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AS CRENÇAS E PRÁTICAS TRADICIONAIS DA PERSPECTIVA BÍBLICA

Antes de entramos propriamente no nosso tema, faremos primeiramente uma


abordagem de alguns termos chaves, e importantes para melhor compreensão deste
trabalho:

CRENÇAS: é o estado psicológico em que um indivíduo detém uma proposição ou


premissa para a verdade, ou ainda, uma opinião formada ou convicção.

PRATICAS: conjunto de exercícios e súplicas, que fazem parte de uma religião ou


disciplina espiritual ou seja forma habitual de agir; procedimento; conduta; costume,
facto de seguir uma regra ou observância.

TRADIÇÃO: é uma palavra com origem no termo em latim traditio, que significa
"entregar" ou "passar adiante". A tradição é a transmissão de costumes,
comportamentos, memórias, rumores, crenças, lendas, para pessoas de uma
comunidade, sendo que os elementos transmitidos passam a fazer parte da cultura. Para
que algo se estabeleça como tradição, é necessário bastante tempo, para que o hábito
seja criado. Diferentes culturas e mesmo diferentes famílias possuem tradições
distintas1.

Não perdendo de vista estas definições, podemos afirmar que estas crenças e
práticas, variam de região em região, de pessoa por pessoa e não é diferente em África.
Apesar de que a vida na África de hoje estar mudando, conto a questão das crenças e
praticas tradicionais, ainda é muito contestada2. Ver exemplo a baixo:

Jesus tomou consigo Pedro e aos irmãos Tiago João e os levou, em particular a
um alto monte, e foi transfigurado diante deles; o seu rosto resplandecia como sol, e as
suas vestes tornaram-se brancas como a luz, e és que apareceram Moisés e Elias
falando com Ele, então disse Pedro a Jesus: Senhor, bom é estarmos aqui; se quereis
farei aqui tendas, uma será tua outra para Moisés, e outra para Elias (Mt17: 1-4).

Yakubu estava voltando para casa de uma visita aos seus parentes. Ele passara
três semanas na aldeia do seu tio, ajudando na lavoura, já perto da aldeia onde
morava, ele tinha que atravessar um riacho. Na outra margem encontrou um velho
chamado Baba Yinusa, que conhecia há muitos anos, ele saúdo o velho e perguntou por
sua família.

Estranhamente Yinusa, não retribui a saudação, Yakubu falou mais uma vez
com ele, e novamente ele ignorou a sua saudação (…).

Yakubu continuou então, o seu caminho até chegar a aldeia. Ao chegar em casa,
relatou o incidente aos seus familiares e perguntou se sabiam de algum problema na
família de Yinusa, e então os seus familiares disseram: é verdade que vocês esteve fora
por três semanas e não sabias, nós enterramos Baba Yinusa a três dias atrás.

1
Enciclopédia electrónica livre.
2
Livro: O cristianismo bíblico da perspectiva africana – Wilbur O Donovan JR. Pág - 237, parágrafo – 7.
Perspectiva bíblica quanto a estas crenças e praticas tradicional 1
A partir do exemplo ora proposto, levantam-se enumeras perguntas e querelas,
se realmente as praticas tradicionais e as realidades bíblicas andam de mãos dadas?

Realmente contemplamos que existe um paralelismo equilibrado entre os dois


princípios, as verdades bíblicas afirmam que é possível ver em algumas ocasiões os
nossos ancestrais, conforme os discípulos de Jesus viram Elias e Moisés, que já aviam
partido a muito tempo. O erro não está em ver os nossos ancestrais, mas sim está na
comunicação, veneração e invocação a estes espíritos, que podemos dizer que estão
possessos por demónios.

Segundo o comentário bíblico africano faz a seguinte exegese « diálogo entre


Moisés e o Senhor no monte (Êx 24:15-18). Aqui também há um monte, uma nuvem
luminosa, Moisés e a voz do Senhor. A face de Jesus resplandecia como o sol
(Mat.17:2)»3

Esta interpretação talvez seja um pouco esforçada, se tentarmos comprar com o


assunto ora deliberado, mas há um ponto de a partir para desagregarmos a tal
interpretação, a chave está no sujeito, ou seja, em Moisés, qual era realmente a ligação
entre Deus e Moisés? Logo é notório reconhecer que pacto ou relacionamento de Deus e
Moisés são diferentes do nosso, eles conversava livremente diferença cinge-se na
prática de diálogo que era comum na época. Logo Moisés os profetas são casos
isolados.

