; e estará a minha aliança na vossa carne por aliança perpétua. E o homem incircunciso, cuja carne do prepúcio não estiver circuncidada, aquela alma será extirpada do seu povo; quebrou a minha aliança.

Disse D-us mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome. Porque eu a hei de abençoar, e te darei dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela” (Gn 17:9-16). O Eterno – Elohim - agora fala agora de um pacto que seria feito entre Ele, Avraham e seus descendentes: a circuncisão. A palavra “circuncisão” vem do termo hebraico mûl com o mesmo significado. É interessante que a circuncisão na carne é um sinal que o homem faz para com D-us, mostrando assim que o ama; já a circuncisão no coração é um sinal que D-us faz para que o homem possa amá-lo. A circuncisão deveria ser feita aos oito dias de nascimento do menino. Mas, por que no oitavo dia? Duas são as razões:

Segundo a medicina descobriu, no oitavo dia os anticorpos do organismo humano estão em seu maior período de atividade, e isso impede que neste dia qualquer infecção ou enfermidade oportunista se instale no organismo. Nós sabemos que a circuncisão era feita com facas de pedra ou com instrumento de metal rudimentar, e isso seria uma oportunidade muito grande para que as crianças adoecessem, não fora a mão do Eterno sobre elas.

O número oito indica recomeço, o início de algo novo. É interessante que esta criança antes de cumprir o mandamento da circuncisão passou por uma outra festa judaica: o shabat! Então, após ter passado por seu primeiro shabat a criança pode ser circuncidada e dar início a uma nova etapa de vida já com uma marca que a acompanhará e a distinguirá de todos os demais seres humanos: a circuncisão!

Agora, há uma promessa feita a Avraham em relação a Sarai: “Disse Elohim mais a Abraão: A Sarai tua mulher não chamarás mais pelo nome de Sarai, mas Sara será o seu nome. Porque eu a hei de abençoar, e te darei dela um filho; e a abençoarei, e será mãe das nações; reis de povos sairão dela. O Eterno – Elohim – haveria de abençoar Sara! Isso significa que Ele lhe daria poder para ser próspera, bem sucedida e fecunda em tudo o que fizesse! Agora, esta palavra é específica à ela trazendo-lhe a fecundidade física que lhe permitirá ter um filho. Este filho trará a existência nações – goim, que significa povos e nações gentílicas. A Escritura ainda diz que “reis de povos sairão dela”. Esta expressão “reis de povos” em hebraico é e significa que os reis de Israel procederiam daquele que ela geraria! Isto é maravilhoso, pois aqui o Criador de todas as coisas já está dizendo a Avraham que mudaria a estrutura física de Sara para que dela nascesse aquele que daria continuidade à origem da nação de Israel!

Novamente a reação de Avraham é imediata: “Então caiu Abraão sobre o seu rosto, e riu-se, e disse no seu coração: A um homem de cem anos há de nascer um filho? E dará à luz Sara da idade de noventa anos? E disse Abraão a Elohim: Quem dera que viva Ismael diante de teu rosto! E disse Elohim: Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele” (Gn 17:17-19). Avraham prostra-se novamente e ri-se, pensando em suas impossibilidades físicas – tanto dele quanto de sua esposa – para que pudessem gerar e dar à luz um filho! Ele então diz ao Eterno: “Quem dera que viva Ismael diante de teu rosto!”, julgando que o Eterno a ele se referia. Mas o Eterno lhe diz novamente: “Na verdade, Sara, tua mulher, te dará um filho, e chamarás o seu nome Isaque, e com ele estabelecerei a minha aliança, por aliança perpétua para a sua descendência depois dele” (grifo nosso). Aqui o Criador – Elohim - já diz que o menino se chamará Itzhaq que significa “ele rirá”. Diz ainda que a aliança –

berith, pacto com derramamento de sangue, seria estabelecida com Itzhaq e com sua descendência perpetuamente!

Mas, e quanto à Ishmael? “E quanto a Ismael, também te tenho ouvido; eis aqui o tenho abençoado, e fá-lo-ei frutificar, e fá-lo-ei multiplicar grandissimamente; doze príncipes gerará, e dele farei

uma grande nação” (Gn 17:20). A promessa é de que Ishmael também seria baraq – receberia poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo em tudo o que fizesse. E o Eterno faria com que dele viessem doze nasi, termo hebraico que significa príncipe, chefe, líder, comandante, governante, soberano. Esta promessa Eterno cumpriu literalmente dando à Ishmael descendentes que se tornaram governantes de nações árabes estabelecidas até hoje. As nações são as seguintes: Líbano, Síria, Jordânia, Iraque, Arábia Saudita, Irã, Koweit, Qatar, União dos Emirados Árabes, Omã, Iêmem, República Democrática do Iêmem. Ele também seria uma “grande nação” goi gentílica.

Novamente o Eterno deixa muito claro que, apesar de abençoar a Ishmael, Ele teria um compromisso com Itzhaq! “A minha aliança, porém, estabelecerei com Isaque, o qual Sara dará à luz neste tempo determinado, no ano seguinte. Ao acabar de falar com Abraão, subiu Elohim de diante dele” (Gn 17:21-22).

Após esta conversa entre Avraham e o Eterno, ele obedece ao Senhor circuncidando-se a si mesmo e também à todos os de sua casa. “Então tomou Abraão a seu filho Ismael, e a todos os nascidos na sua casa, e a todos os comprados por seu dinheiro, todo o homem entre os da casa de Abraão; e circuncidou a carne do seu prepúcio, naquele mesmo dia, como Elohim falara com ele. E era Abraão da idade de noventa e nove anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio. E Ismael, seu filho, era da idade de treze anos, quando lhe foi circuncidada a carne do seu prepúcio. Naquele mesmo dia foram circuncidados Abraão e Ismael seu filho, e todos os homens da sua casa, os nascidos em casa, e os comprados por dinheiro ao estrangeiro, foram circuncidados com ele” (Gn 17:23-27). Assim Avraham cumpre o mandamento do Eterno e prepara-se para uma nova etapa de muitas bênçãos em sua vida!

Que o Eterno nos ajude a sermos obedientes aos seus mandamentos e assim desfrutarmos não somente de sua presença, mas também do sucesso e da fecundidade, que certamente nos alcançará!

Parashat Vaierá E mostrou-se

Vayera - Aparece-lhe

O Eterno começa manifestando-se a Avraham assim: “Depois apareceu-lhe o IHVH nos carvalhais de Manre, estando ele assentado

à porta da tenda, no calor do dia” (Gn 18:1). Parece que nada há de importante nestas palavras, mas o versículo começa dizendo que

“Apareceu o Senhor

...

”.

No hebraico esta frase está diferente: “Viu

IHVH

”.

A palavra traduzida por “apareceu” é o termo ra´a que

... significa ver, olhar, inspecionar; já a palavra que define o Eterno é o tetragrama (IHVH)! Isso significa que o Eterno viu a Avraham e se manifestaria a ele como aquele que “se torna aquilo que ele (Avraham) precisa”! Percebemos que o Eterno é o D-us que vê nossa necessidade e vem até nós a fim de suprir aquela necessidade para que nossa alegria seja plena n´Ele! Há um outro aspecto muito interessante aqui: o Senhor demonstra um cuidado e um carinho muito especiais por Avraham, pois vai até a sua tenda (casa) a fim de visitá-lo! Isso seria, no mínimo uma grande honra, se não uma grande surpresa, pois o D-us de Israel materializou-se a fim de ir à casa de seu servo para dar-lhe pessoalmente uma palavra que mudaria por completo sua vida!

Às vezes pensamos que o Senhor está nos céus e não se importa conosco, e que estas coisas aconteciam somente nos tempos bíblicos com aqueles “grandes” homens de D-us! Mas quantas vezes somos literalmente visitados por anjos e pelo próprio Senhor e não o reconhecemos! Sem falar dos livramentos que recebemos dele sem termos a consciência de seu cuidado e carinho por nós ainda hoje!

Então quando Avraham levanta seus olhos, ele vê três homens chegando à sua tenda. Ele imediatamente os reconhece, vai até eles, inclina-se e lhes diz: “E disse: Meu Senhor, se agora tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que não passes de teu servo” (Gn 18:3). Novamente aqui há uma inequívoca evidência de que Abraão sabia com quem estava falando, pois a palavra que define o eterno aqui é Adonai, que significa “o Senhor de todas as coisas”. Avraham sabia que um daqueles homens em especial era o Senhor seu D-us! Além dos costumes orientais de receber-se bem aos visitantes, havia algo de muito especial naqueles homens que estavam visitando a Avraham! Por essa razão Avraham apressa-se em colocá-los à vontade e em servir-lhes água e comida, conforme o costume local. Ele lhes diz: “rogo-te que não passes de teu servo”. A palavra “passar” vem do termo hebraico ´abar e significa "transpor, ultrapassar, atravessar". A palavra indica o movimento de uma coisa ou pessoa em relação a algum outro objeto que está parado. Avraham pede ao Eterno que não transponha, não ultrapasse sua tenda sem antes gozar de sua hospitalidade.

No decorrer da conversa entre eles, Avraham recebe uma notícia

maravilhosa da parte do Eterno: “E disseram-lhe: Onde está Sara, tua mulher? E ele disse: Ei-la aí na tenda. E disse: Certamente tornarei a

ti por este tempo da vida; e eis que Sara tua mulher terá um filho. E Sara escutava à porta da tenda, que estava atrás dele. E eram Abraão e Sara já velhos, e adiantados em idade; já a Sara havia cessado o costume das mulheres” (Gn 18:9-11). Parece que a palavra trazida pelo Senhor trouxe um impacto tão grande sobre eles, pois inclusive sua situação física em nada os ajudava. Como nos informa a Escritura, em Sarah já “havia cessado o costume das mulheres”. A palavra costume vem do hebraico orah e significa "caminho, vereda". Tal palavra demonstra que há um caminho natural no desenvolvimento físico de uma mulher e nos informa que Sarah já o havia percorrido! Ou seja, agora o seu corpo físico entrara num estágio de degradação natural, um processo irreversível no qual, humanamente falando, a concepção já não era mais possível.

Imaginemos a situação daquela família: Avraham, um homem cujo coração e fé agradavam em muito ao Eterno juntamente com sua esposa Sarah já haviam recebido d’Ele uma promessa de que deles o Eterno geraria uma grande nação que mudaria o curso da história da humanidade. Mas algumas vezes as palavras nada significam, pois elas contrastam com a situação real de cada um de nós, gerando naqueles que a recebem um certo mal-estar, pois a realidade é diferente daquilo que está sendo ministrado, e isso traz um grande conflito àquele que ouve e recebe este tipo de palavra. Assim foi com Avraham e Sarah. E agora, Sarah ouve esta palavra e tem uma reação normal à isso: “Assim, pois, riu-se Sara consigo, dizendo: Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho?” (Gn 18:12). Sarah ri daquilo que houve e em seu íntimo pergunta-se: “Terei ainda deleite depois de haver envelhecido, sendo também o meu senhor já velho?” A palavra aqui traduzida por “deleite” é ‘eden e significa "roupas vistosas, jóias vistosas, coisas caras". Sarah está dizendo o seguinte: “teria eu ainda prazer no contato físico com meu marido como no passado já tive, pois isso me foi tão maravilhoso, caro e precioso e agora eu não tenho mais. Seria isso possível ainda para nós?” Na opinião de Sarah a velhice traz consigo também a ausência de prazer no relacionamento com seu marido.

O Senhor, conhecedor de todas as coisas ouve o íntimo do coração de Sarah e diz: “E disse o IHVH a Abraão: Por que se riu Sara, dizendo:

Na verdade darei eu à luz ainda, havendo já envelhecido? Haveria coisa alguma difícil ao Senhor? Ao tempo determinado tornarei a ti por este tempo da vida, e Sara terá um filho” (Gn 18:13-14). Novamente o Eterno se apresenta a eles como IHVH (hw"hy) “Eu me torno aquilo que me torno”, ou seja, o Único que é capaz de tornar-se a solução para o problema imediato que eles estão vivendo! Se eles precisavam de um filho, ali estava o Criador pronto a satisfazer sua necessidade, dando-lhes um filho! A pergunta do Senhor é incisiva:

“Haveria coisa alguma difícil ao IHVH?” O Senhor confronta Avraham em sua fé dizendo-lhe: “Você me reconheceu e me honrou como o Senhor; como podem vocês agora duvidarem de meu poder em reverter qualquer tipo de situação em sua vida?” Não seria isso uma incoerência, visto que Abraão e sua família os receberam em sua casa, e sabiam que algo de extraordinário aconteceria? A palavra pala ´ significa "ser extraordinário, ser maravilhoso". Na continuação temos “me IHVH”, que literalmente significa “daquele que se torna aquilo que precisamos que Ele se torne”. Finalmente temos o termo “dabar” que significa "falar, declarar, conversar, ordenar, prometer". Literalmente, a frase ficaria assim: “Seria extraordinário aquele que ”

se torna aquilo que precisemos que Ele se torne declarar

...

Agora eles partem da casa de Avraham rumo à Sodoma e Gomorra. Segue-se então um diálogo, no mínimo interessante: “E disse o IHVH:

Ocultarei eu a Avrahamo que faço, visto que Abraão certamente virá a ser uma grande e poderosa nação, e nele serão benditas todas as nações da terra? Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do IHVH, para agir com justiça e juízo; para que o IHVH faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado. Disse mais o IHVH:

Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito, descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei” (Gn 18:17-21).

Primeiro vem a pergunta: “Ocultarei eu a Abraão o que faço”. Isso indica o grau de intimidade e de confiança que havia entre eles uma intimidade e uma confiança muito grande, a tal ponto do Senhor fazer essa pergunta. E foi justamente essa intimidade – e certamente a retidão do coração de Avraham – que fizeram com que o Eterno dissesse sobre Avraham: seria “uma grande e poderosa nação”. A palavra “ocultarei” vem do termo hebraico casâ e significa "cobrir, ocultar, esconder". Esta palavra em hebraico nos dá uma outra dimensão daquilo que o Eterno realmente disse: a palavra "poderosa" é atson e significa "ser forte, ser poderoso, ser grande, ser numeroso". Em seguida temos a palavra "nação" que vem traduzida do termo goi e significa "nação gentílica". O que significa isso então? O Senhor já estava apontando para um desdobramento de sua promessa que, além de beneficiar o povo de Israel, alcançaria também as nações chamadas “gentílicas” e de tal forma que o seu povo se tornaria “uma grande e poderosa nação”. Ora, a quem mais poderia se referir essa promessa a não ser à Noiva do Senhor? Se olharmos para os fatos de forma imparcial veremos o seguinte: Israel nunca foi uma grande nação – numericamente falando – e essa promessa nunca cumpriu-se, pelo menos até agora! Veremos também que no livro de Romanos, no capítulo 11, Sha´ul nos fala sobre uma

obra de “ajuntamento" feita pelo Eterno entre Israel e os gentios:

E ...

se alguns dos ramos foram quebrados, e tu, sendo zambujeiro, foste enxertado em lugar deles, e feito participante da raiz e da seiva da

oliveira, não te glories contra os ramos; e, se contra eles te gloriares,

não és tu que sustentas a raiz, mas a raiz a ti. Dirás, pois: Os ramos foram quebrados, para que eu fosse enxertado” (Rm 11.17-19). É clara a relação estabelecida entre Israel e os gentios aqui! A partir de então os gentios e Israel tornam-se um e passam a formar um grande e poderoso povo que ama, louva, bendiz, busca e espera no D-us de Israel! Este povo nós o conhecemos como a “Noiva”.

Uma outra promessa que se cumpre aqui é que em Avraham “serão benditas todas as nações da terra”. Isso é maravilhoso, pois nos fala que por causa de Abraão – e de seus descendentes – as nações (goi) da terra seriam benditas. A palavra “benditas” em hebraico é barak, e significa "dar poder a alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo"! Então o que a Escritura está nos dizendo? Ela nos diz que, por causa dos descendentes de Avraham espalhados por toda a terra as nações gentílicas recebem poder para serem prósperas, bem sucedidas e fecundas, pois essa foi a promessa do Eterno à Avraham e nada pode anular ou cancelar aquilo que já foi dito por Ele! Mais uma vez percebemos que os descendentes de Avraham seriam os “canais” transmissores desta “bênção” às nações do mundo!

Já havia da parte do Eterno um prévio conhecimento de que Avraham transmitiria aos seus descendentes tudo aquilo que havia aprendido com Ele, para assim, perpetuar sua fé e obediência aos mandamentos

do Senhor. Está escrito assim: “Porque eu o tenho conhecido, e sei que ele há de ordenar a seus filhos e à sua casa depois dele, para que guardem o caminho do Senhor, para agir com justiça e juízo; para que o IHVH faça vir sobre Abraão o que acerca dele tem falado” (Gn 18:19). A palavra “conhecido” vem do termo hebraico iada´ que significa "conhecer, saber". Novamente aqui há o destaque para a relação de interdependência entre o Senhor e Avraham! Isso parece incrível – que D-us dependa de um homem para qualquer coisa – mas foi isso o que aconteceu! O Senhor dependia da obediência de Avraham para levar adiante seu projeto com Israel e com o mundo. Porém aqui o Eterno sabia que Avraham “ordenaria a seus filhos e à

sua casa

”.

Esta palavra “ordenar” vem do termo hebraico tsavâ e

... significa "ordenar, incumbir". A raiz desta palavra designa a instrução de um pai para seu filho, de um fazendeiro a seus lavradores, de um rei a seus servos. Isso nos mostra que este termo tem a dimensão de uma ordem – ou incumbência – que não pode ser desobedecida!

Eles haveriam de guardar “o caminho do Senhor”. Esta expressão em hebraico é “derek IHVH” e significa "caminho, estrada, jornada, maneira, trabalho" do IHVH! Então o “caminho do Senhor” é a estrada que Ele mesmo traçou para cada um de nós e ela está explícita na sua Palavra, e nesta “estrada” o Senhor se torna aquilo que precisamos que Ele se torne para nós a cada instante de nossa vida! Para que isso aconteça os descendentes de Avraham devem “agir com justiça e juízo”. Estas palavras em hebraico são (asâ tsedaqah mishpat)! A palavra asâ significa "fazer, fabricar, realizar". Temos

agora a palavra tsedaqah que significa "justiça, retidão". A raiz tem o sentido de conformidade a um padrão ético e moral. Finalmente temos a palavra mishpat que significa justiça, ordenança, costume, maneira. A palavra destaca a forma de governo civil ou religioso dentro dos moldes do Eterno.

Foi baseado nesta profunda relação de interdependência que o Senhor falou a Avraham o que aconteceria com Sodoma e Gomorra:

“Disse mais o IHVH: Porquanto o clamor de Sodoma e Gomorra se tem multiplicado, e porquanto o seu pecado se tem agravado muito, descerei agora, e verei se com efeito têm praticado segundo o seu

clamor, que é vindo até mim; e se não, sabê-lo-ei” (Gn 18:20-21). O que estava acontecendo de tão grave aqui? Devemos considerar que o Eterno aqui se apresenta com seu nome – IHVH – e isso nos fala que Ele se torna aquilo que é necessário para alguém. No caso de Sodoma e Gomorra, sua necessidade era o juízo, pois suas atitudes (pecados) já haviam excedido em número e grau de tal forma que o Senhor – IHVH agora decide tomar providências contra estas cidades. Havia também um clamor feito contra ela. Essa palavra – clamor - vem de zaak que significa "clamor, grito". O sentido básico é “gritar por socorro em tempo de aflição”. Os “gritos de socorro” emitidos pelos “justos” da cidade tinham um motivo: o pecado pesava muito sobre eles! A palavra “pecado” vem do termo hebraico hata´ que significa "errar, sair do caminho, pecar, tornar-se culpado, perder". Já há muito o povo de Sodoma e Gomorra havia se perdido em sua caminhada rumo ao Senhor! Eles erraram o alvo e já estavam profundamente comprometidos com o pecado, e isso chamou a atenção do Eterno que agora tomará uma atitude quanto à este fato.

Apesar da iniqüidade que imperava na cidade, havia um clamor de alguém que chegou até o Senhor por causa do peso do pecado, e isso desperta no Eterno um profundo interesse em verificar e julgar esta causa!

Quando isso é comunicado a Avraham, dá-se um diálogo deveras

interessante entre o Senhor e Abraão: “E chegou-se Abraão, dizendo:

Destruirás também o justo com o ímpio? Se porventura houver cinqüenta justos na cidade, destruirás também, e não pouparás o lugar por causa dos cinqüenta justos que estão dentro dela? Longe de ti que faças tal coisa, que mates o justo com o ímpio; que o justo seja como o ímpio, longe de ti. Não faria justiça o Juiz de toda a terra? Então disse o IHVH: Se eu em Sodoma achar cinqüenta justos dentro da cidade, pouparei a todo o lugar por amor deles. E respondeu Abraão dizendo: Eis que agora me atrevi a falar ao IHVH, ainda que sou pó e cinza. Se porventura de cinqüenta justos faltarem cinco, destruirás por aqueles cinco toda a cidade? E disse: Não a destruirei, se eu achar ali quarenta e cinco. E continuou ainda a falar-lhe, e disse: Se porventura se acharem ali quarenta? E disse: Não o farei por amor dos quarenta. Disse mais: Ora, não se ire o Senhor, se eu ainda falar: Se porventura se acharem ali trinta? E disse: Não o farei

se achar ali trinta. E disse: Eis que agora me atrevi a falar ao Senhor:

Se porventura se acharem ali vinte? E disse: Não a destruirei por amor dos vinte. Disse mais: Ora, não se ire o IHVH, que ainda só mais esta vez falo: Se porventura se acharem ali dez? E disse: Não a destruirei por amor dos dez. E retirou-se o IHVH, quando acabou de falar a Abraão; e Abraão tornou-se ao seu lugar” (Gn 18:23-33). Ao fim deste diálogo, fica estabelecido que se houverem, pelo menos, dez justos nestas cidades, a destruição não ocorreria. Mas nós sabemos que não haviam nem mesmo dez justos ali e por isso e juízo do Eterno foi inevitável contra eles! Um outro fato que merece destaque é que no versículo 26, a expressão “disse o Senhor” é “amar IHVH”, ordenou Aquele que se torna aquilo que precisamos que Ele se torne para nós! Isso nos informa que o Eterno ordenou que caso as condições propostas por Avraham existissem na cidade de Sodoma, Ele a não destruiria!Porém, isso não aconteceu!

O juízo contou com a misericórdia do Senhor, que enviou dois anjos a

fim de retirarem Lot e sua família daquela cidade. “E vieram os dois anjos a Sodoma à tarde, e estava Ló assentado à porta de Sodoma; e vendo-os Ló, levantou-se ao seu encontro e inclinou-se com o rosto à terra; e disse: Eis agora, meus senhores, entrai, peço-vos, em casa de

vosso servo, e passai nela a noite, e lavai os vossos pés; e de madrugada vos levantareis e ireis vosso caminho. E eles disseram:

Não, antes na rua passaremos a noite. E porfiou com eles muito, e vieram com ele, e entraram em sua casa; e fez-lhes banquete, e cozeu bolos sem levedura, e comeram” (Gn 19:1-3). Lot, como era o costume local, estava assentado à porta da cidade, e quando viu estes dois homens chegando, certamente notou algo de diferente neles, pois ele adianta-se e convida-os para irem à sua casa! Certamente muitas pessoas iam e vinham a aquelas cidades! Muitos passavam por suas portas a fim de negociarem, visitarem pessoas,

procurarem por seus interesses, etc

mas Lot justamente olhou para

... aqueles dois homens e viu neles algo de diferente a fim de convidá-

los para irem à sua casa. Estes “homens” eram, na realidade, anjos que haviam sido enviados justamente para livrar Lot e sua família da morte!

A Escritura diz: “E porfiou com eles muito”. Esta palavra “porfiar” vem do termo hebraico patsar que significa "empurrar, pressionar". Esta palavra nos mostra que estes anjos foram quase que “forçados” a irem para a casa de Lot! Quando eles finalmente concordam em ir para lá são recebidos com toda a hospitalidade oriental e são tratados como pessoas importantes naquele lar. É preparado para eles um “banquete”. Esta palavra vem do termo hebraico mishteh que significa "bebida, banquete, festim". Designa uma refeição especial preparada para um hóspede de honra. Foram servidos à eles “bolos sem levedura”. A palavra levedura vem do termo hebraico matstsâ e significa "pães asmos, bolos asmos". Não nos parece curioso que Lot serve aos seus convidados comida sem fermento? Isso indica que ele reconheceu que aqueles homens eram santos - e por isso não

permitiu que houvesse fermento no pão – pois reconhecia sua procedência e sua condição de santidade! Estes pães eram apâ, termo hebraico que quer dizer "assado"!

Então algo de diferente acontece: “E antes que se deitassem,

cercaram a casa, os homens daquela cidade, os homens de Sodoma, desde o moço até ao velho; todo o povo de todos os bairros. E chamaram a Ló, e disseram-lhe: Onde estão os homens que a ti vieram nesta noite? Traze-os fora a nós, para que os conheçamos”

(Gn 19:4-5).

O interessante é que vieram pessoas de toda a cidade e de todas as idades a fim de verem os estranhos que estavam hospedados na casa de Ló. Houve um frenesi tal que a notícia rapidamente se espalhou. Eles foram notados de tal forma que os homens os queriam para si! O texto diz: “Traze-os fora a nós, para que os conheçamos”. Aqui a palavra conhecer é yada e significa saber, conhecer. Pode designar também a relação sexual por parte tanto do homem quanto da mulher. Aqui é usada para descrever a perversão sexual conhecida como sodomia. Na realidade os que aqueles homens de toda a cidade queriam era realmente ter um contato físico – sexual – com os anjos que estavam na casa de Lot! Isso nos parece tão absurdo que beira à loucura! Notemos que os homens vieram de todos os lugares a fim de possuí-los! A notícia de que haviam chegado a casa de Ló homens diferentes se espalhou e gerou um interesse tão grande que todos os homens vieram a fim de participarem deste “evento”.

