TRATAMENTO DA INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA ASSOCIADA A TERRENOS PERCORRIDOS POR INCÊNDIOS

MANUAL

Direcção de Unidade de Defesa da Floresta
MARÇO|2010

Título: Manual para tratamento da informação geográfica associada a terrenos percorridos por incêndios

Edição: Nacional

Autoridade

Florestal

Autor: Direcção de Unidade de Defesa da Floresta Texto: Nacional Autoridade Florestal

Imagens: Autoridade Florestal Nacional Edição: Março 2010

COMPOSIÇÃO ESTRUTURAL
O manual para tratamento da informação geográfica associada a terrenos percorridos por incêndios, é constituído pelos seguintes elementos:

1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DA TEMÁTICA 1.1. DESTINATÁRIOS 1.2. OBJECTIVOS 1.3. ETAPAS A SEGUIR 1.4. METODOLOGIAS E PROCEDIMENTOS NA MARCAÇÃO DOS ELEMENTOS GRÁFICOS 1.5. GLOSSÁRIO, DEFINIÇÕES E TERMINOLOGIAS 2. ESTRUTURA DA INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA 2.1. IMPORTÂNCIA DA TEMÁTICA 2.2. NOME A ADOPTAR PARA O ELEMENTO GRÁFICO 2.3. SISTEMAS DE COORDENADAS E DE REFERÊNCIA ADMISSÍVEIS 2.4. FORMATOS DE INFORMAÇÃO ADMISSÍVEIS 2.5. TIPOLOGIA GEOMÉTRICA DO ELEMENTO GRÁFICO 2.6. ATRIBUTOS DO ELEMENTO GRÁFICO, PROCEDIMENTOS, NOMES DOS CAMPOS E CARACTERÍSTICAS 3. QUADRO DE APOIO AO PREENCHIMENTO

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1. CARACTERIZAÇÃO GERAL DA TEMÁTICA
1.1 Destinatários Este manual de procedimentos destina-se às entidades com capacidade para efectuar o levantamento e tratamento da informação geográfica associada a terrenos percorridos por incêndios, nomeadamente a Gabinetes Técnicos Florestais (GTF), Guarda Nacional Republicana (GNR), Autoridade Nacional de Protecção Civil (ANPC), Autoridade Florestal Nacional (AFN), Instituto da Conservação da Natureza e da Biodiversidade, I.P. (ICNB) e ainda outras entidades que colaborem nesta tarefa. 1.2 Objectivos Os objectivos inerentes à libertação destas breves considerações, para a produção e tratamento de informação geográfica (IG) são: 1. Fornecer aos responsáveis pela recolha, produção e tratamento de IG, um instrumento de trabalho, que defina estratégias e procedimentos a seguir para o elemento gráfico a caracterizar e representar, bem como para cada uma das fases constituintes do processo; 2. Apresentar as etapas que medeiam e que devem ser cumpridas desde a identificação dos elementos até à entrega do resultado, em termos de forma e conteúdo; 3. Desenvolver metodologias que possibilitem a uniformização da informação, a produzir e a tratar, bem como a sua integração numa base de dados geográfica de âmbito nacional, garantindo a articulação entre todos os níveis de informação; 4. Georreferenciar a informação produzida e tratada; 5. Estruturar de forma uniforme as bases de dados, operacional e geograficamente, para armazenamento e integração da informação produzida e tratada; 6. Optimizar os recursos, humanos e materiais, potenciando as capacidades físicas e técnicas, através da simplificação do processo de integração de informação; 7. Compatibilizar a informação estruturada com sistemas já existentes e em utilização. 1.3 Etapas a seguir No processo de produção e tratamento da IG, são várias as etapas a seguir, das quais se destacam: 1. Recolha, levantamento e produção da IG, com a consequente criação do elemento gráfico; 2. Tratamento (no seguimento das normas e orientações emanadas) da IG, com a criação dos campos indicados na tabela de atributos associada ao elemento gráfico;

