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ESTADO DE PERNAMBUCO

SECRETARIA DE DEFESA SOCIAL


POLÍCIA MILITAR DE PERNAMBUCO

APOSTILA
ARMA DE FOGO

RECIFE
2009
2

O HABITAT POLICIAL

“A Polícia não possui outros senhores. Só serve ao seu amo. Por isso,
não cuida de riquezas é pobre, humilde e mal remunerada. Seu ambiente, quase
sempre modesto, poucas vezes confortável, jamais luxuoso. Chão apodrecido de
velhos pardieiros onde ratos passeiam ou ladrilhos frios a lembrar necrotérios. Os
móveis são gastos e obsoletos. A iluminação parca e amarelenta. Trajes vulgares,
blusões de pano ou malha, são indumentárias ordinárias.

Em regra, não trabalha em gabinetes. O gabinete é apenas parte de


uma de suas árduas tarefas: a de auxiliar a Justiça na aplicação da pena, pois é na
rua, ao sabor das intempéries, que ela atua; arrostando o Sol candente do verão e o
gélido sopro do inverno, escorregando na lama dos morros, das sarjetas esconsas,
dos terrenos vadios, no tumulto das favelas, impregnando-se do cheiro acre das ruas
transversais onde crescem os prostíbulos.

Está sempre presente na hora da desgraça, individual e coletiva. No


crime, no fato anti-social, no desastre, no incêndio, na inundação. O crime a salpica
do sangue ainda quente. A personalidade anormal e viscosa do criminoso a envolve,
sua grosseira gíria a contagia, sua fala inculta se lhe transmite. O cheiro pútrido dos
cadáveres adere à sua pele, o odor mofado da maconha a intoxica, a prostituição a
conspurca, o fogo a incendeia, a inundação a inunda.

Está sempre presente também na hora da alegria e do entretenimento


geral, porém, desses momentos ela não participa. No Natal e Ano Novo, não ceia
com a família, pois está nas ruas vigiando as possíveis conseqüências das
liberações de todas as ceias. No carnaval, não samba nem bebe; no clube, austera
e vigilante, cuida da segurança dos que sambam e bebem. No futebol, não está na
3

torcida; antes dá cobertura à segurança dos torcedores. Em finados, nem tempo tem
de chorar seus mortos, pois garante a tranqüilidade dos que choram os seus.

Não dorme nunca. Cão fiel a velar o sono da sociedade. Traz sempre
os olhos vermelhos e a expressão desfeita das noites indormidas. Nas Delegacias,
atenta ao rádio, ao telefone, e lá fora, em suas viaturas ou mesmo a pé em longo
caminhar, sempre incansável, percorre avenidas e ruas sonolentas para atender a
perigosas chamadas onde pode haver tiros. À porta dos restaurantes, boates e
clubes, onde a sociedade em aquecido e confortável convívio come, bebe, dança e
ama, ela sofre a algidez, a fome, a sede e a solidão da noite interminável,
alimentada quase sempre do parco sanduíche, do vencimento parco.”

Autor Desconhecido
4

SUMÁRIO

01 - APRESENTAÇÃO: 07

02 - HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DAS ARMAS DE FOGO: 08

03 - ARMAMENTO: 17
Conceito de Arma: 17
Classificação: 17
Conceito de Armamento Leve: 17
Noções Básicas Sobre Calibres: 18
Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Tipo: 20
Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Emprego: 20
Classificação das Armas de Fogo Quanto à Refrigeração: 20
Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Funcionamento: 21
Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Princípio de
Funcionamento: 21
Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Sentido da Alimentação:
21
Classificação Quanto ao Raiamento: 22
Classificação Quanto à Alimentação: 22
Classificação Quanto ao Carregamento: 22

04 - CONCEITOS BÁSICOS DE TIRO: 23


Velocidade Teórica do Tiro: 23
Velocidade Prática de Tiro: 23
Alcance Máximo: 23
Alcance Útil/Eficaz: 23
Alcance de Utilidade: 23

05 - ARMAMENTO E TIRO: 24
Conceito de Munição e Cartucho: 24
5

Composição do Cartucho: 24
A Guarda de Munições: 31

06 - NOÇÕES DE BALÍSTICA: 33
Conceito de Balística: 33
Divisão da Balística: 33
A Mecânica do Disparo: 34
Velocidade Inicial: 36
Forçamento nas Raias: 36
Fatores Que Atuam na Trajetória de um Projétil: 37
Poder de Parada ou Stopping Power: 38

07 - CLASSIFICAÇÃO E MANEJO DE ARMAMENTO 40


Regras de Segurança: 40
Preparando-se Para Atirar – Uso de EPI: 41
Revólver Calibre .38" Taurus: 42
Pistola Taurus - PT 100, Calibre .40 SW: 45
Pistola Taurus - PT 24/7, Calibre .40 SW: 51
Metralhadora Taurus - FAMAE Calibre .40 SW: 60
Espingarda de Repetição Caibre. 12" CBC: 68
Fuzil SA/ Para SAS: 71

08 - FUNDAMENTOS E TÉCNICAS DE TIRO COM ARMA DE FOGO: 76


Posição do Atirador: 76
Empunhadura: 76
Visada: 79
Respiração: 80
Puxada do Gatilho: 81
Condicionamento Mental: 82
Erros Mais Comuns Durante a Execução do Tiro Real: 83
Incidentes e Acidentes de Tiro: 84
Manutenção Preventiva: 84
Causas Gerais de Acidentes e Incidentes de Tiro: 85
6

Emprego Técnico e Tático de Arma de Fogo: Técnicas e Táticas


Individuais e em Dupla: 86
Saque: 86
Controle de Cano: 88
Deslocamento Com Arma: 88
Cobertas e Abrigos: 89
Táticas em Dupla: 89
Tipos de Recargas ou Troca de Carregador: 90
Métodos de Tiros Com Lanterna: 91

REFERÊNCIAS: 93
7

1. APRESENTAÇÃO:

A atividade policial é uma atividade que possui um nível elevado de


risco e complexidade, exigindo do profissional um preparo apurado. Preparo esse
que necessita, invariavelmente, de constantes aprendizados e capacitações.
Principalmente no dias atuais, com o aumento e sofisticação da violência e
criminalidade.
Diante disso, o presente trabalho procura lançar luz sobre aspectos
importantes relacionados ao manuseio e uso das principais armas de fogo utilizadas
pela Polícia Militar de Pernambuco. É um material construído para servir de
referência e consulta na formação básica do Curso de Formação de Soldados ano
2009.
Longe de procurar esgotar o tema, principalmente diante de sua
complexidade e exigüidade temporal para tratar sobre o mesmo, o presente trabalho
tratará dos pontos considerados importantes pela equipe que o organizou.

Recife, abril de 2009.


8

2. HISTÓRICO E EVOLUÇÃO DAS ARMAS DE FOGO:

Uma arma de fogo, da mais simples a mais complexa, é uma máquina


térmica que utiliza a força explosiva de uma mistura ou de um composto químico,
transferindo-a ou dirigindo-a para um corpo sólido e móvel. Este corpo sólido, o
projétil, é um componente que percorre um determinado espaço com grande
velocidade e pára violentamente ao se chocar contra um obstáculo, transferindo
para este a força, a energia cinética que possui, partindo-o, rasgando-o, destruindo-
o1.
As primeiras armas de fogo ou artefatos pirobalísticos eram tão
maciças e pesadas que podemos considerá-las como pequenos canhões. Nelas se
empregava como propelente a pólvora negra, um explosivo que modificou a história
do homem. Uma mistura de carvão (15 %), salitre (75 %) e enxofre (10 %) que
“cheirava a raios” e que comoveu o mundo do combate2.

Ilustração de um manuscrito de 1400 no qual


representa uma prova da ascensão da pólvora
negra.

As primeiras referências à pólvora negra datam por volta do século IX,


na China, embora se acredita que eles já a conheciam desde o século I d.C.. Ao que
tudo indica, foi descoberta por alquimistas. Na maior parte das vezes em que foi

1
Com modificações. Armas Ligeiras de Fogo. V.1. Madri: Edições Delprado: 1996. p. 01.
2
Idem, ibidem.
9

mencionada, há avisos para não se misturar a pólvora com outros elementos,


alertando sobre o perigo do seu manuseio.
Inicialmente os chineses utilizavam a pólvora negra principalmente
para fiz religiosos e para produção de belíssimos fogos de artifícios. Do ponto de
vista militar, a China, por volta do século X, começou a usar a pólvora para fins
bélicos e a primeira referência a um canhão surge em 1126, quando foram usados
tubos feitos de bambu para lançar flechas incendiárias. Posteriormente, esses tubos
passaram a ser fabricados em metal e o mais antigo canhão metálico da China data
de 1290.
Esse conhecimento foi transmitido aos Mongóis, deste para os Árabes
na Palestina e Península Ibérica, sua chegada ao ocidente se deu através dos
monges e dos alquimistas.
Os bizantinos usavam a pólvora negra para “borrifar” os inimigos
através de um tubo comprido.
Mas foram os europeus, graças ao avanço de sua metalurgia, que
desenvolveram e incrementaram a artilharia pirobalística.

Foto de um artefato pirobalístico datado por volta de 1300.

Na Europa as primeiras referências às armas de fogo datam de 1247,


quando do cerco a cidade de Sevilha, ocasião em que foram utilizados canhões para
arremessar pedras. Situações semelhantes ocorreram quando do cerca da cidade
de Niebla, em 1257 e Meliha, em 1259.
A primeira referência a uma arma de fogo que podia ser carregada por
um único homem data de 1313, na Alemanha. Uma crônica da cidade de Dante,
10

considerada pelos estudiosos como documento autêntico, relata o emprego de


“canhões de mão”. Compunham-se de um cano tosco de bronze fundido, fechado
em uma de suas extremidades, em cima da qual havia um pequeno orifício
denominado “ouvido” ou “fogão”, que se comunicava com o interior. Possuíam
coronha em madeira de diversas formas.
O princípio de funcionamento das primeiras armas de fogo permaneceu
invariável ao longo dos séculos e é conhecido com o nome de “carga avante” ou
“antecarga”, isto é, de se carregar pela boca. Introduzia-se pólvora negra no cano
pela boca da arma, depois se colocava um pouco de tecido. Em seguida, inseria-se
um projétil (ou vários projéteis) e se comprimia tudo cuidadosamente no cano com
uma vareta. Por fim colocava-se um pouco de pólvora no fogão da arma, geralmente
era usada uma pólvora mais fina chamada de escorva.
11

O primeiro mecanismo de acionamento utilizado nas armas de fogo


portáteis foi o da serpentina, por volta de 1400. A serpentina assemelha-se a um
pavio, com o diferencial de ter uma combustão lenta. Tratava-se de uma corda
comprida, trançada, fervida em salitre ou em acetato de chumbo e seca
posteriormente. Quando acesa no fogo, não fazia chama, mas mantinha uma
pequena brasa sempre acesa, queimando-se lentamente.Quando se aproximava a
extremidade acesa à pólvora do fogão da arma, o disparo era iniciado. O mecanismo
da serpentina permitia ao atirador aproximar a brasa do fogão com a sua própria
mão, sem se distrair do alvo. Tratava-se de um simples dispositivo formado por um
grampo de ferro em forma de “S”.
12

Embora o sistema de serpentina representasse um avanço, ele


continha grandes e sérias limitações de uso. Cavalgar com o pavio aceso na mão
era quase impossível, além de perigoso. De noite, o pavio e os movimentos que
faziam para reavivar a brasa indicavam aos inimigos a presença do artilheiro. Armas
com pavio aceso não podiam ser camufladas debaixo da roupa. Bastava o tempo
chuvoso ou mesmo úmido para apagar a brasa, e nem sempre os meios necessários
para reacendê-la estavam disponíveis. Além disso, o artilheiro poderia literalmente
explodir, caso alguma fagulha atingisse a pólvora que ele carregava consigo.
Posteriormente, em relação ao mecanismo de disparo, temos a
invenção do sistema de roda. O mecanismo de roda aparece no início do século
XVI. Alguns atribuem sua invenção a um armeiro de Nuremberg, outros, a Leonardo
da Vinci.
O sistema de roda pode ser comparado ao
acionamento do isqueiro moderno: uma roda metálica
gira em contato com uma pedra, produzindo faísca por
fricção. Nesse mecanismo, o atrito da roda, girando a
certa velocidade, com uma pedra, geralmente o sílex,
produzia faíscas de curta duração, mas suficientes para
incendiar um material combustível adequado. Com isso,
temos a produção instantânea do fogo, fundamental
para o disparo.
13

Acima, desenho de Leonardo da Vinci


no qual temos o sistema de acionamento
de roda. À direita, desenho realizado por
Agostini Galibi, estudioso da história das
armas fogo, interpretando o desenho de
Leonardo da Vinci.
14

Fotografia de uma arma alemã, de 1630, onde temos o sistema de roda.

