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Desenho Técnico

Mecânico
84 horas
© 2010 – SENAI - São Paulo - Departamento Regional

1º Edição. Elaboração, 2010

Trabalho elaborado pela Escola SENAI “Humberto Reis Costa” do Departamento Regional de São Paulo
para o curso de Formação Continuada

Equipe responsável
Diretor da Escola Nivaldo Silva Braz
Coordenação Pedagógica Paulo Egevan Rossetto
Coordenação Técnica Antonio Varlese
Organização do conteúdo Senai “Humberto Reis Costa”

Escola SENAI Humberto Reis Costa

Rua Aracati Mirim, 115 – Vila Alpina

São Paulo - SP - CEP 03227-160

Fone/fax: (11) 2154-1300

www.sp.senai.br/vilaalpina
Sumário

Introdução......................................................................................................................... 5
Desenho artístico e desenho técnico................................................................................7
Materiais e instrumentos de desenho................................................................................9
Construções geométricas...............................................................................................13
Perspectivas isométricas................................................................................................17
Projeção ortogonal.......................................................................................................... 27
Linhas............................................................................................................................. 33
Linha de centro............................................................................................................... 34
Linha de simetria............................................................................................................. 34
Figuras Planificadas........................................................................................................39
Caracteres normatizados................................................................................................41
Tolerância dimensional....................................................................................................43
Tolerância geométrica.....................................................................................................51
Estado de superfície.......................................................................................................71
Acabamento.................................................................................................................... 71
Rugosidade..................................................................................................................... 73
Símbolo sem indicação de rugosidade............................................................................73
Cotagem......................................................................................................................... 83
Cotagem de chanfros......................................................................................................93
Cotas lineares e cotas angulares....................................................................................94
Escalas......................................................................................................................... 103
Escala de medidas angulares.......................................................................................104
Cortes........................................................................................................................... 105
Seção............................................................................................................................ 119
Encurtamento................................................................................................................ 123
Omissão de corte.......................................................................................................... 127
Componentes padronizados de máquinas....................................................................137
Projeção ortogonal especial..........................................................................................159
Conclusão..................................................................................................................... 163
Referencias Bibliográficas.............................................................................................165
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Introdução

Na indústria, para a execução de uma determinada peça, as informações podem ser


apresentadas de diversas maneiras:

A palavra - Dificilmente transmite a idéia da forma de uma peça.

A peça - Nem sempre pode servir de modelo.

A fotografia - Não esclarece os detalhes internos da peça.

O desenho - Transmite todas as idéias de forma e dimensões de uma peça, e ainda


fornece uma série de informações, como:

 Material de que é feita a peça;


 Acabamento das superfícies;
 A tolerância de suas medidas, etc.

Durante muito tempo dentro dessa indústria esse desenho foi feito unicamente com
a utilização de uma prancheta, instrumentos como esquadros, escalimetro, compasso,
transferidor, etc. O que demandava uma habilidade muito grande do desenhista e utilização
de horas a fio reclinado sobre um único desenho.

Felizmente, não é mais essa realidade que observamos em nossos dias, pois com o
advento da informática e a criação de softwares como o CAD (Desenho Assistido pelo
Computador), o desenhista ganhou uma poderosa ferramenta, que veio para auxiliar e
facilitar em muito a realização de desenhos, que agora demandam um tempo muito menor
para sua confecção.

Neste momento você deve estar se perguntando:


Então eu estou matriculado no curso errado?

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É claro que não, pois embora o desenho na prancheta hoje em dia já não seja a
forma mais rápida para a produção desses, é ele quem garante ao desenhista a utilização
de uma linguagem técnica, fundamentada em regras e normas que possibilitam a todos que
venham a utilizá-lo, mesmo que em tempos e lugares diferentes, interpretem e produzam
peças tecnicamente iguais.

Isso, naturalmente, só é possível quando se tem estabelecidas, de forma fixa e


imutável, todas as regras necessárias para que o desenho seja uma linguagem técnica
própria e autêntica, e que possa cumprir a função de transmitir ao executor da peça as
idéias do desenhista.

Por essa razão, é fundamental que o desenhista conheça com segurança todas as
normas do desenho técnico mecânico.

Desta forma, nossa unidade entende, que com certeza, a realização desse curso irá
lhe ajudar, quer seja na realização de uma base sólida de desenho técnico, quer seja para o
desenvolvimento de uma consciência de que a continuidade nos estudos hoje em dia se faz
necessária, abrindo uma porta para mais um desafio.

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Desenho artístico e desenho


técnico

O homem se comunica por vários meios. Os mais importantes são a fala, a escrita e
o desenho.
O desenho artístico é uma forma de representar as idéias e os pensamentos de
quem desenhou.
Por meio do desenho artístico é possível conhecer e mesmo reconstituir a história
dos povos antigos.
Ainda pelo desenho artístico é possível conhecer a técnica de representar desses povos.

Detalhes dos desenhos das cavernas Representação egípcia do túmulo do


de Skavberg, Noruega escriba Nakht 14 a.C.
Atualmente existem muitas formar de representar tecnicamente um objeto. Essas
formas foram criadas com o correr do tempo, à medida que o homem desenvolvia seu modo
de vida. Uma dessas formas é a perspectiva.

Perspectiva é a técnica de representar objetos e situações como eles são vistos na


realidade, de acordo com sua posição, forma e tamanho.

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Pela perspectiva pode-se também ter a idéia do comprimento, da largura e da altura


daquilo que é representado.

Você deve ter notado que essas representações foram feitas de acordo com a
posição de quem desenhou.

Também foram resguardadas as formas e as proporções do que foi representado.

O desenho técnico é assim chamado por ser um tipo de representação usado por
profissionais de uma mesma área: mecânica, marcenaria, serralharia, etc.

Ele surgiu da necessidade de representar com precisão máquinas, peças,


ferramentas e outros instrumentos de trabalho.

No decorrer da apostila, você aprenderá outras aplicações do desenho técnico.

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Materiais e instrumentos de
desenho

O conhecimento do material de desenho técnico e os cuidados com ele são


fundamentais para a execução de um bom trabalho. A maneira correta de utilizar esse
material também, pois as qualidades e defeitos adquiridos pelo estudante, no primeiro
momento em que começa a desenhar, poderão refletir-se em toda a sua vida profissional.

Os principais materiais de desenho técnico são:

 O papel;
 O lápis;
 A borracha;
 A régua.

O papel

O papel é um dos componentes básicos do material de desenho. Ele tem formato


básico, padronizado pela ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas). Esse formato
é o A0 (A zero) do qual derivam outros formatos.

Formatos da série “A” (Unidade: mm)


Formato Dimensão Margem direita Margem esquerda

A0 841 x 1.189 10 25

A1 594 x 841 10 25

A2 420 x 594 7 25

A3 297 x 420 7 25

A4 210 x 297 7 25

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O formato básico A0 tem área de 1m2 e seus lados medem 841mm x 1.189mm.

Do formato básico derivam os demais formatos.

Quando o formato do papel é maior que A4, é necessário fazer o dobramento para
que o formato final seja A4.

Dobramento

Efetua-se o dobramento a partir do lado d (direito), em dobras verticais de 185mm. A


parte a é dobrada ao meio.

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O Lápis

O lápis é um instrumento de desenho para traçar. Ele tem características especiais e


não pode ser confundido com o lápis usado para fazer anotações costumeiras.

Características e denominações dos lápis

Os lápis são classificados em macios, médios e duros conforme a dureza das


grafitas. Eles são denominados por letras ou numerais e letras.

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A ponta do lápis deve ter entre 4 e 7mm de grafita descoberta e 18mm de madeira
em forma de cone.

A borracha

A borracha é um instrumento de desenho que serve para apagar. Ela deve ser
macia, flexível e ter as extremidades chanfradas para facilitar o trabalho de apagar.

A maneira correta de apagar é fixar o papel com uma mão e com a outra esfregar a
borracha nos dois sentidos sobre o que se quer apagar.

A régua

A régua é um instrumento de desenho que serve para medir o modelo e transportar


as medidas obtidas no papel.

A unidade de medida utilizada em desenho técnico, em geral, é o milímetro.

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Construções geométricas

Estudadas as características dos instrumentos de desenho técnico, é possível


executar os traçados, desenvolvendo as construções geométricas e planificação.

Para aprender as construções geométricas é necessário estudar os conceitos de:

 Retas perpendiculares;
 Retas paralelas;
 Mediatriz;
 Bissetriz;
 Polígonos regulares;
 Linhas tangentes;
 Concordância.

Duas retas são perpendiculares quando são concorrentes e formam quatro ângulos
retos.

Duas retas são paralelas quando estão no mesmo plano e não se cruzam.

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Mediatriz é uma reta perpendicular a um segmento de reta que divide este


segmento em duas partes iguais.

A reta m é a mediatriz do segmento de reta AB. Os segmentos da reta AM e MB têm


a mesma medida. O ponto M chama-se ponto médio do segmento de reta AB.

Bissetriz é uma semi-reta que tem origem no vértice de um ângulo e divide o ângulo
em duas partes iguais.

A semi-reta r é a bissetriz do ângulo A.

Polígono é toda figura plana fechada. Os polígonos regulares têm todos os lados
iguais e todos os ângulos iguais. O polígono regular é inscrito quando desenhado com os
vértices numa circunferência.

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Linhas tangentes são linhas que têm só um ponto em comum e não se cruzam. O
ponto comum às duas linhas é chamado ponto de tangência.

Os centros das duas circunferências e o ponto de tangência ficam numa mesma


reta.

O raio da circunferência e a reta são perpendiculares no ponto de tangência.

Concordância de duas linhas é a ligação dessas duas linhas com um arco de


circunferência. A circunferência utilizada para fazer a ligação é tangente às duas linhas.

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Concordância de duas retas paralelas

Concordância de duas retas concorrentes

Concordância de uma circunferência com uma reta

Concordância de duas circunferências

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Perspectivas isométricas

Perspectiva é a maneira de representar objetos de acordo com sua posição, forma e


tamanho.

Existem vários tipos de perspectiva. Nesta apostila estudaremos apenas a


perspectiva isométrica.

A perspectiva isométrica mantém as mesmas medidas de comprimento, largura e


altura do objeto.

Para estudar a perspectiva isométrica é necessário conhecer ângulo e a maneira


como ela é representado.

Ângulo é a figura geométrica formada por duas semi-retas com a mesma origem.

O grau é cada uma das 360 partes em que a circunferência é dividida.

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A medida em graus é indicada por um numeral seguido do símbolo de grau. Veja


alguns exemplos.

Quarenta e cinco graus Noventa graus

Cento e vinte graus

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Nos desenhos em perspectiva isométrica, os três eixos isométricos (c, a, ) formam


entre si ângulos de 120º. Os eixos oblíquos formam com a horizontal ângulo de 30º.

