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Manual de Tiro

Tecinicas de Tiros de Pistola

pg.003

Segurança e Conduta Pessoal

pg.095

Tecnicas de Tiro de Espingarda pg.118

Pistola Hk70m 9mm

pg.147

Utilização de Armas de Fogo

pg.168

Armas Especiais

pg.172

Glossário

pg.174

2

TÉCNICA DE TIRO DE PISTOLA

1. TIRO DE PRECISÃO

Atendendo a que, para o cumprimento da sua missão, os militares da GNR podem vir a utilizar armas de fogo, é de primordial importância ter sempre presente os elementos fundamentais em que se divide a técnica de tiro de pistola. Só através da conjugação dos seus aspectos particulares será possível atingir uma qualidade de desempenho que permita tirar o melhor rendimento dessa utilização. O mesmo é dizer que só assim é possível maximizar as hipóteses de efectuar tiro de uma forma eficiente e eficaz. Para cumprir este objectivo, esta matéria deve ser abordada após a instrução sobre a pistola e antes da execução de tiro em carreira de tiro (CT). Só após confirmação de uma correcta apreensão da técnica de tiro é que se pode considerar a possibilidade de deslocamento à CT. Esta complementaridade entre a teoria e a prática permitirá ao militar aperceber-se de todos os pormenores relevantes que têm interferência no resultado do desempenho. Para tal, e antes propriamente de passarmos à abordagem da técnica de tiro de pistola, convém relembrar algumas das especificidades deste tipo de arma. Estas características servem para reforçar algumas das considerações que mais adiante serão tecidas no âmbito da técnica de tiro com este tipo de arma. Talvez a mais importante decorra da sua própria natureza. Na realidade, a pistola é uma arma de defesa pessoal, utilizada apenas a curtas distâncias e onde a rapidez da acção é preponderante, tendo como características mais salientes as seguintes:

Curto comprimento do cano e da própria arma;

Falta de apoio para empunhar a arma e executar o disparo.

Destas características, resultam alguns efeitos que se torna necessário identificar e compreender, sendo de salientar os que têm a ver com:

O curto comprimento do cano e da arma, dando origem a que, qualquer pequeno desvio, resulte numa maior dispersão sobre o alvo. Do mesmo modo, um pequeno movimento da

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mão pode comprometer a segurança dos restantes elementos na CT;

A falta de apoio, originando uma maior fadiga no braço, o que acaba por resultar em erros por parte do atirador, aumentando também a dispersão;

O nervosismo - factor psicológico -, provocado pelo primeiro contacto com uma arma muitas vezes desconhecida. O “medo” desta ou o facto de não se executar tiro regularmente, aliados aos efeitos anteriormente vistos, poderão provocar dispersões para além do aceitável, tanto em relação aos resultados pretendidos na instrução, como em termos de segurança. Este será um dos pormenores a acautelar, obrigando a adoptar algumas medidas de prevenção, as quais se podem consubstanciar num reforço especial dos aspectos com ela relacionados.

1.1 Técnica do tiro de Precisão

A técnica de tiro de precisão divide-se em 5 elementos fundamentais:

1. Tomar a posição;

2. Suspender a respiração;

3. Fazer a pontaria;

4. Executar o disparo;

5. Fazer o “seguimento”.

1.1.1 Tomar a posição para o atirador direito 1

A posição mais comum e a que oferece maior segurança é a chamada de “Método de Weaver”, cujas características são conforme a seguir se enunciam.

1 Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. Admitem-se, contudo, algumas variações, as quais decorrem da constituição anatómico-fisiológica de cada militar. Não obstante, devem ser observados e respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o “tomar da posição” e para os outros elementos em que se divide a técnica de tiro de precisão.

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Contudo, se um atirador tiver uma boa posição de tiro,

já por si estabelecida, e atira bem, não vale a pena

tentar alterá-la. Para um iniciado é conveniente

ensinar a posição referida. Esta deve, no essencial, ser

a mais natural possível, de forma a proporcionar

conforto e liberdade de movimento ao atirador.

O tiro de precisão com pistola pode ser executado em

qualquer posição, segurando a arma com as duas mãos. Contudo, em termos de instrução (para os cursos), só é considerada a posição de pé e em que a arma é empunhada sem qualquer espécie de apoio. Assim, o atirador deve tomar os procedimentos que dizem respeito a cada um dos itens que se seguem.

1.1.1.1 Enquadramento com o alvo

O atirador afasta os pés e coloca-se exactamente em frente ao alvo como se o observasse “olhos nos olhos”; Seguidamente, faz rodar ambos os pés para a direita de forma a que se fosse traçada uma linha imaginária passando pelo meio dos seus pés, esta faria um ângulo de cerca de 40º 2 com a linha do alvo.

faria um ângulo de cerca de 40º 2 com a linha do alvo. 40º 2 Esta

40º

2 Esta medida angular é meramente indicativa. O importante é que o militar defina a sua posição, a que lhe parecer mais cómoda.

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1.1.1.2 Posição dos pés, pernas e peso do corpo

Os

pés devem

estar

afastados

naturalmente, tendo como referência a largura dos ombros;

As pernas não devem estar flectidas nem rígidas;

O peso do corpo deverá ser repartido igualmente pelas duas pernas, de modo a que o equilíbrio seja perfeito sem qualquer tipo de rigidez no corpo.

1.1.1.3 Posição do tronco

Após achar a posição correcta dos pés, o tronco deve também ser mantido numa posição “natural”, ou seja, não o torcer excessivamente pela bacia.

1.1.1.4 Posição do ombro e braço direito

O ombro direito vai ficar mais afastado do alvo, de maneira a que o braço fique esticado e direccionado ao seu centro, mantendo o pulso firme;

Para executar o tiro, o braço direito deve estar esticado (nunca flectido no cotovelo), mas com uma rigidez natural (para que não trema com o excesso de

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a que qualquer

movimento ou balanço que nele ocorra só possa ter origem nas ancas, nos joelhos ou nos tornozelos e nunca no ombro; Para descanso, após cada disparo, deve baixar-se o braço, o qual deve ter uma inclinação nunca inferior a 45º 3 , levantando-o de seguida para cada disparo.

força)

e

de

forma

1.1.1.5 Empunhamento da arma na mão direita

A mão deve ser aberta, de modo a que a parte posterior do punho da arma fique apoiada na “chave da mão” (entre o indicador e o polegar), ficando o punho apoiado entre a região hipotenar (base do dedo polegar) e a palma da mão. O empunhamento deve ser o mais alto possível, para evitar balanços da arma;

ser o mais alto possível, para evitar balanços da arma; ∑ Os dedos médio, anelar e

Os dedos médio, anelar e mínimo abraçam o punho, fazendo força na direcção do eixo da arma, ficando o indicador livre para actuar no gatilho. Esta força ajuda a controlar a reacção da

3 Esta inclinação tem por objectivo minimizar o risco que possa ser provocado por um disparo negligente.

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arma após o disparo, fazendo diminuir o tempo para a execução de um 2º tiro preciso. O polegar pode accionar a patilha de segurança 4 , exercendo um mínimo de pressão sobre o local onde assenta – normalmente perto da parte superior do punho -; A mão direita dirige a arma para a frente, como que empurrando-a, enquanto a outra, a mão fraca, a empurra em sentido contrário, da frente para trás, e para baixo, para controlar o recuo e o salto da arma, permitindo uma rápida recuperação;

e o salto da arma, permitindo uma rápida recuperação; ∑ Não esquecer que qualquer força que

Não esquecer que qualquer força que seja exercida fora da direcção do eixo do cano poderá provocar desvios no tiro pelo que o eixo do cano deve ser paralelo à direcção do braço estendido e a mão não deve “quebrar pelo pulso”;

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8

4 O mais indicado é que este movimento seja feito pelo polegar esquerdo, visto estar mais liberto para esta acção.

A pistola deve ser segura apenas com a força necessária para a manter na mão - a força necessária para cumprimentar alguém -. O excesso de tensão leva à fadiga e a que a mão comece a tremer, aumentando os desvios e enervando o atirador, que não consegue fixar o alvo; Um processo simples e prático de se verificar se a arma está bem empunhada é espreitando por cima do ombro, ao longo do braço, e verificar se está perfeitamente alinhada com esse mesmo braço ou mão. Caso não esteja, retirar a pistola da mão e empunhá-la de novo, repetindo-se as vezes necessárias até se obter um empunhamento correcto.

1.1.1.6 Posição do ombro e braço esquerdo

Este ombro, vai ficar mais próximo do alvo, ficando o braço flectido e com o cotovelo junto ao peito, sendo essa flexão aproveitada para não só ajudar ao apoio do braço direito, como também para conferir protecção aos órgãos vitais, como o coração e o baço.

Ma
Ma
9 Ma
9
Ma
Bem
Bem

1.1.1.7 Posição da mão esquerda

A mão esquerda vai encaixar na arma de modo a cobrir com a palma da mão, a parte do punho da arma que se encontra descoberto, ficando os dedos apoiados sobre os da outra mão (e com o polegar esquerdo sobre o polegar direito).

1.1.1.8 Posição da cabeça

Deve manter-se erguida, sem estar forçada, por forma a ficar nivelada com a linha de mira, na direcção do alvo, estando a arma entreposta entre ambos. Qualquer posição que dificulte a respiração deve, evidentemente, ser evitada. É importante aqui realçar que a arma deve ser trazida à linha de vista e não o contrário.

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1.1.1.9 Posição em relação ao alvo

Definida a posição normal do atirador, cabe agora definir os procedimentos a executar para que cada atirador consiga adaptar esta posição ideal às suas características:

Com os olhos fechados ou com a cabeça

voltada para o lado, levantar o braço direito na direcção do alvo; Abrindo os olhos ou voltando a cabeça para a frente, verificar se a arma não “quebra pelo pulso” e se o cano está direccionado à esquerda ou à direita do centro do alvo. A arma deve estar no prolongamento do braço 5 ;

estiver

à

o esquerda do centro do alvo, mover ligeiramente o pé direito para trás;

Se

cano

direccionado

ligeiramente o pé direito para trás; Se cano direccionado 11 5 O atirador deve “espreitar” sobre
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5 O atirador deve “espreitar” sobre o ombro para verificar que braço e arma estão no mesmo enfiamento.

Se o cano estiver direccionado à direita do centro do alvo, mover ligeiramente o pé direito para a frente;

Voltar a fechar os olhos ou virar a cabeça e conferir se o cano está direccionado ao centro do alvo. Se ainda não estiver, repetir os procedimentos anteriores, até tal se conseguir, sem ter de fazer rotações laterais do braço ou da mão;

Para se corrigir em elevação, apenas será necessário fazer o alinhamento das miras ao centro ou à base do centro do alvo (conforme a distância do atirador e tamanho do alvo).

o alinhamento das miras ao centro ou à base do centro do alvo (conforme a distância
o alinhamento das miras ao centro ou à base do centro do alvo (conforme a distância

1.1.2 “Suspender” a respiração

Como os movimentos da caixa torácica, do estômago

e

dos ombros fazem mover consideravelmente o braço

e

mão que empunha a arma, e o que serve de apoio,

devido à respiração durante o processo de pontaria e

de disparo, esta deve quase cessar durante este período 6 . No sentido de não provocar um esforço sobre o coração e a circulação, os pulmões devem conter apenas uma quantidade mínima de ar. Para o tiro de precisão, deve-se adquirir a seguinte técnica de respiração:

Antes de levantar o braço, inspire e expire repetidas vezes, mas não tão profundamente que eleve a pulsação desnecessariamente;

Ao mesmo tempo que inspira pela última vez, levante o braço;

Enquanto expira parte do ar contido nos pulmões, aponte o mais rapidamente possível (isto é, levar o braço para a posição de pontaria de forma rápida);

“Suspender” a respiração momentaneamente;

Aproveite a pausa que ocorre entre os períodos de inspiração/expiração para, sem transtornar o normal desenrolar do ciclo respiratório, efectuar tiro;

6 Não defendemos aqui a paragem total da respiração porque isso é prejudicial à necessária oxigenação celular, o que, a não acontecer poderia trazer alguns distúrbios a nível da visão, aumentaria a sensação de cansaço e, consequentemente, poderia até originar a antecipação do disparo. Por esta razão, digamos que a respiração deve ser minimizada, quase como se existisse a sensação de que o ar não entra nem sai.

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Se não tiver disparado no período de aproximadamente 12 segundos, deve interromper o processo e recomeçar depois de uma curta pausa, porque, após um certo tempo a apontar, ocorrem os primeiros sinais de incerteza. Esses sinais indicam claramente que o tempo, dentro do qual se devia ter disparado, com certeza se esgotou. Lembre-se:

nada de tiros em pânico ou a despachar. Nestes casos, deve-se libertar o gatilho, baixar o braço e procurar descontrair, para depois voltar à execução do tiro.

1.1.3 Fazer a pontaria

Fazer a pontaria 7 correcta é pôr em linha quatro

elementos:

1.

Olho do atirador;

2.

Alça de mira;

3.

Ponto de mira;

4.

Alvo.

O

perfeito alinhamento de cada um deles fará com que

o

projéctil percorra o espaço e atinja o sítio desejado,

se não sofrer variações 8 até que saia à boca do cano, nem se verificar a intervenção de factores externos. De entre estes, o mais importante diz respeito ao alinhamento das miras.

7 Um conceito idêntico é o de “mirada”. Entende-se por mirada a acção de fazer

pontaria, ou seja, colocar o olho do atirador, a ranhura da alça de mira, o ponto de mira e o alvo, na mesma linha. Como se verifica, mirada encerra um conceito diferente de apontar, já que, neste último, o atirador limita-se a dirigir a arma para o alvo, sem fazer pontaria. É o que se passa no tiro policial, como veremos, em que os olhos do atirador se focam no alvo e não no aparelho de pontaria. 8 Como é óbvio, as variações aqui implícitas não têm a ver propriamente com as alterações sofridas pela munição e pelo projéctil, do ponto de vista Físico-Químico, mas antes com aquelas que são transmitidas pelos erros cometidos pelo atirador, tendo como consequência desvios angulares e paralelos, os quais fazem com que o local de impacto seja distinto do desejado.

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Existem vários tipos de alinhamento das miras. O método de tiro será ditado pela precisão requerida, o tamanho do alvo e a distância ao mesmo. Para o tiro preciso e lento – o qual estamos aqui a tratar -, deve utilizar-se uma visão total dos elementos do aparelho de pontaria e alvo. Tal requer a concentração no ponto de mira mas também um alinhamento cuidadoso da alça de mira com uma zona no alvo. Este tiro torna-se necessário com a finalidade de ensinar o subconsciente a reconhecer o que é uma imagem do bom alinhamento das miras. Como as miras são duas pode surgir a pergunta: qual delas focamos? Focando alternadamente ponto e alça e focando um ponto intermédio por forma a efectuar ligeiras correcções no enquadramento do ponto ou da alça, mantendo ambos focados até se produzir o disparo. A prática de “tiro em seco” ajuda bastante neste processo. Apesar de estarmos a considerar o tiro de precisão, é conveniente que o atirador se habitue a adquirir o mais rapidamente possível uma imagem das miras alinhadas, uma vez que se pretende, na modalidade de tiro policial – como adiante veremos -, um tiro com maior rapidez, utilizando uma determinada zona de pontaria no alvo, a qual pode ser definida pelo próprio atirador ou por quem estiver a dirigir o tiro. Portanto, não se aponta a um ponto definido mas a uma zona/área, visto ser impossível parar a arma. Na prática, esta área corresponde ao que se pode denominar como “zona de movimento mínimo” (ZMM) sendo nessa condição que deve ocorrer o disparo. Efectivamente, é um erro tentar parar completamente a arma pois tal não é possível, contudo, se mantivermos as miras bem alinhadas e centradas, os erros que eventualmente possam surgir

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serão erros paralelos, bem mais fáceis de resolver que os erros angulares 9 . Independentemente das formas que o ponto de mira e a ranhura da alça de mira possam ter, o atirador deve preocupar-se com o seu correcto alinhamento, evitando assim o defeito de ter a boca do cano a apontar para o chão, por centrar a sua atenção em focar o alvo.

Para o tipo de alças e pontos

de mira mais frequentes, o alinhamento correcto corresponde à imagem que se pode ver ao lado. O topo do ponto de mira encontra-se alinhado com o topo da alça, sendo que o espaço entre ambos - as “janelas” - devem ser iguais (quando não aparecem os já referidos erros angulares).

Ora, como é impossível à vista humana focar dois objectos a distâncias diferentes, o atirador tem de efectuar um movimento constante entre o alinhamento

Janelas
Janelas

das

miras e o alvo 10 . Se o aparelho de pontaria não

está

nítido isso é sinal de que os olhos estão focados

sobre o alvo, o que o mesmo é dizer que o atirador está a focar por cima das miras em vez de através delas. Se, ao contrário, o alvo estiver desfocado e o aparelho de pontaria estiver nítido quer dizer que o atirador está a proceder correctamente.

À medida que o atirador, após tirar a folga ao gatilho,

o vai pressionando a sua atenção vai-se

progressivamente concentrando no alinhamento das miras e não no alvo, devendo ter uma visão nítida

9 Para ver a definição de erros angulares e paralelos, consultar o n.º 5.2 10 A este movimento também se chama o “jogo cá-lá-cá-lá”, em que “cá” corresponde ao alinhamento do aparelho de pontaria e “lá” à projecção desse mesmo alinhamento na zona de pontaria, mas focando o alvo.

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deste alinhamento, enquanto o alvo surge ao fundo, desfocado. Esta é a única forma de manter as miras alinhadas a fim de alcançar um tiro consistente, preciso. A imagem das miras alinhadas, e a sua projecção na zona de pontaria, irão fazer com que o dedo complete a pressão sobre o gatilho, produzindo-se o disparo. O atirador acaba assim por ser surpreendido pelo próprio disparo, visto este ser controlado pelo reflexo olho- dedo. A sua única preocupação deve centrar-se sobre aquele alinhamento, deixando o dedo actuar, como que de uma forma inconsciente. Quando as miras se decompõem o dedo que prime o gatilho fica como que bloqueado, retomando o seu movimento quando as miras se voltarem a alinhar. Podemos então considerar existir um momento estático e outro dinâmico, sendo que este – único que se manifesta de forma visível – corresponde à acção do dedo sobre o gatilho, a qual obedece às particularidades que serão referidas mais adiante.

às particularidades que serão referidas mais adiante. C L C L Vejamos então mais pormenorizadamente
às particularidades que serão referidas mais adiante. C L C L Vejamos então mais pormenorizadamente

C

L

C

L

Vejamos então mais pormenorizadamente cada um dos quatro elementos.

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1.1.3.1

Olho do atirador

É comum, neste tipo de tiro, os atiradores “piscarem um olho” para fazerem a pontaria. Este procedimento não está completamente errado, mas geralmente provoca vários efeitos:

Fadiga do olho;

Vista “nublada”;

Tremuras no olho;

Desconcentração;

Precipitação do disparo (tiro em pânico ou a despachar).

Estes efeitos são provocados pela contracção dos músculos que rodeiam o olho que se fecha, os quais acabam por influenciar a estabilidade dos seus congéneres do outro olho. Esta é a razão pela qual se aconselha a efectuar tiro com os dois olhos abertos. Assim, o atirador com algum treino ou que tenha dificuldades em saber qual o olho a piscar deve ter consciência de que é perfeitamente capaz de executar o tiro com ambos os olhos abertos, devendo saber que:

Quando levanta a arma e a alinha com o centro do alvo, mantendo ambos os olhos focados nesse alvo, fica a ver dois canos da arma, dois aparelhos de pontaria, etc. Este “fenómeno” fica a dever-se ao olho direito criar uma imagem e o olho esquerdo duplicar essa imagem. Assim, o atirador tem de manter a focagem num dos pontos de mira e alinhar uma das alças de mira com ele (o que lhe parecer

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mais real, ignorando o outro), ficando a ver o alvo nublado (dado que, pelas razões já aludidas, a focagem da alça de mira, do ponto de mira e do alvo, em simultâneo, é impossível). De referir que, para o atirador que tenha o olho director direito, essa imagem é a que lhe aparece à esquerda, como se pode verificar nas figuras seguintes:

à esquerda, como se pode verificar nas figuras seguintes: Imagem do olho Imagem do olho Imagem

Imagem

do olho

Imagem do

olho

Imagem Imagem do do olho olho
Imagem
Imagem do
do olho
olho

Um ligeiro pestanejar do olho é um importante auxiliar para melhorar a visão, pois permite a limpeza da córnea;

Caso pretenda confirmar se a pontaria estaria correcta, basta piscar o olho esquerdo para que o aparelho de pontaria fique alinhado com o centro do alvo;

Se na confirmação anterior, o aparelho de pontaria não ficou alinhado com o centro do alvo, mas sim ligeiramente à

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esquerda deste, piscar o olho direito que já consegue o alinhamento (o atirador tem o olho director esquerdo 11 ).

