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© 1984 Living Stream Ministry

Edição para a Língua Portuguesa

© 1988 Editora Árvore da Vida

Título do original em inglês:

Life-Study of Genesis

ISBN 85-7304-217-6

3ª Edição Março/2005 5.000 exemplares

Traduzido e publicado com a devida autorização do Living Stream Ministry e todos os direitos reservados para a língua portuguesa pela Editora Árvore da Vida.

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Impresso no Brasil

As citações bíblicas são da Versão Revista e Atualizada de João Ferreira de Almeida, 2 a Edição, e Versão Restauração (Evangelhos), salvo quando indicado pelas abreviações:

BJBíblia de Jerusalém lit. tradução literal do original grego ou hebraico IBB-Rev. Imprensa Bíblica Brasileira, versão Revisada KJV King James Version NVI Nova Versão Internacional TB Tradução Brasileira VRC Versão Revista e Corrigida de Almeida

MENSAGEM CINQÜENTA E OITO

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (9)

APRESENTAR ISAQUE EM OFERTA (2) Na última mensagem vimos como Abraão ofereceu seu filho Isaque de acordo com a exigência de Deus. O relato em Gênesis 22 não somente é uma história importante, mas também tem um significado subentendido, porque é um retrato expressivo de Cristo em vários aspectos. Embora não possamos encontrar o título de Cristo nem o nome de Jesus neste capítulo, muitos aspectos de Sua pessoa são representados de maneira subentendida. Nesta mensagem, precisamos ver os aspectos de Cristo descritos neste capítulo.

(c) Isaque Tipifica Cristo Isaque tipificava Cristo. Vimos que Abraão respondeu ao chamado divino, indo ao monte Moriá e oferecendo Isaque. Isso é história. Todavia, se observarmos essa questão sob o ponto de vista da revelação de Deus, veremos que o que Abraão fez com Isaque é uma figura expressiva daquilo que o Pai fez com Seu Filho amado. Na viagem ao monte Moriá, dois jovens servos os acompanhavam. No terceiro dia, Abraão pôs os dois servos de lado, dizendo: “Eu e o rapaz iremos até lá e, havendo adorado, voltaremos para junto de vós” (22:5). Desse ponto em diante, o relato foi diferente. Já não era mais uma história de quatro pessoas: o pai, o filho e os dois servos. Era agora um relato de Abraão e seu filho Isaque. Tomando a lenha para a oferta queimada, Abraão

colocou-a sobre Isaque, que a carregou até o topo do

monte Moriá. Compare isso com João 19:17, que diz:

Tomaram eles, pois, a Jesus; e ele próprio, carregando a sua cruz, saiu para o lugar chamado Calvário, Gólgota em hebraico”. Isaque trilhou, a caminho do monte Moriá, a mesma vereda que o Senhor Jesus mais tarde trilhou a caminho do Gólgota. Antes de Cristo carregar a cruz e andar até o Calvário, o Gólgota, Isaque carregara a lenha para a oferta queimada e trilhara o mesmo caminho. E Jesus foi crucificado na mesma montanha em que Isaque fora colocado sobre o altar. Assim, vemos que Abraão foi um tipo do Pai, e Isaque-com a lenha sobre si -foi um tipo do Unigênito Filho de Deus. Isaque foi levado como um cordeiro para o altar. Jesus também “como cordeiro foi levado ao matadouro” (Is 53:7). Enquanto subiam ao monte Moriá, Isaque disse:

“Eis o fogo e a lenha, mas onde está o cordeiro para o holocausto?” (22:7). Abraão respondeu: “Deus proverá para si, meu filho, o cordeiro para o holocausto” (22:8). Aqui vemos que o filho teve comunhão com o pai. Você não crê que, enquanto carregava a cruz a caminho do Calvário, Jesus teve comunhão com o Pai? E não crê que o Pai conversou com Seu Filho? Eu creio. Se disser que a Bíblia não registra isso, direi que Gênesis 22 nos fala assim. Precisamos ter a visão acrescida de um ouvido atento,

a fim de ouvirmos a conversa celestial a caminho do

monte Moriá. Abraão e Isaque prefiguraram o Pai e o

Filho, e sua comunhão a caminho do monte Moriá foi uma figura expressiva a descrever como Jesus, o Filho, teve comunhão com o Pai enquanto carregava

a cruz na subida ao Calvário. Embora não tenhamos

uma explicação clara, com palavras evidentes a esse respeito no Novo Testamento, temos, na verdade, a figura no Antigo Testamento; e uma figura é melhor do que mil palavras. A figura de Gênesis 22 retrata algo que as palavras não podem explicar. Embora os escritores do Novo Testamento não descrevam a amorosa comunhão entre o Pai e o Filho a caminho do Calvário, isso está claramente descrito na figura de Gênesis 22. Como precisamos enxergar essa figura. Conforme veremos, quase todo item relacionado com

o tipo em Gênesis 22 é visto em João 19. Vamos considerar agora alguns pormenores de Isaque como um tipo de Cristo. Isaque era o único filho de Abraão (22:2, 12, 16). Isso tipifica Cristo como o único Filho de Deus (103:16). Isaque era o filho amado de Abraão (22:2) e Cristo era o Filho amado do Pai, em quem Ele se comprazia (Mt 3:17). Em 22:5, vemos que Isaque escolheu a vontade de seu pai, e, em Mateus 26:39, notamos que Cristo escolheu a vontade do Pai. Na figura em Gênesis 22, observamos que Isaque, um homem crescido, foi

obediente até à morte (22:9-10). De acordo com o registro deste capítulo, na questão de oferecer Isaque, nem este nem a esposa Sara foram consultados por Abraão. Simplesmente tomou seu filho, colocou lenha sobre ele, levou-o até ao monte, amarrou-o e deitou-o sobre o altar. Não lhe deu oportunidade para dizer coisa alguma. Contudo, Isaque aceitou-lhe

a vontade e foi obediente até à morte. De semelhante

modo, quando estava para morrer, o Senhor Jesus disse: “Não seja como eu quero, e, sim, como tu queres” (Mt 26:39). Em Filipenses 2:8, lemos que Cristo foi obediente até à morte. Observe novamente a figura: Isaque foi obediente até o altar. Não

somente seguiu o pai até ao pé do monte, mas também lhe obedeceu, levando a lenha e sendo amarrado. Não resistiu. Mesmo quando o pai o deitou sobre o altar, tomou o cutelo e estendeu a mão para matá-lo, não se rebelou. Foi obediente até à morte. Se considerarmos todos esses aspectos de Isaque como um tipo de Cristo, conforme está retratado no Antigo Testamento, veremos que foram soberanamente organizados, ajustando-se perfeitamente à palavra clara da revelação do Novo Testamento. Aos olhos de Deus, Isaque estava morto. Exatamente quando Abraão estava para matar seu filho, o Anjo do Senhor interveio do céu, dizendo-lhe:

“Não estendas a mão sobre o rapaz, e nada lhe faças”. O Anjo do Senhor aqui é, na verdade, o próprio Deus. Isso está provado pelo versículo 12, onde o Anjo do Senhor disse a Abraão: “Pois agora sei que temes a Deus, porquanto não me negaste o filho, teu único filho”. “Me” aqui é o próprio Deus. Veja que o Anjo do Senhor não disse Lhe”, mas “Me”. Abraão, o pai, levou seu filho à morte, mas o Anjo do Senhor o ressuscitou dos mortos. De semelhante modo, Atos 2:24 diz que Deus ressuscitou Cristo de entre os mortos.

(d) Isaque Substituído por um Carneiro Isaque foi substituído por um carneiro, isto é, por um cordeiro. Gênesis 22:13 diz: “Tendo Abraão erguido os olhos, viu atrás de si um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos; tomou Abraão o carneiro e o ofereceu em holocausto, em lugar de seu filho”. Vemos aqui que o filho não foi morto, mas o carneiro, o cordeiro. Quem foi morto na cruz: o Filho

de Deus ou o Cordeiro de Deus? O Cordeiro de Deus é que foi morto. Cristo é o Filho de Deus, mas ao ser morto na cruz, foi substituído pelo Cordeiro de Deus. João 1:14, falando do Filho de Deus, diz: “Vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai”. Mas João 1 :29 diz: “Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo! “ Aqui vemos que o Filho de Deus foi substituído pelo Cordeiro de Deus. O Cordeiro de Deus não o Filho de Deus foi crucificado. Na crucificação, o Filho foi substituído por um carneiro. Em 22:8, Abraão profetizou que Deus proveria um cordeiro para o holocausto. O Cordeiro eterno foi designado por Deus desde a eternidade (1Pe 1:19-20). Em 22:13, vemos “um carneiro preso pelos chifres entre os arbustos”. Na Bíblia, chifres representam poder de luta. Cristo tem o poder de luta, mas ficou preso entre os arbustos. Estes representam a humanidade. Somos os arbustos, e Cristo, o Cordeiro de Deus, ficou enredado em nós e não pôde escapar. Foi preso por Sua natureza humana, de modo que pudesse ser oferecido como nosso substituto. Cristo, como o Cordeiro de Deus, estava disposto a ter Seus chifres presos pela humanidade. Ao vermos esse quadro claro, precisamos dizer: “Senhor, obrigado. Tu estiveste disposto a ficar enredado por nós”. O Filho de Deus foi substituído na cruz pelo Cordeiro de Deus. Num sentido positivo, divino, o Filho de Deus jamais foi crucificado. O Cordeiro de Deus, sim, foi crucificado. Ninguém poderia crucificar o Filho de Deus. Louvemo-Lo porque esteve disposto a ser um pequeno cordeiro, colocando Seus chifres entre os seres humanos e ficando enredado por nós. Assim, observamos que não somente este Filho de Deus se tornou o Cordeiro

de Deus, mas também foi substituído pelo Cordeiro de Deus. Embora não tenhamos tal figura no Novo Testamento, vemo-la no Antigo Testamento. Ao lado das palavras claras dos quatro Evangelhos precisamos das figuras do Antigo Testamento.

1) Provido por Jeová-jiré O carneiro que substituiu o filho no altar foi provido por Jeová-jiré (22:14). O título “Jeová-jiré” tem dois significados: “Jeová proverá” e “Jeová verá”. Não há somente uma provisão, mas também uma visão. Dentro da provisão temos a visão. Observe a cruz: quanta provisão e quanta visão temos nela. Posso testificar que, na cruz, recebi tanto a provisão quanto a visão. Antes da cruz, era carente, mas na cruz, obtive a provisão divina. Antes da cruz estava cego, não tinha visão; mas na cruz, pela provisão, pude ver. Minha visão agora está tão clara. Não somente fui provido, mas também iluminado. Mesmo muitos dos jovens podem testificar que, antes de irem à cruz, eram pobres e cegos. Mas um dia, foram à cruz e encontraram a provisão e a visão. Possa o Espírito de sabedoria ajudar-nos a perceber a profundidade do significado que há no fato de o Filho de Deus ter sido substituído pelo Cordeiro de Deus, cujos chifres ficaram presos pela humanidade.

2) Prefigurou Cristo como Nosso Substituto O Cordeiro de Deus, que substituiu o Filho de Deus, foi o nosso substituto (1 Pe 3:18). Assim como o carneiro foi morto em lugar de Isaque, também o Cordeiro de Deus sofreu a crucificação por nós. Quando menino, ouvindo a pregação do evangelho,

fiquei sabendo que Cristo sofreu a morte em nosso benefício, mas não pude compreendê-la completamente. Somente ao ver a clara figura de Gênesis 22 é que fui capaz de compreender como Cristo foi nosso substituto. O carneiro foi morto em lugar de Isaque. Essa é uma figura a mostrar que Cristo, o Cordeiro de Deus, foi morto na cruz por nós. Todos deveríamos ter ido à cruz, mas o Senhor nos substituiu pelo Cordeiro de Deus. A isso todos devemos dizer: “Louvado seja o Senhor! O Cordeiro de Deus, que é o Filho de Deus, foi o nosso substituto”. Ao fazer-se nosso substituto, o Cordeiro de Deus tornou-se grande e significativo. Em Apocalipse, o único título de Cristo é “o Cordeiro”. Em Apocalipse 5:5, ao ver o rolo que ninguém no céu ou na terra era digno de abrir, o apóstolo João chorou. Então um dos anciãos lhe disse: “Não chores: eis que o Leão da tribo de Judá, a Raiz de Davi, venceu para abrir o livro e os seus sete selos”. Imediatamente após, João viu o Cordeiro: “Então vi, no meio do trono e dos quatro seres viventes e entre os anciãos, de pé, um Cordeiro”. Em Gênesis 22, observamos a semente daquele Cordeiro. Essa semente cresceu em João 1 :29 e foi colhida no livro de Apocalipse. Por fim, o trono de Deus torna-se o trono de Deus e do Cordeiro, do qual procede o rio da água da vida com a árvore da vida crescendo às suas margens (Ap 22:1-2). Tudo isso prova que a Bíblia não é um livro feito pelo homem. É certamente a revelação divina. Que figura de Cristo é revelada em Gênesis 22!

(e) Abraão Abençoado por Deus

1) Com a Descendência Multiplicada Abraão foi abençoado por Deus. Essa bênção não se refere a coisas materiais. Muitos de nós tivemos a impressão errônea no passado, pensando que a aquisição de um bom emprego ou receber benefícios materiais significassem bênçãos do Senhor. Já nos disseram que contássemos as nossas bênçãos uma por uma, verificando coisas tais como nossa posição, promoção, esposa, casa e filhos. Embora não diga que tais coisas não sejam bênçãos, digo que não são bênçãos de ouro, mas bênçãos de barro. Em Gênesis 22, Deus não abençoou Abraão dessa maneira. Pelo contrário, abençoou-o com a descendência multiplicada, dizendo: “Deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a areia na praia do mar” (22:17). Não me importa a bênção material, importa- me a multiplicação. Gostaria, primeiramente, de ver cinqüenta igrejas neste país, depois cem, e então mil. Também gostaria de ver, deste país, a multiplicação se propagando para a África, Australásia, Europa e, até mesmo, de volta a Jerusalém. Essa é a bênção que eu quero ver. Abraão foi abençoado com dois tipos de pessoas:

um comparado às estrelas dos céus (22:17; 15:5) ; outro, à areia da praia (22:17) , que também se assemelha ao pó da terra (13:16). Se você observar a história e as profecias relativas aos descendentes de Abraão, verá que eles são de duas categorias: uma celestial e outra terrena. Nós, os cristãos, somos as estrelas, os descendentes celestiais de Abraão; os judeus genuínos, o povo terreno de Deus, são a areia, o pó. Posteriormente, os judeus serão os sacerdotes

de Deus na terra e ensinarão todas as nações. Isso está profetizado claramente em Zacarias 8:20-23. Por que os judeus são descritos ora como areia, ora como pó? O mar representa o mundo corrompido por Satanás, e o pó vem da terra criada por Deus. Os judeus foram restaurados para a criação de Deus. Daí serem representados pela areia, que é o pó à beira- mar. Embora sejam pessoas terrenas, não são o pó sob o mar, mas o pó, a areia, na praia. Foram separados do mar corrupto, do mundo corrompido de Satanás. Entretanto, as estrelas não somente são separadas do mundo corrompido, como também são celestiais. De acordo com Apocalipse 20:8-9, no fim do milênio, Gogue e Magogue lutarão contra o acampamento dos santos e contra a cidade amada. O acampamento dos santos é o acampamento de todas as estrelas celestiais; a cidade amada, Jerusalém, é a cidade da areia separada. As duas categorias dos descendentes de Abraão que naquele tempo estarão cuidando dos interesses de Deus no universo- serão atacadas por Gogue e Magogue sob a instigação de Satanás. Será a última guerra do universo, uma guerra entre o povo do diabo e os descendentes de Abraão. A estrela é semeada como uma semente em Gênesis 22 e será colhida em Apocalipse 20 e 21. A Nova Jerusalém é composta pelas doze tribos de Israel, que representam os santos do Antigo Testamento, mais os doze apóstolos, que representam os crentes do Novo Testamento. Os representados pelos apóstolos são as estrelas celestiais, e os representados pelas doze tribos são a areia da praia. Esses dois povos, posteriormente,

serão edificados juntos na Nova Jerusalém eterna, que será a consumação final e máxima da descendência de Abraão. Essa é a bênção de Deus para Abraão. Depois de vermos isso, precisamos dizer:

“Louvado seja o Senhor; a bênção de Deus não é uma

boa casa, carro, títulos, promoção, esposa ou filhos. É

a multiplicação dos santos na restauração de Deus e a

multiplicação das igrejas”. Espero que, um dia, uma parte da Nova Jerusalém seja a nossa multiplicação

como bênção de Deus para nós. Naquele tempo, todos os carros e casas terão desaparecido. Somente

a multiplicação na bênção de Deus permanecerá para

sempre. Veremos a bênção da multiplicação de Deus na Nova Jerusalém pela eternidade. Aqui, em Gênesis 22, vemos um princípio básico, isto é: tudo o que Deus nos dá será multiplicado. Deu

um Isaque a Abraão, e este Lho ofereceu de volta. Então, este único Isaque foi multiplicado em estrelas

e areia sem conta. Se não o oferecesse de volta a Deus,

talvez Abraão tivesse somente um Isaque. Mas sendo oferecido de volta a Deus, Isaque foi multiplicado na Nova Jerusalém. Essa é a maneira de ter o dom de Deus multiplicado em nós: oferecer-Lhe de volta aquilo que Ele nos deu.

2) Com Cristo Como Seu Único Descendente A bênção de Deus a Abraão posteriormente resulta em Cristo como o único descendente, em quem todas as nações da terra serão abençoadas (22:18; GI3:16). Em Gálatas 3:16, Paulo fala de um único descendente-Cristo. Todos estamos incluídos neste único descendente. Não estamos todos em Cristo? Você conhece o verdadeiro significado da

pequena expressão “em Cristo”? Ela é usada muitas vezes no Novo Testamento. Em Cristo fomos justificados. Em Cristo somos santificados. Em Cristo temos a filiação. Tudo o que nos diz respeito está em Cristo. Aleluia! estamos em Cristo! Somos, na verdade, uma parte de Cristo. Por fim, todas as estrelas celestiais mais a areia terrena estarão em Cristo. Como já enfatizamos no passado, a Nova Jerusalém será um Cristo grande, corporativo. Nos quatro Evangelhos temos o Cristo individual, mas no fim de Apocalipse temos o Cristo corporativo, incluindo todos os verdadeiros crentes. Neste único descendente, Cristo, todas as nações da terra serão abençoadas. Será que os Estados Unidos, a Alemanha, o Japão, a China e a Grã- Bretanha não foram abençoados? Essa é a bênção de Deus. Que todos possamos esperar que a bênção a ser recebida de Deus por nós será a multiplicação a resultar em Cristo, o único descendente. A multiplicação, que se espalhará pela Europa, África e por toda a terra, deve ser simplesmente Cristo. Todas as igrejas na terra serão tão-somente a multiplicação de Cristo.

