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COSMOGÊNESE

O estudo da “Cosmogênese” é bastante complexo. Exige

muita abstração, já que são conceitos que fogem ao normal do nosso

raciocínio, uma vez que estamos lidando com informações abstratas.

Estamos falando do Imanifestado para o Manifestado. Em última

instância, podemos dizer que o Manifestado em síntese é a criatura

humana. Até essa manifestação chegar a gerar a criatura humana

houve uma tremenda limitação no grau de vibração da energia

cósmica. Essa limitação, no microcosmo, pode ser constatada

pela difi culdade que o ser humano tem para expressar as ideias

de natureza abstrata, já que a nossa linguagem é comparativa,

modelada pelo nosso Mental Concreto.

Mas o ser humano também traz em si uma Mente

Abstrata. Apesar dela não funcionar, ainda, em toda a sua

plenitude, podemos, no entanto, utilizá-la para captar as ideias

ou impressões abstratas. Assim, tanto ao falarmos como ao

ouvirmos, ou estudarmos os temas da Cosmogênese, estará

funcionando em nós o Mental Abstrato sob a inspiração do

Sexto Principio - o Búdico – ou a Intuição, que o Fundador da

SBE, Professor Henrique José de Souza, denominou “Princípio

Inspirador Universal, ou Mente Mercuriana”. A nomenclatura dos

antigos teósofos, usa a expressão sânscrita “Budhi -Taijasa”, com

o sentido de “ a iluminação da alma humana pela Alma Divina”. No

artigo “O que é Intuição”, o autor, Prof. H. J. de Souza, esclarece

que “Budhi implica no estado de consciência em que se sente

a Unidade com o Universo, sem a ideia de separação”(revista

Dhâranâ no87/88). Prossegue o Autor explicando, nesse

artigo, que há outras expressões na linguagem esotérica que

correspondem a esse estado como a palavra grega Teofania que

para os neoplatônicos quer dizer “a iluminação do homem pela

divindade”; como a descida do Espírito Santo, em “línguas de


fogo”, sobre os apóstolos cristãos (“Dia de Pentecostes”); como o

próprio “despertar de Kundalini” dos verdadeiros iogues etc. 1. CONCEITOS

COSMOGONIA – segundo o Dicionário Houaiss, essa palavra tem

o signifi cado de:

• Corpo de doutrinas, princípios (religiosos, míticos ou científi cos)

que se ocupam em explicar a origem, o princípio do universo.

Cosmogonia pode também ser entendida como:

• Conjunto de teorias que propõe uma explicação para o

aparecimento e formação do sistema solar;

• Qualquer fundamento teórico que busque explicar a

formação das galáxias a partir de um princípio primordial.

Naturalmente, vamos utilizar, em nosso estudo, essas

defi nições, mas sob a ótica ocultista, já que as nossas conclusões

são de natureza esotérica, ou iniciática.

Os nossos conceitos básicos, fundamentais de Cosmogênese

se fi rmam nos ensinamentos de Helena Petrovna Blavatsky (HPB),

por meio de sua magnífi ca obra intitulada “A Doutrina Secreta”. HPB

é uma pessoa da maior respeitabilidade no seio da SBE. No entanto,

a “Cosmogênese” de que vamos tratar evoluiu daquela divulgada

por Blavatsky para uma mais atualizada, conforme as contribuições

do Professor Henrique José de Souza, resgatando referências do

passado e apresentando antevisões ou projeções sobre o destino do

Universo.

COSMOGÊNESE - signifi ca geração e criação do Universo.

Estuda o nascimento, o desenvolvimento (expansão) e

recolhimento do Universo.

UNIVERSO - é o conjunto de tudo que existe; o que conhecemos

e mesmo o que desconhecemos. É o conjunto de fatos e

fenômenos perceptíveis, ou não, aos sentidos humanos. Universo é o verso do Uno; é o Uno
na variedade ou na

multiplicidade, diferentemente do Absoluto, da Divindade


Imanifestada ou Manifestada. Se o Universo é o efeito, o conjunto

de fenômenos, a Causa desse efeito permanece indefi nível pela

inteligência, que, pelo menos, a reconhece como o “Nada Tudo”,

a Divindade, o que os sistemas fi losófi co-religiosos tentam

representá-la, na sua forma manifestada, com os vários nomes

de “Deus” (Ishvara, Allah, Jeovah, Logos etc.).

2. VIDA UNA

Como entender a Vida Una se o Mental Concreto permite-nos

apenas ter uma vaga ideia a respeito dela? A expressão Vida Una

refere-se à Divindade em sua Essência Absoluta e Indiferenciada.

Na Manifestação, essa Vida Una toma forma e atributos, mantendo,

no entanto, a Unidade por força da Essência que permanece

indiferenciada, imutável. Essência - do latim, esentia - signifi ca virtude

do ser. Presente em todos os sete planos ou mundos do Universo ou

Macrocosmo, como raio ou centelha da Essência Divina ou original.

A Essência revela-se nos três planos mais sutis ou espirituais e nos

quatro planos mais densos ou materiais, caracterizando os Sete

Estados de Consciência da Divindade Manifestada.

A título de ilustração, diz um provérbio oriental: “Deus dorme

no mineral, sonha na planta, desperta no animal e vive na criatura

humana”. No livro “La Religion de la Naturaleza”, o autor Eduardo

Alfonso, discorrendo sobre a Essência, teve ocasião de escrever

que ela, como Consciência, tem a propriedade de conhecer; e, como

Sensciência, tem a propriedade de sentir, mais ou menos desperta

nos diferentes seres da Criação. Desde que os átomos têm Vida,

todas as suas combinações e formas também estão dotadas de Vida.

Os Reinos da Natureza têm essa Vida de forma mais especializada e

mais organizada, é assim que neles, desde o Mineral, suas criaturas

são distribuídas em gênero, famílias, espécies etc.

