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Livro Eletrônico

Aula 04

Direito Administrativo p/ PC-CE (Delegado)

Wagner Damazio

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Wagner Damazio
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Sumário
Sumário ......................................................................................................................... 2
Introdução ..................................................................................................................... 4
1. Considerações Iniciais .................................................................................................. 5
2. Poderes da Administração ............................................................................................. 7
2.1. Abuso de Poder ..................................................................................................... 9
2.1.1. Excesso de Poder ........................................................................................... 13
2.1.2. Desvio de Poder ou de Finalidade ..................................................................... 13
2.1.3. Jurisprudência acerca do Abuso de Poder .......................................................... 14
2.2. Poder Vinculado .................................................................................................. 15
2.2.1. Jurisprudência acerca do Poder Vinculado ......................................................... 18
2.3. Poder Discricionário ............................................................................................. 19
2.3.1. Jurisprudência acerca do Poder Discricionário .................................................... 21
2.4. Poder Hierárquico ................................................................................................ 22
2.4.1. Jurisprudência acerca do Poder Hierárquico ....................................................... 29
2.5. Poder Disciplinar ................................................................................................. 30
2.5.1. Verdade Sabida ............................................................................................. 33
2.5.2. Jurisprudência acerca do Poder Disciplinar ........................................................ 34
2.6. Poder Normativo e Regulamentar .......................................................................... 35
2.6.1. Decreto Autônomo ......................................................................................... 40

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2.6.2. Jurisprudência acerca do Poder Regulamentar e do Decreto Autônomo ................. 43


2.7. Poder de Polícia ................................................................................................... 46
2.7.1. Atributos do Poder de Polícia ........................................................................... 48
2.7.2. Ciclo do Poder de Polícia ................................................................................. 52
2.7.3. Prescrição da Pretensão Punitiva do Poder de Polícia .......................................... 54
2.7.4. Jurisprudência acerca do Poder de Polícia .......................................................... 56
3. Questões de Concursos Anteriores ............................................................................... 60
3.1. Lista de Questões sem Comentários ....................................................................... 60
3.2. Gabarito sem Comentários ................................................................................... 72
3.3. Questões Resolvidas e Comentadas ....................................................................... 75
4. Resumo.................................................................................................................98
5. Considerações Finais ................................................................................................ 105

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Introdução

Caríssim@! Vamos dar continuidade, aqui no Estratégia Concursos, ao


Curso de Direito Administrativo com teoria e exercícios resolvidos e
comentados para o concurso de ingresso à carreira de Delegado da
Polícia Civil do Ceará.
Na aula passada, nós estudamos o tema Agentes Públicos, explorando em
especial:

 o Agente Político;
 o Militar;
 os Servidores Públicos Estatutários;
 os Empregados Públicos;
 os Servidores Temporários;
 os Particulares em Colaboração com o Estado;
 o Regime Jurídico Único;
 a Diferença entre Cargo, Emprego e Função e suas acumulações;
 o Concurso;
 a Estabilidade;
 a Remuneração e o Teto remuneratório;
 a Greve;
 o Regime Próprio e o Complementar de Previdência; e
 Jurisprudência.

Hoje, nós estudaremos os Poderes Administrativos. Tema eminentemente


doutrinário e que as bancas adoram.
Não menospreze este tema porque ele pode pintar em sua prova.
Havendo qualquer dificuldade na compreensão da teoria ou na
resolução dos exercícios, não deixe de entrar em contato
comigo pelo fórum de dúvidas!
Repito que estou sempre atento ao fórum de dúvidas
para, de forma célere, buscar uma maneira de reescrever
o conteúdo ou aclarar a explicação anteriormente
oferecida para que você alcance a sua meta de aprendizagem.
Frise-se que o nosso objetivo precípuo é a sua aprovação e para isso me
dedicarei ao máximo para atendê-lo e auxiliá-lo nessa caminhada.
Que Deus o ilumine nos estudos!
Vamos ao trabalho!

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1. Considerações Iniciais

Como de praxe, inicio esta nossa aula 4 com as seguintes provocações:

Provocações introdutórias para a aula de hoje:

1) O que são e quais são os poderes da administração?

2) Os poderes administrativos são irrenunciáveis?

3) O agente público tem o poder ou o dever de agir?

4) Quais são as espécies do gênero abuso de poder?

5) É certo afirmar que o caso Lesbats, de 1864, julgado pelo Conselho de


Estado na França foi o marco da teoria do abuso de poder?

6) O excesso de poder está relacionado à finalidade e o desvio de poder à


competência?

7) O Congresso Nacional pode sustar atos normativos do Poder Executivo que


exorbitem do poder regulamentar?

8) O que é o princípio da juridicidade? Ele amplia ou mitiga a


discricionariedade/vinculação?

9) A expressão do poder hierárquico se aplica entre ente da Administração


Pública direta e entidade da Administração Pública indireta?

10) Quais os 4 principais objetivos do poder hierárquico?

11) O poder disciplinar fundamenta a prerrogativa de o superior dar ordens


aos subordinados?

12) Qual a diferença entre avocar e delegar?

13) Quais atividades não podem ser delegadas?

14) O delegatário pode subdelegar a delegação recebida?

15) Há exceção ao dever de obediência?

16) A Administração Pública pode revogar seus próprios atos, quando eivados
de vícios que os tornam ilegais?

17) A Administração Pública pode anular seus próprios atos por motivo de

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conveniência ou oportunidade?

18) O poder disciplinar está relacionado à supremacia geral ou especial? E o


poder de polícia?

19) O poder disciplinar fundamenta a sanção na seara administrativa, civil e


penal?

20) O decreto regulamentador pode ser contra legem ou ultra legem?

21) Há no direito brasileiro a figura do decreto autônomo? Se sim, desde


quando?

22) Há no ordenamento jurídico definição do poder de polícia?

23) Quando se considera regular o exercício do poder de polícia?

24) Qual a diferença entre poder de polícia administrativo, polícia judiciária e


polícia ostensiva?

25) Quais são os atributos do Poder de Polícia?

Se você não tem certeza de uma ou algumas das respostas a esses


questionamentos, fique atento que elas estarão ao longo da aula de hoje!

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2. Poderes da Administração

Os poderes administrativos, também denominados pelo Professor Hely


Lopes Meirelles como poderes instrumentais1, são os instrumentos de que
dispõem os agentes públicos para o exercício de suas atividades
legalmente estabelecidas, tudo no interesse da coletividade.
Nessa linha leciona o professor José dos Santos Carvalho Filho2:

O poder administrativo representa uma prerrogativa especial de direito público outorgada


aos agentes do Estado. (...) Uso do poder, portanto, é a utilização normal, pelos agentes
públicos, das prerrogativas que a lei lhes confere.

Ressalte-se, contudo, que essas prerrogativas não são pessoais, mas


funcionais, posto que, em geral, são atribuídas aos cargos, empregos ou
funções públicas.
Destarte, não há que se falar em privilégios, mas sim no exercício de uma
prerrogativa funcional dentro dos limites do ordenamento.
Ou seja, reflexamente, a cada agente público é outorgada uma parcela do
Poder do Estado, em sentido amplo, para que, nos limites da lei, executem em
prol da coletividade as atividades em concreto, em função de serem titulares de
funções administrativas.
De todo modo, frise-se que, ao mesmo tempo que titular de uma
prerrogativa, também nasce para o agente público o dever de exercê-la e sem
desbordar dos limites de atuação fixados por lei para o cargo, emprego ou
função. O não exercício do dever caracterizará uma omissão. Já o exercício que
ultrapasse os limites da lei caracterizará o abuso de poder.
Portanto, não há a possibilidade de o agente público renunciar ao dever a
ele imposto. Enquanto titularizar a função administrativa para a qual a
legislação previu determinadas prerrogativas, estas devem ser exercidas e são
irrenunciáveis.
Daí se falar em poder-dever do agente público em agir.
Nas palavras do professor Hely Lopes Meirelles:

Se para o particular o poder de agir é uma faculdade, para o administrador público é


uma obrigação de atuar, desde que se apresente o ensejo de exercitá-lo em
benefício da comunidade. É que o Direito Público ajunta ao poder do administrador o
dever de administrar.

1 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 137.


2 Manual de Direito Administrativo, 31ª edição, p 48.

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Nessa mesma linha, o professor José dos Santos Carvalho Filho 3 afirma
que:

(...) os poderes administrativos são outorgados aos agentes do Poder Público para lhes
permitir atuação voltada aos interesses da coletividade. Sendo assim, deles emanam duas
ordens de consequência:
1ª) são eles irrenunciáveis; e
2ª) devem ser obrigatoriamente exercidos pelos titulares.

Vamos estudar, então, os poderes administrativos focando nas


peculiaridades mais badaladas nos concursos. No diagrama a seguir indico os
poderes que estudaremos:

Poder Discricionário/Vinculado

Poder Hierárquico

Poder Administrativo Poder Disciplinar

Poder Normativo e Regulamentar

Poder de Polícia

#ficadica

Para a professora Maria Sylvia4, os chamados poderes


discricionário e vinculado não existem como poderes
autônomos. Para ela, eles seriam, quando muito,
atributos de outros poderes ou competência da
Administração.

3 Manual de Direito Administrativo, 31ª edição, p 48.


4 Direito Administrativo, 30ª edição, p 121.

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Antes de aprofundarmos cada um desses temas, é necessária uma


explanação inicial acerca do abuso de poder.

2.1. Abuso de Poder

Como mencionado anteriormente, ocorrerá o abuso de poder quando a


autoridade administrativa se omitir ou quando desbordar dos limites de suas
prerrogativas. Em outras palavras, quando ultrapassar os limites normais de
que dispõe para o exercício das prerrogativas concedidas pelo Estado ou quando
se mantiver inerte em situação que deveria agir no interesse da coletividade.
Na obra do professor Hely Lopes Meirelles5 aduz-se que a origem da teoria
do abuso de poder se deu na França com o julgamento pelo Conselho de Estado
do caso Lesbats em 1864. Nesse julgamento o Conselho de Estado reconheceu
o abuso de poder do Prefeito de Fontainebleau, que proibiu uma das empresas
de ônibus de transporte de passageiros de entrar e estacionar seus veículos no
pátio da estação ferroviária. Isso porque a lei não autorizava que ele assim
procedesse, mas apenas permitia que se regulasse o estacionamento de ônibus
em frente à estação rodoviária. Além disso, o Conselho de Estado declarou não
ser legítima a discriminação entre as transportadoras de passageiros
concedendo autorizações para umas e não para outras, de modo a evitar
privilégios e direcionamento de benefícios a empresas determinadas.
Resume bem o abuso de poder o seguinte parágrafo da obra do ilustre
professor Hely Lopes Meirelles6:

O abuso do poder, como todo ilícito, reveste as formas mais diversas. Ora se apresenta
ostensivo como a truculência, às vezes dissimulado como o estelionato, e não raro
encoberto na aparência ilusória dos atos legais. Em qualquer desses aspectos – flagrante
ou disfarçado – o abuso do poder é sempre uma ilegalidade invalidadora do ato que o
contém. Com base nesse raciocínio, o Conselho de Estado da França passou a anular os
atos abusivos das autoridades administrativas, praticados com excesso de poder ou desvio
de finalidade, desde o famoso caso Lesbats (1864), dando origem à teoria do excès ou do
détournement de pouvoir, hoje aceita e consagrada pelos países democráticos, sob as
mais diversas denominações (desviación de poder, dos espanhóis; sviamento di potere,
dos italianos; abuse of discretion, dos norte-americanos), para reprimir a ilegalidade pelo
mau uso do poder.

O agente público, ao usar o poder de forma adequada, estará agindo com


moralidade, com razoabilidade, com proporcionalidade e visando legitimamente
ao interesse público.
De outro lado, ao se omitir ou desbordar os limites ordinários do uso do
poder administrativo estará o agente público praticando uma ilegalidade.

5 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 121.


6 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 121.

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No plano constitucional, o Constituinte Originário ou Derivado da


Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 - CRFB ressaltou
expressamente a figura do abuso de poder, prevendo inclusive alguns remédios
constitucionais para atacá-lo.
Nesse aspecto, por exemplo, temos:

a) o direito de petição previsto no art. 5º, inciso XXXIV, alínea “a”, da CRFB, no
qual se estabeleceu que:

XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do pagamento de taxas:


a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou
abuso de poder;

b) o habeas corpus previsto no inciso LXVIII do art. 5º da CRFB, cujo teor é:

LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado
de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de
poder;

c) o mandado de segurança previsto no inciso LXIX do art. 5º da CRFB, no qual


se estabeleceu que:

LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa jurídica no exercício de
atribuições do Poder Público;

d) a possibilidade de inelegibilidade constante no §9º do art. 14 da CRFB, no


qual se estabeleceu que:

§ 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de inelegibilidade e os prazos de sua


cessação, a fim de proteger a probidade administrativa, a moralidade para exercício de
mandato considerada vida pregressa do candidato, e a normalidade e legitimidade das
eleições contra a influência do poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo
ou emprego na administração direta ou indireta.

e) a incompatibilidade com o decoro parlamentar tratado no §1º do art. 55 da


CRFB, cujo teor é:

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§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento


interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a
percepção de vantagens indevidas.

f) a competência do Tribunal de Contas para representar ao Poder competente


quando apurar abusos, conforme consta no inciso XI do art. 71 da CRFB:

XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou abusos apurados.

g) a competência conferida ao Conselho Nacional de Justiça - CNJ para


representar o Ministério Público quando constatar abuso de autoridade,
conforme previsto no inciso IV do §4º do art. 103-B:

IV representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a administração pública ou


de abuso de autoridade;

Importante ressaltar que a omissão ou inércia da autoridade também


pode caracterizar abuso de poder.
Esse abuso, inclusive, poderá ser saneado pelo Poder Judiciário. Não
entenda aqui que o Poder Judiciário praticará o ato, mas sim que, utilizando-se
dos instrumentos jurídicos pertinentes, determinará a realização do ato por
parte da autoridade competente e, ainda, em caso de descumprimento, definirá
os meios para o exercício do direito por parte do indivíduo ou pela coletividade,
sem prejuízo quanto à aplicação de sanção à autoridade, se o caso.
Nessa linha, a obra do professor Hely Lopes Meirelles assim discorre:

(...) deve aguardar por um tempo razoável a manifestação da autoridade ou órgão


competente, ultrapassado o qual o silêncio da Administração converte-se em abuso de
poder, corrigível pela via judicial adequada, que tanto pode ser ação ordinária, medida
cautelar, mandado de injunção ou mandado de segurança. Em tal hipótese não cabe ao
Judiciário praticar o ato omitido pela Administração, mas, sim, impor sua prática, ou
desde logo suprir os efeitos, para restaurar ou amparar o direito postulante, violado pelo
silêncio administrativo.
O silêncio não é ato administrativo; é conduta omissiva da Administração que, quando
ofende direito individual ou coletivo dos administrados ou de seus servidores, sujeita-se a
correção judicial e a reparação decorrente de sua inércia.

A própria súmula 429 do STF autoriza a utilização do


mandado de segurança contra omissão de
autoridade:

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Súmula 429:
A existência de recurso administrativo com efeito suspensivo não
impede o uso do mandado de segurança contra omissão da
autoridade.

Exemplos:
a) um exemplo de prática de abuso de autoridade por omissão
seria a não expedição de Certidão Negativa de Débitos ou da
Certidão Positiva com Efeitos de Negativa de que tratam os
artigos 205 e 206 do CTN7. Como sabido, este instrumento é indispensável
para participação em licitações e para assinatura de contratos administrativos.
Assim, a mora da autoridade administrativa quanto à expedição da Certidão
pode ocorrer, por hipótese, para benefício de outro concorrente ao certame.

b) outro exemplo seria o descumprimento injustificado do prazo para decisão


em processo administrativo. Tal fato poderia prejudicar ou beneficiar um
administrado se comparado com outros que tiveram sua decisão
tempestivamente publicada.

Frise-se que o abuso de poder é o gênero do qual emergem duas


espécies: o excesso de poder e o desvio de finalidade.

Excesso de Poder

Abuso de Poder

Desvio de Poder ou Desvio de Finalidade

7 CTN: Art. 205. A lei poderá exigir que a prova da quitação de determinado tributo,
quando exigível, seja feita por certidão negativa, expedida à vista de requerimento do
interessado, que contenha todas as informações necessárias à identificação de sua pessoa,
domicílio fiscal e ramo de negócio ou atividade e indique o período a que se refere o
pedido.Parágrafo único. A certidão negativa será sempre expedida nos termos em que tenha
sido requerida e será fornecida dentro de 10 (dez) dias da data da entrada do requerimento na
repartição.Art. 206. Tem os mesmos efeitos previstos no artigo anterior a certidão de que
conste a existência de créditos não vencidos, em curso de cobrança executiva em que tenha
sido efetivada a penhora, ou cuja exigibilidade esteja suspensa.

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2.1.1. Excesso de Poder

A figura do excesso de poder está relacionada à competência para a


prática do ato administrativo e ocorrerá quando o agente público, embora
detentor inicial da prerrogativa para a realização do ato, agir desbordando os
limites de sua competência, invadindo, portanto, área para a qual ele não
possui a prerrogativa.
Tal qual ocorre com o gênero abuso de poder, também o excesso de poder
pode decorrer de ato flagrante, porque a autoridade frontalmente realiza ato
para o qual não possui competência, ou pode ocorrer de forma escamoteada,
quando a autoridade tentar dar aparência de que possui competência para sua
realização, quando, na verdade, não possui.
Em regra, a figura do excesso de poder ocorre, portanto, por ato
comissivo da autoridade administrativa.

2.1.2. Desvio de Poder ou de Finalidade

A figura do desvio de finalidade, também denominado desvio de poder,


surge quando a autoridade administrativa realiza ou deixa de realizar um ato
para o qual é competente, mas desvirtuando os fins a que a norma almeja ou
mesmo se utilizando de motivos outros que não aqueles que mereceriam o ato
omisso ou comisso.
Ou seja, viola-se a teleologia da norma ou os fundamentos para sua
prática, seja por ação ou omissão.
Na obra do professor Hely Lopes Meirelles8 são apresentados os seguintes
exemplos para o desvio de finalidade ou de poder:

Tais desvios ocorrem, p. ex., quando a autoridade pública decreta uma desapropriação
alegando utilidade pública mas visando, na realidade, a satisfazer interesse pessoal
próprio ou favorecer algum particular com a subsequente transferência do bem
expropriado; ou quando outorga uma permissão sem interesse coletivo; quando classifica
um concorrente por favoritismo, sem atender aos fins objetivados pela licitação; ou,
ainda, quando adquire tipo de veículo com características incompatíveis com a natureza
do serviço a que se destinava; (...) a remoção de servidor público sem justificativa das
razões de ordem pública para a providência.

Importante ressaltar que a Lei de Ação Popular, Lei Federal nº 4.717, de


1965, previu o desvio de finalidade em seu art. 2º, no qual ficou consignado
que:

8 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 123.

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Art. 2º São nulos os atos lesivos ao patrimônio das entidades mencionadas no artigo
anterior, nos casos de: (...)
e) desvio de finalidade.
Parágrafo único. Para a conceituação dos casos de nulidade observar-se-ão as seguintes
normas: (...)
e) o desvio de finalidade se verifica quando o agente pratica o ato visando a fim diverso
daquele previsto, explícita ou implicitamente, na regra de competência.

2.1.3. Jurisprudência acerca do Abuso de Poder

Veja algumas jurisprudências relevantes acerca do


abuso de poder:

Súmula Vinculante 21:


É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios
de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.

(...) a ocorrência de abuso de poder na edição de medidas


provisórias permite o controle judiciário dos pressupostos de
relevância e urgência (...)[RE 581.160, voto do rel. min. Ricardo
Lewandowski, j. 20-6-2012, P, DJE de 23-8-2012, Tema 116.]=
ADI 2.736, rel. min. Cezar Peluso, j. 8-9-2010, P, DJE de 29-3-
2011
Concurso público. MPU. Técnico de Apoio Especializado/Segurança.
Exigência de teste de aptidão física não viola a CF. Legalidade.
(...) Atestado médico específico para realização do TAF
[Teste de Aptidão Física]. Previsão editalícia. Ausência de
ilegalidade ou abuso de poder. Forma de a administração garantir a
integridade dos candidatos na realização das extenuantes provas e resguardar-
se das eventuais responsabilidades, não configurando afronta ao texto
constitucional ou requisito irrazoável.[MS 30.265, rel. min. Gilmar Mendes, j. 6-
3-2012, 2ª T, DJE de 18-5-2012.]

O abuso de poder regulamentar, especialmente nos casos em que o Estado atua


contra legem ou praeter legem, não só expõe o ato transgressor ao controle
jurisdicional, mas viabiliza, até mesmo, tal a gravidade desse comportamento
governamental, o exercício, pelo Congresso Nacional, da competência
extraordinária que lhe confere o art. 49, V, da Constituição da República e que
lhe permite "sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem do
poder regulamentar (...)". Doutrina. Precedentes (RE 318.873 AgR/SC, rel. min.
Celso de Mello, v.g.). Plausibilidade jurídica da impugnação à validade

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constitucional da Instrução Normativa STN 1/2005.[AC 1.033 AgR-


QO, rel. min. Celso de Mello, j. 25-5-2006, P, DJ de 16-6-2006.]

Superado o estudo do abuso de direito, vamos estudar especificamente


cada um dos poderes administrativos, ressaltando que, conforme já aludido,
para a professora Maria Sylvia9, os chamados poderes discricionário e vinculado
não existem como poderes autônomos. Para ela, eles seriam, quando muito,
atributos de outros poderes ou competência da Administração.
De todo modo, pela recorrência nos concursos e considerando a posição
de outros autores, tais como Hely Lopes Meirelles e José dos Santos Carvalho
Filho, vamos estudá-los aqui de forma separada, dando destaque a seus
principais aspectos.

2.2. Poder Vinculado

O poder vinculado decorre da descrição exauriente no próprio texto legal


quanto às condições e os consequentes efeitos a serem praticados pelos
agentes públicos.
O direito positivo não deixa margem para que o agente possa agir de
forma diversa do quanto prescrito.
Portanto, estando todos os elementos descritos em lei, em sentido amplo,
não sobra qualquer discricionariedade ao agente da administração que, por esse
motivo, passa a estar vinculado integralmente ao regramento e especificações
apresentados pelo direito positivo.
Ou seja, sob a perspectiva do órgão que produz a lei ou ato e vincula a
ação do agente público, não deixa de ser uma prerrogativa.
Por outro lado, sob a perspectiva do agente que está vinculado a agir
conforme descrito no ato produzido, está sim mitigado em suas ações, não
havendo aí que se falar em poder e sim em restrição dele.
Na linha dessa segunda perspectiva, assim afirma a professora Maria
Sylvia10:

O chamado “poder vinculado”, na realidade, não encerra “prerrogativa” do Poder


Público, mas, ao contrário, dá ideia de restrição, pois, quando se diz que
determinada atribuição da Administração é vinculada, quer-se significar que está

9 Direito Administrativo, 30ª edição, p 121.


10 Direito Administrativo, 30ª edição, p 121.

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sujeita à lei em praticamente todos os aspectos. O legislador, nessa hipótese,


preestabelece todos os requisitos do ato, de tal forma que, estando eles presentes, não
cabe à autoridade administrativa senão editá-lo, sem apreciação de aspectos concernentes
à oportunidade, conveniência, interesse público, equidade. Esses aspectos foram
previamente valores pelo legislador.

O poder vinculado se relaciona de forma aproximada com o princípio da


legalidade, já que no antecedente normativo (CRFB, lei, regulamento,...)
estarão expressos todos os detalhes para a prática de um ato consequente pelo
agente público.
Isto é, há um dever-ser biunívoco entre antecedente e consequente. Se
ocorrido o fato previsto em lei, há que ser realizado o consequente. De outro
lado, se realizado o consequente, é porque obrigatoriamente ocorreu o
antecedente.
A prática de um ato vinculado pelo agente sem que os requisitos legais
estejam presentes é nulo. De modo semelhante, estando presentes os
requisitos legais, não pode a autoridade deixar de praticá-lo ou fazê-lo de forma
diversa da que determina o dispositivo constante em lei.
Embora os veremos de forma detida na próxima aula, que tratará do tema
do ato administrativo, é relevante ressaltar neste momento que 5 são os
requisitos necessários para a formação de um ato administrativo:

Competência
(Quem?)

Finalidade
(Para quê?)

Forma
(Por qual meio?)

Motivo
(Qual a causa ou fundamento?)

Objeto
(Com qual conteúdo?)

Nos atos vinculados, a regra é que esses 5 requisitos estejam


devidamente descritos na legislação, de modo que a margem de atuação do
agente público seja mínima ou inexistente.

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#ficadica

O exemplo clássico de ato vinculado é a concessão


de licença. Quando cumpridos todos os requisitos
para sua concessão, não pode o administrador
público se negar à emissão.