(f) Cristo Revelado de Três Maneiras Em Gênesis 22, Cristo é revelado de três maneiras: como o Anjo do Senhor (22:11-12, 15-18; Êx 3:2-6) , como o carneiro (ou cordeiro) (22:13; Jo 1:29) e como o descendente de Abraão (22:18; GI3:16). Quando Abraão estendeu a mão para matar Isaque, o Anjo do Senhor o impediu. Viu, então, um carneiro e matou-o, oferecendo-o em lugar do filho. Depois disso, tomou-se uma bênção em multiplicação. Tal multiplicação resulta em Cristo

como o único descendente. Vemos aqui o Anjo do Senhor detendo, o carneiro substituindo e o descendente trazendo a bênção. Todos os três são Cristo. Isso é muito misterioso pelo fato de Cristo ser tudo. Cristo foi Aquele que impediu Abraão de matar seu filho. Tomou-se então, imediatamente após, o carneiro preso nos arbustos para substituir o filho. Depois da crucificação, tomou-se seu único descendente na bênção de Deus. O Anjo do Senhor, que era Cristo, providenciou o carneiro, um tipo de Cristo que, por fim, resultou no descendente, que também é Cristo. Cristo é tudo. Não temos um Cristo pequeno, limitado. Temos um Cristo grande e ilimitado, que é tudo. Louvado seja o Senhor!

MENSAGEM CINQÜENTA E NOVE

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (10)

(9) A MORTE E O SEPULTAMENTO DE SARA Nesta mensagem, chegamos a Gênesis 23, capítulo que registra a morte e o sepultamento de Sara. Quando jovem, não conseguia enxergar por que este capítulo se incluía no livro de Gênesis. Não podia entender por que, tendo Abraão feito tão grandes coisas que não estão registradas, vinte versículos foram usados para descrever como despendeu seu tempo, energia, dinheiro e até mesmo sua polidez para adquirir um sepulcro. Mas a Bíblia não desperdiça quaisquer palavras. Já que toda palavra da Bíblia é o sopro de Deus, o capítulo 23 deve ser muito significativo. Se considerarmos Gênesis 1 e 2 significativos, precisamos considerar também importante o capítulo 23. Todo cristão aprecia Gênesis 1 porque nos oferece um registro da criação de Deus. Apreciamos Gênesis 1 não simplesmente como um registro de criação, mas também como um registro de vida. Fala-nos da imagem e do domínio de Deus relacionados com o homem criado por Ele. Apreciamos também Gênesis 2 porque nos fala da árvore da vida. Entretanto, poucos de nós apreciam um sepulcro. Contudo, Gênesis 23 está focalizado na questão do sepulcro e nos fornece um relato pormenorizado da compra de um túmulo. Mais detalhes estão incluídos neste trecho do que em qualquer outro registro do livro de Gênesis. Enquanto todos os outros registros são bem breves, este proporciona um relato claro e completo de onde

estava localizado o sepulcro, quem o possuía, como foi comprado e a quantia que Abraão pagou por ele. Esse sepulcro é mencionado de maneira muito marcante, pois lemos que não somente Sara, mas também Abraão, Isaque, Rebeca, Jacó e Lia foram enterrados lá. É muito significativo que os nomes de Abraão, Isaque e Jacó sejam os componentes do título divino de Deus, que é o Deus da ressurreição (Mt 22:32). Gênesis 23 é uma janela através da qual podemos ver a Nova Jerusalém. A Nova Jerusalém não é encontrada neste capítulo, mas pode ser vista por meio dele. Este trecho é como um telescópio: por ele podemos ver o tabernáculo eterno, que está bem longe, no futuro. Gênesis 21 oferece-nos o registro do nascimento de Isaque. Certamente, isso foi digno de menção. Em seguida, no mesmo capítulo, lemos que Abraão redimiu um poço, plantou uma tamargueira e invocou o nome de Jeová, EI Olam. Como vimos, no capítulo 22 temos a oferta de Isaque. Depois, no capítulo 23, temos a morte e o sepultamento de Sara. Esses três capítulos abrangem, pelo menos, trinta e sete anos. Embora várias coisas devam ter ocorrido com Abraão nesses trinta e sete anos, somente quatro delas são mencionadas: o nascimento de Isaque, o viver em Berseba, a oferta de Isaque, e a morte e o sepultamento de Sara. Esses três capítulos excluem muitas coisas que, de acordo com o nosso conceito, são importantes; mas incluem um registro pormenorizado da morte e do sepultamento de Sara. Por causa disso, precisamos atentar para Gênesis 23.

(a) Em Hebrom o Lugar de Comunhão com

Deus Ao final do capítulo 22, Abraão, Sara e Isaque estavam habitando em Berseba, vivendo, sem dúvida, perto do poço da aliança e da tamargueira. Isso era uma miniatura da vida da igreja, pois esta sempre se fixa junto a um poço de água viva e de uma tamargueira. De repente, no início do capítulo 23, somos informados da morte de Sara. Embora Abraão, Sara e Isaque estivessem vivendo em Berseba, Sara morreu e foi sepultada em Hebrom, no lugar de comunhão com Deus. Sara prosseguiu de Berseba para Hebrom. De semelhante modo, se o Senhor adiar Sua volta, eu gostaria de viver na vida da igreja e morrer em comunhão com Deus. Observando-se um mapa, Hebrom está entre Berseba (ao sul) e Jerusalém (ao norte). Está no caminho de Berseba a Moriá, onde se localiza Jerusalém. Se o Senhor tardar Sua volta, gostaria de ser sepultado num lugar que esteja a caminho da Nova Jerusalém. Onde você está vivendo hoje? Todos precisamos responder que estamos vivendo em Berseba, na igreja, junto ao poço de água viva e da tamargueira. Nossa vida da igreja é a Berseba de hoje. Antes de o Senhor voltar, alguns dos mais velhos podem deixar Berseba-a vida da igreja-, morrer em Hebrom e esperar lá pela Nova Jerusalém. Hebrom não é somente um lugar de comunhão com Deus; é também um caminho para Jerusalém. A caverna de Macpela, em Hebrom, é a passagem para a Nova Jerusalém. Talvez algum dia ouçamos Sara testificar:

“Quando entrei na caverna de Macpela, entrei pelo portão que leva à Nova Jerusalém”. Sara não foi simplesmente sepultada na caverna de Macpela; está

agora dormindo lá, aguardando o dia em que despertará e se encontrará na Nova Jerusalém.

(b) A Morte Prematura de Sara Sara morreu com a idade de cento e vinte e sete anos (23:1-2). Embora esta possa parecer agora uma idade avançada, era, naquela época, uma idade muito prematura para se morrer. Abraão viveu cento e setenta e cinco anos (25:7) , morrendo trinta e oito anos depois da morte de Sara. Esta não deveria ter morri do com tão pouca idade. Sua morte, trinta e sete anos após o nascimento de Isaque (17:1, 17; 21:5) , foi anormal.

(c) O Sofrimento de Abraão Abraão e Sara foram o melhor casal em todo o universo. Realmente se amavam, jamais cogitando em divórcio ou separação. Quando Abraão foi privado de sua esposa, isso foi uma grande perda tanto para ele quanto para Isaque. Isaque foi um filho que amava a mãe, e ela, sem dúvida, amava-o muito. Na idade de trinta e sete anos, ele ainda estava solteiro e vivia com sua mãe. Ao casar-se com a idade de quarenta anos (25:20) , a Bíblia até nos diz que Isaque se casou na tenda de sua mãe (24:67). De repente, rompeu-se o amor entre Abraão e Sara e entre Sara e Isaque, porque Sara, a esposa e mãe, fora levada por uma morte anormal. Por causa disso, Abraão sofreu grandemente. Se você ler a história de Abraão verá que Deus estava sempre tirando as coisas dele. Ló separara-se dele, Eliezer fora rejeitado, Ismael lançado fora e Isaque oferecido a Deus no altar. E agora, sua

querida esposa era levada pela morte. Por que provações e sofrimentos Abraão passou! De acordo com nossa concepção natural, Abraão, alguém que estava tão bem com Deus, não deveria ter sofrido todas essas coisas. No capítulo 22, Isaque fora oferecido a Deus e devolvido a Abraão em ressurreição. Repentinamente, enquanto Abraão desfrutava uma vida feliz com sua esposa Sara e seu filho Isaque, Sara o fator de sua felicidade foi levada. A felicidade nessa família dependia de Sara, a esposa e a mãe. Ao morrer, a atmosfera, a vida e a felicidade familiar foram todas levadas embora, e a própria família se foi. Que sofrimento para Abraão! Como chamados de Deus, não devemos esperar ter uma vida feliz aqui na terra. Precisamos seguir os passos de Abraão à procura de uma terra melhor, de uma cidade com fundamentos (Hb 11:10, 16). Nossa vida temporária na terra é a vida de um viajante. Por essa causa, Abraão prestou pouca atenção ao seu lugar de habitação e erigiu simplesmente uma tenda. Foi um peregrino, um forasteiro à procura de um lugar permanente de habitação. Abraão viveu trinta e oito anos sem o auxílio de Sara (25:7). Na Bíblia, o número trinta e oito é o número dos sofrimentos, provações e testes. Os filhos de Israel sofreram provações e testes no deserto por um período de trinta e oito anos. Como vimos, Isaque tinha quarenta anos ao se casar. Na Bíblia, o número quarenta também representa provações, tentações e testes. Ainda temos outro número neste capítulo quatrocentos que é dez vezes quarenta. A primeira vez que o número quatrocentos é usado na Bíblia é em Gênesis 15:13, onde Abraão soube que seus descendentes seriam afligidos por quatrocentos anos.

Aqui, em 23:16, lemos que Abraão comprou o sepulcro pelo preço de quatrocentos sidos de prata, tudo a indicar que isso foi um teste, uma provação, um sofrimento. Ao ler este capítulo no passado, talvez você não tenha tido o sentimento de que Abraão estava sofrendo. Mas atente para duas palavras usadas no versículo 2: “lamentar” e “chorar”. Abraão lamentou e chorou por causa de Sara, porque perdera sua felicidade e sua vida familiar. As palavras hebraicas traduzi das como lamentar” e “chorar” indicam muito mais do que somente lamento e choro. Abraão, já em idade avançada, sofreu intensamente com a perda de sua esposa, ficando profundamente ferido. Seu grande sofrimento é demonstrado pelos números trinta e oito, quarenta e quatrocentos.

(d) o Testemunho de Abraão Abraão, que sofrera a perda de sua querida esposa, teve um testemunho muito forte. Os heteus dirigiram-se a ele como senhor e chamaram-no “príncipe de Deus” (v. 6). As palavras hebraicas traduzidas para “príncipe de Deus” podem também significar “um príncipe poderoso”. Em hebraico, a palavra usada para poderoso é a mesma usada para Deus. Abraão expressou Deus como um príncipe de Deus e fez-se respeitável como um príncipe poderoso. Aos seus próprios olhos era um forasteiro; mas aos olhos das pessoas era um poderoso príncipe de Deus. Foi realmente um homem de peso. Todos precisamos ter peso e manifestar o mesmo tipo de testemunho expresso por Abraão. Na nossa vizinhança, trabalho e escola, não devemos ser leves nem permitir que os outros nos olhem com

desdém. Precisamos ter peso, e os outros devem ter- nos em alta conta. Embora não devamos ter a nós mesmos em alta conta, precisamos sê-lo aos olhos dos outros. Espero que os professores de 1 0 Grau digam que os irmãos jovens da igreja, seus alunos de classe, são príncipes poderosos. Irmãos jovens, não somente orem com ousadia nas reuniões. Vocês também devem ter peso nas escolas. Ter simplesmente bom comportamento não significa muito. Precisamos ter peso. Ouro e diamante são pesados, mas pipoca e algodão-doce são leves. Se você for ouro ou diamante, terá peso. Como chamados de Deus, nós, cristãos, devemos ser pesados de tal modo que as pessoas fiquem surpresas e digam: “Por que este jovem tem tanto peso? Ele nem é comum nem anormal. Entretanto, embora seja um jovem normal, nele não há leveza. Tem de ser um príncipe!” Temos peso porque temos Deus em nós. Os chamados precisam invocar o nome de Jeová, EI alam. Quanto mais Abraão invocava esse título do Ser Divino, mais pesado se tornava. Deus é ouro. Se O invocarmos, tornar-nos-emos ouro. Quanto mais invocarmos o Deus de ouro, mais do Seu elemento ouro será infundido em nosso ser. Veja a diferença entre a madeira comum e a madeira petrificada. A madeira comum é leve, mas a madeira petrificada é pesada. É até mais pesada que a própria pedra, porque minerais pesados foram sedimentados dentro dela. Todos nascemos leves, mas renascemos para ser pesados. Além do nosso renascimento, temos o processo de transformação. A madeira se petrifica mediante o fluir contínuo da água. Esse fluir de água leva embora o elemento madeira e acrescenta em seu

lugar o elemento de vários minerais, tornando a madeira uma pedra preciosa e pesada. Não é suficiente sermos meramente bons vizinhos. Precisamos ser filhos de Deus que têm peso. Como Seus escolhidos, estamos agora sob Sua infusão. Precisamos ser tão fortes e pesados que as pessoas digam que somos um príncipe poderoso, um príncipe de Deus. Como um príncipe poderoso, Abraão era respeitável (23:6). Respeitava os outros e recebia em troca o seu respeito. Também era sábio (23:3-13). Neste capítulo vemos que Abraão teve uma maneira sábia de se comunicar com as pessoas, falando-lhes de maneira inteligente e simpática. Além disso, foi honesto e não tirou vantagem de ninguém (23:14-16). Sua intenção era comprar o sepulcro. Quando este educadamente lhe foi oferecido como presente, Abraão, depois de saber que o seu valor era quatrocentos siclos de prata, concordou em pagar toda a quantia. Não agarrou a oportunidade para tirar vantagem dos outros nem regateou o preço. Deu a Efrom o preço pedido, pagando a quantia toda, entregando todo o dinheiro. De semelhante modo não devemos impressionar as pessoas com a nossa mesquinhez, mas devemos mostrar-lhes nossas riquezas. Esse é o nosso testemunho. Sinto-me mal com o baixo nível de moralidade do cristianismo de hoje. Como é pobre o padrão de comportamento existente! Precisamos expressar Deus, mostrando que nós, filhos de Deus, temos peso, respeito e honestidade. Devemos estar prontos para sofrer perdas, mas não para tirar vantagem dos outros. Se perdemos ou ganhamos, isso nada significa. Como precisamos aprender a ser honestos e respeitáveis,

expressando Deus de maneira pesada.

(e) Um Sepulcro à Escolha O versículo 6 refere-se à “escolha” do sepulcro, mencionando o melhor sepulcro. Quando estava na terra, o Senhor Jesus não teve uma boahabitação. Mas depois de morrer, foi colocado num sepulcro muito bom (Mt 27:57-60). Viveu num lar pobre, mas foi sepultado num rico túmulo. Na Bíblia, isso é um princípio. Não devemos viver numa boa casa, mas devemos preparar a melhor sepultura. Abraão atentou mais ao sepulcro do que à tenda. Gênesis não diz uma palavra sobre o modo como Abraão levantou sua tenda, quanto pagou por ela ou exatamente onde a levantou. Armou sua tenda como alguém que acampa nas montanhas por alguns dias. Como verdadeiro campista, esteve acampado a vida inteira. Não se importava muito com a tenda, mas ficou muito preocupado com o sepulcro. Neste capítulo, encontramos uma descrição completa, em pormenores, da caverna de Macpela no campo de Efrom. Nem mesmo a cidade de Jerusalém, no Antigo Testamento, é descrita de maneira tão minuciosa. Vamos agora considerar o significado disso. À luz do Novo Testamento, podemos ver que Abraão foi chamado por Deus e percebeu que era um forasteiro, um viandante, à procura de uma cidade permanente e de uma pátria superior (Hb 11:9-10, 16). Enquanto procurava essa pátria superior, sua querida esposa morreu repentinamente. Mas ele não desistiu de sua fé. Nem disse a Isaque: Isaque, sua mãe e eu temos procurado por uma cidade com fundamentos e por uma pátria superior que Deus nos prometeu. Sempre

tivemos essa expectativa. Agora sua mãe está morta. Como ela vai chegar lá? Que devemos fazer? Provavelmente nosso Deus não é digno de confiança, e talvez não devamos mais crer Nele”. Abraão não falou dessa maneira. Quando examinamos o registro de Hebreus, vemos que ele não ficou desapontado nem perdeu sua fé. Pelo contrário, teve uma forte fé no Deus de ressurreição, crendo que sua querida esposa estaria naquela cidade e naquela pátria superior. Essa fé implica ressurreição. Gênesis 23 não é um capítulo relativo à ressurreição; é um capítulo referente à porta para a ressurreição. Em Gênesis 23, Sara não ingressou na ressurreição, mas entrou pela porta. De acordo com a percepção de Abraão, a morte de Sara foi a entrada pela porta da ressurreição. Abraão não considerou levianamente esse assunto. Embora pudesse ser um pouco negligente quanto à própria tenda, não o foi em relação ao sepulcro de sua esposa. Sua intenção, ao comprar a caverna de Macpela, não foi somente sepultar nela Sara, mas também a si mesmo lá. A palavra Macpela, em hebraico, significa “duplo” ou “dobro”. Todos os sepultados nesta caverna foram parte de um casal: Abraão e Sara, Isaque e Rebeca, Jacó e Lia (23:19; 25:9; 49:29-32; 50:13). Bem dentro de si, Abraão estava cheio de expectativa de que, algum dia, sua esposa estaria na cidade que tem fundamentos. Isso implica ressurreição. Pouco antes de sua morte, Jacó encarregou seus filhos de o sepultarem na caverna de Macpela. Embora não fosse fácil, nos tempos antigos, levar Jacó do Egito para ser enterrado em Canaã, seus filhos fizeram isso para ele (50:13). Com isso podemos perceber que, estando para morrer, Jacó não considerou a morte

como um fim, mas como um estágio, como a porta para uma pátria superior. Abraão estava cheio de esperança quanto à ressurreição. Até deve ter amado mais o corpo morto de sua esposa do que a amara enquanto viva. Se pudesse falar, Sara ter-lhe-ia dito: Abraão, por que você é tão bom para comigo depois de morta? Quando estava viva, você nunca providenciou uma boa tenda para mim. Agora que estou morta, você paga tanto dinheiro para comprar uma caverna onde sepultar-me? Por que comprou uma caverna com um campo e árvores? Que está fazendo? “ Abraão então lhe responderia: Sara, você precisa perceber que não está sendo sepultada aqui. Só vai descansar aqui. Preparei-lhe o melhor quarto, onde pode descansar enquanto espera por aquele dia. Se tal dia estiver muito longe, eu virei para ser um com você e descansaremos juntos. É por isso que comprei tanto o campo como a caverna. Observe a vida no campo. Não é um lugar de morte – é um lugar de vida”. Na Bíblia, o campo representa o crescimento de vida, isto é, a ressurreição. Isso continua sendo verdade ainda hoje. Se você não crê na ressurreição, peço-lhe que considere um campo de trigo. Não muito depois de os grãos serem plantados, ressuscitam novamente. Em 1936, eu pregava o evangelho a um grupo de estudantes na Universidade de Ching-Hua, na China. Uma noite, depois que preguei, um jovem estudante veio a mim e, querendo que lhe explicasse a questão da ressurreição, disse- me: Não tenho problemas com o cristianismo, mas não consigo crer na ressurreição. Como podemos nós, na era moderna, científica, crer numa coisa supersticiosa como a ressurreição? Como pode uma

pessoa morta ser ressuscitada? E, mesmo assim, vejo que esse é um dos principais ensinamentos da Bíblia”. Eu lhe disse que isso era de fácil explicação. Através da janela do quarto em que estávamos, podíamos ver os campos de trigo. Eu disse: “Observe os campos de trigo. Está vendo o trigo que cresce lá? Você não consegue ver ressurreição nestes campos? A semente é semeada no solo, morre e, posteriormente, o trigo aparece. Isto é ressurreição”. Essa simples ilustração convenceu-o, e ele foi salvo. Hoje é um dos cooperadores líderes na ilha de Formosa. Um campo crescendo simboliza ressurreição, mas a madeira cortada representa morte. Abraão não colocou Sara num lugar de morte, mas num lugar de vida, num lugar pleno de ressurreição. A caverna onde foi sepultada estava no extremo do campo (23:9), e havia muitas árvores por perto (23:17). Suponha que a caverna de Macpela fosse rodeada por pilhas de madeira cortada. Toda vez que alguém olhasse, imediatamente teria o sentimento de que era um lugar de morte, um lugar de término. Mas a caverna de Macpela não é um lugar de término, é um lugar pleno da expectativa da ressurreição. Está no caminho da ressurreição. Neste lugar, Sara poderia dormir descansadamente enquanto esperava por aquele dia vindouro. Se pudesse falar, talvez dissesse:

“Não estou esperando num lugar de morte. Estou num lugar de vida. Veja o campo e as árvores. Algum dia estarei em ressurreição”. Sua morte não desapontou Abraão em sua busca por uma pátria superior e por uma cidade com fundamentos. Pelo contrário, estimulou sua expectativa quanto ao dia vindouro. Por isso ele dedicou muita atenção e despendeu grande soma em dinheiro a fim de

comprar o sepulcro para Sara, para si mesmo e para os seus descendentes. Se tivermos a luz do Novo Testamento, perceberemos que isso demonstra a expectativa da ressurreição. Uma vez mais digo que o sepulcro é um corredor, uma passagem para a cidade tão esperada, a Nova Jerusalém. Aleluia! a caverna de Macpela fica no caminho de Jerusalém! Sabemos que Gênesis 23 indica a expectativa da ressurreição porque o Senhor Jesus disse que o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó não é o Deus de mortos, mas de vivos (Mt 22:31-32). Aos nossos olhos, Abraão, Isaque e Jacó estão mortos; mas aos olhos de Deus, estão vivos. O nosso antepassado, Abraão, chamado por Deus, não se preocupava muito com o presente, mas atentava para o futuro. O sepulcro escolhido era para o futuro. Em princípio, nós também não deveríamos providenciar uma casa melhor para o presente, mas uma passagem para o futuro. Não estamos aqui pelo hoje, mas pelo amanhã. Se o Senhor tardar Sua volta, todos entraremos por essa porta. Não devemos dar tanta atenção ao presente, mas sim ao futuro. Devemos viver numa tenda, procurando a cidade que tem fundamentos.

MENSAGEM SESSENTA

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (11)

O CASAMENTO DE ISAQUE UM VIVER PRÁTICO EM UNIÃO COM O SENHOR A Bíblia revela que o propósito eterno de Deus é expressar-se por meio de um corpo coletivo, e que esse propósito se cumpre pela vida divina. Se quiséssemos sondar as profundezas do livro de Gênesis, precisaríamos ver esses dois itens. Em Gênesis 1 :26, vemos que o homem foi feito à imagem de Deus. Não se fala aqui de um homem individual, mas de um homem corporativo. Podemos dizer que assim é a humanidade: um corpo coletivo com capacidade para expressar a imagem de Deus. Em Gênesis 2, notamos que, para o cumprimento do propósito de Deus, precisamos ter a vida divina, representada pela árvore da vida. Nesses dois capítulos encontramos duas palavras cruciais imagem e vida. A imagem revela o propósito eterno de Deus, e a vida desvenda a maneira de Deus cumprir o Seu propósito. Jamais considere Gênesis como um simples registro da criação de Deus acrescido pela história de alguns patriarcas. Essa maneira de ver é muito superficial. Ao mergulharmos nas profundezas deste livro, percebemos que não é simplesmente um registro de criação e de história, mas uma revelação do propósito eterno de Deus e a Sua maneira de cumpri-lo.

(10) O CASAMENTO DE ISAQUE Com esses dois pontos em mente, vejamos agora

Gênesis 24. Todos os que lêem Gênesis pensam que este capítulo trata do registro de um casamento. Entretanto, o importante aqui não é o casamento, mas o que o casamento indica, subentende e tipifica. Quando estávamos em Gênesis 1 e 2, vimos que os aludidos capítulos não são meramente um relato da criação de Deus, mas um registro de vida. Tudo o que neles se encontra está relacionado com a vida. Tudo o que não se relaciona à vida está excluído. Se você os ler cuidadosamente, verá que muitos aspectos da criação de Deus são omitidos pelo fato de não estarem relacionados com a vida. Partindo do mesmo princípio, somente os aspectos da história de Abraão relacionados com a vida estão registrados nos capítulos 21-24. O livro todo de Gênesis, com apenas cinqüenta capítulos, compreende mais de dois mil e trezentos anos, os primeiros vinte e três séculos da história humana. Se Gênesis fosse um registro de história, precisaria de centenas de capítulos para abranger esse período. O fato de tão longo período ser tratado em somente cinqüenta capítulos prova que Gênesis não é um registro de história. Digo outra vez que, embora aparentemente seja um registro de história, Gênesis na verdade é um registro a mostrar o propósito eterno de Deus e a maneira de cumpri-lo pela vida. Tudo o que não se relaciona ao propósito de Deus e ao seu cumprimento pela vida não está registrado neste livro. Os capítulos 21-24, que compreendem quarenta anos (25:20) , mencionam cinco itens principais: o nascimento de Isaque, seu crescimento, sua oferta em holocausto, a morte e o sepultamento de Sara, e o casamento de Isaque. Embora breve, esse registro é

muito significativo. Vemos, nesse trecho, um nascimento e crescimento corretos. Tal nascimento e crescimento produziram um holocausto para a satisfação de Deus. Após o nascimento e o crescimento no capítulo 21, temos o holocausto no capítulo 22. Então, como já estudamos no capítulo 23, deparamos com a morte de Sara e um relato pormenorizado de seu sepultamento. A seguir, no capítulo 24, há um casamento maravilhoso. Mas esse capítulo não é simplesmente o registro de um casamento: é um relato de profundo significado e importância quanto à vida.

(a) Um Viver Prático em União com o Senhor De acordo com a compreensão comum da maioria dos cristãos, o ponto principal desse capítulo está em Isaque, um tipo de Cristo como o Noivo, e Rebeca, um tipo da igreja como a Noiva. Esse, entretanto, não é o ponto principal. O ponto primordial é o viver prático em união com o Senhor para o cumprimento do Seu propósito. Não devemos entender a Bíblia de acordo com o nosso conhecimento ou tradição comum, mas precisamos voltar à Palavra pura. Sempre que lermos qualquer trecho das Escrituras, precisamos esquecer-nos de tudo o que aprendemos no passado e devemos olhar para o Senhor como algo novo. Há cinqüenta anos, li Gênesis 24 cuidadosamente, dando o melhor de mim para lembrar todos os pontos. Entretanto, ao chegar agora a este capítulo, não me importo com o que tive no passado. Gosto de chegar a este trecho da Palavra como se o estivesse lendo pela primeira vez. Posso testificar que recentemente vi algo novo nesse capítulo.

Você já percebeu que, em Gênesis 24, podemos observar um vi ver prático em união com o Senhor? Como vimos, Deus tem um propósito, e o cumprimento desse propósito se faz pela vida. Esses são dois pontos governantes na compreensão da Bíblia. Se quisermos entender Gênesis 24, precisamos aplicar esses dois pontos governantes. Por que Gênesis 24 nos oferece tal registro do casamento de Isaque? Se lêssemos somente o capítulo 24 não poderíamos ver o propósito desse relato. Para responder essa pergunta, precisamos ler os três capítulos anteriores. Gênesis 21:12 diz: “Por Isaque será chamada a tua descendência”. Deus chamou Abraão com um propósito. Para o cumprimento desse propósito, Deus prometeu dar- lhe a boa terra e mais o descendente que herdaria a terra. O propósito eterno de Deus é expressar-se de maneira corporativa. Para ter tal expressão corporativa, Deus precisa ter um povo. Esse povo é o descendente de Abraão. Além disso, para existir um povo para expressá-Lo corporativamente, há a necessidade da terra. Qual é então o objetivo do casamento em Gênesis 24? É simplesmente proporcionar a um homem solteiro uma vida feliz, confortável? Não! Se você considerar a Bíblia como um todo, verá que o casamento de Isaque foi totalmente para o cumprimento do propósito eterno de Deus. Sem o casamento, como poderia ele ter gerado descendência? Se quisesse ter a descendência para o cumprimento do propósito eterno de Deus, esse homem solteiro deveria casar-se. Depois que Abraão foi testado no capítulo 22, Deus lhe disse:

“Deveras te abençoarei e certamente multiplicarei a tua descendência como as estrelas dos céus e como a

areia na praia do mar; a tua descendência possuirá a cidade dos seus inimigos, nela serão benditas todas as nações da terra” (22:17-18). Aqui também temos a descendência para o cumprimento do propósito de Deus. Assim, o casamento de Isaque nem foi comum nem foi simplesmente para seu viver humano, mas para o cumprimento do propósito eterno de Deus.

1) Abraão O viver de Abraão foi um viver prático em união com o Senhor. Abraão não teve repentinamente uma visão na qual Deus lhe disse que tinha um elevado propósito a executar na terra; que necessitava dele; que Isaque precisava casar-se, a fim de que fosse cumprido o Seu propósito. Não existe tal visão no capítulo 24. Pelo contrário, o relato de Gênesis é comum e humano. De acordo com esse registro, um homem, já em idade avançada, teve um filho. Quando o filho tinha trinta e sete anos, a esposa do primeiro e não do segundo, morreu, e o esposo sepultou-a de maneira bem significativa. Pai e filho, ambos viúvo e solteiro, foram deixados sozinhos, vivendo juntos naquela triste condição, durante três anos. O filho deve ter dito: “Pai, onde está minha mãe? “, e o pai deve ter replicado: “Filho, onde está a tua esposa? “ O pai sentia-se responsável para cuidar do seu filho. Talvez tenha dito: “Perdi minha esposa e meu filho agora tem quarenta anos. Certamente esta é a hora exata para ele se casar. Mas estamos rodeados pelos cananeus, nenhum dos quais jamais seria aceito por Deus”. Não há registro algum de que Deus lhe tenha dito: “Abraão, deixe-Me encarregá-lo de enviar alguém ao seu próprio país, a fim de conseguir uma esposa para Isaque. Jamais lhe

permitirei tomar uma cananéia como esposa para seu filho”. Embora não haja registro algum de que Deus lho tenha dito, Abraão teve tal compreensão. De onde o deduziu? Do seu viver consoante a concepção de Deus. Abraão foi um homem que viveu em união com Deus. Se eu viver em união com certo irmão dia após dia, não haverá necessidade de que ele me venha dizer muitas coisas. Já estarei sabendo do que ele gosta e do que ele não gosta, o que lhe agrada e o que o ofende. Se eu o amar e viver em união com ele, tudo o que eu disser e fizer estará de acordo com aquilo de que ele gosta ou desgosta. Sinto dizer que muitos cristãos não vivem em união com Deus. Quando surgem assuntos importantes, ajoelham-se e oram:-o Senhor, qual é a Tua vontade? “ Depois disso, não seguem a vontade de Deus, mas sua própria concepção. Não conheceremos a vontade de Deus orando dessa maneira. Se quisermos conhecê-la, precisaremos viver em união com Ele. Se vivermos em tal união, Ele não terá necessidade de dizer-nos o que deseja, porque já o estaremos sabendo, sendo um com Ele. Embora estivesse aflito por cuidar do casamento do filho, Abraão não aceitaria uma cananéia por esposa de Isaque. Se fôssemos Abraão, possivelmente teríamos tomado o caminho mais fácil, e talvez disséssemos: “Há muitas moças aqui na terra de Canaã. Por que não posso escolher uma delas para esposa de meu filho? Deve haver alguma aqui bem perto! “ Abraão não pensou dessa maneira, mas enviou o seu servo mais velho para longe, de volta ao país de onde viera, a fim de encontrar uma esposa para Isaque, Embora Deus jamais lhe houvesse dito

que o fizesse, o que ele fez estava de acordo com a vontade e com a concepção interior de Deus. Como vimos, Abraão conhecia a vontade e a mente do Senhor, porque estava vivendo numa união prática com Ele. Abraão não era a única pessoa a ter tal viver. Todos os mencionados neste capítulo estavam vivendo numa atmosfera de união com Deus. Abraão, o servo mais velho, Rebeca, Labão, Betuel e Isaque, todos estavam vivendo em união com Deus. Espero que, nas igrejas, todos vejam que precisamos hoje de tal viver para o cumprimento do propósito de Deus. Não precisamos orar e buscar a vontade de Deus; precisamos viver em união com Ele. Se assim vivermos, partilharemos de Sua concepção: seja lá o que for e o que quer que pensemos e façamos, tudo estará de acordo com o Seu sentimento. Deus não terá necessidade de dizer coisa alguma porque sentiremos o que Ele sente, conhecendo o Seu sentimento interior, por vivermos em união com Ele.

a) Agiu de Acordo com a Economia de Deus Abraão agia de acordo com a economia de Deus (24:3-8). O modo como agiu, a fim de obter uma esposa para Isaque, tinha por finalidade o cumprimento do eterno propósito de Deus. Aspiramos a ver todos os casamentos nas igrejas sendo para o cumprimento do propósito de Deus. Esse tipo de casamento requer um viver diário em união com Deus. Irmãos jovens, se tudo o que fazem está de acordo com a economia de Deus, até o seu casamento será a execução da Sua economia. Vocês precisam dizer: “Senhor, o que faço hoje, aqui, deve estar de acordo com a Tua economia. Estou solteiro

agora, mas um dia estarei casado. Que o meu casamento seja para a Tua economia”. Essa é a principal revelação em Gênesis 24. O principal item

deste capítulo não é que Isaque seja um tipo de Cristo como o Noivo, e Rebeca, um tipo da igreja como a Noiva. Digo novamente que o principal ponto aqui revelado é o viver prático de conformidade com a economia de Deus para o cumprimento do Seu eterno propósito. Precisamos de uma vida que se pareça com a de Abraão. Sua motivação, sua ação e tudo o que ele fez estavam de acordo com a economia

de Deus.

Duvido que Abraão estivesse tão esclarecido acerca da economia de Deus como estamos hoje.

Entretanto, ele disse a seu servo que Deus o chamara, que prometera dar a terra à sua descendência, e que, portanto, o servo deveria ir à terra de sua parentela a fim de encontrar uma esposa para Isaque. À luz de toda a Bíblia, podemos perceber que isso era a execução da economia de Deus. Como precisamos de

tal

vida hoje! A nossa motivação, a nossa ação e tudo

o

que fazemos devem ser o cumprimento da

economia de Deus. Isso não requer simplesmente que conheçamos a vontade de Deus e, então, façamos determinadas coisas. Não, precisamos de um viver diário que esteja em união com Deus. Precisamos ser

tal tipo de pessoa. Se assim for, tudo o que dissermos

será a expressão de Deus e tudo o que fizermos será para o cumprimento do Seu propósito. Essa é a vida de que precisamos hoje para a vida da igreja. Não diga: “Oh! Não conheço a vontade do Senhor com referência ao meu casamento ou ao meu estudo. Preciso jejuar e orar por três dias e três noites”. Deixe-me dizer-lhe honestamente que, embora o

tenha tentado por vários anos, isso nunca funcionou muito bem comigo. Veja o exemplo de Abraão, o primeiro dos chamados por Deus. Sendo ele o primeiro chamado, vemos no seu caso o princípio da primeira menção. Não agiu à maneira tradicional e religiosa de hoje, jejuando e orando para perscrutar a vontade do Senhor. Nem teve repentinamente um sonho em que visse Rebeca na terra da Caldéia a esperar por seu servo. Com o versículo 40, Abraão andou diante do Senhor. Como pessoa que andava na Sua presença, não precisou jejuar nem orar para conhecer Sua vontade. Por andar na presença do Senhor, tudo o que fazia era a vontade de Deus e estava de acordo com a Sua economia.

b) Encarregou Seu Servo com o Próprio Senhor Abraão não incumbiu seu servo de ser fiel e honesto ou de fazer um bom trabalho, mas encarregou-o com o próprio Senhor (24:2-3, 9, 40- 41). Percebemos, nesse trecho, que a atmosfera na qual Abraão vivia era o próprio Senhor. Encarregando seu servo com o Senhor, conduziu-o bem para dentro do próprio Senhor. De semelhante modo, não deveríamos abarrotar as pessoas com nossa sabedoria ou mesmo com nosso amor, mas com o próprio Senhor.

c) Creu no Senhor Soberano Abraão creu no Senhor soberano, dizendo a seu servo que Deus enviaria Seu anjo com ele e levaria a bom termo sua jornada (24:40). Parecia estar

dizendo: “Deus enviará adiante Seu anjo. Embora você seja o meu enviado para fazer o trabalho, eu creio em Deus. Em certo sentido, não creio que você possa executar tal serviço, mas confio no Deus vivo. Você não precisa estar com encargo ou preocupar-se. Vá simplesmente e faça o serviço, porque o meu Deus enviará o Seu anjo a fazer a obra por você”. Que vida tinha Abraão! Se estivéssemos em seu lugar, é bem possível que disséssemos: “Meu servo, você precisa perceber que passei por muitas experiências. Deixe- me agora dar-lhe um mapa e contar-lhe tudo sobre o povo e seus costumes”. Abraão não fez assim. Pelo contrário, somente incumbiu seu servo de servir por intermédio do Senhor, assegurando-lhe que Deus enviaria Seu anjo diante dele e levaria a bom termo a sua jornada. Vemos aqui a fé viva de Abraão.

