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Ludicidade e Psicomotricidade

Ludicidade e
1ª edição

Psicomotricidade

Ivone José Ivo

Maurício Barbosa de Paula

Sandro de Souza

TROL
Ludicidade e Psicomotricidade

DIREÇÃO SUPERIOR
Chanceler Joaquim de Oliveira
Reitora Marlene Salgado de Oliveira
Presidente da Mantenedora Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Planejamento e Finanças Wellington Salgado de Oliveira
Pró-Reitor de Organização e Desenvolvimento Jefferson Salgado de Oliveira
Pró-Reitor Administrativo Wallace Salgado de Oliveira
Pró-Reitora Acadêmica Jaina dos Santos Mello Ferreira
Pró-Reitor de Extensão Manuel de Souza Esteves

DEPARTAMENTO DE ENSINO A DISTÂNCIA


Assessora Andrea Jardim

FICHA TÉCNICA
Texto: Ivone José Ivo, Maurício Barbosa de Paula e Sandro de Souza
Revisão Ortográfica: Walter P. Valverde Júnior
Projeto Gráfico e Editoração: Andreza Nacif, Antonia Machado, Eduardo Bordoni, Fabrício Ramos, Marcos
Antonio Lima da Silva e Ruan Carlos Vieira Fausto
Supervisão de Materiais Instrucionais: Janaina Gonçalves de Jesus
Ilustração: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos
Capa: Eduardo Bordoni e Fabrício Ramos

COORDENAÇÃO GERAL:
Departamento de Ensino a Distância
Rua Marechal Deodoro 217, Centro, Niterói, RJ, CEP 24020-420 www.universo.edu.br

Ficha catalográfica elaborada pela Biblioteca Universo – Campus Niterói

I96l Ivo, Ivo José.


Ludicidade e psicomotricidade / Ivo José Ivo, Maurício
Barbosa de Paula, Sandro de Souza ; revisão de Walter P.
Valverde Júnior. 1. ed. – Niterói, RJ: EAD/UNIVERSO, 2011.
113 p. : il.

1. Psicomotricidade. 2. Brinquedotecas. 3. Capacidade


motora em crianças. 4. Aprendizagem percepto-motora. 5.
Crianças - Recreação. 6. Ensino à distância. I. Paula,
Maurício Barbosa de. II. Souza, Sandro de. III. Valverde
Junior, Walter P. IV. Título.

CDD 155.412

Bibliotecária: ELIZABETH FRANCO MARTINS – CRB 7/4990

© Departamento de Ensi no a Dist ância - Universidade Salgado de Oliveira


Todos os direitos reservados. Nenhuma parte desta publicação pode ser reproduzida, arquivada ou transmitida de nenhuma forma
ou por nenhum meio sem permissão expressa e por escrito da Associação Salgado de Oliveira de Educação e Cultura, mantenedora
da Universidade Salgado de Oliveira (UNIVERSO).
Ludicidade e Psicomotricidade

Palavra da Reitora

Acompanhando as necessidades de um mundo cada vez mais complexo,


exigente e necessitado de aprendizagem contínua, a Universidade Salgado de
Oliveira (UNIVERSO) apresenta a UNIVERSO Virtual, que reúne os diferentes
segmentos do ensino a distância na universidade. Nosso programa foi
desenvolvido segundo as diretrizes do MEC e baseado em experiências do gênero
bem-sucedidas mundialmente.

São inúmeras as vantagens de se estudar a distância e somente por meio


dessa modalidade de ensino são sanadas as dificuldades de tempo e espaço
presentes nos dias de hoje. O aluno tem a possibilidade de administrar seu próprio
tempo e gerenciar seu estudo de acordo com sua disponibilidade, tornando-se
responsável pela própria aprendizagem.

O ensino a distância complementa os estudos presenciais à medida que


permite que alunos e professores, fisicamente distanciados, possam estar a todo
momento ligados por ferramentas de interação presentes na Internet através de
nossa plataforma.

Além disso, nosso material didático foi desenvolvido por professores


especializados nessa modalidade de ensino, em que a clareza e objetividade são
fundamentais para a perfeita compreensão dos conteúdos.

A UNIVERSO tem uma história de sucesso no que diz respeito à educação a


distância. Nossa experiência nos remete ao final da década de 80, com o bem-
sucedido projeto Novo Saber. Hoje, oferece uma estrutura em constante processo
de atualização, ampliando as possibilidades de acesso a cursos de atualização,
graduação ou pós-graduação.

Reafirmando seu compromisso com a excelência no ensino e compartilhando


as novas tendências em educação, a UNIVERSO convida seu alunado a conhecer o
programa e usufruir das vantagens que o estudar a distância proporciona.

Seja bem-vindo à UNIVERSO Virtual!

Professora Marlene Salgado de Oliveira

Reitora
Ludicidade e Psicomotricidade
Ludicidade e Psicomotricidade

Sumário

Apresentação da disciplina ................................................................................................ 06

Plano da disciplina .............................................................................................................. 08

Unidade 1 – Conceituando a Ludicidade .................................................................... 11

Unidade 2 – ludicidade da criança e a sua relação com o brinquedo.................... 33

Unidade 3 – Conhecendo a Psicomotricidade............................................................. 53

Unidade 4 –. A Psicomotricidade e processo de desenvolvimento infantil.......... 71

Unidade 5 – Educação, a Psicomotricidade e o Lúdico ............................................. 87

Considerações finais ........................................................................................................... 101

Conhecendo os autores ..................................................................................................... 102

Referências ........................................................................................................................... 103

Anexos .................................................................................................................................. 109


Ludicidade e Psicomotricidade

Apresentação da Disciplina

Você acaba de receber um livro de estudo da disciplina Ludicidade e


Psicomotricidade.

Este livro tem como objetivo familiarizá-lo com alguns pressupostos básicos
do desenvolvimento humano e suas implicações no seu dia-a-dia com o educando.
O presente instrumento é resultado de uma pesquisa bibliográfica e atualizada
através de diversas fontes, incluindo a internet.

Os conhecimentos teóricos práticos visam a sua instrumentalização, bem


como estipular a fundamentação filosófica e pedagógica, a fim de se tornar capaz
de oferecer uma educação de corpo interno.

Será necessária uma boa dose de esforços nesse empreendimento, pois


fundamentar um corpo de conhecimentos “ técnico-específicos” em uma área que,
provavelmente, você tenha pouca experiência, exigirá dedicação.

Assim, a disciplina de Ludicidade e Psicomotricidade pretende ampliar a


conhecimento dos educandos, enfatizando a importância do brincar para as
crianças tendo o brinquedo, o jogo e o movimento como elementos norteadores
do sistema educacional e que proporcionam o crescimento da criança como um
ser em constante desenvolvimento, buscando a evolução do saber fazer na práxis
pedagógica e o aprimoramento das habilidades cognitivas, afetivas e
psicomotoras.

Avaliando a trajetória histórica do lúdico e acompanhando a mudança de


pensamento dos educadores em relação ao brincar e de como a criança era vista,
percebe-se que as fases do desenvolvimento torna-se ainda uma ponte existente
entre o mundo imaginário e o seu conhecimento.

A psicomotricidade é um instrumento riquíssimo que proporciona resultados


satisfatórios em situações de dificuldades no desenvolvimento infantil e no
processo de ensino-aprendizagem.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Neste estudo, a psicomotricidade é vista como a criação de movimentos


organizados e integradas, em função das experiências vividas pela criança, que
resultam em sua individualidade, sua linguagem e sua socialização.

De acordo com Almeida (2003), “na educação precisa ter ambientes


agradáveis, lúdicos prazeroso para ter uma aprendizagem mais ativa”, o importante
na ação pedagógica é buscar atenção por meio de atividades e jogos pedagógicos.
Desta forma, esperamos oferecer uma leitura mais consciente acerca da
importância do brincar na vida do ser humano.

Desejo que você tenha um excelente estudo, traçando suas metas, criando
uma rotina de estudo, buscando leituras complementares, realizando exercícios,
participando dos fóruns e dos encontros educacionais.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Plano da Disciplina

Esta disciplina foi elaborada para facilitar seu conhecimento, permitindo uma
visão segura com dados fidedignos que irá inseri-las no contexto da aprendizagem
pedagógica, realçando o que é essencial no desenvolvimento infantil. O conteúdo
exposto tem como objetivo blindar e contagiar o educando pelo prazer do
conhecimento numa visão holística.

Abaixo um breve resumo das unidades para facilitar sua visão do conteúdo a
ser estudado.

Unidade: 1- Conceituando a Ludicidade

 Em nossa primeira unidade, conceituaremos Ludicidade. Veremos também


a sua aplicabilidade no processo de ensino-aprendizagem. Assim,
esperamos facilitar a identificação dos objetos de estudo destas áreas e das
suas interfaces.

Objetivos:

 Conceituar a Ludicidade

 Identificar os objetos de estudo e as interfaces entre os conteúdos destas


áreas de conhecimento

 Identificar a sua importância relacionada ao processo de desenvolvimento


abordando uma visão crítica destes conceitos.

Unidade 2 - A ludicidade da criança e a sua relação com o brinquedo

 Em nossa segunda unidade, abordaremos a relação da ludicidade através


do brinquedo no processo ensino aprendizagem, trabalhando aspectos
psicomotores. Apresentaremos também opções de sua aplicabilidade no
contexto educacional.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Objetivos:

 Conhecer a questão do lúdico e a criança e sua relação com o brinquedo

 Compreender o brinquedo inserido no processo da ludicidade

 Diferenciar brinquedos e brincadeiras.

Unidade 3 - Conhecendo a Psicomotricidade

 Em nossa terceira unidade, estufaremos os aspectos importantes que


favoreça a elaboração de um referencial histórico a respeito da
psicomotricidade, bem como os componentes básicos para o
desenvolvimento infantil.

Objetivos:

 Conhecer o conceito de Psicomotricidade

 Compreender a evolução histórica da psicomotricidade

 Identificar a visão e conceitos dos estudiosos na área

 Conhecer a educação psicomotora no movimento infantil.

Unidade 4- A Psicomotricidade e processo de desenvolvimento infantil

 Abordaremos nesta unidade a importância da psicomotricidade no


processo de desenvolvimento, auxiliando assim uma melhor compreensão
de como o movimento psicomotor é essencial para o desenvolvimento do
indivíduo como ser integral.

Objetivos:

 Conhecer a Psicomotricidade como uma das possibilidades para a


promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida através do incentivo à
adoção de um estilo de vida ativo.

 Discutir a inserção do profissional na atenção básica.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Unidade 5 - A Educação, a Psicomotricidade e o Lúdico

 Em nossa última unidade, estudaremos a relação entre Educação, a


Psicomotricidade e o Lúdico e outras ações que vão no mesmo sentido das
anteriormente estudadas.

Objetivos:

 Conhecer a relação entre a Educação, a Psicomotricidade e o Lúdico como


proposta da educação para a saúde e o papel do profissional no fomento a
esta proposta.

 Analisar a as questões do desenvolvimento dos movimentos através de


atividades que desenvolvam o educando de forma global.

Bons Estudos!

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Ludicidade e Psicomotricidade

1 Conceituando a
Ludicidade

Conceito e abrangência do termo Ludicidade

A importância da ludicidade no processo de ensino-aprendizagem

O lúdico como instrumento da aprendizagem

O jogo no processo de aprendizagem

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Ludicidade e Psicomotricidade

Nesta primeira unidade, conceituaremos Ludicidade. Veremos também a sua


aplicabilidade no processo de ensino-aprendizagem. Assim, esperamos facilitar a
identificação dos objetos de estudo destas áreas e das suas interfaces.

Objetivos da unidade:

 Conceituar a Ludicidade.

 Identificar os objetos de estudo e as interfaces entre os conteúdos


destas áreas de conhecimento.

 Identificar a sua importância relacionadas ao processo de


desenvolvimento abordando uma visão crítica destes conceitos.

Plano da unidade:

 Conceito e abrangência do termo Ludicidade.

 A importância da ludicidade no processo de ensino-aprendizagem.

 O lúdico como instrumento da aprendizagem.

 O jogo no processo de aprendizagem.

Bem-vindo à primeira unidade de estudo.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Antes de iniciarmos o nosso conteúdo propriamente dito, é importante


conhecermos o nosso objeto de estudo e, no nosso caso, também objeto de
trabalho: a criança.

Tão importante quanto conhecermos a criança, é compreendermos uma


máxima: a criança não é um adulto em miniatura. A esse respeito, Marcellino
(1996) alerta que o principal motivo da ocorrência do furto do lúdico na infância
talvez seja o fato de considerar a criança como um adulto em miniatura, cuja
finalidade única seria a sua preparação para o futuro. Porém, como lembra o autor,
"o mundo do brinquedo, em essência, não se prende à preparação sistemática para
o futuro, mas à vivência do presente, do agora".

A criança possui diferenças fisiológicas, maturacionais, cognitivas, emocionais,


psicomotoras e sociais em relação ao adulto. Dessa forma, é salutar qua nosso
olhar seja mais minuncioso, criterioso, respeitoso e porque não dizer, carinhoso em
relação a ela.

Da mesma forma, que as leis nacionais e internacionais regem o


comportamento do indivíduo adulto, as crianças possuem regimentos que
norteiam o seu papel na sociedade e devem ser observadas em qualquer lugar do
planeta. Reforçando esse pensamento, a Organização das Nações Unidas (ONU)
declara que, em decorrência de sua imaturidade física e mental, a criança precisa
de proteção e cuidados especiais, inclusive proteção legal apropriada, antes e
depois do nascimento.

Ainda nessa perspectiva, diversos esforços foram feitos pela humanidade para
que a criança estivesse protegida e acolhida pela sociedade de forma diferenciada.
Uma das primeiras manifestações a esse respeito é evidenciado na Declaração de
Genebra, em 1924, em seu documento entitulado de Declaração dos Direitos da
Criança e reconhecido posteriormente pela Declaração Universal dos Direitos
Humanos. Porém, foi somente após o fim da Segunda Guerra Mundial, com a
crianção da ONU e do seu órgão específico para assuntos em relação à criança, a
Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO),
que fica claro tal intenção, “visto que a humanidade deve à criança o melhor de
seus esforços” (ONU, 1959)

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Ludicidade e Psicomotricidade

Assim, a Assembleia Geral da ONU, em 1959, proclama a Declaração dos


Direitos da Criança:

Visando que a criança tenha uma infância feliz e possa gozar,


em seu próprio benefício e no da sociedade, os direitos e as
liberdades aqui enunciados e apela a que os pais, os homens e as
melhores em sua qualidade de indivíduos, e as organizações
voluntárias, as autoridades locais e os Governos nacionais
reconheçam estes direitos e se empenhem pela sua observância
mediante medidas legislativas e de outra natureza,
progressivamente instituídas, de conformidade com os seguintes
princípios: [...] princípio 7°: a criança terá direito a receber educação,
que será gratuita e compulsória pelo menos no grau primário. Ser-
lhe-á propiciada uma educação capaz de promover a sua cultura
geral e capacitá-la a, em condições de iguais oportunidades,
desenvolver as suas aptidões, sua capacidade de emitir juízo e seu
senso de responsabilidade moral e social, e a tornar-se um membro
útil da sociedade. Os melhores interesses da criança serão a diretriz
a nortear os responsáveis pela sua educação e orientação; esta
responsabilidade cabe, em primeiro lugar, aos pais. A criança terá
ampla oportunidade para brincar e divertir-se, visando os
propósitos mesmos da sua educação1; a sociedade e as
autoridades públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste
direito. (Grifo nosso).

Conceito e abrangência do termo Ludicidade.

A atividade lúdica é tão antiga quanto os jogos, os


Inácio de Loyola, : Foi o
brinquedos e as brincadeiras. Nos tempos da
fundador da Companhia de Jesus,
Companhia de Jesus, de Inácio de Loyola, já se cujos membros são conhecidos
compreendia o jogo como exercício auxiliar de ensino, como os jesuítas, uma ordem
religiosa católica romana, que
despertando o interesse para se aprender algo novo
teve grande importância na
(SILVEIRA, 2011). Buscando a etiologia da palavra, Reforma Católica.
chegamos ao termo ludus, do latim, que significa

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Ludicidade e Psicomotricidade

jogo, brincar, movimento espontâneo, o brincar, o jogar. Mas a ludicidade não


deve ser compreendida apenas como o ato de jogar e/ou brincar.

Segundo Iavorski e Junior (2008), a ludicidade passou a ser reconhecida


também como traço essencialmente psicofisiológico, ou seja, uma necessidade
básica da personalidade do corpo e da mente no comportamento humano, as
implicações das necessidades lúdicas extrapolaram as demarcações do brincar
espontâneo de modo que a definição deixou de ser o simples sinônimo de jogo.
Dessa forma, o lúdico vai além e faz parte das atividades essenciais da dinâmica
humana, trabalhando com a cultura corporal, o movimento e a expressão.

A psicomotrocidade acabou por fazer parte,


Psicofisiologia : Estuda a base
como um fator essencial de psicofisiologia do fisiológica das funções motoras
comportamento humano. Passou então a ser especialmente no que se refere aos
reflexos, à postura, ao equilíbrio, à
basicamente uma necessidade do corpo e da
coordenação motora e ao
mente. Na atividade lúdica, o que interessa é a mecanismo de execução dos
ação do que é vivido e experimentado pela movimentos.
criança, que vem a ser o resultado de toda a ação.
São os momentos vivenciados consigo mesmo e com os outros, momentos
esses mesclados de fantasias e realidades, que resultam no autoconhecimento, no

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Ludicidade e Psicomotricidade

cuidar de si e dos outros, no sentir prazer e dor, no conhecimento do outro,


portanto, é vida.

(...) o lúdico traz, muitas vezes, em si uma relação entre prazer e dor,
alienação e emancipação, liberdade e opressão. A criança, o jovem e
mesmo o adulto, ao se entregarem a uma atividade lúdica, entram
em contato consigo mesmos, com suas experiências de vida e com
situações de descoberta do mundo (PORTO, 2002).

Em uma visão simplória, a ludicidade muitas vezes é encarada como um


conjunto de atitudes que estão mais presentes em certa fase da criança. Porém,
não podemos esquecer que a atividade lúdica tem um papel fundamental na
formação da criança, podendo ser utilizado como um rico recurso para as práticas
pedagógicas. Dessa forma, muitos profissionais devem aprender a diferenciar os
tipos de jogos, não só como brincadeira, mas como forma de aprendizado, dando o
verdadeiro valor a esta importante ferramenta de ensino (KISHIMOTO, 2002).

As brincadeiras e os jogos estão presentes em todas as fases da vida, tornando


especial a sua existência. Assim, o lúdico acrescenta um ingrediente indispensável
no relacionamento entre as pessoas, possibilitando que a criatividade aflore.

As experiências vividas pelas crianças, sejam elas em sua comunidade ou


através de outros meios (vídeos, revistas, jornais), podem e devem ser
aproveitadas. Respeitar e aproveitar a cultura local torna-se fundamental para que
a relação propfessor-aluno seja honesta, real e respeite as vivências individuais e do
grupo.