Esta atitude é também relatada por Sha´ul, quando ele nos informa:

“Porque do céu se manifesta a ira de D-us sobre toda a impiedade e

injustiça dos homens, que detêm a verdade em injustiça. Porquanto o que de Deus se pode conhecer neles se manifesta, porque D-us lho manifestou. Porque as suas coisas invisíveis, desde a criação do mundo, tanto o seu eterno poder, como a sua divindade, se entendem, e claramente se vêem pelas coisas que estão criadas, para que eles fiquem inescusáveis; porquanto, tendo conhecido a D- us, não o glorificaram como D-us, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu. Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do D-us incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também D-us os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; pois mudaram a verdade de D-us em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém. Por isso D-us os abandonou às paixões infames. Porque até as suas mulheres mudaram o uso natural, no contrário à natureza. E, semelhantemente, também os homens, deixando o uso natural da mulher, se inflamaram em sua sensualidade uns para com os outros, homens com homens, cometendo torpeza e recebendo em si mesmos a recompensa que convinha ao seu erro. E, como eles não se

importaram de ter conhecimento de D-us, assim Deus os entregou a um sentimento perverso, para fazerem coisas que não convêm; estando cheios de toda a iniqüidade, prostituição, malícia, avareza, maldade; cheios de inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade; sendo murmuradores, detratores, aborrecedores de Deus, injuriadores, soberbos, presunçosos, inventores de males, desobedientes aos pais e às mães; néscios, infiéis nos contratos, sem

afeição natural, irreconciliáveis, sem misericórdia; os quais, conhecendo a justiça de D-us (que são dignos de morte os que tais coisas praticam), não somente as fazem, mas também consentem aos que as fazem” (Rm 1:18-32). A descrição de Sha´ul neste texto nos fala exatamente aquilo que estava acontecendo naquela cidade com Lot e seus convidados! Houve uma tentativa da parte daqueles homens de possuírem e praticarem sexo com os anjos que eram os hóspedes de Lot! Literalmente, aquela cidade estava entregue à suas paixões e perversões, pois o Eterno através disso traria um terrível juízo sobre todos os seus habitantes!

O episódio termina então com uma discussão entre os habitantes da

cidade e Lot, que tenta proteger seus hóspedes: “E disse: Meus irmãos, rogo-vos que não façais mal; eis aqui, duas filhas tenho, que ainda não conheceram homens; fora vo-las trarei, e fareis delas como bom for aos vossos olhos; somente nada façais a estes homens, porque por isso vieram à sombra do meu telhado. Eles, porém, disseram: Sai daí. Disseram mais: Como estrangeiro este indivíduo veio aqui habitar, e quereria ser juiz em tudo? Agora te faremos mais

mal a ti do que a eles. E arremessaram-se sobre o homem, sobre Ló, e aproximaram-se para arrombar a porta. Aqueles homens porém estenderam as suas mãos e fizeram entrar a Ló consigo na casa, e fecharam a porta” (Gn 19:7-10). O povo de Sodoma – diante da resistência de Lot – chama-o de “estrangeiro”. Esta palavra vem do termo hebraico haleâ que significa "longe, bem longe, para frente". Naquele momento os habitantes da cidade disseram a Lot aquilo que realmente pensavam dele: ele era alguém de longe e não deveria intrometer-se na vida cotidiana da cidade; principalmente quando isso envolvia sua “diversão!”

Como escapar desta terrível situação? É justamente aqui que entra em cena aquilo que nos está escrito no livro de Salmos: “O anjo do IHVH acampa-se ao redor dos que o temem, e os livra” (Sl 34:7). Ali estava, de forma palpável, cumprindo-se a Palavra do Altíssimo (antes mesmo de ter sido escrita) a fim de proteger Lot e sua família, pois os anjos do Senhor agora entrariam em ação! E foi o que aconteceu. “E feriram de cegueira os homens que estavam à porta da casa, desde o menor até ao maior, de maneira que se cansaram para achar a porta” (Gn 19:11). A palavra traduzida por “feriram” é nakâ e significa "golpear, ferir, bater, atingir". A palavra é usada no sentido de atingir ou ferir algo ou alguém de forma não fatal. Aqueles anjos atingiram aos homens daquela cidade com cegueira física (pois a espiritual já era evidente), fazendo com que não conseguissem encontrar a porta

da casa de Ló que estava diante deles! A palavra “cegueira” vem do termo hebraico sanwerîm que significa "cegueira repentina". O resultado do “golpe” que feriu os sodomitas foi este: tiveram uma cegueira repentina e não puderam sequer encontrar a porta da casa de Lot que esta à sua frente!

Agora, aqueles homens dizem à Ló e aos seus o motivo de sua ida àquela cidade e alertam: “Porque nós vamos destruir este lugar, porque o seu clamor tem aumentado diante da face do IHVH, e o IHVH nos enviou a destruí-lo” (Gn 19:13). A sua ida àquele lugar tem uma finalidade: destruir a cidade! A palavra “destruir” vem do termo hebraico mashhet que significa "destruição", pois vem da raiz shahat que significa "destruir, corromper". O que eles estão dizendo a Lot é que havia um clamor que chegara à presença do Eterno. A palavra clamor é tsa’aq e significa "gritar, chamar por socorro, chamar". Essa raiz significa “clamar por ajuda” (por estar muito aflito). Agora certamente Lot entendeu que suas orações chegaram à presença do Eterno e aqueles homens eram a sua resposta! Certamente inúmeras vezes Lot clamou por socorro por causa da impiedade daquela cidade e de seus habitantes, e agora lá estavam dois anjos, enviados pelo Senhor a fim de destruírem a cidade por causa de seus pecados. A palavra traduzida por “Senhor” é o tetragrama! Isso significa que aqui o Senhor se tornaria em juízo para cidade, pois esta era a sua necessidade iminente!

Após a estupenda revelação feita a Lot e sua família, segue-se o

conselho para que fujam dali, pois o tempo está acabando! “E ao amanhecer os anjos apertaram com Ló, dizendo: Levanta-te, toma tua mulher e tuas duas filhas que aqui estão, para que não pereças na injustiça desta cidade. Ele, porém, demorava-se, e aqueles homens lhe pegaram pela mão, e pela mão de sua mulher e de suas duas filhas, sendo-lhe o IHVH misericordioso, e tiraram-no, e

puseram-no fora da cidade. E aconteceu que, tirando-os fora, disse:

Escapa-te por tua vida; não olhes para trás de ti, e não pares em toda esta campina; escapa lá para o monte, para que não pereças. E Ló disse-lhe: Ora, não, meu IHVH!” (Gn 19:15-18). Novamente percebemos a misericórdia do Eterno para com os que o temem, assim como a urgência do tempo em que se encontravam, pois muito em breve viria a destruição total sobre a cidade e o Senhor os queria poupar disso! Os anjos aconselham a Lot que fuja, para que não pereçam na injustiça daquela cidade! A palavra injustiça vem do termo hebraico avon e significa "iniqüidade, culpa, castigo pela culpa". Aqueles anjos bem sabiam que o tempo da destruição da cidade já havia chegado e nada poderia ser feito para mudarem aquilo que já estava determinado pelo Altíssimo!

O conselho dos anjos ainda vale para nós hoje: “Escapa-te por tua

vida; não olhes para trás de ti”. Lot não deveria olhara para trás nem pensar naquilo que ficou! Certamente ele já tinha uma vida

estabelecida, negócios, amizades, etc

...

Mas o Senhor o chama – de

forma urgente – a fim de abandonar tudo isso rapidamente a fim de não morrerem juntamente com aquela cidade. Nós também somos chamados pelo Senhor – de forma urgente – a fim de não perecermos juntamente com o mundo e abandonarmos tudo o que se refere ao nosso passado, pois certamente se obedecermos ao Senhor teremos toda a nossa vida reconstruída pelo próprio Senhor, mas agora de forma a exaltar Seu nome!

O próximo passo foi a destruição total das cidades: “Então o IHVH fez chover enxofre e fogo, do Senhor desde os céus, sobre Sodoma e Gomorra; e destruiu aquelas cidades e toda aquela campina, e todos

os moradores daquelas cidades, e o que nascia da terra” (Gn 19:24- 25). O que a Escritura nos diz aqui? A palavra traduzida por Senhor é o tetragrama: IHVH e significa que o Senhor se tornaria para aqueles homens aquilo que eles tanto necessitavam: o juízo! E foi justamente isso o que aconteceu! Do alto – isto é, do céu – veio o juízo da parte do D-us Eterno a fim de punir aquelas pessoas que nada queriam saber sobre D-us! A chuva que veio sobre a cidade foi de “fogo e enxofre”. Estas palavras no hebraico são respectivamente goprît que significa enxofre e esh que significa fogo. A combinação dos dois elementos fez com que a região onde o fato ocorreu se tornasse estéril e o local onde as cidades existiam viesse a ser chamado de “Mar Morto”. Devemos lembrar-nos de que quando os pastores de Lot e Avraham disputavam a questão da terra e da água para seus respectivos rebanhos, a Escritura nos diz que a Lot foi dada a oportunidade de escolher para onde iria. E está escrito que ele escolheu as “campinas de Sodoma”. Este fato demonstra que a cidade era regada por um rio – neste caso o Jordão – e que ali havia uma riqueza muito grande de flora!

Outro fato estarrecedor é aquilo que sobreveio à mulher de Ló: “E a mulher de Ló olhou para trás e ficou convertida numa estátua de sal”

(Gn 19:26). Quando da visita dos anjos à casa de Lot, já havia sido dada uma ordem que estabelecia a forma como eles deveriam agir:

não olhem para trás! O que causou tal punição sobre a mulher de Lot? Certamente foi a sua desobediência! Nós nem mesmo sabemos o nome desta mulher; sabemos apenas que ela, através de sua desobediência recebeu a paga e transformou-se numa estátua de sal! Todos os desobedientes recebem o pagamento por suas atitudes! Cedo ou tarde o que lhes é devido os alcança! Mas o seu pecado foi só o de olhar para trás? Não nos parece que foi somente isso! A palavra olhar em hebraico é (jb;n) nabat e significa olhar, contemplar. O que nos parece é que houve um momento em que ela parou, voltou-se e contemplou o que estava acontecendo àquelas cidades. Isso nos dá idéia de que houve tempo para pensar em tudo o que ela tinha ali, em seu passado, em seus bens, em suas amizades e todo este conjunto de coisas deve ter-lhe pesado no coração. Não parece que havia gratidão ao Eterno por lhe ter – até ali – poupado sua vida. O que deve ter dominado aquele coração devem ter sido outros

sentimentos, e justamente por causa disso o Eterno trouxe sobre ela seu juízo!

Este foi mais um fato marcante na vida de Lot, que agora torna-se

viúvo com duas filhas órfãs de mãe! Agora há apenas o que restou desta família! Suas filhas não poderão mais levar adiante a preservação do nome de seu pai, pois são os filhos homens que perpetuam o nome de qualquer família e Lot não pode mais ter filhos homens, pois lhe falta sua esposa. Então acontece um fato que nos choca: as filhas de Lot deitam-se com seu próprio pai a fim de “perpetuarem” o nome da família! “Vem, demos de beber vinho a nosso pai, e deitemo-nos com ele, para que em vida conservemos a

descendência de nosso pai” (Gn 19:32). Aqui houve um plano deliberado para que tudo acontecesse! Quando uma das filhas propõe que se “deitem” com ele, ela utiliza-se da palavra shakab, deitar-se. Este verbo aparece na maioria das vezes com o sentido de “ter relações sexuais”. Vem da palavra shekobet que significa “cópula”. Ou seja: elas planejaram que manteriam relações sexuais com seu pai a fim de engravidarem dele e conservarem a descendência do pai. Este, como todo ato impensado e errôneo, causou – e ainda causa – muitos problemas para o povo de Israel. Desta união abominável nascem Moab que significa “de seu pai” e Ben ami que significa “filho do meu povo, e este é o pai de Amom, dois dos grandes inimigos de Israel em toda a sua história! Essas moças quiseram “ajudar” ao Eterno valendo-se de padrões e métodos que aprenderam em Sodoma e Gomorra, e que resultaram em grandes problemas futuros ao povo de Israel.

Após estes fatos, vem o nascimento de Isaque, que já havia sido prometido e que agora torna-se realidade! “E o IHVH visitou a Sara, como tinha dito; e fez o IHVH a Sara como tinha prometido” (Gn 21:1). A palavra traduzida por Senhor é o tetragrama! Aqui o Eterno torna-se para Sarah justamente aquilo que ela mais necessita: a bênção de ser mãe! A Escritura nos diz que IHVH visitou a Sarah. A palavra "visitar" em hebraico é paqad e significa "computar, calcular, visitar". Isso significa que, quando chegou o tempo determinado – computado, calculado – pelo Senhor ele dá a Sarah justamente aquilo que lhe havia prometido: o Riso [Itshaq]! O nome do menino significa “ele rirá”, uma alusão clara ao futuro que o esperava! A comprovação disso está no verso 2: “E concebeu Sara, e deu a Avraham um filho na sua velhice, ao tempo determinado, que Elohim lhe tinha falado” (Gn

21:2).

Após o nascimento de Itshaq, vem então a obediência devida ao Eterno: “E Abraão circuncidou o seu filho Isaque, quando era da idade de oito dias, como Deus lhe tinha ordenado” (Gn 21:4). A circuncisão havia sido instituída como um sinal visível do pacto do Senhor com seu povo. Isso havia sido uma ordem que agora tinha seu pleno cumprimento através da atitude de Avraham. A palavra ordenar em hebraico é tsawâ e significa ordenar, incumbir. A raiz designa a

instrução de um pai para um filho, de um fazendeiro a seus lavradores, de um rei a seus servos. Isso reflete uma sociedade firmemente estruturada em que as pessoas tinham de prestar contas à D-us pelo direito de mandar. Tudo aquilo que D-us havia dado a Avraham Ele agora cobra-lhe em forma de obediência! O fruto da obediência é sempre a bênção do Eterno! Agora, o Eterno dá a esta família o riso incontido por causa do resultado da bênção que é derramada sobre a família!

Após o grande momento de júbilo, novamente vem o equilíbrio da via

cotidiana e novamente uma decisão a ser tomada: “E disse a Abraão:

Ponha fora esta serva e o seu filho; porque o filho desta serva não herdará com Isaque, meu filho. E pareceu esta palavra muito má aos olhos de Abraão, por causa de seu filho. Porém Deus disse a Abraão:

Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua

serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência. Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua descendência. Então se levantou Abraão pela manhã de madrugada, e tomou pão e um odre de água e os deu a Agar, pondo-os sobre o seu ombro; também lhe deu o menino e despediu-a; e ela partiu, andando errante no deserto de Berseba” (Gn 21:10-14). Vejamos então o que aconteceu: Sarah reclama o direito de herança de seu filho para com ele adquirir as bênçãos prometidas a Avraham. A palavra "herança" (ou herdar) é yarash e significa "tomar posse, desalojar, herdar". Trata-se da herança física a ser recebida por Itshaq. Sara sabia que se Ismael não fosse afastado do convívio da família muitos males sobreviriam. Isso fez Abraão ser impactado por essa palavra, mas o próprio D-us lhe aconselha a agir assim e lhe promete: “Não te pareça mal aos teus olhos acerca do moço e acerca da tua serva; em tudo o que Sara te diz, ouve a sua voz; porque em Isaque será chamada a tua descendência”. O Senhor afirma a Avraham que irá chamar, convocar sua descendência física através de Itshaq! A palavra “descendência” vem do termo hebraico zera e significa "semeadura, semente, descendência física". Não há o que discutir: Itshaq é o filho da promessa, pois ele fora prometido pelos lábios do Criador à Avraham e Sarah! Outra coisa que o Senhor diz a Avraham é: “Mas também do filho desta serva farei uma nação, porquanto é tua descendência”. Quando o Senhor diz que fará de Ismael uma nação ele usa a palavra goi, que significa "nação gentílica". Os descendentes de Ismael são até hoje os “primos” dos judeus e são também o maior problema que Israel enfrenta desde então até a atualidade.

O interessante é notarmos que Avraham despede Hagar e Ismael para o deserto. Deserto em hebraico é midbar e pode descrever três tipos de terreno em geral:

Pastagens

Terra não habitada

Áreas extensas em que oásis ou cidades e vilarejos existem aqui e ali.

O local para onde Hagar e Ismael foram enviados foi a segunda opção. Eles foram para uma terra não habitada, lugar de ninguém. Parece irônico, mas a maioria dos povos árabes habita em desertos ...

A diferença entre os judeus e os árabes aparece logo aqui: “E habitou

no deserto de Parã; e sua mãe tomou-lhe mulher da terra do Egito”

(Gn 21:21). A esposa de Ismael foi escolhida por sua mãe, sem consultar ao Senhor e consequentemente trazendo para si um padrão humano e mundano de vida, pois sua mulher foi uma egípcia! Os árabes preferem ter laços com os “mundanos” do que com aqueles que detêm a bênção do Eterno!

Agora Avraham passará pelo maior teste de sua vida, quando sua fé será duramente provada, mas ao final ele será aprovado pelo Eterno e tornar-se-á o símbolo máximo da fé bíblica em todos os tempos. O que aconteceu a Abraão foi assim: “E aconteceu depois destas coisas,

que provou Elohim a Abraão, e disse-lhe: Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. E disse: Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi. Então se levantou Avraham pela manhã de madrugada, e albardou o seu jumento, e tomou consigo dois de seus moços e Isaque seu filho; e cortou lenha para o holocausto, e levantou-se, e foi ao lugar que Elohim lhe dissera. Ao terceiro dia levantou Abraão os seus olhos, e viu o lugar de longe”

(Gn 22:1-4). Esta escritura tem início nos informando que Avraham foi “provado” por D-us. A palavra provado em hebraico é nasa "testar, tentar, provar, examinar, pôr à prova". A palavra que define o Eterno é "Elohim". Isso nos fala que o Criador agora vem a Avraham para colocá-lo sob um rígido teste! Esta palavra nos fala de algo tão forte que chega a ser comparado com uma “tentação”!

O Eterno ordena a Avraham que ofereça Itshaq em holocausto. A palavra holocausto em hebraico é olã, e significa "holocausto, oferta queimada, sacrifício queimado". Na realidade o que o Senhor estava dizendo à Avraham era o seguinte: “Sobe a Moriá, prepara um altar, mata o moço e oferece-o à Mim como uma oferta queimada”! Avraham, mesmo sabendo da gravidade do que tinha sido dito pelo Eterno, toma seu filho e segue à risca as instruções que lhe foram dadas, e ao terceiro dia ele vê o lugar sobre o qual o Eterno lhe havia dito!

É claro que muitas perguntas passaram pela mente daquele homem temente ao Eterno, mas cremos que em todo o tempo ele estava orando e confiando que Aquele que lhe ordenara fazer o sacrifício era poderoso para reverter qualquer situação em sua vida, desde que houvesse de sua parte a obediência. Então, durante o caminho surge

a pergunta: “Então falou Isaque a Abraão seu pai, e disse: Meu pai! E ele disse: Eis-me aqui, meu filho! E ele disse: Eis aqui o fogo e a

lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto? E disse Abraão:

Elohim proverá para si o cordeiro para o holocausto, meu filho. Assim caminharam ambos juntos” (Gn 22:7-8). O interessante é que a pergunta de Itshaq tem sentido! Ele viu todos os componentes para o holocausto, porém faltava o principal: o próprio cordeiro! A resposta de Avraham é ainda mais impressionante: “o Elohim ra’â”. A tradução literal é “O Eterno (Elohim) verá”. Mas, isso aparentemente é uma grande contradição com o que está traduzido em nossas Bíblias! Mas vamos seguir adiante a fim de entendermos o que acontecerá.

Avraham segue á risca o que lhe fora dito pelo Eterno e chega agora o momento crucial de sua jornada: “E estendeu Abraão a sua mão, e tomou o cutelo para imolar o seu filho; mas o anjo do IHVH lhe bradou desde os céus, e disse: Abraão, Abraão! E ele disse: Eis-me aqui. Então disse: Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho. Então levantou Abraão os seus olhos e olhou; e eis um carneiro detrás dele, travado pelos seus chifres, num mato; e foi Abraão, e tomou o carneiro, e ofereceu-o em holocausto, em lugar de seu filho. E chamou Abraão o nome daquele lugar: O

IHVH proverá; donde se diz até ao dia de hoje: No monte do IHVH se proverá” (Gn 22:10-14). A primeira coisa é que Abraão estendeu a sua mão para matar seu filho. A palavra "matar" é shahat e significa "matar, abater"; matar num sacrifício ritual. Avraham realmente estava decidido a sacrificar ritualmente o moço ao Senhor, como lhe fora pedido! E o que acontece é que o Senhor se torna sua resposta: a palavra que define o Eterno é Elohim, e isso significa aqui que o Eterno se apresenta como o Criador de todas as coisas e que agora traz a resposta e livramento no que tange à vida de Itshaq! E finalmente o Eterno lhe dá novas instruções a fim de Itshaq não seja sacrificado. E quando Avraham olha atrás de si ele vê um carneiro preso num mato e pronto à ser oferecido no lugar de Itshaq! Novamente o Eterno torna-se aquilo que Avraham mais necessitava: o sacrifício! Quando isso acontece, eles então cumprem o objetivo de sua viagem: oferecer ao Eterno um sacrifício em obediência à Sua Palavra. E o mais interessante é que Avraham chama aquele lugar de Elohim ra’ã! Ou seja, o Criador de todas as coisas, veria sua necessidade e o atenderia! Isso nos mostra que o Eterno viu aquilo que aconteceria com Avraham no futuro e providenciou para ele que, no momento oportuno, houvesse um cordeiro preso junto à eles a fim de cumprirem seu propósito de sacrificar a Ele! Aquele que vê tudo e sabe tudo encaminha a história de tal forma que seus servos obedientes sejam abençoados em todos os seus caminhos!

O resultado final dessa atitude de Avraham foi: “E disse: Por mim mesmo jurei, diz o IHVH: Porquanto fizeste esta ação, e não me negaste o teu filho, o teu único filho, que deveras te abençoarei, e grandissimamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e como a areia que está na praia do mar; e a tua

descendência possuirá a porta dos seus inimigos; e em tua descendência serão benditas todas as nações da terra; porquanto

obedeceste à minha voz” (Gn 22:16-18). Novamente o Eterno ratifica sua promessa a Avraham e lhe diz que ele o abençoará – barak, em hebraico – e isso significa que ele estava novamente recebendo poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo. Além disso, ele teria sua descendência, que é zerá e significa semeadura, semente, descendência física, que seria multiplicada! Hoje isso nos mostra de que forma o Eterno conduziu a história a fim de que os judeus – inclusive aqueles que desconhecem que o são – se multiplicassem de tal forma que pudessem se tornar a maior nação da terra: A Noiva! O Todo-Poderoso não perdeu o controle de todas as coisas!

Ele ainda afirmou que os descendentes físicos de Avraham possuiriam as portas de seus inimigos. A palavra possuir é yarash e significa "tomar posse, desalojar, herdar, ocupar, apoderar-se". A palavra porta aqui é sha’ar e significa "a porta de uma cidade". A sha’ar era naturalmente o meio de acesso controlado a uma cidade murada. O Eterno diz a Avraham que ele e seus descendentes teriam autoridade para tomar posse, desalojar, herdar, ocupar, apoderar-se dos lugares que dão acesso – e logicamente são os principais – de qualquer cidade onde eles estivessem! Através da obediência de Avraham nós recebemos também autoridade para ordenarmos e desalojarmos todos aqueles que se nos opõem. Nosso propósito deve ser o de sempre levar adiante o Reino do Eterno D-us e o conhecimento de sua Palavra! E, quando for necessário, devemos fazer uso desta autoridade que nos foi conferida já em Avraham!

De tudo o que foi dito a suma seria: a obediência faz com que as mãos poderosas do D-us Eterno movam-se em nossa direção a fim de perpetuarem em nós os seus desejos, pois Ele como nosso Pai quer nos dar sempre aquilo que há de melhor!

Que o Senhor nos ajude a compreendermos que seus desejos são sempre os melhores para nós!

Chaie Sarah – A vida de Sara

Esta seção tem início com um triste relato: a morte de Sarah! “E foi a vida de Sara cento e vinte e sete anos; estes foram os anos da vida de Sara. E morreu Sara em Quiriate-Arba, que é Hebrom, na terra de Canaã; e veio Avraham lamentar Sara e chorar por ela” (Gn 23:1-2). A vida de Sarah agora havia chegado ao fim! Após cento e vinte e sete anos de caminhada com o Eterno e com seu marido Avraham, agora Sarah chega ao fim de sua existência. Este fato que nos é narrado nos fala da vida de uma mulher que foi totalmente transformada pelo Eterno! A mulher que havia sido concebida como uma “minha princesa” – significado do nome Sarai – agora transforma-se numa “princesa, dama da corte, rainha” – significado do nome Sarah – e isso fez muita diferença, não somente em sua vida, mas também na vida de Avraham e de todos aqueles que os conheciam. A palavra sarâh também provém de uma raiz que significa lutar, contender, ter poder. Dela resulta o substantivo “Israel”, que significa “aquele que contende (luta) com El”. Quando o Eterno muda o nome de uma pessoa, Ele também realiza uma profunda mudança interior, de caráter, de personalidade, de atitudes, de posturas. Neste caso, ele retira uma letra do nome de Sarai e coloca outra, que está em seu próprio nome! Isso aponta para algo extraordinário: o Eterno colocou algo de si mesmo em Sarai e transformou-a em Sarah! Nós nos lembramos também que Sarai era uma mulher estéril, e isso era considerado no oriente como uma maldição – mas já com Sarah as coisas mudam! O Eterno muda a vida desta mulher de tal forma que ela é transformada interiormente – em seu corpo físico – a ponto de conceber uma criança aos noventa anos de idade! A restauração feita

pelo Senhor foi tão grande e tão perfeita que todos os órgãos interiores de Sarah certamente foram renovados, pois ela necessitava disso a fim de suportar uma gestação segura e tranqüila!

