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Pedro e o Lobo (Conto Adaptado) PDF

O menino Pedro desobedece o avô e atravessa a porteira do sítio para conversar com um pássaro chamado Melro. Isso causa uma grande confusão com o pato e o gato, atraindo a atenção de um lobo faminto. Pedro tem uma ideia arriscada para prender o lobo e salvar o gato, amarrando o lobo em uma árvore com a ajuda do Melro.

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Rodrigo Gerstner
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Pedro e o Lobo (Conto Adaptado) PDF

O menino Pedro desobedece o avô e atravessa a porteira do sítio para conversar com um pássaro chamado Melro. Isso causa uma grande confusão com o pato e o gato, atraindo a atenção de um lobo faminto. Pedro tem uma ideia arriscada para prender o lobo e salvar o gato, amarrando o lobo em uma árvore com a ajuda do Melro.

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O causo de Pedro e o lobo

Versão brasileira narrativa para o conto musical de Serguei Prokofiev

Pedro e seu avô moram num sítio cercado pela natureza. Árvores frutíferas, arbustos de todos
os tipos, um lago com tilápias que o avô adora pescar, flores multicolores... e animais, muitos animais.
Pedro até é amigo de dois deles: o gato e o pato. Todos os dias, depois da escola, ele brinca lá fora,
corre com a bola, rola na grama, sobe nas árvores. Depois de tanto brincar, Pedro sossega e dá comida
ao pato e ao gato. E também todos os dias seu avô o alertava: “Aqui no sítio vale toda brincadeira,
mas, Pedro, nunca atravesse a porteira! ” É que a mata é muito boa para passear nas trilhas, apanhar
frutos e se banhar nos rios, mas ela também tem lá seus perigos. Criança não pode andar sozinha na
mata, precisa sempre estar com um adulto perto. Porém, o que Pedro irradia de alegria e energia, tem
também de teimosia. E apesar de tanto o avô avisar, um dia Pedro não lhe deu ouvidos e se meteu
numa baita confusão.
Foi numa bela manhã de sol. O avô mexia na horta e chamou Pedro para ajudar, mas disso ele
não gostava – “Minhoca é gosmenta, vô! ” E foi brincar no gramado, que estava especialmente
vibrante naquele dia ensolarado. Borboletas voejavam e pássaros cantavam. O canto de um deles
chamou sua atenção e Pedro, que era muito curioso, queria saber de onde vinha. Foi seguindo a
melodia e parou na porteira. Olhou para fora e viu, num ramo de mangabeira, um lindo pássaro preto
cantando sobremaneira. Empolgado com a atração musical, o menino nem se lembrou do conselho
do avô. Abriu o trinco num estalo e, dando um tranco no portão, já estava lá fora à sombra da árvore.
– Oi, passarinho. Como você canta bem!
– Obrigado, menino. Eu sou o melro e você?
– Eu sou o Pedro. Como suas penas são bonitas! – disse admirado. São pretas como as da
graúna.
O Melro agradeceu e riu-se. “Mas é claro que são pretas como as da graúna! Graúna e melro
são o mesmo pássaro!”. Pedro era realmente muito esperto e logo retrucou: “Entendi! É igual ao que
o vovô falou: que papagaio e louro também são o mesmo pássaro.” Seu avô também gostava muito
de pássaros e ensinava muitas coisas a Pedro sobre eles. Quem sabe agora ele não poderia ensinar
essa do melro para o avô? E foi só se lembrar do avô que lhe veio também a frase “Aqui no sítio vale
toda brincadeira, mas, Pedro, nunca atravesse a porteira! ” Mas como era uma manhã tão linda e o
melro era tão simpático e cantava tão bem, que mal poderia haver por estar ali, do lado de fora do
sítio?
A apresentação do melro durou ainda alguns minutos, até ser interrompida pelo barulho que
vinha do lago, que ficava logo ao lado. Era o pato que, aproveitando a porteira aberta justo num dia
tão quente e bonito, foi tomar um banho refrescante. Com receio de que aquela algazarra do pato
acabasse chamando a atenção do avô, Pedro achou melhor colocá-lo para dentro novamente. Mas o
pato não se deixava ser pego, sacudia as asas e nadava rápido de um lado pro outro, driblando as
tentativas de Pedro. Olhando aquela cena, o melro achou graça do pato. Afinal, por que não voava
para longe do menino? “Porque não sei voar!” – gritou o pato entre uma manobra e outra. “Mas que
tipo de pássaro é você que não sabe voar?” – devolveu o melro entre uma risada e outra. Ao que o
