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SILVICULTURA

Capítulo 5
Carlos Alberto Ferreira
As Plantacões

Florestais Helton Damin da Silva

1. Introdução

A elevada produtivid ade em plantaçõe s, com fins industriais , aliada à


capacidade de adaptação a novos ambientes e rotações relativamente curtas,
apresentada por espécies dos gêneros Pinu s e Eucalvptus, têm motivado a
preferência por estas espéc ies . Apro x imadamente um terço da área reflorestada,
nas regiões tropicais do mundo , é ocupada por pinus e eucaliptos (BOYLE et aI.,
1997; FAO, 1993) . Com poucas exceções, a maioria da s espécies plantadas,
desse s dois gêneros , provém de áreas de climas com regimes de chuva sazonais,
úmidos e sub -úmidos, tropicais e subtropicais .

A s principais espécies utilizadas no Brasil são as seguintes: Eucaliptus grandis,


E. saligna, E. urophvlla, Híbrido "urograndis n, C. citriodora, E. camaldulensis, E.
dunnii, E. viminalis, Pinus taeda, P. elliottiivar. elliottii, P. caribaea varo hondurensis,
P.oocarpa e P. patula. A Acacia mearnsii (acácia negra) , exótica originária da
Austrália, limita-se aos estados da Região Sul do Brasil, tendo grande importância
como produtora de tanino no Rio Grande do Sul. De introdução mais recente , mas
ganhando importância em regiões específicas, podem ser destacadas ainda o E.
benthamii e o Pinus maximinoi. Extensos plantios de teca (Tectona grandis) e,
mais recentemente , de Acacia mangium foram implantados no Mato Grosso e em
Roraima. Esta última , com objetivo de produção de madeira de alta qualidade e
para celulose e papel. Entre as espécies nativas , também nas regiões Sul e Sudeste ,
destaca -s e a araucária (Araucaria angustífoliaJ cuja área plantada é menor que
das outras espécies.

Embora grande número de especles ocorra nos ecossistemas florestais


naturais do Brasil, algumas com excepcional qualidade de madeira, taxa de
crescimento relativamente elevada e silvicultura razoavelmente conhecida,
praticamente nenhuma outra espécie , além da araucária (CARVALHO, 2000),
paricá e seringueira, são plantadas em grande escala.

Formação de Povoamentos Florestais 33


2. Vantagens das plantações florestais
As plantações florestais como fornecedoras de matérias primas para os mais
diversos fins estão se tornando cada vez mais importantes e é imperioso que
sejam bem manejadas do ponto de vista produtivo, ecológico , social e econômico.
Nenhum manejo pode ser aplicado para qualquer forma de uso da terra, sem
alteração no ecossistema. No caso dos plantios florestais, por serem, na maiorias
dos casos, monoculturas, são impostas algumas restrições relacionadas à fauna,
consumo de água e nutrientes. Não deveria haver resistência para as alterações
que são necessárias, mas dever-se-ia conhecer seus riscos e minimizar ou prevenir
seus impactos em ambientes associados .

Reconhece-se que as plantações florestais podem apresentar algumas


desvantagens com relação às florestas nativas, principalmente relacionadas à
biodiversidade do ecossistema. Entretanto, diversas vantagens podem ser
apontadas , sendo a principal delas a possibilidade, na maioria das vezes, de
obtenção de produtividades mais elevadas que nas florestas nativas . Deve-se .
considerar, também, que existe margem para aumentos de produtividade, mesmo
em plantios executados com tecnologia avançada . Há sempre necessidade de
redução de custos operacionais, de controle de pragas e doenças, dentre outras
ações .

As plantações florestais, embora exijam dispêndios relativamente elevados


na sua implantação, têm vantagens marcantes sobre as florestas nativas, inclusive,
possibilitando técnicas de manejo mais eficientes e bastante diferenciadas daquelas
aplicáveis em povoamentos naturais. Algumas considerações nesse sentido,
favoráveis e restritivas com relação a florestas plantadas, são apresentadas por
Nambiar (1996) e Withmore (1998):

· Produtividade mais elevada que as florestas nativas em sítio similar,


tendo como conseqüência maior demanda dos fatores de sítio.

· Possibilidade de implantar, no início de cada rotação, o material genético


capaz de produzir matéria prima de melhor qualidade e mais rapidamente.

· Maior facilidade para implementar técnicas de manejo, visando minimizar


os efeitos adversos da exploração intensiva e controlar a competição por
fatores de sítio .

· Necessidade de intervenções (distúrbios) mais freqüentes devido às


rotações mais curtas.

34 Formação de Povoamentos Florestais


· Mais oportunidades para aumentar a produtividade, incluindo a qualidade
da madeira, ao longo da rotação , pela possibilidade de aplicar melhores
práticas .de implantação, desrama , desbastes e adubação .

· Possibilidade de retorno mais rápido a partir de investimentos direcionados


ao mercado .

· Menor conflito ecológico na produção e colheita da madeira.

3. Possibilidades de aumento de produtividade

Em muitos sítios, a produtividade florestal está aquém do seu potencial


biológico, havendo possibilidades de aumento da produtividade, em grande escala,
pela adoção de técnicas apropriadas de manejo de solo e da plantação. Nas regiões
tropicais , o ambiente biofísico é altamente diversificado e a produtividade florestal
varia acentuadamente, embora alguns fatores relevantes sejam comuns como ,
por exemplo, a alta radiação solar e as altas temperaturas o ano todo . Isso, na
presença de outros fatores favoráveis, deveria conduzir sempre a altas
produtividades. Entretanto, as variações observadas na produtividade demonstram
que as condições ideais são raras. Embora a produtividade seja, mais
freqüentemente , limitada pela disponibilidade de água e nutrientes, pode ser afetada
positiva ou negativamente por outros fatores :

· As plantações, em sua primeira rotação, podem beneficiar-se de


nutrientes e água acumulada nas coberturas florestais anteriores .

· A geomorfologia e as propriedades do solo, e conseqüentemente os


fatores restritivos à produção, de natureza edáfica, podem ser
desconhecidos.

· A produção pode ser menor que a prevista devido à escolha inadequada


da espécie para o sítio a ser plantado, principalmente quando a ocorrência
de geadas ou secas ocasionais é ignorada e outras restrições referentes
à água disponível são desconhecidas.

· O material genético utilizado pode ser de baixa qualidaçle; por exemplo,


uma procedência inadequada, uma raça local com altas taxas de endogamia
ou , ainda, material genético não melhorado .

· Baixa sobrevivência devido à má qualidade das nascediças, preparo


inadequado de área , controle ineficiente de pragas, doenças e plantas
daninhas, danos por geadas, pastoreio inadequado, fogo e cortes não
autorizados.

Formação de Povoamentos Florestais 35


Deficiências nutricionais não diagnosticadas e/ou não corrigidas.

Investimento insuficiente em planejamento e manejo para atingir a


produtividade potencial.

. Pragas (principalmente formigas) e doenças não controladas .

4 . Finalidades da implantação de florestas

As plantações florestais são executadas em razão dos benefícios que


oferecem . Os benefícios diretos das florestas são os seus produtos úteis ao homem
como madeira , res ina , mel , óleos essenciais e frutos , dentre outros . Os benefícios
indiretos são os serviços prestados pelas árvores ou florestas como conseqüência
dos efeitos da própria floresta sobre o meio em que se encontra. Os benefícios da
floresta ocorrem sobre o clima, o solo , os recursos hídricos e também sobre a
flora, a fauna e a vida do homem em seus aspectos culturais e psicológicos
(CARPANEZZI , 2000). No Quadro 1, resumem -se diversas finalidades dos plantios
florestais.

A título de generalização , pode-se afirmar que os objetivos da implantação


de florestas, ou mais genericamente , o plantio de árvores , tem três finalidades
principais :

i) A produção de bens, no sentido econômico do conceito;

ii) O fornecimento de serviços ;

iii) A obtenção de benefícios indiretos.

As conseqüências do alcance destes objetivos podem ser resumidas em :

i) Desenvolvimento econômico e social, pela geração de riquezas através


da produção de madeira e derivados para o mercado interno e para
exportação;

ii) Desenvolvimento rural pela criação de empregos e infra-estrutura na


zona rural, complementação da atividade agrícola e uso de áreas marginais
dentre outras;

iii) A recuperação (restauração) e preservação ambientais .

36 Formação de Povoamentos Florestais


Quadro 1. Finalidades dos plantios florestais .

Suprir a demanda de madeira

Atender demanda industrial de madeira

Suprir demanda por produtos madeireiros de alta qualidade

Atender necess idade de aumentar as exportações de produtos


de base flore stal

Fornecer madeira para usos domésticos como lenha carvão,


postes, mourões,
e madeira para construções

Recuperar áreas e ecossistemas degradados

Proteger e manter ecossistemas

Proteger nascentes e cursos de água

Conservar geneticamente espécies de alto interesse econômico


e ambiental

Atender finalidades sociais, recreativas e culturais

Melhorar o ambiente urbano

Possibilitar o desenvolvimento rural - geração de empregos,


complementação
da atividade agrícola, utilização de áreas marginais

Dar apoio à agricultura - cortinas quebra-vento, sombreamento


de culturas e pastagens

Capturar carbono proveniente de fontes diversas

Formação de Povoamentos Florestais 37


CAPÍTULO III

CLASSIFICAÇÃO DE POVOAMENTOS FLORESTAIS

Os povoamentos florestais, diferente das culturas agrícolas, demoram muitos anos


para atingir a rotação e serem colhidos ou para iniciar sua produção, por isso têm que
passar por várias modificações em sua estrutura, durante o seu desenvolvimento, para
obterem-se os melhores resultados, sob o ponto de vista produtivo. Uma das modificações
refere-se à densidade que, ao passar dos anos, deverá ser menor, considerando a
necessidade de maior área individual necessária para cada árvore.
Em povoamentos naturais essa diminuição da densidade ocorre naturalmente pela
morte de alguns indivíduos para que os outros, sobreviventes, continuem crescendo pela
ocupação do espaço aéreo e terrestre que foi liberado. Todavia, este fenômeno ocorre ao
acaso e pode demorar muito tempo ocasionando, até sua efetivação, uma diminuição no
desenvolvimento de todos indivíduos envolvidos no processo. A intervenção do homem
pode diminuir este prejuízo e obter os resultados desejados mais rapidamente.
Contudo, esta intervenção não é aleatória e casual, há necessidade de conhecer o
estado dos indivíduos e do povoamento, para com estes elementos optar pelo tipo de
operação, quando e como executá-la. Este procedimento de “obter informações do estado
do povoamento para a aplicação de técnicas que irão transformá-lo no povoamento
desejado e atingir os objetivos propostos ao empreendimento florestal” , segundo SAMEK
(1974), é denominado de classificação de povoamentos florestais.
As informações que podem ser colhidas de um povoamento florestal estão
divididas em três grupos: características gerais da área; características individuais
qualitativas e quantitativas, além das características do povoamento. Inicialmente serão
discutidas as gerais que se referem à localização do povoamento; vegetação natural, clima,
solo, topografia e hidrografia da região onde está implantado o povoamento. Estas
informações e outras mais de Mato Grosso podem ser obtidas em BRASIL (1982) que
trata do Projeto Radambrasil, consultando-se os volumes específicos.
Inicialmente a classificação da tipologia vegetal, como um produto do meio, pode
fornecer uma série de informações acerca do local onde está implantado o povoamento
florestal ou, mesmo anteriormente, no planejamento para sua implantação. Acerca dessa
classificação de tipologias vegetais podem ser consultados VELOSO & GÓES-FILHO (1982),
responsáveis pela classificação utilizada no Radambrasil, ou VELOSO et. al. (1991).
VELOSO & GÓES-FILHO (1982) classificaram a vegetação em classe, subclasse,
grupo, subgrupo e formação, utilizando, respectivamente as seguintes características:
estrutura, ecologia-clima, ecologia-fisiologia, fisionomia e ecologia-fitoambiente, que

PRÁTICAS SILVICULTURAIS 14
CLASSIFICAÇÃO DE POVOAMENTOS FLORESTAIS

denominaram de classificação fisionômico-ecológica das formações neotropicais do Brasil


e apresentaram um mapa da distribuição simplificada da vegetação brasileira em treze
grandes regiões, com sete tipologias assim agrupadas: (a) Campinarana, no Noroeste do
Amazonas e no Sul de Roraima; (b) Estepe, conhecida como “Caatinga”, concentrada no
interior do Nordeste, desde o Piauí até o norte de Minas Gerais e uma área menor no
Oeste do Rio Grande do Sul; (c) Floresta Estacional Decídua ou Semidecídua, distribuídas
principalmente nos estados de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Minas Gerais, São Paulo
e Paraná; (d) Floresta Ombrófila Aberta ou Densa, localizadas nos estados que compõem a
Amazônia e também na faixa litorânea desde o Nordeste até a região Sul, conhecida como
Mata Atlântica; (e) Floresta Ombrófila Mista, assim denominada pela presença da A.
angustifolia, ocorrendo desde parte do estado do Rio Grande do Sul até o Sul do Estado
de Minas Gerais; (f) Savana, conhecida como “Cerrado”, ocorre principalmente na região
Centro Oeste e parte de alguns estados vizinhos, além de boa parte do estado do Rio
Grande do Sul e pequena mancha em Roraima; e (g) a Savana Estépica, conhecida como
“Pantanal”, localizada especificamente no Sudoeste de Mato Grosso e no Noroeste de
Mato Grosso do Sul.
Deve ser ressaltado que as áreas entre uma tipologia vegetal e outra não mostram
uma delimitação perfeitamente identificável, na verdade existe uma área de transição,
onde ocorrem características de ambas tipologias e que são conhecidas como “Áreas de
Tensão Ecológica”.
IBDF (1984) apresentou um mapa esquemático da distribuição da vegetação
original do estado de Mato Grosso, com as seguintes tipologias: (a) Floresta Estacional
Decídua ou Semidecídua em faixa contínua de Leste a Oeste, do Centro até parte do
Norte, além de outra faixa semicircular, mais estreita, no Sudoeste do Estado e uma
mancha no Nordeste, na divisa com o Pará; (b) Floresta Ombrófila Aberta ou Densa, no
Norte e a Noroeste do Estado, limitando-se ao Sul principalmente com a Floresta
Estacional; (c) Savana, do Centro para o Sudeste, além de uma grande mancha no Oeste,
circundada por Floresta Estacional e uma faixa bem definida no Leste do Estado, nas
margens planas do rio Araguaia, que denominou de “Cerrado Inundável”; finalmente (d)
Savana Estépica, localizada no Sudoeste do Estado.
Trabalhos mais detalhados são necessários, como o Zoneamento Agro-ecológico
pois podem facilitar a atividade do profissional, na escolha de área e espécies, segundo a
aptidão dessas áreas e o objetivo do empreendimento. Neste sentido MATO GROSSO
(1995) apresentou um guia para identificação dos principais solos do estado de Mato
Grosso. Também existem alguns trabalhos publicados pelo Projeto de Conservação da
Bacia do Alto Paraguai, PCBAP.
Existem outros trabalhos que não tratam diretamente de Silvicultura, mas trazem
informações que podem contribuir para o profissional da área, como os de BRASIL (1997)
e BRASIL (1996) que trataram respectivamente das bacias hidrográficas dos rios Coxipó-
Açu e Pari; BRASIL (1995) apresentou um diagnóstico e avaliou o setor florestal da região
Centro-Oeste; BRASIL (1984) apresentou um diagnóstico do setor florestal do estado de
Mato Grosso; BRASIL (1983) apresentou um levantamento das potencialidades das
florestas e do uso dos solos em Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; BRASIL (1982) que
apresentou o inventário dos recursos florestais oriundos dos incentivos fiscais na região
de Mato Grosso do Sul, além de BRASIL (1982a), Projeto Radambrasil, que efetuou um
levantamento dos recursos naturais, entre outros.

PRÁTICAS SILVICULTURAIS 15
CLASSIFICAÇÃO DE POVOAMENTOS FLORESTAIS

Também é sempre importante considerar na vegetação natural a presença de


estratos e de sub-bosque como características que influenciam a aplicação de técnicas na
intervenção nesses povoamentos naturais ou implantados.
Informações acerca de clima, solo, topografia, hidrografia e até sobre vegetação
são discutidas de modo mais acurado em outras disciplinas do curso de Engenharia
Florestal, contudo para desenvolver a atividade silvicultural será sempre necessário a
utilização dessas e outras informações técnicas.
Definidas as características gerais da área, serão necessárias as informações
individuais, divididas em parâmetros qualitativos, também denominados classificatórios e
os parâmetros quantitativos, que são os mensuráveis.
Quando se trabalha em povoamentos naturais a primeira informação qualitativa
diz respeito à identificação da espécie, sua localização e tipo de utilização, enquanto para
qualquer tipo de povoamento interessam as seguintes informações individuais: idade, tipo
de regeneração, estado fitossanitário, forma do fuste e forma e classe da copa. Já os
parâmetros quantitativos são: diâmetro ou circunferência à altura do peito, alturas total
e comercial, diâmetro e comprimento de copa, área transversal do fuste, volumes total,
comercial e de copa, além da quantidade de regenerações encontradas sob a projeção da
copa de cada indivíduo.
Com as características individuais é possível iniciar a classificação do povoamento
florestal, quanto à sua composição, idade, origem, estrutura e estado. Quanto à
composição os povoamentos podem ser homogêneos ou puros e heterogêneos ou mistos.
Os homogêneos são aqueles compostos de uma única espécie ou aqueles nos quais, pelo
menos, 80% dos indivíduos são de uma única espécie. Os heterogêneos apresentam mais
de uma espécie e nenhuma delas atinge esta freqüência. No Brasil não é comum a
ocorrência de povoamentos puros e os exemplos mais comuns são os de Vochysia sp.,
Cambará-rugoso, em Mato Grosso, os de A. angustifolia, no Paraná, os de Vanillosmopsis
sp., Candeia, em Minas Gerais e os de Orbygnia sp., Babaçu, no Maranhão.
Os povoamentos naturais puros quase sempre ocorrem devido a condições edafo-
climáticas especiais ou marginais. É comum encontrar em solos ácidos um grande número
de samambaias; as matas de Candeias ocorrem em solos com altos teores de ferro, na
região de Ouro Preto em Minas Gerais. As florestas de Pinus spp. ocorrem em locais com
condições muito rigorosas de baixas temperaturas e, no caso do Pinheiro Brasileiro, após
incêndios florestais surge a pioneira Mimosa sp., Bracatinga, que posteriormente é
substituída pela A. angustifolia, geralmente em locais com altitude acima de 1.200 m e
baixa temperatura média anual.
Os povoamentos puros apresentam maior facilidade de manejo silvicultural e
exploração, menor número de intervenções e melhor aproveitamento da área. Enquanto
os mistos aproveitam melhor o espaço, exigem menos do solo, propiciam uso múltiplo,
são menos suscetíveis a pragas e doenças, propiciando melhor ciclagem dos nutrientes.
Quanto à idade os povoamentos são classificados em equiâneos ou coetâneos
quando os indivíduos apresentam a mesma idade ou diferenças de idade menores que um
décimo da rotação, contudo, HAWLEY & SMITH (1972) indicaram o critério de considerar
equiâneo povoamentos cujas diferenças de idade sejam menores que 20% da rotação.
Esses povoamentos são mais fáceis de serem trabalhados, pela semelhança entre os
indivíduos, que ficam agrupados em torno de um valor médio de DAP, sendo que a
distribuição do número de indivíduos por classe de DAP resulta uma curva “normal”.

