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OFICINA DE REDAÇÃO:

escreva sem medo


Ferramentas para seu texto voar alto!

PAULA QUINTÃO
PAULA QUINTÃO

Oficina de Redação:
escreva sem medo
Ferramentas para seu texto voar alto

EQUIPAR
Consultoria & Treinamento
Copyright© Paula Quintão,2013

Edição: Paula Quintão


Capa e Projeto Gráfico: Paula Quintão
Revisão: Thais de Alcântara Peres e Leonardo Blasch
Direito da imagem de capa: Alisson de Vargas

....................................

Quintão, Paula.

Oficina de Redação: escreva sem medo. Ferramentas para seu texto voar alto. /
Paula Quintão - Manaus: Equipar, 2013.

50 p.

Redação. Texto. Produção textual. Oficina de Redação.

....................................

2013

Equipar Consultoria e Treinamento


www.EquiparParaVencer.com.br
equiparconsultoria@gmail.com
Lançamento em 22/07/2013
Dedico aClara.
Minha filha,
minha base,
minha luz.
índice

Introdução
1 Nossas metas e sonhos...
2 Hábitos para escrever bem
3 Esse texto de tantas nuances
4 Por que quero tanto escrever bem?
5 Como escrever bem?
6 Organização textual
7 Tipos de textos
8 Escrevendo com técnica
9 Revisando o próprio texto
10 Um texto que alcança voos altos
esse livro é para você que...

... quer um texto mais leve, mais claro, mais organizado.


... quer escrever com facilidade, criando frases com fluidez.
... quer arrancar suspiros do seu leitor.
... quer se sentir mais livre e seguro ao escrever.

Deixe as ideias voarem para o papel.

Estamos juntos!
Seja muito bem-vindo!
Se você está diante desse e-book é porque acredita ser possível ir além na sua relação com a escrita,
aprimorar seu texto, dominar ainda mais seus modos de expressão. Sim! Você está certo!

JUNTOS nós podemos! Vamos enfrentar suas dificuldades, seus medos mais íntimos, suas barreiras
mais sólidas e seus maiores dilemas com a escrita para que você possa se LIBERTAR e ser um novo
escritor: um escritor mais leve, mais livre e mais confiante.

Com todo o meu carinho e envolvimento, uso a metáfora do ‘paraquedismo’ para ilustrar esse meu
trabalho. Nesse momento, enquanto lanço esse meu primeiro e-book estou também prestes a
completar meu curso de paraquedismo, numa experiência cheia de desafios e autoconhecimento.
Hoje sei que o espírito de um bom escritor é muito semelhante ao do paraquedista.

O paraquedismo é uma forma de contato muito expressiva com nosso interior, nossos limites, nossa
emoção ao nos sentir tão livres, e, ao mesmo tempo, cara a cara com os nossos medos mais
profundos. E a aventura da escrita também faz emergir, intensamente, muito do que há em nosso
interior.

Quero que você vasculhe suas ideias subindo até grande alturas como se estivesse dentro de um
avião que leva você até o momento do seu salto, a 12 mil pés de altura. Quero que você caminhe
confiante, sem medos, e atravesse a porta da aeronave, deixando sua base sólida para se lançar no
ar, no nada. Que nesse momento suas ideias sigam para além da porta do avião, chegando até o
papel em um movimento de queda livre sem impedimentos, sem barreiras, sem prisões. Quero que
você sinta que tem asas e pode voar. Quero que suas palavras caiam macias em seu papel como num
pouso perfeito em dia de bons ventos.

No e-book “Oficina de Redação: escreva sem medo” você terá em mãos novas ferramentas para
auxiliá-lo na produção de textos mais ricos, mais criativos, mais enxutos, mais práticos, mais
interessantes, mais a sua cara. Aproveite cada uma delas. Leia, releia, revire o e-book.

Sua dedicação e sua busca pelo aprendizado e aprimoramento são as peças mais importantes desse
processo. Vamos viver de mãos dadas a aventura da produção textual e alçar grandes voos!

Com carinho,

Paula Quintão.
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EQUIPAR
Consultoria & Treinamento
Por trás de todo esse projeto do e-book há uma empresa que acredita no conhecimento e no
aprendizado, acredita que o saber compartilhado pode transformar o nosso mundo. Essa
empresa é a EQUIPAR Consultoria & Treinamento, que fundei em maio de 2013 com toda a
alegria e felicidade do mundo.

A EQUIPAR Consultoria & Treinamento tem a filosofia de que podemos abrir mais portas e
trilhar com mais leveza os caminhos se tivermos em mãos ferramentas apropriadas para
utilizar ao longo de nossa jornada.

A EQUIPAR entende o conhecimento como o equipamento capaz de alavancar resultados,


aperfeiçoar processos, promover equipes e incrementar práticas profissionais. Acreditar no
conhecimento é fundamental para trilharmos um caminho de maior liberdade e confiança.

A missão da EQUIPAR é aperfeiçoar as ferramentas e equipamentos dos seus clientes


compartilhando saberes em consultorias, treinamentos e livros, como esse que você acaba
de adquirir.

Seja muito bem-vindo. Sinta-se parte.

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O conhecimento nos dá liberdade.
Nossas metas e sonhos...
qualquer semelhança com a sua história não é mera coincidência.
1
Tenho alma de professora. Disso eu sabia desde meus 8 anos quando reunia uma turma invisível
no meu quarto para fazer mil ditados e escrever algumas contas de matemática no quadro de giz
minúsculo pregado na parede.

Amava observar os gestos e os passos que minhas reais professoras de sala de aula davam só
para eu repetir em casa. Colocava algumas roupas para ficar parecida com elas e, mais uma vez,
lá estava eu diante dos alunos invisíveis me sentindo toda importante como professora.

E assim o caminho se fez. Com a ideia fixa na cabeça, fui pensando em como transformar meu
plano em realidade. Naquela altura do campeonato, pelos idos dos meus 16 anos, comecei
escolhendo que queria ser professora de Matemática. Pois é... nem sempre a mente é muito
clara o suficiente sobre suas vontades para o futuro.

Com a ideia fixa na cabeça, fui pensando


em como transformar meu plano em realidade.

Era em Matemática que apareciam as matérias mais difíceis e eu adorava pensar que se fosse
professora de Matemática saberia todas elas e ensinaria de um jeito bem fácil para os alunos.
Amo definitivamente os desafios.

A redação era meu forte no colégio e eu me sentia ótima escrevendo. Por isso mesmo eu não
tinha escolhido ser professora de redação mundo afora. Leve demais... Queria algo que mexesse
comigo, que me fizesse ir à luta, que mobilizasse meu espírito construtivo. Então pronto:
matemática!

Ah, a vida... sempre tão surpreendente....

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Até que numa manhã nada desinteressada de fevereiro, volta às aulas, cruzou a porta da
sala um professor novo de Língua Portuguesa, recém contratado, lindo e maravilhoso,
inteligentíssimo. “Lindo e maravilhoso” detectei em poucos segundos; “inteligentíssimo”
detectei nos primeiros minutos de aula. Ele chegou com outros métodos de ensino, outras
formas de revisar as redações e uma linha mais “o vestibular vem aí” que mexia com meu
espírito. Era o máximo.

Chegou o dia de entregar minha primeira redação, dessa vez em folha tipo “prova de
concurso” que dava um ar de importância pra tudo aquilo. Fui toda orgulhosa entregar e
esperava ansiosa pelo resultado cheio de bons elogios. Ah... a vida e nossa cegueira sobre
nós mesmos... Lá estava meu texto todo riscado em vermelho, nota abaixo da média.

Mal pude acreditar... logo eu que sempre ganhei tantos “parabéns” e “estrelas” pelo
caminho de todas as minhas professoras de ensino fundamental? Inacreditável!

Quando o professor nos apresentou a segunda proposta de redação do mês, não contive
meus esforços. Pesquisei o tema, caprichei na letra, modelei bem o texto pra ficar com a
estética impecável e entreguei, mais uma vez, na expectativa de ganhar outras estrelas e
outros parabéns.

Recebi novamente um texto todo vermelho. Nota baixíssima. E, naquele momento, a


redação tocou meu espírito e virou meu desafio.

E vejam só quem está aqui escrevendo esse livro pra vocês! Euzinha!