Deus é palavra que convoca ideias indefi níveis no âmbito do Mental Concreto para entendê-lo
como manifestação da Vida Una.
Tal difi culdade para conceber essa abstração tem sido contornada

nos estudos comparados sobre as várias Tríades Sagradas, como

é o caso da Santíssima Trindade dos cristãos; o Brahmâ - Vishnu

– Shiva dos hindus; o Osíris – Ísis – Hórus dos antigos egípcios;

enfi m o Pai – Mãe – Filho das muitas tradições. Sem nome, sem

forma, mas real, as Escolas ou Colégios Iniciáticos, ao longo da

história, tentaram caracterizar Deus não como projeção da fi gura

humana, mas como Energia Cósmica que está presente em todas

as criações. Ela está expressa nos três atributos consagrados

da Vontade, Amor – Sabedoria e Atividade. Essa Energia vai se

transmutando através de Planos, Sistemas Planetários, Cadeias,

Rondas, Globos, ou seja, vai se diferenciando na multiplicidade de

formas viventes, segundo os veículos pelos quais ELA age e anima.

Ela percorre um processo complexo, mas harmonioso, sem o que

não haveria o Universo apresentado com todos os seus Planos ou

Mundos de modo maravilhosamente organizado.

Assim como a Vida Una manifestada pode ser entendida como

Vida Universal, a Essência no Universo é a Consciência Universal

ou Cósmica, a Mente Universal, a Mente Demiúrgica, que, para os

antigos budistas do Norte da Índia, é Mahat, o “primeiro produto de

Brahmâ” (Glossário Teosófi co, H. P. Blavatsky).

3. ESPAÇO SEM LIMITES

Nos nossos estudos sobre Cosmogênese, partiremos do

subjetivo para o objetivo, do “Espaço Sem Limites” para o “Espaço

com Limites”, da Vida Una para a Vida Universal, da Divindade

Não Manifestada para Divindade Manifestada; do Absoluto para o

Relativo; do Geral para o Particular.

Eis o grande processo do qual temos que nos imbuir para entendermos

a Cosmogênese. Há nesses estudos a palavra “FOHAT”, de origem

tibetana, que, com frequência, teremos que utilizá-la até mesmo


para o entendimento da Iniciação Eubiótica. FOHAT

Sobre essa palavra, a tradição oculta do Tibete dava-lhe o

sentido de “potência ativa”, “Luz Primordial”, que, no Universo já

manifestado, se apresenta como uma “eletricidade cósmica” dotada

de poder tanto formador como destruidor ou renovador. Antes da

manifestação do Universo, Fohat é apenas uma “ideia abstrata”,

porém dotado de todos os poderes previstos para os fenômenos da

Manifestação. Há muitas informações sobre Fohat e, dentre elas,

citemos aqui algumas:

- Nome dado ao poder criador do “pensamento cósmico” que

se manifesta em todos os planos. Como energia consciente

e obediente à Ideação Cósmica manifestada; é o “laço

misterioso que une o Espírito à Matéria”.

- É única quando surge no Mundo Divino, ou Mundo da

Essência, e fraciona-se em múltiplos de sete quando presente

nas regiões etéreas e físicas da Matéria. Desse modo, de

Fohat, como “Eletricidade Vital”, surge o que conhecemos

como eletricidade, calor, coesão, gravitação, luz, magnetismo

e som, que, por sua vez, se subdividem em outros grupos

setenários de forças. Através de suas sete modalidades

de vibração, na primeira emanação do Terceiro Estado de

Deus, ou 3o Logos, Fohat defi ne a base natural setenária dos

Universos Solares ou dos Sistemas de Evolução. Daí

dizer-se que Fohat é a causa da diferenciação dos Universos.

• No nosso Plano Físico, na região etérea da Matéria, Fohat

é percebida na cor verde. Mas, sendo uma energia originária

do Sol Central do Oitavo Sistema (fonte do nosso Universo),

nele surge na cor amarela.

• Fohat tem mais conotação como uma “força espiritual”,

todavia, é uma força de origem divina ou do estado da

Essência, que atravessa o Mundo Espiritual, cria o átomo


primordial e faz surgir “Satwa”, a qualidade mais sutil da

Matéria. Ao penetrar as regiões mais densas da Matéria, é a

força que, por Vontade do Logos no seu Terceiro Estado ou 3º Logos, eletriza os átomos, cria,
une, combina formas, enlaça

as demais energias cósmicas, colocando-as à disposição da

Mente Universal para a geração e manutenção do Universo.

Após condicionar a formação dos planos ou mundos do

Universo, Fohat põe em ação a Lei da Evolução Cósmica,

pois que ela é a energia dinâmica da Ideação Cósmica.

• As três qualidades de Matéria (“gunas”, em sânscrito),

diferenciadas por força de Fohat, são cromaticamente

correlacionadas com os Planos do Universo como segue:

• “Satwa”- na cor amarela, é a qualidade da Matéria no

Plano Espiritual do Universo.

• “Rajas”- na cor azul, é a qualidade da Matéria no Plano

Psíquico do Universo.

• “Tamas” – na cor vermelha, é a qualidade da Matéria no

Plano Físico do Universo.

• Assim, FOHAT atendendo a Vontade Divina dá início à

manifestação e impulsiona a evolução, ciclicamente, segundo

um jogo polar entre Espírito e Matéria, ou Causa e Efeito,

regido pela Lei da Evolução Cósmica ou Universal.

Há um eterno movimento, um eterno jogo de polaridades

entre Espírito e Matéria, mesmo porque um existe em função do

outro. Não há Espírito sem Matéria, assim como não há Matéria

sem Espírito. São duas coisas aparentemente opostas, mas que,

de fato, se completam. Na sua origem, são uma só coisa que se

polariza ao se manifestar. A Vida está em todas as regiões ou planos

do Universo, em todas as suas criaturas, desde o pó do mineral aos

mais representativos seres da Humanidade. Na fi gura que mostraremos a seguir, procuramos


representar

a regência da Lei de Evolução, para que tudo progrida em harmonia,


correspondendo aos arquétipos e aos atributos da “Vontade, Amor-

Sabedoria e Atividade”: A linha horizontal, na fi gura, expressa a LEI que, por sua

vez, impulsiona a EVOLUÇÃO. A LEI não interfere nem participa; é

apenas LEI.

• Sob sua regência, manifesta-se de imediato a polaridade

universal, distinguindo-se “Espírito” e “Matéria”. Num processo

concomitante de densifi cação, as regiões do Espírito estão

representadas no plano superior da linha, enquanto que as

regiões da Matéria situam-se abaixo, indicando que são regiões

com energias de maior densidade.

