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PONTIFÍCIA UNIVERSIDADE CATÓLICA DE CAMPINAS

Engenharia Civil - Sistemas Construtivos Especiais


2º Semestre 2018

Patologias em estruturas de alvenaria estrutural

Agnes Santos(1); Aline Sasaki (2); Anderson L. da Silva (3), Bruno F. Santana (4),
Letícia O. Marques (5); Luciana M. R. Valle (6); Rosilda C. Adriano (7); Sulamita (8).

Pontifícia Universidade Católica de Campinas


Centro de Ciências Exatas, Ambientais e de Tecnologia
Faculdade de Engenharia Civil

RESUMO
Patologia na construção civil é quando uma construção apresenta defeitos. A
palavra patologia vem da medicina. O estado patológico, na medicina, significa estado
doentio, de anormalidade, de falta de saúde. E já na construção civil o sentido é o mesmo,
porem só muda o material.

A patologia na construção civil, é o estudo de situações de ocorrências com


problemas, falhas e defeitos no qual compromete suas funções em parte ou em conjunto,
e que deverá ser diagnosticada para que possa ser tratada a tempo.

Existem vários tipos de patologia, sendo ela causada por problemas estruturais e
que pode comprometer a vida útil da estrutura, existe ainda patologias das alvenarias,
acabamentos, pinturas, umidades, impermeabilizações ainda de infiltrações.

A solução para evitar patologia é executar conforme as exigências das NBRs em


vigência, utilizar ainda materiais de qualidade, respeitar o tempo de cura, e sempre utilizar
mão de obra qualificada e especializada.

Palavra-Chave: Patologias; Alvenaria Estrutural; Patologias da Construção.

ABSTRACT
Pathology in construction is when a building has defects. The word pathology
comes from medicine. The pathological state, in medicine, means the state of abnormality,
of abnormality, of ill health. And already in construction the sense is the same, but only the
material changes.

The pathology in civil construction is the study of situations of occurrences with problems,
faults and defects in which it compromises its functions in part or in conjunction, and that
must be diagnosed so that it can be treated in time.
Patologias em estruturas de Alvenaria Estrutural

There are several types of pathology, being caused by structural problems and that can
compromise the useful life of the structure, there are still pathologies of the masonry,
finishes, paintings, humidity, waterproofing still of infiltrations

The solution to avoid pathology is to perform according to the requirements of NBRs


in force, still use quality materials, respect the cure time, and always use skilled and
specialized manpower.

Key-Word: Pathologies; Structural Masonry; Pathologies of Construction.

1. INTRODUÇÃO
A alvenaria estrutural é um sistema construtivo utilizado desde a antiguidade de
maneira empírica. Pode ser definido como um sistema construtivo que utiliza peças
industrializadas unidas por argamassa, em que se utiliza suas características físicas e
geométricas para composição do sistema estrutural, isto é, as peças de alvenaria
desempenham função estrutural

Diversas obras importantes foram executadas em alvenaria estrutural durante a


história, tais como a Muralha da China, construída entre 1368 e 1644. Na antiguidade,
inicialmente a alvenaria era utilizada predominantemente como material estrutural, no
entanto, a falta de informações ocasionou na escassez de conhecimento sobre técnicas
de racionalização. Ao decorrer dos séculos a alvenaria estrutural passou por evoluções;
desenvolveu-se técnicas, novas tecnologias construtivas, e, aperfeiçoou-se os métodos
empíricos já utilizados.

O desenvolvimento e evolução de técnicas normatizadas para alvenaria estrutural,


tornou possível a utilização deste sistema construtivo em regiões sujeitas a abalos
sísmicos, que comumente requerem a utilização de concreto armado. (SAMPAIO, 2010)

Por sua semelhança com a alvenaria convencional, as patologias observadas na


alvenaria estrutural são em geral iguais a esta, sendo a fissuração a anomalia de maior
frequência. (SAMPAIO, 2010)

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2. PATOLOGIAS EM ESTRUTURAS DE ALVENARIA ESTRUTURAL


2.1 Tipos de Patologias

2.1.1 Eflorescência e fissura por recalque


As patologias que mais afetam a alvenaria estrutural são as fissuras e
eflorescências.

Eflorescências são depósitos cristalinos de cor branca que surgem na superfície do


revestimento, resultantes da migração e posterior evaporação de soluções aquosas
salinizadas. Os depósitos acontecem quando substâncias químicas dos componentes das
alvenarias, nas argamassas de emboço, de fixação, de rejuntamento ou nas placas
cerâmicas são transportadas por capilaridade juntamente com a água utilizada na
construção, na limpeza ou vinda de infiltrações, através dos poros dos componentes de
revestimento. Esses sais em contato com o ar se solidificam, causando depósitos. Em
situações com ambientes constantemente molhados e com algum tipo de sais de difícil
secagem, estes depósitos apresentam-se com uma “exsudação” na superfície,
aparentando então a cor branca nas áreas revestida, comprometendo os aspectos
relacionados à estética. (PINHAL, 2009) Como exemplos de substâncias pode-se citar o
carbonato de cálcio e o carbonato de magnésio provenientes da carbonatação da cal
lixiviada da argamassa de concreto, o carbonato de potássio e o carbonato de sódio
provenientes da carbonatação dos hidróxidos alcalinos de cimentos com elevado teor de
álcalis, o sulfato de magnésio, o sulfato de cálcio e o cloreto de magnésio provenientes da
água de amassamento, entre outros. (DALBONE, 2010).