É neste contexto que o livro de Bereshit (Gênesis) relata a morte desta mulher que mudou a história do povo de Israel, pois foi justamente dela – outrora uma mulher estéril – que milagrosamente o Eterno fez conceber e dar à luz ao filho da promessa: Iitshaq! Por isso o relato nos informa que Sarah morreu em Quiriate-Arba, que é Hebrom. Traduzindo a palavra “Quiriate-Arba” teremos literalmente, qeriat, que em hebraico significa "cidade"; provém da raiz qarâ que significa “encontrar-se”, sendo a cidade um local de encontro das pessoas. Já a palavra arba significa "quatro". Esta cidade chama-se Hebron, que em hebraico significa "união, confederação, associação, liga". É aqui que ela se une ao seu D-us e Senhor na consumação de sua vida terrena! Nada mais há para acrescentar à sua vida. A reação de Avraham e dos seus é previsível e compreensível: “e veio Avraham lamentar Sara e chorar por ela”. Não havia outra coisa a ser feita, pois para Avraham a sua “princesa” partira e ele fora deixado só, sem a companhia daquela que ele tanto amara e por quem tanto lutara! Só resta o pranto daqueles que a amavam e que agora externavam todo o seu amor e carinho por Sara lamentando e chorando por aquela mulher exemplar e mãe da nação de Israel.

Avraham procura os residentes da região onde se encontrava a fim de comprar-lhes um local para sepultar Sarah. “Depois se levantou Avraham de diante de sua morta, e falou aos filhos de Hete, dizendo:

Estrangeiro e peregrino sou entre vós; dai-me possessão de sepultura convosco, para que eu sepulte a minha morta de diante da minha face” (Gn 23:3-4). Em sua palavra aos heteus, Avraham lhes diz duas coisas muito importantes: ele se auto-denomina estrangeiro, em hebraico ger e esta palavra significa "peregrino". A palavra refere-se a alguém que não desfrutava dos direitos que geralmente o residente possuía. Mas ele também diz ser peregrino, em hebraico tôshab, significando peregrino. Esta palavra refere-se ao assalariado temporário e sem terra. Em seu relato Avraham diz a eles que não possui os direitos legais nesta terra porque sua passagem por ali é temporária! É justamente por isso que ele precisou comprar um local a fim de enterrar ali Sarah.

O fato em si não parece ser muito importante, pois Avraham está apenas comprando uma sepultura para sua mulher, mas não é assim que o Eterno vê as coisas! Avraham estava através deste ato tomando posse da terra pela qual ele caminhara anteriormente, terra esta que havia sido prometida a ele pelo Senhor como sua possessão! Agora o Senhor estava estabelecendo um marco legal naquela terra, pois Avraham compra a terra que D-us lhe prometera e sela a promessa do Eterno para si e para sua família! Avraham faz algo que chamamos de “ato profético”, pois o que ele fez naquele momento mostrava algo ainda maior que aconteceria no futuro!

Os filhos de hete falam assim a Avraham: “E responderam os filhos de Hete a Avraham, dizendo-lhe: Ouve-nos, meu senhor; príncipe de Deus és no meio de nós; enterra a tua morta na mais escolhida de nossas sepulturas; nenhum de nós te vedará a sua sepultura, para enterrar a tua morta” (Gn 23:5-6). O que eles declaram aqui? Eles chamam a Avraham de “príncipe de D-us”, em hebraico “nasik Elohim” e isso significa que eles reconhecem que Avraham é um príncipe do D-us Criador dos céus e da terra. Aqueles homens sabiam quem era o D-us de Avraham, pois certamente viram aquilo que estava sendo feito pelo Eterno na vida de Avraham e de sua família! Por isso os heteus reconheciam publicamente a posição de Avraham, que pouco antes havia declarado sobre si mesmo ser um estrangeiro sem direitos numa terra estranha! Estes homens não vêem Avraham desta forma! Eles realmente reconhecem quem ele é e a quem ele serve!

Avraham tem uma atitude natural de quem está em meio a um povo estranho como peregrino. “Então Avraham se inclinou diante da face do povo da terra” (Gn 23:12). Apesar do reconhecimento dos filhos de hete quanto à condição de Avraham, ele inclina-se em sinal de humildade e diz os heteus aquele lugar que lhe agrada a fim de sepultar Sara. Ele sabe que por enquanto, eles são “o povo da terra”. Esta frase me hebraico é “le am há eretz”. Este povo eram os filhos de Het. Esta palavra vem da raiz hat que pode também significar "pavor, medo". Também significa "estar despedaçado, espatifado, aterrorizado". Certamente já havia em seus corações um certo “incômodo” que posteriormente viria a confirma-se pois este povo haveria de ceder lugar ao verdadeiro “le am há eretz”, que são os filhos de Israel. Os filhos de het estavam ali assustados, apavorados, com medo diante da figura de Avraham, que era o herdeiro legal da terra; agora possuidor de um pedaço da terra que finalmente uniria Israel como um povo e uma nação eleita!

A sepultura comprada por Avraham foi a de Efrom e que lhe custou quatrocentos siclos de prata. Esse valor eqüivaleria ao peso de 46,5 Kg em prata! “Meu senhor, ouve-me, a terra é de quatrocentos siclos de prata; que é isto entre mim e ti? Sepulta a tua morta” (Gn 23:15).

A definição deu-se com o pesar do dinheiro e o pagamento da quantia solicitada pelos naturais da terra. Então Avraham pode enterrar ali sua morta, conforme está escrito: “E depois sepultou Avraham a Sara sua mulher na cova do campo de Macpela, em frente de Manre, que é Hebrom, na terra de Canaã” (Gn 23:19).

Agora a preocupação de Avraham será outra: ele já está em idade avançada e quer ver seu filho Iitshaq casar-se com uma mulher que lhe seja dada pelo D-us Eterno! “E era Avraham já velho e adiantado em idade, e o Senhor havia abençoado a Avraham em tudo” (Gn 24:1). O que a Escritura nos diz aqui? Ela nos informa que Avraham era velho. A palavra em hebraico é zaquen (!qez") e significa velho,

ancião, idoso. Mas também somos informados de que o Senhor – IHWH – havia abençoado, em hebraico barak (%r;Be), que significa, dar poder para alguém ser próspero, bem sucedido e fecundo. Avraham em sua idade avançada poderia olhar para seu passado e também para seu presente e dizer que Aquele que se torna aquilo que ele precisa o havia feito ser próspero, bem sucedido e fecundo em todas as áreas de sua vida. Isso demonstra-nos que por causa da profunda relação de amor e amizade entre Avraham e o Eterno, Ele o havia abençoado! Mas não nos esqueçamos de que a base para receber-se qualquer coisa do Senhor é a obediência! Foi justamente neste aspecto que Avraham foi provado e aprovado pelo Senhor e foi justamente por isso que o Senhor fez a Avraham aquilo que fez.

Agora ele quer ver com seus próprios olhos outra bênção do Senhor para sua vida: a felicidade de Iitshaq. Por isso ele chama seu servo – seu homem de confiança – e lhe dá instruções de como agir neste caso: “E disse Avraham ao seu servo, o mais velho da casa, que tinha o governo sobre tudo o que possuía: Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa, para que eu te faça jurar pelo Senhor Deus dos céus e Deus da terra, que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito. Mas que irás à minha terra e

à minha parentela, e dali tomarás mulher para meu filho Iitshaq” (Gn 24:2-4). Este homem tinha um alto grau de relacionamento com Avraham e também uma alta estima por seu senhor, por isso ele o ouve atentamente em suas recomendações. Quando Avraham lhe diz:

“Põe agora a tua mão debaixo da minha coxa” a palavra traduzida por debaixo é tahat e significa "debaixo de, abaixo". Mas a palavra traduzida por coxa é yarek e significa "coxa, lombo". Ela significa o local onde o homem gera a sua descendência, ou seja, o seu órgão genital! Ela – a coxa - é usada de forma figurada a fim de indicar o órgão genital masculino. Mas o que Avraham estava fazendo na realidade? Que estranho pedido era esse que ele fazia ao seu servo? Devemos entender isso de acordo com a mentalidade oriental para não nos “escandalizarmos” com o que Avraham pediu ao seu servo. O órgão genital masculino era usado a fim de gerar a vida numa relação conjugal. Quando o Senhor ordena que seja feita a circuncisão no órgão genital masculino, seu objetivo é o de fazer uma aliança com a vida! E é justamente isso o que Avraham está pedindo ao seu servo:

que ele faça uma aliança com ele (Avraham) – através da vida que ele gerara – de que ele não buscaria uma esposa para Itshaq dentre os filhos dos cananeus, que eram um povo estranho e trariam aos hebreus uma mistura em sua raça. Isso certamente atrapalharia os planos do eterno de suscitar o Messias da descendência de Avraham! Por isso ele tem todo este cuidado quanto ao casamento de Iitshaq.

A continuidade da conversa entre Avraham e seu servo nos diz o quanto ele estava preocupado com este fato: “Para que eu te faça jurar pelo IHVH Elohim dos céus e Elohim da terra, que não tomarás para meu filho mulher das filhas dos cananeus, no meio dos quais eu habito” (Gn 24:3). O ato descrito acima é seguido de um juramento. A

palavra “jurar” é shaba e significa "jurar, conjurar, comprometer-se por juramento". E Avraham interpõe entre ele e seu servo o Senhor D- us. Aqui temos noção da importância do que ele diz quando vemos que usou as palavras IHWH Elohim. Você poderia perguntar: mas o que isso significa? Significa que Avraham colocou Aquele que se tornara o que ele precisou que é também o Criador do Universo como a testemunha de que seu servo haveria de cumprir o que prometera a Avraham em relação à esposa para seu filho Iitshaq. Com isso, Avraham tencionava resguardar-se de que nada haveria de acontecer a fim de impedir que os propósitos de D-us se cumprissem na vida de seus descendentes. A esposa de Iitshaq deveria ser de sua parentela, ou seja, deveria ser descendente física de Avraham!

Avraham e seu servo agora falam sobre o que poderia acontecer

nesta jornada: “E disse-lhe o servo: Se porventura não quiser seguir- me a mulher a esta terra, farei, pois, tornar o teu filho à terra donde saíste? E Avraham lhe disse: Guarda-te, que não faças lá tornar o meu filho. O IHVH Elohim dos céus, que me tomou da casa de meu

pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho. Se a mulher, porém, não quiser seguir-te, serás livre deste meu juramento; somente não faças lá tornar a meu filho” (Gn 24:5-8). O servo de Avraham argumenta logicamente, pois sabe que sua jornada poderá ser infrutífera. Porém a resposta de Avraham é categórica e externa (declara) aquilo que ele crê que acontecerá: “O IHVH Elohim dos céus, que me tomou da casa de meu pai e da terra da minha parentela, e que me falou, e que me jurou, dizendo: À tua descendência darei esta terra; ele enviará o seu anjo adiante da tua face, para que tomes mulher de lá para meu filho”. Avraham crê que o Eterno já estava providenciando tudo para seu servo e a sua visita à parentela de Avraham fora precedida por um anjo que haveria de preparar a circunstância de tal forma que tudo seria encaminhado conforme Avraham crera e declarara! Nesta conversa ele declara diversas promessas que o Eterno lhe fizera, e que agora haveria de cumprir:

  • 1. Avraham fala sobre o Eterno como IHWH Elohim.

  • 2. O Eterno falou e jurou a ele. Aqui são usadas duas palavras

“fortes”, de um grande significado. O termo “falar” vem do hebraico amar que significa "dizer, falar, ordenar". Já a palavra “jurar” vem do hebraico shaba´ que significa "jurar, conjurar"; traz consigo a idéia de “prender-se a um juramento”.

3.

...

à

tua descendência daria esta terra”. A palavra “esta terra” é

“ha eretz”; esta denominação é a mesma dada à terra de Israel!

  • 4. O Eterno enviaria juntamente com o servo de Avraham (Eliézer),

Elietzer que significa “El ajuda” o seu anjo a fim de garantir o

sucesso da missão daquele homem. A palavra “anjo” em hebraico é malako, que significa “meu anjo”.

Após dadas as instruções e esclarecidas as dúvidas sobre a viagem a ser realizada, então cumpre-se o ritual de “por-se a mão debaixo da coxa” conforme explicado anteriormente.

Agora o servo de Avraham sai em sua jornada em busca da esposa

para Iitshaq. “E o servo tomou dez camelos, dos camelos do seu senhor, e partiu, pois que todos os bens de seu senhor estavam em sua mão, e levantou-se e partiu para Mesopotâmia, para a cidade de Naor. E fez ajoelhar os camelos fora da cidade, junto a um poço de água, pela tarde, ao tempo que as moças saíam a tirar água. E disse:

Ó IHVH, Elohim de meu senhor Avraham, dá-me hoje bom encontro, e faze beneficência ao meu senhor Avraham! Eis que eu estou em pé junto à fonte de água e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água; seja, pois, que a donzela, a quem eu disser: Abaixa agora

o teu cântaro para que eu beba; e ela disser: Bebe, e também darei de beber aos teus camelos; esta seja a quem designaste ao teu servo Iitshaq, e que eu conheça nisso que usaste de benevolência com meu senhor” (Gn 24:10-14). Elietzer parte para a terra de Aram neharaim. A palavra aram em hebraico significa Arã, Síria. Já o termo neharaim significa "rios". Então, a tradução literal seria “Síria entre rios”; esta região é conhecida como Mesopotâmia. Ele estava indo para a “cidade de Naor”. A palavra Naor vem do termo hebraico que significa "consolação".

Quando lemos o exposto acima então entendemos que Avraham contou com seu servo que se chama “El (D-us) ajuda” a fim de trazer para seu filho Iitshaq (Ele rirá) uma esposa, e ele foi procurá-la na cidade da consolação, pois o rapaz precisava disso para esquecera morte de sua mãe!

Neste texto também percebemos o que realmente aconteceu: aquele homem que há tanto tempo caminhara com Avraham havia também recebido de seu senhor uma outra influência: a fé no Eterno! Ele reconhece quem é o Senhor e solicita que venha d’Ele a revelação e a resolução de um problema que nenhum homem poderá em tempo algum fazer de forma completa: escolher para si uma esposa que lhe seja idônea e que o faça feliz! Somente Um conhece o coração do homem a fim de determinar quem é melhor para quem! Este homem ao orar declara sua inteira dependência do Eterno em sua jornada e em sua escolha e ainda mais: ele pede que o Eterno faça “beneficência” para com seu senhor Avraham. A palavra “beneficência” em hebraico é hesed e significa "bondade, bondade amorosa, misericórdia". Nós percebemos que o que aquele homem pediu para seu senhor foi algo plausível de ser atendido pelo Eterno, pois este homem conhecia o nível de relacionamento entre o Eterno e Avraham e agora pede que o eterno tenha para com Avraham bondade amorosa! Ele sabia o quanto era importante para Avraham

que Iitshaq se casasse com a mulher certa e que fosse plenamente feliz!

Além disso, aquele homem pede ao Eterno que uma determinada situação sirva como um “sinal” de que ele estaria diante da pessoa certa para Iitshaq. Ele fica então num local estratégico – o poço onde as moças iam retirar água para suas casas – e ali espera por uma resposta do D-us de Avraham!

Certamente aquele homem não esperava que o Eterno agisse tão rapidamente em resposta à sua oração, mas foi assim que sucedeu!

“E sucedeu que, antes que ele acabasse de falar, eis que Rebeca, que

havia nascido a Betuel, filho de Milca, mulher de Naor, irmão de Avraham, saía com o seu cântaro sobre o seu ombro. E a donzela era mui formosa à vista, virgem, a quem homem não havia conhecido; e desceu à fonte, e encheu o seu cântaro e subiu. Então o servo correu- lhe ao encontro, e disse: Peço-te, deixa-me beber um pouco de água do teu cântaro. E ela disse: Bebe, meu senhor. E apressou-se e abaixou o seu cântaro sobre a sua mão e deu-lhe de beber. E, acabando ela de lhe dar de beber, disse: Tirarei também água para os teus camelos, até que acabem de beber. E apressou-se, e despejou o seu cântaro no bebedouro, e correu outra vez ao poço para tirar água, e tirou para todos os seus camelos. E o homem estava admirado de vê-la, calando-se, para saber se o IHVH havia prosperado a sua jornada ou não” (Gn 24:15-21). Parece impressionante, mas foi isso justamente o que o Senhor fez, pois aparece em cena Rivqah, que em hebraico significa a que liga, que une. Essa moça tinha algumas características que a faziam destacar- se: era muito bonita e virgem. A palavra virgem em hebraico é betûlâ, e significa "virgem, jovem, moça". Isso nos dá idéia de que Rebeca era muito bela porém ainda uma jovem. Para efeito de comparação poderíamos dizer que Rebeca era uma jovem que nesta época deveria ter entre treze e quinze anos! Quando o servo de Avraham a vê e pede a ela água, ele fica realmente muito espantado com a resposta dela: ela fala e faz justamente aquilo que ele havia pedido como um sinal de que aquela seria a esposa para Itzhaq! Ele aguarda até que tudo esteja plenamente consumado e espera “E o homem estava admirado de vê-la, calando-se, para saber se o Senhor havia prosperado a sua jornada ou não”. A palavra aqui traduzida por Senhor é o tetragrama. E isso significa que Aquele que se tornara aquilo que necessitamos estava agora se tornando para o servo de Avraham a solução de seu problema e pondo fim à sua busca! Já a palavra “prosperar” vem do termo hebraico tsaleah que significa "vencer, ter sucesso, ser útil, dar bom resultado, experimentar abundância". Temos então a conclusão da oração feita por Elietzer da seguinte forma: O Eterno se tornara para ele a solução de sua busca dando-lhe um bom resultado dentro daquilo que ele necessitava!

Agora vem o momento da revelação, quando aquele homem aproxima-se de Rebeca a fim de dizer-lhe o que ele fazia ali: “E

aconteceu que, acabando os camelos de beber, tomou o homem um pendente de ouro de meio siclo de peso, e duas pulseiras para as

suas mãos, do peso de dez siclos de ouro; e disse: De quem és filha? Faze-mo saber, peço-te. Há também em casa de teu pai lugar para nós pousarmos? E ela lhe disse: Eu sou a filha de Betuel, filho de Milca, o qual ela deu a Naor. Disse-lhe mais: Também temos palha e muito pasto, e lugar para passar a noite. Então inclinou-se aquele homem e adorou ao IHVH, e disse: Bendito seja o IHVH Elohim de meu senhor Avraham, que não retirou a sua benevolência e a sua verdade de meu senhor; quanto a mim, o IHVH me guiou no caminho à casa dos irmãos de meu senhor” (Gn 24:22-27). Quando ele revela a Rebeca o propósito de sua ida àquele lugar e lhe pergunta sobre sua parentela e também sobre a possibilidade de passar a noite juntamente com seus animais na casa de seus pais, ela rapidamente fala que isso é possível. Então ele reage assim: “Então inclinou-se aquele homem e adorou ao Senhor”. Neste verso temos duas palavras diferentes com significados similares em português. A primeira é a palavra “inclinar-se” que vem do termo hebraico qarar e significa "derrubar". Já a palavra “adorou” é shaha e significa "inclinar-se, ajoelhar-se"; a palavra que define o Eterno aqui é o tetragrama! Novamente o servo de Avraham reconhece que Aquele que se tornara a solução de sua busca merecia todo o crédito e a adoração pelo que havia acontecido até então! Sua busca terminara com sucesso, graças à interferência do Eterno D-us de Israel!

O comentário daquele homem reflete seu “estado de espírito” naquele momento: “e disse: Bendito seja o IHVH Elohim de meu senhor Avraham, que não retirou a sua benevolência e a sua verdade de meu senhor; quanto a mim, o Senhor me guiou no caminho à casa dos irmãos de meu senhor”. Elietzer declara ser o Eterno “IHVH Elohim e meu senhor Avraham”; porém esta frase ficaria melhor traduzida assim: O Eterno Criador e Senhor de Avraham! Ele afirma que o Eterno não retirou dele sua benevolência. Esta palavra em hebraico vem do termo hesed que significa "bondade, bondade amorosa, misericórdia". Isso demonstra que havia uma atitude de “amor em movimento” justamente na direção de Avraham por parte do Eterno que o estaria abençoando justamente naquilo que lhe era mais caro, precioso: a vida de seu filho! O Eterno também o abençoara dando-lhe sua “verdade”! Esta palavra vem do termo hebraico ´emet e significa "verdade, fidelidade, veracidade". Ou seja, Elietzer está tendo confirmadas as palavras que dissera ao Senhor quando de sua partida com a incumbência de buscar uma esposa para Iitshaq diante de seus próprios olhos!

Então acontece agora que Rivqah volta à sua casa e diz aos seus o que lhe sucedera, e sua família fica surpresa e quer conhecer aquele homem e saber mais sobre o acontecido. Então o servo de Avraham vai à casa de Naor, conta-lhes a história que motivou sua ida até ali e então a família reconhece que este fato veio do Senhor para ajuntar

as famílias e abençoa-los mutuamente através do casamento de Iitshaq e Rebeca.

Agora chega a hora de consultar a Rivqah quanto à tudo o que acontecera: “E chamaram a Rebeca, e disseram-lhe: Irás tu com este homem? Ela respondeu: Irei. Então despediram a Rebeca, sua irmã, e sua ama, e o servo de Avraham, e seus homens. E abençoaram a Rebeca, e disseram-lhe: Ó nossa irmã, sê tu a mãe de milhares de milhares, e que a tua descendência possua a porta de seus

aborrecedores!” (Gn 24:58-60). Agora Rebeca fala de seu desejo de ir com o servo de Avraham a fim de conhecer seu marido e seus familiares enviam-na à seu novo lar debaixo de bênçãos e palavras proféticas que também determinariam o futuro de seus filhos! Quando eles abençoam-na, aqui eles utilizaram a palavra barak, que significa "dar poder para alguém ser próspero, bem sucedido e fecundo"! A palavra com a qual eles abençoaram-na fala que a descendência de Rivqah – a sua zerá – descendência física, haveria de possuir a porta de seus inimigos. A palavra “porta” em hebraico é sha´ar significando porta (de uma cidade). Isso nos diz que os seus descendentes poderiam reivindicar a possessão ou herança (também a autoridade local de onde morassem) daqueles que os aborrecessem. A palavra “aborrecer” em hebraico é sane e quer dizer odiar, ser odioso. Exprime uma atitude emocional diante de pessoas ou coisas que são combatidas, detestadas, desprezadas e com os quais não se deseja ter nenhum contato ou relacionamento. Isso nos mostra que a palavra profética que foi liberada para Rivqah era extremamente positiva e realmente traria no futuro sobre a vida dela inúmeras bênçãos, inclusive o milagre da cura da esterilidade!

Finalmente a partida de Rivqah com suas moças e o tão esperado

momento do encontro com Iitshaq aproximam-se! “E Rebeca se levantou com as suas moças, e subiram sobre os camelos, e seguiram o homem; e tomou aquele servo a Rebeca, e partiu. Ora, Iitshaq vinha de onde se vem do poço de Beer-Laai-Rói; porque habitava na terra do sul. E Iitshaq saíra a orar no campo, à tarde; e

levantou os seus olhos, e olhou, e eis que os camelos vinham” (Gn 24:61-63). Enquanto o servo de Avraham juntamente com Rebeca e suas moças iam a caminho de casa, Iitshaq estava no campo, orando, buscando comunhão com o Eterno, e ele certamente pedia ao Senhor que Ele pudesse estar dirigindo toda a situação a fim de que sua esposa pudesse estar já a caminho de seus braços! Ele vinha caminhando da direção de “Beer-Lahai-Ro´i” que literalmente significa “fonte daquele que vive e me vê”. Iitshaq estava no único lugar possível para que sua alma pudesse ser saciada: na “fonte daquele que vive e me vê!” É ali que ele busca o refrigério para suas preocupações e anseios; ali ele bebe da água que lhe traz alívio – não somente ao corpo físico, mas também o espiritual. Foi depois de um destes momentos de oração, quando retorna para sua casa, então Iitshaq levanta os olhos e vê a proximidade do servo de Avraham juntamente com suas acompanhantes e vai ao seu encontro a fim de

recebê-los. A palavra “oração” vem do termo hebraico siah e significa meditar, refletir, conversar, falar, queixar-se. Iitshaq não poderia ter escolhido um lugar melhora para poder ter este contato com o Eterno, certamente falando-lhe de suas preocupações e meditando – trazendo à memória – tudo aquilo que o Senhor já lhe ouvera prometido!

Então, finalmente, chega o grande momento do tão esperado encontro entre Iitshaq e Rivqah: “Rebeca também levantou seus olhos, e viu a Iitshaq, e desceu do camelo. E disse ao servo: Quem é aquele homem que vem pelo campo ao nosso encontro? E o servo disse: Este é meu senhor. Então tomou ela o véu e cobriu-se. E o servo contou a Iitshaq todas as coisas que fizera. E Iitshaq trouxe-a para a tenda de sua mãe Sara, e tomou a Rebeca, e foi-lhe por mulher, e amou-a. Assim Iitshaq foi consolado depois da morte de sua mãe” (Gn 24:64-67).

