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4. O Tribunal de Contas, em nosso regime constitucional, tem compe-


tência para "julgar da legalidade dos contratos e das aposentadorias, reformas
e pensões". (Constituição Federal, art. 77, n.o lU).
A sua jurisprudência a prop6sito de contagem de tempo de serviço é,
pois, da maior relevância, e a Administração Pública, sujeita à jurisdição do
Tribunal nessa matéria, não pode ficar em oposição a essa jurisprudência.
O Tribunal de Contas não considera o tempo de serviço gratuito, ao jul-
gar as aposentadorias dos funcionários públicos (Diário Oficial de 19-5-47, pá-
gina 6.791).
5. Nestes têrmos, opino pela manutenção dêsse critério na Administração
Pública: o tempo de serviço gratuito não se deve contar para qualquer fim
(Art. 102 do E. F.).
E' o meu parecer. S. M. J.
Distrito Federal, 20 de agõsto de 1941. - Carlos Medeiros Silva, Con-
sultor Jurídico.
Aprovado. - Em 21 de agõsto de 1941. - A. Junqueira Aires, substi-
tuto do Diretor Geral.

REFORMA DE MILITARES - CÁLCULO DE PROVENTOS

- Interpretação do dec.-lei n. O 3.864, de 24-11-41. e do dec.-lei


n. o 3.940, de 16-12-41.

MINISTÉRIO DA GUERRA
Aviso n.° 1. 222
- Para efeito do cálculo dos proventos de inatividade relativos aos pro-
cessos de transferência para a reserva e reforma de praças do Exército, ante-
riores à vigência do Decreto-lei n.o 9.698, de 2 de setembro de 1946, publi-
que-se o parecer n.o 166 Q, de 29 de outubro último, emitido pelo Sr. Dr.
Consultor Geral da República.
Parecer: Referem-se o~ numerosos anexos aos processos de reforma dos
sargentos e soldados do Exército, cujos registros foram recusados pelo Egré-
gio Tribunal de Contoas. E' que, entre a data do pedido de reforma e a expe-
dição de competente decreto, sobreveio o aumento geral de vencimentos, con-
cedido pelo Decreto-Iei n.O 5.916, de 10 de novembro de 1943. Entretanto,
com base no art. 149 do Decreto-lei n.o 3.864, de 24 de novembro de 1941,
o Ministério da Guerra, ao fazer os respectivos cálculos, orientou-se pela ta-
bela vigente ao tempo do pedido. Daí a oposição do Tribunal de Contas, que
entende terem os reformados direito a maiores vencimentos.
Nos pareceres e informações de fls. e fls. sugeriram-se várias providên-
cias e se levantam diversas hipóteses. Acredita uma corrente que se deve
promover a revogação do citado art. 149 do Decreto-lei n.o 3.864. Pensa ou-
tra que êsse dispositivo já está implicitamente ilidido pelo art. 41 do Decre-
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to-lei n.O 3.940, de 16 de dezembro de 1941. Estuda-se, ainda, em que têr-
mos se há de prescrever a revogação e como amparar a diversidade de situa-
ções criadas. E por fim, alega-se, de outro lado, que a lei se sohrepõe à ju-
risprudência e, assim, prevalecem os cálculos.
Houve por bem o Exmo. Sr. Ministro da Guerra determinar então a
audiência desta Consultoria Geral.
A meu ver, data venia, tôda a controvérsia dos anexos provém de um
equívoco inicial, por parte dos órgãos do Ministério da Guerra.
E êste engano está em supor que o art. 149 do Decreto-Iei n.O 3.864,
supra, consubsmncia princípio oposto ao sustentado pelo Egrégio Tribunal de
Contas, ou seja, que a lei determina se tomem por base, no cálculo, os ven-
cimentos tLz tLzta do pedido, enquanto que o Tribunal invoca a data do de-
-ereto de reforma.
Ora, segundo pen;>0' não ocorre, na realidade, semelhante antagonismo.
Vejamos, primeiro o texto legal: "Art. 149. Os subtenentes e subofi-
,dais, sargentos e praças da Fôrças Armadas têm, quando transferidos para a
reserva remunerada ou reformados, os vencimentos e vantagens que, para es-
tas situações, estabelece a legislação vigente na época do pedido de transfe-
rência ou reforma" (Decreto-lei n.o 3.864).
Convém agora verificar, desde logo, se êsse disposi~vo foi revogado pelo
,art. 47 do Decreto-lei n.O 3.940, de 16 de dezembro de 1941. Procurarei
provar que nãe, e disto já se extraem conclusõe~ esclarecedoras.
Eis o citado art. 47: "O militar que estiver aguardando transferência
para a reserva permanecerá no exercício de suas funções até a publicação do
decreto de transferência. Caso, porém, seja detentor de cargo, poderá con-
tinuar nas funções por mais trinta dias, no máximo". (Decreto-lei n.O 3.940).
Argumenta-se, que, permanecendo o militar no pôsto, até a publicação do
decreto, ipso facto 'nesta data, como sustenta o Tribunal de Contas - e não
na do pedido, que se efetiva a transferência. Logo, também do decreto é que
,defluem os direitos correspondentes. E sendo assim, fica revogada a norma
do art. 149 do Decreto-lei n.O 3.864, que se refere à "época do pedido de
transferência ou reforma".
Procede a primeira parte do argumento. Mas a conclusão final acres-
-centa um outro equívoco ao que mais acima aludi. Porque atribui :\0 art.
47 do Decreto-lei n.o 3.940 um caráter inovador e revocatório do art. 149
,do Decreto-lei n.o 3.864, quando, em verdade, já neste último decreto-lei se
continha a mesma regra.
Dispõe, com efeito, o art. 147, § 2.°, do Decreto-lei n.o 3.864: "O pe-
,dido de transferência para a reserva não suspende nem exonera o militar dos
'seus deveres da ativa, enquanto na forma da lei não são publicados o ato
que a concedeu e o seu desligamento do órgão onde serve".
Ora, se êsse princípio coexiste, na mesma lei, com o do art. 149, supra-
citado, então é porque, longe de se ilidirem, ambos se. harmonizam. Impõe-se
,ao intérprete concluir assim.
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Mas, nesse caso, outra conclusão se toma imperativa: a de que o en-


