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Código: . .

REVAP - PE-4V-
00332-D
Título APLICAÇÃO DE TORQUE CONTROLADO EM FLANGES ASME B
16.5 QUE UTILIZAM JUNTAS ESPIROTÁLICAS.
Órgão aprovador: REVAP/EN Cópia Data de implantação:
21/10/2005
Órgão gestor: REVAP/EN X Assinatura:
Lincoln Shiodiro Ishikawa
1 OBJETIVO

Definir os critérios técnicos mínimos necessários para a montagem


e inspeção de ligações flangeadas em flanges padrão ASME B
16.5, bem como a determinação do torque a ser aplicado em
estojos visando o aperto controlado de juntas flangeadas em
tubulações.

2 ABRANGÊNCIA E DISSEMINAÇÃO

Aplica-se a área de Manutenção e Produção da UN-REVAP.

3 DOCUMENTOS DE REFERÊNCIA

Norma Petrobras N -76 - Materiais de Tubulação;


ASME B 16.5: Pipe Flanges and Flanged Fittings;
ASME B 16.20: Metallic Gaskets for Pipe Flanges;
ASME B 16.21: Nonmetallic Flat Gaskets for Pipe Flanges;
ASME PCC-1-2000: Guidelines for Pressure Boundary Bolted
Flange Joint Assembly;
Procedimento para Juntas e Gaxetas de Vedação em Serviços de
Baixa Emissão Fugitiva ou “Low Emission”.

4 DEFINIÇÕES

4.1 FLANGES: São acessórios de tubulação utilizados como meios


de ligação entre sistemas de tubulação, entre sistemas de
tubulação e equipamentos (torres de processo, trocadores de calor,
vasos de pressão, bombas etc.) e entre sistemas de tubulação e
sistemas de instrumentação e/ou controle de fluxo (placas para
medição de vazão, válvulas de controle, tomadas para instalação
de poço para termopares, etc.).

5 DESCRIÇÃO

5.1 ASPECTOS TÉCNICOS

5.1.1 Para fins deste procedimento somente são considerados os


FLANGES DE PESCOÇO, portanto do tipo INTEGRAL, projetados
conforme critérios do código ASME VIII div. 1, Apêndice 2, e nas
dimensões e limites de aplicação definidos pelo ASME B 16.5, em
material FORJADO, AÇO CARBONO, AÇO LIGA ou AÇO INOX
conforme tabelas constantes do ASME B 16.5. O uso de flanges
sobrepostos está limitado a algumas aplicações de menor
responsabilidade, conforme definido pela Norma PETROBRAS N-
76. Para flanges de outros tipos, ou baseado em outros critérios de
projeto e/ou materiais, deverão ser adotadas análises mais
específicas.

5.1.2 Este procedimento é específico para uso com juntas


ESPIROTÁLICAS conforme ASME B 16.20. Para outros tipos de
junta devem ser previstas análises específicas.

5.2 RESPONSABILIDADE

5.2.1 Cabe ao fiscal responsável pelo acompanhamento dos


serviços de campo da PETROBRAS / REVAP relacionados com o
aperto controlado de flanges em específico a responsabilidade pela
verificação quanto ao perfeito atendimento às necessidades
indicadas neste procedimento, quando explicitamente citado no
documento de projeto, ou das condições indicadas no documento
“especificação de aperto controlado”, específico para determinado
serviço e baseado neste procedimento.

5.2.2 Recomenda-se que qualquer ligação flangeada com aperto


controlado deva possuir, a partir da emissão deste procedimento,
atada ao mesmo, uma placa em alumínio com as seguintes
informações mínimas:
- Torque de aperto;
- Data da aplicação do torque controlado;
- Empresa responsável pelos serviços de aperto controlado.

De qualquer forma a empresa CONTRATADA responsável pelos


serviços deverá fazer o registro das conexões flangeadas
(tubulações e equipamentos) onde for aplicado o torque controlado.