• Fohat é instrumento regulado pela LEI, que como já se viu, é

energia divina com poder de construir e também de destruir para

que haja renovação das formas em Evolução.

• A fi gura pretende ainda mostrar que o movimento ondulatório

caracteriza no Macro e no Microcosmo os vários ciclos

necessários á Evolução, sendo que as causas espirituais (os

“noumenos”) precedem aos efeitos materiais (os “fenômenos”),

dentro de uma cronologia perfeitamente estabelecida.

O PROCESSO EVOLUTIVO É CÍCLICO

• Existem ciclos maiores, ciclos menores e ciclos dentro de

ciclos.

• Existem vibrações maiores, vibrações menores e vibrações

dentro de vibrações.

• A evolução ocorre de forma periódica e cíclica, expressando a

“Lei dos Ciclos”, que rege toda a manifestação, inclusive das

Cadeias Setenárias, das Rondas, dos Globos, das Raças.

• Citando o grande teósofo Emanuel Swedenborg, o Professor

Henrique José de Souza, no artigo “Energia Atômica” (revista

Dhâranâ no 86), escreveu: “ A LEI mais essencial da Natureza


é a da vibração. Um ponto imóvel é absolutamente impossível

dentro do nosso sistema. Há os movimentos sutis que chamamos

de vibrações ou ondas; os mais vagarosos que chamamos de

oscilações; as trajetórias dos planetas que chamamos de órbitas;

as épocas da História que conhecemos como ciclos etc. Tudo

isso não é mais do que um movimento ondulatório, cíclico (...)”.

4. DUALIDADE

No 4o Princípio Hermético – “Polaridade”, encontramos o

seguinte:

“Tudo é Duplo; tudo tem polos; tudo tem o seu oposto; o

igual e o desigual são a mesma coisa; os opostos são idênticos

em natureza, mas diferentes em grau; os extremos se tocam;

todas as verdades são meias-verdades; todos os paradoxos

pode ser reconciliados.”

5. POLARIZAÇÃO – PURUSHA E PRAKRITI

No processo manifestativo o Eterno, que é a Unidade, se

polariza. A Criação só é possível através da dinâmica entre dois

polos.

Para compreendermos bem o assunto da evolução, precisamos

nos lembrar de que o Universo provém de uma Unidade em estado

potencial, mas em perfeito equilíbrio. Nesse estado, de perfeito

equilíbrio, a Unidade não poderia criar a Universo. Precisou polarizar-

se, gerar um polo positivo e outro negativo.

Essa polaridade gerada no início da Criação dá ao Universo a

característica fundamental do movimento. A vida em qualquer

organismo nada mais é do que o movimento ou vibração provocado

por essa polaridade, presente em toda a parte, nas mais variadas

formas, como - som, luz, calor, magnetismo, afi nidade química,


eletricidade, emoção, pensamento etc. O repouso absoluto não

existe na Manifestação. Tudo o que existe no Universo, desde os

corpos que vemos no fi rmamento até o menor grão de areia, tudo é

ser vivo, veículo da Essência Una, em vários graus de vibração. Existe um princípio ocultista
que diz: “A matéria nunca é tão ativa

como quando parece inerte”.

A polaridade cósmica que sustenta a matéria está presente no

cotidiano de nossa vida: bem e mal; sim e não; amor e ódio; alto e

baixo; dia e noite...

Surgem então os princípios potenciais do Espírito e da Matéria,

conhecidos na literatura Védica como Purusha e Prakriti. Purusha

compreende estados de Consciência Cósmica. É o Espírito que

paira sobre a Criação, impregnando tudo. Prakriti compreende

os substratos da manifestação, as formas de que se revestem as

consciências para poderem se objetivar e evoluir.

• Purusha e Prakriti não podem subsistir um sem o outro, porque

se constituem em uma polaridade dialética. O que acontece é

que, ao longo da manifestação, existe ora predominância de

um, ora de outro.

• Não pode haver manifestação sem polarização. Para que um

ser humano seja criado ou manifestado, necessária se faz a

polarização Pai-Mãe. Este fato concreto é o mais perfeito refl exo

do que ocorre macro cosmicamente.

A Manifestação acontece por etapas, a partir de um ponto inicial –

o Ponto Laya. A palavra sânscrita, Laya, tem o sentido de dissolução

das formas, mantendo a Substância em seu estado indiferenciado,

mas é também o ponto de partida de um Manvantara, do despertar

da Ideação Cósmica, o início da Manifestação. Laya é o ponto

onde o Nada se faz Tudo, o Não Ser adquire a condição de Ser, o

Absoluto passa a ser Relativo, a ter atributos, formas, limitações.

É nesse ponto o centro abstrato onde ocorre a diferenciação dos


elementos originários dos átomos primordiais que constituem o

nosso Sistema Solar. Fohat condiciona o surgimento de 07 (sete)

pontos Laya que resultam na formação de 7 Sistemas Evolutivos,

onde se desenvolverão os Sistemas Solares.

Já vimos que a Substância Eterna é o substrato do Não Ser que se

transforma no Ser, por Vontade Divina e ação de Fohat. A Substância

se polariza e se despolariza, voltando ao Não Ser, na sua condição

amorfa e indiferenciada, enquanto a Essência permanece imutável.

6. DIAS E NOITES DE BRAHMÂ

Na sucessão daquilo que a Sabedoria Oriental chamou de Dias

e Noites de Brahmâ (Manvantara e Pralaya) tudo surgiu e

permanece. Daí falar-se que o processo evolutivo é cíclico. Do

“Espaço Sem Limites” surgiu o “Espaço com Limites”.

Segundo a Ciência Iniciática, tanto Espírito como Matéria não são

permanentes. Só passam a existir no período de manifestação.

Período de manifestação chamado pelos Brâmanes de Dia de

Brahmâ, ou MANVANTARA.

O período da não manifestação da Divindade é denominado

Noite de Brahmâ ou PRALAYA.