Embora fosse um sistema eficiente, o alto custo de sua produção


impedia sua produção em massa para uso militar. A maioria dos exemplares que se
tem referência eram usados em caçadas por nobres ou burgueses ricos.
Em meados do século XVI,
com o desenvolvimento ainda maior da
mecânica e da metalurgia, temos o
surgimento do sistema de acionamento
por pederneira. A primeira referência a
esse sistema data de um edital florentino
de 1547.
O sistema de pederneira
funcionava da seguinte forma: o martelo
(ou cão da arma) possuía uma pedra de
sílex presa em si; ao ser impulsionado por
uma mola, em alta
velocidade, batia com força
numa placa de metal,
produzindo faíscas que
inflamam a pólvora.
15

Alexander Forsyth, um reverendo protestante escocês, caçador e


estudioso da Química, inventou, em 1807, o mecanismo de ignição por percussão
para armas de fogo. Forsyth se baseou nas experiências químicas de Bayen
(França) e Howard (Inglaterra), criadores de um composto químico que detonava por
percussão. As armas simplificaram-se grandemente. Rhaygino Setúbal expressa
muito bem a importância e funcionamento dessa invenção:

O composto químico era colocado em um pequeno copo metálico,


que por sua vez era colocado sobre a chaminé. Um cão metálico era
armado e quando disparado pelo gatilho chocava-se sobre a
espoleta, a mistura se inflamava e a chama era transmitida ao interior
do cano, onde se encontrava a carga de projeção e o projétil. Esse
sistema de ignição veio simplificar o uso de armas de fogo, muito
embora, de início fosse um sistema caro e muito perigoso. Mas a
revolução trazida pelo sistema de percussão foi tão grande que, após
1.818, quando foram liberados os direitos de sua patente, inúmeros
armeiros e fabricantes de armas de fogo passaram a utilizá-lo de
várias maneiras3.

Diante dessa invenção temos o cartucho metálico que, após algumas


modificações ao longo do tempo, apresenta-se, hoje, com as seguintes partes
principais:

01 – Projétil
02 – Estojo
03 – Propelente
04 - Espoleta

3
SETÚBAL, Rhaygino Sarly Rodrigues. Tiro Policial: Uma Proposta de Mudança na Formação e
Capacitação do Policial Militar. UFMT. 2003
16

Sobre o cartucho metálico falaremos com mais profundidade em outro


ponto.
Por fim, é importante destacar que o surgimento de um sistema mais
moderno de acionamento não implicou, necessariamente, o desaparecimento do
sistema mais antigo. Por questões de custo de produção, de materiais disponíveis,
de conhecimento técnico do armeiro, dentre outros fatores, os diferentes sistemas
co-existiram durante um considerável lapso temporal.
17

3. ARMAMENTO

Conceito de Arma:

Conceitua-se como arma todo instrumento ou objeto concebido pelo


homem com a finalidade específica de ser utilizada como meio de ataque e defesa,
para ferir, matar ou causar danos diversos.

Classificação:

A) Brancas: geralmente em metal, atuando de forma perfurante,


contundente ou cortante. A faca, a espada, a baioneta, o punhal, e a foice são
exemplos de armas brancas.
B) Impulsivas ou de Arremesso: caracterizam-se geralmente por
utilizarem meios manuais ou mecânicos para lançamento de seus projéteis. Como
exemplo podemos citar o conjunto arco e flecha, a besta, a catapulta e a zarabatana.
C) De Fogo: Arma de fogo, aquelas armas, construídas pelo homem,
capazes de expelir projéteis, utilizando, para tal, da força expansiva dos gases
resultantes da queima controlada de determinado tipo de propelente4. O fuzil, o
revólver, a pistola, a espingarda, a carabina, são exemplos de armas de fogo ou
arma pirobalísticas.

Conceito de Armamento Leve:

É todo aquele calibre inferior a 0,60” (15,24mm), com exceção dos


lança-rojões 2,36” (59,9mm) e 3,5 (89,9mm).

4
OLIVEIRA, João Alexandre Voss. Tiro de Combate Policial: uma abordagem técnica / João
Andrade Voss de Oliveira; Gerson Dias Gomes e Érico Marcelo Fontes – Erechim: São Cristóvão.
2.001. p.18.
18

Noções Básicas Sobre Calibres:

Antes de adentrarmos mais sobre armas de fogo, cabe-nos algumas


considerações sobre calibre de armamento. Quando se fabrica um cano de arma –
longa ou curta – a parte interna do mesmo (alma) é furada, alargada, polida e
lapidada até um diâmetro pré-determinado. Este diâmetro, antes de ser efetuado o
raiamento, é denominado de calibre real, calibre nominal ou diâmetro entre
cheios.
A seguir, o raiamento, constituído por um certo número de ranhuras de
pequena profundidade, será usinado de forma helicoidal ao longo do cano, com
passo adequado para corretamente estabilizar o projétil a ser nele utilizado. A
distância entre os fundos opostos do raiamento é chamada de diâmetro entre
fundos e é igual ao diâmetro ou calibre real do projétil. Conclui-se, portanto, que
o calibre efetivo de um projétil será sempre maior do que o calibre real do cano e
essa diferença para maior que irá permitir que o mesmo seja forçado contra os
cheios do raiamento, neles se engrazando e passando a acompanhar a hélice
segundo a qual o raiamento foi produzido, adquirindo assim a rotação necessária à
sua estabilidade durante a trajetória.

Usualmente os calibres são expressos utilizando o sistema métrico


decimal (em milímetros), centésimos de polegada ou mesmo em milésimos de
polegada. No sistema métrico decimal a separação de decimais é sempre feita
usando-se uma vírgula, isto é, escreve-se corretamente 6,35mm; 7,62mm e etc. No
sistema inglês, a separação de decimais é feita por um ponto e, não havendo
19

número significativo à esquerda do ponto, o zero é normalmente omitido. Assim,


escreve-se corretamente 3.150” e, no caso de 0.300”, anota-se .300”.

Exemplos
Sistema Métrico Polegada Polegada
7,62 mm 380 38

No geral, nas armas de alma lisa5, o calibre é expresso de forma


indireta, advindo o número de balas esféricas de chumbo que se obtém de uma libra
inglesa (453,59 gramas). Assim, para o famoso calibre 12, significaria que 12 esferas
de chumbo do calibre da arma em questão (com diâmetro de 18,5 mm) pesariam
453,59 gramas. No entanto, para as munições de espingarda de calibre reduzido,
deixa-se de utilizar este sistema de nomenclatura, passando a adotar-se o sistema
métrico decimal.
20

Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Tipo:

A) De Porte: Armamento de peso e dimensões reduzidos, podendo ser


conduzido no coldre. Pistolas e Revólveres são exemplos de armas de porte.
B) Portátil: Peso significativamente maior que o armamento de porte,
mas podendo ser facilmente conduzido por um só homem. Geralmente é dotado de
uma bandoleira, para facilidade e comodidade de transporte. A Sub-metralhadora
MT-40, utilizada pela Polícia Civil de Pernambuco e o Fuzil são exemplos de armas
portáteis.
C) Não Portátil: Armamento de volume e peso relativamente grande,
devendo ser conduzido somente por uma viatura ou dividido em fardos, por vários
homens. Ex: Metralhadora Hotkiss.

Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Emprego:

A) INDIVIDUAL: Quando destinado à proteção daquele que a conduz.


B) COLETIVO: quando se destina ao emprego em benefício de um
grupo de homens ou fração de tropa.

Classificação das Armas de Fogo Quanto à Refrigeração:

A) A ÁGUA: Quando o cano é envolvido por uma camisa d’água. (Ex:


Mtr 30M917A1 – Browning Pesada).
B) A AR: Quando é o próprio ar ambiente que produz o resfriamento. A
pistola PT 940 e PT 24/7 são exemplos desse tipo de refrigeração.
C) A AR E ÁGUA: Quando o cano está em contato com o ar
atmosférico mas recebe, de quando em quando, jatos d’água para ajudar o
resfriamento. É o da MTR 7mm M934 Nadsen.

5
Tipo de cano no qual inexiste raiamento.
21

Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Funcionamento:

A) DE TIRO SINGULAR: São as que efetuam apenas um disparo,


tendo que ser recarregadas manualmente para que se possa efetuar um novo tiro;
B) DE REPETIÇÃO: São aquelas em que se emprega a força muscular
do atirador para executar as diferentes fases do funcionamento (carregamento,
trancamento, ejeção, etc.) decorrendo daí a necessidade de se repetir a ação para
cada disparo. O Mosquefal e o revólver são exemplos de armamento que utilizam
esse tipo de funcionamento.
C) SEMI-AUTOMÁTICA: são aquelas que realizam automaticamente
todas as fases do funcionamento com exceção do disparo. A pistola PT 940 e PT
24/7, por exemplo.
D) AUTOMÁTICA: são aquelas que realizam automaticamente todas as
fases do funcionamento. Submetralhadora Taurus Cal. 9mm e o Fuzil M16 são
exemplos de arma de funcionamento automático.

Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Princípio de


Funcionamento:

A) Armas que utilizam a força muscular do atirador;


B) Armas que utilizam a pressão dos gases resultantes da queima da
carga de projeção.

Classificação das Armas de Fogo Quanto ao Sentido da Alimentação:

A) Da direita para a esquerda.


B) Da esquerda para direita.
C) De baixo para cima.
D) De cima para baixo.
E) De trás para frente.
F) De frente para trás.
22

Classificação Quanto ao Raiamento:

A) ALMA RAIADA:
A1) Da esquerda para a direita.
A2) Da direita para esquerda.

B) ALMA LISA: Não possui raiamento.

