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A TRAJETÓRIA HISTÓRICA

DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
COM ÊNFASE NA DEFICIÊNCIA
INTELECTUAL

Professoras: Me. Márcia Regina de Sousa Storer


Esp. Nadyesda Lessandra Foschiani Martinez
Me. Luciene Celina Cristina Mochi
DIREÇÃO
Reitor Wilson de Matos Silva
Vice-Reitor Wilson de Matos Silva Filho
Pró-Reitor de Executivo de EAD William Victor Kendrick de Matos Silva
Pró-Reitor de Ensino de EAD Janes Fidélis Tomelin
Presidente da Mantenedora Cláudio Ferdinandi

NEAD - NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Diretoria Executiva Chrystiano Mincoff / James Prestes / Tiago Stachon


Diretoria de Graduação e Pós-graduação Kátia Coelho
Diretoria de Permanência Leonardo Spaine
Diretoria de Design Educacional Débora Leite
Head de Produção de Conteúdos Celso Luiz Braga de Souza Filho
Head de Curadoria e Inovação Tania Cristiane Yoshie Fukushima
Gerência de Produção de Conteúdo Diogo Ribeiro Garcia
Gerência de Projetos Especiais Daniel Fuverki Hey
Gerência de Processos Acadêmicos Taessa Penha Shiraishi Vieira
Supervisão do Núcleo de Produção de Materiais Nádila Toledo
Projeto Gráfico Thayla Guimarães
Design Educacional Rossana Costa Giani
Design Gráfico Victor Augusto Thomazini
Ilustração Bruno Cesar Pardinho

C397 CENTRO UNIVERSITÁRIO DE MARINGÁ. Núcleo de Educação


a Distância; MOCHI, Luciene Celina Cristina; STORER, Márcia Regina de
Sousa; MARTINEZ, Nadyesda Lessandra Foschiani.

Atendimento Educacional Especializado Para Pessoa Com
Deficiência Intelectual. Luciene Celina Cristina Mochi; Márcia Regina
de Sousa Storer; Nadyesda Lessandra Foschiani Martinez.
Maringá-Pr.: UniCesumar, 2017.
37 p.
“Pós-graduação Universo - EaD”.
1. Especializado. 2. Deficiência. 3. Intelectual. 4. EaD. I. Título.

CDD - 22 ed. 371


CIP - NBR 12899 - AACR/2

NEAD - Núcleo de Educação a Distância


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sumário
09 O PERCURSO HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO ESPECIAL

15 MAS, O QUE É DEFICIÊNCIA?

17 ALGUNS PRECURSORES DA EDUCAÇÃO ESPECIAL

23 DEFINIÇÃO DA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL


A TRAJETÓRIA HISTÓRICA DA EDUCAÇÃO ESPECIAL
COM ÊNFASE NA DEFICIÊNCIA INTELECTUAL

OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM
•• Apresentar a trajetória do aspecto histórico da Educação Especial e a com-
preensão do deficiente intelectual na sociedade.
•• Compreender a definição de deficiência.
•• Conhecer os precursores nos estudos das deficiências e em especial do de-
ficiente intelectual.
•• O estabelecimento de leis e decretos que estruturam as políticas públicas
na atualidade.

PLANO DE ESTUDO

A seguir, apresentam-se os tópicos que você estudará nesta unidade:


•• O percurso histórico da Educação Especial
•• Mas, o que é deficiência?
•• Alguns precursores da Educação Especial
•• Leis e Decretos voltados à Educação Especial
INTRODUÇÃO

Querido(a) aluno(a) está em suas mãos uma abordagem de entrelaces do conhe-


cimento de um assunto fundamental em nosso cotidiano que traz referências à
inclusão. Nos prenderemos, especificamente, ao deficiente intelectual, mas sem ne-
gligenciar a construção de conquistas na história da educação especial em respeito
a tantos que contribuíram com suas vidas, suas diferentes histórias, entre ganhos e
prejuízos para que hoje tenhamos o atendimento, o reconhecimento, leis e decre-
tos que amparam o tratamento igual a todos que somos diferentes.
É importante destacar que temos dificuldades em aceitar as diferenças, em apenas
conversar com aqueles que são considerados diferentes de nós. Temos em nós marcas
da história de discriminação, intolerância, vexação e incapacidade de aceitar o que é
diferente, de ocultar o que é “estranho”, o que foge dos padrões da considerada nor-
malidade. Essas marcas são constituídas da história, por isso devemos compreender
a construção da história da educação especial para compreendermos aspectos de
estudos do deficiente intelectual.
Conhecer o processo histórico da educação especial fundamenta nosso tema,
pois em todo esse processo histórico constituído, o deficiente intelectual se igualou
em condições de tratos e maus-tratos ao deficiente intelectual, surdo, cego, surdo-
-cego, entre tantos que foram “usados” pela ciência para estudos, ou asilados em
manicômios e centros “apropriados” em cada época.
O deficiente é um ser humano. Como ser humano tem suas características pró-
prias. É interessante neste primeiro estudo vamos compreender essas características
para assimilar consequentemente o deficiente intelectual enquanto sujeito capaz,
mesmo em suas limitações.
Pós-Universo 7
8 Pós-Universo
Pós-Universo 9