• Manvantara ou Manwantara - Dia de Brahmâ - Período de

Manifestação. Constitui um grande período de evolução. A

cronologia indostânica fala algo acima de 4 trilhões de anos

solares, sendo que a Idade de Brahmâ é uma soma de 100 Dias

de Brahmâ, alternados por Noites de Brahmâ. Portanto são

muitos os Manvantaras

• Pralaya - Noite de Brahmâ – É um grande período de repouso

que sucede ao grande período de atividade ou Manvantara.

Diz-se que o “Eterno parou para pensar”. O que ocorre em tal

período é uma assimilação – por parte da Mente Cósmica – das

experiências havidas durante o Manuântara. Assimiladas tais


experiências, inicia-se um novo período de evolução, ou um

novo Manuântara, já agora com novas características. Toda vez que há um recolhimento das
experiências, após

a dissolução das formas, no Ponto Laya, prepara-se o início de

um novo Manvantara, Fohat é a força que gera o novo Universo

nesse novo Manvantara. Isto signifi ca nova dinâmica no processo

evolucional, conquista de um degrau superior ao anteriormente

fi rmado.

Os Planos ou os Mundos se permeiam no Universo. Eles

possuem uma mesma Essência, uma mesma origem, e por força da

Lei dos Ciclos, dia virá que tudo se confundirá no Absoluto do Não

Ser, do Nada Tudo.

A fi gura seguinte ilustra um pouco do que acabamos de

escrever:

Mas, por que estudarmos Cosmogênese? Uma aspiração

superior da criatura humana é a de ser esclarecida quanto à sua

origem e seu desiderato, ou seja, de onde vem e para onde irá.

O ser humano sendo um “Microcosmo”, refl exo do “Macrocosmo”,

é natural que seja impressionado pela força evolucionária que

impele todo o Universo, do qual é parte, na razão do princípio

hermético que afi rma: “O que está em cima é como o que está em

baixo, e o que está em baixo é como o que está em cima”. Deus

estando dentro e fora de nós é Vida que aspira a meta suprema no

interminável movimento ondulatório repartido em ciclos maiores

e menores de atividades e em respectivos pralayas maiores e

menores.

• SUBSTÂNCIA PRIMORDIAL

A defi nição esotérica de “Substância” é fundamental para o

entendimento básico da Cosmogênese e da Divindade. Defi nições


na linguagem esotérica constituem um grande desafi o para o

mental concreto, comparativo, pois que na maioria das vezes são

abordados temas abstratos. Por exemplo, atribui-se a Eliphas Levy,

autor de muitos livros ocultistas, a seguinte frase: “Defi nir Deus é

negá-lo, porque defi nir é tornar fi nito, dar conceitos, limitar”. Quando

conversamos sobre a Substância Primordial, estamos também

tratando de abstrações. Os antigos teósofos reconheciam na

Substância um aspecto dual: ora perceptível, ora imperceptível, o

que equivale dizer que ora está diferenciada, em substância física,

psíquica e espiritual; ora está indiferenciada como Substância Pré-

Cósmica, Mûlaprakriti ou aquele aspecto do Absoluto, que serve de

base a todos os planos objetivos da Natureza.

• Substância é algo que é Tudo e ao mesmo tempo é Nada; é

Tudo quando se manifesta e é Nada quando não se manifesta,

sendo os dois ao mesmo tempo.

• É raiz indiferenciada dos Universos, que às vezes é confundida

com “Matéria”, mas é preciso lembrar que dela também surge

o “Espírito”. Como Mûlaprakriti, em sânscrito, é defi nida como

Raiz da Natureza ou da Matéria.

• É também importante lembrar que enquanto a Essência é algo

que permanece imutável na condição do Não Ser e do Ser

(do Absoluto e do Manifestado), a Substância diferencia-se na

Manifestação.

“Substância é Aquilo que é tudo e é nada simultaneamente,

raiz dos Universos, causa sem causa de todo o Espírito e de toda

a Matéria, de onde tudo surgiu, onde tudo se manifesta e gravita,

e para onde tudo converge e se recolherá do Ser ao Não Ser”. O ser humano, sendo parte do
Universo, ou seja, da

“Substância em suas diversas diferenciações”, quando pensa nesta,


conecta-se com ela; se não pensa nela, não se liga a ela. Quando

pensamos ou falamos com convicção na Substância, ela manifesta-

se ou apresenta-se, possibilitando-nos plasmar nossas aspirações.

O ser humano, portanto, tem o poder, a força, a categoria hierárquica

de modelar a “Substância”, à semelhança do Universo, do qual é

parte. Como criar as condições para trazer a Substância para o

campo da nossa mente consciente? Lendo, estudando, pensando,

falando a respeito dela.

COSMOGÊNESE – II

AS TRÊS HIPÓSTASES DO LOGOS ÚNICO

• Defi nindo a palavra “Hipóstase”.

Segundo o Dicionário Houaiss: para os pensadores da

Antiguidade, hipóstase é realidade permanente, concreta e

fundamental; substância.

Ao falarmos das três Hipóstases do Logos Único, estamos

de fato nos referindo as três fases do processo da Manifestação

Divina. Assim podemos dizer nos três estados de Deus, ou nas suas

três “pessoas”, a “Santíssima Trindade” dos cristãos, mas também

as Tríades Sagradas do “Pai – Mãe – Filho” das várias tradições

(Brahmâ – Vishnu - Shiva; Osíris – Isis – Hórus; etc). Na linguagem

esotérica é corrente o uso da expressão Logos, de origem grega,

cujo signifi cado é razão, palavra, doutrina. Para os antigos gregos

o signifi cado de Logos, como a razão das coisas ou a palavra,

associado ao signifi cado de Theos, como movimento, equivale ao

que estamos chamando de Manifestação, um movimento onde a

razão das coisas ou o Verbo Criador se destaca em três situações

denominadas 1o, 2o e 3o Logos. Há de considerar que do 1o Logos

- que é a primeira fase da Manifestação - emana o 2o Logos; e de


ambos procede o 3o Logos.

Os membros da SBE adotaram a palavra “Trono” em

substituição a Logos, resultando, portanto, as expressões 1o Trono,

2o Trono, 3o Trono.

Primeira Hipóstase

• Essa Hipóstase é conhecida como 1o Trono ou

1o Logos.