Classificação Quanto à Alimentação:

A) Manual
B) Com carregador:
B1) metálico;
B2) tipo lâmina;
B3) tipo cofre;
B4) tipo fita de elos metálicos

Classificação Quanto ao Carregamento:

A) ANTECARGA: aquela que se carrega pela boca do cano;


B) RETROCARGA: aquela que se carrega pela culatra.
23

4. CONCEITOS BÁSICOS DE TIRO:

Velocidade Teórica do Tiro:

Número de disparos que pode ser feito por uma arma em um minuto,
não se levando em conta o tempo necessário para a alimentação, pontaria,
incidentes de tiro etc., isto é, supondo-se a arma dotada de um carregador de
capacidade infinita.

Velocidade Prática de Tiro:

Número de disparos em um minuto, levando-se em conta o tempo


necessário á pontaria, à alimentação, incidentes de tiro etc.

Alcance Máximo:

Distância maior que um projétil pode alcançar ou em que perde sua


energia cinética. Depende das características balísticas de cada cartucho, do
cumprimento do cano da arma e do ângulo em que o disparo foi efetuado.

Alcance Útil/Eficaz:

Distância em que um projétil ainda possui energia suficiente para


causar danos ao alvo.

Alcance de Utilidade:

Distância em que se pode efetuar o tiro com precisão.

ALCANCE MÁXIMO > ALCANCE ÚTIL/EFICAZ > ALCANCE DE UTILIZAÇÃO


24

5. ARMAMENTO E TIRO

Conceito de Munição e Cartucho:

Munição é o conjunto de cartuchos


necessários ou disponíveis para uma arma ou uma
ação qualquer em que serão usadas armas de fogo.
Cartucho é o conjunto do projétil e os componentes
necessários para lançá-lo, no disparo. É composto
do estojo, projétil, propelente e espoleta, destinado
a armas de retrocarga de pequeno ou médio
calibre. Em armas de grandes calibres (canhões,
obuses, etc.) podem ainda existir outros
componentes e até mesmo itens não montados.

Composição do Cartucho:

A) Estojo ou casquilho:

Porção cilíndrica, cônica ou com forma de “garrafa” do cartucho, na


qual se aloja a espoleta, o projétil e na qual se coloca o propelente. A sua base é
chamada de culote, podendo apresentar, ou não, diâmetro maior que o estojo. Nas
armas de repetição onde existe uma peça chamada extrator, para retirar o estojo
vazio da câmara, este exibe um sulco, ou gola, entre o culote e o corpo do estojo.

Os estojos podem ser


classificados quanto à forma do corpo em:
cilíndricos, cônicos e garrafa.
25

Os estojos cilíndricos e cônicos são habitualmente usados para


munições de armas curtas, enquanto que os do tipo “garrafa” são utilizados em
armas longas devido ao seu maior volume interno, possibilitando um depósito maior
de propelente.

Os estojos também podem ser classificados quanto ao tipo da base.

Classificação Quanto ao Tipo de Base


Com Aro ou Com Semi-aro Sem Aro ou Rebatido - Cinturado -
Gola - (rimmed) ou Semi-gola - Gola - (rimless) (rebated) (belted)
(semi-rimmed)
Com ressalto Com ressalto Possui a base A base tem Diferentemente
na base. de pequenas do mesmo diâmetro menor dos restantes,
proporções e diâmetro das que o corpo do possuem na
uma ranhura paredes do estojo. parte inferior
(virola) estojo. uma cintura
mais espessa
que une as
paredes à
base.

B) Espoleta ou Cápsula de Espoletamento:

A espoleta é um recipiente que contém a mistura detonante e uma


bigorna, utilizado em cartuchos de fogo central. A mistura detonante é um composto
26

que queima com facilidade, bastando o atrito gerado pelo amassamento da espoleta
contra a bigorna, provocada pelo percussor. A queima dessa mistura gera calor,
que passa para o propelente, através de pequenos furos no estojo, chamados
eventos.
Os tipos mais comuns de espoleta são: boxer, berdan e bateria.

Boxer: Muito usada atualmente. Possui a bigorna presa à espoleta e


se utiliza de apenas um evento central, facilitando o desespoletamento
do estojo quando da recarga do mesmo.

Berdan: Utilizada principalmente em armas de uso militar. Possui a


bigorna é um pequeno ressalto no centro da base do estojo estando a
sua volta dois ou mais eventos.

C) Propelente, Carga de Projeção ou Pólvora:

Propelente ou carga de projeção é a fonte de energia química capaz de


arremessar o projétil a frente, imprimindo-lhe grande velocidade. A energia é
produzida pelos gases resultantes da queima do propelente, que possuem volume
muito maior que o sólido original. Esses gases ocupam um volume muito maior do
que o ocupado pelos grãos de pólvora (até 20.000 vezes maior). Este aumento de
volume por sua vez, faz com que a pressão suba muito rapidamente, até um limite
determinado. Este aumento de pressão é suportado pelo conjunto
cartucho/câmara/ferrolho. Segundo o Princípio de Pascal, que diz que a pressão
exercida sobre um fluido em equilíbrio se propaga em todas as direções inclusive
sobre as paredes do recipiente que o contém (neste caso o estojo); o projétil, sendo
o componente menos resistente do Cartucho, é empurrado para frente pelos gases
que se expandem no interior do estojo à grande velocidade. Atualmente, o
propelente usado nos cartuchos de armas de defesa é a pólvora química ou pólvora
sem fumaça. Desenvolvida no final do século passado, substituiu com grande
eficiência a pólvora negra, que hoje é usada apenas em velhas armas de caça e
27

réplicas para tiro esportivo. A pólvora química produz pouca fumaça e muito menos
resíduos que a pólvora negra, além de ser capaz de gerar muito mais pressão, com
pequenas quantidades.
Dois tipos de pólvoras sem fumaça são utilizadas atualmente em armas
de defesa:
Pólvora de base simples: fabricada a base de nitrocelulose, gera
menos calor durante a queima, aumentando a durabilidade da arma; e
Pólvora de base dupla: fabricada com nitrocelulose e nitroglicerina, tem
maior conteúdo energético.

D) Projétil:

Projétil é qualquer sólido que pode ser ou foi arremessado, lançado. No


universo das armas de defesa, o projétil é a parte do cartucho que será lançada
através do cano. Projétil de chumbo, como o nome indica, são projéteis construídos
exclusivamente com ligas desse metal. Podem ser encontrados diversos tipos de
projéteis, destinados aos mais diversos usos, os quais podemos classificar de
acordo com o tipo de ponta e tipo de base.
Existem também projéteis “encamisados” que são revestidos por uma
liga de cobre-níquel com a finalidade de aumentar a sua dureza. Esta camisa é
conhecida por camisa de tombac. São projéteis constituídos por um núcleo
recoberto por uma capa externa chamada camisa ou jaqueta. A camisa é
normalmente fabricada com ligas metálicas como: cobre e níquel; cobre, níquel e
zinco; cobre e zinco; cobre, zinco e estanho ou aço. O núcleo é constituído
geralmente de chumbo praticamente puro, conferindo o peso necessário e um bom
desempenho balístico.

Os projéteis encamisados podem ter sua capa externa aberta na base


e fechada na ponta (projéteis sólidos) ou fechada na base e aberta na ponta
28

(projéteis expansivos). Os projéteis sólidos têm destinação militar, para defesa


pessoal ou para competições esportivas. Destaca-se sua maior capacidade de
penetração e alcance.
Os projéteis expansivos destinam-se à defesa pessoal, pois ao atingir
um alvo humano é capaz de amassar-se e aumentar seu diâmetro, obtendo maior
capacidade lesiva. Esse tipo de projétil teve seu uso proibido para fins militares pela
Convenção de Genebra.
Os projéteis expansivos podem ser classificados em totalmente
encamisados, (a camisa recobre todo o corpo do projétil); e semi-encamisados, a
camisa recobre parcialmente o corpo, deixando sua parte posterior exposta. Os tipos
de pontas e tipos de bases são representados nas figuras abaixo.

Projéteis expansivos tipo ponta oca


29

E) Bucha:

É um componente geralmente utilizado em cartuchos


para armas de alma lisa (cartuchos metálicos de armas longas ou
curtas não as utilizam). Estes cartuchos normalmente utilizam
como projéteis múltiplas esferas de chumbo; podem, entretanto,
utilizar um único projétil conhecido como “balote”. As funções da
bucha são:
- servir de separação entre os projéteis (ou projétil) e o propelente;
- comprimir a pólvora;
- e melhorar, em termos balísticos, os grupamentos obtidos pelos “bagos” de
chumbo.
As buchas podem ser confeccionadas em papelão, feltro, cortiça, couro
e modernamente com plástico. As buchas plásticas têm forma de copo. Dentro delas
é depositado o chumbo que sai do cano da arma sem trocar as paredes internas do
mesmo. Ao sair do cano, a bucha é freada pela resistência do ar e o chumbo
percorre a trajetória até atingir o alvo. A utilização deste tipo de componente gera um
ganho de energia e velocidade da origem de 20% em relação aos cartuchos que
utilizam os tipos
convencionais de buchas
(confeccionadas em resina
prensada). Já existem, à
disposição no Brasil,
munições cal. 12 que
utilizam buchas plásticas.
São comercializadas pela
CBC com o nome de
“cartucho SG” e
“cartucho com Balote”.
30

A figura ao lado mostra as


principais partes de um estojo.
31

A Guarda de Munições:

Como vimos anteriormente, existem 04 (quatro) componentes básicos


na munição: estojo, espoleta, pólvora e projétil. Qualquer um deles pode apresentar
defeitos de fabricação. Dos 04 (quatro) componentes 02 (dois) são mais sujeitos a
falhas; a espoleta e a pólvora.
Os causadores mais comuns de falhas em cartuchos são a
contaminação química e a recarga mal feita.
No Brasil , como a recarga não é comum para o trabalho policial, resta
o segundo fator. Contaminação química de uma munição é a sua desnecessária
exposição a corantes, solventes, lubrificantes, gases e as intempéries do tempo,
principalmente a umidade.

CUIDADOS A SEREM OBSERVADOS COM A MUNIÇÃO:

A lubrificação de uma arma deve prever cuidados com o uso dos


lubrificantes, de modo que eles nunca se depositem em excesso, escorrendo para a
munição, existindo a possibilidade de se infiltrarem em espoletas e cargas de
pólvora.
O tanino, utilizado no tingimento e curtição de couros, tem a
propriedade de, em contato com o latão dos estojos, corroê-los rapidamente, essa
corrosão enfraquece as paredes do estojo;
A munição enferrujada ou atingida por algum tipo de contaminação
pode transferir essa corrosão para as outras.
Genericamente devem ser evitadas embalagens de madeiras, papelão
grosso ou qualquer outro material que tenha propriedades higroscópicas (de
absorção de umidade).
O ideal é usar embalagens de papelão fino, metal, plástico ou isopor.
As munições nunca deverão ser colocadas próximas a produtos químicos. Também
não deverão ser expostas diretamente à luz do sol por longos períodos.
32

O local onde as munições serão guardadas deverá ser seco, fresco,


ventilado ao extremo, sem muita incidência de luz solar e individualizado quanto à
guarda de qualquer tipo de produto químico, ou pelo menos bem distante;
A constante vibração, os chacoalhos e os tremores de uma viatura
podem dilatar levemente as buchas de cartuchos Cal.12, fazendo com que os grãos
de pólvora passem entre elas e as paredes do cartucho, podendo causar explosões
perigosíssimas. Contudo este problema é bem menor em munições que utilizam
buchas plásticas.
33

6. NOÇÕES DE BALÍSTICA

Conceito de Balística

Balística é a ciência que


estuda o movimento dos projéteis,
particularmente os disparados por
armas de fogo, seu comportamento no
interior destas e também no seu
exterior, como a trajetória, impacto,
marcas, explosão, etc., utilizando-se de
técnicas próprias e conhecimentos de
física e química, além de servir a outras
ciências.

