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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

SENAI BARÃO DE COCAIS


CFP – GUILHERME CALDAS EMRICH

NR – 10
COMPLEMENTAR
SEP
RECICLAGEM

ABRIL / 2016

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Organização do Sistema de Potência (SEP)


Aspectos Organizacionais

ANEEL – Agência Nacional de Energia Elétrica. Concedente para regulação e


fiscalização:
As concessões são de responsabilidade do Ministério de Minas e Energia
(MME). Além da agência reguladora federal (ANEEL) e das estaduais, existem
outros organismos também importantes e vitais para a adequada coordenação da
expansão e operação do sistema.

ONS – Operador Nacional do Sistema, encarregado de planejar e coordenar a


operação elétrica e energética de todo o sistema brasileiro.

EPE – Empresa de Planejamento Energético, encarregada de planejar a expansão


dos sistemas elétricos e energéticos.

CCEE – Câmara de Comercialização de Energia Elétrica, responsável pelos


contratos de compra e venda de energia e pela contabilidade da energia fornecida ou
recebida pelos geradores, distribuidores, consumidores livres e comercializadores.

Sistema Elétrico de Potência (SEP).

É o conjunto de todas as instalações e os equipamentos destinados à geração,


transmissão e distribuição de energia elétrica.

O sistema elétrico brasileiro apresenta como particularidade, grandes extensões


de linhas de transmissão e um parque produtor de geração predominantemente hi-
dráulica.

Usina Hidrelétrica

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É a usina elétrica na qual a energia elétrica é obtida por conversão da energia


potencial gravitacional da água.
Podemos encontrar usinas hidrelétricas do tipo:
Usina (hidrelétrica) a fio d’água – usina hidrelétrica que utiliza diretamente a
vazão do rio, tal como se apresenta no local;

Usina (hidrelétrica) com acumulação – usina hidrelétrica que dispõe do seu


próprio reservatório de regularização.

NOTA: Grandes usinas o nível de tensão na saída dos geradores está normalmente
na faixa de 6 kV a 25 kV.

Usina Termelétrica

Usina elétrica na qual a energia elétrica é obtida por conversão da energia


térmica. Os tipos mais utilizados no Brasil são:

Unidade (termelétrica) a combustão interna – unidade termelétrica cujo


motor primário é um motor de combustão interna;

Unidade (termelétrica) a gás – unidade termelétrica cujo motor primário é uma


turbina a gás;

Unidade (termelétrica) a turbina – unidade termelétrica cujo motor primário é


uma turbina a vapor;

Geração Nuclear

Usina nuclear – usina termelétrica que utiliza a reação nuclear como fonte
térmica.
Situadas normalmente o mais próximo possível dos locais de consumo com o
objetivo de minimizar os custos de transmissão, dependendo também dos aspectos
de segurança e conservação ambiental.

Como fontes alternativas de energia elétrica:

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 Energia solar fotovoltaica;


 Usinas eólicas;
 Usinas utilizando-se da queima de biomassa (madeira e bagaço de cana-de-
açúcar, por exemplo) e outras fontes menos usuais como as que utilizam a
força das marés.

Transmissão

Baseados na função que exerce, pode-se definir transmissão como o transporte


de energia elétrica caracterizada pelo valor nominal de tensão:

 Entre a subestação elevadora de uma usina elétrica e a subestação abaixadora


em que se inicia a subtransmissão, alimentando um sistema de distribuição e
fornecendo energia elétrica a um grande consumidor.

 Entre as subestações que fazem a interligação dos sistemas elétricos de dois


concessionários, ou de áreas diferentes do sistema de um mesmo
concessionário.

As tensões usuais de transmissão adotadas no Brasil em corrente alternada


podem variar de 138 kV até 765 kV, incluindo, neste intervalo, as tensões: 230 kV,
345 kV, 440 kV, 500 kV e 750 kV.
Os sistemas de subtransmissão contam com níveis mais baixos de tensão, tais
como 34,5 kV, 69 kV ou 88 kV.

NOTA: Sistema que opera em corrente contínua, Sistema de Itaipu (± 600 kV)

Na transmissão em corrente contínua, a estrutura é essencialmente a mesma,


diferindo apenas pela presença das estações conversoras junto à subestação
elevadora (para retificação da corrente) e junto à subestação abaixadora (para
inversão da corrente) e, ainda, pela ausência de subestações intermediárias
abaixadoras ou de seccionamento.
As linhas de transmissão em corrente contínua apresentam custo inferior ao de
linhas em corrente alternada, enquanto que as estações conversoras apresentam
custo elevado. Portanto, a transmissão em corrente contínua apresenta-se vantajosa
na interligação de sistemas com freqüências diferentes ou para a transmissão de
energia a grandes distâncias.

Subtransmissão (34,5 kV – 69 kV – 88 kV)

É a transmissão de energia elétrica entre uma subestação abaixadora de um


sistema de transmissão e uma ou mais subestações de distribuição.

Subestação

É parte de um sistema de potência concentrada em um dado local,

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compreendendo, primordialmente, nas extremidades das linhas de transmissão e/ou


de distribuição, com os respectivos dispositivos de manobra, controle e proteção,
incluindo obras civis e estruturas de montagem, podendo incluir também
transformadores, equipamentos conversores e outros equipamentos. Podemos citar
dentre os tipos de subestação:
Subestação elevadora – Subestação transformadora na qual a tensão de saída é
maior que a tensão de entrada;
Subestação abaixadora – Subestação transformadora na qual a tensão de saída é
menor que a tensão de entrada;

Distribuição

Distribuição é a transferência de energia para os consumidores, a partir dos


pontos onde se considera terminada a transmissão (ou subtransmissão), até a
medição de energia, inclusive.
Os principais componentes do sistema elétrico de distribuição são:
 Redes primárias;
 Redes secundárias;
 Ramais de serviço;
 Medidores;
 Transformadores de distribuição;
 Capacitores e reguladores de rede.

Consumidores que possuem uma carga instalada superior a 75 kW serão


atendidos em tensão primária (média ou alta, dependendo de sua demanda).
Dentre os outros níveis de tensão primária de distribuição:
2,3 kV; 3,8 kV; 6,6 kV; 11,9 kV; 13,8 kV; 25 kV; 34,5 kV.
Quanto ao nível de tensão de distribuição dos sistemas secundários
220/127 volts; 380/220 volts ou 230/150 volts.

Aspectos sobre a Operação de Sistemas Elétricos.

A freqüência é controlada automaticamente nos próprios geradores por meio dos


reguladores de velocidade, equipamentos que injetam mais ou menos água, vapor ou
gás nas turbinas que acionam os geradores, dependendo do aumento ou da
diminuição da demanda.

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ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO
Planejamento e Programação dos Serviços

Programar: É definir etapas ou procedimentos ordenados para a execução de


serviços em determinado período de tempo, utilizando o método adequado, os
recursos mínimos necessários, tanto pessoais quanto materiais, as ferramentas e os
equipamentos, além de equipamentos de segurança, considerando as interferências
possíveis do meio ambiente com o trabalho.
Trabalhar com segurança em instalações elétricas requer organização e atenção
do que se está fazendo. Organizar o trabalho antes de executar qualquer tarefa é de
fundamental importância. Organizar significa pensar antes de iniciar a tarefa, mas
pensar em quê?

 Em primeiro lugar, na maneira mais segura de fazer a tarefa;

 Na maneira mais simples de fazer a tarefa, evitando complicações ou controles exagerados.

 No modo mais barato de fazer a tarefa;

 No meio menos cansativo para quem vai realizar a tarefa;

 Num procedimento que seja mais rápido;

 Em obter a melhor qualidade e o resultado mais confiável e

 Numa forma de trabalho que não prejudique o meio ambiente, ou seja, que não cause a
poluição do ar, da água e do solo.