1.1.3.2 Alça de mira

Tal como o ponto de mira, a ranhura da alça de mira também pode ter várias formas (“V”,”U”, rectangular, etc.). Em conjunto com o ponto de mira, permite ao atirador fazer uma pontaria correcta. Assim, o enquadramento do ponto de mira deve ser bem centrado na ranhura da alça e com o topo deste à altura precisa dos bordos superiores da ranhura da alça. Admitindo que este procedimento é bem executado e que a arma está imóvel, o projéctil atingirá o alvo exactamente no local desejado.

o projéctil atingirá o alvo exactamente no local desejado. 1.1.3.3 Ponto de mira Independentemente da forma

1.1.3.3 Ponto de mira

o alvo exactamente no local desejado. 1.1.3.3 Ponto de mira Independentemente da forma que o ponto

Independentemente da forma que o ponto de mira possa ter (quadrada, rectangular, trapezoidal, ou outra), tem de ser sempre a primeira coisa em que o militar deve fixar a sua atenção (neste tipo de tiro).

11 Se o atirador está habituado a empunhar a arma com a sua mão direita e o seu olho director for o esquerdo, não deve mudar de mão, pois não é essa a sua posição natural. O que deve fazer é habituar-se a disparar com ambos os olhos abertos, tendo em consideração o que aqui é referido.

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A sua colocação na extremidade do cano torna-o um indicador privilegiado sobre a forma com a pontaria está a ser efectuada. Normalmente, a arma está regulada para que o topo do ponto de mira (em conjunto com a ranhura da alça de mira) seja apontado ao centro do alvo, ou à zona de pontaria.

1.1.3.4

Alvo

Como já foi referido anteriormente, o atirador não deve ver o centro do alvo nítido, pois, se isto acontecer, é sinal de que este não está a focar o aparelho de pontaria da arma;

que este não está a focar o aparelho de pontaria da arma; Bem Mal ∑ Quando

Bem

este não está a focar o aparelho de pontaria da arma; Bem Mal ∑ Quando o

Mal

Quando o centro do alvo tiver dimensões reduzidas, ou a distância do atirador a este for grande, deve-se fazer o alinhamento do aparelho de pontaria à base do centro do alvo. Se pelo contrário, o centro do alvo tiver grandes dimensões ou a distância for curta, deve-se optar por fazer o alinhamento precisamente ao centro deste;

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Alinhamento à base Alinhamento ao centro ∑ O alvo mais utilizado pela GNR é o

Alinhamento à base

Alinhamento à base Alinhamento ao centro ∑ O alvo mais utilizado pela GNR é o Silhueta

Alinhamento ao centro

O alvo mais utilizado pela GNR é o Silhueta policial II (SPII) 12 , já que é utilizado na execução do tiro de pistola e espingarda; Através da “leitura do alvo”, o atirador pode ir fazendo as correcções necessárias. Apercebendo-se do local de impacto, efectua as correcções que entender convenientes.

1.1.4 Executar o disparo

A acção do atirador sobre o mecanismo de disparar, através do gatilho, merece atenção especial, uma vez que é aí que reside a principal causa dos erros cometidos no tiro. Para tal o atirador deve ter em atenção que:

O contacto com o gatilho deve ser feito com a “cabeça do dedo”, que é a parte mais sensível;

O dedo deve actuar numa direcção paralela ao eixo da arma e nunca obliquamente, isto é, a pressão deve

eixo da arma e nunca obliquamente, isto é, a pressão deve 1 2 Para outras informações

12 Para outras informações sobre alvos, consultar o n.º 4.8 e os Anexos A e B.

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ser

horizontalmente;

exercida

no

sentido

da

frente

para

trás

e

Conforme foi dito, o atirador, ao empunhar a arma, fica com o dedo indicador livre. Com ele irá actuar no gatilho, de forma que a pressão seja contínua, sem pressas nem quebras, como que “espremendo” o gatilho contra o punho;

Se houver um puxar brusco do gatilho, desfaz-se a pontaria, havendo o consequente desvio.

Este controlo do gatilho pode ser alcançado utilizando-se o “treino em seco”, em situação de completo relaxe, para que o atirador se aperceba da sensação que lhe é transmitida pelo movimento de pressão exercido pelo dedo, até ocorrer o disparo, certificando-se de que a arma não se move, a ponto de desfazer o alinhamento das miras. Os militares que revelarem alguma dificuldade no controlo do gatilho devem aprender e treinar a pressionar lentamente o gatilho até se dar o tiro, de forma inesperada, de surpresa. Devem igualmente aprender a controlar a tendência natural de fechar os olhos no momento do disparo. A evolução para um treino em que os procedimentos são executados de forma cada vez mais rápida – mas sempre com precisão - auxilia o militar no cumprimento daquele objectivo e a fazer um tiro que quase o surpreende. Depois, à medida que os alvos se tornam maiores e mais próximos, aprende a disparar cada vez mais rápido. Precisão primeiro, só depois velocidade. Em todo este processo é preciso não descurar o alinhamento das miras. Se o treino for conduzido em CT, se as miras baixarem quando se prime o gatilho o tiro realizado mostrará bem o resultado.

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1.1.5

Fazer o “seguimento”

O “seguimento” do tiro consiste em manter a pontaria durante alguns segundos após o disparo ocorrer. Tem como objectivo evitar que a arma se mova antes que os projécteis tenham abandonado a boca do cano, já que o atirador, na ânsia de verificar o resultado do disparo que acabou de efectuar, cria o hábito de baixar ligeiramente o cano, a fim de observar o alvo. Tantas vezes o faz, que acaba por antecipar o tiro uma fracção de segundo antes do projéctil abandonar a boca do cano, só para poder ver o alvo. Serve também para antever o resultado do disparo, permitindo-lhe fazer as necessárias correcções tiro a tiro, sem ter de se deslocar à linha de alvos. O atirador procura reproduzir a imagem mental na altura do disparo por forma a ter uma ideia aproximada do disparo efectuado.

1.2 Sequência ideal para o tiro de precisão

Após estarem adquiridos os elementos vistos anteriormente, podemos agora identificar aquilo que será a sequência ideal para executar o disparo, a qual é a seguinte:

1. Levantar o braço direito, até à altura do centro do alvo (ou à zona de pontaria);

2. Pressionar o gatilho até lhe retirar a folga;

3. Suspender a respiração;

4. Fazer o “jogo Miras/Gatilho”, ou seja, cada vez que olha para as miras e verifica se estão alinhadas com o centro do alvo, pressionar um pouco o gatilho, voltar a olhar para as miras e a pressionar mais um pouco o gatilho, até que o disparo aconteça, para surpresa do atirador (para isto é fundamental que a pressão exercida no gatilho seja contínua e sem sobressaltos);

5. Fazer o “seguimento”;

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6. Se o atirador constatar que já não consegue executar o disparo em tempo oportuno, é preferível não o fazer (pois

o

tiro seria, certamente, uma “gatilhada”), devendo baixar

o

braço, retomar a respiração e, quando estiver pronto,

voltar a fazer a sequência anterior; 7. “Cada disparo é um disparo”; quer isto dizer que, para

cada disparo, a concentração deve ser igual.

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2.

TIRO POLICIAL

Este tipo de tiro é, sem dúvida alguma, aquele que deve ser mais treinado pelos militares da GNR 13 , visto que, numa situação policial, se for necessário disparar, temos de o fazer rápida e certeiramente, a fim de evitar que inocentes sejam feridos, ou mesmo para salvaguardar a própria integridade física. Esta modalidade é também muitas vezes chamada de “tiro instintivo”. Só que esta designação não é a correcta, já que a palavra “instintivo” implica algo que nós fazemos inconscientemente, como, por exemplo, o facto de levarmos o garfo à boca sem nos picarmos nele. Ora o tiro policial implica a consciência do que se está a fazer, pois se, por exemplo, o Adversário (ADV), de repente, levantar os braços em sinal de rendição, o militar da GNR não deve fazer tiro, ou deve suspendê-lo, caso já tenha disparado. Por isso, os nossos olhos devem estar sempre atentos ao ADV – ao contrário do tiro de precisão, em que se deve ter mais atenção ao alinhamento do aparelho de pontaria -. Existem 3 factores fundamentais no tiro policial, devendo ser treinados pela ordem que a seguir se indica.

1.º Precisão - Desde crianças, e sem o notarmos, que praticamos

o tiro policial, pois, quando apontamos o dedo

a alguém, fazêmo-lo rápida e certeiramente e

com os dois olhos abertos. Agora, basta transportar essa situação para quando temos uma arma nas mãos, imaginando que o cano da arma é o nosso dedo. Para treinar isto quase que não é necessário ir a uma CT, já que, utilizando uma caneta e a imaginação, consegue-se um resultado semelhante, tendo o cuidado de ficar com a caneta na horizontal;

que o militar não pode

- praticar, visto que diz mais respeito ao material que é

- praticar, visto que diz mais respeito ao material que é 2.º Potência Este é o

2.º Potência

Este é o único factor

13 Apesar de todas as condições adversas que possam surgir, este tipo de tiro deve ser efectuado, no mínimo, uma vez por ano. Numa situação considerada ideal, a periodicidade seria de três em três meses.

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utilizado, nomeadamente às armas e seus calibres. Neste aspecto é de salientar que o calibre ideal para as forças policiais continua a ser o 9 mm Parabellum 14 ;

3.º Rapidez - Como este tipo de tiro tem duas fases, pode-se então afirmar que:

Na 1ª Fase, torna-se necessário “conhecer a arma” (para poder explorar correctamente as suas potencialidades), pois o atirador tem de se habituar à própria posição, à mirada rápida e à execução do disparo (o que é treinado ao nível do tiro de precisão);

A 2ª Fase já envolve um treino mais apurado, pois, para além dos conhecimentos adquiridos na fase anterior, acrescenta-se o “saque” da arma do coldre. Por isso, torna- se necessário saber o que fazer com a arma após o saque, conhecer as características do próprio coldre para se conseguir um saque rápido, e até mesmo o local onde exista um segundo carregador para evitar a “procura do carregador”, o que provoca sempre o desvio dos nossos olhos em relação ao alvo. Só depois de consolidada a 1ª fase é que se pode dar início a esta fase.

2.1 Evolução histórica do tiro policial

Desde a invenção das primeiras armas, que o homem chegou à conclusão de que quem as usasse primeiro e certeiramente obtinha vantagem sobre os seus oponentes. Com o surgimento das primeiras armas de fogo, surgiu também uma nova maneira destes se baterem em duelos, relegando para segundo plano as espadas. O processo era simples: cada qual, armado com a sua pistola na mão, era posicionado “costas com costas” e, após a contagem (normalmente dez passos) de um elemento neutro à contenda, viravam-se “frente a frente” e disparavam, procurando acertar no seu oponente,

14 Pela sua potência e efeitos produzidos serem mais consentâneos com o que se pretende em termos de cumprimento da missão. As suas características, em termos balísticos, tornam-no mais eficaz em caso de recurso a arma de fogo.

27

evidenciando já os princípios de um tipo de tiro que, nesta altura, se poderia chamar de duelo. Outra forma de duelo surgiu com os cowboys, que se defrontavam “frente a frente”, com a arma no coldre. Os principais objectivos consistiam em sacar a arma tão rápido quanto possível e disparar certeiramente um sobre o outro. Nesta altura, já se faziam notar os factores do tiro policial - Rapidez e Precisão -, que, para se obterem, tornava-se necessário muito treino. Até aos nossos dias, este tipo de tiro poucas alterações tem sofrido. Nos últimos anos, face a alguns dados estatísticos realizados nos EUA, o tiro policial tem sido mais dinâmico, caminhando no bom sentido, que é o de efectuar um tiro preciso e rápido e, ao mesmo tempo, fornecer relativa protecção ao atirador, já que o ADV nem sempre é pacífico. Observemos alguns dos exemplos mais recentes.

2.1.1 Atirador de pé, de frente para o alvo, silhueta fixa

O atirador identifica o alvo, empunha a arma com as duas mãos, levanta os braços na direcção desse alvo e efectua o disparo. Tem como inconveniente o atirador expor-se demasiado, tornando-se numa grande silhueta, aumentando assim a possibilidade de ser atingido.

2.1.2 Atirador de pé, de frente para o alvo, silhueta móvel,

O atirador identifica o alvo e, com o objectivo de reduzir a sua silhueta, flecte ligeiramente as pernas, ao mesmo tempo que levanta os braços até à altura dos olhos, efectuando então o disparo. Tem como inconveniente o facto de, apesar do atirador reduzir a sua silhueta, os dados estatísticos anteriormente referidos, demonstrarem que, em situações de confronto, os elementos das forças policiais eram normalmente atingidos no peito ou na

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barriga, ficando-se esta situação a dever ao tiro baixo que os seus ADV’s efectuavam, talvez por falta de treino.

que os seus ADV’s efectuavam, talvez por falta de treino. Silhueta fixa 2.2 Técnica do tiro

Silhueta fixa

2.2 Técnica do tiro policial

falta de treino. Silhueta fixa 2.2 Técnica do tiro policial Silhueta móvel Conforme já foi referido

Silhueta móvel

Conforme já foi referido relativamente ao tiro de precisão, o método actualmente utilizado é o método de Weaver. “Inventado” por um Sheriff americano com esse nome, tem como principais vantagens a rapidez de execução, a precisão de tiro e a própria protecção que confere ao atirador. Este é o tipo de tiro que mais se assemelha às necessidades da GNR, quer pela eficiência, quer pela consciência de como é feito. A técnica de tiro Policial, divide-se também em 5 elementos fundamentais:

1. Tomar a posição;

2. Sacar;

29

3.

Suspender a respiração;

4.

Fazer a pontaria;

5.

Executar o disparo.

O

tiro policial requer uma atenção particular, se bem que

repartida, no ponto de mira. Sacrifica-se a precisão à velocidade de reacção, o que pode ser fundamental em caso

de necessidade. A uma curta distância as miras quase que são

dispensáveis. O atirador, praticamente, limita-se a apontar a

arma, talvez olhando por cima do aparelho de pontaria. O

único momento que, eventualmente, possa ter disponível para

se preocupar com as miras deve ser utilizado para verificar se

o ponto de mira está direccionado para a sua zona de pontaria. Com a vista dirigida para o alvo e trazida a arma para uma visão periférica é então efectuado o disparo. O treino e a repetição ajudarão na consolidação destas destrezas. Vejamos então mais pormenorizadamente cada um dos cinco elementos fundamentais.

2.2.1 Tomar a posição de pé para o atirador direito 15

O procedimento a adoptar é idêntico, em todos os aspectos, ao referido para o tiro de precisão. Ainda que não sejam utilizadas, na instrução, o atirador deve ter conhecimento de que, utilizando este método, ainda poderá tomar mais duas posições:

2.2.1.1

Tomar a posição de joelhos para o atirador direito

2.2.1.1.1

Enquadramento com o alvo, posição dos pés e das pernas

15 Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. Relativamente ao que aqui irá ser enunciado, admitem-se igualmente algumas variações, desde que sejam observados e respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o “tomar da posição” e para os outros elementos em que se divide a técnica de tiro policial.

30

O atirador afasta os pés e coloca-se exactamente em frente ao alvo como se o observasse “olhos nos olhos”;

Faz rodar ambos os pés para a direita, de forma a que se fosse traçada uma linha imaginária passando pelo meio dos seus pés, esta faria um ângulo de cerca de 40º com a linha do alvo;

Coloca o joelho direito no solo, de maneira a ficar correctamente sentado sobre o calcanhar desta perna;

Seguidamente, faz os ajustamentos necessários até estar devidamente enquadrado com o alvo.

2.2.1.1.2 Posição do tronco

Para dar uma maior estabilidade deve estar ligeiramente flectido para o lado direito e para a frente.

2.2.1.1.3 Posição do ombro e braço direito

O ombro vai ficar mais afastado do alvo, mantendo as mesmas características como para o atirador de pé.

2.2.1.1.4 Posição do ombro e braço esquerdo

O ombro fica mais próximo do alvo. O braço é flectido e apoia, na parte inferior (antes do cotovelo), sobre o joelho do mesmo lado, ficando assim o cotovelo ligeiramente avançado em relação ao joelho.

2.2.1.1.5 Posição das mãos e cabeça

31

Mantêm-se iguais à posição do atirador de pé.

Mantêm-se iguais à posição do atirador de pé. 2.2.1.2 Tomar a posição de deitado para o
Mantêm-se iguais à posição do atirador de pé. 2.2.1.2 Tomar a posição de deitado para o
Mantêm-se iguais à posição do atirador de pé. 2.2.1.2 Tomar a posição de deitado para o

2.2.1.2

Tomar a posição de deitado para o atirador direito 16

2.2.1.2.1

Enquadramento com o alvo, posição dos pés, das pernas e tronco

O atirador coloca-se exactamente em frente ao alvo e toma a posição de atirador deitado, afastando naturalmente as pernas e flectindo uma delas (consoante apoie ou não

16 Esta posição deve ser treinada com e sem apoio do braço que empunha a arma a fim de que o atirador defina a posição que lhe for mais confortável.

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o cotovelo

estabilidade e apoio do tronco no solo.

no

solo)

para

permitir

a

2.2.1.2.2 Posição dos ombros e braços

O braço direito fica esticado na direcção do centro do alvo e o braço esquerdo vai ficar ligeiramente flectido, apoiado no solo.

2.2.1.2.3 Posição das mãos

O empunhamento é semelhante às duas

posições anteriores, não esquecendo que a arma deve ficar na vertical, para o correcto visionamento do aparelho de pontaria.

2.2.1.2.4 Posição da cabeça

Flectida sobre o braço direito, reduzindo a sua silhueta e permitindo um melhor apoio desta.

Posição da cabeça Flectida sobre o braço direito, reduzindo a sua silhueta e permitindo um melhor

33

Posição da cabeça Flectida sobre o braço direito, reduzindo a sua silhueta e permitindo um melhor

2.2.1.2.5

Fazer a pontaria

É também idêntica à das anteriores posições, com a seguinte alteração: as duas imagens, que anteriormente nos apareciam lateralmente, agora vão aparecer quase que sobrepostas verticalmente, sendo a imagem de cima correspondente à do olho direito e a de baixo, à do olho esquerdo, como se pode ver na figura.

2.2.2

Sacar

à do olho esquerdo, como se pode ver na figura. 2.2.2 Sacar Relativamente ao tiro de

Relativamente ao tiro de precisão, passa agora a existir um elemento novo; o coldre. Aumenta assim o grau de dificuldade, já que o atirador passa a ter que “sacar a arma” mantendo a precisão e rapidez anteriormente adquiridas. Por esta razão, não se deve passar à modalidade de tiro policial enquanto não tiverem sido apreendidos os procedimentos relacionados com a técnica de tiro. Esta modalidade tem por objectivo primordial o de fazer a aproximação da instrução de tiro à realidade da GNR, visto que no serviço diário os militares, se tiverem de disparar, não terão a arma na mão, mas sim

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no coldre. A partir daqui têm de desencadear todo um conjunto de procedimentos, para os quais devem ser devidamente treinados, a fim de minimizar o risco de acidentes e aumentar a rapidez de reacção. O saque constitui um procedimento preliminar que conduz à execução do tiro. A importância de efectuar um bom saque está directamente relacionada com o coldre que temos 17 , para o que este deve possuir as seguintes características:

Deve ser seguro e permitir ao atirador correr e subir um qualquer obstáculo sem o risco de perder a arma;

Apesar de seguro, deve permitir fácil acesso à arma;

Deve permitir ao atirador um bom empunhamento ainda antes de sacar a arma. Mudar ou reajustar o empunhamento a meio curso é não só perigoso como o gesto se torna mais lento;

Deve proteger a arma e cobrir o gatilho;

Deve estar seguro no cinto para não se mover;

O atirador deve ser capaz de recolocar a arma no coldre sem ter que tirar os olhos do suspeito. Deve conseguir fazer isto com uma só mão, deixando a outra liberta para o que for preciso.

Uma análise cuidada dos procedimentos que devem ser executados para efectuar o saque permite realçar um conjunto de aspectos que devem ser observados. Eles materializam aquilo que se pode considerar como sendo a sequência ideal para efectuar este movimento. Para tal atentemos nos seguintes aspectos:

Manter os dois olhos abertos sobre o alvo 18 ;

17 É necessário que os atiradores esquerdos usem os coldres a eles destinados.

18 Não esquecer que estamos na modalidade de tiro policial, pelo que a atenção se deve centrar no alvo e não na arma. Cabe ao militar desenvolver e treinar toda esta sequência por forma a que execute cada um dos seus passos sem ter a preocupação

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Empunhar a arma correctamente, mantendo o pulso direito e colocando o cotovelo ligeiramente para fora;

A mão que não empunha a arma aproxima-se por baixo e pelo lado (acompanhando a outra até à linha de vista);

Tomar a linha mais curta (recta) do coldre para o alvo, levando a arma em direcção ao alvo logo que sai do coldre;

Ter a preocupação de não colocar a arma no coldre com a patilha de segurança em fogo e o cão armado.

coldre com a patilha de segurança em fogo e o cão armado. Atenção Mão esquerda ili

Atenção

a patilha de segurança em fogo e o cão armado. Atenção Mão esquerda ili Pronto para

Mão esquerda

ili

em fogo e o cão armado. Atenção Mão esquerda ili Pronto para de verificar onde está

Pronto para

de verificar onde está a arma e de a preparar para fogo, desviando o seu olhar do alvo.

