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Costa e Reis Advogados e Associados S/S -

OAB/RO 016-2004
Rua Tenreiro Aranha, n.º 2.365, 1º Andar, sala 02, CEP: 76801-092 - Porto Velho-RO
E-mail: advocaciacostaereis@hotmail.com - Fone/FAX:(69) 3229-8323
Celulares: (69) 8442-5447 - (69) 8123-6614 - (69) 8407-1598 - (69) 9292-3219 - (69) 9975-6655 – Twitter: http://twitter.com/CostaeReisAdv

EXCELENTÍSSIMO SENHOR DOUTOR JUIZ DE DIREITO DA ___ª VARA DA


FAZENDA PÚBLICA DA COMARCA DE PORTO VELHO/RO

Beneficiária de Assistência Judiciária Gratuita – Lei n.º 1060/50

CLARA ALEXANDRA CUSTÓDIA DE SOUZA, menor


impúbere, neste ato, representada por seus genitores e
responsáveis ALDINEI SOBRINHO DE SOUZA, brasileiro, casado,
eletricista de automóveis, portador da Cédula de Identidade RG
n.º 829158 SSP/RO e do CPF n.º 831226302-06 e ROSILEIDE DOS
SANTOS CUSTÓDIO, brasileira, do lar, portadora da Cédula de
Identidade RG n.º 797456 SSP/RO e do CPF n.º 774689022-91, todos
residentes e domiciliados em Porto Velho/RO na Rua Luis de
Camões, n.º 7132, Bairro Aponiã, CEP 76821-063 – Porto Velho/RO;
por meio de seu Advogado e bastante procurador signatário,
instrumentos de mandato em apenso (doc. n.º 01, 02), com
Escritório Profissional em endereço supra onde recebe as
intimações e comunicações de estilo, vem com o acato e respeito
devidos perante a digna e honrada presença de Vossa Excelência
propor a presente

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO POR DANOS MORAIS E MATERIAIS


POR ERRO MÉDICO c/ PEDIDO DE TUTELA ANTECIPADA

em desfavor do MUNICÍPIO DE PORTO VELHO/RO, pessoa jurídica de


direito público interno, inscrita no CNPJ sob o n.º
05.903.125/0001-45, com sede na Praça João Nicoleti, s/n.º,
Centro, CEP: 76800-000 – Porto Velho/RO, podendo ser citado

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através de seu Representante Legal; pelas razões de fato e


direito a seguir aduzidas.

I - CAUSA DE PEDIR - OS FATOS

A Autora, uma criança de 03 (três) anos de


idade (doc. n.º 03), é portadora de parcial paralisia cerebral
conforme atesta a inclusa documentação médica (doc. n.º 04), a
qual lhe impede a movimentação coordenada e normal dos membros
inferiores e expressão vocal e de gestos, segundo bem poderá ser
observado em juízo. Conforme bem será explicitado abaixo, a
doença da Autora foi provocada pela falta de oxigenação no
cérebro, em razão da atuação negligente de profissionais médicos
do quadro de saúde do Município de Porto Velho/RO durante o seu
parto ocorrido em 17/12/2006 na Maternidade Municipal.

Por ocasião do parto, o médico responsável


pelo acompanhamento e pré-natal que tinha indicado com
antecedência, a execução de parto normal, foi bruscamente,
substituído na ocasião por outro profissional, que
negligentemente e sem prévia ciência dos genitores da Autora,
alterou o tipo de parto na última hora para “cesariana”,
ignorando peculiaridades da gravidez da genitora da Requerente;
procedimento este o qual, ainda mal executado, resultou na falta
de oxigenação da infante e decorrente lesão cerebral permanente,
hoje manifestada na dificuldade de coordenação motora e
comunicação pessoal através de verbalização da voz.

Segundo anota o Dr. Marcos Antônio


Sueyassu, Neurologista Infantil da rede estadual de saúde que
examinou a Autora, a menor possui “ecne” (Encefalopatia Crônica
Não Evolutiva), conforme incluso documento médico em anexo (doc.
n.º 04).

Igualmente, sofisticado exame denominado


eletroencefalograma digital e mapeamento cerebral procedido pelo
Instituto de Neurocirurgia e Neurologia da Amazônia Ocidental
(doc. n.º 05), revelou que a Autora possui ondas lentas de
projeção cerebral nas regiões frontais do cérebro, responsáveis
pela atividade e coordenação motora, o que denota a
encefalopatia crônica diagnosticada.

DA AVILTANTE ABRANGÊNCIA DOS DANOS MORAIS E MATERIAIS À VIDA DA


AUTORA

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Os deletérios efeitos da negligência e


imperícia médica da rede municipal de saúde ora verificados,
infelizmente, surtirão efeitos danosos durante TODA A VIDA DA
AUTORA, por decorrência de suas limitações motoras e
comunicativas decorrentes do seu parto mal executado, a menor
terá dificuldades educacionais, restrições profissionais e
sociais incalculáveis.

Somado a isto está o fato dos seus


genitores se tratarem de pessoas extremamente pobres e limitadas
financeira e materialmente, portanto, sem pífias condições de
arcarem com todo o aparato material necessário para providência
de um mínimo de conforto e acessibilidade para a vida da filha
querida, tais como: educação especializada, móveis e cômodos
adaptados, sessões regulares de fonaudiologia, cadeiras de
rodas, etc.

