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Apostila de: Distribuição de Ar

Professor: Julio Teykal


CURSO DE EXTENSÃO EM ENGENHARIA DO AR CONDICIONADO

APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

ÍNDICE

CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE AR .......................................................................... 3


CLASSES DE SELAGEM E DE VAZAMENTO........................................................................................................ 4
ASPECTOS ECONÔMICOS ....................................................................................................................................... 5
ASPECTOS CONSTRUTIVOS ................................................................................................................................... 7
MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE DUTOS ................................................................................ 10
ACESSÓRIOS ............................................................................................................................................................ 11
ASPECTOS DO ESCOAMENTO DE FLUIDOS EM CANALIZAÇÕES ............................................................... 13
PERDAS DE CARGA (PC)........................................................................................................................................ 21
Perdas por Fricção (Pf)............................................................................................................................................ 21
Perdas Dinâmicas (Pd) ............................................................................................................................................ 24
PROCEDIMENTOS DE PROJETO ........................................................................................................................... 26
TRAÇADO DAS REDES DUTOS............................................................................................................................. 27
CONSIDERAÇÕES GERAIS DE PROJETO ............................................................................................................ 27
MÉTODOS DE CÁLCULO DE REDES DE DUTOS ............................................................................................... 28
Método da Fricção Constante (Equal Friction) ....................................................................................................... 28
Método da Recuperação de Pressão Estática (Static Regain).................................................................................. 32
Principais Características dos Métodos Apresentados ............................................................................................ 34
Escolha do Método a ser Adotado........................................................................................................................... 35
Outros Métodos de Cálculo ..................................................................................................................................... 36
Métodos Interativos................................................................................................................................................. 36
Método Equal Friction Modificado ......................................................................................................................... 37
CÁLCULO DA PERDA DE CARGA DO SISTEMA ............................................................................................... 37
Interação Ventilador-Sistema .................................................................................................................................. 39
SISTEMAS DE VAZÃO DE AR VARIÁVEL (VAV) .............................................................................................. 40
Tipos de Sistemas de VAV ..................................................................................................................................... 40
Tipos de Caixas Terminais de VAV ....................................................................................................................... 43
Seleção do ventilador .............................................................................................................................................. 47
Controle do Ventilador............................................................................................................................................ 47
Seleção dos Dispositivos de Insuflação .................................................................................................................. 48
Vantagens e Desvantagens de um Sistema VAV .................................................................................................... 49
Procedimentos para Dimensionamento de Sistemas de VAV ................................................................................. 49
ANEXOS .................................................................................................................................................................... 50
EXERCÍCIOS PROPOSTOS...................................................................................................................................... 56
BIBLIOGRAFIA, SITES E UNIDADES ................................................................................................................... 58

ANO 2019 AUTOR : PROF. JULIO TEYKAL


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CLASSIFICAÇÃO DOS SISTEMAS DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Os sistemas de distribuição de ar são classificados quanto à velocidade média e à máxima


pressão do ar no interior dos dutos. Quanto à velocidade, os sistemas podem ser classificados
como:

- baixa velocidade – até 12,5 m/s (Carrier) ou 10 m/s (antiga NBR 6401)
- alta velocidade – acima destes valores

Em aplicações de conforto, os dutos geralmente são dimensionados para baixa velocidade. Os


dutos de retorno devem ser sempre dimensionados para baixa velocidade, de forma a evitar
excessiva pressurização nos ambientes condicionados.

Quanto à pressão interna nas redes de dutos, a NBR 16401 classifica os sistemas como:

- até 125 Pa
- até 250 Pa
- até 500 Pa
- até 750 Pa
- até 1000 Pa
- até 1500 Pa
- até 2500 Pa

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CLASSES DE SELAGEM E DE VAZAMENTO

Os dutos fabricados em fibra de vidro são selados pelo próprio processo de emenda entre as
placas, não requerendo outras providências adicionais de selagem.

Segundo a ASHRAE, para dutos metálicos devem ser previstas as seguintes Classes de Selagem:

Selagem Requerida Classe Pressão


Juntas transversais
Emendas longitudinais A > 750 Pa
Penetrações nas paredes dos dutos
Juntas transversais
B 750 Pa
Emendas longitudinais
Somente juntas transversais C <= 500 Pa

As Classes de Vazamento (CL) são definidas experimentalmente por:

CL = 1000 Q ÷ dP0,65 ou Q = CL dP0,65 ÷ 1000, sendo:


CL = Classe de Vazamento (máxima)
Q = Taxa de Vazamento, L/s por m2 de duto
dP = diferença entre as pressões interna do duto e do ambiente, Pa

Conforme a NBR 16401, são esperadas as seguintes Classes Vazamento máximas, para dutos
metálicos devidamente selados:

Aplicação CL
Duto no ambiente 17
Duto sobre o forro 17
Duto externo ao ambiente condicionado 8
Duto com filtragem fina 8

Com base na fórmula anterior e na tabela acima, é possível deduzir que uma rede de dutos
retangulares metálicos, devidamente selados, instalados no ambiente (CL = 17), com diferença
de pressão máxima de dP = 250 Pa em relação ao ambiente, deve ter uma Taxa de Vazamento
esperada de Q = 0,62 L/s por m2 de duto.

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ASPECTOS ECONÔMICOS

O tipo de aplicação, o espaço disponível, e a aparência dos dutos, geralmente definem o lay-out e
o tipo de construção dos sistemas de distribuição de ar. Entretanto, uma avaliação dos custos de
instalação e operação deve ser considerada na determinação do sistema de distribuição mais
econômico, baseada nas seguintes regras gerais:

Vazão a insuflar – a vazão de ar a ser insuflada é um fator determinante nos custos da


instalação da rede de distribuição de ar. Uma certa redução destes custos pode ser obtida por
meio do aumento do diferencial de temperatura (ambiente – insuflação), assim como pelo
aumento da velocidade média do ar no interior dos dutos, desde que obedecidos os valores
máximos permissíveis, de forma a se evitar níveis de ruido indesejados.

Relação vazão x distância – o produto da vazão de ar a ser movimentada, pela distância a ser
percorrida é definida com o lay-out da rede de distribuição de ar. Deve-se evitar trechos de dutos
conduzindo o mesmo fluxo de ar em direções opostas, tais como curvas ou joelhos de 180°.

Estanqueidade – a perda de parte do fluxo de ar tratado através de juntas e conexões da rede de


dutos deve ser considerada quando da estimativa de carga térmica, por influenciar no cálculo da
vazão de ar a insuflar. Quanto maior a pressão de operação do sistema de distribuição de ar,
maior deve ser a classe de selagem da rede. Dutos de média e alta pressão devem ser soldados ou
flangeados, suas conexões tratadas contra vazamentos, e após instalados, ter sua estanqueidade
testada.

Razão de aspecto – trata-se da razão entre os lados maior e menor. Maiores razões de aspecto
implicam em maiores custos. Em termos de custos, deve-se dar preferência a dutos redondos, ou
com razão de aspecto 1:1 (quadrados). Não sendo viável esta possibilidade, dutos com razão de
aspecto o mais próximo de 1:1 devem ser adotados.

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Ganho de calor no duto – igualmente considerado na estimativa de carga térmica, ocorre não
somente quando o duto atravessa espaços não condicionados, mas principalmente, no caso de
dutos não isolados.

As seguintes orientações auxiliam na redução deste ganho de calor:

- dutos com baixa razão de aspecto (razão entre os lados do duto)


- dutos com vazão e velocidade mais elevadas
- dutos isolados termicamente de forma adequada

Em espaços não condicionados, os dutos devem ser isolados. A espessura do isolamento térmico
a ser adotada deveria ser teoricamente calculada, em função basicamente de estudo econômico,
visando redução dos custos de energia. Entretanto na prática, raramente há necessidade deste
cálculo, considerando-se que as condições de operação não justificam este procedimento, por
não variarem excessivamente. Portanto, são adotadas espessuras já consagradas pelo uso, em
função da temperatura ambiente, assim como da temperatura média do ar insuflado.

Perda de carga na rede de dutos – função basicamente da velocidade média do fluxo de ar no


interior da rede de dutos, a perda de carga influencia diretamente na potência dos motores dos
ventiladores. Em sistemas de distribuição de ar de grande porte, as relações entre as perdas de
carga, as dimensões dos dutos e a potência requerida pelo ventilador devem ser objeto de estudo
visando redução dos custos de instalação e operação.

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ASPECTOS CONSTRUTIVOS

Transformações na seção transversal: são utilizadas para permitir alterações no formato,


aumentar ou reduzir a área transversal de um trecho. Para se evitar modificações bruscas, que
podem resultar em perdas de carga excessivas nas redes de dutos, assim como sistemas de
distribuição de ar deficientes, é recomendável que seja considerado um comprimento mínimo C
na transformação.

L1 x H1 L2 x H2

Sendo M a maior diferença entre (L1 – L2) ou (H1 – H2), é recomendável C = 4 x M, ou


aceitável C = 2 x M para dutos de baixa velocidade. Caso a transformação seja apenas para um
lado, os valores de C devem ser multiplicados por 2.
Entretanto nada impede que comprimentos maiores sejam adotados, principalmente em dutos
com velocidades elevadas.

Reduções nas dimensões dos dutos: os métodos de dimensionamento de dutos admitem uma
redução na seção principal, após uma saída de ar. Reduções de no mínimo 50 mm, tanto na
largura, quanto na altura, são recomendáveis de forma a simplificar a execução dos dutos.