Frise-se que nem sempre o ato administrativo é 100% vinculado, isso


porque o legislador acaba deixando margem para que a Administração Pública,
por meio de seus agentes, avalie a situação frente ao caso concreto.
Ou seja, o legislador, conhecedor de que as situações fáticas são plurais,
muitas vezes lança mão de quadros possíveis de atuação pela Administração,
deixando certo grau de liberalidade para que a norma em abstrato seja aplicada
em concreto de modo eficiente e não engessada.
Daí decorrem os chamados atos discricionários, oriundos do poder de
discricionariedade do agente público.
Ressalte-se que as margens de discricionariedade do administrador
público vêm sendo mitigadas ao longo do tempo, seja pela ampliação da
produção legiferante ou pela necessidade de observância por parte do agente
público do bloco de legalidade (Constituição, Emendas Constitucionais, tratados
internacionais, leis em sentido formal, regulamentos e atos normas
infraregulamentares). Há, inclusive, que se observar a jurisprudência, quanto
àquelas decisões vinculantes para o agente público.

#ficadica

A partir da Constituição da República Federativa do


Brasil de 1988 – CRFB é possível afirmar que:

a)houve uma intensa constitucionalização do Direito Administrativo, já


que a CRFB foi rica em disciplinas relacionadas ao Regime Jurídico
administrativo, à Administração Pública e aos agentes públicos; e

b) houve uma maior vinculação do agente público ao ordenamento


jurídico como um todo, mitigando as margens de discricionariedade, já que,
desde então, o agente público deve cumprir não só a lei em sentido formal (lei
em sentido estrito), mas também as regras e os princípios administrativos
alçados ao plano constitucional e aqueles disciplinados pela legislação em
sentido amplo.

Atenção 1:a doutrina e a jurisprudência têm denominado mais recentemente


de princípio de juridicidade essa necessidade de observância por parte do

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agente público ao cumprimento da lei e do direito (conjunto amplo de normas


que disciplina o direito administrativo, seja do altiplano constitucional às
normas infraregulamentares),que acarreta uma ampliação do princípio da
legalidade com consequente mitigação das margens de discricionariedade.

Atenção 2: inclusive, a Lei Federal nº 9.784, de 1999, adotou que no


processo administrativo federal devem ser observados a atuação conforme
a lei e o Direito.

2.2.1. Jurisprudência acerca do Poder Vinculado

Veja algumas jurisprudências relevantes acerca do


poder vinculado:

A anistia política é ato vinculado. Comprovados os requisitos


previstos na lei e no regulamento, é dever da administração
declará-la.A ausência de qualquer desses requisitos impede o
reconhecimento desse direito. Decorre do poder de autotutela o
dever das autoridades de revisar, de ofício, os atos administrativos
irregulares que impliquem ônus ao Estado, como é o caso da declaração da
condição de anistiado político (Súmulas 346 e 473, STF). Precedente: RMS
21.259, rel. min. Sepúlveda Pertence, DJ de 8-11-1991.[RMS 25.988, rel. min.
Eros Grau, j. 9-3-2010, 2ª T, DJE de 14-5-2010.]= RMS 31.027 ED, rel. min.
Dias Toffoli, j. 26-6-2012, 1ª T, DJE de 14-9-2012= RMS 31.111 AgR, rel. min.
Ricardo Lewandowski, j. 20-3-2012, 2ª T, DJE de 2-4-2012.
Liberdade e unicidade sindical e competência para o registro de
entidades sindicais (CF, art. 8º, I e II): (...) O que é inerente à
nova concepção constitucional positiva de liberdade sindical é, não
a inexistência de registro público – o qual é reclamado, no sistema
brasileiro, para o aperfeiçoamento da constituição de toda e
qualquer pessoa jurídica de direito privado –, mas, a teor do art. 8º, I, do Texto
Fundamental, "que a lei não poderá exigir autorização do Estado para a
fundação de sindicato": o decisivo, para que se resguardem as liberdades
constitucionais de associação civil ou de associação sindical, é, pois, que se
trate efetivamente de simples registro – ato vinculado, subordinado apenas à
verificação de pressupostos legais –, e não de autorização ou de
reconhecimento discricionários. [MI 144, rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 3-8-
1992, P, DJ de 28-5-1993.]= AI 789.108 AgR, rel. min. Ellen Gracie, j. 5-10-
2010, 2ª T, DJE de 28-10-2010

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Em hipótese de extinção de mandato parlamentar, a sua


declaração pela Mesa é ato vinculado à existência do fato
objetivo que a determina, cuja realidade ou não o interessado pode
induvidosamente submeter ao controle jurisdicional.[MS 25.461,
rel. min. Sepúlveda Pertence, j. 29-6-2006, P, DJ de 22-9-2006.]

2.3. Poder Discricionário

O poder discricionário decorre da autorização legal para que o agente


público tenha certa margem de atuação quanto à prática de um ato
administrativo.
Esse fato origina-se de duas principais vertentes:

 a primeira é o fato de ser dificultoso para o legislador, senão impossível,


prever de forma minudente em lei todos os eventos possíveis de ocorrerem
em concreto, bem como todas as consequências que para cada um desses
eventos seriam aplicadas;

 a segunda é a decisão do legislador, já conhecedor de sua limitação em


regrar todos os eventos, de delegar ao administrador público a
discricionariedade para a melhor consecução do objetivo público em
concreto frente às várias possibilidades que se apresentarem.

Dessas vertentes decorre que o legislador acaba não fixando em lei todos
os requisitos para a prática do ato, deixando o exercício de conveniência e
oportunidade ao agente público quanto aos requisitos motivo e objeto.
Acerca da discricionariedade a professora Maria Sylvia11 discorre que:

A discricionariedade, sim, tem inserida em seu bojo a ideia de prerrogativa, uma vez que
a lei, ao atribuir determinada competência, deixa alguns aspectos do ato para serem
apreciados pela Administração diante do caso concreto; ela implica liberdade a ser
exercida nos limites fixados na lei. No entanto, não se pode dizer que exista como poder
autônomo.

Portanto, dos cinco requisitos do ato administrativo (Competência, Forma,


Finalidade, Motivo e Objeto), somente a competência, a forma e a finalidade
são fixadas no ordenamento, cabendo ao agente competente certo grau de
atuação nos requisitos motivo e objeto que se caracterizam por formar
o campo de atuação discricionária.

11 Direito Administrativo, 30ª edição, p 121.

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Nessa linha é a doutrina do professor Hely Lopes Meirelles12:

Por aí se vê que a discricionariedade é sempre relativa e parcial, porque, quanto à


competência, à forma e à finalidade do ato, a autoridade está subordinada ao que a lei
dispõe, como para qualquer ato vinculado. Com efeito, o administrador, mesmo para a
prática de um ato discricionário, deverá ter competência legal para praticá-lo; deverá
obedecer à forma legal para sua realização; e deverá atender à finalidade legal de todo
ato administrativo, que é o interesse público. O ato discricionário praticado por autoridade
incompetente, ou realizado por forma diversa da prescrita em lei, ou informado de
finalidade estranha ao interesse público, é ilegítimo e nulo. Em tal circunstância, deixaria
de ser ato discricionário para ser ato arbitrário – ilegal, portanto.

Perceba, entretanto, que o agente público não é livre para o exercício de


todos os requisitos do ato e nem mesmo pode declinar da observância dos
princípios que regem a Administração Pública, mesmo para o motivo e o objeto.
Nessa linha, frise-se que discricionariedade não se confunde com
arbitrariedade.
Ou seja, ao agente público só é dada liberdade de escolha para, dentre as
possibilidades que o caso apresenta, realizar aquela que melhor atenda ao
interesse público e não para agir de forma contrária ou divergente quanto à
finalidade da lei, maculando o direito de particulares determinados.
Dessa forma, mesmo para os atos discricionários, os agentes públicos
estão sujeitos aos limites da lei e aos princípios administrativos.
Outro aspecto importante é que a utilização de termos imprecisos ou
indeterminados na lei não acarreta, por si só, o reconhecimento da
discricionariedade do agente para a realização do ato administrativo. Para isso,
o agente público deve utilizar-se de técnicas de interpretação e dos princípios
do direito, de modo a buscar com a máxima otimização atender à finalidade
pública buscada pela lei.
Esse posicionamento é o apresentado na obra do professor Hely Lopes
Meirelles13:

A discricionariedade só pode decorrer de atribuição da lei. Assim, a mera existência dos


chamados “conceitos indeterminados” ou “imprecisos”, porque não têm conteúdos
inequívocos, a nosso ver, não gera discricionariedade, mas necessidade de interpretação
do conceito, a ser feitas especialmente fundada nos princípios da finalidade e da
razoabilidade. Assim, quando o texto legal usar conceitos indeterminados, a
discricionariedade somente poderá ser reconhecida se a lei também autorizá-la.

Por fim, quanto ao poder discricionário, ressalte-se que também ele está
sujeito ao controle pelo Poder Judiciário quando praticado com ilegalidade,

12 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 140.


13 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, pp 139 e 140.

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ainda que seu fundamento seja principiológico, por afrontar, por exemplo, a
moralidade administrativa, a impessoalidade, a publicidade, a eficiência, a
razoabilidade, a proporcionalidade, entre outros.
É certo, contudo, que aquele que se socorrer do Poder Judiciário deve
demonstrar a irregularidade praticada, de modo que sejam fornecidos
elementos hábeis ao Poder Judiciário para avaliação quanto à ilegalidade ou
nulidade do ato.
Repise-se que o Poder Judiciário não substituirá o administrador público
quanto ao mérito do ato administrativo, mas decidirá se o anteriormente
praticado está em linha com a lei, bem como, em caso de nulidade do anterior,
fixará limites específicos para a produção de um novo ato administrativo.

2.3.1. Jurisprudência acerca do Poder Discricionário

Veja algumas jurisprudências relevantes acerca do


poder discricionário:

É possível ao Poder Judiciário determinar a implementação pelo


Estado, quando inadimplente, de políticas públicas
constitucionalmente previstas, sem que haja ingerência em questão
que envolve o poder discricionário do Poder Executivo.[AI 734.487
AgR, rel. min. Ellen Gracie, j. 3-8-2010, 2ª T, DJE de 20-8-2010.
A concessão de indulto aos condenados a penas privativas de
liberdade insere-se no exercício do poder discricionário do
presidente da República, limitado à vedação prevista no
inciso XLIII do art. 5º da Carta da República. [ADI 2.795 MC,
rel. min. Maurício Corrêa, j. 8-5-2003, P, DJ de 20-6-2003.]

Recorrente que era titular de cargo em comissão, sem vínculo


efetivo com a administração pública direta (ou centralizada) da
União Federal. Ato da Presidência do STM consistente na
exoneração desse servidor, licenciado para tratamento de saúde, do
cargo de assessor de ministro daquela alta corte judiciária.
Possibilidade. Natureza jurídica do cargo em comissão. Notas que
tipificam a investidura em referido cargo público. Poder discricionário
da autoridade competente para exonerar, ad nutum, ocupante de cargo
em comissão.[RMS 21.821, rel. min. Celso de Mello, j. 12-4-1994, 1ª T, DJE
de 23-10-2009.]= ARE 663.384 AgR, rel. min. Cármen Lúcia, j. 25-9-2012, 2ª
T, DJE de 11-10-2012

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A jurisprudência desta Suprema Corte entende plenamente


cabível o controle de constitucionalidade dos atos de
imposição de penalidades, especialmente à luz da
razoabilidade, da proporcionalidade e da vedação do uso de
exações com efeito confiscatório (cf., e.g., a ADI 551 e a ADI
2.010). Portanto, como a relação entre a pena imposta e a motivação que a
fundamenta não é imune ao controle de constitucionalidade e de legalidade, as
correções eventualmente cabíveis não significam quebra da separação dos
Poderes. De fato, essa calibração decorre diretamente do sistema de checks and
counterchecks adotado pela Constituição de 1988, dado que a penalização não é
ato discricionário da administração, aferível tão somente em termos de
conveniência e de oportunidade.[RE 595.553 AgR-segundo, voto do rel. min.
Joaquim Barbosa, j. 8-5-2012, 2ª T, DJE de 4-9-2012.]

A isenção fiscal decorre do implemento da política fiscal e


econômica, pelo Estado, tendo em vista o interesse social.É
ato discricionário que escapa ao controle do Poder Judiciário e
envolve juízo de conveniência e oportunidade do Poder Executivo.
O termo inicial de vigência da isenção, fixada a partir da data da
expedição da guia de importação, não infringe o princípio da isonomia tributária,
nem desloca a data da ocorrência do fato gerador do tributo, porque a isenção
diz respeito à exclusão do crédito tributário, enquanto o fato gerador tem
pertinência com o nascimento da obrigação tributária.[AI 151.855 AgR, rel. min.
Paulo Brossard, j. 24-5-1994, 2ª T, DJ de 2-12-1994.]

A Constituição, na parte final do art. 151, I, admite a "concessão


de incentivos fiscais destinados a promover o equilíbrio do
desenvolvimento socioeconômico entre as diferentes regiões
do país". A concessão de isenção é ato discricionário, por meio do
qual o Poder Executivo, fundado em juízo de conveniência e
oportunidade, implementa suas políticas fiscais e econômicas e, portanto, a
análise de seu mérito escapa ao controle do Poder Judiciário. Precedentes: RE
149.659 e AI 138.344 AgR. Não é possível ao Poder Judiciário estender isenção
a contribuintes não contemplados pela lei, a título de isonomia (RE
159.026).[RE 344.331, rel. min. Ellen Gracie, j. 11-2-2003, 1ª T, DJ de 14-3-
2003.]

2.4. Poder Hierárquico

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O poder hierárquico é um dos pilares da organização administrativa, já


que pelo exercício deste poder administrativo é que a Administração Pública
realiza a distribuição e o escalonamento de seus órgãos, funções e agentes.
Dessa estruturação decorre a forma piramidal da Administração Pública e
as relações de subordinação decorrentes das distribuições dos agentes em suas
funções hierarquizadas, tudo com o objetivo de ordenar internamente o
exercício da função administrativa.
Importante ressaltar que, em suas funções típicas, em regra, não há que
se falar em hierarquia no Poder Legislativo (entre parlamentares) e no Poder
Judiciário (entre magistrados).
Nessa linha, não pode um Ministro do STF avocar ação judicial de um
magistrado de primeira instância com base no poder hierárquico. Os
magistrados são independentes e os órgãos julgadores são autônomos.
É certo que o art. 92 da CRFB fixou diferentes órgãos do Poder Judiciário,
estruturando-os com prerrogativas e competências diferentes, mas nem por
isso se aplica ao Poder Judiciário, repise-se que quanto à sua atividade
finalística, o poder hierárquico.
Contudo, totalmente aderente à ideia de poder hierárquico quando se
tiver em mente a estrutura administrativa que há dentro do Poder Judiciário.
Seja pelas diferentes carreiras de apoio à atividade jurisdicional ou pela
estrutura organizacional interna, com fixação de chefias com atribuições
especificas e determinação de quantitativo de colaboradores para o exercício da
atividade da unidade.
De igual modo, um Senador não é um superior hierárquico de um
vereador. São parlamentares com atribuições constitucionalmente fixadas em
pessoas políticas diferentes. Também não há que se falar que um Senador em
segundo mandato é superior hierárquico de um recém empossado.
Por outro lado, também no Poder Legislativo é possível pensar no poder
hierárquico para o exercício de atividades administrativas não diretamente
relacionadas à atividade legiferante.
Assim, as carreiras administrativas de apoio à produção legislativa e a
estrutura organizacional podem se valer do poder hierárquico, sempre
respeitadas as peculiaridades de cada casa legislativa.
Mas é no Poder Executivo que fica bem nítido o exercício do Poder
Hierárquico, já que toda a estrutura piramidal, com distribuição de
competências, é evidente nos diversos organogramas dos órgãos públicos.
Como exemplo, segue o organograma do Ministério da Justiça 14 e alguns
comentários importantes.

14 http://www.justica.gov.br/Acesso/institucional/sumario/organograma/anexos/geral.pdf

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Importante ressaltar que nem todas as entidades ou “caixinhas” do


organograma estão vinculadas pelo poder hierárquico.
Como vimos na organização da Administração Pública, as entidades da
Administração Pública Indireta não são subordinadas aos entes da
Administração Pública Direta, mas sim estão a eles vinculados em função do
controle finalístico ou pela supervisão ministerial.
Assim, ao se incluir a Fundação Nacional do Índio – FUNAI no
organograma do Ministério da Justiça, indica-se a vinculação da aludida
Fundação com o Ministério, mas não pelo poder hierárquico e sim pelo exercício
de atribuições que por competência cabe ao Ministério o controle finalístico.
De acordo com a obra do professor Hely Lopes Meirelles15, o poder
hierárquico tem por objetivo:

15 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 143.

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ordenar as atividades da Administração, repartindo e


escalonando as funções públicas entre os agentes do
Poder, de modo que cada um ossa exercer eficientmente
seu encargo

coordenar as funções públicas no sentido de obter o


funcionamento harmônico de todos o serviços a cargo do
órgão
Poder Hierárquico
visa a:
controlar o cumprimento da lei e instruções,
acompanhando a conduta e o rendimento de cada
servidor

corrigir os erros administrativos pela ação revisora dos


superiores sobre os atos dos subordinados

Além dos objetivos do poder hierárquico indicados no diagrama, dele


ainda decorrem as seguintes prerrogativas ou deveres, entre outras:

 a prerrogativa de o superior hierárquico de dar ordens e de delegar ou


avocar atribuições;
 o dever do superior hierárquico de fiscalizar e rever as atividades
executadas por seus subordinados;
 o dever de obediência do subordinado em cumprir as ordens de seus
superiores hierárquicos, exceto se manifestamente ilegais.

Quanto às prerrogativas e deveres do superior hierárquico, cabe dizer que


o de dar ordens é corolário direto da estrutura hierarquizada com fixação de
responsabilidades para cada função administrativa.
Ademais, o princípio da eficiência, incluído na CRFB pela Emenda
Constitucional nº 19, de 1998, reclama uma ação por resultados no serviço
público, o que só será alcançada se metas factíveis, mas desafiadoras, forem
fixadas e cumpridas.
Para isso, há que se ter um engajamento da equipe e o papel de liderança
do gestor é fundamental não só na distribuição das tarefas, mas também na
fiscalização do seu cumprimento e também em eventual revisão do ato
praticado.
De relevo, portanto, é o dever do gestor, superior hierárquico, fiscalizar
permanentemente o cumprimento das ordens emanadas, de modo que as

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metas sejam cumpridas e o serviço público prestado ao seu destinatário final,


que é o administrado, seja de qualidade e tempestivo.
Caso identifique alguma irregularidade no ato praticado, o superior
hierárquico tem o poder-dever de o corrigir, caso possível, ou o anular.
Já as prerrogativas de avocar e delegar de que o superior hierárquico em
regra dispõe, devem ser utilizadas com o fim de melhor atender ao interesse
público, seja por razões técnicas, sociais, econômicas, jurídicas ou territoriais.
A delegação e a avocação são institutos utilizados para que se permita
que outro agente que não o titular ordinário de determinada competência
execute a atividade.
Ou seja, em que pese a competência ser irrenunciável para o agente que
titulariza a função administrativa a que é inerente a execução de determinada
atribuição, esses institutos permitem que outro agente realize a tarefa.
Nessa linha, o art. 11 da Lei nº 9.784, de 1999, que trata do Processo
Administrativo no âmbito da Administração Pública Federal, estabelece que:

Art. 11. A competência é irrenunciável e se exerce pelos órgãos administrativos a


que foi atribuída como própria, salvo os casos de delegação e avocação legalmente
admitidos.

Na avocação, o superior hierárquico assume atribuição que


ordinariamente é estabelecida para a função exercida por um de seus
subordinados.
De acordo com a o art. 15 da já citada Lei nº 9.784, de 1999 16, a
avocação deve ser utilizada em caráter excepcional e por motivos relevantes
devidamente justificados, bem como em caráter temporário.
Na delegação, que só pode ocorrer quando não houver impedimento legal,
a competência de um órgão pode ser delegada a outro órgão a ele subordinado
ou não17.
Ou seja, enquanto na avocação a autoridade atrai a competência, na
delegação ela distribui competência que inicialmente cabia a si em razão da
função administrativa por ela exercida.

16 Art. 15. Será permitida, em caráter excepcional e por motivos relevantes devidamente
justificados, a avocação temporária de competência atribuída a órgão hierarquicamente inferior.
17 Art. 12. Um órgão administrativo e seu titular poderão, se não houver impedimento
legal, delegar parte da sua competência a outros órgãos ou titulares, ainda que estes não lhe
sejam hierarquicamente subordinados, quando for conveniente, em razão de circunstâncias de
índole técnica, social, econômica, jurídica ou territorial.Parágrafo único. O disposto
no caput deste artigo aplica-se à delegação de competência dos órgãos colegiados aos
respectivos presidentes.

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Mas não são todas as competências que podem ser delegadas. De acordo
com a Lei nº 9.784, de 1999, não podem ser delegadas as seguintes
competências:

a edição de atos de caráter normativo

Não podem ser


a decisão de recursos administrativos
delegadas:

as matérias de competência exclusiva do órgão ou


autoridade

O concurso para Defensor Público do Estado do Acre, aplicado


pelo CESPE em 2017, afirmou em duas alternativas de uma das
questões da prova que: “1) A estrutura hierárquica da
administração pública permite a delegação de órgão superior a
órgão inferior da atribuição para a edição de atos administrativos de caráter normativo;
e 2) A estrutura hierárquica da administração pública permite a delegação a órgão
diverso da competência para a decisão de recurso administrativo.”
Comentários: incorretas as duas assertivas. De acordo com o art. 13 da Lei nº 9.784, de
1999, não podem ser objeto de delegação: I - a edição de atos de caráter normativo; II - a
decisão de recursos administrativos; III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou
autoridade.

O concurso para Defensor Público do Estado do Acre, aplicado


pelo CESPE em 2017, afirmou em uma das alternativas de uma
das questões da prova que: “A estrutura hierárquica da
administração pública permite a avocação por órgão superior,
em caráter ordinário e por tempo indeterminado, de competência atribuída a órgão
hierarquicamente inferior.”
Comentários: incorreta a assertiva. De acordo com o art. 15 da Lei nº 9.784, a avocação
deve ser utilizada em caráter temporário e excepcional, bem como por motivos relevantes
devidamente justificados.

#ficadica

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A menos que expressamente autorizado pelo


delegante, o delegatário não pode subdelegar a
atribuição recebida.

Exemplo:
a) suponha que o Ministro da Justiça tenha delegado ao seu
Chefe de Gabinete (Assessor direto do Ministro) as atribuições
relativas a gestão de recursos humanos (período de concessão
de férias, cessões de servidores, demais licenças e afastamentos, entre outros).
Pode o Chefe de Gabinete subdelegar essas atribuições ao Diretor do
Departamento de Pessoal do Ministério?
Não pode, exceto se expressamente autorizado pelo próprio Ministro da Justiça
(autoridade delegante).

b) no livro do professor Hely Lopes Meirelles18 também há os seguintes


exemplos como vedados à delegação:
b.1) delegação de um Poder do Estado para outro: do Poder Executivo para o
Judiciário ou Legislativo, entre outras combinações;
b.2) delegação do Poder de Tributar: não pode a União delegar sua
competência tributária ao Estado, Distrito Federal ou para algum dos
Municípios;
b.3) delegação de sanção ou veto de lei: não pode o Presidente, Governador
ou Prefeito delegarem a um Ministro ou Secretário a competência para sanção
ou veto de lei.

Decorre também do poder hierárquico o dever de obediência do


subordinado às ordens não manifestamente ilegais de seu superior hierárquico.
Portanto, o agente público tem o dever de cumprir fielmente aquilo que a
ele for atribuído por seus superiores, excluindo-se, contudo, eventuais
determinações que afrontem manifestamente a lei.
A salvaguarda aludida na expressão manifestamente ilegal não exige do
subordinado conhecer de forma científica e profunda todo o ordenamento
jurídico e suas especificidades, mas alude à ilegalidade que decorre do senso
comum proveniente do “homem médio” (bonus pater familias do latim;
reasonable man do inglês).
Portanto, se para uma pessoa com capacidade mediana de interpretação e
compreensão a ordem lhe parecer manifestamente ilegal, razoável que não a

18 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 144.

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execute, externando sua insegurança jurídica quanto à prática do ato requerido


pelo seu superior hierárquico.
Não sendo o caso de ordem manifestamente ilegal, deve o subordinado
executá-la com zelo e eficiência.
Já no caso do não cumprimento por parte do subordinado de ordem legal
do superior hierárquico ou, ainda, quando houver mora para sua execução,
pode ficar caracterizada infração disciplinar e acarretar eventual sanção
decorrente não do poder hierárquico e sim do poder disciplinar que
estudaremos no próximo tópico.

