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MODO DE USAR

O HOMEM AO ZERO

(DESCONGESTIONANTE CEREBRAL)

Uso por via ocular

INDICAÇÕES

O homem ao zero é recomendado às pessoas que sofrem de fadiga, de mau humor, de

irritação, de cansaço crônico, de falta de ar, de gripe — e especialmente às pessoas que não sofrem de nada. Foi bolado durante anos e anos de pesquisas, para ministrar, em doses exatamente científicas, tudo aquilo que o espírito humano necessita para melhor aproveitar a vida. A combinação de diversos ingredientes, comprovadamente testados, através de cobaias sujeitas às mais desencontradas reações, permitiu-nos chegar à fórmula definitiva do bem- estar social, levando-se em conta que, para isso, é necessário que exista o bem-estar individual.

APRESENTAÇÃO

O homem ao zero é apresentado em formato único, porque achamos que essa disparidade de

tamanhos é feita apenas para embromar a boa fé dos pacientes: são duzentas páginas da mesma qualidade, embaladas por uma capa resistente, que permite resguardar o seu conteúdo

por tempo indeterminado, quer seja em lugares quentes, úmidos ou mesmo gelados. Suas páginas não se dissolvem com facilidade, mas, ainda assim, recomenda-se que não sejam expostas à ação da chuva, por mais de uma semana.

GENERALIDADES

O homem ao zero, quando usado com regularidade, produz uma agradável sensação de bem-

estar, torna claro o raciocínio do leitor e lhe permite um melhor conhecimento de si mesmo. Em certos casos, o efeito é tão eficiente que essa sensação de bem-estar pode se estender a outras pessoas que estejam próximas. Não produz efeitos colaterais, como angústia, febre, tremedeiras, tonteiras nem sono — ao contrário, mantém a pessoa desperta por muitos e muitos dias. Em caso de alguma anormalidade, repetir a dose quantas vezes forem necessárias, até que o paciente se sinta completamente saudável e equilibrado — como era antes. Mas é preciso tomar muito cuidado: quem ingerir, uma vez, todo o conteúdo do livro, corre o risco de se tornar um viciado e contra isso só dois produtos similares: O homem ao quadrado e O homem ao cubo, do mesmo fabricante.

FORMULA Humor

0,100 g

Irreverência

0,100 g

Ironia

0,100 g

Sátira

0,100 g

Non-sense

0,100 g

Ficção

0,100 g

Bossas

0,100 g

Etc, etc, etc

0,300 g

Não se agite antes de usar

VANTAGENS O homem ao zero não produz alergia. Não debilita a visão. Não altera o sistema nervoso. Não acelera o coração. Não diminui os glóbulos vermelhos. Não prejudica a circulação do sangue. Não perturba a digestão. Pode ser ingerido de pé, sentado ou de bruços — dependendo da posição que mais agrade ao paciente.

POSOLOGIA Crianças: dez a vinte páginas por dia, depois das refeições, podendo ser acrescida a dose, à medida que as crianças forem comendo melhor. Adolescentes: vinte a quarenta páginas por dia, que podem ser tomadas isoladamente ou em conjunto, isto é, com a respectiva namorada. Adultos: quarenta a oitenta páginas por hora, antes ou depois das refeições, ou mesmo ao invés de. Velhos: cem a trezentas páginas de uma vez, de acordo com a capacidade de cada um. Venda sem prescrição médica. Cada um pode comprar quantos exemplares quiser: não tem contra-indicação.

Lab. Círculo do Livro S.A. São Paulo: Av. Brigadeiro L. Antônio, 2151 Farm. responsável — Leon Eliachar, RJ Produzimos "Homens" desde 1960 e honramo-nos ser uma indústria genuinamente bem- sucedida.

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1

LEON ELIACHAR

O HOMEM AO

ZERO

CÍRCULO 00 LIVRO

Edição integral Copyright Leon Eliachar

Desenhos: do autor, com exceção dos bem desenhados (os bonecos dos capítulos são de Yves e as vinhetas do horóscopo são de Mário Pacheco)

Licença editorial para o Círculo do Livro por cortesia da Livraria Francisco Alves Editora S.A.

A todos os homens, bons e maus, sem exceção, que ninguém tem culpa de ser bom.

À minha máquina de escrever, amiga e inimiga de todas as horas.

Ao leitor comum, um amigo fora do comum.

Ao inventor da dedicatória, um puxa-saco declarado.

SUMÁRIO

1

— EU SOU O PREFÁCIO

11

2

— AULAS PRÁTICAS PARA ALUNOS TEÓRICOS

15

A

guerra

16

A

imprensa

17

O

carnaval

18

As férias

19

O cinema

20

A democracia

21

Recreio

22

O

trânsito

27

O

crime

28

O casamento

29

A censura

30

A

estatística

31

A

valentia

32

3

— MINHA AMIGA, A TV

33

O

espectador

35

A

propaganda

36

O

locutor

39

O

intervalo

41

O

aparelho

42

Os comerciais

44

4 — VERDADES INADIÁVEIS

54

5 — O HOMEM EM ESTADO DE COMO

59

Como se monta um escritório

60

Como se recebe um seguro

61

Como se prepara uma decoração

62

Como se conserta um aspirador

63

Como se faz a previsão do tempo

64

Como se conserva um fumante

65

6

— ANÚNCIOS MODERNOS

67

7

CARTAS NA MESA

72

g

— TÚMULOS

81

9

— A VERDADEIRA SEMANA DA ASA

86

10

— FRASES COM ALGUM NEXO

88

11

— DO MEU DIÁRIO

91

12

— DO DIÁRIO DE UM BEBÊ

101

13

— À MARGEM DO HUMOR

105

!4

— O FASCINANTE MUNDO FEMININO

108

Anatomia da mulher

109

Anúncios femininos

111

Forma prática de decorar a sua casa

113

Como curar um resfriado

113

A

moda

114

Como se tornar bela

116

Truques novos para o seu velho lar

116

Frases femininas

117

Receitas inéditas

119

15

e 16 — DOIS CAPÍTULOS NUM SÓ

121

Xifópagos

 

121

Piadas supersônicas

121

17

— VIVA O PROGRESSO

143

Manchetes inéditas

144

Ah, os inventores

146

O

elevador

147

Tabuletas

148

Registro policial

150

18

— A LÓGICA DO ABSURDO

152

O

homem feliz

153

Feliz Natal e próspero Ano Novo

154

Acerte o seu relógio

155

Em cima do diva

156

Crônica de um dedo só

 

158

Conto a duas cores

159

O

homem de Marte

160

19

CORRESPONDÊNCIA COMERCIAL

162

20

— NOVELA

165

Isabela, a mulher que sofria em grifo

166

21 — PIADAS CURTAS PARA INTELIGÊNCIAS LONGAS

175

22 — PRA LER DE LONGE

178

23 — JORNAL

180

24 — HUMOR EM BALÕES

187

25 — HORÓSCOPO

 

191

26 — HISTÓRIAS REAIS QUASE FICTÍCIAS

200

Área interna

200

Cabeça raspada

201

As flores

203

Edifício suspeito

,

206

Lolita

'

207

Subúrbio

207

AUTÓGRAFO

O autor se recusa, terminantemente, a dar autógrafos em noites de autógrafos. Por isso, bolou o sistema tranqüilo do "autógrafo pelo reembolso": o leitor destaca o cupão, manda pra livraria mais próxima, a livraria manda pro editor, o editor manda pro autor, o autor assina, devolve pro editor,, o editor devolve pra livraria, a livraria devolve pro leitor, que torna a colar o cupão no livro — e tudo isso por menos de 115 000 cruzeiros e 82 centavos.

AUTÓGRAFO PELO REEMBOLSO

Nome do leitor

Endereço

Cidade

Estado

(assinatura do autor)

EU SOU O PREFÁCIO

EU SOU O PREFÁCIO AUTOBIOGRAFIA DE UM FÔLEGO SÓ Meu nome é esse mesmo, Leon Eliachar,

AUTOBIOGRAFIA DE UM FÔLEGO SÓ

Meu nome é esse mesmo, Leon Eliachar, tenho 44 anos, mas me orgulho de já ter tido 43, 42, 41, 40, 39, idades que muitas mulheres de 50 jamais atingiram, sou humorista profissional peso-leve, pois detesto as piadas pesadas, consegui atingir o chamado "preço-teto" da imprensa brasileira, quer dizer, cheguei a ganhar um salário com o qual nunca pude adquirir um teto, sou a favor do casamento, sou a favor do divórcio, sou a favor do

desquite e sou a favor dos que são contra tudo isso que eles devem ter lá os seus motivos, fui fichado com dificuldade no Instituto Félix Pacheco não pelo atestado de bons antecedentes, mas pela dificuldade com que se tira um atestado, já fiz de tudo na vida, varri escritório, fiz entrega de embrulho, crítica de cinema, crônica de rádio, comentário de televisão, secretário de redação, colunismo social, reportagem policial, assistente de direção, peça de teatro, show de buate, relações públicas, corretagem de anúncios, script de cinema, entrevista política, suplemento feminino, até chegar ao humorismo, ainda não sei se o humorismo foi o princípio ou o fim da minha carreira, acho que ninguém faz nada por necessidade mas por vocação, isto é, por vocação da necessidade, tenho experiência bastante pra saber que não sou experiente, minha capacidade de compreensão chega exatamente no ponto em que ninguém mais me pode compreender, as mulheres tiveram forte influência na minha vida desde a minha mãe até à minha mulher, com escalas naturalmente, tive duas grandes emoções na vida, a primeira quando minha mulher disse "sim" e a segunda quando seus pais disseram "não", sou a favor das camas separadas, principalmente pra quem se casou com separação de bens, não guardo rancor por absoluta falta de espaço, uma das coisas que mais aprecio é Nova York coberta de neve — quando estou em Copacabana tomando sol, o melhor programa do mundo é ir ao dentista — pelo menos para o dentista, não vou a casamento de inimigo, muito menos de amigo, desde criança faço força pra ser original e o máximo que consigo é ser uma cópia de mim mesmo, meu grande complexo é não saber tocar piano, mas muito maior deve ser o complexo de outros homens que também não sabem tocar e são pianistas, meus autores favoritos são os que me caem nas mãos, escrevo à máquina com vinte dedos porque minha secretária passa a limpo, gosto de televisão às vezes quando ligo, às vezes quando desligo, num enterro fico triste por não saber fingir que estou triste, aprecio as quatro estações, mas prefiro o verão no inverno e o inverno no verão, passei fome várias vezes e agora estou de dieta, acho a rosa uma mensagem definitiva porque custa menos que um telegrama e diz muito mais, sou a favor da pílula anticoncepcional porque ela resolve o problema da metade da população do mundo, acho que deviam inventar a pílula concepcional pra resolver o problema da outra metade, cobrador na minha casa não bate na porta perguntando se pode entrar, eu é que bato perguntando se posso sair, sou um homem pobre porque toda vez que batem à minha porta mando dizer que estou, meu cartão de visitas não tem nome nem telefone, assim ninguém sabe quem sou nem onde posso ser encontrado, prefiro o regime da ditadura porque não tenho trabalho de ensinar meu filho a falar, posso dizer com orgulho que sou um humilde, sou o único sujeito do mundo que dá o salto

mortal autêntico, mas nunca dei, leio quatro jornais por dia e a única esperança que encontro são os horóscopos cercados de desgraças por todos os lados, acredito mais nos inimigos do que nos amigos porque os inimigos estão sempre de olho, minha maior alegria foi quando venci um concurso internacional de humorismo, em Bordighera, Itália, obtendo o primeiro e o segundo prêmios entre os participantes de dezesseis nações concorrentes, fiquei sabendo que havia humoristas piores do que eu, procuro manter sempre o mesmo nível de humor, mas a culpa não é minha: tem dias que o leitor está mais fraco.

LEON ELIACHAR

AULAS

TEÓRICOS

PRÁTICAS

PARA

ALUNOS

AULAS TEÓRICOS PRÁTICAS PARA ALUNOS
A GUERRA A humanidade divide o seu tempo em duas partes: guerra e paz. Durante

A GUERRA

A humanidade divide o seu tempo em duas partes: guerra e paz. Durante

a paz, vive discutindo a guerra e durante a guerra vive implorando a paz. A

guerra foi inventada por um sujeito que morreu na guerra. A paz ainda não foi inventada. Há vários tipos de guerra: a guerra fria, a guerra quente, a guerra morna, a guerra requentada e a guerra propriamente dita: dessa ninguém escapa, porque todo mundo é convocado antes mesmo de começar

a guerra. Antigamente, a guerra era feita a pé: quando os soldados chegavam

no país inimigo a guerra já tinha acabado. Hoje, a guerra é mais ligeira: basta

apertar um botão que ela começa e acaba ao mesmo tempo — e quando acaba não se encontra nem o botão. Durante a paz, os homens se preparam para a guerra, construindo tanques, aviões, submarinos, foguetes, táxis e ônibus elétricos. Quem foge da guerra se chama desertor, quem fica se chama herói. O desertor foge da guerra pra não morrer nas mãos do inimigo, mas acaba morrendo nas mãos do amigo: é fuzilado. O fuzilamento é um processo de matar o sujeito que escapa da guerra — ao invés de morrer distraído, morre prevenido. Antes de ir pra guerra, os médicos submetem os

soldados a um exame físico completo: quem tiver boa saúde, pode ir e morrer tranqüilo. Quando o homem se matricula na guerra, recebe um uniforme: quando entra na guerra, pinta o uniforme todinho pra ninguém ver que ele está de uniforme. Existem guerras famosas: a de 14, porque sobraram catorze; a dos Cem Anos, que quando acabou só tinha velhinho, e a de 39 — que todo mundo pensa que acabou. Antigamente, se fazia a guerra com baioneta calada, mas isso foi no tempo do cinema mudo. Hoje, a baioneta não só fala mas também canta — como se pode ver nos musicais de Hollywood. Muitos combatentes são considerados malucos porque voltam pra casa com psicose de guerra, mas os psiquiatras não se preocupam a mínima com a psicose de paz — que é muito pior. E por incrível que pareça,

o soldado mais conhecido da guerra é o soldado desconhecido.

A IMPRENSA A imprensa foi feita para orientar a opinião pública, mas, em verdade, é

A IMPRENSA

A imprensa foi feita para orientar a opinião pública, mas, em verdade, é a opinião pública que orienta a imprensa. Suas duas grandes forças são o crime e a política; a política é feita criminosamente e o crime não passa de política pra vender jornal. Na imprensa moderna há seções para todo tipo de público, inclusive a de humorismo — mas não é qualquer leitor que percebe facilmente qual é verdadeiramente a seção de humorismo. Muito jornalista tem outras profissões e faz da imprensa um bico: é que ganha o suficiente por fora, pra não abrir o bico. Para um linotipista, o jornal se divide em cíceros, para um redator em colunas, para um publicista em centímetros quadrados e para o proprietário em metros cúbicos — de encalhe. O que não se pode negar é que a imprensa é uma profissão de futuro: os diretores sempre prometem um salário melhor para o futuro. Os jornalistas se dividem em três categorias: os formados, os informados e os conformados. "Furo" é essa notícia sensacional que todos os jornais dão juntos, em primeira mão. "Barriga" é a notícia que apenas um jornal dá, com absoluta exclusividade — bem-feito, quem mandou não confirmar? "Foca" é o novato que pede ao diretor pra adiar a reportagem das enchentes porque é muito difícil trabalhar com as ruas inundadas. Mas uma coisa é inegável, através dos tempos: por mais que um jornal tire o corpo fora, acaba sempre no embrulho.

O CARNAVAL O carnaval é a maior data do ano, porque um dia dura três.

O CARNAVAL

O carnaval é a maior data do ano, porque um dia dura três. Maior do que essa data só "véspera de carnaval" — que dura 362. Os psiquiatras acreditam que o carnaval é um pretexto para homem se desrecalcar, por isso os bons psiquiatras só se fantasiam de pacientes. Os velhos insistem que o carnaval mudou muito, não é mais como o de antigamente, eles devem estar certos:

pular com reumatismo é muito mais difícil. Dizem que o carnaval de rua está acabando, mas é mentira: o que está acabando são as ruas. O homem que inventou a máscara tinha cara de urso, pra disfarçar começou a usar cara de cavalo. As fantasias mais usadas no carnaval são: homem vestido de mulher

e mulher vestida de nada. A fantasia mais discutida é o travesti (homem

vestido de homem) e a de maior sucesso é o biquíni (mulher vestida de mulher). O concurso de fantasias foi inventado pra ver quanto tempo resiste

o mesmo júri, julgando os mesmos candidatos e premiando as mesmas

fantasias. Durante o carnaval, a polícia costuma reforçar a falta de policiamento. O Departamento de Turismo gasta milhões pra decorar a cidade, depois vem o Departamento de Limpeza Urbana e gasta outros milhões pra tirar a decoração. Nos bailes cabem, em média, 2 000 pessoas sentadas e 5 000 em pé, quando o baile acaba tem mais de 15 000 deitadas.

O verdadeiro milagre do carnaval é a televisão, que consegue trazer a rua pra

dentro de casa: por isso não existe mais o carnaval de rua — fica todo

mundo em casa vendo na televisão o carnaval de rua.

AS FÉRIAS As férias foram inventadas por um homem que trabalhava 24 horas por dia,

AS FÉRIAS

As férias foram inventadas por um homem que trabalhava 24 horas por dia, pra descobrir um meio de tirar férias, e, como não conseguia descobrir, desistiu — e quando desistiu percebeu que estava em férias. Todo homem deve tirar férias: é a única maneira de reorganizar as preocupações. Pra gozar bem as férias é preciso que o homem vá pra fora, se não puder ir, deve mandar a família, que dá no mesmo. O lugar mais barato pra passar as férias é longe da mulher: enquanto descansa um, descansam dois. Muitos homens passam as férias tão longe que quando voltam estão completamente exaustos. O melhor lugar pra se passar férias é no hotel, principalmente quando se é dono do hotel. Tem secretária que quando tira férias deixa o patrão na mão, tem patrão que quando tira férias leva a secretária pela mão. Durante as férias, o homem prefere variar de clima: se mora na praia vai pra montanha, se mora na montanha vai pro mato, se mora no mato vai pro hotel, se mora no hotel deve ir pra casa — que a família está esperando. As férias originaram o "cigarra", que é o sujeito que manda a mulher pra fora e pensa que é solteiro de novo. Às vezes fica mesmo — quando a mulher volta, de repente.

O CINEMA O cinema, como todos sabem, é conhecido como a sétima arte, mas na

O CINEMA

O cinema, como todos sabem, é conhecido como a sétima arte, mas na

maioria das vezes tem muito mais de sétima do que de arte. Há dois tipos de cinema, o preto e branco e o tecnicolor: o preto e branco quando filma um preto sai preto mesmo e quando filma um branco sai cinza. O tecnicolor, quando filma um preto sai vermelho e quando filma um branco sai amarelo. Atualmente, tem tanta gente trabalhando no cinema que foi preciso inventar

o cinemascope: a tela é muito maior e assim cabe todo mundo. O artista que mais ganha dinheiro no cinema é o índio: cada vez que morre recebe 50 dólares — e tem índio que morre mais de vinte vezes, na mesma fita. Japonês também ganha muito dinheiro, faz dezenas de papéis e ninguém percebe, porque em filme japonês a gente só sabe quem é o bandido e quem

é o mocinho no fim da fita: o bandido é o que morre na luta de espada e o

mocinho na cena do harakiri. O cinema moderno evoluiu tanto que os ci- neastas descobriram várias fórmulas: no filme de caubói, por exemplo, o mocinho passa a metade da fita montado no cavalo fugindo dos bandidos e a outra metade montado no cavalo perseguindo os bandidos, o que não deixa de ser um processo econômico: é só inverter o rolo e passar de novo. No gênero policial, o crime toma feições inteiramente diferentes da vida real, tanto que fazem questão de frisar que "qualquer semelhança é mera coincidência" — mas a única coincidência é que nunca há semelhança. No cinema, o detetive sempre descobre quem é ô assassino no fim da fita, na vida real quem descobre é o acaso. Detetive de cinema tem particularidades especiais: no cinema inglês, o detetive bate na porta antes de entrar, no

cinema americano o detetive entra e depois bate na porta, no cinema francês

o detetive não bate na porta — bate na mulher. Há muitos tipos de filmes: o

filme pra ganhar prêmio em festival, o filme pra ser proibido pela censura, o filme pra fazer rir (e que faz chorar), o filme pra fazer chorar (e que faz rir), o filme pra ser discutido pelos intelectuais e o filme pra agradar: o mais fácil de fazer é o filme pra agradar —basta não saber fazer o filme que ele agrada.

agradar —basta não saber fazer o filme que ele agrada. A DEMOCRACIA Democracia é essa forma

A DEMOCRACIA

Democracia é essa forma de governo onde todos concordam em discordar um do outro, mas não convém discordar muito, senão acaba a democracia. Há duas espécies de democracia: a primeira e a segunda. A primeira ninguém pode explicar porque a segunda não deixa e a segunda também ninguém pode explicar porque a primeira não deixa. Enfim, chegamos à conclusão que numa democracia o mais forte diz o que quer, mas deixa o mais fraco reclamar — desde que não reclame no rádio, nem na televisão, nem nos jornais, nem nas paredes, nem nos comícios: quem quiser reclamar que reclame em casa, com a mulher — desde que ela não seja uma democr. ta da oposição. E quando não se consegue falar na democracia, melhor passar os dias falando sobre o tempo, se vai chover ou fazer sol. Não sei se perceberam a sutileza, mas essa questão de democracia é apenas uma questão de tempo. Donde se conclui que num regime democrático o que atrapalha o povo é o governo que ele escolhe.

RECREIO

RECREIO

Sempre acerto na mosca

Sempre acerto na mosca

CO-PRODUÇÃO

CO-PRODUÇÃO Jacaré americano contracenando com jacaré brasileiro QUE É ISSO? Dois desenhistas com o mesmo traço

Jacaré americano contracenando com jacaré brasileiro

QUE É ISSO?

CO-PRODUÇÃO Jacaré americano contracenando com jacaré brasileiro QUE É ISSO? Dois desenhistas com o mesmo traço

Dois desenhistas com o mesmo traço

QUE É ISSO?

QUE É ISSO? Ovo de calombo TESTE Responda rápido: onde está o lampião? No poste, na

Ovo de calombo TESTE Responda rápido: onde está o lampião? No poste, na árvore ou no livro?

onde está o lampião? No poste, na árvore ou no livro? Se você respondeu "nos três",

Se você respondeu "nos três", demonstrou ser inteligente e pouco observador — porque a resposta certa é "em cima dos 3".