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4. Preenchimento da tabela de atributos associada ao elemento gráfico, com os códigos presentes no quadro de apoio ao preenchimento; 5. Processos de análise espacial e modelação geográfica em sistemas de informação geográfica (SIG), sustentados na IG previamente recolhida, levantada e produzida. 1.4 Metodologias e procedimentos na marcação dos elementos gráficos Todos os elementos devem ser vectorizados, aplicando rigor e precisão1 e reflectindo o mais fielmente possível a realidade, devendo incorporar aperfeiçoamentos metodológicos simples, mas que valorizam substancialmente o trabalho de produção de IG.

O levantamento e produção da informação podem ser realizados de três formas: Levantamento de campo efectuado com GPS, com posterior transferência de informação do equipamento para o computador, com a devida correcção diferencial, ou

procedimento equivalente em PDA munido de GPS, sobre cartografia ou ortofotomapa digital; Levantamento de campo sustentado em suporte papel (carta militar, carta topográfica, ortofotomapa, outro) com posterior vectorização do elemento gráfico directamente sobre monitor, em gabinete; Combinação dos dois processos referidos anteriormente, em que em primeira instância se procede ao levantamento efectuado por GPS, ou PDA munido de GPS, com as necessárias alterações e correcções, sobre a informação cartográfica de base, em gabinete.

NOTAS IMPORTANTES: - Na marcação de elementos poligonais é importante atender à inexistência de sobreposições. No caso de ocorrência das mesmas, estas devem ser eliminadas, de forma a evitar erros associados a duplicação de áreas. - No processo de produção dos elementos gráficos, primeiramente deve ser obtido o limite perimetral da área em questão, devendo a essa área serem subtraídas eventuais “áreas encravadas” ou “ilhas”, designadamente áreas sociais, planos de água ou simplesmente áreas de floresta e/ou matos que não arderam, de forma a facilitar os processos de

geoprocessamento e evitar erros de topologia.

1

Entende-se por precisão o desvio máximo admissível que um ponto no “mapa” pode ter relativamente à sua correcta posição no terreno.

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1.5 Glossário, definições e terminologias A. INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (IG): Informação integrada num mapa, que pode ser digital ou não, que regista a posição física/espacial, bem como a forma do elemento geográfico. Essa informação pode ser relacionada com uma localização (através de formato polígono, linha ou ponto) à superfície da Terra. Representa um caso particular de informação espacial.

B. SISTEMA DE INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA (SIG): Um SIG – sistema de informação geográfica ou GIS – geographic information system é um sistema de hardware, software, pessoal, dados/informação espacial e métodos/procedimentos computacionais, que permite e facilita a análise, gestão ou representação do espaço e dos fenómenos que nele ocorrem. Os sistemas de informação geográfica separam a informação em diferentes camadas (layers) temáticas e armazenam-nas independentemente, permitindo trabalhar com elas de modo rápido e simples, permitindo ao operador ou utilizador a possibilidade de relacionar a informação existente através da posição e topologia dos objectos, com o intuito de gerar nova informação. Os modelos mais comuns em SIG são o modelo raster ou matricial e o modelo vectorial. De entre outras, existem quatro tarefas básicas de qualquer SIG que é imperioso referir: Captura/recolha de dados espaciais; Armazenamento, gestão e integração de dados referenciados; Processos de inquirição e análise aos dados recolhidos; Organização e gestão de informação, de modo a ser facilmente acedida e usada por todos os utilizadores – output através de impressão.

C. ENTIDADES GEOMÉTRICAS Os métodos de georreferenciação, ao permitirem a definição da localização geográfica dos objectos, estabelecem simultaneamente a sua forma geométrica. Classicamente, no espaço a duas dimensões, os objectos espaciais simples são classificados em três categorias, de acordo com a sua forma geométrica, designadamente polígono, linha e ponto. Para o caso concreto, apenas deve considerar-se o elemento polígono, embora fazendo uma ligeira incursão na definição do conceito de linha.