A dificuldade dos mesmos é tanta, que


houve demora até para a realização de exames suplementares para
melhor dimensionar a esse MM. Juízo, a extensão dos danos aqui
ocorridos.

Havendo portanto, URGENTE necessidade de


amparo estatal à Autora, que já tendo diligenciado a órgãos
responsáveis e competentes para tanto, perdura em peregrinação
ingrata para suplemento de suas urgentes necessidades especiais.

Diante do que se expõe, evidenciando-se a


responsabilidade dos Réus pelos infortúnios provados pela Autora
até o fim de sua vida, cabe-lhes a imputação para reparação dos
danos causados, motivo pelo qual se procura o Judiciário.

ASPECTOS JURÍDICOS PERTINENTES

DA RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA

Conseqüência inexorável do tratamento da


presente demanda sob o prisma imposto pelo Código de Defesa do
Consumidor, é o afastamento da análise da culpa no cometimento
de atos ilícitos, pois, como bem sagra o art. 14, vige a
responsabilização objetiva nas relações de consumo, in verbis:

Art. 14. O fornecedor de serviços


responde, independentemente da existência
de culpa, pela reparação dos danos

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causados aos consumidores por defeitos


relativos à prestação dos serviços, bem
como por informações insuficientes ou
inadequadas sobre sua fruição e riscos.

Com relação a esta característica, faz-se


pertinente a observação do comentário do professor Carlos
Roberto Gonçalves, in verbis:

“A lei impõe, entretanto, a certas


pessoas, em determinadas situações, a
reparação de um dano cometido sem culpa.
Quando isto acontece, diz-se que a
responsabilidade é legal ou ‘objetiva’,
porque prescinde da culpa e se satisfaz
apenas com o dano e o nexo de causalidade.
Esta teoria, dita objetiva, ou do risco,
tem como postulado que todo dano é
indenizável, e deve ser reparado por quem
a ele se liga por um nexo de causalidade,
independentemente de culpa”.

Como bem destaca a lei, a


responsabilização objetiva somente terá lugar quando os danos
aos consumidores forem gerados em razão de defeitos na prestação
dos serviços. Nesse sentido a própria lei esclarece, in verbis:

“Art. 14. (...)

§1° O serviço é defeituoso quando não


fornece a segurança que o consumidor dele
pode esperar, levando-se em consideração
as circunstâncias relevantes, entre as
quais:

I - o modo de seu fornecimento;

II - o resultado e os riscos que


razoavelmente dele se esperam;

III - a época em que foi fornecido.”

(Grifo nosso).

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Deste modo, como houve negligência no


tratamento do quadro de saúde da mãe da Autora, fazendo-a
sofrer, juntamente com sua filha, com a indiferença no
tratamento aos problemas de sua gestação, assim como alterando
de última hora o tipo de parto, verifica-se imprescindível a
responsabilização dos Réus.

DA MOLÉSTIA DA AUTORA

Conforme bem se atesta pelos Laudos em


anexo a Autora sofre de paralisia cerebral parcial que lhe
impossibilita, dentre outras limitações, a movimentação dos
membros inferiores e verbalização de gestos . Tal moléstia,
segundo se depreende da documentação acostada a esta inicial, se
deu em razão de inadequada oxigenação do cérebro durante
procedimento cirúrgico de parto do tipo cesariana, que era
contra-indicado no caso genitora da Autora dada as
peculiaridades de sua gravidez complicada.

Diante de tal síntese faz-se possível a


caracterização do ilícito praticado pelos Réus. Contudo, para o
esclarecimento dos fatos, é imperioso o esclarecimento de alguns
termos.

ENCEFALOPATIA: doença encefálica que leva à incapacidade de


levar os processos psíquicos ou fisiológicos até o final, até
sua solução. Portanto, incapacidade de concluir, de fazer
escolhas, de se responsabilizar, de resolver problemas, de
satisfazer desejos. Incapacidade de aprender com as experiências
vividas. Além disso, irritabilidade excessiva, agressividade,
impulsividade, viscosidade, excesso de libido ou frigidez. Pouca
ou nenhuma percepção do outro.(Sonenreich C., Estevão G. –
Distúrbios Psíquicos e Epilepsia. Rev. Temas n. 21, dez 81).

No caso em tela, apesar de não ter


ocorrido o resultado morte, houve a redução da oxigenação de
áreas do corpo da Autora. O que contribuiu para o acontecimento
das lesões cerebrais constatadas nos laudos em anexo. Tal
situação se caracteriza como hipoxia.

Em suma, a Autora agora está sofrendo de


paralisia cerebral em razão da falta de oxigenação, decorrente
tanto da redução do líquido amniótico, quanto pelo longo período
que ficou em sofrimento, à espera de seu nascimento, através de
cesariana.

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É nesse tocante que se caracteriza a


responsabilidade dos Réus, pois a Maternidade Municipal, através
de sua direção foi negligente ao permitir que de súbito, fosse
modificado por ocasião do parto, tanto o profissional médico
como o tipo de parto (do natural para o tipo cesariana); que
ainda foi mal executado gerando lesões cerebrais permanentes na
Autora, decorrentes de deficiência na oxigenação de seu cérebro
durante o parto e substituição do líquido amniótico (vazado com
a incisão da cesariana); por oxigênio, o que carreou as
conseqüências que se fazem provadas pelos documentos em anexo.