tendimento do Tribunal de Contas não se choca, também, com a regra dI}
mesmo art. 149 do Decreto-lei n.o 3.864.
Analisemos, entretanto, o seu texto.
E tenhamos em mente que a lei, em dois artigos sucessivos, prescreveu,
respectivamente, para oficiais e praças, uma norma de caráter geral, atinente
aos vencimentos da reserva remunerada e da reforma.
Com efeito, no art. 148, o Decreto-lei n.O 3.864 cuidou dos oficiais. E
dispôs: "Os oficiais transferidos para a reserva remunerada e os reformados
percebem tantas trigésimas partes dos vencimentos quantos são os anos de
serviço, até trinta".
Fixou-se nesse artigo um critério para o cálculo dos vencimentos, e não
os próprios vencimentos. O quantum dêstes, que pode variar, constitui ape-
nas um dos elementos do cálculo.
Assim, se o oficial, com vencimentos "X", pede transferência ou refor-
ma, e se o respectivo decreto é publicado sem que tenha ocorrido qualquer
majoração, dito oficial, de acôrdo com o critério do art. 148, perceberá tan--
tas trigésimas partes dos vencimentos "X" quantos são os anos de serviço.
até trinta.
Mas se entre o pedido e o decreto sobreveio aumento e o oficial passou
a receber "X" mais "Y" nem por isto se altera o critério para cálculo, firma-
do no art. 148: o interessado terá tantas trigésimas partes dos vencimentos:
"X" mais "Y" quantos são os anos de serviço, até trinta.
Ora, o mesmo raciocínio é aplicável ao art. 149, que disciplina o direi-
to das praças. Aqui o legislador não se ateve à regra geral da proporcionali-
dade. Naturalmente levando em conta as peculiaridades de situações anterio-
res, determinou que se respeitasse a "legislação vigente na época do pedido
de transferência ou reforma". Não, porém, para cristalizar o quantum dos
vencimentos, mas, simplesmente, como um critério de cálculo.
Exemplifico tomando, ao acaso, um dos anexos: o processo referente (l0l
2.° sargento Agripino Teodoro de Sousa.
Veja-se: de acôrdo com a "legislação vigente na época do pedido" êle
tem direito à reforma com os vencimentos da atividade, qualquer que seja o
tempo de serviço, dada a causa da invalidez.
Está aí fixado o critério para o cálculo e obedecida a regra elo art. 149 _
A quanto montam, entretanto, êsses vencimentos?
- A respectiva tabela, ao se efetivar a reforma, é que o dirá.
Aplica-se, então, o raciocínio já exposto acima: se o sargento Agripino
percebia na atividade vencimentos "X" e êstes foram majorados até a pu-
blicação do decreto, terá direito, de acôrdo com o art. 149, aos mesmos ven-
cimentos integrais "X", qualquer que seja o tempo de serviço. Mas se, entre
o pedido e o decreto, houve majoração, o sargento Agripino, ainda de acôrdo
com o art. 149, terá direito aos vencimentos integrais "X" mais "Y", qual-
quer que seja o tempo de serviço ...
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Assim se conciliam, a meu ver, os vários textos citados, pondo-se em harmo-