Sobre a participação da ludicidade na realidade desse processo, Antunes


(2002) traz importantes contribuições quando coloca que é fundamental o
professor "trazer a rua e a vida" para a sala de aula, fazendo com que seus alunos
percebam os fundamentos da matéria que ensina na aplicação da realidade. O
autor vai além e apresenta exemplos que ajudam a compreender melhor esse
processo.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Usar uma construção em argila, móbiles ou montagens para estudar


o movimento ou perceber o deslocamento do ar, tudo é uma serie
de atividade, se refletidas e depois idealizadas por uma equipe
docente verdadeiramente empenhada, transposta para uma
estruturação de projetos pedagógicos, podem facilmente se
traduzir em inúmeros recursos que associam a inteligência
cinestésico-corporal e outras ao fantástico mundo da ciência, o
delicioso êxtase pelo mundo do saber.

É importante que as experiências sejam vivenciadas, proporcionando assim


uma experiência lúdica em grupo, diferente de praticá-la sozinho. Assim, “o
conjunto tem força e a energia do grupo, ela se movimenta, se sustenta, estimula,
puxa a alegria, mas somente cada indivíduo, nesse conjunto vital e vitalizado,
poderá viver essa sensação de alegria, partilhada no grupo” (PORTO, 2002).

A importância da ludicidade no processo de ensino-


aprendizagem

Agora que você já conhece um pouco melhor o papel da ludicidade no


desenvolvimento da criança, é importante também que fiquem claras quais as
perspectivas de trabalho que a ludicidade pode acrescentar no processo de
desenvolvimento cognitivo da criança.

Existe uma diferença do brinquedo utilizado comumente para o material


pedagógico, baseado na natureza dos objetivos da ação educativa, apresentando
seu interesse sobre o jogo pedagógico. KISHIMOTO (2001) corrobora com esses
preceitos e afirma que “ao permitir a manifestação do imaginário infantil, por meio
de objetos simbólicos dispostos intencionalmente, a função pedagógica subsidia o
desenvolvimento integral da criança”. Dessa forma, qualquer jogo que possa ser
utilizado e empregado na escola, desde que respeite a natureza do ato lúdico,
apresente caráter educativo e possa receber também a denominação geral de jogo
educativo.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Ao pesquisar e estudar o lúdico, o educador deve ir além e tentar resgatar a


brincadeira como uma forma diferenciada do brincar através de atividades que
promovam a integração dos participantes, em que a sua prática está a cada dia
minimizada pela opressão das novas tecnologias.

Dessa forma, o jogo na escola apresenta benefício a toda criança,


proporcionando a ela um desenvolvimento completo do corpo e da mente por
inteiro. Por isso, na atividade lúdica, o que importa não é apenas o produto da
atividade que dela resulta, mas a própria ação, momentos de fantasia que são
transformados em realidade, momentos de percepção, de conhecimentos e
momentos de vida. Este jogo permite também o surgimento da afetividade cujo
território é o dos sentimentos, das paixões, das emoções, por onde transitam
medos, sofrimentos, interesses e alegrias. Uma relação educativa que pressupõe o
conhecimento de sentimentos próprios e alheios que requerem do educador uma

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Ludicidade e Psicomotricidade

atenção mais profunda e um interesse em querer conhecer mais e conviver com o


aluno; o envolvimento afetivo, como também o cognitivo de todo o processo de
criatividade que envolve o sujeito-ser-criança (ALMEIDA, 2002).

Luckesi (2000) afirma que, “um bem-estar pleno, uma boa conversa sem
preconceitos e sem barreiras é vivenciar o lúdico”. O conceito de ludicidade está
irremediavelmente ligado à experiência pessoal de cada um, vivida em toda a sua
plenitude. O autor enfatiza que não é correto que toda atividade lúdica esteja
ligada ao divertimento, poderá sê-la ou não. No entanto, qualquer que seja essa
atividade, ela deverá estar liberta de críticas, julgamentos e preconceitos.

Partindo para uma realidade contemporânea, não é difícil observarmos que o


mundo vivencia o racional, o tecnológico, a técnica e o instrumental. O advento da
internet, os jogos eletrônicos, os diversos tipos de desenhos transmitidos em redes
de TV aberta ou por assinatura e as redes sociais afastam cada ves mais o ator da
socialização, colocando-o agora como expectador da socialização. Mediante essa
situação, a subjetividade começa a ser compreendida à medida em que vai sendo
instituída no centro das relações sociais, quando os indivíduos ousam implementar
ações que os conduzem a ultrapassar os limites e normas, modelos tradicionais,
fazendo emergir ideias, posturas e novos valores. Santos (2001) extende a
discussão e coloca que:

A educação pela via da ludicidade propõe-se a uma nova


postura existencial, cujo paradigma é um novo sistema de aprender
brincando, inspirado numa concepção de educação para além da
instrução. E para tanto, necessita-se de uma prática educativa
voltada para a ludicidade. Prática reconhecida aqui, como
conhecimento e competência do trabalho docente no contexto
escolar.

O que a criança aprende quando pequena, servirá de alicerce para uma


aprendizagem superior. O seu processo de aprendizagem ocorre de forma gradual.
Portanto, deve-se trabalhar em grupo suas capacidades individuais, para que seja
desenvolvido o convívio em grupo.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Na escola, o jogo dramático estimula a leitura e a escrita e, com base neste


estímulo, o indivíduo exercita-se sem fadiga, adquirindo um bom domínio na
linguagem corporal, oral e escrita, naturalmente desencadeada pelo exercício
gestual, geralmente de forma prazerosa (CANDA, 2006).

Com as atividades corporais, a criança melhora suas habilidades na qual já


existe um conhecimento. E também aprende outras, aprende a realizá-las em
grupos e com regras. Espera-se que todo conhecimento em matemática, na escrita
e leitura e na educação física possam se entrelaçar num todo que garante a esse
aluno uma vida de participação social satisfatória, de dignidade, de justiça e de
felicidade (IAVORSKI e JUNIOR, 2008).

Para melhor compreensão dos conceitos acima defendidos, listaremos abaixo


algumas atividades e jogos que podem ser trabalhados:

 jogo de palavras;
 jogo do telefone sem fio;
 trava-línguas;
 jogo de caça ao erro;
 adivinhar o tempo;
 fantasiando com a verdade.

Por fim, é importante saber que o alemão Friedrich Wilhelm August Fröbel
(1782 – 1852) foi o primeiro pedagogo a incluir o jogo no sistema educativo.
Fröbel acreditava que a personalidade da criança pode ser aperfeiçoada e
enriquecida pelo brinquedo. Ao autor, é dado também o crédito da criação do
jardim da infância. Hoje, o The Froebel Education Center é considerado uma
referência nessa perspectiva de ensino.

Vimos nessa unidade que as crianças aprendem através do brincar e que o


jogo, admirável instrumento para promover a educação, é um artifício que a
natureza encontrou para envolver a criança numa atividade útil ao seu
desenvolvimento físico e mental. "A criança que joga acaba desenvolvendo suas

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Ludicidade e Psicomotricidade

percepções, sua inteligência, suas tendências à experimentação, seus instintos


sociais" (PIAGET, 1972).

Os jogos não apenas são uma forma de entretenimento para gastar energia
das crianças, mas meios que contribuem e enriquecem o desenvolvimento
intelectual.

Segundo Aguiar (2008), a atividade lúdica é o berço obrigatório das atividades


intelectuais da criança, sendo por isso, indispensável à pratica educativa. E, pelo
fato de o jogo ser um meio tão poderoso para a aprendizagem das crianças, que
em todo lugar onde se consegue transformar em jogo a iniciação à leitura, ao
calculo ou à ortografia, observa-se que as crianças se apaixonam por essas
ocupações, geralmente tidas como maçante. Através da atividade lúdica, ocorre
um progresso da assimilação a tudo que lhe é passado. Por todos estes motivos
que "os jogos fazem parte do universo infantil; são objetos sociais que trazem
dentro de si uma infinidade de conteúdos que integram as disciplinas escolares"
(AGUIAR, 1998).

Aprender brincando é crescer atuando no desempenho, o jogo é praticamente


a vida de uma criança, é fazer com que ela aprenda a viver e a desenvolver seus
conhecimentos ensinados.

O lúdico como instrumento da aprendizagem

Nos dias atuais, é comum professores buscarem novas maneiras de apresentar


o conteúdo de forma mais clara e objetiva a seus alunos, buscando estimulá-los no
processo ensino-aprendizagem, desta forma abordaremos a ludicidade como uma
ferramenta simples e eficiente para que ela possa lhe ajudar no seu no processo de
formação e de prática docente.

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Ludicidade e Psicomotricidade

IMPORTANTE

O lúdico como ferramenta no processo educacional é assunto que tem


conquistado espaço no panorama nacional e internacional, principalmente na
educação infantil, por ser o brinquedo a essência da infância e seu uso permitirem
um trabalho pedagógico que possibilita a produção do conhecimento, da
aprendizagem e do desenvolvimento.

Independentemente de época, cultura e classe social, os jogos e brinquedos


fazem parte da vida da criança, pois elas vivem em um mundo imaginário
vivenciando fantasias, de encantamento, de alegria, de sonhos em que a realidade
e o faz-de-conta se assemelham e confundem, apesar de a história de antigas
civilizações mostrar o contrário, em que muitas vezes o brincar se transforma em
pecado.

No desenvolvimento global das sociedades de mudanças aceleradas em que


vivemos, somos sempre levados a obter competências novas, pois é o indivíduo a
unidade básica de mudança. Assim, buscamos a utilização de brincadeiras e jogos
no processo pedagógico, objetivando o despertar, o gosto pela vida que leva as
crianças a enfrentarem os desafios que lhe surgirem.

Desta forma, caro aluno, é importante frisar que o lúdico é um instrumento


indispensável na aprendizagem, no desenvolvimento e na vida das crianças.
Tornar-se evidente que os professores e futuros professores devem e precisam
tomar consciência disso, saber se os professores atuantes têm conhecimento de
alguns conceitos, como o “lúdico” e a “brinquedoteca” e muitas outras questões
sobre a relação do brincar com a aprendizagem e o desenvolvimento da criança.

O lúdico será apresentado no sentido de contribuir de forma significativa para


o desenvolvimento do ser humano, seja ele de qualquer idade, auxiliando não só
na aprendizagem, mas também no desenvolvimento social, pessoal e cultural,
facilitando no processo de socialização, comunicação, expressão e construção do
pensamento. Vale ressaltar, porém, que o lúdico não é a única alternativa para a
melhoria no intercambio ensino-aprendizagem, mas é uma ponte que auxilia na
melhoria dos resultados por parte dos educadores interessados em promover
mudanças.

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Ludicidade e Psicomotricidade

O jogo no processo de aprendizagem

Para que os conceitos trabalhados anteriormente possam se solidificar, e a


compreensão do conteúdo possa ser mais clara, vamos agora mostrar algumas
ferramentas utilizadas para auxiliar o processo ensino-aprendizagem com um
olhar lúdico.

O primeiro deles é o jogo. O brincar e o jogar são atos indispensáveis à saúde


física, emocional e intelectual e sempre estiveram presentes em qualquer povo
desde os mais remotos tempos. Através deles, a criança desenvolve a linguagem, o
pensamento, a socialização, a iniciativa e a autoestima, preparando-se para ser um
cidadão capaz de enfrentar desafios e participar na construção de um mundo
melhor. O jogo, nas suas diversas formas, auxilia no processo ensino-
aprendizagem, tanto no desenvolvimento psicomotor, isto é, no desenvolvimento
da motricidade fina e ampla, bem como no desenvolvimento de habilidades do
pensamento, como a imaginação, a interpretação, a tomada de decisão, a
criatividade, o levantamento de hipóteses, a obtenção e organização de dados e a
aplicação dos fatos e dos princípios a novas situações que, por sua vez, acontecem
quando jogamos, quando obedecemos a regras, quando vivenciamos conflitos
numa competição, etc.

Para Zaffalon (2009), os jogos infantis são provenientes de práticas


abandonadas por adultos e foram transmitidos de geração em geração. Alguns
desses jogos permanecem com sua estrutura inicial, já outros, se modificaram
recebendo novos conteúdos. No Brasil, os jogos infantis foram grandemente
influenciados por portugueses, negros e índios e fazem parte da cultura infantil na
atualidade.

O jogo é um ato espontâneo de toda criança. O jogar deve fazer parte da


infância.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Uma ação ou uma atividade voluntária, realizada em certos limites


fixos de tempo e lugar, segundo uma regra livremente adotada,
mas absolutamente imperiosa, com um fim em si mesmo,
acompanhado de uma sensação de tensão e júbilo e da consciência
de ser diferente da vida real. (HUIZINGA apud SOLER 2003, p. 44).

Através dele se processa a construção de conhecimento, principalmente nos


períodos sensório-motor e pré-operatório. Agindo sobre os objetos, as crianças,
desde pequenas, estruturam seu espaço e seu tempo, desenvolvendo a noção
de casualidade, chegando à representação e, finalmente, à lógica. As crianças
ficam mais motivadas para usar a inteligência, pois querem jogar bem,
esforçam-se para superar obstáculos tanto cognitivos como emocionais.

O jogo não é simplesmente um “passatempo” para distrair os alunos, ao


contrário, corresponde a uma profunda exigência do organismo e ocupa lugar de
extraordinária importância na educação escolar. Estimula o crescimento e o
desenvolvimento, a coordenação muscular, as faculdades intelectuais, a iniciativa
individual, favorecendo o advento e o progresso da palavra. Estimula a observar e
conhecer as pessoas e as coisas do ambiente em que se vive. Quando o indivíduo
brinca, ele joga de forma natural, testa hipóteses e explora toda a sua
espontaneidade criativa. O jogo é essencial para que a criança manifeste sua
criatividade, utilizando suas potencialidades de maneira integral. É somente sendo
criativo que a criança descobre seu próprio eu (TEZANI, 2004).

Destacamos aqui que o jogo é uma das mais importantes atividades da


infância, pois a criança necessita brincar, jogar, criar e inventar para manter seu
equilíbrio com o mundo. A importância da inserção e utilização dos brinquedos,
jogos e brincadeiras na prática pedagógica é uma realidade que se impõe ao
professor. É importante lembrar e evidenciar que os brinquedos não devem ser
explorados só para lazer, mas também como elementos bastantes enriquecedores
para promover a aprendizagem. Através dos jogos e brincadeiras, o educando
encontra apoio para superar suas dificuldades de aprendizagem, melhorando o seu
relacionamento com o mundo. Os professores precisam estar cientes de que a

24
Ludicidade e Psicomotricidade

brincadeira é necessária e que traz enormes contribuições para o desenvolvimento


da habilidade de aprender e pensar (CAMPOS, 2006).

Froebel apud Almeida (2000) acreditava nos métodos lúdicos da educação. Ele
dizia que o educador faz do jogo um instrumento para promover a educação para
crianças, e também é uma forma de conduzir a criança à atividade, autoexpressão e
a socialização.

Segundo Kishimoto (2002), há também vários valores a serem transmitidos


com os jogos. Esses valores são: valor experimental; da estruturação; da relação; e o
valor lúdico. O valor experimental do jogo permite à criança a vivência e a
experimentação de novas coisas. O valor da estruturação contribui e auxilia a
criança a estruturar sua personalidade. O valor da relação é o relacionamento entre
crianças e entre a criança e o ambiente. O valor lúdico causa, em cada jogo,
sensações diferentes, tais como: prazer alegrias, etc.

A ludicidade é muito importante para a saúde mental do ser humano e merece


atenção dos pais e educadores, pois é o espaço para expressão mais genuína do
ser. É o espaço e o direito de toda a criança para o exercício da relação afetiva com
o mundo, com as pessoas e com os objetos. A brincadeira é usada pela criança
para compreender o mundo físico e social (ZAFFALON, 2009).

O lúdico desenvolve o estudo da relação da criança com o mundo externo,


integrando estudos específicos sobre a importância do lúdico na formação da
personalidade. É brincando que a criança forma conceitos, seleciona ideias,
estabelece relações lógicas, integra percepções, faz estimativas compatíveis
com o crescimento físico e desenvolvimento e, o que é mais importante, vai se
socializando.

A convivência de forma lúdica e prazerosa com a aprendizagem proporcionará


à criança estabelecer relações cognitivas às experiências vivenciadas, bem como
relacioná-la às demais produções culturais e simbólicas conforme procedimentos
metodológicos compatíveis a essa prática.

Ele é considerado prazeroso, devido a sua capacidade de absorver o indivíduo


de forma intensa e total, criando um clima de entusiasmo. É este aspecto de

25
Ludicidade e Psicomotricidade

envolvimento emocional que o torna uma atividade com forte teor motivacional,
capaz de gerar um estado de vibração e euforia. Em virtude desta atmosfera de
prazer dentro da qual se desenrola, a ludicidade é portadora de um interesse
intrínseco, canalizando as energias no sentido de um esforço total para consecução
de seu objetivo. Portanto, as atividades lúdicas são excitantes, mas também
requerem um esforço voluntário.

Em geral, o elemento que separa um jogo pedagógico de um outro de caráter


apenas lúdico é este: desenvolve-se o jogo pedagógico com a intenção de
provocar aprendizagem significativa, estimular a construção de novo
conhecimento e principalmente despertar o desenvolvimento de uma habilidade
operatória, ou seja, o desenvolvimento de uma aptidão ou capacidade cognitiva e
apreciativa específica que possibilita a compreensão e a intervenção do indivíduo
nos fenômenos sociais e culturais e que o ajude a construir conexões (NUNES,
2006).

Caro aluno, chegamos ao final dessa unidade. Nela, você foi apresentado à
Ludicidade e à sua rica contribuição para o processo ensino-aprendizagem. Não
faça desses conceitos apenas teorias que não se transformem em material prático
de auxílio na sua atividade docente. Experimente, pratique e, por que não, brinque
com seu aluno.

Você verá o quão rica será essa experiência e o quanto fortalecerá a relação
professor-aluno. Certos da imensa contribuição que a ludicidade pode dar à
educação e que a sua compreensão não deve se esgotar nessas linhas, sugerimos
que você aprofunde seus conhecimentos. Para tal, indicamos algumas leituras
complementares.

LEITURA COMPLEMENTAR:

RIZZI, Leonor & HAYDT, Regina Célia. Atividades Lúdicas na educação


da criança. São Paulo: Ática, 1987.

SANTOS, Santa Marli Pires dos (org). A ludicidade como ciência. Petrópolis:
Vozes, 2001.

26
Ludicidade e Psicomotricidade

É HORA DE SE AVALIAR!

Não se esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo.


Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no
ensino aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

Na próxima unidade, estudaremos a relação da ludicidade através do


brinquedo no processo ensino-aprendizagem.

27
Ludicidade e Psicomotricidade

Exercícios da Unidade 1

1- Buscando a etimologia da palavra, chegamos ao termo ludus, do latim, que


significa:

a) jogo, brincar, movimento espontâneo, o brincar, o jogar

b) fogo, o movimento espontâneo, o brincar, jogar etc

c) jogo, o movimento direcionado, o brincar, jogar etc

d) o movimento espontâneo, o brincar sem compromisso

e) alegria, o movimento orientado, o brincar, jogar etc.

2- A criança terá ampla oportunidade para _____________ e divertir-se, visando os


propósitos mesmos da sua educação; a _________________ e as
________________ públicas empenhar-se-ão em promover o gozo deste
______________.

a) sonhar, autoridades, brincar, direito

b) correr , família , organizações, dever

c) lecionar, sociedade, direito, organizações

d) brincar, sociedade, autoridades, direito.

e) locomover-se , liberdade , autoridades, direito.