O PERCURSO
HISTÓRICO DA
EDUCAÇÃO ESPECIAL
Para se entender o contexto atual intitulado como “educação inclusiva”, a Educação
Especial precisa ser compreendida em sua dimensão histórica, assim, possibilitar o
favorecimento de sua fundamentação à necessidade de sua prática no cotidiano
escolar e social.
Na antiguidade, a sociedade se organizava de maneira distinta quanto a padrões
de normalidade. O trato com sujeitos que não se encaixavam a esses padrões, ditos
“normais” era o isolamento e a prática do infanticídio.
Com o passar do tempo esses indivíduos foram taxados por loucos, marginais,
doentes mentais, endemoniados, deficientes etc. Características ainda encontradas
e agregadas à cultura de alguns povos na atualidade. Sendo enquadrados nessas
categorias, facilitava-se o tratamento por meio de práticas disciplinas que eram
submetidos. Havia certa proximidade entre mito e segregação na antiguidade e as
deficiências poderiam estar relacionadas ao sobrenatural: feiticeiros, pessoas envia-
das por Deus etc.
Na Idade Média, a segregação se intensificou e a pessoa com deficiência passou
a ser entendida como obra e intervenção dos Seres Superiores, ou de Deus, como
“castigo”. Entendimento que ainda encontramos arraigados em diversas culturas.
O período de segregação entre os séculos XVI e XVII, todas as pessoas que não
eram enquadradas no padrão de normalidade exigido na época eram isolados em
manicômios, orfanatos e tipos diversos de prisões.
No século XVII, muitas instituições na Europa realizavam treinamento industrial
que favorecia o trabalho manual barateado em caráter assistencial e filantrópico.
No final do século XIX e início do século XX, por meio do conhecimento científico,
a deficiência passou a ser “tratada”, buscando-se a “cura”. Surgiram então, institui-
ções especializadas ao cuidado e trato das pessoas com deficiência. Neste período,
muitos estudiosos se destacaram com suas contribuições ao estudo e tratamento
às pessoas com deficiência: Seguin, Maria Montessori, Binet e Simon, Terman entre
10 Pós-Universo

outros. Surgem parâmetros e medidas sobre escalas e índices de inteligência (QI) e


um crescimento significativo do uso de testes psicométricos.
No Brasil, as primeiras instituições de atendimentos a pessoas com necessidades
especiais (visual e surdez) foram criadas ainda no século XVIII. Em 1854, O Imperial
Instituto dos meninos cegos, que passou a ser chamado Instituto Benjamin Constant.
Em 1857, O Instituto dos Surdos-Mudos, chamado de Instituto Nacional da Educação
dos Surdos (INES).
No ano de 1874, juntamente com o Hospital Juliano Moreira (BA), a Instituição
para Deficientes Mentais. Em 1887, na cidade do Rio de Janeiro, a Escola México
atendia deficientes físicos e visuais. A partir de 1874, durante 15 anos (até 1889) sur-
giram Instituições para Deficientes Mentais (2), para outras deficiências (6), entre elas
visão, audição e/ou deficiências múltiplas.

•• De 1889 a 1920 (31 anos): 7 Instituições para Deficientes Mentais e 8 para


outras deficiências.

•• De 1920 a 1929 (9 anos): 7 Instituições para Deficientes Mentais e 6 para


outras deficiências.

Em 1911, em São Paulo iniciou a implantação de classes especiais e preparação de


pessoas para trabalhar na educação de Deficientes Mentais.

•• Sociedade Pestalozzi: fundada por Helena Antipoff, no ano de 1932.

•• Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (APAES): fundada no


ano de 1954.

•• Lei de atendimento aos direitos dos excepcionais: promulgada no ano


de 1961 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional – LDB nº 4.024/61.

•• Centro Nacional de Educação Especial (CENESP): no ano de 1970, criado


no MEC, gerenciava a Educação Especial no Brasil.

•• Tratamento Educacional Especial para deficientes físicos e mentais: lei


de Diretrizes e Bases para o ensino de 1º e 2º graus – Lei nº 5.692/71.

•• Dever do Estado com a Educação: por intermédio da Constituição Federal


(Art.208), no ano de 1988. Garante: “atendimento educacional especializado
aos portadores de deficiência, preferencialmente na rede regular de ensino”.
Pós-Universo 11

•• Apoio às pessoas portadoras de Deficiência e sua Inclusão Social: lei


nº 7853, no ano de 1989.

•• Atendimento educacional especializado aos portadores de deficiên-


cia, preferencialmente na rede regular de ensino: ECA – Estatuto da
Criança e do Adolescente, Lei nº 8069 – no ano de 1990.

•• Acesso às classes comuns do ensino regular: em 1994, garante o acesso


a classes comuns àqueles que apresentam condições de acompanhar e
desenvolver as atividades curriculares no ensino comum, no mesmo ritmo
que os alunos ditos normais (MEC/SEESP, 1994, p.19).

•• Matrícula garantida a todos os alunos, cabendo à escola organizar-se


para o atendimento às necessidades especiais (quanto ao currículo):
Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica, Resolução
CNE/CEB nº 2/2001. Lei garantida no ano de 2001.

•• Favorecimento das necessidades educacionais do aluno: esta lei deve


ser ajustada até o ano de 2012 em todas as escolas da União, Estados, Distrito
Federal e Municípios. PNE, Lei nº 10.172/2001. O PNE destaca que “o grande
avanço que a década da educação deveria produzir seria a construção de
uma escola inclusiva que garanta o atendimento à diversidade humana”
(PNE, 2001, p. 205).

•• Mesmos direitos humanos e liberdades fundamentais: no ano de 2001,


pelo decreto nº 3.956/2001, promulga no Brasil a Convenção de Guatemala
(1999).

•• Formação de Professores da Educação Básica (o Ensino Superior deve


prever em currículo essa formação): resolução CNE/CP nº1/2002.

•• Reconhecimento da Língua Brasileira de Sinais: em 2002, pela lei nº


10.436/02.

•• Implantação do “Programa Educação Inclusiva: direito à diversidade”:


surge no ano de 2003, como ação do Ministério da Educação por meio da
Secretaria de Educação Especial.
12 Pós-Universo

•• Publicação do Documento “O acesso de alunos com deficiência às


escolas e classes comuns da rede regular”: no ano de 2004, com base
no decreto nº 3.956/2001.

•• Política Nacional de acessibilidade: no ano de 2001, pelo decreto nº


5.296/04, que regulamenta as leis nº 10.048/00 e 10.098/00.

•• Inclusão da Libras como disciplina curricular para os cursos de licencia-


tura, magistério e fonoaudiologia: no ano de 2005, por meio do decreto
nº 5.626/05 que regulamenta a lei nº 10.436/2002.

•• Participação plena e efetiva na sociedade: no ano de 2006, com a


Convenção sobre Direitos das Pessoas com Deficiência (ONU).

