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No Mundo da Lua Ou

Nove Considerações sobre Yesod


Por frater HOOR 418

Nesses dois anos de Revista 777 tem um texto que gosto muito de ler e reler e indico bastante a certos
leitores que é um texto do frater QVIF chamado 10 considerações a respeito de Malkuth, sempre
ensejei escrever uma continuação dele, não no mesmo estilo, até porque são vivencias diferentes,
mas a vontade foi aquilo que permaneceu, além de uma certa cara de pau, assim escrevo essa missiva
à respeito das minhas nove considerações sobre a nona Sephirah que é chamada Yesod, significando
"Fundação". Ao mesmo tempo que faço uma carta àqueles que vivem no mundo da Lua, sem
referências aos esquecidos ou aluados, muito menos ao Joseph Smith e seus mórmons, também
escrevo para qualquer pesquisador ou até mesmo um curioso.

Uma primeira consideração ou curiosidade sobre esta sephirah é que ela também é chamada El
Shaddi, ou Shaddai El Chai, que tem sido traduzido como "Deus Vivo Todo-Poderoso", mas a
tradução mais correta segundo alguns cabalistas seria "seios fluidos de Deus", estabelecendo assim
certas "noções de fertilidade", que abordaremos a frente.
Segundo os antigos cabalistas estas imagens de Yesod, estavam ligados a uma imagem de um deus
andrógino. "Na tradição rabínica, El Shaddai é dado como o nome da divindade em lugares, por
exemplo, "anda adiante de mim" (Gênesis 17: 1), e pode originalmente ter significado "Deus, uma
das montanhas". Seu principal símbolo a Lua (refletindo Tiphareth, o Sol) é conhecida também como
a Chama Lunar. Ela também tem sido chamada de "Espelho" ou "Prisma", que reflete as esferas ou
níveis mais elevados, e é dito que é o “lugar” onde as visões ocorrem, claro que esse lugar é dentro.

Prosseguindo num segundo ponto, além de ter a alcunha de a inteligência purificadora, é


comumente chamada de “plano astral” ou “alma do mundo”, Yesod é aquele fundamento de sutil
substância eletromagnética no qual todas as forças mais elevadas estão focalizadas, constituindo a
base ou o modelo final sobre o qual o mundo físico é construído, uma planta um blueprint. Como
Yesod tem natureza lunar, a experiência do grau de Yesod, é relatada como ter a experiência
da visualização da mecânica do Universo, além do controle das fundações do ser.

A mecânica do Universo tende a ser um pouco mais complexa que um motor de Fusca, mas note
que ao deparar com a tampa do motor aberto e ver aquela visão, temos a noção do som, do cheiro e
da temperatura, mas você saberia tudo que está ocorrendo para ele funcionar? No Universo
manifestado de Assiah nada nasce sem sexo, nem um pensamento, mas Yesod é também passagem
para um outro universo, qual será a chave dessa porta? De sobre maneira as fundações de um ser
definem um tanto sobre o que somos e de onde viemos, podemos até citar um “do pó vieste ao pó
retornarás”, mas “Ai daquele que na Glória do momento de um beijo de Nuit lhe der pó...”. O
sistema simpático e parassimpático também fundações do corpo trabalhando em estímulos e
desestímulos viscerais, os dois trabalham em harmonia para a coordenação da atividade visceral
adequando o funcionamento de órgãos as diversas situações no qual é submetido, não esqueçamos
que tudo na vida são glândulas endócrinas e plexos solares e esplênicos.