Da mesma forma, também se constata a


negligência do mesmo Hospital quando se observa que o tratamento
dispensado à mãe da Autora – quando de sua estada para parto em
dez/2006, foi insuficiente, não havendo qualquer observância ao
inafastável direito à saúde, pois quando se constatou o
periclitante estado em que se encontrava a menor, a Maternidade
Municipal, por provável incúria, deixou de providenciar o
necessário transporte e tratamento especializado, fazendo com
que a mãe tivesse de se deslocar com seus próprios meios até o
outro nosocômio, apenas dias mais tarde, quando não era mais
possível reverter/diminuir ou amenizar os efeitos deletérios da
ausência de oxigenação.

DOS DANOS PROVADOS PELA AUTORA

De acordo com o que bem enuncia o Código


Civil, ato ilícito é todo aquele que, não isento de excludentes,
causa danos, ainda que exclusivamente morais, a outrem, in
verbis:

Art. 186. Aquele que, por ação ou omissão


voluntária, negligência ou imprudência,
violar direito e causar dano a outrem,
ainda que exclusivamente moral, comete ato
ilícito.

In casu, configura-se pela explanação


supra a existência de ato ilícito, pois danos foram causados à
Autora, em razão da negligência de ambos os Réus.

Assim, como conseqüência do ilícito, a


Autora pode demandar a devida reparação, pois sofreu danos,
senão vejamos, in verbis:

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Art. 927. Aquele que, por ato ilícito


(arts. 186 e 187), causar dano a outrem,
fica obrigado a repará-lo.

Estando, dessa forma, evidenciado o dever


dos Réus ao pagamento de indenizações à Autora, devem ser
discriminadas as parcelas, com as suas respectivas naturezas e
quantidades, a que estão compelidos a ressarcir. Sendo que,
neste tocante, discorre Sílvio de Salvo Venosa com bastante
clareza a viabilidade de condenação por danos morais e
materiais, in verbis:

“Os danos projetados nos consumidores,


decorrentes da atividade do fornecedor de
produtos ou serviços, devem ser cabalmente
indenizados. No nosso sistema foi adotada
a responsabilidade objetiva no campo do
consumidor, sem que haja limites para a
indenização. Ao contrário do que ocorre em
outros setores, no campo da indenização
aos consumidores não existe limitação
tarifada. Desse modo, por exemplo,
medicamento que ocasiona prejuízo à saúde
consumidor ou grupo de consumidores deve
ser cabalmente indenizado, no âmbito da
responsabilidade objetiva, abrangendo
tanto os danos morais como os danos
materiais”.

Como a finalidade da indenização é a


reconstituição do status quo ante, devem os Réus serem
condenados a reparar os prejuízos que sofre a Autora, ou seja,
indenizá-la pelos danos físicos e morais, como bem estabelecem
os artigos 949 e 950 do Código Civil, in verbis:

“Art. 949. No caso de lesão ou outra


ofensa à saúde, o ofensor indenizará o
ofendido das despesas do tratamento e dos
lucros cessantes até ao fim da
convalescença, além de algum outro
prejuízo que o ofendido prove haver
sofrido.

Art. 950. Se da ofensa resultar defeito


pelo qual o ofendido não possa exercer o
seu ofício ou profissão, ou se lhe diminua

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a capacidade de trabalho, a indenização,


além das despesas do tratamento e lucros
cessantes até ao fim da convalescença,
incluirá pensão correspondente à
importância do trabalho para que se
inabilitou, ou da depreciação que ele
sofreu.” (Grifo nosso).

DA PENSÃO MENSAL VITALÍCIA

Em razão do que bem estabelece o art. 950


do Código Civil, observa-se precedente para a imputação aos
Réus, de pagamento de prestação mensal vitalícia à Autora.

O fundamento fático a se coadunar com o


dispositivo legal se encontra anexo junto a esta inicial, posto
que a menor necessitará de constantes cuidados com sua saúde, em
razão dos danos provocados pelos Réus.

Conquanto houvesse diversidade no


fundamento, ainda assim seria cabível a imposição de pagamento
mensal de pensão, pois há que se resgatar o raciocínio do
Supremo Tribunal Federal, quando observada a morte de menor, in
verbis:

Súmula nº 491. É indenizável o acidente


que cause a morte de filho menor, ainda
que não exerça trabalho remunerado.

Assim, com base no raciocínio exposto pelo


Pretório Excelso, e observando-se que existe, de fato, lesão que
necessitará de constantes e onerosos cuidados, cabe a pretensão
ao pagamento de pensão vitalícia, como bem se extrai do julgado
abaixo, do Tribunal Federal da 3ª Região, in verbis:

Acórdão Origem: TRIBUNAL - TERCEIRA REGIÃO


Classe: AG - AGRAVO DE INSTRUMENTO –
228989
Processo: 200503000092029 UF: MS Órgão
Julgador: PRIMEIRA TURMA. Data da decisão:
22/11/2005 Documento: TRF300100961 Fonte
DJU DATA:07/03/2006 PÁGINA: 204
Relator(a) JUIZ JOHONSOM DI SALVO
Decisão A Turma, por unanimidade, rejeitou