2.4.1. Jurisprudência acerca do Poder Hierárquico

Veja algumas jurisprudências relevantes acerca do


poder hierárquico:

Súmula 346 do STF:


A Administração Pública pode declarar a nulidade dos seus próprios
atos.
Súmula 473:
A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de vícios que
os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.
Cuidando-se de nomeação para pessoas jurídicas distintas e
inexistindo relação de parentesco entre a autoridade nomeante e o
nomeado, a configuração do nepotismo decorrente diretamente da
Súmula Vinculante 13 exige a existência de subordinação da
autoridade nomeante ao poder hierárquico da pessoa cuja relação
de parentesco com o nomeado configura nepotismo a qual, no caso dos autos,
não é possível ser concebida.[Rcl 9.284, rel. min. Dias Toffoli, j. 30-9-2014, 1ª
T, DJE de 19-11-2014.]

Servidor público: teto de remuneração (CF, art. 37, XI):


autoaplicabilidade. Dada a eficácia plena e a aplicabilidade
imediata, inclusive aos entes empresariais da administração
indireta, do art. 37, XI, da Constituição, e do art. 17 do
ADCT, a sua implementação – não dependendo de

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complementação normativa – não parece constituir matéria de reserva


à lei formal e, no âmbito do Executivo, à primeira vista, podia ser
determinada por decreto, que encontra no poder hierárquico do
governador a sua fonte de legitimação.[ADI 1.590 MC, rel. min. Sepúlveda
Pertence, j. 19-6-1997, P, DJ de 15-8-1997.]= RE 285.706, rel. min. Sepúlveda
Pertence, j. 26-6-2002, 1ª T, DJ de 26-4-2002

2.5. Poder Disciplinar

Poder disciplinar é aquele que permite a aplicação de sanção na seara


administrativa ao agente público quando este pratica alguma infração funcional,
bem como a todos aqueles que estejam vinculados à Administração Pública por
relações de qualquer natureza subordinadas ao regramento público.
Frise-se que poder disciplinar e poder hierárquico são diferentes, mas tal
qual o poder hierárquico, o poder disciplinar também é uma das colunas de
sustentação da estrutura organizacional piramidal e hierarquizada dos órgãos e
entidades que realizam a função administrativa em concreto.
Ou seja, em que pese ser o poder hierárquico aquele que permite a
estruturação e organização funcional da parte da Administração Pública que
assim é ordenada, é o poder disciplinar que mantém hígido esse sistema, já
que, se não houvesse a possibilidade de sanção aplicável pelo superior
hierárquico em caso de descumprimento funcional do subordinado,
provavelmente esse modelo de estruturação ruiria.
A obra do professor Hely Lopes Meirelles19 aduz que o poder disciplinar
exemplifica uma Supremacia Especial que o Estado exerce sobre todos aqueles
que com ele se relacionam:

Poder disciplinar é a faculdade de punir internamente as infrações funcionais dos


servidores e demais pessoas sujeitas à disciplinados órgãos e serviços da Administração. É
uma supremacia especial que o Estado exerce sobre todos aqueles que se vinculam à
Administração por relações de qualquer natureza, subordinando-se às normas de
funcionamento do serviço ou do estabelecimento que passam a integrar definitiva ou
transitoriamente.

Portanto, o poder disciplinar não se aplica apenas aos agentes


públicos (agentes políticos, servidores públicos estatutários, empregados
públicos, servidores temporários, militares e particulares em colaboração com o
Poder Público), mas também a todos aqueles que estejam vinculados à

19 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 144.

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Administração Pública por relações de qualquer natureza subordinadas


ao regramento público.

O concursopara Juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Santa


Catarina, aplicado pela FCC em 2017, afirmou em uma das
alternativas de uma das questões da prova que: “sobre o
exercício do poder disciplinar da Administração Pública, é correto
afirmar que tal poder é exercido somente em face de servidores regidos pelas normas
estatutárias, não se aplicando aos empregados públicos, regidos pela Consolidação das Leis
do Trabalho.”
Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque o poder disciplinar da
Administração não se restringe aos servidores estatutários, aplicando-se a todos os agentes
públicos e a terceiros que estejam vinculados pela sujeição especial ao Poder Público.

O concursopara Juiz de Direito do Tribunal de Justiça de Santa


Catarina, aplicado pela FCC em 2017, afirmou em uma das
alternativas de uma das questões da prova que: “sobre o
exercício do poder disciplinar da Administração Pública, é correto
afirmar que tal poderé extensível a sujeitos que tenham um vínculo de natureza especial com
a Administração, sejam ou não servidores públicos.”
Comentários: correta a assertiva. Correta a assertiva porque o poder disciplinar da
Administração também se aplica a terceiros que estejam vinculados pela sujeição especial ao
Poder Público.

Nós estudamos a Teoria da Supremacia Especial em nossa primeira aula,


mas, em função da citação, é importante que você rememore.

#ficadica

Teoria da Supremacia Especial: importada para o


Direito Administrativo brasileiro por Celso Antônio
Bandeira de Mello20 sob influência de Otto Mayer e
Renato Alessi, doutrinadores alemão e italiano, respectivamente, a Teoria
da Supremacia Especial (também denominada Sujeição Especial) busca
relativizar o princípio da legalidade estrita pela impossibilidade fática de o
legislador não conseguir disciplinar todas as situações da vida cotidiana e por
haver em cena uma maior proximidade física ou jurídica entre o administrado
e a Administração Pública.
Ou seja, por meio de Atos Administrativos a Administração Pública,
segundo a Teoria da Supremacia Especial, pode exigir ou obrigar
alguma ação ou omissão do particular, bem como autoexecutar esse
mandamento no caso de descumprimento pelo particular.
Seria um afrouxamento da legalidade estrita frente às necessidades

20 Curso de Direito Administrativo. 14ª edição. p. 699 a 704.

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da Administração Pública no exercício concreto da função


administrativa para atender ao interesse público.
Diferentemente é o que ocorre com a Supremacia Geral, que advém da
vinculação à legalidade estrita, ao Poder de Império (Poder de Polícia), à
verticalização da relação Estado-particular e, do ponto de vista positivista, à
determinação constante no art. 5º, inciso II, da CRFB pelo qual se estabelece
que “ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa
senão em virtude de lei”.
Para a Supremacia Geral prepondera o Poder de Polícia, já para a
Supremacia Especial prepondera o Poder Disciplinar.

Importante ressaltar, contudo, que a Teoria da Supremacia Especial trata


da possibilidade de o Poder Público, por sua proximidade com aquele com o
qual está se relacionando, pode fixar regramentos de condutas, horários,
procedimentos, fixação da sanção, entre outros.
No que tange à sanção, em que pese estar presente o poder-dever do
superior hierárquico em aplicar a sanção administrativa, sob pena de incorrer
em condescendência criminosa, nos termos do art. 320 do Código Penal (abaixo
transcrito), a autoridade competente para aplicar a sanção possui uma margem
de discricionariedade quanto à pena a ser aplicada dentre aquelas possíveis
previstas em lei, a depender da gravidade do ato praticado:

Condescendência criminosa
Art. 320 - Deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que
cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato
ao conhecimento da autoridade competente:
Pena - detenção, de quinze dias a um mês, ou multa

Isto é, ocorrendo a infração, a penalidade se impõe, mas a dosimetria


poderá ser sopesada pelo administrador público competente.
De relevo novamente chamar atenção para o fato de que
discricionariedade não é arbitrariedade. Assim, ainda que haja uma margem
para a dosimetria da sanção, há que se motivar de forma fundamentada a sua
aplicação e respeitar os princípios norteadores ao caso, em especial o devido
processo legal, com ampla defesa e contraditório.
Assim discorre Hely Lopes Meirelles21:

Outra característica do poder disciplinar é seu discricionarismo, no sentido de que não


está vinculado a prévia definição da lei sobre a infração funcional e a respectiva sanção.

21 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 146.

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Não se aplica ao poder disciplinar o princípio da pena específica que domina inteiramente
o Direito Criminal comum, ao afirmar a inexistência da infração penal sem prévia lei que a
defina e apene: “nullum crimen, nulla poena sine lege”. Esse princípio não vigora em
matéria disciplinar. O administrador, no seu prudente critério, tendo em vista os deveres
do infrator em relação ao serviço e verificando a falta, aplicará a sanção que julgar
cabível, oportuna e conveniente, dentre as que estiverem enumeradas em lei ou
regulamento para a generalidade das infrações administrativas.

Frise-se também que o poder disciplinar fundamenta a sanção na seara


administrativa, mas não na seara penal ou civil.
Isto é, as instâncias civil, penal e administrativa são autônomas e
independentes, podendo um mesmo ato ser sancionado nas três esferas sem
que ocorra o bis in idem.
Na esfera administrativa, funda-se a sanção no poder disciplinar. Na
esfera civil, na obrigação de reparação do dano patrimonial ou moral. Na esfera
penal, no poder punitivo do Estado com ultima ratio para o convívio social.

2.5.1. Verdade Sabida

Antes da Constituição de 1988, ainda havia a aplicação do instituto da


“verdade sabida” nos processos administrativos de pretensão punitiva
decorrente do poder disciplinar.

Verdade sabida: nada mais é do que a presunção absoluta por parte da


autoridade competente de que a falta disciplinar ocorreu, seja porque ela foi
realizada em sua presença ou contra a própria autoridade, autorizando a
aplicação de sanção sem observância de qualquer formalidade.

Assim, tendo a autoridade competente presenciado a pratica infracional


do subordinado seja contra terceiros, contra a Administração ou contra si (a
própria autoridade), ela poderia aplicar sanção ao subordinado sem a realização
de qualquer procedimento formal que respeitasse o devido processo legal em
âmbito administrativo.
Ocorre que o inciso LV do art. 5º da CRFB garantiu o due process of
law, com respeito ao contraditório e ampla defesa tanto para o
processo judicial quanto para o processo administrativo, extirpando a
possibilidade de aplicação sob a nova ordem constitucional do instituto da
verdade sabida.

LV - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral


são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes;

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Catarina, aplicado pela FCC em 2017, afirmou em uma das
alternativas de uma das questões da prova que: “Sobre o
exercício do poder disciplinar da Administração Pública, é correto
afirmar que tal poder admite a aplicação de sanções de maneira imediata, desde que tenha
havido prova inconteste da conduta ou que ela tenha sido presenciada pela autoridade
superior do servidor apenado.”
Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque, não se aplica no direito
brasileiro, em especial a partir da Constituição de 1988, o instituto da “verdade sabida”. O
inciso LV do art. 5º da CRFB exige a observância do devido processo legal (due process of
law), assegurada a ampla defesa e o contraditório tanto no processo judicial quanto no
processo administrativo.

2.5.2. Jurisprudência acerca do Poder Disciplinar

Veja algumas jurisprudências relevantes acerca do


poder disciplinar:
Servidor público. Processo administrativo. Demissão. Poder
disciplinar. Limites de atuação do Poder Judiciário. Princípio da
ampla defesa. Ato de improbidade. (...) A autoridade administrativa
está autorizada a praticar atos discricionários apenas quando norma
jurídica válida expressamente a ela atribuir essa livre atuação. Os
atos administrativos que envolvem a aplicação de "conceitos
indeterminados" estão sujeitos ao exame e controle do Poder
Judiciário. O controle jurisdicional pode e deve incidir sobre os
elementos do ato, à luz dos princípios que regem a atuação da
Administração. (...) A capitulação do ilícito administrativo não pode ser aberta
a ponto de impossibilitar o direito de defesa. [RMS 24.699, rel. min. Eros Grau,
j. 30-11-2004, 1ª T, DJ de 1º-7-2005.] = RMS 24.129, rel. min. Joaquim
Barbosa, j. 20-3-2012, 2ª T, DJE de 30-4-2012
Poder disciplinar. Prescrição. Anotação de fatos desabonadores
nos assentamentos funcionais. Declaração incidental de
inconstitucionalidade do art. 170 da Lei 8.112/1990. Violação do
princípio da presunção de inocência. (...) A instauração do
processo disciplinar interrompe o curso do prazo
prescricional da infração, que volta a correr depois de ultrapassados 140 dias
sem que haja decisão definitiva. [MS 23.262, rel. min. Dias Toffoli, j. 23-4-2014,
P, DJE de 30-10-2014.]

O sentido da restrição dele quanto às punições disciplinares


militares (art. 142, § 2º, da CF). (...) O entendimento relativo ao §
2º do art. 153 da EC 1/1969, segundo o qual o princípio de que,
nas transgressões disciplinares, não cabia habeas corpus não
impedia que se examinasse, nele, a ocorrência dos quatro

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pressupostos de legalidade dessas transgressões (a hierarquia, o poder


disciplinar, o ato ligado à função e a pena susceptível de ser aplicada
disciplinarmente), continua válido para o disposto no § 2º do art. 142 da atual
Constituição, que é apenas mais restritivo quanto ao âmbito dessas
transgressões disciplinares, pois as limita às de natureza militar. [HC 70.648,
rel. min. Moreira Alves, j. 9-11-1993, 1ª T, DJ de 4-3-1994.]= RHC 88.543, rel.
min. Ricardo Lewandowski, j. 3-4-2007, 1ª T, DJ de 27-4-2007= RE 338.840,
rel. min. Ellen Gracie, j. 19-8-2003, 2ª T, DJ de 12-9-2003

2.6. Poder Normativo e Regulamentar

#ficadica

Antes de discorrer sobre o poder normativo e/ou


regulamentar, é importante tratar da questão
semântica.
Há doutrinadores que não diferenciam poder normativo de poder
regulamentar, como o professor José dos Santos Carvalho Filho. Já há outros
que fazem essa diferenciação, tais como a professora Maria Sylvia Zanella Di
Pietro e Hely Lopes Meirelles.
A professora Maria Sylvia22, inclusive, afirma que:

Normalmente, fala-se em poder regulamentar; preferimos falar em poder


normativo, já que aquele não esgota toda a competência normativa da Administração
Pública; é apenas uma de suas formas de expressão, coexistindo com outras, conforme
se verá.(...) Insere-se, portanto, o poder regulamentar como uma das formas pelas
quais se expressa a função normativa do Poder Executivo. Pode ser definido como o que
cabe ao Chefe do Poder Executivo da União, dos Estados e dos Municípios, de editar
normas complementares à lei, para sua fiel execução.

Ou seja, poder normativo, em sua doutrina, é o gênero do qual o poder


regulamentar é espécie, sendo este de competência do Chefe do Executivo.

Ainda mais contundente é a doutrina de Hely Lopes Meirelles que afirma:

O poder regulamentar é a faculdade de que dispõem os Chefes de Executivo (Presidente


da República, Governadores e Prefeitos) de explicar a lei para sua correta execução, ou
de expedir decretos autônomos sobre matéria de sua competência ainda não

22 Direito Administrativo, 30ª edição, p 120.

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disciplinada por lei. É um poder inerente e privativo do Chefe do Executivo (CF,


art. 84, IV), e, por isso mesmo, indelegável a qualquer subordinado.

Em contraponto doutrinário, o professor José dos Santos Carvalho Filho


discorre acerca de outros atos normativos. Veja:

Há também atos normativos que, editados por outras autoridades


administrativas, podem caracterizar-se como inseridos no poder regulamentar.
É o caso de instruções normativas, resoluções, portarias etc. Tais atos têm
frequentemente um círculo de aplicação mais restrito, mas, veiculando normas gerias e
abstratas para a explicitação das leis, não deixam de ser, a seu modo, meios de
formalização do poder regulamentar.
Por esse motivo é que, considerando nosso sistema de hierarquia normativa,
podemos dizer que existem graus diversos de regulamentação conforme o
patamar em que se aloje o ato regulamentador.Os decretos e regulamentos podem
ser considerados como atos de regulamentação de primeiro grau; outros atos que a eles
se subordinem e que, por sua vez, os regulamentem, evidentemente com maior
detalhamento, podem ser qualificados como atos de regulamentação de segundo grau, e
assim por diante.

Portanto, por haver correntes doutrinárias diferentes, fique atento à resolução


das questões da prova e saiba que para alguns autores diferencia-se poder
normativo (mais amplo) de poder regulamentar (privativo dos Chefes dos
Poderes Executivos Federal, Estadual, Distrital e Municipal).

Feita essa importante diferenciação, vamos às especificidades do poder


normativo e/ou regulamentar23.

O poder normativo é aquele que permite a Administração Pública produzir


atos que explicam, complementam e facilitam a execução das leis.
Por meio do poder normativo a Administração Pública supre as eventuais
lacunas da lei que não permitiriam ou tornariam dificultosa a sua execução com
apenas o teor estrito constante no plano legal.
Ou seja, em que pese haver leis que não exijam a normatização para sua
produção de efeitos e execução, poderá a lei ser regulamentada a critério do
Poder Executivo para facilitar o seu cumprimento no plano concreto.
A CRFB previu em seu art. 84, inciso IV, a possibilidade de exercício do
poder regulamentar pelo Presidente da República:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...)

23 Para fins dessa aula, adotaremos poder normativo quando falarmos de forma mais ampla
e regulamentar quando focando no decreto do Chefe do Poder Executivo.

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IV - sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem como expedir decretos e


regulamentos para sua fiel execução;

Ressalte-se que, em que pese a CRFB tratar apenas da figura do Chefe do


Poder Executivo Federal, aplica-se por simetria aos Governadores dos Estados e
do Distrito Federal, bem como aos Prefeitos.
Frise-se, entretanto, que o poder regulamentar ou normativo em geral
não autoriza que sejam produzidas disposições que maculem a reserva de lei.
Isto é, não se pode, a pretexto do exercício do poder regulamentar, produzir
normativo infralegal que inove materialmente e discipline matéria não prevista
em lei e que exige este tipo de ato normativo.
Ou seja, o decreto regulamentador disciplina a lei para sua fiel execução,
não podendo ser contra legem ou ultra legem. De igual modo as normas
infraregulamentares.
Inclusive, a CRFB em seu art. 49, inciso V, fixou como competência
exclusiva do Congresso Nacional a possibilidade de sustação de atos normativos
do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa.
Importante neste ponto apresentar a doutrina do professor José dos
Santos Carvalho Filho24 no sentido de que, para ele, é legítima a fixação de
obrigações subsidiárias (ou derivadas) pelo poder regulamentar, desde que
adequadas às obrigações primárias (ou originárias). Veja:

É legítima, porém, a fixação de obrigações subsidiárias (ou derivadas) – diversas das


obrigações primárias (ou originárias) contidas na lei – nas quais também se encontra
imposição de certa conduta dirigida ao administrado. Constitui, no entanto, requisito de
validade de tais obrigações sua necessária adequação às obrigações legais. Inobservado
esse requisito, são inválidas as normas que as preveem e, em consequência, as próprias
obrigações. Se, por exemplo, a lei concede algum benefício mediante a comprovação de
determinado fato jurídico, pode o ato regulamentar indicar quais documentos o
interessado estará obrigado a apresentar. Essa obrigação é derivada e legítima por estar
amparada na lei O que é vedado e claramente ilegal é a exigência de obrigações derivadas
impertinentes ou desnecessárias em relação à obrigação legal; nesse caso, haveria
vulneração direta ao princípio da proporcionalidade e ofensa indireta ao princípio da
reserva legal, previsto, como vimos, no art. 5º, II, da CF.

Como já ressaltado, sem dúvida a Administração Pública, no exercício


concreto da função administrativa, tem maior conhecimento das necessidades
de regramentos e orientações a serem dadas aos administrados para que o
serviço público seja eficientemente executado.
Nessa linha, em regra, as leis definem as linhas mestras acerca do tema
objeto do seu conteúdo e o Chefe do Poder Executivo, por meio de Decreto
Regulamentador, pormenoriza os dispositivos legais, descendo a minúcias

24 Manual de Direito Administrativo, 31ª edição, p 62.

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próprias do exercício do dia a dia da atividade administrativa para a execução


do tema previsto em abstrato pela Casa Legislativa.

#ficadica

Nesse contexto, surge inclusive o instituto da


deslegalização. Ou seja, há matérias que por sua
complexidade técnica ou mesmo pela multiplicidade de
possibilidades fáticas de ação fazem com que o Poder
Legislativo delegue expressamente ao Poder Executivo, por meio do poder
normativo, disciplinar aquele determinado tema, dentro dos limites da
delegação e respeitados os modelos prescritos na lei (delegation with
standards).

Atenção: a depender do tema, a doutrina diferencia, ainda, poder


regulamentador de poder regulador, indicando este último a intensa
capacidade de criar normas técnicas de observância obrigatória por aqueles a
quem dirigidas. É o caso das agências reguladoras e suas regulações do
mercado em que atuam.

Repise-se que o regulamento não pode desbordar dos limites da lei,


devendo se limitar a: esclarecer a lei; complementar a finalidade legal com
detalhamento de procedimentos; facilitar a execução para o administrado;
orientar o administrado quanto ao cumprimento de condições e forma para
exercício de eventual direito; definir prazos quando expressamente delegado;
fixar as condições que a lei tenha eventualmente determinado que fizesse;
entre outros.
Nessa linha, são límpidas as palavras constantes na obra do professor
Hely Lopes Meirelles25:

O regulamento não é lei, embora a ela se assemelhe no conteúdo e poder normativo, nem
toda lei depende de regulamento para ser executada, mas toda e qualquer lei pode ser
regulamentada se o Executivo julgar conveniente fazê-lo. Sendo o regulamento, na
hierarquia das normas, ato inferior à lei, não a pode contrariar, nem restringir ou
ampliar suas disposições. Só lhe cabe explicitar a lei, dentro dos limites por ela
traçados, ou completá-la, fixando critérios técnicos e procedimentos necessários
para sua aplicação. Na omissão da lei, o regulamento supre a lacuna, até que o
legislador complete os claros da legislação. Enquanto não o fizer, vige o regulamento,
desde que não invada matéria reservada à lei.

25 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 150.

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Outro ponto de relevo é o fato de que há leis que são produzidas e que
expressamente exigem a produção de regulamento para a sua produção de
efeitos.
Assim, a eficácia da lei depende de o Chefe do Poder Executivo, por meio
de Decreto, regulamentar a sua aplicação.
Em geral, essas leis podem fixar em seu próprio texto determinado prazo
para que o Poder Executivo produza o aludido regulamento (30 dias, 90 dias,
180 dias, ...) ou podem se manter silentes quanto ao prazo.
Seja em um caso ou noutro, as leis não podem produzir efeitos enquanto
não publicado o decreto regulamentador, atuando este como condição
suspensiva para a eficácia da lei.
Superado o prazo, quando previsto expressamente em lei, sem que o
Executivo tenha produzido o regulamento, o administrado poderá lançar mão do
remédio constitucional adequado que é o mandado de injunção de que trata o
inciso LXXI, do art. 5º, da CRFB:

LXXI - conceder-se-á mandado de injunção sempre que a falta de norma regulamentadora


torne inviável o exercício dos direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas
inerentes à nacionalidade, à soberania e à cidadania;

De igual modo, também caberá o mandado de injunção no caso de a lei


não prever prazo para o regulamento, mas no caso concreto o lapso temporal
percorrido sem a aludida produção configure flagrante descumprimento do
princípio da razoabilidade.
É certo, contudo, que a avaliação quanto a se o lapso temporal realmente
aduz à aplicação do princípio da razoabilidade será do Poder Judiciário.
Por fim, frise-se que o poder regulamentar não se exaure na figura do
decreto, ato normativo de competência privativa do Chefe do Poder Executivo
(Presidente, Governador, Prefeito), mas também inclui outros atos normativos
de menor hierarquia que sejam de caráter geral e abstrato, cujas competências
são de autoridades administrativas de hierarquia inferior à do Chefe do
Executivo, tais como:

 Portarias;
 Instrução Normativa;
 Orientação Normativa;
 Parecer Normativo;
 Ato Declaratório Interpretativo;
 Nota Técnica;
 Norma de Execução; e

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 Ordem de Serviço.

2.6.1. Decreto Autônomo

Além da figura do decreto regulamentador, é necessário abordarmos a


figura do decreto autônomo.
Como vimos, o decreto regulamentador se limita a disciplinar os
dispositivos legais, não podendo ir além do que fixado na lei. Ou seja, disciplina
a lei para sua fiel execução, não podendo ser contra legem ou ultra legem.
Por outro lado, o decreto autônomo é o ato normativo de competência do
Chefe do Poder Executivo que permite inovar no ordenamento jurídico, mesmo
sem lei anterior que discipline seu objeto.
Do ponto de vista normativo, a figura do decreto autônomo existia na
Constituição de 1967, com a redação da Emenda Constitucional nº 1, de 1969,
em seu art. 81, inciso V, que previa:

Art. 81. Compete privativamente ao Presidente da República: (...)


V - dispor sôbre a estruturação, atribuições e funcionamento dos órgãos da administração
federal;

Contudo, o texto originário da Constituição de 1988 não manteve esse


dispositivo, e incluiu entre as competências privativas do Presidente da
República dispor sobre a organização e o funcionamento da administração
federal, na forma da lei. Veja o teor original do inciso VI do art. 84:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...)


VI - dispor sobre a organização e o funcionamento da administração federal, na forma da
lei;

Ocorre que o aludido texto foi alterado pela Emenda Constitucional nº 32,
de 2001. Desta forma, o art. 84, inciso VI, da CRFB passou a assim dispor:

Art. 84. Compete privativamente ao Presidente da República: (...)