2) O Servo Mais Velho

a) Fiel na Responsabilidade O servo mais velho de Abraão foi fiel na responsabilidade (24:5, 9, 33, 54, 56). Seguiu as pegadas de seu amo, sendo fiel. Creio que recebeu uma infusão da vida de seu senhor, observando como Abraão tudo fizera pela confiança no Senhor. Como resultado, o servo também confiou em Deus.

b) Confiou no Senhor para Sua Responsabilidade O servo de Abraão confiou no Senhor para sua responsabilidade (24:12, 21, 42). Orou a Ele de maneira clara, humilde e simples. Qualquer um que verdadeiramente crê em Deus é simples. Quando chegou ao poço próximo à cidade de Naor, orou,

dizendo: “Ó Senhor, Deus de meu senhor Abraão, rogo-te que me acudas hoje e uses de bondade para com o meu senhor Abraão! Eis que estou ao pé da fonte de água, e as filhas dos homens desta cidade saem para tirar água; dá-me, pois, que a moça a quem eu disser: Inclina o cântaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que usaste de bondade para com meu senhor” (24:12-14). Sua oração foi imediatamente respondida. Antes mesmo de acabar de falar, Rebeca aproximou-se com o cântaro sobre o ombro. Quando lhe pediu de beber, ela não somente lhe deu de beber a ele, mas também tirou água para todos os seus camelos. Depois disso, o servo ficou claro de que Rebeca era a escolhida, dando-lhe conseqüentemente um pendente e duas pulseiras.

c) Buscou Orientação de Deus na Situação O servo conheceu a vontade de Deus, buscando a Sua orientação na situação (24:13-21, 26-27, 48-49). Também podemos ver a soberania de Deus em nossa situação. Ninguém disse ao servo que fosse a Naor, cidade do irmão de Abraão. Ele simplesmente foi lá e junto ao poço encontrou Rebeca, a neta de Naor. Nada foi acidental, tudo fora ordenado antes da fundação do mundo e foi cumprido por meio do servo de Abraão, um homem que confiou em Deus.

3) Rebeca

a) Casta. Bondosa e Diligente No versículo 16, lemos que Rebeca era “mui

formosa de aparência, virgem”. Ela era casta e pura, além de bondosa e diligente (24:18-20). Quando o servo de Abraão lhe pediu de beber, ela imediatamente lhe deu. Tirou também água para os seus camelos. Era um trabalho difícil para uma jovem tirar água do poço e derramá-la no bebedouro para que dez camelos bebessem; mas ela o fez. Se as jovens irmãs quiserem estar debaixo da soberania de Deus, principalmente com relação a seu casamento, precisam ser bondosas e diligentes. Qualquer jovem que seja grosseira e desleixada ficará solteira. Quando as pessoas lhes pedirem que façam uma coisa, vocês deverão fazer duas. E a segunda deverá ultrapassar em muito a primeira. Vocês deverão não somente dar de beber a um homem, mas também tirar água para seus dez camelos. Se o fizerem, estarão qualificadas a obter um marido, seu Isaque. Tais são alguns conselhos para todas as jovens irmãs solteiras.

b) Decidida Rebeca era decidida (24:57-58, 61). Embora jamais tivesse visto Isaque, estava disposta a ir para ele sem hesitação. Não disse à mãe: “Mamãe, eu nunca vi Isaque. Talvez devesse corresponder-me com ele primeiramente e depois pedir-lhe que nos visite. Então poderia decidir se me caso com ele ou não”. Ela não falou dessa maneira. Embora seu irmão e sua mãe estivessem hesitando, querendo que ela ficasse ao menos dez dias, ela disse: “Irei”. Era decidida. Nos últimos quarenta anos, vi inúmeras jovens irmãs que desenvolveram problemas mentais como resultado de pensarem sobre o casamento. Algumas

gastaram dias, semanas, meses e até anos, a pensar se certo irmão seria ou não o que Deus lhes havia preparado. Quando uma dessas tais irmãs vinha a mim com problemas desse tipo, eu lhe dizia, com um tom de repreensão: Se você sente que ele é o irmão, case-se com ele cegamente. Mas se ele não é tal, esqueça-o, e não fale mais a esse respeito. Quanto mais você reflete, mais aborrece a Deus, a si mesma e a mim. Como posso dizer-lhe sim ou não? Se disser sim, você argumentará que não o conheço bem. Se disser não, você se sentirá infeliz porque já se apaixonou por ele. Não pense mais sobre o assunto. Ou você se casa com ele ou o esquece”. Fui categórico em dizer-lhes isso. Jovens irmãs, se quiserem casar- se, precisam aprender a ser bondosas, diligentes e decididas.

c) Submissa Rebeca também foi submissa (24:64-65). Quando viu Isaque e percebeu quem ele era, “tomou o véu e se cobriu”. Irmãs, não coloquem um pedaço de pano sobre a cabeça como decoração ou ornamento. Isso deve ser um sinal de sua submissão. Se você é casada, já não é mais o seu próprio cabeça. Seu marido é seu cabeça, e sua cabeça deve ser coberta. Esse é o verdadeiro significado do casamento.

4) Labão e Betuel Labão e Betuel estavam no temor do Senhor (24:29-31). Ambos também foram muito hospitaleiros (24:31-33). A hospitalidade sempre introduz uma bênção maior. Para Rebeca, filha de

Betuel e irmã de Labão, tomar-se esposa de Isaque foi grande bênção. Tal bênção foi assegurada por serem eles hospitaleiros. Se não o fossem, mas, pelo contrário, rejeitassem o servo de Abraão, aquele casamento maravilhoso jamais teria ocorrido. Além disso, aceitaram a soberania do Senhor, dizendo:

“Isto procede do Senhor, nada temos a dizer fora da sua verdade” (24:50-51, 55-60). Labão e Betuel reconheceram que os acontecimentos eram obra do Senhor, e que eles mesmos não tinham o direito de dizer coisa alguma sobre o assunto. Vimos aqui a atmosfera de sua vida, uma vida em união com Deus.

5) Isaque Isaque não era um homem de atividade, pois ele nada fez. Simplesmente habitou junto a um poço, próximo a um lugar de água viva. Gênesis 24:63 diz:

“Saíra Isaque a meditar no campo, ao cair da tarde”. Os tradutores da Bíblia ficam preocupados com a tradução desse versículo em hebraico. Algumas versões interpretam tal passagem como Isaque indo ao campo para orar; outros dizem que ele foi ao campo para adorar. Pode ter ocorrido que Isaque estivesse meditando na presença do Senhor, possivelmente refletindo sobre o próprio casamento. Perdera a mãe, não tinha uma esposa, e o servo mais fiel viajara. Isaque não sabia se o servo haveria de voltar algum dia. A família não tinha segurança nem proteção; e ele estava numa situação de desespero. Então saiu ao campo para buscar o Senhor e meditar diante de Deus. Enquanto meditava, Rebeca chegou. Depois que o servo lhe disse tudo o que ocorrera, Isaque assumiu o que seu pai fizera por ele, e desposou Rebeca (24:66-67). Seu casamento foi uma

herança, não uma disputa. Não lutou por uma esposa. Herdou o que o pai fizera por ele. Nada fez para obter uma esposa. Somente assumiu o que o pai lhe assegurara. Agindo dessa maneira, foi um com o Senhor, de modo que se pudesse cumprir nele o propósito de Deus. Teve um casamento real e sólido, sem uma cerimônia de matrimônio.

6) Cumpriu o Propósito de Deus O casamento de Isaque cumpriu posteriormente o propósito de Deus (21:12b; 22:17-18). A vida dos que estão neste capítulo não foi meramente para o próprio viver humano de cada um, mas foi uma vida que resultou no cumprimento do propósito eterno de Deus, uma vida que gerou Cristo e produziu o reino de Deus para a Sua economia.

MENSAGEM SESSENTA E UM

VIVENDO EM COMUNHÃO COM DEUS (12)

O CASAMENTO DE ISAQUE UM TIPO DE CRISTO DESPOSANDO A IGREJA A Bíblia é um livro divino composto de conceitos divinos. Por isso, ela contém muitos registros maravilhosos, dentre os quais Gênesis 24. Este capítulo não somente desvenda um viver em unidade com Deus, como também implica algo mais profundo que o viver humano. Essa é a razão por que se toma difícil à mente humana sondar as profundezas da Bíblia. Na superfície de Gênesis 24 temos um registro do viver humano, mas nas suas profundezas, há algo divino. Embora seja fácil visualizar a superfície, é difícil penetrar nas profundezas.

(b) Um Tipo de Cristo Desposando a Igreja Em Gênesis 24 observamos um casamento que é um tipo de Cristo desposando a igreja. Não podemos encontrar um versículo sequer no Novo Testamento que diga que este casamento é um tipo de Cristo desposando a igreja. O Novo Testamento, entretanto, revela-nos claramente que Isaque, o filho de Abraão, era um tipo de Cristo, sendo o único descendente de Abraão (Gl 3:16). Com base no fato de que Isaque era um tipo de Cristo, podemos inferir que o casamento de Isaque era um tipo do casamento de Cristo. Por ser a Bíblia um livro divino composto de conceitos divinos, podemos vê-los em suas várias passagens. Por exemplo, todos estamos familiarizados com a história de José. Embora não haja palavra alguma no

Novo Testamento a dizer que ele era um tipo de Cristo, qualquer leitor da Bíblia pode reconhecer que sua história se parece muito com a de Cristo. Alguns mestres da Bíblia dizem que nada deveríamos alegorizar nas Escrituras, a menos que o Novo Testamento o indique como sendo alegoria, como sendo um tipo de certas coisas espirituais. Mas não deveríamos insistir nisso, porque, embora o Novo Testamento não o diga, todo mestre da Bíblia reconhece José como um excelente tipo de Cristo. Quando lemos sua história, vemos que ela descreve a vida de Cristo. Muitos incidentes de sua vida-como o ter sido traído-são semelhantes aos da vida de Cristo. No mesmo princípio, já que Isaque é um tipo de Cristo e já que seu casamento se parece com o casamento de Cristo, podemos dizer que o casamento registrado em Gênesis 24 é um tipo de casamento de Cristo. Em Gênesis 24 notamos quatro pessoas principais: o pai, o filho, o servo e a noiva. Isso é muito significativo. Quando atentamos para o Novo Testamento, percebemos que o Deus Triúno está trabalhando em conjunto a fim de obter uma noiva para o Filho. Qual é o tema do Novo Testamento? Se você disser que é somente Jesus como o nosso Salvador, eu direi que isso é bom, mas não todo- inclusivo. O tema do Novo Testamento é o Deus Triúno o Pai, o Filho e o Espírito trabalhando em cooperação a fim de obter a noiva para o Filho. O Pai elaborou o plano, o Espírito executa-o e o Filho desfruta o que o Pai planejou e que o Espírito executa. Quem é a noiva? A noiva é uma parte da raça humana que desposará o Filho e se tomará Seu complemento. Mateus 28:19 fala do Pai, do Filho e

do Espírito. Em Atos e nas Epístolas vemos como o Espírito trabalha de acordo com o plano do Pai a fim de obter a noiva para o Filho. Ao final do Novo Testamento, no livro de Apocalipse, vemos a noiva. Apocalipse 19:7 diz: “Porque vindas são as bodas do Cordeiro, e já a sua esposa se aprontou” (VRC). Por fim, toda a Nova Jerusalém, a cidade-mulher, será a noiva (Ap 21:2, 9-10). Embora esse termo “cidade- mulher” possa parecer estranho, nada há de errado com seu uso, porque a Nova Jerusalém será uma mulher, a esposa do Cordeiro, o complemento do Filho de Deus. A Nova Jerusalém inteira é simplesmente um registro do Deus Triúno trabalhando em cooperação a fim de ganhar uma parte da raça humana para ser a noiva, o complemento do Filho.

1) O Plano do Pai Em primeiro lugar temos o plano do Pai. De acordo com a versão de João Ferreira de Almeida, Efésios 3:11 fala do “eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus nosso Senhor”. A palavra “propósito” é um termo arcaico para a palavra mais moderna “plano”. Quando falamos do plano de Deus, referimo-nos ao Seu propósito. Na eternidade passada Deus fez um plano, um plano de ter a igreja para Cristo (Ef 3:8-11). O plano de Deus não é somente ter um grupo de pecadores nem ter um grupo de redimidos. Tal concepção é muito superficial. O Seu plano é ter uma noiva para Seu Filho. Ouvimos dizer várias vezes que Cristo veio para salvar os pecadores. Mas você já ouviu alguma mensagem dizendo que Cristo veio para conseguir

uma noiva? João 3:29 diz: “O que tem a noiva é o noivo”. Nos quatro Evangelhos, o Senhor disse a Seus discípulos que Ele era o Noivo (Mt 9:15). Ele veio não somente para salvar os pecadores, mas também para obter a noiva. Somos ainda pecadores? Não, somos a noiva! Louvado seja o Senhor, pois não somos mais pecadores; somos a noiva! Devemos ainda nos achegar diante de Deus, confessando-Lhe nossos pecados de maneira suplicante? Não! Precisamos nos achegar a Ele com alegria, dizendo:

“Louvado seja o Senhor! Estou tão feliz porque já não sou mais um pecador. Sou uma parte da noiva! “ Cristo não veio meramente para ser o nosso Salvador e Redentor. Ele também veio para ser o Noivo. Deus não planejou salvar um grupo de pobres pecadores e introduzi-los todos no céu, mas planejou tomar uma parte da raça humana e fazer dela o complemento do Seu querido Filho. Por fim, no novo céu e na nova terra não haverá um grupo de míseros pecadores; haverá a noiva, a Nova Jerusalém, a esposa do Cordeiro. Como vimos, Deus Pai planejou tomar da raça humana uma noiva para Seu Filho. Abrãao, um tipo do Pai, encarregou seu servo, um tipo de Espírito Santo, de tomar uma esposa para seu filho; não dentre as filhas dos cananeus, mas dentre a parentela de Abraão (24:4, 7). Em tipologia, isso indica que o complemento de Cristo deve provir da raça de Cristo, não dos anjos nem de qualquer outra criatura. Encarnando-se Cristo como homem, a humanidade tornou-se a Sua raça. Não a considere tão pobre. A humanidade não é pobre. Por ser a raça de Cristo, ela é querida e preciosa para Deus. Somente dela Deus pode obter o complemento para Seu Filho. Portanto,

todos precisamos orgulhar-nos de ser uma parte dela, e dizer: “Louvado seja o Senhor porque sou um homem! Graças a Ele por eu não ter sido criado como parte da raça angélica, mas como parte da raça humana”. Em Gênesis 2 vemos que Deus levou os seres vivos a Adão para que este lhes desse nomes. Adão disse: “Esse é um cão e aquele é um gato. Isto é um macaco e aquilo é um jumento”. Quando olhou para todas aquelas criaturas não encontrou entre elas o seu complemento. Assim, Deus fez cair um profundo sono sobre ele, tomou uma de suas costelas e edificou uma mulher como seu complemento (2:21-22). Assim, Adão e Eva eram da mesma raça, o que prefigura que o complemento de Cristo precisa vir de Sua raça, a raça humana. Todos nós fomos criados raça humana, e como parte da raça humana todos renascemos. Somente a raça humana está qualificada para ser o complemento de Cristo.

2) A Missão do Espírito Enquanto o pai tinha um plano, o servo recebeu uma incumbência, uma missão (v. 33). Abraão incumbiu-o de ir à sua raça e tomar para seu filho uma esposa. Isso quer dizer que Deus Pai comissionou Deus Espírito. O Novo Testamento revela essa comissão divina.

a) Conseguir a Noiva Escolhida Assim como Abraão encarregou seu servo de conseguir a noiva escolhida (vs. 10-21) , também Deus Pai comissionou Deus Espírito para obter a raça humana. Todos podemos testificar que, em

determinado tempo, o Espírito de Deus veio até nós.

Talvez você diga: “Não percebi que Deus Espírito veio

a mim. Apenas sei que alguém pregou-me o

evangelho”. Enquanto aquela pessoa lhe pregava o evangelho, você foi atraído pelo que ela dizia e se

dispôs a recebê-lo. Embora não compreendesse tudo o que ela dizia, algo profundo em seu íntimo estava respondendo. Em nossa mente, muitos de nós pensávamos: “Não gosto disso”, mas nas profundezas

de nosso espírito dizíamos: “Isso é muito bom”. No

início do meu ministério na China preguei bastante o evangelho. Quando os chineses esclarecidos-que consideravam o cristianismo uma religião estrangeira ouviram nossa pregação, disseram em sua mente:

“Isto é uma religião estrangeira; não gosto”. Mas como muitos deles mais tarde puderam testificar, enquanto pensavam dessa forma, algo em seu íntimo dizia: “É disso que eu preciso”. O que os levou a responder interiormente dessa maneira? Foi o Espírito Santo alcançando-os. Rebeca jamais sonhou ser escolhida por esposa de Isaque. De acordo com o costume da época, ela simplesmente foi tirar água do poço, no fim da tarde. Mas nesse dia algo especial aconteceu. Antes de ela chegar ao poço, o servo de Abraão já estava lá. Isso indica a vinda do Espírito à raça humana (v. 10). Antes de ouvirmos a pregação do evangelho ou de virmos a uma reunião de evangelização, o Espírito Santo já estava nos esperando. Em Gênesis 24, o servo de Abraão, que se chegara ao poço (v. 11), pediu à mulher que lhe desse de beber (v. 17). Em João 4, o Senhor Jesus, que chegara ao poço de Jacó (Jo 4:6) , também pediu água à uma mulher. Os pregadores dizem

freqüentemente que estamos sedentos e que precisamos da água viva para saciar nossa sede. Mas você já ouviu dizer alguma vez que o Espírito Santo está sedento e precisa de você para saciar a Sua sede? Em Gênesis 24 vemos um servo sedento após sua longa viagem; e, em João 4, vemos um Salvador sedento depois de Sua cansativa viagem. Quem estava sedento em Gênesis 24: o servo ou Rebeca? Era o servo. De semelhante modo, quem estava mais sedento em João 4: o Senhor Jesus ou a mulher samaritana? Era o Senhor Jesus. Assim, quando pregamos o evangelho, precisamos dizer às pessoas que o Pai, o Filho e o Espírito estão sedentos delas. Rebeca não tinha a sensação de sede nem sentia a necessidade de um marido. O servo é quem estava sedento. Na hora em que ele chegou à cidade de Naor estava sedento, tanto física quanto espiritualmente, sedento da mulher que seria a esposa apropriada para o filho de seu amo. Em João 4 o Senhor Jesus também estava sedento, tanto física quanto espiritualmente. Enquanto você lê essa mensagem, o Espírito Santo está, mesmo agora, sedento de você. Você vai dar-Lhe de beber para saciar Sua sede? Quando ouvíamos a pregação do evangelho no passado, não percebíamos que o Espírito Santo estava sedento de nós. Podemos ter pensado: “Por que este pregador está tão ansioso de convencer-me? “ A insistência não era do pregador, mas da sede do Espírito. Enquanto ouvia a pregação do evangelho, você não sentiu que alguém estava desejoso de tê-lo? Na época em que foi salvo também sentiu que alguém o perseguia. Por um lado, você disse: Não gosto disso”; por outro, algo em seu íntimo disse: “Você não pode fugir.