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2.2.3 Suspender a respiração

Como este tipo de tiro é feito rapidamente e sem aqueles cuidados meticulosos do tiro de precisão, pois o objectivo é fazer um agrupamento de impactos numa zona, torna-se irrelevante se o atirador respira ou não. Mas se o atirador conseguir controlar a respiração no momento que antecede o disparo, obterá melhores resultados.

2.2.4 Fazer a pontaria

A pontaria para o tiro policial é diferente daquela realizada para o tiro de precisão. Trata-se de apontar a uma zona ou área maior. O que importa são os impactos e não os pontos. Interessa, sobretudo, acertar na silhueta. Tal como para o tiro de precisão, fazer a pontaria correcta é pôr em linha, rapidamente, quatro elementos:

1. Olho do atirador;

2. Alça de mira;

3. Ponto de mira;

4. Alvo.

2.2.4.1 Os olhos do atirador

No tiro policial, o atirador deve manter ambos os olhos abertos. Tal facto contraria a tendência natural de “piscar um dos olhos” para fazer pontaria, mas oferece-lhe algumas vantagens tais como a de não perder a visão periférica e não perder a fracção de segundo ao piscar o olho com a

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consequente desconcentração e visão nublada do outro olho;

180º
180º

Dois olhos

140º
140º

Um olho

Assim, o atirador, deve ter consciência de que é perfeitamente capaz de executar o tiro com ambos os olhos abertos, pois já “treina” desde pequeno, conforme foi relembrado anteriormente;

Quando levanta a arma e a alinha com o centro do alvo, mantendo ambos os olhos focados neste último, também fica a ver dois canos da arma, dois aparelhos de pontaria, etc. Este “fenómeno”, como já vimos, fica a dever-se ao olho direito criar uma imagem e o olho esquerdo duplicar essa imagem. Assim o atirador tem que focar o alvo e alinhar um dos aparelhos de pontaria (o que lhe parecer mais real, e ignorar o outro);

Não esquecer que para o atirador que tenha o olho director direito, essa imagem é a que lhe aparece à esquerda, como já se referiu;

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Se houver dificuldades de alinhamento da imagem esquerda da arma, o atirador pode optar por alinhar a outra imagem do lado direito, ficando ciente que esse alinhamento também está correcto, mas está a ser feito com o olho esquerdo.

Se pretender confirmar se a pontaria estaria correcta basta fazer o “jogo cá-lá-cá-lá”, que consiste em, rapidamente, habituar a vista a focar às diferentes distâncias, ou seja: cá (vista focada num dos órgãos do aparelho de pontaria), lá (vista focada no centro do alvo).

2.2.4.2 Alvo

Neste tipo de tiro, o atirador já deve ver o centro do alvo (ou a zona de pontaria) nítido, pois os olhos têm de observar o ADV;

Para alvo, mantém-se a Silhueta Policial II (SPII).

2.2.4.3 Aparelho de pontaria

Para reforçar a importância de manter os dois olhos abertos, vamos então tentar explicar onde devemos fazer a mirada no momento de efectuar a pontaria, para o que se torna necessário distinguir entre: mirar/focar e ver. Mirar consiste na acção de focar as miras. Ver consiste em perceber, através dos olhos, a forma e cor dos objectos, o que o mesmo é dizer, tudo aquilo que faz parte do campo de visão adjacente à mirada. Assim, podemos estar a “ver” um conjunto de coisas, contudo estamos a “mirar/focar” algo

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determinado. Como já vimos, a vista não consegue focar dois objectos em simultâneo e a distâncias diferentes, como seja o aparelho de pontaria e o alvo. Como tal, ao contrário do tiro de precisão, é essencial focar o alvo. É, contudo, conveniente que este visual seja apercebido através do aparelho de pontaria, permitindo assim uma rápida percepção do alinhamento das miras. Tal requer a concentração no ponto de mira, mas também um alinhamento cuidadoso da alça de mira e um ponto no alvo. Se fizermos ao contrário podemos perder tempo que nos pode ser precioso para neutralizar a ameaça 19 .

2.2.5 Executar o disparo

Também aqui, a acção do atirador sobre o mecanismo de disparar, através do gatilho, merece uma atenção especial, já que é aqui que continua a residir a principal causa dos maus resultados.

O contacto com o gatilho deve ser feito com a cabeça do dedo, devendo a pressão ser exercida no sentido da frente para trás e horizontalmente; O disparo, por ser mais rápido não significa que tem de ser brusco, mas sim executado em “três

19 Para iniciar os atiradores a efectuar pontaria com os dois olhos abertos, apesar do correcto ser focar o ponto de mira, diz a experiência que tal é difícil, pelo que é preferível, de início, ensinar a fixar a vista na alça (pois é mais ampla) e uma vez assim e com o cano da arma inclinado para baixo, ir levantando esta até que vejamos o ponto de mira e posteriormente o alvo. Se apesar disto o atirador tiver dificuldades, o instrutor pôr-se-á diante do atirador para fechar-lhe a profundidade do campo de visão tentando que desta forma o consiga. Se necessário colocar os dedos indicadores ao lado da alça para aumentar o lugar onde concentrar a vista. Uma vez conseguido isto, tirar os dedos, retirando- se o instrutor.

40

tempos”, ou seja tirar a folga do gatilho (arma na direcção do alvo), “jogo cá-lá-cá-lá”, e pressionar, continuamente, o resto do gatilho, até surgir o disparo. Como é evidente, por este tipo de tiro ser mais rápido que o outro, este processo deve ser desenvolvido quase em simultâneo.

2.3 Sequência ideal para o tiro policial

Após estarem adquiridos os elementos vistos anteriormente, podemos agora identificar aquilo que será a sequência ideal para executar o disparo, a qual é a seguinte:

1. Levar a arma até à altura do centro do alvo;

2. Pressionar o gatilho até lhe retirar a folga;

3. Fazer o “jogo cá-lá-cá-lá” (se para tal houver tempo);

4. Pressionar continuamente o resto do gatilho até se dar o disparo;

5. “Cada disparo é um disparo”, quer isto dizer que para cada disparo, a concentração deve ser igual. O primeiro disparo deve ser certeiro, por forma a imobilizar o ADV.

2.4 Métodos de tiro policial

Conforme se pode depreender daquilo que foi enunciado ao nível do tiro de precisão e do tiro policial, a posição, o empunhamento, o alinhamento das miras, o controlo do gatilho e o seguimento podem ser considerados como a base de sustentação sobre a qual deverão ser desenvolvidas as destrezas técnicas a nível do tiro. O atirador deve, por isso, cumprir com estes requisitos básicos antes de avançar para tarefas mais complexas. Não se exige que faça pontuações ao nível do tiro de precisão, mas sim que o seu tiro seja consistente, independentemente da zona do alvo, fazendo um grupamento cuja circunferência que contém os impactos não exceda os 10 cm de raio - valor que diminui à medida que se encurta a distância -. O tiro consistente é bastante mais importante do que um tiro bom e os outros maus.

41

Após ter apreendido aqueles requisitos, deve-se passar à fase seguinte, a qual consiste na prática das modalidades de tiro policial mais adequadas às situações com que o militar se poderá eventualmente confrontar. Conforme se verá para cada uma delas, a utilização apropriada das miras, de acordo com os requisitos da situação

em concreto, acaba por ser o resultado de um método reactivo

– conciliando rapidez de reacção e precisão -, o qual deve ser

devidamente treinado e automatizado.

As modernas técnicas de tiro de pistola estão orientadas para

um tipo de defesa considerada standard face a um ataque, sendo esta o disparo rápido de 2 tiros dirigidos ao peito do agressor. A razão de ser destes dois tiros tem a ver com a

necessidade de assegurar que o adversário fica efectivamente imobilizado. Tal é conseguido não só à custa do armamento,

do poder que nos confere a arma, como também do impacto

que isso tem sobre o sistema nervoso do ADV. Para além disto aumentam também as probabilidades de efectuar um tiro

certeiro, visto haver sempre a possibilidade de falhar o primeiro tiro. O método utilizado para efectuar estes dois tiros depende da situação concreta, e sempre da habilidade e destreza do utilizador. A cadência, por sua vez, depende da proximidade

do alvo. Geralmente, quanto mais perto estiver o ADV, maior

deverá ser a cadência (menor o tempo entre dois disparos). Quanto mais longe estiver, menor será a cadência (maior o

tempo entre os dois disparos). Isto tem todo o sentido quando nos apercebemos que um alvo mais próximo é um alvo mais fácil e representa uma maior ameaça que um alvo distante. O tempo para reagir aumenta com a distância. Desta forma um alvo a 5 mts. deve ser imobilizado mais depressa que um alvo

a

50 mts.

O

disparo destes dois tiros pode ocorrer segundo dois

métodos: o par controlado e o par acelerado. Aquele é o primeiro e mais básico método, em que o primeiro disparo é efectuado e o segundo só se produz quando se tiver

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readquirido de novo a imagem e feito os necessários ajustamentos para realinhar a pistola. A prática contínua faz com que diminua o tempo de intervalo entre tiros, derivado a um maior controlo do recuo da arma e ao desenvolvimento e consolidação da melhor técnica para conseguir efectuar os dois disparos com eficiência e eficácia. A posição, baseada no método de Weaver, permite que a pistola volte à mesma posição e alinhamento após ter efectuado o disparo. A velocidade com que a arma volta ao alvo determina a velocidade com que se pode efectuar o segundo disparo. O segundo método é uma progressão natural do primeiro, diferindo apenas na cadência acelerada. Por esta razão é denominado de par acelerado. Pelo facto de, quanto mais

perto estivermos do ADV mais rapidamente o podermos atingir, neste método a sequência é mais rápida que a anterior. Aqui, praticamente, não há tempo para realinhar as miras, assim que se recuperar do primeiro disparo efectua-se novo disparo, olhando apenas de relance para as miras, mas sem esperar “vê-las” efectivamente. A sequência do par

controlado

miras/tiro/recuperação/verificação/alinhamento/miras/tiro. A do par acelerado será miras/tiro/recuperação/miras/tiro. A única diferença entre os dois é a cadência acelerada. Existe uma variação destes dois métodos, quando estamos perante dois adversários que estão perto um do outro. Neste caso, após dispararmos o primeiro tiro, devemos aproveitar o movimento que a arma faz para efectuar outro tiro sobre o segundo indivíduo. Assim que o tivermos devidamente enquadrado disparamos. O atirador pode reparar no ponto de mira enquadrado com o peito do segundo alvo, mas não esperará para o confirmar. Usando esta técnica nos dois alvos a uma distância de 5 mts. pode-se esperar um tempo inferior a 1,5 seg. para efectuar dois disparos eficazes. Conforme se pode ver nos alvos que se seguem, a distribuição do tiro corresponde a prestações diferentes em termos de precisão e rapidez de execução.

será

43

Atirador Atirador Atirador Seja qual for o método seleccionado ou a forma como os tiros

Atirador

Atirador Atirador Atirador Seja qual for o método seleccionado ou a forma como os tiros são

Atirador

Atirador Atirador Atirador Seja qual for o método seleccionado ou a forma como os tiros são

Atirador

Seja qual for o método seleccionado ou a forma como os tiros são realizados, aquilo que acontece depois deve ser pensado e trabalhado antes da situação ocorrer. Aqueles que pretendam sair vencedores do confronto estudam primeiro, depois encaram os conflitos.

2.5 Tipos de carregamento

Ao utilizar a arma de fogo, não chega disparar para um sítio qualquer do corpo do adversário. Para o imobilizar o tiro deve ser dirigido para uma área vital por forma a maximizar o potencial de paragem. Em seres humanos isto significa colocar os tiros na zona torácica ou na cabeça. Os projécteis incapacitam os alvos de duas maneiras: uma é causando perda de sangue suficiente ao ADV para o fazer parar. A outra é atingir o sistema nervoso central (cérebro ou coluna vertebral). Como se pode facilmente constatar, dos dois pontos a atingir é mais fácil disparar (e acertar) na zona

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torácica que em qualquer uma das outras, visto neste caso a área ser maior. Contudo, o objectivo não é aniquilar o adversário, mas sim incapacitá-lo, atingi-lo e impedir que nos atinja, ou a qualquer outra pessoa. Em todo este processo, é fundamental procurar (apesar de difícil) controlar os tiros efectuados por forma a trocar de carregador com munição na câmara, o que previne contra uma eventual necessidade de ter de o fazer sem ter a certeza de quantas munições faltam para que o carregador fique vazio. Caso tal não aconteça, e o atirador tenha notado que a corrediça está à retaguarda, deve introduzir o segundo carregador o mais rapidamente possível, procedimento este que deve ser devidamente treinado. As figuras que se seguem ilustram algumas das acções a realizar para efectuar a troca de carregadores no mais curto espaço de tempo possível, nunca perdendo de vista o alvo. Este é um aspecto que não deve ser esquecido, fazendo com que o militar se habitue a executar a operação completa sem se preocupar com as peças que deve accionar nem com o local onde irá buscar o carregador suplente.

A necessidade de recarregar poderá ocorrer
A
necessidade de
recarregar poderá ocorrer

Trocar o carregador vazio pelo carregador municiado e, se possível, guardá-lo no porta

Baixe ligeiramente a arma e retire o
Baixe
ligeiramente
a
arma
e
retire
o

45 Substituir o carregador, tendo a preocupação de o ajustar no seu alojamento

Levar a corrediça à frente e voltar de novo à acção 46

Levar a corrediça à frente e voltar de novo à acção

46

Numa situação real, os alvos são difíceis de atingir pois movem-se, não são os alvos de papel que se encontram estáticos numa CT, contra os quais estamos habituados a disparar, pelo que podem ser precisos vários tiros para abater um alvo. Por essa razão devemos controlar o número de tiros efectuados, para saber as munições que ainda restam no carregador. É importante que nos apercebamos da sensação do disparo, em especial da última munição. O recuo pode ser sentido como dois movimentos separados; o movimento recuante da extracção/ejecção e o movimento para a frente da introdução da munição na câmara. Quando o último tiro é disparado apenas se sente o movimento para a retaguarda visto que o carregador vazio irá activar o detentor da corrediça e impedir o movimento para a frente. Esta sensação diferente deve ser memorizada com o treino, servindo para despoletar a resposta condicionada para um carregamento de emergência. Existem basicamente dois tipos de carregamento que é preciso aprender e praticar. O primeiro é o carregamento táctico, utilizado quando o atirador se apercebe que deve estar prestes a ficar sem munições. Para tal convém escolher um local seguro e fazer a troca por outro carregador, colocando o usado num local de fácil acesso, pois pode ser necessário reutilizá-lo. O segundo tipo é o do carregamento rápido, utilizado quando o carregador que a arma tem fica vazio. A troca de carregador deve ser feita o mais rápido possível. Um bom atirador não necessita de olhar para a sua arma para a recarregar. Mesmo durante a noite e sob stress o atirador deve estar apto a trabalhar pelo tacto. É preciso evitar deixar cair carregadores no chão desnecessariamente durante o treino pois podem-se danificar

47

os lábios e causar avarias. É também preciso limpar a sujidade que tenha ficado no carregador, por isso, em caso de treino, deve ser colocado no chão uma manta ou qualquer objecto que impeça o carregador de entrar em contacto com o solo, o que também previne a introdução de elementos estranhos na arma.

48

3.

TÉCNICA DE TIRO COM PISTOLAS METRALHADORAS

Este tipo de armas, derivado ao seu tamanho compacto, à maior capacidade de transporte de munições, maior poder de fogo e aos acessórios disponíveis, contribuíram significativamente para o equipamento de unidades especiais, favorecendo e contribuindo para o seu emprego táctico de uma forma mais eficiente e eficaz. As duas maiores vantagens de uma pistola metralhadora, para além do tamanho, são; a confiança que o atirador retira pelo facto de a possuir e o facto de a ela poderem ser acoplados vários equipamentos, tais como, por exemplo, um foco luminoso e um laser. Ao seleccionar-se uma pistola metralhadora, é preciso ter em consideração não só a capacidade de fogo a curtas distâncias mas também a capacidade de executar um tiro extremamente selectivo e preciso. Para além disso, estas armas exercem um forte efeito psicológico nos adversários. Muitos dos princípios da técnica de tiro de pistola aplicam-se ao tiro com pistola metralhadora, tais como: uma forte empunhadura, o alinhamento das miras e o controlo do gatilho. Ressalva-se aqui, apenas, a particularidade do aparelho de pontaria de algumas delas, como a HK MP5 A4, o qual dispõe de uma alça de tambor e de um anel protector do ponto de mira, pelo que a pontaria é feita de uma forma diferente daquela que vimos para as pistolas 20 . No tiro semi-automático, o atirador pode-se colocar de forma natural, com o pé do lado fraco ligeiramente avançado, encostar e pressionar firmemente a arma contra o ombro, apontar e disparar. No tiro automático é necessário flectir ligeiramente os joelhos, inclinar o tronco um pouco para a frente e segurar com mais força, para controlar o movimento da arma. A melhor forma para o atirador se aperceber disto é tomar a sua posição e fazer séries curtas de 3/4/5 tiro, ajustando a mesma à medida que vai fazendo as várias séries.

20 Para mais informações sobre esta arma, consultar o Módulo III-V e o Módulo V, referente à Técnica de Tiro de Espingarda.

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Tiro semi- Ti 50 Tiro
Tiro semi- Ti 50 Tiro

Tiro

semi-

Tiro semi- Ti 50 Tiro

Ti

Tiro semi- Ti 50 Tiro

50

Tiro

Apesar dos militares integrados em equipas de intervenção obedecerem à voz do superior hierárquico, quanto a fazer tiro automático ou semi-automático, a indicação que aqui se deixa é a de que o tiro semi-automático deve ser empregue em situações onde se pretende obter, para além de superioridade de poder de fogo, alguma precisão. Em termos de segurança, chama-se a atenção para duas coisas: é preciso ter cuidado e não colocar a mão em frente do cano pois, sendo uma arma compacta, facilmente a mão que a sustém, inadvertidamente, pode-se colocar num local onde pode ser atingida; É preciso igualmente ter cuidado com a segurança da própria arma pois, por vezes, pode haver a tendência (despercebida) para ignorar a presença de uma munição na câmara o que é extremamente perigoso.

51

4.

TREINO DE TIRO

Grande parte do trabalho policial desenvolve-se de uma forma monótona e rotineira, o que tem como consequência um apreciável sentido de complacência e de aborrecimento, em certas ocasiões. Isto contribui para que essa “distracção” acabe por levar a que o militar esteja deficientemente preparado para enfrentar as emergências que se lhe deparam. Como é evidente, este nem sempre pode ter uma segunda oportunidade para superar uma falha ocorrida na sua atitude ou comportamento. É preciso ter a consciência de que, por vezes, pode ser necessário uma actuação de emergência para a qual o conhecimento da arma e a perícia do seu emprego, podem influir de forma decisiva na sobrevivência, lesão ou morte do militar ou de um camarada. No momento em que a arma tiver de ser usada no cumprimento do dever, as fracções de segundo e a precisão são de importância vital. A arma deverá ser utilizada imediatamente, sem perda de tempo, devendo o primeiro disparo ser certeiro. O saque rápido, um bom empunhamento e um fogo certeiro são factores que devem dar-se quase em simultâneo. É óbvio que todo o militar, por utilizar arma de fogo no desenvolvimento da sua missão, deve pôr o máximo interesse e empenho no seu conhecimento e manejo adequado, porque muito provavelmente terá que dela fazer uso no momento menos esperado. Este pretendido domínio da arma de fogo deve adquirir-se através de uma árdua e minuciosa prática, a qual, uma vez obtida, deve manter-se com o exercício constante. Ninguém melhor que o próprio militar pode saber qual a periodicidade com que deve exercitar. Em caso de dúvidas o seu superior hierárquico deve estar à altura de prestar os necessários esclarecimentos. Através da criação e treino de situações fictícias conseguir-se-ão um conjunto de respostas controladas e automatizadas, e não de improvisação, o que pode ser um importante auxiliar quando o militar tiver de enfrentar uma situação que poderá envolver o recurso a arma de fogo.

52

Assim, é fundamental ter uma formação adequada, perder medos e ter confiança na arma que transportamos. Evita-se situações do género “não consegui proteger o meu camarada porque não fui suficientemente rápido e destro”.