Quando você faz, com antecedência, um estudo de todos os fatores que vão
interferir no trabalho e reúne o que é necessário para a sua execução, você está na
verdade organizando o trabalho para alcançar bons resultados.

Planejar: É pensar antes, durante e depois de agir.


Quando planejamos, buscamos alcançar objetivos e quando queremos fazê-lo de
uma forma participativa, compartilhamos diferentes saberes e diferentes ações,
necessariamente precisamos trabalhar com um método de planejamento.

Funções do Responsável: Apresentar os itens das normas e dos procedimentos


relativos às solicitações de intervenção que tenham rebatimento nessa etapa. Falar
sobre os prazos de desligamento;

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Trabalho em equipe

O trabalho em equipe surge diante da necessidade da execução de uma tarefa


que necessite de mais um indivíduo, para alcançar um objetivo comum. Em uma
equipe as decisões que influenciem nas atitudes da mesma, devem ser geradas
através do consenso de seus participantes, só assim todos acatarão as decisões sem
reclamações, pois as decisões refletirão o pensamento da equipe.

Prontuário e Cadastro das Instalações

A revisão da Norma Regulamentadora nº 10 item 10.2.4 determina que:

As empresas com cargas instaladas superiores a 75 kW devem constituir e


manter o Prontuário de Instalações Elétricas, contendo, além do disposto no subitem
10.2.3, no mínimo:
Relatório anual de auditoria de conformidade com a Norma NR-10, com
recomendações e cronograma de regularização visando o controle dos riscos
elétricos;
Conjunto de procedimentos e instruções técnicas e administrativas de segurança
e saúde, implantadas e relacionadas nesta Norma e descrição das medidas de
controle existentes;
Documentação das inspeções e medidas do sistema de proteção contra descargas
atmosféricas e aterramentos elétricos;
Especificação do ferramental e dos equipamentos de proteção coletiva e
individual;
Documentação comprobatória da qualificação, habilitação, capacitação,
autorização, dos profissionais e treinamentos realizados;
Certificação de equipamentos e matérias elétricos instalados em áreas
classificadas;
Relatório técnico das inspeções atualizadas com recomendações, cronogramas
de adequações, contemplando os itens anteriores.

“As empresas estão obrigadas a manter esquemas unifilares atualizados das


instalações elétricas dos seus estabelecimentos com as especificações do sistema de
aterramento e demais equipamentos e dispositivos de proteção”.

Prontuário das instalações elétricas – (PIE)

É um documento na forma de um manual que estabelece o sistema de segurança


elétrica da empresa. O PIE sintetiza o conjunto de procedimentos, ações,
documentações e programas que a empresa mantém ou planeja executar para
proteger os trabalhadores dos riscos elétricos. Todas as empresas com potência
superior a 75 kW devem manter o PIE atualizado.

O Prontuário de Instalações Elétricas deve ser organizado e mantido atualizado


pelo empregador ou pessoa formalmente designada pela empresa, devendo
permanecer à disposição dos trabalhadores envolvidos nas instalações e serviços em
eletricidade.

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Laudo Técnico das Instalações Elétricas – Tem a finalidade de verificar a


conformidade com as NBR 5410 (BT), NBR 14039 (MT), NBR 5418 (Instalações em
áreas classificadas) e outros.

Laudo Técnico de Inspeção do SPDA – É um documento técnico das inspeções e


medições realizadas no SPDA e Aterramento Elétrico da empresa com a finalidade
de verificar a conformidade com a NBR 5419 e NR 10. (Item 10.2.4)

O diagnóstico, juntamente com o laudo das Instalações Elétricas vai fazer parte
do Relatório Técnico das Inspeções. Este, por sua vez, juntamente com o Laudo do
SPDA, vai fazer a base para a estrutura do Prontuário.

Métodos de Trabalho

Manutenção com Linha Energizada – Linha Viva

Método ao Contato

Como o trabalhador tem contato com a rede energizada, mas não fica no mesmo
potencial da rede elétrica, todos os equipamentos de proteção individual e de
proteção coletiva devem ser adequados à tensão da rede para garantir que o mesmo
esteja devidamente isolado.
Portanto, todos os procedimentos de utilização de EPI’s e EPC’s devem ser
seguidos obedecendo-se as técnicas de segurança para não haver falha durante as
operações no SEP.

Método ao Potencial

O trabalhador fica em contato direto com a tensão da rede, no mesmo potencial.


Por isso, é necessário o emprego de medidas de segurança que garantam o mesmo
potencial elétrico no corpo inteiro do trabalhador, devendo ser utilizado um
conjunto de vestimentas condutivas (roupas, capuzes, luvas e botas) ligadas por
meio de cabo condutor elétrico e cinto à rede objeto da atividade.
São imprescindíveis que sejam feitos os testes necessários com todas as roupas
condutivas necessárias para manter uma perfeita equalização do campo elétrico
distribuído no operador.

Método a Distância

Lembre-se que neste método o trabalhador interage com a parte energizada a


uma distância segura pelo emprego de procedimentos, equipamentos, ferramentas e
dispositivos isolantes apropriados. Todos os equipamentos utilizados, como varas de
manobra, bastões e escadas, devem ser submetidos a testes de isolação para garantir
que não haverá potencial de choque elétrico para o operador.

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Trabalho em Painéis e Cubículos

Intervenções em painéis e cubículos são atividades onde os trabalhadores estão


freqüentemente expostos aos riscos de choque elétrico e arco elétrico. Ao realizar
serviços nestes locais, você deve pensar na segurança em primeiro lugar.
Se planejar seu trabalho cuidadosamente, seguir procedimentos seguros e usar o
equipamento apropriado poderá evitar os acidentes.
Antes de entrar em um cubículo de uma subestação, abrir um painel ou o
gabinete de um equipamento, examine o ambiente de trabalho, onde você vai
posicionar o seu medidor e seus outros equipamentos.

Comunicação

A comunicação humana é um processo que envolve a troca de informações, e utiliza


os sistemas simbólicos como suporte para este fim. Estão envolvidos neste processo
uma infinidade de maneiras de se comunicar: duas pessoas tendo uma conversa face a
face ou por meio de gestos com as mãos, mensagens enviadas utilizando a internet, a
fala, a escrita que permitem interagir com as outras pessoas e efetuar algum tipo de
troca informacional.
A comunicação é o processo de transmitir e receber uma mensagem com o objetivo
de afetar o comportamento de outro, é tornar algo comum e fazer-se entender.

Aspectos comportamentais

O simples conhecimento de que seu trabalho está associado a uma fonte de


energia perigosa, por si só, já traz ao colaborador, envolvido direta ou indiretamente
em instalações e serviços com eletricidade no sistema elétrico de potência e em suas
proximidades, um stress maior do que aquele que normalmente teria em condições
de menor risco.
Por conta desse nível de stress diferenciado, a manifestação do comportamento
do colaborador segue uma linha de conduta distinta das demais, semelhante a
qualquer outro que esteja exposto de maneira mais ampla a um determinado risco
mais agudo.

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Condições Impeditivas para Execução de Serviços


A ausência ou a deficiência de qualquer uma das condições a seguir impede o
início ou o prosseguimento de serviços realizados em instalações elétricas do SEP.
Vale ressaltar que essas condições são as principais, pois na análise de riscos do
serviço podemos constatar outras situações que possam impedir a execução da
atividade. São elas:

 As intervenções em instalações elétricas com tensão igual ou superior a 50 volts


em corrente alternada ou superior a 120 volts em corrente contínua somente
podem ser realizadas por trabalhadores que atendam o que estabelece o item
10.8 da NR-10.