PRÁTICAS SILVICULTURAIS 16
CAPÍTULO IV

REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Regeneração florestal, também denominada de reprodução florestal, é o processo


de substituição das árvores colhidas, por novas árvores, para garantir a continuidade do
povoamento florestal. Enquanto regime florestal, ou método de regeneração são os
procedimentos ordenados que incluem o corte parcial ou total de um povoamento
existente e o estabelecimento de um novo povoamento.
A composição, qualidade e continuidade de um povoamento florestal dependem de
sua regeneração, que pode ser feita por regeneração artificial, natural ou composta. A
regeneração artificial é aquela em que o homem está envolvido no processo de
implantação de um novo povoamento florestal; regeneração natural é aquela em que é
utilizado o comportamento característico de reprodução de determinada espécie e a
regeneração composta utiliza a regeneração artificial e natural em conjunto.
Neste capítulo será estudada apenas a regeneração artificial, que pode ser feita
através da semeadura direta ou do plantio de mudas. Este tipo de regeneração é indicada
quando faltam árvores matrizes; no estabelecimento de espécies exóticas; nas plantações
extensivas ou plantios de curta rotação; quando é necessário uma cobertura rápida do
solo para evitar erosão e quando, apesar de ocorrer regeneração natural, esta não ocorre
no momento desejado.
A regeneração propicia inúmeras vantagens, pois é possível selecionar a espécie ou
as espécies que serão plantadas, segundo o objetivo do empreendimento florestal, de
modo que o povoamento implantado apresenta relação mais direta com o povoamento
colhido; também é possível selecionar o local e época de plantio, o que permite escolher
sítios de melhor qualidade, que podem propiciar melhores incrementos, além de
implantar o povoamento na época mais adequada; os povoamentos implantados por este
método são mais uniformes e regulares, pois a divisão em talhões, o planejamento de
aceiros, estradas e acessos permite um fluxo mais fácil de máquinas e implementos, do
controle e das execução das práticas para condução desses povoamentos; finalmente, é
possível o estabelecimento de espécies exóticas ou espécies que não ocorrem na área ou
no povoamento colhido, se isto for desejável.
Para se ter uma idéia do resultado deste tipo de regeneração, SAMEK (1974) citou
que os povoamentos naturais sem intervenção silvicultural apresentam incremento médio
anual de 1,5 a 3,0 m3/ha, mas quando passam a ser manejados silviculturalmente este
incremento pode aumentar para 2,0 a 6,0 m3/ha, enquanto os povoamentos artificiais,
homogêneos e equiâneos apresentam incrementos de 14,0 a 42,0 m3/ha.

PRÁTICAS SILVICULTURAIS 26
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Segundo SEP (1983), povoamentos naturais manejados silviculturalmente podem


apresentar incremento de até 5,0 m3/ha, enquanto nos artificiais, homogêneos e
equiâneos estes incrementos podem atingir de 10,0 a 24,0 m3/ha. Povoamentos artificias
e equiâneos de Eucalyptus sp., produzidos a partir de matrizes geneticamente melhoradas
e reprodução clonal, podem produzir mais de 40 m3/ha.ano.
Apesar destas inúmeras vantagens e valores expressivos o custo desta atividade é
relativamente alto. SÃO PAULO (1993) publicou o Plano de Desenvolvimento Florestal
Sustentável e estimou o custo médio direto para implantação de povoamentos florestais
com espécies exóticas em US$600,00/ha, com 1.666 árvores/ha, enquanto para espécies
nativas em US$2.000,00/ha e densidade de 2.000 árvores/ha.
SÃO PAULO (1994) estimou o custo básico para reflorestamento misto com
espécies nativas em área de cerrado em 1993, com cultivo mínimo, na ordem de
US$851,00/ha, com densidade de 15 a 25 indivíduos/are; Enriquecimento em clareiras,
US$659,00/ha e enriquecimento em faixas na ordem de US$543,50/ha, sendo que, nos
dois últimos casos, a densidade era de 25 a 40 árvores/are.
Informações de palestra proferida pelo Sr. Hans Peter Aeberhard, diretor da
Precious Woods Management Ltd., em dezembro de 1995 deram conta de um custo total
de US$6.000,00/ha para aquisição de terra, reflorestamento, manutenção, administração
e colheita de Tectona grandis, na Costa Rica, em áreas mais planas, sem contudo
especificar a densidade de plantio.
Relatos pessoais da Cerâmica Santo André informaram, em 1995, um custo de
US$450,00/ha para implantar povoamentos de Eucalyptus spp., para lenha, no município
de Cuiabá, com 1.666 árvores/ha. A empresa estimou que a inclusão dos custos de
depreciação de máquinas e implementos, custo da terra e colheita deveria elevar este
valor para entre US$600,00 e US$700,00.
Informações pessoais em 1996 da empresa Brasteca Florestal Ltda. apresentaram
um custo médio de US$2.000,00/ha para implantar em Mato Grosso povoamentos de
Schizolobium amazonicum, na densidade de 1.666 árvores/ha, desde o preparo do
terreno até o quinto ano de idade, incluindo toda manutenção, exceto o custo da terra.
Nas mesmas condições também estimou o custo de reflorestamento com Tectona
grandis, na ordem de US$2.629,70/ha
A empresa Sadia Oeste SA, através de informação pessoal, apresentou que os
custos diretos para implantar povoamentos de Eucalyptus spp., para lenha, na região do
rio Mutuquinha, município de Cuiabá, no município de Campo Verde e também no
município de Rondonópolis, na ordem de US$400,00/ha, também com densidade de 1.666
árvores/ha. Estes custos eram relativos à produção de mudas, preparo do solo, adubação,
plantio e replantio, sem incluir os custos da terra e de depreciação de máquinas e
implementos. Também não estava computado o custo de adubação complementar aos 3
anos de idade, que oscilou entre US$20,00 a US$30,00/ha e os custos da colheita
florestal. Destaca-se que, enquanto o custo da terra em Cuiabá oscilava entre US$250,00
a US$300,00/ha, nas outras localidades era em média US$1.000,00/ha.
SIMÕES et al. (1981) e SIMÕES (1987) apresentaram uma tabela de rendimentos
das operações de produção das atividades florestais, que podem ser utilizadas para cálculo
de duração e custo destas operações. As empresas particulares que prestam serviços de
derrubada de vegetação, enleiramento e preparo do solo, em Mato Grosso, cobram em
média de US$40,00 a US$50,00/hora máquina.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 27
CAPÍTULO V

REGENERAÇÃO NATURAL

A regeneração natural também é utilizada para substituir as árvores colhidas, pela


exploração do comportamento característico de reprodução de determinada espécie, com
interferência do homem apenas para melhorar as condições da germinação e crescimento
da planta; Indicada para locais com perigo de erosão e para povoamentos complexos,
depende da existência da espécie desejada em quantidade e qualidade, com as seguintes
características: reprodução natural por alto fuste, com produção de grande quantidade de
sementes; esta reprodução deve ocorrer em época adequada, além de apresentar uma
dispersão favorável. Quanto à dispersão observa-se que a topografia pode afetar este
processo, sendo pois um importante fator a considerar.
O menor custo na implantação dos povoamentos é uma vantagem da regeneração
natural, além da produção de um grande número de indivíduos e manutenção de ecotipos
naturais. O menor custo está relacionado com o fato de que os processos de coleta,
beneficiamento, estocagem, semeadura, produção de mudas, transporte e plantio, não são
executados, pois a interferência do homem está mais relacionada com algum tipo de
preparo do solo, para facilitar o processo de germinação, bem como de limpezas
posteriores para facilitar o estabelecimento da planta.
O grande número de indivíduos produzidos permite uma seleção mais efetiva no
sentido de manter no povoamento somente aqueles com características adequadas ao
objetivo do empreendimento florestal. Quanto maior for a população para seleção de uma
determinada quantidade de plantas que deverão permanecer no povoamento, mais fácil
será encontrar esta quantidade de indivíduos com o fenótipo desejável.
A manutenção dos ecotipos naturais é extremamente desejável sob o ponto de
vista ecológico, pois além de manter a biodiversidade, só se justifica o manejo silvicultural
sustentável se o homem conseguir retirar os produtos da floresta de forma periódica, sem
afetar suas funções benéficas. De outro lado a utilização da regeneração natural também
apresenta algumas desvantagens, como a necessidade de tratamentos culturais intensos e
freqüentes; os povoamentos produzidos são irregulares; presença de muitas espécies
indesejáveis e com crescimento vigoroso; além da época de frutificação normalmente não
coincidente com o período mais adequado à regeneração.
As florestas autóctones são estruturalmente complexas e apesar da biodiversidade,
apresentam poucas espécies de valor econômico. Na regeneração natural há necessidade
de favorecer os indivíduos denominados promissores, de modo a aumentar a quantidade
desses indivíduos.

PRÁTICAS SILVICULTURAIS 54
2

1 SISTEMA DE PRODUÇÃO DE MUDAS EM RECIPIENTES

1.1 SEMEADURA EM SEMENTEIRAS

Neste sistema as sementes são semeadas em canteiros para posteriormente serem


repicadas em recipientes, onde completarão o seu desenvolvimento. O processo de semeadura em
sementeiras já foi a prática mais utilizada para a produção de mudas florestais, devido a grande
oferta de mão-de-obra, e dos projetos de reflorestamento que na sua maioria, não apresentavam
grandes dimensões. Hoje este processo ainda é utilizado para espécies que levam muito tempo
para germinar, espécies que apresentam germinação desuniforme ou que possuem sementes
muito pequenas.

Dentre as vantagens das sementeiras podem ser citadas:


Ø Possibilitam alta densidade de mudas por m2 ;
Ø Garantem o suprimento de mudas no caso de perdas;
Ø Propicia maior uniformidade nos canteiros após a repicagem.

Entre as desvantagens:
Ø A repicagem requer cuidados especiais no manuseio das mudas, evitando-se danos
principalmente ao sistema radicular;
Ø Exigência de condições climáticas adequadas (dias úmidos e nublados) para o
processo de repicagem;
Ø Utilização de um aparato de cobertura (sombrite ou ripado) para os canteiros de
mudas recém repicadas;
Ø O custo de produção final da muda se torna um pouco superior.

1.1.1 DIMENSÕES DAS SEMENTEIRAS

Possuem em média de 1,0 a 1,2 m de largura, 10,0 a 15,0 cm de altura e comprimento


variável, dependendo da produção. Na Figura 01 é apresentado um modelo estrutural de uma
sementeira.
3

TERRA PENEIRADA SISTEMA DE DRENAGEM


5 cm
SOLO ESTRUTURADO 15 cm
(ARENOSO)

20 cm

100 cm

Figura 01: Perfil transversal de uma sementeira

1.1.2 PRODUÇÃO DO SUBSTRATO

O substrato utilizado para formar o leito de semeadura deve ser constituído de uma
mistura de terra arenosa, terra argilosa e esterco curtido na proporção de 2:1:1. A terra deve ser
retirada do subsolo, a uma profundidade de + 20 cm, a fim de se evitar a ocorrência de propágulos
de microrganismos e de sementes de ervas daninhas. Esta deve ser peneirada em peneirões com
malha de 1,5 cm.

Deve-se dar preferência ao uso do esterco curtido, que devido ao processo da


compostagem, já eliminou parte dos microrganismos patogênicos e disponibilizou parcialmente
os nutrientes. Na ausência de esterco o mesmo pode ser substituído por 2 a 4 kg de NPK (6:15:6)
por m3 de mistura.

1.1.3 SEMEADURA

Após o preparo da sementeira com o substrato, inicia-se a semeadura, que pode ser de
duas formas:
a) A lanço: para sementes pequenas;
b) Em sulcos: para sementes maiores.

É fundamental que se distribua as sementes na sementeira de forma uniforme, a fim de


oferecer o mesmo espaço para cada planta, evitando-se assim grande número de mudas por
unidade de área, o que propicia o aparecimento de fungos, além de aumentar os efeitos da
competição.
4

A densidade ótima de semeadura varia de espécie para espécie ou mesmo entre


sementes de procedências diferentes, região para região, ou até mesmo com estações do ano. De
acordo com a Tabela 1, pode-se verificar a indicação para algumas espécies, devendo-se evitar a
densidade superior a 1000 plântulas/m2.

Tabela 01: Semeadura, germinação e repicagem de algumas espécies ornamentais e florestais


(CUNHA, 1986).
Semente/ fruto Semeadura Germinação Repicagem
Espécie
Fruto/ Nº dias
Nº sementes/ kg g/ m2 Nº dias
semente semeadura
Acácia-mimosa 38.000 Semente 75 08 25
Acácia-negra 64.000 Semente 80 08 15
Alfeneiro do Japão 24.700 Fruto 120 35 65
Angico 11.500 Semente 120 08 25
Aroeira vermelha 160.000 Fruto 80 15 25
Canafístula 4.100 Semente 200 12 30
Canela imbuia 450 Semente 650 55 70
Canjerana 4.500 Semente 220 15 35
Cássia grande 5.400 Semente 200 10 25
Cássia imperial 5.000 Semente 120 12 28
Cássia de Java 7.000 Semente 110 10 18
Casuarina equisetifolia 1.700.000 Semente 30 08 40
Casuarina glauca 1.790.000 Semente 30 08 40
Casuarina stricta 1.720.000 Semente 30 08 40
Cedro rosa 26.000 Semente 130 20 30
Chapéu de sol 150 Fruto 1.000 40 45
Chuva de ouro 8.000 Semente 140 10 20
Cinanmomo 2.000 Semente 550 40 50
Cipreste italiano 170.000 Semente 60 15 45
Cipreste macrocarpa 170.000 Semente 60 17 45
Cipreste português 250.000 Semente 100 16 45
Cryptomeria japonica 482.000 Semente 10 20 50
Cunninghamia lanceolata 130.000 Semente 60 15 40
Dedaleiro 32.000 Semente 50 15 30
Espatódea 158.000 Semente 25 13 45
Eucalyptus alba 415.000 Semente 50 05 30
Eucalyptus citriodora 160.000 Semente 50 08 30
Faveiro 1.360 Semente 50 13 30
Flamboyant 2.100 Semente 200 08 20
Giesta 1.000.000 Semente 50 10 25
Grevilea robusta 80.000 Semente 30 20 35
Guapuruvu 550 Semente 350 12 40
Ipê amarelo do campo 82.000 Semente 80 12 23
Ipê branco 85.000 Fruto 80 10 20
Ipê roxo 13.500 Semente 80 10 22
Jacarandá mimoso 197.500 Semente 50 10 25
Louro pardo 40.000 Semente 100 15 30
Magnólia amarela 8.500 Semente 70 40 55
Manduirana 62.000 Semente 100 10 20
Pau doce 34.100 Semente 100 16 30
Óleo de copaíba 2.500 Semente 550 19 29
Paineira 4.700 Semente 100 08 23
Peroba rosa 11.000 Semente 100 16 30
Pinheiro brasileiro 180 Semente --- 34 ---
5

Pinus caribaea 45.000 Semente 50 20 50


Pinus elliottii 32.000 Semente 50 17 50
Pinus pinastes 16.000 Semente 50 18 50
Pinus radiata 30.000 Semente 50 20 50
Pinus taeda 41.000 Semente 50 15 50
Pombeira 17.300 Semente 120 15 25
Quaresmeira 3.750.000 Semente 30 20 100
Sibipiruna 3.500 Semente 250 12 18
Suinã mulungu 5.610 Semente 170 10 22
Tamboril 4.610 Semente 200 07 17
Tipuana 1.500 Fruto 200 15 30
Tuia 107.000 Semente 80 23 40
Unha de vaca 4.528 Semente 80 10 25

A época mais apropriada para semeadura varia de acordo com os seguintes aspectos:
• Espécie;
• Taxa de crescimento;
• Riqueza do solo utilizado;
• Clima local.

Após a semeadura, as sementes são cobertas com uma fina camada de substrato, seguida
de uma cobertura morta, a fim de proteger as sementes pré-germinadas dos raios solares, ventos,
pingos d’água, além de manter a umidade.

Alguns materiais que podem ser utilizados para cobertura morta são:
ü Casca de arroz;
ü Capim picado;
ü Serragem.

1.1.4 RETIRADA DE MUDAS

Deve ser feita por meio de uma espátula ou ferramenta semelhante. A permanência das
plântulas na sementeira, desde a germinação até sua repicagem varia de espécie para espécie, de
acordo com as seguintes características:

Ø Eucalyptus spp: 3 a 4 cm de altura ou 2 a 3 pares de folhas, e no máximo 35 dias


após a semeadura.
Ø Pinus spp: deve ser realizada após a queda do tegumento das sementes e o
aparecimento das primeiras acículas.
6

Ø Demais espécies: 2 a 3 pares de folhas, uma vez que a altura é muito variável entre
as espécies.

1.1.5 CUIDADOS NA RETIRADA DAS MUDAS

ü Molhar bem o canteiro antes de iniciar a operação;


ü Molhar bem as embalagens que irão receber as mudas;
ü Evitar dias de sol, ou se necessário, fazê -lo no início da manhã ou no fim da tarde;
ü Cobr ir as mudas com um sombrite ou um ripado pelo período mínimo (dependendo
da espécie) de dois dias.

1.2 SEMEADURA DIRETA EM RECIPIENTES

Este método vem a cada dia ocupando maior espaço nas empresas florestais,
especialmente na produção de mudas em grande escala.

Isto se deve as seguintes vantagens:


Ø A área do canteiro servirá apenas de base física para a colocação dos recipientes;
Ø Reduz o período para a produção de mudas;
Ø Produz mudas mais vigorosas;
Ø O substrato utilizado para encher os recipientes não é o do local do viveiro;
Ø Menor perda de mudas por doenças;
Ø Consegue-se mudas com o sistema radicular de melhor conformação;
Ø Menor custo, em relação as mudas produzidas por repicagem.

1.2.1 CONFECÇÃO DOS CANTEIROS

Existem dois procedimentos que podem ser adotados, em relação à altura das mudas ao
solo:
1) No chão: as mudas são depositadas diretamente sobre o solo, enterradas ou
então encaixadas;
7

2) Suspenso: os canteiros são confeccionados a uma altura média de 0,90 m de


altura. As embalagens são encanteiradas em bandejas ou em telas, onde os
recipientes (tubetes) são encaixados.
Normalmente os canteiros possuem comprimentos menores e passeios mais largos que
os dos viveiros de raiz nua. Geralmente possibilitam passeios com 0,6 a 0,8 m de largura.

Figura 02: Canteiros suspensos com bandejas e mesas de tela

1.2.1.1 Dimensões dos canteiros

• Comprimento: Variável. Geralmente são menores do que os produzidos pelo sistema de


produção em raiz nua.
• Largura: a largura varia muito da posição em que as bandejas estarão dispostas sobre o
canteiro, bem como a quantidade que será planejada e o tipo de tubete utilizado. Mesas
que são construídas com tela podem ter tamanhos variáveis com a largura desejada.
8

1.2.1.2 Dimensões dos passeios

• Comprimento: menor do que os de produção mecanizada em raiz nua.


• Largura: 0,6 a 0,8 metro.

Figura 03: Canteiros suspensos com bandejas

1.2.2 TIPOS DE RECIPIENTES

A produção de mudas em recipientes vem a cada dia tendo uma maior aceitação pelas
empresas florestais, principalmente as que utilizam o Pinus e o Eucalyptus como matéria prima,
onde o tubete é o mais utilizado. Porém há vários outros tipos de recipientes onde a escolha do
ideal a ser utilizado vai depender da espécie, das condições disponíveis do produtor e da
produção esperada.

Principais vantagens, em comparação com a produção em raiz nua:


Ø Diminui o choque provocado pelo plantio;
Ø Melhor adaptação a sítios mais secos;
9

Ø Possibilidade de estender a estação de plantio;


Ø Replantio das falhas, na mesma estação de plantio;
Ø Resolve o problema da produção de mudas para algumas espécies.

As desvantagens são:
Ø Mais difíceis de serem manuseadas;
Ø Maior peso para o transporte;
Ø Oferece maior dificuldade em operações mecanizadas para o plantio;
Ø Dependendo do recipiente, exigem trabalho manual mais intensivo;
Ø Custo mais elevado de produção, transporte e plantio.

Na escolha do recipiente que se vai utilizar, alguns aspectos físicos devem ser
observados para a qualidade das mudas produzidas:

a) Forma: a forma do recipiente deve evitar o crescimento das raízes em forma


espiral, estrangulada, ou de qualquer outro problema. Indícios de recipientes
inadequados podem ser visualizados com a curvatura na base do fuste da muda
e a inclinação da árvore adulta, decorrentes de problemas no sistema radicular.

b) Material: o material não deve desintegrar-se durante a fase de produção de


mudas, o que dificulta a manipulação e o transporte dos recipientes.

c) Dimensões: é a combinação entre a altura e o diâmetro. É deste aspecto que


resulta o volume de cada recipiente, onde, quando forem maiores que o indicado
provocam gastos desnecessários, elevam a área do viveiro, aumentam os custos
de transporte, manutenção e distribuição das mudas em campo. Por outro lado,
como a disponibilidade de água e nutrientes é diretamente proporcional ao
volume de substrato, dimensões pequenas resultam em volume reduzido,
afetando o desenvolvimento da muda. Outro problema é o sistema radicial que é
variável de espécie para espécie.

d) Rotação da espécie no viveiro: o período de produção da muda deve ser


compatível com a duração dos recipientes e deve atender a qualidade do
substrato pela perda dos nutrientes com a lixiviação.
10

A seguir são descritos os principais tipos de recipientes utilizados na produção de


mudas:

1.2.3 TUBETES OU TUBOS DE PLÁSTICO RÍGIDO (POLIPROPILENO)

É um recipiente levemente cônico, de seção circular ou quadrática. São providos de


frizos internos, eqüidistantes, com função de direcionar as raízes ao fundo do recipiente, evitando
o desenvolvimento em forma espiral
Os tubetes podem ser colocados em suportes de isopor, plástico ou tela, denominados
bandejas, dispostos pouco acima do nível do solo formando os canteiros. Outra forma é a
utilização de mesas com tampo de tela, em cujas malhas os tubetes são encaixados, ou a própria
bandeja é colocada sobre a mesa, ajustada em canteiros.