Divisão da Balística:

A) INTERNA: Entende-se por Balística Interna a secção da Balística


que estuda os fenômenos que ocorrem dentro do cano de uma arma de fogo
durante o seu disparo. Mais especificamente estuda as variações de pressão dentro
do cano, as acelerações sofridas pelos projéteis, a vibração do cano, entre outras
coisas.

B) EXTERNA: A Balística Externa é o estudo das forças que atuam nos


projéteis e correspondentes movimentos destes durante a sua travessia da
atmosfera, desde que ficaram livres das influências dos gases do propelente, até aos
presumíveis choques com os seus alvos.

C) TERMINAL, FINAL OU DOS EFEITOS: estuda a atuação do projétil


sobre o alvo.
34

A Mecânica do disparo

As armas de fogo utilizam a pressão resultante da queima do


propelente contida no cartucho para lançar os projéteis à distância.
Inicialmente o cartucho encontra-se em repouso no interior da câmara.
Com o acionamento do gatilho, terá início o processo que culminará com a saída do
projétil do interior do cano da arma. Observe figura abaixo.

O percussor golpeia a espoleta que, violentamente comprimida,


provoca uma labareda. Esta labareda passa através do evento (ou eventos)
incendiando o propelente. Observe figura abaixo.
35

A pressão dos gases resultantes da queima do propelente aumenta


gradualmente, se propagando em todas as direções, até um determinado limite pré-
calculado. . Observe figura abaixo.

Os gases que se produzem durante a combustão do propelente


expandem-se, fazendo o estojo aderir à câmara. Nesse momento são vencidos o
fechamento do estojo (crimp) e a inércia do projétil, forçando-o a se liberar do estojo.
Começa então o movimento do projétil para a frente.
36

Os gases da queima continuam a empurrar o projétil para frente a este


passa a adquirir um movimento de giro sobre si próprio, devido às estrias helicoidais
da alma do cano. Este movimento de giro proporciona estabilidade na trajetória do
projétil. Esta estabilidade é chamada de Estabilidade Giroscópica. Observe figura
abaixo.

Ao deixar o cano da arma o projétil está animado de uma velocidade


(v) e de uma velocidade de giro (w). No entanto, ele sofre uma forte oposição da
Força de Resistência do Ar além do seu próprio peso que o atrai para baixo. Estas
duas forças (peso e resistência do ar) fazem com que o projétil perca energia
rapidamente. Ao deixar o cano da arma o atirado experimenta um retrocesso ou
recuo que nada mais é do que a conseqüência da Lei de Ação e Reação.

Velocidade Inicial:

Pra efeito de estudo, consideramos velocidade inicial (V), a velocidade


linear, com que o projétil deixa o estojo após o disparo, tendo se deslocado pelo
interior do cano da arma.

Forçamento nas Raias:

O projétil, impulsionado pelos gases, uma vez que possui um calibre


efetivo maior do que o calibre real do cano da arma, será forçado contra os cheios
37

do raiamento, adquirindo assim, a rotação necessária à sua estabilização na


trajetória. Tal forçamento produzirá um atrito capaz de causar a transferência de
energia do projétil para o cano da arma, transformando energia cinética em térmica,
o que resultará na diminuição de velocidade do projétil, e, conseqüentemente, da
sua energia, uma vez que a massa do projétil continuará praticamente a mesma.

Fatores Que Atuam na Trajetória de um Projétil:

Logo que o projétil se encontra fora do cano, passa a sofrer a ação de


uma série de fatores:

01 - A força dos gases que conferiram uma aceleração, fazem com que, ao
cessar esta força, o projétil alcance uma determinada velocidade;

02 - Estabilidade Giroscópica; pelo forçamento do projétil nas raias do cano o


projétil ganha uma velocidade de giro, ou angular (W), passando a realizar um
movimento circular sobre o seu próprio eixo.

03- Reação ou resistência das capas de ar atmosférico. Esta força exerce


uma ação extremamente intensa. Por exemplo, um projétil da munição 30-60 mm
alcança no vácuo 69km; enquanto que na atmosfera ele atinge “apenas“
aproximadamente 4km.

04- Peso do próprio projétil, que pela ação da gravidade, puxa o projétil para o
solo. Isto faz com que a trajetória de qualquer projétil seja um segmento de parábola.
Entretanto, por este segmento ser muito curto (denomina-se a esta característica
tensão da trajetória) o deslocamento de projéteis de arma de arma curta se passa
como se fosse um movimento retilíneo.
38

Poder de Parada ou Stopping Power:

Conceito: “STOPPING POWER” é uma forma abstrata de indicar a capacidade


de um projétil em parar ou neutralizar um atacante, em seu curso de ataque,
pondo-o fora de combate, não sendo intencional a sua morte, mas apenas a
sua momentânea incapacitação.

A eficiência balística de determinados calibres, comparativamente a


outros é objeto de estudo por parte de Órgãos Policiais Militares há muitos anos.
Esta questão começou a ser analisada com uma maior profundidade a partir de
1889 pelo exército americano. Na época, os E.U.A estavam envolvidos num conflito
em uma região da Ásia quando ficou evidenciado que os projéteis .38 Long Colt,
utilizados nas munições de armas curtas do Exército americano, não eram eficientes
contra os nativos da região, pois estes, mesmo atingidos por dois ou três disparos,
continuavam o seu c urso de ataque, tendo êxito dos combates à curta distância.
Passou-se então a produzir calibres com projéteis mais pesados. O
resultado foi a criação do calibre, juntamente com a arma, .45 ACP(Automatic Colt
Pistol) que foi usado nas pistolas semi-automáticas Colt 1911. Posteriormente,
chegou-se à conclusão de que aumentando-se a velocidade do projétil obtinha-se
uma eficiência balística melhor do que se, simplesmente, a massa do projétil fosse
aumentada. Esta conclusão foi reforçada pelo trabalho de um sargento americano,
chamado Evan P. Marshall. Marshall passou aproximadamente 15 anos
pesquisando casos em que houve a incapacidade de um atacante ou vitima com
apenas um tiro na região do tórax até que, em 1992, publicou o resultado das suas
39

pesquisas. Ele determinou incapacitação da seguinte maneira: “se a vitima quando


atingida entra em colapso antes de fazer algum disparo ou expressar uma reação de
ataque ou fuga; se a vitima quando atingida não se deslocar mais que 3 metros
antes de entrar em colapso.”. O Ex-policial também chegou à conclusão de que
determinadas pessoas resistem a ferimentos melhor que outras; mas, de maneira
geral, as suas conclusões mais importantes para uma utilização prática são as
seguintes:
Projéteis leves, de alta velocidade e com pontas expansivas são bem mais
eficientes do que os pesados e totalmente encamisados (FMJ) ou de chumbo ogival;
o calibre .38 SPL só tem relativa eficácia quando empregado em sua versão +P,
com projéteis de 158 “greains” e em armas com canos de 4”. Com este binômio
obteve-se um percentual de 72% de eficácia. Esta conclusão reforça a
necessidade do uso de revólveres com canos de 4” para trabalho policial;
O “campeão” de eficiência, segundo Marshall, é o calibre .357 Magnum com projétil
Hydra Shock da federal, que obteve 96% de eficiência.
O calibre 9 mm Parabellum ficou em terceiro lugar, na sua versão +P+ com ponta
expansiva, obtendo 89% de eficiência.
Não existem calibres 100% eficientes, mas é indispensável o
treinamento para a realização de tiros precisos, pois de nada adianta a
potência da munição sem a precisão do disparo.
O calibre .380 ACP só relativamente eficiente quando empregado em
sua versão +P com pontas expansivas. Sem esta configuração a eficiência deste
calibre não passa de 60% (teoricamente).
O tema “Stopping Power” não se esgota ao longo dos anos, sobretudo
pelo surgimento de novos calibres e armas. Na época em que Evan Marshall
publicou o sue trabalho não se dispunha de dados sobre os calibres modernos como
o 10 mm ou .40 S&W, hoje, no entanto, sabe-se que o calibre .40S&W é um dos
melhores calibres para armas curtas, se adaptando bem, tanto ao trabalho policial
quanto à defesa pessoal. Ainda devem surgir outros estudos importantes sobre o
assunto, mas as conclusões feitas até agora perdurarão como válidas por um bom
tempo ainda.
40

7. CLASSIFICAÇÃO E MANEJO DE ARMAMENTO

Regras de Segurança

 Nunca, em qualquer hipótese, aponte uma arma, carregada ou não, para


qualquer pessoa exceto se for atirar;

 Trate sua arma como se ela estivesse sempre carregada;

Mantenha sempre o dedo fora do gatilho exceto na hora do disparo;

Conheça bem o funcionamento de sua arma;

 Guarde sua arma e munições em local seguro evitando o acesso de outras


pessoas não habilitadas;

 Manuseie sua arma sempre com o cano voltado para um local seguro;

Ao dar ou receber uma arma, faça-o com ela aberta (ferrolho aberto e sem
carregador);

 Use somente munições indicadas para o tipo de arma que possui evitando
munições velhas e com alteração no estojo ou projetil;

 Jamais transporte ou coldreie sua arma com o cão armado;

 As travas de segurança de uma arma são apenas dispositivos mecânicos e não


um substituto do bom senso;

 A arma deve ser transportada, sempre que possível, em um coldre;


41

 Não tente fazer modificações em sua arma para ela receber calibres maiores pois
a mesma não foi projetada para isso;

 Mantenha sua arma sempre limpa;

 Verifique se não há obstrução do cano de sua arma antes de carregá-la;

 Nunca pergunta se a arma que você recebeu esta carregada, verifique


pessoalmente.

Preparando-se Para Atirar – Uso de EPI:

ATENÇÃO: Toda e qualquer etapa do manuseio, com todas as armas aqui


apresentadas, deve ser feita em local seguro que não exponha outros a riscos.

Sempre que for efetuar qualquer


tipo de treinamento de tiro com sua arma de
fogo, seja ela qual for, tenha sempre alguns
cuidados. Use sempre óculos de proteção e
protetores auriculares. Da mesma forma, evite
que pessoas ao seu redor permaneçam sem
esses Equipamentos de Proteção Individual
(EPI). Sem proteção auricular, uma repetitiva exposição ao barulho do tiro talvez
cause uma permanente e cumulativa perda de audição. Olhos desprotegidos podem
causar lesões por causa da pólvora, gás, resíduos de carbono, lubrificantes,
partículas de metal ou fragmentos similares que talvez desprendam-se
ocasionalmente de qualquer arma de fogo em uso normal. Em se tratando de armas
automáticas ou semi-automáticas, cartuchos vazios são ejetados automaticamente
42

com considerável velocidade e podem causar lesões em pessoas que estiverem


próximas. Por fim, e não menos importante, o ferrolho das armas de fogo move-se
durante o disparo, por esse motivo, evite colocar o rosto próximo à pistola. NÃO
ESQUEÇA DE SEMPRE USAR O COLETE BALÍSTICO MESMO EM
TREINAMENTO.