Qualquer linha paralela a um eixo isométrico é chamada linha isométrica.

c, a, ℓ: eixos isométricos
d, e, f: linhas isométricas

Traçados da perspectiva isométrica do prisma

O prisma é usado como base para o traçado da perspectiva isométrica de qualquer


modelo.
No início, até você adquirir firmeza, o traçado deve ser feito sobre o reticulado. Veja
abaixo uma amostra de reticulado.

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Em primeiro lugar são traçados os eixos isométricos.

Em seguida, são marcadas nesses eixos as medidas de comprimento, largura e


altura do prisma;

Após isso, é traçada a face de frente do prisma, tomando-se como referência as


medidas do comprimento e da altura, marcadas nos eixos isométricos.

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Depois traçamos a face de cima do prisma tomando como referência as medidas do


comprimento e de largura, marcadas nos eixos isométricos.

Em seguida traçamos a face do lado do prisma tomando como referência as


medidas da largura e da altura marcada nos eixos isométricos.

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E, por último, para finalizar o traçado da perspectiva isométrica, são apagadas as


linha de construção e reforçado o contorno do modelo.

Traçado de perspectiva isométrica com detalhes paralelos

Traçado da perspectiva isométrica com detalhes oblíquos

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As linhas que não são paralelas aos eixos isométricos são chamadas linhas não-
isométricas.

Traçado da perspectiva isométrica com elementos arredondados

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Traçado da perspectiva isométrica do círculo

O círculo em perspectiva tem sempre a forma de elipse.

Círculo Círculo em perspectiva isométrica

Para representar a perspectiva isométrica do círculo, é necessário traçar antes um


quadrado auxiliar em perspectiva, na posição em que o círculo deve ser desenhado.

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Traçado da perspectiva isométrica do cilindro

Traçado da perspectiva isométrica do cone

Outros exemplos do traçado da perspectiva isométrica

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Projeção ortogonal

Em desenho técnico, projeção é a representação gráfica do modelo feita em um


plano. Existem várias formas de projeção. A ABNT adota a projeção ortogonal, por ser a
representação mais fiel à forma do modelo.

Para entender como é feita a projeção ortogonal, é necessário conhecer os


seguintes elementos: observador, modelo, e plano de projeção. Veja os exemplos a seguir:
neles, o modelo é representado por um dado.

Plano de projeção Modelo

Observador

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Observe a linha projetante. A


linha projetante é a linha
perpendicular ao plano de
projeção que sai do modelo e o
projeta no plano de projeção.

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Projeção em três planos

Unindo perpendicularmente três planos, temos a seguinte ilustração:

Cada plano recebe um nome de acordo com sua posição.

As projeções são chamadas vistas, conforme a ilustração a seguir.

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Rebatimento de três planos de projeção

Quando se tem a projeção ortogonal do modelo, o modelo não é mais necessário e


assim é possível rebater os planos de projeção.

Com o rebatimento, os planos de projeção, que estavam unidos perpendicularmente


entre si, aparecem em um único plano de projeção. Na página seguinte pode-se ver o
rebatimento dos planos de projeção, imaginado-se os planos de projeção ligados por
dobradiças.

Agora imagine que o plano de projeção vertical fica fixo e que os outros planos de
projeção giram um para baixo e outro para a direita.

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O plano de projeção que gira para baixo é o plano de projeção horizontal e o plano
de projeção que gira para a direita é plano de projeção lateral.

Planos de projeção rebatidos:

Agora é possível tirar os planos de projeção e deixar apenas o desenho das vistas
do modelo.

Na prática, as vistas do modelo aparecem sem os planos de projeção

As linhas projetantes auxiliares indicam a relação entre as vistas do desenho técnico.

Observação

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As linhas projetantes auxiliares não aparecem no desenho técnico do modelo. São


linhas imaginárias que auxiliam no estudo da teoria da projeção ortogonal.
Outro exemplo:

Dispondo as vistas alinhadas entre si, temos as projeções da peça formadas pela
vista frontal, vista superior e vista lateral esquerda.

Observação

Normalmente a vista frontal é a vista principal da peça.

As distâncias entre as vistas ser iguais e proporcionais ao tamanho do desenho.

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Linhas

Para desenhar as projeções são usados vários tipos de linhas. Vamos descrever
algumas delas.

Linha para arestas e contornos visíveis

É uma linha contínua larga que indica o contorno de modelos esféricos ou cilíndricos
e as arestas visíveis do modelo para o observador. Exemplo:

Aplicação

Linha para aresta e contornos não-visíveis

É uma linha tracejada que indica as arestas não-visíveis para o observador, isto é, as
arestas que ficam encobertas. Exemplo:

Aplicação

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Linha de centro

É uma linha estreita, formada por traços e pontos alternados, que indica o centro de
alguns elementos do modelo como furos, rasgos, etc. Exemplo:

Aplicação

Linha de simetria

É uma estreita formada por traços e pontos alternados. Ela indica que o modelo é
simétrico. Exemplo:

Modelo simétrico

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Imagine que este modelo é dividido ao meio, horizontal ou verticalmente.

Note que as metades do modelo são exatamente iguais: logo, o modelo é simétrico.

Aplicação

Quando o modelo é simétrico, em seu desenho técnico aparece a linha de simetria.

A linha de simetria indica que as metades do desenho técnico apresentam-se


simétricas em relação a essa linha.

A linha de simetria pode aparecer tanto na posição horizontal como na posição


vertical.

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No exemplo abaixo a peça é simétrica apenas em um sentido.

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Posição Ortogonal 1º Diedro

Exemplo

1º Diedro

O método de projeção ortogonal no 1º diedro é indicado, na legenda do desenho, pelo


símbolo:

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3º Diedro

O símbolo que indica o método de projeção ortogonal no 3º diedro é:

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Figuras Planificadas

Plano ou superfície plana

O plano também é chamado de superfície plana.

O plano não tem definição, mas é possível ter uma idéia do plano observando: o tampo de
uma mesa, uma parede ou o piso de uma sala.

É comum representar o plano da seguinte forma:

De acordo com sua posição no espaço, o plano pode ser:

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Figuras Planas

O plano não tem início nem fim: ele é ilimitado. Mas é possível tomar porções limitadas do
plano. Essas porções recebem o nome de figuras planas.

As figuras planas têm várias formas. O nome das figuras varia de acordo com sua forma:

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Caracteres normatizados

Caligrafia técnica são caracteres usados para escrever em desenho. A caligrafia


deve ser legível e facilmente desenhável.

A caligrafia técnica normalizada são letras e algarismos inclinados para a direita,


formando um ângulo de 75º com a linha horizontal.

Exemplo de letras maiúsculas

Exemplo de letras minúsculas

Exemplo de algarismos

Proporções

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Tolerância dimensional

Introdução

É muito difícil executar peças com as medidas rigorosamente exatas porque todo
processo de fabricação está sujeito a imprecisões. Sempre acontecem variações ou
desvios das cotas indicadas no desenho. Entretanto, é necessário que peças semelhantes,
tomadas ao acaso, sejam intercambiáveis, isto é, possam ser substituídas entre si, sem
que haja necessidade de reparos e ajustes. A prática tem demonstrado que as medidas das
peças podem variar, dentro de certos limites, para mais ou para menos, sem que isto
prejudique a qualidade. Esses desvios aceitáveis nas medidas das peças caracterizam o
que chamamos de tolerância dimensional, que é o assunto que você vai aprender nesta
aula.

As tolerâncias vêm indicadas, nos desenhos técnicos, por valores e símbolos


apropriados. Por isso, você deve identificar essa simbologia e também ser capaz de
interpretar os gráficos e as tabelas correspondentes.

As peças, em geral, não funcionam isoladamente. Elas trabalham associadas a outras


peças, formando conjuntos mecânicos que desempenham funções determinadas. Veja
um exemplo abaixo:

Num conjunto, as peças se ajustam, isto é, se encaixam umas nas outras de diferentes
maneiras e você também vai aprender a reconhecer os tipos de ajustes possíveis entre
peças de conjuntos mecânicos.

SENAI - SP 44
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No Brasil, o sistema de tolerâncias recomendado pela ABNT segue as normas


internacionais ISO (International Organization For Standardization ). A observância dessas
normas, tanto no planejamento do projeto como na execução da peça, é essencial para
aumentar a produtividade da indústria nacional e para tornar o produto brasileiro competitivo
em comparação com seus similares estrangeiros.

O que é tolerância dimensional

As cotas indicadas no desenho técnico são chamadas de dimensões nominais. É


impossível executar as peças com os valores exatos dessas dimensões porque vários fatores
interferem no processo de produção, tais como imperfeições dos instrumentos de medição e
das máquinas, deformações do material e falhas do operador. Então, procura-se determinar
desvios, dentro dos quais a peça possa funcionar corretamente. Esses desvios são
chamados de afastamentos.

Afastamentos

Os afastamentos são desvios aceitáveis das dimensões nominais, para mais ou menos,
que permitem a execução da peça sem prejuízo para seu funcionamento e
intercambiabilidade. Eles podem ser indicados no desenho técnico como mostra a ilustração
a seguir:

Neste exemplo, a dimensão nominal do diâmetro do pino é 20mm. Os afastamentos são:


+ 0,28mm (vinte e oito centésimos de milímetro) e + 0,18mm (dezoito centésimos de
milímetro). O sinal + (mais) indica que os afastamentos são positivos, isto é, que as
variações da dimensão nominal são para valores maiores.

O afastamento de maior valor (0,28 mm, no exemplo) é chamado de afastamento


superior; o de menor valor (0,18 mm) é chamado de afastamento inferior. Tanto um quanto
outro indicam os limites máximo e mínimo da dimensão real da peça.

SENAI - SP 45
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Somando o afastamento superior à dimensão nominal obtemos a dimensão máxima,


isto é, a maior medida aceitável da cota depois de executada a peça. Então, no exemplo
dado, a dimensão máxima do diâmetro corresponde a: 20mm + 0,28mm = 20,28mm.

Somando o afastamento inferior à dimensão nominal obtemos a dimensão mínima, isto


é, a menor medida que a cota pode ter depois de fabricada. No mesmo exemplo, a
dimensão mínima é igual a 20mm + 0,18mm, ou seja, 20,18mm.

Assim, os valores: 20,28mm e 20,18mm correspondem aos limites máximo e mínimo da


dimensão do diâmetro da peça.

Depois de executado, o diâmetro da peça pode ter qualquer valor dentro desses dois
limites.

A dimensão encontrada, depois de executada a peça, é a dimensão efetiva ou real; ela


deve estar dentro dos limites da dimensão máxima e da dimensão mínima.

Quando os dois afastamentos são positivos, a dimensão efetiva da peça é sempre maior
que a dimensão nominal. Entretanto, há casos em que a cota apresenta dois afastamentos
negativos, ou seja, as duas variações em relação à dimensão nominal são para menor, como
no próximo exemplo.