Quando foi tirar água do poço naquele dia, Rebeca ignorava totalmente os fatos, não tendo idéia do que estava para acontecer-lhe. Não percebeu que, ao dar de beber a um homem e tirar água para seus camelos, ela seria apanhada. Mas o pai distante fizera um plano de tomar uma mulher da sua raça como esposa para seu filho, e incumbira seu servo de executar esse plano. Assim, o servo chegou à cidade de Naor e, propositadamente, esperou lá, ao lado do poço. Era um verdadeiro caçador perseguindo uma esposa para Isaque. Se Rebeca nunca tivesse falado ao servo jamais teria sido apanhada. Mas o que aconteceu não dependia dela. O servo já orara ao Senhor para que lhe desse sucesso, dizendo: “Dá-me, pois, que a moça a quem eu disser: Inclina o cântaro para que eu beba; e ela me responder: Bebe, e darei ainda de beber aos teus camelos, seja a que designaste para o teu servo Isaque; e nisso verei que usaste de bondade para com meu senhor” (v. 14). Enquanto ainda falava dessa maneira, Rebeca chegou. Quando lhe pediu de beber, ela não só deu a ele, mas também disse: “Tirarei água também para os teus camelos, até que todos bebam” (vs. 18-19). Embora não percebesse, agindo dessa forma, Rebeca foi apanhada. Muitos de nós podemos testificar que, no princípio, não tínhamos boa impressão de Cristo. Mas em dado momento algo bem profundo dentro em nós começou a amá-Lo. Quando jovem não compreendia muito a respeito de Cristo, mas amava- O. Embora não pudesse explicar o que sentia então, simplesmente comecei a amá-Lo. Mas agora percebo a razão: na eternidade o Pai planejara apanhar-me. Embora eu seja apenas um pequeno homem, sou

mais que digno de ser apanhado por Deus. De acordo com o Seu plano todos fomos apanhados por Ele. Pergunto-lhes: Vocês pretendiam ser salvos ou ser um cristão? Nenhum de nós o queria. Mas um dia ouvimos o nome de Jesus e reagimos a Ele com amor.

Esse é o sinal de que fomos escolhidos. Quem conduziu o servo à cidade de Naor, onde Rebeca habitava? E quem conduziu Rebeca ao poço onde o servo estava esperando? Sem dúvida foi o Espírito de Deus. O fato de sermos salvos não dependeu de nós, mas resultou do plano do Pai e da incumbência do Espírito.

O servo de Abraão, por fim, chegou até Rebeca

por meio da água que satisfaz (v. 14). Os escolhidos de Deus são a água que satisfaz o Espírito Santo. O Espírito Santo hoje vem buscar os escolhidos de Deus, como Cristo fez no poço de Sicar (Jo 4:7). Se alguém Lhe responde e satisfaz Seu desejo é um sinal de que este é um dos escolhidos para Cristo e que ele será ganho pelo Espírito Santo para Cristo.

b) Trazer as Riquezas de Cristo à Noiva

O Espírito também traz as riquezas de Cristo à

noiva (vs. 10, 22, 47, 53). Após os camelos acabarem de beber, o servo colocou um pendente de ouro no nariz de Rebeca e duas pulseiras em suas mãos (v. 22). A melhor maneira de se apanhar uma pessoa é pegá-la pelo nariz. O fato de Rebeca ter um pendente no nariz e pulseiras nos pulsos significava que ela fora apanhada. Depois de lhe dar tais coisas, o servo lhe perguntou: “De quem és filha? peço-te que me digas. Haverá em casa de teu pai lugar em que eu fique, e a comitiva? “ (v. 23). Uma vez trazido ao lar de Rebeca, o servo testificou as riquezas de Isaque.

Depois que o irmão de Rebeca, Labão, e seu pai, Betuel, aceitaram a proposta do servo, ele deu a Rebeca mais das riquezas de Isaque: artigos de prata, de ouro e vestidos (v. 53). Deu também objetos preciosos ao irmão e à mãe dela. Isso é exatamente o que João 16:13-15 revela sobre o Espírito. Nesses versículos o Senhor Jesus disse que o Espírito não falaria de Si mesmo, mas glorificaria o Filho. Tudo o que o Pai tem é Dele, e o Espírito recebe Dele e o revela aos discípulos. Suponha que o servo de Abraão tivesse dito a Labão: “É difícil para Abraão ganhar a vida em Canaã, e seu filho não tem saúde. Fui enviado para conseguir uma auxiliadora para ele”. Você pensa que, ao ouvir tal coisa, Rebeca diria: “Eu irei? “ Pelo contrário, diria não e teria fugido. O testemunho do servo de Abraão, porém, não foi pobre, mas muito rico. O servo disse que o Senhor abençoara seu amo Abraão, que este se tornara grande e dera todas as coisas ao filho Isaque, e que seu amo o incumbira de encontrar uma esposa para seu filho. Ao ouvir tal testemunho, Rebeca foi atraída para Isaque e se dispôs a ir para ele. Esse é um quadro de como o Espírito Santo vem até nós testificando as riquezas de Cristo. Cristo hoje é o designado para herdar todas as riquezas do Pai. Sabemos isso porque o Espírito nos falou a esse respeito por meio das Escrituras. Por causa do testemunho do Espírito todos fomos atraídos para Cristo. Todo salvo que ama e busca o Senhor foi atraído dessa maneira. Não nos importam as coisas que as pessoas do mundo buscam. Temos prazer em vir às reuniões da igreja e dizer ao Senhor Jesus o quanto O amamos. Oh! nós O amamos, nós O buscamos e O louvamos! E dizemos repetidas vezes:

“Senhor Jesus, eu Te amo”. Rebeca percebeu as riquezas de Isaque mediante os presentes trazidos pelo servo de Abraão. Percebemos hoje as riquezas de Cristo, que Ele recebeu do Pai, mediante os presentes que o Espírito nos dispensou. Antes de encontrar Isaque na boa terra, Rebeca participara e desfrutara da sua herança. Ocorre o mesmo conosco ao participarmos da herança de Cristo. Antes de encontrá-Lo, desfrutamos os presentes do Espírito, como um antegozo do desfrute completo de Suas riquezas.

c) Convencer a Noiva O Espírito também convence a noiva (24:54-58). Depois que o servo, prefigurando o Espírito, trouxe as riquezas a Rebeca, esta ficou convenci da e prontificou-se a casar com Isaque. Embora seus parentes quisessem que se demorasse um pouco mais, ela, depois de ouvir o testemunho do servo de Isaque, disse: “Irei” (24:58). Dispôs-se a ir a Isaque, à terra de Canaã. De semelhante modo, estamos dispostos a ir a Cristo. Embora jamais O tivéssemos visto, fomos atraídos a Ele, e O amamos (1 Pe 1:8). Mesmo não tendo visto Isaque, Rebeca o amou. Quando ouviu a seu respeito, simplesmente o amou e quis dirigir-se a uma terra longínqua para estar com ele. Uma vez que estejamos dispostos a ir a Cristo, é um sinal de que somos a Rebeca escolhida. Ao observar os jovens amando Jesus eu dizia: “O que todos estes jovens estão fazendo aqui? Por que não buscam as coisas do mundo? Mas bem no meu íntimo eu sabia a razão. Todos fomos convencidos de que Cristo é o Maravilhoso. Ele é o mais amável em todo o universo. Como O amamos! Quando cavalgava seu camelo para

estar com Isaque, Rebeca deve ter dito muitas vezes:

“Isaque, eu te amo! Isaque, quero ver-te e estar contigo! “ Hoje ocorre o mesmo conosco. Enquanto estivermos fazendo nossa longa jornada, diremos repetidas vezes: “Jesus, eu Te amo. Jesus, desejo ardentemente encontrar-Te e estar na Tua presença”.

d) Conduzir a Noiva a Cristo Por fim, o servo conduziu Rebeca a Isaque (24:51, 61-67). Embora fosse uma longa jornada, ele a conduziu e a apresentou como noiva a Isaque. O Espírito Santo convenceu-nos, e agora está conduzindo-nos a Cristo. Embora seja uma longa jornada, Ele, por fim, nos apresentará a Cristo como Sua amada noiva.

3) A Resposta da Igreja Agora precisamos considerar a resposta da igreja. Como vimos, Rebeca respondeu imediatamente, dispondo-se a ir com o servo a Isaque. Embora em nossa natureza velha e caída haja relutância em seguir de imediato o Senhor, não podemos negar que também existe dentro de nós a disposição de segui- Lo. Mesmo estando nessa velha natureza, ainda nos é fácil seguir o Senhor. É muito mais fácil segui-Lo do que não segui-Lo, Não acredite na mentira do inimigo quando diz que você pode ser facilmente impedido de seguir o Senhor. Diga-lhe: “Nada pode frustrar o meu desejo de seguir o Senhor. No meu íntimo há um ardente desejo de segui-Lo. Satanás é um mentiroso. Às vezes, ele até mesmo mente por meio de pregadores que falam coisas negativas e dizem-nos que não podemos amar o Senhor Jesus.

Não acredite nessas mentiras, mas declare: “Não! Eu posso e amo o Senhor Jesus! “ Podemos até mentir a nós mesmos, dizendo: “Sou tão fraco. Simplesmente não posso seguir o Senhor. É melhor dar meia-volta e retroceder”. Temos de rejeitar essa mentira e dizer:

“Jamais retrocederei. Seguirei o Senhor Jesus”. Jamais acredite na mentira de que você não ama o Senhor. Diga ao inimigo: “Eu amo o Senhor Jesus. O fato de amá-Lo não está na dependência da minha capacidade de amar. Depende do fato de Ele ser tão amável. Sendo Ele tão amável, não consigo deixar de amá-Lo”. Se lhe desse um par de sapatos velhos, você os rejeitaria, dizendo: “Não me importam! “ Mas se eu lhe der alguns diamantes, facilmente se agradará deles, não porque você tenha capacidade de amá-los, mas porque eles são maravilhosos. De semelhante modo, não amamos o Senhor Jesus porque somos capazes de amar; nós O amamos porque Ele é muito amável. Em Gênesis 24, não foi Rebeca quem se mostrou capaz de amar Isaque e corresponder ao seu amor; Isaque é que se mostrou amável.

a) Fazer o que o Espírito Espera A nossa resposta ao Espírito Santo é sempre fazermos o que Ele espera. O servo de Abraão esperava que Rebeca lhe desse de beber e, então, tirasse água para seus dez camelos; e Rebeca fez exatamente o que ele esperava (24:18-20) , saciando a sede do servo. Freqüentemente nós, de maneira inconsciente, fazemos o que o Espírito Santo espera, satisfazendo Seu desejo, agindo sem saber qual a Sua expectativa. Agir assim é um sinal de que estamos sob o mover do Espírito.

b) Recebeu os Presentes Após fazer o que o servo esperava, Rebeca recebeu os presentes. Primeiramente, o servo colocou-lhe um pendente de ouro no nariz. Embora hoje as madames gostem de usá-las nas orelhas, o pendente, neste trecho, é posto no nariz de Rebeca. Ao ler o Cântico dos Cânticos, fiquei surpreso de ver que o Senhor não estima os ouvidos do que O busca. Pelo contrário, estima seu nariz, dizendo: “Teu nariz, como a torre do Líbano voltada para Damasco”, e “o sopro das tuas narinas perfuma como o aroma das maçãs” (Ct 7:4-8; BJ). No Cântico dos Cânticos 2:3, o que busca diz: “Qual a macieira entre as árvores do bosque, tal é o meu amado entre os jovens; desejo muito a sua sombra, e debaixo dela me assento; e o seu fruto é doce ao meu paladar”. Por estar desfrutando as maçãs, seu nariz tinha o aroma delas. Que isso quer dizer? A função do nariz é cheirar. Colocar um pendente de ouro no nariz de Rebeca significava que sua função de cheirar fora apanhada pela natureza divina. Uma vez estando com esse pendente em nosso nariz, teremos o cheirar e o paladar divinos. Como diz o livro de Hebreus, já provamos o dom celestial, a boa palavra de Deus e as obras do poder da era vindoura (Hb 6:4-6). Antes de ser salvo, eu tinha um gosto particular. Todavia, após receber o Senhor, meu gosto mudou. Recebi o gosto divino. Há algum pendente de ouro em seu nariz? O seu nariz é como a alta torre do Líbano? Conforme atesta Levítico 21:18 (IBB-Rev. ) , pessoa alguma que tivesse nariz chato poderia servir como sacerdote. Todos precisamos ter um nariz alto, não chato. Nós, os salvos, temos o olfato divino com o

paladar divino. Por termos tal percepção, há muitas coisas nas lojas que não podemos comprar. Que nos leva a não comprar essas coisas? O pendente de ouro em nosso nariz. Pelo nosso nariz com o pendente de ouro sentimos que existe algo errado com certos artigos nas lojas. Porque temos tal nariz, não precisamos que os outros nos digam o que fazer ou o que não fazer. O nosso olfato e o nosso paladar dizem-nos o que se ajusta ao gosto de Deus e o que não se ajusta. Precisamos ter um nariz como torre alta e um nariz com o aroma das maçãs. O nosso nariz espiritual precisa ser uma torre alta no Espírito e precisa estar com o aroma de Cristo. Quanto mais desfrutarmos Cristo como a macieira, mais teremos um nariz cheio do Seu aroma de maçã. O servo também colocou duas pulseiras nos pulsos de Rebeca (24:22, 47). Em certo sentido, ela foi algemada. De acordo com o conceito do Novo Testamento, isso significa que recebemos a função divina (Rm 12:4). Quanto mais somos algemados pelo Espírito, mais presentes (os dons) recebemos Dele. Não só ganhamos o sabor divino, como também adquirimos a função divina. As duas pulseiras dadas a Rebeca tinham dez sidos de peso e, assim, podiam cumprir as exigências dos mandamentos de Deus. O peso do pendente de ouro em seu nariz, pelo contrário, era de apenas meio sido. Esse meio sido significa o primeiro gosto, o antegozo. A metade que experimentamos indica que a outra metade, o sabor completo, está-se aproximando. Enquanto por um lado o sabor é apenas parcial, por outro, as funções são completas. Não diga que tem apenas a meia função. Não, a sua função, o seu talento está completo. Todos têm ao menos um

talento completo. O gosto que recebemos do Espírito Santo é apenas parcial, mas a função divina que Dele recebemos é completa.

Rebeca também recebeu artigos de prata, de ouro e vestidos (24:53) , tudo a indicar as riquezas de Cristo. A princípio, recebeu um pendente de ouro no nariz e duas pulseiras nos pulsos. Após aceitar a incumbência do servo, mais riquezas lhe foram trazidas. De semelhante modo, após entrarmos para

a vida da igreja e aceitarmos a comissão do Espírito,

as riquezas de Cristo artigos de prata, de ouro e vestidos foram trazidas para o nosso deleite. Por meio de todos esses pormenores podemos perceber que o registro de Gênesis 24 é inteiramente divino e subentende o conceito divino. Essa alegoria não é minha; está assim registrada. Por que o pendente de ouro tinha somente meio sido e não três quartos de siclo? Por que as pulseiras eram de dez siclos e não de nove ou onze? Por que o servo não distribuiu todas as riquezas até ser aceita sua incumbência? Tudo isso se ajusta à revelação do

Novo Testamento. Estamos desfrutando hoje não só

o pendente de ouro em nosso nariz e as pulseiras em

nossos pulsos, mas também os artigos de prata, de ouro e vestidos. Na vida da igreja todas as riquezas de Cristo são nossas.

c) Seguir o Espírito Depois de receber e desfrutar todas essas riquezas, Rebeca seguiu o servo, viajando num camelo pelo deserto, até encontrar Isaque (24:58, 61- 65). De semelhante modo, estamos seguindo o Espírito, fazendo uma longa jornada sobre um camelo”. Quando encontrarmos Cristo,

desmontaremos do nosso “camelo”. Todas as conveniências modernas como telefones, automóveis etc. são os nossos camelos hoje. Rebeca viajou pelo deserto sobre um camelo, e nós estamos viajando pelo deserto sobre os “camelosde hoje. De acordo com Levítico 11, o camelo é imundo, ainda que seja útil. Muitas das conveniências de hoje não são limpas aos olhos de Deus. Todavia capacitam-nos a viajar pelo deserto. Quando O encontrarmos, abandonaremos os “camelos.

4) O Casamento do Filho Num sentido positivo, o filho, Isaque, nada fez. Isso indica que tudo é planejado pelo Pai e executado pelo Espírito. Tudo o que o Filho faz é receber a noiva. Isaque recebeu Rebeca ao cair da tarde (24:63- 64) , implicando que o casamento de Cristo será ao crepúsculo da era. Ao terminar esta era, Cristo virá encontrar Sua noiva. Isaque conduziu Rebeca para dentro da tenda de sua mãe e amou-a (24:67). Como vimos, Sara tipificava a graça. Assim, isso quer dizer que Cristo nos encontrará tanto em graça como em amor. Esse capítulo termina com essas palavras:

“Assim foi Isaque consolado depois da morte de sua mãe”. Se eu fosse o escritor, teria dito que Rebeca foi confortada após sua longa viagem. Mas a Bíblia não diz assim. Não atente para o seu conforto, para a sua satisfação; pelo contrário, atente para o conforto de Cristo, para a satisfação Dele. Se Ele não tiver conforto e satisfação também não poderemos tê-los. Nossa satisfação depende da Dele. Nosso conforto é o Seu conforto, e a Sua satisfação é a nossa. Cristo está agora esperando pelo Seu conforto. Quando o terá?

