Vestido de Noiva: Cangaço Inspirador
Vestido de Noiva: Cangaço Inspirador
NATAL/RN
2019
GABRIELA PACHECO DE SOUSA
NATAL/RN
2019
GABRIELA PACHECO DE SOUSA
____________________________________________________________________
Prof. Dr. Kilder César de Araújo Ribeiro
Orientador
Universidade Federal do Rio Grande do Norte - UFRN
____________________________________________________________________
Profa. Me. Virginia Maria Borges de Azevedo
Membro
Universidade Potiguar - UnP
____________________________________________________________________
Me. Paulo Honório da Costa Fonseca
Membro
NATAL/RN
2019
AGRADECIMENTOS
(Mairi Mackenzie)
RESUMO
Este trabalho tem por objetivo projetar um vestido de noiva com inspiração em Maria
Bonita e Lampião, a partir da análise da indumentária do casal durante o período em
que estiveram no cangaço, utilizando dados históricos e iconográficos sobre o
cangaço e sobre os vestidos de noiva. Para a análise de dados sobre os trajes
cerimoniais para noivas foi utilizada a análise sincrônica e diacrônica, evidenciando
as mudanças que ocorreram nos trajes durante esse tempo. Através de ferramentas
como o painel semântico foi possível visualizar com mais clareza os objetivos a serem
alcançados. Com a decodificação de elementos gráficos foi possível projetar padrões,
utilizando elementos gráficos abstraídos da indumentária do casal, dando origem a
novas formas, sendo posteriormente transformados em um desenho para o bordado
do vestido. Este projeto apresentou como resultado final um vestido de noiva inspirado
em Maria Bonita e Lampião, relacionando elementos do cangaço com os trajes de
noiva.
This work aims to design a wedding dress inspired by Maria Bonita and Lampião, it
analysis the couple’s costumes during the cangaço period, using historical and
iconographic data about the cangaço and the wedding dresses. For the data analysis
about ceremonial costumes for brides was used the synchronous and diachronic
analysis, it evidencing the changings that occurred in the costumes during that period.
Through tools as the semantic board it was possible to visualize clearly the objectives
to be achieved. With the decoding of graphic elements, it was possible to design
patterns, using graphic elements from the couple’s costumes, giving rise to new
shapes which were later transformed into a draw for the embroidery of the dress. This
project presented as a final result a wedding dress inspired by Maria Bonita and
Lampião, relating elements of the cangaço with the wedding costumes.
1. INTRODUÇÃO.......................................................................................................14
1.1. Objetivos..............................................................................................................15
1.1.1. Objetivo geral....................................................................................................15
1.1.2. Objetivos específicos........................................................................................15
1.2. Método de trabalho..............................................................................................16
2. ANÁLISE DO TRAJE DE NOIVA: DA CULTURA CELTA AO
CONTEMPORÂNEO..................................................................................................19
3. ANÁLISE DA INDUMENTÁRIA DE MARIA BONITA E LAMPIÃO.......................22
3.1. Alpercatas............................................................................................................27
3.2. O famoso chapéu de couro e seus adornos.........................................................28
3.3. O cantil, o bornal e seus bordados......................................................................30
3.4. Jabiraca, o icônico lenço de pescoço..................................................................31
3.5. O vestido de maria bonita....................................................................................32
4. PROCESSO CRIATIVO.........................................................................................34
4.1. Painéis semânticos..............................................................................................34
4.2. Requisitos do projeto...........................................................................................36
4.3. Processo de decodificação para a criação de formas.........................................37
4.4. Criação do vestido...............................................................................................51
4.5. Desenvolvimento dos moldes..............................................................................58
5. RESULTADOS OBTIDOS......................................................................................64
6. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA...........................................................................65
1. INTRODUÇÃO
14
tornando-se para cada pessoa que o usa, uma parte de sua trajetória. Possui
singularidades históricas, sendo muito ligado aos gostos pessoais e, principalmente,
a cultura local.