A cota Ø 16 apresenta dois afastamentos com sinal - (menos), o que indica que os
afastamentos são negativos: - 0,20 e - 0,41. Quando isso acontece, o afastamento superior
corresponde ao de menor valor numérico absoluto. No exemplo, o valor 0,20 é menor que
0,41; logo, o afastamento - 0,20 corresponde ao afastamento superior e - 0,41 corresponde
ao afastamento inferior.
Para saber qual a dimensão máxima que a cota pode ter basta subtrair o afastamento
superior da dimensão nominal. No exemplo: 16,00 - 0,20 = 15,80.

SENAI - SP 46
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Para obter a dimensão mínima você deve subtrair o afastamento inferior da dimensão
nominal. Então: 16,00 - 0,41 = 15,59. A dimensão efetiva deste diâmetro pode, portanto,
variar dentro desses dois limites, ou seja, entre 15,80 mm e 15,59 mm. Neste caso, de dois
afastamentos negativos, a dimensão efetiva da cota será sempre menor que a dimensão
nominal.

Há casos em que os dois afastamentos


têm sentidos diferentes, isto é, um é
positivo e o outro é negativo. Veja:

Quando isso acontece, o afastamento positivo sempre corresponde ao afastamento


superior e o afastamento negativo corresponde ao afastamento inferior.

Qualquer dimensão efetiva entre os afastamentos superior e inferior, inclusive a dimensão


máxima e a dimensão mínima, está dentro do campo de tolerância.

As tolerâncias de peças que funcionam em conjunto dependem da função que estas peças
vão exercer. Conforme a função, um tipo de ajuste é necessário. É o que você vai aprender a
seguir.

Ajustes

Para entender o que são ajustes precisamos antes saber o que são eixos e furos de
peças. Quando falamos em ajustes, eixo é o nome genérico dado a qualquer peça, ou parte
de peça, que funciona alojada em outra. Em geral, a superfície externa de um eixo trabalha
acoplada, isto é, unida à superfície interna de um furo. Veja, a seguir, um eixo e uma bucha.
Observe que a bucha está em corte para mostrar seu interior que é um furo.

SENAI - SP 47
Desenho Técnico

Eixos e furos de formas variadas podem funcionar ajustados entre si. Dependendo
da função do eixo, existem várias classes de ajustes. Se o eixo se encaixa no furo de modo
a deslizar ou girar livremente, temos um ajuste com folga.

Quando o eixo se encaixa no furo com certo esforço, de modo a ficar fixo, temos um
ajuste com interferência.

Existem situações intermediárias em que o eixo pode se encaixar no furo com folga ou
com interferência, dependendo das suas dimensões efetivas. É o que chamamos de ajuste
incerto.

Em geral, eixos e furos que se encaixam têm a mesma dimensão nominal. O que varia é o
campo de tolerância dessas peças.

O tipo de ajuste entre um furo e um eixo depende dos afastamentos determinados. A seguir,
você vai estudar cada classe de ajuste mais detalhadamente.

SENAI - SP 48
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Ajuste com folga

Quando o afastamento superior do eixo é menor ou igual ao afastamento inferior do furo,


temos um ajuste com folga. Acompanhe um exemplo:

Os diâmetros do furo e do eixo têm a mesma dimensão nominal: 25 mm. O afastamento


superior do eixo é - 0,20; a dimensão máxima do eixo é: 25 mm - 0,20 mm = 24,80 mm; a
dimensão mínima do furo é: 25,00 mm - 0,00 mm = 25,00 mm.

Portanto, a dimensão máxima do eixo (24,80 mm) é menor que a dimensão mínima do furo
(25,00 mm) o que caracteriza um ajuste com folga. Para obter a folga, basta subtrair a
dimensão do eixo da dimensão do furo. Neste exemplo, a folga é 25,00 mm - 24,80 mm =
0,20 mm.

Ajuste com interferência

Neste tipo de ajuste o afastamento superior do furo é menor ou igual ao afastamento inferior
do eixo. Veja:

Na cota do furo 25 00,21 , o afastamento superior é + 0,21; na cota do eixo: 25 +0,28


0,41
, o
afastamento inferior é + 0,28. Portanto, o primeiro é menor que o segundo, confirmando que
se trata de um ajuste com interferência.

SENAI - SP 49
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Para obter o valor da interferência, basta calcular a diferença entre a dimensão efetiva do
eixo e a dimensão efetiva do furo. Imagine que a peça pronta ficou com as seguintes
medidas efetivas: diâmetro do eixo igual a 25,28mm e diâmetro do furo igual a 25,21mm. A
interferência corresponde a: 25,28mm - 25,21mm = 0,07mm. Como o diâmetro do eixo é
maior que o diâmetro do furo, estas duas peças serão acopladas sob pressão.

Ajuste incerto.

É o ajuste intermediário entre o ajuste com folga e o ajuste com interferência. Neste caso, o
afastamento superior do eixo é maior que o afastamento inferior do furo, e o afastamento
superior do furo é maior que o afastamento inferior do eixo. Acompanhe o próximo exemplo
com bastante atenção.

Compare: o afastamento superior do eixo (+0,18) é maior que o afastamento inferior do furo
(0,00) e o afastamento superior do furo (+ 0,25) é maior que o afastamento inferior do eixo (+
0,02). Logo, estamos falando de um ajuste incerto.

Este nome está ligado ao fato de que não sabemos, de antemão, se as peças acopladas vão
ser ajustadas com folga ou com interferência. Isso vai depender das dimensões efetivas do
eixo e do furo.

AJUSTES RECOMENDADOS

SENAI - SP 50
Desenho Técnico

ORDINÁRIAMECÂNICA
MÉDIAMECÂNICA
PRECISOEXTRA

MECÂNICA PRECISA
TIPO EXEMPLO EXEMPLO
DE DE DE
AJUSTE AJUSTE APLICAÇÃO

Peças cujos funcio-


namentos necessi-
LIVRE H6 e 7 H7 e7 tam de folga por força de
H8 e9 H11 a11
H7 e 8 dilatação, mau alinhamento,

Montagem à mão, com facilidade etc.

Peças que giram


ou deslizam com
ROTATIVO H10 d10
H6 f 6 H7 f 7 H8 f 8 boa lubrificação.
H11 d11
Ex.: eixos, mancais,
Montagem à mão podendo girar sem etc.
esforço

Peças que desli-


zam ou giram com
DESLIZANTE H6 g 5 H8 g 8 H10 h10 grande precisão.
H7 g 6
H8 h 8 H11 h11 Ex.: anéis de rola-
mentos, corrediças,
Montagem à mão
etc.
com leve pressão
Encaixes fixos de
precisão, órgãos
DESLIZANTE
lubrificados deslo-
JUSTO H6 h 5 H7 h 6
cáveis à mão.
Montagem à mão, porém neces- Ex.: punções, guias,
sitando de algum esforço etc.

Órgãos que neces-


ADERENTE sitam de frequen-
FORÇADO tes desmontagens.
H6 j 5 H7 j 6
LEVE Ex.: polias, engre-
Montagem com nagens, rolamen-
auxílio de martelo tos, etc.

Órgãos possíveis
FORÇADO de montagens e
H6 m 5
DURO H7 m 6 desmontagens
sem deformação
Montagem com das peças.
auxilio de martelo pesado

À Peças impossíveis
PRESSÃO de serem desmon-
COM H6 p 5 H7 p 6 tadas sem defor-
ESFORÇO mação.
Montagem com auxílio de Ex.: buchas à pres-
balancim ou por dilatação são, etc.

SENAI - SP 51
Desenho Técnico

Tolerância geométrica

Introdução

A execução da peça dentro da tolerância dimensional não garante, por si só, um


funcionamento adequado. Veja um exemplo.

A figura da esquerda mostra o desenho técnico de um pino, com indicação das tolerâncias
dimensionais. A figura da direita mostra como ficou a peça depois de executada, com a
indicação das dimensões efetivas.

Note que, embora as dimensões efetivas do pino estejam de acordo com a tolerância
dimensional especificada no desenho técnico, a peça real não é exatamente igual à peça
projetada. Pela ilustração você percebe que o pino está deformado.

Não é suficiente que as dimensões da peça estejam dentro das tolerâncias dimensionais
previstas. É necessário que as peças estejam dentro das formas previstas para poderem
ser montadas adequadamente e para que funcionem sem problemas. Do mesmo modo que
é praticamente impossível obter uma peça real com as dimensões nominais exatas,
também é muito difícil obter uma peça real com formas rigorosamente idênticas às da peça
projetada. Assim, desvios de formas dentro de certos limites não chegam a prejudicar o
bom funcionamento das peças.

Quando dois ou mais elementos de uma peça estão associados, outro fator deve ser
considerado: a posição relativa desses elementos entre si.

SENAI - SP 52
Desenho Técnico

As variações aceitáveis das formas e das posições dos elementos na execução da peça
constituem as tolerâncias geométricas.

Interpretar desenhos técnicos com indicações de tolerâncias geométricas é o que você vai
aprender nesta aula. Como se trata de um assunto muito complexo, será dada apenas uma
visão geral, sem a pretensão de esgotar o tema. O aprofundamento virá com muito estudo e
com a prática profissional.

Tolerâncias de forma

As tolerâncias de forma são os desvios que um elemento pode apresentar em relação à sua
forma geométrica ideal. As tolerâncias de forma vêm indicadas no desenho técnico para
elementos isolados, como por exemplo, uma superfície ou uma linha. Acompanhe um
exemplo, para entender melhor.

Analise as vistas: frontal e lateral esquerda do modelo prismático abaixo. Note que a superfície
S, projetada no desenho, é uma superfície geométrica ideal plana.

Após a execução, a superfície real da peça S’ pode não ficar tão plana como a superfície
ideal S. Entre os desvios de planeza, os tipos mais comuns são a concavidade e a
convexidade.

Forma real côncava

SENAI - SP 53
Desenho Técnico

Forma real convexa

A tolerância de planeza corresponde à distância t entre dois planos ideais imaginários,


entre os quais deve encontrar-se a superfície real da peça.

No desenho anterior, o espaço situado entre os dois planos paralelos é o campo de


tolerância.

Nos desenhos técnicos, a indicação da tolerância de planeza vem sempre precedida do


seguinte símbolo: .

Um outro tipo de tolerância de forma de superfície é a tolerância de cilindricidade.

Quando uma peça é cilíndrica, a forma real da peça fabricada deve estar situada entre as
superfícies de dois cilindros que têm o mesmo eixo e raios diferentes.

SENAI - SP 54
Desenho Técnico

No desenho acima, o espaço entre as superfícies dos cilindros imaginários representa o


campo de tolerância. A indicação da tolerância de cilindricidade, nos desenhos técnicos, vem
precedida do seguinte símbolo:

Finalmente, a superfície de uma peça pode apresentar uma forma qualquer. A tolerância de
forma de uma superfície qualquer é definida por uma esfera de diâmetro t, cujo centro
movimenta-se por uma superfície que tem a forma geométrica ideal. O campo de tolerância é
limitado por duas superfícies tangentes à esfera t, como mostra o desenho a seguir.