Uma redução nos custos de instalação pode ser obtida mantendo-se a seção dos dutos constante,
após uma ou mais saídas, em casos de reduções não significativas nas dimensões. Reduções em
apenas uma dimensão são preferíveis.

Deve-se evitar dutos com dimensões excessivamente reduzidas, menores que 100 mm.

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Joelhos e curvas: os tipos mais comuns são:

Dutos retangulares Dutos redondos


curva lisa de raio longo com ou sem veias (1) curva lisa de raio longo (4)
curva lisa de raio pequeno com veias (1) curva gomada de 3 peças (3)
joelho quadrado com veias (2) curva gomada de 5 peças

(1) (2) (3) (4)

As curvas são classificadas como longas quando possuem uma relação R/L = 1,25 no mínimo.
As curvas de raio pequeno costumam ter 2 ou 3 veias direcionais internas. Com a finalidade de
se reduzir a perda de carga, a utilização de curvas é preferível.

O emprego de joelhos pode ser necessário, principalmente por problemas de espaço. Os joelhos
podem ter veias de simples ou dupla espessura. As de dupla, por serem mais aerodinâmicas,
causam menores perdas de carga, para um mesmo espaçamento entre veias.

Em aplicações específicas, tais como sistemas de exaustão de cozinhas, as curvas e joelhos não
devem possuir veias, de forma a minimizar o acúmulo de gordura no interior das redes de dutos.

Em sistemas com dutos redondos, o emprego de curvas lisas é preferível.

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Saídas de ar: existem diversos métodos de execução de saídas de ar do duto principal para um
ramal.

spliter

spliter

saídas dinâmicas

equalizador

saídas estáticas

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MATERIAIS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE DUTOS

Dutos retangulares de chapa galvanizada: é o material mais utilizado na confecção dos dutos.
Podem ser fabricados na obra ou pré-fabricados. Dutos pré-fabricados de alta estanqueidade,
com conexões flangeadas tipo TDC (Transverse Duct Connection), são utilizados em sistemas
que necessitam filtragem fina e/ou absoluta, de acordo com a pressão de operação da rede de
dutos.

Geralmente os dutos em chapa galvanizada são aplicados sobre forros, ou de outra forma não
visível nos ambientes. Principais vantagens:

- baixo custo de instalação


- flexibilidade (dimensões não padronizadas)
- facilidade na aplicação de isolamento térmico

Opcionalmente, na condução de substâncias corrosivas ou em temperaturas acima de 200º C, são


utillizados dutos de aço carbono (chapa preta), com conexões flangeadas ou soldadas.

Dutos redondos ou ovalizados em chapa galvanizada ou alumínio: largamente utilizados em


instalações aparentes. Principais vantagens:

- estanqueidade
- estética

Dutos retangulares em materiais fibrosos: são usualmente fabricados em placas rígidas de lã de


vidro revestidas externamente com papel aluminizado, e internamente tratados com resina. A
NBR 16401 recomenda sua aplicação para pressões internas de até 500 Pa e velocidades de até
14 m/s, entre outras limitações. Principais vantagens:

- confeccionados com isolante térmico


- leveza
- estanqueidade
- isolação acústica

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Dutos redondos flexíveis em alumínio com isolamento em manta de lã de vidro: são


amplamente utilizados para conexão entre difusores e o duto principal, sobre forros modulados.
Sua principal vantagem é permitir o correto posicionamento do difusor em relação à modulação
do forro.

Isolamento térmico: deve possuir barreira de vapor e atender aos requisitos da NBR 16401
quanto aos índices de propagação de chama (Ip) e de densidade de fumaça (Dm), não sendo
tóxico nem nocivo ao meio ambiente. O isolamento térmico dos dutos de chapa galvanizada é
usualmente executado empregando-se os seguintes materiais:

- placas ou mantas de lã de vidro revestidas externamente com papel aluminizado,


fixadas com cola plástica. A NBR 16401 recomenda para materiais fibrosos, a
aplicação de barreira de vapor
- mantas de espuma elastomérica à base de borracha sintética, com espessura variável,
de acordo com as condições do ar insuflado e do ambiente ao redor do duto, auto-
adesivas ou fixadas com cola especial fornecida pelo próprio fabricante. Sendo o
isolamento em células fechadas é dispensável a barreira de vapor

Isolamento acústico: prever acréscimo da seção transversal dos dutos, caso o isolamento
acústico seja instalado no interior dos mesmos. Em casos de projetos específicos com requisitos
de NC (noise criteria) < 30, deve haver a assistência de especialista.

ACESSÓRIOS

Caixas de VAV – quando acionadas por sensores de temperatura, são utilizadas para ajuste
automático da vazão de ar insuflada, de acordo com a demanda térmica do ambiente ou zona
térmica. Caso acionadas por sensores diferenciais de pressão, podem ser utilizadas com a
finalidade de controlar a pressurização de ambientes classificados.

Registros (damper’s) – são utilizados com a finalidade de regulagem ou bloqueio da vazão de ar


no interior de dutos ou colarinhos de grelhas e difusores. São confeccionados em aço ou
alumínio, tendo como componentes básicos a moldura e as aletas ou lâminas.

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Existem dois tipos básicos:

- de lâminas opostas (LO)


- de lâminas paralelas (LP)

Os de lâminas opostas são utilizados para regulagem da vazão de ar, por ter a melhor relação
entre a vazão e o percentual de abertura, facilitando o balanceamento. O acionamento pode ser
manual ou automático, por meio de motores elétricos.

Venezianas de sobrepressão (damper’s de gravidade) – são utilizadas para permitir a passagem


do fluxo de ar em somente uma direção (fluxo unidirecional). São confeccionadas em aço ou
alumínio, tendo como componentes básicos a moldura e as lâminas gravitacionais. São utilizadas
na descarga de condicionadores e ventiladores em operação paralela, de forma a evitar a inversão
do fluxo, em caso de paralização de um dos equipamentos.

Damper’s corta-fogo – utilizados para interromper o fluxo de ar com a finalidade de retardar a


propagação do fogo ou da fumaça. São confeccionados em aço, e constituidos de moldura, porta
de fechamento, e dispositivo de atuação tipo fusível, para temperatura, ou por meio de motor
elétrico, acionado por meio de sensores de temperatura ou fumaça. São especialmente
recomendados para instalação em dutos ou aberturas que permitam comunicação entre
pavimentos.

Atenuadores de ruído – retangulares ou circulares, podem ser instalados em dutos ou paredes,


sendo utilizados para reduzir o nível de ruído provocado por equipamentos e outros
componentes.

Spliter’s (divisores) – devem ser utilizados para desviar o fluxo de ar para pequenos ramais. São
constituidos de haste de articulação, veia defletora em chapa, e dispositivo de manejo e fixação.
Podem ser de acionamento lateral ou pela haste (quadrante).

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ASPECTOS DO ESCOAMENTO DE FLUIDOS EM CANALIZAÇÕES

Compressibilidade – todos os fluidos são compressíveis em algum grau, pois sua massa
específica varia de acordo com a pressão. Entretanto, ocorrendo variações pouco significativas
de sua massa específica (± 5% em relação ao padrão de referência), tais como os líquidos, o ar
pode ser tratado como incompressível, para velocidades abaixo de 20 m/s, e reduzidas diferenças
de pressão como ocorre em sistemas de condicionamento de ar.

Velocidade média – devido à fricção do fluido com as paredes da canalização, o perfil das
velocidades em uma determinada área transversal é variável. As velocidades próximas às paredes
tendem a zero, e na parte central da área transversal, atingem os maiores valores.

Com a finalidade de simplicar os cálculos de dimensionamento de canalizações, considera-se a


velocidade média, qual pode ser determinada por:

V=Q÷A sendo
V = velocidade média
Q = vazão volumétrica do fluido
A = área transversal da canalização

Esta equação é amplamente utilizada em projetos de sistemas de condicionamento de ar nas


seguintes formas, respectivamente nos sistemas Métrico Prático e Internacional (SI):

Q = A V 3600 (Métrico Prático) sendo:


3
Q = vazão, m /h
A = área transversal, m2

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V = velocidade média, m/s


3600 = constante de transformação (1 hora = 3600 segundos)

Q = A V 1000 (SI) sendo:


Q = vazão, L/s
1000 = constante de transformação (1 m3 = 1000 litros)

Viscosidade absoluta (µ) – é a resistência ao deslizamento entre camadas adjacentes de um


fluido.

Viscosidade cinemática (v) – é a razão entre a viscosidade absoluta e a massa específica. Nas
condições usuais de sistemas de ar condicionado, a viscosidade cinemática pode ser calculada
com razoável precisão por meio da equação a seguir:

v = (13 + 0,1 t ) . 10-6 m2/s sendo t = temperatura do ar em C

Diâmetro Hidráulico – nos estudos referentes ao fluxo de fluidos, são consideradas canalizações
com áreas transversais circulares. Entretanto, em sistemas de distribuição de ar, é igualmente
comum o emprego de canalizações (dutos) com áreas transversais ovais, quadradas ou
retangulares. Para permitir a aplicação dos conceitos estudados em áreas transversais não
circulares, foi desenvolvido o conceito de diâmetro hidráulico. Trata-se do diâmetro de um duto
circular que apresenta a mesma perda por fricção por metro linear que um duto com área
transversal não circular.

O diâmetro hidráulico é definido por:

Dh = 4 A ÷ P sendo:
Dh = diâmetro hidráulico
A = área transversal
P = perímetro da área transversal

O diâmetro hidráulico dos dutos circulares é numericamente igual ao seu diâmetro interno.

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Diâmetro Equivalente – trata-se do diâmetro de um duto circular que apresenta a mesma perda
por fricção por metro linear que um duto com área transversal retangular ou quadrada, para a
mesma vazão de ar.

