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Microbiota intestinal Disbiose Michel Carlos Mocellin Nutricionista Mestre em Nutrição Doutorando em Nutrição -UFSC

Microbiota

intestinal

Disbiose

Michel Carlos Mocellin

Nutricionista Mestre em Nutrição Doutorando em Nutrição -UFSC

Programação

Programação Mucosa Microbiota intestinal Moduladores da microbiota intestinal Intestinal Tecido linfoide associado a

Mucosa

Microbiota

intestinal

Moduladores da microbiota intestinal

Intestinal

Tecido linfoide associado a mucosa

Eubiose vs. Disbiose

Mucosa intestinal

Compreende a camada epitelial que reveste a parede do intestino delgado e grosso

Funções:

| Absorção & digestão

| Barreira física (integra o sistema imunológico inato)

| Influência fome/saciedade

| Influência sobre processos inflamatórios e metabólicos

Anatomia do intestino

Anatomia do intestino

Estrutura da mucosa intestinal

Estrutura da mucosa intestinal Nature Reviews Immunology (2010) 10, 131-144

Nature Reviews Immunology (2010) 10, 131-144

Células da mucosa

intestinal

| Células absortivas (enterócitos/colonócitos)

| Células M, Cup cells e células de Tuft

| Células caliciforme

| Células de Paneth

| Células do sistema imune associado a mucosa (células dendríticas, linfócitos T e B,

macrófagos

)

| Células tronco epiteliais

| Células enteroendócrinas

Células da mucosa intestinal

Células

Funções

Células M

Células que permitem a endocitose de antígenos do lumen intestinal, apresentando para “verdadeiras APCs(cél. Dendríticas). Localizadas na membrana apical sobre placas de Peyer¹

Células caliciforme

 

(Goblet cell)

Produção de muco. Mucina MUC2 é a mais importante²

 

Sensibilizam as células imunes do tecido linfoide para

Células de Tuft

uma linhagem TH2, em resposta a presença de parasitas protozoários ou helmintos no intestino³

Células de Paneth

Produzem antimicrobianos naturais (defensinas, Lisozima C, REG3α) para defender as células da mucosa do intestino delgado. Localizadas próximas as células tronco para protegê-las (fundo das criptas de Liberkühn) 4

¹Nature Reviews Immunology 4, 290-300 (April 2004) ²Mucosal Immunology (2015) 8, 712719 ³Nature Immunology 17, 355 (2016) 4 Nature Reviews Microbiology 9, 356-368 (May 2011)

Células da mucosa intestinal

Células

Funções

 

Células restritas ao íleo. Não se conhece totalmente suas

Cup cell

funções¹

Células

Tem receptores de gosto na superfície. Secretam hormônios como PYY, GLP-1, somatostatina, serotonina²

enteroendócrinas

Células tronco

Diferenciação das demais células que compões o epitélio da mucosa

Células do sistema imune

Defesa do organismo: secretam citocinas, fazem

fagocitose, secretam imunoglobulinas (IgA), tem ação

citotóxica

¹Cell Mol Life Sci. 2012 Sep; 69(17): 29072917 ²Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 10, 729740 (2013)

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 10, 729 – 740 (2013)

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 10, 729740 (2013)

Ações das células

enteroendócrinas:

| alterações na ingestão de alimentos (apetite e saciedade)

| modificações do esvaziamento gástrico e o trânsito intestinal

| secreção de enzimas digestivas

| Indução da expressão de

transportadores de nutrientes e enzimas digestivas

| aumento na função da barreira intestinal

| secreção pancreática de insulina

| modulação de respostas

imunitárias e de

crescimento do tecido

de respostas imunitárias e de crescimento do tecido Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 10, 729 –

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 10, 729740 (2013)

Nature Reviews Immunology 14 , 667 – 685 (2014) Mucosa colons vs. Intestino delgado A

Nature Reviews Immunology 14 , 667685 (2014)

Mucosa colons vs. Intestino delgado

A mucosa que recobre os colons:

| Não tem vilosidades

| Não tem células de Paneth

| Maior tamanho e quantidade de células caliciformes (secretoras de muco)

| Maior tamanho e número de glândulas intestinais (Criptas de Liberkühn)

Mucosa colons vs. Intestino delgado

Vilosidades

Epitélio (cél. Absortivas) Cél. Caliciformes Criptas de Liberkühn Cél Enteroendócrina Cél Paneth Submucosa
Epitélio (cél. Absortivas)
Cél. Caliciformes
Criptas de Liberkühn
Cél Enteroendócrina
Cél Paneth
Submucosa
Submucosa

Mucosa dos colons

Mucosa do intestino delgado

Mucosa colons vs. Intestino delgado

JEJUNO

COLON

Mucosa colons vs. Intestino delgado JEJUNO C O L O N Nature Reviews Immunology 14 ,

Nature Reviews Immunology 14 , 667685 (2014)

Proteínas de adesão

intercelular

| As células epiteliais que recobrem a mucosa

intestinal estão unidas entre si por proteínas de

adesão (complexos juncionais)

| “vedam a barreira”

Tight junction

Junções aderentes

Desmossomas

Proteínas de adesão

intercelular

Proteínas de adesão intercelular Nature Reviews Immunology 9 , 799-809 (November 2009)

Nature Reviews Immunology 9, 799-809 (November 2009)

Proteínas de adesão

intercelular

Proteínas de adesão intercelular Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 10 , 90-100 (February 2013)

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 10, 90-100 (February 2013)

Proteínas de adesão intercelular:

Situações clinicas que aumentam a permeabilidade

intercelular: Situações clinicas que aumentam a permeabilidade Nature Reviews Immunology 9 , 799-809 (November 2009)
intercelular: Situações clinicas que aumentam a permeabilidade Nature Reviews Immunology 9 , 799-809 (November 2009)

Nature Reviews Immunology 9, 799-809 (November 2009)

Proteínas de adesão intercelular:

Fatores que impactam na permeabilidade dos TJ

Aumentam a

permeabilidade:

IFN

TNF-α

IL-1β

IL-4

IL-6

IL-13

Privação de glutamina

EPA, DHA

Ácidos cáprico e láurico Etanol

Reduzem a permeabilidade:

Citocinas (IL-10, IL-17, TGF-β)

EGF

Aminoácidos (Glutamina, Triptofano,

Caseína)

EPA, DHA, AA

Ácidos acético, propiônico e butírico

Vitaminas A e D

Polifenóis (quercetina, kampferol, mirecetina, genisteína, curcumina, EGCG)

Probióticos (Lactobacillus plantarum, rhamnosus, acidophylus; Bifidobacterium infantis; Streptococcus thermophilus)

Cell. Mol. Life Sci. (2013) 70:631659

GALT Gut-associated lymphoid tissue

| Compreende as placas de Peyer, linfócitos intraepiteliais e da lâmina própria, e os

linfonodos mesentéricos

| Protegem o TGI do estômago até os colons

- Eliminam patógenos sem que danos a mucosa sejam

causados

| Respondem através de:

- Secreção de citocinas e quimiocinas

- Secreção de IgA

- Respostas celulares efetoras (fagocitose ou

citotoxicidade)

Int Rev Immunol. 2009;28(6):446-64.