•• Inclusão, acesso e permanência na educação superior: no ano de 2006,


pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos, o Ministério da Educação,
da Justiça e a UNESCO com o lançamento do Plano Nacional de Educação
em Direitos Humanos.

•• Desenvolvimento humano e social e a educação como prioridade:


em 2007, por meio do Plano de Aceleração do Crescimento e o Plano de
Desenvolvimento da Educação (PDE).

•• Fortalecimento da Educação inclusiva nas escolas públicas: em 2007,


com o Decreto nº 6.094/2007. Em 2008, entrega do documento Política
Nacional de Educação especial na Perspectiva da Educação Inclusiva ao
Ministro da Educação.

•• Disposições sobre atendimento especializado garantido aos portadores


de deficiência: em 2008, assinado pelo Presidente da República – Decreto
nº 6.571 (de 17/09/2008). Em 2009, o decreto nº 6.949 (de 25/08/2009) –
Convenção Internacional sobre os direitos das pessoas com deficiência.

•• Diretrizes Operacionais para atendimento especializado na educa-


ção básica, modalidade Educação Especial: em 2009, resolução nº 4 (de
2/10/2009).
Pós-Universo 13

•• Orientações para Centros de Atendimento Educacional Especializado


e Oferta do Atendimento Educacional Especializado: salas de Recursos
Multifuncionais, em escolas regulares. Em 2001, SEESP/GAB/nº 9/2010 (de
09 de abril de 2010) e SEESP/GAB/nº 11/2010 (de 7 de maio de 2010).

Especificamente no Estado do Paraná, no ano de 1986 é consolidada a proposta de


Educação Especial, com a Deliberação nº 020/86, que vigorou por dezessete anos.
No ano de 2003 foi revogada a nova Deliberação nº 02/03 do CEE, sendo a partir de
então a Educação Especial considerada como Modalidade da Educação Básica para
alunos com necessidades especiais. Como princípios norteadores da Deliberação
nº 02/03 encontramos a Educação Inclusiva, que atua como concepção nuclear e a
Coerência entre escola regular e especial com a garantia de: acesso e atendimento,
adequações do espaço, apoio pedagógico necessário, convênios e parcerias e profes-
sores e equipe especializados a atender adequadamente a demanda. Esses princípios
devem constar definidamente na proposta pedagógica institucional, tendo por base
as Diretrizes Nacionais para a Educação Especial na Educação Básica – Resolução CNE/
CEB nº 2/01, onde compreende-se que são finalidades da Educação Especial: apoiar
(auxílio ao professor e ao aluno com recursos materiais, físicos e humanos e ofertar
a sala de recursos), complementar (complementação curricular e atendimento es-
pecializado em período contra-turno), suplementar (enriquecimento do currículo)
e substituir (serviços educacionais comuns: classes e escolas especiais, hospitala-
res e domiciliar).
14 Pós-Universo
Pós-Universo 15

MAS, O QUE É
DEFICIÊNCIA?
Para darmos continuidade aos nossos estudos e compreendermos a definição de
deficiência, a análise de aspectos e características comuns de um grupo de indi-
víduos é considerada. Percebemos que as definições divergem-se devido origem
das diferenças de crenças, valores, cultura e significativamente áreas de estudos.
Segundo Sonia Landi (2011), é comum encontrarmos descrições e referências com
as seguintes definições: sujeito capaz e não capaz; o normal e o anormal; típico e
atípico; perfeito e defeituoso; funcional e disfuncional; comum e incomum; regular/
habitual e excepcional.
De acordo Landi (2011), termos utilizados para nos referirmos às deficiências
podem refletir nosso posicionamento perante às pessoas envolvidas. O decreto Nº
3.956/2001, traz com definição a “restrição física, mental ou sensorial, de natureza
permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais ati-
vidades essenciais da vida diária, causada ou agravada pelo ambiente econômico
social”.
No âmbito do direito há definição do termo deficiência, de acordo com o DECRETO
nº 3.298 – de 20 de dezembro de 1999:
DECRETO nº 3.298 – de 20 de dezembro de 1999 – DOU DE 21/12/99 –
Alterado Nova redação dada pelo DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE
2004 – DOU DE 3/12/2004.

Regulamenta a Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe sobre a Política


Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, consolida as
normas de proteção, e dá outras providências.

O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art.


84, incisos IV e VI, da Constituição, e tendo em vista o disposto na Lei nº 7.853,
de 24 de outubro de 1989, DECRETA:
16 Pós-Universo

[...]

Art. 3º. Para os efeitos deste Decreto, considera-se:

I – deficiência – toda perda ou anormalidade de uma estrutura ou função


psicológica, fisiológica ou anatômica que gere incapacidade para o desempe-
nho de atividade, dentro do padrão considerado normal para o ser humano;

II – deficiência permanente – aquela que ocorreu ou se estabilizou durante


um período de tempo suficiente para não permitir recuperação ou ter pro-
babilidade de que se altere, apesar de novos tratamentos; e

III – incapacidade – uma redução efetiva e acentuada da capacidade de in-


tegração social, com necessidade de equipamentos, adaptações, meios ou
recursos especiais para que a pessoa portadora de deficiência possa receber
ou transmitir informações necessárias ao seu bem-estar pessoal e ao desem-
penho de função ou atividade a ser exercida [...].