A tolerância de forma de uma superfície qualquer vem


precedida, nos desenhos técnicos, pelo símbolo: .

Resolva um exercício, antes de prosseguir.

Até aqui você ficou conhecendo os símbolos indicativos de tolerâncias de forma de


superfícies. Mas, em certos casos, é necessário indicar as tolerâncias de forma de linhas.

SENAI - SP 55
Desenho Técnico

São três os tipos de tolerâncias de forma de linhas: retilineidade, circularidade e linha


qualquer.

A tolerância de retilineidade de uma linha ou eixo depende da forma da peça à qual a linha
pertence.

Quando a peça tem forma cilíndrica, é importante determinar a tolerância de retilineidade em


relação ao eixo da parte cilíndrica. Nesses casos, a tolerância de retilineidade é determinada
por um cilindro imaginário de diâmetro t , cujo centro coincide com o eixo da peça.

Nos desenhos técnicos, a tolerância de retilineidade de linha é indicada pelo símbolo: ,


como mostra o desenho abaixo.

Quando a peça tem a forma cilíndrica, o campo de tolerância de retilineidade também tem a
forma cilíndrica. Quando a peça tem forma prismática com seção retangular, o campo de
tolerância de retilineidade fica definido por um paralelepípedo imaginário, cuja base é
formada pelos lados t1 e t2.

SENAI - SP 56
Desenho Técnico

No caso das peças prismáticas a indicação de tolerância de retilineidade também é feita pelo
símbolo: que antecede o valor numérico da tolerância.

Em peças com forma de disco, cilindro ou cone pode ser necessário determinar a tolerância
de circularidade.

A tolerância de circularidade é determinada por duas circunferências que têm o mesmo


centro e raios diferentes. O centro dessas circunferências é um ponto situado no eixo da
peça.

O campo de tolerância de circularidade corresponde ao espaço t entre as duas


circunferências, dentro do qual deve estar compreendido o contorno de cada seção da
peça.

Nos desenhos técnicos, a indicação da tolerância de circularidade vem precedida do


símbolo:

SENAI - SP 57
Desenho Técnico

Finalmente, há casos em que é necessário determinar a tolerância de forma de uma linha


qualquer. A tolerância de um perfil ou contorno qualquer é determinada por duas linhas
envolvendo uma circunferência de diâmetro t cujo centro se desloca por uma linha que tem o
perfil geométrico desejado.

Note que o contorno de cada seção do perfil deve estar compreendido entre duas linha
paralelas, tangentes à circunferência.
A indicação da tolerância de forma de uma linha qualquer vem precedida do símbolo: .

Cuidado para não confundir os símbolos! No final desta aula, você encontrará um quadro
com o resumo de todos os símbolos usados em tolerâncias geométricas. Estude-o com
atenção e procure memorizar todos os símbolos aprendidos.

Tolerâncias de orientação

Quando dois ou mais elementos são associados pode ser necessário determinar a
orientação precisa de um em relação ao outro para assegurar o bom funcionamento do
conjunto.
Veja um exemplo.

SENAI - SP 58
Desenho Técnico

O desenho técnico da esquerda mostra que o eixo deve ser perpendicular ao furo. Observe,
no desenho da direita, como um erro de perpendicularidade na execução do furo afeta de
modo inaceitável a funcionalidade do conjunto. Daí a necessidade de se determinarem, em
alguns casos, as tolerâncias de orientação. Na determinação das tolerâncias de orientação
geralmente um elemento é escolhido como referência para indicação das tolerâncias dos
demais elementos.

O elemento tomado como referência pode ser uma linha, como por exemplo, o eixo de uma
peça. Pode ser, ainda, um plano, como por exemplo, uma determinada face da peça. E pode
ser até mesmo um ponto de referência, como por exemplo, o centro de um furo. O elemento
tolerado também pode ser uma linha, uma superfície ou um ponto.
As tolerâncias de orientação podem ser de: paralelismo, perpendicularidade e inclinação.

Tolerância de paralelismo
Observe o desenho técnico abaixo.

Nesta peça, o eixo do furo superior deve ficar paralelo ao eixo do furo inferior, tomado como
referência. O eixo do furo superior deve estar compreendido dentro de uma zona cilíndrica
de diâmetro t, paralela ao eixo do furo inferior, que constitui a reta de referência.

SENAI - SP 59
Desenho Técnico

Na peça do exemplo anterior, o elemento tolerado foi uma linha reta: o eixo do furo superior.
O elemento tomado como referência também foi uma linha: o eixo do furo inferior. Mas, há
casos em que a tolerância de paralelismo de um eixo é determinada tomando-se como
referência uma superfície plana.

Qualquer que seja o elemento tolerado e o elemento de referência, a indicação de


tolerância de paralelismo, nos desenhos técnicos, vem sempre precedida do símbolo: .

Tolerância de perpendicularidade

Observe o desenho abaixo.

Nesta peça, o eixo do furo vertical B deve ficar perpendicular ao eixo do furo horizontal C.
Portanto, é necessário determinar a tolerância de perpendicularidade de um eixo em
relação ao outro.

Tomando como reta de referência o eixo do furo C, o campo de tolerância do eixo do furo B
fica limitado por dois planos paralelos, distantes entre si uma distância t e perpendiculares à
reta de referência.

SENAI - SP 60
Desenho Técnico

Dependendo da forma da peça, pode ser mais conveniente indicar a tolerância de


perpendicularidade de uma linha em relação a um plano de referência.

Nos desenhos técnicos, a indicação das tolerâncias de perpendicularidade vem precedida do


seguinte símbolo: .

Tolerância de inclinação

O furo da peça representada a seguir deve ficar inclinado em relação à base.

Para que o furo apresente a inclinação correta é necessário determinar a tolerância de


inclinação do eixo do furo. O elemento de referência para determinação da tolerância, neste
caso, é o plano da base da peça. O campo de tolerância é limitado por duas retas paralelas,
distantes entre si uma distância t, que formam com a base o ângulo de inclinação
especificado  .

SENAI - SP 61
Desenho Técnico

Em vez de uma linha, como no exemplo anterior, o elemento tolerado pode ser uma
superfície.

Nos desenhos técnicos, a indicação de tolerância de inclinação vem precedida do símbolo:


.

Tolerância de posição

Quando tomamos como referência a posição, três tipos de tolerância devem ser
considerados: de localização; de concentricidade e de simetria.

Saiba como identificar cada um desses tipos de tolerância acompanhando com atenção as
próximas explicações.

Tolerância de localização

Quando a localização exata de um elemento, como por exemplo: uma linha, um eixo ou
uma superfície, é essencial para o funcionamento da peça, sua tolerância de localização
deve ser determinada. Observe a placa com furo, a seguir.

Como a localização do furo é importante, o eixo do furo deve ser tolerado. O campo de
tolerância do eixo do furo é limitado por um cilindro de diâmetro t. O centro deste cilindro
coincide com a localização ideal do eixo do elemento tolerado.

SENAI - SP 62
Desenho Técnico

A indicação da tolerância de localização, nos desenhos técnicos, é antecedida pelo


símbolo: .

Tolerância de concentricidade ou coaxialidade

Quando duas ou mais figuras geométricas planas regulares têm o mesmo centro, dizemos
que elas são concêntricas. Quando dois ou mais sólidos de revolução têm o eixo comum,
dizemos que eles são coaxiais. Em diversas peças, a concentricidade ou a coaxialidade de
partes ou de elementos, é condição necessária para seu funcionamento adequado. Mas,
determinados desvios, dentro de limites estabelecidos, não chegam a prejudicar a
funcionalidade da peça. Daí a necessidade de serem indicadas as tolerâncias de
concentricidade ou de coaxialidade. Veja a peça abaixo, por exemplo:

Essa peça é composta por duas partes de diâmetros diferentes. Mas, os dois cilindros que
formam a peça são coaxiais, pois têm o mesmo eixo. O campo de tolerância de
coaxialidade dos eixos da peça fica determinado por um cilindro de diâmetro t cujo eixo
coincide com o eixo ideal da peça projetada.

SENAI - SP 63
Desenho Técnico

A tolerância de concentricidade é identificada, nos desenhos técnicos, pelo símbolo: .

Tolerância de simetria

Em peças simétricas é necessário especificar a tolerância de simetria. Observe a peça a


seguir, representada em perspectiva e em vista única:

Preste atenção ao plano que divide a peça em duas partes simétricas. Na vista frontal, a
simetria vem indicada pela linha de simetria que coincide com o eixo da peça. Para
determinar a tolerância de simetria, tomamos como elemento de referência o plano médio
ou eixo da peça. O campo de tolerância é limitado por dois planos paralelos, equidistantes
do plano médio de referência, e que guardam entre si uma distância t. É o que mostra o
próximo desenho.

Nos desenhos técnicos, a indicação de tolerância de simetria vem precedida pelo símbolo:

Tolerância de batimento

Quando um elemento dá uma volta completa em torno de seu eixo de rotação, ele pode
sofrer oscilação, isto é, deslocamentos em relação ao eixo. Dependendo da função do
elemento, esta oscilação tem de ser controlada para não comprometer a funcionalidade da
peça. Por isso, é necessário que sejam determinadas as tolerâncias de batimento, que

SENAI - SP 64
Desenho Técnico

delimitam a oscilação aceitável do elemento. As tolerâncias de batimento podem ser de dois


tipos: axial e radial.

Axial, você já sabe, refere-se a eixo. Batimento axial quer dizer balanço no sentido do eixo.
O campo de tolerância, no batimento axial, fica delimitado por dois planos paralelos entre si,
a uma distância t e que são perpendiculares ao eixo de rotação.

O batimento radial, por outro lado, é verificado em relação ao raio do elemento, quando o
eixo der uma volta completa. O campo de tolerância, no batimento radial é delimitado por um
plano perpendicular ao eixo de giro que define dois círculos concêntricos, de raios diferentes.
A diferença t dos raios corresponde à tolerância radial.

As tolerâncias de balanço são indicadas, nos desenhos técnicos,


precedidas do símbolo:

Indicações de tolerâncias geométricas em desenhos técnicos

Nos desenhos técnicos, as tolerâncias de forma, de orientação, de posição e de batimento


são inscritas em quadros retangulares divididos em duas ou três partes, como mostra o
desenho abaixo:

SENAI - SP 65
Desenho Técnico

Observe que o quadro de tolerância aparece ligado ao elemento que se deseja verificar por
uma linha de marcação terminada em seta.

Veja, no detalhe do desenho, reproduzido a seguir, que a seta termina no contorno ou numa
linha de prolongamento se a tolerância é aplicada numa superfície, como neste exemplo.