• É expressa por um círculo com um ponto no centro;

correlaciona-se com uma qualidade de Matéria

denominada Satwa; cor amarela.

• É o Mundo das Causas.

• É também conhecida como o “germe no ovo”, a

manifestação primordial do Eterno, por sua própria

Vontade.

• No simbolismo das Trindades, recebe a denomina-

ção de “Plano do Pai”.

Segunda Hipóstase

• Conhecida como 2o Trono ou 2o Logos.

• É expressa por um círculo com um traço na

horizontal; correlaciona-se com Rajas; cor azul

• É o Mundo das Leis, onde se dá a “Plasmação”

das Ideias emanadas do Eterno no 1o Trono.

• O 2o Trono constitui-se de duas Faces: a Superior

e a Inferior.

• A Face superior está em relação com o Espírito; é

a “concavidade do subjetivo absoluto”; está voltada


para o 1o Trono.

• A Face inferior está em relação com a Matéria;

é a “concavidade do concretismo absoluto”. Está

voltada para o 3o Trono.

• No simbolismo das Trindades, recebe a denominção

de “Plano da Mãe”.

• No 2o Trono, a polaridade, já existente em potencial,

se expressa de modo efetivo, mas só será ativada

na 3a hipóstase.

Nessa fase, a polarização cria dois centros cósmicos

ativos:

• Em cima: Purusha / Espírito = um impulso que

impele a busca do não realizado, como expressão

da Vontade Divina.

• Em baixo: Prakriti / Matéria = onde residem as

experiências dos Universos já realizados.

Terceira Hipóstase

• Conhecida como 3o Trono ou 3o Logos.

• É expressa por um círculo com um traço na vertical

e outro na horizontal, formando uma cruz; Tamas é

a sua qualidade de Matéria; cor vermelha.

• É o Mundo dos Efeitos.

• Neste Trono, a polaridade torna-se ativa. Tudo

agora tem seus dois polos, o que caracterizando a

dualidade na ideia manifestada.

• É onde aquilo que foi gerado como ideia no

1o Trono e plasmado no 2o Trono toma forma

material, torna-se efeito, fenômeno, nos vários

planos de que se compõe o Universo.


• Para os antigos teósofos é do 3o Logos que parte

a primeira onda de Vida, a primeira emanação que,

por ação de Fohat, desperta, vitaliza e eletriza os

átomos, como partículas últimas ou unidades de

cada plano cósmico, dotando-os de forças de atração

e repulsão para formarem os seus respectivos

subplanos.

• A cruz no círculo expressa a manifestação ativa, a

realização dos potenciais originados dos Tronos ou

Logos anteriores, gerando os planos, os mundos,

as formas e as criaturas que compõem o Universo.

• No simbolismo das Trindades Sagradas, é o “Plano

do Filho”.

OS SETE AUTO-GERADOS

O Mistério do número 137

Em síntese, pode-se dizer que a Divindade é:

• UNA em Essência;

• TRÍPLICE em Manifestação;

• SÉTUPLA em Evolução.

O número 137 é cabalístico por excelência. Lido ao contrário,

ou seja, 731, revela uma associação correspondente a três letras que

resultam na palavra LEI. Essa associação nos leva a identifi carmos a

origem dos três Poderes que compõem uma República: o Legislativo;

o Executivo; o Judiciário. Expressa, pois, a manifestação da LEI como

causa única e absoluta da existência e da mecânica evolucional dos

Universos. Daí a importância, nos nossos estudos, de estarmos

atentos às analogias que nos permite constatar preciosos saberes,

como esse que permite-nos reconhecer uma “GRANDE LEI QUE A

TUDO E A TODOS REGE”.

Nesse número, pois, está contida a manifestação da LEI por


meio daquele que legisla: o MANU, que dá nome a este primeiro

Grau Iniciático.

No livro de Laurentus, “Ocultismo e Eubiose”, comentando

sobre o assunto, o Autor escreveu: “ o número de maior expressão

cabalística é o 137: o Um da Unidade Imperecível; o Três da sua

manifestação; e o Sete da sua evolução... Na arte musical, como

expressão do Heptacórdio Divino, temos as sete escalas, cada

uma delas composta de sete notas, por meio das quais desliza

um acorde perfeito que, sendo formado de três notas, equivale ao

da referida Mônada. E isso no esplendor Iniciático de Harmonia,

Melodia e Ritmo”. Citando uma das Estâncias de Dzyan, um dos mais

antigos livros do mundo, o Autor comentou a enigmática frase: “Do Uno

-Trino surgiram os Sete Autogerados.” A seguir, esclareceu que “assim

como os sete planetas nasceram do Sol central, formando um sistema,

surgiram ‘os Sete Arcanjos diante do Trono’ (ou ‘Anjos da Presença’), isto é, Aqueles que
contemplam o Sol dos sóis, o Sol Oculto, Sol

Espiritual, Deus, Jeová, Supremo Arquiteto, Unidade donde tudo

procede.” Para corroborar com essa afi rmação, é oportuno lembrar

da palavra autorizada de um dos preclaros membros da Linha dos

Kut – Humpas o seguinte : “O Sol visível não é absolutamente o astro

central de nosso pequeno universo, mas seu véu ou imagem refl etida.

O Sol invisível, Sol oculto é, segundo sabemos, composto de algo sem

nome para a linguagem humana, não podendo, pois, ser comparado

a nenhum dos elementos conhecidos pela Ciência Ofi cial.”

“Do UNO-TRINO surgiram os SETE AUTOGERADOS”

Explicando a imagem acima podemos dizer que:

• O triângulo superior representa o UNO-TRINO. É a Espirituali-

dade máxima. Está em relação com a Primeira Hipóstase da


manifestação: o Primeiro Trono ou Primeiro Logos.

• É também denominado de “SOL CENTRAL DO OITAVO

SISTEMA”, o “LOGOS SOLAR” do nosso Sistema Evolucional.

O Sol Oculto para o qual o Sol físico, que identifi camos no

nosso sistema sideral, é, na verdade, um refl exo Daquele no

mundo que percebemos e codifi camos com a astronomia.