3- Estuda a base fisiológica das funções motoras especialmente no que se refere


aos reflexos, à postura, ao equilíbrio, à coordenação motora e ao mecanismo de
execução dos movimentos.

a) Psicomotricidade

b) Fisiologia

28
Ludicidade e Psicomotricidade

c) Ludicidade

d) Psicofisiologia

e) Psicomotora

4- A ludicidade, passou a ser reconhecida também como traço essencialmente


psicofisiológico, ou seja, uma necessidade básica da personalidade do
_______________e da ________________ no comportamento humano, as
implicações das necessidades lúdicas extrapolaram as demarcações do
_________________________ de modo que a definição deixou de ser o simples
sinônimo de _______________.

a) corpo , jogo, mente, brincar, organização

b) jogo, corpo, mente, brincar espontâneo

c) mente, jogo, corpo, brincar espontâneo

d) corpo, mente, brincar espontâneo, jogo

e) jogo, mente, brincar, organização, brincadeira

5- É uma atitude que proporciona, o estímulo à criatividade, à socialização e à


integração nas atividades lúdicas, movimento e alegria durante a troca de saberes.

a) Cooperação

b) Cognitivo

c) Ludicidade

d) Motora

e) Psicomotora

29
Ludicidade e Psicomotricidade

6- É brincando que a criança forma conceitos, seleciona ideias, estabelece relações


____________________, integra percepções, faz estimativas compatíveis com o
____________________ e ______________________ e, o que é mais importante,
vai se socializando.

a) lógicas, crescimento físico, desenvolvimento

b) crescimento físico, lógicas, desenvolvimento

c) lógicas, crescimento físico, desenvolvimento

d) desenvolvimento, lógicas, crescimento físico

e) lógicas, crescimento físico, desenvolvimento

7-Agindo sobre os objetos, as crianças, desde pequenas, estruturam seu


___________________ e seu tempo, desenvolvendo a noção de
___________________ chegando à representação e, finalmente, à
_______________________. As crianças ficam mais motivadas para usar a
_______________________, pois querem jogar bem, esforçam-se para superar
obstáculos tanto ___________________ como ____________________.

a) espaço, casualidade, lógica, inteligência, cognitivos, emocionais.

b) momento, casualidade, lógica, inteligência, cognitivos, emocionais.

c) crescimento, lógica, cognitivos, casualidade, emocionais, inteligência

d) jogo, casualidade, lógica, inteligência, cognitivos, emocionais.

e) desenvolvimento,emocionais,casualidade,lógica, inteligência, cognitivos

8-De acordo PORTO (2002) é importante que as experiências sejam vivenciadas,


proporcionando assim uma experiência lúdica em grupo, diferente de praticá-la
sozinho. Assim :

a) A educação pela via da ludicidade propõe-se a uma nova postura existencial,


cujo paradigma é um novo sistema de aprender brincando, inspirado numa
concepção de educação para além da instrução.

30
Ludicidade e Psicomotricidade

b) O lúdico como ferramenta no processo educacional é assunto que tem


conquistado espaço no panorama nacional e internacional, principalmente na
educação infantil.

c) o conjunto tem força e a energia do grupo, ela se movimenta, se sustenta,


estimula, puxa a alegria, mas somente cada indivíduo, nesse conjunto vital e
vitalizado, poderá viver essa sensação de alegria, partilhada no grupo.

d) No desenvolvimento global das sociedades de mudanças aceleradas em que


vivemos, somos sempre levados a obter competências novas, pois é o
indivíduo a unidade básica de mudança.

e) Uma ação ou uma atividade voluntária, realizada em certos limites fixos de


tempo e lugar, segundo uma regra livremente adotada, mas absolutamente
imperiosa, com um fim em si mesmo, acompanhado de uma sensação de
tensão e júbilo e da consciência de ser diferente da vida real.

9-Comente a afirmação de Porto, procurando evidenciar o aspecto da ludicidade .

Para Porto (2002. p. 15) “lúdico traz, muitas vezes, em si uma relação entre prazer e
dor, alienação e emancipação, liberdade e opressão. A criança, o jovem e mesmo o
adulto, ao se entregarem a uma atividade lúdica, entram em contato consigo mesmos,
com suas experiências de vida e com situações de descoberta do mundo”.

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

10-Como o educador pode trabalhar o lúdico no processo ensino aprendizagem


mediante as novas tecnologias?

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

31
Ludicidade e Psicomotricidade

32
Ludicidade e Psicomotricidade

2
A ludicidade da criança e a
sua relação com o
brinquedo

A ludicidade da criança

O brinquedo

As brincadeiras

33
Ludicidade e Psicomotricidade

Nesta segunda unidade, abordaremos a relação da ludicidade através do


brinquedo no processo ensino-aprendizagem, trabalhando aspectos psicomotores.
Apresentaremos também opções de sua aplicabilidade no contexto educacional.

Objetivos da unidade:

 Conhecer a questão do lúdico e a criança e sua relação com o brinquedo.

 Compreender o brinquedo inserido no processo da ludicidade.

 Diferenciar brinquedos e brincadeiras.

Plano da unidade:

 A ludicidade da criança.

 O brinquedo.

 As brincadeiras.

Bem-vindo à segunda unidade de estudo.

34
Ludicidade e Psicomotricidade

A ludicidade da criança

É fácil observar o brincar da criança. Ela estabelece uma relação com outras
crianças ou brinca sozinha, mesmo que não brinque com o adulto também não lhe
oculta o brinquedo ou a brincadeira. A brincadeira infantil é determinada pelo
encantamento, em que a criança acalenta suas fantasias, que auxiliam no seu
desenvolvimento, e um espaço lúdico na escola irá proporcionar este
desenvolvimento.

Ao pesquisar sobre a história do lúdico, alguns autores mostram que desde a


época do engenho os meninos nadavam em rios, nas represas, brincavam de
cavalo de montaria e carro de bois. Os filhos dos coronéis do engenho andavam
em cima dos meninos negros, fazendo-os de cavalo ou brincando de cacunda,
pulando carniça.

Quando os meninos de engenho chegavam à idade de poder ficar soltos em


companhia dos moleques filhos de servos, as diabruras aumentavam! Mas era por
volta dos sete anos que os meninos do engenho deviam deixar de ser levados e
por pressões deveriam se transformar em homem. A elite era preparada para ser
fortemente intelectual, buscando assim estudos na Europa. Uma educação
marcada pela aristocracia.

Por meio da brincadeira, a criança se envolve no jogo/ atividade e sente a


necessidade de partilhar com o outro e de dividir com o amigo. Esta relação expõe
as potencialidades dos participantes, afeta as emoções e põe à prova as aptidões,
testando limites e propondo desafios (IAVORSKI e JUNIOR, 2008).

Encontramos ainda hoje brincadeiras do período do engenho presentes,


principalmente nas regiões Nordeste e Sudeste por influência do cultivo da cana-
de-açúcar. Os indígenas através dos jogos tradicionais influenciaram neste
comportamento. Apesar das comunidades indígenas serem diferentes, na maioria
delas, até hoje, predominam as brincadeiras junto à natureza, principalmente nos
rios. Os brinquedos, por sua vez, são feitos de materiais retirados geralmente da
floresta. É comum observarmos que, nessas atividades, os pequenos brincam em
grupos e sem competir, aprendendo diversas práticas do cotidiano. Em um estudo

35
Ludicidade e Psicomotricidade

realizado pelo educador Artemis Soares, da Universidade do Amazonas, com os


povos da tribo Tikunas, na floresta amazônica, localizados na região do Alto Rio
Solimões no Estado do Amazonas, relata que:

Algumas brincadeiras parecem ser influenciadas pela sociedade


ocidental como o futebol, praticado largamente pelos adultos. A
brincadeira da Moto Serra é resultante de uma clara interferência
dos costumes dos brancos. A moto-serra é um instrumento
motorizado, possui lâminas, e é utilizado na derrubada da floresta.
As crianças utilizam o brinquedo para cortar o brinquedo do colega.
Em todas as comunidades visitadas constatamos que as crianças
possuem vários tipos de brinquedos, confeccionados pelos mais
velhos e por eles próprios. Na maioria das vezes são miniaturas de
objetos de uso cotidiano. Raramente pude observar, mas algumas
meninas usam bonecas plásticas, outras confeccionadas com
sabugo de milho. Às vezes as meninas pintam as bonecas com
sumo de jenipapo, imitando os rituais da moça nova.

Ao observarmos a história recente, vemos que o despertar pelos jogos,


brinquedos e as brincadeiras iniciaram no romantismo, tornando-se assim um
aliado no desenvolvimento infantil. O contato com o lúdico ocorre desde a
Antiguidade, em que as crianças já tinham uma relação com o brinquedo,
brincadeiras e o jogo. Porém, por muito tempo, o brincar era visto apenas como
uma recreação ou um momento em que se livrava a criança das preocupações do
mundo adulto que a cercava. O Romantismo considerava, então, que a criança
era um ser frágil e rico em pureza, e, dessa forma, a brincadeira passava a ter o
papel de resguardar a inocência infantil. No entanto, a natureza desse pequeno
ser não era prioritária, e a sua espontaneidade era ignorada, pois não lhe era
atribuída uma singularidade, ou seja, não se respeitavam os aspectos particulares
dessa fase em que se fundamenta a base da educação humana.

36
Ludicidade e Psicomotricidade

[...] é apenas com a ruptura do pensamento romântico que a


valorização da brincadeira ganha espaço na educação das crianças
pequenas. Anteriormente, a brincadeira era geralmente
considerada como fuga ou recreação, e a imagem social da infância
não permitia a aceitação de um comportamento infantil,
espontâneo, que pudesse significar algum valor em si (Wajskop,
1999).

Neste período já havia pessoas que aceitavam o lúdico, afirmando que a


interação entre as pessoas na brincadeira apresentava pontos positivos para o
desenvolvimento pessoal e social. Já outras pessoas não aceitavam, associando o
lúdico aos prazeres carnais, ao vício e ao azar.

Wajskop (1999) vai além e comenta que somente com o rompimento do


pensamento romântico é que é atribuído um valor social à brincadeira infantil.
Portanto, esta passa a ser vista não somente como uma proteção para a criança,
mas também como uma forma de ser reconhecido um espaço social. Cita ainda
que, a partir dos trabalhos de Comenius (1593), Rousseau (1712) e Pestalozzi
(1746), as brincadeiras, de uma maneira geral, passam a ser incluídas na educação
das crianças, e a diversão e os brinquedos surgem como forma de protegê-las dos
conflitos sociais.
Essa perspectiva passa a ser modificada a partir da mudança sobre a
compreensão e o papel do jardim de infância. É a partir, então, dos trabalhos
propostos por Fröbel, por volta do início do século XX, que a brincadeira passa a ser
aceita como um recurso de ensino-aprendizagem.

37
Ludicidade e Psicomotricidade

O brinquedo

O brinquedo é considerado um suporte da brincadeira. Diferente do jogo, o


brinquedo não necessita de um sistema de regras que organizam sua utilização e
tem como finalidade estimular a representação e a expressão de imagens que
enfocam aspectos da realidade. Os termos brinquedo, brincadeira e jogo são
definidos quanto à referência que se faz, como: brinquedo, dá-se a ideia de objeto;
brincadeira é o ato do brincar; e jogo, a brincadeira constituída de regras.

Podemos ver que o brinquedo, muitas vezes, é considerado apenas um objeto


de satisfação para a criança. Sobre essa ótica, Vigotski (1998) usa como exemplo
uma criança pequena que usa uma chupeta. Ela não se sacia, mas se satisfaz
através dela. Já uma criança em idade pré-escolar só se satisfaz com o que lhe
interessa, e quando chega a outro estágio da idade já não se satisfaz com o
brinquedo quando este lhe traz uma situação desfavorável. Assim, a partir da
observação de Vigotski, conclui-se que o brinquedo não pode ser considerado um
meio de satisfação e que nem toda satisfação está relacionada ao brinquedo, já que
este pode ser utilizado de diversas formas em diferentes idades.

38
Ludicidade e Psicomotricidade

Os brinquedos são objetos manipuláveis, recursos voltados ao ensino que


desenvolvem e educam de forma prazerosa; permitindo a ação intencional, a
manipulação de objetos, o desempenho da ação sensório-motora e troca na
interação, em um contexto diferenciado. A função do brinquedo no processo
pedagógico hoje é permitir o desenvolvimento da criança na apreensão do mundo
e em seus conhecimentos. Para tanto, esse brinquedo pode ser escolhido
voluntariamente e vai atingir sua função lúdica quando propiciar prazer, diversão
ou até mesmo desprazer.

Segundo SILVEIRA (2011):

Com o auxílio do brinquedo a criança passa a agir pelas fontes


internas e não mais externas. Seus movimentos não se restringem
apenas pelos objetos. Quando se tem um objeto como fonte
principal, a criança fica atada á determinada situação. O brinquedo
é, portanto, um importante instrumento de auxilio para a criança
compreender o mundo e entender o ambiente e suas situações.

De acordo com Vigotski (1998), “no brinquedo, [...] os objetos perdem sua
força determinadora”. A criança vê um determinado objeto, mas ao mesmo tempo
não consegue relacioná-lo com a sua realidade. Sendo assim, a liberdade de ação
não é adquirida no instante exato, e sim ao longo de um processo de
desenvolvimento.

A criança tem desejo pelo brinquedo, e este tende a instigar a sua criatividade,
proporcionando uma sensação de prazer, ou seja, o prazer pode ser definido pela
satisfação que ela encontra no brinquedo. Portanto, Silveira (2011) afirma que o
brinquedo é um ótimo estimulante para a criatividade do aluno, ajudando-o desde
os desenvolvimentos mais básicos. O brinquedo pode ser utilizado de diferentes
formas e significados, contribuindo diretamente para o desenvolvimento
psicomotor da criança. A criança pensa somente em seu mundo, e o jogo tem um
significado muito sério para a mesma. Por isso, há necessidade de incentivar a
imaginação das crianças através de jogos, tanto em casa quanto na escola.

Os brinquedos educativos materializados destinados a ensinar estimulam o


raciocínio, atenção, concentração, compreensão, coordenação motora, percepção

39
Ludicidade e Psicomotricidade

visual, dentre outras. São brincadeiras com cores, formas, tamanhos, brincadeiras
de encaixe, que trabalham noções de sequência; quebra-cabeças que exigem a
concentração, memória e raciocínio para juntar uma peça na outra; tabuleiros que
exigem a compreensão do número e das operações matemáticas (FREIRE, 2002).

A psicopedagogia estuda o ato de aprender e ensinar, levando sempre


em conta as realidades interna e externa da aprendizagem, tomadas em
conjunto. Procurando estudar a construção do conhecimento em toda a sua
complexidade, procurando colocar em pé de igualdade os aspectos cognitivos,
afetivos e sociais que lhe estão incluídos.

O uso do brinquedo / jogo educativo com fins pedagógicos para situações de


ensino-aprendizagem o qual envolve o ser humano em processos interativos, com
suas cognições, afetividade, corpo e interações sociais é de grande relevância para
desenvolvê-lo, utilizando o jogo como ensino-aprendizagem na construção de
conhecimento, introduzindo as propriedades do lúdico, do prazer, da capacidade
de iniciação e ação ativa e motivadora (KISHIMOTO, 2001). Esse autor apresenta
uma importante contribuição em sua obra "Jogo, Brinquedo, Brincadeira, e a
Educação" em que o uso do brinquedo e do jogo educativo com fins pedagógicos,
nos remetendo à relevância desse instrumento para situações de ensino-
aprendizagem e de desenvolvimento infantil, trabalhando o cognitivo, afetivo,
físico e social da criança.

As fantasias das pessoas são menos fáceis de observar do que o brincar das
crianças. A criança, é verdade, brinca sozinha ou estabelece um sistema psíquico
fechado com outras crianças, com vistas a um jogo, mas mesmo que não brinque
em frente dos adultos, não lhes oculta seu brinquedo. O adulto, ao contrário,
envergonha-se de suas fantasias, escondendo-as das outras pessoas. Acalenta suas
fantasias como seu bem mais íntimo, e em geral preferiria confessar suas faltas do
que confiar a outro suas fantasias. Pode acontecer, consequentemente, que
acredite ser a única pessoa a inventar tais fantasias, ignorando que criações desse
tipo são bem comuns nas outras pessoas. A diferença entre o comportamento da
pessoa que brinca e da fantasia é explicada pelos motivos dessas duas atividades,
que, entretanto, são subordinadas uma à outra.

40
Ludicidade e Psicomotricidade

Para Freud (1969), o brincar da criança é determinado por desejos: de fato, por
um único desejo — que auxilia o seu desenvolvimento —, o desejo de ser grande e
adulto. A criança está sempre brincando ‘de adulto’, imitando em seus jogos
aquilo que conhece da vida dos mais velhos. Ela não tem motivos para ocultar esse
desejo. Já com o adulto o caso é diferente.

Por um lado, sabe que dele se espera que não continue a brincar ou a
fantasiar, mas que atue no mundo real; por outro lado, alguns dos desejos que
provocaram suas fantasias são de tal gênero que é essencial ocultá-las. Assim, o
adulto envergonha-se de suas fantasias por serem infantis e proibidas.

Com o auxílio do brinquedo, a criança passa a agir pelas fontes internas e não
mais externas. Seus movimentos não se restringem apenas pelos objetos. Quando
se tem um objeto como fonte principal, a criança fica atada á determinada
situação. O brinquedo é, portanto, um importante instrumento de auxílio para a
criança compreender o mundo e entender o ambiente e suas situações (SILVEIRA,
2011).

As brincadeiras

41
Ludicidade e Psicomotricidade

É importante nesse momento, não confundirmos brincadeira, com o ato


desproporcional realizado pelas crianças, sem nenhum contexto cultural. Segundo
Fonseca (2008), ao brincar, a criança envolve-se em uma atividade psicomotora
extremamente complexa, não só enriquecendo a sua organização sensorial, como
estruturando a sua organização perceptiva, cognitiva e neuronal, elaborando
conjuntamente sua organização motora adaptativa. Desta forma, pode-se
entender que os jogos e as brincadeiras contribuem de forma significativa para a
vida da criança, fazendo com que ela se desenvolva de forma saudável e prazerosa
(SILVEIRA, 2011).

Entendemos aqui que brincadeira é o ato ou efeito de brincar, realizado como


entretenimento, utilizando o jogo ou o brinquedo como instrumento. Porém, é
importante frisar que a brincadeira deve também estar aliada a algum contexto
cultural, presente na sociedade que a criança esta inserida ou mesmo de outra
comunidade apresentada a ela.

Portanto, os jogos e as brincadeiras devem ter uma natureza social que é


necessária ao desenvolvimento integral do ser humano, sendo trabalhados como
meio educativo para a satisfação dos jogadores e se acumulando em forma de
aprendizado. Assim, cada um assimila à sua vida real e a guarda para um dia ser
utilizada. Todavia, este tipo de brincadeira deve ter um objetivo claro para que não
se torne negativo em suas condutas (VALENZUELA, 2005).