4.1 A dinâmica do tiro de pistola

Para efectuar uma abordagem correcta à dinâmica envolvida no tiro de pistola, o militar deve procurar conhecer as suas próprias capacidades (possibilidades e limitações, trabalhando estas), e a forma como o adversário tem por hábito agir. Mesmo não havendo nenhum adversário especifico, faz com que envide esforços para obter toda a informação disponível relacionada com casos verídicos e faça uma análise dos mesmos, procurando neles algumas regularidades que sirvam de indicadores a ter em conta para a definição de situações de treino, assim como a natureza do ambiente envolvente, ou seja, os locais mais prováveis onde se desenrolem eventuais situações de perigo. Tendo assim por base o estudo efectuado sobre os meios envolventes e a forma como o adversário poderá reagir em caso de ser atacado, podem-se definir melhor as situações de treino que procurem reflectir uma realidade o mais aproximada possível de uma eventual situação de perigo. Neste caso é essencial que para o exercício de treino o militar procure estar no mesmo nível de activação que estaria se a situação fosse verdadeira, o que envolve uma predisposição mental muito forte e uma grande concentração nas tarefas a desenvolver. Para tal é fundamental que o militar se lembre que a sua prestação estará de acordo com aquilo que treinou, portanto é preciso treinar como se tivesse a intenção de lutar. Numa situação real, os níveis de adrenalina estarão no seu máximo, produzindo, em consequência, um conjunto de reacções físicas que é importante conhecer, por forma a que se desenvolvam estratégias pessoais de controle das mesmas. Por esta razão o treino deve ser organizado tendo em particular atenção esta componente. Porque deve sempre

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esperar o pior, o militar deve treinar de acordo com isso, esperando sempre sair da situação da melhor forma. De entre as reacções físicas que podemos referir, a maior parte das quais se produzem como resultado de um conjunto de reacções químicas, destacam-se; a diminuição das habilidades motoras, a confusão, o encurtamento da focalização visual e auditiva, a aceleração do batimento cardíaco e um estado de excitação generalizado. De acordo com este estado, o militar pode experimentar uma distorção do tempo e do espaço em virtude da sua mente estar a operar a uma velocidade muito superior ao normal, o que faz com que, para alguns, exista a sensação de que o tempo se move em câmara lenta, ou mesmo que as distâncias parecem mais curtas. Nem todas as pessoas experimentam estes efeitos, os quais parecem estar ligados ao factor surpresa. Aqueles que estão completamente desprevenidos muito provavelmente, experimentá-los-ão todos. Por outro lado aquele que sabe que irá estar envolvido numa situação conflituosa não os sentirá de maneira tão intensa. Apesar de tentar constantemente manter a mente em alerta, não se pode predizer o nível de prontidão e a expectativa. É preciso manter estas coisas em mente quando treinamos. É preciso procurar minimizar a sua vulnerabilidade a estes efeitos de alarme fazendo tudo para manter as coisas simples, manter uniformidade no empunhamento e estabelecer um conjunto de respostas condicionadas às quais possa recorrer com garantias de sucesso. Treine como tenciona empenhar-se. Para tal é importante ter em conta a sua condição física, quanto melhor ela for menor será a possibilidade de ser vítima destes efeitos, pois desta forma resistirá melhor ao súbito aumento da adrenalina e aos efeitos precoces de fadiga que pode provocar. Estas reacções que sentimos são a prova que estamos assustados, mas não com medo, pois esta palavra requer uma análise mental da situação, o que leva algum tempo a fazer, enquanto que em situações conflituosas, se o militar tiver de

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usar a arma, geralmente não se poderá dar ao luxo de parar para pensar.

É

exactamente sobre estas condições que acabam, em maior

ou

menor grau, por nos limitar o desempenho, que temos de

criar a habituação necessária para fazer tiro.

É preciso ainda chamar a atenção que o militar deve treinar

gestos simples e sincronizados, pois, no essencial, é disso que

se trata o tiro. Tudo o que seja complexificar aquilo que

(aparentemente) é simples só acaba por causar uma maior dificuldade em lidar com a situação, pois acabamos por nos desviar das coisas que são essenciais, passando a preocupar- nos com pequenos detalhes ou pormenores que são irrelevantes para o caso. O militar, no treino, tem de se preocupar, fundamentalmente, em, no mais curto espaço de tempo possível, ter a sua arma pronta a disparar (se for o caso) e com as miras no alvo que pretende atingir.

O militar pode sentir alguma dificuldade na tomada de

decisões críticas e na falta de habilidade em manter os pensamentos focalizados na tarefa que está a desenvolver. Quando tal acontece numa situação real não há lugar para discussões mentais, o procedimento deve estar automatizado e a concentração completamente dirigida para a actuação e para o que se está a passar à volta, minorando assim os riscos.

Isto liberta a mente para a análise da situação e para a decisão

de quando se deve e para onde disparar, ao invés de pensar no

que fazer para que a arma dispare ou mesmo saber quantas munições sobram depois dos tiros já efectuados. A atenção inicial deverá ser sempre dirigida para a fonte de perigo, excluindo tudo aquilo que não seja fundamental, desenvolvendo para tal uma imagem ou uma visão dirigida, uma visão de túnel. Mentalmente, o militar pode dispensar aquilo que considera informação não essencial, e pode até nem se recordar de alguns pormenores, contudo, uma vez neutralizada a ameaça é importante que ele procure outros alvos hipotéticos, a fim de não ser surpreendido por algum pormenor que tenha escapado à sua observação. Isto pode ser

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facilmente treinável, se, por exemplo, após ter cumprido o objectivo de treino, e antes de voltar a colocar a arma no coldre, continuar-se a apontar a mesma para vários sítios, seguindo o olhar, como se fosse o seu prolongamento, esperando o surgimento de alguém que pudesse ainda ameaçar. Algo que também deve ser desenvolvido é a percepção auditiva. Ouvir uma ameaça pode ser tão viável, enquanto

indicador de um alvo, como ver uma ameaça, portanto é preciso não a descurar e ter a capacidade de isolar os sons que se produzem à nossa volta, identificando aqueles que são mais ameaçadores, como por exemplo, o armar de uma arma, ou mesmo a introdução de munição na câmara. Se tivermos em conta alguns relatórios policiais, referindo situações onde foram efectuados disparos, chegaremos à conclusão que mais de 80% ocorreram a uma distância não superior a 7 mts., sendo que metade destas ocorreram a 5 mts.

e menos. Em termos tácticos, isto diz-nos que nos devemos

preocupar em maximizar a distância a que nos encontramos

da ameaça e minimizar a nossa exposição a ela. Quanto maior

a distância maior a vantagem para o atirador treinado.

Em termos de treino isto diz-nos ainda que a maior parte do mesmo deve ser conduzido a distâncias até 7 mts., em pelo menos 80% das vezes. As situações que envolvam o recurso a arma de fogo são violentas e rápidas. O tempo médio estimado é de 3 seg., sendo que na maior parte das vezes o suspeito está em movimento. A mensagem é clara: dispare o mais rápido possível, atingindo o alvo. Não tente acertar no botão do casaco do adversário em 3 seg. Um único tiro no peito em 1.5 seg. é bem mais realista. Deve-se obter o equilíbrio apropriado entre a velocidade e a precisão de acordo com o contexto do problema. Cerca de 70% dos casos ocorrem em ambientes com luz reduzida. O adversário teme a luz, razão pela qual os exercícios de treino não devem ser exclusivamente

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conduzidos no exterior e em pleno dia. Procure assegurar uma oportunidade para os realizar em condições de luz reduzida, pelo menos ocasionalmente. Fazendo isto estará a trabalhar na resolução dos problemas e a encontrar as soluções em ambientes de fraca luz. Para tal é preciso coordenar luz e tiro, em especial se fizer uso de uma lanterna. Mais de 50% das vezes podemo-nos deparar com mais do que um adversário, pelo que convém também efectuar exercícios com mais do que um alvo, e de preferência de vários tipos, colocando-os em vários locais e de preferência escondidos, por forma a dificultar o exercício. Esta dificuldade é essencial, pois é disso que o treino trata; treinar o difícil para facilitar o desempenho. O mecanismo de utilização de uma arma para fins defensivos envolve não apenas o acto físico de sacar e disparar mas também a aquisição visual do alvo e a análise mental que determina se é ou não uma ameaça. Esta aquisição visual e análise mental precede o tiro e determina a rapidez da resposta numa situação real. A determinação da ameaça depende daquilo que o adversário faz com as mãos ou naquilo que nelas segure. Treine para que aquilo que conduz ao disparo não seja a voz ou o apito de quem está a dirigir o tiro numa carreira mas antes o próprio alvo ou a própria ameaça.

4.2 A atitude do militar nos treinos

A importância que deve ser dada ao treino faz com que o militar deva ter em conta um conjunto de considerações que contribuem para realçar esta necessidade, sendo elas:

Quanto maior for o seu à vontade para manusear a arma e com ela fazer fogo, mais liberdade tem para se concentrar exclusivamente no desenrolar da situação para, com o necessário sangue-frio, avaliar e decidir pela utilização (ou não) da arma, contribuindo assim para a salvaguarda

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da sua integridade física e de terceiros, actuando em conformidade com a lei;

Reconhecer que todos cometemos erros, contudo, todos acreditamos que estamos na posse da verdade. Existe sempre algo a aprender e a melhorar, inclusivé os erros que não se sabem;

Reconhecer a tendência para criticar o sistema quando não se obtêm bons resultados;

A continuidade apenas é assegurada através do treino. Se não conhecermos a técnica, não a empregamos adequadamente, logo não há continuidade;

Um atirador não chega a nada se somente atirar. Para se lograr um bom desempenho e à vontade é preciso treinar;

Dosear o esforço, não ir mais depressa que o possível. Queimar etapas no tiro apenas conduz ao fracasso. É preciso percorrer um percurso evolutivo, começando pelo estudo da técnica, e por uma boa preparação física e psíquica;

É preciso aprender correctamente as posições de tiro de precisão e corrigir os defeitos pois logo se passará ao tiro sem grande tempo para alinhar miras, o que servirá para qualquer situação, inclusivé as de visibilidade reduzida;

A tensão nervosa faz perder muito no resultado. A luta contra o relógio, nos treinos, ajudará a minorar os seus efeitos nocivos;

Ao começo do tiro não deve haver tensão, só depois de alcançar um bom nível se deve criar essa tensão para que se aproxime o mais possível da realidade;

O atirador deve procurar adoptar uma atitude mental correcta. Deve estar preparado para falhar, senão o desânimo toma dele conta. A realização dos exercícios não deve ser tida como uma obrigação, mas antes como um momento agradável, pelo qual se esperou;

O cumprimento estrito das normas de segurança deve ser tido sempre em atenção mas não de tal forma que vá

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conflituar com os objectivos da sessão, derivado à sua sobrevalorização. Uma vez que todos somos profissionais, quem dirige o treino de tiro deve dar o máximo de liberdade a quem executa, supervisionando todas as operações que seja necessário efectuar, sobretudo em caso de interrupção de tiro, por forma a que o atirador não pense nem sinta que nas suas mãos está algo que é extremamente perigoso;

Evitar o excesso de confiança. Quando parece que se sabe demasiado, aparece o excesso de confiança e produzem-se acidentes, por vezes irreparáveis;

Conduzir o treino o mais perto possível da realidade. Para tal, é preciso reproduzir situações prováveis, agindo/ reagindo como se fossem reais. É importante movimentar-se, reduzindo a silhueta, e disparar para o tronco e não para a cabeça, pois existe uma maior área onde é provável acertar;

Diversificar as situações de treino, por forma a habituarmo-nos a diferentes estímulos. Tal pode ser conseguido, por exemplo, através de;

Selecção dos alvos para os quais vamos atirar, Selecção de zonas do alvo distintas, Adopção de diferentes posições, Criação de situações de visibilidade reduzida, Execução do tiro a partir de uma posição coberta, Etc,

No treino de tiro, se o atirador não conhece a arma, deve trabalhar:

Segurança e empunhamento, Montagem, desmontagem, Carregar, descarregar, Resolver possíveis avarias, Treinar o carregamento.

e empunhamento, Montagem, desmontagem, Carregar, descarregar, Resolver possíveis avarias, Treinar o carregamento.
e empunhamento, Montagem, desmontagem, Carregar, descarregar, Resolver possíveis avarias, Treinar o carregamento.
e empunhamento, Montagem, desmontagem, Carregar, descarregar, Resolver possíveis avarias, Treinar o carregamento.
e empunhamento, Montagem, desmontagem, Carregar, descarregar, Resolver possíveis avarias, Treinar o carregamento.

Os dados estatísticos revelam que o recurso a arma de fogo se verifica a distâncias curtas, contudo, cerca de

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15% parecem ocorrer a distâncias superiores a 50 mts. Portanto é importante conduzir pelo menos 15% do seu treino a partir desta distância. Aqui exige-se uma maior precisão que velocidade, podendo-se aguardar alguns segundos até disparar. Isto significa que deve adaptar uma posição o mais equilibrada possível. Neste aspecto, a posição que oferece este equilíbrio e estabilidade é a posição de joelhos, a qual pode ser assumida numa questão de segundos, para além de proporcionar maior protecção facilitando a sua ocultação devido à redução da silhueta.

O treino de “tiro em seco” é uma das melhores formas - arriscamo-nos a dizer, indispensável - de se conseguir atingir bons resultados na execução do tiro real. Este tipo de treino oferece-nos algumas vantagens que muitas vezes não são possíveis de conseguir apenas com o tiro real. Destacamos algumas delas:

Permite o treino individualizado de cada um dos elementos fundamentais da técnica de tiro (desenvolvimento da posição correcta, treino do empunhamento, de alinhamento das miras, do disparo, de respiração e do seguimento);

Não exige perdas de tempo com deslocações à CT;

Pode ser praticado em qualquer local, quer no exterior, quer em recintos fechados;

Possibilita a economia de munições;

Permite o desenvolvimento da condição física específica, através do treino dos músculos empenhados no processo de disparo.

Quando o treino é limitado apenas à realização do tiro para alvos, os atiradores não só não chegam a detectar os seus erros como não chegam a corrigir a sua postura. Ao efectuar tiro a curtas distâncias, apesar de ser essencial, permite-se uma larga margem de erro relativamente à técnica de tiro, apesar de se acertar na silhueta. Por este motivo, é necessário

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efectuar tiro a distâncias maiores – precisão – por forma a darmo-nos conta dos erros que são cometidos. Conforme se pode facilmente perceber, o factor mais importante ao nível dos treinos é usar a imaginação para a criação de diferentes cenários. Os exercícios de treino que a seguir se indicam devem ser executados, de preferência, frente a um espelho, por forma a que o atirador possa corrigir-se, e pela ordem indicada, voltando-se ao início sempre que se pretenda avançar na sequência, repetindo as vezes necessárias para se assimilar os movimentos. Para a sua execução torna-se necessário dispor do seguinte material: 1 pistola, 2 carregadores, 5 invólucros e 1 alvo AI 1/EPG, por cada atirador.

4.3 Treino de tiro de precisão

4.3.1 Treino da posição em relação ao alvo

O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição correcta em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Com os olhos fechados ou com a cabeça voltada para o lado, levantar a arma, na direcção do alvo (referência);

Abrindo os olhos ou rodando a cabeça para o alvo, verificar se a pontaria está correcta (centro do alvo);

Caso não esteja apontada em direcção, deslocar a posição dos pés, fazendo avançar ou recuar o pé direito, conforme o cano se apresente à direita ou à esquerda do centro do alvo, respectivamente (nunca rodar só os braços);

Repetir a operação, de modo a que a arma fique apontada na direcção do centro do alvo;

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Para corrigir a elevação, será necessário ajustar a arma na mão, de modo a que esta fique apontada ao centro do alvo sem qualquer esforço;

NOTA: Neste exercício não se deve disparar.

4.3.2 Treino da posição e estabilidade da arma

O objectivo do exercício n.º 2 é: assumir a posição correcta e estabilizar a arma. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Em frente a uma parede clara, a uma distância de cerca de 5 metros, apontar a arma a essa parede e procurar a posição em que é mais fácil centrar e estabilizar o ponto de mira, durante períodos até aos 15 segundos;

NOTA: Neste exercício não se deve disparar.

4.3.3 Treino de estabilidade da arma

O objectivo do exercício n.º 3 é: alinhar correctamente as miras e estabilizar a arma. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Este treino é realizado, colocando uma marca numa

parede clara (círculo de papel preto, círculo pintado

a

giz, etc.) e apontando a arma a essa marca,

procurando a máxima estabilidade das miras;

A

dificuldade poderá ser aumentada, aumentando a

distância à marca de referência;

De vez em quando, os olhos devem ser fechados durante 2 a 3 segundos e abertos de seguida,

verificando se a estabilidade por memória muscular

se mantém;

NOTA: Neste exercício nunca se deve disparar.

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4.3.4

Treino de disparo

O objectivo do exercício n.º 4 é: depois de tirar a folga do gatilho, pressioná-lo suavemente, sem produzir “gatilhadas” (percepção do movimento e peso do gatilho):

Aqui o elemento importante é o disparo. Este deve sair durante uma boa focagem do ponto de mira, mas sem grande preocupação com o alinhamento dos órgãos de pontaria;

O treino é conduzido sem ponto de referência, em frente a uma parede clara;

Também se deve realizar de olhos fechados ou numa sala às escuras;

De início, o atirador deve procurar aperceber-se da folga e peso do gatilho da arma;

Accionar o gatilho várias vezes, tentando produzir um disparo o mais suave possível;

Deve procurar produzir o disparo em tempo útil, ou seja, antes de começar a sentir fadiga por ausência de respiração. Como regra, não deve ultrapassar-se os 10 segundos até à execução do disparo.

NOTA: Na execução de exercícios de tiro “em seco”, sempre que se produzam disparos, deverá ser colocado um invólucro na câmara da arma, uma borracha ou esponja entre o cão e o percutor. Devendo, entre cada 5 disparos, mudar-se de invólucro. Os invólucros podem obter-se facilmente na arrecadação de material de guerra.

4.3.5 Treino de estabilidade e disparo coordenado

O objectivo do exercício n.º 5 é: accionar o gatilho suavemente, sem produzir gatilhadas e sem desalinhar as miras (“jogo miras/gatilho”):

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Igual ao exercício 3, mas agora pode-se executar o disparo;

Dar atenção a que a pressão exercida no gatilho não deve perturbar a estabilidade da arma. Se esta não se verificar, deve-se insistir no exercício 4.

4.3.6 Treino da respiração

O objectivo do exercício n.º 6 é: determinar e treinar a capacidade pulmonar. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Em frente a uma parede clara, efectuar o alinhamento das miras e mantê-lo durante alguns segundos, até sentir desconforto e aumento da dificuldade em apontar;

Repetir o processo algumas vezes;

De seguida, apontar e disparar dentro do tempo útil, ou seja, antes de sentir cansaço por apneia - falta de oxigénio -.

4.3.7 Treino do “seguimento”

O objectivo do exercício n.º 7 é: efectuar o “seguimento” do disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Tomar a posição de tiro;

Executar o disparo, observando a técnica correcta de todo o processo de tiro;

Manter as miras alinhadas durante alguns segundos após o disparo, procurando manter a estabilidade das mesmas, e só depois, desfazer a pontaria.

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4.3.8

Treino integrado

O objectivo do exercício n.º 8 é: efectuar disparos

correctos, observando todos os elementos

fundamentais para a execução do tiro. Para tal deve-se

ter em atenção o seguinte:

Tomar a posição;

Levar a arma à zona de pontaria;

Suspender a respiração

Alinhar correctamente as miras;

Accionar o gatilho, sempre com a preocupação de

alinhadas e disparar

manter as miras

(“miras/gatilho”);

Efectuar o “seguimento”;

Este exercício deve ser executado em 2 fases: na primeira, contra uma parede branca, sem qualquer referência; e, na segunda, apontando a uma referência.

4.3.9 Treino diversificado

O objectivo dos exercício que integram este tipo de

treino é: diversificar as situações de treino, por forma a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se

ter em atenção o seguinte:

Utilizar diferentes posições (disparando, também, com a mão fraca);

Utilizar diferentes tipos de alvos, ou combinação de alvos.

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4.4 Treino de tiro policial 4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo O objectivo
4.4 Treino de tiro policial 4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo O objectivo
4.4 Treino de tiro policial 4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo O objectivo

4.4 Treino de tiro policial

4.4 Treino de tiro policial 4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo O objectivo do
4.4 Treino de tiro policial 4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo O objectivo do

4.4.1 Treino da posição em relação ao alvo

O objectivo do exercício n.º 1 é: assumir a posição correcta em relação ao alvo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Este treino é realizado colocando um alvo AI 1/EPG, para cada atirador, numa parede clara, a uma distância de cerca de 5 metros;

Com os olhos fechados, levantar a arma, colocando-a na direcção do alvo;

Abrindo os olhos, verificar se a pontaria está correcta (centro do alvo);

Caso não esteja apontada em direcção, deslocar a posição dos pés, fazendo avançar ou recuar o pé direito conforme o cano se apresente à direita ou à esquerda do centro do alvo, respectivamente (nunca rodar só os braços);

Repetir a operação de modo a que a arma fique apontada na direcção do centro do alvo;

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Para corrigir a elevação, recordar que o cano da arma é o prolongamento do dedo (como se fosse para apontar a alguém) e assim não deve apontar para o chão mas sim ao centro do alvo;

NOTA: Neste exercício não se deve disparar.