FACE SUPERIOR DO SEGUNDO TRONO

• Ao se manifestar, num plano inferior ao seu, o UNO-TRINO

projeta na “Face Superior do Segundo Trono” (Segunda Hipóstase)

um aspecto que representa “Purusha” (Espírito ou Consciência

Espiritual) do qual emanam os SETE AUTOGERADOS também

conhecidos nas diversas tradições como:

• Os Sete Dhyans-Choans Superiores,

• Os Sete Anjos Da Presença,

• Os Sete Ishwaras,

• Os Sete Luzeiros.

No nosso estudo vamos nos referir a eles com mais frequência

por meio das expressões: Luzeiros e Ishwaras.

Essa projeção do UNO-TRINO no 2o Trono teve como objetivo

plasmar - na matéria - o que foi idealizado no 1o

Trono. É a

partir daí que se inicia o processo desenvolvido pela evolução

setenária cósmica.

A “Suprema Unidade”, o “Logos Único”, o “Oitavo Logos”,

multiplicou-se por sete (7). “Oitavo” tem o sentido de síntese,

ou Aquele que dá origem aos sete (7) que Dele promanaram.

Esses sete (7), por sua vez, por projeções, irão se desdobrando

através de planos cada vez mais densos até chegarem às

criaturas dos Reinos da Natureza, inclusive do Reino Hominal


ou a Humanidade propriamente dita.

Importante: Quando se diz que o UNO-TRINO projetou-se num

plano inferior ao seu – no 2o Trono -, não signifi ca que o 1o Trono

fi cou vazio. O que houve foi um desdobramento, um refl exo do UNO-

TRINO no 2o Trono, em aspecto setenário. O UNO-TRINO continua,

pois, a existir no 1o Trono, de onde inspira, ilumina, no 2o Trono, os

Sete Sóis, os Sete Autogerados que dele emanaram.

FACE INFERIOR DO SEGUNDO TRONO

• Os Sete Autogerados, Sete Ishwaras ou Sete Luzeiros,

ao se projetarem na Face Inferior do 2o Trono, recebem a

denominação de “PLANETÁRIOS”. • Os “Sete Autogerados” constituem, pois, coletivamente,

a Ideação Cósmica plasmada no 2o. Trono, a qual, por sua

vez, se projeta no 3o. Trono. Ali vão surgir, também, as SETE

HIERARQUIAS CRIADORAS.

• É a partir daí que se inicia o processo desenvolvido pela

evolução setenária cósmica.

• O Logos manifestado é impessoal, expresso pelo conjunto

de SETE HIERARQUIAS, cada uma com uma função

específi ca. As SETE HIERARQUIAS são formadas por uma

infi nidade de Seres altamente evoluídos e conscientes que

formam sete (7) centros potenciais que determinarão os sete

(7) Princípios ou linhas de atividades características.

• Cada ser humano está sob a égide de um desses centros

que determinam “ o raio ou a tônica” a que a pessoa pertence.

Cada Hierarquia é presidida por um Luzeiro.

• Como vimos, a “Substância Primordial”, tendo se polarizado,

transforma-se no Ser que projeta (que plasma) no 3o. Trono a

manifestação trina, a qual terá sete princípios, sete estágios

de evolução, estados ou níveis de consciência.


• Para que possa ocorrer a manifestação, o perene fl uxo de vida

emanado do Logos Manifestado, está sempre transformando

em ativas as forças da Natureza, adormecidas, na fonte ou

raiz da Matéria.

São os SETE AUTOGERADOS que dinamizam essas forças, as

quais possuem sete tônicas diferentes (OU OS SETE TATTVAS,

CUJA SÍNTESE É PRANA).

TERCEIRO TRONO

Atribui-se aos antigos teósofos a afi rmação de que a 1a

emanação ou onda de Vida procedente do 3o Logos foi o movimento

necessário para despertar a matéria atômica de cada um dos sete

planos, resultando as combinações que geraram os respectivos

subplanos nos quais a “descida” do Espírito Divino ou portador da

Divina Essência, cada vez mais, foi velando-o até ao ponto em que

mal pudesse ser reconhecida sua Divindade.

É nesse estado ou Logos da Manifestação que se fala

também da ação dos Sete Logóis, equivalentes Àqueles mesmos

Autogerados, operando a Matéria com as correspondentes

Hierarquias Criadoras para a formação do Universo. Pode-se dizer

que estes “Sete Anjos Diante do Trono de Deus” expressam sete

modalidades da Vontade Divina, cujas manifestações físicas são

aquelas sete forças desdobradas da Força Primordial, Fohat, ao

penetrar nas regiões mais densas da Matéria, ou dos Mundos Etéreo

e Físico. Algumas vezes, Fohat é intitulado “Fogo Frio”; e Kundalini,

“Fogo Quente”, os “Pai e Mãe Cósmicos”.

Há que dizer que a “matéria atômica” de cada mundo ou plano

difere entre suas partículas ou unidades em frequência vibratória e,

portanto, a classifi cação usada pela Ciência Ofi cial para moléculas,

átomos, íons, elétrons etc. não atende à Química Oculta quando

esta analisa a composição de planos etéreos e superetéreos, muito


além dos estados sólido, líquido, gasoso e radiante, próprios das

regiões mais densas do plano físico.

O que cientistas da Física grosseiramente reconheceram

como Raio Cósmico, os antigos ocultistas reconheciam como Fohat,

força primordial, criadora, cuja fonte se encontra no Imanifestado.

No artigo “A Energia Atômica”, o Prof. H. J. de Souza compara essa

teoria científi ca com a de Fohat – “a Inteligência Ígnea, ativa, base dos

Fogos Internos do sistema solar” (revista Dhâranâ no86). Para o Autor,

a palavra átomo tem um signifi cado que transcende ao do elemento

químico, ou do supostamente indivisível e último fragmento da matéria

física. É do Autor a seguinte observação: “Nunca é demais comparar

o termo científi co Átomo, com o Atmã, teosófi co, cujo verdadeiro

sentido é: Hálito de Vida (...)”.

COSMOGÊNESE – III

OS PLANOS CÓSMICOS

O Princípio Hermético também conhecido como Princípio da

Correspondência diz:

“O que está em cima é como o que está embaixo; e o que

está embaixo é como o que está em cima”.