Uma das formas mais comuns de brincadeiras é a cantada, também conhecida


como brinquedo cantado. Tais brincadeiras cantadas podem ser caracterizadas
como formas de expressão do corpo que integram o folclore, especialmente o
infantil, sendo representadas pela associação de musicalidade e movimento.
“escravos de Jó”, “terezinha de Jesus”, “marcha soldado”, “capelinha de melão”,
“atirei o pau no gato” e “ciranda-cirandinha” são algumas cantigas que, associadas
a formas diferenciadas do movimentar-se, caracterizam-se como brincadeiras
cantadas de importante contribuição educacional. Algumas modificações nas
cantigas são observadas como exemplo, ao invés de se cantar “escravo” de Jó,
substitui-se por “amigos” de Jó. Outra modificação encontrada é a versão para
Atirei o pau no gato, em que são entoados da seguinte forma:

42
Ludicidade e Psicomotricidade

“Não atire o pau no ga-tô-tô, por que isso-sô, Não se faz...faz...faz , o gati-
nhô-nhô, é nosso ami-gô-gô, não se deve maltratar os animais, Miau!”
Essas modificações não alteram a essência da brincadeira, ao contrário,
apresenta uma visão mais humana, antirracista e antipreconceitual e trabalha um
ideário de cidadão que objetivamos para a nossa sociedade. Para Fernandes
(1989), as brincadeiras de roda não se tratam de uma mera sobrevivência, mas de
uma continuidade sociocultural. Segundo o autor, "o contexto histórico-social se
altera, é verdade; contudo, preservaram-se condições que asseguraram vitalidade e
influência dinâmica aos elementos folclóricos". Não se busca conservar fórmulas,
mas representações da vida, dos valores, do mundo simbólico e moral da criança,
perpetuadas pelo folclore.

Observa-se, então, que através dos brinquedos cantados, forma comum de


brincadeira em praticamente todo o Brasil, algumas regiões desenvolvem também
brincadeiras conhecidas como jogos ou brincadeiras circulares, como exemplo:
Iuko, Minuê e Toque-patoque.

Segundo Lara, Pimentel e Ribeiro (2005), as brincadeiras cantadas fundem


musicalidade, dança, dramatização, mímica e jogos, (dependendo do enfoque a ser
priorizado em cada atividade), representando um conhecimento de grande
contribuição à vida de movimento da criança. Para Noda [s.d], as brincadeiras
cantadas integram o conjunto de cantigas próprias da criança e por ela entoadas
em seus brinquedos ou ouvidas dos adultos quando pretendem fazê-la adormecer
ou instruí-la, transmitidas pela tradição oral. A autora relata ainda que alguns dos
objetivos visados com a aplicação dos brinquedos cantados seriam:

 auxiliar no desenvolvimento da coordenação sensório-motora;

 educar o senso rítmico;

 favorecer a socialização;

 estimular o gosto pela música e pelo movimento;

 perpetuar tradições folclóricas e incentivar o civismo;

 favorecer o contato sadio entre indivíduos de ambos os sexos;

 disciplinar emoções: timidez, agressividade, prepotência; incentivar a


autoexpressão e a criatividade.

43
Ludicidade e Psicomotricidade

Ramos e Fernandes (2011) defendem que um dos objetivos das aulas de


psicomotricidade é estimular o desenvolvimento psicomotor das crianças, por
meio de jogos, brincadeiras e atividades que as crianças vivenciem com grande
prazer, favorecendo a ligação do real e o imaginário.

Tomando como referencial teórico os escritos de Almeida (2006), listamos


abaixo diversas atividades que poderão contribuir para o desenvolvimento da
criança:

 Atividades de coordenação motora ampla – definida aqui como a


organização geral do ritmo, ao desenvolvimento e as percepções gerais da
criança. É o trabalho que vai apurar os movimentos dos membros inferiores
e superiores, podendo desenvolver algumas atividades como: fazer
imagens do corpo em tamanho natural; fazer pinturas no corpo com o
pincel; entrar em caixa de papelão grande, pequena e média; jogar bexigas
para o alto sem deixar cair no chão; brincadeiras de morto-vivo, estátua,
esconde-esconde, passar anel, pular corda e outras.

 Atividades de coordenação motora fina - É a coordenação dos trabalhos


mais finos, que podem ser executados com a ajuda das mãos e dos dedos,
garantindo um bom traçado de letra. No qual o professor poderá
desenvolver: recorte de tiras de papel na revista com o dedo; desenhos e
pinturas com tinta ou giz de cera em vidros; fazer bolinhas com papel
crepom, jornal; dobraduras; brincadeiras de amarelinha, futebol de botão,
corrida de ovo na colher, amarrar e desamarrar, tampar e destampar garrafa
pet e outras.

 Lateralidade - É a capacidade que a criança tem de olhar em todas as


direções com ideia de espaço e mínima coordenação, que aos poucos vão
descobrindo que seu próprio corpo pode realizar mais de um movimento
ao mesmo tempo em lados diferentes. Neste processo, o professor ajuda a
criança a desenvolver a lateralidade em todas as partes do corpo. Quanto ao
ato de escrever, o professor deve deixar a criança livre sem ao menos
estabelecer um meta que mão ela deverá escrever, isso é uma escolha
própria da criança, que a favorece na decisão do que é melhor e de sua
melhor habilidade. O professor poderá desenvolver: comandos para a

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Ludicidade e Psicomotricidade

criança seguir para ambos os lados; caça ao tesouro com seguimentos de


setas; faça bolas de papel e peçam que joguem primeiramente com a mão
esquerda e depois com a direita; corridas com materiais para serem
equilibrados com a mão esquerda e direita; brincadeiras de basquete, tiro
ao alvo e outras.

 Desenvolvimento de percepção musical – Refere-se ao desenvolvimento


de talentos, voltado para estimular as questões que abrangem a
musicalização, desenvolvendo a aprimoramento da audição para o
reconhecimento e a prática da fala. Sendo assim a música será mais um
ponto o qual contribui para o desenvolvimento da criança, trabalhando
vários tipos de sons e músicas: músicas folclóricas; sons da natureza (vento,
chuva, trovão, raio e mar); sons do próprio corpo (rir, chorar, espirros, tossir,
bater os pés, bater as mãos e outros). Outra maneira prazerosa de trabalhar
a música é a construção de bandinhas com sucatas; chocalhos (com garrafas
pet, lata de leite em pó); pratos e bumbos (com tampas de lata de tinta);
tambores (com embalagens de papelão).

 Desenvolvimento de percepção olfativa - É a percepção que ajuda a


criança no reconhecimento do mundo dos perfumes e sabores: recolher
plantas diversas, amassá-las e sentir o cheiro depois de algum tempo;
diferenciar os cheiros do cotidiano como: pó de café, perfumes, produto de
limpeza e outros; sentir o cheiro que exala da natureza.

 Desenvolvimento de percepção gustativa - Auxilia no reconhecimento


dos sabores reais, descobrindo que cada alimento tem textura, sabor,
consistência e características diferentes. Para esse reconhecimento,
utilizam-se os seguintes experimentos: provar alimentos exóticos
(estrangeiros); provar alimentos que antes nunca havia comido por dizer
que não gostava; degustar alguns alimentos de olhos fechados; diferenciar
entre o doce do salgado, o azedo, o amargo, o quente do frio, o picante do
condimentado.

 Desenvolvimento de percepção espacial - O espaço é muito mais que


paredes, portas, janelas, ruas, casas, entradas e saídas, é saber ter direções
para onde ir. Por isso o espaço é um grande desafio na infância, e, na vida

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Ludicidade e Psicomotricidade

adulta, pois, precisa de um pleno domínio de direção. A escola precisa de


proporcionar a criança essas noções de direção como ir à cozinha, ir ao
banheiro, entrar e sair do ginásio, de salas administrativas, salas de aula,
nunca será possível conseguir todo o desenvolvimento das noções
espaciais trabalhando apenas com papel ou atividade em quadra ou sala. É
necessário pensar e aceitar que é no espaço social, o desenvolvimento mais
fértil e mais consistente em relação a esta idade. Assim fazer passeios com
as crianças pela cidade, shopping, passear de ônibus se faz necessário na
prática do professor, por mais que seja desafiador para ele, é necessário
para o desenvolvimento intelectual das crianças, para a realização de
algumas atividades que descreve: encontrar palavras em caça-palavras;
encontrar saídas em labirintos em papel impresso; encontrar ruas em um
mapa. Algumas brincadeiras como: corrida de ovo na colher; pular corda;
cabra-cega; amarelinha; tiro ao alvo; estafetas com arcos.

 Desenvolvimento de percepção temporal - A noção de tempo, por


exemplo, é bastante complicada para que uma criança assimile. Deve-se
levar em conta que a única noção de tempo que a criança tem é de
desenvolver os hábitos cotidianos como: dormir, acordar, tomar banho,
almoçar, jantar, ir à escola e outras atividades mesmo assim ela ainda não
sabe a hora que tem que realizar essas atividades, por isso que falta
determinado tempo para realizar determinada atividade (ex. para ir à aula,
tomar banho, almoçar, viajar, etc.). Essa assimilação ainda não e feita pela
criança, por isso pais educadores devem ser bastante tolerantes nesta tarefa
de tempo para a criança, desenvolver algumas atividades poderão ajudar,
como: usar o calendário para marcar as atividades escolares por mês;
relembrar o que aconteceu no dia anterior; contar e recontar histórias e
fazer perguntas sobre os acontecimentos; pedir que coloquem em
sequência a história.

 Desenvolvimento da percepção corporal - O desenvolvimento do corpo e


a percepção dele se faz diferente em cada um embora sejamos muito
semelhantes. Cada corpo irá se desenvolver uma ou várias características
que lhe serão particulares. O prazer, a dor, a sensação e a percepção sempre
irão acontecer com todos, no entanto, a intensidade de cada um destes

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Ludicidade e Psicomotricidade

aspectos irá depender de questões orgânicas, sociais e muitas das vezes


emocionais pelas quais todos nós constituímos. Entretanto o professor deve
oferecer atividades para que a criança faça suas próprias descobertas e
tome consciência de seu próprio corpo, levando em consideração que cada
criança desenvolve num determinado tempo e de forma diferenciada.
Algumas atividades lúdicas e brincadeiras que ajuda o desenvolvimento da
percepção corporal: dobraduras; modelagem em gesso; mímica; danças;
morto-vivo; banho de jornal; brincadeiras na frente do espelho.

 Seriação e classificação. Possibilita o reconhecimento de todos os


materiais, texturas, as formas e os conceitos que envolvem o espaço onde a
criança está inserida, as atividades que desenvolvem esta habilidade são:
manipular diversos objetos feitos de materiais como: plástico, isopor, ferro,
madeira, vidro, acrílico, algodão; separar os materiais de acordo com
características definidas; observar diversos materiais no fogo. Com as
atividades/brincadeiras a criança terá oportunidade de vivenciar ações
motoras de todos os níveis e estar estimulando sua psicomotricidade
através do movimento do corporal. Toda a educação psicomotora deve ser
realizada levando7se em conta as necessidades reais do indivíduo, partindo
do simples para o complexo. Além de proporcionar estímulos que devem
ser harmônicos e integrados na sua sequência. Ressalta-se que todas as
atividades descritas devem estar relacionadas diretamente com objetivo
que o professor pretende alcançar, a faixa etária, nível de desenvolvimento
e espaço físico específico e não somente como atividades isoladas. Cabe ao
professor conhecer bem os seus alunos, lhes proporcionar atividades que
possibilitem o melhor desempenho psicomotor, lembrando que cada
criança aprende de seu jeito e no seu tempo, no qual o professor deverá
primeiramente respeitar o tempo e o limite de seus alunos.

DICA:

Para fixação do conteúdo, reúna um grupo de seis pessoas. Cante e


dance uma cantiga ou brinquedo cantado, abordando o objetivo da música e
escolhendo uma faixa etária, utilize materiais alternativos ou sucatas, explore as
possibilidades que a sua região lhe oferece, aproxime-se da natureza.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Chegamos ao final dessa unidade. Nela, você foi trabalhado a relação da


criança com as brincadeiras, através do seu instrumento: o brinquedo.

As estratégias pedagógicas traçadas pelo professor têm muita influência no


processo da aprendizagem. Nenhum ambiente favorável o entusiasmo da criança
aflorar naturalmente, desta forma o jogo, a brincadeira e o brinquedo são parceiros
da imaginação da criança e facilitador de toda aprendizagem. Assim a ludicidade
esta inserida em todo contexto pedagógico e principalmente no que tange à
educação infantil , pois o objetivo maior do docente é desenvolver a autonomia
afetiva, social e cognitiva da criança.

LEITURA COMPLEMENTAR:
ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Teoria e prática em
psicomotricidade: Jogos atividades lúdicas, expressão corporal e brincadeiras
infantis. Rio de Janeiro: Wak 2006.160p.
FONSECA, V. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto Alegre:
Artmed, 2008.

FREIRE, J.B. Educação de Corpo Inteiro: teoria e prática da educação física.


4ºed. São Paulo: Scipione, 2002.

É HORA DE SE AVALIAR!

Não se esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo.


Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no
ensino aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

Na próxima unidade, conheceremos a Psicomotricidade

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Ludicidade e Psicomotricidade

Exercícios – Unidade 2

1-A Psicopedagogia estuda o ato de __________________ e


______________________, levando sempre em conta as realidades
__________________ e externas da aprendizagem, tomadas em
__________________.

a) aprender, ensinar, internas, conjunto

b) ensinar, internas, conjunto, psicopedagogia

c) internas, conjunto, psicopedagogia, aprender

d) render, ensinar, internas, conjunto

e) ensinar, internas, conjunto, psicopedagogia

2- É definido como a brincadeira com regras, não as previamente formuladas e que


mudam durante o jogo, mas aquela que tem origem na própria situação
imaginária.

a) O lúdico
b) O jogo
c) A criatividade
d) O brinquedo
e) A afetividade

3- Uma atividade dominante na infância, é a forma pela qual a criança começa a


aprender secundariamente, é onde tem início a formação de seus processos de
imaginação ativa e, também, em que ela se apropria das normas de
comportamento que corresponde:

a) ao lúdico
b) ao jogo
c) à criatividade

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Ludicidade e Psicomotricidade

d) ao brinquedo
e) à brincadeira

4- Na infância quando uma criança é pequena e ainda não desenvolveu sua


linguagem verbal, ela passa a repetir os gestos que está observando, mesmo que
seu uso não seja necessário. Chamamos essa habilidade de uma conduta. A qual
conduta estarmos nos referindo?

a) Lúdica
b) Afetiva
c) Criativia
d) Organizada
e) Prazerosa

5- O ato de aprender e ensinar, levando sempre em conta as realidades interna e


externa da aprendizagem tomadas em conjunto e é uma característica:

a) da Psicopedagogia
b) da afetividade
c) da criatividade
d) do brinquedo
e) da brincadeira

6- O jardim de infância sofreu mudanças por volta do século XX onde a brincadeira


passa a ser aceita como um recurso de ensino aprendizagem. Qual autor foi o
grande incentivador deste processo?

a) Piaget
b) Froebel
c) Nunes
d) Freire
e) Kishimoto

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Ludicidade e Psicomotricidade

7- O Romantismo considerava então que a criança era um ser ________________ e


rico em ____________________, e, dessa forma, a _________________ passava a
ter o papel de resguardar a _______________ infantil.

a) frágil, pureza, brincadeira, inocência

b) pureza, brincadeira, inocência, romantismo,

c) brincadeira, inocência ,romantismo, frágil

d) inocência, romantismo, frágil, pureza

e) romantismo, frágil, pureza, brincadeira,

8- Podemos ver que o brinquedo, muitas vezes, é considerado apenas um objeto


de satisfação para a criança. Sobre essa ótica, Vigotski (1998) usa como exemplo
uma criança pequena que usa uma chupeta. Ela não se sacia, mas se satisfaz
através dela. Já uma criança em idade pré-escolar só se satisfaz com o que lhe
interessa, e quando chega a outro estágio da idade já não se satisfaz com o
brinquedo quando este lhe traz uma situação desfavorável. Assim, a partir da
observação de Vigotski, conclui-se que:

a) o brinquedo não pode ser considerado um meio de satisfação e que nem toda
satisfação está relacionada ao brinquedo, já que este pode ser utilizado de
diversas formas em diferentes idades.

b) o brinquedo sempre deve ser considerado um meio de satisfação e que nem


toda satisfação está relacionada ao brinquedo, já que este pode ser utilizado
de diversas formas em diferentes idades.

c) o brinquedo é um meio de satisfação e que nem toda satisfação está


relacionada ao brinquedo.

d) o brinquedo não deve ser, utilizado de diversas formas em diferentes idades.

e) é um objeto manipulável recursos voltados ao ensino que desenvolve e educa


de forma prazerosa; mas não permite a ação intencional, a manipulação do
objeto, o desempenho da ação sensório-motora .

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Ludicidade e Psicomotricidade

9-Diferencie brinquedo de brincadeira.

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10-Como podermos definir o jogo?

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Ludicidade e Psicomotricidade

3 Conhecendo a
Psicomotricidade

A história, definição e estudiosos da Psicomotricidade

A Psicomotricidade e sua prática

Movimento e atividade psíquica

Princípios e metas da psicomotricidade infantil

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Ludicidade e Psicomotricidade

Seja bem-vindo à Unidade 3. Nela, serão tratados alguns aspectos importantes


que favoreça a elaboração de um referencial histórico a respeito da
psicomotricidade, bem como os componentes básicos para o desenvolvimento
infantil.

Objetivos da unidade:

 Conhecer o conceito de Psicomotricidade.

 Compreender a evolução histórica da psicomotricidade.

 Identificar a visão e conceitos dos estudiosos na área.

 Conhecer a educação psicomotora no movimento infantil.

Plano da unidade:

 A história, definição e estudiosos da Psicomotricidade.

 A Psicomotricidade e sua prática.

 Movimento e atividade psíquica.

 Princípios e metas da psicomotricidade infantil.

Bem-vindo à terceira unidade de estudo.

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Ludicidade e Psicomotricidade

A história, definição e estudiosos da Psicomotricidade

Segundo Ramos e Fernandes (2011), historicamente, o termo


"psicomotricidade" aparece a partir do discurso médico, mais precisamente
neurológico, quando foi necessário, no início do século XIX, nomear as zonas do
córtex cerebral situadas mais além das regiões motoras. Com o desenvolvimento e
as descobertas da neurofisiologia, começa a constatar-se que há diferentes
disfunções graves sem que o cérebro esteja lesionado ou sem que a lesão esteja
claramente localizada. E foi no século XX que ela passou a desenvolver-se como
uma prática independente e, aos poucos, transformar-se em ciência. A
Psicomotricidade começou a ser praticada no momento em que o corpo deixou de
ser visto apenas como um pedaço de carne, para ser algo indissociável do sujeito.
A prática mais especificamente psicomotora começou em 1935, com Eduard
Guilmain, que elaborou protocolos de exames para medir e diagnosticar
transtornos psicomotores.

Segundo a Sociedade Brasileira de Psicomotricidade (SBP -


www.psicomotricidade.com.br) são descobertos distúrbios da atividade gestual, da
atividade prática. Portanto, o "esquema anátomo-clínico" que determinava para
cada sintoma sua correspondente lesão focal já não podia explicar alguns
fenômenos patológicos. É, justamente, a partir da necessidade médica de
encontrar uma área que explique certos fenômenos clínicos que se nomeia, pela
primeira vez, a palavra psicomotricidade, no ano de 1870.