Revólver Calibre .38" Taurus

a) Características:

01) Calibre: 38"

02) Peso desmuniciado: 0,950 Kg (cano


de 4 pol.)

3) Peso municiado: 1,010 Kg (cano de 4 pol.)

4) Comprimento total: 0,235 m(cano de 4 pol.)

5) Número de raias: 06 (esquerda p/ direita)

6) Número de câmaras no tambor: 05, 06, 07 ou 08

7) Alcance útil: 50 m

b) Classificação:

1) Quanto a tipo: de porte


2) Quanto ao emprego: individual
3) Quanto ao funcionamento: de repetição
4)Quanto ao principio de funcionamento: ação muscular do atirador
43

5) Quanto a refrigeração: a ar
6) Quanto ao raiamento: alma raiada (06 da esquerda p/ direita)
7) Quanto a alimentação: manual
8) Quanto ao sentido da alimentação: da esquerda p/ direita.

c) Manejo: Consiste basicamente em cinco etapas:

1) Municiar o tambor;
2) Alimentar e carregar a arma;
3) Disparar;
4) Abrir a arma;
5) Extrair os estojos.

1) Municiar o tambor: Consiste em introduzir as munições nas câmaras, conforme a


foto abaixo.
44

2) Alimentar e carregar a arma:


Consiste em fechar a arma girando o tambor para a direita (ver foto)

3) Disparar a arma:
Sem muitas novidades, é o ato de trazer (puxar) o gatilho a retaguarda.

4) Abrir a arma:
Consiste em pressionar o botão serrilhado do tambor com o polegar da
mão esquerda e empurrar o tambor com os dedos da mão direita para a esquerda
(destro) (ver foto)
45

5) Extrair os estojos:
Pressionando-se a vareta do extrator com o polegar da mão esquerda,
este (extrator) retira os estojos das câmaras do tambor (ver foto)

Pistola Taurus - PT 100, Calibre .40 SW:

Características do Amamento:

Quanto ao tipo De porte


Quanto ao emprego Individual
Quanto a alma do cano Raiada
Quanto ao sistema de carregamento Retrocarga
Quanto à refrigeração A ar
Quanto à alimentação Carregador tipo cofre
Quanto ao sentido da alimentação De baixo para cima
Quanto ao funcionamento Semi-automática
Quanto ao princípio de Ação direta dos gases
funcionamento
46

Pistola PT 100:

Apresentação da Pistola PT 100:


47

Municiamento da Pistola PT 100:

O municiamento da pistola deve possui as seguintes etapas:


01- Aponte o cano da arma para local seguro.
02- Pressione o Botão do
Retém do Carregador,
localizado próximo ao
guardamato e retire o
carregador.
03- Coloque os cartuchos no
carregador (municiar).
Para isso, segure o mesmo com uma das mãos e com a outra
introduza os cartuchos pressionando-os para baixo e para trás.
04- Recoloque o carregador na arma (alimentar), assegurando-se que
ele fique preso pelo retém. Carregadores mal colocados podem cair
no momento em que você menos espera.
05- Segure a pistola
firmemente com a
mão que você usa
para atirar,
lembrando-se de
manter o dedo
fora do gatilho.
Com a outra mão puxe o ferrolho para trás até o batente e solte-o
bruscamente. Com Isso o ferrolho posiciona uma munição na
câmara do cano (carregar).
06- A pistola está agora
engatilhada e municiada, pronta
para atirar. Para desengatilhá-la
pressione o desarmador do cão.
48

07- Após o último tiro, o ferrolho fica recuado e imobilizado pela ação
do retém do ferrolho. Para retorná-lo à posição normal, pressione
para baixo o retém do ferrolho.

Desmuniciamento da Pistola PT 100:

O desmuniciamento da Pistola PT 100 possui as seguintes etapas:

01- Aponte o cano da


arma para local
seguro.
02- Pressione o
desarmador para baixo
fazendo com que o cão
desengatilhe
automaticamente, voltando a sua posição de descanso, caso esteja
engatilhado.
03- Retire o carregador.
04- Puxe o ferrolho para trás certificando-se de que o cartucho que
estava na câmara foi devidamente removido. Este procedimento
engatilhará novamente o cão.
05- Acione novamente o desarmador, causando o desengatilhamento
da arma.
49

06- Após desmuniciar sua arma, faça sempre o exame visual da


câmara. Pronto: sua arma está desengatilhada e desmuniciada.

Desmontagem e Montagem da PT 100:

A desmontagem da Pistola PT 100 possui as seguintes etapas:


01 - Retire o carregador pressionando retém do carregador que está
próximo ao guardamato.

02 - Puxe o ferrolho até o final do curso para certificar-se de que não há


munição na câmara.

03 -Pressione o retém da alavanca de desmontagem e gire a alavanca.


50

04 - Deslize o conjunto cano-ferrolho para frente até liberá-lo da


armação.

05 - Comprima a guia da mola recuperadora levantando o conjunto e


retirando-o cuidadosamente.

06 - Retirar o conjunto do cano do ferrolho.

ATENÇÃO: A montagem da Pistola PT 100 deve ser feita no sentido inverso da


desmontagem.
51

ATENÇÃO: o impulsor da trava do percussor deve estar abaixado no momento


da montagem do ferrolho na armação, conforme figura abaixo.

Pistola Taurus - PT 24/7, Calibre .40 SW:

Características do Amamento:

Quanto ao tipo De porte


Quanto ao emprego Individual
Quanto a alma do cano Raiada
Quanto ao sistema de carregamento Retrocarga
Quanto à refrigeração A ar
Quanto à alimentação Carregador tipo cofre
Quanto ao sentido da alimentação De baixo para cima
Quanto ao funcionamento Semi-automática
Quanto ao princípio de Ação direta dos gases
funcionamento
52

Especificações Técnicas da Pistola PT 24/7:

Apresentação da Pistola PT 24/7:


53

Municiamento e Funcionamento da Pistola PT 24/7:

O municiamento da pistola deve possui as seguintes etapas:


01 - Para remover o carregador, pressione
o botão do retém do carregador localizado
próximo ao guardamato com o seu polegar.

02 - Segure o carregador com uma das


mãos e com a outra insira os cartuchos um
de cada vez, pressionando-os para baixo e
para trás. Insira o carregador na pistola até
que fique preso pelo retém do carregador.
Carregador mal colocado pode cair no
momento em que você atirar.
03 - Segure a pistola com uma mão
mantendo seu dedo longe do gatilho.
Com a outra mão puxe o ferrolho até seu
limite e solte-o bruscamente, assim o
ferrolho irá para frente, sob a pressão da
mola recuperadora, e inserirá um cartucho na câmara.
04 - A pistola agora está pré-armada e
pronta para disparar Sistema de Ação
Simples. O percussor está pré-armado
pela ação da armadilha e sua mola
comprimida. Neste instante o gatilho está
totalmente á frente. Quando o gatilho é
acionado, o tirante do gatilho movimenta-se para trás acionado a
armadilha fazendo-a liberar o percussor, que é lançado a frente pela
ação de sua mola ferindo a espoleta e deflagrando a munição. Após o
disparo o ferrolho recuará pela ação dos gases e ejetará o estojo vazio,
54

alimentado um outro cartucho na câmara.


A pistola está novamente pronta para
disparar e com o percussor pré-armado no
Sistema Ação Simples. Para disparos
sucessivos, basta liberar o gatilho à frente
até sentir ou ouvir um "click", e então puxá-
lo totalmente para trás. Em caso de falha de munição onde não ocorra
o disparo, esta arma está provida de um mecanismo que
automaticamente passa o sistema para o Sistema de Ação Dupla
(DAO), permitindo disparar sem necessidade de ciclagem do ferrolho.
Após o último disparo, o ferrolho permanecerá na posição aberta
mantido pelo retém do ferrolho. Objetivando seu retorno para a posição
de descanso, pressione o retém do ferrolho para baixo.
05 - Caso você não queira atirar, ou mesmo
queira parar antes de disparar o último cartucho
de um carregador, empurre o registro de
segurança para cima.

Desmuniciamento da Pistola PT 24/7:

O desmuniciamento da Pistola PT 24/7 é igual ao empreendido pela Pistola


PT 940: (ver armamento anterior)
55

Desmontagem e Montagem da PT 24/7:

A desmontagem da Pistola PT 24/7 possui as seguintes etapas:


01 - Retire o carregador pressionando o
botão do retém do carregador.

02 – Puxe o ferrolho até o final do curso


para certifica-se de que não há munição
na câmara e empurre a tecla do retém
do ferrolho para cima. Lembre-se de
deixar sempre o dedo fora do gatilho.

03 - Com o polegar esquerdo, gire a


alavanca de desmontagem do ferrolho
no sentido horário, até que pare. A
alavanca de desmontagem nessa etapa
fica perpendicular em relação ao
ferrolho.
04 - Com a mão esquerda, puxe a
alavanca de desmontagem para fora da
armação. Como maneira alternativa,
libere o ferrolho acionando o retém do
ferrolho e puxe o ferrolho para trás.
Este movimento liberará a alavanca de
desmontagem.
56

05 - Cuidadosamente, pressione para


baixo o retém do ferrolho e deslize o
ferrolho para frente, sobre controle.
Puxe o gatilho, mantendo-o acionado.
Empurre o ferrolho um pouco para
frente até ouvir um click, solte o gatilho
e empurre o ferrolho totalmente para frente até sair da armação.
06 - Retire o conjunto mola recuperadora
de sua posição na parte inferior do cano.

07 - Remova o cano do ferrolho


puxando-o para frente e para cima.

A montagem da Pistola PT 24/7 possui as seguintes etapas:


01 - Encaixe o cano no ferrolho
empurrando-o para trás. Insira a
extremidade do conjunto mola
recuperadora no alojamento do ferrolho,
comprimindo a mola levemente para
colocá-la na posição. O ferrolho deve ser
montado na armação e totalmente empurrado para trás e o retém do
ferrolho deve ser movimentado para
cima para manter o ferrolho na parte de
trás.
02 - Ao reinstalar a alavanca de
desmontagem, ela é inserida na armação
57

com a tecla apontada para trás (posição horizontal). Insira a


alavanca de desmontagem uma vez que o ferrolho esteja em
posição para alinhar o cano com o orifício, então o empurre
suavemente para dentro. Um clique indicará que a alavanca de
desmontagem está presa no lugar.
03 - O retém do ferrolho pode ser então
pressionado para baixo, o que permite
que o ferrolho deslize para frente.

04 - Você deve clicar o ferrolho diversas


vezes, sem carregador inserido e
nenhum cartucho na câmara, de forma a
garantir que a relação
cano/ferrolho/armação esteja correta.
58

Visão Explodida da Pistola PT 24/7/Lista de Peças:


59
60

Metralhadora Taurus - FAMAE Calibre .40 SW

Características do Armamento:

Quanto ao tipo Portátil


Quanto ao emprego Individual
Quanto a alma do cano Raiada
Quanto ao sistema de carregamento Retrocarga
Quanto a refrigeração A ar
Quanto a alimentação Carregador tipo cofre
Quanto ao sentido da alimentação De baixo para cima
Quanto ao funcionamento Automática
Quanto ao princípio de Ação direta dos gases
funcionamento
61

Especificações Técnicas da Metralhadora FAMAE MT-40:


62

Apresentação da Metralhadora FAMAE MT-40:


63

Municiamento da Metralhadora FAMAE MT-40:

O Municiamento da Metralhadora FAMAE MT-40 possui as seguintes


etapas:

01 - Aponte o cano da arma para local seguro.