Ao considerarmos atententamente a lei, temos uma definição de deficiência, que


não delimita a pessoa com deficiência, mas sobretudo, busca meios de garantir-lhes
o acesso à sociedade de maneira geral, ou seja, igualitária. Todos nós, com deficiência
ou não, possuímos limitações, porém essas limitações não podem paralisar e estig-
matizar as pessoas. Na deficiência intelectual por exemplo, as legislações garantem
atendimento intelectual e jurídico, de acordo com suas necessidades cognitivas.
Este é o foco que permeia este livro. Considerar o deficiente como um ser humano
capaz, especificamente o Deficiente Intelectual, como alguém dotado de limitações
e potencialidades. Entendemos que a incapacidade gerada pela deficiência é algo
específico, limitado e não engloba sistematicamente todas as funções do sujeito,
sendo esse capaz de realizar e aprender inúmeras tarefas em seu cotidiano e ainda
na escola e no mundo do trabalho.
Pós-Universo 17

ALGUNS PRECURSORES
DA EDUCAÇÃO
ESPECIAL
Conhecido como precursor da Educação Especial, o francês, Dr. Jean Itard (discí-
pulo de Philippe Pinel), por meio do registro de suas experiências com um menino
considerado “selvagem” por ser encontrado a própria sorte nas florestas do sul da
frança, preocupou-se com o bem-estar daquela criança. Itard deu o nome de Victor
ao menino e esse ficou conhecido como “o menino selvagem de Aveyron”. O médico
francês escreveu um relatório detalhado sobre sua experiência com Victor e muitas
das técnicas aplicadas por Itard perduram hoje na Educação Especial.
Aluno de Itard, Edouard Seguin, publicou o primeiro tratado de Educação Especial
e defendeu o princípio que exercícios sensório-motores ajudavam no desenvolvi-
mento da aprendizagem de crianças com deficiência.
Montessori (1870 – 1952) e Decroly (1871 – 1932) foram precursores na constru-
ção de uma pedagogia terapêutica para atendimento das crianças com necessidades
especiais.

Philippe Pinel
Médico Francês (1745-1826), foi pioneiro no
tratamento contra a “loucura”, de forma mais
científica, humana e menos supersticiosa. É
um dos precursores da psiquiatria moderna.
Iniciou no meio acadêmico como tradutor de
obras de medicina e professor de matemática.
Mas, seu grande interesse estava nas doenças
mentais, devido à tragédia com um amigo, que
ao enlouquecer fugiu para a floresta e foi de-
vorado por lobos.
Fonte: Wikipedia (online)
18 Pós-Universo

Para Pinel, o princípio de tais enfermidades (a “loucura”) era de origem patológica no


cérebro. Buscou explicações científicas para as doenças mentais e combateu a prática
da sangria, vomitivos e purgantes como tratamentos da época, como também a cren-
dice de que todo doente mental era possuído por maus espíritos.

Jean Itard
Médico Francês (1774-1838), discípulo de Pinel. É destaque na história da psiquiatria
e da Educação Especial, por ser responsável pelo registro de todo tratamento realiza-
do com um menino (Victor) considerado “selvagem”
encontrado abandonado em Aveyron. Registrou
seus experimentos em dois relatórios (1801/1807) e
descreveu pela primeira vez a Síndrome de Tourette
(em 1825), devido ao atendimento a uma de suas
pacientes da nobreza francesa de 86 anos de idade.
Morreu em Paris, aos 64 anos deixando em testa-
mentos sua fortuna ao Instituto para Surdos-Mudos
de Paris. Além de todas essas contribuições, editou
vários diários médicos e trabalhos importantes na
área médica, baseado em suas experiências e pes- Fonte: Wikipedia (online)
quisas científicas com mais de 170 casos.

Edouard Seguin
Médico e educador americano (1812-1880). Foi aluno
de Itard e levou seus ideais para os Estados Unidos, pu-
blicando o Primeiro Tratado de Educação Especial. É
também considerado como pioneiro na educação das
crianças com deficiências. Havia na época, muita preo-
cupação com os problemas da educação e reabilitação
de deficientes, e no ano de 1884, a Academia de Ciências
de Paris declarou que a solução para o problema da
educação das crianças com deficiências foi devido às
contribuições, estudos e publicações de Seguin.
Fonte: Wikipedia (online)
Pós-Universo 19

Maria Montessori
Considerada como a “médica que valorizou os alunos”,
Maria Montessori (1870-1952) é de origem italiana e
primeira mulher a se formar em medicina em seu país
(Universidade de Roma). Trouxe grandes contribuições
pedagógicas com seu método (Método Montessori)
voltado à educação infantil. Como investigadora, con-
tribui com várias conferências sobre métodos educativos
para crianças afetadas por deficiências mentais. Faleceu
com quase 82 anos de idade por hemorragia cerebral,
Fonte: Wikipedia (online)
em 1952, na Holanda.

Ovide Decroly
Filho de um industrial de origem francesa e de uma
professora de música. Ovide Decroly (1871-1932)
nasceu na Bélgica. Como estudante não sofreu de
dificuldades na aprendizagem, mas foi expulso de di-
versas escolas por causa de indisciplina. A medicina e a
música acompanharam Decroly por toda vida e muito
influenciaram em seu pensamento e personalidade.
Formou-se em medicina e aprofundou seus estudos
em neurologia, voltando sua atenção às crianças com
deficiência intelectual. Devido seu interesse, contribui
muito como educador além de médico, dirigindo seus
estudos ao conhecimento do desenvolvimento físico
e intelectual das crianças. Faleceu em 1932. Fonte: Wikipedia (online)
20 Pós-Universo

Leis e Decretos voltados à Educação


Especial
A área do direito acompanha o processo histórico constituído, veremos, portanto
que no Brasil têm-se início a fundamentação em lei de apoio e atendimento ao de-
ficiente a partir do ano de 1988 com a Constituição Federal, que alega igualdade de
condições para o acesso e permanência na escola e atendimento educacional es-
pecializado às pessoas com deficiência. E a partir desta muitas discussões e lutas em
defesa dos direitos do deficiente foram agregadas em leis e decretos. Vejamos:

LEIS
•• Constituição Federal de 1988 - Educação Especial.
•• Lei nº 9394/96 – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBN).
•• Lei nº 9394/96 – Educação Especial (LDBN).
•• Lei nº 8069/90 - Estatuto da Criança e do Adolescente - Educação Especial.
•• Lei nº 10.098/94 - Estabelece normas gerais e critérios básicos para a promoção da
acessibilidade das pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida, e
dá outras providências.
•• Lei nº 10.436/02 - Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras
providências.
•• Lei nº 7.853/89 - Apoio às pessoas portadoras de deficiência (CORDE).
•• Lei nº 7.853 de 24 de outubro de 1989 - Dispõe sobre o apoio às pessoas portado-
ras de deficiência, sua integração social, sobre a Coordenadoria para a Integração da
Pessoa Portadora de Deficiência (CORDE), institui a tutela jurisdicional de interesses
coletivos ou difusos dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério Público, define
crimes e dá outras providências.
•• Lei nº 8.859/94 - Modifica dispositivos da Lei nº 6.494, de 7 de dezembro de 1977,
estendendo aos alunos de ensino especial o direito à participação em atividades de
estágio.
Pós-Universo 21