O caminho até esse trabalho foi bem longo, são quase 15 anos de jornada, e ele envolve
minhas primeiras experiências online revisando redações de tudo quanto é parte do Brasil
gratuitamente. Envolve meu trabalho como revisora desse mesmo professor incrível e
inspirador dois anos depois dessas terríveis redações pintadas de vermelho. O dia que o
professor me chamou na mesa dele para dizer que meu texto estava impecável e me
convidar para revisar algumas redações sob sua tutoria ainda ronda minha memória como
um dos dias mais felizes da adolescência.

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Esse caminho de relação com o texto envolve minha faculdade de comunicação social,
meu mestrado em ciência da informação na UFMG. Envolve minhas aulas para os
cursinhos preparatórios, esses alunos cheios de sonhos e garra. Envolve o tempo que fiz a
editoria de uma revista que valorizava o interior de Minas e eu tinha que visitar tudo
quanto é cidade pequena do interior para fazer matéria com as donas Marias e os seus
Josés. Envolve minhas aulas para a graduação de publicidade e para pós-graduação, meu
doutorado em Sustentabilidade na UFAM e a tese sem fim.

Envolve meu blog “Manaus pra Mim” que completa quatro anos de existência no final de
2013. Envolve meu segundo blog, o “Um novo EU”, cheio de filosofias e pensamentos que
rondam meu ser e podem voar livremente para a tela do computador, para a vida dos
meus leitores. E envolve principalmente meu livro, meu romance autobiográfico, que foi
um marco nessa minha história com o texto, o “Para sempre um novo EU”.

Além das vivências profissionais e acadêmicas, há também todas as experiências que


adquiri em todas as montanhas que subi, nas trilhas que percorri, em cada salto de
paraquedas que fiz, nas estradas pelas quais dirigi, na minha jornada como mãe,
namorada, esposa, amiga, filha, irmã. Porque sou hoje a soma de tudo o que vivi em cada
um dos dias da minha vida, e meu texto reflete, plenamente, todas as minhas vivências.

Há duas verdades muito essenciais que aprendi com toda essa história:

O CONHECIMENTO PODE FAZER MUITO POR NÓS,


1º transformando nossas relações e nossas entregas.

2º A ENERGIA DEPOSITADA GERA FRUTOS,


produzindo movimento nas áreas de nosso interesse
alcançamos resultados.
Acredite no conhecimento. Acredite na energia depositada. Pense num caminho para se
aperfeiçoar, encha sua bagagem e siga em frente sem se preocupar com a colheita, pois
uma hora ou outra, inevitavelmente, seja na redação ou no que você desejar, ela virá.

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Hábitos para escrever bem
Mude sua vida, mude sua relação com o texto.
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A neurociência já confirmou e você, pelas experiências do dia a dia, sabe muito bem que quando
vivemos situações que nos fazem sentir recompensados, voltamos a buscar essas situações.
Ou seja, por causa da recompensa que ganhamos, somos capazes de criar hábitos.

Se adoro o sabor doce do chocolate, vou consumir mais das iguarias. Se adoro a sensação de
corpo cansado e relaxado após as atividades físicas, vou buscar fazer mais exercícios. Se quero
muito passar num concurso, vou criar o hábito de estudar dia e noite com mais facilidade do que
se não tivesse essa meta. Recompensas futuras ou imediatas podem fazer muito por nós e
favorecer a introdução de hábitos em nossas vidas.

Vamos agora pensar no que estamos fazendo aqui: estamos bem no início de um livro que vai
modificar sua relação com o texto – pelo menos foi isso o que você leu na capa. Mas temos que
ser sinceros: não adianta muita coisa você adquirir esse livros, revirar essas páginas, ler e reler
meus escritos, querer com toda a sua força ser um bom escritor, mas não fazer nenhuma
mudança prática na sua vida que favoreça sua relação com o texto.

Para ter resultados, para alcançar as recompensas (no caso, ter um texto que alça voos altos),
para modificar seu estado atual para um novo estado é preciso criar outras práticas.

Os mesmos estudiosos que descobriram que nosso cérebro responde positivamente à


recompensa e assim cria hábitos, descobriram também que se fizermos uma mudança bem
pequena, bem singela e quase insignificante na nossa vida em direção à nossa grande meta
vamos acabar promovendo, com o tempo, grandes mudanças em nossas vidas. É como se uma
coisa puxasse a outra.

O grande filósofo Nietzsche já dizia para não começarmos uma jornada com passos largos
demais e sim com pequenos passos, pois só dessa forma seria possível chegar ao nosso
destino. Você faz um pequeno ajuste no dia a dia, e depois, quase sem perceber, faz outro, e
outro, e outro, e outro, até que de repente sua vida está totalmente transformada, cheia de novos
hábitos.
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Um PEQUENO novo hábito pode gerar GRANDES mudanças
Eis algumas ideias de PEQUENAS coisas a fazer para alcançar GRANDES resultados:
· Escolha um livro que goste, e por 15 minutos, todos os dias, leia algumas páginas.
· Encontre seu blog preferido na internet e leia pelo menos um artigo por semana.
· Ao invés de subir de elevador, suba de escada (bom, esse exercício não tem nada a
ver com leitura, mas vai que funciona para você ficar mais ativo até mesmo em suas
escritas. Além do que, dizem, pensamos melhor quando estamos em movimento).
· Compre um caderno e escreva 5 linhas todos os dias fazendo alguma reflexão ou
simplesmente contando a parte do seu dia que mais lhe fez feliz.
· Monte um blog e, de 15 em 15 dias, faça uma publicação para alimentar seus leitores.
· Entre num editor de imagens, escolha uma foto favorita e crie telas para enviar a seus
amigos pelas redes sociais com dizeres e frases inspiradores que podem ser criadas
por você ou retiradas dos livros que você lê (se você não tem um editor de imagens,
use esse excelente site, o PicMonkey).
· Faça postagens semanais nas redes sociais refletindo sobre algum tema que chama
sua atenção.
· Assista a mais filmes.
· Escolha um dia do mês para ir ao cinema. Ou alugue filmes.
· Monte o roteiro de uma viagem e comece a sonhar com ela. Faça suas anotações e seus
desejos para aquele grande passeio. Quando a viagem chegar, faça um diário.

Pense em atividades simples que podem ser feitas no seu dia a dia incrementando sua
bagagem de conhecimentos e colocando em prática sua escrita. Uma mudança que parece
uma pequena bobagem pode fazer muito por você.

Ao longo desse livro vou falar de várias atitudes que podem levar você até sua meta “Escrever
Melhor”. Você pode seguir todas elas ou pode escolher apenas uma para iniciar.

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Esse texto de tantas nuances
O texto é mais do que um emaranhado de palavras, é muito mais do que uma produção
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passível de entendimento. O texto é uma forma inigualável de expressar ideias, de lançar
questionamentos, de debater e opinar sobre determinado assunto.

O texto é a peça chave do processo comunicativo. Todas as suas partes se relacionam e seu
significado global não é resultado de mera soma de suas partes, mas de uma combinação
geradora de sentidos.

Expressar ideias em um texto escrito, mantendo-se a clareza, a lógica e a concisão é ainda


um grande desafio para muitos. A dificuldade encontra-se em transcrever para o papel o
que está esquematizado mentalmente.

Dois fatores são responsáveis por fazer de nós escritores mais fluentes:

A PRÁTICA:
1º quanto mais escrevemos, melhor escrevemos;

O QUE TEMOS EM MENTE:


2º quanto mais arsenal produzirmos em nossa mente,
mais conteúdos temos para depositar no papel.

ESCREVER É CONSEQUÊNCIA DO PENSAR.


Portanto, aprimore seu pensar com mais conteúdos, mais saberes, mais conhecimento e
produza textos mais ricos, claros, leves.
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O que fazer para levar
ao papel o que se passa na mente?

Estabeleça uma relação de confiança


com seu ato de escrita.

Admire seu texto.

Compreenda que você é o dono do seu texto,


ele é sua ferramenta de entrega.

Permita-se.

Encontre seus caminhos.

Saiba que o começo e o fim são


determinados por você.
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O contexto e sua importância
O contexto é uma parte fundamental e inseparável de qualquer texto. Quem escreve um
texto traz consigo uma série de influências de seu meio. Toda a realidade que nos cerca,
todas as pessoas, as situações, os conhecimentos, os problemas e as soluções, a rotina, as
relações sociais, o ambiente, os meios de vida, o trabalho, compõem o nosso contexto.