 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT, bem como aqueles


executados no Sistema Elétrico de Potência – SEP, não podem ser realizados
individualmente;

 Todo trabalho em instalações elétricas energizadas em AT, bem como aquelas


que interajam com o SEP, somente pode ser realizada mediante ordem de
serviço específica.

 Todo trabalhador em instalações elétricas energizadas em AT, bem como


aqueles envolvidos em atividades no SEP, devem dispor de equipamento que
permita a comunicação permanente.

 Falta ou deficiência de EPCs e ou de EPIs.

 Condições ambientais

 Condições climáticas - depende das características da atividade;

 Serviço em linha viva - só poderá ser realizado durante o dia e em condição


climática favorável.

 Condições pessoais.

 Antes do início das atividades todos os trabalhadores deverão fazer uma


avaliação das condições físicas e mentais da equipe.

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Trabalhos envolvendo alta tensão (AT)


 Realização de serviços em que os trabalhadores que intervenham em instalações
elétricas energizadas com alta tensão (acima de 1000 v) deverão exercer as suas
atividades dentro dos limites estabelecidos como zonas controladas e de risco.

 Antes de iniciar trabalhos em circuitos energizados em AT, o supervisor imediato


e a equipe, responsáveis pela execução do serviço, devem realizar uma avaliação
prévia. Também deverão fazer o estudo e o planejamento das atividades e ações a
serem desenvolvidas de forma a atender os princípios técnicos básicos de
execução de trabalhos seguros envolvendo risco elétrico.

 Os serviços em instalações elétricas energizadas em AT somente podem ser


realizados quando houver procedimentos específicos, detalhados e assinados por
profissional autorizado.

 A intervenção em instalações elétricas energizadas em AT, dentro dos limites


estabelecidos como zona de risco, somente pode ser realizada mediante a
desativação, também conhecida como bloqueio, dos conjuntos e dispositivos de
religamento automático do circuito, sistema ou equipamento.
 Os equipamentos e dispositivos desativados devem ser sinalizados com
identificação da condição de desativação, conforme procedimento de trabalho
específico padronizado.

 Os equipamentos, as ferramentas e os dispositivos isolantes ou equipados com


materiais isolantes, destinados ao trabalho em alta-tensão, devem ser submetidos a
testes elétricos ou ensaios de laboratório periódicos, obedecendo-se às
especificações do fabricante, aos procedimentos da empresa e na ausência destes,
anualmente.

Proteção contra incêndio e explosão

As áreas onde houver instalações ou equipamentos elétricos devem ser dotadas


de proteção contra incêndio e explosão.
Os materiais, as peças, os dispositivos, os equipamentos e os sistemas destinados
à aplicação em instalações elétricas de ambientes com atmosferas potencialmente
explosivas devem ser avaliados quanto à sua conformidade, no âmbito do Sistema
Brasileiro de Certificação.
Os processos ou equipamentos susceptíveis de gerar ou acumular eletricidade
estática devem dispor de proteção específica e de dispositivos de descarga elétrica.

Proximidade e contato com partes energizadas

Trabalho durante o qual o trabalhador pode entrar na zona controlada, ainda que
seja com uma parte do seu corpo ou com extensão condutoras, representadas por

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materiais, ferramentas ou equipamentos que esteja manipulando.


Todas as partes das instalações elétricas devem ser projetadas e executadas de
modo que seja possível prevenir, por meios seguros, os perigos de choque elétrico e
todos os outros tipos de acidentes.
As partes das instalações elétricas, não cobertas por material isolante, na
impossibilidade de se conservarem distâncias que evitem contatos casuais, devem
ser isoladas por barreiras que ofereçam, de forma segura, resistência a esforços
mecânicos usuais.
Toda instalação ou peça condutora que não faça parte dos circuitos elétricos,
mas que eventualmente possa ficar sob a tensão dever ser aterrada, desde que esteja
em local acessível a contatos.

 Proteção contra o risco de contato

As instalações elétricas que estejam em contato direto ou indireto com a água e


que possam permitir fuga de corrente, devem ser projetadas e executadas, em
especial, quanto à blindagem, ao isolamento e ao aterramento.
As vestimentas de trabalho devem ser adequadas às atividades, devendo
contemplar a condutibilidade, a inflamabilidade e as influências eletromagnéticas.
É vedado o uso de adornos (brincos, cornetinhas, entre outros) pessoais nos
trabalhos com instalações elétricas ou em suas proximidades.
Os trabalhos que exigem o acesso à zona controlada devem ser realizados
mediante procedimentos específicos respeitando as distâncias previstas na tabela B.
Zona de risco: Entorno de parte condutora energizada, não segregada, acessível
inclusive acidentalmente, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de
tensão, cuja aproximação só é permitida a profissionais autorizados e com a adoção
de técnicas e instrumentos apropriados ao trabalho.
Zona controlada: Entorno de parte condutora energizada, não segregada,
acessível, de dimensões estabelecidas de acordo com o nível de tensão, cuja
aproximação só é permitida a profissionais autorizados.

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Verifique na tabela a seguir a faixa de tensão nominal da instalação elétrica e a faixa


de tensão para as zonas de risco e controlada.

Faixa de Rr – Raio de Rc – Raio de Tabela B – Tabela de raios de delimitação de zonas de risco,


tensão delimitação delimitação controlada e livre.
Nominal da entre zonas entre zonas
instalação de riscos e controlada e ZL = Zona livre.
elétrica em controlada livre em ZC = Zona controlada, restrita a trabalhadores
KV em metros metros autorizados.
<1 0,20 0,70
≥10 e <3 0,22 1,22 ZR = Zona de risco, restrita a trabalhadores
≥3 e <6 0,25 1,25 autorizados e com a adoção de técnicas,
≥6 e <10 0,35 1,35 instrumentos e equipamentos apropriados ao
≥10 e <15 0,38 1,38 trabalho.
≥15 e <20 0,40 1,40
≥20 e <30 0,56 1,56 PE = Ponto da instalação energizado.
≥30 e 36 0,58 1,58
≥36 e <45 0,63 1,63 SI = Superfície isolante construída com material
≥45 e <60 0,83 1,83 resistente e dotada de todos dispositivos de
≥60 e <70 0,90 1,90 segurança
≥70 e <110 1,00 2,00
≥110 e<132 1,10 3,10
≥132 e <150 1,20 3,20
≥150 e <220 1,60 3,60
≥220 e <275 1,80 3,80
≥275 e <380 2,50 4,50
≥380 e <480 3,20 5,20
≥480 e <700 5,20 7,20

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Sempre que inovações tecnológicas forem implementadas ou para a entrada em


operações de novas instalações ou equipamentos elétricos, devem ser previamente
elaboradas análises de risco, desenvolvidas com circuitos desenergizados e seus
respectivos procedimentos de trabalho.
Além disso, o responsável pela execução do serviço deve suspender as
atividades quando verificar a situação ou condição de risco não prevista, cuja
eliminação ou neutralização imediata não seja possível.

Indução Eletromagnética

A passagem da corrente elétrica em condutores gera um campo eletromagnético


que, por sua vez, induz uma corrente elétrica em condutores próximos. Assim, pode
ocorrer a passagem de corrente elétrica em um circuito desenergizado se ele estiver
próximo a outro circuito energizado.
Por isso é fundamental que você, além de desligar o circuito no qual vai
trabalhar e de bom senso confirmar com equipamentos apropriados (voltímetros ou
detectores de tensão), se o circuito está efetivamente sem tensão.
Saiba que nos trabalhos com linhas transversais e/ou paralelas deve-se utilizar o
sistema de aterramento temporário, tantos quantos necessários.
O aterramento temporário é um equipamento de proteção coletiva, destinado a
promover a equipotencialização para proteção pessoal, contra a energização
indevida do circuito em intervenção.