Tal qual os trajes cerimoniais, como os de casamentos, que serão aqui
tratados, a indumentária do cangaço, particularmente a do bando de Lampião e Maria
Bonita, são carregados de significados e valores socioculturais e pessoais derivados
de análises comportamentais e históricas. É possível a partir desta observação fazer
uma correlação entre as configurações de ambos. Deste pressuposto, nasce a
proposta de criar um vestido de casamento que influenciado por referências da
indumentária de Maria Bonita e Lampião, poderá agregar valor a uma parte da cultura
local por intermédio do design de moda.
“O design não tem somente a função de criar objetos concretos, mas também
de transmitir valores subjetivos por intermédio do produto” (BOLSOK; SANCHES,
2014). A ideia de Bolsok e Sanches é mostrar que por meio de ferramentas e técnicas
de projeto é possível dar novo significado a elementos conhecidos de origens
variadas, e com isso traduzi-los, gerando produtos que antes não existiam, no caso
deste trabalho, usando elementos históricos para a geração de elementos novos
montando-os a partir de uma nova perspectiva.
1.1. OBJETIVOS
1.1.1. OBJETIVO GERAL
15
1.2. MÉTODO DE TRABALHO
16
A análise iconográfica utilizou o acervo de imagens e partes do material
cinematográfico que o fotógrafo Suíço Benjamin Abrahão Calil Botto (1901-1938)
registrou do bando de Lampião. Entre os anos de 1936 e 1937, Benjamin fotografou
o cotidiano do grupo, revelando para o mundo uma parte da rotina do cangaço.
Algumas dessas imagens foram analisadas e coletadas a partir do acervo digital do
site Brasiliana Fotográfica.
Para a fase de criação, usou-se o processo criativo e seletivo duplo, que
consiste em dividir o processo em duas etapas. Na primeira, é absorvida todas as
informações pesquisadas e a partir disso é extraído os elementos básicos, iniciando
a ação projetiva. Na segunda etapa, é feita uma análise das primeiras gerações, a
partir dos requisitos propostos e posteriormente refinando-as.
Dentro desse processo, aplicou a técnica experimental de decodificação de
elementos gráficos (figura 3), desenvolvida pelo designer de produto e professor da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Kilder Ribeiro. Baseia-se em elaborar
painéis de referência (painel conceitual, moodboards) que serão utilizados para iniciar
o processo de decodificação que consiste em transformar elementos verbais e não
verbais, gerando novos elementos gráficos, mantendo um elo entre o elemento inicial
e o final. Essa técnica mostrou ter resultados positivos na área de criação de
estampas, padronagens e projetos de moda.
17
Conjuntamente à técnica experimental de decodificação, foi utilizada a técnica
de rapport. Rocha (2014) que a define como um tipo especial de repetição, de um
módulo com encaixes perfeitos, projetado para alcançar um resultado específico, isto
é, captar módulos e encaixá-los de diversas formas (figura 4), de modo que o encontro
desses se torne imperceptível dando origem a um novo padrão, sendo indicado para
a criação de estampas contínuas (CRUZ, 2019).
18
2. ANÁLISE DO TRAJE DE NOIVA: DA CULTURA CELTA AO
CONTEMPORÂNEO
19
Em 2011, Catherine Elizabeth Middleton, conhecida como Kate Middleton
casou com um vestido com aspectos elegantes e clássicos, misturando o lado
tradicionalista da família real com características modernas. O vestido possui uma
saia longa com uma cauda medindo 2 metros e 70 centímetros e um espartilho coberto
por um tecido com renda, que foi confeccionada à mão com temas florais por cima de
um tecido de tule de seda, além do uso de renda inglesa.
Em 2013 Karl Lagerfeld (1933-2019), como diretor criativo da Chanel,
apresenta ao final do desfile um vestido de noiva duplo, confeccionados com
diferentes texturas, tules, transparência e aplicações de renda e bordados. Alguns
anos depois, no desfile primavera-verão 2016, ele volta a apresentar um novo modelo
de traje de noiva, um terno feminino, com uma peça de paletó levemente alongada,
com ombros estruturados, e conectada a suas mangas, uma capa em tule que faz
uma releitura da cauda de um vestido tradicional (ESPINOSSI, 2015).
