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Maçonaria e Igreja vistas pelos que estudam o assunto

José Maurício Guimarães

No momento em que tanto se discute sobre Maçonaria e suas relações com as


Igrejas e o Cristianismo, minha indicação, desta vez, é para os dois melhores
livros publicados em português. O primeiro, que já indiquei noutra ocasião, é
“Maçonaria e Igreja: conciliáveis ou inconciliáveis” do Padre Jesus Hortal,
teólogo Jesuíta e Reitor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro.
Hortal fez doutorado de Filosofia em Roma e Direito Canônico na Universidade
Gregoriana. Por que indico um padre? Porque a capacidade dele está acima de
quaisquer preconceitos por parte dos medíocres. Hortal lecionou na
Universidade Católica de Goiás, no Colégio Cristo Rei (Faculdade de Teologia)
de São Leopoldo-RS, na UNISINOS, da mesma cidade, e na PUC de Porto
Alegre. O livro “Maçonaria e Igreja: conciliáveis ou inconciliáveis” foi
editado pela Paulus, em 1993, na série “Estudos da CNBB”, volume 66. É um
pequeno volume no formato 12x18 com 87 páginas. Profundo, breve e fácil de
ler – tríplice característica dos bons autores – o livro do padre Hortal aborda,
com coragem, os efeitos da primeira reprovação oficial da Igreja Católica
promulgada contra a Maçonaria: a bula do Papa Clemente XII “In eminenti
apostolatus specula”, de 28 de abril de 1738. Observem que, considerando a
época, foi uma reação muito rápida do Vaticano, apenas 21 anos após a
fundação da Grande Loja da Inglaterra em 1717. A sentença de Clemente XII,
atenuada aqui e ali, prevalece nos dias de hoje em face da Declaração de 26
de Novembro de 1983, assinada pelo então Prefeito da Sagrada Congregação
para a Doutrina da Fé, Cardeal Joseph Ratzinger, atual Papa Bento XVI.
Polêmicas à parte, o melhor que podemos fazer é estudar o livro do padre
Hortal que advoga e pondera sobre um POSSÍVEL e DESEJÁVEL diálogo
entre as duas instituições – a Igreja Católica Romana e a Maçonaria.

Os observadores superficiais que pretendem "dourar a pílula" e adocicar o


problema fariam bom negócio se estudassem a questão de um ponto de vista
desapaixonado e sério. Em 2010 a editora brasileira Madras traduziu do
francês a gigantesca obra de outro padre, José Antonio Ferrer Benimeli -
também jesuíta - historiador considerado pelos próprios pesquisadores Maçons
como "o maior conhecedor da historia da Maçonaria e suas imbricações com a
Igreja Católica Romana". Trata-se do livro "Arquivos Secretos do Vaticano e
a Franco-Maçonaria, História de uma Condenação Pontifícia" (ISBN:978-
85-370-0288-9). O livro tem 672 páginas mais 160 no apêndice perfazendo 832
páginas redigidas com seriedade, isenção e caráter acadêmicos. Nem poderia
ser de outro modo, pois Benimeli é profesor de História Contemporânea
na Universidade de Zaragoza, diretor do Centro de Estudos Históricos sobre
Maçonaria e acadêmico correspondiente da Real Academia de Historia. Para
quem for incapaz de assimilar as teses do padre Hortal num livro de 83
páginas, o fôlego é capaz de acabar diante de Ferrer Benimeli, - não só pelo
tamanho físico da obra como pelo arsenal de conhecimentos que o autor
pressupõe de seus leitores. Entre nós ainda é mais cômodo contarmos
"histórias da carochinha" antes de dormir do que encarar a verdade e os
compromissos de frente. A reconciliação entre a Igreja e Maçonaria é possível
e desejável; mas só acontecerá quando os Maçons se debruçarem sobre os
estudos como fazem esses jesuítas há mais de 50 anos - com seriedade,
espírito acadêmico e isenção. Não podemos tampar o sol com a peneira
deixando aos amadores o ônus de uma "pesquisa" que requer, no
mínimo, formação nos diversos campos da História, da Filosofia, da
hermenêutica e do sentido religioso inerente a cada homem (Maçom ou não);
faz-se necessária uma visão moderna (atualizada) da benemerência maçônica
e do chamado "clero franco-maçom" (herança que não pode ser
desconsiderada) e dos recentes documentos do Vaticano que estão vindo à
tona. Da parte da Igreja Católica antevejo uma boa dose de boa-vontade e
seriedade nesses estudos que, infelizmente, não encontram paralelo nem
respaldo entre aqueles Maçons que se aventuram nesse campo desprovidos
de documentação fidedigna ou respaldo nas especialidades das
cátedras universitárias. Temos, é verdade, Maçons capazes para esse
empreendimento, mesmo no Brasil. Mas tudo nos leva a crer que eles
aguardam o momento certo para exporem suas teses e dialogar com as
Igrejas. Aí sim, os obreiras da Ordem e os Fiéis do Cristianismo encontrarão o
"elo perdido" dessa história que ambos erigiram no passado. Não obstante, e
enquanto aguardamos esses interlocutores da Ordem Maçônica - dispostos e
PREPARADOS para um debate CONSTRUTIVO, permanecerá a antiga
posição de Joseph Ratzinger (atual Papa Bento XVI) quando ele presidia a
Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé: "não compete às autoridades
eclesiásticas locais pronunciarem-se sobre a natureza das associações
maçônicas."

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