Após o tão esperado encontro, Iitshaq se aproxima, e Rivqah cobre-se com seu véu. A palavra “véu” vem do termo hebraico tsa´ip e significa roupão, xale, véu; então ela finalmente vê seu marido e é vista por ele. Então, após um breve relato da viagem, Iitshaq e Rivqah vão para a tenda de sua mãe Sarah e ali casam-se. A casamento foi a consumação da união física entre os dois. Não houveram as “formalidades” legais ou certidões, mas somente a união entre dois corpos, fato este que realmente caracterizou o matrimônio de Iitshaq e Rivqah! A escritura nos diz que lê “foi-lhe por mulher”. Esta palavra em hebraico é le isha. Para Iitshaq, seu casamento com Rivqah foi um verdadeiro bálsamo, pois através de sua esposa sua alma fora curada pela perda de sua mãe Sarah. Isso nos mostra que além da união entre duas pessoas, o casamento é muito mais, pois o projeto do Eterno é que haja uma inteira e total integração entre o casal que, havendo necessidades em ambos de cura, essa será efetuada pela atuação do Senhor na vida do cônjuge através de seu par.

Após a consumação do casamento de Iitshaq, a Escritura nos informa novamente sobre Avraham: “E Avraham tomou outra mulher; e o seu nome era Quetura; e deu-lhe à luz Zinrã, Jocsã, Medã, Midiã, Jisbaque e Suá. E Jocsã gerou Seba e Dedã; e os filhos de Dedã foram Assurim, Letusim e Leumim. E os filhos de Midiã foram Efá, Efer, Enoque, Abida e Elda. Estes todos foram filhos de Quetura. Porém Avraham deu tudo o que tinha a Iitshaq; mas aos filhos das concubinas que Avraham tinha, deu Avraham presentes e, vivendo ele ainda, despediu-os do seu filho Iitshaq, enviando-os ao oriente, para a terra oriental. Estes, pois, são os dias dos anos da vida de Avraham, que viveu cento e setenta e cinco anos” (Gn 25:1-7). Isto nos parece de certa forma até exagerado, mas Avraham mesmo em sua velhice e após a morte de Sarah toma para si outra mulher chamada Qeturah cujo nome significa “incenso”, a qual lhe dá outros filhos, e entre eles temos Midian, que os estudiosos crêem ser o pai dos midianitas que aparecerão mais tarde nas Escrituras e serão ferrenhos inimigos de

Israel! Não nos parece estranho que um dos filhos de Avraham venha a tornar-se inimigo mortal da própria descendência de Avraham? Os outros filhos de Avraham foram enviados para o oriente. Esta palavra foi dada quando Avraham vivia nas proximidades de Hebron; sendo assim ao oriente desta cidade temos hoje a Jordânia, a Arábia Saudita e o Iraque! Portanto, podemos então supor que vários dos primitivos habitantes destes países foram os filhos de Avraham com Qeturah e que atualmente transformaram-se em ferozes inimigos e opositores de Israel e dos judeus!

Nós às vezes nos questionamos o porque dessas coisas acontecerem. Vemos na atitude de Avraham uma aberta preferência por Iitshaq – a quem ele dá todas as suas posses – em detrimento dos outros filhos que recebem apenas presentes e são enviados para o oriente com sua mãe. Ao final desta narrativa vemos que Avraham viveu um total de cento e setenta e cinco anos! Espantoso que alguém tenha tido uma vida tão longa e tão produtiva diante do Eterno a ponto de cumprir realmente os propósitos do Senhor e poder morrer em paz.

Agora a Escritura nos declara que Avraham morre. Aqui acontece algo espantoso: “E Avraham expirou, morrendo em boa velhice, velho e farto de dias; e foi congregado ao seu povo; e Iitshaq e Ismael, seus filhos, sepultaram-no na cova de Macpela, no campo de Efrom, filho de Zoar, heteu, que estava em frente de Manre, o campo que Avraham comprara aos filhos de Hete. Ali está sepultado Avraham e Sara, sua mulher. E aconteceu depois da morte de Avraham, que Deus abençoou a Iitshaq seu filho; e habitava Iitshaq junto ao poço Beer-Laai-Rói” (Gn 25:8-11). Neste relato encontramos novamente juntos Ismael e Iitshaq! Após Ismael ter sido enviado com sua mãe para o deserto, nada mais é dito sobre ele. Agora, repentinamente, Ismael reaparece junto de Iitshaq no funeral de Avraham! Isso significa que, mesmo distante do pai, Ismael mantinha algum tipo de contato e recebia informações sobre Avraham de forma que, quando lhe fora dito que Avraham morrera, ele imediatamente viera para o funeral!

A Escritura nos fala que “E aconteceu depois da morte de Avraham, que Deus abençoou a Iitshaq seu filho”. A palavra traduzida aqui é Elohim, o D’us Criador e a palavra “abençoar” é barak! Isso significa que o Criador deu poder a Iitshaq para ser próspero, bem sucedido e fecundo! A mesma unção que estava sobre Avraham agora repousa sobre seu filho Iitshaq! Novamente temos aqui uma clara alusão à escolha de Israel – que é resultado da sucessão que ocorrerá através de Iitshaq – em detrimento dos demais filhos de Avraham! Certamente que tais filhos também foram “abençoados”; porém não na mesma medida que Israel o foi! Aqui, o Criador do Universo Elohim dá a Iitshaq poder para que ele e seus descendentes sejam prósperos, bem sucedidos e fecundos em tudo aquilo que fizerem! Neste caso não há como “revogar” aquilo que o próprio Criador estabeleceu e deu a Israel como uma “herança” perpétua!

Terminamos com o relato sobre a descendência de Ismael: “Estas, porém, são as gerações de Ismael filho de Avraham, que a serva de Sara, Agar, egípcia, deu a Avraham. E estes são os nomes dos filhos de Ismael, pelos seus nomes, segundo as suas gerações: O primogênito de Ismael era Nebaiote, depois Quedar, Adbeel e Mibsão,

Misma, Dumá, Massá, Hadade, Tema, Jetur, Nafis e Quedemá. Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes pelas suas vilas e pelos seus castelos; doze príncipes segundo as suas famílias. E estes são os anos da vida de Ismael, cento e trinta e sete anos, e ele expirou e, morrendo, foi congregado ao seu povo. E habitaram desde Havilá até Sur, que está em frente do Egito, como quem vai para a Assíria; e fez o seu assento diante da face de todos os seus irmãos”

(Gn 25:12-18). Vemos neste comentário algo, no mínimo curioso:

“Estes são os filhos de Ismael, e estes são os seus nomes pelas suas vilas e pelos seus castelos; doze príncipes segundo as suas famílias”. Aqui aparece a palavra “castelos”; ora nós sabemos que os castelos foram idealizados na Europa e isso ocorreu somente na idade média! Qual seria então a solução para este impasse? Em português aparecem duas palavras que foram mal traduzidas: vilas e castelos. A primeira vem do termo hebraico hatsîr e significa "aldeia, povoado". Já o segundo – castelos – vem do termo hebraico tirâ que significa "acampamento, fila de pedras, ameia". Isso nos informa então que os descendentes de Ismael seriam doze homens que seriam os “príncipes” de aldeias e acampamentos. Esta profecia cumpre-se literalmente e hoje temos os descendentes de Ismael espalhados e governando os seguintes países: Jordânia, Síria, Iraque, Irã, Koweit, Qatar, União dos Emirados Árabes, Omã, República Democrática do Iêmem, Iêmem, Arábia Saudita e Líbano.

Ismael, que é o pai das nações árabes, morre com cento e trinta e sete anos e deixa atrás de si os descendentes que levariam à cabo uma saga de ódio e de lutas contra Iitshaq e seus descendentes!

Mas, há ainda uma promessa – válida também para nossos dias - de que os filhos de Israel “possuirão a porta de seus aborrecedores”. Que o Eterno leve a cabo de forma plena esta promessa feita à seus filhos de forma a aniquilar todo o poder que se levanta contra Israel!

Toledot (Gerações)

Começamos nosso estudo com a seguinte informação: “E estas são as gerações de Itshaq, filho de Avraham: Avraham gerou a Itshaq; e era Iitshaq da idade de quarenta anos, quando tomou por mulher a Rivqah, filha de Betuel, arameu de Padã-Arã, irmã de Labão, arameu. E Itshaq orou insistentemente ao Senhor por sua mulher, porquanto

era estéril; e o Senhor ouviu as suas orações, e Rivqah sua mulher concebeu” (Gn 25:19-21). Este parágrafo começa nos falando sobre toledot, que em hebraico significa "gerações, nascimentos". A palavra "gerar" em hebraico é yalad e significa "dar á luz, gerar, produzir, procriar". Significa algo que é produzido ou levado a existir por alguém ou aquilo que procede de tal pessoa. Veremos aqui quem foram os filhos de Itshaq e Rivqah. O texto também nos informa que Iitshaq casou-se aos quarenta anos! Isso nos parece um tanto incomum para os nossos padrões atuais, mas a Escritura nos fala sobre um homem maduro – física, espiritual e emocionalmente – que agora procura casar-se. Isso não se trata e um simples capricho de Iitshaq, mas sim em dar continuidade à promessa que o Eterno fez à sua família. Agora, aos quarenta anos ele está pronto (em todos os aspectos) para casar-se com Rivqah. Este verso nos informa que Rivqah era filha de B´tuel e seu nome pode significar: “homem de El”; “El destrói” ou “casa de El”.

Novamente temos aqui um outro aspecto que identifica Itshaq com Avraham: ele orou para que sua esposa pudesse conceber! Esta palavra “orar” vem do termo hebraico ´atar e significa "orar, suplicar". Esta palavra é incomum em seu uso como “oração”, pois denota uma posição de súplica intensa, um ato de implorar algo a

alguém. Nesta mesma raiz temos também os significados de “ser abundante” e “perfume (de incenso)”.

A palavra usada aqui para Senhor é o tetragrama (IHVH) e significa que o Senhor se tornaria aquilo que Itshaq necessitava naquele momento: a cura de Rivqah! O texto nos diz que ela era ‘aqar, que em hebraico significa estéril. Isso nos fala sobre a sua incapacidade em gerar um filho de seu próprio ventre. Na antigüidade as mulheres estéreis eram consideradas como amaldiçoadas. Certamente que Itshaq sabia disso e foi Àquele que poderia resolver seu problema e o Eterno ouviu seu clamor. Novamente a Palavra nos diz o seguinte: “e o Senhor ouviu as suas orações, e Rivqah sua mulher concebeu”. A palavra "conceber" em hebraico é harâ e significa "conceber, engravidar". Aquilo que parecia uma maldição agora é devidamente mudado pelo Eterno que dá a Rivqah a capacidade de engravidar e ter um filho sem qualquer interferência humana! Nós sabemos que o Eterno agiu neste curto período duas vezes a fim de trazer a nação de Israel à existência: curou Sarah e Rivqah de esterilidade! Sim, quando o eterno determina que algo deva acontecer ele usa de seus ilimitados recursos a fim de cumprir cada um de seus bons propósitos na vida do homem!

Agora é Rivqah quem entra em cena: “E os filhos lutavam dentro dela; então disse: Se assim é, por que sou eu assim? E foi perguntar ao Senhor. E o Senhor lhe disse: Duas nações há no teu ventre, e dois povos se dividirão das tuas entranhas, e um povo será mais forte do que o outro povo, e o maior servirá ao menor” (Gn 25:22-23).

No início destes versos temos novamente a palavra “Senhor” que é o tetragrama (IHVH)! Agora é Rivqah quem busca por algo e o Eterno torna-se para ela a resposta ao seu questionamento! O que lhe é dito nos mostra novamente o extensão do plano do Eterno para com as nações do mundo: Ele falou-lhe que havia dentro do ventre dela haviam duas nações. É notável que os meninos já “lutavam” dentro dela. Esta palavra “lutavam” vem do termo hebraico ratsats e significa "esmagar, oprimir". Antes mesmo do nascimento dos dois garotos já havia entre eles uma “disputa” num nível inimaginável, pois estando eles ainda no ventre de Rivqah já tentavam “esmagar- se”, “oprimir-se” um ao outro! A palavra ventre é beten e significa "ventre, barriga". No hebraico esta palavra denota “o abdômen inferior”. A palavra nações em hebraico é goi e significa nações gentílicas. Isso não nos parece estranho? Sabemos que Esav é o pai dos edomitas, mas Ia´aqov dá origem às doze tribos de Israel. Como então entender esta palavra? Isso somente pode ser entendido quando percorremos a história e vemos que o Eterno fez com que Israel fosse pulverizado pelo mundo pelo menos em duas ocasiões: no cativeiro Assírio – quando dez tribos foram para lá e não mais retornaram. Os que voltaram foram somente um pequeno remanescente - e na destruição de Israel no ano 70 d. C. pelo general romano Tito. Isso nos mostra que durante a história da humanidade

houve uma assimilação muito grande dos judeus no mundo e isso também nos fala de pessoas que viriam a conhecer ao Eterno sem que realmente soubessem quem são. Há muitos judeus cujas identidades foram perdidas durante a história e que hoje são crentes em Ieshua! Então agora percebemos o por que desta palavra dada a Rivqah sobre seus filhos! Seu cumprimento maior estendia-se até os nossos dias e com uma amplitude ainda desconhecida por nós!

Há ainda um outro detalhe: no fim do verso temos uma profecia: “e o maior servirá ao menor”. Esta profecia tem se cumprido ao longo dos séculos, pois Israel tem tido a primazia sobre seus “meio-irmãos” descendentes de Esaú!

O nascimento dos garotos se deu assim: “E saiu o primeiro ruivo e todo como um vestido de pêlo; por isso chamaram o seu nome Esaú. E depois saiu o seu irmão, agarrada sua mão ao calcanhar de Esaú;

por isso se chamou o seu nome Ia´aqov. E era Itshaq da idade de sessenta anos quando os gerou” (Gn 25:25-26). Temos agora um vívido retrato de como tudo aconteceu! Os garotos nasceram prontamente foram diferenciados: Esav significa "cabeludo". Isso se deu porque o menino tinha muito cabelo (pêlo) em seu corpo. Já seu irmão foi chamado de Ia´aqov justamente por estar segurando no calcanhar (que é tido como o ponto fraco do homem). Seu nome significa “calcanhar do Senhor”. Quando os garotos nasceram Itshaq já tinha sessenta anos! Vimos acima que ele casa-se com quarenta anos e que ele orou durante vinte anos para que sua esposa concebesse! Isso nos faz pensar muito, pois vivemos num mundo instantâneo, onde buscamos sempre os caminhos mais fáceis a fim de atingirmos os resultados desejados mais rapidamente. Itshaq orou sem desistir durante muito tempo a fim de que sua esposa fosse curada! Ele não percorreu nenhum caminho mais fácil ou buscou um atalho para receber aquilo que tanto necessitava. Aprendemos com Itshaq a não desfalecermos, ainda que a resposta tão esperada não venha imediatamente como esperamos.

Com o passar do tempo cada qual se “especializa” em alguma coisa:

Esav foi um perito em caça; já Ia´aqov viva uma vida tranqüila, mais caseira. A frase “perito em caça” vem do hebraico iadâ tsaiid e significa "ter conhecimento prático em caça". Já Ia´aqov habitava em tendas. A palavra “tenda” vem do termo hebraico ´ohel e significa "tenda, habitação". Esta palavra foi usada para definir o tabernáculo de Moshe! Ou seja, enquanto Esav “divertia-se” caçando, Ia´aqov divertia-se ficando “na tenda” (que aponta para o tabernáculo), ou seja, na presença do Eterno! Foi num destes episódios de caça que aconteceu um dos fatos que revelaram aquilo que Esav sentia de fato

por si mesmo e pelos direitos que possuía: “E Ia´aqov cozera um guisado; e veio Esaú do campo, e estava ele cansado; e disse Esaú a Ia´aqov: Deixa-me, peço-te, comer desse guisado vermelho, porque estou cansado. Por isso se chamou Edom. Então disse Ia´aqov:

Vende-me hoje a tua primogenitura. E disse Esaú: Eis que estou a

ponto de morrer; para que me servirá a primogenitura? Então disse Ia ´aqov: Jura-me hoje. E jurou-lhe e vendeu a sua primogenitura a Ia

´aqov” (Gn 25:29-33). Aqui Ia´aqov tira proveito da situação de seu irmão e “compra-lhe” o direito de primogenitura. A palavra traduzida por primogenitura é bekorâ e significa "direito de primogenitura". A idéia envolve especialmente as reivindicações legais do filho mais velho de uma porção dupla da herança e de outros direitos que lhe poderiam pertencer como mais velho. Este “acordo” foi fechado através de um juramento. A palavra “jurar’ vem do termo hebraico shaba´ e significa "jurar, conjurar"; traz a idéia de “prender-se a um juramento”.

Esav então faz aquele negócio com seu irmão e demonstra o que pensa sobre isso: “E Ia´aqov deu pão a Esaú e o guisado de lentilhas; e ele comeu, e bebeu, e levantou-se, e saiu. Assim desprezou Esaú a sua primogenitura” (Gn 25:34). A Escritura nos diz que Esav desprezou a sua primogenitura. A palavra "desprezar" é bazâ e significa "desprezar, desdenhar, manter sob desdém". O sentido básico da raiz é “dar pouco valor a alguma coisa”. Quando Esav desdenha seu direito sobre as bênçãos que naturalmente seriam suas, o próprio D-us então transfere a Ia´aqov este direito a fim de cumprir também a profecia que fora dada a Rivqah: “o maior serviria ao menor”. O Eterno age de forma a concretizar seus objetivos e planos através da vida daqueles que lhe obedecem.

Quando houve um período de fome na terra de Canaã, Itshaq vai para o Egito a fim de não ser atingido por essa assolação. Quando isso acontece então o Eterno fala com Iitshaq dizendo-lhe: “E apareceu- lhe o Senhor, e disse: Não desças ao Egito; habita na terra que eu te disser” (Gn 26:2). A palavra Senhor aqui é novamente o tetragrama! Isso significa que o Eterno se tornaria aquilo que Iitshaq novamente necessitaria: a provisão contra a fome! Iitshaq somente teria de obedecer – não indo buscar ajuda no Egito - a fim de receber aquilo que o eterno já havia preparado para ele!

A palavra do Eterno para Iitshaq foi: “Peregrina nesta terra, e serei contigo, e te abençoarei; porque a ti e à tua descendência darei todas estas terras, e confirmarei o juramento que tenho jurado a Avraham teu pai; e multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus, e darei à tua descendência todas estas terras; e por meio dela serão benditas todas as nações da terra; porquanto Avraham obedeceu à minha voz, e guardou o meu mandado, os meus preceitos, os meus estatutos, e as minhas leis” (Gn 26:3-5). As primeiras palavras do Senhor para Itshaq foram: Peregrina nesta terra! A palavra peregrinar é gûr em hebraico e significa "residir, ajuntar-se, ser estrangeiro, morar (em/com), reunir, permanecer, peregrinar, habitar". A ordem é que ele habite “nesta terra”. A palavra “terra” vem do termo hebraico erets que significa "terra, cidade, mundo".

Houve também a menção do Eterno de abençoar a Itshaq. A palavra abençoar é barak, e significa "dar poder a alguém par ser próspero, bem sucedido e fecundo". Quando juntamos tudo temos o seguinte: o Eterno ordena a Itshaq que resida, habite temporariamente numa terra estranha – pois ali não seria seu lar definitivo – e ele ainda diz que mesmo numa terra estranha ele o abençoaria, dando-lhe poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo! E há ainda outros detalhes: o Eterno continua dizendo que daria à descendência de Iitshaq aquelas terras. A palavra descendência é zerá e significa "descendentes físicos". A terra outrora fora prometida a Avraham e novamente o Eterno repete a promessa que já havia feito a Avraham sobre a terra onde agora eles pisavam! Não há como impedir o agir do Eterno! A palavra se completa dizendo: “e por meio dela serão benditas todas as nações da terra”. Nesta frase temos os elementos que apontam para os dias atuais, pois o Eterno diz que “abençoaria todas as nações da terra” através da semente – descendência física” de Itshaq! As palavras “abençoar” e “semente” já foram comentadas acima; destacaremos somente a palavra “nações” que vem do termo hebraico goi e significa nações gentílicas. Isso nos fala que os judeus haveriam de abençoar – dar poder para serem prósperos, bem sucedidos e fecundos - aos ímpios e pagãos em toda a terra! Ou seja, os judeus seriam o canal através do qual o Eterno daria ao mundo tudo aquilo que eles precisariam para seu viver diário! E não é difícil comprovar isso em nossos dias ...

O Senhor continua falado sobre a descendência física de Iitshaq, dizendo que seriam numerosos, em hebraico rabah que significa "ser grande, tornar-se grande, ser numeroso, tornar-se numeroso". Além disso foi-lhe dito que através dessa descendência física todas as nações da terra – goi – "nações gentílicas", seriam abençoadas. Estas nações então receberiam poder para ser prósperos, bem sucedidos e fecundos! O Senhor liga isso à obediência de Avraham que ouviu-lhe à voz e portanto recebeu do Eterno inúmeras bênçãos!

Itshaq, juntamente com sua família habitou em Gerar. O nome desta localidade - Gerar - significa “casa de guarda (guarita)”. Certamente este era um tempo em que Iitshaq deveria estar numa posição de maior vigilância, pois estava num território estranho, longe de seus familiares e conhecidos e portanto deveria ter cautela em tudo aquilo que fizesse. Seus novos vizinhos quiseram saber quem eram eles e o que os levara para ali. A postura de Iitshaq foi a mesma de Avraham quando desceu ao Egito: ele mentiu sobre sua esposa. E isso quase trouxe uma tragédia sobre o povo que ali habitava! Está escrito assim: “E perguntando-lhe os homens daquele lugar acerca de sua mulher, disse: É minha irmã; porque temia dizer: É minha mulher; para que porventura (dizia ele) não me matem os homens daquele lugar por amor de Rivqah; porque era formosa à vista. E aconteceu que, como ele esteve ali muito tempo, Abimeleque, rei dos filisteus, olhou por uma janela, e viu, e eis que Iitshaq estava brincando com Rivqah sua mulher” (Gn 26:7-8). Apesar daquilo que Itshaq tinha dito

sobre Rivqah, Abimeleq, cujo nome significa “meu pai é Rei”, notou algo estranho entre eles. A nossa tradução diz que eles “brincavam”; no hebraico esta palavra é tsahaq e significa "rir, divertir-se, brincar, acariciar, trocar carícias íntimas". É lógico que alguém veria que entre Itshaq e Rivqah haviam intimidades muito maiores que aquelas que julgamos “normais” entre irmãos! O que acontecia entre eles era que mantinham uma postura tal que procuravam evitar um contato físico maior entre si em público! Porém parece que alguns atos “escaparam” de seu controle e foram vistos “trocando carícias íntimas” entre si. Isso assusta Abimeleq que chama a Iitshaq a fim de questioná-lo sobre o fato, e quando lhe é confirmada a verdade – que Rivqah e Itshaq eram cônjuges – Abimeleq ordena que nenhum homem da terra toque em Rivqah, pois ele sabia que se tal fato ocorresse isso atrairia um enorme problema para todo o povo da cidade.

Quando Iitshaq diz a verdade, ele libera o poder do Eterno a fim de abençoa-lo e multiplica sobre si a consumação daquilo que já havia sido prometido à ele: “E semeou Itshaq naquela mesma terra, e colheu naquele mesmo ano cem medidas, porque o Senhor o abençoava. E engrandeceu-se o homem, e ia enriquecendo-se, até que se tornou mui poderoso” (Gn 26:12-13). Isso demonstra para nós que a obediência aos preceitos do Eterno realmente liberam sobre a vida do homem as suas promessas. Note que Iitshaq estava semeando em terra estranha, mas mesmo assim ele colheu “cem medidas”, porque o Senhor dava a ele poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo em todas as coisas que realizava! A palavra “medidas” vem do termo hebraico sha´ar com o mesmo significado. Na raiz desta palavra temos também o termo "porta (de cidade)" e também o significado de "calcular, estimar". Isso demonstra que quando Itshaq entrou naquela cidade a autoridade do Eterno estava com ele e isso fez com que tivesse sucesso diante dos olhos daqueles filisteus; mais ainda, ele certamente estimou, calculou que sua colheita pudesse ser boa, mas ela foi na medida da “bênção” do eterno (IHVH)! A palavra “colheu” foi mal traduzida, pois vem do hebraico matsa´ que significa “achar”; ou seja, ele semeou e achou, um ano depois, cem medidas (que poderiam ser traduzidas por “portas”) de bênçãos de IHVH!

Com o crescimento e o enriquecimento alarmante de Iitshaq, surgiram também os problemas inerentes a ser rico. Os pastores – que eram os empregados de Itshaq – começaram a ter problemas com aqueles que tinham rebanhos em Gerar, pois eles disputavam entre si os melhores pastos e a água disponível, cada qual para seu rebanho. Iitshaq e os seus saem de Gerar e vão até Beer-sheva, cujo nome significa “poço [ou fonte] dos sete”. Sabemos que o sete representa a totalidade, plenitude; então ali Iitshaq haveria de receber algo do Eterno que lhe traria totalidade, plenitude.

Há uma interpretação do Midrash que nos mostra o motivo por esta disputa:

“Quando os servos do Rei Avimêlech viram como Itshaq ficara rico, sentiram inveja.

Maldosamente, entupiram todos os poços que pertenciam a Yitschac. Estes poços haviam sido cavados pelo pai de Itshaq, Avraham. Yitschac ordenou aos servos: "Limpem meus poços de toda terra e sujeira com que os servos de Avimêlech os encheram."

O Rei Avimêlech se deu conta que a inveja de seus servos poderia lhe trazer problemas. "Vá embora," ordenou ele a Itshaq. "Você ficou muito mais rico que nós."