Seta de Setembro 37
O TRÂNSITO Vamos deixar de modéstia, o trânsito é igual em qualquer parte do mundo,

O TRÂNSITO

Vamos deixar de modéstia, o trânsito é igual em qualquer parte do mundo, pra cada pedestre existem seis automóveis: a confusão é que os seis automóveis tentam pegar o mesmo pedestre, ao mesmo tempo. O trânsito se divide em duas partes: o que vai-pra-lá-e-vem-pra-cá e o que vem-pra-cá-e- vai-pra-lá. Pra não haver tumulto nem congestionamento, bolaram as ruas de mão única e foi aí que deram azar: tem muita gente que mora no sentido inverso da mão. Pra solucionar isso, inventaram o guarda e o apito: o guarda ninguém vê e o apito ninguém ouve — daí serem obrigados a inventar a multa. Pra evitar a multa, inventaram o sinal luminoso: verde, vermelho e amarelo. O verde é pra avançar tranqüilo, o vermelho é pra avançar intranqüilo e o amarelo é pra ficar na dúvida se avança ou não avança. Resultado: quando o motorista freia pra respeitar a luzinha da frente vem outro carro e desrespeita a luzinha de trás. Diante disso, decidiu-se que a desorganização do trânsito devia ser organizada, daí inventarem o chamado diretor de trânsito, que planeja qual a melhor maneira de congestionar as ruas, quais os melhores pontos de engarrafamento e qual a melhor televisão pra ele explicar por que o seu planejamento não tem dado certo. O que não se pode negar é que, apesar do diretor de trânsito, muita gente consegue chegar em casa. Pra evitar chateação com o diretor de trânsito, inventaram a carteira de motorista, que dá direito a cada portador dizer que a culpa é do outro e como todo mundo tem carteira, ninguém tem culpa. Para a carteira de motorista funcionar, inventaram o esquecimento: se o motorista não esquecesse a carteira em casa, iam descobrir que ele não faz exame de vista

há mais de vinte anos. Pra evitar o exame de vista, inventaram 0 p 0S te — e quem pára uma vez no poste, nunca mais faz exame de vista. E foi assim que acabaram inventando a perícia: contra essa, ainda não se inventou nada, porque todos que a chamaram estão esperando até hoje.

porque todos que a chamaram estão esperando até hoje. O CRIME O crime foi inventado por

O CRIME

O crime foi inventado por um indivíduo chamado Caim, que matou seu irmão Abel, mas como naquela época não havia polícia técnica, não se sabe até hoje como foi executado o crime: não havia imprensa pra romancear a verdade, nem júri pra ser influenciado pela imprensa. Com o correr dos anos, o crime foi se desenvolvendo: o homem passou a matar a mulher, a mulher o marido, o marido o genro, o genro a sogra, a sogra o vizinho — até que inventaram a polícia, que passou a matar o tempo. Foi então que se lembraram de inventar a justiça, pra julgar os criminosos e condená-los, mas lhe colocaram uma venda nos olhos — e daí pro erro judiciário foi um passo. Existem várias maneiras de se punir um criminoso, mas todas elas estão desaparecendo: o homem que inventou a guilhotina foi condenado à forca, o que inventou a forca foi condenado à cadeira elétrica, o que inventou a cadeira elétrica foi condenado à câmara de gás, o que inventou a câmara de gás foi condenado à prisão perpétua — e já que ele tinha de ficar na prisão o resto da vida acabou inventando a "comutação da pena", e caiu fora: foi assim que nasceu o primeiro anistiado, hoje conhecido como desajustado social. O maior de todos os inventos criminológicos foi a "liberdade condicional": soltam o criminoso com a condição de ele continuar preso em sua própria casa. Há vários tipos de crime: o crime passional, o crime

premeditado, o crime ocasional e o crime perfeito. O crime perfeito é sempre aquele que a polícia não consegue descobrir e até hoje não se conseguiu provar se o crime é mesmo perfeito ou se a polícia é que é imperfeita. Num

julgamento, o réu fica horas assistindo à discussão de dois advogados, sendo que um deles lhe faz uma série de acusações que ele nunca praticou enquanto o outro lhe atribui uma série de qualidades que ele nunca mereceu.

O juiz está ali pra decidir qual dos dois advogados é o mais habilidoso.

Geralmente, o crime é orientado pela imprensa, que forma a opinião pública:

quando os jurados vão dar o seu veredicto já trazem de casa a opinião

pública, publicada. E essa história de se dizer que o criminoso sempre volta

ao

local do crime é pura conversa: quem volta ao local do crime uma porção

de

vezes é a polícia, pra colher impressões digitais. A polícia vive insistindo

que o crime não compensa, mas nenhum policial quer sair da polícia.

não compensa, mas nenhum policial quer sair da polícia. O CASAMENTO O casamento foi inventado há

O CASAMENTO

O casamento foi inventado há milhares de anos, pra evitar que o homem tivesse mais de uma mulher, o que felizmente ainda não se conseguiu até hoje. Há dois tipos de casamento: o civil e o religioso. O civil é o que ninguém vê, o religioso é onde todo mundo se viu. O casamento é uma verdadeira peça de teatro, o enredo é sempre o mesmo, só mudam os personagens: mas os intérpretes são tão ruins que raros são os que conseguem chegar ao terceiro ato. Algumas peças ficam em cartaz durante meses, outras durante anos: a "boda de prata" é a data que escolheram pra comemorar o "sucesso de bilheteria". No casamento, uma coisa é infalível:

onde come um, comem dois — só que a metade. O casamento só dá certo

quando não dá certo: é a única maneira de o homem ficar livre de novo. A aliança é um símbolo da união e na sociedade moderna a união faz a farsa. O casamento é um compromisso cercado de leis por todos os lados, as leis foram inventadas pra quando o homem burla a mulher. Alguns homens são tão espertos que conseguem burlar a mulher e burlar a lei — e acabam se burlando a si próprios, pois casam de novo. Por isso, é recomendável que tanto o noivo como a noiva leiam a burla antes de usar.

tanto o noivo como a noiva leiam a burla antes de usar. A CENSURA A censura

A CENSURA

A censura é xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx. Por isso, em todas as partes do mundo, ela é exercida com o maior critério, pois todos os xxxxxxxxx fazem questão de xxxxxxxxxxxxxx. Existem duas espécies de censura: a censura xxxxxxx e a censura xxxxxxxx xxxxxxxxx. Num regime democrático, a censura é completamente xxxxxxxxx. A liberdade de pensamento não pode e não deve ser xxxxxxxx xxxxxxxx em razão direta da formação das xxxxxxx xxxxxx xxxxxx. No entanto, parece que os xxxxxxxxx xxxxx, razão pela qual xxxxxxxxx xxxxxxx, mesmo porque xxxxxxxxxx xxxxxxxxx xxx, a não ser em casos muito especiais, como por exemplo: xxxxxxxxx, xxxxxxxx e xxxxxxxxx. Para exercer a censura é preciso, antes de tudo, ser muito xxxxxxxxx, porque do contrário xxxxxxxxxxxxxx. Nos países civilizados, onde a censura é exercida por xxxxxx xxxx, não se pode duvidar que xxxxxxxx xxxx, sendo os resultados muito xxxxxxxxxxxxx. Sem dúvida alguma a censura é responsável pelos xxxxxxxxxxxxxxxxxx xxxxxxxxxxx de um país. Ainda assim, existe uma forma bastante hábil para xxxx xxxxxxxxx, pois para bom entend xxxx meia palavra basta.

A ESTATÍSTICA Estatística é justamente essa habilidade que os homens têm de transformar fatos em

A ESTATÍSTICA

Estatística é justamente essa habilidade que os homens têm de transformar fatos em números, de tal maneira que nunca podem provar que esses números são um fato. Na última estatística feita pelos americanos, que, segundo a estatística, é o povo que faz mais estatística, o maior índice de mortes é causado pela velhice. À primeira vista, parece que nos Estados Unidos só tem velho, mas não: quando o sujeito chega a certa idade, vira número e entra pra estatística. Mas nem sempre a estatística facilita as coisas: quantas crianças engolem bola de gude por dia? É evidente que o número de crianças é bem maior que o número de bolas de gude, no entanto a estatística não soluciona o problema: continua-se fabricando muito mais crianças do que bolas de gude. Quantos buracos existem nas calçadas? É muito duvidoso um resultado positivo, porque 87,3 por cento dos pesquisadores que saem pra fazer a estatística caem dentro dos buracos. Ainda assim, a estatística consegue milagres: de cada dez mulheres que passam na rua, nove ouvem piadinhas e uma é surda. De cada dez veículos que vão pra cidade, nove atropelam na ida e um atropela na volta. De cada dez mulheres casadas, uma é solteira. De cada dez homens solteiros, nove são casados. De cada dez telefonemas que o marido recebe, nove são pra sua mulher e um é engano .— justamente quando é ela quem atende. De cada dez estrelas do cinema, nove usam o sabonete das estrelas e a outra não é estrela, é protegida. De cada 10 quilos de carne de boi, 1 quilo é de carne de cavalo. De cada 10 litros de leite de vaca, 9 são de água e 1 é de leite em pó. De cada dez motoristas, nove saem pra se distrair e um se distrai. Mas nem sempre a estatística é eficaz: quantas pessoas no mundo inteiro vivem da profissão de fazer estatística? Não se sabe. Toda vez que vão fazer um levantamento, nunca tem ninguém em casa — porque saíram todos pra fazer estatística.

A VALENTIA O homem valente nunca anda armado, mas em compensação vive muito menos. A

A VALENTIA

O homem valente nunca anda armado, mas em compensação vive muito menos. A verdadeira coragem é ter coragem de dizer que não tem coragem. O homem só deve ser valente dentro de casa, até a mulher chegar. Num duelo a faca, leva mais vantagem o que está de revólver. No avião, a coragem é passageira. Todo covarde tem seu dia de valentia, geralmente é o último. De cada dez valentes nove estão enterrados: o décimo se acovardou. Valente é o índio: já entra no filme sabendo que vai morrer. O noivo também é valente: casa com uma mulher, sabendo que vai enfrentar duas. Já o trapezista não é tão valente quanto parece: valente, no duro, é o espectador que senta embaixo do trapézio.

MINHA AMIGA, A TV

MINHA AMIGA, A TV

O pior espectador é aquele que quer ver

Minha televisão vai fazer nove anos. Tenho vontade de comprar uma nova pra ver se ela passa programas mais novos. No princípio só pegava um canal, agora pega um monte, cada um querendo imitar o outro. Antigamente, eu sabia qual era o canal pela cara do artista, mas agora é difícil, porque os artistas mudam tanto de canal que a gente nunca sabe qual está vendo. Dizem que a televisão se orienta por um Departamento de Pesquisas que divide o público em classes a, b, c e d —não sei de que classe sou, porque nunca fui pesquisado. Só sei que me sinto um nobre, de sangue azul, porque assisto televisão no "horário nobre", que eles convencionaram ser das 8 às 10. Acho até que sou supernobre, às vezes vejo televisão até à meia-noite. À tarde nunca assisto, só dá criança-prodígio fazendo caretas e dando adeusinho pra mamãe; acho irritante criança com rótulo de talento. Mas o pior são as crianças-prodígio que entram na faixa das 6 horas da tarde: todas elas com mais de trinta anos. Sei que a televisão está evoluindo, porque inventaram um aparelho que liga e desliga de longe, só não inventaram um pra desligar a do vizinho. A coisa mais fascinante na televisão são as mensagens do patrocinador: eles apresentam um frasco de desodorante e convencem que se a gente usar aquele produto acaba arranjando uma namorada — só não ensinam como é que a gente vai explicar isso à nossa mulher. Dizem que a televisão dá economia, a gente fica em casa e não precisa gastar dinheiro em cinema, em teatro, em buate — mas isso é pra quem não tem filho que obriga o pai a comprar tudo o que aparece na televisão. Outra coisa curiosa são os programas que eles dizem populares, pra vender coisas baratinhas, mas ninguém sabe o que eles querem vender, porque dão prêmio de automóvel e a gente só se lembra do automóvel. Inventaram também esses programas de auditório, ao invés de esticarem o palco, esticam o auditório, pra caber mais gente; se a intenção deles é levar todo mundo pro auditório por que anunciam tanta televisão na televisão? A estatística diz que a televisão une a família, acho que une até os vizinhos. Mas ai de quem abrir a boca pra interromper a novela, logo depois da novela vem a fita de mocinho, logo depois da fita de mocinho vem o jornal com notícias fresquinhas, logo depois vem a entrevista, logo depois vem o filme onde o astro é um cachorro, ou um cavalo, ou um gato, isso depende do animal que estiver na moda, logo depois vem o show com muita mesma mulher, com muita mesma música e com muita mesma piada, isso quando não entra em cadeia um especialista político pra dar sua mesma mensagem sob o alto patrocínio do

governo federal, provando com dezenas de gráficos que o custo de vida está baixando — só que a impressão que dá é que eles usam os gráficos de cabeça para baixo, depois vem um programa esportivo, depois vem a mulher da gente dar a "bronca" porque a gente está dormindo no sofá há mais de duas horas e deixou a televisão ligada. Ter uma televisão é um inferno — já vi que preciso ter duas.

televisão é um inferno — já vi que preciso ter duas. O segredo da propaganda é

O segredo da propaganda é a propaganda do segredo

Depois de tantos anos vendo televisão diariamente, chego a uma conclusão definitiva: é muito mais divertido e mais prático ver os anúncios. Enquanto as outras pessoas ficam aflitas tentando decorar os horários das novelas, das paradas de sucesso e dos chamados programas humorísticos, eu não tenho problema: ligo a televisão em qualquer canal e vejo os anúncios sem preocupação de horário. Vocês talvez achem que é loucura ver os mesmos anúncios diversas vezes, mas posso garantir que os anúncios variam muito mais que as piadas e as músicas que são servidas todos os dias. Pelo menos os anúncios são bem bolados, alguns até inteligentes. A técnica é

chatear tanto até ficarem em nosso subconsciente — se é que alguém consegue ter subconsciente assistindo televisão. Os refrigerantes, por exemplo: quase todos fazem as garrafas dançar na nossa frente e tocam uma musiquinha que chega a dar sede. Aí a gente não resiste: vai à geladeira e bebe um copo de água. Mas bom mesmo é anúncio de sabonete: aparece cada moça bonita que vou te contar. E com uma grande vantagem, as moças não falam, só aparecem, ligam o chuveiro e ficam nuinhas dentro da espuma. Por mais que a gente saiba que aquilo é anúncio de sabonete, fica sempre aquela dúvida se um dia eles não vão resolver dar o nome daquele chuveiro ou, quem sabe, o telefone da moça. Geniais mesmo são as geladeiras que duram toda a vida. Mas muito mais geniais são os textos garantindo que cabe tudinho dentro delas, mas acho que não têm tanta certeza, pois fazem questão de botar uma moça bem bonita pra mostrar a geladeira — e a gente tem é vontade de comprar a moça, mesmo sem o "certificado de garantia". E as televisões, baratíssimas, cada vez mais vendidas, dentro dos novos planos de venda. Ao invés de bolarem uma televisão mais perfeita, ficam é bolando planos de venda. No dia em que inventarem uma televisão que focalize a cara de um sujeito com menos de três orelhas, não precisam nem fazer anúncio: é só exibir, que esgota no mesmo dia. Existe anúncio de todo tipo: tecidos que não amarrotam, tecidos que dão prêmios, tecidos que dão desconto, tecidos coloridos que são apresentados em preto e branco, tecidos brancos que ficam cada vez mais brancos à medida que vai surgindo um novo sabão em pó. Mas é o que eles pensam: o branco deles, lá em casa, todo mundo tá vendo que é cinza. O mais engraçado são os anúncios de inseticidas que matam todos os insetos, menos as moscas do estúdio. Anuncia-se também muita banha, muito pneu, muito perfume, muito sapato, muito automóvel, muita calça, muita bebida e muita pílula pra dor de cabeça. Parece até que um anúncio depende do outro — é como se fosse uma novela, com a vantagem de a gente sempre saber qual o final de cada anúncio. E não pensem que sou o único a achar os anúncios mais interessantes que os programas: os donos das emissoras também acham — senão não ocupavam a maior parte do tempo com anúncios. Nos intervalos é que colocam alguns programinhas — por absoluta falta de mais anúncios. Reparem só: os programas de humor mostram o lado negativo das pessoas, os personagens são quase todos fossilizados, gagos, surdos, cegos, velhos borocochôs ou sem sexo definido. As novelas exploram seres anormais dentro de um mundo de misérias e lágrimas. Já os anúncios

apresentam um mundo de otimismo, onde tudo é bom e saudável, não quebra, dura toda a vida e qualquer um pode adquirir quase de graça, pagando como puder, no endereço mais próximo da sua casa. O único

detalhe que nos deixa um pouco frustrados é que a moça que dá os endereços fala tão preocupada em não errar que a gente não consegue decorar nenhum endereço. Em compensação, sabe de cor a moça todinha.

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em não errar que a gente não consegue decorar nenhum endereço. Em compensação, sabe de cor

O bom locutor é o que não usa a cabeça

Alguns locutores, quando lêem as notícias, mexem tanto com a cabeça que não consigo dar tanta atenção às notícias quanto às suas cabeças. Fazem questão de fingir que não estão lendo, por isso nunca mostram o papel que está em cima da mesa, mas falam sempre de cabeça baixa, dando a impressão de que não estão acreditando muito naquilo que estão dizendo. Só de vez em quando olham rapidamente para a câmara, pra dar a entender que estão se dirigindo a um público; o certo seria fazer o contrário, olhar para o público o tempo todo e só de vez em quando olhar para o papel. Mas já que não conseguem decorar o texto, acho que a única solução seria fazer uma mesa com tampo de vidro e colocar a câmara debaixo da mesa. Já os locutores esportivos não mexem com a cabeça, mexem com as mãos. E têm um vocabulário todo especial, dizem que o "couro" foi para o "fundo do barbante" — e a gente fica sabendo que couro é a bola e que barbante tem fundo. Dizem que o jogador "amaciou a bola no peito" — e a gente tenta em casa amaciar a bola no peito e ela fica ainda mais dura. Dizem que o craque caiu no "tapete verde do gramado" — e a empregada da gente fica com água na boca, só de pensar que debaixo daquele tapetão cabe tanto lixo. Dizem que o jogador "naufragou na etapa complementar" — e nisso são descarados, pois os jogadores naufragam mesmo em dia de sol. Dizem uma infinidade de coisas, tais como "dois tentos a um", "defender as nossas cores", "passou pelo arco", "esfregou a pelota", "calçou o adversário", "caiu contundido", etc. A televisão já tem boa técnica, o futebol já tem bons jogadores e o Brasil demonstra ser bastante esportivo, pra aceitar esse tipo de locutor.

A maior invenção da TV: o intervalo

Certos programas são tão desinteressantes que entram por um olho e saem pelo outro. Alguns artistas cobram uma fortuna pra se apresentar num programa, enquanto alguns patrocinadores pagam uma fortuna pra aparecer. A vantagem dos programas humorísticos é que eles contratam uma claque e as piadas já chegam ridas em casa. Pior é pianista dando concerto: ao invés de olhar pra partitura ou para as teclas, toca de lado, olhando pra câmara que focaliza um orelhão que não tem mais tamanho, por isso a gente percebe claramente que na televisão todo pianista toca de ouvido. Acho contraproducentes os comerciais de companhias de aviação: os aviões passam de um lado para o outro, mas nunca voltam.

contraproducentes os comerciais de companhias de aviação: os aviões passam de um lado para o outro,

O melhor aparelho portátil é o tamanho gigante

Eu tinha uma televisão portátil. Tão portátil que não resistia à tentação de mudá-la de um lugar para outro, mesmo quando estava desligada. Gostava muito dessa televisão, não sei se porque era decorativa ou se porque

as caras que apareciam nela eram tão pequenas que me davam uma sensação

de ser um homem muito maior do que todos os que ela focalizava. Pode parecer bobagem, mas é uma sensação agradável a gente pensar que é maior do que os outros — e deve ser por isso que as televisões portáteis vendem tanto. Mas de uma coisa ninguém escapa: a televisão portátil passa o dia inteirinho anunciando a televisão tamanho gigante e, não é nada, não é nada, isso vai dando um complexo de inferioridade na gente que tem televisão pequena. A cara dos outros pode ser menor, mas a gente sabe que a nossa televisão é menor que a dos outros — e isso é chato. Tanto falam, tanto apregoam, tanto anunciam, que um dia a gente vai na onda e acaba com-

prando uma televisão bem grande, com imagem filtrada, tridimensional, e todos os requisitos da propaganda moderna. Eu fui nessa. Quando a televisão chegou, veio cercada de quatro carregadores, não sei se por precaução de ela cair e quebrar ou se pra dar a impressão de que o aparelho era maior do que realmente é. Sei que quando entrou na sala, a sala começou a ficar pequena:

foi preciso afastar um sofá, retirar duas poltronas e mudar a posição de alguns quadros — isso pra não seguir a sugestão de um dos carregadores que achava conveniente derrubar uma parede. Só que ele não sabia que atrás dessa parede morava o meu vizinho e, ainda que o vizinho concordasse, tá na cara que ele ia querer ver televisão de graça o dia inteiro. Optei pela retirada das poltronas, se bem que essa medida dificultasse um pouco o meu conforto pra assistir televisão, sentado no chão, mas afinal valia a pena: eu poderia ver perfeitamente da outra sala. Era uma vantagem que a TV portátil não me dava, nem era preciso transportá-la de um cômodo para outro, era só me afastar e ver de qualquer lugar. Está aí um novo ângulo que os vendedores de televisão grande ainda não bolaram: anunciar na base inversa da TV portátil:

"Fixa, imóvel, não precisa ser transportada, você escolhe o lugar e ela fica ali para o resto da vida. Mais confortável, mais prática, não dá trabalho, não cansa: completamente irremovível". Mas com todo o seu tamanho, com toda

a sua imponência, a TV grande precisa de uma antena externa. Vem o

especialista, sobe no telhado, jorra metros e metros de fio, rasteja pelas paredes, coloca chaves de separação de canais, regula daqui, mexe dali, e a TV começa a tomar conta da casa. Na hora dos doses, vou te contar: é cada cabeção que não tem mais tamanho. A gente tem de se curvar, ficar cabisbaixo, prestar atenção, mesmo que não queira. São pessoas nítidas, com cores firmes, sem risquinhos atravessando os olhos: é o casamento perfeito da imagem com o som, mas em tamanho sobrenatural. É aí que a gente vê o ridículo das coisas: cada cabeça enorme dizendo tanta besteira. Agora, que tem as suas vantagens, tem. As mulheres dos shows, mesmo as que aparecem em conjunto, lá atrás, a gente vê todas, uma por uma. A cantora, quando abre a boca, a gente pode até contar os dentes. Se vê tudo: as rugas, os cílios postiços, a costura das operações plásticas e até os decotes. Só é chato uma coisa: nunca vi anunciar tanta televisão portátil como nessa minha televisão grande. Parece até que adivinham o tamanho da televisão que a gente tem — senão não anunciavam tanta televisão na televisão. Vão desnortear assim no raio que os parta: só anunciam a televisão que a gente não tem.

televisão na televisão. Vão desnortear assim no raio que os parta: só anunciam a televisão que
enquanto isso

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VERDADES INADIÁVEIS

VERDADES INADIÁVEIS O cigarro não provoca o câncer. O câncer, sim, é que vive provocando o

O cigarro não provoca o câncer. O câncer, sim, é que vive provocando o

cigarro.

O chato da bebida não é o mal que ela nos pode trazer, são ^_ os bêbados

que ela nos traz.

Segurança de vôo é essa garantia embaixo, enquanto estamos lá em cima.

que

nos

dão os

que

ficam aqui

O jogo não é propriamente um vício: é o hábito que a gente adquire de

perder.

Não são os cavalheiros que estão acabando, é o h que já não se usa mais.

O

pior cego não é aquele que não quer ver: é aquele que não quer ser

visto.

A

coisa mais chata num jantar de cerimônia é a falta de cerimônia com

que as pessoas se portam.

Depois que o homem sai da prisão, perde completamente a liberdade.

O maior vexame que um limpador de vidraça pode passar é cair da janela

pra dentro.

Pior do que a criança do vizinho só a nossa — segundo o nosso vizinho.

Um homem prevenido vale por dois, dois homens prevenidos não sobra nenhum.

Síndico é o único sujeito que consegue ser proprietário daquilo que não é seu e manda mais que os próprios donos.

Saca-rolha é esse instrumento que foi inventado pra empurrar a rolha pra dentro da garrafa.

A alegria do geômetra é ver o círculo pegar fogo.

Tem sujeitos que só usam a vírgula pra dar um nó na frase anterior.

Sinal dos tempos no trânsito é isso: os tempos mudam e os sinais continuam.

Existem maridos que são meio surdos: sempre que suas mulheres lhes pedem 50 eles só ouvem 25.

O que mais pesa em cima de um travesseiro é a consciência.

O automóvel é uma extensão do homem: quando um enguiça o outro

também enguiça.

Garantia é um certificado que as firmas dão pra gente se chatear até acabar a garantia.

Quando o cosmonauta chega ao céu, aí começa o inferno.

A estatística comprova que 99 por cento das donas-de-casa não têm casa.

Só uma coisa o homem faz questão de acompanhar durante toda a sua vida com verdadeiro carinho: a queda dos cabelos.

O aspirador é a prova de que o pó que respiramos está cada vez mais

caro.

Liberdade de imprensa é fácil. Difícil é ser jornalista livre.

O chato da inflação é que a gente recorre a todos os meios pra empregar

o dinheiro que não tem.

A vantagem da inflação é que em pouco tempo a gente pode trocar um

litro de gasolina por um carro novo.

As

pessoas

passam

anos

tentando

arranjar

um

telefone

e

quando

arranjam deixam fora do gancho pra não serem incomodadas.

O que aumenta a dor de cabeça é a dúvida que a gente tem em escolher o

comprimido que vai tomar.

Sogra é esse parente afastado que se torna cada vez mais próximo.

Como evoluiu a odontologia: cada dia se inventa um aparelho diferente pra provocar uma dor diferente.

Os postes também deviam fazer exame de vista.

Só existe uma fórmula pra se dar bem no casamento: é se dar bem com o marido da sua mulher.

Isto, sim, é um triângulo diferente: ele, ela e o pior amigo.

Louco é todo sujeito que cisma que é Napoleão, desde os tempos de Napoleão.