As primeiras pesquisas que dão origem ao campo psicomotor correspondem a


um enfoque eminentemente neurológico. A figura de Dupré, neuropsiquiatra, em
1909, é de fundamental importância para o âmbito psicomotor, já que é ele quem
afirma a independência da debilidade motora (antecedente do sintoma
psicomotor) de um possível correlato neurológico. Em 1925, Henry Wallon, médico
psicólogo, ocupa-se do movimento humano dando-lhe uma categoria fundante
como instrumento na construção do psiquismo. Esta diferença permite a Wallon
relacionar o movimento ao afeto, à emoção, ao meio ambiente e aos hábitos do
indivíduo.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Em 1935, Edouard Guilmain, neurologista, desenvolve um exame psicomotor


para fins de diagnóstico, de indicação da terapêutica e de prognóstico. Em 1947,
Julian de Ajuriaguerra, psiquiatra, redefine o conceito de debilidade motora,
considerando-a como uma síndrome com suas próprias particularidades. É ele
quem delimita com clareza os transtornos psicomotores que oscilam entre o
neurológico e o psiquiátrico. Com estas novas contribuições, a psicomotricidade
diferencia-se de outras disciplinas, adquirindo sua própria especifidade e
autonomia.

Na década de 70, diferentes autores definem a psicomotricidade como uma


motricidade de relação. Começa então, a ser delimitada uma diferença entre uma
postura reeducativa e uma terapêutica que, ao despreocupar-se da técnica
instrumentalista e ao ocupar-se do "corpo de um sujeito", vai dando
progressivamente, maior importância à relação, à afetividade e ao emocional. Para
o psicomotricista, a criança constitui sua unidade a partir das interações com o
mundo externo e nas ações do Outro (mãe e substitutos) sobre ela.

A especificidade do psicomotricista situa-se assim, na compreensão da gênese


do psiquismo e dos elementos fundadores da construção da imagem e da
representação de si. O sintoma psicomotor instala-se, quando ocorre um fracasso
na integração somatopsíquica, consequente de fatores diversos, seja na origem do
processo de constituição do psiquismo, ou posteriormente em função de
disfunções orgânicas e/ou psíquicas. A patologia psicomotora é, portanto, uma
patologia do continente psíquico, dos distúrbios da representação de si cuja
sintomatologia pode se apresentar no somático e/ou no psíquico.

Mas o que vem a ser psicomotricidade?

O termo psicomotricidade foi, ao longo do século XX, amplamente estudado.


Esses estudos buscaram acima de tudo, compreender e conhecer melhor a
psicomotricidade e, a partir daí, poder traçar estratégias que fossem de encontro
aos anseios do educando. Diversos autores procuraram, então, definir
psicomotricidade. Abaixo, listaremos alguns exemplos de conceitos sobre o tema.

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Ludicidade e Psicomotricidade

A psicomotricidade como a realização do pensamento através


do ato motor precioso, econômico e harmonioso. (Ariaquerra apud
Loureira)

Psicomotricidade é a posição global do sujeito. Pode ser


entendido como a função do ser humano que sintetiza psiquismo e
motricidade com o propósito de permiti ao individuo, adaptar-se de
maneira flexível e harmoniosa ao meio que o cerca. (De Lièvre Y
Staes, 1992)

Psicomotricidade é a técnica ou grupo de técnicas que tendem


a interferir no ato intencional significativo, para estimular ou
modificá-lo, usando como mediadores a atividade corporal e sua
expressão simbólica. O objetivo, por conseguinte, é aumentar a
capacidade de interação do sujeito com o ambiente. (Ga Nûnez y
Fernandes Vidal, 1994)

Psicomotricidade é o foco da intervenção educacional ou


terapia, cujo objetivo é o desenvolvimento da capacidade motriz,
expressivas e criativas a partir do corpo, o que o leva centrar sua
atividade e se interessar pelo movimento é o ato que é derivado
das: disfunções patológicas, excitações (estímulos, aprendizagem,
etc.). (Berruezo, 1995)

Psicomotricidade condição de um estado de coisas corpo /


mente. Visão global de um indivíduo, onde a base de atuação está
no conhecimento desta fusão. (Ibidem, 2004)

Para melhor compreender e assim transmitir os benefícios e as possibilidades


da psicomotricidade, torna-se necessário um conceito único, não que esse venha
diminuir ou mesmo enfraquecer os conceitos anteriores, mas busca, de forma
simples, porém direta elucidar o problema. Assim, no primeiro congresso brasileiro
de terapia psicomotora (1982), especialistas do Brasil propuseram uma definição
que viabilizasse o entendimento comum do termo psicomotricidade e foi dito que
“Psicomotricidade é uma ciência que tem por objetivo o estudo do homem,
através do seu corpo em movimento nas relações com seu mundo externo.

Para Fonseca (2008), a psicomotricidade é uma prática que contribui para o


pleno desenvolvimento da criança no processo ensino-aprendizagem, que
favorece os aspectos físicos, mental, afetivo-emocional que contribui para a

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Ludicidade e Psicomotricidade

formação da sua personalidade. Teria então a psicomotricidade um objetivo


principal, que é fazer com que a criança se interage com os outros e com os objetos
possibilitando assim o seu crescimento não só físico como cognitivo, afetivo e
corporal, no qual a psicomotricidade deve ser trabalhada em casa e principalmente
na escola.

Barros, Ferreira e Heinsius (2008) colocam que o termo psicomotricidade para


alguns professores está ligado somente à coordenação global, ao equilíbrio, à
lateralidade, à coordenação motora fina e a outros aspectos funcionais englobando
como parte psicomotora, sem nenhum objetivo a ser alcançado, dando apenas
como métodos abstratos. Portanto, a psicomotricidade tem um papel muito
importante na prevenção da educação infantil, contemplando o desenvolvimento,
partindo do movimento do corpo e envolvendo a fase não-verbal da criança,
possibilitando a construção do psiquismo, interagindo com tudo e com todos que
a rodeia. Hoje, na educação infantil, acontece uma queima de etapas, em que os
professores se esquecem do lado emocional e do lado do brincar, ocasionando
problemas emocionais e motores, que mais tarde irão aparecer no comportamento
do indivíduo. Ramos e Fernandes (2011) acrescentam que os professores
precisam enxergar a criança em três dimensões: a corporal, a afetiva e a cognitiva,
proporcionando um desenvolvimento evolutivo. Para o ensino da alfabetização, os
professores ainda têm aquela antiga concepção que, para se ensinar como se faz a
letra “E”, é ditando “vai lá em cima faz uma voltinha e desce”. Tendo essa escrita
como base, se faz necessário a psicomotricidade, pois os movimentos e a
alfabetização caminham de mãos juntas. Por isso, em vez de os professores ficarem
ditando como se faz as letras, é melhor que levem os alunos para o pátio para que
as crianças passem por cima dos traçados no chão, ou até mesmo construírem
letras com massinhas de modelar, pois os exercícios que são manipulados com
toques pelo próprio corpo, facilitam a percepção das formas.

Vitor da Fonseca, um dos principais estudiosos a respeito da psicomotricidade,


professor catedrático agregado da Faculdade de Motricidade Humana da
Universidade Técnica de Lisboa, descreve que “a falta de espaço e de oportunidade
de exploração do mesmo são verdadeiras talidomidas do desenvolvimento motor
e consequentemente das demais áreas”.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Outro grande estudioso a respeito da psicomotricidade, o francês Henry


Wallon (1879 – 1962) acrescenta que “o movimento torna-se simultaneamente a
primeira estrutura de relação com o meio, com os objetivos e outros de onde se
edificará a inteligência, e é a primeira forma de expressão emocional e de
comportamento”. Pelo movimento a criança exprime as suas necessidades
neurovegetativas, que contem em si uma dimensão emocional que se traduz numa
linguagem antes da linguagem. O movimento é sempre uma potencia psíquica e é
o deslocamento no espaço de uma carga afetiva.

A teoria da evolução da Psicomotricidade Wallon (1995) propõe uma série de


estágios do desenvolvimento cognitivo. Porém ele não acredita que os estágios de
desenvolvimento formem uma sequência linear e fixa, ou que um estágio suprima
o outro. Para Wallon, o estágio posterior amplia e reforma os anteriores. O
desenvolvimento não seria um fenômeno suave e contínuo; pelo contrário, o
desenvolvimento seria permeado de conflitos internos e externos. Wallon divide
então a evolução da psicomotricidade da seguinte forma:

 estágio impulsivo-emocional (Recém nascido) - é um estágio


predominantemente afetivo;

 estágio tônico-emocional (6 meses aos 12 meses) - o movimento, como


campo funcional, ainda não está desenvolvido, a criança não possui perícia
motora.

 Estágio sensório-motor (12 meses aos 24 meses) - é uma fase onde a


inteligência predomina e o mundo externo prevalece nos fenômenos
cognitivos.

 Estágio Projetivo (2 aos 3 anos) - os pensamentos, muito comumente se


projetam em atos motores. Surge quando o movimento deixa de se
relacionar exclusivamente com a percepção e manipulação de objetos.

 Estágio do personalismo (3 aos 4 anos) - ao estágio sensório-motor e


projetivo sucede um momento com predominância afetiva sobre o
indivíduo: o estágio do personalismo.

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Ludicidade e Psicomotricidade

 Estágio categorial (6 aos 11 anos) - o estágio do personalismo é sucedido


por um período de acentuada predominância da inteligência sobre as
emoções.

 Estágio da adolescência (a partir dos 11 anos) - a criança começa a passar


pelas transformações físicas e psicológicas da adolescência.

O também francês André Lapierre, pai da psicomotricidade relacional, afirma


que “a atividade espontânea é uma porta aberta á criatividade sem fronteiras, ao
imaginário e simbólico ao desenvolvimento livre da comunicação”.

Segundo o francês Jean Le Boulch (1983), um dos precursores da utilização da


educação psicomotora nas aulas de educação física, afirma que a corrente
educativa da psicomotricidade surgiu na França, em 1966, pela fragilidade da
educação física, pelo fato dos professores de educação física não conseguirem
desenvolver uma educação integral do corpo. Para ele, muitos desses professores
centravam sua prática pedagógica nos fatores ligados à execução dos movimentos,
tendo como principal objetivo de sua ação educativa chegar à perfeição desses
movimentos, de forma mecânica.

A educação psicomotora de Le Boulch justifica sua ação pedagógica


colocando em evidência a prevenção das dificuldades pedagógicas, dando
importância a uma educação do corpo que busque um desenvolvimento total da
pessoa, tendo como principal papel na escola preparar seus educandos para a vida,
utilizando métodos pedagógicos renovados, procurando ajudar a criança a se
desenvolver da melhor maneira possível, contribuindo dessa forma parauma boa
formação da vida social.

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Ludicidade e Psicomotricidade

A Psicomotricidade e sua prática

No processo do ensino-aprendizagem, a psicomotricidade é uma prática


pedagógica que visa contribuir para o desenvolvimento integral da criança,
favorecendo aspectos físicos, mentais, afetivo-emocionais e socioculturais,
buscando estar sempre condizente com a realidade dos educandos.

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Ludicidade e Psicomotricidade

Através dos movimentos, a criança articula toda sua afetividade, desejos e


suas possibilidades de comunicação. O que é psicomotricidade? Por mais que
tentemos alcançar uma definição que contemple o nosso ideário, a bem da
verdade, é que a definição de psicomotricidade ainda está em formação, já que à
medida que avança e é aplicada, vai-se estendendo a distintos e variados campos.
Tal fato é evidenciado, visto que, no princípio, a psicomotricidade era utilizada
apenas na correção de alguma debilidade, dificuldade, ou deficiência.

Na educação infantil, a psicomotricidade ocupa consideravelmente um lugar


importante, sobretudo na primeira infância, em razão de que se reconhece que
existe uma grande interdependência entre os desenvolvimentos motores, afetivos
e intelectuais. A psicomotricidade é a ação do sistema nervoso central que cria uma
consciência no ser humano sobre os movimentos que realiza através dos padrões
motores, como a velocidade, o espaço e o tempo.

De acordo com Almeida (2006), para se trabalhar psicomotricidade no


ambiente escolar, não precisa haver recursos caros e nem tecnológicos, basta
somente a escola ter uma junção de fatores, tais como concepção,
comportamento, compromisso, materiais e espaços. O autor deixa claro esses
conceitos abaixo:
 Concepção: o trabalho necessita ser planejado, pensado e reavaliado todos
os dias, precisa haver uma meta que se pretende alcançar, o professor
saberá o que foi alcançado e o que pode fazer para melhorar mais o
desempenho dos alunos, ele não deve somente ficar usando técnicas sem
ao menos saber o que se pretende fazer com ela, pois assim ficará frustrado
por não ter objetivos concluídos.

 Comportamento: o comportamento do professor que se trabalha


psicomotricidade é aquele que deve estar atento a todas as ações
executada pelos alunos, intervindo nas atividades com objetivos
psicomotores. Quando os alunos estiverem realizando atividades, eles
precisam ter relações com os outros, que permitirá a socialização e a
humanização, para isso o professor deve fazer o papel de um observador e
não de um professor autoritário que repreende a todo momento nas

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Ludicidade e Psicomotricidade

relações aluno/aluno, o professor irá repreender quando houver


necessidade.

 Compromisso: quando o professor planeja suas aulas ele não terá seu
tempo desperdiçado, mas sim terá um aproveitamento do trabalho
alcançado, pois não havendo planejamento o professor fica perdido,
surgindo assim o descompromisso.

 Materiais: por si só não modifica nada em um ambiente, precisa haver


intervenções do professor.

 Espaços: são constituídos de uma estrutura física; salas, quadras, pátios,


refeitório e outros. Se os espaços não exercem nenhuma ação, movimento
sempre será um espaço vago. Há vários ambientes que pode se dizer que é
um espaço educativo, mas para isso o professor deve usar todos os
recursos, materiais ali presentes.

Ramos e Fernandes (2011) defendem ainda que para que a psicomotricidade


seja eficaz na prática escolar e possa contribuir para ao processo de aprendizagem
é preciso que o professor acredite no potencial das crianças, respeitando sua
individualidade, sabendo que as dificuldades, obstáculos e as insatisfações fazem
parte da caminhada escolar, por isso deve oferecer atividades e oportunidades
para que a criança comunique, crie e se expresse emocionalmente e fisicamente,
para o crescimento pessoal e construção da sua autonomia, despertando assim o
desejo de descobrir e aprender por meio da interação com o mundo.

Movimento e atividade psíquica

O termo psicomotricidade se divide em duas partes: a motriz e o psiquismo,


que constituem o processo de desenvolvimento integral da pessoa. A palavra
motriz se refere ao movimento, enquanto o psico determina a atividade psíquica
em duas fases: a socioafetiva e cognitiva. Em outras palavras, o que se quer dizer é
que na ação da criança se articula toda sua afetividade, todos seus desejos, mas
também todas suas possibilidades de comunicação e conceituação.

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Ludicidade e Psicomotricidade

A teoria de Piaget afirma que a inteligência se constrói a partir da atividade


motriz das crianças. Nos primeiros anos de vida, até os sete anos,
aproximadamente, a educação da criança é psicomotriz. Tudo, o conhecimento e a
aprendizagem, centram-se na ação da criança sobre o meio, os demais e as
experiências através de sua ação e movimento.

Epistemologicamente a psicomotricidade tem várias de áreas de atuação e


três são de fundamental importância para entender o movimento:

 Educação psicomotora: É a ação educativa baseada e fundamentada no


movimento natural consciente e espontâneo com a finalidade de
normalizar, completar ou aperfeiçoar a conduta global da criança.
 Reeducação psicomotora: Na reeducação psicomotriz, trabalha-se com
indivíduos que apresentam alguma deficiência, transtornos ou atrasos no
desenvolvimento. Tratam-se corporalmente mediante uma intervenção
clínica realizada por um pessoal especializado.
 Terapia da psicomotricidade: Quando se fala em terapia psicomotora
compreende-se que toda pessoa deve, em primeiro lugar, adquirir a noçaõ
do “Eu “ (personalidade) e que através deste referencial,ela possa se
perceber dentro de uma esquema corporal,para aos poucos ir tomando
consciencia do seu corpo com todos os seus movimentos dentro de um
tempo e espaço determinado.

64
Ludicidade e Psicomotricidade

Princípios e metas da psicomotricidade infantil

A psicomotricidade, como estimulação aos movimentos da criança, tem como


meta:

 motivar a capacidade sensitiva através das sensações e relações entre o


corpo e o exterior (o outro e as coisas);

 cultivar a capacidade perceptiva através do conhecimento dos movimentos


e da resposta corporal;

 organizar a capacidade dos movimentos representados ou expressos


através de sinais, símbolos, e da utilização de objetos reais e imaginários;

65
Ludicidade e Psicomotricidade

fazer com que as crianças possam descobrir e expressar suas capacidades,


através da ação criativa e da expressão da emoção;

 ampliar e valorizar a identidade própria e a autoestima dentro da


pluralidade grupal;

 criar segurança e expressar-se através de diversas formas como um ser


valioso, único e exclusivo;

 criar uma consciência e um respeito à presença e ao espaço dos demais.

Esses princípios e metas fazem parte da educação psicomotora que, acima


de tudo, é uma ação pedagógica com objetivo de proporcionar uma vivência
corporal na criança.

Conhecer a história da psicomotricidade e suas definições é base


indispensável para os educadores intervir na formação das crianças normais ou
com problemas, fazendo assim o desenvolvimento funcional e afetivo expandir
com o intercâmbio entre o ambiente humano e o relacionamento com outras
pessoas em que o pedagogo é um dos mediadores desse processo.

LEITURA COMPLEMENTAR:

FONSECA, V. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto


Alegre: Artmed, 2008.

ALVES, Rubem. A Alegria de Ensinar. ARS Poética, 1994.

É HORA DE SE AVALIAR!

Não se esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas


irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no
ensino aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

Na próxima unidade, estudaremos a importância da psicomotricidade no


processo de desenvolvimento,

66
Ludicidade e Psicomotricidade

Exercícios – Unidade 3

1- A atividade espontânea é uma porta aberta á criatividade sem fronteiras, ao


imaginário e simbólico ao desenvolvimento livre da comunicação.Essa citação
refere-se a qual autor?

a) Nunes

b) Lapierre

c) Walloon

d) Piaget

e) Loureiro

2- Com o desenvolvimento e as ________________ da ___________________,


começa a constatar-se que há diferentes __________________________ graves
sem que o cérebro esteja ________________ ou sem que a lesão esteja claramente
localizada.

a) descobertas, neurofisiologia, disfunções, lesionado

b) lesões, neurofisiologia, disfunções, lesionado

c) disfunções, lesões, neurofisiologia, lesionado

d) terapias, lesionado ,neurofisiologia, disfunções,

e) limitações, neurofisiologia, disfunções, lesionado

3- Em 1925, Henry Wallon, médico psicólogo, ocupa-se do ______________


________________ dando-lhe uma categoria fundante como instrumento na
construção do ______________. Esta diferença permite a Wallon relacionar o
movimento ao ____________, à _____________, ao meio ambiente e aos hábitos
do indivíduo.

67
Ludicidade e Psicomotricidade

a) psiquismo, afeto, à emoção, ao movimento

b) corpo humano, afeto, à emoção, ao psiquismo

c) movimento humano, psiquismo, afeto, emoção.

d) afeto, movimento humano, psiquismo, emoção.

e) desenvolvimento, afeto, à emoção, ao movimento

4- O sintoma psicomotor instala-se, quando ocorre um ________________na


integração___________________, conseqüente de fatores diversos, seja na origem
do processo de constituição do____________, ou posteriormente em função de
disfunções ___________________ e/ou psíquicas. A patologia ____________ é,
portanto, uma patologia do continente psíquico, dos distúrbios da representação
de si cuja sintomatologia pode se apresentar no somático e/ou no psíquico.

a) psiquismo, orgânicas, psicomotora., fracasso, somatopsíquica,

b) movimento, somatopsíquica, psiquismo, orgânicas, psicomotora.

c) motivo, somatopsíquica, psiquismo, orgânicas, psicomotora.

d) crescimento, orgânicas, psicomotora., fracasso, somatopsíquica

e) fracasso, somatopsíquica, psiquismo, orgânicas, psicomotora.