nia, de igual passo, a lei e a jurisprudência.
E nesta conformidade, meu parecer é no sentido de que procede a nega-
tiva de registro, por parte do egrégio Tribunal de Contas.
Rio de Janeiro, em 29 de outubro de 1947. - Odilon da Costa Manso,
Consultor Geral da República.
Dia 17 de novembro de 1947.

EXTRANUMERÁRIO MANDATO LEGISLATIVO - SUBSTI-


TUIÇAO

- Aos extranumerários contemplados pelo art. 23 do Ato das Dis-


posições Constitucionais Transitórias é permitido o afastamento de
suas funções para nercício de mandato legislativo.
- Interpretação do art. 50 da Constituição; idem, do art. 23 do
Ato das Disposições Constitucionais Transitórias e do art. 89 do Es-
tatuto dos Funcionários.

DEPARTAMENTO ADMINISTRATIVO DO SERVIÇO PÚBLICO


PROCESSO N.o 4.992-47
Afastamento de extranumerário em virtude de mandato legislativo - A
Diretoria do Pessoal da Armada (D. F . 7) consulta o D. A. S . P. se extranume-
rário mensalista com mais de cinco anos de exercício pode afastar-se do ser-
viço para exercer função legislativa municipal. E, em caso afirmativo, se é
cabível a admissão a timlo precário, de novo elemento, como substituto, du-
rante o impedimento.
2. Esta D . P . é de parecer que, em face do disposto no art.
23 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, que esten-
. deu aos extranumerários, desde que reúna as condições ai estabeleci-
das, as regalias concedidas aos funcionários, para efeito de estabilidade, apo-
sentadoria, licença, disponibilidade e férias, não há como deixar de reconhe-
cer-lhes o direito a afastamento, para o fim indicado.
3. Com efeito, os funcionários públicos federais podem afastar-se para
efeito de exercício de mandato eletivo, ex-vi do art. 50 da Const>ituição Fede-
ral, que determina, in-verbis: "Art. 50. Enquanto durar o mandato, o fun-
cionário público ficará afastado do exercício do cargo, contando-se-lhe tem-
po de serviço apenas para promoção por antiguidade e aposentadoria".
4. No tocante à substituição, entende esta D. P. que essa providência
não tem cabimento, pois as séries funcionais de extranumerários mensalistas se
assemelham, mutatis mutandis, às carreiras de funcionários, e é sabido que
o Estatuto dos Funcionários proíbe substituições remuneradas em cargos de
carreira ( art . 89).