Você está na página 1de 111

UNIVERSIDADE FEDERAL DOS VALES DO JEQUITINHONHA E MUCURI

Faculdade Interdisciplinar em Humanidades


Curso de Bacharelado em Turismo

Katrine Souza Silva


Renata Fernandes Dias Coelho

ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS


NOS MEIOS DE HOSPEDAGEM EM DIAMANTINA

Diamantina
2017
Katrine Souza Silva e Renata Fernandes Dias Coelho

ACESSIBILIDADE PARA DEFICIENTES VISUAIS


NO MEIO DE HOSPEDAGEM EM DIAMANTINA

Trabalho de Conclusão de Curso (TCC)


apresentado ao Curso de Bacharelado
da Universidade Federal dos Vales do
Jequitinhonha e Mucuri – Diamantina –
MG como requisito parcial para
obtenção do título de Bacharel em
Turismo.

Orientadora: Profª. Drª. Maria de


Lourdes Santos Ferreira.

Diamantina
2017
Dedicamos este trabalho aos deficientes visuais e
a todos os colegas pesquisadores que com muito
esforço e empenho buscam uma melhor condição
e inclusão social a essas pessoas.
AGRADECIMENTOS

Agradeço primeiramente a Deus e a Meishu Sama e a meus antepassados que me deram esta
oportunidade, me guiando e iluminando meu destino.
Por terem colocado Katrine, essa pessoa maravilhosa, amiga e pesquisadora que durante estes
3 anos, juntas pudemos compartilhar de alegrias e tristezas, momentos acadêmicos de sucesso
e superação e juntas em nossas pesquisas tivemos a oportunidade de conhecermos uma nova
realidade tão próxima, mas ao mesmo tempo tão distante.
Aos meus pais que não se encontram mais em nosso meio, mas sem eles não teria chegado
aqui, pelo apoio e por acreditar em minha vitória.
Meus filhos Romulo, Renan e Hanna pelo sacrifício da distância e ausência nestes anos.
À nossa orientadora professora Dra. Maria de Lourdes Santos Ferreira que tanto contribuiu
para nosso engrandecimento e pela paciência, dedicação e troca de experiências, por acreditar
em nós e ficar ao nosso lado em todos os momentos difíceis e vitoriosos na realização deste
trabalho.
Aos examinadores Professor Dr. Guilherme Varajão e Professora Helga, que com suas
observações nos fizeram crescer mais ainda em nossa pesquisa, elevando assim o nível de
excelência do material aqui exposto.
A todos os professores que direta ou indiretamente contribuíram para que pudéssemos ter
maturidade para o desenvolvimento desta pesquisa e em nossa formação.
Aos colegas do curso de Turismo que fizeram parte de nossas vidas, que muito nos ajudou
nesta jornada e cumplicidade nos estudos.
Aos colegas pesquisadores do segmento de acessibilidade que dedicam seu tempo a esta
temática e contribuem de alguma forma para que os deficientes ou pessoas com mobilidade
reduzida tenham uma participação mais igualitária na sociedade.
“Antes de dar certo, dá errado. Dá muito errado. Você se desespera, acha que vai enlouquecer,
perde a noção. E aí, finalmente, a felicidade chega.” Matheus Rocha

Renata Coelho
AGRADECIMENTOS

Agradeço, primeiramente, a Deus por ter iluminado e conduzido meu caminho com
perseverança, me dando forças para vencer os desafios impostos ao longo dessa jornada.
Agradeço, especialmente, aos meus pais Marivaldo Silva e Verônica Meira, que sempre me
apoiaram, sonharam junto comigo, sendo minha fortaleza, refúgio e porto seguro. A eles sou
grata pela paciência, confiança e amor incondicional. Obrigada por estarem sempre presentes,
por acreditarem em mim e pelo apoio nas minhas escolhas. Agradeço ainda todo sacrifício e
esforço realizado para me oferecer a oportunidade de estudar em uma Universidade Federal,
mesmo longe de casa. Dedico a vocês tudo, e compartilho nossa conquista.
Aos meus amados irmãos, Diarles e Karoline, agradeço todo apoio, paciência, incentivo e
companheirismo.
A toda minha querida família (avós, tios, tias, primos e primas), por compreender minha
ausência, pelos momentos incríveis e felizes que me concederam, pelo carinho e suporte que
me foi oferecido a todo momento.
Aos meus amigos, em especial a Gabriela Neres, sou grata pelo incentivo, motivações, mesmo
estando tão longe. E ainda pela paciência, me apoiando nos momentos difíceis, sempre
acreditando em mim.
Agradeço também aos colegas de curso, pelas experiências, conhecimentos compartilhados
que tornaram os dias na universidade mais divertidos e especiais.
Sou grata aos professores que dividiram comigo suas experiências e conhecimentos,
contribuindo para minha formação profissional.
Um obrigada mais que especial à minha colega e amiga Renata Coelho ao longo desses anos e
na execução desse trabalho pelo companheirismo, troca de experiências, pela paciência, foi
difícil mais vencemos!
A orientadora Lourdes Ferreira, agradeço pela disponibilidade, por acreditar em nós e pela
parceria nessa importante etapa do curso.
“Antes de dar certo, dá errado. Dá muito errado. Você se desespera, acha que vai enlouquecer,
perde a noção. E aí, finalmente, a felicidade chega.” Matheus Rocha

Katrine Silva
“Determinação, coragem e autoconfiança são fatores decisivos para o
sucesso. Não importa quais sejam os obstáculos e as dificuldades. Se
estamos possuídos de uma inabalável determinação, conseguiremos
superá-los.” (Dalai Lama).

“A mente que se abre a uma nova ideia jamais voltará ao seu


tamanho original.” (Albert Einstein).
RESUMO

O objetivo da pesquisa foi identificar se há conhecimento por parte dos gestores dos meios de
hospedagem em Diamantina – Minas Gerais, sobre o perfil de turista com deficiência visual –
DV (cegos ou de baixa visão); o interesse dos gestores em investimento na adaptação do meio
de hospedagem; avaliar o nível de acessibilidade e existência de adaptações e treinamento dos
funcionários para atendimento a esse público. Utilizou-se uma metodologia de pesquisa
qualitativa e quantitativa, de aspecto descritivo e interpretativo, que teve como principal
referência a dissertação de mestrado defendido por Santos (2012). Como parte das estratégias
metodológicas, o trabalho contou com a realização de uma visita técnica ao Hotel Fazenda
Campo dos Sonhos, na cidade de Socorro – SP em 2017, para observação em loco de algumas
adaptações para deficientes visuais que o local apresenta; aplicação de pesquisa via e-mail a
35 meios de hospedagem de Diamantina e visita em loco em 5 desses estabelecimentos. O
resultado mostra que ainda há um caminho a se percorrer em relação ao deficiente visual e a
outros tipos de deficiência também, não só em Diamantina como em todo o Brasil. Na
comparação entre meios de hospedagem de Diamantina com o Hotel Fazenda Campo dos
Sonhos, identificou-se alguns detalhes de adaptação para o deficiente visual que fazem toda
diferença. Constatou-se, também, que existe interesse da maioria dos proprietários dos meios
de hospedagem que foram abordados em se adaptarem e de capacitar seus funcionários para
atendimento ao Turista deficiente visual.

Palavras-Chaves: Acessibilidade, Deficiência Visual, Turismo, Meio de Hospedagem,


Diamantina/MG
ABSTRAT

This research aims to identify if the managers of the means of hosting in Diamantina - Minas
Gerais, have knowledge about the profile of tourist with visual impairment - DV (blind or low
vision), identify the managers' interest in investment to adaptation of the means of hosting,
evaluate the level of accessibility and existence of adaptations and training of the employees
to recive this public. A qualitative and quantitative research methodology was used, with a
descriptive and interpretive aspect, which had as main reference the master's dissertation
defended by Santos (2012). As part of the methodological strategies, the work included a
technical visit to Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, in the city of Socorro - SP in 2017, for
observation of some adaptations for the visually impaired that the place presents; application
of quiz by e-mail to 35 means of hosting of Diamantina and visit in loco in 5 of these
establishments. The result shows that there is still a long way to go in relation to the visually
impaired and other types of disability, not only in Diamantina but also in Brazil. In the
comparison between means of hosting of Diamantina with the Hotel Fazenda Campo dos
Sonhos, we identified some details of adaptation for the visually impaired that make all the
difference. It was also verified that there is interest of the majority of the owners of the means
of hosting that were approached in adapting and of qualifying its employees to attend to the
visually impaired tourist.

Keywords: Accessibility, Visual Deficiency, Tourism, Lodging, Diamantina / MG


LISTA DE ILUSTRAÇÕES

Figura 01 - Símbolo oficial do ano internacional das pessoas deficientes.......................... 14


Figura 02 - Alarme de emergência para sanitário................................................................ 39
Figura 03 - Degraus isolados............................................................................................... 40
Figura 04 - Altura para comandos e controles..................................................................... 40
Figura 05 - Puxadores horizontais....................................................................................... 41
Figura 06 - Sinalização em alto relevo................................................................................ 42
Figura 07 - Piso tátil direcional.......................................................................................... 42
Figura 08 - Canil fora do chalé............................................................................................ 43
Figura 09 - Quarto adaptado................................................................................................ 43
Figura 10 - Banheiro adaptado............................................................................................ 43
Figura 11 - Comunicação do canil....................................................................................... 43
Figura 12 - Área de lazer pedalinhos................................................................................... 43
Figura 13 - Interior do cardápio........................................................................................... 44
Figura 14 - Índice do cardápio em braille............................................................................ 44
Figura 15 - Cardápio informativo........................................................................................ 44
Figura 16 - Sinalização tátil e visual alerta.......................................................................... 44
Figura 17 - Placas informativas em Braille e alto relevo.................................................. 45
Figura 18 - Equipamento adaptado para tirolesa................................................................. 45
Figura 19 - Área de lazer passeio de caravela..................................................................... 45
Figura 20 - Sinalização tátil e visual................................................................................... 45
LISTA DE GRÁFICOS

Gráfico 01 - Tipos de estabelecimentos.............................................................................. 35


Gráfico 02 - Número de leitos............................................................................................. 35
Gráfico 03 - Classificação dos apartamentos...................................................................... 36
Gráfico 04 - Oferece acessibilidade para deficientes visuais.............................................. 36
Gráfico 05 - Já recebeu hóspedes com deficiência visual................................................... 37
Gráfico 06 - Possui funcionários treinados para receber deficientes visuais...................... 37
Gráfico 07 - Interesse em adaptar o estabelecimento para receber hóspedes com
deficiência visual e/ou outro tipo de deficiência............................................ 38
LISTA DE TABELAS

Tabela 01 - Distribuição percentual da população residente, por tipo de deficiência,


segundo o sexo e os grupos de idade ......................................................... 18
Tabela 02 - População x quantitativo de deficientes visuais ......................................... 19
Tabela 03 - Classificação dos Meios de Hospedagem ................................................... 26
LISTA DE SIGLAS

ABNT - Associação Brasileira de Normas Técnicas


AIADV – Associação Ituana de Assistência ao Deficiente Visual
A&B – Alimentos e Bebidas
CIF – Classificação Internacional de Funcionalidades
DV - Deficiente visual
EMBRATUR – Instituto Brasileiro de Turismo
IBGE - Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
IPHAN - Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
LIBRAS – Língua Brasileira de Sinais
MTur - Ministério do Turismo
NBR - Normas Brasileiras Regulamentadoras
ONU – Organização das Nações Unidas
PSH - Pesquisa de Serviços de Hospedagem
RN - Rio Grande do Norte
SBClass – Sistema Brasileiro de Classificação de Meios de Hospedagem
SECTUR - Secretaria Municipal de Cultura, Turismo e Patrimônio
TCC - Trabalho de Conclusão de Curso
UFRN – Universidade Federal do Rio Grande do Norte
UFVJM - Universidade Federal dos Vales do Jequitinhonha e Mucuri
UH – Unidade Habitacional
UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e a Cultura
WTM – World Travel Market
SUMÁRIO

1. INTRODUÇÃO...................................................................................................... 14

2. REVISÃO DE LITERATURA.............................................................................. 18
2.1 Caracterização do deficiente visual......................................................................... 18
2.1.1 Pessoa Surdocega..................................................................................................... 19
2.2 Direitos dos Deficientes........................................................................................... 22
2.3 Meios de acessibilidade para o deficiente visual..................................................... 22
2.4 A deficiência visual no Brasil.................................................................................. 23
2.5 Inclusão das pessoas com deficiência visual........................................................... 23
2.6 Acessibilidade.......................................................................................................... 24
2.7 Um lugar acessível................................................................................................... 24
2.8 O turismo e a Acessibilidade................................................................................... 25
2.9 Meios de Hospedagem............................................................................................. 26
2.9.1 Tipos de meios de hospedagem............................................................................... 26
2.9.2 Unidade Habitacional............................................................................................... 27
2.9.3 Classificação dos meios de hospedagem.................................................................. 28
2.9.4 Estrutura hoteleira.................................................................................................... 28
2.9.5 Meio de hospedagem adaptado para deficiente visual............................................. 29
2.9.6 Acessibilidade: favorecendo a hospitalidade no ambiente de hospedagem............. 30
2.9.7 Meio de hospedagem em Diamantina....................................................................... 31

3. METODOLOGIA................................................................................................... 32

4. ANÁLISE DOS DADOS E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS.............. 34


4.1 Respostas do questionário eletrônico....................................................................... 34

4.2 Resultado das visitas in loco.................................................................................... 38


4.3 Visita ao Hotel Fazenda Campos do Sonho um exemplo de acessibilidade............ 41

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS.................................................................................. 46
REFERÊNCIAS....................................................................................................... 50

APÊNDICE A.......................................................................................................... 54
APÊNDICE B.......................................................................................................... 55

ANEXO A................................................................................................................ 57
ANEXO B................................................................................................................ 77
ANEXO C................................................................................................................ 80
ANEXO D................................................................................................................ 82
ANEXO E................................................................................................................ 84
ANEXO F................................................................................................................ 90
ANEXO G................................................................................................................ 91
ANEXO H................................................................................................................ 98
ANEXO I................................................................................................................. 100
ANEXO J................................................................................................................. 103
14

1 INTRODUÇÃO

Existem grupos de pessoas que demandam uma visão diferenciada no seu modo
de vida: os deficientes físico, visual, mental e auditivo. Dentre esses grupos foi escolhido o
deficiente visual (DV) como foco dessa pesquisa na qual serão abordadas algumas das
questões relevantes sobre acessibilidade nos meios de hospedagem, ao direto de Lazer e
Turismo, conforme definição de acessibilidade pela ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS / NORMAS BRASILEIRAS DE REGULAMENTAÇÃO
(ABNT/NBR 9050/2015 - 3.1.1 p. 2).
O relatório de atividade da Comissão Nacional do Brasil de 1981 traz o relato da
trajetória da intitulação do Ano Internacional do Deficiente como descrito a seguir:

Em sua trigésima sessão, de 16 de dezembro de 1976, a ASSEMBLEIA


GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS, pela RESOLUÇÃO 31/123, proclamou,
oficialmente, o ano de 1981 como o ANO INTERNACIONAL DAS
PESSOAS DEFICIENTES.

Iniciou-se, então, uma mobilização mundial para garantir direitos iguais às


pessoas com deficiência, e deu-se inicio a muitas campanhas de conscientização. Dentre as
ações implementadas, encontra-se a criação do símbolo oficial do ano internacional das
pessoas com deficiência (figura 1), que representa duas pessoas que se dão as mãos, numa
atitude mútua de solidariedade e de apoio em plano de igualdade, circundadas por parte do
emblema das Nações Unidas.

Figura 01
IGUALDADE E PARTICIPAÇÃO PLENA

Fonte: Relatório de atividade da Comissão Nacional do Brasil de 1981


Símbolo oficial do ano internacional das pessoas deficientes
15

Com o objetivo de diminuir a discriminação da sociedade e empresas, que


apresentam algum tipo de barreira para o deficiente, foram criadas Leis e Decretos que os
amparam.
Nesse processo de mobilização, o Brasil caminha a passos lentos, mas vai sendo
impulsionado com as atividades de mobilização dos deficientes e simpatizantes pela causa.
No ano de 2000, de acordo com os dados do censo do INSTITUTO
BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA - IBGE (2000), o Brasil apresentava 16,6
milhões de pessoas com algum grau de deficiência visual. No censo do IBGE no ano de
2010, esses números aumentaram para 35.774.392 milhões, um pouco mais que o dobro em
10 anos, sendo 148 mil declarados como cegos no ano de 2000 e no ano de 2010 foram
6.562.910 milhões. IBGE (2010).
Estes 35,7 milhões de brasileiros com deficiência visual nem sempre são vistos
como potenciais turistas na área de hotelaria e serviços no Brasil, visto que a Pesquisa de
Hospedagem – PSH do IBGE (2011) revelou que apenas 1,3% das unidades habitacionais
(UH) nos estabelecimentos hoteleiros no Brasil, são adaptados.
O objetivo do estudo proposto consiste em verificar se há conhecimento sobre o
possível potencial do DV como turista; verificar o nível de conhecimento quanto às
adaptações para o DV nos meios de hospedagem; e se há acessibilidade nas UH; identificação
de possível interesse em adaptação dos estabelecimentos para receber hóspedes com
deficiência visual e/ou outro tipo de deficiência. Pretende-se, ainda, evidenciar a importância
de se discutir acessibilidade nos meios de hospedagem para o público DV na promoção do
lazer e turismo local. A discussão dos resultados oriundos da pesquisa de campo no Hotel
Fazenda Campos dos Sonhos em Socorro – SP, e da pesquisa in loco dos 10 meios de
hospedagem de Diamantina servirão como base para as reflexões aqui apresentadas.
A importância do turismo acessível que está se tornando uma nova segmentação
no mercado turístico chama a atenção do Ministério do Turismo (MTur), devido aos mega
eventos que o Brasil sediou: a Copa das Confederações em 2013; a Copa do Mundo em
2014; e as Olimpíadas em 2016. O investindo nesse segmento desde o ano de 2000, gerou a
produção de alguns materiais para auxilio do bom atendimento ao Turista deficiente ou com
mobilidade reduzida. Algumas de suas ações foram: criação de site sobre acessibilidade no
turismo e outros assuntos afins ( www.turismoacessivel.gov.br), produção e publicação de
material de divulgação voltado para o Turismo Acessível em 2006 como: o Manual de
Orientações “Turismo e Acessibilidade”; o Turismo Social: Diálogos do Turismo – Uma
Viagem de Inclusão; Destino Referência em Turismo de Aventura Especial – Socorro/SP; Kit
16

de Cartilhas “Turismo Acessível”; Guia Muito Especial – Projeto Novos Rumos dentre
outros. Todo material citado pode ser encontrado e baixado do site descrito acima.
Devido à necessidade de estudos que visem reconhecer a maneira de atender de
forma satisfatória o turista com qualquer tipo de deficiência ou redução de sua mobilidade,
atualmente existem Leis, Decretos e Normas que norteiam a acessibilidade desse público nas
atividades de turismo, lazer e serviços oferecidos.
Quando se identificam diferentes e novos grupos de demanda, possibilita-se a
criação de novos produtos e serviços confirmando seu potencial de crescimento. (DIAS,
2005).
O local escolhido para a pesquisa foi Diamantina, município de Minas Gerais,
localizado no alto do Jequitinhonha, com estimativa populacional pelo IBGE para 2016 de
48.095 habitantes. Essa cidade recebeu, em 1938, do IPHAN (Instituto do Patrimônio
Histórico e Artístico Nacional) o título de Patrimônio Histórico Nacional e, em 1999, foi
reconhecida pela UNESCO (Organização das Nações Unidas da Educação, a Ciência e a
Cultura) como Patrimônio Cultural da Humanidade. Tudo isso contribuiu para aumentar o
fluxo de visitantes, interessados em desfrutar dos atrativos da cidade.
No Trabalho de Conclusão de Curso (TCC) 1, por nós defendido no primeiro
semestre de 2016, foi realizada uma pesquisa exploratória sobre a acessibilidade em
Diamantina, para deficientes. A pesquisa tomou como referência outras pesquisas sobre
acessibilidade em Diamantina, em especial, um TCC desenvolvido por um acadêmico do
Curso de Turismo, que abordava a acessibilidade para portadores de mobilidade reduzida, nos
atrativos turísticos do centro histórico. Verificou-se, tomando como referência esse trabalho
de Guedes (2013), que de 2013 a 2016 nenhuma ação foi implementada para promover a
melhoria da acessibilidade.
A participação em alguns eventos acadêmico-científicos1, ao longo dos dois
últimos anos, bem como as intervenções realizadas pela banca examinadora, no TCC1,
contribuíram para que fosse feito o recorte que ora se apresenta neste trabalho: acessibilidade
para deficientes visuais, nos meios de hospedagem em Diamantina.
Assim, este estudo está organizado em três capítulos. No primeiro, apresenta-se
uma revisão da literatura, abordando os principais conceitos acerca da deficiência e
acessibilidade; no segundo capítulo, apresenta-se o aporte metodológico que sustentou a

1
II Encontro Brasileiro de Museus Casas, promovido pela Fundação Casa de Rui Barbosa, onde foi apresentado
o trabalho intitulado “Uma análise acerca do turismo acessível em Diamantina”. Participação no Encontro
Nacional de Turismo – ENATUR, realizado na USP, em 2017, com a apresentação de comunicação sobre o
mesmo tema.
17

investigação. A seguir são apresentados e discutidos os resultados da pesquisa de campo e as


considerações finais.
18

2 REVISÃO DE LITERATURA

Neste capítulo, será caracterizada a deficiência visual, bem como o que tem sido
considerado, conforme legislação vigente, adequado para promover a acessibilidade. Serão
abordadas, também, as principais exigências relativas aos meios de hospedagem para os
portadores desse tipo de deficiência.

2.1 Caracterização da deficiência visual

“A deficiência visual é caracterizada pela anulação ou pelo sério


comprometimento da captação das informações ambientais pelo canal perceptivo da visão,
categorizando as pessoas respectivamente em cegas ou indivíduos com baixa visão.”
(POYARES E GOLDFELD, 2008, p. 39).
Santos (2012, p. 13), afirma que “a deficiência visual é uma condição física que
delimita ao cidadão com esta deficiência a algumas atividades cotidianas.” O Decreto nº 5.296
de 2 de dezembro de 2004 refere-se a dois tipos de deficiência visual, cegueira e baixa visão:

Cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menos que 0,05 o melhor olho, com a
melhor correção óptica; baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,3 e 0,05
no melhor olho, com a melhor correção óptica. Há ainda os casos nos quais a
somatória da medida do campo visual em ambos os olhos é igual ou menor que 60º
(BRASIL, Decreto nº 5.296, 2004)

Silva (2005) citado por Santos (2012, p. 14), informa que existem alguns casos em
que a cegueira é causada por doenças que atingem especificamente o aparelho ocular, como o
glaucoma, a catarata e as distrofias periféricas e centrais, e aqueles em que esta condição é
associada a outros problemas orgânicos, como a diabetes, ou síndromes neurológicas que
afetam o nervo óptico. Nos casos citados, normalmente a cegueira é progressiva, com tempo
variável até a perda total da visão. Os casos da cegueira adquirida pode ser de forma súbita
por trauma e violência. .
Santos (2012, p. 13-14) transcreve informação da Chefe de Divisão de Pesquisa,
Documentação e Informação do Instituto Benjamin Constant, no Rio de Janeiro, escola para
cegos e pessoas com subvisão, que classifica e diagnostica o DV em:

“cego aquele que demonstra desde ausência total de visão até a perda da percepção
luminosa, enquanto o deficiente de baixa visão, ou subnormal, que apresenta desde a
19

capacidade de perceber luminosidade até o grau em que a deficiência visual interfira


ou limite seu desempenho.”