Pai moderno é uma ilha de afeto cercada de contas por todos os lados.

O que o bêbado precisa pra parar de beber não é que lhe cortem a bebida,

é que lhe cortem o crédito.

Nada melhor pra se informações a seu respeito.

conhecer

menos

uma

pessoa

do

que

pedir

A maior ambição do milionário é ter uma amante, mas quando arranja

uma, deixa de ser milionário.

Grande negócio é o cinema: exibe um filme de trinta anos atrás, num cinema de cinqüenta anos atrás — com os preços de hoje.

O crime perfeito leva tanto tempo pra ser planejado que às vezes o criminoso morre antes da vítima.

Nos apartamentos de hoje a gente tem de ligar a televisão bem alto pra não ouvir a do vizinho.

Grã-finos que se separam continuam se encontrando nas colunas sociais:

ele na linha de cima e ela na de baixo.

São inúteis as belíssimas vitrinas das casas de óptica: quem precisa de óculos não enxerga nada.

Da discussão não nasce a luz, nasce a conta da luz.

A grande luta dos anunciantes de sabão em pó é querer tornar o seu

branco mais branco que o do outro.

O homem não dorme por dois motivos: pelo que tem de fazer amanhã e

pelo que fez ontem.

Faquir é esse sujeito que fica deitado sobre pregos pra ganhar o seu pão de cada cem dias.

Pediatra é um sujeito de profissão difícil: tem de agradar as mães sem prejudicar a saúde das crianças.

O sim mais caro do mundo o homem deposita na igreja e a , mulher fica

sacando o resto da vida.

Agora que já existe o parto sem dor só falta inventarem a yg conta com anestesia.

Olheiro é esse sujeito que ganha pra vigiar os carros, mas só fica de olho nos motoristas.

Uma mulher é uma mulher, uma mulher, uma mulher. Às vezes, uma rosa.

Marido é um homem que passa a metade da vida procurando uma mulher e a outra metade tentando livrar-se dela.

É mais cômodo ter três mulheres fora de casa do que uma dentro.

Certos vestidos são um estouro: a mulher aperta o botão nas costas e eles estouram na frente. "

O HOMEM EM ESTADO DE COMO

O HOMEM EM ESTADO DE COMO

COMO SE MONTA UM ESCRITÓRIO

Todo homem deve ter um escritório, pelo menos pra quando sair de casa

dizer à mulher que foi ao escritório. E quando chegar no escritório, dizer pra telefonista que não está pra ninguém. Um bom escritório tem de ser funcional, isto é, tem de ter tudo para o homem não funcionar enquanto o escritório está funcionando. Por exemplo, a primeira coisa importante é ter uma janela bem ampla por onde deve passar a luz e botar uma cortina bem grossa, pra não deixar passar a luz. Como se vê, a janela é importante, a cortina, funcional. Quer dizer, desde que a cortina funcione.

A segunda coisa é ter uma boa iluminação artificial, isso pode ser feito

com um pouco de bom gosto e um pouco mais de dinheiro. Se você não tiver

bom gosto, tenha pelo menos o dinheiro — que o mau gosto também custa uma nota.

É imprescindível que tenha uma mesa bem grande, o suficiente pra se

deixar em cima dela um monte de papéis que deviam estar nas gavetas. E já

que você sabe que não vai guardar os papéis nas gavetas, a mesa deve ter no mínimo quatro, pra guardar tudo aquilo que não lhe interessa que os outros vejam, como presentes de festas, talões de cheque, conta de luz atrasada, tesoura de unhas e um par de meias — que dão bem o toque de relaxamento dos grandes homens de negócio. O escritório funcional deve ter um fichário, mas o fichário, pra ser funcional, deve ser sempre revisto — pode acontecer de entrar uma barata na letra G quando o certo seria letra B.

O ar condicionado é outra peça indispensável para o calor do escritório,

digo, para o escritório no calor. Mas isso não quer dizer que no inverno você tenha de removê-lo e aturar durante vários meses aquele buraco imenso na parede: é só deixá-lo desligado. Mas para isso, é preciso que o aparelho seja funcional — e nada mais funcional num escritório do que um aparelho de ar condicionado que não funcione, desde que não seja coberto pela cortina. Uma eletrola bem escondida, com alto-falantes mais escondidos ainda, dão um certo ar de mistério — mas nunca esquecer de ligar a eletrola antes de mandar alguém entrar. Detalhe: um isqueiro de mesa, metido a besta, sem fluido, pode entreter durante algumas horas as pessoas que estão esperando. Uma porta bem disfarçada pode servir de curiosidade a muitas pessoas que não conseguem disfarçar a sua curiosidade em certas ocasiões, então você diz: é aí mesmo.

Livros também são muito importantes num escritório, pelo menos fazem

o dono do escritório ficar importante, mesmo que ele não os tenha lido —

porque livro de escritório só quem lê são as visitas, quando examinam a

estante. Por falar em estante, as prateleiras devem ter profundidade suficiente para que caibam os livros na frente e as garrafas de uísque atrás. A não ser que você seja desses homens muito exigentes que primeiro constróem o bar

e depois é que fazem o escritório em volta. Nesse caso, a maneira mais fun-

cional é fazer um barzinho embutido, com a porta imitando um cofre: em caso de roubo, os ladrões tomam um pileque de arromba. Uma televisãozinha portátil não faz mal a ninguém, é até decorativa. Porque não há nada mais decorativo num escritório do que um homem esparramado numa poltrona vendo televisão. Dá um ar de prosperidade, de bem-estar, que só as pessoas muito íntimas podem constatar — mas não há esse risco, porque pessoas muito íntimas não freqüentam escritório, a não ser as secretárias. Ah, ia me esquecendo: um escritório funcional deve ter também uma secretária funcional. Mas, cá entre nós, se você arranjar uma secretária funcional, me diga: pra que escritório?

COMO SE RECEBE UM SEGURO

Coisa engraçada é o seguro, já não digo o de vida, porque desse a gente não tira a menor vantagem, pois se chama de vida mas só pagam quando a gente morre. Me refiro ao seguro de automóvel, desses que a gente faz quando compra um carro, com receio de dar uma batida, e no fim do ano fica chateado porque pagou um dinheirão e não teve nenhum acidente. Mas o engraçado não é isso: é quando há o tal acidente. A falta de confiança no segurado, por parte dos seguradores, é tão grande que eles lutam por todos os meios pra saber "por que" pagam, "quanto" têm de pagar

e "de que maneira" vão pagar um compromisso que assumiram com a gente

quando a gente pensava que ia poupar trabalho fazendo um seguro. Outro dia, por exemplo, quando entrei no carro, verifiquei que faltava um farol: havia um buraco num dos pára-lamas. Não sei se roubaram, se algum caminhão deu marcha à ré e quebrou o vidro e depois tiraram tudo para não deixar vestígios, ou se caiu de maduro. Só sei que o farol faz parte

do carro e se sumiu o seguro deve pagar. Me informaram que o seguro não paga roubo de peças: eu teria de dizer que roubaram o carro e que quando o carro foi encontrado estava com menos um farol. Como se vê, há macetes pra não pagar e há macetes pra fazer pagar — mas acho que há uma verdade acima de tudo isso: a gente paga pra não se chatear e não pra mentir. Mas o pior é que a chateação começa justamente na hora de receber: eles exigem uma vistoria com hora marcada, mas quem marca a hora e o local são eles. Perguntam um monte de coisas, conferem daqui, conferem dali, procuram uma certa lógica nas declarações, como se um acidente tivesse alguma lógica. Resultado: a gente faz seguro pra não se aborrecer mas acaba pagando qualquer conserto pra não se aborrecer com o seguro. Acho que deviam inventar um seguro contra o seguro.

COMO SE PREPARA UMA DECORAÇÃO

Os dois grandes problemas de uma decoração no apartamento são a

mulher da gente e o decorador da mulher da gente. O decorador gosta de azul, a mulher gosta de vermelho e a gente gosta de verde.

É difícil conciliar os três gostos na mesma decoração: ou a gente muda

de decorador, ou troca de mulher ou substitui as três cores por uma neutra.

Mas a nenhum de nós ocorre esse pequeno detalhe, durante os três meses em que se passa as noites em claro discutindo a cor.

E o pior não é isso: quando se chega a uma conclusão intermediária

sobre a cor, um cedendo um pouquinho no azul, outro cedendo um pouquinho no vermelho e a gente cedendo um pouquinho no verde, vem o problema do pintor.

A vizinha da gente diz que conhece um pintor ótimo que pintou a casa de

uma amiga, mas que ele mora no subúrbio e não tem telefone, assim que ela encontrar a vizinha vai falar com ela pra ver se ela encontra o pintor e dá o recado pra ele. A gente sai andando pela rua e encontra um pintor pendurado numa janela, ele larga tudo e vem combinar com a gente. Faz o preço, diz que precisa de dinheiro pra comprar a tinta e quando a gente percebe ele já levou a metade do orçamento com o que se convencionou chamar de sinal. Só à noitinha é que vem a surpresa: a mulher da gente já encomendou papel

pintado, porque detesta cheiro de tinta.

COMO SE CONSERTA UM ASPIRADOR

Meu aspirador enguiçou: fez um ruído estranho, começou a cheirar a queimado, depois cismou de não puxar mais o pó. Toquei pra companhia:

— Nós mandaremos um técnico, amanhã ou depois.

Perguntei se não podiam dar certeza se "amanhã" ou "depois", disseram

que não, que as camionetas saem dia-sim-dia-não. Perguntei qual o dia-sim, a mocinha titubeou, disse que faria o possível para o técnico vir amanhã. Esperei o amanhã inteirinho e ele só veio depois: fiquei sabendo que o dia- s im era o depois. O técnico chegou, examinou, mexeu, olhou, desmontou, montou, disse que precisava levar o aparelho para um exame mais detalhado, mas logo de cara foi avisando que precisava mudar o "induzido", o "rolamento", o "carvão", enfim, só não precisava mudar a carcaça, porque senão seria melhor comprar outro novo. Levou o aparelho, deixou uma nota comigo, pediu que ligasse dentro de dois dias, que era o tempo que se gastava pra se fazer o orçamento. Liguei dois dias depois, uma mocinha disse que o pessoal encarregado do orçamento estava meio adoentado e que o orçamento ficaria pronto amanhã, mas como amanhã era sábado, melhor seria ligar na segunda-feira. Fiquei sabendo que o pessoal adoentado da companhia só fica bom na segunda-feira.

— Já está pronto o orçamento?

— Quem está falando?

Dei o número da nota, mas não adiantou, ela pediu todos os dados outra vez: nome, endereço, telefone, data da nota, nome do técnico e perguntou

qual o defeito do aparelho e ela se sentiu muito feliz quando eu disse que o aparelho não funcionava. Pediu um minutinho e sua voz voltou em forma de cifras:

— 257,98.

— O queeeeeeeeeeeê?

— Isso mesmo: 257,98.

— Mas isso é quase o preço de um novo.

— O senhor é que pensa: o novo agora está custando 980 e vai ter outro

aumento mês que vem. A mocinha disse mais, que se eu não quisesse fazer o conserto, tinha de pagar 4000 cruzeiros pra ela devolver o aspirador. Acabei topando, afinal o que são 257,98 nos dias de hoje? Quase o preço de um filé, ou de um pneu antiderrapante ou mesmo de um par de sapatos — e nada disso tira o pó do tapete.

— Quando é que fica pronto?

— O senhor vai ligando pra cá, quando estiver pronto nós avisamos.

Não fiz outra coisa, liguei a semana inteirinha e caí no mesmo problema:

amanhã não temos camioneta, só depois. Fiquei em casa esperando o aspirador como quem espera uma noiva, com a diferença de que a noiva a gente leva pro cinema e o aspirador não fica bem, mesmo porque nunca se sabe se o filme é impróprio pra dezoito anos e o meu aspirador ainda vai fazer dez. Quando o homem chegou, ligou o aparelho na tomada e disse que agora sim, estava novinho, puxava o ar com uma força que vou te contar: se não tiro o meu cigarro de perto ele acaba dando uma tragada. Paguei a nota e pedi o recibo, o homem me deu um recibo provisório, disse que o verdadeiro vinha depois, pelo correio. Parece que eles gostam de complicar as coisas, além disso, o homem disse que o aparelho agora tinha garantia de seis meses, pelo conserto, mas não me deu nenhum documento que provasse isso

— e fiquei sem garantia de que teria mesmo garantia. Foi só o homem sair, pra eu começar a rodar a casa puxando o pó: não durou cinco minutos e pifou. Daí pra frente, a história é a mesma: liguei pra tal mocinha, ela pediu o número da nota, o nome, o endereço, o telefone, o nome do técnico, depois disse que o aspirador já tinha sido entregue, respondi que se não tivesse sido entregue eu não poderia fazer nova reclamação, pois o aspirador tinha enguiçado outra vez. Ela parecia um disco:

— Amanhã ou depois, mandaremos um técnico.

— Não pode ser hoje? Acabei de pagar uma fortuna pra consertarem e deu o mesmo defeito.

— Hoje não temos camioneta, só amanhã.

É muita coincidência, mas deduzi que eles só não têm camioneta nos dias que a gente liga. Acabei me conformando com o velho provérbio que cada vez mais se torna atual: "do pó viemos, ao pó retornaremos".

COMO SE FAZ A PREVISÃO DO TEMPO

1 — O serviço meteorológico tem muito mais de meteoro do que de lógico. Quando a previsão diz tempo bom, isso é mau. Quando diz mau, é muito pior — porque pode acertar.

2 — Vou explicar pra vocês como é que se faz a previsão do tempo: os funcionários se reúnem, jogando um níquel pra cima: se der cara, faz sol, se der coroa, chove; se o níquel cair de pé, tempo nublado. Só não acertam porque há muito tempo que o serviço meteorológico está sem níquel.

— Não existe previsão, o que existe é revisão do tempo: os jornais publicam os boletins e o próprio tempo faz a revisão.

3

4 — Mas não há dúvida que as coisas vão melhorar, quando começar a

funcionar o cérebro eletrônico. Ele fará, diariamente, a previsão certa e infalível: "tempo instável, sujeito a chuvas, ou vice-versa".

5 — O serviço meteorológico americano é o mais adiantado do mundo:

de três em três meses um furacão arrasta o prédio inteirinho de uma cidade

para outra.

COMO SE CONSERVA UM FUMANTE

Deixar de fumar é fácil, quero ver é não deixar. Sou um fumante normal, tragando em média de trinta a quarenta cigarros por dia — se é que isso possa ser considerado normal. Em 25 anos, já consumi cerca de 365 000 cigarros e já tirei umas dez radiografias do pulmão, todas elas boas, mas isso não impede que um dia eu possa ter câncer no pulmão, ou no cotovelo, onde o fumo não penetra — só pra chatear os especialistas. Confesso que cada vez me impressiono mais com esses relatórios sobre câncer no pulmão, causado pelo fumo; acho realmente fantástico esse pessoal da estatística esvaziando pulmões de cadáveres à procura de nicotina. Toda a vez que leio um relatório médico nesse sentido, tenho vontade de parar de fumar, mas reajo rapidamente e começo a ler os anúncios de cigarros, todos otimistas, vendendo saúde em tecnicolor, com moças bonitas tirando fumaça até pelos olhos, me convencendo com muito mais facilidade que p mundo sem cigarro não tem o menor sentido. É aí que começo a meditar sobre esse intricado mundo da propaganda de cigarro, cada qual querendo convencer que o seu cigarro é o melhor. Ninguém troca de marca de cigarro porque uma moça de pernas lindamente bronzeadas diz que fuma o cigarro X ou Y, a gente fica na dúvida se eles querem vender mesmo o cigarro ou se querem insinuar a mulher. A "mensagem" é dirigida diretamente ao nosso subconsciente, porque, conscientemente, nossa vontade não é trocar de cigarro e sim trocar de mulher. De qualquer forma, a luta que se estabelece no nosso íntimo é violenta, principalmente quando o contrato de propaganda dos jornais está no fim e

eles começam a publicar artigos contra o fumo, ensinando "como deixar de fumar". Já umas dez vezes tentei deixar, cheguei a fazer planos e arquitetar idéias mirabolantes, esquecendo propositadamente os maços nos locais mais distantes. Li inúmeros artigos antifumo escritos por cirurgiões, médicos- legistas, cancerologistas e todos eles ficam na área da suposição estatística, pois se eles garantem que um fumante vive menos dez anos que o não- fumante é porque tiram a média, mas, entre esses, garanto que tem muito velhinho de 120 anos que só não fuma na frente do pai porque o pai detesta cigarro: prefere o charuto. Os psiquiatras afirmam que não é o fumo que traz o vício, mas os gestos que se tornam mecânicos no hábito de fumar, como puxar o cigarro da carteira, bater uma das suas pontas, acender o isqueiro, levar o cigarro à boca, pousá-lo no cinzeiro etc. Isso quer dizer que é muito simples deixar o cigarro: o difícil é se desfazer dos gestos, e toda vez que penso nisso, abandono a idéia de deixar de fumar — pois se já é ridículo todo esse ritual com um cigarro na mão, muito pior seria sem ele. Baseado nisso, decidi criar sistemas que não permitam largar o cigarro, como por exemplo: decidir parar sempre no próximo aumento. É uma espécie de vingança que a gente vai arquitetando mentalmente — se a gente parar agora o prejuízo do fabricante será pequeno, se a gente parar quando o cigarro estiver muito mais caro é capaz até de levá-lo à falência. E, adiando de um aumento para outro, não se pára nunca, porque os aumentos também não param. Outro bom sistema pra não parar de fumar é trocar o hábito do cigarro por balas; a gente começa a chupar bala o dia inteiro e acaba ficando viciado em bala e pra deixar o vício das balas nada melhor do que trocá-las por cigarros. Eu bolando aqui, eles bolando lá, a guerra continua cada vez mais violenta: segundo pesquisa recente, 125 000 norte-americanos morrem anualmente do hábito de fumar, sendo "a maior ameaça à vida do homem em tempos de paz". Cento e quarenta e quatro milhões de dólares foram gastos em propaganda na América para apresentar o cigarro, principalmente aos jovens, como útil e indispensável. Os números dominam o mundo de tal forma que é fácil deduzir que o que mata o homem moderno não é o câncer, é a estatística. Não é por nada, mas, com todos esses dados e com todos esses argumentos, é preciso ter muita força de vontade pra não deixar de fumar.

ANÚNCIOS MODERNOS

ANÚNCIOS MODERNOS

PRECISA-SE referências, melhor.

de

um

espião

da

melhor

qualidade,

quanto

menos

VESGO troca olho direito pelo olho esquerdo de outro vesgo.

PORTEIRO precisa de emprego com urgência, tratar com o porteiro.

VENDE-SE um saxofone com urgência, tratar no andar de baixo e pegar o saxofone no andar de cima.

TROCA-SE um rádio de pilha por uma pilha de livros sobre como consertar um rádio de pilha.

TÉCNICO de som procura médico de ouvido, um dos dois está com a razão.

MOTORISTA amador deseja trabalhar para motorista profissional.

VIGIA procura emprego num edifício de respeito. Não deixa ninguém entrar sem perguntar pra onde vai, nem sair sem perguntar a que horas volta. Trabalhou vinte anos na portaria da penitenciária.

OCASIÃO — vende-se 1 metro pelo preço de 80 centímetros.

BABÁ com oitenta anos de prática de crianças procura uma patroa com prática de velhinhas.

VENDEM-SE 800 gramas de vergonha, saldo do ano passado e o único que resta no mercado. Também resolvemos ficar sem.

VENDE-SE um foguete baratinho, semana que vem vai subir.

VENDE-SE um segredo de cofre a quem conseguir abrir o cofre, porque o dono não consegue.

um

urgentíssimo senão não dá mais tempo.

VENDE-SE

pulmão

de

aço

com

pequeno

defeito,

negócio

VENDE-SE um táxi com apenas cinco postes de uso.

AGÊNCIA oferece as piores e as' melhores empregadas da praça mediante razoável comissão mensal. As piores não ficam no emprego porque as patroas não querem, as melhores porque nós não queremos.

MÉDICO especialista em médicos especialistas deseja consultar médico não especialista.

VELHO de 120 anos gratifica a quem encontrar o seu filho de treze, mas não se lembra mais do seu nome.

VENDE-SE uma tranca de direção tão boa que os ladrões levaram o carro mas não conseguiram levar a tranca.

PROFESSOR aposentado deseja tomar aulas de aposentadoria.

VENDE-SE uma cadeira de balanço que já não consigo mais balançar.

PERDEU-SE uma jovem de dezoito anos, alta, esbelta, bonita, cabelos castanhos e olhos verdes. A quem devolver a jovem de dezoito, gratifica-se com duas de 35.

CEGO procura psiquiatra pia tratar sua mulher que deu pra falar sozinha há mais de duas semanas.

VENDE-SE um boato com a máxima urgência, antes que deixe de ser boato.

VENDE-SE um fígado quase novo, favor não discutir na hora de acertar o preço.

CONSERTAM-SE funcionando bem.

aparelhos

de

televisão,

mesmo

os

que

estejam

PRECISA-SE de um ator que saiba levar soco na cara, se reagir vai pro olho da rua.

NEGOCIANTE com pequeno capital e grande capacidade de trabalho deseja dobrar o capital e reduzir a capacidade de trabalho.

DETETIVE particular oferece seus serviços a mulheres enganadas. É tão particular que resolve seus problemas sem sair da sua casa.

VENDE-SE um par de halteres de 120 quilos, pagamento à vista, que ninguém é otário.

VENDE-SE violino de menino-prodígio, faz-se um bom conto a quem ficar também com o menino.

DÁ-SE chance a uma secretária que dê chance.

PROCURO piano desafinado para alugar, até meu vizinho aprender a tocar.

ESPIÃO internacional troca dezoito uniformes militares por um terno.

VENDE-SE um par de pernas mecânicas, uma delas zero quilômetro.

VENDE-SE uma roleta viciada em jogador.

LOUCO com mania de Napoleão fugiu do hospício, quem o encontrar pode ficar com ele que o hospício tem mais quinze.

TIPÓGRAFO aflito compra um v com urgência, tratar com o Bicente.

CHOFER sem experiência, mas com muito boa vontade, deseja se empregar em residência que tenha carro do ano porque está doido pra aprender a dirigir.

VENDE-SE um colchão de casal gasto de um lado só.

NOVELA DE TV precisa de ator responsável para fazer o papel de irresponsável.

VENDE-SE um guarda-chuva por preço de ocasião, favor aparecer num dia de sol.

VENDE-SE um véu de noiva que nunca foi usado, nem o véu nem a noiva.

TROCA-SE um carro que pertenceu a uma só mulher e troca-se também uma mulher que pertenceu a vários carros.

ÍNDIO DE CINEMA procura emprego a 50 dólares a morte.

VENDO a minha consciência mas o preço quem faz é a sua.

AGÊNCIA FUNERÁRIA participa o aumento do seu capital após o falecimento de três dos seus sócios.

GA-GA-GAGO pro-pro-procura re-re-remédio pa-pa-para ve-ve-velho ga-gá, é isso mesmo.

PROCURA-SE um psicanalista que queira trocar um consciente velho por um subconsciente novo.

CARTAS NA MESA

CARTAS NA MESA CARTA: Eu e meu marido somos gêmeos, quer dizer, eu sou gêmea de

CARTA: Eu e meu marido somos gêmeos, quer dizer, eu sou gêmea de minha irmã e meu marido é gêmeo do irmão dele. O senhor pode calcular como vivemos num ambiente de tortura e desconfiança. Outro dia meu marido saiu de casa e disse, distraído, que ia pra casa. Como tirar essa eterna dúvida? (Aríete — Rio)

RESPOSTA: Há vários processos, um deles é um casal se vestir sempre de azul e o outro sempre de vermelho. Aí vocês podem se conhecer pela cor, embora dê um pouquinho de confusão na hora do banho. A solução ideal seria um casal morar na Bahia e o outro no Rio Grande do Sul: na hora de decidir quem vai pra um lado e quem vai pro outro é que pode dar margem a erro — mas dentro de algum tempo tudo se soluciona e os casais se identificarão pelo sotaque.

CARTA: Meu marido não pára em casa. Que devo fazer? (Inezita — Ituiutaba)

RESPOSTA: Durma fora. A melhor maneira de prender o marido em casa é a mulher dormir fora.

