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UFBA - Departamento de Matemática

Prova 1 - MATB44: Análise I Questão Nota Valor


Professor: Maikel Antonio Samuays
1 3,5
2 2,0
Nome:
3 3,0
Assinatura: 4 1,5
Total 10,0
Data: 05/09/2018

? Atenção: A organização e a redação serão avaliadas e faz parte da nota da questão.

Questão 1 Considere a seguinte afirmação:

“Se n é um número natural tal que n2 é múltiplo de 5, então n é múltiplo de 5.”

(a) Identifique a hipótese e a tese da afirmação.

(b) Prove tal resultado.

(c) A recı́proca é verdadeira? Justifique!



√ 1+ 5
(d) Mostre que 5 ∈
/ Q. Após, comprove a irracionalidade do número de ouro φ = .
2

Questão 2 Demonstre as seguintes proposições:

(a) A ⊂ B se, e somente se, A ∪ B = B.

(b) (A \ B) × C ⊃ (A × C) \ (B × C).

Questão 3 Sejam f : A −→ B uma função, X, Y ⊂ A e G ⊂ B. Nestas condições:

(a) Verifique que f (X ∩ Y ) ⊂ f (X) ∩ f (Y ).

(b) Em relação ao item anterior, estabeleça uma condição suficiente para que a inclusão
contrária f (X) ∩ f (Y ) ⊂ f (X ∩ Y ) também seja válida, provando suas afirmações.

(c) Se f é sobrejetiva, mostre que f (f −1 (G)) = G.

Questão 4 Sejam f : A −→ B e g : B −→ C duas funções tais que g ◦ f é sobrejetiva.


Mostre que g é sobrejetiva.
Análise I - IME/UFBA
Professor: Maikel Antonio Samuays
Prova 1 - Resolução

Questão 1 (a) Hipótese: n é um número natural tal que n2 é múltiplo de 5.


Tese: n é múltiplo de 5.

(b) Por hipótese, sabemos que n2 é múltiplo de 5. Se ocorrer de n não ser múltiplo de 5, pelo
algoritmo da divisão, existe q ∈ N tal que n = 5q + r, com r ∈ {1, 2, 3, 4}. Assim,
.
n2 = (5q + r)2 = 25q 2 + 10qr + r2 = 5(5q 2 + 2qr) + r2 = 5k + r2 , com k ∈ N. (∗)
Como r2 ∈ {1, 4, 9, 16}, então em qualquer uma das possibilidades, r2 não é múltiplo de 5. Assim,
da equação (∗), segue que n2 não é múltiplo de 5, o que é uma contradição.

(c) A recı́proca “Se n é múltiplo de 5, então n2 é múltiplo de 5” é verdadeira. De fato, como n é


.
um natural múltiplo de 5, então existe k ∈ N tal que n = 5k. Portanto, n2 = (5k)2 = 5(5k 2 ) = 5l,
com l ∈ N.

(d) Suponha por absurdo que 5 ∈ Q. Logo, ∃ p, q ∈ Z, com q 6= 0 e mdc(p, q) = 1, tais que
√ p p2
5= ⇐⇒ 5= ⇐⇒ p2 = 5q 2 . ()
q q2
Assim, p2 é um múltiplo de 5, e então, pelo item (a), segue que p também é um múltiplo de 5,
digamos p = 5k, com k ∈ Z. Portanto, de (), temos que
(5k)2 = 5q 2 ⇐⇒ 25k 2 = 5q 2 ⇐⇒ q 2 = 5k 2 ,
o que implica em q 2 ser um múltiplo de 5. Novamente pelo item (a), segue que q é um múltiplo
p
de 5, digamos q = 5l, com l ∈ Z. Obtemos, assim, um absurdo, visto que supomos irredutı́vel e
q
p 5k
obtemos = . Provemos, agora, a irracionalidade do número de ouro. Para isso, suponha por
q 5l
absurdo que φ ∈ Q. Assim, ∃ r, s ∈ Z, com s 6= 0, tais que

r 1+ 5 r √ √ 2r − s
φ= ⇐⇒ = ⇐⇒ s + s 5 = 2r ⇐⇒ 5= ∈ Q,
s 2 s s
o que é um absurdo.

Questão 2 (a) (=⇒) Suponha que A ⊂ B. Como B ⊂ A ∪ B, pela definição de união de


conjuntos, basta mostrar que A ∪ B ⊂ B. De fato, dado a ∈ A ∪ B, tem-se que a ∈ A ou a ∈ B.
Assim, como A ⊂ B, em qualquer uma das possibilidades tem-se que a ∈ B.

(⇐=) Suponha que A ∪ B = B e provemos que A ⊂ B: dado a ∈ A, temos que a ∈ A ∪ B. Como,


por hipótese, A ∪ B = B, segue que a ∈ B, como querı́amos.

(b) Seja (x, y) ∈ (A × C) \ (B × C). Assim, (x, y) ∈ A × C e (x, y) ∈/ B × C. Desta última, pela
definição de produto cartesiano, temos que x ∈
/ B ou y ∈
/ C. Porém, se ocorrer de y ∈
/ C, terı́amos
uma contradição com o fato de (x, y) ∈ A × C. Logo, x ∈ / B, x ∈ A e y ∈ C, donde segue que
(x, y) ∈ (A \ B) × C.
1
2

Questão 3 (a) Seja y ∈ f (X ∩ Y ). Pela definição de imagem direta, ∃ x ∈ X ∩ Y ; y = f (x).


Logo, y = f (x), com x ∈ X e x ∈ Y . Assim, y ∈ f (X) e y ∈ f (Y ), donde conclui-se que
y ∈ f (X) ∩ f (Y ).

(b) Uma condição suficiente para a inclusão f (X)∩f (Y ) ⊂ f (X ∩Y ) ser válida é f ser injetora. De
fato, dado qualquer y ∈ f (X)∩f (Y ), temos que y ∈ f (X) e y ∈ f (Y ). Assim, ∃ x1 ∈ X ; f (x1 ) = y
e ∃ x2 ∈ Y ; f (x2 ) = y. Logo, f (x1 ) = f (x2 ) e, sendo f injetora, segue que a = x1 = x2 . Portanto,
y = f (a), com a ∈ X ∩ Y , donde segue que y ∈ f (X ∩ Y ).

(c) Pela definição de igualdade de conjuntos, precisamos provar as seguintes inclusões:

f (f −1 (G)) ⊂ G e G ⊂ f (f −1 (G)).

A primeira igualdade segue do fato de que, se z ∈ f (f −1 (G)), então z = f (y), y ∈ f −1 (G). Pela
definição de imagem inversa, como y ∈ f −1 (G), então f (y) ∈ G. Assim, do fato de z = f (y) e
f (y) ∈ G, segue que z ∈ G. Para provarmos a segunda inclusão, considere a ∈ G. Como G ⊂ B e
f : A −→ B é sobrejetora, ∃ x ∈ A tal que a = f (x). Logo, f (x) = a ∈ G e, portanto, x ∈ f −1 (G).
Assim, conseguimos escrever a = f (x), com x ∈ f −1 (G), donde segue, pela definição de imagem
direta, que f (x) ∈ f (f −1 (G)), ou seja, a ∈ f (f −1 (G)).

Questão 4 Dado qualquer z ∈ C, sendo g ◦ f : A −→ C sobrejetiva, existe x ∈ A tal que


.
(g ◦ f )(x) = z. Pela definição de composição de funções, g(f (x)) = z. Assim, tomando y = f (x),
o qual existe e é único, por f ser função, segue que g(y) = z, com y ∈ B. Como z é arbitrário,
segue que g é sobrejetiva.