No dia do Seu casamento. Esse dia chegará.

MENSAGEM SESSENTA E DOIS

NÃO TENDO MATURIDADE ALGUMA NA VIDA A Bíblia é uma revelação completa. O conteúdo dessa revelação é o propósito eterno de Deus. Como já enfatizamos várias vezes, o Seu propósito eterno é trabalhar a Si mesmo dentro de um homem coletivo, de modo a poder ter uma expressão corporativa no universo. Se quisermos compreender qualquer trecho da Bíblia de maneira correta, precisaremos guardar na mente essa questão. Nesta mensagem, chegamos a Gênesis 25. Muitos anos atrás, eu não gostava da primeira parte desse capítulo. Entretanto, uma vez que não há palavra alguma desperdiçada na Bíblia, este trecho de Gênesis 25 deve ser muito significativo. Se não mantivermos diante de nós o objetivo da revelação da Palavra Sagrada, seremos incapazes de ver o significado desta parte de Gênesis 25. Pela Sua misericórdia, o Senhor nos tem mostrado a profundidade deste trecho da Palavra. Tanto em Gênesis como em Romanos lemos claramente que Abraão era bastante velho ao gerar Isaque. Romanos 4:19 diz que Abraão considerava o próprio corpo já amortecido. Ainda assim, quarenta anos após o nascimento de Isaque, ele casou-se novamente (25:1), e, ao ter cento e quarenta anos, ainda gerou seis filhos (25:2). Como se explica isso? Se aos cem anos era tão velho como uma pessoa morta, certamente deveria parecer muito mais amortecido ao casar-se de novo, aos cento e quarenta anos. No capítulo 23, Sara morreu e foi sepultada. No

capítulo 24, Abraão providenciou uma esposa para Isaque; e, no capítulo 25, ele próprio casou-se novamente. Que significa isso? Gênesis 25 também inclui um registro do nascimento de Jacó e de Esaú. Por que tal registro maravilhoso incluiu, no mesmo capítulo, os nomes dos seis filhos da concubina de Abraão? O registro dos seis filhos de Abraão é negativo, ao passo que o registro do nascimento de Jacó e Esaú é positivo. Se fosse compor este capítulo, você colocaria juntos esses dois relatos? Nenhum de nós o teria escrito assim. Todavia, conforme a inspiração do Espírito Santo, isso deve ser muito significativo.

e. Não Teve Maturidade de Vida Se considerarmos atentamente todos esses aspectos, perceberemos bem no íntimo do nosso espírito que a intenção do Espírito Santo nesse capítulo é mostrar que Abraão não era uma pessoa amadurecida na vida. Embora fosse velho fisicamente, era imaturo em sua vida espiritual. Como vimos, o propósito de Deus é trabalhar a Si mesmo no interior de uma pessoa corporativa, de modo a poder ter uma expressão corporativa. Para executá-lo, Ele criou os céus, a terra e o homem com um espírito como seu órgão receptor (Zc 12:1). Esse homem foi criado à Sua imagem para expressá-Lo, e com o Seu domínio para representá-Lo em Sua autoridade. Em Gênesis 3, vemos que Satanás injetou-se no homem, e este tornou-se caído. De Gênesis 3 a 11, o homem teve pelo menos quatro quedas. Após a quarta queda, Deus veio e chamou Abraão para fora da raça caída e o estabeleceu por pai da raça chamada. A intenção de Deus, ao fazer

dele o pai da raça chamada, era trabalhar a Si mesmo para dentro daquela raça para o cumprimento do Seu propósito. Embora não tivesse a oportunidade de trabalhar a Si mesmo para dentro da raça criada, da raça adâmica, Deus agora tinha uma oportunidade de trabalhar a Si mesmo para dentro da raça chamada, da raça abraâmica. O registro da última metade de Gênesis 11 à primeira parte de Gênesis 25 mostra o quanto Deus trabalhou nessa pessoa. Entretanto, ao chegarmos ao fim do registro da vida de Abraão, vemo-lo uma pessoa amadurecida em vida e expressando Deus em todos os aspectos? Não. Abraão ainda não era tal pessoa. Muitos cristãos apreciam Abraão em demasia. Embora o respeite e não o menospreze, preciso salientar que, como indica o registro de Gênesis, ele não estava amadurecido na vida divina. Gênesis 24 é maravilhoso, mas não com respeito à vida de Abraão, e, sim, com referência à sua atividade. Abraão fez algo maravilhoso ao escolher para seu filho uma esposa apropriada. Todavia, logo após, ele próprio casou-se novamente. Gênesis 25 não diz: “Depois de encontrar uma boa esposa para Isaque, Abraão viveu com eles na presença do Senhor por mais de trinta anos. Um dia, chamando Isaque e Rebeca, impôs suas mãos sobre eles, abençoou-os, e, então, partiu para junto do Senhor”. Se fosse esse o registro, nós o apreciaríamos, dizendo: “Aqui está um santo maduro na vida”. Qual é a prova da maturidade na vida? É abençoar os outros. Quando jovens, recebemos bênçãos dos outros. Mas quando já maduros, transmitimos bênçãos aos outros. Embora velho, Abraão não abençoou ninguém. Isso prova que ele não tinha maturidade na vida.

(1) DESPOSOU QUETURA APÓS A MORTE DE SARA O registro de Gênesis 25 não é de bênção; pelo contrário, é o relato de um novo casamento. Abraão desposou Quetura após a morte de Sara. Casar de novo é um sinal de maturidade na vida? Claro que não!

(2) GEROU OUTROS SEIS FILHOS DEPOIS

DE ISAQUE

A vida de Abraão pode ser dividida em três

partes: a primeira com Ismael, a segunda com Isaque e a terceira com os seis filhos. Ismael foi produzido

pela carne de Abraão e Isaque, pela graça de Deus. E os seis filhos? Foram produzidos por mais carne ainda. Após o nascimento de Ismael, a carne de Abraão foi tratada, e a graça chegou para substituí-la. Mas depois que Isaque nasceu e cresceu, ela tornou- se ativa novamente. Na primeira parte, com Ismael, sua carne tinha intensidade um, mas na terceira parte, com os seis filhos, ela tinha intensidade seis, tendo sido intensificada seis vezes. Enquanto a carne mais jovem produziu um Ismael, a carne mais velha produziu seis filhos.

A Bíblia é honesta, ao dizer-nos que Abraão

desposou Quetura e gerou seis filhos por meio dela. Ocorre, porém, que ele conhecia a vontade de Deus. Gênesis 25:5 diz-nos: Abraão deu tudo o que possuía a Isaque”. Isaque era o único herdeiro, o herdeiro escolhido, designado e estabelecido por Deus. Nenhum dos outros filhos foram reconhecidos como herdeiros (v. 6) , pois eram todos filhos da concubina e, à semelhança de Ismael, foram rejeitados por Deus.

Abraão teve duas concubinas. A primeira gerou Ismael e a segunda gerou seis filhos. Mas Deus não quis nenhum deles. Tanto antes como depois do nascimento de Isaque, Abraão fez algo que Deus não queria. Como poderíamos afirmar que tal vida era madura?

(3) MORREU SEM MATURIDADE DE VIDA A intenção de Gênesis 25 é mostrar que Abraão não teve maturidade de vida. Morreu sem ela, pois, como vimos, morreu sem abençoar ninguém. Embora bondoso, não estava maduro na vida divina. É certo que o admiremos, mas precisamos perceber que ele teve uma grande carência. Foi chamado, teve fé e viveu em comunhão com Deus; mas usando um termo do Novo Testamento, não teve suficiente transformação. Que é transformação? Gostaria novamente de usar o exemplo da madeira petrificada. Quando a água flui através dela, o elemento madeira é levado embora e os elementos minerais são sedimentados em seu lugar. Ao serem os elementos minerais sedimentados nela, a madeira é transformada em pedra. Isso é petrificação. Somos madeira e o fluir da água viva precisa levar embora o nosso elemento natural e introduzir em nosso ser todos os elementos espirituais, divinos, celestiais e santos. Dessa maneira somos transformados. Se você ler outra vez os capítulos 23 a 25 perceberá que Abraão não foi uma pessoa totalmente transformada. Foi uma pessoa que viveu em comunhão com Deus, agiu de acordo com Sua orientação, mas não foi transformado por completo. Pelo contrário, casou-se de novo e exercitou a carne

que já fora tratada por Deus, gerando seis outros “Ismaéis”. Embora possamos ser como Abraão, precisamos ver que, em si mesmo, ele não foi um padrão completo.

(4) SEPULTADO COM SARA NA CAVERNA DE MACPELA Sem dúvida, Abraão morreu em fé. Seus dois filhos, Isaque e Ismael, sepultaram-no na caverna de Macpela (25:9-10) , adquirida por ele para sepultar Sara, em Gênesis 23. Seus filhos devem tê-lo sepultado de acordo com o seu desejo.

f. Precisou de Jacó e de Isaque para a Sua Completação Embora fosse bom, Abraão não foi completo. Ele teve de ser completado e aperfeiçoado pela vida de Jacó e Isaque. De acordo com o sentido do registro divino, Abraão, Isaque e Jacó não são três indivíduos separados. De semelhante modo, o Deus deles, o Deus de Abraão, o Deus de Isaque e o Deus de Jacó, não são três Deuses, mas o único Deus Triúno. Em Abraão vemos Deus Pai; em Isaque vemos Deus Filho; em Jacó vemos Deus Espírito. O Pai, o Filho e o Espírito, os três em um, são o único Deus Triúno. No mesmo princípio, Abraão, Isaque e Jacó são uma única pessoa triúna. Sendo três em um, formam uma pessoa completa na experiência de vida.

(1) JACÓ FOI ESCOLHIDO No registro de Abraão observamos a questão do chamamento. De acordo com a revelação divina, entretanto, o chamamento não é o primeiro item. A

escolha de Deus precede o Seu chamamento. Foi quando Abraão estava adorando ídolos na Caldéia que chegou a hora do chamamento de Deus e não a de Sua escolha. O momento da escolha de Deus ocorreu antes da fundação do mundo. Na eternidade passada Abraão foi escolhido; na Caldéia ele foi chamado. Mas onde está o registro da escolha de Abraão? Está em Gênesis 25, no registro da escolha de Jacó. Em si mesmo Abraão não teve escolha. Sua escolha estava em Jacó. A vida de Abraão não teve nem um início pleno nem um fim completo, pois ele não teve nem escolha nem maturidade de vida, as quais se encontram em Jacó. Em outras palavras, até onde diz respeito a essa experiência de vida, Abraão, por si mesmo, não pode posicionar-se como uma pessoa completa aos olhos de Deus. Ele precisa de Jacó e de Isaque. Essas três pessoas, Abraão, Isaque e Jacó, representam a experiência espiritual de um homem completo. No registro da vida de Jacó não há menção alguma de ter sido chamado. Onde e quando Jacó foi chamado? Foi chamado com Abraão em Gênesis da mesma maneira que Abraão foi escolhido com Jacó. Em Abraão vemos claramente o chamamento de Deus, mas não notamos a escolha nem a maturidade de vida. Em Gênesis 25 temos três genealogias: a genealogia dos filhos de Quetura (vs. 2-4) , a genealogia dos filhos de Ismael (vs. 13-16) e a genealogia de Isaque (vs. 19-26). Nas primeiras duas genealogias não se observa a escolha de Deus. Nenhum dos filhos de Quetura ou de Ismael foi escolhido por Ele. Mesmo Esaú, alguém nascido de Isaque, não foi escolhido. De todos os referidos neste capítulo, apenas um é escolhido Jacó. Essas três

genealogias são colocadas juntas num mesmo capítulo com um objetivo definido: mostrar o tipo de pessoa que Deus rejeita e o tipo de pessoa que Ele escolhe. Deus escolheu o mais travesso, Jacó, cujo nome significa “suplantador”, “o que segura o calcanhar”. Em lugar de Deus, jamais teríamos escolhido tal suplantador travesso. Todavia, Jacó foi a Sua escolha. Vemos neste capítulo que o que Abraão produziu não foi do agrado de Deus. Nenhum dos seus seis filhos foi escolha de Deus. Ao gerá-los, tudo o que fez resultou em nada. De semelhante modo, nenhum dos descendentes de Ismael foi escolhido por Deus. Depois de vinte anos de casado, Isaque “orou ao Senhor por sua mulher, porque ela era estéril; e o Senhor lhe ouviu as orações, e Rebeca, sua mulher, concebeu” (v. 21). Rebeca deu à luz gêmeos, sendo o segundo a escolha de Deus. De mais de vinte nascimentos registrados neste capítulo, todos foram vãos, exceto um. Neste capítulo Deus parecia estar dizendo a Abraão: “Você gerou muitos filhos pela sua carne, mas tudo é vão. Nenhum daqueles que são o resultado da sua carne é Minha escolha”. . Esse capítulo revela que a vida à qual falta maturidade sempre labutará em vão. Se não estivermos maduros em vida, ainda que possamos ser muito ativos fazendo muitas coisas, todo o nosso labor será vão. Nada disso está de conformidade com a escolha de Deus. Abraão foi um santo querido, com uma vida muito boa, mas sua vida não foi madura, e ele fez muitas coisas vãs. Nada do que proveio de sua carne foi escolha de Deus. Você quer ter uma vida como essa? Pelo registro da vida de Abraão, vemos que ele não foi completo. Como revela esse capítulo,

para a sua completação e seu aperfeiçoamento, Jacó precisou ser escolhido.

(2) A MATURIDADE DE VIDA EM JACÓ

Abraão também precisou da maturidade de vida existente em Jacó. De acordo com o livro de Gênesis,

a primeira pessoa a abençoar os outros foi

Melquisedeque (14:18-19). Como nos revela o livro de Hebreus, Melquisedeque era um tipo de Cristo. Mas

Abraão, mesmo estando muito velho, bem mais velho que a idade total alcançada por Jacó, jamais abençoou alguém. Embora tivesse recebido a bênção, ele jamais a transmitiu a outros. Depois de

Melquisedeque, a pessoa seguinte a abençoar outros

foi Isaque. Mas esse abençoou às cegas; foi enganado

e não abençoou de maneira clara. Antes, acabou por abençoar a pessoa errada, conferindo a Jacó o direito de primogenitura ao invés de Esaú (Gn 27). Todavia,

como revela o registro do final de Gênesis, embora não enxergasse nitidamente, Jacó abençoou de maneira bem clara. Depois de se tornar maduro abençoava a quem quer que encontrasse. Aonde fosse, nada fazia exceto abençoar os outros. Conduzido à presença de Faraó, a primeira coisa que fez foi abençoá-lo (47:7). Depois de conversar um pouco com Faraó, abençoou-o novamente (47:10). Jacó não foi somente uma pessoa abençoada, como também abençoava. Apesar de ser fácil receber uma bênção, não é fácil abençoar os outros. Um neto não pode abençoar seu avô, porque ao neto falta a maturidade de vida. Por ser maduro, Jacó abençoou a todos que

encontrou, inclusive Faraó, que era um incrédulo, um

rei gentio. Jacó não sentia que tinha de fazer alguma

coisa por alguém; seu encargo era simplesmente abençoar os outros. Considere o caso de Jacó abençoando os dois filhos de José (48:8-20). Quando Jacó colocou sua mão direita sobre Efraim ao invés de Manassés, o primogênito, José ficou descontente e tentou mover a mão direita do pai para a cabeça de Manassés, dizendo: “Não assim, meu pai, pois o primogênito é este; põe a tua mão direita sobre a cabeça dele” (48:18). Mas Jacó recusou-se e disse: Eu sei, meu filho, eu o sei” (48:19). Jacó parecia estar dizendo:

“Posso ser cego fisicamente, mas estou muito claro espiritualmente. Você não sabe o que estou fazendo, mas eu sei”. Aqui vemos que Jacó abençoou os dois filhos de José com uma bênção rica, clara e plena. Ele também abençoou seus doze filhos de maneira muito clara. Tais bênçãos são o fundamento das profecias básicas da Bíblia. Se desejamos conhecer as profecias da Bíblia, precisamos voltar ao seu fundamento, aos seus elementos básicos, como vimos nas bênçãos conferidas por Jacó a seus doze filhos. Jacó podia abençoá-los de maneira plena de revelação divina, pois estava totalmente amadurecido na vida divina. Nasceu um Jacó, mas foi transformado em Israel. Nasceu um suplantador, um segurador de calcanhar, mas foi transformado em príncipe de Deus. Tornou-se muito consciente e cheio de vida. Quando estamos claros e cheios de vida nada podemos fazer senão abençoar. Isso é um sinal de maturidade. Como vimos, Abraão, Isaque e Jacó formam uma pessoa completa na experiência de vida. Abraão não abençoou porque não teve maturidade de vida. Isaque, tendo alguma maturidade, mas carecendo

das riquezas da maturidade de vida, abençoou de maneira cega. Jacó, maduro em vida, abençoou de maneira plena e clara. Tudo o que ele disse foi a palavra divina, e tudo o que ele abençoou foi uma profecia referente à economia de Deus para com todos os Seus filhos. Por fim tornou-se Israel, a expressão de Deus. Se tivermos luz por parte das Escrituras como um todo, veremos que o livro de Gênesis é uma miniatura da revelação completa da Bíblia inteira. No final de Gênesis vemos um homem chamado Israel, uma pessoa transformada que é transparente, clara e cheia de vida. O Israel transformado é uma semente, uma miniatura da Nova Jerusalém. No princípio de Gênesis temos o homem criado à imagem de Deus. Ao final de Gênesis observamos uma pessoa transformada, um homem não apenas à imagem de Deus exteriormente, mas alguém em quem Deus trabalhou a Si mesmo, fazendo dele Sua expressão. Embora muitos cristãos apreciem Abraão, sua vida não foi suficientemente elevada. A vida de Israel foi muito mais elevada.