Figura 04: Mesa para enchimento de tubetes

As principais vantagens destes recipientes são:


Ø Reaproveitamento da embalagem após o uso;
Ø Menor diâmetro, ocupando menor área;
Ø Menor peso;
Ø Maior possibilidade de mecanização das operações de produção de mudas;
Ø Menor incidência de pragas/doenças;
Ø Propicia operações ergonométricas.

Desvantagens:
Ø Custo elevado de implantação;
11

Ø A lixiviação de nutrientes, tanto pela chuva como por irrigação, ocasiona a


necessidade de uma reposição de nutrientes em maior escala.

1.2.3.1 Dimensões
Existem várias dimensões no mercado, dentre as principais são:

§ Redonda (50 cm3)* - 4 estrias


- 6 estrias

§ Quadrada (56 cm3 )* - 4 estrias

* Indicados para Pinus, Eucalyptus e espécies nativas de sementes de pequenas dimensões.

§ Redondo (288 cm3)** - 8 estrias

** Indicada para sementes de 5 a 45 mm de diâmetro.


Lay-out do tubete redondo

Figura 05: Formato padrão de tubete cônico


12

1.2.4 SACO PLÁSTICO (POLIETILENO)

Com este tipo de recipiente, a semeadura não pode ser mecanizada, devido à
necessidade das embalagens estarem em perfeito alinhamento nos canteiros. Os sacos devem ser
providos de furos na sua parte inferior, com a função de escoar o excesso de umidade e permitir o
arejamento.
O enchimento pode ser manual, através de uma lata ou cano em formato cônico e sem
fundo, ou com o uso de moega metálica. A moega (Figura 06) é um equipamento com um
formato de uma pirâmide invertida, tendo um bico em sua parte inferior, onde é inserida a boca
do saco plástico. O substrato, ao passar pelo bico, força a abertura do restante do saco plástico.
Uma lingüeta de metal controlada por um pedal é que regula a abertura e o fechamento do bico
da moega.
Seu rendimento gira em torno de 9000 sacos/ homem/ dia, enquanto o enchimento
manual geralmente não ultrapassa 3000 sacos (considerando recipientes de 5 cm de diâmetro e
12 cm de altura).

Figura 06: Moega para auxílio de enchimento com substrato de sacos plásticos.
(CARNEIRO, 1995)
13

Vantagens:
Ø Baixo custo;

Desvantagens :
Ø Difícil decomposição, sendo necessário sua retirada antes do plantio;
Ø Dimensões inadequadas da embalagem, bem como períodos muito longos da muda
no viveiro podem ocasionar deformações no sistema radicular pelo enovelamento e
dobra da raiz pivotante;
Ø Utilização de grandes áreas no viveiro;
Ø Alto custo de transporte das mudas ao campo;
Ø Baixo rendimento na operação de plantio.

1.2.4.1 Dimensões

Usualmente podem ser encontrados diversos tamanhos de sacos plásticos. No entanto, são
indicados na Tabela 02 apenas alguns, com suas respectivas características dimensionais.

Tabela 02: Características dos sacos plásticos de uso mais comum


Dimensão Altura Circunferência Diâmetro Volume Vol/1000 emb. Mudas / m²
34,5 x 23,5 cm 27,0 cm 47,0 cm 15,0 cm 4746 cm ³ 4,75 m³ 45
26,0 x 19,5 cm 20,5 cm 39,0 cm 12,4 cm 2481 cm ³ 2,48 m³ 65
24,5 x 15,5 cm 21,0 cm 31,0 cm 9,9 cm 1606 cm ³ 1,61 m³ 103
25,0 x 14,5 cm 22,0 cm 29,0 cm 9,2 cm 1472 cm ³ 1,47 m³ 117
20,0 x 14,0 cm 16,5 cm 28,0 cm 8,9 cm 1029 cm ³ 1,03 m³ 126
20,0 x 12,0 cm 16,5 cm 24,0 cm 7,6 cm 756 cm ³ 0,76 m³ 171
21,0 x 10,0 cm 17,0 cm 20,0 cm 6,4 cm 541 cm ³ 0,54 m³ 247
17,5 x 10,0 cm 14,5 cm 20,0 cm 6,4 cm 462 cm ³ 0,46 m³ 247
17,5 x 11,0 cm 13,5 cm 22,0 cm 7,0 cm 520 cm ³ 0,52 m³ 204
14,5 x 8,5 cm 12,0 cm 17,0 cm 5,4 cm 276 cm ³ 0,28 m³ 342
14,0 x 8,0 cm 11,0 cm 16,0 cm 5,1 cm 224 cm ³ 0,22 m³ 386

Quando se trata de dimens ões em embalagens, sempre a primeira medida refere -se ao
diâmetro, e a segunda à altura. Na literatura são citados ainda, vários outros tamanhos que são
usados de acordo com o tipo de muda produzida, espécie e finalidade.
14

A indicação do tamanho ideal va i depender da espécie e do objetivo para o qual a muda


será produzida.
o Para Pinus e Eucalyptus indica-se o tamanho 5 x 11 ou 5 x 12 ;
o Para espécies nativas o mais indicado é o 7 x 19,4;
o Para mudas de lento crescimento o tamanho pode ser 10 x 20 – 25;
o Para arborização os tamanhos são indicados de acordo com o
crescimento da muda: 10 x 20-25 15 x 30 20-25 x 30-40

1.2.5 TORRÃO PAULISTA

Produzido a partir de uma mistura de solo argiloso, solo arenoso e esterco curtido, em
proporções aproximada mente iguais. Após o seu umedecimento, a mistura é modelada em prensa
específica. Desta operação resultam prismas retos de base hexagonal, com 3,5 cm de lado e 12
cm de altura, tendo uma cavidade central na face superior. Este torrão deve ter boa resistência e
ser suficientemente poroso. Do seu agrupamento formam-se os canteiros. Atualmente este tipo de
embalagem praticamente não está sendo utilizado, visto principalmente pela mão-de-obra
envolvida na sua confecção e das perdas ocorridas por quebra durante o manuseio das mudas até
o plantio, especialmente em dia muito chuvosos.

Outros tamanhos encontrados


• 2,6 x 11,0 cm
• 6,0 x 12,0 cm
• 3,5 x 12,0 cm

1.2.6 TAQUARAS

Não possuem dimensões padronizadas em diâmetro, mas apenas em altura. Seu período
de decomposição é muito mais longo que o da rotação das espécies no viveiro, sendo às vezes,
muitos meses após o plantio.
Suas pequenas dimensões diametrais elevam em demasia o número de mudas por metro
quadrado (densidade), alterando as dimensões dos parâmetros morfológicos que indicam a
qualidade de mudas, não sendo indicado tecnicamente o seu uso por estes motivos.
15

1.2.7 LAMINADOS

Como o próprio nome diz, são lâminas quadradas ou retangulares (dependem do


diâmetro adotado ao recipiente), que grampeados, formam um tubo. A utilização do laminado faz
presente a necessidade de se adquirir caixas com dimensões específicas, onde se encaixam em
média 100 tubos de laminados. Há grande praticidade no enchimento destas lâminas, visto que
sempre são cheios em lotes de 100.
O laminado ainda é um recipiente bastante utilizado, principalmente na região sul do
País, embora que, dependendo do tipo de madeira com que foi produzido, exige também a
retirada por ocasião do plantio. O preço da lâmina e a dificuldade de ser encontrada são os
principais fatores limitantes à utilização desse tipo de recipiente.

Tamanhos mais usados


• 5,5 x 14,0 cm
• 7,0 x 18,0 cm
• 6,0 x 14,0 cm
• 5,0 x 14,0 cm
• 5,0 x 21,0 cm

1.2.8 FÉRTIL POT

Fertil-pot - São recipientes de forma cônica, com dimensões variáveis para cada espécie.
São fabricados na indústria a base de pasta de madeira e turfa hortícula, formando uma mistura
levemente fertilizada. Fácil de ser manuseado, resiste bem ao enchimento e é permeável às
raízes. Durante a fase de produção de mudas este recipiente não deve ser colocado em contato
direto com o solo, nem protegido lateralmente com terra, evitando-se assim, o desenvolvimento
das raízes além das paredes do recipiente. Uma forma adequada de disposição do ferti-pot é sua
colocação em estrados de tela de arame, suspensos do solo. Este tipo de recipiente apresenta
como maior limitação o seu custo elevado e a necessidade de importação.

Tamanhos
• 7,0 x 9,0 cm
• 5,0 x 5,0 cm
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1.2.9 PXCL

São recipientes de formato hexagonal, produzidos com fibras vegetais e contém adubos
e fertilizantes químicos.

Tamanhos
• PxCL 6069 – 3,0 x 12,0 cm
• PxCL 6063 – 3,0 x 12,0 cm
• PxCL 4 – 3,0 x 12,0 cm

1.2.10 PAPER POT

É um tipo de recipiente que se aproxima do ideal. Sua durabilidade em serviço e


permeabilidade às raízes são excelentes. Sendo um recipiente de papel, não necessita ser retirado
por ocasião do plantio. Além dessas vantagens, o sistema paper-pot permite uma produção de
mudas totalmente mecanizada, desde o enchimento dos recipientes até a semeadura, obtendo-se
rendimentos de até 400.000 recipientes semeados, por 8 horas de trabalho. A maior limitação do
paper-pot é a necessidade de importação e o custo elevado desse tipo de recipiente.

Tamanhos
• 2,5 cm x 15,0 cm
• 3,8 cm x 12,0 cm
• 5,0 cm x 15,0 cm

1.2.11 TUBO DE PAPELÃO

Não é apropriado para mudas que necessitam de um período maior que seis meses de
permanência no viveiro, já que podem apresentar problemas pela sua degradação no transporte.

Tamanhos
• 3,5 x 10,0 cm
• 5,0 x 12,0 cm
• 6,0 x 14,0 cm
17

1.2.12 MOLDES DE ISOPOR (POLIESTIRENO)

São bandejas contendo cavidades afuniladas, em forma de pirâmides invertidas. Este


afunilamento e as arestas internas das pirâmides direcionam as raízes para baixo. A profundidade
das cavidades pode variar, em conformidade com a espécie em produção. As mais utilizadas são
as de 7 e 12 cm. As dimensões destas bandejas são de 67,5 x 34,5 cm. As cavidades têm
aberturas no fundo, o que permite a poda aérea das raízes.

Tamanhos
• 80 cm3
• 120 cm3
• 60 cm3
• 3,5 cm (aresta superior) x 11,5 cm (altura)
• 3,5 x 6
• 6,2 cm (profundidade) = 35 cm3
• 12 cm (profundidade) = 70 cm3

1.3 SUBSTRATO

Sua principal função é sustentar a planta e fornecer-lhe nutrientes, água e oxigênio. É


composto por três fases, sendo elas:
• Sólida: constituído de partículas minerais e orgânicas;
• Líquida: formada pela água , na qual encontram-se os nutrientes, sendo chamada
de solução do solo;
• Gasosa: constituída pelo ar, a atmosfera do substrato.

Estes dois últimos são inteiramente dependentes dos espaços livres no solo (poros),
podendo ser classificados ainda como macroporos e microporos.

O substrato deve apresentar boas características físicas e químicas, sendo as físicas as


mais importantes, uma vez que a parte química pode ser mais facilmente manuseada pelo
18

técnico. Das características mais importantes dos substratos utilizados em viveiros florestais
destaca-se de forma sucinta, as que merecem maior atenção:

1.3.1 CARACTERÍSTICAS FÍSICAS

- Textura: refere-se à proporção relativa dos componentes de vários


tamanhos ou grãos individualizados contidos na massa do substrato,
constituindo a argila, o silte e a areia. As partículas de argila são as
principais responsáveis pela retenção dos nutrientes e água, necessários ao
desenvolvimento da muda. No entanto, a textura do substrato deve ser
arenosa, franco arenosa ou areia franca, visto que quanto mais grosseira a
textura do substrato, mais rápida é a drenagem. A drenagem eficiente
previne contra o aparecimento de fungos pela baixa umidade. Para mudas
em raiz nua, esta classe de textura favorece a extração das mudas do solo,
em virtude da pequena aderência das partículas às raízes das mudas.

- Estrutura: trata do modo ou como as partículas são unidas, arranjadas


com os poros, em forma de agregados no substrato. Suas dimensões é que
determinam a estrutura e uma das suas mais importantes funções é
possibilitar a drenagem, e por conseqüência, a oxigenação e a penetração
das raízes. O agregado por sua vez, vai ser constituído da areia, do silte e
da argila, em proporções que variam com o substrato. A desestruturação
do substrato faz com que o mesmo se compacte, reduzindo a porosidade.
Esta por sua vez causa um decréscimo na aeração e no fornecimento de
oxigênio para as raízes das mudas e para os microrganismos. Outro
problema é a redução da infiltração de água e transporte de nutrientes,
limitando o desenvolvimento das mudas.

- Porosidade : são os espaços ocupados por ar, água, organismos e raízes.


Sua quantidade é determinada diretamente pelo arranjo das partículas
sólidas e pela presença de matéria orgânica. Já as dimensões dos poros e
sua distribuição são determinados, além da estrutura, pela textura. Os
poros podem ser classificados de acordo com o diâmetro em macro e
microporos. Os macroporos permitem a livre movimentação de ar e água
19

de percolação, enquanto os microporos permitem a movimentação de água


capilar.

- Matéria orgânica: além de ter a capacidade de reter a umidade e


nutrientes no substrato, como a argila, o húmus tem a propriedade de
expansão e retração, pelo umedecimento e seca, e conseqüentemente a
manutenção da estrutura do subs trato.

1.3.2 PREPARO DO SUBSTRATO

Para o preparo do substrato, alguns pontos devem ser observados: não deve ser muito
compacto, para não prejudicar a aeração e o desenvolvimento das raízes; apresentar substâncias
orgânicas, para melhorar a agregação e aumentar a capacidade de troca catiônica e a retenção de
água; e deve estar isento de sementes de plantas indesejáveis, de pragas e de microrganismos
patogênicos. São descritos abaixo, alguns componentes que podem ser usados na constituição do
substrato:

§ Vermic ulita: é um mineral de estrutura variável, constituído de lâminas ou


camadas, justapostas em tetraedros de sílica e octaedros de ferro e magnésio. O
octaedro de magnésio, quando submetido ao aquecimento, expande-se. Isto
resulta no melhoramento das condições físicas, químicas e hídricas do solo. A
vermiculita possui a capacidade de reter a água do solo, deixando disponível
para a planta, em caso de uma breve estiagem. É um substrato praticamente
inerte, sendo necessário o balanceamento de nutrientes essenciais, por meio de
adubações periódicas. Outro grande problema da vermiculita é de se conseguir
uma boa aderência do substrato ao redor das raízes, sendo necessário levar o
tubete ao campo até o momento do plantio.

§ Composto orgânico: é o material resultante da decomposição de restos animais


e vegetais, através do processo da compostagem. Este processo consiste em
amontoar esses resíduos e, mediante tratamentos químicos ou não, acelerar a sua
decomposição. A decomposição por microrganismos do solo processa-se mais
rapidamente quando estes encontram quantidades suficientes de nitrogênio e
fósforo prontamente assimiláveis. Em termos práticos, o teor de nitrogênio é que
20

determina a velocidade de decomposição. Quando o resíduo tem menos de 1%


de N, a decomposição é extremamente lenta, por ser um material pobre. Tendo o
resíduo mais de 2% de N, a decomposição é rápida, mas sujeita à perda de N
para a atmosfera. O composto estimula a proliferação de microrganismos úteis,
melhora as qualidades físicas do solo, aumenta a capacidade de retenção de água
e nutrientes, facilita o arejamento e reduz o efeito da erosão pela chuva. Na
Tabela 3, constam os principais componentes de compostos orgânicos, bem
como a sua concentração de nitrogênio.

Tabela 3: Principais componentes de resíduos orgânicos utilizados em compostos


(PAIVA, 2000)
Material M.O. C/N N% P2O5 K 2O
Amoreira (folhas) 86.0 13/1 3.7 1.0 -
Bagaço de cana 58.5 22/1 1.4 0.2 0.9
Capim-gordura 92.3 81/1 0.6 0.1 -
Capim-guiné 88.7 33/1 1.4 0.3 -
Capim-mimoso 93.6 79/1 0.6 0.2 -
Casca de arroz 54.4 39/1 0.7 0.5 0.4
Esterco de carneiro 56.4 15/1 2.3 0.2 3.6
Esterco de cocheira 45.8 18/1 1.4 0.5 1.7
Esterco de gado 62.1 18/1 1.9 1.0 1.6
Esterco de galinha 54.0 10/1 3.0 4.7 1.8
Esterco de porco 46.2 10/1 2.5 4.9 2.3
Mucuna -preta 90.6 22/1 2.2 0.5 2.9
Palha de milho 96.7 112/1 0.4 0.3 1.6
Samambaia 95.9 109/1 0.4 0.0 0.1
Serragem 93.4 865/1 0.0 0.0 0.0
Torta de mamona 92.2 10/1 5.4 1.9 1.5
Turfa 39.8 57/1 0.3 0.0 0.3

§ Esterco bovino: quando bem curtido, muito contribui para melhorar as


condições físicas, químicas e biológicas do substrato, além de fornecer vários
nutrientes essenciais às plantas. Ele aumenta a capacidade de troca catiônica, a
capacidade de retenção de água, a porosidade do solo e a agregaçã o do
substrato, as quais são mais importantes que os elementos químicos e nutrientes
adicionados pelo esterco. O valor do esterco como fertilizante depende de vários
fatores, dentre os quais o grau de decomposição em que se encontra e os teores
que ele apresenta de diversos elementos essenciais às plantas. O esterco bem
21

curtido é útil misturado com outros substratos, proporcionando resultados


semelhantes ao do composto orgânico, porém inferiores.

§ Moinha de carvão vegetal: é um subproduto do processo de carvoejamento,


uma vez que se constitui de partículas finas que não são aproveitadas pelas
empresas produtoras de ferro-gusa. Na produção de mudas utilizando tubetes, a
moinha é um excelente produto para ser misturado com outros substratos,
principalmente os orgânicos.

§ Terra de subsolo: deve-se dar preferência aos solos areno-argilosos, pois estes
apresentam boa agregação, permitem uma boa drenagem da água, não
apresentam problemas para o desenvolvimento das raízes, possui boa
capacidade de reter umidade e apresentam coesão necessária para a agregação
ao sistema radicular. É utilizada principalmente com mudas que são produzidas
em sacos plásticos. É importante se fazer uma análise química, para verificar a
necessidade ou não, de uma correção do pH, uma vez que espécies folhosas
desenvolvem-se melhor em solos com pH na faixa de 6,0 a 6,5. Para a retirada
da terra deve -se remover uma camada superficial de aproximadamente 20 cm,
para que a terra a ser usada no viveiro não seja acompanhada por sementes de
plantas indesejáveis.

§ Serragem: é um resíduo de serraria raramente usado, onde, por ser orgânico,


pode ser usado na produção do composto e em cobertura morta para viveiros. A
qualidade da serragem por sua vez vai depender da espécie de origem. Isto
porque a serra gem pode conter resina, tanino, terebentina, muito comum em
serragem de coníferas e que podem ser tóxicas as plantas. Outro fator a ser
considerado é de que a serragem, por apresentar relação elevada de C/N (851/1),
é um produto de compostagem muito lenta, sendo assim importante que a
serragem a ser utilizada no viveiro esteja bem decomposta.
22

1.3.3 ALGUNS EXEMPLOS DE SUBSTRATO

1.3.3.1 Substrato em raíz nua

Para viveiros que utilizam deste sistema, o substrato é o próprio solo do viveiro. O que
vai determinar o melh or desenvolvimento das mudas é a forma de preparo. Inicialmente a área
deve ser relativamente profunda, em torno de 1 metro, para facilitar a lixiviação da água.

1.3.3.2 Substrato em recipientes

Segundo MACEDO (1993), No que se refere aos substratos, o mais usado é terra de
subsolo (70%) no caso de se usar sacos plásticos, mais composto orgânico ou esterco curtido
(30%).
No caso de se usar tubetes, os tipos de substratos mais recomendáveis são os seguintes:

1. vermiculita (30%), mais terra de subsolo (10%), mais matéria orgânica (60%);
2. terra de subsolo (40%), mais areia (40%), mais esterco curtido (20%);
3. vermiculita (40%), mais terra de subsolo (20%), mais casca de arroz calcinado (40%).