Mas, quando a tolerância é aplicada a um eixo, ou ao plano


médio da peça, a indicação é feita na linha auxiliar, no
prolongamento da linha de cota, ou diretamente sobre o eixo
tolerado. Veja, no desenho ao lado, essas duas formas de
indicação.

Os elementos de referência são indicados por uma linha que termina por um triângulo cheio.
A base deste triângulo é apoiada sobre o contorno do elemento ou sobre o prolongamento do
contorno do elemento.

No exemplo acima, o elemento de referência é uma superfície. Mas, o elemento de


referência pode ser, também, um eixo ou um plano médio da peça. Quando o elemento de
referência é um eixo ou um plano médio, a base do triângulo se apoia sobre a linha auxiliar,

SENAI - SP 66
Desenho Técnico

no prolongamento da linha de cota ou diretamente sobre o eixo ou plano médio de


referência.

Agora, vamos analisar o conteúdo do quadro dividido em duas partes. No primeiro


quadrinho, da esquerda para a direita, vem sempre indicado o tipo de tolerância. No
quadrinho seguinte, vem indicado o valor da tolerância, em milímetros:

No exemplo acima, o símbolo: indica que se trata de tolerância de retilineidade de linha.


O valor 0,1 indica que a tolerância de retilineidade, neste caso, é de um décimo de milímetro.

Às vezes, o valor da tolerância vem precedido do símbolo indicativo de diâmetro:  como no


próximo exemplo.

SENAI - SP 67
Desenho Técnico

Aqui temos um caso de tolerância de forma: o símbolo indica tolerância de retilineidade


de linha. Observe o símbolo  antes do valor da tolerância 0,03. Quando o valor da
tolerância vem após o símbolo  isto quer dizer que o campo de tolerância correspondente
pode ter a forma circular ou cilíndrica.

Quando a tolerância deve ser verificada em relação a determinada extensão da peça, esta
informação vem indicada no segundo quadrinho, separada do valor da tolerância por uma
barra inclinada (/) . Veja, no próximo desenho:

A tolerância aplicada nesta peça é de retilineidade de linha. O valor da tolerância é de 0,1, ou


seja, um décimo de milímetro. O número 100, após o valor da tolerância, indica que sobre
uma extensão de 100 mm, tomada em qualquer parte do comprimento da peça, o eixo real
deve ficar entre duas retas paralelas, distantes entre si 0,1 mm.

Os casos estudados até agora apresentavam o quadro de tolerância dividido em duas partes.
Agora você vai aprender a interpretar a terceira parte do quadro:

A letra identifica o elemento de referência, que, neste exemplo, é o eixo do furo


horizontal. Esta mesma letra A aparece no terceiro quadrinho, para deixar clara a
associação entre o elemento tolerado e o elemento de referência. O símbolo no
quadrinho da esquerda, refere-se à tolerância de perpendicularidade. Isso significa que,
nesta peça, o furo vertical, que é o elemento tolerado, deve ser perpendicular ao furo
horizontal. O quadrinho é ligado ao elemento a que se refere pela linha que termina em
um triângulo cheio. O valor da tolerância é de 0,05 mm.

SENAI - SP 68
Desenho Técnico

Nem sempre, porém, o elemento de referência vem identificado pela letra maiúscula. Às
vezes, é mais conveniente ligar diretamente o elemento tolerado ao elemento de referência.
Veja.

O símbolo indica que se trata de tolerância de paralelismo. O valor da tolerância é de 0,01


mm. O triângulo cheio, apoiado no contorno do bloco, indica que a base da peça está sendo
tomada como elemento de referência. O elemento tolerado é o eixo do furo horizontal,
paralelo ao plano da base da peça.

Acompanhe a interpretação de mais um exemplo de desenho técnico com aplicação de


tolerância geométrica.

Aqui, o elemento tolerado é o furo. O símbolo indica que se trata de tolerância de


localização. O valor da tolerância é de 0,06 mm. O símbolo  antes do valor da tolerância
indica que o campo de tolerância tem a forma cilíndrica. As cotas e são cotas de
referência para localização do furo. As cotas de referência sempre vêm inscritas em
retângulos.

Finalmente, observe dois exemplos de aplicação de tolerância de batimento:

SENAI - SP 69
Desenho Técnico

No desenho da esquerda temos uma indicação de batimento axial. Em uma volta completa
em torno do eixo de referência A, o batimento da superfície tolerada não pode se deslocar
fora de duas retas paralelas, distantes entre si de 0,1 mm e perpendiculares ao eixo da peça.
No desenho da direita o batimento é radial em relação a dois elementos de referência: A e B.
Isto quer dizer que durante uma volta completa em torno do eixo definido por A e B, a
oscilação da parte tolerada não pode ser maior que 0,1 mm.

SENAI - SP 70
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SENAI - SP 71
Desenho Técnico

Estado de superfície

O desenho técnico, além de mostrar s formas e as dimensões das peças, precisa conter
outras informações para representá-las fielmente. Uma dessas informações é a indicação
dos estados das superfícies das peças.

Acabamento

Acabamento é o grau de rugosidade observado na superfície da peça. As superfícies


apresentam-se sob diversos aspectos, a saber: em bruto, desbastadas, alisadas e polidas.

Superfície em bruto é aquela que não é usinada, mas limpa com a eliminação de rebarbas
e saliências.

Superfície desbastada é aquela em que os sulcos deixados pela ferramenta são bastante
visíveis, ou seja, a rugosidade é facilmente percebida.

SENAI - SP 72
Desenho Técnico

Superfície alisada é aquela em que os sulcos deixados pela ferramenta são pouco visíveis,
sendo a rugosidade pouco percebida.

Superfície polida é aquela em que os sulcos deixados pela ferramenta são imperceptíveis,
sendo a rugosidade detectada somente por meio de aparelhos.

Os graus de acabamento das superfícies são representados pelos símbolos indicativos de


rugosidade da superfície, normalizados pela norma NBR 8404 da ABNT, baseada na norma
ISO 1302.

SENAI - SP 73
Desenho Técnico

Os graus de acabamento são obtidos por diversos processos de trabalho e dependem das
modalidades de operações e das características dos materiais adotados.

Rugosidade
Com a evolução tecnológica houve a necessidade de se aprimorarem as indicações dos
graus de acabamento de superfícies. Com a criação de aparelhos capazes de medir a
rugosidade superficial em m (micrometro: 1m = 0,001mm), as indicações dos
acabamentos de superfícies passaram a ser representadas por classes de rugosidade.

Rugosidade são erros microgeométricos existentes nas superfícies das peças.

A norma da ABNT NBR 8404 normaliza a indicação do estado de superfície em desenho


técnico por meio de símbolos.

Símbolo sem indicação de rugosidade

Símbolo Significado
Símbolo básico. Só pode ser usado quando seu significado for
complementado por uma indicação.

Caracterização de uma superfície usinada sem maiores detalhes.

Caracteriza uma superfície na qual a remoção de material não é


permitida e indica que a superfície deve permanecer no estado
resultante de um processo de fabricação anterior, mesmo se esta
tiver sido obtida por usinagem ou outro processo qualquer.

Símbolos com indicação da característica principal da rugosidade de Ra

SENAI - SP 74
Desenho Técnico

Símbolo Significado
A remoção do material
é facultativa é exigida não é permitida
Superfície com uma
rugosidade de um valor
máximo:
Ra = 3,2m
Superfície com uma
rugosidade de um
valor:
máximo: Ra = 6,3m
mínimo: Ra = 1,6m

Símbolos com indicações complementares

Estes símbolos podem ser combinados entre si ou com os símbolos apropriados.

Símbolo Significado

Processo de fabricação: fresar

Comprimento de amostragem: 2,5mm

Direção das estrias: perpendicular ao plano


de projeção da vista

Sobremetal para usinagem: 2mm

Indicação (entre parênteses) de um outro


parâmetro de rugosidade diferent4e de Ra,
por exemplo Rt = 0,4m.

Símbolos para direção de estrias


Quando houver necessidade de definir a direção das estrias, isto é, a direção predominante
das irregularidades da superfície, deve ser utilizado um símbolo adicional ao símbolo do
estado de superfície.

SENAI - SP 75
Desenho Técnico

A tabela abaixo caracteriza as direções das estrias e os símbolos correspondentes.

Símbolos para direção das estrias


Símbolo Interpretação

Paralela ao plano de projeção da vista


sobre o qual o símbolo é aplicado.

Perpendicular ao plano de projeção da


vista sobre o qual o símbolo é aplicado.

Cruzadas em duas direções oblíquas em


relação ao plano de projeção da vista
sobre o qual o símbolo é aplicado.

Muitas direções.

Aproximadamente central em relação ao


ponto médio da superfície ao qual o
símbolo é referido.

Aproximadamente radial em relação ao


ponto médio da superfície ao qual o
símbolo é referido.

A ABNT adota o desvio médio aritmético (Ra) para determinar os valores da rugosidade, que
são representados por classes de rugosidade N1 a N12, correspondendo cada classe a
valor máximo em m, como se observa na tabela seguinte.
Tabela característica de rugosidade Ra
SENAI - SP 76
Desenho Técnico

Classe de rugosidade Desvio médio aritmético (Ra)


N12 50
N11 25
N10 12,5
N9 6,3
N8 3,2
N7 1,6
N6 0,8
N5 0,4
N4 0,2
N3 0,1
N2 0,05
N1 0,025

Exemplos de aplicação

Interpretação do exemplo a:
1 é o número da peça.
, ao lado do número da peça, representa o acabamento geral, com retirada de
material, válido para todas as superfícies.

N8 indica que a rugosidade máxima permitida no acabamento é de 3,2m (0,0032mm).

Interpretação do exemplo b:
2 é o número da peça.
SENAI - SP 77
Desenho Técnico

: o acabamento geral não deve ser indicado nas superfícies.

O símbolo significa que a peça deve manter-se sem a retirada de material.

e dentro dos parênteses devem ser indicados nas respectivas superfícies.

N6 corresponde a um desvio aritmético máximo de 0,8m (0,0008mm) e N9 corresponde a


um desvio aritmético máximo de 6,3m (0,0063mm).

Os símbolos e inscrições devem estar orientados de maneira que possam ser lidos tanto
com o desenho na posição normal, como pelo lado direito.

Se necessário, o símbolo pode ser interligado por meio de uma linha de indicação.

O símbolo deve ser indicado uma vez para cada superfície e, se possível, na vista que leva
a cota ou representa a superfície.

Qualidade da superfície de acabamento

SENAI - SP 78
Desenho Técnico

Informações complementares

SENAI - SP 79
Desenho Técnico

Interpretação:
4 é o número da peça.
, ao lado do número da peça, representa o acabamento geral, válido para todas as
superfícies sem indicação.

N11 indica que a rugosidade máxima permitida no acabamento é de 25m (0,025mm)

, representado dentro dos parênteses e nas superfícies que deverão ser usinadas,
indica rugosidade máxima permitida de 6,3m (0,0063mm).

indica superfície usinada com rugosidade máxima permitida de 0,4m (0,0004mm).