VI - dispor, mediante decreto, sobre:
a) organização e funcionamento da administração federal, quando não implicar aumento
de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos;
b) extinção de funções ou cargos públicos, quando vagos;

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Perceba, portanto, que o texto original autorizava o Presidente da


República a dispor sobre a organização e o funcionamento da Administração
Pública Federal, na forma da lei.
Ou seja, o aludido dispositivo autorizava apenas a figura do decreto
regulamentador, também denominado decreto de execução.
Com a mudança promovida pela Emenda Constitucional nº 32, de 2001, o
texto constitucional passou a prever que o Presidente da República tem
competência privativa para dispor, por meio de decreto, sobre a organização e o
funcionamento da Administração Pública Federal, desde que não implique em
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos públicos.

#ficadica

De acordo com o parágrafo único do art. 84 da CRFB, o


Presidente da República pode delegar as atribuições
mencionadas no inciso VI:
a)aos Ministros de Estado;
b) ao Procurador-Geral da República; ou
c) ao Advogado-Geral da União, que observarão os limites traçados nas
respectivas delegações.

Atenção: como houve alteração do teor do inciso VI pela emenda nº 32, de


2001, e o parágrafo único é do texto originário da CRFB, partindo-se da
premissa de que a edição de atos de caráter normativo não pode ser
delegada, há uma incompatibilidade neste ponto. Contudo, não se pode
interpretar a Constituição à luz da lei e sim a lei à luz da Constituição.
Portanto, caberá ao STF avaliar se essa possibilidade é compatível ou não com
o ordenamento constitucional.

Diante deste quadro, dividiu-se a doutrina quanto à existência ou não no


ordenamento brasileiro do decreto autônomo.
Antes da alteração do texto da CRFB pela Emenda Constitucional
nº 32, de 2001, o professor José dos Santos Carvalho Filho26 indicou que Hely
Lopes Meirelles, Diogo de Figueiredo Moreira Neto e Sérgio de Andréa Ferreira
adotaram a posição de que sim, é compatível com o ordenamento jurídico a
figura do decreto autônomo. De outro lado, o próprio José dos Santos Carvalho
Filho, José Cretella Júnior, Maria Sylvia Zanella Di Pietro, Diógenes Gasparini e
Celso Ribeiro de Bastos se posicionaram como não havendo compatibilidade do
decreto autônomo com o ordenamento jurídico brasileiro.

26 Manual de Direito Administrativo, 31ª edição, p 66.

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Já após a Emenda Constitucional nº 32, de 2001, aqueles que já


propugnavam pela possibilidade do decreto autônomo reforçaram este
posicionamento e, ao menos a professora Maria Sylvia27, passou a admitir a sua
existência, ainda que de forma limitada. Veja:

Com a alteração do dispositivo constitucional, fica restabelecido, de forma muito limitada,


o regulamento autônomo no direito brasileiro, para a hipótese específica inserida na alínea
“a”.

Frise-se que o professor José dos Santos Carvalho Filho28manteve seu


posicionamento firme no sentido da incompatibilidade do decreto autônomo
com o ordenamento vigente, mesmo após a Emenda nº 32, de 2001. Para o
ilustre professor as previsões constantes no art. 84, inciso VI, que tratam da
organização e funcionamento da Administração Federal, tratam-se de atos
ordinatórios não originando de forma primária direitos e obrigações aos
particulares, apenas organizando internamente a Administração. Veja:

Não obstante, mesmo diante da alteração processada na Constituição, permanecemos fiel


ao pensamento que expressamos (...). Para que sejam caracterizados como tais (decretos
e regulamentos autônomos), é necessário que os atos possam criar e extinguir
primariamente direitos e obrigações, vale dizer, sem prévia lei disciplinadora da matéria
ou, se preferir, colmatando lacunas legislativa. Atos dessa natureza não podem existir em
nosso ordenamento porque a tanto se opõe o art. 5º, II, da CF, que fixa o postulado da
reserva legal para a exigibilidade de obrigações (...). Os atos de organização e
funcionamento da Administração Federal, ainda que tenham conteúdo normativo, são
meros atos ordinatórios, ou seja, atos que se preordenam basicamente ao setor
interno da Administração para dispor sobre seus serviços e órgãos, de modo que
só reflexamente afetam a esfera jurídica de terceiros, e assim mesmo mediante
imposições derivadas ou subsidiárias, mas nunca originárias.

Antes de passarmos ao tema poder de polícia, fica a ilustração do


posicionamento de Hely Lopes Meirelles29 quanto à existência tanto do decreto
regulamentador quanto do autônomo:

(...) o regulamento é um complemento da lei naquilo que não é privativo da lei.


Entretanto, não pode confundir lei e regulamento. Regulamento é ato administrativo geral
e normativo, expedido privativamente pelo Chefe do Executivo (federal, estadual ou
municipal), através de decreto, com o fim de explicar o modo e forma de execução da lei
(regulamento de execução) ou prover situações não disciplinadas em lei (regulamento
autônomo ou independente).

27 Direito Administrativo, 30ª edição, p 124.


28 Manual de Direito Administrativo, 31ª edição, p 67.
29 Direito Administrativo Brasileiro, 42ª edição, p 150.

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2.6.2. Jurisprudência acerca do Poder Regulamentar e do


Decreto Autônomo

Veja algumas jurisprudências do STF no sentido


da aplicabilidade de decreto autônomo após a
Emenda Constitucional nº 32, de 2001, e acerca
do Poder Regulamentar:

O abuso de poder regulamentar, especialmente nos casos em que o


Estado atua contra legem ou praeter legem, não só expõe o ato
transgressor ao controle jurisdicional, mas viabiliza, até mesmo, tal
a gravidade desse comportamento governamental, o exercício, pelo
Congresso Nacional, da competência extraordinária que lhe confere
o art. 49, V, da Constituição da República e que lhe permite "sustar os atos
normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar (...)".
Doutrina. Precedentes (RE 318.873 AgR/SC, rel. min. Celso de Mello, v.g.).
Plausibilidade jurídica da impugnação à validade constitucional da Instrução
Normativa STN 1/2005.[AC 1.033 AgR-QO, rel. min. Celso de Mello, j. 25-5-
2006, P, DJ de 16-6-2006.]

O poder regulamentar deferido aos ministros de Estado,


embora de extração constitucional, não legitima a edição de
atos normativos de caráter primário, estando
necessariamente subordinado, no que concerne ao seu
exercício, conteúdo e limites, ao que prescrevem as leis e a
Constituição da República. A competência regulamentar deferida aos
ministros de Estado, mesmo sendo de segundo grau, possui inquestionável
extração constitucional (CF, art. 87, parágrafo único, II), de tal modo que o
poder jurídico de expedir instruções para a fiel execução das leis compõe, no
quadro do sistema normativo vigente no Brasil, uma prerrogativa que também
assiste, ope constitutionis, a esses qualificados agentes auxiliares do chefe do
Poder Executivo da União.As instruções regulamentares, quando emanarem de
ministro de Estado, qualificar-se-ão como regulamentos executivos,
necessariamente subordinados aos limites jurídicos definidos na regra legal a
cuja implementação elas se destinam, pois o exercício ministerial do poder
regulamentar não pode transgredir a lei, seja para exigir o que esta não exigiu,
seja para estabelecer distinções onde a própria lei não distinguiu, notadamente
em tema de direito tributário.[ADI 1.075 MC, rel. min. Celso de Mello, j. 17-6-
1998, P, DJ de 24-11-2006.]

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AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DECRETO N.º 4.010,


DE 12 DENOVEMBRO DE 2001. PAGAMENTO DE SERVIDORES
PÚBLICOS DA ADMINISTRAÇÃOFEDERAL. LIBERAÇÃO DE
RECURSOS. EXIGÊNCIA DE PRÉVIA AUTORIZAÇÃO DOPRESIDENTE
DA REPÚBLICA.Os artigos 76 e 84, I, II e VI, a, todos da
Constituição Federal,atribuem ao Presidente da República a posição de Chefe
supremo daadministração pública federal, ao qual estão subordinados os
Ministrosde Estado.Ausência de ofensa ao princípio da reserva legal, diante da
nova redação atribuída ao inciso VI do art. 84 pela Emenda Constitucional nº
32/01, que permite expressamente ao Presidente da República dispor, por
decreto, sobre a organização e o funcionamento da administração federal,
quando isso não implicar aumento de despesa ou criação de órgãos públicos,
exceções que não se aplicam ao Decreto atacado.Ação direta de
inconstitucionalidade cujo pedido se julgaimprocedente. (ADI 2564, rel. min.
Ellen Gracie, j. 8-10-2003, P, DJ de 6-2-2004)
É indispensável a iniciativa do chefe do Poder Executivo (mediante
projeto de lei ou mesmo, após a EC 32/2001, por meio de
decreto) na elaboração de normas que de alguma forma
remodelem as atribuições de órgão pertencente à estrutura
administrativa de determinada unidade da Federação.[ADI 3.254,
rel. min. Ellen Gracie, j. 16-11-2005, P, DJ de 2-12-2005.]

É admissível controle concentrado de constitucionalidade de


decreto que, dando execução a lei inconstitucional, crie cargos
públicos remunerados e estabeleça as respectivas
denominações, competências, atribuições e remunerações.
(...) Art. 5º da Lei 1.124/2000, do Estado do Tocantins.
Administração pública. Criação de cargos e funções. Fixação de atribuições e
remuneração dos servidores. Efeitos jurídicos delegados a decretos do chefe do
Executivo. Aumento de despesas. Inadmissibilidade. Necessidade de lei em
sentido formal, de iniciativa privativa daquele. Ofensa aos arts. 61, § 1º, II, a, e
84, VI, a, da CF. (...) São inconstitucionais a lei que autorize o chefe do
Poder Executivo a dispor, mediante decreto, sobre criação de cargos
públicos remunerados, bem como os decretos que lhe deem
execução.[ADI 3.232, rel. min. Cezar Peluso, j. 14-8-2008, P, DJE de 3-10-
2008.]= ADI 4.125, rel. min. Cármen Lúcia, j. 10-6-2010, P, DJE de 15-2-2011.

1. INCONSTITUCIONALIDADE. Ação direta. Objeto. Admissibilidade.


Impugnação de decreto autônomo, que institui benefícios fiscais.
Caráter não meramente regulamentar. Introdução de novidade
normativa. Preliminar repelida. Precedentes. Decreto que, não se
limitando a regulamentar lei, institua benefício fiscal ou introduza
outra novidade normativa, reputa-se autônomo e, como tal, é suscetível de

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controle concentrado de constitucionalidade. 2. INCONSTITUCIONALIDADE.


Ação direta. Decreto nº 27.427/00, do Estado do Rio de Janeiro. Tributo.
Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS. Benefícios fiscais.
Redução de alíquota e concessão de crédito presumido, por Estado-membro,
mediante decreto. Inexistência de suporte em convênio celebrado no âmbito do
CONFAZ, nos termos da LC 24/75. Expressão da chamada “guerra fiscal”.
Inadmissibilidade. Ofensa aos arts. 150, § 6º, 152 e 155, § 2º, inc. XII, letra
“g”, da CF. Ação julgada procedente. Precedentes. Não pode o Estado-membro
conceder isenção, incentivo ou benefício fiscal, relativos ao Imposto sobre
Circulação de Mercadorias e Serviços – ICMS, de modo unilateral, mediante
decreto ou outro ato normativo, sem prévia celebração de convênio
intergovernamental no âmbito do CONFAZ. (ADI 3664, Min. Cezar Peluso,
01/06/2011)

AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE. DECRETO Nº 3.721,


DE 8.01.2001, QUE ALTERA OS ARTIGOS 20, II E 31, INCISOS IV E
V DO DECRETO Nº 81.240, DE 20.01.78. LEI Nº 6.435, DE
15.07.77, QUE DISCIPLINA O FUNCIONAMENTO DAS ENTIDADES
FECHADAS DE PREVIDÊNCIA FECHADA. DECRETO AUTÔNOMO.
INEXISTÊNCIA. É firme a jurisprudência deste Supremo Tribunal no
sentido de que a questão relativa ao decreto que, a pretexto de
regulamentar determinada lei, extrapola o seu âmbito de incidência, é
tema que se situa no plano da legalidade, e não no da
constitucionalidade.No caso, o decreto em exame não possui natureza
autônoma, circunscrevendo-se em área que, por força da Lei nº 6.435/77, é
passível de regulamentação, relativa à determinação de padrões mínimos
adequados de segurança econômico-financeira para os planos de benefícios ou
para a preservação da liquidez e da solvência dos planos de benefícios
isoladamente e da entidade de previdência privada no seu conjunto. Ação direta
de inconstitucionalidade não conhecida. (ADI 2387, Min. Ellen Gracie,
21/02/2001)

A previsão do calendário rotativo escolar na lei que institui o


Plano Plurianual parece legitimar o exercício, pelo chefe do
Executivo, do seu poder regulamentar, tornando possível,
desse modo, a implantação dessa proposta pedagógica mediante
decreto.[ADI 748 MC, rel. min. Celso de Mello, j. 1º-7-1992, P, DJ
de 6-11-1992.]

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2.7. Poder de Polícia

Sem dúvida, é o poder administrativo mais badalado nos concursos


públicos, afinal, por meio do poder de polícia a Administração Pública (de todas
as esferas de Poder) pode, por exemplo, instituir taxas ou limitar o exercício ou
a utilização da propriedade privada.
Ou seja, por meio do poder de polícia a Administração Pública privilegia o
interesse coletivo em detrimento do privado, restringindo direitos e liberdades
individuais, quando necessário.
O poder de polícia decorre da supremacia geral do Estado e da
prevalência do interesse público sobre o privado.
Dentro do ordenamento jurídico, o art. 78 do Código Tributário Nacional -
CTN (Lei nº 5.172, de 1966) apresenta a definição de poder de polícia, que é
um dos fundamentos de validade da cobrança da taxa decorrente do poder de
polícia:

Art. 78. Considera-se poder de polícia atividade da administração pública que,


limitando ou disciplinando direito, interêsse ou liberdade, regula a prática de ato ou
abstenção de fato, em razão de intêresse público concernente à segurança, à higiene, à
ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do mercado, ao exercício de atividades
econômicas dependentes de concessão ou autorização do Poder Público, à tranqüilidade
pública ou ao respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.
Parágrafo único. Considera-se regular o exercício do poder de polícia quando
desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com
observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como
discricionária, sem abuso ou desvio de poder. (grifos não constantes no original)

Assim, em resumo, poder de polícia é a atividade estatal que limita ou


disciplina uma ação comissiva ou omissiva individual em prol do interesse
público.
Ainda de acordo com o CTN, considera-se regular o exercício do
poder de polícia quando:

efetivado pelo órgão competente

realizado dentro dos limites da lei

observado o devido processo legal

sem abuso ou desvio de poder

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Nas palavras do professor Hely Lopes Meirelles, tem-se que “o poder de


polícia é o mecanismo de frenagem de que dispõe a Administração Pública para
conter os abusos do direito individual.”

#ficadica

Não confunda poder de polícia administrativa com


a polícia judiciária ou a polícia ostensiva de
segurança pública:
a) o poder de polícia administrativo é o que decorre do art. 78 do CTN e provê
o administrador público da prerrogativa de limitar ou disciplinar a ação, o
direito ou a utilização de bens de caráter individual em prol do interesse
coletivo;

b)as polícias judiciárias são a Polícia Federal, no âmbito da União, e as Polícias


Civis, para os demais entes, com a atribuição, entre outras, de fazer cumprir
as determinações do Poder Judiciário;

c) a polícia ostensiva é representada, em especial, pelas Polícias Militares dos


Estados, que são responsáveis pela segurança pública, preservação da ordem
pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio.

Atenção: em regra, o poder de polícia administrativo recai sobre bens,


direitos ou atividades, enquanto a judiciária e a ostensiva foca em pessoas.

O concurso para Promotor Público do Estado de São Paulo,


aplicado por banca própria em 2017, afirmou em uma das
alternativas de uma das questões da prova que: “o poder de
polícia, exercido pela polícia administrativa, não se confunde
com o exercido pela polícia judiciária porque a primeira atua preventivamente e a segunda
repressivamente.”
Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque, o poder de polícia
administrativo pode ocorrer tanto na modalidade preventiva quanto repressiva. De igual
modo, também as atividades da polícia judiciária podem ter por escopo a repressão por crime
cometido ou a prevenção de prática de novos ou outros atos ilícitos.

A área de atuação do poder de polícia é amplíssima, podendo ser geral


como o afeto à segurança, à salubridade e à moralidade, ou de temas
específicos, como trânsito, construção, alimentação, comércio de
medicamentos, uso da água, exploração do meio ambiente, exploração mineral,

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entre tantos outros. Na obra do professor Hely Lopes Meirelles, além dos
exemplos anteriormente externados, consta que:

Onde houver interesse relevante da coletividade ou do próprio Estado haverá,


correlatamente, igual poder de polícia administrativa para a proteção desses interesses. É
a regra, sem exceção.

2.7.1. Atributos do Poder de Polícia

São atributos do poder de polícia a discricionariedade, a


autoexecutoriedade e a coercibilidade.
A professora Maria Sylvia30 ainda acrescenta a indelegabilidade do
poder de polícia a pessoas jurídicas de direito privado.

discricionariedade

autoexecutoriedade
Atributos do Poder de
Polícia:
coercibilidade

indelegabilidade

Quanto à discricionariedade, conforme nós a estudamos quando


tratamos do poder discricionário, cabe dizer que são as margens de atuação
que a lei permite ao administrador público para o exercício de determinado ato.
Assim, tratando-se de poder de polícia, em função de um de seus
atributos ser a discricionariedade, cabe à Administração Pública a avaliação de
conveniência e oportunidade quanto ao seu exercício e execução dentro das
balizas fixadas pelo legislador.
A regra é que o exercício do poder de polícia seja discricionário, mas a
partir do momento em que a lei fixa todos os elementos necessários para a
prática do ato administrativo pelo agente público, este estará vinculado ao
disposto no ordenamento, caso ocorram os requisitos fixados.

30 Direito Administrativo, 30ª edição, p 158.

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Em sua obra, a professora Maria Sylvia31 dá exemplo de concessão de


licença para ato do poder de polícia vinculado e de autorização para ato do
poder de polícia discricionário. De fato, cumpridos todos os requisitos fixados
em lei para a concessão da licença, está deverá ser concedida. Mas, no que
tange à autorização (Exemplos: para comércio ambulante, para rodízio de
veículo, para instalação de feiras e stands de vendas,...), cabe certo grau de
discricionariedade à Administração quanto à conveniência e oportunidade para
sua concessão.

O concurso para Promotor Público do Estado de São Paulo,


aplicado por banca própria em 2017, afirmou em uma das
alternativas de uma das questões da prova que: “o poder de
polícia tem como característica a discricionariedade, pelo que a
Administração, ao expedir alvarás de autorização ou de licença, aprecia livremente a
oportunidade e conveniência da medida.”
Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque, em que pese a
discricionariedade ser um dos atributos do Poder de Polícia, a concessão de alvará de licença
é ato vinculado, diferentemente do alvará de autorização que é ato discricionário.

Quanto à autoexecutoriedade, cabe dizer que esta é a prerrogativa da


Administração Pública executar diretamente suas próprias decisões sem
necessidade de se socorrer do Poder Judiciário.
Por meio da autoexecutoriedade a Administração Pública impõe ao
administrador, por si só, as medidas previstas em lei para garantir o interesse
público frente ao interesse privado, decorrente do exercício do poder de polícia.
A autoexecutoriedade permite a ação tempestiva e assecuratória do
interesse público por parte dos agentes estatais competentes para a prática do
poder de polícia administrativo.
Cita a professora Maria Sylvia32 que alguns autores desdobram a
autoexecutoriedade em:

 exigibilidade: resulta da possibilidade de a Administração tomar decisões


executórias que são aquelas que dispensam a tutela jurisdicional. Com base na
exigibilidade, a Administração pode se utilizar de meios indiretos para
exigência do cumprimento da obrigação (Exemplo: condicionar o licenciamento
do veículo ao pagamento das multas de trânsito).
Está presente em todas as medidas adotadas com base no poder de
polícia.

31 Direito Administrativo, 30ª edição, pp 158 e 159.


32 Direito Administrativo, 30ª edição, p 159.

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 executoriedade: resulta na faculdade da Administração de realizar


diretamente a execução forçada, utilizando-se, inclusive da força pública, caso
necessário, para o cumprimento por parte do administrado da decisão
executória anteriormente tomada.
Não está presente em todas as medidas adotadas com base no poder de
polícia.

#ficadica

A autoexecutoriedade não necessariamente está


presente em todos os atos do poder de polícia.
Estará presente quando autorizada por lei ou quando for
medida urgente.

Atenção:excluem-se da autoexecutoriedade do poder de polícia


eventuais sanções pecuniárias (multas, por exemplo) aplicadas ao
administrado, que só podem ser executadas pela via Judicial.

O concursopara Promotor Público do Estado de São Paulo,


aplicado por banca própria em 2017, afirmou em uma das
alternativas de uma das questões da prova que: “a
autoexecutoriedade, um dos atributos do poder de polícia,
permite que a Administração ponha em execução as suas decisões sem precisar recorrer ao
Poder Judiciário, independentemente de autorização legal.”
Comentários: incorreta a assertiva. Incorreta a assertiva porque, a autoexecutoriedade não
ocorre em todo ato que emana do Poder de Polícia, mas sim quanto àqueles expressamente
autorizados por lei ou nos urgentes.

Quanto à coercibilidade, cabe dizer que se trata de prerrogativa de os


agentes estatais imporem de forma obrigatória ou forçada o cumprimento das
medidas aplicadas em razão do poder de polícia.
Assim, como é a própria Administração Pública que executa o poder de
polícia, sem necessidade de mandado judicial, na efetivação da medida
prevalece a coercibilidade junto ao administrado, independentemente de
vontade deste, podendo o agente público se utilizar, inclusive, da força, desde
que necessária e não viole a razoabilidade e a proporcionalidade.
Do descumprimento por parte do administrado de ato previsto em lei ou
decorrente da execução coercitiva do poder de polícia, pode decorrer a
aplicação de sanções administrativas.
São inúmeras a formas de sanção decorrentes do poder de polícia, entre
as quais: multa, interdição de estabelecimento, fechamento obrigatório a partir

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de determinado horário, demolição, embargo de obra de construção civil,


apreensão de bens.
Portanto, a coercibilidade aproxima-se da executoriedade, uma das
facetas da autoexecutoriedade.
Por isso mesmo, a professora Maria Sylvia33 afirma que a coercibilidade é
indissociável da autoexecutoriedade, já que o ato de polícia só é autoexecutório
porque dotado de força coercitiva.
Quanto à indelegabilidade, ressalte-se que o poder de polícia não pode
ser transferido a pessoas jurídicas de direito privado.
Isso porque o poder de polícia representa atividade típica de Estado, que
deve ser titularizado pelo Poder Público com finalidade e exercícios calcados no
interesse da coletividade.
Ou seja, por haver uma verticalidade entre interesse público e interesse
privado, aquele que atua com o poder de polícia deve ser um ente público.
Na atuação entre particulares, pessoas naturais ou jurídicas de direito
privado, prevalece a horizontalidade.
Tal fato decorre de jurisprudência consolidada do STF, por meio ADI
1.717, RE 539.224 e RE 611.947, como veremos a seguir.

O concursopara Promotor Público do Estado de São Paulo,


aplicado por banca própria em 2017, afirmou em uma das
alternativas de uma das questões da prova que: “o poder de
polícia é indelegável a pessoas jurídicas de direito privado por
envolver prerrogativas próprias do poder público, insuscetíveis de serem exigidas por
particular sobre o outro.”
Comentários: correta a assertiva. Correta a assertiva porque prevalece a indelegabilidade do
poder de polícia à pessoa de direito privado, já que se trata de atividade típica de Estado
(STF: ADI 1717 e REs 539.224 e 611.947), sobretudo em suas expressões sancionatórias.

Antes de passarmos ao próximo tópico, importante ressaltar também que


a professora Maria Sylvia34, em que pese discorrer no sentido de que o
poder de polícia é uma atividade negativa para diferenciar da prestação
de serviço público que é uma atividade positiva, chama atenção para o
fato de que alguns autores incorporam ao poder de polícia também algumas
obrigações de fazer, como as impostas ao proprietário para o cumprimento da
função social da propriedade urbana.
Ou seja, neste caso, o poder de polícia também apresentaria a
característica de ser uma atividade positiva (orientada a um fazer) e não
apenas negativa (orientada a um não fazer).

33 Direito Administrativo, 30ª edição, p 159.


34 Direito Administrativo, 30ª edição, p 160.

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Exemplifica o poder de polícia como atividade positiva o parcelamento ou


edificação compulsórios ou, ainda, a construção de passeios públicos (calçadas)
adequados à utilização por pessoas com necessidades especiais.
Nessa linha, inclusive, ressalte-se a definição constante no art. 78 do CTN
que alude ser papel do poder de policiar regular a prática de um ato ou
abstenção de fato, ou seja, permitindo um fazer ou um não fazer.