Notas:
(1) O objetivo desta identificação é permitir a rastreabilidade caso
ocorram anormalidades ao longo do tempo.
(2) Esta identificação permitirá verificar o número de flanges com
aperto controlado na área, visando controle relacionado com
trabalhos, visando eliminar emissões fugitivas.

5.3 PROCEDIMENTO

5.3.1 Este procedimento se aplica unicamente a ligações


flangeadas através de flanges integrais de pescoço, conforme
ASME B 16.5 e juntas ESPIROTÁLICAS conforme ASME B 16.20.

5.3.2 Todas as equipes envolvidas com o aperto de ligações


flangeadas devem receber treinamento específico com as
orientações técnicas básicas descritas neste procedimento,
informando a necessidade de cuidados especiais quanto ao
obedecimento de todos os itens abaixo e sobre a importância em
termos de segurança representada por ligações flangeadas
corretamente especificadas e apertadas (segurança e meio
ambiente). Compete aos fiscais dos serviços a orientação
obrigatória das equipes neste sentido.

5.3.3 Não deverá ser executado nenhum isolamento térmico da


ligação flangeada.

5.3.4 Inspecionar dimensionalmente os flanges envolvidos na


ligação. Os mesmos deverão atender quanto às dimensões aos
quesitos do ASME B 16.5 e não deverão possuir falhas (trincas) ou
defeitos de fabricação. Os materiais deverão estar conforme o
certificado atendendo à especificação de projeto.

5.3.5 Inspecionar a face do flange a qual deverá ser “SMOOTH”,


ou “LISA”, apresentando acabamento de 125 a 250 micro
polegadas AARH, que pode ser obtido através de procedimento de
fabricação e usinagem adequados. A face deverá estar limpa
(utilizar um solvente e escova de aço macia) e isenta de riscos
causados por falhas de armazenamento ou desmontagem anterior,
principalmente radiais, praticamente impossíveis de serem
vedados em condições de operação. Não é admitida a inclusão de
materiais para eliminar defeitos nas faces dos flanges, tal qual o
TEFLON, que pode permitir “falsa” estanqueidade em condições de
teste hidrostático mas que podem propiciar sérios vazamentos
quando em condições de operação ou no caso de incêndio, uma
vez que podem se deteriorar em condições de operação
(temperatura).

5.3.6 A junta espirotálica deverá atender dimensionalmente ao


ASME B 16.20, no diâmetro, classe de pressão e nos materiais
conforme previsto no projeto. Devem ser adquiridas somente de
fabricantes idôneos, com larga experiência no projeto e fabricação
e juntas não conformes devem ser rejeitadas. O perfil das espiras
deve ser tipo “V” conforme padrão ASME.

5.3.7 É recomendável o uso de juntas espirotálicas também com


ANEL INTERNO para as aplicações mais críticas (unidades de
hidrotratamento, por exemplo). O material a ser empregado no
enchimento entre as espiras metálicas deve ser GRAFITE
FLEXÍVEL para temperaturas de até 450 oC (em substituição ao
amianto), uma vez que o grafite se oxida sendo gradativamente
eliminado da junta a partir desta temperatura.

5.3.8 Inspecione a parte posterior do flange, aquela onde se


localiza a superfície de contato das porcas. Esta superfície de
contato das porcas e as superfícies das mesmas têm grande
influência no torque aplicado para produzir o tensionamento dos
estojos. Estas superfícies devem estar perfeitamente limpas, livres
de escórias e outras imperfeições e perfeitamente lubrificadas.

5.3.9 Inspecionar o par de flanges da ligação flangeada quanto à


existência de desalinhamentos. É totalmente RECOMENDÁVEL
que as superfícies de assentamento de juntas estejam
perfeitamente paralelas para permitir um aperto adequado e
uniforme da junta. Caso exista algum desalinhamento e a
tubulação não esteja conectada a equipamentos dinâmicos, o
maior valor para o mesmo, segundo literaturas, que deverá ser
medido em quatro pontos diametralmente opostos na face do
flange e defasados de 90 graus, não deverá exceder a 0,5 mm em
200 mm.
Figura 1: Detalhes do desalinhamento de flanges.