pato respondeu: “E que tipo de pássaro é você que não sabe nadar?”, o que acabou gerando mais
barulho, porque agora, além dos ruídos de Pedro e do pato se debatendo na água, também o melro e
o pato discutiam entre si.
Não demorou para a confusão despertar a curiosidade do gato, que foi chegando de mansinho
para bisbilhotar. Ele ficou muito atiçado quando viu o melro, que a esta altura já descera da árvore
para continuar a discussão com o pato. O gato foi se aproximando do melro cada vez mais, andando
daquele jeito manhoso de que só os felinos são dotados. Quando estava para armar o bote, Pedro o
reparou e, num grito, disparou: “Melro, cuidado com o gato!” Foi o suficiente para espantar o melro,
frustrar o gato e fazer Pedro ganhar mais um amigo. “Ufa, essa foi por pouco! Obrigado, Pedro.” –
disse o melro aliviado, de volta ao ramo da mangabeira. E o gato, sem perder a esportiva, ainda fez
uma piada matreira: “Foi mesmo, meu melro. É bom não ficar mais de bobeira”.
Só que tanta barulheira não passaria despercebida pelo avô, que já chegou esbravejando:
– Pedro! Quantas vezes eu lhe disse para não passar da porteira? A mata é perigosa!
– Eu sei, vô. Mas é que hoje está um dia tão bonito e eu ouvi o melro cantando e... Ah, sabia
que melro e graúna são o mesmo pássaro?
Aquela pergunta desconcertou um pouco o avô. Eta menino esperto que é o Pedro. Mas o avô
continuou, ainda que mais calmo:
– Meu neto, você é uma criança esperta, mas a mata é perigosa. Num instante você pode se
perder. Além do que, se um bicho saísse da mata, o que você iria fazer?
– Eu ia sair correndo, vô!
– Se fosse um lobo-guará ou uma onça chegando, você não teria tempo nem de piscar. Agora,
pegue o pato e o gato e vamos entrar.
Enquanto o avô ajeitava a porteira para entrarem, Pedro tirou o pato do lago e o melro começou
um canto tristonho. Parecia até que o melro estava compondo uma melodia para a frustração de Pedro.
Entretanto, aquela bagunça toda na entrada da mata não chamou só a atenção do avô. O gato
já estava caminhando à frente de Pedro rumo ao portão, cheio de fome e de certeza de que ele e o
pato logo iriam receber suas rações, quando surgiu da mata, num sobressalto, um lobo de pernas
longas e finas, pelo marrom e grandes orelhas. Tão logo ele apareceu, o gato e o melro pularam e
pararam na mangabeira, cada qual em um galho. Pedro e seu avô, assustados, ficaram petrificados. E
o pato, distraído que só ele, nem percebeu o perigo. Então o lobo, num piscar de olhos, saltou pra
cima do pato e o devorou numa só bocada. Nhac! O lobo estava com tanta fome que nem mastigou,
engoliu o pato direto. Ainda com duas ou três penas nos pelos do focinho, o lobo disse sem pena:
– Que patinho mais gostoso! Veio em muito boa hora, mas ele foi só o começo. Quem eu vou
comer agora?
No alto da árvore, o melro e o gato ainda recobravam o fôlego e, lá embaixo, o avô pegou seu
neto pelo braço e correu pra dentro da porteira. Pedro, ainda que mudo, prestava atenção em tudo.
Seu coraçãozinho batia forte, num misto de susto, tristeza pelo pato e alegria pela sorte que teve de
estar a salvo. O lobo, reparando que o gato e o melro estavam na mangabeira, pensou consigo mesmo
“Esta árvore não é muito alta, consigo subir nela. O melro pode até voar pra longe, mas o gato, ah,
esse vai para a panela!” – e começou a rodeá-la, procurando a melhor forma de subir, se num pulo ou
de escalada. O melro, percebendo que o lobo logo subiria, voou para cima da porteira para se safar.
O gato, sem ter muito o que fazer, começou a miar: “Socorro, Pedro, socorro! Se o lobo subir aqui, é
hoje que eu morro!” O avô, querendo evitar que mais um animal do sítio fosse parar na barriga do
lobo, tentava enxotá-lo de todo jeito. Gritou, bateu com um galho na porteira, assobiou e até imitar
cachorro brabo imitou, mas nada demoveu o lobo da decisão de continuar seu almoço.
Pedro, depois de um tempo calado, vendo que as tentativas do avô não estavam funcionando,
falou:
– Tive uma ideia! Vamos prender o lobo.
– O quê? – disse o avô espantado.
– Vovô, desamarre esta corda que você usa para amarrar os cavalos das visitas aqui na porteira.
– Não! É perigoso demais – ponderou o avô.
– Faça um laço com a corda e, depois, enlaçamos o lobo, vovô.