20
Figura 6 – Análise diacrônica e sincrônica dos trajes de noiva (2)
21
3. ANÁLISE DA INDUMENTÁRIA DE MARIA BONITA E LAMPIÃO
22
Figura 7 - Benjamin apertando a mão de Lampião, Maria Bonita e outros cangaceiros
Figura 8 - Móveis da coleção Cangaço dos Irmãos Campana em parceria com Espedito Seleiro
23
Figura 9 - Irmãos Campana trabalhando com Espedito Seleiro
24
espinhos e vegetação dura, era preciso se proteger e para isso, os cangaceiros
utilizavam materiais resistentes como o couro e algodão, além do uso de peças que
protegem o corpo, por isso, o uso de meias, luvas e vestes com mangas, como
podemos ver na figura 11.
25
por cima da blusa, protegia o corpo do cangaceiro da vegetação, era também utilizado
uma coberta, um pedaço de pano que protegia o corpo do cangaceiro dos acessórios
que viriam por cima, como as cartucheiras que eram usadas para guardar as armas e
também o cantil e os bornais, espécie de bolsa lateral, era usado geralmente um jogo
de bornais (dois bornais) atravessados no corpo para melhor fixação, já que
atravessados havia a garantia de que não escapariam do corpo. Essa peça era para
guardar comida, mantimentos e outros objetos/produtos e eram adornadas com
bordados feitos à mão.
Na figura 12, podemos visualizar a calça de Lampião, com detalhes laterais que
indicariam ajuste a perna do cangaceiro, percebe-se também o material grosso das
calças, devido à vegetação rígida do sertão. Lampião, Maria Bonita e seu bando
precisavam entrar muitas vezes na mata fechada do sertão nordestino, vegetação
essa que é rígida e muitas vezes podia chegar a machucar o corpo do cangaceiro, por
isso, a proteção precisava estar garantida, seja no comprimento das roupas ou no
material da qual a peça era feita. Devido ao material grosso e a falta de recursos, era
preciso improvisar e fazer os ajustes do modo que se podia fazer e com os materiais
que havia disponíveis, por isso a parte lateral da calça tinha fios ligando uma parte a
26
outra, isso mantinha a “perna” da calça ajustada ao corpo, podendo afrouxar e retirar
a calça com facilidade e quando vestida, poderia ser ajustada a largura da perna.
O uso das meias nos cangaceiros era bastante comum devido à vegetação do
sertão nordestino ser baixa, dura e com espinhos, era importante proteger a parte
inferior das pernas contra esses arbustos. As meias sempre conjugadas com as
famosas alpercatas protegiam a parte inferior da perna dos cangaceiros, evitando
acidentes com a vegetação rígida do sertão nordestino.
Considerados o rei e rainha do cangaço, o casal usava suas roupas de forma
a chamar a atenção de quem os visse, marcando assim sua presença e impondo
respeito e poder perante as pessoas. O caos e a riqueza dos detalhes que
compunham o vestuário dos dois era marcante, roupas repletas de símbolos e signos,
cores terrosas, quentes e marcantes predominavam na paleta de cores, metais que
davam singularidade e vinham marcados de funcionalidade também, como os anéis
utilizados para segurar a jabiraca, o famoso lenço que estava presente ao redor do
pescoço do casal e que se tornou símbolo de suas vestes.
3.1. ALPERCATAS
27
Devido ao uso de materiais grossos e resistentes e a falta de alguns recursos
e conhecimento, era preciso que as peças fossem ajustáveis, por isso o uso de fivelas
de ajustes, permitindo que aquela amarra ficasse firme e fosse ajustável ao corpo,
sem precisar de conhecimentos avançados em costura e modelagem.
O calçado típico do cangaceiro era quase todo coberto, apenas com uma
amarração na parte posterior da alpercata e uma leve abertura na frente. A alpercata
se torna mais uma peça chave na sobrevivência do bando à caatinga, esse calçado
era uma peça fundamental e totalmente funcional.