Figura 1 – Eflorescência em alvenaria estrutural

Imagem por: ACHIM HERING

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A melhor maneira de se evitar a formação de eflorescências é evitar que a


água penetre nos materiais cimentícios, visto que é através dela que ocorre a migração
dos sais. Caso a eflorescência já esteja acontecendo, pode-se utilizar produtos que as
removam, como o ácido acético. Dependendo do nível de degradação, é necessário fazer
uma nova camada de revestimento, e descobrir por onde a água está infiltrando para que
isso não ocorra novamente.

Já a fissuração é a causa mais frequente de falha de desempenho da


alvenaria estrutural. Com o aparecimento de fissuras, a estrutura deixa de atender as
suas condições de serviço, sendo prejudicada sua estética, estanqueidade e o conforto do
usuário. Elas podem ser verticais, horizontais ou diagonais, como mostra a figura a seguir.

Figura 2 – Configurações típicas das fissuras

Fonte: SAMPAIO (2010, apud SILVA, 2013)

Segundo THOMAZ (1990, apud SILVA, 2013), as fissuras se manifestam de


forma reta quando a resistência à tração da unidade é igual ou inferior a resistência à
tração da argamassa e se apresenta de forma escalonada quando o bloco tem resistência
à tração superior a da argamassa.

As fissuras podem ocorrer devido a vários fatores. Os principais são o


recalque da fundação, sobrecarga de carregamento, variação térmica, reações químicas e
retração do concreto.

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O recalque de fundação é o tipo de patologia mais grave que pode ocorrer,


pois um problema na fundação pode acarretar na instabilidade da construção, colocando
em risco a segurança de seus usuários. Ele pode ser causado pelo rebaixamento do
lençol freático, presença de solos colapsáveis e expansivos, escavações em áreas
adjacentes à fundação, vibrações devido a equipamentos e até mesmo devido ao
crescimento de árvores em solos argilosos.

As fissuras devido ao recalque de fundação tendem a se localizar próximas


ao pavimento térreo da construção, se inclinando para o ponto onde ocorreu o recalque.
Geralmente se desenvolvem em direção vertical ou diagonal e apresentam variação da
abertura ao longo do comprimento.

Figura 3 – Fissuras devido a recalque de fundação

Fonte: OSVALDO E RAMALHO (2008, apud SILVA, 2013).

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Figura 4 - Fissuras devido ao recalque de fundação

Fonte: ALEXANDRE (2008, apud SILVA, 2013)

Tabela 1- classificação das principais causas de fissuração em paredes

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2.1.2 Fissuras causadas por variação térmica


As condições climáticas e a exposição da estrutura durante a fase de construção
estão entre os principais fatores que influenciam sua retração térmica. Por ser um país
muito grande, o Brasil possui elevadas amplitudes térmicas, fazendo com que as fissuras
originadas devido à retração térmica tenham grande impacto no desempenho das
edificações aqui construídas.

Todos os materiais empregados na construção possuem um determinado


coeficiente de dilatação e estão suscetíveis a sofrerem variações térmicas diariamente,
causando movimentos de contração e dilatação nos mesmos. Quando as variações
térmicas provocam alteração nas dimensões dos materiais e esta é impedida pelos

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vínculos da estrutura, são originadas tensões que, com o tempo, provocam a fissuração
(THOMAS, 1989).

A variação na abertura de fissuras de origem térmica ao longo do dia, associada à


diferença entre os coeficientes de dilatação térmicos da estrutura e do revestimento, leva
ao surgimento de fissuras também no revestimento, e não apenas nos elementos
estruturais.

Quando o endurecimento do concreto ocorre a certa temperatura e, posteriormente


há a diminuição da mesma, ocorre a contração da peça que, se estiver restrita às
deformações, gerará tensões que podem fissurá-la.

As fissuras causadas por retração térmica são essencialmente de tração incidentes


na seção transversal da peça, ou seja, são perpendiculares ao eixo principal,
seccionando-a, e possuem largura constante.

A NBR 6118:2007 estabelece critérios para controlar a abertura de fissuras, devido


à proteção das armaduras quanto à corrosão e ao conforto dos usuários da edificação. A
norma estabelece ainda que devem ser previstas juntas de movimentação, pelo menos a
cada 15 metros, para evitar que as retrações sejam restringidas pela estrutura e
ocasionem a fissuração comprometendo negativamente o desempenho da estrutura. O
principal objetivo desta junta é aliviar a tensão interna da estrutura causada pelo acúmulo
de deformações restringidas pelos vínculos internos e externos, permitindo que estas
ocorram e um local onde não há restrição, atuando como um “escape” para a estrutura.