O símbolo dentro dos parênteses representa, de forma simplificada, todos os símbolos de


rugosidade indicados nas projeções:

SENAI - SP 80
Desenho Técnico

Disposição das indicações do estado de superfície no símbolo

Recartilhar

Recartilhar é uma operação mecânica executada por uma ferramenta chamada recartilha.
Essa ferramenta tem uma ou duas roldanas com dentes de aço temperado, que penetram
por meio de pressão na superfície do material e formam sulcos paralelos ou cruzados.

O recartilhamento permite, assim, melhor aderência manual e evita o deslizamento da mão


no manuseio de peças ou ferramentas, como punção, parafusos de aperto, etc.

Tipos de recartilhado

SENAI - SP 81
Desenho Técnico

As extremidades recartilhadas são sempre chanfradas a 45°.

Quando a superfície é muito grande, recomenda-se representar apenas uma parte


recartilhada.

Como o tipo de recartilhado já aparece no desenho, indica-se apenas o passo.

Tratamento

Tratamento é o processo que altera propriedades do material da peça: dureza,


maleabilidade, etc. Há ainda os tratamentos apenas superficiais: pintar, oxidar, etc.
Veja as indicações no desenho:

SENAI - SP 82
Desenho Técnico

SENAI - SP 83
Desenho Técnico

Cotagem

Cotagem é a indicação das medidas da peça em seu desenho. Para a cotagem de um


desenho são necessários três elementos:

Linhas de cota são linhas contínuas estreitas, com setas nas extremidades; nessas linhas
são colocadas as cotas que indicam as medidas da peça.

A linha auxiliar é uma linha contínua estreita que limita as linhas de cota.

Cotas são numerais que indicam as medidas básicas da peça e as medidas de seus
elementos. As medidas básicas são: comprimento, largura e altura.

SENAI - SP 84
Desenho Técnico

50 = comprimento
25 = largura
15= altura

Cuidados na cotagem

Ao cotar um desenho é necessário observar o seguinte:

Seta
errada
errada
errada
certa

SENAI - SP 85
Desenho Técnico

As cotas guardam uma pequena distância acima das linhas de cota. As linhas auxiliares
também guardam uma pequena distância das vistas do desenho técnico.

Em desenho mecânico, normalmente a unidade de medida usada é o milímetro (mm), e é


dispensada a colocação do símbolo junto à cota. Quando se emprega outra distinta do
milímetro (por exemplo, a polegada), coloca-se seu símbolo.

Observação
As cotas devem ser colocadas de modo que o desenho seja lido da esquerda para direita e
de baixo para cima, paralelamente à dimensão cotada.

Sempre que possível é bom evitar colocar cotas em linhas tracejadas.

SENAI - SP 86
Desenho Técnico

Cotas que indicam tamanho e cotas que indicam localização de elementos

Exemplo de peças com elementos.

Furo Saliência Rasgo passante Rasgo não passante

Para fabricar peças como essas é necessário interpretar, além das cotas básicas, as cotas
dos elementos.

A cota 9 indica a localização do furo em relação à altura da peça. A cota 12 indica a


localização do furo em relação ao comprimento da peça. As cotas 10 e 16 indicam o
tamanho do furo.

Cotagem de peças simétricas

A utilização de linha de simetria em peças simétricas facilita e simplifica a cotagem,


conforme os exemplos abaixo.

SENAI - SP 87
Desenho Técnico

Sem linha de simetria

Com linha de simetria

Seqüência de cotagem

SENAI - SP 88
Desenho Técnico

1o passo

2o passo

3o passo

SENAI - SP 89
Desenho Técnico

4o passo

Cotagem de diâmetro

Cotagem de raios

SENAI - SP 90
Desenho Técnico

Quando a linha de cota está na posição inclinada, a cota acompanha a inclinação para
facilitar a leitura.

Porém, é preciso evitar a disposição das linhas de cota entre os setores hachurados e
inclinados de cerca de 30º.

Cotagem de elementos esféricos

Elementos esféricos são elementos em forma de esfera.

A cotagem dos elementos esféricos é feita pela medida de seus diâmetros ou de seus raios.

ESF = Esférico
Ø = Diâmetro
R = Raio

SENAI - SP 91
Desenho Técnico

Cotagem de elementos angulares

Existem peças que têm elementos angulares. Elementos angulares são formados por
ângulos.

O ângulo é medido com o goniômetro pela sua abertura em graus.

O goniômetro é conhecido como transferidor.

A cotagem da abertura do elemento angular é feita em linha de cota curva, cujo centro é
vértice do ângulo cotado.

Uso de goniômetro (transferidor)

SENAI - SP 92
Desenho Técnico

Cotagem de ângulos em peças cilíndricas

SENAI - SP 93
Desenho Técnico

Cotagem de chanfros

Chanfro é a superfície oblíqua obtida pelo corte da aresta de duas superfície que se
encontram.

Existem duas maneiras pelas quais os chanfros aparecem cotados: por meio de cotas
lineares e por meio de cotas lineares e angulares.

As cotas lineares indicam medidas de comprimento, largura e altura.

As cotas angulares indicam medidas de abertura de ângulos.

Cotas lineares

SENAI - SP 94
Desenho Técnico

Cotas lineares e cotas angulares

Em peças planas ou cilíndricas, quando o chanfro está a 45º é possível simplificar a


cotagem.

Cotagem em espaços reduzidos

Para cotar em espaços reduzidos, é necessário colocar as cotas conforme os desenhos


abaixo. Quando não houver lugar para setas, estas substituídas por pequenos traços
oblíquos.

SENAI - SP 95
Desenho Técnico

Cotagem por faces de referência

Na cotagem por faces de referência as medidas da peça são indicadas a partir das faces.

Cotagem em paralelo Cotagem aditiva

A cotagem por faces de referência ou por elementos de referência pode ser executada
como cotagem em paralelo ou cotagem aditiva.

A cotagem aditiva é uma simplificação da cotagem em paralelo e pode ser utilizada onde há
limitação de espaço, desde que não haja problema de interpretação.

A cotagem aditiva em duas direções pode ser utilizada quando for vantajoso.

Cotagem aditiva em duas direções

SENAI - SP 96
Desenho Técnico

Cotagem por coordenadas

A cotagem aditiva em duas direções pode ser simplificada por cotagem por coordenadas. A
peça fica relacionada a dois eixos.

Fica mais prática indicar as cotas em uma tabela ao invés de indicá-la diretamente sobre a
peça.

X Y ø
1 8 8 4
2 8 38 4
3 22 15 5
4 22 30 3
5 35 23 6
6 52 8 4
7 52 38 4

SENAI - SP 97
Desenho Técnico

Cotagem por linhas básicas

Na cotagem por linha básica as medidas da peça são indicadas a partir de linhas.

Cotagem de furos espaçados igualmente

Existem peças com furos que têm a mesma distância entre seus centros, isto é, furos
espaçados igualmente.

A cotagem da distâncias entre centros de furos pode ser feita por cotas lineares e por cotas
angulares.

Cotagem linear

SENAI - SP 98
Desenho Técnico

Cotagem linear e angular

Quando não causarem dúvidas, o desenho e a cotagem podem ser simplificados.

Desenho e cotagem simplificados

SENAI - SP 99
Desenho Técnico

Desenho e cotagem simplificados

Indicações especiais
Cotagem de cordas, arcos e ângulos

As cotas de cordas, arcos e ângulos devem ser indicadas como nos exemplos abaixo.

Raio definido por outras cotas.


O raio deve ser indicado com o símbolo R sem cota quando o seu tamanho for definido por
outras cotas.

Cotas fora de escala


As cotas fora de escala nas linhas de cota sem interrupção devem ser sublinhadas com
linhas reta com a mesma largura da linha do algarismo.

SENAI - SP 100
Desenho Técnico

Cotagem de uma área ou comprimento limitado de uma superfície, para indicar uma
situação especial

A área ou o comprimento e sua localização são indicados por meio de linha traço e ponto,
desenhada adjacente à face corresponde.

Cotagem de peças com faces ou elementos inclinados

Existem peças que têm faces ou elementos inclinados.

Nos desenhos técnicos de peças com faces ou elementos inclinados, a relação de


inclinação deve estar indicada.

SENAI - SP 101
Desenho Técnico

A relação de inclinação 1:10 indica que cada 10 milímetros do comprimento da peça,


diminui-se um milímetro da altura.

Com a relação de inclinação vem indicada do desenho técnico, não é necessário que a
outra cota de altura da peça apareça.

Outros exemplos a seguir.

SENAI - SP 102
Desenho Técnico

Cotagem de peças cônicas ou com elementos cônicos

Existem peças cônicas ou com elemento cônicos.

Nos desenhos técnicos de peças como


estas, a relação de conicidade deve estar
indicada.

A relação de conicidade 1:20 indica que a


cada 20 milímetros do comprimento da
peça, diminui-se um milímetro do
diâmetro.

Outros exemplos:

SENAI - SP 103
Desenho Técnico

Escalas

Escala é a relação entre as medidas da peça e do desenho.


A escala é necessário porque nem sempre os desenhos industriais são do mesmo tamanho
das peças a serem produzidas.
Assim, quando se trata de uma peça muito grande, o desenho é feito em tamanho menor
com redução igual em todas as suas medidas.
Quando se trata de uma peça muito pequena, o desenho é feito em tamanho maior com
ampliação igual em todas as suas medidas.

Escalas usuais
Natural................... 1:1 (um por um)
Redução................ 1:2 - 1:5 - 1:10 - 1:20 - etc.
Ampliação.............. 2:1 - 5:1 - 10:1 - 20: 1 - etc.

Exemplos:
Desenho de um punção de bico em tamanho natural.

Desenho de um rodeiro de vagão, vinte vezes menor que o seu tamanho verdadeiro.

SENAI - SP 104
Desenho Técnico

Desenho de uma agulha de injeção, duas vezes maior que o seu tamanho verdadeiro.

Observação
A redução ou a ampliação só tem efeito para o traçado do desenho. As cotas não sofrem
alteração.

Escala de medidas angulares


Em medidas angulares não existe a redução ou ampliação, seja qual for a escala utilizada.

Observação: Os ângulos das peças permanecem sempre com as mesmas aberturas.

SENAI - SP 105
Desenho Técnico

Cortes

Introdução

Qualquer pessoa que já tenha visto um registro de gaveta, como o que é mostrado a seguir,
sabe que se trata de uma peça complexa, com muitos elementos internos.

Se fôssemos representar o registro de gaveta em vista frontal, com os recursos que


conhecemos até agora (linha contínua larga para arestas e contornos visíveis e linha
tracejada estreita para arestas e contornos não visíveis), a interpretação ficaria bastante
prejudicada, como mostra o desenho a seguir.