GALT Sistema imune

GALT – Sistema imune Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 12 , 497 – 506 (2015)

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 12 , 497506 (2015)

Populações celulares do sistema

imune ao longo do intestino

Populações celulares do sistema imune ao longo do intestino Nature Reviews Immunology 14 , 667 –

Nature Reviews Immunology 14, 667685 (2014)

Continua

Continuação

Continuação Nature Reviews Immunology 14 , 667 – 685 (2014) Continua
Continuação Nature Reviews Immunology 14 , 667 – 685 (2014) Continua

Nature Reviews Immunology 14 , 667685 (2014)

Continua

Continuação

Continuação Nature Reviews Immunology 14 , 667 – 685 (2014)
Continuação Nature Reviews Immunology 14 , 667 – 685 (2014)

Nature Reviews Immunology 14 , 667685 (2014)

Quais são os mecanismos que

compõem a barreira da mucosa

intestinal?

| Células da superfície da mucosa

| Proteínas de junção

| Tecido linfoide associado a mucosa

| Muco

| Antimicrobianos (defensinas, IgA, etc.)

Projeto Microbioma Humano • Nós temos 10 X mais bactérias que células em nosso corpo
Projeto Microbioma Humano • Nós temos 10 X mais bactérias que células em nosso corpo

Projeto Microbioma Humano

Nós temos 10 X mais bactérias que células em nosso corpo

Devido ao pequeno tamanho de massa, as bactérias compreendem 1-3% do nosso peso total (0,9 2,7 kg em um adulto de ~90kg)

A

simbiose fornece benefícios ao hospedeiro: produção de

vitaminas, extração de nutrientes, estimula respostas

imunológicas de defesa

Estudos evidenciam que alterações na composição

bacteriana do organismo está relacionada a doenças, e que

a manipulação do microbioma pode ser usada para tratar doenças

http://hmpdacc.org/

Projeto Microbioma Humano • Criado em 2008 por um “consórcio” de universidades e laboratórios americanos
Projeto Microbioma Humano • Criado em 2008 por um “consórcio” de universidades e laboratórios americanos

Projeto Microbioma Humano

Criado em 2008 por um “consórcio” de universidades e laboratórios americanos

Objetivo: caracterizar globalmente o microbioma humano e

analisar seu papel na saúde e doença

Análise de identificação microbiana genética de várias

regiões corporais (cavidade nasal, pele, trato urogenital,

trato gastrointestinal e cavidade oral)

Amostras coletadas de 242 indivíduos saudáveis de 28 a 40

anos de idade no Texas e Missouri (3 visitas espaçadas em

6 meses)

http://hmpdacc.org/

Número de Cepas microbianas

sequenciadas no HMP de acordo com

o sítio corporal

Número de Cepas microbianas sequenciadas no HMP de acordo com o sítio corporal http://hmpdacc.org/

http://hmpdacc.org/

MICROBIOTA INTESTINAL

Compreende as diferentes populações de

microrganismos que colonizam o intestino

Compreende de 500-1000 espécies de

microrganismos (alguns autores sugerem um

número de até 35.000 espécies diferentes)

Na sua maioria são bactérias anaeróbicas

Tem implicação no processo de saúde/doença

Taxonomia bacteriana FILO CLASSE ORDEM GÊNERO
Taxonomia bacteriana
FILO
CLASSE
ORDEM
GÊNERO
Bacillus Bacillales Listeria Staphylococcus Bacilli Lactobacillus Lactobacillales Enterococcus Firmicutis
Bacillus
Bacillales
Listeria
Staphylococcus
Bacilli
Lactobacillus
Lactobacillales
Enterococcus
Firmicutis
Streptococcus
Clostridium
Faecalibacterium
Clostridia
Costridiales
Roseburia
Peptostreptococcus
Simbionte
Patógeno
Provável patógeno
Taxonomia bacteriana FILO CLASSE ORDEM GÊNERO
Taxonomia bacteriana
FILO
CLASSE
ORDEM
GÊNERO
Mycobacterium Actinomycetales Corynebacterium Micrococcus Actinobacteria Actinobacteria Propionibacteriales
Mycobacterium
Actinomycetales
Corynebacterium
Micrococcus
Actinobacteria
Actinobacteria
Propionibacteriales
Propionibacterium
Bifidobacteriales
Bifidobacterium
Bacteroides
Bacteroidetes
Bacteroidetes
Bacteroidales
Prevotella
Verrucomicrobia
Verrucomicrobiae
Verrucomicrobiales
Akkermansia
Simbionte Patógeno
Simbionte Patógeno

Simbionte

Simbionte Patógeno

Patógeno

Simbionte Patógeno

Provável patógeno

FILO CLASSE ORDEM GÊNERO
FILO
CLASSE
ORDEM
GÊNERO
Sphingomonas Alphaproteobacteria Sphingomonadales Erythrobacter Betaproteobacteria Burkholderiales Burkholderia
Sphingomonas
Alphaproteobacteria
Sphingomonadales
Erythrobacter
Betaproteobacteria
Burkholderiales
Burkholderia
Aeromonadales
Aeromonas
Enterobacter
Klebsiella
Escherichia
Cronobacter
Enterobacteriales
Gammaproteobacteria
Salmonella
Serratia
Shigella
Citrobacter
Pseudomonadales
Pseudomonas
Pasteurellales
Haemophilus
Helicobacter
Epsilonproteobacteria
Campylobacterales
Campylobacter

Proteobacteria

Simbionte Patógeno
Simbionte Patógeno

Simbionte

Simbionte Patógeno

Patógeno

Simbionte Patógeno

Provável patógeno

Distribuições de filos bacterianos em seres humanos saudáveis

5 grandes grupos de filos bacterianos da microbiota

intestinal

Firmicutes (gram positiva)

gêneros Lactobacillus, Eubacterium, Faecalibacterium,

Ruminococcus e Roseburia (produtores de butirato)

