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UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO

CENTRO DE BIOCIÊNCIAS – CB
CIÊNCIAS BIOLÓGICAS COM ÊNFASE EM CIÊNCIAS
AMBIENTAIS

Sistema Digestório
Ruminantes e Monogástricos

Disciplina:​ Fisiologia Animal Comparada


Discentes:​ Luiz Felipe de Menezes Aires
Docente: ​Valeria Nunes de Souza

RECIFE
2019
Monogástricos

Animais que possuem boca, esôfago, estômago simples, com compartimento único,
seguido em série pelo intestino delgado e pelo intestino grosso, maior em
comprimento que o delgado. Órgãos auxiliares aparecem em grupos específicos,
como as aves, que possuem papo e moela para otimizar a quebra do alimento.
Adaptado para o processo de fermentação digestiva, o intestino grosso dos
monogástricos abriga ainda um fermentador caudal, denominado ceco, destinado à
quebra de elementos mais rígidos como a celulose, diminuindo assim a velocidade
do processo digestório total e mantendo o quimo por mais tempo no intestino
grosso.
Na boca, ocorrem a digestão inicial de amido, açúcares solúveis e ésteres, contando
com a ação da α--amilase salivar. No caso das aves, acoplado ao êsofago
encontra-se o papo, um reservatório alimentar que contribui com maior tempo de
saciedade. No estômago ocorre a segunda quebra química, com ação de
compostos como HCl e pepsina, aves contam também com uma quebra mecânica e
intensa do bolo alimentar, que se dá na região da moela. Devida a baixa resistência
das paredes do intestino delgado a componentes ácidos, desembocam no duodeno
o suco pancreático e a bile, imprescindíveis para a normalização do pH. A segunda
porção do intestino delgado, jejuno, é a localidade de maior digestão e absorção de
nutrientes, com ação enzimática. Caracteriza-se como a maior subdivisão do ID. No
íleo ocorre a absorção de aminoácidos, minerais e vitaminas, além de reabsorver os
sais biliares por meio do circuito enterohepático. Por sua proximidade com o
intestino grosso, o íleo pode ser contaminado por microorganismos.

Enzimas Local de produção Substrato Produto


BOCA
Amilase salivar Glândulas Salivares Amido Maltose
Esterase Células da mucosa Triglicerídeos Mono, Diglicerídeos
ESTÔMAGO
Estômago, piloro,
Pepsina duodeno Proteínas Polipeptídeos
Esterase Células da mucosa Triglicerídeos Mono, Diglicerídeos
PÂNCREAS
Amilase - Amido Maltose
Lipase - Triglicerídeos Mono, Diglicerídeos
Proteínas,
Tripsina - polipeptídeos Peptídeos, aminoácidos
Proteínas,
Quimiotripsina - polipeptídeos Peptídeos, aminoácidos
Carboxipeptidase Proteínas,
A/B - polipeptídeos Peptídeos, aminoácidos
Glicerol, ácidos graxos,
Fosfolipase - Fosfolipídeos bases
Colesterol esterase - Ésteres de colesterol Colesterol livre
INTESTINO DELGADO (BORDA EM ESCOVA)
Maltase - Maltose Glicose
Sacarase - Sacarose Glicose, Frutose
Aminopeptidases - Polipeptídeos Peptídeos
Dipeptidases - Dipeptídeos Aminoácidos
Tabela 1:​ Produção e ação enzimática. ​Criada por (Oliveira et al., 1982), modificada por Luiz Aires.

No intestino grosso, o quilo é digerida por ação microbiana no ceco para absorção
de ácidos graxos voláteis, antes de seguir ao colo, onde há grande absorção de
água e eletrólitos, seguindo ao reto e sendo expelido em forma de fezes pela
abertura dos esfíncteres anais.
Exemplos de animais monogástricos: suínos, cães, gatos, equinos, coelhos, aves.