Analise novamente as duas figuras anteriores. Pela foto, você forma uma idéia do aspecto
exterior do objeto. Já a vista frontal mostra também o interior do objeto, por meio da linha

SENAI - SP 106
Desenho Técnico

tracejada estreita. Porém, com tantas linhas tracejadas se cruzando, fica difícil interpretar
esta vista ortográfica.

Para representar um conjunto complexo como esse, com muitos elementos internos, o
desenhista utiliza recursos que permitem mostrar seu interior com clareza.
As representações em corte são normalizadas pela ABNT, por meio da norma NBR 10.067 /
1987.

Corte

Cortar quer dizer dividir, secionar, separar partes de um todo. Corte é um recurso utilizado
em diversas áreas do ensino, para facilitar o estudo do interior dos objetos. Veja alguns
exemplos usados em Ciências.

Sem tais cortes, não seria possível analisar os detalhes internos dos objetos mostrados.
Em Mecânica, também se utilizam modelos representados em corte para facilitar o estudo de
sua estrutura interna e de seu funcionamento.

SENAI - SP 107
Desenho Técnico

Mas, nem sempre é possível aplicar cortes reais nos objetos, para seu estudo.

Em certos casos, você deve apenas imaginar que os cortes foram feitos. É o que acontece
em desenho técnico mecânico. Compare as representações a seguir.

Mesmo sem saber interpretar a vista frontal em corte, você deve concordar que a forma de
representação da direita é mais simples e clara do que a outra. Fica mais fácil analisar o
desenho em corte porque nesta forma de representação usamos a linha para arestas e
contornos visíveis em vez da linha para arestas e contornos não visíveis.

Na indústria, a representação em corte só é utilizada quando a complexidade dos detalhes


internos da peça torna difícil sua compreensão por meio da representação normal, como
você viu no caso do registro de gaveta.

Mas, para que você entenda bem o assunto, utilizaremos modelos mais simples que, na
verdade, nem precisariam ser representados em corte.

SENAI - SP 108
Desenho Técnico

Veja o exemplo:

Hachuras

Na projeção em corte, a superfície imaginaria cortada é preenchida com hachuras.

Hachuras são linhas estreitas que, além de representarem a superfície imaginada cortada,
mostram também os tipos de materiais.

O hachurado é traçado com inclinação de 45 graus.

SENAI - SP 109
Desenho Técnico

Para desenhar uma projeção em corte, é necessário indicar antes onde a peça será
imaginada cortada.

Essa indicação é feita por meio de setas e letras que mostram a posição do observador.

Corte na vista frontal (longitudinal)

Corte na vista superior (horizontal)

SENAI - SP 110
Desenho Técnico

Corte na vista lateral esquerda (transversal)

Observações:

SENAI - SP 111
Desenho Técnico

 A expressão Corte AA é colocada embaixo da vista hachurada.


 As vistas não atingidas pelo corte permanecem com todas as linhas.
 Na vista hachuradas, as tracejadas podem ser omitidas, desde que isso não dificulte a
leitura do desenho.

Mais de um corte no desenho técnico

Até aqui foi vista a representação de um só corte na mesma peça. Mas, às vezes, um só
corte não mostra todos os elementos internos da peça. Nesses casos é necessário
representar mais de um corte na mesma peça.

Exemplo de desenho em corte cotado

SENAI - SP 112
Desenho Técnico

Meio-corte

O meio-corte é empregado no desenho de peças simétricas no qual aparece somente meia-


vista em corte. O meio-corte apresenta a vantagem de indicar, em uma só vista, as partes
internas e externa da peça.

SENAI - SP 113
Desenho Técnico

Em peças com a linha de simetria vertical, o meio-corte é representado à direita da linha de


simetria, de acordo com a NBR 10067.

Na projeção da peça com aplicação de meio-corte, as linhas tracejadas devem ser omitidas
na parte não-cortada.

Meio-corte em vista única

Em peças com linha de simetria horizontal, o meio-corte é representado na parte inferior da


linha de simetria.

SENAI - SP 114
Desenho Técnico

Duas representações em meio-corte no mesmo desenho

Representação simplificada de vistas de peças simétricas

Nem sempre é necessário desenhar as peças simétricas de modo completo. A peça é


representada por uma parte do todo, e as linhas de simetria são identificadas com dois
traços curtos paralelos perpendicularmente às suas extremidades.

SENAI - SP 115
Desenho Técnico

Outro processo consiste em traçar as linhas da peça um pouco além da linha de simetria.

Meia-vista

SENAI - SP 116
Desenho Técnico

Para economia de espaço, desenha-se apenas a metade da vista simétrica.

Corte composto

SENAI - SP 117
Desenho Técnico

Corte passando por furos cilíndricos e por furo retangular

Corte parcial

É o corte usado quando é necessário mostrar apenas determinados detalhes internos na


projeção. Para limitar a parte cortada, usa-se a linha de ruptura (sinuosa estreita).

SENAI - SP 118
Desenho Técnico

SENAI - SP 119
Desenho Técnico

Seção

Sempre que necessário, usa-se a seção em desenho técnico para mostrar, de maneira
simples, a forma da peça no local secionado.

Nos desenhos abaixo, observe a diferença entre as representações em corte e em seção


respectivamente.

SENAI - SP 120
Desenho Técnico

Seção fora da vista com indicação

Seção fora da vista sem indicação


Outros exemplos:

SENAI - SP 121
Desenho Técnico

Seção sobreposta à vista

Outros exemplos:

Seção na interrupção da vista

SENAI - SP 122
Desenho Técnico

Exemplos de desenhos cotados, com seção e encurtamento

SENAI - SP 123
Desenho Técnico

Encurtamento

Quando o desenho técnico em escala de redução prejudica a interpretação dos elementos


da peça, usa-se a representação com encurtamento. Nesse tipo de representação imagina-
se a retirada de uma ou mais parte da peça

A representação com encurtamento é feita em peças longas com forma constante e em


peças que têm partes longas com forma constante.

Peças longas que têm forma constante

Peças que têm parte longa com forma constante

Imaginando o encurtamento

SENAI - SP 124
Desenho Técnico

Retira-se parte da peça,

e aproximam-se suas extremidades.

Conclusão (desenho técnico)

SENAI - SP 125
Desenho Técnico

Quando necessário, aplica-se mais de um encurtamento em um mesmo desenho ou em


mais de um sentido..

Há também outros casos de encurtamento usados para representar encurtamento em peças


cilíndricas ou cônicas.

Peça cônica Peça trapezoidal Peça cilíndrica

SENAI - SP 126
Desenho Técnico

SENAI - SP 127
Desenho Técnico

Omissão de corte

Introdução

Você já aprendeu muitas noções sobre corte: corte total, corte composto, meio-corte e corte
parcial. Você estudou também a representação em seção, que é semelhante à
representação em corte. E aprendeu como se interpretam desenhos técnicos com
representação de encurtamento, que também requer a imaginação de cortes na peça. Mas,
você ainda não viu tudo sobre cortes. Existe um outro assunto muito importante que você
vai aprender nesta aula.

Observe a vista em corte, representada a seguir. O desenho aparece totalmente hachurado


porque o corte atingiu totalmente as partes maciças da peça.

Agora, observe os dois modelos abaixo, representados em corte.

Qual destas duas peças corresponde à vista em corte anterior?

Como as áreas atingidas pelo corte são semelhantes, fica difícil, à primeira vista, dizer qual
das peças atingidas pelo corte está representada na vista hachurada. Para responder a essa
questão, você precisa, antes, estudar omissão de corte. Assim, ao final desta aula você
será capaz de: identificar elementos que devem ser representados com omissão de corte;

SENAI - SP 128
Desenho Técnico

identificar vistas ortográficas onde há representação com omissão de corte; e interpretar


elementos representados com omissão de corte.

Justificativa da omissão de corte

Omissão quer dizer falta, ausência. Nas representações com omissão de corte, as hachuras
são parcialmente omitidas.

Analisando o próximo exemplo, você vai entender as razões pelas quais certos elementos
devem ser representados com omissão de corte. Compare as duas escoras, a seguir.

A escora da esquerda é inteiramente sólida, maciça. Já a escora da direita, com nervura, tem
uma estrutura mais leve, com menos quantidade de partes maciças. Imagine as duas peças
secionadas no sentido longitudinal.

SENAI - SP 129
Desenho Técnico

Como você vê, as áreas atingidas pelo corte são semelhantes. Para diferenciar as vistas
ortográficas das duas peças, de modo a mostrar qual das duas tem estrutura mais leve, a
peça com nervura deve ser representada com omissão de corte. Veja.

Note que, embora a nervura seja uma parte maciça, ela foi representada no desenho técnico
sem hachuras. Na vista em corte, as hachuras da nervura foram omitidas.

Representando a nervura com omissão de corte não se fica com a impressão de que a peça
com nervura é tão maciça quanto a outra.

Elementos representados com omissão de corte

Apenas alguns elementos devem ser representados com omissão de corte, quando
secionados longitudinalmente. Esses elementos são indicados pela ABNT (NBR
10.067/1987).
Dentre os elementos que devem ser representados com omissão de corte você estudará,
nesta aula: nervuras, orelhas, braços de polias, dentes e braços de engrenagens.

Veja alguns exemplos de peças que apresentam esses elementos.

SENAI - SP 130
Desenho Técnico

Desenhos técnicos com omissão de corte

Vamos retomar o desenho da escora com nervura e analisar as suas vistas ortográficas.

O corte foi imaginado vendo-se a peça de frente. A vista onde o corte aparece representado
é a vista frontal. A nervura foi atingida pelo corte no sentido longitudinal. Na vista frontal,
a nervura está representada com omissão de corte. Abaixo da vista frontal vem o nome do
corte: Corte AA. O local por onde passa o plano de corte vem indicado na vista superior,
pela linha traço e ponto estreita, com traços largos nas extremidades. As setas apontam a
direção em que foi imaginado o corte. As letras, ao lado das setas, identificam o corte. A
vista lateral aparece representada normalmente, da maneira como é vista pelo observador.

Atenção para uma informação importante: a nervura só é representada com omissão de


corte quando é atingida pelo corte longitudinalmente.

Analise um outro exemplo. Observe a peça em perspectiva abaixo. Vamos imaginar que a
peça foi atingida por um plano de corte longitudinal vertical, para poder analisar as
nervuras.

SENAI - SP 131
Desenho Técnico

Numa representação normal de corte, toda a área maciça atingida pelo corte deveria ser
hachurada, como mostra o desenho a seguir.

Mas esta representação daria uma idéia falsa da estrutura da peça. Então, é necessário
imaginar a omissão de corte na nervura longitudinal.

Nas vistas ortográficas desta peça, a vista representada em corte é a vista frontal. Na vista
frontal, a nervura atingida longitudinalmente pelo corte é representada com omissão de corte.
A nervura transversal é representada hachurada.

Agora, imagine a mesma peça cortada ao meio por um plano de corte transversal.