2.1.1 Pessoa Surdocega

Os indivíduos surdocegos são definidos como aqueles que têm perda substancial
de visão e audição, de tal forma que a combinação das duas deficiências causa extrema
dificuldade na conquista de metas educacionais, vocacionais, de lazer e sociais. Os principais
métodos de comunicação com esse tipo de deficiência consiste em utilizar as formas que
exploram o sentido tátil com as tecnologias desenvolvidas para esse tipo de deficiência,
conforme detalhado na Cartilha do MTur (2016), cujo texto na íntegra encontra-se no
ANEXO 3.
Segundo o Decreto Federal nº. 914/1993 (ANEXO 2), pessoa com deficiência é
definida como, “aquela que apresenta, em caráter permanente, perdas ou anomalias de sua
estrutura ou função psicológica, fisiológica ou anatômica, que gerem incapacidade para o
desempenho de atividades dentro do padrão considerado normal para o ser humano”.
De acordo com Conde (2012), a Classificação Internacional de Funcionalidade,
Incapacidade e Saúde (CIF) leva em consideração os aspectos sociais da deficiência e propõe
um mecanismo para estabelecer o impacto do ambiente social e físico sobre a funcionalidade
da pessoa. Por exemplo, quando uma pessoa com uma deficiência visual tem dificuldade em
trabalhar num determinado edifício ou serviço porque não existem pisos táteis ou elevadores
que sonorizem os andares a cada parada, a CIF identifica as prioridades de intervenção, ao
invés dessa pessoa se sentir obrigada a desistir do seu emprego. Assim, a deficiência desloca-
se da pessoa com deficiência para o ambiente em que vive, pressupondo-se que, estando o
ambiente devidamente adaptado, a funcionalidade da pessoa com deficiência pode ser igual
ou muito próxima a de qualquer outra pessoa.
Santos (2012, p. 16-17) afirma que para uma análise perfeita da acessibilidade é
importante que se atente e entenda as dificuldades impostas pela deficiência às pessoas, e em
que nível o ambiente ajuda ou piora sua orientação ou mobilidade. Essas interações são vistas
na ergonomia e suas áreas específicas. O ergonomista2 no auxilio técnico para pessoas
especiais faz a escolha dos sistemas melhor adaptados a cada caso particular.

2
Ergonomista, especialista em ergonomia que tem o objetivo de procurar otimizar as interações entre o homem e
os objetos que utiliza ou lugares que frequenta, visando de forma integrada, promover a segurança, a saúde e o
bem-estar do utilizador, assim como a eficiência do sistema em que ele esta envolvido. (REBELO, 2017, p.?).
20

No ano de 2000, de acordo com os dados do censo do IBGE (2000), o Brasil


apresentava 16,6 milhões de pessoas com algum grau de deficiência visual. No censo de 2010
estes números aumentam para 35.774.392 milhões, um pouco mais que o dobro em 10 anos,
sendo 148 mil declarando-se cegos em 2000 e em 2010 são 6.056.532 milhões. Esses mais de
35,7 milhões de brasileiros com deficiência visual não são vistos como potenciais turistas na
área de hotelaria e serviços. A ausência de técnicas e recursos humanos adequados que
possibilitem o atendimento diferenciado ao DV como hóspede mostra a falta de preparo e
visão de mercado no quesito de hospitalidade e economia de mercado.

Tabela 01
Distribuição percentual da população residente, por tipo de deficiência, segundo o
sexo e os grupos de idade.

Percebe-se ao visualizar a Tabela 1 que os percentuais do DV são sempre maiores


que os demais pesquisados.
21

TABELA 02
População x quantitativo de deficientes visuais
Nos seus diversos graus de dificuldades
Grande Alguma
Estado População Cego
Dificuldade Dificuldade
RO 1.562.409 2.294 46.211 232.313
AC 733.559 1.410 25.143 106.849
AM 3.483.985 8.214 113.045 530.003
RR 450.479 1.129 13.603 62.511
PA 7.581.051 11.459 270.953 1.169.644
AP 669.526 1.325 24.781 106.529
TO 1.383.445 2.577 47.129 201.710
MA 6.574.789 13.988 267.853 1.057.540
PI 3.118.360 7.559 138.672 556.525
CE 4.452.381 24.224 349.795 1.497.949
RN 3.168.027 6.929 128.684 560.967
PB 3.766.528 8.477 142.193 672.369
PE 8.796.448 19.950 348.179 1.564.390
AL 3.120.494 6.977 136.127 536.811
SE 2.068.017 4.069 75.156 331.254
BA 14.016.906 33.980 476.059 2283.619
ES 3.514.952 7.298 113.309 513.414
RJ 15.989.929 53.178 483.414 2.533.069
MG 19.597.330 45.015 591.313 2.703.412
SP 41.262.199 143.426 1.059.927 6.140.684
PR 10.444.526 26.155 295.464 1.407.052
SC 6.248.436 13.687 174.772 804.176
RS 10.693.929 28.748 323.137 1.548.749
MS 2.449.024 4.917 68.440 336.223
MT 3.035.122 5.168 91.415 452.917
GO 6.003.788 13.778 183.711 914.913
DF 2.570.160 6.436 68.047 388.870
TOTAL 186.755.799 502.367 6.056.532 29.214.462
Norte Nordeste Sudeste Sul Centro Oeste
Fonte: IBGE 2010– Amostra população deficiente visual
Tabela: Elaborada pelas autoras.
22

2.2 Direitos dos Deficientes

De acordo com a Constituição Brasileira de 1988 (Art. 5º) ”toda pessoa com
deficiência deve ter as mesmas oportunidades e alcançar a sua independência social e
econômica para integrar-se plenamente na sociedade, como parte de um processo em defesa
da cidadania e do direito à inclusão social da pessoa com deficiência.” Esta afirmação é
corroborada pelo Programa de Ação Mundial para Pessoas Portadoras de Deficiência das
Nações Unidas (ONU, 1982) que diz que:

“Os países membros [da ONU, hoje são 193 ao todo incluindo o Brasil] devem
garantir que pessoas com deficiência tenham as mesmas oportunidades de desfrutar
de atividades recreativas que têm os outros cidadãos. Isto envolve a possibilidade de
freqüentar restaurantes, cinemas, teatros, bibliotecas, etc., assim como locais de
lazer, estádios esportivos, hotéis, praias e outros lugares de recreação. Os países
membros devem tomar a iniciativa removendo todos os obstáculos. Neste sentido,
autoridades de turismo, as agências de viagens, organizações voluntárias e outras
envolvidas na organização de atividades recreativas ou oportunidades de
viagem devem oferecer serviços a todos e não discriminar as pessoas com
deficiência.”.

As leis e decretos da deficiência visual e o DV encontram-se no (ANEXO 2).

2.3 Meios de Acessibilidade para o Deficiente Visual

Santos (2012, p. 17-18) pondera que a falta de ferramentas físicas apropriadas é


um dos grandes fatores que causam dependência do DV por pessoas que possam empenhar-se
pela acessibilidade dos mesmos, diferentemente de uma pessoa cadeirante, com deficiência
auditiva ou motora , que tem como lutar por seus direitos.
De acordo com Santin e Simmons (1977, p. 5) a bengala e o cão-guia também são
alguns dos recursos utilizados para que o DV possa ter mais autonomia, entretanto, em alguns
casos faz-se imprescindível a companhia de uma pessoa para guiá-los durante todo o
percurso, ou no caso de estarem sozinhos, precisam contar com o apoio de desconhecidos
para orientá-los ao longo do trajeto que estão percorrendo, para ajudar na hora de chamar um
ônibus ou um taxi e até mesmo para evitar acidentes.
23

2.4 A deficiência visual no Brasil

Sansiviero e Dias (2005, p. 441) lembram que com duas guerras mundiais
aumentou-se muito o número de pessoas com deficiência no mundo, deficientes de
locomoção, de audição e de visão e tornou-se um importante marco histórico para o estudo da
proteção das pessoas portadoras de deficiência. No entanto, a ocorrência das guerras acarretou
a conscientização do problema da deficiência. Eles afirmam que, no Brasil, a proteção às
pessoas portadoras de deficiência é garantida pela Constituição, mas um grande desafio e
inúmeros obstáculos devem ser enfrentados ainda pela pessoa com deficiência, quando busca
atividades relacionadas ao lazer e ao turismo.
A iniciativa para o enfrentamento desses desafios, ainda que de maneira
rudimentar, data da década de 1970, de acordo com Sassaki (2003, p. 37). O autor afirma que,
naquele período, surgiram as primeiras excursões organizadas por agências de viagem para
pessoas deficientes físicas, motoras, auditivas e visuais; o lazer turístico passou a ser apontado
como oportunidade para possibilitar a inclusão social de pessoas com deficiência.

2.5 Inclusão das pessoas com deficiência visual

A inclusão da pessoa com deficiência visual demanda esforços no sentido de


entender e propor ações que contemplem todas as dimensões da acessibilidade. Segundo
Sassaki (2009), existem seis diferentes dimensões de acessibilidade, são elas: arquitetônica
(sem barreiras físicas); comunicacional (sem barreiras na comunicação entre pessoas);
metodológica (sem barreiras nos métodos e técnicas de lazer, trabalho, educação etc.);
instrumental (sem barreiras instrumentos, ferramentas, utensílios etc.); programática (sem
barreiras embutidas em políticas públicas, legislações, normas etc.) e atitudinal (sem
preconceitos, estereótipos, estigmas e discriminações nos comportamentos da sociedade para
pessoas que têm deficiência).
Segundo Sansiviero e Dias (2005, p. 443), é importante reforçar que o grupo de
pessoas composto por aquelas que apresentam algum tipo de deficiência (seja ela qual for) é
um grupo que, independentemente da cultura ou sociedade à qual pertença, necessita de
adaptações específicas para que seu processo de inclusão seja realizado.
Essas autoras mostram que deve-se entender a complexidade das barreiras
encontradas na sociedade, bem como a diversidade de ações necessárias para a eliminação
completa destas. Ainda, segundo elas, a preocupação prioritária é trabalhar os aspectos
24

ligados à acessibilidade arquitetônica (barreiras físicas), pois, somente após a remoção dessas
barreiras é que a sociedade como um todo, através da convivência, poderá identificar as
demais barreiras existentes.

2.6 Acessibilidade

Segundo a Cartilha Turismo Acessível (2016, p. 7), acessibilidade é uma


característica do ambiente que garante a melhoria da qualidade de vida das pessoas
deficientes. Deve estar presente nos espaços, no meio físico, no transporte, na informação e na
comunicação, inclusive nos sistemas e nas tecnologias da informação e da comunicação, bem
como em serviços e instalações abertos ao público ou de uso público, tanto na cidade como no
campo.
Compreende-se que a acessibilidade é para todos, uma vez que a eliminação de
barreiras tanto arquitetônicas quanto físicas facilita não só a vida das pessoas com deficiência
e ou mobilidade reduzida, mas também pessoas em boas condições de mobilidade. Além
disso, qualquer indivíduo está sujeito a vir a ter alguma deficiência ou redução de mobilidade
permanente ou não, por causa de algum acidente que os indivíduos possam sofrer no dia-a-
dia. (SOUZA, 2012, p. 6).Ainda de acordo com a Cartilha Turismo Acessível (2016, p. 8), a
acessibilidade é um direito universal (não apenas de pessoa com deficiência ou com
mobilidade reduzida). Ela gera resultados sociais positivos e contribui para o
desenvolvimento inclusivo e sustentável. Sua implementação é fundamental, dependendo,
porém, de mudanças de hábitos culturais e de atitude.
Souza (2012, p. 5) afirma que no turismo a acessibilidade vem sendo discutida de
maneira tímida desde 2006, ano em que aconteceu o lançamento do manual Acessibilidade e
Turismo pelo MTur.

2.7 Um lugar acessível

Para Sassaki (2009, p. 41) a inclusão, como um paradigma de sociedade, é o


processo pelo qual os locais comuns são tornados adaptados para toda a diversidade humana -
composta por etnia, raça, língua, nacionalidade, gênero, orientação sexual, deficiência e
outros atributos - com a participação das próprias pessoas na formulação e execução dessas
adequações.
25

Segundo a Cartilha Turismo Acessível: Uma viagem de Inclusão, (2009a, p. 27)


produzida pelo MTur, a trajetória a ser percorrida por um município para se tornar acessível
na recepção dos turistas com deficiência se dá a partir da revisão das leis e normas locais
complementares que disciplinam o uso do território e a prestação de serviços públicos.
A Cartilha afirma, ainda, que, nesta revisão, é necessário incluir o conceito de
acessibilidade e inclusão por meio do Plano Diretor Municipal, Código de Posturas, Código
de Obras e Edificações, Lei de Perímetro Urbano, Lei de Parcelamento do Solo urbano e Lei
de Uso de Ocupação do Solo e o Plano Diretor de Transporte. Em seguida, é necessário
realizar uma pré-avaliação da situação de acessibilidade nos serviços, atrativos e edificações
de interesse turístico públicos e privados, além do acesso aos meios de transportes, mobiliário
urbano, atendimento à pessoa com deficiência e a existência de sistemas de comunicação
específicos. Conclui-se, portanto, que ter acessibilidade em um lugar não é tão simples como
parece, precisa de pessoas públicas que tenham interesse em modificar e adequar não só os
espaços como também a política.
Para haver efetiva inclusão social é primordial a acessibilidade, que significa a
possibilidade de utilizar, com segurança e autonomia, os espaços mobiliários e equipamentos
urbanos, das edificações, dos transportes e meios de comunicação, por pessoa com deficiência
ou mobilidade reduzida. (CERIGNONI, 2005 p. 62).

2.8 O Turismo e a Acessibilidade

Através da Cartilha Turismo Acessível, (2009, p. 13) o MTur afirma que o


turismo é o deslocamento de pessoas, e, por isso, gera integração entre povos e culturas. Por
um lado, é uma necessidade para o bem-estar psico-físico do ser humano, principalmente,
para aqueles que vivem na metrópole. Por outro lado, o turismo é uma fonte importante de
riqueza econômica e um dos setores de mais rápido crescimento na economia mundial,
considerado um fenômeno no mundo inteiro e envolvendo um número crescente de postos de
trabalho. Continuando com a informação da Cartilha citada, o conjunto de cinco elementos –
atrativo, infraestrutura, serviços, comunidade e turista – cria um ambiente que é chamado de
atmosfera do turismo. No caso do turismo oferecido ao cliente com deficiência ou com
mobilidade reduzida, alguns dos elementos podem necessitar de adequações para cumprirem
seus papéis, e isso só acontecerá se houver investimentos, próprios ou de origem pública, para
adequá-los e formatá-los a uma condição de permitir o seu consumo.
26

Em sua pesquisa, Pinto (2006 apud Santos, 2012, p. 106), revela que o turista
deficiente, forma outro nicho de mercado e que em países desenvolvidos já existem hotéis
especializados no atendimento ao turista deficiente. Mais do que promover a inclusão social e
a circulação de pessoas, livre de barreiras, essenciais na sociedade, esses empresários tem
explorado uma fatia de mercado que cresce em grandes proporções, principalmente nos países
desenvolvidos.
Esse autor mostra em sua pesquisa quanto pode ser melhorado o turismo de
negócio ou lazer, na vida de um DV; basta adequar os ambientes internos e externos de um
estabelecimento hoteleiro. Essas adequações podem ser tanto na parte física como em
pequenas adequações como colocação de piso tátil, eliminação ou sinalização de barreiras
arquitetônicas, inserção de ajudas técnicas, tais como: sistema de áudio descrição, diretório
de quartos em Braille (ANEXO H), cardápios de restaurante em Braille e/ou letras grandes.

2.9 Meios de Hospedagem

O foco desta pesquisa está direcionada para a acessibilidade do DV no meio de


hospedagem, por isso, abordaremos os principais conceitos relativos ao meio de hospedagem.

Entende-se como MEIO DE HOSPEDAGEM:

“Os empreendimentos ou estabelecimentos, independentemente de sua forma de


constituição, destinados a prestar serviços de alojamento temporário, ofertados em
unidades de frequência individual e de uso exclusivo do hóspede, bem como outros
serviços necessários aos usuários, denominados de serviços de hospedagem,
mediante adoção de instrumento contratual, tácito ou expresso, e cobrança de
diária”. (artigo 23 da Lei n° 11.771/2008).

O termo meio de hospedagem refere-se ao conjunto de empresas destinadas a


prover acomodaç em condições de segurança, higiene e satisfação às pessoas que buscam por
esses serviços, seja por períodos curtos ou até em longas temporadas. (RIBEIRO, 2011. p.
27).

2.9.1Tipos de Meios de Hospedagem

Na atualidade, os meios de hospedagem são variados e atendem aos interesses de


uma demanda cada dia mais exigente e segmentada. Assim, há diversos tipos de meios de
hospedagem que buscam atrair e satisfazer uma clientela variada, os quais podem ser
27

representados por um simples albergue ou até por um suntuoso resort. (RIBEIRO, 2011. p.
27).
Os meios de hospedagem recebem as seguintes classificações e respectivas
conceituações, de acordo com a CARTILHA – Sistema Brasileiro de Classificação de Meios
de Hospedagem:

A) Hotel - Estabelecimento com serviço de recepção, alojamento temporário, com


ou sem alimentação, ofertados em unidades individuais e de uso exclusivo dos
hóspedes, mediante cobrança de diária. De 1 a 5 estrelas. (P. 6).
B) Pousada - Empreendimento de característica horizontal, composto de no
máximo 30 unidades habitacionais e 90 leitos, com serviços de recepção,
alimentação e alojamento temporário, podendo ser em um prédio único com até
três pavimentos, ou contar com chalés ou bangalôs. De 1 a 5 estrelas. (P. 7).

2.9.2 Unidade Habitacional

De acordo com a Empresa Brasileira de Turismo (EMBRATUR), art.4, Seção I,


do Regulamento Geral dos Meios de Hospedagem, Unidade Habitacional (UH) é o espaço,
atingível a partir das áreas principais de circulação comuns do estabelecimento, destinado à
utilização pelo hóspede, para seu bem-estar, higiene e repouso.
Ainda na Seção I do Regulamento geral dos Meios de Hospedagem, em seu art. 5,
a EMBRATUR define os tipos de UH em:

“I – quarto – UH constituída, no mínimo, de quarto de dormir de uso exclusivo do


hóspede, com local apropriado para guarda de roupas e objetos pessoais.
II - apartamento - UH constituída, no mínimo, de quarto de dormir de uso exclusivo
do hóspede, com local apropriado para guarda de roupas e objetos pessoais, servida
por banheiro privativo;
III - suíte - UH especial constituída de apartamento, conforme definido no inciso II,
deste artigo, acrescido de sala de estar.”

2.9.3 Classificação dos Meios de Hospedagem

Os meios de hospedagem podem ser classificados de acordo com as


características das suas instalações, em função do nível de conforto que oferecem, bem como
pela qualidade de serviços e pelos preços cobrados. (RIBEIRO, 2011. p. 32).
28

A classificação é reconhecida como um instrumento de divulgação de


informações claras e objetivas sobre meios de hospedagem, sendo um importante mecanismo
de comunicação. Essa classificação é realizada mediante solicitação ao Sistema Brasileiro de
Classificação de Meios de Hospedagem (SBClass). (SIDÔNIO, 2015, p. 25).
A deliberação normativa nº 429, de 23 de abril de 2002, determina que os meios
de hospedagem serão classificados em categorias representadas de uma a cinco estrelas,
conforme a tabela 1 a seguir:

TABELA 03
Classificação dos Meios de Hospedagem
CATEGORIA SIMBOLO
Super Luxo SL
Luxo
Superior
Turístico
Econômico
Simples
Fonte: http://www.camara.gov.br/sileg/integras/163579.pdf
Tabela: Elaborada pelas autoras

Ribeiro (2011, p. 35), ressalta que a adoção e adesão ao sistema de classificação


oficial é um ato voluntário dos meios de hospedagem interessados, ou seja, aqueles que
porventura não queiram receber a classificação oficial não são obrigados.

2.9.4 Estrutura Hoteleira

Não existe um padrão administrativo estabelecido para todos os meios de


hospedagem. O modelo ideal será definido a partir da sua localização, porte e serviços
existentes. Basicamente, um hotel deve ser constituído por pelo menos dois departamentos: o
de hospedagem e o de alimentos & bebidas (também denominado de A&B). (MARTINS e
BAHIA, 2011, p. 15).
Segundo Petrocchi (2007, p. 28) o estudo da estrutura organizacional do hotel leva
em conta o tipo de instalações, os recursos humanos e os equipamentos necessários para seu
29

funcionamento. A quantificação de recursos humanos e a divisão do trabalho vão depender da


dimensão e das características de cada hotel. (PETROCCHI, 2007, p. 29).
De acordo com Ribeiro (2011, p. 43) a estrutura organizacional de um meio de
hospedagem, independente de sua categoria ou porte pode ser resumida em quatro áreas
principais: comercial; hospedagem; alimentos e bebidas; e administrativo, sendo que esta
pode abranger as áreas de controladoria, segurança, recursos humanos e manutenção.
A estrutura contém dois tipos de órgãos: os órgãos de linha e os órgãos de apoio:

Órgão de linha, ou de atividade-fim, é aquele que se envolve diretamente com a


prestação dos serviços (também conhecido como front office) – trata-se dos órgãos
que têm contato com o hóspede. Órgão de apoio, ou atividade-meio, é aquele que
opera fora do alcance do cliente (também conhecido como back office). Ele é
responsável pela contabilidade, pela gestão de recursos humanos, pesquisas,
informática etc. (PETROCCHI, 2007, p 30).

Segundo Ribeiro (2011, p. 46-47) fazem parte do setor de front office os seguintes
cargos:

Capitão-porteiro: encontra-se na entrada do hotel tem a finalidade de bem acolher


o hóspede; Recepcionista: Mantém permanente contato com o hóspede desde a sua
chegada check-in até a saída do hóspede check-out, acompanhando suas contas,
verificando e realizando reservas e solicitando serviços para as UH’s; Mensageiro:
responsável por acompanhar o hóspede até a recepção e em seguida à sua UH e
transportar a sua bagagem; Telefonista: responsável por operar o sistema de
comunicações do meio de hospedagem; Encarregado das reservas: tem por função
processar com exatidão as reservas dos hóspedes; Concierge: responsável por
proporcionar aos hóspedes no salão principal do meio de hospedagem, um serviço
personalizado e de categoria. (RIBEIRO, 2011, p. 46-47).

A recepção é o ponto de referência e apoio ao hóspede; é ela que representa a cara


da empresa. È necessário que a recepção volte-se simultaneamente para o hóspede e para
dentro do hotel, pois ela é responsável pela conexão entre o hóspede e a estrutura de serviços
de hospitalidade. (PETROCCHI, 2007, p. 100).

2.9.5 Meio de hospedagem adaptado para deficiente visual

Sancionada pela Presidente Dilma Roussef, em 05 de julho de 2015, a Lei


Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência
(ANEXO G) nº 13.146, Art. 45, determina que os hotéis, pousadas e similares devem ser
30

construídos observando-se os princípios do desenho universal3 além de adotar todos os meios


de acessibilidade, conforme legislação em vigor. Já no § 1o é definido que os
estabelecimentos já existentes deverão disponibilizar, pelo menos, 10% (dez por cento) de
seus dormitórios acessíveis, garantida, no mínimo, 1 (uma) unidade acessível. O § 2o define
que os dormitórios mencionados no § 1o do referido artigo deverão ser localizados em rotas
acessíveis.
A ABNT (9050/2015) estabelece critérios e parâmetros técnicos para a elaboração
de projetos de acessibilidade a edificações, mobiliários, espaços e equipamentos urbanos que
se refere aos locais de hospedagem estabelecendo os seguintes parâmetros:
 Quando forem previstos telefones, interfones ou similares, estes devem ser providos de
sinal luminoso e controle de volume de som. As informações sobre a utilização destes
equipamentos referentes à comunicação do hóspede com os demais serviços do local de
hospedagem devem ser impressas em Braille, texto com letra ampliada e cores contrastantes
para pessoas com deficiência visual e baixa visão, bem como devem estar disponíveis aos
hóspedes;
 Os dispositivos de sinalização e alarme de emergência devem alertar as pessoas com
deficiência visual;
 O sanitário deve possuir dispositivo de chamada para casos de emergências.
Outras disposições acerca de adaptações a serem realizadas em meios de
hospedagem para deficientes visuais podem ser consultadas no ANEXO A.

2.9.6 Acessibilidade: favorecendo a hospitalidade no ambiente de hospedagem

Segundo Petrocchi (2007, p. 31) o hotel deve investir em capacitação e


desenvolvimento dos seus recursos humanos como modo de consolidar o processo de gestão
em um ambiente de respeito às diferenças individuais.
Em seu artigo, Faria e Motta (2012, p. 711) afirmam que faltam investimentos em
treinamento para que os funcionários da linha de frente estejam capacitados a atender os
deficientes visuais de forma adequada; no entanto, para que essa capacitação seja efetiva, é

3
Desenho Universal, são parâmetros que visam proporcionar maior quantidade possível de pessoas,
independentemente de idade, estatura ou limitação de mobilidade ou percepção, a utilização de maneira
autônoma e segura de ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos. Cartilha: Dicas
para atender bem o Turista com deficiência (MTur, 2015.p. 10)
31

preciso que as organizações voltadas para a prestação de serviços de lazer saibam o que
realmente é importante para tais consumidores.
As autoras afirmam, ainda, que as empresas não estão preocupadas em oferecer
serviços de lazer turístico realmente acessíveis para as pessoas com deficiência. Algumas até
investem em adaptações físicas, mas poucas levam em consideração todas as mudanças que
deveriam ser feitas para que, de fato, os serviços de lazer turístico sejam acessíveis para as
pessoas com deficiência visual. Por se tratar de um assunto ainda pouco explorado, muitas
são as possibilidades de estudos futuros que podem contribuir para o avanço do conhecimento
e da prática acerca das restrições ao consumo para deficientes visuais e, igualmente, para
pessoas que apresentam outras deficiências.
De acordo com Flores (2000) de nada adianta mudar os equipamentos turísticos,
se, simultaneamente, não forem conscientizadas as pessoas que irão operá-los, para que
também aprimorem seu estilo de relacionamento.
A Cartilha ”Dicas para atender bem o turista com deficiência” (2016, p. 60-72)
apresenta técnicas e dicas para auxiliar no atendimento ao turista com deficiência visual.
(ANEXO C).