28
Toda a peça possui uma função, desde o formato até os elementos gráficos
impregnados. O formato do chapéu de Lampião é similar ao formato dos chapéus dos
vaqueiros, porém de forma rotacionada, ao invés das abas levantadas ficarem na
lateral, assumem uma nova posição, a aba fica alinhada com a testa do cangaceiro.
Com a aba totalmente erguida, os olhos de quem o usa ficam livres, podendo assim
observar tudo ao seu redor, sem interferências, protegendo o cangaceiro de uma
possível emboscada.
A aba dos chapéus torna-se uma espécie de tela, onde o cangaceiro o faz de
suporte para os diversos símbolos por eles usados, como é o caso do signo de
Salomão (figura 15.a) que representava o poder, a proteção e a devolução às ofensas
do provocador. A flor de Lis, igualmente chamada de Palma (figura 15.b), no sertão
exprime vitória e imortalidade. A cruz de malta (figura 15.c) significa orientação tanto
espacial quanto espiritual.
Figura 15 - Da esquerda para a direita, signo de Salomão, flor de lis, cruz de malta
29
Figura 17 - Da esquerda para a direita, estrela de oito pontas, oito contínuo
30
Assim como os bornais, o cantil (figura 19) também era valioso para os cangaceiros,
era o artefato que guardava e mantinha a água para ser levada durante as suas
jornadas.
Figura 19 - Cantil
As duas peças eram adornadas com vários símbolos, seja eles para proteção
ou por pura estética. Os símbolos que marcavam os artefatos eram pintados ou em
sua maioria eram bordados de maneira manual, não só nos bornais e nos cantis, mas
também em boa parte das vestes do casal, sendo uma técnica bastante recorrente.
31
Figura 20 - Exemplo de jabiraca
32
machucados, além de serem resistentes ao ambiente, se tornavam resistentes ao
tempo. Possuíam um corte mais reto, evitando transparecer a silhueta do corpo, o
corte reto era tanto usado pelas mulheres, como pelos homens do bando.
As mangas longas também faziam a proteção do corpo, sendo às vezes longas
e outras vezes um pouco mais curtas, essa última sendo acompanhada com o uso de
luvas. O bordado feito à mão, era característica marcante da indumentária do
cangaço.
33
4. PROCESSO CRIATIVO
Para iniciar o processo criativo deste trabalho foram desenvolvidos três painéis
semânticos, utilizando como base suas pesquisas históricas e iconográficas sobre o
assunto. Para nortear a criação desses painéis foram estabelecidas palavras chaves,
para definir que elementos, imagens, cores e texturas poderiam ser utilizados nessa
montagem. Palavras como paixão, misticismo, poder, reinado, sertão, movimento,
calor, moedas, chapéu, costura, líder, coragem, riqueza, soberania e presença.
A partir dos elementos de predominância e das palavras norteadoras, foram
montados 3 painéis, um sobre Maria Bonita, outro sobre Lampião e o último sobre o
casal. O primeiro painel sobre Maria Bonita (figura 22), trazendo elementos que
remetem a esse personagem tão marcante. Traz elementos como cores quentes,
como os tons de laranja e amarelo, mas também cores como o algodão cru e tons de
branco, além da presença de texturas (colagem de pedaços de tecido, rendas, linhas
e outros adereços).
As fotos presentes representam Maria Bonita, em estado de soberania e força,
além do misticismo que envolvia o cangaço. O painel expõe imagens e adereços que
demonstram o uso intenso de metais, através das cores que representam o dourado.
No painel é representado o lado da leveza e elegância dos vestidos de casamento,
com o lado rústico e forte de Maria Bonita e o cangaço. Mas ambos se encontram na
abundância de adornos e elementos visuais, às vezes discretos sendo agregados ao
tecido, seja pela cor ou textura, ou de forma mais evidenciada, com cores, formas e
texturas distintas.