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a matéria preliminar e deu parcial


provimento ao agravo de instrumento,
julgando prejudicado o agravo regimental,
nos termos do voto do(a) Relator(a), que
lavrará o acórdão.
Ementa CIVIL E PROCESSUAL CIVIL - AÇÃO DE
INDENIZAÇÃO - ERRO MÉDICO - PARALISIA
CEREBRAL DE NASCITURO DECORRENTE DE
PROLONGAMENTO DO PARTO NORMAL REALIZADO
NAS DEPENDÊNCIAS DA FUNDAÇÃO UNIVERSIDADE
FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - RELAÇÃO DE
CAUSALIDADE DEMONSTRADA - RESPONSABILIDADE
OBJETIVA - DEVER DE INDENIZAR -
PRELIMINARES DE PRESCRIÇÃO E DE
IMPOSSIBILIDADE DE ANTECIPAÇÃO DE TUTELA
EM FACE DO ENTE PÚBLICO ARGÜIDAS EM
CONTRAMINUTA REJEITADAS - DEMANDA AJUIZADA
POR ABSOLUTAMENTE INCAPAZ - APLICAÇÃO DO
ART. 169, I, DO CÓDIGO CIVIL DE 1916 EM
ATENÇÃO AO PRINCÍPIO "TEMPUS REGIT ACTUM"
- INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA AO ART. 1º DA
LEI Nº 9.469/97 – RECURSO PARCIALMENTE
PROVIDO. 1. Ainda que os fatos sobre os
quais se fundamenta a pretensão
indenizatória veiculada na demanda de
origem tenham se dado em 07 de novembro de
1998 e a demanda sido ajuizada em 21 de
outubro de 2004 - momento posterior ao
decurso do prazo prescricional de cinco
(5) anos previsto no Decreto-lei
n°.20.910/32 -, não é possível reconhecer
a ocorrência de prescrição nos presentes
autos, uma vez que cuida-se de demanda
ajuizada por absolutamente incapaz em face
do qual milita o beneplácito do
impedimento da contagem do prazo
prescricional, nos termos do art. 169,
inciso I, do Código Civil de 1916, que tem
aplicação ao caso por incidência do
princípio geral de direito "tempus regit
actum". Preliminar de prescrição
rejeitada. 2. As vedações a concessão de
tutela antecipada contra a Fazenda Pública
contidas na Lei 9.494/97, art. 1º, não se
aplicam in casu porque: (1) não se trata
de reclassificação ou equiparação de
servidores públicos, ou concessão de

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aumento ou extensão de vantagens (art. 5º


e § único da Lei 4.348/64); (2) não se
trata de caso assemelhado àquele que, em
mandado de segurança, seria impossível a
concessão de liminar e tampouco o objeto
da tutela esgota o objeto da ação de
conhecimento já que se trata de pensão
alimentar paga em forma de prestação
continuada, que poderá ser cessada caso a
antecipação seja cassada ou a ação julgada
improcedente. 3. No âmbito do Superior
Tribunal de Justiça há posição no sentido
de que se deve dar interpretação
restritiva ao art. 1º da Lei 9.494/97,
atenuando-se a impossibilidade de
concessão de tutela antecipada contra a
Fazenda Pública (liminar na ADC/4), no
caso de "situações especialíssimas",
semelhante a tratada nos presentes autos,
onde é aparente o estado de necessidade,
de preservação da vida ou da saúde (REsp;
nº.420.954/SC, rel. Min. Fernando
Gonçalves, j. 22/10/02). Matéria
Preliminar rejeitada.
4. O autor colacionou documentos
produzidos pela própria Universidade
Pública na execução de seus serviços
médicos que apontam para a ocorrência de
provável lesão hipóxica - falta de
oxigenação - do encéfalo decorrente de
prolongamento do parto normal e que
demonstram a verossimilhança das alegações
da parte, mormente quando confrontadas as
circunstâncias e os documentos com os
estudos publicados sobre o tema "paralisia
cerebral perinatal".
5. Demonstradas a relação de causalidade
entre a ação perpetrada por funcionários
do ente público e o dano ocasionado no
menor, não há como afastar a
responsabilidade da FUNDACAO UNIVERSIDADE
FEDERAL DE MATO GROSSO DO SUL - FUFMS que
no caso deve ser aferida de forma
objetiva, ou seja, sem se perquirir acerca
dos elementos subjetivos da conduta nos
termos do art. 37, §6° da Constituição
Federal de 1988.

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6. Necessidade de ampliação da tutela


antecipada para minorar o candente
sofrimento de uma criança de apenas 6
(seis) anos, tendo em vista suas
necessidades essenciais, fazendo-se apenas
um pequeno reparo em relação ao valor da
prestação mensal porquanto a decisão
liminar recorrida já determinou à
Universidade Federal que oferecesse "todo
e qualquer tratamento médico-hospitalar e
ambulatorial, bem como medicação e
instrumentos necessários para o bem estar
geral da saúde do autor e conseqüente
sobrevivência" circunstância que afasta a
necessidade de a prestação pecuniária
mensal a título de indenização abranger
também os medicamentos, tal como pleiteado
na minuta, sob pena de "bis in idem".
7. Agravo de instrumento parcialmente
provido para determinar a imediata
implementação de pensão mensal no valor de
R$.1.000,00 (um mil reais) em benefício do
menor, a ser paga a sua representante
legal diretamente em numerário ou em
depósito em conta bancária até o 5° dia de
cada mês dada a peculiaridade do caso
concreto que demonstra a
indispensabilidade da adoção de diversas
medidas essenciais à garantia efetiva do
seu direito à vida, assegurado com
absoluta prioridade pelos artigos 5° e
227, ambos da Constituição Federal de
1988. Agravo regimental prejudicado.