Cada pessoa, portanto, vive uma soma única de experiências e contextos. Por mais que duas
vidas tenham elementos semelhantes, são sempre únicas porque é impossível partilharem
das mesmas experiências, mesmo saberes e mesma relação entre as experiências. E ainda
que isso fosse possível, olhamos o mundo com olhos únicos.

O que penso, vejo e sinto é sempre consequência da minha história, do quanto acumulei de
conhecimento, das ferramentas que carrego na mochila. Nosso contexto faz de nós os seres
que somos.

Qualquer texto, por mais que deseje ser, jamais será 100% imparcial. Prestem bastante
atenção no que estou dizendo: é impossível ser imparcial, é impossível ser neutro. Isso
porque qualquer texto irá revelar alguns ideais e concepções de um certo grupo social numa
dada época. Ao escrever um texto, você é parcial escolhendo as informações que estarão
presentes nele, escolhendo os exemplos, escolhendo os argumentos.

O texto está repleto de indícios que revelam o contexto ao qual pertence seu autor, sua
opinião, seu ponto de vista, seus ideias, sua causa.

O TEXTO É SEMPRE
UM RECORTE DA REALIDADE.

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Como vou ser fiel à realidade?

Muitos filósofos insistem em nos dizer que a “realidade”


tal qual a concebemos não existe. O que existe são
interpretações dos fatos: símbolos socialmente
difundidos fazem com que as pessoas interpretem algo de
uma maneira e criem, em conjunto, uma leitura dos fatos.
Essa leitura é o que chamamos de realidade. Desse modo,
a realidade nada mais é do que a forma pela qual leio e
interpreto o mundo. A riqueza de um texto está no olhar
que deposito sobre a realidade. Portanto, ao retratar a
realidade por meio dos meus escritos, posso ser o mais
livre e o mais fiel possível ao meu sentimento, às minhas
interpretações, às minhas visões do mundo, ao modo
como eu enxergo as pessoas, os processos, as relações
sociais e tudo o mais que me cerca.
Penso e Passo,
de Alice Ruiz.

Quando penso que uma palavra


Pode mudar tudo
Não fico mudo
Mudo
Quando penso que um passo
Descobre o mundo
Não paro o passo
Passo
E assim que passo e mudo
Um novo mundo nasce
Na palavra que penso.

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Por que quero tanto escrever bem?
Seu texto é uma forma de multiplicar você no mundo.
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É inevitável. Somos hoje melhores que ontem. Sabemos que nossos processos cognitivos e
nosso pensar são mais avançados AGORA do que eram há um ano porque estamos em
constante processo de aperfeiçoamento. Somos seres pensantes, estamos sempre a
formular ideias, construir argumentos e modificar nossos próprios pensamentos e modos
de raciocínio.

Somamos experiências e saberes para progredir dia a dia, criando uma mente mais “sábia”,
mais “experiente”, mais cheia de bagagem.

E o modo como pensamos e formulamos as ideias são sempre muito únicos, revelam muito
do que somos e do que podemos oferecer para construir um mundo melhor.

O ato de escrita é uma forma de liberdade. A escrita possibilita que eu entregue aos outros
um pouco do que está em minha vida, um pouco dos meus pensamentos e sentimentos, um
pouco dos meus saberes e das minhas percepções. Quando entrego um pouco de mim por
meio da escrita, estou me multiplicando, estou alcançando as pessoas, estou me doando
aos outros.

Por isso queremos tanto escrever bem, porque um bom texto revela mais integralmente
quem eu sou, o que eu penso, como eu enxergo uma situação, o que eu sei sobre aquele
assunto.

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Posso entregar partes de mim de muitas formas.
Fotografando.
Desenhando.
Fazendo um bom trabalho.
Criando redes de amigos.
Escrevendo.

A escrita é uma forma muito admirada de expressão de quem somos, pois ela nos eterniza.
Um texto retira o abstrato da nossa mente e o concretiza no papel. Um texto pode ser lido e
relido por gerações a fio, pode ser guardado para todo o sempre.

O texto nos perpetua


Além de nos perpetuar, a escrita é uma forma muito vantajosa de comunicação, pois temos
todo o espaço para ir e vir nas ideias sem sermos interrompidos. Criamos e recriamos as
estruturas como desejamos. Dominamos a velocidade com que elas são colocas no papel e
chegarão na mente do leitor.

Quando estamos a sós com o papel, temos total poder sobre o conteúdo que estará ali. E
podemos corrigi-lo, revisá-lo, recriá-lo até que fique moldado do jeito que planejamos.

Use o texto para entregar o que há de melhor em você para o MUNDO!


3
Como escrever bem?
Não há segredos. O que há é dedicação, é prática.
5
Um bom escritor tem consciência de cada frase, de cada palavra, de cada vírgula e ponto final
depositado no papel. Um bom escritor tem tranquilidade para perceber o sentido de cada
elemento que compõe seu texto.

Tornar-se um bom escritor é um trabalho que exige construção. Uma construção possível de
ser feita a sós, de maneira muito independente, ou uma construção que pode ser feita sob
acompanhamento. O modo como vamos nos constituindo como “bons escritores” depende do
modo como somos, como aprendemos, como nos dedicamos ao que queremos.

Há algumas providências básicas a tomar:

1. Investir em seus conhecimentos.


Leia. Leia. Leia.
2. Investir na prática.
Escreva. Escreva. Escreva.

Para ter domínio sobre as palavras que deposito no texto e as ideias expressas preciso me
colocar sempre no lugar do leitor e simular se aqueles escritos fazem mesmo sentido quando
são lidos por outra pessoa.

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Para quem quer um “passo a passo”, eis aqui um....
PASSO A PASSO

Passo número 1:
ter clareza sobre a importância de escrever bem.

Passo seguinte:
escrever constantemente para você mesmo.

Passo necessário
amar seus escritos.

Passo adiante:
ter tranquilidade de apresentar seus textos para outras pessoas.

Passo constante:
encher a sua bagagem de conhecimento.

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No mundo da escrita, os repertórios que vamos adquirindo por meio das leituras, observação
do mundo, dos filmes que assistimos e viagens que fazemos são a mochila que carregamos
estrada afora.

A estrada ou a trilha que seguimos é a nossa vida e nela vamos encontrar pessoas, situações,
fatos que nos fazem pensar e que demandam de nós uma entrega, uma opinião, uma
produção, um trabalho. Quando nos colocamos a entregar, a produzir, somos escritores da
história que vivemos naquele caminho.

Segredos? Truques? Sim à prática!


Quando quero um truque, tiro da cartola uma
folha em branco...
Para sermos escritores livres e fluentes só há uma combinação possível para nos levar a
esse resultado: prática + bagagem de conhecimento. Não há milagres. Não há truques.
Não há fórmulas mágicas. Não há mistérios.

O mundo da escrita é muito acessível, está na ponta dos nossos dedos esperando para
ser ativado, está em nossa mente formulando e reformulando frases inteiras.

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Organização textual
O que tem início, tem meio e tem fim.
6
Quando iniciamos a jornada de escrever um texto estamos diante de uma tarefa muito
solitária. Somos nós e nossas palavras, somos nós e a observação ativa de nós mesmos e de
nossos sentimentos, somos nós e a visão de mundo, as letras que pousam sobre o papel.
Mas a tarefa solitária tem asas e depois de finalizada ela lança voo e pousa sob os olhos de
algum leitor.

Uma folha de papel nos permite tudo, as palavras ganham vida, o texto tem asas e ninguém
pode impedir que ele avance pelo mundo.

Porém a vida das palavras só têm razão de ser quando podem ser compreendidas ao chegarem
ao seu destino, quando completarem sua jornada, que é a compreensão do leitor. O leitor é ‘a
pista de pouso’ do seu texto depois da longa jornada que ele faz mundo afora.

Sua missão é construir um pássaro que alce voo e seja bem recebido no seu novo horizonte. E
essa missão pode ser simples. Basta lembrar que estamos a todo momento nos comunicando.
Falamos mil coisas durante o dia, conversamos longamente com nossos amigos, lemos textos e
mais textos, contamos piadas, rimos das histórias dos nossos amigos, assistimos a filmes e mais
filmes. Temos, portanto, estruturas bem completas em nossa mente.

Nossa vida é uma constante comunicação e nosso maior desafio não é comunicar e sim cessar a
comunicação – como bem nos ensinam os grandes mestres do oriente, especialistas na arte da
meditação ou silêncio mental. Calar a mente é complicado, mas fazê-la falar é quase uma
constante que não podemos parar.