SENAI - SP 132
Desenho Técnico

Neste caso, a vista atingida pelo corte é a lateral. A nervura longitudinal deve ser
representada hachurada, por que foi atingida pelo corte transversal. A nervura transversal
deve ser representada com omissão de corte. Observe, com atenção, as vistas ortográficas
da peça, cortada pelo plano transversal.

Analise uma outra possibilidade. Imagine a mesma peça cortada por um plano de corte
longitudinal horizontal.

Tanto a nervura longitudinal como a nervura transversal foram atingidas pelo corte no sentido
transversal. Então, não há necessidade de representar as nervuras com omissão de corte.
No desenho técnico, as duas nervuras devem ser hachuradas.

Outros casos de omissão de corte

Braços de polias também devem ser representados com omissão de corte. Veja um
exemplo, comparando as duas polias, representadas a seguir.

SENAI - SP 133
Desenho Técnico

Imagine as polias secionadas, como mostram as ilustrações.

Numa representação normal, as vistas das duas polias ficariam iguais. Veja.

Para diferenciar as representações das duas polias e para dar uma idéia mais real da
estrutura da peça, os braços da polia são representados com omissão de corte no desenho
técnico.

SENAI - SP 134
Desenho Técnico

Dentes e braços de engrenagens também devem ser representados com omissão de corte.
Engrenagem é um assunto que você vai estudar detalhadamente em outra aula. Agora, o
importante é analisar os dentes e os braços da engrenagem, que vem a seguir.

Veja a perspectiva de uma engrenagem e, ao lado, sua vista lateral em corte transversal.

Agora observe as vistas ortográficas da engrenagem.

Note que os braços e os dentes da engrenagem, apesar de serem partes maciças atingidas
pelo corte, não estão hachurados. Esses elementos estão representados com omissão de
corte.

Finalmente, veja a perspectiva de uma peça com nervura e orelha, e seu desenho técnico
mostrando esses elementos representados com omissão de corte.

SENAI - SP 135
Desenho Técnico

SENAI - SP 136
Desenho Técnico

SENAI - SP 137
Desenho Técnico

Componentes padronizados
de máquinas

Rosca

Rosca e o conjunto de reentrâncias e saliências, com perfil constante, em forma


helicoidal, que se desenvolvem. Externa ou internamente, ao redor de uma superfície
cilíndrica ou cônica.
As saliências são os filetes e as reentrâncias, os vãos.

SENAI - SP 138
Desenho Técnico

Caracteristicas das roscas


As características comuns a todas as roscas são: entrada, avanço e passo.

Entrada e o inicio da rosca. As roscas podem ter uma ou mais entradas. As roscas com
mais de uma entrada são usadas quando a necessário um avanço mais rápido do parafuso
na porca ou vice-versa.

Avanço (A) e a distancia que o parafuso ou a porca percorre em relação ao seu eixo,
quando completa uma rotação.

Rotação (R) a uma volta completa do parafuso ou da porca em relação ao seu eixo.
Quando o avanço a igual ao passo, diz-se que a porca a de uma entrada.

Passo (P) e a distancia entre dois filetes consecutivos

SENAI - SP 139
Desenho Técnico

Sentido da rosca

Rosca à direita a aquela em que o parafuso ou a porca avança girando no sentido dos
ponteiros do relogio.

Parafuso

Porca

Rosca à esquerda a aquela em que o parafuso ou a porca avança girando no sentido


contrario ao dos ponteiros do relógio.

Parafuso

SENAI - SP 140
Desenho Técnico

Representação convencional de tipos de rosca

SENAI - SP 141
Desenho Técnico

Representação normal de tipos de rosca e respectivos perfis

SENAI - SP 142
Desenho Técnico

Cotagem e indicações de roscas

O quadro abaixo mostra os tipos mais comuns de roscas, os símbolos indicativos, os


perfis e exemplos de indicações para cotagem dos desenhos.

SENAI - SP 143
Desenho Técnico

Proporções para desenhar parafusos e porcas


Parafuso com cabeça e porca quadradas

SENAI - SP 144
Desenho Técnico

Parafuso com cabeça e porca hexagonais

Parafusos de cabeça com fenda

Parafuso prisioneiro

SENAI - SP 145
Desenho Técnico

Parafusos corn sextavado interno

SENAI - SP 146
Desenho Técnico

Porca-borboleta

Arruela
Arruela a um pequeno disco furado que permite a passagem de um parafuso, pino ou eixo.
As arruelas interpõe-se entre a porca e a peça a ser fixada, para compensar uma distancia
ou diminuir o atrito. Classificam-se em arruela plana e arruela de pressão.

SENAI - SP 147
Desenho Técnico

SENAI - SP 148
Desenho Técnico

Mola
Mola a um dispositivo mecânico, geralmente feita de aço, com que se de impulso ou
resistência ao movimento de uma peça. São diversos os tipos de molas

existentes, contudo as molas helicoidais são a de maior emprego. As molas seguem as


representações normais, simplificadas e esquemáticas, segundo normas técnicas.

SENAI - SP 149
Desenho Técnico

SENAI - SP 150
Desenho Técnico

Contagem de molas

O rebite a feito de material resistente e dúctil. Como o aço, o latão ou o alumínio. É


empregado para uniões permanentes de chapas e perfis laminados, principalmente em
estruturas metálicas e construções de reservatórios, caldeiras, maquinas e navios.

SENAI - SP 151
Desenho Técnico

Tipos de proporções
Os rebites tem cabeça e corpo e são classificados de acordo com esses elementos em:
 Cabeça redonda;
 Cabeça escareada;
 Cabeça cilíndrica;
 Cabeça boleada.

Costuras e proporções

As costuras dos rebites classificam-se em:

 Simples;
 Dupla;

SENAI - SP 152
Desenho Técnico

Rebite
 Em zigue-zague.

Soldas
Soldas são elementos de fixação muito usados em caldeiraria para junções
permanentes.

Representações de solda no desenho

Uniões em topo

SENAI - SP 153
Desenho Técnico

Uniões em tê

Chavetas
São peças de aço, geralmente pequenas, cujas formas variam, dependendo da grandeza do
esforço e do tipo de movimento a transmitir. A união por chaveta e desmontável e permite
aos eixos transmitirem movimentos a outros elementos como engrenagens e polias.

SENAI - SP 154
Desenho Técnico

SENAI - SP 155
Desenho Técnico

SENAI - SP 156
Desenho Técnico

Polias e correias
Polias são peças cilíndricas usadas para transmitir movimento de rotação por meio de
correias.

Ângulos e dimensões dos canais das polias em Vê

SENAI - SP 157
Desenho Técnico

Rolamentos
Os rolamentos são elementos constantes de maquinas. Eles classificam-se, segundo o
elemento rodante, em:

 Rolamento de esferas;
 Rolamento de rolos;
 Rolamento de roletes.

Os rolamentos de esferas são empregados em conjuntos pequenos de altas


rotações.
Os rolamentos de rolos são utilizados para conjuntos maiores expostos a grandes
cargas.
Os rolamentos de roletes são indicados para pequenos espaços radiais.

Dentro dessa classificação geral, os rolamentos mais comuns são:


 Os rolamentos fixos (1) e os rolamentos de contato angular de uma carreira de
esferas (2) são usados em conjuntos que tem de suportar altas rotações.

O rolamento (2) suporta também elevada capacidade de carga axial somente em um


sentido.
Os rolamentos autocompensadores (oscilantes) de esferas (3) ou rolos (4) são
empregados nos casos em que ha posições obliquas entre eixos e mancal (pequenas
variações de alinhamento).

SENAI - SP 158
Desenho Técnico

Dentro de certos limite, um livre deslocamento axial do eixo exige o use de rolamento de
rolos cilíndricos (5).

Para cargas axiais em uma só direção são usados rolamentos axiais (6) de esfera de
escora simples.

Os rolamentos de rolos cônicos (7) são rolamentos desmontáveis de uma carreira de rolos.
São muito empregados na indústria automobilística, graças a sua capacidade de suportar
cargas combinadas.

Observação
A quantidade e a variedade de tipos e tamanhos de rolamentos a considerável. Por isso,
para especificar o tipo desejado, a conveniente consultar os catálogos de fabricantes.
Para especificar corretamente rolamentos a importante definir, pelo menos, os seguintes
dados:

 Nome do fabricante;
 Medidas do eixo;
 Numero do catalogo do rolamento;
 Diâmetro do furo do rolamento;

SENAI - SP 159
Desenho Técnico

 Diâmetro externo;
 Espessura do rolamento.
Em desenho técnico, conforme projeto recente da ABNT, os rolamentos podem ser
representados da seguinte maneira:

SENAI - SP 160
Desenho Técnico

Projeção ortogonal especial

Peças com partes inclinadas apresentam deformações quando representadas em projeções


normais.

Exemplo:

Por essa razão utilizam-se outros recursos tais como a vista auxiliar, a vista especial com
indicação, a rotação de elementos oblíquos e a vista simplificada.

Vista auxiliar:

São projeções parciais, representadas em planos auxiliares para evitar deformações e


facilitar a interpretação.

SENAI - SP 161
Desenho Técnico

Rebatimento dos planos:

Conclusão:

Projeção ortogonal com utilização de vista auxiliar:

SENAI - SP 162
Desenho Técnico

Outros exemplos:

SENAI - SP 163
Desenho Técnico

Vista especial com indicação:

São projeções parciais representadas conforme a posição do observador. E indicada por


setas e letras.

SENAI - SP 164
Desenho Técnico

Conclusão

Esperamos que ao término deste curso você tenha conseguido alcançar os níveis
esperados de aprendizagem, ficando o desafio lançado, no início do curso para que você
possa dar continuidade nos seus estudos ingressando na área de CAD.

Gostaríamos de deixar claro, que agora você possui conhecimentos sólidos que lhe
possibilitaram a introdução na área e que alavancaram seu crescimento dentro da profissão.
Sucesso!

SENAI - SP 165
Desenho Técnico

SENAI - SP 166
Desenho Técnico

Referencias Bibliográficas

1. SCARAMBONI, Antonio et al. Curso profissionalizante: mecânica: leitura e


interpretação de desenho técnico mecânico. São Paulo: Globo, 1995. v.1
(TELECURSO 2000 Profissionalizante).

2. Curso profissionalizante: mecânica: leitura e interpretação de desenho técnico


mecânico. São Paulo: Globo, 1995. v.2 (TELECURSO 2000 Profissionalizante).

3. SENAI. SP. Desenho com instrumentos. Por Antônio Ferro et al. São Paulo, 1991.
(Desenho, 1).

4. Desenho para mecânica: exercícios 5. Por Antonio Ferro et al. São Paulo, 1991.
(Desenho, 3).

5. Iniciação ao desenho. Por Antonio Ferro et al. São Paulo, 1991. (Desenho, 1).

SENAI - SP 167