Descargas Atmosféricas

Ao longo dos anos, várias teorias foram desenvolvidas para explicar o fenômeno
dos raios. Atualmente, tem-se que a fricção entre as partículas de água e gelo, que
formam as nuvens, provocada pelos ventos ascendentes, de forte intensidade, dá
origem a uma grande quantidade de cargas elétricas.
As descargas atmosféricas são um dos maiores causadores de acidentes em
sistemas elétricos causando prejuízos, tanto materiais quanto para a segurança
pessoal. Com o crescente aumento dessas descargas, tornou-se necessário a
avaliação do risco de exposição a que estão submetidos os edifícios, sendo este um
meio eficaz de verificar a necessidade de instalação de pára-raios. Os pára-raios
captam os raios e direcionam os mesmo para o sistema de aterramento.
Os sistemas de aterramento têm como primeiro objetivo à segurança pessoal.
Devem ser projetados para atendem os critérios de segurança tanto em alta
freqüência, descargas atmosféricas e telefonia quanto em baixas freqüências, como
curtos-circuitos em motores trifásicos. Para que o aterramento seja eficaz, é
necessário que seja um sistema estável, ou seja, que apresente uma invariabilidade
nos valores da resistência de terra. Deve-se levar em consideração, também, a
viabilização do projeto, objetivando o ponto ótimo no que se diz respeito a
configuração do sistema e ao resultado desejado.

Costuma-se adotar o valor da resistência de terra em torno de 10 Ω, mas na


prática este valor pode ser bem variável. Adotando-se o aterramento com
equipotencialização, por exemplo, o objetivo final é manter todo o sistema a um
mesmo potencial. Deste trabalho, conclui-se a importância do conhecimento de

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projetos para os sistemas de aterramento e pára-raios de maneira minuciosa


ressaltando suas características peculiares.
Como sendo um fenômeno da natureza, podemos apenas amenizar os efeitos
utilizando métodos seguros de pára-raios e aterramento evitando trabalho com o
tempo carregado (chuvoso).

Eletricidade Estática

Os processos ou equipamentos susceptíveis de gerar ou acumular eletricidade


estática devem dispor de proteção específica e de dispositivos de descarga elétrica.
A eletricidade estática é uma carga elétrica em repouso, ela é gerada
principalmente por um desbalanceamento de elétrons localizados sob uma superfície
ou no ar do ambiente.
O desbalanceamento de elétrons (em todos os casos, gerado pela falta ou pelo
excesso de elétrons) gera um campo elétrico capaz de influenciar outros objetos que
se encontram a uma determinada distância. O nível de carga é afetado pelo tipo de
material, pela velocidade de contato e pela separação dos corpos, da umidade e de
diversos fatores.

Campo magnético

A maioria dos equipamentos tem certo grau de sensibilidade à perturbação de


origem eletromagnética. Um simples raio que caia perto de uma instalação que
tenha muitos sensores, transdutores associados a sinal e comandos pode causar um
mau funcionamento, ou seja, não significa que esse equipamento será danificado,
mas será levada a ele uma informação que será codificada, não como um raio que
caiu, mas como uma informação que o equipamento tomará e que vai ser errada.
Isso é uma perturbação de origem eletromagnética, porque o raio cria um campo
eletromagnético que vai provocar o mau funcionamento dos comandos do controle
de operação.
Os sistemas de controle destinados à segurança devem estar protegidos contra
esse fenômeno classificado como compatibilidade eletromagnética e os
equipamentos devem estar imunes a esse tipo de interferência.
Deve haver uma preocupação em imunizar o equipamento para evitar o mau
funcionamento contra o fenômeno de perturbação e, ao mesmo tempo, evitar que o
equipamento produza ruídos de natureza de campo eletromagnético que perturbe
tanto o seu funcionamento quanto o de outros.
Para isso que existe o estudo de um bom aterramento, da escolha adequada do
tipo de aterramento para evitar correntes comuns, ou seja, assegurar, ao usuário da
instalação, certa segurança para o equipamento instalado e evitar certos tipos de
sobre tensão que são provocados por falhas na rede elétrica, como um curto–
circuito, por exemplo.
Mais uma finalidade do aterramento é a de promover uma referência de
potenciais para a boa operação dos sistemas elétricos, em especial quando há partes
isoladas eletricamente, como um transformador.
Existe grande controvérsia a respeito dos efeitos dos campos eletromagnéticos
no ser humano.

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Comunicação

É importante ressaltar que a comunicação e identificação são partes importantes


do controle do risco, como padronização dos procedimentos de transmissão e
operação, criando uma linguagem simples, fazendo uma nomenclatura e utilizando
métodos seguros (cartões de segurança, painéis de controle e padronizações das
cores) e utilização de cones, cercas e fi tas.

Máquinas e Equipamentos

As máquinas e os equipamentos deverão ser dotados de dispositivos de


partida/parada e outros que se fizerem necessários para a prevenção de acidentes do
trabalho, especialmente quanto ao risco de acionamento acidental, para isso estes
devem ser localizados de modo que:

A - Seja acionado ou desligado pelo operador na sua posição de trabalho;


B - Não se localize na zona perigosa de máquina ou do equipamento;
C - Possa ser acionado ou desligado em caso de emergência, por outra pessoa que
não seja o operador;
D - Não possa ser acionado ou desligado, involuntariamente, pelo operador ou de
qualquer outra forma acidental;
E - Não acarrete riscos adicionais.

Instalações

Os pisos dos locais de trabalho onde se instalam as máquinas e os equipamentos


devem ser vistoriados e limpos sempre que apresentarem riscos provenientes de
graxas, óleos e outras substâncias que os tornem escorregadios.
As áreas de circulação e os espaços em torno de máquinas e equipamentos
devem ser dimensionados de forma que o material, os trabalhadores e os
transportadores mecanizados possam se movimentar com segurança.

As máquinas e os equipamentos de grandes dimensões devem ter escadas e


passadiços que permitam acesso fácil e seguro aos locais em que seja necessária a
execução de tarefas.

Regras Gerais

O local deverá ser sinalizado por meio de placas indicativas e ser feito um
isolamento para prevenir acidentes com transeuntes ou com pessoas que estejam
trabalhando embaixo.

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Trabalho em Altura

Caso você esteja trabalhando em alturas, verifique a seguir os cuidados que você
deverá ter para evitar acidentes.

Analisar atentamente o local de trabalho, antes de iniciar o serviço.


Sob forte ameaça de chuva ou ventos fortes, suspender imediatamente o serviço.
Nunca andar diretamente sobre materiais frágeis (telhas, ripas estuques), instalar
uma prancha móvel.
Usar cinto de segurança ancorado em local adequado.
Não amontoar ou guardar coisa alguma sobre o telhado.
É proibido arremessar material para o solo, deve ser utilizado equipamento
adequado (cordas ou cestas especiais). Caso não seja possível, a área destinada para
jogar o material deve ser cercada, sinalizada e com a devida autorização do SESMT
da empresa contratante.
Usar equipamento adequado (cordas ou cestas especiais) para erguer materiais e
ferramentas.
Instalações elétricas provisórias devem ser realizadas exclusivamente por
eletricistas autorizados.
Imobilizar a escada ou providenciar para que alguém se posicione na base para
calçá-la.
Ao descer ou subir escadas, fazer com calma e devagar.
Não improvisar.