2.7.2.Ciclo do Poder de Polícia

O professor Diogo de Figueiredo Moreira Neto35 apresentou em sua obra o


denominado ciclo de polícia:

Negativa Absoluta
Ordem de Polícia
Negativa Relativa com reserva de
consentimento

Vinculado (Licença)
Consentimento de Polícia
Discricionário (Autorização)
Ciclo de Polícia
Preventivo
Fiscalização de Polícia
Repressivo

Pena de Polícia
Sanção de Polícia
Constrangimento de Polícia

Vejamos alguns detalhes acerca de cada uma dessas fases.

a) Ordem de Polícia:em respeito ao princípio da legalidade, funda-se na


previsão legal quanto à disciplina a ser observada pelo administrado.
Da ordem de polícia decorre uma atuação limitativa da ação individual em
respeito ao interesse coletivo.
Essa limitação pode se dar com restrições ou condicionamentos:

35 Curso de Direito Administrativo, 16ª edição, p 534.

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 restrições: ocorre quando a lei fixa proibições ou vedações ao exercício de


determinadas atividades ou ao uso da propriedade privada pelos
particulares.

O professor Diogo de Figueiredo Moreira Neto identifica essas restrições


como preceitos negativos absolutos.

 condicionamentos: em que pese em princípio a lei fixar proibições ou


vedações ao exercício de determinadas atividades ou ao uso da propriedade
privada pelos particulares, ela também prevê a possibilidade de a
Administração Pública avaliar o caso concreto e consentir com o exercício ou
uso pelo particular.

O professor Diogo de Figueiredo Moreira Neto identifica essas restrições


como preceitos negativos com reserva de consentimento.

b) Consentimento de Polícia:prevendo a lei a possibilidade de a


Administração consentir com o exercício do direito pelo particular, ou seja, se na
Ordem de Polícia, no plano legal, estiver prevista a reserva de consentimento,
então a Administração poderá anuir, por meio de expedição de alvará, e desde
que presentes os requisitos legais, que o partícula exercite a atividade ou o uso
do bem, conforme por ele pleiteado.
O aludido alvará poderá ser corporificado por meio de licença ou
de autorização.

Licença Autorização
apreciação e decisão pela
exigências estritas na lei
Administração

direito subjetivo do particular mera expectativa de direito

ato vinculado ato discricionário

definitivo não definitiva (título precário)

não admite revogação pode ser revogado a qualquer tempo

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#ficadica

A licença não cria direito, este já é preexistente,


mas inexequível enquanto a Administração não
constata os requisitos previstos estritamente em
lei.

c) Fiscalização de Polícia:é a atividade Estatal desenvolvida continuamente


para verificação do cumprimento e da manutenção das condições e requisitos
para o exercício da atividade ou utilização do bem, aplicando-se tanto à licença
quanto às autorizações.
Frise-se que a fiscalização tem efeito dúplice preventivo e
repressivo.

d) Sanção de Polícia:em caso de escapar à fiscalização preventiva eventual


infração, decorre o ato repressivo por meio da pretensão sancionatória do
Estado.
Da atividade do poder de polícia decorre a aplicação de sanção ao
administrado, denominada sanção extroversa ou externa.
Busca-se com a sanção, reprimir a atividade inadequada, inibindo ou
persuadindo o infrator à correção e não reincidência ou reiteração da falta.

2.7.3. Prescrição da Pretensão Punitiva do Poder de Polícia

No âmbito federal, a Lei nº 9.873, de 1999, fixou em 5 anos, contados da


prática do ato ou, no caso de infração permanente ou continuada, do dia em
que tiver cessado, o prazo para prescrição geral da pretensão punitiva da
Administração Pública Federal, direta e indireta, no exercício do poder de
polícia.
Assim, eventuais apurações de infração à legislação em vigor por meio do
Poder de Polícia têm por limite temporal o prazo prescricional de 5 anos, sendo
o termo inicial da contagem a prática do ato ou a cessação da infração, quando
permanente ou continuado.
No caso específico de multas oriundas de crédito não tributário, o termo
inicial da contagem dos 5 anos de prescrição se dá com o término do regular
processo administrativo. Ou seja, após o encerramento da esfera
administrativa, há o prazo de 5 anos para a ação de execução.

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Prevê também a Lei nº 9.873, de 1999, a possibilidade de incidência da


prescrição intercorrente, ou seja, se o procedimento administrativo ficar
paralisado por mais de 3 anos, pendente de julgamento ou despacho, também
incide a prescrição da pretensão punitiva decorrente do poder de polícia.
No caso da prescrição intercorrente, o processo deve ser arquivado de
ofício ou mediante requerimento da parte, bem como deve ser apurada a
responsabilidade funcional do agente que deu causa à paralisação, se o caso.
Há ainda a possibilidade de o prazo prescricional ser aquele fixado
no art. 109 do Código Penal. Para isso, entretanto, o fato objeto da
pretensão punitiva do Estado por meio do poder de polícia também deve
constituir crime.
Portanto, há três possibilidades de aplicação de lapsos temporais quanto à
prescrição de pretensão punitiva de ato decorrente do poder de polícia:

Prescrição Geral - 5 anos, contados da:


a) prática do ato;
b) do dia em que tiver cessação, nos casos de infração
permanente ou continuada; e
c) do término do processo administrativo, nos casos de
crédito não tributário.

Prescrição Intercorrente: quando o procedimento


administrativo ficar paralisado por mais de 3 anos,
pendente de julgamento ou despacho

Prescrição Penal - prazo prescricional idêntico ao previsto


no Código Penal, quando o fato tabé constituir crime

Ademais, fixa a Lei nº 9.873, de 1999, que o prazo de prescrição da ação


punitiva é interrompido nos seguintes casos:

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pela notificação ou citação do indiciado ou acusado,


inclusive por meio de edital

por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato


Interrompe-se a Prescrição
da Ação Punitiva:
pela decisão condenatória recorrível

por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação


expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito
interno da administração pública federal

pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução


fiscal

pelo protesto judicial

Interrompe-se o prazo
prescricional da Ação por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor
Executória:

por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que


importe em reconhecimento do débito pelo devedor

por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação


expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito
interno da administração pública federal

Lembre-se que, havendo a cessação da interrupção, o prazo recomeça a


contar do zero.

2.7.4. Jurisprudência acerca do Poder de Polícia

Veja a jurisprudência do STF sobre o Poder de


Polícia:

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Súmula Vinculante 49 do STF:


Ofende o princípio da livre concorrência lei municipal que impede a
instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área
Súmula 645 do STF:
É competente o Município para fixar o horário de funcionamento de
estabeleecimento comercial.

DIREITO ADMINISTRATIVO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PODER


DE POLÍCIA. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE TRÂNSITO. GUARDA
MUNICIPAL. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Poder de polícia não se
confunde com segurança pública. O exercício do primeiro não é
prerrogativa exclusiva das entidades policiais, a quem a
Constituição outorgou, com exclusividade, no art. 144, apenas as
funções de promoção da segurança pública. 2. A fiscalização do trânsito, com
aplicação das sanções administrativas legalmente previstas, embora possa se
dar ostensivamente, constitui mero exercício de poder de polícia, não havendo,
portanto, óbice ao seu exercício por entidades não policiais. 3. O Código de
Trânsito Brasileiro, observando os parâmetros constitucionais, estabeleceu a
competência comum dos entes da federação para o exercício da fiscalização de
trânsito. 4. Dentro de sua esfera de atuação, delimitada pelo CTB, os Municípios
podem determinar que o poder de polícia que lhe compete seja exercido pela
guarda municipal. 5. O art. 144, §8º, da CF, não impede que a guarda municipal
exerça funções adicionais à de proteção dos bens, serviços e instalações do
Município. Até mesmo instituições policiais podem cumular funções típicas de
segurança pública com exercício de poder de polícia. Entendimento que não foi
alterado pelo advento da EC nº 82/2014. 6. Desprovimento do recurso
extraordinário e fixação, em repercussão geral, da seguinte tese: é
constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício de poder
de polícia de trânsito, inclusive para imposição de sanções
administrativas legalmente previstas. [RE 658.570, rel. p/ o ac. min.
Roberto Barroso, j. 6-8-2015, P, DJE de 30-9-2015, Tema 472.]

(...) é constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício


de poder de polícia de trânsito, inclusive para imposição de sanções
administrativas legalmente previstas.[RE 658.570, rel. p/ o ac. min.
Roberto Barroso, j. 6-8-2015, P, DJE de 30-9-2015, Tema 472.]

A impossibilidade do estabelecimento de controles estatais


sobre a profissão jornalística leva à conclusão de que não
pode o Estado criar uma ordem ou um conselho profissional
(autarquia) para a fiscalização desse tipo de profissão. O
exercício do poder de polícia do Estado é vedado nesse campo em
que imperam as liberdades de expressão e de informação.
Jurisprudência do STF: Rp 930, rel. p/ o ac. min. Rodrigues Alckmin, DJ de 2-9-

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1977.[RE 511.961, rel. min. Gilmar Mendes, j. 17-6-2009, P, DJE de 13-11-


2009.]
Ao garantir o livre exercício de qualquer trabalho, ofício ou
profissão, o art. 5º, XIII, da CF, não o faz de forma absoluta, pelo
que a observância dos recolhimentos tributários no desempenho
dessas atividades impõe-se legal e legitimamente. A hipótese de
retenção temporária de mercadorias prevista no art. 163, § 7º, da
Constituição de São Paulo é providência para a fiscalização do cumprimento da
legislação tributária nesse território e consubstancia exercício do poder de
polícia da administração pública fazendária, estabelecida legalmente
para os casos de ilícito tributário. Inexiste, por isso mesmo, a alegada
coação indireta do contribuinte para satisfazer débitos com a Fazenda
Pública.[ADI 395, rel. min. Cármen Lúcia, j. 17-5-2007, P, DJ de 17-8-2007.]

Ação direta de inconstitucionalidade do art. 58 e seus parágrafos da


Lei federal 9.649, de 27-5-1998, que tratam dos serviços de
fiscalização de profissões regulamentadas. (...)Isso porque a
interpretação conjugada dos arts. 5º, XIII; 22, XVI; 21,
XXIV; 70, parágrafo único; 149; e 175 da CF leva à conclusão,
no sentido da indelegabilidade, a uma entidade privada, de atividade típica de
Estado, que abrange até poder de polícia, de tributar e de punir, no que
concerne ao exercício de atividades profissionais regulamentadas, como ocorre
com os dispositivos impugnados. [ADI 1.717, rel. min. Sydney Sanches, j. 7-11-
2002, P, DJ de 28-3-2003.]= RE 539.224, rel. min. Luiz Fux, j. 22-5-2012, 1ª T,
DJE de 18-6-2012= RE 611.947 AgR, rel. min. Ricardo Lewandowski, j. 4-10-
2011, 2ª T, DJE de 19-10-2011

Lei 3.756/2002 do Estado do Rio de Janeiro, que autoriza o Poder


Executivo a apreender e desemplacar veículos de transporte
coletivo de passageiros encontrados em situação irregular:
constitucionalidade, porque a norma legal insere-se no
poder de polícia do Estado.[ADI 2.751, rel. min. Carlos Velloso,
j. 31-8-2005, P, DJ de 24-2-2006.]

Art. 187 da Constituição do Estado do Espírito Santo. Relatório de


impacto ambiental. Aprovação pela Assembleia Legislativa. Vício
material. Afronta aos arts. 58, § 2º, e 225, § 1º, da Constituição do
Brasil. É inconstitucional preceito da Constituição do Estado do
Espírito Santo que submete o Relatório de Impacto Ambiental
(RIMA) ao crivo de comissão permanente e específica da Assembleia Legislativa.
A concessão de autorização para desenvolvimento de atividade potencialmente
danosa ao meio ambiente consubstancia ato do poder de polícia – ato da

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administração pública –, entenda-se ato do Poder Executivo.[ADI 1.505, rel.


min. Eros Grau, j. 24-11-2004, P, DJ de 4-3-2005.]

Os conselhos de fiscalização profissional têm como função precípua


o controle e a fiscalização do exercício das profissões
regulamentadas, exercendo, portanto, poder de polícia, atividade
típica de Estado, razão pela qual detêm personalidade jurídica de
direito público, na forma de autarquias. Sendo assim, tais
conselhos não se ajustam à noção de entidade de classe, expressão que designa
tão somente aquelas entidades vocacionadas à defesa dos interesses dos
membros da respectiva categoria ou classe de profissionais.[ADPF 264 AgR, rel.
min. Dias Toffoli, j. 18-12-2014, P, DJE de 25-2-2015.]

Súmula 561:

Os Conselhos Regionais de Farmácia possuem atribuição para


fiscalizar e autuar as farmácias e drogarias quanto ao
cumprimento da exigência de manter profissional legalmente
habilitado (farmacêutico) durante todo o período de funcionamento dos
respectivos estabelecimentos.

Súmula 434:

O pagamento da multa por infração de trânsito não inibe a discussão judicial do


débito.

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3. Questões de Concursos Anteriores

3.1. Lista de Questões sem Comentários

Q1. 2018/CESPE/PGM-Manaus/ Procurador Municipal


Quanto às transformações contemporâneas do direito administrativo,
julgue o item subsequente.
O princípio da juridicidade, por constituir uma nova compreensão da ideia
de legalidade, acarretou o aumento do espaço de discricionariedade do
administrador público.

( ) Certo ( ) Errado

Q2. 2018/FUNDEP/MPE-MG/Promotor de Justiça


Assinale a alternativa INCORRETA:
a) O poder disciplinar consiste no poder-dever de que dispõe a
Administração Pública de punir administrativamente o servidor pelas
infrações funcionais que cometer, bem como os particulares que
estejam sujeitos à disciplina da Administração Pública.
b) O poder hierárquico caracteriza-se pela existência de níveis de
subordinação entre órgãos e agentes públicos de uma mesma pessoa
jurídica, dele decorrendo a atribuição de ordenar, coordenar, controlar e
corrigir a atividade administrativa.
c) Decorre do poder hierárquico a atividade de controle e de fiscalização
exercida pela Administração Pública Direta sobre as entidades da
Administração Pública Indireta.
d) O particular, no exercício de sua atividade privada, não está sujeito ao
poder disciplinar nem ao poder hierárquico da Administração Pública. O
controle que a Administração exerce sobre a atividade do particular é
uma decorrência do poder de polícia.

Q3. 2018/CESPE/EBSERH/Advogado
Julgue o seguinte item, a respeito dos poderes da administração pública.
No exercício do poder regulamentar, a administração pública não poderá
contrariar a lei.

( ) Certo ( ) Errado

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Q4. 2018/CESPE/EBSERH/Advogado
Julgue o seguinte item, a respeito dos poderes da administração pública.
A coercibilidade é um atributo que torna obrigatório o ato praticado no
exercício do poder de polícia, independentemente da vontade do
administrado.

( ) Certo ( ) Errado

Q5. 2018/CESPE/ TCM-BA/Auditor


Assinale a opção que apresenta o poder da administração pública que
limita o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público.
a) poder hierárquico.
b) poder de disciplinar.
c) poder de polícia.
d) poder regulamentar.
e) poder discricionário.

Q6. 2018/CESPE/PGE-PE/Procurador do Estado


À luz da jurisprudência dos tribunais superiores sobre o poder de polícia, o
poder disciplinar, o poder normativo e o dever de probidade na
administração pública, assinale a opção correta.

a) Cabe aos conselhos regionais de farmácia, no exercício do poder de


polícia, licenciar e fiscalizar as condições de funcionamento dos
estabelecimentos farmacêuticos.
b) O pagamento de multa resultante de autuação por agente de trânsito
não implica a desistência da discussão judicial da infração.
c) A configuração de ato de improbidade administrativa requer que haja
enriquecimento ilícito ou dano ao erário.
d) A ocorrência do ato de improbidade administrativa, em regra, viabiliza a
reparação por dano moral coletivo.
e) Em razão do poder disciplinar da administração pública, é admissível que
edital de concurso público proíba a participação de candidatos tatuados .

Q7. 2018/CESGRANRIO/PETROBRÁS/Advogado (ADAPTADA)


O poder de polícia é o modo de atuar da autoridade administrativa que
consiste em intervir no exercício das atividades individuais suscetíveis de
fazer perigar interesses gerais, tendo por objeto evitar que se produzam,
ampliem ou generalizem os danos sociais que a lei procura prevenir.
CAETANO, M. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo.
Imprenta: Coimbra, Almedina, 2010. p.339.

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Conforme entende o autor do trecho acima,


a) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
independentemente das qualificações profissionais.
b) ofende o princípio da livre concorrência a lei municipal que impede a
instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área.
c) há exercício do Poder de Polícia na concessão inicial da licença, o
mesmo não podendo ocorrer na renovação de licença para localização.
d) são de competência das portarias a prescrição de infrações e sanções
administrativas, mesmo que não exista lei sobre a matéria.
e) são de competência da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, a
cobrança de taxa, tendo como fato gerador o exercício regular do poder
de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público
específico e indivisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua
disposição, ainda que não haja previsão legal.

Q8. 2018/CESPE/SEFAZ/Auditor
A respeito dos poderes administrativos, assinale a opção correta
a) O exercício do poder disciplinar não admite delegação ou avocação de
atribuições.
b) O exercício do poder disciplinar pode ser observado na imposição de
multas de trânsito.
c) O poder regulamentar é o poder de a administração pública editar leis
em sentido estrito.
d) A possibilidade de a administração pública restringir o gozo da liberdade
individual em favor do interesse da coletividade decorre do poder de
polícia.
e) O poder hierárquico pode ser exercido pela União sobre uma sociedade
de economia mista da qual ela seja acionista.

Q9. 2018/CS-UFG/SANEAGO/Advogado
Poder de Polícia é a faculdade que tem o Estado de limitar, condicionar o
exercício dos direitos individuais, a liberdade, a propriedade, por exemplo,
tendo como objetivo a instauração do bem-estar coletivo, do interesse
público (Maria S. Di Pietro, 2017, p.158). Um dos atributos do Poder de
Polícia é,
a) a autoexecutoriedade, que implica dizer que a Administração Pública
possui a prerrogativa de decidir e executar sua decisão por seus próprios
meios, sem necessidade de intervenção judicial. É a obrigatoriedade
atribuída à Administração de impor diretamente as medidas ou sanções de
polícia administrativa necessárias à repressão da atividade lesiva ao

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interesse coletivo que ela pretende coibir, independentemente de prévia


autorização do Poder Legislativo.
b) a coercibilidade, que se caracteriza pela imposição coativa das medidas
adotadas pela Administração, que, diante de eventuais resistências dos
administrados, pode se valer, inclusive, da força pública para garantir o seu
cumprimento. Significa, pois, que todo ato de polícia administrativa é
imperativo, ou seja, de cunho obrigatório.
c) a discricionariedade no exercício do poder de polícia significa que a
Administração dispõe de certa liberdade de atuação, podendo valorar a
oportunidade e conveniência da prática do ato e da graduação das sanções
aplicáveis, bem como estabelecer o motivo e o objeto, respeitados os
limites legais estabelecidos.
d) a discricionariedade que se caracteriza pela dispensabilidade na
realização do poder de polícia, pois se trata de ato vinculado da
administração pública.

Q10. 2018/FUNDEP/TCE-MG/Auditor
Avalie a proposição (1) e a razão (2) a seguir.
1. O exercício do poder de polícia pela Administração Pública tem
fundamento na chamada supremacia especial,
PORQUE
2. essa supremacia confere à Administração Pública a prerrogativa de
condicionar a liberdade e a propriedade das pessoas em geral, ajustando-
as aos interesses públicos.
Assinale a alternativa CORRETA

a) A proposição e a razão são verdadeiras, e a razão justifica a proposição.


b) A proposição e a razão são verdadeiras, mas a razão não justifica a
proposição.
c) A proposição é verdadeira, mas a razão é falsa.
d) A proposição é falsa, mas a razão é verdadeira.
e) A proposição e a razão são falsas.

Q11. 2018/CESPE/CGM DE JOÃO PESSOA-PB/Auditor de Controle


Interno
A respeito da organização e dos poderes da administração pública, julgue o
próximo item.
Define-se poder vinculado da administração pública como a faculdade do
gestor público de determinar condutas vinculadas à sua conveniência e
oportunidade, observada a legalidade

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( ) Certo ( ) Errado

Q12. 2018/CESPE/CGM DE JOÃO PESSOA-PB/Auditor de Controle


Interno
No que se refere às características do poder de polícia e ao regime jurídico
dos agentes administrativos, julgue o item que se segue.
As multas de trânsito, como expressão do exercício do poder de polícia,
são dotadas de autoexecutoriedade.

( ) Certo ( ) Errado

Q13. 2017/IADES/CREMEB/Advogado
O poder discricionário é uma prerrogativa concedida aos agentes
administrativos de eleger, dentre várias condutas possíveis, a que traduz
maior conveniência e oportunidade para o interesse público. Entretanto,
atualmente, o poder discricionário tem sofrido limitação. Acerca desse
tema, assinale a alternativa correta.
a) O controle dos atos derivados do poder discricionário pode ser realizado
apenas administrativamente.
b) Os atos derivados do poder discricionário podem sofrer controle apenas
quanto à sua constitucionalidade.
c) O controle dos atos derivados do poder discricionário pode ser realizado
administrativa ou judicialmente.
d) Os atos derivados do poder discricionário não sofrem qualquer tipo de
controle.
e) O controle dos atos derivados do poder discricionário da União deve ser
realizado pelo Tribunal de Contas da União, não sendo admitido o controle
pelo Poder Judiciário.

Q14. 2017/CESPE/DPE-AC/Defensor Público


A estrutura hierárquica da administração pública permite a
a) delegação da competência para aplicação de sanções em sede de poder
de polícia administrativa à pessoa jurídica de direito privado.
b) revisão por agente de nível hierárquico superior de ato administrativo ou
processo administrativo que contiver vício de legalidade.
c) delegação de órgão superior a órgão inferior da atribuição para a edição
de atos administrativos de caráter normativo.
d) delegação a órgão diverso da competência para a decisão de recurso
administrativo.

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e) avocação por órgão superior, em caráter ordinário e por tempo


indeterminado, de competência atribuída a órgão hierarquicamente
inferior.

Q15. 2017/MPE-SP/MPE-SP/Promotor de Justiça


Assinale a alternativa correta.
a) O poder de polícia tem como característica a discricionariedade, pelo
que a Administração, ao expedir alvarás de autorização ou de licença,
aprecia livremente a oportunidade e conveniência da medida.
b) A autoexecutoriedade, um dos atributos do poder de polícia, permite
que a Administração ponha em execução as suas decisões sem precisar
recorrer ao Poder Judiciário, independentemente de autorização legal.
c) O poder de polícia, atividade estatal que limita o exercício dos direitos
individuais em benefício do interesse público, é exercido privativamente
pelo Poder Executivo.
d) O poder de polícia, exercido pela polícia administrativa, não se confunde
com o exercido pela polícia judiciária porque a primeira atua
preventivamente e a segunda repressivamente.
e) O poder de polícia é indelegável a pessoas jurídicas de direito privado
por envolver prerrogativas próprias do poder público, insuscetíveis de
serem exigidas por particular sobre o outro.

Q16. 2017/FCC/TST/Juiz do Trabalho


A respeito dos poderes da Administração pública, é correto afirmar:
a) O poder de rever atos e decisões e de decidir conflitos de competência
entre subordinados são desdobramentos ou decorrências do poder
disciplinar.
b) As multas decorrentes do poder de polícia devem ser executadas na via
administrativa.
c) Compete privativamente ao Presidente da República dispor, mediante
decreto, sobre (i) organização e funcionamento da Administração
federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou
extinção de órgãos públicos; e (ii) extinção de funções ou cargos
públicos, quando vagos.
d) Em matéria de poder de polícia, suspende-se a prescrição da ação
punitiva por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação
expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno da
Administração pública federal.
e) É da competência exclusiva da Câmara dos Deputados sustar os atos
normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar
ou dos limites de delegação legislativa.

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Q17. 2017/VUNESP/PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-


SP/Procurador
Considere que o prefeito de São José dos Campos pretenda promover o
recapeamento asfáltico, iniciando pelas ruas que dão acesso às Rodovias
Estaduais, e postergar para o ano seguinte o recapeamento das ruas que
dão acesso aos bairros periféricos, cujo asfalto se encontra em igual
condição precária de conservação, diante da constatação de que existe
maior tráfego urbano em direção às rodovias. Com relação a essa
hipotética situação, assinale a alternativa correta.
a) Trata-se de ato vinculado, sendo ilegal a decisão tomada pelo Poder
Executivo.
b) A decisão do Prefeito se caracteriza como ato discricionário, calcado nos
critérios de conveniência e oportunidade.
c) O plano do Prefeito é ilegal, pois a decisão deve antes ser ratificada pelo
Poder Legislativo.
d) A decisão do Prefeito não pode ser objeto de questionamento perante o
Poder Judiciário, nem mesmo no que tange à legalidade.
e) As obras de recapeamento asfáltico, por se caracterizarem como ato
discricionário, não se submetem ao controle de legalidade.