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Compondo o seu texto
Compor um texto é como compor uma canção. Ele tem que ter ritmo, melodia e principalmente ser
compreendido por quem está do outro lado da linha, nosso leitor.

Para iniciar a composição de um texto a primeira tarefa é lançar todas as ideias que estão circulando
desordenadamente em seus pensamentos para o papel. Se essa etapa é muito difícil para você, crie
formas simples de vencer esse obstáculo. Você pode, por exemplo, falar seus pensamentos em voz
alta e copiá-las para o papel. Encontre um modo de fazer suas ideias chegarem ao papel.

Depois de percorrer esse caminho da jornada é preciso aperfeiçoar uma outra etapa
importantíssima para o sucesso de um texto: a organização das ideias para que seu texto fique bem
composto.

Organizar ideias é tornar seus pensamentos compreensíveis para o seu leitor. Suas frases, suas
palavras, suas construções devem ser expressas de forma bem fácil e acessível permitindo que o seu
leitor alcance plenamente o seu raciocínio.

E como podemos fazer isso?

A primeira atitude é ler com muita tranquilidade e atenção tudo o que escrevemos. Essa leitura deve
ser bem desapegada e crítica - não uma crítica negativa ou destrutiva, mas uma crítica
transformadora capaz de detectar falhas e solucioná-las. Quanto mais vezes você ler seu texto, mais
soluções vai encontrar para tornar as construções mais organizadas.

A segunda atitude é perceber o quanto suas ideias estão expostas de maneira completa no papel.
Uma coisa é a ideia ser clara, outra coisa é ser completa. Lembre-se que o leitor não está ‘em sua
mente’ dominando cada passo de seu raciocínio. Você precisa demonstrar como foi que obteve uma
certa conclusão.

SINTA-SE COMO SEU LEITOR. Siga em frente e aplique esse raciocínio. Assim será possível vencer o
desafio da organização textual.

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A mente fala o tempo todo. A tarefa de escrever pode ser muito simples, pois nada mais é do
que uma transcrição para o papel, esse papel que tudo permite, de forma organizada, dos
pensamentos que pairam em nossa mente.

COMO VAMOS PRODUZIR TEXTOS COM IDEIAS BEM ORGANIZADAS?

· Pense no conteúdo.
· Escolha uma forma de entregá-lo ao papel.
· Sinta as palavras se agrupando e algumas frases se formando.
· Leve essa frase para o papel. Logo virá uma outra. E uma outra. E uma outra.
· Deixe que as frases fluam como elas se formam em mente. Deixe. Deixe. Deixe.
· Crie uma relação de pouco controle sobre as frases que surgem. Sinta a fluência.
· Encerre quando sentir que basta, que o que percorria sua mente agora está no papel.
· Deixe seu texto descansar. Repouse. Esvazie a mente. Preencha os espaços com
outros pensamentos.
· Volte ao seu texto. Releia. Reveja. Sinta as palavras e permita-se revisá-lo.
· Cada palavra pode ser rearranjada por você. Arranje suas palavras com amor.
· Leia seu texto em voz alta muitas vezes. Escute-se.
· Seu texto está pronto.
· Amanhã, se quiser uma vez mais rearranjar as palavras, você pode. Faça se quiser.
Mas permita-se “terminar” compreendendo que na vida obra nenhuma está pronta,
tudo está sempre em transformação, em progresso, em aperfeiçoamento. Nunca
espere que seu texto esteja 100% concluído para entregá-lo ao mundo. Ele não
alcançará esse nível jamais. Deixe que seu texto seja livre mesmo que voe com asas
de tamanhos diferentes. Isso não vai impedi-lo de pousar em segurança.

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Tipos de texto
Para cada peso, uma medida. Para cada tipo, um estilo.
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São três os tipos principais de texto que podemos utilizar para entregar nossas ideias:
1) Descrição
2) Narração
3) Argumentação
Cada um desses tipos são bem diferentes entre si porque têm objetivos diferentes. Cada um
desses tipos de texto se completam.

Descrição: na descrição quero que o meu leitor veja com meus olhos, sinta com meu nariz, toque
com a minha pele, use meus instrumentos de percepção para enxergar, sentir e entender o
mundo. Quanto mais detalhada for minha descrição, mais fácil é para o leitor compreender e se
colocar no meu lugar.

Narração: nesse tipo de texto quero que o leitor viva a minha aventura, entenda a minha história,
refaça os meus caminhos. Na narração eu estou em ação, coisas acontecem, personagens
surgem. Um bom filme pode ser contado com nossas palavras a partir da narração.

Argumentação: é o nível textual mais elevado, pois requer que nossa mente trate não só de
aspectos objetivos, como de aspectos subjetivos. Argumento bem com o objetivo de fazer o meu
leitor tomar minha ideia como uma verdade. Esse tipo de texto é o mais cobrado em concursos e
vestibulares, pois é o que mais exige do escritor método e técnicas de construção textual.

Nas próximas páginas você aprenderá uma excelente técnica de redação para escrever textos
argumentativos com mais facilidade.

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exemplo
descrevo.
Nesse texto, uso ferramentas descritivas para fazer meu leitor se aproximar da minha experiência.
É um misto de descrição e narração, pois também há ações.

Saltar de paraquedas

Saltar de paraquedas não é


Há uns quinze dias saltei de paraquedas. Digamos
que nunca foi algo que ficou martelando meu ser, “indescritível”,
mas há um momento que você diz pra você é o que consigo concluir.
mesmo “preciso mesmo viver isso... e agora”. E lá
fui eu para o aeroclube, que é um dos mais
movimentados do Brasil. Quando você ainda não
Saltar é incomparável.
é um paraquedista sua opção é fazer um salto Às vezes vivemos algumas experiências que são
duplo. Um instrutor experiente vai fazer o salto tão diferentes de tudo o que já vivenciamos que
com você e comandar o paraquedas que fica nossa primeira expressão é traduzi-la como
acoplado no corpo dele e não no seu. É um ato de “indescritível”. Desde o domingo que saltei de
muita confiança no instrutor, logicamente, já que paraquedas é essa a expressão que vem
sua vida fica totalmente entregue às mãos dele. rondando meu consciente (e inconsciente). Paro
para escrever e não consigo avançar muito. Até
Antes do salto você é instruído sobre o que vai cliquei equivocadamente em “publicar” há
acontecer: alguns minutos de voo até que o avião alguns minutos e meus assinantes receberam em
alcance 12 mil pés, a posição que você fará na seus emails uma versão inacabada do meu
hora do salto, sobre não poder de jeito nenhum e texto….“Indescritível”. “Indescritível”.
forma alguma tocar nos braços do seu instrutor
pois ele precisa deles para abrir o paraquedas, e Para mim, uma escritora incansável, parece um
que, para pousar, receberá as instruções depois pouco inadmissível uma experiência como essa
que o seu paraquedas abrir. Põe o macacão, querer se passar como “indescritível”. Saltar de
prende o cabelo, espera o tempo abrir e vai para o paraquedas não é “indescritível”, é o que consigo
avião. concluir. Saltar é incomparável. Por mais

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detalhada e perfeita que seja minha descrição, não farei você, meu assíduo leitor, vivenciar a
experiência por completo porque falta referencial interno.

Daqui, do íntimo do meu ser, eu queria que você simulasse a emoção de decolar num avião sem
porta e sem poltronas em que todos estão sentados encaixadinhos uns nos outros com seus
paraquedas e macacões – nesse momento você pode pensar, como eu pensei, que o mundo é mais
belo quando as pessoas se aproximam uma das outras sem tanto receio, sem tantos pudores, num
ato de companheirismo; queria que você simulasse a emoção de esperar pela hora que você se
ajoelha e seu instrutor prende seu equipamento no dele e treina alguns movimentos preparando
para o momento que você vai se levantar rumo a porta do avião e lançar-se sobre o mundo a 12 mil
pés de altura, que está muito abaixo de você, incrivelmente longe – ele grita “posição”, você levanta
suas pernas, joga seu quadril para frente, sua cabeça para cima e pensa “olha a situação que eu
estou me colocando…. estou caindo, caindo, caindo, voando, voando, voando, eu-estou-voando”!