Bacteroidetes (gram negativa)

Gêneros Bacteroides, Prevotella e Xylanibacter

Actinobacteria (gram positiva)

90% das

bactérias

intestinais

Gêneros Collinsella and Bifidobacterium

Proteobacteria (gram negativa)

Gêneros Escherichia (podem produzir etanol) Desulfovibrio (redutor de sulfato)

Verrucomicrobia (gram negativa)

Gêneros Akkermansia (envolvido com a degradação de muco e com efeitos benéficos via aumentos nos níveis intestinais de endocanabinoides)

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 13, 412425 (2016)

Microbiota: overview

Pode ser classificada em três enterotipos:

1: maior concentração de Bacteroides spp: Potencial sacarolítico. Contém genes que codificam enzimas específicas para extração de energia a partir de

carboidratos e proteínas

2: maior concentração de Prevotella spp:

degradadora de glicoproteínas do muco

3: maior concentração de Ruminococcus spp:

degradação de mucina e envolvido com o transporte

de membrana de açúcares

Microbiota: overview

Mais recentemente tem se sugerido dois tipos de bioma

1: Bacteroides - Ruminococcus spp 2: Prevotella spp

Ou 6 grupos de co-abundância de acordo com

características do hospedeiro:

Indivíduos

saudáveis

Indivíduos não tão saudáveis e com maior idade

Sem forte associação com o estado de saúde. Identificado em estudos comunitários

Nature Reviews Microbiology. Sep2012, Vol. 10 Issue 9, p591-592. 2p.

Bificobacterium Lactobacillus Propionibacterium Faecalibacterium Roseburia Clostridum difficile Enterococcus faecalis

Bificobacterium

Lactobacillus

Propionibacterium

Faecalibacterium

Roseburia

Lactobacillus Propionibacterium Faecalibacterium Roseburia Clostridum difficile Enterococcus faecalis Campylobacter

Clostridum difficile Enterococcus faecalis Campylobacter

Pseudomonas

Klebsiella

Staphylococcus

A microbiota é diferente dependendo da região

anatômica do intestino

O 2 pH Nature Reviews Immunology 14, 667–685 (2014) Nature Reviews Gastroenterology and Hepatology 9,
O 2
pH
Nature Reviews Immunology 14, 667–685 (2014)
Nature Reviews Gastroenterology and Hepatology 9, 577-589 (October 2012)

Intestino delgado tem menor população e variedade de bactérias:

pH mais ácido

Sais biliares

Rápido trânsito intestinal (3-5 h)

Maior concentração de Oxigênio

Microbiota do jejuno e íleo:

especialmente anaeróbias facultativas

Microbiota dos colons:

predominantemente

anaeróbias

Produção de AGCC (acetato,

propionato e butirato):

Íleo: 20:1:4

Amostras de fezes: 3:1:1

Microambiente microbiano no

intestino

Lumem Camada de muco externa Camada de muco interna Epitélio intestinal (mucosa)
Lumem
Camada de muco
externa
Camada de muco
interna
Epitélio intestinal
(mucosa)

1.

2.

Colonização bacteriana mínima

no estado saudável

Colonização de bactérias especializadas (ex.

Akkermansia

muciniphila)

3. População

4.

microbiana diversa Substratos para as bácterias

Nature Reviews Gastroenterology and Hepatology 9, 577-589 (October 2012)

Fatores que afetam a

microbiota

A microbiota é alterada por:

Higiene e
Higiene e

qualidade da

água

Medicamentos
Medicamentos

Antibióticos

Vacinações

Dieta
Dieta

Cocção e refrigeração

Antibióticos Vacinações Dieta Cocção e refrigeração Pequeno tamanho das famílias Infecções retardadas Estilo

Pequeno tamanho das famílias Infecções retardadas

Estilo de vida urbano
Estilo de vida urbano
Geographical location Janela de oportunidade para modulação da microbiota Geographical location Diet Lifestyle
Geographical location
Janela de oportunidade para modulação da microbiota
Geographical location
Diet
Lifestyle
Medication
Diet
Lifestyle
Medication
Living environment

Desenvolvimento da microbiota

intestinal

Living environment Desenvolvimento da microbiota intestinal Adult Elderly Nature Reviews Gastroenterology &
Adult Elderly
Adult
Elderly

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 12 , 497506 (2015) Microbial Ecology in Health & Disease 2015, 26

Desenvolvimento da microbiota intestinal

Desenvolvimento da microbiota intestinal Front. Cell. Infect. Microbiol., 09 August 2012

Front. Cell. Infect. Microbiol., 09 August 2012

Migração e o risco de doenças

Seria a microbiota a causadora?

Migração e o risco de doenças Seria a microbiota a causadora? Nat. Rev. Gastroenterol. Hepatol. 9,

Nat. Rev. Gastroenterol. Hepatol. 9, 609614 (2012)

Efeitos da microbiota

ao

hospedeiro

Evidências geradas principalmente a

partir de estudos

com ratos livres de germes (germ- free mices)

ao hospedeiro Evidências geradas principalmente a partir de estudos com ratos livres de germes (germ- free

1) Eliminação de patógenos intestinais

Microbiota influencia a colonização de patógenos intestinais: ações INDIRETAS (imuno-mediadas)

de patógenos intestinais: ações INDIRETAS (imuno-mediadas) Nature Reviews Immunology 13 , 790 – 801 (2013)

Nature Reviews Immunology 13, 790801 (2013)

1) Eliminação de patógenos intestinais

Microbiota influencia a colonização de patógenos intestinais: ações DIRETAS

influencia a colonização de patógenos intestinais: ações DIRETAS Nature Reviews Immunology 13 , 790 – 801

Nature Reviews Immunology 13, 790801 (2013)

2) Formação da mucosa intestinal

Microbiota influencia a morfologia da mucosa, a produção de muco, a secreção de

fatores antimicrobianos, a maturação do GALT e a formação de vasos sanguíneos

que irrigam a mucosa

do GALT e a formação de vasos sanguíneos que irrigam a mucosa Nature Reviews Microbiology 11,

Nature Reviews Microbiology 11, 227-238 (April 2013)