DECRETOS
•• Decreto nº 186/08 - Aprova o texto da Convenção sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência e de seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova Iorque, em 30 de
março de 2007.
•• Decreto nº 6.949 - Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas
com Deficiência e seu Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em 30 de março
de 2007.
•• Decreto nº 6.094/07 – Dispõe sobre a implementação do Plano de Metas Compromisso
Todos pela Educação.
•• Decreto nº 6.215/07 - Institui o Comitê Gestor de Políticas de Inclusão das Pessoas
com Deficiência (CGPD).
•• Decreto nº 6.214/07 - Regulamenta o benefício de prestação continuada da assis-
tência social devido à pessoa com deficiência.
•• Decreto nº 6.571/08 - Dispõe sobre o atendimento educacional especializado.
•• Decreto nº 5.626/05 - Regulamenta a Lei 10.436 que dispõe sobre a Língua Brasileira
de Sinais (LIBRAS).
•• Decreto nº 2.208/97 - Regulamenta Lei 9.394 que estabelece as diretrizes e bases da
educação nacional.
•• Decreto nº 3.298/99 - Regulamenta a Lei no 7.853, de 24 de outubro de 1989, dispõe
sobre a Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de Deficiência, con-
solida as normas de proteção, e dá outras providências.
•• Decreto nº 914/93 - Política Nacional para a Integração da Pessoa Portadora de
Deficiência.
•• Decreto nº 2.264/97 - Regulamenta a Lei nº 9.424/96.
•• Decreto nº 3.076/99 - Cria o CONADE.
•• Decreto nº 3.691/00 - Regulamenta a Lei nº 8.899/96.
•• Decreto nº 3.952/01 - Conselho Nacional de Combate à Discriminação.
•• Decreto nº 5.296/04 - Regulamenta as Leis n° 10.048 e 10.098 com ênfase na Promoção
de Acessibilidade.
•• Decreto nº 3.956/01 – (Convenção da Guatemala) Promulga a Convenção Interamericana
para a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra as Pessoas Portadoras
de Deficiência.
22 Pós-Universo
Pós-Universo 23

DEFINIÇÃO DA
DEFICIÊNCIA
INTELECTUAL
Conhecendo a trajetória histórica da deficiência no Brasil, podemos agora iniciar um
estudo de termos e definição de Deficiência Intelectual.
Segundo a psiquiatria, a nosografia (classificação metódica das doenças) da atua-
lidade a definição de deficiência intelectual interliga-se em várias outras definições.
Oriundas da definição de louca, no quadro de “idiotia” (termo não mais utilizado,
sendo considerado discriminatório e ofensivo), onde, considera-se certa confusão os
termos “retardo” (demente) e “idiotia”, deficiência intelectual e estado de estupor. Logo,
Esquirol (precursor de Pinel) fez a distinção entre os termos: “O homem com demên-
cia é privado de bens que possuía fartamente, é um rico que se tornou pobre! Já o
idiota, sempre viveu no infortúnio e na miséria”. Definiu ainda, a imbecilidade como
sujeito menos profundamente afetado. No fim do século XIX, Seguin considera incu-
rável a idiotia e a imbecilidade. E no início do século XX, Binet dá início a psicometria,
logo usada como critério para distinguir as diversas deficiências existentes. Essa de-
finição diz respeito ao aspecto cognitivo inferior à média estatística da população e
a dificuldade de adaptação e convívio social.
24 Pós-Universo

saiba mais

Qual a diferença entre doença mental e deficiência intelectual?


Para entender a diferença entre doença mental e deficiência intelectual é ne-
cessário que se compreenda os seguintes aspectos: A doença mental pode
ser entendida como um conjunto de comportamentos e atitudes capazes
de produzir danos na performance global do indivíduo, causando impactos
na sua vida social, ocupacional, familiar e pessoal. Segundo a Organização
Mundial de Saúde, não é possível se construir uma única definição deste
conceito uma vez que o entendimento de saúde mental também está asso-
ciado à construção de critérios subjetivos, pautados em valores e diferenças
culturais. Em 1995 a Organização das Nações Unidas – ONU, altera o termo
deficiência mental para deficiência intelectual, com o objetivo de diferen-
ciá-la da doença mental (transtornos mentais que não necessariamente
estão associados ao déficit intelectual).
Fonte: Instituto Paradigma (online).

Não é facilmente prática a definição do limite superior da deficiência. Considerar


um termo de definição não foge a aspectos taxativos de diferenciação entre sujei-
tos aptos e inaptos à aprendizagem. No início da psicometria havia confusão entre
os termos deficiência e inaptidão. Segundo estudos das estruturas lógicas, tornou-
-se possível caracterizar a deficiência sem mais o auxílio da psicometria, mas ainda
considera-se difícil definir um limite superior para a deficiência intelectual. Os testes
utilizados, para diagnóstico clínico, entre eles o WISC IV e o WISC V, são minuciosos e
requer conduta ética e profissional dos psicólogos aptos a aplicação dos testes. Antes
de conhecermos os níveis psicométricos de classificação vamos compreender melhor
as limitações e características que indicam o quadro da Deficiência Intelectual, de
acordo com Marcelli (2009):
Pós-Universo 25

Deficiência Intelectual Profunda


Na infância há um atraso global no desenvolvimento muito significativo e o nível in-
telectual não ultrapassa 2 a 3 anos e o uso das autonomias no cotidiano é parcial,
mas pode apresentar melhora que não exclui a necessidade do constante acompa-
nhamento de um terceiro. Há associação de outros comprometimentos no quadro
podendo acometer frequentemente crises de epilepsia e transtornos de ordem
neurológica.