Ah sim que gana! Que força! Que tesão! Sim que tesão! Que instinto, adentramos em outra poderosa
força física e animal que nos trouxe até aqui e assim no terceiro aspecto ou consideração.
Yesod está associada à forte imagem primal e aos sentimentos de nossa natureza animal. Não é
necessário ficar imóvel de corpo e mente por longos períodos de tempo todos os dias, mas para
alcançar a perspectiva em Yesod é necessário dominar Asana, isto é, estar verdadeiramente imóvel
e confortável por um momento. Pode levar mais de um ano de prática diária para alcançar algum
sucesso, Pranayama lhe ajudará no restante principalmente no quesito do que fazer e como se
comunicar, e vivenciará o Ritmo, depois de certo domínio de ambos, nós acessamos o plano astral
através de nossas mentes subconscientes, ou como Freud queria: o inconsciente. O oculto está oculto
sob a superfície, no reino do inconsciente, o reino instintivo lunar.
A partir disso, nossa quarta consideração esclarece que alguns cabalistas dizem que o universo
manifesto é uma expulsão espiritual da "queda" denotada em Gênesis. Daí uma alusão ao Corpo que
é o Nephesch; geralmente se refere a Yesod, mas em Assiah o processamento de energia que circula
pelo corpo, assunto que ainda ousarei abordar mais à frente. O mundo dual é "o todo" e Yesod é a
base ou a Fundação na manifestação dual. Yesod é também o portão que abre o universo Yetzirático,
onde a sephirot ganha a alcunha de fundação da Psiquê, local onde a humanidade forma a imagem
que fazem parte de seus corpos, no indivíduo representa o impulso sexual e todos os outros reflexos
de sobrevivência é também o lar do inconsciente coletivo de Jung, "contém toda a herança espiritual
da evolução da humanidade", então existem dois métodos de estudar o inconsciente coletivo:
Mitologia e Análise, segundo Regardie a maioria das travas psico sexuais da humanidades reside
nessa esfera, não à toa alguns cabalistas chamam esse processo de fundação de Zelem, ou o vaso de
sombras no qual o corpo é moldado e alcança a maturidade, assim como outro título de Yesod “a
Tesouraria de Imagens” ou as relações das personalidades arquetípicas que são um reflexo zodiacal,
tema sobre o qual aborda o Liber 963 ou CMLXIII Θησαυρου Ειδωλων.
As fundações do ser, tratam do inconsciente em si mesmo o reflexo do Sol, reflexo de Neshama , a
parte astral de Nephesh, Todas, ou quase todas, as características atribuídas pelos psicanalistas ao
subconsciente são analogamente atribuíveis a Nephesh, ou ao menos àquele aspecto de Nephesh
que diz respeito aos instintos e impulsos, e que atua como um depósito automático de sensações e
impressões, tal como a expressão inconsciente coletivo pode muito bem ser aplicada ao nosso
conceito de luz astral. Todos os instintos fundamentais de um homem, os impulsos radicais
primários ou condicionamentos que ele vivencia, pertencem ao fundamento do qual toda a energia
vital flui, por isso com a Adaga o mago trabalho sua consciência automática, toma a rédea de certas
naturezas, dizem alguns que ele/ela o Mago crava em sua Adaga sua “palavra” que representa seu
universo mesmo que de maneira incompleta ainda.

O mecanismo do Universo parte do pré suposto da visão de que você é o centro do seu próprio
Universo, seu Sol, solis internum, mesmo isso escrito e escancarado em muitos lugares tende a
passar despercebido, toda a vez que isso é negligenciado o universo nos ataca com os trancos dos
vícios elementais que na medida que estamos um pouco mais despertos as rebarbas se tornam mais
fortes, alguns chamam isso de distração.

Assim nosso 5º apontamento é que ao receber o reflexo do Sol ou as emanações da Lua, nosso Sol
menor vemos o binômio de que mudança é estabilidade, e estabilidade é mudança, a mudança da
equação refere se a volatilidade do elemento Ar e do Ruach que são as forças predominantes em
Yesod e de certo modo o gerador de nossos obstáculos, aqui encontramos a sutil substância
eletromagnética na qual todas as forças superiores estão focalizadas, o éter, e constitui a base ou
modelo final sobre o qual o mundo físico é construído. Sua atribuição elemental é a do Ar, sempre
fluindo, mudando, e em um fluxo constante - mas por causa desse fluxo, em perpétuo, O Zelator
quebra a ilusão da duração e rigidez da manifestação terrena representada por Saturno - O Universo
do Tarô e se liberta da percepção de aprisionamento. A percepção é que não há permanência real no
mundo e, no esquema maior das coisas, temos pouca importância. A liberdade ante a distração que
tende a turvar as ideias de permanência, ou seja, aquilo que fica. (which that remains). Antes desse
autoconhecimento é necessário a vivência das imobilidades e do ritmo, fora disso vira tudo mera
especulação.

Na 6ª consideração trataremos ainda que poeticamente de uma definição de caminho, não


intelectual embora, sabemos que cada um escolhe por si manifestar em seu microcosmo ou em seu
macrocosmo sua visão aspirada, fruto das suas bases piramidais já construídas e agora ampliadas
por sua vontade. As formas fugazes e o movimento de “maré sonsa” de Yesod com todas as suas
implicações constituem a permanência e uma estranha sensação de segurança do mundo físico, o
prazer remete uma sensação de segurança enquanto a dor é um lugar onde o prazer aparentemente
descansa. Com o passar do tempo a segurança se transforma na prisão do Ruach, daí a necessidade
da mudança, pois é nas trocas de marés, nos períodos de calmaria e solavancos do mar que se pode
zarpar com perspicácia enquanto a estabilidade consiste na visão do SAG experienciado nos quatro
noves arcanos menores do tarot de Thoth. Estabilidade é mudança.