3) Efeitos sistêmicos e metabólicos

Os microrganismos (efeitos diretos) e os metabólitos produzidos pela

microbiota intestinal (efeitos indiretos) podem influenciar o metabolismo

Metabolismo Influência sobre a secreção e a sensibilidade à insulina; adipogênese; gasto energético
Metabolismo
Influência sobre a secreção e a
sensibilidade à insulina;
adipogênese; gasto energético
Comportamento
Sinais gerados pela microbiota
afetam o sistema neuronal
envolvido no controle motor,
no comportamento ansiolítico,
no mecanismo
fome/saciedade, na percepção
da dor
Homeostase óssea
Inflamação
Influência no fenótipo
inflamatório de células imunes
do GALT, com efeitos
sistêmicos
Regula a reabsorção óssea e a
massa óssea mediada pelo
sistema imune e citocinas, e
pela ação da serotonina
derivada da microbiota no
metabolismo do cálcio

Nature Reviews Microbiology 11, 227-238 (April 2013)

3) Efeitos sistêmicos e metabólicos

Comunicação cérebro-microbiota - O eixo hipotálamo- pituitária-adrenal influencia a composição da microbiota
Comunicação
cérebro-microbiota
- O eixo hipotálamo-
pituitária-adrenal influencia a
composição da microbiota
por meio da secreção de
cortisol
- Cortisol aumenta a
permeabilidade da mucosa
- Microbiota saudável altera
a função cerebral pela
secreção de citocinas, via
serotonina (a partir do
metabolismo do triptofano),
via estimulação do nervo
vago, via produção de
neurotransmissores
intestinais e AGCC

Nature Reviews Neuroscience 13, 701-712 (October 2012)

vago, via produção de neurotransmissores intestinais e AGCC Nature Reviews Neuroscience 13, 701-712 (October 2012)

4) Produção e extração de nutrientes

Bactérias intestinais usam substratos presentes nos alimentos para sintetizar

vitaminas e ácidos graxos de cadeia curta que são absorvidos e utilizados pelo

organismo

Vitamina

Espécies/cepas produtoras

 

Bifidobacterium (gênero)

Maiores produtores: Bifidobacterium bifidum e Bifidobacterium

longum subsp. infantis Produção em baixos níveis: Bifidobacterium breve,

Folato

Bifidobacterium longum subsp. longum e Bifidobacterium adolescentes Lactobacillus (provável produtor)

Enterotipo 2

Riboflavina

Bacillus subtilis e Escherichia coli Enterotipo 1

Cianocobalamina

Lactobacillus reuteri CRL 1098

Niacina e piridoxina

Streptococcus thermophilus ST5, Lactobacillus helveticus R0052 e B. longum R0175

Acido pantotênico, biotina

Enterotipo 1

World J Gastroenterol. 2015 Aug 7; 21(29): 87878803

4) Produção e extração de nutrientes

Bactérias intestinais usam substratos presentes nos alimentos para sintetizar

vitaminas e ácidos graxos de cadeia curta que são absorvidos e utilizados pelo

organismo

AGCC

Espécies/cepas produtoras

Propionato

Bacteroides, Propionibacterium, Veillonella, Actinomyces,

Clostridium

Butirato

Ruminococcus, Faecalibacterium, Eubacterium, Roseburia, Clostridium, Fusobacterium, Peptostreptococcus, Butyrivibrium

Acetato

Bifidobacterium, Bacteroides, Eubacterium, Lactobacillos, Clostridium, Ruminococcus, Peptococcus, Veillonella, Peptostreptococcus, Propionibacterium, Fusobacterium, Butyrivibrium, Streptococcus, Actinomyces, Desulfovibrio

Etanol, succinato, lactato e piruvato

Bifidobacterium, Bacteroides, Eubacterium, Lactobacillos, Clostridium, Ruminococcus, Peptostreptococcus, Enterococcus, Fusobacterium, Actinomycetes, Peptococcus

J. Nutr. July 1, 1999 vol. 129 no. 7 1438S-1441s

4) Produção e extração de nutrientes

Ações dos AGCC sobre o metabolismo o Energia para colonócitos (butirato) o Substrato para a
Ações dos AGCC sobre o metabolismo
o
Energia para colonócitos (butirato)
o
Substrato para a gliconeogênese hepática (propionato)
o
Substrato para lipogênese (butirato e acetato)
o
Supressão da lipólise em adipócitos, reduzindo oferta de AGL ao fígado
(acetato)
o
Redução da gordura visceral e hepática (propionato)
o
Redução da sensibilidade a insulina no tecido adiposo ( acumulação
lipídica)
o
Estímulo para a secreção de leptina (acetato)
o
Aumento na oxidação de gorduras no músculo
o
Regulação do apetite mediada por PYY e GLP-1 (propionato)
o
Redução da glicemia pelo aumento a captação de glicose pelo músculo e
tecido adiposo (mediado por PYY) e aumenta da secreção pancreática de
insulina (mediado pro GLP-1)

Gut Microbes. 2016 May 3;7(3):189-200 J Lipid Res. 2013 Sep; 54(9): 23252340.

4) Produção e extração de nutrientes

4) Produção e extração de nutrientes AGCC – mucosa - imunidade - AGCC via sinalização GPR43/GPR41
AGCC – mucosa - imunidade - AGCC via sinalização GPR43/GPR41 em células epiteliais e imune
AGCC – mucosa -
imunidade
- AGCC via sinalização
GPR43/GPR41 em células epiteliais
e imune ativam proteínas do
inflamasoma, estimula a secreção
de IL-18 levando a manutenção da
integridade intestinal
- AGCC fortalecem a função de
barreira preservando as proteínas
Tight Junction (TJs)
- MCT-1 regula o transporte de
AGCC para a mucosa, onde células
imunes tem sua função modificada,
bem como regula a quimiotaxia
- AGCC regula Hsp-25 promovendo
sobrevivência celular
- AGCC promove
manutenção/aumento da camada
de muco

Immunological Reviews 245:164-240

5) Metabolização de xenobióticos

Microbiota influencia a eficácia e a biodisponibilidade de algumas drogas; a

biodisponibilidade/biotransformação de compostos dietéticos; metaboliza

xenobióticos neutros em compostos tóxicos e vice-versa.

xenobióticos neutros em compostos tóxicos e vice-versa. Nature Reviews Microbiology 14 , 273 – 287 (2016)

Nature Reviews Microbiology 14, 273287 (2016)

5) Metabolização de xenobióticos

5) Metabolização de xenobióticos Nature Reviews Microbiology 14 , 273 – 287 (2016)

Nature Reviews Microbiology 14, 273287 (2016)