Análise de riscos

“A análise de riscos procura identificarem antecipadamente os perigos nas


instalações, nos processos, nos produtos e nos serviços, e analisar os riscos
associados ao homem, ao meio ambiente e à propriedade, propondo medidas para o
seu controle”.

Os principais passos para a avaliação dos riscos:

 Identificar e avaliar o perigo;


 Estimar a probabilidade e gravidade do dano;
 Analisar o risco;
 Decidir se o risco é tolerável;
 Controlar o risco (com medidas de controle).

Em outras palavras, avaliar riscos é responder a três perguntas. Confira.

 As quais perigos o trabalhador está exposto?


 Qual a probabilidade de ocorrer um acidente?
 Quais medidas devem ser adotadas para que os acidentes não ocorram?

19
CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Equipamentos e Ferramentas de Trabalho

As análises técnicas das concorrências e a aceitação dos materiais em


laboratórios passam por rígidos processos de engenharia. Além dos testes de
recebimento, os materiais são necessariamente submetidos a outros testes e a
ensaios elétricos. Em função disso, devemos implantar uma sistemática de controle
dessas ferramentas e equipamentos que possam aumentar a sua vida útil, reduzir
custos com reposição, aumentando sua disponibilidade para os serviços e garantindo
maior segurança aos eletricistas que trabalham em redes energizadas.

Dispositivos de Isolação Elétrica

As coberturas protetoras para linha viva são usadas nos trabalhos pelo método ao
contato, sendo instaladas com luvas isolantes de borracha ou pelo método a
distância, uma vez que dispõem de olhais para serem operadas com o bastão de
manobra.
São elementos construídos com materiais dielétricos (não-condutores de
eletricidade) que têm por objetivo isolar condutores ou outras partes da estrutura
que estão energizadas para que os serviços possam ser executados sem a exposição
do trabalhador ao risco elétrico. Têm de ser compatíveis com os níveis de tensão do
serviço. Normalmente são de cor laranja. Esses dispositivos devem ser bem
acondicionados para evitar sujeiras e umidade que possam torná-los condutivo.
Também devem ser inspecionados a cada uso.

Escada

A escada deve possuir isolação compatível com a classe de tensão dos locais
onde os trabalhos serão executados. Além disso, é necessária a adoção de
procedimentos de testes e de limpeza para garantia de isolação do equipamento.

Varas de Manobra

São fabricadas com materiais isolantes, normalmente em fibra de vidro e de


epóxi, e, em geral, na cor laranja. São segmentos (de aproximadamente 1 m cada)
que se somam de acordo com a necessidade de alcance.
As varas de manobra são providas de suporte universal e cabeçote, nas quais, na
ponta, pode-se colocar o detector de tensão, o gancho para desligar a chave fusível
ou para conectar o cabo de aterramento nos fi os, etc. Nessa ponta há uma “bor-
boleta” na qual se aperta com a mão o que se deseja acoplar. As varas mais usuais
suportam uma tensão de até 100 kV para cada metro. Sujeiras (poeiras, graxas)
reduzem drasticamente o isolamento. Por isso, antes de serem usadas, devem ser
limpas de acordo com o procedimento.

20
CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

,,,

Outro aspecto importante é o acondicionamento para o transporte, que deve ser


adequado. Para tensões acima de 60 kV, devem ser testadas quanto à sua
condutividade antes de cada uso, com aparelho próprio.

Bastões

Os bastões são similares e do mesmo material das varas de manobra. São


utilizados para outras operações de apoio. Nos bastões de salvamento há ganchos
para remover o acidentado. O bastão de manobra, também conhecido como “bastão
pega-tudo”, foi originalmente projetado para operação de grampos de linha viva e de
grampos de aterramento, porém, face à sua versatilidade, possui hoje múltiplas
aplicações, principalmente na manutenção de instalações elétricas energizadas.

Equipamento de Proteção Coletiva (EPC)

EPC é todo dispositivo ou produto, de uso Coletivo utilizado pelo trabalhador,


destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no
trabalho.
Em todos os serviços executados em instalações elétricas, devem ser previstas e
adotadas, prioritariamente, medidas de proteção coletiva aplicáveis, mediante
procedimentos, às atividades a serem desenvolvidas de forma a garantir a segurança
e a saúde dos trabalhadores.
As medidas de proteção coletiva compreendem prioritariamente a
desenergização elétrica e na sua impossibilidade o emprego de tensão de segurança,
conforme estabelecido na NR-10.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Posturas e vestuários de trabalho

Vestimenta de segurança para proteção de todo o corpo contra arcos voltaicos e


agentes mecânicos, podendo ser um conjunto de segurança, formado por calça e
blusão ou jaqueta, ou macacão de segurança.
Para trabalhos externos as vestimentas terão de possuir elementos refletivos e
cores adequadas; Na ocorrência de abelhas, marimbondos, etc., em postes ou em
estruturas, deverão ser utilizados vestimenta adequada à remoção de insetos. E
liberação da área para serviço elétrico.
Já para trabalhos com linha viva, deve-se utilizar a vestimenta condutiva para
serviços ao potencial (linha viva) que se destina a proteger do trabalhador contra
efeitos do campo elétrico criado quando em serviços ao potencial. Compõe-se de
macacão feito com tecido aluminizado, luvas, gorro e galochas feitas com o mesmo
material, além de possuir uma malha flexível acoplada a um bastão de grampo de
pressão, o qual será conectado à instalação e manterá o eletricista equipotencializado
em relação à tensão da instalação em todos os pontos.

Segurança com veículos e transporte de pessoas, materiais e equipamentos

O transporte de pessoas e cargas em geral requer cuidado especial, visando


evitar acidentes. Para tanto, o motorista deve dirigir com a necessária cautela,
evitando velocidades incompatíveis com a situação e freadas ou manobras bruscas.
Não deve ser permitido ao motorista inspecionar ou procurar defeitos na rede,
operar o rádio ou tomar qualquer outra atitude que desvie sua atenção da tarefa de
dirigir, estando o veículo em movimento. Deve haver, sempre, um estojo de
primeiros socorros adequado para cada tipo de veículo.
No transporte de pessoal devem ser observadas as recomendações do Código
Nacional de Trânsito. Para transporte de escadas ou qualquer carga que exceda os
limites do veículo (linha superior do para-brisa até o para-choque traseiro) deverá
ser usada na extremidade saliente traseira, uma bandeirola de sinalização durante o
dia e uma lanterna vermelha à noite.
Para o transporte de equipamentos, tais como transformadores, bobinas de cabos
e outros, a carga deverá ser centralizada a fim de assegurar o equilíbrio do veículo,
bem como deverá ser calçada. Se o assoalho não tiver a resistência suficiente para
suportar o peso da carga a ser transportada, especialmente quando sua área de apoio
for pequena, deverá ser reforçado com chapa de aço. Os cabos de aço utilizados
devem ter a necessária resistência para manter a carga fixa sobre a carroceria
durante o transporte.
Nas operações de carga e descarga deve-se tomar o cuidado necessário para
evitar avarias

Equipamento de Proteção Individual - EPI

Conforme a Norma Regulamentadora nº 6, equipamento de proteção individual –


EPI é todo dispositivo ou produto de uso individual utilizado pelo empregado,
destinado à proteção de riscos suscetíveis de ameaçar a segurança e a saúde no
trabalho.
O equipamento de proteção individual, de fabricação nacional ou importado, só

22
CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

poderá ser posto à venda ou utilizado com a indicação do Certificado de Aprovação


– CA, expedido pelo órgão nacional competente em matéria de segurança e saúde no
trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego.
A empresa é obrigada a fornecer aos empregados, gratuitamente, EPI adequado ao
risco, em perfeito estado de conservação e funcionamento, nas seguintes
circunstâncias:

 Sempre que as medidas de ordem geral não ofereçam completa proteção contra
os riscos de acidentes do trabalho ou de doenças profissionais e do trabalho;
 Enquanto as medidas de proteção coletiva estiverem sendo implantadas; e
 Para atender situações de emergência.