CARTA: Briguei com meu namorado pela primeira vez, só que ele jurou que foi a última. Estou com vontade de me suicidar, mas estou sem dinheiro. O senhor conhece algum método de suicídio bem baratinho? (Alonsa — Juiz de Fora)

RESPOSTA: Vamos com calma, Alonsa. Nesses casos de briga de namorados o mais aconselhável é a "tentativa": dá o mesmo resultado que o suicídio, com a vantagem da pessoa ficar viva. Segundo o livro Como se matar sem morrer, de autor desconhecido, pois se suicidou antes de editar o livro, existem muitos meios de "tentativas", mas as mais baratinhas e mais práticas são: Abrir o gás. Mas, antes de abrir o gás, abrir também a porta. Assim, enquanto o gás sai pela porta, os vizinhos sentem o cheiro e entram pra salvar. Tomar uma pílula de tranqüilizante e deixar o vidro vazio caído no chão. Nada como um vidro de tranqüilizante para intranqüilizar as pessoas. Se quiser dar mais autenticidade à "tentativa", tome o vidro todo de tranqüilizante. Dá um sono gostoso e quando você acordar está tudo cor-de- rosa: se estiver de outra cor, ligue depressa para o pronto-socorro — porque não dura muito e você vê tudo em preto e branco. Estes exemplos dão pra quebrar o galho, escreva de novo e me conte. Se não escrever é porque exagerou na dose.

CARTA: Meu marido é piloto de avião a jato, não me dá uma folga. Mal

sai de casa já está voltando. Que é que o senhor me aconselha? (Eldemira — Barra Mansa)

RESPOSTA: Coloque na entrada da sua casa uma porta giratória, assim a senhora inverte o problema: mal o seu marido entra, já está saindo.

CARTA: Estou namorando um índio, mas meus pais são contra, porque ele é antropófago e já comeu a metade do meu braço esquerdo. Agora nem sei onde colocar a aliança — que é que o senhor sugere? Urgente, pelo amor que o senhor tem à sua mãe, que ele não tira os olhos de cima de mim. (Japanira — Manaus)

RESPOSTA: A culpa é toda sua, Japanira. Se ele não pediu a sua mão aos seus pais e resolveu comer o seu braço é porque não merece a menor confiança. O melhor é abandoná-lo, de estalo. Só espero que ainda lhe reste pelo menos um olho pra você ler este meu conselho.

CARTA: Costumo ir à buate toda semana com a minha mulher. Ontem saí um instante pra lavar as mãos e quando , voltei pra mesa ela cismou de dançar comigo a noite ty inteira. Só quando cheguei em casa foi que reparei que a minha mulher havia sido trocada por outra. Que é que faço pra continuar com essa? (Gilberto — Guanabara)

RESPOSTA: Nunca mais vá à buate. Se você for com essa mulher, tá na cara que vai acabar voltando pra casa com a sua. Não convém arriscar.

CARTA: Pedi 400 cruzeiros pro meu marido pra comprar um maiô, mas ele só me deu 30. Comprei 30 cruzeiros de maio, mas ele acha que está aparecendo muita coisa e não me deixa ir à praia. O senhor acha isso justo? (Zuleika — Guarujá)

RESPOSTA: Justo deve ser o seu maio. Tão justo que faz o seu marido parecer injusto. Mas não dê importância, vá à praia assim mesmo: quanto menos importância a mulher dá ao marido, muito mais fácil conseguir qualquer importância.

CARTA: Meu marido foi pra guerra e até hoje só escreveu duas cartas, uma em 1914 e a outra em 1939. O senhor acha que ele vai escrever de novo? (Dorotéia — Zurich)

RESPOSTA: Nunca se sabe, minha filha. Está pra estourar outra guerra a qualquer momento — é sempre mais uma chance que você tem.

CARTA: Todas as noites, quando entro no meu apartamento, encontro um cavalo deitado na minha cama. Já fiz tudo para convencê-lo a sair, mas ele insiste em dizer que mora ali muito antes de construírem o edifício. O síndico me disse que o cavalo está certo e que ganhou, inclusive, a ação de despejo na justiça — pois mostrou documentos provando que o apartamento lhe foi deixado numa herança, por parte da sua avó materna, uma zebra. (Félix — São Conrado)

RESPOSTA: Este é um caso inteiramente inédito e pelo que vejo vai ser impossível tirar o cavalo daí. A melhor solução é você fazer amizade com o cavalo, ensinar a ele a jogar biriba: isso sempre ajuda a matar o tempo. Chato vai ser se ele ganhar no jogo.

CARTA: Comprei um convite pro baile do Municipal, mas o Li preço foi tão caro que não sobrou um tostão pra fazer a fantasia. Que é que o senhor sugere? (Crispina — Grajaú)

RESPOSTA: Vá fantasiada de convite. Além de ninguém lhe barrar na porta, você ainda pode ganhar o prêmio de fantasia mais cara do baile. Mais cara e mais corpo.

CARTA: Tenho 99 anos e onze meses, até agora não consegui arranjar marido. Existe algum macete pra isso? (Hiroshima — São Paulo)

RESPOSTA: Hiroshima, meu amor: macete pra arranjar marido, sempre tem. O que não tem é macete pra sua idade.

CARTA: Eu estava jogando pôquer, quando o carteiro chegou com a notícia de que minha mulher teve uma trinca de gêmeos. (Ardovino — Juiz de Fora)

RESPOSTA: Bem feito.

De

outra

vez

plantado e não peça cartas, diga mesa.

quando

jogar

pôquer

fique

CARTA: Estou fazendo estação de águas num luxuoso hotel e há uma semana que minha mulher não dorme comigo, e a desculpa que ela dá, de manhã, é sempre a mesma: diz que errou o número do quarto. O senhor acredita nisso? (Alonso — Caxambu)

RESPOSTA: Quem tem de acreditar não sou eu, é você, que a mulher é sua. Mas se você quiser tirar a dúvida, troque o número do seu quarto e aguarde: garanto que a sua mulher aparece. Se não aparecer, aparece o vizinho — aí você tranca ele que ela acaba aparecendo.

CARTA: Mando minha mulher pra fora todo ano durante o carnaval. Este ano ela cismou de me ajudar no escritório e o pior é que não tenho escritório. (Armando — Gávea)

RESPOSTA: Monte um escritório pra sua mulher e peça a ela pra lhe mandar pra fora todo ano durante o carnaval.

CARTA: Anexo a esta carta, segue a minha mulher. Seja sincero, olhe bem pra ela e diga se é possível ser feliz até> que a morte nos separe. (Gastão — Teresópolis)

RESPOSTA: Segue de volta sua mulher. Você tem toda razão: se ela fizesse a felicidade de alguém, garanto que teria se extraviado no caminho.

CARTA: As moças de hoje são tão independentes que há mais de dois meses não consigo encontrar a minha filha em casa. Que me aconselha? (Ermecinda — Guaratinguetá)

RESPOSTA: Chegue um pouquinho mais cedo.

CARTA: Sou náufrago, estou numa ilha deserta há mais de oito anos. No princípio, eu tinha sete mulheres, mas os navios foram passando e foram levando, uma de cada vez. Ontem levaram minha última mulher e hoje estou gastando minha última garrafa pra lhe enviar esta carta pela correnteza das 6hl5. Pelo amor de Deus, me ajude no que puder. (Desesperado — arquipélago das Antilhas)

RESPOSTA: Recebi sua garrafa e confesso que não entendi bem o seu apelo: não sei se você está querendo que lhe mande uma mulher ou uma garrafa. Explique-se melhor. Se for mulher, poderei lhe enviar até duas dúzias, sendo cinco de entrada e o restante em suaves prestações mensais. Se for garrafa, iniciarei uma campanha pra arrecadar garrafas em benefício do náufrago desamparado.

CARTA: Passei dezoito anos na guerra e voltei ontem pra minha terra natal. Acontece que não consigo mais me adaptar à paz do lar: o senhor não sabe de uma guerrinha que aceite um voluntário estrangeiro? (Combatente — Argélia)

RESPOSTA: Existem várias guerras que estão pra estourar há bastante tempo, mas a ONU ainda não chegou a um acordo quanto às datas. Não o aconselho a se meter em guerra velha: uma guerra nova pode lhe dar melhores oportunidades.

CARTA: Meu marido sempre chega em casa com os sapatos na mão, depois das 4 da madrugada. (Carlota — Três Rios)

RESPOSTA: Venda o relógio e passe a consultar as horas pelos sapatos do seu marido.

CARTA: Meu marido já está com 63 anos e faz na cama. (Marilena — Jacarepaguá)

RESPOSTA: Tem certas coisas, Marilena, que, apesar da idade, o homem continua fazendo na cama, como dormir, ler jornal, fumar e ver televisão. Mande detalhes.

CARTA: Matei meus cinco primeiros maridos e nunca ninguém descobriu. Agora estou numa tremenda sinuca: estou casada com dois homens e a polícia quer me prender por bigamia. Sou forçada a matar mais um marido, mas não sei qual porque amo os dois. Que é que o senhor me aconselha? (Indecisa — Sete Lagoas)

RESPOSTA: Se você matar qualquer dos dois maridos, vai ficar com remorso, pois achará sempre que deveria ter matado o outro. Se não matar nenhum, será presa. Só há uma solução: mate os dois e diga pra polícia que é solteira — não tem dado certo até agora?

CARTA: Minha profissão é fazer strip-tease. Ontem, quando acabei o meu número, não me deixaram vestir a roupa. Estou presa aqui na buate, sem poder sair — que devo fazer? (Jaqueline — Copacabana)

RESPOSTA: Mande o endereço, minha filha.

CARTA: Meu marido está apaixonado por uma girafa e na hora de dormir é um drama, ele cismou de colocar a girafa na nossa cama. Fica aquele pescoção enorme no v. quarto e o resto na sala. Que faço? (Heloísa — Goiás) RESPOSTA: Se a posição da girafa lhe incomoda, inverta a girafa:

ponha o pescoço dela na sala e o resto no quarto.

CARTA: Sou surdo. Minha mulher passa as noites conversando com um primo dela que vai lá em casa diariamente. Riem, brincam, dão tapinhas nas costas — e não entendo nada, porque não me explicam. O senhor acha que devo desconfiar de alguma coisa? (Matheus — Campinas)

RESPOSTA: O problema é seu, meu caro: o pior surdo é o que não quer

ver.

CARTA: Minha mulher achou um colar numa pesca submarina e disse que não sabe de quem é, o senhor não acha melhor botar um anúncio no jornal? Só tem um detalhe: minha mulher não sabe nadar. (Jonjoca — Angra dds Reis)

RESPOSTA: Acho que o senhor deve botar um anúncio no jornal, mas procurando um professor de natação pra sua mulher. Se sem saber nadar ela achou um colar de pérolas, imagine nadando.

CARTA: Meu marido é soldado e todo dia chega tarde da guerra, a desculpa que dá é que o tanque enguiçou. Ontem ele chegou muito cedo, mas veio de uniforme trocado, o senhor não acha isso estranho? (Zuzu — Palestina) RESPOSTA: Guerra é guerra, minha filha, vale tudo. É aconselhável você verificar se, dentro do uniforme, o seu marido também não foi trocado.

CARTA: Moro num apartamento de fundos que dá para uma porção de janelas de frente. Minha persiana enguiçou e não mudo de roupa há mais de quatro meses, porque a rapaziada fica olhando de binóculo. Que me aconselha? (Ana Maria — Ipanema) RESPOSTA: Já tentou mudar de roupa no banheiro?

CARTA: Você é um grande chato. Fique sabendo que nós moramos em frente ao apartamento da moça da persiana. (Zé Otávio, Borja, Arce, Walter, Boni e Otatti — Ipanema)

RESPOSTA: Azar o de vocês. É que o meu apartamento dá exatamente pro banheiro dela.

RESPOSTA: Quando sua carta chegou, o livro já estava impresso, mas isso não impediu de
RESPOSTA: Quando sua carta chegou, o livro já estava impresso, mas isso não impediu de

RESPOSTA: Quando sua carta chegou, o livro já estava impresso, mas isso não impediu de ajudá-la, como pode ver. Mande uma fotografia de corpo inteiro, para conhecermos melhor as suas possibilidades. Quem tem boca vai a Roma, mas depende muito do resto.

Túmulos

Túmulos

A VERDADEIRA SEMANA DA ASA

A VERDADEIRA SEMANA DA ASA

DIGO, DO AZAR

DIGO, DO AZAR

FRASES COM ALGUM NEXO

FRASES COM ALGUM NEXO — Só queria ver a cara do Cristóvão Colombo, hoje, tentando colocar
FRASES COM ALGUM NEXO — Só queria ver a cara do Cristóvão Colombo, hoje, tentando colocar

— Só queria ver a cara do Cristóvão Colombo, hoje, tentando colocar ovo em pé a 120 cruzeiros cada ovo.

— Meu filho é mudo, doutor, com que idade gesticular?

ele vai começar a

— Os aumentos diminuíram, isso é bom sinal, desde que não se tenha de pagar nada de sinal.

— Chato de trabalhar em Hollywood é que na hora de receber o cachê a gente tem de entrar na fila de índios.

— Atende o telefone, Maria. Se for empregada, diz pra vir logo pra substituir você.

— Esta autobiografia é tão autêntica que a cena da tentativa de suicídio foi escrita com o meu próprio sangue.

— É muito azar, a porta da geladeira enguiçou e o técnico ficou do lado de dentro.

— Hoje faz exatamente 15 anos, 4 meses e 27 dias que perdi a memória.

— Lamento informar-lhe, doutor, que agora só consigo dormir no seu

diva.

— Acordo sempre bem-humorado, mas logo verifico que sou casado e tenho de ir pra casa.

— Bom nadador, só chegou em segundo lugar porque o tiro da partida pegou na sua perna.

— Nunca discuto com ninguém, mesmo quando tenho certeza de que estou errado.

— Esta é a bomba dos meus sonhos, doutor, sempre que ela explode eu acordo.

— Agora que fiquei rico não corro mais atrás de mulher, corro na frente.

— Alô, é da farmácia? Mande uma enfermeira com vitamina A e outra com vitamina B.

— Garçom, traz outro uísque mais rápido que a diferença do segundo pro terceiro foi de 500 pratas.

— Seja franco, doutor, tenho ou não tenho razão de me esquecer que me lembro das coisas?

— Isso é caso para advogado, tenho absoluta certeza de que ambos estamos sem razão.

— Alô, aqui é da radiopatrulha, pode fazer o favor de me mandar uma radiopatrulha?

— Depois de muito tempo descobri que o melhor regime pra emagrecer é o democrático.

— Acabaram-se as minhas preocupações, doutor, agora vão começar as

suas: não tenho um tostão.

— Tome este botão, minha filha, e desligue a televisão de meia em meia

hora.

— Antes de me casar minha mulher me achava um super-homem, agora que nos casamos ela quer que eu voe.

— Confio na minha mulher, não confio é nos homens que saem com ela.

— Doutor, sinto um nó na garganta toda vez que vou enforcar alguém.

— Vim buscar minha mulher de volta, há três meses que ela saiu de casa e disse que vinha aqui pra fazer uma consulta.

— Cumpro meus compromissos com a precisão de um relógio : às vezes atraso, às vezes adianto e às vezes paro.

— Depois que rasguei o calendário nunca mais consegui botar a minha vida em dia.

— Virei minha janela pelo avesso porque adoro ficar olhando pra dentro de casa.

— Não consigo mais beber, doutor, a garrafa tem de me segurar pra eu não balançar.

— Sonho sempre com duas mulheres, doutor, gostaria que o senhor desse um jeito de eu vê-las em sonhos separados.

— Seu relógio ficou novinho, são exatamente 12 horas e 220 cruzeiros.

— Garçom, me traz um prato com menos 3,9 por cento de arroz, 7,8 por

cento de feijão e 42,5 por cento de carne, pra compensar a alta dos preços.

— Que azar, as letras da minha máquina de escrever já venceram e não tenho dinheiro pra comprar outra fita.

— Chega pra lá, mulher, parece que nunca atravessou um túnel!

— Mudei de cara três vezes, agora decidi mudar de cirurgião.

— Coitado, quando foi apagar as velas também se apagou.

— Meu filho tem um parafuso a menos, doutor, deixei ele em casa e trouxe os parafusos pro senhor conferir.

— Sei que é impressão minha, doutor, de ter um cachorro na barriga, mas ao menos faça ele parar de latir durante a noite.

— Quando eu era menino, tinha medo de ficar sozinho no escuro, agora tenho medo de ficar acompanhado.

— Vou te matar, conta até três que eu não sei contar.

— Perdi minha agenda, não sei o que fazer.

— Tenho medo de elevador, mas toda vez que subo pela escada ela enguiça.

— A única coisa que tenho contra o senhor é que o senhor está a meu

favor.

— Sou um psicanalista sem complexos, cobro uma fortuna sem o menor constrangimento.

DO MEU DIÁRIO

DO MEU DIÁRIO ■
DO MEU DIÁRIO ■

MEU HORÓSCOPO me recomenda procurar pessoas importantes, passo o dia telefonando e não encontro ninguém. Chego à conclusão de que as pessoas importantes nunca estão: vai ver, o horóscopo delas recomenda que, evitem pessoas estranhas.

ALGUMAS mulheres são tão inatingíveis que para se alcançar o seu coração exigem o trabalho de um alpinista: precisam ser escaladas. Mas o pior é a volta.

SEI QUE existem certas firmas que vendem colchão em "suaves prestações mensais", mas é um contra-senso. Não entendo como uma pessoa pode dormir tranqüila, sabendo que está devendo um colchão.

COISA curiosa reparei nos coquetéis: os homens se reúnem de um lado, as mulheres do outro. Os homens passam o tempo contando como ganham o seu dinheirinho e. as mulheres como o gastam.

O HOMEM passa a vida inteira tentando ser patrão; quando consegue, não se livra mais disso: passa a ser empregado de si mesmo. Só então percebe como é humilhante e irritante se sujeitar aos seus caprichos.

AH, ESSES homens do recenseamento! Cada vez os admiro mais ao saírem cedinho de casa, apontando e contando pessoas, examinando e perguntando, anotando e divulgando. Alguns morrem no caminho e levam milhões de números para o túmulo.

UM AMIGO meu inventou uma fechadura sem chave e não tinha idéia de como lançá-la no mercado. Queria inventar um slogan na base da segurança do segredo, sei lá. Apelei pro trocadilho: "A chave da sua segurança está na fechadura sem chave". Ele gostou tanto da frase que deixou a fechadura de lado e me propôs abrirmos uma agência de slogans. Preferi comprar a fechadura e não se falou mais nisso.

CADA vez me convenço mais que as noites de autógrafos, para vender livro, vendem mesmo é autógrafo. É constrangedor convidar amigos pra lhes impingir um autógrafo que só pode ser dado no livro que eles têm de comprar. Amigos verdadeiros não deviam comprar nenhum livro em noite de autógrafo. Deviam comprar dois, nas livrarias.

DEBAIXO da minha porta, um jornal de cortesia com um aviso: "A vantagem de receber o seu jornal na hora do café". Estou tentando descobrir uma forma de receber o meu café na hora do jornal.

QUANDO eu era menino, queria ser médico, hoje pelo menos teria um da minha confiança. Mas foi bom: eu talvez não fosse da confiança dos outros — e pra viver à minha custa era preciso que eu ficasse sempre doente.

COMPREI 200 gramas de otimismo, cheguei em casa vi que o homem só havia embrulhado 180. Concluí que o otimismo não pesa na balança.

MEU FILHO nasceu no momento exato em que acabava de se consumar uma revolução. Não sorriu nem chorou, pois tanto o seu sorriso como o seu choro poderiam ser mal interpretados. Melhor era ver como ficavam as coisas, já que ele não entendia nada do que se passava. Seus olhinhos semifechados não davam pra distinguir as coisas, muito menos as pessoas. Tenho a impressão que amanhã, quando ele abrir os olhos e estiver bem crescido, continue não entendendo nem as coisas nem as pessoas.

ACORDEI pensando que existem certos assuntos nunca explorados pelos cronistas que, na falta de assunto, apelam pra janela e ficam a falar de passarinhos. Um bom assunto, por exemplo, é o da mulher amada que está ao nosso lado, na cama, mas entre ela e nós existe uma parede: ela é justamente a mulher do vizinho que mora do outro lado. E tem também a carta de amor que nunca foi remetida e que diz coisas que a gente jamais diria a não ser numa crônica. E tem o perfume cuja fragrância (desculpe, mas

é fragrância mesmo) nos lembra uma mulher misteriosa ou um anúncio de

xampu pra enganar as mocinhas românticas. Mas acho que nunca daria um bom cronista, minha memória é fraca e confusa: acabaria mandando a carta de amor com um passarinho dentro, ficaria na janela tentando ver a mulher do vizinho — e fazer crônica assim pode ser fácil de começar, mas pra acabar é um inferno.

PROFISSÃO ingrata é a do humorista, tem de dar certo logo na primeira. O médico receita remédios, depois recorre à operação, depois apela pra novos remédios, depois faz novas operações, depois consulta outros médicos, depois decide recomendar um especialista. O advogado também tem seus "depois", sabe que está metido numa guerra de inteligência e não de justiça: se perder, apela pra segunda instância, se perder de novo apela pro Tribunal Superior e, ainda assim, consegue um descontozinho na pena do seu constituinte, que, mesmo condenado, tem a seu favor o indulto e a liberdade condicional. O humorista mete-se numa enrascada e não tem mais

saída: ou todo mundo acha bom e ri, ou não ri e acha péssimo. Não tem a apelação, não pode viver de tentativas, não pode voltar atrás e tentar trocar uma palavra na frase que já foi dita. E o pior não é isso: quando dá certo, não pode repetir. Não é como o cantor, que faz sucesso com uma música e passa

o resto da vida cantando a mesma música.

NÃO ME conformo com esse hábito ultrapassado de dar presentes. Pior

é que a gente só dá presente pra quem dá pra gente, e se recebe uma vez tem

de dar sempre, e se dá uma vez e não recebe, fica chateado, e se recebe fica com raiva porque afinal de contas o cara podia pelo menos dar um presente do mesmo valor. Não é por nada, mas presente obriga a gente a abrir uma conta-corrente muito íntima, creditando e debitando favores. Às vezes, fica um saldo de ressentimento, mas não há de ser nada: o Natal está aí pra gente cobrar nossas promissórias sentimentais na base do constrangimento — é só mandar um cartão com endereço completo.

E DE repente o telefone bate e uma voz macia diz que quer a minha opinião para uma enquete. As enquetes foram inventadas pra saber qual a data que viveremos na próxima semana e não fosse isso ninguém se lembraria dessas datas. As perguntas são sempre as mesmas, as respostas

também e até as pessoas entrevistadas não variam. Afinal, todo ano me obrigam a dizer onde pretendo passar o réveillon — isso é até muito bom, assim evito ir aos lugares aonde sei que outras pessoas também irão.

PERDI a chave da gaveta e de repente senti que um pedaço da minha vida ficou lá dentro: talões de cheque, chave do carro, carteira de identidade, caderno de telefones, isqueiro, tesoura de unhas, caneta, enfim uma série de acessórios que formam o equipamento do chamado homem civilizado. De um momento para outro, percebi que não era ninguém. Um homem com a gaveta trancada é um homem sem destino. O bom psiquiatra não precisa perder tempo remexendo a alma da gente, basta remexer a nossa gaveta: é lá dentro que o nosso verdadeiro eu fica escondido.

DEBAIXO de um secador de cabelos, as mulheres assumem poses de estátua, como se não ouvissem o que o cabeleireiro fala das suas amigas.

FICO feliz em saber que os homens estão aprendendo a valorizar as flores. Cada dia que passa, elas ficam mais caras.

AMANHECI pensando que o ser humano desperdiça 80 por cento da sua existência em coisas completamente maçantes, que fazem, justamente, a rotina de viver. A maioria dessas coisas é torturante, como por exemplo:

receber o salário, pegar condução, atravessar a rua, telefonar para pessoas difíceis, receber telefonemas de pessoas fáceis, trocar dinheiro na rua, lubrificar o carro, cortar os cabelos, fazer embrulhos, ir ao dentista, comprar presentes, esperar a mulher se vestir, fazer a barba, engraxar os sapatos, procurar os chinelos, alinhar os quadros na parede, apagar as luzes antes de sair, acender o aquecedor, trocar a fita da máquina, calibrar os pneus, descobrir o sabonete, mudar o canal de televisão, tentar consertar uma tomada, escovar os dentes, pedir linha à telefonista, dar corda no relógio, consultar o dicionário, substituir a lâmpada queimada, arranjar lápis e papel para anotar um recado, entrar em fila de cinema, descascar laranja, tirar os caroços do mamão, arrumar gavetas, limpar cinzeiros, desmarcar encontros, fechar os vidros do carro, colocar fluido no isqueiro, pagar a conta da luz no banco mais próximo, encher a caneta de tinta, dar nó na gravata, olhar-se no

espelho em várias posições, botar o pijama, aguardar visitas, conseguir um clips, esperar o elevador, descobrir qual a chave da porta quando a gente chega em casa, e outras coisas que provavelmente devo ter esquecido. Os outros 20 por cento do tempo a gente gasta indo pra fora pra descansar — quando o carro não enguiça.