5) Metabolização de xenobióticos

Drogas metabolizadas por microrganismos da microbiota intestinal

metabolizadas por microrganismos da microbiota intestinal Irinotecano (QTx pra câncer gástrico e intestinal) é
metabolizadas por microrganismos da microbiota intestinal Irinotecano (QTx pra câncer gástrico e intestinal) é
Irinotecano (QTx pra câncer gástrico e intestinal) é administrado parenteralmente, é ativado in vivo para
Irinotecano (QTx pra câncer gástrico e
intestinal) é administrado
parenteralmente, é ativado in vivo para
gerar uma toxina antineoplásica
topoisomerase I e é inativado por
glucuronidação no fígado. Atinge o
intestino via excreção de sais biliares e é
reativada por glucuronidases de
bactérias intestinais. Este processo leva
a diarreia dose-limitante, que pode ser
contornada usando inibidores específicos
para as enzimas bacterianas

Nature Reviews Microbiology 14, 273287 (2016)

5) Metabolização de xenobióticos

Compostos dietéticos metabolizados por microrganismos da microbiota intestinal

metabolizados por microrganismos da microbiota intestinal Compostos contendo colina são metabolizados por bactérias

Compostos contendo colina são metabolizados por bactérias contendo enzimas glicil radical a trimetilamina (TMA) que é absorvida e oxidada no fígado (TMAO). TMAO está associado a eventos cardiovasculares e acúmulo de colesterol

Metabolizados por β-glucuronidase bactérias (E. coli) a compostos tóxicos que causam danos no DNA

Metabolizados por bactérias do filo Actinobacteria, Firmicutis e Bacteroides em moléculas que se ligam a receptores de estrogênio (Ca mama)

Nature Reviews Microbiology 14, 273287 (2016)

5) Metabolização de xenobióticos

Os polifenóis estão em uma forma inativa na dieta (ligado a açucares). Bactérias intestinais biotransformam os polifenóis em uma forma ativa, removendo a porção açúcar da cadeia química

em uma forma ativa, removendo a porção açúcar da cadeia química Nature Reviews Microbiology 14 ,

Nature Reviews Microbiology 14, 273287 (2016)

5) Metabolização de xenobióticos

Aditivos químicos alimentares metabolizados por microrganismos da

microbiota intestinal

Adoçantes artificiais como xilitol e

sacarina alteram a microbiota: sp Bacteroides e membros da ordem Clostridiales

Bactérias do gênero Enterococcus,

Clostridium, Corynebacterium, Campylobacter e Escherichia,

podem converter ciclamato a cyclohexylamine: tóxico para animais (↑ Ca de bexiga)

Metabolizada (Klebsiella terrígena) a

ácido cianúrico (complexo insolúvel) que causa toxicidade severa aos rins

Emulsificantes reduzem a espessura da camada de muco; reduzem a ordem Bacteroidales e aumenta bactérias mucoliticas (Ruminococcus gnavus); associam-se a inflamação, maior permeabilidade, aumento do peso e da adiposidade

maior permeabilidade, aumento do peso e da adiposidade   Nature Reviews Microbiology 14 , 273

Nature Reviews Microbiology 14, 273287 (2016)

6) Metabolismo de sais biliares

Microbiota metaboliza ácidos biliares primários produzidos no fígado a partir do colesterol em sais biliares secundários que são absorvidos e exercem diversas funções sobre o metabolismo

secundários que são absorvidos e exercem diversas funções sobre o metabolismo Cell Metabolism 24, July 12,

Cell Metabolism 24, July 12, 2016

6) Metabolismo de sais biliares

6) Metabolismo de sais biliares Sais biliares conjugados e inflamação Sais biliares conjugados pela microbiota são
Sais biliares conjugados e inflamação Sais biliares conjugados pela microbiota são absorvidos e em células
Sais biliares conjugados
e inflamação
Sais biliares conjugados
pela microbiota são
absorvidos e em células
imunitárias (por meio da
ligação com receptores de
membrana – GPBAR1, ou
receptores intracelulares -
NR1H4) inibem a ativação
de NF-κB (fator de
transcrição que codifica a
produção de citocinas
inflamatórias)

Nature Immunology 14, 676684 (2013)

Microbiota intestinal

Resumo de suas características

Característica

Comentário

Alta diversidade e densidade

A perda de diversidade microbiana predispõe a infecções patogênicas e está ligada com vários distúrbios metabólicos e imunes

 

Variação ocorre a nível de espécie e cepas, com limitada

Individualidade

variabilidade do filo; membros de dois filos (Firmicutes e Bacteroidetes) contribuem para ~ 90% das espécies no intestino distal

Transmissão materna

Colonização no nascimento é influenciada pelo tipo de parto (normal vs. cesariana)

 

Diversificação rápida durante a infância influenciada pela dieta e

Variabilidade idade-dependente

meio ambiente, incluindo antibióticos, alcançando relativa

estabilidade na idade adulta, e mudando em idosos, dependendo do estado fisiológico, dieta, medicamentos e morbidade

Variação ao longo do intestino

Após a cavidade oral, a complexidade e os números aumentam distalmente

Variação ao longo do eixo transversal do intestino

A razão aeróbio:anaeróbio é maior na superfície da mucosa do que no lúmen

Nat. Rev. Gastroenterol. Hepatol. 9, 609614 (2012)

Microbiota intestinal

Resumo de suas características

Característica

Comentário

 

A microbiota tende a voltar ao normal após o uso de antibióticos, mas

algumas cepas podem ser eliminadas, especialmente após exposições

Resiliência

repetidas ou prolongadas de antibiótico, com o maior efeito na infância

 

Estabilidade relativa mas com variações contínuas no comportamento

Plasticidade e adaptabilidade

metabólico e na composição dependendo da dieta, outras

variáveis ​​de estilo de vida e doenças

Interações hospedeiro-

Bidirecional; cascatas microbiana, imuno-inflamatória e metabólicas

microorganismo

são interativos

Segregação espacial e compartimentalização

Microorganismos têm acesso restrito ao epitélio do intestino delgado devido a fatores derivados do hospedeiro, como fatores antimicrobianos; e no cólon, a estrutura da camada interna de muco garante que a superfície seja livre de microorganismos. Se organismos comensais penetram na mucosa eles não ganharão a circulação sistémica (serão mantidos no nódulo linfático mesentérico)

Transferência experimental de microbiota

A transferência de microbiota de animais doentes para saudáveis pode transferir também a doença (modelos animais). Transplantes de microbiota revelaram semelhante fenótipos metabólicos transferíveis

Nat. Rev. Gastroenterol. Hepatol. 9, 609614 (2012)