Cabe ao empregador:

 Adquirir o EPI adequado ao risco de cada atividade;


 Exigir seu uso;
 Fornecer ao empregado somente o aprovado pelo órgão nacional competente em
matéria de segurança e saúde no trabalho;
 Orientar e treinar o empregado sobre o uso adequado, a guarda e a conservação;
 Substituir, imediatamente, quando danificado ou extraviado;
 Responsabilizar-se pela higienização e manutenção periódica e
 Comunicar ao Ministério do Trabalho e Emprego qualquer irregularidade
observada.

Cabe ao empregado:

 Utilizá-lo apenas para a finalidade a que se destina;


 Responsabilizar-se pela sua guarda e conservação;
 Comunicar ao empregador qualquer alteração que o torne impróprio para uso
 Cumprir as determinações do empregador sobre o uso adequado.

Cabe ao empregador: (Conforme o art. 157 da CLT)

Cumprir e fazer cumprir as normas de segurança e medicina do trabalho;


Instruir o empregado, através de ordens de serviço, quanto às precauções a serem
tomadas no sentido de evitar acidentes do trabalho ou doenças profissionais.

Cabe aos empregados: (Conforme o art. 158 da CLT)

 Observar as normas de segurança e medicina do trabalho, inclusive as ordens de


serviço expedidas pelo empregador;
 À observância das instruções expedidas pelo empregador
 Ao uso dos equipamentos de proteção individual – EPI’s fornecidos pela
empresa.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Sinalização e Isolamento de áreas de trabalho

A sinalização tem como ênfase o envio de uma mensagem que, em princípio, é


endereçada ao leigo, isto é, pessoa não advertida do risco elétrico.
Conseqüentemente, partindo justamente da premissa de que se está tratando comum
a fonte de energia abstrata e invisível como a eletricidade, todo e qualquer aviso, por
mais redundante que pareça será insuficiente para, por si mesmo, promover
segurança. Note-se que pessoas
analfabetas, por exemplo, jamais entenderão mensagens escritas. Por esse motivo e
por essa linha é que se estabelecem ícones universais com significado voltado à
segurança.No caso do isolamento de áreas de trabalho, via de regra, não apenas deve
ser a ela confiada a tarefa de
bloqueio às pessoas inadvertidas. Devem ter a robustez necessária a fim de prover,
com segurança, a canalização seja do fluxo de pessoas ou de veículos. Segregar é o
segredo, por mais estranho aos ouvidos que a frase soe. Segregar é separar, criar
impedimento, barreira e isolamento.
Tornar o ambiente de trabalho seguro tanto ao colaborador atuante nele como ao
leigo que nada tem a ver com atarefa desenvolvida. Esse princípio básico é o que
deveria nortear todo e qualquer isolamento de área
de trabalho.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

PRIMEIROS SOCORROS

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Os acidentes representam um dos mais sérios problemas de saúde pública, constituindo-se na


principal causa de mortes e invalidez entre idosos, adultos, jovens e crianças. Os acidentes
destroem a saúde, a vida e a família de milhões de pessoas.

Primeiros socorros ou APH (atendimento pré-hospitalar) são os cuidados imediatos prestados a


uma pessoa, fora do ambiente hospitalar, cujo estado físico, psíquico e ou emocional coloquem
em perigo sua vida ou sua saúde, com o objetivo de manter suas funções vitais e evitar o
agravamento de suas condições (estabilização), até que receba assistência médica especializada.

Omissão De Socorro (Art. 135º Do Código Penal). Todo cidadão é obrigado a prestar auxílio a
quem esteja necessitando, tendo três formas para fazê-lo:

 Atender, auxiliar quem esteja atendendo ou solicitar auxílio.

 Exceções da lei (em relação a atender e/ou auxiliar): menores de 16 anos, maiores de
65, gestantes a partir do terceiro mês, deficientes visuais, mentais e físicos (incapacitados).

“A principal causa-morte pré-hospitalar é a falta de atendimento. A segunda é o socorro


inadequado.”

AS FASES DO SOCORRO

Avaliação da cena: Após o socorrista ter checado o ocorrido, e chamado o resgate através do
193, o socorrista deverá começar a cuidar da vítima, a avaliação da cena, permitirá a ele
determinar o nível de segurança no local. Desta forma ele deverá se atentar aos itens descritos a
seguir:

 Inteirar-se do ocorrido com tranquilidade e rapidez.


 Verificar o risco para si próprio, para a vítima e terceiros.
 Criar um rápido plano de ação para administrar os recursos materiais e humanos
visando garantir a eficiência do atendimento.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

 Manter a segurança da área.


 Chamar por socorro especializado.

MEDIDAS IMPORTANTES

 Evitar Hemorragias.
 Manter a Respiração.
 Proteger as áreas queimadas.
 Transportar com cuidado.
 Manter os ossos fraturados o mais próximo da posição normal.
 Inspirar confiança.
 Evitar pânico.

TIPOS DE VÍTIMAS

Pelo histórico do acidente deve-se observar indícios que possam ajudar ao prestador de socorro
classificar a vítima como clínica ou traumática.

 Vítima Clínica: apresenta sinais e sintomas de disfunções com natureza fisiológica,


como doenças, etc.

 Vítima de Trauma: apresenta sinais e sintomas de natureza traumática, como possíveis


fraturas. Devemos nesses casos atentar para a imobilização e estabilização da região suspeita de
lesão.

AVALIAÇÃO INICIAL DA VÍTIMA

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Antes de qualquer outra atitude no atendimento às vítimas, deve-se obedecer a uma sequência
padronizada de procedimentos que permitirá determinar qual o principal problema associado
com a lesão ou doença e quais serão as medidas a serem tomadas para corrigi-lo.

O objetivo é identificar problemas que ameacem iminentemente a vida da vítima e que


necessitam de atendimento imediato. Esses problemas podem ser de origem traumática (causado
por acidente) ou de origem clínica (problemas de saúde). Esta avaliação tem que ser feita em
menos de 1 minuto, a menos que algum problema tenha que ser corrigido.

Essa sequencia padronizada de procedimentos é conhecida como exame do paciente. Durante o


exame, a vítima deve ser atendida e sumariamente examinada para que, com base nas lesões
sofridas e nos seus sinais vitais, as prioridades do atendimento sejam estabelecidas. O exame da
vítima leva em conta aspectos subjetivos, tais como:

 Local da ocorrência.
 Condição da vítima.
 Lesões.
 Mecanismo da lesão.
 Sinais.

AVALIAÇÃO PRIMÁRIA

A avaliação primaria da vítima consiste no check da sua condição clínica e psicológica. Abaixo
seguem alguns itens que devem ser avaliados, monitorados e controlados:

A. Via Aérea com controle cervical.


B. Respiração e Ventilação.
C. Circulação e controle de hemorragias.
D. Déficit Neurológico.
E. Exposição com controle de ambiente.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Sinais vitais são aqueles que indicam a existência de vida. São reflexos
ou indícios que permitem concluir sobre o estado geral de uma pessoa. Os sinais sobre o
funcionamento do corpo humano que devem ser compreendidos e conhecidos são:

 Temperatura.
 Pulso.
 Respiração.
 Pressão arterial.