Esta relação pode ser expressa por:

De = 1,3 (L H)0,625 sendo:


(L + H)0,25
De = diâmetro equivalente de duto retangular ou quadrado, para iguais fricção, vazão e
comprimento
L = dimensão de um lado do duto
H = dimensão do lado adjacente

Com a finalidade de auxiliar os cálculos de sistemas de distribuição de ar, são disponibilizadas


tabelas que apresentam dimensões de dutos retangulares ou quadrados, e os respectivos
diâmetros equivalentes e áreas transversais referentes ao diâmetro equivalente.

Estas tabelas permitem adequar o dimensionamento de dutos circulares para dutos retangulares
ou quadrados, que apresentam a mesma perda de carga por metro linear, para uma mesma vazão
de ar.

Os fabricantes de dutos ovalados costumam disponibilizar tabelas similares, que indicam as


dimensões dos dutos pré-fabricados, e os respectivos diâmetros equivalentes aproximados.

A TABELA DE DIÂMETROS EQUIVALENTES (ANEXOS) apresenta as dimensões dos


dutos retangulares (L e H) e o respectivo diâmetro equivalente em mm.

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Princípio da Conservação de Massa – Pelo princípio da conservação de massa, pode-se afirmar


que o fluxo de massa na seção transversal A1 é o mesmo do fluxo de massa da seção transversal
A2.

A1 x V1 A2 x V2

M1 r1 M2 r2

Sendo:
A1, A2 = área transversal, m2
M1, M2 = fluxo de massa, kg/h
V1, V2 = velocidade média do fluxo, m/s
ρ1, ρ2 = massa especifica, kg/m3

Portanto, este princípio pode ser expresso por:

M1 = M2 ou ρ1 Q1 = ρ2 Q2 sendo:
Q1, Q2 = vazão volumétrica do fluido, m3/s

Para fluidos considerados incompressíveis, cuja massa específica é praticamente constante:

ρ1 = ρ2 e Q1 = Q2 ou A1 V1 = A2 V2

Em sistemas de condicionamento de ar, a indicação das vazões volumétricas em m3/s resultam


em números excessivamente reduzidos, e portanto, no dimensionamento de dutos, as vazões
costumam ser indicadas em litros por segundo (L/s) ou em metros cúbicos por hora (m3/h).

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Número de Reynolds – existem duas formas distintas de escoamento de fluidos, denominadas


escoamento laminar e turbulento. No regime laminar as partículas escoam de forma
aparentemente ordenadas, com fluxo mais estável, enquanto no turbulento, escoam de forma
desordenada, caracterizada pela instabilidade do fluxo.
A estabilidade ou não de escoamento de um fluido pode ser caracterizada pelo Número de
Reynolds, como indicado a seguir:

Re = ( V Dh ) ÷ ( 1000 µ ) sendo:
V = velocidade média do fluido na canalização, m/s
Dh = diâmetro hidráulico da canalização, mm
µ = viscosidade cinemática do fluido, m2/s

Para o ar padrão (20oC ao nível do mar):

Re = 66,4 V Dh

O escoamento é considerado laminar quando Re < 2000 e turbulento quando Re > 4000. Entre
estas condições o escoamento pode ser laminar, turbulento ou em processo de transição,
dependendo das condições específicas.

Equação de Bernoulli – de forma simplificada, desprezando-se a viscosidade do fluido e


considerando-se a sua massa específica constante entre dois pontos de uma canalização, esta
equação pode ser escrita da seguinte forma:

p1 + ρ (V12 ÷ 2) + ρ g z1 = p2 + ρ (V22 ÷ 2) + ρ g z2 sendo:


p1,2 = pressão nos trechos 1 e 2, Pa
ρ = massa específica do ar, kg/m3 (constante)
V1,2 = velocidade média do ar nas seções transversais 1 e 2, m/s
z1, 2 = altura do ponto a partir de um nível de referência, m
g = aceleração da gravidade, 9,8m/s2

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Todas as parcelas desta equação tem as dimensões em termos de pressão, ou seja força por
unidade de área (N/m2 = Pa).

Entretanto, se dividirmos todas as parcelas da equação pelo peso específico de um determinado


fluido como a água por exemplo, as parcelas serão expressas em termos de coluna do fluido
considerado (mmca ou mca por exemplo).

( p1 ÷ ɤ ) + (V12 ÷ 2g) + z1 = ( p2 ÷ ɤ ) + (V22 ÷ 2g) + z2 sendo:

p1,2 ÷ ɤ = pressão nos trechos 1 e 2, mmca ou mca


V1,2 = velocidade média do ar nas seções transversais 1 e 2, m/s
z1, 2 = altura do ponto a partir de um nível de referência, em termos de mmca ou mca
ɤ = peso específico do fluido, N/m3

A equação de Bernoulli é uma forma de expressão de conservação de energia aplicada ao


escoamento de fluidos em canalizações. Na prática, perdas de energia, usualmente denominadas
perdas de carga existem, e devem ser consideradas. Desta forma esta equação, entre os pontos 1
e 2, pode ser expressa como:

p1 + ρ (V12 ÷ 2) + ρ g z1 = p2 + ρ (V22 ÷ 2) + ρ g z2 + PC sendo:


PC = perda de carga entre os pontos 1 e 2, Pa

Finalmente, considerando-se a massa específica do ar constante ao longo de uma rede de dutos, e


desprezando-se as parcelas referentes à energia potencial (alturas z1 e z2), a equação pode ser
aplicada a dois pontos de um trecho de rede de dutos de distribuição de ar como indicado a
seguir:

p1 + ρ (V12 ÷ 2) = p2 + ρ (V22 ÷ 2) + PC sendo:


p1,2 = pressão nos trechos 1 e 2, Pa
ρ = massa específica do ar, kg/m3
V1,2 = velocidade média do ar nas seções transversais 1 e 2, m/s
PC = soma das perdas por fricção e dinâmicas ou perda de carga entre 1 e 2, Pa

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Em termos práticos, as pressões costumam ser referenciadas como:

Pressão estática (PE) – representada na equação pelas parcelas p + ρgz, é a pressão exercida no
interior da rede de dutos em todas as direções, independentemente da movimentação de ar.

Pressão velocidade ou dinâmica (PV) – representada na equação pela parcela ρ (V2 ÷ 2), é a
pressão exercida exclusivamente pela velocidade do ar. Considerando-se o ar padrão, com massa
específica igual a 1,204 kg/m3:

PV = ρ (V22 ÷ 2) = 1,204 V2 ÷ 2 = 0,602 V2

Pressão total (PT) – igual à soma de PE + PV.

Perda de carga (PC) – representa as resistências ao fluxo de ar que ocorrem ao longo de uma
rede de dutos, seja por fricção nos trechos retos, ou por acidentes tais como curvas, joelhos,
bifurcações, junções, transformações na seção transversal, registros, etc..

Em um duto real, ocorrem perdas de carga (PC), que causam redução na pressão total ao longo
da rede. Na saída do ar para a atmosfera, a pressão estática é igual a zero, e pressão total torna-se
igual à pressão velocidade de saída do ar.

Q Q
A A
V V

PE PC = PE
PT
PV PV = PT

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Variando-se a velocidade média do ar nos trechos de uma rede de dutos, as pressões estática e
velocidade são intercambiáveis, ou seja, parte da pressão estática pode ser convertida em pressão
velocidade ou vice-versa. Nestas conversões ocorrem perdas de energia (perdas de carga).

PC

PE

PT = PV
PV

Na redução da velocidade a partir de um trecho inicial em relação ao trecho subsequente, após


uma saída de ar, parte da diferença entre as pressões velocidade é convertida em pressão estática,
e esta conversão é denominada ganho de pressão estática (static regain).

V1 V2

V1 > V2

Entretanto na realidade, a perda de carga na transformação de seção entre os dois trechos,


implica em que esta conversão não seja integral, sendo considerada na prática como 75% da
diferença entre as pressões velocidade. Desta forma, o ganho de pressão estática entre dois
trechos subsequentes, devido à redução de velocidade pode ser expresso por:

SR = static regain = 0,75 (PV1 – PV2) = 0,75 (0,602 V12 - 0,602 V22)

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

PERDAS DE CARGA (PC)

Perdas por Fricção (Pf)

A equação de Darcy-Weisbach aplicada às redes de distribuição de ar, permite o cálculo da


perda por fricção em um trecho retilíneo de duto:

Pf = 1000 f L ρV 2 = 1000 f L PV sendo:


Dh 2 Dh
Pf = perda de carga por fricção, Pa
f = fator de fricção, adimensional
L = comprimento do duto, m
Dh = diâmetro hidráulico, mm
V = velocidade média, m/s
ρ = massa específica, kg/m3
1000 = constante de transformação, 1 m = 1000 mm

O fator f pode ser calculado pela fórmula de Colebrook ou pelo pelo ábaco de Moody.