(3) ISAQUE DESFRUTOU A HERANÇA Para a sua completação, Abraão também precisou que Isaque desfrutasse a herança (24:36; 25:5). Desde o dia em que Abraão foi chamado por Deus, Este começou a despojá-lo de coisas. Em primeiro lugar levou seu irmão, e, depois, seu pai. Mais tarde rejeitou Eliezer; depois ordenou-lhe que lançasse fora Ismael e oferecesse Isaque no altar. Depois de devolver-lhe Isaque, Sara morreu. Sua vida não foi de deleite, mas de despojamento. A vida de Isaque, pelo contrário, foi cheia de deleite. Ele nada

fez; simplesmente herdou tudo o que seu pai tinha. Em nossa vida cristã temos tanto as experiências de Abraão como as de Isaque. Por um lado estamos sempre sendo despojados, pois Deus rejeita tudo o que temos. Ele parece dizer: “Você gosta disso, mas Eu não. Você quer dar isso, mas Eu não aceito. Você quer preservar isso, mas Eu o rejeito”. Num sentido muito bom, Ele sempre age de modo contrário aos nossos desejos e intenções. Abraão queria levar consigo seu pai, mas este morreu. Queria ter Ló, mas este se separou dele. Queria Eliezer para ser o seu herdeiro, mas este foi rejeitado. Queria manter Ismael, mas Deus ordenou-lhe que lançasse fora o filho da serva. Amava seu filho Isaque, mas Deus exigiu que este Lhe fosse oferecido sobre o altar. Pouco depois, Sara, sua querida esposa, foi levada. Duvido que Abraão tivesse muito tempo para deleite. Mas há outro lado em nossa vida cristã. Enquanto sofremos o despojar, desfrutamos a nossa herança. É por isso que os registros de Abraão e Isaque se sobrepõem, ao passo que os registros dos que os precederam como Abel, Enoque e Noé não se sobrepõem. O registro de Isaque é mesclado com o de Abraão. Enquanto Abraão sofria, Isaque desfrutava. Enquanto Abraão chorava, Isaque se regozijava. Isso indica que nossa vida cristã é uma vida de noite e manhã. A noite está à nossa mão esquerda e a manhã, à nossa mão direita. Na vida cristã, noite e manhã andam juntas. Muitas vezes fui incapaz de determinar se estava na noite ou na manhã. Enquanto estava na manhã, estava na noite; e, enquanto estava na noite, estava na manhã. Por um lado, eu era Abraão sendo despojado de tudo, e, por outro, eu era Isaque desfrutando a herança.

Todos fomos escolhidos com Jacó. Fomos chamados e cremos com Abraão. Por sermos despojados com Abraão e estarmos desfrutando com Isaque, um dia todos estaremos amadurecidos com Jacó. Não devemos dizer que certo irmão é um Jacó, um Abraão ou um Isaque. Devemos chamá-lo um Jacó-Abraão-lsaque. Ele é Jacó no início e no fim, e é Abro mais Isaque no meio. Esses três são uma pessoa completa. Como vimos, a maturidade de vida não está com Abraão nem com Isaque, mas com Jacó. O sinal da maturidade de vida é a bênção. Vi milhares de cristãos. Quase todos têm suplantado ou reclamado. Alguns queixam-se dos presbíteros, dos irmãos e de todas as igrejas. Parece que a única igreja de que gostam é a Nova Jerusalém. Queixar-se é um sinal de imaturidade. Quando amadurecer, você não se queixará, mas abençoará, dizendo: “Ó Deus, abençoa todos os irmãos e todas as igrejas”. Para o que está amadurecido na vida, a mão suplantadora transformou-se em mão abençoadora. Quanto mais maduro se tomar, mais você abençoará os outros. Não somente abençoará os bons, mas também os maus, e até mesmo os piores. A vida de Abraão foi maravilhosa e tem sido apreciada pelos cristãos ao longo dos séculos. Mas como vimos, ele não foi maduro na vida divina. O nosso Deus não é somente Deus Pai, mas também Deus Filho e Deus Espírito. Não é somente o Deus de Abraão, mas também o Deus de Isaque e o Deus de Jacó. Que todos possamos ver que precisamos de todos os três aspectos: da vida de Abraão mais a de Isaque e a de Jacó. O Deus Triúno está trabalhando a Si mesmo dentro de nós como Pai, Filho e Espírito, a fim de tomar-nos Sua expressão plena. Ele é o Deus

Triúno, e precisamos também ser uma pessoa com três aspectos nas experiências espirituais da vida divina. Precisamos ser totalmente transformados. Quando estivermos plenamente transformados, Deus terá o cumprimento do Seu propósito.

MENSAGEM SESSENTA E TRÊS

HERDANDO GRAÇA Enfatizamos nas mensagens anteriores que, segundo a experiência de vida, Abraão, Isaque e Jacó são três partes de uma pessoa completa e' que por isso não deveríamos considerá-los como três indivíduos separados. Se percebermos a vida contida no livro de Gênesis veremos que, aos olhos de Deus, essas três pessoas são uma unidade completa em experiência de vida.

3. O Segundo Aspecto-a Experiência de Isaque a. Herdou Graça Nesta mensagem chegamos ao segundo aspecto da experiência do chamado: a experiência de Isaque (21:1-28:9; 35:28-29). Não é fácil aos cristãos compreenderem essa experiência. É-lhes fácil, pelo contrário, compreender os três pontos principais da experiência de Abraão: ser chamado, viver pela fé e viver em comunhão com Deus. Mas que diremos sobre Isaque? Ao lermos o registro de sua vida, nos capítulos 21 a 28, que vemos sobre a experiência de vida? Não vemos que ele foi chamado, viveu pela fé em Deus, nem que viveu em comunhão com Deus. De acordo com Gênesis, vemos como ele nasceu, casou- se e gerou dois filhos. Mas é difícil dizer que experiência de vida encontramos nesse relato. No registro da vida de Isaque está subentendida a experiência da graça. O que ele experimentou foi o herdar a graça de Deus. Essa graça não foi revelada tão plenamente no Antigo Testamento como o foi no Novo, porque ela, na verdade, veio por meio de Jesus

Cristo (Jo 1:17). Depois de Cristo vir, há uma plena e

total revelação da graça, e no Novo Testamento tal palavra é usada repetidas vezes. O Novo Testamento inclusive termina com a menção da graça: “A graça do Senhor Jesus seja com todos” (Ap 22:21). A Bíblia começa, no Antigo Testamento, com as palavras: “No princípio criou Deus os céus e a terra” e termina, no Novo Testamento, com: “A graça do Senhor Jesus seja com todos”. Embora o registro de Gênesis relativo a Isaque não tenha o termo “graça”, esta, todavia, está lá subentendida. Por essa razão, a muitos é bem difícil entender a Bíblia. Na Bíblia pode existir algo sem que se registre um termo para denominá-lo, Embora a experiência de Isaque esteja registrada em Gênesis, é difícil designá-la como experiência de graça. De acordo com a revelação do Novo Testamento, até onde diz respeito à experiência de vida, Abraão, Isaque e Jacó não deveriam ser considerados como três indivíduos separados, mas como aspectos da experiência de vida de uma pessoa completa. Abraão representa o aspecto de ser chamado, de viver pela fé em Deus e de viver em comunhão com Ele. Isaque representa o aspecto de herdar a graça e de desfrutar

a herança. Jacó representa o aspecto de ser escolhido,

de ser tratado pelo Senhor e de ser transformado num príncipe de Deus. Na experiência de vida há o aspecto do desfrutar, o desfrutar da graça. A maioria

de nós já ouviu mensagens dizendo que a vida cristã deveria ser uma vida de sofrimento, uma vida de carregar a cruz e de gemer em oração. Você não

ouviu mensagens dizendo-lhe que hoje não é tempo de desfrutar, mas de sofrer e de carregar a cruz, e que

o nosso desfrute começará na época em que o Senhor

voltar? Não digo que isso seja errado, mas digo que é somente um aspecto da vida cristã. Há um outro aspecto: o de desfrutar. No sentido bíblico e experiencial, graça significa desfrute. A graça é o desfrute em nossa vida cristã. Nossa vida cristã tem três aspectos: o de Abraão, o de Isaque e o de Jacó. Em Abraão não podemos ver muito desfrute. Embora tenha sido abençoado e enriquecido, não teve muito de~eite. Perdeu seu pai e Ló tornou-se-lhe um desgosto. Eliezer, em quem confiava, foi rejeitado; Ismael, o filho gerado pelo seu próprio esforço, mediante sua concubina, foi lançado fora. Depois que Isaque nasceu, Deus exigiu que ele Lhe fosse sacrificado como oferta queimada. Não muito tempo depois de Isaque lhe ser devolvido, Abraão perdeu sua querida esposa. Por toda a sua vida podemos ver o aspecto de perda. Embora a Bíblia não mostre que ele tenha sofrido muito, sabemos que perdeu quase tudo. Isso é toda a vida cristã? Se for, então ela é apenas uma vida de perdas. Mas a questão de perda é somente um aspecto da vida cristã. Romanos 5:2 não diz: “Temos o acesso para esta perda na qual estamos firmes”. Mas diz:

“Obtivemos igualmente acesso, pela fé, a esta graça na qual estamos firmes”. Deus não tem intenção de manter-nos em perda; Sua intenção é introduzir-nos na graça, no deleite. Deus quer introduzir-nos no gozo da graça, mas há um estorvo à Sua graça: o ego. Nós mesmos somos o estorvo. Embora Cristo tenha vindo, e com Ele a graça, e embora tenh~mos sido introduzidos na graça na qual estamos firmes, o maior estorvo a ela somos você e eu. Dessa forma, antes de podermos ter a experiência de Isaque, precisamos de Abraão, que

representa o primeiro aspecto da experiência de vida. A vida de Abraão revela que, se quisermos desfrutar a graça de Deus e ter o gozo pleno das Suas riquezas, precisamos ser tratados, circuncidados e cortados. Se Abraão não fosse circuncidado, Isaque jamais teria nascido. Este só chegou após a circuncisão de Abraão. Depois de circuncidado em Gênesis 17 é que Deus lhe disse que Isaque nasceria (17:19). Por fim, no capítulo 21, Isaque nasceu. Veio com a visitação de Deus; nasceu pela visitação de Deus. A visitação de Deus equivaleu ao nascimento de Isaque. Deus visitou Sara e essa visitação tornou-se o nascimento de Isaque. Isso é graça. Deus veio para ser desfrutado pelos Seus chamados. Entretanto, se quisermos ter esse deleite, o ego deve sair. Uma vez que o ego se vá, Isaque virá. Isso significa que a graça vem. Não é fácil perder o ego. Para que ele se vá, precisamos sofrer perda. Você está disposto a perder a si mesmo? Não creio que alguém esteja disposto a tanto. Todavia, precisamos perder a nós mesmos antes que a graça possa vir. Perder o ego é perder a nossa face. Quando preservamos nossa face, perdemos a graça. Se quisermos recebê-la, precisamos perder aquela. Irmão, quando você trata com sua esposa no seu viver diário, precisa estar preparado para perder a si mesmo. Se o fizer, a graça virá. Depois que Abraão foi circuncidado, Isaque veio. Este é o princípio. Conosco, o ego deve ir; então a graça virá. Precisamos primeiramente ser Abraão, depois é que nos tornamos Isaque. Não foi fácil para Abraão perder a si mesmo. Num bom sentido, Deus o forçou a isso. Quando o chamou, Deus não lhe disse: “Abraão, você precisa

perder a si mesmo, e então Eu virei para ser a sua graça e o seu gozo”. Não, quando o chamou, Deus prometeu abençoá-lo. A bênção do Antigo Testamento equivale um pouco à graça do Novo Testamento. Qual é a diferença entre bênção e graça? Quando Deus nos dá algo gratuitamente, ISSO é bênção. Quando, porém, essa bênção é trabalhada dentro do nosso ser, ela torna-se graça. Deus prometeu a Abraão que o abençoaria. Trabalhada dentro de Abraão a bênção tornou-se graça. O seu ego e o seu homem natural eram o mais forte estorvo para a bênção de Deus, forçando-O a tratar com ele. O mesmo é verdade em nossa experiência. Todos fomos chamados, e Deus deu-nos as bênçãos em Cristo (Ef 1:3). Todavia, depois de chamados, ainda estamos em nós mesmos e exercitamos o nosso próprio esforço para obter a bênção de Deus. Quando jovem, percebi que minha carne não era boa. Ao me dizerem que ela tinha sido pregada na cruz, fiquei muito feliz. Comecei, então, a exercitar meu próprio esforço para crucificá-la. Entretanto, ao exercitar meu próprio esforço, estorvei a graça de Deus. O eliminar da carne já fora feito; não era necessário o meu esforço. Ainda assim eu o ego estava tentando pregar minha carne na cruz. Tal ego era o maior estorvo para a graça de Deus; separou-me da graça. Se considerarmos nossa experiência passada, veremos que, após ouvirmos as boas novas, tentamos várias vezes por nós mesmos alcançar as coisas ouvidas na pregação. O nosso próprio esforço tem sido um estorvo para a graça de Deus. Por esta causa, Ele tem sido forçado a tratar conosco. Ser chamado por Deus, viver pela fé Nele e viver em comunhão com Ele, tem por finalidade desfrutá-

Lo. Fomos chamados para desfrutar Deus; precisamos aprender a viver pela fé Nele a fim de que possamos ter o Seu desfrute e precisamos viver em comunhão com Ele para podermos participar de todas as Suas riquezas. Tudo isso tem uma finalidade o desfrute de Deus. Mas não vemos tal desfrutar com Abraão; vemo-lo com Isaque. Todos tivemos ao menos alguma experiência de ser chamados por Deus, de viver pela fé Nele, em comunhão com Ele, e de sofrer perdas. Somos hoje verdadeiros Abraãos. Mas também podemos testificar que, para nossa surpresa, em meio à nossa perda houve algum deleite. Enquanto sofríamos a perda, inconscientemente desfrutávamos algo. Ao sofrermos qualquer tratamento da parte de Deus, simultaneamente tínhamos algum deleite. Enquanto éramos o Abraão sofredor, também éramos o Isaque desfrutador. Por essa razão, o registro relativo a Isaque não vem logo após o registro referente a Abraão. Pelo contrário, está mesclado com o registro da vida desse último. Enquanto Abraão ainda estava lá, Isaque chegou, porque ambos não eram dois indivíduos separados na experiência de vida, mas dois aspectos da experiência de uma única pessoa completa. Precisamos tanto das experiências de Abraão como das de Isaque. Talvez hoje mesmo você tenha determinada experiência e diga: “Não sei por que isso me aconteceu”. Mas bem em seu íntimo você sabe. Em meio à sua perda, você ganha e desfruta Cristo. Essa é a experiência de Isaque. Se apenas tivéssemos Abraão sem Isaque, ficaríamos muito desapontados com tal registro. Diríamos: “Qual é a vantagem de ser o pai da fé se isso é somente uma questão de sofrer perda?

“ Entretanto, quando vemos a experiência de Isaque, dizemos: “Agora compreendo por que Abraão sofreu tanta perda. Todas as experiências negativas de Abraão eram para o deleite positivo com Isaque”. Abraão era para Isaque. Adquiriu muita fortuna, tendo sido abençoado e expandido, mas deu tudo o que tinha a Isaque (24:36; 25:5). Ele sofreu para o ganho de Isaque. Quanto mais aquele sofria, mais este ganhava. Eu diria: “Pobre Abraão, você tão- somente é uma pessoa sofredora. Tudo o que ganhou por meio de seu sofrimento não foi para si mesmo, mas para Isaque”. Todos precisamos perceber que hoje não somos apenas Abraãos, mas também Isaques. Se você me dissesse: “Irmão, você é um pobre Abraão, sempre sofrendo”, eu replicaria: “Você não sabe que também sou um Isaque? Tenho sofrido perda para que eu possa ganhar. Perco como Abraão e ganho como Isaque. Não sou apenas Abraão. O meu nome é Abraão-lsaque. Pelo lado da perda sou Abraão; pelo lado do ganho sou Isaque”. Somos tanto Abraão como Isaque. Como Abraão, fomos chamados por Deus, aprendemos a viver pela fé Nele e em comunhão com Ele. Ao mesmo tempo, como Isaque, nada fazemos exceto desfrutar tudo o que ganhamos da experiência de Abraão. Que tipo de experiência você mais aprecia: a de Abraão ou a de Isaque? Sem a experiência do primeiro não podemos ter a do segundo. Deus está tratando conosco como tratou com Abraão, para que possamos ter a experiência de Isaque. A questão da graça tem sido oculta, escondida e velada através dos anos. Que é graça? Graça é algo de Deus trabalhado dentro do nosso ser, operando dentro de nós e fazendo coisas por nós. Não é nada

exterior. A graça é Deus em Cristo trabalhado dentro do nosso ser para viver, trabalhar e fazer coisas por nós. Em 1 Coríntios 15:10, Paulo diz: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou; e a sua graça, que me foi concedida, não se tornou vã, antes trabalhei muito mais do que todos eles; todavia não eu, mas a graça de Deus comigo”. Essa palavra é bem profunda. Paulo não disse: “Pela graça de Deus, tenho o que tenho. Tenho um bom carro, um bom emprego e uma boa esposa pela graça de Deus”. Ele nem mesmo disse: “Pela graça de Deus, faço o que faço”. Não é uma questão de fazer, ter ou trabalhar. É totalmente uma questão de ser. Daí Paulo dizer: “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou”. Isso significa que a própria graça de Deus tinha sido trabalhada dentro do seu ser, fazendo dele aquele tipo de pessoa. Em Gálatas 2:20, Paulo diz: “Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”. Se colocarmos este versículo junto com 1 Coríntios 15:10, veremos que a graça é simplesmente Cristo vivendo em nós. É “não eu, mas a graça de Deus”, “não eu, mas , Cristo”. A graça não está fora de nós ou ao nosso lado. E a Pessoa divina, o próprio Cristo trabalhado dentro do nosso ser para ser o elemento constituinte do nosso ser. Por causa da falta de revelação, os cristãos têm compreendido erroneamente ou interpretado mal a graça, pensando ser ela algo exterior a eles. Mas graça é simplesmente o Deus Triúno trabalhado dentro do nosso ser para ser o que deveríamos ser, e para viver, trabalhar e fazer coisas por nós de modo a podermos dizer: “Eu sou o que sou pela graça de Deus. Não eu, mas a graça de Deus”. Todos fomos ensinados a ter um bom comportamento e a amar uns aos outros. Como

resultado, tentamos ter um bom comportamento e amar os outros. Mas não importa se podemos amar os outros ou não, pois Deus jamais reconhecerá o nosso amor. Abraão foi bem-sucedido ao gerar Ismael, mas Deus o rejeitou. Deus parecia dizer:

“Não, Abraão, não é isso o que quero. Quero algo trabalhado e operado em você. Você gerou Ismael sem a Minha visitação. Eu estava no céu e você estava na terra gerando Ismael. Por ele não estar relacionado Comigo e com a Minha visitação, jamais

o reconhecerei. Um dia visitarei Sara e a Minha

visitação gerará Isaque. Só a ele reconhecerei”. Se amarmos os outros em nós mesmos, Deus jamais reconhecerá tal amor por não se originar de Sua visitação. Ele quer visitar-nos, entrar em nós, viver por nós e até amar os outros por nós. Ele somente reconhecerá esse tipo de amor. O seu amor é um Ismael; o amor fruto da visitação de Deus é um Isaque. Se você é humilde ou orgulhoso, desonesto ou honesto, isso nada significa. Deus não reconhece nada que sai de você à parte de Sua visitação. O que

não é proveniente da graça não é reconhecido, não é contado por Deus. Todos precisamos dizer:-o Senhor, nada farei sem a Tua visitação. Senhor, se não me visitares e não operares algo por meio de mim e em mim, nada farei. Não odiarei nem amarei, não serei orgulhoso nem humilde. Quero ser vazio. Senhor, sem a Tua visitação eu nada sou”. A visitação de Deus