No primeiro caso, a matéria orgânica utilizada pode ser bagaço de cana, casca de eucalipto e
pinos decompostos. Deve-se evitar o uso de terra argilosa.

1.4 FERTILIZAÇÃO MINERAL

O processo de fertilização deve ser de tal forma que, as mudas possam absorver o
máximo de nutrientes (estando estes disponíveis) sem que haja excesso no substrato ou então
perda por lixiviação. Tanto o excesso como a escassez causam complicações a sanidade das
mudas.

Visando isto, a fertilização deve ser feita em duas etapas:

1) Fertilização de base: parte dos nutrientes é misturada diretamente no substrato,


antes do enchimento dos recipientes. Aplicar 50% das doses de N e K, e 100%
das doses de calcário, P e micronutrientes.
23

2) Fertilização de cobertura: o restante dos nutrientes é aplicado, em várias doses,


no decorrer do desenvolvimento das mudas. Aplicar em doses, parceladamente
em cobertura, na forma de soluções ou suspensões aquosas.

1.4.1 INDICAÇÕES PARA PINUS E EUCALYPTUS


As indicações abaixo descritas estão baseadas em VALERI & CORRADINI (2000).

1.4.1.1 Fertilização de mudas em sacos plásticos:

Para a produção de mudas utilizando este sistema, as doses de fertilizantes podem ser
parceladas.

Ø Fertilização de base: (para cada m3 de terra de subsolo)


• 500 g de calcário dolomítico;
• 150 g de N;
• 700 g de P2O5;
• 100 g de K2O;
• 200 g de fritas1;
Rendimento: 4800 sacos de 250 g de capacidade.

Ø Fertilização de cobertura: (para cada m3 de subsolo)


• 100 g de N; em 3 ou 4 vezes
• 100 g de K2O.

Dissolver 1 kg de sulfato de amônio e/ou 300 g de cloreto de potássio em 100 l de água.


Regar 10000 saquinhos. As irrigações devem ser alternadas, ora com N e K, ora apenas com N.

Recomendações:

- As aplicações devem ser feitas no final da tarde ou ao amanhecer, seguidas de


irrigações leves, para diluir ou remover os resíduos de adubo que ficam depositados
sobre as folhas.

1
Fritas são misturas de micronutrientes na forma de silicatos fundidos.
24

- A primeira adubação é feita 30 dias após a emergência das plântulas, sendo que as
demais são realizadas em intervalos de 7 a 10 dias.
- Na fase de rustificação, de 15 a 30 dias antes da expedição, suspende -se as
fertilizações nitrogenadas. Apenas o K deve ser aplicado no início da fase de
rustificação. Isto porque este nutriente regula a abertura estomática, evitando perdas
excessivas de umidade, além de promover o engrossamento do caule.

1.4.1.2 Fertilização de mudas e m tubos de polipropileno:

Devido as pequenas dimensões dos tubetes, sua reserva de nutrientes também acaba
sendo pequena, sendo ainda prejudicada pela lixiviação intensa decorrida do tipo de substrato
que o compõe. Por isso, a aplicação de fertilizantes deve ser feita com menor quantidade, e em
maior freqüência, se comparada a produção de mudas em sacos plásticos.

Ø Fertilização de base: (por cada m3 de substrato)


• 150 g de N;
• 300 g de P2O5;
• 100 g de K2O;
• 150 g de fritas.
Rendimento: 20000 tubetes com capacidade de 50 cm3

Ø Fertilização de cobertura:
Dissolver 1 kg de sulfato de amônio e/ou 300 g de cloreto de potássio em 100 l de
água. Regar 10000 tubetes a cada 7 a 10 dias de intervalo. As irrigações devem ser intercaladas,
ora com N e K, ora apenas com N.

Recomendações:
- Na fertilização de base, não aplicar calcário pois, como os níveis de
pH, Ca e Mg nestes substratos são elevados, estes acabam
induzindo a deficiência de micronutrientes pela elevação do pH.
- A aplicação da fertilização de cobertura deve ser efetuada até que a
muda atinja um tamanho desejado (25 – 30 cm).
25

- Na fase de rustificação, 15 a 30 dias antes da expedição, suspende-


se as fertilizações nitrogenadas. Aplicar da mesma forma que em
sacos plásticos.

1.4.2 INDICAÇÕES PARA NATI VAS

1.4.2.1 Fertilização de mudas em sacos plásticos:

Devido aos níveis de Ca e Mg nas terras de subsolo, (utilizados na produção do


substrato) serem baixos, recomenda-se a calagem. A faixa ideal de pH do substrato varia de 5,0 a
5,5. a dose ideal de calcário dolomítico a aplicar, de acordo com os resultados das análises
químicas do substrato, deve ser determinada através da fórmula:

CTC. (V2 – V1)


NC =
20 x PRNT
Onde:

NC = necessidade de calcário em kg/ m3 de terra de subsolo;


T = capacidade de troca ca tiônica (CTC) a pH 7, em mmolc dm3;
V2 = é a saturação de bases desejada, 60 %;
V1 = é a saturação de bases encontrada na terra de subsolo;
PRNT = poder relativo de neutralização do calcário.

Porém, como geralmente não se tem a análise química, pode-se recomendar a aplicação
de 1 kg de calcário dolomítico para 1 metro cúbico de terra de subsolo. Após a incorporação do
calcário (se necessário), fazer a aplicação de fertilizantes na forma de fertilização de base e de
cobertura.
Ø Fertilização de base: (por m3 de substrato)
• 150 g de N (sulfato de amônio);
• 700 g de P2O5 (superfosfato simples);
• 100 g de K2O (cloreto de potássio);
• 200 g de fritas.
26

Ø Fertilização de cobertura:
• 200 g de N (sulfato de amônio);
• 150 g de K2O (cloreto de potássio).

Recomendações:
- Na fertilização de base, usar produtos em pó, devido a facilidade de
homogeneização no substrato.
- A fertilização de cobertura se inicia 30 dias após a emergência das
plântulas, repetindo em intervalos de 7 a 10 dias para espécies de
rápido crescimento (pioneiras e secundárias iniciais) e, de 30 a 45
dias para espécies de crescimento lento (secundárias tardias e clímax).
- As aplicações deverão ser feitas no inicio da manhã ou ao final da
tarde, seguidas de leves irrigações, com a função de remover os
resíduos de fertilizantes que ficam depositados sobre as folhas.
- Dissolver os fertilizantes em 100 l de água, obtendo-se uma
quantidade suficiente para aplicação em 10000 mudas.
- Intercalar a aplicação de N e K, sendo uma com N e K, e outra apenas
com N.
- Na fase de rustificação, que dura de 15 a 30 dias, reduzir as regas e
suspender a aplicação de fertilizantes com N, devendo-se aplicar
apenas K no início da fase. Este procedimento vai promover o
balanço interno dos tecidos, principalmente nas folhas, regulando a
perda de água, além de promover o engrossamento do caule.

1.4.2.2 Fertilização de mudas em tubetes de polipropileno:

A aplicação de calcário neste sistema é dispensada e até não recomendada, pelo fato dos
níveis de pH, Ca e Mg nestes substratos já estarem adequados. O pequeno volume e a elevada
lixiviação do substrato, demanda aplicações dos fertilizantes de cobertura mais freqüentes.

Ø Fertilização de base: (por m3 de substrato)


• 150 g de N (sulfato de amônio);
• 300 g de P2 O5 (superfosfato simples);
27

• 100 g de K2 O (cloreto de potássio);


• 150 g de fritas.

Ø Fertilização de cobertura:
• 200 g de N (sulfato de amônio);
• 150 g de K2 O (cloreto de potássio).

Recomendações:
- São as mesmas para a produção de mudas em sacos plásticos.

1.5 MICORRIZAÇÃO

Micorrização é a associação simbiótica entre determinados fungos e raízes finas, não


lenhosas, de plantas superiores, com ocorrência de benefícios mútuos. Os fungos utilizam-se de
substâncias sintetizadas pelas plantas, tais como açúcares, carboidratos, vitaminas, hormônios,
aminoácidos e diversos outros exsudatos. Isto implica que qualquer alteração da planta ou
ambiente acaba interferindo na simbiose.

Quanto aos benefícios que os fungos trazem as plantas podem ser citados:

Ø Aumento da área de absorção das raízes;


Ø Aumento da absorção de nutrientes, especialmente de fósforo;
Ø Aumento da longevidade de raízes infectadas;
Ø Maior resistência a extremos valores ácidos de pH;
Ø Maior proteção contra infecção patogênica;
Ø Maior resistência à seca das mudas e a altas temperaturas do substrato;
Ø Maior poder de absorção de nutrientes.

Como resultado dos benefícios mútuos entre a planta e o fungo é o aumento do índice de
sobrevivência após o plantio, com melhor desenvolvimento das mudas no campo.
28

Os gêneros mais freqüentemente encontrados são: Pisolithus , Telephora, Scleroderma ,


Rhizopogon, Boletus , Amanita, Cenococcum, Russula , Laccaria , Inocybe , Glomus, Acaulospora ,
Gigaspora, Sclerocystis, Cantharellus, Boletinus, Endogone e Suillus.

1.5.1 TIPOS DE INFECÇÃO

De acordo com as características morfológicas e anatômicas, as raízes micorrízicas


podem ser divididas nos seguintes grupos:

• Ectomicorrízas;
• Endomicorrízas
• Ectoendomicorrízas.

Em espécies de Pinus , são formadas ectomicorrízas, enquanto que em Eucalyptus são


endomicorrízas. Espécies de ecossistemas brasileiros como da vegetação dos cerrados, floresta
amazônica, matas da costa atlântica são essencialmente endomicorrízicas, incluindo espécies das
matas dos Pinhais.

Ectomicorrízas

O fungo coloniza a superfície das raízes curtas, alimentadoras, formando um manto


espesso ao seu redor. Pode ser vista a olho nú, devido a coloração branca ou colorido brilhante.
O fungo entra nas raízes, entre as células corticais, formando um entrelaçamento
denominado “Rede de Hartig”. Ele não chega ao interior das células, e as raízes micorrizadas são
mais espessas que as não micorrizadas.
A maioria dos fungos que formam ectomicorrízas são constituídos por Basidiomicetos
(freqüentemente produzem corpo de frutificação), podendo também ocorrer Ascomicetos. Os
poros das ectomicorrízas são transportados de várias formas, sendo o principal meio de
propagação o vento. É entre a zona de contato hifa-célula que ocorrem as trocas de nutrientes.
29

Figura 07: Ectomicorrização em raízes de árvores (CUNHA, 1986)

Endomicorrízas

As endomicorrízas não podem ser vistas a olho nú. Sua presença é detectada pela
técnica de mudança de coloração de tecidos e exames em microscópio.
As hífas ramificam-se através das raízes, apresentando estruturas com características de
vesículas e arbúsculos, sendo também chamadas de micorrízas vesículo arbusculares. As
vesículas são órgãos de armazenamento, contendo carboidratos e também servem como
estruturas de reprodução. Os arbúsculos são estruturas bastante ramificadas, intracelulares, que
habitam nas células do córtex e tomam parte na troca de nutrientes.
Outra característica destes fungos é de não produzirem estruturas reprodutivas na
superfície do solo. Produzem esporos globulosos, cuja dispersão é restringida basicamente a
movimentação mecânica do solo, não sendo disseminados pelo vento.

1.5.2 MÉTODOS DE INOCULAÇÃO

Métodos práticos para a inoculação das micorrízas:

a) Incorporação de restos de acículas, húmus e solo superficial de plantações ou


viveiros bem estabelecidos;
b) Incorporação de compostos fabricados com restos de material que contenham
fungos micorrízicos;
c) Plantio de mudas obtidas onde há abundância de fungos micorrízicos.
30

1.6 SEMEADURA

Consiste na distribuição das sementes, enterrando-as no solo, de acordo com suas


próprias exigências e nas melhores condições possíveis. A semeadura pode ser feita:

• Diretamente na embalagem;
• A lanço;
• Em fileiras.

Semeadura na embalagem: são colocadas as sementes na embalagem, sendo a


quantidade variável com a espécie e com o poder germinativo. No caso do Eucalyptus
pode ser usada a seringa que deixa cair de 3 a 5 sementes na embalagem.

Semeadura à lanço: deve ser feita de tal modo que, após o lançamento das sementes,
haja uma distribuição uniforme das mesmas sobre a superfície do canteiro. Este tipo de
semeadura é mais empregado nas sementeiras.

Semeadura em fileiras: feita em viveiros que produzem mudas com raiz nua. Podem
ser manual ou mecanizada.

1.6.1 ÉPOCA

A época ideal para se efetuar a semeadura deve ser determinada através de alguns
aspectos importantes:

• Espécie;
• Taxa de crescimento;
• Estação chuvosa;
• Resistência das espécies à geada;
• Rotação das espécies no viveiro;
• Tipo de muda (raiz nua ou recipientes, mecanizado ou manual).
31

Tabela 04: Épocas de semeadura e tempo de desenvolvimento em viveiro par algumas espécies
(CARNEIRO, 1995)
Tempo necessário de
Espécie Época de semeadura Plantio da muda
desenvolvimento
+
Pinus spp. 8 meses Primavera: 2º quinzena A partir de maio do
( set – out ) ano seguinte.
+
Eucalyptus com 3 meses Primavera: 2º quinzena Nas chuvas de verão
ocorrência de geadas ( set – out )
+
Eucalyptus sem 3 meses 3 meses antes da No período das chuvas
ocorrência de geadas estação chuvosa
+
Eucalyptus com 3 meses No inverno, em casa Setembro / Outubro
ocorrência de geadas de vegetação

1.6.2 QUANTIDADE DE SEMENTES

A quantidade de sementes depende do número de mudas a produzir anualmente, bem


como do tipo de muda (raiz nua ou em recipientes) e da metodologia de produção (manual ou
mecanizado).
Quando a quantidade de sementes a adquirir depender inteiramente da produção anual,
esta vai ser determinada pelas condições financeiras da empresa e da demanda de matéria prima
ao mercado consumidor. Porém, quando é levado em consideração o tipo de muda a produzir e a
metodologia adotada, esta quantidade pode ser determinada através de alguns cálculos:

A quantidade de sementes por canteiro pode ser determinada através da seguinte


fórmula:

K= DxA .
G x P x N (100 – f)

Onde:

K = quantidade de sementes, em quilo, por canteiro;


D = densidade de mudas/m2;
A = área de cada canteiro;
G = percentagem de germinação, contida no Boletim de Análise de Sementes (expressa
em decimais);
32

P = percentagem de pureza, contida no Boletim de Análise de Sementes (expressa em


decimais);
N = número de sementes, por quilo, contido no Boletim de Análise de Sementes;
f = fator de segurança.

O fator de segurança corresponde à soma da percentagem de mortalidade, ao longo do


período de produção no viveiro, com a percentagem de mudas consideradas refugo, que
geralmente situa-se em torno de 20% .

1.6.2.1 Viveiros em recipientes: produção manual

O cálculo da quantidade é determinado pelas dimensões das sementes.

• Sementes pequenas: (Eucalyptus spp)

A semeadura é efetuada diretamente nos rec ipientes já encanteirados, com a utilização


da seringa plástica. O número de sementes depositadas em cada recipiente é variável,
dependendo da espécie e da porcentagem de pureza das sementes. Geralmente coloca-se de 3 a 5
sementes por recipiente.

É de suma importância então, se saber a quantidade de sementes por quilo (que inclui matéria
inerte), e a quantidade de sementes depositadas por recipiente, para que se possa determinar a
quantidade de sementes à adquirir. Efetuar posteriormente o raleamento e/ou repicagem,
deixando apenas uma muda, a de maior vigor por recipiente.

• Sementes de dimensões médias: ( Pinus spp)

Sementes como as do gênero Pinus ou com dimensões similares permitem seu manuseio sem
dificuldades. Coloca-se geralmente 2 sementes por recipiente, sendo necessário o posterior releio
e/ou repicagem.
33

• Sementes de dimensões grandes

Neste caso, cada recipiente comportará apenas uma semente.

1.6.2.2 Viveiros em recipientes: produção mecanizada

O cálculo da quantidade será apresentado, separadamente, para duas situações.

• Sementes de dimensões pequenas:

Utiliza-se a semeadeira denominada mimeógrafo, que trabalha apenas com sementes


puras de Eucalyptus spp. Seu funcionamento consiste na utilização de agulhas específicas que
succionam apenas uma semente por recipiente. Por este motivo, é indispensável o
beneficiamento das sementes, onde se elimine pelo menos 98% do material inerte.

• Sementes de dimensões médias:

As semeadeiras são as do modelo utilizado para Eucalyptus spp, sendo o incoveniente que a
adaptação proporciona apenas a semeadura de uma semente por recipiente. A quantidade de
sementes deve ser determinada através do cálculo, onde cada recipiente conterá 2 sementes. Isto
faz com que a quantidade de sementes necessárias seja muito superior a pr odução mecanizada
em raiz nua.

1.6.3 PROFUNDIDADE

A semeadura, tanto em recipientes como em sementeiras, não deve ser muito


superficial, tampouco muito profundas. Isto porque, se forem muito superficiais as sementes
recebem intenso calor do sol, não absorvendo quantidades adequadas de umidade que
proporcionem sua germinação. Já sementes muito profundas apresentam o incoveniente do
próprio peso do substrato constituir um fator físico inibidor da emergência das plântulas.
A profundidade ideal vai depender de alguns fatores como: vigor das sementes,
dimensões das sementes e constituição física do substrato. Para substratos com textura argilosa,
recomenda -se a semeadura a uma profundidade menor. De modo geral, as sementes devem ser
colocadas a uma profundidade cor respondente a até duas vezes o seu diâmetro maior. Porém, as
34

sementes pequenas devem ser distribuídas na superfície do substrato nos recipientes ou na


sementeira, sendo irrigados previamente, e cobertas com uma fina camada de substrato.
Na tabela 05 é apresentada a indicação de profundidade de semadura para algumas
espécies.

Tabela 05: Profundidade de semadura para algumas espécies (CARNEIRO, 1995)


Espécies Recomendações Fonte
Pinus elliottii 1,0 a 2,0 cm GLASER (1971)
Aspidosperma album 0,5 a 1,0 cm PER EIRA & PEDROSO (1974)
Enterolobium timbouva 1,0 cm PEREIRA & PEDROSO (1974)
Systemonopleme mezii 1,0 cm PEREIRA & PEDROSO (1974)
Swietenia macrophylla 1,0 cm SCHMIDT (1974)
Araucaria angustifolia 3,0 a 6,0 cm MATTEI, STÖHR & MALINOVSKI (1979)
Prunus brasiliensis 0,5 a 1,0 cm STURION (1980)
Ocotea porosa 0,5 cm STURION (1980)
Dipteryx alata 1,5 a 2,5 cm NOGUEIRA & VAZ (1993)
Pseudotsuga menziesii 2,0 cm MINORE, WEATHERLY & CUNNINGHAM (1993)

1.6.4 COBERTURA DOS CANTEIROS

É a camada de material depositada sobre as sementes. Esta deve ser atóxica, leve, higroscópica, e
recobrir, em espessura adequada a superfície dos canteiros. A cobertura apresenta as seguintes
vantagens:
Ø Proporciona emergência mais homogênea;
Ø Protegem as sementes da chuva e de fortes rega s;
Ø Evita a oscilação de temperatura na superfície dos canteiros;
Ø Protege as raízes novas e mais finas das plântulas após a emergência que
são as mais superficiais nesta fase de produção;
Ø Proporciona circulação de ar para facilitar trocas gasosas;
Ø Previne contra o ataque de pássaros e outros animais.

Os tipos de cobertura mais utilizados são (Tabela 06):


• Terra peneirada;
• Casca de arroz;
• Acícula seca picada;
• Vermiculita;
• Sepilho;
• Areia;
35

• Serragem;
• Plásticos e aniagem (por períodos curtos e controlados).

No caso de se optar pela serragem, deve-se conhecer sua origem, uma vez que esta pode
conter tanino, resina ou outro princípio tóxico que pode prejudicar as mudas recém germinadas.