4.4.2 Treino para “armar” a pistola

O objectivo do exercício n.º 2 é: colocar a arma pronta a disparar. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Com a mão direita a empunhar a arma e o dedo indicador ao longo do guarda-mato, puxar a corrediça à retaguarda e deixá-la ir à frente, armando a pistola.

NOTA: O carregador deve ser retirado e a arma deve estar com a patilha em posição de tiro, para o cão poder ficar armado. Neste exercício não se deve disparar, mantendo a arma direccionada para o alvo.

4.4.3 Treino do saque

O objectivo do exercício n.º 3 é: sacar a arma do coldre. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Sacar a arma do coldre, mantendo os olhos fixos no alvo;

Mão fraca vai auxiliar no empunhamento, quando a arma já está completamente fora do coldre;

Levar a arma à linha de vista.

NOTA: Esta sequência deve ser feita com rapidez, sendo que a arma deve descrever uma trajectória rectilínea, desde que sai do coldre até à linha de vista.

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4.4.4

Treino da sensibilidade da folga do gatilho

O objectivo do exercício n.º 4 é: retirar a folga do

gatilho sem executar o disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Levantar a arma e quando esta estiver na direcção do alvo, retirar a folga ao gatilho.

NOTA: Neste exercício não se deve disparar.

4.4.5 Treino do “jogo Cá-Lá-Cá-Lá”

O objectivo do exercício n.º 5 é: habituar a vista a

focar às diferentes distâncias. Para tal deve-se ter em

atenção o seguinte:

Fazer, rapidamente, o jogo “Cá-Lá-Cá-Lá” ou seja:

Cá (vista focada num dos órgãos do aparelho de pontaria), Lá (vista focada no centro do alvo);

NOTA: Neste exercício nunca se deve disparar.

4.4.6 Treino de disparo

O objectivo do exercício n.º 6 é: executar o disparo

correcto. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Aqui o elemento importante é o disparo, dado que a folga do gatilho já foi retirada. Pressionar continuamente o resto do gatilho, até surgir o disparo.

NOTA: Na execução de exercícios de tiro “em seco”, sempre que se produzam disparos, deverá ser colocado um invólucro na câmara da arma e uma borracha ou esponja entre o cão e o percutor, devendo, entre cada 5 disparos, mudar-se de invólucro. Os invólucros podem obter-se facilmente na arrecadação de material de guerra. Deve ainda ser colocado o invólucro na câmara, e assim sendo já não

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deve ser puxada a corrediça à retaguarda. Depois do disparo, o atirador só pode regressar à posição inicial ou trocar de carregador e é sobre isso que constam os próximos dois exercícios:

4.4.7 Treino de posição inicial

O objectivo do exercício n.º 7 é: colocação na posição inicial para o próximo disparo. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Se o atirador conseguir colocar-se rápida e correctamente na posição inicial ganha tempo para poder observar o resultado obtido. Assim deve colocar a arma em posição de espera (45º) por forma a quando ouvir a voz de fogo só tenha que levantar a arma.

4.4.8 Treino de troca de carregador

O objectivo do exercício n.º 8 é: trocar de carregador rapidamente. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

O atirador deve controlar o n.º de tiros dados, com as munições existentes no carregador. Mas quando chegar à altura de substituir o carregador vazio, por outro municiado, deve fazê-lo com a sua silhueta reduzida e mantendo os “olhos no alvo”. Este treino deve ser conduzido com e sem corrediça à retaguarda.

NOTA: O atirador, à ordem, (na Carreira de tiro esta não lhe deve ser dada, visto que a troca se faz quando a corrediça fica retida à retaguarda) simula o retirar do 1º carregador e faz a introdução do 2º, aguardando ordem para reiniciar o tiro.

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4.4.9

Treino diversificado 21

O objectivo dos exercícios que integram este tipo de

treino é: diversificar as situações de treino, por forma

a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se ter em atenção o seguinte:

Utilizar diferentes posições;

Utilizar diferentes tipos de alvos, ou combinação de alvos;

Seleccionar exercícios que impliquem deslocamento do atirador.

4.5 Treino em caso de ferimento no braço

Num confronto o militar nunca deve enjeitar a possibilidade de vir a ser ferido num dos braços (ou em qualquer outra zona do corpo). Se tal acontecer, a sua prioridade deve ser procurar uma zona que o proteja, especialmente se não sabe de onde os tiros partiram, pois até o descobrir não poderá contra-atacar. Torna-se assim importante aprender a manejar a arma com a mão fraca, caso tenha sido alvejado e do incidente resulte a imobilização do braço da mão forte. Tal implica não só sacar e atirar mas também recarregar e resolver avarias.

4.5.1 Treino de manuseamento

O objectivo dos exercícios que integram este tipo de treino é: manusear a arma com a mão fraca, por forma

a mecanizar procedimentos. Para tal deve-se observar

a seguinte sequência:

1.º O militar, tendo sido atingido no braço direito, vai ter que fazer uso da arma manuseando-a com a mão fraca;

21 Ver o exemplo dado para o treino da modalidade de tiro de precisão e ver também os exemplos de circuitos práticos no Anexo C.

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2.º

Para tal, vai ter que tirar o fiador para a empunhar e preparar para fazer fogo com essa mão.

para a empunhar e preparar para fazer fogo com essa mão. 4.5.2 Treino de recarregamento O
para a empunhar e preparar para fazer fogo com essa mão. 4.5.2 Treino de recarregamento O

4.5.2 Treino de recarregamento

fazer fogo com essa mão. 4.5.2 Treino de recarregamento O objectivo dos exercícios que integram este

O objectivo dos exercícios que integram este tipo de treino é: trocar de carregador e introduzi-lo com a mão fraca, por forma a mecanizar procedimentos. Para tal deve-se observar a seguinte sequência:

1.º O militar, tendo sido atingido no braço esquerdo, verifica que a corrediça está à retaguarda e que não existem munições no carregador; 2.º Sem tirar os olhos da ameaça, coloca a arma numa posição que facilite o recarregamento e substitui o carregador vazio por outro municiado 22 ;

22 Após esta operação, o carregador substituído deve ser colocado no mesmo sítio de onde se tirou o outro.

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3.º

Após esta operação leva a corrediça à frente e prossegue o exercício.

leva a corrediça à frente e prossegue o exercício. 4.5.3 Treino de procedimento em caso de
leva a corrediça à frente e prossegue o exercício. 4.5.3 Treino de procedimento em caso de
leva a corrediça à frente e prossegue o exercício. 4.5.3 Treino de procedimento em caso de
leva a corrediça à frente e prossegue o exercício. 4.5.3 Treino de procedimento em caso de

4.5.3 Treino de procedimento em caso de avaria

O objectivo dos exercícios que integram este tipo de treino é: resolver uma avaria com a mão fraca, por forma a mecanizar procedimentos distintos. Para tal deve-se observar a seguinte sequência:

1.º O militar, tendo sido atingido no braço esquerdo, verifica que existe um invólucro a impedir o movimento da corrediça para a frente; 2.º Acto contínuo, reduz a silhueta e tenta resolver a avaria. Para tal, utiliza o cinturão ou o calcanhar da bota, a fim de fazer recuar a corrediça para acabar de extrair o invólucro; 4.º Após esta operação leva a corrediça à frente e prossegue o exercício.

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4.6 Treino de pistola metralhadora

No treino da pistola-metralhadora, regra geral, não é aconselhável efectuar tiro de rajada porque rapidamente se fica sem munições. A tendência da própria arma em elevar-se

desaconselha-o. Se for treinado, é quase tão rápido apertar o gatilho tiro a tiro, como disparar em rajadas, mesmo que curtas, não havendo necessidade de fazer pontaria a cada disparo. Para além disso há uma maior possibilidade de atingir o alvo. Apontar e disparar será a base para todo o treino de tiro com pistola metralhadora. Só após se ter vencido esta etapa é que o atirador poderá experimentar outro tipo de exercícios com a arma, os quais podem incluir um género de tiro de precisão, o que certamente conduzirá a um melhor conhecimento da arma

por

parte do atirador.

O

treino inicial consiste numa série de exercícios de

familiarização, os quais consistem em:

Praticar operações de segurança;

Conhecer o funcionamento e capacidades da arma;

Desmontar/montar e fazer a manutenção da arma;

Exercícios de carregar e descarregar;

Procedimentos em caso de avaria;

Adoptar posições de tiro,

Efectuar tiro.

4.7 Treino de resolução de avarias

Sem qualquer dúvida, um dos atributos mais desejados da pistola é a fiabilidade. Contudo, não existe nenhuma que seja 100% fiável. Tudo aquilo que o homem faz é sujeito a falhas, muitas das vezes nos momentos mais inoportunos. Sabendo isto é importante aprender e compreender os procedimentos

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imediatos que se seguem a quaisquer avarias que surjam com

a pistola, tentando minimizar não só os riscos de virem a

surgir, como também procurando resolvê-los no mais curto espaço de tempo. As avarias têm origem nas armas, munições defeituosas, atirador ou ainda em carregadores defeituosos. Para prevenir

o seu surgimento é preciso ter uma pistola devidamente limpa

e lubrificada - nas peças devidas - e assegurar que os carregadores e as munições sejam de qualidade. Cada avaria que se verifique há-de ter a sua causa, contudo, no meio da refega não existe lugar para fazer um diagnóstico da mesma. Os seguintes exercícios que se podem fazer para treinar a resolução de avarias permitir-lhe-ão reconhecer as características da cada uma e tomar os procedimentos mais correctos, a fim de as resolver no mais curto espaço de tempo possível. É importante que em todas estas fases a arma seja mantida em linha de vista para não só poupar tempo como também procurar manter uma visão periférica adequada ao controlo da situação.

Posição 1 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de disparo. Ao invés de ouvir “pum” ouve-se “click”. Tal pode ser causado por uma munição defeituosa, um percutor partido ou uma falha na introdução de munição na câmara. O procedimento a ter é dar uma pancada seca no carregador com a mão fraca para que o mesmo possa ser devidamente introduzido, depois rodar a arma lateralmente para a direita, puxar a corrediça à retaguarda, a fim de sair a munição defeituosa, e deixá-la ir novamente à frente (introduzindo nova munição). Se mesmo assim se manter a falha de disparo, voltar a repetir o mesmo processo. Se após este procedimento ainda se mantiver o mesmo problema então a deficiência pode ser devida ao percutor partido, ou simplesmente o carregador não ter munições !!!

Posição 2 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de ejecção, podendo ser causada por um carregador defeituoso,

76

que interfere com a ejecção do invólucro, ou por um ejector (ou extractor) defeituoso. Tal pode ser visualmente detectado pela presença do invólucro que não permite à culatra recuar (o que não permite armar novamente a arma, pelo que o gatilho fica imobilizado). O procedimento a tomar é semelhante ao anterior, procurando tirar o invólucro com a mão fraca e deixar ir novamente a corrediça à frente. Esta identidade de procedimentos entre as duas situações ajuda a resolver os problemas surgidos e a manter as coisas simples, fáceis de aprender e mecanizar.

Posição 3 de avaria – Esta avaria resulta de uma falha de alimentação, em resultado do carregador não ter mais munições. Tal pode ser facilmente detectado porque a corrediça fica à retaguarda não existindo nenhuma munição na câmara e estando o carregador vazio. O procedimento a adoptar será substituí-lo por outro com munições.

Posição 4 de avaria – Esta avaria verifica-se quando a corrediça, após ter vindo à retaguarda, não vai à frente, o que se pode dever ao defeito dos lábios do carregador. Apesar de, neste caso, o carregador ter de ser reparado, pode-se tentar resolver esta situação, descendo um pouco o carregador até que a corrediça vá à frente. Deve ainda ter o mesmo procedimento das posições anteriores, fazendo mais duas ou três tentativas para que a corrediça vá à frente. Qualquer um destes exercícios pode ser aperfeiçoado com munições inertes durante a prática de tiro em seco. A melhor forma de prevenir estas avarias é efectuar uma manutenção regular às armas e transportar consigo carregadores e munições em bom estado. No caso específico dos carregadores devem ser observados periodicamente, em especial, o estado da mola elevadora, do elevador, dos lábios e se o corpo não se encontra amolgado. Aqueles que não se apresentem nas melhores condições devem ser utilizados para os treinos e nunca no serviço operacional propriamente dito.

77

4.8

Alvos a utilizar

Os alvos que actualmente se podem utilizar para treino são muito mais variados que as silhuetas para as quais os militares estão habituados a treinar. Efectivamente, existe hoje toda uma panóplia de alvos, com especial relevo para os “shoot/no shoot”, isto é, alvos aparentemente idênticos, diferindo apenas no facto de uma determinada figura poder aparecer a empunhar uma arma (“shoot” – deve-se fazer fogo) ou um outro objecto qualquer (“no shoot” – não se deve fazer fogo, pois não existe o pressuposto da proporcionalidade de meios). Para além disso, os alvos podem ser estáticos ou móveis, o que ajuda a dar um maior realismo à situação de treino. Os militares devem treinar com variados tipos de alvo por forma a não dar a ideia de rotina, mas sim de diversidade. Esta questão da diversidade, em particular, é especialmente importante pois contribui para uma melhor preparação do militar, possibilitando-lhe uma melhor análise e escolha de soluções possíveis numa situação real onde possa ser necessário utilizar uma arma de fogo. Tendo em atenção o que se referiu anteriormente, a utilização de um alvo táctico ajuda bastante a dar um maior realismo ao exercício de treino, levando o atirador a pensar e a procurar atingir (quando tal for o caso) o alvo na zona demarcada. Relativamente a este pormenor, aconselha-se a evitar os alvos que tenham esta zona muito pequena pois senão o atirador tem tendência a fazer um tiro de precisão e, por isso, a demorar mais tempo, o que numa situação real pode vir a ser fatal. No caso onde não seja possível adquirir estes alvos, o formador pode optar por utilizar os alvos SP II, ou outros quaisquer, colando-lhe algumas formas geométricas de cores diferentes (conforme se viu no treino da modalidade de tiro de precisão) ou simplesmente traçando/dobrando uma zona do alvo para a qual se pode/não pode disparar. Pode ainda

78

colocar 3 alvos lado a lado ou 2 em baixo e um em cima ou a diferentes alturas.

Na

utilização destes exercícios de treino deve-se:

Procurar alvos com tamanho realístico.

Procurar distâncias razoáveis.

Criar cenários com base em exercícios vividos.

Criar cenários com base em futuros problemas.

Se

o atirador não puder olhar para o cenário e imaginá-lo

como verdadeiro então o exercício de pouco servirá.

A chave para o treino de “shoot/no shoot” 23 é testar a

capacidade dos atiradores para pensar com clareza sob

situações de stress. Tal pode ser feito colando figuras de armas (“shoot”) no alvo ou outro tipo de figuras (“shoot/no shoot”). O formador pode fazer isto enquanto o formando está

de costas e depois este recebe a indicação de apenas disparar,

por exemplo, para os alvos com quadrados vermelhos ou

círculos azuis.

23 Ver Anexo A.

79

5

CORRECÇÃO DE ERROS NA EXECUÇÃO DE TIRO

Tão importante quanto reconhecer os erros cometidos em CT é saber como corrigi-los. Isso implica alguma perseverança e poder analítico por parte do atirador. Mas não basta ter alguma noção teórica sobre o motivo, ou motivos, que pode(m) estar na sua origem. Por vezes é preciso adoptar o procedimento da tentativa erro e ir experimentando até se ter algum sucesso. Só através desta insistência é que será possível chegar a alguma conclusão concreta e definida. Não obstante, existem algumas regularidades na ocorrência dos erros mais comuns. Para a sua correcção, torna-se necessário ter em consideração um conjunto de aspectos que podem exercer influências distintas no resultado do desempenho. A consciência da sua existência e forma de os controlar será um importante auxiliar para o atirador.

5.1 Causas do desvio dos projécteis

5.1.1 Da arma

Vibrações do cano, no momento do disparo;

Demasiado uso do cano (estrias gastas);

Ferrugem ou aderência de resíduos (pólvora ou metal) à câmara da arma;

Arma não regulada ou irregularidades no aparelho de pontaria.

5.1.2 Das munições

Diferenças de peso ou dimensões do projéctil;

Diferenças de qualidade ou quantidade da pólvora.

5.1.3 Circunstâncias exteriores

Vento (poderá desviar a trajectória ou produzir instabilidade na arma);

80

Sol (afecta a utilização correcta do aparelho de pontaria, pois o atirador dirige, involuntariamente, o ponto ou a alça de mira para o lado mais iluminado.

So

o ponto ou a alça de mira para o lado mais iluminado. So 5.1.4 Do atirador
o ponto ou a alça de mira para o lado mais iluminado. So 5.1.4 Do atirador

5.1.4 Do atirador

É aqui que reside a principal causa de “desvio dos projécteis”, visto que o atirador pode não ter adquirido completamente a parte técnica do tiro. Assim, ainda é possível na CT, fazer algumas correcções quando os atiradores estiverem a obter resultados fracos (logo após a sessão de ensaio). Estas devem ser feitas de forma a que o atirador se aperceba dos erros cometidos. Não basta dizer-lhe, é preciso que ele próprio os reconheça, sem a interferência de ninguém. Natureza dos erros

De uma forma geral, os erros que se verificam mais comummente apresentam a seguinte distribuição:

3%

20%

DEFICIÊNCIAS DO ARMAMENTO

MAU

ALINHAMENTO

65%

COMETIDAS AO

PRESSIONAR

distribuição: 3% 20% DEFICIÊNCIAS DO ARMAMENTO MAU ALINHAMENTO 65% COMETIDAS AO PRESSIONAR 81 12% DEVIDO AO

81

12%

DEVIDO AO

SISTEMA

Como se pode verificar, o atirador é o responsável pela ocorrência da maior parte dos erros cometidos. Regra geral, estes podem-se classificar em erros angulares e erros paralelos. Os erros angulares têm origem quando o atirador desalinha as miras, concentrando-se em focar apenas o ponto de mira, ou a alça e o alvo. Sucede, então, que o atirador pode estar alinhado com o alvo mas tem um dos elementos do aparelho de pontaria desalinhado. O resultado deste desalinhamento causa um desvio no ponto de impacto no alvo que é tanto maior quanto maior for a distância. Por esta razão, este tipo de erro é considerado o mais prejudicial para o atirador, e o mais difícil de contrariar, sendo também o que ocorre com mais frequência.

contrariar, sendo também o que ocorre com mais frequência. Os erros paralelos resultam do desalinhamento do

Os erros paralelos resultam do desalinhamento do aparelho de pontaria com o alvo. Quer isto dizer que o atirador tem as miras alinhadas entre si, mas desalinhadas em relação ao alvo. Este tipo de erro é menos prejudicial para o atirador e menos difícil de contrariar, sendo também o que ocorre com menos frequência.

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No entanto, outros erros poderão ser cometido pelo atirador. Vejamos, então, quais poderão ser as

No entanto, outros erros poderão ser cometido pelo atirador. Vejamos, então, quais poderão ser as causas de alguns dos erros mais frequentes.

5.2.1

ser as causas de alguns dos erros mais frequentes. 5.2.1 Impactos agrupamento definido Verifica-se quando o

Impactos

agrupamento definido

Verifica-se quando o atirador altera a posição do corpo ou o empunhamento em cada disparo. Se a empunhadura for alterada, o controlo do gatilho também se modifica, obtendo-se deste modo impactos sempre diferentes. Poderá também ser motivado pelo facto do atirador focalizar o alvo e não o aparelho de pontaria da arma. O atirador deve ter a noção de que:

sem

distribuídos

por

todo

o

alvo

Deve encontrar a melhor empunhadura possível. A sua importância deve-se ao facto de afectar a forma de controlar o gatilho;

A posição de tiro deve ser correcta e a ideal para si. A sua automatização permitirá mantê-la inalterável após cada disparo;

O aparelho de pontaria deve ser focado, deixando o alvo na visão periférica. A arma, como instrumento de precisão que é, necessita de ter o aparelho de pontaria perfeitamente alinhado com o local que pretendemos atingir no alvo. Tal só se consegue se o focalizar e não o alvo. Caso contrário, estará a ver a alça e o ponto de mira

83

desfocados, logo aumentados, e como tal, a sua mirada poderá estar a ser feita por qualquer ponto da mancha em que estes estão a ser percepcionados, e não do modo exacto, parecendo- lhe, mesmo assim, estar a apontar correctamente.