Queria que você simulasse a emoção de chegar ao seu limite na queda livre, esvaindo-se de si
mesmo lenta e intensamente – e ver que inacreditavelmente aquela terrível sensação de frio na
barriga que vivemos na montanha russa não existe ali, a queda livre é outra coisa, é queda, é seu
corpo inteiro a cair, encaixado no ar, na atmosfera, no mundo, você é parte. Queria que você
pudesse se entregar totalmente ao vento que bate a uma velocidade imensa envolvendo todo o
seu corpo, sentir-se pássaro e enfim voar; queria que você simulasse a emoção de ver seu
paraquedas se abrindo, puxando você para cima, diminuindo sua velocidade e fazendo o mundo
ser um só silêncio, de ver seus pés balançando sobre um mundo em miniatura que está muito
abaixo de você (nesse momento, seu pé é impressionantemente grande e o mundo é tão
pequeno…). Queria que você, meu leitor, simulasse a emoção de saltar de paraquedas, a emoção
de ser entrega, só doação; fazer você sentir que sua emoção, seu espírito e sua alma são imensos
diante de todas as coisas materiais do mundo. “Sou livre, enfim”, é o que você diria a você mesmo,
bem acho…
Paula Quintão. Publicado no blog “Manaus pra Mim“ em 31/03/2013
Texto que compõe o livro ainda em construção de Paula Quintão sobre
a jornada de desafios e autoconhecimeto vivida nas asas de um paraquedas

Agora que leu essa descrição, escolha uma situação bem marcante que faça o seu texto
tenha vivido e escreva sua própria descrição. Mesmo que nessa situação
aconteçam algumas ações, evite que elas ganhem a cena para que seu texto não
vire uma narração. Descreva para que o leitor enxergue com seus olhos.
narro. exemplo
Nesse texto, conto uma história para fazer uma metáfora sobre pessoas que se consideram
espiritualmente elevadas, mas que não conseguem colocar em prática seus saberes.

A mula de duas cabeças


...cabeça trocada, outro mundo,
Era uma vez uma mula de duas cabeças. Não outros valores,
eram duas cabeças como as dos siameses que se diferenças justificáveis,
sobrepõem lado a lado, eram cabeças uma leve cegueira constante.
tarracháveis, com roscas. Se quisesse poderia
inclusive ser uma mula SEM cabeça, mas parecia todos os outros, nunca considerando a
algo fantástico demais para ela, uma mula tão possibilidade de um belo cavalo sequer repousar
comum. Preferia algo mais tradicional. Quando a por aquelas bandas e ganhar o status de gestor
mula queria trocar de cabeça ia até o guarda- num piscar de olhos, mas enfim seus dias
roupa, destarrachava a que estava usando, seguiam com alegria e um pouco de inércia
enroscava a outra cabeça no lugar e pronto: mental.
cabeça trocada, outro mundo, outros valores, Passava todo o tempo fazendo a gestão do curral
diferenças justificáveis, uma leve cegueira e reinando em sua vaidade e definições. Quando
constante. o fardo da ocupação lhe soava um pouco pesado
Cada cabeça servia para uma ocasião e a mula era ela seguia até seu guarda-roupa, trocava sua
satisfeita por ter as duas. Elas podiam fazer dela cabeça e caminhava calmamente pelos pastos.
uma mula bem esperta e aparentemente Sentia-se leve, cheia de bons valores, um espírito
inteligente em qualquer situação. A primeira evoluído, parte da natureza, integrada, completa,
cabeça era seu lado “business”, comandava seu super especial, “a escolhida”.
jeito “mula profissional de ser”. Quando estava Nessas suas caminhadas pelos pastos seu lado
no curral ela gerenciava a entrada e a saída dos “mula espiritualizada” falava alto. Vez ou outra
bezerros, a quantidade de leite que cada vaca ela parava e ficava horas a conversar com a fina
deveria produzir e o local em que os bois borboleta, sempre tão leve e livre. Passavam
deveriam dormir. Sentia-se inflada ao ser horas falando sobre suas liberdades e
obedecida pelos animais e avaliava-se como uma descobertas, complementavam-se e amavam-se.
excelente mula gestora, mais inteligente que Quando estava com a borboleta a mula tinha

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vontade de deixar o curral pra trás e esquecer a outra cabeça esquecida no guarda-roupa, mas sabia
que isso não era possível. Lá no curral ela era tão importante, tão insubstituível, era impossível
imaginar aqueles animais desprovidos de inteligência se organizando sem ela… Ficava mais uns
minutos no pasto e voltava para o curral.
Numa dessas manhãs ensolaradas de segunda-feira acordou assoberbada com tanto trabalho
acumulado: os bezerros ainda estavam dormindo quando já era para estarem de pé, as vacas
estavam de papo furado quando a ordenha já deveria ter começado, e os bois estavam todos do
lado de fora do curral molhando-se nas águas…. uma verdadeira bagunça.
- Vocês têm que se organizar melhor, assim não tem jeito, tenho que pedir mil vezes! Só EU me
preocupo com as coisas aqui, por isso nada sai do jeito certo. Vocês fazem tudo errado!! Andem!!
Estava aos berros quando de longe veio aproximando-se a borboleta. Logo ela, a borboleta, que
nunca vagava por aquelas bandas do curral vinha leve e livre pelos ares… lindamente ela voava
pelos ares a observar o curral.
A mula estava muito ocupada resolvendo seus problemas mas não pode evitar de sentir uma
grande alegria em seu coração ao ver a borboleta. Não poderia dar atenção a ela naquele momento
tão “profissional”, mas foi inevitável que seus olhos se encontrassem, penetrassem um no outro e
naquele momento mágico a mula pode se enxergar com os olhos da borboleta, com os olhos da
outra cabeça. A cegueira momentaneamente foi curada. Parou de gritar com os outros animais.
Parou de arranjar tudo no curral. Parou por um segundo seu ego, percebeu suas grosserias, seus
apegos, suas vaidades. E não enxergou amor em nenhum dos outros olhos que caminhavam
cabisbaixos ao seu redor. A frieza do curral percorreu sua espinha. Olhou em volta e não viu mais a
borboleta.
Muda, a mula se abaixou, deixou-se cair no chão. Chorou por sete dias e sete noites.
Recuperou-se, enfim. Foi até o espelho, conferiu se sua cabeça estava bem enroscada, lavou as
orelhas, bebeu água e se colocou a percorrer o curral em busca de atos falhos da última semana
sem gestão, tão cega quanto antes.
Paula Quintão. Texto publicado no blog ‘Um novo EU’, em 09/09/2013

Agora que leu essa narração, faça um exercício de memória. Visite em faça o seu texto
suas lembranças alguma história que tenha sido bem interessante.
Pense nos detalhes, nos personagens, nas ações, no contexto da história.
Ponha-se a escrever e leve seu leitor até a sua lembrança. Narrar é entregar ao mundo novas histórias.
exemplo
argumento.
Nesse texto, meu objetivo é argumentar que em Manaus há uma certa ‘espontaneidade’ reinante.

Manaus de sol, Manaus de chuva


Vemos por toda parte que
Tão espontânea quanto o seu clima, Manaus manauaras e não manauaras
amanhece sol, é chuva à tarde, é sol no fazem da cidade um centro mor
entardecer. Também as pessoas vivem conforme
o vento leva, conforme a chuva molha, conforme
de relações espontâneas,
o sol aquece. Vemos por toda parte que de construções espontâneas,
manauaras e não manauaras fazem da cidade um de ocupações e serviços espontâneos,
centro mor de relações espontâneas, de de fazeres e quereres mais livres
construções espontâneas, de ocupações e do que os que conheci fora daqui.
serviços espontâneos, de fazeres e quereres mais
livres do que os que conheci fora daqui.
motorista que levava a minha filha para o colégio
Quando digo “espontâneo” estou me referindo resolvia que era dia de levar a mãe no médico ou o
ao modo sem cerimônias e sem muito protocolos carro para o conserto, assim estava decidido e se
da população local tocar sua vida. Vários bairros eu me chateasse, eu que deveria dar meu jeito de
da cidade surgiram de ocupações, e as ruas são melhorar o humor. Assim é nos restaurantes, nos
em sua maioria mal planejadas como caixas do supermercado, nas feiras, nos
consequência desse modo de crescimento atendimentos em geral, pois quase todos têm
urbano. Se hoje está um bom dia para o senhor pouco protocolo pra atender. É um pouco da
fulano arrumar o telhado da sua casa, ele vai filosofia do “qué qué, não qué tem quem qué”,
arrumar, mesmo que para isso ele deixe de como brincava um tio mineiro.
prestar aquele serviço que combinou no dia
anterior. Se os móveis estão enchendo demais a A espontaneidade está presente quando eu vou a
minha casa e não quero mais aquela estante, uma loja comprar bombons com recheio de
coloco na rua e alguém logo pega. Quando o cupuaçu e saio de lá sabendo que a atendente é

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mãe de três filhos e que o marido fugiu pra se casar com sua prima; a espontaneidade está na
dona Zulmira boleira de primeira que me diz que o preço do bolo é R$20 e quando eu pergunto
quanto é o bolo recheado ela me olha e diz “é R$20 vezes dois porque vai dar o dobro do
trabalho”; a espontaneidade está no senhor empreendedor da esquina do lanche que solta a
pérola “aqui em Manaus você cospe e nasce um pé de couve”, pra dizer o quão fácil foi fazer seu
negócio dar certo; a espontaneidade está no atendente do correio que diante do sistema
travado me pede pra deixar R$10 que seria dinheiro suficiente para as postagens e que se não
desse ele completaria e depois eu pagaria pra ele.