O DIA mais chato da minha vida foi quando decidi concordar com tudo. Não há coisa mais monótona e estéril do que um ser humano concordar com o outro. É completamente desumano.

AH, OS profetas de fim de ano! Vivem à custa do nosso otimismo, espalhando o seu pessimismo.

FELICIDADE conjugai é ter um belíssimo apartamento com vista para o mar, uma casa de campo com vista para a montanha, um iate, dois mordomos, duas boas empregadas, uma babá de confiança, uma razoável conta no banco, quatro carros, um chofer e uma bonita mulher para administrar tudo isso. Difícil é arranjar o chofer.

VONTADE de fugir, de escapar, de sair de dentro de si mesmo pra se encontrar lá fora. Viajar, viajar, viajar. Atravessar as fronteiras dos mapas e encontrar outros lugares, outras caras, outros hábitos, outros macetes. Ver países que a gente só conhece de cinema, entrar dentro do filme e participar dele. Deixar de ser real pra virar personagem, como todo viajante que vai, como todo viajante que vem. Em certas fases da vida, o homem precisa se emancipar da rotina e fugir — ainda que na fuga leve a própria mulher. A mulher "em trânsito" é sempre outra mulher e o homem se realiza numa aventura mais barata, mais amena, mais segura. Mas, se puder, na volta, é bom deixar lá a mulher.

LEIO no meu horóscopo: número de sorte, 3 . Outro horóscopo deu 8, outro deu 2 e outro deu 7 . Tudo diferente, mas um ao lado do outro fazem a chapa do meu automóvel: XY 3827. Parece que os horoscopistas são muito individualistas, se trabalhassem em equipe talvez desse mais certo. De

qualquer forma, peguei o carro e fui dar um passeio. Na primeira curva, derrapei e bati num poste. Os horoscopistas estavam certos: meus números de sorte estavam todos ali, amassados. O azar foi do poste, que não consulta horóscopo.

CADA mais humilhante do que uma fotografia 3x4. Para provar que somos nós mesmos, temos de mostrar um retrato completamente diferente daquilo que pensamos que somos. Pior não é isso: todo mundo que vê a fotografia acredita nela, apesar dos cabelos fartos, apesar do bigode que já não usamos, apesar da ausência dos óculos que já estamos usando, apesar da testa sem rugas. As aparências só enganam em fotografia 3x4, porque a semelhança é uma convenção como outra qualquer. Basta ter um carimbo em cima.

O HOMEM importante vive fugindo, mas gosta de ser pro-"j4 curado. Só não consegue fugir de si mesmo, no espelho, quando sente que a sua importância nada mais é do que um reflexo. Importante mesmo é o inventor do espelho.

SÓ DESCOBRIMOS que os isqueiros que temos não funcionam depois que vasculhamos a casa toda à procura de um fósforo.

ELETRICIDADE é que dirige os destinos do homem moderno: às vezes ele faz a barba na sala de jantar, vê televisão no banheiro, janta na sala de estar, recebe visitas na copa, lê o jornal na cozinha, veste a roupa no hall. Depende do aposento em que queimou a lâmpada.

FICO confuso quando dizem que subiu outro astronauta. Subiu mesmo? Por que não desceu? O certo devia ser "afastou-se", pois está provado que se pode subir pra baixo e descer pra cima — depende de que lado da Terra a gente está na hora em que soltam o foguete.

TODA vez que quero comprar sapatos examino um monte de vitrinas e não vejo nenhum que me agrade, como acontece a qualquer pessoa que

decide comprar sapatos. A gente olha de perto, olha de longe, olha de um lado, olha do outro, chega a pensar em entrar na loja pra ver como é que fica no pé — mas é aí justamente que o sapato muda de fisionomia, fica completamente diferente, perde aquela dignidade e aquela pose de bacana de quem sabe que está sendo olhado por todo mundo e adquire um ar de humildade de quem vai pertencer a um só dono. Sabe que vai mudar de casa, sair de um lugar todo envidraçado pra se meter debaixo de um armário ou dentro de uma gaveta. Só o caixeiro não compreende o seu drama, porque caixeiro de sapataria não entende de psicologia de sapato. Daí a transferência: enquanto o sapato fica humilde, o caixeiro adquire ar de importante subindo e descendo escadas, enfiando a calçadeira e mudando de expressão a cada recusa, usando todos os argumentos de quem quer vender — mas freguês que entra numa sapataria não se conforma: só quer levar mesmo é o sapato da vitrina. E infelizmente, sapato de vitrina nunca tem o outro pé.

NÃO SEI quem inventou o inverno, mas que foi um cara sabido, foi. Bolou a janela com vidraça pra bater neve, o capote de vison, a lareira, o conhaque, o chuveiro elétrico, a calefação, o chá com torradas, as luvas de couro, o suéter de lã, o casaco de camurça, tudo certinho como manda o figurino. Depois veio um cara muito mais sabido e inventou a liquidação de inverno.

GOSTO de escrever â máquina em espaço dois: isso realça bem as entrelinhas, que é justamente onde a gente consegue dizer alguma coisa.

MEU FILHO está engatinhando na sala, diante da'televisão. Por enquanto, ele só se interessa pelos botões; quando crescer talvez não haja mais botões e a televisão perderá completamente o interesse.

A OBRA da minha casa chegou no ponto em que a gente não sabe se volta atrás ou se continua. Entre uma atitude e outra há sempre uma diferença de alguns milhares de cruzeiros. Quando entro na sala vazia, com cheiro de tinta, me sinto oprimido pelo entulho que se espalha no chão, pelas vigas de madeira que zombam da minha indecisão, pelos ladrilhos empilhados à espera de uma ordem, pelos operários cronometrados que tomam cerveja às 11 horas em ponto. É nessa ocasião que medito: quem é

mais importante, o homem ou a obra? E mando tocar pra frente.

O DIABO é a gente ter uma família tamanho família. Pra saber qual é a nossa escova de dentes a gente vai tentando até à última — e é essa mesmo.

CONSEGUI alcançar o momento mais angustiante da vida: ninguém me deve nada e não devo nada a ninguém.

A PERSONALIDADE de um homem é um conjunto de gestos e roupas, as palavras e os pensamentos não importam muito. O homem pode mudar de idéia de uma hora para outra que a gente não nota diferença, mas quando muda o estilo da camisa ou o nó da gravata é capaz de não ser reconhecido.

QUAIS as três coisas que você gostaria de fazer, se o mundo acabasse amanhã? Esta é a pergunta mais cretina que sempre se faz às vésperas de cada fim de mundo. Mas o mundo não acaba e ninguém faz nunca as três coisas que gostaria de fazer. Acham que ainda têm muito tempo, porque o mundo continua aí dando sopa. Imagino sempre que o mundo vai acabar amanhã e faço diariamente as três coisas que gostaria de fazer, que às vezes são dez, às vezes vinte e às vezes nenhuma porque não estou com vontade de fazer nada. Esta a pequena vantagem que levo sobre os que não acreditam no fim do mundo. Agora, tem uma coisa: se eu tivesse certeza absoluta de que o mundo acabaria mesmo amanhã, eu não faria nada, absolutamente nada — adiaria todos os meus compromissos para depois de amanhã.

DO DIÁRIO DE UM BEBÊ

DO DIÁRIO DE UM BEBÊ
1.° MÊS — Completo hoje trinta dias e confesso que já estou farto de ouvir

1.° MÊS

— Completo hoje trinta dias e confesso que já estou farto de ouvir

"bilu-bilu" o dia inteiro na minha cara. Por que os adultos não falam direito, fazem voz esquisita e fanhosa, se sabem que não entendo nada do que dizem e muito menos falando assim?

2.° MÊS

— Percebo que estão todos apreensivos, suas caras mudam de

expressão depois que abrem o jornal e comentam que o preço do leite vai subir, não sei por que essa preocupação se o leite que tomo é de graça e é a mamãe que fornece. Se o leite subir até que é bom, porque a mamãe pode ficar rica.

3.° MÊS

— Quero esclarecer que quando molho a fralda choro muito, mas

é por causa da despesa que estou dando, sei como está difícil arranjar empregada pra lavar todo dia. Outra coisa que me chateia e não posso reagir é quando as visitas dizem que sou a cara do pai, no princípio eu não ligava, mas agora que já vi a cara do papai não gosto muito.

4.° MÊS

— A vovó tem mania de ficar me balançando no colo e pensa que

durmo por causa disso, mas não é não, é que fico tontinho e desmaio. A mamãe passa o dia inteiro lendo livros pra saber como cuidar de mim, mas os livros são tão diferentes que quem sofre sou eu, pois ela fica sem saber o que fazer.

5.° MÊS

— Não gosto quando a mamãe insiste em tirar a minha chupeta e

o papai diz que é melhor do que botar o dedo na boca. O que me

incomoda não é nem a falta da chupeta nem do dedo, é a discussão na minha cara.

6.° MÊS

— Não gosto do meu pediatra porque todo mês receita um monte

de sopas que eu detesto e um monte de remédios que quem detesta

é a mamãe. Só gosto daqueles ferrinhos que ele traz na malinha,

mas toda vez que seguro um pra brincar ele tira da minha mão e

enfia na minha garganta.

7.° MÊS

— Quanto às mamadeiras, acho bom entenderem de uma vez por todas que quando não quero tomar, não adianta ninguém insistir nem me passar de mão em mão pra cada um tentar uma vez. O problema não é trocarem as pessoas — é trocarem o leite, que eu conheço o gosto.

8.° MÊS

— Aqui em casa todos acreditam nos livros que ensinam "como

cuidar do bebê", mas nenhum médico nunca me consultou do que gosto e do que não gosto, pois quando eles escreveram seus livros eu nem tinha nascido. Seguir estatística é nisso que dá: quem entra pelo cano sou eu.

9.° MÊS

— Não adianta ficarem dizendo na minha cara "mama" e "papá",

porque o certo é "mamãe" e "papai". As pessoas grandes ensinam a gente a falar errado porque acham que é mais engraçadinho — depois eu sei o que acontece, de tanto a gente falar errado eles

acabam mandando a gente pra escola pra aprender a falar direito.

10.° MÊS

— Coisa que não gosto é quando chegam visitas, entram no meu

quarto pra ver se estou dormindo e ficam falando baixinho que estou acordado, depois vem outro e diz que estou dormindo, depois vem outro e diz que acha que estou acordado — ninguém se manca, pois com todo mundo cochichando não consigo dormir.

11.° MÊS

— Muito constrangedor é quando deixo a sopa no prato, só pela

cara da mamãe já sei que o preço dos legumes subiu de novo. Coisa

que não entendo é que todo mundo concorda que não se deve bater numa criança, mas bem que de vez em quando me dão umas palmadas. Não quero crescer nunca, acho gente grande muito nervosa.

12.° MÊS

— A maior emoção da minha vida foi quando consegui ficar de

bruços, porque esse negócio de ficar deitado de costas é muito bom

mas é pro papai. Agora estou engatinhando e ouço dizer que muito breve começarei a andar. Eles não perdem por esperar: assim que eu começar a andar, saio de casa.

À MARGEM DO HUMOR

À MARGEM DO HUMOR

RECEITA DE VIVER

• Antes de mais nada, é necessário que a pessoa se conheça

cada vez mais, pra ir se amoldando ao próprio temperamento: até o chato pode viver bem, desde que aprenda a se aturar. O conceito de felicidade vai mudando dentro de nós, à medida que o tempo vai passando: o homem só consegue ser completamente feliz quando não se preocupa mais com isso. Mas existem aquelas três coisinhas básicas que ajudam bastante, como dinheiro (algum), amor (um pouco mais) e fantasia (mais ainda). Se conseguir inverter, melhora muito. O importante é ver tudo em tecnicolor, que o preto e branco já está superado, e carregar bem nas tintas, com o cuidado de não misturá-las, senão borra tudo.

• Não pensar muito no futuro, nem muito no passado, nem muito

no presente: quem pensa muito não faz nada e quem não faz nada não vive. Amar ao próximo como a si mesmo, sem deixar que ele seja próximo demais. Trabalhar o suficiente para não ter que trabalhar. Ser egoísta ao extremo, como todo mundo, pra não levar desvantagem. Libertar-se das convenções, ainda que isso seja anticonvencional. Amar nas horas próprias, isto é, todas, e, nos momentos de folga, arranjar um contrabando sem maiores conseqüências que as conseqüências naturais.

• Ser livre como um homem nu no banheiro, dormir quando tem

sono, comer quando tem fome, trabalhar quando tem vontade, a quantidade não importa — o que vale é a intenção. Ter a consciência tão leve que não sinta que tem uma consciência. Se vender tão caro, que não haja preço que se possa pagar, para que não haja oportunidade de se vender. Sentir vergonha dos outros, menos que de si mesmo — porque os outros sempre vão embora. Dizer a verdade a qualquer preço, que é muito mais cômodo e menos com-

plicado. Não fazer nada forçado, nem mesmo os trabalhos forçados. Ser comodista ao máximo, ainda que isso custe anos e anos de sacrifícios. Acreditar nas pessoas até que elas não acreditem mais na gente.

• Comer maçã na hora que se tem vontade de comer maçã,

levando-se em conta que a maçã é simbólica, donde se conclui que

viver bem é comer os símbolos na hora que se tem vontade de comer símbolos. Jogar fora o relógio, chutar o emprego, não ser empregado nem patrão, nem marido nem amante, nenhuma palavra que possa limitar a ação da vontade dentro do espaço e do tempo, enfim, deixar o barco correr — mesmo quando não se tem o barco.

• Compreender os outros sem a preocupação de ser compreendido, porque nunca compreenderão como a gente gostaria que compreendessem. O homem feliz faz o que quer, quando quer e onde quer: se tem vontade de se pendurar no lustre da sala, deve se pendurar — mas não custa olhar primeiro se tem gente na sala, pode chegar um engraçadinho e acender a luz. A verdadeira felicidade do homem está no lar. Por isso, recomendo a todos que tenham dois, três e até quatro lares — que é um número bem razoável, pra começar.

• Uma grande verdade é que a vida começa aos quarenta e uma grande descoberta é que começa pela segunda vez: antes disso não se vive, é tudo um vestibular. E dizer que muita gente passa a metade da vida estudando e, quando chega aos quarenta, leva pau e fica pra segunda época.

• Vocês devem estar estranhando eu não ter falado de mulher até agora, mas é que onde entra mulher, aí acaba a receita: mulher, cada um usa como sabe.

O FASCINANTE, MISTERIOSO, MIRABOLANTE, ATRAENTE E DESCONCERTANTE MUNDO FEMININO

O FASCINANTE, MISTERIOSO, MIRABOLANTE, ATRAENTE E DESCONCERTANTE MUNDO FEMININO

ANATOMIA DA MULHER

A mulher se divide membros e espelho.

CABEÇA

em quatro

partes: cabeça,

tronco,

Quando põe a peruca é como se a mulher estivesse estreando uma cabeça nova. E está.

A mulher nunca percebe quando lhe aparece o primeiro fio de

cabelo branco. É sempre a amiga.

Quando a mulher sai do cabeleireiro muda completamente a sua fisionomia, depois a do marido.

A prova de que a vaidade da mulher não tem limites é que ela

passa batom onde não tem mais lábios.

Quando o médico diz à mulher que ela precisa mudar de óculos, ela corre pra óptica e manda trocar o aro.

Segredo de mulher é isso que entra por um ouvido e sai Ia boca.

Cada vez que se pinta, a mulher se sente como um pintor que cria um novo quadro.

Antes de dormir a mulher se despe de sua maquilagem.

TRONCO

Algumas mulheres adotam a linha saco pra encobrir a forma que não têm.

A mulher faz saia curta e decote longo pra se divertir puxando o

vestido pra cima e pra baixo.

Em geral, a mulher prefere que o vento lhe levante a saia a que lhe desmanche os cabelos.

Dentro de um biquíni a mulher lembra uma vitrina de alto luxo onde só expõe a etiqueta.

A mulher elegante é a que veste um vestido, a deselegante é a

que entra nele.

Quando vai ao médico a mulher sai um pouco frustrada, se ele diz que ela não tem nada.

Mulher pessimista é a que compra uma cinta e pensa que não vai caber dentro dela, mulher otimista é a que nem compra a cinta.

MEMBROS

A mulher reserva uma parte de si mesma pra ser pedida ao seu

pai: a mão.

Os pais não dão nunca a mão de suas filhas. Depositam.

As jóias são o trailer da fortuna da mulher, mas algumas fazem questão de exibir a fita toda.

ESPELHO

O espelho é o subconsciente da mulher: reflete exatamente o que

ela pensa que está vendo.

ANÚNCIOS

FEMININOS

PERDEU-SE uma blusa dentro do elevador, no trajeto entre o 2.° e ,o 15.° andar, pede-se a quem a encontrar deixá-la no térreo.

VENDE-SE uma bússola enguiçada. Infelizmente não sei onde estou, senão não vendia a bússola.

PROCURA-SE cozinheira de forno e fogão (mais de fogão) para senhora de cama e mesa (mais de mesa).

VENDE-SE uma bolsa de crocodilo ainda viva.

VENDE-SE um carro que nunca levou batida, só deu.

VENDE-SE um par de brincos com uma orelha, um dos fechos está enguiçado.

PERDEU-SE uma carteira com uma lista de objetos perdidos dentro, pede-se a quem encontrar a lista acrescentar uma carteira.

NU ARTÍSTICO procura outro emprego, está cansado de ser artístico.

MULHER de vida fácil deseja tentar vida difícil.

PROCURA-SE um carro sem freio, não se sabe onde parou.

VENDE-SE um armário que dá pra oito vestidos deitados e um homem em pé.

PROCURA-SE uma empregada com prática de patroa.

VENDE-SE um secador de cabelos com uma cabeça dentro que não deu tempo de tirar.

VENDE-SE um par de sapatos 34 para senhoras que calcem 36.

VIÚVA vende 48 ternos e um pijama, os ternos entrega hoje, o pijama assim que o marido sair da tenda de oxigênio.

PROCURA-SE

doméstica

toda

equipada,

pirador de pó e vestidos da ex-patroa.

com

televisão,

as-

VENDE-SE uma máquina de costura de segunda mão. Já é a segunda mão que fica costurada na máquina.

PERDEU-SE um caderninho de telefones, pede-se a quem o encontrar telefonar para todos pedindo desculpas.

VENDEM-SE um monoquíni e um chicote, ambos usados apenas uma vez.

VENDE-SE um piano a qualquer preço, meu vizinho paga a diferença.

FORMA PRÁTICA DE DECORAR A SUA CASA

Minha amiga, se você tem pouco dinheiro e quer decorar a sua casa, não se preocupe: quem tem de se preocupar é o seu marido. Você vai decorando a casa e ele vai decorando as datas dos pagamentos. Compre tudo o que quiser, poltronas, sofás, lustres, armários embutidos, tapetes, azulejos, plantas, objetos de arte, estantes e reserve as paredes para forrar com as promissórias: à medida que o seu marido for pagando, você vai riscando com lápis vermelho, azul, amarelo, verde. Nos primeiros meses não dá bom efeito, mas depois que as paredes estiverem todas pagas fica uma beleza. Se o seu marido não gostar, não tem importância, você forra, tudo de novo com os recibos, é uma forma de dizer às suas amiguinhas que a decoração está paga. Além do mais, você decora a prazo, mas o pagamento fica à vista.

COMO CURAR UM RESFRIADO

Esprema um limão num copo, depois deixe o copo em cima da pia e vá à farmácia tomar uma injeção de vitamina C, que não vai adiantar nada porque até hoje não se encontrou uma fórmula de sugestionar a gripe com remédios. Quando voltar, ligue para o médico, bata um papinho com ele, isso ajuda a matar o tempo — o seu e o dele. O médico lhe dirá que o mais recomendável é o repouso, você pede licença e vai deitar dez minutinhos na cama, mas antes aproveite pra tomar o limão que você espremeu no copo. Ao voltar a falar com o médico, evite espirrar no telefone; se espirrar, limpe com uma flanela úmida, mas tome bastante cuidado depois pra não pensar que a flanela é um lenço; se pensar, lave o lenço, aliás a flanela, depois vá buscar o lenço. Mas não esqueça que enquanto você está fazendo tudo isso o seu médico está esperando no telefone. Ande depressa, ele é capaz de pegar um resfriado e não saberá como curá-lo.

A MODA

Depois da folha de parreira, a mulher não fez outra coisa senão mudar a posição e o padrão da folha, que hoje tem o nome de vestido. Durante algum tempo, a mulher se cobria de tal maneira que só se lhe viam os olhos. O pudor foi abrindo mão de seus direitos em benefício da elegância e, de acordo com o figurino, a vergonha se vem deslocando de um lado para outro: uma vez é feio mostrar os joelhos, outra vez é o pescoço, outra vez o braço — e a maioria das vezes é feio não mostrar nada. Por natureza, a mulher é volúvel. Não fosse isso e não haveria a indústria da frivolidade, mais conhecida como "alta costura", com quartel-general em Paris e Roma. Daí nascem as famosas "linha saco", "linha H", "linha Y", "linha balão", "linha trapézio", "linha canudo", "linha flecha", "linha tubinho", "linha diretório" — e outras linhas que fazem a mulher perder completamente a linha. A mulher faz todos os sacrifícios pra se vestir de maneira completamente diferente, custe o que custar. Seu problema é ser original — o que custar, é problema do marido. Os grandes costureiros é que controlam o gosto (ou a falta de) das mulheres de todo o mundo. São eles que fazem a mulher mostrar as pernas, descer o decote, abrir as mangas, folgar a saia, realçar o busto e balançar as cadeiras. São eles também que sabem explorar a excentricidade feminina, confeccionando os mais absurdos chapéus. Por um chapéu extravagante, qualquer mulher perde a cabeça — antes e depois de usá-lo. Parece que o lema da mulher é não se repetir, daí a grande variedade de vestidos que ela tem no armário: vestido pra noite, vestido pra chá, vestido pra iê-iê-iê, vestido pra passeio, vestido pra coquetel, vestido pra ficar em casa, vestido pro trabalho, vestido pra levar o cachorrinho no quintal, etc. A mulher elegante é a que usa o vestido certo na hora certa, mas o difícil é a "hora certa", porque a sua indecisão em escolher é tão grande que ela acaba sempre botando o vestido fora de hora. Consulta o marido, troca de roupa, consulta o irmão, troca de roupa, consulta a empregada, troca de roupa, consulta a visita, troca de roupa, consulta o vizinho, troca de roupa, consulta o espelho — conclui que não tem roupa. Cai em

prantos, reclama do marido que essa vida é um inferno, que não tem um vestidinho decente, já estão todos fora de moda — e não tem imaginação pra concluir que o tempo que ela leva se vestindo é justamente o tempo que leva pra qualquer vestido cair de moda. E depois que decide vestir uma roupa, passa o dia inteiro agoniada porque acha que devia ter saído com outra. Quando acaba de se vestir, a mulher tem de ser ornamentada. É aí que entram os chamados complementos, talvez porque sejam de uso obrigatório: sapatos, luvas, bolsa, cinto, broches, óculos, relógio, piteira, anéis, pulseira, colar, brincos. Algumas mulheres, na hora de se vestir, deviam contratar decoradores. Combinar os acessórios é uma arte: a cor dos sapatos tem de combinar com a da bolsa, as luvas têm de contrastar com o vestido, a fivela do cinto tem de combinar com os brincos, a pulseira com o colar, os óculos com a piteira, e assim por diante. Algumas mulheres chegam a ameaçar o marido de suicídio para lhes comprar uma bolsa que combine com os cabelos. É a eterna luta da vaidade feminina: a bolsa ou a vida.

BOAS MANEIRAS

Num jantar de cerimônia, aproveite pra ver a marca das louças antes de servirem o seu prato. Depois fica mais difícil. Evite comer azeitonas num coquetel. A não ser que você tenha o hábito de engolir os caroços. Nunca ponha os cotovelos na mesa. Peça à dona da casa um descanso de cortiça que fica mais macio. Freqüente de preferência os jantares informais. É onde geral- mente se conseguem maiores informações. Não cruze as pernas no meio da sala. Se você quer mostrá-las, leve duas ou três pessoas de cada vez para um cantinho discreto. Se um cavalheiro se oferecer para levá-la em casa e tentar beijá- la no meio da rua, não grite. Você correrá o risco de não ser beijada.