Tabela 06: Tipos de cobertura indicados para algumas epécies (CARNEIRO, 1995)
Espécie Indicação Fonte
Pinus elliottii Sepilho (1cm) RAMOS, CARNEIRO & WORMSBECKER
(1975)
Eucalyptus citriodora Palha de arroz e capim seco FERREIRA & AGUIAR (1975)
Eucalyptus spp Fina camada de terra peneirada, SIMÕES, BRANDI & MALINOVSKI (1976)
seguida por uma camada de palha
de arroz de 0,5 cm de espessura.
Anadenanthera macrocarpa Palha de arroz SILVA, SOLZA & RIBASKI (1980)
Astronium urundeuva Palha de arroz SILVA, SOLZA & RIBASKI (1980)
Cassia excelsa Areia ou carvão SILVA, SOLZA & RIBASKI (1980)
Mimosa caesalpinipholia Palha de arroz e carvão SILVA, SOLZA & RIBASKI (1980)

1.6.5 CUIDADOS ESPECIAIS NA SEMEADURA

Antes, durante e após a semeadura, alguns cuidados devem ser tomados para não ocorrer
problemas na produção de mudas.

Antes:
• Ao manusear as sementes, nunca deixá-las expostas ao tempo;
• Armazená -las em ambiente adequado a espécie;
• Irrigar bem os canteiros antes da semeadura, para que a umidade atinja todo o
recipiente;
• Em recipientes ou sementeiras que apresentem uma crosta (camada superficial
dura), deve-se escarificar antes da semeadura.

Durante:
• Sementes maiores devem ser semeadas manualmente, enquanto as menores
devem ser semeadas manualmente ou através de semeadeira;
• Ao usar seringas, regulá -las para cada lote de semente, de modo que os
recipientes recebam um número adequado e uniforme de sementes;
• As sementes devem ser depositadas no centro do recipiente.
36

Após:
• Cobri-las com uma fina camada de areia lavada ou substrato usado para
preenchimento dos recipientes;
• Acrescentar uma cobertura morta, como casca de arroz ou capim picado;
• Otimizar o uso de sementes por canteiro ou recipiente;
• Não mexer no recipiente desde a semeadura até a germinação da plântula;
• Colocar plaquetas padronizadas em cada canteiro com a identificação da
espécie, origem da semente e data de semeadura.

1.7 SOMBREAMENTO

O sombreamento pode ser conseguido através de abrigos, que são colocados a uma
altura variável, geralmente é de 50 cm, sobre a superfície dos canteiros. Sua principal função é
controlar a temperatura, a umidade e a luminosidade. Isto porque, nas primeiras semanas após a
semeadura, o abrigo tende a estimular a emergência, atenuando os efeitos de baixas temperaturas,
no inverno, e também protege contra a forte insolação e intempéries como granizo e chuvas
fortes, no verão.
O material mais utilizado é o sombrite, disponível em diversas intensidades de passagem
de luz. É muito utilizada para espécies que são produzidas em sementeiras para posterior
repicagem, ou espécies que necessitam de luminosidade parcia l por serem umbrófilas (Tabela
07).
A utilização do sombreamento no viveiro deve ser feita observando-se as características
ecofisiológicas das espécies. Espécies heliófilas devem receber sombreamento somente na fase
de germinação, quando necessário. Já as espécies umbrófilas podem permanecer sob
sombreamento durante toda a fase de viveiro.

Tabela 07: Níveis de luminosidade mais adequados para algumas espécies em viveiro
Espécie % de Luminosidade Fase Autor(es)
Cedrela fissilis 50 Germinação Mitterstein e Schorn (2000)
Cedrela fissilis 70 Desenvolvimento Mitterstein e Schorn (2000)
Ocotea porosa 50 Germ. e Desenv. Mitterstein e Schorn (2000)
Vitex megapotamica 50 a 70 Germ. e Desenv. Mitterstein e Schorn (2000)
Leucaena leucocephala 75 Desenvolvimento Drumond e Lima (1993)
Amburana cearensis 75 Desenvolvimento Drumond e Lima (1993)
Araucaria angustifolia 70 Desenvolvimento Inoue e Torres (1980)
Euterpe edulis >20 Desenvolvimento Nakazono et al. (2001)
37

1.8 IRRIGAÇÃO

Na produção de mudas em recipientes, a irrigação deve ser constante e em períodos


curtos, devendo-se evitá -la em horários mais quentes do dia. Isto porque, a irrigação excessiva
poderá provocar o aparecimento de mudas tenras e suculentas e ocorrer a lixiviação dos
nutrientes do substrato, tornando-as pouco resistentes ao aparecimento de fungos e doenças.

No momento que as mudas vão para o canteiro de rustificação, deve-se reduzir a


irrigação, adaptando assim as condições ambientais que as mesmas venham a encontrar em
campo.

1.9 RALEIO

É prática comum em viveiros florestais colocar mais de uma semente por recipiente,
principalmente em se tratando de sementes pequenas, visando assegurar a presença de pelo
menos uma muda em cada embalagem. Portanto, grande parte dos recipientes apresentará mais
de uma muda, sendo necessária a realização de raleios, deixando apenas a muda mais vigorosa,
de melhor forma e mais centralizada no recipiente.
Geralmente, tal operação é conduzida quando as mudas apresentam dois a três pares de
folhas definitivas, adotando-se o critério para a eliminação das mudas excedentes o índice de
crescimento em altura e a conformação do caulículo2
Na operação de raleio, devem-se seguir algumas normas para sua maior eficiência e
assegurar mudas de boa qualidade:
Antes da operação deve-se irrigar bem os canteiros;
Escolher a muda mais vigorosa e central do recipiente;
Eliminar as mudas excedentes:
- Com o auxílio dos dedos de uma das mãos, proteger a muda selecionada,
firmando o substrato ao seu redor;
- Arrancar as demais com a outra mão ou cortá -las com uma tesoura.
Não deixar no recipiente nenhum resto de plântula 3

2
Caulículo é o mesmo que caule primitivo.
3
Função de evitar o aparecimento de fungos.
38

Deve -se eliminar o excesso de cobertura morta, insetos e quaisquer outros tipos de
pragas;
Retirar os recipientes sem mudas, encanteirando-os separadamente, e fazer nova
semeadura.

Deve-se fazer já no ato da repicagem, a retirada manual de plantas invasoras, que


eventualmente crescem nos recipientes junto com as mudas. Esta limpeza deve ser realizada
quantas vezes forem necessárias, principalmente na fase inicial de desenvolvimento da muda,
pois nessa fase as mudas são mais sensíveis a competição. Esta operação deve ser procedida de
irrigação, o que facilita a remoção das plantas indesejáveis, ocasionando menor dano ao sistema
radicular da muda.

1.10 DANÇAS OU MOVIMENTAÇÃO

A movimentação, ou dança das embalagens é feita sempre que necessário, com a


finalidade de efetuar a poda das raízes que, porventura, tiverem extravasado as embalagens ao
penetrar no solo. Nessa operaçã o, consegue-se a rustificação das mudas, resultando na redução
da mortalidade por ocasião do plantio no campo.
Quando as mudas necessitam de um período maior no viveiro, deve ser realizada a
dança ou movimentação das embalagens, se for observado que as raízes estão atravessando as
embalagens e penetrando no solo. Mudas produzidas em tubetes dispensam esta movimentação,
ou dança das embalagens, pois normalmente, os canteiros são suspensos e os tubetes, por terem
uma abertura na parte inferior, não permitem que as raízes passem para o exterior, sendo
oxidadas.
39

1.11 PODAS

A poda é a eliminação de uma parte das mudas, podendo ser tanto a parte aérea como a
parte radicular, a fim de obter os seguintes benefícios:
- aumentar a porcentagem de sobrevivência;
- propiciar produção de mudas mais robustas;
- adequar o balanço do desenvolvimento em altura e sistema radicular;
- fomentar a formação do sistema radicular fibroso (a maior quantidade de raízes
laterais);
- servir de alternativa à repicagem em canteiros de mudas e m raiz nua;
- aumentar o período de rotação da muda no viveiro;
- retardar o crescimento em altura das mudas.

Na poda radicular, podem ser eliminadas as raízes pivotantes e/ou laterais. A vantagem
da produção de mudas em tubetes se deve ao fato das raízes pivotantes e laterais terem seu
direcionamento forçado para o fundo do recipiente, onde existe um orifício. A partir deste
orifício as raízes são podadas pelo ar.
A produção de mudas em raiz nua, facilmente pode ser mecanizável, sendo que através
do tipo de equipamento utilizado somente a raiz pivotante pode ser podada, como
simultaneamente a raiz pivotante e as laterais.
A poda aérea consiste na eliminação de uma parte do broto terminal das mudas.
Qualquer um dos dois tipos de poda altera o ritmo de crescimento das mudas. No entanto a
resposta da poda é favorável ao desenvolviemto da muda, dependendo do nível de tolerância de
cada espécie.
Em mudas de Pinus spp, a poda aérea provoca o aparecimento de alguns brotos apicais,
sendo que um deles, com o passar do tempo, assume a predominância em relação aos demais.
São descritos abaixo alguns detalhes da poda aérea de mudas. A execução da poda de raízes
encontra-se no capítulo referente à produção de mudas em raiz-nua.

1.11.1 FREQÜÊNCIA E ÉPOCA DE EXECUÇÃO

Usualmente, para mudas de Pinus spp, esta prática é efetuada apenas uma vez, salvo
casos especiais. Quanto à época, segundo pesquisas, deve -se podar durante a fase de crescimento
40

de epicótilo, isto é, no início do verão. Assim a muda consegue assegurar apropriada cicatrização
das feridas dos colos e desenvolvimento dos brotos terminais.
A época depende também das dimensões desejáveis das mudas para plantio e da época
em que os brotos retomam seu desenvolvimento, após o inverno.

1.11.2 EXECUÇÃO

Quando executado em viveiros de pequeno a médio porte, utiliza-se tesouras de


jardineiro. Em viveiros de elevada produção pode-se empregar roçadeiras.
A altura do corte é de 2 à 3 cm, a partir dos brotos terminais, podendo ser ainda maior
para o caso de mudas que apresentam grande altura da parte aérea, isto é, baixa relação do
sistema radicial/ parte aérea.

1.12 RUSTIFICAÇÃO

Para obter um alto índice de sobrevivência das mudas após o plantio em campo, as
mudas devem apresentar duas características importantes:
- Sanidade;
- Alto grau de resistência.

A resistência pode ser conseguida através da rustificação. Existem diversos


procedimentos que podem ser adotados para se obter a rustificação:
• Aplicar NaCl na água de irrigação, na dosagem de 1 ml / planta / dia;
• Poda da parte aérea, com a redução de 1/3 da porção superior;
• Redução de folhas dos 2/3 inferiores das mudas;
• Movimentar freqüentemente as mudas nos canteiros, através das danças, das
remoções, das seleções e das classificações;
• Aplicação de antitranspirantes na época do plantio (solução diluída, como
Mobileaf, na concentração de 1:7 em água);
• Realizar cortes graduais da irrigação, aproximadamente 20 dias antes da
expedição das mudas para o plantio;
• Fazer uma aplicação com KCl durante a fase de rustificação
41

Tratamentos que ocasionam maior força de absorção de água na raiz, como o NaCl,
jamais podem ser adotados com outros que inibem a perda de água na parte aérea (podas,
antitranspirantes, etc). Isto se deve ao gradiente de potencial hídrico que se forma entre a folha
e a raiz.
A movimentação das mudas no viveiro e o corte gradual da irrigação no período que
antecede o plantio são os procedimentos mais usados para se conseguir a rustificação das
mudas, devido aos seus custos e praticidade.

1.13 SELEÇÃO

Sua função é obter a uniformidade de tamanhos nos canteiros, separando-se as mudas


por classes de diâmetro. Para Eucalyptus geralmente são feitas duas seleções durante a
produção:
§ 1º Seleção: realizada quando as mudas maiores atingem altura média de 10
cm, separando as mudas em três categorias: pequenas, médias e grandes,
encanteirando-as pelo tamanho de seleção;
§ 2º Seleção: realizada quando as mudas maiores atingem altura média de 20
cm, separando-as nas mesmas três categorias.
Após cada seleção, podem-se realizar adubações compensatórias para as mudas de
médio e pequeno porte. Para mudas nativas podemos utilizar os mesmos procedimentos. Uma
terceira seleção é realizada no momento da expedição, sendo que nesta os critérios adotados
são:
- Crescimento em altura;
- Diâmetro do colo
- Conformação das mudas;
o Ausência de bifurcação;
o Ausência de tortuosidade.
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Tabela 18 – Família e nome comum de algumas espécies que podem ser utilizadas como
plantas para adubação verde ou como plantas de cobertura.
FAMÍLIA NOME COMUM ESPÉCIE
Gramineae Arroz-de-sequeiro Oryza sativa
Gramineae Capim-gordura Melinis minutiflora
Gramineae Milheto Penicetum sp.
Leguminosae Amendoim-forrageiro Arachis pintoe
Leguminosae Calopogônio Calopogonium sp.
Leguminosae Caupi Vigna sinensis
Leguminosae Crotalária Crotalaria spectabilis
Leguminosae Feijão de porco Canavalia sp.
Leguminosae Feijão guandu; feijão andu Cajanus flavus e C. indicus
Leguminosae Felirana Centrosema pubescens
Leguminosae Kudsu Pueraria phaseoloides
Leguminosae Lab-lab Dolichos lab-lab
Leguminosae Mucuna preta Mucuna aterrima

Imediatamente após o plantio, se for efetuado na época seca ou na ocorrência de


um veranico, é necessário realizar a irrigação, operação basicamente afetada pelo tipo de
solo e pela umidade relativa do ar. Para efeito de estimar a evapotranspiração média no
período seco em nossa região é em torno de 5 mm/m2. De modo geral são efetuadas, no
mínimo quatro operações, com irrigação de 1 a 3 litros de água por cova, em intervalos
de 2 a 3 dias, do fim da tarde e à noite para diminuir a perda por evaporação.
Antes de realizar a operação de replantio é necessário uma vistoria, que é feita de
15 a 20 dias e o replantio até o trigésimo dia após o plantio. Na vistoria é efetuada a
contagem de mudas pegas e calculado o índice de pega, IP, expresso em porcentagem, pela
divisão do número de mudas pegas pelo número de mudas plantadas por hectare. Se este
valor for de 70 a 90% é efetuado o replantio, acima disso a operação é dispensada.

5. TRATAMENTOS SILVICULTURAIS

São as intervenções no povoamento, a partir da regeneração até a colheita, para


reduzir a concorrência entre os indivíduos plantados ou invasora e aumentar a qualidade
do produto. Além dessas intervenções existem outras de caráter preventivo, para evitar
danos físicos ou fisiológicos aos indivíduos arbóreos do povoamento. Estas técnicas são
estudadas em outras disciplinas e devem fazer parte de um plano de proteção, para evitar
ação de animais, fitomoléstias, pragas, incêndios, ou qualquer outro tipo de agente.
O plano de proteção florestal, elaborado previamente, deve conter um calendário
de vistorias periódicas e medidas a serem tomadas, quando da ocorrência destes agentes
danosos. Como exemplo, no caso de fitomoléstias, a eliminação de indivíduo doente e a
pulverização preventiva dos sadios; no caso de pragas, a instalação de armadilhas em
locais estratégicos para avaliar possível infestação, ainda no estágio inicial e, no caso de
incêndios, a limpeza periódica dos aceiros, além da manutenção de equipe com
equipamento e treinamento adequados.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 39
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

5.1. Capina e roçada

São operações executadas para eliminar plantas invasoras e evitar a competição e


abafamento das mudas jovens por vegetais de maior porte; capinar é retirar a vegetação
rasteira com as raízes e roçar é cortar a parte aérea da vegetação de pequeno porte.
Os fatores que afetam estas operações são o custo, a época do ano, o tipo de
vegetação existente e a tolerância da espécie plantada. Além destas operações serem caras,
no período chuvoso as plantas daninhas apresentam um crescimento mais rápido, sendo
necessário diminuir o intervalo entre as operações, o que aumentará a quantidade de
operações e seu custo. Também a composição da vegetação e sua densidade podem
implicar em operações mais demoradas com maior custo, podendo diminuir o intervalo
entre cada intervenção. Finalmente a tolerância da espécie plantada à competição e ao
sombreamento pode determinar a maior ou menor freqüência desta atividade.
Estas operações são executadas manual, mecanizada ou quimicamente. A operação
manual é indicada para pequenas áreas, sendo a capina feita com enxada, na forma de
coroa em torno da muda, ou limpeza das linhas de plantio ou então de toda área. A
roçada manual é efetuada com foice em toda área ou nas linhas de plantio.
Em áreas maiores estas operações são mecanizada ou química. Quando mecanizada
são efetuadas entre as linhas de plantio, sendo na capina utilizada a enxada rotativa ou
grade leve. Estes implementos podem causar problemas após o primeiro ano do plantio,
pois em solos leves e árvores com raízes superficiais, há o risco de cortar as raízes e
prejudicar seu desenvolvimento ou mesmo sua morte. Em Sinop isto já ocorreu em
plantios de Schizolobium amazonicum, com dois anos de idade, em solo arenoso, após
capina feita com grade leve. Na roçada mecanizada utiliza-se o implemento conhecido
como roçadora, que pode ser hidráulica ou mecânica, também passada entre as linhas de
plantio. Estas operações de capina e roçada mecanizadas são complementadas com
operação manual nas linhas de plantio ou apenas pelo coroamento das mudas.
A operação química, pelo uso de herbicidas, é normalmente efetuada em plantios
extensivos, principalmente quando efetuados em pastagens abandonadas. As informações
apresentadas anteriormente sobre herbicidas devem ser aqui utilizadas. Este tratamento
pode ser combinado com coroamento manual das mudas ou limpeza manual das linhas e
herbicida na área restante ou apenas nas entrelinhas.

5.2. Fertilização complementar

A fertilização complementar não é comum em povoamentos florestais, sendo


indicada quando surgirem sintomas de deficiências ou comprovado que o incremento
trará maior retorno que o valor investido na fertilização. A empresa Sadia Oeste SA tem
um custo médio de US$20,00 a US$30,00/ha na fertilização de Eucalyptus spp., ao
terceiro ano, para produção de lenha, em solo extremamente arenoso. Na mesma região,
durante a plantação de Pinus caribaea, utilizou na plantação cerca de 100 g/cova de NPK
4-14-11, sendo efetuada adubação complementar no segundo e terceiro anos, com 100
g/árvore, em cada aplicação, do fertilizante NPK 4-14-8.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 40
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

5.3. Desbaste

Desbastes são cortes parciais das árvores do povoamento para acelerar e dirigir o
incremento aos melhores indivíduos, elevar a constituição fenotípica, manter a sanidade e
melhorar a qualidade do povoamento. Em povoamentos naturais é dirigida para favorecer
as árvores promissoras e pode elevar a quantidade de madeira aproveitável.
À medida que as árvores do povoamento se desenvolvem há necessidade de maior
espaço de crescimento individual e, em determinado momento, as copas na parte aérea
começam a se tocar e a competir por luz, do mesmo modo que as raízes também passam
a competir por água e nutrientes no solo. Neste processo todos os indivíduos acabam
tendo algum prejuízo em relação ao incremento que poderiam ter, se não ocorresse esta
competição. Porém, em condições naturais, após um certo período alguns indivíduos
desenvolvem-se melhor que outros e suprimidos podem morrer liberando então espaço de
crescimento aos sobreviventes que retomam seu desenvolvimento. Este processo, que
pode demorar muitos anos, é conhecido como desbaste natural.
O objetivo de técnica de desbaste é a intervenção do homem, aproveitando as
vantagens da competição, numa etapa inicial, para distinguir aqueles que se desenvolvem
melhor, que deverão ser favorecidos e os outros, com menor desenvolvimento, retirados
para liberação do espaço e a retomada no incremento pelos remanescentes. Isto é
normalmente feito na condução dos povoamentos cuja rotação é maior, pois o número de
indivíduos que atingirá a colheita ou corte final é extremamente menor do que o número
de indivíduos implantados.
Nos povoamentos de Tectona grandis, para obtenção de toras para serraria, é
comum uma densidade inicial de 1.666 indivíduos por hectare, mas destes, só serão
colhidos cerca de 100 a 250 indivíduos. Segundo RAMOS (1973), povoamentos de
Eucalyptus sp., na África do Sul, com o mesmo objetivo, são implantados no espaçamento
inicial de 2,74 x 2,74m, com 1300 indivíduos/ha e apenas 110 indivíduos/ha são colhidos
na rotação, conforme apresentado na tabela 19.
A produtividade de um sítio é aproximadamente constante para uma determinada
espécie e o momento que as copas ocupam todo espaço aéreo é denominado de plena
ocupação do espaço de crescimento, POEC. Por isso, quando uma espécie é plantada em
sítios semelhantes em espaçamentos diferentes, o plantio com espaçamento menor, mais
denso, atingirá o POEC mais cedo, enquanto no de espaçamento maior, menor densidade,
isto ocorrerá mais tarde, contudo a produção desses dois povoamentos, no momento que
distintamente atingirem a POEC, será aproximadamente a mesma.
Ao comparar-se os indivíduos da situação exposta anteriormente, aqueles do
povoamento mais denso, terão maior altura total, menor comprimento e diâmetro de
copa, além de fuste cilíndrico com menor diâmetro. No outro povoamento os indivíduos
serão menores, mas apresentarão maior comprimento e diâmetro de copa, além de um
fuste mais cônico e de maior diâmetro. Por essa razão, não adianta utilizar o espaçamento
muito pequeno ou muito grande e sim optar por um espaçamento adequado ao objetivo
do empreendimento florestal, no sentido de que os indivíduos tenham as características
desejáveis e, quando necessário, aplicar os desbastes para liberar espaço de crescimento
aos indivíduos remanescentes.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 41
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Tabela 19 – Idade, intensidade e variação na densidade de povoamento de Eucalyptus sp.,


na operação de desbaste, na produção de toras para serraria na África do Sul.
IDADE INT (1) NÚMERO DE INDIVÍDUOS
OPERAÇÃO (anos) (%) INICIAL DESBASTE RESTANTE
1 desbaste
º
3a5 53,85 1.300 700 600

desbaste 7 a 8 41,67 600 250 350
3º desbaste 10 a 11 28,57 350 100 250
4º desbaste 14 a 15 32,00 250 80 170
5º desbaste 20 a 21 35,29 170 60 110
Colheita 25 a 30 110 110
( ) Intensidade de desbaste expressa em número de indivíduos desbastado/ha.
1

Fonte: RAMOS (1973).