Ruminantes

Grupo de animais que possuem estômago multi compartimentado em retículo,


rúmen, omaso e abomaso, aumentando o tempo da digestão e sendo mais
adaptado a fermentação do que em espécies monogástricas. Contam com o auxílio
de microorganismos secretores para o processo fermentativo no estômago e no
intestino. A maior parte da digestão se dá nas câmaras estomacais, também
chamadas de “pré-estômagos”.
. Rúmen: 1ª câmara estomacal. Reservatório e produtor de massa microbiana e de
ácidos graxos voláteis, contando com uma grande liberação de gases. Tem seu
conteúdo regurgitado à boca para nova mastigação.
. Retículo:​ 2ª câmara. Auxilia na regurgitação rúmen-boca.
. Omaso: 3ª câmara do estômago. Responsável pela absorção de água, acetato,
propionato e butirato.
. Abomaso: 4ª compartimento, tido como estômago verdadeiro. Nela que ocorre a
secreção de HCl e por consequente, a digestão peptídica.
Ruminantes podem passar de 30 a 40% do dia ruminando, por conta disso,
possuem grandes liberações de saliva, com média de 150 a 200 litros/dia. Em
bovinos, a língua é o principal orgão de apreensão de alimentos, levando-os até a
boca com auxílio de movimentação posterior da cabeça, sua aspereza impede o
retrocesso do bolo alimentar.
A fermentação é responsável pela formação de muitos gases, que tem de ser
expelidos frequentemente das vias intra-corpóreas. O processo, tido como
eructação, libera de 30 a 40 litros de gases por hora.
O esôfago de ruminantes, apresenta grande capacidade de distenção, para o
trânsito do alimento do rúmen para a boca. Em sua saliva, contam com a lipase
salivar, que atua na hidrólise dos triglicerídeos.
A digestão de proteínas ocorre por ação microbiana no rúmen e por ação enzimática
no abomaso e no intestino. Entre os microorganismos atuantes no processo
destacam-se: ​Bacteroídes amylophilus,​ ​Bacteroídes rumínicola​, ​Selemona
ruminatum​, ​Butyribrio fibrisolvens,​ ​Succinovibrio sp​., ​Borelia sp.​, ​Isotricha sp.​,
Dasytricha sp.
O intestino delgado tem área útil variante entre 6.000 - 12.000 m² (ser humano=
900m²). O fluxo abomaso-ID é dependente de fluxos de intervalo de 90 a 120
minutos, vista a atividade cíclica natural do orgão. A motilidade se dá com peristalse
e segmentação rítmica, por todo o intestino delgado. Há baixa atividade das
enzimas pancreáticas no ID.
O intestino grosso subdivide-se em: ceco, cólon, reto e ânus. Tem como função a
absorção de água e eletrólitos e seus processos fisiológicos dependem de seu
desenvolvimento. O pH da região costuma ser levemente alcalino (6,5-7,5) e
anaeróbico, viabilizando a ocupação da microbiota. O suco entérico secretado pela
mucosa do ceco e cólon é fluído e desprovido de enzimas.
Exemplos de animais ruminantes: bovinos, ovinos, caprinos, veados.

REFERÊNCIAS

. ACADEMIA.EDU. ​A importância das células da borda em escova para o


organismo humano​. Disponível em:
https://www.academia.edu/31790204/A_import%C3%A2ncia_das_c%C3%A9lulas_d
a_borda_em_escova_para_o_organismo_humano. Acesso em: 7 jul. 2019.
. DIJKSTRA, J; FRANCE, J; FORBES, J. M. ​Quantitative Aspects Of Ruminant
Digestion And Metabolism​. 2ª edição. Editora Cab Internacional, 2006.
. EVZ - ESCOLA DE VETERINÁRIA E ZOOTECNIA - UFG. ​Digestão nos
monogástricos​. Disponível em:
https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=7&ved=2ahUK
Ewi7w7yGnKbjAhUqJ7kGHdwzDgkQFjAGegQIBxAC&url=https%3A%2F%2Fevz.ufg
.br%2Fup%2F66%2Fo%2Fvet-aula-digestao-monog__stricos-2008__Modo_de_Co
mpatibilidade_.pdf&usg=AOvVaw1p_wDozBcpgpnF4of6Y84U. Acesso em: 7 jul.
2019.
. GRUPO DE PESQUISA EM BIOLOGIA DA REPRODUÇÃO - UFC. ​FISIOLOGIA
DA DIGESTAO RUMINANTES​. Disponível em:
https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=9&ved=2ahUK
Ewi7w7yGnKbjAhUqJ7kGHdwzDgkQFjAIegQIBhAC&url=http%3A%2F%2Fwww.rep
roducao.ufc.br%2FDIGESTrum.pdf&usg=AOvVaw053OOpnjag2avEamwbHro3.
Acesso em: 7 jul. 2019.
. UNIVERSIDADE FEDERAL DA GRANDE DOURADOS - UFGD. ​FISIOLOGIA DA
DIGESTÃO MONOGÁSTRICOS​. Disponível em:
https://www.google.com/url?sa=t&rct=j&q=&esrc=s&source=web&cd=4&ved=2ahUK
EwjG2uLT8KXjAhUYH7kGHQ-lBTMQFjADegQIAhAC&url=http%3A%2F%2Fwww.d
o.ufgd.edu.br%2Ffernandojunior%2Farquivos%2Ffisiologiadadigestao%2FAULA%2
5201%2520-%2520PROFA.%2520CINTHIA.pdf&usg=AOvVaw1HU-rEwxOp4LdG9l
M0dCut. Acesso em: 7 jul. 2019.