COMO SE TORNAR BELA

O que mais prejudica a beleza da mulher é o espelho. Uma mulher sem espelho jamais saberá se é feia, porque ninguém terá coragem de lhe dizer isso na cara, a não ser o namorado, quando estiver zangado — mas dificilmente ela terá possibilidades de arranjar um. Portanto, minha amiga, fique sabendo que a beleza da sua cara está nas suas mãos. Explico: se você quiser melhorar a cara terá de usar as mãos, tanto assim que a maioria das mulheres não usa a cara original, usa uma cara de segunda mão. Donde se conclui que a mão é a parte verdadeiramente cara da mulher. Um dos truques mais fáceis e mais práticos para uma mulher se tornar mais bonita é andar sempre acompanhada de uma mulher feia. A mulher feia deve andar acompanhada de uma mulher mais feia ainda. Se todas as mulheres adotassem esse sistema, acabariam fatalmente andando sozinhas. E mulher sozinha é infa-livelmente mais bonita, porque não tem com quem se comparar. Outro truque muito bom é andar sempre de perfil: pra bom entendedor, meia mulher basta.

TRUQUES VELHO LAR

Para tirar o pó dos móveis use um aspirador, para tirar o pó do aspirador use uma empregada, para tirar a empregada do aspirador não use nada: basta virar as costas. Pequenas gotas de mel, quando derramadas na toalha de mesa, dão um sabor especial aos guardanapos, mas não são reco- mendáveis — afinal, você talvez não goste de guardanapos. Casca de cebola colocada dentro dos armários espanta as ba- ratas, mas em compensação a roupa fica cheirando mal até as próximas eleições. Se o seu relógio parou, não gaste dinheiro em relojoeiros: tire os dois ponteirinhos que ninguém perceberá nada.

NOVOS

PARA O

SEU

As camisas sem botões podem ser consertadas facilmente, desde que você contrate uma costureira: assim que ela chegar na sua casa, basta apertar um botão que ela começa a trabalhar. Para remover manchas de batom do lenço nada melhor do que acordar seu marido bem cedinho e lhe esfregar o lenço na cara gritando: "O que é isso?" Se as manchas não sumirem, somem os lenços. Em certos casos, se você esfregar com muita força, some até o marido.

FRASES FEMININAS

— Detesto quando me mandam flores sem cartão, é que faço coleção de cartões.

— Toda vez que vou estacionar, os carros parados batem no

meu.

— Minha maior ambição é que as minhas amigas não realizem suas ambições.

— Detesto fazer fofocas, prefiro vivê-las.

— Tenho mania de grandeza: adoro mudar de roupa com a janela aberta pra ser aumentada pelos binóculos dos vizinhos.

— Sou a viúva mais infeliz do mundo: meu marido ainda está

vivo.

— Recebi tantos presentes que sou obrigada a fazer aniversário este ano.

— Tenho um sono muito pesado: sonho sempre com elefantes.

— Estou com um remorso horrível, há cinco anos que engano o marido da minha melhor amiga.

— Só me casei porque quando meu marido pediu a minha mão eu estava saltando de um trapézio para outro.

— Meu patrão é ótimo, faço dele um verdadeiro empregado.

— Se eu fosse para uma ilha deserta, levaria o Adão pra começar um mundo só meu.

RECEITAS INÉDITAS

BERINJELA RECHEADA — Antes de mais nada, é preciso ter um prato e uma berinjela. Deixe o prato descansando, enquanto você se ocupa da berinjela. Aí é que vem o detalhe mais importante: você tem de tirar o recheio que vem dentro da berinjela e colocar outro, que pode ser encontrado no açougue, na padaria, no armazém ou até numa serraria — caso você goste de serragem. Mas se você gosta mesmo de serragem, não diga nada a ninguém, a não ser a um psiquiatra. Se ele achar isso natural, troque de psiquiatra. Ou então esqueça a berinjela e prepare um "psiquiatra recheado". Garanto que você terá sonhos esquisitos que aparentemente ele não poderá interpretar. Mas é aí justamente que está o seu engano: se você comer o psiquiatra, ninguém melhor do que ele pra conhecer o seu interior.

MACARRÃO PARA NAMORADOS — Compre um pacotinho no armazém da esquina, outro no supermercado do seu bairro e outro no supermercado do centro, assim você demonstra que não vai na onda de uma propaganda só, embora os preços sejam completamente diversos, isto é, cada um mais caro que o outro. A grande vantagem desse prato é que se compra quatro pacotinhos de macarrão, mas só se usa um, sendo, portanto, um prato quatro vezes mais econômico que os pratos comuns. Deve ser feito a dois, de preferência um rapaz e uma moça que estejam se namorando, se não estiverem não tem importância: quando o prato ficar pronto, já estarão — desde que sigam à risca essas instruções. Cada um segura uma ponta do macarrão e vai esticando até o fim, quando estiver bem esticadinho, a moça coloca a sua extremidade no fogo e vai puxando até chegar a ponta do rapaz, que deve largar rapidamente, porque namorado que se preza não põe a mão no fogo pela namorada. Espere quinze minutos da maneira que achar mais agradável e verifique se o macarrão não se partiu; se isso acontecer, aproveite os pedaços pra fazer embrulhos de Natal: os presenteados poderão aproveitar os lacinhos pra servir na ceia.

PICADINHO INFLAÇÃO — Compre 5 quilos de arroz, 5 de feijão, uma bisnaga de pão, meio quilo de cebola, 250 gramas de alho, meio quilo de tomate, uma lata de óleo de amendoim, uma lata de azeite português, meio quilo de farinha, duas latas de leite em pó, 250 gramas de margarina, 100 gramas de sal, um vidro de ketchup, 3 quilos de camarão, 4 quilos de batata, duas dúzias de ovos, uma galinha, meia dúzia de laranjas, 100 gramas de queijo, 1 quilo da filet-mignon, meio quilo de vagem, 2 quilos de cenoura, 1 quilo de quiabo, um vidrinho de mostarda e 100 gramas de pimenta-do-reino. Quando chegar em casa, desembrulhe tudo com muito cuidado e anote os preços em pedacinhos de papel. Guarde a mercadoria num armário de aço que é o melhor investimento (a mercadoria, não o armário), depois pegue os preços anotados e faça um picadinho. É um prato econômico, porque não precisa ir ao fogo: quem já está no fogo é você. É um prato que faz muita vista, pois os convidados ficarão boquiabertos, só de ver os preços. É um prato vantajoso, porque você pode trocar as notas fiscais por talões que valem milhões e só a espera do sorteio fará você ficar com água na boca, o que dispensa servir água na mesa. Só tem uma desvantagem: é um prato que não pode ser guardado de um dia para o outro, porque os preços ficarão velhos e você terá de refazer tudo, já imaginou que trabalhão? Mas ainda que você queira refazer o prato, convide só humoristas: para os humoristas não existe melhor prato do que a inflação.

XIFOPAGOS dois capítulos num só

XIFOPAGOS dois capítulos num só PIADAS SUPERSÔNICAS

PIADAS SUPERSÔNICAS

NOTA: É proibida a reprodução, total ou parcial, de qualquer destas piadas sem autorização prévia

NOTA: É proibida a reprodução, total ou parcial, de qualquer destas piadas sem autorização prévia do autor. Mas quem quiser arriscar, é um favor: o autor prefere receber na Justiça — que rende mais.

FLAGRANTE ELA — Ih, meu Deus, meu marido vem chegando. ELE — Que é que eu faço? ELA — Você não faz nada, quem vai fazer é ele.

APARÊNCIA PSIQUIATRA — Entre, meu caro, tire o paletó e deite no divã. HOMEM — O senhor está enganado, doutor. Vim aqui pra consertar o diva.

ROTINA CORONEL — Estou preocupado, nossa patrulha de reconhe- cimento ainda não voltou. GENERAL — Isso é normal: na certa foi reconhecida.

ESPIONAGEM

UM — Vim aqui em missão secreta. OUTRO — Qual a missão? UM — Também não sei. É tão secreta que não me disseram.

NECESSIDADE UM — Preciso ganhar pelo menos mais 20 000 por mês. OUTRO —- Quanto é que você está ganhando? UM — NADA.

TESTE DECORADOR — Qual a peça que se você tirar deste quarto transformará completamente o ambiente? ALUNA — Meu vestido.

VIDA NOVA PATROA — Tá muito alegre, hoje, Maria, arranjou outro namorado? EMPREGADA — Não, senhora. Arranjei outro emprego.

REMÉDIO CLIENTE — Já tentei me suicidar cinco vezes, doutor. Até nisso sou um fracassado.

REMÉDIO CLIENTE — Já tentei me suicidar cinco vezes, doutor. Até nisso sou um fracassado. PSICANALISTA — Vá tentando, meu filho. Um dia você acerta e não precisa mais voltar aqui.

DIVERGÊNCIA MULHER — Mas isso é hora de chegar? MARIDO — Eu quis voltar mais cedo, meu bem, aí disseram pra mim: mas isso é hora de sair?

DESCUIDO MULHER — Joe, onde está o mapa do assalto? GÂNGSTER — Roubaram.

SENTENÇA JORNALISTA — O senhor foi absolvido por cinco jurados contra dois? PRESIDIÁRIO — Fui. JORNALISTA — Então por que está preso? PRESIDIÁRIO — Porque depois do julgamento liquidei os dois.

POSSIBILIDADE VELHINHO — Quer ir ao cinema comigo? BROTINHO — Não se enxerga? O senhor podia ser meu pai. VELHINHO — Podia, sim, mas sua mãe também não quis ir ao cinema comigo.

TRAVESSIA ORDENANÇA — Destruíram a ponte, general. GENERAL — Diga ao pessoal que vá pela outra margem. ORDENANÇA — Mas o pessoal estava em cima da ponte, general.

IMPRESSÃO BÊBADO — Garçom, traz mais um café. GARÇOM — Pois não. BÊBADO — Já é o décimo quinto que tomo e esse macaco não some da minha frente. GARÇOM — Nem vai sumir. Esse aí é o gerente.

BONS TEMPOS VELHA — No meu tempo as coisas eram muito diferentes. MOÇA — No

BONS TEMPOS VELHA — No meu tempo as coisas eram muito diferentes. MOÇA — No meu também espero que sejam.

CARNAVAL MULHER — Você jura, meu bem, que não vai me esquecer depois que acabar este baile? BÊBADO — Que baile?

PROVA BÊBADO — Este uísque está falsificado. GARÇOM — Como é que o senhor sabe? BÊBADO — Os morcegos que estou vendo não conseguem nem levantar vôo.

TELEFONEMA VOZ DE UM LADO — O senhor quer comprar um aparelho Telex para surdez?

TELEFONEMA VOZ DE UM LADO — O senhor quer comprar um aparelho Telex para surdez? VOZ DO OUTRO — Hem? VOZ DE UM LADO — O senhor quer comprar um aparelho Telex para surdez? VOZ DO OUTRO — Hem? VOZ DE UM LADO — O senhor quer comprar um a-pa-re-lho Telex para sur-dez? VOZ DO OUTRO — Hem? VOZ DE UM LADO — Nada, não. Pode deixar que mando um aí.

URGÊNCIA MULHER — Embrulha quatro velas das grandes, bem depressa. CAIXEIRO — Sua luz apagou? MULHER — Não, senhor, quem apagou foi meu marido.

CONFISSÃO ELA — Quando bebo, sinto vontade de fazer mil e uma loucuras. ELE — Quais são as outras mil?

PLANO ESPIÃO 1 — Você entra ali, pé ante pé. ESPIÃO 2 — Impossível: só tenho uma perna.

são as outras mil? PLANO ESPIÃO 1 — Você entra ali, pé ante pé. ESPIÃO 2

PRISMA PROMOTOR — A senhora atropelou a vítima porque estava em excesso de velocidade. RÉ — Quem estava em excesso de velocidade era a vítima. Se ela andasse mais devagar, quando chegasse ao local do atropelamento eu já teria passado.

EXAME ELA — Vim fazer o teste do strip-tease. ELE — Pois não. Entre ali e vista a roupa.

REVANCHE JOGADOR 1 — Já sei, o senhor veio aqui pra ver se recupera a sua mulher que perdeu ontem no jogo, não foi? JOGADOR 2 — Não. Vim aqui pra ver se ganho a sua.

RECURSO HOMEM — Telefonista, por favor, há mais de duas horas que estou chamando esse número e só dá sinal de ocupado. TELEFONISTA — Que é que você quer que eu faça? Que deixe o serviço e vá lá colocar o fone no gancho?

DIAGNÓSTICO MÉDICO — Diga 33. CLIENTE — 22. MÉDICO — 33. CLIENTE — 22. MÉDICO — O senhor está com o pulmão muito fraco.

MIOPIA MÉDICO — Lamento dizer, mas o senhor é míope do olho esquerdo. CLIENTE — Do esquerdo é impossível, doutor: é a bola de gude do meu filho.

REGIME CAVALHEIRO — Vamos dançar? DAMA — Fui proibida pelo médico. CAVALHEIRO — Quem é

REGIME CAVALHEIRO — Vamos dançar? DAMA — Fui proibida pelo médico. CAVALHEIRO — Quem é o seu médico? DAMA — Meu marido.

ASSALTO GÂNGSTER 1 — Às 8hO2 saio da ambulância, às 8hO3 entro no banco, às 8hO4 liquido o caixa, às 8hO5 vou ao cofre, às 8hO6 saio pelos fundos, às 8hO7 pulo o muro, às 8hO8 você me pega de automóvel. Entendeu? GÂNGSTER 2 — Entendi, chefe, mas é muito perigoso. GÂNGSTER 1 — Perigoso por quê? GÂNGSTER 2 — Porque não tenho relógio.

OPORTUNIDADE SNOB — Você já viu iluminação mais moderna do que essa do meu apartamento? VAMP — Nunca. Em todo apartamento que entro, a primeira coisa que fazem é justamente apagar a luz.

VANTAGEM UM — Ganho 50000 na televisão, mas televisão pra mim é bico. OUTRO — E você vive de quê? UM — De bico.

ABSURDO FREGUÊS — Garçom, na minha sopa tem uma barata. GARÇOM — Impossível, meu amigo: esta sopa é de DDT.

FAROESTE FORASTEIRO — A que horas chega a diligência das 3hO5? XERIFE — Depois do assalto das 4hlO.

SELVA ÍNDIO — Vim pedir a mão de sua filha. CACIQUE — Trouxe a aliança? ÍNDIO — Não. Trouxe a machadinha.

ENCONTRO PACIENTE — Doutor, vou lhe confessar uma coisa que me atormenta a consciência há mais de cinco anos: sou um espião. MÉDICO — Vou lhe confessar uma coisa que também me atormenta há mais de cinco anos: não sou doutor, sou polícia secreta.

CHAMARIZ MOÇA — Foi daí que botaram um anúncio procurando uma datilografa? MOÇO — Foi,

CHAMARIZ MOÇA — Foi daí que botaram um anúncio procurando uma datilografa? MOÇO — Foi, sim. Entre ali e tire a roupa. MOÇA — Pra escrever à máquina, preciso tirar a roupa? MOÇO — Não é pra escrever à máquina, é pra trabalhar no show A datilografa nua.

NEGÓCIO UMA — Casei. OUTRA — Quanto? SOLUÇÃO GRÃ-FINA 1 — No verão prefiro ir

NEGÓCIO UMA — Casei. OUTRA — Quanto?

SOLUÇÃO GRÃ-FINA 1 — No verão prefiro ir para o campo. A vida no asfalto é insuportável para as crianças. GRÃ-FINA 2 — Por que não compra uns sapatinhos pra elas?

SINCERIDADE ADVOGADO — Qual era o seu estado civil antes de casar com o

seu marido? CLIENTE — Estado interessante, doutor.

DIVISÃO NÁUFRAGO — Você fica com a mulher e eu com a espingarda. OUTRO — Ótimo. NÁUFRAGO — Mãos ao alto! Agora me devolve a mulher.

ABATIMENTO PROMOTOR — A senhora partiu o seu marido ao meio com este serrote, por isso vai pegar dez anos de prisão por cada pedaço. ACUSADA — Que sorte, e eu que havia pensado cortá-lo em quatro.

VANTAGEM SOLDADO 1 — O que mais admiro no capitão é a sua valentia. Diante do maior bombardeio ele fica impassível: não muda a cara. SOLDADO 2 — Nem pode, coitado: está morto há três dias.

CARNAVAL MULHER — Adorei brincar o carnaval com você, meu bem, onde

é que você mora? MACACO — No jardim zoológico.

EQUIVOCO

FREGUÊS — Isso é um absurdo, comi o braço da minha mulher

e o senhor incluiu na conta. GARÇOM — É engano seu, o senhor comeu foi o braço da mulher do patrão.

INFLAÇÃO UM — As mãos vão subir. OUTRO — Quando? UM — Agora. Mãos ao

INFLAÇÃO UM — As mãos vão subir. OUTRO — Quando? UM — Agora. Mãos ao alto.

DUVIDA CLIENTE — Sonho com este elefante todo dia, doutor. PSIQUIATRA — Isso não é elefante, é uma cobra. CLIENTE — Foi por isso, exatamente, que eu trouxe ela aqui.

MODA

CAMELÔ — A última novidade em matéria de biquíni: 4 centímetros de largura por 4 de comprimento, é só cair n'água que encolhe mais.

MULHER — Me dá um. CAMELÔ — Está aqui. MULHER — Mas como é que vou entrar nisso? CAMELÔ — Não é pra entrar, não senhora. É pra levar na mão

— Não é pra entrar, não senhora. É pra levar na mão CONFIRMAÇÃO JUIZ — A

CONFIRMAÇÃO

JUIZ — A senhora colocou o seu marido no forno e tem a audácia de dizer que não o matou friamente? RÉ — Perfeitamente, senhor juiz. É que o forno estava ligado.

DESESPERO

CLIENTE — Doutor, não sei o que faço, engoli o meu cachorro. MÉDICO — Tenha calma, senhora, tenha calma. CLIENTE — Eu tenho, doutor, quem não tem é o cachorro.

IMPREVISTO

HOMEM — Pelo amor de Deus, doutor, minha mulher cismou que

é

automóvel. PSIQUIATRA — Não se preocupe, traga ela aqui. HOMEM — De que jeito, doutor. Ela estacionou em local proibido

e

foi rebocada.

SALVAMENTO NÁUFRAGO — Eu pedi sos e me mandaram uma mulher. HABITANTE DA ILHA — E agora? NÁUFRAGO — Agora quem está pedindo sos é ela.

SEGREDO MASCARADO 1 — Como é o nome da sua fantasia? MASCARADO 2 — O Crime da Mala. MASCARADO 1 — Sua mulher sabe disso? MASCARADO 2 — Nem vai saber. É ela que está na mala.

TORTURA CARRASCO — Confessa, imbecil, senão somos obrigados a usar métodos mais violentos. PRISIONEIRO — Está bem, eu confesso, mas antes vocês me devolvem meus dois braços e minhas duas pernas.

PREFERÊNCIA GARÇOM — Que deseja para sobremesa? CANIBAL — Você mesmo.

TRAJETÓRIA LEGISTA — A bala perfurou o ombro esquerdo da vítima, fez ruptura no fígado,

TRAJETÓRIA LEGISTA — A bala perfurou o ombro esquerdo da vítima, fez ruptura no fígado, perfurou o estômago, transfixou o cérebro, varou o pulmão e atravessou o armário do quarto. INVESTIGADOR — Morreu? LEGISTA — Só morreu o sujeito que estava no armário.

PREOCUPAÇÃO

OFICIAL 1 — Não consigo dormir, vim pra guerra e minha mulher ficou em casa. OFICIAL 2 — Fala com o capitão, ele não é seu primo? OFICIAL 1 — Por isso é que não consigo dormir: ele também ficou em casa.

FINALIDADE COMPRADOR — Tem bala para este revólver? VENDEDOR — Tem sim, quantas quer? COMPRADOR — Basta uma. VENDEDOR — Está aqui. COMPRADOR — Mãos ao alto! Agora me dá mais cinqüenta.

EXIGÊNCIA RICAÇO — Garçom, me disseram que este restaurante tem tudo, é verdade? GARÇOM — Pode tirar a dúvida, doutor: o que o senhor pedir nós trazemos. RICAÇO — Então me traga uma loura. GARÇOM — Pois, não, doutor. Bem passada ou mal passada?

HOTEL HÓSPEDE — Senhor gerente, tem um cavalo na suíte ao lado do meu quarto e não posso dormir. GERENTE — O que é que o senhor quer que eu faça? HÓSPEDE — Põe ele na rua. GERENTE — O senhor não vai acreditar, mas ele é o único hóspede que ainda paga em dia.

CARREIRA GAROTA 1 — Resolvi meter a cara na televisão, estou fazendo comercial de meia. GAROTA 2 — Mas meia não aparece a cara. GAROTA 1 — Ora, minha filha, a gente começa por baixo.

CONSEQÜÊNCIA DETETIVE — Coitado, morreu envenenado pela mulher do amigo. LEGISTA — Impossível, ele tem

CONSEQÜÊNCIA DETETIVE — Coitado, morreu envenenado pela mulher do amigo. LEGISTA — Impossível, ele tem duas balas no pulmão esquerdo. DETETIVE — Exatamente por isso. A mulher o envenenou tanto que ele decidiu tomar satisfações do amigo.

INVASÃO SOLDADO — Fui obrigado a deixar minha mulher no tanque. SARGENTO — Lavando roupa? SOLDADO — Não. Embaixo.

SURPRESA MULHER — Doutor, meu caso é muito grave: amanheci com duas cabeças. MÉDICO —

SURPRESA MULHER — Doutor, meu caso é muito grave: amanheci com duas cabeças. MÉDICO — Mas só vejo uma. MULHER — É que a outra está aqui na minha bolsa.

CONDECORAÇÃO TENENTE — Isso aqui é a medalha do mérito. SARGENTO — E o que foi que eu fiz pra merecer medalha? TENENTE — Nada, Aí é que está o mérito.

INTENÇÕES ATRIZ — Teve um crítico que elogiou muito o meu último programa de TV. FIGURANTE — E o programa foi bom? ATRIZ — Não sei, ainda não foi pro ar.

CASTIGO MULHER — Sumiu o meu tapete de tigre, como é que o senhor explica isso? GERENTE — Seu tapete de tigre foi despedido: hoje de manhã ele comeu o nosso melhor camareiro.

VIVA O PROGRESSO

VIVA O PROGRESSO

MANCHETES AINDA INÉDITAS

CHEGOU A ONDA DE FRRR FRRR * FRRR FRRR FRRR FRRR FRRRIO

Cortina de ferro será trocada por porta giratória

Computador

Eletrônico

Demite seu Construtor

Vexame:

ONU - Tudo pronto para a terceira paz mundial

Mais um cosmonauta russo projetado no espaço:

voltou porque quis

DIMINUEM OS ACIDENTES NO TRÂNSITO! AGORA É TUDO DE PROPÓSITO

ÚLTIMO DESASTRE

NAS

FERROVIAS:

ACABARAM

TRENS

OFICINAS FECHAM POR FALTA DE PEÇAS E PEÇAS FECHAM POR FALTA DE TEATROS

OS

CIRURGIÃO PLÁSTICO LANÇA NOVA MODA:

JOELHOS ABAIXO DAS SAIAS

AH, OS INVENTORES

Pra combater o calor o homem inventou o leque, o ventilador, o ar condicionado e o técnico em ar condicionado. Pra combater o técnico ainda não se inventou nada.

A "arma secreta" é um dos maiores inventos da guerra-fria, a

arma é tão secreta que quando alguém a descobre, desaparece.

A polícia técnica foi inventada pra dizer "como" foi cometido o

crime. O detetive foi inventado pra dizer "quem" cometeu o crime. O

advogado foi inventado pra provar que o criminoso "não" cometeu o crime.

O homem que inventou a desculpa demorou tanto tempo e não

tinha nenhuma desculpa pra dar.

Quando foram homenagear o inventor do dicionário, ele sim- plesmente disse que não tinha mais palavras para agradecer.

O ELEVADOR

O ELEVADOR

TABULETAS

Numa fábrica de cadeiras de balanço, no fim do ano: "Aberto para balanço".

Num cinema do pólo norte: "Ar condicionado imperfeito".

Numa fábrica de material bélico: "Liquidação de bombas a preços de paz".