1 ÷ f 0,5 = -2 log ( 12 ∈ ÷ 3,7Dh + 2,51 ÷ Re f 0,5 ) - Colebrook

A fórmula de Altshul-Tsal permite que fator f possa ser calculado de forma simplificada, e com
razoável precisão, por meio da expressão:

f ’ = 0,11 ∈ + 68 0,25
sendo:
Dh Re

∈ = fator de rugosidade absoluta do material, mm


Re = número de Reynolds, (para o ar padrão Re = 66,4 Dh V)

Se f ’ ≥ 0,018: f=f’
Se f ’ < 0,018: f = 0,85 f ’ + 0,0028

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Fatores de Rugosidade Absoluta de Materiais de Dutos

Material Categoria ∈, mm
Plástico ou Alumínio Liso 0,03
Aço galvanizado Meio liso 0,09
Fibra de vidro rígida meio áspero 0,9
Duto flexível 100% extendido
áspero 3,0
ou Concreto

Dutos flexíveis ocasionam elevadas perdas por fricção mesmo quando 100% extendidos. Fatores
de correção devem ser considerados quando estes dutos não forem instalados totalmente
extendidos:

% do comprimento esticado Fator


100 1
90 2
80 3
70 4

∈ = 0,09
Exemplo: calcular a perda por fricção em duto redondo rígido, de chapa galvanizada (∈
mm), com diâmetro de 400 mm, e velocidade de 9 m/s, estando o fluxo de ar na condição
padrão. Considerar o comprimento do duto L, igual a 1 m.

Re = 66,4 x 400 mm x 9 m/s = 239.040

0,25
f ’ = 0,11 0,09 mm + 68 = 0,0165
400 mm 239.040

f ’ < 0,018, portanto, f = 0,85 x 0,0165 + 0,0028 = 0,0168

Pf = 1000 x 0,0168 x 1 m x 1,204 kg/m3 x 9 m/s 2 = 2,05 Pa ou 2,05 Pa/m


400 mm 2

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

∈ = 3,0 mm), sendo as demais


Exemplo: calcular a perda por fricção em duto de concreto (∈
condições idênticas às do exemplo anterior.

Re = 239.040 (as variáveis envolvidas no cálculo são as mesmas do exemplo anterior)

0,25
f ’ = 0,11 3,0 mm + 68 = 0,0327
400 mm 239.040

f ’ > 0,018, portanto f = f’ = 0,0327

Pf = 1000 x 0,0327 x 1 m x 1,204 kg/m3 x 9 m/s 2 = 3,99 Pa/m


400 mm 2

Com a finalidade de facilitar o cálculo da perda por fricção para dutos redondos construidos em
chapa galvanizada, foi desenvolvido o Gráfico de Fricção do Ar Padrão.

Variações na pressão barométrica, temperatura e umidade, afetam os valores do gráfico.

Entretanto, não há necessidade de correções para:

1) variações de temperatura de ± 15 °C a partir de 20 °C;


2) variações de pressão barométrica para altitudes até 500 m;
3) dutos construidos com materiais de fator de rugosidade média.

Estas variações representam menos de 5% dos valores obtidos no Gráfico.

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Perdas Dinâmicas (Pd)

São causadas por distúrbios no fluxo, devido a equipamentos e dispositivos que alteram a direção
ou a área transversal por onde passa o ar. Podem ser expressas por:

Pd = C PV sendo:
Pd = perda de carga dinâmica do acidente, Pa
C = coeficiente de perda de carga, adimensional
PV = pressão velocidade, calculada em função da velocidade média, Pa

Os valores de C são apresentados em diversas tabelas, de acordo com o tipo de acidente,


características construtivas e outras condições específicas do acidente considerado. Alguns
valores de C para acidentes usualmente encontrados em redes de dutos de baixa velocidade,
podem ser obtidos das tabelas apresentadas nos ANEXOS.

Exemplo: através de uma curva sem veias, com dimensões de 800 x 500 mm, e raio 400 mm,
passa uma vazão de ar de 3000 L/s. Calcular a perda dinâmica, considerando-se a largura L
como sendo a dimensão 800.

R/L = 400 ÷ 800 = 0,50


H/L = 500 ÷ 800 = 0,625
Da tabela de curvas sem veias, com R/L = 0,50 e adotando-se H/L = 0,5, C = 1,38
Seção transversal da curva A = 800 x 500 = 400.000 mm2 = 0,40 m2
V = 0,001 Q ÷ A = 0,001 x 3000 L/s ÷ 0,40 m2 = 7,5 m/s
PV = 0,602 V2 = 0,602 x (7,5 m/s) 2 = 33,9 Pa
Pd = C PV = 1,38 x 33,9 Pa = 46,8 Pa

Exemplo: calcular a perda dinâmica no trecho reto de um tê retangular divergente para ramal
redondo (14-14-T), conhecendo-se a vazão de entrada Qc = 5400 m3/h, e as respectivas
dimensões do duto de 750 x 300 mm, sendo a relação entre as velocidades Vs/Vc = 0,60.

No trecho comum (c):


Ac = 750 x 300 = 225.000 mm2 = 0,225 m2

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Vc = Qc ÷ (Ac x 3600) = 5400 m3/h ÷ (0,225 m2 x 3600) = 6,7 m/s


PVc = 0,602 x Vc2 = 0,602 x 6,72 = 27 Pa
Para o referido acidente nas condições anteriormente estabelecidas C = 0,06 (TAB 3)
Pd = C PVc = 0,06 x 27 Pa = 1,62 Pa = 0,17 mmca (1 mmca = 9,8 Pa)

Opcionalmente, as perdas dinâmicas podem ser expressas em termos de Comprimento


Equivalente, não sendo estes valores tão precisos quanto os valores calculados em função da
pressão velocidade. Define-se Comprimento Equivalente como sendo o comprimento de uma
canalização que ocasiona a mesma perda de carga por fricção que um determinado acidente, para
um mesmo diâmetro. Comparando-se a equação da perda de carga dinâmica com a da perda por
fricção:

C PV = fL PV dividindo-se ambos os lados da equação por PV


Dh

C = fL ou L = Le = C Dh
Dh f

Assumindo-se um fator de proporcionalidade K = C ÷ f:

L = K Dh, ou seja, o comprimento equivalente é proporcional ao diâmetro hidráulico.

Por assumir um valor médio de f (função de Re e ε/Dh) este método avaliação das perdas
dinâmicas não é tão preciso quanto a anterior. Entretanto, na prática, o método do comprimento
equivalente é utilizado por facilitar cálculos de redes de dutos, onde há necessidade de processos
de interação para se determinar perdas dinâmicas, sem auxílio de gráficos.

Exemplo: calcular o comprimento equivalente da curva sem veias apresentada no exemplo da


página 24. Neste exemplo foram calculados os valores de R/L = 0,50 e H/L = 0,625, sendo
considerada a largura da curva L = 800 mm.

Da TABELA pág 54, com R/L = 0,50, e considerando H/L = 0,50, aproximadamente, Le/D = 33
Portanto, Le = 33 x D = 33 x 800 mm = 26400 mm = 26,4 m
Caso este trecho de dutos tenha sido calculado para 1 Pa/m, a perda de carga da curva será igual
a 26,4 m x 1Pa/m = 26,4 Pa

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PROCEDIMENTOS DE PROJETO

- Analisar os desenhos arquitetônicos e de instalação, e posicionar os dispositivos de


insuflação e retorno, com as respectivas vazões de ar, otimizando-se a difusão de ar, de
acordo com as demandas térmicas de cada espaço.

- Selecionar os dispositivos de insuflação e retorno, de acordo com os catálogos


disponibilizados pelos fabricantes.

- Esquematizar a rede de dutos conectando os dispositivos de insuflação e retorno (se


necessário) aos condicionadores. Os espaços disponíveis para passagem dos dutos,
geralmente definem o encaminhamento e o formato dos trechos, assim como os
dispositivos de insuflação e retorno acoplados à rede.

- Determinar a vazão de cada trecho da rede, e numerar cada seção, conforme o fluxo, ou
o formato do trecho.

- Assinalar os acidentes pertinentes a cada trecho.

- Dimensionar os trechos.

- Estimar a perda de carga do sistema.

- Selecionar o ventilador ou o condicionador.

- Desenhar o sistema detalhado e verificar as possíveis interferências.

- Caso sejam necessárias modificações significativas nas dimensões, encaminhamento,


e/ou acidentes previstos, redimensionar a rede.

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TRAÇADO DAS REDES DUTOS

- Projetar redes de dutos com os trajetos mais curtos possíveis.

- Não instalar bocas de ar diretamente no ramal principal, exceto no caso de o sistema de


distribuição atender a um único ambiente.

- Projetar várias ramificações dotadas de dispositivos de regulagem de vazão em cada


ramal.

- Preferencialmente projetar um ramal para cada ambiente ou zona térmica.

- Evitar grelhas e difusores no mesmo ramal.

CONSIDERAÇÕES GERAIS DE PROJETO

Velocidades ao longo das redes de dutos – qualquer que seja o método de cálculo utilizado, as
velocidades médias do ar tendem a ser reduzidas nos diversos trechos de dutos, conforme estes
se afastam dos ventiladores. Este procedimento visa reduzir a perda de carga nos trechos mais
distantes.

V4 > V5 > V6
V1 < V2 < V3

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Velocidades recomendadas – no projeto de um sistema de dutos, qualquer que seja o método de


cálculo, é necessário adotar-se uma velocidade para o trecho de maior vazão, a qual possibilitará
o dimensionamento deste trecho, independentemente do método escolhido. Os métodos de
seleção usuais adotam, para instalações de conforto, perdas de carga por fricção por metro linear
de duto entre 1,0 e 1,3 Pa/m, de forma a manter as velocidades, e consequentemente, os níveis de
ruído dentro de padrões aceitáveis.

O Decreto 22281 da GEM limita as velocidades nos dutos de sistemas de exaustão destinados a
instalações sanitárias em 400 m/min (6,7 m/s) para dutos de chapa galvanizada ou PVC, e em
250 m/min (4,2 m/s) para dutos de outros materiais pré-fabricados.

