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Águas do Céu

As Deusas na Tradição Céltica


Por Robert Kaucher

Muitos autores escreveram sobre as Deusas Mães na Tradição Céltica; alguns chagaram a
dizer que os Celtas eram matriarcais e que isto pode ser visto nas posições importantes que
são alocadas às Deusas Celtas. Em quase dez anos de estudo dos idiomas, das culturas e
da mitologia dos Celtas eu não posso chegar à mesma conclusão. A Supremacia das
Deusas Célticas tem sua origem em um tempo em que costumes sociais eram diferentes;
onde respeito era dado a quem merecia. O que merece mais respeito que o poder de uma
mulher para gerar crianças? Ou a ferocidade de uma mãe quando defendendo a sua
criança? As Deusas dos Celtas tiveram suas origens nas tradições religiosas dos Proto-
Indo-Europeus. Por causa disto as Deusas Célticas são uma mistura de três características
básicas: soberania, guerra, e fertilidade. Devido à natureza complexa das Deusas Célticas
eu dividirei minha discussão das Deusas nestas três divisões fundamentais.
Sem dúvida a função mais importante das Deusas Celtas é fertilidade; todas as Deusas têm
algum aspeto de fertilidade. Porém eu estarei discutindo só, essas Deusas cuja preocupação
principal está na prosperidade e na procriação.
O mais importante destas Deusas é Danu. Danu na mitologia irlandesa é um reflexo de uma
Deusa muita mais arcaica. O seu nome é derivado da Palavra Céltica *Dannuia ou Dannia é
a origem do nome do rio Danúbio. O Rio Danúbio é onde as raízes da cultura Céltica
cresceram primeiro. É certo que ela deveria ser considerada a Mãe dos Deuses, depois de
Ter lhes dado seu nome (Tuatha Dé Dannan no Irlandês a Tely Dôn em Galês). É várias
interpretações do seu nome, sendo que uma delas é "Terra Molhada" e o mais poética, "Água
do Céu".
A conexão das deusas com rios não é estranha na tradição céltica; realmente o nome
Dannuia foi dado para muitos rios ao longo da Europa Celta, Irlanda e Inglaterra. O rei celta
Viridomar ostentou que ele foi "o filho do Reno". Novamente o nome do Reno é derivado de
uma palavra celta, Renos, cognato com a palavra rian em Irlandês, um termo poético para o
oceano. A convicção de que o mar é a origem da vida sobreviveu em nossos próprios
tempos. Mas nossa Danu amada teve um reflexo oposto, se Danu é representante das
forças divinas da luz, então Domnu representa o frio, escuridão e o medo das profundidades
desconhecidas dos oceanos.
Domnu também é uma mãe, e a fundadora dos Fomóire, a tribo antiga de adversários que
tentaram tomar o controle da lei e da ordem dos Tuatha Dé Dannan, de forma que caos pode
reger a terra. O nome Domnu significa "terra" e é derivado do Céltico *dubno. O sentido da
etimologia é "profundo" ou "o que estende abaixo". Até mesmo o nome dos Fomóire significa
"debaixo do mar". Estes Fomóire representam as forças de natureza selvagem. eles são
ingovernáveis e ainda necessários ao equilíbrio certo da vida na terra.
A Mãe da Tribo também existiu na religião Gaulesa. Na iconografia romano-celta nós
podemos ver imagens de Deusas com atributos óbvios de fertilidade. Nós não sabemos
muito sobre a religião celta no continente, mas os Gauleses, com certeza, acreditaram que
estas Deusas foram às fundadoras das suas tribos.
Como a Mãe da Tribo a Deusa foi uma grande protetora. Quando os Lagin, os homens de
Linster na Irlanda, foram atacados por seus inimigos seus historiadores escreveram que
Brighid apareceu sobre o campo da batalha como uma Deusa de Guerra para assustar e
amaldiçoar os inimigos.
Mas Brighid não é uma Deusa associada com a guerra. Na mitologia irlandesa há três
Deusas quem são as rainhas de guerra e destruição: Badb, Morrigan e Nemain. Suas
armas não foram espadas e lanças mas o mágico e medo. Nós podemos saber que estas
deusas de Guerra também brigaram com armas convencionais, mas seu trabalho primeiro
era matar os guerreiros fracos com susto e encantar (talvez por bem ou mal) os mais
poderosos guerreiros como Cú Chulainn.
Na historia do Táin Nemain matou 100 guerreiros, e a Morrigan (a Grande Rainha ou a
Rainha Fantasma) cantou avisos mórbidos de morte:

Corvos roendo
As costas de homens
Sangue esguichando
Na batalha ferrosa
Carne cortada
Loucura de Batalha
Espadas em corpos
Ações de guerra.