Deficiência Intelectual Grave e


Moderada
Nota-se significativo atraso no desenvolvimento psicomotor e o nível intelectual não
ultrapassa a idade de 6 a 7 anos, sendo possível autonomia nas condutas sociais. O
pensamento, segundo o autor, se mantém na fase pré-operatória. Quanto à linguagem,
estudos recentes na área da linguística estruturada, podem auxiliar no treinamento
de melhoria significativa.

saiba mais

Dando “voz” à Kássia


Os seres humanos são relacionais na sua constituição. Na sociedade em
que vivemos, a comunicação acontece por meio de símbolos determinados
culturalmente. As formas que usamos para nos expressar são a linguagem
oral, a escrita e os gestos. No entanto, indivíduos com deficiência intelectual
grave ou moderada, geralmente apresentam problemas de comunicação.
Neste caso, podemos inserir a Comunicação Alternativa (CA) visando à am-
pliação da habilidade de comunicação do sujeito.
Por esse método foi possível auxiliar uma adolescente de 14 anos com pa-
ralisia cerebral a manifestar sua individualidade! Com mobilidade restrita
utilizamos o sistema de prancheta com as figuras de rotina e cumprimen-
tos. Quando finalizamos o treinamento Kássia pode expressar que não
gostava de lanchar no horário oferecido, sua preferência por frutas cítricas
e por usar roupas claras.
Fonte: baseado em fatos reais.
26 Pós-Universo

Deficiência Intelectual Leve e


Inteligência Limítrofe
Pode acometer crianças que geralmente apresentam desenvolvimento psicomotor
normal até chegarem à escola e a socialização é satisfatória. A dificuldade maior está
associada ao acesso a uma estrutura de pensamento formal desde as primeiras séries
do ensino fundamental, mantendo-se um limite à progressão. Para essas crianças é
fundamental a afetividade, um ambiente compreensivo e acolhedor que as mante-
nham em equilíbrio e sentindo-se seguras.
Segundo classificações atuais (quadro 1), com uso de testes psicométricos (WISC,
etc.) as CID-10 definem:

Quadro 1 - Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10)

Retardo Mental Leve (DM leve) QI de 50 a 69

Retardo Mental Médio (DM moderado) QI de 35 a 49


Retardo Mental Grave (DM grave) QI de 20 a 34
Retardo Mental Profundo (DM profundo) QI igual ou menor que 19
Fonte: adaptado de Datasus (online).

Em relação à frequência, encontramos, segundo Marcelli (2009), uma preponderância


maior em meninos (60%) e uma variação entre crianças na idade escolar – de 1,5%
e 1,55% conforme quadro 2, a seguir:

Quadro 2 - Classificação Retardo Mental

Retardo Mental Leve Só é reconhecida na idade escolar, entre


(DM leve ou inteligência limítrofe) 10 e 14 anos.
Retardo Mental Grave e Profundo Compreende entre 0,3% e 0,6%
(DM grave e DM profundo) (pode ser descoberta antes do período
escolar).
Fonte: Marcelli (2009).
Pós-Universo 27

De acordo com a Classificação da OMS (Organização Mundial da Saúde) veja o quadro


3, a seguir:

Quadro 3 - Classificação de Deficiência Intelectual (OMS)

Retardo Mental Leve Só é reconhecida na idade escolar, entre


(DM leve ou inteligência limítrofe) 10 e 14 anos.
Retardo Mental Grave e Profundo Compreende entre 0,3% e 0,6%
(DM grave e DM profundo) (pode ser descoberta antes do período
escolar).
Fonte: Fiocruz (online).

Quadro 4 - Classificação de Deficiência Intelectual (OMS)

Coeficiente Denominação Nível cognitivo segundo Piaget Idade Mental


Intelectual correspondente
Menor de 20 Profundo Período Sensório Motor 0-2 anos
Entre 20 e 35 Agudo grave Período Sensório Motor 0-2 anos
Entre 36 e 51 Moderado Período Pré-Operatório 2-7 anos
Entre 52 e 67 Leve Período das Operações Concretas 7-12 anos
Fonte: Fiocruz (online).

A AAMR (American Association of Mental Retardation) e DSM-V (Manual de Diagnóstico


de Transtornos Mentais), a deficiência intelectual é definida como:

““
Funcionamento intelectual significativamente abaixo da média, acompanha-
do de limitações significativas no funcionamento adaptativo, em pelo menos
duas das seguintes áreas de habilidades: comunicação, autocuidado, vida
doméstica, habilidades sociais/ interpessoais, uso de recursos comunitários,
auto-suficiência, habilidades acadêmicas, trabalho, lazer, saúde e segurança
(apud DE CARVALHO; MACIEL, 2003, p. 153)

Segundo critérios das classificações internacionais, a deficiência intelectual deve iniciar


antes dos 18 anos, porém caracterizada como um transtorno do desenvolvimento
e não diretamente considerado como uma alteração na cognição. O conjunto de
vários sinais devem ser considerados, porém apenas um aspecto não deve ser con-
siderado como caso de deficiência intelectual. A psiquiatria considera, a capacidade
28 Pós-Universo

de adaptação do sujeito (da pessoa ao meio que vive) como elemento considerável
relacionado à noção do esperado no desenvolvimento comum a maioria das crianças.
Em alguns aspectos, costuma-se pensar na Deficiência Intelectual como algo
bem definido, portanto há que se relevar aspectos culturais importantes que em
algumas sociedades estão fortemente arraigadas (pois há mecanismo social que não
atribua essa definição).
É fato de que na Deficiência Intelectual exista uma limitação funcional em qual-
quer área do funcionamento humano que esteja abaixo da média de pessoas em
um determinado sistema social existente. Significando, portanto, que em diferen-
tes culturas determinadas pessoas podem ou não serem consideradas deficientes,
segundo suas capacidades adequadas às necessidades da sociedade que está inse-
rida culturalmente.
A frequência de transtornos afetivos, de conduta e de comportamento, depende
da profundidade do nível de comprometimento cognitivo.

saiba mais

Deficiente Intelectual ou Deficiente Mental? Por ser um diagnóstico realiza-


do por profissionais da saúde, a nomenclatura acaba por ter esta influência.
Contudo, Tédde (2012) ao analisar os principais documentos que definem a
deficiência como a Declaração de Salamanca e a alteração de nome da as-
sociação American Association of Mental Retardation (AAMR) para American
Association on Intellectual and Developmental Disabilities (AAIDD), com-
preendeu que o termo adequado para reportar-se a pessoa com deficiência
cognitiva seria “pessoa com deficiência intelectual”.