2.1.3 Fissuras causadas pela atuação de sobrecargas

Os componentes estruturais, como pilares, vigas e paredes, podem sofrer


fissuração a partir da atuação de sobrecargas sobre eles. Sobrecarga é toda solicitação
externa capaz de provocar a fissuração de componentes estruturais ou não estruturais,
podendo esta ter sido prevista ou não em projeto.

Nas alvenarias estruturais solicitadas por sobrecargas uniformemente distribuídas


podem ocorres dois tipos de fissuração:

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- Fissuras horizontais a partir da ruptura por compressão da alvenaria,


devido à argamassa de assentamento ou devido a solicitações de flexo-compressão.

- Fissuras verticais a partir da deformação transversal da argamassa sob


ação de tensões de compressão ou de tensões de flexão local da alvenaria.

A sobrecargas concentradas também podem provocar a fissuração inclinada ou até


mesmo levar a ruína os componentes de alvenaria no ponto em que a sobrecarga foi
aplicada. Já nas alvenarias onde há abertura para esquadrias as fissuras são originadas a
partir do vértice da abertura e sob o peitoril em função do caminho da força de
compressão.

Figuras 5 e 6 – Fissuras causadas pela atuação de sobrecarga sobre a estrutura

Fonte: THOMAZ, 1989

2.1.4 Fissuras causadas por movimentações higroscópicas

As mudanças higroscópicas são variações nas dimensões dos materiais porosos


que integram os elementos e componentes da construção, o aumento do teor de
umidade produz uma expansão do material enquanto a diminuição desse teor provoca
uma contração. Geralmente as fissuras são verticais e está no canto dos edifícios ou
próximo de regiões de diferentes espessuras, tipo canto das paredes. No caso da

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existência de vínculos que impeçam ou restringem essas movimentações poderão


ocorrer fissuras nos elementos e componentes construtivos.

A causa da fissura se dá pelo aumento do teor de umidade, encontrada nos


componentes construtivos à base de ligantes hidráulicos, umidade proveniente da
execução da obra, umidade do ar ou proveniente de fenômenos meteorológicos,
umidade do solo. A quantidade de água absorvida por um material de construção
depende de dois fatores: A porosidade e capilaridade. O fator mais importante que
rege a variação do teor de umidade dos materiais é a capilaridade. Na secagem de
materiais porosos, a capilaridade provoca o aparecimento de forças de sucção,
responsáveis pela condução da água até a superfície do componente, onde ela será
posteriormente evaporada.

A solução é quando um material poroso é exposto por tempo suficiente a condições


constantes de umidade e temperatura, seu teor de umidade acabará estabilizando-se,
atinge-se, então a umidade higroscópica de equilíbrio do material.

2.1.5 Fissuras causadas pela retração de produtos à base de cimento

Existem três formas de retração que ocorrem no produto preparado com cimento:
Retração química, retração de secagem e retração por carbonatação.

Como causa existem inúmeros fatores intervêm na retração de um produto à base


de cimento: quantidade de cimento adicionada à mistura, natureza do agregado,
granulometria dos agregados, quantidade de água na mistura, condições de cura e os
concretos e argamassas normalmente são preparados com água em excesso e a relação
água/ cimento é a que mais influencia a retração de um produto à base de cimento.

Solução é tentar minimizar tudo o que causa retração, como:


• A retração aumenta com a finura do cimento e com o seu conteúdo de cloretos
(CaCl2) e álcalis (NaOH, KOH);
• Quanto maior o consumo de cimento, maior a retração;

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• Quanto menor o módulo de deformação do agregado, maior sua suscetibilidade à


compressão isotrópica e, portanto, maior retração do cimento e também maior
retração dos agregados com maior poder de absorção de água;
• Quanto maior finura dos agregados, maior será a quantidade necessária de pasta
de cimento para recobri-los, portanto, maior será a retração;
• Quanto maior a relação água/cimento, maior retração de secagem; se a
evaporação da água se iniciar antes do término da pega do aglomerante, isto é,
antes de começarem as primeiras reações entre os cristais desenvolvidos com a
hidratação, a retração poderá ser acentuadamente aumentada.

Essas causas formam patologias como:

a) Patologias devido a retração da laje


Está diretamente relacionada com a relação água/cimento que gera a
rotação dos tijolos das fiadas próximas a laje devido o encurtamento dos materiais
nas reações de perda de água.

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Tabela 2 - Patologias e suas causas

Fonte: OLIVEIRA, 2016.

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3. CONCLUSÃO

Pode-se concluir que a resistência, e, possíveis patologias da alvenaria estrutural


estão diretamente ligadas com a qualidade dos materiais que foram empregados em sua
execução, assim como a qualidade da mão de obra utilizada.

É importante que o engenheiro responsável pela obra fiscalize o serviço executado,


e oriente os empregados quanto ao manuseio correto dos materiais e equipamentos, e
que tudo seja feito da melhor maneira possível, desde a fase de projeto, execução das
fundações, até o levantamento da obra, a fim de se evitar problemas como retração da
argamassa, vibrações excessivas, infiltrações, recalques, entre outros, que podem gerar
fissuras ou eflorescências. Caso elas já existam, deve-se observar o seu comportamento
para que não tome maiores proporções, e investigar a sua origem.

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