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POLÍGONO Polígono é uma entidade geométrica que pode ser definida por um conjunto ordenado de pontos interligados, em que o primeiro e último ponto coincidem, utilizada quase sempre na representação de zonas que possuem uniformemente uma dada propriedade. Um polígono divide o plano em que se encontra em duas regiões (a interior e a exterior), sem conter pontos comuns.

LINHA Entidade geométrica que pode ser definida como o conjunto ordenado de pontos interligados por segmentos de recta ou por linhas definidas por funções matemáticas, utilizada na representação de objectos sem largura suficiente para poderem ser considerados áreas, como por exemplo, alguns cursos de água, redes de saneamento e utilidade pública, entre outros.

2. ESTRUTURA DA INFORMAÇÃO GEOGRÁFICA
2.1 Importância da temática A delimitação de terrenos percorridos por incêndios, assume uma importância elevada, uma vez que serve de base ao planeamento de acções de recuperação de áreas ardidas, de prevenção estrutural e de organização anual do sistema de vigilância e combate. Dessa forma devem ser levantados os terrenos percorridos por incêndios de forma projectada a 2D, com área igual ou superior a 1ha, nos termos do Decreto-Lei n.º 327/90, de 22 de Outubro, com a redacção dada pelo Decreto-Lei n.º 55/2007, de 12 de Março, e do Decreto-Lei n.º 124/2006, de 28 de Junho, com as alterações introduzidas pelo Decreto-Lei n.º 17/2009 de 14 de Janeiro e legislação complementar.

2.2 Nome a adoptar para o elemento gráfico O nome de ficheiro deve responder à seguinte convenção: AA[ANO]_[Código INE correspondente ao Concelho em causa]_[Projecção/Sistema de

coordenadas e de referência]_[Código identificador da ANPC respeitante à ocorrência] Exemplo: AA2010_1112_IPCC_2107.rar/.zip

A informação geográfica relativa a terrenos percorridos por incêndios deve ser estruturada dentro de ficheiro de tipo .rar ou .zip. O elemento gráfico dentro do ficheiro .rar ou .zip deve seguir a mesma convenção do nome.

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Até que a AFN disponibilize um sistema de informação de gestão de dados de áreas ardidas, os ficheiros gráficos são enviados, via e-mail, para o Coordenador de Prevenção Estrutural (CPE) respectivo com pelo menos uma periodicidade quinzenal.

2.3 Sistemas de coordenadas e de referência admissíveis Na persecução da normalização em todos os parâmetros indicamos as características, relativamente aos sistemas de coordenadas e de referência, que a informação geográfica recolhida e produzida, deve considerar. Assim temos:

DESEJÁVEL DESIGNAÇÃO COMUM ELIPSÓIDE REFERÊNCIA DATUM LISBOA (IGEOE) Hayford (ou Internacional 1924)

ACEITÁVEL DATUM 73 (IPCC) Hayford (ou Internacional 1924)

SISTEMA DE PROJECÇÃO CARTOGRÁFICA

Hayford-Gauss Militar (SHGM): Datum geodésico Hayford-Lisboa (DtLx). Projecção de Gauss-Kruger, versão elipsoidal da projecção de Mercator Transversa, com falsa origem (translação do ponto de origem após a projecção)

Hayford-Gauss moderno (SHG73): Datum geodésico Hayford-Melriça (Dt73). Projecção de Gauss-Kruger

NOME EM ALGUNS SOFTWARES

Lisboa_Hayford_Gauss_IGeoE

Lisboa_Hayford_Gauss_IPCC

Nota: É obrigatório a definição do sistema de coordenadas no ficheiro gráfico. 2.4 Formatos de informação admissíveis SHP. 2.5 Tipologia geométrica do elemento gráfico Polígono, sendo de destacar que não são admissíveis elementos constituídos por linhas para representação de terrenos percorridos por incêndios. 2.6 Atributos do elemento gráfico, procedimentos, nomes dos campos e características O preenchimento dos campos constituintes da tabela de atributos é obrigatoriamente sustentado nos códigos presentes no quadro de apoio ao preenchimento.