Fonte: adaptado de Tédde (2012).


atividades de estudo

1. “Na antiguidade, a sociedade se organizava de maneira distinta quanto a padrões


de normalidade. O trato com sujeitos que não se encaixavam a esses padrões, ditos
“normais” era o isolamento e a prática do infanticídio”. Em relação ao processo histó-
rico da Deficiência Intelectual é correto afirmar que:

a) Na Idade Média houve avanço nos estudos e essa realidade do infanticídio de


crianças foi superado.
b) O deficiente passou a ser visto como pessoa “normal” e isso ocorre até os dias de
hoje.
c) Com o passar do tempo e até hoje, esses indivíduos podem ser taxados por loucos,
marginais, doentes mentais, endemoniados.
d) No final do século XIX e início do século XX, por meio do conhecimento científico,
a deficiência passou a ser “tratada”, buscando-se a “cura”. Surgiram então, institui-
ções especializadas ao cuidado e trato das pessoas com deficiência.
e) Nenhuma das alternativas é correta.
atividades de estudo

2. “Segundo critérios das classificações internacionais, a deficiência intelectual deve


iniciar antes dos 18 anos, porém caracterizada como um transtorno do desenvolvi-
mento e não diretamente considerado como uma alteração na cognição. O conjunto
de vários sinais devem ser considerados, porém apenas um aspecto não deve ser con-
siderado como caso de deficiência intelectual. A psiquiatria considera, a capacidade
de adaptação do sujeito (da pessoa ao meio que vive) como elemento considerável
relacionado à noção do esperado no desenvolvimento comum a maioria das crian-
ças”. Assinale a alternativa incorreta:

a) Em alguns aspectos, costuma-se pensar na Deficiência Intelectual como algo


bem definido, portanto há que se relevar aspectos culturais importantes que em
algumas sociedades estão fortemente arraigadas (pois há mecanismo social que
não atribua essa definição).
b) É fato de que na Deficiência Intelectual exista uma limitação funcional em qual-
quer área do funcionamento humano que esteja abaixo da média de pessoas em
um determinado sistema social existente.
c) Em diferentes culturas determinadas pessoas podem ou não serem consideradas
deficientes, segundo suas capacidades adequadas às necessidades da sociedade
que está inserida culturalmente.
d) A frequência de transtornos afetivos, de conduta e de comportamento, não
depende da profundidade do nível de comprometimento cognitivo.
e) A deficiência Intelectual é diferente para cada pessoa. Cada caso é um caso.
atividades de estudo

3. Entre as principais causas da Deficiência Intelectual podemos citar:

a) De ordem genética: causada por incompatibilidade sanguínea e/ou de genes


dos pais.
b) De ordem social: privação cultural, ambiente desfavorecido de estímulos, sanea-
mento básico e etc.
c) Acidentes e doenças: Lesões causadas no cérebro decorrentes de quedas ou aci-
dentes podem causar deficiência intelectual, assim como algumas doenças, como
sarampo ou meningite pode estar na origem de uma deficiência intelectual, se
não forem tomados todos os cuidados de saúde necessários.
d) Apenas as alternativas b e c estão corretas.
e) Todas as alternativas são corretas.

4. Qual é o nome da deficiência intelectual que apresenta desenvolvimento psicomo-


tor normal até chegarem à escola?

a) Deficiência Intelectual Leve e Inteligência Limítrofe.


b) Deficiência Intelectual Profunda.
c) Deficiência Intelectual Grave.
d) Deficiência Intelectual Agudo Grave.
e) Todas as alternativas são corretas.
resumo

Neste estudo, apresentamos para vocês a trajetória histórica da criação e desenvolvimento da


Educação Especial que acontece concomitantemente com a mudança de olhar sobre as deficiên-
cias. Demonstramos que cada momento histórico tinha uma forma em particular de pensar e lidar
com as pessoas deficientes, em especial, o deficiente intelectual. Trabalhamos as diferentes defi-
nições de deficiência e entre elas demos destaque ao tema da disciplina, a deficiência intelectual.

A necessidade de conceituação delimitada foi uma busca histórica por garantias de direitos que
pudemos acompanhar a partir das diversas leis e decretos que a legislação brasileira contempla
o tema. Esse item é destaque, pois o próprio conceito de Atendimento Educacional Especializado
surge com o objetivo de garantir o direito de básico de escolarização e socialização dos sujeitos
deficientes.

Neste sentido, trouxemos um pouco da história dos precursores no atendimento ao deficiente


como o Philippe Pinel (1745- 1826); Jean Marc Gaspard Itard (1774-1838), Édouard Séguin (1812-
1880), Maria Montessori (1870-1952) e Ovide Decroly (1871-1932). Foram estes teóricos que
lançaram luz e entendimento sobre o conceito de deficiência e a importância de aprendermos
a trabalhar com os sujeitos com necessidades diferenciadas.

A etiologia e as especificidades da deficiência Intelectual foram abordadas com o objetivo de cla-


rificar quais são as características que contemplam essa condição, bem como desconstruir a ideia
de uma patologia para poder se pensar na deficiência como uma condição do sujeito e, portan-
to, requer um olhar e um atendimento diferenciado.

Esperamos que estas contribuições fundamentam seus estudos e sua prática educativa. Bons
estudos e bom trabalho!
material complementar

Título: Superando Obstáculos - A Leitura e a Escrita de Crianças


com Deficiência Intelectual

Autor: Grillo,Maria Elisabeth

Editora: PLEXUS EDITORA

Sinopse: A obra descreve a atuação da autora no processo de alfa-


betização de cinco crianças com deficiência intelectual. Utilizando
a teoria construtivista como base, Elisabeth mostra, passo a passo,
como os alunos foram capazes de construir significados ao longo
do processo de aprendizagem. Trabalho pioneiro na área, que
merece a atenção de educadores, pais, terapeutas, lingüistas e
fonoaudiólogos.