No pára-choque de um caminhão: "Entre sem bater". Na porta de um ginásio de boxe: "Bata antes de entrar". Num advogado criminal:

"Pendure suas armas no cabide".

Na porta de um novo restaurante: "Aqui você encontrará a comida mais fresca da cidade e a tinta também".

Numa agência de propaganda: "Entre sem ser anunciado, mas traga um anúncio". Na porta de uma farmácia: "Injeção a crédito: nós espetamos o braço e você, a conta".

Nas grades de um hospício: "Cuidado com os médicos". Numa fábrica de tapetes: "Limpe os pés antes de sair".

Num hipódromo: "Se você acredita no azar, entre. Nós come- çamos assim".

Na portaria de um hotel: "Nada funciona, mas em compensação temos o melhor Departamento de Reclamações do mundo".

Na janela de uma pensão: "Aluga-se o último quarto, agora já posso morar fora".

Numa emissora de TV: "Ajude-nos a sustentar nosso índice de audiência: segure o gráfico".

Numa fábrica de cigarros: "Não é proibido fumar, mas traga o

cigarro".

Numa cartomante: "Seu futuro está aqui e o nosso também".

Numa fábrica de isqueiros: "Nosso isqueiro é tão bom que só falta falhar".

REGISTRO POLICIAL

Matou o detetive que contratou pra seguir a mulher.

Bandidos assaltam vigia do túnel e fogem pelo outro lado.

Alfaiate vai à falência depois de atear fogo às vestes.

Carpinteiro baleado dentro do armário enquanto consertava o cabide.

Esquartejou a amásia e evadiu-se. A polícia está tentando re- constituir o cadáver.

Quadrilha assalta banco e rouba 100 mil. Na reconstituição do crime, investigadores roubam mais 100.

Partiu o noivo em dois pra dividir com a rival.

Médico-legista suicida-se e deixa várias pistas para os colegas.

Avião explodiu em terra e passageiros morreram no ar.

Abateu o melhor amigo na companhia de sua mulher.

Trem descarrilou e apenas um vagão chegou no horário.

Ônibus cai no abismo e motorista é preso em flagrante por pára- quedista que passava pelo local.

Guarda foge da penitenciária disfarçado de presidiário.

Secretária suicida-se sem deixar memorando.

Ascensorista agredido por 480 quilos de gente.

Perícia descobre: incêndio na fábrica de fósforo foi causado por

um fósforo.

Marido enganado duas vezes matou a mulher do amigo por engano.

Táxi capotou cinco vezes e o motorista capotou na primeira.

Pivô do crime foi o dentista.

Comprou um revólver e assaltou o próprio vendedor.

Assassinado pelo surdo que interpretou mal o seu gesto.

Velho demais morreu enquanto tentava ser jovem demais.

Traidor suicida-se com punhalada nas costas.

A LÓGICA DO ABSURDO

A LÓGICA DO ABSURDO

O HOMEM FELIZ

O HOMEM FELIZ John Smith é um homem calmo, não precisa lidar com cruzeiro, nem novo

John Smith é um homem calmo, não precisa lidar com cruzeiro, nem novo nem antigo, só entende de dólar, é vermelhão, sempre de bom humor, tem dois carros hidramáticos, faz fim de semana com a família, desliza em estradas maravilhosas, sexta-feira de tarde, às 5 em ponto, interrompe a reunião do escritório de estalo, entrega a firma ao gerente, deixa tudo pra segunda-feira depois do meio-dia, vai pra casa, toma uma sauna, entra na ducha, mergulha na piscina, beija os filhos, fica entregue a eles sem a desculpa de que não tem tempo porque precisa ganhar a vida, arruma as malas, põe o caniço na capota da camioneta, a mulher está na cozinha automática preparando sanduíches coloridos, os tomates e os ovos estão frescos, o leite é branquinho, o alface é tão verde que parece offset, as crianças limpinhas como se fossem anúncios, entram no carro e partem para a casinha de campo, todos de blue jeans, dão milho às galinhas, afagam o cachorro, alisam os cavalos, brincam com os gansos, examinam os coelhos, regam a horta, colhem flores no jardim, improvisam um jantar bonito e sadio e ficam contando os seus casinhos, cada um se interessando pelo outro porque estão juntos pra isso mesmo, todos se gostam, o papai acende o cachimbo, a mamãe costura qualquer coisa sem compromisso, o menino brinca com a irmãzinha, o bebê está quieto no berço, a musiquinha estereofônica é mansa, o ar é puro, dormem tranqüilos, as janelas abertas e sem grades, a lua iluminando os móveis rús- ticos, tudo limpinho e asseado pois não há empregada pra sujar, John Smith não tem preocupação, tudo dá certinho com ele, seu único problema é receber o salário no fim da fita. Vai representar bem assim no raio que o parta!

Feliz natal e PrU$Pero ano novo

Dezembro é um saldo do calendário que os homens liquidam em muito menos de trinta dias.

Em cada fim de ano mandamos os mesmos telegramas para as mesmas pessoas, crentes que as pessoas são as mesmas e nós também.

Antigamente, as crianças não dormiam esperando o Papai Noel, hoje é o Papai Noel que não dorme.

A vantagem dos fins de ano é enfrentarmos os mesmos com-

promissos, os mesmos problemas e as mesmas datas — mas numa

nova agenda.

O chato dos fins de ano é ouvir dizer a todo instante "puxa, como

passou depressa" e nós bem sabemos quanto nos custou chegar ao fim.

Há muitos anos que a gente deseja aos amigos um próspero ano novo, mas pelos cartões que eles nos enviam parece que vêm piorando.

Em certas casas muito prósperas é muito comum existir dois Papai Noel.

Família que come castanha unida permanece unida — até acabar a castanha.

É realmente um deboche: dá-se um tambor a uma criança e

deseja-se ao pai um feliz Ano Novo.

Pontualidade francesa é simples: quando o homem está che- gando a mulher já está saindo.

Pontualidade francesa é simples: quando o homem está che- gando a mulher já está saindo.

Pontualidade britânica é mera coincidência: os dois chegam atrasados exatamente cinco minutos.

Pontualidade israelense é infalível: o que chegar atrasado des- conta no próximo encontro.

Pontualidade portuguesa é desconcertante: o» dois chegam na hora, mas em lugares diferentes.

Pontualidade americana é premeditada: os dois botam a culpa no computador eletrônico.

Pontualidade suíça não falha: quando um chega atrasado joga fora o relógio.

Pontualidade brasileira só em desastre: os dois se encontram no cruzamento e nenhum deles tem tempo de sair do carro.

EM CIMA DO

EM CIMA DO Todo dia de manhã me sento no espelho pra conhecer melhor os meus

Todo dia de manhã me sento no espelho pra conhecer melhor os meus reflexos, doutor. Experiências nucleares nos dois extremos da Terra, um botão pode acabar com o mundo, e dizer que só preciso de um pra pregar na minha camisa. Ué, onde está minha camisa que deixei aqui agorinha mesmo? Ladrões continuam assaltando à luz do dia, a Light promete enérgicas providências. O Brasil espera que cada um cumpra o seu dever, somos ao todo 100 milhões de devedores. Há sete mulheres casadas para cada homem, azar o meu que as minhas se dão muito bem com os maridos. Caiu outro avião, está vendo? O motor não falha, o que falha é a estatística. Estou preocupadíssimo, os rádios estão anunciando que reina a mais completa ordem em todo o território nacional. Papai, o que é plebiscito? Não chateia, menino, eu não tenho filho. É muita ingenuidade querer saber o que é ingenuidade? Depois de tantos fuzilamentos é animador saber que restaram oitenta sobreviventes. Depressa, um copo de água que estou morrendo de sede. Queira desculpar mas há precisamente oito meses que deixamos de fabricar copos. Diferença de idade bárbara é um homem de noventa e sete anos casar com uma mocinha de cinqüenta. Trocadilho ainda faz sucesso? Conheço um Papai Noel que veio puxando o trenó sem a rena, só pra não pagar o imposto sobre a rena. Agora posso explicar por que há greves nas ferrovias: quem com ferro fere, com ferroviário será ferido. Sei que só irei a um enterro, mas desse eu garanto que não volto. Em cara de homem não se bate, a não ser dentro do ringue: um, dois, três, quatro, cinco, seis, que azar! Se eu soubesse contar até dez podia descansar mais um pouquinho. Dê um tiro no ouvido, seu bobo, que você não ouve nem o estampido. Estou com vontade de vender moral em pó, mas tenho medo que subam os preços dos aspiradores. Se encontrar a Democracia, dá um abraço nela que eu mandei. Descobri por que o movimento dos hotéis é intenso, toda vez que a conta chega o hóspede sai. Nada melhor do que uma guerrinha pra gente ter um pouco de paz. Engraçado, doutor, quanto mais me irrito, mais me torno paciente. Tenho um relógio tão preciso que quando não confere com a Rádio Relógio mando consertar o rádio. Só vejo televisão por trás do aparelho pra

ver a cara dos atores quando estão de costas. O que admiro no astronauta é a sua coragem de voltar à Terra. Sou um mágico tão bom que nem preciso fazer mágica. Não sei se sou surdo porque nunca fui a um otorrino. Comprei um sítio no meio do mato que não tinha nenhuma cobra, mas levei quatro. Existem peixes tão sensíveis que quando a gente engasga eles sentem um frio na espinha. Se Freud esperasse mais um pouco poderia analisar os sonhos em video-tape. O prazer do pai é ter uma folga pra sair com o filho, o da mãe é o filho sair pra ter uma folga com o pai. A morte mais traiçoeira é a que nos pega pela frente, que a gente não pode correr pra trás. Mulher é a coisa mais imprevisível do mundo, a gente nunca sabe quando aparece o homem. Um dia é da caça, o outro do caçador, quando chega o dia da caça não chega mais o do caçador. Em Copacabana, o pecado não mora ao lado, mora em frente. Não tem nenhum sentido os soldados ficarem em posição de sentido. A grande bossa, depois dos horários quebrados, são os cinemas quebrados. Todos os anos recebo telegramas me desejando um feliz aniversário, até hoje os telégrafos não compraram o /. A matemática não tem lógica, toda vez que a gente elimina um desejo aumenta um. As vitaminas foram descobertas pra mostrar à gente como o nosso organismo é deficiente em letras. Conversa de bêbedo entra por uma narina e sai pela outra. Exportação de cinismo seria um grande negócio: o cinismo entraria cinicamente em qualquer alfândega do mundo. A mulher moderna freqüenta praias, piscinas, museus, coquetéis, salões de pintura e jantares — sem trocar o maio. Botei meu relógio no prego pra não depender de ninguém, agora é um inferno ir lá todos os dias pra ver as horas. Sei que estamos num regime democrático, mas digo o que penso com a maior franqueza. Está bem, doutor, concordo com o senhor: vamos começar a discussão.

C R Ô N I C A D E U M

D E D O S Ó

Apareceu um corte no meu dedo e minha mulher cismou que eu devia botar um pouquinho de sulfa, deu uma coceira tão grande na mão que durante duas semanas esqueci do dedo — até descobrir

que sou alérgico a sulfa. Enquanto tratei da alergia, o corte evoluiu, pois os meus glóbulos vermelhos deviam estar infiltrados de glóbulos brancos que, como se sabe, exercem ação subversiva, o que me faz acreditar que preciso fazer com urgência uma revolução nas minhas artérias. Um amigo disse pra eu dar uma pincelada de mercúrio cromo, outro me recomendou uma pomada que é tiro e queda — só não explicou se a queda era do dedo. Uma vizinha afirmou que bom mesmo era cobrir com esparadrapo pra não pegar poeira, outra me garantiu que o dedo precisava ficar descoberto pra respirar. Confesso que o dedo já estava me dando mais trabalho do que lhe dei em toda minha vida, porque era justamente um desses dedos que não servem nem para apontar estrelas. Mas isso era o de menos, pois o dedo recebeu tanta atenção que começou a ficar inchado, tão inchado que os outros já estavam complexados. Fiquei

na dúvida se levava o dedo doente a um cirurgião ou os sadios a um

psiquiatra, acabei optando pelo cirurgião, que ia tratar de um

enquanto o psiquiatra teria de tratar de quatro — e garanto que ele ia ter um bocado de trabalho, principalmente com o polegar, que é completamente diferente dos outros e vive retraído no seu cantinho.

O cirurgião me mandou a um cancerologista, o cancerologista me

mandou tirar uma radiografia, sem atentar para o detalhe de que o raio X, segundo os cientistas britânicos, provoca o câncer. Quando menos esperei, estava envolvido com uma série de especialistas, que passam as noites estudando não é à toa, que afinal precisam pôr

à prova os seus conhecimentos, além de decorar diariamente um

monte de nomes de remédios novos pra poderem receitar no dia seguinte. Um dos médicos dizia que o meu dedo estava assim por causa do fígado, outro garantia .que era uma infecção no estômago, outro me mandou usar óculos, outro disse que eu era capaz de ficar surdo, cada um deles me exigindo um punhado de exames, de sangue, de urina, de fezes, como se eu fosse fazer um vestibular de saúde: meu medo era ficar pra segunda época e perder as férias.

Resultado: andei tanto de um lado para outro, que o dedo decidiu desinchar sozinho e não procurei mais médico nenhum, pra evitar que ele dissesse que isso é um sintoma muito grave, uma vez que a grande preocupação dos médicos são os sintomas — e isso é um mau sintoma. Não é por nada, mas esta crônica foi batida com o dedo desenganado, boa noite, doutor, e durma bem.

CONTO A

o dedo desenganado, boa noite, doutor, e durma bem. CONTO A CORES Lurdinha acordou com disposição

CORES

Lurdinha acordou com disposição de ir à praia. Saiu debaixo do lençol vermelho, trocou o pijama vermelho por um maio vermelho e foi ao encontro do sol vermelho. Havia no céu algumas nuvens vermelhas, quando Lurdinha tirou sua saída vermelha e abriu sua barraca vermelha. Colocou sua bolsa vermelha em cima da toalha vermelha e, ao lado das sandálias vermelhas, abriu um livro vermelho. Nesse instante, surgiu um rapaz desconhecido, de calção vermelho e camisa vermelha, e, sem pedir licença, deitou na sombra de sua barraca vermelha e ligou seu rádio transistor vermelho. Lurdinha ficou azul de vergonha — pois o vermelho tinha acabado.

Ontem, no psicanalista, encontrei um Homem de Marte. Estava deitado no diva, com muita dificuldade,

Ontem, no psicanalista, encontrei um Homem de Marte. Estava deitado no diva, com muita dificuldade, as antenas quase batendo no teto da sala, acendendo e apagando uma luzinha vermelha no ouvido esquerdo, como se fosse dobrar uma esquina. O psicanalista me fez sinal pra não me aproximar, o Homem de Marte tinha complexo de inferioridade e se sentia completamente deslocado aqui na Terra. Pior, não sabia como veio parar aqui nem como voltar, pois perdera um parafuso durante a viagem — fato que o psicanalista verificou logo de saída, pois só é procurado por quem tem um parafuso a menos. Fiquei atrás da cortina e vi quando o psicanalista lhe pediu que relembrasse a sua infância. O Homem de Marte sorriu e disse que lá era ao contrário: as pessoas nasciam velhas e depois é que iam ficando pequenas, até desaparecer — o que era muito mais lógico, pois resolvia o problema chato de enterrar os mortos. Em Marte — explicou — as pessoas não morrem: nascem e desnascem. Aquele pobre desajustado disse então que estava com menos 180 anos de idade — e nem sequer parecia uma criança. O médico lhe pediu que relembrasse sua velhice e ele respondeu, com muito bom senso, que não se lembrava de nada, pois naquela época era muito velho e não tinha memória. Percebi, rapidamente, que era outro bom senso dos marcianos, pois evitam pensar no passado e no futuro, uma vez que o futuro é o que vem pra trás. Havia outras vantagens que ele foi explicando: todos têm vontade de fazer aniversário, porque "ficam um ano mais moços" e isso justifica até as comemorações, pois não há vantagem alguma em se ficar um ano mais velho. Além disso, há a experiência que o homem tem de ser filho depois de já ter sido pai, poupando um monte de vexames. Mas a grande vantagem é que todos se casam com balzacas, que aos poucos vão ficando brotinhos, evitando aventuras nem sempre bem- sucedidas. O único perigo é se transformar em criança gagá, mas mesmo assim é muito melhor que ser velho gagá. Sua noção de bom senso era tanta que quase me atrevi a perguntar se lá eles já tinham inventado também o Volkswagen — mas o psicanalista poderia ficar furioso com a intromissão inteiramente fora de propósito de um comercial ao vivo pra interromper a sua consulta. Foi então que

pensei nos sapatos. Não ficariam grandes os sapatos dos marcianos para os seus pés que naturalmente iriam ficando pequenos? Foi quando o marciano se levantou e agarrou no colo a televisão portátil que havia na mesinha ao lado e começou a embalá-la nos braços, como se fosse um filho. O psicanalista ficou um pouco perturbado e não teve outro remédio senão pedir à enfermeira uma mamadeira — e o pior veio depois: a televisão tomou tudinho, até a última gota. Não sei por que canal, uma vez que todos eles mamam muito bem. Só sei que no fim a televisão deu um arroto tão estranho que o psicanalista decidiu chamar um técnico e só não conseguiu porque foi demovido da idéia pelo marciano que, com nova demonstração de bom senso, disse que as televisões de Marte liquidaram todos os técnicos — ao contrário do que acontece aqui na Terra, onde os téc- nicos destroem as televisões. Lembro-me perfeitamente que eram Ilhl5 em ponto, quando este fato se deu, pois nenhum relógio conferiu com o do outro — detalhe tanto mais importante quando verifiquei que nenhum de nós tinha relógio. Contei a outro psicanalista tudo o que se passou comigo, ele disse que só podia ser um pesadelo. Ora, tratando-se de um psicanalista da mais absoluta confiança, fui correndo pra casa pra conferir e, de fato, os lençóis estavam remexidos, mas eu não estava na cama — nem sequer havia dormido em casa naquela noite. Não é por nada, mas desconfio que tanto o primeiro como o segundo psicanalista estão ficando loucos. Senão não havia motivo algum pra me receberem pendurados no lustre do consultório.

CORRESPONDÊNCIA COMERCIAL

CORRESPONDÊNCIA COMERCIAL

Ilmo. Sr. Diretor Superintendente Nesta

Prezado Senhor:

Tenho a satisfação de lhe comunicar que acabei de adquirir uma partida de papel carbono de excelente qualidade, cuja primeira demonstração a título de experiência, estou fazendo neste momento.

me

mesma qualidade do papel

carbono, pois, embora possua todas as virtudes que

V.S. tão bem soube descrever, defeito: é muito distraída.

pequeno

Infelizmente, recomendou não

a

tem

secretária

a

que

V.

S.

tem

um

Pela presente, V. S. poderá constatar as duas coisas que estou afirmando: a qualidade do papel carbono e a distração da secretaria.

Sem outro assunto, subscrevo-me

Atenciosamente

■

NOVELA

NOVELA

ISABELA

A mulher que sofria em grifo

Capítulo 1

Isabela nasceu num cantinho de página. Nasceu pra sofrer, pra que negar? Logo na terceira ou quarta linha, completou vinte anos de idade, pra ter, de saída, a sua primeira desilusão no amor. Augusto, o homem que não chegaria a amá-la, pois morreu assassinado antes mesmo de entrar nesta história, encheu a vida de Isabela de reticências Mas Isabela, disposta a sofrer, saiu das reticências com lágrimas nos olhos, como se pode constatar pelo desenho ao lado e, pouco antes do fim deste primeiro capítulo, encontrou RICARDO. Também, pudera, com umas letras deste tamanho ela só não o encontraria se fosse cega e ainda é muito cedo pra isso.

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tamanho ela só não o encontraria se fosse cega — e ainda é muito cedo pra

Capítulo 2

No momento em que Ricardo se aproximou de Isabela para beijá-la, a rotativa deste livro começou a funcionar, resultando que Isabela ficou toda suja de sangue, pois havia tinta demais na máquina-e o impfessor estava dormindo. O mais estranho é que, só depois do livro pronto, foi que veri- ficamos que Isabela tinha sangue amarelo, pois não sabíamos ainda que cor iria entrar na composição deste livro e nos convenceram de que o amarelo era melhor, enfim, isso são problemas gráficos que eu não entendo e muito menos Ricardo, que ficou impressionadíssimo com a transfiguração de Isabela e abandonou-a ali mesmo e foi tratar de arranjar outra novela, porque desse jeito era duro trabalhar com Isabela. Quando o impressor tentou limpar Isabela da tinta, piorou: ficou toda arranhada, com escoriações generalizadas. Resultado: fomos obrigados a providenciar uma ambulância com a máxima urgência, o que não foi tão difícil assim pra quem tem curso de datilografia. E aí está: uma ambulância

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foi tão difícil assim pra quem tem curso de datilografia. E aí está: uma ambulância (C

Capítulo 3

No hospital, Isabela queixava-se de dores terríveis, sentia uma pontada no pulmão, como se tivesse um punhal encravado nas costas. Foi convocada uma junta médica de emergência e, depois de minucioso exame, voltaram com o diagnóstico: Isabela tinha, de fato, um punhal encravado nas costas. Era preciso fazer a extração do punhal o mais rápido possível mas, já então, a sala de operações estava cercada de médicos e os médicos cercados de detetives. A história tomava agora um rumo inteiramente diverso: era preciso que Isabela fosse salva, para que esta novela não se transformasse num romance policial. E era preciso também que Isabela sobrevivesse pra continuar sofrendo e logo de saída decidi- ram fazer a operação sem anestesia, o que nos obrigou a parar aqui este capítulo, pois não sabemos bater à máquina com gritos de mulher nos ouvidos.

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este capítulo, pois não sabemos bater à máquina com gritos de mulher nos ouvidos. (C ONTINUA

Capítulo 4

Isabela escapou. Como se vê, de uma página para outra, muita coisa pode acontecer. Ao se despedir do diretor do hospital, Isabela apaixonou-se por ele, sem mais nem menos:

Estou apaixonada! Viram? O diretor não respondeu. Vontade não lhe faltou, mas é que detestamos fazer diálogos, gastam muito tempo e muito espaço e nem sempre convencem. Por isso, casaremos Isabela com o diretor do hospital, sem a menor troca de palavras. E pela primeira vez na vida de um autor acontece um absurdo desses: Isabela ficou viúva, antes mesmo de casar. Sabem como? Muito simples: quando terminávamos este capítulo, juntamos distraidamente as páginas desta novela com as páginas de outra novela, onde um gângster disparava a sua metralhadora contra o caixa de um banco. Foi muito azar: o futuro marido de Isabela foi se meter logo na frente do caixa e foi atravessado pelas balas do gângster da outra novela.

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meter logo na frente do caixa e foi atravessado pelas balas do gângster da outra novela.

Capítulo 5

Tudo é premeditado. Para aproveitarmos um velho desenho de uma mulher de preto, matamos, sem titubear, o marido de Isabela, que passou a ficar de luto, pela morte do seu primeiro marido uma vez que pretendemos casar Isabela muitas outras vezes. Para isso, neste capítulo, fizemos um desenho novo, com tinta e nanquim também novos, em papel de primeira qualidade: afinal de contas, uma Isabela caprichada, com traços firmes e curvas insinuantes, atrairá certamente a cobiça de novos personagens. Mas nem isso adiantou, porque na hora de compor este texto, o diagramador fez o cálculo errado, obrigando o montador desta página a passar o texto por cima de Isabela, partindo-a em deis. E agora? Conseguirá

cima de Isabela, partindo-a em deis. E agora? Conseguirá Isabela escapar? Ou melhor, conseguirão os dois

Isabela escapar? Ou melhor, conseguirão os dois pedaços de Isabela se juntar? Não percam, novos e sensacionais sofrimentos de Isabela, a mulher que sofria e continuará sofrendo em grifo.

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sensacionais sofrimentos de Isabela, a mulher que sofria e continuará sofrendo em grifo. (C ONTINUA NA
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Capítulo 6

E agora? Agora só nos resta restaurar Isabela da melhor forma possível, para que ela possa conquistar novos personagens e, conseqüentemente, sofrer mais. Dito e feito: mergulhamos a pena no nanquim e de lá extraímos uma nova Isabela, com cachorrinho e tudo. E só depois de escrevermos isso tudo foi que verificamos que já havíamos dito quase a mesma coisa no capítulo anterior, provocando um sorriso de gozação de Isabela. Mas como não estamos aqui pra levar gozo de personagem de ninguém, e muito menos nosso, ela vai ver só o que lhe acontecerá no próximo capítulo, pois não estamos com disposição pra refazer este.