02 – Posicione o seletor de na posição “S”.
03 – Coloque os cartuchos no carregador, segurando-o com uma mão e com
a outra introduza os cartuchos pressionando-os para baixa, até o máximo
de trinta cartuchos.
04 – Coloque o carregador no
alojamento na caixa do
mecanismo, assegurando-se que
fique preso pelo retém.
Carregadores mal colocados
podem cair no momento a qualquer
momento, especialmente durante os disparos.
05 – Com o cano apontado para uma posição segura, puxe o ferrolho
fortemente para trás até o final do curso e solte-o bruscamente. Lembre-
se que o dedo deve sempre esta fora do gatilho. Com isso o ferrolho
posicionará um cartucho na câmara e a arma estará pronta para atirar,
bastando apenas posicionar o seletor na modalidade de tiro desejada.

Desmuniciamento da Metralhadora FAMAE MT-40:

O desmuniciamento da Metralhadora FAMAE MT-40 possui as


seguintes etapas:

01 - Aponte o cano da arma para local seguro.


02 – Posicione o seletor de na posição “1”.
64

03 – Retire o carregador pressionando


o retém do carregador localizado
próximo ao guardamato.
04 – Recue o ferrolho através do
preparador ou alavanca de
manejo e certifique-se que não
têm cartucho da câmara.
05 - Pressione o gatilho ou puxe levemente o preparador para trás acionando
o gatilho e voltando-o a posição inicial.

Sua arma está desmuniciada. Faça sempre o exame visual da


câmara.

Desmontagem e Montagem da Metralhadora FAMAE MT - 40

A) Desmontagem:

A desmontagem da Metralhadora FAMAE MT-40 possui as seguintes


etapas:
01 – Posicionar o seletor em segurança “S”.
02 – Recue o ferrolho através do preparador e certifique-se que não tem
cartucho na câmara.
03 - Retire os pinos de união de seu
alojamento. Os pinos de união para serem
removidos é necessário pressiona-los
retirando primeiro o pino posterior e
depois o anterior. Uma vez retirados, a
caixa do mecanismo se desconectará da
caixa da culatra, separando a arma em suas partes.
65

04 - Retire as placas do guarda-mão. Primeiro


retira-se o guarda-mão inferior puxando-o
pra trás e para baixo, logo após, o guarda-
mão superior, deslocando-se para cima.

05 - Retire a pino da haste (ou


guia) da mola recuperadora.
Para isso é necessário
pressionar a haste com o
dedo polegar retirando assim
o pino. Logo em seguida retira-se a haste e a mola recuperadora.
06 - Retire o ferrolho. Para retirar o
ferrolho pressione o retém do
preparador para baixo retirando
assim, o preparador. Em seguida
incline a arma fazendo com que sai
o ferrolho de seu depósito.

B) Montagem

A montagem é feita na ordem inversa da desmontagem conforme a


seguir:
01 - Coloque o ferrolho na caixa da culatra colocando em seguida o
preparador em seu devido alojamento.
02 - Introduza a haste (guia) com a mola recuperadora no ferrolho e pressione
até que o orifício da extremidade oposta ultrapasse o limite da caixa da
culatra suficientemente para a colocação do pino de retenção (fixação).
Certifique-se que o mesmo esteja perfeitamente encaixado na caixa da
culatra. ATENÇÃO: A não observância desse detalhe poderá vir a
causar danos a arma.
66

03 – Coloque o guarda-mão superior e inferior, verificando se não interferiu no


orifício de passagem do pino de união.
04 - Unir as caixas de mecanismo e culatra, posicionando primeiro o pino de
união anterior e depois o pino de união posterior.

ATENÇÃO: Logo após a montagem é aconselhável realizar um teste de


funcionamento. O manuseio deve ser efetuado sem munição, sem carregador e
certificar-se que nas quatros posições do registro de tiro o mecanismo não
apresenta irregularidades.

Visão Explodida da Metralhadora FAMAE MT-40/Lista de Peças:


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Espingarda de Repetição Caibre. 12" CBC:

Características:

1) Calibre: 12"
2) Peso: 3,35 Kg
3) Comprimento: 1055 mm
4) Capacidade do depósito de munição: 7+1
5) Alcance útil: 30 m

Classificação:

1) Quanto a tipo: portátil


2) Quanto ao emprego: individual
3) Quanto ao funcionamento: de repetição
4)Quanto ao principio de funcionamento:
ação muscular do atirador.
5) Quanto ao raiamento: alma lisa
6) Quanto a refrigeração: a ar
7) Quanto a alimentação: manual
8) Quanto ao sentido da alimentação de
baixo para cima ou de trás para frente.

Divisão Geral:

1- Soleira
2- Coronha
3- Receptáculo
4- Ferrolho
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5- Cano
6- Guarda-mato
7- Transportador
8- Telha
9- Tubo do depósito
10- Bujão do depósito

Funcionamento:

1) Abertura:
Estando a arma fechada, ao se pressionar o acionador da trava da corrediça,
libera-se a mesma, possibilitando que a telha seja movimentada à retaguarda;
movendo na mesma direção o conjunto-ferrolho, que baixa o transportador, o
mesmo aciona o localizador direito (que é o retém de munições), deixando o
transportador alinhado com o depósito de munições, onde pela pressão da mola do
êmbolo do depósito de munições, é empurrada a munição sobre o transportador.

2) Fechamento e carregamento:
Estando a arma aberta (com a telha recuada e a munição no transportador )
ao levar a telha á frente, o transportador levanta-se e se alinha ao cano, ao mesmo
tempo que o ferrolho é levado à frente, interceptando a munição pelo culote e
empurrando-a para a câmara, onde ocorre o fechamento, trancamento e
carregamento da arma, deixando-a assim pronta para disparar.

3 ) Travamento:
Estando a arma fechada, trancada e carregada, ao se acionar a tecla do
registro de segurança (trava de segurança), o mecanismo impede que a tecla do
70

gatilho seja posta em ação, pelo bloqueamento da alavanca de disparo; porém, não
impede que a trava da corrediça seja acionada, permitindo que a arma seja aberta,
fechada, trancada e carregada; só não permite o disparo.

4) Disparo:
Estando a arma fechada, trancada, carregada e travada, ao destravá-la, a
mesma encontra-se pronta para disparar, pois a munição encontra-se na câmara,
alinhada ao cano e, pelo simples acionamento da tecla do gatilho, a alavanca de
disparo é liberada, impulsionando o percursor a frente, por intermédio de sua mola,
indo percutir a espoleta.

5) Abertura, extração e ejeção:


Efetuando o tiro, o próprio mecanismo de disparo mantém a trava da
corrediça destravada, permitindo que, sem acioná-la, possa o atirador recuar a telha
à retaguarda, executando a abertura da arma ao mesmo tempo que ocorre a
extração da munição percutida da câmara, através do extrator, localizado no
ferrolho.
Ao recuar totalmente a telha, extraindo o estojo, este vem topar no ejetor, que
apresenta-se saliente quando o ferrolho está totalmente à retaguarda, ejetando-o.
Neste momento, o ferrolho tem baixado o transportador , que captura outra munição
( se existir no depósito de munições), podendo recomeçar todo o processo, caso o
atirador leve a frente a telha, fechando, trancando e carregando a arma.

Manejo:

1) Inspecionar e travar a arma;


2) Alimentar a arma;
3) Carregar a arma;
4) Disparar a arma;
5) Ejetar o cartucho da câmara;
6) Descarregar a arma.
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Deve-se:

01- Apontar a arma para uma direção segura.


02 - Travar a arma.
03 - Empurrar para cima o acionador da trava da corrediça.
04 -Puxar vagarosamente a telha até que a parte da frente do cartucho esteja
rente com a janela de ejeção.
05 - Levantar a frente do cartucho para fora retirando-o pela janela.
06 - Puxar a telha completamente para trás até que o próximo cartucho esteja
fora do depósito.
07 - Inclinar a arma de lado para permitir que o cartucho saia pela janela de
ejeção.
08 - Fechar e abrir o mecanismo até que todos os cartuchos sejam removidos.

Fuzil SA/ Para SA

Classificação do Fuzil AS/ Para SA:

1) Quanto a tipo: portátil


2) Quanto ao emprego: individual
3) Quanto ao funcionamento: automático ou semi-automático
4)Quanto ao principio de funcionamento: ação dos gases no ferrolho
5) Quanto ao raiamento: alma raiada
6) Quanto a refrigeração: a ar
7) Quanto a alimentação: com carregador
8) Quanto ao sentido da alimentação.: de baixo para cima
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Manejo do Fuzil SA/ Para SA:

1) Municiar o carregador.
2) Alimentar a arma.
3) Carregar a arma.
4) Travar a arma.
5) Destravar a arma.
6) Disparar a arma.
7) Retirar o carregador.
8) Descarregar a arma.
9) Rebater a coronha do Para SA.

Municiando Carregador do Fuzil SA/ Para SA:

Consiste em introduzir os cartuchos no


carregador. Os cartuchos deverão ser pressionados
diretamente sobre a mesa de apresentação do
carregador. Os cartuchos deverão ser colocados com
os projéteis voltados para o pequeno entalhe que
prende o carregador a arma.
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Alimentando o Fuzil SA/ Para SA:

Consiste me introduzir o carregador


municiado na arma prendendo-o pelo seu retém.
Observe na foto ao lado a forma correta de
colocação.

Carregando o Fuzil SA/ Para AS:

Consiste em introduzir a munição na


câmara puxando-se a alavanca de manejo
completamente a retaguarda e soltando-a. A alavanca
de manejo deve ser solta bruscamente não conduzida à
frente. O carregamento inadequado pode não fechar
completamente o ferrolho.

Travamento do Fuzil SA/ Para SA:

Consiste tão somente em girar o registro


de tiro de segurança para a posição "S".
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Destravamento do Fuzil SA/ Para SA:

Consiste em girar o registro de tiro e


segurança para a posição “F".

Disparando o do Fuzil SA/ Para SA:

Consiste apenas em acionar, trazendo


para trás a tecla do gatilho.

Retirando o Carregador do Fuzil SA/ Para SA:

Aperta-se o retém do carregador liberando-o.

Descarregando o do Fuzil SA/ Para SA:

Como primeira e necessária providência, retiramos o carregador e


em seguida procedemos como se quiséssemos carregar a arma; o cartucho será
automaticamente extraído da câmara e ejetado; a arma estará descarregada.
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Rebater a Coronha do Fuzil Para SA:

Devemos adotar três


procedimentos:
a) Acionar o retém da coronha
existente em baixo de sua parte
anterior;
b) Pressionar a coronha para
baixo, com uma considerável força,
fazendo com que ela desprenda-se
do seu encaixe;
c) Dobrá-la para a direita.
76

8. FUNDAMENTOS E TÉCNICAS DE TIRO COM ARMA DE FOGO

Os fundamentos do tiro podem ser divididos em seis partes, que são:


posição do atirador, empunhadura, visada, respiração, puxada do gatilho e
condicionamento mental. Falaremos um pouco sobre cada um desses
fundamentos, dentre outras coisas, nas linhas que se seguem.