Itshaq obedeceu, saindo da vizinhança da corte do rei, apesar de permanecer na terra dos pelishtim.

Assim que havia se estabelecido, ordenou aos servos:

"Cavem a terra. Talvez achemos novos poços de água."

Os servos cavaram fundo e encontraram um manancial. Assim que souberam disso, os servos de Avimêlech afirmaram:

"Na realidade, este poço pertence a nós, porque Itshaq achou-o em nossa terra."

Eles expulsaram os servos de Itshaq para longe do poço e o tomaram para si.

Mas algo estranho aconteceu!

Quando os servos do Rei Avimêlech tentaram extrair água do poço, não saía água. O poço havia secado.

Então, os servos de Avimêlech devolveram o poço aos servos de Itshaq. Assim que Itshaq recuperou a posse, este novamente se encheu de água.

Itshaq chamou este poço de Essec, que significa "luta", referindo-se ao fato de os servos de Avimêlech terem lutado por este poço.

Itshaq ordenou aos servos:

"Cavem novamente". Desta vez, acharam um segundo poço e novamente os servos de Avimêlech o tiraram dos servos de Itshaq. Mais uma vez D'us os puniu e, quando tentaram tirar água do poço, este permaneceu seco. Quando os servos de Avimêlech viram isso, devolveram o controle do poço a Itshaq.

Itshaq chamou este poço de Sitna. Sitna quer dizer "distúrbio", porque os servos de Avimêlech o haviam perturbado, tirando-lhe a posse do poço.

Itshaq então ordenou aos servos que voltassem a cavar e estes encontraram um terceiro poço. Desta vez, os servos de Avimêlech não tentaram tirar-lhe o poço. Haviam aprendido a lição!

Itshaq chamou este poço de Rechovot, que significa "espaço amplo" ou "alívio", pois, desta vez, os servos de Avimêlech pararam de discutir com ele; finalmente, encontrou paz e alívio das contendas”.

Então ali acontece algo ainda mais extraordinário: “E apareceu-lhe o Senhor naquela mesma noite, e disse: Eu sou o Deus de Avraham teu pai; não temas, porque eu sou contigo, e abençoar-te-ei, e

multiplicarei a tua descendência por amor de Avraham meu servo. Então edificou ali um altar, e invocou o nome do Senhor, e armou ali a sua tenda; e os servos de Itshaq cavaram ali um poço” (Gn 26:24-25). Agora o Eterno é visto por Itshaq! No original aparece a palavra ra’ah que significa "ver, contemplar", juntamente com o tetragrama – IHVH – o que nos diz que “Aquele que se torna aquilo que necessita o homem” estava diante de Itshaq a fim de tornar-se a solução de seu atual problema! O Eterno diz a Itshaq que ele é Elohim – o D-us Criador que apareceu a Avraham. Ele lhe informa que seria com Itshaq e que o abençoaria – dar-lhe-ia poder para ser próspero, bem sucedido (mais ainda) e fecundo e que ele teria sua descendência física – zerá – multiplicada por amor a Avraham seu pai!

Nós podemos perceber o seguinte: por causa da promessa que havia sido feita a Avraham e ratificada a Itshaq, agora o Eterno aparece a este mesmo Iitshaq a fim de somente confirmar aquilo que já estava sobre sua vida: o fato concreto de estar recebendo tudo o que lhe fora prometido! Nós já vimos que Itshaq era um homem de muito sucesso, graças à sua obediência! Mas o Eterno diz-lhe que ele receberia ainda mais sucesso e engrandecimento familiar! Novamente somos levados a crer que todas estas coisas não devem ocupar o primeiro lugar em nossas vidas. Itshaq não as pediu; porém o Eterno D-us é que apareceu-lhe e informou-lhe que tudo isso seria- lhe dado como uma confirmação da aliança que havia entre o Eterno e ele!

Todos estes fatos ilustram algo que já sabemos, porém não praticamos: a obediência ilimitada traz sobre o homem os ilimitados recursos e bênçãos as mais variadas. Lembre-se que existem nas Escrituras cerca de 8.000 (oito mil) promessas nas mais variadas áreas de nossa vida!

Enquanto isso acontecia, Abimeleq antevia o que seria necessário acontecer: uma aliança entre Itshaq e Abimeleq! A Escritura nos diz o seguinte: “E Abimeleque veio a ele de Gerar, com Auzate seu amigo,

e Ficol, príncipe do seu exército. E disse-lhes Iitshaq: Por que viestes

a mim, pois que vós me odiais e me repelistes de vós? E eles disseram: Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo, por isso dissemos: Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos aliança contigo. Que não nos faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz. Agora tu és o bendito do Senhor. Então lhes fez um banquete, e comeram e beberam” (Gn 26:26-30). Aqui fica claro que a intenção de Abimeleq em fazer uma aliança com Iitshaq era justamente o temor que ele tinha quanto ao fato de Iitshaq, como estrangeiro, estar crescendo tanto, a ponto de trazer-lhe um certo incômodo quanto à segurança de seu povo. Abimeleq em sua conversa com Iitshaq confessa duas coisas importantes: a primeira é quando ele diz “ ... Havemos visto, na verdade, que o Senhor é contigo”. Nesta palavra temos a tetragrama no original IHVH e isso nos diz que Abimeleq reconhecia que ao lado de Itshaq estava Aquele que se torna aquilo que Itshaq necessitava, e que quando Itshaq clamava a este D-us a resposta lhe era dada. Em segundo lugar Abimeleq confessa que necessita fazer um pacto com Itshaq. A palavra "pacto" ou aliança em hebraico é berith e significa "um pacto feito com derramamento de sangue". Era de domínio público que tal aliança não poderia ser desfeita, a não ser que houvesse uma aliança superior àquela feita entre eles. Isso implicaria em que deveria haver um sangue superior ao que fora derramado pelo animal que seria sacrificado para selar o pacto entre eles! Antes do pacto, haveria um juramento. Esta palavra vem do termo hebraico ´alâ e significa "jurar, fazer um juramento solene". Isso significa que ambos primeiro se comprometeram através de suas palavras para depois concretizarem aquilo que fora dito através do derramamento de sangue na morte de um animal.

A proposta de Abimeleq inclui os termos: “Haja agora juramento entre nós, entre nós e ti; e façamos aliança contigo. Que não nos faças mal, como nós te não temos tocado, e como te fizemos somente bem, e te deixamos ir em paz”. Quando ele diz que os deixaria ir em paz, está utilizando a palavra shalom em hebraico que significa "paz, prosperidade, bem, saúde, inteireza, segurança". O que Abimeleq diz é que Itshaq parte dentre eles com tudo o que lhe é de direito, mas também com a ausencia de conflitos, com prosperidade – física, mental e espiritual -, com inteireza e segurança totais! Novamente ele confessa que Itshaq é bendito – barak – do Senhor. Aqui novamente aparece o tetragrama (IHVH). Outra confissão de que Aquele que se torna o que Itshaq necessita, tinha-lhe dado poder para que ele se tornasse próspero, bem sucedido e fecundo! Tudo isso é “selado” com um banquete! O banquete na antigüidade era usado a fim de reconciliar-se pessoas inimigas. Neste caso a aliança foi confirmada entre eles e os ânimos foram apaziguados através da comunhão que tiveram quando comeram juntos.

Após este incidente, aparecem dois versículos, como se fossem um apêndice ao texto nos dando informações sobre Esav. “Ora, sendo

Esaú da idade de quarenta anos, tomou por mulher a Judite, filha de Beeri, heteu, e a Basemate, filha de Elom, heteu. E estas foram para

Iitshaq e Rivqah uma amargura de espírito” (Gn 26:34-35). Esav, de forma contrária ao que certamente lhe fora ensinado, toma por esposas mulheres que não temem – nem conhecem – ao Eterno D-us de seus pais. Ele toma para si duas mulheres: Iehûdît, cujo nome significa "judia"; na Tanach refere-se à língua usada pelos judeus; pode também significar “louvada”. Temos ainda Basemat que significa “especiaria”. Na raiz deste nome temos a palavra basãm que significa "especiaria, tempero, perfume, cheiro ou aroma agradável". O resultado está nas últimas palavras desde capítulo: elas tornaram-se amargura de espírito para Iitshaq e Rivqah, pois certamente conduziam Esav por caminhos que lhes desagradavam profundamente! A palavra “amargura” vêm do termo hebraico morâ que significa "mágoa". Isso é somente o reflexo das atitudes de um filho que não honra seus pais. O resultado final da vida deste homem será de uma grande oposição aos descendentes de seu irmão – Israel!

Na seqüência temos o pedido de Itshaq feito ao seu primogênito Esav para lhe faça um guisado, a fim de que ele Itshaq possa abençoá-lo antes de sua morte. Enquanto Esav sai para caçar o animal, Rivqah chama Ia´aqov e fala-lhe sobre o que irá acontecer. Ela planeja o que

acontecerá então: “Agora, pois, filho meu, ouve a minha voz naquilo que eu te mando: Vai agora ao rebanho, e traze-me de lá dois bons cabritos, e eu farei deles um guisado saboroso para teu pai, como ele

gosta; E levá-lo-ás a teu pai, para que o coma; para que te abençoe antes da sua morte” (Gn 27:8-10). Rivqah quer que Ia´aqov receba a bênção de Itshaq seu pai e não Esav! A palavra "abençoe" em hebraico é barak! Ela deseja que Ia´aqov receba o poder dado por seu pai para ser próspero, bem sucedido e fecundo, pois certamente ela consegue discernir que em Ia´aqov serão chamados os filhos de Israel!

Ia´aqov argumenta com sua mãe dizendo: “Então disse Ia´aqov a Rivqah, sua mãe: Eis que Esaú meu irmão é homem cabeludo, e eu homem liso; Porventura me apalpará o meu pai, e serei aos seus olhos como enganador; assim trarei eu sobre mim maldição, e não

bênção” (Gn 27:11-12). Ia´aqov temia ser amaldiçoado por seu pai Itshaq. A palavra "maldição" em hebraico é qelalâ e exprime o "ser afastado da escolha divina". Perceba que para Ia´aqov o ser incluído nos planos do Eterno é o mesmo que ser amaldiçoado! Isso nos mostra a força do relacionamento que havia entre o Eterno e Ia´aqov. Ele não queria ser excluído dos planos que já haviam sido traçados na Eternidade pelo Senhor! A resposta de Rivqah é ainda mais contundente: “E disse-lhe sua mãe: Meu filho, sobre mim seja a tua maldição; somente obedece à minha voz, e vai, traze-mos” (Gn 27:13). Rivqah assume o ônus da maldição, caso seu plano dê errado!

Ia´aqov faz conforme o que lhe é dito por sua mãe e tudo dá certo, conforme ela planejou! O resultado é que Ia´aqov recebe uma das

mais belas e poderosas bênçãos que um homem pode receber em

sua vida: “Assim, pois, te dê Deus do orvalho dos céus, e das gorduras da terra, e abundância de trigo e de mosto. Sirvam-te povos, e nações se encurvem a ti; sê senhor de teus irmãos, e os filhos da tua mãe se encurvem a ti; malditos sejam os que te

amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem” (Gn 27:28- 29). Esta bênção é completa sobre a vida de Ia´aqov. Quem lhe daria isso seria Ha Elohim O D-us Criador e inclui a provisão dos céus – aquilo que a eternidade liberaria a fim de supri-lo no reino espiritual - também a fartura e abundância da terra – produto de seu trabalho que lhe seria dado pela terra onde ele estivesse. As “gorduras” da terra viriam sobre ele. A palavra “gorduras” vem do termo hebraico shamen e significa "gordura, riqueza". Na mesma raiz temos a palavra shemen que significa "óleo", que era usado para unção. Aqui a terra produz para ele de forma natural - a abundância de trigo e mosto, que representam a provisão diária e a alegria de vida que nunca cessaria de estar sobre ele e seus descendentes. Para Ia´aqov a terra produziria segundo a sua própria “unção”; ou seja, o solo devolveria à ele tudo o que lhe pertencia enquanto estivesse ligado à Palavra obedientemente.

Há ainda algo mais profundo: o Eterno lhe outorga autoridade sobre seus irmãos de tal forma que eles deveriam curvar-se diante dele! Isso equivale a dizer que os judeus receberam autoridade sobre os povos árabes – que são seus “irmãos” – e que estes devem curvar-se

à eles – gostem disso ou não - é o que deve ser feito! E a palavra

completa-se com uma “repetição” de Gênesis 12.3: “

malditos sejam

... os que te amaldiçoarem, e benditos sejam os que te abençoarem”. A palavra malditos – ou maldição – aqui é arar e significa "prender por encantamento, cercar com obstáculos, deixar sem forças para resistir”. Isso significa que todos os que amaldiçoam a Israel ou aos judeus recebem como “prêmio” do Eterno a punição de serem presos pelos encantamentos das trevas, além de serem cercados por vários obstáculos e também serem deixados sem forças para resistir ao mal! Isso tudo porque entram em conflito com aqueles que deveriam abençoar - barak, pois quando isso acontece há uma reciprocidade no reino do espírito e estas pessoas recebem poder para serem prósperas, bem sucedidas e fecundas em todos os aspectos de sua vida!

Foi justamente por isso que dissemos que esta bênção que foi dada a Ia´aqov é uma das mais completas que existem nas Escrituras! Oxalá todos nós possamos ter o real discernimento de que quando nos posicionamos ao lado do Eterno abençoando a Israel e aos judeus, a conseqüência é que somos liberados no mundo espiritual e recebemos o poder que precisamos para triunfarmos! Quando nos posicionamos do lado contrário, certamente estaremos muito próximos de nossa derrota e da falência de nossos projetos, pois o inferno terá livre acesso à nós através de nossa atitude para com Israel!

Após Ia´aqov ter tomado a bênção de Esav, então acontece que chega ao local em que está Iitshaq seu filho Esav e recebe a triste notícia: “Então disse ele: Não é o seu nome justamente Jacó, tanto que já duas vezes me enganou? A minha primogenitura me tomou, e eis que agora me tomou a minha bênção. E perguntou: Não reservaste, pois, para mim nenhuma bênção? Então respondeu Iitshaq a Esaú dizendo: Eis que o tenho posto por senhor sobre ti, e todos os seus irmãos lhe tenho dado por servos; e de trigo e de mosto o tenho fortalecido; que te farei, pois, agora, meu filho? E disse Esaú a seu pai: Tens uma só bênção, meu pai? Abençoa-me também a mim, meu pai. E levantou Esaú a sua voz, e chorou. Então respondeu Iitshaq, seu pai, e disse-lhe: Eis que a tua habitação será nas gorduras da terra e no orvalho dos altos céus. E pela tua espada viverás, e ao teu irmão servirás. Acontecerá, porém, que quando te assenhoreares, então sacudirás o seu jugo do teu pescoço. E Esaú odiou a Jacó por causa daquela bênção, com que seu pai o tinha abençoado; e Esaú disse no seu coração: Chegar-se-ão os dias de luto de meu pai; e matarei a Jacó meu irmão” (Gn 27:36-41).

Após o fato acima as relações entre Esav e Ia´aqov ficaram muito abaladas, pois Esav agora queria somente a morte de Ia´aqov, pois fora enganado pelo mesmo por duas vezes!

Sabendo disso Iitshaq envia Ia´aqov para Padã-Ara a fim de tomar para si uma mulher de entre sua família! Itshaq não queria que Ia ´aqov seguisse os passos de Esav casando-se com uma mulher que não conhecia ao Eterno. E quando ele envia a Ia´aqov suas palavras novamente demonstram com quem estava a bênção do eterno: “E Deus Todo-Poderoso te abençoe, e te faça frutificar, e te multiplique, para que sejas uma multidão de povos; e te dê a bênção de Avraham, a ti e à tua descendência contigo, para que em herança possuas a terra de tuas peregrinações, que Deus deu a Avraham” (Gn 28:3-4). A primeira coisa que Itshaq diz a Ia´aqov é que El-Shaday o faça barak. Além disso ele chama sobre Ia´aqov a bênção da frutificação – que em hebraico é parã – e significa "frutificar, ser fecundo, ramificar". Isso nos dá a idéia de que através da descendência de Ia ´aqov, Israel se espalharia como ramos por toda a terra! Além disso o Eterno os faria multiplicar onde quer que fossem “plantados”, mantendo sempre o caráter de povo – "am" em hebraico. Esta palavra é usada exclusivamente para designar o povo de Israel. Então Israel se tornaria uma multidão de povos em todo o mundo! Isso realmente cumpriu-se, pois hoje os judeus que voltam para Israel a fim de comporem a nação provém de 127 diferentes nações do mundo!

O restante da promessa nos fala que Israel possuiria a sua herança. Eles receberiam as bênçãos de Avraham e também para que em herança viessem a possuir a terra. A palavra "herança" é yarash e significa "tomar posse de, desalojar, herdar, ocupar, apoderar-se". Isso nos mostra que Israel receberia do Eterno a autoridade para

desalojar da terra todos aqueles que ali estavam, pois a mesma já fora dada a Avraham como uma possessão eterna por Elohim – o Criador dos céus e da terra!

Itshaq faz como lhe ordena seu pai e vai para Padã-Ara em busca de uma esposa. Já Esav quando vê isso faz justamente o contrário:

“Vendo, pois, Esaú que Itshaq abençoara a Ia´aqov, e o enviara a Padã-Arã, para tomar mulher dali para si, e que, abençoando-o, lhe ordenara, dizendo: Não tomes mulher das filhas de Canaã; e que Jacó obedecera a seu pai e a sua mãe, e se fora a Padã-Arã; vendo também Esaú que as filhas de Canaã eram más aos olhos de Itshaq

seu pai, foi Esaú a Ismael, e tomou para si por mulher, além das suas mulheres, a Maalate filha de Ismael, filho de Avraham, irmã de Nebaiote” (Gn 28:6-9). Novamente fica explícito aqui que Jacó estava honrando seus pais através da obediência. Já Esav fazia justamente o contrário e certamente receberia o prêmio por tal atitude!

Que o D-us Eterno nos ajude a compreendermos que seus objetivos jamais podem ser frustrados em tempo algum!

ayetse (Ele sai)

Tudo começa com a partida de Ia´aqov para uma nova localidade: “E saiu Ia´aqov de Beer sheva, e se foi a Haran” (28.10). A Torah nos informa que Ia´aqov saiu de Beer sheva – cujo significado em hebraico é “poço dos sete” ou “poço do juramento”. É interessante que o comentário feito sobre este verso nos diz o seguinte: O Midrash (Yalkut § 117) objeta que as palavras - “E saiu Ia´aqov de Beer sheva, e se foi a Haran” parecem supérfluas, já que Ia ´aqov se encontrava até então em Beer sheva; bastava dizer “Ia´aqov foi a Haran”, e explica: Quando um Tzadic (homem justo) sai da cidade, saem com ele o brilho e a glória e o ornamento desta; por isso foi necessário dizer: “E saiu Ia´aqov de Beer sheva”.

A aventura de Ia´aqov tem início com um sonho: ele pára a fim de descansar e dormir em sua caminhada ao seu destino quando, de

repente, tem um sonho que muda a sua vida: “E sonhou: e eis uma escada posta na terra, cujo topo tocava nos céus; e eis que os mensageiros de Elohim subiam e desciam por ela; e eis que o IHVH estava em cima dela, e disse: Eu sou o IHVH Elohim de Avraham teu pai, e o Elohim de Isaque; esta terra, em que estás deitado, darei a ti

e à tua descendência; e a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra; e eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” (Gn 28:12-15).

Tudo começa com um sonho

É interessante notarmos que a

... metodologia do Eterno é muitas vezes diferente da nossa em muitos aspectos. Aqui Ele dá a Ia´aqov sua Palavra através de um sonho que o acompanharia durante toda a sua vida dando-lhe a certeza de que o Criador estaria sempre guiando seus passos por onde quer que ele fosse! A palavra sonho é halam e significa sonhar. Sua raiz vem de halam, que significa ser forte, saudável. Aqui aprendemos o quão necessários são os sonhos! São eles que alimentam nossa vida trazendo-nos a força e tornando-nos saudáveis! E os melhores sonhos são justamente aqueles que nos são dados pelo Eterno! Quando isso acontece, nós sonhamos os sonhos de D-us e isso torna nossa vida plena de esperança, pois sabemos que estes sonhos realmente se tornarão realidade!

Mas não é só isso: no sonho de Ia´aqov havia uma escada! A palavra escada em hebraico é sullan. Ela vem da raiz salal que significa "erguer, amontoar, exaltar". Ia´aqov no sonho vê os mensageiros de D-us (malak Elohim - mensageiros do D-us Criador) subindo e descendo por ela. Nós sabemos que os mensageiros são mensageiros de D-us e tem a tarefa de nos trazerem os recados do Eterno a fim de que possamos ser melhor guiados em nossa vida aqui na terra, além de também nos guardarem de males que nos são invisíveis e de perigos maiores que sozinhos não teríamos condições de enfrentar.

O Eterno através da escada fala a Ia´aqov sobre aquilo que Ele mesmo fará com ele. A escada fala-nos sobre a exaltação, o erguimento que viria à vida de Ia´aqov num futuro bem próximo! Isso ocorreria no decorrer de vinte anos. Note que o próprio Criador está no alto da escada (lugar de sua habitação) e que Ele mesmo fala com Ia´aqov dizendo-lhe aquilo que muito em breve acontecerá em sua vida. A presença dos mensageiros apenas anuncia que o IHVH está ali (e também presente no dia-a-dia de Ia´aqov), além de enviar também seus emissários a fim de cumprirem suas ordens na vida do próprio Ia ´aqov.

Agora, a palavra do IHVH para Ia´aqov é de identificação e de promessa. Primeiro e Eterno diz ser IHVH – Eu me torno aquilo que me torno – Ele se tornaria para Ia´aqov o socorro em cada uma de suas necessidades. Ele ainda afirma que a terra - eretz - "terra, país" - na qual ele se encontrava deitado, seria dada à sua semente zera - "descendência física" - em possessão. O Eterno não promete a Ia ´aqov apenas um pequeno terreno ao redor de onde ele está, mas sim um país inteiro, e esse seria o lugar onde os seus descendentes

viriam para ali habitar. O interessante é que esta palavra eretz na Escritura seria futuramente usada para designar a terra de Israel! Isso nos mostra que desde já o Eterno via em Ia´aqov e naquele lugar a nação de Israel! O IHVH via aquilo que ainda não existia, mas que, no decorrer dos anos seria manifesto na terra aquilo que já era uma realidade no céu!

Agora vem o acréscimo, a promessa daquilo que o Eterno faria à descendência de Ia´aqov: “E a tua descendência será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua descendência serão benditas todas as famílias da terra” (Gn 28:14). O IHVH nos informa que a descendência de Ia´aqov seria como o “pó da terra”. A palavra “pó” em hebraico é apar que significa "poeira, terra chão, cinzas, argamassa". E a Escritura completa dizendo que seriam pó da terra – eretz! Isso nos mostra duas coisas: a primeira é que os descendentes de Ia´aqov formariam a base da nação israelita, pois eles seriam como o “cimento” ou a “argamassa” que uniria a nação como um todo. Ele usa o homem como argamassa para juncá-lo à outros homens! Somente coisas iguais podem ser unidas; homens que se juntam a outros homens fazem um povo, que numa terra se tornam uma nação e que juntos conquistam o mundo!

O Eterno já apontava para os descendentes de Ia´aqov e para as doze tribos como o sustentáculo da nação que nasceria de seus próprios filhos! Outra coisa é que eles seriam tão numerosos como a poeira! Esta palavra nos fala do milagre que o Eterno faria a fim de multiplicar seu povo como a poeira que se encontra no chão. Pense em algo interessante: o Eterno já dizia que assim como a poeira o povo judeu estaria em todo o lugar da terra! E isso hoje é uma realidade!

O Eterno ainda diz a Ia´aqov que “

...

na

tua descendência serão

benditas todas as famílias da terra”. Os descendentes físicos de Ia ´aqov zera trariam sobre a terra adamah - "solo, terra, homem", a bênção do Eterno! Isto nos informa que através dos judeus o Eterno estaria dando à cada homem – descendente de Adam, juntamente com sua família, poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo! Este é o verdadeiro significado da palavra bênção – barak – em hebraico!

O complemento do texto nos diz mais detalhadamente como seria isso: “E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque não te deixarei, até que haja cumprido o que te tenho falado” (Gn 28:15). O IHVH estaria presente na vida e nos caminhos de Ia´aqov para guardá-lo. A palavra aqui no hebraico é shamar e significa "guardar, cuidar, observar, prestar atenção". A idéia da raiz é “exercer grande poder sobre”. Isso nos fala sobre a atitude do Eterno para com Ia´aqov que seria de acompanhá- lo cuidadosamente em todos os seus caminhos, porém sempre

exercendo seu poder sobre sua vida, deixando assim claro àqueles que estariam juntamente com ele que a presença e a aprovação do Eterno estariam sempre presentes em sua vida. E isso seria tão claro

e óbvio que Ele ainda o faria voltar àquela terra onde o Eterno lhe aparecera a fim de herdá-la perpetuamente! Ia´aqov tinha do Eterno aquilo que todo o homem gostaria de receber: uma palavra certa e

segura de que Ele jamais o abandonaria! “

porque

não te deixarei,

...

Quando Ia´aqov acorda, ele percebe aquilo que lhe acontecera e faz uma declaração tremenda: “E temeu, e disse: Quão terrível é este lugar! Este não é outro lugar senão a casa de Elohim; e esta é a porta dos céus” (Gn 28:17). Ia´aqov fala sobre o local como sendo “a casa de D-us”. Em hebraico é beît "casa, lar, local, templo". Esta palavra é usada no sentido de “habitação”. E o nome do Eterno aqui é Elohim – o D-us Criador – que vem para reafirmar sua aliança com Ia´aqov. Note que o lugar onde o Eterno se manifestou não era um templo físico! O Eterno veio àquele lugar por causa de Ia´aqov! Não importava o que ali havia, mas sim quem ali estava! O Eterno não se importa com locais suntuosos e belos, mas sim com pessoas a quem Ele precisa sensibilizar e trazer novamente a sua presença sobre elas a fim de anunciar-lhes suas palavras!