5.2.2 Impactos concentrados entre as 12H30 e as 02H00

5.2.2 Impactos concentrados entre as 12H30 e as 02H00 Verifica-se quando o atirador encaixa o punho

Verifica-se quando o atirador encaixa o punho da arma junto à base do dedo polegar. Ao ser assim empunhada, a arma fica com o rebordo definido pelas arestas posterior e lateral direita do carregador, junto à zona hipotenar proximal. Quando efectua o disparo, puxando o gatilho subitamente, crispa a mão. Os músculos dessa zona, actuando em conjunto com os dedos, empurram lateralmente a arma, fazendo com que a boca do cano suba para o lado direito do atirador. O atirador deve ter a noção de que:

A empunhadura deve ser feita encaixando a parte posterior do punho no vértice do ângulo formado pela inserção dos dedos indicador e polegar (zona mole);

Para efectuar o disparo deve mover apenas o dedo indicador, permanecendo imóvel o resto da mão;

A pressão sobre o gatilho deve ser lenta e suave. É preferível perder uns décimos de segundo, a fim de controlar correctamente o gatilho, do que falhar o tiro. Em situação de confronto directo, um erro deste tipo pode-lhe custar a vida, ou a de terceiros.

5.2.3 Impactos concentrados entre as 02H00 e as 03H30

Verifica-se quando o atirador exerce pressão através da falange sobre o corpo da arma, empurrando-a para o lado direito.

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Outra causa provável será uma empunhadura deficiente. A palma da mão de apoio, ao ser

Outra causa provável será uma empunhadura deficiente. A palma da mão de apoio, ao ser posta muito à frente, e não da forma correcta já referida, também pode ser responsável por este erro. Colocada da forma descrita, o seu vector de força não se efectuará no sentido pretendido, mas para o lado direito. Este tipo de concentração poderá advir ainda do facto de colocar qualquer porção da falange ou falanginha do dedo indicador sobre o gatilho, envolvendo-o totalmente. Estará assim a exercer dois tipos de pressão sobre o gatilho. Um provocado pela flexão do dedo, e para a esquerda. O outro, pelo envolvimento do gatilho, e para a direita. Como este último é o dominante, a arma irá deslocar-se no seu sentido. O atirador deve ter a noção de que:

O dedo polegar deve acompanhar a arma sem exercer qualquer pressão. Só a sua base é que actua e apenas para efectivar a empunhadura;

Deve concentrar a atenção na posição da mão esquerda. Não esquecer que é a zona de flexão da palma, junto à implantação dos dedos, que se sobrepõe aos dedos da mão direita. A pressão é efectuada, da frente para trás, sobre a face anterior do punho. Deste modo, a força (de aperto) exercida pela palma e pelos dedos desta mão, necessária para segurar a arma, ficará equilibrada, não provocando desvios;

Só a falangeta do dedo indicador, pela sua porção média, é que pode accionar o gatilho. Como já referido, deve encontrar uma situação de compromisso entre a forma anatómica da sua mão e a arma que utiliza.

5.2.4 Impactos concentrados entre as 03H30 e as 05H00

85

Verifica-se quando o atirador contrai a mão ao aplicar a pressão no gatilho. Não estando

Verifica-se quando o atirador contrai a mão ao aplicar a pressão no gatilho. Não estando a arma segura com a tensão suficiente, os dedos polegar e mínimo, fazendo excessiva força, são os principais responsáveis por este erro. O polegar empurrando para a direita, e o mínimo, ao pressionar na zona terminal do punho, puxando para baixo. O atirador deve ter a noção de que:

Numa empunhadura perfeita, a mão direita apenas

sustem a arma, cabendo à mão esquerda segurá-la

e guiá-la. A força, a aplicar pela mão que

empunha, limita-se às bases dos dedos polegar e indicador. Mesmo o dedo médio não pode efectuar

pressão excessiva;

Os dedos não devem apertar a arma, como se a quisessem espremer.

5.2.5 Impactos concentrados entre as 05H00 e as 06H30

5.2.5 Impactos concentrados entre as 05H00 e as 06H30 Verifica-se quando o atirador, por saber que

Verifica-se quando o atirador, por saber que no momento do disparo o coice levantará a arma, dobra o pulso no sentido contrário procurando compensá-lo. Este movimento é puramente reflexo. No momento do disparo, o atirador pressiona excessivamente o punho com os dedos anelar e mínimo, provocando um desequilíbrio na arma que se manifesta por abaixamento da boca do cano. Este erro é designado, incorrectamente, de “gatilhada”. O atirador deve ter a noção de que:

A acção a efectuar sobre o gatilho, deverá ser

lenta, suave e progressiva. Só deste modo conseguirá obter um tiro de surpresa, evitando o acto reflexo de antecipação do coice. Com o treino adequado, este movimento passará a ser cada vez mais rápido, mas sem provocar alterações na posição da arma;

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Numa empunhadura correcta, a arma é segura apenas pelas bases dos dedos polegar e indicador, e apoiada pela zona de implantação dos dedos da mão. Os dedos médio, anelar e mínimo limitam-se a acompanhar a parte anterior do punho, sem exercerem pressão excessiva. No momento do disparo, estes dedos devem permanecer estáticos. Só o dedo indicador é que irá exercer pressão sobre o gatilho, com o cuidado de não tocar em mais nenhuma parte da arma.

Outra das causas pode estar relacionada com a “gatilhada”, isto é, quando as miras estão alinhadas, instintivamente o atirador pensa em disparar e então o dedo efectua um movimento brusco e forte sobre o gatilho. Também ocorre quando começamos a apertar pouco a pouco o gatilho e, ao não sair o disparo parece que nos cansamos, razão pela qual exercemos maior força no gatilho produzindo-se dessa forma a “gatilhada”. O dedo não deve perder nunca o contacto com o gatilho pois se não existir esse contacto aumenta a possibilidades de dar “gatilhadas”. Igualmente se produz porque o ruído da detonação incomoda, tendo assim os mecanismos de defesa preparados. Provocamos então o disparo para aliviar a tensão que produz o estar pendente do disparo do camarada que está ao lado.

5.2.6 Impactos concentrados entre as 06H30 e as 08H00

lado. 5.2.6 Impactos concentrados entre as 06H30 e as 08H00 Verifica-se quando o atirador puxa repentinamente

Verifica-se quando o atirador puxa repentinamente o gatilho, dada a sua tendência em dar demasiada atenção ao alvo. Assim, devido aos movimentos da mão, o aparelho de pontaria surge-lhe enquadrado com o alvo, 1 em cada 5 segundos, levando-

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o a tomar uma atitude expectante. Ao procurar

efectuar o tiro no segundo em que tem a mirada

correcta, o atirador puxa violentamente o gatilho que,

ao ser assim accionado, provoca um desvio para baixo e para a esquerda.

O desvio para a esquerda deve-se ao facto de, ao

flectir o dedo indicador, este tender naturalmente (anatomicamente) a deslocar-se na direcção do dedo polegar. O atirador deve ter a noção de que:

Deve concentrar mais a atenção no aparelho de pontaria deixando o alvo na sua visão periférica. Só assim conseguirá verificar qualquer alteração que eventualmente provoque, tendo hipótese de a corrigir de imediato;

arma

Obterá

deste

modo

a

estabilidade

da

necessária

para

poder

efectuar

um

disparo

correcto;

Não se deve esquecer que a pressão no gatilho se deve efectuar de modo uniformemente crescente, mas o mais lenta possível, para não alterar a posição da arma e conseguir que o tiro o surpreenda.

5.2.7 Impactos concentrados entre as 08H00 e as 09H30

5.2.7 Impactos concentrados entre as 08H00 e as 09H30 Verifica-se quando o atirador pressiona o gatilho

Verifica-se quando o atirador pressiona o gatilho de uma forma incorrecta. Os atiradores com a mão pequena, ao efectuarem uma boa empunhadura para terem o controlo eficaz da arma, só conseguem alcançar o gatilho com a ponta do dedo indicador. Ao accionarem-no, a pressão exerce-

se sobre a sua aresta lateral direita, e não na porção anterior. Em relação a atiradores com a mão ou dedos compridos, este erro é motivado por utilizarem a

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falanginha ou a dobra existente entre esta e a falange para pressionarem o gatilho, mas sem o envolverem. Em ambas as formas anteriores, o atirador empurrará

o gatilho para a esquerda em vez de o puxar em linha

recta para trás. Finalmente, a mão esquerda, que deve apoiar e guiar a

arma, também pode provocar este tipo de erro se a sua colocação for deficiente. Se colocarmos a palma da

mão muito atrás, em vez de ficarmos com a base de implantação dos dedos a pressionar na face anterior da coronha, serão as falanges a fazê-lo. Desta forma serão os dedos a exercer maior pressão, puxando a arma para a esquerda.

O atirador deve ter a noção de que:

Deve utilizar a parte média da falangeta para pressionar o gatilho, exercendo uma acção lenta, suave, crescente e em linha recta da frente para trás; O dedo nunca empurra o gatilho, e, ao inserir-se nele, a falangeta deverá fazer com o sentido longitudinal do corpo da arma um ângulo de 90º; Nos casos de atiradores com mãos desproporcionadas em relação à arma que utilizam, deverão, em pretérito de uma boa empunhadura, encontrar uma situação de compromisso empunhadura/arma, que lhes permita efectuar o controlo do gatilho da forma descrita; As zonas tenar e hipotenar da mão de apoio deverão cobrir a platina esquerda, de modo a que seja a zona de flexão da palma - inserção dos dedos – a pressionarem, da frente para trás, a parte anterior do punho.

5.2.8 Impactos concentrados entre as 09H30 e as 11H00

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Verifica-se quando o atirador, por saber que, ao ser deflagrada, a arma irá subir, numa

Verifica-se quando o atirador, por saber que, ao ser deflagrada, a arma irá subir, numa tentativa de amortecer a violência do seu impacto, começa a executar este movimento quando ainda está a pressionar o gatilho. Por sentir o momento em que o cão ultrapassa o ressalto que lhe permite vir à frente para embater no percutor, o atirador larga violentamente o gatilho. Sendo estes movimentos simultâneos com a deflagração, vão alterar a posição da arma, fazendo-a saltar para cima e para a esquerda. O atirador deve ter a noção de que:

Não deve antecipar o movimento provocado pelo coice antes dele existir. Deverá efectuar a força necessária e suficiente com a mão esquerda para não deixar que a arma levante muito. Isto consegue-se se a mão esquerda pressionar a direita para trás, mantendo o cotovelo em direcção ao solo;

Após a deflagração, o gatilho deve ser seguido pelo dedo indicador no seu movimento de recuperação. Quer isto dizer que, ao ir à frente, o dedo não perde o contacto com o gatilho, deixando-o armar de forma lenta e suave.

5.2.9 Impactos concentrados entre as 11H00 e as 12H30

5.2.9 Impactos concentrados entre as 11H00 e as 12H30 Verifica-se quando o atirador coloca a arma

Verifica-se quando o atirador coloca a arma com a aresta posterior direita do punho junto à zona de flexão da mão. Nesta posição, ao apertar o punho no instante que antecede o disparo, o atirador empurra-o com a palma da mão – empalmar -. Como o eixo de rotação da arma se encontra na junção do punho com a carcaça, a

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boca do cano é elevada. Ao aperceber-se deste movimento, a atenção do atirador é desviada para o ponto de mira, foca-o, recentrando a pontaria apenas por ele. Como a alça baixou mas está desfocada, o atirador não toma consciência do erro, pois vê o ponto de mira no centro do alvo. O atirador deve ter a noção de que:

Ao fazer a pontaria, deve manter sempre focados com nitidez quer a alça quer o ponto de mira, principalmente no lapso de tempo que antecede o disparo. Só assim se conseguirá aperceber das alterações da mirada que possam advir, e corrigi- las atempadamente;

Deve empunhar a arma convenientemente, o que lhe proporcionará o seu correcto controlo. No caso vertente, e para que os músculos da palma da mão não interfiram com a estabilidade da arma, não se pode esquecer que, a empunhadura deve ser conseguida através de uma pressão limitada da mão direita, devidamente acompanhada da mão esquerda.

5.2 Correcções a efectuar pelo Oficial de Tiro

5.3.1 Confirmar o alinhamento do aparelho de pontaria

Mostrando a figura correspondente ao aparelho de pontaria

5.3.1 Confirmar o alinhamento do aparelho de pontaria ∑ Mostrando a figura correspondente ao aparelho de
5.3.1 Confirmar o alinhamento do aparelho de pontaria ∑ Mostrando a figura correspondente ao aparelho de

91

Na pistola, por exemplo, a perspectiva que o atirador deve ter da mirada aos 10, 15 e 20 mts. É, sensivelmente, a seguinte:

10mts.
10mts.
aos 10, 15 e 20 mts. É, sensivelmente, a seguinte: 10mts. 15mts. 20mts. Como, à medida

15mts.

15 e 20 mts. É, sensivelmente, a seguinte: 10mts. 15mts. 20mts. Como, à medida que a

20mts.

Como, à medida que a distância aumenta se torna mais difícil enquadrar o ponto de mira na zona de pontaria, o resultado traduz-se numa maior dispersão.

5.3.2 Folga do gatilho e disparo

Depois da sessão de ensaio, aproveitando o intervalo após a colagem de pastilhas, e não havendo ninguém à frente dos atiradores, isolar um dos piores atiradores e chamar os restantes, informando-os de que, quando este atirador estiver a disparar, devem ter especial atenção ao gatilho e ao cano da arma;

De seguida, chamar o atirador que não obteve bons resultados, fingir que vai municiar-lhe a arma (introduzindo um invólucro na câmara), dizendo- lhe que se enquadre com o alvo e faça um disparo;

quase

certo

É

que

este

atirador

vai

dar

uma

gatilhada

(o

cano

vai

baixar,

no

momento

do

92

disparo)

poderão confirmar;

facto

que

todos

os

outros

atiradores

poderão confirmar; facto que todos os outros atiradores ∑ Explicar ao atirador onde errou, e demonstrar-lhe

Explicar ao atirador onde errou, e demonstrar-lhe o jogo Miras/Gatilho ou Cá-Lá-Cá-Lá, deixando-o disparar duas ou três vezes “em seco” (até que o cano não se mova ao disparar);

Argumentando que se vai proceder à troca do invólucro, introduzir uma munição na câmara, dizendo-lhe para efectuar mais um disparo, utilizando toda a técnica vista anteriormente;

Assim, o resultado obtido com este disparo, será bem melhor que os antecedentes, dando confiança ao atirador e demonstrando aos restantes como poderão melhorar o seu tiro.

5.3.3 Exercer demasiada força nos dedos ao disparar

Para detectar este erro, é necessário que o atirador dispare “em seco”. Para se corrigir, basta relembrar-lhe que a arma deve ser empunhada com a força necessária para se cumprimentar alguém;

Se não resultar, obrigá-lo a empunhar a arma apenas com o polegar e o indicador, mantendo os restantes dedos afastados do punho, e disparar uma ou duas vezes.

93

94

94

SEGURANÇA E CONDUTA PESSOAL

“Uma brincadeira com uma arma de fogo acabou da pior maneira num bar em Grândola, com um soldado da GNR a desfechar um tiro na sua própria cabeça, soube o Correio da Manhã. O acidente teve lugar por volta da uma hora da manhã de ontem num bar da vila de Grândola e foi presenciado por um colega da vítima e um grupo de mais de cinco pessoas. Os dois soldados da GNR, ambos a prestar serviço no posto territorial de Grândola, estavam a conversar sobre armas de fogo, quando, um deles pediu ao colega a arma pessoal emprestada para, segundo consta, mostrar um “truque novo”. Fonte do Comando Geral da GNR disse que o guarda Luís Fernando Branco Nunes, de 29 anos, alistado na corporação desde 1993 retirou as munições que estavam no tambor do revólver. Todavia, tudo leva a crer que uma bala .32 ficou esquecida no tambor e quando o militar levou o revólver à cabeça e premiu o gatilho foi atingido mortalmente, perante a estupefacção de todos os presentes. O militar da GNR ainda foi evacuado para uma unidade hospitalar, mas chegou cadáver. O mesmo responsável do Comando Geral da GNR, em Lisboa, adiantou que o soldado falecido estava fora de serviço, assim como o camarada. Recorde-se que este não foi o primeiro acidente com armas de fogo manuseadas por agentes de autoridade em aparentes brincadeiras que acabam por culminar em morte.” In Correio da Manhã de 17DEC96

5. A SEGURANÇA NO USO DE ARMAS DE FOGO

Talvez este exemplo sirva de alerta quando não é atribuída a devida importância a um princípio irredutível que deve estar sempre presente em todos aqueles que fazem uso de armas de fogo, com especial incidência nos militares de uma Força de Segurança. A segurança é, efectivamente, uma das suas principais

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responsabilidades. A inobservância das suas mais elementares regras pode conduzir à situação que aqui se reproduz.

A segurança é um conceito que aparece intimamente ligado ao de

arma de fogo. Com efeito, se perguntarmos a alguém o que tem a dizer sobre as armas de fogo, aquele que se sente incomodado com o assunto dirá que todas as armas são perigosas. Esta opinião é partilhada por aquele que a elas está habituado, pois caso o não fossem seriam inúteis. Na realidade, as armas, por si só, são ferramentas inofensivas e inertes, até que alguém lhes toque, razão pela qual se costuma dizer que não existem armas perigosas, as pessoas é que são perigosas. Uma pessoa qualquer que veja uma

arma carregada pode-a considerar perigosa, contudo a segurança é da responsabilidade do utilizador e não tanto de quem o está a observar.

A segurança com as armas de fogo deve significar que apenas o

adversário, ou o alvo de papel que se encontra numa carreira de tiro, se encontra em perigo de vir a ser alvejado, e nada nem ninguém

para além disso.

A segurança - a todos os níveis -, é um processo mental que deve

ser aprendido e praticado para que seja efectivo. Os acidentes que ocorrem não podem ser prevenidos com leis ou sistemas de segurança demasiado seguros que tornem as armas de fogo em instrumentos de pouco valor táctico, ou mesmo inúteis. Os acidentes com estas armas são causados pela inépcia e pelo descuido negligente do seu manuseamento, por intermédio de pessoas que não possuem o necessário estado de espírito que lhes permita ter esta preocupação sempre presente. As armas não disparam por elas próprias, alguém, ou algo, faz com que elas disparem. As armas que são disparadas inadvertidamente ou acidentalmente causam grandes embaraços, quando não, tragédias. Quando tal acontece torna-se mais fácil para o prevaricador culpar a arma que admitir o erro e aceitar a responsabilidade do mesmo. Disparos acidentais não são de forma alguma “acidentes”, eles são causados pela negligência e devem antes ser sempre apelidados de disparos negligentes. Esta constatação remete-nos para a conduta pessoal do militar, para a sua atitude, assunto a abordar mais à frente.

96

A fim de minimizar a ocorrência deste tipo de disparos, o ensino da moderna técnica de tiro tem reservado uma parte dedicada em exclusivo à compreensão das regras de segurança. De entre todas as que possamos considerar, talvez a mais importante, a regra de ouro relativamente à segurança, é: nunca colocar o dedo no gatilho, a não ser quando pretenda fazer tiro. Não obstante a sua importância, e uma vez que as regras devem ser vistas numa perspectiva de complementaridade, aqui ficam quatro sugestões claras, concisas e fáceis de lembrar:

Regra um: Todas a armas estão sempre carregadas. Temos muito mais confiança com uma arma que sabemos estar carregada, pois se tal não acontecer tornam-se inúteis. Por esta razão devemos sempre partir do pressuposto de que a arma está sempre carregada;

Regra dois: Nunca aponte a arma a ninguém, se não for para fazer tiro. Se alguém lhe apontar a arma tem de partir do pressuposto de que está pronto para o atingir, pelo que tem todo o motivo para reagir agressivamente contra ele(a). Quando tal sucede, a desculpa habitual é que “a arma não está carregada”. Deveria então ter em atenção a regra um. Uma excepção a esta regra, ocorre quando, por razões evidentes, não se pretende disparar sobre o adversário, mas torna-se necessário intimidá-lo ou dar-lhe a ordem de largar a arma que tiver empunhada. Se por acaso se confirmar que a pessoa está inocente ou não há razão para continuar com aquele procedimento, então baixa-se a arma. Contudo, quaisquer problemas poderão facilmente ser prevenidos, através da observação da regra três;

Regra três: Mantenha o dedo fora do gatilho até que as miras estejam no alvo. Lembre-se que num cenário táctico, as miras ainda não estarão no alvo, sendo esta a última possibilidade que há de prevenir quaisquer tiros inadvertidos. Mesmo (e sobretudo) em deslocamento o dedo que acciona o gatilho deve estar sempre colocado ao longo do guarda-mato;

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Regra quatro: Certifique-se do seu alvo e do que está por trás dele. Não dispare para um som ou um barulho, certifique-se sempre que se trata do alvo para o qual quer atirar.

Conforme se pode facilmente concluir, nenhuma destas regras se baseiam em dispositivos de segurança, mas antes num adequado estado de espírito o qual deve ser sempre observado quando se manuseiam armas.