Normalmente são aplicados vários desbastes em um povoamento, como mostra a


tabela 19, desde a implantação até a colheita em intervalos variáveis ou não. O intervalo,
medido em anos, entre uma operação e outra, é denominado de freqüência de desbaste,
que é afetado por vários fatores, que podem aumentar ou diminuir este tempo. Alguns
fatores são circunstanciais, como a falta de mão-de-obra ou a ausência de demanda por
matéria prima de desbaste, podendo adiar sua aplicação.
Outros fatores, relacionados com o desenvolvimento das árvores e a necessidade
de liberar espaço, são: a espécie, já que cada espécie apresenta características distintas de
crescimento e aquelas que apresentam maior crescimento deverão sofrer esta intervenção
mais cedo, pelo fechamento mais rápido do dossel; a qualidade de sítio, pois em sítios
melhores a espécie se desenvolve melhor e a operação também ocorrerá mais cedo,
comparado com sítios de pior qualidade, para uma mesma espécie; finalmente, o estado
atual do povoamento dependerá da origem e dos tratamentos anteriormente aplicados,
por exemplo se foi aplicado um desbaste pesado, os remanescentes apresentarão um
maior DAP individual, mas com menor produção total, podendo aumentar o tempo entre
o desbaste anterior e o próximo, ou o inverso diminuirá este tempo.
Intensidade de desbaste, ID, é a quantidade de material desbastado, Qd, enquanto
estoque, E, é a quantidade de material remanescente, Qr, ambos em porcentagem de um
determinado parâmetro, podendo assim serem expressos:

ID (%) = Qd x 100 / Qt E (%) = Qr x 100 / Qt Qt = Qd + Qr, onde

Qt é a quantidade de material existente no povoamento antes do desbaste, determinada


pela classificação do povoamento florestal.
Esta quantidade de material pode ser expressa por diversos parâmetros, sendo
mais utilizada a área basal, G, em m2/ha, através de um valor mínimo a ser mantido no
povoamento; a área basal remanescente, Gr, é igual a área basal antes da intervenção, G,
subtraída da área basal desbastada, Gd. Outro parâmetro utilizado é o volume, em m3/ha,
usado para o cálculo do volume a ser comercializado. Também pode ser utilizada a
densidade para expressar a intensidade de desbaste, em nº. indivíduos/ha.. Observa-se que
os cálculos efetuados em área basal ou em volume devem ser transformados em número
de indivíduos, sendo assim expressos, respectivamente:

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 42
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Gr = G – Gd Vr = V – Vd Nr = N – Nd

Também é possível expressar intensidade de desbaste, ID, pelo volume desbastado


em função da freqüência de desbaste, ou seja:

ID = Vd / intervalos em anos entre os desbastes.

De acordo com a quantidade de material removido os desbastes podem ser


classificados em leves, regulares ou pesados, se a quantidade de material desbastado for,
respectivamente, até 20%, entre 20 e 40% e acima de 40%.
A seleção de indivíduos a serem desbastados deve começar pelos mortos ou com
problema fitossanitário, posteriormente segundo sua classe de árvore, baseada na classe
de dominância, classe de idade ou classe silvicultural, finalmente, de acordo com os
objetivos definidos para o povoamento florestal.

5.3.1. Tipos de desbastes

Existem vários tipos de desbaste, sendo os mais utilizados o desbaste baixo, o alto,
o seletivo e o sistemático, além do desbaste misto que associa as características do
desbaste sistemático com o desbaste seletivo.
O desbaste baixo é o mais antigo e mais simples de ser aplicado, pois simula o
desbaste natural, sendo também chamado de alemão, inferior, ascendente ou ordinário e
é indicado para espécies intolerantes, como: Dalbergia sp. Eucalyptus sp., Gmelina sp.,
Pinus sp. e Tectona grandis, principalmente para produção de toras para serraria em
povoamentos homogêneos e equiâneos. Este desbaste caracteriza-se por diminuir mais a
competição radicular e muito pouco a competição aérea; o material desbastado tem
pouco valor comercial; sua aplicação pode estimular o aparecimento de sub-bosque
resistente e após o desbaste ocorre um aumento do diâmetro e da altura total médios da
população, com diminuição da espessura do dossel.
Sua aplicação consiste em remover parte ou totalmente os indivíduos das classes
inferiores da copa, as classes mortas ou em vias de extinção, da classe suprimida e da
classe intermediária. Quando este desbaste é pesado, pode remover alguns indivíduos da
classe co-dominante, sendo que alguns indivíduos das classes inferiores só permanecem
para cobertura e proteção do solo.
O desbaste alto é mais recente e complexo de ser aplicado, chamado de francês,
superior, descendente ou de copa, é indicado para espécies tolerantes como: Dalbergia
sp., Astronium sp. e Shorea sp., em povoamentos homogêneos ou heterogêneos. As
características deste desbaste são: diminui tanto a competição aérea como a competição
radicular; o material desbastado apresenta maior valor comercial, estimula mais o
desenvolvimento das árvores remanescentes pela maior liberação espacial; após o desbaste
há uma diminuição do diâmetro e da altura total médios da população; não estimula a
derrama natural pois sua aplicação aumenta a quantidade de luz no interior do
povoamento; forma camadas de copas em diversos estratos; além de aumentar o perigo
de erosão e prolonga a rotação.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 43
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Sua aplicação é efetuada através da remoção das árvores dominantes, co-


dominantes e intermediárias, sem boas características silviculturais, para favorecer as
árvores remanescentes destas mesmas classes, sendo necessária a remoção dos indivíduos
mortos e com problema fitossanitário.
O terceiro tipo de desbaste é o desbaste seletivo, considerado o desbaste mais
adequado e mais complexo que existe, também chamado de individual, sendo indicado
para qualquer tipo de povoamento ou espécie florestal. Sendo suas características
aumentar significativamente a qualidade do povoamento e após sua aplicação ocorre
diminuição do diâmetro e da altura total médios. A seleção dos indivíduos a serem
desbastados é individual, através da classe silvicultural, deixando-se os promissores e os
tutores e retirando-se os competidores, de acordo com a intensidade de desbaste desejada,
sendo que os neutros são deixados para cobertura e proteção do solo.
O desbaste mecânico é o desbaste mais simples e barato que existe, também
chamado de esquemático ou sistemático, sendo indicado para povoamentos jovens de
regeneração artificial, com espaçamento regular e relativamente densos e pode ser
aplicado por pessoas com pouco treinamento. Suas características são: diminuir pouco a
competição; o material desbastado proporcionalmente é de boa e má qualidade e de todas
as classes, afetando igualmente todas as classes; após o desbaste não ocorre alteração na
qualidade do povoamento; também não altera a estrutura do povoamento e varia muito
pouco o diâmetro e a altura total médios.
Consiste em remover geometricamente os indivíduos, primeiramente de forma
alternada e posteriormente pela retirada de linhas alternadas, sendo que sua intensidade
é sempre de 50%.
O desbaste misto é aquele que combina as características do desbaste mecânico
com o desbaste seletivo, utilizando-se um critério geométrico ou de grupos, mas
selecionando-se e removendo os piores indivíduos, sendo que este critério de seleção é
variável de acordo com os objetivos. A aplicação deste tipo de desbaste melhora um pouco
a qualidade do povoamento e após o desbaste ocorre um ligeiro aumento do diâmetro e
altura total médios com pequena alteração na estrutura do povoamento.
Existem outros tipos de desbastes que comportam pequenas variações de
procedimento dos anteriores, sendo os mais comuns : desbaste livre, desbaste máximo e
desbaste progressivo, e maiores informações podem ser encontradas em MIRANDA FLOR
(1984) e SMITH (1962) e a tabela 20, apresenta um resumo das características dos
principais tipos aqui apresentados.

5.3.2. Índices para classificar desbaste

Existem dois índices que podem ser utilizados para classificar o tipo de desbaste
utilizado. Os valores obtidos por estes índices determinam, por comparação com um valor
tabelado, o tipo de desbaste aplicado, sendo que existe alguma divergência entre estes
índices, bem como o resultado obtido nem sempre será compatível com o desbaste
aplicado, ou ao menos, o que se pensou estar aplicando.
Estes índices são: o índice de Vd/Vr e o índice de Hümmel. O índice Vd/Vr é a
relação entre o volume médio das árvores desbastadas, Vd, e o volume médio das árvores
remanescentes, obtido conforme apresentado a seguir:

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 44
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Tabela 20 – Resumo das características dos tipos de desbastes mais comuns.

EFEITO TIPO DE DESBASTE

NA(O) MECÂNICO BAIXO ALTO SELETIVO

Densidade afeta bastante e de maneira afeta muito pouco nos estratos afeta bastante e de modo irregular afeta pouco e de modo irregular
proporcional superiores os estratos superiores estratos superiores

Classe DAP ou afeta todas as classes afeta as classes inferiores afeta as classes superiores afeta todas as classes
de idade

DAP e Ht não altera valores médios aumenta os valores médios diminui os valores médios diminui os valores médios

Estrutura não altera simplifica bastante simplifica moderadamente simplifica moderadamente

Qualidade não altera altera moderadamente altera moderadamente eleva de forma considerável

Competição diminui bastante diminui mais a radicular diminui a aérea e a radicular diminui aérea e radicular

Volume volume grande, de todas as classes pequeno volume na maioria das volume um pouco maior, de volume mediano de todas as classes
desbastado de diâmetro e material retirado é de classes inferiores e material retirado qualidade variável, e a maioria do de diâmetro mas o material retirado
todo tipo de qualidade é de pior qualidade material retirado é de pior qualidade é de baixa qualidade

Onde utilizar povoamentos de estrutura bastante povoamentos de estrutura simples, povoamentos de estrutura simples, qualquer povoamento
simples, regulares, artificiais e artificiais de espécies lucíferas artificiais de espécies umbrófilas
jovens (intolerantes) (tolerantes)

Sinônimo esquemático, sistemático ordinário, alemão, inferior, de copa, francês, superior, individual
ascendente descendente

Fonte: SAMEK (1974)

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 45
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Vd (médio) = Vd(ha) / Nd(ha)


Vr (médio) = Vr (ha) / Nr(ha)

O resultado obtido, pela divisão de Vd por Vr, comparado com a tabela 21,
determinará o tipo de desbaste, segundo este índice.

Tabela 21 – Classificação do tipo de desbaste de acordo com o índice Vd/Vr.


Vd/Vr TIPO DE DESBASTE OBSERVAÇÃO
< 1,0 Desbaste baixo Estoque maior que volume desbastado
= 1,0 Desbaste mecânico Estoque igual volume desbastado
> 1,0 Desbaste alto Estoque menor que volume desbastado
Fonte: UNIVERSIDADE FEDERAL DO PARANÁ (1976)

O índice de Hümmel é a relação entre o DAP médio dos indivíduos desbastados, d, e


o DAP médio dos indivíduos antes da intervenção, D, ou seja o DAP médio da população
antes da aplicação do desbaste, determinado pela classificação do povoamento florestal,
conforme apresentado a seguir.

d = (DAPME x NdME) + (DAPS x NdS) + (DAPI x NdI) / NdME + NdS + NdI


D = DAP médio da população, antes da aplicação do desbaste

O resultado obtido, pela divisão de d por D, comparado com a tabela 22,


determinará o tipo de desbaste, segundo este outro índice.

Tabela 22 – Classificação do tipo de desbaste de acordo com o índice de Hümmel.


d/D TIPO DE DESBASTE OBSERVAÇÃO
< 0,7 Desbaste baixo regular Remoção de 20 a 40% da área basal
≥ 0,7 e < 0,9 Desbaste baixo pesado Remoção de mais de 40% da área basal
≥ 0,9 e < 1,0 Desbaste alto Remoção de árvores das classes superiores
≥ 1,0 Desbaste seletivo Remoção de indivíduos de todas as classes
Fonte: SAMEK (1974)

5.4. Derrama

Esta operação, também conhecida como desrama, é um tipo de poda para eliminar
galhos ladrões, mortos ou injuriados, visando controlar o seu crescimento e evitar o
aparecimento de nós vivos ou mortos. É comum esta operação também ser tratada como
poda, por diversos autores, sendo recomendável utilizar o termo derrama.
Nó vivo é um tipo de formação lenhosa que aparece na madeira das toras, também
conhecido como a parte mais dura da madeira, resultado do crescimento do tronco
envolvendo galhos vivos dentro do fuste. Por ser um galho vivo e ter uma região cambial
ativa, que também existe no fuste, ocorrerá o fenômeno de anastomose entre estas
células, que resultará na união desses tecidos em um único, o que evitará sua separação
quando serrado futuramente para a produção de tábuas.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 46
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

De outro lado, o nó morto é resultado do envolvimento de um galho morto cujo


câmbio não está mais em atividade, não sendo possível ocorrer a anastomose entre as
células deste galho e aquelas do fuste, o que resultará em um pedaço de lenho solto
dentro do fuste da árvore e que facilmente se desprenderá no processamento da madeira,
formando buracos que afetarão a qualidade deste produto.
É possível observar em alguns povoamentos a ocorrência de derrama natural,
como uma característica de algumas espécies, que trata da queda natural dos galhos, em
função de sombreamento seguido de desequilíbrio entre fotossíntese e respiração, morte
do galho e sua queda por constrição no ponto de inserção em galhos maiores ou no
próprio fuste. A derrama natural é afetada pelos seguintes fatores: espécie arbórea,
densidade do povoamento e pela qualidade de sítio. De modo geral as folhosas
apresentam derrama natural, enquanto as coníferas não apresentam, sendo necessária
este tipo de intervenção periodicamente. Mesmo nas folhosas a operação de derrama
natural pode ser aplicada para acelerar o processo e mais rapidamente haver o
fechamento do local exposto pela formação de um calo, denominado de cicatricial, em
função da cicatriz formada sob o local do corte.
Quanto à densidade do povoamento, em povoamentos mais densos, há menor
entrada de luz em seu interior, implicando numa menor taxa de fotossíntese, que irá
causar a morte e queda dos galhos, enquanto nos povoamentos mais ralos por haver mais
entrada de luz, há um aumento da longevidade desses galhos que ficam mais grossos,
diminuindo a derrama natural, tornando as copas maiores. Por essa razão o volume dos
ramos das árvores varia de 15 a 30% do volume total, sendo o menor valor observado nos
povoamentos densos e o maior valor, nos mais ralos. Além deste fato é possível que a
entrada de luz aumente a produção de hormônios que estimulam a brotação das gemas
dormentes, aumentando o número de galhos e o tamanho da copa. É comum após a
aplicação de desbaste observar sobre os fustes da árvores remanescentes o aparecimento
de brotação, denominada de epicórmica.
O terceiro fator é a qualidade de sítio; considerando uma determinada espécie,
plantada na mesma densidade em sítios diferentes, no de maior qualidade haverá um
desenvolvimento melhor, consequentemente as copas desenvolver-se-ão melhor e o dossel
fechará mais cedo, podendo antecipar a derrama natural e nos sítios mais pobres este
desenvolvimento será mais lento e o dossel demorará mais tempo para fechar e diminuir
a entrada de luz, retardando a ocorrência da derrama natural.
A derrama artificial é o tratamento silvicultural aplicado para acelerar esta
operação, podendo ser classificada em alguns tipos, segundo a época de sua aplicação,
segundo o tipo de galho derramado e segundo a altura da operação. Segundo a época de
aplicação a derrama pode ser de seca ou de chuva.
De modo geral a derrama de seca é a mais indicada, pois neste período a árvore
está em baixa atividade fisiológica, havendo menor interferência em seu metabolismo. Em
nosso região é comum executar esta operação a partir do mês de junho até o mês de
agosto. As derramas de chuva só se justificam no caso de derramas fitossanitárias, ou
quando as áreas plantadas são muito extensas e não é possível executar a operação
somente no período seco. Nestes casos é fundamental o uso de substâncias protetoras no
local do corte no tronco e, especificamente, no caso das derramas fitossanitárias, utilizar
desinfetantes, para evitar a disseminação da doença, de uma árvore para outra, pela
ferramenta utilizada.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 47
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

Quanto ao estado do galho existem derrama de galho vivo e de galho morto, sendo
recomendável que no primeiro caso os galhos tenham até 4 cm de diâmetro, para causar
um ferimento menor, que feche mais rapidamente e a operação deve ser executada no
período seco. Já a derrama de galho morto, o galho pode ter até 6 cm de diâmetro e a
operação deve preferencialmente ser executada no período seco.
Finalmente quanto à altura de operação a derrama pode ser baixa, média ou alta.
Baixa é aquela cuja altura da derrama vai até 2,5 m de altura de fuste; média é de 2,5 a
4,0 m e alta, acima de 4,0 m de fuste derramado. Alguns autores indicam que esta
operação pode ser feita até 12,0 m de altura, contudo a necessidade de escadas especiais
torna a operação extremamente lenta, complexa e cara. O que se recomenda é derramar
até a altura em que a operação possa ser feita do chão e, neste caso, a altura média da
derrama alta fica em torno de 7,0 m de altura de fuste.
Alguns autores preconizaram critérios específicos para estabelecer a altura desta
operação. SEP (1983) recomendou o critério da relação do diâmetro médio da porção do
fuste derramado deve estar entre 10 e 12 cm, limitando a operação à altura máxima
entre 7,0 e 10,0 m de altura. Para Populus sp. e Pinus sp. FLINTA (1960) recomendou
que a primeira derrama deve ser feita a um terço da altura total média do povoamento,
quando esta estiver entre 6,0 e 7,0 m de altura; que a segunda derrama deve ser até a
metade da altura total média do povoamento, quando esta estiver em torno de 9,0 m e a
terceira derrama a dois terços da altura total média do povoamento, quando esta estiver
entre 11 a 12 m ou mais. Outros autores recomendam que o limite máximo de derrama
de galhos vivos não deve exceder a um terço do volume total da copa.
Quanto ao número de indivíduos derramados é comum na primeira e segunda
derramas efetuar a operação em todos os indivíduos do povoamento, mas na terceira ou
mais operações, de acordo com a necessidade, a derrama é executada apenas nos
indivíduos previamente selecionados para a colheita ou corte final.
RAMOS (1973) citou que na África do Sul, em Pinus sp., a primeira derrama é feita
em todas as árvores, até 1,80 m de altura, quando as árvores dominantes tiverem com
6,10 m de altura total média; a segunda derrama é feita apenas nas 750 melhores
árvores, até 4,50 m, quando as dominantes apresentarem altura total média em torno de
9,0 m e a terceira derrama é feita até 6,60 m de altura, quando as árvores dominantes
apresentarem altura média entre 12,20 e 13,70 m, apenas nas melhores 150 árvores,
destinadas ao corte final ou colheita florestal.
Quando houver coincidência ou proximidade entre a operação de desbaste e a
derrama, a regra geral é primeiro fazer o desbaste e somente depois aplicar a derrama
nos indivíduos remanescentes. Uma exceção ocorre em plantios de Pinus spp., efetuando-
se a primeira derrama antes de qualquer outra operação, para permitir o acesso ao
povoamento, já que seus galhos ficam fixos ao fuste e impedem o deslocamento de pessoal
e equipamentos dentro do povoamento.
A derrama pode ser executada com tesoura de poda, serrote de poda ou com mini
motosserra. Para alturas maiores que 2,50 m será necessário o uso de cabos longos, de
4,0 a 6,0 m, ou mesmo de escadas próprias a este tipo de operação, normalmente leves,
de alumínio, em módulos acopláveis de 3,0 m e com corrente de fixação ao tronco. Neste
tipo de operação é obrigatório o uso de cinto e capacete de segurança e luvas.
Os serrote de poda se caracteriza por ser de sabre curvo, cabo de madeira com
empunhadura grossa e dilatação na base do cabo, além de ter dentes compridos e com

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 48
REGENERAÇÃO ARTIFICIAL

maior grau de travagem, para facilitar a operação. O rendimento da operação melhora


com o uso de ferramentas afiadas, não sendo recomendável o uso de ferramentas de
impacto, como foice ou facão, pois promovem um corte irregular, que pode deixar restos
de galhos, além de ferirem a parte inferior do fuste, no local de inserção do galho.
Antes de realizar o corte do galho propriamente é necessário uma pequena incisão
na parte inferior do galho a ser derramado, pois assim evita-se a possibilidade de que o
peso do galho arranque a casca abaixo dele, na forma de embira. O corte deve ser sempre
rente à casca, sem feri-la ou deixando resto de galho. Finalmente é recomendável a
limpeza do material derramado de maior volume lenhoso.

