Você está na página 1de 2

TEXTO 1 – Autoamor X egoísmo, vaidade, orgulho, arrogância

(retirado e adaptado do livro Cura e Autocura – uma visão médico-espírita, por Andrei Moreira –
Presidente da associação Médico-Espírita de MG).

Necessário distinguir autoamor de egoísmo, vaidade, arrogância e orgulho.

Egoísmo é a centralização no eu, na persona, nas máscaras sociais, enquanto o autoamor é o


centramento no eu superior, na parte sábia, divina que há em nós. Egoísmo é a busca por
satisfação pessoal a despeito do outro, ou ainda em desconsideração franca ao outro,
enquanto o autoamor é a preservação de limites, prevenção de abusos, estabelecimento de
espaços vitais seguros, capazes de possibilitar ao ser que traga à tona o seu melhor, em sua
vida, em sociedade, para o seu bem-estar e o cumprimento de seus deveres perante o próximo
e suas necessidades íntimas.
O autoamor contempla o coletivo e o serve, pois o indivíduo conectado consigo mesmo evoca
o melhor de si para ofertar ao outro e está em sintonia com suas responsabilidades espirituais.
Indo contra o egoísmo, mas ainda distante do autoamor, existe a busca desesperada por
auxílio ao outro, sem as condições mínimas de subsistência emocional para essa tentativa. [...]
Essa condição salvacionista, que demonstra despreparo e imaturidade perante a vida,
esquece-se de que para isso é preciso salvar a si, antes. É diferente da renúncia, que
representa a doação consciente em favor do outro como exercício de amor, o que é altamente
meritório e construtivo. Mas só consegue renunciar quem se conhece e se ama
profundamente.
O egoísmo faz com que o ser, além de colocar um colete salva-vidas em si, guarde o do outro,
pois o seu pode falhar ou pode ser necessário mais de um para si. Assim, o egoísta só enxerga
suas próprias necessidades.

Autoamor também é diferente de vaidade. Uma pessoa pode gostar e achar agradável estar
mais bela e arrumar-se, ir ao salão, experimentar um novo corte de cabelo, comprar roupas
novas... tudo isso pode estar a serviço do autoamor, quando esse movimento represente o
resgate do prazer em estar bela para si, para seu contentamento e até mesmo para o de
alguém. Pode ser que a pessoa se encha de contentamento por algum feito ou realização e
compartilhe isso com os amigos íntimos, demonstrando a satisfação pela sua iniciativa ou
produção, bem como os efeitos delas. Isso tudo pode ser saudável e uma extensão da
autoconsideração.
Mas a vaidade que se opõe ao autoamor é a condição íntima de dependência dessa imagem,
do retorno do outro, do aplauso e se desestrutura com algum tipo de reprovação ou
indiferença. Uma condição de exterioridade que não leva em conta a alegria íntima de seguir o
próprio coração, mas tem o referencial no que o outro pensa ou ache de si, necessitando que
ele o elogie e bajule constantemente para suprir a falta do amor e do valor que não se dá ou
que não encontra aprovação em sua própria consciência. Emmanuel esclarece que: “Ninguém
se redimirá sem se libertar da opinião alheia sobre si e definir sua individualidade” (livro Pão
Nosso).

Autoamor também não se coaduna com arrogância ou prepotência, pois não se crê na
condição de impor sua verdade ao outro, nem violentar consciências. Aquele que se ama
conhece o limite do que sabe, pode e deve na vida, permitindo-se ser o seu melhor, sem
acreditar que aquilo que alcançou é o melhor que há na vida ou no mundo.

O autoamor é filho da humildade, da consciência de si, não se confunde com o orgulho, que
representa a exacerbação do ego, o pai de todos os vícios, o grande desafio a ser vencido no
desenvolvimento da humildade. O humilde não se subestima, não se diminui, tem a exata
noção de seu lugar e papel no universo e opta pela simplicidade como meio de vida.
Um grande exemplo de humildade é Chico Xavier, fiel a Jesus e que frequentemente se dizia
“cisco” ou “grama”, por ter uma visão muito ampla da imensidão do universo e das leis divinas,
colocando-se pequeno diante delas, mas sem desvalorizar a sua parte e responsabilidade no
que lhe competia. Agia sintonizado com essa percepção ampliada da vida e fazia o seu melhor,
sem se diminuir, manifestando aquilo que trazia de bom e colocando-se de boa vontade como
instrumento da vida para o que ela lhe determinasse.