DISBIOSE

DISBIOSE

Disbiose - definição

Qualquer alteração da microbiota residente

encontrada em indivíduos saudáveis

microbiota residente encontrada em indivíduos saudáveis  das bactérias comensais benéficas  da

das bactérias comensais

benéficas

da diversidade bacteriana

bactérias patogênicas

permeabilidade intestinal

dos sinais inflamatórios

Cellular Microbiology, Volume 16, Issue 7, July 2014, Pages 10241033

Disbiose - causas

Uso de antibiótico e outros medicamentos (laxantes, anti-ácidos, pró-cinéticos)

Inatividade física

Baixa consumo de fibras e alto consumo de gorduras animais e de proteína

Baixa exposição microbiana

Fatores genéticos

Doenças autoimunes e desiquilíbrios imunológicos

Consumo de aditivos químicos

Estresse

Impacto do uso de ATB sobre a microbiota

 

Alteração da microbiota

Antibiótico

Reduz

Comunidades perdidas

Comunidades expandidas

 

Lactobacillus spp., Enterococcus spp.,

Amoxicillina

Bifidobacterium

Enterobacteriaceae spp

Vancomicina

Geral

Lactobacillus spp., Enterococcus spp., Grupo D Streptococcus Bacteroidales, Ruminobcoccaceae, Lachnospiraceae, Clostridiales Tenericutes, Turicibacteria Lactobacillus plantarum, Faecalibacterium prausnitzii, Eubacterium hallii, Clostridium cluster IV e XIV, Escherichia coli, Haemophilus spp., Serratia

Enterobacteriaceae Lactobacillaceae, VerrucomicrobiaceaePaenibaci llaceae, Firmicutes, Anaeroplasmataceae

Ciprofloxacina

Geral

Clostridiales, Fecaelibacterium spp.

Cefalosporina

Actinobacteria (Slackia and Bifidobacterium), Betaproteobacteria, Streptococcus spp., Roseburia, Eubacterium

 

(Cefazolina)

Firmicutes

Streptomicina

Lactobacillus spp, Enterococcus spp., Grupo D Streptococcus

Enterobacteriaceae

Cellular Microbiology, Volume 16, Issue 7, July 2014, Pages 10241033

Infecção por Clostridium difficile: relação com o uso de ATB

por Clostridium difficile : relação com o uso de ATB Nature Reviews Disease Primers 2, Article

Nature Reviews Disease Primers 2, Article number: 16021 (2016)

Disbiose e inflamação

Disbiose e inflamação Brown EM et al. Nat Immunol. 2013 Jul;14(7):660-7.

Brown EM et al. Nat Immunol. 2013 Jul;14(7):660-7.

Diagnóstico

Desiquilíbrio na flora intestinal leva a produção de metabólitos tóxicos que induzem sintomas como flatulência, distensão e dor abdominal, inflamação,

cólica, constipação/diarreia, má-digestão, hipoglicemia,

fadiga, mau hálito, movimentos intestinais irregulares

Cuidado: sintomas nem sempre são causados por disbiose intestinal!

Diagnóstico preciso:

Necessário testes de sequenciamento genético (proteômica e

metabolômica)

Clinical Nutrition 29 (2010) 701e725

Condições associadas a Disbiose intestinal

Asmas Doenças inflamatórias intestinais Diabetes Autismo Câncer Doenças hepática não alcoólica

Doença renal crônica

Obesidade

Quimioterapia

Alergias

Artrite reumatoide

Infecção por HIV Anorexia nervosa Constipação

Simbiontes

Patógenos

por HIV Anorexia nervosa Constipação Simbiontes Patógenos Sinais anti- inflamatórios Sinais pró- inflamatórios

Sinais anti-

inflamatórios

Sinais pró-

inflamatórios

por HIV Anorexia nervosa Constipação Simbiontes Patógenos Sinais anti- inflamatórios Sinais pró- inflamatórios

Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2016 Feb;30(1):27-37.

Condição clínica

Implicações sobre a microbiota

Observações

Obesidade

Bacteroidetes

Dados conflitantes sobre a relação Firmicutes /

Bifidobacterium spp Faecalibacterium prausnitzii Akkermansia muciniphila Bilophila wadsworthia

Bacteroidetes

Redução generalizada da diversidade

Diabetes tipo 2

F. prausnitzii Roseburia Eubacterium rectale Proteobacteria

Diminuição da abundância de bactérias produtoras de butirato e aumento de patógenos oportunistas

Doenças Renal Crônica

Lactobacillaceae

Aumento da abundância de bactérias formadoras de urease- e uricase-guarida, indol e-p-cresol

Prevotellaceae

↑Proteobacteria

Redução das bactérias produtoras de ácidos graxos de cadeia curta

Dermatite atópica

F. prausnitzii strain L2-6

Nenhuma diferença na diversidade Aumento da degradação de muco e baixa eficiência na produção de butirato por F. prausnitzii L2-6

Doença de Crohn

F. prausnitzii Roseburia spp Dialister spp Coprococcus spp Enterobacteriaceae Rumonococcus gnavus

Diversidade geral reduzida Diminuição da abundância de bactérias produtoras de butirato e aumento de patógenos oportunistas

Colite ulcerativa

F. prausnitzii Roseburia spp Eubacterium rectale et rel. Fusobacterium spp

Diversidade reduzida Diminuição da abundância de bactérias produtoras de butirato e aumento de patógenos oportunistas

Síndrome do intestino irritável

Bifidobacterium spp Faecalibacterium spp Veillonellaceae Enterobacteriaceae

Diversidade geral reduzida

Câncer colorretal

Roseburia spp Lachnospiraceae

Diversidade reduzida Diminuição da abundância de bactérias produtoras de butirato e aumento de patógenos oportunistas

Bacteroides/Prevotella

Enterococcus spp

Escherichia/Shigella Streptococcus spp

Microbiota e Câncer
Microbiota e Câncer
Microbiota e Câncer Nature Reviews Cancer 13 , 800 – 812 (2013)

Nature Reviews Cancer 13, 800812 (2013)

Microbiota e Obesidade/DM2
Microbiota e Obesidade/DM2
Microbiota e Obesidade/DM2 Diabetes and Metabolism, Vol 40 - N° 4 P. 246-257 - septembre 2014

Diabetes and Metabolism, Vol 40 - N° 4 P. 246-257 - septembre 2014

Microbiota e Obesidade
Microbiota e Obesidade
Microbiota e Obesidade Mol Endocrinol, August 2014, 28(8):1221 – 1238

Mol Endocrinol, August 2014, 28(8):12211238

Microbiota e Obesidade
Microbiota e Obesidade
Microbiota e Obesidade Mol Endocrinol, August 2014, 28(8):1221 – 1238