PAINEL 01:
Tema: Maria Bonita
Palavras: Mística, rainha, poder, independência, coragem, seriedade, paixão,
nordestina.
34
Figura 22 - Painel semântico sobre Maria Bonita
PAINEL 02:
Tema: Lampião
Palavras: Místico, poder, líder, paixão, costura, guerreiro, nordestino, chapéu, metal.
35
O terceiro painel semântico (figura 24) representam o casal no cangaço,
retratando o amor envolvido, a proteção de ambos, o companheirismo e o Nordeste
com seus cordéis. Cores sóbrias e tons quentes marcam o painel.
PAINEL 03:
Tema: O casal do cangaço
Palavras: Movimento, calor, seca, beleza, amor, companheirismo, sertão, elegância.
Os requisitos deste projeto foram traçados a partir dos dados estudados através
das pesquisas históricas e iconográficas e da criação dos painéis semânticos. Após
os requisitos serem definidos, foram estabelecidos pesos para cada um deles de
acordo com a sua importância, os pesos servirão como desempate. Abaixo estão os
requisitos ordenados a partir da sua importância.
O padrão deverá:
36
Não possuir ângulos retos 3
Resultado final distinto da forma original 2
Possuir espaço para a interseção de padrões/módulos/formas 2
Ser resultado da junção de dois ou mais padrões/módulos/formas 1
Fonte: Elaborado pela autora
O vestido deverá:
37
contexto, após essa separação, os elementos foram simplificados na sua forma,
resultando em novas formas, que puderam ser posteriormente rotacionadas,
encaixadas, distorcidas e manipuladas de diversas maneiras, formando padrões e
módulos.
Os primeiros padrões foram extraídos a partir do famoso lenço que adornava
os pescoços dos cangaceiros, a jabiraca. Usando esse elemento icônico, foi feita uma
simplificação da forma (figura 25) e após esse processo a nova forma foi rotacionada,
entrelaçada, e deslocadas, formando padrões (padrão 01 a 04).
38
A partir do chapéu foram extraídas três formas (figura 26), uma mais simples e
abstrata e as outras duas mais literais, usando o mesmo princípio de rotação,
deslocamento e interseção foram criados os padrões (padrão 05 a 10).
39
Para a criação do padrão 09 e 10, foi usada a técnica de decodificação
acrescida da técnica de rapport. Na figura 27, podemos ver como o padrão 08 foi
usado como base, foi retirado dois módulos e usado a junção para criar um novo
módulo, que com uma nova interseção surgiu outro novo módulo (dois novos módulos
foram criados), com este último, foi aplicado a técnica de rapport que em seguida
sofreu uma rotação de 45°, originando o padrão 10. A partir do novo padrão, foi
acrescentado outro módulo originado da decodificação do chapéu (padrão 07) dando
origem ao padrão 09.
40
Os elementos florais apareciam constantemente no vestuário do casal durante
todo o seu período no cangaço, sendo muito usado como adorno. De um dos bornais
que foi usado pelos cangaceiros, foi utilizada a técnica de decodificação na flor,
posteriormente sua forma foi abstraída (figura 28) e transformada em um padrão
(padrão 11 a 14).
41
A cruz de malta, refere-se à orientação espacial e espiritual, comumente
bordada ou pintada nas vestes, seja nas peças de roupas ou nos bornais, que
utilizavam para carregar artigos pessoais e objetos de necessidade. Foi retirada a
forma (figura 29), formando os padrões 15 e 16.
42
A forma da flor de lis, ou também chamada de palma pelos cangaceiros, foi
retirada de um dos chapéus de Lampião (figura 30), usada para representar a vitória
e a imortalidade, a forma foi rearranjada originando os padrões de número 17 a 22.
43
Os elementos florais, os desenhos que aparecem em grande quantidade nas
vestes de Maria Bonita e Lampião, por serem formas bastante geometrizadas,
revelaram uma dificuldade maior em ser abstraídas. Com as formas retiradas e
abstraídas (figura 31, 32 e 33), foram produzidos os padrões 23 até o 38, sendo o 36
proveniente da mistura da técnica de decodificação com a técnica de rapport.