2.9.7 Meio de Hospedagem em Diamantina

Como local escolhido para realização da pesquisa, vários fatores devem ser
considerados ao se tratar da acessibilidade nos meios de hospedagem em Diamantina.
De acordo com o relatório da nona edição da pesquisa Perfil da Demanda
Turística Real de Diamantina e Região,(MEDAGLIA e SILVEIRA, 2014), a escolha por
meios de hospedagem comercial por parte dos visitantes foi de 61%. A tendência daquele ano
mostrou que houve uma diminuição da procura de pousadas seguida de um aumento pelos
hotéis em relação ao ano anterior.
32

3 METODOLOGIA

Para a realização desta pesquisa foi utilizado como metodologia a pesquisa


qualitativa, e quantitativa, descritiva e interpretativa, dividida em duas etapas, pesquisa
exploratória e pesquisa de campo.
A qualitativa, o pesquisador procura reduzir a distancia entre a teoria e os dados, o
contexto e a ação, usando a lógica da análise fenomenológica, isto é, dar compreensão dos
fenômenos pela sua descrição e interpretação. (TEIXEIRA, 2011).
Quantitativa por que, na análise do conteúdo, a ênfase deve recair na
quantificação de seus ingredientes, ou seja, na frequência da aparição no texto de certas
palavras, expressões, frases, temas etc. e não nos aspectos semânticos do texto. (MARCONI E
LAKATOS, 2011, p. 286).
As vantagens do método quantitativo, segundo Macone e Lakatos (2011, p. 288)
são: precisão e controle; integração dos métodos de quantificação e qualificação; explicitação
dos passos da pesquisa e prevenção da inferência e da subjetividade do pesquisador.
Na etapa exploratória realizou-se pesquisa bibliográfica e documental, através do
TCC1 que após sugestão da banca foi feito um recorte e decidido direcionar para a deficiência
visual nos meios de hospedagem em Diamantina, baseando também na dissertação de
mestrado de Larissa Nascimento dos Santos, defendida em 2012, pela Universidade Federal
do Rio Grande do Norte – RN, que discorre sobre o tema. A segunda etapa, pesquisa de
campo foi realizada através de questionário e observação em loco.
Parte da coleta de dados foi feita através de questionário, encaminhado via correio
eletrônico. Segundo Barro e Lehfeld (2011, p. 106) o questionário “é um instrumento muito
usado para o levantamento de informações, e também não fica restrito a uma quantidade de
questões”. O questionário encaminhado aos meios de hospedagem de Diamantina contou com
8 questões fechadas. Conforme recomenta Barros e Lehfeld (op cit) esse instrumento não
deve ser muito longo para não desanimar o entrevistado.
Como um instrumento de coletas de dados o questionário enviado via e-mail
apresenta vantagens e limitações. Vergara (2012, p. 39-40) cita algumas das vantagens: trazer
a possibilidade de ampliar o número de respondentes, também é possível construir caixas nas
quais as respostas marcadas sejam impeditivas de o respondente pretender marcar mais de
uma quando o pesquisador só quer uma; Igualmente, há possibilidade de processar
instantaneamente os dados coletados, para tabulá-los ou usá-los em algum pacote estatístico,
utilizando software apropriado. Foi com este propósito que optamos pelo questionário.
33

Dentre as vantagens do uso do questionário, segundo os autores encontra-se a


economia de tempo e recursos financeiros e humanos para sua aplicação. Já dentre as
limitações do instrumento, são apontados o índice de devolução e a veracidade das respostas.
Em pesquisa junto à Secretaria de Turismo da Prefeitura local, verificou-se que há
35 meios de hospedagem registrados; a listagem contendo seus nomes e endereços eletrônicos
foi disponibilizada para o uso neste trabalho. Esses estabelecimentos foram abordados via e-
mail em sua totalidade e visitas em loco em 4, para conhecimento de suas capacidades de
hospedagem a turistas com deficiência visual.
O questionário teve como objetivo fazer um levantamento quanto aos seguintes
aspectos: quantidade de unidades habitacionais adaptadas que são ofertadas; se recebem este
perfil de turista com deficiência visual, se os funcionários são capacitados para recebê-los, e,
por fim, caso não se enquadrem, se haveria interesse de adequação física para este tipo de
turista. Este instrumento foi estruturado no google.docs, encaminhado via e-mail.
(APÊNDICE A).
A coleta de dados foi realizada entre os dias 30 de junho e 21 de julho de 2017,
através de envio de 35 formulários via e-mail.
Também, realizou-se visita técnica em 4 estabelecimentos de meios de
hospedagem de Diamantina no primeiro semestre do ano de 2017 e, em junho do mesmo ano,
no Hotel Fazenda Campo dos Sonhos, em Socorro – São Paulo. Neste último, foi aplicado um
questionário ao Consultor de Marketing do estabelecimento, Sr. Carlos Tavares, com
objetivo de estabelecer comparação de caso de sucesso de uma empresa que investe na
acessibilidade, na inclusão do deficiente e na sustentabilidade com os meios de hospedagem
de Diamantina.
34

4 ANÁLISE DOS DADOS E APRESENTAÇÃO DOS RESULTADOS

A aplicação do questionário via e-mail a um total de 35 (trinta e cinco)


estabelecimentos de meios de hospedagem, sendo, 12 hotéis e 23 pousadas, somente 7
responderam, 5 (cinco) foram devolvidos com notificação de que o endereço não foi
encontrado, sendo que 1 (um) não se enquadra no objeto de estudo, pois, recebe somente
estudantes pesquisadores de arqueologia, geologia e afins não fazendo parte destes grupos o
DV, e 22 (vinte e dois) não retornaram resposta. O tempo de resposta dos 4 (quatro) primeiros
estabelecimentos foi de um por dia, enquanto que os 3 últimos responderam quatro dias
posteriores à segunda solicitação de realização da pesquisa enviada no dia 09 de julho de
2017. Essa segunda tentativa se deu a partir do entendimento de que com a demanda de e-
mails recebidos pelos estabelecimentos, possivelmente os mesmos não haviam visualizado a
solicitação anterior.
A visita técnica se deu a 5 meios de hospedagem, sendo 4 em Diamantina e 1 em
Socorro, nos quais foram observadas e registradas as características pertinentes à pesquisa; no
hotel Campo dos sonhos, além da observação, foi aplicado também um questionário, com o
objetivo de coletar o maior número de informações possível, dada sua característica peculiar
de ser um exemplo de acessibilidade,
O questionário aplicado aos meios de hospedagem de Diamantina constou de 8
perguntas( APÊNDICE A), com intenção de saber qual o tipo de meio de hospedagem, o
quantitativo das acomodações, se já recebeu hospede com deficiência visual, oferece
adaptações para DV, se os funcionários tem algum tipo de treinamento para atendimento ao
DV e por último se há interesse em adaptar –se para este perfil de público.
Tivemos um total de 13 meios de hospedagem participantes e 5 excluídos, então
temos: aproximadamente 37% participaram da pesquisa; 14,% sem contato e 49% não
responderam.
A análise a seguir refere-se somente aos dados coletados via questionário
eletrônico.

4.1 Respostas do questionário eletrônico.

Devido ao pequeno número de respondentes aos e-mails enviados, dos 35


estabelecimentos de meios de hospedagem, 12 hotéis e 23 pousadas, somente 3 hotéis e 4
pousadas responderam o questionário, não dando margem para ser feita uma análise mais
35

abrangente do assunto em questão nos meios de hospedagem em Diamantina, será somente


analisado os que estão participando. Nos meios de hospedagem visitados in loco, a análise
será feita separadamente, devido a oportunidade de observação de alguns outros fatores que
não entraram no questionário e por último serão cruzados os resultados.

Gráfico 01
Tipo de estabelecimento

Fonte: Elaboração das autoras baseado nos dados obtidos no questionário

O Gráfico 01 mostra que do total de respondentes, 57% caracterizam-se por


pousadas e 43% a Hotéis.

Gráfico 02
Números de leitos

Fonte: Elaboração das autoras baseado nos dados obtidos no questionário


36

Gráfico 03
Classificação dos apartamentos

Fonte: Elaboração das autoras baseado nos dados obtidos no questionário

O Gráfico 03 mostra que 29% dos respondentes cumprem a lei, no entanto, 71%
não dispõem de quarto adaptado e busca-se verificar se existe a quantidade de UH adaptados.
Conforme a Lei 13.146. Art 45, no § 1º, os estabelecimentos já existentes devem
disponibilizar, pelo menos, 10% (dez por cento) de seus dormitórios acessíveis ou garantir, no
mínimo 1 (uma) unidade acessível. (ANEXO B).
A Pesquisa de Serviços de Hospedagem-PSH do IBGE (2011) revelou que
apenas 1,3% das unidades habitacionais nos estabelecimentos hoteleiros do Brasil, são
adaptados. Pode-se entender que a falta de cumprimento a Lei é um problema
Nacional. ( IBGE, 2011).
Gráfico 04
Oferece acessibilidade para deficientes visuais

Fonte: Elaboração das autoras baseado nos dados obtidos no questionário


37

No Gráfico 04 percebemos que 2 (dois) dos meios de hospedagem participantes


tem adaptações para o DV, a maioria das adaptações são voltadas para cadeirantes e/ou
pessoas com mobilidade reduzida.

Gráfico 05
Já recebeu hóspedes com deficiência visual

Fonte: Elaboração das autoras baseado nos dados obtidos no questionário

O Gráfico 05 apresenta que 71% dos respondentes já receberam hospedes com


DV e 29% dos respondentes não receberam, isso evidencia que mesmo com barreiras
existentes, o DV não deixa de viajar e conhecer novos lugares.

Gráfico 6
Possui funcionários treinados para receber deficientes visuais

Fonte: Elaboração das autoras baseado nos dados obtidos no questionário


38

O Gráfico 6 mostra que 14% dos estabelecimentos respondentes que dispõem de


funcionários treinados para atender o hóspede com deficiência visual e 86% não possuem..
Essa ausência de funcionários capacitados para esse atendimento dificulta a acessibilidade,
segurança e atendimento ao hospede com deficiência visual.

Gráfico 07
Interesse em adaptar o estabelecimento para receber hóspedes com deficiência visual e/ou outro tipo de
deficiência

Fonte: Elaboração das autoras baseado nos dados obtidos no questionário

O Gráfico 07 mostra que 86% dos estabelecimentos apresentam interesse em


realizar adaptações que venham atender hóspedes com deficiência visual e/ou outro tipo de
deficiência e 14% não.

4.2 Resultado das visitas in loco.

Podemos fazer uma análise geral das 4 Pousadas visitadas, pois em relação a
arquitetura muito se assemelham e em seu interior não temos também grandes mudanças. De
modo geral as recepções das 4 pousadas são posicionadas em lugares estratégicos na entrada d
fácil acesso para todos que ali chegam, possuindo algum tipo de barreira arquitetônica, seja de
um degrau, um tapete e falta de corrimão na entrada.
39

Não há quadro informativo em letras grandes em cores contrastantes nem


impressos em braille este pode ser feito em gráfica especializada. (ANEXO F).
O acesso para as UH não conta com o piso tátil de direção, nem de alerta,
ABNT/NBR, 9050, 5.4.6; as rotas são acessíveis ao DV ABNT/NBR, 9050, 6.1; não há
indicação do número da UH em alto relevo nem em braille, ABNT/NBR, 9050, 5.2.9.2.3; os
quartos adaptados são sempre espaçosos, portas em tamanho padrão, maiores que 80cm de
largura, livres de barreiras, os banheiros contém as barras de apoio tanto nos sanitários quanto
no chuveiro, mas não há dispensador de sabonete líquido, pois sabão em barra pode causar
acidentes de queda do DV ao querer acha-lo, caso este venha a cair no chão. Não
encontramos alarmes de emergência no interior da UH nem nos banheiros, ABNT/NBR,
9050.

Figura 02

Fonte ABNT/NBR 9050/2015

5.6.4.1 Alarme de emergência para sanitário - Deve ser instalado dispositivo de alarme de emergência
próximo à bacia, no boxe do chuveiro e na banheira para acionamento por uma pessoa sentada ou em caso de
queda nos sanitários, banheiros e vestiários acessíveis. Recomenda-se a instalação de dispositivos adicionais em
posições estratégicas, como lavatórios e portas, entre outros. A altura de instalação deve ser de 40 cm do piso,
conforme Os dispositivos devem ter cor que contraste coma da parede. (ABNT 9050).
40

Os degraus não contém a sinalização adequada conforme ABNT/NBR,


9050/2015.
Figura 03

Fonte ABNT/NBR 9050/2015

5.4.4.1 Degraus isolados - É considerado degrau isolado a sequência de até dois degraus. Este desnível deve ser
sinalizado em toda a sua extensão, no piso e no espelho, com uma faixa de no mínimo 3 cm de largura
contrastante com o piso adjacente, preferencialmente fotoluminescente ou retro iluminado.
5.4.4.2 Degraus de escadas - A sinalização visual dos degraus de escada deve ser:
a) aplicada aos pisos e espelhos em suas bordas laterais e/ou nas projeções dos corrimãos, contrastante com o
piso adjacente, preferencialmente fotoluminescente ou retro iluminado.
b) igual ou maior que a projeção dos corrimãos laterais, e com no mínimo 7 cm de comprimento e 3 cm de
largura;
c) fotoluminescente ou retro iluminada, quando se tratar de saídas de emergência e/ou rota de fuga.
NOTA Recomenda-se estender a sinalização no comprimento total dos degraus com elementos que incorporem
também características antiderrapantes.

No interior das UHs adaptadas, percebemos que a altura dos comandos e controles
não estão dentro das normas, ABNT/NBR, 9050/2015, 4.6.9, assim como as maçanetas.

Figura 04

Fonte ABNT/NBR 9050/2015

4.6.9 Altura para comandos e controles: a Figura 8 mostra as alturas recomendadas para o posicionamento de
diferentes tipos de comandos e controles.
41

Figura 05

4.6.6.3 Os puxadores horizontais: para portas devem ter diâmetro entre 25 mm e 45 mm, com afastamento de
no mínimo 40 mm. Devem ser instalados a uma altura que pode variar entre 0,80 me 1,10 m do piso acabado,
conforme Figura 7.

Nas áreas comuns a todos notamos algumas barreiras que poderiam causar
insegurança a um DV, ABNT/NBR, 9050, 4.3.3.
Os estacionamentos apesar de não haver a sinalização para deficientes, o espaço é
suficiente para sua utilização por qualquer pessoa inclusive os deficientes ou com mobilidade
reduzida.

4.3. Visita ao Hotel Fazenda Campo dos Sonhos um exemplo de acessibilidade

A cidade de Socorro localiza-se na Serra da Mantiqueira, no estado de São Paulo,


com uma população de 27.288 mil habitantes, segundo IBGE (2012). É uma cidade modelo
em acessibilidade, certificada pelo Ministério do Turismo, onde localiza-se o Hotel Fazenda
Campo dos Sonhos e o Parque dos Sonhos, referência nacional em turismos de aventura
acessível.
Em nota no site www.brasil.gov.br, foi divulgado no ano de 2014, que o Hotel
Fazenda Campo dos Sonhos e o Parque dos Sonhos receberam dois títulos nas categorias de
melhor projeto para pessoas com deficiência e prática de turismo responsável: “Best for
People with Disabilities” e "World Responsible Tourism Award - Overall Winner" em
premiação ocorrida na World Travel Market (WTM), maior feira de turismo do mundo,
realizada de 3 a 6 de novembro em Londres.
Por ocasião da premiação, o Senhor Vinicius Lages, Ministro do Turismo na
época, declarou que projetos como este reforçam a importância da inovação no setor turístico.
42

“O exemplo do Campo dos Sonhos é a união perfeita entre responsabilidade social e


competitividade. Através da inovação e a busca por novos conhecimentos e ferramentas, o
destino turístico passou a ter um importante diferencial empreendedor”, disse ele ao portal do
Campo dos Sonhos
O empreendimento foi desenvolvido, com apoio do MTur, equipamentos de
segurança e suporte especificamente para que paraplégicos e tetraplégicos pudessem realizar
atividades de aventura como tirolesa, cavalgada e boiacross.
Na visita técnica ao Hotel Fazenda Campos do Sonho – São Paulo, foi observado
a inclusão de acessibilidade em todo empreendimento, eliminadas as seis barreiras
apresentadas por Sassaki (2009): arquitetônica; comunicacional; atitudinal; metodológica;
instrumental e programática. Realizou-se entrevista com o Sr. Carlos Tavares, Consultor de
Marketing e que acompanha o desenvolvimento deste local desde o início, e narra a trajetória
percorrida para hoje ser um caso de sucesso no ramo de Turismo e Lazer, conjugado com
acessibilidade. A entrevista na íntegra encontra-se no APENDICE B.
Apresentamos, a seguir, a título de ilustração, algumas fotos que mostram como o
estabelecimento investiu na acessibilidade para atendimento a todo tipo de deficiência.

Figura 07 - Piso tátil direcional – NBR 9050/2015 –


Figura 06 - Sinalização em alto
5.4.6.4 Foto: As autoras
relevo e em braille – NBR
9050/2015 – 5.2.6.3
Foto: As autoras
43

Figura 09 – Quarto adaptado Figura 08 – Canil fora do Chalé, para cão guia. Lei nº
Foto: As autoras 11.126/2005.
Foto: As autoras
Foto: As autoras

Figura 11 – Comunicação do canil para dentro do


Chalé , para cão guia. Lei nº 11.126/2005.
Foto: As autoras
Foto: As autoras

Figura 10 – Banheiro adaptado NBR


9050/2015 – 7.10.1
Foto: As autoras

Figura 12 – Área de lazer - pedalinhos -


Foto: As autoras
44

Figura 15 – Cardápio Informativo em Braille


NBR 9050/2015 - 5.2.9.2.4
Foto: As autoras

Figura 13 – Interior do Cardápio


Informativo em Braille - NBR
9050/2015 - 5.2.9.2.4
Foto: As autoras

Figura 16 – Sinalização tátil e visual de alerta –


NBR 9050/2015 – 5.4.6.3
Foto: As autoras Figura 14 – Índice do Cardápio
Informativo em Braille - NBR
9050/2015 - 5.2.9.2.4
Foto: As autoras
45

Figura 17 – Placa Informativa em Braille e alto relevo - NBR 9050/2015


- 5.2.9.2.4
Foto: As autoras

Figura 19 – Área de lazer - passeio de caravela


Foto: As autoras

Figura 20 - Sinalização tátil e visual


NBR 9050/2015 – 5.2.9.2.3.
Foto: As autoras Figura 18 – Equipamento adaptado para tirolesa.
Foto: As autoras
46

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A acessibilidade nos meios de hospedagem de Diamantina é um tema que merece


e precisa ter atenção e ser discutido, por sua relevância para o lazer e o turismo local. Por isso
é necessário compreender que tornar os meios de hospedagem acessíveis aos turistas com
deficiência visual não é bondade, mas respeito e reconhecer, que há um novo tipo de hóspede
para ser atendido de forma satisfatória.
Dos que participaram da pesquisa via e-mail e os que foram visitados, possuem
ambientes parcialmente adaptados para pessoas com deficiência física (cadeirante) e
mobilidade reduzida, mas para o DV ainda faltam algumas práticas para tornar sua estada
segura e confortável. Nossa análise teve como referência as normas da ABNT/NBR,
9050/2015 e a visita técnica ao Hotel Fazenda Campos do Sonho onde pudemos observar as
adaptações feitas para atender os deficientes de que tipo for. As adaptações ali realizadas
atendem às normas da ABNT/NBR, 9050/2015, de modo que o estabelecimento está
certificados pelos órgãos competentes. Quanto às suas adaptações todo o empreendimento é
voltado para acessibilidade e sustentabilidade, sendo o seu maior objetivo atender com
satisfação a todos que ali vão, mas principalmente aos deficientes.
Os estabelecimentos de hospedagem de Diamantina podem e devem se enquadrar
dentro das normas para atendimento ao DV,sendo muito pouco o que é necessário fazer para
poder dar um atendimento a esse cliente para que ele tenha suas expectivas atendidas.
Devido ao fato de serem locais que originalmente eram residências e foram
transformados em meios de hospedagem, há uma certa dificuldade em se realizar algumas
obras, mas para um DV, as adaptações são mais em utensílios do que na arquitetura
propriamente dita, e são detalhes que não oneram a parte financeira. O governo federal
através do MTur criou programas de financiamento para empresa que se dispõe a fazer tal
adaptações, a exemplo do Hotel Fazenda Campo dos Sonhos que iniciou com a utilização
deste financiamento.(ANEXO E).
No Brasil existem poucas pesquisas com enfoque em pessoas com deficiência
visual. Apesar de todo investimento que o governo disponibilizou a partir da preparação para
os mega eventos que sediou nos últimos 4 anos, não se percebe a utilização e aplicação
desses recursos no dia a dia. Observa-seque a maioria se dá na área de Recursos Humanos,
frequentemente denotando a preocupação com a inclusão de tais indivíduos no mercado
formal de trabalho. É preciso considerar que além de trabalho eles tem direito e desejo a lazer,
viajar e fazer turismo, mas não se vê um enfoque prático nestes segmentos.
47

A grande dificuldade do próprio DV em manifestar-se nos seus direitos incluindo


o Turismo, vem da questão já destacada por Sassaki (2009), como poderia alguém almejar
algo que não se vê? Apesar dos esforços políticos nos últimos anos para a inclusão,
campanhas pesadas para acessibilidade, o DV ainda tem uma longa jornada para ser tratado
com igualdade.
A visita técnica ao Campo dos Sonhos possibilitou a comprovação que é possível
haver um meio de hospedagem totalmente adaptado e com programas de sustentabilidade,
onde o turista com deficiência, seja de que tipo ou grau for, poderá desfrutar de atividades
ecológicas, utilização de equipamentos e serviços, tudo monitorado e guiado por profissionais
especializados no atendimento ao turista deficiente de qualquer idade. Ver na integra detalhes
do programa de acessibilidade do local, no ANEXO I.
Enfim, com base nas informações obtidas nesse estudo, é possível afirmar que o
setor de hospedagem da cidade de Diamantina e de todo Brasil, ainda precisam de uma
atenção mais de perto, necessitam realizar adaptações em seus ambientes, com enfoque no seu
principal produto: o cliente. No entanto, além de adaptações nos ambientes, é preciso que os
estabelecimentos estejam atentos a outras maneiras de garantir a experiência satisfatória do
hóspede com deficiência visual, visto que, no hotel Campos dos Sonhos existe um cuidado na
questão de informação ao DV, todas as placas informativas no parque são em alto relevo e
alguma também em braille, os chalés tem local próprio para a guarda do cão guia, mini canil,
com comunicação direta com o interior do chalé.
Também é de extrema importância para uma hospitalidade satisfatória o
treinamento adequado, conforme ANEXO D, dos funcionários que estão na linha de frente e
que são as primeiras pessoas a quem o cliente irá falar.
Também foi possível constatar que no Campo dos Sonhos existe cardápio e
folhetos de informação em braille estreitando assim a distância no atendimento, além de
existirem funcionários treinados para este tipo de atendimento.
Resultados preliminares do Censo do IBGE (2010) mostram que há mais de 35
milhões de brasileiros com deficiência visual, estes mesmos dados revelam que essa parcela
da população é um mercado potencial em crescimento, visto que este crescimento se deve aos
avanços tecnológicos da medicina, que permite o prolongamento de vida em alguns casos de
doenças graves, mas seu tratamento deixa sequelas e que dependendo da patologia leva a
deficiência visual. Nesse sentido, a promoção da acessibilidade para deficientes visuais pelo
empresariado se configura como um ato de cidadania e respeito às leis, como também um
investimento na qualidade da prestação de serviços garantindo a fidelidade do cliente e se
48

destacando dos destinos concorrentes, como informado pelo Sr. Carlos, administrador do
Campo dos Sonhos: - “a crise financeira não nos atingiu”. Sua agenda de reservas vive
sempre cheia.
É importante destacar que possuir um produto que atenda as necessidades do
deficiente e pessoas com mobilidade reduzida, implica possuir um produto que atenda a outro
mercado crescente no país, o público da terceira idade, isso se confirma uma vez que os dois
públicos dispõem de tempo e recursos para viajar. Portanto, para absorver esses nichos de
mercado é preciso que os empresários estejam atentos às diferentes formas de garantir a
experiência desses hóspedes.
A pesquisa apresenta ainda outro dado que merece grande atenção, apenas 7 de
um total de 35 questionários enviados foram respondidos, além do retorno de 5 que não
tiveram a entrega completa, diante disso, vale ressaltar que não basta oferecer acessibilidade
nos espaços físicos e por meio dos recursos humanos, também é imprescindível haver
acessibilidade comunicacional, pois, sem conseguir entrar em contato com o estabelecimento
é difícil realizar a reserva.
A afirmação apresentada pelos respondentes de terem interesse em realizar
adaptações que venham atender hóspedes com deficiência visual e/ou outro tipo de
deficiência indica que há por parte do empresariado conscientização da importância de ofertar
um serviço não como uma questão legal, e sim como uma questão de cidadania e inclusão
social.
Com relação à resposta ao tema investigado: - Se há acessibilidade para
deficientes visuais nos meios de hospedagem de Diamantina? - A pesquisa não deu margem
para podermos responder de forma concreta, pois somente 11 dos 35 meios de hospedagem
foram avaliados. No entanto, existe conhecimento sobre esse mercado, inclusive 71%
responderam já ter recebido deficientes visuais.
Apontamos ainda que em comparação com outros temas na área do turismo há
uma carência de estudos e pesquisas neste segmento de DV, pouco são os pesquisadores que
contribuem para que os gestores púbicos e privados saibam um pouco sobre as necessidades
de consumo das pessoas com DV ou com mobilidade reduzida, o que impossibilita a
formatação de produtos e a especialização de serviços focados para esse perfil de público.
Ao concluir esta pesquisa, sugerimos aos estabelecimentos com o objetivo de
contribuir para o desenvolvimento e implementação no projetos de acessibilidade, procurar
assessoria técnica de empresas especializadas tradicionais e responsáveis, a fim de evitar
equívocos e garantir o sucesso do projeto. É preciso estar atualizado, pois nessa área surgem
49

novos conceitos e tecnologias constantemente e quem não acompanha essas mudanças corre o
risco de realizar ações ultrapassadas. Despertar para o princípio de que a acessibilidade não
envolve somente pessoas com deficiência, ela abrange um universo maior, deficiências,
idosos e pessoas com mobilidade reduzida, compreendendo que as adaptações precisam ser
universais, atendendo tanto hóspedes com deficiência quanto sem.
50

REFERÊNCIA

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050 - Acessibilidade em


Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos. Rio de Janeiro: Moderna,
2004. 59 p.