1.2 Instruções de segurança

A preocupação com a segurança começa logo que se toma

contacto com uma arma. Mas antes de a manusear deve ler-se atentamente o manual de instruções, com particular atenção às medidas de segurança preconizadas, o que permite ao utilizador conhecer tudo aquilo que o fabricante considera essencial para uma correcta utilização da sua arma. A razão para tal é, fundamentalmente, evitar que um manuseamento impróprio ou descuidado da arma possa resultar no tiro

inesperado (não intencional) podendo, em consequência, causar ferimentos, danos patrimoniais ou mesmo a morte do atirador

ou de outra qualquer pessoa. As mesmas consequências podem

também advir de modificações não autorizadas, corrosão, ou utilização de munições danificadas ou não aconselhadas. Apesar das armas serem testadas, inspeccionadas e

empacotadas antes de saírem da fábrica, o fabricante aconselha sempre ao potencial utilizador de a inspeccionar cuidadosamente, a fim de se assegurar de que não está carregada ou avariada, reforçando assim a preocupação relativamente à segurança. Conforme se pode constatar, o próprio fabricante chama desde logo a atenção do utilizador para que confirme se a arma está

ou não descarregada, uma vez que, sem a menor dúvida, uma

arma descarregada e em segurança é a arma mais segura. Neste aspecto particular, mais que em qualquer outro, todo o cuidado é pouco. O militar deve ter extremo cuidado ao manusear a arma. Como é sabido, e de acordo com o artigo

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transcrito, os acidentes ocorrem muito rapidamente e ferir ou matar alguém pode ter consequências muito graves. Para segurança do utilizador e de terceiros, é sempre conveniente proceder de acordo com as seguintes instruções de segurança:

Nunca esquecer que uma arma de fogo é um instrumento de defesa, pelo que só deve ser utilizado para repelir uma agressão actual ou iminente, em legítima defesa ou de terceiros, esgotados que tenham sido quaisquer outros meios para o conseguir;

O utilizador de qualquer arma de fogo deve estar perfeitamente apto a manuseá-la, conhecer o seu funcionamento, montagem e desmontagem e a efectuar as operações de segurança;

Todo o militar deve estar seguro de que conhece e sabe pôr em prática os princípios da técnica de tiro;

se

Quando

pegar

na

arma

manuseá-la

sempre

como

estivesse carregada;

Não confie na memória nem na palavra de alguém. Uma

arma deve sempre considerar-se como estando carregada e pronta a fazer fogo, até ao momento em que o utilizador se assegure pessoalmente do contrário, executando as operações de segurança; Excepto em situações de serviço que assim o exijam 24 , uma arma de fogo deve ser sempre transportada em segurança e sem munição introduzida na câmara;

Introduza apenas a munição na câmara quando estiver pronto para atirar a um alvo conhecido e seguro;

Sempre que empunhar uma arma, qualquer que seja o propósito, aponte-a numa direcção segura, desarme o cão e verifique se está descarregada;

24 Estas situações são as decorrentes do enquadramento legal (em particular o DL n.º 457/99 de 05 de Novembro). A ordem de introdução de munição na câmara será dada pelo Cmdt da força que estiver empenhada ou, na sua impossibilidade, deverá ser o próprio militar, mediante a análise que fizer da situação envolvente, a decidir.

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Nunca apontar a arma a alguém ou algo - excepto em situações imperiosas de serviço -, se não pretende fazer fogo, mesmo sabendo que está descarregada;

Nunca aceite, devolva ou pouse uma arma sem que esteja descarregada, com o cão desarmado e com o tambor aberto (no caso dos revólveres);

Verifique com frequência o estado de conservação e limpeza da sua arma, pois só assim poderá prevenir futuras avarias, que teriam consequências graves em situação de crise. Tenha especial atenção ao bom funcionamento e desobstrução do carregador, corrediça/culatra, câmara e cano;

Ao terminar o serviço, se possível, guarde a arma na arrecadação de material de guerra;

Não leve a arma para a caserna, nem a deixe guardada no armário;

Não se iniba de chamar à atenção ou repreender um seu camarada ou subordinado, sempre que verificar que estão a ser desrespeitadas as normas elementares de segurança;

Ao guardar a sua arma em casa, descarregue-a e efectue as operações de segurança, coloque-a num local onde seja inacessível a qualquer outra pessoa, em especial a crianças, de preferência num compartimento fechado à chave. A arma e as munições devem ser guardadas em locais separados;

Não abandone nunca a sua arma, pois pode ser usada contra si;

Nunca deixe a arma em local onde possa ser facilmente furtada, como por exemplo no porta-luvas do carro;

Quando trajar à civil, transporte a sua arma num local dissimulado. Deve de preferência usar uma “sovaqueira”;

Nunca trepe ou salte um obstáculo, com munição introduzida na câmara da arma;

De igual modo, nunca a aponte para si agarrando na boca do cano;

100

Quando transportar a arma na mão, nunca deixe que qualquer parte da mão ou outro objecto toquem no gatilho;

Nunca deixar a pistola pronta a fazer fogo, se essa não for a sua intenção;

Utilize sempre munições de qualidade e do calibre apropriado para a sua arma;

Nunca ingira bebidas alcoólicas ou drogas antes ou durante a realização do tiro;

Utilize sempre óculos de protecção e protectores de ouvidos durante o tiro;

Tenha sempre a patilha de segurança em segurança e o cão abatido, apenas alterando esta posição quando estiver pronto para fazer tiro. Mantenha a arma apontada numa direcção segura - linha de alvos ou espaldão - quando colocar a patilha de segurança em fogo;

Contar os disparos para saber as munições que ficam no carregador, para que se possa, numa acção rápida, trocar de carregador enquanto existe munição na câmara;

Mantenha-se fora da zona normal de ejecção dos invólucros, afastando da mesma eventuais camaradas que estejam perto de si;

Nunca premir o gatilho ou colocar o dedo no guarda-mato, se não tiver em condições de apontar a um alvo e fazer fogo;

Tenha sempre absoluta certeza quanto ao seu alvo e à zona por detrás dele, antes de premir o gatilho. Um projéctil pode percorrer uma distância de várias dezenas/centenas de metros, para além do alvo - se o espaldão não o retiver -;

Nunca dispare contra uma superfície dura, como rocha ou aço, ou uma superfície líquida, como água;

Nunca dispare perto de um animal, a não ser que esteja treinado para aceitar o som produzido;

Nunca incorra em “brincadeiras” quando tiver a sua arma empunhada;

Em caso de falha de disparo, mantenha sempre a arma apontada ao alvo, ou para uma área segura, e espere 10 seg.

101

Se por acaso ocorreu uma falha na ignição da munição, retardando a mesma, o disparo pode ocorrer passados 10 seg. Se, após transcorrido este tempo a situação se mantiver, accione novamente o gatilho. Se mesmo assim não ocorrer o disparo, e o motivo não seja visível (como poderia acontecer se não tivesse havido extracção completa, e o invólucro estivesse a impedir a introdução da munição seguinte) deve- se proceder de acordo com a seguinte sequência:

Colocar a patilha/comutador de segurança em segurança, Retirar o carregador, Puxar a culatra/corrediça à retaguarda, Retirar a munição e examiná-la, a fim de determinar se houve ou não percussão. Se não houve, a causa pode ficar a dever-se ao percutor estar partido, pelo que é aconselhável fazer com que a arma seja observada pelo mecânico de armamento. Se houve, a causa é a munição.

Assegure-se sempre que a sua arma não está carregada antes de a limpar ou guardar;

Não efectue modificações na arma, pois o mecanismo de segurança e o seu próprio funcionamento podem ser afectados;

Tenha sempre particular atenção a sinais de corrosão, utilização de munições danificadas, deixar cair a arma no chão, ou outro qualquer tipo de tratamento inapropriado, pois tal pode causar estragos imperceptíveis. Se tal acontecer entregá-la ao mecânico de armamento da Unidade para que seja vista;

Nunca abusar da utilização da arma, para fins distintos da realização de tiro (real/“em seco”);

Não deixe que lhe aconteça a si, ou junto de si, acidentes em que posteriormente diga ou oiça dizer “pensava que a arma estava descarregada! ”;

NÃO LEIA apenas estas regras básicas!, PRATIQUE-AS e obrigue quem estiver junto a si a fazê-lo.

102

Pense sempre que o primeiro e mais importante aspecto da segurança de qualquer arma é o atirador. Todos os dispositivos de segurança são mecânicos e o atirador é o único que põe a arma em fogo/segurança. Não confie naqueles dispositivos, pense de forma prevista e evite situações que possam provocar acidentes. Pelo facto das armas se distinguirem pelo seu manuseamento, o atirador nunca deve disparar com a arma antes de com ela se ter familiarizado. É necessário estudar o seu funcionamento e praticar o seu manejo, sem a carregar - exercícios “em seco” -, para se familiarizar com ela.

1.3 Operações de segurança

Tal como o próprio nome indica, as operações de segurança consistem num conjunto de procedimentos sistematizados cujo objectivo é garantir ao atirador que a sua arma se encontra em segurança. Independentemente de noutros casos serem necessárias, as operações de segurança executam-se obrigatoriamente nas seguintes situações:

Sempre que se manuseia uma arma;

Sempre que se levanta ou entrega a arma na arrecadação, no acto da sua recepção ou guarda;

Antes e depois da limpeza;

Antes de executar qualquer operação de desmontagem;

Imediatamente após a execução de tiro;

Após o regresso de qualquer serviço em que se utilize a arma;

Ao entregar a arma a um camarada por motivo de serviço.

A fim de verificar se uma arma está descarregada, as operações deverão ser executadas respeitando a seguinte sequência:

Colocar a patilha de segurança/comutador de tiro na posição de segurança;

Retirar o carregador;

103

Puxar a corrediça/manobrador à retaguarda para verificar se existe munição na câmara, verificação essa que deverá ser visual e física 25 (pela introdução do dedo na câmara);

Levar a corrediça/manobrador à frente;

Colocar a patilha de segurança/comutador de tiro em posição de tiro;

Efectuar um (e só um) disparo de segurança em direcção segura;

Voltar a colocar a patilha de segurança/comutador de tiro na posição de segurança;

está

Introduzir

o

carregador,

verificando

se

este

desmuniciado.

1.4 Segurança na Carreira de Tiro

As regras de segurança enunciadas devem ser tidas em consideração quando nos encontramos numa Carreira de Tiro (CT), local destinado à prática de tiro. De entre elas, sublinham-se as que se seguem, com alguns procedimentos específicos.

1.º

Na CT, todos os procedimentos são ordenados por quem dirige o tiro;

2.º

É expressamente proibido manejar as armas sem ter sido para tal autorizado;

3.º

Na CT é obrigatório o uso de protectores de ouvidos (auriculares) já que:

O som, que é uma perturbação periódica e agradável, por vibração do ar, converte-se em barulho ou ruído, quando a sua tonalidade, timbre e intensidade aumentam até alcançar níveis que o tornam desagradável;

25 Esta verificação física auxilia o atirador a reconhecer a sensação que lhe é transmitida pelo toque do dedo numa câmara com/sem munição. Isto é particularmente importante quando se conduzem operações em condições de fraca visibilidade.

104

A quantidade mínima de décibeis (dB) de um disparo é, então, um ruído, pois atinge, normalmente, valores acima de 115 dB, valor esse que se enquadra na chamada “zona muito perigosa de audição”, como se pode observar no quadro seguinte:

Grau de perigo para a audição humana

Exemplo e décibeis registados

Zona muito perigosa

Reactor de avião (120/140 dB)

Disparo (110/120 dB)

Zona perigosa

Banda Rock (100/110 dB)

Walkman (90/100 dB)

Zona desagradável

Trânsito de uma cidade (70/90 dB)

Zona agradável

Conversação normal (45 dB)

Se ao ruído provocado pelo disparo (que acaba por destruir as células responsáveis pela transformação das vibrações sonoras em impulsos nervosos), juntarmos a destruição que essas células sofrem à medida que a idade aumenta, conclui-se que estão reunidas as condições para o aparecimento da surdez;

Todo o atirador deve, aquando da execução das tabelas de tiro, usar dispositivos para limitar esse ruído, provocado pelos disparos, tais como protectores de ouvidos ou tampões-esponja. Quando tais dispositivos não existirem, poderão ser utilizadas duas munições calibre 9 mm, obtendo-se um efeito similar.

tais dispositivos não existirem, poderão ser utilizadas duas munições calibre 9 mm, obtendo-se um efeito similar.

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tais dispositivos não existirem, poderão ser utilizadas duas munições calibre 9 mm, obtendo-se um efeito similar.

4.º

Quando não estão a ser manuseadas, as armas devem estar com:

A corrediça/culatra à retaguarda (ou, no caso dos revólveres, com o tambor aberto);

A patilha/comutador de tiro em segurança e visível;

Cano direccionado ao alvo – quando não estiverem nos coldres -;

Janela de ejecção virada para cima (Espingarda Automática G-3 e pistolas metralhadoras);

cima (Espingarda Automática G-3 e pistolas metralhadoras); É ainda admissível que as pistolas sejam transportadas nos

É ainda admissível que as pistolas sejam transportadas nos coldres, mas sempre com a corrediça à retaguarda, sem munição na câmara e sem carregador. As pistolas apenas não estão assim acondicionadas aquando da execução de tiro. Cabe a quem dirige o tiro determinar qual a modalidade a adoptar.

Mesmo depois da explicação do exercício, em caso de dificuldade de compreensão, é importante realizar uma sessão de ensaio de tiro “em seco”;

Quando for ordenado o sacar da arma (na modalidade de tiro policial) esta deve ficar dirigida para a frente e para o solo, com uma inclinação de 45 o ;

7.º Enquanto o atirador não estiver a executar o tiro, deve manter o dedo indicador ao longo do guarda-mato, evitando assim disparos involuntários;

5.º

6.º

106

8.º No caso de se efectuar tiro com movimento, um meio expedito para reforçar as
8.º No caso de se efectuar tiro com movimento, um meio expedito para reforçar as
8.º
No caso de se efectuar tiro com movimento, um meio
expedito para reforçar as condições de segurança, a fim
de evitar um disparo fortuito, é colocar o dedo polegar
da mão fraca (mão que auxilia aquela que empunha a
arma) entre o cão e o percutor.
9.º
Para realizar qualquer operação, nunca apontar a arma
em outra direcção que não seja a do alvo;
percutor. 9.º Para realizar qualquer operação, nunca apontar a arma em outra direcção que não seja

107

10.º

11.º

Durante a execução do tiro com pistola, evitar o “hábito” de, após o disparo, observar o alvo, apontando a arma para o próprio pé do atirador;

Ter particular atenção à colocação do dedo polegar esquerdo sobre o outro polegar e nunca

Ter particular atenção à colocação do dedo polegar esquerdo sobre o outro polegar e nunca sobre o pulso direito (pois a corrediça ou o cão, ao virem à retaguarda podem ferir a mão esquerda do atirador);

sobre o pulso direito (pois a corrediça ou o cão, ao virem à retaguarda podem ferir

108

sobre o pulso direito (pois a corrediça ou o cão, ao virem à retaguarda podem ferir

12.º Durante a execução do tiro com espingarda ou com pistolas metralhadoras, os atiradores esquerdinos devem ter particular atenção à colocação do dedo polegar direito (nunca sobre a janela de ejecção);

do dedo polegar direito (nunca sobre a janela de ejecção); 13.º A execução de tiro não

13.º A execução de tiro não deve ser conduzida em ambiente repressivo, de maneira a permitir que os atiradores estejam concentrados na execução das técnicas e na observação dos cuidados de segurança. Ao contrário do que por vezes se pensa, um ambiente de tensão e nervosismo 26 conduz facilmente à perda de segurança, além de se reflectir negativamente nos resultados do tiro.

14.º Quando houver qualquer interrupção na execução do tiro, tomar sempre os seguintes procedimentos, adaptando-os às várias armas:

26 Não obstante, este ambiente de tensão e nervosismo é adequado para o treino de situações que possam vir a ocorrer, contribuindo para criar um maior realismo. Por esta razão, esse treino apenas deve ser conduzido numa fase posterior à técnica de tiro e ao tiro em CT. Após a apreensão destes pressupostos, pode-se então partir para a criação daquelas situações.

109

Aguardar 10 seg. e efectuar novo disparo, pois a primeira percussão do fulminante pode não ter sido bem efectuada;

Colocar a patilha/comutador de tiro em segurança;

Retirar o carregador;

Puxar a corrediça/culatra à retaguarda;

Tentar identificar e solucionar a avaria. Caso não seja possível, levantar o braço livre, chamando a atenção de quem estiver a dirigir o tiro, aguardando que este se lhe dirija;

Em todo este processo a arma e o atirador estão sempre direccionados para a linha de alvos.

15.º

Fora da linha de tiro a arma está sempre no coldre ou devidamente acondicionada;

16.º

Se tem que manusear a arma fora da linha de tiro deve:

Pedir autorização a quem estiver a dirigir o tiro;

Transportar a arma desmuniciada e descarregada;

Afastar-se dos camaradas e dirigir-se para zona segura;

17.º Após haver terminado o manuseamento deve pedir autorização para se reintegrar, transportando a arma da mesma forma quando saiu da linha de tiro;

18.º

Quando estiver terminada cada série/sessão de tiro, tomar sempre os seguintes procedimentos, adaptando- os às várias armas:

Colocar a patilha/comutador de tiro em segurança;

Retirar o carregador;

Puxar a corrediça/manobrador à retaguarda, fixando- a/o;

Colocar a arma em cima do pano de tenda, ou colocá-la no coldre, conforme foi visto no n.º 4;

Recuar cerca de 2 metros e municiar o carregador vazio;

110

19.º

Aguardar a voz de ir “aos alvos”. Após esta, deslocar-se até à frente do alvo e verificar o resultado obtido - na CT de 100 metros o atirador não se desloca aos alvos, pois o resultado é-lhe dado através do apontador/pastilheiro e confirmado via rádio -;

Aguardar a voz de regressar “às linhas” - após esta, deslocar-se até à linha -;

Quando estiver terminada a tabela de tiro, quem dirige o tiro deve dar indicações a todos os atiradores para:

Efectuarem as operações de segurança;

Acondicionarem novamente as armas nos locais onde foram transportadas;

Certificarem-se de que nada fica esquecido e que a CT continua limpa.

6. A ATITUDE DO MILITAR

A natureza específica da missão da GNR faz com que a atitude do militar, no que diz respeito às armas de fogo e sua posse, seja desenvolvida no sentido de ir de encontro a algumas considerações que irão aqui ser tecidas. A prática e adopção de uma atitude correcta constituirá um forte contributo para minimizar as possibilidades de ocorrência de acidentes. Para além das limitações legais já referidas, sempre que se trate do emprego de armas de fogo ou outros meios mortíferos, o militar deve ainda observar o seguinte:

Ser conhecedor das condições em que pode “abrir fogo”, procurando, quando tal for absolutamente necessário, e sempre que possível, ferir e não matar; Antes de “abrir fogo”, e sempre que possível, avisar o Adversário (ADV) no mínimo três vezes, de que se vai recorrer a esse meio. Para tal, é preciso ter a percepção que o próprio acto de introduzir munição na câmara pode ter um efeito psicológico sobre o presumível infractor;

111

Procurar avaliar o local onde se vai “abrir fogo”, incluindo o

disparo de aviso para o ar, visto que nos centro urbanos, há possibilidade de atingir inocentes, dentro ou fora do local da

actuação;

Não abandonar nunca a arma, a qual deve estar sempre em contacto físico com o atirador nem mudá-la de mão para efectuar qualquer operação. Por regra, a mão que empunha a arma nunca a deve largar, servindo a outra para a execução das operações que forem necessárias;

Se for necessário disparar contra uma viatura em fuga, tomar uma posição o mais baixa possível - de joelhos ou deitado - e apontar para os pneus da mesma, nunca directamente para o habitáculo dos passageiros;

É

totalmente interdito o fogo de “rajada”;

Ao ser alvejado de local incerto, é interdita a abertura imediata de fogo, pois o procedimento correcto será procurar abrigo e tentar localizar a ameaça para posterior neutralização;

Deve praticar o disparo e o municiamento com a mão fraca porque pode ter essa necessidade em virtude de, por exemplo, ter sido ferido na mão forte (mão que empunha a arma);

Neste sentido, deve também praticar a montagem, desmontagem e municiamento da pistola com uma só mão;

Em situações de alteração da Ordem Pública, as armas devem ter

o

carregador municiado e introduzido, a câmara sem nenhuma

munição e a patilha de segurança/comutador de tiro em segurança.

A ordem de introdução de munição na câmara só deve ser dada

pelo comandante das forças empenhadas e apenas quando houver fortes probabilidades de emprego das armas de fogo, já que em ambientes de grande tensão, qualquer provocação poderá conduzir a um disparo involuntário, levando o resto das forças a julgarem que teria sido dada ordem para abertura de fogo. Quando o comandante tiver necessidade de dar esta ordem, poderá indicar um número reduzido de atiradores. No caso da patrulha se deparar com uma situação que motive o recurso a arma de fogo, e não sendo possível ao militar mais antigo dar a ordem de introdução de munição na câmara, terá de

112

ser o próprio militar a proceder em conformidade com o desenrolar da situação; Depois de abrir fogo, devem ser tomadas as seguintes medidas:

Identificar os feridos e prestar os primeiros socorros;

Solicitar assistência médica; Caso tenham ocorrido mortes, não permitir que os corpos sejam removidos por parentes ou amigos; Recolha de identidades de testemunhas neutras, que possam ter presenciado a situação; Preservar os meios de prova (localizando e referenciando vestígios dos disparos); Deter os suspeitos; Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita).

e referenciando vestígios dos disparos); Deter os suspeitos; Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita).
e referenciando vestígios dos disparos); Deter os suspeitos; Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita).
e referenciando vestígios dos disparos); Deter os suspeitos; Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita).
e referenciando vestígios dos disparos); Deter os suspeitos; Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita).
e referenciando vestígios dos disparos); Deter os suspeitos; Comunicar a ocorrência (de forma verbal e escrita).