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NOME DO CAMPO

CARACTERÍSTICAS RECOMENDADAS

PROCEDIMENTOS Preencher com a tipologia da área queimada: IF – incêndio florestal

TIPO_AQ

TEXT; 2

… Ex.: IF

ANO

SHORT INTEGER; 4

Preencher com o ano da ocorrência Ex.: 2010 Preencher com o código referente ao distrito. Consultar os códigos da Referenciação Territorial em: http://www.ine.pt Ver V00017 – Código da divisão administrativa – distritos, municípios e freguesias Ex.: 01 Preencher com o código identificador da ANPC respeitante à ocorrência Ex.: 2107 Preencher com a data de início da ocorrência Ex.: 23-03-2010 Preencher com a data de fim da ocorrência Ex.: 25-03-2010 Preencher com a classificação do incêndio segundo Carvalho, J. B. e Lopes, J. P., 2001. Classificação de incêndios florestais – Manual do utilizador. DGF, Lisboa. NOTA: Documento disponibilizado juntamente com o Manual para tratamento da informação geográfica associada a terrenos percorridos por incêndios Ex.: 1119

DISTRITO

TEXT; 2

COD_ANPC

SHORT INTEGER; 6

DT_INICIO

DATE

DT_FIM

DATE

CLASS

SHORT INTEGER; 4

AREA_HA

DOUBLE; 11; 3

Preencher com a área total, expressa em ha Ex.: 153,24 Preencher com o nome de quem procedeu ao levantamento efectuado no

NOME

TEXT; 75

terreno Ex.: José Sousa Almeida Preencher com o nome da entidade de que faz parte quem procedeu ao levantamento no terreno Ex.: GNR – Aveiro Preencher com o nome de quem procedeu ao levantamento através de vectorização Ex.: António Pacheco Preencher com o nome da entidade de que faz parte quem procedeu ao levantamento através de vectorização Ex.: GTF – Aveiro Preencher com a tipologia de levantamento efectuado, de acordo com os códigos presentes no Quadro 1 de apoio ao preenchimento Ex.: 1 Preencher com o número – atribuído sequencialmente – da versão a que o ficheiro respeita Ex.: 1

ENTIDADE

TEXT; 75

NOME_VEC

TEXT; 75

ENTID_VEC

TEXT; 75

TIPO_LEVA

SHORT INTEGER; 1

VERSAO

SHORT INTEGER; 2

DATA_LEVA

DATE

Preencher com a data do levantamento efectuado no terreno Ex.: 26-03-2010 Preencher com a data do levantamento através de vectorização Ex.: 27-03-2010 Preencher com observações relevantes e que complementem a informação presente nos campos anteriores

DT_LEVA_VE

DATE

OBSERVA

TEXT; 254

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3. QUADRO DE APOIO AO PREENCHIMENTO
Quadro 1: Tipologia do levantamento
CÓDIGO 0 1 2 Não responde / Não disponível GPS – Global Positioning System ou PDA – personal digital assistant munido de GPS Vectorização do elemento gráfico directamente sobre monitor, sobre base cartográfica em papel (Carta Militar de Portugal, carta topográfica, fotografia aérea, ortofotomapa) GPS – Global Positioning System ou PDA – personal digital assistant munido de GPS + Vectorização do elemento gráfico directamente sobre monitor, sobre base cartográfica em papel (Carta Militar de Portugal, carta topográfica, fotografia aérea, ortofotomapa) 4 Outra – especificar qual no campo OBSERVA DESIGNAÇÃO

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Este documento encontra-se disponível em www.afn.min-agricultura.pt

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