Diante do que se expõe, tendo a menor


necessidade de tratamentos específicos para a tentativa de
reversão de sua moléstia, cabe serem os Réus compelidos ao
pagamento da quantia equivalente a 4 (quatro) salários mínimos
mensais, ou a importância de R$ 2.040,00 (dois mil e quarenta
reais); mediante inclusão da Autora no quadro inativo permanente
da Prefeitura Municipal de Porto Velho.

DA CARACTERIZAÇÃO DOS DANOS MORAIS

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O dano moral, como já assente na doutrina


nacional, é aquele que provoca inquietação e sofrimento ao
indivíduo, estando atualmente resguardado pelo art. 186 do
Código Civil, o qual estabelece, conjuntamente com o art. 927, a
obrigação de reparação pelos prejuízos causados, ainda que
exclusivamente morais.

O fundamento para a reparabilidade dos


danos morais, como bem lecionado Caio Mário da Silva Pereira, é
necessidade da ordem jurídica resguardar direitos imateriais,
impedindo, assim que a moral seja aviltada, senão vejamos, in
verbis:

“O fundamento da reparabilidade pelo dano


moral está em que, a par do patrimônio em
sentido técnico, o indivíduo é titular de
direitos integrantes de sua personalidade,
não podendo a ordem jurídica conformar-se
em que sejam impunemente atingidos”.

Assim, constatando-se violação ao


patrimônio moral do indivíduo, o julgador deve cominar ao
agressor, punição, com caráter pedagógico e reparador, a qual
tem por fim minorar o sofrimento impingido, além de incutir o
dever de cuidado no Réu, para que evite o cometimento de novos
ilícitos no futuro.

No caso em tela, o dano invade não só a


esfera moral da Autora, como também de seus familiares, em
especial sua mãe, pois por força da negligência dos Réus,
tiveram aviltados os seus direitos, em especial a consagrada
proteção constitucional à saúde.

Não se tem, na presente causa, um mero


aborrecimento, uma simples frustração, decorrente dos
inevitáveis reveses da vida. Ao contrário, o pesar sofrido pela
Autora, bem como seus familiares, teria como ser evitado se os
Réus tivessem adotado postura responsável no tratamento do
quadro clínico de ambas.

Assim, não há que negar haver dano à


moral, pois como se demonstra pelos documentos acostados, os
procedimentos adotados pelos Réus culminaram em lesões que
impedem o normal desenvolvimento motor da Autora, podendo
acarretar-lhe seqüelas irreversíveis, que podem lhe impedir,
inclusive, o exercício de atividade laborativa no futuro.

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Contudo, apesar de rica, é desnecessária a


descrição dos danos, exigindo-se, como assenta o Superior
Tribunal de Justiça, tão somente a prova do fato que os gerou.
Observe-se o julgado do STJ abaixo, in verbis:

Acórdão Origem: STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE


JUSTIÇA Classe: RESP - RECURSO ESPECIAL –
86271 Processo: 199600038007 UF: SP Órgão
Julgador: TERCEIRA TURMA
Data da decisão: 10/11/1997 Documento:
STJ000190355 Fonte DJ DATA:09/12/1997
PÁGINA:64684 Relator(a) CARLOS ALBERTO
MENEZES DIREITO. Decisão POR UNANIMIDADE,
CONHECER EM PARTE DO RECURSO ESPECIAL E,
NESTA PARTE, DAR-LHE PROVIMENTO. Ementa
INDENIZAÇÃO DE DIREITO COMUM. DANO MORAL.
PROVA. JUROS MORATORIOS. SUMULA N. 54 DA
CORTE. 1. NÃO HA FALAR EM PROVA DO DANO
MORAL, MAS, SIM, NA PROVA DO FATO QUE
GEROU A DOR, O SOFRIMENTO, SENTIMENTOS
INTIMOS QUE O ENSEJAM. PROVADO ASSIM O
FATO, IMPÕE-SE A CONDENAÇÃO, SOB PENA DE
VIOLAÇÃO AO ART. 334 DO CODIGO DE PROCESSO
CIVIL. 2. NA FORMA DA SUMULA N. 54 DA
CORTE, OS JUROS MORATORIOS NESTES CASOS
CONTAM-SE DA DATA DO EVENTO. 3. RECURSO
ESPECIAL CONHECIDO E PROVIDO, EM PARTE.
(Grifo Nosso).