Na região tradicional africana, há um relacionamento muito importante entre os


vivos e os que morreram recentemente (mortos vivos). Muitos aspectos da vida
tradicional têm a ver com o relacionamento entre vivos e os mortos vivos. Diversos
povos crêem que a estabilidade moral e social do clã é da responsabilidade, dos anciãos
da tribo que já morreram e foram elevados á posição de espíritos de ancestrais. Esta
afirmação tem uma conotação errónea, por uma questão muito básica Deus não
necessita dos mortos para poder gerir a sua criação. Lv. 19:31.

As religiões tradicionais muitas vezes obrigam a formas complicadas de


relacionamento entre os vivos e os mortos vivos, tais como rituais, sacrifícios e
oferendas que precisam ser feitas para satisfazer ou persuadir os ancestrais. Entre elas
também está a comunicação com os mortos: por meio de adivinhações, ou directamente
por palavras de pessoas possessas por espíritos, a magia e o curanderismo. Essas
crenças tradicionais quase sempre levam os vivos a buscar seus ancestrais ou outros
espíritos para obter orientação, ajuda, correcção e bênçãos, em vez de buscarem
directamente a Deus4.

3
Comentário Bíblico Africano
4
O cristianismo bíblico da perspectiva africana – Wilbur O Donovan JR. Pág - 239, parágrafo – 3.
Perspectiva bíblica quanto a estas crenças e praticas tradicional 2
PERSPECTIVA BÍBLICA QUANTO A ESTAS CRENÇAS E PRATICAS
TRADICIONAL

As crenças e práticas tradicionais que envolvem espíritos de ancestrais, não são


de Deus, ao fazer isso, as pessoas quebram o primeiro dos mandamentos de Deus, não
ter outros deuses, além Dele (Êxodo 20:3). Estas crenças e práticas tradicionais muito
delas fazem parte de um plano subtil, de Satanás de enganar as pessoas e faze-las cair
sob o julgamento de Deus por quebrar seus mandamentos. As crenças e práticas
relacionadas com espíritos de ancestrais, têm mantido muitas pessoas distantes de um
relacionamento pessoal com Deus por meio de Jesus Cristo.

A vontade de Deus e que nós devemos honrar, respeitar os nossos pais e os mais
velhos, “honra o teu pai e a tua mãe” (Êxodo 20:12), ficar em pé na presença das
pessoas idosas e tratar com todo respeito, dar honra aos nossos pais seguindo com
atenção os seus conselhos, mostrando submissão e obediência, desde que não
desobedecemos a Deus (Efésio 6: 1 Colossenses 3:20), e que a forma mais elevada de
honrar os nossos pais é ter um carácter santo e bom5.

Quanto a maneira de relacionamento dos vivos com os mortos, a bíblia ensina -


nos que os princípios são semelhantes, devemos enfatizar e respeitar o seu legado
deixado aqui na terra, no âmbito da convivência. Podemos trazer honra aos membros da
nossa família que morreram, tendo uma vida santa, carácter e conduta boas, mostrando
respeito delas, honrando as boas obras que fizeram enquanto viveram na terra, e
seguindo a sua fé, se foram cristãos6.

Não devemos confundir o poderio de honrar os nossos ancestrais, com o


pensamento teocêntrico de João Calvino no século XVI, que descrevia que « À Deus
somente a gloria», este pensamento que marcou o paradigma protestante, muita das
vezes tem sido mal concebido na luta contra o pensamento iluminista. As verdades
bíblicas em especial o veterotestamentário desde muito cedo, são visível as passagens
de legado e a devida honra dos seus antecessores, o mesmo ocorreu na fase dos nossos
patriarcas desde os juízes aos reis, dos sacerdotes aos profetas e, assim por diante.
Génesis 50:5. Josué 1:17. O mesmo facto ocorre também no novo testamento, a partir
dos autores mais escriturários que são Jesus Cristo e Apostolo Paulo. Mateus 12:40.
Hebreus 11:4-10.