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE NORMAS TÉCNICAS. NBR 9050 - Acessibilidade em


Edificações, Mobiliário, Espaços e Equipamentos Urbanos. 3 ed. Rio de Janeiro: Moderna,
2015. 148 p.

BARROS, A. J. S.; LEHFELD, N. A. S. Fundamentos de metodologia científica. 3. ed. São


Paulo: Pearson Prentice Hall, 2007. 160 p.

BRASIL. Ministério do Turismo. Sistema brasileiro de classificação de meios de


hospedagem. Brasília: Ministério do Turismo, 2010.

BRASIL. Ministério do Turismo. Turismo Acessível (Org.). Cartilha: dicas para atender
bem o turista com deficiência. Brasília: Ministério do Turismo, 2015.

BRASIL. Ministério do Turismo. Turismo Acessível (Org.). Turismo Acessível: Introdução


a uma Viagem de Inclusão. 2009. Disponível em:
<http://www.turismo.gov.br/assuntos/5054-turismo-acessivel.html>. Acesso em: 23 mar.
2015.

CASTELLI, G. Marketing hoteleiro. Caxias do Sul: Educs, 1991 apud LEMOS, R. N.;
ERDMANN, R. F. O conceito de planejamento e controle da produção e o serviço hoteleiro.
18. ed. Niterói, RJ: ABEPRO, 1998. Disponível em:
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1998_ART269.pdf.>. Acesso em: 27 jul.
2017.

CERIGNONI, F. N. Deficiência: uma questão política?. São Paulo: Paulus, 2005.

CONDE, A. J. M. Deficiência Visual: a cegueira e a baixa visão. Bengala legal, 5 Mai.


2012. Disponível em: < http://www.bengalalegal.com/cegueira-e-baixa-visao>. Acesso em:
28 abr. 2017.

DIAMANTINA. Prefeitura Municipal. Diretoria de Turismo. Relação dos meios de


hospedagem de Diamantina [mensagem pessoal]. Mensagem recebida por
turismo@diamantina.mg.gov.br em 11 abr. 2017.

DIAS, R. Introdução ao Turismo. São Paulo Atlas, 2005 apud SANTOS, L. N. Abordagem
da Ergonomia para análise da acessibilidade a hóspedes com deficiência visual em
hotéis: soluções para pessoas cegas e com baixas visão. 2012. 224 f. Dissertação
(Mestrado) - Curso de Designer de Interiores. Centro de Tecnologia, Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, Natal, 2012.

DUARTE, D. C. ; PEREIRA, J. C. R. ; LIMA, K. S. C. . A hospitalidade para deficientes visuais:


Um estudo nos Setores Hoteleiros Sul e Norte de Brasília - DF. In: XIII Seminário ANPTUR,
2016, São Paulo. Anais do Seminário da Anptur, 2016.
51

FARIA, M. D.; MOTTA, P. C. Pessoas com Deficiência Visual: Barreiras para o Lazer
Turístico. Revista Turismo em Análise - RTA, Brasil, v. 23, ed. nº 3, 691-717 p., dez. 2012.
Disponível em: <http://www.revistas.usp.br>. Acesso em: 7 jun. 2017

FLORES, P. S. O. Treinamento em qualidade: um fator de sucesso para desenvolvimento


de hotelaria e turismo. São Paulo: Roca, 2002.

FRANÇA, J. L.; VASCONCELLOS C. A. Manual para normalização de publicações técnico-


científicas. 8. ed. Belo Horizonte: Ed. UFMG, 2007. 255 p.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE (Brasil) (Org.).


População residente: tipo de deficiência. Censo demográfico 2000. Disponível em:
<ftp://ftp.ibge.gov.br/Censos/Censo_Demografico_2000/populacao/Brasil/>. Acesso em: 23
jan. 2017.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE (Brasil) (Org.)–


Características Gerais da População, Religião e Pessoas com Deficiência. Censo
demográfico 2010 Disponível em:
<http://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/periodicos/94/cd_2010_religiao_deficiencia.pdf>
Acesso em: 24 jan. 2017.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE (Brasil) (Org.).


Pesquisa de serviço de hospedagem. 2011. Disponível em:
<http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/economia/comercioeservico/psh/2011_todas_regioe
s/default.shtm>. Acesso em: 17 jun. 2017.

INSTITUTO BRASILEIRO DE TURISMO. Deliberação Normativa n. 429, de 23 de abril de


2002. Aprova os anexos Regulamento Geral dos Meios de Hospedagem e Regulamento do
Sistema Oficial de Classificação dos Meios de Hospedagem, para os fins estabelecidos no
artigo 4°, da Lei 6.505, de 13 de dezembro de 1977; no inciso X, do artigo 3°, da Lei 8.181,
de 28 de março de 1991; e no Decreto 84.910, de 15 de julho de 1980. Portal da Câmara dos
Deputados, Poder Legislativo, Brasília, DF, 2002. Disponível em:
<http://www.camara.gov.br/sileg/integras/163579.pdf > Acesso em: 23 de mai. 2017.

LEMOS, R. N.; ERDMANN, R. F. O conceito de planejamento e controle da produção e o


serviço hoteleiro. 18. ed. Niterói, RJ: ABEPRO, 1998. Disponível em:
<http://www.abepro.org.br/biblioteca/ENEGEP1998_ART269.pdf.>. Acesso em: 27 jul.
2017.

MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Metodologia científica. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2011.
314 p.

MARTINS, C. A. M. G.; BAHIA, L. R. G. Gestão hoteleira. Manaus: Centro de Educação


Tecnológica do Amazonas, 2011. 40 p.

McKERCHER, B.; PACKER, T.; LAM, P. Travel agents as facilitators or inhibitors of


travel: perceptions of people with disabilities. Tourism Management, v. 24, 465-474 p.,
2003 apud FARIA, M. D.; MOTTA, P. C. Pessoas com Deficiência Visual: Barreiras para o
Lazer Turístico. Revista Turismo em Análise - RTA, Brasil, v. 23, ed. nº 3, 691-717 p., dez.
2012. Disponível em: <http://www.revistas.usp.br>. Acesso em: 7 jun. 2017.
52

PETROCCHI, M. Hotelaria: planejamento e gestão. 2. ed. São Paulo: Pearson Prentice


Hall, 2007. 202 p.

PINTO, A. C. A.; SZUCS, C. P. Desenho universal em hotéis. Universal desing in hotel.


Ergodesign, São Paulo-sp, v.6,n.,p.1-6, 11 abr. 2006 apud SANTOS, L. N. Abordagem da
Ergonomia para análise da acessibilidade a hóspedes com deficiência visual em
hotéis: soluções para pessoas cegas e com baixas visão. 2012. 224 f. Dissertação
(Mestrado) - Curso de Designer de Interiores, Centro de Tecnologia, Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, Natal, 2012.

POYARES, M.; GOLDFELD, M. Análise comparativa da brincadeira simbólica de crianças


cegas congênitas e de visão normal. Revista Benjamin Constant, v. 40, 2008.

RIBEIRO, K. C. C. Meios de hospedagem. Manaus: Centro de Educação Tecnológica do


Amazonas, 2011. 62 p.

REBELO, F. Ergonomia no Dia a Dia: o contributo da Ergonomia para a nossa


qualidade de vida. 2 ed. Lisboa: Edições Sílabo, 2017. 163 p.

SANSIVIERO, S.; DIAS, C. Hotelaria e acessibilidade. Turismo Visão e Ação, v. 7 (3), 439
– 453 p., 2005.

SANTOS, L. N. Abordagem da Ergonomia para análise da acessibilidade a hóspedes


com deficiência visual em hotéis: soluções para pessoas cegas e com baixas visão. 2012.
224 f. Dissertação (Mestrado) - Curso de Designer de Interiores, Centro de Tecnologia,
Universidade Federal do Rio Grande do Norte, Natal, 2012.

SASSAKI, R. K. Inclusão no lazer e turismo em busca da qualidade de vida. São Paulo:


Áurea, 2003.

SASSAKI, R. K. Inclusão: acessibilidade no lazer, trabalho e educação. Revista Nacional de


Reabilitação (Reação), São Paulo, Ano XII, mar./abr. 2009.

SIDÔNIO, L. V. Gestão hoteleira. Montes Claros, MG: Instituto Federal do Norte de Minas
Gerais, 2015. 110 p.

SILVA, L. G. S. Inclusao: uma questão, também, de visão. O aluno cego na escola


comum. João Pessoa: Editora Universitária, 256 p. 2008 apud SANTOS, L. N. Abordagem
da Ergonomia para análise da acessibilidade a hóspedes com deficiência visual em
hotéis: soluções para pessoas cegas e com baixas visão. 2012. 224 f. Dissertação
(Mestrado) - Curso de Designer de Interiores, Centro de Tecnologia, Universidade Federal do
Rio Grande do Norte, Natal, 2012.

SILVEIRA, C. E.; MEDAGLIA, J. (coord.). Perfil da demanda turística real de


Diamantina e região: características de viagem, motivações, percepções e expectativas.
Diamantina: UFVJM, 2014. 42f
53

TEIXEIRA, E. As Três Metodologias: acadêmicas, da ciência e da pesquisa. 8. ed.


Petrópolis, RJ: Vozes, 2011.

VERGARA, S. C. Métodos de coleta de dados no campo. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.

LEGISLAÇÃO

BRASIL. Decreto nº 5.296 de 2 de dezembro de 2004. Regulamenta as Leis nº 10.048, de 8


de novembro de 2000, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000. República Federativa do
Brasil, Poder Executivo, Brasília, DF, 2004. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2004/decreto/d5296.htm>. Acesso em:
11 abr. 2017.

BRASIL. Decreto nº 5.904, de 21 de setembro de 2006, regulamenta a Lei nº 11.126, de 27


de junho de 2005. Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto
da Pessoa com Deficiência). É assegurado à pessoa com deficiência visual acompanhada de
cão-guia o direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os meios de transporte
e em estabelecimentos abertos ao público, de uso público e privados de uso coletivo, desde
que observadas as condições impostas por esta Lei. República Federativa do Brasil, Poder
Executivo, Brasília, DF, 2006. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2004-2006/2006/decreto/d5904.htm >. Acesso em:
13 abr. 2017.

BRASIL. Congresso Nacional. Lei Federal nº 11.771, de 17 de setembro de 2008. Dispõe


sobre a Política Nacional de Turismo, define as atribuições do Governo Federal no
planejamento, desenvolvimento e estímulo ao setor turístico; revoga a Lei no 6.505, de 13 de
dezembro de 1977, o Decreto-Lei no 2.294, de 21 de novembro de 1986, e dispositivos da Lei
no 8.181, de 28 de março de 1991; e dá outras providências. República Federativa do
Brasil, Poder Legislativo, Brasília, DF, 2008. Disponível em: <
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2008/lei/l11771.htm >. Acesso em: 13
abr. 2017.

BRASIL. Congresso Nacional. Lei Federal nº 13.146, de 6 de julho de 2015. Institui a Lei
Brasileira de Inclusão das Pessoas com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência) nº
13.146, Art. 45. Os hotéis, pousadas e similares devem ser construídos observando-se os
princípios do desenho universal, além de adotar todos os meios de acessibilidade, conforme
legislação em vigor. § 1o Os estabelecimentos já existentes deverão disponibilizar, pelo
menos, 10% (dez por cento) de seus dormitórios acessíveis, garantida, no mínimo, 1 (uma)
unidade acessível. § 2o Os dormitórios mencionados no § 1o deste artigo deverão ser
localizados em rotas acessíveis. República Federativa do Brasil, Poder Legislativo, Brasília,
DF, 2015. Disponível: < http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-
2018/2015/lei/l13146.htm> Acesso em: 15 abr. 2017.
54

APÊNDICE A

ACESSIBILIDADE NOS MEIOS DE HOSPEDAGEM EM DIAMANTINA PARA


DEFICIENTES VISUAIS

Pesquisa para realização de Trabalho de Conclusão de Curso- Curso de


Turismo/UFVJM
Nome do estabelecimento:
1. Qual o Meio de Hospedagem? ( ) Hotel ( ) Pousada
2. Número de leitos?
3. Quantidade de quartos/ apartamentos comuns?
4. Quantidade de quartos/ apartamentos adaptados?
5. Oferece acessibilidade para deficiente visual? ( ) SIM ( ) NÃO

6. Já recebeu hóspedes com deficiência visual? ( ) SIM ( ) NÃO

7. Possui funcionários treinados para atender deficientes ( ) SIM ( ) NÃO


visuais
8. Tem interesse em adaptar o estabelecimento para ( ) SIM ( ) NÃO
receber hóspedes com deficiência visual e/ou outro tipo
de deficiência?

Obrigada por sua colaboração!


55

APÊNDICE B

Questionário aplicado ao Sr. Carlos Tavares Consultor de Marketing em oportuna visita


ao Hotel Fazenda Campos dos Sonhos

1. O hotel-fazenda avaliou a necessidade de promover a acessibilidade arquitetônica a


partir de que perspectiva?
Resposta: Pela fato do hotel trabalhar as 3 dimensões da sustentabilidade, o
Ambiental, o Sociocultural e o Econômico, tornou-se necessário trabalhar a inclusão
social para se completar. Além disso, esse nicho de mercado oferece grandes
oportunidades.

2. Qual o plano de marketing estabelecido pelo hotel-fazenda para se tornar conhecido


pela comunidade de deficientes e pelo trade turístico?
Resposta: Embora o hotel tenha um plano de marketing revisto anualmente, nossa
preocupação maior não foi divulgar o hotel como acessível e sim preparar o hotel para
atender a todos. Nossa Missão é que o turista saia daqui encantado e ele divulgue a
nossa marca nas redes sociais, para parentes e amigos.

3. Quais recursos técnicos e pessoais esse estabelecimento possui para ser classificado
com acessível?
Resposta: Fisicamente implantamos todas as exigências na norma ABNT NBR 9050
e além dessa ação, também adaptamos atendimento para a prática das atividades de
recreação, tanto em adaptação de equipamentos como adaptação de procedimentos.

4. O processo de qualificação dos funcionários do Hotel-fazenda foi desenvolvido de


acordo com o seu crescimento e como ocorre os aperfeiçoamentos e atualizações?
Resposta: O departamento de Recursos Humanos constrói uma planilha anual com os
gerentes sobre os cursos que serão realizados durante o ano, tanto sobre reciclagem
como para novos treinamentos.

5. Quais ações são desenvolvidas quando surgem diferentes e novos grupos de


demanda?
Resposta: Temos mensalmente a reunião dos Gerentes com o Diretor Geral, onde são
tratados as demandas de todas as áreas e os resultados alcançados. Cada gerente cuida
da sua área. Temos o gerente de atividades, de hotelaria e manutenção, de alimentos e
bebidas, do agro negócios, de recursos humanos, finanças e marketing e o diretor
geral.

6. O hotel participou de alguma linha de crédito especial para realizar as adaptações


pretendidas?
Resposta: Não, tudo foi realizado com recursos próprio.
56

7. Nos fale um pouco sobre a sustentabilidade local, horta orgânica, minhocário,


compostagem e alambique. Segue ANEXO J.

8. Atualmente, do ponto de vista econômico e de competitividade, como o hotel se vê no


setor hoteleiro e turístico? Existe crise de financeira?
Resposta: O hotel está muito bem. O Hotel pertence a uma rede composta pelo: Hotel
Fazenda Campo dos Sonhos e Hotel Fazenda Parque dos Sonhos, e em abril próximo
passado foi lançado mais um hotel do grupo que além de operar dentro do conceito
global de sustentabilidade que toda rede opera, ainda apresentou o diferencial
competitivo que suas unidades habitacionais são de containers reutilizados, se
tornando o primeiro hotel fazenda do Brasil que utiliza esse tipo de uh’s.

9. Quais os tipos de retorno o hotel recebe dos clientes?


Resposta: Ex: propaganda gratuita, assiduidade, entre outras. O processo de
sustentabilidade e inclusão social, trouxe muita notoriedade e credibilidade para hotel,
tanto no destino onde está instalado, quanto para o trade, funcionários, imprensa e
governo nas três esferas. Tornou-se um case de sucesso nacional e internacional.
Ganhamos com isso muita mídia espontânea e a taxa de retorno dos clientes aumentou
além destes nos indicar para parentes e amigos.

10. Por favor faça uma breve autorização para publicarmos as respostas acima, obrigada.
Resposta: Todas nossas respostas tem a nossa autorização para tornarem-se públicas.

Carlos Tavares

Consultor de Marketing
57

ANEXO A
NORMAS TÉCNICAS QUE AMPARAM O DEFICIENTE VISUAL

A Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é o Foro Nacional de


Normalização. As Normas Brasileiras, seu conteúdo é de responsabilidade dos Comitês
Brasileiros (ABNT/CB), dos Organismos de Normalização Setorial (ABNT/ONS) e das
Comissões de Estudo Especiais (ABNT/CEE), são elaboradas por Comissões de Estudo (CE),
formadas pelas partes interessadas no tema objeto da normalização.
A ABNT NBR 9050 foi elaborada no Comitê Brasileiro de Acessibilidade
(ABNT/CB- 040), pela Comissão de Estudo de Acessibilidade em Edificações (CE-
040:000.001). O Projeto circulou em Consulta Nacional conforme Edital nº 08, de 20.08.2012
a 18.10.2012.
Esta Norma estabelece critérios e parâmetros técnicos a serem observados quanto
ao projeto, construção, instalação e adaptação do meio urbano e rural, e de edificações às
condições de acessibilidade.
Esta Norma visa proporcionar a utilização de maneira autônoma, independente e
segura do ambiente, edificações, mobiliário, equipamentos urbanos e elementos à maior
quantidade possível de pessoas, independentemente de idade, estatura ou limitação de
mobilidade ou percepção.
NOTA: Para serem considerados acessíveis, todos os espaços, edificações,
mobiliários e equipamentos urbanos que vierem a ser projetados, construídos, montados ou
implantados, bem como as reformas e ampliações de edificações e equipamentos urbanos,
atendem ao disposto nesta Norma.

3 TERMOS, DEFINIÇÕES E ABREVIATURAS - PARA DEFICIENTES VISUAIS


Reproduzido os termos e definições gerados pela ABNT/NBR 9050/2015,
mantendo a numeração em que estão dispostos nas NORMAS.

3.1 TERMOS E DEFINIÇÕES

3.1.1 Acessibilidade: possibilidade e condição de alcance, percepção e entendimento para


utilização, com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos urbanos,
edificações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias,
bem como outros serviços e instalações abertos ao público, de uso público ou privado de uso
coletivo, tanto na zona urbana como na rural, por pessoa com deficiência ou mobilidade
reduzida.
58

3.1.2 Acessível: espaços, mobiliários, equipamentos urbanos, edificações, transportes,


informação e comunicação, inclusive seus sistemas e tecnologias ou elemento que possa ser
alcançado, acionado, utilizado e vivenciado por qualquer pessoa

3.1.3 Adaptável: espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento cujas


características possam ser alteradas para que se torne acessível

3.1.4 Adaptado: espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento cujas


características originais foram alteradas posteriormente para serem acessíveis

3.1.5 Adequado: espaço, edificação, mobiliário, equipamento urbano ou elemento cujas


características foram originalmente planejadas para serem acessíveis

3.1.6 Ajuda técnica: produtos, equipamentos, dispositivos, recursos, metodologias,


estratégias, práticas e serviços que objetivem promover a funcionalidade, relacionada à
atividade e à participação da pessoa com deficiência ou mobilidade reduzida, visando a sua
autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão social.
NOTA Esse termo também pode ser denominado “tecnologia assistiva”.

3.1.7 Área de aproximação: espaço sem obstáculos, destinado a garantir manobra,


deslocamento e aproximação de todas as pessoas, para utilização de mobiliário ou elemento
com autonomia e segurança.

3.1.8 Área de circulação: espaço livre de obstáculos, destinado ao uso de todas as pessoas.

3.1.13 Calçada: parte da via, normalmente segregada e em nível diferente, não destinada à
circulação de veículos, reservada ao trânsito de pedestres e, quando possível, à implantação de
mobiliário, sinalização, vegetação, placas de sinalização e outros fins

3.1.14 Calçada rebaixada: rampa construída ou implantada na calçada, destinada a promover


a concordância de nível entre estes e o leito carroçável.

3.1.15 Contraste: diferença perceptível visual, tátil ou sonora.

3.1.16 Desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e serviços a serem


utilizados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação ou projeto específico, incluindo
os recursos de tecnologia assistiva. NOTA: O conceito de desenho universal tem como
pressupostos: equiparação das possibilidades de uso, flexibilidade no uso, uso simples e
intuitivo, captação da informação, tolerância ao erro, mínimo esforço físico, dimensionamento
de espaços para acesso, uso e interação de todos os usuários. É composto por sete princípios,
descritos no Anexo A.
3.1.17 Elemento: qualquer dispositivo de comando, acionamento, comutação ou
comunicação, como, por exemplo, telefones, intercomunicadores, interruptores, torneiras,
registros, válvulas, botoeiras, painéis de comando, entre outros.

3.1.25 Linha-guia: qualquer elemento natural ou edificado que possa ser utilizado como
referência de orientação direcional por todas as pessoas, especialmente as com deficiência
visual.
59

3.1.29 Piso tátil: piso caracterizado por textura e cor contrastantes em relação ao piso
adjacente, destinado a constituir alerta ou linha-guia, servindo de orientação, principalmente,
às pessoas com deficiência visual ou baixa visão. São de dois tipos: piso tátil de alerta e piso
tátil direcional.

3.1.30 Rampa: inclinação da superfície de piso, longitudinal ao sentido de caminhamento,


com declividade igual ou superior a 5 %.

3.1.32 Rota acessível: trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado, que conecte os ambientes
externos ou internos de espaços e edificações, e que possa ser utilizado de forma autônoma e
segura por todas as pessoas, inclusive aquelas com deficiência e mobilidade reduzida. A rota
acessível pode incorporar estacionamentos, calçadas rebaixadas, faixas de travessia de
pedestres, pisos, corredores, escadas e rampas, entre outros.