O Logos Único, ou o Eterno, para se manifestar, cria os

Planos necessários à sua manifestação. Não são os nossos planos

conhecidos nesta nossa 3a dimensão. São Planos utilizados pelo

Logos, portanto, “Planos Cósmicos ou Universais”. Dentre eles, está

o Plano Físico, onde os sentidos humanos conseguem perceber

algumas de suas regiões, isto é, subplanos mais densos expressos

como estados sólido, líquido, gasoso e radiante; e alguns dos

subplanos menos densos, mais etéreos.

Há teorias antigas no Oriente que concebem o Universo

constituído de 7 Planos Cósmicos, sendo que dois são inacessíveis

à consciência humana, por mais evoluída que seja. Assim, falam de


5 Planos de onde surgiram os sete princípios que constituíram o ser

humano. Pode-se dizer que o sétimo princípio é a própria fração da

Essência Divina à qual servem os seis veículos da criatura humana.

Os 2 Planos Cósmicos mais sutis, inacessíveis à consciência

humana, são denominados, em sânscrito, Mahanirvânico e

Paramahanirvânico, respectivamente, 6o e 7o Planos. Para os 5

Planos, em ordem ascendente, do mais denso para o mais sutil, em

termos da Matéria diferenciada, a classifi cação teosófi ca é: Físico,

Astral, Mental, Búdico, Nirvânico. Nesse Plano ou Nirvâna é onde o

ser humano, evoluído por esforço próprio, está liberto de todos os

efeitos que geram o ciclo das encarnações, está agora no Mundo

das Causas, livre da ilusão dos sentidos, por força do predomínio Entre os membros da SBE,
adota-se a teoria de que os Planos

Cósmicos são em número de 4, concordando também que neles

estão as fontes dos sete princípios que resultam na formação dos

sete veículos da criatura humana. Esses Planos Cósmicos recebem

os nomes de:

ALAYA, MAHAT, KAMA-FOHAT, PRAKRITI.

Em resumo, seguem as considerações que esclareceremos depois:

a. No seu Plano original, o Logos - como UNO TRINO - é tam-

bém conhecido como SOL OCULTO, TRÍPLICE ATMÂ e

ainda BRAHMÂ NIRGUNA.

b. Aqui se torna necessário defi nir o termo “Brahmâ Nirguna”

que signifi ca: Brahmâ sem Guna, ou seja, no seu Plano origi-

nal, o Sol Oculto ainda não está envolvido ou não contém as


três qualidades da Matéria, que conhecemos pelos nomes de

“Satwa, Rajas e Tamas”.

c. Como vimos acima, Ele cria 4 Planos e respectivos subplanos,

sendo esses em número de 7.

d. Nos quatro Planos criados, o Logos Único, o Uno Trino, Sol

Oculto, ou ainda o Tríplice Atmã, muda a sua natureza –

densifi ca-se, limita-se e passa a ser denominado “BRAHMÂ

SAGUNA”, o que quer dizer Brahmâ com Guna, ou envolvido

nas três qualidades da Matéria.

O quadro a seguir apresenta os 4 Planos e respectivos

subplanos, na coluna à direita, encimado pelo Triângulo Superior.

• TRIÂNGULO SUPERIOR

Esse Triângulo representa o Incondicionado, o Indestrutível -

Atmã – O Sol Oculto – Brahmâ Nirguna (sem gunas), onde

as três potencialidades do Ser, ou seja, “Energia”, “Espírito”

e “Matéria” se confundem no Não Ser, no Incognoscível e

Indiferenciado Absoluto. ALAYA

• Entre os gnósticos e cristãos antigos, o sentido dessa expres-

são sânscrita era denominado Anima Mundi. Natureza etérea

que contém todos os éteres inclusive o Akasha. Sua região

superior corresponde ao Nirvâna e, em sua essência, é a base,

a raiz de todas as coisas, por isso mesmo reconhecida como

Mulaprakriti, a Alma Universal, a Alma Mestra, a Ideação Cós-

mica formada pelo concurso dos Sete Luzeiros.

• É o plano arquetipal do Universo, visto que arquétipo, etimo-

logicamente interpretado, signifi ca tipo ou forma de governo.


Pode-se dizer que é o plano mental diretor do Universo, onde o

conjunto de ideias e pensamentos defi nem as formas, porque

o Todo harmônico não pode ser produto do acaso. Toda essa

ordem harmônica terá expressão no plano seguinte, Mahat,

pela ação das Hierarquias Criadoras.

• As Hierarquias Criadoras executam o “plano arquetipal”, por

meio da força consciente de FOHAT, energia dinâmica da

Ideação Cósmica, que serve como ponte para que as ideias

do “Pensamento Divino” sejam impregnadas na Substância

Cósmica, com poderes de leis universais e naturais, que

daquelas são derivadas.

Também se diz que ALAYA é o MUNDO DOS PRINCÍPIOS.

• O Plano de ALAYA se subdivide em 3 subplanos denominados:

ADI – ANUPADAKA – ÁTMICO

Quando estudamos a “Divisão Setenária” – seja do Universo, seja

dos nossos corpos –, aprendemos que existe um Plano Físico,

um Plano Vital (Duplo Etérico), um Plano Astral, um Plano Mental

Concreto, um Plano Mental Abstrato, um Princípio Búdico e um

Princípio Átmico.

Vimos, aqui, que, além do “Princípio Átmico”, existem dois outros,

ainda mais sutis, que são utilizados pelo Logos para se manifestar,

ou seja, “Anupâdaka e Âdi”.

Esses subplanos são chamados de “Arrúpicos”, ou seja, “sem

corpo”. Rúpico vem do sânscrito “Rupa”, que quer dizer: “corpo”.

Entendemos, pois, que, nestes 3 subplanos de ALAYA, o Logos

continua sendo pura energia, puro “espírito universal”, portanto, sem

corpo.
MAHAT

• Esse plano cósmico subdivide-se em 2 subplanos: BÚDICO e

MENTAL

• É o Plano da Mente Cósmica, tendo como seus agentes executores

as Hierarquias Criadoras

• É o MUNDO DAS CAUSAS.

KAMA-FOHAT

• Nesse plano, há um subplano denominado: PLANO ASTRAL.