Desta forma, tomando-se por base o julgado


acima, caracteriza-se a possibilidade da imputação de
ressarcimento ao dano moral. O qual, no caso em tela, encontra
espeque em precedentes de outros Tribunais, como o Federal da 2ª
Região, segundo se demonstra através do julgado abaixo, in
verbis:

Acórdão Origem: TRIBUNAL - SEGUNDA REGIÃO


Classe: AC - APELAÇÃO CIVEL - 345045
Processo: 199951010214531 UF: RJ Órgão
Julgador: QUINTA TURMA ESP.
Data da decisão: 06/12/2006 Documento:
TRF200159585. Fonte DJU DATA:22/01/2007
PÁGINA: 250 Relator(a) JUIZ ANTÔNIO CRUZ
NETTO. Decisão Por unanimidade, deu-se
parcial provimento à apelação e à remessa,

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na forma do voto do Relator.


Ementa CIVIL E PROCESSUAL CIVIL. AÇÃO DE
INDENIZAÇÃO POR ERRO MÉDICO.
RESPONSABILIDADE CIVIL OBJETIVA DO ESTADO.
CONSTITUIÇÃO FEDERAL, ART. 37, § 6º.
LEGITIMIDADE PASSIVA “AD CAUSAM” DA UNIÃO.
MORTE DE RECÉM-NASCIDO EM VIRTUDE DE
DEMORA NA REALIZAÇÃO DO PARTO. EQUIPE
MÉDICA. NEGLIGÊNCIA. CARACTERIZAÇÃO.
1-) Ação ajuizada em face da União
Federal, pretendendo a autora o pagamento
de danos morais e físicos, por conta do
falecimento de seu bebê recém-nato por
Insuficiência Respiratória e Asfixia
Neonatal, em virtude de negligência por
parte da equipe médica que lhe prestou
atendimento no Hospital Escola São José
que, através do SUS, é mantido pelo
Ministério da Saúde.
2-) A União, na qualidade de sucessora do
INAMPS na instância federal (parágrafo
único do art. 1o da Lei 8.386/93), deve
responder pela ação, já que àquela
autarquia, vinculada ao Ministério da
Saúde, competia dirigir o Sistema Único de
Saúde no âmbito da União (art. 9o da Lei
nº 8.080/90), à época dos fatos. Os
hospitais particulares, quando
credenciados pelo INAMPS ou pelo
Ministério da Saúde exercem atividade
pública delegada. Assim, embora também
estejam sujeitos a responderem
individualmente pelos danos que seus
agentes causarem a terceiros, na forma do
§ 6o do art. 37 da C.F., isto, por si só,
não exclui, em princípio, a
responsabilidade da entidade delegante, no
caso, a União, cabendo a esta o ônus da
prova no sentido de afastar a sua
responsabilidade. 3-) Afastadas a alegação
de ilegitimidade passiva da União, bem
assim a de nulidade argüida pelo
Ministério Público Federal, com ressalva
de direito de regresso da primeira contra
o agente diretamente causador do dano, no
caso de eventual condenação.
4-) “A responsabilidade civil do Estado,

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com fundamento no art. 37, § 6o da


Constituição Federal de 1988, é objetiva,
de acordo com a teoria do risco
administrativo, e isto inclusive no que
pertine aos danos morais.” (Carlos Alberto
Bittar, in Reparação Civil por Danos
Morais; 3a ed.; Ed. RT; 1999; p. 167),
cabendo salientar que tem por fundamento a
existência do nexo de causalidade entre o
dano e a prestação do serviço público, sem
se cogitar a licitude do ato. O lesado não
está, no entanto, dispensado de comprovar
o nexo de causalidade para que nasça a
obrigação do Estado de compor seu
patrimônio. 5-) Configurada a ocorrência
de erro por da equipe médica do hospital
que prestou atendimento à autora, erro
este que teve início já nos primeiros
comparecimentos dela à referida
instituição, relatando fortes dores
abdominais, nos dias que antecederam ao
parto, tendo o mais grave deles ocorrido
no procedimento do parto, propriamente,
quando, a despeito das dificuldades
verificadas, insistiu-se no parto normal,
decidindo-se pela cesariana tardiamente, o
que se confirma com o falecimento do bebê
e, mais ainda, à vista da descrição da
causa da morte, no caso, por
'Insuficiência Respiratória e Asfixia
Neonatal'. 6-) Comprovado, na hipótese, o
'resultado danoso incomum', referido pela
Ré, na medida em que os exames trazidos
aos autos pela autora, realizados no curso
da gravidez, alguns deles em caráter
particular, demonstram a normalidade do
estado do feto, o que, aliás, restou
observado, pela magistrada, na sentença.
7-) Relativamente ao valor a ser fixado a
título de indenização pelo dano moral, a
orientação jurisprudencial tem sido no
sentido de que o arbitramento deve ser
feito com razoabilidade e moderação,
proporcionalmente ao grau de culpa e ao
porte econômico do réu, valendo-se o juiz
de sua experiência e bom senso para
corretamente sopesar as peculiaridades de

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cada caso, de forma que a condenação


cumpra a função punitiva e pedagógica,
compensando-se o sofrimento do indivíduo
sem, contudo, permitir o seu
enriquecimento sem causa.
8-) Quanto aos artigos 16 e 24 da Lei nº
8.080/90, bem assim 69, 70 e 116, da Lei
nº 8.666/90, nem a sentença, nem o voto
lhes negam vigência, na medida em que não
se afasta a responsabilidade da
instituição hospitalar privada, com a qual
a União firmou convênio para prestação de
serviços de saúde à população, tanto que
ressalvado o direito de regresso contra a
referida instituição, no caso de eventual
condenação. 9-) Reduzido o montante fixado
a título de indenização para R$ 50.000,00
(cinqüenta mil reais), mantida, no mais, a
r. sentença. 10-) Remessa e apelação
parcialmente providas.