Q18. 2017/CESPE/TCE-PE/Auditor de Contas Públicas


Com relação a agentes públicos, atos administrativos, poderes da
administração pública e responsabilidade civil do Estado, julgue o item
subsequente.
Ainda que a lei ofereça ao agente público mais de uma alternativa para o
exercício do poder de polícia, a autoridade terá limitações quanto ao meio
de ação.

( ) Certo ( ) Errado

Q19. 2017/AOCD/CODEM-PA/Advogado
O exercício da atividade administrativa, para que possa ser efetivo,
necessita dos poderes que lhe são conferidos pelo ordenamento jurídico
vigente. Em relação ao assunto, assinale a alternativa INCORRETA.
a) Apesar de o poder discricionário implicar uma liberdade à Administração
Pública, este está sujeito às normas jurídicas vigentes, bem como aos
interesses coletivos, o que impede seu uso abusivo.
b) Considerando que a lei nem sempre consegue atender a todos os casos,
por força do poder regulamentar, é possível ser expedidos regulamentos
para a fiel execução da lei.
c) Objetivando apurar e punir faltas funcionais, é atribuído à Autoridade
Administrativa o poder hierárquico.

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d) Ainda que seja aparentemente paradoxal, o poder de polícia constitui


limitação à liberdade individual e, ao mesmo tempo, é o garantidor dessas
mesmas liberdades.
e) Quando a autoridade administrativa é obrigada a tomar determinada
decisão em razão de determinada circunstância, tem-se o chamado poder
vinculado.

Q20. 2017/FMP CONCURSOS/MPE-RO/Promotor de Justiça


Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao poder de polícia.
a) É constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício do
poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de sanções
administrativas previstas em lei.
b) As atribuições da guarda municipal previstas na Constituição da
República são definidas em sentido exemplificativo, e não exaustivo.
c) O poder de polícia se manifesta exclusivamente por intermédio de
deveres de abstenção ou obrigações de não fazer acometidas aos
particulares.
d) O poder de polícia não se limita à atuação do Estado no concernente à
prestação de segurança pública direcionada à coletividade.
e) Até mesmo instituições policiais podem cumular funções típicas de
segurança pública com exercício de poder de polícia.

Q21. 2017/FAFIPA/FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA-PR/Advogado


Ao se tratar de uma conduta adotada em razão de uma lei que definiu
todos os seus aspectos, está-se diante de:
a) Poder Discricionário.
b) Poder Vinculado.
c) Poder Disciplinar.
d) Poder Hierárquico.

Q22. 2017/FCC/TJ-SC/Juiz de Direito


Sobre o exercício do poder disciplinar da Administração Pública, é correto
afirmar que tal poder
a) é exercido somente em face de servidores regidos pelas normas
estatutárias, não se aplicando aos empregados públicos, regidos pela
Consolidação das Leis do Trabalho.
b) admite a aplicação de sanções de maneira imediata, desde que tenha
havido prova inconteste da conduta ou que ela tenha sido presenciada
pela autoridade superior do servidor apenado.

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c) é aplicável aos particulares, sempre que estes descumpram normas


regulamentares legalmente embasadas, tais como as normas
ambientais, sanitárias ou de trânsito.
d) é extensível a sujeitos que tenham um vínculo de natureza especial com
a Administração, sejam ou não servidores públicos.
e) não contempla, em seu exercício, a possibilidade de afastamentos
cautelares de servidores antes que haja o prévio exercício de ampla defesa
e contraditório.

Q23. 2017/CESPE/PREFEITURA DE BELO HORIZONTE-MG/Procurador


Municipal
Em relação aos poderes e deveres da administração pública, assinale a
opção correta.
a) É juridicamente possível que o Poder Executivo, no uso do poder
regulamentar, crie obrigações subsidiárias que viabilizem o
cumprimento de uma obrigação legal.
b) De acordo com o STF, ao Estado é facultada a revogação de ato
ilegalmente praticado, sendo prescindível o processo administrativo,
mesmo que de tal ato já tenham decorrido efeitos concretos.
c) De acordo com o STF, é possível que os guardas municipais acumulem a
função de poder de polícia de trânsito, ainda que fora da circunscrição
do município.
d) Do poder disciplinar decorre a atribuição de revisar atos administrativos
de agentes públicos pertencentes às escalas inferiores da administração.

Q24. 2017/CESPE/PREFEITURA DE FORTALEZA-CE/Procurador


Municipal
Com relação a processo administrativo, poderes da administração e
serviços públicos, julgue o item subsecutivo.
O exercício do poder regulamentar é privativo do chefe do Poder Executivo
da União, dos estados, do DF e dos municípios.

( ) Certo ( ) Errado

Q25. 2017/FGV/ALERJ/Procurador
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro recebeu dezenas de
reclamações de consumidores a respeito da precariedade no serviço público
de fornecimento de energia elétrica em determinado bairro da Zona Oeste,
consistente em constantes interrupções e quedas de energia. Tais
denúncias foram encaminhadas ao PROCON Estadual que, após processo
administrativo, aplicou multa à concessionária do serviço público. Em tema
de poderes da Administração Pública, de acordo com a doutrina e a

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jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a providência adotada pelo


PROCON está:
a) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder normativo do órgão
superior do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e da ANEEL.
b) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder regulamentar da
ANEEL em relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa do
Consumidor.
c) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder de polícia do órgão
que integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.
d) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder hierárquico do
órgão que integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.
e) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder disciplinar do
PROCON em relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa
do Consumidor.

Q26. 2017/INSTITUTO EXCELÊNCIA/CÂMARA DE SANTA ROSA-


RS/Procurador
O que se entende por Norma de Polícia Administrativa de Santa Rosa – RS?

a) Entende-se por norma de Polícia administrativa quando qualquer ação


restritiva do Estado tem relação de direitos.
b) Entende-se por norma de Polícia Administrativa quando um poder regula
a matéria ou seja todos os assuntos concernentes aos interesses da
população.
c) Entende-se por norma de Polícia administrativa quando o principio de
quem pode o mais pode o menos , é um sentido amplo das leis e atos
administrativos , tranquilidade e segurança pública.
d) Entende-se por norma de Policia administrativa, o que envolve o
interesse da população e o comportamento individual face a coletividade,
relativamente aos costumes á tranquilidade, a higiene Municipal e a
segurança pública.

Q27. 2016/RHS CONSULT/PREFEITURA DE PARATY-RJ/Procurador


Sobre o poder discricionário, pode-se afirmar:
a) Possui o mesmo valor que o poder arbitrário, posto que se iguala à
vinculada pela maior liberdade de ação que é conferida ao
administrador.
b) Relaciona-se à prática de atos administrativos com liberdade na escolha
de sua conveniência, oportunidade e conteúdo.
c) Não se justifica pela impossibilidade de o legislador catalogar na lei
todos os atos que a prática administrativa exige.

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d) Não se sujeita aos condicionamentos externo e interno, ou seja, pelo


ordenamento jurídico e pelas exigências do bem comum e da
moralidade.
e) Tem por objetivo ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades
administrativas, no âmbito interno da Administração pública.

Q28. 2016/IDECAN/CÂMARA DE ARACRUZ-ES/Procurador


Assinale a alternativa que apresenta um poder de polícia municipal,
a) Expedição de instrução normativa.
b) Concessão de alvará de localização.
c) Demissão de servidor público em abandono de cargo.
d) Aplicação de advertência a contratado administrativo.

Q29. 2016/IDECAN/ CÂMARA DE ARACRUZ-ES /Procurador


Considere que, em uma escola pública do município de Aracruz/ES, um
estudante tenha sido apenado com cinco dias de suspensão por desrespeito
às normas de conduta escolar. Na hipótese, a sanção apresentada
representa exercício do poder administrativo:
a) de polícia.
b) disciplinar.
c) normativo.
d) hierárquico.

Q30. 2016/FCC/SEGEP-MA/Auditor Fiscal da Receita Estadual


O poder de polícia caracteriza-se como atividade da Administração pública
que impõe limites ao exercício de direitos e liberdades, tendo em vista
finalidades de interesse público. Considere os atos ou contratos
administrativos a seguir:
I. concessão de serviços públicos.
II. autorização para vendas de material de fogos de artifícios.
III. permissão de serviços públicos.
IV. concessão de licença ambiental para construção.
Caracterizam-se como manifestação do poder de polícia APENAS os
constantes em
a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) II e IV.
e) I e III.

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3.2. Gabarito sem Comentários

Q1. ERRADO Q12. ERRADO Q23. A


Q2. C Q13. C Q24. CERTO
Q3. CERTO Q14. B Q25. C
Q4. CERTO Q15. E Q26. D
Q5. C Q16. C Q27. B
Q6. B Q17. B Q28. B
Q7. B Q18. CERTO Q29. B
Q8. D Q19. C Q30. D
Q9. B Q20. C
Q10. E Q21. B
Q11. ERRADO Q22. D

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3.3. Questões Resolvidas e Comentadas

Q1. 2018/CESPE/PGM-Manaus/ Procurador Municipal


Quanto às transformações contemporâneas do direito administrativo,
julgue o item subsequente.
O princípio da juridicidade, por constituir uma nova compreensão da ideia
de legalidade, acarretou o aumento do espaço de discricionariedade do
administrador público.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “Errado”.O princípio da juridicidade amplifica o conceito de


legalidade e, em função disso, há uma maior vinculação por parte do agente
público ao cumprimento da lei e do direito como um todo (bloco de legalidade
que inclui um conjunto amplo de normas que disciplina o direito administrativo,
seja do altiplano constitucional ou proveniente de normas infraregulamentares).
Dessa forma, por haver uma ampliação do princípio da legalidade, como
consequência ocorre uma mitigação das margens de discricionariedade por
parte do agente público.

Q2. 2018/FUNDEP/MPE-MG/Promotor de Justiça


Assinale a alternativa INCORRETA:
a) O poder disciplinar consiste no poder-dever de que dispõe a
Administração Pública de punir administrativamente o servidor pelas
infrações funcionais que cometer, bem como os particulares que
estejam sujeitos à disciplina da Administração Pública.
b) O poder hierárquico caracteriza-se pela existência de níveis de
subordinação entre órgãos e agentes públicos de uma mesma pessoa
jurídica, dele decorrendo a atribuição de ordenar, coordenar, controlar e
corrigir a atividade administrativa.
c) Decorre do poder hierárquico a atividade de controle e de fiscalização
exercida pela Administração Pública Direta sobre as entidades da
Administração Pública Indireta.
d) O particular, no exercício de sua atividade privada, não está sujeito ao
poder disciplinar nem ao poder hierárquico da Administração Pública. O

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controle que a Administração exerce sobre a atividade do particular é


uma decorrência do poder de polícia.

Comentários

Resposta: alternativa “C”.Conforme vimos, não há subordinação entre os entes


da Administração Pública direta e as entidades da Administração Pública
indireta. O que há é um controle finalístico por parte do órgão da Administração
Pública direta em função da supervisão ministerial (ou secretarial) para que a
entidade da Administração indireta alcance o objetivo público para o qual foi
criada. Portanto, não há que se falar em poder hierárquico entre elas.

Q3. 2018/CESPE/EBSERH/Advogado
Julgue o seguinte item, a respeito dos poderes da administração pública.
No exercício do poder regulamentar, a administração pública não poderá
contrariar a lei.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “CERTO”.Como vimos, o poder regulamentar ou poder normativo é a


prerrogativa de que possui a Administração Pública para expedir atos
normativos complementares para a fiel execução da lei. Nessa linha, não cabe
ao poder regulamentar produzir normativa contra legem (contrário à lei) ou
preaeter legem(além do que previsto em lei). Inclusive, caracteriza abuso de
poder regulamentar quando o Estado atua contra legem ou praeter legem, fato
que expõe o ato transgressor ao controle jurisdicional e viabiliza o exercício,
pelo Congresso Nacional, da competência extraordinária que lhe confere o art.
49, V, da CRFB de sustar os atos normativos do Poder Executivo que exorbitem
do poder regulamentar(STF RE 318.873).

Q4. 2018/CESPE/EBSERH/Advogado
Julgue o seguinte item, a respeito dos poderes da administração pública.
A coercibilidade é um atributo que torna obrigatório o ato praticado no
exercício do poder de polícia, independentemente da vontade do
administrado.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “CERTO”. A coercibilidade, junto com a discricionariedade e a


autoexecutoriedade são atributos do poder de polícia. A coercibilidade trata da

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prerrogativa de os agentes estatais imporem de forma obrigatória ou forçada o


cumprimento das medidas aplicadas em razão do poder de polícia,
independentemente da vontade do administrado, podendo utilizar-se inclusive
da força, desde que necessária e não viole a razoabilidade e a
proporcionalidade.

Q5. 2018/CESPE/ TCM-BA/Auditor


Assinale a opção que apresenta o poder da administração pública que
limita o exercício dos direitos individuais em benefício do interesse público.
a) poder hierárquico.
b) poder de disciplinar.
c) poder de polícia.
d) poder regulamentar.
e) poder discricionário.

Comentários

Resposta: alternativa “C”.Conforme vimos, o poder de polícia é a atividade


estatal que limita ou disciplina uma ação comissiva ou omissiva individual em
prol do interesse público. A definição de poder de polícia, no plano normativo,
encontra-se no art. 78 do CTN: considera-se poder de polícia atividade da
administração pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou
liberdade, regula a prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse
público concernente à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina
da produção e do mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes
de concessão ou autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao
respeito à propriedade e aos direitos individuais ou coletivos. Ressalte-se que
se considera regular o poder de polícia quando o seu exercício seja
desempenhado pelo órgão competente nos limites da lei aplicável, com
observância do processo legal e, tratando-se de atividade que a lei tenha como
discricionária, sem abuso ou desvio de poder.

Q6. 2018/CESPE/PGE-PE/Procurador do Estado


À luz da jurisprudência dos tribunais superiores sobre o poder de polícia, o
poder disciplinar, o poder normativo e o dever de probidade na
administração pública, assinale a opção correta.

a) Cabe aos conselhos regionais de farmácia, no exercício do poder de


polícia, licenciar e fiscalizar as condições de funcionamento dos
estabelecimentos farmacêuticos.
b) O pagamento de multa resultante de autuação por agente de trânsito
não implica a desistência da discussão judicial da infração.

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c) A configuração de ato de improbidade administrativa requer que haja


enriquecimento ilícito ou dano ao erário.
d) A ocorrência do ato de improbidade administrativa, em regra, viabiliza a
reparação por dano moral coletivo.
e) Em razão do poder disciplinar da administração pública, é admissível que
edital de concurso público proíba a participação de candidatos tatuados .

Comentários

Resposta: alternativa “B”.Correta a alternativa “b” porque, de acordo com a


súmula 434 do STJ, o pagamento da multa por infração de trânsito não inibe a
discussãojudicial do débito.Incorreta a alternativa “a” porque, de acordo com a
súmula 561 do STJ, os Conselhos Regionais de Farmácia possuem atribuição
para fiscalizar e autuar as farmácias e drogarias quanto ao cumprimento da
exigência de manter profissional legalmente habilitado (farmacêutico) durante
todo o período de funcionamento dos respectivos estabelecimentos. Ou seja,
não há competência dos CRF para licenciar o funcionamento das farmácias.
Incorreta a alternativa “c” porque não só resta configurada improbidade
administrativa com o enriquecimento ilícito ou dano ao erário, mas também por
concessão ou aplicação indevida de benefício financeiro ou tributário e por ato
que atente contra os princípios da Administração Pública. Incorreta a alternativa
“d” porque, para a jurisprudência do STJ, a reparação por dano moral coletivo
sempre pode ser viabilizada em caso de ocorrência de ato de improbidade
administrativa. Ou, em outras palavras, não há que se falar em impossibilidade
de pleitear o dano moral coletivo em sede de ação civil pública por ato ímprobo
(STJ: REsp 1666454/RJ). Incorreta a alternativa “e” porque, de acordo com o
julgamento do RE 898.450 no STF com repercussão geral (tema 838), os
requisitos do edital para o ingresso em cargo, emprego ou função pública
devem ter por fundamento lei em sentido formal e material. Editais de concurso
público não podem estabelecer restrição a pessoas com tatuagem, salvo
situações excepcionais em razão de conteúdo que viole valores constitucionais.
Ou seja, eventual possibilidade de proibição decorrerá da lei ou de violação
constitucional e não do poder disciplinar.

Q7. 2018/CESGRANRIO/PETROBRÁS/Advogado (ADAPTADA)


O poder de polícia é o modo de atuar da autoridade administrativa que
consiste em intervir no exercício das atividades individuais suscetíveis de
fazer perigar interesses gerais, tendo por objeto evitar que se produzam,
ampliem ou generalizem os danos sociais que a lei procura prevenir.
CAETANO, M. Princípios Fundamentais do Direito Administrativo.
Imprenta: Coimbra, Almedina, 2010. p.339.
Conforme entende o autor do trecho acima,
a) é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício ou profissão,
independentemente das qualificações profissionais.

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b) ofende o princípio da livre concorrência a lei municipal que impede a


instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo ramo em
determinada área.
c) há exercício do Poder de Polícia na concessão inicial da licença, o
mesmo não podendo ocorrer na renovação de licença para localização.
d) são de competência das portarias a prescrição de infrações e sanções
administrativas, mesmo que não exista lei sobre a matéria.
e) são de competência da União, Estados, Distrito Federal e Municípios, a
cobrança de taxa, tendo como fato gerador o exercício regular do poder
de polícia, ou a utilização, efetiva ou potencial, de serviço público
específico e indivisível, prestado ao contribuinte ou posto à sua
disposição, ainda que não haja previsão legal.

Comentários

Resposta: alternativa “B”.Correta a alternativa “b” porque, de acordo com a


Súmula Vinculante nº 49 do STF, ofende o princípio da livre concorrência lei
municipal que impede a instalação de estabelecimentos comerciais do mesmo
ramo em determinada área. Incorreta a alternativa “a” porque, de acordo com
o inciso XIII do art. 5º da CRFB, é livre o exercício de qualquer trabalho, ofício
ou profissão, atendidas as qualificações profissionais que a lei estabelecer.
Incorreta a alternativa “c” porque, de acordo com o STF, a taxa de renovação
de licença é constitucional, desde que efetivo o exercício do poder de polícia,
demonstrado pela existência de órgão e estrutura competentes para o
respectivo exercício (RE 588.322, tema 217). Tanto é assim que primeira seção
do STJ deliberou pelo cancelamento da súmula 157 do STJ, cujo teor era: “É
ilegítima a cobrança de taxa, pelo município, na renovação de licença para
localização de estabelecimento comercial ou industrial”. Incorreta a alternativa
“d” porque as portarias, como ato normativo infraregulamentar, expressão do
poder normativo, são expedidas para o fiel cumprimento da lei, não podendo
inovar materialmente para fixação de infrações ou sanções nem tratar de tema
praeter legem, ou seja, além do que disposto em lei. Incorreta a alternativa “e”
porque a instituição de taxa depende de lei (art. 150, inciso I, da CRFB).

Q8. 2018/CESPE/SEFAZ-RS/Auditor
A respeito dos poderes administrativos, assinale a opção correta
a) O exercício do poder disciplinar não admite delegação ou avocação de
atribuições.
b) O exercício do poder disciplinar pode ser observado na imposição de
multas de trânsito.
c) O poder regulamentar é o poder de a administração pública editar leis
em sentido estrito.

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d) A possibilidade de a administração pública restringir o gozo da liberdade


individual em favor do interesse da coletividade decorre do poder de
polícia.
e) O poder hierárquico pode ser exercido pela União sobre uma sociedade
de economia mista da qual ela seja acionista.

Comentários

Resposta: alternativa “D”.Correta a alternativa “d”, já que, de fato, o poder de


polícia, conforme definido no art. 78 do CTN, autoriza a Administração Pública a
limitar ou disciplinar direito, interesse ou liberdade individual, regulando a
prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público. Incorreta a
alternativa “a” porque poder haver, por exemplo, avocação de competência por
parte do Governador para aplicação de sanção em servidor público cuja
dosimetria permitiria que fosse aplicada pelo Secretário (advertência ou
suspensão de poucos dias, conforme definido em lei). De acordo com o art. 13
da Lei Federal nº 9.784, de 1999, não podem ser objeto de delegação: I - a
edição de atos de caráter normativo; II - a decisão de recursos
administrativos;III - as matérias de competência exclusiva do órgão ou
autoridade. Incorreta a alternativa “b” porque a imposição de multa de trânsito
decorre do Poder de Polícia. Incorreta a alternativa “c” porque o poder
regulamentar ou normativo é o poder de a Administração Pública expedir atos
normativos para a fiel execução de leis. A expedição de leis em sentido estrito é
prerrogativa do Poder Legislativo em sua função precípua. Incorreta a
alternativa “e” porque não há hierarquia e, portanto, subordinação entre ente
da Administração Pública direta e entidade da Administração Pública indireta. O
que há é uma vinculação para o controle finalístico, sendo no Governo Federal
em função da supervisão ministerial.

Q9. 2018/CS-UFG/SANEAGO/Advogado
Poder de Polícia é a faculdade que tem o Estado de limitar, condicionar o
exercício dos direitos individuais, a liberdade, a propriedade, por exemplo,
tendo como objetivo a instauração do bem-estar coletivo, do interesse
público (Maria S. Di Pietro, 2017, p.158). Um dos atributos do Poder de
Polícia é,
a) a autoexecutoriedade, que implica dizer que a Administração Pública
possui a prerrogativa de decidir e executar sua decisão por seus próprios
meios, sem necessidade de intervenção judicial. É a obrigatoriedade
atribuída à Administração de impor diretamente as medidas ou sanções de
polícia administrativa necessárias à repressão da atividade lesiva ao
interesse coletivo que ela pretende coibir, independentemente de prévia
autorização do Poder Legislativo.
b) a coercibilidade, que se caracteriza pela imposição coativa das medidas
adotadas pela Administração, que, diante de eventuais resistências dos
administrados, pode se valer, inclusive, da força pública para garantir o

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seu cumprimento. Significa, pois, que todo ato de polícia administrativa é


imperativo, ou seja, de cunho obrigatório.
c) a discricionariedade no exercício do poder de polícia significa que a
Administração dispõe de certa liberdade de atuação, podendo valorar a
oportunidade e conveniência da prática do ato e da graduação das sanções
aplicáveis, bem como estabelecer o motivo e o objeto, respeitados os
limites legais estabelecidos.
d) a discricionariedade que se caracteriza pela dispensabilidade na
realização do poder de polícia, pois se trata de ato vinculado da
administração pública.

Comentários

Resposta: alternativa “B”.São três os atributos do poder de polícia: a


discricionariedade, a autoexecutoriedade e a coercibilidade. Incorreta a
alternativa “a” porque o poder de polícia, derivado da supremacia geral do
Estado, depende de lei. Assim, a autoexecutoriedade como um de seus
atributos depende de prévia autorização do Poder Legislativo por meio de lei.
Incorreta a alternativa “c” porque as margens de discricionariedade estão na
gradação de eventual sanção a ser aplicável, mas se ocorreu a infração e há
previsão de punição, o administrador público tem o poder-dever de sancionar,
sob pena de crime de condescendência criminosa (art. 320 do CP). Incorreta a
alternativa “d” porque há contradição na assertiva. Como um dos atributos do
poder de polícia, é discricionária para a Administração a decisão, por exemplo,
se realizará fiscalização ambiental ou alimentar, tributária ou de transportes.
Logo, não há que se falar em atividade vinculada. Correta a alternativa “b” que
descreve a coercibilidade. Cuidado para não confundir coercibilidade com
autoexecutoriedade. Quanto à esta, por exemplo, há exceção de autoexecutar o
pagamento das multas, devendo a execução se dar por meio do Poder
Judiciário.

Q10. 2018/FUNDEP/TCE-MG/Auditor
Avalie a proposição (1) e a razão (2) a seguir.
1. O exercício do poder de polícia pela Administração Pública tem
fundamento na chamada supremacia especial,
PORQUE
2. essa supremacia confere à Administração Pública a prerrogativa de
condicionar a liberdade e a propriedade das pessoas em geral, ajustando-
as aos interesses públicos.
Assinale a alternativa CORRETA

a) A proposição e a razão são verdadeiras, e a razão justifica a proposição.

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b) A proposição e a razão são verdadeiras, mas a razão não justifica a


proposição.
c) A proposição é verdadeira, mas a razão é falsa.
d) A proposição é falsa, mas a razão é verdadeira.
e) A proposição e a razão são falsas.

Comentários

Resposta: alternativa “E”.O poder de polícia decorre da supremacia geral


(supremacia do interesse público sobre o privado) e não da especial
(proximidade de relação entre a Administração e o administrado, agente público
ou contratado). Logo, é a supremacia geral que confere à Administração Pública
a prerrogativa de condicionar a liberdade e a propriedade das pessoas em geral,
ajustando-as aos interesses públicos. Assim, tanto a proposição (1) quanto a
razão (2) estão incorretas.