OBS: Os sinais vitais são sinais que podem ser facilmente percebidos, deduzindo-se assim, que
na ausência deles, existem alterações nas funções vitais do corpo.

PRESSÃO ARTERIAL

A expressão pressão arterial refere-se à pressão exercida pelo sangue contra a superfície interna
das artérias.

 Pressão Sistólica (máxima): 110 a 140 mmHg.


 Pressão Diastólica (mínima): 60 a 90 mmHg.

PULSO

O pulso é a onda de distensão de uma artéria transmitida pela pressão que o coração exerce
sobre o sangue. Esta onda é perceptível pela palpação de uma artéria e se repete com
regularidade, segundo as batidas do coração. A alteração na frequência do pulso denuncia
alteração na quantidade de fluxo sanguíneo.

O quadro abaixo apresenta a pulsação normal dos indivíduos de acordo com a sua faixa etária.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Fonte: Fundação FIOCRUZ.


TEMPERATURA CORPORAL

 35 a 36°C: Sub normal.


 <34 a 35°C: Hipotermia.
 37,5 a 37,9°C: Estado febril.
 38 a 38,9°C: Febre.
 39°C: Pirexia.
 >39,1°C: Hiperpirexia.

OBSTRUÇÃO DE VIAS AÉREAS

Quando ocorre a obstrução de vias aéreas certamente ela apresentará sinal de asfixia (agarrando
o pescoço), incapaz de falar ou tossir e com um grande esforço respiratório. O que vai exigir
uma ação rápida da Manobra de Heimlich (compressão abdominal).

Esta manobra, criada pelo médico Henry Heimlich em 1974. Ele era um cirurgião torácico, e
desenvolveu a técnica ao descobrir que o engasgamento era a sexta causa de morte mais comum
nos Estados Unidos. Então a partir daí levou seu nome, que tenta tirar a obstrução da garganta
ou traqueia ao utilizar a força do ar que fica preso nos pulmões.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

Quando uma pessoa está engasgada a técnica ensina que deve-se posicionar atrás da pessoa,
fechar o punho e colocá-lo com o polegar estendido entre o umbigo e o osso externo, fazendo
força com a outra mão. A pressão feita sobre o diafragma expulsa o ar dos pulmões, liberando
as vias aéreas.

As figuras acima demonstram a aplicação da Manobra de Heimlich (compressão abdominal).


PARADA CARDIORESPIRATÓRIA

É um quadro em que a vítima não apresenta movimentos respiratórios e o pulso é


completamente ausente, ou seja, parou de funcionar a respiração e o coração, porém não
podemos afirmar que ela encontra-se em óbito. A parada cardiorrespiratória é o exemplo mais
expressivo de uma emergência médica.

CAUSAS DA PARADA CARDIORRESPIRATÓRIA (PCR)

 Asfixia.
 Intoxicações.
 Traumatismos.
 Afogamento.
 Eletrocussão (choque elétrico).
 Estado de choque.
 Doenças.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

REANIMAÇÃO CARDIORRESPIRATÓRIA

Consiste na adoção de uma série de técnicas que visam o retorno dos movimentos respiratórios
e cardíacos. Trata-se de um conjunto de medidas emergenciais que permitem salvar uma vida
pela falência ou insuficiência do sistema respiratório ou cardiovascular. Sem oxigênio as células
do cérebro morrem em 10 minutos. As lesões começam após 04 minutos a partir da parada
respiratória.

COMO PROCEDER

 Verifique o estado de consciência da vítima, perguntando-lhe em voz alta: "Posso lhe


ajudar?".
 Trate as hemorragias externas abundantes.
 Coloque a vítima em decúbito dorsal sobre uma superfície dura.
 Verifique se a vítima está respirando.
 Realize a hiperextensão do pescoço.
 Esta manobra não deverá ser realizada se houver suspeita de lesão na coluna cervical.
 Nesse caso, realize a tração da mandíbula, sem inclinar e girar a cabeça da vítima ou
empurre mandibular.
 Verifique se as vias aéreas da vítima estão desobstruídas aplicando-lhe duas insuflações.
 Verifique se a vítima apresenta pulso, caso negativo inicie a compressão cardíaca
externa.
 Posicione as mãos sobre o externo, 02 cm acima do processo xifoide.
 Mantenha os dedos das mãos entrelaçados e afastados do corpo da vítima.
 Mantenha os braços retos e perpendiculares ao corpo da vítima.
 Inicie a compressão cardíaca comprimindo o peito da vítima em torno de 03 a 05 cm.
 Realize as compressões de forma ritmada procurando atingir de 80 a 100 compressões
por minuto.
 Deve-se intercalar 02 insuflações a cada 30 compressões.
OBS: Após 01 ciclo (02 insuflações e 30 compressões 5 vezes) monitorar novamente os sinais
vitais. Não interrompa a RCP, mesmo durante o transporte, até a recuperação da vítima ou a
chegada do socorro especializado.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

HEMORRAGIA

É o extravasamento de sangue dos vasos sanguíneos ou das cavidades do coração, podendo


provocar estado de choque e óbito. A hemorragia é a perda aguda de sangue circulante, podendo
ser externa ou interna.

CLASSIFICAÇÃO ANATÔMICA

 Arterial: quando o vaso atingido é uma artéria, caracteriza-se por hemorragia que faz
jorrar sangue pulsátil e de cor vermelho vivo. A perda de sangue é rápida e abundante.
 Venosa: quando o vaso atingido é uma veia, caracteriza-se por hemorragia na qual o
sangue sai de forma contínua, na cor vermelho escuro, podendo ser abundante.
 Capilar: quando o vaso atingido é um capilar, o sangue escoa lentamente, normalmente
numa cor menos viva que o sangue arterial.

TÉCNICAS UTILIZADAS NO CONTROLE DE HEMORRAGIAS

1. Pressão direta sobre o ferimento.


2. Elevação de membro.
3. Compressão dos pontos arteriais.
Comprima a artéria que passe rente a uma superfície do corpo próximo a uma estrutura óssea. O
fluxo de sangue será diminuído, facilitando a contenção da hemorragia (hemostasia). Essa
técnica deverá ser utilizada após a pressão direta ou quando a pressão direta com elevação do
membro tenha falhado.

No membro superior, o ponto de compressão é a artéria braquial (próxima ao bíceps), conforme


figura; e no membro inferior é a artéria femural (próxima à virilha).

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

OBS: Em casos de amputação traumática, esmagamento de membro e hemorragia em vaso


arterial de grande calibre, deve-se empregar a combinação das técnicas de controle de
hemorragia.

FERIMENTO

É um rompimento da pele, podendo ser superficial ou profundo, neste último caso, podendo
atingir órgãos, vasos sanguíneos e ossos. Pode ser provocados por arma de fogo, arames,
pregos, pedaços de metais, entre outros.

As figuras acima representam exemplo de ferimentos.

ATENDIMENTO

 Lavar o ferimento com bastante água e sabão.


 Não retirar farpas, vidros ou partículas de metal do ferimento, a menos que saiam
facilmente, durante a limpeza.
 Manter o ferimento limpo e seco.

ESTADO DE CHOQUE

É uma reação do organismo a uma condição na qual o sistema circulatório não fornece
circulação suficiente para cada parte vital do corpo. Uma das funções do sistema circulatório é
distribuir sangue com oxigênio e nutrientes. Quando isso, por qualquer motivo, deixa de
acontecer e essa condição não for revertida, ocorre o que denominamos estado de choque.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

CAUSAS

 Insuficiência cardíaca: o coração não consegue bombear suficiente quantidade de


sangue para o organismo ou para de funcionar.
 Vasos sanguíneos: quando os vasos sanguíneos, por algum motivo, dilatam, impedindo
que o sistema permaneça corretamente preenchido.
 Volume de sangue circulante: o sistema circulatório deve obrigatoriamente ser um
sistema fechado. Quando os vasos são lesados, há uma diminuição nesse volume, podendo levar
ao estado de choque.

