Você está na página 1de 42

5- Caranterísticas das

Águas Subterrâneas
Adapatação das aulas de:
Prof. Carlos Ruberto Fragoso Jr.
http://www.ctec.ufal.br/professor/crfj/

Prof. Marllus Gustavo Ferreira Passos das Neves


http://www.ctec.ufal.br/professor/mgn/
Centro de Tecnologia-Ctec
Pontos importantes:
1- Qual a diferença entre zona não-saturada (ou
de aeração ou vadosa) e zona saturada?
2- O que é nível ou superfície freática?
3- Explique 3 fatores naturais que podem
atrapalhar a infiltração das águas que
abasteceriam o lençol freático.
4- O que é franja capilar ou capilaridade?
5- Diferencie: aqüífero, aquitardo, aquiclude e
aquifugos.
6- Diferencie os 3 tipos de aqüíferos, quanto à
porosidade.
7- Diferencie os 3 tipos de aqüíferos, quanto à sua
posição em relação às camadas encaixantes.
Águas
subterrâneas

Em geral, exige menos


tratamento antes do
consumo do que a
água superficial, em
função de uma
qualidade inicial
melhor. zona saturada

Em regiões áridas e
semi-áridas pode ser o
único recurso
disponível para
consumo.
Águas subterrâneas
 Alguns fatores limitantes
 porosidade do subsolo: a presença de argila no solo diminui
sua permeabilidade, não permitindo uma grande infiltração;
 inclinação do terreno: em declividades acentuadas a água
corre mais rapidamente, diminuindo a possibilidade de
infiltração;
 tipo de chuva: chuvas intensas saturam rapidamente o solo,
ao passo que chuvas finas e demoradas têm mais tempo
para se infiltrarem
Percolação
É a passagem de água da zona não-saturada (zona de aeração ou
zona vadosa) para a zona saturada

 abastecimento dos aqüíferos (mantém vazão dos rios durante as


estiagens);
Águas subterrâneas
Distribuição de águas
Tempo médio de
Reservatório Volume (%)
permanência
Oceanos 94 4.000 anos
Galerias e capas de gelo 2 10 – 1.000 anos
2 semanas a 10.000
Águas subterrâneas 4
anos
Lagos, rios, pântanos e reservatórios
< 0,01 2 semanas a 10 anos
artificiais.
Umidade nos solos < 0,01 2 semanas a 1 ano

Biosfera < 0,01 1 semana

Atmosfera < 0,01 10 dias


Ocorrência das águas subterrâneas
 No mundo

 Volume aprox. de 10.360.230 km3 (100 vezes mais abundante


que as águas superficiais)

 Alguns especialistas indicam que a quantidade de água


subterrânea pode chegar até 60 milhões de km3, mas a sua
ocorrência em grandes profundidades pode impossibilitar seu
uso

 Por essa razão, a quantidade passível de ser captada estaria


a menos de 4.000 metros de profundidade, compreendendo
cerca de 8 e 10 milhões de km3
Ocorrência das águas subterrâneas
 No Brasil

 as reservas de água subterrânea são


estimadas em 112.000 km3 (112 trilhões
de m3) e a contribuição multianual
média à descarga dos rios é da
ordem de 2.400 km3/ano (2 % do
volume)
O que é um aquífero?
Derivado do Latim, a palavra
aquífero quer dizer:
“ carregar água”.

Unidades rochosas ou de sedimentos,


porosas e permeáveis, que armazenam
e transmitem volumes significativos de
água subterrânea passível de ser
explorada
 AQUITARDO é uma camada ou formação semi-permeável,
delimitada no topo e/ou base por camadas de
permeabilidade muito maior. Ele tem comportamento de
uma membrana semi-permeável através da qual pode
correr uma filtração vertical.
 Em oposição ao termo aquífero, utiliza-se o termo
AQUICLUDE para definir unidades geológicas que ,apesar
de saturadas e com grande quantidade de água absorvida
lentamente, são incapazes de transmitir um volume
significativo de água
 São unidades
Geológicas que não
apresentam poros
interconectados e não
absorvem e nem
AQUIFUGOS transmitem a água.
Principais Aquíferos no NE

Formação
Barreiras e
Dunas (no
litoral)
AQUÍFEROS E TIPOS DE POROSIDADE
Tipos de aquífero
Tipos de aquífero
Aquífero poroso ou sedimentar

É aquele formado por rochas


sedimentares consolidadas,
sedimentos inconsolidados ou
solos arenosos, onde a
circulação da água se faz nos
poros formados entre os grãos
de areia, silte e argila de
granulação variada.
Aquífero fraturado ou fissural

Formado por rochas ígneas,


metamórficas ou cristalinas, duras e
maciças, onde a circulação da água se
faz nas fraturas, fendas e falhas,
abertas devido ao movimento tectônico

Ex.: basalto, granitos, gabros, filões de


quartzo, etc.. Poços perfurados nessas
rochas fornecem poucos metros
cúbicos de água por hora
Aquífero cárstico (Karst)

Formado em rochas calcáreas ou


carbonáticas, onde a circulação da
água se faz nas fraturas e outras
descontinuidades (diáclases) que
resultaram da dissolução do
carbonato pela água. Essas
aberturas podem atingir grandes
dimensões, criando, nesse caso,
verdadeiros rios subterrâneos
Aquífero cárstico (Karst)
Tipos de aquíferos
 Livres  São aqueles cujo o topo é demarcado pelo
nível freático, estando em contato com a atmosfera.
Normalmente ocorrem a profundidades de alguns
metros a poucas dezenas de metros da superfície
 Suspensos  São acumulações de águas sobre
aquicludes, na zona insaturada, formando níveis
lentiformes de aqüíferos livres acima do nível
freático principal
 Confinados  ocorre quando um estrato permeável
(aquífero) está confinado entre duas unidades pouco
permeáveis (aquiclude) ou impermeáveis
Funções dos aquíferos
 Produção: consumo humano, industrial ou irrigação