é a graça prática. Quando amo os outros e sou

humilde pela visitação de Deus-não pelo meu próprio

esforço-, isso é o deleite da graça. Como vimos, a intenção de Deus é trabalhar-se dentro de um homem corporativo a fim de poder ter uma expressão corporativa. Essa é a concepção

básica da revelação divina da Bíblia. Esse é o

propósito eterno de Deus. Ele chamou Abraão com o objetivo de trabalhar-se dentro dele, mas este tinha um ego forte. Tal ego natural era o mais forte estorvo ao propósito de Deus. O mesmo é verdade conosco hoje. O propósito de Deus é trabalhar-se dentro de nós para ser a nossa vida e até mesmo o nosso viver, mas o nosso ego natural atrapalha. Por isso, Deus precisa cortar-nos e tratar conosco, de modo a poder entrar em nós para ser tudo para nós. Deus não precisa que amemos os outros e sejamos humildes para que a sociedade seja aperfeiçoada. Se quiser uma sociedade melhor, Ele somente terá de dizer “sociedade melhor”, e ela virá a existir. Ele chama à existência coisas que não existem (Rm 4:17) , e não precisa da nossa ajuda. Deus quer trabalhar a Si mesmo dentro de nós para ser a nossa humildade e o nosso tudo. Ele quer que digamos: “Senhor, nada sou e nada farei. Simplesmente me abro a Ti a fim de poderes entrar, fazer o Teu lar em mim, viver em mim e fazer tudo por mim. Senhor, Tu vives, e eu desfrutarei o Teu viver. Toda vez que fizeres algo em mim, eu direi: “Louvado sejas, Senhor. Isto é maravilhoso! Não sou eu o autor; sou um desfrutador, apreciando tudo o que estás fazendo por mim”. A intenção de Deus é tratar com Abraão para que Isaque possa vir. Sua intenção é tratar com o nosso ser natural, para que possamos ter a plena experiência Dele em Cristo trabalhada em nós como

o nosso gozo. Tenho experienciado a vida conjugal

por quase cinqüenta anos, provando muito deleite e

muito sofrimento. Antes de casar, eu realmente amava o Senhor e freqüentemente Lhe dizia o quanto

O amava. Depois de casar, fui a Ele e assegurei-Lhe,

dizendo: “Senhor, porque Te amo, quero ser o melhor marido”. Por fim, fracassei. Fui a Ele e confessei todas as minhas falhas. Após experimentar a unção, fiquei feliz e decidi outra vez tentar ser o melhor marido. Mas falhei novamente, e essa experiência de altos e baixos repetiu-se várias vezes. Mais tarde, até dei uma mensagem onde dizia: “A vida cristã tem muitas noites e manhãs. Nunca fique desapontado com seus fracassos. Tão-somente espere algumas horas e estará outra vez na manhã”. Durante muitos anos passei por dias e noites, noites e dias. Um dia recebi a revelação e disse: “Homem estúpido, quem o ensinou a proceder assim? Cristo está aqui, esperando para ser sua graça. Você precisa dizer:

'Senhor, nada sou e nada posso fazer. Mesmo que pudesse fazer algo, isso jamais seria reconhecido por Ti. Vem, Senhor, e faze o Teu trabalho, e sê o melhor marido por mim. Esse é Teu trabalho, não meu. Tu me incumbiste e eu Te devolvo a incumbência e Te peço que a executes. Senhor, sê Tu o melhor marido, e eu Te louvarei por isso”'. Sempre que orava assim, o Senhor sempre fazia o melhor. Isso é graça. Graça é Deus trabalhando a Si mesmo dentro do nosso ser como nosso gozo. O próprio Deus hoje não é somente Deus Pai, mas também Deus Filho e Deus Espírito. Além disso, Deus Espírito é o Espírito da graça (Hb 10:29) , e esta graça é a graça de vida (1Pe 3:7) , que é “a graça multiforme” (1Pe 4:10) , a “toda a graça” (1Pe 5:10) , e a “graça suficiente” (2 Co 12:9). O Deus Triúno é tal graça, e esta graça agora está com o nosso espírito (GI 6:18). A graça é a Pessoa divina do Deus Triúno como o Espírito habitando dentro do nosso espírito. É o Espírito da graça habitando dentro do nosso espírito para ser o nosso gozo de

modo a podermos desfrutar Deus como nossa vida e nosso tudo, até mesmo como o nosso viver. É por isso que todas as epístolas de Paulo terminam com estas

palavras: “A graça seja convosco”. Por exemplo, 2 Coríntios 13:13 diz: “A graça do Senhor Jesus Cristo,

e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo

sejam com todos vós”. A graça não está fora de nós:

está em nós. Como quer que o chamemos Espírito

da graça ou Espírito de vida isso é algo vivo e divino em nosso espírito. Realmente temos tal realidade divina, o próprio Deus Triúno em nosso espírito como nossa graça e nosso gozo. Quando Ele ama os outros por meio de nós, esse amor é o nosso deleite. Quando Ele vive e se expressa por nosso

intermédio, esse viver é também o nosso deleite. Dia

e noite podemos desfrutar o Seu viver por meio de nós.

Por que sofremos, então? Porque o nosso ego, o homem natural, ainda está aqui e precisa ser tratado. Louvado seja Ele porque nenhum tratamento é vão. Qualquer tratamento Seu é uma quebra do nosso homem natural a fim de que possamos desfrutá-Lo mais como nossa graça. Assim, temos Abraão e Isaque; temos o sofrimento da perda e o desfrute do ganho. Esse ganho não é de coisas exteriores, mas Daquele que habita interiormente, isto é, do Espírito da graça e da graça da vida. Novamente digo que qualquer presente que Deus nos dê exteriormente será, no máximo, uma bênção. Quando tal presente é trabalhado dentro do nosso ser, tornando-se o elemento de vida em nosso interior, isso é graça. A bênção deve tornar-se graça. No Antigo Testamento, Deus deu muitas coisas a Seu povo como bênçãos, mas todas aquelas coisas eram simplesmente

bênçãos exteriores. Antes de Cristo vir, nenhuma delas foi trabalhada dentro do povo de Deus. Cristo não veio somente para morrer por nós na cruz, mas também para, após Sua morte, tornar-se o Espírito que dá vida a fim de entrar em nosso ser. Assim, no Novo Testamento, temos os termos “em Cristo” e “Cristo em vós”. Ele agora está em nós e nós estamos Nele. Tudo o que Deus nos dá em Cristo foi trabalhado em nosso ser e tornou-se graça, tornou-se o nosso deleite. Não estamos agora simplesmente sob Sua bênção; estamos em Sua graça e Sua graça está em nós. De que você está desfrutando hoje: da bênção ou da graça? O Novo Testamento jamais diz:

“A bênção seja convosco”. Pelo contrário, diz repetidamente: “A graça seja convosco”.

(1) NASCEU DA GRAÇA Depois que a força natural e o esforço próprio de Abraão foram tratados por Deus, Isaque nasceu (17:15-19; 18:10-14; 21:1-7). Isso implica que Isaque nasceu da graça, que é representada por Sara (GI 4:24-28, 31). O registro de Gênesis define esse tempo do nascimento de Isaque como “tempo da vida” (18:10, 14-hebr.). Toda vez que o esforço da vida natural cessa, tal é o tempo da vida. No tempo da vida, algo nasce em graça. A graça está relacionada com a vida, e a vida anda de mãos dadas com a graça. Por isso, a graça é chamada de “graça da vida” (1 Pe

3:7-VRC).

(2) CRESCEU NA GRAÇA Isaque cresceu em graça (21:8). Pela sua história, vemos que ele nada fez. Nasceu e foi criado. Não digo

que tenha crescido, mas que foi criado. Como um fazendeiro que planta maçãs em seu pomar, Deus cuidou de Isaque como uma árvore de Seu pomar. Isaque foi criado por Deus em graça. A Segunda Epístola de Pedro 3:18 exorta-nos a “crescer na graça”. Isso indica que crescer é o alimentar e o regar revelados por Pedro em 1 Pedro 2:2 e por Paulo em 1 Coríntios 3:2 e 6. Crescer na graça é crescer no deleite de tudo o que Cristo é para nós como nossa comida espiritual e nossa água viva. Todas as riquezas que Cristo é para nós destinam-se ao nosso crescimento em vida. Quanto mais desfrutamos as riquezas de Cristo (Ef3:8) mais crescemos em vida (4:15).

(3) TORNOU-SE O HERDEIRO NA GRAÇA Isaque também tornou-se o herdeiro na graça (Gn 21:9-12). Tudo o que seu pai tinha era seu, porque Abraão dera todas as suas riquezas ao seu único herdeiro. De semelhante modo, não devemos ter prazer em nós mesmos. Todo o prazer da herança deve estar na graça.

(4) OBEDECEU NA GRAÇA Isaque também obedeceu na graça (22:5-10). Ao ler Gênesis 22 no passado, não conseguia compreender como Isaque, um jovem, pôde ser tão obediente. Por fim, vi que ele foi obediente por estar saturado da graça. Estava totalmente na graça e sua obediência também estava na graça. Tal obediência introduziu a provisão de Deus. Ocorre o mesmo conosco. Toda vez que obedecemos na graça, encontramos a provisão de Deus. A graça de Deus é

poderosa, capacitando-nos a suportar qualquer coisa. Paulo disse a Timóteo: “Fortifica-te na graça que está em Cristo Jesus” (2 Tm 2:1). A graça pode, inclusive, reinar sobre todas as coisas (Rm 5:21). Não devemos decair dela (Gl 5:4) , mas, pelo contrário, devemos ser confirmados por ela (Hb 13:9). Quanto mais estivermos na graça, mais provisão dela encontraremos e mais dela participaremos.

(5) HERDOU TUDO DO PAI Isaque herdou todas as coisas de seu pai (24:36; 25:5). Foi pela graça, não por seu próprio esforço, que ele se tornou o herdeiro das riquezas do pai. Nada lhe foi exigido para poder herdá-las, e ele nada fez pela herança. Foi absoluta e incondicionalmente fruto da graça. No Novo Testamento todos os crentes chamados são herdeiros da graça absoluta e incondicional de Deus. Ele chamou-nos e nos abençoou com todas as bênçãos espirituais em Cristo (Ef 1 :3). Em Cristo Ele colocou-nos na graça a fim de que nos tornássemos os herdeiros da graça, herdando todas as riquezas da plenitude divina como nosso deleite. Nossa vida cristã deve ser como a de Isaque, nada fazendo por nós mesmos, mas herdando e desfrutando tudo o que o Pai tem. Na herança da graça, precisamos cessar o esforço da nossa vida natural, de modo que possamos manter-nos abertos e disponíveis para desfrutar a graça.

(6) HERDOU A PROMESSA FEITA A SEU PAI Isaque herdou não somente tudo o que seu pai tinha, mas também a promessa que Deus fizera a

Abraão com referência à boa terra e à única semente, Cristo, em quem serão abençoadas todas as nações da terra (26:3-5). Essa promessa, na verdade, era para o cumprimento do propósito de Deus, a fim de que Ele pudesse ter um reino na terra onde expressar-se por meio de um povo. Tanto a boa terra como a semente são para a formação de um reino para Deus na terra. Nesse reino, Deus pode ser totalmente expresso na semente; dentro da qual Ele trabalhará a Si mesmo e que será transformada à Sua imagem. Essa era uma promessa feita a Abraão e herdada por Isaque. Hoje temos o seu cumprimento e estamos desfrutando o Deus Triúno como nossa graça. É mediante o nosso desfrute da graça que o reino de Deus será percebido e Deus em Cristo será totalmente expresso pela eternidade.

MENSAGEM SESSENTA E QUATRO

DESCANSANDO E DESFRUTANDO Agradecemos ao Senhor por haver-nos dado, no Antigo Testamento, um quadro claro e maravilhoso da experiência de vida. No Novo Testamento temos a revelação da experiência de vida, mas não temos dela um quadro tão claro como observamos no Antigo Testamento. Estamos todos familiarizados com o provérbio que nos diz que uma figura é melhor do que mil palavras. Embora tenhamos despendido muitos anos a refletir sobre a experiência de vida revelada no Novo Testamento, não podemos ter certeza disso somente por meio das palavras do Novo Testamento. Precisamos também das figuras do Antigo Testamento. Pela misericórdia do Senhor temos visto através dos anos que todas as histórias do Antigo Testamento descrevem os diversos aspectos da experiência de vida. Bem no íntimo sinto que o Senhor nos mostrou o quadro completo e capacitou-nos a compreender o seu significado real. Como já enfatizamos, há três aspectos na experiência de vida de todo cristão: o de Abraão, o de Isaque e o de Jacó. Se não tivéssemos essa visão clara, apenas haveríamos de considerar Abraão, Isaque e Jacó como três indivíduos separados. Mas após recebermos a revelação e a compreensão à luz do Novo Testamento, percebemos que esses três homens não são três indivíduos separados, mas três aspectos de uma única pessoa completa na experiência de vida. Alguns, achando difícil acreditar que Abraão, Isaque e Jacó representam três aspectos de uma pessoa completa, podem argumentar: “Como

você pode dizer que Abraão não é uma pessoa completa? Abraão é só Abraão, e o mesmo é verdade com relação a Isaque e Jacó”. Se você não crê que essas três pessoas são três aspectos da experiência completa de uma única pessoa, eu lhe pergunto: Você pode ver a escolha de Deus em Abraão? O primeiro item de nossa experiência com Deus é a Sua escolha, feita antes da fundação do mundo. Vemos isso claramente no Novo Testamento (Ef 1:4), mas não podemos vê-lo na experiência de Abraão. Assim, no que diz respeito à escolha de Deus, Abraão precisa de mais alguém para aperfeiç-lo, A escolha, que não podemos encontrar na vida de Abraão, está revelada na de Jacó. Além de sermos escolhidos, nós, cristãos, também somos chamados. Em Isaque não vemos nem escolha nem chamamento. Dessa forma, em si mesmo, Isaque não é completo. O seu chamamento está em Abraão, assim como a escolha deste está em Jacó. Por meio desses dois exemplos, todos deveríamos ficar convencidos de que Abraão, Isaque e Jacó constituem três aspectos de uma única pessoa completa na experiência de vida. Em certo sentido, somos todos Abraãos, porque fomos chamados e aprendemos a viver pela fé em Deus em comunhão com Ele. Por termos sido também colocados em posição de graça, somos igualmente Isaques. Além disso, como veremos nas mensagens posteriores, somos também Jacós. O aspecto de Isaque desvenda a questão da graça. Não apenas fomos chamados e aprendemos a viver pela fé em Deus e em comunhão com Ele, mas estamos diariamente desfrutando algo de Deus. Se não tivermos qualquer gozo em nossa vida cristã, não seremos capazes de vivê-la. Caso contrário, seríamos

muito miseráveis. Glória ao Senhor porque temos não só o aspecto de Abraão, mas também o de Isaque, que é o aspecto da graça. A graça simplesmente significa o desfrutar Deus. É o próprio Deus tornando-se o nosso gozo em nosso espírito. Muitas vezes temos dificuldades atribulando-nos mental e emocionalmente. Todavia, enquanto sofremos em nossa mente e emoção, há uma doce sensação no íntimo do nosso espírito. Parece que, se não tivéssemos tal sofrimento, não teríamos tal gozo. O sofrimento cristão traz-nos o gozo cristão. No momento em que invocamos o nome do Senhor Jesus e O recebemos como o nosso Salvador, começamos a ter esses dois aspectos em nossa experiência. Talvez, na própria noite em que você recebeu o Senhor Jesus, sua esposa o tenha feito passar por maus bocados, discordando de você pelo fato de tornar-se cristão, e chamando a isso de tolice. Ela imediatamente começou a persegui-l o, e você sofreu em sua mente, emoção e sentidos. Mas enquanto sofria, em seu íntimo sentia algo doce que o levava a ficar alegre. Dessa forma, desde o princípio de sua vida cristã, você teve tanto o aspecto de sofrimento, tipificado por Abraão, como o aspecto de gozo, prefigurado por Isaque.

b. Descansando e Desfrutando Na mensagem anterior vimos que Isaque herdou graça. Com ele, tudo era uma questão de graça. Nasceu na graça, cresceu na graça e foi feito herdeiro da graça. Nesta mensagem precisamos ver que nele deve ser observada também a questão do gozo. Sua vida foi uma vida de descanso e gozo. O relato de sua vida não indica que tenha sofrido muito. Pelo

contrário, revela que ele estava sempre descansando. Isso é provado pelo seu meditar no campo (24:63). Poderia ele meditar, se não estivesse calmo e descansando? Não. Para meditarmos, precisamos estar descansando. Se estivermos atribulados, seremos incapazes de descansar. Isaque estava sempre descansando. Em Gênesis 24 ele perdera sua mãe, não tinha uma esposa e seu servo partira para longe. Ainda assim ele não estava atribulado. Foi ao campo para meditar, não para clamar ao Senhor. Não disse:-ó Senhor, que eu devo fazer? Perdi minha mãe, não tenho uma esposa e meu servo partiu. Senhor, tem misericórdia de mim! “ Isaque não clamou desse modo. Ao invés disso meditou. Embora não possamos encontrar a palavra “descansandono relato da vida de Isaque, todavia, este fato lá se encontra. Isaque era uma pessoa muito descansada. Apesar das dificuldades encontradas com os filisteus com relação aos poços, ele estava sempre em descanso. Embora enfrentasse algumas dificuldades, ele mesmo não se perturbava. Enquanto os filisteus contendiam pelos poços, ele continuava tranqüilo. Parecia estar dizendo: “Se vocês não quiserem que eu fique aqui, à beira deste poço, irei para outro lugar. Quando forem aborrecer-me lá, irei para outro lugar ainda”. Com isso vemos que era realmente uma pessoa tranqüila. Você é sempre tranqüilo? Considere sua experiência nas últimas vinte e quatro horas. Será que nada o aborreceu nem o levou a perder sua tranqüilidade? A maioria de nós precisaria admitir que estivemos intranqüilos. Isso mostra que, embora sejamos Isaques, não estamos sempre descansando. Recentemente, eu estava fazendo um trabalho difícil e exaustivo sobre o livro

de Apocalipse, mas posso louvar ao Senhor porque, enquanto trabalhava, estava muito tranqüilo e podia dizer: “Nada tenho e nad