CLASSIFICAÇÃO DO ESTADO DE CHOQUE

1. Hipovolêmico: Pode ocorrer devido a hemorragias graves (+de 1 litro de sangue


perdido, interna ou externamente), nas queimaduras que atinjam mais de 10% da área corpórea,
nas diarreias e nos vômitos (desidratação).

2. Cardiogênico: Acontece nos casos de IAM (Infarto Agudo do Miocárdio), nas arritmias
cardíacas e nas insuficiências cardíacas congestivas.

3. Neurogênico: É causado quando o sistema nervoso não consegue controlar o calibre dos
vasos sanguíneos, que ocorre como consequência de lesão na medula espinhal. O volume de
sangue disponível é insuficiente para preencher todo o espaço dos vasos dilatados.

4. Anafilático: É causado quando uma pessoa entra em contato com uma substância na
qual é alérgica, pelas seguintes formas: ingestão, inalação, absorção ou injeção . O choque
anafilático é o resultado de uma reação alérgica severa e que ameaça a vida. Apresentando
alguns sinais e sintomas característicos, como: prurido e ardor na pele, edema generalizado e
dificuldade para respirar.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

5. Séptico: É causado quando micro-organismos lançam toxinas que provocam uma


dilatação dos vasos sanguíneos. O volume de sangue torna-se insuficiente para preencher o
sistema circulatório dilatado. O choque séptico ocorre geralmente no ambiente hospitalar e,
portanto, é pouco observado pelos socorristas.

SINAIS E SINTOMAS

 Pele pálida, úmida e fria.


 Pulso fraco e rápido (> que 100 BPM).
 Respiração curta e rápida.
 Pressão Sistólica menor que 90mmHg.
 Perfusão capilar lenta ou nula.
 Tontura e desmaio.
 Sede, tremor e agitação.

ATENDIMENTO

 Avalie nível de consciência.


 Posicione a vítima deitada (decúbito dorsal).
 Abra as vias aéreas estabilizando a coluna cervical.
 Avalie a respiração e a circulação.
 Efetue hemostasia.
 Afrouxe roupas.
 Previna a perda de calor corporal.
 Não dê nada de comer ou beber.

FRATURAS

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

É uma ruptura total ou parcial da estrutura óssea (solução de continuidade no osso). As fraturas
podem ser fechadas ou abertas como representado nas figuras abaixo.

Fratura fechada: Não há rompimento da pele.

Fratura Aberta: Há rompimento da pele, ocorrendo hemorragia externa.

RECONHECIMENTO DE FRATURA

 Deformação (angulação e encurtamento).


 Inchaço, hematomas.
 Ferida (pode existir ou não).
 Palidez ou Cianose da extremidade.
 Diferença de temperatura no membro afetado.
 Crepitação (rangido).
 Incapacidade funcional.

CONDUTA / REMOÇÃO

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

 Cheque o pulso e perfusão capilar antes e depois da imobilização.


 Nas fraturas alinhadas, imobilize com tala rígida ou moldável.
 A imobilização deve atingir uma articulação acima e outra abaixo da fratura.
 Nos deslocamentos, em fraturas expostas e fraturas em articulações, imobilize na
posição encontrada.
 A tentativa de alinhar deve ser feita, suavemente, e uma única vez, se houver
resistência, imobilize na posição encontrada.
 Use bandagens para imobiliza fraturas ou luxações na clavícula, escápula e cabeça do
úmero.
 Em fratura de fêmur, não tente realinhar, imobilize na posição encontrada.
 Após a imobilização, continue checando pulso e perfusão capilar.

QUEIMADURAS

São lesões causadas nos tecidos cutâneo, provocadas pela ação direta ou indireta de alta
temperatura. Podem ser originadas por agentes químicos, térmicos ou elétricos (metais, fogo,
ácidos, contato elétrico, proximidades de fornos industriais, radiações, raios solares, frio,
plantas).

Muitas pessoas quando pensam em queimaduras, focalizam somente danos á pele. As


queimaduras lesionam muito mais do que a superfície da pele. Conforme o grau, as
queimaduras podem causar lesões às estruturas abaixo da pele, incluindo músculos, nervos,
vasos sanguíneos, e até ossos.

A pele é mais complexa do que aparenta. Sua função principal é proteger o organismo de
ameaças físicas externas. Também tem a função de defesa imunológica e é o principal órgão
regulador da temperatura de nosso corpo contra a desidratação. Tem ainda funções nervosas,
constituindo o sentido do tato.

CLASSIFICAÇÕES

38
CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

1° Grau

 Não sangra. Geralmente seca.


 Rosa e toda inervada.
 Não passam da Epiderme.
 Queimadura de Sol (exemplo).
 Hiperemia (Vermelhidão).
 Dolorosa.

2° Grau

 Atinge derme.
 Úmida.
 Presença de Flictenas (Bolhas).
 Rosa, Hiperemia (Vermelhidão).
 Dolorosa.
 Cura espontânea mais lenta, com possibilidade de formação de cicatriz.

3° Grau

 Atinge todos os apêndices da pele.


 Ossos, músculos, nervos, vasos.
 Pouca ou nenhuma dor.
 Cor Branca, Amarela ou Marrom.
 Não cicatriza espontaneamente, necessita de enxerto.

4° Grau

 Necrose Total.
 Carbonização.
 Tecido negro.

EXTENSÃO DA QUEIMADURA

39
CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

As figuras abaixo apresentam a extensão das queimaduras no corpo humano em percentual.

A figura acima representa o corpo de um indivíduo adulto.

A figura acima representa o corpo de uma criança.

40
CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

A figura acima representa o corpo de um bebê.

ATENDIMENTO

 Afastar vítima do agente causador.


 Se vítima estiver em chamas envolvê-la num cobertor ou mandar rolar no chão.
 Resfriar a área com água. (Pele)
 Retirar adornos da vítima.
 Lavar área afetada com água.
 Desligar chave geral de energia.
 Providênciar transferência de vítima.

ELETROCUSSÃO

As lesões causadas por acidentes com eletricidade podem levar uma vítima a uma parada
cardíaca, paralisação da respiração por contração dos movimentos respiratórios e ocasionar
queimaduras locais de limites bem definidos ou de grande extensão. Os efeitos da eletrocussão
dependem dos seguintes fatores:

 Condutividade dos tecidos corporais.


 Intensidade da corrente.

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CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

 Circuito percorrido no corpo.


 Duração da corrente.
 Natureza da corrente.

TRATAMENTO

1. Realizar o corte da energia.


2. Realizar a analise primária da vítima.
3. Tratar as queimaduras.
4. Considerar a vítima de choque elétrico sempre como vítima de trauma grave, mesmo
que não haja sinais externos que indiquem fraturas e lesões extremas.
5. Realizar a imobilização e remoção da vítima.

42
CURSO DE NR – 10 COMPLEMENTAR (SEP)

REFERENCIAS

Mundo da elétrica. SEP Sistema Elétrico de Potencia. Disponível em


<http://www.mundodaeletrica.com.br/um-pouco-mais-sobre-o-sistema-eletrico-de-potencia-
sep/>.

BRASIL, MINISTÉRIO DA SAÚDE. FUNDAÇÃO OSWALDO CRUZ. FIOCRUZ. VICE-


PRESIDÊNCIA DE SERVIÇOS DE REFERÊNCIA E AMBIENTE. NÚCLEO DE
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