4.1 Pessoas em pé: as Figuras 1,2 e 3 apresentam dimensões referenciais para deslocamento
de pessoas em pé.

Dimensões em metros

Figura 1 Figura 3
Figura 2

4.3.3 Mobiliários na rota acessível: mobiliários com altura entre 0,60 m até 2,10 m do piso
podem representar riscos para pessoas com deficiências visuais, caso tenham saliências com
mais de 0,10 m de profundidade e ser detectável com bengala longa.
A Figura 4 apresenta possibilidades que dispensam a instalação de sinalização tátil e visual de
alerta. Dimensões em metro
Legenda
1 borda ou saliência detectável com bengala longa,
instalada na projeção de um mobiliário suspenso,
desde que não seja necessária a aproximação de
pessoas em cadeiras de rodas
2a instalada suspensa, a menos de 0,60 m acima do
piso ou
2b proteção lateral instalada desde o piso
Figura 4

4.3.7 Proteção contra queda ao longo de rotas acessíveis: devem ser previstas proteções
laterais ao longo de rotas acessíveis, para impedir que pessoas sofram ferimentos em
decorrência de quedas. Figura 6
60

Quando rotas acessíveis, rampas, terraços, caminhos elevados ou plataformas sem vedações
laterais forem delimitados em um ou ambos os lados por superfície que se incline para baixo
com desnível superior a 0,60 m, deve ser prevista a instalação de proteção lateral com no
mínimo as características de guarda-corpo, conforme indicação C da Figura 5.

Figura 5 Figura 6

Legenda
1 desnível igual ou inferior a 0,60 m e inclinação igual ou superior a 1:2
2 lateral em nível com pelo menos 0,60 m de largura
3 contraste visual medido através do LRV (valor da luz refletida) de no mínimo 30 pontos em relação ao piso.
4 proteção lateral – com no mínimo 0,15 m de altura e superfície de topo com contraste visual.

4.6.5 Empunhadura: objetos como corrimãos e barras de apoio, entre outros, devem estar
afastados no mínimo 40 mm da parede ou outro obstáculo. Quando o objeto for embutido em
nichos, deve-se prever também uma distância livre mínima de 150 mm, conforme Figura 9.
Corrimãos e barras de apoio, entre outros, devem ter seção circular com diâmetro entre 30
mm e 45 mm, ou seção elíptica, desde que a dimensão maior seja de 45 mm e a menor de 30
mm. São admitidos outros formatos de seção, desde que sua parte superior atenda às
condições desta subseção. Garantir um arco da seção do corrimão de 270°.

Figura 9

4.6.6 Maçanetas, barras antipânico e puxadores: os elementos de acionamento para


abertura de portas devem possuir formato de fácil pega, nãoexigindo firmeza, precisão ou
torção do pulso para seu acionamento

4.6.6.1 As maçanetas: devem preferencialmente ser do tipo alavanca, possuir pelo


menos 100 mm de comprimento e acabamento sem arestas e recurvado na extremidade,
apresentando uma distância mínima de 40 mm da superfície da porta. Devem ser instaladas a
uma altura que pode variar entre 0,80 m e 1,10 m do piso acabado, conforme Figura 7.
61

4.6.6.2 Os puxadores verticais: para portas devem ter diâmetro entre 25 mm e 45 mm, com
afastamento de no mínimo 40 mm entre o puxador e a superfície da porta. O puxador vertical
deve ter comprimento mínimo de 0,30 m. Devem ser instalados a uma altura que pode variar
entre 0,80 me 1,10 m do piso acabado, conforme Figura 7.

4.6.6.3 Os puxadores horizontais: para portas devem ter diâmetro entre 25 mm e 45 mm,
com afastamento de no mínimo 40 mm. Devem ser instalados a uma altura que pode variar
entre 0,80 me 1,10 m do piso acabado, conforme Figura 7.

4.6.6.4 As barras antipânico: devem ser apropriadas ao tipo de porta em que são instaladas e
devem atender integralmente ao disposto na ABNT NBR 11785. Se instaladas em portas
corta-fogo, devem apresentar tempo requerido de resistência ao fogo compatível com a
resistência ao fogo destas portas. Devem ser instaladas a uma altura de 0,90 m do piso
acabado.

4.6.8 Dispositivo para travamento de portas


Em sanitários, vestiários e provad
Figura 7

4.6.8 Dispositivo para travamento de portas: em sanitários, vestiários e provadores, quando


houver portas com sistema de travamento, recomenda-se que este atenda aos princípios do
desenho universal. Estes podem ser preferencialmente do tipo alavanca ou do modelo
tranqueta de fácil manuseio, que possa ser acionado com o dorso da mão.

4.6.9 Altura para comandos e controles: a Figura 8 mostra as alturas recomendadas para o
posicionamento de diferentes tipos de comandos e controles.

4.9 Parâmetro auditivo: a percepção do som está relacionada a inúmeras variáveis que vão
desde limitações físicas, sensoriais e cognitivas da pessoa até a qualidade do som emitido,
quanto ao seu conteúdo, forma, modo de transmissão e contraste entre o som emitido e o
Figura
ruído de 8fundo. Um som é caracterizado por três variáveis: frequência, intensidade e duração.
62

O ouvido humano é capaz de perceber melhor os sons na frequência entre 20 Hz e 20 000 Hz


,intensidade entre 20 dB a 120 dB e duração mínima de 1 s. Sons acima de 120 dB causam
desconforto e sons acima de 140 dB podem causar sensação de dor.

5.1.1 Informação - Geral - As informações devem ser completas, precisas e claras. Devem
ser dispostas segundo o critério de transmissão e o princípio dos dois sentidos.

5.1.2 Transmissão - As informações podem ser transmitidas por meios de sinalizações


visuais, táteis e sonoras.

5.1.3 Princípio dos dois sentidos - A informação deve ocorrer através do uso de no mínimo
dois sentidos: visual e tátil ou visual e sonoro.

5.2.1 Sinalização - Geral - A sinalização deve ser autoexplicativa, perceptível e legível para
todos, inclusive às pessoas com deficiência, e deve ser disposta conforme 5.2.8. Recomenda-
se que as informações com textos sejam complementadas com os símbolos apresentados em
5.3.

5.2.2 Classificação - Os sinais podem ser classificados como: sinais de localização, sinais de
advertência e sinais de instrução, e podem ser utilizados individualmente ou combinados.
Em situações de incêndio, pânico e evacuação, devem ser observadas as normas estabelecidas
pelo Corpo de Bombeiros.

5.2.2.1 Sinalização de localização - São sinais que, independentemente de sua categoria,


orientam para a localização de um determinado elemento em um espaço. Os sinais visuais,
sonoros e vibratórios devem ser intermitentes com período de 1 ciclo por segundo, ± 10 %.

5.2.2.2 Sinalização de advertência - São sinais que, independentemente de sua categoria,


têm a propriedade de alerta prévio a uma instrução. Os sinais visuais, sonoros e vibratórios
devem ser intermitentes com período de 5 ciclos por segundo, ± 10 %.

5.2.2.3 Sinalização de instrução - São sinais que têm a propriedade de instruir uma ação de
forma positiva e afirmativa. Quando utilizados em rotas de fuga ou situações de risco, devem
preferencialmente ser não intermitentes, de forma contínua.

5.2.3 Amplitude - As amplitudes dos sinais sonoros devem estar em conformidade com
5.2.8.5.3, ou com normas específicas de aplicações e equipamentos.

5.2.4 Categorias - A sinalização quanto às categorias pode ser informativa, direcional e de


emergência.

5.2.4.1 Informativa - Sinalização utilizada para identificar os diferentes ambientes ou


elementos de um espaço ou de uma edificação. No mobiliário esta sinalização deve ser
utilizada para identificar comandos.

5.2.4.2 Direcional - Sinalização utilizada para indicar direção de um percurso ou a


distribuição de elementos de um espaço e de uma edificação. Na forma visual, associa setas
indicativas de direção a textos, figuras ou símbolos. Na forma tátil, utiliza recursos como guia
de balizamento ou piso tátil. Na forma sonora, utiliza recursos de áudio para explanação de
direcionamentos e segurança, como em alarmes e rotas de fuga.
63

5.2.4.3 Emergência - Sinalização utilizada para indicar as rotas de fuga e saídas de


emergência das edificações, dos espaços e do ambiente urbano, ou ainda para alertar quando
há um perigo, como especificado na ABNT NBR 13434 (todas as partes).

5.2.5 Instalação - A sinalização quanto à instalação pode ser permanente ou temporária.

5.2.5.1 Permanente - Sinalização utilizada nas áreas e espaços, cuja função já está definida.

5.2.5.2 Temporária - Sinalização utilizada para indicar informações provisórias ou que


podem ser alteradas periodicamente.

5.2.6 Tipos - Os tipos de sinalização podem ser visual, sonora e tátil.

5.2.6.1 Sinalização visual - É composta por mensagens de textos, contrastes, símbolos e


figuras.

5.2.6.2 Sinalização sonora - É composta por conjuntos de sons que permitem a compreensão
pela audição.

5.2.6.3 Sinalização tátil - É composta por informações em relevo, como textos, símbolos e
Braille.

5.2.8 Disposição - Entende-se por disposição os seguintes itens: localização, altura,


diagramação e contraste.

5.2.8.1 A sinalização deve ser localizada de forma a identificar claramente as utilidades


disponíveis dos ambientes. Devem ser fixadas onde decisões são tomadas, em uma sequência
lógica de orientação, de um ponto de partida ao ponto de chegada. Devem ser repetidas
sempre que existira possibilidade de alterações de direção.

5.2.8.1.2 Em edificações, os elementos de sinalização essenciais são informações de


sanitários, acessos verticais e horizontais, números de pavimentos e rotas de fuga.

5.2.8.1.3 As informações devem levar em consideração o disposto em 5.2.6.

5.2.8.1.4 A sinalização deve estar disposta em locais acessíveis para pessoa em cadeira de
rodas, com deficiência visual, entre outros usuários, de tal forma que possa ser compreendida
por todos.

5.2.8.1.5 Elementos de orientação e direcionamento devem ser instalados com forma lógica
de orientação, quando não houver guias ou linhas de balizamento.

5.2.8.2.1 Altura - A sinalização deve estar instalada a uma altura que favoreça a legibilidade
e clareza da informação, atendendo às pessoas com deficiência sentadas, em pé ou
caminhando, respeitando a Seção 4.

5.2.8.2.2 A sinalização deve incorporar sinalização tátil e ou sonora, conforme 5.4.


64

5.2.8.2.3 A sinalização suspensa deve ser instalada acima de 2,10 m do piso. Nas aplicações
essenciais (ver 5.4), esta deve ser complementada por uma sinalização tátil e ou sonora.

5.2.8.3 Diagramação - A redação de textos contendo orientações, instruções de uso de áreas,


objetos, equipamentos, regulamentos, normas de conduta e utilização deve:
a) ser objetiva;
b) quando tátil, conter informações essenciais em alto relevo e em Braille;
c) conter sentença completa, na ordem: sujeito, verbo e predicado;
d) estar na forma ativa e não passiva;
e) estar na forma afirmativa e não negativa;
f) enfatizar a sequência das ações.

5.2.8.3.1 Em sinalização, entende-se por tipografia as letras, números e sinais utilizados em


placas, sinais visuais ou táteis, e por fonte tipográfica um conjunto de caracteres em um estilo
coerente.

5.2.8.3.2 Recomenda-se a combinação de letras maiúsculas e minúsculas (caixas alta e


baixa),letras sem ser grifada, evitando-se, ainda, fontes itálicas, decoradas, manuscritas, com
sombras, com aparência tridimensional ou distorcidas.
NOTA - A diagramação consiste no ato de compor e distribuir textos, símbolos e imagens
sobre um elemento de informação em uma lógica organizacional.

5.2.8.4 Contraste - É a percepção das diferenças ambientais por meio dos sentidos. Pode ser
determinado, equacionado, referenciado, projetado, medido e controlado. Os sentidos mais
usuais – visão, tato e audição – permitem perceber os ambientes através das diferenças
contrastantes de suas características, como sons, texturas e luminância. A aplicação dos
contrastes visuais, táteis e sonoros deve estar de acordo com 5.1.3.

5.2.9 Linguagem - Define-se como um conjunto de símbolos e regras de aplicação e


disposição, que torna possível um sistema de comunicação, podendo ser visual, tátil ou
sonoro. Fundamentalmente, tem a capacidade de proporcionar inteligibilidade.

5.2.9.1 Linguagem visual - Informações visuais devem seguir premissas de texto,


dimensionamento e contraste dos textos e símbolos, para que sejam perceptíveis inclusive por
pessoas com baixa visão.

5.2.9.1.1 Contraste visual - O contraste visual tem como função destacar elementos entre si
por meio da composição claro-escuro ou escuro-claro para chamar a atenção do observador. O
contraste também deve ser usado na informação visual e para alertar perigos. O contraste é a
diferença de luminância entre uma figura e o fundo. Para determinar a diferença relativa de
luminância, o LRV da superfície deve ser conhecido.
A medição do contraste visual deve ser feita através do LRV (valor da luz refletida) na
superfície.
O LRV é medido na escala de 0 a 100, sendo que 0 é o valor do preto puro e 100 é o valor do
branco puro.

5.2.9.1.2.1 Legibilidade - Deve haver contraste, conforme Tabela 2, entre a sinalização visual
(texto ou símbolo e fundo) e a superfície sobre a qual ela está afixada, cuidando para que a
iluminação do entorno ‒ natural ou artificial – não prejudique a compreensão da informação.
65

5.2.9.1.2.2 Os textos e símbolos, bem como o fundo das peças de sinalização, devem evitar o
uso de materiais brilhantes e de alta reflexão, reduzindo o ofuscamento, e devem manter o
LRV conforme Tabela 1.
A tipografia em Braille não necessita de contraste visual.

Tabela 1

Figura 10
5.2.9.1.2.3 Quando a sinalização for retro iluminada, deve manter a relação de contraste.

5.2.9.1.3 Letras e números visuais - A dimensão das letras e números deve ser proporcional
à distância de leitura, obedecendo à relação1/200. Recomenda-se a utilização das seguintes
fontes tipográficas: arial, verdana, helvética, universe folio. Devem ser utilizadas letras em
caixas alta e baixa para sentencas, e letras em caixa alta parafrases curtas, evitando a
utilização de textos na vertical.

5.2.9.1.4 Símbolos visuais – Para a sinalização dos ambientes, a altura do símbolo deve ter a
proporção de 1/200 da distância de visada, com mínimo de 8 cm. O desenho do símbolo deve
atender às seguintes condições:
a) contornos fortes e bem definidos;
b) simplicidade nas formas e poucos detalhes;
c) estabilidade da forma;
d) utilizar símbolos de padrão internacional.

5.2.9.1.5 Luminância - Relação entre a intensidade luminosa de uma superfície e a área


aparente dessa superfície, vista por um observador à distância. Medida fotométrica da
intensidade de uma luz refletida em uma dada direção, cuja unidade SI é a candela por metro
quadrado (cd/m2).
66

5.2.9.1.6 Crominância - A aplicação de cores nos sinais deve, por medida de segurança,
utilizar as orientações contidas da legislação vigente, onde são definidas as cores
preferenciais. Sinteticamente, as cores vermelha, laranja, amarela, verde e branca devem
utilizar os valores da Tabela 3.

Tabela 3 – Crominância

Cores Comprimento de onda Unidade


Vermelha 625 nm a 740 nm Frequência
Laranja 590 nm a 625 nm Frequência
Amarela 565 nm a 590 nm Frequência
Verde 500 nm a 565 nm Frequência
Branca 5 500 °k ± 10 % Temperatura

5.2.9.2.1 Contraste tátil - Para textos e símbolos táteis, a altura do alto relevo deve estar
entre 0,8 mm e 1,2 mm Recomendam-se letras em caixa alta e caixa baixa para sentenças, e
em caixa alta para frases curtas, evitando a utilização de textos na vertical. A medição de
relevos táteis é bastante fácil de executar. Rugosímetros, paquímetros ou mesmo réguas
simples permitem analisar e verificar se os relevos estão de acordo com as normas, e mesmo
se a disposição entre eles está adequada. Em especial, os relevos para linguagem em Braille e
pisos táteis requerem bom controle dimensional. Para pisos táteis e visuais, ver 5.4.6.

5.2.9.2.2 Letras e números táteis - Os textos em relevo devem estar associados ao texto em
Braille.
Os caracteres em relevo devem atender às seguintes condições:
a) tipos de fonte, conforme 5.2.9.1.3;
b) altura do relevo: 0,8 mm a 1,2 mm;
c) altura dos caracteres: 15 mm a 50 mm;
d) distância mínima entre caracteres: 1/5 da altura da letra (H);
e) distância entre linhas: 8mm.

5.2.9.2.3 Símbolos táteis - Para a sinalização dos ambientes, a altura do símbolo deve ter a
proporção de 1/200 da distância de visada com o mínimo de 80 mm. O desenho do símbolo
deve atender às seguintes condições:
a) contornos fortes e bem definidos;
b) simplicidade nas formas e poucos detalhes;
c) estabilidade da forma;
d) altura dos símbolos: no mínimo 80 mm;
e) altura do relevo: 0,6 mm a 1,20 mm;
f) distância entre o símbolo e o texto: 8 mm;
g) utilização de símbolos de padrão internacional.

5.2.9.2.4.1 As informações em Braille não dispensam a sinalização visual e tátil, com


caracteres ou símbolos em relevo. Estas informações e devem estar posicionadas abaixo deles.

5.2.9.2.4.2 Quando a informação em Braille for destinada a impressos, dispensa-se o uso de


textos e símbolos em relevo.
67

5.2.9.2.4.3 Para sentenças longas, deve-se utilizar o texto em Braille, alinhado à esquerda com
o texto em relevo.

5.2.9.2.4.4 O ponto em Braille deve ter aresta arredondada na forma esférica. O arranjo de
seis pontos, duas colunas e o espaçamento entre as celas em Braille devem ser conforme
Figura 11. NOTA Não se aplica para embalagem.

5.2.9.3 Linguagem sonora - Os conjuntos de sons devem ser compostos na forma de


informações verbais ou não. Os sinais devem distinguir entre sinais de localização,
advertência e instrução, conforme 5.2.2.

5.2.9.3.1 Contraste sonoro - São especialmente importantes nas pessoas com deficiência
visual que por meio das diferenças dos sons conseguem distinguir o ambiente com bastante
clareza. As diferenças são fáceis de entender quando se associam diferentes sons, como sons
de instrumentos diferentes de uma orquestra. As aplicações do contraste sonoro são
especialmente importantes em casos de perigos, orientação e comunicação. Por ser de fácil
concentração de informações, permitem uma decodificação rápida e precisa pelo cérebro, o
que torna essa faculdade tão importante como a visão.

5.2.9.3.2 SINAIS SONOROS

5.2.9.3.2.1 Os sinais sonoros verbais devem ter as seguintes características:


a) podem ser digitalizados ou sintetizados;
b) devem conter apenas uma sentença completa;
c) devem estar na forma ativa e imperativa.

5.2.9.3.2.3 Os equipamentos e dispositivos sonoros devem ser capazes de medir


automaticamente o ruído momentâneo ao redor do local monitorado, em decibels (A), para
referência, e emitir sons com valores de 10 dBA acima do valor referenciado, conforme
ABNT NBR 10152

5.3 SÍMBOLOS

5.3.1 Gerais - símbolos são representações gráficas que, através de uma figura ou forma
convencionada, estabelecem a analogia entre o objeto e a informação de sua representação e
expressam alguma mensagem. Devem ser legíveis e de fácil compreensão, atendendo a
pessoas estrangeiras, analfabetas e com baixa visão, ou cegas, quando em relevo. Os símbolos
que correspondem à acessibilidade na edificação e prestação de serviços são relacionados em
5.3.2.

5.3.2 Símbolo internacional de acesso – SAI - A indicação de acessibilidade nas edificações,


no mobiliário, nos espaços e nos equipamentos urbanos deve ser feita por meio do símbolo
internacional de acesso - SIA. A representação do símbolo internacional de acesso consiste
em um pictograma branco sobre fundo azul (referência Munsell10B5/10 ou Pantone 2925 C).
Este símbolo pode, opcionalmente, ser representado em branco e preto (pictograma branco
sobre fundo preto ou pictograma preto sobre fundo branco), e deve estar sempre voltado para
o lado direito, Nenhuma modificação, estilização ou adição deve ser feita a estes símbolos.
Este símbolo é destinado a sinalizar os locais acessíveis.

Antigo
68

Novo Uma figura simétrica conectada por quatro pontos a um círculo, representando a harmonia entre o
ser humano e a sociedade, e com os braços abertos, simbolizando a inclusão de pessoas com todas
as habilidades, em todos os lugares.
Batizada de ‘A Acessibilidade’ (The Accessibility), a logomarca foi criada pelo Departamento de
Informações Públicas da Organização das Nações Unidas (ONU), em Nova York, para aumentar a
consciência sobre o universo da pessoa com deficiência. A ideia é usar o símbolo em produtos e
locais acessíveis.
Segundo a ONU, o logotipo foi selecionado pelo Focus Groupson Accessibility, em conjunto com a
Inter – Departmental Task Force on Accessibilityatthe United Nations Secretariat. Simboliza a
esperança e a igualdade de acesso para todos.
“O símbolo é neutro e imparcial. Sua utilização não implica em um endosso da Organização das
Nações Unidas ou do Secretariado das Nações Unidas”, explica a ONU.

5.3.2.1 Finalidade - O símbolo internacional de acesso deve indicar a acessibilidade aos


serviços e identificar espaços, edificações, mobiliários e equipamentos urbanos, onde existem
elementos acessíveis ou utilizáveis por pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.

5.3.2.2 Aplicação - Esta sinalização deve ser afixada em local visível ao público, sendo
utilizada principalmente nos seguintes locais, quando acessíveis:
a) entradas;
b) áreas e vagas de estacionamento de veículos;
c) áreas de embarque e desembarque de passageiros com deficiência;
d) sanitários;
e) áreas de assistência para resgate, áreas de refúgio, saídas de emergência, conforme 5.5.2.1;
f) áreas reservadas para pessoas em cadeira de rodas;
g) equipamentos e mobiliários preferenciais para o uso de pessoas com deficiência.
Os acessos que não apresentam condições de acessibilidade devem possuir informação visual,
indicando a localização do acesso mais próximo que atenda às condições estabelecidas nesta
Norma.

5.3.3 Símbolo internacional de pessoas com deficiência visual - A representação do


símbolo internacional de pessoas com deficiência visual consiste em um pictograma branco
sobre fundo azul (referência Munsell 10B 5/10 ou Pantone 2925 C). Este símbolo pode,
opcionalmente, ser representado em branco e preto (pictograma branco sobre fundo preto ou
pictograma preto sobre fundo branco), e deve estar sempre voltada para a direita.
Nenhuma modificação, estilização ou adição deve ser feita a este símbolo. O símbolo
internacional de pessoas com deficiência visual deve indicar a existência de equipamentos,
mobiliário e serviços para pessoas com deficiência visual, em locais conforme 5.3.2.2.
69

Sanitário
Todos os sanitários devem ser sinalizados com o símbolo representativo de sanitário, de
acordo com cada situação.

5.4 APLICAÇÕES ESSENCIAIS

5.4.1 Sinalização de portas e passagens - Portas e passagens devem possuir informação


visual, associada a sinalização tátil ou sonora. Devem ser sinalizadas com números e/ou letras
e/ou pictogramas e ter sinais com texto em relevo, incluindo Braille.
Essa sinalização deve considerar os seguintes aspectos:
a) a sinalização deve estar localizada na faixa de alcance entre 1,20 m e 1,60 m em plano
vertical, conforme Figura 59. Quando instalada entre 0,90 m e 1,20 m, deve estar na parede ao
lado da maçaneta em plano inclinado entre 15° e 30° da linha horizontal e atender ao descrito
em 5.4.6.5,quando exceder 0,10 m;
b) a sinalização, quando instalada nas portas, deve ser centralizada, e não pode conter
informações táteis. Para complementar a informação instalada na porta, deve existir
informação tátil ou sonora, na parede adjacente a ela ou no batente.
c) em portas duplas, com maçaneta central, instalar ao lado da porta direita;
d) nas passagens a sinalização deve ser instalada na parede adjacente.
e) os elementos de sinalização devem ter formas que não agridam os usuários, evitando cantos
vivos e arestas cortantes.
70

5.4.3 Sinalização de pavimento - Os corrimãos de escadas fixas e rampas devem ter


sinalização tátil (caracteres em relevo e em Braille),identificando o pavimento. Essa
sinalização deve ser instalada na geratriz superior do prolongamento horizontal do corrimão.

A). Na parede a sinalização deve ser visual e, opcionalmente, tátil.


B). Alternativamente, estas sinalizações podem ser instaladas nas paredes laterais.

