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Instituto Federal do Sul de Minas Poços de Caldas

Licenciatura Geografia 5º período


Disciplina: BIOGEOGRAFIA
Professor: Dra. Melina Mara
Aluno: Marcelo Silva Vieira
Nº. de matrícula: 14171000205

Fichamento 1: GILLUNG, Jéssica P. Biogeografia: a história da vida na Terra. São Paulo: Revista da
Biologia, v. 1, n. 1, 2011. Disponível em: <http://www.ib.usp.br/revista/volume7>. Acesso em: 20 mar. 2019.

Gillung (2011) aborda em seu texto em linearidade histórica os fatos e conceitos que
culminam no desenvolvimento da Biogeografia como ciência.
Segundo Gillung (2011) ao partirmos do raciocínio acerca da distribuição das espécies
percebe-se que ela não é a mesmo em toda a superfície da Terra, que existem áreas com
maior ou menor diversidade, que apresentam espécies diferentes em áreas semelhantes ou
mesmo a presença de grupos restritos a certas áreas e ainda grupos com ampla distribuição.
Assim surge a Biogeografia da necessidade em se buscar os padrões de distribuição e as
relações entre áreas munida inclusive dos conhecimentos de outras áreas do saber. Nelson e
Platnick (1981, apud GILLUNG, 2011, p. 5)
A autora aponta três componentes a serem considerados na devida compreensão dos
padrões de distribuição, o espaço sendo a área geográfica de ocorrência, o tempo acerca de
eventos históricos que influenciaram os padrões atuais, e, a forma a se tratar dos grupos de
organismos. Croizat; Humphries (1952; 2000, apud GILLUNG, 2011, p. 5).
Conceitua a biogeografia como ciência que estuda a distribuição geográfica dos seres
vivos no espaço através do tempo, cujo objetivo é o entendimento dos padrões de organização
espacial e seus processos, integrando para isso os conhecimentos da Geografia, Geologia,
Biologia, Ecologia entre outras em um longo processo de desenvolvimento com destaque nos
séculos XVIII e XIX. Crisci e Col; Posadas e Col (2003; 2006, apud GILLUNG, 2011, p. 5).
Segundo descreve Gillung (2011) a história de formação da Biogeografia se divide em
dois períodos distintos, o pré-evolutivo como momento das ideias de fixismo de espécies,
constância e estabilidade da Terra e centros de origem e dispersão de espécies; e o evolutivo
com bases na evolução da biota e do meio bem como o paradigma vicariante. Nelson e
Platnick. (1981, apud apud GILLUNG, 2011, p. 6).
Dois processos importantes dessa dinâmica são esclarecidos para um melhor
entendimento, conforme Gillung (2011) o de dispersão que se trata da existência de uma
população ancestral ultrapassando uma barreira, ampliando sua distribuição e ocasionando a
diferenciação da população original; e o de variância que consiste em uma população
ancestral sendo dividida por uma barreira insurgente onde as partes populacionais passam a
se diferenciar. Nelson e Platnick; Crisci e Col (1981; 2003, apud GILLUNG, 2011, p. 6).
Segundo Gillung (2011, p. 6) as primeiras explicações para o porquê da localização
atual dos organismos parte do raciocínio religioso e afirma o centro de origem e dispersão
(Escola dispersalista) a exemplo do livro de Gênesis, e das teorias de, Carl Von Linné, George
Luis Leclerc, Comte Buffon e seu pensamento em diferentes regiões relacionadas a diferentes
espécies, bem como sua influência nos trabalhos de Humboldt, Pierre Latecille e Georges
Cuvier, e evolui em 1820 com a obra “Geografia das Plantas” de Augustyn Pyramus
relacionando a distribuição dos vegetais e o meio ambiente, surgindo os conceitos de
endemismo, espécies disjuntas e de estação como características ecológicas da localidade e
habitação considerando características geológicas e geográficas, sendo essa obra a primeira
classificação de regiões biogeográficas.
Gillung (2011, p. 7) descreve que esse paradigma perdura por séculos e chega a
influenciar inclusive Wallace e Darwin que dão em seus trabalhos especial atenção para a

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distribuição por dispersão e consideram o isolamento reprodutivo e a existência de barreiras
culminando na afirmação de descendências comuns sendo esse o processo evolutivo.
A contribuição de Alfred Wegener da teoria da deriva continental no século XX muda o
enfoque dos biogeógrafos sendo possível o teste da vicariância que por fim marca a transição
do paradigma dispersalista para o vicariante persistindo até os dias atuais. Gillung (2011, p.7).
Nos anos seguintes cientistas desenvolvem métodos de inferência das relações de
parentesco que juntamente com a perspectiva evolutiva (Sistemática Filogenética) permite à
Biogeografia o entendimento da biota evolutiva e classificada hierarquicamente entre
organismos. Gillung (2011, p. 7)
Por fim afirma Gillung (2011) que os processos históricos de alterações no habitat
podem ser usados para explicar os padrões de distribuição diferentes do esperado, pela
reconstrução da história e relacionamento entre áreas através dos estudos das espécies que
a ocupam, a exemplo da Biogeografia Cladística iniciada por Donn Rosen (1929-1986),
Norman Platnick e Garet Nelson, que compreende a integração de tectônica, vicariância e
sistemática filogenética. Nelson e Platnick. (1981, apud GILLUNG, 2011, p. 7).

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