5.3.10 Inspecionar os estojos e porcas previstas para a conexão,


conforme as especificações de projeto e conforme as dimensões
indicadas no ASME B 16.5. Verifique o diâmetro e o tipo de rosca
do estojo, o comprimento dos parafusos, sua quantidade e o
acabamento nas extremidades. Se forem aplicadas molas prato
(disc spring) os comprimentos dos estojos deverão ser maiores
para comportar a montagem das mesmas. Certifique-se de que os
mesmos estão perfeitamente limpos sem apresentar qualquer dano
nas espiras das roscas (UNC). Lubrificar com PINCEL os filetes de
rosca dos estojos e porcas e também a face dos flanges onde se
apoiarão as porcas. Utilizar lubrificantes especiais que não
ataquem quimicamente os materiais de estojos e porcas e
sejam resistentes a altas temperaturas (MOLYKOTE P-37) .
Atender preferencialmente a recomendação do fabricante quando
especificamente indicado no documento de projeto.

NOTA: Parafusos e porcas submetidos a torque controlado não


devem ser reaproveitados, uma vez que os limites de aplicação
são muito severos e podem levar a falha posterior do parafuso,
devido a retensionamento próximo aos limites mecânicos
aceitáveis do material.

5.3.11 Uma vez concluída toda a inspeção do conjunto, a junta


espirotálica deve ser introduzida cuidadosamente entre as
superfícies de contato dos flanges verificando-se se o diâmetro e
classe de pressão da junta são compatíveis com o flange. Nesta
operação a junta não deverá ser montada forçada ou deverá ficar
com folga (anel externo de centralização) nem tão pouco deverá se
permitir que a junta sofra qualquer tipo de impacto que pode levar
ao seu esmagamento localizado. Não passe graxa na região de
assentamento da junta.

5.3.12 Faça a colocação dos parafusos e porcas já lubrificadas


apertando-os inicialmente com as mãos até que as porcas
encostem nas faces dos flanges, também lubrificadas. As porcas
devem deslizar perfeitamente pelas roscas comprovando a não
existência de danos às roscas. Os parafusos deverão
OBRIGATORIAMENTE ultrapassar na montagem as porcas,
recomendando-se ultrapassar em pelos menos DOIS FILETES de
rosca a porca em cada extremidade.

Figura 2: Detalhe da montagem correta de estojos com folga mínima de 02


filetes além do limite das porcas.

5.3.13 Os torques normalmente empregados em flanges conforme


ASME PCC-1-2000 e utilizando juntas espirotálicas são os
seguintes, em relação ao diâmetro do estojo (Esta tabela somente
se aplica a estojos novos e bem lubrificados, inclusive as
porcas e a região de apoio das porcas nos flanges):
APERTO NA MONTAGEM
Diâmetro Torque de Torque de
(pol) montagem em montagem em
do parafuso lbf . pé kgf . m
5/8 90 13
¾ 160 22
7/8 250 35
1 400 55
1 1/8 550 76
1¼ 800 111
1 3/8 1.050 145
1½ 1.400 194
1 5/8 * 1.800 249
1¾ 2.300 318
1 7/8* 2.800 387
2 3.400 470
2¼ 4.900 678
2½ 6.800 940
2¾ 9.100 1.258
3 11.900 1.645
3¼ 15.300 2.115

Nota:
(1) Considerando perfeita lubrificação de estojos, porcas e face dos
flanges de apoio das porcas conforme previsto neste
procedimento;

5.3.14 O equipamento torquímetro deve estar


OBRIGATORIAMENTE calibrado e aferido, de forma a comprovar-
se se o torque indicado será de fato aplicado ao equipamento.