5- A psicomotricidade é uma prática que contribui para o pleno desenvolvimento


da criança no processo _____________________, que favorece os aspectos
___________________, ______________, _____________________ que contribui
para a formação da sua personalidade. Teria então a psicomotricidade um objetivo
principal, que é fazer com que a criança se ___________________ com os outros e
com os objetos possibilitando assim o seu crescimento não só físico como
_________________, afetivo e corporal.

a) contínuo , físicos, mental, afetivo-emocional interage cognitivo.

b) ensino-aprendizagem, físicos, mental, afetivo-emocional interage cognitivo.

68
Ludicidade e Psicomotricidade

c) mental, físicos, mental, afetivo-emocional interage cognitivo.

d) afetivo, contínuo , ensino-aprendizagem, físicos, emocional interage cognitivo

e) físico, ensino-aprendizagem, mental, afetivo-emocional interage cognitivo

6- É a ação educativa baseada e fundamentada no movimento natural consciente e


espontaneo com a finalidade de normalizar,completar ou aperfeiçoar a conduta
global da criança. Refere-se à

a) Educação psicomotora

b) Educação terapêutica

c) Educação pedagogica

d) Educação lúdica

e) Educação formal

7- A psicomotricidade, como estimulação aos movimentos da criança, tem como


meta:

a) reorganizar o processo do ensino contextualiza o movimento

b) orientar o processo da aprendizagem

c) motivar a capacidade sensitiva através das sensações e relações entre o corpo


e o exterior (o outro e as coisas).

d) fundamentar a educação com principio meio e fim

e) reforçar o corpo tem suas limitações sociais e afetiva

8- Epistemologicamente a Psicomotricidade tem várias de áreas de atuação e três


são de fundamental importância para entender o movimento. São elas :

a) Educação psicomotora, Reeducação psicomotora, Terapia da


psicomotricidade

69
Ludicidade e Psicomotricidade

b) Educação motora, Reeducação motora, Terapia da motricidade

c) Educação corporal, Reeducação corporal, Terapia corporal

d) Educação da expressão, Reeducação da expressão Terapia da expressão

e) Educação da estimulação, Reeducação da estimulação, Terapia da estimulação

9. Comente a diferença da visão dos autores Lapierre e Vitor da Fonseca sobre


psicomotricidade.

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

10- Quais são os princípios e metas da psicomotricidade infantil ?

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

70
Ludicidade e Psicomotricidade

4 A Psicomotricidade e
Processo de
Desenvolvimento Infantil

A Psicomotricidade e o psicomotricista

Desenvolvimento Motor

Alguns Aspectos da Psicomotricidade

As Estruturas Psicomotoras

A criança e seu próprio corpo

71
Ludicidade e Psicomotricidade

Na unidade anterior, vimos processo existencial da psicomotricidade e suas


principais intervenções, ligado às práticas educativas. Podemos observar que o
referido tema é abrangente e requer muito estudo e conhecimento
proporcionando uma atuação profissional e responsabilidade social.

Abordaremos nesta unidade a importância da psicomotricidade no proceso de


desenvolvimento, auxiliando assim uma melhor compreenção de como o
movimento psicomotor é essencial para o desenvolvimento do indivíduo como ser
integral.

Vamos continuar nossa jornada!

Objetivos da unidade:

 Conhecer a Psicomotricidade como uma das possibilidades para a


promoção da saúde e melhoria da qualidade de vida através do
incentivo à adoção de um estilo de vida ativo.

 Discutir a inserção do profissional na atenção básica.

Plano da unidade:

 A Psicomotricidade e o psicomotricista

 Desenvolvimento Motor

 Alguns Aspectos da Psicomotricidade

 As Estruturas Psicomotoras

 A criança e seu próprio corpo

Bons estudos!

72
Ludicidade e Psicomotricidade

A Psicomotricidade e o psicomotricista

Como abordado na questão histórica da Psicomotricidade, relatamos sua


evolução no cenário do Brasil, em que segue os passos da escola francesa. Era clara
e nítida a influência marcante da escola Francesa de Psiquiatria Infantil e da
Psicologia na época da 1º guerra em todo mundo. O Brasil foi também invadido,
ainda que tardiamente, pelos primeiros ventos da Pedagogia e da Psicologia. Nos
países europeus, pesquisadores se organizavam em grupos de trabalho: era preciso
responder às aspirações e necessidades da sociedade industrial, que levava as
mulheres ao trabalho formal, deixando as crianças em creches.

Os franceses se conscientizavam sobre a importância do gesto e pesquisavam


profundamente os temas corporais. A base do trabalho com as crianças na
Educação Infantil consiste, então, na estimulação perceptiva e desenvolvimento do
esquema corporal. Assim, a criança organiza aos poucos o seu mundo a partir do
seu próprio corpo. É a partir da ação que a criança vai descobrindo as suas
preferências e adquirindo a consciência do seu esquema corporal. Para isso é
necessário que ela vivencie diversas situações durante o seu desenvolvimento, seja
ele na escola, em casa, na rua, no clube, na creche ou em qualquer lugar por onde
esteja, nunca esquecendo que a afetividade é a base de todo o processo de
desenvolvimento, principalmente o de ensino-aprendizagem.

Segundo Otoni (sd), o psicomotricista é um profissional que cuida do processo


de afetividade, pensamento, motricidade e linguagem, em que a dinâmica
psicomotora auxilia no potencial de relação pela via do movimento, incentiva o
brincar e amplia a possibilidade de comunicação. Interagindo e articulando
durante as atividades de grupo, a criança encontra espaço para a sua própria
expressão, permitindo transformações que resultam em uma maior flexibilidade na
relação consigo mesmo, com os amigos, os familiares e com os diversos grupos
com os quais ela se relaciona.

73
Ludicidade e Psicomotricidade

Desenvolvimento Motor

O desenvolvimento motor é o resultado da manutenção de certos tecidos


nervosos, aumento em tamanho e complexidade do sistema nervoso central,
crescimento dos ossos e músculos. São, portanto comportamentos não aprendidos
que surgem espontaneamente desde que a criança tenha condições adequadas
para exercitar-se.

De acordo com Farinatti (1995), sabe-se que o desenvolvimento ontogenético


do repertório motor de que dispõe hereditariamente a criança depende de
estimulação foligenética adequada para se processar. Além disso, a atividade física
é, desde a infância, o meio pelo qual a criança afirma sua independência e seus
primeiros contatos sociais, sendo fundamental ao seu desenvolvimento psicofísico
de forma geral.

Ao nascermos, todas as estruturas básicas principais do Sistema Nervoso


Central (SNC) já estão presentes: [...] “com a possível exceção dos olhos, o sistema
nervoso já é mais desenvolvido do que qualquer outro do sistema do corpo
humano [crivo do autor]” (FARINATTI, 1995). O autor atenta ainda para o fato de
que a criança é muito dependente de reflexos primários, que vão sendo
progressivamente inibidos pelo SNC enquanto outras habilidades fundamentais
voluntárias se desenvolvem (andar, trepar, etc.).

Esses comportamentos não se desenvolverão caso haja algum tipo de


distúrbio ou doença. Podemos notar que crianças que vivem em creches e que
ficam presas em seus berços sem qualquer estimulação podem não desenvolver o
comportamento de sentar, andar na época adequada e dessa forma, podem
futuramente apresentar problemas de coordenação e motricidade. Conclui-se,
então, que a criança demanda tarefas didaticamente diferentes em relação às
particularidades de seu desenvolvimento psicofísico

As principais funções psicomotoras são um bom desenvolvimento da


estruturação do esquema corporal que mostra a evolução da apresentação da
imagem do corpo e o reconhecimento do próprio corpo em evolução de preensão
e da coordenação óculo-manual que nos proporciona a fixação ocular, preensão e

74
Ludicidade e Psicomotricidade

olhar e desenvolvimento da função Tônico e da postura em pé e reflexos arcaicos


da estruturação espaço-temporal (tempo, espaço, distância e retina).

Um perfeito desenvolvimento de nosso corpo ocorre não somente


mecanicamente, mas sim quando são aprendidos e vivenciados junto à família,
onde a criança aprende a formar a base da noção de seu “eu corporal”.

Devemos atentar também para a importância que deve ser dada aos
sentimentos da criança na fase do conhecimento de seu próprio corpo, pois um
esquema corporal mal-estruturado pode determinar na criança um certo
desajeitamento e falta de coordenação, se sentindo insegura e isso poderá
desencadear uma série de reações negativas como: agressividade, mal humor,
apatia que, às vezes parece ser algo tão simples, poderá originar sérios problemas
de motricidade que serão manifestados através do comportamento.

O movimento ocorre a partir das reações biopsicossociais que determinam e


direcionam a organização motora do homem. Segundo Wallon, citado por Fonseca
e Mendes (1982), não há separação possível entre o indivíduo (o homem) e o meio
(a sociedade). Na sua concepção a sociedade é para o homem uma necessidade
orgânica que determina o seu desenvolvimento (portanto sua inteligência) e que a
aquisição do conhecimento é um patrimônio extrabiológico do grupo onde vai
evoluir.

Para Laban (1978:19):


O homem se movimenta a fim de satisfazer uma necessidade.
Com sua movimentação, tem por objetivo algo que lhe é valioso. É
fácil perceber o objetivo do movimento de uma pessoa, se é
dirigido para algum objeto tangível. Entretanto, há também valores
intangíveis que inspiram movimentos.

O movimento define-se como ações interligadas, com algum propósito.


Consequentemente, a maneira mais adequada de estudar o fenômeno do
movimento deveria ser aquele que percebe nos movimentos vínculos essenciais
com os propósitos mais amplos, da personalidade. O movimento é a expressão
(física, espiritual, cultural) do ser. Na ótica de Piaget, citado por Fonseca e Mendes
(1982), o ato motor teria um caráter cognitivo e envolveria percepções
cinestésicas, estando estreitamente inter-relacionada ao indivíduo. Para Piaget, o

75
Ludicidade e Psicomotricidade

movimento atuaria como instrumento de expressão vinculado à linguagem e


também aos gestos e a formas posturais. Ainda dentro da visão deste autor, o
movimento realizado de maneira específica com intencionalidade, resultante de
uma experiência individual de comportamento e integrada à afetividade, é
considerado praxia, em que pode ser realizada de forma natural ou especializada.

Vayer (1977) estabeleceu dois aspectos complementares do movimento


humano:

 a função tônica – que é determinada pela atividade motora voltada para


si mesma. É a relação tônica-afetiva em que o tônus possibilita as reações
globais e reflexas da ação corporal;

 a função da motilidade – que se caracteriza por apresentar movimentos


com determinado automatismo, espontaneidade e coordenação própria.

Cratty apud Fonseca & Mendes (1982, p. 170) defende a seguinte afirmativa:

A criança privada duma experiência de exploração lúdica e


motora pode vir a associar as dificuldades de não ser aceita pelos
companheiros e o sentimento de autodesvalorização bem como o
decorrente insucesso escolar.

Alguns Aspectos da Psicomotricidade

Entende-se por Psicomotricidade uma ação educativa que tem por finalidade
normalizar ou aperfeiçoar a conduta global do ser humano, utilizando para isto o
movimento corporal, estimulando a criatividade e interrelacionamento os aspectos
psicológicos com a atividade motora (Coste, 1978; L Pierre e Aucouturier, 1988;
Fonseca e Mendes, 1982; Tani, 1988).

Ou seja, a Psicomotricidade integra a intencionalidade do movimento (suas


ressonâncias afetivas e emocionais) com o mundo situacional, pois o movimento
tem sempre uma fundamentação sociocultural.

76
Ludicidade e Psicomotricidade

Freire (1991) diz que: “Não é justo do ponto de vista pedagógico, investir-se na
formação de movimentos sem levar em conta o desejo humano de compreender o
mundo”.

Baseando-se nos estudos de Fonseca e Mendes (1982), pode-se atestar que no


campo da Educação Psicomotora existem três linhas de investigações com
características distintas, pertinentes aos diferentes blocos culturais: o
estadunidense, o soviético e o europeu.

Na concepção dos americanos e europeus, adotar práticas corporais rígidas só


faz afastar-nos da realidade e singularidade infantil. Desta abordagem semelhante
surgiram diversos estudos no âmbito psicomotor.

Os autores soviéticos consideram motricidade humana essencial no


desenvolvimento infantil, cujo direcionamento conduz à adaptação social, visando
futuramente à contribuição para o crescimento da sociedade onde se vive.

Como ponto comum consideram a criança como uma unidade que imitará
gradualmente comportamentos evolutivos observáveis nas suas condutas
humanas.

As Estruturas Psicomotoras

São formas de movimentos específicos que devido à sua estabilidade,


configuração e qualidade integram-se às sensações e às etapas do
desenvolvimento da criança (Coste, 1988; La Pierre, 1988; Fonseca e Mendes, 1982).

 Manipulação: permite os atos de agarrar (preensão), soltar, empurrar, tocar,


bater, alisar e, posteriormente, lançar objetos através da utilização dos
membros inferiores e superiores;

 Locomoção: é toda e qualquer forma de deslocamento do corpo ou de


seus segmentos no espaço. Para Kephart é a aprendizagem através da qual
a criança estabelece, por um lado, as relações entre si e as objetos e, por
outro, as relações entre si próprio e o espaço: reptação, quadrupedia,

77
Ludicidade e Psicomotricidade

marcha, corrida, salto, saltitar e trepar (nenhum mais importante que o


outro, todos são locomoção).

Vale ressaltar que para a realização dos movimentos de locomoção outras


estruturas psicomotoras são solicitadas, tais como, a percepção espaço-temporal, o
ritmo e a dinâmica de execução.

 Tônus Corporal: é uma manifestação muscular involuntária, permanente e


infinitamente variável, tanto na sua intensidade bem como na sua
intensidade bem como na sua distribuição ao nível dos diferentes grupos
musculares. Suas modulações diversas estão relacionadas aos estados
afetivos e emocionais, conscientes ou inconscientes. O tônus é um
componentes fundamental da personalidade. Qualquer modificação
ocorrida em uma parte do corpo provoca, solidariedade, uma alteração no
estado tônico das outras partes. Em relação a isso, Reich considera que o
mecanismo de defesa encontram-se personalizados na maior ou menor
rigidez (tonicidade) da musculatura superficial do corpo.

Na aprendizagem escolar, o tônus tem importância na (e para) disponibilidade


psicossomática da criança e respectivo ajustamento sensório-motor.

 Organização espaço-temporal: procura conscientizar o indivíduo das suas


formas de deslocamento corporais de uma maneira contínua e perceptiva
atuando nos diferentes planos, eixos, direção e trajetórias. Segundo Coste
(1978), na Psicomotricidade a estrutura espaço-temporal é um dado
importante para uma adaptação favorável do indivíduo. Permite não só
movimentar-se reconhecer-se no espaço, mais também concatenar e dar
sequência aos seus getos, localizar as partes do corpo e situá-los no espaço,
coordenar sua atividade e organizar sua vida cotidiana.

 Coordenação: é uma função do sistema nervoso central que permite


assegurar as contrações normais adaptadas a uma finalidade.

78
Ludicidade e Psicomotricidade

A contração de um músculo, leva consequentemente ao relaxamento de seu


antagonista pela precisão constante do movimento e pelos reflexos reguladores da
equilibração.

É o resultado da interação do sistema muscular com os nervos sensitivos


(aferentes) e motores (eferentes).

Para Piaget (Fonseca e Mendes, 1982) praxia é um conjunto de movimento


coordenadores em função de um resultado a atingir ou de um fim (intenção), ou
seja, é um conjunto de movimentos coordenados numa seqüência espaço-
temporal com uma determinada intenção.

Sob a visão de alguns autores, como Toni (1988), a boa coordenação de


movimento é o resultado da realização de uma praxia.

 Coordenação óculo-segmentar: está estritamente relacionado com a


organização espaço-temporal. Ela estabelece a interrelação entre o campo
visual e a motricidade fina das mãos, dos pés e outras partes do corpo.

A coordenação óculo-segmentar procura desenvolver e estimular ao máximo a


possibilidade de reação da criança, proporcionando maiores potencialidades de
manipulação, lançamento, percepções de objetos ou aparelhos (lápis, bolsas, por
exemplo).

A criança e seu próprio corpo

Seu corpo ocupa um espaço no ambiente em função do tempo, capta


imagens, recebe sons, sente cheiros e sabores, dor e calor, movimenta-se. A
entidade corpo é centro, o referencial. A noção do corpo está no centro do
sentimento de mais ou menos disponibilidade e adaptação que temos de nosso
corpo e está no centro da relação entre o vivido e o universo. É nosso espelho
afetivo-somático ante uma imagem de nos mesmos, do outro e dos objetos.

O esquema corporal da maneira como se constrói e se elabora no decorrer da


evolução da criança, não tem nada a ver com uma tomada de consciência
sucessiva de elementos distintos, os quais, como num quebra-cabeça, iriam pouco

79
Ludicidade e Psicomotricidade

a pouco encaixar-se uns aos outros para compor um corpo completo a partir de um
corpo desmembrado. O esquema corporal revela-se gradativamente à criança da
mesma forma que uma fotografia revelada na câmara escura mostra-se pouco a
pouco para o observador, tomando contorno, forma e coloração cada vez mais
nítidos. A elaboração e o estabelecimento deste esquema parecem ocorrer
relativamente cedo uma vez que a evolução está praticamente terminada por volta
dos quatros ou cinco anos. Isto é, ao lado da construção de um corpo objeto,
estruturado e representado como um objeto físico, cujos limites podem ser
traçados a qualquer momento, existe uma experiência precoce, global e
inconsciente do corporal, que vai pesar muito no desenvolvimento anterior da
imagem e da representação de si.

O conceito corporal é o conhecimento intelectual sobre partes e funções e o


esquema corporal, que em nossa mente regula a posição dos músculos e partes do
corpo. O esquema corporal é inconsciente e se modifica com o tempo.

Quando tratamos de conhecimento corporal, inserimos a lateralidade, já que é


a bússola de nosso corpo e assim possibilita nossa situação no ambiente. A
lateralidade diz respeito à percepção dos lados direito e esquerdo e da atividade
desigual de cada um desses lados visto que sua distinção será manifestada ao
longo do desenvolvimento da experiência.

Perceber que o corpo possui dois lados e que um é mais utilizado do que o
outro é o início da discriminação entre a esquerda e direita. De início, a criança não
distingue os dois lados do corpo; num segundo momento, ela compreende que os
dois braços encontram-se um em cada lado de seu corpo, embora ignore que
sejam “direito“ e “esquerdo“. Aos cincos anos, aprende a diferenciar uma mão da
outra e um pé do outro. Em seguida, passa a distinguir um olho do outro.

Aos seis anos, a criança tem noção de suas extremidades direita e esquerda e
noção dos órgãos pares, apontando sua localização em cada lado de seu corpo
(ouvidos, sobrancelhas, mamilos, etc.) Aos sete anos, sabe com precisão quais são
as partes direitas e esquerda de seu corpo.