O avô, já cansado de espantar o lobo sem sucesso, achou que a ideia do menino, apesar de lhe
parecer um tanto fantasiosa, poderia ao menos assustar o lobo e fazê-lo ir embora. Desamarrou a
corda do portão e começou a fazer um laço. Quando estava prestes a lançar a corda para laçar o lobo,
ocorreu-lhe que o plano poderia ter efeito inverso e, ao invés de espantar o lobo, deixá-lo ainda mais
irritado. E refletiu ainda mais, dizendo:
– Pedro, depois de laçar o lobo, o que faremos? Se nos aproximarmos, ainda assim ele poderá
nos morder.
O avô tinha mesmo razão. Laçar o lobo e puxá-lo na direção em que estavam, seria o pior
plano já inventado desde que tentou pescar tilápia com linha de costura. Amarrar a corda no portão
seria uma ideia tão ruim quanto, pois não poderiam mais se aproximar do portão e ficariam trancados
no sítio pelo resto da vida. Mas e se conseguissem amarrar o lobo na árvore? Essa não era uma má
ideia. O problema era só fazer isso sem ter que sair pelo portão.
– “Só”?! – falou o avô em meio a uma gargalhada.
– Eu voo, passo a ponta da corda por um galho da árvore e depois vocês puxam.
O melro tinha dado a solução! Agora o plano de Pedro era um ótimo plano. Ou pelo menos
um plano viável. O avô ajeitou o laço e entregou a corda ao neto, que era craque nos jogos de lançar
argola que havia nas festas juninas da escola. Pedro, muito concentrado, engoliu a seco, girou a corda
sobre a cabeça umas três vezes, como fazem os vaqueiros, e tchum! jogou-a sobre o lobo. No mesmo
instante, o melro disparou com a ponta da corda em direção ao galho mais forte da mangabeira e
voltou. Eles agiram tão rapidamente, que o lobo só reparou que fora laçado quando avô e neto já
estavam puxando com força a corda e o laço apertou em volta de suas patas traseiras. Só deu tempo
de pular para fugir pra mata, mas o laço já prendera firme e o lobo ficou suspenso de cabeça pra baixo
na árvore. A alguns galhos de distância, o gato lançou um olhar de desprezo para o lobo, desceu da
árvore e começou a lamber as patas como se nada tivesse acontecido. Após amarrarem bem firme a
corda na porteira, Pedro e seu avô comemoraram o sucesso do plano ao lado do melro.
– Agora vou ligar para o zoológico na cidade e pedir para virem buscar o lobo. – falou o avô
enquanto olhava admirado para o bicho pendurado de cabeça pra baixo.
Para surpresa de todos, o lobo humildemente pediu a palavra:
– Por favor, esperem um pouco. Por que vocês vão me levar para o zoológico?
– Porque lá você ficará preso e não poderá mais fazer mal a ninguém – explicou Pedro.
– Mas que mal eu fiz? Eu só estou com fome... preciso comer.
– Ai, eu é que não quero virar sua comida! – disse o melro, escondendo a cabeça entre as asas.
– Nem eu... – falou o gato, parando de se lamber.
– Então não podemos fazer um pacto? – o lobo argumentou.
O avô, interessado em ouvir uma proposta do lobo, concordou: – Vejamos. Qual seria o pacto?
– Vocês me soltam na mata, que é a minha casa, e eu me comprometo a não caçar nenhum
animal aqui perto do sítio. Que tal?
Pensando bem, aquela era uma proposta justa. Afinal, os lobos sempre viveram na mata. E
assim como Pedro comia os legumes da horta do avô, o melro comia as minhocas que viviam na horta
e o gato gostava de caçar pássaros, o lobo também tinha direito a se alimentar.
O lobo foi, então, desamarrado. E quando caminhava, grato, em direção à mata, de repente
parou assustado. Isso porque, de dentro da sua barriga, ouviu-se a voz do pato:
– Ei, não esqueçam que eu também ajudei a pegar o Lobo! Eu fiquei distraindo ele, enquanto
vocês faziam o resto do plano! Agora, que tal me tirarem daqui?

Rodrigo Gerstner
Rio de Janeiro, 30 de abril de 2020.

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O causo de Pedro e o lobo 
Versão brasileira narrativa para o conto musical de Serguei Prokofiev 
 
 
Pedro e seu avô moram n
pato respondeu: “E que tipo de pássaro é você que não sabe nadar?”, o que acabou gerando mais 
barulho, porque agora, além do
esse vai para a panela!” – e começou a rodeá-la, procurando a melhor forma de subir, se num pulo ou 
de escalada. O melro, pe
–  (http://creativecommons.org/licenses/by-nc-nd/4.0/)Agora vou ligar para o zoológico na cidade e pedir para virem buscar o

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