Com certeza estas Deusas eram conhecidas em Gália: quase 100 anos atrás uma inscrição
foi encontrada: CATHVBODUA (Corvo de Batalha) e imediatamente escolares dos Celtas
ligaram esta inscrição com o nome badbcatha, um nome alternativo para a Deusa Badb.
Estas Deusas foram chamados de Bé Néid (Mulher de Néit - um Deus de Guerra).
As Deusas de Guerra eram as protetoras e as Deusas Mães proviam comidas, mas sem as
Deusas de soberania não poderia Ter tribo nenhuma. Mais uma vez nós podemos ver que
quase todas as Deusas tiveram algum aspeto preocupado com a soberania. Aliás, há
Deusas quem têm uma preocupação imensa com o reino do rei mortal. A Deusa mais famosa
é Medb, ela só pode ser a Deusa Tribal de Connacht (uma província em Irlanda). Ela tem
todas as características deste tipo de Deusa; ela é uma rainha, é vigorosamente sexual, ela
participa na guerra, mais o mais importante é que ela é a única pessoa que pode fazer o
reino dos reis legítimos. Está escrito que ela não deixaria nenhum rei ocupar Temhair sem
dormir com ela.
Vimos a mesma coisa acontece quando os Filhos de Míl tentam invadir a Irlanda. Eles
encontram três Deusas: Ériu, Banbha e Fódla. Só por causa destas Deusas, os Filhos de
Míl são capaz de ficar na ilha. Donn, um dos filhos de Míl, não respeita a Deusa Ériu é ela
que previu sua morte.
A complexidade das deusas Célticas é realmente explicada quando nós entendemos que
para ser uma Deusa nesta tradição antiga deve ser uma Mãe, para ser uma Mãe, deve ser
uma protetora e para ser uma protetora deve ser preocupada com a soberania da sua tribo.
É, diferente das Deusas dos Romanos e Gregos; as Deusas dos Celtas são todas as coisas:
elas são a terra, a vida, a morte, o trigo que nós comemos e a água que nós bebemos; a
água que vem do céu.

Brigit Búadach
Esse poema, originalmente escrito em Irlandês arcaico, mistura as tradições pagãs e cristãs
da Deusa/Santa Brigit. É importante notar que ela é freqüentemente associada ao fogo e à
fertilidade.
Brigit búadach, [bri:d´ bu:aD@x] Brigit a vitoriosa
Búaid na fine, [bu:aD´ na fin´@] Vitória da Família
Siur ríg nime, [s´ur r´i:y n´im´e] Irmã do Rei do Céu
Nár in duine, [na:r in´dun´e] Mulher Nobre
Eslind luige, [e´l´inD´ luy´e] Juramento Perigoso
Lethan breo. [leTan b´r´o:] Chama Larga
Ro-siacht noíbnem, [ros´iaxt ni:vn´e~w] Ela chegou no céu sagrado
Mumme Goídel, [mume yi:D´el´] A Mãe adotiva dos gaélicos
Riar na n-oíged, [riar nan i:yeD´] Provedora dos convidados
Oíbel(1) ecnai, [i:vel´ eg´nai] Sorriso da Sabedoria
Ingen Dubthaig, [In´y´en´DuvTaig] A Filha de Dubhthach
Duine úallach, [dun´e u:llax] pessoa orgulhosa
Brigit búadach, [bri:d´bu:aD@x] Brigit vitoriosa
Bethad beo. [b´eTaD b´o] sustenção da vida

Notas:
1) Oíbel, moderno aoibheal, significa "aquele que demonstra alegria através do movimento". Vem da mesma
raiz do gaélico escocês éibheall ou éibhleag, clarão de fogo, irlandês eibhleóg, irlandês primitivo óibell, clarão
de fogo, fogo, galês ufel, fogo, *oibelos, fogo, clarão (Stokes). Esta palavra é claramente ligada à idéia de fogo,
mas uma vez que o poeta escolheu oíbhel [i:v´el] ao em vez de óibell [o:v´eL] eu traduzi esta palavra como
"sorriso," destacando sua conexão com a alegria. Mas com certeza uma pessoa que falava irlandês arcaico não
teria perdido o trocadilho de oíbel e óibell.

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