Dimensões permíssíveis – deve ser realizada uma análise prévia e criteriosa dos projetos
arquitetônicos, da estrutura da construção, e das instalações prediais, com a finalidade de se
verificar as dimensões mínimas e máximas permissíveis dos diversos trechos do sistema de
dutos, assim como possíveis interferências e dificuldades de instalação. O dimensionamento dos
diversos trechos deve considerar as dimensões dos dispositivos de insuflação e retorno:

25 mm
Grelha

25 mm Difusor
25 mm 25 mm

Ruído – as maiores fontes de ruído em sistemas de condicionamento de ar são os acidentes,


difusores, grelhas, ventiladores, dutos e vibrações. A seleção e o dimensionamento apropriados
possibilitam níveis de ruído dentro dos padrões permissíveis.

MÉTODOS DE CÁLCULO DE REDES DE DUTOS

Método da Fricção Constante (Equal Friction)

Este método consiste em manter a mesma perda por fricção por metro linear, em todos os trechos
do sistema. Ideal para dutos simétricos, facilitando as necessidades de balanceamento.

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300 L/s 300 L/s

3 4

2 600 L/s

1200 L/s

5 600 L/s

300 L/s 300 L/s

6 7

Para sistemas com ramais curtos e outros longos, haverá necessidade de registros pelo menos nos
mais curtos.

Conhecendo-se a vazão e a perda de carga por metro linear (Pa/m), a velocidade do duto inicial
está estabelecida por meio das fórmulas de perda de carga por fricção, ou por meio do Gráfico
de Fricção do Ar Padrão.

Sendo esta perda por metro linear constante ao longo do sistema, e conhecendo-se as vazões dos
demais trechos, podem ser estimados os respectivos diâmetros equivalentes, por meio do Gráfico
de Fricção do Ar Padrão.

A principal deficiência deste processo é não diferenciar ramais retilíneos de outros, com diversos
acidentes (curvas, transições, etc..), podendo ocasionar considerável desbalancemento no
sistema.

Exemplo: dimensionar a rede de dutos indicada a seguir pelo método Equal Friction. Considerar
a perda de carga por fricção de 1 Pa/m aproximadamente.

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1500 L/s 1000 L/s 500 L/s

1 2 3

A tabela de dimensionamento de dutos apresentada a seguir foi elaborada por interação, em


planilha de cálculo (Excel), a partir das fórmulas de perda de carga por fricção, mantendo-se
constante a altura H dos trechos, variando-se a largura L de 10 em 10 mm, de forma a se obter
valores de 1 Pa/m, aproximadamente.

H V PV Pf
trecho Q L/s L mm Dh mm A m2 Re f´ f
mm m/s Pa Pa/m
1 1.500 770 300 432 0,231 6,5 25,4 186.168 0,0170 0,0173 1,02
2 1.000 550 300 388 0,165 6,1 22,1 156.235 0,0177 0,0178 1,02
3 500 320 300 310 0,096 5,2 16,3 107.097 0,0192 0,0192 1,01

Os valores da tabela acima foram obtidos por meio dos seguintes procedimentos:

- Valores de largura (L) arbitrados pelo projetista, variando de 10 em 10 mm


- Adotado valor de altura (H) de 300 mm para todos os trechos
- A (m2) = L (mm) x H (mm) ÷ 1.000.000 , sendo
1.000.000 = constante de transformação, 1 m2 = 1.000.000 mm2
- Dh (mm) = 4 A (mm2) / P (mm)
- V (m/s) = 0,001 Q (L/s) ÷ A (m2)
- PV = 0,602 V2
- Re = 66,4 Dh V
- f ’ = 0,11 (ε / Dh + 68 / Re)0,25
- Se f ‘ > = 0,018: f=f‘
- Se f ’ < 0,018: f = 0,85 f ’ + 0,0028
- Pf/m = 1000 f L PV sendo L = 1 m (por metro linear)
Dh

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Alternativamente pode-se utilizar o Gráfico de Fricção do Ar Padrão, considerando-se as


vazões, adotando-se o valor de 1 Pa/m como constante, e obtendo-se os diâmetros equivalentes
de cada trecho.

Posteriormente, as dimensões dos dutos retangulares equivalentes aos diâmetros selecionados,


são obtidas na tabela de diâmetros equivalentes.

Uma otimização deste método consiste em dimensionar o trajeto com maior comprimento,
calcular a pressão estática deste trajeto, e selecionar os ramais mais curtos, com perdas mais
elevadas, de forma a permitir melhor balanceamento do sistema, evitando-se entretanto,
velocidades excessivas, as quais podem causar níveis de ruído indesejáveis.

Na figura a seguir, o sistema representado é constituido pelo duto principal, com 1.500 L/s, o
qual se bifurca em dois trajetos ou ramais distintos.

Considerando-se o somatório das perdas por fricção e dinâmicas, de cada trajeto, a partir do
condicionador até o último difusor, o ramal com vazão de 900 L/s é aparentemente o de maior
perda de carga, e haverá um desbalanceamento entre os dois ramais.

900 L/s 600 L/s 300 L/s

2 3 4

1500 L/s

600 L/s 300 L/s

5 6

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Com a finalidade de se otimizar o balanceamento, podem ser adotados os seguintes


procedimentos:

- o trecho inicial é calculado por meio da perda Pa/m considerada


- o ramal de maior perda é calculado por Equal Friction
- calculam-se os comprimentos equivalentes das perdas dinâmicas neste trajeto
- calcula-se o comprimento equivalente total (Le1), desde a bifurcação até o último
difusor
- calcula-se a respectiva perda por fricção do ramal Pf1 (Pa) = Le1 (m) x Pa/m
- estima-se o comprimento equivalente do segundo trajeto (Le2), a partir da bifurcação
- estima-se a perda por fricção por metro linear do trajeto 2 (Pa/m) = Pf1 (Pa) ÷ Le2 (m)
- calcula-se o segundo trecho por Equal Friction, com a nova relação Pa/m estimada
- verificam-se os comprimentos equivalentes estimados para o trecho 2; caso os resultados
sejam execessivamente divergentes, ou as velocidades no trajeto 2 elevadas, haverá
necessidade de redimensionamento total do sistema.

Método da Recuperação de Pressão Estática (Static Regain)

Em uma rede de dutos, conforme a velocidade de um trecho V2 é reduzida em relação à do


trecho anterior V1, há uma redução na pressão velocidade devido a V2<V1, e consequentemente
um ganho de pressão estática. Este método consiste em calcular o ganho de pressão estática, de
forma a compensar a perda de carga do trecho subsequente L.

V1
V2

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Na prática, estima-se que esta recuperação varie entre 50% e 90% da redução da pressão
velocidade. Nos projetos, é usual se adotar o valor de 75%, e portanto o ganho de pressão
estática será:

SR = 0,75 (PV1 – PV2) sendo:


SR = ganho de pressão estática (static regain), Pa
PV1 = pressão velocidade relativa à velocidade V1, Pa (ar padrão PV1 = 0,602 V12)
PV2 = pressão velocidade relativa à velocidade V2, Pa (ar padrão PV2 = 0,602 V22)

Este ganho deverá ser numericamente igual à perda por fricção no trecho 2:

1000 f L ρV2 2 ou 1000 f L PV2 = 0,75 (PV1 – PV2)


Dh2 2 Dh2

L refere-se ao comprimento equivalente (Le) do trecho a ser dimensionado. Caso o trecho seja
retilíneo, é igual ao comprimento real do trecho. Entretanto, caso possua acidentes tais como
curvas ou joelhos, o processo torna-se ainda mais interativo, por não serem conhecidas as reais
dimensões do trecho, e consequentemente os comprimentos equivalentes dos acidentes.

No caso de utilização deste método, deve-se considerar as velocidades calculadas como sendo
referentes às áreas transversais dos dutos retangulares (velocidades reais), sem o emprego do
recurso do diâmetro equivalente.

Este método é basicamente aplicável a grandes redes de dutos, com longos ramais retilíneos.
Com este método, a necessidade de registros de balanceamento na rede é reduzida.

L real = Le

Em casos de valores de L (Le) excessivamente elevados, as dimensões do trecho posterior 2


podem ser iguais ou até mesmo maiores que as do trecho anterior 1.

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Exemplo: dimensionar a rede da pág. 30 pelo método Static Regain, considerando-se que todos
os trechos tenham um comprimento real L de 5 m, sem acidentes (Le = L).

V PV Pf/m Pf PV ant SR G/P


trecho Le m Q L/s L mm H mm Dh mm A m2
m/s Pa Pa/m Pa Pa Pa Pa
1 5,0 1.500 770 300 432 0,231 6,5 25,4 1,02 5,1 0,0 0,0 5,1
2 5,0 1.000 580 300 395 0,174 5,7 19,9 0,90 4,5 25,4 4,1 0,4
3 5,0 500 340 300 319 0,102 4,9 14,5 0,87 4,4 19,9 4,1 0,3

Os valores desta tabela foram inicialmente obtidos de forma similar à tabela do exemplo anterior
(Equal Friction), sendo omitidos nesta tabela os valores de Re, f´ e f. A partir da coluna Pf, os
valores foram obtidos por meio dos seguintes procedimentos:

- Pf = Le x Pf/m (perda de carga por fricção no trecho)


- PV ant = pressão velocidade do trecho anterior
- SR = static regain = 0,75 (PV ant – PV trecho considerado)
- G/P = Ganho (negativo) ou Perda (positivo) de pressão estática = Pf – SR

Por este processo procura-se adotar valores de G ou P próximos de zero, ou seja, o ganho
anulando a perda de carga. Verifica-se que a perda de carga significativa é somente a do duto
inicial.