Outro dia conheci um senhor desses de cabelo branco que dá vontade de abraçar, veio há
muitos anos do Rio para Manaus, talvez 30 ou mais, e por aqui ficou. “Fiquei porque no Rio eu
era UM, aqui eu sou O”. E sorria dizendo que amava o Rio, mas que não trocava Manaus por
nada. Achei lindo. Também sinto que em Manaus somos “O”, primeiro porque aqui há muito o
que ser construído e um a mais soma bastante, sei que essa diferença de tratamento está no
modo espontâneo como as pessoas se tratam, pois sem tantos protocolos sentimos que o
outro está reagindo ao que nós estamos fazendo: se sorrimos, recebemos sorrisos; se somos
desagradáveis, são desagradáveis também. Ao deixar os protocolos de lado, as relações são
mais o que são e ficam livres de algumas amarras.

Sinto que em Manaus dias de sol e chuva podem ser um mesmo dia. E sinto que o povo se
misturou e está na cidade construindo seus espaços e suas relações constantemente. O espírito
espontâneo que vagueia Manaus faz com que a essência das pessoas, seja ela boa ou ruim,
transpareça com mais facilidade. E lidar com espontaneidade é muito mais fácil que lidar com
emoções veladas. Por isso, celebro a espontaneidade, mesmo que ela me faça sair às pressas
para levar minha filha ao colégio numa tarde cheia de serviços a cumprir.
Paula Quintão. Publicado no blog ‘Manaus pra Mim’, em 08/05/2013

Agora que leu essa argumentação, escolha um assunto sobre o qual você faça o seu texto
tenha uma boa opinião formada e gostaria que todos soubessem seu
raciocínio. Escolha os melhores argumentos e ponha-se a escrever.
Argumentar é criar um raciocínio bom o suficiente para que meus leitores concordem comigo.
Escrevendo com Técnica
Ferramentas que possibilitam voos mais rápidos.
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Você sabe por que professores e estudiosos se debruçam quase que diariamente sobre suas
mesas de trabalho para criar alguma técnica de redação? Fácil...! Eles sabem que seus
alunos AMAM uma boa técnica.

E os alunos amam a técnica de redação porque é uma possibilidade de escrever com mais
segurança.

As técnicas são como apoios que nos sustentam quando nossas pernas textuais ainda não
estão muito fortes. Uma coisa é certa: escrever baseando-nos em um esqueleto nos deixa
mais seguros.

As técnicas serão um bom esqueleto e podem deixá-lo mais SEGURO.

Técnicas são ótimas para nos auxiliar na "árdua missão" de construir um bom texto. Com ela
é possível encontrar um caminho mais leve para que as palavras saiam da mente e cheguem
ao papel de forma organizada, clara, concisa, em bons argumentos, numa boa estrutura.

O importante é que você saiba que sua relação com as técnicas de redação é sempre
temporária, porque o objetivo final é que você seja um escritor bem livre capaz de produzir
textos como bem quiser.

Vou então apresentar uma técnica que aprendi ainda no colégio, com aquele professor
incrível e maravilhoso que tive logo no início do ensino médio. Que ela seja muito útil para
você, tanto quanto foi pra mim.
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Técnica Argumentativa
Em 10 passos!
1º. Passo: Interpretação da tese (proposta)

1º Será a partir de uma tese ou proposta de redação que o texto será desenvolvido. A
interpretação da tese deve levar em consideração todos os aspectos que a proposta
envolve, desde o tipo de texto a ser desenvolvido até o assunto que deverá ser
trabalhado.

2º. Passo: Transformação da tese em uma ideia chave

2º Após compreender o que foi solicitado pela orientação, transforme a tese inicial em uma
ideia chave, que será a base de seu texto.

3º. Passo: Definição do objetivo a ser alcançado pelo texto

3º Antes de começar a desenvolver o texto, estabeleça que rumo tomará sua


argumentação, ou seja, qual objetivo você pretende alcançar com o texto. É claro que
convencer o leitor é o primordial, mas convencê-lo de quê?

4º. Passo: Seleção dos argumentos

4º Depois de estabelecido o objetivo a ser alcançado pelo seu texto, faça a seleção dos
argumentos que o levarão ao destino determinado.

5º. Passo: Introdução


Após extrair da orientação sua ideia básica, você irá iniciar o seu primeiro parágrafo.

5º Para isso, faça uma afirmação pessoal em torno do assunto, evidenciando sua opinião
sobre a tese. Para tornar mais simples a introdução do assunto podem ser usadas
expressões do tipo “É inadmissível”, “É vergonhoso”, “É inevitável”, “É inaceitável” e
assim por diante. Após inserir o assunto, partimos então para a análise da consequência
imediata causada pelo assunto tratado. Nesse caso, tente relacionar consequências de
caráter mais social.
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6º 6º. Passo: Segundo parágrafo da redação, vamos contestar a tese, tentando buscar o
porquê de haver tal problema ou tal situação. Explique ao leitor, por meio de bons
argumentos, o que causou o problema analisado.

7º passo: Terceiro parágrafo, aqui você trabalha um elemento que cria uma

7º contradição com o assunto tratado, com a tese em geral. Para ficar mais simples a
comparação pode-se iniciar com “Enquanto...”. Faça uma comparação entre a
situação tratada no texto com uma outra que você tenha conhecimento.

8º passo: Quarto parágrafo, no qual trabalhamos a exemplificação para tornar o

8º texto muito mais rico e interessante. Por isso é importante sempre ler jornais e
revistas, para que tenha algum assunto para usar como exemplo. Aproveite para
apresentar dados estatísticos e incrementar seus exemplos.

9º. Passo: Conclusão

9º Ao finalizar o texto, não só precisamos reafirmar a ideia trabalhada, como também


oferecer sugestões que possam ser viabilizadas com base no argumento. Ou seja, se
meu texto envolve toda uma problematização, devo oferecer como conclusão, uma
solução viável. Lembre-se: na conclusão você não vai lançar novas ideias, faça isso ao
longo do texto. É hora de propor soluções para a tese desenvolvida.

10º. Passo: Releitura


Ao reler o texto coloque-se no lugar do leitor, buscando analisar cada construção

10º observando se está compreensível e se realmente transmite a mensagem da forma


que você deseja. Suas ideias estão bem completas no papel? Seu raciocínio, como
um todo, pode ser acompanhado pelo leitor? No Capítulo 9 vamos aprender mais
sobre como revisar seu texto.

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exemplo
dissertando com técnica.
Nesse texto, você pode observar a aplicação da técnica dissertativa.
O texto foi produzido por Rica Matsu, aluno da palestra virtual ‘«Técnica de Redação’. Acesse o site Equipar e saiba mais.

No filme da vida, somos todos mocinhos

É inevitável: em todo filme, tanto o mocinho quanto o bandido quer a vitória. É sempre a
mesma situação, os dois lados acreditam estar certos. Nenhum dá o braço a torcer. Eles
brigam. Começa a luta do bem contra o mal, do amigo contra o inimigo. No pedestal, cada um
com sua razão. O bandido é inimigo do mocinho. Da mesma forma, o mocinho é também
inimigo do bandido. Dois inimigos! Acontece assim na vida real. Todo mundo quer estar
sempre certo, quer levar a melhor, como se o tempo todo houvessem dois lados da moeda,
duas forças opostas. Ou seja, mais brigas, mais disputas, mais competição.