Todavia, ainda que o julgado seja


altamente rico e esclarecedor, não se verifica subsunção
completa do caso em tela à situação acima descrita, razão pela
qual se faz necessário perquirir por jurisprudência mais
identificada com a presente causa.

DO QUANTUM REPARATÓRIO DOS DANOS MORAIS

Ainda que a doutrina nacional venha


incessantemente pregando pelo estabelecimento de indenizações em
patamares suficientes para a reprimenda das condutas abusivas
dos fornecedores, a jurisprudência nacional, em especial do
Superior Tribunal de Justiça vem mitigando os valores
vergastados pelas instâncias inferiores.

A despeito da discussão sobre as


conseqüências de tal comportamento na proteção ao consumidor,
sobressai, dentre o mundo de julgados mitigatórios, um que
alcança a verdadeira extensão do dano provocado àqueles que
sofrem com a negligência médica. Tal julgado, da lavra da
Eminente Ministra Eliana Calmon, do Superior Tribunal de
Justiça, especifica com bastante propriedade, que o dano sofrido
diariamente pelos pais de um filho inválido, constitui-se em
maior gravidade do que daqueles que o têm morto, in verbis:

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Acórdão Origem: STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE


JUSTIÇA Classe: RESP - RECURSO ESPECIAL –
734303 Processo: 200500408215 UF: RJ Órgão
Julgador: SEGUNDA TURMA
Data da decisão: 07/06/2005 Documento:
STJ000628942 Fonte DJ DATA:15/08/2005
PÁGINA:290 Relator(a) ELIANA CALMON
Decisão Vistos, relatados e discutidos os
autos em que são partes as acima
indicadas, acordam os Ministros da Segunda
Turma do Superior Tribunal de Justiça "A
Turma, por unanimidade, negou provimento
ao recurso, nos termos do voto da Sra.
Ministra-Relatora." Os Srs. Ministros João
Otávio de Noronha, Castro Meira e
Francisco Peçanha Martins votaram com a
Sra. Ministra Relatora. Ausente,
justificadamente, o Sr. Ministro
Franciulli Netto. Ementa ADMINISTRATIVO –
RESPONSABILIDADE CIVIL – SEQÜELAS
DEFINITIVAS INCAPACITANTES DE RECÉM-
NASCIDO – DANO MORAL – VALOR DA
INDENIZAÇÃO. 1. O valor do dano moral tem
sido enfrentado no STJ com o escopo de
atender a sua dupla função: reparar o dano
buscando minimizar a dor da vítima e punir
o ofensor, para que não volte a reincidir.
2. Posição jurisprudencial que contorna o
óbice da Súmula 7/STJ, pela valoração
jurídica da prova. 3. Fixação de valor que
não observa regra fixa, oscilando de
acordo com os contornos fáticos e
circunstanciais. 4. A morte do filho no
parto, por negligência médica, embora
ocasione dor indescritível aos genitores,
é evidentemente menor do que o sofrimento
diário dos pais que terão de cuidar sempre
do filho inválido, portador de deficiência
mental irreversível. 5. Mantido o acórdão
que fixou o valor do dano moral em 500
(quinhentos) salários-mínimos, diante das
circunstâncias fáticas da demanda. 6.
Recurso especial improvido. (Grifo Nosso).

DOS PEDIDOS:

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Diante de todo o exposto, pede e espera


que Vossa Excelência se digne em condenar o Réu à reparação dos
danos provados pela Autora, determinando que paguem a quantia
equivalente a R$ 100.000,00 (cem mil reais), mais juros e
correção, pelos danos morais, bem como paguem a quantia mensal e
vitalícia equivalente a 4 (quatro) salários mínimos ou R$
2.040,00 (dois mil e quarenta reais), em decorrência do custeio
dos danos físicos e neurológicos irreversíveis da Autora,
atualizada anualmente por índice oficial.

DA NECESSIDADE DE ANTECIPAÇÃO DA TUTELA

Conforme dispõe o art. 273 do Código de


Processo Civil, o juiz poderá a requerimento da parte, antecipar
os efeitos da tutela desde que, havendo receio de dano
irreparável ou de difícil reparação, se convença da
verossimilhança das alegações da Autora.

No presente caso, verifica-se necessária à


antecipação da tutela no tocante ao deferimento do pedido de
pagamento mensal da pensão, pois imprescindível para o custeio
dos tratamentos com saúde que a menor precisa realizar, tais
como fisioterapia, fonaudiologia, e ainda plano de assistência
médica para melhor acompanhamento profissional de seu caso,
visto que na atualidade, a Autora precisa contar com
disponibilidade no SUS (Sistema Único de Saúde) para ser tratada
apenas quando há profissional disponível.

Segundo bem demonstra pelos documentos


acostados a esta inicial a menor se encontra com limitações
motoras e neurológicas em razão das seqüelas do parto, motivo
pelo qual necessita realizar uma série de tratamentos, dentre
eles sessões periódicas de fisioterapia, necessárias para a
tentativa de se estabelecer mobilidade à menor, e a rede pública
de saúde, sabidamente não tem tido pífias condições de

Conquanto o presente pedido encontrar


fundamento no caput do art. 273 do CPC, verifica-se empecilho no
estatuído pelo seu §2º, qual seja, o perigo de
irreversibilidade.