Principais Características dos Métodos Apresentados

Equal Friction:

- ideal para dutos simétricos;


- em dutos assimétricos há necessidade de registros de balanceamento;
- o método otimizado ou aperfeiçoado é mais eficiente;
- cuidados com velocidades excessivas em ramais curtos, quando utilizado o método
otimizado;
- dutos de retorno (pressão negativa) são sempre projetados pelo método de fricção constante.

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Static Regain:

- ideal para dutos longos e retilíneos;


- grandes comprimentos equivalentes (Le) resultam em dimensões e custos mais elevados;
- em grandes sistemas permite economia de energia;
- não é aplicável a dutos de retorno e exaustão.

Escolha do Método a ser Adotado

Diversos métodos podem ser empregados em uma mesma rede de dutos de insuflação. Por
exemplo, no sistema indicado a seguir, os trechos 1 a 3 do duto principal podem ser
dimensionados por recuperação de pressão estática, enquanto os ramais, idênticos, por fricção
constante, considerando-se que a perda de carga entre as duas saídas de ar de cada ramal não seja
significativa.

1 2 3

Por outro lado, o sistema a seguir pode ter os trechos 1 e 2 (até o primeiro difusor)
dimensionados por fricção constante, e a partir daí por recuperação de pressão estática.

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Outros Métodos de Cálculo

Pleno Extendido ou Semi-extendido – consiste em prolongar o duto principal, a partir da


descarga do condicionador, ventilador ou caixa de VAV, com a finalidade de suprir diversos
ramais ou saídas de ar. O Método Semi-extendido adota o mesmo conceito, com um pequeno
número de reduções na área transversal do duto principal.

Redução da Velocidade – pode ser utilizado em pequenas redes de dutos, com reduzido número
de saídas de ar. Requer experiência do projetista.

Velocidade Constante – geralmente utilizado em sistemas industriais de alta velocidade, para


transporte de particulados ou poluentes. Em sistemas de conforto requer caixas terminais
atenuadoras de ruído e velocidade.

Métodos Interativos

Para sistemas com diversos ramais acoplados tanto na sucção quanto na descarga de um
ventilador ou na descarga de um condicionador, o dimensionamento ideal deve otimizar o
balanceamento da rede, equalizando-se as perdas em todos os trajetos, desde as entradas até as
saídas de ar.

4 6
1 3

5 7
2

Com esta finalidade, a perda de carga da rede de dutos deverá ser aproximadamente a mesma,
qualquer que seja o trajeto do ar, de forma que as seguintes equações sejam satisfeitas:

PC = PC1 + PC3 + PC4 + PC5


PC = PC1 + PC3 + PC4 + PC6 + PC7
PC = PC2 + PC3 + PC4 + PC5
PC = PC2 + PC3 + PC4 + PC6 + PC7

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Quanto mais próximos os valores encontrados nestas equações, mais auto-balanceável será a
rede de dutos, desprezando a utilização de registros, que encarecem e podem causar ruídos
indesejáveis. Com esta finalidade, foram desenvolvidos métodos interativos, que efetuam os
cálculos por meio de computadores.

Nestes métodos é usual o pré-dimensionamento da rede de dutos por um dos processos


anteriormente apresentados, e posteriormente, através de simulações, se efetuar o ajuste das
dimensões de cada trecho, de forma a equalizar as perdas dos diversos trajetos.

Método Equal Friction Modificado

Trata-se de um método interativo aplicável a dutos de insuflação, retorno e exaustão, com


sistemas de distribuição simétricos ou não, e ramais curtos ou longos. As perdas de carga por
fricção em cada trecho podem ser alteradas com a finalidade de facilitar o balanceamento, não
eliminando entretanto a utilização de dampers de regulagem. As perdas de carga dinâmicas
consideram os eventuais ganhos de pressão estática nos acidentes. Os resultados obtidos por este
método são os que mais se aproximam das reais perdas de carga encontradas nas redes de dutos.

CÁLCULO DA PERDA DE CARGA DO SISTEMA

Para se calcular a perda de carga total de um sistema, deverá ser efetuado o somatório das perdas
de carga por fricção e dinâmicas em cada trecho a montante a a jusante do ventilador, e as perdas
de carga devido aos diversos componentes do ciclo do ar, tais como difusores, grelhas,
serpentinas e filtros. Neste cálculo deve-se considerar o pior trajeto, em termos de perda de
carga, incluindo-se nesta avaliação, o circuito do ar exterior, trajeto em paralelo com o circuito
de retorno.

PC = ΣPf + ΣPd + ΣPc sendo:


PC = perda de carga total do sistema, Pa
ΣPf = somatório das perdas de carga por fricção em cada trecho reto do pior trajeto, Pa
ΣPd = somatório das perdas de carga por acidentes em cada trecho do pior trajeto, Pa
ΣPc = somatório das perdas de carga devido aos componentes do ciclo do ar, Pa

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Qe

Qi
Qr

F S

Qi

Qe Qr

Considerando-se que nas serpentinas e nos filtros as velocidades de entrada e saída do ar são
iguais, e sendo a variação das massas específicas desprezível, as pressões velocidade são iguais.
Portanto, as perdas de carga destes componentes são iguais às diferenças de pressão total, assim
como às de diferenças de pressão estática.

Em aplicações que utilizam condicionadores comerciais padronizados, cujas perdas de carga nas
serpentinas e nos filtros são conhecidas e padronizadas, é usual o emprego dos termos Pressão
Estática Disponível e Pressão Estática Requerida pelos fabricantes.

Pressão Estática Disponível – trata-se da pressão estática líquida (exceto serpentina e filtros)
fornecida pelo condicionador ao sistema de dutos, ou seja a pressão estática máxima permissível
na rede de dutos a ser dimensionada, incluidos os trechos de insuflação e de retorno ou de ar
exterior.

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Pressão Estática Requerida – trata-se da pressão estática da rede de dutos calculada, e que deve
ser igual ou inferior à Pressão Estática Disponível pelo condicionador.

Interação Ventilador-Sistema

O desempenho do ventilador no local da instalação pode não ser o previsto no projeto. As


causas, além da perda de carga da rede de dutos estar sub-estimada, podem ser conexões
indevidas entre o ventilador e os dutos tanto na sucção, quanto na descarga.

Normalmente os ventiladores são testados em fábrica, sem conexões na sucção, e com um trecho
reto de duto com área transversal constante, acoplado à descarga. Como as condições ideais de
teste nem sempre são as existentes na instalação, o desempenho do ventilador pode ser
prejudicado.

Para compensar a deficiência, devem ser adicionadas à perda de carga calculada para a rede de
dutos, o efeito das interações entre os dutos e o ventilador. Estes chamados fatores de efeito do
sistema, foram determinados pela Air Movement and Conditioning Association (AMCA).

A figura a seguir ilustra a deficiência de desempenho. O ponto de operação estimado em projeto


(1), encontra-se sobre a curva do ventilador a rotação constante. O cálculo da pressão estática
(PE) não levou em conta as interações entre os dutos e o ventilador. O ponto (2) indica a
condição real de operação, com a pressão estática incrementada devido aos fatores de efeito do
sistema, sendo a vazão de ar inferior à requerida pelo projeto.

PE

condição real (2)


projeto (1)

curva do ventilador
a rotação constante

vazão

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Condições de Saída – os ventiladores são testados em laboratório com trecho de duto retilíneo na
descarga, denominado comprimento efetivo. Para desempenho ideal nas instalações, de
conformidade com os catálogos dos fabricantes, o duto deveria ter 100% deste comprimento.
Caso contrário, deverá ser considerada uma perda de carga adicional ao sistema.

Condições de entrada – para o desempenho ideal, o fluxo de ar deve estar direcionado para a
entrada de ar do ventilador, sem redemoinhos (pré-rotação). Rotações no mesmo sentido do
rotor, favorecem o desempenho, e em sentido contrário, prejudicam. Portanto, devem ser
incluidas nos cálculos, as perdas de carga devido à pré-rotação do fluxo de ar, à proximidade de
obstáculos, e de ventiladores instalados em pleno ou no interior de gabinetes.

SISTEMAS DE VAZÃO DE AR VARIÁVEL (VAV)

Usualmente as condições ambientais satisfatórias são mantidas controlando-se a temperatura de


insuflação (variável), e mantendo-se constante a vazão de ar insuflada no ambiente
condicionado. Entretanto, existe a opção de se controlar a vazão de ar insuflada, mantendo-se
praticamente constante, a temperatura de bulbo seco do ar insuflado. Trata-se do sistema
denominado VAV.

Uma das principais vantagens deste processo é permitir o condicionamento de ar de diversas


zonas térmicas com comportamento significativamente distinto por um único condicionador, e
ainda assim possibilitar o controle individual dde temperatura por zona. Outra vantagem é
dimensionar o condicionador e o duto principal para a carga térmica máxima simultânea ou seja,
considerando-se a diversidade de carga térmica do lado do ar.

Tipos de Sistemas de VAV

VAV para Zona Única – neste sistema o ventilador do condicionador ajusta a vazão de ar
insuflada de acordo com a variação da temperatura de ambiente único ou vários ambientes que
tenham o mesmo comportamento térmico (zona térmica).

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

Aplicável a sistemas com controle de umidade onde não há necessidade da manutenção da vazão
de ar insuflada constante, permitindo desta forma a redução da potência do sistema de
reaquecimento utilizado para manter a umidade relativa dentro da faixa requerida.

AE

AR

VF

T
ZONA ÚNICA

VAV por bypass – um damper de regulagem automática instalado em duto de bypass modula a
vazão de ar insuflada desviando parte do fluxo do ar insuflado diretamente para a sala de
máquinas ou para a caixa de mistura do condicionador de ar.