Q11. 2018/CESPE/CGM DE JOÃO PESSOA-PB/Auditor de Controle


Interno
A respeito da organização e dos poderes da administração pública, julgue o
próximo item.
Define-se poder vinculado da administração pública como a faculdade do
gestor público de determinar condutas vinculadas à sua conveniência e
oportunidade, observada a legalidade

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “ERRADO”.No exercício do poder vinculado, o gestor público não


pode agir por sua conveniência e oportunidade, isto é, de forma discricionária.
Ao contrário, ele está restrito a atuar conforme a lei fixou. Nos atos vinculados
a própria lei fixa os aspectos a que o administrador público estará sujeito.
Lembre-se que há na doutrina posição de que os denominados poderes
vinculado e discricionário não existem como poderes autônomos, podendo ser
qualificados, quando muito, como atributos de outros poderes ou competências
da Administração (posição da professora Maria Sylvia, por exemplo).

Q12. 2018/CESPE/CGM DE JOÃO PESSOA-PB/Auditor de Controle


Interno
No que se refere às características do poder de polícia e ao regime jurídico
dos agentes administrativos, julgue o item que se segue.
As multas de trânsito, como expressão do exercício do poder de polícia,
são dotadas de autoexecutoriedade.

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( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “ERRADO”.Excluem-se da autoexecutoriedade do poder de polícia


eventuais sanções pecuniárias (multas, por exemplo) aplicadas ao
administrado, que só podem ser executadas pela via Judicial.A
autoexecutoriedade não existe em todas as ações do Poder de Polícia, mas
somente quando autorizada por lei ou em caso de medida urgente, não sendo
nenhum desses casos quanto às multas de trânsito.

Q13. 2017/IADES/CREMEB/Advogado
O poder discricionário é uma prerrogativa concedida aos agentes
administrativos de eleger, dentre várias condutas possíveis, a que traduz
maior conveniência e oportunidade para o interesse público. Entretanto,
atualmente, o poder discricionário tem sofrido limitação. Acerca desse
tema, assinale a alternativa correta.
a) O controle dos atos derivados do poder discricionário pode ser realizado
apenas administrativamente.
b) Os atos derivados do poder discricionário podem sofrer controle apenas
quanto à sua constitucionalidade.
c) O controle dos atos derivados do poder discricionário pode ser realizado
administrativa ou judicialmente.
d) Os atos derivados do poder discricionário não sofrem qualquer tipo de
controle.
e) O controle dos atos derivados do poder discricionário da União deve ser
realizado pelo Tribunal de Contas da União, não sendo admitido o
controle pelo Poder Judiciário.

Comentários

Resposta: alternativa “C”.Também o poder discricionário do agente público


estará sujeito ao controle pelo Poder Judiciário quando praticado com
ilegalidade, ainda que seu fundamento seja principiológico, por afrontar, por
exemplo, a moralidade administrativa, a impessoalidade, a publicidade, a
eficiência, a razoabilidade, a proporcionalidade, entre outros. Incorreta a
alternativa “a” porque o controle dos atos discricionários também pode ser
realizado pelo Poder Judiciário. Incorreta a alternativa “b” porque o controle
pode se dar tanto quanto à constitucionalidade, quanto à ilegalidade. Incorreta
a alternativa “d” já que os atos discricionários podem sofrer controle tanto
interno quanto externo, seja do próprio ente de que emanou o ato ou de outro,
tal como o Poder Judiciário. Incorreta a alternativa “e” porque cabe sim ao

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Poder Judiciário o controle dos atos discricionários quando se mostrem ilegais


ou inconstitucionais.

Q14. 2017/CESPE/DPE-AC/Defensor Público


A estrutura hierárquica da administração pública permite a
a) delegação da competência para aplicação de sanções em sede de poder
de polícia administrativa à pessoa jurídica de direito privado.
b) revisão por agente de nível hierárquico superior de ato administrativo ou
processo administrativo que contiver vício de legalidade.
c) delegação de órgão superior a órgão inferior da atribuição para a edição
de atos administrativos de caráter normativo.
d) delegação a órgão diverso da competência para a decisão de recurso
administrativo.
e) avocação por órgão superior, em caráter ordinário e por tempo
indeterminado, de competência atribuída a órgão hierarquicamente
inferior.

Comentários

Resposta: alternativa “B”.Correta a alternativa “b” porque decorre do poder


hierárquico o dever do superior hierárquico de fiscalizar e rever as atividades
executadas por seus subordinados. Incorreta a alternativa “a” porque prevalece
a indelegabilidade do poder de polícia, em especial quanto ao poder
sancionatório, à pessoa de direito privado, já que se trata de atividade típica de
Estado (STF: ADI 1717 e REs 539.224 e 611.947). Incorretas as alternativas
“c” e “d” porque, de acordo com o art. 13 da Lei nº 9.784, de 1999, não podem
ser objeto de delegação: I - a edição de atos de caráter normativo;II - a
decisão de recursos administrativos;III - as matérias de competência exclusiva
do órgão ou autoridade.Incorreta a alternativa “e” porque, de acordo com o art.
15 da Lei nº 9.784, de 1999, a avocação deve ser utilizada em caráter
temporário e excepcional, bem como por motivos relevantes devidamente
justificados.

Q15. 2017/MPE-SP/MPE-SP/Promotor de Justiça


Assinale a alternativa correta.
a) O poder de polícia tem como característica a discricionariedade, pelo
que a Administração, ao expedir alvarás de autorização ou de licença,
aprecia livremente a oportunidade e conveniência da medida.
b) A autoexecutoriedade, um dos atributos do poder de polícia, permite
que a Administração ponha em execução as suas decisões sem precisar
recorrer ao Poder Judiciário, independentemente de autorização legal.

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c) O poder de polícia, atividade estatal que limita o exercício dos direitos


individuais em benefício do interesse público, é exercido privativamente
pelo Poder Executivo.
d) O poder de polícia, exercido pela polícia administrativa, não se confunde
com o exercido pela polícia judiciária porque a primeira atua
preventivamente e a segunda repressivamente.
e) O poder de polícia é indelegável a pessoas jurídicas de direito privado
por envolver prerrogativas próprias do poder público, insuscetíveis de
serem exigidas por particular sobre o outro.

Comentários

Resposta: alternativa “E”.Correta a alternativa “e” porque prevalece a


indelegabilidade do poder de polícia à pessoa de direito privado, já que se trata
de atividade típica de Estado (STF: ADI 1717 e REs 539.224 e 611.947),
sobretudo em suas expressões sancionatórias. Incorreta a alternativa “a”
porque, em que pese a discricionariedade ser um dos atributos do Poder de
Polícia, a concessão de alvará de licença é ato vinculado, diferentemente do
alvará de autorização, que é ato discricionário. Logo, conveniência e
oportunidade só existem para autorização e não para licença. Incorreta a
alternativa “b” porque, a autoexecutoriedade não ocorre em todo ato que
emana do Poder de Polícia, mas sim quanto àqueles expressamente autorizados
por lei ou os urgentes. Incorreta a alternativa “c” porque o poder de polícia é
uma prerrogativa da Administração Pública, não se limitando ao Poder
Executivo. Assim, quando no exercício da função administrativa e apresentando
no caso fático a necessidade de disciplinar e/ou restringir uma atividade
individual em prol do interesse público, também o poder de polícia pode ser
exercitado pelos demais Poderes da República. Incorreta a alternativa “d”
porque o poder de polícia administrativo pode ocorrer tanto na modalidade
preventiva quanto repressiva. De igual modo, também as atividades da polícia
judiciária podem ter por escopo a repressão por crime cometido ou a prevenção
de prática de novos ou outros atos ilícitos.

Q16. 2017/FCC/TST/Juiz do Trabalho


A respeito dos poderes da Administração pública, é correto afirmar:
a) O poder de rever atos e decisões e de decidir conflitos de competência
entre subordinados são desdobramentos ou decorrências do poder
disciplinar.
b) As multas decorrentes do poder de polícia devem ser executadas na via
administrativa.
c) Compete privativamente ao Presidente da República dispor, mediante
decreto, sobre (i) organização e funcionamento da Administração
federal, quando não implicar aumento de despesa nem criação ou

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extinção de órgãos públicos; e (ii) extinção de funções ou cargos


públicos, quando vagos.
d) Em matéria de poder de polícia, suspende-se a prescrição da ação
punitiva por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação
expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito interno da
Administração pública federal.
e) É da competência exclusiva da Câmara dos Deputados sustar os atos
normativos do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar
ou dos limites de delegação legislativa.

Comentários

Resposta: alternativa “C”.Correta a alternativa “c” que apresenta a literalidade


do art. 84, inciso VI, alíneas “a” e “b”, da CRFB. Incorreta a alternativa “a”
porque o poder de rever os atos e as decisões dos subordinados decorre do
poder hierárquico. Incorreta a alternativa “b” porque não decorre a
autoexecutoriedade de todo ato de poder de polícia. Exemplifica essa
impossibilidade exatamente a execução de multas, que deve seguir o rito
próprio de cobrança via Poder Judiciário. Incorreta a alternativa “d” porque se
interrompe e não se suspende a prescrição por qualquer ato inequívoco que
importe apuração do fato. Incorreta a alternativa “e” porque compete ao
Congresso Nacional e não à Câmara dos Deputados sustar os atos normativos
do Poder Executivo que exorbitem do poder regulamentar ou dos limites de
delegação legislativa, nos termos do art. 49, V, da CRFB.

Q17. 2017/VUNESP/PREFEITURA DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS-


SP/Procurador
Considere que o prefeito de São José dos Campos pretenda promover o
recapeamento asfáltico, iniciando pelas ruas que dão acesso às Rodovias
Estaduais, e postergar para o ano seguinte o recapeamento das ruas que
dão acesso aos bairros periféricos, cujo asfalto se encontra em igual
condição precária de conservação, diante da constatação de que existe
maior tráfego urbano em direção às rodovias. Com relação a essa
hipotética situação, assinale a alternativa correta.
a) Trata-se de ato vinculado, sendo ilegal a decisão tomada pelo Poder
Executivo.
b) A decisão do Prefeito se caracteriza como ato discricionário, calcado nos
critérios de conveniência e oportunidade.
c) O plano do Prefeito é ilegal, pois a decisão deve antes ser ratificada pelo
Poder Legislativo.
d) A decisão do Prefeito não pode ser objeto de questionamento perante o
Poder Judiciário, nem mesmo no que tange à legalidade.

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e) As obras de recapeamento asfáltico, por se caracterizarem como ato


discricionário, não se submetem ao controle de legalidade.

Comentários

Resposta: alternativa “B”.Correta a alternativa “b”, já que, da situação


hipotética apresentada, vislumbra-se haver, entre as opções em comento,
aderência ao interesse público na decisão do Administrador no sentido de
privilegiar, no primeiro ano, asfaltar as vias que mais são utilizadas pelos
munícipes. Ou seja, não sendo a seleção da ordem das ruas a serem asfaltadas
um caso de ato vinculado por lei, pode o Administrador Público, desde que
cumpridos os princípios constitucionais e legais, em especial a razoabilidade,
adotar e aplicar os critérios adequados de conveniência e oportunidade.
Incorreta a alternativa “a” porque, como regra, ao Poder Executivo compete
essencialmente a função administrativa, não havendo lei vinculando a ordem
pela qual serão asfaltadas ou recapeadas as ruas da cidade. Lei que venha se
imiscuir em matéria de flagrante mérito administrativo pode configurar inclusive
afronta ao princípio da separação de poderes. Para legislar nesse sentida, há
que se ter fundamento robusto, sob pena de o Poder Legislativo subjugar o
Poder Executivo. Incorreta a alternativa “c”, já que pela separação de Poderes
compete ao Poder Executivo precipuamente a Administração da coisa pública e
a realização em concreto da função administrativa. Não se trata de matéria, em
tese, que reclame ratificação prévia pelo Poder Legislativo. Incorretas as
alternativas “d” e “e” porque os atos discricionários estão sujeitos ao controle
de legalidade e, portanto, de apreciação pelo Poder Judiciário.

Q18. 2017/CESPE/TCE-PE/Auditor de Contas Públicas


Com relação a agentes públicos, atos administrativos, poderes da
administração pública e responsabilidade civil do Estado, julgue o item
subsequente.
Ainda que a lei ofereça ao agente público mais de uma alternativa para o
exercício do poder de polícia, a autoridade terá limitações quanto ao meio
de ação.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “CERTO”.Tanto nos atos vinculados quanto nos atos discricionários,


a competência, a finalidade e a forma estão fixadas em lei. A diferença é que
nos atos vinculados o motivo e o objeto também estão estritamente tratados
em lei enquanto no discricionário há margens de conveniência e oportunidade
nesses dois elementos (motivo e objeto). Assim, correta a assertiva já que, em
que pese ser um atributo do poder de polícia a discricionariedade, o meio de
ação, isto é, a forma para sua prática, estará fixado em lei.

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Q19. 2017/AOCD/CODEM-PA/Advogado
O exercício da atividade administrativa, para que possa ser efetivo,
necessita dos poderes que lhe são conferidos pelo ordenamento jurídico
vigente. Em relação ao assunto, assinale a alternativa INCORRETA.
a) Apesar de o poder discricionário implicar uma liberdade à Administração
Pública, este está sujeito às normas jurídicas vigentes, bem como aos
interesses coletivos, o que impede seu uso abusivo.
b) Considerando que a lei nem sempre consegue atender a todos os casos,
por força do poder regulamentar, é possível ser expedidos regulamentos
para a fiel execução da lei.
c) Objetivando apurar e punir faltas funcionais, é atribuído à Autoridade
Administrativa o poder hierárquico.
d) Ainda que seja aparentemente paradoxal, o poder de polícia constitui
limitação à liberdade individual e, ao mesmo tempo, é o garantidor dessas
mesmas liberdades.
e) Quando a autoridade administrativa é obrigada a tomar determinada
decisão em razão de determinada circunstância, tem-se o chamado poder
vinculado.

Comentários

Resposta: alternativa “C”.Incorreta a alternativa “c” porque a prerrogativa para


apurar e punir faltas funcionais decorre do poder disciplinar e não do poder
hierárquico. O poder hierárquico é um dos pilares da organização
administrativa, já que, por meio dele, é que a Administração Pública realiza a
distribuição e o escalonamento de seus órgãos, funções e agentes. Já o poder
disciplinar é exatamente aquele que permite a aplicação de sanção na seara
administrativa ao agente público quando este pratica alguma infração funcional.
É o poder disciplinar que mantém hígida a organização administrativa fixada
pelo poder hierárquico, já que, se não houvesse a possibilidade de sanção
aplicável pelo superior hierárquico em caso de descumprimento funcional do
subordinado, a organização sofreria rupturas. Correta a alternativa “a” porque
discricionariedade não se confunde com arbitrariedade. Aquele que age com
abuso, age sem direito. Correta a assertiva “b” que apresenta previsão
decorrente do art. 84, inciso IV, da CRFB (compete privativamente ao
Presidente da República: sancionar, promulgar e fazer publicar as leis, bem
como expedir decretos e regulamentos para sua fiel execução). Correta a
alternativa “d” porque, de fato, caso não houvesse o poder de polícia a atuar
como frenagem ao abuso dos particulares, sem dúvida, o convívio social ficaria
prejudicado e, por conseguinte, o próprio particular sofreria as consequências
em suas liberdades pela ação desordeira, ilimitada e abusiva de outros
particulares. Correta a alternativa “e” porque se o administrador público é
obrigado a adotar os efeitos previstos em lei em função da ocorrência de
determinado ato, presente está o poder vinculado.

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Q20. 2017/FMP CONCURSOS/MPE-RO/Promotor de Justiça


Assinale a alternativa INCORRETA quanto ao poder de polícia.
a) É constitucional a atribuição às guardas municipais do exercício do
poder de polícia de trânsito, inclusive para a imposição de sanções
administrativas previstas em lei.
b) As atribuições da guarda municipal previstas na Constituição da
República são definidas em sentido exemplificativo, e não exaustivo.
c) O poder de polícia se manifesta exclusivamente por intermédio de
deveres de abstenção ou obrigações de não fazer acometidas aos
particulares.
d) O poder de polícia não se limita à atuação do Estado no concernente à
prestação de segurança pública direcionada à coletividade.
e) Até mesmo instituições policiais podem cumular funções típicas de
segurança pública com exercício de poder de polícia.

Comentários

Resposta: alternativa “C”.A questão explora a decisão do STF no RE 658.570,


com repercussão geral (Tema 472).Veja ementa: “DIREITO ADMINISTRATIVO.
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. PODER DE POLÍCIA. IMPOSIÇÃO DE MULTA DE
TRÂNSITO. GUARDA MUNICIPAL. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Poder de polícia
não se confunde com segurança pública. O exercício do primeiro não é
prerrogativa exclusiva das entidades policiais, a quem a Constituição outorgou,
com exclusividade, no art. 144, apenas as funções de promoção da segurança
pública. 2. A fiscalização do trânsito, com aplicação das sanções administrativas
legalmente previstas, embora possa se dar ostensivamente, constitui mero
exercício de poder de polícia, não havendo, portanto, óbice ao seu exercício por
entidades não policiais. 3. O Código de Trânsito Brasileiro, observando os
parâmetros constitucionais, estabeleceu a competência comum dos entes da
federação para o exercício da fiscalização de trânsito. 4. Dentro de sua esfera
de atuação, delimitada pelo CTB, os Municípios podem determinar que o poder
de polícia que lhe compete seja exercido pela guarda municipal. 5. O art. 144,
§8º, da CF, não impede que a guarda municipal exerça funções adicionais à de
proteção dos bens, serviços e instalações do Município. Até mesmo instituições
policiais podem cumular funções típicas de segurança pública com exercício de
poder de polícia. Entendimento que não foi alterado pelo advento da EC nº
82/2014. 6. Desprovimento do recurso extraordinário e fixação, em repercussão
geral, da seguinte tese: é constitucional a atribuição às guardas municipais do
exercício de poder de polícia de trânsito, inclusive para imposição de sanções
administrativas legalmente previstas”.Portanto, corretas as alternativas “a”,
“b”, “d” e “e”. Incorreta a alternativa “c” porque o poder de polícia não se limita
à abstenção (atividade negativa), mas também abrange a atividade positiva,
seja por sua definição legal prevista no art. 78 do CTN que alude à “prática de
ato ou abstenção de fato”, seja pela autorização Constitucional ou legal no

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sentido de que por meio do poder de polícia se possa compelir ao particular o


parcelamento do solo ou edificações compulsórios (art. 182, §4º) ou
construções de calçadas com acessibilidade para portadores de necessidades
especiais e idosos.

Q21. 2017/FAFIPA/FUNDAÇÃO ARAUCÁRIA-PR/Advogado


Ao se tratar de uma conduta adotada em razão de uma lei que definiu
todos os seus aspectos, está-se diante de:
a) Poder Discricionário.
b) Poder Vinculado.
c) Poder Disciplinar.
d) Poder Hierárquico.

Comentários

Resposta: alternativa “B”.O poder vinculado decorre da descrição exauriente no


próprio texto legal quanto às condições e os consequentes efeitos a serem
praticados pelos agentes públicos. Ou seja, o direito positivo não deixa margem
para que o agente possa agir de forma diversa do quanto prescrito. Incorreta a
alternativa “a” porque no poder discricionário o agente público tem certa
margem de atuação quanto à prática de um ato administrativo. Incorreta a
alternativa “c” porque o poder disciplinar é aquele que permite a aplicação de
sanção na seara administrativa ao agente público quando este pratica alguma
infração funcional. Incorreta a alternativa “d” porque é por meio do poder
hierárquico que a Administração Pública realiza a distribuição e o
escalonamento de seus órgãos, funções e agentes, visando ordenar, coordenar,
controlar e corrigir a atividade administrativa.

Q22. 2017/FCC/TJ-SC/Juiz de Direito


Sobre o exercício do poder disciplinar da Administração Pública, é correto
afirmar que tal poder
a) é exercido somente em face de servidores regidos pelas normas
estatutárias, não se aplicando aos empregados públicos, regidos pela
Consolidação das Leis do Trabalho.
b) admite a aplicação de sanções de maneira imediata, desde que tenha
havido prova inconteste da conduta ou que ela tenha sido presenciada
pela autoridade superior do servidor apenado.
c) é aplicável aos particulares, sempre que estes descumpram normas
regulamentares legalmente embasadas, tais como as normas
ambientais, sanitárias ou de trânsito.
d) é extensível a sujeitos que tenham um vínculo de natureza especial com
a Administração, sejam ou não servidores públicos.

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e) não contempla, em seu exercício, a possibilidade de afastamentos


cautelares de servidores antes que haja o prévio exercício de ampla
defesa e contraditório.

Comentários

Resposta: alternativa “D”.Correta a alternativa “d” porque o poder disciplinar da


Administração não se restringe aos servidores estatutários, aplicando-se a
todos os agentes públicos e terceiros que estejam vinculados pela sujeição
especial ao Poder Público. Incorreta a alternativa “a”, pelo mesmo motivo.
Incorreta a alternativa “b” porque não se aplica no direito brasileiro, em
especial a partir da Constituição de 1988, o instituto da “verdade sabida”. O
inciso LV do art. 5º da CRFB exige a observância do devido processo legal (due
process of law), assegurada a ampla defesa e o contraditório tanto no processo
judicial quanto no processo administrativo. Incorreta a alternativa “c” porque
apresenta caso em que se aplica o poder de polícia, em especial em seu aspecto
sancionador, e não no poder disciplinar. Não estando o particular sob a sujeição
especial aplica-se a sujeição geral. A sujeição geral remete ao poder de polícia e
a sujeição especial remete ao poder disciplinar. Incorreta a alternativa “e”
porque há previsão no ordenamento de medidas cautelares, com afastamento
preventivo, a serem aplicadas em âmbito administrativo em função do poder
disciplinar, tais como, art. 147 da Lei nº 8.112, de 1990, e o art. 20 da Lei nº
8.429, de 1992.

Q23. 2017/CESPE/PREFEITURA DE BELO HORIZONTE-MG/Procurador


Municipal
Em relação aos poderes e deveres da administração pública, assinale a
opção correta.
a) É juridicamente possível que o Poder Executivo, no uso do poder
regulamentar, crie obrigações subsidiárias que viabilizem o
cumprimento de uma obrigação legal.
b) De acordo com o STF, ao Estado é facultada a revogação de ato
ilegalmente praticado, sendo prescindível o processo administrativo,
mesmo que de tal ato já tenham decorrido efeitos concretos.
c) De acordo com o STF, é possível que os guardas municipais acumulem a
função de poder de polícia de trânsito, ainda que fora da circunscrição
do município.
d) Do poder disciplinar decorre a atribuição de revisar atos administrativos
de agentes públicos pertencentes às escalas inferiores da administração.

Comentários

Resposta: alternativa “A”.Correta a alternativa “a” que apresenta assertiva em


linha com a posição do professor José dos Santos Carvalho Filho no sentido de
que “é legítima a fixação de obrigações subsidiárias (ou derivadas) – diversas

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das obrigações primárias (ou originárias) contidas na lei – nas quais também se
encontra imposição de certa conduta dirigida ao administrado. Constitui, no
entanto, requisito de validade de tais obrigações sua necessária adequação às
obrigações legais”.Incorreta a alternativa “b” porque ato ilegal não se revoga e
sim se anula (Súmula 473 do STF:” A administração pode anular seus próprios
atos, quando eivados de vícios que os tornam ilegais, porque deles não se
originam direitos; ou revogá-los, por motivo de conveniência ou oportunidade,
respeitados os direitos adquiridos, e ressalvada, em todos os casos, a
apreciação judicial”). Ademais, havendo repercussão na esfera de interesse do
administrado em função de feitos concretos, é necessário processo
administrativo (STF: RE 594296 com repercussão geral que fixou a seguinte
tese para o tema 138: ao Estado é facultada a revogação de atos que repute
ilegalmente praticados; porém, se de tais atos já tiverem decorrido efeitos
concretos, seu desfazimento deve ser precedido de regular processo
administrativo). Incorreta a alternativa “d” porque a prerrogativa de revisar os
atos dos subordinados decorre do poder hierárquico e não do poder disciplinar.
Incorreta a alternativa “d” porque o art. 144, §8º, autoriza que os Municípios
constituam guardas municipais para a proteção de seus bens, serviços e
instalações. De fato, no julgamento do RE 658570 o STF fixou entendimento de
é possível aos guardas municipais acumularem a função de poder de polícia de
trânsito, mas limitado ao território do município.

Q24. 2017/CESPE/PREFEITURA DE FORTALEZA-CE/Procurador


Municipal
Com relação a processo administrativo, poderes da administração e
serviços públicos, julgue o item subsecutivo.
O exercício do poder regulamentar é privativo do chefe do Poder Executivo
da União, dos estados, do DF e dos municípios.

( ) Certo ( ) Errado

Comentários

Resposta: “CERTO”.O CESPE considera esta assertiva correta. Ou seja, adota o


posicionamento do professor Hely Lopes Meirelles e da professora Maria Sylvia,
no sentido de que o poder regulamentador é espécie do gênero poder
normativo. Além disso, para eles, o poder regulamentador é privativo do Chefe
do Poder Executivo Federal, Estadual, Distrital e Municipal.