Posição do Atirador:

O atirador poderá tomar


diferentes posições para efetuar o tiro; a
mesma definida pela situação que se
apresentar no momento, pois no caso
de uma troca de trios, quanto mais
estiver reduzida silhueta do atirador,
mais ele estará seguro, livre de
impactos de projéteis; então por que tomar a posição em pé quando a de joelhos
seria a mais apropriada para a ocasião?. O posicionamento correto do corpo
representa 5% de um tiro perfeito. As posições são basicamente cinco; a seguir
explicaremos cada uma delas, bem como o que muda nos diferentes armamentos,
sejam eles de porte ou portáteis:
77

Posição Isóceles:

Posição assumida pelo atirador no qual o corpo


fica um tanto curvado e de frente para o alvo. As pernas ficam
um pouco dobradas com os pés paralelos e ambos os braços
esticados para frente, formando assim, um triângulo cuja base
seriam os ombros. Uma das mãos empunha e efetua o
disparo e a outra apenas apóia.

Posição Weaver e Weaver Modificada:

A posição Weaver permite que se efetue disparos


com muita rapidez e precisão. Nela o pé esquerdo fica posicionado
à frente do direito uns 20 a 30 cm, fazendo com que seu corpo
naturalmente assuma uma posição lateral em relação ao alvo,
ficando seu ombro esquerdo ligeiramente à frentedodireito. A arma
é segurada com direita e apoiada com a esquerda, que faz uma
leve pressão para trás ao mesmo tempo em que a direita faz uma
força contrária, dando estabilidade. O corpo é mantido reto e os
braços levemente dobrados. Ray Chapman, campeão de tiro
prático, modificou ligeiramente a posição Weaver original, mantendo o braço direito
totalmente esticado e o esquerdo dobrado.

Empunhadura

Ao se empunhar qualquer tipo de


armamento, deve-se fazer da forma mais firme
possível, no entanto não se deve utilizar uma
força desnecessária ao envolver o armamento nas mãos. Em armas de porte,
78

apenas os dedos polegar e médio da mão forte seguram o armamento, os demais


são depositados sobre ele sem exercer qualquer tipo de pressão (o anular e o
mínimo na coronha e o indicador distendido ao logo do guarda-mato), pois isto
causaria um pequeno tremor em toda arma, bem como deslocamento da arma para
baixo ou para cima indevidamente. Para um tiro preciso é necessário completar a
correta empunhadura com a colocação do dedo indicador no gatilho. Acredita-se que
a correta colocação do dedo no gatilho represente 50 % de um tiro preciso.

A falange distal, antigamente


denominada falangeta, do dedo indicador e, no
máximo, a distância até a falange medial, é a porção
que deve ser colocada sobre o gatilho para acioná-lo

A empunhadura deverá ser


empreendida com ambas as mãos (empunhadura
dupla). Nela a mão fraca servirá de apoio à mão
forte. O atirador deverá utilizar-se de forças
contrárias a fim de estabilizar as arma deixando-a
o máximo possível parada. Para tanto deverá força
a o braço da mão forte para frente ao mesmo tempo em que, com a fraca, trará
conjunto para trás. Desta forma o braço da mão forte ficará totalmente retesado,
distendido à frente, enquanto que o da mão fraca ligeiramente flexionado, atuando
como uma alavanca. Acredita-se que uma boa empunhadura
representa 20% de um tiro perfeito.
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Aparelho de Pontaria:

Todos os armamentos que nos


possibilitam realizarmos uma visada, o que
alguns chamam de realizar pontaria, são
compostos de duas peças básicas: a alça de
mira e a massa de mira. O conjunto
composto da alça/massa de mira é
denominado de aparelho de pontaria.
Basicamente o aparelho de pontaria é o
mesmo em todos os armamentos, diferindo um
pouco nos diversos modelos das armas e
fabricantes.

Visada

A visada é um dos fundamentos mais importantes na execução do tiro.


É onde procuramos atingir nosso alvo com o máximo de precisão, exercendo cerca
de 15% de um tiro preciso. Consta de duas fases: a realização da Linha de Mira; e
a realização da Linha de Visada.
80

Linha de Mira – É a distância, partindo-se do olho do


atirador, compreendida entre a alça de mira e a
massa de mira. Para uma perfeita visada a massa
deverá estar no centro do entalhe da alça e na
mesma altura.

Linha de Visada – É o prolongamento da linha de


mira ao alvo

Fotografia:

Ao se realizar a
visada entre a alça, massa e
alvo, forma-se uma figura que
chamamos de fotografia,
sendo uma imagem com três
pontos posicionados em
Foco de Visão na Massa de Mira
diferentes distâncias. Contudo a
visão humana, ocasião na qual estaremos usando olho diretor, não permite a
focalização nítida e simultânea de objetos posicionados em diferentes distancias.
81

Assim sendo, deve o atirador concentrar seu foco de visão na massa, ficando a alça
e o alvo embaçados.

Olho Diretor:

A tomada da linha de mira deverá


ser vista apenas por um dos olhos. Podemos
atirar com os dois olhos abertos, o que seria ideal,
porém apenas um dos nossos olhos é que dirigirá
a pontaria. O olho que dirige a pontaria é
chamado de olho diretor. Para determinação do
olho diretor basta um simples exercício: forme um
círculo semelhante ao “OK” norte-americano com a com a mão que normalmente
você empunha uma arma; em seguida procure focar um ponto de referência olhando
através do orifício criado por sua mão; abra e feche um olho de cada vez e perceba
qual deles você possui maior predominância (melhor acuidade visual), este é o olhor
diretor.
Normalmente, para quem é destro, a vista direita é o olho diretor e,
para quem é sinistro ou canhoto, o olho será o esquerdo. Porém, por características
82

visuais de cada indivíduo, poderá haver uma troca. No caso de armas curtas, não
haverá tanto problema a ser resolvido. Os dois olhos totalmente abertos permitem
que a musculatura facial fique completamente relaxada, evitando que ao se fechar
um dos olhos mantendo o outro aberto, dependendo do atirador, logo ele estará com
a pálpebra do olho diretor tentando fechar-se ou a do outro tentando abrir-se,
provocando tremores faciais.

Respiração:

A respiração é uma combinação de processos que determinam a


condição geral física do atirador. Nela observamos uma expansão e uma diminuição
do volume do tórax. Evidentemente isso causa uma certa movimentação de ombros
e, conseqüentemente da arma. O diafragma é o principal
músculo responsável pela inspiração e expiração, entrada
e saída de ar dos pulmões, que provoca uma certa
oscilação do tronco podendo interferir no disparo. Todas
as vezes que você constatar que o ritmo do coração esta
mais acelerado que o normal (principalmente quando
ele for transmitido ao braço e á arma) ou quando sentir
diminuições da acuidade visual, faça exercícios
respiratórios moderados, até que seja sanado o inconveniente notado.

Puxada do Gatilho:

O gatilho deverá ser acionado lenta e progressivamente de forma ao


atirador ser surpreendido pelo disparo. O atirador deve evitar determinar o momento
da deflagração do cartucho. Caso isso venha a ocorrer, é bem provável que apareça
o fenômeno da gatilhada, no qual existe um considerável desvio no alvo pretendido.
Evidentemente sabemos que numa situação de defesa, numa
ocorrência em que há troca de tiros, logicamente não iremos acionar o gatilho
83

lentamente, progressivamente no entanto para conseguirmos obter bons resultados


numa situação de acionamento rápido do mesmo, é necessário que tenhamos
completo domínio sobre o seu funcionamento, o que só conseguimos com o
constante treinamento.
Um detalhe muito importante relacionado a puxada do gatilho, refere-se
ao posicionamento do dedo no mesmo. Deve-se observar os diferentes
procedimentos para disparos em ação dupla e em ação simples, usando, no último
caso, apenas a ponta do dedo. De maneira semelhante, se deve ter cuidado de ao
colocar o dedo no gatilho, sempre deixar um espaço mínimo (luz) entre ele e a
armação da arma, lateral – esta será movida em conjunto, ocasionando desvio do
cano e, em conseqüência, do ponto de impacto do projétil (observar figura). Acredita-
se que o acionamento do gatilho significa 25% da possibilidade de tiro certeiro.
Durante a puxada do gatilho o atirador deve ter a preocupação de ir
aumentando a pressão lenta e continuamente, com bastante suavidade, procurando
manter alinhadas o aparelho de pontaria e o enquadramento perfeito do alvo.

Na figura acima temos o posicionamento correto no dedo


no gatilho. O da esquerda representa o disparo em ação
simples, enquanto que o da direita representa um disparo
em ação dupla.

Condicionamento Mental

Uma das propriedades mais


características dos seres vivos é a
excitabilidade. Todo organismo recebe
estímulos do meio que o rodeia e responde aos
84

mesmos com reações que o relacionam com o meio exterior.

Nos organismos
multicelulares superiores a
reação entre a zona onde
recai a excitação e o órgão
correspondente é de
responsabilidade de Sistema
Nervoso. O sistema nervoso
penetrando com suas
ramificações em todos os
órgãos e tecidos, unindo
todas as regiões do corpo em um todo, e conseqüentemente, efetuando sua
integração.

Erros Mais Comuns Durante a Execução do Tiro Real:

Estrangulamento: O atirador empunha a arma com


excesso de força, fazendo com que o cano desloque-se para
baixo e para direita.

Gatilhada: É o ato de puxar o gatilho para trás


depressa demais, o que fará com que os tiros atinjam a parte
inferior do alvo.
85

Excesso de Dedo no Gatilho: Ao introduzir


demasiadamente o dedo no guarda-mato, ocorre uma
pequena torção no momento do disparo, ocasião na qual o
cano da arma vai para a direita.

Antecipação do recuo (recuo): Quando aperta-se o


gatilho a espera do recuo, provocando alteração no
enquadramento das miras.

Incidentes e Acidentes de Tiro:

Incidente de tiro é a interrupção do tiro da arma resultante de uma


ação imperfeita de uma peça, ou de falha da munição, ou ainda de imperícia do
atirador.
Acidente de tiro é toda ocorrência de que resulte dano ou avaria da
arma, material estranho a arma ou de pessoas, em conseqüência de funcionamento
anormal da arma ou munição, provocado ou não por imprudência, imperícia ou
negligência de um ou mais agentes.

Manutenção Preventiva:

É o conjunto de cuidados e serviços realizados, com a finalidade de


manter o armamento em satisfatórias condições de operações, de periódicas
inspeções e averiguações, e de correção de incipientes falhas antes de ocorrerem
(ou evoluírem) para defeitos ou avarias mais graves.
86

Deflagração Retardada:

É o resultado de uma falha temporária ou atraso na ação de uma


espoleta ou carga de projeção. Durante alguns segundos não se pode distingui-la de
uma nega.

Nega:

É uma falha no tiro de uma arma, quando o gatilho é apertado e há o


funcionamento normal do percussor.

Causas Gerais de Acidentes e Incidentes de Tiro:

A) MATERIAL: a manutenção preventiva que inclui também a lubrificação


correta e a inspeção para verificação de partes gastas, frouxas ou danificadas –
realizada de maneira deficiente ou imprópria, é a causa da maior parte de
acidentes ou de incidentes de tiro, ou avarias, ou acidentes.