Este sistema pode ser utilizado juntamente com condicionador de expansão direta, já que não há
redução na vazão de ar que passa pelo evaporador. Entretanto, mantendo-se a vazão constante
não há economia de energia.

AE
TDP

AR

VAV VAV VAV

DAMPER
BYPASS
T T T

ZONA 1 ZONA 2 ZONA 3

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VAV com duto único – é o sistema mais utilizado, permitindo o controle individual de
temperatura para diversas zonas térmicas.
AE
TDP

AR

VAV VAV VAV

VF

T T T

ZONA 1 ZONA 2 ZONA 3

VAV com duplo duto – permite aquecimento e resfriamento simultaneamente, podendo ser
utilizado com vazão de ar variável (VAV) ou constante (VAC).

Pode ser utilizado nas zonas periféricas em locais onde o clima é mais ameno. Entretanto sua
aplicação não é popular devido ao excesso de dutos empregado.

AE

-
AR
+

CAV CAV CAV

T T T

ZONA 1 ZONA 2 ZONA 3

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Tipos de Caixas Terminais de VAV

Dependente de Pressão – trata-se do tipo mais elementar, sendo composto por damper
automático de regulagem de vazão de ar inserido em duto, diretamente atuado por controlador
comandado por sensor de temperatura de ambiente.

Caso instalado em rede de dutos juntamente com outros dispositivos de VAV, a variação da
pressão na entrada do terminal em função do fechamento ou abertura dos demais, resulta em
variação da vazão de ar insuflada independentemente das necessidades térmicas do ambiente, ou
seja, do comando do sensor. Isto causa instabilidade da temperatura no ambiente, o que
normalmente não é aceitável.

AI

Independente de Pressão – um controle de temperatura mais estável e sofisticado é obtido


inserindo-se no sistema um dispositivo de medição de pressão diferencial na entrada do terminal.
O sensor de temperatura continua medindo as necessidades de resfriamento do ambiente, mas o
controlador não atua diretamente sobre o damper, sendo o sinal do sensor corrigido em função da
variação de pressão na entrada do terminal, assim como de um pré-estabelecido set point de
temperatura para o ambiente.

Desta forma, se a pressão do sistema de distribuição de ar a montante do terminal se altera, o


damper é reposicionado para manter o fluxo pré-estabelecido pelo set point. Portanto, o fluxo de
ar insuflado é independente da pressão do sistema, sendo por esta razão, o tipo mais utilizado em
sistemas de VAV.

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Em locais de clima mais ameno pode ser fornecida uma serpentina de reaquecimento com a
finalidade de evitar a redução excessiva da vazão de ar a ser insuflada, a qual pode causar a
sensação de ar estagnado no ambiente.

REAQ
P

AI AI

P = sensor de pressão
T T

Independente de Pressão com Vazão de Ar Constante – um sistema de VAV pode ter zonas que
requerem vazão de ar insuflada constante. Para prover este fluxo constante, um terminal de
pressão independente pode ser configurado.

Este tipo pode ser utilizado com serpentina de reaquecimento controlada por sensor com a
finalidade de controlar a temperatura um um ambiente onde devem ser mantidas constantes a
vazão insuflada ou o número de renovações (ACH).

De Indução – o fluxo de ar frio que sai do condicionador de ar primário é introduzido


diretamente no ambiente, através do terminal de indução. Para reaquecer o ar distribuido pelos
difusores, o terminal é projetado com um nozzle de indução, que mistura o fluxo de ar primário
com o de retorno vindo do pleno acima do forro ou do diretamente ambiente.

Esta mistura aquece o ar a ser insuflado e portanto aumenta a vazão de ar insuflada e o número
de renovações do ambiente (ACH), promovendo potencialmente melhor distribuição e conforto.

Estes terminais requerem relativamente baixas pressões estáticas de operação, e são


frequentemente utilizados em aplicações específicas tais como hospitais e zonas periféricas.

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REAQ

AI nozzle

T AR

Fan-powered – possuem duas configurações distintas:

• em série – basicamente possui um pequeno ventilador em série com os fluxos de ar primário


e recirculado. O ventilador geralmente opera initerruptamente, distribuindo fluxo constante
aos difusores, mesmo quando o fluxo de ar primário é reduzido, aumentando o fluxo de ar
recirculado. Desta forma o terminal transforma o sistema de VAV do condicionador de ar
primário em sistema de vazão constante no ambiente. Considerando-se que a energia
consumida pelo somatório de todas as caixas terminais pode ser maior que a redução de
energia no condicionador de ar primário, este sistema possui baixa eficiência energética.
Possui uma placa perfurada para incrementar a mistura do ar primário (AI) com o ar
recirculado (AR).

AR

AI

Se necessário, pode ser utilizado com serpentina de reaquecimento.

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APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

• em paralelo – o ventilador é instalado na recirculação de ar e normalmente é operado quando


o ar primário cai a um nível mínimo. Considerando-se que o ventilador somente opera para
manter a vazão mínima de ar insuflado, este sistema consome menos energia que o em série,
entretanto, o incômodo causado pela operação intermitente do ventilador deve ser avaliado.
Possui uma veneziana de sobrepressão (VSP) na descarga do ventilador para evitar a
recirculação de ar quando o mesmo não estiver operando. Se necessário pede ser utilizado
com serpentina de reaquecimento.

VSP
AR

AI

Sendo em série ou em paralelo, os sistemas do tipo fan-powered são geralmente menos eficientes
que os demais tipos de terminais devido ao baixo rendimento dos ventiladores. A vantagem é
manter a vazão de ar insuflada constante independentemente do tipo do sistema de VAV.

É usual onde sistemas de reaquecimento são necessários por reduzir a capacidade da serpentina
devido à mistura com o ar recirculado.

Duplo Duto – a caixa terminal possui duas conexões de entrada de ar primário sendo uma fria e
outra quente, insuflando porções variáveis de forma a prover a condição determinada pelo sensor
de temperatura. Como os fluxos de ar na entrada são variáveis, a vazão na saída pode ser variável
ou constante, sendo possível suprir as demandas de resfriamento ou de aquecimento sem a
necessidade de outros dispositivos.

São sistemas relativamente caros em função do duplo duto de insuflação, entretanto, propiciam
uma alta qualidade ambiental sem sacrificar a energia operacional.

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Seleção do ventilador

A vazão de ar movimentada e a pressão total requerida definem o ponto de operação de um


ventilador com vazão de ar constante.

Entretanto, em sistemas com mais de um ponto de operação, é necessária uma avaliação de como
o ventilador reage às diversas condições de sua faixa de atuação, especialmente em sistemas de
VAV, onde não somente o ventilador, assim como as condições da rede de dutos se modificam
de acordo com a demanda térmica dos ambientes. Neste caso é necessária a avaliação nas duas
condições extremas de operação do sistema (vazões máxima e mínima).

Os fabricantes de ventiladores costumam disponibilizar curvas ou tabelas de performance


somente nas faixas de operação recomendáveis, de forma a evitar a utilização em condições de
instabilidade do fluxo de ar.

Controle do Ventilador

Considerando-se que as vazões de ar através dos dutos são variáveis, deve-se instalar um sistema
automático destinado a controlar a vazão do ventilador, reduzindo a mesma durante os períodos
de menor carga térmica, de forma a impedir a elevação excessiva da pressão estática no duto
principal ocasionada pelo fechamento das caixas de VAV. O controle da vazão do ventilador
pode ser realizado por:

• Registro de controle de vazão na descarga do ventilador (1)


• Veias direcionais na sucção (inlet vanes), causando uma pré-rotação do fluxo de ar contrária
à rotação do ventilador (2)
• Variação da rotação do motor do ventilador por meio de variador de frequência instalado em
série na alimentação elétrica do motor (3)

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P P P

Q Q Q
(1) (2) (3)

vazão nominal vazão reduzida

Com a redução dos custos dos variadores de frequência, o controle de vazão pela variação da
rotação do motor é atualmente o mais adotado por ser o de melhor eficiência energética.

Seleção dos Dispositivos de Insuflação

Com a redução da vazão de ar insuflada em um sistema de VAV, o alcance dos dispositivos de


insuflação pode ser significativamente reduzido. Considera-se como fluxo reduzido, vazões
usualmente abaixo de 50 % da vazão a plena carga, que podem ocasionar velocidades do ar na
zona ocupada inferiores a 0,10 m/s resultando na sensação de desconforto. Vazões
excessivamente reduzidas diminuem a precisão do controle do fluxo de ar.

Portanto, os dispositivos de insuflação devem ser selecionados para as condições de fluxo


máximo e mínimo, de forma a se evitar zonas de estagnação nas condições de fluxo mínimo.

Preferencialmente deve-se selecionar dispositivos de alta indução, que permitem ampla faixa de
variação do fluxo do ar insuflado sem grandes prejuízos para o alcance do jato de ar. Por esta
razão, é usual a utilização de difusores de alta indução em sistemas de VAV.

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Vantagens e Desvantagens de um Sistema VAV

Vantagens:
• proporcionar zoneamento térmico adequado, com resfriamento e aquecimento simultâneos;
• flexibilidade para instalação ou modificação do zoneamento térmico;
• controle individual de temperatura;
• economia de energia e equipamentos menores, dimensionados pela diversidade de carga.

Desvantagens:
• baixa movimentação do ar do ambiente em cargas reduzidas;
• seleção apurada dos difusores, para manter o alcance com a vazão mínima;
• seleção apurada do ventilador e do controle de variação da vazão;
• controle mais complexo;
• cuidados apurados nos procedimentos de Testes, Ajustes e Balanceamento (TAB).