Mol Endocrinol, August 2014, 28(8):12211238

Microbiota e distúrbios metabólicos
Microbiota e distúrbios metabólicos
Microbiota e distúrbios metabólicos Nature Reviews Nephrology 12, 169 – 181 (2016)

Nature Reviews Nephrology 12, 169181 (2016)

Microbiota e Doença inflamatória intestinal

Microbiota e Doença inflamatória intestinal Nature Reviews Immunology 14 , 9 – 23 (2014)

Nature Reviews Immunology 14, 923 (2014)

Microbiota e Doença Hepática não-alcoólica

Microbiota e Doença Hepática não-alcoólica Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 13, 412 – 425 (2016)

Nature Reviews Gastroenterology & Hepatology 13, 412425 (2016)

Microbiota e Síndrome do intestino irritável

Microbiota e Síndrome do intestino irritável Hipótese do oxigênio Na síndrome do intestino irritável se observa
Hipótese do oxigênio Na síndrome do intestino irritável se observa redução das bactérias anaeróbias
Hipótese do oxigênio
Na síndrome do intestino irritável se observa
redução das bactérias anaeróbias obrigatórias
(F. prausnitzii) e aumento das aeróbias
facultativas (Enterobacteriaceae) e de algumas
aeróbias. Estas observações apoiam a
hipótese de uma mudança nas comunidades
bacterianas causadas por um aumento de
oxigênio

The ISME Journal (2013) 7, 12561261

por um aumento de oxigênio The ISME Journal (2013) 7, 1256 – 1261 Peterson et al.

Peterson et al. Cell Host & Microbe. 2008.

Microbiota e Artrite reumatoide
Microbiota e Artrite reumatoide
Microbiota e Artrite reumatoide Nature Reviews Rheumatology 7, 569- 578 (October 2011)

Nature Reviews Rheumatology 7, 569-

578 (October 2011)

Como tratar a Disbiose?

Moduladores da microbiota intestinal

Transplante de microbiota fecal Prebioticos Probioticos Simbióticos
Transplante de
microbiota fecal
Prebioticos
Probioticos
Simbióticos
Moduladores da microbiota intestinal Transplante de microbiota fecal Prebioticos Probioticos Simbióticos Posbióticos

Posbióticos

“BIÓTICOS”
“BIÓTICOS”

Tipo

Definição

Exemplos

Prebiotico

Ingredientes seletivamente fermentados que permitem alterações específicas tanto na composição quanto na atividade da microflora intestinal, conferindo benefícios sobre a saúde e bem estar do hospedeiro (GIBSON et al. 2004)

Inulina, FOS, GOS,

 

Micro-organismos vivos que, quando administrados em quantidades adequadas, conferem benefícios à saúde do hospedeiro

Lactobacilos,

Probiotico

bifidobactérias

Simbiotico

Produtos que contém tanto prebióticos quanto

FOS + Bifidobactérias

probióticos

+ Lactobacilos

FOS + Bifidobactérias probióticos + Lactobacilos Posbiotico Produtos bacterianos “não viáveis​​”

Posbiotico

Produtos bacterianos “não viáveis​​” ou subprodutos metabólicos de microrganismos probióticos que promovem a atividade biológica no hospedeiro

Ácidos graxos de cadeia curta

PreBIOTICO
PreBIOTICO

Evolução de seu conceito

PreBIOTICO Evolução de seu conceito
PreBIOTICO
PreBIOTICO

Diferenças entre prebiotico e fibra alimentar:

Prebiotico: critérios Fibra: critério 1. Ser resistente a digestão gástrica e enzimática de mamíferos
Prebiotico: critérios
Fibra: critério
1.
Ser resistente a digestão gástrica e
enzimática de mamíferos
Carboidratos com grau de
polimerização (GP) ≥3 que
2.
Ser fermentado pelas bactérias
não hidrolizados por enzimas
intestinais
3.
Estimular seletivamente o
crescimento e/ou a atividade de
bactérias intestinais associadas a
saúde e ao bem-estar
digestivas no intestino
delgado,
independentemente da sua
solubilidade ou
fermentabilidade

Nem toda fibra é um prebiotico Nem todo prebiotico pode ser considerado uma fibra (quando tem GP < 3)

Adv Exp Med Biol. 2016;902:119-42

PreBIOTICO
PreBIOTICO

Tipos de prebioticos

Reconhecidos Candidatos Galactoligossacarideos – GOS (GP o Amido resistente 2-5) o Isomaltoligossacarideo (GP
Reconhecidos
Candidatos
Galactoligossacarideos – GOS (GP
o
Amido resistente
2-5)
o
Isomaltoligossacarideo (GP 2-8)
o Rafinose
o
Polidextrose
o
Pectina
o Lactulose (GP = 2)
Frutanos
o
Sacarídeos da soja
o
Xylo-oligosacarideos
o
inulina (GP 11-60)
o
o
frutoligossacarideo – FOS (GP
Flavonoides presentes no
cacau*
2-10)
o
Compostos fenólicos*
o
oligofrutose (GP=4)
o
Cálcio*
Trans-galacto-oligosaccharides
o
Riboflavina*
(TOS)
o
Resveratrol*

Adv Exp Med Biol. 2016;902:119-42 European Journal of Clinical Nutrition (2016), 16

European Journal of Clinical Nutrition (2016), 1 – 6 *Não preenchem o segundo critério para serem

*Não preenchem o segundo critério para serem

considerados prebioticos: fermentação

PreBIÓTICO
PreBIÓTICO

Possíveis mecanismos que explicam os efeitos benéficos dos prebioticos

PreBIÓTICO Possíveis mecanismos que explicam os efeitos benéficos dos prebioticos Adv Exp Med Biol. 2016;902:119-42

Adv Exp Med Biol. 2016;902:119-42

PreBIÓTICO
PreBIÓTICO

Tipo de prebiotico e seu efeito sobre crescimento de

bactérias

Tipo de prebiotico e seu efeito sobre crescimento de bactérias J. Nutr. July 1, 1999 vol.

J. Nutr. July 1, 1999 vol. 129 no. 7 1438S-1441s

PreBIÓTICO
PreBIÓTICO

Tipo de prebiotico e seu efeito sobre crescimento de

bactérias

PreBIÓTICO Tipo de prebiotico e seu efeito sobre crescimento de bactérias Aliment Pharmacol Ther 24, 701

Aliment Pharmacol Ther 24, 701714

PreBIÓTICO
PreBIÓTICO

Tipo de prebiotico e produção de AGCC

PreBIÓTICO Tipo de prebiotico e produção de AGCC Am J Clin Nutr 2001;73(suppl):415S – 20S.
PreBIÓTICO Tipo de prebiotico e produção de AGCC Am J Clin Nutr 2001;73(suppl):415S – 20S.
PreBIÓTICO Tipo de prebiotico e produção de AGCC Am J Clin Nutr 2001;73(suppl):415S – 20S.