Foi justamente por causa desta experiência que Ia´aqov deu o nome de Betel àquele lugar. “E chamou o nome daquele lugar Betel; o nome porém daquela cidade antes era Luz” (Gn 28:19). A palavra Betel é um composto de beit + Elohim = bet El = Betel. Veja que os prefixos das palavras foram usados a fim de formar-se uma nova palavra com o mesmo significado: “Casa do D-us [Criador]”. Ele completa dizendo: “e esta é a porta dos céus”. Aqui a palavra “porta” vem do hebraico sha´ar e significa "porta (de uma cidade)". O sha´ar era naturalmente o meio de acesso controlado a uma cidade murada. Para Ia´aqov aquele lugar era a porta de acesso aos céus!

Aquele lugar onde Ia´aqov tivera seu encontro com o Eterno chamava-se outrora Luz. A palavra luz em hebraico significa "apartar- se, desviar-se". Ela vem de uma raiz lazut, que significa "afastamento, desonestidade, tortuosidade". Isso condiz muito bem com a atual condição de Ia´aqov, que era de suplantador, enganador. Em Luz, Ia ´aqov parece ter sua “parada” ideal, pois ali ele estaria se desviando dos propósitos do Eterno – se não houvesse uma intervenção do mesmo para mudar a situação. Isso nos mostra que quando chegamos à Luz- o lugar onde provavelmente nos desviaríamos dos propósitos do Eterno, Ele então intervém em nossas vidas para mudar os rumos de nossa caminhada! Aqui já o Eterno mostrava a Ia´aqov que muito em breve mudaria sua atual condição de “calcanhar do IHVH” para um príncipe de D-us!

Agora, após esta série de acontecimentos na vida de Ia´aqov, ele faz um voto ao Eterno dizendo: “E Ia´aqov fez um voto, dizendo: Se

Elohim for comigo, e me guardar nesta viagem que faço, e me der pão para comer, e vestes para vestir; e eu em paz tornar à casa de meu pai, o IHVH me será por Elohim; e esta pedra que tenho posto por coluna será casa de Elohim; e de tudo quanto me deres, certamente te darei o dízimo” (Gn 28:20-22). Notemos que aquilo que Ia´aqov pede é justamente o básico para a vida quotidiana: ser guardado pelo Eterno, ter o pão diário e o vestido com que se cobrir. Agora um outro elemento é acrescentado: “em paz tornar à casa de meu pai”. Esta palavra paz em hebraico é shalom e significa paz, prosperidade, bem, saúde, inteireza e segurança. Se isso se cumprisse em sua vida, então o IHVH seria e seu D-us (Elohim). Ia ´aqov pede ao Eterno que sua vida seja pautada justamente por estas coisas: "paz, prosperidade, bem, saúde, inteireza, segurança e

saúde"! E ainda acrescenta: “

e

de tudo quanto me deres,

... certamente te darei o dízimo”. Veja que não há uma condição para Ia ´aqov dar o dízimo, mas sim um desejo de seu coração para que as coisas assim sucedam! Ia´aqov já havia aprendido com seu pai que o dízimo era uma atitude muito importante para que sua vida pudesse ser bem sucedida! Quando desejamos shalom à alguém nós estamos ministrando à essa pessoa paz, prosperidade, bem, saúde, inteireza e segurança! Isso, não somente com o intuito de que essa pessoa tenha aparentemente a prosperidade que é reconhecida pelos homens, mas também que ela tenha dentro de si uma postura tal que quando o Eterno cumprir isso em sua vida, seja em conseqüência de sua obediência em todos os caminhos pelos quais esta pessoa andou! Novamente queremos enfatizar que a prosperidade de Ia´aqov somente foi possível por causa de sua obediência às instruções do Eterno para sua vida! Sem obediência não há como alcançar o favor do Eterno!

Agora, a Escritura nos informa que Ia´aqov chega ao seu destino, à casa de Laban cujo nome significa branco, e que era seu tio. Quando ele se depara com os servos de Laban e depois com Rahel, seu coração exulta de alegria. “E aconteceu que, vendo Ia´aqov a Rahel, filha de Laban, irmão de sua mãe, e as ovelhas de Laban, irmão de sua mãe, chegou Ia´aqov, e revolveu a pedra de sobre a boca do poço e deu de beber às ovelhas de Laban, irmão de sua mãe. E Ia ´aqov beijou a Rahel, e levantou a sua voz e chorou” (Gn 29:10-11).

Após este encontro, há ainda o encontro de Ia´aqov com Laban, que o reconhece como parte de sua família: “E aconteceu que, ouvindo Laban as novas de Ia´aqov, filho de sua irmã, correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e beijou-o, e levou-o à sua casa; e ele contou a Laban todas estas coisas. Então Laban disse-lhe: Verdadeiramente és tu o meu osso e a minha carne. E ficou com ele um mês inteiro” (Gn 29:13-14). Isso causou uma grande alegria entre os familiares. Agora eles tinham a oportunidade de conhecer a Ia´aqov. E ele ficou com Laban e certamente foi se familiarizando com todas as coisas e já se colocou à disposição para trabalhar com seu tio. Isso impressionou a Laban que lhe diz o seguinte: “Depois disse Laban a Ia´aqov: Porque

tu és meu irmão, hás de servir-me de graça? Declara-me qual será o

teu salário” (Gn 29:15). Notemos que o Eterno dá a Ia´aqov a oportunidade de estipular quais seriam seus ganhos a por quanto ele trabalharia mensalmente. E isto só foi possível por causa da obediência de Ia´aqov que moveu a mão do Eterno a fim de que Ele pusesse na boca de Laban estas palavras!

Agora Ia´aqov diz aquilo que está em seu coração: “E Ia´aqov amava

a Rahel, e disse: Sete anos te servirei por Rahel, tua filha menor” (Gn 29:18). Ia´aqov mesmo estipula o tempo pelo qual ele trabalhará a fim de casar-se com Rahel, sua prima. O nome Rahel significa “ovelha”. Ele fala sobre sete anos, e isso nos mostra que ele haveria de fechar um ciclo, completar um período para então poder possuir aquilo que estava em seu coração: Rahel! Quando se cumpriram os sete anos que Ia´aqov determinou, então veio o tempo do casamento e o que aconteceu foi isso: “E disse Ia´aqov a Laban: Dá-me minha mulher, porque meus dias são cumpridos, para que eu me case com ela. Então reuniu Laban a todos os homens daquele lugar, e fez um banquete. E aconteceu, à tarde, que tomou Leah, sua filha, e trouxe-a a Ia´aqov que a possuiu. E Laban deu sua serva Zilpah a Leah, sua filha, por serva. E aconteceu que pela manhã, viu que era Leah; pelo que disse a Laban: Por que me fizeste isso? Não te tenho servido por Rahel? Por que então me enganaste?” (Gn 29:21-25). Ia´aqov trabalha por Rahel mas casa-se com Leah! Isso porque o costume local era dar em casamento primeiro a filha mais velha e depois a mais nova! Por não ter lhes perguntado sobre seus costumes, Ia´aqov então recebe como esposa a Leah. E quando ele “acorda” de sua

noite de núpcias, o que pergunta a Laban? “

...

Não

te tenho servido

por Rahel? Por que então me enganaste?” A palavra "enganar" em hebraico é ramâh e significa "iludir, enganar, desorientar". Veja que Ia ´aqov fala sobre sua própria atitude no passado para com seu irmão Esav! Ia´aqov, que nos passado enganara seu irmão por duas vezes, aproveitando-se de suas fraquezas, agora recebe na mesma medida de seu tio Laban! Novamente somos ensinados que “aquilo que plantarmos, isso colheremos”. Essa é uma lei espiritual válida ainda para os nossos dias!

Após as devidas explicações, Ia´aqov então se “conforma” com sua situação e volta ao trabalho, a fim de “pagar” por Rahel! Ia´aqov cumpre a semana de Leah e então recebe por mulher a Rahel, a quem ama com todas as suas forças! O que acontece então é tremendo: “E Ia´aqov fez assim, e cumpriu a semana de Leah; então lhe deu por mulher Rahel sua filha. E Laban deu sua serva Bilah por serva a Rahel, sua filha. E possuiu também a Rahel, e amou também a Rahel mais do que a Leah e serviu com ele ainda outros sete anos. Vendo, pois, o IHVH que Leah era desprezada, abriu a sua madre; porém Rahel era estéril” (Gn 29:28-31).

O que estava acontecendo aqui? Ia´aqov amava tanto a Rahel que passou a desprezar a Leah e isso não foi bom aos olhos do Eterno. Ia

´aqov recebera aquilo que lhe era de direito! Ele havia plantado e agora recebera os frutos de suas atitudes anteriores. Por não agir corretamente com Leah, o Eterno então faz com que Rahel seja estéril. Aqui tem início uma grande luta de Ia´aqov com suas esposas a fim de gerar seus filhos!

O primeiro nascimento ocorrido na família de Ia´aqov foi de seu filho Rúben. “E concebeu Leah, e deu à luz um filho, e chamou-o Rúben; pois disse: Porque o IHVH atendeu à minha aflição, por isso agora me

amará o meu marido” (Gn 29:32). A palavra conceber em hebraico é harâh e significa conceber, ser progenitora. Isso nos dá a medida daquilo que estava acontecendo entre as irmãs Leah e Rahel. Quando Leah dá à luz à esta criança, seu nome reflete o seu momento e também o seu desejo: Reuven significa “Eis um filho” ou também “[IHVH] viu a minha aflição”. Novamente percebemos que havia uma disputa “interna” na família de Ia´aqov para dar-lhe filhos. Isso ocorria entre as duas irmãs que “disputavam” o amor de seu marido. A palavra “atender” em hebraico é ra’a e seria melhor traduzida por ver, olhar, inspecionar. Isso nos mostra que o Eterno olhou para Leah e tornou-se para ela seu maior desejo: a concepção de um filho!

Primeiro aconteceu do Eterno olhar para Leah, agora outra coisa acontece: “E concebeu outra vez, e deu à luz um filho, dizendo:

Porquanto o IHVH ouviu que eu era desprezada, e deu-me também

este. E chamou-o Simeão” (Gn 29:33). Novamente Leah engravida e concebe, dando à Ia´aqov outro filho cujo nome destaca a situação vivida por eles; ali está o reflexo daquilo que se passa entre eles:

Leah diz que IHVH ouviu-a. A palavra traduzida por “ouvir” é shama e significa ouvir, escutar. Naturalmente a criança recebe o nome de Shimeon, que significa ouvindo! Isso demonstra que o Eterno continua ouvindo o clamor de Leah quanto à sua vida conjugal e que a resposta do Eterno é um outro filho!

Mas as bênçãos de Leah não terminam aí: “E concebeu outra vez, e deu à luz um filho, dizendo: Agora esta vez se unirá meu marido a mim, porque três filhos lhe tenho dado. Por isso chamou-o Levi” (Gn 29:34). Agora a esperança de Leah é que Ia´aqov esteja definitivamente junto à ela! Os filhos que Leah dá a Ia´aqov ainda não conseguiram trazer o amor dele para ela! Ainda há no coração de Ia ´aqov a preferência por sua irmã Rahel! E isso fica claro pelos nomes que Leah põe em seus filhos. O último, Levi, significa "junto", refletindo sua esperança de ter seu marido junto de si.

Agora já há uma mudança na postura de Leah quanto à sua relação com seu marido: “E concebeu outra vez e deu à luz um filho, dizendo:

Esta vez louvarei ao IHVH. Por isso chamou-o Judá; e cessou de dar à luz” (Gn 29:35). Agora percebemos que na fala de Leah há algo de diferente! Ela diz louvarei ao IHVH! A palavra "louvar" em hebraico é yadâ e significa confessar, louvar, dar graças, agradecer. A palavra enfatiza “reconhecimento” e a “declaração de um fato” seja ele bom

ou mau. Aqui Leah fala sobre seu reconhecimento de quem é o Eterno! Ela confessa, louva, dá graças, agradece ao IHVH (IHVH – Aquele que se torna aquilo que ela precisa) por mais este filho! O nome que a criança recebe é também muito sugestivo: Iehuda que significa louvor! Esta palavra vem da raiz yahad que significa tornar- se judeu. Este filho prenuncia quem seria o povo escolhido do Eterno e também o seu nome!Temos algo interessante neste ponto, pois quando retiramos a letra dalet da palavra Iehuda, temos como resultado o tetragrama (IHVH); já o nome “dalet” em hebraico significa “porta”. Isso nos faz concluir que Iehuda é a porta de acesso ao Eterno! É justamente por isso que a frente será dito que o Mashiach virá da tribo de Iehuda, pois ele se tornará a porta de acesso ao IHVH! Isso está claramente dito na Brit Hadasha na seguinte passagem: “Tornou, pois, Ieshua a dizer-lhes: Em verdade, em verdade vos digo que eu sou a porta das ovelhas. Todos quantos vieram antes de mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por mim, salvar-se-á, e entrará, e sairá, e achará pastagens” (Jo 10:7-9).

Agora tem início uma nova fase na vida da família de Ia´aqov: “Vendo Rahel que não dava filhos a Ia´aqov, teve inveja de sua irmã, e disse a Ia´aqov: Dá-me filhos, se não morro. Então se acendeu a ira de Ia ´aqov contra Rahel, e disse: Estou eu no lugar de Elohim, que te impediu o fruto de teu ventre?” (Gn 30:1-2). Aqui fica claro que Rahel pensa que o problema está na vontade de Ia´aqov em ter um filho

através dela! No hebraico temos a seguinte ordem: “

dá-me filhos,

... ou senão estou morta eu”. A tradição judaica diz o seguinte sobre isso: “Quatro pessoas consideram-se como mortas, nos disse o Rabi Samuel Bar Nahamani: o cego, o leproso, quem não tem filhos e o pobre. Os três primeiros vivem em constante sofrimento físico e moral, e o quarto é realmente como se não existisse (Yalcut 127).

Ia´aqov lhe responde de maneira taxativa: “

Elohim

...

Estou eu no lugar de

... A palavra aqui é Elohim – O Criador. Ia´aqov sabia que

humanamente nada poderia ser feito por Rahel, e caso não houvesse

uma intervenção do Eterno sobre ela, seria impossível haver a concepção e a geração de filhos!

Rahel então age de forma a tentar “ajudar” ao Eterno: ela dá a Ia ´aqov sua serva Bilah, cujo nome significa “problemática”; em sua raiz temos balah que significa “problema” e também balahâ que significa terror, destruição. Ela foi escolhida por Rahel para que concebesse em seu lugar! “Assim lhe deu a Bilah, sua serva, por mulher; e Ia´aqov a possuiu” (Gn 30:4). Bilah aqui ocupa o lugar de Rahel na tenda deles como sua esposa! A criada tem o privilégio de coabitar com seu IHVH e desta relação nasce um filho: “Então disse Rahel: Julgou-me Elohim, e também ouviu a minha voz, e me deu um filho; por isso chamou-lhe Dan” (Gn 30:6). Rahel reconhece que está sendo “julgada” pelo Eterno com o nascimento deste filho, por isso seu nome é Dan, que significa juiz.

E novamente Bilah faz as vezes de sua patroa e outra vez concebe. Desta vez é sob outra perspectiva que Rachel enxerga isso: “Então disse Rahel: Com lutas de Elohim tenho lutado com minha irmã; também venci; e chamou-lhe Naftali” (Gn 30:8). Aqui a palavra D-us é Elohim e demonstra que seu conflito com o Criador ainda não acabou! E o nome da criança é Naftali que significa "lutando"!

Agora vemos a reação de Leah quanto à atitude de Rahel: ela também dá à seu marido sua serva Zilpah, que significa "enganadora,

trapaceira", a fim de que ela também conceba. “Vendo, pois, Leah que cessava de ter filhos, tomou também a Zilpah, sua serva, e deu-a

a Ia´aqov por mulher” (Gn 30:9). Novamente a serva da esposa de Ia ´aqov assume o papel de esposa a fim de gerar filhos para ele. O que aconteceu foi que Zilpah engravida e dá à luz a um filho. “Então disse Leah: Afortunada! e chamou-lhe Gade” (Gn 30:11). Leah vislumbra o ocorrido e chama-a afortunada (sortuda) pois ela concebe rapidamente à um filho. E o seu nome é Gad, que significa "fortuna (sorte)". Novamente Zilpah concebe e dá a Ia´aqov outro filho:

“Depois deu Zilpah, serva de Leah, um segundo filho a Ia´aqov. Então disse Leah: Para minha ventura; porque as filhas me terão por bem-

aventurada; e chamou-lhe Aser" (Gn 30:12-13). A alegria de Leah é incontida, pois Zilpah dá outro filho a Ia´aqov e por isso seu nome é Asher, que significa "feliz"!

Agora nasce outro filho a Leah. Ela diz o seguinte: “E ouviu Elohim a Leah, e concebeu, e deu à luz um quinto filho” (Gn 30:17). A palavra traduzida por ouvir é shama e significa ouvir, escutar. Novamente, o nome de seu filho demonstra o que ele significa para ela. “Então disse Leah: Elohim me tem dado o meu galardão, pois tenho dado minha serva ao meu marido. E chamou-lhe Issacar” (Gn 30:18). Leah considerava que Elohim – o D-us Criador – estava lhe recompensando através de sua serva – que fazia também o papel de esposa de Ia ´aqov – e então chamou ao menino Issacar, que significa galardão. O Eterno ainda continua a dar filhos a Leah. O próximo filho que ela tem é Zevulun, e pode significar “honra”, pois em sua raiz temos a palavra zaval que significa "exaltar, honrar". Essa criança mostra a esperança que Leah tinha de que seu marido habitasse com ela! O que havia no coração de Ia´aqov era justamente uma divisão de seu amor para com suas esposas. Porém, Ia´aqov ainda amava Rahel muito mais do que Leah ...

Suas palavras são estas: “E disse Leah: Elohim me deu uma boa dádiva; desta vez morará o meu marido comigo, porque lhe tenho

dado seis filhos. E chamou-lhe Zebulom” (Gn 30:20). E como complemento teve também uma filha, à qual colocou o nome de Dinah. “E depois teve uma filha, e chamou-lhe Dinah” (Gn 30:21). O nome Dinah vem da raiz hebraica din que significa “julgar”. Dinah significa “julgada”. Leah sabe que tudo o haveria de acontecer-lhe já tinha ocorrido e os filhos que tivera serviam como marcos em sua vida e em seu relacionamento com Ia´aqov. Ela bem sabia que

poderia dar à Ia´aqov todos os filhos que pudesse, porém ela nunca iria conquistar de fato o seu coração como havia feito sua irmã Rahel.

Neste ponto, Ia´aqov já está com onze filhos. Parece um número até exagerado, mas para os planos de D-us ainda falta algo. Este é o momento em que o Eterno se lembra de Rahel e atende ao seu clamor. “E lembrou-se Elohim de Rahel; e Elohim a ouviu, e abriu a sua madre” (Gn 30:22). A palavra “lembrar-se” em hebraico é zakar e significa "pensar, meditar, dar atenção a, recordar". A palavra aqui é Elohim – o D-us Criador. Percebemos que o próprio Criador se manifesta à Rahel abrindo-lhe a madre a fim de que ela pudesse conceber. O Eterno interveio em sua vida e o resultado dessa intervenção aparece de forma esplêndida: “E chamou-lhe José, dizendo: O IHVH me acrescente outro filho” (Gn 30:24). O nome dado à José é sugestivo, pois fala sobre sua ansiedade em ter outros filhos. O nome Iosef significa "acrescentar, aumentar".

Neste ponto terminam os nascimentos dos filhos de Ia´aqov e tem início o período de regresso da família para a terra que o Eterno havia prometido dar à Ia´aqov e aos seus descendentes.

Ia´aqov pleiteia com Laban sua “liberdade” e também a de sua

família. “Dá-me as minhas mulheres, e os meus filhos, pelas quais te tenho servido, e ir-me-ei; pois tu sabes o serviço que te tenho feito”

(Gn 30:26). Para Laban, esta palavra de Ia´aqov não é muito boa, pois ele mesmo tem sido extremamente abençoado e tem enriquecido muito por causa de Ia´aqov. Laban tentará defender seus interesses pessoais à todo o custo a fim de não perder esta maravilhosa “fonte” de bênçãos que tem em suas terras consigo!

Sua argumentação é a seguinte: “Então lhe disse Laban: Se agora tenho achado graça em teus olhos, fica comigo. Tenho

experimentado que o IHVH me abençoou por amor de ti” (Gn 30:27). As palavras de Laban refletem aquilo que ele tem experimentado. Ele diz que o IHVH – IHVH – Aquele que se torna aquilo que ele precisa, o tem abençoado – barak – que em hebraico significa, dar poder à alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo. Laban tem a perfeita consciência de que o Eterno tem lhe dado muitas riquezas justamente por causa de Ia´aqov! Ele inclusive usa o nome do Eterno que fala sobre tornar-se aquilo que o homem precisa a fim de ser suprido, pois ele bem sabe o que ele tem feito a Ia´aqov e como, mesmo assim, o Eterno lhe tem abençoado! O israelita tem constituído um fator de progresso e de bênção onde vive. Ativo e laborioso, destaca-se no comércio, nas ciências e na cultura. O sultão Bajazet 11 da Turquia, recebendo os israelitas expulsos pela fanática Espanha, em 1492, disse estas palavras: “Não considero o Rei Fernando de Espanha um homem inteligente pois, enviando os judeus, empobrece o seu país e enriquece o meu”.

Após uma conversa entre eles fica estabelecido o novo “salário” de Ia

´aqov para seu trabalho: “E disse mais: Determina-me o teu salário, que to darei. Então lhe disse: Tu sabes como te tenho servido, e como passou o teu gado comigo. Porque o pouco que tinhas antes de mim tem aumentado em grande número; e o IHVH te tem abençoado por meu trabalho. Agora, pois, quando hei de trabalhar também por minha casa? E disse ele: Que te darei? Então disse Ia´aqov: Nada me darás. Se me fizeres isto, tornarei a apascentar e a guardar o teu rebanho; passarei hoje por todo o teu rebanho, separando dele todos os salpicados e malhados, e todos os morenos entre os cordeiros, e os malhados e salpicados entre as cabras; e isto será o meu salário. Assim testificará por mim a minha justiça no dia de amanhã, quando

vieres e o meu salário estiver diante de tua face; tudo o que não for salpicado e malhado entre as cabras e moreno entre os cordeiros, ser-me-á por furto. Então disse Laban: Quem dera seja conforme a tua palavra” (Gn 30:28-34). Então vejamos: o salário de Ia´aqov seriam os animais salpicados, malhados e morenos (marrons)! Ia ´aqov então determina que este seria seu salário e tudo o que nascesse com esta aparência de agora por diante lhe seria por pagamento!

Após terem feito este acordo, então Ia´aqov sai para longe de Laban e tem início a estratégia de D-us a fim de tornar Ia´aqov ainda mais rico que Laban através deste rebanho.

A estratégia consistia no seguinte: “Então tomou Ia´aqov varas verdes de álamo e de aveleira e de castanheiro, e descascou nelas riscas brancas, descobrindo a brancura que nas varas havia, e pôs estas varas, que tinha descascado, em frente aos rebanhos, nos canos e nos bebedouros de água, aonde os rebanhos vinham beber, para que concebessem quando vinham beber. E concebiam os rebanhos diante das varas, e as ovelhas davam crias listradas, salpicadas e malhadas. Então separou Ia´aqov os cordeiros, e pôs as faces do rebanho para os listrados, e todo o moreno entre o rebanho

de Laban; e pôs o seu rebanho à parte, e não o pôs com o rebanho de Laban” (Gn 30:37-40). Ia´aqov separou três tipos de varas às quais descascou em listras a fim de fazer com que o rebanho concebesse conforme via diante de si as varas listradas!

Vamos considerar duas coisas aqui: a palavra “vara” vem do hebraico maqel e significa "vara, bastão, cetro". Em sua raiz temos:

Miqlat – refúgio, asilo. Este substantivo denota o local para onde uma pessoa se refugiava do vingador de sangue.

Miqla´at – entalhe, escultura.

Qanah – obter, adquirir, criar; também com quinian, que significa riquezas!

A palavra “verde” vem do hebraico lah que significa "úmido, fresco, novo". Qual era a intenção do Eterno ao dar a Ia´aqov esta estratégia? Não seria a de retira-lo do refúgio, do asilo da “escravidão” em que vivia servindo a Laban? Por isso o Eterno estava “entalhando”, “esculpindo” (moldando) a sua vida para que ele tivesse agora condições de obter, adquirir riquezas! E isso seria algo extremamente novo e inusitado para todos!

As varas são de três tipos diferentes de árvores: álamo, aveleira e castanheira. Primeiro devemos considerar que Ia´aqov descobriu a brancura das varas. No original está escrito que Ia´aqov expôs a Laban – branco – das varas. Isso significa que no mundo espiritual Laban estava sendo exposto diante do rebanho; retirou-se dele aquilo que o ocultava. Assim sua personalidade ficou visível à todos os animais do rebanho! Quando Ia´aqov fez isso, no reino espiritual ele estava realmente deixando Laban enfraquecido por estar lhe tirando sua cobertura em que confiava!