5.4.4 SINALIZAÇÃO DE DEGRAUS

5.4.4.1 Degraus isolados - É considerado degrau isolado a sequência de até dois degraus.
Este desnível deve ser sinalizado em toda a sua extensão, no piso e no espelho, com uma faixa
de no mínimo 3 cm de largura contrastante com o piso adjacente, preferencialmente
fotoluminescente ou retro iluminado.
71

5.4.4.2 Degraus de escadas - A sinalização visual dos degraus de escada deve ser:
a) aplicada aos pisos e espelhos em suas bordas laterais e/ou nas projeções dos corrimãos,
contrastante com o piso adjacente, preferencialmente fotoluminescente ou retro iluminado.
b) igual ou maior que a projeção dos corrimãos laterais, e com no mínimo 7 cm de
comprimento e 3 cm de largura;
c) fotoluminescente ou retro iluminada, quando se tratar de saídas de emergência e/ou rota de
fuga.
NOTA Recomenda-se estender a sinalização no comprimento total dos degraus com
elementos que incorporem também características antiderrapantes.

5.4.6 SINALIZAÇÃO TÁTIL E VISUAL NO PISO

5.4.6.1 Geral - A sinalização tátil e visual no piso pode ser de alerta e direcional, conforme
critérios definidos em normas específicas.

5.4.6.2 Contraste tátil e visual - A sinalização tátil e visual no piso deve ser detectável pelo
contraste tátil e pelo contraste visual. O contraste tátil, por meio de relevos. O contraste de
luminância com a superfície adjacente, em condições secas e molhadas, deve estar.

5.4.6.3 Sinalização tátil e visual de alerta - O contraste tátil e o contraste visual da


sinalização de alerta consistem em um conjunto de relevos tronco-cônicos. A sinalização tátil
e visual de alerta no piso deve ser utilizada para:
a) informar à pessoa com deficiência visual sobre a existência de desníveis ou situações de
risco permanente, como objetos suspensos não detectáveis pela bengala longa;
b) orientar o posicionamento adequado da pessoa com deficiência visual para o uso de
equipamentos, como elevadores, equipamentos de autoatendimento ou serviços;
c) informar as mudanças de direção ou opções de percursos;
d) indicar o início e o término de degraus, escadas e rampas;
e) indicar a existência de patamares nas escadas e rampas;
72

5.4.6.4 Sinalização tátil e visual direcional - A sinalização tátil e visual direcional no piso
deve ser instalada no sentido do deslocamento das
pessoas, quando da ausência ou descontinuidade de linha-guia identificável, em ambientes
internos ou externos, para indicar caminhos preferenciais de circulação.
O contraste tátil e o contraste visual da sinalização direcional consistem em relevos lineares,
regularmente dispostos.
73

5.4.6.5 Aplicação da sinalização tátil e visual de alerta e direcional - Para a aplicação da


sinalização tátil de alerta e direcional e suas composições, observar o disposto em normas
específicas.

5.5 SINALIZAÇÃO DE EMERGÊNCIA

5.5.1 Condições gerais

5.5.1.1 A sinalização de emergência deve direcionar o usuário, por meio de sinais para a saída
,saída de emergência ou rota de fuga. Devem ser observadas as normas e instruções do corpo
de bombeiros, para compatibilização.

5.5.1.2 As rotas de fuga e as saídas de emergência devem ser sinalizadas, para localização,
advertência e instruções, com informações visuais, sonoras e táteis, de acordo com 5.2.

5.5.1.3 Nas escadas que interligam os diversos pavimentos, inclusive nas de emergência,
junto às portas corta-fogo, deve haver sinalização tátil, visual e/ou sonora, informando o
número do pavimento. A mesma informação deve ser sinalizada nos corrimãos. Internamente,
locais confinados, como quartos de locais de hospedagem, de hospitais e de instituições
74

públicas e privadas de uso múltiplo ou coletivo, devem conter mapa acessível de rota de fuga
da edificação, conforme 5.4.2.

5.5.2 SINALIZAÇÃO DE ÁREAS DE RESGATE E DE ESPERA E SINALIZAÇÃO


DE VAGA RESERVADA PARA VEÍCULO

5.5.2.1 Sinalização de área de resgate para pessoas com deficiência - A porta de acesso às
áreas de resgate deve ser identificada com sinalização específica em material
fotoluminescente ou ser retro iluminada. A área de resgate deve ser sinalizada conforme, junto
à demarcação da área de espera para cadeira de rodas, em local segregado para atendimento
por bombeiros, brigadas e pessoal treinado para atendimento emergencial. Devem ser
afixadas instruções sobre a utilização da área de resgate, atendendo ao descrito em:

ALARMES

5.6.1
Condições gerais

5.6.1.1 Os alarmes são equipamentos ou dispositivos capazes de alertar situações de


emergência por estímulos visuais, táteis e sonoros. Devem ser aplicados em espaços
confinados, como sanitários acessíveis, boxes, cabines e vestiários isolados.

5.6.1.2 Nos quartos, banheiros e sanitários de locais de hospedagem, de instituições de idosos


e de hospitais, devem ser instalados telefones e alarmes de emergência visuais, sonoros e/ou
vibratórios.

5.6.1.3 Todo alarme ou componente que utiliza recursos elétricos deve estar de acordo coma
ABNT NBR IEC 60529. Em ambientes com instalações de água, como sanitários e cozinhas,
o grau de proteção deve ser IP 66. Para os demais ambientes o grau de proteção mínimo é IP
54. As instalações elétricas devem atender o disposto na ABNT NBR 5410.

5.6.2 Características - Os alarmes visuais, táteis e/ou sonoros devem atender às condições
descritas em 5.2. Os alarmes devem ter características próprias e podem, em função destas,
combinar a utilização de sinais de localização, de advertência e de instrução.

5.6.3 Instalações - Os alarmes de emergência devem ser instalados na área interna e externa
de espaços confinados (5.6.1.1) ou nos citados em 5.6.1.2. Deve ser garantida para pessoa que
o aciona a informação visual e auditiva de que o alarme está funcionando, além do alcance
75

manual. Os locais que dispuserem de alarme devem ser obrigatoriamente monitorados. O tom
e a frequência dos alarmes de emergência devem ser diferentes do alarme de incêndio.

5.6.4 APLICAÇÕES ESSENCIAIS

5.6.4.1 Alarme de emergência para sanitário - Deve ser instalado dispositivo de alarme de
emergência próximo à bacia, no boxe do chuveiro e na banheira para acionamento por uma
pessoa sentada ou em caso de queda nos sanitários, banheiros e vestiários acessíveis.
Recomenda-se a instalação de dispositivos adicionais em posições estratégicas, como
lavatórios e portas, entre outros. A altura de instalação deve ser de 40 cm do piso, conforme
Os dispositivos devem ter cor que contraste coma da parede.

6.1 ROTA ACESSÍVEL

6.1.1
Geral

6.1.1.1
As áreas de qualquer espaço ou edificação de uso público ou coletivo devem ser servidas de
uma ou mais rotas acessíveis. As edificações residenciais multifamiliares, condomínios e
conjuntos habitacionais necessitam ser acessíveis em suas áreas de uso comum. As unidades
autônomas acessíveis devem estar conectadas às rotas acessíveis. Áreas de uso restrito,
conforme definido em 3.1.38, como casas de máquinas, barriletes, passagem de uso técnico e
outros com funções similares, não necessitam atender às condições de acessibilidade desta
Norma.

6.1.1.2
A rota acessível é um trajeto contínuo, desobstruído e sinalizado, que conecta os ambientes
externos e internos de espaços e edificações, e que pode ser utilizada de forma autônoma e
segura por todas as pessoas. A rota acessível externa incorpora estacionamentos, calçadas,
faixas de travessias de pedestres (elevadas ou não), rampas, escadas, passarelas e outros
elementos da circulação. A rota acessível interna incorpora corredores, pisos, rampas,
escadas, elevadores e outros elementos da circulação.

6.2 ACESSOS

6.2.1 Nas edificações e equipamentos urbanos, todas as entradas, bem como as rotas de
interligação às funções do edifício, devem ser acessíveis.
76

6.2.2 Na adaptação de edificações e equipamentos urbanos existentes, todas as entradas


devem ser acessíveis e, caso não seja possível, desde que comprovado tecnicamente, deve ser
adaptado o maior número de acessos. Nestes casos a distância entre cada entrada acessível e
as demais não pode ser superior a 50 m. A entrada predial principal, ou a entrada de acesso do
maior número de pessoas, tem a obrigatoriedade de atender a todas as condições de
acessibilidade. O acesso por entradas secundárias somente é aceito se esgotadas todas as
possibilidades de adequação da entrada principal e se justificado tecnicamente

6.3.7 Capachos, forrações, carpetes, tapetes e similares - Devem ser evitados em rotas
acessíveis. Quando existentes, devem ser firmemente fixados ao piso, embutidos ou
sobrepostos e nivelados de maneira que eventual desnível não exceda 5mm. As superfícies
não podem ter enrugamento e as felpas ou forros não podem prejudicar o deslocamento das
pessoas.

6.3.8 Sinalização no piso - A sinalização visual e tátil no piso indica situações de risco e
direção. Deve atender ao disposto em 5.4.6 e em normas específicas.

6.3 Circulação – Piso - A circulação pode ser horizontal e vertical. A circulação vertical pode
ser realizada por escadas, rampas ou equipamentos eletromecânicos e é considerada acessível
quando atender no mínimo a duas formas de deslocamento vertical.

6.3.1 Condições gerais - Os pisos devem atender às características de revestimento,


inclinação e desnível, conforme descrito em 6.3.7 a 6.3.8.

6.3.2 Revestimentos - Os materiais de revestimento e acabamento devem ter superfície


regular, firme, estável, não trepidante para dispositivos com rodas e antiderrapante, sob
qualquer condição (seco ou molhado). Deve-se evitar a utilização de padronagem na
superfície do piso que possa causar sensação de insegurança (por exemplo, estampas que pelo
contraste de desenho ou cor possam causar a impressão de tridimensionalidade).

6.3.3
Inclinação - A inclinação transversal da superfície deve ser de até 2 % para pisos internos e
de até 3 % para pisos externos. A inclinação longitudinal da superfície deve ser inferior a 5 %.
Inclinações iguais ou superiores a 5 % são consideradas rampas.

6.3.4 DESNÍVEIS

6.3.4.1
Desníveis de qualquer natureza devem ser evitados em rotas acessíveis. Eventuais desníveis
no piso de até 5 mm dispensam tratamento especial. Desníveis superiores a 5 mm até 20 mm
devem possuir inclinação máxima de 1:2 (50 %), conforme Figura 68. Desníveis superiores a
20 mm, quando inevitáveis, devem ser considerados como degraus, conforme 6.7.
77

ANEXO B
LEIS E DECRETOS DE ACESSIBILIDADE AO DEFICIENTE VISUAL

Oficializa as convenções Braille para uso na escrita


LEI Nº 4.169, DE 4 DE
e leitura dos cegos e o Código de Contrações e
DEZEMBRO DE 1962
Abreviaturas Braille

Torna obrigatória a colocação do símbolo


LEI Nº 7.405, DE 12 DE internacional de acesso em todos os locais e
NOVEMBRO DE 1985 serviços que permitam sua utilização por pessoas
portadoras de deficiências e da outras providencias.

Dispõe sobre o apoio às pessoas portadoras de


deficiência, sua integração social, sobre a
Coordenadoria Nacional para Integração da Pessoa
LEI Nº 7.853, DE 24 DE
Portadora de Deficiência – Corde, institui a tutela
OUTUBRO DE 1989
jurisdicional de interesses coletivos ou difusos
dessas pessoas, disciplina a atuação do Ministério
Público, define crimes, e dá outras providências.

DECRETO Nº 914, DE 6 DE Política Nacional para a Integração da Pessoa


SETEMBRO DE 1993 Portadora de Deficiência

LEI N.º 8.899, DE 29 DE Dispõe sobre o passe livre às pessoas com


JUNHO DE 1994 deficiência no sistema de transporte coletivo
interestadual.

LEI FEDERAL Nº 9.610, DE Art. 46. Não constitui ofensa aos direitos autorais:
19 DE FEVEREIRO DE 1998 de obras literárias, artísticas ou científicas, para uso
exclusivo de deficientes visuais, sempre que a
reprodução, sem fins comerciais, seja feita mediante
o sistema Braille ou outro procedimento em
qualquer suporte para esses destinatários;

Regulamenta a Lei Nº 7.853, de 24 de outubro de


1989, dispõe sobre a Política Nacional para a
DECRETO Nº 3298, DE 20 DE
Integração da Pessoa Portadora de Deficiência,
DEZEMBRO DE 1999
consolida as normas de proteção, e dá outras
providências.
78

LEI Nº 10.048, DE 8 DE Dá prioridade de atendimento às pessoas que


NOVEMBRO DE 2000 especifica, e dá outras providências.

Estabelece normas gerais e critérios básicos para a


LEI Nº 10.098, DE 19 DE promoção da acessibilidade das pessoas portadoras
DEZEMBRO DE 2000 de deficiência ou com mobilidade reduzida, e dá
outras providências.

.
DECRETO N.º 3.691, DE 19 DE
DEZEMBRO DE 2000 Regulamenta a Lei 8.899/1994.

Promulga a Convenção Interamericana para a


DECRETO Nº 3956, DE 8 DE
Eliminação de Todas as Formas de Discriminação
OUTUBRO DE 2001
contra as Pessoas Portadoras de Deficiência.

LEI Nº 10.436, DE 24 DE Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais – Libras


ABRIL DE 2002 e dá outras providências

Regulamenta as Leis Nº 10.048, de 8 de novembro


DECRETO Nº 5.296, DE 2 DE de 2000, que dá prioridade de atendimento às
DEZEMBRO DE 2004 pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro
de 2000

Dispõe sobre o direito do portador de deficiência


LEI Nº 11.126 – DE 27 DE
visual de ingressar e permanecer em ambientes de
JUNHO DE 2005
uso coletivo acompanhado de cão-guia.

Aprova a Norma Complementar n.º 01/2006, que


PORTARIA N.º 310, DE 31 DE
trata de recursos de acessibilidade para pessoas com
MARÇO DE 2006
deficiência, na programação veiculada nos serviços
DO MINISTÉRIO DAS
de radiodifusão de sons e imagens e de
COMUNICAÇÕES
retransmissão de televisão

Regulamenta a Lei Nº 11.126, de 27 de junho de


2005, que dispõe sobre o direito da pessoa com
DECRETO Nº 5.904, DE 21 DE
deficiência visual de ingressar e permanecer em
SETEMBRO DE 2006
ambientes de uso coletivo acompanhada de cão-guia
e dá outras providências
79

DECRETO Nº 186, DE 09 DE Aprova o texto da Convenção Internacional Direitos


JULHO DE 2008 da Pessoa com Deficiência.

Promulga a Convenção Internacional sobre os


DECRETO Nº 6.949, DE 25 DE Direitos das Pessoas com Deficiência e seu
AGOSTO DE 2009 Protocolo Facultativo, assinados em Nova York, em
30 de março de 2007

Dispõe sobre a Política Nacional de Turismo, define


as atribuições do Governo Federal no planejamento,
LEI DO TURISMO – LEI desenvolvimento e estímulo ao setor turístico;
FEDERAL Nº 11.771, DE 17 DE revoga a Lei no 6.505, de 13 de dezembro de 1977,
SETEMBRO DE 2008 o Decreto-Lei no 2.294, de 21 de novembro de
1986, e dispositivos da Lei no 8.181, de 28 de
março de 1991; e dá outras providências.

DECRETO Nº 7.612, DE 17 DE Institui o Plano Nacional dos Direitos da Pessoa


NOVEMBRO DE 2011 com Deficiência - Plano Viver sem Limite

Regulamenta o direito constitucional


de acesso às informações públicas. e criou
LEI Nº 12.527, DE 18 DE mecanismos que possibilitam, a qualquer pessoa,
NOVEMBRO DE 2011 física ou jurídica, sem necessidade de apresentar
motivo, o recebimento de informações públicas dos
órgãos e entidades.

DECRETO Nº 7.724, DE 16 DE Regulamenta a Lei No 12.527, que dispõe sobre o


MAIO DE 2012 acesso a informações.

Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com


LEI Nº 13.146/2015
Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência).
80

ANEXO C

RECOMENDAÇÕES GERAIS PARA ADAPTAÇÕES EM ACESSIBILIDADE

Para desenvolvimento da acessibilidade, é importante observar as orientações contidas no


documento Turismo e Acessibilidade: Manual de Orientações (Ministério do Turismo, 2006),
incorporando recomendações e legislações pertinentes:
• A acessibilidade no meio urbano deve ser observada no Plano Diretor Municipal, nos Planos
Diretores de Transporte e de Trânsito, no Código de Obras, no Código de Postura, na Lei de
Uso e Ocupação do Solo e na Lei do Sistema Viário, conforme Decreto n.º 5.296/2004.

• Para a concessão de Alvará de Funcionamento e da Carta de Habite-se, deve ser observado o


cumprimento da acessibilidade previsto respectivamente no § 1º e § 2º do art. 13 do Decreto
n.º 5.296/2004 e nas normas técnicas de acessibilidade da ABNT.

• A aprovação de financiamento de projetos com a utilização de recursos públicos, entre eles


os de natureza arquitetônica e urbanística, os tocantes à comunicação e informação e os
referentes ao transporte coletivo, por meio de qualquer instrumento (convênio, acordo, ajuste,
contrato ou similar), fica sujeita ao cumprimento das disposições do Decreto n.º 5.296/2004,
conforme disposto no inciso III do artigo 2º.

• As edificações de uso público já existentes devem estar adaptadas para a acessibilidade das
pessoas com deficiência (§ 1º, art. 19, Decreto n.º 5.296/2004) a partir junho de 2007.

• Os estabelecimentos de uso coletivo tiveram o prazo até dezembro de 2008 para realizarem
as adaptações para acessibilidade (§ 8º, art. 23, Decreto n.º 5.296/2004).

• Todos os veículos do transporte coletivo rodoviário, aquaviário, metroferroviário,


ferroviário e aéreo deverão ser fabricados de acordo com as Normas de Acessibilidade até
dezembro de 2007 (art. 40 e art. 42, § 2º, Decreto n.º 5.296/2004).

• Os serviços de transporte coletivo aéreo e os equipamentos de acesso às aeronaves deveriam


estar acessíveis e disponíveis para serem operados por pessoas com deficiência ou com
mobilidade reduzida até dezembro de 2007 (art. 44, Decreto n.º 5.296/2004).
81

• Toda a frota de veículos do transporte coletivo rodoviário, metroferroviário e ferroviário


deve estar acessível a partir de dezembro de 2014 (art. 38, § 3º e art. 42, Decreto n.º
5.296/2004).
• As empresas concessionárias e permissionárias dos serviços de transporte coletivo
aquaviário devem garantir a acessibilidade da frota de veículos em circulação, inclusive de
seus equipamentos, a partir de junho de 2009 (art. 41, Decreto n.º 5.296/2004).

• A acessibilidade aos portais e endereços eletrônicos da Administração Pública deve estar


acessível às pessoas com deficiência visual a partir dezembro de 2005 (art. 47, Decreto n.º
5.296/2004).

• Para a obtenção de financiamento público, é exigido o cumprimento da acessibilidade para


as pessoas com deficiência visual, em portais e endereços eletrônicos de interesse público, a
partir de junho de 2005 (art. 48, Decreto n.º 5.296/2004).

• Os pronunciamentos do Presidente da República em rede de televisão devem ser acessíveis


por meio de janela de Libras a partir de junho de 2005 (parágrafo único, art. 57, Decreto n.º
5.296/2004).

Importante referir que, para a plena aplicabilidade do Decreto n.º 5.296/2004 e da Lei n.º
10.098/2000, os governos federal, estadual e municipal devem fortalecer a legislação sobre a
acessibilidade nas respectivas instâncias para garantir que todas as pessoas tenham o mesmo
direito de acesso aos espaços públicos, aos equipamentos, atrativos e serviços turísticos.
82

ANEXO D

CARTILHA DICAS PARA ATENDER BEM O TURISTA COM DEFICIÊNCIA


Transcrito as informações voltadas para o deficiente visual, foco desta pesquisa.

PESSOAS COM DEFICIÊNCIA VISUAL E CEGAS


• Quando estiver ao lado da pessoa com deficiência visual ou cega, apresente-se, faça com
que ela perceba a sua presença e identifique-se sempre.
• Ao apresentar alguém cego, faça com que a pessoa apresentada fique em frente à pessoa
cega, de modo que ela estenda a mão para o lado certo.
• Seja claro e objetivo ao explicar direções à pessoa cega ou com deficiência visual.
AO CONDUZIR UMA PESSOA CEGA:
• Dê-lhe o braço para que ela possa acompanhar seu movimento (ofereça seu braço ou
ombro).
• Em lugares estreitos, sempre caminhe na frente da pessoa com deficiência e coloque seu
braço para trás, para ela ir seguindo você.
• Avise-a dos possíveis obstáculos que estão à sua frente, como buracos, degraus, possíveis
desníveis, tipos de pisos, obstáculos suspensos, entre outros.
• Quando conduzi-la a uma cadeira, indique-lhe o encosto, informando se a cadeira tem
braços ou não.
• Em restaurantes, o copo deve ser colocado de um lado e a garrafa de outro. Os alimentos
devem ser colocados no prato em forma de relógio.
NÃO A DEIXE FALANDO SOZINHA.
• Comunique-se com seu tom de voz normal, não precisa gritar com a pessoa cega ou com
deficiência visual, a menos que ela solicite, devido a algum problema auditivo.
• Sempre avise quando for sair do lado da pessoa cega ou com deficiência visual.
• Com pessoas que possuem baixa visão, proceda com o mesmo respeito, perguntando-lhe se
precisa de ajuda ao notar que ela está com dificuldades.
• As pessoas com baixa visão se beneficiam de informações com letras grandes e contrastes
de cores.
NUNCA DISTRAIA UM CÃO-GUIA, POIS ELE TEM A RESPONSABILIDADE DE
GUIAR SEU DONO, QUE TEM UMA DEFICIÊNCIA VISUAL.
• O cão-guia é autorizado a entrar em qualquer ambiente junto com a pessoa cega, com
exceção de alguns locais, como UTIs e centro de queimados.
83

PRINCIPAIS FORMAS DE COMUNICAÇÃO COM A PESSOA SURDOCEGA


• Tadoma – colocar a mão sobre lábios, face e pescoço para sentir a vibração da voz.
• Libras tátil – Língua Brasileira de Sinais dos surdos adaptada ao surdocego.
• Alfabeto manual – fazer o alfabeto da língua de sinais na palma da mão do surdocego.
• Braille – seis pontos em relevo que, combinados, formam as letras e os números.
• Alfabeto Monn – caracteres em relevo, representando em desenho estilizado as letras do
alfabeto e outros sinais. Escrita na palma da mão – desenhar com o dedo na palma ou nas
costas da mão as letras do alfabeto, preferencialmente maiúsculas.
• Objetos de Referência – o objeto que significa a ação. Ex: copo para representar beber água.
Colher para hora de comer.
• Pistas – objetos ou símbolos colados em cartões ou em outro material.
• Guia intérprete – profissional que serve de canal de comunicação e facilita o deslocamento e
a mobilidade da pessoa surdocega.
AO APROXIMAR-SE DE UMA PESSOA SURDOCEGA, DEIXE QUE ELA O
PERCEBA COM UM SIMPLES TOQUE DE MÃOS.
• Faça com que ela perceba sempre que você estiver à sua volta.
• Informe-a sempre de quando for se ausentar, mesmo que seja por um curto espaço de tempo.
AVISE-A SEMPRE DO QUE A RODEIA.
• Assegure-se de que a pessoa ficará confortável e em segurança.
• Nunca a deixe sozinha em um ambiente que não seja familiar a ela.
• Ao andar, deixe a pessoa surdocega apoiar-se em seu braço, nunca a empurre à sua frente.
• Utilize sinais simples para avisá-la da presença de escadas, portas ou veículos.
• Uma pessoa surdocega que esteja usando seu braço como apoio perceberá qualquer
mudança de seu ritmo de caminhada. Tente usar o método de comunicação que ela saiba,
mesmo que pareça elementar.
• Combine com ela um sinal para ser identificada. (Lembre-se de que, neste caso, você não
pode se comunicar à distância).
• Tenha a certeza de que ambos estão se entendendo antes de prosseguir a conversa.
84

ANEXO E
FINANCIAMENTO

No volume I da Cartilha do Ministério do Turismo do Programa Turismo


Acessível volume 1: Introdução a uma Viagem de Inclusão, traz informações de como
adquirir recursos para a transformação municipal e/ou de estabelecimentos públicos que
atendam com bens ou serviços ao turismo. Os bancos públicos podem conseguir
financiamento através de linhas de crédito específicos ou não para turismo; ou em programas
estaduais ou federais de apoio a projetos de estruturação de produtos turísticos ou de incentivo
à mobilidade urbana e acessibilidade.
Os financiamentos são destinados para empresários individuais ou pessoas
jurídicas de direito privado do setor turístico legalmente estabelecidos, e cadastrados no
sistema de cadastro dos prestadores de serviços turísticos, o CADASTUR, gerenciado pelo
Ministério do Turismo.
Especificamente para a adaptação dos negócios à acessibilidade, as linhas de
crédito podem atender às seguintes oportunidades de negócios:
• Comércio varejista de artesanato e souvenires;
• Estabelecimentos hoteleiros, com ou sem restaurantes, exceto motéis;
• Alojamento turístico, camping e outros tipos de alojamentos;
• Atividades de agência de viagens e organizadores de viagens;
• Gestão de salas de espetáculos e centros de convenções;
• Outras atividades relacionadas ao lazer - parques temáticos e aquáticos.