Diante de um problema, é comum imaginar que ele só não foi resolvido porque não há diálogo.
Falar abertamente é tarefa difícil, expressar os sentimentos é um desafio. Não por falta de
comunicação, mas por falta de conexão. Explico. Apesar de vivermos em pleno “bum” das
redes sociais, a conexão de ser humano para ser humano está caindo a toda hora. Muitas
falhas, rede ocupada, falta de velocidade. Cada ponto dessa rede prefere manter-se numa
relação superficial. Não é contato físico. É uma espécie de conexão do coração; de saber que
estamos conectados um ao outro. Temos as mesmas necessidades e desejos em comum. Mas
o pensamento de que somos mais importantes que o outro, nos faz exigir mais prioridade e
mais atenção. Não conseguimos estabelecer uma conexão profunda com a outra pessoa.

‘‘Não somos inimigos, nem mocinhos, nem bandidos.


Somos um só.’’
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Todos nossos comportamentos visam atender a alguma necessidade interna. Algo que
precisamos: reconhecimento, respeito, amor etc. Inclusive, o desejo de coisas materiais.
Agimos sempre na intenção de fazer o certo. Em princípio, mesmo que seja apenas para nós.
Fazemos isso a todo momento. Ao surgir uma necessidade tratamos de correr atrás para
atendê-la. Encontramos pelo caminho outras pessoas que também buscam atender às suas.
Como estamos sempre com razão, identificamos no outro o opositor da nossa vontade.
Acostumados a defender nossa causa, passamos a rotular e julgar nossos “inimigos” e
fechamos a porta para uma conexão mais profunda. Desplugamos os cabos sociais.

Queremos sempre ser o cliente, nunca o fornecedor. Mesmo em interesses coletivos,


queremos estar à frente. Chegar primeiro, ser o primeiro da fila. “Farinha pouca meu pirão
primeiro”, só depois o outro. Existe um querer chegar em primeiro que não leva a lugar
nenhum. O casal disputa pelo controle remoto. Não existe acordo, ou ele é chato ou ela é
insuportável. Ambos querem apenas relaxar depois de um dia de trabalho, a necessidade é a
mesma. Porém, cada um deles acha-se no direito de assistir seu programa favorito. Neste
momento, a conexão ainda está na superfície, não tem profundidade. É estabelecida por
rótulos e julgamentos.

Algumas relações de trabalho parecem filmes de guerra. Grandes chefes impiedosos contra os
insubordinados rebeldes. Expressões como “cortes de cabeças” nos remetem a eras medievais.
Existem soldados trabalhando por seus postos. E não seres humanos desenvolvendo seus
potenciais. Há um mercado de trabalho no lugar de um campo de cultivo.

Não somos inimigos, nem mocinhos nem bandidos. Somos um só. O que nos falta é empatia: a
capacidade de nos colocarmos no lugar da outra pessoa. Interagir e compreender
emocionalmente. Sintonizar, ouvir e servir. Construir um sentido comum em benefício de
todos. Usar nossa vulnerabilidade de forma natural para crescermos juntos. Ferreira Gullar nos
dá uma aula de como escrever o final feliz do filme da nossa vida com sua frase autobiográfica:
“Não quero ter razão. Quero ser feliz.”
Rica Matsu é músico e escritor. Graduando em Destruição de Zonas de Conforto.

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Revisando seu próprio texto
Ferramentas que fazem do seu texto, um ótimo texto.
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Alçar grandes voos é alcançar a liberdade. Quanto mais desenvolvidos estamos em uma atividade,
mais liberdade temos. Agora adivinha se essas verdades caem como uma luva também para o
universo da escrita? Três vezes sim!

A escrita possibilita um voo maravilhoso de muito crescimento e muito aprendizado. Quando nos
debruçamos sobre um texto, estamos também nos debruçando sobre nossos sentimentos mais
profundos. Quando eu estava ainda escrevendo meu livro ‘Para sempre um novo EU’ o principal
motivo de as frases saltarem com grande força da minha mente para o papel era a saudade que eu
sentia do que vivi na viagem para o Monte Roraima. Uma viagem de muita transformação. A forma
de vivenciar as emoções novamente era escrevendo. E nesse processo, uma das coisas mais
prazerosas, foi ler e reler meu texto muitas e muitas vezes para deixá-lo bem afinado para enfim
entregar na editora.

É claro que não precisamos deixar nosso texto PERFEITO, porque como você já bem sabe, não existe
texto perfeito. Precisamos ser capazes de limpar nosso texto dos excessos, enxergar as partes
críticas, manter construções claras, expressões bem aplicadas, fazer bem as concordâncias verbais,
textuais e quantas mais houver.

Quando alcançamos os níveis mais altos na prática de produção textual, alcançamos também a
autonomia na revisão de nossos textos. Um bom escritor é capaz de perceber os pontos a melhorar
em seu texto e revisar com tranquilidade seus escritos. Essa autonomia nos permite tratar o texto e
lapidá-lo sempre com nossas próprias mãos.

Nesse capítulo vamos falar sobre os principais aspectos que devem ser analisados quando você
estiver revisando seu próprio texto. Leia e releia esses critérios de correção para que eles sejam
armazenados em sua mente.

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Coerência e Coesão
Um texto caracteriza-se pela explanação de ideias com o objetivo de informar, explicar e convencer
o leitor sobre algum assunto. Essa unidade que compõe o texto mantém em si uma relação de
lógica, que é a coerência; e uma relação de conexão entre as frases, que é a coesão.

A coerência refere-se às ideias. A coesão refere-se às conexões entre as ideias.

Coerência é a ordenação e interligação entre as ideias de maneira clara e lógica, proporcionando ao


texto clareza, unidade e consequente sentido. Aquilo que se diz, não pode ser contradito. A
coerência irá proporcionar o entendimento do texto, processamento cognitivo, interpretação
lógica.

O texto mantém em seu interior uma relação de nexo, que se expande para seu exterior. Ou seja,
além de as várias frases, períodos e parágrafos que fazem parte do texto se “reafirmarem”, a ideia
contida nessas partes extrapola o texto, indo de encontro ao mundo real e lógico ao qual fazemos
parte. Além da coerência interna, tem-se a externa.

A coerência intratextual está ligada à compatibilidade, à adequação e à não contradição entre os


enunciados do texto. Já a extratextual refere-se à adequação entre o texto a uma “realidade”
exterior a ele.

A coesão é a ligação estabelecida entre as várias ideias que compõem o texto, sendo decorrente das
relações de sentido que se operam entre as palavras, expressões e frases.

Ideias coerentes: Sou feliz. Tenho muita paz de espírito.


Ideias incoerentes: Sou feliz. Estou sempre perturbado, preocupado. Estressado.
Ideias coesas: Sou feliz PORQUE tenho muita paz de espírito.
Ideias não coesas: Sou feliz, PORÉM tenho muita paz de espírito.

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Sinta-se cada vez mais seguro para corrigir seu texto.

Pontuação

Alguns temas são “cabeludos” e ficam marcados como “bicho papão” em nossas vidas. Um
desses temas é a pontuação. Pobrezinha, sempre tão agradável e bem-vinda. Eu mesma
demorei a ficar de bem com a pontuação. Foi só quando eu estava na faculdade que uma
professora de língua portuguesa, muito sensível às nossas dificuldades, apresentou a
pontuação de uma forma totalmente diferente. Ela, que por sinal também se chama Paula, foi
explicando bem calmamente que para usar qualquer pontuação que fosse, deveríamos
entender o sentido que ela iria exercer na frase. Eu vou cuidar de vocês e desse trecho do nosso
e-book como a Paula cuidou de nós na faculdade. Depois me contem se a situação melhorou.

Vamos então eliminar as barreiras e dificuldades desmistificando algo: pontuar é simples e só


depende do seu entendimento.

Para pontuar bem sua produção textual basta compreender o SENTIDO exercido pela
pontuação. Qualquer pontuação é feita com um propósito, com uma racionalidade. Não há
vírgula, ponto final, exclamação, interrogação, ponto e vírgula ou travessão que esteja ali sem
que haja um motivo para que esteja.

Portanto, não vamos deixar pontuações invadirem seu texto sem que haja um bom motivo para
estarem ali. Antes de pontuar, raciocine e só então aplique a pontuação (se for mesmo
necessário).