Am J Clin Nutr 2001;73(suppl):415S20S.

PreBIÓTICO
PreBIÓTICO

Efeitos dos prebioticos sobre grupos de bactérias observados em estudos realizados em humanos

grupos de bactérias observados em estudos realizados em humanos Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2016 Feb;30(1):27-37.

Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2016 Feb;30(1):27-37.

PreBIÓTICO
PreBIÓTICO

Efeitos dos prebioticos sobre grupos de bactérias observados em estudos realizados em humanos

de bactérias observados em estudos realizados em humanos Resumo dos achados:     

Resumo dos achados:

Doses variaram de 5-20 g/dia

Duração: 12 dias a 3 meses

Quanto maior a dose, maior a diversidade de bactérias é afetada

Inulina: Bifidobacterium e Faecalibacterium

GOS: Bifidobacerium

Best Pract Res Clin Gastroenterol. 2016 Feb;30(1):27-37.

PreBIÓTICO
PreBIÓTICO

Efeitos adversos associados a suplementação de

prebioticos:

o Efeito purgativo: prebioticos com baixo GP tem alta osmalaridade, atraindo água para a luz intestinal

o Produção de gases (flatus): quanto maior o GP, menor a produção de gases, pois possuem maior tempo de

fermentação

Doses maiores que 10-15 g/dia de um dado prebiotico aumentam a probabilidade de flatulência em uma maneira dose dependente

Impacto da quantidade de fibra da dieta sobre a microbiota

Impacto da quantidade de fibra da dieta sobre a microbiota A cada geração com baixo consumo

A cada geração com baixo consumo de fibras, a perda de diversidade se torna maior, e o grau de recuperação após a introdução de uma dieta rica em fibras é menor (sugere-se a

extinção de algumas espécies microbianas com o baixo consumo de fibras)

Nature 529, 158159 (14 January 2016)

ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Bactérias com efeitos anti-

inflamatórios:

Faecalibacterium prausnitzii

Lactococcus lactis Clostridium butyricum

Bifidobacterium longum

Clostridia clusters IV, XIVa e

XVIII

Dose com efeito probiotico:

≥ 10 9 UFC/ml/dia

XIVa e XVIII Dose com efeito probiotico: • ≥ 10 9 UFC/ml/dia Bactérias e leveduras probióticas

Bactérias e leveduras probióticas mais utilizadas

ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Efeitos dos probióticos sobre o organismo:

Melhora da proteção de barreira da mucosa intestinal

Melhora do Tight Junction

Induz a produção de muco

Suprime o crescimento de bactérias patogênicas

competição, estímulo da produção de ATB naturais e IgA

e redução do pH

Estimula o fenótipo anti-inflamatório nas células

imunes do GALT

Ther Adv Gastroenterol (2012) 0(0) 113

ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Recomendações sobre o uso de probioticos

ProBIÓTICO Recomendações sobre o uso de probioticos J Clin Gastroenterol Volume 49, Supp. 1, November/December 2015

J Clin Gastroenterol Volume 49, Supp. 1, November/December 2015

ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Recomendações sobre o uso de probioticos em PEDIATRIA

(World Gastroenterology Organisation Global Guidelines 2011)

sobre o uso de probioticos em PEDIATRIA ( World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – 2011)
sobre o uso de probioticos em PEDIATRIA ( World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – 2011)
ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Recomendações sobre o uso de probioticos em PEDIATRIA

(World Gastroenterology Organisation Global Guidelines 2011)

sobre o uso de probioticos em PEDIATRIA ( World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – 2011)
ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Recomendações sobre o uso de probioticos em ADULTOS

(World Gastroenterology Organisation Global Guidelines 2011)

Recomendações sobre o uso de probioticos em ADULTOS ( World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – 2011)
Recomendações sobre o uso de probioticos em ADULTOS ( World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – 2011)
ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Recomendações sobre o uso de probioticos em ADULTOS

(World Gastroenterology Organisation Global Guidelines 2011)

Recomendações sobre o uso de probioticos em ADULTOS ( World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – 2011)
Recomendações sobre o uso de probioticos em ADULTOS ( World Gastroenterology Organisation Global Guidelines – 2011)
ProBIÓTICO
ProBIÓTICO

Segurança no uso de probioticos

Situações vulneráveis a uma

“certa insegurança” na suplementação de altas doses de bactérias probioticas

o

Pacientes com HIV

o

Pacientes em radioterapia ou quimioterapia para tto do câncer

o

Crianças < 2 anos de idade

o

Paciente crítico

Crianças < 2 anos de idade o Paciente crítico Usar produtos com qualidade comprovada, para evitar
SimBIÓTICO
SimBIÓTICO

Combinar em um mesmo produto um pre + probiótico parece ser mais efetivo para

estimular o crescimento de bactérias “boas” no

intestino

J Clin Gastroenterol Volume 49, Supp. 1, November/December 2015

ATENÇÃO
ATENÇÃO

Bactérias probioticas possuem um efeito cepa- dependente

Na ausência de evidências que demonstram efeitos positivos com o uso de uma cepa bacteriana específica, utilizar um produto com maior variedade de espécies e cepas bacterianas

Modo de ingestão: adotar as recomendações do

fabricante (jejum ou não)

Tempo de suplementação: não existe consenso. Estudos

utilizaram intervenção de poucas semanas a meses

Tratamento: Fornecer o suplemento durante e após a afecção (usar altas doses)

Profilático: uso contínuo (doses baixas)

J Clin Gastroenterol Volume 49, Supp. 1, November/December 2015

Transplante de fezes

Transplante de fezes Nature Reviews Disease Primers 2, Article number: 16020 (2016)

Nature Reviews Disease Primers 2, Article number: 16020 (2016)

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS Clinical Nutrition 34 (2015) 845e858

Clinical Nutrition 34 (2015) 845e858

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS

Cuello-Garcia et al. World Allergy Organization Journal (2016) 9:10

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS Am J Clin Nutr, 2014
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS Am J Clin Nutr, 2014

Am J Clin Nutr, 2014

EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS Gêneros usados como intervenção: Lactobacillus, Bifidobacterium e Streptococcus
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS
EVIDÊNCIAS CIENTÍFICAS Gêneros usados como intervenção: Lactobacillus, Bifidobacterium e Streptococcus