Os itens indispensáveis ao funcionamento do empreendimento turístico que podem ser


financiados são, entre outros:
• Bens e serviços;
• Construção civil (edificações comerciais novas) e reformas em edificações comerciais
existentes;
• Instalações comerciais (elétrica, hidráulica, vitrines, balcões, etc), depuradores de resíduos,
máquinas e equipamentos novos ou usados com até cinco anos de uso - inclusive de origem
estrangeira, já internalizados, móveis e utensílios;
• Veículos de fabricação nacional, modelo básico, novos ou usados com até cinco anos de uso,
destinados a utilização na atividade comercial do empreendimento financiado,
85

compreendendo ônibus, microônibus, vans e jipe, pick-up e furgão de até 2.000 cc, reboque e
semi-reboques, motocicleta de até 125 cc. Motoneta, triciclo e quadricíclo de até 175 cc;
• Despesas de transporte e seguro das máquinas e equipamentos objetos do financiamento;
• Recuperação, montagem, engenharia, supervisão, manutenção e aquisição de partes e peças
de máquinas e equipamentos;
• Gestão empresarial, sistemas de qualidade, qualificação e treinamento.
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) também
possui linhas de crédito específicas para o turismo com o objetivo de financiar
empreendimentos do setor nas localidades que apresentem potencial para esta atividade,
contribuindo para o desenvolvimento e competitividade do setor no país.

Os empreendimentos financiáveis são:


• Meios de hospedagem (hotéis, resorts, pousadas e assemelhados, exceto hotel-residência);
• Equipamentos e prédios históricos (igrejas, casas de cultura e museus);
• Parques temáticos; teatros e anfiteatros; teleféricos; sítios históricos, ambientais e
arqueológicos;
• Centros de compras e de convenções;
• Parques de exposições e rodeios;
• Parques de estâncias climáticas, termais e hidrominerais;
• Marinas que incluam a guarda de embarcações, prestação de serviços náuticos e serviços
públicos básicos;
• Infra-estrutura turística, como urbanização, estradas, ferrovias, terminais rodoviários e
ferroviários, estações marítimas e de passageiros;
• Escolas destinadas à qualificação de mão-de-obra para o setor;
• Outros segmentos integrados ao turismo.

Os itens financiáveis, associados ao projeto de investimentos são:


• Gastos com obras civis (construção e reforma), materiais e instalações;
• Equipamentos hoteleiros;
• Máquinas e equipamentos nacionais (elevador, escada rolante, equipamentos para cozinha
industrial, sistemas de refrigeração e de telefonia etc.);
• Qualificação profissional e treinamento de mão-de-obra;
• Informatização, incluindo a aquisição de equipamentos de processamento de dados e
software;
86

• Embarcações e ônibus de fabricação nacional, destinados ao transporte de turistas;


• Desenvolvimento e implantação de sistemas para melhoria de qualidade e produtividade;
• Outros investimentos fixos.
O Fundo Geral de Turismo (Fungetur) é um fundo especial ligado ao turismo que
objetiva a concessão de crédito para implantação, melhoria, conservação e manutenção de
empreendimentos turísticos.
Recentemente foi reformulado e é operado em uma parceria do Ministério do
Turismo com a Caixa Econômica Federal.
Também podem ser acessadas por prestadores de serviços turísticos linhas de
crédito não-específicas para turismo, de acordo com o porte da empresa.

PROGRAMAS DE FINANCIAMENTOS PARA EMPRESARIO


Diversas linhas de crédito estão disponíveis para pessoas jurídicas ligadas ao
segmento turístico no site do Ministério do Turismo para realização de adaptações aos
espaços físicos e qualificações de serviços turísticos, tornando seus empreendimentos mais
acessíveis ao turista deficiente. Acesse e consulte com mais detalhes em
http://www.turismoacessivel.gov.br/ta/linhasDeCredito.mtur
Abaixo listamos as linhas de créditos disponíveis, com uma breve síntese de acordo com
que esta descrito no site acima:

1 - FUNGETUR – Fundo Geral de Turismo


Financia a modernização, reforma e ampliação de hotéis, pousadas, outros meios
de hospedagem de turismo, centros de convenções, parques temáticos, e outros locais
destinados a feiras, exposições e assemelhados, abrangendo obras e/ou aquisição de máquinas
e equipamentos, incluindo os serviços vinculados aos empreendimentos.
Público-alvo
Pessoas jurídicas que atuam no segmento de turismo.
Banco Operador
Caixa Econômica Federal

2 - FCO Empresarial – Linha de Crédito de Desenvolvimento do Turismo Regional


Financia todos os bens e serviços necessários a implantação, ampliação e
modernização de empreendimentos turísticos, com ou sem capital de giro associado e
aquisição de insumos.
87

Público-alvo
Pessoas jurídicas de direito privado, cadastradas no Ministério do Turismo, desde que prestem
serviços turísticos remunerados e exerçam atividades econômicas na cadeia produtiva do
turismo.
Banco Operador
Banco do Brasil

3 - BNDES Automático - Turismo, Comércio e Serviços


Financiamento, por intermédio de instituições financeiras credenciadas, de longo
prazo para realização de investimentos para implantação, ampliação, recuperação e
modernização de empreendimentos turísticos, incluindo obras civis, montagens e instalações,
aquisição de equipamentos novos de fabricação nacional e capital de giro associado ao
projeto.
Público-alvo
Micro, pequenas e médias empresas.
Banco Operador
Rede de instituições financeiras credenciadas, entre as quais o Banco do Brasil, o Banco da
Amazônia, o Banco do Nordeste. e a Caixa Econômica Federal.

4 - BNDES FINEM – Financiamento Comércio, Serviços e Turismo


Financiamento operado diretamente com o BNDES, ou por meio de instituições
financeiras credenciadas (operação indireta), para projetos de investimentos, visando à
implantação, à modernização, à expansão da capacidade e ao aumento da produtividade e da
eficiência do Complexo Turístico Nacional.
Público-alvo
Micro, pequenas, médias, médias-grandes ou grandes empresas.
Banco Operador
 Apoio direto: BNDES;
 Apoio indireto: Rede de instituições financeiras credenciadas, entre as quais o Banco
do Brasil, o Banco da Amazônia, o Banco do Nordeste e a Caixa Econômica Federal.
5 - BNDES FINAME – Máquinas e Equipamentos
Financiamento para aquisição isolada de máquinas e equipamentos novos
credenciados no BNDES, de fabricação nacional, exceto ônibus e caminhões, por intermédio
de instituições financeiras credenciadas.
88

Público-alvo
Micro, pequenas, médias, médias-grandes ou grandes empresas.
Banco Operador
Rede de instituições financeiras credenciadas, entre as quais o Banco do Brasil, o Banco da
Amazônia, o Banco do Nordeste e a Caixa Econômica Federal.

6 - Cartão BNDES
Crédito rotativo, pré-aprovado, de até R$ 1 milhão, para aquisição de produtos
credenciados no BNDES, através do Portal de Operações do Cartão BNDES.
Público-alvo
Micro, pequenas e médias empresas.
Bancos Emissores
Instituições financeiras autorizadas, pelo BACEN, entre as quais o Banco do Brasil e a Caixa
Econômica Federal.

7 - BB Crédito Empresa
Financia a aquisição de equipamentos de informática, máquinas, material de
construção e veículos novos.
Itens Financiáveis:
 Máquinas e Equipamentos – aquisição de máquinas e equipamentos novos ou usados,
com até 5 anos de uso, nacionais ou importados.
 Veículos Novos – aquisição de veículos de passeio e comerciais leves e novos,
podendo ser caminhões, caminhonetes, jipes, micro-ônibus, carroceria, reboques,
motocicletas e até veículos aquáticos e aéreos.
 Material de Construção – materiais de construção básicos, de acabamento e
ferramentas.
 Material de informática – novos, nacionais ou importados.
Público-alvo
Destinado às empresas com faturamento bruto anual de até 90 milhões.
Banco Operador
Banco do Brasil.
89

8 - CREDFROTA - CAIXA
Linha de crédito específica para financiar a compra de veículos automotores.
Abrange a aquisição de veículos novos ou usados, nacionais e importados, das categorias
leves, de carga, vans, utilitários e caminhões, bem como, o financiamento de ônibus e micro-
ônibus de fabricação nacional.
O CREDFROTA também possui a modalidade Locadoras, uma linha de crédito
exclusiva para locadoras de veículos – Financiamento de Veículos para Locadoras, destinada
à aquisição de veículos automotores novos, nacionais ou importados, das categorias leves, de
carga, vans e utilitários.
Público-alvo
CREDFROTA - CAIXA Pessoas Jurídicas, inclusive Locadoras de Veículos.
Banco Operador
Caixa Econômica Federal.

9 - PROGER - INVESTGIRO CAIXA TURISMO


Linha de crédito com objetivo de financiar projetos de investimento fixo, com
capital de giro associado ou não, que proporcionem a geração ou manutenção de emprego e
renda. Podem ser financiados, Máquina e equipamento novo; Máquina e equipamento com até
10 (dez) anos de fabricação, exceto o de informática; Benfeitorias e bens agregados em
definitivo a imóveis próprios ou de terceiros, não sendo permitido o financiamento somente
de benfeitorias; No caso de imóveis de terceiros, o contrato de locação do imóvel deve ter
vencimento superior ao prazo do financiamento; Serviços relacionados com a atividade do
proponente; Capital de giro associado destinado a suprir as necessidades do ciclo operacional
do empreendimento; Investimentos para implantação de sistemas de gestão empresarial,
exceto para cooperativas e associações de produção; Investimentos que envolvam
implantação de franquias; Veículos para fins comerciais, produção nacional, modelo básico,
microônibus e ônibus; Barcos destinados à utilização nas atividades-fins do empreendimento
financiado.
Público-alvo
Exclusivo para empresas com faturamento anual de até R$ 7,5 milhões.
Banco Operador
Caixa Econômica Federal.
90

ANEXO F
GRÁFICA PARA IMPRESSÃO EM BRAILLE

Gráfica Pró-Braille
Gráfica especializada em trabalhos de impressão Braille, de acordo com a Comissão
Brasileira do Braille (CBB-MEC) e ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas), e
também oferece estudos de especialização profissional para jovens e adultos a nível de
término do processo de reabilitação ou já concluído.
Endereço:
Av. Andrômeda, 3061
Bosque dos Eucaliptos
São José dos Campos - SP
CEP: 12.233-040
Contato:
E-mail: contato@hospitalprovisao.org.br
Tel: (12) 3919-3200

Certificados:

Diretores Técnicos:
Pablo Sartori Bosco - CRM 138262
Rodolfo O. Tomaz Bertti - CRM 106860

Fonte: http://www.hospitalprovisao.org.br/site/index.php/reabilitacao/grafica-pro-baile/
91

ANEXO G
Institui o Estatuto do Portador de
Deficiência e dá outras providências.
O Congresso Nacional decreta:

LIVRO I
PARTE GERAL
TÍTULO I
DAS DISPOSIÇÕES PRELIMINARES

Art. 1º Fica instituído o Estatuto da Pessoa com Deficiência, destinado a


estabelecer as diretrizes gerais, normas e critérios básicos para assegurar, promover e proteger
o exercício pleno e em condições de igualdade de todos os direitos humanos e liberdades
fundamentais pelas pessoas com deficiência, visando sua inclusão social e cidadania
participativa plena e efetiva.
Art. 2º Considera-se deficiência toda restrição física, intelectual ou sensorial, de
natureza permanente ou transitória, que limita a capacidade de exercer uma ou mais
atividades essenciais da vida diária e/ou atividades remuneradas, causada ou agravada pelo
ambiente econômico e social, dificultando sua inclusão social, enquadrada em uma das
seguintes categorias:
III - deficiência visual:
a) visão monocular;
b) cegueira, na qual a acuidade visual é igual ou menor que 0,05 no melhor
olho, com a melhor correção óptica; a baixa visão, que significa acuidade visual entre 0,5 e
0,05 no melhor olho e com a melhor correção óptica; os casos nos quais a somatória da
medida do campo visual em ambos os olhos for igual ou menor que 60º; a ocorrência
simultânea de qualquer uma das condições anteriores;
V – surdocegueira: compreende a perda concomitante da audição e da visão,
cuja combinação causa dificuldades severas de comunicação e compreensão das informações,
prejudicando as atividades educacionais, vocacionais, sociais e de lazer, necessitando de
atendimentos específicos, distintos de iniciativas organizadas para pessoas com surdez ou
cegueira;
Art. 3º Para fins de aplicação desta lei, considera-se:
I - apoios especiais: a orientação, a supervisão, as ajudas técnicas, entre outros
elementos que auxiliem ou permitam compensar uma ou mais limitações motoras, sensoriais
ou mentais da pessoa com deficiência, favorecendo a sua autonomia, de forma a contribuir
92

com sua inclusão social, bem como beneficiar processo de habilitação e reabilitação ou
qualidade de vida;
II - ajudas técnicas: qualquer elemento que facilite a autonomia pessoal ou
possibilite o acesso e o uso de meio físico, visando à melhoria da funcionalidade e qualidade
de vida da pessoa com deficiência, como produtos, instrumentos, equipamentos ou tecnologia
adaptados ou especialmente projetados, incluindo órteses e próteses, bolsas coletoras para
ostomizados, bloqueadores, protetores, filtros e demais preparados antisolares para terapias;
cão-guia, leitores ou ledores para cegos, entre outros;
III - procedimentos especiais: meios utilizados para auxiliar a pessoa que,
devido ao seu grau de deficiência, exige condições peculiares para o desenvolvimento de
atividades, como jornada de trabalho variável, horário flexível, entre outros.
Art. 4º São princípios fundamentais deste Estatuto:
I - respeito à dignidade inerente, autonomia individual, incluindo a liberdade de
fazer suas próprias escolhas, e à independência das pessoas;
II - não discriminação;
III - inclusão e participação plena e efetiva na sociedade;
IV - respeito pela diferença e aceitação da deficiência como parte da
diversidade e da condição humana;
V - igualdade de oportunidades;
VI - acessibilidade;
VII - igualdade entre homens e mulheres;
VIII - respeito pela capacidade em desenvolvimento das crianças com
deficiência e respeito ao direito das crianças com deficiência de preservar suas identidades.
Art. 5º É dever do Estado, da sociedade, da comunidade e da família assegurar,
com prioridade, às pessoas com deficiência a plena efetivação dos direitos referentes à vida, à
saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à habitação, à educação, à
profissionalização, ao trabalho, à previdência social, habilitação e reabilitação, transporte,
acessibilidade, cultura, desporto, turismo, lazer, informação e comunicação, avanços
científicos e tecnológicos, dignidade, respeito, liberdade e convivência familiar e comunitária,
dentre outros decorrentes da Constituição Federal e das leis, que propiciem seu bem estar
pessoal, social e econômico.

Art. 7º Compete à União, Estados, Distrito Federal e Municípios, no âmbito de


suas competências, a criação de órgãos próprios, integrantes da Administração Pública Direta
93

e Indireta, direcionados à implementação de políticas públicas voltadas à pessoa com


deficiência.
Art. 8º As obrigações previstas nesta Lei não excluem as já estabelecidas em
outras legislações, inclusive em pactos, tratados, convenções e declarações internacionais dos
quais o Brasil seja signatário.
Art. 9º Nenhuma pessoa com deficiência será objeto de discriminação.
CAPÍTULO VII
DO DIREITO À CULTURA, AO DESPORTO, AO TURISMO E AO LAZER

Art. 76. Compete aos órgãos e às entidades do Poder Público responsáveis pela
cultura, pelo desporto, pelo turismo e pelo lazer dispensar tratamento prioritário e adequado às
pessoas com deficiência e adotar, dentre outras, as seguintes medidas:
I – a promoção do acesso da pessoa com deficiência aos meios de comunicação
social;
II – a promoção do acesso da pessoa com deficiência a museus, arquivos,
bibliotecas e afins;
III - a criação de incentivos para o exercício de atividades criativas, mediante:
a) participação da pessoa com deficiência em concursos de prêmios no campo
das artes e das letras;
b) promoção de concursos de prêmios específicos para pessoas com deficiência,
no campo das artes e das letras;
c) exposições, publicações e representações artísticas de pessoa com
deficiência;
d) incentivo à produção cultural para as pessoas com deficiência nas áreas de
música, artes cênicas, audiovisual, literatura, artes visuais, folclore, artesanato, dentre outras
manifestações culturais;
IV – o incentivo à prática desportiva formal e não-formal como direito de cada
um;
V – o estímulo ao turismo voltado à pessoa com deficiência;
VI - a criação e a promoção de publicações, bem como o incentivo e o apoio à
formação de guias de turismo com informação adequadas à pessoa com deficiência;
VII – o incentivo ao lazer como forma de promoção social da pessoa com
deficiência.
94

Parágrafo único. É obrigatória a adaptação das instalações culturais,


desportivas, de turismo e de lazer, para permitir o acesso, a circulação e a permanência da
pessoa com deficiência, de acordo com a legislação em vigor.
Art. 77. Cada órgão do Poder Público, em todas as esferas de governo, que
trabalhe com cultura, desporto, turismo e lazer deverá criar uma coordenadoria ou gerência de
integração das ações voltadas às pessoas com deficiência.
Art. 78. Serão reservados e destinados aos programas voltados à cultura, ao
desporto, ao turismo e ao lazer da pessoa com deficiência, o montante financeiro
equivalente à, pelo menos, 5% (cinco por cento) dos recursos oriundos das loterias federal e
estadual, destinados a programas sociais do Poder Público.
Art. 79. Os programas de cultura, desporto, de turismo e de lazer no âmbito da
União, Estados, Distrito Federal e Municípios deverão atender às pessoas com deficiência,
com ações específicas de inclusão.
§ 1º O Poder Público instituirá programas de incentivo fiscal às pessoas físicas
e jurídicas que apoiarem financeiramente os eventos e as práticas desportiva, cultural, de
turismo e de lazer das pessoas com deficiência.
§ 2º As pessoas físicas e jurídicas que recebam recursos públicos ou incentivos
para programas, projetos e ações nas áreas de cultura, desporto, turismo e lazer deverão
garantir a inclusão de pessoas com deficiência.
Art. 80. Nas ações culturais, desportivas, de turismo e de lazer que envolvam
um numero de participantes superior a 50 (cinqüenta) fica assegurada a participação de um
percentual mínimo de 5% (cinco por cento) de pessoas com deficiência.
Art. 81. Os teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte, casas de
espetáculos, salas de conferências e similares reservarão, pelo menos, 2% (dois por cento) da
lotação do estabelecimento para cadeirantes, distribuídos pelo recinto em locais diversos, de
boa visibilidade, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se áreas
segregadas de público e a obstrução das saídas, em conformidade com as normas técnicas de
acessibilidade em vigor.
§ 1º Nas edificações previstas no caput, é obrigatória, ainda, a destinação de, no
mínimo, 2% (dois por cento) dos assentos para acomodação de pessoas com deficiência, em
locais de boa recepção de mensagens sonoras, devendo todos ser devidamente sinalizados e
estar de acordo com os padrões das normas técnicas de acessibilidade em vigor.
§ 2º No caso de não haver comprovada procura pelos assentos reservados, estes
poderão excepcionalmente ser ocupados por pessoas que não possuam deficiência.
95

§ 3º Os espaços e assentos a que se refere este artigo deverão situar-se em locais


que garantam a acomodação de, no mínimo, um acompanhante da pessoa com deficiência.
§ 4º Nos locais referidos no caput deste artigo, haverá, obrigatoriamente, rotas
de fuga e saídas de emergência acessíveis, conforme padrões das normas técnicas de
acessibilidade em vigor, a fim de permitir a saída segura de pessoas com deficiência, em caso
de emergência.
§ 5º As áreas de acesso aos artistas, tais como coxias e camarins, também
devem ser acessíveis a pessoas com deficiência.
§ 6º Para obtenção do financiamento de que trata o inciso VI do art. 104 desta
Lei, as salas de espetáculo deverão dispor de sistema de sonorização assistida para pessoas
com deficiência auditiva, de meios eletrônicos que permitam o acompanhamento por meio de
legendas em tempo real ou de disposições especiais para a presença física de intérprete de
Libras e de guias-intérpretes, com a projeção em tela da imagem do intérprete de Libras
sempre que a distância não permitir sua visualização direta.
§ 7º O sistema de sonorização assistida a que se refere o § 6º deste artigo será
sinalizado por meio do pictograma conforme disposição da legislação em vigor.
§ 8º As edificações de uso público e de uso coletivo, mesmo que de propriedade
privada, referidas no caput, já existentes, têm, respectivamente, prazo para garantir a
acessibilidade de que trata o caput e os §§ 1º a 5º nos termos do regulamento.
Art. 82. Informações essenciais sobre produtos e serviços nas áreas de cultura,
desporto, turismo e lazer deverão ter versões adequadas às pessoas com deficiência.
Art. 83. Serão impressos em Braille:
I - o registro de hospedagem e as normas internas dos hotéis, pousadas e
similares;
II - folders, volantes e impressos de atrativos turísticos, agências de viagens e
similares;
III - cardápios em restaurantes, bares e similares.
Art. 84. As editoras ficam obrigadas a produzir suas obras em formato
universal, seguindo as normas da legislação em vigor para a sua definição e normatização,
sem prejuízo dos direitos autorais a elas pertinentes, e a fornecê-las em formato digital
acessível para usuários com deficiência visual.
Art. 85. O Poder Público colocará à disposição, também pela rede mundial de
computadores (internet), arquivos com o conteúdo de livros:
I – de domínio público, conforme disposto na legislação em vigor;
96

II – autorizados pelos detentores dos respectivos direitos autorais;


III – adquiridos pelo Poder Público para distribuição gratuita no âmbito de
programas criados com este propósito.
§ 1º Os arquivos digitais a que se refere o caput deverão ser conversíveis em
áudio, em sistema Braille ou outro sistema de leitura digital.
§ 2º Os arquivos serão colocados à disposição de bibliotecas públicas, de
entidades de educação de pessoas com deficiência e de usuários com deficiência.
Art. 86. O Poder Público adotará mecanismos de incentivo à produção cultural
realizada por pessoas com deficiência.
Art. 87. Na utilização dos recursos decorrentes de programas de apoio à cultura
será dada prioridade, entre outras ações, à produção e à difusão artístico-cultural de pessoa
com deficiência.
Parágrafo único. Entende-se por prioridade, para efeitos deste artigo, o critério
de desempate a ser utilizado para se optar entre produções de nível técnico compatível.
Art. 88. Nos eventos artísticos e culturais, a pessoa com deficiência auditiva
será acomodado na primeira fila de assentos, para a garantia da acessibilidade por meio da
leitura labial.
Art. 89. As adaptações necessárias para viabilizar o acesso, a permanência e a
circulação de pessoas com deficiência em edifícios tombados pelo patrimônio cultural serão
feitas pelo Poder Público e pelos órgãos estaduais responsáveis pelo patrimônio histórico.
Art. 90. O Poder Público, nas respectivas esferas administrativas, dará
prioridade ao desporto da pessoa com deficiência, nas modalidades de rendimento e
educacional, mediante:
I – desenvolvimento de recursos humanos especializados para atendimento das
pessoas com deficiência;
II – promoção de competições desportivas internacionais, nacionais, estaduais e
locais que possuam modalidades abertas às pessoas com deficiência;
III – pesquisa científica, desenvolvimento tecnológico, documentação e
informação sobre a participação da pessoa com deficiência nos eventos;
IV – construção, ampliação, recuperação e adaptação de instalações desportivas
e de lazer, de modo a torná-las acessíveis às pessoas com deficiência.
Art. 91. Nas publicações das regras desportivas, é obrigatória a inclusão das
normas de desporto adaptado.
97

Art. 92. Os calendários desportivos da União, dos Estados, do Distrito Federal e


dos Municípios deverão também incluir a categoria adaptada às pessoas com deficiência.
Art. 93. O Poder Público é obrigado a fornecer órteses, próteses e material
desportivo adaptado e adequado à prática de desportos para a pessoa com deficiência.
Art. 94. Os hotéis, pousadas, bares, restaurantes e similares, bem como as
agências de viagem, deverão estar preparados para receber clientes com deficiência adotando,
para isso, todos os meios de acessibilidade conforme legislação em vigor.
98

ANEXO H
LOUIS BRAILLE E SEU SISTEMA

Há mais de 150 anos que o "Braille" é o meio usado por excelência pelos cegos
para a leitura e escrita. "Ler com os dedos" tornou-se tão vulgar para os cegos que, hoje em
dia, não se pode pensar em qualquer programa de reabilitação que não passe pela
aprendizagem do Braille.
É interessante notar que mesmo com o advento das novas tecnologias e o
consequente aparecimento de formas de acesso alternativas, o Braille continua a ser o melhor
meio de tomar contato com a escrita.
Com a popularidade nos anos sessenta e setenta dos sistemas áudio, que
encontraram nas cassetes um meio fácil e econômico de produção de informação, começou a
haver a tendência para o abandono do Braille. No entanto, com o desenvolvimento das novas
tecnologias, da eletrônica e da informática, nas décadas seguintes, houve um incremento
significativo do Braille. Isto foi devido ao aparecimento dos computadores, das impressoras e
linhas Braille, bem como programas de transcrição da grafia normal para a grafia Braille. Para
muitos cegos nada substitui o prazer de ler um livro, de tocar os pontos com os dedos ou
sentir a textura do papel.
Louis Braille.