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A vírgula

de pontuação: para dar sentido e entonação ao que estamos escrevendo.

O que a vírgula faz, afinal? Ela SEPARA.

Deve ser usada:


· Enumeração de termos.
Exemplo: José é apressado, trabalhador, valente, bem disposto e motivado.
,
Definitivamente é o sinal de pontuação mais utilizado. Para se tornar mais fácil o uso da
vírgula, tentamos analisar a entonação da frase. E é exatamente para isso que existem sinais

· Isolar elemento explicativo.


Exemplo: José, aliás, é um mero trabalhador muito eficiente.

· Intercalar informação em meio à frase.


Exemplo: José, sempre bem disposto, já havia efetuado o serviço solicitado.

Não deve ser usada:


· Separar sujeito do verbo.
Exemplo: José corria para sua casa. Nesse caso, deixe o José correr livre sem
interrupções. O sujeito é dono de sua ação, uma vírgula não deve vir ali para separá-
lo de seu feito.

· Usar apenas uma vírgula em uma intercalação (use duas ou nenhuma).


Exemplo: José, o carpinteiro, corria para sua casa. Nesse caso, há uma observação
no meio do caminho, uma informação extra. Margeie a informação para identificá-la
e destacá-la.

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PONTO E VÍRGULA
Indica uma pausa maior que a da vírgula e menor que a do ponto. Esse sinal não é muito

Deve ser usado:


· Separar diversos itens de uma enumeração, principalmente quando há vírgulas em seu
.,
utilizado, mas em alguns casos é indispensável sua presença. Sinta-se mais seguro para utilizá-
lo e você vai perceber que ele aparece mais no seu texto.

interior. Exemplo: Todos vieram para a festa: Maria, a mãe; Pedro, o pai; Bete, a irmã.
· Separar orações coordenadas, não unidas por conjunção, que têm relação entre si.
Exemplo: A festa irá começar; a música está no ponto.
· Separar orações coordenadas, quando uma delas já tem elementos separados por
vírgulas. Exemplo: A festa foi ótima: 10 pessoas não vieram; 45 marcaram presença.

? PONTO DE INTERROGAÇÃO
Usado quando se pretende perguntar algo, fazer algum questionamento. Mole, mole.
Exemplo: Tenho que terminar esse trabalho. Você pode me ajudar?

PONTO DE EXCLAMAÇÃO
Usado para dar ênfase a uma frase. Volta-se na maioria das vezes para expressar sentimentos
intensos, como grande alegria, ira, motivação, euforia, comemoração.
!
‘‘
ASPAS
Nada de sair espalhando aspas por aí sem entender o motivo.
Deve ser usada:
· Para delimitar uma citação. Exemplo: “Não houve telefonema” é uma das frases mais
incoerentes de ACM.
· Palavras estrangeiras que não tenham tradução. Exemplo: A empresa ainda não havia
enviado o “briefing” à agência publicitária.
· Destacar títulos de livros, obras artísticas, revistas e jornais. Exemplo: Leia o excelente
artigo de Max Gheringer publicado pela “VocêS.A.”.

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Outros tópicos que merecem sua atenção
Conteúdo Temático: o texto deve apresentar ideias que realmente são importantes ao se
trabalhar determinado assunto.

Gênero Textual: será estabelecido com base na proposta de redação, podendo ser uma
narração, descrição ou dissertação.

Natureza da Interlocução: a linguagem (formal/informal) utilizada durante o texto deve se


adequar ao objetivo comunicativo do texto. Da mesma forma, devem ser utilizadas palavras
e expressões que sejam adequadas à formalidade ou informalidade do texto.

Estrutura de Pensamento: são construções primárias e irrelevantes para o texto. Mantenha


seu foco em dizer somente o que faz parte do raciocínio do texto, nada de acrescentar frases
que não tenham nada a ver com o que você está discutindo.

Rasuras: comprometimento da estética do texto. Em caso de erro, dê um traço sobre a


palavra errada. Desta forma: rasura

Repetições: palavras, expressões e ideias não devem ser repetidas ao longo do texto, pois
revelam a incapacidade do autor de utilizar recursos coesivos e mesmo novos vocábulos
como substitutos.

Construções Vagas: as ideias presentes no texto devem ser bem fundamentadas para que o
leitor possa compreender exatamente o que o autor está querendo dizer.

Generalizações: um conceito não deve ser estendido a todos os casos que a ele se
relacionam.

Construções Complexas: as ideias, frases e períodos de um texto devem bem claras e


simples. Permita que seu leitor compreenda com facilidade seu raciocínio.
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Um texto que alcança voos altos
Como saber se enfim alcancei o texto dourado?
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Meu querido leitor, há mistérios que o próprio universo não explica, e um deles é este: quando
acreditamos que as coisas estão caminhando bem, as pessoas ao seu redor passam a acreditar
também. A essência de todo esse e-book é a crença de que confiando em nosso talento,
acreditando em nossa capacidade, tudo fica melhor, mais fácil e conseguimos alcançar nossas
metas, alçar voos mais confiantes.

Por isso, se tudo o que você quer é escrever um bom texto, trace o caminho que precisa percorrer
para alcançar “o texto dourado”, aquele texto tão desejado e tão sonhado, e trate de percorrer
esse caminho no seu dia a dia, dando um passo de cada vez e lembrando-se de seguir adiante
sempre. Mantenha-se focado em sua meta.

Crie formas de mostrar seu texto para o mundo. Que tal um blog? Ou uma revista digital? Ou um
caderno com reflexões? Minha experiência com meus blogs é muito boa e revela uma tendência
que os aventureiros do mundo da escrita vão gostar de saber: independente do tema que você
resolveu falar, sempre tem gente interessada naquele assunto. E outra: essas pessoas estão lá
porque gostam do seu texto, você vai receber bons elogios e vai se sentir motivado para escrever
mais e mais. E assim, inevitavelmente, seu texto vai ficar bom mesmo.

Quero ver você brilhando e iluminando a sua própria estrada. Vou me encher de orgulho,
refletindo o orgulho que você mesmo estará sentindo de você!

Isso é o máximo!

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Que venham novos voos
Meus mais doces e carinhosos agradecimentos a você que chegou até
essa página, que confiou nas minhas linhas, que participou da minha
jornada, que tornou real a minha entrega ao receber meu trabalho. Meus
agradecimentos a todos que docemente me incentivaram a desenvolver
esse e-book. Muito obrigada.

A gratidão é um jeito de dizer que todas as alegrias de hoje devem ser colhidas em
conjunto, não so por mim, mas por todos que participam, que lançam voos junto
comigo, que sonham, que querem mais, que dão retorno, que partilham seus saberes.

Vamos seguir de mãos dadas por esse caminho, porque uma vida de mãos dadas é
mesmo incrível. Vamos agradecer pelas belezas da vida e seguir em frente buscando
novos aprendizados, novas experiências, novas partilhas. Que venham novos voos.
Voos cada vez mais belos, leves e plenos.

Com carinho,

Paula Quintão.

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Por Paula Quintão
 aula Quintão, mineira de Ouro Preto, Barbacena, Juiz
P
de Fora e Manaus, é hoje responsável pela EQUIPAR
Consultoria & Treinamento. Acredita que caminhamos
num mundo de mãos dadas que tem mais a ganhar
quando todos os conhecimentos são valorizados e as
pessoas cooperam umas com as outras.

Fundou a EQUIPAR para agregar mais as pessoas em


torno do conhecimento, estimulando que invistam em
suas bagagens de conhecimento.

Ao longo de seu caminho, Paula Quintão encheu sua


mochila com muitas experiências profissionais,
pessoais e acadêmicas. O doutorado em andamento
em Sustentabilidade na Amazônia, o mestrado em
Ciência da Informação pela UFMG, a graduação em
Publicidade, a coordenação de cursos de graduação
(Publicidade e Jornalismo), a coordenação de cursos
por meio tecnológico do Centro de Mídias do
Amazonas, as aulas para disciplinas de pós-graduação
e graduação.

Além de sua carreira profissional, é uma viajante-
montanhista de novos olhares, uma paraquedista em
fase de formação, uma coletora de histórias de vida, é
escritora dos blogs "Manaus pra Mim" e "Um novo
EU", autora romance autobiográfico "Para sempre um
novo EU".
EQUIPAR
Consultoria & Treinamento

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