• É o Astral Cósmico. A Alma Astral ou Emocional do Universo,

onde evoluem os astros ou sóis, imperceptíveis aos sentidos

humanos, que iluminam as Cadeias Planetárias.

• É o MUNDO DAS LEIS.

FÍSICO

• Esse plano expressa-se como Corpo Físico do Universo.

• Corresponde ao nosso PLANO FÍSICO que, por sua vez, se

subdivide em 2 outros subplanos, isto é, nele a Matéria está

diferenciada em Etérica e Densa.

• É no Plano Físico do Universo que evoluem as Cadeias

Planetárias.

• É o MUNDO DOS EFEITOS. Os subplanos correlacionados a MAHAT, KAMA-FOHAT e FÍSICO,

ou seja, Búdico, Mental (Manásico), Astral, Físico etérico e Físico

denso são chamados de “Rúpicos”, pois são estados da Matéria

que já possuem formas, limitações, corpos, sendo que a Essência, o

Atmã, como princípio indiferenciado neles, está, utilizando-os como

vestes, para seu despertar consciente no plano evolucional. Na

linguagem esotérica, a palavra espírito pode ser entendida como

um veículo ou “corpo espiritual” formado de matéria dos subplanos

búdico e manásico (manas no aspecto abstrato ou superior). Além

disso, entende-se que a presença do Atmã, como Centelha ou Raio

originado da Divina Essência, no corpo espiritual do ser humano,

constitui o que se denomina Mônada humana.


ANALISANDO APENAS A MATÉRIA FÍSICA

O Plano Físico, também denominado Mundo Físico, é o mais objetivo

e ilusório dos Planos Cósmicos. Nele é que prioritariamente focamos

a nossa consciência. Didaticamente está descrito em duas regiões

ou subplanos: um, em que a matéria está possível de ser percebida

pelos nossos sentidos ou detectável por aparelhos da Ciência

Ofi cial, denominado físico denso; e, outro, que escapa à percepção

da maior parte da Humanidade, conhecido por físico etérico. Assim

é que falando sobre o sistema solar à luz da astronomia, estamos

falando sobre os corpos físicos dos astros, mas discorrendo sobre

o sistema solar na linguagem esotérica, estamos tratando de

corpos planetários, de matéria hiperfísica, etérea, que foram alvos

de estudo da astrologia, como ramo do Ocultismo, expressões dos

Sete Luzeiros.

• Os sóis que iluminam as Cadeias Planetárias, tidos como de

natureza física, densa, são, na verdade, ainda formas objetivas do

plano físico, mas como vórtices de energia procedente do plano

Kama-Fohat ou Astral Cósmico. Sobre esse assunto, atribui-se a

um Mahatma da linha dos Kut-Humpas a afi rmação de que esses

sóis são “imensos armazéns de energia eletromagnética”.

• A evolução da matéria manifestada em cada Manvantara passa,

necessariamente, pelas sete etapas que constituem a evolução

criadora de todo o universo solar. Em cada etapa da Matéria na

Manifestação, toma um aspecto característico que, no Ocultismo

como nas Ciências Físicas, se chama “Estado da Matéria”.

Os Sete Estados da Matéria no Plano Físico

Analisando apenas a parte mais densa da Matéria ou sua expressão

física mais densa, pode-se dizer que, no quadro que vamos

apresentar a seguir, destacam-se alguns pontos:

• Originalmente a Matéria está num estado informe, como Substância


Primordial Indiferenciada no seio do Absoluto Imanifestado. Está

em um estado correspondente ao do subplano átmico (um dos

subplanos de Alaya). Para a Química Oculta, o estado atômico

da Matéria é um estado hiperfísico que não deve ser confundido

com a dimensão atômica da Química Ofi cial, pois essa trata dos

mais de 100 elementos químicos detectáveis nos estados sólido,

líquido e gasoso, a maioria deles encontrada na Natureza e outros

produzidos em laboratórios.

• Através de suas transformações cíclicas, o percurso evolucional

da Matéria é descrito simbolicamente como um círculo, por ter tido

um ponto de partida e um ponto de chegada, onde, carregada

de experiências, abastece o acervo da Consciência Universal.

No artigo “A Energia Atômica”, o Prof. H. J. de Souza escreveu

o seguinte: “Terminada a viagem, o átomo volve à sua Fonte ou

Origem: o Raio Cósmico; mas, segundo parece, um pouco diferente

de como era quando emergiu por vez primeira (...). Assim, a forma

desaparece e a energia se manifesta. A precisão e inteligência

desenvolvidas em semelhante trajetória acusam uma Consciência

que se há de enriquecer, totalmente, com a experiência” (revista Dhâranâ, no86, ano 1935). O
estado sólido é o ponto extremo inferior do círculo. Mesmo

nesse estado os elementos químicos, comumente conhecidos por

“átomos”, não estão absolutamente unidos em suas superfícies,

os espaços entre eles estão preenchidos por materiais em

densidades menores correspondentes aos dos demais estados

físicos. Além disso estão permeados também de matéria astral

e mental, e dai se dizer que o pensamento humano pode

condicioná-los e produzir fenômenos vistos pelos leigos como

eventos sobrenaturais.

• A curva ascendente do quadro, a seguir, signifi ca a “sutilização”

progressiva da Matéria, depois de ter atingido o ponto máximo

de condensação, o maior grau de densidade. Nesse processo


de sutilização pode-se dizer que a Vida como energia vai se

transformando em Vida Consciente.

• Vai terminar, a Matéria, na última etapa evolucional, em um estado

análogo quando ainda informe e primordial, embora num polo

oposto e superior da evolução, graças aos atributos e características

desenvolvidos e acumulados nessa trajetória. Para os antigos

ocultistas, o ouroboros, palavra de origem grega signifi cando “o que

devora a própria cauda”, era um símbolo solar utilizado com vários

sentidos: ciclo da evolução, eterno retorno, espiral da evolução

que, pelos seus perpétuos ciclos, nunca para, distribuídos em

longos períodos de Atividade alternados por repouso. A imagem

mais divulgada do ouroboros é a de uma serpente que, de modo

circular, morde a sua própria cauda, podendo simbolizar, portanto,

a via evolucional e vitoriosada Matéria.

COSMOGÊNESE - IV