Entretanto os cristãos têm de tomar muito cuidado para que, quando honram
seus ancestrais, não voltem às crenças e práticas das religiões tradicionais. É preciso
tomar muito cuidado para não honrar os ancestrais em lugar de honrar à Deus, através
de Jesus Cristo. Não devemos ir a trás da bênção, direcção, ou ajuda de alguns
ancestrais, divindades e espíritos estranhos, que não seja do Deus vivo. O salmista é
sábio ao nos advertir o seguinte: “ muitas são as penas dos que trocam o Senhor por
outros deuses, não oferecereis as suas libações de sangue, e os meus lábios não
pronunciarão o seu nome”( Salmos 16:4).

5
O cristianismo bíblico da perspectiva africana – Wilbur O Donovan JR. Pág – 239-243, parágrafo.
6
Idem
Perspectiva bíblica quanto a estas crenças e praticas tradicional 3
Deus não quer que o seu povo ofereça bebidas ou alimentos aos seus ancestrais
(Deuteronómio 26:14). Trazer essas oferendas seria seguir as práticas pagãs das outras
religiões. É uma forma de idolatria que Deus proíbe (Deuteronómio 20:18), quando se
faz este tipo de sacrifícios ou oferendas aos espíritos dos ancestrais, os verdadeiros
recebedores dessas oferendas nem são os ancestrais, mas sim os demónios
(Deuteronómio 32:1-17 I Coríntios 10: 19-20).

Os espíritos de pessoas mortas não têm liberdade para sair, porque Deus definiu
um lugar para o espírito dos que morrem e os restringiu, a este lugar (Lucas 16:24-26 II
Coríntios 5:8), por isso não há muitas hipóteses de que o espírito que se manifesta seja
de facto daquele ancestral que parece ser7. Quanto a possessão por espírito a bíblia nos
ensina que na verdade essas, praticas tem acontecido, pessoas têm sido possuídas por
espíritos do mal (Marcos1:23, 5:8 Mateus 8:16), através do poder de Satanás aquele que
levantou a rebelião contra Deus, enviando seus demónios, as pessoas que participam de
pecado ou rebelião intencional contra Deus.

Tite Tienou afirma que `` Para nos facilitar a mensagem bíblica em África, nós
precisamos de um novo discurso, para facilitar compreensão da mensagem bíblica
(…)´´. Outro Teólogo Africano AGBEBI, também da, mesma linha de pensamento diz
que: `` Para que o cristianismo se torne autóctone em África, é necessário que ele seja
plantada a partir das mãos dos autóctones, e enterrar com inchada autóctone, e
alimentada com a terra autóctone ´´.

Os autores apresentados em epígrafe, visionam o cristianismo independente do


cristianismo ocidental, ou seja, um cristianismo autóctone. Para cristianismo ser
autóctone realmente é necessário nos centralizamos dentro da visão destes teólogos e
pensadores Africanos, com finalidade de promover uma reforma nas verdades bíblicas,
isto é tirar tudo que não seja tradição ocidental. Para tal reforma é necessário peneirar
também algumas das nossas praticas, que nos deixam longe de Deus, e trazer a tona
somente as verdades bíblicas.

O profeta Jeremias nos alertas sobre no seu livro no capitulo 1:11-15, narra
sobre a mudança de lado daqueles que trocaram o Deus vivo com deuses mortos. Deus
deu ao povo a ordem de queimar e destruir os objectos associados a religiões
tradicionais, que colocam os ancestrais ou quaisquer outro espírito antes de

Deus. É preciso abandonar totalmente essas crenças e práticas, e queimar tudo


todas vestes, objectos e infra-estruturas. Deus advertiu ao povo Israel, (Deuteronómio
7:5) ao povo de Efésio (Actos 19:18-19)8

7
Idem.
8
Livro: O cristianismo bíblico da perspectiva africana – Wilbur O Donovan JR. Pág - 241, parágrafo – 1.
Perspectiva bíblica quanto a estas crenças e praticas tradicional 4