44
Figura 32 - Processo de decodificação dos elementos florais (3)
45
46
Figura 33 - Processo de decodificação dos elementos florais (4)
1
Porção retirada de um inteiro (VILLAR, 2011)
47
Após todos os padrões serem definidos e catalogados, foi feita uma matriz de
seleção (matriz 1, 2 e 3), para avaliar e selecionar quais padrões estavam mais
coerentes de acordo com os requisitos do projeto, previamente estabelecidos. A
contagem para a avaliação dos vestidos foi feita a partir das notas abaixo.
48
Matriz 1 - Matriz de seleção para os padrões (1)
49
A partir da matriz de seleção, nove padrões foram selecionados (figura 35) para
aplicação posterior no vestido, transformando-se em um bordado, técnica bastante
utilizada pelos cangaceiros para adornar suas roupas de batalhas e acessórios.
50
Fonte: Elaborado pela autora
Não sendo possível criar um padrão de bordado sem saber qual espaço seria
destinado para esse trabalho, foi feito o processo de criação do vestido, para definir
qual seria a melhor forma e conceito que se adequaria ao trabalho proposto.
51
52
53
54
Após a criação das propostas de vestidos, foi feita uma matriz de avaliação,
que apontaria os vestidos que diante dos requisitos elencados anteriormente, iriam
para a fase de refinamento. A contagem para a avaliação dos vestidos foi feita a partir
das notas abaixo.
55
Após a fase de refinamento, os vestidos propostos passaram por uma matriz
de seleção, no qual foi escolhido o vestido final, usando os requisitos como base para
a avaliação de qual estaria mais de acordo com a proposta do projeto. A contagem foi
56
feita a partir da nota de 1 a 3 (notas com seus significados abaixo) dada a cada
requisito vezes o peso desse mesmo requisito (nota x peso = total).
Logo após a escolha do vestido, foi feito o rendering manual (figura 36) com
suas especificações finais, como a escolha dos materiais, cores, texturas e
aviamentos.
O vestido escolhido consiste em trazer as referências de Maria Bonita e
Lampião, como a sua rusticidade na forma de tecidos mais resistentes, como tecidos
de algodão e tecidos que possuam um tom de off white2. O uso abundante de dourado
para representar os metais utilizados pelo casal em abundância, essa cor é
apresentada nos bordados feitos de maneira manual, técnica usada por Lampião e
seus cangaceiros para adornar suas vestes e acessórios. O volume que os bornais
causam na altura da cintura/quadril dos cangaceiros foi modificado para o volume na
região da canela/pé, se misturando com as referências dos vestidos de casamento. A
famosa jabiraca de Lampião e Maria Bonita dá lugar a um bordado dourado que se
apropria do formato que o lenço fazia no corpo, já as mangas longas trazem a
referência do vestido de batalha de Maria Bonita, que possuía um corte mais reto e
2
O off-white não é um branco totalmente branco. Essa tonalidade é uma variação do branco para o
bege ou para a cor gelo. (Disponível em: [Link]
57
tinha mangas longas. Não optando pelos cortes retos que as roupas do casal
geralmente tinham, foi optado por uma silhueta mais ajustada ao corpo, como alguns
vestidos de casamento brasileiro.
Com o rendering feito, foi possível criar um molde para posteriormente aplicar
os padrões. Foi utilizado uma modelagem de tamanho P para fazer os moldes (figura
37 e 38).
58
Figura 37 – A. Molde da parte da frente até o joelho. B. Molde da parte de trás até o joelho. C. Molde
da manga (manga bispo)
59
Figura 39 - Molde da parte inferior do vestido, segunda parte da saia e cauda
60
Figura 41 - Construção do desenho base para o bordado (2)
61
Figura 43 - Aplicação do desenho do bordado na manga
62
Fazendo a junção de todas as peças, na figura 45 pode ser visto o resultado do
desenho do bordado no molde do vestido.
63
5. RESULTADOS OBTIDOS
64
6. REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
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68