 Estocagem e regularização: estocar excedentes de água que


ocorrem durante as enchentes dos rios
 Filtro: corresponde à utilização da capacidade filtrante e de
depuração bio-geoquímica do maciço natural permeável
 Transporte: é utilizado como um sistema de transporte de água
entre zonas de recarga artificial ou natural e áreas de
extração excessiva
 Estratégica: o gerenciamento integrado das águas
subterrâneas
 Energética: aquecimento pelo gradiente geotermal como
fonte de energia elétrica ou termal
 Mantenedora: mantém o fluxo de base dos rios
Impactos Ambientais sobre os aquíferos
 Subsidência de solos – movimento para baixo ou
afundamento do solo causado pela perda de suporte
subjacente, que leva ao colapso das construções
civis
 Avanço da cunha salina – avanço da água do mar em
superfície , sobre a água doce salinizando o aquífero
 Os aquíferos costeiros fluem quase sempre para o
mar, em gradiente variável
Impactos Ambientais sobre os aquíferos
Impactos Ambientais sobre os aquíferos
 No encontro subterrâneo da água doce com a água
salgada forma-se uma interface denominada cunha
salina. Por ser mais densa, a água salgada fica
abaixo da água doce, permitindo que poços bem
próximos à praia ainda captem água doce.

 Só em casos de intensa explotação, a cunha salina


pode avançar terra a dentro, salinizando os poços.
Isto quase que acontece na praia de Boa Viagem,
na cidade do Recife, exigindo a intervenção
governamental, que proibiu a perfuração de novos
poços naquela área.
Impactos Ambientais sobre os aquíferos
 O avanço da cunha salina pode salinizar não só os
poços , mas também as estruturas de aço e concreto
de edifícios próximos ao mar
Impactos Ambientais sobre os aquíferos
Propriedades Hidrogeológicas
 Porosidade   razão entre o volume de vazios e o volume
total Volume vazios

Volume total
 Depende da forma, do grau de compactação e da
distribuição do tamanho das partículas
Material Intervalo Média
Limite inferior Limite superior
Argila 0,34 0,57 0,42
Silte 0,34 0,61 0,46
Areia fina 0,26 0,53 0,43
Areia grossa 0,31 0,46 0,39
Cascalho fino 0,25 0,38 0,34
Cascalho grosso 0,24 0,36 0,28
Propriedades Hidrogeológicas
 Umidade ou retenção ou conteúdo volumétrico
da água   razão entre o volume de água e o volume total;
para condições saturadas, todos os vazios estão
preenchidos com água e, portanto, a umidade é dita saturada
e se aproxima do valor da porosidade:

Volume água
θ
Volume total
Propriedades Hidrogeológicas
 Condutividade Hidráulica K  medida da habilidade de
um aqüífero conduzir água através do meio poroso; é
expressa em m/dia, m/s, mm/h.

 Condutividade Hidráulica é a não resistência ao fluxo, por


exemplo:

 Na areia a velocidade do fluxo é maior, então K é maior.

 Na argila a velocidade do fluxo é menor, então o K é


menor.
Propriedades Hidrogeológicas
 Trasmissividade T  taxa volumétrica de fluxo através de
uma secção de espessura “b”

T=K.b

Onde: T é a coeficiente de transmissividade (m2/s)


K é a condutividade hidráulica (m/dia; m/s);
b é a espessura do aqüífero confinado (m).

b
Lei de Darcy
Hipóteses:
• escoamento permanente (Q = constante)
• meio homogêneo e isotrópico saturado ( mesmo solo e
mesmas propriedades nas três direções
Kx = Ky = Kz = Ks = K

K
Q H

L Q
Lei de Darcy
 A Lei de Darcy rege o escoamento da água nos solos
saturados e é representada pela seguinte equação:

dh
V  K 
Onde: dx
V = velocidade da água através do meio poroso;
K = condutividade hidráulica saturada
dh = variação de Carga Piezométrica
dx = variação de comprimento na direção do fluxo dh/dx = perda de carga

Perda de carga = decréscimo na carga hidráulica pela dissipação de energia


devida ao atrito no meio poroso.
O sinal negativo denota que a carga diminui a medida que x aumenta
Algumas Definições Importantes
 Para o aquífero livre (ou freático):

 Nível Freático ou Nível de Água (NA): Altura da água de


um aquífero não-confinado, freático ou livre medida num
poço de observação.

 Superfície Freática: Superfície cujos pontos estão em


relação igual ao nível de água no aquífero freático.
Algumas Definições Importantes
 Para o Aquífero Confinado:

 Carga Piezométrica ou Altura Piezométrica: Altura da


água de um aquífero confinado medida num piezômetro
em relação ao fundo do aqüífero (z + P/).

 Superfície Piezométrica: Superfície cujos pontos estão


em elevação igual à altura piezométrica
Q = k.l.(h12 - h22)/(2.L)
Exercício
h1 = 10m
1. Calcule a vazão no aqüífero livre.
Dados: K= 1 x 10-3 m/s e h2 = 7m
I = 10m
Q = 0,00032 m3/s
1 2
15m 18m

10m 7m
L= 780m
Impermeável
Datum
Q = k.l.b.(h1- h2)/L
Exercício
h1 - h2 = 3m
2. Calcule a vazão no aqüífero confinado.
Dados: K= 1 x 10-3 m/s b = 5m
l = 10m
Q = 0,0019 m3/s
1 2
10m 13m

5m Impermeável
L= 780m

Datum