B) PESSOAL: A imperícia, a imprudência, negligência, são na maioria das


vezes, as causas do mau funcionamento das armas.

Prevenção de Acidentes e Incidentes de Tiro e Outras Ocorrências:

01 - Usar sempre o material adequado para as finalidades para as quais


foram produzidos originalmente.
02 - Examinar todo o seu material diariamente para descobrir qualquer
irregularidade ou peças perdidas.
03 - Cumprir todas as prescrições aplicáveis ao material.
04 - Participe, na forma da legislação vigente, com urgência, ao superior
hierárquico imediato, toda e qualquer irregularidade ocorrida com o material bélico.
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05 - Não realize alterações ou reparos que não seja autorizado ou


especificado, pelo órgão competente, a fazê-los, salvo quando existam condições
excepcionais e urgentes que exijam que adote todas as medidas possíveis para
manter sua arma em funcionamento.

Os mecanismos das diversas armas devem ser adequadamente


lubrificados. Avarias têm ocorrido pelo continuado uso de armas sem lubrificação
adequada de suas partes em funcionamento. A contínua falta de lubrificação das
partes em funcionamento resulta aquecimento à fricção, que é suficiente para
aumentar danosamente o desgaste das peças para vencer a força de expansão da
mola antes dos ciclos de trancamento estarem terminados. O trancamento ou o
fechamento parcial produz freqüentes falhas ou negas. Evitar a lubrificação
excessiva.

Emprego Técnico e Tático de Arma de Fogo: Técnicas e Táticas


Individuais e em Dupla

Tipos de Porte.

01- Lateral Direto - Ótima retenção e boa apresentação.


02 – Lateral Cruzado - Propicia o acesso fácil da arma pelo adversário além
do péssimo saque.
03 - Frontal Direto - Porte seguro, porém com ressalva no saque pelo
direcionamento do cano para a genitália. Muito utilizado por policiais à paisana.
04 – Frontal cruzado - Opção ruim de porte tanto para o saque como para a
retenção.
05 – Mexicano (nas costas) - Excelente retenção para ataque pela frente, mas
deixando a desejar em ataque pelas costas, além da lentidão no saque.
06 - Tornozelo - Deve ser utilizado apenas para a arma reserva (backup) e
deve está no lado oposto da mão que fará o saque.
88

07 – Tático - muito utilizado em coldre de perna ou até mesmo em colete


tático.
08 - Subaxilar - Pouco utilizado
09 - Portes não ortodoxos - Ex. arma presa com fita adesiva nas costas, arma
amarada com cordão e pendurada no pescoço.

Obs: A utilização do fiel preso ao cinto ajuda bastante na retenção e recuperação da


arma.

Saque

Utilize sempre coldre de boa qualidade, preferencialmente com mais de


um tipo de retenção e de rápido saque.

Tempos Para o Saque:


Tenha sempre em mente que o policial é um profissional que deve
dominar um conjunto de conhecimento e técnicas específicas, referentes à sua
atividade. Dessa forma, é importantíssimo a utilização e domínio de uma linguagem
própria, que referencia seus procedimentos. As posições de saque vinculadas a
posições numéricas devem ser entendidas nessa perspectiva.

Durante o saque o dedo deverá permanecer fora do gatilho, com exceção da


Posição 5.

Posição 1: A mão forte empunha a arma


destravando-a do coldre, ao mesmo tempo que a mão fraca é
trazida junto ao estômago ou batida junto à fivela do cinto.
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Posição 2: A arma é sacada e colocada a um


ângulo de 45º junto ao corpo.

Posição 3: As mãos se encontram, formando a


empunhadura dupla, frente ao corpo, mantendo ainda um ângulo
de 45º em relação ao solo.

Posição 4: A arma é engajada na linha de divisada


em forma de soco, fazendo o alinhamento entre alça, massa e
alvo.

Posição 5: Controlando-se o gatilho, é


efetuado o disparo. Após o disparo a arma é levemente
abaixada para que se proceda o acompanhamento até
que se cesse a ameaça.
90

Controle de Cano:

Em toda ocorrência, o policial deverá manter o controle de sua arma de


fogo, evitando apontá-la para o fogo amigo. Desta forma ele deverá adotar uma
melhor posição para o controle do seu cano.

Deslocamento Com Arma:

Durante uma perseguição a pé, ou mesmo um deslocamento de um


lugar para outro em ocorrência, o policial deverá manter a arma em punho sempre
com o braço junto ao corpo, sem oscilações e movimentos amplos. Caso o
deslocamento seja realizado com a arma no coldre deve-se sempre manter pressão
da mão sobre a empunhadura.

Cobertas e Abrigos:

Abrigo: É tudo aquilo que protege o policial contra observação do


meliante e que resista a penetração de projéteis, podendo ser naturais ou artificiais.
O melhor abrigo em um veículo é o bloco do motor e as calotas das rodas.
Exemplos: poste de concreto, caçambas de resíduos de lixo, arquivos cheios de
papéis.

Cobertas: É tudo o que protege o policial do contato visual do


meliante,todavia não oferece proteção contra projéteis de arma de fogo. Evite
disparar sua arma durante posicionamento em uma coberta, pois isto revelará sua
posição. Exemplos: moitas e arbustos, lata de lixo, paredes de madeira, portas de
automóveis, etc.
91

Táticas em Dupla:

Cima/Baixo: Nesta técnica o deslocamento da dupla de policiais deverá


ser feito com um policial agachado e o outro em pé, este último projetando seus
braços sobre a cabeça do primeiro. A arma do policial em pé deverá passar da linha
da cabeça do policial em silhueta reduzida.
Em L: Nesta técnica, os policiais deverão progredir com um apontado
para a frente e o outro cobrindo sua lateral, sempre com o contato físico, fazendo
assim o formato de um “L”.
Costas com Costas: Os dois policiais irão se deslocar, um de costas
para o outro, tendo além do contato físico o apoio da mão fraca para guiar o
movimento.

Tipos de Recargas ou Troca de Carregador:

Existem três tipos básicos de recarga. No primeiro


tipo de recarga o policial efetuou alguns disparos com sua arma
de fogo, porém a crise que motivou os disparos já se encontra
contida, levando o policial a guardar sua arma no coldre. Como
já efetuou alguns disparos, mas não suficientes para acabar a
munição do carregador, o policial, por uma questão de
administração, efetua a troca de carregador no qual um carregador cheio de
munição é trocado pelo anterior. Essa troca de carregador é efetuada com a arma no
coldre e recebe o nome de recarga administrativa.
No segundo tipo de recarga o policial também
efetuou alguns disparos com sua arma de fogo, mas não
suficientes para acabar com a munição do carregador ou
deixar o ferrolho aberto. Ainda, durante a crise que ocasionou
os disparos, pode haver momentos de certa tranqüilidade, de
92

um cessar fogo, ou mesmo o policial pode se encontrar abrigado ou mesmo em uma


cobertura. Nesse momento, o policial troca estrategicamente o carregador por outro
cheio ou com uma quantidade maior de munição. Isso porque o policial não sabe
quando ele terá oportunidade para efetuar outra recarga ou quando ela será
necessária. Esse tipo de recarga recebe o nome de recarga estratégica.
Lembramos que a troca de carregador deve ser feita preferencialmente com a
silhueta reduzida.
No terceiro e último tipo de recarga o policial
encontra-se sob fogo, necessitando trocar o carregador vazio por
outro com mais munição. Por se encontrar sob fogo do inimigo, a
última preocupação do policial é com o carregador vazio,
devendo ele efetuar a troca com a maior brevidade possível e de
silhueta reduzida. Esse tipo de recarga é chamada de tática ou
de combate.

É importante destacarmos que a nomenclatura da recarga varia de acordo com


a escola, podendo haver nomes distintos para o mesmo procedimento.

Métodos de Tiros Com Lanterna:

Método F.B.I.

Método utilizado pelo FBI durante bastante


tempo. Consiste em manter a mão que segura a lanterna
longe do corpo. O atirador deve manter o braço esticado
lateralmente enquanto empunha a arma com a outra mão.
Trata-se de um método eficaz, no entanto, segurar a
lanterna nessa posição, além de ser cansativo, não permite que se efetue um
disparo com precisão pois a empunhadura continua simples. Atualmente não é mais
adotado no treinamento dos futuros agentes da Polícia Federal norte-americana.
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Método Harries

Criado pelo instrutor norte-americano Mike


Harries, baseado na posição de tiro criada por Jack Weaver.
Nela o atirador mantém-se virado em direção ao alvo, com os
braços um tanto dobrados. As costas das mãos se encontram
e se apóiam mutuamente, criando pelo sistema de pressões
contrárias, inércia e firmeza necessárias para um disparo
preciso. A mão que segura a lanterna passa por baixo do braço que empunha a
arma e se encontram firmemente apoiando-se uma mão à outra. Esse método
fornece grande precisão no disparo e imprime muita confiança.

Método Roger

O atirador empunha a lanterna, segurando-a com


se fosse uma seringa. Os três dedos restantes seguram
firmemente a mão que empunha a arma. Dessa forma os
braços não se cruzam, como no Método Harries, nem as mãos
ficam encostadas, mas sim a mão da lanterna procura envolver
a da arma. Muito eficaz para quem tem mãos grandes ou
possui uma lanterna do tipo Sure Fire ou Scorpion.

Método Ayoob

Massad Ayoob criou essa posição baseando-se


na posição isósceles de tiro visado. Nesse método, tanto a
mão que segura a lanterna quanto a mão que empunha a
arma são mantidas juntas, polegar ao lado de polegar, e
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ambos os braços esticados retos são levantados juntos em direção ao alvo. Além de
permitir um disparo preciso, é possível cegar o oponente com a luz da lanterna. Ao
levantar os braços, o facho de luz tende a ter uma inclinação para cima, portanto é
uma técnica recomendada para curtas distâncias.

ATENÇÃO: Em todas as técnicas a visada é feita pela aparelho de pontaria e


não pelo facho de luz da lanterna.
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REFERÊNCIAS

CÂMARA JÚNIOR, Wellington Bezerra. Manual de Tiro Policial. Capitão, PM-PE.

Coleção Armas Ligeiras de Fogo. Editora Del Prado.1996.

Instruções do Curso de Armamento, Tiro e Tática de Abordagem - ATTA-2002.

Instruções do Curso de Low Light Tactical Pistol. Tees Brazil. 2002.

Instruções do Curso de Operações de Alto Risco – PCPE. 2001.

Manual de Instruções da Metralhadora FAMAE-MT-40. Forjas Taurus.

Manual de Instruções da Pistola PT 24/7. Forjas Taurus.

Manual de Instruções da Pistola PT 940. Forjas Taurus.

Manual de Instruções de Revólver. Forjas Taurus.

Manual do Curso de Operacional de Técnica de Abordagem e Tiro - COTAT-SDS-


PE. 2003.

OLIVEIRA, João Alexandre Voss. Tiro de Combate Policial: uma abordagem


técnica / João Andrade Voss de Oliveira; Gerson Dias Gomes e Érico Marcelo
Fontes – Erechim: São Cristóvão. 2001.

SETÚBAL, Rhaygino Sarly Rodrigues. Tiro Policial: Uma Proposta de Mudança


na Formação e Capacitação do Policial Militar. UFMT. 2003.

ZANOTA, Creso M. Identificação de Munições. Editora Magnum.1992.