Contudo, ainda que o estabelecimento


imediato do pagamento da pensão possa implicar – acaso seja

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indeferida a inicial – na impossibilidade de se reverter


efetivamente o concedido, é necessário sejam consideradas
tratar-se de parcelas alimentares imprescindíveis à
sobrevivência digna de um ser humano, o qual necessita, agora,
de todo o amparo para que se garanta um mínimo de existência
digna no futuro, um bom exemplo disso, seriam sessões regulares
com Fonaudióloga (indisponível na rede SUS com a regularidade
necessária para a Autora); o que já lhe viabilizaria melhor
expressão pessoal.

A concessão do pedido, apesar de


irreversível no tocante à sua devolução, deve ser deferida ainda
que contra as disposições do §2º do art. 273 do CPC, pois o
princípio da dignidade da pessoa humana, insculpido na
Constituição Federal (art. 1º, III), tem como corolário a
concessão de condições mínimas de sobrevivência, o que, por ora
só pode ser almejado com o deferimento do pedido, que é de
direito da Autora.

Diante do exposto, pede e espera que Vossa


Excelência determine que o Réu MUNICÍPIO DE PORTO VELHO efetue
inclusão da Autora no seu quadro de pessoal inativo, procedendo
ao pagamento mensal de pensão, no valor de quatro (quatro)
salários mínimos ou R$ 2.040,00 (dois mil e quarenta reais)
atualizados anualmente por índice oficial, a serem depositadas
no 5º (quinto) dia de cada mês, em conta bancária da mãe da
menor (CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, Agência 0632, Conta 0336-0 –
Titular: ROSILEIDE DOS SANTOS CUSTÓDIO); sob pena de multa
diária equivalente ao décuplo da obrigação (art. 273, §3º cc
461, §4º CPC).

DA INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA

Como bem se especificou acima, dentre o


aparato de proteção ao consumidor, se encontra resguardada a
possibilidade de inversão do ônus da prova, a qual somente deve
ser deferida em caso de hipossuficiência do consumidor, ou
quando presente a verossimilhança em suas alegações, in verbis:

Art. 6º São direitos básicos do


consumidor:
...
VIII - a facilitação da defesa de seus
direitos, inclusive com a inversão do ônus

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da prova, a seu favor, no processo civil,


quando, a critério do juiz, for verossímil
a alegação ou quando for ele
hipossuficiente, segundo as regras
ordinárias de experiências;

No presente caso concreto, urge asseverar


ainda o que dispõem teor do mesmo CDC em seus artigos 22 e 23,
in verbis:
“Art. 22. Os órgãos públicos, por si só ou
suas empresas, concessionárias,
permissionárias ou sob qualquer outra
forma de empreendimento, são obrigados a
fornecer serviços adequados, eficientes,
seguros e, quanto aos essenciais
contínuos.

Parágrafo único. Nos casos de


descumprimento total ou parcial, das
obrigações referidas neste artigo, serão
as pessoas jurídicas compelidas a cumpri-
las e a reparar os danos causados, na
forma prevista neste Código.

Art. 23. A ignorância do fornecedor sobre


os vícios de qualidade por inadequação dos
produtos e serviços não o exime de
responsabilidade.” (Grifo nosso).

No presente caso, além da incontestável


hipossuficiência, existe também a caracterização da
verossimilhança de suas alegações, a qual pode ser entendida
como a necessidade dos Réus em provar as suas escusas, face às
argumentações da Autora que, apesar do aparato documental
acostado a esta inicial, não tem condições fáticas de provar
integralmente sua demanda.

Pelo que se expõe, pugna-se pela inversão


do ônus da prova, como elemento probatório adicional aos
documentos, bem como às oitivas que se farão necessárias.

REQUERIMENTOS

Requer a procedência da presente ação,


mediante condenação do MUNICÍPIO DE PORTO VELHO em indenização

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por danos morais no importe de R$ 100.000,00 (cem mil reais); e


danos materiais na forma de inclusão da Autora no seu quadro
inativo permanente mediante pagamento de pensão mensal
equivalente a quatro salários mínimos ou a importância mensal de
R$ 2.040,00 (dois mil e quarenta reais); reajustáveis anualmente
conforme índice oficial.

Requer a citação do Réu para se manifestar


sobre esta exordial, sob pena de revelia.

Requer a concessão do benefício da justiça


gratuita, garantido pela Lei nº 1.060/1950, em razão de não ter
a Autora condições de arcar com as despesas judiciais sem
prejuízo da própria sobrevivência.

Requer a condenação dos Réus ao pagamento


de custas e honorários advocatícios a serem arbitrados nos
moldes do artigo 20 do CPC e 22 da Lei n.º 8.906/94.

VALOR DA CAUSA

Atribui-se a presente causa o valor de R$


124.480,00 (cento e vinte e quatro mil quatrocentos e oitenta
reais).

Nestes Termos e da Juntada


Pede e Espera Deferimento.

Porto Velho/RO, 30 de março de 2010

RODRIGO REIS RIBEIRO


Advogado – OAB/RO 1.659

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