As varas representam aspectos da vida de Ia´aqov:

Álamo (em hebraico, libne) – tem um tronco alto e pode crescer até a altura de aproximadamente 33 metros. Tem uma resina branca que produz uma fragrância agradável na primavera. Na raiz desta palavra temos o termo lebena, que significa “tijolo”. A maioria dos usos deste termo ocorre em contextos que mostram a fatiga e a futilidade dos esforços humanos!

Aveleira (ou amendoeira, em hebraico luz) – é uma planta de copa grande e fechada e produz flores brancas e ricas em néctar. Produz uma resina cheirosa e era usada para fazer o incenso. A raiz significa também apartar-se, desviar-se.

Castanheira (em hebraico ermon) - é uma árvore alta e se apóia num tronco largo – de aproximadamente 3 metros de diâmetro e possui uma resina escamada. Pode ser encontrada nas florestas de altitude do Monte Carmelo. Em sua raiz temos também o termo ´arom que significa ter cuidado, acautelar-se, receber conselho astuto.

Estas árvores nos falam sobre aquilo que Ia´aqov estava profetizando através de sua atitude. A isso chamamos de “ato profético”. Ia´aqov queria que seu rebanho tivesse estes aspectos: fosse um rebanho que produzisse um cheiro agradável através de sua grande quantidade. Seria tão grande que todos o veriam, assim como o álamo que de tão alto chama para si a atenção de todos os que estão nas redondezas. Outro aspecto está associado à amendoeira, que é a primeira árvore que desperta na primavera. Assim como acontecia com esta árvore, que seu rebanho “despertasse” e procriasse de forma a multiplicar-se. Seriam belos animais, que quando oferecidos ao Eterno seriam tidos como um “cheiro suave”, assim como o incenso que era queimado e produzia este aroma suave nas narinas do Eterno. Quanto à sua base,

que se apoiassem em algo largo e sólido, ou seja, que a saúde do rebanho fosse tamanha, que nada doente ou defeituoso fosse produzido por eles. Eles deveriam sempre estar nos lugares altos, dominando, assim como a castanheira que nasce nos altos do Monte Carmelo!

Isso tudo nos fala sobre a estratégia de Ia´aqov e seus resultados: as varas produziam rebanhos conforme as características descritas acima. Veja o que diz a Palavra: “E sucedia que cada vez que concebiam as ovelhas fortes, punha Ia´aqov as varas nos canos, diante dos olhos do rebanho, para que concebessem diante das varas” (Gn 30:41).

A reação dos filhos de Laban não foi muito positiva à estratégia de Ia ´aqov, assim como também Laban já não tinha para com ele tão bons

olhos ...

“Então ouvia as palavras dos filhos de Laban, que diziam: Ia

´aqov tem tomado tudo o que era de nosso pai, e do que era de

nosso pai fez ele toda esta glória. Viu também Ia´aqov o rosto de

Laban, e eis que não era para com ele como anteriormente" (Gn 31:1- 2). Ia´aqov agora é acusado de roubo, pois os filhos de Laban dizem que Ia´aqov fez sua fortuna “tomando” aquilo que pertencia à Laban. Eles não se lembram – ou não reconhecem – o pacto que havia sido feito entre seu pai e Ia´aqov!

Mediante esta situação, Ia´aqov recebe então uma palavra do IHVH que define o caminho a ser seguido: “E disse o IHVH a Ia´aqov: Torna- te à terra dos teus pais, e à tua parentela, e eu serei contigo” (Gn 31:3). A reação de Ia´aqov é ajuntar a sua família e explicar-lhes o que deve ser feito para que possam então sair das terras de Laban e retornarem às terras que o Eterno deu por possessão à Avraham e seus descendentes. As próprias filhas de Laban concordam que assim seja feito e eles então partem de volta à casa de Ia´aqov!

Quando Laban descobre o que aconteceu, ele e seus servos partem à caça de Ia´aqov e sua família. “E no terceiro dia foi anunciado a Laban que Ia´aqov tinha fugido” (Gn 31:22). Aqui a palavra traduzida por fugir é barah e significa "fugir, escapar, sair depressa". Isso demonstra que Ia´aqov e seus familiares saíram das terras de Laban de forma sorrateira e sem avisar a ninguém!

Laban então recebe uma palavra do D-us de Ia´aqov a fim de nada fazer-lhe de mal. Isso realmente salva a vida de Ia´aqov e de seus

familiares! “Veio, porém, Elohim a Laban, o arameu, em sonhos, de noite, e disse-lhe: Guarda-te, que não fales com Ia´aqov nem bem nem mal. Alcançou, pois, Laban a Ia´aqov, e armara Ia´aqov a sua tenda naquela montanha; armou também Laban com os seus irmãos a sua, na montanha de Gileade. Então disse Laban a Ia´aqov: Que fizeste, que me lograste e levaste as minhas filhas como cativas pela espada? Por que fugiste ocultamente, e lograste-me, e não me fizeste saber, para que eu te enviasse com alegria, e com cânticos, e com

tamboril e com harpa? Também não me permitiste beijar os meus filhos e as minhas filhas. Loucamente agiste, agora, fazendo assim. Poder havia em minha mão para vos fazer mal, mas o Elohim de vosso pai me falou ontem à noite, dizendo: Guarda-te, que não fales com Ia´aqov nem bem nem mal” (Gn 31:24-29).

Após este encontro, Ia´aqov faz um pacto com Laban e eles seguem sua caminhada até a terra de seu pai Isaque. Enquanto seguiam para lá, Ia´aqov tem outro encontro que traz um grande impacto à sua vida: “Ia´aqov também seguiu o seu caminho, e encontraram-no os mensageiros de Elohim. E Ia´aqov disse, quando os viu: Este é o exército de Elohim. E chamou aquele lugar Maanaim” (Gn 32:1-2). Ia ´aqov teve então a certeza de que os exércitos do D-us eterno estavam-no acompanhando a fim de protegê-los e orientá-los quando assim fosse necessário. Nota-se de certo modo uma semelhança nos acontecimentos que ocorreram a Ia´aqov e com o povo israelita.

Ia´aqov volta à sua terra natal após passar grandes penúrias e dias difíceis. Longos anos ele teve que trabalhar para construir seu lar. Vezes e mais vezes o enganaram e o roubaram. Porém a tudo se sobrepôs, e por fim teve de voltar a seu país. Este é o problema da Diáspora em geral. Ia´aqov não conseguiu construir seu lar definitivo, pois este, igual à Sucá, símbolo da morada do “Galut”, não pode subsistir por longo prazo. Esta é a triste realidade, à qual não devemos esquecer.

Novamente fica claro que a intenção do Eterno para com Ia´aqov e seu família é de realmente abençoá-los, pois seus caminhos estão sendo guardados e confirmados pelos mensageiros do Eterno!

Aprendamos pois que o Eterno tem planos bem definidos, e que, mesmo quando estamos fora de nossos domínios originais, o eterno nos fará vencedores, ainda que tenhamos como “patrão” a um Laban, que tenta sempre novamente levar vantagem sobre nós! Atentemos para o detalhe: Ia´aqov somente conseguiu tornar-se um homem rico e poderoso porque ele obedeceu ao Eterno naquilo que lhe era dito. Por isso, se queremos receber algo do IHVH a chave para isso é a obediência incondicional à sua voz e à sua Palavra!

Que o Eterno nos ajude a cumprirmos aquilo que está em seu coração!

Vayishlach (Ele envia)

Ia´aqov envia seus mensageiros que o precederiam para avisarem e prepararem a Esav a fim de que eles não fossem tidos como invasores e também para que o coração de seu irmão Esav fosse “preparado” para sua chegada. “E enviou Ia´aqov mensageiros adiante de si a Esav, seu irmão, à terra de Seir, território de Edom. E ordenou-lhes, dizendo: Assim direis a meu senhor Esav: Assim diz Ia ´aqov, teu servo: Como peregrino morei com Laban, e me detive lá até agora” (Gn 32:3-4).

Está escrito que Ia´aqov envia mensageiros a Esav. A palavra “enviar” vem do termo hebraico shalah que significa "enviar, mandar embora, deixar ir". Já a palavra “mensageiros” vem de um outro termo hebraico que é malachim que significa "mensageiro, representante, anjo". Certamente estas palavras são inadequadas para descrever as tarefas desempenhadas pelo malaq na Tanach.

Levar uma mensagem;

Desincumbir-se de uma outra atividade específica;

Representar de modo oficial aquele que o enviara.

Percebemos então o que Ia´aqov havia feito: ele despachara, enviara seus representantes oficiais a fim de que pudessem encontrar-se antes com Esav dando-lhe notícias oficiais sobre si mesmo. Eles funcionariam como uma “comitiva” que precede um rei que chega de retorno à sua terra! É interessante notarmos que momentos antes ele encontrara-se com anjos de D-us e agora ele parece “despacha-los” para que o precedam em seu encontro com seu irmão!

São usados alguns termos interessantes por Ia´aqov, pois a Torah diz que ele enviou os “mensageiros” à terra de Seir, onde a palavra terra é eretz que significa "terra, cidade (estado), mundo". Já a palavra Seir vem de uma raiz que significa "cabeludo, peludo". Ele ainda fala sobre “território de Edom”. A palavra “território” vem do termo hebraico sadeh que significa "campo, campina, chão, terras". Temos ainda a palavra “Edom” que em hebraico significa “vermelho”. Percebemos então que Ia´aqov enviara seus mensageiros à terra, mundo – eretz – do “cabeludo” (Esav), aos domínios menores – campo, campina, terra, chão daquele que recebera o apelido de “vermelho”. Isso demonstra que Ia´aqov estava na realidade enviando “anjos” para prepararem seu caminho, pois certamente ele “reconquistaria” a terra que lhe pertencia por direito de herança, mas que agora era chamada pelos nomes de seu irmão justamente por causa desua longa ausência ali! Sempre que os judeus ficaram longos períodos ausentes de sua terra os seus inimigos tentaram “desfigura- la” dando-lhes outros nomes! Mas ela sempre retornou ao seu nome original: Israel!

Ia´aqov ordena à seus servos que vão a Esav com uma mensagem específica. A palavra "ordenar" é tsawâ e significa "ordenar, incumbir". A raiz da palavra indica a instrução de um pai para seu filho; de um rei para seus servos. Isso nos mostra que o relacionamento de Ia´aqov para com seus servos era muito agradável, porém firme. Não havia abuso de autoridade – autoritarismo – e também não havia a desobediência – insubordinação – mas havia um relacionamento em que os servos procuravam obedecer e atender ao seu senhor para que todas as coisas pudessem caminhar de forma agradável, sem maiores problemas.

Após o encontro com Esav, os servos de Ia´aqov voltam com o relato daquilo que aconteceu. “E os mensageiros voltaram a Ia´aqov, dizendo: Fomos a teu irmão Esav; e também ele vem para encontrar-

te, e quatrocentos homens com ele” (Gn 32:6). Novamente aqui a palavra “mensageiros” em hebraico é malak e significa "mensageiro, representante, anjo". Eles retornam à Ia´aqov com um relato daquilo que presenciaram: o próprio Esav os recebera e vinha até a eles com um “exército” de quatrocentos homens! Mas, qual seria o motivo para que Esav viesse com todo esse aparato para encontrá-lo? O que estaria passando pela cabeça de Esav? Teria ele ainda grandes ressentimentos pelo que Ia´aqov no passado havia feito à ele? Essas e outras perguntas devem ter passado pela mente de Ia´aqov quando recebe essa notícia.

O fato de Esav vir com 400 homens nos desperta algo: por que deveriam ser justamente 400? Neste número temos o número 4 que representa o mundo e isso parece apontar para uma “recepção” de volta de todo o mundo para Ia´aqov! Isso realmente aconteceu quando o eterno usou a ONU para fazer com que Israel retornasse à sua terra! Também nos é apresentado o número 40 que é o número da provação! Apesar da volta e da recepção, ele não deixaria de ser novamente “provado” pelo Eterno em sua alma! A recepção de Esav nos revela que mesmo os maiores inimigos receberiam Israel e futuramente haveriam de se curvar à eles de forma espetacular, pois a autoridade foi dada não a Evav, mas sim a Ia´aqov!

Mas, o primeiro sentimento que vem à tona em Ia´aqov nos é revelado: “Então Ia´aqov temeu muito e angustiou-se; e repartiu o povo que com ele estava, e as ovelhas, e as vacas, e os camelos, em dois bandos” (Gn 32:7). A palavra “temer” em hebraico é yare, e significa "temer, ter medo, reverenciar". Além disso, a Torah nos diz que ele “angustiou-se”. Esta palavra vem do termo hebraico tsarar que significa "aflição, dificuldades". Esta palavra refere-se a um estado proveniente de circunstâncias exteriores que geram inconstância na alma daquele que a sofre. Ia´aqov sabia que esse momento seria de uma profunda expectativa e ansiedade, pois não haveria como prever como seria o encontro entre ele e Esav!

Agora Ia´aqov faz aquilo que lhe era peculiar: ele ora à D-us! “Disse mais Ia´aqov: Elohim de meu pai Abraão, e Elohim de meu pai Isaque, o IHVH, que me disseste: Torna-te à tua terra, e a tua parentela, e far-te-ei bem; menor sou eu que todas as beneficências, e que toda a fidelidade que fizeste ao teu servo; porque com meu cajado passei este Jordão, e agora me tornei em dois bandos. Livra- me, peço-te, da mão de meu irmão, da mão de Esav; porque eu o

temo; porventura não venha, e me fira, e a mãe com os filhos. E tu o disseste: Certamente te farei bem, e farei a tua descendência como a areia do mar, que pela multidão não se pode contar” (Gn 32:9-12). Aqui Ia´aqov trata de vários aspectos aos quais o Eterno já lhe prometera cuidar. Ele somente “traz à lembrança” o que o Senhor lhe havia dito.

Ele principia chamando lembrando que D-us foi o Elohim D-us Criador – de Avraham e conseqüentemente dele também e que o seu nome é – IHVH o que demonstra que o Eterno se tornaria aquilo que ele precisasse! A petição de Ia´aqov é por livramento! A palavra “livrar” em hebraico é natsal e significa "livrar, resgatar, salvar". Daí a idéia de salvação ou de um livramento pessoal literal. Ia´aqov estava “antecipando” o que poderia acontecer em seu encontro com Esav e então já clamava ao Eterno para que o livrasse! Ele também lembra ao Eterno que Ele mesmo lhe prometera fazer-lhe bem e que faria a sua descendência como a areia do mar. A palavra “descendência” é zerá e significa "descendência física"; seriam os filhos que nasceriam a partir dele e então se tornariam numerosos em toda a terra. Mas como seria isso possível se algum mal acontecesse a ele ou a qualquer um de seus familiares? É justamente por isso que Ia´aqov clama ao Eterno por esse tipo de livramento!

Ia´aqov agora lembra-se das estratégias que aprendeu e tenta

aplacar a ira de seu irmão enviando-lhe “presentes” que antecedem a sua chegada. “E passou ali aquela noite; e tomou do que lhe veio à sua mão, um presente para seu irmão Esav: duzentas cabras e vinte bodes; duzentas ovelhas e vinte carneiros; trinta camelas de leite com suas crias, quarenta vacas e dez novilhos; vinte jumentas e dez jumentinhos; e deu-os na mão dos seus servos, cada rebanho à parte, e disse a seus servos: Passai adiante de mim e ponde espaço entre rebanho e rebanho. E ordenou ao primeiro, dizendo: Quando Esav,

meu irmão, te encontrar, e te perguntar, dizendo: De quem és, e para onde vais, e de quem são estes diante de ti? Então dirás: São de teu servo Ia´aqov, presente que envia a meu senhor, a Esav; e eis que ele mesmo vem também atrás de nós. E ordenou também ao segundo, e ao terceiro, e a todos os que vinham atrás dos rebanhos, dizendo:

Conforme a esta mesma palavra falareis a Esav, quando o achardes. E direis também: Eis que o teu servo Ia´aqov vem atrás de nós. Porque dizia: Eu o aplacarei com o presente, que vai adiante de mim, e depois verei a sua face; porventura ele me aceitará. Assim, passou o presente adiante dele; ele, porém, passou aquela noite no arraial”

(Gn 32:13-21). Ia´aqov envia três emissários adiante dele a fim de

presentearem a Esav com aquilo que ele mesmo escolhera. Ia´aqov porém passa a noite naquele mesmo lugar, decerto pensando se sua estratégia seria ou não bem sucedida! Em pouco tempo Ia´aqov saberia qual seria enfim o seu destino e se as promessas do Eterno haveriam de cumprir-se em sua vida!

Naquela noite acontece algo que definitivamente mudaria a vida de Ia ´aqov: ele encontra-se com o Criador e sua vida é mudada radicalmente! “Ia´aqov, porém, ficou só; e lutou com ele um homem, até que a alva subiu. E vendo este que não prevalecia contra ele, tocou a juntura de sua coxa, e se deslocou a juntura da coxa de Ia ´aqov, lutando com ele. E disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares. E disse- lhe: Qual é o teu nome? E ele disse: Ia´aqov. Então disse: Não te chamarás mais Ia´aqov, mas Israel; pois como príncipe lutaste com Deus e com os homens, e prevaleceste. E Ia´aqov lhe perguntou, e disse: Dá-me, peço-te, a saber o teu nome. E disse: Por que perguntas pelo meu nome? E abençoou-o ali. E chamou Ia´aqov o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Elohim face a face, e a minha alma foi salva” (Gn 32:24-30). Vejamos alguns pontos interessantes do encontro entre Ia´aqov e o Eterno.

Ia´aqov fica só, em hebraico bad que significa "sozinho, por si mesmo". O conceito fundamental é “ficar separado ou isolado”. Nós percebemos que é necessário estar a sós com o Eterno a fim de que

Ele tenha plena liberdade em nossas vidas! O verdadeiro encontro com o Eterno ocorre na solidão! É ali e somente ali que o Eterno pode vir e apresentar-se a nós de maneira plena a completa. E quando o encontramos, tem início uma “luta” onde queremos e precisamos que o Eterno se compadeça de nós e nos toque até mesmo fisicamente! A

conversa entre Ia´aqov e o Eterno reflete bem sua intimidade: “

E ...

disse: Deixa-me ir, porque já a alva subiu. Porém ele disse: Não te deixarei ir, se não me abençoares”. Aqui sabemos que o Eterno veio por causa de Ia´aqov e necessitava que houvesse uma atitude por parte deste a fim de que lhe fosse reivindicado aquilo que ele viera trazer. É por isso que Ele diz: “Deixa-me ir, porque já a alva subiu”. D- us não precisa pedir permissão para homem algum a fim de ir ou vir. Mas aqui é diferente. Ele veio por causa de Ia´aqov e Ia´aqov precisa agir e reivindicar aquilo que está em seu coração.

A resposta de Ia´aqov a esta pergunta é: “

Não

te deixarei ir, se não

... me abençoares”. A palavra abençoar é barak e significa “dar poder à alguém para ser próspero, bem sucedido e fecundo”. Ia´aqov precisava de uma confirmação quanto àquilo que já vinha ocorrendo em sua vida! Era necessário que ainda mais se manifestasse na vida de Ia´aqov esse poder para ser bem sucedido em tudo. Seu sucesso precisava vir agora em relação à Esav e isso estaria garantido se Ia ´aqov pudesse receber do Eterno a certeza de que esse poder lhe havia sido concedido!

Então acontece: o nome de Ia´aqov – Calcanhar do Senhor – é mudado agora para Israel – aquele que luta com o Criador e prevalece – pois Ia´aqov lutara com Elohim – O D-us Criador - e alcançara aquilo que tanto precisava! É interessante que a Torah nos diz que ele prevaleceu! Esta palavra “prevalecer” vem do termo hebraico iakol que significa "ser capaz, prevalecer, dominar". Isto significa que Ia ´aqov foi capaz de suportar tudo até aquele momento em busca daquilo que ele mais almejava: a confirmação da bênção do Criador sobre sua vida! Então a escritura diz que o Eterno abençoou-o ali! Aquele homem recebera a confirmação de que havia sobre ele poder para ser próspero, bem sucedido e fecundo em tudo aquilo que fizesse!

Por isso o nome do lugar chamou-se Peniel, pois ele viu à D-us face a face. O nome do lugar é mudado em virtude deste acontecimento! Agora seu nome – Peniel – é a combinação de duas palavras panim + El. O termo panim está no plural e indica todas as características que formam o rosto de alguém! Certamente neste acontecimento a face do Eterno sorria para Ia´aqov! Já palavra “ver” em hebraico é ra’â e significa "ver, olhar, inspecionar". O encontro entre eles fora tão extraordinário que ele diz ter visto (e também foi visto) face a face com e pelo Criador! Ia´aqov (agora Israel) tivera um encontro com seu Criador e sua vida haveria de mudar, pois ele confessa que “minha alma foi salva”. A palavra “salva” em hebraico é natsal e significa "livrar, resgatar, salvar". A palavra tem o sentido de “arrastar para fora ou então puxar para fora”. Isso nos fala sobre os temores e traumas de Ia´aqov que, naquele encontro com o Eterno foram-lhe arrancados e curados! Agora Ia´aqov certamente seria um outro homem, curado e restaurado pelo Eterno!

Mas além da marca espiritual na alma de Ia´aqov houve também uma marca física em seu corpo: “E chamou Ia´aqov o nome daquele lugar Peniel, porque dizia: Tenho visto a Deus face a face, e a minha alma foi salva. E saiu-lhe o sol, quando passou a Peniel; e manquejava da sua coxa” (Gn 32:30-31). Isso nos mostra que muitas vezes nossos “encontros” com o Eterno nos marcarão de forma inconfundível, inclusive fisicamente, pois, quando olharmos para aquela “marca” nos lembraremos de nosso encontro com o Senhor e também nos lembraremos de suas promessas para nossa vida!

Na seqüência temos o tão esperado encontro entre Esav e Ia´aqov. Vejamos o que ocorreu quando os dois irmãos, separados por distâncias físicas e por anos de saudades, que agora certamente deverão determinar a intensidade positiva ou negativa deste

encontro. Foi assim que tudo ocorreu: “E levantou Ia´aqov os seus olhos, e olhou, e eis que vinha Esav, e quatrocentos homens com ele. Então repartiu os filhos entre Lia, e Raquel, e as duas servas. E pôs as servas e seus filhos na frente, e a Lia e seus filhos atrás; porém a Raquel e José os derradeiros. E ele mesmo passou adiante deles e inclinou-se à terra sete vezes, até que chegou a seu irmão. Então

Esav correu-lhe ao encontro, e abraçou-o, e lançou-se sobre o seu

pescoço, e beijou-o; e choraram” (Gn 33:1-4). A estratégia de Ia´aqov foi dividir sua família em parte, ficando ele mesmo por último com sua esposa e filhos amados!

A Escritura nos informa que Ia´aqov quando chegou à presença de Esav inclinou-se à terra sete vezes. A palavra “inclinar-se” em hebraico é shahah e significa "inclinar-se". Ela tem o significado de “ser inferior”, “estar abatido”. Esta palavra descreve com muita propriedade a condição de Ia´aqov naquele momento: ele sentia-se inferior, estava abatido, pois não sabia o que lhes aconteceria então. Ia´aqov humilhou-se totalmente (sete vezes) diante de seu irmão Esav e esperava receber dele a devida misericórdia. A reação de Esav foi a menos provável nos cálculos de Ia´aqov. Ele sai correndo ao Encontro de Ia´aqov, lança-se sobre ele abraçando-o e chorou de saudades! Creio eu que nem nas melhores expectativas de Ia´aqov ele imaginou ser recebido assim por Esav! Foi o reencontro de dois irmãos que foram separados por muitos anos, cresceram, amadureceram, constituíram família e agora se reencontram debaixo de um clima de amor e compreensão! O coração quebrantado de Esav fora certamente preparado pelo Eterno para esse dia e também a humildade de Ia´aqov, que ao reencontrar-se com seu irmão sabia que tudo o que ele fizera com seu irmão tinha sido errado; mas agora ele sente o perdão fluindo naquele reencontro!

Ia´aqov fala com seu irmão colocando–se a si mesmo numa posição

inferior. “Depois levantou os seus olhos, e viu as mulheres, e os meninos, e disse: Quem são estes contigo? E ele disse: Os filhos que

Deus graciosamente tem dado a teu servo” (Gn 33:5). Quando Esav pergunta ao irmão que pessoas são aquelas ao seu redor, Ia´aqov lhe informa que são a família que o Eterno lhe houvera dado. Aqui ele chama a “D-us” de Elohim D-us Criador – e a si mesmo de “servo”, ebed em hebraico, que significa "escravo, servo". Este termo é empregado como uma referência humilde e educada sobre si mesmo. É isso que Ia´aqov faz: reconhece quem ele é – na atual condição – e diz isso ao seu irmão a fim de garantir-lhe que houve realmente uma mudança significativa em sua vida e conduta!

Esav pergunta a Ia´aqov sobre as pessoas que o precederam e sobre os “presentes” que lhe foram oferecidos e Ia´aqov lhe explica que estes foram a fim de “apresentarem-se” como dádivas de Ia´aqov a Esav. Esav tenta não aceitar aquilo que lhe é oferecido pelo irmão,

mas Ia´aqov insiste em que ele aceite, pois assim ele estará de certa forma, “pagando” à Esav pelos prejuízos causados e ele e acumulados durante anos de ausência de Ia´aqov na família. Ele diz: “Toma, peço- te, a minha bênção, que te foi trazida; porque Deus graciosamente

ma tem dado; e porque tenho de tudo. E instou com ele, até que a tomou” (Gn 33:11). Ia´aqov “reparte” sua beraka benção – que significa que Ia´aqov dá a seu irmão aquilo que ele tinha recebido fisicamente. Ele dividia com Esav o poder de ser próspero, bem

sucedido e fecundo, só que isso está já manifesto de forma palpável, em bens materiais! Ia´aqov não divide com Esav a herança espiritual, mas somente a física!