Louis Braille devia ter pouco mais de quinze anos quando inventou o seu código
de escrita. O jovem francês, nascido em 1809 próximo de Paris, tinha cegado aos três anos de
idade, após um acidente, mas não desistiu de tentar aprender. Uma bolsa de estudo permitiu-
99

lhe ingressar, em 1819, no Instituto para Jovens Cegos, em Paris, onde se ensinava a ler
através da impressão de textos em papel muito forte, que permitia dar relevo às letras.
O sistema não era perfeito, mas possibilitava a leitura. O pior era o momento de
escrever, pois era impossível. Braille interessou-se, então, por um sistema de escrita inventado
pelo capitão Charles Barbier de La Serre - que cegara na Palestina - para transmissões
noturnas em campanha, também baseado em pontos em relevo, e melhorou-o.
Em 1829, publicou o primeiro manual onde o novo código que haveria de ficar
para sempre com o seu nome aparecia sistematizado, mas existem alguns documentos que
provam que o jovem Louis já utilizava este alfabeto há pelo menos cinco anos. Nesta sua
primeira versão do alfabeto Braille, o sistema estava praticamente definido - seis pontos em
duas filas verticais de três pontos cada, num total de 63 sinais - mas havia algumas
combinações com traços que desapareceram oito anos depois, quando publicou a segunda
versão da obra. Este alfabeto, de 1837, permaneceu praticamente inalterado até hoje.
Louis Braille morreu em 1852, mas deixou um legado imprescindível para a
população cega mundial. A sua vida e a sua obra podem ainda hoje ser descobertos no museu
francês com o seu nome, onde, entre outros documentos, se encontram alguns dos primeiros
textos escritos no novo alfabeto em sua adolescência.
Fonte: http://www.bengalalegal.com/louis < acessado em: 20/03/2017>
100

ANEXO I

ACESSIBILIDADE EM TURISMO
O processo de tornar o Turismo Acessível para todos.
Linha do Tempo

Tudo iniciou a partir DECRETO Nº 5.296 DE 2 DE DEZEMBRO DE 2004 que


regulamenta as Leis nos 10.048, de 8 de novembro de 2000, que dá prioridade de atendimento
às pessoas que especifica, e 10.098, de 19 de dezembro de 2000, que estabelece normas gerais
e critérios básicos para a promoção da acessibilidade das pessoas com deficiência ou com
mobilidade reduzida, e dá outras providências que estabeleceu um prazo de quatro anos para
todos os setores de serviços (restaurantes, hotéis, teatros, etc.) adaptarem os locais de acesso
para as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida.
Hoje, o Estatuto da Pessoa com Deficiência Lei Federal nº 13.146/2015 só veio
confirmar que o caminho por nós escolhido foi realmente o mais indicado para a
sustentabilidade social e econômica dos hotéis Campo dos Sonhos e Parque dos Sonhos.
O Campo dos Sonhos (Socorro-SP) e o Parque dos Sonhos (Bueno Brandão-MG)
participaram do evento Adventure Sports Fair desde o início. Foi nesse evento que, em 2005,
o Ministério do Turismo falou pela primeira vez sobre inclusão social e acessibilidade no
turismo na voz do Ministro do Turismo na época Sr. Walfrido Silvino dos Mares Guia Neto,
pois no Brasil, são, nos dias de hoje, cerca de 45 milhões de pessoas com deficiência e mais
33 milhões com mobilidade reduzida (idosos, obesos, gestantes, anões entre outros).
Explicou o Ministro que de todos os segmentos de turismo, o de aventura era o
mais complexo, pois exigiria, não só adaptações como rampas de acesso, banheiros, cadeiras,
etc, mas também desenvolvimento de novos procedimentos e de novos equipamentos que
fossem seguros e ao mesmo tempo confortáveis aos clientes. Por haver mais de 30
modalidades, as variações de riscos e controle, não só do praticante, mas também dos
condutores, seriam um trabalho árduo e com uma responsabilidade imensurável.
A escolha do local para a implantação do projeto não foi fácil, pois esse deveria
ter um grande número de modalidades disponíveis e outras condições favoráveis. Como
Socorro além de disponibilizar essa possibilidade e por estar relativamente próximo a São
Paulo, sede da ONG Aventura Especial realizadora do projeto e ser o maior polo emissor de
turismo do país, Socorro ainda apresentava se como um grande desafio por estar em uma
região montanhosa, que se conseguisse ser implantado aqui, seria mais fácil de replicar o
projeto em outros destinos, além disso, tinha toda a infraestrutura necessária, além da
101

disponibilidade de apoio manifestada pela administração pública e dos empresários de turismo


de Socorro, e foi escolhida.
Então, numa ação conjunta entre o Ministério do Turismo, a ONG Aventura
Especial, o Campo dos Sonhos, o Parque dos Sonhos, a Rios de Aventura, o Parque
Monjolinho e a Prefeitura Municipal de Socorro, realizaram - sob a coordenação da ONG,
apoiada tecnicamente por uma equipe multidisciplinar formada por ortopedista, fisioterapeuta,
psicólogo e dos profissionais operadores de turismo de aventura doas empresas parceiras - os
estudos necessários para compor, o que é hoje, o cenário para o bem atender no Turismo para
as pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
As verbas destinadas ao processo foram repassadas à ONG Aventura Especial,
que ficou com a coordenação do projeto. As operadoras Parque dos Sonhos, Campo dos
Sonhos, Parque do Monjolinho e Rios de Aventura entraram com o espaço a ser executado os
estudos de adaptação e a participação nas oficinas técnicas. A Prefeitura de Socorro colaborou
com apoio de logística.

Muitas foram as dificuldades, mas a maior delas foi criar os equipamentos


específicos, principalmente para o rafting, onde a cadeira deveria fixar o deficiente no bote e o
colete deveria remeter o praticante para a superfície com a cabeça voltada para cima. Outro
desafio foi a criação da cadeirinha para o tetraplégico realizar a descida na tirolesa. O
praticante tem que ficar sentado com cintos transversais no peito e pescoço, para que este não
pendesse. Esses são detalhes de uma experiência inédita (um verdadeiro laboratório), pois, as
normas e regras desenvolvidas aqui são resultado de muito trabalho e determinação.
Obviamente, tudo isso resultou em outras formas de melhorar a vida dos que irão, lidar com
esse público.

Em 2007, o projeto terminou com enorme êxito e foi submetido ao Ministério do


Turismo que publicou os Manuais de Aplicação dos resultados obtidos, para serem repassados
a outras pessoas. Esses manuais podem ser encontrados no menu publicações no site do
Ministério do Turismo.

Hoje, Socorro é a única cidade do Brasil que tem a possibilidade, dentro dos
critérios resultados do estudo, de oferecer todo o conforto e “know how” para as pessoas com
deficiência ou mobilidade reduzida, no segmento de turismo de aventura.
102

Esse primeiro projeto foi batizado de “Aventureiros Especiais”, e totalmente


desenvolvido em Socorro, com o apoio do Ministério do Turismo.

Em função do sucesso do primeiro projeto voltado ao turismo de aventura, a


cidade de Socorro recebeu do Ministério do Turismo a missão de adaptar turisticamente a
cidade para receber o turista com deficiência ou mobilidade reduzida. Ruas, calçadas e os
principais logradouros públicos utilizados pelos turistas foram estrategicamente adaptadas
para que todas as pessoas com deficiência ou com mobilidade reduzida fossem atendidas,
contemplando lugares como bancos, farmácias, lojas de comércio, meios de hospedagem
entre outros.

“Socorro Acessível” nome do segundo projeto, fez com que Socorro passasse a
fazer parte do macroprojeto “Destinos Referência”, elaborado e viabilizado pelo Ministério do
Turismo, então hoje, oficialmente Socorro é um dos 10 destinos turísticos brasileiros
referência em segmentos prioritários para a promoção nacional e internacional. De 2007 a
2008, o Ministério investiu em Socorro, R$1,73 milhão em infraestrutura turística e
qualificação profissional.

Como resultados dos trabalhos, as empresas Hotel Fazenda Campo dos Sonhos e
Hotel Fazenda Parque dos Sonhos foram as primeiras empresas do país certificadas pela
ABNT (Associação Brasileira de Normas Técnicas) em Acessibilidade em Edificações
Hoteleiras - ABNT NBR 9050. Foram também as duas primeiras empresas do Brasil e no
mundo a serem certificas pela ABNT NBR ISO 21101 - Sistema de Gestão da Segurança -
para a prática segura das atividades de aventura.
103

ANEXO J
SUSTENTABILIDADE
Uma importante estratégia de desenvolvimento sustentável

Atualmente, ter uma empresa de turismo que trabalhe com sustentabilidade, vem sendo uma
exigência de mercado e já existe uma parcela de turistas que só viajam para locais que tenham
esses conceitos implementados.
Os hotéis fazenda Campo dos Sonhos e Parque dos Sonhos vem implementando
ações de Sustentabilidade desde sua inauguração em 1994, mas somente depois que o Hotel
Fazenda Campo dos Sonhos ter sido premiado pelo Guia 4 Rodas Brasil como o “Hotel
Sustentável do ano de 2011” é que ficou mais evidente a existência desse nicho de mercado
no turismo. Hoje existem muitos turistas que elegem hotéis que tenham modelos de gestão
para obtenção de uma operação mais sustentável.

Há mais de 22 anos iniciamos nossas atividades, adotando um conjunto, de ações


que nessa época já sabíamos da importância delas, mas não tínhamos uma noção clara dos
resultados positivos que iríamos ter ao longo do tempo. Implementamos ações pensando nas
questões ambientais, sociais e econômicas como um princípio de vida, acreditando que
respeitando o meio ambiente e as pessoas teríamos uma chance maior de conseguirmos um
desenvolvimento sustentável para os negócios, com menor investimento e um retorno sobre o
investimento mais rápido.

Hoje temos total consciência dos resultados positivos que obtemos para os hotéis
fazenda Campo dos Sonhos e Parque dos Sonhos, com a implantação do conceito do triple
bottom line, sistema convergente de forças onde trabalhamos as três dimensões da
sustentabilidade que nos permite uma forte contribuição para o meio ambiente natural, para a
sociedade, atores envolvidos e para a sustentabilidade das nossas empresas.

1 - São os únicos dois hotéis no Brasil que tem a certificação ABNT NBR 9050
como hotéis adaptados para receber pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida;
2 - São os primeiros no Brasil e no mundo a receber a certificação da ABNT NBR
ISO 21101 para a prática segura do turismo de aventura;
3 - São certificados pela Turismo 4 Patas como Pet Friendly.
A empresa implantou diversos programas e realizou diversas ações que passamos
a descrever.
104

NO ASPECTO AMBIENTAL:

Refere-se ao capital natural da empresa e da sociedade.

Da construção e da economia de energia:


Planejarmos desde o início, visando o menor impacto, a utilização das instalações já
existentes que foram adaptadas. Foram utilizados materiais de demolições e madeira
certificada e de reuso, além do uso adequado dos recursos naturais da propriedade e tudo feito
com licenciamento ambiental.
Visando menor consumo de energia, utilizamos nas construções abertura para ventilação
natural, utilização de vidros para melhor aproveitamento da luz do sol, utilização de tinta com
baixa toxidade e cores claras para deixar o ambiente mais fresco e implantado um paisagismo
mais próximo possível de uma mata natural, visando sombra e buscando a preservação natural
da flora e da fauna da região da Serra da Mantiqueira, onde os hotéis estão localizados.

A redução do consumo de energia foi conseguida com a utilização de equipamentos


econômicos como a substituição das lâmpadas incandescentes por lâmpadas econômicas e
num segundo momento trocando por lâmpadas de LED, com a utilização outras formas de
energia como a eólica para oxigenar a água de um dos lagos do hotel, o de biomassa para
aproveitar descartes naturais da natureza como galhos e folhas para aquecimento da caldeira
que aquece uma das piscinas e as saunas.
Utilização da energia solar com a instalação de placa fotovoltaica para captar e acumular
energia para iluminação da Praça dos Amigos do hotel e placas solar e térmica para
aquecimento das piscinas, sensores de presença para acendimento automático de lâmpadas em
locais que não há necessidade de luz todo tempo, e a utilização de roda d’água para
bombeamento de água.

Da utilização de produtos especiais e dos resíduos sólidos e líquidos:


São utilizados detergente biodegradável, limpadores de superfície, produtos para lavar roupas,
entre outros, fazemos a utilização de dispensers nos banheiros e lavabos. Quanto aos resíduos
sólidos, damos tratamento para resíduos orgânicos e inorgânicos. Temos a coleta seletiva com
triagem e reciclagem parcial através da reutilização de garrafas e frascos, na reutilização de
baldes plásticos para coleta de lixo entre outras reutilizações, papelão e latas na confecção de
artesanatos, no fabrico de equipamentos para brincadeiras, como lanternas para passeios
105

noturnos e também na utilização desse material para confecionar artigos artesanais para
decoração de ambientes e para utilização nos próprios hotéis em datas festivas como natal,
ano novo e carnaval.

Na cozinha utilizamos forno combinado para produção de alimentos, onde consumimos


menos óleo e utilizamos um único forno para fazer vários tipos de alimentos ao mesmo
tempo, onde necessitaria de vários, economizando energia e ainda pelo seu isolamento
térmico, dispensa refrigerar o ambiente. A utilização de máquina de lavar louças proporciona
economia de energia e água. A utilização de casca e bagaço de frutas que são enviadas do
restaurante para o centro de compostagem. A a coleta do óleo utilizado para troca por
produtos de limpeza e a utilização de sobras da cozinha para alimentar porcos.

Da água:
Aplicamos o conceito do sistema de reuso da água, implantamos a utilização de equipamentos
elétricos, eletrônicos e mecânicos (descargas dois tempos, torneiras e chuveiros econômicos e
utilização de máquina para lavar as louças do restaurante), adotamos uma política de uso e
troca de toalha, e após o tratamento de efluentes da fossa, utilizamos a água resultante nas
culturas perenes como adubo liquido que volta às plantações, sem poluir com isso os recursos
hídricos do local.

Da agricultura, da pecuária e demais animais:


Todas as áreas de plantações e dos animais foram implantadas usando-se praticas de
conservação dos solos e tecnologia para a produção de alimentos orgânicos. Além do rodízio
de pastos, nós utilizamos curva de nível para proteger o solo de erosão e com isso preservando
a qualidade do solo permitindo melhor produção sem a necessidade de uso de produtos
químicos. Trabalhamos a retenção de água com a implantação de micro bacias de contenção.
Com o resultado da usina de compostagem disponível, utilizamos descartes da natureza,
cinzas e estercos para serem utilizadas pelo minhocário para produção de humos que
utilizamos para adubar a horta orgânica que produz verduras para o restaurante e o excedente
da produção vendido aos hóspedes e visitantes.

Quanto à necessidade de neutralização do carbono feita através de reflorestamento, mais de


20.000 mudas foram plantadas e ainda foi implantado o programa “Plante ou adote uma
árvore”, com a participação direta dos turistas, onde eles escolhem uma espécie nativa da
106

Mata Atlântica e é confeccionada uma placa com nome comum e o cientifico da árvore, o
nome de quem praticou a ação, além da data do plantio ou adoção da mesma. Dessa forma
estabelecemos um elo direto com o nosso cliente, servindo também como uma forma de
conscientizar sobre a importância da preservação ambiental além de contribuir para a
fidelização do cliente junto a empresa.

Temos ainda o programa “Vivendo a natureza”, programa de grande flexibilidade que se


adequa a necessidade curricular da escola. Direcionado aos alunos que nos visitam para
conhecer nosso projeto de sustentabilidade ambiental e fortalecer conhecimentos
multidisciplinares, utilizando a Natureza como ferramenta de conhecimento, momento este
que aproveitamos para sensibilizar os alunos da importância da preservação ambiental.

NO ASPECTO SOCIAL:

Trata-se do capital humano de um empreendimento, comunidade e sociedade como um todo.

Respeito ao ser humano integra nosso modelo de gestão que fundamenta se nos cinco pilares
estratégicos da nos Política Integrada de Gestão:
1 – Satisfação do cliente; 2 – Sustentabilidade; 3 – Melhoria contínua e inovação; 4 –
Legislação; 5 – Segurança.
Para os colaboradores a empresa tem programa anual de treinamento e reciclagem,
proporciona ao colaborador plano de carreira e participação anual nos lucros. Implantado em
2015 temos o programa de “Novas ideias” que oferece premiação aos funcionários que
apresentam contribuições de melhoria.

Aliado a motivação e a formação dessas pessoas é preciso se pensar em longo prazo e ter
consciência de que os resultados nem sempre serão alcançados rapidamente em uma gestão
sustentável. Sempre foi priorizada a contratação de pessoas do entorno do hotel, com mais de
70% dos colaboradores nessa condição. Essa decisão trouxe para a empresa como resultado,
uma rotatividade de pessoas que sempre esteve abaixo de 5%, Isto tem grande importância
pela redução dos custos em treinamentos, principalmente em relação ao desafio de formar
profissionais que tenham essa visão de sustentabilidade, não apenas no trabalho, mas na vida.
107

Os Princípios e Valores, assim como os demais princípios essenciais, foram construídos em


conjunto com os colaboradores e como resultado trouxe princípios e valores de qualidade que
valorizam a vida, são eles: Qualidade de Vida; Companheirismo/Amizade; Respeito;
Otimismo/Positivismo; Ética; Honestidade/Transparência; Segurança; Responsabilidade
Social; Sustentabilidade e Profissionalismo.
Na área de responsabilidade social destacamos uma ação de inclusão social, o programa
“Turismo para todos” onde implantamos acessibilidade no hotel. Essa ação tornou-se uma
referencia no mercado de turismo nacional e internacional, onde mais de 70% do hotel é
adaptado para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Além dos chalés, banheiros, e todo espaço social do hotel ser acessível, inovou-se em
equipamentos e procedimentos para atendimento que propiciaram para tornar as atividades de
lazer também adaptadas como: sela com encosto que propiciaram o passeio a cavalo, cadeira
especial para a prática tirolesa e rapel, manta que possibilitaram a existência da tirolesa
voadora, triciclos e quadriciclos não motorizados adaptados, cadeira adaptada para possibilitar
a prática do rafting, troles adaptados puxados por cavalos para passeio e até equipamentos de
playgrounds como gira-gira e balanço podem ser usados pelas pessoas com deficiência.
Conquistou se com essa ação, a certificação em acessibilidade em meios de hospedagem, para
o Campo dos Sonhos e Parque dos Sonhos, tornaram se os únicos do Brasil a possuir essa
certificação da ABNT NBR 9050.
O hotel investiu também e conquistou a certificação internacional ABNT NBR ISO 21101,
para a prática segura das atividades de turismo de aventura. Essas certificações se tornaram
um diferencial competitivo importante para o posicionamento do hotel no mercado, pois
passamos a atender melhor, as pessoas que nos procuram, tanto em segurança como
procedimentos e equipamentos. Com essas ações o hotel aumentou significativamente seu
publico potencial, pois hoje no Brasil existe um nicho de mercado com 45 milhões de pessoas
com deficiência e mais 33 milhões de pessoas com mobilidade reduzida, sem levar em conta
que essas pessoas dificilmente viajam sozinhas.
Desenvolvimento da comunidade:
A empresa mantém um vivo envolvimento com a comunidade através de ações junto à
mesma, tais como: participação na diretoria do COMTUR local, da Assoc. Comercial e
Empresarial - ACE, ABRATUR/SP/Socorro, ABETA/Socorro, ABIH/SP/Socorro,
Associação de Produtores da Bacia Do Ribeirão Do Meio – Casa Do Mel, Projeto Copaíba,
Conservatório Musical de Socorro – Instituto Cultura e Arte – ICA e Centro do Idoso.
108

NO ASPECTO ECONÔMICO:

São analisados os temas ligados à produção, distribuição e consumo de bens e serviços.

Procuramos trabalhar de forma justa e transparente. Formatamos produtos para nosso público
alvo que sejam fiéis a nossa comunicação, que mostre nosso trabalho e que permitam a
perenidade da empresa. Por exemplo, fomos as duas primeiras empresas do Brasil a
conquistar a certificação ABNT NBR ISO 21101 para a prática segura das atividades de
turismo de aventura. Trabalhamos a melhoria contínua com o aprimoramento dos produtos e
do atendimento de modo que possamos cumprir a nossa missão de encantar nossos clientes e
que possamos concretizar nossa visão de tornar se um empreendimento turístico exemplo no
mercado de atuação.

Exemplo de atividades sustentáveis:

Recreacionais: Uso de pedalinho para oxigenar o lago, utilização de bicicletas, tri e


quadriciclos não motorizados para locomoção interna e diversão.

Culturais: Apresentação de conjuntos musicais típicos utilizando músicos locais e a


realização de festas típicas da cultura regional como festa caipira e festa do alambique.
Servimos a gastronomia regional com a grande parte dos alimentos produzidos na própria
fazenda e servidas no fogão a lenha, conforme cultura regional.

Quanto ao consumo de bens e serviços, nossos fornecedores são avaliados levando-se em


conta os itens abaixo:
 Competências: Know how, sistemas, tecnologia, instalações
 Qualidade dos produtos e serviços oferecidos
 Agilidade e flexibilidade
 Cumprimento de prazos
 Preços
 Estabilidade financeira
 Especificações técnicas e normas administrativas
 Sustentabilidade
Verificar a formalidade; verificação de licença ambiental; verificação das questões
109

sociais; trabalho escravo, infantil; qualidade e normas técnicas do produto; consultar o


perfil de responsabilidade socioambiental da empresa e identificar a existência de
propaganda enganosa.

Exemplo de ganhos reais mensuráveis atingidos:

GANHOS MENSURÁVEIS COM A SUSTENTABILIDADE EM 2014


Campo dos Sonhos
Itens
R$
Economia de energia elétrica R$ 7.000,00
Uso da energia da biomassa R$ 7.500,00
Uso da energia eólica X
Uso da energia solar R$ 11.500,00
Economia de água R$ 5.500,00
Economia de detergentes R$ 1.700,00
Redução de embalagens plásticas R$ 2.200,00
Estufa da lavanderia X
Economia no uso de madeiras R$ 17.000,00
Economia de fertilizantes R$ 12.000,00
Economia de agroquímicos R$ 4.500,00
Ganhos no transporte dos
colaboradores R$ 12.000,00
Resultado da venda do lixo reciclado R$ 14.000,00
Vendas do artesanato do lixo R$ 700,00
Projeto de acessibilidade R$ 130.000,00
Sustentabilidade no restaurante R$ 15.000,00
Mídias espontâneas R$ 550.000,00
TOTAL DE GANHOS MENSURÁVEIS R$ 790.600,00

Sabemos que dessa forma, criaremos ambiente favorável para que a empresa seja
economicamente forte e tenha assim, recursos para manter a qualidade do produto oferecido e
para investimentos futuros.
Muitas empresas que buscam maximizar o lucro o mais rápido possível, resistem
muitas vezes à implementação da sustentabilidade e com isto, não garantem a perenidade do
negócio no médio e principalmente no longo prazo.
Assim como a qualidade foi uma busca constante de décadas atrás, a
sustentabilidade nada mais é que um novo modelo de gestão que ainda é pouco praticado pela
maioria das empresas, mas na nossa ótica, essa decisão de mudança tem de ser tomada já.
Atualmente sustentabilidade não é mais que uma questão de escolha e sim uma
necessidade dos novos tempos que estamos vivendo. Portanto, as empresas que desejam
110

perpetuar e construir um legado admirável deve pensar, acima de tudo, em como ganhar
dinheiro sem destruir o meio ambiente, gerando o bem estar do consumidor e de seus
colaboradores. Somente assim estaremos construindo uma sociedade com sustentabilidade.
“Muito fizemos, mas ainda não tudo, sempre tem se o que se pode fazer de
melhor”.