Título: Uma lição de Amor

Ano: 2002

Sinopse: Sam Dawson, um pai com deficiência intelectual


que toma conta de sua filha Lucy com a ajuda de um grupo
de amigos. Quando Lucy faz sete anos e começa a ultra-
passar seu pai intelectualmente, o seu vínculo é ameaçado
quando sua vida nada convencional chama a atenção de
uma assistente social que quer que Lucy seja colocada em
um orfanato.
material complementar

NA WEB

Essa reportagem da revista Nova Escola traz importantes considerações sobre as pessoas com
deficiência intelectual que apresentam dificuldades para resolver problemas e compreender
questões básicas como noção de tempo e valores monetários.

Web: <https://novaescola.org.br/conteudo/271/o-que-e-deficiencia-intelectual>

NA WEB

Leia sobre a Deficiência Intelectual e Múltiplas Deficiências pela Secretaria da educação.

Web: <http://www.educacao.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.
php?foto=9991&evento=2435>
referências

AAIDD. AMERICAN ASSOCIATION ON INTELLECTUAL AND DEVELOPMENTAL DESABILITIES. Disponível


em: <http:www.aaidd.org>. Acesso em 02 mai. 2017.

American Psychiatric Association: Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, Fourth
Edition, Text Revision. Washington, DC: American Psychiatric Association, 2000.

BRASIL. Política Nacional de Educação Especial na Perspectiva da Educação Inclusiva. 2008.


Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/politica.
pdf>. Acesso em 02 mai. 2017.

BRASIL. Ministério da Educação. Diretrizes nacionais para a educação especial na educação básica
/ Secretaria de Educação Especial. MEC; SEESP, 2001.

BRASIL. Presidência da República. Estatuto da Criança e do Adolescente: Lei nº. 8.069, de 13 de


julho de 1990, e legislação correlata [recurso eletrônico]. 9. ed. Brasília, DF: Câmara dos Deputados,
Edições Câmara, 2010, 207 p. (Série Legislação; n. 83). Disponível em: <http://www.crianca.mppr.
mp.br/arquivos/File/publi/camara/estatuto_crianca_adolescente_9ed.pdf>. Acesso em 02 mai.
2017.

BRASIL. Ministério da Educação. Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Estabelece as Diretrizes


e Bases da Educação Nacional. Brasília, DF: MEC, 1996. Disponível em: <http://www.planalto.gov.
br/ccivil_03/Leis/L9394.htm>. Acesso em 02 mai. 2017.

DATASUS. Classificação Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à Saúde (CID-10).


Cap. V. Transtornos Mentais e Comportamentais. Disponível em: <http://www.datasus.gov.br/
cid10/V2008/WebHelp/f70_f79.htm>. Acesso em: 19 ago. 2014.

DECRETO Nº 3.298, DE 20 DE DEZEMBRO DE 1999.Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/


ccivil_03/decreto/d3298.htm>. Acesso em 02 mai. 2017.

DE CARVALHO, Erenice Natália Soares e MACIEL, Diva Maria Moraes de Albuquerque. Nova con-
cepção de deficiência mental segundo a American Association on Mental Retardation-AAMR:
sistema 2002. Temas psicol. [online]. 2003, vol.11, n.2, pp. 147-156. ISSN 1413-389X. Disponível
em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-389X2003000200008>.
Acesso em 02 mai. 2017.
referências

FIOCRUZ. Organização Mundial da Saúde (OMS). Classificação para Deficiência Intelectual. Disponível
em: <http://www.fiocruz.br/biosseguranca/Bis/infantil/deficiencia-mental.htm>. Acesso em: 19
ago. 2014.

HONORA M. & FRIZANCO M. L., Esclarecendo as deficiências: Aspectos teóricos e práticos para
contribuir com uma sociedade inclusiva. Ciranda Cultural, 2008.

INSTITUTO PARADIGMA. Qual a diferença entre doença mental e deficiência intelectual? Participação
Social e Direitos. Disponível em: <http://www.institutoparadigma.org.br/pergunte/particiapacao-
-social-e-direitos/264-qual-a-diferenca-entre-doenca-mental-e-deficiencia-intelectual>. Acesso
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LANDI, Sonia. Fundamentos e políticas públicas da Educação Especial. (apostila de pós-gradua-


ção em Educação Especial). Instituto Paranaense de Ensino – Faculdade América do Sul, 2011.

TÉDDE, Samantha. Crianças com deficiência intelectual: a aprendizagem e a inclusão / Samantha


Tédde. – Americana: Centro Universitário Salesiano de São Paulo, 2012. 99 f.

Wikipedia. French psychiatrist Philippe Pinel (1745-1826). Domínio público. Disponível em: <https://
pt.wikipedia.org/wiki/Philippe_Pinel#/media/File:Philippe_Pinel.jpg>. Acesso em 02 mai. 2017.

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Wikipedia. Italian educationist Maria Montessori (1870-1952). Domínio Público. Disponível em:
<https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/e/e2/Maria_Montessori.jpg>. Acesso em
02 mai. 2017.

Wikipedia. Jean-Ovide Decroly dit Ovide Decroly est un pédagogue, médecin, et psychologue
belge, né à Renaix en 1871 et mort à Uccle en 1932. Domínio público. Disponível em: <https://
en.wikipedia.org/wiki/Ovide_Decroly#/media/File:Ovide_Decroly_(1871-1932).jpg>. Acesso em
02 mai. 2017.
resolução de exercícios

1. d) Apenas as alternativas b e c estão corretas.

2. d) A frequência de transtornos afetivos, de conduta e de comportamento, não


depende da profundidade do nível de comprometimento cognitivo.

3. e) Todas as alternativas são corretas.

4. a) Deficiência Intelectual Leve e Inteligência Limítrofe.