Q25. 2017/FGV/ALERJ/Procurador
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro recebeu dezenas de
reclamações de consumidores a respeito da precariedade no serviço
público de fornecimento de energia elétrica em determinado bairro da Zona
Oeste, consistente em constantes interrupções e quedas de energia. Tais
denúncias foram encaminhadas ao PROCON Estadual que, após processo

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administrativo, aplicou multa à concessionária do serviço público. Em tema


de poderes da Administração Pública, de acordo com a doutrina e a
jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, a providência adotada pelo
PROCON está:
a) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder normativo do órgão
superior do Sistema Nacional de Defesa do Consumidor e da ANEEL.
b) errada, eis que a sanção de multa decorre do poder regulamentar da
ANEEL em relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa do
Consumidor.
c) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder de polícia do órgão
que integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.
d) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder hierárquico do
órgão que integra o Sistema Nacional de Defesa do Consumidor.
e) correta, eis que a sanção de multa decorre do poder disciplinar do
PROCON em relação à transgressão dos preceitos do Código de Defesa
do Consumidor.

Comentários

Resposta: alternativa “C”.Um dos ciclos do poder de polícia é o poder


sancionatório que pode ser preventivo ou repressivo. Lembre-se que, de acordo
com o professor Diogo de Figueiredo, o ciclo de atuação do poder de polícia
administrativa é: ordem, consentimento, fiscalização e sanção.

Q26. 2017/INSTITUTO EXCELÊNCIA/CÂMARA DE SANTA ROSA-


RS/Procurador
O que se entende por Norma de Polícia Administrativa de Santa Rosa – RS?

a) Entende-se por norma de Polícia administrativa quando qualquer ação


restritiva do Estado tem relação de direitos.
b) Entende-se por norma de Polícia Administrativa quando um poder regula
a matéria ou seja todos os assuntos concernentes aos interesses da
população.
c) Entende-se por norma de Polícia administrativa quando o princípio de
quem pode o mais pode o menos, é um sentido amplo das leis e atos
administrativos, tranquilidade e segurança pública.
d) Entende-se por norma de Polícia administrativa, o que envolve o
interesse da população e o comportamento individual face a coletividade,
relativamente aos costumes,à tranquilidade, à higiene Municipal e à
segurança pública.

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Resposta: alternativa “D”.Poder de Polícia, do ponto de vista do direito positivo,


está definido no art. 78 do CTN como sendo a atividade da administração
pública que, limitando ou disciplinando direito, interesse ou liberdade, regula a
prática de ato ou abstenção de fato, em razão de interesse público concernente
à segurança, à higiene, à ordem, aos costumes, à disciplina da produção e do
mercado, ao exercício de atividades econômicas dependentes de concessão ou
autorização do Poder Público, à tranquilidade pública ou ao respeito à
propriedade e aos direitos individuais ou coletivos.

Q27. 2016/RHS CONSULT/PREFEITURA DE PARATY-RJ/Procurador


Sobre o poder discricionário, pode-se afirmar:
a) Possui o mesmo valor que o poder arbitrário, posto que se iguala à
vinculada pela maior liberdade de ação que é conferida ao
administrador.
b) Relaciona-se à prática de atos administrativos com liberdade na escolha
de sua conveniência, oportunidade e conteúdo.
c) Não se justifica pela impossibilidade de o legislador catalogar na lei
todos os atos que a prática administrativa exige.
d) Não se sujeita aos condicionamentos externo e interno, ou seja, pelo
ordenamento jurídico e pelas exigências do bem comum e da
moralidade.
e) Tem por objetivo ordenar, coordenar, controlar e corrigir as atividades
administrativas, no âmbito interno da Administração pública.

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Resposta: alternativa “B”.De fato, correta a alternativa “b” porque o poder


discricionário é aquele que permite ao agente público certa margem de escolha,
diante da conveniência e oportunidade administrativa, para a prática de um ato
administrativo. Em regra, as margens de discricionariedade se dão nos
elementos motivos e objeto, sendo a competência, forma e finalidades fixadas
em lei. Incorreta a alternativa “a” porque discricionariedade não se confunde
com a arbitrariedade. Todo ato arbitrário é contrário à lei e ao Direito. Incorreta
a alternativa “c” porque, ao contrário, um dos fundamentos para a
discricionariedade é exatamente a impossibilidade de o legislador catalogar na
lei todos os atos que a prática administrativa exige. De igual modo incorreta a
alternativa “d” já que, ao contrário, o exercício do poder discricionário deve
respeitar o ordenamento jurídico e as exigências do bem comum e da
moralidade. Tanto que estão sujeitos ao controle judicial.

Q28. 2016/IDECAN/CÂMARA DE ARACRUZ-ES/Procurador


Assinale a alternativa que apresenta um poder de polícia municipal,
a) Expedição de instrução normativa.

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b) Concessão de alvará de localização.


c) Demissão de servidor público em abandono de cargo.
d) Aplicação de advertência a contratado administrativo.

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Resposta: alternativa “B”.Correta a alternativa “b” já que a expedição de alvará


é fruto do poder de polícia em sua fase ou ciclo de consentimento. Lembre-se
que, de acordo com o professor Diogo de Figueiredo, o ciclo de atuação do
poder de polícia administrativa é: ordem, consentimento, fiscalização e sanção.
Incorreta a alternativa “a” porque Instrução Normativa é expressão do poder
normativo. Incorreta a alternativa “c” porque a demissão é expressão do poder
disciplinar. Incorreta a alternativa “d” porque a aplicação de advertência a
contratado administrativo é fruto do poder disciplinar sujeito à supremacia
especial.

Q29. 2016/IDECAN/ CÂMARA DE ARACRUZ-ES /Procurador


Considere que, em uma escola pública do município de Aracruz/ES, um
estudante tenha sido apenado com cinco dias de suspensão por
desrespeito às normas de conduta escolar. Na hipótese, a sanção
apresentada representa exercício do poder administrativo:
a) de polícia.
b) disciplinar.
c) normativo.
d) hierárquico.

Comentários

Resposta: alternativa “B”.Poder disciplinar é aquele que permite a aplicação de


sanção na seara administrativa ao agente público quando este pratica alguma
infração funcional, bem como a todos aqueles que estejam vinculados à
Administração Pública por relações de qualquer natureza subordinadas ao
regramento público. Assim, em função da sujeição especial a que estão sujeitos
os alunos de uma escola pública, eles podem sofrer as consequências de seus
atos irregulares praticados por meio de sanções disciplinares decorrentes do
poder disciplinar da Administração Pública. Incorreta a alternativa “a” porque
aplica-se o poder de polícia na seara da sujeição geral (poder de império que
autoriza a ordem para a prática de ato ou abstenção de fato por parte do
particular em benefício do interesse coletivo). Incorreta a alternativa “c” porque
poder normativo é aquele que permite a Administração Pública produzir atos
que explicam, complementam e facilitam a execução das leis. Por fim, incorreta
a alternativa “d” porque o poder hierárquico é aquele que permite a
Administração Pública realizar a distribuição e o escalonamento de seus órgãos,
funções e agentes.

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Q30. 2016/FCC/SEGEP-MA/Auditor Fiscal da Receita Estadual


O poder de polícia caracteriza-se como atividade da Administração pública
que impõe limites ao exercício de direitos e liberdades, tendo em vista
finalidades de interesse público. Considere os atos ou contratos
administrativos a seguir:
I. concessão de serviços públicos.
II. autorização para vendas de material de fogos de artifícios.
III. permissão de serviços públicos.
IV. concessão de licença ambiental para construção.
Caracterizam-se como manifestação do poder de polícia APENAS os
constantes em
a) I e II.
b) II e III.
c) III e IV.
d) II e IV.
e) I e III.

Comentários

Resposta: alternativa “D”.A concessão de licença e de autorização é fruto do


ciclo do poder de polícia denominado de consentimento. Ou seja, a lei prevê
que, se presentes os requisitos legais, a Administração deve conceder a licença
pleiteada pelo particular ou, se presentes os requisitos legais, a Administração
pode, havendo conveniência e oportunidade, fornecer a autorização pleiteada
pelo particular. A concessão e a permissão de serviços públicos não são
expressão do poder de polícia porque ampliam a esfera jurídica do particular
(pessoa física ou jurídica) e não a restringem, fato que ocorre quando
decorrente do poder de polícia. Ademais, o Poder de Polícia não se expressa por
meio de contrato, como ocorre para a concessão de serviço público.

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4. Resumo

1. Os poderes administrativos são os instrumentos de que dispõem os agentes públicos


para o exercício de suas atividades legalmente estabelecidas, tudo no interesse da
coletividade.
 São prerrogativas funcionais, não pessoais.
 O agente público tem o dever e o poder de agir, sendo suas prerrogativas
irrenunciáveis.
Poder
Discricionário/Vinculado

Poder Hierárquico

Poder
Poder Disciplinar
Administrativo
Poder Normativo e
Regulamentar

Poder de Polícia

 Para a professora Maria Sylvia, os chamados poderes discricionário e vinculado não


existem como poderes autônomos. Para ela, eles seriam, quando muito, atributos de
outros poderes ou competência da Administração.
2. Abuso de Poder: ocorrerá o abuso de poder quando a autoridade administrativa se
omitir ou quando desbordar dos limites de suas prerrogativas.
 Remédios constitucionais para atacar o abuso de poder:

Instrumento Teor

Direito de Petição, previsto XXXIV - são a todos assegurados, independentemente do


no art. 5º, inciso XXXIV, pagamento de taxas:
alínea “a”, da CRFB
a) o direito de petição aos Poderes Públicos em defesa de
direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder;

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Habeas corpus, previsto no LXVIII - conceder-se-á habeas corpus sempre que alguém sofrer
inciso LXVIII do art. 5 da ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua
CRFb liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;

Mandato de Segurança, LXIX - conceder-se-á mandado de segurança para proteger


previsto no inciso LXIX do direito líquido e certo, não amparado por habeas
art. 5º da CRFB corpus ou habeas data, quando o responsável pela ilegalidade ou
abuso de poder for autoridade pública ou agente de pessoa
jurídica no exercício de atribuições do Poder Público;

Possibilidade de § 9º Lei complementar estabelecerá outros casos de


Inelegibilidade, constante inelegibilidade e os prazos de sua cessação, a fim de proteger a
no § 9º do art. 14 da CRFB probidade administrativa, a moralidade para exercício de
mandato considerada vida pregressa do candidato, e a
normalidade e legitimidade das eleições contra a influência do
poder econômico ou o abuso do exercício de função, cargo ou
emprego na administração direta ou indireta.
==1141ac==

Incompatibilidade com o § 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos


decoro parlamentar, tratado definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas
no §1º do art. 55 da CRFB asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção
de vantagens indevidas.

Competência do Tribunal de XI - representar ao Poder competente sobre irregularidades ou


Contas para representar ao abusos apurados.
Poder competente quando
apurar abusos, conforme
consta no inciso XI do art.
71 da CRFB

Competência conferida ao IV representar ao Ministério Público, no caso de crime contra a


Conselho Nacional de administração pública ou de abuso de autoridade;
Justiça - CNJ para
representar o Ministério
Público quando constatar
abuso de autoridade,
conforme previsto no inciso
IV do §4º do art. 103-B

3. No caso de omissão por parte da Administração, cabe ao Poder Judiciário impor a prática
do ato omitido ou suprir seus efeitos.
4. Excesso de Poder: ocorre quando o agente público age desbordando os limites de sua
competência, invadindo, portanto, área para a qual ele não possui a prerrogativa. Pode
decorrer de ato flagrante, porque a autoridade frontalmente realiza ato para o qual não
possui competência, ou pode ocorrer de forma escamoteada, quando a autoridade tentar
dar aparência de que possui competência para sua realização, quando, na verdade, não
possui
5. Desvio de Poder ou de Finalidade: surge quando a autoridade administrativa realiza
ou deixa de realizar um ato para o qual é competente, mas desvirtuando os fins a que a
norma almeja ou mesmo se utilizando de motivos outros que não aqueles que
mereceriam o ato omisso ou comisso.
6. Poder Vinculado: decorre da descrição exauriente no próprio texto legal quanto às
condições e os consequentes efeitos a serem praticados pelos agentes públicos.

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 Estando todos os elementos descritos em lei, em sentido amplo, não sobra


qualquer discricionariedade ao agente da administração que, por esse motivo,
passa a estar vinculado integralmente ao regramento e especificações
apresentados pelo direito positivo.
 A prática de um ato vinculado pelo agente sem que os requisitos legais estejam
presentes é nulo. De modo semelhante, estando presentes os requisitos legais,
não pode a autoridade deixar de praticá-lo ou fazê-lo de forma diversa da que
determina o dispositivo constante em lei.
 No ato vinculado, os 5 requisitos para formação de um ato administrativo
(Competência, Finalidade, Forma, Motivo e Objeto) devem estar descritos em lei.
 A concessão de licença é um exemplo típico de ato vinculado.
7. Poder Discricionário: decorre da autorização legal para que o agente público tenha
certa margem de atuação quanto à prática de um ato administrativo.
 Origina-se de duas vertentes:

o fato de ser dificultoso para o legislador, senão


impossível, prever de forma minudente em lei
todos os eventos possíveis de ocorrerem em
concreto, bem como todas as consequências que
para cada um desses eventos seriam aplicadas;

Poder
Discricionário
a decisão do legislador, já conhecedor de sua
limitação em regrar todos os eventos, de delegar ao
administrador público a discricionariedade para a
melhor consecução do objetivo público em concreto
frente às várias possibilidades que se
apresentarem.

Dos cinco requisitos do ato administrativo (Competência, Forma, Finalidade, Motivo e
Objeto), somente a competência, a forma e a finalidade são fixadas no ordenamento,
cabendo ao agente competente certo grau de atuação nos requisitos motivo e objeto
que se caracterizam por formar o campo de atuação discricionária.
 Discricionariedade não se confunde com arbitrariedade. Ao agente público só é dada
liberdade de escolha para, dentre as possibilidades que o caso apresenta, realizar
aquela que melhor atenda ao interesse público e não para agir de forma contrária ou
divergente quanto à finalidade da lei, maculando o direito de particulares
determinados.
 Está sujeito ao Poder Judiciário.
 Princípio de Juridicidade: essa necessidade de observância por parte do agente
público ao cumprimento da lei e do direito (conjunto amplo de normas que disciplina
o direito administrativo, seja do altiplano constitucional às normas
infraregulamentares), que acarreta uma ampliação do princípio da legalidade com
consequente mitigação das margens de discricionariedade.
8. Poder Hierárquico: um dos pilares da organização administrativa, já que pelo exercício
deste poder administrativo é que a Administração Pública realiza a distribuição e o
escalonamento de seus órgãos, funções e agentes. Dessa estruturação decorre a
forma piramidal da Administração Pública e as relações de subordinação decorrentes das
distribuições dos agentes em suas funções hierarquizadas, tudo com o objetivo de
ordenar internamente o exercício da função administrativa.

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 Não há hierarquia no Poder Legislativo (entre parlamentares) e no Poder Judiciário


(entre magistrados).
 As entidades da Administração Pública Indireta não são subordinadas aos entes da
Administração Pública Direta, mas sim estão a eles vinculados em função do controle
finalístico ou pela supervisão ministerial.
ordenar as atividades da Administração, repartindo e
escalonando as funções públicas entre os agentes do
Poder, de modo que cada um ossa exercer
eficientmente seu encargo
coordenar as funções públicas no sentido de obter o
funcionamento harmônico de todos o serviços a
cargo do órgão
Poder Hierárquico
controlar o cumprimento da lei e instruções,
visa a:
acompanhando a conduta e o rendimento de cada
servidor

corrigir os erros administrativos pela ação revisora


dos superiores sobre os atos dos subordinados

 Pode haver delegação de algumas atividades, mas não todas:

a edição de atos de caráter normativo

Não podem ser delegadas: a decisão de recursos administrativos

as matérias de competência exclusiva do órgão ou


autoridade

 Decorre do poder hierárquico o dever de obediência do subordinado às ordens não


manifestamente ilegais de seu superior hierárquico: o agente público tem o dever de
cumprir fielmente aquilo que a ele for atribuído por seus superiores, excluindo-se,
contudo, eventuais determinações que afrontem manifestamente a lei.
 Súmula 473: “A administração pode anular seus próprios atos, quando eivados de
vícios que os tornam ilegais, porque dêles não se originam direitos; ou revogá-los, por
motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos, e
ressalvada, em todos os casos, a apreciação judicial.”
9. Poder disciplinar: aquele que permite a aplicação de sanção na seara administrativa ao
agente público quando este pratica alguma infração funcional, bem como a todos
aqueles que estejam vinculados à Administração Pública por relações de qualquer
natureza subordinadas ao regramento público. Mantém hígida a organização
concretizada pelo poder hierárquico.
 não se aplica apenas aos agentes públicos (agentes políticos, servidores públicos
estatutários, empregados públicos, servidores temporários, militares e particulares

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em colaboração com o Poder Público), mas também a todos aqueles que estejam
vinculados à Administração Pública por relações de qualquer natureza subordinadas
ao regramento público.
10. Verdade Sabida: a presunção absoluta por parte da autoridade competente de que a
falta disciplinar ocorreu, seja porque ela foi realizada em sua presença ou contra a
própria autoridade, autorizando a aplicação de sanção sem observância de qualquer
formalidade.
 O inciso LV do art. 5º da CRFB garantiu o due process of law, com respeito ao
contraditório e ampla defesa tanto para o processo judicial quanto para o processo
administrativo, extirpando a possibilidade de aplicação sob a nova ordem constitucional
do instituto da verdade sabida.
11. Poder Normativo ou Regulamentar: aquele que permite a Administração Pública
produzir atos que explicam, complementam e facilitam a execução das leis. Por meio do
poder normativo a Administração Pública supre as eventuais lacunas da lei que não
permitiriam ou tornariam dificultosa a sua execução com apenas o teor estrito constante
no plano legal.
 Há doutrinadores que não diferenciam poder normativo de poder regulamentar, como o
professor José dos Santos Carvalho Filho. Já há outros que fazem essa diferenciação, tais
como a professora Maria Sylvia Zanella Di Pietro e Hely Lopes Meirelles.
 O Chefe do Poder Executivo, por meio de Decreto Regulamentador, pormenoriza os
dispositivos legais, descendo a minúcias próprias do exercício do dia a dia da atividade
administrativa para a execução do tema previsto em abstrato pela Casa Legislativa
 O decreto regulamentador disciplina a lei para sua fiel execução, não podendo ser contra
legem ou ultra legem.
12. Decreto autônomo: é o ato normativo de competência do Chefe do Poder Executivo
que permite inovar no ordenamento jurídico, mesmo sem lei anterior que discipline seu
objeto.

Presente na Constituição de 1967

A Constituição de 1988 não manteve esse


dispositivo

O texto foi alterado pela Emenda Constitucional nº32, de


2001, que passou a prever que o Presidente da República
teria competência privativa para dispor, por meio de
decreto, sobre a organização e o funcionamento da
Administração Pública Federal, desde que não impliqe em
aumento de despesa nem criação ou extinção de órgãos
públicos.

 Há polêmica sobre a compatibilidade do decreto com o ordenamento: a maior parte


da doutrina aceita sua legitimidade, mas professores como José dos Santos Carvalho
não vêem compatibilidade.
13. Poder de Polícia: por meio deste a Administração Pública privilegia o interesse coletivo
em detrimento do privado, restringindo direitos e liberdades individuais, quando
necessário.
 De acordo com o CTN, considera-se regular o exercício do poder de polícia quando:

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efetivado pelo órgão competente

realizado dentro dos limites da lei

observado o devido processo legal

sem abuso ou desvio de poder

 Não confunda:

o poder de polícia administrativo é b) as polícias judiciárias são a


o que decorre do art. 78 do CTN e Polícia Federal, no âmbito da
provê o administrador público da União, e as Polícias Civis, para
prerrogativa de limitar ou disciplinar a os demais entes, com a
ação, o direito ou a utilização de bens atribuição, entre outras, de fazer
de caráter individual em prol do cumprir as determinações do
interesse coletivo; Poder Judiciário;

c) a polícia ostensiva é
representada, em especial, pelas
Polícias Militares dos Estados, que
são responsáveis pela segurança
pública, preservação da ordem
pública e da incolumidade das
pessoas e do patrimônio.

 Atributos do Poder de Polícia:

discricionariedade

autoexecutoriedade
Atributos do Poder
de Polícia:
coercibilidade

indelegabilidade

 Discricionariedade: São as margens de atuação que a lei permite ao administrador


público para o exercício de determinado ato. Concessão de autorização é um exemplo
de poder de polícia discricionário, enquanto a concessão de licença é um ato
vinculado.
 Autoexecutoriedade: A prerrogativa de a Administração Pública executar
diretamente suas próprias decisões sem necessidade de se socorrer do Poder
Judiciário. Alguns autores desdobram em exigibilidade e executoriedade.
 Coercibilidade: Prerrogativa de os agentes estatais imporem de forma obrigatória
ou forçada o cumprimento de medidas aplicadas em razão do poder de polícia.

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 Indelegabilidade: O poder de Polícia não pode ser transferido a pessoas jurídicas


de direito privado.
 O poder de polícia é uma atividade negativa.

Negativa Absoluta
Ordem de Polícia
Negativa Relativa com reserva de
consentimento

Vinculado (Licença)
Consentimento de Polícia
Discricionário (Autorização)
Ciclo de Polícia
Preventivo
Fiscalização de Polícia
Repressivo

Pena de Polícia
Sanção de Polícia
Constrangimento de Polícia

 Ordem de Polícia: Funda-se na previsão legal quanto à disciplina a ser observada


pelo administrado.
 Consentimento de Polícia: Se na Ordem de Polícia, no plano legal, estiver prevista
a reserva de consentimento, então a Administração poderá anuir, por meio de
expedição de alvará, e desde que presentes os requisitos legais, que o partícula
exercite a atividade ou o uso do bem, conforme por ele pleiteado.
 Fiscalização de Polícia: é a atividade Estatal desenvolvida continuamente para
verificação do cumprimento e da manutenção das condições e requisitos para o
exercício da atividade ou utilização do bem, aplicando-se tanto à licença quanto às
autoridades.
 Sanção de Polícia: em caso de escapar à fiscalização preventiva eventual infração,
decorre o ato repressivo por meio da pretensão sancionatória do Estado.
14. Prescrição da Pretensão Punitiva do Poder de Polícia: eventuais apurações de
infração à legislação em vigor por meio do Poder de Polícia têm por limite temporal o
prazo prescricional de 5 anos, sendo o termo inicial da contagem a prática do ato ou a
cessação da infração, quando permanente ou continuado.
 No caso específico de multas oriundas de crédito não tributário, o termo inicial da
contagem dos 5 anos de prescrição se dá com o término do regular processo
administrativo. Ou seja, após o encerramento da esfera administrativa, há o prazo de 5
anos para a ação de execução

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Prescrição Geral - 5 anos, contados da:


a) prática do ato;
b) do dia em que tiver cessação, nos casos de infração
permanente ou continuada; e
c) do término do processo administrativo, nos casos de
crédito não tributário.

Prescrição Intercorrente: quando o procedimento


administrativo ficar paralisado por mais de 3 anos,
pendente de julgamento ou despacho

Prescrição Penal - prazo prescricional idêntico ao previsto


no Código Penal, quando o fato tabé constituir crime

pela notificação ou citação do indiciado ou acusado,


inclusive por meio de edital

por qualquer ato inequívoco, que importe apuração do fato


Interrompe-se a Prescrição
da Ação Punitiva:
pela decisão condenatória recorrível

por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação


expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito
interno da administração pública federal

pelo despacho do juiz que ordenar a citação em execução


fiscal

pelo protesto judicial

Interrompe-se o prazo
prescricional da Ação por qualquer ato judicial que constitua em mora o devedor
Executória:

por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que


importe em reconhecimento do débito pelo devedor

por qualquer ato inequívoco que importe em manifestação


expressa de tentativa de solução conciliatória no âmbito
interno da administração pública federal

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5. Considerações Finais

Caríssim@, finalizamos aqui essa nossa aula de hoje.


Não se trata de tema dificultoso, mas por ser predominante doutrinário a
banca pode escolher um autor específico e adotar o seu posicionamento na
prova, bem como cobrar jurisprudências específicas.
Por isso, para que não sejamos surpreendidos, é preciso conhecer as
principais correntes doutrinárias e a jurisprudência.
Qualquer dúvida, seja na teoria ou na resolução dos exercícios,
entre em contato comigo por meio do Fórum de Dúvidas.
Estou à sua disposição para aclarar ou aprofundar qualquer
tema.
Deixe lá também suas sugestões, críticas e comentários.
Conte comigo como um parceiro em sua caminhada.
Que DEUS o ilumine abundantemente para que você consiga focar
nos estudos e, em breve, alcançar a sua vaga!!!!!

Cordial abraço

Wagner Damazio

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