Procedimentos para Dimensionamento de Sistemas de VAV

• estimativa das cargas simultâneas tanto para verão quanto para inverno;
• equipamento selecionado para a máxima condição simultânea;
• estimativa das vazões máxima e mínima por caixa de VAV;
• os ramais após cada VAV deverão ser dimensionados para a vazão máxima;
• os dutos principais deverão ser dimensionados considerando-se a diversidade de carga;
• calcular as pressões dos dutos para as vazões máximas e mínimas;
• selecionar e verificar o desempenho do ventilador para as condições máximas e mínimas,
inclusive a possibilidade de instabilidade do fluxo a pressões reduzidas.

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ANEXOS

TABELA DE DIÂMETROS EQUIVALENTES

L\H 150 200 250 300 350 400 450 500 550 600 650 700
150 164 189 210 229 245 260 274 287 299 310 321 331
200 189 219 244 266 286 305 321 337 352 365 378 391
250 210 244 273 299 322 343 363 381 398 414 429 443
300 229 266 299 328 354 378 400 420 439 457 474 490
350 245 286 322 354 383 409 433 455 477 496 515 533
400 260 305 343 378 409 437 464 488 511 533 553 573
450 274 321 363 400 433 464 492 518 543 567 589 610
500 287 337 381 420 455 488 518 547 573 598 622 644
550 299 352 398 439 477 511 543 573 601 628 653 677
600 310 365 414 457 496 533 567 598 628 656 683 708
650 321 378 429 474 515 553 589 622 653 683 711 737
700 331 391 443 490 533 573 610 644 677 708 737 765
750 341 402 457 506 550 592 630 666 700 732 763 792
800 350 414 470 520 567 609 649 687 722 755 787 818
850 359 424 482 534 582 626 668 706 743 778 811 842
900 367 435 494 548 597 643 686 726 763 799 833 866
950 376 445 506 561 612 659 703 744 783 820 855 889
1000 384 454 517 574 626 674 719 762 802 840 876 911
1050 391 464 528 586 639 689 735 779 820 859 897 932
1100 399 473 538 598 652 703 751 795 838 878 916 953
1150 406 481 548 609 665 717 766 812 855 896 936 973
1200 413 490 558 620 677 731 780 827 872 914 954 993
1250 420 498 568 631 689 744 795 843 888 931 973 1012
1300 426 506 577 642 701 757 808 857 904 948 990 1031
1350 433 514 586 652 713 769 822 872 919 964 1007 1049
1400 439 522 595 662 724 781 835 886 934 980 1024 1066
1450 445 529 604 672 735 793 848 900 949 996 1041 1084
1500 452 536 612 681 745 805 860 913 963 1011 1057 1100

OBS - dimensões dos dutos retangulares (L e H) e o respectivo diâmetro equivalente em mm

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GRÁFICO DE PERDA DE CARGA POR FRICÇÃO EM DUTOS

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TABELAS DE COEFICIENTES C

Tabela Geral de Coeficientes C

Código Descrição do acidente C PV


14-10-F Curva retangular lisa sem veias TAB 1 montante
14-10-H Joelho retangular c/ veias simples espaçadas 114mm V=7,5m/s 0,24 montante
14-11-E Transição divergente retang. 2 lados - A1/Ao=2 – θ=30graus 0,20 montante
14-12-A Transição convergente retangular 4 lados θ<=40graus 0,05 jusante
14-13-B Tê convergente retangular ramal 45graus – duto principal TAB 2 jusante
14-14-A Tê divergente retangular p/ ramal redondo – duto principal TAB 3 montante
14-16-J Saída abrupta duto retangular ou redondo 1,00 montante
14-18-E Damper lâminas opostas θ=0graus (100% aberto) 0,52 montante

OBS - Os termos montante e jusante referem-se ao trecho de duto na entrada ou na saída do acidente
respectivamente, onde deve ser considerada a pressão velocidade PV, para fins de cálculo da perda de carga
dinâmica Pd.

Tabelas Complementares de Coeficientes C

TAB 1 - Curvas lisas sem veias – 14-10-F


H/L
R/L
0,25 0,50 0,75 1,00 1,50 2,00
0,50 1,53 1,38 1,29 1,18 1,06 1,00
0,75 0,57 0,52 0,48 0,44 0,40 0,39
1,00 0,27 0,25 0,23 0,21 0,19 0,18
1,50 0,22 0,20 0,19 0,17 0,15 0,14
2,00 0,20 0,18 0,16 0,15 0,14 0,13

OBS -
1- R/L = razão entre o raio e a largura da curva
2- L = dimensão na qual pode-se observar o raio de curvatura R L
3- Conceito de L é válido para curvas com ou sem veias R
4- Para curvas de 45°: C (45°) = 0,60 x C (90°)

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Joelho retangular com veias simples

R
s L

L
C = 0,24

14-10-H
_____________________________________________________________________________________________

Transição divergente 2 lados θ = 30º

Jusante
Montante θ

C = 0,20 14-11-E
____________________________________________________________________________________________

Transição convergente 4 lados θ = 40º

Montante
θ Jusante

C = 0,05 14-12-A
_____________________________________________________________________________________________

Saída abrupta

C = 1,00

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CURSO DE EXTENSÃO EM ENGENHARIA DO AR CONDICIONADO

APOSTILA DE DISTRIBUIÇÃO DE AR

TAB 2 - Tê convergente retangular ramal 45º – duto principal – 14-13-B


Qb/Qc 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,80 1,00
C 0,16 0,27 0,38 0,46 0,53 0,57 0,60 0,55
Nota: As = Ac; Ab = 0,5Ac = 0,5As

S C

OBS - C = trecho principal (common); S = trecho reto (straight); B = ramal (branch)


_____________________________________________________________________________

TAB 3 - Tê divergente retangular ramal redondo – duto principal – 14-14-A


Vs/Vc 0,00 0,10 0,20 0,30 0,40 0,50 0,60 0,80 1,00
C 0,35 0,28 0,22 0,17 0,13 0,09 0,06 0,02 0,00

C S

OBS - C = trecho principal (common); S = trecho reto (straight); B = ramal (branch)

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TABELAS DE COMPRIMENTOS EQUIVALENTES

Curva com veias - relação Le/L


R/L
No. Veias
0,5 0,75 1,0 1,5
1 18 10 8 7
2 12 8 7 7
3 10 7 7 6

Joelho - relação Le/L


sem veias 60
veias simples 15
veias duplas 10

OBS:
– R = raio médio da curva = raio interno + largura aparente/2
– Comprimento equivalente Le = Le/L x L (largura aparente da curva)

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EXERCÍCIOS PROPOSTOS

1. Conhecendo-se a velocidade média de 4,0 m/s no trecho 1 do duto abaixo representado,


determinar a velocidade média no trecho 2.

1
2

450 x 300 400 x 250

R. 5,4 m/s

2. Em um duto com seção transversal de 700 mm x 400 mm foi medida a pressão


velocidade de 29,5 Pa. Calcular a vazão de ar que passa por este duto.

R. 7056 m3/h

3. No balanceamento de uma rede de dutos, foram verificadas as pressões totais de 180 Pa


150 Pa, respectivamente no início e no fim de um trecho reto com 20 m de comprimento.
Verificar qual a perda de carga por fricção por metro linear neste trecho.

R. 1,5 Pa/m

4. Conhecendo-se as velocidades médias V1 = 7 m/s e V2 = 6 m/s de dois trechos


subsequentes de uma rede de dutos, determinar o ganho de pressão estática,
considerando-se o fator de recuperação de pressão estática de 75%.

R. 5,9 Pa

5. Com o auxílio do Gráfico de Fricção do Ar Padrão, dimensionar duto retangular para


3000 L/s, 1,5 Pa/m, considerando-se a altura 350 mm.

R. 1000 mm

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6. Verificar a perda de carga em Pf/m de um duto de 1000 x 400 mm e 6000 L/s.

R. 3,2 Pa/m aproximadamente

7. Determinar a perda de carga em Pa de uma curva de 90º sem veias, com dimensões de
800 x 400 mm, para uma vazão de 1500 L/s e relação R/L = 1,00. Considerar a dimensão
L como sendo 800 mm.

R. 3,3 Pa

8. Conhecendo-se a vazão de ar no trecho de duto abaixo representado, calcular a perda de


carga dinâmica na transição convergente.

12600 m3/h 1000 x 500

R. 1,48 Pa

9. Dimensionar por Equal Friction uma rede de dutos de exaustão de vestiário, composta de
três trechos de com vazão de 600, 400 e 200 L/s. Considerar a perda por fricção de 0,8
Pa/m e a altura dos trechos de 200 mm.

R. 650 x 200 mm, 500 x 200 mm e 250 x 200 mm

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BIBLIOGRAFIA, SITES E UNIDADES

BIBLIOGRAFIA

1. ASHRAE, Fundamentals 2001


2. Handbook of Air Conditioning System Design, Carrier Air Conditioning Co., 1965
3. Air Movement and Conditioning Association, AMCA, Standard 202
4. VAV Systems for Environmental Quality, Steve Chen, Stanley Demster

SITES

www.troxbrasil.com.br
www.troxusa.com
www.refrin.com.br
www.multivac.com.br
www.powermatic.com.br

UNIDADES

1 m/s = 196,8 fpm (pés por minuto)


1 l/s = 3,6 m3/h = 2,12 cfm (pés cúbicos por minuto)
1 mmca = 9,8 Pa
1 inca (polegada de coluna d´água) = 25,4 mmca

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