5.5. Limpeza

Esta operação é bastante elementar e sempre está relacionada com o desbaste e a


derrama, pois trata da remoção de material, principalmente o lenhoso, com o objetivo de
diminuir o risco de incêndios mais intensos. A incorporação de material lenhoso pode não
ser interessante ao povoamento, pois a decomposição lenta poderá aumentar o consumo
de nitrogênio que poderá faltar aos indivíduos arbóreos.

5.6. Colheita Florestal

A operação que envolve os cortes de rendimento total ou parcial dos indivíduos


maduros e sua regeneração em povoamentos de estrutura simples é denominada de
colheita florestal. Esta operação é afetada basicamente pelo estado do povoamento; pelas
possibilidades técnicas e econômicas; pela condições edáficas, climáticas e topográficas; e
da forma de substituição do povoamento a ser colhido.
O estado do povoamento significa estar ou não adequado aos objetivos que foram
propostos para o empreendimento, ou seja, no caso de fornecer toras para serraria, os
indivíduos do povoamento deverão estar com o diâmetro adequado, bem como os fustes
deverão estar retos e sadios para que possam ser colhidos. Caso contrário, pode ser
necessária a aplicação de mais tratamentos silviculturais para melhorar o povoamento e
atingir ao estado desejável, sob o ponto de vista produtivo.
Possibilidades técnicas e econômicas dizem respeito, respectivamente, à existência
de pessoal treinado e equipamentos adequados para as operações e a demanda da matéria
prima ou produto, com recursos disponíveis para implementar as operações de colheita e
de regeneração para continuidade da atividade florestal.
Como qualquer outra atividade rural, as condições de solo, clima e topográfica irão
afetar estas operações. Em caso de solos mais pobres algumas operações são retardadas
ou então não permitir a regeneração imediatamente. Outras não podem ser feitas sob
determinadas condições climáticas, por problemas de deslocamento de equipamento,
máquinas e pessoal e, finalmente as condições topográficas também podem limitar certas
operações, exigir equipamento mais adequado ou demorar mais tempo.
A forma de substituição do povoamento colhido também afetará as operações de
colheita, de acordo com o método de regeneração do povoamento e, neste sentido, podem
ser utilizadas técnicas tendentes à regeneração artificial ou à natural.

TRATAMENTOS SILVICULTURAIS 49
CAPÍTULO VII

REGENERAÇÃO OU REFORMA FLORESTAL

1. Regeneração

Neste capítulo será tratada a reforma do ponto de vista silvicultural, ou seja, após
tomada a decisão de fazê-la, quais as estratégias e técnicas a serem aplicadas.
A tomada de decisão envolve fatores técnicos e econômicos. Os fatores
econômicos não serão abordados aqui. Entretanto, pode-se citar duas metodologias de
análise econômica de uso relativamente simples, por meio das quais pode-se obter o
valor presente total da floresta em análise, considerando-se vários anos futuros, de modo
a que se tenha um parâmetro para decidir quando substituir o atual povoamento. São elas
a metodologia de BAKER (1979)e a de CLUTTER et al. (1983), e que foram
suficientemente detalhadas no trabalho de RIBAS (1989), que pode ser o ponto de partida
para os interessados em se aprofundar mais neste tema.
A regeneração da floresta é o seu processo de recuperação, garantindo sua
continuidade, visando nova rotação após o primeiro corte final que pode ser total ou
parcial, dependendo dos objetivos da empresa.
Em silvicultura raramente se utiliza a semeadura direta no campo. Os processos
mais comuns são a regeneração por meio de plantio de mudas (provenientes de
sementes ou enraizamento de estacas) e brotação de cepas.
A brotação de cepas é conduzida no caso da espécie cultivada apresentar boas
condições de brotação, como é o caso de várias espécies de Eucalyptus, Tectona grandis
e a Gmelina arborea.
Após sucessivos cortes, a sobrevivência das cepas se reduz a ponto de tornar
antieconômica a regeneração por brotação, seja devido à queda na capacidade de brotar,
seja devido à idade ou à queda nas reservas nutricionais da área de solo ao redor
das cepas. Com eucalipto pode-se obter até três rotações econômicas por esse
processo.
97
1.1. Condução da brotação

O processo de brotação de touças requer manejo especial para assegurar alta


produção na próxima rotação.
No corte das árvores ou no trato do solo com maquinas, deve-se ter o cuidado de
não provocar o danos às cepas, que é prejudicial à brotação. MACHADO et al. (1990)
verificaram em uma exploração de E. alba que aproximadamente 15% das cepas
atingidas durante o arraste florestal com guincho arrastador não brotou. Além disso,
observaram que um incremento de 10% na variável Danos de Topo de Cepa
proporcionou uma redução de até 4,5% em altura dos brotos analisados aos 10 meses de
idade, enquanto que com relação à variável Danos Laterais na Cepa, esta redução foi de
3,3%.
Na exploração, as cepas não devem ser abafadas por resíduos, que de
preferência devem ser triturados com picador.
Os Eucalyptus saligna, E. urophylla e E. citriodora apresentam alta capacidade de
brotação, e as árvores podem ser cortadas a 5 cm de altura. Em outras espécies com
deficiência de brotar, o corte deve ser feito entre 10 cm e 15 cm para que haja maior
número de gemas potenciais para brotação.
Mesmo as espécies com capacidade de brotação podem não se comportar assim
em determinadas regiões, podendo-se então utilizar o recurso de aumento de altura da
cepa.
A exploração em época seca pode resultar em queda na sobrevivência das cepas
e vigor das brotações, principalmente para o E. grandis.
O ataque de formigas às brotações é fatal. Após dois a três desbrotamentos
cessa a capacidade de brotação e as cepas morrem.
A aplicação de fertilizantes (NPK - 20:28:6 100 g a 150 g por cepa) é feita antes
da exploração, para que seus efeitos já estejam presentes no momento do corte.
É necessário que se faça o controle de ervas daninhas quando em excesso, para
evitar competição e facilitar o combate à formiga.
No sudeste da Bahia cultiva-se o E. cloeziana, que apresenta incremento de 50 a
60 m ha-1 ano-1, resistência ao cancro, alto índice de rebrota e madeira de alta
3

densidade. Entretanto, a ferrugem ataca e provoca a perda de cepas diante da infecção


das brotações. ALFENAS et al. (1993) testaram fungicidas para o controle desta doença,
concluindo que os melhores resultados, em ordem decrescente foram obtidos com os
produtos constantes no Quadro VII-1, em três aplicações, a intervalos de 20 dias. Os
mesmos autores verificaram que brotos com 2 m a 3 m de altura já se encontram imunes
à doença.

Quadro VII-1- Resultados de teste de eficiência de fungicidas no controle da ferrugem


causada por Puccinia psidii em brotações de E. cloeziana

Custo (US$.ha-1)
Princípio ativo Dose (g.l-1)
Costal/Manual Mecânica
Triadimenol 0,50 51,90 66,39
Diniconazole 0,15 32,16 46,65
Oxicarboxin 1,05 35,19 49,68
98
Normalmente o número de brotos é grande, havendo necessidade de desbrota,
deixando-se 2 a 3 brotos vigorosos e bem fixos. O número de brotos a ser deixado
depende do objetivo do povoamento e do diâmetro das cepas. Para o caso de florestas
energéticas tem-se usado deixar até 6 brotos. Para eucalipto, COUTO (1973) cita que o
volume final de madeira é maior quando se deixam três brotos, em vez de dois ou um,
consecutivamente.
Quando a produção esperada na rotação seguinte for baixa e antieconômica
devido à alta porcentagem de falhas, existem duas alternativas: o interplantio, o
adensamento e a reforma total.

1.2. Interplantio

A floresta pode apresentar um número muito grande de falhas que vão refletir na
produtividade futura. O interplantio visa diminuir o número destas falhas, e é usado do
primeiro corte em diante, no sistema de brotação.
Conceitualmente, interplantio é o plantio de mudas da mesma espécie, nas falhas
de brotação, ao lado da cepa não brotada.
Em solos pobres, as falhas de eucalipto cortado aos 7 anos podem chegar a 50%.
Um dos maiores problemas do interplantio é o rápido crescimento dos brotos com
relação às mudas. Para diminuir a diferença, as mudas utilizadas devem ser bem
desenvolvidas e plantadas em covas adubadas mais largas do que o usual para cortar as
raízes das cepas ao redor. Além disso, pode-se fazer o rebaixamento geral da brotação
com roçada manual, para garantir um povoamento mais uniforme.
A decisão entre reforma e interplantio está relacionada com o manejo e o material
genético do povoamento. Se estes forem inadequados na primeira rotação, o interplantio
não é recomendado de modo algum. Em contrapartida, se o povoamento apresentou bom
rendimento na 1a rotação e, por alguma razão, tenha tido baixo índice de sobrevivência, o
interplantio pode se tornar interessante (MARTINI et al., 1984). Se a queda na
produtividade da próxima rotação for devido à baixa qualidade genética das sementes, a
melhor opção é a reforma.
Os mesmos autores acima indicam que só há ganho volumétrico com o
interplantio quando as falhas forem acima de 60%.

1.3. Adensamento

O adensamento é feito quando se deseja aumentar o número de árvores por


unidade de área. É mais aplicado para florestas energéticas, pois diminui a rotação e
produz troncos mais finos próprios para lenha, carvão e metanol.
Esta operação é feita plantando-se mudas entre as cepas, e é usada em
povoamentos regenerados por brotação.
Faz-se gradagem nas entrelinhas e o plantio é feito no centro das mesmas.
99
2. Reforma

A reforma é o plantio de novas mudas na área explorada. Para isso é necessário


que se elimine as cepas, para evitar a brotação competitiva, através do deslocamento da
casca.
O modo mais simples de reforma, é o plantio nos espaços entre os tocos,
formando o mesmo espaçamento da rotação anterior.
Antes do plantio deve-se proceder aos mesmos tratos de um primeiro plantio.
Algumas empresas estão utilizando a grade "bedding" com adubadeira acoplada,
tracionada por trator de esteiras ou supertrator. O camalhão formado pelo ajuntamento de
terra sufoca e mata as cepas.
A grade "bedding" tem sido usada com sucesso em declividade de até 30% e seu
rendimento é de 0,83 ha.h-1.
100
3. Referências bibliográficas

ALFENAS, A.C.; MAFFIA, L.A.; MACABEU, A.J.; SARTÁRIO, R.C. Eficiência de


triadimenol, oxicarboxin e diniconazole para o controle da ferrugem (Puccinia psidii) em
brotações de Eucalyptus cloeziana, em condições de campo. Revista Árvore, v.17,
n.2, p.247-263, 1993.
BAKER, T.G. Replacement investiment under inflation. Purdue: Purdue
University/Department of Agricultural Economics, 1979. 22p. (Revised Draft., Unpublish
Paper)
CLUTTER, J.L. et al. Timber management: a quantitative approach. New York: J. Willey,
1983. 334 p.
COUTO, H.T.Z.; MELLO, H.A.; SIMÕES, J.W.; VENCOVSKY, R. Condução da brotação
de Eucalyptus saligna, Smith. IPEF, n.7, p.115-123, 1973.
MACHADO, C.C.; IGNÁCIO, S.A.; VALE, A.B.; SOUZA JÚNIOR, H.S.S. Efeito da
extração de madeira com guincho arrastador na brotação do Eucalyptus alba. Revista
Árvore, v.14, n.1, p.55-60, 1990.
RIBAS, L.C. Estratégia econômica da reforma de povoamentos florestais de Pinus
sp. Curitiba: UFPR, 112 p., 1989. Dissertação (Mestrado em Ciências Florestais) -
Universidade Federal do Paraná, 1989.
CAPÍTULO VI

COLHEITA FLORESTAL

Atualmente ainda persiste na colheita florestal, a predominância do trabalho


manual. A introdução de novas técnicas e de equipamentos especializados é um
processo lento e restrito, embora as empresas que as utilizam estejam obtendo resultados
altamente satisfatórios. No entanto, o grau de modernização da colheita depende muito
da evolução da própria indústria de máquinas e equipamentos. Nota-se porém que
algumas etapas da colheita, principalmente aquelas que exigem grande esforço físico, já
estão mais mecanizadas.
Na escolha do sistema de colheita, deve-se levar em conta alguns fatores:

1. Fatores que influenciam os sistemas de colheita

1.1. Condições locais

No planejamento dos trabalhos de colheita, deve-se observar as condições locais


no que diz respeito a: topografia, índice pluviométrico, tipo de solo, vias de acesso,
qualidade e disponibilidade de mão-de-obra.

1.2. Equipamentos disponíveis

Deve-se considerar os equipamentos disponíveis no mercado, que levam altos


custos de investimentos e exige treinamento e assistência técnica.
80
1.3 - Aspectos silviculturais

As características próprias das espécies devem ser respeitadas. Dados de


experimentos demonstram que a capacidade de regeneração das espécies pode ser
influenciada pela época e pela altura do corte, e também pelas operações de retirada da
madeira.
Outras variáveis importantes no condicionamento do sistema de colheita são a
idade de corte, o volume de madeira e o manejo empregado na floresta.

1.4. Exigências e localização do mercado consumidor

A colheita deve atender as exigências do mercado consumidor.. O comprimento e


retidão das toras, as limitações de diâmetro, a retirada ou não da casca constituem hoje
as principais exigências do mercado consumidor.

2. Sistemas de colheita

Nas condições brasileiras ocorrem combinações de atividades manuais e


mecanizadas, formando os sistemas, baseados essencialmente no comprimento das
toras.

2.1. Sistema de toras curtas

Embora nesse sistema use-se principalmente atividades manuais, ele pode ter
algum grau de mecanização.
Abate-se a árvore, e no mesmo local realiza-se o desgalhamento, destopamento,
desdobramento e descascamento eventual. As toras apresentam comprimento variável de
1 a 6 m (Figura VI-1), dependendo do índice de mecanização empregado, o qual está
ligado especialmente à topografia. Ainda é o sistema predominante no Brasil.

Tarefas executadas no local do abate


Descas- Desga- Desdo- Desto-
camento lhamento bramento pamento

Abate

1a6m

Figura VI-1- Operações desenvolvidas com as árvores no sistema de colheita de toras


curtas.

Segundo MACHADO et al. (1996), as vantagens e desvantagens do sistema são:


81
a) vantagens: a porção da árvore não comerciável é deixada na área; somente a
porção da árvore aproveitável em uma dada indústria é explorada e transportada,
minimizando os custos finais; o sistema é muito eficiente, quando o volume médio das
árvores for menor do que 0,5 m3; o manuseio das toras é facilitado; verifica-se alta
eficiência nos desbastes.
b) desvantagens: geralmente não é utilizado na produção de madeira para
serraria, postes etc. ; há um excessivo manejo de um mesmo volume de madeira;
dependendo das circunstâncias, não há um bom aproveitamento da árvore.

2.2. Sistema de toras longas

Neste caso, no local de abate faz-se apenas o desgalhamento e o destopamento.


As operações de desdobramento e descascamento eventual são desenvolvidas à beira
das estradas do talhão, ou em pátios intermediários de processamento (Figura VI-2). São
utilizados para terrenos mais acidentados, exigindo equipamentos mais sofisticados, em
razão do peso e da dimensão da madeira.

Tarefas executadas no local do abate


Desga- Desto-
lhamento pamento

Abate

Tarefas executadas no pátio ou margem da estrada


Descas- Desdo-
camento bramento

Variável

Figura VI-2- Operações desenvolvidas com as árvores no sistema de colheita de toras


longas.

Segundo MACHADO et al. (1996), as vantagens e desvantagens do sistema são:


a) vantagens: excelente para condições topográficas desfavoráveis; muito
eficiente, quando o volume médio das árvores é maior do que 0,5 m3, maior rendimento
operacional (m3/H/h), quando comparado com o sistemade toras curtas; melhor
aproveitamento da árvore (toragem integral); mais sensível a distância média de extração,
graças ao volume ou tonelagem, quando comparado com o sistema de toras curtas.
82
b) desvantagens: requer um bom planejamento, organização e controle das
operações para que se evitem pontos de estrangulamento e se tenham boas condições
de trabalho e alta utilização dos recursos; requer um planejamento criterioso do sistema
de corte florestal para garantir maior eficiência do sistema; requer um grau de
mecanização mais elevado.

2.3. Sistema de árvores inteiras

Nessa alternativa, a árvore é removida inteira para fora do talhão, e o


processamento completo é feito em local previamente escolhido (Figura VI-3). Exige
elevado índice de mecanização e pode ser utilizado em terrenos planos ou acidentados.

Tarefa executada no local do abate


Abate

Tarefas executadas no pátio ou margem da estrada


Descas- Desga- Desdo- Desto-
camento lhamento bramento pamento

Variável

Figura VI-3 - Operações desenvolvidas com as árvores no sistema de colheita de árvores


inteiras.

Segundo MACHADO et al. (1996), as vantagens e desvantagens do sistema são:


a) vantagens: excelente para condições topográficas desfavoráveis; muito
eficiente, quando o volume médio das árvores é maior do que 0, 5 m3; maior rendimento
operacional (m3/H/h), quando comparado com o sistema de toras curtas; excelente para
condições de terreno adversas ás operações de corte florestal; deixa a área limpa dos
resíduos florestais.
b) desvantagens: requer um bom planejamento e supervisão das operações para
se evitarem pontos de estrangulamento e se terem boas condições de trabalho e alta
utilização dos recursos; requer um trabalho de corte florestal bem mais eficiente; requer
um elevado grau de mecanização; as árvores oferecem maior resistência durante a
extração, quando comparado com o sistema de toras compridas, dependendo do peso e
do volume dos ramos; remove os resíduos florestais da área de corte.
Este sistema é pouco utilizado atualmente, em função da evolução dos
equipamentos de corte e transporte.
83
2.4. Sistema de árvores completas

A árvore é arrancada com parte de seu sistema radicular e extraída para a


margem da estrada ou pátio temporário, onde é realizado o seu processamento.
Segundo MACHADO et al. (1996), as vantagens e desvantagens do sistema são:
a) vantagens: aumenta o rendimento da matéria-prima em até 20%, dependendo
da finalidade da madeira, uma vez que aproveita parte do sistema radicular; diminui os
gastos com preparo do terreno.
b) desvantagens: é adequada para plantações de coníferas; exige condições
topográficas, edáficas e climáticas favoráveis para a operação; é eficiente para árvores de
pequenas dimensões.
Há controvérsias ambientais nestes sistema, em função da exportação de
nutrientes.

2.5. Sistema de cavaqueamento

A árvore é derrubada e processada no próprio local, sendo extraída em forma de


cavacos, para a margem da estrada, pátio de estocagem ou diretamente para a indústria.
Existem três subsistemas: o cavaqueamento integral, em que a árvore é processada
inteira ou completa;o cavaqueamento parcial com casca, em que a árvore é
processada em fuste, portanto sem a galhada; o cavaqueamento parcial sem casca em
que a árvore é processada em toras curtas previamente descascadas.
a) vantagens: aumento do aproveitamento do material lenhoso podendo chegar a
100%; eliminação de várias sub-operações do corte florestal.
b) desvantagens: limitação com relação ao percentual de folhagem e/u casca
processado; emprego limitado, principalmente, às condições topográficas, edáficas e
climáticas; necessidade, muitas vezes, de grandes investimentos em equipamentos
sofisticados.