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Capítulo 6-a

Pra princípio de conversa isto aqui não é página seguinte coisa nenhuma, pois o capítulo aí de cima foi muito curtinho e resolvemos aproveitar este espaço aqui embaixo. Mas, se algum leitor obedeceu o nosso aviso e passou direto para a página seguinte, não perdeu nada, pois tudo isso que escrevemos neste capítulo foi justamente pra preencher o espaço que faltava pra completar a página. Além do quê, bem que Isabela merecia uma folguinha.

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Capítulo 7

Antes mesmo que Isabela tentasse qualquer atitude, colocamo-la na linha do trem, completamente amarrada, enquanto colocamos também um trem no mesmo trilho em que ela estava estendida. Porém, como não sabemos desenhar trem, ou melhor, como um trem gasta muito mais tempo e muito mais nanquim (e nós não ganhamos pra isso) resolvemos apelar para o automóvel que até uma criança de três anos sabe fazer (e, cá entre nós, foi nosso sobrinho mesmo quem fez). E se continuarmos em divagações estéreis para o fio da história, Isabela, que é muito viva (mas não tanto quanto nós) acabará se desamarrando e saindo do trilho, razão por que, já no próximo parágrafo, será sumariamente esmagada pelas rodas do automóvel. Não disse? Vejam no próximo capítulo as conseqüências deste.

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Capítulo 80

Ou oito ou oitenta. Conosco é oitenta mesmo, e isso nos poupa o trabalho de escrever os outros 72 capítulos. Mas isso não impede que Isabela tenha sofrido muito, a ponto de ficar bem magrinha, não tanto que lhe aparecesse o esqueleto e nem tão pouco que não pudesse caber aí ao lado. Mas isso não importa: o que importa é que Isabela agora está no Texas, e não sabemos como foi parar lá, porque não lemos os 72 capítulos anteriores, justamente porque não foram escritos. O fato é que Isabela virou uma fera, quando sentiu que estava acabando mais depressa do que a própria novela, pois enquanto ela estiver viva a novela continuará e ela sabe muito bem disso. Portanto, nada mais simples do que liquidar Isabela e para isso é só colocá-la diante de um ladrão de gato que a matou com um tiro certeiro e depois acabou matando também o revisor, pois ele era ladrão de gado e não de gato. E sem revisor, amigos, não há Iasleba que agüente.

PIADAS

CURTAS

PARA

INTELIGÊNCIAS LONGAS

PIADAS CURTAS PARA INTELIGÊNCIAS LONGAS para faturado duas a três fraturas por mês". Ortopedista outro: "O

para

faturado duas a três fraturas por mês".

Ortopedista

outro:

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negócio

está

melhorando,

tenho

Treinador para o pugilista: "Assim não é possível, todo conselho que lhe dou entra por um ouvido e sai pelo olho".

Esquimó para a mulher, depois de deitar na cama e apagar a luz:

"Boa noite, querida, e até janeiro".

Cliente para o advogado: "Quer que eu negue tudo ou fica melhor para o senhor a legítima defesa?"

Comerciante para outro: "Meu sócio faliu porque não podia contratar uma secretária, eu fali porque contratei uma".

Grã-fina para o psiquiatra: "Meu marido cismou tanto que é jacaré, que peguei ele e fiz um sapato, agora quando ando, ele geme".

Artista de teatro para o diretor: "Meu contrato só me obriga a beijar dois homens, três já é um abuso, o que é que a minha mulher vai pensar de mim?"

Psicanalista para outro: "Sou especialista em complexos de inferioridade tão eficiente que os meus pacientes saem do con- sultório completamente arrasados".

Homem para outro: "Depois que meus filhos receberam presentes duas vezes no mesmo Natal deixaram de acreditar em Papai Noel. Agora quem acredita sou eu".

Ascensorista escondido no armário, no momento exato em que o marido traído abre a porta do armário: "Sobe?"

Cabotino para outro: "Vim aqui para falarmos um pouco sobre eus dois".

Almirante referindo-se a um escafandrista: "Ele é bom até em cima d'água".

Mulher para o oftalmologista: "Quero trocar o meu olho pelo do meu marido, ele vê demais".

Rainha da Inglaterra para a princesa: "Minha filha, você tem que decidir: ou o cara ou a coroa".

Vendedor para o freguês: "A gente sua muito pra ligar esse ventilador, mas depois que liga seca em menos de meia hora".

Diretor de cinema para os artistas: "Hoje só começaremos a

filmar amanhã".

Raposo para a raposa: "Olhe, meu bem, o que eu trouxe pra você: uma pele de homem".

Amiga para outra: "Não sei o que fazer, meu marido deu pra chegar pontualmente em casa".

Gatuno para náufrago numa ilha deserta: "A balsa ou a vida".

Estudante para outra: "Tenho certeza que vou passar nos exa- mes, não estudei a matéria, mas estudei bem o examinador".

Marido para a mulher: "Se o 13.° salário não sair, é melhor dizer logo às crianças que o Papai Noel não existe".

Elegante para outra: "Seu vestido está muito chique, por que não o vestiu todo?"

Grã-fina para outra grã-fina: "No Natal faço meus pedidos com cópia e ganho sempre dois presentes iguaizinhos".

Caçador para outro: "A bússola foi a nossa salvação, os índios gostaram muito dela".

Recém-casada para outra: "Nunca esqueço de tomar a pílula, mas meu marido às vezes me esquece".

Obstetra para outro: "Tenho três filhos, um se chama Anovlar, outro Enovid e o outro Novulon".

Marido para outro: "Às vezes minha mulher me surpreende. É justamente quando a surpreendo".

Mulher para o cirurgião plástico: "Tenho um complexo terrível, doutor, sou pequena demais para o meu nariz".

Louco para outro louco: "Desconfio que o nosso médico já está ficando bom".

PRA LER DE LONGE

PRA LER DE LONGE

F Q W R

H J L B Ç O

DEGKYNQUTX

A S Z M B Q T I O C V I F

Sua vista está boa? Então prepare-se para ler de perto.

JORNAL

JORNAL
METEOROLOGIA. Técnicos contratados para fazer a previsão do tempo JOANESBURGO — Na África do Sul,

METEOROLOGIA. Técnicos contratados para fazer a previsão do tempo

JOANESBURGO — Na África do Sul, uma senhora consultou um computador eletrônico, dizendo que desejava um marido honesto, trabalhador, eficiente, dinâmico e, sobretudo, sem falhas. O computador respondeu: "O marido ideal para a senhora sou eu".

NÁPOLES — Um homem pegou sua mulher em flagrante com o seu melhor amigo, deu cinco tiros no amigo, mas quem morreu foi a mulher. Pior foi depois, quando o homem descobriu que a mulher não era sua, era do amigo. O caso está na justiça, mas o júri não sabe se deve condenar o marido enganado ou o amigo —:

pois ambos estavam enganados. Para complicar mais a situação, o amigo do marido enganado feriu mortalmente o marido da mulher assassinada, não se sabendo qual será o desfecho dessa tragédia, uma vez que os médicos desenganaram o marido enganado.

LONDRES — Audacioso assalto foi executado nesta cidade por um bando de ladrões que entrou num banco, depois de arrombar a porta dos fundos. O banco vai fechar durante semanas, por falta de fundos.

CALIFÓRNIA — Violento furacão atingiu uma cidade do sul, obrigando muita gente a sair de casa. Em compensação, algumas pessoas não precisaram sair: a casa é que saiu.

NORUEGA — Foi feito em Oslo o jornal mais rápido do mundo. O jornal foi posto na rua em quinze minutos e o seu diretor em vinte.

SÃO PAULO — Foi lançado ao espaço o primeiro cosmonauta brasileiro. Ao fazer reparos no fusível do foguete, levou um bruto choque — e subiu sem o foguete.

MANHA — Trágico naufrágio acaba de se verificar nos estaleiros

Goldstone, em Nuremberg. ao ser arremessada a garrafa de champanha para o batismo do navio Bismarck II, a garrafa não se partiu — o que se partiu foi o navio. O fato mais curioso dessa tragédia, sem precedentes em toda a história naval, é que Nuremberg não tem porto, pois não é uma cidade marítima.

LISBOA — Durante a cerimônia de casamento realizada na principal igreja desta capital, o noivo mostrava- se muito nervoso. Quando o padre perguntou se alguém se opunha àquele casamento, o noivo não resistiu e gritou: "Eu".

DALLAS — Fato estranho ocorreu num cinema desta cidade. Estava sendo exibido um filme de índio, quando, de repente, na cena do ataque, uma bala atingiu um índio na platéia. O índio foi medicado no próprio local e dali foi pra casa. Pela primeira vez, um índio não morre no cinema.

MOSCOU — Foi preso na Praça Vermelha um mágico chinês. Dentro da sua cartola a polícia encontrou farto material subversivo: dois tanques, quatro metralhadoras, cinco bombas molotov e dois pombos-correio. Depois de interrogados durante mais de quatro horas, os pombos confessaram que eram espiões.

NOVA YORK — Mrs. Margareth, de 35 anos, atirou-se esta madrugada do 98.° andar do Empire State Building. Segundo testemunhas que estavam na janela, Mrs. Margareth declarou que estava arrependida, quando passava pelo 52.° andar. Outras testemunhas, mais abaixo, dizem que Mrs. Margareth estava

conformada, quando passava pelo 46.° andar. Segundo um faxineiro que fazia a limpeza no 23.°, Mrs. Marga- reth chegou a confessar que estava fazendo uma ótima trajetória. Não se sabe de maiores detalhes, porque este telegrama foi expedido no momento exato em que Mrs. Margareth passava pelo 7.° andar, não tendo ainda chegado ao solo.

ESTOCOLMO — A polícia sueca deu uma batida numa ilha de nudismo, não conseguindo prender ninguém. Os policiais estavam disfarçados de nudistas, mas foram facilmente identificados por dois detalhes: o quepe e o cassetete.

PARIS — Cientista francês, que trabalhava sigilosamente na fabri- cação da mais violenta bomba do mundo, acabou de anunciar à im- prensa que sua bomba está pronta. Logo em seguida, outro telegrama informou que explodiu em Paris o inventor da mais violenta bomba do

mundo. O féretro sairá do Alasca, onde seu corpo está sendo aguardado

a qualquer momento

BERNA — Venceu o concurso anual de salto de esqui a jovem suíça

Ingrid Squire, de dezessete anos de idade. Ingrid tomou impulso e veio deslizando até dar o salto vitorioso, que conseguiu levá-la até a fronteira da Áustria. Os geógrafos estão trabalhando ativamente para recompor

a linha do mapa que marca a fronteira

em cuja divisão o esqui de Ingrid se

embaraçou.

de gráficos na residência do senhor ministro da Fazenda ECONOMIA. Plantação MADUREIRA — Um ônibus

de

gráficos na residência do senhor ministro da Fazenda

ECONOMIA.

Plantação

MADUREIRA — Um ônibus desgovernado perdeu a direção e caiu da calçada, bem no meio da rua. O motorista, encabulado, fugiu em disparada — chegando ao fim da linha com oito passageiros nas costas.

BERLIM — Foi preso no Muro da Vergonha um oficial alemão que não tinha vergonha. Em sua companhia, foi encontrada uma enfermeira austríaca. As autoridades fuzilaram o oficial, enquanto a enfermeira ficará detida para averiguações.

DETROIT — Novo modelo de

avião a jato foi inventado nesta cidade.

O avião é tão veloz que sai hoje e

chega ontem. Dizem que o aparelho é muito bom para ser utilizado por industriais que querem recuperar o tempo perdido. Outra grande vantagem desse avião é que em caso

de

desastre a notícia sai na véspera e

os

passageiros desistem da viagem.

ESCÓCIA — Em recente pesquisa ficou constatado que a Escócia é o segundo país do mundo a fabricar uísque escocês. O primeiro é o Brasil.

JAMAICA — Um arquiteto passou dois anos construindo um edifício e, só depois de concluído,

JAMAICA — Um arquiteto passou dois anos construindo um edifício e, só depois de concluído, a prefeitura local decidiu interditá-lo, alegando que o terreno era pantanoso. O arquiteto, que não tinha tomado conhecimento do fato, entrou no elevador, apertou o botão e o prédio desceu.

MANCHESTER — Encontrado dentro de um armário o cadáver de um homem com um copo na mão. Depois de muito pesquisar, os peritos ingleses descobriram que dentro do copo havia veneno — fazendo supor que se trata de um suicídio. Mesmo assim, a Scotland Yard continua perplexa, pois não sabe se o cadáver tomou o veneno antes ou depois de entrar no armário — uma vez que a porta estava

trancada pelo lado de fora. O caso está tomando proporções de grande mistério, especialmente quando se sabe que os detetives britânicos, de tanto remexerem, acabaram descobrindo mais quatro homens no armário, sendo que nenhum deles, até agora, soube explicar o que estava fazendo ali dentro. ÍNDIA — Um cidadão revoltado, em sinal de protesto contra a guerra, encharcou sua roupa de gasolina e ateou fogo às vestes, em plena rua. Não morreu, mas foi preso imediatamente, pois antes de tocar fogo na roupa teve o cuidado de tirá- la. Foi condenado por atentado ao pudor. LE MANS — Na corrida anual realizada nesta cidade, o corredor

italiano Gino Stefano enguiçou o acelerador na prova das Mil Milhas conseguindo fazer duas mil milhas. Stefano corria tanto que conseguiu ultrapassar o seu próprio carro, na segunda volta, chegando na frente de si mesmo. Esta é a primeira vez que um corredor tira, na mesma prova, o primeiro e o segundo lugar.

LIVERPOOL — Sensacional des- file de peles de raposa ocorreu na residência do famoso costureiro Johnson Smiles. A nota dominante do desfile foi quando uma das peles comeu o manequim que o vestia, pois esqueceram de tirar a raposa de dentro da pele. Minutos depois de o animal engolir a jovem, alguns ingleses fanáticos montaram nos seus cavalos e começaram, ali mesmo, no salão, a caça à raposa, que finalmente foi abatida a três quarteirões da pas- sarela. Agora o problema é tirar o manequim de dentro da raposa.

RIO — Zuleika de Tal foi presa por ter dado o "golpe da machadinha" no marido, José de Tal, deixando perplexa a família de Tal, que não sabia o que fazer. O advogado, convocado para fazer a partilha dos bens de Zuleika, não teve muito trabalho: mandou um pedaço de José de Tal para o Caju e o outro pedaço para o São João Batista. José de Tal só deixou o corpo.

NITERÓI — Um guarda tentou assaltar outro guarda, mas foi preso por um ladrão que passava pelo local. Assim que percebeu o assalto, o ladrão puxou das algemas que havia roubado na véspera, algemou o guarda numa das mãos e colocou a outra argola na sua. No distrito, o delegado fez mais fé no guarda e prendeu o ladrão.

NEVADA — Um industrial morreu de desgosto, quando vendeu o vestido de noiva de sua mulher, tendo esquecido de tirar a mulher de dentro do vestido. O desgosto do industrial foi quando bateram à sua porta, no dia seguinte, para devolver a mulher.

HONOLULU — O mágico Fu-Lin- Chu, ao apresentar-se no Teatro Ula- Ula, foi denunciado como ladrão, depois de fazer sumir uma porção de objetos de algumas pessoas presentes. O chefe de polícia local conseguiu ser mais mágico que o próprio mágico: assim que entrou no teatro, o mágico desapareceu.

MÉXICO — Nasceu em Acapulco um bebê prodígio, tão prodígio que nasceu com cinco anos de idade. Chama-se Pablito e fala inglês, alemão e dinamarquês — sem legendas. Quando o parteiro deu a primeira palmadinha nas costas do bebê ele exclamou: Vá bater en Ia vovozina!

nas costas do bebê ele exclamou: Vá bater en Ia vovozina! INFLAÇÃO. Grupo de brasileiros classe

INFLAÇÃO. Grupo de brasileiros classe média tentando alcançar o custo de

vida

HABITAÇÃO. Só há uma solução: construir com urgência mais bancos nas praças

HABITAÇÃO. Só há uma solução: construir com urgência mais bancos nas praças

HUMOR EM BALÕES

HUMOR EM BALÕES .'

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IMBECIL! IDIOTA! SEM ERGONHA ! CRETlNO, HIPÓCRITA! CRÁPULA!
IMBECIL!
IDIOTA!
SEM ERGONHA !
CRETlNO,
HIPÓCRITA!
CRÁPULA!

HORÓSCOPO

HORÓSCOPO (válido até a 55 a edição) Se os horoscopistas soubessem mesmo o que vai acontecer,

(válido até a 55 a edição)

Se os horoscopistas soubessem mesmo o que vai acontecer, não perderiam tempo fazendo horóscopo pra ganhar uma miséria — sem mesmo poder adivinhar se vão receber no fim do mês. Ainda assim, se dão ao luxo de vender um pouco de otimismo às pessoas cujas esperanças se gastam no atrito diário da vida, estimulando-as a se conhecer e ao seu futuro. A insegurança de cada um é a própria insegurança dos astros que movimentam os destinos dos

horoscopistas, mais que o nosso próprio. Existem horóscopos diários, semanais, mensais, para homens, para mulheres, com uma precisão de detalhes tão impressionante que não há quem não fique impressionado. Este nosso horóscopo é por edição, vale até a 55. a — mesmo porque, segundo o nosso signo, este livro não irá mais longe do que isso. É praticamente um horóscopo permanente, pode ser consultado em qualquer caso de depressão, de desilusão, de ansiedade, de angústia ou tudo somado. Tem uma vantagem que os outros horóscopos não têm: se você não gostar do seu signo, pode consultar outro, pode até trocar com o do seu vizinho. Só há um detalhe: deve ser lido junto com sua mulher e seus filhos, porque família que lê horóscopo unida permanece unida — desde que pertençam todos ao mesmo signo.

CAPRICÓRNIO

— desde que pertençam todos ao mesmo signo. CAPRICÓRNIO As pessoas nascidas neste signo, se forem

As pessoas nascidas neste signo, se forem homens devem procurar uma mulher, se forem mulheres podem deixar que. os homens procuram. Nos dias de chuva, ambos devem andar de guarda-chuva, porque nada melhor para aproximar um casal do que um guarda-chuva no meio. Os maridos serão sempre surpreendidos pelas mulheres e as mulheres ficarão surpreendidas se não conseguirem surpreender os maridos. Saúde: boa, desde que o médico esteja doente. Número de sorte: 40. Para os gêmeos, 20 pra cada um.

AQUÁRIO

AQUÁRIO As pessoas nascidas neste signo terão grande disposição para o trabalho — e desde já

As pessoas nascidas neste signo terão grande disposição para o trabalho — e desde já peço desculpas. Os homens ganharão muito dinheiro nas suas atividades, pra receber é que vai ser duro: mas é aí justamente que começa a atividade. Os empregados devem ser francos com os patrões e, logo em seguida, procurar outro emprego. Os patrões não precisam ser francos com os empregados: podem continuar como estão. Cores favoráveis: para as mulheres, azul- turquesa, para os homens, louras. Número de sorte: 5 555. Para crianças, 55.

PEIXES

louras. Número de sorte: 5 555. Para crianças, 55. PEIXES As pessoas nascidas neste signo têm

As pessoas nascidas neste signo têm preguiça até de ter preguiça, mas devem reagir: precisam ter preguiça com mais entusiasmo. Outubro é o mês indicado para plantar uma árvore no jardim da sua casa. Se não tiver jardim, plante dentro de casa, se não tiver casa, plante na rua mesmo e more em cima da árvore. As mulheres que tiverem filhos não devem se preocupar. Os homens também não — desde que não sejam eles os pais. Número de sorte:

22. Para os gagos, 2 222.

1 ÁRIES

1 ÁRIES As pessoas nascidas neste signo têm grande tendência pra ter tendências, quaisquer que sejam.

As pessoas nascidas neste signo têm grande tendência pra ter tendências, quaisquer que sejam. Os homens que quiserem viver tranqüilos devem evitar as mulheres casadas, especialmente as suas. As mulheres farão bons casamentos escolhendo maridos do mesmo signo, de preferência solteiros — senão dá um bolo que não há astrólogo que dê jeito. Coração irregular: se bater muito devagar, chamar um médico depressa. Se bater muito depressa, nem dá tempo de chamar o médico. Número de sorte: 4 824 672 651, o chato é decorar.

TOURO

Número de sorte: 4 824 672 651, o chato é decorar. TOURO As pessoas nascidas neste

As pessoas nascidas neste signo têm grande inclinação pra sonegar os impostos, mas isso não tem a menor importância porque as dos outros signos também têm — só que os astrólogos são intransigentes e prevêem uma belíssima cadeia para todos. Dia nefasto: para os homens, quinta-feira. Para as mulheres, o resto da semana — porque basta o homem ter um dia nefasto pra mulher entrar pelo cano a semana inteira. Número de sorte: 33, menos quando é o médico que manda dizer.

GÊMEOS

GÊMEOS As pessoas nascidas neste signo têm grande tendência para o casamento, inclusive as que são

As pessoas nascidas neste signo têm grande tendência para o casamento, inclusive as que são casadas — o que dificulta um pouco. Os homens públicos devem ser mais reservados e as mulheres públicas devem ser mais particulares. Dia excelente para arrancar dentes: quarta-feira, mas não devem arrancar porque é um dia de azar para os dentistas. Dia propício para o amor: 29 de dezembro. As solteironas devem aproveitar a chance, senão só pro ano. Número de sorte: no biriba, 2 de paus; no pôquer, 2 de copas — só que mela o jogo.

CÂNCER

no pôquer, 2 de copas — só que mela o jogo. CÂNCER As pessoas nascidas neste

As pessoas nascidas neste signo têm grande tendência pra falar a verdade, mas não conseguem, pois, via de regra, acabam se tornando advogados criminais. Os homens darão muita sorte com as mulheres dos outros, por isso é aconselhável trancar a sua em casa. As vedetas de teatro podem continuar tentando o suicídio que sempre dará boas reportagens, desde que tomem cuidado pra não ser a última. Número de sorte: uma dúzia. Para estudantes, meia.

LEÃO

LEÃO As pessoas nascidas neste signo têm grande tendência pra serem fiéis, por isso não convém

As pessoas nascidas neste signo têm grande tendência pra serem fiéis, por isso não convém casar. Os maridos devem evitar as mulheres e as mulheres devem evitar os filhos — mas se os maridos evitarem as mulheres, é claro que as mulheres evitarão os filhos. Os homens devem mudar de casa, as mulheres não — o que é uma grande chance para os dois. Saúde: evitar os excessos, principalmente os de velocidade. Número de sorte: 999, noves fora, nada.

VIRGEM

velocidade. Número de sorte: 999, noves fora, nada. VIRGEM As pessoas nascidas neste signo são muito

As pessoas nascidas neste signo são muito impressionáveis, por isso não devem ler este horóscopo até o fim. Mas não adianta recomendar, porque' essas pessoas são acima de tudo curiosas. As mulheres que receberem a visita da cegonha devem mandar ela en- trar, sentar, servir um cafezinho e aguardar a chegada do marido. Os maridos que não acreditam na cegonha não devem voltar pra casa. Pedra preciosa: para as mulheres, quartzo. Para os homens, quartzo e sala conjugados. Números de sorte: 1-02. É só discar e pedir informações.

BALANÇA

BALANÇA As pessoas nascidas neste signo são propensas a ser felizes às segundas, quartas e sextas

As pessoas nascidas neste signo são propensas a ser felizes às segundas, quartas e sextas e infelizes às terças, quintas e sábados. Aos domingos, não se sabe, que é descanso do horoscopista. Os homens devem desconfiar da mulher, mas sem investigar -pra evitar chateação. As mulheres que costumam ficar em casa devem sair. As que costumam sair devem continuar saindo. Isso é ótimo: porque fica com muito mais mulher em circulação. Número de sorte: 13. Para os supersticiosos, 13 e meio.

Número de sorte: 13. Para os supersticiosos, 13 e meio. ESCORPIÃO As pessoas nascidas neste signo,

ESCORPIÃO

As pessoas nascidas neste signo, se forem homens devem usar calça comprida, se forem mulheres, também — só que mais justa. Os maridos devem presentear suas esposas com uma dúzia de rosas todas as semanas, mas se mandarem mais de uma dúzia não esquecer do cartão, senão ela pensa que foi outro que mandou. As esposas podem seguir seus maridos sem susto: o susto vem depois. Pedra preciosa: para os homens, safira. Para as mulheres, qualquer uma, como sempre. Número de sorte: 500. Para comerciantes, 499.