5.3.15 Os serviços de aperto controlado deverão ser


acompanhados por profissional técnico habilitado, próprio ou
contratado, capaz de acompanhar e garantir a execução de cada
etapa descrita neste procedimento, verificar correto aperto dos
estojos e conformidade de cargas, medindo se necessário o
alongamento dos estojos para comprovar a eficiência do torque
aplicado.

5.3.16 Proceda ao aperto dos estojos da seguinte forma:

Numere os estojos, escrevendo no flange a seqüência de aperto


que deverá ser adotada, considerando o aperto cruzado e unitário
dos estojos, isto é, um por vez, sempre apertando estojos
diametralmente opostos de modo a garantir uma carga uniforme à
junta durante a operação de aperto.

O torque final recomendado para cada estojo deve ser obtido em


no mínimo três etapas (03):

Na primeira, todos os estojos devem ser apertados, conforme item


5.3.13, com 30% do torque recomendado;

Na segunda,todos os estojos devem ser apertados, conforme item


5.3.13, com 60% do torque recomendado;

Na terceira, todos os estojos devem ser apertados, conforme item


5.3.13, com 100% do torque recomendado.

NOTA: Após cada etapa, repasse o aperto em TODOS os estojos,


de modo a garantir ao final de cada etapa que TODOS os estojos
estão com o mesmo nível de aperto e tensão, antes da aplicação
do passe seguinte e antes do término dos trabalhos após o último
passe.

5.3.17 Todas as ligações flangeadas submetidas a aperto


controlado devem ser acompanhadas durante a partida para
verificar a adequação do procedimento ou avaliar a necessidade de
reaperto à quente, principalmente, depois de decorridas as
primeiras 200 horas de serviço (aproximadamente 8 dias).

5.3.18 É recomendável que as juntas flangeadas envolvendo


sistemas críticos em termos de segurança ou em termos de
contribuição quanto à emissões fugitivas para a atmosfera sejam
acompanhadas periodicamente quanto à evolução de vazamentos
utilizando-se um instrumento adequado.

5.3.19 A cada parada e partida do sistema acompanhar a evolução


do comportamento da junta, uma vez que paradas e partidas
sucessivas sobrecarregam as juntas. A identificação das juntas no
campo, conforme previsto neste procedimento, facilita este serviço.

6. CICLO DE CONTROLE
6.1. Indicadores

Não se aplica.

6.2. Tratamento de anomalias

Todas as anomalias devem ser tratadas conforme PG-1T-00006 -


Tratamento de Anomalias.

7. REQUISITOS DE SEGURANÇA, MEIO AMBIENTE, SAÚDE E


RESPONSABILIDADE SOCIAL

Não se aplica.

8. REGISTROS

Não se aplica.

9. ANEXOS

Não se aplica.

SUMÁRIO DE REVISÕES
REV. Data DESCRIÇÃO E/OU ITENS ATINGIDOS
0
A
B 30/06/2004 Migração para o SINPEP:
Código do documento no SPD: PO-3-04-041-0006
Revisão no SPD: 02
Descrição da Revisão no SPD: Revisão geral conforme
ASME PCC-1-2000 GUIDELINES FOR PRESSURE
BOUNDARY BOLTED FLANGE JOINT ASSEMBLY
C 31/05/2005 ADEQUAÇÃO A ITEMIZAÇÃO DO SINPEP
D 21/10/2005 ALTERADO ITEM 5.3.10 COM INCLUSÃO DE NOTA
SOBRE NÃO REAPROVEITAMENTO DE ESTOJOS
SUBMETIDOS A TORQUE CONTROLADO E
SUBSTITUIÇÃO DE GRAXA ROCOL J166 POR
GRAXA MOLYKOTE P-37. ALTERADO ITEM 5.3.16
NCLUINDO A NECESSIDADE DE REPASSE AO
FINAL DE CADA ETAPA DE TORQUEAMENTO.