Esav convida a Ia´aqov para ir com ele em caravana de volta ao seu lar. Porém Ia´aqov argumenta com seu irmão que seus filhos são novos demais para caminharem rapidamente para qualquer lugar e também seu gado não poderia fatigar-se, pois caso isso acontecesse o rebanho certamente morreria. Então foi Esav para seu caminho e Ia ´aqov toma outro rumo. “Assim voltou Esav aquele dia pelo seu caminho a Seir. Ia´aqov, porém, partiu para Sucote e edificou para si uma casa; e fez cabanas para o seu gado; por isso chamou aquele

lugar Sucote” (Gn 33:16-17). Esav volta pelo seu caminho a Seir. A palavra “caminho” em hebraico é derek e significa "caminho, estrada". Relaciona-se com darak, "pisar, pisotear e refere-se também a um caminho gasto, batido de tanto andar-se nele". Esav vai para Seir. Esse nome designa a região montanhosa a leste do deserto de Arabá. A palavra em sua raiz também significa “ter muito medo”. Esav, após seu encontro com Ia´aqov volta às suas atividades normais e continua andando por seus caminhos costumeiros! Não houve mudança na vida de Esav, pois ele ainda vive da mesma forma e com os mesmos padrões antigos! Ele inclusive habita numa região e num lugar que nos falam sobre sua condição espiritual: ele vive num lugar que causa muito medo! Esse lugar é certamente a habitação dos poderes das trevas, onde o domínio ali é exercido por seres cuja procedência vem das regiões baixas da terra: o inferno! Já Ia´aqov segue por um caminho diferente: ele vai para Sucote. A palavra “Sucot” significa "tendas"; ela também vem de uma raiz que significa em particular “cobrir” e num sentido figurado descreve a proteção que D-us concede à todos os que nele vem buscar refúgio. Ia ´aqov também continua andando pelos mesmos caminhos que o trouxeram de volta ao seu lar. Ele anda com o D-us Eterno e vai para uma cidade que fala em seu nome sobre a proteção que o Eterno dá aos seus filhos. Ia´aqov sente-se “coberto” pela presença do Eterno em todos os seus caminhos! É justamente isso que aprendemos com Ia´aqov: a andar diante do Eterno em seus caminhos – que não estão “gastos” por andarmos neles diariamente – mas que se renovam e trazem sempre coisas novas e belas para aqueles que neles andam em obediência a Torah do Eterno!

Ia´aqov reconhece que foi o Eterno que o trouxe até ali e naquela condição de saúde e vida! “E chegou Ia´aqov salvo à Salém, cidade de Seqem, que está na terra de Canaã, quando vinha de Padã-Arã; e armou a sua tenda diante da cidade” (Gn 33:18). É-nos dito que Ia ´aqov chega salvo à Salém. A palavra Salém significa "estar completo, sadio". Ela descreve bem o estado no qual Ia´aqov chega à sua casa: como alguém que foi embora, mas retorna vitorioso em todos os sentidos de sua vida! Ele estava também na cidade de Seqem e esta palavra significa "ombro, costas". A palavra vem da raiz que significa também “levantar cedo”. Tem o sentido de começar

uma longa viagem; começar o dia com um ato de adoração e ir à batalha! É muito interessante pois foi justamente isso que acontecera com Ia´aqov: ele levantara-se começando uma nova etapa de sua vida, e creio eu, que através de sua postura de um verdadeiro adorador ele conquista as vitórias tão esperadas no campo de batalha – tanto espiritual quanto físico -.

Seu último ato ao chegar à sua terra natal foi o de erigir um altar ao seu D-us. “E levantou ali um altar, e chamou-lhe: Deus, o Deus de Israel” (Gn 33:20). A palavra “altar” em hebraico é mizbeah e significa "lugar de sacrifício". Agora Ia´aqov trazia diante do Eterno um sacrifício como gratidão ao seu D-us por seus feitos em sua vida. Ele também dá um nome ao altar: El, o D-us de Israel! Este nome de D-us é usado em conjunto como prefixo na maioria dos designativos com os quais o Eterno se apresenta nas Escrituras. E o mais interessante é que ele chama El de seu D-us! Ele o chama de D-us de Israel! O altar funcionaria como um marco naquele lugar e traria lembranças a quem quer que o visse e compreendesse o motivo porque ele estava ali! Lembremo-nos também que Israel é agora o nome de Ia´aqov!

Este é Ia´aqov – agora Israel – que volta ao seu lar com uma nova postura de vida e seu retorno propiciará a ele que viva uma nova etapa em sua caminhada com o D-us Eterno de Israel! Ele assume sua nova identidade: o príncipe que lutou com o Criador e prevaleceu – conseguiu aquilo que tanto precisava – e agora tem início o cumprimento através de Ia´aqov – Israel – da promessa feita a Abraham e Itshaq, a qual nos fala sobre Israel habitar na sua terra e ali eles cresceriam e se multiplicariam. Mas isso é só o começo!

Agora temos o relato sobre Dinah, que é deflorada, forçada por um homem que não conhecia e nem obedecia aos princípios do D-us Eterno. A história transcorreu assim: “E saiu Dinah, filha de Lia, que esta dera a Ia´aqov, para ver as filhas da terra. E Seqem, filho de Hamor, heveu, príncipe daquela terra, viu-a, e tomou-a, e deitou-se com ela, e humilhou-a” (Gn 34:1-2). Dinah passeava pelos arredores das propriedades de Ia´aqov, quando foi vista por Seqem, que sentiu- se atraído por ela, e por ser um homem muito importante naquele lugar julgou poder fazer dela o que bem entendesse. A escritura nos informa que ele “humilhou-a”. Esta palavra em hebraico é anâ e significa "afligir, oprimir, humilhar". O sentido básico da palavra é de “forçar”, ou “tentar impor”; também “castigar” ou “causar dor em”. Dinah foi forçada a manter relações sexuais com um homem desconhecido, foi agredida em sua liberdade e teve sua virgindade violada por alguém que simplesmente olhou para ela, e que, por causa de sua posição social, ultrapassou os limites da ordem e da decência sem pensar nas conseqüências de sua ato.

Mas a história vai muito além disso. “Quando Ia´aqov ouviu que Dinah, sua filha, fora violada, estavam os seus filhos no campo com o

gado; e calou-se Ia´aqov até que viessem. E saiu Hamor, pai de Seqem, a Ia´aqov, para falar com ele. E vieram os filhos de Ia´aqov do campo, ouvindo isso, e entristeceram-se os homens, e iraram-se

muito, porquanto Seqem cometera uma insensatez em Israel, deitando-se com a filha de Ia´aqov; o que não se devia fazer assim”

(Gn 34:5-7). Quando Ia´aqov e seus filhos ficaram sabendo do que havia ocorrido com Dinah houve uma indignação muito grande por parte deles. Eles sabiam que algo deveria ser feito para que este grande mal pudesse ser reparado. Mas o que? Agora o próprio D-us vai providenciar para eles uma estratégia a fim de poderem “vingar- se” de Dinah.

Hemor (pai de Seqem) vem até Ia´aqov para pedir-lhe Dinah por esposa à seu filho. “Então falou Hamor com eles, dizendo: A alma de Seqem, meu filho, está enamorada da vossa filha; dai-lha, peço-vos, por mulher; e aparentai-vos conosco, dai-nos as vossas filhas, e tomai as nossas filhas para vós; e habitareis conosco; e a terra estará diante de vós; habitai e negociai nela, e tomai possessão nela. E disse Seqem ao pai dela, e aos irmãos dela: Ache eu graça em vossos olhos, e darei o que me disserdes; aumentai muito sobre mim o dote e a dádiva e darei o que me disserdes; dai-me somente a moça por mulher” (Gn 34:8-12).

O que Hemor dissera reflete o padrão ensinado a Seqem: “a sua alma está enamorada de sua filha”. A palavra “alma” vem do termo hebraico nephesh e significa "vida, alma, criatura, mente". Reflete os aspectos emocionais de uma pessoa. Modernamente diríamos que este jovem apaixonou-se por Dinah e a estuprou, tentando depois casar-se com ela a fim de “reparar” o erro.

Aparentemente, a proposta de Hemor era muito boa. Ele queria, de certa forma, “reparar” o erro de seu filho tomando Dinah por sua esposa e também pagando à família de Ia´aqov o dote que lhes fosse pedido. Mas certamente isso não estava nos planos de Ia´aqov, pois ele queria que sua filha e pudesse casar-se com alguém da mesma linhagem e não com um homem desconhecido, de um povo que não honrava nem conhecia ao D-us de Israel.

Entre os familiares, o comentário foi o seguinte: “Então responderam os filhos de Ia´aqov a Seqem e a Hamor, seu pai, enganosamente, e

falaram, porquanto havia violado a Dinah, sua irmã” (Gn 34:13). A palavra violar em hebraico é tame’ e significa "ser (ficar) impuro, imundo". Dinah agora havia ficado impura justamente por ter sido “atacada” por Seqem e por não terem sido respeitados os parâmetros legais para que fosse realizado um casamento. Seqem simplesmente a tomou, fez dela o que quis e depois pediu a seu pai que intermediasse o casamento! Os irmãos de Dinah sabiam disso e agora usaram de astúcia a fim de poderem fazer algo que os levasse a “repararem” o erro que ocorrera com Dinah!

A proposta deles para Hamor, Seqem e os homens daquela

comunidade foi a seguinte: “E disseram-lhe: Não podemos fazer isso, dar a nossa irmã a um homem não circuncidado; porque isso seria uma vergonha para nós; nisso, porém, consentiremos a vós: se fordes como nós; que se circuncide todo o homem entre vós; então dar-vos- emos as nossas filhas, e tomaremos nós as vossas filhas, e habitaremos convosco, e seremos um povo; mas se não nos ouvirdes, e não vos circuncidardes, tomaremos a nossa filha e ir-nos-emos. E

suas palavras foram boas aos olhos de Hamor, e aos olhos de Seqem, filho de Hamor. E não tardou o jovem em fazer isto; porque a filha de Ia´aqov lhe contentava; e ele era o mais honrado de toda a casa de seu pai. Veio, pois, Hamor e Seqem, seu filho, à porta da sua cidade, e falaram aos homens da sua cidade, dizendo: Estes homens são pacíficos conosco; portanto habitarão nesta terra, e negociarão nela; eis que a terra é larga de espaço para eles; tomaremos nós as suas filhas por mulheres, e lhes daremos as nossas filhas. Nisto, porém, consentirão aqueles homens, em habitar conosco, para que sejamos um povo, se todo o homem entre nós se circuncidar, como eles são circuncidados. E seu gado, as suas possessões, e todos os seus animais não serão nossos? Consintamos somente com eles e habitarão conosco. E deram ouvidos a Hamor e a Seqem, seu filho, todos os que saíam da porta da cidade; e foi circuncidado todo o homem, de todos os que saíam pela porta da sua cidade” (Gn 34:14- 24). A proposta dos israelitas consistia justamente na circuncisão dos homens da localidade a fim de se “igualarem” aos israelitas em suas tradições e costumes. Eles ponderaram e concluíram que esta seria uma coisa muito boa para ambos os povos, pois a terra poderia comportar a ambos e também eles poderiam unificar-se a fim de formarem um povo ainda mais forte! Mas eles não pensaram que a circuncisão para qualquer homem depois do 8° dia causa uma dor muito grande, principalmente em adultos! Essa seria a estratégia dos israelitas, que, ao proporem aqueles homens que se circuncidassem estariam também debilitando-os espiritual e fisicamente!

O resultado desta estratégia foi terrível: a paixão de Seqem trouxe a ele e aos seus subordinados a morte! Percebemos o quão perigosa é a paixão humana descontrolada! Da mesma forma que, repentinamente, o sentimento apareceu, ele pode, também repentinamente, desaparecer! Os servos de Hamor (pai de Seqem), juntamente com seu senhor, pagaram com a própria vida pelo abuso

apaixonado deste homem! “E aconteceu que, ao terceiro dia, quando estavam com a mais violenta dor, os dois filhos de Ia´aqov, Simeão e Levi, irmãos de Dinah, tomaram cada um a sua espada, e entraram afoitamente na cidade, e mataram todos os homens. Mataram também ao fio da espada a Hamor, e a seu filho Seqem; e tomaram a Dinah da casa de Seqem, e saíram. Vieram os filhos de Ia´aqov aos mortos e saquearam a cidade; porquanto violaram a sua irmã. As suas ovelhas, e as suas vacas, e os seus jumentos, e o que havia na cidade e no campo, tomaram. E todos os seus bens, e todos os seus meninos, e as suas mulheres, levaram presos, e saquearam tudo o

que havia em casa. Então disse Ia´aqov a Simeão e a Levi: Tendes- me turbado, fazendo-me cheirar mal entre os moradores desta terra, entre os cananeus e perizeus; tendo eu pouco povo em número, eles ajuntar-se-ão, e serei destruído, eu e minha casa. E eles disseram:

Devia ele tratar a nossa irmã como a uma prostituta?” (Gn 34:25-31). Quando Ia´aqov fica sabendo do “estrago” promovido por Simeão e Levi ele fica muito preocupado com o fato, porém a justificativa deles é no mínimo plausível: Dinah não deveria ser tratada como uma prostituta! A palavra “prostituta” em hebraico é zanâ e significa "cometer fornicação, praticar prostituição"; a idéia básica é “ter relação sexual ilícita”. Os irmãos de Dinah sabiam da gravidade daquilo que ocorrera, mas também sabiam que aquilo que haviam feito certamente estava errado, pois eles haviam enganado astutamente aos moradores daquela terra a fim de darem cabo de suas vidas!

Agora, Ia´aqov é novamente chamado pelo Eterno a um concerto juntamente com toda a sua família! “Depois disse Deus a Ia´aqov:

Levanta-te, sobe a Betel, e habita ali; e faze ali um altar ao Deus que te apareceu, quando fugiste da face de Esav teu irmão. Então disse Ia ´aqov à sua família, e a todos os que com ele estavam: Tirai os deuses estranhos, que há no meio de vós, e purificai-vos, e mudai as vossas vestes” (Gn 35:1-2). Aqui o eterno apresenta-se como Elohim o D-us Criador - a Ia´aqov e ordena-lhe erigir um altar, que é um lugar de sacrifício, onde ele certamente deveria apresentar ao Senhor os sacrifícios que lhes permitiriam ter os pecados “cobertos” (perdoados) e poderiam então continuar em sua caminhada diante do Senhor. O Senhor diz a Ia´aqov que fizesse o altar “ao Deus que te apareceu”. No hebraico está a expressão El-ra’ah, que significa o El (Criador) que vê, atenta, presta atenção. Literalmente seria traduzida por “ao El que te viu”. Isso demonstra-nos que o Eterno tem um cuidado extremo para com seus filhos, pois Ele está cuidando de todos nós atentamente, com seus olhos fixos sobre cada passo e atitude de nossas vidas! A determinação do eterno é que Ia´aqov e os seus mudem de vida, retirando do meio deles tudo aquilo que ocupa o lugar de D-us em suas vidas! Eles deveriam dar prioridade máxima ao Senhor e isso exigiria abrirem mão de outros objetos e até mesmo de outros valores que julgavam ser bons para sua vida a fim de servirem ao Senhor!

A conseqüência de seu ato de obediência foi a seguinte: “E levantemo-nos, e subamos a Betel; e ali farei um altar ao Deus que me respondeu no dia da minha angústia, e que foi comigo no caminho que tenho andado. Então deram a Ia´aqov todos os deuses estranhos, que tinham em suas mãos, e as arrecadas que estavam

em suas orelhas; e Ia´aqov os escondeu debaixo do carvalho que está junto a Seqem. E partiram; e o terror de Deus foi sobre as cidades que estavam ao redor deles, e não seguiram após os filhos de Ia´aqov” (Gn 35:3-5). A primeira coisa que Ia´aqov e seus familiares fazem é “subir a Betel”. Para que haja um concerto é

necessário que todos os familiares dele vão juntos à casa de El. Ali eles teriam atitudes e posturas que confirmariam seu arrependimento e seu desejo de concertarem-se e refazerem sua aliança com o Senhor.

Pelo texto nós percebemos que não houve resistência da parte dos que estavam com Ia´aqov. Eles liberalmente se desfizeram das coisas que, de alguma forma, impediam seu relacionamento com o D-us Eterno. A primeira coisa de que se livraram foram os “deuses estranhos”. Em hebraico temos nekar eloahi que significa literalmente deuses estrangeiros! Estava tendo início uma “limpeza” das “heranças” adquiridas na casa da Lavan! Para que Ia´aqov se estabelecesse em sua terra, sua casa precisaria de uma total purificação!

Quando eles fizeram isso, o resultado foi que o Senhor trouxesse sobre os habitantes em derredor o seu terror! Aqui a palavra “terror” é hittâ e significa "pavor, medo". A palavra vem de uma raiz que significa (estar) quebrantado, aniquilado, com medo, aterrorizado. Isso demonstra que a obediência de Ia´aqov e dos seus impôs o reino do Criador (Elohim) sobre o local e os arredores em que eles habitavam! Quando eles obedeceram à ordem de retirar os “deuses” estranhos do meio deles, foi “disparado” um processo no qual o reino espiritual trouxe à Ia´aqov e aos seus a presença do Eterno de tal forma que instalou-se um terror nas localidades ao seu redor! D-us causou isso a fim de preservar Ia´aqov e os seus com sua presença!

Um outro evento agora marca a vida de Ia´aqov e de sua família: a morte de Debrah, ama de Rebeca. Quando isso acontece, Ia´aqov e o Eterno encontram-se novamente e o resultado deste encontro é maravilhoso! “E apareceu Deus outra vez a Ia´aqov, vindo de Padã- Arã, e abençoou-o. E disse-lhe Deus: O teu nome é Ia´aqov; não te chamarás mais Ia´aqov, mas Israel será o teu nome. E chamou-lhe

Israel” (Gn 35:9-10). Novamente o Eterno – Elohim aparece a Ia´aqov e o abençoa. Ia´aqov recebe novamente poder para ser próspero (mais ainda), bem sucedido e fecundo em tudo aquilo que ele faz! É também o momento da ratificação (confirmação) de seu novo nome, pois aqui o Senhor novamente diz-lhe que seu nome é Israel. A própria boca do Eterno assim o chamou! Ia´aqov não imaginava que ele estava dando origem à nação de Israel, ao povo que o Eterno escolheu para amá-lo e para dar-lhe suas leis e mandamentos, a fim de que todo o mundo viesse a conhecer – e reconhecer – o D-us de Israel!

Mas isso não foi bastante para o Senhor, que dá ainda mais ao seu

servo Israel! “Disse-lhe mais Deus: Eu sou o Deus Todo-Poderoso; frutifica e multiplica-te; uma nação, sim, uma multidão de nações sairá de ti, e reis procederão dos teus lombos; e te darei a ti a terra que tenho dado a Abraão e a Isaque, e à tua descendência depois de ti darei a terra. E Deus subiu dele, do lugar onde falara com ele. E Ia

´aqov pôs uma coluna no lugar onde falara com ele, uma coluna de pedra; e derramou sobre ela uma libação, e deitou sobre ela azeite”

(Gn 35:11-14). Agora o Senhor libera uma palavra que certamente transformaria a vida de Ia´aqov e novamente Ele ratifica suas promessas a Israel.

O Eterno se identifica como El Shadai ue significa "El todo- poderoso". Alguns crêem que shadai é a formado por she que significa “que”, “quem” e da palavra dai, que significa "bastante, suficiente". Quando O Eterno se apresenta desta forma Ele certamente está dizendo a Ia´aqov: “Eu sou o D-us suficiente para sua vida! Em mim tudo há que você precisa; demonstrarei a você que tenho o bastante para ti!”

O Senhor diz a ele que “frutifique”. Essa palavra em hebraico é parâ e significa "frutificar, ser frutífero, ser fecundo, ramificar". Aqui já vem explícita a ordem do Eterno para que Israel (os judeus) se espalhem, dando muitos frutos por onde quer que eles passem! Além disso, o Senhor ainda lhes diz que se “multipliquem”, que em hebraico é rabâ, que significa "aumentar, multiplicar, ser grande e numeroso"! Às vezes nos parece que o Eterno é um tanto quanto repetitivo, mas isso não é verdade. Aqui o Senhor ordena a Israel que eles tornem-se uma nação numerosa! Mas que tipo de “nação numerosa” seria o povo de Israel? O Eterno informa que uma “multidão de nações” procederiam dele. A palavra “nações” em hebraico é goi e significa "nação gentílica"! Isso significa que já em Ia´aqov (Israel) o Senhor apontava para o futuro mostrando as dispersões pelas quais passariam os judeus e também a sua “mistura” com os povos de todo o mundo fazendo com que os alguns judeus perdessem suas raízes e viessem a integrar os povos chamados “gentílicos”. Muitos destes judeus ainda hoje nem sabem que realmente são judeus! O seu afastamento das raízes judaicas foi tão grande que veio a comprometer sua própria identidade e a sua forma de viver como judeu! Já palavra “multidão” em hebraico é qahal e significa "assembléia, grupo, congregação". O verbo transmite a idéia de reunir um grupo de pessoas, qualquer que seja o propósito da ação. Na Brit Hadasha a palavra é traduzida por sinagoga! Aqui temos então, desde Ia´aqov a idéia de que o Eterno reuniria seu povo – os judeus e alguns gentios – numa congregação que se reuniria a fim de adorarem ao Eterno D-us de Israel! Isso aconteceria num futuro muito distante – esse tempo se chama hoje – e reuniria aqueles que são os descendentes físicos de Ia´aqov – Israel – a fim de formarem uma grande família de adoradores ao D-us Eterno!

Basta somente olharmos para a Palavra do Senhor para entendermos que a Igreja hoje é tão somente uma extensão do povo de Israel antigo e atual! Nós agora compreendemos o porque de D-us estar restaurando sua Igreja a fim de colocá-la em harmonia não somente com Sua Palavra mas também com o povo de Israel que está sobre a terra! Isso é como juntar duas coisas iguais e somente “ajeitar” os

detalhes a fim de colocá-las em paralelo como duas partes de um todo! Assim D-us está fazendo com a Igreja a com Israel, pois um deve olhar para o outro como parte de si mesmo e a Igreja – que foi enxertada em Israel – deve ser restaurada a fim de poder encaixar-se perfeitamente em Israel e formar definitivamente um só povo!

O Senhor agora termina o processo de composição das doze tribos

trazendo à existência a último filho de Ia´aqov. “E partiram de Betel; e havia ainda um pequeno espaço de terra para chegar a Efrata, e

deu à luz Raquel, e ela teve trabalho em seu parto. E aconteceu que, tendo ela trabalho em seu parto, lhe disse a parteira: Não temas, porque também este filho terás. E aconteceu que, saindo-se-lhe a alma (porque morreu), chamou-lhe Benoni; mas seu pai chamou-lhe Ben iamim” (Gn 35:16-18). Nasce finalmente Ben iamim, que significa “filho da destra [mão direita]”. Antes deles chegarem a Efratah Rahel entra em trabalho de parto!

Com isso a amada de Ia´aqov – Rahel - morre ao dar à luz a Bin iamim e é sepultada em Beit Lechem. Termina aqui o ciclo dos nascimentos dos filhos de Ia´aqov e também a composição das doze tribos de Israel.

Novamente somos informados que Esav continua andando por seus caminhos e dá aos seus filhos por esposas e maridos dos filhos de outros povos que não conhecem ao Senhor. Isso nos mostra que Esav tinha um coração que nunca se curvou definitivamente diante do Eterno, pois Esav teimava em fazer as coisas como bem entendia.

Já em Ia´aqov – Israel – temos o símbolo do homem temente e obediente ao Senhor e que sabia que o resultado de sua obediência seria uma vida tranqüila e segura diante do D-us de seus pais. Isso significa que ao obediente o Eterno reserva o poder de serem prósperos, bem sucedidos e fecundos, além de dar-lhes o privilégio de conhecerem os seus segredos!

Aprendamos com Israel e sermos obedientes ao Senhor, ainda que em circunstâncias adversas, pois sabemos que quando obedecemos liberamos o poder do Eterno para agir em nossas vidas dando-nos tudo aquilo que precisamos!

Que o Eterno nos abençoe em nome de Ieshua!

Vayeshev (Ele habita)

A Escritura começa nos informando que Ia´aqov já estava tomando posse da terra que fora prometida a ele e também à seus pais. É ali que os fatos que estudaremos tem início na vida de Iosef. “E Ia´aqov habitou na terra das peregrinações de seu pai, na terra de Canaã”

(Gn 37:1). Ia´aqov toma posse da promessa – que agora se torna para ele um fato – e assim tem início uma nova etapa de vida com o

Eterno, depois de muitos sofrimentos nas mãos de seu sogro Lavan. Ia´aqov deixou de buscar aquilo que o Eterno lhe prometera, pois agora ele se apossara definitivamente daquilo que o D-us de seus pais havia lhe prometido. Ia´aqov entrou no descanso de suas peregrinações, e agora Canaã para ele é o lugar onde ele deve repousar e colher aquilo que ele plantou e também receber de forma mais clara as bênçãos do Eterno, pois não existe mais “sociedade” entre ele e outra pessoa. Tudo o que o Eterno lhe prometeu, agora lhe dará da forma como sempre esteve no coração do Senhor fazer. Aqui temos a palavra “habitar” que vem do termo hebraico iashab que significa "sentar-se, permanecer, habitar". Esta palavra traz consigo o conceito de “sentar-se” e também de ascensão ao trono. Isto significa que para Ia´aqov seu tempo de peregrinação havia terminado, agora

veremos ele e sua família já na terra, “sentando-se” no trono – tomando posse do seu “reino” – que é a terra prometidas à eles por D-us.

Novamente temos aqui a ocorrência da palavra eretz