As atividades psicomotoras auxiliam a crianças a adquirir boa noção de espaço


e lateralidade e boa orientação com relação a seu corpo, aos objetos, às pessoas e
aos sinais gráficos.

80
Ludicidade e Psicomotricidade

Alguns estudiosos preferem tratar a questão da lateralidade como parte da


orientação espacial e não como parte do conhecimento corporal.

É HORA DE SE AVALIAR!

Não se esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo. Elas


irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia no
ensino aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

Na próxima unidade, estudaremos a relação entre Educação, a


Psicomotricidade e o Lúdico

81
Ludicidade e Psicomotricidade

Exercícios – Unidade 4

1- É uma função do sistema nervoso central que permite assegurar as contrações


normais adaptadas a uma finalidade.

a) Coordenação;

b) Lateralidade;

c) Dignidade;

d) Ludicidade;

e) Maturidade;

2-O psicomotricista é um profissional que cuida do processo de


________________, pensamento, _________________ e linguagem, onde a
dinâmica psicomotora auxilia no potencial de relação pela ____________________,
incentiva o brincar e, amplia a possibilidade de ______________________.

a) motricidade, comunicação, afetividade

b) comunicação, afetividade, motricidade,

c) afetividade, comunicação, motricidade,

d) afetividade, motricidade, comunicação.

e) motricidade, comunicação, afetividade,

3- Em relação à Psicomotricidade, sabemos que ela integra a intencionalidade do


movimento, desta forma podemos afirmar que:

a) (suas ressonâncias afetivas e emocionais) com o mundo situacional, pois o


movimento nem sempre tem uma fundamentação sociocultural.

82
Ludicidade e Psicomotricidade

b) (suas ressonâncias afetivas e emocionais) com o mundo situacional, pois o


movimento só tem uma fundamentação, a sociocultural.

c) (suas ressonâncias afetivas e emocionais) com o outro, pois o movimento


sempre fundamenta a ação.

d) (suas ressonâncias afetivas e emocionais) com o mundo situacional, pois o


movimento tem sempre uma fundamentação política.

e) (suas ressonâncias afetivas e emocionais) com o mundo situacional, pois o


movimento tem sempre uma fundamentação sociocultural.

4- Sabe-se que o desenvolvimento ontogenético do repertório


___________________ de que dispõe hereditariamente a criança depende de
estimulação __________________adequada para se processar. Além disso, a
atividade física é, desde a infância, o meio pelo qual a criança afirma sua
____________________ e seus primeiros contatos sociais, sendo fundamental ao
seu _________________ psicofísico de forma geral.

a) foligenética, independência, desenvolvimento, motor,

b) foligenético, independência, motor, desenvolvimento.

c) independência, desenvolvimento motor, foligenética,

d) desenvolvido, motor, foligenética, independência,

e) motor, foligenética, independência, desenvolvimento.

5- Os autores soviéticos consideram ____________________ essencial no


desenvolvimento infantil, cujo direcionamento conduz à adaptação social, visando
futuramente à contribuição para o ___________________________ onde se vive.

a) crescimento da sociedade, motricidade humana,

b) motricidade humana, crescimento da sociedade.

c) espontaneidade, crescimento da sociedade

83
Ludicidade e Psicomotricidade

d) criatividade, crescimento da sociedade

e) intencionalidade, crescimento da sociedade

6- Podemos afirmar de acordo com o texto que a criança a partir dos 06 anos tem
noção de suas extremidades, quais são essas extremidades?

a) direitos e deveres e noção dos órgãos pares, apontando sua localização em


cada lado de seu corpo.

b) direita e esquerda e noção do tempo e suas mudanças climáticas apontando


sua localização em cada lado de seu corpo.

c) direitos e deveres e noção do tempo e suas mudanças climáticas, apontando


sua localização em cada lado de seu corpo.

d) direitos e comportamento e noção dos órgãos pares, apontando sua


localização em cada lado de seu corpo.

e) direita e esquerda e noção dos órgãos pares, apontando sua localização em


cada lado de seu corpo.

7-De acordo com Vayer (1977) quais os dois aspectos complementares do


movimento humano?

a) A função interligada e a função da religada

b) A função tônica e a função da motilidade

c) A função física, e a função espiritual

d) A função cultural e a função da física

e) A função global e a função da lúdica

84
Ludicidade e Psicomotricidade

8-O que são Estruturas Psicomotoras?

a) São estruturas com aspectos complementares, que configuram sensações e


as etapas do desenvolvimento da criança.

b) São estruturas que configuram o crescimento da criança.

c) São formas de movimentos específicos que devido à sua estabilidade,


configuração e qualidade integram-se às sensações e às etapas do
desenvolvimento da criança.

d) São formas de movimentos desorientados que configuram o crescimento e às


etapas do desenvolvimento da criança.

e) São formas de movimentos orientados que configuram sensações e às etapas


do desenvolvimento da criança.

9-. De acordo com a leitura da unidade, o que se entende por Desenvolvimento


Motor?

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

10- Quando tratamos de conhecimento corporal, inserimos a lateralidade, como


ela está inserida no texto do desenvolvimento?

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

85
Ludicidade e Psicomotricidade

86
Ludicidade e Psicomotricidade

5 A Educação, a
Psicomotricidade e o
Lúdico

Educação Psicomotora

Concepções e vertentes da psicomotricidade

Agressividade

Sessões de educação psicomotora

87
Ludicidade e Psicomotricidade

Na unidade anterior, vimos a Psicomotricidade e o processo de


desenvolvimento e o que isso implicou no processso de desenvolvimento,
redimensionando a atuação profissional e a responsabilidade social. Conhecemos
as possibilidades e suas intervenções na melhoria da saúde e da qualidade de vida
da população brasileira.

Chegamos à última unidade de nossa disciplina. Esperamos que os conceitos


já trabalhados estejam bem esclarecidos. Porém, é fundamental que você procure
ler as bibliografias complementares indicadas. Agora, veremos a relação entre
Educação, a Psicomotricidade e o Lúdico e outras ações que vão ao mesmo sentido
das anteriormente estudadas. Qual seja justificar a adoção de um estilo de vida
positivo através da pedagogia do movimento que prioriza as atividades físicas
como elemento educacional, voltado para a adoção e manutenção do estilo ativo e
da melhoria da qualidade de vida através do alto gerenciamento do estilo saudável
pelo educando.

Objetivos da unidade:

 Conhecer a relação entre a Educação, a Psicomotricidade e o Lúdico como


proposta da educação para a saúde e o papel do profissional no fomento a
esta proposta.

 Analisar a as questões do desenvolvimento dos movimentos através de


atividades que desenvolvam o educando de forma global.

Plano da unidade:

 Educação Psicomotora.

 Concepções e vertentes da psicomotricidade.

 Agressividade.

 Sessões de educação psicomotora.

Bons Estudos!

88
Ludicidade e Psicomotricidade

Educação Psicomotora

A educação psicomotora educativa incorpora o jogo lúdico (brincar) da criança


como elemento pedagógico dentro do processo de desenvolvimento da
aprendizagem, baseado principalmente no aspecto afetivo e social. Podemos,
então, conceituar educação psicomotora como a educação realizada através do
corpo em movimento, que irá proporcionar ao educando o controle gradativo
do corpo, seja dos movimentos mais simples até os mais complexos. A partir
dessa compreensão, fica claro observarmos que ela é de grande importância na
educação infantil e fundamental, com atividades de movimento, que visa ao
desenvolvimento das capacidades sensoriais, perceptivas e motoras, propiciando à
criança melhor organização e atitude adaptativa no seu ingresso e permanência na
escola, o que contribui também como agente profilático dos distúrbios da
aprendizagem.

Ao situarmos nosso enfoque em psicomotricidade, é necessário que


esclareçamos as concepções sobre desenvolvimento humano e qual a linha de
ação pedagógica em que está inserida. Faz-se necessário, inicialmente, um
rastreamento sobre as concepções existentes quanto à aprendizagem.

O ensino tradicional nos dizia que a criança tem que estar biologicamente
pronta para a aprendizagem. Isto quer dizer que a criança só aprende quando
amadurece (dentro de enfoque biológico). Esta é uma das grandes “desculpas”
para o fracasso escolar.

Outra abordagem seria a de que a criança independe do organismo para


aprender, ou seja, é necessário oferecer à criança um incentivo para que ela dê uma
resposta e, então, o professor oportuniza o reforço. Em outras palavras, é
necessário treinar a criança, mecanizar os movimentos, deixando de lado todo o
seu potencial exploratório, criativo e crítico.

Por outro lado, o ensino progressista preconiza que a criança internaliza as


informações e se desenvolve, ou seja, amadurece porque aprende. É necessário
que a criança tenha em sua pré-história, desde o nascimento, vivido situação do
conhecimento que, muitas vezes, são o que o professor quer e não o que a criança
deseja.

89
Ludicidade e Psicomotricidade

Baseado nesses aspectos, centramos o nosso trabalho em educação


psicomotora.

Concepções e vertentes da psicomotricidade

Segundo Negrine, a literatura e as práticas pertinentes à psicomotricidade


registram a existência de três grandes vertentes: a reeducação, a terapia e a
educação psicomotora, sendo esta última a vertente mais recente da
psicomotricidade.

Todas estas vertentes avançam num perfil funcionalista, utilizando


ferramentas para atuarem sobre o corpo (família de exercícios), ou seja, para que a
criança tenha um pleno desenvolvimento, ela deve realizar determinados
exercícios previstos e elaborados pelos professores.

A psicomotricidade relacional utiliza o jogo lúdico como elemento


pedagógico. Esta é a vertente mais recente da educação psicomotora e coloca o
adulto como interagente dentro do processo de desenvolvimento da criança,
baseado principalmente na afetividade e na sociabilização da criança, em relação
aos seus e ao adulto.
Vygotsky (1994) afirma que:

No início da idade pré-escolar, quando surgem os desejos que


não podem ser imediatamente satisfeitos ou esquecidos, e
permanece ainda a característica do estágio precedente de uma
tendência para a satisfação imediata desses desejos, o
comportamento da criança muda. Pra resolver essa tensão, a criança
em idade pré-escolar envolve-se num mundo ilusório e imaginário
onde os desejos não realizáveis podem ser realizados, e esse mundo
é o que chamamos de brinquedo. A imaginação é um processo
psicológico movo para a criança. Como todas as funções da
consciência, ela surge originalmente da ação.

O brinquedo é, portanto, o reflexo do inconsciente da criança. Este também


pode ser denominado como “fantasma”, segundo Lapierre e Aucouturier, ou seja,

90
Ludicidade e Psicomotricidade

uma produção imaginária do inconsciente, capaz de motivar comportamentos sem


que o indivíduo tenha deles consciência.

Toda criança que adentra um pré-escolar traz a sua pré-história, ou seja,


durante o tempo em e que esteve fora desta nova sociedade que se inicia em sua
vida, teve diversos tipos de vivências lúdicas e educacionais, que a traz para a
escola como bagagem de experiência, ou muito ricas ou muito pobres
afetivamente.

Nessa concepção, a afetividade é a base de todo o processo de


desenvolvimento da criança e principalmente do ensino-aprendizagem, que, por
sua vez, é favorecido se a criança adquire um bom desenvolvimento de todo o seu
esquecimento de todo o seu esquema corporal.

O corpo em movimento, na sua agitação emocional e criativa,


não é admitido na escola senão durante o ‘recreio’. É a vida
controlada muito tempo que explode. Por que as crianças têm
necessidade de se ‘recriarem’? É porque foram destruídos? (Lapierre
e Aucouturier, 1986)

Na pré-escola, há a necessidade de mesas redondas onde as crianças, às vezes,


ao critério do professor e, às vezes, pelos seus critérios, formam pequenos
subgrupos de trabalho. Esta situação é maravilhosa para a adaptação da criança à
instituição e aos iguais. Mas por que, quando chegam à primeira série, em que a
aprendizagem se torna mais complexa, cria-se a individuação, ou seja, a criança
realiza a sua ação, em alguns casos individualmente, utilizando o seu
conhecimento adquirido para aprender?

Existe sim, muitas vezes, a necessidade de resultados, ou seja: “Eu não posso
deixar as crianças trabalharem em grupos por que a minha aula vira uma
bagunça!”, ou “Criança tem que ter sempre a supervisão de um adulto para
render!” Quantas vezes já ouvimos estas frases?

O ser humano nasce com uma estrutura biológica, que segue determinados
processos de maturação. Durante o seu desenvolvimento, ele atravessa vários

91
Ludicidade e Psicomotricidade

caminhos, que o estruturam ou não, influenciando diretamente no processo de


aprendizagem.
Por esse caminho, é necessário que o adulto consiga se adaptar
permanentemente ao desejo da criança com a finalidade de permitir a evolução
desse desejo e conhecer as suas limitações e trabalhar sobre elas, conscientizando-
se que o seu limite é a base do desenvolvimento do seu aluno (exemplo: um adulto
tem medo de altura e, muitas vezes, não permite que a criança suba uma escada).

O adulto assume um papel importante na formação da criança, pois este é o


espelho de suas imitações e de sua realidade vivenciada.

Através da ação, a criança vai descobrindo suas preferências e adquirindo a


consciência dos esquemas corporais. Para isso, é necessário que ela vivencie
diversas situações durante o seu desenvolvimento, nunca esquecendo que a
afetividade é a base de todo o seu esquema corporal e, consequentemente, de sua
aprendizagem.

A busca da vivência de sensações de prazer justifica e compensa, de certa


forma, a sensação de desprazer, sendo que tanto uma como outra se manifestam
pela via corporal, ou seja, a criança pode muitas vezes ter prazer em jogar futebol,
simbolizando e se expressando. A sensação de derrota, por sua vez, pode não
significar muito desde que nós, professores, saibamos com tratar desta situação de
vencedor ou vencido.

Reprimir a criança é limitar a busca do prazer, que surge de um movimento


interior, seja ele funcional ou relacional. Reprimida, a criança começa a apresentar
limitações para perceber o mundo exterior, com redução da capacidade perceptiva
e de pensamento. Neste sentido, a educação psicomotora acrescenta que se
devem preparar situações (a sala) para que a criança faça uma trajetória rica,
passando por todos os obstáculos brincando e, ao mesmo tempo,
aprendendo, pois para que o brinquedo ocorra é necessário que a criança
elabore as regras do jogo, mesmo que seja para jogar sozinha.

Vygotsky se opõe ao pensamento de Piaget, que afirma que o jogo de regras


só ocorre quando houver duas ou mais crianças. Neste aspecto, concordamos com
Vygotsky, base no nosso trabalho, porque quando uma criança elabora um jogo

92
Ludicidade e Psicomotricidade

(de construção, por exemplo) deve pensar por onde começar; eis aí a primeira
regra.

O prazer de pensar se manifesta através do jogo infantil, porque a criança


realiza tarefas de maneira informal e sem “cobrança”, criando, assim, uma maneira
prazerosa de desenvolver sua estruturação corporal, entendida esta como sua
totalidade.

A agressividade

Nesta mesma totalidade é que surge a agressividade, que nada mais é do que
um desconforto corporal, nascido de um desprazer profundo, que é exteriorizado
pela criança, sendo assim o panorama interior no qual a criança se encontra,
naquele momento.

A agressividade é um estado emocional de desacordo, de desequilíbrio


afetivo e descargas tônicas. Isso significa que a criança expressa todo o seu
desconforto através do corpo.

Uma das primeiras atitudes pedagógicas do adulto, com uma criança


agressiva, seria a de traçar estratégias para uma boa comunicação. Para que isso
ocorra, é necessário que se abra, inicialmente, um canal de comunicação corporal,
ou seja, uma proximidade dos corpos, buscando uma fusão entre eles.

Lapierre e Aucouturier (1989) dizem que os corpos ficam mais seguros se


forem sabiamente alinhados atrás de suas respectivas carteiras, do que se forem
movidos por uma agitação impulsiva, um dinamismo que tende a roubá-los da
autoridade do professor. Isso quer dizer que, em alguns casos, o professor tem
medo de que a criança que se expressa corporal ou verbalmente influencie na sua
autoridade, ou seja, na sua posição de mestre-sabe-tudo.

A criança, para conseguir abandonar a sua agressividade, necessita


conscientizar-se do que está fazendo, e isso só ocorre a partir do momento em que
ela vivencia estas e consegue trazer este fantasma à tona.

93
Ludicidade e Psicomotricidade

Para a criança, muitas vezes, o adulto se torna uma barreira intransponível, e


isso torna a criança dependente de situações em que necessita chamar a atenção
para poder sentir prazer. Isso nada mais é do que a necessidade da afetividade
existente entre os dois.
A instituição escolar, muitas vezes, em sua pressa de fazer da criança um
adulto, não lhe deixa tempo para viver sua maturação afetiva.

É necessário, então, que o adulto tenha disponibilidade corporal (emprestar o


corpo ao outro) e que fique ao nível da criança, buscando interagir afetivamente,
porque assim pode acontecer o processo educativo (“eu te compreendo, então,
posso falar diferente contigo”). Consequentemente, compreender não significa
dizer “sim” à criança, pois numa relação normal se pode dizer “não”.

No momento em que a criança permita que seja tocada, abre-se um bom canal
de comunicação e de aceitação em relação aos adultos e seus iguais.

A utilização de determinados tipos de linguagem permite a aproximação com


a criança, ressaltando determinadas atitudes que vão ao encontro do convívio
social adequado.

Os tipos de linguagem utilizada durante uma sessão de educação psicomotora


são:

- Reconhecimento e competência: “Tu és capaz de fazer isto...”, “gostei da sua


atitude quando...”. Deve-se usar essa linguagem para encorajamento da criança
durante o jogo e reforço das atitudes consideradas positivas.

- De descrição da relação: utiliza-se para intervenção e para pôr fim em um


conflito, descrevendo o que foi observado, tendo paciência de escutar e evitando
julgamento de mérito, ou seja, mostrar para a criança que o adulto estava à atitude
tomada pelos conflitantes.

- Linguagem de Lei: esta utilizada para lembrar à criança o que é permitido e


que não é, durante a sessão e nos rituais de entrada e saída.

- Linguagem da realidade: “eu vi você fazendo isto...”, “eu observei você


brincando daquilo...”. Deve ser utilizada para mostrar à criança que o adulto, muitas
vezes não estando perto, observa as atitudes e reforça a trajetória durante o jogo.

94
Ludicidade e Psicomotricidade

Com a utilização da linguagem, é necessário observar e principalmente


respeitar o ritmo de cada criança, não impondo situação que nós queremos que ela
realize.

Sessões de educação psicomotora

Para a realização de uma sessão de educação psicomotora, é necessário que


haja um local apropriado à sua realização, onde existam espalhados pela sala,
materiais de construção (madeiras pequenas, jogos de montar, plásticos, sucatas
em geral), caixa de disfarces (calçados, roupas, perucas, cintos, maquiagem, etc),
cordas, bolas, bastões, colchão para saltos, etc.

A sessão pode ser realizada duas vezes por semana, com uma duração de
cinquenta minutos, e é desenvolvida em três momentos distintos:

 Ritual de entrada: tem como objetivo reunir as crianças, no início,


juntamente com o psicomotricista, para que se descreva o que vai
acontecer durante a sessão (o que as crianças podem fazer), as normas que
regem o jogo e a identificação de cada criança e do professor. Este
momento é importante, porque permite que cada criança se identifique
verbalmente e respeite o momento de início da atividade.