3. Fases da colheita e equipamentos em uso

As fases de colheita podem apresentar variações quanto aos índices de


mecanização e disponibilidade de equipamentos e mão-de-obra.
A aquisição de equipamentos deve atender à segurança dos operadores, ter um
estudo sobre custos e rendimentos, uma assistência adequada dos fornecedores,
manutenção eficiente, avaliação periódica dos resultados e treinamento de pessoal.
Com o desenvolvimento da indústria mecânica florestal o processo de
mecanização deve evoluir mais rapidamente, principalmente nas fases que exigem maior
volume de mão-de-obra.

3.1. Corte

Para sistemas com total predominância de operações manuais, o corte é em geral


composto de derrubada, desgalhamento, desdobramento, preparo para o arraste e o
84
empilhamento. Em sistemas mais mecanizados, as operações são separadas, pois se
realizam em locais diferentes.
Nos sistemas semi-mecanizados, o corte é feito com motosserras, dando-se
certa orientação à queda. Faz-se em seguida o desgalhamento, integrado ao
desdobramento e empilhamento. Se está se realizando um desbaste, normalmente o
empilhamento vem após o arraste, devido à dificuldade de movimentação de
equipamentos maiores. Utilizam-se motosserras de 3 a 5 HP, com peso variando de 7 a 9
kg, com tendência ao uso de motores cada vez menores para conforto do operador. Este
deve estar equipado com protetores auriculares e visuais, calças e calçados especiais, e
o motosserra com cabo anti-vibratório.
Este sistema iniciou-se na década de 60, sendo competitiva para qualquer volume
de madeira, porém é mais apropriado para corte raso de florestas com pequenos
diâmetros e também nos primeiros desbastes. Quando no planejamento projeta-se longas
distâncias entre pilhas, pode-se complementar o empilhamento com o auxílio de
pequenos guinchos. O baldeio da madeira é feito com tratores e carretas grícolas e
forwarders.
Na escolha do motosserra ideal, além do conforto do operador, deve-se
considerar o seu índice de desempenho, que agrega o peso, rpm e torque. MACHADO e
IGNÁCIO (1990) determinaram índices de desempenho, constantes no Quadro VI-1, que
são úteis na aquisição deste tipo de equipamento.

Quadro VI-1- Índices de desempenho de motosserras

Rotações Torque Peso (kg)


por minuto (m.kgf x 100) 7.1-8.9 9.1-9.0 9.1-10.0 10.1-11.0
1-25 28 26 24 22
7500
a 26-50 46 42 39 36
8500 51-75 58 53 49 45
76-100 67 61 56 53
1-25 33 30 28 26
8501
a 26-50 53 49 45 42
51-75 67 61 56 53
9500 76-100 78 71 65 61
1-25 37 34 32 29
9501
a 26-50 61 55 51 48
51-75 76 70 64 60
10500 76-100 89 81 75 70
1-25 42 39 36 33
10501
a 26-50 69 63 58 54
51-75 86 79 73 68
11500 76-100 100 91 84 79

Em razão da facilidade de mão-de-obra, é comum utilizar um operador e um


ajudante para o corte, sendo que este tem a função de auxiliar no direcionamento da
queda. Porém, um só homem bem treinado, equipado com ganchos e barras de
direcionamento, reduz custos e riscos de acidentes, além de haver um aumento na
produtividade de até 20%. Nesse sistema um homem pode produzir 4 a 6 estéreos hora-1.
85
Na operação de desgalhamento ainda é comum o uso de facão ou machado, que
devem ser substituídos, à medida do possível pelo motosserra, que nesse caso é usado
apenas para a desdobramento.
No sistema mecanizado de corte, inclui-se ainda o empilhamento. Neste caso a
operação pode ser realizada com equipamento que segura a árvore, corta, carrega e
empilha. Tais equipamentos são o feller buncher tesoura (Figura VI-4a) ou motosserra
(Figura VI-4b).

Figura VI-4 - Equipamentos de colheita florestal para corte e empilhamento: cabeças de


feller buncher tesoura (a) e motosserra (b).

3.2. Picagem ou desdobramento de toretes

Pode ser realizada tanto no local de corte como na área de processamento. Se for
possível deve-se arrastar e amontoar as árvores em feixes, onde se pode utilizar um
motosserra de sabre longo aumentando a produtividade.
A produtividade desta operação está em função do diâmetro das árvores,
comprimento dos toretes, disposição das árvores na queda, topografia, tipo de ferramenta
empregada, treinamento do operador.

3.3. Descascamento

O descascamento manual é realizado na área de corte, com facão ou


machadinha. Por ser uma operação estafante e de baixo rendimento, tende a ser
totalmente mecanizada.
O descascamento mecanizado tem sido realizado no local do corte ou nas
margens das estradas, utilizando-se um descascador móvel, movimentado pela tomada
de força de um trator e alimentado manualmente, dando um rendimento de 5 a 6,5 m3
hora-1 (Figura VI-5a), ou um descascador automotriz (Figura VI-5b).
86
Se a opção for o uso da casca para energia, o descascamento pode ser feito no
pátio das fábricas com equipamentos mais sofisticados.

(a) (b)

Figura VI-5 - Descascador acoplado à tomada de força de um trator (a) e descascador


automotriz (b).

3.4. Transporte a curta distância (Transporte Primário)

Refere-se à retirada da madeira para uma estrada transitável por caminhões.


Conforme o equipamento utilizado nesta operação, ela recebe os nomes de
baldeio (transporte feito por reboque-carregador - Figura VI-6a, caminhões e forwarders -
Figura VI-6b) e arraste (quando se utilizam guinchos ou skiders - Figura VI-6c).
87

(a) (b)

(c)

Figura VI-6- Equipamentos para transporte florestal: reboque-carregador (a), forwarder


(b), skider (c).

Se a topografia, a distância de transporte e entre pilhas, a densidade do


povoamento permitirem, o caminhão do transporte principal, ou o reboque-carregador ou
o forwarder pode entrar dentro da floresta para carregar.
Caracterizam-se os seguintes tipos de transporte a curta distância:
a. Manual - sistema de arraste mais utilizado em desbaste de pinos quando em
terrenos acidentados, para trazer a madeira até as estradas. A declividade auxilia, quando
se pode rolar as toras ladeira abaixo, ou utilizar calhas metálicas, que no entanto tem
pouca eficiência.
b. Animal - usado em terrenos acidentados, principalmente em Minas Gerais,
utilizando-se o burro ou junta de bois. Os animais podem carregar os toretes em arreios
especiais ou arrastá-los em trenós.
c. Mecânico - neste sistema destacam-se:
c.1. trator agrícola com carreta - é o método mais simples de baldeio, usado
quando a topografia permite. Tem menor custo de aquisição do que o forwarder, embora
com rendimentos inferiores a este.
c.2. reboque-carregador - é um conjunto composto de uma carreta mais reforçada
do que a anterior, com maior capacidade de carga, dotada de uma grua hidráulica,
tracionada por um trator agrícola (Figura VI-6a).
c.3. caminhões de tração dupla - tem sido pouco utilizado devido à sua baixa
durabilidade e rendimento.
c.4. guinchos - são acoplados a tratores ou acionados por motores estacionários.
88
c.5. transportador autocarregável (forwarder) - equipamento dotado de grua
hidráulica para carga e descarga; tem chassi articulado; tração em todas as rodas;
capacidade de carga variável de 10 a 15 toneladas. Tem bom desempenho em
declividade de até 32%. Alto custo de aquisição (Figura VI-6b).
c.6 - arrastador (skider) - após os guinchos e cabos aéreos, o skider é o
equipamento mais adequado para trabalho em terrenos de solo e topografia adversos.
Possui chassi articulado e pode atuar em declividade de 40 a 45% com bom desempenho
e segurança, sendo utilizado também em colheita de florestas nativas (Figura VI-6c).

3.5. Carregamento

O carregamento está sempre ligado ao transporte. No caso do transporte primário


o carregamento é feito no local do corte, ao passo que no transporte principal esta
operação é feita à beira da estrada. Isso não acontece quando o transporte é direto, ou
seja, quando os caminhões são carregados diretamente na área de corte, destacando-se:
a. carregamento manual - feito pelo motorista e um ajudante e é de baixo
rendimento.
b. carregamento mecânico - usam-se gruas hidráulicas instaladas sobre tratores
agrícolas ou caminhões, ou mesmo equipamentos automotrizes (Figura VI-7). Pode-se
distinguir três tipos de carregamento de acordo com o sistema de colheita:

Figura VI-7 - Carregadora automotriz.

b.1. carregamento do veículo no local de corte para baldeio;


b.2. carregamento do veículo em pátios, para transporte a longas distâncias
(transbordo);
b.3. carregamento direto na área de corte para veículo que faz transporte a longa
distância.
89
3.6. Transporte às fontes consumidoras

É o transporte da madeira desde a floresta até o pátio da industria, predominando


o sistema rodoviário. Usa-se desde pequenos caminhões de empreiteiros até os semi-
reboques para grandes distâncias. A tendência é o uso de caminhões com grande
capacidade de carga (Figura VI-8), devido ao elevado custo de combustíveis e o
distanciamento da fonte de matéria prima. Quando a maior parte das estradas são de
fazendas e não asfaltadas, dá-se preferência a caminhões de tração dupla

Caminhão simples Caminhão conjugado

Caminhão articulado

Figura VI-8 - Tipos de caminhões usados no transporte principal.

MACHADO et al. (1991) concluíram que os veículos articulados e os conjugados


apresentaram um bom desempenho somente a partir de 135 km de distância,
transportando no mínimo 60 metros estéreos por viagem.

3.7. Descarregamento

Utiliza-se gruas estacionárias ou móveis. Entretanto, algumas empresas possuem


um sistema que vira a carroceria dos caminhões.

4. Sistemas de colheita em uso

De acordo com as condições e objetivos da empresa, elas tem utilizado mais ou


menos a mecanização em cada fase da colheita. Atualmente os sistemas de colheita
florestal utilizados no Brasil podem ser agrupados em:

4.1. Sistemas manuais

Predomina o trabalho manual nas etapas de corte, desgalhamento, picagem e


descascamento, em alguns casos até mesmo no arraste. Mesma assim, é imprescindível
o uso do motosserra.
São sistemas utilizados na produção de toras curtas para indústria de celulose,
chapas, carvão e lenha.
90
Na etapa de descascamento eventual, destacam-se os dois sistemas descritos a
seguir:
a. Sistema manual para obtenção de madeira sem casca
O descascamento deve ser feito no máximo 24 horas depois do corte. Cada
equipe (2 a 5 descascadores) recebe um eito que varia de 5 a 15 ruas, que serve de
unidade de controle para o pagamento do pessoal. Cada motosserra atende a várias
faixas de colheita. Após o corte, a equipe inicia o desgalhamento e a marcação dos
toretes ( em geral de 1,5 a 2,5 m). Quando a motossera termina o trabalho de derrubada
suficiente para as equipes pré-determinadas, volta para fazer a picagem das árvores.
Inicia-se então o descascamento com facão ou machadinha. A madeira pode ser
empilhada concomitantemente com o descascamento ou no final do mês, como
exemplificado no o esquema da Figura VI-9.

Linha de Madeira Entrada de


resíduos empilhada veículos

Figura VI-9 - Disposição de campo, num sistema manual para obtenção de madeira curta,
com ou sem casca.

b. Sistema manual para obtenção de madeira com casca


Nesse caso o sistema é modificado principalmente quanto à composição das
equipes. A equipe, que recebe um eito de 5 ruas, é composta pelo motosserrista e dois
ajudantes que derrubam, picam, desgalham e amontoam. O exemplo da Figura VI-9 pode
ser aplicado também aqui.

4.2. Sistemas mecanizados

São sistemas utilizados para madeiras industriais, em toras curtas, para celulose,
chapas ou carvão. Dependendo se o manejo é o corte raso de eucalipto ou desbaste dos
povoamentos de pinos, ou ainda em alguns casos de corte seletivo, a estrutura dos
sistemas mecanizados assumem estruturas diferentes.
91
a. Sistema mecanizado para cortes rasos
É o mais usado no Brasil, devido aos rendimentos alcançados e da redução de
mão-de-obra. Um único operador realiza o corte, o desgalhamento, a picagem e o
amontoamento, utilizando uma motosserra leve e equipamentos auxiliares (ganchos,
trena e barra para auxiliar a derrubada). Esse sistema é de difícil implantação, pois
necessita de alto grau de treinamento e planejamento para todas as operações.
Em geral a madeira fica amontoada no campo, e o descascamento eventual é
feito por equipamento acoplado ao trator agrícola. Nesse sistema, a linha de resíduos é
centralizada de forma a permitir que o "forwarder" transite sobre ela, evitando danos ao
solo e aos pneus da máquina. Na Figura VI-10 vê-se o esquema de campo.

Linha de resíduos e
Entrada de veículos

Figura VI-10 - Disposição geral de campo do sistema mecanizado para cortes rasos, a fim
de produzir madeira industrial.

b. Sistema mecanizado para desbastes


O sistema de desbaste é mais comum em povoamentos de pinos, embora
também seja aplicado para eucalipto. A colheita torna-se mais difícil, devido à falta de
espaço para a movimentação de máquinas.
Há basicamente três tipos de desbastes:
b.1 - Desbaste seletivo - como se faz a retirada de árvores inferiores, não há
abertura uniforme do espaçamento, dificultando a mecanização.
b.2 - Desbaste sistemático - o sistema mais utilizado é o de 3ª e 5ª linhas. Permite
maior grau de mecanização.
b.3 - Desbaste combinado (mecânico-seletivo) - é uma combinação dos dois
métodos anteriores, retirando-se uma linha espaçada regularmente, removendo-se as
árvores piores do povoamento, sendo mais comum os de 10a e 20a linhas.
Atualmente há máquinas versáteis que entram no povoamento e realizam o
desbaste e amontoamento das árvores com grande eficiência. Estes equipamentos são o
“feller buncher” tesoura e o “feller buncher” motosserra.
92
5. Aproveitamento dos resíduos para fins energéticos

Os resíduos são todos os materiais originados das árvores, que tradicionalmente


permanecem no campo após a colheita, como folhas, galhos, casca e madeira, com
diâmetro inferior ao exigido pela indústria. Embora as cepas e raízes sejam também
resíduos, não se tem estudos sobre a viabilidade de seu aproveitamento.
Considerando o poder calorífico dos resíduos da ordem de 3000 kcal kg-1 e para
óleo combustível de 3500 kcal kg-1, a substituição pode ser feita com sucesso e
economia. Utilizando resíduos (casca e copa) de E. saligna, COUTO et al. (1984)
determinaram que um ha produziu 5,6 toneladas equivalentes de óleo combustível por ha.
Resultados satisfatórios no Brasil têm sido alcançados com a seguinte estrutura
operacional:
Coleta de resíduo - é o ajuntamento das pontas de galhos em fileiras, facilitando a
colocação do material na mesa do picador. A produção média é de 20 m3 homem-1 dia-1.
Picagem - feita com picador móvel, com depósito de 20 m3, autobasculável,
tracionado por trator agrícola de 75 HP na tomada de força a 540 RPM. A alimentação do
picador é feita manualmente, com 4 a 5 homens, com produção média de 120 m3
aparentes dia-1, em dois grupos de trabalho (Figura VI-11).

Figura VI-11 - Picador móvel.

Transporte de cavaco - é feito por semi-reboques com capacidade para 100 m3


aparentes, e seu carregamento é feito pelo autobasculante dos picadores, que podem se
erguer a 3,75 m de altura.
Deve-se considerar no aproveitamento dos resíduos, a grande exportação de
nutrientes da área explorada, o que traz como conseqüência o empobrecimento mais
rápido do solo, e a elevação dos custos com adubação. Isso ocorre principalmente com
as folhas, que podem representar 5% da matéria seca da árvore, mas pode conter até
50% dos nutrientes essenciais às plantas. Portanto essa operação tem que ser estudada
do ponto de vista ecológico, de conservação do solo e econômico, para cada caso.
Na Figura VI-12 (a,b,c,d) mostra-se um exemplo de teores de nutrientes
encontradas nas partes de árvores de eucalipto, em Bom Despacho - MG, evidenciando a
importância dos estudos de ciclagem de nutrientes em florestas.
93

N P K Ca Mg N P K Ca Mg
12000 3000

g de nutrientes / t de madeira
g de nutrientes / t de casca
10000 2500

8000 2000

6000 1500

4000 1000

2000 500

0 0
30 40 50 60 70 80 30 40 50 60 70 80
Idade (meses) Idade (meses)

(a) (b)

N P K Ca Mg N P K Ca Mg
7000 14000
g de nutrientes / t de raízes

g de nutrientes / t de copa
6000 12000

5000 10000

4000 8000

3000 6000

2000 4000

1000 2000

0 0
30 40 50 60 70 80 30 40 50 60 70 80
Idade (meses) Idade (meses)

(c) (d)

Figura VI-12 - Quantidade de nutrientes na biomassa de partes de árvores de E. grandis


plantado no cerrado de Bom Despacho, em Minas Gerais (Reis et al., 1987).

Segundo REIS (1987), estudos de ciclagem de nutrientes auxiliam na


determinação da idade de rotação e do nível de utilização da árvore, de forma a minimizar
os efeitos da colheita sobre o estado nutricional das plantas nas rotações subseqüentes.
Com relação ao uso da copa como resíduo, por exemplo. Em Bom Despacho
determinou-se que este componente representou 13% da biomassa total da árvore. No
entanto, apresentou, em média, 42%, 38%, 34%, 23% e 30% dos nutrientes totais da
árvore (respectivamente, N, P, K Ca e Mg). Analisando-se a Figura VI-12d aos 6 anos de
idade (73 meses), verifica-se que, se a copa fosse usada pela indústria, estariam sendo
exportados por exemplo, para o N, 11 kg t-1 de biomassa.
Da mesma forma, a colheita da madeira com casca, retiraria da área ao redor de
3,5 kg de N por tonelada de biomassa de casca. Em situação crítica ficaria o Ca, que
neste componente, apresenta 52% (8 kg) do total da árvore. Estes nutrientes deveriam
ser repostos em fertilizantes para se conseguir manter a produtividade futura nos níveis
da primeira rotação.
Comparando-se os dados de todos os componentes da árvore, verifica-se que a
parte que menos exporta nutrientes é a madeira.
94
Com a Figura VI-12 e os dados de biomassa informados por REIS (1987), pode-
se estimar as perdas de nutrientes na colheita (Quadro VI-2). Se fosse realizada a
colheita somente de madeira, estima-se que a reposição de N para manter a
sustentabilidade do solo seria da ordem de 148 kg.ha-1, 7 kg.ha-1 de P, 51 kg.ha-1 de K, 28
kg.ha-1 de Ca e 11 kg.ha-1 de Mg. É uma técnica importante no manejo florestal e
especificamente na conservação do solo florestal.
Estas informações são também importantes na tomada de decisões que reduzam
a necessidade de reposição de nutrientes por meio da fertilização química, em função de
que suas fontes tornar-se-ão cada vez mais caras e raras, no futuro.

Quadro VI-2- Estimativa de perdas de nutrientes na colheita de Eucalyptus grandis aos 6


anos de idade no Município de Bom Despacho-MG, considerando os dados da Figura VI-
12

Nutrientes (kg ha-1)


Parte analisada
N P K Ca Mg
-1
Casca (10 t.ha ) 34 8 60 79 14
Madeira (62 t.ha-1) 148 7 51 28 11
Copa (11 t.ha-1) 122 8 65 31 15
95

6. Referências bibliográficas

COUTO, H.T.Z.; BRITO, J.O.; CORRADINI, L.; FAZZIO, E.C.M. Quantificação de


resíduos florestais para produção de energia em povoamento de Eucalyptus saligna.
IPEF, n.26:, p.19-23, 1984.
MACHADO, C.C.; IGNÁCIO, S.A. Análise do desempenho de motosserras: avaliação e
seleção. Revista Árvore, v.14, n.2, p.134-138, 1990.
MACHADO, C.C.; SOUZA, A.P.; LEITE, M. Análise do desempenho de diferentes veículos
de transporte florestal rodoviário. Revista Árvore, v.15, n.1, p.67-81, 1991.
MACHADO, C.C.; SOUZA, A.P.; MINETE, L.J. Colheita e transporte. Informe
Agropecuário, v.18, n.185, p.52-56, 1996.
REIS, M.G.F.; BARROS, N.F. & KIMMINS, J.P. Acúmulo de nutrientes em uma seqüência
de idade de Eucalyptus grandis W. Hill (ex-Maiden) plantado no cerrado, em duas
áreas com diferentes produtividades, em Minas Gerais. Revista Árvore, v.11, n.1, p.1-
15, 1987.