De modo que Marte em Gêmeos (nove de espadas, Crueldade) seja sempre uma agonia mental onde
o Ruach é consumido em beligerância da instabilidade (um inquisidor que se sentencia e se consome
na própria fogueira), porém pode se transformar em uma força (ainda que desvairada) poderosa de
dissolução de males físicos se corretamente utilizada ou uma fúria dos apetites em grosseria sem
refinamento, necessária mudança. A carta Ganho (nove de discos, Vênus em Virgo), dá o argamassa
da estabilidade desde que mantenhamos a visão do SAG em mente o que via de regra ocorre é um
ordálio da estagnação muito bem salientado no Taoísmo a combinação dos discos ou moedas nesta
carta quando visualizados por muito tempo costumam pregar peças, sua coloração verde e rosa
inevitavelmente me lembra alguns sambas da Mangueira, e sua marcação rítmica estável, mas
seguindo. Em Felicidade (nove de copas, Jupiter em Piscis) temos peixes em toda sua ilusão no Ar,
ou seja, é uma carta de júbilo pois é o mais benfazejo aspecto da água, corresponde a Laetitia
entretanto o apego ao momento estável pode ser sinal de perigo. E em Força (nove de bastões, Lua
em Sagitário) temos a simbologia dupla da Lua na arvore da vida, a carta representa em si o trabalho
de Yesod, de tudo que foi escrito até aqui, em Liber 418 no décimo primeiro Aethyr IKH nos revela
coisas interessantes, e simboliza em si a mudança e a estabilidade, equilibrando isso tudo mais a
visão do maquinário, a mudança garante a ordem da Natureza.

O 7º ponto é: Qesheth como a conclusão da provação de Zelator em Yesod alude à conexão mística
entre Yesod e Da'ath (o Abismo). Qesheth então finalmente traz o Aspirante para Hod e então a
flecha se inclina para a esquerda na Árvore, em vez de diretamente para Tiphareth (o que requer o
sucesso do percurso de Paroketh) tanto quanto de Tiphareth, a flecha se curva para a esquerda na
Árvore, trazendo o Aspirante para Binah ao invés de Kether, o zelator se lança a esquerda buscando
o equilíbrio intelectual, a comunicação verbal e não verbal em Kokab ou em Reqia depois a direita
buscando o equilíbrio emocional e ardente, as mobilidades padrões de Nogah ou Shechaqin
somente depois disso e ouvindo os reflexos de uma conversa que se iniciou há algum tempo ele
volta da onde saiu, um passo à frente ainda vendo e recebendo o esplendor através de um véu,
Tiphareth, que é o Sol, e chove sobre Yesod. É essa luz que deve ser adorada e vista como o ponto
de partida da ascensão da Consciência. Essa luz que é vista pela primeira vez em Yesod é a luz
fraturada do Véu de Qesheth. É a fonte da infinita diversidade da vida - as muitas estrelas e suas
órbitas e seus sistemas, a partir daí resta me o silêncio.

A 8ª consideração sobre o ponto de vista do trabalho em Yesod, é o Svadisthana Chakra, o lótus de


seis pétalas ou o chakra da lua crescente, sempre associado aos órgãos sexuais. Aqui devemos
aprender a volitivamente direcionar nossa energia sexual e criativa, procurando vencer a inércia, a
ira, a dispersão e a morbidez emocional, todas distrações. No lugar de habitação do eu, nossa prática
é pessoal e claro o que é bom para um pode não ser para o outro, toda prática do ponto de vista
Thelêmico é sempre em direção à Grande Obra, pode ser um mantra, uma visualização, uma asana
ou tudo isso junto, por isso temos em Liber AL,1: 52, "... se o ritual não for sempre para me: então
esperai os terríveis julgamentos de Ra Hoor Khuit!" Uma boa dica de prática é sempre procurar levar
as sensações para o corpo físico, pois novas formas de comunicação acontecerão. Todos que se
descobriram como centro de seu próprio universo, devem percorrer sua órbita soberana, provações
ou ordálias irão ocorrer até para que cada um tenha sua trajetória testada.

9ª consideração:

Imobilidade que também é responsável por desfazer a consciência automática e anatômica além de
destruir as rupturas do corpo estático também se chama ASANA.

O Ritmo de foles que desfaz a consciência psicológica e destrói os condicionamentos involuntários


do corpo Rupa, também se chama PRANAYAMA.

Asana e Pranayama são suas ferramentas mais importantes para os que desejam o sucesso na
empreitada de vislumbrar a própria Verdadeira VONTADE, mas sempre há dois gumes numa
adaga que se preze, há também os aluados.

Força e fogo são de nós.

H418

hoor@abadiadethelema.com
Referências Bibliográficas:

Livro de Thoth Aleister Crowley


Liber 333 Aleister Crowley
Liber 4 Mestre Therion Aleister Crowley
Curso Tarot de Thoth - Frater QVIF
O Caminho da Kaballah Zev Ben Shimon Halevi
O trabalho do Kaballista Zev Bem Shimon Halevi
The complete Golden Dawn Israel Regardie
Tree Work and Tarot Tableus Madonna Compton
New Aeon Magick Gerald Del Campo
Self Initiation into the Golden Dawn Tradition Chic e Sandra Cicero