 Desenvolvimento do jogo: durante este momento, a criança pode atuar


livremente sobre os diversos brinquedos, jogando, se expressando, criando,
explorando, simbolizando, relacionado-se com os demais, etc. Enquanto
ocorre o jogo, a atitude do psicomotricista é apenas de observação,
interferindo, quando surgir um conflito ou para incentivar as crianças a
interagirem com outros objetivos, aumentado, assim a sua trajetória.

 Ritual de saída: o grupo deve novamente se reunir para verbalizar o que


fez durante a sessão, ou seja, fazer um resumo das atividades que mais
gostou de fazer. É importante que neste momento o psicomotricista utilize
as linguagens de reconhecimento, competência e da realidade,
incentivando, assim, a criança a não se restringir a apenas uma atividade de
que tenha gostado e também para reforçar as atitudes positivas que ela

95
Ludicidade e Psicomotricidade

tenha demonstrado durante a sessão para que se perceba que ele estava
sendo observada.

Nestes dois rituais, podemos utilizar outras maneiras de iniciar, dando o


enfoque necessário para aquela sessão, como, por exemplo: histórias, jogos, rodas
cantadas, etc. Tudo o que possa produzir estímulos. Esta produção de estímulo
serve para “acordar” a criança para a atividade proposta para aquele momento.

Chegamos ao fim da nossa disciplina. Nela, procuramos salientar a importância


da Psicomotricidade e do Lúdico no processo educacional e na formação da
criança, pois deverá facilitar o processo, este entendido como desenvolvimento
social.

Para a criança interagir neste processo é necessário que o professor saia de sua
postura “sabe-tudo” e assuma uma uma postura de observação, para que a partir
daí possa interferir no processo de desenvolvimento. Há a necessidade de vencer o
conteúdo na pré-escolar? Sim, é claro. Mas por que não vencê-lo de forma lúdica,
através do brincar da criança, propondo situações em que ela vivencie os
elementos necessários ao seu desenvolvimento cognitivo e nunca esquecendo que
a afetividade e o carinho são à base de toda a estruturação corporal, que ora se
inserem neste processo, através das relações adulto-criança, criança-adulto e
criança-criança?

LEITURA COMPLEMENTAR:
NEGRINE, Airton. Educação psicomotora: a lateralidade e a
orientação espacial. Porto Alegre: Palloti, 1986.

LAPIÉRRE, A.; AUCOUTURIER, B. Psicomotricidade e terapia. Tradução de


Alceu Edir Fillmann, 2ª ed., Porto Alegre: Ed. Artes Médica, 1989.

LAPIERRE, A.; ACOUTURIER, B. A simbologia do movimento. 1.ed. Porto Alegre,


RS: Artes Médicas,1986

VYGOSTKY, Lev Semenorich. A formação social da mente: o desenvolvimento


de processos psicológicos superiores. 2ª edição. São Paulo. Martins Fontes, 1994.

96
Ludicidade e Psicomotricidade

É HORA DE SE AVALIAR!

Não se esqueça de realizar as atividades desta unidade de estudo.


Elas irão ajudá-lo a fixar o conteúdo, além de proporcionar sua autonomia
no ensino aprendizagem. Caso prefira, redija as respostas no caderno e depois as
envie através do nosso ambiente virtual de aprendizagem (AVA). Interaja conosco!

97
Ludicidade e Psicomotricidade

Exercícios – Unidade 5

1. A psicomotricidade relacional utiliza o_____________ como elemento


pedagógico.

a) processo de desenvolvimento

b) controle gradativo do corpo

c) jogo lúdico

d) movimento

e) potencial exploratório,

2. É reflexo do inconsciente da criança:

a) as práticas pertinentes à psicomotricidade

b) a afetividade

c) desenvolvimento

d) aprendizagem

e) brinquedo

3. É a base de todo o processo de desenvolvimento da criança e principalmente do


ensino-aprendizagem:

a) a ação

b) as preferências

c) as situações

d) a afetividade

e) a agressividade

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Ludicidade e Psicomotricidade

4. O prazer de pensar se manifesta através do jogo infantil, porque a criança realiza


tarefas de maneira __________.

a) informal

b) formal

c) corporal

d) interior

e) segura

5- Em relação as sessões de psicomotricidade, sabemos que ela é dividida em três


momentos distintos, que são:

a) Ritual de entrada - desenvolvimento do jogo - ritual de saída

b) Ritual de entrada - desenvolvimento motor - ritual de saída

c) Ritual de entrada - desenvolvimento do jogo - ritual de chegada

d) Ritual de saída - desenvolvimento do jogo - ritual de entrada

e) Ritual moderno - desenvolvimento do jogo - ritual de saída

6- A psicomotricidade relacional utiliza o jogo lúdico como:

a) elemento pedagógico.

b) elemento abstrato.

c) elemento ideologico.

d) elemento psicologico.

e) elemento morfologico.

99
Ludicidade e Psicomotricidade

7- Qual a vertente mais recente da psicomotricidade?

a) O desenvolvimento de processos psicológicos superiores

b) A educação psicomotora

c) A simbologia do movimento

d) Estruturação corporal

e) O estado emocional de desacordo

8- Quantas vezes na semana e qual a duração de uma sessão de educação


psicomotora?

a) três vezes por semana, com uma duração de cinquenta minutos.

b) quatro vezes por semana, com uma duração de cinquenta minutos.

c) duas vezes por semana, com uma duração de cinquenta minutos.

d) cinco vezes por semana, com uma duração de cinquenta minutos.

e) seis vezes por semana, com uma duração de cinquenta minutos.

9- Segundo Negrine, a literatura e as práticas pertinentes à psicomotricidade


registram a existência de três grandes vertentes. Quais são essas vertentes?

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

10- Por que é importante não deixar que a criança se sinta reprimida?

___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________
___________________________________________________________________

100
Ludicidade e Psicomotricidade

Considerações Finais

Caro (a) Aluno (a), chegamos ao final dos estudos sobre Ludicidade e
Psicomotricidade.

Ao longo das cinco Unidades de Estudo você teve contato com a análise de
aspectos do processo de desenvolvimento, através do lúdico, do brincar, do
movimento e da psicomotricidade. Também discutiu nos fóruns temas
relacionados à Disciplina e pode também ter acesso a discussões sobre várias
questões do processo educacional. Também teve acesso a indicações bibliográficas
que certamente poderão enriquecer seu arcabouço teórico a respeito da
Ludicidade e Psicomotricidade, complementando os estudos das disciplinas
ligadas ao assunto.

A Universo Virtual o parabeniza por ter concluído seus estudos, aumentando


sua bagagem com conhecimentos e habilidades que irão beneficiá-lo por toda a
vida.

Mas a aprendizagem não para por aqui. Mantenha o hábito de ler, atualize-se
sempre e não se esqueça de praticar o que foi aprendido.

Sucesso!

101
Ludicidade e Psicomotricidade

Conhecendo os autores

Ivone José Ivo

Mestre em Educação pela Universo, gestora do curso de Educação Física da


Universo campus Niterói, São Gonçalo e Campos dos Goytacazes, especialista em
Psicomotricidade pela UGF/RJ, especialista em Educação em ensino a Distância
pela UNED – Espanha, especialista em Gestão Educacional Administração e
Supervisão escolar pela Universidade Castelo Branco e professora das disciplinas de
ginástica, recreação & lazer e estágio supervisionado.

Mauricio Barbosa de Paula

Mestre em Ciências da Atividade Física pela Universo, Especialista em


Administração e Marketing Esportivo – Universidade Gama Filho , Especialista em
Educação Física na Educação Básica pela UNILASALLE, e professor das disciplinas
de Ginástica I, Educação Física Escolar II e Estágio Supervisionado II na Universo
Niterói .

Sandro de Souza

Mestre em Ciências da Atividade Física pela Universo, graduado em Educação


Física pela Universidade Salgado de Oliveira, possui especialização em
treinamento desportivo pela UFRJ. É autor do livro “Futsal - teoria e prática”, tutor
da disciplina Atividade Física e Saúde no Departamento de Ensino a Distância e
professor das disciplinas: Fisiologia Humana, Fisiologia do Exercício,
Aprofundamento e Futebol, Treinamento de Força, Futebol e Futsal".

102
Ludicidade e Psicomotricidade

Referências

Bibliografia básica:

IAVORSKI, Joyce. A ludicidade desenvolvendo o aprendizado da criança:


educação física, jogo e inteligências múltiplas. 2007. 55 f. Monografia (graduação
em Educação Física)- Faculdade de Educação Física, Universidade Adventista de
São Paulo (UNASP), São Paulo/ SP, 2007, [s.n.].

KISHIMOTO, Tizuko Morchida. Jogos infantis: o jogo, a criança e a educação. São


Paulo: Pioneira Thonson Learrning, 2002 4ª reimp. Da 1ª ed. 1994.

PORTO, Bernadete Souza de. (organizadora) Ludicidade: o que é isso? Salvador:


Universidade Federal da Bahia, Facudade de Educação,Programa de Pós -
Graduação em Educação. Gepel,2002.

Bibliografia complementar:

AGUIAR, J.S. Jogos para o ensino de conceitos. Campinas: Papirus, 1998.

ANTUNES, C. Novas Maneiras de Ensinar: Novas formas de Aprender. Rio de


Janeiro: Artmed, 2002.

LUCKESI, Cipriano Carlos. Educação, ludicidade e prevenção das neuroses futuras:


uma proposta pedagógica a partir da Biossíntese. In: LUCKESI, Cipriano Carlos
(org.) Ludopedagogia - Ensaios 1: Educação e Ludicidade. Salvador: Gepel, 2000.

103
Ludicidade e Psicomotricidade

SANTOS, Milton,Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência


universal. 5ª Ed. Rio de Janeiro: Record, 2001.

PIAGET, J. Psicologia e Pedagogia. 2ªed. Rio de Janeiro: Forense, 1972..

Bibliografia de Referência:

ABRAHÃO, Carlos Eduardo C. Wilhelm Reich no século XXI: de violência à


globalização. Americana: Ligare, 2007.

ALMEIDA, Paulo Mendes de. Educação lúdica, técnicas e jogos pedagógicos. 10ª
ed. São Paulo: Loyola, 2000.

ALMEIDA, Geraldo Peçanha de. Teoria e prática em psicomotricidade: Jogos


atividades lúdicas, expressão corporal e brincadeiras infantis. Rio de Janeiro:
Wak 2006.160p.

BARROS, Darcymires do Rêgo; ERREIRA, Carlos Alberto de Mattos; HEINSIUS, Ana


Maria. Psicomotricidade Escolar. Rio de Janeiro: Wak, 2008. 296 p.

CAMPOS, Maria Célia Rabello Malta. A importância do jogo no processo de


aprendizagem.2006.Disponívelem:
http://www.psicopedagogia.com.br/entrevistas/entrevista.asp?entrID=39.

CANDA, C.N. Jogando, se expressando e aprendendo. Disponível em:


http://www.faced.ufba.br

FARINATTI, P.T.V. Criança e Atividade Física – Editora Sprint, Rio de Janeiro. 1995

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Ludicidade e Psicomotricidade

FONSECA, V. Desenvolvimento Psicomotor e Aprendizagem. Porto Alegre:


Artmed, 2008.

FREIRE, J.B. Educação de Corpo Inteiro: teoria e prática da educação física. 4ºed.
São Paulo: Scipione, 2002.

LABAN, Rudolf. O Domínio do Movimento. 3ª ed. Tradução Anna Maria Barros de


Becchi; Maria Silvia Mourão Netto. São Paulo: Summus, 1978. Disponível em:
http://www.ciepre.puppin.net/considiniciais.html

LAPIÉRRE, A.; AUCOUTURIER, B. Psicomotricidade e terapia. Tradução de Alceu


Edir Fillmann, 2ª ed., Porto Alegre: Ed. Artes Médica, 1989.

LAPIERRE, A.; ACOUTURIER, B. A simbologia do movimento. 1.ed. Porto Alegre, RS:


Artes Médicas,1986

LARA, Larissa Michelle. PIMENTEL, Giuliano Gomes de Assis. RIBEIRO, Deiva Mara
Delfini. Brincadeiras cantadas: educação e ludicidade na cultura do corpo.
Buenos Aires, Ano 10, Nº 81, Fevereiro de 2005. Disponível em:
http://www.efdeportes.com/efd81/brincad.htm

LE BOULCH, Jean. A Educação Psicomotora: A psicocinética na idade escolar.


Porto Alegre: Artes Médicas, 1983.

MALUF, Nicolau (org.) - (1999) Reich, O corpo e a clínica. Rio de Janeiro:


APCRJ/Summus, 1999.

MARCELLINO, Nelson Carvalho. Estudos do lazer - uma introdução. Campinas:


Autores Associados, 1996.

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Ludicidade e Psicomotricidade

MELLO, Alexandre Moraes de. Psicomotricidade: Educação Física: Jogos Infantis.


4ª edição. Ibrasa, 2002.

NEGRINE, Airton. Educação psicomotora: a lateralidade e a orientação espacial.


Porto Alegre: Palloti, 1986.

NETO, Francisco Rosa. Manual de avaliação motora. Porto Alegre: Artmed Editora,
2002.

NICOLA, Mônica. Psicomotricidade – Manual Básico. Rio de Janeiro: Revinter, 2004.

NODA, Lídia Mieko. Curso de Aperfeiçoamento para professores atuantes no 2º


grau. Maringá, [s.d]. (Material Didático).

OLIVEIRA, Gislene de Campos. Psicomotricidade: Educação e reeducação num


enfoque psicopedagógico. Petrópolis: Vozes, 2002. (Cap.2. Desenvolvimento da
psicomotricidade. p. 41-103).

ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração dos Direitos da Criança. 1959.


Disponível em: http://www.un.org

RAMOS, Camila Siara. FERNANDES, Marcela de Melo. A importância de


desenvolver a psicomotricidade na infância. Buenos Aires, Ano 15, Nº 153,
Fevereiro de 2011. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd153/a-
importancia-a-psicomotricidade-na-infancia.htm.

SILVEIRA, Lucinéia Darlyene. Educação Física e atividade lúdica: o papel da


ludicidade no desenvolvimento psicomotor. Buenos Aires, Ano 15, Nº 154, Março
de 2011. Disponível em: http://www.efdeportes.com/efd154/o-papel-da-
ludicidade-no-desenvolvimento-psicomotor.htm

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Ludicidade e Psicomotricidade

SOARES, Artemis. Brincadeiras e jogos da criança indígena da Amazônia.


Algumas brincadeiras da criança tikuna. Disponível em:
http://www.motricidade.com/index.php?option=com_content&view=article&id=1
35:brincadeiras-e-jogos-da-crianca-indigena-da-amazonia-algumas-brincadeiras-
da-crianca-tikuna&catid=48:docencia&Itemid=90. Acesso: 16/07/2011.

SOLER, Reinaldo. Jogos cooperativos para educação infantil. Rio de Janeiro:


Sprint, 2003.

TEZANI, Thaís Cristina Rodrigues. O jogo e os processos de aprendizagem e


desenvolvimento: aspectos cognitivos e afetivos. 2004. Disponível em:
http://www.psicopedagogia.com.br/artigos/artigo.asp?entrID=621.

VYGOSTKY, Lev Semenorich. A formação social da mente: o desenvolvimento de


processos psicológicos superiores. 2ª edição. São Paulo. Martins Fontes, 1994.

VIGOTSKI, L. S. A formação social da mente: o desenvolvimento dos processos


pedagógicos superiores. 6. ed. São Paulo: Martins Fontes, 1998. Tradução: José
Cipolla Neto, Luis Silveira Menna Barreto, Solange Castro Afeche.

ZAFFALON, José Robertto Jr. Jogo e ludicidade: contribuições para o


desenvolvimento infantil. Buenos Aires, Ano 14, Nº 137, Outubro de 2009.
Disponível em: (http://www.efdeportes.com/efd137/jogo-e-ludicidade-o-
desenvolvimento-infantil.htm)

______________. Aprendizagem através do jogo. In: VALENZUELA, A. V. (Org). O


jogo no ensino fundamental. Porto Alegre: Artmed, 2005. Tradução: Valério
Campos.

WAJSKOP, Gisela. Brincar na Escola. 3. ed. São Paulo: Cortez, 1999. 48 v.

WALLON, Henry. As origens do caráter na criança. São Paulo: Nova Alexandria,


1995.

107
Ludicidade e Psicomotricidade

108
Ludicidade e Psicomotricidade

Anexos

109
Ludicidade e Psicomotricidade

Gabaritos

Unidade 1

1. a

2. d

3. c

4. d

5. a

6. a

7. a

8. c

9. A ludicidade tem papel fundamental na formação da criança

10. Compreendendo o papel das novas tecnologias como aliado do processo


ensino-aprendizagem, porém não deixando de aproveitar as experiências culturais
locais

Unidade 2

1. a

2. b

3. e

4. a

5. a

6. b

7. a

8. a

110
Ludicidade e Psicomotricidade

9. O brinquedo é considerado um suporte da brincadeira. Não necessita de um


sistema de regras que organizam sua utilização e tem como finalidade estimular a
representação, a expressão de imagens que enfocam aspectos da realidade .

A brincadeira é o ato ou efeito de brincar, realizado como entretenimento,


utilizando o jogo ou o brinquedo como instrumento

10. O Jogo é definido como a brincadeira com regras, não as previamente


formuladas e que mudam durante o jogo, mas aquela que tem origem na própria
situação imaginária.

Unidade 3

1. b

2. a

3. c

4. e

5. b

6. a

7. c

8. a

9. Vitor da Fonseca refere-se à falta de espaço e de oportunidade de exploração do


mesmo, contribuindo de forma negativa no desenvolvimento motor. Lapierre
acredita a atividade espontânea e a criatividade são os elementos fundamentais no
processo de desenvolvimento

10. A psicomotricidade, como estimulação aos movimentos da criança, tem como


meta:

motivar a capacidade sensitiva através das sensações e relações entre o corpo e o


exterior (o outro e as coisas);

111
Ludicidade e Psicomotricidade

cultivar a capacidade perceptiva através do conhecimento dos movimentos e da


resposta corporal;

organizar a capacidade dos movimentos representados ou expressos através de


sinais, símbolos, e da utilização de objetos reais e imaginários;

fazer com que as crianças possam descobrir e expressar suas capacidades, através
da ação criativa e da expressão da emoção;

ampliar e valorizar a identidade própria e a auto-estima dentro da pluralidade


grupal;

criar segurança e expressar-se através de diversas formas como um ser valioso,


único e exclusivo;

criar uma consciência e um respeito à presença e ao espaço dos demais.

Unidade 4

1. a

2. d

3. e

4. e

5. b

6. e

7. b

8. c

9. São formas de movimentos específicos que devido à sua estabilidade,


configuração e qualidade integram-se às sensações e às etapas do
desenvolvimento da criança.

10. Ela é a bússola de nosso corpo e assim possibilita nossa situação no ambiente

112
Ludicidade e Psicomotricidade

Unidade 5

1. c

2. e

3. d

4. a

5. a

6. a

7. b

8. c

9. A reeducação, a terapia e a educação psicomotora

10. Porque quando a criança está reprimida ela começa a apresentar limitações
para perceber o mundo exterior, com redução da capacidade perceptiva e de
pensamento.

113