É preciso, igualmente, não esquecer que a Comunicação Social pode aproveitar uma qualquer situação para denegrir a imagem das forças policiais, conforme se exemplifica através da legenda e fotografias a seguir indicadas:

A sequência exemplar: um agente da GNR, emboscado atrás de um muro, tira a pistola e carrega-a. Agora, ninguém sabe quem atirou a matar” in Revista Visão n.º 66 de 27JUN94.

muro, tira a pistola e carrega-a. Agora, ninguém sabe quem atirou a matar” in Revista Visão

113

2.1

Adequação do estado de espírito/prontidão à situação

As potenciais situações de conflito que actualmente ocorrem a todo o momento na nossa sociedade, conduzem à necessidade dos agentes das Forças de Segurança, para salvaguarda da sua integridade física e da de terceiros, adoptarem uma atitude de prontidão, a qual se torna mais perceptível e real quando o agente se apercebe que a munição que entretanto introduziu na câmara pode ser aquela que lhe poderá salvar a vida. Enquanto agente de uma Força de Segurança, o militar da Guarda pode, com efeito, ver-se envolvido numa situação conflituosa que pode ocorrer a qualquer momento em qualquer

lugar, razão pela qual é preciso que esteja preparado para tal. É este estado de permanente prontidão que pode muitas das vezes superar a intromissão de um factor surpresa que claramente possa jogar contra o militar.

É preciso estar sempre preparado para lidar com situações

difíceis, as quais podem mesmo envolver a utilização de uma arma de fogo. Também é evidente que é impensável estar num

estado de permanente alerta. A análise constante do evoluir da situação deverá dizer ao militar se aquela é ou pode vir a ser uma situação de potencial perigo, obrigando-o a reagir em conformidade. O essencial é que não se deixe surpreender por qualquer evolução inesperada. O militar deve assim procurar desenvolver um estado de espírito em que o surgimento de uma possível ameaça não constitua uma surpresa para si. Ao invés de perguntar o que se está a passar, ou a tentar perceber isso, o militar deve ter a consciência de que o que eventualmente possa estar a acontecer

é algo que por si já era esperado. Em vez de enfrentar a

situação com perplexidade, deve-a enfrentar com coragem e tenacidade.

A maior parte dos seres humanos têm alguma relutância em

produzir violência contra os seus semelhantes. Efectivamente, mesmo ao ler estas linhas, o leitor não estará emocional e psicologicamente preparado para exercer violência contra alguém. Mesmo se fosse atacado repentinamente, demorariam

114

alguns (preciosos) segundos até que se apercebesse aquilo que estava de facto a acontecer. A reacção que muitas pessoas revelam à súbita violência é de descrença. A realidade é algo que, momentaneamente, lhes escapa. Tal é facilmente perceptível, porque a violência não é algo com que tenham de lidar diariamente, sendo esta falta de “estímulo” que acaba por conduzir a alguma acomodação. Com alguma frequência, quando os agentes das forças policiais se envolvem em situações potencialmente perigosas, parecem inclinados a “negociar” uma saída pacífica duma situação que nada tem de pacífico. Para assegurar a execução das reacções mais adequadas, o militar precisa de desenvolver um estado crescente de alerta e prontidão. Isto auxilia-o na adopção das reacções mais apropriadas a qualquer tipo de situação, assim como a controlar eventuais tendências de “sobrereacções”. A melhor maneira para desenvolver isto é através da definição de um código de cores que representam diferentes estados de alerta e prontidão, relacionados com diferentes estados de espírito.

Condição branca - O primeiro estado mental corresponde a um estado de vigilância normal, de alguma despreocupação relativamente ao ambiente circundante, correspondendo à situação que experienciamos quando estamos a dormir ou envolvidos numa qualquer tarefa, como por exemplo, ler um livro. Este estado é caracterizado pela cor branca, sendo de evitar sempre que estamos no desempenho do serviço e, em especial, quando estamos armados.

Condição amarela - Se a condição branca corresponde, de certa forma, a um relaxamento praticamente total, a uma desatenção, esta condição amarela corresponde a algum relaxamento, mas de forma atenta. Quando nos encontramos neste estado, apercebemo-nos daquilo que se vai desenrolando à nossa volta. Digamos que, 99% das vezes o ambiente circundante pode não ser hostil, mas encontramo-

115

nos prontos para a eventualidade da situação se inverter. Estamos atentos e em alerta.

Condição laranja - Nesta condição apercebemo-nos da possibilidade de um problema específico relativamente ao qual começamos a desenvolver um plano táctico. Agora apercebemo-nos de que não só pode haver a possibilidade de usar uma arma como o alvo específico contra o qual a usar. Mentalmente, é fácil transitar da condição amarela para a laranja, mas não tanto da branca para a laranja.

Condição vermelha - A transição da condição anterior para esta depende das acções do possível infractor. Atingimos a condição vermelha quando nos apercebemos de que é muito provável desenrolar-se uma situação com alguma violência, pelo que o nosso sistema está em alerta total e pronto para uma resposta imediata. Muito provavelmente a pistola poderá já estar empunhada e pronta para efectuar o primeiro disparo num curto espaço de tempo, aguardando apenas o momento ideal para iniciar a acção, o qual corresponde a uma acção suficientemente agressiva que, à luz da legislação vigente, justifique a nossa resposta. Esta será assim uma resposta condicionada, instantânea. Quando a luta começar não nos podemos prender a pormenores irrelevantes que nos possam condicionar a nossa acção. É preciso focar toda a atenção no desenrolar da situação. Não devemos pensar sequer na possibilidade de falhar um tiro. Se por acaso falharmos tal não deve ser motivo de preocupação, outras oportunidades surgirão, tal como também não devemos pensar de que poderemos ser atingidos, contudo devemos sempre minorar o risco de tal vir a acontecer. A chave é concentrarmo-nos no momento que está a decorrer e nas tarefas a desenvolver, o que significa que estamos a focar a nossa concentração e atenção naquilo que estamos a fazer.

Mentalmente falando, existe uma linha muito ténue entre aquilo que experienciamos e aquilo que imaginamos, sendo

116

este o segredo. Temos tendência a reagir antes, durante e depois de uma situação conflituosa da forma como programámos a nossa acção. Treinámos e programámos as reacções adequadas a ter em determinadas situações, as quais devem ser o mais variadas possível, sendo dessa forma que esperamos vir a reagir. Podemos também programar a forma como pensamos, através de treinos mentais baseados nas probabilidades com que nos

podemos defrontar. Estes problemas tácticos serão resolvidos mentalmente, imaginando-nos a ter o controlo completo do nosso corpo, a não vacilar perante a situação e a disparar como deve ser, não nos preocupando tanto com o resultado. Visualisamos o adversário como alguém que está condenado pelos seus próprios actos, não sentindo quaisquer remorsos, quando não será a nossa própria integridade física, e a de eventuais terceiros, que poderá estar seriamente afectada.

É preciso aprender a controlar a nossa mente da mesma forma

que é preciso aprender a disparar correctamente. Todos estes processos que têm a ver com a concentração nas tarefas, a visualização mental e o controlo corporal são aspectos bastante desenvolvidos ao nível da prática de quase todas as modalidades desportivas. Se tiver curiosidade existe vasta bibliografia especializada sobre a matéria que lhe dará uma visão mais pormenorizada sobre o assunto. Após a refega, existirá provavelmente a sensação de alívio seguida por uma sensação de cumprimento da missão e de exaltação por estarmos vivos. Este sentimento poderá durar alguns dias, havendo também a tendência para contar o sucedido a todos os camaradas e amigos. É preciso resistir a esta manifestação entusiástica, tornando-se antes necessário manter alguma descrição. Existirão aqueles que, eventualmente, nos criticarão, nos

acharão rudes, independentemente da nossa acção ter sido legal

e necessária, tornando-se mesmo inconvenientes. Para quem procede assim, a melhor resposta a dar é ignorar a sua presença.

117

É igualmente necessário estarmos preparados para eventuais referências pouco abonatórias por parte da comunicação social, pelo que, se agimos em consciência e dentro da legalidade, cumprimos a nossa missão. Antes de irmos à luta é preciso estarmos alerta, estarmos prontos e decididos. Durante a luta, concentremo-nos na solução dos problemas que nos forem surgindo, o que implica termos sempre a preocupação de disparar bem. Depois da luta, devemos estar conscientes de ter cumprido o nosso dever, mas mantendo sempre a tal descrição.

TÉCNICA DE TIRO DE ESPINGARDA

7. TIRO DE ESPINGARDA

1.3

Introdução

A Técnica de Tiro de Espingarda apresenta muitas afinidades

com a Técnica de Tiro de Pistola. Conforme iremos ver, os elementos que as constituem são idênticos. A grande

diferença reside nas miras 27 e nas características da própria arma. De tamanho superior, a espingarda é uma arma útil para

o cumprimento de determinado tipo de missões que podem

obrigar à utilização de um maior poder de fogo, como forma dissuasora. Por esta razão, tal como se referiu para a pistola, o militar deve identificar todos os procedimentos que lhe permitam tirar o máximo rendimento deste tipo de arma, caso dela tenha de fazer uso. Não basta apenas transportar a arma consigo, é preciso saber o que fazer e os cuidados a ter quando se utiliza uma arma que tem um alcance máximo superior aos 1000 metros. A inobservância dos princípios que irão aqui ser enunciados poderá conduzir a erros grosseiros

27 Na pistola temos miras abertas, isto é, os seus contornos não são circulares, enquanto na espingarda, ao invés, temos miras fechadas.

118

que, no limite, poderão causar danos em alguém, ou algo, situado muito longe do local da contenda. Comecemos então por tecer algumas considerações relativamente aos aspectos mais relevantes que o utilizador deve ter em mente para conseguir utilizar a arma de forma eficaz. A eficácia do tiro depende:

Do conhecimento, manutenção e preparação da arma para o tiro, tornando-se absolutamente necessário que o atirador:

Conheça perfeitamente a arma que utiliza;

Mantenha a arma em boas condições de limpeza e de

funcionamento; Prepare cuidadosamente a arma para o tiro;

Mantenha o aparelho de pontaria rectificado, limpo,

seco, sem brilho e sem folgas; Prepare e inspeccione cuidadosamente as munições que vai utilizar.

Do correcto manuseamento da arma e aplicação da técnica de tiro, exigindo-se que o atirador:

Saiba manusear a arma com segurança;

 

Proceda

com

rapidez

e

facilidade

às

mudanças

de

carregador; Conheça o aparelho de pontaria e seja capaz de

escolher, com facilidade, a alça apropriada para bater o alvo; Faça um criterioso aproveitamento na escolha da

posição de tiro; Execute uma pontaria correcta e a mantenha até ao momento do disparo.

8. REQUISITOS FUNDAMENTAIS DO TIRO

119

Para que o atirador possa obter eficácia no tiro, terá de fazer uso dos requisitos, ou elementos, fundamentais de tiro, que são:

Tomar a posição;

Suspender a respiração;

Fazer a pontaria;

Executar o disparo;

Fazer “seguimento”.

2.1

Tomar a posição

Um dos mais importantes requisitos para o tiro é a posição, a qual é evidentemente completada com o correcto empunhamento da arma. Sem uma posição correcta, é quase impossível ao atirador conseguir um tiro eficaz e ajustado e muito menos manter a pontaria após o primeiro disparo, quando tenha que executar uma série de tiros ou uma rajada. Existem três posições características para o tiro de espingarda: a posição de deitado, de joelhos, e de pé.

Estas posições são definidas em função dos seus elementos essenciais; no entanto, elas devem sempre conferir ao atirador

a

possibilidade da execução do tiro com o mínimo de esforço

e

o máximo de comodidade, pelo que devem ser sempre feitos

ajustamentos de pormenor de acordo com a compleição física

de cada atirador, de forma a obter uma maior eficácia do tiro. Assim, se a melhor posição para um atirador é aquela que, sem desobedecer aos elementos essenciais, lhe permita executar o tiro com a arma estabilizada, naturalmente suportada sem esforço e com comodidade, conclui-se, então, que a melhor posição para esse atirador não é necessariamente igual à de outro. De qualquer modo, seja qual for a posição tomada, a arma deve ser sempre suportada, de forma a que nem os ossos nem os músculos sejam forçados

a tomar posições tensas, mas sim, constituírem um firme e

natural suporte para a arma, sem o que não se conseguirá dar

estabilidade a esta durante o tiro.

120

Para evitar a rigidez da posição, os ossos devem constituir a estrutura de base que garanta a firmeza da posição, nunca os músculos deverão ser usados para levar a arma à posição correcta quando se faz pontaria. Isto conduziria, por um lado, a um esforço suplementar dos músculos e, por outro, forçaria os ossos a uma posição anti-natural, que não poderia ser mantida por longo tempo e que, após o primeiro disparo, seria alterada (dada a tendência que os ossos têm de voltar à posição inicial). Daqui resulta que a posição deve garantir que, com a arma devidamente empunhada, esta se dirija naturalmente para o alvo e esteja praticamente apontada ao mesmo.

2.1.1 Tomar a posição deitada para o atirador direito 28

A posição de atirador deitado é a mais adoptada. É fácil de tomar, estável, confortável e aquela que mais diminui a silhueta do atirador. É a posição que oferece, em condições normais, maiores garantias de precisão do tiro, dada a grande estabilidade que permite. No entanto, não se deve pensar que é uma posição ideal em todas as situações (aspecto que será desenvolvido à frente). Assim, o atirador deve ter em consideração o seguinte:

2.1.1.1 Enquadramento com o alvo

O atirador coloca-se exactamente em frente ao alvo e toma uma posição deitada, ficando com o corpo a fazer um ângulo com cerca de 30º 29 com o eixo da arma, de forma a que a energia

28 Se o atirador for esquerdo, pratica-se o inverso daquilo que irá ser definido. Admitem-se, contudo, algumas variações, as quais decorrem da constituição anatómico-fisiológica de cada militar. Não obstante, devem ser observados e respeitados os princípios subjacentes a cada um dos itens a serem abordados para o “tomar de posição”. 29 Esta medida angular é meramente indicativa. O importante é que o militar defina a sua posição, a que lhe parecer mais cómoda.

121

do recuo seja suportada por todo o corpo e não somente pelo ombro.

30º
30º

2.1.1.2 Posição dos pés

Os pés estão naturalmente estendidos e com as pontas voltadas para fora;

O pé direito com a face interna voltada para baixo, na direcção do solo;

O pé esquerdo com a biqueira voltada para baixo, conferindo apoio ao atirador.

2.1.1.3 Posição das pernas e tronco

As pernas confortavelmente afastadas;

Poderá flectir a perna direita pelo joelho, relaxando assim o corpo e conferindo maior apoio;

O tronco deve estar direito.

2.1.1.4 Posição do braço e mão esquerda

O braço deve ser flectido pelo cotovelo e este, deve situar-se, tanto quanto possível, por baixo da arma;

A mão esquerda deve segurar a arma pelo guarda-mão com firmeza, mas sem fazer esforço, encaixando a arma sobre o “V” formado pelo polegar e pelo indicador e sobre a palma da mão, mantendo o pulso

122

direito e os dedos relaxados (o pulso deve ficar a cerca de, aproximadamente, 20 cm do solo);

Para os atiradores que não consigam segurar

a arma na zona do guarda-mão, esta poderá

ser agarrada na junção do alojamento do carregador com o guarda-mão, situando o cotovelo esquerdo, por baixo da arma, tanto quanto possível. A incapacidade de colocar

o cotovelo esquerdo por baixo da arma é

normalmente provocada por um músculo do ombro contraído ou preso. A descontracção do ombro esquerdo permitirá a tomada da posição correcta.

2.1.1.5 Posição do braço e mão direita

O braço direito deve fazer um ângulo de cerca de 45° com o solo e o cotovelo direito deve ficar avançado em relação à linha dos ombros, de forma a criar no ombro o encaixe para o coice da coronha;

A

mão direita deve envolver naturalmente o

punho, deixando o dedo indicador (dedo que dispara) livre para ser apoiado no guarda-mato (enquanto não está a executar

o tiro) ou correctamente colocado no gatilho (para disparar).

2.1.1.6 Posição dos ombros, pescoço e cabeça

Os ombros devem estar praticamente ao mesmo nível;

O

pescoço deve estar relaxado, de forma a

não afectar a circulação;

A face deve permanecer firmemente apoiada contra a coronha (exactamente

123

abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar o delgado a esta última. Caso contrário, o atirador, corre o risco de se magoar).

maçã do rosto, mas sem encostar o delgado a esta última. Caso contrário, o atirador, corre
maçã do rosto, mas sem encostar o delgado a esta última. Caso contrário, o atirador, corre
maçã do rosto, mas sem encostar o delgado a esta última. Caso contrário, o atirador, corre

124

2.1.1.7

Situações

em

que

se

deve

utilizar

esta

posição

Idealmente, a posição de atirador deitado deverá ser adoptada nas seguintes situações:

Quando haja necessidade de grande precisão na execução do tiro;

Para bater um alvo móvel;

Quando o tempo disponível para a tomada de posição o permita (já que esta posição exige mais tempo de preparação do que a de joelhos ou de pé);

Quando o alvo a atingir esteja à mesma

o

altura do terreno atirador;

onde

se

encontra

Quando se pretenda imobilizar uma viatura em andamento, atingindo as rodas, visto oferecer maiores garantias de que o tiro não atingirá os ocupantes;

Para

colocados a grandes

bater

alvos

distâncias.

2.1.2 Tomar a posição de Joelhos para o atirador direito

É uma posição equilibrada e também bastante estável.

2.1.2.1 Enquadramento com o alvo

O

exactamente em frente ao alvo, como se o observasse “olhos nos olhos”.

coloca-se

atirador

afasta

os

pés

e

2.1.2.2 Posição dos pés, pernas e tronco

Rodar ambos os pés para a direita, de forma a que se fosse traçada uma linha imaginária passando pelo meio dos seus pés, esta

125

última fizesse um ângulo de cerca de 40º 30 com a linha do alvo;

4
4

Seguidamente, colocar a ponta do pé e o joelho direito no solo, de maneira a ficar correctamente sentado sobre o calcanhar desta perna;

Inclinar, ligeiramente, o tronco para a frente, de forma a deslocar o peso do corpo para cima da perna esquerda. Assim, cerca de 60% do peso será suportado por esta perna, enquanto que o pé e a perna direita servem de suporte ao recuo da arma, estabilizando a posição durante o tiro;

A perna esquerda tomará uma posição tal, que ficará vertical, quando vista de frente, e inclinada, quando vista de lado, ficando o pé mais recuado que o joelho.

2.1.2.3 Posição do braço e mão esquerda

O braço esquerdo fica flectido, apoiando a parte inferior (antes do cotovelo) no joelho do mesmo lado, (ficando assim o cotovelo

30

126

ligeiramente

avançado

em

relação

ao

joelho);

O joelho e o cotovelo esquerdo deverão

situar-se tanto quanto possível por baixo da

arma;

A mão esquerda deve segurar a arma na junção do alojamento do carregador com o guarda-mão com firmeza, mas sem fazer esforço, encaixando a arma sobre o “V” formado pelo polegar e pelo indicador e sobre a palma da mão.

2.1.2.4 Posição do braço e mão direita

O cotovelo direito é descaído, de forma a criar no ombro encaixe para o coice da coronha, devendo ser mantido um contacto firme da arma contra o ombro;

A mão direita deve envolver naturalmente o punho, deixando o dedo indicador (dedo que dispara) livre para ser apoiado no guarda-mato (enquanto não está a executar

o tiro) ou correctamente colocado no gatilho (para disparar).

2.1.2.5 Posição dos ombros, pescoço e cabeça

O ombro esquerdo deve estar ligeiramente avançado, enquanto que o direito deve estar mais recuado, isto em relação ao alvo;

O pescoço deve estar relaxado, de forma a não afectar a circulação;

A face deve permanecer firmemente apoiada contra a coronha (exactamente abaixo da maçã do rosto, mas sem encostar

o delgado a esta última).

127

2.1.2.6 Situações em que se deve utilizar esta posição ∑ Quando não há tempo para

2.1.2.6 Situações em que se deve utilizar esta posição

Quando

não

tempo

para

assumir

a

posição de deitado;

suas

características, não permita a posição de deitado; Quando o alvo não for visível da posição de deitado.

Sempre